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REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 1 
 
 
Aula 3: A transformação no campo da prova penal ...................................................................... 2 
Introdução ............................................................................................................................. 2 
Conteúdo ................................................................................................................................ 2 
Análise da Lei 11.690/08 ................................................................................................... 2 
O sistema de valoração da prova ................................................................................... 3 
Elementos informativos e prova ..................................................................................... 4 
Artigo 155 ............................................................................................................................ 5 
Tipos de provas do Artigo 155 ........................................................................................ 5 
Artigo 156, do CPP, alterado pela Lei 11.690/08 .......................................................... 6 
Os pontos relevantes do Artigo 156 ............................................................................... 7 
Prova pericial .................................................................................................................... 12 
O perito .............................................................................................................................. 13 
Corpo de delito ................................................................................................................ 14 
Violação de direitos autorais ......................................................................................... 15 
Sistema de apreciação do laudo pericial..................................................................... 16 
Exame complementar ..................................................................................................... 17 
Atividade proposta .......................................................................................................... 17 
Aprenda Mais ....................................................................................................................... 18 
Referências........................................................................................................................... 18 
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 19 
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 26 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 2 
 
 
Introdução 
Nesta aula, serão estudadas as transformações no campo da prova penal. 
Analisaremos as recentes alterações no Código de Processo Penal no que tange 
à prova conferida pela Lei 11.690/08. 
 
Objetivo: 
1. Estabelecer as transformações no campo da prova penal; 
2. Analisar as espécies de provas previstas no ordenamento jurídico sob a ótica 
da Lei 11.690/08. 
Conteúdo 
Análise da Lei 11.690/08 
Iniciaremos nossos estudos com uma análise sobre a Lei 11.690/08: 
 
1 - Artigo 155, do CPP, alterado pela Lei 11.690/08 
Estabelece o Artigo 155 do CPP que: “o juiz formará sua convicção pela livre 
apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo 
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos 
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. 
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as 
restrições estabelecidas na lei civil.” (NR) 
 
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O sistema de valoração da prova 
O primeiro ponto importante sobre esse artigo é a análise do sistema de 
valoração da prova. São três os sistemas, a saber: 
 
1º Sistema – Sistema da Íntima Convicção do Juiz - Permite que o 
magistrado avalie a prova com ampla liberdade, porém, sem a obrigação de 
fundamentar sua convicção. 
Esse sistema possui uma vantagem, que é a liberdade. O juiz pode emprestar o 
valor que entender devido a qualquer prova. O problema é a desnecessidade de 
fundamentação. Esse sistema, no Brasil, é aplicável apenas no Tribunal do Júri, 
onde os jurados não são obrigados a fundamentar seu voto. 
 
2º Sistema – Sistema da Prova Tarifada ou Sistema da Certeza Moral 
do Legislador - A lei atribui o valor a cada prova, cabendo ao juiz 
simplesmente obedecer ao mandamento legal. Aqui, o legislador estabelece 
uma valoração para cada tipo de prova e o juiz não tem liberdade. No Brasil, 
esse sistema não é plenamente adotado, mas é possível vislumbrar sua 
aplicação em alguns casos, como por exemplo, a prova pericial de crime 
material que deixa vestígio. 
 
3º Sistema – Sistema da Persuasão Racional do Juiz ou Sistema do 
Livre Convencimento Motivado - É o sistema adotado pelo constituinte 
originário, conforme se depreende do Artigo 93, IX. O juiz pode usar qualquer 
prova, mas tem que fundamentar o seu convencimento. 
 
 
 
 
 
 
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Atenção 
 Esse sistema possui os seguintes efeitos: 
• Não existe prova com valor absoluto. Toda prova tem valor 
relativo, mesmo a confissão. 
• O juiz deve valorar todas as provas produzidas no processo, 
mesmo que seja para rechaçá-las. O juiz é obrigado a valorar a 
prova. Um álibi inconsistente tem que ser afastado, sob 
argumento fundamentado. 
• Somente são válidas as provas constantes do processo, ou 
seja, conhecimentos privados do juiz não podem ser usados 
como prova. O juiz não pode se valer daquilo que ele sabe para 
condenar alguém. Se ele presenciou um crime, será usado como 
testemunha. 
 
Elementos informativos e prova 
Os elementos informativos mencionados pelo legislador são aqueles colhidos na 
fase investigatória. E são colhidos sem a participação dialética das partes. 
Sendo assim, não há que se falar em contraditório. Apesar de não terem sido 
colhidos sob o crivo do contraditório, são relevantes para a fundamentação de 
medidas cautelares. 
 
