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E-BOOK RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Responsabilidade Socioambiental APRESENTAÇÃO Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio. Nesta Unidade Aprendizagem, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você vai ver ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná-lo com os pilares do desenvolvimento sustentável e com as relações de consumo. • Verificar o conceito de capital natural relacionando-o com recursos naturais e impactos socioambientais. • Analisar nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apontando medidas e mecanismos para atingir condições de responsabilidade socioambiental. • DESAFIO O Brasil apresenta em seu território, a maior parcela de Nióbio do mundo. Mesmo este mineral existindo no solo de diversos países, cerca de 98% das reservas conhecidas no mundo estão em nosso País. O país responde atualmente por mais de 90% do volume do metal comercializado no planeta, seguido pelo Canadá e Austrália. O nióbio é um elemento químico usado como liga na produção de aços especiais, e um dos metais mais resistentes à corrosão e a temperaturas extremas. Acompanhe na imgem a seguir o relato da expansão de uma cidade do interior de Minas Gerais. Com base nos conhecimentos adquiridos nesta Unidade de Aprendizagem, responda: 1. Neste caso, pode-se dizer que houve o desenvolvimento sustentável da cidade? 2. O Nióbio (Nb) é considerado um exemplo de capital Natural? 3. Com o aumento repentino da cidade, houve maior quantidade de impactos ambientais positivos ou negativos? 4. Em relação a empresa mineradora, apresente ao menos 2 exemplos de possíveis impactos ambientais negativos no ambiente. INFOGRÁFICO Nesse infográfico, você vai conhecer os principais conceitos sobre a responsabilidade socioambiental, seu papel e importância como conceito e práticas mais éticas e sustentáveis. CONTEÚDO DO LIVRO Ao longo dos últimos cem anos, a concentração de Gases de Efeito Estufa vem aumentando, decorrente da maior atividade industrial, agrícola e de transporte, principalmente devido ao uso de combustíveis fósseis. Porém, pelo fato do Homo sapiens ser considerado a espécies mais inteligente da Terra, temos a obrigação e o dever de proteger e garantir o bem estar deste planeta. Ou seja, temos uma responsabilidade socioambiental muito grande. Nesse capítulo, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade socioambiental, seu papel e importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você vai conhecer ainda as ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, seu próprio meio. Boa leitura. RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Thais Miranda Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 M672r Miranda, Thais. Responsabilidade socioambiental / Thais Miranda. – 2. ed. – Porto Alegre : SAGAH, 2017. xi, 215 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-032-0 1. Meio ambiente - Sociedade. 2. Desenvolvimento sustentável I. Título. CDU 502.131.1:658 Responsabilidade Socioambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identifi car o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná- -lo com os pilares do desenvolvimento sustentável e relações de consumo. Verifi car o conceito de Capital Natural relacionando com recursos naturais e impactos socioambientais. Analisar a nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apon- tando medidas e mecanismos para atingir condições de responsa- bilidade socioambiental. Introdução Neste texto, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e sua importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Iremos ver ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos. Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio. Responsabilidade socioambiental e os pilares do desenvolvimento sustentável A responsabilidade socioambiental é um termo atual, que fi cou muito eviden- ciado no âmbito empresarial, como uma forma de conciliar produtividade, qualidade, ética e bem estar social e ambiental. Voltando sua atenção para condições laborais mais salubres e justas, estendendo-se também para con- dições mais dignas às famílias dos trabalhadores e comunidade de entorno. É preciso considerar que problemas e adversidades locais/pontuais im- pactam e refletem de alguma forma e em algum momento no bem estar de todos. Para alguns autores pode representar um olhar, mecanicista e um tanto tendencioso a interesses corporativos de produção, mas de qualquer forma, é um ponto de partida, um movimento que se inicia de tempos onde “social e ambiental” estavam sempre dissociados entre eles e em segundo plano – sempre inferiores comparados à conjuntura produtiva e econômica. Para melhor compreender o conceito socioambiental é importante conhecer três aspectos conhecidos como, “pilares” da sustentabilidade. Além disso, esses aspectos podem ser as engrenagens mais lógicas e mo- trizes das interações humanas e da vida. De acordo com a imagem a seguir, podemos visualizar os três aspectos: Figura 1. Homem, dinheiro e natureza. Social EconômicoAmbiental Observando a imagem, você pode ver que esses aspectos (social, ambiental e econômico) são mecanismos que não funcionam de forma independente, eles são como um sistema de produção. As maquinas dependem de alguém que as opere, esse suposto operador precisa de ferramentas e materiais para operar, e dessa forma produzindo, então, um subproduto. A última etapa não existe sem as anteriores, e as estas não precisariam existir se não houvesse a última etapa. Responsabilidade socioambiental120 Os círculos azul e verde (social e econômico) são extremamente dependentes entre si e do círculo vermelho (ambiental). É possível notar três fatores: a economia não precisaria existir se não houvesse pessoas ou se não existissem produtos para trocar; a sociedade não existiria sem a economia (dinheiro, produtos e troca), muito menos sem a natureza (água, ar e alimento), e; ironicamente, a única esfera que coexiste independentemente das outras é a ambiental, pois esta não precisa de pessoas e nem de moeda para se manter. As relações de consumo e meio ambiente são claras, pois, a maioria dos produtos exige matéria–prima na produção, na qual provém de recursos na- turais (extraídos da natureza), portanto, quanto maior o consumo, maior são os danos causados ao ambiente de onde os retiramos. O aumento do nosso consumo causa não apenas impactos ambientais, mas também sociais, como poluição da água, ar e contaminações do solo. Na Figura 2, você pode ver o homem interagindo com o ambiente e causando impactos negativos. Figura 2. Prática de extração das castanheiras. Fonte: Século Diário (2014). É importante discutir causas e efeitos da problemática socioambiental. Pois estes estão vinculadas a distintas questões econômicas e geopolíticas, por exemplo, de quesitos que são cruciais a sobrevivência de espécies. Abraham Maslow foi um grande pesquisador que tentou entender a interação do ser humano com suas necessidades. Com isso em mente, ele dividiu as necessidades humanas em níveis hierárquicos, colocando como prioridadeas 121Responsabilidade Socioambiental necessidades de baixo nível, e assim que estas fossem realizadas seguiria até chegar as de nível mais alto, visando à autorrealização. Esta hierarquia ficou conhecida por pirâmide de Maslow. Você pode ver a pirâmide de Maslow e suas hierarquias na Figura 3: Figura 3. Hierarquia das necessidades na pirâmide de Maslow. Autorrealização Estima Sociais Segurança Fisiológicas Teoria das necessidades Pirâmide de Maslow A pirâmide define um conjunto de cinco necessidades: Necessidades fisiológicas (básicas), tais como: a fome, a sede, sono abrigo, etc. Necessidades de segurança, tais como: sentir-se seguro em casa, ter emprego estável, ter condições de cuidar da saúde (plano de saúde), etc. Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos, tais como: pertencer a um grupo, fazer parte de um clube, etc. Necessidades de estima, as quais passam por dois caminhos: o reconhe- cimento da capacidade pessoal e o reconhecimento dos outros mediante a nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos. Necessidades de autorrealização, nas quais o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser. Responsabilidade socioambiental122 Agora pare e reflita sobre a pirâmide de Maslow e sua relação com o capitalismo e com o consumo. Você notará que o ser humano sempre almeja mais em função do meio ao qual ele acessa. Quanto maior a satisfação de suas necessidades “básicas” (fisiológicas, de segurança e sociais), maior é a procura por novas necessidades, alimentadas pelo consumismo e pelo status. Logicamente, diante do sistema econômico vigente (capitalismo), o consumo é a base para a geração de renda, pois ele gera produção, a qual gera empregos. Estes, por sua vez, geram renda e, consequentemente, aumentam o consumo. Capital Natural Você sabe o que é capital natural? A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, como solo, água, ar, os serviços ecossistêmicos associados a eles e tudo o que torna possível a existência hu- mana. Muitas vezes, essas matérias-primas são vistas apenas como meios de produção e nem sempre é dado o devido valor sobre a possibilidade de serem fontes renováveis ou não. Esse uso rotineiro dos recursos naturais acaba sendo feito de forma insustentável. Compreender a importância desses recursos nos ajuda, também, a entender a base de nossa economia, ou seja, é no Capital Natural que estão os elementos que garantem a existência de vida na terra. A somatória de todos os benefícios que os ecossistemas equilibrados for- necem ao homem representa a ideia central de Capital Natural. Tais benefícios podem ser desde o uso de água potável, até conceitos ligados a valores culturais, por exemplo. A compreensão da importância do Capital Natural foi um dos pontos positivos resultantes da Rio +20. Veja na Figura 4, o infográfico com as principais abordagens vinculadas ao meio ambiente: 123Responsabilidade Socioambiental As atividades humanas produzem impactos no meio ambiente. Muitas vezes, achamos que esses impactos sempre são negativos e, realmente, estes são os mais preocupantes. Os impactos estão diretamente relacionados com o aumento crescente das áreas urbanas, multiplicação de veículos automoti- vos, uso irresponsável dos recursos, consumo exagerado de bens materiais, produção constante de lixo e o consumo de produtos e serviços. No entanto, também produzimos impactos positivos, como a recuperação de uma área degradada, a geração de emprego em um novo empreendimento, etc. Relembrando que, segundo a resolução Conama Nº001 de janeiro de 1986, o impacto ambiental é definido como [...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais. Você pode perceberá, portanto, que não apenas as grandes empresas afetam o meio, nós, provocamos impactos ambientais diariamente. Na Figura 5, você pode ver dois exemplos de impactos ambientais. Figura 4. Abordagens vinculadas ao meio ambiente. Principais abordagens vinculadas ao meio ambiente Desenvolvimento sustentável Agenda 21 Capitalismo naturalEducação ambiental Responsabilidade socioambiental124 Positivo: manejo do solo – reconstituição de área degradada. Negativo: descartes de resíduos Figura 5. Aspectos positivos e negativos. Muitas empresas têm uma grande parcela de culpa em relação aos impactos negativos, por exemplo, emitem poluentes diretamente em corpos hídricos, impactam na qualidade da água e na possibilidade de ganhos que acontecem nas comunidades ribeirinhas. As construções de hidroelétricas são outro exemplo de grande impacto ao ambiente e as comunidades locais, pois propiciam alagamentos, que destroem ambientes e fauna e reduzem as possibilidades econômicas locais. Você pode analisar os impactos ambientais qualificando e quantificando estas alterações, avaliando a qualidade ambiental com e sem determinada ação ou empreendimento. 125Responsabilidade Socioambiental Você também pode ajudar a diminuir o impacto ambiental negativo. Veja a seguir algumas dicas: Economize água; Evite o consumo exagerado de energia; Separe os lixos orgânicos e recicláveis; Diminua o uso de automóveis; Consuma apenas o necessário e evite compras compulsivas; Utilize produtos ecológicos e biodegradáveis; Não jogue lixos nas ruas; Não jogue fora objetos e roupas que não usa mais. Opte por fazer doações. Relações existentes entre saúde e meio ambiente É preciso ampliar as discussões entre saúde pública e ambiente. Somos seres consideravelmente vulneráveis, logo “bem estar e saúde” são pautas delicadas e que tem relações diversas com diferentes áreas, visto que, em países que ainda estão em desenvolvimento, um dos grandes problemas da área da saúde é relacionado às condições de saneamento – oferta de água, solo, alimentos em quantidades e qualidades signifi cativas e assistência médica, sempre foram alguns dos obstáculos quando tratado desse assunto, assim como condições e serviços disponíveis ao alcance de todos. Saúde e meio ambiente são um conjunto de aspectos e condições físicas, químicas e biológicas estreitamente ligadas à qualidade de vida. Tais aspectos recebem influencia direta das condições e fatores de um meio ambiente em condições saudáveis, com níveis aceitáveis em qualidade de ar, água e solo. Você precisa entender que “meio ambiente” é todo espaço que cerca a sociedade, ou seja, nossa casa, trabalho, ruas, campo e cidades onde vivemos. Nesse sentido, surge à necessidade de olhar com maior preocupação para a poluição sonora e visual, o trânsito e a falta de mobilidade urbana, além do saneamento básico, as relações pessoais, a água, o ar, enfim, tudo o que possa levar à degradação local e global do ambiente. Responsabilidade socioambiental126 Nossa problemática em relação as interferências do homem no meio am- biente é antiga. Na perseguição por avanços tecnológicos e das metrópoles, o homem foi criando outros problemas mais perigosos, muitas intervenções físico-químicas foram feitas e catástrofes como acidentes nucleares, incêndios, vazamentos de gases, entre outros, que cada vez mais fazem parte do nosso entorno e contato físico. Muitos problemas na saúde das pessoas são causados pelo meio em que vivem, assim, quanto mais urbanizado e industrializado o país se torna, mais o meio ambiente sofre alterações e, consequentemente a população é afetada. Os altos índices de gastroenterites ou doenças parasitárias em comunidades onde há falta de saneamento básico indicam essa influência. Nas Figuras 6 e 7, você pode observar alguns problemas de impactona: Figura 6. Impactos na saúde. Fonte: Parasitologia (2010). 127Responsabilidade Socioambiental Na Figura 8, você pode observar um infográfico que apresenta os fatores mais importantes do meio ambiente e que interferem na saúde humana. Observe que se trata de fatores físicos, químicos e sociais, ou seja, que pertencem ao meio ambiente no seu sentido mais amplo. Figura 7. Problemas no saneamento. Fonte: Obvious (2013). Responsabilidade socioambiental128 O meio ambiente deve ser visto como um sistema complexo em que in- teratuam tanto os componentes físicos e biológicos quanto os econômicos e sociais. Estas interações podem interferir na saúde humana, principalmente quando não existe uma consciência clara desta relação ou quando medidas preventivas não são tomadas, apenas as corretivas. Figura 8. Fatores que interferem na saúde humana. Água para consumo humano Solo Desastres naturais Fatores físicos Ar Contaminantes ambientais e substâncias químicas Acidentes com produtos perigosos Ambiente de trabalho Fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana 129Responsabilidade Socioambiental Em um cenário em que a população mundial e consequentemente a demanda por alimentos é crescente, vários estudos têm demonstrado que em torno de 40% dos solos do mundo estão poluídos e degradados. Tudo isso é preocupante se levarmos em consideração que a natureza leva em torno de 400 anos para formar apenas uma camada de 1 cm de solo. Você precisa saber por meio dos livros de história, várias civilizações importantes tiveram seu declínio intimamente associado à falência de seus sistemas agrícolas, principalmente devido ao esgotamento da saúde de seus solos. O interesse mundial pelo tema qualidade/saúde do solo e água é cres- cente e evidencia a preocupação da sociedade com esse recurso natural. A determinação da qualidade do solo e água não é uma tarefa fácil devido a multiplicidade de fatores químicos, físicos e biológicos que resultam no seu “funcionamento” e suas variações, em função do tempo e espaço. De alguma forma, todos os tipos de componentes que utilizamos e que podem se tornar poluentes entram em contato de alguma forma com o ar, Uma das interações que podem interferir na saúde humana é o aumento do número de indivíduos infectados pela dengue: a) O individuo pode ainda não estar cientes que não se pode deixar água parada em garrafas, pneus, etc. Se essa prática fosse inibida, a aparição dessa doença na população poderia diminuir e até mesmo ser erradicada. b) O estado maior e os representantes da população devem seguir implantando programas preventivos, tais como campanhas de conscientização, recolhimento de lixo e entulhos, limpeza de terrenos desocupados e outros, com objetivo de evitar o surgimento desta doença em épocas de chuvas. Problemas de saneamento. Dengue. Responsabilidade socioambiental130 terra e água; principalmente se dispomos ou descartamos de qualquer forma no ambiente, como próximos de um leito aquático. Lâmpadas fluorescentes e baterias, por exemplo, possuem diversos poluentes e metais pesados, que com contato frequente com o corpo humano e em longo prazo ocasionam em dores, tumores e diversos outros sintomas. Em setembro de 1987, um dos mais graves casos de exposição à radiação do mundo ocorreu em Goiânia (GO), por meio da contaminação pelo material radioativo Césio 137. Na ocasião, dois catadores de lixo arrobaram um aparelho radiológico nos escombros de um antigo hospital e encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul. Os catadores levaram o material radioativo a outros pontos da cidade, contaminando pessoas, água, solo e ar. Pelo menos quatro morreram devido à exposição, e centenas de outras desenvolveram doenças. Medidas e mecanismos para alcançar condições de Responsabilidade Socioambiental Para uma mudança de paradigma é preciso envolver o setor econômico e pri- vado para possibilitar avanços socioambientais. Portanto, a responsabilidade socioambiental corporativa é um conjunto de Políticas e Práticas de condução do negócio, que considera o diálogo entre a empresa e seu entorno (comunidades, empresas, governo, movimento social, ONGs, etc.). Esta área de temática se dedica a parcerias intersetoriais, na busca da melhoria da qualidade de vida das populações no entorno desses grandes empreendimentos, por meio de: a) Efetiva aplicação dos conceitos de Responsabilidade Social e Ambiental, priorizando o diálogo entre corporações e comunidades de seu entorno; b) Desenvolvimento de metodologias de pesquisa-ação que criem siste- mas de monitoramento, baseados em indicadores socioeconômicos e ambientais, capazes de mensurar a melhoria de qualidade de vida e o impacto das atividades empresariais; 131Responsabilidade Socioambiental c) Por meio da pesquisa-ação facilitar a reflexão das comunidades sobre a realidade local e de seu entorno, internalizando os aprendizados em planos de desenvolvimento local e/ou politicagens práticas empresarias; d) Incorporação das temáticas de Gênero nas estratégias de desenvolvi- mento comunitário e nas políticas e práticas empresariais (a gênese das desigualdades e insustentabilidade); e) Implementação de ações para evitar a perda da sociobiodiversidade e para enfrentar as mudanças climáticas. Destaca-se também o princípio da atuação responsável o “Responsible Care”, este foi criado em 1984 no Canadá, pelas indústrias químicas, com o apoio da Chemical Manufactures Association (CMA). No Brasil, é difundido pela ABIQUIM desde 1992. A partir de 1998 a adesão dos sócios da ABIQUIM a este modelo é obrigatória. O programa enfoca saúde, segurança e meio ambiente, conhecidos internacionalmente pela sigla SHE (Safety, Health and Environmental). Atualmente é cada vez mais difundido nas empresas o princípio básico da gestão sustentável da cadeia de suprimentos (supply chain management). É assegurar maior visibilidade aos custos e outros eventos relacionados com a produção para satisfação da demanda, com o objetivo de minimizar os gastos do conjunto das operações produtivas e da logística entre as empresas (FERNANDES; BERTON, 2005). O planejamento e controle da produção não apenas cuidam da parte de maximizar lucros e atender as demandas de materiais dos clientes internos, mas deve cuidar para evitar que a geração de estoques represente um gasto ambiental desnecessário. O The Natural Step, ainda é um passo relativamente complexo por parte das empresas, e vem sendo proposto por uma organização independente que apresenta uma metodologia para atingir sustentabilidade empresarial. Considerando a concentração das substâncias extraídas da crosta terrestre, concentração das substâncias produzidas pela sociedade, degradação do meio físico e do meio biológico e necessidades humanas (BARBIERI, 2004). Responsabilidade socioambiental132 A responsabilidade socioambiental (RSA) como estratégia organizacional vislumbra as questões sociais e ambientais que dizem respeito às preocupações com os impactos resultantes das operações organizacionais e seus efeitos. Isto ultrapassa fronteiras nacionais atingindo o mercado global que sofre pressões em torno da conservação ambiental. Neste contexto é crescente o número de organizações que procuram conformidades e normalizações da RSA reconhecidas em escala global, sob pena de perderem competitividade. Tais conformidades e normatizações são assegurados aos órgãos fiscalizadores e parceiros de trabalho como selos, rótulos e certificações de qualidade. Hoje são inúmeras estas certificações e empresas que fazem este tipo de auditoria. Para adquirir certificações, exemplo: Normas Brasileiras, é importante implementar um sistema de gestão (ambiental ou qualidade); Estas incluem respeito, ética e com- prometimento com a qualidade de vida – afirmando a sua política. 133Responsabilidade Socioambiental Tecnologias sustentáveis, mais limpas e recursosrenováveis O termo tecnologia sustentável, tem uma ligação obrigatória com a palavra “respon- sabilidade”, pois esta é uma das principais premissas desta tecnologia. Todas as ações que são tomadas por nós, positivas ou negativas, possuem consequências que refletem diretamente no ambiente em que vivemos. Estas podem ser também adaptações de tecnologias já existentes, assim como as futuras tecnologias, dando-lhes cada vez mais eficiência, de modo que os impactos ambientais sejam menores. Pode-se dizer que a combinação perfeita para companhias e produções seria uma união entre tecnologias sustentáveis e recursos renováveis. Veja a seguir as diferenças entre recursos renováveis e não renováveis: Um recurso renovável é aquele que, normalmente, não se esgota facilmente devido à rápida velocidade de renovação e capacidade de manutenção. Estes recursos surgem da natureza e são matérias-primas essenciais para a fabricação de produtos que atendem as necessidades das pessoas. A Energia Solar, por exemplo, é um recurso natural renovável, assim como a biomassa e a energia geotérmica. Um recurso não renovável é um recurso natural que não pode ser regenerado ou reutilizado a uma escala que possa sustentar o seu consumo. Esses recursos existem muitas vezes em quantidades fixas, ou são consumidos mais rapidamente do que a natureza pode produzi-los. Os combustíveis fósseis como o petróleo são exemplos de recursos não renováveis, enquanto que recursos como madeira (quando colhida de forma sustentável) ou metais (que podem ser reciclados) são considerados recursos renováveis. No entanto, estas definições não levam em consideração o aumento do consumo: para que a madeira seja um recurso renovável, é necessário aumentar a sua produção de acordo com as necessidades da sociedade; por outro lado, os metais existentes na crosta terrestre são finitos, e a sua reciclagem pode diminuir as consequências do aumento normal do consumo apenas em parte. Responsabilidade socioambiental134 Produção mais limpa (P+L) Visa conservação de matérias-primas, água e energia, eliminação de matérias-primas tóxicas e redução, na fonte, da quantidade e toxicidade das emissões e dos resíduos gerados; aos produtos, pela redução dos seus impactos negativos ao longo de seu ciclo de vida, desde a extração de matérias-primas até a sua disposição final; aos serviços, pela incorporação das questões ambientais em suas fases de planejamento e execução. Neutralização de Carbono São ações que buscam neutralizar a emissão de carbono gerada por suas atividades. Esta postura visa diminuir o impacto de gases como o dióxido de carbono (CO 2 ), que são emitidos na natureza, gerando o efeito estufa e as mudanças climáticas que já são um problema atual no Planeta. A elevação do nível dos oceanos, os incêndios mais frequentes em áreas florestais e as alterações nas correntes marítimas são alguns dos resultados já aparentes. Ecodesign Concepção para produtos e embalagens que sejam mais respeitosos e compatibilizados com o meio ambiente, ou seja, que causem o menor impacto ambiental negativo possível. O objetivo é a concepção de produtos que produzam impactos positivos e reduzam impactos ambientais. O Ecodesign também tem o papel de contribuir como coletivo educador, suprindo a falta de informações e preparo do público em geral a respeito de procedimentos ambientalmente mais corretos. Não somente procura minimizar os impactos dos produtos na fase de sua elaboração, mas se preocupa também na sua utilização e na gestão de seus resíduos, na medida em que prevê que o elemento antrópico (ação humana), colabore para a redução dos impactos também nas fases sujeitas ao comportamento humano. 135Responsabilidade Socioambiental 1. O homem ocasiona alterações no meio ambiente em geral, seja nos componentes físicos, biológicos ou sociais. Sua atividade provocam situações que afetaram a saúde humana. Analise os itens a seguir: I. Acidentes nucleares II. Tsunamis III. Epidemias, como a peste negra IV. Incêndios e vazamentos de gases em grandes indústrias V. Terremotos Tendo em vista os itens acima, assinale a alternativa que indica três problemas de responsabilidade humana que afetam o meio ambiente e provocam problemas de saúde: a) I, II e III. b) I, III e IV. c) I, IV e V. d) II, III e IV. e) II, III e V. 2. O que podemos chamar de impactos ambientais? a) Conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos no ambiente ou sociedade. b) Extração de matéria-prima. c) Condições relacionadas a mudanças climáticas e efeito estufa. d) Impactos sociais, principalmente em países em desenvolvimento. e) Alteração ou efeito ambiental considerado significativo quando são detectados somente por meio da avaliação de projeto de um determinado empreendimento, podendo ser negativo ou positivo. 3. A educação ambiental nas organizações é muito importante. Geralmente muitas empresas elaboram projetos e programas de educação ambiental somente formalmente e para cumprirem com uma obrigação social;. Nesse sentido, se a organização deve cortar gastos, seguramente um dos primeiros projetos a serem cortados são os ambientais. No entanto, um trabalho sério com projeto sólido e integrado, pode trazer resultados positivos para a organização, basicamente por algumas razões básicas. Analise os itens a seguir: I. Obriga os empresários a desenvolverem ações de EA. II. Conduz aos profissionais a uma mudança de atitude perante o meio urbano. III. Estimula investimentos na área ambiental. IV. Desperta os funcionários para a ação e busca de soluções de problemas ambientais. V. Estabelece multas pelo descumprimento da política ambiental. VI. Automaticamente dá selo certificado de qualidade para a empresa Responsabilidade socioambiental136 BARBIERI, J. C. Gestão ambiental organizacional: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2004. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA n.001, de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/ conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 21 dez. 2016. FERNANADES, B. H. R.; BERTON, l. H. Administração estratégica: da competência empre- endedora à avaliação de desempenho. São Paulo: Saraiva, 2005. OBVIOUS. 2003. Disponível em: <http://obviousmag.org/>. Acesso em: 21 dez. 2016. PARASITOLOGIA. 2014. Disponível em: <http://anacliceat2010.blogspot.com.br/>. Acesso em: 21 dez. 2016. RIOS, T. de M. Educação e gestão socioambiental: a experiência do programa Catavida de Novo Hamburgo – RS. 95 fls. 2015. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2015. RIOS, T. M. (Org.). Responsabilidade socioambiental. Porto Alegre: SAGAH, 2016. SÉCULO DIÁRIO. 2014. Disponível em: <http://seculodiario.com.br/>. Acesso em: 21 dez. 2016. Dos itens acima, quais poderiam ser considerados razões básicas para o trabalho de EA numa organização? a) I, II e III. b) II, III e IV c) III e IV. d) II, IV e V. e) III, VI 4. Aponte alguns fatores determinantes do meio ambiente que interferem na saúde humana. a) Água para consumo, substâncias químicas que contaminam o meio ambiente, turismo ecológico. b) Desastres naturais, água para consumo humano, e micro bactérias do solo; c) A não utilização de recursos renováveis; d) A falta de projetos de Educação Ambiental corporativo; e) Ar, água, acidentes com produtos perigosos e fatores físicos 5. Como opções de tecnologias sustentáveis podemos citar: a) Eco design e motores carburantes; b) Motores a reação e energia eólica; c) Combustíveis fosseis e energia solar; d) Ecodesign e neutralização de carbono; e) Recursos renováveis e combustível a base de carvão. 137Responsabilidade SocioambientalConteúdo: DICA DO PROFESSOR A Dica do professor para esta unidade sobre responsabilidade socioambiental é a aplicabilidade da teoria do pensamento sistêmico para ajudar a refletir sobre problemáticas ambientais e sociais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O homem ocasiona alterações no meio ambiente em geral, seja nos componentes físicos, biológicos ou sociais. Sua atividade provoca situações que afetaram a saúde humana. Analise os itens a seguir: I. Acidentes nucleares II. Tsunamis III. Epidemias, como a peste negra IV. Incêndios e vazamentos de gases em grandes indústrias V. Terremotos Tendo em vista os itens acima, assinale a alternativa que indica três problemas de responsabilidade humana que afetam o meio ambiente e provocam problemas de saúde: A) I, II e III. B) I, III e IV. C) I, IV e V. D) II, III e IV. E) II, III e V. 2) O que podemos chamar de impactos ambientais? A) Conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos no ambiente ou na sociedade. B) Extração de matéria-prima. C) Condições relacionadas a mudanças climáticas e efeito estufa. D) Impactos sociais, principalmente em países em desenvolvimento. E) Alteração ou efeito ambiental considerado significativo quando são detectados somente por meio da avaliação de projeto de um determinado empreendimento, podendo ser negativo ou positivo. 3) A responsabilidade socioambiental procura aliar produtividade, qualidade, ética e bem-estar social e ambiental, e assim está baseada em três pilares, os mesmos pilares da sustentabilidade. Marque a alternativa que indica corretamente quais são esses “pilares”. A) Social, Econômico e Mundial. B) Econômico, Ambiental e Jurídico. C) Social, Ambiental e Econômico. D) Ambiental, Jurídico e Mundial. E) Econômico, Social e Político. 4) Capital Natural foi um importante conceito abordado durante a Rio+20. Acerca desse assunto, marque a alternativa correta. A) A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, como solo, água, ar e os serviços humanos, essenciais à vida na Terra. B) O termo está associado com o entendimento dos recursos naturais que garantem a existência na Terra. C) O termo “Capital Natural” é utilizado para englobar todos os aspectos e impactos ambientais nas organizações. D) O termo está associado com o entendimento dos danos ambiental causados ao meio ambiente. E) A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, exceto solo e água. 5) Como opções de tecnologias sustentáveis podemos citar: A) Eco design e motores carburantes. B) Motores a reação e energia eólica. C) Combustíveis fósseis e energia solar. D) Ecodesign e neutralização de carbono. E) Recursos renováveis e combustível à base de carvão. NA PRÁTICA As oficinas mecânicas autorizadas da Volkswagen que oferecem serviços, como troca de peças, acessórios, serviços mecânicos e elétricos são consideradas (legislação e política ambiental estadual e federal) empreendimentos de pequeno porte, portanto, não é compulsória a licença ambiental, ou seja, a realização de estudo de impacto ambiental para começar a funcionar. Essa prestação de serviço irá precisar apenas de alvará de funcionamento para comprovar que está adequada às normas de segurança, mas, sem dúvidas, provoca alguns impactos (físico, biológico e social). Esses impactos são de baixa magnitude e podem ser positivos e negativos. Para reduzir esses impactos e manter sua proposta de responsabilidade, essas autorizadas devem seguir passos rigorosos como: - Ao fim de vida útil, as peças e os filtros não podem ser simplesmente descartados, devem ser reenviados ao produtor (logística reversa). - Todos os resíduos devem ser separados para não comprometer resíduos que poderão ser reutilizados. - Em unidades como da cidade de Novo Hamburgo, resíduos de qualidade são destinados a cooperativas que os vendem. Essas unidades possuem recirculação de água e filtros, para não entregá-la contaminada ao ambiente e comunidade de entorno; além de recirculação, possuem coifas e exaustores que reduzem a emissão de gases externamente e reduzem impactos da saúde laboral. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Capital natural Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Alcançando as metas de desenvolvimento através de um melhor uso sustentável dos recursos naturais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Sustentabilidade - Saúde e meio ambiente Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Consumo sustentável - Manual de Educação Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saneamento Ambiental e sua importância socioambiental APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão estudados o saneamento ambiental e a sua importância socioambiental. As ações de saneamento são de fundamental importância para o desenvolvimento da saúde e da qualidade de vida da população, bem como para a proteção do meio ambiente. Por este motivo, tal conhecimento torna-se fundamental para os futuros gestores ambientais, assim como para o desenvolvimento mais sustentável dos centros urbanos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o que é saneamento ambiental.• Reconhecer a importância do saneamento básico para a população.• Relacionar o desenvolvimento social com ações de saneamento ambiental.• DESAFIO O saneamento ambiental compreende um processo fundamental para a manutenção da qualidade de vida. Ao saber disso o prefeito solicita para você, gestor ambiental da prefeitura, o detalhamento de todos os passos que serão necessários para que o município construa o seu Plano Municipal de Saneamento. - Capa - Sumário - Introdução(breve contextualização do seu município) - Plano de mobilização social (descrever a metodologia) - Diagnóstico técnico-participativo (descrever a metodologia) INFOGRÁFICO O infográfico a seguir contempla os objetivos e os principais problemas com respeito ao saneamento ambiental. CONTEÚDO DO LIVRO O livro Saneamento Ambiental e sua Importância Socioambiental é a base teórica para esta Unidade de Aprendizagem e proporciona melhor compreensão dos conteúdos apresentados aqui. SANEAMENTO Eliane Conterato Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar o que é saneamento ambiental. � Reconhecer a importância do saneamento básico para a população. � Relacionar o desenvolvimento social com as ações de saneamento ambiental. Introdução Você já parou para pensar o quanto o saneamento interfere no desen- volvimento social e ambiental da sociedade? O quanto a falta desse serviço interfere na qualidade de vida da população? Conforme Ataide e Borja (2017), pensar em justiça social é pensar no impacto socioam- biental que representa o acesso a bens e serviços de um cidadão. A falta de saneamento, que é um serviço básico que deve ser oferecido a um cidadão, pode trazer diversos impactos como poluição dos recursos hídricos, transmissão de doenças, aumento da mortalidade infantil, baixa do rendimento escolar, entre outros. As ações de saneamento são de fundamental importância para o de- senvolvimento e bem-estar da sociedade, bem como para a proteção do meio ambiente. Neste texto, você vai estudar o conceito de saneamento ambiental e sua importância socioambiental. Saneamento ambiental Segundo Rosen (2006), o saneamento — considerado, em seu aspecto físico, uma luta do homem em relação ao ambiente — existe desde o início da huma- nidade, ora se desenvolvendo ora retrocedendo, de acordo com o surgimento, evolução, queda e renascimentodas civilizações. Jordão e Pessoa (2014) enfatizam que o instinto e a necessidade levaram o homem a se fixar próximo às fontes de energia, mas não de medir a ne- cessidade de afastar ou condicionar os resíduos refugados por ele. Com isso, historicamente, verifica-se a poluição das fontes de energia pelo homem até se tornarem, nos piores casos, inadequadas à vida. Figura 1. Energia – Homem – Resíduos. Fonte: Adaptada de Jordão e Pessoa (2014, p. 02). LIXO ESGOTO A LI M EN TO Á G U A AR HOMEM Em resumo, desde que o ser humano passou a viver por longos períodos em um mesmo espaço, passou também a conviver com a poluição causada por seus rejeitos e as consequências disso para a saúde e o meio ambiente. A Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei Federal nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente: Saneamento ambiental e sua importância socioambiental2 a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de do- enças. A organização define ainda o saneamento ambiental como o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre a saúde. O Ministério das Cidades define saneamento ambiental como o con- junto de ações técnicas e socioeconômicas que, quando aplicadas, resultam em maiores níveis de salubridade ambiental. Essas ações compreendem o abastecimento de água em quantidade e em qualidade adequada; a coleta, o tratamento e a disposição adequada dos resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas; o manejo de águas pluviais; o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças; a promoção sanitária e o controle ambiental do uso e ocupação do solo; e a prevenção e controle do excesso de ruídos. Para o desenvolvimento dessas ações, são necessárias diversas obras e serviços: � O abastecimento de água compreende a escolha de um manancial que tenha qualidade e volume suficiente, a construção de adutoras e estações de tratamento de água e a construção de reservatórios e redes que levem a água potável até as residências. � Para a coleta de esgoto, são necessárias construções de redes de coleta e acessórios, interceptores, emissários e estações de tratamento de esgoto. � Para a destinação adequada de resíduos sólidos, é necessário um sistema de coleta adequado e a construção e aterros sanitários. � Para a drenagem urbana, é necessária a construção de redes de coleta pluviais e obras para amenizar o efeito de chuvas intensas e inundações. Além dessas obras, também é necessária a gestão adequada de todos esses serviços, seja pelo poder público, seja por concessionária. Como você pode observar nessas definições, o saneamento ambiental compreende uma gama de ações visando desde a conscientização da população até a elaboração e execução de políticas públicas. 3Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Saneamento e desenvolvimento A existência de saneamento adequado é uma condição primordial para o desenvolvimento de uma nação, sendo um fator essencial para o país ser cha- mado de “desenvolvido”. A falta de saneamento afeta as áreas de preservação, turismo, trabalho, saúde, educação e cidadania. Segundo o Instituto Trata Brasil, em estudo realizado em 2015, as perdas de água devido a condições insatisfatórias de funcionamento de redes e desvios de água atingem 38,1% no Brasil, ou seja, de toda a água tratada para a distri- buição, quase 40% se perdem antes de chegar ao consumidor (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2015). Essa perda demonstra um descaso com o meio am- biente, uma vez que a água é retirada dos mananciais, tratada e desperdiçada antes mesmo de ser utilizada. No setor de turismo, o instituto indica que, em 2015, deixaram de ser gerados R$ 5,8 bilhões de renda do trabalho por conta da degradação ambiental de áreas por falta de saneamento básico. Em relação ao trabalho, o investimento no setor de saneamento gera renda que movimenta diversos setores, como construção civil e comércio. Em re- lação à saúde, o investimento gera economia, já que diminui as internações causadas, principalmente, por doenças de origem ou transmissão hídrica. Segundo informações do Trata Brasil, a cada R$ 1 investido em saneamento é gerada uma economia de R$ 4 em saúde. Existem estatísticas que mostram também que doenças vinculadas com a falta de saneamento geram prejuízos por afastamentos das atividades diárias de trabalhadores no mercado de trabalho. Outro índice importante que cabe apresentar é a mortalidade infantil. O gráfico da Figura 2 mostra uma relação entre a população com acesso ao esgotamento sanitário e a taxa de mortalidade infantil (dados da UNICEF e OMS). A educação é outra área afetada diretamente pela falta de saneamento. Conforme o Instituto Trata Brasil (2017), moradores de áreas sem acesso à rede de distribuição de água e de coleta de esgotos têm um aumento do atraso escolar Uma menor escolaridade implica em perda de produtividade e de remuneração das gerações futuras. Somente o custo desse atraso escolar devido à falta de saneamento alcançou R$ 16,6 bilhões em 2015. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental4 Figura 2. Relação entre saneamento e mortalidade infantil (dados de 2015). Fonte: Instituto Trata Brasil (2017). 180 150 120 90 60 30 0 0 20 40 60 80 100 População com acesso ao esgotamento sanitário (%) Ta xa d e m o rt al id ad e in fa n ti l * ( % ) Brasil Outro dado importante disponibilizado é a falta de saneamento básico nas escolas: na zona rural, 14,7% das escolas de ensino fundamental não têm esgoto sanitário e 11,3% não têm abastecimento de água. Na zona urbana, esses percentuais são 0,3% e 0,2%, respectivamente. Esse dado é preocupante considerando-se que a escola deveria ser exemplo para o aluno, o que, mais uma vez, demostra a importância do saneamento. Em relação à cidadania e à informação da população, os dados são preo- cupantes no Brasil. Pesquisas mostram que parcela significativa da população desconhece o que é saneamento e não sabe o destino do esgoto que produz; 75% das pessoas entrevistadas disseram nunca ter cobrado do órgão responsável uma providência em relação à falta de saneamento. 5Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Pelo link e código a seguir, você pode acessar o site do Instituto Trata Brasil e conhecer mais sobre as principais áreas afetadas pela falta de saneamento e as estatísticas sobre elas. https://goo.gl/EpMq9k Ações voltadas para o saneamento Para falarmos de ações voltadas para o saneamento, é necessário primeiro entendermos como são avaliadas as condições do município pelo gestor mu- nicipal para verificar quais ações devem ser realizadas. Para uma correta análise dessa situação, o gestor precisa ter indicadores reais. O estudo que embasou a proposta do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), cuja elaboração é prevista na Lei do Saneamento Básico (Lei nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007), considera, além da infraestrutura implantada, aspectos socioeconômicos e culturais e a qualidade dos serviços prestados. A população que conta com oferta de serviço coletivo nem sempre recebe esse serviço em condições adequadas. Por exemplo, a oferta de água tratada deve ser feita dentro dos padrões e de forma ininterrupta; contudo, existem casos de cidades que passam por frequentes interrupções, seja por problemas no sistema ou porracionamento. Nessa parcela da população, ainda existe quem não utiliza o serviço público, mesmo o tendo disponível, como no caso de faltas de ligações prediais na rede coletora de esgoto. A parcela de população sem oferta de serviço, ou ainda que não usa o serviço público disponível, em parte tem solução individual. Esse tipo de solução conta, por exemplo, com coleta de água em poços (dentro dos padrões de potabilidade) e descarte de esgoto após tratamento em sistema individual adequado, como fossa e filtro. A pior das situações é a que não utiliza situação sanitária alguma, ou seja, que não tem garantia de qualidade da água que ingere, não possui descarte adequado dos resíduos e, muitas vezes convive com a própria poluição. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental6 Conhecer a parcela da população que se encontra em cada um dos casos citados acima é o primeiro passo para propor ações visando a regulação dos serviços de saneamento. A Lei nº. 11.445/2007 coloca o município como competente por legislar sob o amparo da Constituição Federal. A lei define quatro funções básicas para a gestão (BRASIL, 2007): � planejamento; � prestação de serviços; � regulação; � fiscalização. A função planejamento é de responsabilidade do município. Ele que formu- lará a política municipal de saneamento básico e elaborará o plano municipal de saneamento básico, fundamental para contratar ou conceder os serviços. As demais funções de regulação, fiscalização e prestação de serviços são de responsabilidade do titular do serviço de saneamento, com o município atuando de forma direta (concessão ou permissão) ou indireta (cooperação e contrato). A Figura 3 mostra os principais princípios da Lei do Saneamento Básico, que devem ser abordados na política municipal. Figura 3. Principais princípios da Lei do Saneamento Básico. Universalização Integralidade Equidade Participação e controle social Titularidade municipal Intersetorialidade Gestão pública 7Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Perceba que a universalização pressupõe que toda a população tenha acesso de forma igual aos serviços de saneamento. A integralidade requer interseto- rialidade, ou seja, diferentes setores dentro do município atuando em conjunto. A equidade possibilita igualdade e justiça, alcançadas com a prestação de serviços. A participação e o controle social devem estar presentes em todo o processo, a fim de democratizá-lo. A titularidade municipal estabelece que o município tem autonomia e competência para organizar, regular, controlar e promover a realização dos serviços dentro de seu território. A intersetorialidade permite compatibilizar e racionalizar diversas ações, aumentando a eficácia. Em relação à gestão pública, entende-se que os serviços de saneamento são essenciais para a elevação da qualidade de vida e da salubridade ambiental, por isso as ações e serviços de saúde pública são considerados de obrigação do estado. Veja o texto completo da Lei do Saneamento Básico, Lei nº. 11.445/2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico acessando o link ou o código a seguir. https://goo.gl/Bt55F O plano municipal, que é elaborado pelo município, deve englobar os 4 eixos descritos a seguir: � abastecimento de água; � esgotamento sanitário; � drenagem urbana; � limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. O planejamento deve ser integrado com todas as políticas e planos do município, e deve ser feito para um período de 20 anos, considerando revisão a cada 4 anos. O plano municipal deve assegurar a correta aplicação dos recursos e usar indicadores de saneamento para a elaboração e o acompanhamento do processo de implantação. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental8 Um plano municipal de saneamento básico deve conter pelo menos o diagnóstico da situação do município, os objetivos e metas, os programas, as projeções e ações para o alcance dos objetivos e o mecanismo para avaliação sistemática e eficácia das ações. A situação do saneamento no Brasil ainda é preocupante, mas existem municípios que vêm se destacando como exemplos positivos. Um deles é o município de Jundiaí, no interior de São Paulo. Conforme indicadores do Instituto Trata Brasil, o município vem mostrando, ano a ano, evolução nos índices de coleta e tratamento de esgotos. Atualmente, a cidade é referência no tratamento de esgotos, com 100% do esgoto coletado tratado e com abastecimento de mais de 97% da população com água tratada. Veja a seguir os índices apresentados pela cidade no período de 2008 a 2015. Indicador de atendimento total de água (%) Indicador de atendimento total de esgoto (%) Indicador de esgoto tratado por água consumida (%) 2008 95 91 95 2009 97 98 91 2010 100 100 88,94 2011 98,28 98,30 91,38 2012 98 97,71 97,71 2013 98,28 98,30 98,28 2014 97,80 97,80 91,94 2015 97,80 97,80 100 A boa classificação de Jundiaí é resultado de investimentos realizados ao longo dos anos. É um exemplo de cidades de aderiram a um planejamento para o desenvolvi- mento de saneamento e assim melhoraram o abastecimento de água, a coleta e o tratamento dos esgotos e, principalmente, a qualidade de vida da população. 9Saneamento ambiental e sua importância socioambiental 1. Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa correta. a) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas pelo poder público. b) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e por técnicos. c) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público, com participação popular e de técnicos. d) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e com participação popular. e) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas por técnicos especializados. 2. Marque a alternativa INCORRETA quanto às causas da degradação ambiental das águas superficiais, imprescindível para o adequado saneamento básico. a) O crescimento populacional e o aumento da pobreza. b) O uso de fertilizantes na agricultura. c) Lançamento de efluentes industriais. d) A retirada da mata ciliar. e) Lançamento de resíduos sólidos. 3. Marque a alternativa INCORRETA quanto à destinação de resíduos: a) O lixão é a técnica adequada de disposição de resíduos sólidos urbanos. b) A queima de resíduos a céu aberto é proibida. c) Uma das principais ações de saneamento ambiental é a limpeza urbana e o manejo adequado de resíduos sólidos. d) Uma das principais dificuldades para a construção de uma política de saneamento ambiental sustentável é a baixa conscientização ambiental da população. e) O despejo irregular de efluentes industriais provoca a poluição e a contaminação das águas e é considerado crime ambiental. 4. São exemplos de obras com a finalidade de melhorar o saneamento básico: a) sistema de gestão ambiental, sistema de abastecimento de água e sistema de esgoto. b) recomposição da mata ciliar e aterros sanitários. c) sistema de esgoto, sanitários públicos e lixão. d) pavimentação pública e sanitários públicos. e) sistema de esgoto, sanitários públicos e aterros sanitários. 5. A eutrofização é um processo acelerado pela poluição hídrica. A esse respeito, qual das alternativas a seguir é consequência desse processo e contribui para a diminuição da qualidade da água disponível para consumo? a) O despejo de efluentes industriais. b) A proliferação de zooplâncton. c) A proliferação de algas unicelulares e cianobactérias. d) O despejo de efluentes domésticos. e) O despejo de fertilizantes oriundos da agricultura. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental10 ATAIDE, G. V. de T. L.; BORJA, P. C. Justiça social e ambiental em saneamento básico: um olhar sobre experiências de planejamento municipais. Ambiente &Sociedade, v. 20, n. 3, p. 61-78, set. 2017. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v20n3/ pt_1809-4422-asoc-20-03-00061.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Lex: Legislação federal, Brasília, DF, p. 1-2, 5 jan. 2007. JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 7. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2014. INSTITUTO TRATA BRASIL. Casos de sucesso: Jundiaí é referência no tratamento de esgotos. 2017. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/blog/2017/07/27/casos- de-sucesso-jundiai/>. Acesso em: 10 jun. 2018. INSTITUTO TRATA BRASIL; REINFRA CONSULTORIA. Ociosidade das redes de esgotamento sanitário no Brasil. 2015. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estu- dos/ociosidade/relatorio-completo.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. ROSEN, G. Uma história da saúde pública. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. Leituras recomendadas BORJA, P. C. Procedimentos metodológicos para elaboração de planos municipais de saneamento básico. In: BRASIL. Ministério das Cidades. Peças técnicas relativas a planos municipais de saneamento básico. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2011. p. 53-85. Disponível em:<http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/ Arquivos_PDF/Pe%C3%A7as_Tecnicas_WEB.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. NUVOLARI, A. (Coord.). Esgoto sanitário: coleta, transporte, tratamento e reúso agrícola. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2011. PROJETO Acertar Manual de Melhores Práticas de Gestão da Informação sobre Sa- neamento. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2017. Disponível em: <http://www. snis.gov.br/downloads/arquivos/Manual-de-Melhores-Praticas-dos-Prestadores-de- Servicos-Agua-e-Esgoto-MARCO2018.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND; WORLD HEALTH ORGANIZATION. 25 years: Pro- gresso n Sanitation and Drinkig Water. Geneva, Suíça, 2015. Disponível em: <http://files. unicef.org/publications/files/Progress_on_Sanitation_and_Drinking_Water_2015_ Update_.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. 11Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta uma contextualização relacionada ao saneamento ambiental e a sua importância socioambiental. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa correta. A) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas pelo poder público. B) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e por técnicos. C) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público, com participação popular e de técnicos. D) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e com participação popular. E) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas por técnicos especializados. 2) Marque a alternativa INCORRETA quanto às causas da degradação ambiental das águas superficiais, imprescindível para o adequado saneamento básico. A) O crescimento populacional e o aumento da pobreza. B) O uso de fertilizantes na agricultura. C) Lançamento de efluentes industriais. D) A retirada da mata ciliar. E) Lançamento de resíduos sólidos. 3) Marque a alternativa INCORRETA quanto à destinação de resíduos: A) O lixão é a técnica adequada de disposição de resíduos sólidos urbanos. B) A queima de resíduos a céu aberto é proibida. C) Uma das principais ações de saneamento ambiental é a limpeza urbana e o manejo adequado de resíduos sólidos. D) Uma das principais dificuldades para construção de uma política de saneamento ambiental sustentável é a baixa conscientização ambiental da população. E) O despejo irregular de efluentes industriais provoca a poluição e a contaminação das águas e é considerado crime ambiental. 4) São exemplos de obras com a finalidade de melhorar o saneamento básico: A) sistema de gestão ambiental, sistema de abastecimento de água e sistema de esgoto. B) recomposição da mata ciliar e aterros sanitários. C) sistema de esgoto, sanitários públicos e lixão. D) pavimentação pública e sanitários públicos. E) sistema de esgoto, sanitários públicos e aterros sanitários. 5) A eutrofização é um processo acelerado pela poluição hídrica. A esse respeito, qual das alternativas a seguir é consequência desse processo e contribui para a diminuição da qualidade da água disponível para consumo? A) O despejo de efluentes industriais. B) A proliferação de zooplâncton. C) A proliferação de algas unicelulares e cianobactérias. D) O despejo de efluentes domésticos. E) O despejo de fertilizantes oriundos da agricultura. NA PRÁTICA Locais sem saneamento básico transformam a população dos arredores em uma população condenada à contaminação de todo e qualquer tipo. Observe o ciclo básico que ocorre nesses lugares. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: LEONETI, A. B.; PRADO, E. L.; OLIVEIRA, S. V. W.B. Saneamento Básico no Brasil: Considerações sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, 45(2): 331-348, 2011: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Relações entre saneamento, saúde pública e meio ambiente: elementos para formulação de um modelo de planejamento em saneamento: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte I APRESENTAÇÃO Grande parcela da população brasileira e mundial não tem acesso à água potável e sofre com problemas sanitários. Nesta Unidade de Aprendizagem, será possível conhecer a situação do saneamento básico, a partir de dados de pesquisas contemporâneas. Serão abordados também os benefícios e os problemas associados à presença e à ausência de saneamento básico. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar dados genéricos sobre as condições de saneamento básico no Brasil e no mundo.• Definir saneamento básico segundo a Lei Federal número 11.445/2007.• Identificar benefícios e problemas associados à presença e à ausência de saneamento básico, respectivamente. • DESAFIO Atualmente, você é o gestor ambiental de uma indústria. Com o intuito de atender às condicionantes da licença ambiental e de realizar uma ação de responsabilidade socioambiental relevante, você está propondo ao seu diretor que seja desenvolvido um programa educativo sobre a importância do saneamento básico na comunidade do entorno do seu empreendimento. Mencione razões relevantes para que essa iniciativa seja aprovada e implementada. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir ilustra os principais pontos relacionados ao saneamento básico discutidos nesta Unidade de Aprendizagem. CONTEÚDO DO LIVRO O texto "O abastecimento de água e o esgotamento sanitário: propostas para minimizar os problemas no Brasil", do livro Meio ambiente e sustentabilidade, permite uma interessante abordagem sobre aspectos relacionados ao saneamento básico. Boa leitura! M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-407-0197-7 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- Carlos, Viviane. CDU 502-022.316 Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150 2 O abastecimento de água e o esgotamento sanitário: propostas para minimizar os problemas no Brasil MARCELO LUIZ MARTINS POMPÊO e VIVIANE MOSCHINI-CARLOS Objetivos do capítulo Grande parcela da população mundial não tem acesso à água potável e sofre com problemas sanitários. Como consequência da faltade acesso à água potável e da inadequação do esgotamento sanitário, um número alarmante de pessoas morre ou vive em níveis inadmissíveis de qualidade de vida. Na cidade de São Paulo (Brasil), esse fato não é diferente, cerca de 50% do esgoto gerado é lançado sem tratamen- to. Este capítulo visa discutir a situação do saneamento básico no Brasil, em parti- cular sobre a oferta de água potável e o esgotamento sanitário nas grandes metró- poles, e contribuir com sugestões visando minimizar o problema. INTRODUÇÃO O volume total de água na Terra é estimado em 1.386 Mkm3, sendo 2,5% ou cerca de 35,0 106 km3 constituídos de água doce e, destes, apenas 0,3% representa a água doce contida nos rios e lagos (Shiklomanov, 1998 citado em Rebouças, 1999). Além do restrito volume de água doce disponível, sua distri- buição é desigual do ponto de vista espacial e temporal (Rebouças, 1999). A água é fundamental para a manu- tenção da vida, e, desde os primórdios, o homem a utiliza como recurso para múlti- plas finalidades. No entanto, apesar de sua importância, mesmo no século XXI, não está acessível a todos. É estimada em 20% a população mun- dial atual que não tem acesso à água potá- vel, em 50% da população que sofre com problemas sanitários e, conforme relatório da ONU, 2,5 bilhões de pessoas do mundo vivem em regiões completamente desprovi- das de saneamento básico (Suguio, 2006). Segundo esse autor, 8% da população urba- na e 22% da população rural no Brasil não dispõem de água tratada para seu consumo. Já a FIESP (2008) apresenta que 110 mi- lhões de brasileiros não têm esgoto tratado, 70 milhões não têm esgoto coletado e 22 48 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) milhões de habitantes não têm água trata- da. Suguio (2006) complementa que a ca- rência de saneamento atinge 22% da popu- lação urbana e 50% dos moradores rurais na América Latina, onde 117 milhões de pessoas não têm acesso aos serviços essen- ciais de saneamento. No mundo, mais de 125 milhões de crianças de menos de 5 anos vivem em casas sem acesso a uma fonte de água potável, e mais de 280 mi- lhões vivem sem acesso a facilidades de es- gotamento sanitário (UNICEF, 2006). Já na América Latina e Caribe, em 2004, cerca de 50 milhões e 127 milhões de pessoas, respectivamente, não tinham acesso à água potável e cobertura de saneamento. Em 2002, 83% da população mundial, aproxi- madamente 5,2 bilhões de pessoas, foi aten- dida com água potável, no entanto, 1,1 bi- lhão de pessoas não tinha fontes saudáveis de água potável, sendo que destes quase dois terços viviam na Ásia (WHO/UNICEF, 2004). Como consequência da falta de aces- so à água potável e da inexistência de qual- quer forma de esgotamento sanitário, mor- rem por volta de 8 milhões de pessoas por ano no mundo (Camdessus et al., 2005). Países como Bahamas, Malta e Singa- pura têm restrita oferta de água, com um volume potencial de menos de 500 m3/ha- bitante/ano. Já os EUA (Baixo e Alto Colo- rado), Azerbaijão e Suriname, são muito ricos, com mais de 100.000 m3/habitante/ ano. A oferta de menos de 500 m3/habitan- te/ano implica escassez de água (Falkenma- rk, 1986 citado em Rebouças, 1999). Além da pouca oferta de água, segundo Rebouças (1999), muitos países têm excessiva depen- dência da água gerada fora de seus territó- rios. Há também que se preocupar com a má qualidade da água. Embora muitas regi- ões tenham água em quantidade suficiente para o abastecimento, esta não é de boa qualidade para os usos desejados. Além disso, há necessidade de se investir em siste- mas de tratamento de água cada vez mais sofisticados induzindo a cobrança pelo uso da água tratada em níveis impraticáveis pela maioria da população. O saneamento básico constitui-se de um conjunto de ações que visam propor- cionar níveis crescentes de salubridade am- biental em determinado espaço geográfico, em beneficio da população que habita esse espaço. Essas ações, se adequadamente im- plantadas, produzem efeitos positivos sobre o bem-estar e a saúde das populações bene- ficiadas. Em consequência dos benefícios que proporciona, o saneamento básico ade- quado é considerado parte constituinte do modo moderno de viver e um dos direitos fundamentais dos cidadãos das sociedades contemporâneas (Brasil, 2004). O bem-es- tar das populações – apreendido pelos indi- cadores sociais e de saúde – nos diversos pa- íses, bem como no território brasileiro, é mais bem retratado pela abrangência dos serviços de água e de esgotamento sanitário, do que propriamente pelo potencial hídrico ou pela disponibilidade de água per capita (Libânio et al., 2005). São efeitos positivos do saneamento básico (Esgoto é vida – Dossiê do sanea- mento, 2006): melhoria da saúde da popu- lação e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abaste- cimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas; dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da po- luição estético-visual e desenvolvimento do turismo; eliminação de barreiras não tari- fárias para os produtos exportáveis das em- presas locais; conservação ambiental; me- lhoria da imagem institucional; reconhe- cimento dos eleitores. Além disso, o investimento em esgoto sanitário tem um forte impacto positivo sobre a economia dos municípios com valorização dos imó- veis residenciais e comerciais; viabilização a instalação de novos negócios nos bairros beneficiados e o crescimento dos já insta- lados; crescimento da atividade de cons- trução civil para atender o aumento da Meio ambiente e sustentabilidade 49 procura por imóveis residenciais e comer- ciais; criação de novos empregos a partir da dinamização da construção civil, da abertura de novos negócios ou do cresci- mento daqueles já existentes; aumento da arrecadação municipal de tributos. Há tempos não é mais possível utilizar a água seguindo o modelo histórico, bas- tando recorrer a novo manancial quando se quer mais água, seja pelo atual uso excessivo da água ou por redução da qualidade de- corrente do uso dos mananciais como di- luidores de esgotos, principalmente próxi- mo aos grandes centros urbanos. O uso da água deve estar inserido no conceito de sus- tentabilidade (a manutenção de um ecossis- tema saudável, produtivo, com sua biodi- versidade e processos ecológicos intactos, que gere emprego e renda compatíveis ao ecossistema explorado, garantindo a vida com qualidade para as gerações presentes e futuras, sempre). Portanto, esses fatos sugerem que o planejamento e a implantação de sistemas de uso de água e o esgotamento sanitário envolvem uma complexidade de interesses e atores e que infelizmente não atingiu a uni- versalidade desejada. Este capítulo visa discutir a situação do saneamento ambiental no Brasil, em particular sobre a oferta de água potável e o esgotamento sanitário na Região Metropo- litana de São Paulo (RMSP), e contribuir com sugestões visando minimizar os im- pactos negativos sobre o meio e a saúde hu- mana. Os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário A implantação de sistema de abastecimento de água e do sistema de esgotamento sanitá- rio, em municípios e localidades urbanas e rurais, constitui-se em importantes ações de saneamento ambiental. O fornecimento de água em quantidade e qualidade, neces- sária aos diversos usos propostos pelo homem, há muito tempo é um dos grandes desafios dos administradores públicos. O acesso restrito não só constitui entrave ao crescimento econômico, como gera desi- gualdades e se torna barreira ao rápido pro- gresso (PNUD, 2006). Da mesma forma, a não coleta e tratamento sistemático dos es- gotos gerados e o seu contínuo e indiscri- minado lançamento nos corpos de água também constituem entrave ao desenvolvi- mento e à melhoria da saúde da população, comprometendo ações futuras. Há que se levar em consideração, que o planejamento e o investimento em abasteci- mentode água e esgotamento sanitário, devi- do à abrangência de tais propostas, por si só é tarefa árdua. No presente momento, iniciati- vas em saneamento básico se tornam parti- cularmente desafiadoras para algumas regi- ões, por exemplo, como nas regiões costeiras da Baixada Santista (Estado de São Paulo) e na costa catarinense (Estado de Santa Catari- na), ambos no Brasil, com os grandes afluxos de turistas que ocorrem em feriados prolon- gados, em festas de final de ano e no Carna- val, trazendo transtorno de toda sorte tanto para a população local quanto aos próprios turistas, em particular incluindo restrições ao acesso à água e ampliando a geração de es- goto e os problemas decorrentes do seu lan- çamento sem tratamento. Saúde pública Há duas posturas, em alguns casos antagô- nicas, sobre as verdadeiras causas associa- das à mortalidade em geral e à infantil, em particular: os “modelos sociais” e os “mode- los médicos” (Simões, 2002). Os modelos sociais enfatizam o poder das variáveis so- ciais na determinação da sobrevivência in- fantil e a importância das mudanças estru- turais na superação dos elevados índices de mortalidade, tais como o status ocupacio- 50 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) nal e o nível educacional da mãe, a desigual- dade na distribuição social e regional dos recursos, entre outros. Já os modelos médi- cos enfatizam o caráter fisiológico da doen- ça e seu potencial de interrupção por inter- médio de intervenções clínicas, tais como maior abrangência dos exames pré-natal. Também no contexto médico, a contamina- ção do ambiente é uma das variáveis inter- mediárias da mortalidade na infância. A água contaminada seria a porta de entrada de agentes infecciosos no organismo afe- tando a qualidade de vida. Simões (2002) enfatiza ainda, que a não disponibilidade de água e de esgoto adequado está associada a menores valores de esperança de vida ao nascer, independentemente de renda fami- liar. Segundo dados da Fundação Nacional de Saúde, para o período compreendido entre os anos de 1995 a 1999, 3,4 milhões de brasileiros foram internados em hospitais por doenças transmitidas pela água (Costa e Silva, 2007). Para Magnoni (2007), a falta de saneamento básico é a principal causa da mortalidade na infância por doenças para- sitárias (dengue, malária, cólera, febre ama- rela, teníase, cisticercose, esquistossomose, diarreia, etc.), e doenças infecciosas (hepa- tite A, amebíase, leptospirose, etc.), males que proliferam em áreas sem coleta e trata- mento de esgoto, o que também é sugerido por Teixeira e Guilhermino (2006). Para Ghosh (2004), a falta de acesso à água e ao esgotamento sanitário são algumas das principais causas do ciclo da pobreza. Os pobres não são contemplados por serem pobres e, por não terem acesso, continuam sendo pobres, refletindo a péssima qualida- de de vida, com mais enfermidades, menos educação para seus filhos e vivendo em condições anti-higiênicas e ambientalmen- te degradantes. Segundo a UNESCO (2003), o simples ato de lavar as mãos melhoraria a saúde e aumentaria a taxa de sobrevivência de crianças, reduzindo a mortalidade rela- cionada à diarreia, pneumonia e outras doen ças contagiosas. Além do meio aquático veicular eleva- do número de enfermidades, a quantidade insuficiente de água gera hábitos higiênicos insatisfatórios e doenças relacionadas à ina- dequada higiene dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar. Outro mecanismo compreende a situação da água no ambiente físico, proporcionando condi- ções propícias à vida e à reprodução de ve- tores ou reservatórios de doenças, como exemplo a água é hábitat de larvas de mos- quitos vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti transmissor da dengue (Brasil, 2006b). Oferecer água em quantidade e quali- dade adequadas é condição sine qua non tanto para garantir melhores condições de vida como para garantir a própria manu- tenção da vida. Assim, visando contribuir para a melhoria das condições de vida e da saúde da população, deveriam ser empre- endidos esforços tanto para melhorar os indicadores sociais, bem como para am- pliar os serviços de saúde ofertados à po- pulação. O saneamento no Brasil Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamen- to Básico 2000 (IBGE, 2000), quase todos os municípios brasileiros têm rede de abas- tecimento de água. Em 2000, o serviço de abastecimento alcançou uma proporção de 97,9% dos municípios do país, enquanto em 1989 abrangia 95,9%. A pesquisa reve- lou que 116 municípios brasileiros, ou 2% do total, não têm abastecimento de água por rede geral; a maior parte deles situada nas regiões Norte e Nordeste. No que se re- fere aos domicílios brasileiros, a cobertura é mais restrita, de 63,9%, e se caracteriza por um desequilíbrio regional. Na região Sudes- te, a proporção de domicílios atendidos é de 70,5%, nas regiões Norte e Nordeste, o ser- viço alcança 44,3% e 52,9% dos domicílios, respectivamente. A abrangência do abaste- Meio ambiente e sustentabilidade 51 cimento de água também varia de acordo com o tamanho populacional dos municí- pios: quanto mais populosos forem, maio- res as proporções de domicílios abastecidos. Os menores municípios apresentam maior deficiência nos serviços e apenas 46% dos domicílios situados em municípios com até 20.000 habitantes contam com abasteci- mento de água por rede geral. O esgotamento sanitário é o serviço de saneamento básico com menor cobertu- ra no Brasil (IBGE, 2000). Em 2000, dos 5.507 municípios, 52,2% tinham esgota- mento sanitário, portanto, 2.630 (47,8%) municípios não eram atendidos por rede coletora, utilizando soluções alternativas (fossas sépticas e sumidouros, fossas secas, valas abertas e lançamentos em cursos d’água). Em relação aos domicílios, a situa- ção é mais crítica, apenas 33,5% são atendi- dos por rede geral de esgoto, chegando ao nível mais baixo na região Norte (2,4%), se- guidos da região nordeste (14,7%), Centro- -Oeste (28,1%), Sul (22,5%) e Sudeste (53,0%). Nos municípios, a desigualdade dos serviços prestados se repete: quanto maior a população do município, maior a proporção de domicílios com serviço de es- goto. O Norte é a região com a maior pro- porção de municípios sem coleta (92,9%), seguido do Centro-Oeste (82,1%), do Sul (61,1%), do Nordeste (57,1%) e do Sudeste (7,1%). Nesses casos, os principais recepto- res do esgoto in natura não tratado são os rios e mares. No Brasil, dos 52,2% municí- pios que têm esgotamento sanitário, 32,0% têm serviço de coleta e 20,2% coletam e tra- tam o esgoto. Em volume, no país, diaria- mente, 14,5 milhões m3 de esgoto são coleta- dos, sendo que 5,1 milhões m3 são tratados. O Sudeste é a região que tem a maior pro- porção de municípios com esgoto coletado e tratado (33,1%), seguida do Sul (21,7%), Nordeste (13,3%), Centro-Oeste (12,3%) e Norte (3,6%). Cerca de 1 milhão de m3 de esgoto são tratados diariamente na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) (Brasil) (www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009). IBGE (2000) considerou que o muni- cípio tivesse rede geral de distribuição de água quando este atendesse pelo menos um distrito, ou parte dele, independentemente da extensão de rede, número de ligações ou de economias abastecidas. Relativo à rede coletora, considerou que tivesse rede cole- tora quando atendesse pelo menos um dis- trito, ou parte dele, independentemente da extensão da rede, número de ligações ou de economias esgotadas. É relevante constatar que, além das es- tatísticas relacionadas ao abastecimento de água e à coleta e tratamento dos esgotos apresentadas pelo IGBE (2000) IBGE (2004), de um total de 5560 municípios brasileiros, existiam 1.791 municípios sem órgão de meio ambiente na estrutura da prefeitura em 2002 e 1.607 municípios em 2004. Isso implica que, apesar do avanço, em 2004 ainda havia muitos municípios sem estru- tura formal em gestão ambiental, aí consi- derados os que têmsecretaria municipal – exclusivamente tratando da gestão ambien- tal ou dela cuidando de forma conjugada à outra área da administração do município – e os que possuem algum órgão de meio ambiente na estrutura da prefeitura, ainda que subordinado à secretaria de outra área. Essa falta de preocupação local de ter na prefeitura setor responsável pelo meio am- biente, em parte reflete a carência de sanea- mento básico no Brasil. Também são preocupantes algumas constatações de Rezende e colaboradores (2007). Segundo esses pesquisadores, no Brasil, chefes de domicílios do sexo mascu- lino, com idades superiores a 35 anos, de cor branca ou amarela, casados e com alta escolaridade, levam vantagem na cobertura de rede de abastecimento de água e de esgo- tamento sanitário; essa vantagem é ainda maior se o domicílio possuir renda agrega- da superior a cinco salários mínimos (para o ano de 2007, o salário mínimo foi de R$ 52 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 380,00 – http://www.portalbrasil.net/sala- riominimo.htm, acessado em fevereiro de 2009) e for habitado por até três moradores. No que diz respeito à cor, negros e pardos estão mais sujeitos à exclusão sanitária, por- que são, em média, mais pobres e menos es- colarizados do que brancos e amarelos. Os sistemas de abastecimento de água de todo o conjunto de prestadores de servi- ços participantes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS, do Ministério das Cidades (Brasil), que inclui 4.516 municípios, para o ano de 2006 apre- senta como 34,1 milhões de ligações ativas, representando 443,1 mil quilômetros de rede e um volume de 13,9 bilhões de m3 de água tratada (Brasil, 2006a). Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí- lios de 2006 (http://www.ipea.gov.br/sites/ 000/2/pdf_release/19SaneamentoeHabitacao. pdf, acessado em 12 de fevereiro de 2009), apesar do avanço ao acesso a serviços de sa- neamento entre os anos de 2001 e 2006, 34,5 milhões de pessoas nas áreas urbanas do Brasil estão desprovidas da coleta de es- goto. O saneamento na Região Metropolitana de São Paulo Com base nas informações disponibilizadas pela SABESP – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (www.sa- besp.com.br, acessada em fevereiro de 2009), pode-se verificar que na RMSP há oito estações de tratamento de água (ETA) (Quadro 2.1). Essas ETAs em conjunto ofertam 67,8 m3/s de água potável para um total de 18,7 milhões de habitantes. Consi- derando que cerca de 30% dessa água potá- vel é perdida no trajeto até as residências (ISA, 2007), culmina em 47,46 m3/s de água potável efetivamente ofertada. Consideran- do ainda que, nos diversos usos residen- ciais, cerca de 10m3/s de água saem do siste- ma, restam 37,46 m3/s descartados como água servida. Em contrapartida, as cinco es- tações de tratamento de esgoto (fase líquida e sólida) (ETE) da RMSP, apresentam 18 m3/s de vazão média de projeto como capa- cidade máxima de tratamento de esgotos, mas atualmente operando no tratamento de 11 m3/s de esgoto (Quadro 2.2). Portan- to, pode-se concluir que são lançados indis- criminadamente nos corpos de água da RMSP por volta de 26,46 m3/s de águas ser- vidas. Ou seja, são descartados na forma de esgoto não tratado quase 71% da água po- tável que chega às residências da RMSP. Considerando que 18,7 milhões de habitan- tes são contemplados com água tratada e que a população equivalente à quantidade de esgoto tratado seja de 8,44 milhões de habitantes (Quadros 2.1 e 2.2), em popula- ção equivalente, o esgoto lançado sem tra- tamento representa 10 milhões de habitan- tes, ou aproximadamente 53% dos habitan- tes da RMSP. Esses fatos demonstram que o sistema de tratamento de esgoto da RMSP, trabalhando com a vazão máxima de proje- to, ao menos deve ser duplicado, unicamen- te permitindo atender a atual demanda. Particularmente para a RMSP, a uni- versalidade do serviço de coleta e tratamen- to de esgoto, em médio prazo, melhorará a qualidade das águas dos rios. Esse fato tam- bém permitirá seguir com o empreendi- mento idealizado pelo Engenheiro Asa Billings, a transposição das águas do rio Pi- nheiros para a represa Billings, através da estação de recalque de Pedreira, passando suas águas posteriormente pelo Summit Control e seguindo para a represa Rio das Pedras. Dessa represa, construída no topo da escarpa da Serra do Mar, a água segue em desnível de cerca de 750m até a Usina Henry Boarden, em Cubatão. Na atualidade, essa usina hidrelétrica gera no horário de pico no máximo 150 MW, quando poderia inte- grar a rede elétrica nacional produzindo continuamente na potência máxima de 880 MW. Como benefício excepcional e com- plementar da melhoria da qualidade da Meio ambiente e sustentabilidade 53 água, a ampliação na oferta de energia elé- trica de uma instalação subutilizada gerará recurso financeiro que abaterá parte do in- vestimento da ampliação da rede coletora e das novas e necessárias estações de trata- mento de esgoto e de descarte de lodo. O ambiente aquático – autodepuração e eutrofização O emprego das massas de água como dilui- doras de águas residuárias doméstica e in- dustrial, isto é, o deliberado descarte de es- QUADRO 2.1 Estação de tratamento de água (ETA) para abastecimento integrado na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), produção de água tratada e população atendida POPULAÇÃO PRODUÇÃO ATENDIDA LOCAIS ETA (M3/S) (MILHÕES) ATENDIDOS Alto Cotia 1 0,40 Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande Baixo Cotia 0,9 0,46 zona Oeste da RMSP (Barueri, Jandira e Itapevi) Alto Tietê 10 3,10 zona leste da capital e Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Suzano. Mauá, Santo André (parte), Mogi das Cruzes e Guarulhos (bairro dos Pimentas e Bonsucesso) abastecem suas regiões e compram água do Sistema Alto Tietê Cantareira 33 8,10 zonas Norte, Central e parte das zonas Leste e Oeste da capital e os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Guarulhos (parte), Osasco, Carapicuíba, e parte de Barueri, Taboão da Serra, Santo André e São Caetano do Sul Guarapiranga 14 3,80 zona sul e sudoeste da Capital Ribeirão da Estiva 0,1 0,04 Rio Grande da Serra Rio Claro 4 1,20 Sapopemba (parte), na Capital e parte de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André Rio Grande 4,8 1,60 Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André Total 67,8 18,7(**) * No site da Sabesp, há também outros números, de 65 mil litros de água por segundo e ** 18,6 milhões de habitantes atendidos. Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009. 54 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) goto bruto nos rios, é procedimento clássi- co e amplamente utilizado em diversas partes do mundo. De fato, o ambiente aquá- tico demonstra ter condições de receber e de decompor a matéria orgânica, mas car- gas orgânicas acima de determinado nível causam alterações no ecossistema local e circunvizinho (Campos, 2000). Dependen- do da carga orgânica lançada, o processo de autodepuração (o fenômeno da aparente capacidade de recuperação das condições anteriores à poluição – Schafer, 1984) é pre- judicado, consequentemente, as condições ambientais não serão adequadas à reprodu- ção e ao crescimento de organismos que de- compõem a matéria orgânica (Campos, 2000). Com isso, pode haver a degradação do ambiente. O lançamento de elevada carga de esgoto em um corpo de água, indi- retamente consome oxigênio dissolvido, devido aos processos de estabilização da matéria orgânica realizados pelas bactérias decompositoras, que empregam o oxigênio disponível no meio líquido para a sua respi- ração (von Sperling, 2005). Assim, após o ponto de lançamento do esgoto, há drástica redução do teor de oxigênio dissolvido. O decréscimo da concentração de oxigênio dissolvido tem diversas implicações do ponto de vista ambiental, constituindo-se, em um dos principaisproblemas de polui- ção das águas em nosso meio. A degradação de material biodegradável é acompanhada pela rápida evolução do número de bacté- rias, fungos, etc., no meio, provocando, em muitos casos, a morte de peixes, por exem- plo, pela queda da concentração de oxigê- nio até níveis muito baixos, geralmente in- feriores a 2 mg/l (Campos, 2000). A favor da elevação da concentração de oxigênio em função da fotossíntese, têm-se a ação das algas, liberando oxigênio, e também a pró- pria turbulência na superfície da água ace- lerando a troca de oxigênio com a atmosfe- ra. Como discutido em Campos (2000), após determinado percurso (ou tempo), as águas do rio recuperam melhores níveis de oxigênio, decorrente da predominância das ações favoráveis (algas e turbulência) sobre as desfavoráveis (degradação biológica), QUADRO 2.2 Estações de tratamento de esgoto (fase líquida e sólida) (ETE) da Região Metropolitana de São Paulo, vazão média de projeto (VMP), vazão atual (VA), população equivalente e corpo de água receptor. POPULAÇÃO CORPO VMP VA EQUIVALENTE DE ÁGUA ETE (m3/s) (m3/s) (MILHÕES) RECEPTOR ABC 3 1,3 1,4 Córrego dos Meninos Barueri 9,5 7 4,4 Rio Tietê Parque Novo Mundo 2,5 1,2 1,2 Rio Tietê São Miguel 1,5 0,5 0,72 Rio Tietê Suzano 1,5 1,0 0,72 Rio Tietê Total 18 11 8,44 Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009. Meio ambiente e sustentabilidade 55 quando já ocorreu a mineralização de gran- de parte da matéria orgânica. Assim, com base no perfil da concentração de oxigênio dissolvido, pode-se dividir um rio em zonas de autodepuração (Branco, 1984): a) zona de degradação: locais de despejos orgâni- cos, a DBO atinge concentração máxima devido ao processo de decomposição; b) zona de decomposição ativa: locais com águas escuras devido à atividade aeróbica e anaeróbica intensa realizada por organis- mos bentônicos; c) zona de recuperação: a DBO ainda é baixa, mas a maior parte do material biodegradável foi consumido; as águas estão mais transparentes e ocorre um aumento gradual da oxigenação; d) zonas de águas limpas: a água foi totalmente recu- perada e suas condições são semelhantes àquelas anteriores à poluição. Na prática, o trecho de rio necessário para ocorrer essa recuperação pode ser de algumas dezenas ou centenas de quilômetros que, somados aos inúmeros despejos de efluentes ao longo do trajeto das águas, potencializa os problemas decorrentes do excesso de maté- ria orgânica. Além da presença de compos- tos orgânicos biodegradáveis, há a possibili- dade de contaminantes, como organismos patogênicos, metais pesados, agrotóxicos e compostos radioativos, por exemplo, com- prometendo mais ainda a qualidade da água e seus usos potenciais. O simples fato de elevar a carga orgânica da massa de água, mediante o despejo de esgotos, também acarreta o aumento dos teores de nutrien- tes, em especial do nitrogênio e do fósforo, provocando os efeitos nocivos do aporte ex- cessivo de nutrientes, o processo de eutrofi- zação. O processo de eutrofização é um dos mais graves problemas associado à redução da qualidade das águas superficiais. A falta de ações e medidas concretas em curto prazo visando conter e reduzir a eutrofiza- ção contribuirá para o agravamento da de- terioração da qualidade das águas, particu- larmente em regiões metropolitanas das grandes cidades (Pompêo et al., 2005), es- tendido para os grandes centros da América Latina. A eutrofização não se resume ao en- riquecimento por nitrogênio e fósforo. Par- tindo-se de uma situação de baixa trofia (ultraoligotrófico) a elevados níveis de nu- trientes (hipereutrófico), podem ocorrer inúmeras mudanças no corpo de água: au- mento da biomassa dos produtores primá- rios; diminuição na concentração de oxigê- nio no hipolímnio; aumento da concentra- ção de nutrientes; produção de odores; progressão de uma população de diatomá- ceas para cianobactérias e clorofíceas; dimi- nuição da penetração de luz; liberação de toxinas por cianobactérias; mudanças na produtividade, biomassa e composição de espécie; perda dos aspectos estéticos da água como cor e odor; problemas para os sistemas de tratamento da água como a fil- tração; danos à saúde; alterações no pH e redução na concentração de CO2; aumento da mortandade e na composição de peixes no ecossistema (Henderson-Sellers e Mark- land, 1987; Vezjak et al., 1998; Smith et al., 1999 citado em Pompêo et al.). Não só os rios, mas também os reserva- tórios, por estarem associados aos usos pelo homem, como depositários dos eventos pre- sentes e passados de sua bacia de drenagem, e com sua dinâmica, estrutura, funciona- mento e caracterização, em parte, sob a in- fluência externa (Calijuri e Oliveira, 2000; Henry, 1990), sofrem as influências perversas do processo de eutrofização, como observa- do nos reservatórios Billings e Guarapiranga na RMSP (Brasil). Não só os nutrientes e organismos pa- togênicos são prejudiciais à saúde. Os con- taminantes químicos da água potável, mui- tas vezes considerados menos prioritários, pois seus efeitos adversos na saúde se asso- ciam geralmente com exposições de longo prazo, quando comparados com os efeitos mais imediatos de contaminantes micro- biais, podem causar problemas de saúde muito sérios (Thompson et al., 2007). 56 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) Na RMSP, os estratégicos reservató- rios Billings e Guarapiranga, abastecem cerca de 5,4 milhões de pessoas. No presen- te momento, a SABESP (Companhia de Sa- neamento Básico do Estado de São Paulo) considera que o reservatório Paiva Castro (Sistema Cantareira), que abastece cerca de 8,1 milhões de habitantes, apresenta ótima qualidade da água. Porém, caso não seja al- terado o processo de uso e ocupação de suas áreas de captação, inevitavelmente o Siste- ma Cantareira passará pelo mesmo proces- so de degradação vivenciado pelos reserva- tórios Guarapiranga e Billings. A aplicação de sulfato de cobre, como procedimento de controle do indesejável crescimento de algas potencialmente tóxicas, as cianobac- térias, que já ocorre no reservatório Paiva Castro nos meses mais quentes do ano, de- monstra o agravamento do processo de eu- trofização no sistema Cantareira. A contí- nua deterioração da qualidade da água desse importante manancial, a possibilida- de de redução dos usos e o aumento no custo do tratamento da água bruta, causa- ram incontáveis transtornos a todo proces- so produtivo, à qualidade de vida da popu- lação em geral e da população ribeirinha em particular, que tem nesse corpo de água importante fonte de emprego e renda. A responsabilidade pela manutenção do uso com qualidade desses mananciais e de seu entorno é do poder público constituído. No entanto, a sociedade, o cidadão consciente, a escola participativa, as associações de bairro e profissionais, entre outros grupos organizados, não podem permitir que o poder público aplique unicamente seus in- teresses no controle dos usos desses manan- ciais. Segundo a Constituição Federal do Brasil (CF, 1988, Art. 225), todos têm direi- to ao meio ambiente ecologicamente equili- brado, bem de uso comum do povo e essen- cial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presentes e as futuras. Assim, também é dever do cidadão, e não cabe unicamente à SABESP, à Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (EMAE), à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CE- TESB) e às secretarias estaduais e munici- pais de meio ambiente e de saneamento, no caso da RMSP, a responsabilidade pelo ge- renciamento, monitoramento, fiscalização e manejo das massas de água. A participação ativa da sociedade, fiscalizando, sugerindo, monitorando e cobrando transparência nas ações do poder público é fundamental para garantir usos mais nobres dos espaços e seus produtos, em particular dos ambientes aquáticos, garantindo água em quantidade ede melhor qualidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS O sistema de gerenciamento de serviços pú- blicos de saneamento é formado pelo con- junto de agentes institucionais, governa- mentais e entidades privadas, que têm o ob- jetivo de executar a política de saneamento, tendo como principal instrumento o plano de saneamento (Moraes, 1997 citado em Brasil, 2004). Para esse autor, a gestão dos serviços de saneamento deve estar respalda- da em uma política de saneamento, na qual estejam explicitadas a diretriz geral, o mo- delo de gerenciamento, a organização legal e institucional e o sistema de gerenciamento que reúna os instrumentos para o planeja- mento, a execução, a operação e a avaliação das obras e serviços de saneamento, segun- do princípios de uma política pública de sa- neamento. Considera também que as ações governamentais estão refletidas em leis, de- cretos, normas e regulamentos vigentes. Moraes (2004) ressalta a importância de se manter a população como usuária dos recursos hídricos e não consumidora de uma mercadoria. Comenta que na iniciati- va privada o objetivo é a lucratividade, o que não garante o abastecimento igualitário para a população de baixa renda. Meio ambiente e sustentabilidade 57 É óbvio que os serviços de saneamen- to básico existem para satisfazer as necessi- dades vitais dos moradores das cidades, es- tados ou países (Yassuda e Iuni, 2000). Por- tanto, o saneamento deve ser assumido como um direito humano essencial próprio da conquista da cidadania, contrapondo-se à visão do saneamento como um bem de mercado, sujeito às suas regras. As políticas públicas de saneamento devem se nortear por princípios, relacionados aos seus fins, à universalidade, à equidade, à integralidade, à qualidade, ao acesso e à sustentabilidade ambiental (Heller e Castro, 2007). No en- tanto, para os usuários não importa se a gestão é municipal ou estadual, se é pública ou até mesmo se há participação da iniciati- va privada; interessa, sim, se essa gestão possibilita água com qualidade, quantidade e universalidade. Importa, sim, se essa ges- tão possibilita que seu esgoto seja coletado, afastado e tratado, garantindo saúde am- biental e humana. Importa também, e prin- cipalmente, se essa gestão oferece serviços capazes de atender às necessidades básicas da comunidade, em forma sustentável e de modo a impulsionar o processo de desen- volvimento econômico-social (Orega e Phi- lippi Jr., 2005) para todos. O atendimento a esses pontos somente é possível se os servi- ços de abastecimento de água e de esgota- mento sanitário não forem pautados pelo lucro, se geridos por entidade pública e com transparência. Os desembolsos financeiros devem ser entendidos como investimento e nunca como despesa. Devemos ainda levar em consideração o espaço como definido por Santos (2008) (“espaçotemporal”), o que implica que as ações relacionadas ao abastecimento de água e esgotamento sanitário devam sem- pre ser revistas e ter sua tecnologia atualiza- da, para atender às novas demandas e in- corporar os novos conhecimentos à luz da ciência. Portanto, são necessárias revisões e ações continuadas, o que implica necessário planejamento. Apenas com políticas públicas efica- zes, voltadas ao bem público, com sólidos programas de educação ambiental e com a participação ativa da sociedade em fóruns de discussões e decisões, será possível atin- gir metas de melhoria da qualidade de vida e restaurar a qualidade das águas dos rios Tietê, Pinheiros e represas Billings e Guara- piranga e preservar a qualidade da água do reservatório Paiva Castro, em processo de eutrofização, no caso da RMSP. É impres- cindível que o poder público aplique os ins- trumentos legais disponíveis e que a conti- nuidade de projetos e ações de melhoria do meio ambiente seja garantida (Kakinami et al., 2004, citado em Pompêo et al., 2005). Deve-se levar em consideração o efeti- vo controle dos usos e ocupações dos espa- ços na bacia de captação. Os usos vigentes e propostos devem evitar a degradação da qualidade da água para o abastecimento público. A falta de água para abastecimento público, a inadequação do planejamento e a restrita implantação do sistema de esgota- mento sanitário contribuem para a rápida deterioração da qualidade de água nos ma- nanciais e ampliam os custos de tratamento da água bruta, além de agravarem os inú- meros problemas de saúde pública. Há ten- dência dos políticos e de muitos técnicos de atender prioritariamente a demanda por água potável e restrita preocupação em co- letar e tratar todo esgoto gerado. A popula- ção, em contrapartida, mobiliza-se princi- palmente para exigir água potável, mas se esquece do complemento, a água servida, em grande parte lançada como esgoto in natura nos corpos de água mais próximos. As estatísticas nacionais corroboram essas afirmações. Deve haver equacionamento entre a oferta de água potável à população e a cole- ta e o tratamento de esgoto e do lodo gera- do. Isto é, todos os habitantes deveriam ter água em quantidade e qualidade necessá- rias, quantidade estimada pela ONU em 58 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) 110 litros/dia e, posterior ao uso, toda água servida deveria obrigatoriamente ser cole- tada e tratada, adequando o efluente aos pa- drões de lançamento, garantindo manan- ciais mais saudáveis e, consequentemente, melhor qualidade de vida em todos os ní- veis. No entanto, há claro descompasso po- lítico na relação quantidade/qualidade de água potável e de água servida, não sendo compreendida pelos governantes e muitos de seus técnicos como um sistema único e integrado, que deve ser planejado e implan- tado de forma conjunta, compondo uma única política pública de saneamento. É senso comum no Brasil a frase “obra enter- rada não ganha voto”, referindo-se ao siste- ma coletor de esgotos. Por princípio, o em- prego dos corpos de água como diluidor de esgoto in natura, inclusive o uso de emissá- rios submarinos, deveria ser abolido. As discussões das inúmeras questões relacionadas à implantação do saneamento básico, em particular no Brasil, dizem res- peito principalmente aos aspectos políticos e não técnicos. É possível coletar e tratar água bruta através de diversos procedimen- tos (Di Bernardo e Di Bernardo Dantas, 1993) e há inúmeras maneiras de tratar o esgoto, desde as tradicionais lagoas de esta- bilização e lodo ativado, passando por mé- todos alternativos como as terras úmidas construídas (os constructed wetlands) ou leito de macrófitas aquáticas (von Sperling, 1996; EPA, 2000a, 2000b; Sousa et al., 2004). Portanto, atualmente existem as competên- cias necessárias para solucionar os diversos aspectos da crise da gestão de recursos hí- dricos, porém, a inércia dos líderes e a au- sência de clara consciência sobre a magni- tude do problema por parte da população, muitas vezes não suficientemente autôno- ma para raciocinar, resulta em um vazio de medidas corretivas, necessárias e urgentes (UNESCO, 2003). As perspectivas futuras são desanimadoras. O uso da água deve ser respaldado por estudos multidisciplinares, incluindo propostas de descarte da água servida, com sugestões de cenários futuros, com deci- sões tomadas em fórum de discussão que envolva representantes de todos os setores interessados. A universalidade do sanea- mento ambiental, com abastecimento pú- blico mínimo de água com qualidade, e de total coleta e tratamento dos esgotos gera- dos, devem ser posições basilares, incorpo- rando sua aplicação “espaçotemporal”. Os sistemas de abastecimento de água devem ser dimensionados para atender às necessidades de água da região beneficiada. É importante que as projeções das necessi- dades e as disponibilidades dos recursos hí- dricos, em função do aquecimento da eco- nomia e do crescimento demográfico, sejam calculadas com antecipação. Os sistemas devem ser planejados, arquitetados e cons- truídos, para funcionarem durante muito tempo sem riscosde deterioração. Apesar disso, as atividades de monitoramento do sistema, buscando detectar, no mais curto espaço de tempo, possíveis problemas ou defeitos, são de importância capital, para garantir a retroalimentação sistêmica, rela- cionada com as atividades de manutenção (Brasil, 2003). Resolver a crise da água, porém, é ape- nas um dos desafios que enfrenta a humani- dade. A crise da água se situa em uma pers- pectiva mais ampla de solução de problemas e resolução de conflitos. Tal como indicou a Commission for Sustainable Development em 2002, erradicar a pobreza, modificar os padrões de produção e consumo insustentá- veis e proteger e administrar os recursos na- turais do desenvolvimento social e econô- mico constituem objetivos primordiais e a exigência essencial de um desenvolvimento sustentável (UNESCO, 2003). Há também necessidade de leis mais sólidas e claras, com definições de sanções Meio ambiente e sustentabilidade 59 quando do seu não cumprimento. Não é conveniente pensar o saneamento com base no lucro financeiro. O maior lucro é manter os serviços e potencialidades do meio am- biente por tempo indefinido. Sendo urgente despender esforços para equacionar questões relativas à manu- tenção da qualidade e quantidade da água dos mananciais e visando minimizar os problemas relacionados ao abastecimento público e esgotamento sanitário nos gran- des centros urbanos e garantir mananciais mais saudáveis para gerações futuras, são propostas: a) nenhuma entidade federal, estadual, mu- nicipal ou privada poderá captar qualquer quantidade de água bruta sem a aprova- ção prévia dos órgãos competentes; b) toda entidade federal, estadual, munici- pal ou privada terá o prazo máximo de cinco anos para regularizar e cadastrar seu sistema de captação de água bruta em operação, atendendo normas estabe- lecidas pelas diferentes esferas de gover- no, no caso de descumprimento ficará definido multa diária; c) definir em lei a quantidade máxima de água bruta que poderá ser captada, com base na quantidade – vazão e carga reti- radas, levando em consideração a vazão e carga do manancial (rio) e a recarga de lagos e reservatórios, discriminando res- ponsabilidades e sansões quando do seu descumprimento; d) o não cumprimento das normativas apre sentadas nos itens anteriores impli- cará não ter analisadas novas solicita- ções de captação até a regularização da atual situação; e) a obrigatoriedade definida em lei que para cada metro cúbico de água potável ofertada à população sejam definidos em projeto a respectiva coleta e trata- mento da água servida. A oferta de água potável e a coleta e o tratamento do es- goto gerado devem ser entendidos como um sistema único, integrado e indissoci- ável, implicando que sejam considera- dos conjuntamente no planejamento, na implantação e na solicitação de recur- sos, com pena de não ter aprovada a proposta de captação de água bruta; f) definir em lei o limite máximo de 10% para a fuga de água, implicando multas e sanções quando do seu não cumpri- mento; para tanto será obrigatória a im- plantação de sólido programa de moni- toramento de perdas e controle da água ofertada; g) a obrigatoriedade definida em lei para que, no prazo máximo de dez anos, todo esgoto gerado seja efetivamente coleta- do e tratado (descarte zero), definindo graves sanções às diferentes esferas de governo e seus dirigentes quando da não observância da lei; h) empreendimentos já instalados têm o prazo de dez anos para se integrarem à rede coletora de esgotos, após esse prazo serão integrados compulsoriamente, ar- cando com os custos de instalação so- mados às despesas de multas e custos processuais; i) definir em lei que novos empreendi- mentos somente serão aprovados para uso após serem definitivamente integra- dos à rede coletora de esgoto; j) definir em lei prazos para a instalação de sistemas de tratamento e descarte de lodo, provenientes das ETAs e ETEs, com defini- ções de responsabilidades, sanções e mul- tas quando do seu não cumprimento; k) definir em lei que novos empreendi- mentos (condomínios, museus, clubes, estádios, escolas, shopping centers, par- ques temáticos, indústrias, hospitais, hotéis, motéis, restaurantes, casas de es- petáculos e de exposições e outros esta- belecimentos comerciais e empreendi- 60 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.) mentos de grande porte público e priva- do, com base na área física instalada e no número de pessoas atendidas) implan- tem sistema de reuso de água, com pra- zos de instalação e projetos aprovados por órgãos competentes; l) definir que esses mesmos empreendi- mentos também implantem sistema de captação de água de chuva, com prazos de instalação e projetos aprovados por órgãos competentes; m) definir em lei o prazo de dez anos para que empreendimentos já instalados (ver item k) implantem sistema de captação de água de chuva, com prazos de instalação e pro- jetos aprovados por órgãos competentes; n) cobrar de modo diferenciado e escalo- nado, segundo o consumo de água – quanto mais consome mais paga, garan- tindo uma tarifa social mínima de ao menos 110 litros/habitante/dia; o) instalar medidores de consumo de água individuais – em cada casa um medidor de consumo; p) empreender esforços visando ampliar o controle e a vigilância da qualidade da água pelos órgãos responsáveis pelo abastecimento e por órgãos de saúde pública, da água bruta à torneira para o consumidor final; q) implantar sólidos programas de contro- le de perdas; r) empreender esforços em todos os níveis com campanhas educacionais sobre a im- portância da água, seu uso racional, a pre- servação de sua qualidade e quantidade; s) empreender esforços em campanhas edu- cacionais relacionadas à saúde pública, re- forçando a importância de hábitos sim- ples como lavar as mãos com sabão após usar o banheiro e antes das refeições; t) estabelecer que estado e prefeitura obri- gatoriamente implantem secretaria de meio ambiente e de saneamento; u) definir que toda secretaria de meio am- biente e de saneamento (federal, esta- duais e municipais) deva manter site atua- lizado com as ações empreendidas e metas para o sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário. AGRADECIMENTOS Agradeço à Profa. Dra. Sandra Tédde San- taella (Universidade Federal do Ceará, Ins- tituto de Ciências do Mar, Fortaleza, Ceará, Brasil) pela leitura crítica do manuscrito e a Fapesp (02/13376-4 e 06/51705-0) e CNPq (471184/2006-3 e 470443/2008-1). Este documento tem como objetivo apresentar um exercício introduzindo os cálculos para a determina- ção do Índice do Estado Trófico (IET) e algumas dis- cussões relativas à sua interpretação, utilizando como base o relatório “Qualidade das águas inte- riores no Estado de São Paulo. Índice de Qualidade das Águas. Anexo V”, modificado de Cetesb (2006). O conceito de estado trófico é baseado no fato de que mudanças nos níveis de nutrientes (medido como fósforo total) causam mudanças na biomassa algal (medida pela concentração de clo- rofila-a). Por sua vez, alterações na biomassa algal interferem na penetração da luz na água (medida pela transparência do disco de Secchi) (EPA, sem data). Assim, com base no estado trófico é possível classificar as massas de água em diferentes graus de trofia, ou seja, avaliar a qualidade da água quanto ao enriquecimento por nutrientes, princi- palmente, e seus efeitos relacionados ao cresci- mento excessivo de algas e macrófitas aquáticas (CETESB, 2006). Além disso, o IET sintetiza a infor- mação, permitindo melhor avaliar alterações nos EXERCÍCIOS CÁLCULO DO ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta uma breve apresentação desta Unidade de Aprendizagem, assim como a situação do saneamento básico,a partir de dados de pesquisas contemporâneas. Além disso, aborda os benefícios e os problemas associados à presença e à ausência de saneamento básico, respectivamente. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O que se entende por saneamento básico segundo a Lei Federal no 11.445/2007? A) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água doce, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. B) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. C) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, de esgotamento sanitário, de podas das árvores e manejo de resíduos sólidos e de drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. D) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de efluentes e de drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. E) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de drenagem e manejo das águas fluviais. 2) A falta de saneamento básico estaria diretamente relacionada a quais consequências? A) Hábitos higiênicos satisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. B) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar; veiculação de reduzido número de enfermidades e condições propícias à reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. C) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. D) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições não favoráveis à reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. E) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da raiva. 3) Entre os benefícios da presença de saneamento básico em uma determinada região podem estar: A) Prejuízo à saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional. B) Melhoria da saúde da população e aumento dos recursos aplicados no tratamento de doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional. C) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; aumento dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional. D) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas, estagnação da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional. E) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional. 4) Qual é a causa da morte de cerca de 8 milhões de pessoas no mundo anualmente e que possui relação com o saneamento básico? A) Aids B) Câncer C) Rubéola D) Falta de acesso à água potável e ao esgotamento sanitário. E) Gripe H1N1 5) Constituem-se em importantes ações de saneamento ambiental: A) Sistema de abastecimento de água e do sistema de esgotamento sanitário. B) Plantio de árvores. C) Adoção de uma caneca retornável. D) Uso de plantas medicinais. E) Combate ao tráfico de animais silvestres. NA PRÁTICA Na prática, se uma indústria que produz resíduos líquidos (efluentes) não realizar as etapas corretas de armazenamento, transporte e tratamento desses resíduos, além de crime ambiental, terá pelo menos outras três consequências cruciais: SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007 Leia sobre a Lei no 11.445 no Portal da Câmara dos Deputados no link abaixo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! IBGE: 35,7% dos brasileiros vive sem esgoto, mas 79,9% já tem acesso à internet Pouco mais de um terço dos brasileiros vivem em domicílios sem coleta de esgoto sanitário. Leia mais a reportagem da UOL escrita por Daniela Amorim e Vinicius Neder. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! INFOGRÁFICO: A realidade do saneamento básico no Brasil Plataforma digital da CNI apresenta, de forma interativa e dinâmica, um retrato detalhado dos serviços de água e esgoto em todo país e da deficiência no atendimento enfrentada pela população brasileira (Consta no final da página) Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento básico. Essas diretrizes são orientadas pela lei no 11.445/2007 e estão diretamente vinculadas aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir saneamento básico, segundo a Lei Federal no 11.445/2007.• Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico.• Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abastecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. • DESAFIO Você é gestor ambiental de um município e precisa convencer o prefeito quanto à implantação de políticas públicas voltadas ao saneamento básico. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir demonstra alguns dos principais pontos relacionados ao saneamento básico conforme a Lei no 11.445/07: CONTEÚDO DO LIVRO O capítulo a seguir, trazerá maior enriquecimento teórico sobre o assunto, contribuindo para o gestor ambiental relacionar o seu dia a dia com os aspectos do saneamento básico. Boa leitura! SANEAMENTO Ronei Stein Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Objetivosde aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir saneamento básico segundo a Lei Federal nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007 Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abas- tecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e manejo das águas pluviais urbanas Introdução Neste capítulo, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento básico. Essas diretrizes são orientadas pela Lei nº. 11.445/2007 e estão diretamente vinculadas aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Importância da Lei nº. 11.445/2007 para o saneamento De modo geral, saneamento é o conjunto de medidas que buscam preservar ou modifi car o meio ambiente para prevenir doenças e semear saúde. Com saneamento, é possível melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a produtivi- dade do indivíduo e otimizar a atividade econômica. No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei nº. 11.445/2007, a Lei Federal de Saneamento Básico. A Lei nº. 11.445/2007 trouxe novas diretrizes nacionais e definiu o plane- jamento dos serviços básicos como instrumento fundamental para se alcançar o acesso universal ao saneamento básico. Todas as cidades devem formular as suas políticas públicas visando à universalização, sendo o plano municipal de saneamento básico (PMSB) o instrumento de estratégia e diretrizes. Os componentes do saneamento básico são o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a dre- nagem e manejo das águas pluviais urbanas (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2018). Saneamento é um fator essencial para o desenvolvimento econômico e social de um país. Os serviços de água tratada, de coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil, com redução da mortalidade infantil e melhorias na educação. Tembém levam à expansão do turismo, valorização dos imóveis, melhoria da renda do trabalhador, despoluição dos rios e preservação dos recursos hídricos, etc. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta algumas medidas para promover o saneamento básico: instalação e manutenção de esgotos sanitários; drenagem das águas pluviais; administração do nível de poluição do meio ambiente; planejamento para ocupação dos territórios levando em conta o saneamento; abastecimento da população com água potável; administração da quantidade de insetos e animais nocivos à saúde humana; coleta de lixo e sua adequação; saneamento dos lares, locais de trabalho e de lazer. Aspectos relevantes da Lei nº. 11.445/2007 A Lei nº. 11.445/2007 cria as diretrizes básicas para a organização dos serviços de saneamento básico no Brasil. Entre as quais, pode-se destacar (BRASIL, 2007): Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II2 a) Definição: a lei define saneamento básico como o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: ■ abastecimento de água potável, compreendendo desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; ■ esgotamento sanitário, compreendendo a coleta, o transporte, o tra- tamento e a disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; ■ limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo a coleta, o transporte, o transbordo, o tratamento e o destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; ■ drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, compreendendo o transporte, a detenção ou a retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. b) Titularidade: a lei não aborda diretamente a questão da titularidade dos serviços de saneamento básico. A esse respeito, determina apenas que o titular deve prestar os serviços diretamente ou deve: ■ delegar a organização, a regulação, a fiscalização dos serviços a outros entes da federação por meio de consórcios públicos e convênios de cooperação entre os entes federados; ■ delegar a prestação dos serviços a ente que não integre a adminis- tração do titular por meio de contrato, sendo vedada a disciplina mediante convênios, termos de parceria ou outros instrumentos de natureza precária. c) Entidade Reguladora: a lei prevê a criação de uma entidade regula- dora, que deve editar normas sobre as dimensões técnicas, econômicas e sociais de prestação dos serviços. A entidade reguladora deve ter autonomia administrativa, orçamentária e financeira para que possa atuar com independência decisória e transparência. Além disso, de acordo com Pereira Júnior (2008), a Lei nº. 11.445/2007 apresenta alguns dispositivos quanto à regularização dos serviços de sanea- mento básico: Reconhecimento da necessidade de que os serviços de saneamento tenham sustentabilidade econômica. Visão equilibrada da função social do saneamento. O saneamento é importante para a saúde pública, para o meio ambiente e para o bem- 3Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II -estar geral da sociedade, mas, como um “serviço público”, tem de ter sustentabilidade econômica para garantir sua prestação com qualidade, confiabilidade e continuidade. Possibilidade de resolução gradual dos problemas ambientais decorrentes da deficiência ou ausência de serviços de saneamento básico. Regulamentação da prestação regionalizada de serviços de saneamento básico, criando condições legais estáveis para a atuação de entidades e empresas estaduais, municipais e privadas em vários municípios, com ganhos de escala e otimização de recursos logísticos, administrativos, técnicos e operacionais. Elaboração de planos de saneamento básico, compatibilizando os quatro serviços que o compõem, além da elaboração de mecanismos de controle social e de sistema de informações sobre os mesmos. Formalização por contrato de toda relação entre titular e prestadores de serviços e entre prestadores de etapas complementares do mesmo serviço. Planejamento e regulação de todos os serviços. A lei fornece o conteúdo mínimo da regulação e permite que o planejamento seja elaborado mediante cooperação de outras entidades, inclusive prestadores de serviços. Também permite e delegação da regulação a outras entidades, inclusive de outros entes da federação, e a consórcios de municípios. Estabelecimento de diretrizes econômicas e sociais, as quais incluem as regras gerais para a cobrança dos serviços de saneamento — tarifas, taxas e tributos, além das formas de quantificação dos serviços, como o volume de água consumida e de esgoto coletado e a quantidade de lixo coletado. Estabelecimento de diretrizes técnicas para a prestação de serviços de saneamento básico: requisitos mínimos de qualidade, regularidade e continuidade. A lei centraliza na União a definição de parâmetros mínimos de potabilidade da água para o abastecimento público, o que já é feito pelo Ministério da Saúde. Estabelece condições específicas para o licenciamento ambiental de unidades de tratamento de esgotos e de resíduos gerados pelos processos de tratamento de água. Torna obrigatória a ligação de toda edificação nas redes públicas de água e de esgotos. Controle social dos serviços de saneamento básico, remetendo aos titulares dos serviços a definição da forma como esse controle será organizado e exercido. Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II4 Diretrizes nacionais para o saneamento básico A superação das desigualdades sociais no acesso aos serviços públicos de saneamento básico é questão fundamental para alavancar a área e cumprirseu objetivo de universalização no atendimento à população, conforme esta- belecido nas diretrizes nacionais e na Política Federal de Saneamento Básico (BRASIL, 2007). Conforme art. 48 da Lei nº. 11.445/2007, a União deve respeitar as seguintes diretrizes (BRASIL, 2007): prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico; aplicação dos recursos financeiros, de modo a promover o desenvolvi- mento sustentável, sua eficiência e eficácia; estímulo ao estabelecimento de adequada regulação dos serviços; utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento so- cial no planejamento, implementação e avaliação das suas ações de saneamento básico; melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais e de saúde pública; colaboração para o desenvolvimento urbano e regional; garantia de meios adequados para o atendimento da população rural dispersa, inclusive mediante à utilização de soluções compatíveis com suas características econômicas e sociais peculiares; fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, à adoção de tecnologias apropriadas e à difusão dos conhecimentos gerados; adoção de critérios objetivos de elegibilidade e prioridade, levando em consideração fatores como nível de renda e cobertura, grau de urbanização, concentração populacional, disponibilidade hídrica, riscos sanitários, epidemiológicos e ambientais; adoção da bacia hidrográfica como unidade de referência para o pla- nejamento de suas ações; estímulo à implementação de infraestruturas e serviços comuns a mu- nicípios, mediante mecanismos de cooperação entre entes federados. estímulo ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de equipamentos e métodos economizadores de água. 5Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Em relação ao Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), ele deve ser elaborado obrigatoriamente pelo titular dos serviços municipais de sa- neamento básico. Trata-se de instrumento fundamental para que os gestores públicos possam controlar ou conceder os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. A Lei nº. 11.445/2007 define como funções essenciais da gestão dos serviços públicos de saneamento básico o planejamento, a regulação, a prestação e a fiscalização dos serviços e o controle social. O plano de saneamento básico será revisto periodicamente, em prazo não superior a quatro anos. O PMSB é o documento básico do planejamento, contemplando os modelos de gestão, as metas, os projetos e as respectivas tecnologias e as estimativas dos custos dos serviços. Ele deverá ser elaborado de acordo com os princípios/diretrizes da lei. Estas diretrizes são, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde — FUNASA (BRASIL, 2012): universalização do acesso com integralidade, segurança, qualidade e regularidade na prestação dos serviços; promoção da saúde pública, segurança da vida e do patrimônio, proteção do meio ambiente; articulação com as políticas de desenvolvimento urbano, saúde, proteção ambiental e interesse social; adoção de tecnologias apropriadas às peculiaridades locais e regionais; uso de soluções graduais e progressivas e integração com a gestão eficiente de recursos hídricos; gestão com transparência baseada em sistemas de informação, processos decisórios institucionalizados e controle social; promoção da eficiência e sustentabilidade econômica, considerando a capacidade de pagamento dos usuários. Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II6 O Quadro 1 apresenta os princípios de uma política básica de saneamento. Princípio Definição Universalidade As ações e serviços públicos de saneamento básico, além de serem, fundamentalmente, de saúde pública e de proteção ambiental, são também essenciais à vida, um direito social básico e um dever do Estado. Assim, o acesso aos serviços de saneamento básico deve ser garantindo a todos os cidadãos mediante tecnologias apropriadas à realidade socioeconômica, cultural e ambiental. Integralidade das ações As ações e os serviços públicos de saneamento básico devem ser promovidos de forma integral, em face da grande inter- relação entre os seus diversos componentes, principalmente, o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o manejo de águas pluviais, o manejo de resíduos sólidos e o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças. Muitas vezes, a efetividade, a eficácia e a eficiência de uma ação de saneamento básico dependem da existência dos outros componentes. Igualdade A igualdade diz respeito aos direitos iguais, independentemente de etnia, credo, situação socioeconômica. Ou seja, considera-se que todos os cidadãos têm direitos iguais no acesso a serviços públicos de saneamento básico de boa qualidade. Participação e controle social A participação social na definição de princípios e diretrizes de uma política pública de saneamento básico, no planejamento das ações, no acompanhamento da sua execução e na sua avaliação constitui-se um ponto fundamental para democratizar o processo de decisão e implementação das ações de saneamento básico. Essa participação pode ocorrer com o uso de diversos instrumentos, como conferência e conselhos. Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento básico (Continua) 7Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Fonte: Adaptado de Brasil (2012). Princípio Definição Titularidade municipal Uma vez que os serviços públicos de saneamento básico são de interesse local e o poder local tem a competência para organizá- los e prestá-los, o município é o titular do serviço. Uma política de saneamento básico deve partir do pressuposto de que o município tem autonomia e competência para organizar, regular, controlar e promover a realização dos serviços de saneamento básico de natureza local, no âmbito de seu território; pode fazê-lo diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, associado com outros municípios ou não, respeitando as condições gerais estabelecidas na legislação nacional sobre o assunto. A gestão municipal deve se basear no exercício pleno da titularidade e da competência municipal na implementação de instâncias e instrumentos de participação e controle social sobre a prestação dos serviços em âmbito local, qualquer que seja a natureza dos prestadores, tendo como objetivo maior promover serviços de saneamento básico justos do ponto de vista social. Gestão pública Os serviços públicos de saneamento básico são, por sua natureza, públicos, prestados sob regime de monopólio, essenciais e vitais para a vida humana, em face da sua capacidade de promover a saúde pública e fazer o controle ambiental. Esses serviços, conforme o art. 4º, são indispensáveis para a elevação da qualidade de vida das populações urbanas e rurais. Contribuem também para o desenvolvimento social e econômicos. Sendo um direito social e uma medida de saúde pública, a gestão dos serviços deve ser de responsabilidade do poder público. Articulação ou integração institucional As ações dos diferentes componentes e instituições da área de saneamento básico são, geralmente, promovidas de forma fragmentada no âmbito da estrutura governamental. Essa prática gera, na maioria das vezes, pulverização de recursos financeiros, materiais e humanos. A articulação e integração institucional representam importantes mecanismos de uma política pública de saneamento básico, uma vez que permitem compatibilizar e racionalizar a execução de diversas ações, planos e projetos, ampliando a eficiência, efetividade e eficácia de uma política. A área de saneamento básico tem interface com as de saúde, desenvolvimento urbano e rural, habitação, meio ambiente e recursos hídricos, entre outras. A conjugação de esforços dos diversos organismos que atuam nessas áreasoferece um grande potencial para a melhoria da qualidade de vida da população. Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento básico (Continuação) Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II8 Atividades e estruturas contempladas no saneamento básico Mesmo que nos dias atuais tenhamos uma lei para reger o saneamento básico, é direito e dever de cada cidadão atentar às boas práticas e formas de garantir o avanço do desenvolvimento de uma vida saudável e que abranja não só uma parte da população, mas o todo. De acordo com a Lei nº. 11.445/2007, entre as ações de saneamento há aquelas que nós chamamos de “básicas”, compre- endendo o abastecimento de água, a acesso a rede coletora e tratamento de esgoto, o acesso a coleta e destinação de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais. Cada um desses serviços tem peculiaridades próprias, e devem ser tratados com tecnologias atualizadas e compatíveis com o grau de desenvolvimento de cada município. Independentemente do estágio socioeconômico, o zelo e os cuidados pela boa funcionalidade desses sistemas indicam o estágio cultural, organizacional e de desenvolvimento de seus habitantes. A ausência desses serviços tem como resultados condições de saúde precárias e incidência de doenças, principalmente de veiculação hídrica. Mas o que engloba essas categorias? A seguir, você vai ver um pequeno resumo de cada uma. Distribuição de água potável A água é um componente essencial do nosso corpo e desempenha um papel vital na manutenção do nosso equilíbrio. De acordo com Von Sperling (2005) e Marengo (2008), entre os principais usos da água estão o abastecimento doméstico, o abastecimento industrial, a irrigação, a dessedentação do homem e dos animais, a preservação da fl ora e da fauna, a recreação e lazer, a criação de espécies, a geração de energia elétrica, a navegação, a harmonia paisagística e a diluição e transporte de despejos. Na América Latina, a agricultura se destaca como principal consumidora de água. A área industrial ocupa o segundo lugar, seguida do uso doméstico. O consumo diário de água é muito variável ao redor do globo. Além da dis- ponibilidade do local, o consumo médio de água está fortemente relacionado ao nível de desenvolvimento do país e ao nível de renda das pessoas. Uma pessoa necessita de, pelo menos, 40 litros de água por dia para beber, tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, cozinhar, etc. 9Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Em território brasileiro encontram-se 12% da água doce do mundo, porém ela não está igualmente distribuída. No Norte encontram-se 68,5% dos recursos hídricos, já no Nordeste, apenas 3,3% de água são encontrados, Sudeste 6%, Sul 6,5% e Centro-oeste 15,7% (TOMAZ, 2001; BOTEGA, 2007). No Brasil, a região hidrográfica amazônica detém 73,6% dos recursos hídricos su- perficiais. Ou seja, a vazão média dessa região é quase três vezes maior que a soma das vazões das demais regiões hidrográficas. A segunda maior região, em termos de disponibilidade hídrica, é a do Tocantins/Araguaia, com 13.624 m3 /s (7,6%), seguida da região do Paraná, com 11.453 m3 /s (6,4%). As bacias com menor vazão são, respecti- vamente: Parnaíba, com 763 m3 /s (0,4%); Atlântico Nordeste Oriental, com 779 m3 /s (0,4%) e Atlântico Leste, com 1.492 m3 /s (0,8%). Coleta e tratamento de esgoto Esgoto consiste em resíduos líquidos provenientes de diversas atividades que, em sua maioria, utilizam água em áreas como cozinha e sanitários. Os esgotos domésticos contém aproximadamente 99,9 % de água, sendo o restante (0,1 %) composto de sólidos orgânicos e inorgânicos, bem como de microrganismos (bactérias, fungos, protozoários, vírus e helmintos). Apesar da baixa porcen- tagem de poluentes, necessitam ser tratados antes de serem lançados no meio ambiente (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). As unidades de tratamento de esgoto são conhecida como ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), onde a água suja passa por vários tipos de tratamento, que variam de empresa para empresa. O sistema de coleta é caracterizado pelas instalações prediais de esgotos sanitários e pelos componentes de uma rede pública de coletores de esgotos (Figura 1). Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II10 Figura 1. Sistema de esgoto sanitário. Fonte: HIDROSAM (2018). Muitas zonas rurais ou imóveis isolados das grandes cidades ainda sofrem com a falta de tratamento correto de esgoto. A fossa séptica pode ser uma importante aliada para solucionar esse problema. dela é um reservatório subterrâneo para o qual o esgoto é destinado. Essa unidade trata o esgoto, realizando a separação físico-química da matéria sólida e, posteriormente, conduz os materiais, já livres de contaminação, a um sumidouro — poços profundos que permitem a entrada dos efluentes. Coleta e manejo de resíduos sólidos A coleta seletiva é o primeiro e o mais importante passo para encaminhar os vários tipos de resíduos para reciclagem ou destinação fi nal ambientalmente correta, pois o resíduo separado corretamente deixa de ser lixo. A coleta seletiva de lixo é de extrema importância para a sociedade. Com ela, todos os resíduos são devidamente descartados e evita-se a poluição do solo e dos lençóis 11Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II freáticos, além da poluição das ruas e esgotos, que pode causar enchentes e, consequentemente, grandes prejuízos aos cofres públicos e aos moradores das cidades (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas O sistema de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas pode ser defi nido como o conjunto de obras, equipamentos e serviços projetados para receber o escoamento superfi cial das águas da chuva que caem nas áreas urbanas. A água da chuva é coletada nas ruas, estacionamentos e áreas verdes e encaminhada aos córregos, lagos ou rios. Para manter o sistema em funcionamento, algumas ações simples são essenciais: evitar o descarte de lixo nas ruas; não fazer ligações de esgoto na rede pluvial; manter áreas permeáveis nos lotes. A Figura 2 ilustra uma possível consequência da ineficiência da drenagem de águas pluviais urbanas. Figura 2. As enchentes podem ser uma consequência da drenagem de águas pluviais urbanas ineficiente. Fonte: AMFPhotography/Shutterstock.com Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II12 Segundo Castro et al. (2003), a principal causa das enchentes é a ocor- rência de chuvas intensas e concentradas. Entretanto, também podem estar relacionadas com causas indiretas, como o assoreamento dos rios, a redução da capacidade de infiltração do solo, o estrangulamento dos leitos dos rios e o rompimento de barragens. Frank e Sevegnani (2009) comentam que não são apenas os eventos intensos que provocam enchentes — elas estão relacionadas também com a saturação de umidade do solo, devido a precipitações com intensidades menores. 1. Conforme o art. 2º da Lei nº. 11.445/07, os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: a) utilização de tecnologias apropriadas, considerando apenas a capacidade de pagamento dos usuários. b) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente. c) disponibilidade, em todas as áreas rurais, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado. d) integração das infraestruturas e produtos com a gestão eficiente dos recursos hídricos. e) adoção de métodos, técnicas e processos que considerem apenas as peculiaridades locais. 2. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, considera-se saneamento básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimentode água potável, constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e os respectivos instrumentos de medição. b) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e de vias públicas. c) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, sendo o conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. d) a universalização, sendo a ampliação progressiva do 13Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II acesso de todos os domicílios ocupados ao saneamento básico, localizados em zonas rurais. e) localidades de pequeno porte, como vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, lugarejos, exceto as aldeias, assim definidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 3. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, assinale a alternativa que define corretamente esgotamento sanitário. a) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. b) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. c) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. d) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de tratamento dos esgotos sanitários desde as ligações prediais até a metade do processo. e) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações de transporte desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. 4. Conforme Capítulo IV, Do Planejamento, da Lei nº. 11.445/07, art. 19, a prestação de serviços públicos de saneamento básico observará o plano, que poderá ser específico para cada serviço e terá a seguinte abrangência: a) o plano não poderá ser específico para cada serviço, e deve sim abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessários para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficácia das ações programadas. b) o plano poderá ser específico para cada serviço, e deve sim abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II14 socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. c) o plano poderá ser específico para cada serviço, e deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. d) o plano deve incluir o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto prazo para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. e) o plano deve incluir o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. 5. Conforme Capítulo IX, Da Política Federal de Saneamento Básico, da Lei nº. 11.445/07, art. 48, a União, no estabelecimento de sua política de saneamento básico, observará as seguintes diretrizes: a) adoção de uma referência para o planejamento das ações, exceto a bacia hidrográfica. b) prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico. c) melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais. d) utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento das suas ações de saneamento básico. 15Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II e) fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico e à adoção de tecnologias apropriadas. BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Política e plano municipal de saneamento básico. Brasília, DF: FUNASA, 2012. BRASIL. Lei nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências. Brasília, DF, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/ l11445.htm>. Acesso em: 13 jun. 2018. BOTEGA, G. C. C. Estudo e proposta de reciclagem das águas em indústria alimentícia. Lajeado, RS: Centro Universitário Univates, 2007. CASTRO, A. L. C. et al. Manual de desastres: desastres naturais. Brasília, DF: Ministério da Integração Nacional, 2003. v. 1. FRANK, B.; SEVEGNANI, L. (Org.). Desastre de 2008 no Vale do Itajaí: água, gente e política. Blumenau, SC: Agência de Água do Vale do Itajaí, 2009. HIDROSAM. Saneamento básico e sua relação com o meio ambiente. 2018. Disponível em: <http://www.hidrosam.com.br/noticias/detalhe/saneamento-basico-e-sua- relacao-com-meio-ambiente>. Acesso em: 13 jun. 2018. INSTITUTO TRATA BRASIL. A importância da política de saneamento básico. 2018. Dispo- nível em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2016/06/06/a-importancia-da-politica- de-saneamento-basico/. Acessado em: 19 de maio de 2018. MARENGO, J. A., Água e mudanças climáticas. São Paulo: Institutode Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2008. PEREIRA JÚNIOR, J. de S. Aplicabilidade da lei 11.445/2007: diretrizes nacionais para o saneamento básico. Brasília, DF, 2008. Disponível em: <http://www.daaerioclaro. sp.gov.br/arquivos/regulacao/04-A-aplicacao-da-Lei-de-Saneamento-2.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018. ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. (Org.). Meio ambiente e sustentabi- lidade. Porto Alegre: Bookman, 2012. TOMAZ, P. Economia de água: para empresas e residenciais. São Paulo: Navegar, 2001. VON SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: UMFG, 2005. (Princípios do tratamento biológico de águas residuárias, 1). Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II16 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta tópicos importantes preconizados na Lei no 11.445/07 e relacionados aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Conforme o Art. 2o da Lei 11.445/07, os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: A) utilização de tecnologias apropriadas, considerando apenas a capacidade de pagamento dos usuários. B) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente. C) disponibilidade, em todas as áreas rurais, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado. D) integração das infraestruturas e produtos com a gestão eficiente dos recursos hídricos. E) adoção de métodos, técnicas e processos que considerem apenas as peculiaridades locais. 2) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, considera-se saneamento básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: abastecimento de água potável, constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações A) necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e os respectivos instrumentos de medição. B) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e de vias públicas. C) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, sendo o conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. D) a universalização, sendo a ampliação progressiva do acesso de todos os domicílios ocupados ao saneamento básico, localizados em zonas rurais. E) localidade de pequeno porte, como vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, lugarejos, exceto as aldeias, assim definidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 3) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, assinale a alternativa que define corretamente esgotamento sanitário. A) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. B) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. C) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. D) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de tratamento dos esgotos sanitários desde as ligações prediais até a metade do processo. E) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações de transporte desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. 4) Conforme Capítulo IV - Do Planejamento - Lei no 11.445/07, Art. 19, a prestação de serviços públicos de saneamento básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no mínimo: A) O plano não poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve sim abranger no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; Objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; Programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; Ações para emergências e contingências; Mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficácia das ações programadas. B) O plano, poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. C) O plano poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. D) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto prazo para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para emergências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. E) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. 5) Conforme Capítulo IX - Da Política Federal de Saneamento Básico - Lei no 11.445/07, Art. 48. A União, no estabelecimento de sua política de saneamento básico, observará as seguintes diretrizes: A) Adoção de uma referência para o planejamento das ações, exceto a bacia hidrográfica. B) Prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico. C) Melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais. D) Utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento das suas ações de saneamento básico. E) Fomento ao desenvolvimento científicoe tecnológico, à adoção de tecnologias apropriadas. NA PRÁTICA Veja o exemplo, na prática, de um projeto viável, que traça diretrizes a respeito da limpeza urbana de um município, começando, primeiro, por um grande bairro, a fim de testar a eficiência da iniciativa: O descarte irregular será proibido tanto em áreas públicas quanto em particulares. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes: desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. Poluição e danos à microbiota APRESENTAÇÃO Biorremediação é o processo que consiste na aplicação de técnicas biodegradáveis para recuperar e regenerar ambientes. Nesse processo, utilizam-se organismos vivos, com o intuito de reduzir, de remover ou de remediar contaminações no ecossistema. Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordadas as alterações antrópicas e os danos causados à microbiota, com ênfase nos processos de biorremediação tanto em solos quanto em efluentes. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar aspectos poluidores e os principais danos causados à microbiota.• Identificar técnicas de biorremediação (em solos).• Correlacionar impactos ambientais aos danos à microbiota, identificando funções microbiológicas. • DESAFIO Você, na condição de gestor ambiental, atualmente ocupa um cargo em uma empresa de consultoria. Um dos projetos dos quais você participa diz respeito à biorremediação de uma área contaminada por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos do petróleo (carcinogênico e mutagênico). Esta área localiza-se em zona urbana e há a necessidade de realizar trabalhos de educação ambiental na comunidade, para evitar riscos de contaminação e explicar à população o que está sendo realizado no solo. Para começar o trabalho junto à comunidade, será ministrada uma palestra. Elabore um desenho ilustrativo para exemplificar e para explicar os principais tópicos sobre biorremediação de solos, ciente de que seu desafio é elaborar o esquema apenas com um quadro e pincéis atômicos. Lembre-se: - As estratégias de biorremediação incluem: a utilização de microrganismos autóctones, ou seja, do próprio local, sem qualquer interferência de tecnologias ativas de remediação (biorremediação intrínseca ou natural); a adição de agentes estimulantes (bioestimulação), como o oxigênio e os biossurfactantes; e a inoculação de consórcios microbianos enriquecidos (bioaumento); - Os produtos finais de uma biorremediação efetiva são nitratos, sulfatos, fosfatos, formas amoniacais, água, gás carbônico e outros compostos inorgânicos resultantes do processo de mineralização. Esses compostos não apresentam toxicidade e podem ser incorporados ao ambiente sem prejuízo aos organismos vivos. INFOGRÁFICO No infográfico a seguir, apresenta-se o funcionamento básico do processo de biorremediação em solos, com ênfase nas ações microbiológicas envolvidas. CONTEÚDO DO LIVRO Acompanhe os trechos de Recuperação mineral e drenado ácido de mina a Degradação de hidrocarbonetos armazenados do livro Microbiologia de Brock, que aborda processos do trabalho microbiológico em solos contaminados por produtos tóxicos. Boa leitura. Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à ARTMED EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A. Av. Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana 90040-340 – Porto Alegre – RS Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070 Unidade São Paulo Av. Embaixador Macedo Soares, 10.735 – Pavilhão 5 – Cond. Espace Center Vila Anastácio – 05095-035 – São Paulo – SP Fone: (11) 3665-1100 Fax: (11) 3667-1333 SAC 0800 703-3444 – www.grupoa.com.br É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora. IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL Obra originalmente publicada sob o título Brock biology of microorganisms, 14th edition ISBN 9780321897398 Authorized translation from the English language edition, entitled BROCK BIOLOGY OF MICROOGANISMS, 14th Edition by MICHAEL MADIGAN; JOHN MARTINKO; KELLY BENDER; DANIEL BUCKLEY; DAVID STAHL, published by Pearson Education,Inc., publishing as Benjamin Cummings, Copyright © 2015. All rights reserved. No part of this book may be reproduced or transmitted in any form or by any means, electronic or mechanical, including photocopying, recording or by any information storage retrieval system, without permission from Pearson Education,Inc. Portuguese language edition published by Grupo A Educação S.A.,Copyright © 2016. Tradução autorizada a partir do original em língua inglesa da obra intitulada BROCK BIOLOGY OF MICROOGANISMS, 14ª Edição, autoria de MICHAEL MADIGAN; JOHN MARTINKO; KELLY BENDER; DANIEL BUCKLEY; DAVID STAHL, publicado por Pearson Education, Inc., sob o selo de Benjamin Cummings, Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Este livro não poderá ser reprodu- zido nem em parte nem na íntegra, nem ter partes ou sua íntegra armazenado em qualquer meio, seja mecânico ou eletrônico, inclusive fotorreprogravação, sem permissão da Pearson Education,Inc. A edição em língua portuguesa desta obra é publicada por Grupo A Educação S.A., Copyright © 2016 Gerente editorial: Letícia Bispo de Lima Colaboraram nesta edição: Editora: Simone de Fraga Arte sobre capa original: Márcio Monticelli Preparação de originais: Carla Romanelli e Marquieli Oliveira Leitura final: Carine Garcia Prates Editoração: Techbooks Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo CRB-10/2094 M626 Microbiologia de Brock [recurso eletrônico] / Michael T. Madigan ... [et al.] ; [tradução : Alice Freitas Versiani ... [et al.] ; revisão técnica: Flávio Guimarães da Fonseca]. – 14. ed. – Porto Alegre : Artmed, 2016. Editado como livro impresso em 2016. ISBN 978-85-8271-298-6 1. Biologia. 2. Microbiologia. I. Madigan, Michael T. CDU 579 6 5 0 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L Este capítulo aborda a microbiologia dos sistemas construídos. Estes incluem a infraestrutura para distribuição e tratamen- to de água potável e água de rejeitos, transmissão de gás e óleo, materiais de construção e ambientes modificados para extração mineral ou para limpeza de poluentes. Os sistemas construídos criam novos hábitats microbianos, promovendo atividades microbianas desejadas e indesejadas. Exemplos de sistemas destinados a selecionar atividades microbianas dese- jáveis incluem a construção de reatores biológicos para o trata- mento de água de rejeitos e a estimulação da atividade micro- biana em aquíferos para limpar poluentes ambientais. Um exemplo notável de uma atividade indesejável é a cor- rosão microbiana de ductos utilizados para a transmissão de água de rejeitos, água potável e óleo. Estes são processos na- turais em que os microrganismos simplesmente exploram os recursos que são fornecidos a eles no ambiente construído. In- fraestruturas essenciais custando bilhões de dólares são perdi- das todos os anos pela corrosão microbiológica. Por exemplo, a Associação Americana de Engenheiros Civis estima que nos próximos 30 anos cerca de 30% do sistema de distribuição de água potável nos Estados Unidos terá que ser substituído por um custo anual de US$ 11 bilhões. I ∙ Recuperação mineral e drenado ácido de mina A capacidade biogeoquímica dos microrganismos parece quase ilimitada, muitas vezes é dito que os microrganismos são “os maiores químicos da Terra”. A atividade desses peque- nos-grandes químicos tem sido explorada de várias maneiras. Aqui, consideramos como as atividades microbianasajudam a extrair metais valiosos de minérios de baixa qualidade. 