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E-BOOK
RESPONSABILIDADE 
SOCIOAMBIENTAL
Responsabilidade Socioambiental
APRESENTAÇÃO
Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas 
atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio. Nesta Unidade 
Aprendizagem, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade social, seu papel e 
importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você vai ver 
ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná-lo com os pilares do 
desenvolvimento sustentável e com as relações de consumo.
•
Verificar o conceito de capital natural relacionando-o com recursos naturais e impactos 
socioambientais.
•
Analisar nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apontando medidas e 
mecanismos para atingir condições de responsabilidade socioambiental.
•
DESAFIO
O Brasil apresenta em seu território, a maior parcela de Nióbio do mundo. Mesmo este mineral 
existindo no solo de diversos países, cerca de 98% das reservas conhecidas no mundo estão em 
nosso País. O país responde atualmente por mais de 90% do volume do metal comercializado no 
planeta, seguido pelo Canadá e Austrália.
O nióbio é um elemento químico usado como liga na produção de aços especiais, e um dos 
metais mais resistentes à corrosão e a temperaturas extremas.
Acompanhe na imgem a seguir o relato da expansão de uma cidade do interior de Minas Gerais.
Com base nos conhecimentos adquiridos nesta Unidade de Aprendizagem, responda: 
1. Neste caso, pode-se dizer que houve o desenvolvimento sustentável da cidade? 
2. O Nióbio (Nb) é considerado um exemplo de capital Natural? 
3. Com o aumento repentino da cidade, houve maior quantidade de impactos ambientais 
positivos ou negativos? 
4. Em relação a empresa mineradora, apresente ao menos 2 exemplos de possíveis impactos 
ambientais negativos no ambiente.
INFOGRÁFICO
Nesse infográfico, você vai conhecer os principais conceitos sobre a responsabilidade 
socioambiental, seu papel e importância como conceito e práticas mais éticas e sustentáveis.
CONTEÚDO DO LIVRO
Ao longo dos últimos cem anos, a concentração de Gases de Efeito Estufa vem aumentando, 
decorrente da maior atividade industrial, agrícola e de transporte, principalmente devido ao uso 
de combustíveis fósseis.
Porém, pelo fato do Homo sapiens ser considerado a espécies mais inteligente da Terra, temos a 
obrigação e o dever de proteger e garantir o bem estar deste planeta. Ou seja, temos uma 
responsabilidade socioambiental muito grande.
Nesse capítulo, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade socioambiental, 
seu papel e importância como conceito e prática norteadora de condutas mais sustentáveis. Você 
vai conhecer ainda as ações que irão orientar e auxiliar na redução de impactos negativos.
Para entender a responsabilidade socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas 
atividades diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, seu próprio meio.
Boa leitura.
RESPONSABILIDADE
SOCIOAMBIENTAL
Thais Miranda
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
M672r Miranda, Thais.
Responsabilidade socioambiental / Thais Miranda. – 2. 
ed. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
xi, 215 p. : il. ; 22,5 cm.
ISBN 978-85-9502-032-0
1. Meio ambiente - Sociedade. 2. Desenvolvimento 
sustentável I. Título. 
CDU 502.131.1:658
Responsabilidade 
Socioambiental
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identifi car o conceito de responsabilidade socioambiental e relacioná-
-lo com os pilares do desenvolvimento sustentável e relações de
consumo.
 Verifi car o conceito de Capital Natural relacionando com recursos
naturais e impactos socioambientais.
 Analisar a nossa atual conjuntura de saúde e meio ambiente, apon-
tando medidas e mecanismos para atingir condições de responsa-
bilidade socioambiental.
Introdução
Neste texto, você vai conhecer os principais conceitos da responsabilidade 
social, seu papel e sua importância como conceito e prática norteadora de 
condutas mais sustentáveis. Iremos ver ações que irão orientar e auxiliar 
na redução de impactos negativos. Para entender a responsabilidade 
socioambiental, é preciso conhecer como a sociedade e suas atividades 
diárias influenciam o meio ambiente, ou seja, no seu próprio meio.
Responsabilidade socioambiental e os pilares 
do desenvolvimento sustentável 
A responsabilidade socioambiental é um termo atual, que fi cou muito eviden-
ciado no âmbito empresarial, como uma forma de conciliar produtividade, 
qualidade, ética e bem estar social e ambiental. Voltando sua atenção para 
condições laborais mais salubres e justas, estendendo-se também para con-
dições mais dignas às famílias dos trabalhadores e comunidade de entorno.
É preciso considerar que problemas e adversidades locais/pontuais im-
pactam e refletem de alguma forma e em algum momento no bem estar de 
todos. Para alguns autores pode representar um olhar, mecanicista e um tanto 
tendencioso a interesses corporativos de produção, mas de qualquer forma, é 
um ponto de partida, um movimento que se inicia de tempos onde “social e 
ambiental” estavam sempre dissociados entre eles e em segundo plano – sempre 
inferiores comparados à conjuntura produtiva e econômica.
Para melhor compreender o conceito socioambiental é importante conhecer 
três aspectos conhecidos como, “pilares” da sustentabilidade. 
Além disso, esses aspectos podem ser as engrenagens mais lógicas e mo-
trizes das interações humanas e da vida. De acordo com a imagem a seguir, 
podemos visualizar os três aspectos: 
Figura 1. Homem, dinheiro e natureza.
Social
EconômicoAmbiental
Observando a imagem, você pode ver que esses aspectos (social, ambiental 
e econômico) são mecanismos que não funcionam de forma independente, eles 
são como um sistema de produção. As maquinas dependem de alguém que as 
opere, esse suposto operador precisa de ferramentas e materiais para operar, e 
dessa forma produzindo, então, um subproduto. A última etapa não existe sem 
as anteriores, e as estas não precisariam existir se não houvesse a última etapa. 
Responsabilidade socioambiental120
Os círculos azul e verde (social e econômico) são extremamente dependentes 
entre si e do círculo vermelho (ambiental). É possível notar três fatores:
  a economia não precisaria existir se não houvesse pessoas ou se não 
existissem produtos para trocar;
  a sociedade não existiria sem a economia (dinheiro, produtos e troca), 
muito menos sem a natureza (água, ar e alimento), e;
  ironicamente, a única esfera que coexiste independentemente das outras 
é a ambiental, pois esta não precisa de pessoas e nem de moeda para 
se manter.
As relações de consumo e meio ambiente são claras, pois, a maioria dos 
produtos exige matéria–prima na produção, na qual provém de recursos na-
turais (extraídos da natureza), portanto, quanto maior o consumo, maior são 
os danos causados ao ambiente de onde os retiramos. O aumento do nosso 
consumo causa não apenas impactos ambientais, mas também sociais, como 
poluição da água, ar e contaminações do solo. Na Figura 2, você pode ver o 
homem interagindo com o ambiente e causando impactos negativos.
Figura 2. Prática de extração das castanheiras.
Fonte: Século Diário (2014).
É importante discutir causas e efeitos da problemática socioambiental. 
Pois estes estão vinculadas a distintas questões econômicas e geopolíticas, 
por exemplo, de quesitos que são cruciais a sobrevivência de espécies. 
Abraham Maslow foi um grande pesquisador que tentou entender a interação 
do ser humano com suas necessidades. Com isso em mente, ele dividiu as 
necessidades humanas em níveis hierárquicos, colocando como prioridadeas 
121Responsabilidade Socioambiental
necessidades de baixo nível, e assim que estas fossem realizadas seguiria até 
chegar as de nível mais alto, visando à autorrealização. Esta hierarquia ficou 
conhecida por pirâmide de Maslow. Você pode ver a pirâmide de Maslow e 
suas hierarquias na Figura 3: 
Figura 3. Hierarquia das necessidades na pirâmide de Maslow.
Autorrealização
Estima
Sociais
Segurança
Fisiológicas
Teoria das necessidades
Pirâmide de Maslow
A pirâmide define um conjunto de cinco necessidades: 
  Necessidades fisiológicas (básicas), tais como: a fome, a sede, sono 
abrigo, etc.
  Necessidades de segurança, tais como: sentir-se seguro em casa, ter 
emprego estável, ter condições de cuidar da saúde (plano de saúde), etc. 
  Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos, tais 
como: pertencer a um grupo, fazer parte de um clube, etc. 
  Necessidades de estima, as quais passam por dois caminhos: o reconhe-
cimento da capacidade pessoal e o reconhecimento dos outros mediante 
a nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos. 
  Necessidades de autorrealização, nas quais o indivíduo procura tornar-se 
aquilo que ele pode ser.
Responsabilidade socioambiental122
Agora pare e reflita sobre a pirâmide de Maslow e sua relação com o 
capitalismo e com o consumo. Você notará que o ser humano sempre almeja 
mais em função do meio ao qual ele acessa. Quanto maior a satisfação de 
suas necessidades “básicas” (fisiológicas, de segurança e sociais), maior é a 
procura por novas necessidades, alimentadas pelo consumismo e pelo status. 
Logicamente, diante do sistema econômico vigente (capitalismo), o consumo é 
a base para a geração de renda, pois ele gera produção, a qual gera empregos. 
Estes, por sua vez, geram renda e, consequentemente, aumentam o consumo.
Capital Natural
Você sabe o que é capital natural? A expressão “Capital Natural” é utilizada 
para englobar todos os recursos naturais, como solo, água, ar, os serviços 
ecossistêmicos associados a eles e tudo o que torna possível a existência hu-
mana. Muitas vezes, essas matérias-primas são vistas apenas como meios de 
produção e nem sempre é dado o devido valor sobre a possibilidade de serem 
fontes renováveis ou não. Esse uso rotineiro dos recursos naturais acaba sendo 
feito de forma insustentável. Compreender a importância desses recursos nos 
ajuda, também, a entender a base de nossa economia, ou seja, é no Capital 
Natural que estão os elementos que garantem a existência de vida na terra. 
A somatória de todos os benefícios que os ecossistemas equilibrados for-
necem ao homem representa a ideia central de Capital Natural. Tais benefícios 
podem ser desde o uso de água potável, até conceitos ligados a valores culturais, 
por exemplo. A compreensão da importância do Capital Natural foi um dos 
pontos positivos resultantes da Rio +20. Veja na Figura 4, o infográfico com 
as principais abordagens vinculadas ao meio ambiente:
123Responsabilidade Socioambiental
As atividades humanas produzem impactos no meio ambiente. Muitas 
vezes, achamos que esses impactos sempre são negativos e, realmente, estes 
são os mais preocupantes. Os impactos estão diretamente relacionados com 
o aumento crescente das áreas urbanas, multiplicação de veículos automoti-
vos, uso irresponsável dos recursos, consumo exagerado de bens materiais, 
produção constante de lixo e o consumo de produtos e serviços. No entanto, 
também produzimos impactos positivos, como a recuperação de uma área 
degradada, a geração de emprego em um novo empreendimento, etc. 
Relembrando que, segundo a resolução Conama Nº001 de janeiro de 1986, 
o impacto ambiental é definido como
[...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas 
do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia 
resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam 
a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e 
econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
e a qualidade dos recursos ambientais.
Você pode perceberá, portanto, que não apenas as grandes empresas afetam 
o meio, nós, provocamos impactos ambientais diariamente. Na Figura 5, você 
pode ver dois exemplos de impactos ambientais.
Figura 4. Abordagens vinculadas ao meio ambiente.
Principais
abordagens
vinculadas ao 
meio ambiente
Desenvolvimento
sustentável
Agenda 21
Capitalismo naturalEducação ambiental
Responsabilidade socioambiental124
  Positivo: manejo do solo – reconstituição de área degradada.
  Negativo: descartes de resíduos
Figura 5. Aspectos positivos e negativos.
Muitas empresas têm uma grande parcela de culpa em relação aos impactos 
negativos, por exemplo, emitem poluentes diretamente em corpos hídricos, 
impactam na qualidade da água e na possibilidade de ganhos que acontecem 
nas comunidades ribeirinhas.
As construções de hidroelétricas são outro exemplo de grande impacto ao 
ambiente e as comunidades locais, pois propiciam alagamentos, que destroem 
ambientes e fauna e reduzem as possibilidades econômicas locais. 
Você pode analisar os impactos ambientais qualificando e quantificando 
estas alterações, avaliando a qualidade ambiental com e sem determinada 
ação ou empreendimento.
125Responsabilidade Socioambiental
Você também pode ajudar a diminuir o impacto ambiental negativo. Veja a seguir 
algumas dicas:
  Economize água;
  Evite o consumo exagerado de energia;
  Separe os lixos orgânicos e recicláveis;
  Diminua o uso de automóveis;
  Consuma apenas o necessário e evite compras compulsivas;
  Utilize produtos ecológicos e biodegradáveis;
  Não jogue lixos nas ruas;
  Não jogue fora objetos e roupas que não usa mais. Opte por fazer doações.
Relações existentes entre saúde e 
meio ambiente 
É preciso ampliar as discussões entre saúde pública e ambiente. Somos seres 
consideravelmente vulneráveis, logo “bem estar e saúde” são pautas delicadas 
e que tem relações diversas com diferentes áreas, visto que, em países que 
ainda estão em desenvolvimento, um dos grandes problemas da área da saúde 
é relacionado às condições de saneamento – oferta de água, solo, alimentos 
em quantidades e qualidades signifi cativas e assistência médica, sempre foram 
alguns dos obstáculos quando tratado desse assunto, assim como condições e 
serviços disponíveis ao alcance de todos.
Saúde e meio ambiente são um conjunto de aspectos e condições físicas, 
químicas e biológicas estreitamente ligadas à qualidade de vida. Tais aspectos 
recebem influencia direta das condições e fatores de um meio ambiente em 
condições saudáveis, com níveis aceitáveis em qualidade de ar, água e solo. 
Você precisa entender que “meio ambiente” é todo espaço que cerca a sociedade, 
ou seja, nossa casa, trabalho, ruas, campo e cidades onde vivemos.
Nesse sentido, surge à necessidade de olhar com maior preocupação para 
a poluição sonora e visual, o trânsito e a falta de mobilidade urbana, além do 
saneamento básico, as relações pessoais, a água, o ar, enfim, tudo o que possa 
levar à degradação local e global do ambiente.
Responsabilidade socioambiental126
Nossa problemática em relação as interferências do homem no meio am-
biente é antiga. Na perseguição por avanços tecnológicos e das metrópoles, 
o homem foi criando outros problemas mais perigosos, muitas intervenções 
físico-químicas foram feitas e catástrofes como acidentes nucleares, incêndios, 
vazamentos de gases, entre outros, que cada vez mais fazem parte do nosso 
entorno e contato físico. 
Muitos problemas na saúde das pessoas são causados pelo meio em que 
vivem, assim, quanto mais urbanizado e industrializado o país se torna, mais 
o meio ambiente sofre alterações e, consequentemente a população é afetada. 
Os altos índices de gastroenterites ou doenças parasitárias em comunidades 
onde há falta de saneamento básico indicam essa influência. Nas Figuras 6 e 
7, você pode observar alguns problemas de impactona:
Figura 6. Impactos na saúde.
Fonte: Parasitologia (2010).
127Responsabilidade Socioambiental
Na Figura 8, você pode observar um infográfico que apresenta os fatores 
mais importantes do meio ambiente e que interferem na saúde humana. Observe 
que se trata de fatores físicos, químicos e sociais, ou seja, que pertencem ao 
meio ambiente no seu sentido mais amplo.
Figura 7. Problemas no saneamento.
Fonte: Obvious (2013). 
Responsabilidade socioambiental128
O meio ambiente deve ser visto como um sistema complexo em que in-
teratuam tanto os componentes físicos e biológicos quanto os econômicos e 
sociais. Estas interações podem interferir na saúde humana, principalmente 
quando não existe uma consciência clara desta relação ou quando medidas 
preventivas não são tomadas, apenas as corretivas.
Figura 8. Fatores que interferem na saúde humana.
Água para
consumo humano
Solo
Desastres naturais
Fatores físicos
Ar
Contaminantes ambientais
e substâncias químicas
Acidentes com produtos
perigosos
Ambiente de trabalho
Fatores determinantes e
condicionantes do meio
ambiente que interferem na 
saúde humana
129Responsabilidade Socioambiental
Em um cenário em que a população mundial e consequentemente a demanda 
por alimentos é crescente, vários estudos têm demonstrado que em torno de 
40% dos solos do mundo estão poluídos e degradados. Tudo isso é preocupante 
se levarmos em consideração que a natureza leva em torno de 400 anos para 
formar apenas uma camada de 1 cm de solo. 
Você precisa saber por meio dos livros de história, várias civilizações 
importantes tiveram seu declínio intimamente associado à falência de seus 
sistemas agrícolas, principalmente devido ao esgotamento da saúde de seus 
solos. O interesse mundial pelo tema qualidade/saúde do solo e água é cres-
cente e evidencia a preocupação da sociedade com esse recurso natural. A 
determinação da qualidade do solo e água não é uma tarefa fácil devido a 
multiplicidade de fatores químicos, físicos e biológicos que resultam no seu 
“funcionamento” e suas variações, em função do tempo e espaço. 
De alguma forma, todos os tipos de componentes que utilizamos e que 
podem se tornar poluentes entram em contato de alguma forma com o ar, 
Uma das interações que podem interferir na saúde humana é o aumento do número 
de indivíduos infectados pela dengue: 
a) O individuo pode ainda não estar cientes que não se pode deixar água parada 
em garrafas, pneus, etc. Se essa prática fosse inibida, a aparição dessa doença na 
população poderia diminuir e até mesmo ser erradicada.
b) O estado maior e os representantes da população devem seguir implantando 
programas preventivos, tais como campanhas de conscientização, recolhimento 
de lixo e entulhos, limpeza de terrenos desocupados e outros, com objetivo de 
evitar o surgimento desta doença em épocas de chuvas.
Problemas de saneamento. Dengue.
Responsabilidade socioambiental130
terra e água; principalmente se dispomos ou descartamos de qualquer forma 
no ambiente, como próximos de um leito aquático. Lâmpadas fluorescentes 
e baterias, por exemplo, possuem diversos poluentes e metais pesados, que 
com contato frequente com o corpo humano e em longo prazo ocasionam em 
dores, tumores e diversos outros sintomas. 
Em setembro de 1987, um dos mais graves casos de exposição à radiação do mundo 
ocorreu em Goiânia (GO), por meio da contaminação pelo material radioativo Césio 137. 
Na ocasião, dois catadores de lixo arrobaram um aparelho radiológico nos escombros 
de um antigo hospital e encontraram um pó branco que emitia luminosidade azul. 
Os catadores levaram o material radioativo a outros pontos da cidade, contaminando 
pessoas, água, solo e ar. Pelo menos quatro morreram devido à exposição, e centenas 
de outras desenvolveram doenças.
Medidas e mecanismos para alcançar condições 
de Responsabilidade Socioambiental
Para uma mudança de paradigma é preciso envolver o setor econômico e pri-
vado para possibilitar avanços socioambientais. Portanto, a responsabilidade 
socioambiental corporativa é um conjunto de Políticas e Práticas de condução do 
negócio, que considera o diálogo entre a empresa e seu entorno (comunidades, 
empresas, governo, movimento social, ONGs, etc.). Esta área de temática se 
dedica a parcerias intersetoriais, na busca da melhoria da qualidade de vida das 
populações no entorno desses grandes empreendimentos, por meio de: 
a) Efetiva aplicação dos conceitos de Responsabilidade Social e Ambiental, 
priorizando o diálogo entre corporações e comunidades de seu entorno;
b) Desenvolvimento de metodologias de pesquisa-ação que criem siste-
mas de monitoramento, baseados em indicadores socioeconômicos e 
ambientais, capazes de mensurar a melhoria de qualidade de vida e o 
impacto das atividades empresariais;
131Responsabilidade Socioambiental
c) Por meio da pesquisa-ação facilitar a reflexão das comunidades sobre 
a realidade local e de seu entorno, internalizando os aprendizados em 
planos de desenvolvimento local e/ou politicagens práticas empresarias;
d) Incorporação das temáticas de Gênero nas estratégias de desenvolvi-
mento comunitário e nas políticas e práticas empresariais (a gênese das 
desigualdades e insustentabilidade);
e) Implementação de ações para evitar a perda da sociobiodiversidade e 
para enfrentar as mudanças climáticas.
Destaca-se também o princípio da atuação responsável o “Responsible 
Care”, este foi criado em 1984 no Canadá, pelas indústrias químicas, com o 
apoio da Chemical Manufactures Association (CMA). No Brasil, é difundido 
pela ABIQUIM desde 1992. A partir de 1998 a adesão dos sócios da ABIQUIM 
a este modelo é obrigatória. O programa enfoca saúde, segurança e meio 
ambiente, conhecidos internacionalmente pela sigla SHE (Safety, Health and 
Environmental).
Atualmente é cada vez mais difundido nas empresas o princípio básico 
da gestão sustentável da cadeia de suprimentos (supply chain management). 
É assegurar maior visibilidade aos custos e outros eventos relacionados com 
a produção para satisfação da demanda, com o objetivo de minimizar os 
gastos do conjunto das operações produtivas e da logística entre as empresas 
(FERNANDES; BERTON, 2005). O planejamento e controle da produção 
não apenas cuidam da parte de maximizar lucros e atender as demandas de 
materiais dos clientes internos, mas deve cuidar para evitar que a geração de 
estoques represente um gasto ambiental desnecessário.
O The Natural Step, ainda é um passo relativamente complexo por parte 
das empresas, e vem sendo proposto por uma organização independente 
que apresenta uma metodologia para atingir sustentabilidade empresarial. 
Considerando a concentração das substâncias extraídas da crosta terrestre, 
concentração das substâncias produzidas pela sociedade, degradação do meio 
físico e do meio biológico e necessidades humanas (BARBIERI, 2004).
Responsabilidade socioambiental132
A responsabilidade socioambiental (RSA) como estratégia organizacional vislumbra as 
questões sociais e ambientais que dizem respeito às preocupações com os impactos 
resultantes das operações organizacionais e seus efeitos. Isto ultrapassa fronteiras 
nacionais atingindo o mercado global que sofre pressões em torno da conservação 
ambiental. Neste contexto é crescente o número de organizações que procuram 
conformidades e normalizações da RSA reconhecidas em escala global, sob pena de 
perderem competitividade.
Tais conformidades e normatizações são assegurados aos órgãos fiscalizadores 
e parceiros de trabalho como selos, rótulos e certificações de qualidade. Hoje são 
inúmeras estas certificações e empresas que fazem este tipo de auditoria.
Para adquirir certificações, exemplo: Normas Brasileiras, é importante implementar 
um sistema de gestão (ambiental ou qualidade); Estas incluem respeito, ética e com-
prometimento com a qualidade de vida – afirmando a sua política. 