O Inquérito Policial também é importante para a formação da opinio delicti que, 
nada mais é do que a convicção do titular da ação penal no sentido de oferecer 
denúncia, pedir arquivamento, declinação de competência, etc. 
Em relação à prova, você vai ter que lembrar, que vai ser, em regra, colhida na 
fase judicial. Há participação dialética das partes. A prova é colhida na presença 
do juiz e, com o detalhe extremamente importante, que é a aplicação do 
princípio da identidade física do juiz. Como já dito anteriormente, esse princípio, 
até 2008, era exclusivo do processo civil, agora também passa a ser adotado no 
processo penal. 
 
 
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Artigo 155 
O Artigo155 traz o advérbio “exclusivamente” no que diz respeito aos 
elementos informativos. Devemos entender o seguinte: os elementos 
informativos, isoladamente considerados, não são aptos a fundamentar uma 
sentença condenatória. 
Essa é uma premissa básica. O juiz não pode só usar o inquérito para 
fundamentar sua sentença. No entanto, não devem ser completamente 
ignorados, podendo-se somar à prova produzida em juízo, servindo como mais 
um elemento na formação da convicção do juiz. 
Tipos de provas do Artigo 155 
Ainda de forma a esgotar o estudo do Artigo 155, temos que explicar conceitos 
de provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. 
 
Provas cautelares 
São aquelas em que existe um risco do desaparecimento do objeto da prova 
em razão do decurso do tempo. Se não for realizada nesse exato momento, 
talvez amanhã você não consiga mais produzi-la. 
Nas provas cautelares, por razões óbvias, o contraditório não se dá no 
momento de produção da prova. Sendo assim, diz-se que o contraditório é 
diferido.Provas não repetíveis 
São aquelas que não têm como ser novamente coletadas ou produzidas, em 
virtude do desaparecimento ou destruição da fonte probatória. 
Apesar de os dois conceitos serem parecidos, diferenciam-se no sentido de que, 
em regra, a prova cautelar depende de autorização do juiz. Já a prova não 
repetível, não. Melhor exemplo de prova não repetível: perícia no crime de 
lesões corporais, perícia num crime de estupro. Se não faço imediatamente, 
talvez a materialidade já não possa mais ser aferida pelo perito. A perícia não 
depende de autorização judicial. O delegado de polícia não precisa pedir 
autorização judicial. 
 
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Atenção 
 Em relação à prova não repetível, o contraditório também é 
diferido. E apesar de o CPP estabelecer agora a possibilidade de 
nomeação de um assistente técnico, essa nomeação somente 
será possível na fase judicial, conforme dispõe o Artigo 159 §5º 
do CPP. 
159 § 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido, às 
partes, quanto à perícia: II - indicar assistentes técnicos que 
poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou 
ser inquiridos em audiência. 
 
Provas antecipadas 
São aquelas produzidas com a observância do contraditório real, perante o juiz, 
antes de ser o momento processual oportuno e até mesmo antes de iniciado o 
processo, em razão de sua relevância e urgência. 
Aqui, o contraditório não é diferido, ele é real. Acontece no momento da 
produção da prova. Ele acontece para a realização da prova. Ela é produzida na 
presença do juiz, com as partes, acusação e defesa. E é produzida de maneira 
antecipada por conta da urgência. Pode surgir tanto na fase do IP, quanto no 
processo. Exemplo de prova antecipada que vem sendo citada pela doutrina 
são os Artigos 225 e 366 do CPP. E quem regulamenta o procedimento da 
prova antecipada é o CPC, nos Artigos 846 a 851. 
 
Artigo 156, do CPP, alterado pela Lei 11.690/08 
A antiga redação do Artigo 156 estabelecia que: 
 
 
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Artigo 156 - A prova da alegação incumbirá a quem a fizer; mas o juiz poderá, 
no curso da instrução ou antes de proferir sentença, determinar, de ofício, 
diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
 
 Artigo 156, após o advento da Lei 11.690/2008, definiu que: 
 
Artigo 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, 
facultado ao juiz de ofício: (Alterado pela L-011.690-2008) 
I - ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de 
provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, 
adequação e proporcionalidade da medida; (Acrescentado pela L-011.690-
2008) 
II - determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a 
realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
 
Os pontos relevantes do Artigo 156 
Assim como foi feito com o Artigo 155, iremos agora esmiuçar o Artigo 156 e 
tratar dos pontos relevantes nele envolvidos: 
 
