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MUSICALIZAÇÃO INFANTIL 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Florinda Cerdeira Pimentel 
 
 
 
CONVERSA INICIAL 
A música é uma ferramenta poderosa no processo de ensino-
aprendizagem de crianças. Esse uso do fazer musical resulta na formação de 
um indivíduo sensível ao universo sonoro e musical e às diferentes culturas que 
o rodeia. 
Nesta aula, serão abordados assuntos sobre os grandes pilares que 
sustentam as fases da educação musical, que são a apreciação, a execução e 
a composição. Outro aspecto fundamental na musicalização infantil é o 
movimento, que envolve a abordagem de diversas maneiras de alinhar música 
e movimento na sala de aula, promovendo uma educação musical lúdica, 
estimuladora e eficaz. 
Toda criança gosta de ouvir histórias; assim, nesta aula, serão 
apresentadas propostas de sonorização de histórias e diferentes maneiras de 
incorporar a música na contação de histórias. Também serão abordados temas 
sobre como o educador musical pode e deve ampliar seu repertório musical, bem 
como a importância dos cuidados com a voz das crianças e o canto na 
musicalização infantil. 
TEMA 1 – PILARES DA EDUCAÇÃO MUSICAL 
Nesta aula, serão abordados os principais pilares que sustentam a 
educação musical: apreciação, execução e composição. Como foi visto 
anteriormente, os sons e a música já são percebidos pelo bebê desde o ventre 
materno. Cabe agora na infância desenvolver a percepção desse indivíduo para 
que sua atenção seja voltada para uma escuta ativa do ambiente que o cerca. 
Sendo assim, o educador precisa compreender que ouvir e escutar são ações 
distintas. 
• Ouvir remete ao ouvido, não requer concentração. Podemos ouvir uma 
música tocando, várias pessoas falando, carros passando na rua, tudo ao 
mesmo tempo, mas não estar atento ao que está acontecendo. 
• Escutar traz o som a um plano mais emocional e significativo. É quando 
colocamos foco em determinado som, música, por exemplo, e consigo 
percebê-lo em seus detalhes. É com essa escuta ativa que se desenvolve 
a apreciação musical. 
 
 
3 
Segundo a educadora Teca Alencar Brito, “som é tudo que soa! Tudo o 
que o ouvido percebe sob a forma de movimentos vibratórios.” (Brito, 2003, 
p. 17). No entanto, até que se alcance a produção sonora, um objeto deve ser 
visualizado, manipulado, testado, até que a criança descubra como funciona. 
Brincar com as possibilidades, de maneira global, explorando os materiais 
utilizando todos os sentidos, perceber cheiros, formas, cores, movimentos, sons, 
faz parte das atividades propostas nas aulas de musicalização. É assim, 
brincando, que se faz apreciação musical com crianças. 
A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois assim se 
relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, 
metaforicamente, “transforma-se em sons”, num permanente exercício: 
receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre 
instrumentos”, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com 
prazer a música de todos os povos. (Brito, 2003, p. 35) 
Para que a proposta apreciativa se torne interessante e o objetivo dessa 
proposta seja alcançado, é necessário que se faça uma análise do público em 
que se está aplicando determinada prática. Nessa análise, um dos aspectos que 
se deve observar é a faixa etária dos alunos, visto que crianças pequenas 
precisam de movimento, ludicidade, enquanto crianças maiores e adolescentes 
precisam se sentir desafiadas. Propostas muito simples ou muito complexas 
fazem com que as crianças percam o interesse. 
As crianças pequenas precisam ser cativadas, precisam de 
encantamento. “A educação começa pela admiração, que desperta no aprendiz 
a vontade de imitar e guardar na memória aquilo que percebe” (Nadalim et al., 
2018, p. 4). 
Outro aspecto muito importante a ser levado em conta em uma proposta 
apreciativa é a bagagem cultural do aluno. O educador musical precisa se despir 
de preconceitos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enfatiza que a 
criança é o centro da proposta educacional, é um ser de direitos e, sendo assim, 
o professor deve respeitar e reconhecer como cultura que merece ser apreciada 
aquilo que o aluno traz para a sala de aula e, por meio daquilo que o aluno já 
conhece, oferecer a novidade que o professor está propondo. 
Por meio desse encantamento, dessa troca cultural entre aluno e 
professor, se dá o processo de execução musical, em que, pela imitação, as 
crianças tendem a interpretar e reproduzir obra, movimentos e canções. A 
interpretação é uma atividade ligada à imitação e reprodução de uma obra. No 
 