133Responsabilidade Socioambiental
Tecnologias sustentáveis, mais limpas e recursosrenováveis
O termo tecnologia sustentável, tem uma ligação obrigatória com a palavra “respon-
sabilidade”, pois esta é uma das principais premissas desta tecnologia. Todas as ações 
que são tomadas por nós, positivas ou negativas, possuem consequências que refletem 
diretamente no ambiente em que vivemos. Estas podem ser também adaptações de 
tecnologias já existentes, assim como as futuras tecnologias, dando-lhes cada vez mais 
eficiência, de modo que os impactos ambientais sejam menores.
Pode-se dizer que a combinação perfeita para companhias e produções seria uma 
união entre tecnologias sustentáveis e recursos renováveis. Veja a seguir as diferenças 
entre recursos renováveis e não renováveis:
  Um recurso renovável é aquele que, normalmente, não se esgota facilmente 
devido à rápida velocidade de renovação e capacidade de manutenção. Estes 
recursos surgem da natureza e são matérias-primas essenciais para a fabricação de 
produtos que atendem as necessidades das pessoas. A Energia Solar, por exemplo, 
é um recurso natural renovável, assim como a biomassa e a energia geotérmica.
  Um recurso não renovável é um recurso natural que não pode ser regenerado 
ou reutilizado a uma escala que possa sustentar o seu consumo. Esses recursos 
existem muitas vezes em quantidades fixas, ou são consumidos mais rapidamente 
do que a natureza pode produzi-los. Os combustíveis fósseis como o petróleo 
são exemplos de recursos não renováveis, enquanto que recursos como madeira 
(quando colhida de forma sustentável) ou metais (que podem ser reciclados) são 
considerados recursos renováveis. 
No entanto, estas definições não levam em consideração o aumento do consumo: 
para que a madeira seja um recurso renovável, é necessário aumentar a sua produção 
de acordo com as necessidades da sociedade; por outro lado, os metais existentes 
na crosta terrestre são finitos, e a sua reciclagem pode diminuir as consequências do 
aumento normal do consumo apenas em parte.
Responsabilidade socioambiental134
Produção mais limpa (P+L)
Visa conservação de matérias-primas, água e energia, eliminação de matérias-primas 
tóxicas e redução, na fonte, da quantidade e toxicidade das emissões e dos resíduos 
gerados; aos produtos, pela redução dos seus impactos negativos ao longo de seu ciclo 
de vida, desde a extração de matérias-primas até a sua disposição final; aos serviços, 
pela incorporação das questões ambientais em suas fases de planejamento e execução.
Neutralização de Carbono
São ações que buscam neutralizar a emissão de carbono gerada por suas atividades. 
Esta postura visa diminuir o impacto de gases como o dióxido de carbono (CO
2
), que 
são emitidos na natureza, gerando o efeito estufa e as mudanças climáticas que já são 
um problema atual no Planeta. A elevação do nível dos oceanos, os incêndios mais 
frequentes em áreas florestais e as alterações nas correntes marítimas são alguns dos 
resultados já aparentes.
Ecodesign
Concepção para produtos e embalagens que sejam mais respeitosos e compatibilizados 
com o meio ambiente, ou seja, que causem o menor impacto ambiental negativo 
possível. O objetivo é a concepção de produtos que produzam impactos positivos e 
reduzam impactos ambientais.
O Ecodesign também tem o papel de contribuir como coletivo educador, suprindo 
a falta de informações e preparo do público em geral a respeito de procedimentos 
ambientalmente mais corretos. Não somente procura minimizar os impactos dos 
produtos na fase de sua elaboração, mas se preocupa também na sua utilização e 
na gestão de seus resíduos, na medida em que prevê que o elemento antrópico 
(ação humana), colabore para a redução dos impactos também nas fases sujeitas ao 
comportamento humano.
135Responsabilidade Socioambiental
1. O homem ocasiona alterações no 
meio ambiente em geral, seja nos 
componentes físicos, biológicos 
ou sociais. Sua atividade provocam 
situações que afetaram a saúde 
humana. Analise os itens a seguir: 
I. Acidentes nucleares 
II. Tsunamis 
III. Epidemias, como a peste negra 
IV. Incêndios e vazamentos 
de gases em grandes 
indústrias V. Terremotos 
Tendo em vista os itens acima, 
assinale a alternativa que indica três 
problemas de responsabilidade 
humana que afetam o meio 
ambiente e provocam problemas 
de saúde: 
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) II, III e V.
2. O que podemos chamar de 
impactos ambientais? 
a) Conjunto de componentes 
físicos, químicos, biológicos 
e sociais capazes de causar 
efeitos diretos ou indiretos 
no ambiente ou sociedade.
b) Extração de matéria-prima.
c) Condições relacionadas 
a mudanças climáticas 
e efeito estufa.
d) Impactos sociais, principalmente 
em países em desenvolvimento.
e) Alteração ou efeito ambiental 
considerado significativo 
quando são detectados somente 
por meio da avaliação de 
projeto de um determinado 
empreendimento, podendo 
ser negativo ou positivo.
3. A educação ambiental nas 
organizações é muito importante. 
Geralmente muitas empresas 
elaboram projetos e programas 
de educação ambiental somente 
formalmente e para cumprirem 
com uma obrigação social;. Nesse 
sentido, se a organização deve 
cortar gastos, seguramente um dos 
primeiros projetos a serem cortados 
são os ambientais. No entanto, um 
trabalho sério com projeto sólido 
e integrado, pode trazer resultados 
positivos para a organização, 
basicamente por algumas razões 
básicas. Analise os itens a seguir:
I. Obriga os empresários a 
desenvolverem ações de EA.
II. Conduz aos profissionais a 
uma mudança de atitude 
perante o meio urbano.
III. Estimula investimentos 
na área ambiental.
IV. Desperta os funcionários para 
a ação e busca de soluções 
de problemas ambientais.
V. Estabelece multas pelo 
descumprimento da 
política ambiental.
VI. Automaticamente dá selo 
certificado de qualidade 
para a empresa
Responsabilidade socioambiental136
BARBIERI, J. C. Gestão ambiental organizacional: conceitos, modelos e instrumentos. São 
Paulo: Saraiva, 2004.
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA n.001, de 23 de 
janeiro de 1986. Brasília, DF, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/
conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 21 dez. 2016.
FERNANADES, B. H. R.; BERTON, l. H. Administração estratégica: da competência empre-
endedora à avaliação de desempenho. São Paulo: Saraiva, 2005.
OBVIOUS. 2003. Disponível em: <http://obviousmag.org/>. Acesso em: 21 dez. 2016.
PARASITOLOGIA. 2014. Disponível em: <http://anacliceat2010.blogspot.com.br/>. 
Acesso em: 21 dez. 2016.
RIOS, T. de M. Educação e gestão socioambiental: a experiência do programa Catavida de 
Novo Hamburgo – RS. 95 fls. 2015. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade 
do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2015.
RIOS, T. M. (Org.). Responsabilidade socioambiental. Porto Alegre: SAGAH, 2016.
SÉCULO DIÁRIO. 2014. Disponível em: <http://seculodiario.com.br/>. Acesso em: 21 
dez. 2016.
Dos itens acima, quais poderiam 
ser considerados razões 
básicas para o trabalho de EA 
numa organização? 
a) I, II e III.
b) II, III e IV
c) III e IV.
d) II, IV e V.
e) III, VI
4. Aponte alguns fatores determinantes 
do meio ambiente que interferem 
na saúde humana. 
a) Água para consumo, 
substâncias químicas que 
contaminam o meio ambiente, 
turismo ecológico.
b) Desastres naturais, água 
para consumo humano, e 
micro bactérias do solo;
c) A não utilização de 
recursos renováveis;
d) A falta de projetos de Educação 
Ambiental corporativo;
e) Ar, água, acidentes com produtos 
perigosos e fatores físicos
5. Como opções de tecnologias 
sustentáveis podemos citar: 
a) Eco design e motores 
carburantes;
b) Motores a reação e energia eólica;
c) Combustíveis fosseis 
e energia solar;
d) Ecodesign e neutralização 
de carbono;
e) Recursos renováveis e 
combustível a base de carvão.
137Responsabilidade SocioambientalConteúdo:
DICA DO PROFESSOR
A Dica do professor para esta unidade sobre responsabilidade socioambiental é a aplicabilidade 
da teoria do pensamento sistêmico para ajudar a refletir sobre problemáticas ambientais e 
sociais.
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EXERCÍCIOS
1) O homem ocasiona alterações no meio ambiente em geral, seja nos componentes 
físicos, biológicos ou sociais. Sua atividade provoca situações que afetaram a saúde 
humana. Analise os itens a seguir: 
I. Acidentes nucleares 
II. Tsunamis 
III. Epidemias, como a peste negra 
IV. Incêndios e vazamentos de gases em grandes indústrias 
V. Terremotos 
 
Tendo em vista os itens acima, assinale a alternativa que indica três problemas de 
responsabilidade humana que afetam o meio ambiente e provocam problemas de 
saúde:
A) I, II e III.
B) I, III e IV.
C) I, IV e V.
D) II, III e IV.
E) II, III e V.
2) O que podemos chamar de impactos ambientais?
A) Conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos 
diretos ou indiretos no ambiente ou na sociedade.
B) Extração de matéria-prima.
C) Condições relacionadas a mudanças climáticas e efeito estufa.
D) Impactos sociais, principalmente em países em desenvolvimento.
E) Alteração ou efeito ambiental considerado significativo quando são detectados somente 
por meio da avaliação de projeto de um determinado empreendimento, podendo ser 
negativo ou positivo.
3) A responsabilidade socioambiental procura aliar produtividade, qualidade, ética e 
bem-estar social e ambiental, e assim está baseada em três pilares, os mesmos pilares 
da sustentabilidade. Marque a alternativa que indica corretamente quais são esses 
“pilares”.
A) Social, Econômico e Mundial.
B) Econômico, Ambiental e Jurídico.
C) Social, Ambiental e Econômico.
D) Ambiental, Jurídico e Mundial.
E) Econômico, Social e Político.
4) Capital Natural foi um importante conceito abordado durante a Rio+20. Acerca 
desse assunto, marque a alternativa correta.
A) A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, como 
solo, água, ar e os serviços humanos, essenciais à vida na Terra.
B) O termo está associado com o entendimento dos recursos naturais que garantem a 
existência na Terra.
C) O termo “Capital Natural” é utilizado para englobar todos os aspectos e impactos 
ambientais nas organizações.
D) O termo está associado com o entendimento dos danos ambiental causados ao meio 
ambiente.
E) A expressão “Capital Natural” é utilizada para englobar todos os recursos naturais, exceto 
solo e água.
5) Como opções de tecnologias sustentáveis podemos citar:
A) Eco design e motores carburantes.
B) Motores a reação e energia eólica.
C) Combustíveis fósseis e energia solar.
D) Ecodesign e neutralização de carbono.
E) Recursos renováveis e combustível à base de carvão.
NA PRÁTICA
As oficinas mecânicas autorizadas da Volkswagen que oferecem serviços, como troca de peças, 
acessórios, serviços mecânicos e elétricos são consideradas (legislação e política ambiental 
estadual e federal) empreendimentos de pequeno porte, portanto, não é compulsória a licença 
ambiental, ou seja, a realização de estudo de impacto ambiental para começar a funcionar.
Essa prestação de serviço irá precisar apenas de alvará de funcionamento para comprovar que 
está adequada às normas de segurança, mas, sem dúvidas, provoca alguns impactos (físico, 
biológico e social).
Esses impactos são de baixa magnitude e podem ser positivos e negativos. Para reduzir esses 
impactos e manter sua proposta de responsabilidade, essas autorizadas devem seguir passos 
rigorosos como:
- Ao fim de vida útil, as peças e os filtros não podem ser simplesmente descartados, devem ser 
reenviados ao produtor (logística reversa).
- Todos os resíduos devem ser separados para não comprometer resíduos que poderão ser 
reutilizados.
- Em unidades como da cidade de Novo Hamburgo, resíduos de qualidade são destinados a 
cooperativas que os vendem. Essas unidades possuem recirculação de água e filtros, para não 
entregá-la contaminada ao ambiente e comunidade de entorno; além de recirculação, possuem 
coifas e exaustores que reduzem a emissão de gases externamente e reduzem impactos da saúde 
laboral.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Capital natural
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Alcançando as metas de desenvolvimento através de um melhor uso sustentável dos 
recursos naturais
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Sustentabilidade - Saúde e meio ambiente
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Consumo sustentável - Manual de Educação
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Saneamento Ambiental e sua 
importância socioambiental
APRESENTAÇÃO
Nesta Unidade de Aprendizagem, serão estudados o saneamento ambiental e a sua importância 
socioambiental. As ações de saneamento são de fundamental importância para o 
desenvolvimento da saúde e da qualidade de vida da população, bem como para a proteção do 
meio ambiente. Por este motivo, tal conhecimento torna-se fundamental para os futuros gestores 
ambientais, assim como para o desenvolvimento mais sustentável dos centros urbanos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o que é saneamento ambiental.•
Reconhecer a importância do saneamento básico para a população.•
Relacionar o desenvolvimento social com ações de saneamento ambiental.•
DESAFIO
O saneamento ambiental compreende um processo fundamental para a manutenção da qualidade 
de vida. Ao saber disso o prefeito solicita para você, gestor ambiental da prefeitura, o 
detalhamento de todos os passos que serão necessários para que o município construa o seu 
Plano Municipal de Saneamento.
- Capa 
- Sumário 
- Introdução(breve contextualização do seu município) 
- Plano de mobilização social (descrever a metodologia) 
- Diagnóstico técnico-participativo (descrever a metodologia)
INFOGRÁFICO
O infográfico a seguir contempla os objetivos e os principais problemas com respeito ao 
saneamento ambiental.
CONTEÚDO DO LIVRO
O livro Saneamento Ambiental e sua Importância Socioambiental é a base teórica para esta 
Unidade de Aprendizagem e proporciona melhor compreensão dos conteúdos apresentados aqui.
SANEAMENTO
Eliane Conterato
Saneamento ambiental 
e sua importância 
socioambiental
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar o que é saneamento ambiental.
 � Reconhecer a importância do saneamento básico para a população.
 � Relacionar o desenvolvimento social com as ações de saneamento 
ambiental.
Introdução
Você já parou para pensar o quanto o saneamento interfere no desen-
volvimento social e ambiental da sociedade? O quanto a falta desse 
serviço interfere na qualidade de vida da população? Conforme Ataide 
e Borja (2017), pensar em justiça social é pensar no impacto socioam-
biental que representa o acesso a bens e serviços de um cidadão. A 
falta de saneamento, que é um serviço básico que deve ser oferecido a 
um cidadão, pode trazer diversos impactos como poluição dos recursos 
hídricos, transmissão de doenças, aumento da mortalidade infantil, baixa 
do rendimento escolar, entre outros. 
As ações de saneamento são de fundamental importância para o de-
senvolvimento e bem-estar da sociedade, bem como para a proteção do 
meio ambiente. Neste texto, você vai estudar o conceito de saneamento 
ambiental e sua importância socioambiental.
Saneamento ambiental
Segundo Rosen (2006), o saneamento — considerado, em seu aspecto físico, 
uma luta do homem em relação ao ambiente — existe desde o início da huma-
nidade, ora se desenvolvendo ora retrocedendo, de acordo com o surgimento, 
evolução, queda e renascimentodas civilizações.
Jordão e Pessoa (2014) enfatizam que o instinto e a necessidade levaram 
o homem a se fixar próximo às fontes de energia, mas não de medir a ne-
cessidade de afastar ou condicionar os resíduos refugados por ele. Com isso, 
historicamente, verifica-se a poluição das fontes de energia pelo homem até 
se tornarem, nos piores casos, inadequadas à vida.
Figura 1. Energia – Homem – Resíduos.
Fonte: Adaptada de Jordão e Pessoa (2014, p. 02).
LIXO
ESGOTO
A
LI
M
EN
TO
Á
G
U
A
AR
HOMEM
Em resumo, desde que o ser humano passou a viver por longos períodos 
em um mesmo espaço, passou também a conviver com a poluição causada 
por seus rejeitos e as consequências disso para a saúde e o meio ambiente. A 
Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei Federal nº. 6.938, 
de 31 de agosto de 1981, define poluição como a degradação da qualidade 
ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente:
Saneamento ambiental e sua importância socioambiental2
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado 
de completo bem-estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de do-
enças. A organização define ainda o saneamento ambiental como o controle 
de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer 
efeitos nocivos sobre a saúde.
O Ministério das Cidades define saneamento ambiental como o con-
junto de ações técnicas e socioeconômicas que, quando aplicadas, resultam 
em maiores níveis de salubridade ambiental. Essas ações compreendem o 
abastecimento de água em quantidade e em qualidade adequada; a coleta, o 
tratamento e a disposição adequada dos resíduos sólidos, efluentes líquidos e 
emissões atmosféricas; o manejo de águas pluviais; o controle ambiental de 
vetores e reservatórios de doenças; a promoção sanitária e o controle ambiental 
do uso e ocupação do solo; e a prevenção e controle do excesso de ruídos.
Para o desenvolvimento dessas ações, são necessárias diversas obras e 
serviços: 
 � O abastecimento de água compreende a escolha de um manancial 
que tenha qualidade e volume suficiente, a construção de adutoras e 
estações de tratamento de água e a construção de reservatórios e redes 
que levem a água potável até as residências. 
 � Para a coleta de esgoto, são necessárias construções de redes de coleta e 
acessórios, interceptores, emissários e estações de tratamento de esgoto. 
 � Para a destinação adequada de resíduos sólidos, é necessário um 
sistema de coleta adequado e a construção e aterros sanitários. 
 � Para a drenagem urbana, é necessária a construção de redes de coleta 
pluviais e obras para amenizar o efeito de chuvas intensas e inundações. 
Além dessas obras, também é necessária a gestão adequada de todos esses 
serviços, seja pelo poder público, seja por concessionária. Como você pode 
observar nessas definições, o saneamento ambiental compreende uma gama 
de ações visando desde a conscientização da população até a elaboração e 
execução de políticas públicas. 
3Saneamento ambiental e sua importância socioambiental
Saneamento e desenvolvimento
A existência de saneamento adequado é uma condição primordial para o 
desenvolvimento de uma nação, sendo um fator essencial para o país ser cha-
mado de “desenvolvido”. A falta de saneamento afeta as áreas de preservação, 
turismo, trabalho, saúde, educação e cidadania.
Segundo o Instituto Trata Brasil, em estudo realizado em 2015, as perdas de 
água devido a condições insatisfatórias de funcionamento de redes e desvios 
de água atingem 38,1% no Brasil, ou seja, de toda a água tratada para a distri-
buição, quase 40% se perdem antes de chegar ao consumidor (INSTITUTO 
TRATA BRASIL, 2015). Essa perda demonstra um descaso com o meio am-
biente, uma vez que a água é retirada dos mananciais, tratada e desperdiçada 
antes mesmo de ser utilizada. No setor de turismo, o instituto indica que, em 
2015, deixaram de ser gerados R$ 5,8 bilhões de renda do trabalho por conta 
da degradação ambiental de áreas por falta de saneamento básico.
Em relação ao trabalho, o investimento no setor de saneamento gera renda 
que movimenta diversos setores, como construção civil e comércio. Em re-
lação à saúde, o investimento gera economia, já que diminui as internações 
causadas, principalmente, por doenças de origem ou transmissão hídrica. 
Segundo informações do Trata Brasil, a cada R$ 1 investido em saneamento 
é gerada uma economia de R$ 4 em saúde. Existem estatísticas que mostram 
também que doenças vinculadas com a falta de saneamento geram prejuízos por 
afastamentos das atividades diárias de trabalhadores no mercado de trabalho. 
Outro índice importante que cabe apresentar é a mortalidade infantil. O gráfico 
da Figura 2 mostra uma relação entre a população com acesso ao esgotamento 
sanitário e a taxa de mortalidade infantil (dados da UNICEF e OMS).
A educação é outra área afetada diretamente pela falta de saneamento. 
Conforme o Instituto Trata Brasil (2017), moradores de áreas sem acesso 
à rede de distribuição de água e de coleta de esgotos têm um aumento do 
atraso escolar Uma menor escolaridade implica em perda de produtividade e 
de remuneração das gerações futuras. Somente o custo desse atraso escolar 
devido à falta de saneamento alcançou R$ 16,6 bilhões em 2015. 
Saneamento ambiental e sua importância socioambiental4
Figura 2. Relação entre saneamento e mortalidade infantil (dados de 2015).
Fonte: Instituto Trata Brasil (2017).
180
150
120
90
60
30
0
0 20 40 60 80 100
População com acesso ao esgotamento sanitário (%)
Ta
xa
 d
e
 m
o
rt
al
id
ad
e
 in
fa
n
ti
l *
 (
%
)
Brasil
Outro dado importante disponibilizado é a falta de saneamento básico 
nas escolas: na zona rural, 14,7% das escolas de ensino fundamental não têm 
esgoto sanitário e 11,3% não têm abastecimento de água. Na zona urbana, 
esses percentuais são 0,3% e 0,2%, respectivamente. Esse dado é preocupante 
considerando-se que a escola deveria ser exemplo para o aluno, o que, mais 
uma vez, demostra a importância do saneamento.
Em relação à cidadania e à informação da população, os dados são preo-
cupantes no Brasil. Pesquisas mostram que parcela significativa da população 
desconhece o que é saneamento e não sabe o destino do esgoto que produz; 75% 
das pessoas entrevistadas disseram nunca ter cobrado do órgão responsável 
uma providência em relação à falta de saneamento.
5Saneamento ambiental e sua importância socioambiental
Pelo link e código a seguir, você pode acessar o site do 
Instituto Trata Brasil e conhecer mais sobre as principais 
áreas afetadas pela falta de saneamento e as estatísticas 
sobre elas.
https://goo.gl/EpMq9k
Ações voltadas para o saneamento
Para falarmos de ações voltadas para o saneamento, é necessário primeiro 
entendermos como são avaliadas as condições do município pelo gestor mu-
nicipal para verificar quais ações devem ser realizadas. Para uma correta 
análise dessa situação, o gestor precisa ter indicadores reais. O estudo que 
embasou a proposta do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), 
cuja elaboração é prevista na Lei do Saneamento Básico (Lei nº. 11.445, de 5 
de janeiro de 2007), considera, além da infraestrutura implantada, aspectos 
socioeconômicos e culturais e a qualidade dos serviços prestados. 
A população que conta com oferta de serviço coletivo nem sempre recebe 
esse serviço em condições adequadas. Por exemplo, a oferta de água tratada 
deve ser feita dentro dos padrões e de forma ininterrupta; contudo, existem 
casos de cidades que passam por frequentes interrupções, seja por problemas 
no sistema ou porracionamento. Nessa parcela da população, ainda existe 
quem não utiliza o serviço público, mesmo o tendo disponível, como no caso 
de faltas de ligações prediais na rede coletora de esgoto.
