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Aula 07 Direito Civil p/ TRF 2ª Região (Analista Judiciário - Área Judiciária) - Com videoaulas Professor: Aline Santiago Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 119 AULA 07: Contratos: disposições gerais. Várias espécies de contrato: Compra e venda. Depósito. Mandato. Fiança. Olá aluna (o)! A aula de contratos está bastante “carregada”, portanto tenha calma e leia com atenção. Começaremos falando da teoria geral dos contratos, sobre as disposições gerais e sobre a extinção do contrato. E encerraremos falando sobre as espécies contratuais que foram pedidas em seu edital. Você precisará ao menos ter uma noção geral de cada um, saber identificar cada modalidade de contrato, seus conceitos, as principais características e quais as figuras (pessoas) envolvidas) ;) Tenha muito cuidado ao “dosar” seu estudo. Este assunto é bastante extenso, sendo assim, muita coisa não será cobrada em prova. Como o assunto é muito grande, optamos por transcrever todos os artigos. Os artigos que não foram comentados são de fácil compreensão ou, então, são pouco lembrados nas provas, mas, se você tiver dificuldade no entendimento de algo, por favor, não hesite e entre em contato conosco. Abraços e coragem, Aline & Jacson. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: este curso é protegido por dire itos autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-) Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 119 Sumário 1. Teoria Geral dos Contratos. ............................................................................................................ 3 1.1 Disposições Gerais (art. 421 a 480). ............................................................................................ 4 1.1.1 Preliminares (arts. 421 a 426). ................................................................................................ 7 1.1.2 Da formação dos contratos (arts. 427 a 435). ...................................................................... 11 1.1.3 Do contrato preliminar (arts. 462 a 466). ............................................................................. 18 1.1.4 Estipulação em favor de terceiro (arts. 436 a 438). .............................................................. 20 1.1.5 Da Promessa de Fato de Terceiro (art. 439 e 440). .............................................................. 22 Dos Vícios Redibitórios (art. 441 a 446). ............................................................................................... 23 1.1.6 Da Evicção (arts. 447 a 457). ................................................................................................. 25 1.1.7 Dos Contratos Aleatórios (art. 458 a 461). ........................................................................... 30 1.1.8 Do Contrato com Pessoa a Declarar (art. 467 a 471). ........................................................... 31 1.2 Da Extinção do Contrato (art. 472 a 480). ................................................................................ 33 - Do distrato (arts. 472 e 473). .............................................................................................................. 33 - Da Cláusula Resolutiva (arts. 474 e 475)............................................................................................. 34 - Da Exceção de Contrato não Cumprido (arts. 476 e 477). ................................................................. 35 - Da Resolução por Onerosidade Excessiva (arts. 478 a 480). .............................................................. 35 - Espécies de contratos (arts. 481 a 853). ............................................................................................. 37 1. Compra e venda (arts. 481 a 532). ................................................................................................ 37 - Cláusulas especiais do contrato de compra e venda. ..................................................................... 43 - Retrovenda.................................................................................................................................. 43 - Venda a contento ........................................................................................................................ 45 - Da preempção ou preferência .................................................................................................... 46 - Da venda com reserva de domínio ............................................................................................. 48 - Da venda sobre documentos ...................................................................................................... 49 2. Do depósito (arts. 627 a 652). ........................................................................................................... 50 - Do Depósito Necessário (arts. 647 a 651)....................................................................................... 55 3. Do mandato (arts. 653 a 692). .......................................................................................................... 57 - Das Obrigações do Mandatário (arts. 667 a 674). .......................................................................... 60 - Das Obrigações do Mandante (arts. 675 a 681). ............................................................................ 61 - Da Extinção do Mandato (arts. 682 a 691). .................................................................................... 62 - Do Mandato Judicial (art.692). ....................................................................................................... 65 4. Da fiança (arts. 818 a 839). ........................................................................................................... 65 - Dos Efeitos da Fiança (arts. 827 a 836). .......................................................................................... 68 - Da Extinção da Fiança (arts. 837 e 839). ......................................................................................... 71 QUESTÕES FCC E SEUS RESPECTIVOS COMENTÁRIOS. ..................................................................... 73 LISTA DE QUESTÕES E GABARITO ................................................................................................... 104 Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 119 1. Teoria Geral dos Contratos. Contrato é o acordo de duas ou mais vontades, é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral, que deve estar em conformidade com a ordem jurídica e que tem por finalidade estabelecer uma relação entre a vontade das partes. O escopo de um contrato é o de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial. Sendo o contrato um negócio jurídico, ele requer, para sua validade, a observância dos requisitos do artigo 104 do CC, quais sejam: Agente capaz; Objeto lícito, possível, determinado ou determinável; e Forma prescrita ou não defesa em lei. Os contratos possuem dois elementos: o estrutural e o funcional. O estrutural, como o próprio nome diz, refere-se à estrutura. Para termosum contrato é necessária a existência de duas ou mais pessoas1 que acordam sobre um determinado objeto. Já o funcional diz respeito à composição de interesses contrapostos (mas harmonizáveis) entre as partes, constituindo, modificando e solvendo direitos e obrigações. - Os contratos no Código Civil. Os contratos são tratados na parte especial do Código Civil de 2002, Livro I – Do direito das Obrigações: No Título V, temos o capítulo I, que traz as disposições gerais e o capítulo II, que traz a extinção do contrato. No Título VI, temos as várias espécies de contrato. 1 Alguns doutrinadores entendem se pode admitir, em nosso ordenamento jurídico, o autocontrato ou o contrato consigo mesmo, quando uma só pessoa possa representará ambas as partes. Seria a hipótese do art. 117 do Código Civil. Art. 117. Salvo se o permitir ¹a lei ou ²o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 119 1.1 Disposições Gerais (art. 421 a 480). - Da classificação dos contratos. Antes de começarmos a aula propriamente dita, falando das disposições gerais dos contratos, vamos citar e explicar as principais classificações dos contratos. Esta parte é bastante teórica, mas você verá que ela é muito importante para a resolução de determinadas questões. Contratos típicos e atípicos: Serão típicos, ou nominados, quando estiverem regulamentados pelo ordenamento jurídico através do CC, ou por qualquer norma extravagante2. Serão atípicos, ou inominados, os negócios bilaterais cujo perfil não se encaixe em qualquer das espécies contratuais prescritas pelo sistema. Contratos mistos e coligados: Os contratos mistos (ou complexos) são caracterizados pela coexistência de obrigações pertinentes a tipos diferentes de contratos, que estão ligados pelo caráter econômico que asseguram, segundo Gonçalves3, “O contrato misto resulta da combinação de um contrato típico com cláusulas criadas pela vontade dos contratantes”. Já os contratos coligados se caracterizam pela coexistência, num mesmo negócio, de obrigações simplesmente justapostas, sem a ligação de caráter econômico entre elas. É, na realidade, uma pluralidade, pois há vários contratos interligados. Contratos unilaterais e bilaterais4: Contratos bilaterais (ou sinalagmáticos) são os contratos com obrigações recíprocas e correlativas, são aqueles de que nascem obrigações para ambas as partes. Já os contratos unilaterais se caracterizam por acarretar obrigações para apenas um dos contratantes. 2 Normas que regulamentam um tipo de contrato, mas que, neste caso, não são localizadas no Código Civil. 3 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, ed. Saraiva, 2ª ed., pág. 770. 4 Cuidado para não confundir com a classificação dos negócios jurídicos em bilaterais e unilaterais. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 119 ATENÇÃO: todo contrato, pela sua própria natureza, é negócio jurídico bilateral, que envolve duas ou mais vontades. Quando se fala em contratos unilaterais, emprega-se a palavra não no sentido de sua formação, mas no sentido de seus efeitos. (apenas um dos contratantes assume obrigações perante o outro) Contratos individuais e coletivos: Chamamos contratos individuais (ou singulares) aqueles em que cada uma das partes intervém para convencionar diretamente aquilo que lhe interessa. Os contratos coletivos são aqueles em que a vontade da maioria prevalece sobre a vontade da minoria. Contratos coletivos são aqueles estabelecidos, por exemplo, pelo acordo de duas pessoas jurídicas que representam categorias profissionais. Contratos impessoais e pessoais: São impessoais os contratos em que a pessoa do devedor é fungível – quer dizer, interessa ao credor ter sua obrigação satisfeita, não importando quem efetivamente o faça. Os contratos pessoais ou intuito personae, por sua vez, são aqueles em que as partes contratantes especificam quem está incumbido de prestar – não se admitindo que terceiro satisfaça a obrigação, justamente por se tratar de obrigação personalíssima. Contratos consensuais, formais e reais: Os consensuais são os que requerem para seu aperfeiçoamento, apenas a conjugação de vontades, ou seja, apenas o consentimento das partes. Os formais são os que exigem o cumprimento de determinadas formalidades legais para o seu aperfeiçoamento. Já os contratos reais são os que exigem a efetiva tradição5 do objeto contratual para sua formação, ou seja, que além do consentimento dos contratantes, que haja a entrega da coisa (da res), do objeto. 5 Termo jurídico que significa entrega. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 119 Contratos onerosos e gratuitos: São onerosos os contratos em que ambas as partes visam recíprocas atribuições patrimoniais, próprias ou para terceiros, assim entendida toda vantagem avaliável em dinheiro, ou seja, os contratantes têm o intuito de auferir vantagem própria, assumindo encargos recíprocos. Os contratos gratuitos (ou benéficos), por sua vez, caracterizam-se, objetivamente, por haver uma parte que obtém vantagem e a outra que deve suportar o sacrifício, não há contraprestação, apenas uma das partes é onerada. Normalmente, um contrato bilateral será oneroso e um contrato unilateral será gratuito. No entanto, a doutrina cita o contrato de mútuo feneratício (ou oneroso) como exemplo de contrato unilateral e oneroso (pois é convencionado o pagamento de juros). E cita o mandato como bilateral e gratuito, pois a obrigação para o mandante surgiria em um momento posterior. Contratos comutativos e aleatórios6: Considera-se comutativo o contrato em que há proporcionalidade entre a atribuição patrimonial auferida e o sacrifício suportado, justamente por se saber com certeza quais são as prestações. O contrato aleatório, ao seu tempo, baseia-se na ideia de álea, de risco, de sujeição ao acaso, à sorte. Recebe a classificação de aleatório quando a prestação devida depende de um acontecimento incerto e que faz com que não seja possível a determinação do ganho ou da perda, senão até que este acontecimento se realize. Contratos de execução imediata, de execução diferida e de trato sucessivo: É de execução imediata, ou instantânea, o contrato cuja obrigação é adimplida por intermédio de uma única prestação que importa na extinção completa da obrigação. No contrato de execução diferida no tempo, ou retardada, a prestação a ser cumprida se dará somente em termo futuro. Já o contrato de execução sucessiva (continuada), ou de trato sucessivo, é aquele que se renova periodicamente com o adimplemento das obrigações contratadas e que serão cumpridas sucessivamente. As 6 Trata-se de uma subclassificação dos contratos onerosos e que analisa a relação entre a vantagem e o sacrifício que sofrem as partes. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 119obrigações, isoladamente, não tem o condão de extinguir a relação, que persiste e não se extingue por completo até o advento de um termo contratual ou do implemento de uma condição contratualmente fixada. Contratos principais e acessórios: São principais os contratos que tem existência autônoma, ou seja, independentemente e não se submetem a sorte de qualquer outro contrato. Os contratos acessórios, por sua vez, existem em virtude dos contratos principais, tendo, destarte, sua existência condicionada a do principal, como por exemplo, a fiança. Após citarmos como os contratos podem ser classificados, vamos dar continuidade à aula, analisando as disposições gerais sobre contratos encontradas no código civil! 1.1.1 Preliminares (arts. 421 a 426). O primeiro artigo referente às disposições gerais dos contratos fala da liberdade de contratar e nos traz o princípio da sociabilidade (a função social do contrato). Este princípio estipula a prevalência dos valores coletivos sob os individuais, sem esquecer, contudo, do valor fundamental da pessoa humana. Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. A liberdade de contratar está condicionada ao respeito à função social do contrato. Deste modo, limita-se por preceitos de ordem pública, que proíbem, por exemplo, que o acordo entre as partes seja contrário aos bons costumes. Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Este artigo dá continuidade ao princípio da sociabilidade e introduz mais dois princípios que devem guiar os contratantes. São eles: o princípio da probidade e o princípio da boa-fé objetiva. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 119 O princípio da probidade - que impõe as partes o dever de agir com lealdade, honradez, integridade e confiança recíproca. O da boa-fé objetiva - que está ligado não só à interpretação do contrato, mas também ao interesse social de segurança das relações jurídicas. Segundo este princípio as partes devem agir de forma honrada durante as tratativas, a formação e também durante a execução do contrato. Além dos princípios citados acima, existem outros, que podem eventualmente ser cobrados em provas. Eles são os seguintes: O da autonomia da vontade, através do qual as partes poderão elaborar livremente seus contratos, de acordo com seus interesses (respeitando as normas gerais); o do consensualismo, no qual o acordo de vontades das partes bastaria para dar origem a um contrato válido7; o da obrigatoriedade da convenção, pois, uma vez feito um contrato, ele deve ser fielmente cumprido pelas partes, sob pena de responsabilização no caso de inadimplemento, podendo o inadimplente sofrer uma execução patrimonial; e o da relatividade dos efeitos do negócio jurídico contratual, já que o contrato normalmente vincula exclusivamente as partes participantes, ou seja, não atinge terceiras pessoas, estranhas a relação contratual. Todos estes princípios contratuais estão ligados ao do respeito e proteção à dignidade da pessoa humana, dando proteção jurídica aos contratantes para que através de seus contratos efetivem a função social da propriedade, do contrato e a justiça social. O artigo 423 nos traz a figura do contrato de adesão. “Acho que eu já ouvi falar disto.” Sim, provavelmente você já se deparou com um contrato deste tipo. O contrato de adesão é aquele em que apenas uma das partes estipula as cláusulas e o modo como será o contrato. Cabendo à outra parte – que é chamada de aderente (você ), apenas aderir a este contrato, ou seja, aceitar as “regras” pré-estabelecidas. O 7 Sem esquecer, no entanto, que para determinados contratos (para que sejam válidos) há a exigência de certas formalidades legais. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 119 contrato de adesão contrapõe-se, deste modo, ao chamado contrato paritário8, pois neste as partes discutem livremente as condições. Como exemplos de contratos de adesão, temos aqueles contratos que assinamos (quando assinamos) para receber um cartão de crédito e para formalizar determinados seguros. Acreditamos que você nunca presenciou alguém, no momento de assinar um contrato deste tipo, discutindo as cláusulas com o gerente do banco ou com o corretor, não é mesmo? O contrato já chega pronto, fazemos apenas a adesão. Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. Portanto, quando o contrato de adesão contiver cláusulas ambíguas ou contraditórias, caberá ao intérprete, no momento de apreciá-las, adotar a interpretação mais favorável ao aderente (nada mais justo, uma vez que ao aderente “não é permitido” discutir as cláusulas deste tipo de contrato). Em tese , quem faz o contrato de adesão deverá de redigi-lo de maneira mais clara possível, para que o aderente ao se decidir sobre a adesão entenda o que está fazendo. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. “O que isto quer dizer?” No contrato de adesão o aderente encontra-se em uma situação desfavorável e, por este motivo, terá direitos resultantes da natureza deste negócio. Por exemplo, seria legítima uma cláusula contratual determinando a eleição de foro, no entanto, caso a escolha do foro estipulada em um contrato de adesão (veja que ele foi escolhido apenas por uma das partes) seja abusiva e prejudicial ao aderente, ela poderá ser desconsiderada, mesmo que o aderente tenha renunciado ao direito de escolha. Não pode ser válida (será nula) a cláusula que implique renúncia antecipada de direitos inerentes à natureza do contrato de adesão. 8 O contrato paritário é do tipo tradicional. Nele as partes estão em situação de igualdade, pois discutem as condições do contrato. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 119 Lembre-se também que o contrato deve seguir os parâmetros estipulados pelos princípios da probidade e da boa-fé, para atingir assim sua função social. Observe alguns Enunciados sobre o assunto: Jornada III STJ 167: “Arts. 421 a 424: Com o advento do Código Civil de 2002, houve forte aproximação principiológica entre esse Código e o Código de Defesa do Consumidor no que respeita à regulação contratual, uma vez que ambos são incorporadores de uma nova teoria geral dos contratos.” Jornada III STJ 172: “Art. 424: As cláusulas abusivas não ocorrem exclusivamente nas relações jurídicas de consumo. Dessa forma, é possível a identificação de cláusulas abusivas em contratos civis comuns, como, por exemplo, aquela estampada no art. 424 do Código Civil de 2002.” Jornada IV STJ 364: “Arts. 424 e 828: No contrato de fiança é nula a cláusula de renúncia antecipada ao benefício de ordem quando inserida em contrato de adesão.” O contrato de adesão tem características de contratos nominados ou típicos, isso porque está previsto pelo ordenamento jurídico. Em contrapartida, lembre-se de que existem os contratos chamados inominados ou atípicos, que são aqueles para os quais não há previsãolegislativa, ou seja, não tem sua estrutura prevista em lei. Assim, contratos atípicos são aqueles que não estão disciplinados pelo Código Civil, nem por leis extravagantes. O que existe no Código Civil sobre os contratos atípicos é apenas uma autorização para que possam celebrá-los. Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. Deste modo, as pessoas podem “inventar” um contrato que não exista no mundo jurídico (isto é lícito), entretanto, ao fazê-lo, precisam observar as normas gerais fixadas pelo ordenamento jurídico. Ou seja, podem elaborar contratos atípicos, mas valem as normas gerais, para a validade, por exemplo, devem respeitar o art. 104. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 119 “Direito privado. Atipicidade. No direito privado vigora o princípio da atipicidade dos negócios jurídicos, vale dizer, as partes podem criar negócios jurídicos atípicos (não regulados expressamente pela lei)...” 9 Outra “regra geral” que orienta a celebração de contratos é a encontrada no art. 426: Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Este preceito é de ordem pública e veda que a herança de uma pessoa ainda viva seja objeto de contrato10. Ainda no campo das disposições gerais, vamos estudar agora como se dá a formação dos contratos. 1.1.2 Da formação dos contratos (arts. 427 a 435). Vimos que todo contrato requer um acordo de vontade entre as partes, é o chamado consentimento. Além disso, também será necessária a manifestação desta vontade, seja ela de forma expressa ou tácita. Sendo a manifestação de vontade o ponto principal de todo o negócio jurídico contratual, é muito importante que se caracterize o momento em que ela se verifica, pois será a partir deste momento que decorrerá a própria existência do contrato. Quando chegamos a um contrato pronto (já finalizado), precisamos ter em mente que para chegar neste ponto o contrato passou por ¹negociações preliminares; teve duas manifestações de vontade bem características, ²a proposta e ³a aceitação; e teve a fase do contrato preliminar. 9 Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 560. 10 O nosso ordenamento prevê duas formas de sucessão: a primeira é a legítima – que acontece quando a pessoa morre sem deixar disposições de última vontade, situação em que a herança será dada aos herdeiros especificados pelo código; a segunda é a testamentária – que é quando a pessoa antes de morrer deixa testamento, situação em que parte da herança será distribuída de acordo com a sua vontade. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 119 Tartuce11, ao citar o que se reúne da melhor doutrina, diz que é possível identificar quatro fases na formação dos contratos: Fase de negociações preliminares ou pontuação; Fase de proposta, policitação ou oblação; Fase de contrato preliminar; Fase de contrato definitivo ou de conclusão do contrato. Na maioria das vezes haverá negociações preliminares, conversas, entendimentos e, ainda, reflexões sobre a oferta. Isto tudo até o momento em que se encontre uma solução satisfatória para as partes. Esta é uma regra, porém, sem necessariamente ter havido a fase de negociações, pode acontecer de um contrato surgir apenas com uma proposta de negócio seguida de uma aceitação imediata. A fase pré-contratual não cria direitos nem obrigações e tem como objetivo a preparação do consentimento para a conclusão do negócio jurídico contratual. Não se estabelece qualquer laço jurídico e, por este motivo, não se pode imputar responsabilidade civil contratual àquele que houver interrompido essas negociações. Nas negociações preliminares, as partes podem passar a elaboração da minuta, que nada mais é do que colocar por escrito alguns pontos constitutivos do contrato (cláusulas ou condições) sobre os quais já tenham chegado a um acordo. Esta minuta no futuro poderá servir de modelo para o contrato que realizarão. Nesta fase ainda não existe vínculo jurídico entre as partes. “Nesta fase de negociações não há ainda a responsabilização civil?” Muito cuidado! Não há responsabilidade civil contratual, mas apesar da falta de obrigatoriedade dos entendimentos preliminares, excepcionalmente pode surgir a responsabilização civil extracontratual. Isto acorrerá, na hipótese de um participante criar no outro a expectativa de que o negócio será celebrado, levando-o a executar despesas, a não 11 Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, ed. Método, 2ª ed., pág. 557. 1º as Negociações Preliminares 2º a Proposta 3º a Aceitação Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 119 contratar com terceiros ou, então, a alterar planos de sua atividade imediata. A parte que, injustificavelmente, desistir e causar prejuízos (mesmo que indiretos) terá a obrigação de ressarcir os danos incorridos. Não se trata da responsabilidade por inadimplemento contratual, mas sim da responsabilidade pela prática de ato ilícito (extracontratual). Sendo o contrato um acordo de duas ou mais vontades, estas não são emitidas ao mesmo tempo, mas sim sucessivamente, com um intervalo razoável entre uma e outra. Existe uma parte que toma a iniciativa, dando início à formação do contrato, ao formular a proposta. A proposta constitui uma declaração inicial de vontade e cuja finalidade é a realização de um contrato. A oferta de contrato, em regra, obriga o proponente. - A proposta Pode-se dizer que a proposta é uma declaração receptícia de vontade, que se dirige de uma pessoa para a outra e na qual se manifesta a intenção de se considerar vinculada se a outra parte aceitar. Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. Nesta fase da formação do contrato, quem faz a proposta é chamado de proponente (ou policitante), já quem aceita é chamado de destinatário (ou oblato). De acordo com o artigo 427, visto acima, o proponente não pode retirar a proposta sem explicações sob pena de responder por perdas e danos. É importante destacar que este não é um preceito absoluto, uma vez que existem situações em que a proposta não obrigará o proponente, quais sejam: ¹quando tratar-se apenas de um convite a contratar (lá na fase das negociações preliminares); ²quando na própria proposta contiver uma cláusula afirmando que a proposta não é obrigatória; ou ³quando o contrário não resultar da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 119 O artigo seguinte nos traz os casos em que a proposta não será obrigatória12: Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta: I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante; Se a proposta foi feita entre presentes (ou seja, o contato é feito pessoalmente) e não sendo aceita de pronto, desobrigará o proponente. –considera-se também um contato feito pessoalmente, aquele realizado por intermédio de telefone ou outro meio de comunicação semelhante, de forma direta ou simultânea. Então, por exemplo, João fez uma proposta pessoalmente a Paulo e não estipulou um prazo para resposta, caso Paulo não a aceite imediatamente, a proposta deixa de ser obrigatória. II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente; Obviamente o proponente não está obrigado a esperar “indefinidamente”. Se já houver decorrido um tempo tido como suficiente e não chegar uma resposta, a proposta deixa de ser obrigatória. Ou seja, deve-se esperar apenas por um tempo razoável, suficiente para que a 12 No sentido de obrigatoriedade do cumprimento da proposta. Nesta análise é levado em consideração o fato de a proposta ser entre presentes ou entre ausentes. O termo “ausentes” (aqui empregado) refere-se apenas à existência ou não de um contato direto entre os contratantes. envia a proposta e aguarda a aceitação Destinatário, Aceitante (oblato) aceita ou não a proposta, devendo a sua resposta chegar no prazo previsto ou em tempo suficiente o Proponente (policitante) Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 119 proposta chegue ao destinatário (oblato) e para que retorne a sua aceitação. III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado; Nesta hipótese, a proposta foi feita a pessoa ausente e com um prazo certo para que fosse dada uma resposta. Se o oblato (destinatário) não se pronunciar no tempo estipulado, fica obviamente o proponente desobrigado. IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. O inciso IV é bastante lembrado em provas. Se o proponente retirar a proposta e sua retratação chegar antes ou simultaneamente com a proposta original, também deixará de ser obrigatória. Existe uma situação que é equiparada a proposta, trata-se da oferta ao público (é a propaganda feita ao público). Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos. Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. O artigo 429 preceitua que a oferta ao público ganha caráter de proposta quando seu conteúdo oferece os requisitos essenciais à contratação, gerando vínculo obrigatório para o ofertante. Estas ofertas ao público podem ser aquelas transmitidas por rádio, televisão ou quaisquer outros meios de comunicação em massa. A revogação da proposta feita ao público é possível, mas deverá ser feita da mesma forma e com o mesmo destaque com que foi feita a proposta e desde que tenha resguardado este direito na proposta feita. Então se aquele “jornalzinho” colocou a oferta em letras “garrafais” a revogação deverá ter o mesmo destaque. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 119 - A aceitação A aceitação vem a ser a manifestação da vontade, expressa ou tácita, por parte do destinatário (ou oblato). A aceitação deve ser feita dentro do prazo proposta, chegando oportunamente ao conhecimento do ofertante. Ao aceitar a proposta o aceitante adere a todos os seus termos. Segundo Mosset13: “A aceitação é uma declaração unilateral de vontade, receptícia, destinada ao proponente e dirigida a celebração do contrato.” Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos. Se a aceitação chegar fora do prazo, por circunstâncias imprevistas, o proponente deverá comunicar imediatamente ao aceitante sobre o atraso, para se precaver de possíveis prejuízos por conta da não conclusão do contrato. Se não tomar tal providência corre o risco de responder por perdas e danos14. Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova proposta. Se a aceitação chegar ao proponente fora do tempo hábil para o aceite ou, ainda, se trouxer modificações à proposta original, será considerada uma nova proposta (ou contraproposta) do aceitante direcionada ao proponente, ficando sujeita à sua concordância. Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa. O art. 432 nos trouxe o caso de aceitação tácita, nesta situação o contrato será considerado perfeito e acabado se a recusa não chegar a tempo. A aceitação tácita é válida em duas situações: 13 Mosset, Contratos, p 105. Em Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 566. 14 CC Art. 402. Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 119 Não seja costume a aceitação expressa; ou O proponente a tiver dispensado. Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante. A mesma regra que vimos para a proposta vale para a aceitação, ou seja, se a retratação do aceitante chegar antes da aceitação, ou simultaneamente a esta, considera-se inexistente a aceitação. O contrato entre ausentes nem sempre está relacionado à presença física dos contratantes no momento da formação do contrato, mas sim a existência de relacionamento direto entre os contratantes. Para a lei, em relação aos contratos, são considerados ausentes os que fazem suas negociações através da troca de correspondências ou documentos. Quando o contrato é celebrado entre ausentes, o contrato se tornará perfeito, em regra, quando a aceitação do oblato for expedida. As exceções são encontradas nos incisos do art. 434. Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto: I - no caso do artigo antecedente; Este inciso nos remete ao art. 433, que trata a hipótese da retratação do aceitante chegar antes ou ao mesmo tempo do aceite. Quando isso acontecer, sendo válida a retratação, será considerada inexistente a aceitação. II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta; Neste caso, em que o proponente se compromete a esperar a resposta do oblato, o contrato se aperfeiçoará no momento da recepção da aceitação, e não no momento da expedição. Neste caso, enquanto a aceitação não chegar às mãos do proponente o contrato não se aperfeiçoará. III - se ela não chegar no prazo convencionado. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 119 Este inciso é um tanto óbvio, pois, se existe um prazo para que a resposta seja enviada e ela não chegar neste intervalo de tempo ou chegar atrasada não houve a aceitação e, portanto, não há um contrato.Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. Quando o contrato for entre presentes – também considerado o celebrado por telefone ou videoconferência, o lugar da celebração será onde as pessoas se encontrarem presentes e onde o contrato é proposto. Quando o contrato for entre ausentes, o lugar será aquele onde for expedida a proposta. 1.1.3 Do contrato preliminar (arts. 462 a 466). O contrato preliminar está disciplinado no CC, nos artigos 462 a 466 e tem como objeto outro contrato (o definitivo), não devendo ser confundido com o contato preliminar. O contrato preliminar “não se confunde com o contato preliminar, que é fase eventual da formação dos contratos em que se manifesta a disposição de contratar”.15 Um bom exemplo de contrato preliminar é o compromisso de compra e venda de imóvel. Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Cuidado! Isto aparece bastante em provas. No contrato preliminar já devem estar estabelecidos os requisitos essenciais do contrato definitivo, somente a forma ainda é livre. Por exemplo, mesmo que o contrato principal precise ser feito por instrumento público, o contrato preliminar poderá ser elaborado por instrumento particular. Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. 15 Tomasetti, contrato preliminar, § 3º, p. 18. Em Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 580. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 119 Assim, o contratante interessado pode exigir do outro a celebração do contrato definitivo, desde que não haja cláusula de arrependimento16, isto ocorre por meio de notificação judicial ou extrajudicial, onde constará o prazo para sua efetivação. Art. 463. Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. Para que o contratante interessado possa exigir a celebração do contrato definitivo, o contrato preliminar deve ser registrado no cartório competente. O registro serve para se dar conhecimento a todos da existência do contrato, seja ele preliminar ou definitivo, sendo, por este motivo, um ato necessário. Jornada I STJ 30: “Art. 463: A disposição do parágrafo único do art. 463 do novo Código Civil deve ser interpretada como fator de eficácia perante terceiros.” Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação. Este artigo autoriza que o contratante interessado recorra à justiça para ter, a partir do contrato preliminar, o contrato definitivo. Assim, o juiz, na sentença, fixará um prazo para que a outra parte efetive o contrato. Se esta decisão judicial não for cumprida, o juiz suprirá a manifestação de vontade faltante, transformando o contrato preliminar em definitivo. STF 168: “Para os efeitos do Decreto-Lei 58, de 10.12.1937, admite-se a inscrição imobiliária do compromisso de compra e venda no curso da ação”. STF 413: “O compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que não loteados, dá direito a execução compulsória, quando reunidos os requisitos legais”. Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos. 16 Cláusula de arrependimento, como o próprio nome diz, é a cláusula que permite às partes o arrependimento da celebração do contrato Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 119 De acordo com este artigo, pode o contratante interessado, para a efetivação contratual, ao invés de acionar o judiciário, simplesmente desistir do contrato e pedir perdas e danos. Trata-se de escolha, que ficará a critério do contratante interessado. Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor. “O que se entende por promessa de contrato unilateral mesmo?” É quando a promessa acarretar obrigações a apenas uma das partes, que será a parte “devedora”. Quando a promessa de contrato for unilateral a parte que se beneficiará (o credor) deve manifestar-se no prazo previsto (se existir) da opção de realizar o contrato ou não. Se não existir prazo, deverá o devedor estipular um. Se o credor não se manifestar em tempo hábil, fica a promessa sem efeito, sem validade. Perceba que o contrato preliminar tem por objetivo delinear os contornos do contrato definitivo, gerando, inclusive, direitos e deveres para as partes, pois estas assumem uma obrigação, a de fazer o contrato final. Trata-se de uma promessa de contratar. 1.1.4 Estipulação em favor de terceiro (arts. 436 a 438). De acordo com Carlos Roberto Gonçalves17: “Dá-se a estipulação em favor de terceiros, pois, quando, no contrato celebrado entre duas pessoas, denominadas estipulante e promitente, convenciona-se que a vantagem resultante do ajuste reverterá em benefício de terceira pessoa, alheia à formação do vínculo contratual”. (grifos nossos) Na estipulação em favor de terceiro (como o próprio nome diz) existirá uma terceira pessoa. Temos, então, a presença de três figuras, que são: o estipulante – aquele que estipula em benefício da terceira pessoa; o promitente – aquele que se obriga a cumprir o acordo em favor do beneficiário; e o beneficiário (que é o terceiro) - a pessoa determinada 17 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, 2ª ed. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 119 ou indeterminada que receberá o benefício. É importante destacar que embora a validade do contrato não esteja subordinada a vontade do beneficiário, o mesmo não podemos afirmar com relação à eficácia do negócio, porque, neste caso, será necessária a aceitação por parte daquele que se beneficia18. Um exemplo bastante comum de contrato em favor de terceiro é aquele que beneficia em um seguro, uma terceira pessoa, que não participou diretamente da relação, do vínculo, contratual. O terceiro não é parte no contrato. Ainda explicaremos o contrato de seguro, mas haverá uma exceção, trata-se de uma impossibilidade de se estipular em favor de terceiro, no concubinato. Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou já se encontrava separado de fato. Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação. Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também é permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do art. 438. O art. 436 dá ao estipulante o poder de exigir o cumprimento da obrigação por parte do promitente. O beneficiário também poderá exigir o cumprimentodo contrato, isto se este direito não estiver vedado expressamente no próprio contrato e desde que o estipulante não o tenha substituído, conforme o autoriza o art. 438. Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro designado no contrato, independentemente da sua anuência e da do outro contratante. Parágrafo único. A substituição pode ser feita por ato entre vivos ou por disposição de última vontade. Assim, o beneficiário substituído perderá todo e qualquer direito que lhe fora conferido, não cabendo nenhuma indenização. Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez o contrato, se deixar o direito de reclamar-lhe a execução, não poderá o estipulante exonerar o devedor. 18 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Brasileiro 3, ed. Saraiva, 9ª ed. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 119 Deste modo, o estipulante tem o direito de substituir tanto o beneficiário como também de substituir, exonerando o promitente da obrigação. Caso isso venha a acontecer – exoneração do promitente, a estipulação em favor de terceiro ficará sem efeito. Mas se for autorizado ao beneficiário reclamar a execução do contrato, o estipulante não poderá exonerar o promitente. 1.1.5 Da Promessa de Fato de Terceiro (art. 439 e 440). Neste caso, o promitente se compromete a conseguir que terceira pessoa assuma uma obrigação, seja ela obrigação de fazer, de não fazer, ou de dar alguma coisa. Observe que o terceiro de quem se quer alguma coisa não faz parte diretamente do contrato. Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este o não executar. Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, ¹dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e ²desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens. Assim, se o terceiro não efetuar a obrigação pretendida pelas partes o promitente responderá com uma indenização por perdas e danos. O parágrafo único traz a exceção de tal responsabilidade, no caso de o terceiro ser o cônjuge do promitente. Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação. Quando o terceiro se comprometer a efetuar a obrigação a situação se modifica. Neste caso, não haverá para o promitente qualquer responsabilização. Quando o terceiro aceitar a obrigação que o promitente lhe propôs, ele deixa de ser estranho à relação jurídica e, agora, recairá sobre ele uma eventual indenização. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 119 Dos Vícios Redibitórios (art. 441 a 446). De acordo com Carlos Roberto Gonçalves19: “Vícios redibitórios são os defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de contrato comutativo20, que a tornam ¹imprópria ao uso a que se destina ou ²lhe diminuem o valor” (grifos nossos). Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor. Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas. Deste modo, a pessoa que adquire uma coisa que contenha um vício ou defeito oculto, que a tornem imprópria para o uso ou lhe diminuam o valor, poderá ajuizar uma ação redibitória para a rejeição da coisa e a devolução do valor pago, com a devolução da coisa a seu antigo dono. Poderá também propor uma ação estimatória, para o caso de o defeito oculto diminuir o valor da coisa, onde pedirá a devolução de parte do valor que pagou como abatimento. Segundo o parágrafo único do art. 441, as disposições aplicáveis aos vícios e defeitos cultos também são aplicáveis quando o negócio se deu por doações onerosas. Doações onerosas são aquelas em que o doador impõe ao beneficiário uma incumbência ou dever, há, por exemplo, um encargo. Este tipo de doação, nos termos do art. 539, deve ter aceitação expressa pelo beneficiário (donatário). Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente reclamar abatimento no preço. Este artigo apresenta uma opção ao adquirente da coisa. Assim, se o adquirente da coisa que contém vício redibitório quiser, em vez de tornar sem efeito o contrato e pedir o valor da coisa de volta, poderá pedir o abatimento do valor pago, através de uma ação estimatória, permanecendo o bem em seu poder. 19 Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Esquematizado, 2ª ed. 20 Contrato comutativo é aquele contrato oneroso em que a prestação corresponde a uma contraprestação, que é certa e determinada. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 119 Art. 443. ¹Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; ²se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato. O artigo 443 estabelece diferenças entre o alienante que age de má- fé e o que age de boa-fé, quais sejam: ¹se o vendedor sabia do vício, e, portanto, agiu de má-fé, terá que pagar ao adquirente o valor que foi pago pela coisa mais perdas e danos; porém ²se o vendedor não sabia do vício – agiu de boa-fé, terá que restituir o valor recebido mais as despesas do contrato. Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição. Nesta situação, o vendedor responde pelo vício nos mesmos termos do artigo antecedente, mesmo que a coisa se acabe em poder do adquirente e desde que o motivo que tenha ocasionado este perecimento seja o vício oculto já existente na época da venda. Dos prazos para reclamar (prazos decadenciais): Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade. O adquirente poderá: Vícios ou defeitos ocultos (vícios redibitórios) reclamar abatimento no preço rejeitar a coisa ou Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 119 Estes dois prazos volta e meia aparecem nas provas, vamos utilizar esta dica para memorização: Logo após passar no concurso, com seu primeiro vencimento você resolve comprar um carro (bem móvel) e um apartamento (bem imóvel). Caso existam defeitos ocultos, você terá 30 dias para reclamar com relação ao carro e um ano para reclamar com relação ao apartamento. E um detalhe, digamos que você já estava de posse destes bens, neste caso os prazos contam da alienação e são reduzidos pela metade. § 1º. Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis. § 2º. Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou,na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria. Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. Assim, se houver garantia da coisa, e o defeito aparecer após a coisa ser adquirida, esta garantia impede que os prazos de decadência previstos no art. 445, comecem a correr. Somente começarão a correr após o término da garantia. No caso do vendedor não solucionar o defeito, aí sim poderá o adquirente ajuizar a ação redibitória ou a estimatória. 1.1.6 Da Evicção (arts. 447 a 457). Segundo Carlos Roberto Gonçalves: “Evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato”21. (grifos nossos) Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública. Deste modo, a evicção aparece como uma garantia dada em favor do adquirente, em um contrato oneroso, contra o alienante. 21 Carlos Roberto Gonçalves Direito Civil Esquematizado, 2ª ed. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 119 Na evicção temos três figuras: o evicto – que é quem perde o bem na ação; e o alienante que é quem vendeu o bem e o responsável pela evicção; o evictor – que é quem ganha à ação na justiça e “readquire” o bem. Assim, para que haja a evicção, é necessário que se configure em um contrato do tipo oneroso, um vício de direito anterior ou ao mesmo tempo da celebração do contrato. Por meio de uma sentença judicial, na hora em que for realizar o negócio jurídico a pessoa perderá a posse, o uso ou a propriedade da coisa. A evicção poderá, ainda, ser total - quando recair sobre a totalidade do bem, ou parcial – quando recair somente sobre uma parte dele. Vamos a uma explicação prática: ¹Paulo (alienante) vende coisa a ²João (adquirente). Demos o exemplo de uma compra e venda para que você se lembre de que a evicção está relacionada a contratos onerosos. Acontece, no entanto, que havia um fato anterior a este negócio jurídico e no qual estava envolvido³Lucas. Somente agora o fato é decidido judicialmente e provoca a evicção (a causa jurídica da evicção é anterior ao contrato firmado entre Paulo e João). Temos então a figura de um terceiro em relação ao contrato. Trata-se de Lucas, que será denominado evictor. São figuras envolvidas na evicção: ¹Paulo, que é o alienante. ²Joao, que é o comprador (adquirente), sendo que nesta situação será o chamado evicto. ³Lucas, que é o evictor, o terceiro que reivindica a coisa que foi alienada para Joao. RESUMINDO O que ocorre na evicção é o seguinte: fica decidido judicialmente que Paulo não tinha o direito legítimo sobre a coisa alienada. O titular do direito sobre a coisa passou a ser Lucas. Ocorreu a perda da coisa para um terceiro (Lucas), por exemplo, por usucapião. Paulo (alienante), nesta situação, responderá pela evicção junto ao adquirente (João). Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 119 Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. As partes contratantes, por acordo seu, podem estipular expressamente no contrato cláusula, para reforçar, diminuir ou excluir o alienante da responsabilidade da evicção. Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. Este artigo prevê uma limitação que é a colocação de cláusula conforme previu o artigo anterior – art. 448. Assim, o valor da coisa deverá ser devolvido, mesmo se o contrato contiver a cláusula que exclui ou diminui a responsabilidade do alienante, se o evicto não sabia do risco da evicção ou se foi avisado, mas não o assumiu – neste caso deverá também, estar expresso no contrato. No segundo caso, em que o evicto foi avisado do risco da evicção, mas não o assumiu, terá direito a receber apenas o valor pago pela coisa. Não terá direito a perdas e danos porque sabia do risco. Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; Estes frutos são gerados periodicamente pela coisa ou pela propriedade, sem alteração de sua natureza e sem que se extinga sua ação produtiva. Assim, além de cobrar do alienante o preço da coisa poderá também cobrar a indenização sobre os frutos que teve que pagar ao evictor. II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; O evicto terá o direito de cobrar pelas despesas do contrato como, por exemplo, o custo da escritura. Também terá direito aos prejuízos resultantes da evicção como, por exemplo, a diferença de valor do bem a época que o perdeu com a evicção em relação à época que o adquiriu. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 119 III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. Assim, tem direito o evicto de receber do alienante, o preço paga pela coisa, as custas judiciais da ação de evicção e também os honorários do advogado. Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial. Quando a evicção for total, o evicto terá direito de receber o valor da coisa na época da evicção. Se a coisa se valorizou receberá esta diferenciação do alienante, se a coisa sofreu depreciação poderá o alienante pagar um valor menor ao evicto. Quando a evicção for parcial o valor a ser restituído também será o da época que se deu a evicção, e a indenização será proporcional à parte que se perdeu. Art. 451. Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente. Por este artigo, a responsabilidade do alienante persiste, mesmo que a coisa esteja deteriorada. Só estará isento desta responsabilidade, se o evicto agiu de má-fé com o intuito de prejudicar o evictor e o alienante, de forma dolosa. Art. 452. Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe houver de dar o alienante. Imaginemos que João era dono de uma casa, e que resolveu transformá-la. E durante esta transformação vendeu portas e janelas que não iria mais usar. Aqui vamos ter duas situações: se João – que obteve vantagens com a venda, for condenado por sentença judicial a indenizar o evictor por conta da transformação da casa, terá ele direito de receber do alienante o valor total da casa perdida por evicção. Porém, se João que obteve vantagens com a venda das portas e janelas, e não foi condenado a restituir este valor ao evictor, o valor a ser ressarcido pelo alienante sofrerá um abatimento. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: AlineSantiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 119 Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. Este artigo nos traz uma situação diferente. Onde o evicto será indenizado pelo evictor pelas benfeitorias necessárias ou úteis que fez na coisa e que não foram abonadas22. Este valor entrará na conta de indenização que será paga pelo alienante, que por sua vez poderá ingressar com uma ação regressiva contra o evictor. Art. 454. Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor delas será levado em conta na restituição devida. Neste caso, as benfeitorias foram feitas pelo alienante, e se entraram na conta da indenização – foram abonadas, portanto, o alienante poderá descontar o valor referente a tais benfeitorias, do total a ser pago ao evicto. Se as benfeitorias não foram abonadas na sentença, deverão ser pagas pelo evictor para o alienante. Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização. Se a evicção for parcial, mas a perda for considerável, o evicto poderá optar pela rescisão contratual, e neste caso deverá devolver a coisa ao alienante, no mesmo estado que a recebeu, e o alienante restituirá o preço pago. Se o evicto optar pela restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido, este valor será calculado proporcionalmente ao valor da coisa no tempo da evicção. Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa. Este é o caso em que o adquirente não está protegido da evicção, porque sabia que a coisa era de outra pessoa, que não pertencia ao alienante, ou que era objeto de litígio judicial, agiu de má-fé, portanto terá direito somente ao valor que pagou pela coisa. 22 Quer dizer que não foram reembolsadas na sentença. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 119 1.1.7 Dos Contratos Aleatórios (art. 458 a 461). Contrato aleatório (ou contrato de sorte) é aquele que envolve uma álea – envolve um risco. É oneroso, em que uma ou ambas as prestações das partes estão na dependência de um evento futuro e incerto. O exemplo clássico deste tipo de contrato é o seguro. São exemplos encontrados em Nery Junior23: “Entre outros, são aleatórios: I) por natureza: os contratos de jogo, de aposta, de loteria, de seguro de acidentes, de seguro de vida, cessão de crédito pro soluto, contrato de sociedades em conta de participação (CC 991); II) por vontade das partes: o contrato de compra e venda de coisa futura, pelo qual o comprador deve pagar o preço, ainda se a coisa não venha a existir na quantidade ou qualidade esperadas (CC 459)” (grifos nossos). OBS: O contrato de seguro por tempo indeterminado, aquele que é para a vida inteira, não pode ser considerado aleatório. Será comutativo, uma vez que a morte é um evento futuro, mas que não é incerto. Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir. Dispõe este artigo, que se o contrato for aleatório, tendo como seu objeto coisa futura e incerta, com o risco de não vir a acontecer, mas assumido por um dos contratantes, a outra parte receberá todo o preço da coisa. Usando o exemplo do contrato de seguro: Nós pagamos todo o preço do seguro, mesmo que o sinistro (por exemplo, o acidente) não aconteça, não é verdade? O adquirente assume o risco relativo a coisa, mas o alienante, para receber o preço, não pode agir com culpa ou dolo. Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. Este artigo trata da hipótese de risco ligado a quantidade maior ou menor da coisa esperada. O preço será devido ao alienante mesmo que a quantidade seja menor que a esperada. 23 Nelson Nery Júnior, Código Civil Comentado, Revista dos Tribunais, 8ª ed., pág. 577. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 119 Art. 459. Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço recebido. Assim, se nada vier a existir da coisa comprada, haverá falta do objeto e será nulo o contrato e o alienante deverá devolver o valor que foi recebido. Para melhor compreensão vamos usar outro exemplo: Imagine uma colheita de morangos! Se o adquirente quiser comprar a colheita futura, qualquer que seja a quantidade, mesmo se menor que a esperada, terá ele que aceitar. Porém, se nada for colhido, existirá falta do objeto do contrato e, como sabemos, o objeto é um dos requisitos básicos do contrato, sendo assim, este será nulo. Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato. O caso deste artigo é aquele em que o contrato tem por objeto coisas já existentes, mas que estão expostas a riscos. Se mesmo assim o adquirente quiser a coisa, com a incerteza da existência da coisa no dia do contrato, o alienante terá direito a receber o preço integral. Art. 461. A alienação aleatória a que se refere o artigo antecedente poderá ser anulada como dolosa pelo prejudicado, se provar que o outro contratante não ignorava a consumação do risco, a que no contrato se considerava exposta a coisa. Deste modo, a venda aleatória de coisa sujeita a risco poderá ser anulada se o adquirente provar que a conduta do alienante foi dolosa – porque tinha conhecimento, quando da conclusão do contrato, de que a coisa já não mais existia e que, mesmo sabendo da inexistência da coisa, no todo ou em parte, omitiu dolosamente tal fato. 1.1.8 Do Contrato com Pessoa a Declarar (art. 467 a 471). Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar- se a faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 119 Temos, no caso do art. 467, a permissão legal para que um dos contratantes possa inserir no contrato cláusula que permitirá a inclusão de outra pessoa para substituí-lo na relação contratual. Esta outra pessoa (um terceiro) poderá adquirir os direitos e assumir as obrigações decorrentes do contrato, desde o momento em que foi celebrado. A pessoa escolhida para a substituição poderá aceitar ou não, no entanto, uma vez aceitando, assumirá o lugar da parte nomeante, ficando responsável por todas as obrigações deste o início do contrato.Se a pessoa indicada recusar esta inclusão ou o nomeante não indicar pessoa para substituí-lo, o contrato ficará valendo, mas entre as partes originais. Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado. Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da mesma forma que as partes usaram para o contrato. Esta comunicação é importante para que torne eficaz a cláusula, e não se prolongue a incerteza. Importante você notar também que, por exemplo, se para o contrato foi exigido documento público, a aceitação também deve ser feita por instrumento público. Atenção: o contrato permanecerá válido entre as partes originais se a nomeação não for eficaz, por não ter a mesma forma do contrato. Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado. Este artigo reforça o conteúdo do art. 467, a aceitação tem efeito ex tunc – ou seja, retroage ao início do contrato, ao momento da celebração. Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários: I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la; Caso já comentado, se não for feita a nomeação no prazo de cinco dias contados desde a celebração do contrato, ou no prazo acordado entre as partes, ou se feita a nomeação dentro do prazo, o nomeado não aceitar. Em ambos os casos a cláusula de reserva de nomeação ficará sem efeito, permanecendo o contrato válido e eficaz entre as partes originárias. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 119 II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da indicação. Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários. 1.2 Da Extinção do Contrato (art. 472 a 480). Os contratos seguem uma ordem, ou seja, têm sua origem (em um acordo de vontades); posteriormente, produzem seus efeitos; e, por fim, extinguem-se. Esta extinção, em regra, dá-se pelo cumprimento da obrigação acordada, que satisfaz o credor e libera o devedor. - Do distrato (arts. 472 e 473). O distrato é um acordo entre as partes contratantes com o objetivo de dissolver o contrato antes pactuado. Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato. De acordo com o artigo 472, temos, por exemplo, que se para a formação do contrato era exigida a escritura pública, para o distrato também haverá a mesma exigência. O distrato seguirá a forma do contrato. Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte. Deste modo, a resilição unilateral24 pode ocorrer em determinados contratos, desde que a lei permita, sendo feita através de notificação à outra parte. 24 Resilição unilateral é meio de extinção do contrato por vontade de uma das partes. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 119 Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos. “O que isto exatamente quer dizer?” Vamos usar um exemplo para melhor explicar esta situação: Maria (proprietária) realizou um contrato de locação com Patrícia, no entanto, para que o contrato fosse concretizado, Maria teve que realizar algumas obras em seu apartamento. Tais obras somente foram executadas em função do contrato. Acontece que, decorridos apenas dois meses de locação, Patrícia decidiu desfazer o contrato. Fica claro que neste período de contrato não houve tempo suficiente para que Maria recuperasse os investimentos realizados no apartamento. Esta situação é justamente a que encontramos no parágrafo único do artigo 473. Assim, a denúncia unilateral só terá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos e caberá ao juiz – com a ajuda de perícia técnica, determinar qual é este prazo. - Da Cláusula Resolutiva (arts. 474 e 475). Cláusula resolutiva é aquela que irá rescindir o contrato por inadimplemento (não cumprimento) de uma das partes. Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. A cláusula resolutiva pode vir ¹expressa no contrato – caso em que a rescisão será automática (opera de pleno direito), sem necessidade de recorrer ao sistema judiciário, cabendo ao inadimplente o pagamento de perdas e danos; ou ²tácita – neste caso a rescisão dependerá de decisão judicial. Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 119 Assim, a parte lesada tem duas opções: ou requer a resolução do contrato com perdas e danos, ou exige o cumprimento da obrigação contratual com perdas e danos. - Da Exceção de Contrato não Cumprido (arts. 476 e 477). Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. De acordo com este artigo, nos contratos bilaterais existem direitos e obrigações para ambas as partes. Assim, nenhum dos contratantes poderá exigir do outro o cumprimento da obrigação se ele mesmo não cumpriu com a sua. Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. Este artigo autoriza a uma das partes, mediante a incerteza de que a outra parte cumprirá com sua obrigação, que suspenda o adimplemento de sua parte na obrigação, até que a outra cumpra com a sua obrigação, ou que preste garantia bastante de que vai satisfazê-la. - Da Resolução por Onerosidade Excessiva (arts. 478 a 480). Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Este artigo apresenta outra forma de se acabar com um contrato, ela ocorre quando, em um contrato, a prestação se torna muito onerosa para uma das partes, sem a contrapartida da outra. Esta onerosidade deve ser em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, consagrando a chamada teoria da imprevisão. Não basta que ocorra um evento extraordinário ele precisa ser imprevisível25. 25 A inflação por ser considerada “previsível” não é motivo para revisão dos contratos. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiagoe Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 119 Assim, diante desses acontecimentos, poderá o devedor pedir a resolução contratual por onerosidade excessiva. Este pedido será analisado pelo juiz, que, tomando por base a situação, decidirá se existem ou não os requisitos da onerosidade excessiva. Para que um contrato possa ser desfeito pelo motivo de onerosidade excessiva, são requisitos: Ser contrato comutativo26 e que sua execução seja continuada; Que ocorra uma mudança radical nas situações econômicas na sua execução em relação a sua formação; Que para uma das partes se torne muito onerosa a prestação sem contrapartida para a outra parte; Que esta mudança de situação deva-se a um evento extraordinário e imprevisível. IMPORTANTE: Os efeitos da sentença que decretar a onerosidade excessiva retroagirão à data da citação. Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar equitativamente as condições do contrato. Caso seja possível restabelecer o equilíbrio da prestação, não há motivos para a resolução do contrato, não é mesmo? Por isso a iniciativa do réu – “credor”, que voluntariamente concorda com a alteração do contrato, proporciona um desfecho menos oneroso para o “devedor” do que a extinção do contrato. Atenção: as prestações que já foram pagas não podem ser revistas na ação por onerosidade excessiva, e as que foram pagas durante o curso do processo poderão ser modificadas com a prolação da sentença. Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. Neste caso trata-se de um contrato unilateral, em que a ação é preventiva, ou seja, é para evitar que o contrato se torne muito oneroso para a parte devedora. 26 Contrato comutativo = contrato com prestações certas e determinadas. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 119 - Espécies de contratos (arts. 481 a 853). 1. Compra e venda (arts. 481 a 532). Este é um dos principais contratos apresentados pelo código civil, é também um contrato bastante comum no cotidiano das pessoas. Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, ¹um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e ²o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro. Caio Mário da Silva Pereira27 assim apresentava o contrato de compra e venda: “É o contrato em que uma pessoa (vendedor) se obriga a transferir a outra (comprador) a propriedade de uma coisa corpórea ou incorpórea, mediante o pagamento de certo preço em dinheiro ou valor fiduciário correspondente”. Assim, são elementos essenciais do contrato de compra e venda: ¹a coisa (ou res); ²o preço; e ³o consentimento das partes. Sobre este assunto temos o art. 482: Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. O consenso, ao lado do preço e da coisa, é elemento essencial à compra e venda. Logo, é o aceite, face à proposta de venda da coisa, que faz com que o contrato se aprimore nos termos da lei. Quanto ao objeto (a coisa do negócio jurídico), este deve ter existência real ou ao menos potencial. “O que isto quer dizer?” O nosso ordenamento jurídico permite a venda de coisas futuras, mas, neste caso, a coisa ao menos deve ser identificada pelo gênero e pela quantidade. 27 Caio Mario da Silva Pereira, Instituições de direito Civil, volume I, 25 ed. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 119 Veja o art. 483: Art. 483. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório. Agora nós é que lhe perguntamos: Você se recorda o que é um contrato aleatório? Copiando a primeira parte desta aula 06: “o contrato aleatório baseia-se na ideia de álea, risco, acaso, sorte. Recebe a classificação de aleatório quando a prestação devida depende de um acontecimento incerto, que faz com que não seja possível a determinação do ganho ou da perda, senão até que este acontecimento se realize”. No artigo seguinte (art. 484) temos a venda realizada por meio de amostras, protótipos ou modelos. Nesta situação, o alienante (ou vendedor) tem a obrigação de entregar coisa com as mesmas características apresentadas quando do fazimento do contrato. Se demorar, ou o cumprimento da obrigação se der de forma deficiente, terá o comprador o direito de exigir a coisa pelas mesmas características apresentadas na amostra, protótipo ou modelo. De acordo com o art. 484 e seu § único: Art. 484. Se a venda se realizar à vista de amostras, protótipos ou modelos, entender-se-á que o vendedor assegura ter a coisa as qualidades que a elas correspondem. Parágrafo único. Prevalece a amostra, o protótipo ou o modelo, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato. O preço corresponde à contraprestação a ser oferecida pelo comprador face à coisa vendida. Corresponde a uma soma em dinheiro equivalente ao valor do objeto vendido. O preço, em regra, é ajustado pelas partes, mas poderá ficar a cargo de terceiro, se assim for previamente ajustado. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 119 aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Ainda sobre o preço temos os seguintes artigos: Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Art. 488. Convencionada a venda ¹sem fixação de preço ou de critérios para a sua determinação, se não houver tabelamento oficial, entende-se que as partes se sujeitaram ao preço corrente nas vendas habituais do vendedor. Parágrafo único. Na falta de acordo, por ter havido diversidade de preço, prevalecerá o termo médio. E os artigos seguintes, que são bastante lembrados nas provas: Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição28. Pode se estipular em contrário, mas a regra é que, por exemplo, se João está vendendo a Isac, cabem a Isac (comprador) as despesas de escritura e registro, já a João (vendedor) cabe as despesas com a tradição (com a entrega da coisa). OBS: Na compra de bens imóveis, exige-se escritura pública. Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador.§ 1º. Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo ou assinalando, e que já tiverem sido postas à disposição do comprador, correrão por conta deste. 28 Tradição é a entrega da coisa. Assim, ficam a cargo do vendedor as despesas com a entrega da coisa. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 119 § 2º. Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas, se estiver em mora de as receber, quando postas à sua disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados. ... Art. 502. O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição. No contrato de compra e venda, a transmissão da propriedade ocorre com a efetiva entrega da coisa ao comprador. A tradição é o elemento que faz com que o contrato se torne perfeito e acabado. A regra é de que a coisa seja entregue no lugar onde se encontra ao tempo da celebração do contrato. Mas isto também poderá ser alterado por expressa determinação em contrário. Vejamos o art. 493: Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. Art. 494. Se a coisa for expedida para lugar diverso, por ordem do comprador, por sua conta correrão os riscos, uma vez entregue a quem haja de transportá- la, salvo se das instruções dele se afastar o vendedor. O comprador pode ordenar que a coisa seja expedida para local diverso daquele onde se encontra, mas por sua conta que correrão todos os riscos da entrega – ou tradição (art.494). O vendedor, neste caso, somente poderá ser responsabilizado se não procedeu adequadamente e não respeitou as orientações dadas pelo comprador para a entrega do bem. Art. 495. Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes da tradição o comprador cair em insolvência, poderá o vendedor sobrestar na entrega da coisa, até que o comprador lhe dê caução de pagar no tempo ajustado. Se antes da tradição do bem o comprador cair em insolvência, poderá o vendedor exigir que aquele ofereça garantias de que irá pagar o preço ajustado no tempo certo, segurando a entrega do bem até que sejam prestadas tais garantias. Vimos que o consentimento dos contratantes (sobre a coisa, o preço e demais condições do negócio jurídico) é necessário para que se aperfeiçoe o contrato. Logo, será um requisito o fato de que a pessoa que vende Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 119 tenha a capacidade de alienar29, já a pessoa que compra necessita ter a capacidade de obrigar-se. As pessoas absolutamente incapazes serão representadas, do mesmo modo os relativamente incapazes serão assistidos, por seus representantes legais, sob pena de o negócio ser nulo ou anulável. Além disso, é imprescindível que as partes tenham legitimação para contratar, pois há pessoas que não podem comprar ou vender, em razão de sua especial condição perante o negócio que se pretende realizar. Vamos ver os artigos que tratam das restrições à liberdade de compra e venda: Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública: I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou administração; II - pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem, ou que estejam sob sua administração direta ou indireta; III - pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos e outros serventuários ou auxiliares da justiça, os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal, juízo ou conselho, no lugar onde servirem, ou a que se estender a sua autoridade; Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de crédito. Art. 498. A proibição contida no inciso III do artigo antecedente, não compreende os casos de compra e venda ou cessão entre co-herdeiros, ou em pagamento de dívida, ou para garantia de bens já pertencentes a pessoas designadas no referido inciso. Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. Direito de preferência de outros condôminos sobre coisas indivisíveis. Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si 29 Tendo em vista que o contrato de compra e venda gera a obrigação de transferir a propriedade do bem vendido, e pressupõe assim, o poder do vendedor dispor do bem. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 119 a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver benfeitorias de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de quinhão maior. Se as partes forem iguais, haverão a parte vendida os comproprietários, que a quiserem, depositando previamente o preço. O artigo 500 trata da venda de imóveis por medida certa. Nesta situação, o objeto pactuado tem suas medidas descritas no contrato, determinando-se precisamente a extensão e a área. Diante disso, se a coisa entregue não corresponder ao descrito no contrato, poderá o comprador exigir a sua complementação30 e, não sendo esta possível, poderá então pedir o abatimento proporcional do preço ou o desfazimento do negócio. Art. 500. Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a respectiva área, e esta não corresponder, em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador terá o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento proporcional ao preço. § 1º. Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente enunciativa, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o negócio. § 2º. Se em vez de falta houver excesso, e o vendedor provar que tinha motivos para ignorar a medida exata da área vendida, caberá ao comprador, à sua escolha, completar o valor correspondente ao preço ou devolver o excesso. § 3º. Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o imóvel for vendido como coisa certa e discriminada, tendo sido apenas enunciativa a referência às suas dimensões, ainda que não conste, de modo expresso, ter sido a venda ad corpus31. Art. 501. Decai do direito de propor as ações previstas no artigo antecedente o vendedor ou o comprador que não o fizer no prazo de um ano, a contar do registro do título. Parágrafo único. Se houver atraso na imissão de posse no imóvel, atribuível ao alienante, a partir dela fluirá o prazo de decadência. Portanto, o prazo de decadência para a propositura de ações, para os casos do artigo 500, é de um ano, a contar do registrodo título. Isto 30 Que só será possível, se existir área remanescente na disponibilidade do alienante, sendo, assim, continua ao bem vendido. 31 A venda ad corpus é aquela em que a coisa é vendida, como corpo certo e determinado, com referências às dimensões apenas enunciativas. É aquela venda onde o comprador conhece, pode ver o que está comprando. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 119 porque, nos contratos de compra e venda de imóveis, a transcrição da escritura é o elemento que aprimora o negócio. Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas. Assim, de acordo com o artigo, não havendo relação de interdependência entre as coisas, o defeito oculto em uma não prejudica a funcionalidade, a eficiência e a segurança das demais. - Cláusulas especiais do contrato de compra e venda. O contrato de compra e venda, pode conter entre suas cláusulas, algumas que são chamadas de especiais, desde que devidamente consentidas pelas partes. As cláusulas especiais do contrato de compra e venda são: a retrovenda, a venda a contento, a preempção, a reserva de domínio e a venda sobre documentos. As cláusulas especiais do contato de compra e venda são parte do contrato, elas estarão presentes desde que as partes consintam neste sentido. - Retrovenda Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá- la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. Cláusulas Especias do contrato de compra e venda: 1.retrovenda 2.venda a contento 3.preempção 4.reserva de domínio 5.venda sobre documentos Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 119 Assim, de acordo com o artigo 505, a retrovenda é a cláusula pela qual o vendedor se reserva o direito de reaver, no prazo máximo de três anos, o imóvel alienado. Desta forma, o comprador terá uma propriedade resolúvel32, que poderá se extinguir no momento em que o vendedor exercer o seu direito de reaver o bem. Isto ocorre mediante uma declaração unilateral de vontade (do vendedor), sem ter que obedecer a nenhuma forma especial. Art. 506. Se o comprador se recusar a receber as quantias a que faz jus, o vendedor, para exercer o direito de resgate, as depositará judicialmente. Parágrafo único. Verificada a insuficiência do depósito judicial, não será o vendedor restituído no domínio da coisa, até e enquanto não for integralmente pago o comprador. No caso de resistência por parte do comprador, cabe ao vendedor depositar judicialmente o valor, para assim, garantir o direito de resgate do bem. É condição para que a retrovenda se opere: que o depósito seja real, completo e efetivo face às despesas de contrato, benfeitorias necessárias e valor da coisa vendida, além, daquelas despesas contratualmente ajustadas. Se o depósito for insuficiente ou incompleto, não será o vendedor restituído ao domínio da coisa. Art. 507. O direito de retrato, que é cessível e transmissível a herdeiros e legatários, poderá ser exercido contra o terceiro adquirente. O direito é o direito relacionado à retrovenda, este não é suscetível de cessão por ato inter vivos, isto porque é direito personalíssimo do vendedor, entretanto, conforme verificamos no artigo 507, passa para seus herdeiros ou legatários. Assim, a retrovenda é cessível e transmissível por ato causa mortis, e poderá ser exercido contra terceiro adquirente33. 32 Propriedade resolúvel é aquela que está na pendência de uma condição resolutiva. CC Art. 1.359. Resolvida a propriedade pelo implemento da condição ou pelo advento do termo, entendem-se também resolvidos os direitos reais concedidos na sua pendência, e o proprietário, em cujo favor se opera a resolução, pode reivindicar a coisa do poder de quem a possua ou detenha. Art. 1.360. Se a propriedade se resolver por outra causa superveniente, o possuidor, que a tiver adquirido por título anterior à sua resolução, será considerado proprietário perfeito, restando à pessoa, em cujo benefício houve a resolução, ação contra aquele cuja propriedade se resolveu para haver a própria coisa ou o seu valor. 33 Terceiro adquirente é a pessoa que comprou o imóvel do comprador original que havia feito o contrato com a cláusula de retrovenda. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 119 Art. 508. Se a duas ou mais pessoas couber o direito de retrato sobre o mesmo imóvel, e só uma o exercer, poderá o comprador intimar as outras para nele acordarem, prevalecendo o pacto em favor de quem haja efetuado o depósito, contanto que seja integral. Havendo pluralidade de sujeitos com direito de retrato sob o mesmo imóvel, é imprescindível a intimação de cada um deles, para que se pronunciem a respeito. O correndo recusa o retrato poderá ser exercido apenas pelo interessado, que fara prevalecer seu direito de recomprar o bem, desde que seja depositado o preço de forma integral. - Venda a contento Art. 509. A venda feita a contento do comprador entende-se realizada sob condição suspensiva, ainda que a coisa lhe tenha sido entregue; e não se reputará perfeita, enquanto o adquirente não manifestar seu agrado. A venda a contento é uma cláusula que subordina o contrato à manifestação do comprador. Esta cláusula confere ao comprador o direito de primeiramente apreciar a coisa e posteriormente recusá-la unilateralmente, se assim quiser. O contrato deve marcar um prazo para a manifestação do adquirente, caso contrário deverá haver notificação judicial ou extrajudicial para a resposta do comprador. Art. 510. Também a venda sujeita a prova presume-se feita sob a condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina. A venda sujeita a prova também dá ao contrato de compra e venda efeito suspensivo. Mas difere da venda a contento, porque a coisa será entregue para que o adquirente verifique se possui certas características e qualidades face à sua utilidade e eficiência. A recusa neste caso precisa ser justificada. Assim como ocorre na venda a contento, deve haver previsão de prazo para a resposta no contrato. Art. 511. Em ambos os casos, as obrigações do comprador, que recebeu, sob condição suspensiva, a coisa comprada, são as de mero comodatário, enquanto não manifeste aceitá-la. Assim, tanto ¹na venda a contento como ²na sujeita a prova, a manifestação do adquirente sobre a coisa deve ser expressa, pois é a partir desta manifestação que o contrato se aprimora, enquanto não houver manifestação o comprador é visto como mero comodatário. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 119 Art. 512. Não havendo prazo estipulado para a declaração do comprador, o vendedor terá direito de intimá-lo, judicial ou extrajudicialmente, para que o faça em prazo improrrogável. Este artigo vem reforçar o que já dissemos antes, trata-seda importância da manifestação do comprador para que o contrato se realize. Como o vendedor não pode ficar à mercê da vontade exclusiva do comprador, caso não haja em contrato prazo para esta manifestação, poderá intimá-lo judicial ou extrajudicialmente. É importante destacar que o direito resultante dos contratos celebrados a contento ou sujeitos à prova é personalíssimo, devendo o próprio adquirente se manifestar, assim, se ocorrer sua morte o contrato se resolve, não há transferência de tal direito para os sucessores. O mesmo não ocorre se falecer o vendedor. - Da preempção ou preferência Art. 513. A preempção, ou preferência, impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em pagamento, para que este use de seu direito de prelação na compra, tanto por tanto. Parágrafo único. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá exceder a cento e oitenta dias, se a coisa for móvel, ou a dois anos, se imóvel. A preempção resulta de cláusula, inserida no contrato, que garante ao vendedor direito de preferência na reaquisição da coisa vendida, em igual condição com terceiro comprador. É um pacto que se estipula em favor do vendedor primitivo, que terá direito de preferência, caso o adquirente resolva vender ou dar em pagamento o bem. A preempção é direito pessoal, portanto, intransmissível seja por ato inter vivos ou por causa mortis. Art. 514. O vendedor pode também exercer o seu direito de prelação, intimando o comprador, quando lhe constar que este vai vender a coisa. Assim como o antigo adquirente da coisa, móvel ou imóvel deve oferecer o bem ao seu antigo proprietário, este, ao ter conhecimento de que ela será alienada, pode intimar o vendedor a oferecer-lhe, respeitada a mesma proposta feita a terceiro. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 47 de 119 Art. 515. Aquele que exerce a preferência está, sob pena de a perder, obrigado a pagar, em condições iguais, o preço encontrado, ou o ajustado. O exercício do direito de preferência sujeita seu titular a submeter-se às condições definidas pelo vendedor. Deste modo, o preço e as condições de pagamento podem ser definidos livremente pelo atual dono da coisa. Art. 516. Inexistindo prazo estipulado, o direito de preempção caducará, se a coisa for móvel, não se exercendo nos três dias, e, se for imóvel, não se exercendo nos sessenta dias subsequentes à data em que o comprador tiver notificado o vendedor. Os prazos deste artigo estabelecem a decadência no direito de preferência, quando este não estiver previamente estipulado. O prazo legal poderá ser dilatado ou reduzido conforme ajustado contratualmente. Art. 517. Quando o direito de preempção for estipulado a favor de dois ou mais indivíduos em comum, só pode ser exercido em relação à coisa no seu todo. Se alguma das pessoas, a quem ele toque, perder ou não exercer o seu direito, poderão as demais utilizá-lo na forma sobredita. Havendo mais de um sujeito com direito à preempção, todos deverão ser individualmente notificados, porque cada qual poderá exercer seu direito potestativo. Desta forma, se alguns perderem o direito, ou mesmo não se interessarem pelo seu exercício, outros poderão fazê-lo. Art. 518. Responderá por perdas e danos o comprador, se alienar a coisa sem ter dado ao vendedor ciência do preço e das vantagens que por ela lhe oferecem. Responderá solidariamente o adquirente, se tiver procedido de má-fé. O desrespeito ao direito de preferência dá ensejo ao pedido de indenização por parte do antigo proprietário da coisa. Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. O direito de preempção subsiste a desapropriação do bem pelo poder público. E se este bem não for utilizado para o destino que se desapropriou, cabe ao poder público oferecer preferencialmente o imóvel ao expropriado Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 48 de 119 pelo preço da expropriação. Esta é a chamada retrocessão. Se o poder público desrespeitar a preferência, pode o expropriado pedir perdas e danos. Art. 520. O direito de preferência não se pode ceder nem passa aos herdeiros. Como já havíamos destacado, o direito de preferência confere ao seu titular um direito pessoal. - Da venda com reserva de domínio Art. 521. Na venda de coisa móvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, até que o preço esteja integralmente pago. A reserva de domínio se dá quando se estipula em contrato de compra e venda que o vendedor reserva para si a propriedade e a posse indireta, isso, até o momento em que se realize o pagamento integral do preço. Art. 522. A cláusula de reserva de domínio será estipulada por escrito e depende de registro no domicílio do comprador para valer contra terceiros. Art. 523. Não pode ser objeto de venda com reserva de domínio a coisa insuscetível de caracterização perfeita, para estremá-la de outras congêneres. Na dúvida, decide-se a favor do terceiro adquirente de boa-fé. A coisa vendida deve ser perfeitamente caracterizada e individualizada. Esta regra visa proteger o terceiro adquirente de boa-fé, mas também reforça a ideia de que o comprador, mesmo após entrar na posse da coisa, terá condição de mero possuidor, até que o preço seja integralmente pago, quando então poderá tornar-se proprietário. Art. 524. A transferência de propriedade ao comprador dá-se no momento em que o preço esteja integralmente pago. Todavia, pelos riscos da coisa responde o comprador, a partir de quando lhe foi entregue. Art. 525. O vendedor somente poderá executar a cláusula de reserva de domínio após constituir o comprador em mora, mediante protesto do título ou interpelação judicial. É pressuposto para a execução da cláusula que dá direito ao alienante de retomar o bem, a constituição do devedor em mora. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 49 de 119 Art. 526. Verificada a mora do comprador, poderá o vendedor ¹mover contra ele a competente ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o mais que lhe for devido; ou ²poderá recuperar a posse da coisa vendida. Deste modo, em caso de mora do comprador, restarão ao vendedor duas opções: propor ¹uma ação de cobrança ou ²uma ação de reintegração. Art. 527. Na segunda hipótese do artigo antecedente, é facultado ao vendedor reter as prestações pagas até o necessário para cobrir a depreciação da coisa, as despesas feitas e o mais que de direito lhe for devido. O excedente será devolvido ao comprador; e o que faltar lhe será cobrado, tudo na forma da lei processual. Art. 528. Se o vendedor receber o pagamento à vista, ou, posteriormente, mediante financiamento de instituição do mercado de capitais, a esta caberá exercer os direitos e ações decorrentes do contrato, a benefício de qualquer outro. A operação financeira e a respectiva ciência do comprador constarão do registro do contrato. Assim, se o vendedor receber o valor da coisa à vista, através de financiamento fornecido ao adquirente por instituição financeira, a ela se transferirá toda a legitimidade material e processual para exercer os direitos outorgados pelo contrato. -Da venda sobre documentos Art. 529. Na venda sobre documentos, a tradição da coisa é substituída pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato ou, no silêncio deste, pelos usos. Parágrafo único. Achando-se a documentação em ordem, não pode o comprador recusar o pagamento, a pretexto de defeito de qualidade ou do estado da coisa vendida, salvo se o defeito já houver sido comprovado. A venda sobre documentos possibilita que o contrato se aprimore mesmo sem a efetiva tradição da coisa. Art. 530. Não havendo estipulação em contrário, o pagamento deve ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos. Art. 531. Se entre os documentos entregues ao comprador figurar apólice de seguro que cubra os riscos do transporte, correm estes à conta do comprador, salvo se, ao ser concluído o contrato, tivesse o vendedor ciência da perda ou avaria da coisa. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 50 de 119 Art. 532. Estipulado o pagamento por intermédio de estabelecimento bancário, caberá a este efetuá-lo contra a entrega dos documentos, sem obrigação de verificar a coisa vendida, pela qual não responde. Parágrafo único. Nesse caso, somente após a recusa do estabelecimento bancário a efetuar o pagamento, poderá o vendedor pretendê-lo, diretamente do comprador. O banco não terá nenhuma responsabilidade de verificação da existência e integralidade do bem vendido. Apenas fará o pagamento recebendo os documentos referentes à transação. E, havendo este acordo entre o banco e o comprador, deverá o vendedor cumprir o acordo perante o banco, e só depois poderá exigir diretamente do comprador. 2. Do depósito (arts. 627 a 652). O objetivo principal deste tipo de contrato é a guarda de coisa alheia, a guarda de objeto móvel e corpóreo. É contrato temporário. O uso do termo depósito pode ser tanto para relação contratual como também para a própria coisa que está depositada. Nesta espécie contratual temos duas figuras: o depositário – que será aquele que irá receber e guardar a coisa, e o depositante – que será aquele que irá entregar a coisa para ser guardada. O depósito pode ser realizado de forma ¹voluntária ou, então, de forma ²obrigatória (necessária). É real, uma vez que só se aperfeiçoará com a efetiva entrega da coisa (com a tradição). Vamos ver o primeiro artigo desta espécie contratual: Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para guardar, até que o depositante o reclame. Como podemos observar a coisa depositada deverá ser móvel e corpórea ou ao menos passível de ser corporificada. O próximo artigo traz outra característica deste contrato: Art. 628. O contrato de depósito é gratuito, exceto se ¹houver convenção em contrário, ²se resultante de atividade negocial ou ³se o depositário o praticar por profissão. Parágrafo único. Se o depósito for oneroso e a retribuição do depositário não constar de lei, nem resultar de ajuste, será determinada pelos usos do lugar, e, na falta destes, por arbitramento. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 51 de 119 Portanto a regra é a de que o depósito seja feito de forma gratuita, porém o próprio art. 628 traz três exceções: ¹houver convenção em contrário, ²se resultante de atividade negocial ³se o depositário o praticar por profissão. Quando o depósito se der de forma voluntária este poderá ser civil ou empresarial. Quando for civil será realizado baseado em relação de confiança entre amigos – intuito personae. Quando for empresarial será em razão de atividade negocial, como por exemplo, as coisas deixadas com leiloeiros e que serão leiloadas; ou, também, poderá ser praticado profissionalmente como nos casos das garagens, onde há a guarda de automóveis. Atenção: No depósito civil, a possível onerosidade deverá estar expressa no contrato. Art. 629. O depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa depositada o cuidado e diligência que costuma com o que lhe pertence, bem como a restituí-la, com todos os frutos e acrescidos, quando o exija o depositante. Deste modo, o depositário deve cuidar da coisa como cuida de suas próprias coisas, não importando se o depósito é gratuito ou oneroso – claro que, se for oneroso, a responsabilidade será aumentada. Deverá também o depositário devolver a coisa do mesmo modo que recebeu. Como assevera e confirma o artigo 630, seguinte: Art. 630. Se o depósito se entregou fechado, colado, selado, ou lacrado, nesse mesmo estado se manterá. Art. 631. Salvo disposição em contrário, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. A coisa depositada deverá ser devolvida ao depositante (a restituição da coisa) no lugar em que foi guardada, no entanto é possível que as partes estipulem local diverso para esta devolução, sendo isto bastante usual. O certo é que qualquer despesa que tiver de ser feita correrá por conta do depositante. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 52 de 119 Art. 632. Se a coisa houver sido depositada no interesse de terceiro, e o depositário tiver sido cientificado deste fato pelo depositante, não poderá ele exonerar-se restituindo a coisa a este, sem consentimento daquele. O caso apresentado no artigo 632, acima, é o que se chama de depósito em garantia. Quando o tipo de depósito for este – em que existe o interesse de terceira pessoa e não só do depositário e do depositante, o depositário não poderá restituir a coisa ao depositante sem o consentimento do terceiro interessado. É claro que esta determinação só é válida quando o depositário está ciente do fato, tendo sido informado pelo depositante. O depositante tem o direito de exigir a coisa deixada em depósito a qualquer tempo antes do prazo fixado para o término do contrato. Observe a regra quanto ao prazo estipulada no artigo seguinte: Art. 633. Ainda que o contrato fixe prazo à restituição, o depositário entregará o depósito logo que se lhe exija, salvo se ¹tiver o direito de retenção a que se refere o art. 644, ²se o objeto for judicialmente embargado, ³se sobre ele pender execução, notificada ao depositário, 4ou se houver motivo razoável de suspeitar que a coisa foi dolosamente obtida. A regra, então, é a restituição da coisa imediatamente, logo que seja exigida, mas há quatro exceções elencadas no art. 633. Além disso, dentre as quatro possibilidades apresentadas (e nas quais a coisa depositada não será restituída ao depositante assim que este exija), temos aquela em que 4o depositário tem suspeita de que a coisa tenha sido obtida de forma dolosa. Neste caso, para que o depositário possa requerer que a coisa seja recolhida ao depósito público deverá ter fundamentos de sua suspeita (art.634). Caso o depositário não possa, por motivo justificado, guardar a coisa e o depositante não queira recebê-la, poderá o depositário requerer (trata-se de uma faculdade) o seu recolhimento para o depósito público (judicial), conforme art. 635. Ao depositário será facultado, outrossim, requerer depósito judicial da coisa, quando, por motivo plausível, não a possa guardar, e o depositante não queira recebê-la. Art. 636. O depositário, que por força maior houver perdido a coisa depositada e recebido outra em seu lugar, é obrigado a entregar a segundaao depositante, e ceder-lhe as ações que no caso tiver contra o terceiro responsável pela restituição da primeira. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 53 de 119 Como veremos mais adiante a responsabilidade do depositário se limita aos danos a coisa por culpa. Para o caso de a coisa ter se perdido em decorrência de força maior, sendo que outra coisa foi recebida em seu lugar, deverá o depositário dar ao depositante o que tiver sido dado em restituição. Como por exemplo, se a coisa estava segurada e o depositário recebeu o prêmio, este deverá ser entregue ao depositante. Mas caso o depositário não tenha recebido nada em restituição ou tenha recebido coisa incompleta, deverá passar ao depositante as ações que tenha. Art. 637. O herdeiro do depositário, que de boa-fé vendeu a coisa depositada, é obrigado a assistir o depositante na reivindicação, e a restituir ao comprador o preço recebido. A obrigação de restituir a coisa é imediata para o herdeiro do depositário, uma vez que esta não pertence ao seu patrimônio (além disso, lembre-se que o depósito é contrato personalíssimo). Caso o herdeiro tenha vendido a coisa depositada é obrigado a assistir o depositante na reivindicação, e a restituir ao comprador o preço recebido. Se o depositante vier a falecer, da mesma forma deverá a coisa ser restituída através de autorização judicial, para seus herdeiros ou para a pessoa do inventariante. A seguir vamos ver mais alguns artigos sobre o depósito quando tiver alguma peculiaridade comentaremos. Art. 638. Salvo os casos previstos nos arts. 633 e 634, não poderá o depositário furtar-se à restituição do depósito, alegando não pertencer a coisa ao depositante, ou opondo compensação, exceto se noutro depósito se fundar. Art. 639. Sendo dois ou mais depositantes, e divisível a coisa, a cada um só entregará o depositário a respectiva parte, salvo se houver entre eles solidariedade. Trata-se do depósito voluntário conjunto (e lembre-se que segundo art. 26534 do Código Civil, a solidariedade não se presume, mesmo sendo a coisa divisível, ela deve ser estipulada expressamente). No artigo 639 estão previstas três situações: A primeira é quando não existe solidariedade entre os depositantes e sendo a coisa divisível, aqui o depositário entregará a cada um dos depositantes o que lhe couber; A segunda é quando a coisa é indivisível e a obrigação não é solidária – neste caso deverá o depositário entregar a coisa a todos ou a um 34 Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 54 de 119 depositante, desobrigando-se se tiver uma autorização de todos os outros de que a entrega será feita a apenas um; A terceira hipótese é aquela em que a devolução será feita a qualquer um dos depositantes, sem importar se o bem é indivisível. Se for divisível desobrigará o depositário até o montante que houver restituído, respondendo pela mora do remanescente, inclusive frutos e acrescidos. Art. 640. Sob pena de responder por perdas e danos, não poderá o depositário, sem licença expressa do depositante, servir-se da coisa depositada, nem a dar em depósito a outrem. Parágrafo único. Se o depositário, devidamente autorizado, confiar a coisa em depósito a terceiro, será responsável se agiu com culpa na escolha deste. Até pode o depositário vir a utilizar a coisa dada em depósito, mas desde que com a devida autorização do depositário. No entanto, a regra é de que a coisa não seja utilizada, mas sim guardada (a obrigação é de custódia). O uso indevido da coisa depositada ou a entrega da coisa a terceiro pode ocasionar perdas e danos. Art. 641. Se o depositário se tornar incapaz, a pessoa que lhe assumir a administração dos bens diligenciará imediatamente restituir a coisa depositada e, não querendo ou não podendo o depositante recebê-la, recolhê-la-á ao Depósito Público ou promoverá nomeação de outro depositário. Art. 642. O depositário não responde pelos casos de força maior; mas, para que lhe valha a escusa, terá de prová-los. Art. 643. O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem. Art. 644. O depositário poderá reter o depósito até que se lhe pague a retribuição devida, o líquido valor das despesas, ou dos prejuízos a que se refere o artigo anterior, provando imediatamente esses prejuízos ou essas despesas. Parágrafo único. Se essas dívidas, despesas ou prejuízos não forem provados suficientemente, ou forem ilíquidos, o depositário poderá exigir caução idônea do depositante ou, na falta desta, a remoção da coisa para o Depósito Público, até que se liquidem. Art. 645. O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 55 de 119 Em regra, contrato de depósito tem como objeto coisas infungíveis. Por isso, de acordo com a coisa ser fungível ou infungível teremos que (classificação de acordo com o objeto): O contrato será dito regular quando a coisa for infungível e será dito irregular quando a coisa for fungível, neste último caso aplica-se o art. 645 regulando-se pelo disposto para o mútuo. Art. 646. O depósito voluntário provar-se-á por escrito. - Do Depósito Necessário (arts. 647 a 651). O depósito será necessário quando as partes contratantes, diante de situações imprevisíveis e intransponíveis, são forçadas a assumir obrigações independentemente de sua vontade. Este tipo de depósito poderá ser legal, miserável e hospedeiro. O depósito necessário não se presume gratuito (art.651). Art. 647. É depósito necessário: I - o que se faz em desempenho de ¹obrigação legal; II - o que se efetua por ocasião de alguma ²calamidade, como o incêndio, a inundação, o naufrágio ou o saque. Inciso I é o caso do depósito necessário ¹legal, já o inciso II é o caso do depósito necessário ²miserável. O depósito legal reger-se-á pela disposição da respectiva lei, e, no silêncio ou deficiência dela, pelas concernentes ao depósito voluntário (art. 648). Tais disposições aplicam-se aos depósitos miseráveis, podendo estes certificar-se por qualquer meio de prova (art. 648. § único). O depósito poderá ser: Obrigatório (necessário) do Hospedeiro Miserável Legal Voluntário Aquele feito por vontade das partes. Este depósito provar-se -á por escrito (Art.646) Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 56 de 119 O depósito das bagagens dos viajantes ou hóspedes nas hospedarias onde estiverem (deposito do hospedeiro) é equiparado aos depósitos legal e miserável, por isso também ser um depósito necessário (art.649). Além disso, conforme art. 649, parágrafo único, temos que: Os hospedeiros responderão como depositários, assim como pelos furtos e roubos que perpetrarem as pessoas empregadas ou admitidas nos seus estabelecimentos. A responsabilidade cessa se provarem que os fatos prejudiciais aos viajantes ou hóspedes não podiam ter sido evitados (art. 650). No caso de depósitodo hospedeiro, a remuneração pelo depósito está incluída no preço da hospedagem (art.651). Trata-se de contrato oneroso. O art. 652 trata da questão da prisão do depositário infiel. Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano, e ressarcir os prejuízo. Sobre tal assunto, esclarece Flavio Tartuce35: “Todavia, a jurisprudência superior acabou por abolir a prisão civil do depositário, em qualquer modalidade de depósito, o que inclui o dispositivo em comento”. STF-V25: “É ilícita a prisão do depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito”. Nelson Rosenvald36 comenta: “Enfim, tanto para os casos de prisão decorrente de depósito como de alienação fiduciária, caberá ao devedor impetrar habeas corpus, em razão do desproporcional constrangimento ilegal pela invasão da esfera de liberdade como forma de prestigiar interesses patrimoniais”. 35Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, Método 2012, 2 ed., pág. 709. 36Em, Ministro Cezar Peluso, Código Civil Comentado, Doutrina e Jurisprudência, Manole, 6ª ed., pág. 671. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 119 3. Do mandato (arts. 653 a 692). Esta espécie de contrato típico e nominado é utilizada quando alguém se vê impossibilitado de tratar dos próprios interesses por uma razão qualquer e, assim sendo, outorga poderes para que outro o faça em seu lugar. Esta pessoa que outorga poderes a outra será chamada de mandante. E a pessoa que aceita estes poderes outorgados será chamada de mandatário. O mandato é um contrato personalíssimo (intuito personae), consensual, baseado na confiança, quanto a sua natureza jurídica, existem divergências doutrinárias, alguns autores o consideram contrato bilateral uma vez que atribui responsabilidades a ambas as partes, em outras o consideram unilateral, pois atribuiriam responsabilidades apenas para o mandatário e o mandante seria colocado na posição de credor desta relação contratual. Pode o mandato ser, ainda, gratuito ou oneroso, preparatório para outros atos, revogável, verbal ou escrito. E poderá ser considerado formal se o ato preparado exigir forma específica. Vamos ver o primeiro artigo sobre este contrato: Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato. O contrato de mandato possui uma característica muito específica, qual seja a outorga de poderes a outra pessoa, que os aceitará com a finalidade de praticar ato ou atos que poderão ser constitutivos, modificativos ou extintivos de direito em sentido amplo, ou poderão simplesmente administrar interesses. A seguir temos o artigo 654, que especifica os requisitos que deverão estar presentes para que o mandato seja válido e possa constituir o mandatário nos poderes previstos. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o. O instrumento particular deve conter a ¹indicação do lugar onde foi passado, a ²qualificação do outorgante e do outorgado, a ³data e o objetivo da outorga com a 4designação e a extensão dos poderes conferidos. § 2o. O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. O reconhecimento de firma traz efeitos erga omnes (contra todos). Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 58 de 119 Art. 655. Ainda quando se outorgue mandato por instrumento público, pode substabelecer-se mediante instrumento particular. Vamos ver um exemplo para melhor compreensão do artigo 655: uma pessoa pode outorgar poderes à outra através de instrumento público, por sua vez o mandatário (pessoa que aceitou os poderes) poderá substabelecer, ou seja, transferir uma parte ou o total dos poderes para outra pessoa através de instrumento particular. Assim, a forma que tomou o mandato não vincula o substabelecimento. Mas atente para o seguinte enunciado: Jornada III STJ 182: “O mandato outorgado por instrumento público previsto no CC 655 somente admite substabelecimento por instrumento particular quando a forma pública for facultativa e não integrar a substancia do ato”. Art. 656. O mandato pode ser expresso ou tácito, verbal ou escrito. Veja que, de acordo com o artigo 656, estamos diante de um contrato não solene e informal. Vamos ver os conceitos: mandato expresso é aquele praticado com o fim de outorgar poderes para a prática de atos de administração de interesses; mandato tácito é aquele que deriva de outra atividade direta, que não consiste na atribuição de poderes. O ato produz por via reflexa ou indireta um ato de mandato; mandato verbal é aquele feito através de palavras ditas, mas não escritas enquanto o mandato escrito é feito através de palavras escritas, por meio de procuração – que é o instrumento do mandato. Art. 657. A outorga do mandato está sujeita à forma exigida por lei para o ato a ser praticado. Não se admite mandato verbal quando o ato deva ser celebrado por escrito. Como exemplo desta inadmissibilidade, temos o mandato para prestar fiança: Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva. Art. 658. O mandato presume-se gratuito quando não houver sido estipulada retribuição, exceto se o seu objeto corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissão lucrativa. Parágrafo único. Se o mandato for oneroso, caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. Sendo estes omissos, será ela determinada pelos usos do lugar, ou, na falta destes, por arbitramento. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 59 de 119 Art. 659. A aceitação do mandato pode ser tácita, e resulta do começo de execução. Ou seja, o mandatário também pode aceitar o mandato tanto expressamente como tacitamente, caso do art.659. Art. 660. O mandato pode ser especial a um ou mais negócios determinadamente, ou geral a todos os do mandante. Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. § 1o. Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos. § 2o. O poder de transigir não importa o de firmar compromisso. Assim, os poderes gerais são os de mera administração, são aqueles que buscam preservar o interesse do mandate para que permaneçam no mesmo estado que se encontravam quando se firmou o contrato. Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. Parágrafo único. A ratificação há de ser ¹expressa, ou ²resultar de ato inequívoco, e retroagirá à data do ato. Os efeitos da ratificação são ex tunc (retroagem à data do ato) e veja que a ratificação até pode ser tácita, mas precisará resultar de ato inequívoco. Art. 663. Sempre que o mandatário estipular negócios expressamente em nome do mandante, será este o único responsável; ficará, porém, o mandatário pessoalmente obrigado, se agir no seu próprio nome, ainda que o negócio seja de conta do mandante. Somentequando age em seu próprio nome (mandato sem representação) é que o mandatário fica pessoalmente obrigado. No art. 663 estamos diante da possibilidade de mandato sem representação. Art. 664. O mandatário tem o direito de reter, do objeto da operação que lhe foi cometida, quanto baste para pagamento de tudo que lhe for devido em consequência do mandato. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 60 de 119 Art. 665. O mandatário que exceder os poderes do mandato, ou proceder contra eles, será considerado mero gestor de negócios, enquanto o mandante lhe não ratificar os atos. Do mandatário menor relativamente incapaz: Art. 666. O maior de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante não tem ação contra ele senão de conformidade com as regras gerais, aplicáveis às obrigações contraídas por menores. - Das Obrigações do Mandatário (arts. 667 a 674). Agora vamos ver as disposições acerca dos deveres do mandatário. Estas disposições se referem exclusivamente ao mandatário e não são taxativas, ou seja, existem outras em outros artigos do código. Art. 667. O mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência habitual na execução do mandato, e a indenizar qualquer prejuízo causado ¹por culpa sua ou ²daquele a quem substabelecer, sem autorização, poderes que devia exercer pessoalmente. O artigo acima fala da responsabilidade civil em relação ao contrato de mandato e várias situações são apresentadas em seus quatro parágrafos: Art.667. § 1o Se, não obstante proibição do mandante, o mandatário se fizer substituir na execução do mandato, responderá ao seu constituinte pelos prejuízos ocorridos sob a gerência do substituto, embora provenientes de caso fortuito, salvo provando que o caso teria sobrevindo, ainda que não tivesse havido substabelecimento. § 2o Havendo poderes de substabelecer, só serão imputáveis ao mandatário os danos causados pelo substabelecido, se tiver agido com culpa na escolha deste ou nas instruções dadas a ele. § 3o Se a proibição de substabelecer constar da procuração, os atos praticados pelo substabelecido não obrigam o mandante, salvo ratificação expressa, que retroagirá à data do ato. § 4o Sendo omissa a procuração quanto ao substabelecimento, o procurador será responsável se o substabelecido proceder culposamente. Art. 668. O mandatário é obrigado a dar contas de sua gerência ao mandante, transferindo-lhe as vantagens provenientes do mandato, por qualquer título que seja. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 61 de 119 Art. 669. O mandatário não pode compensar os prejuízos a que deu causa com os proveitos que, por outro lado, tenha granjeado ao seu constituinte. Entenda prejuízo como o efeito negativo de um fato jurídico em sentido amplo, assim, é o efeito negativo de ato ou gerência do mandatário. O artigo 669, acima, é uma exceção à regra genérica da compensação, que não caberá ao mandato, uma vez que o mandatário não poderá compensar os prejuízos causados com as vantagens auferidas pelo mandante. Art. 670. Pelas somas que devia entregar ao mandante ou recebeu para despesa, mas empregou em proveito seu, pagará o mandatário juros, desde o momento em que abusou. Art. 671. Se o mandatário, tendo fundos ou crédito do mandante, comprar, em nome próprio, algo que deverá comprar para o mandante, por ter sido expressamente designado no mandato, terá este ação para obrigá-lo à entrega da coisa comprada. Art. 672. Sendo dois ou mais os mandatários nomeados no mesmo instrumento, qualquer deles poderá exercer os poderes outorgados, se não forem expressamente declarados conjuntos, nem especificamente designados para atos diferentes, ou subordinados a atos sucessivos. Se os mandatários forem declarados conjuntos, não terá eficácia o ato praticado sem interferência de todos, salvo havendo ratificação, que retroagirá à data do ato. Art. 673. O terceiro que, depois de conhecer os poderes do mandatário, com ele celebrar negócio jurídico exorbitante do mandato, não tem ação contra o mandatário, salvo se este lhe prometeu ratificação do mandante ou se responsabilizou pessoalmente. Art. 674. Embora ciente da morte, interdição ou mudança de estado do mandante, deve o mandatário concluir o negócio já começado, se houver perigo na demora. - Das Obrigações do Mandante (arts. 675 a 681). Agora vamos ver os deveres que cabem à outra parte desta relação jurídica – o mandante, quem delega poderes. Art. 675. O mandante é obrigado a satisfazer todas as obrigações contraídas pelo mandatário, na conformidade do mandato conferido, e adiantar a importância das despesas necessárias à execução dele, quando o mandatário lho pedir. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 62 de 119 Art. 676. É obrigado o mandante a pagar ao mandatário a remuneração ajustada e as despesas da execução do mandato, ainda que o negócio não surta o esperado efeito, salvo tendo o mandatário culpa. Art. 677. As somas adiantadas pelo mandatário, para a execução do mandato, vencem juros desde a data do desembolso. Art. 678. É igualmente obrigado o mandante a ressarcir ao mandatário as perdas que este sofrer com a execução do mandato, sempre que não resultem de culpa sua ou de excesso de poderes. Art. 679. Ainda que o mandatário contrarie as instruções do mandante, se não exceder os limites do mandato, ficará o mandante obrigado para com aqueles com quem o seu procurador contratou; mas terá contra este ação pelas perdas e danos resultantes da inobservância das instruções. Art. 680. Se o mandato for outorgado por duas ou mais pessoas, e para negócio comum, cada uma ficará solidariamente responsável ao mandatário por todos os compromissos e efeitos do mandato, salvo direito regressivo, pelas quantias que pagar, contra os outros mandantes. Art. 681. O mandatário tem sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, direito de retenção, até se reembolsar do que no desempenho do encargo despendeu. - Da Extinção do Mandato (arts. 682 a 691). Art. 682. Cessa o mandato: I - pela revogação ou pela renúncia; II - pela morte ou interdição de uma das partes; III - pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário para os exercer; IV - pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. As hipóteses trazidas pelo artigo em questão são meramente exemplificativas, pois outras podem surgir como, por exemplo, a impossibilidade de conclusão do negócio. O primeiro inciso fala em revogação que é o poder que tem o mandante de retirar os poderes concedidos ao mandatário. Esta revogação é ato jurídico unilateral e poderá ser expressa – quando resultante de um Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 63 de 119 ato dirigido especificamente a esta finalidade; ou poderá ser tácita - quando o mandante pratica outros atos que demostrem indiretamente a revogação do mandato, como por exemplo, nomear outro mandatário. Neste inciso vemos também a renúncia, que é ato exclusivo e unilateral do mandatário uma vez que só ele poderá renunciar os poderes que lhe foram outorgados pelo mandante. Possui natureza receptícia, portanto só produz efeitos após seu recebimento pelomandante, e assim como a revogação dispensa qualquer justificativa. O segundo inciso fala da morte ou da interdição de uma das partes como causa de cessação do mandato. Salvo se conferido com a cláusula “em causa própria” (art. 685), se o mandante vier a morrer o contrato só cessará quando o mandatário tiver consciência do fato. A interdição de uma das partes extingue o contrato pela perda da capacidade civil do sujeito afetado e produzirá seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença. O terceiro inciso fala em “mudança de estado”, atenção para não confundir com interdição, pois mudança de estado não implica na perda da capacidade jurídica, apenas a modificação da capacidade negocial, implica apenas no fato do mandante não puder transferir poderes ou, então, do mandatário não poder exercê-los. Por fim, o último inciso fala em ¹término do prazo ou ²conclusão do negócio. O término do prazo ocorre quando se der o termo final de tempo de validade de um contrato de mandato. A outra hipótese extintiva é a da conclusão do negócio quando o mandato foi outorgado para a realização de um contrato específico e ele é concluído. Art. 683. Quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o revogar, pagará perdas e danos. Mesmo que um mandato contenha cláusula de irrevogabilidade, ele poderá ser revogado pelo mandante, no entanto, este arcará com as perdas e danos. Porém o exercício deste poder, atribuído pela lei às partes, possui exceções como nos artigos 684 e 686, § único do CC, que serão vistos a seguir. Art. 684. Quando a cláusula de irrevogabilidade for ¹condição de um negócio bilateral, ou ²tiver sido estipulada no exclusivo interesse do mandatário, a revogação do mandato será ineficaz. Art. 685. Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 64 de 119 Art. 686. A revogação do mandato, notificada somente ao mandatário, não se pode opor aos terceiros que, ignorando-a, de boa-fé com ele trataram; mas ficam salvas ao constituinte as ações que no caso lhe possam caber contra o procurador. Parágrafo único. É irrevogável o mandato que contenha poderes de cumprimento ou confirmação de negócios encetados, aos quais se ache vinculado. Deste modo, “é necessário que se dê publicidade à revogação, para obter a cessação do mandato e, consequentemente, a liberação das partes contratuais”37. Art. 687. Tanto que for comunicada ao mandatário a nomeação de outro, para o mesmo negócio, considerar-se-á revogado o mandato anterior. Trata-se de revogação tácita. Pois na revogação expressa temos um documento específico para destituir o mandatário. Art. 688. A renúncia do mandato será comunicada ao mandante, que, se for prejudicado pela sua inoportunidade, ou pela falta de tempo, a fim de prover à substituição do procurador, será indenizado pelo mandatário, salvo se este provar que não podia continuar no mandato sem prejuízo considerável, e que não lhe era dado substabelecer. Art. 689. São válidos, a respeito dos contratantes de boa-fé, os atos com estes ajustados em nome do mandante pelo mandatário, enquanto este ignorar a morte daquele ou a extinção do mandato, por qualquer outra causa. Art. 690. Se falecer o mandatário, pendente o negócio a ele cometido, os herdeiros, tendo ciência do mandato, avisarão o mandante, e providenciarão a bem dele, como as circunstâncias exigirem. Assim, a posição de mandatário não pode ser sucedida pelos seus herdeiros, visto ser um contrato personalíssimo. Art. 691. Os herdeiros, no caso do artigo antecedente, devem limitar-se às medidas conservatórias, ou continuar os negócios pendentes que se não possam demorar sem perigo, regulando-se os seus serviços dentro desse limite, pelas mesmas normas a que os do mandatário estão sujeitos. 37 Costa Machado, Código Civil Interpretado, Manole 2012, 5ª ed., pág. 514. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 65 de 119 - Do Mandato Judicial (art.692). “O contrato de mandato judicial, ou mandato ad judicia, é o negócio jurídico que dinamiza o complexo de posições jurídicas, quer ativas, quer passivas, integrantes do polo ocupado pelo advogado na relação com os seus clientes ou patrocinadores. É um contrato fundado precipuamente na confiança recíproca entre as partes, daí ser evidente seu caráter personalíssimo, sem que se exclua o poder do substabelecimento” 38. Assim, para que uma pessoa venha a ser advogado de outra, ou seja, para que uma pessoa venha a representar outra judicialmente, há uma série de requisitos a serem cumpridos com a finalidade de legitimar esta representação. Como exemplo podemos dizer que a pessoa legitimada deverá ser advogado, integrante dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, e também não poderá estar sujeito a pena de suspensão do exercício de sua atividade profissional. Art. 692. O mandato judicial fica subordinado às normas que lhe dizem respeito, constantes da legislação processual, e, supletivamente, às estabelecidas neste Código. 4. Da fiança (arts. 818 a 839). Art. 818. Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra. Tendo como ponto de partida este primeiro artigo que trata da fiança, podemos perceber que esta espécie contratual se trata de um contrato de garantia, através do qual o credor terá uma condição privilegiada de recebimento da dívida, pois o patrimônio do fiador responderá pela dívida. A fiança, garantia pessoal ou fidejussória, segundo Flavio Tartuce39: “constitui uma garantia pessoal, em que todo patrimônio do fiador responde pela dívida, não se confundindo com as garantias reais, caso do penhor, da hipoteca e da anticrese”. (grifos nossos) 38 Costa Machado, Código Civil Interpretado, Manole 2012, 5ª ed., pág. 517. 39 Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, Método 2012, 2 ed., pág. 775. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 66 de 119 A fiança é um contrato no qual uma terceira pessoa ³(fiador) garante o pagamento de uma dívida feita ou assumida por um devedor ²(afiançado) perante um ¹credor quando o devedor (afiançado) não honrar seu compromisso. Atenção: a fiança é uma obrigação acessória, pois pressupõe a existência de um contrato principal. Tem como características: poder ser legal ou convencional40, ser ato unilateral (apenas o fiador tem obrigação), gratuito (em regra), intuito personae e formal. Sobre a forma temos o artigo 819: Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva. Como vimos o Código Civil exige que a fiança seja escrita – formal, mas poderá ser elaborada através de um instrumento público ou de um instrumento privado. Deste modo, podemos também perceber que a fiança não poderá ser presumida, deverá ser comprovada através de documentos. Outra peculiaridade sobre a fiança, e que está presente no artigo 819, é que sendo este contrato gratuito (pois não traz nenhum benefício ao fiador) não poderá ser interpretadode forma extensiva. Aplica-se a interpretação restritiva nesta espécie contratual. Art. 820. Pode-se estipular a fiança, ainda que sem consentimento do devedor ou contra a sua vontade. Diante de autorização normativa do art. 820, a fiança poderá ser estipulada sem a concordância ou até mesmo sem o consentimento do devedor41. A fiança poderá garantir qualquer dívida desde que não esteja acabada ou extinta. O contrato de fiança poderá ser elaborado em qualquer momento do negócio, ou seja, pode ser feito antes do contrato principal, ao mesmo tempo, ou, até mesmo, depois que o contrato principal esteja feito. Normalmente um contrato de fiança será usado para garantir uma dívida que seja líquida, certa e determinada junto com a obrigação principal. Entretanto, uma dívida futura poderá ser garantida pela fiança, neste caso o fiador só será chamado quando esta dívida (futura) se tornar certa e líquida, de acordo com o art. 821. 40 Fiança legal é aquela determinada por lei e fiança convencional é a que se origina de um acordo de vontades entre as partes. 41 Na fiança prestada em contratos de locação, no entanto, é o próprio locatário quem deverá providenciar o fiador. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 67 de 119 As dívidas futuras podem ser objeto de fiança; mas o fiador, neste caso, não será demandado senão depois que se fizer certa e líquida a obrigação do principal devedor. A fiança está limitada pela obrigação principal que foi garantida. Assim, o fiador só responde pelo que efetivamente se comprometeu no contrato realizado. Caso seja firmado um contrato de fiança ilimitada, ou seja, quando não for estipulado o limite da garantia que será dada pelo fiador, utiliza-se o art. 822. Não sendo limitada, a fiança compreenderá todos os acessórios da dívida principal, inclusive as despesas judiciais, desde a citação do fiador. Os acessórios da dívida principal citados neste artigo são os juros, multas e correções monetárias que incidirão sobre o valor da obrigação principal. Poderá, também, a fiança ser determinada em um valor menor que o da obrigação principal, ou prevista em condições menos onerosas, de acordo com o art. 823 que completa as informações do artigo antecedente. Art. 823. A fiança pode ser de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas, e, quando exceder o valor da dívida, ou for mais onerosa que ela, não valerá senão até ao limite da obrigação afiançada. Deste modo, a fiança deve ser limitada pelo teto previsto no instrumento contratual. Art. 824. As obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor. Parágrafo único. A exceção estabelecida neste artigo não abrange o caso de mútuo feito a menor. Este artigo estipula que as obrigações nulas – aquelas em que o objeto é ilícito, não poderão ser garantidas por fiança, porque sendo nula a obrigação principal, nula também será a fiança (acessória). Mas cuidado lembre-se que o inverso se estabelece da seguinte maneira: o que ocorre com o contrato acessório (fiança) não necessariamente atinge o principal. Está também prevista no artigo 824 uma exceção quanto à impossibilidade da fiança nas obrigações nulas, trata-se de quando a Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 68 de 119 nulidade resultar apenas da incapacidade do agente. O § único, no entanto, nos traz a “exceção da exceção”. Assim à fiança no contrato de mútuo feito a menor não se aplica a exceção da parte final do art. 824 e só será válida se for autorizada a feitura do contrato principal (de mútuo) pelo responsável pelo menor. Para que o contrato acessório de fiança seja considerado perfeito e dele possam surtir todos os efeitos, o credor deve aceitar o fiador proposto pelo devedor, isso de acordo com o art. 825. Quando alguém houver de oferecer fiador, o credor não pode ser obrigado a aceitá-lo se não for pessoa idônea, domiciliada no município onde tenha de prestar a fiança, e não possua bens suficientes para cumprir a obrigação. É sabido que o devedor poderá escolher qualquer pessoa para garantir a dívida, porém este fiador poderá ser recusado pelo credor se não se enquadrar nas condições previstas no artigo. Poderá também o credor pedir a substituição do fiador caso este venha a se tornar insolvente ou incapaz, de acordo com o art. 826. Se o fiador se tornar insolvente ou incapaz, poderá o credor exigir que seja substituído. - Dos Efeitos da Fiança (arts. 827 a 836). Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. Assim, de acordo com o artigo, se o fiador vier a ser chamado a honrar a dívida que garantiu, poderá exigir que antes sejam usados os bens do devedor para saldar a dívida. A este direito se dá o nome de benefício de ordem (ou benefício de excussão). Art. 827. Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito. Deste modo, se o fiador exigir o benefício de ordem deverá nomear, ou seja, indicar quais bens do devedor devem ser executados primeiramente. E para tanto estes bens deverão: Estar localizados no mesmo município; Estar livres de quaisquer ônus ou litígios; Ser suficientes para saldar toda a dívida. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 69 de 119 Mas há casos em que o fiador não poderá exigir o benefício de ordem (art.828): Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; II - se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido. Como vimos se no momento em que celebrar o contrato o fiador renunciar a este benefício, não poderá requerê-lo posteriormente; se, também em contrato, o fiador assume a solidariedade com o afiançado pela obrigação principal, não poderá requerer o benefício de ordem; e tornando- se o devedor insolvente ou falido, o credor irá buscar na fiança a forma de satisfazer seu crédito, sendo que neste caso também não poderá o fiador invocar o benefício de ordem, pois o devedor não terá bens livres e desimpedidos. A fiança poderá ser prestada por mais de um fiador, que neste caso serão cofiadores. Que serão considerados responsáveis solidários entre si, e desta forma poderá o credor requisitar qualquer um deles para que garanta a dívida. Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão. Parágrafo único. Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento. Assim, o benefício de divisão – que será previsto no contrato, é uma estipulação expressa sobre o valor que cada fiador irá garantir. Cada fiador presta uma fiança parcial. O total da dívida será repartido, ficando cada fiador responsável pela sua parte na proporção estabelecida com relação aos demais cofiadores. Art. 830. Cada fiador pode fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade, caso em quenão será por mais obrigado. Art. 831. O fiador que pagar integralmente a dívida fica sub-rogado nos direitos do credor; mas só poderá demandar a cada um dos outros fiadores pela respectiva quota. Parágrafo único. A parte do fiador insolvente distribuir-se-á pelos outros. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 70 de 119 Para tanto deverá o fiador que pagou integralmente a dívida provar este pagamento, isto com os documentos de quitação que contenham os elementos que a lei exige. O parágrafo único do artigo 831 trata da hipótese de um dos cofiadores falir ou ficar insolvente. Neste caso a parte que a ele cabia será dividida entre os demais cofiadores. Atenção ao artigo seguinte: Art. 832. O devedor responde também perante o fiador por todas as perdas e danos que este pagar, e pelos que sofrer em razão da fiança. Na hipótese de o devedor não honrar sua dívida e o credor vir a chamar o fiador para que este responda pela dívida, quando este a adimplir totalmente, ficará sub-rogado nos direitos do credor perante o devedor. Assim, além de o fiador poder cobrar do devedor o valor pago na dívida em si, poderá também, de acordo com o artigo, cobrar por todas as perdas e danos que pagou e que sofreu em razão da fiança. Art. 833. O fiador tem direito aos juros do desembolso pela taxa estipulada na obrigação principal, e, não havendo taxa convencionada, aos juros legais da mora. Juros de desembolso são os juros que recaem sobre o valor pago pelo fiador que foi usado para adimplir sua obrigação de garantir perante o credor. Art. 834. Quando o credor, sem justa causa, demorar a execução iniciada contra o devedor, poderá o fiador promover-lhe o andamento. Justifica-se este artigo no interesse que tem o fiador de que a execução seja encerrada com o devedor ainda solvente. Art. 835. O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo, sempre que lhe convier, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante sessenta dias após a notificação do credor. Art. 836. A obrigação do fiador passa aos herdeiros; mas ¹a responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador, e ²não pode ultrapassar as forças da herança. Segundo este artigo, a morte do fiador é causa de extinção da fiança. A transmissão para os herdeiros se dá somente até dá até a morte do fiador e não pode ultrapassar os valores da herança. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 71 de 119 - Da Extinção da Fiança (arts. 837 e 839). Art. 837. O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais, e as extintivas da obrigação que competem ao devedor principal, se não provierem simplesmente de incapacidade pessoal, salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor. Para se extinguir a fiança o fiador poderá opor ao credor exceções pessoais como as dos arts. 204, 36642, dentre outras; e também poderá opor exceções que sejam extintivas da obrigação principal, porque sendo a fiança um contrato acessório, uma vez extinto o contrato principal o mesmo acontecerá com a fiança (acessório). Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: I - se, sem consentimento seu, o credor conceder moratória ao devedor; II - se, por fato do credor, for impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências; III - se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perdê-lo por evicção. Estas três hipóteses de extinção da fiança são decorrentes de causas atribuídas exclusivamente ao credor. Assim, ¹se o credor conceder um prazo maior para que o devedor pague a dívida – isto é moratória, sem o consentimento do fiador, ficará este desobrigado; ²outra hipótese é a de quando o fiador pagar toda a dívida se sub-rogando nos direitos do credor, e este vier a praticar atos que frustrem ou impossibilitem o exercício dos direitos e preferências; e ³caso o credor aceite objeto diverso do acordado para pagamento da dívida, extinta estará à obrigação principal e extinta estará a fiança. Art. 839. Se for invocado o benefício da excussão e o devedor, retardando- se a execução, cair em insolvência, ficará exonerado o fiador que o invocou, se provar que os bens por ele indicados eram, ao tempo da penhora, suficientes para a solução da dívida afiançada. 42 Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o codevedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados. § 3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador. ... Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 72 de 119 Este artigo complementa o art. 827 que prevê o benefício de ordem, assim, quando o fiador invocar tal benefício e o credor deixar de dar andamento a execução do devedor, e por causa disso tornar-se o devedor insolvente, o fiador que invocou o benefício ficará exonerado da fiança. Faça os exercícios a seguir e não hesite em nos contatar em caso de dúvidas. Bons estudos! Aline Santiago & Jacson Panichi. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 73 de 119 QUESTÕES FCC E SEUS RESPECTIVOS COMENTÁRIOS. 01. FCC 2016/TRT 1ª Região (RJ)/Juiz do Trabalho Substituto. A respeito do contrato de compra e venda, é correto afirmar: a) Até o momento da tradição, os riscos do preço correm por conta do comprador. b) Não é lícita a compra e venda entre cônjuges com relação a bens excluídos da comunhão. c) Será anulável a venda de ascendente a descendente quando houver expresso consentimento pelos outros descendentes, mas não pelo cônjuge do alienante, independentemente do regime de bens. d) Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes da tradição o vendedor cair em insolvência, poderá o comprador sobrestar o pagamento da coisa, até que o vendedor garanta a entrega do bem. e) A fixação do preço não pode ser deixada ao arbítrio de terceiro. Comentário: Alternativa “a” – correta. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do VENDEDOR, e os do preço por conta do COMPRADOR. Alternativa “b” – errada. Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, em relação aos bens excluídos da comunhão. Alternativa “c” – errada. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Alternativa “d” – errada. Art. 495. Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes da tradição o COMPRADOR cair em insolvência, poderá o VENDEDOR sobrestar na entrega da coisa, até que o lhe dê caução de pagar no tempo ajustado. Alternativa “e” – errada. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Gabarito letra A. 02. FCC 2016/Pref. De São Luiz (MA)/Procurador do Município. Constitui característica da onerosidade excessiva,conforme regrado no Código Civil de 2002, Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 74 de 119 a) A manutenção das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos antecedentes ou supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. b) O comprovado inadimplemento, pelo credor, de sua obrigação contratual, pois responde por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. c) A efetiva alteração radical da estrutura contratual, em decorrência da desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, decorrentes de circunstâncias previstas ou previsíveis. d) Nos contratos de execução continuada ou diferida, a excessiva onerosidade da prestação de uma das partes, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. e) O enriquecimento inesperado e absolutamente infundado (injusto) para o credor, em detrimento do devedor, como decorrência direta da situação superveniente e imprevista. Comentário: Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Gabarito letra D. 03. FCC 2016/TRT 23ª Região-MT/AJAJ. Rogério comprou um carro de Vitor, a quem foi conferido, expressamente, o direito de fixar o preço, por seu exclusivo arbítrio. Fixado o preço, Rogério externou o desejo de desistir da compra, em razão do alto valor atribuído ao bem. Com isto, Vitor não chegou a entregar o bem. O contrato de compra e venda a) É existente, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, porém nulo, tendo em vista que, embora o preço possa ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, se esta faculdade houver sido expressamente acordada, a validade de tal contrato depende da entrega da coisa. b) É existente e válido, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço e este pode ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, haja ou não previsão expressa nesse sentido. c) É inexistente, porque o bem não foi entregue. d) É existente, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, porém nulo, pois não se pode deixar ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 75 de 119 e) É existente e válido, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, e este pode ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, se esta faculdade houver sido expressamente acordada. Comentário: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, ¹um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e ²o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro. Caio Mário da Silva Pereira43 assim apresentava o contrato de compra e venda: “É o contrato em que uma pessoa (vendedor) se obriga a transferir a outra (comprador) a propriedade de uma coisa corpórea ou incorpórea, mediante o pagamento de certo preço em dinheiro ou valor fiduciário correspondente”. Assim, são elementos essenciais do contrato de compra e venda: ¹a coisa (ou res); ²o preço; e ³o consentimento das partes. Sobre este assunto temos o art. 482: Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. E, por fim, art. 489 do CC: Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Gabarito letra D. 04. FCC 2015/MANAUSPREV/Procurador Autárquico. A respeito dos contratos, é correto afirmar que a) Dispensam o consenso, quando reais, aperfeiçoando-se com a entrega da coisa, independentemente da vontade das partes. b) As partes devem observar, durante sua execução, o princípio da boa- fé objetiva, assim entendida a ausência de dolo de prejudicar o outro contratante. c) O Código Civil atual aboliu o princípio pacta sunt servanda. d) Não podem ter como objeto a herança de pessoa viva. e) Operam efeitos erga omnes, como corolário do princípio da relatividade. 43 Caio Mario da Silva Pereira, Instituições de direito Civil, volume I, 25 ed. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 76 de 119 Comentário: Alternativa “a” – errada, pois nos contratos reais, além do acordo de vontades há, também, a exigência da entrega da coisa. Como no contrato de depósito. Alternativa “b” – errada. Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Alternativa “c” – errada, pois este princípio não foi abolido, mas sim, relativizado. Alternativa “d” – correta. Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Alternativa “e” – errada. O contrato tem efeito inter partes (não erga omnes) de acordo com o princípio da relatividade. Desta forma, o contrato vincula somente as partes que nele intervêm. Gabarito letra D. 05. FCC 2015/TJ-PE/Juiz. Considere o seguinte texto de Miguel Maria de Serpa Lopes: Da estrutura jurídica da EXCEPTIO NON ADIMPLETI CONTRACTUS -Como a própria denominação o indica, a exceptio non ad. contractusconstitui uma das modalidades das exceções substanciais. Pertence à classe das exceções dilatórias, segundo uns, embora outros a entendam pertinente à categoria das exceções peremptórias. Como quer que seja, convém assinalar, antes de tudo, que a ex. n. ad. contractusparalisa a ação do autor ante a alegação do réu de não ter recebido a contraprestação que lhe é devida, estando o cumprimento de sua obrigação, a seu turno, dependente do adimplemento da prestação do demandante (inExceções Substanciais: Exceção de contrato não cumprido (Exceptio non adimpleti contractus) -p. 135 - Livraria Freitas Bastos S/A, 1959). Por isso, o autor pode concluir que ela só encontra e só pode encontrar clima propício, a) Em qualquer modalidade de contrato consensual. b) Onde não existir uma vinculação bilateral. c) Onde houver uma vinculação sinalagmática. d) Nos contratos unilaterais. e) Nos contratos reais. Comentário: Lembre-se do que estudamos quando vimos os contratos sinalagmáticos: Contratos bilaterais (ou sinalagmáticos) são os contratos com Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 77 de 119 obrigações recíprocas e correlativas, são aqueles de que nascem obrigações para ambas as partes. Combine este conhecimento com o art. 476: Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Desta forma, a alternativa correta é a “c”, pois a exceptio non adimpleti contractus só terá cabimento nos contratos com vinculação sinalagmática. Gabarito letra C. 06. FCC 2015/TJ-GO/Juiz. Roberto celebrou com Rogério contrato por meio do qual se comprometeu a lhe transferir os bens de seu pai,Mário Augusto, no dia em que este viesse a falecer. No ato da assinatura do contrato, Rogério pagou a Roberto R$ 100.000,00. Antes do falecimento de Mário Augusto, que não possui outros herdeiros, haverá a) Direito adquirido, pois, de acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a ele se equipara o direito sob condição suspensiva inalterável ao arbítrio de outrem. b) Expectativa de direito, porque, enquanto vivo, os bens pertencem a Mário Augusto, que deles poderá dispor, impedindo que, depois do falecimento, Roberto os transfira a Rogério. c) Direito adquirido, porque, com a assinatura do contrato, os bens da futura herança passaram a integrar o patrimônio de Rogério. d) Expectativa de direito, porque, até o falecimento, o direito sobre os bens da futura herança integra o patrimônio de Roberto, que poderá cumprir o contrato apenas depois da abertura da sucessão. e) Nem direito adquirido nem expectativa de direito, porque o contrato é nulo. Comentário: Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Gabarito letra E. 07. FCC 2015/TJ-GO/Juiz. Renato adquiriu imóvel e assinou contrato no âmbito do qual foi excluída, por cláusula expressa, a responsabilidade pela evicção. A cláusula é a) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel, ainda que soubesse do risco da evicção. b) Válida, excluindo, em qualquer caso, o direito de Renato receber quaisquer valores em caso de evicção. c) Nula, porque fere preceito de ordem pública. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 78 de 119 d) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel, se não soube do risco da evicção ou se, dele informado, não o assumiu. e) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel mais indenização pelos prejuízos decorrentes da evicção, tais como despesas de contrato e custas judiciais, se não soube do risco da evicção ou se, dele informado, não o assumiu. Comentário: Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. Desta forma, não basta a colocação de cláusula de exclusão da evicção para a exclusão da responsabilidade. Será necessário acrescentar, também, referência de que o adquirente sabia de eventual risco de evicção e assumiu esse risco. Gabarito letra D. 08. FCC 2015/SEFAZ-PI/Analista do Tesouro Estadual. De acordo com o Código Civil, a) A garantia contra os vícios redibitórios independe de estipulação expressa b) Nos contratos de adesão, pode-se renunciar antecipadamente a direito inerente à natureza do negócio. c) Pode-se estipular, como objeto de contrato, herança de pessoa viva que tenha sido interditada. d) Em contrato de adesão, quando houver cláusulas ambíguas ou contraditórias, o juiz deverá interpretá-lo em favor da parte que o elaborou. e) O contrato preliminar deve conter todos os requisitos do contrato a ser celebrado, incluindo a forma. Comentário: Alternativa “a” – correta, pois ela decorre da lei e não de contrato. Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor. Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas. Alternativa “b” – errada. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Alternativa “c” – errada. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 79 de 119 Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Alternativa “d” – errada. Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. Alternativa “e” – errada. Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Gabarito letra A. 09. FCC 2015/TJ-RR/Juiz. Roberto e Marieta possuem os filhos Marcos, com vinte e cinco anos, Antonio, com vinte anos e Mônica, com doze anos de idade. Os pais, pretendendo vender um imóvel para Marcos, a) Terão de pedir a venda judicial, em que Marcos poderá exercer o direito de preferência. b) Deverão obter o consentimento de Antonio, sem o qual a venda será nula, mas não precisarão do consentimento de Mônica, que é absolutamente incapaz. c) Não poderão realizar o negócio enquanto Mônica for absolutamente incapaz, devendo aguardar que ela complete dezesseis anos para ser emancipada e consentir na venda, juntamente com Antonio. d) Deverão obter o consentimento de Antonio e de Mônica, sendo que, para esta, terá de ser dado curador especial pelo juiz. e) Poderão fazê-lo livremente, se o valor desse imóvel não exceder o disponível, mas se o exceder dependerão do consentimento de Antonio, que, necessariamente, figurará na escritura como curador especial de Mônica. Comentário: Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Gabarito letra D. 10. FCC 2015/MANAUSPREV/Procurador Autárquico. Na compra e venda a) Os riscos da tradição, em regra, correm por conta do vendedor. b) O vendedor é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço, mesmo que o negócio tenha sido praticado à vista. c) Não pode o cônjuge, na constância do casamento, alienar um bem a outro, ainda que particular. d) A entrega da coisa é pressuposto de existência do contrato. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 80 de 119 e) O vendedor sempre responde pelos débitos, até o momento da tradição. Comentário: Alternativa “a” – correta. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. Alternativa “b” – errada. Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Alternativa “c” – errada. Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação abens excluídos da comunhão. Alternativa “d” – errada. O contrato de compra e venda é obrigacional e não real. Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Alternativa “e” – errada. Art. 502. O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição. Gabarito letra A. 11. FCC 2015/SEFAZ-PI/Auditor Fiscal da Fazenda Estadual. De acordo com o Código Civil, o depósito a) Obriga a restituição da coisa, em regra, no lugar em que tiver sido celebrado o negócio, ainda que não seja o mesmo em que a coisa tenha sido guardada. b) Transfere ao depositário o domínio de bem móvel e necessariamente infungível. c) Obriga o depositário a pagaras despesas feitas com a coisa. d) É oneroso, em regra. e) Não autoriza o depositário a servir-se da coisa depositada, salvo licença expressa do depositante. Comentário: Alternativa “a” – errada. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 81 de 119 Art. 631. Salvo disposição em contrário, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. Alternativa “b” – errada. Art. 645. O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo. Em regra, contrato de depósito tem como objeto coisas infungíveis. Por isso, de acordo com a coisa ser fungível ou infungível teremos que (classificação de acordo com o objeto): O contrato será dito regular quando a coisa for infungível e será dito irregular quando a coisa for fungível, neste último caso aplica-se o art. 645 regulando-se pelo disposto para o mútuo. Alternativa “c” – errada. Art. 643. O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem. Alternativa “d” – errada. Art. 628. O contrato de depósito é gratuito, exceto se ¹houver convenção em contrário, ²se resultante de atividade negocial ou ³se o depositário o praticar por profissão. Parágrafo único. Se o depósito for oneroso e a retribuição do depositário não constar de lei, nem resultar de ajuste, será determinada pelos usos do lugar, e, na falta destes, por arbitramento. Portanto a regra é a de que o depósito seja feito de forma gratuita, porém o próprio art. 628 traz três exceções: ¹houver convenção em contrário, ²se resultante de atividade negocial ³se o depositário o praticar por profissão. Alternativa “e” – correta. Art. 640. Sob pena de responder por perdas e danos, não poderá o depositário, sem licença expressa do depositante, servir-se da coisa depositada, nem a dar em depósito a outrem. Parágrafo único. Se o depositário, devidamente autorizado, confiar a coisa em depósito a terceiro, será responsável se agiu com culpa na escolha deste. Gabarito letra E. 12. FCC 2014/TJ – AP/Juiz. Ocorrendo a evicção, a) Embora existente cláusula que exclua a garantia contra ela, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 82 de 119 b) Somente as benfeitorias necessárias serão pagas, pelo alienante ao evicto, excluindo-se sempre as voluptuárias e úteis. c) O evicto terá direito a receber sempre o dobro do valor pago pelo bem que perdeu. d) Considerar-se-á nula a cláusula que reforçou a garantia em prejuízo do alienante. e) O evicto não terá direito a restituição integral do preço, pois dele sempre terá de ser abatida uma parcela proporcional ao tempo em que esteve na posse do bem. Comentário: Alternativa “a” – correta. Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. Alternativa “b” – errada. Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. Alternativa “c” – errada. Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. Alternativa “d” – errada. Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. Alternativa “e” – errada. (Art. 450 visto acima). Gabarito letra A. 13. FCC 2014/TRT 16ª Região (MA)/Analista Judiciário. A respeito do contrato de compra e venda, a) As despesas com transporte e tradição correm, em regra, por conta do comprador. b) As despesas com escritura e registro serão pagas, em regra, pelo vendedor. c) É nula a venda de ascendente para descendente. d) É lícita a compra e venda entre cônjuges, desde que o contrato seja compatível com o regime de bens por eles adotado. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 83 de 119 e) Os bens confiados à guarda ou administração de tutores ou curadores só podem ser por estes comprados em hasta pública. Comentário: Alternativas “a” e “b” – erradas. Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição. Alternativa “c” – errada. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Alternativa “d” – correta. Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. Alternativa “e” – errada. Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública: I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou administração; Gabarito letra D. 14. FCC 2014/TRT 16ª Região (MA)/Analista Judiciário. A respeito da compra e venda, é correto afirmar: a) É licita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. b) Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma autoriza a rejeição de todas. c) As despesas com a tradição da coisa móvel correrão por conta do comprador. d) Nas vendas a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. e) A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação em contrário, dar-se-á no domicílio do comprador. Comentário: Alternativa “a” – correta. Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. Alternativa “b” – errada. Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 84 de 119 Alternativa “c” – errada. Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição. Alternativa “d” – errada. Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Alternativa “e” – errada. Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. Gabarito letra A. 15. FCC 2014/TRT (SP)/Analista Judiciário. Considere as afirmativas relativas à compra e venda: I. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes, a fixação do preço. II. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do vendedor, e a cargo do comprador as da tradição. III. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do comprador, e os do preço por conta do vendedor. IV. Não sendoa venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Está correto o que consta em a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) I e II, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. Comentário: Afirmativa I – correta. Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Afirmativa II – errada. Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição. Afirmativa III – errada. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 85 de 119 Afirmativa IV – correta. Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Gabarito letra A. 16. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Marcia celebrará contrato de compra e venda de imóvel com Isaías possuindo a intensão de estipular cláusula especial de retrovenda. No tocante à retrovenda, Márcia a) Terá que respeitar o prazo decadencial máximo de dois anos previsto no Código Civil brasileiro. b) Terá que respeitar o prazo prescricional máximo de doze meses previsto no Código Civil brasileiro. c) Poderá estipular qualquer prazo uma vez que o Código Civil brasileiro não limita o tempo para o exercício da retomada do imóvel. d) Terá que respeitar o prazo decadencial máximo de três anos previsto no Código Civil brasileiro. e) Poderá estipular prazo não superior a cinco anos, sendo que este prazo, em casos excepcionais, poderá ser aumentado conjuntamente pelas partes. Comentário: Quanto ao prazo da retrovenda temos: Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. Gabarito letra D. 17. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. No tocante ao depósito, considere as seguintes assertivas: I. O depósito necessário não se presume gratuito. II. Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a dois anos. III. No depósito voluntário, em regra, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 86 de 119 IV. No depósito voluntário, o depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem. De acordo com o Código Civil brasileiro, está coreto o que consta APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) II e IV. d) I. e) I, III e IV. Comentário: Assertiva I – correta. Art. 651. O depósito necessário não se presume gratuito. Na hipótese do art. 649, a remuneração pelo depósito está incluída no preço da hospedagem. Assertiva II – errada. Art. 652. Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano, e ressarcir os prejuízos. Assertiva III – correta. Art. 631. Salvo disposição em contrário, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. Assertiva IV – correta. Art. 643. O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem. Gabarito letra E. 18. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Considere uma venda realizada à vista de amostras, protótipos ou modelos. Neste caso, de acordo com o Código Civil brasileiro, em regra, a referida venda é a) Vedada se a celebração do contrato for realizada entre pessoas físicas. b) Amparada pela legislação sob a condição de que as amostras, protótipos ou modelos tenham sido aprovados pelos órgãos de fiscalização administrativa, bem como façam parte integrantes do contrato de compra e venda, independentemente de descrição da coisa. c) Amparada pela legislação sendo que, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato de compra e venda, prevalecerá a amostra, o protótipo ou o modelo. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 87 de 119 d) Vedada em razão da proibição da celebração de contrato de compra e venda com base em amostras, protótipos ou modelos. e) Amparada pela legislação sendo que, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato de compra e venda, prevalecerá o contrato celebrado entre as partes. Comentário: Este tipo de venda é amparada por nossa legislação civil, tendo em vista o art. 484 do CC/2002: Art. 484. Se a venda se realizar à vista de amostras, protótipos ou modelos, entender-se-á que o vendedor assegura ter a coisa as qualidades que a elas correspondem. Parágrafo único. Prevalece a amostra, o protótipo ou o modelo, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato. Gabarito letra C. 19. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Em determinado contrato, o fiador renunciou expressamente ao benefício de ordem. O credor está executando o contrato em razão da dívida não paga requerendo a penhora de imóvel de propriedade do fiador, apesar do devedor ser proprietário de diversos imóveis. Neste caso, a) A renúncia ao benefício de ordem é anulável, uma vez que o fiador possui o direito de exigir, até contestação da lide, que seja executado, primeiramente, os bens do devedor. b) O fiador somente possui o direito de exigir que sejam executados, primeiramente, os bens do devedor se houver bens sitos no mesmo município em que tramita a execução, livres e desembargados. c) O fiador somente possui o direito de exigir que sejam executados, primeiramente, os bens do devedor se houver bens sitos no mesmo município na qual foi celebrado o contrato de locação, livres e desembargados. d) A renúncia ao benefício de ordem é lícita e permitida pelo Código Civil brasileiro. e) A renúncia ao benefício de ordem é nula, uma vez que o fiador possui o direito de exigir, até contestação da lide, que seja executado, primeiramente, os bens do devedor. Comentário: Lembre-se do que estudamos em aula: Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 88 de 119 II - se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido. Assim, se, no momento em que celebrar o contrato o fiador renunciar a este benefício, não poderá requerê-lo posteriormente; se, também em contrato, o fiador assume a solidariedade com o afiançado pela obrigação principal, não poderá requerer o benefício de ordem; e tornando-se o devedor insolvente ou falido, o credor irá buscar na fiança a forma de satisfazer seu crédito, sendoque neste caso também não poderá o fiador invocar o benefício de ordem, pois o devedor não terá bens livres e desimpedidos. Gabarito letra D. 20. FCC 2013/TRT 9ª Região/Analista Judiciário. Quanto à compra e venda, a) Quando pura, o contrato respectivo considerar-se-á consumado, obrigatório e perfeito, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. b) O preço da coisa deve ser fixado sempre em dinheiro, vedado que se o estabeleça à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. c) Só pode ter por objeto coisa atual, vedada a transação sobre coisas futuras. d) Uma vez estabelecida, automaticamente transfere o domínio da coisa ao comprador, que se obriga ao pagamento do preço em dinheiro. e) É válido o contrato se for deixada ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço, desde que as partes sejam maiores e capazes. Comentário: Alternativa “a” correta. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Alternativa “b” errada. Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Alternativa “c” errada. Art. 483. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório. Alternativa “d” errada. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 89 de 119 Art. 491. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Alternativa “e” errada. Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. Gabarito letra A. 21. FCC 2013/TJ-PE/Serviços Notariais e de Registro. No tocante à compra e venda, é correto afirmar que a) Salvo convenção em contrário, o comprador responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição. b) Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do comprador, e os do preço por conta do vendedor. c) É defeso que a fixação do preço possa ser deixada ao arbítrio de terceiro que os próprios contratantes designarem ou prometerem designar. d) É nula a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. e) A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se- á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. Comentário: Alternativa “a” errada. Art. 502. O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição. Alternativa “b” errada. Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. Alternativa “c” errada. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Alternativa “d” errada. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Alternativa “e” correta. Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. Gabarito letra E. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 90 de 119 22. FCC 2013/TJ-PE/Serviços Notariais e de Registro. De acordo com o Código Civil, em relação aos contratos, é correto afirmar que a) Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção, salvo se a aquisição se houver realizado em hasta pública. b) A coisa recebida em virtude de contrato comutativo ou aleatório pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminua o valor. c) Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de umas das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir resolução do contrato, o que poderá ser evitado se, proposta a ação, o réu oferecer-se a modificar equitativamente as condições do contrato. d) A cláusula resolutiva expressa opera em regra condicionada à interpelação judicial. e) No contrato com pessoa a declarar, se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato não produzirá quaisquer efeitos, invalidando-se. Comentário: Alternativa “a” errada. Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública. Alternativa “b” errada. Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor. Alternativa “c” correta. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Alternativa “d” errada. Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. Alternativa “e” errada. Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários. Gabarito letra C. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 91 de 119 23. FCC 2012/TRF 5ª Região/Analista. NÃO constitue causa para a cessação do mandato, a) A revogação dos poderes outorgados ao mandatário, pelo mandante. b) A morte do mandante. c) O resultado insatisfatório do mandato judicial sem culpa do mandatário. d) A mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes. e) O término do prazo estabelecido na procuração para a conclusão do negócio. Comentário: Vamos ao artigo que regulamenta a cessação (o término) do mandato: Art. 682. Cessa o mandato: I - pela revogação ou pela renúncia; II - pela morte ou interdição de uma das partes; III - pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário para os exercer; IV - pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. Tendo em vista o dispositivo legal que normatiza o assunto, podemos perceber que a única alternativa que não está elencada é a “c” - o resultado insatisfatório do mandato judicial sem culpa do mandatário. Gabarito letra C. 24. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. A venda realizada de ascendente para descendente, sem o expresso consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante, quando casado pelo regime da comunhão parcial de bens é a) Nula. b) Válida. c) Inoficiosa. d) Anulável. e) Ineficaz. Comentário: Para resolvermos esta questão temos o art. 496 do CC que trata precisamente deste assunto. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamentehouverem consentido. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 92 de 119 Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. Gabarito letra D. 25. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. Sobre o mandato, é correto afirmar: a) O mandatário não tem direito de retenção sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, pelo reembolso do que no desempenho do encargo despendeu. b) A morte do mandante não faz cessar imediatamente o mandato quando o negócio já houver começado e houver perigo na demora. c) O terceiro com quem o mandatário tratar os negócios do mandante não poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. d) Quando o mandato for outorgado por instrumento público, não se poderá substabelecer por instrumento particular. e) A conclusão do negócio atribuído ao mandatário não é causa determinante para a cessação do mandato. Comentário: Alternativa “a” – errada. Art. 664. O mandatário tem o direito de reter, do objeto da operação que lhe foi cometida, quanto baste para pagamento de tudo que lhe for devido em consequência do mandato. Alternativa “b” – correta. Art. 674. Embora ciente da morte, interdição ou mudança de estado do mandante, deve o mandatário concluir o negócio já começado, se houver perigo na demora. Alternativa “c” – errada. Art. 654. § 2º. O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Alternativa “d” – errada. Art. 655. Ainda quando se outorgue mandato por instrumento público, pode substabelecer-se mediante instrumento particular. Alternativa “e” – errada. Art. 682. Cessa o mandato: IV - pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. Gabarito letra B. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 93 de 119 26. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. Se o condômino de coisa indivisível vender sua fração ideal sem dar preferência aos demais condôminos, a) A venda, como ato jurídico, é nula de pleno direito, pois não obedeceu forma prescrita em lei. b) O direito de preferência para ser exercido pelo condômino preterido deverá estar registrado na matrícula do imóvel. c) Não há direito de preferência na propriedade em condomínio de coisa indivisível. d) O condômino preterido poderá, apenas, pedir perdas e danos. e) O condômino preterido, respeitado o prazo legal, pode depositar o preço pelo qual a fração foi vendida a terceiro e havê-la para si. Comentário: Para esta questão vamos utilizar um artigo referente às disposições gerais da compra e venda, mais especificamente da coisa em condomínio. Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. Gabarito letra E. 27. FCC 2012/TRF 2ª/Analista Judiciária. A Fiança a) é admissível em obrigação futura ou condicional. b) não pode possuir valor inferior ao da obrigação principal. c) é uma espécie de garantia real prevista no Código Civil brasileiro. d) é, em regra, um contrato bilateral, oneroso e principal. e) não se extingue com a extinção da obrigação principal. Comentário: Art. 821. As dívidas futuras podem ser objeto de fiança; mas o fiador, neste caso, não será demandado senão depois que se fizer certa e líquida a obrigação do principal devedor. Art. 823. A fiança pode ser de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas, e, quando exceder o valor da dívida, ou for mais onerosa que ela, não valerá senão até ao limite da obrigação afiançada. Lembrem-se da parte teórica: A fiança, garantia pessoal ou fidejussória, segundo Flavio Tartuce44: “constitui uma garantia pessoal, 44 Flávio Tartuce, Manual de Direito Civil, Método 2012, 2 ed., pág. 775. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 94 de 119 em que todo patrimônio do fiador responde pela dívida, não se confundindo com as garantias reais, caso do penhor, da hipoteca e da anticrese”. Atenção para as características do contrato de fiança que vimos em aula: a fiança é um contrato unilateral, acessório e em regra gratuito. A fiança é um contrato acessório que pressupõe a existência de uma obrigação principal, sendo que ficará vinculada à existência, à validade e à eficácia desta obrigação. Portanto, uma vez extinta a obrigação principal, extinta estará a fiança que é acessória. Gabarito letra A. 28. FCC 2012/TRF 2ª/Analista Judiciário. O mandato a) não pode ser verbal, mas pode ser tácito ou expresso, desde que escrito. b) não pode se referir a todos os negócios do mandante, devendo indicar um ou alguns negócios pré-determinados. c) é um contrato sinalagmático e intuito personae e pode ser oneroso ou gratuito. d) com cláusula "em causa própria" será extinto por meio da revogação, bem como pela morte de qualquer das partes. e) que contiver cláusula de irrevogabilidade não poderá, em qualquer hipótese, ser extinto pela revogação. Comentário: Art. 656. O mandato pode ser expresso ou tácito, verbal ou escrito. Art. 660. O mandato pode ser especial a um ou mais negócios determinadamente, ou geral a todos os do mandante. Mais uma vez lembrem-se da aula. O contrato de mandato é bilateral (sinalagmático), personalíssimo (intuito personae), e poderá ser gratuito ou oneroso. Art. 685. Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais. Art. 683. Quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o revogar, pagará perdas e danos. Gabarito letra C. 29. FCC 2012/TRE-PR/Analista Judiciário. Os contratos inominados são a) nulos, porque vedados expressamente pelo Código Civil. b) lícitos sem necessidade de observância de qualquer disposição legal, exceto se ilícito seu objeto. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 95 de 119 c) ilícitos, por contrariarem a ordem pública. d) lícitos, desde que observadas as normas gerais fixadas pelo Código Civil. e) apenas anuláveis, porque a lei os considera inválidos sem cominar sanção. Comentário: Contratos inominados são contratos atípicos. Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. Gabarito letra D. 30. FCC 2012/TRE-PR/Analista Judiciário. Em relação a Contrato, considere: I. É anulável o contrato que tenha por objeto herança de pessoa viva. II. Os contratos atípicos não precisam observar as normas gerais fixadas pelo Código Civil. III. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguasou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. IV. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. V. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulam a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, III e IV. b) II, III e IV. c) I, IV e V. d) I, III e V. e) III, IV e V. Comentário: Afirmação I – errada. Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Afirmação II – errada. Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. Afirmação III – correta. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 96 de 119 Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. Afirmação IV – correta. Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Afirmação V – correta. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Gabarito letra E. 31. FCC 2012/TRT 11ª Região/Analista Judiciário. Mario, é solteiro, possui três filhos maiores e uma neta também maior. Mario pretende vender uma de suas casas de praia para sua neta. Neste caso, Mário a) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará do consentimento dos seus filhos, com exceção do pai da menina. b) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará do consentimento de todos os seus filhos. c) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, independentemente do consentimento dos seus filhos. d) não poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, independentemente do consentimento de seus filhos, tendo em vista expressa vedação legal. e) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará apenas do consentimento do filho que é o pai da menina. Comentário: Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Gabarito letra B. 32. FCC 2011 / TRT - 23ª REGIÃO (MT) / Analista Judiciário - Execução de Mandados. Os contratos atípicos a) São anuláveis, mesmo se os que os pretendam celebrar sejam capazes e o objeto seja lícito e possível, se a forma não estiver prescrita em lei. b) São nulos de pleno direito, mesmo que os pretendam celebrar sejam capazes e o objeto seja lícito e possível, porque a forma não é prescrita em lei. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 97 de 119 c) São válidos, desde que os agentes que os pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e a forma não seja defesa em lei. d) Só têm validade se os que pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e tenha havido prévia homologação judicial. e) Só têm validade se os que pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e tenha havido prévia aprovação pelo Ministério Público. Comentário: Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. Vimos em aula que as pessoas podem criar contratos que não estejam previstos na legislação, desde que respeitem os requisitos do art. 104 e os bons costumes. Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei. Gabarito letra C. 33. FCC 2011 / TRT - 14ª Região (RO e AC) / Analista Judiciário - Área Judiciária. Se a coisa recebida em virtude de contrato comutativo apresentar defeitos ocultos que a tornem imprópria ao uso a que é destinada ou lhe diminuam o valor, a) O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço, no prazo de um ano, se a coisa for imóvel, contado da entrega efetiva. b) A responsabilidade do alienante não subsiste se a coisa perecer em seu poder por vício oculto já existente ao tempo da tradição. c) O prazo para o adquirente obter a redibição ou abatimento no preço conta-se da alienação, ficando reduzido a um terço se já estava na posse da coisa. d) O alienante sabendo do vício ou defeito da coisa, deverá devolver ao comprador o dobro do que recebeu e o dobro das perdas e danos. e) O alienante desconhecendo o vício ou defeito da coisa, deverá devolver ao comprador o valor recebido, as despesas do contrato, além de perdas e danos. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 98 de 119 Comentário: Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade. Desta forma a letra “a” está correta. Agora vamos ver porque as outras estão erradas: A alternativa “b” está errada. Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição. A alternativa “c” está errada. Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade. A alternativa “d” está errada. Art. 43. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato. A alternativa “e” está errada. Art. 43. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato. Gabarito letra A. 34. FCC 2011 / TRE-RN / Técnico Judiciário - Área Administrativa. Com relação à Evicção, considere: I. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. II. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou, às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. III. Pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era litigiosa, em razão da soberania do direito de demandar judicialmente. IV. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e IV. b) II, III e IV. c) I e IV. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 99 de 119 d) I, II e IV. e) I, II e III. Comentário: A afirmação I está correta. Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. A afirmação II está correta. Art. 450.Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. A afirmação III está errada. Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa. E a afirmação IV está correta. Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. Gabarito letra D. 35. FCC 2011 / TRE-RN / Técnico Judiciário - Área Administrativa. Tratando-se de coisa móvel da qual o adquirente já estava na posse, ele, de regra, decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de a) Quarenta e cinco dias contados da alienação. b) Trinta dias contados da alienação. c) Quinze dias contados da alienação. d) Sessenta dias contados da alienação. e) Noventa dias contados da alienação. Comentário: Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade. Gabarito letra C. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 100 de 119 36. FCC 2011/TRE-AP/Analista Administrativo-Administrativa. Na compra e venda, salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro e as da tradição a cargo a) do comprador e vendedor, respectivamente. b) do comprador. c) do vendedor. d) de 50% para cada parte. e) do vendedor e comprador, respectivamente. Comentário: Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição. Gabarito letra A. 37. 2011 TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho Substituto. Acerca dos contratos no Código Civil de 2002, assinale a alternativa INCORRETA: a) O contrato de execução continuada ou diferida pode ser resolvido, por decisão judicial, cujos efeitos retroagirão à data do ajuizamento da ação, no caso de a prestação de uma das partes tornar-se excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. b) Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. c) A retrovenda consiste na possibilidade de o vendedor de coisa imóvel reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. d) Podem ser revogadas por ingratidão as doações se o donatário injuriar gravemente ou caluniar o doador, exceto se a doação se fizer em cumprimento de obrigação natural. e) Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer coisa fungível, exceto de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura, e de dinheiro. Comentário: Alternativa “a” – errada. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 101 de 119 Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Alternativa “b” – correta. Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. Alternativa “c” – correta. Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. Alternativa “d” – correta. Art. 557. Podem ser revogadas por ingratidão as doações: III - se o injuriou gravemente ou o caluniou; Art. 564. Não se revogam por ingratidão: III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural; Alternativa “e” – correta. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III - do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. Gabarito letra A. 38. FCC 2010/TRE-AC/Analista Judiciário - Área Judiciária. Considere as seguintes assertivas a respeito do contrato aleatório: I. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, exceto se nada do avençado venha a existir. II. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte ou de todo, no dia do contrato. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 102 de 119 III. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. De acordo com o Código Civil brasileiro, está correto o que se afirma APENAS em a) I. b) I e II. c) I e III. d) II. e) II e III. Comentário: A afirmação I está errada. Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir. A afirmação II está correta. Art. 460. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte, ou de todo, no dia do contrato. A afirmação III está correta. Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá também direitoo alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. Gabarito letra E. 39. FCC 2010/TRF 4ª Região/Analista Judiciário. Com relação aos contratos, é INCORRETO afirmar: a) Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. b) Em regra, reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. c) Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. d) O contrato preliminar, inclusive quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 103 de 119 e) Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto, dentre outras hipóteses, se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. Comentário: A alternativa incorreta é a “d”. Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Gabarito letra D. 40. 2010/TRT 15ª Região/Magistratura do Trabalho. Em relação aos contratos é incorreto afirmar que: a) Se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em decorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, o devedor poderá pedir a sua resolução; b) No caso da prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, os efeitos da sentença que decretar a resolução contratual retroagirão à data em que ocorreu o acontecimento extraordinário e imprevisível; c) No caso da prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, a resolução poderá ser evitada caso o réu se proponha a modificar equitativamente as condições do contrato; d) Se as obrigações couberem a apenas uma das partes, ela poderá pleitear que sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, fim de evitar a onerosidade excessiva; e) Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes pode, antes de cumprida sua obrigação, exigir o implemento da do outro. Comentário: A alternativa errada é a de letra “b”. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. As demais alternativas estão corretas. Gabarito letra B. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 104 de 119 LISTA DE QUESTÕES E GABARITO 01. FCC 2016/TRT 1ª Região (RJ)/Juiz do Trabalho Substituto. A respeito do contrato de compra e venda, é correto afirmar: a) Até o momento da tradição, os riscos do preço correm por conta do comprador. b) Não é lícita a compra e venda entre cônjuges com relação a bens excluídos da comunhão. c) Será anulável a venda de ascendente a descendente quando houver expresso consentimento pelos outros descendentes, mas não pelo cônjuge do alienante, independentemente do regime de bens. d) Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes da tradição o vendedor cair em insolvência, poderá o comprador sobrestar o pagamento da coisa, até que o vendedor garanta a entrega do bem. e) A fixação do preço não pode ser deixada ao arbítrio de terceiro. 02. FCC 2016/Pref. De São Luiz (MA)/Procurador do Município. Constitui característica da onerosidade excessiva, conforme regrado no Código Civil de 2002, a) A manutenção das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos antecedentes ou supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. b) O comprovado inadimplemento, pelo credor, de sua obrigação contratual, pois responde por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. c) A efetiva alteração radical da estrutura contratual, em decorrência da desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, decorrentes de circunstâncias previstas ou previsíveis. d) Nos contratos de execução continuada ou diferida, a excessiva onerosidade da prestação de uma das partes, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. e) O enriquecimento inesperado e absolutamente infundado (injusto) para o credor, em detrimento do devedor, como decorrência direta da situação superveniente e imprevista. 03. FCC 2016/TRT 23ª Região-MT/AJAJ. Rogério comprou um carro de Vitor, a quem foi conferido, expressamente, o direito de fixar o preço, por seu exclusivo arbítrio. Fixado o preço, Rogério externou o desejo de desistir da compra, em razão do alto valor atribuído ao bem. Com isto, Vitor não chegou a entregar o bem. O contrato de compra e venda Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 105 de 119 a) É existente, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, porém nulo, tendo em vista que, embora o preço possa ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, se esta faculdade houver sido expressamente acordada, a validade de tal contrato depende da entrega da coisa. b) É existente e válido, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço e este pode ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, haja ou não previsão expressa nesse sentido. c) É inexistente, porque o bem não foi entregue. d) É existente, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, porém nulo, pois não se pode deixar ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço. e) É existente e válido, porque se aperfeiçoa com o mero consenso sobre o objeto e o preço, e este pode ser fixado por uma das partes, por seu exclusivo arbítrio, se esta faculdade houver sido expressamente acordada. 