 
4 
entanto, interpretar significa ir além da imitação, por meio da ação expressiva do 
intérprete. 
Quando uma criança executa o que ouviu, muitas vezes ela não está 
apenas imitando, o que já é um grande passo no seu fazer musical. Ela está 
reproduzindo de maneira diferente, com um olhar criativo, à sua própria maneira, 
e, por meio disso, o educador deve oferecer oportunidades para que os alunos 
possam manifestar suas intenções criativas acerca do que ouviram e, 
posteriormente, reproduziram. 
A composição é a criação musical caracterizada por sua condição de 
permanência, seja por registro da memória, por gravação ou pela própria 
notação musical. “A forma com que as crianças percebem, apreendem e se 
relacionam com os sons, no tempo-espaço, revela o modo como percebem, 
apreendem e se relacionam com o mundo que vêm explorando e descobrindo a 
cada dia” (Brito, 2003, p. 41). 
Existem muitas propostas pedagógicas que abrangem os três pilares da 
educação musical (apreciação, execução e composição). A proposta 
exemplificada a seguir pode ser adaptada de acordo com a faixa etária da 
criança. 
1.1 Modelo de proposta para crianças de até 7 anos 
1. Escolham uma música instrumental juntos (deve ser instrumental para 
que a letra da música não interfira na atividade); mostre trechos da 
música, deixe que as crianças participem da escolha. 
2. Ouçam a música e permita que as crianças se movimentem no ritmo da 
música; se possível, pode acrescentar um adereço como um lenço. 
3. Se forem crianças maiores, que já sabem utilizar o lápis, peça que façam 
um desenho da música e questione: “o que a música te faz pensar?”. 
Crianças de 5 a 7 anos adoram desenhar! 
4. Faça uma roda de conversa: “essa música é lenta ou rápida?”, “forte ou 
fraca?”, “tem letra ou são só instrumentos, quais instrumentos tocaram?”. 
Se possível, mostre fotos ou vídeos dos instrumentos. 
5. Organize uma exposição com uma apreciação para os pais, relacionando 
a música aos desenhos compostos pelas crianças. 
 
 
5 
1.2 Modelo de proposta para crianças de até 3 anos 
1. Escolha uma música instrumental alegre, que permita movimentos para 
dançar. 
2. Permita que as crianças se movimentem livremente enquanto escutam a 
música. Podem ser oferecidos a elas adereços, como lenços coloridos. 
3. Coloque à disposição materiais diversificados como instrumentos 
musicais, objetos sonoros como potes, latas, cascas de árvores, pedras, 
pedaços de madeira, porém, com o cuidado de que tenham uma 
qualidade sonora adequada para a produção musical, como também com 
a segurança dos pequenos no caso de peças miúdas. Nesse momento, o 
educador não interfere na prática, apenas observa a ação das crianças. 
Algumas crianças vão reproduzir exatamente o que ouviram, outras vão 
brincar com os objetos, explorando os sons, outras vão compor novas 
possibilidades musicais. O papel do educador é o de mediador, não devendo 
interferir nessa prática de experimentação. 
TEMA 2 – MÚSICA E MOVIMENTO 
É muito difícil falar de musicalização infantil sem pensar em movimento, 
pois todo o desenvolvimento da criança acontece de maneira global. Segundo 
Aristóteles, “nada está no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”, 
demonstrando a fundamental importância de se promover o movimento e asvivências antes de ensinar teorias e técnicas musicais. 
A educadora musical Josette Feres (1998) enfatiza que, quando a criança 
é colocada em uma aula de instrumento, provavelmente ainda não possui a 
coordenação motora adequada para a compreensão de tudo o que envolve uma 
aula de música, e ainda está por desenvolver habilidades como disciplina, 
concentração, emoção e criatividade. Sem isso, a aprendizagem se torna 
mecânica, o aluno se restringe a decifrar códigos complexos e digitá-los no 
instrumento. 
A criança precisa primeiramente sentir e vivenciar a música por meio das 
brincadeiras e jogos em que possa andar, correr, galopar, dançar, se expressar, 
para que as aulas de música não se tornem puramente matemática. Desse 
modo, promovem o desenvolvimento da criatividade, das emoções, do equilíbrio, 
da lateralidade, do respeito ao espaço do outro, das sensações dos sons e do 
 