A parcela de população sem oferta de serviço, ou ainda que não usa o 
serviço público disponível, em parte tem solução individual. Esse tipo de 
solução conta, por exemplo, com coleta de água em poços (dentro dos padrões 
de potabilidade) e descarte de esgoto após tratamento em sistema individual 
adequado, como fossa e filtro.
A pior das situações é a que não utiliza situação sanitária alguma, ou seja, 
que não tem garantia de qualidade da água que ingere, não possui descarte 
adequado dos resíduos e, muitas vezes convive com a própria poluição. 
Saneamento ambiental e sua importância socioambiental6
Conhecer a parcela da população que se encontra em cada um dos casos 
citados acima é o primeiro passo para propor ações visando a regulação dos 
serviços de saneamento. A Lei nº. 11.445/2007 coloca o município como 
competente por legislar sob o amparo da Constituição Federal. A lei define 
quatro funções básicas para a gestão (BRASIL, 2007): 
 � planejamento;
 � prestação de serviços;
 � regulação;
 � fiscalização.
A função planejamento é de responsabilidade do município. Ele que formu-
lará a política municipal de saneamento básico e elaborará o plano municipal 
de saneamento básico, fundamental para contratar ou conceder os serviços. 
As demais funções de regulação, fiscalização e prestação de serviços são de 
responsabilidade do titular do serviço de saneamento, com o município atuando 
de forma direta (concessão ou permissão) ou indireta (cooperação e contrato).
A Figura 3 mostra os principais princípios da Lei do Saneamento Básico, 
que devem ser abordados na política municipal.
Figura 3. Principais princípios da Lei do Saneamento Básico.
Universalização
Integralidade
Equidade
Participação e
controle social
Titularidade
municipal
Intersetorialidade
Gestão pública
7Saneamento ambiental e sua importância socioambiental
Perceba que a universalização pressupõe que toda a população tenha acesso 
de forma igual aos serviços de saneamento. A integralidade requer interseto-
rialidade, ou seja, diferentes setores dentro do município atuando em conjunto. 
A equidade possibilita igualdade e justiça, alcançadas com a prestação de 
serviços. A participação e o controle social devem estar presentes em todo o 
processo, a fim de democratizá-lo. A titularidade municipal estabelece que o 
município tem autonomia e competência para organizar, regular, controlar e 
promover a realização dos serviços dentro de seu território. A intersetorialidade 
permite compatibilizar e racionalizar diversas ações, aumentando a eficácia. 
Em relação à gestão pública, entende-se que os serviços de saneamento são 
essenciais para a elevação da qualidade de vida e da salubridade ambiental, 
por isso as ações e serviços de saúde pública são considerados de obrigação 
do estado.
Veja o texto completo da Lei do Saneamento Básico, Lei nº. 
11.445/2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o 
saneamento básico acessando o link ou o código a seguir. 
https://goo.gl/Bt55F
O plano municipal, que é elaborado pelo município, deve englobar os 4 
eixos descritos a seguir: 
 � abastecimento de água;
 � esgotamento sanitário;
 � drenagem urbana;
 � limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos.
O planejamento deve ser integrado com todas as políticas e planos do 
município, e deve ser feito para um período de 20 anos, considerando revisão a 
cada 4 anos. O plano municipal deve assegurar a correta aplicação dos recursos 
e usar indicadores de saneamento para a elaboração e o acompanhamento do 
processo de implantação.
Saneamento ambiental e sua importância socioambiental8
Um plano municipal de saneamento básico deve conter pelo menos o 
diagnóstico da situação do município, os objetivos e metas, os programas, as 
projeções e ações para o alcance dos objetivos e o mecanismo para avaliação 
sistemática e eficácia das ações.
A situação do saneamento no Brasil ainda é preocupante, mas existem municípios 
que vêm se destacando como exemplos positivos. Um deles é o município de Jundiaí, 
no interior de São Paulo. Conforme indicadores do Instituto Trata Brasil, o município 
vem mostrando, ano a ano, evolução nos índices de coleta e tratamento de esgotos. 
Atualmente, a cidade é referência no tratamento de esgotos, com 100% do esgoto 
coletado tratado e com abastecimento de mais de 97% da população com água 
tratada. Veja a seguir os índices apresentados pela cidade no período de 2008 a 2015.
Indicador de 
atendimento 
total de água (%)
Indicador de 
atendimento total 
de esgoto (%)
Indicador de esgoto 
tratado por água 
consumida (%)
2008 95 91 95
2009 97 98 91
2010 100 100 88,94
2011 98,28 98,30 91,38
2012 98 97,71 97,71
2013 98,28 98,30 98,28
2014 97,80 97,80 91,94
2015 97,80 97,80 100
A boa classificação de Jundiaí é resultado de investimentos realizados ao longo dos 
anos. É um exemplo de cidades de aderiram a um planejamento para o desenvolvi-
mento de saneamento e assim melhoraram o abastecimento de água, a coleta e o 
tratamento dos esgotos e, principalmente, a qualidade de vida da população.
9Saneamento ambiental e sua importância socioambiental
1. Sobre saneamento ambiental, 
assinale a alternativa correta. 
a) É um conjunto de ações 
realizadas individualmente, 
apenas pelo poder público.
b) É um conjunto de ações 
realizadas de forma coletiva, pelo 
poder público e por técnicos.
c) É um conjunto de ações 
realizadas de forma coletiva, pelo 
poder público, com participação 
popular e de técnicos.
d) É um conjunto de ações 
realizadas de forma coletiva, 
pelo poder público e com 
participação popular.
e) É um conjunto de ações realizadas 
individualmente, apenas por 
técnicos especializados.
2. Marque a alternativa INCORRETA 
quanto às causas da degradação 
ambiental das águas superficiais, 
imprescindível para o adequado 
saneamento básico.
a) O crescimento populacional 
e o aumento da pobreza.
b) O uso de fertilizantes 
na agricultura.
c) Lançamento de 
efluentes industriais.
d) A retirada da mata ciliar.
e) Lançamento de resíduos sólidos.
3. Marque a alternativa INCORRETA 
quanto à destinação de resíduos:
a) O lixão é a técnica adequada 
de disposição de resíduos 
sólidos urbanos.
b) A queima de resíduos a 
céu aberto é proibida.
c) Uma das principais ações de 
saneamento ambiental é a 
limpeza urbana e o manejo 
adequado de resíduos sólidos.
d) Uma das principais dificuldades 
para a construção de uma 
política de saneamento 
ambiental sustentável é 
a baixa conscientização 
ambiental da população.
e) O despejo irregular de efluentes 
industriais provoca a poluição e 
a contaminação das águas e é 
considerado crime ambiental.
4. São exemplos de obras com 
a finalidade de melhorar o 
saneamento básico:
a) sistema de gestão ambiental, 
sistema de abastecimento de 
água e sistema de esgoto.
b) recomposição da mata 
ciliar e aterros sanitários.
c) sistema de esgoto, sanitários 
públicos e lixão.
d) pavimentação pública e 
sanitários públicos.
e) sistema de esgoto, sanitários 
públicos e aterros sanitários.
5. A eutrofização é um processo 
acelerado pela poluição hídrica. A 
esse respeito, qual das alternativas 
a seguir é consequência desse 
processo e contribui para a 
diminuição da qualidade da água 
disponível para consumo?
a) O despejo de efluentes industriais.
b) A proliferação de zooplâncton.
c) A proliferação de algas 
unicelulares e cianobactérias.
d) O despejo de efluentes 
domésticos.
e) O despejo de fertilizantes 
oriundos da agricultura.
Saneamento ambiental e sua importância socioambiental10
ATAIDE, G. V. de T. L.; BORJA, P. C. Justiça social e ambiental em saneamento básico: 
um olhar sobre experiências de planejamento municipais. Ambiente &Sociedade, v. 
20, n. 3, p. 61-78, set. 2017. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v20n3/
pt_1809-4422-asoc-20-03-00061.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018.
BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o 
saneamento básico. Lex: Legislação federal, Brasília, DF, p. 1-2, 5 jan. 2007. 
JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 7. ed. Rio de Janeiro: 
ABES, 2014.
INSTITUTO TRATA BRASIL. Casos de sucesso: Jundiaí é referência no tratamento de 
esgotos. 2017. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/blog/2017/07/27/casos- 
de-sucesso-jundiai/>. Acesso em: 10 jun. 2018.
INSTITUTO TRATA BRASIL; REINFRA CONSULTORIA. Ociosidade das redes de esgotamento 
sanitário no Brasil. 2015. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estu-
dos/ociosidade/relatorio-completo.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018.
ROSEN, G. Uma história da saúde pública. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.
Leituras recomendadas
BORJA, P. C. Procedimentos metodológicos para elaboração de planos municipais 
de saneamento básico. In: BRASIL. Ministério das Cidades. Peças técnicas relativas a 
planos municipais de saneamento básico. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2011. p. 
53-85. Disponível em:<http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/
Arquivos_PDF/Pe%C3%A7as_Tecnicas_WEB.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018.
NUVOLARI, A. (Coord.). Esgoto sanitário: coleta, transporte, tratamento e reúso agrícola. 
2. ed. São Paulo: Blucher, 2011.
PROJETO Acertar Manual de Melhores Práticas de Gestão da Informação sobre Sa-
neamento. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2017. Disponível em: <http://www.
snis.gov.br/downloads/arquivos/Manual-de-Melhores-Praticas-dos-Prestadores-de- 
Servicos-Agua-e-Esgoto-MARCO2018.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018.
UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND; WORLD HEALTH ORGANIZATION. 25 years: Pro-
gresso n Sanitation and Drinkig Water. Geneva, Suíça, 2015. Disponível em: <http://files.
unicef.org/publications/files/Progress_on_Sanitation_and_Drinking_Water_2015_
Update_.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018.
11Saneamento ambiental e sua importância socioambiental
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
O vídeo a seguir apresenta uma contextualização relacionada ao saneamento ambiental e a 
sua importância socioambiental.
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EXERCÍCIOS
1) Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa correta.
A) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas pelo poder público.
B) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e por técnicos.
C) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público, com participação 
popular e de técnicos.
D) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e com 
participação popular.
E) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas por técnicos especializados.
2) Marque a alternativa INCORRETA quanto às causas da degradação ambiental das 
águas superficiais, imprescindível para o adequado saneamento básico.
A) O crescimento populacional e o aumento da pobreza.
B) O uso de fertilizantes na agricultura.
C) Lançamento de efluentes industriais.
D) A retirada da mata ciliar.
E) Lançamento de resíduos sólidos.
3) Marque a alternativa INCORRETA quanto à destinação de resíduos:
A) O lixão é a técnica adequada de disposição de resíduos sólidos urbanos.
B) A queima de resíduos a céu aberto é proibida.
C) Uma das principais ações de saneamento ambiental é a limpeza urbana e o manejo 
adequado de resíduos sólidos.
D) Uma das principais dificuldades para construção de uma política de saneamento ambiental 
sustentável é a baixa conscientização ambiental da população.
E) O despejo irregular de efluentes industriais provoca a poluição e a contaminação das águas 
e é considerado crime ambiental.
4) São exemplos de obras com a finalidade de melhorar o saneamento básico:
A) sistema de gestão ambiental, sistema de abastecimento de água e sistema de esgoto.
B) recomposição da mata ciliar e aterros sanitários.
C) sistema de esgoto, sanitários públicos e lixão.
D) pavimentação pública e sanitários públicos.
E) sistema de esgoto, sanitários públicos e aterros sanitários.
5) A eutrofização é um processo acelerado pela poluição hídrica. A esse respeito, qual 
das alternativas a seguir é consequência desse processo e contribui para a diminuição 
da qualidade da água disponível para consumo?
A) O despejo de efluentes industriais.
B) A proliferação de zooplâncton.
C) A proliferação de algas unicelulares e cianobactérias.
D) O despejo de efluentes domésticos.
E) O despejo de fertilizantes oriundos da agricultura.
NA PRÁTICA
Locais sem saneamento básico transformam a população dos arredores em uma população 
condenada à contaminação de todo e qualquer tipo. Observe o ciclo básico que ocorre nesses 
lugares.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
LEONETI, A. B.; PRADO, E. L.; OLIVEIRA, S. V. W.B. Saneamento Básico no Brasil: 
Considerações sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI. Revista de 
Administração Pública, Rio de Janeiro, 45(2): 331-348, 2011:
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Relações entre saneamento, saúde pública e meio ambiente: elementos para formulação de 
um modelo de planejamento em saneamento:
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Diretrizes Nacionais de Saneamento 
Básico – Parte I
APRESENTAÇÃO
Grande parcela da população brasileira e mundial não tem acesso à água potável e sofre com 
problemas sanitários. Nesta Unidade de Aprendizagem, será possível conhecer a situação do 
saneamento básico, a partir de dados de pesquisas contemporâneas. Serão abordados também os 
benefícios e os problemas associados à presença e à ausência de saneamento básico.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Analisar dados genéricos sobre as condições de saneamento básico no Brasil e no mundo.•
Definir saneamento básico segundo a Lei Federal número 11.445/2007.•
Identificar benefícios e problemas associados à presença e à ausência de saneamento 
básico, respectivamente.
•
DESAFIO
Atualmente, você é o gestor ambiental de uma indústria.
Com o intuito de atender às condicionantes da licença ambiental e de realizar uma ação de 
responsabilidade socioambiental relevante, você está propondo ao seu diretor que seja 
desenvolvido um programa educativo sobre a importância do saneamento básico na comunidade 
do entorno do seu empreendimento.
Mencione razões relevantes para que essa iniciativa seja aprovada e implementada.
INFOGRÁFICO
O infográfico a seguir ilustra os principais pontos relacionados ao saneamento básico discutidos 
nesta Unidade de Aprendizagem. 
CONTEÚDO DO LIVRO
O texto "O abastecimento de água e o esgotamento sanitário: propostas para minimizar os 
problemas no Brasil", do livro Meio ambiente e sustentabilidade, permite uma interessante 
abordagem sobre aspectos relacionados ao saneamento básico.
Boa leitura!
M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] / 
 Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes 
 Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. – 
 Porto Alegre : Bookman, 2012. 
 Editado também como livro impresso em 2012. 
 ISBN 978-85-407-0197-7
 1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André 
 Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini- 
 Carlos, Viviane. 
CDU 502-022.316
Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150
2
O abastecimento de água 
e o esgotamento sanitário: 
propostas para minimizar 
os problemas no Brasil
MARCELO LUIZ MARTINS POMPÊO e VIVIANE MOSCHINI-CARLOS
Objetivos do capítulo
Grande parcela da população mundial não tem acesso à água potável e sofre com 
problemas sanitários. Como consequência da faltade acesso à água potável e da 
inadequação do esgotamento sanitário, um número alarmante de pessoas morre 
ou vive em níveis inadmissíveis de qualidade de vida. Na cidade de São Paulo (Brasil), 
esse fato não é diferente, cerca de 50% do esgoto gerado é lançado sem tratamen-
to. Este capítulo visa discutir a situação do saneamento básico no Brasil, em parti-
cular sobre a oferta de água potável e o esgotamento sanitário nas grandes metró-
poles, e contribuir com sugestões visando minimizar o problema.
INTRODUÇÃO
O volume total de água na Terra é estimado 
em 1.386 Mkm3, sendo 2,5% ou cerca de 
35,0 106 km3 constituídos de água doce e, 
destes, apenas 0,3% representa a água doce 
contida nos rios e lagos (Shiklomanov, 1998 
citado em Rebouças, 1999). Além do restrito 
volume de água doce disponível, sua distri-
buição é desigual do ponto de vista espacial 
e temporal (Rebouças, 1999).
A água é fundamental para a manu-
tenção da vida, e, desde os primórdios, o 
homem a utiliza como recurso para múlti-
plas finalidades. No entanto, apesar de sua 
importância, mesmo no século XXI, não 
está acessível a todos.
É estimada em 20% a população mun-
dial atual que não tem acesso à água potá-
vel, em 50% da população que sofre com 
problemas sanitários e, conforme relatório 
da ONU, 2,5 bilhões de pessoas do mundo 
vivem em regiões completamente desprovi-
das de saneamento básico (Suguio, 2006). 
Segundo esse autor, 8% da população urba-
na e 22% da população rural no Brasil não 
dispõem de água tratada para seu consumo. 
Já a FIESP (2008) apresenta que 110 mi-
lhões de brasileiros não têm esgoto tratado, 
70 milhões não têm esgoto coletado e 22 
48 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
milhões de habitantes não têm água trata-
da. Suguio (2006) complementa que a ca-
rência de saneamento atinge 22% da popu-
lação urbana e 50% dos moradores rurais 
na América Latina, onde 117 milhões de 
pessoas não têm acesso aos serviços essen-
ciais de saneamento. No mundo, mais de 
125 milhões de crianças de menos de 5 
anos vivem em casas sem acesso a uma 
fonte de água potável, e mais de 280 mi-
lhões vivem sem acesso a facilidades de es-
gotamento sanitário (UNICEF, 2006). Já 
na América Latina e Caribe, em 2004, cerca 
de 50 milhões e 127 milhões de pessoas, 
respectivamente, não tinham acesso à água 
potável e cobertura de saneamento. Em 
2002, 83% da população mundial, aproxi-
madamente 5,2 bilhões de pessoas, foi aten-
dida com água potável, no entanto, 1,1 bi-
lhão de pessoas não tinha fontes saudáveis 
de água potável, sendo que destes quase 
dois terços viviam na Ásia (WHO/UNICEF, 
2004). Como consequência da falta de aces-
so à água potável e da inexistência de qual-
quer forma de esgotamento sanitário, mor-
rem por volta de 8 milhões de pessoas por 
ano no mundo (Camdessus et al., 2005).
Países como Bahamas, Malta e Singa-
pura têm restrita oferta de água, com um 
volume potencial de menos de 500 m3/ha-
bitante/ano. Já os EUA (Baixo e Alto Colo-
rado), Azerbaijão e Suriname, são muito 
ricos, com mais de 100.000 m3/habitante/
ano. A oferta de menos de 500 m3/habitan-
te/ano implica escassez de água (Falkenma-
rk, 1986 citado em Rebouças, 1999). Além 
da pouca oferta de água, segundo Rebouças 
(1999), muitos países têm excessiva depen-
dência da água gerada fora de seus territó-
rios. Há também que se preocupar com a 
má qualidade da água. Embora muitas regi-
ões tenham água em quantidade suficiente 
para o abastecimento, esta não é de boa 
qualidade para os usos desejados. Além 
disso, há necessidade de se investir em siste-
mas de tratamento de água cada vez mais 
sofisticados induzindo a cobrança pelo uso 
da água tratada em níveis impraticáveis 
pela maioria da população.
O saneamento básico constitui-se de 
um conjunto de ações que visam propor-
cionar níveis crescentes de salubridade am-
biental em determinado espaço geográfico, 
em beneficio da população que habita esse 
espaço. Essas ações, se adequadamente im-
plantadas, produzem efeitos positivos sobre 
o bem-estar e a saúde das populações bene-
ficiadas. Em consequência dos benefícios 
que proporciona, o saneamento básico ade-
quado é considerado parte constituinte do 
modo moderno de viver e um dos direitos 
fundamentais dos cidadãos das sociedades 
contemporâneas (Brasil, 2004). O bem-es-
tar das populações – apreendido pelos indi-
cadores sociais e de saúde – nos diversos pa-
íses, bem como no território brasileiro, é 
mais bem retratado pela abrangência dos 
serviços de água e de esgotamento sanitário, 
do que propriamente pelo potencial hídrico 
ou pela disponibilidade de água per capita 
(Libânio et al., 2005).
São efeitos positivos do saneamento 
básico (Esgoto é vida – Dossiê do sanea-
mento, 2006): melhoria da saúde da popu-
lação e redução dos recursos aplicados no 
tratamento de doenças; diminuição dos 
custos de tratamento da água para abaste-
cimento; melhoria do potencial produtivo 
das pessoas; dinamização da economia e 
geração de empregos; eliminação da po-
luição estético-visual e desenvolvimento do 
turismo; eliminação de barreiras não tari-
fárias para os produtos exportáveis das em-
presas locais; conservação ambiental; me-
lhoria da imagem institucional; reconhe-
cimento dos eleitores. Além disso, o 
investimento em esgoto sanitário tem um 
forte impacto positivo sobre a economia 
dos municípios com valorização dos imó-
veis residenciais e comerciais; viabilização 
a instalação de novos negócios nos bairros 
beneficiados e o crescimento dos já insta-
lados; crescimento da atividade de cons-
trução civil para atender o aumento da 
Meio ambiente e sustentabilidade 49
procura por imóveis residenciais e comer-
ciais; criação de novos empregos a partir 
da dinamização da construção civil, da 
abertura de novos negócios ou do cresci-
mento daqueles já existentes; aumento da 
arrecadação municipal de tributos.
Há tempos não é mais possível utilizar 
a água seguindo o modelo histórico, bas-
tando recorrer a novo manancial quando se 
quer mais água, seja pelo atual uso excessivo 
da água ou por redução da qualidade de-
corrente do uso dos mananciais como di-
luidores de esgotos, principalmente próxi-
mo aos grandes centros urbanos. O uso da 
água deve estar inserido no conceito de sus-
tentabilidade (a manutenção de um ecossis-
tema saudável, produtivo, com sua biodi-
versidade e processos ecológicos intactos, 
que gere emprego e renda compatíveis ao 
ecossistema explorado, garantindo a vida 
com qualidade para as gerações presentes e 
futuras, sempre).
Portanto, esses fatos sugerem que o 
planejamento e a implantação de sistemas 
de uso de água e o esgotamento sanitário 
envolvem uma complexidade de interesses e 
atores e que infelizmente não atingiu a uni-
versalidade desejada.
Este capítulo visa discutir a situação 
do saneamento ambiental no Brasil, em 
particular sobre a oferta de água potável e o 
esgotamento sanitário na Região Metropo-
litana de São Paulo (RMSP), e contribuir 
com sugestões visando minimizar os im-
pactos negativos sobre o meio e a saúde hu-
mana.
Os sistemas de 
abastecimento de água 
e de esgotamento sanitário
A implantação de sistema de abastecimento 
de água e do sistema de esgotamento sanitá-
rio, em municípios e localidades urbanas e 
rurais, constitui-se em importantes ações 
de saneamento ambiental. O fornecimento 
de água em quantidade e qualidade, neces-
sária aos diversos usos propostos pelo 
homem, há muito tempo é um dos grandes 
desafios dos administradores públicos. O 
acesso restrito não só constitui entrave ao 
crescimento econômico, como gera desi-
gualdades e se torna barreira ao rápido pro-
gresso (PNUD, 2006). Da mesma forma, a 
não coleta e tratamento sistemático dos es-
gotos gerados e o seu contínuo e indiscri-
minado lançamento nos corpos de água 
também constituem entrave ao desenvolvi-
mento e à melhoria da saúde da população, 
comprometendo ações futuras.