Ônus da prova 
 
Ônus da prova, ou onus probandi, é o encargo que recai sobre a parte de 
provar a veracidade do fato por ela alegado. 
De acordo com a corrente majoritária, a acusação tem que provar a existência 
de fato típico e também é obrigada a provar a autoria e a relação de 
causalidade (daí a importância do exame de corpo de delito). Por último, deve 
também comprovar o elemento subjetivo. 
Em relação à prova do elemento subjetivo, alguns pontos podem ser 
destacados: em relação a isso, a gente sabe que a conduta ou é dolosa ou é 
culposa? 
A culpa, não há dúvida alguma, deve ser provada pela acusação. Por isso, você 
tem que provar que o acusado dirigia a 190 km, por exemplo. E o dolo? Será 
 
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que a acusação tem que provar o dolo? Dolo é a vontade livre e consciente de 
praticar fato tipificado. Eu pego o revólver aponto para alguém e efetuo quatro 
disparos na altura da cabeça. Não acertei nenhum. Ele sobreviveu. Por qual 
crime eu responderei? Tentativa de homicídio ou disparo de arma de fogo? No 
interrogatório, o juiz vai dizer: “Acusado, você efetuou quatro disparos, 
portanto, queria matar”. Aí, ele diz que não queria matar, só queria dar um 
susto. Mas é evidente que não dá para acreditar nesse susto. Isso é tentativa 
do homicídio. O problema é que é difícil a comprovação do dolo, porque o dolo 
é elemento subjetivo. É algo que se encontra na mente do agente. Por isso, 
alguns doutrinadores dizem que o dolo seria presumido. Em uma ordem 
constitucional que consagra o princípio da presunção de inocência ou da não 
culpabilidade, melhor resposta é que a acusação deve provar, não só a culpa, 
como também o dolo. E como é que eu provo o dolo? A prova do dolo é feita a 
partir da análise dos elementos objetivos do caso concreto. 
 
Já a defesa, de acordo com a corrente majoritária, tem que provar eventuais 
fatos modificativos, impeditivos ou extintivos, como por exemplo, excludentes 
de ilicitude, de culpabilidade e causas extintivas da punibilidade. 
 
No entanto, a distribuição do ônus da prova não é algo pacífico na doutrina. De 
acordo com o entendimento minoritário, deve ser aplicado o princípio da 
presunção da inocência ou da não culpabilidade, segundo o qual ninguém será 
considerado culpado até o trânsito em julgado. Desse princípio deriva a regra 
probatória, ou seja, o MP tem que provar tudo porque, na dúvida, absolvo. Ou 
seja, de acordo com essa segunda corrente, basicamente, o ônus da prova, no 
processo penal, seria exclusivo da acusação, devendo a acusação provar, não 
só a tipicidade (já que a tipicidade não é o único elemento do crime), mas 
deveria também provar a ilicitude e a culpabilidade do agente. Essa corrente 
minoritária foi reforçada pela nova redação trazida pelo Artigo 386 do CPP. 
 
Artigo 386 - O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, 
desde que reconheça: VI - existirem circunstâncias que excluam o crime ou 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 9 
isentem o réu de pena (Artigos 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do Artigo 28, todos do 
Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; 
(Alterado pela L-011.690-2008) 
 
Significa dizer que o juiz vai absolver o acusado quando estiver convencido de 
uma causa excludente de ilicitude ou de culpabilidade. Se ao final do processo, 
o juiz tiver alguma dúvida se ele matou ou se matou por legítima defesa, 
deverá absolver em razão do in dubio pro reo. A corrente minoritária alega 
então o seguinte: se a dúvida está gerando absolvição, não há que se falar em 
ônus da prova da defesa, podendo-se concluir que a defesa não possui ônus da 
prova no processo penal. 
 
O juiz inquisidor 
 
Ainda de acordo com a nova redação do Artigo 156: A prova da alegação 
incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: (Alterado 
pela L-011.690-2008). Uma coisa é o juiz agir provocado. Quando isso 
acontece, não há problema, porque é para isso que ele está lá. O problema é 
quando você permite que o juiz saia por aí agindo de ofício. Com a nova 
redação do Artigo 156, o juiz vai poder agir de ofício: 
I - ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de 
provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, 
adequação e proporcionalidade da medida; (Acrescentado pela L-011.690-
2008) – ou seja, antes do início da ação penal. 
II - determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a 
realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. - durante o 
curso do processo. Mas será que o juiz pode agir de ofício? Estaria de acordo 
com uma Constituição que consagra o sistema acusatório? Não haveria violação 
à própria imparcialidade? 
Quando se fala em juiz inquisidor, a referência que se faz é ao juiz que 
participava do sistema inquisitorial. Quais são as diferenças do sistema 
inquisitorial parao acusatório, que é o adotado pela CF no Artigo 129, I? 
http://www.dji.com.br/leis_ordinarias/2008-011690/2008-011690.htm
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 10 
 
 
SISTEMA INQUISITORIAL SISTEMA ACUSATÓRIO (CF/88) 
Há extrema concentração de poder 
nas mãos do órgão jurisdicional, 
que acumula as funções de acusar, 
defender e julgar. 
Separação das funções de acusar, 
defender e julgar. 
Caracteriza-se por não haver 
publicidade. 
Há publicidade. 
O acusado é considerado mero 
objeto de investigação, não é titular 
de direitos perante o Estado-Juiz. 
Vigência do contraditório e da 
ampla defesa. Aqui, o acusado é 
sujeito de direitos. Passa a ser 
titular de direitos perante o Estado-
Juiz. 
 