 
6 
ritmo; assim, posteriormente, o aprendizado de um instrumento se tornará muito 
mais orgânico. Ao trabalhar o ritmo por meio do movimento corporal, a criança 
desenvolve sua criatividade, pois o movimento auxilia no despertar dos 
sentimentos e ela aprende a se expressar e socializar. Ao colocar seu corpo em 
movimento juntamente com a música por meio das práticas lúdicas, ela respeita 
o andamento, canta, toca, brinca, imagina, controla impulsos, promovendo várias 
áreas de trabalho cerebral, tão importante para o desenvolvimento humano. 
2.2 Sugestões de propostas para utilizar música e movimento na sala de 
aula 
2.2.1 Jogo do grave e agudo 
Semelhante à conhecida brincadeira tradicional morto-vivo, esse jogo 
consiste em, primeiramente, colocar as crianças em pé. O objetivo musical é o 
trabalho das diferentes alturas. O mediador segue com o comando: deve-se ficar 
em pé ao ouvir o som agudo e de cócoras ao ouvir o som grave. 
Utilizando um instrumento musical, o mediador emite os sons alternando 
entre graves ou agudos até que a última criança a permanecer na brincadeira 
seja a vencedora. Uma observação: as crianças que forem errando não precisam 
ficar fora da brincadeira, podem ser consideradas “auxiliares do juiz”. Essa 
estratégia evita frustrações e dispersão enquanto o jogo não termina. 
2.2.2 Jogo dos andamentos 
Nessa brincadeira musical, o objetivo é a percepção de diferentes 
andamentos. O mediador deve escolher uma música e combinar com as crianças 
o seguinte comando, sem perder a pulsação da música: 
• ao ouvir 1, devem andar bem devagar (adágio); 
• ao ouvir 2, devem andar em um andamento médio (andante); 
• ao ouvir 3, devem andar (não correr) depressa (alegro). 
2.2.3 Jogo dos andamentos para crianças menores (educação infantil) 
Nessa brincadeira musical, o objetivo é a percepção de diferentes 
andamentos, como na brincadeira anterior, porém, a abordagem é mais lúdica, 
para que as crianças pequenas compreendam a diferença entre os movimentos. 
 