Há que se levar em consideração, que o 
planejamento e o investimento em abasteci-
mentode água e esgotamento sanitário, devi-
do à abrangência de tais propostas, por si só é 
tarefa árdua. No presente momento, iniciati-
vas em saneamento básico se tornam parti-
cularmente desafiadoras para algumas regi-
ões, por exemplo, como nas regiões costeiras 
da Baixada Santista (Estado de São Paulo) e 
na costa catarinense (Estado de Santa Catari-
na), ambos no Brasil, com os grandes afluxos 
de turistas que ocorrem em feriados prolon-
gados, em festas de final de ano e no Carna-
val, trazendo transtorno de toda sorte tanto 
para a população local quanto aos próprios 
turistas, em particular incluindo restrições 
ao acesso à água e ampliando a geração de es-
goto e os problemas decorrentes do seu lan-
çamento sem tratamento.
Saúde pública
Há duas posturas, em alguns casos antagô-
nicas, sobre as verdadeiras causas associa-
das à mortalidade em geral e à infantil, em 
particular: os “modelos sociais” e os “mode-
los médicos” (Simões, 2002). Os modelos 
sociais enfatizam o poder das variáveis so-
ciais na determinação da sobrevivência in-
fantil e a importância das mudanças estru-
turais na superação dos elevados índices de 
mortalidade, tais como o status ocupacio-
50 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
nal e o nível educacional da mãe, a desigual-
dade na distribuição social e regional dos 
recursos, entre outros. Já os modelos médi-
cos enfatizam o caráter fisiológico da doen-
ça e seu potencial de interrupção por inter-
médio de intervenções clínicas, tais como 
maior abrangência dos exames pré-natal. 
Também no contexto médico, a contamina-
ção do ambiente é uma das variáveis inter-
mediárias da mortalidade na infância. A 
água contaminada seria a porta de entrada 
de agentes infecciosos no organismo afe-
tando a qualidade de vida. Simões (2002) 
enfatiza ainda, que a não disponibilidade de 
água e de esgoto adequado está associada a 
menores valores de esperança de vida ao 
nascer, independentemente de renda fami-
liar. Segundo dados da Fundação Nacional 
de Saúde, para o período compreendido 
entre os anos de 1995 a 1999, 3,4 milhões de 
brasileiros foram internados em hospitais 
por doenças transmitidas pela água (Costa 
e Silva, 2007). Para Magnoni (2007), a falta 
de saneamento básico é a principal causa da 
mortalidade na infância por doenças para-
sitárias (dengue, malária, cólera, febre ama-
rela, teníase, cisticercose, esquistossomose, 
diarreia, etc.), e doenças infecciosas (hepa-
tite A, amebíase, leptospirose, etc.), males 
que proliferam em áreas sem coleta e trata-
mento de esgoto, o que também é sugerido 
por Teixeira e Guilhermino (2006). Para 
Ghosh (2004), a falta de acesso à água e ao 
esgotamento sanitário são algumas das 
principais causas do ciclo da pobreza. Os 
pobres não são contemplados por serem 
pobres e, por não terem acesso, continuam 
sendo pobres, refletindo a péssima qualida-
de de vida, com mais enfermidades, menos 
educação para seus filhos e vivendo em 
condições anti-higiênicas e ambientalmen-
te degradantes. Segundo a UNESCO (2003), 
o simples ato de lavar as mãos melhoraria a 
saúde e aumentaria a taxa de sobrevivência 
de crianças, reduzindo a mortalidade rela-
cionada à diarreia, pneumonia e outras 
doen ças contagiosas.
Além do meio aquático veicular eleva-
do número de enfermidades, a quantidade 
insuficiente de água gera hábitos higiênicos 
insatisfatórios e doenças relacionadas à ina-
dequada higiene dos utensílios de cozinha, 
do corpo e do ambiente domiciliar. Outro 
mecanismo compreende a situação da água 
no ambiente físico, proporcionando condi-
ções propícias à vida e à reprodução de ve-
tores ou reservatórios de doenças, como 
exemplo a água é hábitat de larvas de mos-
quitos vetores de doenças, como o mosquito 
Aedes aegypti transmissor da dengue (Brasil, 
2006b).
Oferecer água em quantidade e quali-
dade adequadas é condição sine qua non 
tanto para garantir melhores condições de 
vida como para garantir a própria manu-
tenção da vida. Assim, visando contribuir 
para a melhoria das condições de vida e da 
saúde da população, deveriam ser empre-
endidos esforços tanto para melhorar os 
indicadores sociais, bem como para am-
pliar os serviços de saúde ofertados à po-
pulação.
O saneamento no Brasil
Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamen-
to Básico 2000 (IBGE, 2000), quase todos 
os municípios brasileiros têm rede de abas-
tecimento de água. Em 2000, o serviço de 
abastecimento alcançou uma proporção de 
97,9% dos municípios do país, enquanto 
em 1989 abrangia 95,9%. A pesquisa reve-
lou que 116 municípios brasileiros, ou 2% 
do total, não têm abastecimento de água 
por rede geral; a maior parte deles situada 
nas regiões Norte e Nordeste. No que se re-
fere aos domicílios brasileiros, a cobertura é 
mais restrita, de 63,9%, e se caracteriza por 
um desequilíbrio regional. Na região Sudes-
te, a proporção de domicílios atendidos é de 
70,5%, nas regiões Norte e Nordeste, o ser-
viço alcança 44,3% e 52,9% dos domicílios, 
respectivamente. A abrangência do abaste-
Meio ambiente e sustentabilidade 51
cimento de água também varia de acordo 
com o tamanho populacional dos municí-
pios: quanto mais populosos forem, maio-
res as proporções de domicílios abastecidos. 
Os menores municípios apresentam maior 
deficiência nos serviços e apenas 46% dos 
domicílios situados em municípios com até 
20.000 habitantes contam com abasteci-
mento de água por rede geral.
O esgotamento sanitário é o serviço 
de saneamento básico com menor cobertu-
ra no Brasil (IBGE, 2000). Em 2000, dos 
5.507 municípios, 52,2% tinham esgota-
mento sanitário, portanto, 2.630 (47,8%) 
municípios não eram atendidos por rede 
coletora, utilizando soluções alternativas 
(fossas sépticas e sumidouros, fossas secas, 
valas abertas e lançamentos em cursos 
d’água). Em relação aos domicílios, a situa-
ção é mais crítica, apenas 33,5% são atendi-
dos por rede geral de esgoto, chegando ao 
nível mais baixo na região Norte (2,4%), se-
guidos da região nordeste (14,7%), Centro-
-Oeste (28,1%), Sul (22,5%) e Sudeste 
(53,0%). Nos municípios, a desigualdade 
dos serviços prestados se repete: quanto 
maior a população do município, maior a 
proporção de domicílios com serviço de es-
goto. O Norte é a região com a maior pro-
porção de municípios sem coleta (92,9%), 
seguido do Centro-Oeste (82,1%), do Sul 
(61,1%), do Nordeste (57,1%) e do Sudeste 
(7,1%). Nesses casos, os principais recepto-
res do esgoto in natura não tratado são os 
rios e mares. No Brasil, dos 52,2% municí-
pios que têm esgotamento sanitário, 32,0% 
têm serviço de coleta e 20,2% coletam e tra-
tam o esgoto. Em volume, no país, diaria-
mente, 14,5 milhões m3 de esgoto são coleta-
dos, sendo que 5,1 milhões m3 são tratados. 
O Sudeste é a região que tem a maior pro-
porção de municípios com esgoto coletado e 
tratado (33,1%), seguida do Sul (21,7%), 
Nordeste (13,3%), Centro-Oeste (12,3%) e 
Norte (3,6%). Cerca de 1 milhão de m3 de 
esgoto são tratados diariamente na Região 
Metropolitana de São Paulo (RMSP) (Brasil) 
(www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro 
de 2009).
IBGE (2000) considerou que o muni-
cípio tivesse rede geral de distribuição de 
água quando este atendesse pelo menos um 
distrito, ou parte dele, independentemente 
da extensão de rede, número de ligações ou 
de economias abastecidas. Relativo à rede 
coletora, considerou que tivesse rede cole-
tora quando atendesse pelo menos um dis-
trito, ou parte dele, independentemente da 
extensão da rede, número de ligações ou de 
economias esgotadas.
É relevante constatar que, além das es-
tatísticas relacionadas ao abastecimento de 
água e à coleta e tratamento dos esgotos 
apresentadas pelo IGBE (2000) IBGE (2004), 
de um total de 5560 municípios brasileiros, 
existiam 1.791 municípios sem órgão de 
meio ambiente na estrutura da prefeitura 
em 2002 e 1.607 municípios em 2004. Isso 
implica que, apesar do avanço, em 2004 
ainda havia muitos municípios sem estru-
tura formal em gestão ambiental, aí consi-
derados os que têmsecretaria municipal – 
exclusivamente tratando da gestão ambien-
tal ou dela cuidando de forma conjugada à 
outra área da administração do município 
– e os que possuem algum órgão de meio 
ambiente na estrutura da prefeitura, ainda 
que subordinado à secretaria de outra área. 
Essa falta de preocupação local de ter na 
prefeitura setor responsável pelo meio am-
biente, em parte reflete a carência de sanea-
mento básico no Brasil.
Também são preocupantes algumas 
constatações de Rezende e colaboradores 
(2007). Segundo esses pesquisadores, no 
Brasil, chefes de domicílios do sexo mascu-
lino, com idades superiores a 35 anos, de 
cor branca ou amarela, casados e com alta 
escolaridade, levam vantagem na cobertura 
de rede de abastecimento de água e de esgo-
tamento sanitário; essa vantagem é ainda 
maior se o domicílio possuir renda agrega-
da superior a cinco salários mínimos (para 
o ano de 2007, o salário mínimo foi de R$ 
52 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
380,00 – http://www.portalbrasil.net/sala-
riominimo.htm, acessado em fevereiro de 
2009) e for habitado por até três moradores. 
No que diz respeito à cor, negros e pardos 
estão mais sujeitos à exclusão sanitária, por-
que são, em média, mais pobres e menos es-
colarizados do que brancos e amarelos.
Os sistemas de abastecimento de água 
de todo o conjunto de prestadores de servi-
ços participantes do Sistema Nacional de 
Informações sobre Saneamento – SNIS, do 
Ministério das Cidades (Brasil), que inclui 
4.516 municípios, para o ano de 2006 apre-
senta como 34,1 milhões de ligações ativas, 
representando 443,1 mil quilômetros de 
rede e um volume de 13,9 bilhões de m3 de 
água tratada (Brasil, 2006a). Com base na 
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí-
lios de 2006 (http://www.ipea.gov.br/sites/ 
000/2/pdf_release/19SaneamentoeHabitacao. 
pdf, acessado em 12 de fevereiro de 2009), 
apesar do avanço ao acesso a serviços de sa-
neamento entre os anos de 2001 e 2006, 
34,5 milhões de pessoas nas áreas urbanas 
do Brasil estão desprovidas da coleta de es-
goto.
O saneamento na Região 
Metropolitana de São Paulo
Com base nas informações disponibilizadas 
pela SABESP – Companhia de Saneamento 
Básico do Estado de São Paulo (www.sa-
besp.com.br, acessada em fevereiro de 
2009), pode-se verificar que na RMSP há 
oito estações de tratamento de água (ETA) 
(Quadro 2.1). Essas ETAs em conjunto 
ofertam 67,8 m3/s de água potável para um 
total de 18,7 milhões de habitantes. Consi-
derando que cerca de 30% dessa água potá-
vel é perdida no trajeto até as residências 
(ISA, 2007), culmina em 47,46 m3/s de água 
potável efetivamente ofertada. Consideran-
do ainda que, nos diversos usos residen-
ciais, cerca de 10m3/s de água saem do siste-
ma, restam 37,46 m3/s descartados como 
água servida. Em contrapartida, as cinco es-
tações de tratamento de esgoto (fase líquida 
e sólida) (ETE) da RMSP, apresentam 18 
m3/s de vazão média de projeto como capa-
cidade máxima de tratamento de esgotos, 
mas atualmente operando no tratamento 
de 11 m3/s de esgoto (Quadro 2.2). Portan-
to, pode-se concluir que são lançados indis-
criminadamente nos corpos de água da 
RMSP por volta de 26,46 m3/s de águas ser-
vidas. Ou seja, são descartados na forma de 
esgoto não tratado quase 71% da água po-
tável que chega às residências da RMSP. 
Considerando que 18,7 milhões de habitan-
tes são contemplados com água tratada e 
que a população equivalente à quantidade 
de esgoto tratado seja de 8,44 milhões de 
habitantes (Quadros 2.1 e 2.2), em popula-
ção equivalente, o esgoto lançado sem tra-
tamento representa 10 milhões de habitan-
tes, ou aproximadamente 53% dos habitan-
tes da RMSP. Esses fatos demonstram que o 
sistema de tratamento de esgoto da RMSP, 
trabalhando com a vazão máxima de proje-
to, ao menos deve ser duplicado, unicamen-
te permitindo atender a atual demanda.
Particularmente para a RMSP, a uni-
versalidade do serviço de coleta e tratamen-
to de esgoto, em médio prazo, melhorará a 
qualidade das águas dos rios. Esse fato tam-
bém permitirá seguir com o empreendi-
mento idealizado pelo Engenheiro Asa 
Billings, a transposição das águas do rio Pi-
nheiros para a represa Billings, através da 
estação de recalque de Pedreira, passando 
suas águas posteriormente pelo Summit 
Control e seguindo para a represa Rio das 
Pedras. Dessa represa, construída no topo 
da escarpa da Serra do Mar, a água segue em 
desnível de cerca de 750m até a Usina Henry 
Boarden, em Cubatão. Na atualidade, essa 
usina hidrelétrica gera no horário de pico 
no máximo 150 MW, quando poderia inte-
grar a rede elétrica nacional produzindo 
continuamente na potência máxima de 880 
MW. Como benefício excepcional e com-
plementar da melhoria da qualidade da 
Meio ambiente e sustentabilidade 53
água, a ampliação na oferta de energia elé-
trica de uma instalação subutilizada gerará 
recurso financeiro que abaterá parte do in-
vestimento da ampliação da rede coletora e 
das novas e necessárias estações de trata-
mento de esgoto e de descarte de lodo.
O ambiente aquático – 
autodepuração e eutrofização
O emprego das massas de água como dilui-
doras de águas residuárias doméstica e in-
dustrial, isto é, o deliberado descarte de es-
QUADRO 2.1
Estação de tratamento de água (ETA) para abastecimento integrado na Região 
Metropolitana de São Paulo (RMSP), produção de água tratada e população atendida
 POPULAÇÃO 
 PRODUÇÃO ATENDIDA LOCAIS 
ETA (M3/S) (MILHÕES) ATENDIDOS
Alto Cotia 1 0,40 Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, 
 Embu-Guaçu e Vargem Grande
Baixo Cotia 0,9 0,46 zona Oeste da RMSP (Barueri, Jandira 
 e Itapevi)
Alto Tietê 10 3,10 zona leste da capital e Arujá, 
 Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos 
 e Suzano. Mauá, Santo André (parte), Mogi 
 das Cruzes e Guarulhos (bairro dos 
 Pimentas e Bonsucesso) abastecem suas 
 regiões e compram água do Sistema 
 Alto Tietê
Cantareira 33 8,10 zonas Norte, Central e parte das zonas 
 Leste e Oeste da capital e os municípios de 
 Franco da Rocha, Francisco Morato, 
 Caieiras, Guarulhos (parte), Osasco, 
 Carapicuíba, e parte de Barueri, Taboão da 
 Serra, Santo André e São Caetano do Sul
Guarapiranga 14 3,80 zona sul e sudoeste da Capital
Ribeirão da Estiva 0,1 0,04 Rio Grande da Serra
Rio Claro 4 1,20 Sapopemba (parte), na Capital e parte de 
 Ribeirão Pires, Mauá e Santo André
Rio Grande 4,8 1,60 Diadema, São Bernardo do Campo e 
 parte de Santo André
Total 67,8 18,7(**) 
* No site da Sabesp, há também outros números, de 65 mil litros de água por segundo e 
** 18,6 milhões de habitantes atendidos.
Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009.
54 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
goto bruto nos rios, é procedimento clássi-
co e amplamente utilizado em diversas 
partes do mundo. De fato, o ambiente aquá-
tico demonstra ter condições de receber e 
de decompor a matéria orgânica, mas car-
gas orgânicas acima de determinado nível 
causam alterações no ecossistema local e 
circunvizinho (Campos, 2000). Dependen-
do da carga orgânica lançada, o processo de 
autodepuração (o fenômeno da aparente 
capacidade de recuperação das condições 
anteriores à poluição – Schafer, 1984) é pre-
judicado, consequentemente, as condições 
ambientais não serão adequadas à reprodu-
ção e ao crescimento de organismos que de-
compõem a matéria orgânica (Campos, 
2000). Com isso, pode haver a degradação 
do ambiente. O lançamento de elevada 
carga de esgoto em um corpo de água, indi-
retamente consome oxigênio dissolvido, 
devido aos processos de estabilização da 
matéria orgânica realizados pelas bactérias 
decompositoras, que empregam o oxigênio 
disponível no meio líquido para a sua respi-
ração (von Sperling, 2005). Assim, após o 
ponto de lançamento do esgoto, há drástica 
redução do teor de oxigênio dissolvido. O 
decréscimo da concentração de oxigênio 
dissolvido tem diversas implicações do 
ponto de vista ambiental, constituindo-se, 
em um dos principaisproblemas de polui-
ção das águas em nosso meio. A degradação 
de material biodegradável é acompanhada 
pela rápida evolução do número de bacté-
rias, fungos, etc., no meio, provocando, em 
muitos casos, a morte de peixes, por exem-
plo, pela queda da concentração de oxigê-
nio até níveis muito baixos, geralmente in-
feriores a 2 mg/l (Campos, 2000). A favor da 
elevação da concentração de oxigênio em 
função da fotossíntese, têm-se a ação das 
algas, liberando oxigênio, e também a pró-
pria turbulência na superfície da água ace-
lerando a troca de oxigênio com a atmosfe-
ra. Como discutido em Campos (2000), 
após determinado percurso (ou tempo), as 
águas do rio recuperam melhores níveis de 
oxigênio, decorrente da predominância das 
ações favoráveis (algas e turbulência) sobre 
as desfavoráveis (degradação biológica), 
QUADRO 2.2
Estações de tratamento de esgoto (fase líquida e sólida) (ETE) da 
Região Metropolitana de São Paulo, vazão média de projeto (VMP), 
vazão atual (VA), população equivalente e corpo de água receptor.
 POPULAÇÃO CORPO 
 VMP VA EQUIVALENTE DE ÁGUA 
ETE (m3/s) (m3/s) (MILHÕES) RECEPTOR
ABC 3 1,3 1,4 Córrego dos Meninos
Barueri 9,5 7 4,4 Rio Tietê
Parque Novo Mundo 2,5 1,2 1,2 Rio Tietê
São Miguel 1,5 0,5 0,72 Rio Tietê
Suzano 1,5 1,0 0,72 Rio Tietê
Total 18 11 8,44 
Fonte: www.sabesp.com.br, acessado em fevereiro de 2009.
Meio ambiente e sustentabilidade 55
quando já ocorreu a mineralização de gran-
de parte da matéria orgânica. Assim, com 
base no perfil da concentração de oxigênio 
dissolvido, pode-se dividir um rio em zonas 
de autodepuração (Branco, 1984): a) zona 
de degradação: locais de despejos orgâni-
cos, a DBO atinge concentração máxima 
devido ao processo de decomposição; b) 
zona de decomposição ativa: locais com 
águas escuras devido à atividade aeróbica e 
anaeróbica intensa realizada por organis-
mos bentônicos; c) zona de recuperação: a 
DBO ainda é baixa, mas a maior parte do 
material biodegradável foi consumido; as 
águas estão mais transparentes e ocorre um 
aumento gradual da oxigenação; d) zonas 
de águas limpas: a água foi totalmente recu-
perada e suas condições são semelhantes 
àquelas anteriores à poluição. Na prática, o 
trecho de rio necessário para ocorrer essa 
recuperação pode ser de algumas dezenas 
ou centenas de quilômetros que, somados 
aos inúmeros despejos de efluentes ao 
longo do trajeto das águas, potencializa os 
problemas decorrentes do excesso de maté-
ria orgânica. Além da presença de compos-
tos orgânicos biodegradáveis, há a possibili-
dade de contaminantes, como organismos 
patogênicos, metais pesados, agrotóxicos e 
compostos radioativos, por exemplo, com-
prometendo mais ainda a qualidade da 
água e seus usos potenciais. O simples fato 
de elevar a carga orgânica da massa de água, 
mediante o despejo de esgotos, também 
acarreta o aumento dos teores de nutrien-
tes, em especial do nitrogênio e do fósforo, 
provocando os efeitos nocivos do aporte ex-
cessivo de nutrientes, o processo de eutrofi-
zação.
O processo de eutrofização é um dos 
mais graves problemas associado à redução 
da qualidade das águas superficiais. A falta 
de ações e medidas concretas em curto 
prazo visando conter e reduzir a eutrofiza-
ção contribuirá para o agravamento da de-
terioração da qualidade das águas, particu-
larmente em regiões metropolitanas das 
grandes cidades (Pompêo et al., 2005), es-
tendido para os grandes centros da América 
Latina. A eutrofização não se resume ao en-
riquecimento por nitrogênio e fósforo. Par-
tindo-se de uma situação de baixa trofia 
(ultraoligotrófico) a elevados níveis de nu-
trientes (hipereutrófico), podem ocorrer 
inúmeras mudanças no corpo de água: au-
mento da biomassa dos produtores primá-
rios; diminuição na concentração de oxigê-
nio no hipolímnio; aumento da concentra-
ção de nutrientes; produção de odores; 
progressão de uma população de diatomá-
ceas para cianobactérias e clorofíceas; dimi-
nuição da penetração de luz; liberação de 
toxinas por cianobactérias; mudanças na 
produtividade, biomassa e composição de 
espécie; perda dos aspectos estéticos da 
água como cor e odor; problemas para os 
sistemas de tratamento da água como a fil-
tração; danos à saúde; alterações no pH e 
redução na concentração de CO2; aumento 
da mortandade e na composição de peixes 
no ecossistema (Henderson-Sellers e Mark-
land, 1987; Vezjak et al., 1998; Smith et al., 
1999 citado em Pompêo et al.).
