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Professor Me. André Felipe Barion Alves Andrean HORTICULTURA REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP A556h Andrean, André Felipe Barion Alves Horticultura / André Felipe Barion Alves Andrean. Paranavaí: EduFatecie, 2024. 112 p.: il. Color. 1. Horticultura. 2. Hortaliças – Cultivo. 3.Alface. 4. Fitotecnia I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 635 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ 3 Professor Dr. André Felipe Barion Alves Andrean • Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Estadual de Maringá; • Mestre em agronomia pela Universidade Estadual de Maringá; • Especialista em agronegócios pela Unicesumar; • Doutor em agronomia com ênfase na irrigação em cultivo protegido de hortaliças pela Universidade Estadual de Maringá. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/1224192983709430 AUTOR http://lattes.cnpq.br/1224192983709430 4 Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o agronegócio brasileiro representa mais de 20% do PIB nacional, sendo considerado um importante pilar para a economia brasileira (IPEA, 2023). Dentro da cadeia produtiva agropecuária, o setor de “hortfrut” também desempenha um importante papel, tendo o Brasil como referência mundial. Assim, o estudo agronômico acerca do cultivo e manejo de hortaliças, é fundamental para que este setor continue crescendo através da implementação de novas tecnologias, gerando inúmeros empregos diretos e indiretos e fortalecendo a nossa economia. Baseado nestas diretrizes, ao longo de nossa disciplina iremos abordar os princípios fundamentais da horticultura, como é dividida, sua exploração e expansão no Brasil, formando o que hoje conhecemos como os “cinturões verdes”. Iremos conhecer as principais culturas hortícolas produzidas no Brasil, assim como as principais regiões produtoras. Todas essas informações serão discutidas na unidade I. Na unidade II aprenderemos os principais meios propagativos de frutas e hortaliças, bem como o sistema de produção das cucurbitáceas, representadas pela melancia e pepino; sistema de produção das solanáceas, como o tomate e a batata. Por fim, conheceremos o sistema de cultivo das brássicas, sendo representadas pelo couve-flor e repolho. Na unidade III abordaremos o sistema de produção da alface, assim como os diferentes meios de produção, podendo ser em ambientes protegidos, uso de canteiros ou sistema de produção sem solo. Analisaremos como as plantas são conduzidas nestes sistemas, assim como suas vantagens e desvantagens. Por fim, na unidade IV conheceremos as principais práticas que ocorrem “depois da porteira”, ou seja, as práticas necessárias em pós-colheita para a conservação e manutenção da qualidade de frutas e hortaliças. Para isto, aprenderemos os conceitos básicos de classificação desses produtos, bem como sua fisiologia em pós-colheita durante o seu armazenamento. Deste modo, espera-se que os conteúdos listados acima possam contribuir para a formação do aluno na área de produção de hortaliças, conhecendo os conceitos básicos do sistema de produção, como: propagação, modo de condução, tratos culturais e cuidados na operação de pós-colheita. APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 UNIDADE 4 Pós-colheita Diferentes sistemas na produção de alface UNIDADE 3 Cultivo de hortaliças UNIDADE 2 Introdução à horticultura UNIDADE 1 SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Exploração e Expansão da Horticultura como Atividade Socioeco- nômica; • Principais Culturas Hortícolas Produzidas no Mundo, Brasil e Es- tados; • Sistemas de Produção de Hortaliças. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e contextualizar o aluno referente a produção mundial e nacional de hortaliças e sua importância para a economia. • Compreender que a exigência do mercado influencia grandemente na produção de hortaliças, assim como os diferentes sistemas de produção. • Estabelecer a importância da horticultura na sociedade, uma vez que além de proporcionar alimentos saudáveis, também é capaz de gerar emprego direto e indiretos. Professor Me. André Felipe Barion Alves Andrean INTRODUÇÃO À INTRODUÇÃO À HORTICULTURAHORTICULTURA1UNIDADEUNIDADE INTRODUÇÃO 7INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A horticultura é considerada a ciência que englobaa olericultura, fruticultura, plantas medicinais, ornamentais e condimentares. A palavra hortaliças se refere ao grupo de plantas que possuem características específicas, como: consistência tenra, não lenhosa, ciclo biológico curto, tratos culturais intensivos e cultivados em pequenas áreas (FILGUEIRA, 2008). O cultivo de hortaliças já é muito antigo, desde os primórdios da civilização. Historiadores afirmam que a beterraba, por exemplo, já era cultivada há 800 anos antes de Cristo nos jardins suspensos da Babilônia (AQUINO; BORÉM, 2021). A subsistência de uma população sempre esteve atrelada à horticultura. As primeiras áreas hortícolas tiveram por objetivo atender a demanda da população local. Com o surgimento dos grandes centros urbanos, essas áreas acabaram por se expandir, dando origem ao que hoje compreendemos como cinturões verdes. No Brasil, por exemplo, o Cinturão Verde Paulista se destaca como um dos principais polos produtor nacional de hortaliças. Pesquisas voltadas para a adaptabilidade de plantas e sua aclimatação, foram fundamentais para o desenvolvimento desse setor. Desta forma, muitas regiões acabaram por se tornar referência na produção de determinada cultura hortícola. A preferência do mercado consumidor também contribui para setorizar determinadas culturas. Diante disso, nesta unidade abordaremos os preceitos básicos da horticultura, e como a sua exploração e expansão está fundamentada no desenvolvimento da sociedade. Conheceremos os principais países produtores de hortaliças, assim como as hortícolas de maior destaque nacional e seu valor econômico para os estados produtores. Por fim, estudaremos os principais sistemas de produção de hortaliças, abordando os conceitos básicos de manejo. Muito obrigado e bom estudo! EXPLORAÇÃO E EXPANSÃO DA HORTICULTURA COMO ATIVIDADE SOCIOECONÔMICA1 TÓPICO 8INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Os primeiros cultivos de hortaliças tinham como objetivo suprir apenas a subsistência, não era visto como um meio produtivo gerador de renda. Estas hortas eram conduzidas por famílias ou pequenos grupos. Zárate e Vieira (2018), definem que o termo horta representa o local, geralmente de curta extensão, onde se cultiva hortaliças e poucas árvores frutíferas. Já o termo hortaliças se refere a plantas herbáceas de cultivo intensivo de ciclo curto, onde as partes comestíveis podem ser consumidas ao natural ou semi-processadas. Para cada necessidade de mercado, indústria, nível tecnológico e social, há um método específico de implantação e condução da horta. Hortas comerciais, por exemplo, objetivam a obtenção de lucro, sendo especializadas no cultivo de no máximo três espécies hortícolas e possuem mecanização. Já as hortas comerciais diversificadas, é cultivado no mínimo quatro espécies hortícolas, além de predominar a mão de obra nos tratos culturais. Este último tipo teve início com o aumento da demanda por alimentos devido ao crescimento populacional. As hortas, denominadas educativas, têm por objetivo não apenas ensinar técnicas de cultivo, mas garantir qualidade de vida aos que participam. As hortas comunitárias podem ser classificadas como métodos educativos e estão presentes em muitas cidades do Brasil, garantindo qualidade alimentar a inúmeras comunidades, propiciando o desenvolvimento da cidadania por meio do respeito ao meio ambiente, convívio social e terapia ocupacional. As hortas classificadas como experimentais são áreas destinadas à implantação de experimentos, objetivando a adaptação de espécies hortícolas inseridas na região ou na elaboração de novas técnicas de cultivo. Embora este método de adaptação e melhoramento genético seja utilizado com maior precisão nos tempos atuais, esta prática já era utilizada há muito tempo, porém de maneira empírica e rudimentar. 9INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 No período das grandes navegações mercantes, a disseminação de inúmeras espécies de hortaliças ocorreu de forma sistemática ao redor do mundo, sendo utilizada como moeda de troca por outras mercadorias ou na subsistência das novas áreas colonizadas. A alface, por exemplo, uma das principais hortaliças produzidas na atualidade no Brasil, especula-se que foi introduzida na América em 1494 por Cristóvão Colombo (SALA; COSTA, 2012) e no Brasil por intermédio dos colonizadores portugueses em 1650. A batata também foi incorporada na dieta dos brasileiros através dos imigrantes europeus, no final do século XIX, na região sul do país. As condições climáticas neste local eram favoráveis na época (EMATER/RS, 2008). Segundo Filgueira (2008), a olericultura evoluiu acentuadamente no Brasil a partir da década de 1940, onde o cultivo de hortaliças passaram de pequenas hortas à exploração comercial com características de agronegócio. Mais tarde, com a fundação da Sociedade de Olericultura do Brasil, a atividade passou a ganhar maior destaque e adeptos no país, principalmente com o apoio de instituições de pesquisa. Ao longo dos anos, diferentes regiões do Brasil passaram a selecionar cultivares que melhor se adaptassem ao clima e ao sistema de produção local. Assim, estas regiões tornaram-se referência na produção de determinada hortícola. Aliada a revolução verde, promovida pelo uso de agroquímicos e fertilizantes, a produção nessas regiões acabou por formar o que hoje compreendemos como cinturão verde. O termo cinturão verde é empregado para identificar faixas extensas de plantações de hortaliças próximas a aglomerações urbanas. Estas áreas são destinadas para a produção de alimentos voltados para o abastecimento da metrópole, uma vez que os produtos hortícolas exigem seu consumo ainda fresco. De acordo com a CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), o Cinturão Verde Paulista corresponde por 25% da produção nacional de verduras e 90% das verduras, e 40% dos legumes consumidos na capital paulista. O Cinturão Verde Paulista é composto por duas grandes áreas, sendo leste e oeste, onde a capital do estado está no centro. Os municípios que compõem a região leste são: Mogi das Cruzes, Santa Isabel e Suzano, com mais de 4 mil pequenos produtores rurais. Na região oeste, o Cinturão Verde é composto por cidades como Ibiúna, Itapetininga, Piedade do Sul e Sorocaba, que contam com aproximadamente 3 mil pequenas propriedades rurais (CEAGESP, 2018). 10INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 De modo semelhante, estas áreas agrícolas também são observadas próximos a grandes centros urbanos no estado do Paraná, tendo como destaque as regiões de Maringá – Londrina e Curitiba – Ponta Grossa. A Figura 1 identifica os principais polos produtores de frutas e legumes do país, responsáveis pelo abastecimento da CEAGESP. QUADRO 1: PRINCIPAIS PÓLOS PRODUTORES DE FRUTAS DE LEGUMES QUE ABASTECEM A CEAGESP. Fonte: CEAGESP (2018) Grande parte desses polos produtores são conduzidos por agricultores que possuem até 4 módulos fiscais, portanto, são classificados como agricultura familiar. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, o IBGE contabilizou 3,9 milhões de estabelecimentos agrícolas no Brasil que se enquadram como agricultura familiar (IBGE, 2017). A pesquisa revelou que a agricultura familiar representa 76,8% dos estabelecimentos agropecuários, representando 23% da área total de agropecuária brasileira. Uma característica da agricultura familiar é a limitação ao acesso à tecnologia de produção. No setor da horticultura, inúmeros métodos podem ser empregados ao sistema produtivo que não necessariamente necessitam do uso de tecnologia, como a produção de mudas em bandejas, polinização de flores, raleamento de frutos em formação, desbaste de 11INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 plantas ou poda de condução e limpeza. Já a implantação de sistemas de produção com o uso de microirrigação, ambiente protegido ou cultivo sem solo, fazem uso de meios tecnológicos e quando empregados possibilitamo aumento de produção e oferta do produto o ano todo. Embora a tecnologia possibilite maiores produções, o uso da mão de obra ainda é de fundamental importância. Segundo Filgueira (2008), do ponto de vista social, o intensivo uso de mão de obra nesta atividade contribui para a redução do desemprego. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS) e o programa Hortifruti Saber & Saúde lançaram recentemente o relatório Cenário Hortifruti Brasil que traz, pela primeira vez, o panorama nacional dos cultivos de hortifruti. Entre os destaques, o material aponta que a produção de frutas e hortaliças no Brasil gera cerca de 13 milhões empregos diretos e indiretos, em uma área de pouco mais de 5 milhões de hectares, superando a cadeia de soja, que tem área superior a 34 milhões de hectares de norte a sul do País (Revista Rural, 2019). O uso de mão de obra qualificada no cultivo de hortaliças é capaz de proporcionar maiores índices de produtividade e qualidade nos produtos colhidos (EPAGRI, 2014). A qualidade do produto se torna um fator determinante para a obtenção de melhores preços, sendo muitas vezes um fator decisivo para o produtor optar por vender ou não. O fator produtividade é observado pelo alto valor econômico por unidade de área cultivada em comparação com outras culturas agrícolas. A Tabela 1 destaca os valores referente ao custo de produção e rendimento por hectare de algumas hortaliças em relação ao cultivo de cereais, no estado do Paraná. QUADRO 2: VALORES MÉDIOS DE PRODUTIVIDADE, PREÇO DE COMERCIALIZAÇÃO, CUSTO DE PRODUÇÃO E RENDIMENTO DAS PRINCIPAIS CULTURAS HORTÍCOLAS E DE CEREAIS. Fonte: Ceasa (2023); Aprosoja (2022) e Cepea (2023) 12INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Com base na Tabela 1 podemos observar que embora o cultivo de hortaliças requer maiores investimentos para a sua condução e uso de mão de obra especializada, o retorno econômico, ou rendimento obtido, pode chegar a 30 vezes mais, como pode ser comparado entre o cultivo da alface com a cultura da soja. Dentre as hortaliças apresentadas na tabela, o tomate se destaca como a cultura que mais exige investimento, sendo em torno de R$ 76.089,00 por hectare. No entanto, sua capacidade produtiva é maior em relação às demais culturas citadas, além do seu valor de mercado ser atrativo, tornando-a uma das culturas mais rentáveis no Brasil. Para a cultura da batata, embora apresente menor rendimento por hectare em relação às outras hortícolas, ainda sim se torna uma cultura atrativa a sua produção, pois há grande aceitação do mercado consumidor desse tubérculo. Desta forma, compreendemos que a exploração de culturas hortícolas tem alavancado a economia de grandes centros urbanos, por meio de logísticas de produção, transporte e consumo. A geração de empregos formais e informais neste setor tem contribuído para o desenvolvimento regional, bem como a formação e consolidação de Cinturões Verdes que proporcionam a oferta de produtos frescos e de maior qualidade aos consumidores. PRINCIPAIS CULTURAS HORTÍCOLAS PRODUZIDAS NO MUNDO, BRASIL E ESTADOS2 TÓPICO 13INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A produção mundial de hortaliças saltou de 682 milhões de toneladas em 2000 para cerca de 1.1 bilhão de toneladas em 2021 (STATISTIC, 2023). De acordo com a pesquisa, apenas em 2021 o mercado global de horticultura foi de US $20,77 bilhões e sua projeção sugere um aumento de US $40,24 bilhões para 2026. Atualmente a China se destaca como o maior produtor de vegetais frescos, seguida pela Índia e os Estados Unidos (FAOSTAT, 2023). O Brasil se encontra 8.º- posição, com uma produção de 1,12% da produção mundial. Embora possua alto valor comercial, a produção de vegetais frescos ainda se encontra em último lugar na cadeia de produção de alimentos. Conforme a pesquisa da FAO (Figura 3), a produção de açúcar, ovos, carnes e cereais são as principais commodities produzidas e comercializadas no mundo. QUADRO 3: PRINCIPAIS ALIMENTOS PRODUZIDOS NO MUNDO Fonte: FAO (2021) 14INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Dentre as principais culturas hortícolas produzidas no mundo, a batata detém a maior produção e comercialização no mundo, seguida pelo tomate e cebola. De acordo com a pesquisa publicada pelo STATISTA, em 2021 as Solanáceas dividiram o primeiro e o segundo lugar como as hortaliças mais produzidas e comercializadas (Figura 4). QUADRO 4: PRINCIPAIS PRODUTOS HORTÍCOLAS PRODUZIDOS NO MUNDO EM 2021 EM MILHÕES DE TONELADAS. Fonte: Adaptado STATISTA (2021) Apesar da batata possuir lugar de destaque na produção mundial, seu consumo não é liderado em muitos países. O Brasil é um exemplo disso. Segundo o IBGE (2018), o tomate é a hortaliça mais consumida no país, sendo consumido em média 4,2 kg por habitante / ano. A batata inglesa se encontra na segunda posição com 4,04 kg por habitante e em terceiro lugar está a cebola. Em relação ao consumo de frutas, nesta mesma pesquisa foi observado que a banana é a fruta mais consumida, sendo 7,08 kg por pessoa / ano, seguida pela laranja (4,3 kg) e a melancia (2,65 kg). As demais posições das hortaliças e frutas podem ser observadas na Tabela 2. 15INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 QUADRO 5: PRINCIPAIS FRUTAS E HORTALIÇAS CONSUMIDAS PELOS BRASILEIROS Fonte: IBGE (2018) A produção nacional é moldada de acordo com a demanda do mercado. Como foi observado na Tabela 2, as principais fruteiras produzidas no Brasil são a banana, laranja e melancia, logo, estas frutas também se destacam na produção nacional. Para as hortaliças esta regra também é válida, onde o tomate, batata e cebola também possuem expressiva produção. O gráfico abaixo apresenta a produção nacional de frutas e hortaliças registrada pelo IBGE em 2021. QUADRO 6: PRODUÇÃO NACIONAL DE FRUTAS (A) E HORTALIÇAS (B) EM TONELADAS. A) 16INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 B) Fonte: IBGE (2021) O fator climático característico das regiões no Brasil, propiciam a concentração da produção específica de algumas hortaliças e frutas. Como já discutimos, a adaptação e o melhoramento genético fizeram com que estas plantas alcançassem melhor desempenho em determinados locais em virtude de temperatura adequada, umidade, radiação solar e índice de precipitação. Assim, a Tabela 3 apresenta os cinco primeiros estados com as maiores produções de determinadas hortaliças e frutos. QUADRO 7: PRINCIPAIS ESTADOS PRODUTORES DE FRUTAS E HORTALIÇAS. 17INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 t - toneladas Fonte: IBGE (2021) Com base na Tabela 3, os estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais estão entre os maiores produtores no setor de hortifrúti do país. Os três juntos somam mais de R$ 25 bilhões de reais em valor de produção de frutas e hortaliças (CNA, 2022; Emater-MG, 2020) e contribuem significativamente para o PIB do agronegócio brasileiro. Assim, compreendemos que o cultivo de hortaliças possui lugar de destaque na produção mundial. No Brasil, o comércio de hortifrúti geram valores bilionários ao agronegócio, onde a produção de determinada cultura hortícula é fortemente influenciada pela preferência do mercado consumidor. Fatores como adaptabilidade climática também é fundamental para o aumento produtivo, onde os estados de São Paulo, Paraná e Minas se destacam. SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS3 TÓPICO 18INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A exigência na regularidade de produção e oferta de hortaliças foram um dos principais fatores que alavancaram o desenvolvimento de novas técnicas de cultivo e manejo. Entretanto, os fatores agroclimáticos ainda tornam limitante a oferta de hortaliças ao longo do ano. Deste modo, antes de discutirmos sobre os tipos de sistemas de cultivo, vamos compreender quais fatores deletérios podem atuar sobre as plantas e como estas limitações podem ser contornadas por meio da implementaçãode diferentes sistemas de cultivo. O ambiente, genótipo e fenótipo é um conjunto de fatores que exercem influência sobre o desenvolvimento vegetal. O fator ambiente representa as características abióticas que interferem na produção, podendo ser compreendido como o clima, solo, adubação, disponibilidade de água e fotoperíodo. O termo genótipo diz respeito à composição genética da planta e este ao interagir com o ambiente expressa-se o fenótipo. Segundo Filgueira (2008), o fenótipo é expresso nas características da planta cultivada, produtividade da cultura e na qualidade do produto obtido, portanto, é a expressão visível do genótipo. O controle sobre a temperatura e umidade torna-se um grande aliado ao horticultor, uma vez que hortaliças de clima quente podem ser conduzidas em ambiente protegido, evitando geadas ou grandes amplitudes térmicas que possam comprometer o desenvolvimento vegetativo. O controle da umidade e disponibilidade de água também contribui para a redução da incidência de patógenos que se beneficiam das condições de elevada umidade do ambiente ou em solos excessivamente encharcados. Assim, os diferentes métodos de cultivo visam o conforto da planta, refletindo em sanidade vegetal e produtividade. 19INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 3.1 Sistema convencional O sistema convencional pode ser subdividido em três tipos, sendo o sistema convencional no solo, ambiente protegido no solo e sistema sem uso do solo. No sistema convencional no solo, não há o uso de mecanismos que impeçam os efeitos abióticos no desenvolvimento da planta. No entanto, este sistema ainda é o mais utilizado no Brasil, principalmente pelo baixo custo de sua implantação. No sistema convencional as plantas ficam expostas às variações de temperatura, excesso de chuva, ventos e até mesmo geadas. Estes fatores contribuem para que o ciclo da cultura perdure por maior tempo, aumentando o risco de queda da produtividade. A temperatura quando alternada bruscamente pode comprometer o desenvolvimento vegetal. Fontes (2005), afirma que temperaturas muito abaixo ou acima do ideal em hortaliças, podem desencadear injúrias por congelamento, cessando o crescimento vegetativo, ou causando escaldadura em temperaturas elevadas. Casos de temperatura muito elevada também é observado o abortamento de flores. Chuvas frequentes possibilitam o aumento da incidência de doenças na parte aérea ou nas raízes das plantas, uma vez que a umidade no solo é recorrente. Solos com baixa capacidade de drenagem não são indicados para o cultivo de hortaliças, pois além de propiciar o surgimento de doenças, como já mencionado, também propicia a redução da porosidade do solo, causando hipóxia às raízes, levando à morte da planta. A principal característica do sistema convencional é a confecção de canteiros. O processo de encanteiramento, geralmente, é realizado por implementos agrícolas ou pequenas máquinas, denominadas motocultivadoras, cujo objetivo é realizar o revolvimento do solo e o seu encanteiramento. As dimensões dos canteiros variam de acordo com a cultura a ser implantada. Usualmente utiliza-se uma largura superficial em torno de 1 metro e profundidade que varia de 0,15 a 0,30 metros. No caso do plantio de cenoura, beterraba, alho e cebola, é recomendado um profundo revolvimento do solo para que não ocorra o impedimento do desenvolvimento vegetal. Outras ferramentas necessárias para a formação e condução no sistema convencional de cultivo de hortaliças é a grade aradora, grade niveladora, enxada rotativa com encanteirador (Figura 6) e em alguns casos o uso de subsoladores. 20INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 FIGURA 1: CONFECÇÃO DE CANTEIROS A; USO DE MULCHING NA CULTURA DA PIMENTA B Fonte: MADEIRA et al., (2022); MAROUELLI, W. A. SILVA, L.C. W. (2012) A utilização constante desses equipamentos, operando na mesma profundidade, podem provocar a compactação do solo logo abaixo da camada preparada. Assim, a compactação se torna um dos fatores limitantes neste sistema de cultivo, podendo desencadear erosão na área. Em relação à semeadura, esta poderá ser realizada manualmente ou mecanizada. Para algumas culturas utiliza-se o transplantio de mudas, principalmente quando é utilizado mulching (cobertura plástica) para cobrir os canteiros. Áreas com ausência de mulching, a capina se faz necessária, resultando em aumento de gastos com mão de obra, além da dependência no uso de herbicidas. Do ponto de vista ecológico este sistema não é equilibrado, uma vez que não há otimização dos recursos na produção, além de intensa interferência da estrutura do solo por meio do preparo com máquinas, deixando-o exposto a ações das chuvas. Deste modo, cada vez mais outros sistemas vêm ganhando espaço neste setor. Sistemas como uso de ambiente protegido e sistema sem uso de solo estão ganhando novos adeptos e será discutido na Unidade 3 referente ao cultivo da alface. 3.2 Sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH) As primeiras experiências envolvendo o plantio direto de hortaliças no Brasil se deu na década de 1980 em Santa Catarina pela EPAGRI no plantio de cebola. A produção de hortaliças geralmente é uma atividade intensiva com frequente utilização de mecanização e insumos. Partindo disto, o SPDH tem como princípio três fatores básicos, sendo eles: o revolvimento localizado do solo, sendo restrito na área de plantio junto as covas, a diversificação das espécies pela rotação de cultura e a cobertura permanente do solo. 21INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A ruptura do SPDH com o sistema convencional se deu, a partir do momento em que não mais ocorreu a dependência do uso de adubos solúveis e defensivos agrícolas para o controle do agroecossistema (EPAGRI, 2019). Assim, o SPDH visa proporcionar saúde à planta e o equilíbrio com o meio ambiente. Um dos princípios desta metodologia é a biodiversidade vegetal presente na área, através do planejamento para culturas de cobertura, cultura antecessora ou até mesmo consorciada. No entanto, há um processo de transição do sistema convencional para este método, podendo levar anos, uma vez que este novo sistema é complexo, porém promove melhorias nos atributos biológico, químicos e físicos do solo, além de aumentar a interação da cultura com o meio (OLIVEIRA, 2016). O SPDH contribui para incrementar os teores de M.O (matéria orgânica) e, consequentemente, para a melhoria da estrutura do solo. Essa melhora se dá principalmente pela formação de bioporos do crescimento e posterior decomposição das raízes das plantas, além da estabilização dos agregados. Este sistema permite maior resistência do solo a erosão, maior infiltração e retenção de água no solo, aumento nos teores de M.O, nutrientes e maior capacidade de troca de cátions. O nitrogênio (N) é o elemento mais exigido pelas plantas. Pensando nisso, o manejo neste sistema é voltado para garantir teores adequados de N orgânico no solo. Assim, utilizam-se plantas denominadas de adubos verdes, sendo responsáveis pela ciclagem de nutrientes e produção de palhada para a cobertura do solo. Os adubos verdes são divididos em dois grupos, sendo: gramíneas e leguminosas. Além de possuírem arquitetura vegetativa distintas, estas plantas também se distinguem em relação ao tempo de sua decomposição no solo. A alta relação C/N (carbono/nitrogênio), presente nas gramíneas, resulta em decomposição lenta, já a baixa relação C/N disponibiliza de maneira rápida o N para as plantas através da decomposição acelerada, característica atribuída às leguminosas. O conforto térmico proporcionado as plantas pelo uso da palhada, além de reduzir o estresse hídrico, através da redução da evaporação da água presente no solo, reduz a oscilação da disponibilidade hídrica. A presença de palhada também exerce efeito de supressão na germinação de plantas daninhas, reduzindo gastos com mão de obra. Para a implantação doSPDH inicialmente deve-se realizar uma amostragem química do solo. Observar se há presença de compactação e áreas que serão necessários a construção de terraço, curva de nível ou cordão vegetativo. Antes da implantação do adubo verde, é necessário realizar a correção do pH do solo. 22INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Os adubos verdes deverão ser escolhidos, de acordo com o objetivo do produtor. As gramíneas, como sabemos, possuem elevada relação C/N e, portanto, permanecem por mais tempo na superfície do solo, além de possuírem sistema radicular agressivo e são eficientes para aumentar e manter a estabilidade dos agregados do solo. Exemplo de gramíneas utilizadas no SPDH são: aveia preta, milho, milheto e centeio. O milho e milheto são forrageiras de verão, já a aveia preta e o centeio, de inverno. As forrageiras leguminosas permitem a fixação biológica do nitrogênio através da captura do N atmosférico, adicionando-o no solo. Suas raízes são grossas e permite o aumento dos macroporos, beneficiando a aeração do solo. Como já foi mencionado, sua decomposição no solo é rápida, portanto, o tempo de cobertura do solo é reduzido. Exemplo de leguminosas são: tremoço, ervilhaca, nabo forrageiro, mucuna e crotalária. Assim como as gramíneas, as leguminosas também são classificadas em plantas de verão e inverno. A mucuna e crotalária são leguminosas de verão, já o tremoço, ervilhaca e nabo forrageiro, de inverno. A escolha do adubo verde dependerá da época do ano da sua implantação, mas também das condições físicas e químicas presentes no solo. Há a possibilidade de fazer um mix de sementes na área. Entretanto, deve-se ter conhecimento em relação ao hábito de crescimento e o momento adequado para o seu corte. De modo geral, seu corte é indicado quando os grãos emitidos pela planta apresentarem aspecto pastoso. Este fato indica que há uma relação hormonal na planta e ela não rebrotará mais, podendo realizar o seu tombamento. Com relação ao tombamento e corte do adubo verde, se faz necessário o uso de alguns implementos. O rolo faca é a principal ferramenta no SDPH (Figura 7). Sendo composto por um rolo e hastes afiadas, este implemento realiza o tombamento da planta e seu seccionamento. Alguns produtores utilizam ainda o disco de corte juntamente com rolo faca. Após o corte ou o tombamento, o revolvimento do solo ficará restrito apenas na linha de plantio. FIGURA 2: ROLO FACA UTILIZADO PARA O TOMBAMENTO E CORTE DA PLANTA. Fonte: EPAGRI (2019) 23INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Há diversas espécies hortícolas que se adaptam facilmente ao sistema de plantio direto, como couve, repolho, couve-flor, brócolis, berinjela, jiló, abobrinha, abóboras, tomate, pimentão, entre outras. Basicamente, podem ser cultivadas nesse sistema todas as espécies plantadas em espaçamento relativamente aberto, o suficiente para permitir fáceis capinas depois do transplantio. Culturas como cebola, beterraba, alho, alface, entre outras, apresentam dificuldades em relação à manutenção da população de plantas espontâneas em níveis abaixo do competitivo com a cultura. Entretanto, para pequenas áreas e quando se dispõe de mão de obra, é possível seu plantio, desde que se tenha mais cuidado na fase de formação de palhada (Figura 8). FIGURA 3: PALHADA DE AVEIA PRETA NA CULTURA DA CEBOLA. Fonte: EPAGRI (2019) Algumas culturas apresentam verdadeira limitação ao cultivo em sistemas de plantio direto, como cenoura, mandioquinha-salsa, batata-doce e batata. A cenoura necessita de solo extremamente solto em virtude da frágil dominância apical de suas raízes, o que leva à formação de raízes tortuosas ou bifurcadas em caso de qualquer impedimento físico, por mínimo que seja. A mandioquinha-salsa e a batata-doce necessitam de leiras para a formação de raízes e para evitar o acúmulo de água no colo das plantas, no caso da mandioquinha-salsa. A batata necessita de amontoa para a formação dos tubérculos, e o aspargo, para a formação dos brotos. 3.3 Sistema orgânico A agricultura orgânica teve início através de movimentos contrários à adubação química, defendendo o uso de matéria orgânica e outras práticas que visam o equilíbrio com o meio ambiente. Através desse movimento, em 1924 surgiu na Europa o termo agricultura orgânica, iniciada por Rudolf Steriner (EHLERS,1994). 24INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 O sistema orgânico de produção tem por objetivo assegurar a preservação da biodiversidade na área de cultivo agrícola. Os preceitos deste sistema visam a adoção de rotação de culturas, incluindo o uso de adubos verdes, leguminosas para a ciclagem de nitrogênio, plantas de raízes profundas que realizem o rompimento de camadas compactadas do solo. Assim como vimos no sistema de plantio direto de hortaliças, no sistema orgânico também se prioriza o bem-estar da planta e seu equilíbrio com o meio. Para isto, utilizam-se ferramentas que possibilitem a produção de alimentos sem impactar o meio ambiente. A conversão do sistema de produção convencional para a orgânica requer conhecimentos técnicos e legais, uma vez que esta prática é pautada de acordo com a normativa n.° 64 publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nela, é estabelecido diretrizes para a utilização da água para a irrigação, manipulação e armazenagem correta de estercos, além da proibição do uso de produtos químicos, fertilizantes solúveis, tratamento químico de sementes e o uso de organismos geneticamente modificados. Tendo como estratégia a diversificação ambiental, a agricultura orgânica realiza consorciação de culturas, como a de cenoura e alface, por exemplo (BEZERRA NETO et al., 2002). Esta prática busca a otimização da área cultivada, exploração e absorção de nutrientes em diferentes camadas do solo, controle de plantas daninhas e redução da disseminação de pragas e doenças. Existem inúmeras pesquisas a respeito da utilização do controle biológico na agricultura. Esta ferramenta é empregada neste sistema como medida preventiva e curativa no controle de pragas em hortaliças. Este controle pode ser classificado como conservativo, aumentativo e interativo (VENZON, et al. 2016). O controle biológico conservativo utiliza-se a cobertura vegetal no manejo de plantas espontâneas (plantas daninhas). Algumas plantas utilizadas como cobertura possuem características alelopáticas que auxiliam no controle de algumas pragas. A mucuna (Stizolobium sp), por exemplo, proporciona excelente cobertura do solo, reduzindo a população de nematoides (FONTES, et al. 2005). Algumas plantas de cobertura também são utilizadas para atrair inimigos naturais de pragas, servindo de alimento e abrigo a estes insetos. O controle biológico aumentativo é caracterizado pela liberação de predadores e parasitóides nas áreas agrícolas. Dentre os predadores, ocupam posição de destaque as joaninhas (Coccinellidade), percevejos do gênero Orius, Geocoris, Nabis, etc.; os lixeiros (Chrysoperla spp), tesourinhas, vespas, ácaros fitoseídeos e diversas espécies de aranhas (GALLO, et al. 2002). O uso de feromônios também é utilizado para atrair insetos pragas para armadilhas espalhadas em diversos pontos da área de produção (Figura 9). 25INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 FIGURA 4: ARMADILHAS COM FEROMÔNIO (A); JOANINHA PREDADORA (B); TESOURINHA (C). Fonte: CRUZ et al. (2012); EMBRAPA, (n.d) O método interativo utiliza-se em conjunto o controle biológico conservativo e aumentativo, além da utilização de fungos para o controle de insetos, como de ácaros fitófagos. O uso deste bioinsumo como controle biológico de insetos pragas já é uma prática realizada na agricultura e muitos deles já são registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (Tabela 4). TABELA 1: INSETICIDAS BIOLÓGICOS REGISTRADOS NO MAPA. Fonte: MAPA (2016) Para o controle alternativo de doenças, a que tem maior destaque é a calda bordalesa, possuindocomprovada eficiência em doenças causadas por fungos (míldio, ferrugem, requeima, pinta preta, cercosporiose, antracnose, manchas foliares, podridões, entre outras) em diversas culturas, tendo efeito secundário contra bacterioses. 26INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 Indiretamente também exerce efeito repelente contra alguns insetos, tais como: cigarrinha-verde, cochonilhas, tripes e pulgões. Os ingredientes para seu preparo são relativamente simples, sendo apenas sulfato de cobre, cal virgem e água. Embora o cobre tenha efeito nocivo em doenças fúngicas, deve-se tomar cuidado em relação à quantidade a ser adicionada à calda, pois este micronutriente em alta quantidade pode causar fitotoxidez à planta. Assim, concluímos que o cultivo de hortaliças com base ecológica está pautado no respeito e na interação com o meio ambiente. Utilizando mecanismos naturais para o controle de pragas e doenças sem causar desequilíbrio biológico na área de produção. Apesar de possuir algumas limitações em termos de pesquisas e adeptos ao sistema, este se mostra vantajoso no aspecto da produção de alimentos saudáveis e isenção da contaminação por produtos químicos ao produtor. Quer saber mais sobre dados de produção de alguma hortaliça em específico? O IBGE disponibiliza uma ferramenta em sua página na internet, onde o usuário tem acesso a informações como: valor de produção, quantidade produzida, número de estabelecimentos que cultivam determinada hortaliça, além da cidade de maior destaque na produção. Acesse: https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/abacate/br As hortaliças são consideradas alimentos funcionais e nutracêuticos, trazendo inúmeros benefícios ao organismo como a resistência imunológica e prevenção de doenças (MORAES, 2006). https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/abacate/br 27INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A horticultura representa um dos principais pilares da economia global, onde o aumento da produção é acompanhado pelo crescimento populacional. Exemplo disto é a China e a Índia, que como vimos, são os principais produtores de hortaliças, logo, também possuem os maiores índices populacionais. Desta forma, compreendemos que o mercado consumidor exerce grande influência na formação de cinturões verdes, bem como a preferência por determinada hortícola. Embora o mercado consumidor interfira na produção de hortaliças, a preocupação com o meio ambiente está cada vez mais difundida neste setor. Para isto, novos métodos de cultivo têm sido desenvolvidos e estimulados para que se obtenham alimentos saudáveis com baixo impacto no uso de recursos naturais. CONSIDERAÇÕES FINAIS 28INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 A HF BRASIL é um site coordenado pela Cepea, da Esalq, unidade da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, que, além de outras atividades, publica digitalmente uma revista voltada para os principais interesses da horticultura nacional. Para ter acesso à revista acesse: https://www.hfbrasil.org.br/br/revista.aspx LEITURA COMPLEMENTAR https://www.hfbrasil.org.br/br/revista.aspx https://www.hfbrasil.org.br/br/revista.aspx MATERIAL COMPLEMENTAR 29INTRODUÇÃO À HORTICULTURAUNIDADE 1 FILME/VÍDEO • Título: Horticultura Sustentável: conceitos básicos • Ano: 2021. • Sinopse: A horticultura sustentável tem por objetivo a produção de alimentos mais saudáveis com baixo impacto ambiental, buscando o equilíbrio com o meio ambiente. Nesta palestra, será abordado os conceitos básicos que estruturam a agricultura orgânica, além dos desafios a serem superados. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=fJJhkqmZDnk LIVRO • Título: Cadeia produtiva da horticultura: situação atual. • Autor: SAUSEN, D., MAMBRIN, R. B., CASSANEGO, D. B., CARVALHO, I. R. (2019). • Editora: CRV. • Sinopse: A horticultura no Brasil é uma atividade extremamente importante no que se refere à produção de alimentos, e tem recebido destaque também como forma de lazer. Além de utilizar o solo, insumos e mão de obra intensivamente, a horticultura agrega diferentes áreas científicas e tecnológicas, produzindo um maior volume de produtos por área. Outra característica essencial da horticultura relaciona-se com os benefícios nutricionais das hortaliças e das frutas, o que é crucial para uma dieta saudável. A integração da teoria com os aspectos práticos é essencial para qualquer indivíduo interessado em desenvolver atividades no ramo da horticultura. Assim, esta obra foi escrita com o objetivo de tornar acessíveis os conhecimentos sobre toda a cadeia produtiva da horticultura e, de forma atualizada, servindo de embasamento aos estudantes de Graduação e Pós-Graduação de Agronomia, bem como profissionais com ímpeto de trabalhar na área. Escrevemos este livro como parte de uma modesta contribuição à formação intelectual e técnica daqueles que se dedicam à produção de alimentos e outros produtos hortícolas. https://www.youtube.com/watch?v=fJJhkqmZDnk . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Métodos propagativos de hortaliças. • Cultivo de hortaliças da família cucurbitaceae (melancia e pepino). • Cultivo de hortaliças da família solanaceae (tomate de mesa; batata). • Cultivo de hortaliças da família brassicaceae (couve-flor e repolho). Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e distinguir os diferentes métodos propagativos dos vegetais. • Compreender as necessidades e exigências de produção das principais cucurbitáceas, solanáceas e brássicas. • Estabelecer a importância de alguns tratos culturais durante a condução da cultura. Professor Me. André Felipe Barion Alves Andrean CULTIVO DE CULTIVO DE HORTALIÇASHORTALIÇAS UNIDADEUNIDADE2 INTRODUÇÃO 31CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Para atender à crescente demanda no consumo de frutos e hortaliças, ao longo dos anos várias técnicas foram desenvolvidas e aprimoradas. O método de propagação vegetativo foi o principal deles. Através dessa técnica conseguimos obter materiais de maior resistência a veranicos, doenças ou maior qualidade de frutos. A enxertia é um exemplo disso, reunindo em apenas um material as principais características agronômicas de interesse. Os métodos de propagação vegetal podem ser classificados em propagação sexuada e assexuada. Para cada método, há vantagens e desvantagens em relação ao modo de cultivo e sua implantação na área. Fatores como ambiente e disponibilidade de tecnologias de produção são determinantes para a escolha do método. A maioria das cucurbitáceas são produzidas através da semeadura em bandejas e depois transplantadas no campo em definitivo. O método similar ocorre com a cultura do tomate (solanaceae), porém muitos produtores realizam a enxertia nessas mudas com o objetivo de aumentar seu vigor e resistência a determinadas doenças. Já a cultura da batata, embora seja uma solanácea, tem sua reprodução através do tubérculo denominado de batata-semente. Tão importante quanto a escolha do método propagativo é também as atividades a serem realizadas ao longo do ciclo da cultura, como o desbaste de plantas, desbaste de frutos malformados e podas de condução. Assim, nestaunidade, aprenderemos os conceitos básicos para a implantação e condução da cultura da melancia, pepino, tomate, batata, couve-flor e repolho. Obrigado e bom estudo! 32CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 MÉTODOS PROPAGATIVOS DE HORTALIÇAS1 TÓPICO O sucesso na produção de hortaliças se inicia desde a escolha do método propagativo adequado, sendo uma estratégia que pode garantir a sanidade da planta e seu pleno desenvolvimento. Assim, ao longo dos anos inúmeras técnicas acabaram se aprimorando e se destacando entre os horticultores. A propagação vegetativa pode ser classificada em dois tipos, sendo: propagação sexuada e assexuada. Ambos os métodos possuem vantagens e desvantagens, cabendo ao produtor ou o técnico a escolha do método mais adequado de acordo com as condições do ambiente, presença de patógenos ou dos recursos tecnológicos disponíveis na área de produção. O método de propagação assexuada é caracterizado pela reprodução de um material vegetativo sem que ocorra a fecundação. Este método se dá através da remoção de uma parte vegetativa da planta mãe. A denominação de planta mãe é dado apenas para identificar a origem do material vegetal propagado, pois, na verdade, o que se realiza neste método é a formação de um clone vegetal, ou seja, a mesma planta é replicada. Algumas espécies de hortícolas propagadas por esse meio, são: agrião, alcachofra, alho, aspargo, batata, batata-doce, cará, cebolinha, couve-manteiga, inhame, mandioquinha- salsa, morango e taioba (FILGUEIRA, 2008). No caso do alho, por exemplo, seu bulbo é composto por bulbilhos (Figura 1) que são materiais propagativos exclusivos, originado de gemas axilares de folhas férteis, as quais surgem após determinado crescimento da planta (FONTES, 2005). 33CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Já o tubérculo, meio de propagação da batata e do inhame, é um tipo especial de estrutura de caule modificado. FIGURA 1: BULBILHO COM A FOLHA DE BROTAÇÃO PRONTA PARA GERMINAR (A); BROTAÇÕES EM BATATA (B). Fonte: RESENDE, F. V. et al. (2014) (A); CORRÊA, M. (2005) (B). Os rizomas são estruturas de caule que crescem horizontalmente abaixo da superfície do solo. Estas raízes apresentam nós e entrenós; em cada nó se insere uma bainha foliar envolvendo o caule e formando uma nova planta. Próximo destes nós, há o desenvolvimento de raízes adventícias. O aspargo, por exemplo, tem sua propagação por rizomas (Figura 2). FIGURA 2: RIZOMAS DA GRAMÍNEA QUICUIO. Fonte: FONTANELI et al. (2019) A propagação assexuada proporciona redução do ciclo da cultura, em comparação a materiais vegetativos oriundos de sementes. Dessa forma, poderão ser transplantadas em curto espaço de tempo, além de produzir frutos mais cedo. Outra vantagem é em relação à homogeneidade no tamanho e período de produção. 34CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 No entanto, este método requer atenção, uma vez que se trata de uma replicação de um único material vegetativo, logo, não há variabilidade genética na área, propiciando um ambiente favorável para o ataque de pragas e doenças. Para reduzir este risco é recomendado que na área tenha mais de um material vegetal matriz, além de práticas de enxertia, optando por porta-enxertos resistentes às principais doenças que acometem a cultura. 1.1 Propagação assexuada por estaquia Partes do caule, ramo, galho ou raiz que contém gemas, podem ser multiplicadas quando cortadas e estimuladas a formação de raízes. Esta técnica pode ser utilizada na cultura da acerola e goiaba. 1.2 Enxertia Esta técnica consiste na união de partes de duas plantas. Uma é o enxerto (também chamado de cavaleiro) que é a planta que se pretende multiplicar devido à boa qualidade dos frutos ou outra característica agronômica relevante. A outra parte é denominada porta- enxerto (cavalo) que geralmente é uma planta jovem com raízes bem formadas e resistentes às condições adversas. A enxertia denominada de garfagem em fenda consiste em cortar o porta-enxerto (cavalo) em fenda e o cavaleiro em forma de lança, facilitando o seu encaixe na fenda. A garfagem também pode ser realizada em fenda dupla, no qual realiza dois cortes no porta-enxerto, ou até mesmo em meia-fenda. Outro método bastante comum, que aumenta o contato entre o cavalo e o cavaleiro, é o método de garfagem inglês, onde é realizado um corte em bisel em ambos os materiais (Figura 3). FIGURA 3: PRINCIPAIS MÉTODOS DE ENXERTIA. Fonte: MATTOS, J. K. A (1976) A borbulhia é um tipo de enxertia que consiste na inserção de uma gema sobre um porta-enxerto que está enraizado. No caule ou tronco realiza-se um corte, podendo ser em formato de T ou em T invertido, onde se deposita a gema que se deseja desenvolver (Figura 4). 35CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 FIGURA 4: ENXERTIA POR BORBULHIA EM SERINGUEIRA. Fonte: Rocha et al. (2018) 1.3 Mergulhia Como o próprio nome diz, consiste em raspar uma parte do ramo da planta que se deseja enraizar e mergulhá-lo no solo até que o ramo esteja com raízes formadas. Posteriormente este ramo será cortado, formando uma nova planta. (Figura 5). FIGURA 5: DIFERENTES MÉTODOS DE FORMAÇÃO DE PLANTAS POR MERGULHIA. Fonte: MEDEIROS, G. G (2018) 1.4 Alporquia A técnica de alporquia é semelhante ao método de mergulhia, onde se estimula a formação de raízes no caule, porém o caule não é levado até o solo e sim um pouco de solo ou substrato é levado ao ramo previamente raspado.Após a formação das raízes, o caule é destacado da planta mãe. Esta técnica pode ser utilizada em jabuticaba, citros, limão dentre outras (Figura 6). 36CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 FIGURA 6: MÉTODO DE ALPORQUIA. ANELAMENTO (A); E COBERTURA DO RAMO COM SUBSTRATO (B). Fonte: Castro, L. A. S., Medeiros, A. R. M. (2007). 1.5 Propagação sexuada A maioria das espécies olerícolas é propagada por sementes, podendo ser semeadas em bandejas ou sementeiras para depois serem transplantadas na área, ou podem ser semeadas diretamente no campo. Normalmente o que definirá o uso dessas duas modalidades é a relação do custo da aquisição da semente ou histórico de pragas e doenças na área. Culturas que exigem sementes de alta qualidade, como a de tomate, por exemplo, geralmente sua semeadura é realizada em bandejas e depois transplantadas no campo. Dessa forma utiliza-se de forma racional as sementes. Outra vantagem é a possibilidade de selecionar as melhores mudas germinadas, dessa forma, aumenta a sua capacidade de resistência a fatores bióticos a abióticos, garantindo o estande de plantas planejado por hectare. Em contrapartida, o processo de produção e transplante de mudas resultam no aumento do ciclo da cultura, além do elevado custo com substratos e bandejas. Já a semeadura direta no campo é indicada para cultivo em que as sementes são relativamente mais baratas, havendo a opção do desbaste de plantas quando germinadas, adequando o estande na área de cultivo. Esta modalidade permite que o ciclo da cultura seja menor em relação ao transplantio, porém, a semente ficará sujeita a fatores adversos do ambiente que poderá comprometer a sua germinação e vigor (Figura 7). FIGURA 7: PLÂNTULAS DE MELÃO CANTALOUPE RECÉM GERMINADAS EM BANDEJA DE 50 CÉLULAS. Fonte: o autor CULTIVO DE HORTALIÇAS DA FAMÍLIA CUCURBITACEAE (MELANCIA E PEPINO)2 TÓPICO 37CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Apreciada em inúmeros países, a melancia é considerada uma fruta símbolo no verão brasileiro, sendo bastante apreciada pelo seu sabor doce, além da sua refrescância, pois é constituída 90% em água. Já a cultura do pepino, embora pertença à mesma família, é muito apreciada em saladas e conservas, sendo cultivado em inúmeros países, tendo a maior produção na China. 2.1 Cultura da melancia A melancia (Citrullus lanatus) tem como possível centro de origem as regiões secas da África, no entanto, também foram observadas algumas espécies silvestres (Citrullus colocynthis) na Índia (FONTES, 2005). A fruta é caracterizada pela sua suculênciadevido à grande quantidade de água. Esta cultura é caracterizada por possuir caule rastejante, fino e com presença de gavinhas, que possibilita a sua fixação em outras plantas ou em objetos. Seu sistema radicular é extenso e profundo, podendo chegar a 60 cm. Uma característica importante das melancias é que a maioria das cultivares são monóicas, ou seja, possui uma flor feminina e uma flor masculina. Estas flores se abrem apenas uma vez, no período da manhã e se fecham ao final do dia, por isso a garantia da fecundação neste período é fundamental para garantir o sucesso na produção. O fruto é considerado uma baga indeiscente, apresentando de 5 a 25 kg, podendo ser de formato esférico, oval ou cilíndrico. 38CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Já suas cores podem ser verde-claro, verde-escuro, com ou sem listras. Suas sementes podem ser cinza a preta, variando de 200 a 800 sementes por fruto. Se tratando de sementes, algumas melancias são comercializadas sem sementes. Este método de cultivo teve início no Japão em 1951 (CHENG et al. 2005), onde foi proposto o uso de melancia Triplóide (3 x = 33), obtida pelo cruzamento de progenitor feminino tetraplóide (4 x = 44) com progenitor masculino diplóide (2 x = 22) (Kihara, 1951). O distúrbio da melancia triplóide ocorre durante a meiose, que origina gametas inviáveis e provoca aborto de óvulos e pólens, resultando melancia macho estéril e sem sementes verdadeiras, com a presença de rudimentos brancos facilmente comestíveis. 2.2 Principais cultivares As principais cultivares de melancia produzidas no Brasil são: Top Gun, Karistan, Petite Perfection, Charleston Gray, Santa Amélia, Madera, Rubin AG-08, Tiffany, Mirage, Electra, Preciosa e Pérola. Outra cultivar que nos últimos anos está ganhando mercado é a mini melancia. A Figura 8 apresenta alguns cultivares e híbridos comercializados no Brasil. FIGURA 8: CULTIVAR CRIMSON SWEET (A); CULTIVAR CONGO (B); HÍBRIDO SMILE (C); HÍBRIDO RAPID FIRE (D). Fonte: Ferrari et al. (2013) 2.3 Sistema de cultivo A cultura da melancia exige temperatura relativamente alta. A maioria das cultivares tem ótima germinação entre 25 a 35 °C. 39CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Já temperaturas muito acima ou abaixo dessa faixa podem desencadear distúrbios fisiológicos na planta, limitando o seu desenvolvimento e até na formação de flores. Regiões com maior luminosidade contribuem para a formação de melhores frutos e maior formação da área foliar. Já em relação à umidade, regiões muito úmidas ou solos com maior capacidade de retenção de água (argilosos) podem favorecer o surgimento de doenças, uma vez que o fruto se desenvolve em contato direto com o solo. Solos com boa drenagem e profundos são os mais adequados para o seu cultivo. O pH ideal deverá estar em torno de 6 – 6,5. Caso tenha necessidade de realizar calagem, é recomendado também uma aração de 25 – 30 cm. A calagem deve ser realizada cerca de 60 a 90 dias antes do plantio. Na maioria das áreas produtoras, a melancia é propagada por sementes, devendo considerar a cultivar, quantidade de semente por hectare. Geralmente se utiliza espaçamento de 3,0 x 2,0 m ou até 2,0 x 1,5 m, sendo duas plantas por cova. Dependendo do valor da semente, pode-se optar por fazer a semeadura indireta, utilizando bandejas de 128 células para a formação de mudas e depois transplantá-las. Entretanto, esta prática pode contribuir para a ocorrência de danos ao sistema radicular, fato que não ocorre em semeadura direta. Uma vez germinada, a prática do desbaste deve ser realizado por volta de 10 a 15 dias após a emergência, deixando apenas uma plântula por cova. Neste período, a disponibilidade de água é essencial para o bom desenvolvimento da cultura. De acordo com Fontes (2005) a melancieira necessita de 300 a 400 mm por ciclo. Entretanto, durante o amadurecimento dos frutos, a quantidade de água aplicada deverá ser reduzida para evitar que os frutos fiquem “aguados”, devido ao efeito de diluição dos sólidos solúveis. O penteamento e o raleamento dos frutos são dois tratos culturais de extrema importância para o cultivo. A prática do penteamento é necessária para evitar o contato direto das ramas e dos frutos com a água, direcionando as ramas para desenvolverem fora dessas áreas úmidas ou do trânsito de pessoas no carreador. Já a técnica do desbaste ou raleamento dos frutos é realizada com o intuito de eliminar frutos em malformação, ou atacados por pragas, assim a planta “investirá” nutrientes apenas para os melhores frutos. Este processo é realizado manualmente quando o fruto apresenta em média de 7 a 10 cm, deixando apenas 1 a 3 frutos por planta. A colheita é realizada cerca de 32 a 45 dias após a polinização das flores femininas, sendo 60 até 85 dias após a semeadura. Regiões com elevada temperatura, seu ciclo pode ser reduzido. 40CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Um dos principais indicadores para o ponto de colheita é quando há o secamento natural da gavinha junto ao pedúnculo do fruto, som “oco” emitido pelo fruto ou através da mancha de encosto, alterando sua coloração de branco para creme amarelada. 2.4 Principais pragas e doenças As principais pragas que acometem a melancia são: broca das hastes e dos frutos (Diaphania nitidales e D. hyalinata); Mosca das frutas (Anastrepha grandis); Pulgões (Aphis gossypii); mosca-branca (Bemisia tabaci Genn); broca-das-cucurbitáceas (Diaphania nitidalis Cramer e D. hyalinata Linnaeus). Dentre as doenças bacterianas, podem ser citadas a mancha-angular (Pseudomonas syringae pv. Lachrymans), a podridão bacteriana nos frutos (Xanthomonas campestris pv. cucurbitae) e a murcha bacteriana (Erwnia tracheiphila). Para as doenças fúngicas, as principais são: mancha de alternaria (Alternaria cucumerina), antracnose (Colletotrichum lagenarium), a mancha de cercospora (Cercospora citrullina), entre outras. Dentre as viróticas, há diversas que se manifestam por mosaico, causando prejuízos à produção, pois as plantas atacadas produzem menos frutos e de qualidade inferior. Podem ser citados como os mais comuns: mosaico, agente causal, Papaya ringspot virus – tipo W (PRSV-W) e mosaico-amarelo da abobrinha-de-moita, agente causal Zucchini yellow mosaic virus (ZYMV). 