 
7 
O mediador deve escolher uma música e combinar com as crianças os seguintes 
comandos: 
• ao ouvir “tartaruga”, devem caminhar bem devagar (adágio); 
• ao ouvir “gato”, devem caminhar em um andamento médio, com a 
elegância de um gato (andante); 
• ao ouvir “rato”, devem andar (não correr) bem depressa (alegro). 
TEMA 3 – MÚSICA E HISTÓRIAS 
“Era uma vez...”: é impressionante o poder dessa frase no universo 
infantil. São três palavras que imediatamente provocam encantamento, olhos 
atentos e muita curiosidade pelo que vem pela frente. 
A arte de contar histórias resgata tradições que são passadas de geração 
em geração e o educador musical pode se utilizar desse recurso para 
musicalizar, possibilitando ao indivíduo o contato da literatura por meio da 
música. É um aprendizado rico em que sons e palavras permeiam o ambiente 
lúdico de aprendizagem e desenvolvimento. 
Antes, portanto, é preciso discernir leitura de contação de histórias. 
Quando se lê para uma criança, é oferecida a ela a literatura em sua forma 
original. O leitor apresenta um livro, por exemplo, e reproduz aqui exatamente 
que está escrito. 
Na contação de histórias, o mediador não apenas lê, mas passa a usar 
diversos recursos para que a história envolva profundamente o espectador. 
Esses recursos podem ser a improvisação, elementos surpresa, recursos 
cênicos variados, interação com o ouvinte e a música. 
A música pode ser inserida na contação de histórias de diversas maneiras. 
3.1 Música de fundo ou música incidental 
A música de fundo na contação de histórias auxilia na ambientação para 
contação da história, criando um “clima” que prepara o espectador para o que há 
de vir. Geralmente, utiliza-se música instrumental e esta pode ser interrompida 
ou substituída dependendo do contexto a ser narrado. 
 
 
8 
3.2 Música tema ou Leitmotiv 
De acordo com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o termo 
Leitmotiv, que em português pode ser traduzido como “motivo condutor”, 
consiste em um tema ou ideia musical que aparece constantemente no decorrer 
de uma obra com o objetivo de associá-lo a uma personagem, um objeto ou uma 
ideia. Apesar de nunca ter especificado tal termo, a técnica do Leitmotiv ficou 
conhecida por meio do compositor Richard Wagner, que a aplicou de forma 
sistemática em suas óperas. Posteriormente, o uso do Leitmotiv também passou 
a fazer parte de outras linguagens, como o cinema e telenovelas. Na contação 
de histórias, esse recurso é muito útil, pois sua repetição reforça a intenção de 
tema de uma determinada personagem. 
3.3 Sonoplastia 
A sonoplastia dentro da contação de histórias é um recurso em que são 
utilizados sons, música e ruídos. São os efeitos sonoros que ajudam a captar a 
atenção do ouvinte e dar ênfase a determinadas cenas. 
Os efeitos utilizados podem ser produzidos com o uso de diversos tipos 
de materiais, por exemplo: instrumentos musicais, objetos sonoros como cocos, 
madeiras, guizos, lixas, papel, plástico, portas. A escolha do recurso utilizado 
depende da necessidade e da criatividade do contador da história. Outra 
sugestão são as onomatopeias, que o professor pode ter gravado para serem 
utilizadas na hora da história e, posteriormente, em um trabalho com timbres, 
solicitando às crianças que reproduzam com o corpo aqueles sons. 
Saiba mais 
São exemplos de sonoplastia os sons de água, que podem ser 
representados por instrumentos como o Ocean Drum (tambor oceânico), o pau-
de-chuva ou com o manuseio de uma bacia com água, dependendo do efeito 
que o contador precisa no momento da história. Outro exemplo é a simulação de 
alguém caminhando sobre a grama: pode-se usar um pedaço de plástico ou 
papel sendo amassado ou manuseio de folhas secas. 
Pode-se construir um Ocean Drum da seguinte forma: decorar uma caixa 
grande de pizza, colocar meia xícara de arroz cru ou areia grossa. Vedar bem a 
caixa com fita adesiva por todos os lados. Observe um exemplo de utilização do 
 