Não só os rios, mas também os reserva-
tórios, por estarem associados aos usos pelo 
homem, como depositários dos eventos pre-
sentes e passados de sua bacia de drenagem, 
e com sua dinâmica, estrutura, funciona-
mento e caracterização, em parte, sob a in-
fluência externa (Calijuri e Oliveira, 2000; 
Henry, 1990), sofrem as influências perversas 
do processo de eutrofização, como observa-
do nos reservatórios Billings e Guarapiranga 
na RMSP (Brasil).
Não só os nutrientes e organismos pa-
togênicos são prejudiciais à saúde. Os con-
taminantes químicos da água potável, mui-
tas vezes considerados menos prioritários, 
pois seus efeitos adversos na saúde se asso-
ciam geralmente com exposições de longo 
prazo, quando comparados com os efeitos 
mais imediatos de contaminantes micro-
biais, podem causar problemas de saúde 
muito sérios (Thompson et al., 2007).
56 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
Na RMSP, os estratégicos reservató-
rios Billings e Guarapiranga, abastecem 
cerca de 5,4 milhões de pessoas. No presen-
te momento, a SABESP (Companhia de Sa-
neamento Básico do Estado de São Paulo) 
considera que o reservatório Paiva Castro 
(Sistema Cantareira), que abastece cerca de 
8,1 milhões de habitantes, apresenta ótima 
qualidade da água. Porém, caso não seja al-
terado o processo de uso e ocupação de suas 
áreas de captação, inevitavelmente o Siste-
ma Cantareira passará pelo mesmo proces-
so de degradação vivenciado pelos reserva-
tórios Guarapiranga e Billings. A aplicação 
de sulfato de cobre, como procedimento de 
controle do indesejável crescimento de 
algas potencialmente tóxicas, as cianobac-
térias, que já ocorre no reservatório Paiva 
Castro nos meses mais quentes do ano, de-
monstra o agravamento do processo de eu-
trofização no sistema Cantareira. A contí-
nua deterioração da qualidade da água 
desse importante manancial, a possibilida-
de de redução dos usos e o aumento no 
custo do tratamento da água bruta, causa-
ram incontáveis transtornos a todo proces-
so produtivo, à qualidade de vida da popu-
lação em geral e da população ribeirinha 
em particular, que tem nesse corpo de água 
importante fonte de emprego e renda. A 
responsabilidade pela manutenção do uso 
com qualidade desses mananciais e de seu 
entorno é do poder público constituído. No 
entanto, a sociedade, o cidadão consciente, 
a escola participativa, as associações de 
bairro e profissionais, entre outros grupos 
organizados, não podem permitir que o 
poder público aplique unicamente seus in-
teresses no controle dos usos desses manan-
ciais. Segundo a Constituição Federal do 
Brasil (CF, 1988, Art. 225), todos têm direi-
to ao meio ambiente ecologicamente equili-
brado, bem de uso comum do povo e essen-
cial à sadia qualidade de vida, impondo-se 
ao poder público e à coletividade o dever de 
defendê-lo e preservá-lo para as gerações 
presentes e as futuras. Assim, também é 
dever do cidadão, e não cabe unicamente à 
SABESP, à Empresa Metropolitana de Águas 
e Energia S.A. (EMAE), à Companhia de 
Tecnologia de Saneamento Ambiental (CE-
TESB) e às secretarias estaduais e munici-
pais de meio ambiente e de saneamento, no 
caso da RMSP, a responsabilidade pelo ge-
renciamento, monitoramento, fiscalização e 
manejo das massas de água. A participação 
ativa da sociedade, fiscalizando, sugerindo, 
monitorando e cobrando transparência nas 
ações do poder público é fundamental para 
garantir usos mais nobres dos espaços e 
seus produtos, em particular dos ambientes 
aquáticos, garantindo água em quantidade 
ede melhor qualidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O sistema de gerenciamento de serviços pú-
blicos de saneamento é formado pelo con-
junto de agentes institucionais, governa-
mentais e entidades privadas, que têm o ob-
jetivo de executar a política de saneamento, 
tendo como principal instrumento o plano 
de saneamento (Moraes, 1997 citado em 
Brasil, 2004). Para esse autor, a gestão dos 
serviços de saneamento deve estar respalda-
da em uma política de saneamento, na qual 
estejam explicitadas a diretriz geral, o mo-
delo de gerenciamento, a organização legal e 
institucional e o sistema de gerenciamento 
que reúna os instrumentos para o planeja-
mento, a execução, a operação e a avaliação 
das obras e serviços de saneamento, segun-
do princípios de uma política pública de sa-
neamento. Considera também que as ações 
governamentais estão refletidas em leis, de-
cretos, normas e regulamentos vigentes.
Moraes (2004) ressalta a importância 
de se manter a população como usuária dos 
recursos hídricos e não consumidora de 
uma mercadoria. Comenta que na iniciati-
va privada o objetivo é a lucratividade, o 
que não garante o abastecimento igualitário 
para a população de baixa renda.
Meio ambiente e sustentabilidade 57
É óbvio que os serviços de saneamen-
to básico existem para satisfazer as necessi-
dades vitais dos moradores das cidades, es-
tados ou países (Yassuda e Iuni, 2000). Por-
tanto, o saneamento deve ser assumido 
como um direito humano essencial próprio 
da conquista da cidadania, contrapondo-se 
à visão do saneamento como um bem de 
mercado, sujeito às suas regras. As políticas 
públicas de saneamento devem se nortear 
por princípios, relacionados aos seus fins, à 
universalidade, à equidade, à integralidade, 
à qualidade, ao acesso e à sustentabilidade 
ambiental (Heller e Castro, 2007). No en-
tanto, para os usuários não importa se a 
gestão é municipal ou estadual, se é pública 
ou até mesmo se há participação da iniciati-
va privada; interessa, sim, se essa gestão 
possibilita água com qualidade, quantidade 
e universalidade. Importa, sim, se essa ges-
tão possibilita que seu esgoto seja coletado, 
afastado e tratado, garantindo saúde am-
biental e humana. Importa também, e prin-
cipalmente, se essa gestão oferece serviços 
capazes de atender às necessidades básicas 
da comunidade, em forma sustentável e de 
modo a impulsionar o processo de desen-
volvimento econômico-social (Orega e Phi-
lippi Jr., 2005) para todos. O atendimento a 
esses pontos somente é possível se os servi-
ços de abastecimento de água e de esgota-
mento sanitário não forem pautados pelo 
lucro, se geridos por entidade pública e com 
transparência. Os desembolsos financeiros 
devem ser entendidos como investimento e 
nunca como despesa.
Devemos ainda levar em consideração 
o espaço como definido por Santos (2008) 
(“espaçotemporal”), o que implica que as 
ações relacionadas ao abastecimento de 
água e esgotamento sanitário devam sem-
pre ser revistas e ter sua tecnologia atualiza-
da, para atender às novas demandas e in-
corporar os novos conhecimentos à luz da 
ciência. Portanto, são necessárias revisões e 
ações continuadas, o que implica necessário 
planejamento.
Apenas com políticas públicas efica-
zes, voltadas ao bem público, com sólidos 
programas de educação ambiental e com a 
participação ativa da sociedade em fóruns 
de discussões e decisões, será possível atin-
gir metas de melhoria da qualidade de vida 
e restaurar a qualidade das águas dos rios 
Tietê, Pinheiros e represas Billings e Guara-
piranga e preservar a qualidade da água do 
reservatório Paiva Castro, em processo de 
eutrofização, no caso da RMSP. É impres-
cindível que o poder público aplique os ins-
trumentos legais disponíveis e que a conti-
nuidade de projetos e ações de melhoria do 
meio ambiente seja garantida (Kakinami et 
al., 2004, citado em Pompêo et al., 2005).
Deve-se levar em consideração o efeti-
vo controle dos usos e ocupações dos espa-
ços na bacia de captação. Os usos vigentes e 
propostos devem evitar a degradação da 
qualidade da água para o abastecimento 
público.
A falta de água para abastecimento 
público, a inadequação do planejamento e a 
restrita implantação do sistema de esgota-
mento sanitário contribuem para a rápida 
deterioração da qualidade de água nos ma-
nanciais e ampliam os custos de tratamento 
da água bruta, além de agravarem os inú-
meros problemas de saúde pública. Há ten-
dência dos políticos e de muitos técnicos de 
atender prioritariamente a demanda por 
água potável e restrita preocupação em co-
letar e tratar todo esgoto gerado. A popula-
ção, em contrapartida, mobiliza-se princi-
palmente para exigir água potável, mas se 
esquece do complemento, a água servida, 
em grande parte lançada como esgoto in 
natura nos corpos de água mais próximos. 
As estatísticas nacionais corroboram essas 
afirmações.
Deve haver equacionamento entre a 
oferta de água potável à população e a cole-
ta e o tratamento de esgoto e do lodo gera-
do. Isto é, todos os habitantes deveriam ter 
água em quantidade e qualidade necessá-
rias, quantidade estimada pela ONU em 
58 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
110 litros/dia e, posterior ao uso, toda água 
servida deveria obrigatoriamente ser cole-
tada e tratada, adequando o efluente aos pa-
drões de lançamento, garantindo manan-
ciais mais saudáveis e, consequentemente, 
melhor qualidade de vida em todos os ní-
veis. No entanto, há claro descompasso po-
lítico na relação quantidade/qualidade de 
água potável e de água servida, não sendo 
compreendida pelos governantes e muitos 
de seus técnicos como um sistema único e 
integrado, que deve ser planejado e implan-
tado de forma conjunta, compondo uma 
única política pública de saneamento. É 
senso comum no Brasil a frase “obra enter-
rada não ganha voto”, referindo-se ao siste-
ma coletor de esgotos. Por princípio, o em-
prego dos corpos de água como diluidor de 
esgoto in natura, inclusive o uso de emissá-
rios submarinos, deveria ser abolido.
As discussões das inúmeras questões 
relacionadas à implantação do saneamento 
básico, em particular no Brasil, dizem res-
peito principalmente aos aspectos políticos 
e não técnicos. É possível coletar e tratar 
água bruta através de diversos procedimen-
tos (Di Bernardo e Di Bernardo Dantas, 
1993) e há inúmeras maneiras de tratar o 
esgoto, desde as tradicionais lagoas de esta-
bilização e lodo ativado, passando por mé-
todos alternativos como as terras úmidas 
construídas (os constructed wetlands) ou 
leito de macrófitas aquáticas (von Sperling, 
1996; EPA, 2000a, 2000b; Sousa et al., 2004). 
Portanto, atualmente existem as competên-
cias necessárias para solucionar os diversos 
aspectos da crise da gestão de recursos hí-
dricos, porém, a inércia dos líderes e a au-
sência de clara consciência sobre a magni-
tude do problema por parte da população, 
muitas vezes não suficientemente autôno-
ma para raciocinar, resulta em um vazio de 
medidas corretivas, necessárias e urgentes 
(UNESCO, 2003). As perspectivas futuras 
são desanimadoras.
O uso da água deve ser respaldado 
por estudos multidisciplinares, incluindo 
propostas de descarte da água servida, com 
sugestões de cenários futuros, com deci-
sões tomadas em fórum de discussão que 
envolva representantes de todos os setores 
interessados. A universalidade do sanea-
mento ambiental, com abastecimento pú-
blico mínimo de água com qualidade, e de 
total coleta e tratamento dos esgotos gera-
dos, devem ser posições basilares, incorpo-
rando sua aplicação “espaçotemporal”.
Os sistemas de abastecimento de água 
devem ser dimensionados para atender às 
necessidades de água da região beneficiada. 
É importante que as projeções das necessi-
dades e as disponibilidades dos recursos hí-
dricos, em função do aquecimento da eco-
nomia e do crescimento demográfico, sejam 
calculadas com antecipação. Os sistemas 
devem ser planejados, arquitetados e cons-
truídos, para funcionarem durante muito 
tempo sem riscosde deterioração. Apesar 
disso, as atividades de monitoramento do 
sistema, buscando detectar, no mais curto 
espaço de tempo, possíveis problemas ou 
defeitos, são de importância capital, para 
garantir a retroalimentação sistêmica, rela-
cionada com as atividades de manutenção 
(Brasil, 2003).
Resolver a crise da água, porém, é ape-
nas um dos desafios que enfrenta a humani-
dade. A crise da água se situa em uma pers-
pectiva mais ampla de solução de problemas 
e resolução de conflitos. Tal como indicou a 
Commission for Sustainable Development 
em 2002, erradicar a pobreza, modificar os 
padrões de produção e consumo insustentá-
veis e proteger e administrar os recursos na-
turais do desenvolvimento social e econô-
mico constituem objetivos primordiais e a 
exigência essencial de um desenvolvimento 
sustentável (UNESCO, 2003).
Há também necessidade de leis mais 
sólidas e claras, com definições de sanções 
Meio ambiente e sustentabilidade 59
quando do seu não cumprimento. Não é 
conveniente pensar o saneamento com base 
no lucro financeiro. O maior lucro é manter 
os serviços e potencialidades do meio am-
biente por tempo indefinido.
Sendo urgente despender esforços 
para equacionar questões relativas à manu-
tenção da qualidade e quantidade da água 
dos mananciais e visando minimizar os 
problemas relacionados ao abastecimento 
público e esgotamento sanitário nos gran-
des centros urbanos e garantir mananciais 
mais saudáveis para gerações futuras, são 
propostas:
a) nenhuma entidade federal, estadual, mu-
nicipal ou privada poderá captar qualquer 
quantidade de água bruta sem a aprova-
ção prévia dos órgãos competentes;
b) toda entidade federal, estadual, munici-
pal ou privada terá o prazo máximo de 
cinco anos para regularizar e cadastrar 
seu sistema de captação de água bruta 
em operação, atendendo normas estabe-
lecidas pelas diferentes esferas de gover-
no, no caso de descumprimento ficará 
definido multa diária;
c) definir em lei a quantidade máxima de 
água bruta que poderá ser captada, com 
base na quantidade – vazão e carga reti-
radas, levando em consideração a vazão 
e carga do manancial (rio) e a recarga de 
lagos e reservatórios, discriminando res-
ponsabilidades e sansões quando do seu 
descumprimento;
d) o não cumprimento das normativas 
apre sentadas nos itens anteriores impli-
cará não ter analisadas novas solicita-
ções de captação até a regularização da 
atual situação;
e) a obrigatoriedade definida em lei que 
para cada metro cúbico de água potável 
ofertada à população sejam definidos 
em projeto a respectiva coleta e trata-
mento da água servida. A oferta de água 
potável e a coleta e o tratamento do es-
goto gerado devem ser entendidos como 
um sistema único, integrado e indissoci-
ável, implicando que sejam considera-
dos conjuntamente no planejamento, na 
implantação e na solicitação de recur-
sos, com pena de não ter aprovada a 
proposta de captação de água bruta;
f) definir em lei o limite máximo de 10% 
para a fuga de água, implicando multas 
e sanções quando do seu não cumpri-
mento; para tanto será obrigatória a im-
plantação de sólido programa de moni-
toramento de perdas e controle da água 
ofertada;
g) a obrigatoriedade definida em lei para 
que, no prazo máximo de dez anos, todo 
esgoto gerado seja efetivamente coleta-
do e tratado (descarte zero), definindo 
graves sanções às diferentes esferas de 
governo e seus dirigentes quando da não 
observância da lei;
h) empreendimentos já instalados têm o 
prazo de dez anos para se integrarem à 
rede coletora de esgotos, após esse prazo 
serão integrados compulsoriamente, ar-
cando com os custos de instalação so-
mados às despesas de multas e custos 
processuais;
i) definir em lei que novos empreendi-
mentos somente serão aprovados para 
uso após serem definitivamente integra-
dos à rede coletora de esgoto;
j) definir em lei prazos para a instalação de 
sistemas de tratamento e descarte de lodo, 
provenientes das ETAs e ETEs, com defini-
ções de responsabilidades, sanções e mul-
tas quando do seu não cumprimento;
k) definir em lei que novos empreendi-
mentos (condomínios, museus, clubes, 
estádios, escolas, shopping centers, par-
ques temáticos, indústrias, hospitais, 
hotéis, motéis, restaurantes, casas de es-
petáculos e de exposições e outros esta-
belecimentos comerciais e empreendi-
60 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)
mentos de grande porte público e priva-
do, com base na área física instalada e no 
número de pessoas atendidas) implan-
tem sistema de reuso de água, com pra-
zos de instalação e projetos aprovados 
por órgãos competentes;
l) definir que esses mesmos empreendi-
mentos também implantem sistema de 
captação de água de chuva, com prazos 
de instalação e projetos aprovados por 
órgãos competentes;
m) definir em lei o prazo de dez anos para que 
empreendimentos já instalados (ver item 
k) implantem sistema de captação de água 
de chuva, com prazos de instalação e pro-
jetos aprovados por órgãos competentes;
n) cobrar de modo diferenciado e escalo-
nado, segundo o consumo de água – 
quanto mais consome mais paga, garan-
tindo uma tarifa social mínima de ao 
menos 110 litros/habitante/dia;
o) instalar medidores de consumo de água 
individuais – em cada casa um medidor 
de consumo;
p) empreender esforços visando ampliar o 
controle e a vigilância da qualidade da 
água pelos órgãos responsáveis pelo 
abastecimento e por órgãos de saúde 
pública, da água bruta à torneira para o 
consumidor final;
q) implantar sólidos programas de contro-
le de perdas;
r) empreender esforços em todos os níveis 
com campanhas educacionais sobre a im-
portância da água, seu uso racional, a pre-
servação de sua qualidade e quantidade;
s) empreender esforços em campanhas edu-
cacionais relacionadas à saúde pública, re-
forçando a importância de hábitos sim-
ples como lavar as mãos com sabão após 
usar o banheiro e antes das refeições;
t) estabelecer que estado e prefeitura obri-
gatoriamente implantem secretaria de 
meio ambiente e de saneamento;
u) definir que toda secretaria de meio am-
biente e de saneamento (federal, esta-
duais e municipais) deva manter site atua-
lizado com as ações empreendidas e 
metas para o sistema de abastecimento 
de água e esgotamento sanitário.
AGRADECIMENTOS
Agradeço à Profa. Dra. Sandra Tédde San-
taella (Universidade Federal do Ceará, Ins-
tituto de Ciências do Mar, Fortaleza, Ceará, 
Brasil) pela leitura crítica do manuscrito e a 
Fapesp (02/13376-4 e 06/51705-0) e CNPq 
(471184/2006-3 e 470443/2008-1).
Este documento tem como objetivo apresentar um 
exercício introduzindo os cálculos para a determina-
ção do Índice do Estado Trófico (IET) e algumas dis-
cussões relativas à sua interpretação, utilizando 
como base o relatório “Qualidade das águas inte-
riores no Estado de São Paulo. Índice de Qualidade 
das Águas. Anexo V”, modificado de Cetesb (2006).
O conceito de estado trófico é baseado no 
fato de que mudanças nos níveis de nutrientes 
(medido como fósforo total) causam mudanças na 
biomassa algal (medida pela concentração de clo-
rofila-a). Por sua vez, alterações na biomassa algal 
interferem na penetração da luz na água (medida 
pela transparência do disco de Secchi) (EPA, sem 
data). Assim, com base no estado trófico é possível 
classificar as massas de água em diferentes graus 
de trofia, ou seja, avaliar a qualidade da água 
quanto ao enriquecimento por nutrientes, princi-
palmente, e seus efeitos relacionados ao cresci-
mento excessivo de algas e macrófitas aquáticas 
(CETESB, 2006). Além disso, o IET sintetiza a infor-
mação, permitindo melhor avaliar alterações nos 
EXERCÍCIOS
CÁLCULO DO ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
DICA DO PROFESSOR
O vídeo a seguir apresenta uma breve apresentação desta Unidade de Aprendizagem, assim 
como a situação do saneamento básico,a partir de dados de pesquisas contemporâneas. Além 
disso, aborda os benefícios e os problemas associados à presença e à ausência de saneamento 
básico, respectivamente.
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EXERCÍCIOS
1) O que se entende por saneamento básico segundo a Lei Federal no 11.445/2007? 
A) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água 
doce, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de 
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.
B) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água 
potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de 
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.
C) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água 
potável, de esgotamento sanitário, de podas das árvores e manejo de resíduos sólidos e de 
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.
D) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água 
potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de efluentes e de drenagem 
e manejo das águas pluviais urbanas.
E) Conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água 
potável, de esgotamento sanitário, de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e de 
drenagem e manejo das águas fluviais.
2) A falta de saneamento básico estaria diretamente relacionada a quais consequências? 
 
A) Hábitos higiênicos satisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente 
domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à 
reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
B) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente 
domiciliar; veiculação de reduzido número de enfermidades e condições propícias à 
reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
C) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente 
domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à 
reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
D) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente 
domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições não favoráveis à 
reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.
E) Hábitos higiênicos insatisfatórios dos utensílios de cozinha, do corpo e do ambiente 
domiciliar; veiculação de elevado número de enfermidades e condições propícias à 
reprodução de vetores de doença, como o mosquito Aedes aegypti, transmissor da raiva.
3) Entre os benefícios da presença de saneamento básico em uma determinada região 
podem estar: 
A) Prejuízo à saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças; 
diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do potencial 
produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da 
poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação ambiental; melhoria 
da imagem institucional.
B) Melhoria da saúde da população e aumento dos recursos aplicados no tratamento de 
doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do 
potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; 
eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação 
ambiental; melhoria da imagem institucional.
C) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de 
doenças; aumento dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do 
potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; 
eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação 
ambiental; melhoria da imagem institucional.
D) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de 
doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do 
potencial produtivo das pessoas, estagnação da economia e geração de empregos; 
eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação 
ambiental; melhoria da imagem institucional.
E) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de 
doenças; diminuição dos custos de tratamento da água para abastecimento; melhoria do 
potencial produtivo das pessoas, dinamização da economia e geração de empregos; 
eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo; conservação 
ambiental; melhoria da imagem institucional.
4) Qual é a causa da morte de cerca de 8 milhões de pessoas no mundo anualmente e 
que possui relação com o saneamento básico? 
A) Aids
B) Câncer
C) Rubéola
D) Falta de acesso à água potável e ao esgotamento sanitário.
E) Gripe H1N1
5) Constituem-se em importantes ações de saneamento ambiental: 
A) Sistema de abastecimento de água e do sistema de esgotamento sanitário.
B) Plantio de árvores.
C) Adoção de uma caneca retornável.
D) Uso de plantas medicinais.
E) Combate ao tráfico de animais silvestres.