O juiz inquisidor investigava, defendia e julgava. No sistema acusatório, o 
MP, com o auxílio da polícia, investiga e acusa. O juiz, depois, julga. O juiz 
é excluído dessa função investigatória e preserva nele o que há de mais 
importante, que é exatamente o quê? A sua imparcialidade. Ao separar as 
funções, visa-se preservar a imparcialidade do juiz. Mas, então, se o 
sistema adotado é o acusatório, pode o juiz produzir prova de ofício? 
 
Alguns doutrinadores usam uma terminologia para diferenciar isso e vão 
dizer o seguinte: Se houver a produção de provas de ofício pelo juiz ANTES 
do processo - Iniciativa Acusatória, já se a produção de provas de ofício 
pelo juiz for DURANTE o processo - Iniciativa Probatória. 
Não é possível que o juiz queira produzir prova de ofício antes do início do 
processo, pois se isso for feito, estará atuando como verdadeiro juiz 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 11 
inquisidor. E, além de violar o sistema acusatório, também terá prejudicada 
sua imparcialidade. 
 
No entanto, durante o curso do processo, isso é considerado válido, porque 
se o juiz atuar de maneira subsidiária, com base no princípio da busca da 
verdade (princípio outrora conhecido como da verdade material), é 
possível, desde que ele não queira se substituir as partes. 
 
Artigo 3º, da Lei 9.034/95 
 
Quanto a esse juiz inquisidor, é muito importante lembrar do Artigo 3º, da Lei 
9.034/95, Lei das Organizações Criminosas. 
Art. 3º Nas hipóteses do inciso III do Artigo 2º desta lei (de quebra de sigilo 
bancário, financeiro, fiscal e eleitoral), ocorrendo possibilidade de violação de 
sigilo preservado pela Constituição ou por lei, a diligência será realizada 
pessoalmente pelo juiz, adotado o mais rigoroso segredo de justiça. 
Esse artigo 3º dizia que o juiz, pessoalmente, ia ser responsável pela quebra 
desses sigilos e isso foi questionado na ADI 1570. Foi entendido pelo STF que, 
em relação aos sigilos bancário e financeiro, o Artigo 3º teria sido revogado 
pelo advento da Lei Complementar 105/01, lei essa que passou a regulamentar 
a quebra do sigilo bancário e financeiro. 
 
 
Atenção 
 Em relação aos sigilos fiscal e eleitoral, concluiu o STF pela 
inconstitucionalidade do Artigo 3º por violação do princípio da 
imparcialidade e do sistema acusatório. 
Ora, pela leitura do Artigo 156, inciso I, que permite que o juiz, 
de ofício, saia, antes do início da ação penal, produzindo provas, 
haverá, segundo a doutrina, a mesma inconstitucionalidade, 
pelos mesmos fundamentos da inconstitucionalidade reconhecida 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 12 
na 9034/95. 
 
Prova pericial 
Perícia é o exame feito por pessoas com conhecimentos técnicos, indispensável 
para a comprovação de fatos que interessam à decisão da causa. 
 
Muitas vezes, o juiz precisa do auxílio de um conhecimento técnico-
especializado para aferir questões relacionadas à materialidade e à autoria. 
Em regra, a autoridade policial pode determinar a realização de qualquer perícia 
no curso do inquérito policial, por força do que dispõe o Artigo 6º do CPP. 
Art. 6º - Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a 
autoridade policial deverá: VII - determinar, se for caso, que se proceda a 
exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias. 
No entanto, no curso de um inquérito, não é possível que se determine o 
exame de sanidade mental, conforme dispõe o Artigo 149 §1º do CPP. 
 
 
Atenção 
 Artigo 149 - Quando houver dúvida sobre a integridade mental 
do acusado, o juiz ordenará, de ofício ou a requerimento do 
Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, 
descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido 
a exame médico-legal. 
§ 1º - O exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, 
mediante representação da autoridade policial ao juiz 
competente. 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 13 
O perito 
Perito é a pessoa que possui uma formação cultural especializada (portador de 
diploma de curso superior, tanto para o perito oficial quanto para o não oficial) 
e que traz seus conhecimentos ao processo auxiliando o juiz e as partes na 
descoberta da verdade. 
 