 
9 
instrumento Ocean Drum, feito à mão, por meio do link a seguir. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=7ztcKZnTHkI>. Acesso em: 29 set. 2020. 
3.4 Recursos cênicos 
Além dos sons, o contador de histórias pode usar recursos cênicos como 
bonecos, fantoches, marionetes, bichos de pelúcia, objetos variados. Isso vai 
depender da criatividade do contador. 
3.5 Elemento surpresa 
Esconder algo ou criar um elemento surpresa que será revelado somente 
ao final da contação da história também é um recurso interessante para prender 
a atenção das crianças durante o evento. Instigá-las com frases, por exemplo: 
“adivinhem o que o mágico trazia em sua cartola?”. Em uma aula de 
musicalização infantil, esse recurso é excelente para apresentar um novo 
instrumento musical, como uma flauta doce. É muito mais interessante tirar a 
flauta de dentro de uma cartola ou de um saco surpresa do que simplesmente 
de dentro da bolsa do professor ou de cima de uma prateleira. 
3.6 Interação com o espectador, especialmente ascrianças 
O educador, de acordo com a BNCC, deve ser um mediador de 
oportunidades, e, a contação de histórias, é uma oportunidade rica de 
aprendizado, interatividade e diversão. Sendo assim, ele deve se colocar como 
contador de histórias com as crianças e não para as crianças. O fazer junto, 
deixar que as crianças se envolvam, participem, peguem os objetos, questionem, 
opinem, ajudem a construir o desfecho da história, fará com que o momento de 
contação de histórias seja de fato um momento de aprendizado efetivamente 
enriquecedor. 
TEMA 4 – CONVERSANDO SOBRE REPERTÓRIO 
Não há proposta pedagógica mais completa em uma aula de 
musicalização infantil do que a roda de música. Essa proposta faz parte de todas 
as faixas etárias, tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental, pois 
é o momento em que se dá início à aula e todos se sentam em círculo, se olham, 
se ouvem e cantam juntos. É um momento riquíssimo de socialização e 
 
 
10 
harmonização, um aquecimento para a aula que está começando, 
especialmente se as canções já fazem parte do cotidiano das crianças, pois elas 
cantam com ainda mais prazer. Porém, vem a grande pergunta: o que cantar? 
Quando se pensa em repertório para a musicalização infantil, deve-se 
levar em conta alguns aspectos. 
1. O educador musical, ao pensar em repertório, precisa valorizar e 
preservar as raízes culturais do seu país, oferecendo às crianças as 
cantigas tradicionais do cancioneiro infantil. 
2. Algumas canções são muito complexas para crianças pequenas e outras 
são desestimulantes para as crianças maiores, que naturalmente gostam 
de se sentir desafiadas. Portanto, deve-se ter o cuidado na escolha do 
repertório ou na abordagem com que essa determinada canção será 
apresentada, levando em consideração a faixa etária dos alunos. Não se 
trata de dizer que tal música é muito infantil ou não, mas sim refletir sobre 
a forma com que ela será abordada. 
Por exemplo, a canção Bambalalão, de Heitor Villa Lobos, pode ser 
trabalhada de diversas maneiras, dependendo da faixa etária das crianças. 
Figura 1 – Canção Bambalalão, de Heitor Villa Lobos 
 
Fonte: Villa Lobos, 1987. 
Para a roda de música com crianças pequenas, essa cantiga pode ser 
cantada com acompanhamento de palmas, seguindo o ritmo real da cantiga. 
Outra opção é a utilização de instrumentos de percussão. 
Para crianças maiores, já é possível oferecer um desafio maior utilizando 
a mesma canção, propondo a elas que criem uma percussão corporal, dando 
ênfase a aspectos musicais pré-determinados, por exemplo, altura – “Bambala”, 
em que se repete a nota Dó (batem palmas) e “lão” onde se repete a nota Sol 
(batem os pés). A mesma proposta pode ser para trabalho de intensidade, em 
que as palmas representam o som mais fraco e as batidas dos pés o som forte. 
 