NA PRÁTICA
Na prática, se uma indústria que produz resíduos líquidos (efluentes) não realizar as etapas 
corretas de armazenamento, transporte e tratamento desses resíduos, além de crime ambiental, 
terá pelo menos outras três consequências cruciais: 
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007
Leia sobre a Lei no 11.445 no Portal da Câmara dos Deputados no link abaixo.
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IBGE: 35,7% dos brasileiros vive sem esgoto, mas 79,9% já tem acesso à internet
Pouco mais de um terço dos brasileiros vivem em domicílios sem coleta de esgoto sanitário. 
Leia mais a reportagem da UOL escrita por Daniela Amorim e Vinicius Neder.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
INFOGRÁFICO: A realidade do saneamento básico no Brasil
Plataforma digital da CNI apresenta, de forma interativa e dinâmica, um retrato detalhado dos 
serviços de água e esgoto em todo país e da deficiência no atendimento enfrentada pela 
população brasileira (Consta no final da página)
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Diretrizes Nacionais de Saneamento 
Básico – Parte II
APRESENTAÇÃO
Nesta Unidade de Aprendizagem, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento básico. 
Essas diretrizes são orientadas pela lei no 11.445/2007 e estão diretamente vinculadas aos quatro 
eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem 
de águas superficiais. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir saneamento básico, segundo a Lei Federal no 11.445/2007.•
Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico.•
Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abastecimento de água, no 
esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e 
manejo das águas pluviais urbanas.
•
DESAFIO
Você é gestor ambiental de um município e precisa convencer o prefeito quanto à implantação 
de políticas públicas voltadas ao saneamento básico.
INFOGRÁFICO
O infográfico a seguir demonstra alguns dos principais pontos relacionados ao saneamento 
básico conforme a Lei no 11.445/07:
CONTEÚDO DO LIVRO
O capítulo a seguir, trazerá maior enriquecimento teórico sobre o assunto, contribuindo para o 
gestor ambiental relacionar o seu dia a dia com os aspectos do saneamento básico.
Boa leitura!
SANEAMENTO
Ronei Stein
Diretrizes Nacionais 
de Saneamento 
Básico – Parte II
Objetivosde aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Definir saneamento básico segundo a Lei Federal nº. 11.445, de 5 de
janeiro de 2007
 Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico.
 Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abas-
tecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana
e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e manejo das águas
pluviais urbanas
Introdução
Neste capítulo, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento 
básico. Essas diretrizes são orientadas pela Lei nº. 11.445/2007 e estão 
diretamente vinculadas aos quatro eixos do saneamento: abastecimento 
de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas 
superficiais.
Importância da Lei nº. 11.445/2007 
para o saneamento
De modo geral, saneamento é o conjunto de medidas que buscam preservar 
ou modifi car o meio ambiente para prevenir doenças e semear saúde. Com 
saneamento, é possível melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a produtivi-
dade do indivíduo e otimizar a atividade econômica. No Brasil, o saneamento 
básico é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei 
nº. 11.445/2007, a Lei Federal de Saneamento Básico.
A Lei nº. 11.445/2007 trouxe novas diretrizes nacionais e definiu o plane-
jamento dos serviços básicos como instrumento fundamental para se alcançar 
o acesso universal ao saneamento básico. Todas as cidades devem formular as 
suas políticas públicas visando à universalização, sendo o plano municipal de 
saneamento básico (PMSB) o instrumento de estratégia e diretrizes. 
Os componentes do saneamento básico são o abastecimento de água, o 
esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a dre-
nagem e manejo das águas pluviais urbanas (INSTITUTO TRATA BRASIL, 
2018). Saneamento é um fator essencial para o desenvolvimento econômico 
e social de um país. Os serviços de água tratada, de coleta e tratamento dos 
esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na 
saúde infantil, com redução da mortalidade infantil e melhorias na educação. 
Tembém levam à expansão do turismo, valorização dos imóveis, melhoria 
da renda do trabalhador, despoluição dos rios e preservação dos recursos 
hídricos, etc.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta algumas medidas para 
promover o saneamento básico:
  instalação e manutenção de esgotos sanitários;
  drenagem das águas pluviais;
  administração do nível de poluição do meio ambiente;
  planejamento para ocupação dos territórios levando em conta o 
saneamento;
  abastecimento da população com água potável;
  administração da quantidade de insetos e animais nocivos à saúde 
humana;
  coleta de lixo e sua adequação;
  saneamento dos lares, locais de trabalho e de lazer.
Aspectos relevantes da Lei nº. 11.445/2007
A Lei nº. 11.445/2007 cria as diretrizes básicas para a organização dos serviços 
de saneamento básico no Brasil. Entre as quais, pode-se destacar (BRASIL, 
2007):
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II2
a) Definição: a lei define saneamento básico como o conjunto de serviços, 
infraestruturas e instalações operacionais de:
 ■ abastecimento de água potável, compreendendo desde a captação até 
as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; 
 ■ esgotamento sanitário, compreendendo a coleta, o transporte, o tra-
tamento e a disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde 
as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente;
 ■ limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo a 
coleta, o transporte, o transbordo, o tratamento e o destino final 
do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de 
logradouros e vias públicas; 
 ■ drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, compreendendo o 
transporte, a detenção ou a retenção para o amortecimento de vazões 
de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas 
nas áreas urbanas.
b) Titularidade: a lei não aborda diretamente a questão da titularidade 
dos serviços de saneamento básico. A esse respeito, determina apenas 
que o titular deve prestar os serviços diretamente ou deve:
 ■ delegar a organização, a regulação, a fiscalização dos serviços a 
outros entes da federação por meio de consórcios públicos e convênios 
de cooperação entre os entes federados; 
 ■ delegar a prestação dos serviços a ente que não integre a adminis-
tração do titular por meio de contrato, sendo vedada a disciplina 
mediante convênios, termos de parceria ou outros instrumentos de 
natureza precária.
c) Entidade Reguladora: a lei prevê a criação de uma entidade regula-
dora, que deve editar normas sobre as dimensões técnicas, econômicas 
e sociais de prestação dos serviços. A entidade reguladora deve ter 
autonomia administrativa, orçamentária e financeira para que possa 
atuar com independência decisória e transparência.
Além disso, de acordo com Pereira Júnior (2008), a Lei nº. 11.445/2007 
apresenta alguns dispositivos quanto à regularização dos serviços de sanea-
mento básico:
  Reconhecimento da necessidade de que os serviços de saneamento 
tenham sustentabilidade econômica.
  Visão equilibrada da função social do saneamento. O saneamento é 
importante para a saúde pública, para o meio ambiente e para o bem-
3Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
-estar geral da sociedade, mas, como um “serviço público”, tem de ter 
sustentabilidade econômica para garantir sua prestação com qualidade, 
confiabilidade e continuidade.
  Possibilidade de resolução gradual dos problemas ambientais decorrentes 
da deficiência ou ausência de serviços de saneamento básico.
  Regulamentação da prestação regionalizada de serviços de saneamento 
básico, criando condições legais estáveis para a atuação de entidades e 
empresas estaduais, municipais e privadas em vários municípios, com 
ganhos de escala e otimização de recursos logísticos, administrativos, 
técnicos e operacionais.
  Elaboração de planos de saneamento básico, compatibilizando os quatro 
serviços que o compõem, além da elaboração de mecanismos de controle 
social e de sistema de informações sobre os mesmos.
  Formalização por contrato de toda relação entre titular e prestadores 
de serviços e entre prestadores de etapas complementares do mesmo 
serviço.
  Planejamento e regulação de todos os serviços. A lei fornece o conteúdo 
mínimo da regulação e permite que o planejamento seja elaborado 
mediante cooperação de outras entidades, inclusive prestadores de 
serviços. Também permite e delegação da regulação a outras entidades, 
inclusive de outros entes da federação, e a consórcios de municípios.
  Estabelecimento de diretrizes econômicas e sociais, as quais incluem 
as regras gerais para a cobrança dos serviços de saneamento — tarifas, 
taxas e tributos, além das formas de quantificação dos serviços, como 
o volume de água consumida e de esgoto coletado e a quantidade de 
lixo coletado.
  Estabelecimento de diretrizes técnicas para a prestação de serviços 
de saneamento básico: requisitos mínimos de qualidade, regularidade 
e continuidade. A lei centraliza na União a definição de parâmetros 
mínimos de potabilidade da água para o abastecimento público, o que 
já é feito pelo Ministério da Saúde. Estabelece condições específicas 
para o licenciamento ambiental de unidades de tratamento de esgotos 
e de resíduos gerados pelos processos de tratamento de água. Torna 
obrigatória a ligação de toda edificação nas redes públicas de água e 
de esgotos.
  Controle social dos serviços de saneamento básico, remetendo aos 
titulares dos serviços a definição da forma como esse controle será 
organizado e exercido.
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II4
Diretrizes nacionais para o saneamento básico
A superação das desigualdades sociais no acesso aos serviços públicos de 
saneamento básico é questão fundamental para alavancar a área e cumprirseu objetivo de universalização no atendimento à população, conforme esta-
belecido nas diretrizes nacionais e na Política Federal de Saneamento Básico 
(BRASIL, 2007). 
Conforme art. 48 da Lei nº. 11.445/2007, a União deve respeitar as seguintes 
diretrizes (BRASIL, 2007):
  prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial 
no acesso ao saneamento básico;
  aplicação dos recursos financeiros, de modo a promover o desenvolvi-
mento sustentável, sua eficiência e eficácia;
  estímulo ao estabelecimento de adequada regulação dos serviços;
  utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento so-
cial no planejamento, implementação e avaliação das suas ações de 
saneamento básico;
  melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais e de saúde 
pública;
  colaboração para o desenvolvimento urbano e regional;
  garantia de meios adequados para o atendimento da população rural 
dispersa, inclusive mediante à utilização de soluções compatíveis com 
suas características econômicas e sociais peculiares;
  fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, à adoção de 
tecnologias apropriadas e à difusão dos conhecimentos gerados;
  adoção de critérios objetivos de elegibilidade e prioridade, levando 
em consideração fatores como nível de renda e cobertura, grau de 
urbanização, concentração populacional, disponibilidade hídrica, riscos 
sanitários, epidemiológicos e ambientais;
  adoção da bacia hidrográfica como unidade de referência para o pla-
nejamento de suas ações;
  estímulo à implementação de infraestruturas e serviços comuns a mu-
nicípios, mediante mecanismos de cooperação entre entes federados.
  estímulo ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de equipamentos e 
métodos economizadores de água.
5Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
 Em relação ao Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), ele deve 
ser elaborado obrigatoriamente pelo titular dos serviços municipais de sa-
neamento básico. Trata-se de instrumento fundamental para que os gestores 
públicos possam controlar ou conceder os serviços de abastecimento de água, 
esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e limpeza 
urbana e manejo dos resíduos sólidos. 
A Lei nº. 11.445/2007 define como funções essenciais da gestão dos serviços 
públicos de saneamento básico o planejamento, a regulação, a prestação e a 
fiscalização dos serviços e o controle social. O plano de saneamento básico 
será revisto periodicamente, em prazo não superior a quatro anos. O PMSB 
é o documento básico do planejamento, contemplando os modelos de gestão, 
as metas, os projetos e as respectivas tecnologias e as estimativas dos custos 
dos serviços. Ele deverá ser elaborado de acordo com os princípios/diretrizes 
da lei. Estas diretrizes são, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde — 
FUNASA (BRASIL, 2012):
  universalização do acesso com integralidade, segurança, qualidade e 
regularidade na prestação dos serviços;
  promoção da saúde pública, segurança da vida e do patrimônio, proteção 
do meio ambiente;
  articulação com as políticas de desenvolvimento urbano, saúde, proteção 
ambiental e interesse social;
  adoção de tecnologias apropriadas às peculiaridades locais e regionais;
  uso de soluções graduais e progressivas e integração com a gestão 
eficiente de recursos hídricos;
  gestão com transparência baseada em sistemas de informação, processos 
decisórios institucionalizados e controle social;
  promoção da eficiência e sustentabilidade econômica, considerando a 
capacidade de pagamento dos usuários.
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II6
O Quadro 1 apresenta os princípios de uma política básica de saneamento.
Princípio Definição
Universalidade As ações e serviços públicos de saneamento básico, além de 
serem, fundamentalmente, de saúde pública e de proteção 
ambiental, são também essenciais à vida, um direito social 
básico e um dever do Estado. Assim, o acesso aos serviços 
de saneamento básico deve ser garantindo a todos os 
cidadãos mediante tecnologias apropriadas à realidade 
socioeconômica, cultural e ambiental.
Integralidade 
das ações
As ações e os serviços públicos de saneamento básico devem 
ser promovidos de forma integral, em face da grande inter-
relação entre os seus diversos componentes, principalmente, 
o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o manejo 
de águas pluviais, o manejo de resíduos sólidos e o controle 
ambiental de vetores e reservatórios de doenças. Muitas 
vezes, a efetividade, a eficácia e a eficiência de uma ação 
de saneamento básico dependem da existência dos outros 
componentes.
Igualdade A igualdade diz respeito aos direitos iguais, independentemente 
de etnia, credo, situação socioeconômica. Ou seja, 
considera-se que todos os cidadãos têm direitos iguais no 
acesso a serviços públicos de saneamento básico de boa 
qualidade.
Participação e 
controle social
A participação social na definição de princípios e diretrizes de 
uma política pública de saneamento básico, no planejamento 
das ações, no acompanhamento da sua execução e na 
sua avaliação constitui-se um ponto fundamental para 
democratizar o processo de decisão e implementação das 
ações de saneamento básico. Essa participação pode ocorrer 
com o uso de diversos instrumentos, como conferência e 
conselhos.
 Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento 
básico
(Continua)
7Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
 Fonte: Adaptado de Brasil (2012).
Princípio Definição
Titularidade 
municipal
Uma vez que os serviços públicos de saneamento básico são de 
interesse local e o poder local tem a competência para organizá-
los e prestá-los, o município é o titular do serviço. Uma política 
de saneamento básico deve partir do pressuposto de que o 
município tem autonomia e competência para organizar, regular, 
controlar e promover a realização dos serviços de saneamento 
básico de natureza local, no âmbito de seu território; pode 
fazê-lo diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, 
associado com outros municípios ou não, respeitando as 
condições gerais estabelecidas na legislação nacional sobre o 
assunto. A gestão municipal deve se basear no exercício pleno da 
titularidade e da competência municipal na implementação de 
instâncias e instrumentos de participação e controle social sobre 
a prestação dos serviços em âmbito local, qualquer que seja a 
natureza dos prestadores, tendo como objetivo maior promover 
serviços de saneamento básico justos do ponto de vista social.
Gestão pública Os serviços públicos de saneamento básico são, por sua natureza, 
públicos, prestados sob regime de monopólio, essenciais e vitais 
para a vida humana, em face da sua capacidade de promover 
a saúde pública e fazer o controle ambiental. Esses serviços, 
conforme o art. 4º, são indispensáveis para a elevação da 
qualidade de vida das populações urbanas e rurais. Contribuem 
também para o desenvolvimento social e econômicos. Sendo 
um direito social e uma medida de saúde pública, a gestão dos 
serviços deve ser de responsabilidade do poder público.
Articulação 
ou integração 
institucional
As ações dos diferentes componentes e instituições da área 
de saneamento básico são, geralmente, promovidas de forma 
fragmentada no âmbito da estrutura governamental. Essa prática 
gera, na maioria das vezes, pulverização de recursos financeiros, 
materiais e humanos. A articulação e integração institucional 
representam importantes mecanismos de uma política pública 
de saneamento básico, uma vez que permitem compatibilizar 
e racionalizar a execução de diversas ações, planos e projetos, 
ampliando a eficiência, efetividade e eficácia de uma política. 
A área de saneamento básico tem interface com as de saúde, 
desenvolvimento urbano e rural, habitação, meio ambiente e 
recursos hídricos, entre outras. A conjugação de esforços dos 
diversos organismos que atuam nessas áreasoferece um grande 
potencial para a melhoria da qualidade de vida da população.
 Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento 
básico
(Continuação)
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II8
Atividades e estruturas contempladas no 
saneamento básico
Mesmo que nos dias atuais tenhamos uma lei para reger o saneamento básico, 
é direito e dever de cada cidadão atentar às boas práticas e formas de garantir 
o avanço do desenvolvimento de uma vida saudável e que abranja não só uma 
parte da população, mas o todo. De acordo com a Lei nº. 11.445/2007, entre 
as ações de saneamento há aquelas que nós chamamos de “básicas”, compre-
endendo o abastecimento de água, a acesso a rede coletora e tratamento de 
esgoto, o acesso a coleta e destinação de resíduos sólidos e a drenagem de 
águas pluviais. 
Cada um desses serviços tem peculiaridades próprias, e devem ser tratados 
com tecnologias atualizadas e compatíveis com o grau de desenvolvimento de 
cada município. Independentemente do estágio socioeconômico, o zelo e os 
cuidados pela boa funcionalidade desses sistemas indicam o estágio cultural, 
organizacional e de desenvolvimento de seus habitantes. A ausência desses 
serviços tem como resultados condições de saúde precárias e incidência de 
doenças, principalmente de veiculação hídrica. Mas o que engloba essas 
categorias? A seguir, você vai ver um pequeno resumo de cada uma.
Distribuição de água potável
A água é um componente essencial do nosso corpo e desempenha um papel 
vital na manutenção do nosso equilíbrio. De acordo com Von Sperling (2005) 
e Marengo (2008), entre os principais usos da água estão o abastecimento 
doméstico, o abastecimento industrial, a irrigação, a dessedentação do homem 
e dos animais, a preservação da fl ora e da fauna, a recreação e lazer, a criação 
de espécies, a geração de energia elétrica, a navegação, a harmonia paisagística 
e a diluição e transporte de despejos. 
Na América Latina, a agricultura se destaca como principal consumidora 
de água. A área industrial ocupa o segundo lugar, seguida do uso doméstico. 
O consumo diário de água é muito variável ao redor do globo. Além da dis-
ponibilidade do local, o consumo médio de água está fortemente relacionado 
ao nível de desenvolvimento do país e ao nível de renda das pessoas. Uma 
pessoa necessita de, pelo menos, 40 litros de água por dia para beber, tomar 
banho, escovar os dentes, lavar as mãos, cozinhar, etc.
9Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
Em território brasileiro encontram-se 12% da água doce do mundo, porém ela não 
está igualmente distribuída. No Norte encontram-se 68,5% dos recursos hídricos, já no 
Nordeste, apenas 3,3% de água são encontrados, Sudeste 6%, Sul 6,5% e Centro-oeste 
15,7% (TOMAZ, 2001; BOTEGA, 2007).
No Brasil, a região hidrográfica amazônica detém 73,6% dos recursos hídricos su-
perficiais. Ou seja, a vazão média dessa região é quase três vezes maior que a soma 
das vazões das demais regiões hidrográficas. A segunda maior região, em termos de 
disponibilidade hídrica, é a do Tocantins/Araguaia, com 13.624 m3 /s (7,6%), seguida da 
região do Paraná, com 11.453 m3 /s (6,4%). As bacias com menor vazão são, respecti-
vamente: Parnaíba, com 763 m3 /s (0,4%); Atlântico Nordeste Oriental, com 779 m3 /s 
(0,4%) e Atlântico Leste, com 1.492 m3 /s (0,8%).
Coleta e tratamento de esgoto
Esgoto consiste em resíduos líquidos provenientes de diversas atividades que, 
em sua maioria, utilizam água em áreas como cozinha e sanitários. Os esgotos 
domésticos contém aproximadamente 99,9 % de água, sendo o restante (0,1 %) 
composto de sólidos orgânicos e inorgânicos, bem como de microrganismos 
(bactérias, fungos, protozoários, vírus e helmintos). Apesar da baixa porcen-
tagem de poluentes, necessitam ser tratados antes de serem lançados no meio 
ambiente (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012).
As unidades de tratamento de esgoto são conhecida como ETE (Estação de 
Tratamento de Esgoto), onde a água suja passa por vários tipos de tratamento, 
que variam de empresa para empresa. O sistema de coleta é caracterizado 
pelas instalações prediais de esgotos sanitários e pelos componentes de uma 
rede pública de coletores de esgotos (Figura 1).
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II10
Figura 1. Sistema de esgoto sanitário.
Fonte: HIDROSAM (2018).
Muitas zonas rurais ou imóveis isolados das grandes cidades ainda sofrem com a falta 
de tratamento correto de esgoto. A fossa séptica pode ser uma importante aliada para 
solucionar esse problema. dela é um reservatório subterrâneo para o qual o esgoto 
é destinado. Essa unidade trata o esgoto, realizando a separação físico-química da 
matéria sólida e, posteriormente, conduz os materiais, já livres de contaminação, a um 
sumidouro — poços profundos que permitem a entrada dos efluentes. 
Coleta e manejo de resíduos sólidos
A coleta seletiva é o primeiro e o mais importante passo para encaminhar os 
vários tipos de resíduos para reciclagem ou destinação fi nal ambientalmente 
correta, pois o resíduo separado corretamente deixa de ser lixo. A coleta 
seletiva de lixo é de extrema importância para a sociedade. Com ela, todos os 
resíduos são devidamente descartados e evita-se a poluição do solo e dos lençóis 
11Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
freáticos, além da poluição das ruas e esgotos, que pode causar enchentes e, 
consequentemente, grandes prejuízos aos cofres públicos e aos moradores das 
cidades (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012).
Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas
O sistema de drenagem e manejo de águas pluviais urbanas pode ser defi nido 
como o conjunto de obras, equipamentos e serviços projetados para receber o 
escoamento superfi cial das águas da chuva que caem nas áreas urbanas. A água 
da chuva é coletada nas ruas, estacionamentos e áreas verdes e encaminhada 
aos córregos, lagos ou rios. Para manter o sistema em funcionamento, algumas 
ações simples são essenciais:
  evitar o descarte de lixo nas ruas;
  não fazer ligações de esgoto na rede pluvial;
  manter áreas permeáveis nos lotes.
A Figura 2 ilustra uma possível consequência da ineficiência da drenagem 
de águas pluviais urbanas. 
Figura 2. As enchentes podem ser uma consequência da drenagem de águas 
pluviais urbanas ineficiente.
Fonte: AMFPhotography/Shutterstock.com
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II12
Segundo Castro et al. (2003), a principal causa das enchentes é a ocor-
rência de chuvas intensas e concentradas. Entretanto, também podem estar 
relacionadas com causas indiretas, como o assoreamento dos rios, a redução 
da capacidade de infiltração do solo, o estrangulamento dos leitos dos rios e 
o rompimento de barragens. Frank e Sevegnani (2009) comentam que não são 
apenas os eventos intensos que provocam enchentes — elas estão relacionadas 
também com a saturação de umidade do solo, devido a precipitações com 
intensidades menores.