Havia uma discussão acerca de quantos peritos oficiais seriam necessários para 
a realização de uma perícia. Hoje, pelo novo teor do Artigo 159, essa discussão 
perdeu a razão de ser. 
Artigo 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por 
perito oficial, portador de diploma de curso superior. (Alterado pela L-011.690-
2008) 
Hoje, com a nova redação do Artigo 159, em virtude da Lei 11.690, caso o 
exame seja feito por perito oficial, basta um só perito. 
 
Perito não oficial é a pessoa nomeada pelo juiz ou pela autoridade policial 
para realizar determinada perícia. Também tem que ser portador de diploma de 
curso superior. Sua nomeação é sempre subsidiária. A regra é buscar primeiro o 
perito oficial. Caso não haja perito oficial, aí eu me socorro de um perito não 
oficial. 
 
E em se tratando de perito não oficial, são sempre dois peritos, sendo 
obrigatório que esse perito não oficial preste compromisso de bem 
desempenhar sua função. 
Caso essa perícia seja feita por apenas um perito não oficial, trata-se de 
nulidade relativa. A ausência do compromisso é considerada mera 
irregularidade. 
A própria Lei 11.690 previu a perícia complexa. Seria uma perícia que abrange 
mais de uma área de conhecimento técnico. Apesar de a lei dizer perícia 
complexa, é fácil perceber que há várias perícias numa só. Neste caso, será 
possível a designação de mais de um perito oficial. 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 14 
É o que diz o Artigo 159, § 7: 
§ 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de 
conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um 
perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. 
 
O assistente técnico é uma novidade no processo penal. Até pouco tempo, essa 
figura só existia no processo civil. Trata-se de um auxiliar das partes dotado de 
conhecimentos científicos que traz ao processo informações especializadas 
relacionadas ao objeto da perícia. 
O perito está sujeito às mesmas causas de impedimento e suspeição do juiz, já 
que possui o dever de imparcialidade. Já o assistente não está sujeito a essas 
causas de impedimento ou suspeição. 
Diante do teor dos §§ 3º, 4º e 5º, do CPP, a intervenção do assistente somente 
será possível durante o curso do processo judicial, após sua admissão pelo juiz, 
e após a elaboração do laudo pelos peritos oficiais. 
 
Corpo de delito 
Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais ou visíveis deixados pela 
infração penal. A palavra corpo não significa corpo, mas conjunto. Corpo de 
delito, basicamente, está ligado à materialidade do delito. Sabemos que, 
geralmente, no processo, essa materialidade é comprovada. Os problemas 
estão ligados à autoria. Em 95% dos casos, a autoria não consegue ser 
apurada, mas a materialidade sim. 
 
O exame de corpo de delito é aquele feito pelo perito do qual resulta o laudo, 
que é a peça técnica. Em regra, o exame de corpo de delito não é necessário 
para o início do processo. 
 
 
Atenção 
 
 REFORMASPROCESSUAIS PENAIS 15 
 No entanto, há exceções em que o laudo é estritamente 
necessário, como, podemos citar, primeiramente, uma delas: 
Lei de Drogas (Artigo 50, § 1º) – Laudo de Constatação 
Provisório 
Artigo 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de 
polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz 
competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será 
dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) 
horas. 
§ 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e 
estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo 
de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por 
perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. 
 
Violação de direitos autorais 
Outra exceção, na qual o laudo é estritamente necessário ao exame de corpo 
de delito, é a violação de direitos autorais. Entenda como é o seu 
funcionamento: 
A Violação de Direitos Autorais (Crimes contra a propriedade 
imaterial) – Artigo 525, CPP, está localizado no capítulo que trata 
desses crimes: 
 
Artigo 525 - No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denúncia 
não será recebida se não for instruída com o exame pericial dos objetos que 
constituam o corpo de delito. 
Conclui-se, portanto, o seguinte: tanto na Lei de Drogas, quanto nos Crimes 
contra a Propriedade Imaterial, o exame de corpo de delito funciona como 
condição de procedibilidade, ou seja, sem exame o juiz sequer pode receber a 
peça acusatória. 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 16 
Nas infrações ou delitos de fato permanente, ou Delicta facti permanentis, ou 
Infrações penais intranseuntes – infrações que deixam vestígios, o exame de 
corpo de delito será obrigatório. 
Já para os delitos de fato transeunte ou delicta facti transeuntis ou infrações 
penais transeuntes (passageiras), o próprio nome já diz, são crimes que não 
deixam vestígios, como crimes contra a honra e, por isso, não há necessidade 
de realização desse exame. 
 