21.1 Mineração com microrganismos Uma das formas mais comuns de ferro na natureza é a pirita (FeS2), que é muitas vezes presente em carvões betuminosos e em minérios metálicos. O sulfeto (HS – ) também forma mi- nerais insolúveis com muitos metais, e muitos minérios como fontes destes metais são minérios de sulfeto. Se a concentração do metal no minério for baixa, a extração do minério poderá ser economicamente viável somente se os metais de interes- se forem primeiro concentrados por lixiviação microbiana (Figura 21.1). O aumento da produção de ácido e a dissolução de FeS2 por bactérias acidófilas, tais como Acidithiobacillus ferrooxidans, é usado para lixiviar os minérios metálicos em operações de mineração em grande escala. A lixiviação é es- pecialmente útil para os minérios de cobre porque o sulfato de cobre (CuSO4) formado durante a oxidação de minérios de sulfureto de cobre é muito solúvel em água. Na realidade, cer- ca de um quarto de todo o cobre minerado ao redor do mundo é obtido por processos de lixiviação. O processo de lixiviação A suscetibilidade à oxidação varia entre os minerais, sendo aqueles mais rapidamente oxidados os mais adequados à lixi- viação microbiana. Assim, minérios de sulfeto de ferro e de cobre, como a pirrotita (FeS) e a covelita (CuS), são pronta- mente lixiviados, enquanto minérios de chumbo e molibdênio o são em menor grau. No processo de lixiviação microbiana, o minério de baixo teor é acumulado em uma grande pilha (a pi- lha de lixiviação), sendo uma solução diluída de ácido sulfú- rico (pH 2) filtrada por meio da pilha (Figura 21.1). O líquido que emerge do fundo da pilha (Figura 21.1b) é rico em metais dissolvidos e é transportado para uma planta de precipitação (a) T . D . B ro c k T . D . B ro c k T . D . B ro c k T . D . B ro c k (b) (c) (d) Figura 21.1 A lixiviação de minérios de cobre de baixo teor utilizan- do bactérias oxidantes de ferro. (a) Uma típica pilha de lixiviação. O minério de baixo teor foi triturado e despejado em uma grande pilha, com a área super- ficial exposta o mais alto possível. Tubos distribuem a água ácida de lixiviação sobre a superfície da pilha. A água ácida é filtrada lentamente, sendo escoada na base. (b) Efluente de um despejo de lixiviação de cobre. A água ácida é muito rica em Cu 21 . (c) Recuperação de cobre na forma de cobre metálico (Cu 0 ) pela passagem da água rica em Cu 21 sobre ferro metálico, ao longo de uma extensa calha. (d) Uma pequena pilha de cobre metálico removido da calha, pronta para posterior purificação. C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 1 UN IDAD E 4 (Figura 21.1c) onde o metal desejado é precipitado e purificado (Figura 21.1d).Em seguida, o líquido é bombeado de volta ao topo da pilha, sendo o ciclo repetido. Quando necessário, mais ácido é acrescentado a fim de manter-se o pH baixo. Ilustramos a lixiviação microbiana do cobre com o miné- rio de cobre comum CuS, no qual o cobre existe como Cu 21 . A. ferrooxidans oxida o sulfeto de CuS para SO4 2– , liberando Cu 21 , como mostrado na Figura 21.2. No entanto, essa reação também ocorre espontaneamente. Com efeito, a reação fun- damental na lixiviação do cobre não é a oxidação bacteriana do sulfureto em CuS, mas a oxidação espontânea de sulfureto de ferro férrico (Fe 31 ) gerado a partir da oxidação bacteriana do ferro ferroso (Fe 21 ) (Figura 21.2). Em qualquer minério de cobre, o FeS2 também está presente e a sua oxidação por bacté- rias leva à formação de Fe 31 (Figura 21.2). A reação espontânea de CuS com Fe 31 ocorre na ausência de O2 e forma Cu 21 mais Fe 21 , importante para o processo de lixiviação, essa reação pode ocorrer em regiões profundas da pilha de lixiviação, em que as condições são anóxicas. Recuperação do metal A planta de precipitação é o local onde o Cu 21 é recuperado a partir da solução de lixiviação (Figura 21.1c, d). Fragmentos de ferro, Fe 0 , são adicionados ao tanque de precipitação para recuperar o cobre a partir do líquido de lixiviação, por inter- médio da reação apresentada na parte inferior da Figura 21.2, resultando novamente na formação de Fe 21 . Este líquido, rico em Fe 21 , é transferido a um tanque de oxidação raso, onde A. ferrooxidans desenvolve-se e oxida o Fe 21 a Fe 31 . Esse líqui- do, agora rico em ferro férrico, é bombeado ao topo da pilha, sendo o Fe 31 utilizado para oxidar mais CuS (Figura 21.1). Des- se modo, a operação de lixiviação total é mantida pela oxida- ção de Fe 21 a Fe 31 pelas bactérias oxidantes de ferro. A temperatura elevada pode ser um problema nas opera- ções de lixiviação. A. ferrooxidans é mesof ílico, porém as tem- peraturas no interior da pilha de lixiviação podem elevar-se espontaneamente devido ao calor originado pelas atividades mi- crobianas. Assim, organismos quimiolitotróficos oxidantes de ferro, como espécies termofílicas de Thiobacillus, Leptospirillum ferrooxidans e Sulfobacillus ou em temperaturas mais elevadas (60 a 80°C), o organismo Sulfolobus ( Seção 16.10), também são importantes na lixiviação de minérios. Outros processos de lixiviação microbiana: urânio e ouro As bactérias também são utilizadas na lixiviação de urânio (U) e minérios de ouro (Au). A. ferrooxidans oxida U 41 em U 61 com o O2 como aceptor de elétrons. No entanto, a lixiviação de U depende mais da oxidação abiótica de U 41 pelo Fe 31 com A. ferrooxidans contribuindo para o processo principalmente por meio da oxidação de Fe 21 a Fe 31 , como na lixiviação do cobre (Figura 21.2). A reação observada é a seguinte: UO2 1 Fe2 (SO4)3 S UO2SO4 1 2 FeSO4 (U 41 ) (Fe 31 ) (U 61 ) (Fe 21 ) Ao contrário de UO2, o sulfato de urânio (UO2SO4) formado é altamente solúvel, podendo ser recuperado por outros pro- cessos. O ouro está geralmente presente na natureza em de- pósitos associado a minerais contendo arsênio (As) e FeS2. A. ferrooxidans e bactérias relacionadas podem liberar os mi- nerais de arsenopirita, liberando o ouro (Au) preso: 2 FeAsS[Au] 1 7 O21 2 H2O 1 H2SO4 S Fe2(SO4)3 1 2 H3AsO41 [Au] O Au é então complexado cm cianeto (CN – ) pelo tradicional método de mineração de ouro. Ao contrário da lixiviação do cobre, que é feita em uma enorme pilha (Figura 21.1 a), a li- xiviação do ouro ocorre em tanques fechados e relativamente pequenos (Figura 21.3), onde mais de 95% do ouro preso podem ser liberados. Além disso, os resíduos de As e CN – potencial- mente tóxicos do processo de mineração são removidos no biorreator de lixiviação do ouro. O arsênio é removido como um precipitado férrico e o CN – é removido por sua oxidação bacteriana com CO2 com ureia em fases posteriores do proces- so de recuperação de Au. Em pequena escala, a lixiviação no biorreator microbiano tornou-se popular como uma alterna- tiva às técnicas de mineração de ouro ambientalmente devas- tadoras que deixam um rastro tóxico de As e CN – no local de extração. Processos-piloto também estão sendo desenvolvidos para biorreatores de lixiviação de minério de zinco, chumbo e níquel. • O que é necessário para oxidar CuS sob condições anaeróbias? • Qual o papel-chave que Acidithiobacillus ferrooxidans desempenha no processo de lixiviação de cobre? MINIQUESTIONÁRIO Tanque de precipitação Adição de H2SO4 O minério de cobre pode ser oxidado por reações (1) dependentes de oxigênio e (2) independentes de oxigênio, solubilizando o cobre: Aspersão de solução ácida sobre CuS Leptospirillum ferrooxidans Acidithiobacillus ferrooxidans 2. CuS + 8 Fe3+ + 4 H2O Cu2+ + 8 Fe2+ + SO4 2– + 8 H+ Fe2+ + O2 + H+ Fe3+ + H2O Cu2+ solúvel Solução ácida bombeada de volta para o início da pilha de lixiviação Solução rica – ácido Fe2+ Minério de cobre de baixo teor (CuS)Cu2+ 1 4 1 2 Tanque de oxidação Cobre metálico (Cu0) Recuperação de cobre metálico (Cu0) 1. CuS + 2 O2 Cu2+ + SO4 2– Fe0 + Cu2+ Cu0 + Fe2+ (Fe0 de fragmentos de aço) Figura 21.2 Organização de uma pilha de lixiviação e reações envol- vidas na lixiviação microbiana de minerais de sulfeto de cobre para pro- duzir cobre metálico. A reação 1 ocorre biológica e quimicamente. A reação 2 é estritamente química e é a reação mais importante nos processos de lixi- viação de cobre. Para que a reação 2 ocorra, é essencial que o Fe 21 produzido a partir da oxidação do sulfeto em CuS a sulfato seja oxidado novamente a Fe 31 por organismos quimiolitotróficos de ferro (ver a química na lagoa de oxidação). 6 5 2 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L 21.2 Drenado ácido de mina Embora a lixiviação microbiana tenha um enorme valor na mineração, o mesmo processo tem contribuído para extensa destruição do meio ambiente onde as operações de mineração manejam ou eliminam de forma inadequada a pirita contida nos depósitos de carvão e minerais. A oxidação bacteriana e espontânea de sulfetos é a principal causa de drenado ácido de mina, um problema ambiental no mundo inteiro causado pelas operações de mineração de superf ície. Conforme des- crito para a oxidação de sulfetos de cobre promovido pela mineração microbiana (Seção 21.1), a oxidação de FeS2 é uma combinação de reações catalisadas quimicamente e por bac- térias, em que dois aceptores de elétrons participam do pro- cesso: O2 e Fe 31 . Quando FeS2 é exposto primeiro em uma ex- ploração de mineração (Figura 21.4b), uma reação química lenta com O2 inicia (Figura 21.4c). Essa reação, chamada reação de iniciação, leva a oxidação de HS – a SO4 –2 e o desenvolvimento de condições ácidas como Fe 21 é liberado. A. ferrooxidans e L. ferrooxidans em seguida oxidam Fe 21 a Fe 31 , e o Fe 31 for- mado sob essas condições ácidas, sendo solúvel, reage espon- taneamente com mais FeS2 e oxida o HS – do ácido sulfúrico (H2SO4), que imediatamente se dissocia em SO4 2– e H 1 : FeS2 1 14 Fe 31 1 8 H2O S 15 Fe 21 1 2 SO4 2– 1 16 H 1 Novamente, as bactérias oxidam Fe 21 a Fe 31 , e este Fe 31 reage com mais FeS2. Assim, existe uma taxa progressiva, aumentan- do rapidamente o FeS2 que é oxidado, o chamado ciclo de pro- pagação (Figura 21.4c). Em condições naturais, parte do Fe 21 gerado pelas bactérias lixiviado para longe e é posteriormente transportado por águas subterrâneas anóxicas em córregos circunvizinhos. No entanto, a oxidação bacteriana ou espontâ- nea do Fe 21 ocorre em seguida nas correntes gasosas, como o O2 está presente, o Fe(OH)3 insolúvel é formado. Como vimos (Figura 21.4c), a quebra do FeS2, em última análise, leva à formação de H2SO4 e Fe 21 ; nas águas em que estes produtos foram formados os valores de pH podem ser inferiores a 1. A mistura de águas ácidas de minas em rios (Figura 21.5) e lagos degrada seriamente a qualidade da água, porque o ácido e os metais dissolvidos (além do ferro, há o alu- mínio, e outros metais pesados, como cádmio e chumbo) são tóxicos para os organismos aquáticos. A exigência de O2 para a oxidação de Fe 21 a Fe 31 explica como o drenado ácido de mina se desenvolve. Se o material pirítico não for extraído, o FeS2 não pode ser oxidado porque o O2, a água e as bactérias não conseguem alcançá-lo. No entan- to, quando um mineral ou carvão for exposto (Figura 21.4b), O2 e água são introduzidos, fazendo com que tanto a oxidação espontânea como a bacteriana de FeS2 seja possível. O ácido formado pode, então, lixiviar para sistemas aquáticos ao redor (Figura 21.5). Quando o drenado ácido de mina é extenso e os níveis de Fe 21 são altos, uma espécie altamente acidof ílica de arqueia, A s h a n ti G o ld fi e ld s C o rp ., G h a n a Figura 21.3 Biolixiviação de ouro. Tanques de lixiviação de ouro em Gana (África). Dentro dos tanques, uma mistura de Acidithiobacillus ferrooxidans, Acidithiobacillus thiooxidans, e Leptospirillum ferrooxidans solu- biliza o mineral pirita/arsênio que contém ouro, liberando-o. (a) (c) R a v in D o n a ld T . D . B ro c k (b) Vapor de carvão Fe2+ + 2 SO4 2– + H+FeS2 + 3 O2 + H2O Pirita Espontânea (Fe3+ é oxidante para o ciclo de propagação) Bactérias ou espontânea _1 2 AcidificaçãoFe3+ Pirita Reação de iniciação Ciclo de propagação Figura 21.4 Carvão e pirita. (a) O carvão da formação de Black Mesa, no norte do Arizona (Estados Unidos); os discos esféricos de cor dourada (cerca de 1 mm de diâmetro) são partículas de pirita (FeS2). (b) Um veio de carvão em uma operação de mineração de carvão de superfície. A exposição do carvão ao oxigênio e a umidade estimula as atividades de bactérias oxidantes de ferro crescendo na pirita presente no carvão. (c) Reações na degradação da pirita. A reação iniciadora originalmente não biológica prepara o ambiente para a oxi- dação bacteriana principalmente de Fe 21 a Fe31. O Fe31 ataca e oxida o FeS2 de maneira abiótica no ciclo de propagação. T . D . B ro c k Figura 21.5 Drenado ácido de mina de uma operação de mineração de superfície de carvão. A cor vermelho-amarelada é decorrente de óxidos de ferro precipitados no escoamento (ver Figura 21.4c para as reações de dre- nado ácido de minas). C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 3 UN IDAD E 4 Ferroplasma, está presente. Este organismo aeróbio oxidan- te de ferro é capaz de crescer em pH 0 e temperaturas de até 50°C. As células do Ferroplasma desprovidas de parede celular são filogeneticamente relacionadas com Thermoplasma, uma célula sem parede e fortemente acidof ílica (mas quimiorgano- trófica) membro do Archaea ( Seção 16.3). • Em qual estado de oxidação está o mineral de ferro em Fe(OH)3? Em FeS? Como o Fe(OH)3 é formado? • Depósitos piríticos naturais, como jazidas de carvão subterrâneas, não contribuem para a drenado ácido de mina; por quê? MINIQUESTIONÁRIO II ∙ Biorremediação O termo biorremediação refere-se à limpeza microbiológia de óleo, produtos químicos tóxicos ou outros poluentes ambientais, geralmente por estimulação das atividades de microrganismos nativos. Esses poluentes incluem materiais naturais, como produtos do petróleo, xenobióticos químicos e químicos sintéticos não produzidos por organismos na na- tureza. Embora a biorremediação de muitas substâncias tóxicas tenha sido proposta, a maioria do sucesso tem sido obtida em limpar o derramamento de óleo bruto ou o escape de hidrocar- bonetos dos tanques de armazenamento. Mais recentemente, a destruição do meio ambiente por poluentes clorados, como solventes e pesticidas, tem levado ao uso da biorremediação como um resultado da melhor compreensão da microbiologia. Houve também crescente sucesso na biorremediação de am- bientes contaminados com urânio, muitos dos quais são um legado do passado mal regulamentado da mineração de urânio para combustível nuclear e armas. 21.3 Biorremediação de ambientes contaminados com urânio As principais classes de poluentes inorgânicos são os metais e radionuclídeos que não podem ser destruídos, mas somen- te alterados na forma química. Muitas vezes, o nível de po- luição do meio ambiente é tão grande que a remoção f ísica do material contaminado é impossível. Assim, a contenção é a única opção real, e um objetivo comum na biorremediação de poluentes inorgânicos é mudar a sua mobilidade, tornando-os menos propensos a mover-se com as águas subterrâneas e as- sim contaminar ambientes no entorno. Aqui, consideraremos como o elemento radioativo urânio pode ser contido pelas ati- vidades das bactérias. Biorremediação do urânio A contaminação de águas subterrâneas por urânio tem ocor- rido em locais nos Estados Unidos e em outros lugares onde os minérios de urânio têm sidotransformados ou armazenados (Figura 21.6), e o movimento de materiais radioativos externos por meio de águas subterrâneas é uma ameaça para a saúde humana e ambiental. Devido à contaminação ser muitas vezes generalizada, tornando os métodos mecânicos muito caros, mi- crobiologistas uniram forças com engenheiros para desenvolver tratamentos que exploram a capacidade de algumas bactérias de reduzir U 61 a U 41 . O urânio como U 61 é solúvel, enquanto o U 41 forma um mineral de urânio imóvel chamado uraninita, limitando assim o movimento de U em águas subterrâneas e o contato potencial com seres humanos e outros animais. Transformações bacterianas de urânio A principal estratégia para a imobilização de urânio tem sido usar bactérias para mudar o estado de oxidação do U nos principais contaminantes de urânio para uma forma que estabiliza o elemento. Nes- se sentido, bactérias, incluindo as espécies redutoras de metal Shewanella e Geobacter ( Seção 14.14) e a espécie Desulfovibrio redutora de sulfato ( Seção 14.9), aco- plam a oxidação da matéria orgânica e H2 para a redução de U 61 para U 41 . Estudos de campo em que os doadores de elétrons orgânicos têm sido injetados em aquíferos contaminados por urânio para estimular a redução de U 61 demonstraram que essa abordagem pode reduzir os níveis de U abaixo dos padrões de água potável da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, de 0,126 mM. No entanto, mesmo que a uraninita seja estável em condições de redução, se as condições se tornarem óxicas, ela reoxida. Assim, pesquisas de biorreme- diação do urânio em curso são focadas em questões para saber se o urânio reduzido por microrganismos é estável, se a composição das comunidades microbianas muda ou se oxidantes, como O2, NO 3– , e Fe 31 , são intro- K e n W il li a m s Figura 21.6 Biorremediação de urânio. Uma unidade experimental em uma área contami- nada com urânio no Departamento de Energia dos Estados Unidos. O carbono orgânico (acetato) está sendo infundido no local (ver detalhe na foto) e desloca em águas subterrâneas na direção da seta mostrada na foto principal. O acetato é um doador de elétrons para a redução de U 61 para U 41 , que imobiliza o urânio. 6 5 4 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L duzidos por meio de águas subterrâneas. Esta é uma questão obviamente importante porque a estabilidade da uraninita deve ser de longo prazo, devido à longa meia-vida de decai- mento nuclear do urânio. • Que reação, oxidação ou redução é a chave para a biorremediação de urânio? • Por que a imobilização é uma boa estratégia para tratar a poluição de urânio? MINIQUESTIONÁRIO 21.4 Biorremediação de poluentes orgânicos: hidrocarbonetos Os poluentes orgânicos, ao contrário dos poluentes inorgâ- nicos, podem ser completamente degradados por microrga- nismos, eventualmente à CO2. Isto é válido para o petróleo liberado nos derramamentos de óleo (Figura 21.7), que pode ser atacado por diferentes microrganismos. Estes organismos têm sido expostos a misturas complexas de hidrocarbonetos por meio de infiltrações naturais de petróleo por milênios, assim, a maquinaria catabólica necessária para degradar este poluente natural tem evoluído. Ao contrário, poluentes xe- nobióticos tendem a ser mais persistentes e são degradados por grupos mais especializados de microrganismos. Nesta seção, vamos focar em hidrocarbonetos e na próxima seção, nos xenobióticos. Biorremediação de petróleo e hidrocarbonetos O petróleo é uma fonte rica em matéria orgânica e, por isso, seus hidrocarbonetos são facilmente atacados por microrga- nismos quando entra em contato com o ar e a umidade. Em determinadas circunstâncias, como em tanques de armazena- mento em massa, o crescimento microbiano é indesejável. No entanto, em derramamentos de petróleo, a biodegradação é desejável e pode ser promovida pela adição de nutrientes inor- gânicos para equilibrar o enorme fluxo de carbono orgânico a partir do óleo (Figura 21.7). A bioquímica do catabolismo do petróleo foi aborda- da nas Seções 13.22-13.24. A biodegradação pode ser tanto anóxica quanto óxica. Em condições óxicas, enfatizamos o importante papel desempenhado pelas enzimas oxigenases ao introduzirem átomos de oxigênio em hidrocarbonetos. Aqui, enfocaremos os processos aeróbios, pois somente na presença de oxigênio as enzimas oxigenases tornam-se ativas e a oxida- ção dos hidrocarbonetos é um processo rápido. Diversas bactérias, alguns fungos e algumas cianobacté- rias e algas verdes são capazes de oxidar produtos do petró- leo aerobiamente. A poluição por óleo, em pequena escala, de ecossistemas aquáticos e terrestres a partir das atividades humanas, assim como naturais, é muito comum. Microrga- nismos oxidantes de petróleo desenvolvem-se rapidamente em películas de óleo e manchas, e a oxidação de hidrocar- bonetos é mais extensa se a temperatura for quente e os su- primentos de nutrientes inorgânicos (principalmente N e P) forem suficientes. Como o óleo é insolúvel em água e é menos denso, ele flu- tua para a superf ície, formando as manchas. Ali, as bactérias que degradam hidrocarbonetos ligam-se a gotículas de óleo (Figura 21.8), ocasionando no final a decomposição do óleo e a dispersão da mancha. Determinadas espécies especializadas na degradação do óleo, como Alcanivorax borkumensis, uma bactéria que cresce somente a partir de hidrocarbonetos, áci- dos graxos ou piruvato, produzem surfactantes glicolipídicos que auxiliam na degradação do óleo e promovem sua solubi- lização. Uma vez solubilizado, o óleo pode ser captado mais rapidamente e catabolizado como fonte de energia. Em grandes derramamentos de óleo, as frações de hidro- carbonetos voláteis evaporam rapidamente, restando com- ponentes aromáticos e alifáticos de cadeias médias a longas, os quais devem ser removidos pelas equipes de limpeza ou pela ação microbiana. Os microrganismos consomem o óleo oxidando-o a CO2. Quando as atividades de biorremediação são promovidas pela aplicação de nutrientes inorgânicos, as bactérias oxidantes de óleo geralmente se desenvolvem rapi- damente em um derramamento de óleo (Figura 21.7b), e em condições ideais, 80% ou mais dos componentes não voláteis do petróleo podem ser oxidados no prazo de um ano. No en- tanto, determinadas frações de óleo, como aquelas contendo hidrocarbonetos de cadeia ramificada ou policíclicos, perma- necem no ambiente por mais tempo. O óleo derramado que migra para os sedimentos marinhos é degradado mais lenta- mente, podendo ser um importante impacto de longo prazo U S E n v ir o n m e n ta l P ro te c ti o n A g e n c y U S E n v ir o n m e n ta l P ro te c ti o n A g e n c y B a s s a m L a h o u d , L e b a n e s e A m e ri c a n U n iv e rs it y (a) (b) (c) Figura 21.7 Consequências ambientais de grandes derramamentos de petróleo e o efeito da biorremediação. (a) Uma praia contaminada ao longo da costa do Alasca, contendo óleo do vazamento do Exxon Valdez de 1989. (b) A região retangular central (seta) foi tratada com nutrientes inorgâni- cos para estimular a biorremediação do óleo derramado por microrganismos, enquanto as áreas acima e à esquerda não foram tratadas. (c) Óleo derramado no mar Mediterrâneo pela usina Jiyeh (Líbano) que fluiu para o porto de Byblos, durante a guerra de 2006, no Líbano. C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 5 UN IDAD E 4 para a pesca e as atividades relacionadas, as quais dependem de águas despoluídas para sua produtividade. Uma exceção notável ao derramamento de óleo de super- f ície mais comum foi o naufrágio da plataforma de petróleo marítima Deepwater Horizon no Golfo do México em 2010, que resultou na ruptura do poço, a uma profundidade de 1,5 km e na liberação de mais de 4 milhões de barris de óleono fundo do oceano ( Seção 19.9 e Figura 19.20). Aproxi- madamente 35% da nuvem de hidrocarbonetos resultantes eram constituídos de componentes de baixo peso molecular e de gás natural (metano, etano, propano). A disponibilidade destes componentes do óleo facilmente degradados parece ter acelerado o processo de degradação natural, estimulando o desenvolvimento de um grande aumento de bactérias com capacidade para oxidar os componentes de hidrocarbone- tos de fácil degradação e os mais recalcitrantes. Permanece incerto se a decisão da indústria para promover a dispersão do petróleo (que visava aumentar a área de superf ície e a bio- disponibilidade do óleo) por meio da injeção de milhares de litros de dispersantes químicos diretamente na nuvem de hi- drocarbonetos realmente acelerou a degradação microbiana. Independentemente, apesar de alguns dos legados deste gran- de derramamento de petróleo existirem, a maior parte do óleo desapareceu a partir de uma combinação de volatilização e atividades microbianas. Degradação de hidrocarbonetos armazenados Interfaces, regiões onde o óleo e a água encontram-se, muitas vezes ocorrem em grande escala. Além da água que é sepa- rada do óleo bruto durante o armazenamento e transporte, a umidade pode condensar o interior dos tanques de arma- zenamento de combustível em massa (Figura 21.9), onde há vazamentos. Esta água acumula-se eventualmente em uma camada abaixo do petróleo. Tanques de armazenagem de ga- solina e de óleo bruto são, portanto, potenciais hábitats para microrganismos oxidantes de hidrocarboneto. Se existir sul- fato (SO4 2– ) suficiente no petróleo, como muitas vezes está no óleo bruto, as bactérias redutoras de sulfato podem crescer em tanques consumindo hidrocarbonetos em condições anóxicas ( Seções 13.24 e 14.9). O sulfureto (H2S) produzido é alta- mente corrosivo e provoca corrosão e subsequente vazamento dos tanques juntamente com a acidificação do combustível. A degradação aeróbia dos componentes de combustível ar- mazenados é o menor dos problemas porque os tanques de armazenamento são selados e o próprio combustível contém O2 pouco dissolvido. • Por que as bactérias degradadoras de petróleo precisam se anexar à superfície de gotículas de óleo? • O que é singular na fisiologia da bactéria Alcanivorax? MINIQUESTIONÁRIO 21.5 Biorremediação de poluentes orgânicos: pesticidas e plásticos Ao contrário dos hidrocarbonetos, muitos produtos químicos que os seres humanos colocaram no ambiente nunca estive- ram lá antes. Estes são os xenobióticos, e consideraremos sua degradação microbiana aqui. Catabolismo de pesticidas Xenobióticos incluem pesticidas, bifenilos policlorados (PCB), munições, corantes e solventes clorados, entre muitos outros produtos químicos. Alguns xenobióticos diferem quimica- mente das estruturas que os organismos têm encontrado na natureza e os biodegradam muito lentamente, se degradados. Outros xenobióticos são estruturalmente relacionados com um ou mais compostos naturais e, algumas vezes, podem ser degradados lentamente por enzimas que normalmente degra- dam compostos naturais estruturalmente relacionados. Foca- mos aqui na biorremediação de pesticidas. Mais de 1.000 tipos de pesticidas foram comercializados globalmente visando o controle químico de pragas. Os pesti- cidas incluem herbicidas, inseticidas e fungicidas. Os pestici- das podem ser de uma ampla variedade de tipos químicos, in- cluindo compostos clorados, aromáticos, compostos contendo nitrogênio e fósforo (Figura 21.10). Algumas dessas substâncias podem ser utilizadas como fontes de carbono e doadores de elétrons por microrganismos, enquanto outras não. Compos- tos altamente clorados são normalmente os pesticidas mais resistentes ao ataque microbiano. No entanto, os compostos relacionados podem variar consideravelmente na sua degra- dabilidade. Por exemplo, os compostos clorados, tais como o DDT, persistem relativamente inalterados durante anos nos T . D . B ro c k Bactérias Gotículas de óleo Figura 21.8 Bactérias oxidantes de hidrocarbonetos associadas a gotículas de óleo. As bactérias são concentradas em grandes números na interface óleo-água, e não no interior da própria gotícula. Figura 21.9 Tanques de armazenamento de petróleo. Os tanques de combustível muitas vezes suportam crescimento microbiano nas interfaces óleo-água. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR No vídeo a seguir, apresentam-se os aspectos relacionados aos danos à MICROBIOTA, abordando também a importância dos microrganismos; biorremediação em solos e conservação da biodiversidade microbiana. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Entre os muitos danos à microbiota, os agroquímicos estão cada vez mais ganhando destaque. A Resolução CONAMA nº 465, de 5 de dezembro de 2014, regulamenta a destinação final ambientalmente adequada aos agrotóxicos e afins. Para estar habilitado ao recebimento de embalagens contendo resíduos de agrotóxicos e afins, o posto (ou central de recebimento) já em operação deverá requerer adequação por meio de um documento, qual? A) Atestado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). B) Licença ambiental e/ou licenciamento ambiental. C) Atestado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA). D) Atestado da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM). E) Licença Oficial do Ministério da Agricultura. A microbiota está presente em uma série de processos, como o ciclo do carbono e o ciclo do nitrogênio. E, ao se pensar de forma mais ampla, a grande transformação da vida se dá exatamente por meio do trabalho de microrganismos, já que são eles que realizam a reciclagem de restos mortais por meio da decomposição. É enorme a lista 2) de processos (ou de serviços ambientais) em que eles atuam. Alguns deles são tão importantes que seria impossível pensar em vida na Terra caso eles não existissem. Dentre os exemplos a seguir, qual NÃO se encaixa como função microbiana? A) Fixação do nitrogênio e de hidrocarbonetos. B) Equilíbrio ecológico. C) Manutenção da flora e fauna. D) Manutenção da biodiversidade. E) Formação do solo e bioindicadores. 3) Com a Resolução CONAMA nº 420, de 28 de dezembro de 2009, o gerenciamento de áreas contaminadas tornou-se factível, com adoção de medidas que assegurem o conhecimento das características dessas áreas e dos impactos por ela causados, proporcionando os instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas de intervenção mais adequadas. O princípio da prevenção deve ser adotado como foco principal para proteção dos compartimentos ambientais, como forma de garantir a funcionalidade do meio e a vida das espécies que nele habitam ou usufruem, conforme os princípios tratados em qual documento nacional? A) Lei de Diretrizes e Bases (LDB). B) Declaração de Estocolmo da Organização das Nações Unidas (ONU) adaptada para o Brasil. C) Agenda 21 Brasileira. D) Carta da Terra. E) Política Nacional de Meio Ambiente. 4) Microrganismo compreende uma definição taxonômica que congrega grupos variados de organismos unicelulares de dimensões microscópicas, que vivem na natureza como células isoladas ou em agregados celulares, com bastante diversidade morfológica. A seguir, estão citados alguns grupos. Quais deles NÃO pertencem à categoria denominada como "microrganismo"? A) Bactérias e arqueas. B) Fungos microscópicos filamentosos e leveduras. C) Protozoários. D) Dinoflagelados. E) Testudines e algas unicelulares. 5) Como a microbiota do solo é a principal responsável pela decomposição dos compostos orgânicos, pela ciclagem de nutrientes e pelo fluxo de energia do solo, a biomassa microbiana e sua atividade têm sido apontadas como as características mais sensíveis às alteraçõesna qualidade do solo, causadas por mudanças de uso e práticas de manejo, como as promovidas pela aplicação de resíduos orgânicos. Dentre as atividades antrópicas citadas a sehuir, qual delas NÃO causa danos à microbiota? A) Extrativismo vegetal. B) Distribuição seletiva de resíduos orgânicos (húmus - matéria orgânica). C) Utilização de agroquímicos (fertilizantes, pesticidas e inseticidas). D) Disposição direta no solo de resíduos sólidos da construção civil. E) Disposição direta no solo de resíduos hospitalares. NA PRÁTICA Imagine que você atua como gestor ambiental de uma empresa do ramo da construção civil em que são realizados trabalhos de remoção da vegetação e abertura da rede viária; para tanto, estão previstas atividades de compactação de solos, em virtude do tráfego de maquinarias pesadas. Na licença de instalação (LI) do referido empreendimento, não há observações sobre os possíveis danos à microbiota. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Biorremediação de solos contaminados com hidrocarbonetos aromáticos policíclicos Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) são compostos mutagênicos e carcinogênicos aos humanos e aos animais que são introduzidos no ambiente em grandes quantidades, devido às atividades relacionadas à extração, ao transporte, ao refino, à transformação e à utilização do petróleo e de seus derivados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Biorremediação A biorremediação é um processo no qual organismos vivos, normalmente plantas ou microrganismos, são utilizados tecnologicamente para remover ou reduzir (remediar) poluentes no ambiente. Leia mais no artigo a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Microrganismos e saúde pública: Significância Sanitária APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, será estudada a importância da microbiologia na saúde pública. Serão abordadas as relações dos microrganismos no saneamento, no impacto ambiental, os vetores e os veículos de transmissão de doenças e as estratégias de prevenção. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a relação dos microrganismos na saúde pública e sua significância sanitária.• Identificar as diferentes doenças relacionadas à saúde pública.• Distinguir estratégias de prevenção adequadas às diferentes formas de contaminação.• DESAFIO Você acaba de assumir um cargo público em um município do interior do estado. No momento, ocorre um surto de diarreia em uma zona rural, e todos são convocados para uma reunião de emergência. Sabendo que essa é uma questão de saúde pública, pois o destino dos dejetos das residências em áreas rurais é o rio, seu desafio é propor uma solução que seja viável do ponto de vista da eliminação do risco de contaminação, e que seja também economicamente viável e biossustentável. Não se esqueça de explicar rapidamente o processo sugerido. INFOGRÁFICO No infográfico a seguir, há uma síntese dos principais pontos de estudo desta Unidade de Aprendizagem, que relaciona microrganismos com saúde pública. CONTEÚDO DO LIVRO O trecho selecionado a seguir é do livro Microbiologia de Brock, que traz, no capítulo 36, "Tratamento da água de rejeitos, purificação da água e doenças microbianas transmitidas pela água", mais detalhes sobre o tratamento e sobre a purificação da água. Leia o item 36.1 "Saúde pública e qualidade da água" e o item 36.2 "Tratamento de água de rejeitos e esgotos". Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir trata da qualidade da água como um fator importante para a saúde de uma população. São abordados tópicos como os diversos componentes que podem alterar as características da água e os fatores controladores da diversidade dos microrganismos no meio aquático. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Uma das áreas em que o gestor ambiental pode atuar é no saneamento ambiental, que consiste em: A) controlar os fatores ambientais que podem exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar, físico, mental e social dos indivíduos. B) gerenciar, administrar e conduzir as atividades econômicas e sociais das empresas, visando ao desenvolvimento sustentável e ao uso racional de matérias-primas e dos recursos naturais. C) mudar o meio ambiente por meio da atividade humana. D) uma série de normas que determinam diretrizes para garantir que determinada empresa (pública ou privada) pratique a gestão ambiental. E) Cuidar, evitando poluir as águas, separando o lixo, impedindo desastres ecológicos, como queimadas e desmatamentos. 2) Mesmo a água que parece limpa pode estar contaminada com microrganismos, o que é um problema de saúde pública. Para o controle da qualidade da água, há procedimentos que permitem o monitoramento e a avaliação das condições da água. Você sabe identificar os microrganismos que são indicadores de contaminação da água? A) Os aeróbios. B) Os protozoários. C) Os coliformes. D) As algas. E) Os aquáticos. 3) Tendo como foco a preocupação com a contaminação por microrganismos patogênicos, o gestor ambiental deve estabelecer estratégias de prevenção. A água é um veículo em potencial para a transmissão de doenças. Você consegue identificar qual doença é transmitida pela água? A) A leishmaniose. B) A toxoplasmose. C) A malária. D) A giardiase. E) O tétano. 4) A água de rejeitos originada do esgoto doméstico ou de fontes industriais não pode ser lançada sem tratamento em rios ou lagos. Para remover ou neutralizar os contaminantes, o tratamento de água pode utilizar processos físicos, químicos e biológicos (microbiológicos). Você sabe identificar em qual fase do tratamento da água são utilizados processos microbiológicos? A) No tratamento primário. B) No tratamento secundário. C) No tratamento terciário. D) Na purificação. E) A desinfecção. 5) No caso de contaminação do solo, pode-se utilizar a técnica de biorremediação, que consiste na utilização de microrganismos ou suas enzimas, plantas verdes ou fungos na redução, eliminação ou transformação de poluentes presentes no solo. Para o projeto de implantação de biorremediação, é necessária a análise dos seguintes pontos de vista: A) biológico, hidrológico, físico e geográfico. B) químico, físico, hidrológico e geográfico. C) químico, biológico, hidrológico e social. D) físico, químico, biológico e social. E) físico, químico, biológico e hidrológico. NA PRÁTICA A Secretaria Municipal de Saúde detectou um alto índice de contaminação na população por doenças de origem microbiana transmitidas por meio da água contaminada e contratou você, gestor ambiental, para resolver esse problema. A primeira providência que você toma é definir pontos estratégicos de abastecimento de água na região e contatar um laboratório para a coleta da água e identificação dos microrganismos causadores das patologias. Os resultados apontaram para a contaminação na caixa de água da praça central por espécies do gênero Shigella. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Microbiologia aplicada ao saneamento básico: Conceitos fundamentais e microbiologia de sistemas anaeróbios: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A vigilância da qualidade da água para consumo humano – desafios e perspectivas para o Sistema Único de Saúde Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Acesso à água para consumo humano e aspectos de saúde pública na Amazônia Legal Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Conferência de Estocolmo APRESENTAÇÃO A Conferência de Estocolmo foi um dos primeiros movimentos histórico-políticos internacionais, com foco nas tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente.Buscava o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução da degradação ambiental, com o objetivo de atender às necessidades da população presente sem comprometer as gerações futuras. Nesta Unidade Aprendizagem, você vai conhecer as principais motivações para o encontro em Estocolmo, em 1972, as principais mudanças, os acordos e o motivo de ela ter sido um marco precursor dos movimentos socioambientais e humanitários. Bons estudos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Caracterizar a relevância da conferência como evento precursor dos movimentos socioambientais, assim como as principais motivações, posicionamentos e problemáticas. • Apontar os temas, os acordos, assim como os pontos altos e baixos abordados na conferência. • Estabelecer quais foram as realizações e os acordos voltados para o desenvolvimento econômico, social e ambiental e o posicionamento de alguns países. • DESAFIO Imagine que você é chefe de Estado de um país dito em desenvolvimento, e sua posição é uma espécie de gestor socioambiental. Você é destinado a participar de um importante encontro ambiental entre muitos países (entre eles, países mais ricos e ainda os em desenvolvimento). A principal demanda desse evento é discutir e encontrar novas alternativas para a problemática da degradação ambiental e escassez dos recursos naturais. É sabido que, em conferências como essas, todos os presentes são pressionados a conduzir em seus países ações semelhantes. INFOGRÁFICO Nesse infográfico, você vai conhecer os principais pontos e o desfecho da Conferência de Estocolmo. CONTEÚDO DO LIVRO Nesse capítulo, você vai estudar a Conferência de Estocolmo de 1972. A conferência foi um encontro socioambiental em Estocolmo, na Suécia, tido como conferência "marco" do início dos movimentos sociopolíticos ambientais. O foco eram as tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente, buscando um desenvolvimento mais sustentável. Boa leitura! RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Thais Miranda Conferência de Estocolmo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Perceber a relevância da Conferência de Estocolmo, assim como as principais motivações, posicionamentos e problemáticas, como evento precursor nos movimentos socioambientais. Apontar os temas, acordos, assim como pontos altos e baixos, abor- dados na Conferência. Estabelecer quais foram as realizações e acordos voltados aos desen- volvimentos econômicos, sociais e ambientais e o posicionamento de alguns países. Introdução Neste texto, você vai conhecer as principais motivações para o encontro em Estocolmo em 1972, principais mudanças, acordos e o porquê ela foi um marco precursor dos movimentos socioambientais e humanitários. Foi um dos primeiros movimentos histórico-político internacional, com foco nas tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente, em busca do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução da degradação ambiental, visando atender necessidades da população presente sem comprometer as gerações futuras. Conferência como ponto de partida para os movimentos socioambientais A Conferência de Estocolmo aconteceu em 1972 em Estocolmo, na Suécia, conhecida também como Conferência das Nações Unidas para o Meio Am- U N I D A D E 2 biente Humano. É considerada como “ponto de partida” para as discussões socioambientais a nível global. É importante que você entenda o cenário que se transcorria antes deste marco; na década de 60 é evidenciada a emergência do colapso ambiental, provocado pela concentração industrial, urbanização, o aumento de renda e consumo. Assim, o crescimento socioeconômico e a preservação ambiental começavam a ser vistos como antagonistas. Em 1962, ocorreu o primeiro despertar ecológico, com uma publicação de extrema relevância que foi escrita pela cientista e ecologista Rachel Louise Carson chamada Primavera Silenciosa. Esse texto norteava o sistema de direitos humanos aos recursos naturais. Na década de 70 houve a iniciativa do Relatório de Measdows, elaborado pelo Clube de Roma. Na época este relatório foi orientador e indicava proble- mas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, com temas como energia, saneamento, saúde, ambiente, tecnologias e crescimento populacional. Indicava um cenário catastrófico com limitações do requedo “crescimento”, por conta da escassez de recursos ambientais. Os desequilíbrios e desastres ambientais da época agravavam a preocupação dos cientistas e dos Estados, desta forma, novas saídas e estratégias para esta problemática de ordem mundial foram repensadas. A Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu que havia chegado a hora de uma reação. A partir desse fato, o desenvolvimento e o meio am- biente passaram a ser discutidos no cenário mundial. Em setembro de 1968, a UNESCO organizou uma conferência de peritos para tratar sobre os fun- damentos científicos da utilização e da conservação racional dos recursos da biosfera, que por sua vez, trouxe o reconhecimento dos Estados acerca da necessidade de uma declaração universal sobre a proteção e a melhoria do meio ambiente humano, o que levou à Declaração de Estocolmo. Responsabilidade socioambiental Figura 1. Japoneses contaminados pela poluição química desembarcam em Estocolmo na Conferência de 1972. Fonte: Arnt (2011). A Conferência de Estocolmo marcou uma etapa muito importante na ecopolítica mundial. Desta resultaram inúmeras questões que continuam a influenciar e a motivar as relações entre os atores internacionais, colaborando para a notável evolução que eclodiu após a Conferência. Foram quatro motivações principais: O aumento da cooperação científica nesta década, originado por inú- meras preocupações, como as mudanças climáticas e os problemas da quantidade e da qualidade da água. O aumento da publicidade sobre os problemas ambientais, causado especialmente pela ocorrência de certas catástrofes, seus efeitos foram visíveis (o desaparecimento de territórios selvagens, a modificação das paisagens e acidentes). O crescimento econômico acelerado, gerador de uma profunda trans- formação das sociedades e de seus modos de vida, especialmente pelo êxodo rural, e de regulamentações criadas e introduzidas, sem suficiente preocupação com suas consequências em longo prazo. Inúmeros outros problemas, identificados no fim da década de 60 por cientistas e pelo governo sueco, considerados de maior importância e que só poderiam ser resolvidos com a cooperação internacional. Você pode utilizar como exemplo as chuvas ácidas, a poluição do Mar Báltico, a acumulação de metais pesados e pesticidas que impregnaram peixes e aves. 47Conferência de Estocolmo Temas, acordos, pontos altos e baixos, abordados na Conferência; A busca por soluções efi cazes para tais questões, fez com que a Conferência de Estocolmo originasse uma nova dinâmica por meio do desenvolvimento de “atitudes novas”. O reconhecimento pelos Estados da existência desses problemas e da necessidade de agir, fez com que a Conferência desempenhasse um papel decisivo na sensibilização dos países em desenvolvimento para suas responsabilidades. Sendo assim, foram votadas questões como a Declaração de Estocolmo (Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente), a qual traz em seu Preâmbulo sete pontos principais, além de vinte e seis princípios referentes a comportamentos e responsabilidades destinados a orientar decisões relativas à questão ambiental, com o objetivo de “garantir um quadro de vida adequado e a perenidade dos recursos naturais”. As questões principais, proclamadas em virtude da Declaração de Esto- colmo, são as seguintes: Fonte: Nosso ambiente direito. Responsabilidade socioambiental 1 – O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento materiale lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma. 2 – A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvi- mento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos. As duas primeiras questões da declaração asseguram que tanto o meio ambiente natural, quanto o artificial, são essenciais para os direitos humanos e para que se tenha uma qualidade de vida saudável. Desta mensagem pode-se perceber uma forte relação de dependência entre a qualidade da vida humana e a qualidade do meio ambiente. 3 – O homem deve fazer constante avaliação de sua experiência e con- tinuar descobrindo, inventando, criando e progredindo. Hoje em dia, a capacidade do homem de transformar o que o cerca, utilizada com discernimento, pode levar a todos os povos os benefícios do desenvol- vimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência. Aplicado errônea e imprudentemente, o mesmo poder pode causar danos incalculáveis ao ser humano e a seu meio ambiente. Em nosso redor vemos multiplicarem-se as provas do dano causado pelo homem em muitas regiões da terra, níveis perigosos de poluição da água, do ar, da terra e dos seres vivos; grandes transtornos de equilíbrio ecológico da biosfera; destruição e esgotamento de recursos insubstituíveis e graves deficiências, nocivas para a saúde física, mental e social do homem, no meio ambiente por ele criado, especialmente naquele em que vive e trabalha. 4 – Nos países em desenvolvimento, a maioria dos problemas am- bientais está motivada pelo subdesenvolvimento. Milhões de pessoas seguem vivendo muito abaixo dos níveis mínimos necessários para uma existência humana digna, privada de alimentação e vestuário, de 49Conferência de Estocolmo habitação e educação, de condições de saúde e de higiene adequadas. Assim, os países em desenvolvimento devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento, tendo presente suas prioridades e a necessidade de salvaguardar e melhorar o meio ambiente. Com o mesmo fim, os países industrializados devem esforçar-se para reduzir a distância que os separa dos países em desenvolvimento. Nos países industrializados, os problemas ambientais estão geralmente relacionados com a industrialização e o desenvolvimento tecnológico. As principais questões levantadas nestes trechos ilustram as preocupações com a degradação do meio ambiente. No item 4, você pode ver fatores que são considerados responsáveis pelos danos ambientais. Os problemas ambientais passaram a ser encarados não apenas como provenientes do processo de industrialização e desenvolvimento tecnológico, mas, sobretudo como um problema gerado pelas desigualdades sociais. 5 – O crescimento natural da população coloca continuamente, problemas relativos à preservação do meio ambiente, e devem-se adotar as normas e medidas apropriadas para enfrentar esses problemas. De todas as coisas do mundo, os seres humanos são a mais valiosa. Eles são os que promo- vem o progresso social, criam riqueza social, desenvolvem a ciência e a tecnologia e, com seu árduo trabalho, transformam continuamente o meio ambiente humano. Com o progresso social e os avanços da produção, da ciência e da tecnologia, a capacidade do homem de melhorar o meio ambiente aumenta a cada dia que passa. Neste item, você pode perceber a importância do ser humano como o que se tem de mais valioso. Este transforma a natureza, sendo, de tal maneira, o responsável pelo desenvolvimento econômico e social. 6 – Chegamos a um momento da história em que devemos orientar nossos atos em todo o mundo com particular atenção às consequências que podem ter para o meio ambiente. Por ignorância ou indiferença, podemos causar danos imensos e irreparáveis ao meio ambiente da terra do qual dependem nossa vida e nosso bem-estar. Ao contrário, com um conhecimento mais profundo e uma ação mais prudente, po- demos conseguir para nós mesmos e para nossa posteridade, condições melhores de vida, em um meio ambiente mais de acordo com as neces- sidades e aspirações do homem. As perspectivas de elevar a qualidade Responsabilidade socioambiental do meio ambiente e de criar uma vida satisfatória são grandes. É preciso entusiasmo, mas, por outro lado, serenidade de ânimo, trabalho duro e sistemático. Para chegar à plenitude de sua liberdade dentro da natureza, e, em harmonia com ela, o homem deve aplicar seus conhecimentos para criar um meio ambiente melhor. A defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu na meta imperiosa da humanidade, que se deve perseguir, ao mesmo tempo em que se mantém as metas fundamentais já estabelecidas, da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo, e em conformidade com elas. 7 – Para se chegar a esta meta será necessário que cidadãos e co- munidades, empresas e instituições, em todos os planos, aceitem as responsabilidades que possuem e que todos eles participem equitativa- mente, nesse esforço comum. Homens de toda condição e organizações de diferentes tipos plasmarão o meio ambiente do futuro, integrando seus próprios valores e a soma de suas atividades. As administrações locais e nacionais, e suas respectivas jurisdições, são as responsáveis pela maior parte do estabelecimento de normas e aplicações de medidas em grande escala sobre o meio ambiente. Também se requer a cooperação internacional com o fim de conseguir recursos que ajudem os países em desenvolvimento a cumprir sua parte nesta esfera. Há um número cada vez maior de problemas relativos ao meio ambiente que, por ser de alcance regional ou mundial ou por repercutir no âmbito internacional comum, exigem uma ampla colaboração entre as nações e a adoção de medidas para as organizações internacionais, no interesse de todos. A Conferência demanda ao povo e governantes que unam esforços para preservar e melhorar o meio ambiente humano em benefício do homem e de sua posteridade. Nestes últimos itens (6 e 7) são levantadas questões sobre como o homem lida com o meio ambiente. 51Conferência de Estocolmo Fonte: Gabinete de História. Estabelecendo os acordos voltados aos desenvolvimentos econômicos, sociais e ambientais e o posicionamento de alguns países É importante você observar como foram os posicionamentos de alguns países – os Estados Unidos da América, por exemplo, foi o primeiro a se manifestar na redução dos seus níveis de emissões na natureza. Manifestaram-se dizendo que “reduziriam por um determinado tempo” com suas atividades industriais. O país contou com a liderança do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Neste instituto foram feitos estudos sobres as condições da natureza, denominado “desenvolvimento zero”. Esta expressão preocupou alguns países mais “pobres” e que ainda eram considerados em desenvolvimento, que não aprovavam a ideia de reduzir suas atividades industriais pelo fato de terem a base econômica focada na indus- trialização. Surgiu então, o “desenvolvimento a qualquer custo” defendido pelas nações subdesenvolvidas. Embora não tenha sido possível atingir um acordo que estabelecesse metas concretas a serem cumpridas pelos países entre outros impasses nas negociações a conferência teve resultados importantes como: Responsabilidade socioambiental Desencadear e potencializar outrasimportantes conferências de tratados ambientais; Criar o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA; Incentivar a criação de ministérios ou órgãos ambientais em muitos países e de ONGs; Elaborar o relatório “Nosso Futuro Comum” (relatório de Brundland) em 1987 – onde surge o conceito de desenvolvimento sustentável, que ocorreu na Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvi- mento (CMMAD), esta criada na Conferência de Estocolmo. O resultado de tal conscientização, propiciou a consolidação das mais indispensáveis bases à moderna política ambiental adotada pela imensa maioria dos países, com maior ou menor rigor, nos seus respectivos ordenamentos jurídicos. É, portanto, caracterizada pelo despertar da consciência das nações sobre essa realidade, fazendo com que surgissem, também, novos movimentos ecologistas e preservacionistas que, por sua vez, passaram a refletir-se nas Cartas Constitucionais dos Estados, os quais passaram a incluir em seus textos os chamados direitos de proteção ao meio ambiente. O ponto de partida foi esta declaração do Meio Ambiente, trazida pela Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo, a qual incluiu princípios, na tentativa de oferecer aos povos do mundo inspiração e guia para preservar e melhorar o meio ambiente humano. Antes da Conferência de Estocolmo, o meio ambiente era tratado, em plano mundial, como algo dissociado da humanidade. Porém, a partir de 1972, logrou-se modificar o foco do pensamento ambiental do planeta, classificando- -se as determinações decorrentes da Declaração de Estocolmo como normas que visam regulamentar futuros comportamentos dos Estados, pois mesmo que não houvesse um “status” com “normas jurídicas”, haviam conteúdos de sentido moral. A conferência, consolidou bases para a política ambiental adotada pela maioria dos países, respondendo à demanda social de preservação do meio ambiente. Representa uma primeira moldura para a implementação do Direito Internacional do Meio Ambiente. É possível afirmar que a iniciativa tomada em Estocolmo veio a estimular a realização de diversos acordos sobre questões ambientais em virtude da publicidade que se deu para a temática ambiental, bem como das estratégias propostas em decorrência da Conferência. Embora a implementação das medidas de proteção e cooperação propostas tenha sido muito mais difícil do que imaginavam seus idealizadores, ainda assim acredita-se que houve uma considerável evolução. Mesmo que tenha decorrido algum tempo após a Conferência, a dinâmica internacional de proteção ao meio 53Conferência de Estocolmo ambiente continuou enfraquecida, a partir de 1987 as agendas ambientalistas retomaram o foco das atividades diplomáticas, firmando-se os princípios da Declaração de Estocolmo, de maneira crescente, nas políticas nacionais e internacionais de desenvolvimento, fazendo com que surja, neste contexto, o ambientalismo como um novo movimento social. Essa nova postura influenciou a ONU, os Estados e todos os demais atores a assumir a defesa do meio ambiente no mundo, algo que ocorreu também no Brasil e está claramente refletido no capítulo referente ao Meio Ambiente da Constituição Federal brasileira. 1992 – ECO-92 (ONU – Agenda 21) 1987 – Relatório de Brundtland 1972 – Conferência de Estocolmo 1968 – Fundação do Clube de Roma Responsabilidade socioambiental GABINETE de história. 1972: o Brasil na Conferência de Estocolmo. [S. l.: s. n], 2013. Dis- ponível em: <http://gabinetedehistoria.blogspot.com.br/search?q=estocolmo>. Acesso em: 10 jan. 2017. GONÇALVES, J. M. de S. S. Educação, meio ambiente e direitos humanos nas conferências da ONU. [2001?]. Disponível em: <http://leg.ufpi.br/ subsiteFiles/ppged/arquivos/ files/ eventos/evento2002/GT.5/ GT5_6_2002.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2016. PASSOS, P. N. C. de. A Conferência de Estocolmo como ponto de partida para a pro- teção internacional do meio ambiente. Revista Direitos Fundamentais e Democracia, Curitiba, v. 6, p. 1-25, 2009. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/ sites/ default/files/18-19-1-pb.pdf >. Acesso em: 19 dez. 2016. SANCHES J. R. Estocolmo, desenvolvimento sustentável e solidariedade intergeracional. [S. l.: s. n], 2014. Disponível em: <http://nossoambientedireito.blogspot.com.br/2014/06/ estocolmo-desenvolvimento-sustentavel-e.html>. Acesso em: 10 jan. 2017. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Virtual de Direitos Humanos. Declaração de Estocolmo sobre o meio ambiente humano. 1972. Disponível em: <http://www. DICA DO PROFESSOR No vídeo, você vai conhecer o contexto da instituição que pensou e organizou a Conferência de Estocolmo e em que contexto esse encontro foi pensado e por que precisava acontecer. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A Conferência de Estocolmo foi o primeiro marco para as discussões mundiais para preservação ambiental. Considerando seus conhecimentos adquiridos, avalie as afirmativas abaixo: Apesar da emergência ambiental começar a ficar evidente a partir da década de 60, a Conferência de Estocolmo só ocorreu em 1972 Porque Não foram relatados desequilíbrios e acidentes ambientais que sinalizassem a necessidade de um acordo global de preservação do meio-ambiente. Assinale a alternativa correta: A) Deliberar inovações e melhorias nas tecnologias limpas. B) As duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. C) As duas afirmativas são falsas. D) A primeira afirmativa é falsa e a segunda afirmativa é verdadeira. E) A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda afirmativa é falsa. 2) Quatro motivações principais foram determinantes para a ocorrência da Conferência de Estocolmo, organizada pela Organização das Nações Unidas. Qual alternativa apresenta uma dessas motivações? A) Os cientistas precisavam trabalhar rapidamente para desenvolver parcerias e novas tecnologias que auxiliassem na preservação do ambiente. B) Os relatos de chuvas ácidas, contaminação do solo e acúmulo de metais pesados eram cada vez mais frequentes e já era sabido que essas contaminações poderiam afetar a saúde humana. C) Os cientistas e a ONU acreditavam que a água era uma fonte de recursos ilimitada, em virtude do tamanho dos oceanos, por isso não se preocupavam que ela fosse faltar. D) A ONU considerou um momento importante para finalmente tornar pública a ocorrência dos impactos ambientais, tais como catástrofes e alterações nos ecossistemas. E) Todos os governos estavam alinhados, agregando desenvolvimento social, econômico e ambiental, promovendo o desenvolvimento sustentável. 3) A Declaração de Estocolmo, ou a Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, buscou sensibilizar os países quanto a sua responsabilidade. Assinale a alternativa correta acerca da Declação de Estocolmo. A) O ser humano não pode considerar o meio ambiente natural de seu direito, apenas o ambiente artificial, mas deve zelar pelos dois para manter a saúde de todos. B) Muitas questões da Declaração de Estocolmo foram votadas, visando garantir o desenvolvimento humano e assegurar a preservação dos recursos naturais. C) Foi estabelecido que os impactos ambientais ocorreram em virtude apenas do desenvolvimento industrial e tecnológico desenfreado, sendo comum a todos os países. D) O progresso e o desenvolvimento humanos são as razões principais para os problemas ambientais, não havendo benefícios para a natureza, sendo necessário atrasar esse desenvolvimento. E) Para se atingir as metas de preservação era necessária a cooperação das empresas e instituições, e o entendimento que era apenas sua a responsabilidade pela preservação ambiental. 4) Diferentes percepções e perspectivas foram adotados pelos diferentes países que participaram da Conferência de Estocolmo. A partir disso, avalie as afirmativas abaixo: I – Os Estados Unidos participaram da conferência, porémse recusaram a assinar a declaração de Estocolmo. II – Os países da União Europeia, grandes responsáveis por impactos ambientais, precisaram traçar esforços de preservação ambiental. III – Os países subdesenvolvidos foram totalmente de acordo com a Declaração de Estocolmo e com o “desenvolvimento zero”. A) Apenas II. B) Apenas I. C) Apenas III. D) Apenas I e II. E) Apenas II e III. 5) A Conferência de Estocolmo gerou uma série de repercussões nas políticas públicas de preservação ambiental, que fomentam as ações de sustentabilidade até hoje. Assinale a alternativa que apresenta uma das repercussões da Conferência de Estocolmo: A) Os primeiros passos para a implementação do Direito Internacional do Meio Ambiente. B) As metas concretas estabelecidas, que foram de comum acordo a todos os países presentes. C) A dissociação do meio ambiente e do ser humano, como duas entidades independentes. D) A elaboração de um relatório, chamado Relatório de Measdows, pelo Clube de Roma. E) O acordo assinado por todos os países, visando a preservação ambiental a qualquer custo. NA PRÁTICA A Declaração em Estocolmo em 1972 gerou um importante documento que apontava princípios de gestão, como apoio à luta contra a poluição, racionamento dos recursos naturais em benefício de toda a população, descarte correto de substâncias tóxicas, prevenção à poluição e utilização das águas, entre outros princípios. Encontros e conferências como essa nos levam a refletir também sobre o quanto nós, sociedade, políticos, empresários e comunidade científica, poderíamos ser versáteis. Não seria utópico e incoerente afirmar que o ser humano não possa criar, progredir e se desenvolver? Qual seria a saída para que possamos integrar homem e natureza e o porquê dessa questão ser real, lógica e não filosófica e holística? Nossa genialidade e desenvolvimento tecnológico não poderiam se voltar também para produções mais limpas e de impactos socioambientais reduzidos? Entre os anos 1950 e 1990, na Califórnia, nos Estados Unidos, se discutiu um dos maiores casos de crime socioambiental de responsabilidade corporativa. Acompanhe! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A Declaração de Estocolmo A Declaração de Estocolmo foi um importante marco para a questão ambiental. Confira aqui nesse link a Declaração na íntegra, observando todas as questões abordadas no documento. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O Brasil na Conferência de Estocolmo Quer saber mais sobre o posicionamento do governo brasileiro frente à declaração de Estocolmo? Confira aqui o relatório da delegação do Brasil quanto à conferência. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Celebrando o meio ambiente Você sabia que o dia 05 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente? Saiba as principais ações que serão realizadas nesse dia, ano a ano. Confira também os links das páginas de redes sociais para receber atualizações sobre o tema. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O Projeto das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) Você sabia que o Projeto das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tem um escritório no Brasil? Confira aqui as principais informações sobre o trabalho do nosso país junto a ONU nesse projeto. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos - REEE APRESENTAÇÃO Esta unidade discute os aspectos e os impactos decorrentes dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos e quais são suas características e origens. Nós como sociedade estamos diretamente envolvidos e somos responsáveis por esse consumo e descarte impactante. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver algumas ações e mitigações que já estão acontecendo neste meio, em nível nacional e global. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os conceitos de resíduos elétricos e eletroeletrônicos.• Estabelecer a relação entre lixo eletrônico e meio ambiente.• Apontar as consequências e possíveis soluções relacionadas aos resíduos eletrônicos.• DESAFIO Você trabalha para um centro comercial. Esse centro comercializa pilhas e baterias. Você é contratado para lançar um programa de conscientização e coleta desses materiais que estão sendo descartados. Esse programa deve esclarecer quais componentes são possivelmente nocivos. Apresente medidas para informar e mobilizar os consumidores locais a descartarem esse tipo de resíduo corretamente. Com essas informações, elabore um material visual informativo, como um banner, para fixar em pontos estratégicos do centro comercial. INFOGRÁFICO Nesse infográfico você vai conhecer os principais pontos que envolvem o aparecimento e a problemática dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos. CONTEÚDO DO LIVRO Nesse capítulo, você vai estudar sobre resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, suas características e origens. Nós, como sociedade, estamos diretamente envolvidos e somos responsáveis por ações e pelos impactos desse comércio e do descarte. Você vai ver algumas ações e mitigações que já estão acontecendo neste universo, em nível nacional e global. Boa leitura! RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Organizador: Thais Miranda Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 M672r Miranda, Thais. Responsabilidade socioambiental / Thais Miranda. – 2. ed. – Porto Alegre : SAGAH, 2017. xi, 215 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-032-0 1. Meio ambiente - Sociedade. 2. Desenvolvimento sustentável I. Título. CDU 502.131.1:658 Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identifi car o conceito de resíduos eletroeletrônicos e as origens do problema. Estabelecer a relação entre lixo eletrônico e meio ambiente. Apontar as consequências e possíveis soluções, analisando medidas globais e em nosso país. Introdução Este texto discute sobre o fenômeno conhecido como resíduos de equi- pamentos elétricos e eletroeletrônicos, quais são as suas características e origens. Como sociedade, estamos diretamente envolvidos e somos responsáveis por ações e impactos desse comércio e descarte. Neste texto, você vai ver a análise de algumas ações e mitigações que já estão acontecendo, tanto nacional quanto globalmente. Lixo eletrônico O lixo eletrônico (e-lixo) ou tecnológico, como o próprio nome indica, é aquele proveniente de materiais eletrônicos. Ele também é conhecido pela sigla REEE (resíduos de equipamentos elétricos e eletroeletrônicos). Com o avanço da tecnologia no mundo moderno, há um excesso de lixo eletrônico que pode causar diversos impactos negativos no meio ambiente. Segundo a diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu art. 3°, o conceito de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, ou REEE, é o seguinte: Equipamentos elétricos ou eletrônicos que constituem resíduos, nos termos da alínea “A” do artigo 1º da Diretiva 75/442/CEE, incluindo todos os com- ponentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte do produto no momento em que este é descartado. A seguir apresentamos uma lista com exemplos de lixo eletrônico: Figura 1. Resíduos eletrônicos. Fonte: Toda Matéria (2016). Computadores; Tablets; Monitores; Teclados; Impressoras; Câmeras fotográficas; Aparelhos de som; Lâmpadas eletrônicas; Televisores; Geladeira; Fogão; Micro-ondas; Rádios; Telefones; Celulares; Carregadores; Baterias; Pilhas; Fios. É importante refletir e discutir como esse fenômeno (resíduo eletroeletrô- nico) passou a acontecer rapidamente e em largas escalas. Você já percebeu com que velocidadeas tecnologias são substituídas? Quando se substitui uma tecnologia, para onde vão os equipamentos “obsoletos”? Um exemplo que ilustra isso são os telefones celulares e computadores. 191Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos Em nosso dia a dia não temos tempo para contabilizar esse fenômeno. Não pensamos no quanto uma bateria de celular ou de notebook ou mesmo os demais componentes como plástico e metais pesados vão poluir o solo ou os lençóis freáticos (muitas vezes nem sabemos que poluem). Nossa preocupação está geralmente em nos manter dentro das atualidades tecnológicas. Como exemplo do descaso em relação a esse material tão danoso, a atual legislação ambiental do estado de São Paulo (2008), que trata especificamente dos resíduos sólidos, nem cita os equipamentos eletrônicos, e a legislação nacional está revisando a resolução que trata do assunto há uns 4 anos por meio do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). (PEREIRA, [201-?]). O lixo eletrônico é produzido por materiais de origem inorgânica, por exemplo, cobre, alumínio, metais pesados (mercúrio, cádmio, berílio e chumbo), grande quantidade de substâncias prejudiciais ao ambiente e ao homem. Eles podem comprometer o ambiente visto que são compostos por elementos muito poluentes os quais são absorvidos pelo solo e pelos lençóis freáticos comprometendo o equilíbrio ecológico. Além do fator poluição, o contato com esses produtos pode acarretar em diversas doenças para os animais e os seres humanos. Veja na Figura 2 a seguir, um exemplo desse material. Figura 2. Placas e componentes metálicos. Fonte: Toda Matéria (2016). Impactos Alguns impactos do lixo eletrônico são contaminação de solos, rios e lençóis subterrâneos; bioacumulação pelos organismos vivos; concentração de metais pesados em fauna e fl ora, muito maior que a sua capacidade de autodepuração. Responsabilidade socioambiental 192 Além disso, determinados metais reagem em exposição com a atmosfera e liberam gases, causando emissões atmosféricas. O chumbo pode causar danos ao sistema nervoso central e periférico, sistema sanguíneo e nos rins dos seres humanos. Efeitos no sistema endócrino também têm sido observados e seu sério efeito negativo no desenvolvimento do cérebro das crianças tem sido muito bem documentado. O chumbo se acumula no meio ambiente e tem efeitos tóxicos agudos e crônicos nas plantas, animais e microrganismos. Produtos eletrônicos constituem 40% do chumbo encontrado em aterros sanitários. A principal preocupação do chumbo encontrado nesses locais é a possibilidade de vazar e contaminar os sistemas fornecedores de água potável. As principais aplicações do chumbo, em equipamentos eletrônicos, são: Solda nos circuitos impressos e outros componentes eletrônicos. Tubos de raios catódicos nos monitores e televisores. Em 2004, mais de 315 milhões de computadores se tornaram obsoletos nos Estados Unidos. Isso representa em torno de 954 mil toneladas de chumbo que podem ser despejados no meio ambiente. Os compostos a partir do cádmio são classificados como altamente tóxi- cos, com riscos considerados irreversíveis para a saúde humana. O cádmio e seus compostos acumulam-se no organismo humano, particularmente nos rins. É absorvido pela respiração, mas também pode ser absorvido por meio de alimentos, causando sintomas de envenenamento. Apresenta um perigo potencial para o meio ambiente devido à sua aguda e crônica toxicidade e seus efeitos cumulativos. Em equipamentos elétricos e eletrônicos, o cádmio aparece em certos componentes, tais como resistores, detectores de infraver- melho e semicondutores. Versões mais antigas dos tubos de raios catódicos também contêm cádmio. Além disso, o cádmio é usado como estabilizador para plásticos. Já o mercúrio se espalha na água, transforma-se em metilmercúrio, um tipo de mercúrio nocivo para a saúde do feto e dos bebês, podendo causar danos crônicos ao cérebro. O mercúrio está presente no ar e, ao entrar em contato com o mar, como já foi mencionado, transforma-se em metilmercúrio e vai para as partes mais profundas do oceano. Essa substância acumula-se em seres vivos e se concentra através da cadeia alimentar, particularmente via peixes e mariscos. A estimativa é de que 22% do consumo mundial de mercúrio é usado em equipamentos elétricos e eletrônicos, como termostatos, sensores de posição, chaves, relés e lâmpadas descartáveis. Além disso, é usado, também, em 193Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos equipamentos médicos, de transmissão de dados, telecomunicações e telefones celulares. Também é usado em baterias, interruptores de residências e placas de circuito impresso, embora em uma quantidade muito pequena para cada um desses componentes. Considerando os 315 milhões de computadores ob- soletos, até o ano 2004, esse equipamento representa cerca de 182 toneladas de mercúrio, no total. Os plásticos, também são representativos quando se trata de resíduos. Com base no cálculo de que mais de 315 milhões de computadores estão obsoletos e de que os produtos plásticos perfazem 6.2 kg por computador, em média, haverá mais do que 1,8 milhões de toneladas de plásticos descartados. Uma análise encomendada pela Microelectronics and Computer Technology Corporation (MCC) estimou que o total de restos de plásticos está subindo para mais de 580 mil toneladas por ano. O mesmo estudo estimou que o maior volume de plásticos usados na manufatura eletrônica (cerca de 26%) era o cloreto de polivinil (PVC), que é responsável por mais prejuízos à saúde e ao meio ambiente do que a maior parte de outros plásticos. Lixo eletrônico e meio ambiente Embora muitas empresas fabricantes de computadores tenham reduzido ou parado com o uso do PVC, ainda há um grande volume de PVC contido em restos de computadores. Outro fato a ser considerado é em relação ao perigo do lixo eletrônico descartado em aterros sanitários, pois, por mais seguros e modernos que sejam os aterros sanitários, há o risco de vazamento de produtos químicos e metais que poderão se infi ltrar no solo. Essa situação é muito pior nos velhos e menos controlados aterros sanitários, que acabam sendo a maioria em todo o país (FRANCO, 2007). Os principais problemas que podem ser causados pelo lixo eletrônico nos aterros sanitários são: Após a destruição de equipamentos eletrônicos, como, por exemplo, interruptor de circuito eletrônico, poderá ocorrer o vazamento do mer- cúrio, que irá se infiltrar no solo e causar danos ao meio ambiente e à população. O mesmo pode ocorrer com o cádmio que, além de se infiltrar no solo, pode contaminar os depósitos fluviais. Outro problema é devido à quantidade significativa de íons de chumbo, que são dissolvidos do chumbo contido em vidro, tal como o vidro Responsabilidade socioambiental 194 cônico dos tubos de raios catódicos, quando misturados com águas ácidas, o que ocorre comumente nos aterros sanitários. Não é apenas a infiltração do mercúrio que causa problemas ao meio ambiente, a vaporização do mercúrio metálico e do mercúrio dimetileno também é fonte de preocupação. Além disso, pequenas explosões acontecem com frequência nos aterros sanitários, e, quando expostos ao fogo, metais e outras substâncias químicas podem ser liberados. A Figura 3, a seguir, mostra uma situação de descarte indevido. Figura 3. Contaminação de corpo hídrico. Fonte: Nova Escola (2016). Na Figura 4, podemos ver um exemplo de contaminação de lençol freático. Figura 4. Contaminação de lençol freático. Fonte: Nova Escola (2016). A contaminação do lençol freático acontece da seguinte maneira: a) Nos depósitos, pilhas e baterias ficam expostas ao sol e à chuva e se oxidam. Abertas, deixam escapar os metais pesados, que se misturam ao líquido formado no lixo. 195Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos b) Com novas chuvas, o líquido infiltra-se no solo, atingindoo lençol freático. c) Essa água, usada na irrigação agrícola, contamina legumes, frutas e verduras. Nas cidades, ela também é prejudicial, já que os sistemas de tratamento não eliminam os metais pesados. Os processos de reciclagem de resíduos sólidos eletrônicos buscam recu- perar a matéria-prima secundária para a fabricação de novos produtos. Estatísticas apontam que cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrô- nico são produzidos anualmente em todo o mundo, sendo que 10 milhões são reciclados na China. Os impactos também são sociais, pois nesse país ocorre exploração de pessoas, até mesmo de crianças e idosos. Um exemplo disso, bem como do excesso de lixo eletrônico produzido no mundo, é a cidade de Guiyu, na China, onde milhares de pessoas trabalham separando esses resíduos. Essa atividade é muito perigosa, pois ficam expostas diretamente aos metais pesados e radioativos. Estudos apontam que o solo e os cursos de água da região já estão contaminados pelos produtos eletrônicos. Com o aumento da globalização e da tecnologia, novos aparelhos eletrônicos são lançados em curto espaço de tempo, o que leva as pessoas a trocarem seus aparelhos mesmo que ainda estejam funcionando. Assim, o que pode parecer um simples ato de consumo é um grande impacto no meio ambiente, degradando solo, água e ar. Há algumas teorias e alguns autores que denominam essa mecânica de trocas e mudanças rápidas na indústria como “obsolescência programada”, ou seja, programam um tempo de validade para esses produtos, o que leva os consumidores a trocar e consumirem cada vez mais. Assim, visto a quantidade de lixo eletrônico produzido no mundo, a melhor alternativa é ainda a reciclagem desses produtos, a prática da logística reversa, além da sensibilização dos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar. Quanto à coleta e descarte, atualmente muitas empresas que fabricam e que são responsáveis por grande parte da poluição proveniente dos produtos eletrônicos estão apostando em ações de sustentabilidade e, portanto, oferecem locais apropriados para o descarte desses aparelhos. A própria empresa recicla esses materiais, gerando outros novos. Há ainda casos em que as pessoas levam seus aparelhos usados e trocam por um novo, mediante o pagamento da diferença. Outro dado importante é que cerca de 80% de todo o lixo eletrônico produzido pelos países desenvolvidos é transportado para os países pobres, sobretudo da África, do Oriente Médio e da Ásia. Responsabilidade socioambiental 196 No Brasil, o aumento da comercialização de produtos eletrônicos nas últimas décadas tem gerado grandes problemas ambientais. Entre os países considerados em crescimento, o Brasil é o que mais gera lixo eletrônico no mundo. Aqui, a Lei Estadual de São Paulo, nº 13.576, de 6 de julho de 2009, institui normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e destinação final de lixo tecnológico: Artigo 1º – Os produtos e os componentes eletroeletrônicos considerados lixo tecnológico devem receber destinação final adequada que não provoque danos ou impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade. Parágrafo único – A responsabilidade pela destinação final é solidária entre as empresas que produzam, comercializem ou importem produtos e componentes eletroeletrônicos. Dados da Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente) apontam que o Brasil descarta anualmente cerca de 97 mil toneladas métricas de compu- tadores; 2,2 mil toneladas de celulares; e 17,2 mil toneladas de impressoras. Em 2014, a ONU declarou que o Brasil produziu 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico. Esses valores são assustadores e, portanto, devemos nos conscientizar de seus danos e começar a ter uma postura ética e responsável com o descarte correto dos produtos eletrônicos, sejamos os fabricantes ou os consumidores. (TODA MATÉRIA, 2016). Campanhas de conscientização precisam ser promovidas de modo a alertar a população mundial da importância da separação desses e de outros tipos de lixo com o descarte correto. Ainda que nem todas as cidades do Brasil reali- zem a coleta e reciclagem do lixo eletrônico, atualmente cerca de 720 cidades apresentam esse serviço. No entanto, o país ainda está longe de conseguir coletar esses materiais em larga escala. 197Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos O Brasil descarta 96,8 mil toneladas de computadores por ano. Em 1 toneladas de PCs existe mais ouro do que 17 toneladas de minério bruto do metal. Fonte: ECO4YOU (2016). Consequências e possíveis soluções Considerando as consequências negativas que esses tipos de resíduos podem provocar no meio ambiente, a melhor solução é o descarte correto nas empre- sas ou cooperativas que recebem esses materiais, levam para a reciclagem e realizam o desmonte e a extração dos metais que lhes interessam para venda posterior. Esse ato reduz impactos e ainda favorece a economia com o rea- proveitamento de materiais que possam ser reciclados. Além do descarte em locais apropriados, doações de aparelhos em fun- cionamento para entidades sociais podem ajudar a diminuir esse problema. A tecnologia padrão para a reciclagem de resíduos sólidos da categoria 3 é o tratamento mecânico, que compreende as fases de desmontagem, trituração e separação dos resíduos. Paralelo a esse processo também podem ocorrer processos térmicos com o objetivo de separação dos materiais, como o der- retimento, a pirólise ou tecnologias específicas de dissolução. Muitas vezes ocorre também a combinação dessas tecnologias citadas. As tecnologias mais avançadas utilizadas em países como a Alemanha podem ser dividas, por exemplo, de acordo com as seguintes funções: Separação automática dos resíduos de acordo com suas características físicas. Responsabilidade socioambiental 198 Separação e extração de gases e líquidos. Desmontagem com o objetivo de extração de matérias recicláveis ou reutilizáveis. Trituração e classificação. Seleção dos resíduos em função de propriedades físicas como densidade, magnetismo, tamanho das frações, peso, etc. Tecnologia de reciclagem (tratamento térmico ou mecânico) dos metais, plásticos, vidros, etc. Na Figura 5 você pode conferir o processo comum de reciclagem de resíduos de equipamentos eletrônicos na Alemanha. Figura 5. Reciclagem de resíduos de equipamentos. Fonte: Machado (2013). Uma grande contribuição para o setor de reciclagem de resíduos eletrônicos poderia ser dada com a implantação de identificações eletrônicas dos equi- pamentos fabricados por meio do uso de tecnologias como radio frequency identification – RFID (identificação por frequência de rádio). Pequenos RFID – transponder poderiam ser instalados nos equipamentos contendo uma lista exata de todos os materiais utilizados na fabricação daquele equipamento ou peça e avisos sobre os métodos indicados para o seu processamento. Esse sistema traria vantagens também para os fabricantes, que poderiam identificar com maior precisão a rota traçada pelos equipamentos que fabricam, oferecendo aos consumidores opções de reciclagem, reparos, cuidados especiais pela Internet, assim como facilitar imensamente a implantação de um sistema 199Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos de coleta seletiva e logística reversa no país. Por outro lado, o fabricante poderia informar sobre eventuais cuidados especiais com determinados elementos perigosos contidos em seus produtos e como deveriam ser tratados. 1. O chumbo é um dos componentes de alguns dos resíduos eletrônicos. As principais aplicações do Pb nesses produtos são: a) Solda nos circuitos impressos e outros componentes eletrônicos e nos tubos de raios catódicos nos monitores e televisores. b) Em sensores de posição, chaves, relés. c) Utilizado na parte externa de computadores e em alguns termômetros. d) Atualmente é utilizado em detectores infravermelhos e semicondutores. e) Largamente utilizado para estabilizaçãode plásticos na confecção da parte externa dos computadores. 2. Por que os resíduos eletroeletrônicos representam perigo e impactos sociais e ambientais? a) Porque possuem um alto nível de matéria orgânica. b) Por conterem altos níveis de chumbo que pode contaminar as águas. c) Porque são compostos de recursos renováveis. d) Em sua composição contem substancias químicas prejudiciais, como metais pesados. e) São perigosos por que podem comprometer a qualidade do ar. 3. Visto as consequências negativas que esse tipo de resíduos pode provocar na saúde e no meio ambiente, poderíamos apontar algumas soluções como: a) Atualmente a medida para erradicar este tipo de problema é a aplicabilidade da legislação e seu rigor proibindo esse tipo de comercio. b) Não utilizar mais metais pesados como componentes nos eletroeletrônicos e certificar toda a linha de produção. c) Após o termino do seu ciclo de vida, descartar em aterros sanitários d) Uma das alternativas é a utilização da ferramenta P+L na linha de produção destes itens. e) Descarte com empresas ou cooperativas licenciadas para destinação ou coo- processamento desses materiais. 4. Como o conceito de logística reversa contribui para reduzir impactos ambientais ocasionados pelos resíduos eletrônicos? a) Contribui e reduz impactos pois é um conceito que gera obrigatoriedade do gerador Responsabilidade socioambiental 200 produzir sem incorporar metais perigosos. b) É um conceito que contribui estruturando projetos de educação e conscientização. c) Destinando, produtos já descartados pelo consumidor ao próprio produtor. O resíduo passa a ser responsabilidade do seu gerador. d) Determinando e criando tarifas para cada tipo de resíduo descartado. e) O conceito de logística reversa contribui mapeando e ditando formas corretas de acondicionamento do resíduo. 5. Por que a utilização de resíduos como matéria prima é tão importante para reduzir impactos ambientais? a) Para preservar recursos renováveis. b) Para reduzir a necessidade de extração de minérios/metais que são retirados da natureza e não podem ser repostos. c) Principalmente para evitar impactos na fauna. d) Para evitar catástrofes ambientais naturais. e) A recuperação da matéria prima é importante principalmente para potencializar a economia local. 201Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos ECO4YOU. [201-?]. Disponível em: <https://eco4u.wordpress.com/>. Acesso em: 21 dez. 2016. FRANCO, R. G. F. Gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos domésticos para o Município de Belo Horizonte. 2007. Dissertação (Mestrado)- Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. MACHADO, G. B. Reciclagem de resíduos sólidos eletrônicos. 17 dez. 2013. Disponível em: <http://www.portalresiduossolidos.com/ reciclagem-de-residuos-solidos-ele- tronicos/>. 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Responsabilidade socioambiental 202 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR Nesse vídeo, você vai conhecer mais detalhes sobre a logística reversa, uma importante ferramenta para reduzir impactos ambientais desse tipo de lixo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O chumbo é um dos componentes de alguns dos resíduos eletrônicos. As principais aplicações do Pb nesses produtos são: A) a) Solda nos circuitos impressos e outros componentes eletrônicos e nos tubos de raios catódicos nos monitores e televisores. B) b) Em sensores de posição, chaves e relés. C) c) Utilizado na parte externa de computadores e em alguns termômetros. D) d) Atualmente é utilizado em detectores infravermelhos e semicondutores. E) e) Largamente utilizado para estabilização de plásticos na confecção da parte externa dos computadores. 2) Por que os resíduos eletroeletrônicos representam perigo e impactos sociais e ambientais? A) a) Porque possuem um alto nível de matéria orgânica. B) b) Por conterem altos níveis de chumbo, que pode contaminar as águas. C) c) Porque são compostos de recursos renováveis. D) d) Porque sua composição contém substâncias químicas prejudiciais, como metais pesados. E) e) São perigosos porque podem comprometer a qualidade do ar. 3) Visto as consequências negativas que esse tipo de resíduo pode provocar na saúde e no meio ambiente, poderíamos apontar algumas soluções como: A) a) Atualmente a medida para erradicar esse tipo de problema é a aplicabilidade da legislação e seu rigor proibindo esse tipo de comércio. B) b) Não utilizar mais metais pesados como componentes nos eletroeletrônicos e certificar toda a linha de produção. C) c) Após o término do seu ciclo de vida, descartar em aterros sanitários. D) d) Uma das alternativas é a utilização da ferramenta P+L na linha de produção desses itens. E) e) Descarte com empresas ou cooperativas licenciadas para destinação ou cooprocessamento desses materiais. 4) Como o conceito de logística reversa contribui para reduzir impactos ambientais ocasionados pelos resíduos eletrônicos? A) a) Contribui e reduz impactos, pois é um conceito que gera obrigatoriedade do gerador de produzir sem incorporar metais perigosos. B) b) É um conceito que contribui estruturando projetos de educação e conscientização. C) c) Destinando produtos já descartados pelo consumidor ao próprio produtor. O resíduo passa a ser responsabilidade do seu gerador. D) d) Determinando e criando tarifas para cada tipo de resíduo descartado. E) e) O conceito de logística reversa contribui mapeando e ditando formas corretas de acondicionamento do resíduo. 5) Por que a utilização de resíduos como matéria-prima é tão importante para reduzir impactos ambientais? A) a) Para preservar recursos renováveis. B) b) Para reduzir a necessidade de extração de minérios/metais que são retirados da natureza e não podem ser repostos. C) c) Principalmente para evitar impactos na fauna. D) d) Para evitar catástrofes ambientais naturais. E) e) A recuperação da matéria-prima é importante principalmente para potencializar a economia local. NA PRÁTICA O Japão é um dos maiores produtores de equipamentos eletroeletrônicos do mundo. A NTT é uma das maiores empresas japonesas de telecomunicação e que, em 2016, foi bastante pressionada a tomar medidas de redução de impactos ambientais nas suas atividades. Em entrevista, a emissora NHK questiona a empresa de telecomunicações NTT sobre produção responsável. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Lixo eletrônico gera renda a empresa amazonense Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Animação - A história das coisas - Obsolescência programada Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Os impactos ambientais causados pelo lixo eletrônico e o uso da logística reversa para minimizar os efeitos causados ao meio ambienteConteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Rio 92, Rio +10, Rio +20 APRESENTAÇÃO As conferências internacionais foram encontros que debateram assuntos relacionados ao desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a elaboração de projetos e acordos importantes na busca por soluções mais práticas e eficazes para as questões e problemáticas socioambientais. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as três importantes conferências sobre meio ambiente que foram consideradas determinantes para mudanças em nosso país: Rio 92 ou Eco 92, Rio +10 e Rio +20. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as propostas, as elaborações e os resultados da Eco 92.• Analisar as proposições da Rio +10 e alguns resultados da conferência.• Problematizar e discutir as propostas e os resultados da conferência Rio +20.• DESAFIO Você é produtor rural e empresário de uma linha de produtos orgânicos e irá representar um grupo da sociedade civil em uma das cúpulas de uma conferência socioambiental. Você e seu grupo deverão apresentar e discutir com representantes políticos, Anvisa e outras grandes empresas sobre o real sentido da segurança alimentar dentro de um desenvolvimento sustentável. O Brasil enfrenta barreiras em conciliar o crescimento dos grandes centros agrícolas com a preservação dos ecossistemas e recursos disponíveis; junto a larga utilização de pesticidas químicos; abrindo as discussões de segurança alimentar, situação que se alastra e reflete na nossa qualidade de vida. Para que possamos consumir e nos alimentar, foi adotado rapidamente, após a Revolução Industrial, outro sistema de produção alimentícia, que acompanha o grande crescimento populacional e o ritmo acelerado de trabalho. Embora tenhamos um aumento significativo da produção mundial de alimentos, a desnutrição e a insegurança alimentar continuam em níveis inaceitáveis. O desafio atual da agricultura mundial consiste em aumentar a produção de alimentos sem aumentar os impactos negativos ao meio ambiente e saúde. Estruture e organize suas ideias/propostas sobre os reais princípios da segurança alimentar sustentável, buscando informar, sensibilizar e persuadir com seus dados e ponto de vista. Apresente práticas, medidas e metas que levam à produção e ao consumo mais saudável e vantajoso nas dimensões sociais e ambientais. INFOGRÁFICO Neste infográfico, você vai visualizar como ocorreram as estruturas das conferências Eco 92, Rio +10 e Rio +20 e quais foram os debates, os pontos altos e os resultados desses encontros. CONTEÚDO DO LIVRO Neste texto, você vai conhecer as três importantes conferencias que debateram sobre meio ambiente e que foram determinantes para mudanças em nosso país. Rio-92 (também conhecida como Eco-92), Rio +10 e Rio +20. Estes encontros internacionais debateram assuntos relacionados ao desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a elaboração de projetos e acordos importantes, na busca por soluções mais práticas e eficazes as questões e problemáticas socioambientais Boa leitura! RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Thais Miranda Rio-92, Rio +10 e Rio +20 Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identifi car as propostas, elaborações e resultados da Rio-92; Analisar as proposições da Rio +10 e alguns resultados do encontro; Problematizar e discutir as propostas e resultados da conferencia Rio +20; Introdução Neste texto, você vai conhecer as três importantes conferencias que debateram sobre meio ambiente e que foram determinantes para mu- danças em nosso país. Rio-92 (também conhecida como Eco-92), Rio +10 e Rio +20. Estes encontros internacionais debateram assuntos relaciona- dos ao desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a elaboração de projetos e acordos importantes, na busca por soluções mais práticas e eficazes as questões e problemáticas socioambientais. Propostas, elaborações e resultados da Rio-92 A partir da década de 80, os debates sobre a preservaç ã o do meio ambiente se ampliaram. Em 1992, com a Guerra Fria recém terminada e a Europa assinando o Tratado de Maastrich, um marco para a formalização da União Europeia. Neste mesmo período de tempo, a agenda ambiental ganhava força e passava a ser discutida por toda a sociedade. Culminou com a Eco-92 ou Rio-92 (Conferê ncia das Naç õ es Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento), realizada de 3 a 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro, esta gerou debates e contribui para o surgimento de novas instituiç õ es, movimentos e ONGs ambientais. Veja a Figura 1: Figura 1. Logotipo da Rio-92. A intenção desse encontro era de introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. Os encontros ocorreram no centro de con- venções Riocentro. A diferença entre a conferência de 1972 e a de 1992 pode ser marcada, na segunda conferência, pela presença maciça de Chefes de Estado, fator indicativo da importância atribuída à questão ambiental no início da década de 1990. Já as organizações não governamentais fizeram um encontro paralelo no Aterro do Flamengoː o Fórum Global. O encontro teve, como resultado, a aprovação da Declaração do Rio, também chamada de Carta da Terra. A Carta da Terra é uma espécie de código de ética planetário, semelhante à Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltado à sustentabi- lidade, à paz e a justiça socioeconômica. Idealizada pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, em 1987, ganhou impulso na Cúpula da Terra movimento que aconteceu “dentro” da Rio-92. Foi um documento oficial, reconhecido como um dos resultados do encontro. Responsabilidade socioambiental58 Muitos objetos de discussões e prospecção de medidas nas pautas Rio-92 foram retomados de eventos anteriores além de reformadas: Aquecimento global: a Rio-92 deu alicerces a eventos como a confe- rência em Kyoto no Japão, em 1997. Este deu origem ao Protocolo de Kyoto, no qual a maioria das nações concordou em reduzir as emissões de gases estufa que intensificam o chamado “efeito estufa”. Ar e água: um congresso da ONU em Estocolmo em 1972, adotou um tratado para controlar 12 substâncias químicas organocloradas. Destinada a melhorar a qualidade do ar e da água, a convenção so- bre Poluentes Orgânicos Persistentes pede a restrição ou eliminação de oito substâncias químicas como clordano, DDT e os PCBs. Transporte alternativo: os automóveis híbridos, movidos a gasolina e a energia elétrica, já reduzem as emissões de dióxido de carbono no Japão, na Europa e nos Estados Unidos. O que é a Carta da Terra? A Carta da Terra é uma declaração de princípios fundamentais para a construção de uma sociedade global no século XXI, que seja justa, sustentável e pacífica. O documento procura inspirar em todos os povos um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do mundo em geral. É uma expressão de esperança e um chamado a contribuir para a criação de uma sociedade global num contexto crítico na História. A visão ética inclusiva do documento reconhece que a proteção ambiental, os direitos humanos, o desenvolvimento humano equitativo e a paz são interdependentes e inseparáveis. Isto fornece uma nova base de pensamento sobre estes temas e a forma de abordá-los. O resultado é um conceito novo e mais amplo sobre o que constitui uma comunidade sustentável e o próprio desenvolvimento sustentável. 59Rio-92, Rio +10 e Rio +20 Ecoturismo: com um crescimento anual estimado em 30%, o eco- turismo incentivou governos a proteger áreas naturais e culturas tradicionais. Redução do desperdício: empresas adotaram programas de reutilização e redução, como acontecia com as garrafasde PET no Brasil antes que as empresas fossem taxadas com impostos sobre sua compra dos catadores de lixo. Redução da chuva ácida: na década de 1980, os países desenvolvi- dos começaram a limitar as emissões de dióxido de enxofre, lançado por usinas movidas a carvão. A Alemanha adotou um sistema obrigatório de geração doméstica de energia através de célula fotoelétrica. Os resultados Além da sensibilização das sociedades e das elites políticas, a Conferência teve, como resultado, a produção de alguns documentos ofi ciais fundamentais nas seguintes convenções: A Convenção sobre diversidade biológica, tratando da proteção da biodiversidade; Convenção das Nações Unidas de combate à desertificação, tratando da redução da desertificação; e A Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre a mudança do clima, tratando das mudanças climáticas globais; Além das declarações documentadas sobre; Princípios sobre Florestas; Documento, sem força jurídica obrigatória, que faz uma série de reco- mendações para a conservação e o desenvolvimento sustentável florestal. A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: Estabelecia uma nova e justa parceria global mediante a criação de novos níveis de cooperação entre os Estados, setores da sociedade e os indivíduos, trabalhando com vistas à conclusão de acordos internacionais respeitando interesses comuns e protegendo a integridade do sistema global de meio ambiente e desenvolvimento, reconhecendo a natureza integral da Terra. Responsabilidade socioambiental60 Agenda 21 É tido até hoje como um documento referência aos assuntos socioambien- tais. Composta por quarenta capítulos, a Agenda 21 é um instrumento de planejamento participativo onde se admite a responsabilidade dos governos em impulsionar programas e projetos ambientais através de políticas que visam à justiça social e a preservação do meio ambiente. A Agenda pode/deve ser implementada por governos e sociedade, concretizando o lema da Eco-92. Veja a Figura 2: Figura 2. Logotipo da Agenda 21 em 1992. Desafios Apesar dos avanç os, a legislaç ã o brasileira ainda enfrenta o desafi o de con- ciliar o crescimento das cidades e da fronteira agrí cola com a preservaç ã o de seus diversos ecossistemas. Como você pode observar, o desafi o é rever a hegemonia da economia em relaç ã o as manifestaç õ es humanas e à organizaç ã o das sociedades, nas quais a produç ã o do conhecimento, de bens materiais e culturais passe a implicar no bem-estar, na comunicaç ã o e integraç ã o solidá ria com a natureza e com todos os seres. Em outras palavras, trata-se de uma reconfiguraç ã o das relaç õ es sociais, nas quais ser sujeito livre, consciente e ativo e que percebe como indissociá vel a seu progresso, também o desenvolvimento da comunidade, torna-se o elemento essencial para as mudanças socioambientais. Impacto Político O Brasil, país-sede da Eco-92, vivia sob seu primeiro governo eleito pelo voto direto após a ditadura, mas a conferência ecológica aconteceu simultaneamente 61Rio-92, Rio +10 e Rio +20 à CPI do Collorgate, que culminou, mais tarde, no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. A Eco-92 foi um marco histórico – a maior conferência já realizada no planeta, com a presença de delegações de 178 países. Seu ineditismo fez com que o encontro resultasse em documentos – referência, e a continuação de sua agenda é um dos objetivos da Rio +20. Ainda assim, a ausência de metas concretas fez com que muitos conside- rassem a Eco-92, na época, uma “decepção”. Proposições e resultados do encontro RIO +10 Dez anos após a Eco-92, entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, a ONU realizou a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo – África do Sul, a chamada Rio +10 (ver Figura 3) ou conferência de Joanesburgo, que procurou fazer uma avaliaç ã o dos resultados obtidos nos dez anos que sucederam. Figura 3. Logotipo da Rio +10. A Rio +10 teve como objetivo principal discutir soluções já propostas na Agenda 21 primordial (Rio-92), para que pudesse ser aplicada de forma coerente não só pelo governo, mas também pelos cidadãos, realizando uma Agenda 21 local, e implementando o que fora discutido em 1992. Novamente, a Agenda 21 estava em evidência, esta focou e reforçou a procura de meios de cooperação entre as nações para lidar com problemas ambientais globais como: Poluição; Mudanças climáticas; Destruição da camada de ozônio; Uso e gestão dos recursos marinhos e de água doce; Responsabilidade socioambiental62 Desmatamento; Desertificação e degradação do solo; Resíduos perigosos, e; Degradação da diversidade biológica. Esta segunda edição serviu para fazer um balanço da anterior Eco-92, reali- zada no Rio de Janeiro em 1992. Centrada no desenvolvimento sustentável, seu objetivo era a adoção de um plano de ação de 153 artigos divididos em 615 pontos sobre diversos temas: a pobreza e miséria, o consumo, os recursos naturais e sua gestão, globalização, o cumprimento dos direitos humanos, o lazer, etc. Como consta no Informativo da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvi- mento Sustentável, Joanesburgo (África do Sul), 26 de agosto a 4 de setembro de 2002, obrigou-se aos países desenvolvidos alcançar os níveis intencional- mente convencionados de assistência oficial ao desenvolvimento, apoiar a criação de alianças regionais fortes para promover a cooperação internacional, afirmar que o setor privado também tem o dever de contribuir ao desen- volvimento sustentável, e por último chamada para criação de instituições internacionais e multilaterais mais eficientes, democráticas e responsáveis. Veja a Figura 4. Figura 4. Cúpula da Terra de Joanesburgo. Fonte: CRI Português (2015). Resultados Apesar dos problemas levantados, a ampla participação e colaboração foram chave para o bom desenvolvimento da Cúpula e consequentemente, para o 63Rio-92, Rio +10 e Rio +20 êxito para melhorias de um desenvolvimento sustentável. O grande êxito da Cúpula da Terra de Joanesburgo foi a ênfase que se conseguiu em temas de desenvolvimento social, tais como a erradicação da pobreza, o acesso a água e aos serviços de saneamento, e a saúde. Foi de comum acordo entre os países, para o ano de 2015, a reduzir na metade a proporção dos índices de pessoas cuja renda seja inferior a 1dólar por dia, de pessoas que sofrem de fome e a de pessoas que não tenham acesso a água potável. Houve também, um acordo de fortalecer a contribuição do desenvolvi- mento industrial para a erradicação da pobreza, de maneira compatível com a proteção do meio ambiente. Apesar dessas conquistas, foi considerada a menos produtiva das reuniões ambientais internacionais, porque os debates se focaram mais em geopolítica e as questões ambientais foram postas de lado. Para citar um exemplo, o Plano de Ações da Cúpula de Joanesburgo firmou o compromisso de restaurar os estoques de peixes nos mares até 2015. Entretanto o texto fala que essa restauração será feita “onde for possível” o que torna difícil realizar o monitoramento e a cobrança para realização do compromisso. De qualquer forma, há quem diga que o balanço foi positivo, pois, de ma- neira geral na Convenção de Joanesburgo temas como energia renovável que, embora tenham tido um tratamento muito aquém do pretendido, ainda tiveram um espaço aberto por Joanesburgo, fundamental para futuras negociações. Discussões Rio +20 A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Natu- ral (CNUDN), conhecida também como Rio +20, foi uma conferência rea- lizada entre os dias 20 e 22 de junho de 2012 na cidade brasileira do Rio de Janeiro, cujo objetivo era discutir sobre a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável. Veja a Figura 5: Responsabilidade socioambiental64 Figura 5. Logotipo da Rio +20. Fonte: Pastoral Fé e Política (2012). Considerado o maior evento já realizado pelas Nações Unidas, a Rio +20contou com a participação de chefes de Estado de 190 nações que propuseram mudanças, sobretudo, no modo como estão sendo usados os recursos naturais do planeta. Além de questões ambientais, foram discutidos aspectos relacionados a questões sociais como a falta de moradia entre outros tópicos. O evento ocorreu em dez locais, tendo o Riocentro como principal local de debates e discussões; entre os outros locais, figuram o Aterro do Flamengo e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O objetivo da Conferência foi a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes. A Conferência teve dois temas principais: A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e; A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. A Rio +20 foi composta por três momentos: Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, aconteceu a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reuniram representantes governamentais para negociações dos documentos adotados na Conferência. Em seguida, entre 16 e 19 de junho, foram programados os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável. 65Rio-92, Rio +10 e Rio +20 De 20 a 22 de junho, ocorreram o Segmento de Alto Nível da Confe- rência, para o qual foi confirmada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas. No Brasil, foi formado um Comitê Facilitador da Sociedade Civil Bra- sileira para a Rio +20. Segundo Aron Belinky, coordenador de Processos Internacionais do Instituto Vitae Civis, que representa o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento na Coordenação Nacional do Comitê, o papel do grupo – atualmente formado por 14 redes – é trazer mais participantes para o debate até o ano que vem. As ações do grupo de trabalho são de formação e mobilização, levando os temas em discussão para a sociedade. O evento paralelo foi chamado de “Cúpula dos povos”. Veja a Figura 6: Figura 6. Logotipo da Cúpula dos povos na Rio +20. Outra frente da sociedade civil na Rio +20 se deu no âmbito do Fórum Social Mundial (FSM). A decisão foi em Dacar, no Senegal. Segundo o empresário e ativista da área de responsabilidade social, Roberto Martins que integra o Comitê Internacional do FSM – em janeiro de 2013 –, a edição internacional descentralizada do evento terá como principal pauta a temática ambiental, voltada à conferência. A FSM não representa as elites econômicas e demanda mobilização da sociedade sobre outro modelo de desenvolvimento. Propostas como: Mudança da matriz energética para a renovável; Questões nucleares, das hidrelétricas em confronto com as populações indígenas; Modelo de consumo e resíduos orgânicos; Entre outros. Responsabilidade socioambiental66 Segundo Oded Grajew, do instituto Ethos, a meta é propor políticas públicas ao governo e informações sobre indicadores quanto à grave situação do modelo atual de desenvolvimento, que leva ao esgotamento de recursos naturais e ao aumento das desigualdades. Como 2012 será também um ano de eleições em alguns países impor- tantes como EUA, Alemanha e França, isso prejudica decisões. Talvez essas nações não queiram assumir alguns compromissos, que podem comprometer os resultados nas urnas. (GRAJEW, 2012). Ele reforça que, no contexto da Economia Verde, as discussões do FSM permanecerão voltadas a questões sociais, ao combate às desigualdades. Entende-se que no campo empresarial algumas iniciativas em andamento são do Instituto Ethos, que lançou em fevereiro de 2012, a Plataforma por uma “Economia Inclusiva, Verde e Responsável”. 67Rio-92, Rio +10 e Rio +20 Em junho de 1992, chefes de Estado de todos os países se reuniram no Rio de Janeiro, para tratar dos problemas do Planeta Terra. Na Figura 7, você pode ver alguns dos assuntos discutidos e suas devidas proporções: População Consumo de alimentos Consumo de energia gerada Poluição por C0 2 50% 50% 20%80% 20% (1 bilhão) 80% (4 bilhões) 70% 30% Países industrializados Países não industrializados Figura 7. Fonte: Mundo Vestibular (c2016). Outro tema complexo da Conferência, segundo Aron Belinky, diz respeito à governança em um cenário de desenvolvimento sustentável. Tema pouco debatido oficialmente e extraoficialmente. Que deveria ser visto não como uma discussão sobre burocracia, mas como uma condição necessária para encaminhar as decisões e recomendações tomadas na conferência. Belinky afirma que, se por um lado, hoje se enxerga o desenvolvimento sustentável no conjunto, as instituições internacionais e internas de cada Responsabilidade socioambiental68 país são estanques. Algumas atuam no campo econômico, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o FMI e a Organização Mundial do Comércio(OMC), que não se conectam nas dimensões sociais e ambientais. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial do Trabalho (OIT), que têm algum poder político, estão desconectadas do lado ambiental. A ideia é integrá-las à questão do desenvolvimento sustentável. No caso da questão ambiental, as discussões levam à constatação de que não existe nenhuma organização internacional com real poder regulatório. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é um dos com menor orçamento na ONU e depende de adesões voluntárias. Não é essencial dentro do sistema, participa quem quer. Pode encaminhar, no máximo, estudos e recomendações, mas sem poder regulatório. Como primeiro passo, uma das propostas defendidas pela sociedade civil é que haja uma resolução para se criar uma agência ambiental internacio- nal, aprimorando o funcionamento do Pnuma ou por meio de sua união com outras agências. As entidades, segundo Belinky, enxergam que existe uma necessidade tanto ética quanto política e econômica de tirar as pessoas da pobreza. Porém, ainda haverá padrões de consumo insustentáveis, como o norte-americano e o europeu. A Rio +20 aconteceu em um momento de crescimento em sua produção de petróleo e como um dos líderes na produção de etanol. O Brasil tenta se projetar como líder ambiental global, mas a preservação de seu ecossistema é colocada em xeque por medidas de estímulo ao desenvolvimento econô- mico (por exemplo, a redução de IPI para montadoras, que incentiva o uso de automóveis). O debate se estende também ao Código Florestal, aprovado em meio a um enfrentamento entre ambientalistas e ruralistas. A Rio +20 teve a missão de definir os rumos do desenvolvimento susten- tável das décadas seguintes, com temas como, segurança alimentar, economia verde, acesso à água, o uso de energia, etc. Veja na Figura 8, como as ações ficaram organizadas nas dimensões de gestão após o evento: 69Rio-92, Rio +10 e Rio +20 Figura 8. Fonte: RIO +20 (2011). Segurança alimentar Neste momento, o conceito de segurança alimentar passa a ser mais do que apenas características físico-químicas, normas de produção, transporte e armazenamento de alimentos – deve fazer parte deste ciclo as condições de plantio, mão de obra e produção, havendo segurança também no que diz respeito as condições laborais e uso de pesticidas e agrotóxicos. Lembrando que, muitos produtos químicos ainda permitidos no nosso país, são proibidos praticamente em todo mundo. Economia Verde É um tipo de economia que visa o desenvolvimento, diminuindo os impactos sociais e ambientais; resultando em uma melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica. Não visa somente, ganhos materiais e posses de compras, mas também desenvolvimentos na agricultura, saúde, educação, saneamento e qualidade de vida. A economia verde vem como proposta e resposta sobre um desenvolvimento mais sustentável,reduzindo impactos socioambientais. Uma evolução mais inteligente e limpa. Abre também para conceitos como desenvolvimento de produtos e economia local e economias colaborativas (Figura 9). Responsabilidade socioambiental70 Figura 9. Como o mundo mudou entre a Eco-92 e a Rio +20. Fonte: BBC Brasil (2012). 71Rio-92, Rio +10 e Rio +20 BRASIL. Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Conceitos. 02 jan. 2013. Disponível em: <http://www4.planalto.gov.br/consea/acesso-a-informacao/ institucional/conceitos>. Acesso em: 19 dez. 2016. FRANCISCO, W.de C. e. Rio+10. 2016. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/ geografia/rio-10.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016. RIO +20. 2011. Disponível em: <http://www.rio20.gov.br/>. Acesso em: 19 dez. 2016. TERRA. Da Eco-92 à Rio+20: duas décadas de debate ambiental. 13 JUN. 2012. Dispo- nível em: <https://noticias.terra.com.br/ciencia/da-eco-92-a-rio20-duas-decadas- -de-debate-ambiental,d0aa00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>. Acesso em: 19 dez. 2016. NASCIMENTO, L. F., LEMOS A. D. C., MELLO M. C. A. Gestão socioambiental estratégica, Porto Alegre : Bookman, 2008, p. 60. SCHWANKE C. Ambiente: Conhecimentos e Práticas. Porto Alegre : Bookman, 2013, p. 67. BARREIRA, C. Rede ecológica campo e cidade se dão as mãos. [2013?]. Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/9903/>. Acesso em: 19 dez. 2016. BBC BRASIL. Da Eco-92 à Rio+20: duas décadas de debate ambiental. 13 jun. 2012. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/06/120612_gra- fico_eco92_rio20_pai.shtml>. Acesso em: 19 dez. 2016. CRI PORTUGUÊS. China: Cúpula de Joanesburgo do Fórum de Cooperação Sino- -Africana abre nova era de desenvolvimento conjunto. 08 dez. 2015. Disponível em: <http://portuguese.people.cn/n/2015/1208/c310816-8987365.html>. Acesso em: 19 dez. 2016. MENDES, L. Carta da Terra: Muito mais que uma simples correspondência. 29 ago. 2013. Disponível em: <https://blogimpactoambiental.wordpress.com/2013/08/29/carta-da- -terra-muito-mais-que-uma-simples-correspondencia/>. Acesso em: 19 dez. 2016. MUNDO VESTIBULAR. Eco 92. c2016. Disponível em: <http://www.mundovestibular. com.br/articles/217/1/ECO-92/Paacutegina1.html>. Acesso em: 19 dez. 2016. PASTORAL FÉ E POLÍTICA. Breves Considerações Sobre a Rio +20 e a Cúpula dos Povos. 13 jun. 2012. Disponível em: <http://www.pastoralfp.com/cms15/lateral-pedro-aguerre/ 123-artigo-aguerre-consideracoes-rio-cupula-povos.html>. Acesso em: 19 dez. 2016. 73Rio-92, Rio +10 e Rio +20 DICA DO PROFESSOR No vídeo sobre as conferências, você vai compreender mais sobre o principal conceito entre esses debates, que é o desenvolvimento sustentável. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As conferências conhecidas como Eco 92, Rio +10 e Rio +20 tiveram como propósitos comuns os seguintes pontos: A) Encontros de natureza político-econômica, em que foram elaboradas declarações dos direitos humanos. B) Foram encontros internacionais que debateram assuntos relacionados ao desenvolvimento socioambiental, criando oportunidades para a elaboração de projetos, acordos, soluções e práticas eficazes para as questões e problemáticas ambientais. C) Foram encontros de natureza filantrópica realizados pelas Nações Unidas entre 1990 e 2012. D) Conferências realizadas para assinar as declarações da Carta da Terra, Agenda 21 e a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente. E) As conferências foram várias tentativas para que algumas nações assinassem acordo de paz, após a Segunda Guerra Mundial. 2) As discussões sobre economia verde e a erradicação da pobreza foram os assuntos mais discutidos e evidenciados em que momento? A) Na Eco 92 em Estocolmo. B) No tratado da Carta da Terra. C) Nos encontros Rio +20. D) Na conferência Rio +10 em 2000. E) No Protocolo de Kyoto. 3) No documento conhecido como Carta da Terra, elaborado na Eco 92, afirma-se que desenvolvimento e comunidade sustentável só poderiam ser alcançados mediante: A) Boas condições e bem-estar da família humana. B) Redução das emissões dos gases de efeito estufa. C) Potencialização dos nossos laços e da economia local. D) Assinatura de um acordo de paz na Conferência de Estocolmo. E) Ações éticas de inclusão e proteção ambiental dos direitos humanos e paz de forma inseparável. 4) Sobre a Conferência de Joanesburgo, podemos afirmar: A) A conferência focou na procura de meios de cooperação entre nações para lidar com questões como desmatamentos, resíduos perigosos, poluição, saneamento, etc. B) Foi nessa conferência, também conhecida como Rio +20, que se intensificaram as discussões sobre as mudanças climáticas. C) Os propósitos e as metas da conferência não foram sólidos e enfraqueceram-se, pois, na época, o Brasil passava por uma situação política difícil que levou ao impeachment (Collorgate). D) Essa conferência foi de extrema relevância por fortalecer as discussões sobre as florestas. E) Essa foi uma das poucas conferências em que não se tratou sobre condições sociais e erradicação da pobreza. Tratou-se apenas dos aspectos tecnológicos ambientais. 5) Sobre o conceito de economia verde, podemos afirmar: A) É um antigo programa econômico que busca integrar países e comunidades mais pobres e carentes. B) Conceito criado na Eco 92 para financiar pesquisas de tecnologias limpas. C) Conceito tratado em todas as conferências, mas suas propostas não contemplam saneamento nem recursos renováveis. D) Busca resultados e melhorias no bem-estar social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais. Não visa somente ganhos materiais e posses de compras, mas também desenvolvimento na agricultura, saúde, educação, saneamento e qualidade de vida. E) A economia verde é um conceito de desenvolvimento sustentável, criada no encontro em Estocolmo e já largamente aplicado. NA PRÁTICA A Marcopolo é uma empresa brasileira fabricante de carrocerias de ônibus. É a maior fabricante nacional do setor, com 40,7% de participação no mercado, e uma das mais importantes no mundo. Conta com 20.016 empregados, em 10 fábricas espalhadas pelo mundo. Na linha de produção, são produzidos 80 ônibus por dia. Para se adequar às questões socioambientais e assegurar suas certificações e parcerias, em 2006 a empresa manifestou intenção de desenvolver uma gestão integrada para os processos produtivos. Como movimentos como Eco 92, Rio +10, Rio +20 podem nortear premissas para que empresas como a Marcopolo organizem ações e metas de responsabilidade socioambiental? As três conferências, de alguma forma, tratam prioritariamente das prevenções de acidentes ambientais, ética e responsabilidade social. Esses encontros discutiram, documentaram e indicaram processos e apontaram objetivos para conceitos como produção e consumo sustentável, governança, ética para sustentabilidade, inclusão social, entre outros assuntos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Ambiente: conhecimentos e Práticas A História da Agricultura e a Economia Verde Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Comida Que Alimenta Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O Que é a Agenda 21? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Protocolo de Kyoto APRESENTAÇÃO O tratado foi um marco específico e particular para as discussões sobre as aceleradas mudanças climáticas. Acordos como esse implicam em comprometimento e reduções de emissões, o que levaria a uma segunda discussão envolvendo ética, equidade e desenvolvimento social. Para tanto, percebe-se a necessidade de avaliar cada caso e elaborar acordos e metas para agir globalmente. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o Protocolo de Kyoto e perceber que ele não foi apenas mais uma conferência que virou um acordo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintesaprendizados: Relacionar alguns fenômenos que levam aos conceitos de aquecimento global e efeito estufa. • Identificar o conceito do Protocolo de Kyoto, sua origem e momento histórico e ações.• Destacar alguns debates, resultados e aplicabilidades que aconteceram durante e após o protocolo. • DESAFIO Você tem uma empresa multinacional de fundição que movimenta um grande valor econômico no mercado mundial. Sua empresa é conhecida por comercializar bons produtos, ter postura ética e responsabilidade social e ambiental. Um dos grandes marketings da empresa é a credibilidade. A partir de 2005, sua demanda de vendas aumentou e consecutivamente sua produção também. Mas, para fechar parcerias de compras e vendas, você deve ter selos de certificação, que confirmam qualidade administrativa do produto e responsabilidade socioambiental. Outro grande problema de sua expansão é que as filiais localizadas em outros países já excederam suas cotas de emissões atmosféricas e não podem mais poluir para manter as certificações e, consecutivamente, as parcerias e as vendas. Qual seria sua alternativa? Que ações e medidas você pode tomar? INFOGRÁFICO No infográfico, é possível perceber as principais causas que levam aos impactos ambientais e sociais e às mudanças climáticas rígidas, para as quais o Protocolo de Kyoto oferece medidas de mitigação. CONTEÚDO DO LIVRO No capítulo desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o Protocolo de Kyoto e conhecer alguns debates, resultados e metas desse movimento que se tornou base para as discussões do superaquecimento global. Boa leitura. MEIO AMBIENTE Thais Miranda Revisão técnica: Vanessa de Souza Machado Mestre e Doutora em Ciências Graduada em Ciências Biológicas Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147 M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein ... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. ISBN 978-85-9502-573-8 Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein, Ronei Tiago. CDU 502 Protocolo de Kyoto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer alguns fenômenos que levam aos conceitos de aqueci- mento global e efeito estufa. � Identificar o conceito do protocolo de Kyoto, qual sua origem e mo- mento histórico e ações. � Destacar alguns debates, resultados e aplicabilidades que aconteceram durante e após o protocolo. Introdução Neste texto, você irá estudar o Protocolo de Kyoto, os acordos, as medidas e metas estabelecidas, compreendendo que não foi apenas mais uma conferência para assuntos ambientais. O tratado foi um marco específico e particular para as discussões sobre as aceleradas mudanças climáticas. Acordos como este implicam em comprometimento e reduções de emissões, o que levaria a uma segunda discussão, que seria sobre ética, equidade e desenvolvimento social. Para tanto, percebe-se a necessidade de avaliar cada caso e elaborar acordos e metas para agir globalmente. Como surge a necessidade de acordo Os anos 1960, 1970 e 1980 foram marcados por inúmeras catástrofes climá- ticas e incidentes sociais e ambientais, gerando polêmica, gastos públicos e o comprometimento da boa visibilidade política. Catástrofes como furacões, ciclones, tufões, tsunamis, ondas de calor, tempestades, enchentes, famílias desabrigadas, casas destruídas, mortes, doenças e epidemias, mudanças drásticas no clima mesclam-se entre teorias dos ciclos naturais geológicos da terra e do aquecimento global de origem antropogênica (práticas humanas). Veja as Figuras 1 e 2. Figura 2. Enchentes castigaram o estado de Santa Catarina em 2008. Fonte: Araújo (2010). Figura 1. Inundação na Indonésia. Fonte: Araújo (2010). O Atlas Nacional do Brasil Milton Santos (nova versão do Atlas Nacional do Brasil) foi lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O documento revelou que, de 2007 a 2009, o número de brasileiros afetados por inundações, secas, vendavais e temperaturas extremas foi triplicado. Protocolo de Kyoto230 Embora existam discordâncias no campo científico, a principal causa do problema climático que afeta todo o planeta é a intensificação do efeito estufa. Esse fenômeno natural é responsável pela manutenção do calor na Terra e vem apresentando maior intensidade em razão da poluição do ar resultante das práticas humanas. Emissões de processos industriais (gases), como material particulado (MP), dióxido de enxofre (SO 2 ), trióxido de enxofre (SO 3 ), monóxido de carbono (CO) e oxidantes fotoquímicos, como ozônio (O 3 ), hidrocarbonetos (HC) e óxidos de nitrogênio (NO x ), são intensificados de acordo com a evolução produtiva e econômica de cada país. Isso modifica padrões de qualidade do ar, da água e do solo. Nesse ponto, surge o conceito de efeito estufa — fenômeno natural que gera o aquecimento térmico que possibilita a vida no planeta. O planeta Terra é envolto por uma camada de ar chamada atmosfera; é a atmosfera terrestre a responsável pela retenção de cerca da metade dos raios solares que chegam ao planeta. O conceito foi muito abordado ao longo dos anos, revertido e demasia- damente conhecido por seus aspectos negativos, mas é um fenômeno natural. Existe uma relação com impactos ambientais negativos, por conta de ações irresponsáveis do homem, e, com isso, o efeito estufa está se tornando cada vez mais intenso, o que passa a ser bastante prejudicial para a vida na Terra. Os raios solares que chegam sobre a Terra têm dois destinos: parte é absor- vida pelo planeta e transformada em calor, para manter a atmosfera quente, e a outra parte é refletida e direcionada ao espaço na forma de radiação ultravioleta. Com a emissão de muitos gases poluidores, que causam diversas reações químicas, mais da metade da radiação acaba por ficar retida na superfície do planeta, devido à ação refletora dessa camada de gases. O excesso dos gases estufa, que agem como isolantes por absorver a energia irradiada, forma uma espécie de “cobertor térmico” em torno do planeta, impedindo que o calor volte para o espaço. Efeito estufa natural Na atmosfera terrestre, existe uma grande quantidade de gases e de partículas de poeira que funciona como uma redoma natural. Essa redoma retém parte do calor refletido pela superfície terrestre, mantendo a temperatura média da Terra em torno de 15ºC. O restante do calor é irradiado para fora da atmosfera. Sem essa estufa natural, a temperatura média do planeta ficaria em cerca de –27ºC. 231Protocolo de Kyoto Efeito estufa artificial A excessiva quantidade de gases produzidos pelas atividades humanas acumula- -se na atmosfera. Assim, os raios solares penetram na atmosfera e aquecem a superfície, mas são irradiados para o espaço de forma reduzida. Parte do calor que deveria ser liberado para o espaço fica aprisionado, intensificando o efeito estufa e aumentando a temperatura média do planeta. Estudos apontam que o efeito estufa artificial não acontece de forma equilibrada e igual em todos os continentes, e o que não é de conhecimento comum é que, muitas vezes, essa massa prejudicial se desloca em direção a continentes que não são geradores desse tipo de impacto, causando surpresa, revolta e sensação de injustiça. O Quadro 1 traz os maiores emissores de cada continente. Fonte: Adaptado de Santos e Alencar (2010). América do Norte Emissão total: 6.787 milhões de toneladas País que mais emite: Estados Unidos (5.800 milhões de toneladas) América Central Emissão total: 155 milhões de toneladas País que mais emite: Trinidad e Tobago (29 milhões de toneladas) América do Sul Emissão total: 756 milhões de toneladas País que mais emite: Brasil (299 milhões de toneladas) Ásia Emissão total: 10.226 milhões de toneladas País que mais emite: China (4.151 milhões de toneladas) África Emissão total: 943 milhões de toneladas País que maisemite: África do Sul (365 milhões de toneladas) Oceania Emissão total: 400 milhões de toneladas País que mais emite: Austrália (355 milhões de toneladas) Europa Emissão total: 6.180 milhões de toneladas País que mais emite: Rússia (1.496 milhões de toneladas) Quadro 1. Quantidade de emissão de CO 2 produzida a nível mundial Protocolo de Kyoto232 Movimentos de intervenções foram iniciados pela ONU antes do tratado de Kyoto. A ideia começou em 1988, na “Toronto Conference on the Changing Atmosphere” (Canadá); desde então, foram realizadas várias outras conferên- cias sobre o meio ambiente e clima, até que foi discutida e negociada a criação do Protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997. Em 1990, foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climá- tica com o objetivo de alertar a população sobre o aquecimento global. Em 1992, foi a vez da Rio-92, onde ficou decidido que os países eram responsáveis pela conservação do clima independentemente do tamanho da nação em questão. O protocolo entrou em vigor em 2005 e evidenciou o interesse de países em utilizar o carbono como moeda. O que é o Protocolo de Kyoto? O Protocolo de Kyoto é um tratado internacional com o objetivo de firmar acor- dos e discussões para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos impactante a países em crescimento. O fenômeno “Kyoto” foi constituído de vários outros movimentos socioambientais anteriores e tomou forma em 1997, na cidade japonesa de Kyoto. Na reunião, 141 países se dispuseram a aderir ao protocolo e o assinaram, comprometendo-se a implantar medidas com o intuito de diminuir a emissão de gases. Porém, o tratado só entrou em vigor em 2005. As reduções das emissões aconteceram em várias atividades econômicas. O Protocolo de Kyoto estimulou os países signatários a cooperarem entre si, através de algumas ações básicas: � reformar os setores de energia e transportes; � promover o uso de fontes energéticas renováveis; � eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da convenção; � limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos; � proteger florestas e outros sumidouros de carbono. 233Protocolo de Kyoto Os Estados Unidos, maior emissor de dióxido de carbono do mundo, se opôs ao Protocolo de Kyoto, afirmando que a implantação das metas prejudicaria a economia do país. Na época, o presidente George W. Bush considerou a hipótese do aquecimento global bastante real, mas disse que preferia combatê-lo com ações voluntárias por parte das indústrias poluentes e com novas soluções tecnológicas. Outro argumento do líder para refutar o acordo foi a falta de exigência sobre os países em desenvolvimento para a redução das emissões — mais especificamente, China e Índia. Já outros representantes internos da Casa Branca questionaram o consenso científico de que os poluentes emitidos causassem a elevação da temperatura da Terra. Mesmo que o governo dos Estados Unidos não tenha assinando o Protocolo de Kyoto, alguns municípios, Estados (Califórnia) e donos de indústrias do nordeste dos Estados Unidos tentaram maneiras de reduzir a emissão de gases tóxicos — buscando não diminuir sua margem de lucro com essa atitude. O Quadro 2 mostra alguns dados das emissões de CO 2 em 2004, per capita, realizadas por um pequeno grupo de países. Observe as enormes diferenças — a produção de 10,13 toneladas no Kuwait e a não produção no Chade. Mesmo entre países do mundo “desenvolvido”, há uma grande variação: por exemplo, os Estados Unidos produzem 5,61 toneladas de CO 2 , enquanto que na França a quantidade produzida é de 1,64. Um assunto de crescente interesse é o modo como essas diferenças afetam a disposição dos países a entrar em acordos ambientais internacionais, e como os termos desses acordos poderiam ser criados de forma a motivar uma ampla participação. Detalhes de alguns países: � União Europeia: seus 15 membros são as maiores vozes a favor desse acordo. � China: segundo maior emissor de gases-estufa do planeta, tem redu- zido muito suas emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Não tem meta de emissão a cumprir, mas os americanos querem que adote compromissos de redução. � Austrália: faz parte do “Umbrella Group” (integrado, ainda, por Ca- nadá, Noruega, Japão e Nova Zelândia), conjunto de países que se aliaram aos Estados Unidos. Em 2007, após uma troca de governo, os australianos repensaram sua posição e ratificaram o acordo durante a Conferência da ONU em Bali. A participação do país nas emissões de gases de efeito estufa é de apenas 2%, mas é o maior exportador de carvão do mundo. Protocolo de Kyoto234 Fonte: Adaptado de International Monetary Fund (2011). País PIB (US$, 2010) Emissões de CO 2 (toneladas métricas, 2008) Percentual de emissões globais (2008) Austrália 39.764 18,9 1,3 China 7.544 5,3 23,3 Colômbia 9.593 1,5 0,2 França 35.910 6,1 1,3 Índia 3.408 1,5 5,8 Indonésia 4.347 1,8 1,4 Iraque 3.548 3,4 0,3 Kuwait 38.775 26,3 0,3 Nepal 1.269 0,1 < 0,1 Noruega 51.959 10,5 0,2 Rússia 15.612 12,1 5,7 Reino Unido 35.059 8,5 1,7 Estados unidos 46.860 12,5 18,1 Quadro 2. PIB e emissões de CO 2 , per capita, em países selecionados � Rússia: o colapso econômico pós-União Soviética fez com que o terceiro maior emissor não precisasse reduzir suas descargas. � Japão: foi o país em cuja antiga capital, Kyoto, foi assinado o protocolo. Tem uma posição duvidosa, mas apoia o tratado. � Kiribati: maior interessado no Protocolo de Kyoto, o arquipélago está ao nível do mar e vai desaparecer se as águas subirem. Muitos ecologistas fizeram manifestações em vários países. Na cidade de Sidney (Austrália), os manifestantes fizeram esculturas de gelo e as levaram para as ruas e, depois de algum tempo, elas derreteram. Esta foi uma forma de mostrar o que pode acontecer nas calotas polares se a temperatura da Terra aumentar. 235Protocolo de Kyoto Em Brasília, foram plantadas várias mudas de árvores brasileiras e de outros países, que compuseram o chamado “Bosque de Kyoto”. Em São Paulo, em frente ao consulado dos Estados Unidos, alguns manifestantes levaram faixas de repúdio ao governo americano. Nesse ano de assinatura, países em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia, não precisaram se comprometer com metas específicas. Segundo o Protocolo, estes são os que menos contribuíram para as mudanças climáticas em curso e, por outro lado, tendem a ser os mais afetados por elas. Grande parte das nações em desenvolvimento aderiram ao documento. Como signatários, têm o dever de manter a ONU informada sobre seus níveis de emissão e, assim como os demais, desenvolver estratégias de redução. O documento propõe três mecanismos para auxiliar os países a cumprirem suas metas ambientais: � O primeiro prevê parcerias entre países na criação de projetos ambien- talmente responsáveis. � O segundo dá direito aos países desenvolvidos comprarem “créditos” diretamente das nações que poluem pouco. � O terceiro foi a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), conhecido como mercado de créditos de carbono. Assim, foi criado o sistema de “Crédito de Carbono”, que conta com cer- tificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO 2 ) corresponde a um crédito de carbono, que pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de carbono equivalente (equivalência em dióxido de carbono). Comprar créditos de carbono no mercado corresponde, aproximadamente, a comprar uma permissão para emitir GEE. O preço dessa permissão, negociado no mercado, deveser necessariamente inferior ao da multa que o emissor deveria pagar ao poder público, por emitir GEE. Para o emissor, portanto, comprar créditos de carbono no mercado significa, na prática, obter um des- conto sobre a multa devida. Acordos internacionais como o Protocolo de Kyoto determinam uma cota máxima de GEE que os países desenvolvidos podem emitir. Os países, por Protocolo de Kyoto236 sua vez, criam leis que restringem as emissões de GEE. Assim, aqueles países ou indústrias que não conseguem atingir as metas de reduções de emissões tornam-se compradores de créditos de carbono. Como funciona o mercado de carbono? Cada tonelada de CO 2 e equivalente não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial. Os termos comuns são descritos a seguir. Crédito de carbono Unidade comercial, com objetivos monetários, que representa uma tonelada de CO 2 equivalente (tCO 2 e). O valor desse crédito varia diariamente, pois sua atribuição de valor é dada por vários fatores externos. A variação é semelhante a uma bolsa de valores. Tonelada de CO 2 equivalente (tCO 2 e) Total emitido de gases que causam o efeito estufa multiplicado pelo seu potencial de aquecimento global. Mercado de carbono Campo de trocas, regulado pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a países com altas emissões de carbono comprar o “excedente” das cotas de países que produzem menos CO 2 . Redução certificada de emissão Unidade emitida pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para cada tCO 2 reduzida ou removida do meio ambiente. Mecanismo de desenvolvimento limpo Projetos que visam ao crescimento econômico de um país sem causar prejuízos ao meio ambiente. Cap and trade Expressão utilizada para nomear o processo de limita as emissões de gases. Por meio desse modelo, é criada a estrutura do mercado de carbono, pois faz com que grandes empresas emissoras de gases comprem os créditos excedentes das companhias que emitem menos. Principais gases do efeito estufa Dióxido de carbono (CO 2 ), metano (CH 4 ), óxido nitroso (N 2 O), hexafluoreto de enxofre (SF 6 ). Famílias de gases, hidrofluorcarbonos (HFCs) e perfluorcarbonos (PFCs). 237Protocolo de Kyoto Debates, resultados e aplicabilidades durante e após o protocolo O protocolo de Kyoto não propôs apenas discussões e implantações de medi- das de redução de gases, mas também incentivou e estabeleceu medidas com intuito de substituir produtos oriundos do petróleo por outros que provocam menos impacto. A maioria dos países desenvolvidos, com exceção dos Estados Unidos, comprometeu-se com metas de redução de emissões dos principais gases de efeito estufa. As metas variaram entre as nações; algumas foram autorizadas a aumentar as suas emissões em uma determinada quantidade, enquanto outras foram obrigadas a fazer cortes significativos. O objetivo era atingir um corte médio de cerca de 5% em relação aos níveis de 1990 com prazo para ser atingido até 2012. De forma geral, há mais sucessos do que fracassos, e a soma das emissões de países com metas de Kyoto caiu significativamente. Nesse meio tempo, no entanto, as emissões em países como China e algumas outras economias emergentes aumentaram. Grande parte do crescimento na China e outras economias emergentes foi impulsionado pela produção de bens e serviços exportados para países desenvolvidos — logo, muitos países contribuem indiretamente para o avanço nas emissões. Um dos grandes avanços com o protocolo de Kyoto foi a tomada do primeiro grande passo na diplomacia do clima global. Discutindo melhorias para um novo acordo — O que poderia conter nas reso- luções de um novo acordo? Um dos pontos mais importantes e polêmicos diz respeito aos países em desen- volvimento que ficaram de fora das medidas propostas por Kyoto e agora deverão adotar compromissos semelhantes aos dos países desenvolvidos. Os Estados Unidos terão de adotar ações equivalentes às dos demais países industrializados. Também deve ser pensado um mecanismo para reduzir o desmatamento nas florestas tropicais, como a Amazônica. Outros três tópicos devem ser contemplados: adaptação às mudanças climáticas, financiamento aos países em desenvolvimento e transferência de tecnologia. Protocolo de Kyoto238 A principal crítica ao protocolo de Kyoto é que as metas instituídas re- presentam pouco a luta contra o aquecimento global, causando um impacto pequeno na mudança do panorama atual. Baseando-se nessa crítica, boa parte dos especialistas se mantém cautelosa quanto ao novo tratado, na esperança de que seja mais rígido e abrangente. Para eles, a falta de adesão dos Estados Unidos enfraqueceu muito a utilidade do acordo, já que é o país com maiores emissões de gases poluentes do mundo. Por outro lado, os defensores do Protocolo apontam que, além da importância em traçar as linhas gerais para o próximo acordo, Kyoto foi essencial para que diversas nações e empresas tenham transformado em lei as metas de redução, tornando concretas as ações ambientais neste âmbito. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meterológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para avaliar de forma regular possíveis mudanças climáticas. O IPCC foi criado com a percepção de que a interação dos seres humanos com o meio ambiente tinha uma grande influência sobre as constantes mudanças climáticas, sobretudo, através das emissões de gases poluentes. O Protocolo de Kyoto expirou em 2012. Após 10 anos, as discussões foram retomadas em Donha (Catar) entre representantes de 195 países — 18ª Con- ferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-18). O tratado é o único que compromete os países desenvolvidos à redução dos gases de efeito estufa. No Brasil A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou, em seu discurso sobre o Brasil no Protocolo de Kyoto, que esse foi um resultado histórico. “O Protocolo de Kyoto é mais do que um documento, ele expressa a convicção de que a mudança climática exige uma ação multilateral, a abordagem baseada em regras. O Protocolo de Kyoto é o padrão de integridade ambiental”, afirmou a 239Protocolo de Kyoto ministra. O Brasil exerceu importante papel para esse resultado e foi elogiado por vários países por seu desempenho nas negociações. A ministra destacou, também, que o Brasil está trabalhando muito e com sucesso na luta contra as mudanças climáticas. “Estamos orgulhosos dos nossos esforços na redução do desmatamento na Amazônia, que falam por si. Estamos cumprindo tudo com o que nos comprometemos, de acordo com esta Convenção”, enfatizou. Teixeira reafirmou o compromisso do país em continuar sua participação ativa na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, “...plenamente consciente de que o multilateralismo é a melhor ferramenta para enfrentar o aquecimento global”. No entanto, Teixeira afirmou que o Brasil não está totalmente satisfeito com o resultado obtido. “Queríamos mais. Acreditamos que é necessário mais, mas também acreditamos que uma Conferência que garantiu o segundo período do Protocolo de Kyoto é, por definição, um sucesso”, disse. A ministra lamentou que Partes do Anexo I estejam gradualmente se afastando das obrigações estabelecidas na Convenção: “esses países não estão tomando a liderança e não estão apoiando os países em desenvolvimento suficientemente em seus esforços para combater as alterações climáticas”, postura que a ministra clas- sificou como “inaceitável”. 1. Quais foram as duas principais discussões no tratado de Kyoto? a) Proteger florestas e outros sumidouros de carbono e reformar os setores de energia e transportes. b) Reduzir temperaturas globais fazendo manejos florestais e aumentar o uso dos recursos renováveis.c) Estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, principalmente a países industrializados e criar formas de desenvolvimento menos impactantes a países em desenvolvimento. d) Promover desenvolvimento sustentável diminuindo os impactos ambientais e reduzir temperaturas com a reforma agrária. e) Reduzir em 20% as emissões atmosféricas dos Estados Unidos, da China e da Austrália, assim como aplicar tecnologias mais limpas nesses países. 2. Sobre o efeito estufa, marque a opção correta. a) Fenômeno prejudicial apenas à qualidade do ar. b) Fenômeno que não interfere os raios UV causando impactos ambientais. Protocolo de Kyoto240 c) Tem se intensificado nos polos do planeta. d) Fenômeno de aquecimento que pode prejudicar principalmente o território de países subdesenvolvidos. e) É um fenômeno natural de aquecimento, mas podemos interferir de forma negativa. 3. No Protocolo de Kyoto existiram metas específicas para países em desenvolvimento, como o Brasil? a) Não. Países em desenvolvimento deveriam participar e tomar algumas cautelas, mas não precisaram se comprometer com metas específicas, pois pouco contribuíram para as mudanças climáticas e tendem a ser os mais afetados por elas. b) Sim. As medidas e metas firmadas no acordo eram semelhantes em todos os territórios, pois somente assim todos se comprometeriam com as metas. c) Não. As ações para países como o Brasil se restringiam a precauções e diligência com a Mata Atlântica. d) Sim. Países em desenvolvimento puderam se desenvolver e fazer emissões sem mitigação até 2012. e) Não. Durante essa conferência, países em desenvolvimento não precisaram participar no momento do fórum sobre tecnologias limpas. 4. Quais medidas o protocolo lança para o setor privado (corporações) para responsabilizar e reduzir as emissões atmosféricas? a) Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção; limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos. b) Implantar o transporte de massa e mobilidade sustentável e instigar a produção de consumo sustentável. c) Envolver nos processos industriais a prática dos 3Rs e criar legislação para obrigatoriedade de tecnologias mais limpas. d) Parcerias entre países com projetos ambientalmente responsáveis. Direito aos países desenvolvidos de comprar “créditos” das nações que poluem pouco. Aplicação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), conhecido como o mercado de créditos de carbono. e) Adotaram-se medidas como desenvolvimento zero e as reduções de tempo em atividades industriais. 5. Além dos Estados Unidos, outras nações industrializadas se negaram a assinar o protocolo? a) Todos os países em todos os continentes foram signatários. b) Inicialmente, os Estados Unidos se negaram a ser signatários, mas metade dos municípios do país protestou e optou por executar medidas. c) Alguns países da União Europeia e Ásia não se comprometeram. d) Apenas Japão e Austrália não foram signatários. e) Sim, Canadá, Noruega e Nova Zelândia fizeram parte do conjunto de países que se aliaram aos Estados Unidos. 241Protocolo de Kyoto ARAÚJO, J. Triplica número de afetados pelo clima no Brasil. 16 dez. 2010. Disponível em: <https://biogalera.wordpress.com/tag/aquecimento-global/>. Acesso em: 19 dez. 2016. BILL’S EXCELLENT ADVENTURES. Kiribati. 23 jul. 2015. 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Porto Alegre: McGraw-Hill, 2014. cap. 16. INTERNATIONAL MONETARY FUND. Slowing Growth, Rising Risks. Disponível em: <http://www.imf.org/en/Publications/WEO/Issues/2016/12/31/Slowing-Growth- Rising-Risks>. Acesso em: 21 dez. 2016. MAGNOLI, D. História da Paz. São Paulo: Contexto, 2008. PENA, R. A. Aquecimento global. c2016. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com. br/geografia/aquecimento-global.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016. PORTAL DO TÉCNICO. Disponível em: <http://ww1.portaldotecnico.net/>. Acesso em: 21 dez. 2016. PROTOCOLO DE KYOTO. Protocolo de Kyoto. [201-?]. Disponível em: <http://protocolo- de-kyoto.info/>. Acesso em: 19 dez. 2016. SANTOS, E. Q.; ALENCAR JÚNIOR, C. G. Os desafios para diminuir a poluição e conter o efeito estufa. 2010. Disponível em: <http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de- aula/os-desafios-para-diminuir-poluicao-e-conter-o-efeito-estufa>. Acesso em: 21 dez. 2016. UOL NOTÍCIAS. COP 18 termina com acordo às pressas no Catar e estende Protocolo de Kyoto até 2020. 08 dez. 2012. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/meio-am- biente/ultimas-noticias/redacao/2012/12/08/cop-18-termina-com-acordo-as-pressas- no-catar-e-estende-protocolo-de-kyoto-ate-2020.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016. Protocolo de Kyoto242 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR No vídeo, você vai saber o que se alcançou com o Protocolo de Kyoto e o que aconteceu após conhecer um pouco o seu sucessor: a COP18 e suas definições. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Quais foram as duas principais discussões no Protocolo de Kyoto? A) Proteger florestas e outros sumidouros de carbono e reformar os setores de energia e transportes. B) Reduzir temperaturas globais fazendo manejos florestais e aumentar o uso dos recursos renováveis. C) Estabelecer metas de redução na emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, principalmente para países industrializados, e criar formas de desenvolvimento menos impactantes a países em desenvolvimento. D) Promover desenvolvimento sustentável diminuindo os impactos ambientais e reduzir temperaturas com a reforma agrária. E) Reduzir em 20% as emissões atmosféricas dos EUA, da China e da Austrália, assim como aplicar tecnologias mais limpas nesses países. 2) Sobre o efeito estufa, podemos afirmar: A) É um fenômeno prejudicial apenas para a qualidade do ar. B) É um fenômeno que não interfere nos raios UV causando impactos ambientais. C) Tem se intensificado nos polos do nosso planeta. D) É um fenômeno de aquecimento que pode prejudicar principalmente o território de países subdesenvolvidos. E) É um fenômeno natural de aquecimento, porém podemos interferir (homem) de forma negativa. 3) No Protocolo de Kyoto existiram metas específicas para países em desenvolvimento como o Brasil? (OLHAR ANEXO NO FINAL) A) Não, países em desenvolvimento deveriam participar e tomar algumas cautelas, mas não precisariam se comprometer com metas específicas, pois pouco contribuíram para as mudanças climáticas e tendiam a ser os mais afetados por elas. B) Sim, as medidas e metas firmadas no acordo eram semelhantes em todos os territórios, pois somente dessa forma seria mais prático para todos se comprometerem com as metas. C) Não, as ações para países como o Brasil se restringiam a precauções e diligências com a mata atlântica. D) Sim, países em desenvolvimento puderam se desenvolver e fazer emissões sem mitigação até 2012. E) Não, durante essaconferência, países em desenvolvimento não precisaram participar no dia e momento do fórum de tecnologias limpas. 4) Quais medidas o protocolo lança para o setor privado (corporações) para responsabilizar e reduzir as emissões atmosféricas? A) Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da convenção e limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos. B) Implantar o transporte de massa e mobilidade sustentável e instigar produção de consumo sustentável. C) Envolver a prática dos 3Rs nos processos industriais e criar legislação para obrigatoriedade de tecnologias mais limpas. D) Estabelecer parcerias entre países com projetos ambientalmente responsáveis, dar direito aos países desenvolvidos para comprar "créditos" das nações que poluem pouco e criar o mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), conhecido como o "mercado de créditos de carbono". E) Adotar medidas como desenvolvimento zero e as reduções de tempo em atividades industriais. 5) Além dos EUA, outras nações industrializadas se negaram a assinar o protocolo? A) Todos os países em todos os continentes foram signatários. B) Inicialmente, os EUA refugou ser signatário, porém metade dos municípios do país protestou, o que o levou a optar por executar medidas. C) Alguns países da União Europeia e Ásia não se comprometeram. D) Apenas Japão e Austrália não foram signatários. E) Sim, Canadá, Noruega e Nova Zelândia, conjunto de países que se aliaram aos EUA. NA PRÁTICA A brasileira Klabin está entre as dez maiores produtoras de papéis e afins no ranking mundial, setor de extrema importância na economia. Mas também é uma indústria extremamente impactante para o meio ambiente. Os fatores poluentes são diversos, decorrentes desse tipo de produção. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Participação do Brasil no Protocolo de Kyoto é tema da coluna 'Momento eco' Fonte: Agência Senado Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O que é o Protocolo de Quioto? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!