2.5 Cultura do pepino O pepino (Cucumis sativus L.) é originário da Ásia, sendo uma planta herbácea, possui tricomas em suas folhas e caule, além de gavinhas. Seu crescimento é indeterminado, ou seja, produz frutos ao mesmo tempo, em que se desenvolve vegetativamente. Suas flores são formadas nos nós do caule, nas axilas foliares. Assim como na melancia, algumas cultivares podem ser monóicas, onde as flores femininas surgem dez dias após a formação das flores masculinas. Outras podem ser ginóicas (somente flores pistiladas) ou hermafroditas (flores completas). As espécies ginóicas são de maior preferência em cultivo protegido em razão de serem altamente produtivas, com a formação de pelo menos um fruto por nó. Em relação à temperatura, o pepino não se adapta a regiões de baixa temperatura, sendo seu cultivo favorável a regiões com temperaturas de 20 a 30 °C. Temperaturas muito baixo ou acima, podem comprometer o desenvolvimento vegetal, a formação de flores femininas e, consequentemente, reduz sua produção. 41CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 2.6 Principais cultivares As principais cultivares produzidas no Brasil são: caipira, aodai, de conserva, japonês e holandês. Os pertencentes ao grupo caipira, aodai e de conserva, geralmente são cultivados em campo aberto. Já os demais, em ambiente protegido. Vale ressaltar que a maioria dos materiais cultivados no Brasil são híbridos F1 (FONTES, 2005). A Figura 9 apresenta os principais grupos de pepinos produzidos no Brasil. FIGURA 9: PEPINO CAIPIRA (A); PEPINO AODAI (B); PEPINO PARA CONSERVA (C); PEPINO JAPONÊS (D); PEPINO HOLANDÊS (E). Fonte: Carvalho et al. (2013) 2.7Sistema de cultivo Sendo uma espécie de clima quente, seu cultivo é realizado na primavera-verão. Entretanto, pode ser cultivada no inverno em sistema de ambiente protegido. A temperatura elevada dentro das estufas favorece o desenvolvimento do vegetal. Filgueira (2008) afirma que a baixa luminosidade no período do inverno, pode favorecer a formação de maior número de flores femininas. Desta forma, possibilita o aumento de produção. Em relação ao solo, esta cultura tem melhor adaptação em solos de textura média e leves com pH que varia de 5,5 a 6,8. A realização da calagem deve ser realizada para que a saturação de base seja de 70%. Recomenda-se a adubação orgânica e de fosfatagem semanas antes da semeadura ou do transplante. A implantação da cultura no campo pode ser realizada de modo semelhante à cultura da melancia. Sua semeadura pode ser realizada diretamente no sulco, deixando cair de 2 a 3 sementes a uma profundidade de 2 cm. 42CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Quando as plântulas apresentarem de 2 a 3 folhas definitivas realiza-se o desbaste. Outra opção de semeadura é realizá-las em bandejas de 128 células. Este método é utilizado principalmente com sementes híbridas, pois são de custo elevado. A condução da cultura dependerá para qual finalidade terá o fruto produzido. Pepinos cultivados para a indústria (em conserva), têm seu cultivo rasteiro. Este método reduz custos de produção em relação à poda e outros tratos culturais. Já as produções destinadas à mesa, o método tutorado é o mais utilizado, onde a planta é conduzida verticalmente presa ao fio de arame, fitilho e palanque. Seu espaçamento pode ser de 1,0 a 1,3 m entre fileiras e 0,3 a 0, 6 m entre plantas. Em cultivos destinados para o consumo em mesa, normalmente ocorre o raleamento de frutinhos malformados na planta, fazendo com que a planta destine seus fotoassimilados para os melhores frutos em formação. Embora a condução tutorada seja trabalhosa, sua vantagem é em relação ao maior controle fitossanitário, possibilitando podas de condução, além de produzir frutos de melhor aparência. Pepinos do grupo japonês e holandês são cultivados nesta modalidade, pois são mais delicados e de maior valor de mercado. A colheita dos frutos destinados à indústria ocorre quando os frutos apresentam tamanho de 5 a 9 cm de comprimento e 2 a 2,5 cm de diâmetro. Já para os frutos consumidos in natura, são colhidos por volta dos 40 aos 50 dias após a semeadura. Após a primeira colheita, as demais deverão ser sucessivas e devem ocorrer a cada dois dias. 2.8 Principais pragas e doenças Semelhante à cultura da melancia, as principais pragas que atacam a cultura do pepino ao longo do ciclo, são: lagarta-rosca (Agrotis ípsilon); pulgões (Macrosiphum euphorbiae, Mysus persicae e Aplhis gossypii); mosca branca (Bemisia argentifolii); vaquinhas (Diabrotica speciosa e Diabrótica bivitula); broca das hastes e frutos (Diaphania hyalina); larva minadora (Lyriomyza huidobrensis); ácaro rajado (Tetranychus urticae) e tripés (Thrips palmi). Em relação a doenças, as principais são: mancha zonada (Leandria momordicae); sarna (Cladosporium cucumerinum); mancha-angular (Pseudomonas syringae); oídio (Eryziphe cichoeacearum); antracnose (Colletotrichum orbiculare); míldio (Pseudoperonospora cubensis); crestamento gomoso (Didymella bryoniae) e vírus (CMV, SqMV, PRSV-W, WMV-2 e ZYMV). CULTIVO DE HORTALIÇAS DA FAMÍLIA SOLANACEAE (TOMATE DE MESA; BATATA)3 TÓPICO 43CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 O tomate e a batata são considerados os principais alimentos consumidos por qualquer população, fazendo com que seu cultivo seja, geralmente, em larga escala. Além da grande demanda gerada pelos consumidores, estas culturas permitem a obtenção de grandes rendimentos, desde que seja realizado o manejo de forma adequada. Assim, dedicaremos neste tópico para descrever as principais cultivares de tomate e batata plantada, assim como os principais tratos culturais que devem ser realizados para garantir elevada produção. 3.1 Cultura do tomate O tomateiro (Lycopersicum esculentum) tem seu centro de origem a região Andina, compreendendo os países Peru, Bolívia e Chile. Embora tenha se originado nas regiões vizinhas ao Brasil, este fruto só foi introduzido em nosso país através dos portugueses (BRANDÃO FILHO; DOMINGUES, 2014). A cultura do tomateiro pode ser dividida em dois tipos, sendo: tomate salada (consumo in natura) e o tomate para a industrialização (molhos). Esta classificação também pode ser observada através do hábito de crescimento da planta. Tomateiro com crescimento determinado, tem sua fase produtiva definida após seu crescimento vegetativo, sendo ideal para a indústria. Já o cultivo indeterminado, a planta produz frutos mesmo ainda se desenvolvendo e emitindo novos ramos.O tomateiro possui folhas compostas com 7 folíolos distribuídos de forma helicoidal ao longo do caule. As flores são pequenas de cor amarela, hermafroditas e autógamas. Geralmente a planta emite de 6 a 12 folhas antes do surgimento do primeiro rácemo e posteriormente a cada 3 folhas irá surgir um rácemo (Figura 10). 44CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 FIGURA 10: NÚMERO DE FOLHAS ANTES DO PRIMEIRO RÁCEMO EM TOMATE INDETERMINADO. Fonte: Brandão Filho; Domingues (2014). O desenvolvimento do tomateiro é favorecido a temperaturas entre 15 e 25°C. Temperaturas abaixo de 10°C ou acima de 30°C podem comprometer a germinação, crescimento vegetativo e inflorescência. Ressalta-se que a cultura necessita de amplitude térmica ao longo do seu ciclo, ou seja, seu desenvolvimento é favorecido através das diferenças de temperatura diurna e noturna. Embora possua sistema radicular bastante agressivo, chegando a 1,5 m de profundidade, o déficit hídrico prolongado pode desencadear abortamento de flores, frutos malformados, além de contribuir para o surgimento do fundo preto do tomate. O excesso de água também pode ser prejudicial ao desenvolvimento da planta, uma vez que a cultura é sensível a baixo índice de oxigênio no solo. 3.2 Principais cultivares Como já foi discutido, o tomate pode ser dividido em grupos de crescimento determinado (indústria) e crescimento indeterminado (mesa). Este último ainda pode ser dividido em cinco subgrupos, sendo: grupo Santa Cruz, Salada, Cereja, Italiano e Longa vida. Os tomates pertencentes ao grupo Santa Cruz apresentam dois ou três lóculos, sua polpa é espessa, o que contribui para sua resistência ao manuseio. Seus frutos pesam em média de 160 a 200 g e apresentam resistência à podridão apical causada pela deficiência de cálcio. 45CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 O grupo denominado salada é composto pelo tomate, maçã, caqui ou tomatão. De formato globular e pluriloculares (4-10 lóculos), estes tomates pesam em média de 200 a 400 g. Devido ao seu grande tamanho, seus frutos acabam sendo mais frágeis e de menor resistência ao transporte. Embora a maioria das cultivares desse grupo apresentam crescimento indeterminado, existem algumas que possuem o crescimento determinado, porém de altura mediana. Os tomates pertencentes ao grupo cereja são caracterizados por frutos pequenos que pesam de 15 a 25 g. Sua cor vermelha brilhante é o que torna seu fruto mais atrativo, lembrando de fato uma cereja. Cada rácemo pode gerar de 20 a 40 frutinhos. O grupo italiano é composto pelo tomate saladete. Uma característica inconfundível desse grupo é que seus frutos apresentam formas alongadas que variam 1,5 a 2,0 vezes superior ao seu diâmetro. A planta apresenta crescimento indeterminado e menor quantidade de folhagem, o que possibilita reduzir o espaçamento entre plantas na área de cultivo. Os tomates denominados de longa vida se dão justamente pelo seu retardo no processo de deterioração. Assim, estes frutos têm maior tempo de prateleira, o que facilita o seu transporte e comércio. Seus frutos não são saborosos em comparação ao tipo cereja ou saladete, porém, devidoao seu atributo de maior durabilidade, é um dos mais cultivados. A Figura 11 apresenta os principais grupos de tomates indeterminados cultivados no Brasil. FIGURA 11: TOMATE CEREJA (A); TOMATE ITALIANO (B); TOMATE SALADA (C); TOMATE SANTA CRUZ (D); TOMATE LONGA VIDA (E). Fonte: Ávila, A. C. et al. (2023) 3.3 Sistema de cultivo 46CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 A cultura do tomate é altamente exigente quanto a fertilidade do solo, não tolerando solos mal drenados, compactados ou muito argilosos. Solos de textura média são os mais favoráveis ao seu desenvolvimento, principalmente quando apresentam pH entre 5,5 a 6,5. A calagem, quando necessária, deve ser calculada utilizando a saturação de base em 70%. De acordo com Filgueira (2008), a ordem de exigência de extração dos macronutrientes do tomateiro é: potássio, nitrogênio, cálcio, enxofre, fósforo e magnésio. Ainda segundo o autor, a adubação via foliar é extremamente benéfica para cultura, principalmente com a aplicação de micronutrientes como zinco e boro. A ausência de boro, além de causar o abortamento das flores, também acarreta distúrbios fisiológicos no fruto, como o lóculo aberto (Figura 12). A carência de cálcio ou déficit hídrico também pode desencadear o fundo preto do tomateiro. FIGURA 12: FUNDO PRETO DO TOMATEIRO (A); LÓCULO ABERTO DO FRUTO (B). Fonte: Silva et al. (2006). O plantio do tomate ocorre na primavera-verão, no entanto, em localidades com altitude em torno de 700 m o tomateiro pode ser plantado em qualquer época do ano (FONTES, 2005). Sua semeadura pode ser realizada diretamente no campo ou ser transplantada a partir da sua germinação em bandejas. Geralmente as sementes de tomates são de elevado valor, fazendo com que o produtor opte pela semeadura em bandejas. Outra vantagem no uso de bandejas é a possibilidade da realização de enxertia, optando por materiais resistentes às principais doenças que acometem a cultura. Ressalta-se que o cultivo do tomate voltado para o consumo in natura deve ser conduzido de modo tutorado, ou seja, o crescimento da planta é direcionado verticalmente, sendo apoiado por fitilho, arame e palanques. Após germinadas, as mudas só serão transplantadas quando apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas, normalmente este desenvolvimento é alcançado por volta dos 20 a 40 dias após a semeadura. Este critério garante que apenas as mudas sadias irão para o campo, aumentando as chances de sucesso na produção. 47CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 A densidade de plantio pode variar de 14.000 a 20.000 plantas por hectare, sendo de 1,0 a 2,0 m entre linha e 0,3 a 0,6 m entre plantas. O que determinará o estande de plantas é o material vegetal utilizado, além dos recursos tecnológicos que o produtor possua. Se tratando do grupo indeterminado, o tomateiro pode ser conduzido em uma ou duas hastes. Entretanto, a condução em duas hastes é recomendada apenas para produtores experientes e com maiores recursos, pois a planta exige maior nutrição e cuidados. Em relação à altura da planta, normalmente realiza-se a poda apical quando a mesma atinge 2 metros, pois desta forma facilita os tratos culturais ao longo do seu ciclo. Além da poda apical, a poda axilar também é de extrema importância para a cultura. Este manejo consiste na eliminação periódica da brotação que surge na axila de cada folha, sendo denominado de ramo ladrão, pois é uma fonte de dreno dos fotoassimilados. Assim, a planta irá direcionar seus fotoassimilados apenas para os frutos em formação. Embora seja classificada como uma planta perene, o cultivo do tomateiro tem em média 120 a 150 dias. Muitos produtores, que cultivam ao ar livre, optam por encerrar a produção em virtude da incidência de pragas e doenças já instaladas no local, sendo mais vantajoso o replantio de novas mudas. 3.4 Principais pragas e doenças As principais pragas que acometem a cultura são: broca-dos-frutos (Neuleucinodes elegantalis); traça-do-tomateiro (Tuta absoluta); broca-grande (Helicoverpa zea); pulgão (Aphis gossypii); mosca-branca (Bemisia tabaci); mosca-minadora (Liriomyza huidobrensis); tripes (Frankliniella spp); cigarrinha (Agallia albidula); ácaro (Tetranychus evansi) e nematóides (Meloidogyne incógnita). Com relação a doenças, as principais são: requeima (Phytophthora infestans); pinta-de-alternária (Alternaria solani); septoriose (Septoria lycopersici); mancha-de estenfílio (Stemphylium solani); murcha-fusariana (Fusarim oxyporum); podridão-de-esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum); cancro-bacteriano (Clavibacter michiganensis); murcha- bacteriana (Ralstonia solanacearum); pústula bacteriana (Xanthomonas campestres); pinta bacteriana (Pseudomonas syringae); talo oco (Erwinia carotovora). As viroses são: mosaico comum, vira cabeça, mosaico dourado e tombamento. 3.5 Cultura da batata A batata (Solanum tuberosum) é uma solanácea anual, tendo seu centro de origem a região do lago Titicaca, próximo à atual fronteira entre Peru e Bolívia (Filgueira, 2008). Esta cultura foi disseminada para a maioria das regiões do planeta, se tornando a base da alimentação de muitos povos. 48CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 A batateira é uma planta herbácea, dicotiledônea, possuindo raiz, caule aéreo, caule subterrâneo (tubérculo) e folhas. Seu sistema radicular é adventício e ramificando, atingindo até 40 cm de profundidade. As folhas são folíolos arredondados e suas flores são hermafroditas se localizando no topo da planta (Figura 13). FIGURA 13: PARTES PRINCIPAIS DE UMA BATATEIRA. Fonte: Filgueira, A. F. R. (2008) Filgueira (2008) descreve que a cultura da batata possui quatro estádios de desenvolvimento que podem ser observados no campo. O primeiro estádio é caracterizado pelo plantio da batata-semente brotada até a emergência de suas hastes, período que leva em torno de duas semanas. Já o segundo estádio é identificado pelo início da tuberização, onde a planta demanda maior quantidade de nutrientes. O terceiro estádio é identificado através do acelerado crescimento da parte aérea da planta. Por fim, o quarto estádio é considerado o mais longo, tendo início a partir do “pico de vegetação” se estendendo até a senescência natural da planta. 3.6 Principais cultivares Existem cerca de 60 cultivares de batatas registradas no SNPC (Serviço Nacional de Proteção de Cultivares), porém as principais cultivadas no Brasil são: Ágata, Asterix, Atlantic, Baraka, Bintje, Monalisa e Mondial (TAVARES; CASTRO; MELO, 2002). Dentre essas cultivares, a Ágata e Monalisa são consideradas precoces e a Baraka e Mondial como tardia. As demais são intermediárias. 49CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Todas as cultivares apresentam susceptibilidade à requeima da batata (Phytophthora infestans), deste modo, a escolha da variedade irá depender da sua finalidade de consumo. As cultivares mais indicadas para o cozimento são: Ágata, Mondial e Monalisa. Já as indicadas para chips, fritas, palha são: Asterix, Atlantic, Baraka e Bintje (Figura 14). FIGURA 14: PRINCIPAIS BATATAS CULTIVADAS NO BRASIL – ÁGATA (A); ASTERIX (B); ATLANTIC (C); BARAKA (D); BINTJE (E); MONALISA (F); MONDIAL (G). Fonte: Tavares; Castro; Melo, (2002). 3.7 Sistema de cultivo Regiões que possuam altitude em torno de 700 metros, seu cultivo pode ser realizado em qualquer época do ano. Já em baixa altitude, seu plantio deve ser evitado no período de primavera-verão. Locais acima de 700 metros de altitude, não é recomendado seu plantio no outono-inverno. De modo geral, na região Sul e sudeste do Brasil, a principal safra é a das águas, sendo plantada de agosto a dezembro. O plantio de inverno é realizado de abril a julho. A cultura da batata tem melhor adaptação em solos profundos com textura média a arenosa. Solos argilosos devem ser evitados, uma vez que são mais úmidos, propiciando o surgimento de doenças ou deformação dos tubérculos. Com relação ao pH, esta cultura possui boa tolerânciaa acidez moderada, em faixas de 5,0 a 6,0. 50CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Muitos produtores optam por manter o solo com essa acidez com o objetivo de inibir o surgimento da murcha-bacteriana e da sarna da batateira. O preparo do solo consiste na realização de uma ou duas arações, onde ao menos uma deverá ser profunda, em torno de 30 cm. As adubações devem ser realizadas de acordo com a ordem de exigência da cultura, sendo o potássio, nitrogênio, cálcio, enxofre, fósforo e magnésio (FILGUEIRA, 2008). O espaçamento da cultura poderá ser de 0,75 x 0,25 m, no entanto, Fontes (2005) ressalta que espaçamento muito menor pode dificultar a amontoa, um manejo cultural que será discutido adiante. Outro fator relevante quanto a densidade de plantio é em relação aos tubérculos produzidos. O aumento do estande de plantas pode contribuir com maiores produções, porém os tubérculos colhidos serão de tamanho reduzido. O tamanho da batata-semente também influencia no tamanho das batatas que serão formadas. Batata-sementes menores produzirão batatas maiores, devido ao reduzido número de gemas. Já batatas-sementes grandes possuem grande número de gemas, assim produzirão batatas de tamanho pequeno. A batata-semente é oriunda da própria produção anterior, sendo armazenada a baixas temperaturas para a próxima safra. A quebra de sua dormência pode ser realizada através da sua exposição indireta à luz, pelo uso de ácido giberélico na dose de 5 - 15 mg L-1 por 10 a 15 minutos. Outra técnica consiste em expor os tubérculos ao gás dissulfeto de carbono em ambiente fechado. Assim, os tubérculos só deverão ser plantados quando os mesmos apresentarem brotação. Uma vez plantados, esses tubérculos deverão sofrer a amontoa. Este manejo é necessário para estimular ainda mais a tuberização, além de evitar que os tubérculos filhos (batatas) se desenvolvam acima do solo, pois a sua exposição a luz fará com o que o tubérculo induza a síntese de clorofila, causando o esverdeamento do tubérculo, inutilizando seu consumo. O embonecamento é outra anomalia fisiológica que pode acometer a cultura da batata. Trata-se de um crescimento secundário do tubérculo, causando um formato de embonecamento, inutilizando seu valor comercial. Esta anomalia pode ser causada devido às alterações drásticas do teor de água no solo, temperaturas elevadas ou excesso de adubação nitrogenada. Temperaturas elevadas, principalmente durante a formação dos tubérculos, também podem desencadear manchas de coloração ferruginosa nos tubérculos, sendo chamado de mancha chocolate. O coração-oco é um distúrbio fisiológico que causa o crescimento anormal da parte externa do tubérculo, fazendo com que seu interior fique oco. Solos com alta fertilidade, ou excesso de nutrientes podem contribuir para o surgimento desse distúrbio. 51CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 O distúrbio fisiológico denominado de coração-preto é identificado através do surgimento de manchas escuras de formato irregular no centro do tubérculo. Essa anomalia é causada pela baixa oxigenação do solo, ou seja, solos excessivamente argilosos ou solos compactados (Figura 15). FIGURA 15: PRINCIPAIS DISTÚRBIOS FISIOLÓGICOS ACOMETIDOS A BATATA. EMBONECAMENTO (A); CORAÇÃO-OCO (B); CORAÇÃO-PRETO (C); MANCHA CHOCOLATE (D) Fonte: Fernandes, A. M., et al. (2015). O processo de colheita se inicia a partir do secamento natural da batateira através do amarelecimento das folhas mais velhas da planta, progredindo para as superiores, processo que leva em torno de 15 a 20 dias. O ciclo da cultura varia de 90 a 115 dias, colhendo tubérculos perfeitamente maduros com película resistente. A colheita, na maioria das vezes, é realizada de forma semi-mecanizada com o auxílio de um arrancador ou arado de aiveca, que expõe os tubérculos na superfície e posteriormente serão coletados manualmente. 3.8 Principais pragas e doenças As principais pragas da cultura que perfuram os tubérculos são: larva-alfinete (Diabrótica speciosa); larva-arame (Conoderus scalaris); bicho tromba (Phyrdenus muriceus) e traça-da batata (Phthorimaea operculella). Já em relação às doenças, pode-se destacar a requeima da batata (Phytophthora infestans); pinta-preta (Alternaria solani); rizoctonia (Rhizoctonia solani); sarna-prateada (Helminthosporium solani); sarna-pulverulenta (Spongospora subterrânea) podridão-seca (Fusarium sp); olho-pardo (Cylindrocladium clavatum); murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum) podridão-mole (Erwinia sp) sarna-comum (Streptomyces scabies). Já as principais virores são: enrolamento (PLRV); mosaico-severo (PVY); mosaico-leve (PVA, PVM, PVS e PVX). 52CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 CULTIVO DE HORTALIÇAS DA FAMÍLIA BRASSICACEAE (COUVE-FLOR E REPOLHO)4 TÓPICO 53CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Consideradas como plantas de inverno, a couve-flor e o repolho são hortaliças ricas em cálcio e fósforo, estando presente não apenas em saladas, mas também em inúmeras receitas sofisticadas. O cultivo de brássicas requer alguns cuidados, principalmente em termos de temperatura em relação à formação da inflorescência. Assim, neste tópico iremos nos dedicar ao estudo da couve-flor e do repolho, apresentando as principais cultivares plantadas assim como seu sistema de cultivo. 4.1 Cultura da couve-flor A Couve-flor (Brassica oleracea var. botrytis) é uma planta bianual pertencente à família Brassicaceae sendo originária da região norte do mediterrâneo, Ásia menor e Costa Ocidental Europeia, tendo sua expansão total para a Europa no século XVI. Esta cultura necessita de temperaturas mais baixas para a formação da cabeça (inflorescência) e para o pendoamento. Desta forma é classificada como uma planta bianual. Tanto a inflorescência quanto suas folhas são comestíveis, no entanto, o consumo usual é da cabeça, sendo composta por uma inflorescência imatura, sobre um caule rígido, considerado pequeno. Existem algumas variedades de couve-flor que produzem inflorescência de diversas colorações, podendo ser branca, roxa, creme e amarelada. Esta última ocorre em virtude da incidência da radiação solar sobre a inflorescência, alterando sua pigmentação branca para tons amarelados. 54CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 A temperatura ideal para sua produção é de 14 a 20 °C. Cultivos acima de 25 °C podem desencadear malformação da cabeça ou a não formação, pois a planta irá apenas vegetar. Já temperaturas abaixo de 14 0C podem provocar danos físicos às folhas, ramos, além de impedir o desenvolvimento vegetativo. 4.2 Principais cultivares As cultivares são classificadas em dois tipos, sendo: cultivares de outono-inverno e cultivares de primavera-verão. Este último é tolerante a temperaturas acima de 20°C e não necessitam do frio para que ocorra a formação da cabeça. Fazem parte deste grupo a cultivar Piracicaba precoce e alguns híbridos como o Shiromaru e o Verona. Em relação às cultivares de inverno, destacam-se as cultivares Bola de neve, Teresópolis precoce, Teresópolis gigante, dentre outras. 4.3 Sistema de cultivo A cultura da couve-flor desenvolve-se em solos argilosos, porém é pouco tolerante à acidez, devendo o pH do solo ficar entre 6,0 a 6,8, além da saturação de bases ser elevada para 70%. A temperatura também é um fator limitante para sua produção, diferentemente do fotoperíodo que não exerce influência significativa na produção (FILGUEIRA, 2008). Em relação à exigência nutricional, o nitrogênio e o fósforo são os que mais fornecem respostas positivas em produção, embora também seja exigente em cálcio, enxofre e potássio. Quanto aos micronutrientes, o boro é extremamente importante para a formação da inflorescência. Por essa razão, recomenda-se aplicar de 2 a 4 kg de borax por hectare (FILGUEIRA, 2008). Usualmente a semeadura do couve-flor ocorre em bandejas de polietileno de 128 células, podendo semear de duas a três sementes por célula dependendo do valor pago nasemente. Seu transplantio será realizado quando as mudas apresentarem de 3 a 4 folhas definitivas. Em relação ao espaçamento da cultura, este dependerá do cultivar e da disponibilidade de mão-de-obra. De acordo com Filgueira (2008), cultivares de outono- inverno recomenda-se espaçamento de100 -110 x 50 - 50 cm. Já para cultivares precoces, sugere-se o espaçamento de 80-40 cm. Sendo uma cultura exigente em água, sistemas de irrigação contribuem para o sucesso de produção. Dentre os sistemas de irrigação, o sistema de irrigação por gotejamento é o mais indicado, uma vez que disponibiliza água diretamente no colo da planta. Sistemas de irrigação por aspersores, embora seja mais barato em relação ao gotejamento, pode propiciar o surgimento de doenças fúngicas nas folhas e inflorescência pelo contato direto da água com essas partes do vegetal. 55CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 O ciclo da cultura pode variar de 70 a 130 dias dependendo do cultivar produzido. Cultivares de outono-inverno são mais tardias em relação às de primavera-verão. A colheita das inflorescências ocorre quando as mesmas se apresentam bem compactadas com os botões florais ainda unidos. 4.4 Principais pragas e doenças A principal doença que acomete a cultura são: podridão negra (Xanthomonas campestris pv. Campestris); podridão mole (Erwinia carotovora var. carotovora); hérnia das crucíferas (Plasmodiophora brassicae Wor). Já os insetos pragas, têm destaque o pulgão (Brevicoryne brassicae) e mosca-branca (Bemisia tabaci). 4.5 Cultura do repolho O repolho (Brassica oleracea var. Capitata) é originária da região do mediterrâneo, sendo caracterizada por uma planta bienal herbácea com folhas arredondadas e cerosas, onde há superposição das folhas centrais formando uma inflorescência (cabeça) compacta. Seu caule é curto, sem ramificações e suas raízes são adventícias, atingindo de 20 a 30 cm de profundidade. Em relação às variáveis agroclimáticas, a cultura do repolho se mostra mais adaptável em relação à couve-flor, podendo ser plantada o ano todo. Entretanto, temperatura muito elevada pode ocasionar a formação de cabeças pouco compactas, ou até mesmo a ausência dessa inflorescência. 4.6 Principais cultivares Atualmente são produzidos híbridos com ampla capacidade de adaptação agroclimática, permitindo maior flexibilidade de escolha da época e região produtora. De modo geral, o repolho de produção nacional pode ser o crespo ou o liso, além do repolho roxo. 4.7 Sistema de cultivo O repolho pode ser cultivado em solos de textura média e argilosos, desde que sejam bem drenados. Entretanto, solos muito arenosos são menos favoráveis para o desenvolvimento da cultura, uma vez que possuem baixa capacidade de retenção de água. Em relação ao pH do solo, este deve estar entre 5,5 a 6,8. Quando a calagem for realizada, deve-se elevar a saturação de bases para 70% (FILGUEIRA, 2008). Assim como a couve-flor, o repolho também é responsivo ao fósforo e nitrogênio, e aplicações de boro também são necessárias para a formação da inflorescência. 56CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 Os macronutrientes cálcio, enxofre e potássio também desempenham importante papel no desenvolvimento da cultura. A produção de mudas de repolho ocorre de maneira semelhante ao da couve-flor, sendo recomendado a semeadura em bandejas de 128 células e transplantadas quando as plântulas apresentarem de 3 a 4 folhas desenvolvidas. No campo, seu transplantio poderá ser realizado em espaçamentos de 70 - 80 x 30 - 40 cm. Ressalta-se que o espaçamento poderá variar de acordo com o material vegetal utilizado. Sendo uma cultura exigente em água, a mesma poderá ser fornecida sob sistema de irrigação por gotejamento, onde o solo deverá ser sempre mantido úmido. Entretanto, o excesso de água pode causar rachaduras na inflorescência, principalmente se ocorrer o corte de água repentinamente. Associado a sintomas de déficit de água ou deficiência de cálcio, poderá ocorrer o definhamento das folhas novas. A colheita do repolho ocorre de 80 a 100 dias após o seu transplante, quando sua cabeça está bem formada e compactada. Geralmente essas inflorescências pesam em torno de 1,5 a 2 kg no máximo. Há maior preferência nacional por repolhos pequenos. 4.8 Principais pragas e doenças Os principais insetos pragas que acometem a cultura do repolho são: traça- das-crucíferas (Plutella xylostella); curuquerê-da-couve (Ascia monuste orseis); lagarta falsa-medideira (Chrysodeixis includens); lagarta-rosca (Agrotis ípsilon); pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae); pulgão-verde (Myzus persicae); pulgão-do-nabo (Lipaphis erysimi). Com relação às principais doenças, temos: hérnia-das-crucíferas (Plasmodiophora brassicae Woronin); murcha de fusarium (Fusarium oxyporum); podridão-do-colo (Rhizoctonia solani); ferrugem branca (Albugo candida); mancha-de-alternaria (Alternaria brassicicola); míldio (Peronospora parasítica) e oídio (Erysiphe cruciferarum). 57CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 A Embrapa disponibiliza, de maneira gratuita, uma coleção das principais culturas produzidas no país. A Coleção Plantar é composta por pequenos livros, que podem ser baixados digitalmente, contendo os prin- cipais passos para a produção de frutas e hortaliças, através de uma linguagem clara e objetiva. Para a aquisição desses materiais acesse: https://www.embrapa.br/en/colecao-plantar A técnica de estaquia também é muito utilizada para a propagação de florestas de eucalipto. O aperfeiçoamento da técnica de estaquia proporcionou avanços consideráveis no processo de produção de mudas clonais de eucalipto, maximizando o índice de enraizamento (XAVIER et al., 2001) https://www.embrapa.br/en/colecao-plantar 58CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 O método propagativo a partir de sementes, é utilizado na maior parte das culturas hortícolas, principalmente aquelas que exigem maior cuidado durante a germinação, por isso, são semeadas em bandejas com substratos e posteriormente são transplantadas em definitivo na área de produção. Já o método de propagação assexuado é direcionado para culturas perenes, acelerando seu processo de formação e desenvolvimento dos frutos. Em relação às culturas estudadas, podemos concluir que os fatores ambientais adequados ao seu desenvolvimento, como: temperatura, umidade e radiação solar, são respectivamente as condições encontradas no local de seu centro de origem. Dessa forma, sempre devemos priorizar o bem-estar da planta, observando o espaçamento adequado de seu plantio, necessidades nutricionais, assim como o controle de pragas e doenças. CONSIDERAÇÕES FINAIS 59CULTIVO DE HORTALIÇASUNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Na Prática - Enxertia Verde da Videira • Ano: 2020. • Sinopse: Nesse vídeo da Série “Na Prática”, o engenheiro agrônomo da Embrapa Uva e Vinho, Daniel Grohs, apresenta a técnica da Enxertia Verde, uma das principais alternativas para formar ou renovar parreirais. Desde os cuidados com a condução do porta-enxerto, passando pela enxertia em si, até a condução das novas brotações, você conhecerá os detalhes e as principais recomendações para bem praticar a enxertia verde. • Link do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=FsvThLrUJsI LIVRO • Título: Olericultura: Teoria e Prática • Autor: Paulo Cezar Rezende Fontes e Carlos Nick. • Editora: UFV. • Sinopse: O livro tem o objetivo de ser um guia para o manejo da produção, podendo ser útil a extensionista e produtores envolvidos com tomada de decisão na produção de hortaliças. O texto enfoca princípios teóricos e práticos relacionados à ciência e tecnologia de produção das hortaliças. Também, numa visão ampla do conhecimento, o livro proporciona informações e sugestões sobre técnicas e conceitos utilizados na produção das principais hortaliças. https://www.youtube.com/watch?v=FsvThLrUJsI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Cultivo da Alface (Asteraceae); • Cultivo em Ambiente Protegido; • Sistema de Cultivo sem Solo. Objetivos da Aprendizagem • Conceituar e distinguir os diferentes métodos de cultivo de hortaliças, expondo suas vantagens e desvantagem de cada sistema; • Compreender as principais cultivares de alface produzida e comercializada no Brasil; • Estabelecer a importância do conhecimento sobre os novos sistemas de produção de hortaliças. Professor Me. André Felipe Barion Alves Andrean DIFERENTES SISTEMAS DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE NA PRODUÇÃO DE ALFACEALFACE UNIDADEUNIDADE3 61DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 INTRODUÇÃO Como já estudamos, a cultura da alface está entre as principais hortaliças produzidas no Brasil, sendo a cultura de destaque nos chamados cinturões verdes, gerando inúmeros empregos diretos e indiretos, além de contribuir para a economia local. A cultura da alface se divide em seis principais cultivares, sendo: americana, repolhuda- manteiga, solta-lisa, solta-crespa, mimosa e romana. A cultivar americana se destaca como uma das mais consumidas, uma vez que também é muito utilizada no preparo de lanches. O ciclo dessa cultura é relativamente curto, ao compararmos com as demais hortaliças estudadas, porém, exige tratos culturais como adubação adequada, temperatura amena e disponibilidade de água. Assim, esta cultura está relacionada ao cultivo em ambiente protegido. Atualmente o método de produção de alface por hidroponia é um dos mais utilizados, uma vez que pode ser realizado em pequenos espaços, sem a utilização de solo. Estes sistemas proporcionam a redução do ciclo da cultura, além de reduzir o risco de ataque de patógenos que por ventura poderiam estar presentes no solo. O cultivo sem solo já é uma realidade em inúmeros países, principalmente aqueles que possuem pequenas áreas agrícolas em detrimento do aumento das metrópoles. Amplos complexos são construídos para servir de “fazendas verticais” utilizando sistema de floating e luzes artificiais. Embora estes métodos sejam promissores e alcancem excelentes produções, ainda há algumas limitações em sua implantação, principalmente no Brasil. Por exigir sistema de bombeamento, tubos, nutrientes solúveis em água, temporizador e monitores de pH e condutividade elétrica da água, acabam por encarecer a implantação do sistema, ficando restrito apenas para os maiores produtores. Desta forma, é imprescindível o conhecimento de novas modalidades de cultivo, pois é através da sua compreensão aliada a estudos que novas ferramentas podem ser desenvolvidas a baixo custo, aumentando a acessibilidade aos pequenos produtores. Assim, nesta unidade iremos nos dedicar a aprender sobre o cultivo da alface, assim como os diferentes sistemas de produção de hortaliças. Obrigado e bom estudo! CULTIVO DA ALFACE (ASTERACEAE)1 TÓPICO 62DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 A alface (lactuca sativa) é oriunda de espécies silvestres encontradas em regiões de clima temperado, como no sul da Europa e na Ásia Ocidental (FIGUEIRA, 2008). Esta cultura é caracterizada por possuir um pequeno caule, onde se prendem inúmeras folhas. As folhas podem ser lisas ou crespas, formando cabeça ou não, variando de verde-claro ao roxo. Já suas raízes são ramificadas e superficiais, com cerca de 25 cm de profundidade. Sendo uma cultura anual e típica de inverno, dias curtos e temperaturas amenas favorecem a etapa vegetativa, possibilitando adequadas condições de cultivo. Entretanto, seu florescimento e pendoamento é estimulado sob dias longos e temperaturas elevadas. Segundo Filgueira (2008), temperaturas entre 12 e 22°C produzem folhas de melhor qualidade. Através do melhoramento genético, a alface passou a ter forte resistência ao pendoamento, podendo ser cultivada em larga escala em toda parte do Brasil. Resende et al. (2007) destaca que cultivares não adaptadas para o verão, com temperatura acima de 25°C, resultam na redução da fase vegetativa e estimulação do pendoamento precoce. Uma vez que há o pendoamento, esta hortaliça se torna inadequada ao consumo devido à produção de látex nas folhas, deixando-as com sabor amargo (CARVALHO FILHO et al., 2009). 1.1 Principais cultivares As principais cultivares produzidas no Brasil são: americana, repolhuda-manteiga, solta-lisa, solta-crespa, mimosa e romana. 63DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 1.1.1 Alface-americana Também conhecida como repolhuda-crespa, esta alface possui folhas crespas bem consistentes, com nervuras destacadas, formando uma cabeça compacta. Suas folhas internas são mais crocantes e mais claras em relação às folhas externas (FIGURA 1). Esta cultivar é muito utilizada no preparo de lanches, além da característica desejável de resistência ao transporte e conservação em pós-colheita. As principais cultivares americanas plantadas são: Irene (Eagle), Laurel (Sakama), Lorca, Lucy Brown (Seminis), Raider (Seminis), Raider Plus (Seminis), Tainá (Sakata). FIGURA 1: ALFACE AMERICANA (REPOLHUDA-CRESPA). 