1. Conforme o art. 2º da Lei nº. 
11.445/07, os serviços públicos 
de saneamento básico serão 
prestados com base nos seguintes 
princípios fundamentais:
a) utilização de tecnologias 
apropriadas, considerando 
apenas a capacidade de 
pagamento dos usuários.
b) abastecimento de água, 
esgotamento sanitário, limpeza 
urbana e manejo dos resíduos 
sólidos realizados de formas 
adequadas à saúde pública e à 
proteção do meio ambiente.
c) disponibilidade, em todas as 
áreas rurais, de serviços de 
drenagem e de manejo das 
águas pluviais adequados à 
saúde pública e à segurança 
da vida e do patrimônio 
público e privado.
d) integração das infraestruturas 
e produtos com a gestão 
eficiente dos recursos hídricos.
e) adoção de métodos, técnicas 
e processos que considerem 
apenas as peculiaridades locais.
2. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, 
considera-se saneamento básico o 
conjunto de serviços, infraestruturas 
e instalações operacionais de:
a) abastecimentode água potável, 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações 
necessárias ao abastecimento 
público de água potável, desde 
a captação até as ligações 
prediais e os respectivos 
instrumentos de medição.
b) limpeza urbana e manejo de 
resíduos sólidos: conjunto de 
atividades, infraestruturas e 
instalações operacionais de 
coleta e tratamento e destino 
final do lixo doméstico e do 
lixo originário da varrição 
e limpeza de logradouros 
e de vias públicas.
c) drenagem e manejo das 
águas pluviais urbanas, sendo 
o conjunto de atividades, 
infraestruturas e instalações 
operacionais de drenagem 
urbana de águas pluviais, 
tratamento e disposição final 
das águas pluviais drenadas 
nas áreas urbanas.
d) a universalização, sendo a 
ampliação progressiva do 
13Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
acesso de todos os domicílios 
ocupados ao saneamento básico, 
localizados em zonas rurais.
e) localidades de pequeno porte, 
como vilas, aglomerados rurais, 
povoados, núcleos, lugarejos, 
exceto as aldeias, assim definidos 
pela Fundação Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE).
3. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, 
assinale a alternativa que define 
corretamente esgotamento sanitário.
a) O esgotamento sanitário é 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta, 
transporte, tratamento e 
disposição final adequados 
dos esgotos sanitários, 
desde as ligações prediais 
até o seu lançamento final 
no meio ambiente.
b) O esgotamento sanitário é 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta e 
disposição final adequados 
dos esgotos sanitários, 
desde as ligações prediais 
até o seu lançamento final 
no meio ambiente.
c) O esgotamento sanitário é 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta, 
transporte, tratamento 
dos esgotos sanitários, 
desde as ligações prediais 
até o seu lançamento final 
no meio ambiente.
d) O esgotamento sanitário é 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações 
operacionais de tratamento 
dos esgotos sanitários desde 
as ligações prediais até a 
metade do processo.
e) O esgotamento sanitário é 
constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações de 
transporte desde as ligações 
prediais até o seu lançamento 
final no meio ambiente.
4. Conforme Capítulo IV, Do 
Planejamento, da Lei nº. 11.445/07, 
art. 19, a prestação de serviços 
públicos de saneamento básico 
observará o plano, que poderá 
ser específico para cada serviço 
e terá a seguinte abrangência:
a) o plano não poderá ser 
específico para cada serviço, e 
deve sim abranger, no mínimo, 
o diagnóstico da situação e de 
seus impactos nas condições 
de vida, utilizando sistema 
de indicadores sanitários, 
epidemiológicos, ambientais e 
socioeconômicos, e apontando 
as causas das deficiências 
detectadas; os objetivos e metas 
de curto e longo prazos para a 
universalização; os programas, 
projetos e ações necessários para 
atingir os objetivos e as metas; 
as ações para emergências e 
contingências; os mecanismos 
e procedimentos para a 
avaliação sistemática da eficácia 
das ações programadas.
b) o plano poderá ser específico 
para cada serviço, e deve 
sim abranger, no mínimo, o 
diagnóstico da situação e de 
seus impactos nas condições 
de vida, utilizando sistema 
de indicadores sanitários, 
epidemiológicos, ambientais e 
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II14
socioeconômicos, e apontando 
as causas das deficiências 
detectadas; os objetivos e metas 
de curto e longo prazos para a 
universalização; os programas, 
projetos e ações necessárias para 
atingir os objetivos e as metas; 
as ações para emergências e 
contingências; os mecanismos e 
procedimentos para a avaliação 
sistemática da eficiência e 
eficácia das ações programadas.
c) o plano poderá ser específico 
para cada serviço, e deve, 
sim, abranger, no mínimo, o 
diagnóstico da situação e de seus 
impactos nas condições de vida, 
utilizando sistema de indicadores 
sanitários, epidemiológicos, 
ambientais e socioeconômicos, 
e apontando as causas das 
deficiências detectadas; os 
objetivos e metas de curto, 
médio e longo prazos para a 
universalização; os programas, 
projetos e ações necessárias para 
atingir os objetivos e as metas; 
as ações para contingências; os 
mecanismos e procedimentos 
para a avaliação sistemática 
da eficiência e da eficácia 
das ações programadas.
d) o plano deve incluir o 
diagnóstico da situação e de 
seus impactos nas condições 
de vida, utilizando sistema 
de indicadores sanitários, 
epidemiológicos, ambientais e 
socioeconômicos, e apontando 
as causas das deficiências 
detectadas; os objetivos e 
metas de curto prazo para a 
universalização; os programas, 
projetos e ações necessárias para 
atingir os objetivos e as metas; 
as ações para emergências; os 
mecanismos e procedimentos 
para a avaliação sistemática 
da eficiência e da eficácia 
das ações programadas.
e) o plano deve incluir o 
diagnóstico da situação e de seus 
impactos nas condições de vida, 
utilizando sistema de indicadores 
sanitários, epidemiológicos, 
ambientais e socioeconômicos, 
e apontando as causas das 
deficiências detectadas; os 
objetivos e metas de curto, 
médio e longo prazos para a 
universalização; os programas, 
projetos e ações necessárias para 
atingir os objetivos e as metas; 
as ações para emergências e 
contingências; os mecanismos e 
procedimentos para a avaliação 
sistemática da eficiência e 
eficácia das ações programadas.
5. Conforme Capítulo IX, Da Política 
Federal de Saneamento Básico, 
da Lei nº. 11.445/07, art. 48, a 
União, no estabelecimento de sua 
política de saneamento básico, 
observará as seguintes diretrizes:
a) adoção de uma referência para 
o planejamento das ações, 
exceto a bacia hidrográfica.
b) prioridade para as ações 
que promovam a equidade 
social e territorial no acesso 
ao saneamento básico.
c) melhoria da qualidade de vida 
e das condições ambientais.
d) utilização de indicadores 
epidemiológicos e de 
desenvolvimento social no 
planejamento das suas ações 
de saneamento básico.
15Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II
e) fomento ao desenvolvimento 
científico e tecnológico e 
à adoção de tecnologias 
apropriadas.
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Política e plano municipal de saneamento básico. 
Brasília, DF: FUNASA, 2012. 
BRASIL. Lei nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o 
saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 
11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; 
revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências. Brasília, DF, 
2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/
l11445.htm>. Acesso em: 13 jun. 2018.
BOTEGA, G. C. C. Estudo e proposta de reciclagem das águas em indústria alimentícia. 
Lajeado, RS: Centro Universitário Univates, 2007.
CASTRO, A. L. C. et al. Manual de desastres: desastres naturais. Brasília, DF: Ministério 
da Integração Nacional, 2003. v. 1.
FRANK, B.; SEVEGNANI, L. (Org.). Desastre de 2008 no Vale do Itajaí: água, gente e política. 
Blumenau, SC: Agência de Água do Vale do Itajaí, 2009.
HIDROSAM. Saneamento básico e sua relação com o meio ambiente. 2018. Disponível 
em: <http://www.hidrosam.com.br/noticias/detalhe/saneamento-basico-e-sua-
relacao-com-meio-ambiente>. Acesso em: 13 jun. 2018.
INSTITUTO TRATA BRASIL. A importância da política de saneamento básico. 2018. Dispo-
nível em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2016/06/06/a-importancia-da-politica-
de-saneamento-basico/. Acessado em: 19 de maio de 2018.
MARENGO, J. A., Água e mudanças climáticas. São Paulo: Institutode Estudos Avançados 
da Universidade de São Paulo, 2008.
PEREIRA JÚNIOR, J. de S. Aplicabilidade da lei 11.445/2007: diretrizes nacionais para 
o saneamento básico. Brasília, DF, 2008. Disponível em: <http://www.daaerioclaro.
sp.gov.br/arquivos/regulacao/04-A-aplicacao-da-Lei-de-Saneamento-2.pdf>. Acesso 
em: 21 maio 2018.
ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. (Org.). Meio ambiente e sustentabi-
lidade. Porto Alegre: Bookman, 2012.
TOMAZ, P. Economia de água: para empresas e residenciais. São Paulo: Navegar, 2001.
VON SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 
3. ed. Belo Horizonte: UMFG, 2005. (Princípios do tratamento biológico de águas 
residuárias, 1).
Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II16
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR
O vídeo a seguir apresenta tópicos importantes preconizados na Lei no 11.445/07 e relacionados 
aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana 
e drenagem de águas superficiais.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) Conforme o Art. 2o da Lei 11.445/07, os serviços públicos de saneamento básico serão 
prestados com base nos seguintes princípios fundamentais:
A) utilização de tecnologias apropriadas, considerando apenas a capacidade de pagamento dos 
usuários.
B) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos 
sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente.
C) disponibilidade, em todas as áreas rurais, de serviços de drenagem e de manejo das águas 
pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e 
privado.
D) integração das infraestruturas e produtos com a gestão eficiente dos recursos hídricos.
E) adoção de métodos, técnicas e processos que considerem apenas as peculiaridades locais.
2) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, considera-se saneamento básico o conjunto de 
serviços, infraestruturas e instalações operacionais de:
abastecimento de água potável, constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações A) 
necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações 
prediais e os respectivos instrumentos de medição.
B) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e 
instalações operacionais de coleta e tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo 
originário da varrição e limpeza de logradouros e de vias públicas.
C) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, sendo o conjunto de atividades, 
infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, 
tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas.
D) a universalização, sendo a ampliação progressiva do acesso de todos os domicílios 
ocupados ao saneamento básico, localizados em zonas rurais.
E) localidade de pequeno porte, como vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, 
lugarejos, exceto as aldeias, assim definidos pela Fundação Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE).
3) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, assinale a alternativa que define corretamente 
esgotamento sanitário.
A) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos 
sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.
B) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as 
ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.
C) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta, transporte, tratamento dos esgotos sanitários, desde as ligações 
prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.
D) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de tratamento dos esgotos sanitários desde as ligações prediais até a metade 
do processo.
E) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações de 
transporte desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente.
4) Conforme Capítulo IV - Do Planejamento - Lei no 11.445/07, Art. 19, a prestação de 
serviços públicos de saneamento básico observará plano, que poderá ser específico 
para cada serviço, o qual abrangerá, no mínimo:
A) O plano não poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve sim abranger no 
mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando 
sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e 
apontando as causas das deficiências detectadas; Objetivos e metas de curto e longo prazos 
para a universalização; Programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e 
as metas; Ações para emergências e contingências; Mecanismos e procedimentos para a 
avaliação sistemática da eficácia das ações programadas.
B) O plano, poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no 
mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando 
sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e 
apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto e longo prazos 
para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e 
as metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a 
avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas.
C) O plano poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no 
mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando 
sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e 
apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo 
prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os 
objetivos e as metas; ações para contingências; mecanismos e procedimentos para a 
avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas.
D) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de 
indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as 
causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto prazo para a universalização; 
programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para 
emergências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da 
eficácia das ações programadas.
E) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de 
indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as 
causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a 
universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as 
metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a 
avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas.
5) Conforme Capítulo IX - Da Política Federal de Saneamento Básico - Lei no 
11.445/07, Art. 48. A União, no estabelecimento de sua política de saneamento básico, 
observará as seguintes diretrizes:
A) Adoção de uma referência para o planejamento das ações, exceto a bacia hidrográfica.
B) Prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao 
saneamento básico.
C) Melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais.
D) Utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento 
das suas ações de saneamento básico.
E) Fomento ao desenvolvimento científicoe tecnológico, à adoção de tecnologias 
apropriadas.
NA PRÁTICA
Veja o exemplo, na prática, de um projeto viável, que traça diretrizes a respeito da limpeza 
urbana de um município, começando, primeiro, por um grande bairro, a fim de testar a 
eficiência da iniciativa:
O descarte irregular será proibido tanto em áreas públicas quanto em particulares.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007:
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes: desenvolvimento sustentável 
num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012.
Poluição e danos à microbiota
APRESENTAÇÃO
Biorremediação é o processo que consiste na aplicação de técnicas biodegradáveis para 
recuperar e regenerar ambientes. Nesse processo, utilizam-se organismos vivos, com o intuito de 
reduzir, de remover ou de remediar contaminações no ecossistema.
Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordadas as alterações antrópicas e os danos causados 
à microbiota, com ênfase nos processos de biorremediação tanto em solos quanto em efluentes.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Analisar aspectos poluidores e os principais danos causados à microbiota.•
Identificar técnicas de biorremediação (em solos).•
Correlacionar impactos ambientais aos danos à microbiota, identificando funções 
microbiológicas.
•
DESAFIO
Você, na condição de gestor ambiental, atualmente ocupa um cargo em uma empresa de 
consultoria. Um dos projetos dos quais você participa diz respeito à biorremediação de uma área 
contaminada por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos do petróleo (carcinogênico e 
mutagênico). Esta área localiza-se em zona urbana e há a necessidade de realizar trabalhos de 
educação ambiental na comunidade, para evitar riscos de contaminação e explicar à população o 
que está sendo realizado no solo.
Para começar o trabalho junto à comunidade, será ministrada uma palestra. Elabore um desenho 
ilustrativo para exemplificar e para explicar os principais tópicos sobre biorremediação de solos, 
ciente de que seu desafio é elaborar o esquema apenas com um quadro e pincéis atômicos.
Lembre-se:
- As estratégias de biorremediação incluem: a utilização de microrganismos autóctones, ou seja, 
do próprio local, sem qualquer interferência de tecnologias ativas de remediação 
(biorremediação intrínseca ou natural); a adição de agentes estimulantes (bioestimulação), como 
o oxigênio e os biossurfactantes; e a inoculação de consórcios microbianos enriquecidos 
(bioaumento);
- Os produtos finais de uma biorremediação efetiva são nitratos, sulfatos, fosfatos, formas 
amoniacais, água, gás carbônico e outros compostos inorgânicos resultantes do processo de 
mineralização. Esses compostos não apresentam toxicidade e podem ser incorporados ao 
ambiente sem prejuízo aos organismos vivos.
INFOGRÁFICO
No infográfico a seguir, apresenta-se o funcionamento básico do processo de biorremediação em 
solos, com ênfase nas ações microbiológicas envolvidas.
CONTEÚDO DO LIVRO
Acompanhe os trechos de Recuperação mineral e drenado ácido de mina a Degradação de 
hidrocarbonetos armazenados do livro Microbiologia de Brock, que aborda processos do 
trabalho microbiológico em solos contaminados por produtos tóxicos.
Boa leitura.
Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à
ARTMED EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A.
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 – Santana
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SAC 0800 703-3444 – www.grupoa.com.br
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer
formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web
e outros), sem permissão expressa da Editora.
IMPRESSO NO BRASIL
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Obra originalmente publicada sob o título Brock biology of microorganisms, 14th edition
ISBN 9780321897398
Authorized translation from the English language edition, entitled BROCK BIOLOGY OF MICROOGANISMS, 14th Edition by 
MICHAEL MADIGAN; JOHN MARTINKO; KELLY BENDER; DANIEL BUCKLEY; DAVID STAHL, published by Pearson 
Education,Inc., publishing as Benjamin Cummings, Copyright © 2015. All rights reserved. No part of this book may be reproduced or 
transmitted in any form or by any means, electronic or mechanical, including photocopying, recording or by any information storage 
retrieval system, without permission from Pearson Education,Inc. 
Portuguese language edition published by Grupo A Educação S.A.,Copyright © 2016.
Tradução autorizada a partir do original em língua inglesa da obra intitulada BROCK BIOLOGY OF MICROOGANISMS, 14ª Edição, 
autoria de MICHAEL MADIGAN; JOHN MARTINKO; KELLY BENDER; DANIEL BUCKLEY; DAVID STAHL, publicado por Pearson 
Education, Inc., sob o selo de Benjamin Cummings, Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Este livro não poderá ser reprodu-
zido nem em parte nem na íntegra, nem ter partes ou sua íntegra armazenado em qualquer meio, seja mecânico ou eletrônico, inclusive 
fotorreprogravação, sem permissão da Pearson Education,Inc. 
A edição em língua portuguesa desta obra é publicada por Grupo A Educação S.A., Copyright © 2016
Gerente editorial: Letícia Bispo de Lima
Colaboraram nesta edição:
Editora: Simone de Fraga
Arte sobre capa original: Márcio Monticelli
Preparação de originais: Carla Romanelli e Marquieli Oliveira
Leitura final: Carine Garcia Prates
Editoração: Techbooks
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo CRB-10/2094
M626 Microbiologia de Brock [recurso eletrônico] / Michael T.
 Madigan ... [et al.] ; [tradução : Alice Freitas Versiani ... [et
 al.] ; revisão técnica: Flávio Guimarães da Fonseca]. – 14. ed.
 – Porto Alegre : Artmed, 2016.
 Editado como livro impresso em 2016.
 ISBN 978-85-8271-298-6
 1. Biologia. 2. Microbiologia. I. Madigan, Michael T. 
CDU 579
6 5 0 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L
Este capítulo aborda a microbiologia dos sistemas construídos. 
Estes incluem a infraestrutura para distribuição e tratamen-
to de água potável e água de rejeitos, transmissão de gás e 
óleo, materiais de construção e ambientes modificados para 
extração mineral ou para limpeza de poluentes. Os sistemas 
construídos criam novos hábitats microbianos, promovendo 
atividades microbianas desejadas e indesejadas. Exemplos de 
sistemas destinados a selecionar atividades microbianas dese-
jáveis incluem a construção de reatores biológicos para o trata-
mento de água de rejeitos e a estimulação da atividade micro-
biana em aquíferos para limpar poluentes ambientais.
Um exemplo notável de uma atividade indesejável é a cor-
rosão microbiana de ductos utilizados para a transmissão de 
água de rejeitos, água potável e óleo. Estes são processos na-
turais em que os microrganismos simplesmente exploram os 
recursos que são fornecidos a eles no ambiente construído. In-
fraestruturas essenciais custando bilhões de dólares são perdi-
das todos os anos pela corrosão microbiológica. Por exemplo, 
a Associação Americana de Engenheiros Civis estima que nos 
próximos 30 anos cerca de 30% do sistema de distribuição de 
água potável nos Estados Unidos terá que ser substituído por 
um custo anual de US$ 11 bilhões.
I ∙ Recuperação mineral e drenado ácido de mina
A capacidade biogeoquímica dos microrganismos parece 
quase ilimitada, muitas vezes é dito que os microrganismos 
são “os maiores químicos da Terra”. A atividade desses peque-
nos-grandes químicos tem sido explorada de várias maneiras. 
Aqui, consideramos como as atividades microbianasajudam a 
extrair metais valiosos de minérios de baixa qualidade.
21.1 Mineração com microrganismos
Uma das formas mais comuns de ferro na natureza é a pirita 
(FeS2), que é muitas vezes presente em carvões betuminosos 
e em minérios metálicos. O sulfeto (HS
–
) também forma mi-
nerais insolúveis com muitos metais, e muitos minérios como 
fontes destes metais são minérios de sulfeto. Se a concentração 
do metal no minério for baixa, a extração do minério poderá 
ser economicamente viável somente se os metais de interes-
se forem primeiro concentrados por lixiviação microbiana 
(Figura 21.1). O aumento da produção de ácido e a dissolução 
de FeS2 por bactérias acidófilas, tais como Acidithiobacillus 
ferrooxidans, é usado para lixiviar os minérios metálicos em 
operações de mineração em grande escala. A lixiviação é es-
pecialmente útil para os minérios de cobre porque o sulfato 
de cobre (CuSO4) formado durante a oxidação de minérios de 
sulfureto de cobre é muito solúvel em água. Na realidade, cer-
ca de um quarto de todo o cobre minerado ao redor do mundo 
é obtido por processos de lixiviação.
O processo de lixiviação
A suscetibilidade à oxidação varia entre os minerais, sendo 
aqueles mais rapidamente oxidados os mais adequados à lixi-
viação microbiana. Assim, minérios de sulfeto de ferro e de 
cobre, como a pirrotita (FeS) e a covelita (CuS), são pronta-
mente lixiviados, enquanto minérios de chumbo e molibdênio 
o são em menor grau. No processo de lixiviação microbiana, o 
minério de baixo teor é acumulado em uma grande pilha (a pi-
lha de lixiviação), sendo uma solução diluída de ácido sulfú-
rico (pH 2) filtrada por meio da pilha (Figura 21.1). O líquido 
que emerge do fundo da pilha (Figura 21.1b) é rico em metais 
dissolvidos e é transportado para uma planta de precipitação 
(a)
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
(b)
(c)
(d)
Figura 21.1 A lixiviação de minérios de cobre de baixo teor utilizan-
do bactérias oxidantes de ferro. (a) Uma típica pilha de lixiviação. O minério 
de baixo teor foi triturado e despejado em uma grande pilha, com a área super-
ficial exposta o mais alto possível. Tubos distribuem a água ácida de lixiviação 
sobre a superfície da pilha. A água ácida é filtrada lentamente, sendo escoada 
na base. (b) Efluente de um despejo de lixiviação de cobre. A água ácida é 
muito rica em Cu
21
. (c) Recuperação de cobre na forma de cobre metálico (Cu
0
) 
pela passagem da água rica em Cu
21
 sobre ferro metálico, ao longo de uma 
extensa calha. (d) Uma pequena pilha de cobre metálico removido da calha, 
pronta para posterior purificação.
C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 1
UN
IDAD
E 4
(Figura 21.1c) onde o metal desejado é precipitado e purificado 
(Figura 21.1d).Em seguida, o líquido é bombeado de volta ao 
topo da pilha, sendo o ciclo repetido. Quando necessário, mais 
ácido é acrescentado a fim de manter-se o pH baixo.
Ilustramos a lixiviação microbiana do cobre com o miné-
rio de cobre comum CuS, no qual o cobre existe como Cu
21
. 