04. FCC 2015/MANAUSPREV/Procurador Autárquico. A respeito dos contratos, é correto afirmar que a) Dispensam o consenso, quando reais, aperfeiçoando-se com a entrega da coisa, independentemente da vontade das partes. b) As partes devem observar, durante sua execução, o princípio da boa- fé objetiva, assim entendida a ausência de dolo de prejudicar o outro contratante. c) O Código Civil atual aboliu o princípio pacta sunt servanda. d) Não podem ter como objeto a herança de pessoa viva. e) Operam efeitos erga omnes, como corolário do princípio da relatividade. 05. FCC 2015/TJ-PE/Juiz. Considere o seguinte texto de Miguel Maria de Serpa Lopes: Da estrutura jurídica da EXCEPTIO NON ADIMPLETI CONTRACTUS -Como a própria denominação o indica, a exceptio non ad. contractusconstitui uma das modalidades das exceções substanciais. Pertence à classe das exceções dilatórias, segundo uns, embora outros a entendam pertinente à categoria das exceções peremptórias. Como quer que seja, convém assinalar, antes de tudo, que a ex. n. ad. contractusparalisa a ação do autor ante a alegação do réu de não ter recebido a contraprestação que lhe é devida, estando o cumprimento de sua obrigação, a seu turno, dependente do adimplemento da prestação do demandante (inExceções Substanciais: Exceção de contrato não cumprido (Exceptio non adimpleti contractus) -p. 135- Livraria Freitas Bastos S/A, 1959). Por isso, o autor pode concluir que ela só encontra e só pode encontrar clima propício, Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 106 de 119 a) Em qualquer modalidade de contrato consensual. b) Onde não existir uma vinculação bilateral. c) Onde houver uma vinculação sinalagmática. d) Nos contratos unilaterais. e) Nos contratos reais. 06. FCC 2015/TJ-GO/Juiz. Roberto celebrou com Rogério contrato por meio do qual se comprometeu a lhe transferir os bens de seu pai, Mário Augusto, no dia em que este viesse a falecer. No ato da assinatura do contrato, Rogério pagou a Roberto R$ 100.000,00. Antes do falecimento de Mário Augusto, que não possui outros herdeiros, haverá a) Direito adquirido, pois, de acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a ele se equipara o direito sob condição suspensiva inalterável ao arbítrio de outrem. b) Expectativa de direito, porque, enquanto vivo, os bens pertencem a Mário Augusto, que deles poderá dispor, impedindo que, depois do falecimento, Roberto os transfira a Rogério. c) Direito adquirido, porque, com a assinatura do contrato, os bens da futura herança passaram a integrar o patrimônio de Rogério. d) Expectativa de direito, porque, até o falecimento, o direito sobre os bens da futura herança integra o patrimônio de Roberto, que poderá cumprir o contrato apenas depois da abertura da sucessão. e) Nem direito adquirido nem expectativa de direito, porque o contrato é nulo. 07. FCC 2015/TJ-GO/Juiz. Renato adquiriu imóvel e assinou contrato no âmbito do qual foi excluída, por cláusula expressa, a responsabilidade pela evicção. A cláusula é a) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel, ainda que soubesse do risco da evicção. b) Válida, excluindo, em qualquer caso, o direito de Renato receber quaisquer valores em caso de evicção. c) Nula, porque fere preceito de ordem pública. d) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel, se não soube do risco da evicção ou se, dele informado, não o assumiu. e) Válida, mas, se Renato restar evicto, terá direito de receber o preço que pagou pelo imóvel mais indenização pelos prejuízos decorrentes da evicção, tais como despesas de contrato e custas judiciais, se não soube do risco da evicção ou se, dele informado, não o assumiu. 08. FCC 2015/SEFAZ-PI/Analista do Tesouro Estadual. De acordo com o Código Civil, Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 107 de 119 a) A garantia contra os vícios redibitórios independe de estipulação expressa b) Nos contratos de adesão, pode-se renunciar antecipadamente a direito inerente à natureza do negócio. c) Pode-se estipular, como objeto de contrato, herança de pessoa viva que tenha sido interditada. d) Em contrato de adesão, quando houver cláusulas ambíguas ou contraditórias, o juiz deverá interpretá-lo em favor da parte que o elaborou. e) O contrato preliminar deve conter todos os requisitos do contrato a ser celebrado, incluindo a forma. 09. FCC 2015/TJ-RR/Juiz. Roberto e Marieta possuem os filhos Marcos, com vinte e cinco anos, Antonio, com vinte anos e Mônica, com doze anos de idade. Os pais, pretendendo vender um imóvel para Marcos, a) Terão de pedir a venda judicial, em que Marcos poderá exercer o direito de preferência. b) Deverão obter o consentimento de Antonio, sem o qual a venda será nula, mas não precisarão do consentimento de Mônica, que é absolutamente incapaz. c) Não poderão realizar o negócio enquanto Mônica for absolutamente incapaz, devendo aguardar que ela complete dezesseis anos para ser emancipada e consentir na venda, juntamente com Antonio. d) Deverão obter o consentimento de Antonio e de Mônica, sendo que, para esta, terá de ser dado curador especial pelo juiz. e) Poderão fazê-lo livremente, se o valor desse imóvel não exceder o disponível, mas se o exceder dependerão do consentimento de Antonio, que, necessariamente, figurará na escritura como curador especial de Mônica. 10. FCC 2015/MANAUSPREV/Procurador Autárquico. Na compra e venda a) Os riscos da tradição, em regra, correm por conta do vendedor. b) O vendedor é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço, mesmo que o negócio tenha sido praticado à vista. c) Não pode o cônjuge, na constância do casamento, alienar um bem a outro, ainda que particular. d) A entrega da coisa é pressuposto de existência do contrato. e) O vendedor sempre responde pelos débitos, até o momento da tradição. 11. FCC 2015/SEFAZ-PI/Auditor Fiscal da Fazenda Estadual. De acordo com o Código Civil, o depósito Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 108 de 119 a) Obriga a restituição da coisa, em regra, no lugar em que tiver sido celebrado o negócio, ainda que não seja o mesmo em que a coisa tenha sido guardada. b) Transfere ao depositário o domínio de bem móvel e necessariamente infungível. c) Obriga o depositário a pagar as despesas feitas com a coisa. d) É oneroso, em regra. e) Não autoriza o depositário a servir-se da coisa depositada, salvo licença expressa do depositante. 12. FCC 2014/TJ – AP/Juiz. Ocorrendo a evicção, a) Embora existente cláusula que exclua a garantia contra ela, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. b) Somente as benfeitorias necessárias serão pagas, pelo alienante ao evicto, excluindo-se sempre as voluptuárias e úteis. c) O evicto terá direito a receber sempre o dobro do valor pago pelo bem que perdeu. d) Considerar-se-á nula a cláusula que reforçou a garantia em prejuízo do alienante. e) O evicto não terá direito a restituição integral do preço, pois dele sempre terá de ser abatida uma parcela proporcional ao tempo em que esteve na posse do bem. 13. FCC 2014/TRT 16ª Região (MA)/Analista Judiciário. A respeito do contrato de compra e venda, a) As despesas com transporte e tradição correm, em regra, por conta do comprador. b) As despesas com escritura e registro serão pagas, em regra, pelo vendedor. c) É nula a venda de ascendente para descendente. d) É lícita a compra e venda entre cônjuges, desde que o contrato seja compatível com o regime de bens por eles adotado. e) Os bens confiados à guarda ou administração de tutores ou curadores só podem ser por estes comprados em hasta pública. 14. FCC 2014/TRT 16ª Região (MA)/Analista Judiciário. A respeito da compra e venda, é correto afirmar: a) É licita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. b) Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma autoriza a rejeição de todas. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 109 de 119 c) As despesas com a tradição da coisa móvel correrão por conta do comprador. d) Nas vendas a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. e) A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação em contrário, dar-se-á no domicílio do comprador. 15. FCC 2014/TRT (SP)/Analista Judiciário. Considere as afirmativas relativas à compra e venda: I. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivode uma das partes, a fixação do preço. II. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do vendedor, e a cargo do comprador as da tradição. III. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do comprador, e os do preço por conta do vendedor. IV. Não sendo a venda a crédito, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o preço. Está correto o que consta em a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) I e II, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 16. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Marcia celebrará contrato de compra e venda de imóvel com Isaías possuindo a intensão de estipular cláusula especial de retrovenda. No tocante à retrovenda, Márcia a) Terá que respeitar o prazo decadencial máximo de dois anos previsto no Código Civil brasileiro. b) Terá que respeitar o prazo prescricional máximo de doze meses previsto no Código Civil brasileiro. c) Poderá estipular qualquer prazo uma vez que o Código Civil brasileiro não limita o tempo para o exercício da retomada do imóvel. d) Terá que respeitar o prazo decadencial máximo de três anos previsto no Código Civil brasileiro. e) Poderá estipular prazo não superior a cinco anos, sendo que este prazo, em casos excepcionais, poderá ser aumentado conjuntamente pelas partes. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 110 de 119 17. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. No tocante ao depósito, considere as seguintes assertivas: I. O depósito necessário não se presume gratuito. II. Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a dois anos. III. No depósito voluntário, em regra, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. IV. No depósito voluntário, o depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem. De acordo com o Código Civil brasileiro, está coreto o que consta APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) II e IV. d) I. e) I, III e IV. 18. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Considere uma venda realizada à vista de amostras, protótipos ou modelos. Neste caso, de acordo com o Código Civil brasileiro, em regra, a referida venda é a) Vedada se a celebração do contrato for realizada entre pessoas físicas. b) Amparada pela legislação sob a condição de que as amostras, protótipos ou modelos tenham sido aprovados pelos órgãos de fiscalização administrativa, bem como façam parte integrantes do contrato de compra e venda, independentemente de descrição da coisa. c) Amparada pela legislação sendo que, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato de compra e venda, prevalecerá a amostra, o protótipo ou o modelo. d) Vedada em razão da proibição da celebração de contrato de compra e venda com base em amostras, protótipos ou modelos. e) Amparada pela legislação sendo que, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato de compra e venda, prevalecerá o contrato celebrado entre as partes. 19. FCC 2014/TRF 3ª Região/Analista Judiciário. Em determinado contrato, o fiador renunciou expressamente ao benefício de ordem. O Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 111 de 119 credor está executando o contrato em razão da dívida não paga requerendo a penhora de imóvel de propriedade do fiador, apesar do devedor ser proprietário de diversos imóveis. Neste caso, a) A renúncia ao benefício de ordem é anulável, uma vez que o fiador possui o direito de exigir, até contestação da lide, que seja executado, primeiramente, os bens do devedor. b) O fiador somente possui o direito de exigir que sejam executados, primeiramente, os bens do devedor se houver bens sitos no mesmo município em que tramita a execução, livres e desembargados. c) O fiador somente possui o direito de exigir que sejam executados, primeiramente, os bens do devedor se houver bens sitos no mesmo município na qual foi celebrado o contrato de locação, livres e desembargados. d) A renúncia ao benefício de ordem é lícita e permitida pelo Código Civil brasileiro. e) A renúncia ao benefício de ordem é nula, uma vez que o fiador possui o direito de exigir, até contestação da lide, que seja executado, primeiramente, os bens do devedor. 20. FCC 2013/TRT 9ª Região/Analista Judiciário. Quanto à compra e venda, a) Quando pura, o contrato respectivo considerar-se-á consumado, obrigatório e perfeito, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. b) O preço da coisa deve ser fixado sempre em dinheiro, vedado que se o estabeleça à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. c) Só pode ter por objeto coisa atual, vedada a transação sobre coisas futuras. d) Uma vez estabelecida, automaticamente transfere o domínio da coisa ao comprador, que se obriga ao pagamento do preço em dinheiro. e) É válido o contrato se for deixada ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço, desde que as partes sejam maiores e capazes. 21. FCC 2013/TJ-PE/Serviços Notariais e de Registro. No tocante à compra e venda, é correto afirmar que a) Salvo convenção em contrário, o comprador responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição. b) Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do comprador, e os do preço por conta do vendedor. c) É defeso que a fixação do preço possa ser deixada ao arbítrio de terceiro que os próprios contratantes designarem ou prometerem designar. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 112 de 119 d) É nula a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. e) A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se- á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. 22. FCC 2013/TJ-PE/Serviços Notariais e de Registro. De acordo com o Código Civil, em relação aos contratos, é correto afirmar que a) Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção, salvo se a aquisição se houver realizado em hasta pública. b) A coisa recebida em virtude de contrato comutativo ou aleatório pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminua o valor. c) Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de umas das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir resolução do contrato, o que poderá ser evitado se, proposta a ação, o réu oferecer-se a modificar equitativamente as condições do contrato. d) A cláusula resolutiva expressa opera em regra condicionada à interpelação judicial. e) No contrato com pessoa a declarar, se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato não produzirá quaisquer efeitos, invalidando-se. 23. FCC 2012/TRF 5ª Região/Analista. NÃO constitue causa para a cessação do mandato, a) A revogação dos poderes outorgados ao mandatário, pelo mandante. b) A morte do mandante. c) O resultado insatisfatório do mandato judicialsem culpa do mandatário. d) A mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes. e) O término do prazo estabelecido na procuração para a conclusão do negócio. 24. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. A venda realizada de ascendente para descendente, sem o expresso consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante, quando casado pelo regime da comunhão parcial de bens é a) Nula. b) Válida. c) Inoficiosa. d) Anulável. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 113 de 119 e) Ineficaz. 25. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. Sobre o mandato, é correto afirmar: a) O mandatário não tem direito de retenção sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, pelo reembolso do que no desempenho do encargo despendeu. b) A morte do mandante não faz cessar imediatamente o mandato quando o negócio já houver começado e houver perigo na demora. c) O terceiro com quem o mandatário tratar os negócios do mandante não poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. d) Quando o mandato for outorgado por instrumento público, não se poderá substabelecer por instrumento particular. e) A conclusão do negócio atribuído ao mandatário não é causa determinante para a cessação do mandato. 26. FCC 2012/TRF 5ª Região/Execução de Mandatos. Se o condômino de coisa indivisível vender sua fração ideal sem dar preferência aos demais condôminos, a) A venda, como ato jurídico, é nula de pleno direito, pois não obedeceu forma prescrita em lei. b) O direito de preferência para ser exercido pelo condômino preterido deverá estar registrado na matrícula do imóvel. c) Não há direito de preferência na propriedade em condomínio de coisa indivisível. d) O condômino preterido poderá, apenas, pedir perdas e danos. e) O condômino preterido, respeitado o prazo legal, pode depositar o preço pelo qual a fração foi vendida a terceiro e havê-la para si. 27. FCC 2012/TRF 2ª/Analista Judiciária. A Fiança a) é admissível em obrigação futura ou condicional. b) não pode possuir valor inferior ao da obrigação principal. c) é uma espécie de garantia real prevista no Código Civil brasileiro. d) é, em regra, um contrato bilateral, oneroso e principal. e) não se extingue com a extinção da obrigação principal. 28. FCC 2012/TRF 2ª/Analista Judiciário. O mandato a) não pode ser verbal, mas pode ser tácito ou expresso, desde que escrito. b) não pode se referir a todos os negócios do mandante, devendo indicar um ou alguns negócios pré-determinados. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 114 de 119 c) é um contrato sinalagmático e intuito personae e pode ser oneroso ou gratuito. d) com cláusula "em causa própria" será extinto por meio da revogação, bem como pela morte de qualquer das partes. e) que contiver cláusula de irrevogabilidade não poderá, em qualquer hipótese, ser extinto pela revogação. 29. FCC 2012/TRE-PR/Analista Judiciário. Os contratos inominados são a) nulos, porque vedados expressamente pelo Código Civil. b) lícitos sem necessidade de observância de qualquer disposição legal, exceto se ilícito seu objeto. c) ilícitos, por contrariarem a ordem pública. d) lícitos, desde que observadas as normas gerais fixadas pelo Código Civil. e) apenas anuláveis, porque a lei os considera inválidos sem cominar sanção. 30. FCC 2012/TRE-PR/Analista Judiciário. Em relação a Contrato, considere: I. É anulável o contrato que tenha por objeto herança de pessoa viva. II. Os contratos atípicos não precisam observar as normas gerais fixadas pelo Código Civil. III. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. IV. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. V. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulam a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, III e IV. b) II, III e IV. c) I, IV e V. d) I, III e V. e) III, IV e V. 31. FCC 2012/TRT 11ª Região/Analista Judiciário. Mario, é solteiro, possui três filhos maiores e uma neta também maior. Mario pretende vender uma de suas casas de praia para sua neta. Neste caso, Mário Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 115 de 119 a) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará do consentimento dos seus filhos, com exceção do pai da menina. b) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará do consentimento de todos os seus filhos. c) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, independentemente do consentimento dos seus filhos. d) não poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, independentemente do consentimento de seus filhos, tendo em vista expressa vedação legal. e) poderá celebrar contrato de compra e venda com sua neta, mas precisará apenas do consentimento do filho que é o pai da menina. 32. FCC 2011 / TRT - 23ª REGIÃO (MT) / Analista Judiciário - Execução de Mandados. Os contratos atípicos a) São anuláveis, mesmo se os que os pretendam celebrar sejam capazes e o objeto seja lícito e possível, se a forma não estiver prescrita em lei. b) São nulos de pleno direito, mesmo que os pretendam celebrar sejam capazes e o objeto seja lícito e possível, porque a forma não é prescrita em lei. c) São válidos, desde que os agentes que os pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e a forma não seja defesa em lei. d) Só têm validade se os que pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e tenha havido prévia homologação judicial. e) Só têm validade se os que pretendam celebrar sejam capazes, o objeto seja lícito e possível e tenha havido prévia aprovação pelo Ministério Público. 33. FCC 2011 / TRT - 14ª Região (RO e AC) / Analista Judiciário - Área Judiciária. Se a coisa recebida em virtude de contrato comutativo apresentar defeitos ocultos que a tornem imprópria ao uso a que é destinada ou lhe diminuam o valor, a) O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço, no prazo de um ano, se a coisa for imóvel, contado da entrega efetiva. b) A responsabilidade do alienante não subsiste se a coisa perecer em seu poder por vício oculto já existente ao tempo da tradição. c) O prazo para o adquirente obter a redibição ou abatimento no preço conta-se da alienação, ficando reduzido a um terço se já estava na posse da coisa. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 116 de 119 d) O alienante sabendo do vício ou defeito da coisa, deverá devolver ao comprador o dobro do que recebeu e o dobro das perdas e danos. e) O alienante desconhecendo o vício ou defeito da coisa, deverá devolver ao comprador o valor recebido, as despesas do contrato, além de perdas e danos. 34.FCC 2011 / TRE-RN / Técnico Judiciário - Área Administrativa. Com relação à Evicção, considere: I. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. II. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou, às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. III. Pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era litigiosa, em razão da soberania do direito de demandar judicialmente. IV. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e IV. b) II, III e IV. c) I e IV. d) I, II e IV. e) I, II e III. 35. FCC 2011 / TRE-RN / Técnico Judiciário - Área Administrativa. Tratando-se de coisa móvel da qual o adquirente já estava na posse, ele, de regra, decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de a) Quarenta e cinco dias contados da alienação. b) Trinta dias contados da alienação. c) Quinze dias contados da alienação. d) Sessenta dias contados da alienação. e) Noventa dias contados da alienação. 36. FCC 2011/TRE-AP/Analista Administrativo-Administrativa. Na compra e venda, salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro e as da tradição a cargo a) do comprador e vendedor, respectivamente. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 117 de 119 b) do comprador. c) do vendedor. d) de 50% para cada parte. e) do vendedor e comprador, respectivamente. 37. 2011 TRT 8ª Região/Juiz do Trabalho Substituto. Acerca dos contratos no Código Civil de 2002, assinale a alternativa INCORRETA: a) O contrato de execução continuada ou diferida pode ser resolvido, por decisão judicial, cujos efeitos retroagirão à data do ajuizamento da ação, no caso de a prestação de uma das partes tornar-se excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. b) Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. c) A retrovenda consiste na possibilidade de o vendedor de coisa imóvel reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. d) Podem ser revogadas por ingratidão as doações se o donatário injuriar gravemente ou caluniar o doador, exceto se a doação se fizer em cumprimento de obrigação natural. e) Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer coisa fungível, exceto de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura, e de dinheiro. 38. FCC 2010/TRE-AC/Analista Judiciário - Área Judiciária. Considere as seguintes assertivas a respeito do contrato aleatório: I. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, exceto se nada do avençado venha a existir. II. Se for aleatório o contrato, por se referir a coisas existentes, mas expostas a risco, assumido pelo adquirente, terá igualmente direito o alienante a todo o preço, posto que a coisa já não existisse, em parte ou de todo, no dia do contrato. III. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a existir em qualquer quantidade, terá Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 118 de 119 também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. De acordo com o Código Civil brasileiro, está correto o que se afirma APENAS em a) I. b) I e II. c) I e III. d) II. e) II e III. 39. FCC 2010/TRF 4ª Região/Analista Judiciário. Com relação aos contratos, é INCORRETO afirmar: a) Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. b) Em regra, reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. c) Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. d) O contrato preliminar, inclusive quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. e) Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto, dentre outras hipóteses, se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. 40. 2010/TRT 15ª Região/Magistratura do Trabalho. Em relação aos contratos é incorreto afirmar que: a) Se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em decorrência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, o devedor poderá pedir a sua resolução; b) No caso da prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, os efeitos da sentença que decretar a resolução contratual retroagirão à data em que ocorreu o acontecimento extraordinário e imprevisível; c) No caso da prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, a resolução poderá ser evitada caso o réu se proponha a modificar equitativamente as condições do contrato; d) Se as obrigações couberem a apenas uma das partes, ela poderá pleitear que sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, fim de evitar a onerosidade excessiva; e) Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes pode, antes de cumprida sua obrigação, exigir o implemento da do outro. Direito civil para TRF 2ª Região ʹ AJAJ. Professores: Aline Santiago e Jacson Panichi. Aula - 07 Profs. Aline Santiago e Jacson Panichi www.estrategiaconcursos.com.br Página 119 de 119 Gabarito: 1.A 2.D 3.D 4.D 5.C 6.E 7.D 8.A 9.D 10.A 11.E 12.A 13.D 14.A 15.A 16.D 17.E 18. C 19.D 20.A 21.E 22.C 23.C 24.D 25.B 26.E 27.A 28.C 29.D 30.E 31.B 32.C 33.A 34.D 35.C 36.A 37.A 38.E 39.D 40.B