O exame de corpo de delito pode ser direto ou indireto. O exame de corpo de 
delito direto é aquele feito pelos peritos diretamente sobre o corpo de delito. 
Não há nenhuma controvérsia acerca desse exame. 
Quanto ao exame de corpo de delito indireto, surge a controvérsia. Para um 
primeiro entendimento, o exame indireto ocorre quando a prova testemunhal 
ou documental supre a ausência do exame direto, em virtude do 
desaparecimento dos vestígios deixados pela infração penal (posição que tem 
prevalecido na jurisprudência). Esse é basicamente o conceito do Artigo 167 do 
CPP. 
 
Artigo 167 - Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem 
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. 
Já um segundo entendimento sustenta que o exame indireto é um exame feito 
pelos peritos, porém a partir da análise de documentos ou do depoimento das 
testemunhas. 
 
Sistema de apreciação do laudo pericial 
São dois sistemas de apreciação do laudo: 
 
a) Sistema vinculatório – O juiz fica vinculado ao laudo pericial. 
b) Sistema liberatório – O juiz pode aceitar ou rejeitar o laudo pericial. 
 
A partir do momento em que o Código adota o Sistema do Livre Convencimento 
Motivado ou Sistema da Persuasão Racional do Juiz, não há dúvida alguma de 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 17 
que o juiz não fica preso ao laudo, podendo decidir contrariamente ao laudo, 
conforme estabelece o Artigo 182 do CPP “O juiz não ficará adstrito ao laudo, 
podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte”. 
 
Exame complementar 
Talvez, o único exame importante seja o de lesão corporal grave, do qual 
resulta a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias. 
Lembrando que caso este exame não tenha sido feito, a prova testemunhal 
poderá suprir a ausência. 
 
Artigo 168 - Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial tiver sido 
incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação da 
autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério 
Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. 
 
Atividade proposta 
PM prende suspeito de tráfico e acha drogas dentro de casa em 
Guarujá, SP 
Dentro da casa foram encontradas porções de crack, cocaína e maconha. 
Prisão foi realizada pelo Batalhão de Ações Especiais, em Guarujá. 
Um homem foi preso, na noite desta quarta-feira (22), com várias porções de 
drogas dentro de uma casa em Guarujá, no litoral de São Paulo. A prisão foi 
realizada pelo Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar. 
Os policiais do BAEP encontraram o homem com várias embalagens de cocaína, 
maconha e crack. A droga estava em uma casa no bairro Perequê. No local, 
também havia um caderno com anotações de venda das drogas. 
O homem foi encaminhado para a Delegacia Sede de Guarujá, onde foi 
registrado o caso e será investigado o crime. 
 
No caso ora apresentado, as substâncias foram apreendidas pela polícia ao 
ingressarem na residência do acusado sem mandado, durante a noite. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 18 
Com base nos estudos realizados, discorra sobre a necessidade de 
mandado para apreensão do material bem como sobre o horário de 
realização da diligência. 
 
Chave de resposta: Você deverá reconhecer desnecessidade de mandado no 
caso de flagrante delito, sendo exceção constitucional a ingresso na residência, 
nesses casos, independentemente do horário de realização da diligência. 
 
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Material complementar 
 
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em nossa biblioteca virtual. 
 
 
 
 
Referências 
LOPES Jr., Aury. Direito Processual Penal. 9. ed. Rio de Janeiro: Saraiva, 
2012. 
OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 16 ed. Rio de 
Janeiro: Atlas, 2012. 
PRADO, Geraldo. Sistema acusatório: A Conformidade Constitucional das Leis 
Processuais Penais. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001. 
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 18. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2010. 
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Manual de Processo Penal. 13. ed. 
São Paulo: Saraiva, 2010. 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 19 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Assinale a alternativa correta. 
a) Suspenso o curso do processo e do prazo prescricional em razão de 
citação por edital, possível a produção antecipada da prova testemunhal 
cujo fundamento seja o mero decurso do tempo, haja vista que a 
passagem do tempo propicia um inevitável esquecimento dos fatos. 
b) Desde a entrada em vigor da Constituição Federal, lícita é a prova 
produzida a partir da realização de interceptação telefônica, desde que 
obedecidos os requisitos constitucionais, independente de prévia 
existência de lei federal regulamentadora. 
c) Em ação penal pública instaurada contra determinados réus é possível 
que, no caso da morte de uma testemunha, a acusação obtenha uma 
certidão de inteiro teor do depoimento por ela prestado em outra ação 
penal, que poderá ser valorada pelo juiz competente, 
independentemente da participação dos acusados no processo em que a 
prova foi produzida. 
d) O interrogatório por videoconferência, a partir do advento da lei federal 
no 11.900/2009, foi incorporado à legislação processual brasileira como 
regra a ser obedecida pelo Poder Judiciário, a fim de reduzir os custos 
com o transporte dos presos provisórios, desde que garantido o direito 
de entrevista prévia e reservada com o defensor. 
e) Produzida prova ilícita em sede inquisitiva, as provas que dela derivarem, 
mesmo que produzidas exclusivamente em fase acusatória, serão 
consideradas ilícitas por derivação. 
 