 
11 
Isso é apenas uma sugestão, o ideal é permitir que as próprias crianças 
sugiram sua proposta de percussão. Esse tipo de atividade pode ser realizado 
com as mais diversas canções do vasto repertório do cancioneiro popular infantil 
brasileiro e adaptada a várias faixas etárias. 
Outro ponto importante a ser levado em consideração na escolha do 
repertório é o bom senso do educador. Não se pode descartar as músicas que 
as crianças trazem de casa: a não ser que tenham letras com palavras 
inapropriadas, a bagagem cultural que elas carregam faz parte da vida delas e, 
por mais que o professor não goste ou não concorde, deve haver respeito, pois 
é aquilo que ela está acostumada a ouvir. Cabe ao educador musical se colocar 
no papel de mediador de oportunidades já antes mencionado e, partindo daquilo 
que a criança conhece, oferecer novas possibilidades. 
Com o avanço das mídias sociais, é válido ao educador musical pesquisar 
e elaborar o seu repertório com nomes de especialistas para que possa oferecer 
aos seus alunos um conteúdo de qualidade e, assim, garantir-lhes um 
aprendizado eficaz. 
Saiba mais 
Listamos a seguir alguns exemplos de educadores musicais com 
conteúdo facilmente encontrado na internet, alguns para compra, outros 
gratuitos. 
• Grupos musicais: Palavra Cantada, Grupo Triii, Tiquequê, Tupi Pererê. 
• Educadores musicais: Elvira Drummond, Breeze Rosa, Josette Feres; 
Margareth Darezzo, Enny Parejo, Estevão Marques, Anna Quilez. 
• Música clássica e instrumental para bebês e crianças: Mozart for babies, 
Beatles for babies, MPB for babies, entre outros. 
Existe uma fonte inesgotável de pesquisa, cabe ao professor conhecer o 
perfil dos seus alunos e pesquisar qual o melhor repertório, com maior qualidade 
e que mais se adapta a eles. 
No curso de licenciatura em música, os educadores musicais licenciados 
terão potencialidade para compor suas próprias canções. Crie seu próprio 
repertório, escolha um repertório de qualidade para utilizar com seus alunos, 
porém não perca a oportunidade preciosa de criar suas próprias brincadeiras e 
canções, especialmente se for em parceria com eles. 
 
 
12 
TEMA 5 – VOZ E CANTO NA MUSICALIZAÇÃO INFANTIL 
O corpo é o mais perfeito instrumento para a experimentação sonora e o 
canto na musicalização infantil possibilita a escuta interior do indivíduo, 
favorecendo o autoconhecimento musical. 
No entanto, a utilização do canto requer alguns cuidados, pois o aparelho 
fonador de uma criança é diferente do de um adulto. Pesquisas mostram que 
meninos e meninas possuem vozes semelhantes até a puberdade. Nessa fase, 
as crianças estão com seu aparelho fonador em pleno desenvolvimento e 
precisam de cuidados para prevenir possíveis problemas vocais como diafonias 
ou nódulos, comuns por abuso ou uso inadequado da voz. 
Pensando na anatomia e fisiologia da voz infantil, cabe ao educador 
musical e às pessoas mais próximas o cuidado de ser modelo, uma vez que as 
crianças, desde o nascimento, aprendem por imitação. O adulto que o 
acompanha, ao utilizar a voz corretamente, fará com que a criança aprenda a 
usar a voz corretamente tanto para a voz falada quanto para a voz cantada. 
Carnassale (1995) enfatiza a importância de se falar corretamente, 
articuladamente, com boa afinação e tom de voz adequado, uma vez que se 
sabe que a criança observa e aprende aquilo que foi observado. 
A imensa maioria dos comportamentos expressos pelo homem é 
aprendido por tentativa e erro, e/ou por observação de um modelo. 
Assim é também com o canto. A criança aprende a cantar ouvindo 
aqueles com que tem mais tempo de contato e, mais tarde, através da 
eleição de um ídolo ou modelo. (Carnassale, 1995, p. 21) 
Levando em consideração esses cuidados, o trabalho vocal preparatório 
deve propor atividades de aquecimento e exercícios lúdicos, com o principal 
objetivo de proporcionar às crianças consciência corporal. 
5.1 Exercícios vocais para crianças 
5.1.1 Respiração e relaxamento 
Esse exercício pode ser realizado após uma atividade mais agitada, com 
o objetivo de acalmar as crianças, além de prepará-las para o canto. 
Em pé, com a coluna ereta, sugira às crianças que imaginem que estão 
em volta de um lago. Peça-as a fazer de conta que são árvores e oriente-as de 
que, um a um, estão nascendo os galhos (braços e pernas), até que a criança 
 