1.1.2 Repolhuda-manteiga Esta cultivar possui folhas lisas e delicadas, de coloração verde-amarelada e aspecto amanteigado, formando uma cabeça compacta (FIGURA 2). As principais cultivares são: Áurea, Aurélia, Aurora, Babá de Verão, Boston Branca, Brasil 202, Brasil 303, Carla, Carolina AG 576, Crioula Branca, Elisa, Floresta, Glória, Kagraner de Verão, Karina, Lívia, Luisa, Marina, Maravilha de Inverno, Maravilha de Verão, Minie, Piracicaba 65 e Rainha de Maio. FIGURA 2. ALFACE REPOLHUDA MANTEIGA OU REPOLHUDA LISA. Fonte: Safraviva (nd) 64DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 1.1.3 Solta-lisa Esta cultivar apresenta folhas macias, lisas e soltas, sem a formação de cabeça (FIGURA 3). As principais cultivares comercializadas são: Elisa (Sakata), Karla (Hortec), Lídia (Sakata), Luisa-Orgânica (Horticeres), Regina (Hortec, Sakata e Topseed). FIGURA 3: ALFACE SOLTA-LISA CULTIVAR LARISSA. Fonte: Safraviva (nd) 1.1.4 Solta-crespa Esta cultivar não forma cabeça. Suas folhas são bem consistentes, crespas e soltas. Destaca-se pela facilidade no manuseio, não ocasionando danos à planta. No Brasil é o mais comercializado e a preferência é pela coloração verde clara (FIGURA 4). Os principais materiais comercializados são: Vanda, Verônica, Mônica, Julie, Hortência, BRS Leila e Amanda. FIGURA 4: ALFACE CRESPA BRS LEILA. Fonte: EMBRAPA HORTALIÇAS (2018). 65DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 1.1.5 Mimosa De fácil identificação, as alfaces pertencentes ao grupo mimosa são caracterizadas por possuir folhas recortadas. A alface mimosa pode ser vista na forma verde ou roxa (FIGURA 5). As principais cultivares são: Mimosa, Angélica, Salete, Maíra, Milamil e Salad Bowl. FIGURA 5: ALFACE MIMOSA VERDE (A); ALFACE MIMOSA ROXA (B). Fonte: SAKATA (2023). 1.1.6 Romana A alface-romana é caracterizada por possuir folhas alongadas, duras, com nervuras visíveis e claras. Este grupo não possui cabeça, entretanto, possui uma forma de cone alongada (FIGURA 6). Os principais materiais comercializados são: Sophia, Romana Agrocinco,Romana Luiza e Romana SVR 2755. FIGURA 6: ALFACE ROMANA. Fonte: EMBRAPA HORTALIÇAS (2009) 66DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 1.2 Sistema de cultivo A cultura da alface tem melhor adaptação em solos de textura média, sem acúmulo em excesso de água. O pH ideal do solo varia de 6,0 a 6,8, além da saturação por base ser próximo a 70%. São plantas exigentes em potássio, nitrogênio, cálcio e fósforo. As adubações químicas são divididas em adubações de base para o primeiro plantio, adubação para o segundo plantio e adubação de cobertura. De acordo com Prado e Cecílio Filho (2016), o formulado utilizado no primeiro plantio, geralmente é 04-30-16, aplicando de 800 a 1000 kg por hectare do formulado. Após a aplicação do adubo é recomendado que ocorra o revolvimento superficial do solo, uma vez que o sistema radicular da alface é superficial. A adubação de base para o segundo plantio, recomenda-se o uso de esterco animal curtido ou compostos orgânicos, contribuindo para que ocorra o aumento da matéria orgânica no solo. Já a adubação de cobertura é realizada antes que ocorra a formação da cabeça, realizando o parcelamento do nitrogênio evitando sua volatilização. Com relação à produção de mudas, estas são produzidas em bandejas de poliestireno expandido de 200 células com substrato composto por turfa, vermiculita e calcário. O transplantio para a área definitiva ocorre quando as mudas apresentam quatro folhas definitivas. É recomendado que ocorra o raleamento das mudas ainda na bandeja, permanecendo apenas as vigorosas. Esta prática pode ocorrer quando a plântula apresentar 5 cm de altura. A preparação dos canteiros é realizada com auxílio de encanteiradores acoplados em tratores ou pelo uso de motocultivadores. Geralmente, os canteiros possuem 0,15 m de altura e 1,20 de largura. O comprimento do canteiro dependerá das características do local, mão de obra e uso de tecnologia. O espaçamento utilizado varia conforme a cultivar, sendo adotado espaçamentos maiores para cultivares que emitem muita folhagem. Habitualmente utiliza-se espaçamento de 0,25 x 0,30 m. Filgueira (2008) descreve que para a alface-americana recomenda-se espaçamento de 0,35 x 0,35 m. Com relação à cobertura dos canteiros, há possibilidade do uso de palhadas de arroz, bagaço de cana ou através do uso de filme plástico denominado de mulching. Como já vimos, esta prática permite a retenção de umidade no solo, além de suprimir a emergência de plantas daninhas. A alface é extremamente exigente em água, por isso é fundamental a presença de sistema de irrigação na área produtiva. Dentre os métodos de irrigação utilizados na produção da alface, destaca-se a irrigação por sulco, aspersão e microirrigação. 67DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 O método de irrigação por sulco não é muito usual no Brasil devido ao grande volume de água utilizado, além da construção de canais de escoamento e distribuição da água. Já o método de irrigação por aspersão possui como vantagem o baixo custo de implantação, além da possibilidade de montagem e desmontagem na área. O método de irrigação por microirrigação por gotejamento, embora seja de elevado valor de implantação, possibilita a aplicação de água de maneira pontual diretamente no colo da planta, evitando que ocorra o molhando das folhas, favorecendo o surgimento de doenças. A respeito das anomalias fisiológicas, a que se tem maior destaque é chamada de Tipburn ou queima das bordas (FIGURA 7). Este distúrbio é causado principalmente pelo desequilíbrio nutricional de cálcio e nitrogênio, mas também pode ocorrer por deficiência de água ou temperatura elevada. Esta anomalia não compromete a sua comercialização. FIGURA 7: TIPBURN EM ALFACE MIMOSA. Fonte: HU, Qingyao et al. (2019) A colheita da alface é realizada através do corte do caule logo que a planta atinge seu máximo desenvolvimento, apresentando folhas vistosas. O ciclo da cultura dependerá do cultivar utilizado, além do método de cultivo conduzido. De modo geral, varia de 40 a 50 dias. Quando produzida em ambiente protegido, seu ciclo tende a ser mais precoce, variando de 30 a 40 dias. 1.3 Principais pragas e doenças As principais pragas que acometem a alface são: Lagarta-rosca (Agrotis ípsilon); pulgões; Mosca branca (Bemisia tabaci); Tripes; Brasileirinho (Diabrotica speciosa); Lagarta armigera (Helicoverpa armigera); Mosca minadora (Liriomyza sp); Lesma e caracóis. Com relação às doenças, pode-se destacar as viroses mosaico-da-alface e vira- cabeça. Já as doenças fúngicas, as principais são: septoriose e queima-da-saia. CULTIVO EM AMBIENTE PROTEGIDO2 TÓPICO 68DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 A técnica do cultivo protegido pode ser definida como a prática que visa reduzir a influência externa do ambiente que por ventura venha interferir negativamente na produção. Purquerio e Tivelli (2006) caracterizam como o método de proteção às plantas contra os agentes meteorológicos, permitindo a passagem de luz, porém controlando as condições edafoclimáticas como temperatura, umidade do ar e vento. A sazonalidade de plantio, de certa forma, se torna mais flexível graças a este método de cultivo, uma vez que permite a produção de alimentos em períodos até então denominados “fora de época”, possibilitando melhores preços de mercado em virtude da oferta e demanda. Outro benefício deste método de cultivo é a economia referente a diminuição do uso de agroquímicos graças ao uso de telas antiafídicas, presente nas laterais de alguns modelos de casa de vegetação, impedindo o ataque de pragas e transmissão de doenças por insetos, além de garantir a integridade física dos frutos. O ambiente protegido pode ser constituído de agroplástico, sendo um tipo de material elaborado à base de polietileno de baixa densidade (PEVD) com espessuras que variam de 75, 100, 120 e 150 micras. Nas laterais, ou cortinas, são constituídas em malhas de polipropileno com porosidade que variam de 12 a 50% (DOS REIS et al., 2005). Vários tipos de estufas podem ser confeccionados de acordo com a porosidade ou espessuras dos materiais selecionados, isto irá depender do tipo de cultivo que será explorado ou da região de implantação. A estrutura dos ambientes protegidos pode ser constituída de moirões de eucalipto trabalhada ou roliça, tubos de ferro galvanizado ou concreto armado. 69DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 Esta última é mais resistente, porém o custo de implantação é mais caro e não há a possibilidade de alteração do local da estufa. Há também estruturas mais simples composta por bambu, permitindo maior flexibilidade e facilidade de manuseio, no entanto, a durabilidade tende a ser menor. Em relação ao teto, recomenda-se a altura do pé-direito acima de 4 metros e o comprimento de até 50 metros, evitando aumento excessivo da temperatura interna (BEZZERA, 2003). O teto pode ser do modelo de arco, convectivo retilíneo, convectivo curvilíneo e capela. Por ser um investimento considerável, as culturas produzidas nestes ambientes devem ser de elevado valor econômico ou de ciclo curto, como: tomate, pimentão, alface, morango dentre outras. A arquitetura também poderá depender da cultura a ser produzida. Para o cultivo do pimentão ou tomate, é necessário a instalação de palanques dentro do ambiente. Já para a cultura do morango ou alface utilizam-se canteiros. 2.1 Preparação dos canteiros Para melhor facilidade no manejo do solo, é recomendado que o ambiente protegido seja projetado de maneira que permita fácil acesso da motocultivadora, seja através de uma abertura na lateral ou de uma porta de maior largura. Assim, o solo poderá ser revolvido para a incorporação de adubos, além do seu destorroamento, permitindo a formação de canteiros (FIGURA 8). FIGURA 8: REVOLVIMENTO DO SOLO E FORMAÇÃO DE CANTEIROS UTILIZANDO MOTOCULTIVADORA. Fonte: do autor (2023)70DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 Para realizar o manejo do solo é necessário inicialmente retirar o sistema de irrigação da área, por isso é fundamental que o sistema seja de fácil montagem e desmontagem. Vale ressaltar, que antes da retirada do sistema, o solo deverá ser molhado para facilitar a ruptura dos agregados do solo, facilitando a formação dos canteiros. A profundidade de revolvimento dependerá da cultura a ser cultivada. No caso da alface, recomenda-se um revolvimento de 0,30 m. Durante a confecção dos canteiros é imprescindível a criação de pequenos corredores para que facilite os tratos culturais como a aplicação de agroquímicos, adubação ou até mesmo a colheita. O número de corredores nestes ambientes dependerá da cultura implantada e das dimensões do local. De modo geral, utiliza-se um ou dois corredores para o cultivo da alface. Entretanto, sabemos que quanto maior o número de corredores ou quanto mais largos estes forem, menor será o espaço destinado à cultura, e nesta modalidade de cultivo a otimização do espaço é fundamental para reaver em tempo hábil o capital investido. A produção das mudas também poderá ser realizada dentro das estufas, assim ficarão seguras de ataques de pragas ou fatores climáticos, além de se aclimatar ao ambiente logo após a sua germinação. Para isso, é recomendado a presença de mesas ou estruturas de fácil montagem, que permita que as bandejas não toquem o solo, garantindo que a água aplicada nas bandejas seja drenada e não acumulada ao fundo. Outra vantagem é a presença de possíveis patógenos no solo que poderá comprometer o desenvolvimento da plântula até o seu transplante. FIGURA 9: PRODUÇÃO DE MUDAS E TRANSPLANTIO EM AMBIENTE PROTEGIDO. Fonte: Menezes, C. S. L (2020) 2.2 Montagem de palanques A utilização de palanques e mourões é indicada para o cultivo de tomate, pimentão ou outra cultura de alto valor econômico. Estas estruturas deverão ser montadas na extremidade do ambiente protegido com o auxílio de uma cavadeira e trado. 71DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 A profundidade dessas covas irá depender da cultura que será sustentada. De acordo com Fontes (2005), a cultura do tomate, no auge da produção, produzirá uma carga de 12 a 18 kg/m². Já para o cultivo de melão nobre, essa carga será maior. De modo geral a profundidade deverá ser em torno de 0,5 a 0,8 m. Por isso, é importante o planejamento para o correto corte dos mourões. No exemplo apresentado na Figura 10, foi utilizado bambus com média de 0,15 m de diâmetro e 2,5 m de comprimento. Estes bambus foram enterrados a 0,7 m de profundidade, permanecendo 1,8 m acima da superfície do solo. FIGURA 10: PRODUÇÃO DE MELÃO CANTALOUPE TUTORADO EM AMBIENTE PROTEGIDO. Fonte: do autor (2023). O tutoramento da cultura é realizado por meio de um fio de arame preso entre dois mourões. Usualmente são esticados dois fios de arame, sendo o primeiro cerca de 0,30 m acima do nível do solo e outro a 1,6 m. A cultura será conduzida através de um fitilho ligada ao arame inferior e superior (FIGURA 11). FIGURA 11: FITILHO LIGANDO DOIS ARAMES SOB A CULTURA DO MELOEIRO. Fonte: do autor (2023). SISTEMA DE CULTIVO SEM SOLO3 TÓPICO 72DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 O sistema de cultivo sem solo pode ser definido como qualquer técnica que a nutrição dada à planta por meio de solução. Não importa a forma de condução da cultura, deve-se prezar pela presença de água, nutrientes e respiração radicular para que haja o crescimento das plantas. O primeiro registro do uso desta técnica de cultivo que se tem registro, foi realizado pelos povos astecas no México (ANDRIOLO, 2017). De acordo com o autor, as plantas eram colocadas em jangadas de bambu, adicionando um pouco de solo em seu interior. As raízes ao se desenvolverem atingem o fundo da embarcação, logo tendo acesso à água. Do ponto de vista econômico e ambiental, o cultivo sem solo permite a otimização de pequenas áreas, uma vez que seu cultivo pode ocorrer verticalmente, menor ciclo das culturas, maior qualidade dos produtos produzidos, além do melhor aproveitamento da água e nutrientes. Segundo Andriolo (2017), o sistema de cultivo sem solo se classifica inicialmente em dois grandes grupos, sendo: hidroponia e cultivo em substrato. Dentro do sistema de hidroponia existem os sistemas de NFT (nutrient film technique), floating e a aeroponia. Ambos os sistemas são fechados, ou seja, a solução nutritiva circula em torno das raízes e retorna para o reservatório de estocagem. Já o sistema de cultivo em substrato o sistema pode ser aberto ou fechado. 73DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 3.1 Sistema NFT Esta técnica é chamada de nutrient film technique, consiste na circulação de um fino filme de solução nutritiva dentro de canais com 1-4% de declividade (FIGURA 12). Culturas como alface, rúcula, agrião, salsa, cebolinha e outras hortaliças de porte baixo são cultivadas em bancada composta por uma série de canais paralelos, com cerca de 10 cm de largura, distanciados de 10 a 15 cm entre si. Para plantas de maior porte, como tomate, empregam-se canais com 20 a 25 cm de largura. FIGURA 12: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA NUTRIENT FILM TECHNIQUE. Fonte: do autor (2023). O sistema NFT é fechado, ou seja, a solução de nutrientes retorna ao reservatório e novamente é redistribuída. A avaliação do consumo de nutrientes é feita pelo acompanhamento diário da condutividade elétrica da solução. Em relação ao pH, quando este reduz adiciona-se hidróxido de sódio ou potássio para sua elevação, e quando ocorre o aumento do pH, este é reduzido com ácido clorídrico, sulfúrico ou nítrico. Um exemplo do sistema NFT é o uso de tubos de PC rígidos, sendo perfurados no espaçamento desejado, montados sobre cavaletes ou bancadas em sistema de degrau, permitindo que ocorra maior aproveitamento do local e melhor distribuição da solução nutritiva. Os reservatórios desse sistema ficam localizados na parte inferior dos canais, sendo compostos de fibra de vidro, fibrocimento ou plástico. Estes locais podem receber pintura interna com impermeabilizantes para que não ocorra reação com a solução com o material. É importante que este reservatório seja protegido da luz para evitar a proliferação de algas que podem produzir toxinas na água. 74DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 O canal pode variar de largura e comprimento em virtude do material vegetal que será produzido. Culturas com sistema radicular reduzido, como a alface, pode-se deixar 12 cm de largura e 15 a 20 m de comprimento. Já para culturas de maior raiz, como o tomate, a largura do canal deverá ser de 25 cm. O comprimento do canal irá depender do fator clima local. Para regiões mais quentes recomenda-se que o comprimento do canal seja em torno 15 m, pois pode haver aquecimento da solução, influenciando na presença de oxigênio. A elevada temperatura também pode desencadear o aumento da evaporação da água no sistema, fazendo com que a solução chegue mais concentrada ao final do canal, prejudicando o desenvolvimento da planta. Embora este sistema exige maiores cuidados, o NFT possui como vantagem o menor custo de implantação em comparação com outros sistemas hidropônicos, além da facilidade de esterilização do sistema após a colheita. Outro benefício é o baixo risco de contaminação ambiental com nutrientes e pesticidas, uma vez que o sistema é fechado. A desvantagem desse sistema é a possibilidade de acúmulo de etileno no sistema, causando o envelhecimento e morte das raízes, além do déficit de oxigênio causado em canais longos devido ao aquecimento. Outro fator negativo é que as plantas não podem ficar muito tempo sem água, ou seja, a circulação de água deve ser constante, por isso se faz necessário dispor de geradores de energia caso ocorra interrupção da energia elétrica. 3.2Sistema floating Como o próprio nome diz, este sistema se baseia na flutuação da cultura acondicionada em tanque. Estes tanques são rasos com 15 a 20 cm de altura, onde se mantém uma lâmina de solução nutritiva de 5 a 10 cm de altura, e a cultura é sustentada por placas de isopor. Este sistema é quase estático, com pouca circulação de nutrientes (FIGURA 13). FIGURA 13: PRODUÇÃO DE ALFACE PELO SISTEMA FLOATING. Fonte: Carneiro et al., (2015) 75DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 As raízes ficam totalmente submersas e por isto deve-se dar atenção à concentração de oxigênio dissolvido na água. Pode-se injetar ar comprimido no reservatório da solução nutritiva ou instalar um sistema de venturi para promover a mistura de ar na tubulação de solução. A vantagem do uso desse sistema é que sua limpeza se torna mais fácil em relação ao sistema NFT, no entanto, o uso do tubo de venturi ocasiona a perda de carga do sistema, comprometendo a dinâmica da circulação dos nutrientes. Outra vantagem é a menor alteração da temperatura da solução devido ao maior volume de água disponível para a planta. Já o fator limitante no uso deste método é o maior risco da proliferação de algas que resultam na insuficiência de oxigênio no sistema. 3.3 Sistema de aeroponia Neste sistema as raízes ficam nuas e são mantidas dentro de câmaras opacas, recebendo nebulização regulares de solução nutritiva, sempre mantendo a umidade relativa em saturação (100%) no sistema radicular. Este sistema é composto por uma unidade elétrica, câmara escura onde são mantidas as raízes, bomba de alta pressão, filtros e nebulizadores. Este método tem destaque na produção de batata semente, podendo produzir minitubérculos com maior eficiência no uso de água e nutrientes. Entretanto, esse sistema apresenta pouco tamponamento térmico ao nível das raízes, além de ser dependente da energia elétrica. Entupimento dos emissores também podem ocorrer, comprometendo a uniformidade de aplicação. Entretanto, a vantagem desse método se deve à menor utilização de solução nutritiva, além de menor risco de contaminação, porém, o custo de implantação deste sistema é elevado em relação aos demais sistemas (FIGURA 14). FIGURA 14: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE AEROPONIA. Fonte: do autor (2023). 76DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 3.4 Subirrigação Este sistema utiliza substratos, onde os mesmos são acondicionados em calhas em formato de V. Ao fundo da calha há passagem de um tubo de PVC perfurado, que através dele será adicionado à solução nutritiva, sendo absorvida e retida pelo substrato (FIGURA 15). FIGURA 15: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA DE CULTIVO COM SUBSTRATO EM SUBIRRIGAÇÃO. Fonte: Prieto Martinez, H. E. (2021). O enchimento da calha com a solução deve ser lento, permanecendo por aproximadamente 30 minutos e só então será drenado. Para evitar a evaporação excessiva, formação de algas e enraizamento superficial, a solução não deve atingir a superfície do substrato, portanto um tubo “ladrão” é colocado cerca de 2 cm abaixo da superfície do substrato. O tipo de substrato utilizado exerce influência no turno de rega, uma vez que possui características físicas distintas com diferente capacidade de retenção de água. O uso de cascalho, devido a sua conformidade irregular, permite a formação de poros de tamanho variado, gerando maior equilíbrio no fator umidade/aeração. Entretanto, o uso de cascalho de rocha calcária pode elevar o pH, reduzindo a absorção de micronutrientes, como o ferro. A argila expandida resulta em melhor aeração, logo possui menor retenção de umidade. Neste tipo de sistema o risco de contaminação por patógenos é maior em relação ao sistema hidropônico, pois se utilizam substratos e estes podem estar contaminados. 3.5 Sistema fluxo e refluxo O sistema de fluxo e refluxo ou “ebb and flow system”, possui o mesmo princípio do sistema de subirrigação, no entanto, utilizam-se vasos ou bandeja para sua condução. A solução deve permanecer em contato com o vaso por 10 a 15 minutos e sua drenagem deve ser lenta, durando até 10 minutos. 77DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 O fornecimento da solução ocorre através do bombeamento até a bancada, por meio de um tubo. Após o tempo de irrigação, a solução retornará ao mesmo tanque coletor pelo mesmo tudo. Este sistema utiliza bombas automatizadas com temporizadores (FIGURA 16). FIGURA 16: REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO SISTEMA FLUXO E REFLUXO. Fonte: Grow without soil (2023). A vantagem desse sistema é que permite a nutrição uniforme, além de boa aeração, ancoragem fácil e boa adaptação da maioria dos cultivos. Entretanto, a manutenção desse sistema é mais trabalhosa, uma vez que pode ocorrer a contaminação da solução nutritiva com partículas do substrato, além do custo de implantação ser mais elevado. Com relação aos principais substratos utilizados neste sistema e de subirrigação, são: fibra de coco, lã de argila, argila, casca de arroz carbonizado, vermiculita, turfas e espumas sintéticas. Vale ressaltar, que independente do substrato utilizado existem algumas características que são desejáveis para a produção nestes sistemas, como: não possuir concentração elevada de sais, ter pH em torno de 6 a 7; ser fácil de manusear; ser reutilizado; não exigir irrigações frequentes e apresentar boa oxigenação. 78DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 78 Uma análise estratégica da competitividade de hortaliças hidropônicas no Brasil, realizada por Zen e Brandão (2019) evidenciaram a falta de assistência técnica qualificada para o atendimento de produto- res que utilizam o sistema de hidroponia. Fonte: Zen, H. D., Brandão, J. B. Competitividade da produção hidropônica de hortaliças folhosas no Brasil. Revista de Política Agrícola, 28(1), 115, 2019. O cultivo hidropônico de plantas é uma técnica ancestral que já ocorria a centenas de anos antes de Cristo (PIETRO MARTINEZ, 2021). 79DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 Dentre as culturas que estudamos, a alface é a que possui o menor ciclo e exige menos tratos culturais. Entretanto, é uma cultura bastante sensível à elevada temperatura e deficiência hídrica. Deste modo, estas limitações fazem com que ocorram maiores investimentos em sua produção, como o uso de ambientes protegidos ou o cultivo sem solo. Os ambientes protegidos ou estufas, são sistemas excelentes para o cultivo de culturas que exigem maiores cuidados de produção ou que tenham elevado valor econômico. Suas estruturas são capazes de evitar o ataque de insetos e melhor controle do ambiente, permitindo seu cultivo o ano todo. Os sistemas de produção sem solo, embora também possibilitem o cultivo o ano todo, são sistemas que requerem altos investimentos, além de prévio conhecimento de seu funcionamento. Como vimos, estes sistemas são automatizados e compostos por bombas e temporizadores, para disponibilizar a solução (água+nutriente) de maneira contínua. CONSIDERAÇÕES FINAIS 80DIFERENTES SISTEMAS NA PRODUÇÃO DE ALFACEUNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Agricultura é ciência. Processo de cultivo de vegetais frescos por cientistas coreanos. • Ano: 2023. • Sinopse: Produção vertical de alface na Coreia do Sul através do sistema floating. Um dos grandes desafios para a agricultura coreana é a destinação de espaços físicos para a produção de alimentos. Pensando nisso, cientistas criaram enormes complexos dentro dos grandes centros urbanos. A produção da alface é um exemplo desse método, podendo ser cultivado inúmeros pés de alface em pequenos espaços, através de prateleiras e uso de luz artificial. • Link do vídeo: https://www.youtube.com/ watch?v=LGF33NN4B8U LIVRO • Título: Manual prático de Hidroponia • Autor: Hermínia Emília Prieto Martinez. • Editora: Aprenda Fácil (2021). • Sinopse: O livro Manual Prático de Hidroponia, de Herminia EmiliaPrieto Martinez, tem caráter essencialmente prático sem deixar de lado os aspectos básicos que dão suporte a essa técnica de cultivo. É constituído de 16 capítulos em que são abordados a história e o desenvolvimento do cultivo hidropônico comercial, os fundamentos de nutrição mineral de plantas que dão base a essa técnica de cultivo, os sistemas de cultivo (NFT, Subirrigação e gotejamento), o preparo e o manejo de soluções nutritivas, a construção de casas de vegetação, a produção de mudas adequadas ao cultivo hidropônico, os substratos empregados em sistemas de subirrigação e gotejamento, os distúrbios nutricionais mais comuns em cultivos hidropônicos e o manejo de pragas e doenças nesses sistemas, além de detalhes sobre o cultivo hidropônico de alface e tomate. https://www.youtube.com/watch?v=LGF33NN4B8U https://www.youtube.com/watch?v=LGF33NN4B8U . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos • Classificação; • Fisiologia da pós-colheita; • Embalagens. Objetivos da Aprendizagem • Demonstrar os fatores que compõem a classificação comercial de frutas e hortaliças; • Compreender a importância da fisiologia dos produtos hortícolas na pós-colheita; • Estabelecer a importância da armazenagem desses produtos e quais os fatores são responsáveis pelo sucesso do armazenamento; • Conceituar os tipos de embalagens e estabelecer a sua importância para o transporte desses produtos, evidenciando suas vantagens e desvantagens. Professor Me. André Felipe Barion Alves Andrean PÓS-COLHEITAPÓS-COLHEITA UNIDADEUNIDADE4 82PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 INTRODUÇÃO Boa parte das perdas na produção hortícola estão ligadas à sua cadeia de comercialização, iniciando na colheita e finalizando na mesa do consumidor. Para que esse processo se torne cada vez mais eficiente, reduzindo as perdas durante a classificação, armazenagem, embalagem e transporte, se faz necessário a implementação de técnicas que possibilitem maior cuidado no manuseio, além de garantir maior conservação de sua qualidade através do processo de armazenagem. Sabendo da importância desse setor para a produção hortícola, dedicaremos esta unidade para tratar das principais ações realizadas nas hortaliças no momento que saem da porteira da propriedade. Assim, estudaremos no Tópico I as principais normas de classificação das hortaliças que estudamos até aqui. Estas normas servem para distinguir os produtos de menor e maior qualidade, através de seu tamanho, aparência, coloração, presença de danos mecânicos ou danos causados por microrganismos. Veremos que todos esses fatores são contabilizados pelos Ceasas e servem de parâmetro para a cotação da hortícola. No Tópico II, iremos conhecer qual o fitormônio responsável pelo amadurecimento e senescência dos frutos, e como a sua taxa respiratória contribui para este processo, resultando na classificação de frutos climatéricos e não climatéricos. Ainda neste tópico, observaremos que a redução da temperatura do ambiente de armazenagem, assim como o controle da atmosfera, por meio da redução do oxigênio e etileno, além do aumento das concentrações do gás carbônico, influencia positivamente na conservação dos produtos, mantendo sua qualidade mesmo após semanas de armazenagem. Por fim, aprenderemos um pouco dos principais materiais utilizados no transporte de frutas e hortaliças, quais são suas vantagens e desvantagens em termos de custo de aquisição, conforto para o produto e assepsia. Obrigado e bom estudo! CLASSIFICAÇÃO1 TÓPICO 83PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Com a crescente oferta de frutas e legumes, em virtude dos avanços tecnológicos na produção, alguns parâmetros de qualidade foram desenvolvidos para nortear o valor da mercadoria. Estes critérios exercem influência no tabelamento de preço de compra e venda, e seu reflexo é observado nas gôndolas dos mercados pelo consumidor final. Por meio da classificação parametrizada, é possível realizar o enquadramento do produto em grupo, classe, tipo, cor, forma e tamanho. Estes critérios podem variar de acordo com o produto a ser comercializado. Outra vantagem da parametrização é que permite maior agilidade nas negociações. De acordo com Luengo e Galbo (2006), a classificação permite a comercialização sem visualização direta do produto em negociação e, para que isto ocorra há alguns parâmetros que devem ser seguidos. Os autores ainda ressaltam que produtos produzidos no interior de determinado estado podem ser comercializados na capital sem necessidade de deslocamento do produtor ou do comprador, porque o produto pode ser negociado por telefone ou internet. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem a responsabilidade pela normatização do padrão de qualidade de frutas e hortaliças, conforme determina a lei n°9.972 de 2000, regulamentada pelo decreto n°3.664, onde a classificação é uma prática obrigatória para os produtos vegetais, assim como seus subprodutos. 1.1 Classificação da melancia A maioria das cultivares de melancia no mercado nacional possui tamanho grande, sendo, em geral, muito suscetível a várias doenças e pragas. 84PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Em nosso mercado, levamos em consideração o tamanho do fruto, formato, coloração da polpa, teor de sólidos solúveis e presença ou ausência de sementes. Inicialmente as cultivares são organizadas em grupos, de acordo com seu tamanho varietal, coloração de polpa, fundo da casca e presença ou não de listras e sementes (FIGURA 1). QUADRO 1: CLASSIFICAÇÃO DOS GRUPOS DE MELANCIA PARA A COMERCIALIZAÇÃO. Fonte: CEAGESP (2023) 1.2 Classificação do pepino Os pepinos são classificados em grupos, subgrupos, classe e qualidade. Como já estudamos, os grupos são: pepino japonês, caipira, conserva e comum. 85PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Já o subgrupo é responsável por classificar a coloração da cucurbitácea, sendo: verde-escura, verde-escura brilhante, tonalidade verde clara e tonalidade branca. A classe diz respeito ao comprimento do fruto, podendo ser observado na Figura 1. QUADRO 2: CLASSE DE PEPINOS DE ACORDO COM SEU COMPRIMENTO. Classe Comprimento em centímetros 5 Maior ou igual a 5 cm e menor que 10 cm 10 Maior ou igual a 10 cm e menor que 15 cm 15 Maior ou igual a 15 cm e menor que 20 cm 20 Maior ou igual a 20 cm e menor que 25 cm 25 Maior ou igual a 25 cm Classe Comprimento em centímetros 5 Maior ou igual a 5 cm e menor que 10 cm 10 Maior ou igual a 10 cm e menor que 15 cm 15 Maior ou igual a 15 cm e menor que 20 cm 20 Maior ou igual a 20 cm e menor que 25 cm 25 Maior ou igual a 25 cm Fonte: CEAGESP (2023) Em relação à qualidade, a tabela de qualidade expressa a tolerância de diferentes defeitos, desde os graves a variáveis (Tabela 2). QUADRO 3: TABELA DE DETERMINAÇÃO PARA A CATEGORIA DE QUALIDADE DE ACORDO COM A PORCENTAGEM DE TOLERÂNCIA AOS DEFEITOS. Categoria Extra I II III Defeitos graves Podridão 0 1 2 3 Outros graves 0 2 5 10 Total de graves 0 2 5 10 Defeitos leves Ponta fina 1 2 20 100 Total de leves 1 2 20 100 Defeitos variáveis 86PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Nível 1 1 5 25 100 Nível 2 0 2 5 10 Total de defeitos 1 7 30 100 Torto Muito torto0 1 5 100 Torto 1 15 25 100 Total de tortos 1 15 25 100 Fonte: CEAGESP (2023) 1.3 Classificação do Tomate Os tomates são classificados por grupo, formato, coloração, durabilidade, subgrupo, apresentação e defeitos. O grupo diz respeito à variedade do tomate, sendo classificado em quatro formatos de frutos. TABELA 2: CARACTERIZAÇÃO DO CULTIVAR PELO FORMATO. Fonte: CEASA-MG A coloração do fruto maduro (TABELA 2A) também é um fator fundamental para a sua classificação e comércio, assim como a coloração de amadurecimento (TABELA 2B). 87PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 TABELA 3: IDENTIFICAÇÃO DO ESTÁGIO DE AMADURECIMENTO DO FRUTO. Fonte: CEASA-MG O agrupamento dos frutos em classes garante a homogeneidade visual de tamanho. O tamanho do tomate é determinado pelo diâmetro equatorial do fruto, conforme apresentado no quadro 4. QUADRO 4: AGRUPAMENTO DOS FRUTOS EM CLASSE DE ACORDO COM O SEU DIÂMETRO. Classe Diâmetro equatorial (mm) 0 Menor que 40 mm 40 Maior ou igual a 40 até 49 mm 50 Maior ou igual a 50 até 59 mm 60 Maior ou igual a 60 até 69 mm 70 Maior ou igual a 70 até 89 mm 80 Maior ou igual a 80 até 89 mm 90 Maior ou igual a 90 até 99 mm 100 Maior que 100 mm Fonte: CEASA-MG A norma estabelece uma tolerância de 10% de mistura de outras classes no lote, mas só permite nessa mistura frutos da classe imediatamente superior ou inferior da classe declarada no rótulo. Com relação à categoria qualidade, esta é considerada máxima quando não há presença de defeitos. O produtor deverá eliminar os defeitos graves no ato do embalamento do produto. As alterações que ocorrem ao longo da logística, exigem que os frutos sejam classificados de acordo com os defeitos apresentados. 88PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 QUADRO 5: LIMITES DE DEFEITOS LEVES E GRAVES POR CATEGORIA EM PORCENTAGEM (%). Categoria Extra I II III Podridões 0 1 2 3 Outros defeitos graves 0 2 5 10 Total de defeitos graves 0 2 5 10 Defeitos leves 5 10 20 100 Total de defeitos graves e leves 5 10 20 100 Mancha profunda nível 1 1 5 100 100 Mancha profunda nível 2 0 1 10 100 Mancha difusa nível 1 1 5 100 100 Mancha difusa nível 2 0 1 10 100 Total de manchas 1 5 100 100 Fonte: CEASA-MG Os principais defeitos nos frutos dos tomates estão representados na tabela 4. TABELA 4: DEFEITOS CAUSADOS AO FRUTO QUE DESVALORIZAM SUA COMERCIALIZAÇÃO. Fonte: CEASA-MG 89PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 1.4 Classificação da batata A classificação da batata é a sua separação por tamanho e categoria. Dessa forma garante que os produtos vendidos nas sacas tenham características semelhantes, facilitando os atacadistas, indústrias e varejistas. Como já estudamos, a batata possui inúmeras variedades e estas são separadas de acordo, obedecendo às características de formato, cor de pele e cor da polpa. Em relação à classe, a batata é dividida de acordo com seu tamanho no sentido longitudinal, conforme apresentado no quadro 6. QUADRO 6: DIVISÃO DE CLASSE DA BATATA DE ACORDO COM SEU DIÂMETRO EM MILÍMETROS. Classe Diâmetro do tubérculo (mm) I Maior que 70 mm II Maior que 42 até 70 mm II.1 Maior que 42 até 50 mm II.2 Maior que 50 até 70 mm III Maior que 33 até 42 mm IV Maior que 28 até 33 mm V Até 28 mm Fonte: CEAGESP Com relação aos defeitos, há uma categoria que estabelece os limites quantitativos de tolerância de defeitos graves, leves e variáveis, sendo classificados em extra I, II e III, conforme apresentado no quadro 7. QUADRO 7: CLASSIFICAÇÃO DAS BATATAS DE ACORDO COM O TIPO DE DEFEITO APRESENTADO. Defeitos Categoria Extra I II III Podridão úmida 1 2 3 3 Podridão seca 0 0,5 1 1 Coração negro 1 2 3,5 3,5 Outros graves 1 3 5 20 Total graves 1 3 5 20 Total leves 5 10 20 100 Total geral 5 10 20 100 Fonte: CEAGESP 90PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Os defeitos descritos no quadro 7, podem ser comparados com as imagens dos tubérculos da tabela 5. TABELA 5: EXEMPLO DOS PRINCIPAIS DEFEITOS APRESENTADOS NA BATATA. Fonte: CEAGESP O esverdeamento é considerado defeito grave quando maior do que 5% da área do tubérculo apresenta esse sintoma. Danos superficiais graves são aqueles de até 3 mm de profundidade e mais do que 5% da área do tubérculo. Já os danos profundos graves possuem mais de 3 mm de profundidade e mais de 5% da área do tubérculo. O sintoma de broca “alfinete” é considerado grave quando a área perdida corresponde a mais de 3% do total da batata. Por fim, características de brotações maiores que 1 mm de comprimento, também é incluída como defeito grave. 1.5 Classificação da couve-flor A cultura da couve-flor é classificada de acordo com a espessura de suas inflorescências, assim como sua tonalidade que varia de branca, creme, amarela e roxa. A separação da couve- flor de acordo com o diâmetro de sua inflorescência pode ser observada no quadro 8. 91PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 QUADRO 8: CLASSIFICAÇÃO DA COUVE-FLOR DE ACORDO COM O DIÂMETRO DA INFLORESCÊNCIA (CABEÇA) EM MILÍMETROS. Classe Diâmetro da cabeça (mm) 1 Menor que 100 mm 2 Maior ou igual a 100 e menor que 130 mm 3 Maior ou igual a 13 e menor que 150 mm 4 Maior ou igual 150 e menor que 170 mm 5 Maior ou igual a 170 e menor que 190 mm 6 Maior ou igual a 190 e menor que 210 mm 7 Maior ou igual a 210 e menor que 230 mm 8 Maior ou igual a 230 mm Fonte: CEASA-MG A qualidade ou categoria da couve-flor é mensurada pela ocorrência de defeitos graves e leves, associados à tonalidade da coloração. Os defeitos são separados em graves e leves, conforme apresentado no quadro 9. QUADRO 9. LIMITE DE TOLERÂNCIA DE DEFEITOS EM PORCENTAGEM. Defeitos graves Extra I II III Podridão 0 1 2 5 Dano profundo 0 1 5 20 Impurezas 0 2 10 50 Passadas 0 0 5 20 Outros graves 0 1 10 50 Total de graves 0 2 10 50 Total de leves 2 10 20 100 Total de defeitos 2 10 20 100 Caracterização da tonalidade de coloração (%) Branca 100 100 100 100 Creme 0 100 100 100 Amarela 0 0 0 100 Fonte: CEASA- MG 92PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 1.6 Classificação do repolho O repolho é classificado de acordo com o formato de sua cabeça, podendo ser verde, roxo, achatado, cônico, redondo, lisa e crespa. O tamanho de sua cabeça é caracterizado através do seu peso médio. Assim, uma caixa com 10 repolhos, o peso médio deve ser de 2 kg por unidade. Os defeitos são classificados em graves, variáveis e leves. Os defeitos graves são: podridão, defeito de maturação e presença de organismos vivos. Já os defeitos variáveis podem ser mecânicos ou injúrias. A tolerância de defeitos é apresentada no quadro 10 QUADRO 10: TOLERÂNCIA MÁXIMA DE DEFEITOS EM PORCENTAGEM. Defeitos Extra I II Podridão 0 0 5 Outros graves 0 2 10 Total de graves 0 2 10 Total de leves 5 10 100 Total de defeitos 5 10 100 Fonte: CEAGESP Os principais defeitos descritos na Tabela 9 estão exemplificados na tabela 4. TABELA 6: PRINCIPAIS DEFEITOS AVALIADOS EM REPOLHO. Fonte: CEAGESP (2023) FISIOLOGIA DA PÓS-COLHEITA2 TÓPICO 93PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 A compreensão das etapas do ciclo produtivo de hortaliças e frutos é fundamental para a determinação do ponto ideal de colheita e para a aplicação de tecnologias voltadas para a conservação do produto. Assim, o processo de amadurecimento é regulado por fitohormônios, onde seus níveis são totalmente influenciáveis de acordo com as características do ambiente. O etileno é o fitormônio gasoso responsável pelo amadurecimento das hortaliças e frutos, estimulando as modificações de coloração, aroma, sabor e textura. Outro papel fundamental do etileno é na senescência foliar e abscisão de órgãos da planta. Sua ocorrência também está associada à resposta da planta a fatores de estresse, seja biótico ou abiótico. A biossíntese do etileno nas plantas é regulada pela atividade de duas enzimas específicas, a ACC sintase e a ACC oxidase. Em resumo, o etileno é formado a partir do aminoácido metionina via SAM (S-adenosil L-metionina), que é convertido à ACC (ácido 1-aminoacilciclopropano 1-carboxílico)e este é, posteriormente, oxidado a etileno. A conversão do SAM para ACC é catalisada pela enzima ACC sintase e a oxidação do ACC para etileno é dependente da ação da enzima ACC oxidase. Em determinado estádio da maturação, o etileno se liga ao seu receptor na célula e desencadeia uma série de eventos que culminam com o amadurecimento e a senescência do fruto (FRANCO ROSA, C. I. L et. al, 2018). Com o aumento da concentração de etileno nos frutos, promove o aumento da respiração destes, assim, estimula diversos processos metabólicos que culminam na redução da vida útil, aumentando a sua deterioração. Entretanto, a taxa respiratória é variada para cada tipo de hortaliças e frutos conforme seus órgãos. Os tubérculos e bulbos, por exemplo, apresentam baixa atividade respiratória. Já plantas com tecidos meristemáticos, como o brócolis, possuem elevada taxa respiratória. 94PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 A taxa respiratória de hortaliças é muito variada conforme seus órgãos, como tubérculos e bulbos possuem baixa atividade respiratória, ou plantas com tecidos meristemáticos, como os brócolis, que possuem taxa respiratória elevada (FRANCO ROSA et al., 2018). Com base nas diferentes taxas respiratórias de frutas e hortaliças, é possível classificá-las em frutos climatéricos e não climatéricos. Os frutos climatéricos são aqueles cujo amadurecimento é acompanhado pelo aumento da taxa de respiração. Dessa forma, podem ser colhidos quando atingirem a maturação fisiológica e mesmo não mais ligado à planta mãe, este fruto é capaz de finalizar o seu amadurecimento, alterando a sua cor, sabor e maciez. Por outro lado, os frutos classificados como não climatéricos têm sua taxa respiratória e atividade metabólica reduzida drasticamente quando é retirado (colhido) da planta mãe. Assim, estes frutos não são capazes de finalizar o seu processo de amadurecimento. O tomate, por exemplo, é classificado como um fruto climatérico, podendo ser colhido mesmo que seus frutos ainda não estejam totalmente maduros, porém, estão no estádio “de vez”. A sua alteração de cor, textura e sabor ocorrerá mesmo o fruto não estando mais ligado à planta. Para o pepino, seus frutos são colhidos ainda imaturos, próximo ao seu tamanho final. Esta prática garante maior resistência do fruto a danos mecânicos que possam acontecer durante o transporte. Para pepinos destinados à produção em conserva, estes podem ser colhidos precocemente, possuindo em torno de 5 a 7 cm de comprimento. A melancia não é considerada um fruto climatérico, portanto, deverá ser colhida quando atingir sua máxima qualidade. O ponto de colheita pode ser observado quando ocorre o secamento das gavinhas mais próximas do fruto, além da mudança de coloração da região do fruto que está em contato com o solo. O quadro 11 apresenta a classificação de frutas e hortaliças climatéricas e não climatéricas. QUADRO 11: EXEMPLO DE FRUTAS E HORTALIÇAS CLIMATÉRICAS E NÃO CLIMATÉRICAS. Cultura Classificação Cultura Classificação Abacate Climatérico Maçã Climatérico Abóbora Climatérico Mandioca Não climatérico Alface Não climatérico Manga Climatérico Banana Climatérico Maracujá Climatérico Batata Não climatérico Melão Climatérico Cebola Não climatérico Pepino Não climatérico Laranja Não climatérico Tomate Climatérico Fonte: SANTELLI (2006) 95PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 2.1 Métodos de manutenção da qualidade em pós-colheita As perdas na pós-colheita já iniciam durante o processo de colheita, seja por danos mecânicos causados no momento da abscisão do fruto ou quando o fruto for depositado nas caixas. O transporte também é considerado como um dos principais responsáveis pela degradação dos alimentos devido aos danos mecânicos sofridos durante o trajeto do campo até a central de comercialização. Embora alguns produtos hortícolas sejam rapidamente comercializados após a sua colheita, algumas estratégias de armazenamento são adotadas visando o balanceamento das flutuações de valor de mercado, dessa forma, podem ser comercializados com valores elevados. As condições ideais de armazenamento variam de acordo com o produto, no entanto, estes diferentes métodos buscam o mesmo objetivo: manter as características qualitativas do material armazenado. Para isto, alguns métodos envolvem o controle de temperatura do ambiente, da circulação de ar, controle da umidade relativa do ar. Vale ressaltar, que antes do produto ser armazenado, este deve estar em boas condições, não apresentando danos mecânicos ou contaminação de microorganismos. A pré-lavagem e o pré-resfriamento, são etapas importantes que devem ser executadas antes do produto ser armazenado. O procedimento de pré-resfriamento tem por objetivo a redução do calor presente no produto oriundo do campo de colheita. Além da redução da temperatura, este método pode inibir o desenvolvimento de doenças e garante a manutenção da água presente na hortaliça. Este pré-resfriamento pode ser realizado com água, ar ou gelo. Já na câmara de armazenamento, é importante que a temperatura seja controlada e deve estar uniforme em toda a área da câmara. A temperatura baixa reduz a taxa de respiração, assim, o processo de deterioração do produto é suspenso. O processo de amadurecimento também será retardado nessas condições. É importante destacar que cada produto possui uma faixa de temperatura e umidade ideal para o seu armazenamento. QUADRO 12: CONDIÇÕES IDEAIS DE TEMPERATURA E UMIDADE RELATIVA PARA ARMAZENAMENTO DE ALGUMAS HORTALIÇAS-FRUTO. Hortaliça – fruto Temperatura de armazenagem (°C) Umidade relativa % Abóbora moranga 10 – 13 50 – 70 Berinjela 10 – 12 90 – 95 Melancia 10 – 15 90 Melão rendilhado 2 – 7 95 96PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Morango 0 – 5 90 – 95 Pepino 7 – 9 95 Quiabo 7 – 10 90 Tomate maduro 8 – 10 90 - 95 Fonte: Adaptado de USDA (2016). Como pode ser observado no quadro 12, para cada cultura há uma faixa de temperatura ideal para o seu armazenamento. Quando o produto é acondicionado em temperatura abaixo do recomendado, podem desencadear injúrias como o chilling, causando alterações sensoriais irreversíveis, além de amadurecimento deficiente e alterações fisiológicas que são observados quando o produto retorna para a temperatura ambiente. Outro método eficiente na manutenção da qualidade de frutas e hortaliças, é a alteração ou o controle da atmosfera do ambiente. Esta técnica é caracterizada pelo controle dos níveis de oxigênio, gás carbônico e concentrações de etileno na câmara de armazenamento. Geralmente, utilizam-se níveis de oxigênio (1 a 3%) e altos níveis de gás carbônico (2 a 5%), entretanto, estes valores podem ser alterados de acordo com a cultura armazenada. QUADRO 13: CONDIÇÕES IDEAIS DE ATMOSFERA CONTROLADA PARA ALGUMAS CULTURAS. Frutas Atmosfera controlada (%) Período de conservaçãoO2 CO2 Ameixa 1 – 2 0 – 5 2 a 5 semanas Banana 2 – 5 2 – 5 1 a 4 semanas Caqui 3 – 5 5 – 8 1 a 3 meses Laranja 5 – 10 0 – 5 3 a 8 semanas Maçã 1 – 2 0,5 – 3 4 a 10 meses Fonte: Anese; Fronza (2015) Para que o método de atmosfera controlada seja eficiente, é fundamental que a câmara seja vedada hermeticamente, para que não ocorra trocas gasosas da câmara com o ambiente externo. Os equipamentos como: analisador de gases, absorvedor de etileno, absorvedor de gás carbônico e eliminador de oxigênio (através da geração de nitrogênio), devem receber manutenção periódica. 97PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 FIGURA 1: ANALISADOR DE GASES (A); ABSORVEDOR DE GÁS CARBÔNICO (B); ABSORVEDOR DE ETILENO (C) E GERADOR DE NITROGÊNIO PARA A REMOÇÃO DE OXIGÊNIO (D). Fonte: Anese; Fronza (2015) EMBALAGENS3 TÓPICO 98PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 As embalagens dos produtos têm por finalidade acondicionar e protegê-los contra danos mecânicos e ambientes, assim como devem ser limpas e devem permitir a troca gasosa e ter boa transferência de calor. Para isso, a escolha da embalagem deve ser criteriosa e deve levar em consideração o tipodo produto que será transportado, além da distância a ser percorrida. Uma maneira de se evitar danos mecânicos pelo uso incorreto das embalagens, é realizar o enchimento nos pontos de queda ou, no fundo das caixas, de materiais protetores, servindo de amortecimento para os impactos físicos que podem ocorrer durante o transporte. Os principais materiais utilizados no transporte de frutas e hortaliças são: madeira, papelão, polietileno e polipropileno. Dentre esses materiais, as embalagens de madeira são mais resistentes e rígidas para o transporte, entretanto, podem causar injúrias mecânicas aos produtos devido à aspereza de sua superfície, além da difícil higienização, podendo se tornar fonte de contaminação de microorganismos. As embalagens de papelão são bastante utilizadas devido ao seu baixo custo de aquisição, além de serem comercializadas em diferentes tamanhos. Por ser basicamente descartável, estas caixas são mais higiênicas, no entanto, são menos resistentes a alterações de umidade do ambiente e não podem ser empilhadas, devido à baixa resistência do material. As caixas de material plástico são retornáveis, além de ser facilmente higienizadas. Estes materiais são mais resistentes ao empilhamento e são mais indicados para o transporte de produtos hortícolas. 99PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Entretanto, estas embalagens possuem valor elevado em relação ao de papelão, além do frete, ter um custo superior, pois estas caixas deverão retornar vazias para o produtor. Algumas hortaliças ainda são transportadas com sacos e sacos de rede, pois são embalagens de menor custo e mais resistentes. No entanto, não oferecem nenhuma proteção contra danos mecânicos, além de expor o produto a insetos e microorganismos. Vale ressaltar que os produtos a ser transportados por essas embalagens já possuem certa resistência a danos mecânicos, uma vez que esses sacos serão empilhados. Um exemplo de hortaliças que utilizam sacos para o transporte é a batata e a cebola. Já para hortícolas mais sensíveis a danos mecânicos, como o morango, por exemplo, utilizam-se embalagens de PVC transparente com tampa ou coberta com plástico filme. Geralmente estas embalagens comportam cerca de 250 gramas do produto e na maioria das vezes já são embaladas ainda na propriedade. Após este processo, essas embalagens são acondicionadas em embalagens maiores confeccionadas de papelão. FIGURA 2: EMBALAGEM DE PLÁSTICO (A E D); EMBALAGEM DE PAPELÃO E PVC (B); EMBALAGEM DE MADEIRA (C). Fonte: Anese; Fronza (2015) Algumas embalagens são confeccionadas para o transporte de frutas de maior valor agregado, logo, estas embalagens também apresentam valor elevado de aquisição. Embalagens de isopor e com a presença filme de PVC, na maioria das vezes, são utilizadas para a comercialização de frutas sensíveis a danos mecânicos e frutas minimamente processadas, ou seja, frutas que já foram cortadas ou descascadas, objetivando maior praticidade no seu consumo, além de gerar maior atratividade visual. 100PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 FIGURA 3: EMBALAGENS DE ISOPOR E PVC PARA A COMERCIALIZAÇÃO DE FRUTOS SENSÍVEIS E FRUTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS. Fonte: Anese; Fronza (2015) Essas embalagens são denominadas de “embalagem inteligente”, uma vez que além das funções já citadas, elas também são capazes de absorver compostos que favorecem a degradação dos frutos, como o etileno e o gás carbônico. Dessa forma, no interior dessas embalagens são acondicionados sachês de permanganato de potássio, servindo de absorvente do etileno que é liberado naturalmente pelo fruto, atrasando o seu amadurecimento e senescência. FIGURA 4: SACHÊS DE PERMANGANATO DE POTÁSSIO PARA A ABSORÇÃO DE ETILENO NO INTERIOR DAS EMBALAGENS. Fonte: Anese; Fronza (2015) Assim, a compreensão a respeito dos tipos de embalagens e métodos de armazenagem é tão importante quanto o conhecimento dos tratos culturais realizados durante o ciclo da cultura. Estas práticas, quando aplicadas de maneira correta, garantem a permanência da qualidade de frutas e hortaliças e permitem que a mesma seja comercializada a quilômetros de distância de sua produção, abastecendo grandes e pequenas cidades. 101PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Conservar as hortaliças em boas condições para o transporte, o armazenamento, a distribuição, a comercialização e o consumo é tão importante quanto produzir bem. Dessa forma, para a escolha da técnica pós-colheita mais adequada, é necessário conhecer a fisiologia das hortaliças-fruto, bem como a logística de toda a cadeia (ROSA, et al., 2018) A Embrapa Instrumentação disponibiliza, de maneira gratuita, materiais informativos a respeito dos cui- dados que devem ser tomados no processo de pós-colheita, como ponto ideal de colheita, assepsia dos produtos, embalagens, armazenamento e comercialização. Para maiores informações acesse o site da embrapa: https://www.embrapa.br/en/instrumentacao https://www.embrapa.br/en/instrumentacao 102PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 Ao longo de nossos estudos sobre a horticultura, aprendemos sobre os fatores determinantes no campo que garantem boas produções. No entanto, de nada vale estes conhecimentos se na pós-colheita não é realizado os devidos cuidados aos produtos. Por isso, o conhecimento a respeito do correto manuseio na pós-colheita, limpeza, classificação e armazenagem, é imprescindível para o sucesso da cadeia de produção, garantindo que o produto seja entregue ao consumidor final (que somos nós) com maior qualidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS 103PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 A Coleção Saber, disponibilizada pela Embrapa, possui inúmeros materiais informativos a respeito de produção e pós-colheita das principais culturas hortícolas. Nesses materiais, de fácil leitura, o leitor encontrará inúmeros métodos de conservação de frutas e legumes. Acesse o link abaixo para fazer o download do material de pós-colheita. Link: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/86808/1/00081040.pdf LEITURA COMPLEMENTAR https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/86808/1/00081040.pdf 104PÓS-COLHEITAUNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Pós-colheita • Ano: 2021. • Sinopse: O Curso de Tecnologia Pós-Colheita em Frutas e Hortaliças traz um conteúdo diferenciado para quem atua nessas cadeias produtivas. Realizado a cada 2 anos em São Carlos (SP), pela Embrapa Instrumentação, mescla conteúdo teórico, demonstrações de tecnologias e informações atualizadas sobre mercado, com palestrantes do setor público e da iniciativa privada. • Link do vídeo: https://poscolheita.cnpdia.embrapa.br/index.php/ videos-2/ LIVRO • Título: Pós-colheita de frutas e hortaliças: fisiologia e manuseio. • Autor: Maria Isabel Fernandes Chitarra e Adimilson Bosco Chitarra. • Editora: UFLA. • Sinopse: Visando suprir a demanda crescente por literatura em língua portuguesa e especializada na área de Pós-Colheita, na atualidade um dos setores de destaque na horticultura brasileira, foi produzida esta 2ª edição, atualizada, ampliada e ilustrada com numerosas tabelas, figuras e fotos coloridas. A linguagem utilizada no texto é clara e a abordagem técnico-científica é bastante objetiva. https://poscolheita.cnpdia.embrapa.br/index.php/videos-2/ https://poscolheita.cnpdia.embrapa.br/index.php/videos-2/ 105 Ao longo de nossa caminhada no estudo da horticultura, aprendemos sobre o surgimento e o desenvolvimento da produção hortaliças, partindo do cultivo de subsistência para a produção em larga escala, denominada de “cinturões verdes”. Através das principais regiões produtoras, conhecemos as principais frutas e hortaliças produzidas e como a demanda dos grandes centros urbanos influenciam neste processo produtivo. Deste modo, conhecemos as principais frutas e hortaliças produzidas no Brasil e quais os meios necessários para a sua condução. Não podemos nos esquecer que todo o esforço para a geração de novas tecnologias para o aumento produtivoé tão importante quanto o desenvolvimento de métodos de manutenção da qualidade desses produtos em pós-colheita. Assim, esperamos que esta disciplina tenha despertado o interesse do aluno pela área de horticultura e que sirva de embasamento técnico para que o futuro agrônomo (a), tenha sucesso em sua profissão. CONCLUSÃO GERAL 106 ANDRIOLO, J. L. Olericultura geral. 3 ed. Santa Maria: Editora UFSM, 2017, 91p. ANESE, R. de O., FRONZA, D. Fisiologia pós-colheita em fruticultura. Santa Maria: UFSM, Colégio Politécnico, Rede e-Tec Brasil, 2015. APROSOJA - Associação Brasileira de Produtores de Soja. Custos de produção de safra 2022/2023. Mato Grosso, 2022. Disponível em: https://aprosojams.org.br/blog/. AQUINO, L. A., BORÉM, A. Beterraba: do plantio à colheita. Viçosa: UFV, 2021. ÁVILA, A. C. et al. A cultura do tomate. Embrapa hortaliças. Brasília: Embrapa hortaliças, 2023. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/hortalicas/tomate-de-mesa/cultivares2 Acesso: 06 abril, 2023. BEZERRA NETO, F., ANDRADE, F. V., NEGREIROS, M. Z. de, SANTOS jr. 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