Questão 2 
No tocante à prova no processo penal, é INCORRETO afirmar que: 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 20 
a) é facultado ao juiz determinar, no curso da instrução, ou antes de 
proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre 
ponto relevante. 
b)o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em 
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão 
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, 
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis ou antecipadas. 
c) o exame de corpo de delito realizado por perito oficial somente poderá 
ser feito durante o dia. 
d) quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo 
de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do 
acusado. 
e) durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à 
perícia, requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para 
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os 
quesitos ou questões a serem esclarecidos sejam encaminhados com 
antecedência mínima de dez dias, podendo apresentar as respostas em 
laudo complementar. 
 
Questão 3 
A respeito das perícias, segundo o Código de Processo Penal (CPP), assinale a 
alternativa correta. 
a) Os quesitos são questões formuladas acerca de um assunto genérico, 
que exigem, como respostas, opiniões ou pareceres. 
b) Os instrumentos empregados para a prática da infração serão sujeitos a 
exame, a fim de se lhes verificar a natureza, independentemente de sua 
eficiência. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 21 
c) É possível que uma necropsia seja feita durante um feriado ou de 
madrugada, pois, segundo o CPP, o exame de corpo de delito poderá ser 
feito em qualquer dia e a qualquer hora. 
d) O exame de corpo de delito não é espécie de prova tarifada. 
e) O CPP não determina que os peritos, ao findarem o exame, guardem 
material suficiente do produto analisado para a realização, se for o caso, 
de contraprova.Parte inferior do formulário. 
 
Questão 4 
Quanto ao exame do corpo de delito, segundo o CPP, assinale a alternativa 
correta. 
a) A única fórmula legal para preencher a falta do exame do corpo de delito 
é a colheita de depoimentos de testemunhas. 
b) A confissão do réu pode suprir o exame do corpo de delito. 
c) O exame do corpo de delito é a materialidade do crime, isto é, a prova 
de sua existência. 
d) Inexistindo possibilidade de os peritos terem acesso, ainda que indireto, 
ao objeto a ser analisado, não se pode suprir o exame de corpo de delito 
por testemunhas. 
e) O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito 
não oficial. 
 
Questão 5 
Acerca dos indícios, dos peritos e dos intérpretes, assinale a alternativa correta. 
a) Inexiste vedação legal para exercer a função de perito para quem tiver 
prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente a respeito 
do objeto da perícia. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 22 
b) Os intérpretes não se equiparam aos peritos, haja vista possuírem 
funções diferentes no processo penal. 
c) Às partes é permitido intervir na nomeação do perito. 
d) As presunções e os indícios são provas diretas. 
e) Indício é todo e qualquer fato, sinal, marca ou vestígio, conhecido e 
provado, que, por sua relação necessária ou possível com outro fato, que 
se desconhece, prova ou leva a presumir a existência deste último. Parte 
inferior do formulário. 
 
Questão 6 
Acerca do exame de corpo de delito e das perícias em geral, segundo o Código 
de Processo Penal (CPP), assinale a alternativa correta. 
a) Se houver omissões ou contradições no laudo, a autoridade judiciária, ou 
o Ministério Público, mandará complementar ou esclarecer o laudo. 
b) Em caso de exame por precatória, a nomeação dos peritos far-se-á no 
juízo deprecante. 
c) Ainda que haja divergência entre os peritos, deverão redigir em conjunto 
o laudo, mas a autoridade nomeará um terceiro perito. Se este divergir 
de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por 
outros peritos. 
d) Se for impossível a avaliação direta de coisas destruídas, deterioradas ou 
que constituam produto do crime, o perito fará a referida avaliação por 
meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de 
diligências. 
e) O juiz ou a autoridade policial poderá negar a perícia requerida pelas 
partes quando não for necessária ao esclarecimento da verdade, 
inclusive o exame de corpo de delito.Parte inferior do formulário. 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 23 
Questão 7 
Segundo o disposto no Código de Processo Penal, consideram-se indícios: 
a) a circunstância conhecida mas ainda não provada que, tendo relação 
com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou 
outras circunstâncias. 
b) o conjunto dos meios de prova de autoria e materialidade que autorize o 
oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público. 
c) a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, 
autorize o indiciamento do investigado. 
d) a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, 
autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras 
circunstâncias. 
e) o conjunto dos elementos de prova de autoria e materialidade que 
autorize o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público. 
Parte inferior do formulário. 
 