 
13 
fique com os braços abertos e apoiados em um pé só. Mantenha o equilíbrio e 
volte o corpo ao relaxamento suavemente. 
Comente que, na beira desse lago, existem muitos dentes de leão. Agora, 
elas devem colher o dente de leão e soprar suave e longamente para que voem 
todas as pétalas. 
5.1.2 Enchendo o balão 
Esse exercício desperta a consciência diafragmática, pois a criança 
precisa usar a força do abdome para encher o balão. 
O professor deve dizer às crianças que, usando a imaginação, coloquem 
um balão na boca e comecem a enchê-lo até ficar bem grande. 
5.2 Alguns exercícios vocais lúdicos 
É muito importante ter cuidado com a voz das crianças ao cantar, porém, 
quando falamos em aula de musicalização, diferentementedo coral, o tempo 
para aquecimentos e vocalises é muito restrito. Mesmo assim, existem algumas 
brincadeiras rápidas e divertidas que podem ser feitas para o preparo vocal dos 
pequenos. 
5.2.1 Trava-línguas 
Esses exercícios relaxam as pregas vocais e auxiliam no aquecimento e 
relaxamento da laringe, como também ajudam a melhorar a dicção das crianças. 
Eles devem ser realizados com alunos do ensino fundamental que já possuem 
um vocabulário mais amplo. Por exemplo, “o rato roeu a roupa do rei de Roma”, 
em que o r deve ser bem enfatizado. 
5.2.2 Sons vibrantes 
São os sons da junção de fonemas como br ou tr. Podem ser realizados 
em intervalos de terças, subindo e descendo de meio em meio tom, para as 
crianças maiores, e para os pequenos a sugestão é criar histórias em que eles 
possam, por exemplo, imitar uma motocicleta utilizando onomatopeias: brrumm, 
brruuum, brrrruuuuuummmmm... Ou, ainda, imitar um liquidificador: “vamos fazer 
uma vitamina? Liguem o liquidificador! TRRRRRRRR...”. 
 
 
14 
NA PRÁTICA 
A atividade exemplificada a seguir pode ser interessante para o trabalho 
em sala de aula. 
Conto sonoro: A dança da chuva 
(autoria de Florinda Cerdeira Pimentel) 
Materiais necessários: 
Recursos utilizados Objetivo 
Gravação com sons de floresta Simular o ambiente da floresta 
Lençol, toalha ou TNT azul Rio 
Tambores, caxixi, chocalhos, cocos Instrumentos indígenas 
Raio-x Trovão 
Pau-de-chuva ou manuseio de plástico Chuva 
 
Era uma vez uma tribo que morava na beira de um rio em uma floresta 
muito distante. Seus habitantes viviam felizes, pois havia muita fartura. 
Um dia, os nativos perceberam que a chuva não vinha já fazia muito 
tempo e, com isso, o rio começou a secar. As plantações começaram a morrer 
e então faltou alimento, e a situação das pessoas ficou muito difícil. Não havia 
água nem comida, era precisa que chovesse, o que fazer? 
Então, um velho sábio teve uma ideia! Reuniu os anciãos da tribo e 
decidiram invocar a Mãe Natureza, pedindo que ela mandasse a chuva. 
Reuniram toda tribo numa noite de lua cheia e ali ficaram em vigília, cantando e 
tocando seus instrumentos, pedindo chuva. Mas chegou a madrugada e nada 
aconteceu. Desanimados, os habitantes da tribo deixaram seus instrumentos e 
foram dormir. 
Estava quase amanhecendo quando alguém saiu gritando pela tribo: 
— Acordem, acordem, ouçam os trovões! 
As pessoas acordaram assustadas com aquela gritaria e vieram ver o que 
estava acontecendo. Perceberam que finalmente estava começando a chover. 
— Que benção dos céus! — disse alguém emocionado. 
— A Mãe Natureza atendeu nossas preces! — disse outro. 
 
