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inaugurar. Podia dar às pedras costumes de flor. BARROS, Manoel de. Poemas rupestres. Texto 3 ESTUPOR esse súbito não ter esse estúpido querer que leva a duvidar quando eu devia crer esse sentir-se cair quando não existe lugar aonde se possa ir esse pegar ou largar essa poesia vulgar que não me deixa mentir LEMINSKI, Paulo. La vie en close. Texto 4 A poesia que vale, companheiro, é ― nenhuma. Corrosiva ou heróica, experimental ou discursiva, desconfiada ou altissonante, não importa. Importa sobreviver. No trânsito. Debaixo de tiros. Ou aos trancos. Não faça versos sobre o momento. Nem sobre as palavras Em estado de pânico ou de dicionário. Tampouco sobre estalos, estilos, praias provisórias ou crenças irreparáveis. Deixa, apenas, que se inscreva ― em teu corpo ― a áspera canção do tempo. ESPÍNOLA, Adriano. Lote clandestino . Texto 5 Que este amor não me cegue nem me siga. E de mim mesma nunca se aperceba. Que me exclua do estar sendo perseguida. E do tormento De só por ele me saber estar sendo. 70