Questão 8 
Determina o artigo 156 do CPP que a prova da alegação incumbirá a quem a 
fizer. Tal norma: 
a) é relativizada, pois o juiz pode ordenar, mesmo antes de iniciada a ação 
penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e 
relevantes. 
b) é corolário do Estado Democrático de Direito, pois apenas ao acusado, 
tecnicamente assistido por advogado, é franqueado o direito de provar o 
que entende relevante para o sucesso de seus argumentos. 
c) consagra o princípio da imparcialidade da jurisdição, pois ao Estado-Juiz 
é defeso realizar diligências de ofício no curso do processo. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 24 
d) consagra o princípio do in dubio pro reo, pois o juiz não pode determinar 
de ofício a produção de prova que aproveite a tese da parte autora. 
e) consagra o princípio da inércia judicial, pois o julgador não poderá 
determinar a produção de provas no curso da ação penal.Parte inferior 
do formulário. 
 
Questão 9 
Em matéria de prova, vige no processo penal o livre convencimento motivado. 
Todavia, o STJ fixou entendimento (súmula 74) estabelecendo que: 
a) para a decretação da extinção da punibilidade pela morte do acusado, é 
necessário que venha aos autos original ou cópia autenticada de certidão 
de óbito. 
b) a prova de idade de acusado maior de 70 anos, a fim de obter o 
benefício da prescrição pela metade, faz-se apenas por documento oficial 
válido e original. 
c) o reconhecimento da menoridade do acusado requer prova por 
documento hábil. 
d) a renúncia ao direito de queixa deve ser feita por escrito e na presença 
de testemunhas numerárias. 
e) a delação premiada só é válida se colhida na presença de órgão do 
Ministério Público e advogado constituído. 
 
Questão 10 
Em relação ao exame do corpo de delito, é correto afirmar, de acordo com o 
Código de Processo Penal: 
a) O exame de corpo de delito somente pode ser feito durante o dia. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 25 
b) É vedado ao acusado requerer a oitiva do perito em audiência, sob pena 
de desvirtuamento da natureza deste meio de prova, que na essência é 
documental. 
c) Não existe previsão legal que permita ao assistente de acusação formular 
quesitos e indicar assistente técnico no curso do processo judicial. 
d) Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de 
conhecimento especializado, poder- se-á designar a atuação de mais de 
um perito oficial. 
e) O perito oficial que realizar exame de corpo de delito não precisa ser 
portador de diploma de curso superior, bastando que tenha 
conhecimento técnico relacionado com a natureza do exame. 
 
 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 26 
 
 
Questão 1 - E 
Justificativa: As provas derivadas das provas ilícitas são consideradas inválidas, 
de acordo com o artigo 157§1º, primeira parte doCPP. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: Não é possível haver determinação quanto à realização do horário 
da produção da prova, uma vez que se não forem produzidas em tempo 
oportuno, correm o risco de se perder, nos termos do artigo 161 do CPP. 
 
Questão 3 - C 
Justificativa: O artigo 161 do CPP determina que o exame de corpo de delito 
poderá ser realizado a qualquer dia e a qualquer hora. 
 
Questão 4 - A 
Justificativa: Estabelece o artigo 167 do CPP que somente a prova testemunhal 
poderá suprir a falta do exame de corpo de delito. 
 
Questão 5 - E 
Justificativa: Estabelece o artigo 239 do CPP que indício é a circunstância 
conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, 
concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. 
 
Questão 6 - D 
Justificativa: Artigo 172, Parágrafo único, CPP : Se impossível a avaliação 
direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos 
autos e dos que resultarem de diligências. 
 
 REFORMAS PROCESSUAIS PENAIS 27 
 
Questão 7 - D 
Justificativa: Conforme estabelece o Artigo 239 do CPP. Considera-se indício a 
circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por 
indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. 
 
Questão 8 - A 
Justificativa: Artigo 156 do CPP. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, 
sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: (Redação dada pela Lei nº 11.690, 
de 2008). 
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de 
provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, 
adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 
2008). 
 
Questão 9 - C 
Justificativa: Estabelece a Súmula 74 que: para efeitos penais, o 
reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil. 
 
Questão 10 - D 
Justificativa: Artigo 159 § 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja 
mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a 
atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente 
técnico.

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