 
15 
Naquele dia choveu o dia todo e choveu também por vários dias. Para 
celebrar, os nativos fizeram uma grande festa e a vida tranquila e feliz daquela 
tribo voltou a ser como antes. 
Sugestão para a contação da história 
As crianças devem ficar em círculo no chão, sentadas, de pernas 
cruzadas, em volta do tecido azul (rio). Um aparelho de som ou celular pode ficar 
ligado com a gravação dos sons de floresta tocando durante todo o tempo, mas 
bem fraco. No momento da seca, o tecido azul deve ser recolhido e recolocado 
depois que a chuva voltar. Durante toda história, o educador deve ter o cuidado 
de envolver todas as crianças na participação, seja cantando, dançando ou 
reproduzindo a sonoplastia de trovão e chuva. 
Ao final, o educador musical pode passar os instrumentos para que todas 
as crianças possam manusear e tocar. Pode-se também realizar uma conversa 
sobre os timbres desses instrumentos e as impressões das crianças a respeito 
da história. É um momento rico de aprendizado e troca de experiências. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, foram abordados os temas que tratam dos principais pilares 
da educação musical: apreciação, execução e composição. Foi possível também 
observar que, quando é possibilitado ao indivíduo um aprendizado com base na 
vivência, esse aprendizado se torna sólido, pois a vivência se fixa como 
experiência que o segue por toda vida. Também foi vista a importância do 
movimento, em que, mais uma vez, a experimentação por meio dos sentidos é 
fundamental para o aprendizado musical. 
Na contação de histórias, além do incentivo à leitura e o acesso à 
literatura, ao inserir o conto sonoro nas aulas de musicalização, utiliza-se de um 
recurso muito rico para o aprendizado de diversos aspectos musicais, por meio 
das histórias que fazem parte no imaginário infantil. 
Também foram vistos alguns aspectos do canto na musicalização infantil. 
O canto faz parte do cotidiano infantil, e cabe ao adulto mais próximo ser modelo 
de um bom uso vocal, sendo o papel do educador em sala de aula possibilitar o 
preparo vocal das crianças de maneira lúdica e eficaz, de modo a proporcionar, 
acima de tudo, consciência corporal. Para isso, é necessário saber escolher um 
repertório que seja de boa qualidade musical, seja música clássica ou popular, 
 
 
16 
respeitando a bagagem cultural que as próprias crianças trazem antes de 
oferecer algo novo, além de resgatar as canções do cancioneiro infantil 
brasileiro. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BRITO, T. A. de. Música na educação infantil: propostas para a formação 
integral da criança. São Paulo: Peirópolis, 2003. 
CARNASSALE, G. J. O ensino de canto para crianças e adolescentes. 1995. 
183 f. Dissertação (Mestrado em Artes) – Instituto de Artes, Universidade Estadual 
de Campinas, Campinas, 1995. 
EBC – EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO. Você sabe o que é “Leitmotiv”?. 
Caderno de Música. 22 fev. 2016. Disponível em: <https://radios.ebc.com.br/ 
caderno-de-musica/edicao/2016-02/voce-sabe-o-que-e-leitmotiv>. Acesso em: 29 
set. 2020. 
FERES, S. M. J. Bebê, música e movimento: orientação para musicalização 
Infantil. Jundiaí: Editora do Autor, 1998. 
NADALIM, C. et al. Maravilhamento. Desvendério. São Paulo, 2018. 
VILLA-LOBOS, H. O pensamento vivo de Villa-Lobos. São Paulo: Martin Claret, 
1987.

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