A. ferrooxidans oxida o sulfeto de CuS para SO4
2–
, liberando 
Cu
21
, como mostrado na Figura 21.2. No entanto, essa reação 
também ocorre espontaneamente. Com efeito, a reação fun-
damental na lixiviação do cobre não é a oxidação bacteriana 
do sulfureto em CuS, mas a oxidação espontânea de sulfureto 
de ferro férrico (Fe
31
) gerado a partir da oxidação bacteriana 
do ferro ferroso (Fe
21
) (Figura 21.2). Em qualquer minério de 
cobre, o FeS2 também está presente e a sua oxidação por bacté-
rias leva à formação de Fe
31
 (Figura 21.2). A reação espontânea 
de CuS com Fe
31
 ocorre na ausência de O2 e forma Cu
21
 mais 
Fe
21
, importante para o processo de lixiviação, essa reação 
pode ocorrer em regiões profundas da pilha de lixiviação, em 
que as condições são anóxicas.
Recuperação do metal
A planta de precipitação é o local onde o Cu
21
 é recuperado 
a partir da solução de lixiviação (Figura 21.1c, d). Fragmentos 
de ferro, Fe
0
, são adicionados ao tanque de precipitação para 
recuperar o cobre a partir do líquido de lixiviação, por inter-
médio da reação apresentada na parte inferior da Figura 21.2, 
resultando novamente na formação de Fe
21
. Este líquido, rico 
em Fe
21
, é transferido a um tanque de oxidação raso, onde 
A. ferrooxidans desenvolve-se e oxida o Fe
21
 a Fe
31
. Esse líqui-
do, agora rico em ferro férrico, é bombeado ao topo da pilha, 
sendo o Fe
31 
utilizado para oxidar mais CuS (Figura 21.1). Des-
se modo, a operação de lixiviação total é mantida pela oxida-
ção de Fe
21 
a Fe
31 
pelas bactérias oxidantes de ferro.
A temperatura elevada pode ser um problema nas opera-
ções de lixiviação. A. ferrooxidans é mesof ílico, porém as tem-
peraturas no interior da pilha de lixiviação podem elevar-se 
espontaneamente devido ao calor originado pelas atividades mi-
crobianas. Assim, organismos quimiolitotróficos oxidantes de 
ferro, como espécies termofílicas de Thiobacillus, Leptospirillum 
ferrooxidans e Sulfobacillus ou em temperaturas mais elevadas 
(60 a 80°C), o organismo Sulfolobus ( Seção 16.10), também 
são importantes na lixiviação de minérios.
Outros processos de lixiviação 
microbiana: urânio e ouro
As bactérias também são utilizadas na lixiviação de urânio (U) 
e minérios de ouro (Au). A. ferrooxidans oxida U
41
 em U
61
 
com o O2 como aceptor de elétrons. No entanto, a lixiviação 
de U depende mais da oxidação abiótica de U
41
 pelo Fe
31
 com 
A. ferrooxidans contribuindo para o processo principalmente 
por meio da oxidação de Fe
21
 a Fe
31
, como na lixiviação do 
cobre (Figura 21.2). A reação observada é a seguinte:
UO2 1 Fe2 (SO4)3 S UO2SO4 1 2 FeSO4
(U
41
) (Fe
31
) (U
61
) (Fe
21
)
Ao contrário de UO2, o sulfato de urânio (UO2SO4) formado 
é altamente solúvel, podendo ser recuperado por outros pro-
cessos.
O ouro está geralmente presente na natureza em de-
pósitos associado a minerais contendo arsênio (As) e FeS2. 
A. ferrooxidans e bactérias relacionadas podem liberar os mi-
nerais de arsenopirita, liberando o ouro (Au) preso:
2 FeAsS[Au] 1 7 O21 2 H2O 1 H2SO4 S Fe2(SO4)3
1 2 H3AsO41 [Au]
O Au é então complexado cm cianeto (CN
–
) pelo tradicional 
método de mineração de ouro. Ao contrário da lixiviação do 
cobre, que é feita em uma enorme pilha (Figura 21.1 a), a li-
xiviação do ouro ocorre em tanques fechados e relativamente 
pequenos (Figura 21.3), onde mais de 95% do ouro preso podem 
ser liberados. Além disso, os resíduos de As e CN
–
 potencial-
mente tóxicos do processo de mineração são removidos no 
biorreator de lixiviação do ouro. O arsênio é removido como 
um precipitado férrico e o CN
–
 é removido por sua oxidação 
bacteriana com CO2 com ureia em fases posteriores do proces-
so de recuperação de Au. Em pequena escala, a lixiviação no 
biorreator microbiano tornou-se popular como uma alterna-
tiva às técnicas de mineração de ouro ambientalmente devas-
tadoras que deixam um rastro tóxico de As e CN
–
 no local de 
extração. Processos-piloto também estão sendo desenvolvidos 
para biorreatores de lixiviação de minério de zinco, chumbo 
e níquel.
 • O que é necessário para oxidar CuS sob condições anaeróbias?
 • Qual o papel-chave que Acidithiobacillus ferrooxidans 
desempenha no processo de lixiviação de cobre?
MINIQUESTIONÁRIO
Tanque de
precipitação
Adição de
H2SO4
O minério de cobre pode ser oxidado por reações
(1) dependentes de oxigênio e (2) independentes
de oxigênio, solubilizando o cobre:
Aspersão de solução ácida sobre CuS
Leptospirillum ferrooxidans
Acidithiobacillus ferrooxidans
2. CuS + 8 Fe3+ + 4 H2O 
 Cu2+ + 8 Fe2+ + SO4
2– + 8 H+
Fe2+ + O2 + H+ Fe3+ + H2O
Cu2+ solúvel Solução ácida bombeada
de volta para o início da
pilha de lixiviação
Solução rica –
ácido Fe2+
Minério de cobre
de baixo teor
(CuS)Cu2+
1
4
1
2
Tanque de oxidação
Cobre metálico (Cu0)
Recuperação de cobre metálico (Cu0)
1. CuS + 2 O2 Cu2+ + SO4
2–
Fe0 + Cu2+ Cu0 + Fe2+
(Fe0 de fragmentos de aço)
Figura 21.2 Organização de uma pilha de lixiviação e reações envol-
vidas na lixiviação microbiana de minerais de sulfeto de cobre para pro-
duzir cobre metálico. A reação 1 ocorre biológica e quimicamente. A reação 
2 é estritamente química e é a reação mais importante nos processos de lixi-
viação de cobre. Para que a reação 2 ocorra, é essencial que o Fe
21 
produzido a 
partir da oxidação do sulfeto em CuS a sulfato seja oxidado novamente a Fe
31
 
por organismos quimiolitotróficos de ferro (ver a química na lagoa de oxidação).
6 5 2 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L
21.2 Drenado ácido de mina
Embora a lixiviação microbiana tenha um enorme valor na 
mineração, o mesmo processo tem contribuído para extensa 
destruição do meio ambiente onde as operações de mineração 
manejam ou eliminam de forma inadequada a pirita contida 
nos depósitos de carvão e minerais. A oxidação bacteriana e 
espontânea de sulfetos é a principal causa de drenado ácido 
de mina, um problema ambiental no mundo inteiro causado 
pelas operações de mineração de superf ície. Conforme des-
crito para a oxidação de sulfetos de cobre promovido pela 
mineração microbiana (Seção 21.1), a oxidação de FeS2 é uma 
combinação de reações catalisadas quimicamente e por bac-
térias, em que dois aceptores de elétrons participam do pro-
cesso: O2 e Fe
31
. Quando FeS2 é exposto primeiro em uma ex-
ploração de mineração (Figura 21.4b), uma reação química lenta 
com O2 inicia (Figura 21.4c). Essa reação, chamada reação de 
iniciação, leva a oxidação de HS
–
 a SO4
–2
 e o desenvolvimento 
de condições ácidas como Fe
21
 é liberado. A. ferrooxidans e 
L. ferrooxidans em seguida oxidam Fe
21
 a Fe
31
, e o Fe
31
 for-
mado sob essas condições ácidas, sendo solúvel, reage espon-
taneamente com mais FeS2 e oxida o HS
–
 do ácido sulfúrico 
(H2SO4), que imediatamente se dissocia em SO4
2–
 e H
1
:
FeS2 1 14 Fe
31
 1 8 H2O S 15 Fe
21
 1 2 SO4
2–
 1 16 H
1
Novamente, as bactérias oxidam Fe
21
 a Fe
31
, e este Fe
31
 reage 
com mais FeS2. Assim, existe uma taxa progressiva, aumentan-
do rapidamente o FeS2 que é oxidado, o chamado ciclo de pro-
pagação (Figura 21.4c). Em condições naturais, parte do Fe
21
 
gerado pelas bactérias lixiviado para longe e é posteriormente 
transportado por águas subterrâneas anóxicas em córregos 
circunvizinhos. No entanto, a oxidação bacteriana ou espontâ-
nea do Fe
21
 ocorre em seguida nas correntes gasosas, como o 
O2 está presente, o Fe(OH)3 insolúvel é formado.
Como vimos (Figura 21.4c), a quebra do FeS2, em última 
análise, leva à formação de H2SO4 e Fe
21
; nas águas em que 
estes produtos foram formados os valores de pH podem ser 
inferiores a 1. A mistura de águas ácidas de minas em rios 
(Figura 21.5) e lagos degrada seriamente a qualidade da água, 
porque o ácido e os metais dissolvidos (além do ferro, há o alu-
mínio, e outros metais pesados, como cádmio e chumbo) são 
tóxicos para os organismos aquáticos.
A exigência de O2 para a oxidação de Fe
21
 a Fe
31
 explica 
como o drenado ácido de mina se desenvolve. Se o material 
pirítico não for extraído, o FeS2 não pode ser oxidado porque o 
O2, a água e as bactérias não conseguem alcançá-lo. No entan-
to, quando um mineral ou carvão for exposto (Figura 21.4b), 
O2 e água são introduzidos, fazendo com que tanto a oxidação 
espontânea como a bacteriana de FeS2 seja possível. O ácido 
formado pode, então, lixiviar para sistemas aquáticos ao redor 
(Figura 21.5).
Quando o drenado ácido de mina é extenso e os níveis de 
Fe
21
 são altos, uma espécie altamente acidof ílica de arqueia, 
A
s
h
a
n
ti
 G
o
ld
fi
e
ld
s
 C
o
rp
.,
 G
h
a
n
a
 
Figura 21.3 Biolixiviação de ouro. Tanques de lixiviação de ouro 
em Gana (África). Dentro dos tanques, uma mistura de Acidithiobacillus 
ferrooxidans, Acidithiobacillus thiooxidans, e Leptospirillum ferrooxidans solu-
biliza o mineral pirita/arsênio que contém ouro, liberando-o.
(a)
(c)
R
a
v
in
 D
o
n
a
ld
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
(b)
Vapor de
carvão
Fe2+ + 2 SO4
2– + H+FeS2 + 3 O2 + H2O
Pirita
Espontânea (Fe3+ é 
oxidante para o ciclo de propagação)
Bactérias ou
espontânea
_1
2
AcidificaçãoFe3+
Pirita
Reação de iniciação
Ciclo de propagação
Figura 21.4 Carvão e pirita. (a) O carvão da formação de Black Mesa, 
no norte do Arizona (Estados Unidos); os discos esféricos de cor dourada (cerca 
de 1 mm de diâmetro) são partículas de pirita (FeS2). (b) Um veio de carvão em 
uma operação de mineração de carvão de superfície. A exposição do carvão ao 
oxigênio e a umidade estimula as atividades de bactérias oxidantes de ferro 
crescendo na pirita presente no carvão. (c) Reações na degradação da pirita. 
A reação iniciadora originalmente não biológica prepara o ambiente para a oxi-
dação bacteriana principalmente de Fe 21 a Fe31. O Fe31 ataca e oxida o FeS2 de 
maneira abiótica no ciclo de propagação.
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
Figura 21.5 Drenado ácido de mina de uma operação de mineração 
de superfície de carvão. A cor vermelho-amarelada é decorrente de óxidos 
de ferro precipitados no escoamento (ver Figura 21.4c para as reações de dre-
nado ácido de minas).
C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 3
UN
IDAD
E 4
Ferroplasma, está presente. Este organismo aeróbio oxidan-
te de ferro é capaz de crescer em pH 0 e temperaturas de até 
50°C. As células do Ferroplasma desprovidas de parede celular 
são filogeneticamente relacionadas com Thermoplasma, uma 
célula sem parede e fortemente acidof ílica (mas quimiorgano-
trófica) membro do Archaea ( Seção 16.3).
 • Em qual estado de oxidação está o mineral de ferro em 
Fe(OH)3? Em FeS? Como o Fe(OH)3 é formado?
 • Depósitos piríticos naturais, como jazidas de carvão subterrâneas, 
não contribuem para a drenado ácido de mina; por quê?
MINIQUESTIONÁRIO
II ∙ Biorremediação
O termo biorremediação refere-se à limpeza microbiológia 
de óleo, produtos químicos tóxicos ou outros poluentes 
ambientais, geralmente por estimulação das atividades de 
microrganismos nativos. Esses poluentes incluem materiais 
naturais, como produtos do petróleo, xenobióticos químicos 
e químicos sintéticos não produzidos por organismos na na-
tureza.
Embora a biorremediação de muitas substâncias tóxicas 
tenha sido proposta, a maioria do sucesso tem sido obtida em 
limpar o derramamento de óleo bruto ou o escape de hidrocar-
bonetos dos tanques de armazenamento. Mais recentemente, 
a destruição do meio ambiente por poluentes clorados, como 
solventes e pesticidas, tem levado ao uso da biorremediação 
como um resultado da melhor compreensão da microbiologia. 
Houve também crescente sucesso na biorremediação de am-
bientes contaminados com urânio, muitos dos quais são um 
legado do passado mal regulamentado da mineração de urânio 
para combustível nuclear e armas.
21.3 Biorremediação de ambientes 
contaminados com urânio
As principais classes de poluentes inorgânicos são os metais 
e radionuclídeos que não podem ser destruídos, mas somen-
te alterados na forma química. Muitas vezes, o nível de po-
luição do meio ambiente é tão grande que a remoção f ísica 
do material contaminado é impossível. Assim, a contenção é a 
única opção real, e um objetivo comum na biorremediação de 
poluentes inorgânicos é mudar a sua mobilidade, tornando-os 
menos propensos a mover-se com as águas subterrâneas e as-
sim contaminar ambientes no entorno. Aqui, consideraremos 
como o elemento radioativo urânio pode ser contido pelas ati-
vidades das bactérias.
Biorremediação do urânio
A contaminação de águas subterrâneas por urânio tem ocor-
rido em locais nos Estados Unidos e em outros lugares onde 
os minérios de urânio têm sidotransformados ou armazenados 
(Figura 21.6), e o movimento de materiais radioativos externos 
por meio de águas subterrâneas é uma ameaça para a saúde 
humana e ambiental. Devido à contaminação ser muitas vezes 
generalizada, tornando os métodos mecânicos muito caros, mi-
crobiologistas uniram forças com engenheiros para desenvolver 
tratamentos que exploram a capacidade de algumas bactérias 
de reduzir U
61
 a U
41
. O urânio como U
61
 é solúvel, enquanto 
o U
41 
forma um mineral de urânio imóvel chamado uraninita, 
limitando assim o movimento de U em águas subterrâneas e o 
contato potencial com seres humanos e outros animais.
Transformações bacterianas de urânio
A principal estratégia para a imobilização de urânio tem sido 
usar bactérias para mudar o estado de oxidação do U nos 
principais contaminantes de urânio para 
uma forma que estabiliza o elemento. Nes-
se sentido, bactérias, incluindo as espécies 
redutoras de metal Shewanella e Geobacter 
( Seção 14.14) e a espécie Desulfovibrio 
redutora de sulfato ( Seção 14.9), aco-
plam a oxidação da matéria orgânica e H2 
para a redução de U
61
 para U
41
.
Estudos de campo em que os doadores 
de elétrons orgânicos têm sido injetados em 
aquíferos contaminados por urânio para 
estimular a redução de U
61 
demonstraram 
que essa abordagem pode reduzir os níveis 
de U abaixo dos padrões de água potável da 
Agência de Proteção Ambiental dos Estados 
Unidos, de 0,126 mM. No entanto, mesmo 
que a uraninita seja estável em condições de 
redução, se as condições se tornarem óxicas, 
ela reoxida. Assim, pesquisas de biorreme-
diação do urânio em curso são focadas em 
questões para saber se o urânio reduzido por 
microrganismos é estável, se a composição 
das comunidades microbianas muda ou se 
oxidantes, como O2, NO
3–
, e Fe
31
, são intro-
K
e
n
 W
il
li
a
m
s
Figura 21.6 Biorremediação de urânio. Uma unidade experimental em uma área contami-
nada com urânio no Departamento de Energia dos Estados Unidos. O carbono orgânico (acetato) está 
sendo infundido no local (ver detalhe na foto) e desloca em águas subterrâneas na direção da seta 
mostrada na foto principal. O acetato é um doador de elétrons para a redução de U
61
 para U
41
, que 
imobiliza o urânio.
6 5 4 U N I D A D E 4 • E C O L O G I A M I C R O B I A N A E M I C R O B I O L O G I A A M B I E N T A L
duzidos por meio de águas subterrâneas. Esta é uma questão 
obviamente importante porque a estabilidade da uraninita 
deve ser de longo prazo, devido à longa meia-vida de decai-
mento nuclear do urânio.
 • Que reação, oxidação ou redução é a chave para a 
biorremediação de urânio?
 • Por que a imobilização é uma boa estratégia para tratar a 
poluição de urânio?
MINIQUESTIONÁRIO
21.4 Biorremediação de poluentes 
orgânicos: hidrocarbonetos
Os poluentes orgânicos, ao contrário dos poluentes inorgâ-
nicos, podem ser completamente degradados por microrga-
nismos, eventualmente à CO2. Isto é válido para o petróleo 
liberado nos derramamentos de óleo (Figura 21.7), que pode 
ser atacado por diferentes microrganismos. Estes organismos 
têm sido expostos a misturas complexas de hidrocarbonetos 
por meio de infiltrações naturais de petróleo por milênios, 
assim, a maquinaria catabólica necessária para degradar este 
poluente natural tem evoluído. Ao contrário, poluentes xe-
nobióticos tendem a ser mais persistentes e são degradados 
por grupos mais especializados de microrganismos. Nesta 
seção, vamos focar em hidrocarbonetos e na próxima seção, 
nos xenobióticos.
Biorremediação de petróleo e hidrocarbonetos
O petróleo é uma fonte rica em matéria orgânica e, por isso, 
seus hidrocarbonetos são facilmente atacados por microrga-
nismos quando entra em contato com o ar e a umidade. Em 
determinadas circunstâncias, como em tanques de armazena-
mento em massa, o crescimento microbiano é indesejável. No 
entanto, em derramamentos de petróleo, a biodegradação é 
desejável e pode ser promovida pela adição de nutrientes inor-
gânicos para equilibrar o enorme fluxo de carbono orgânico a 
partir do óleo (Figura 21.7).
A bioquímica do catabolismo do petróleo foi aborda-
da nas Seções 13.22-13.24. A biodegradação pode ser tanto 
anóxica quanto óxica. Em condições óxicas, enfatizamos o 
importante papel desempenhado pelas enzimas oxigenases ao 
introduzirem átomos de oxigênio em hidrocarbonetos. Aqui, 
enfocaremos os processos aeróbios, pois somente na presença 
de oxigênio as enzimas oxigenases tornam-se ativas e a oxida-
ção dos hidrocarbonetos é um processo rápido.
Diversas bactérias, alguns fungos e algumas cianobacté-
rias e algas verdes são capazes de oxidar produtos do petró-
leo aerobiamente. A poluição por óleo, em pequena escala, 
de ecossistemas aquáticos e terrestres a partir das atividades 
humanas, assim como naturais, é muito comum. Microrga-
nismos oxidantes de petróleo desenvolvem-se rapidamente 
em películas de óleo e manchas, e a oxidação de hidrocar-
bonetos é mais extensa se a temperatura for quente e os su-
primentos de nutrientes inorgânicos (principalmente N e P) 
forem suficientes.
Como o óleo é insolúvel em água e é menos denso, ele flu-
tua para a superf ície, formando as manchas. Ali, as bactérias 
que degradam hidrocarbonetos ligam-se a gotículas de óleo 
(Figura 21.8), ocasionando no final a decomposição do óleo e 
a dispersão da mancha. Determinadas espécies especializadas 
na degradação do óleo, como Alcanivorax borkumensis, uma 
bactéria que cresce somente a partir de hidrocarbonetos, áci-
dos graxos ou piruvato, produzem surfactantes glicolipídicos 
que auxiliam na degradação do óleo e promovem sua solubi-
lização. Uma vez solubilizado, o óleo pode ser captado mais 
rapidamente e catabolizado como fonte de energia.
Em grandes derramamentos de óleo, as frações de hidro-
carbonetos voláteis evaporam rapidamente, restando com-
ponentes aromáticos e alifáticos de cadeias médias a longas, 
os quais devem ser removidos pelas equipes de limpeza ou 
pela ação microbiana. Os microrganismos consomem o óleo 
oxidando-o a CO2. Quando as atividades de biorremediação 
são promovidas pela aplicação de nutrientes inorgânicos, as 
bactérias oxidantes de óleo geralmente se desenvolvem rapi-
damente em um derramamento de óleo (Figura 21.7b), e em 
condições ideais, 80% ou mais dos componentes não voláteis 
do petróleo podem ser oxidados no prazo de um ano. No en-
tanto, determinadas frações de óleo, como aquelas contendo 
hidrocarbonetos de cadeia ramificada ou policíclicos, perma-
necem no ambiente por mais tempo. O óleo derramado que 
migra para os sedimentos marinhos é degradado mais lenta-
mente, podendo ser um importante impacto de longo prazo 
U
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(a) (b) (c)
Figura 21.7 Consequências ambientais de grandes derramamentos 
de petróleo e o efeito da biorremediação. (a) Uma praia contaminada ao 
longo da costa do Alasca, contendo óleo do vazamento do Exxon Valdez de 
1989. (b) A região retangular central (seta) foi tratada com nutrientes inorgâni-
cos para estimular a biorremediação do óleo derramado por microrganismos, 
enquanto as áreas acima e à esquerda não foram tratadas. (c) Óleo derramado 
no mar Mediterrâneo pela usina Jiyeh (Líbano) que fluiu para o porto de Byblos, 
durante a guerra de 2006, no Líbano.
C A P Í T U L O 2 1 • M I C R O B I O L O G I A D O S A M B I E N T E S C O N S T R U Í D O S 6 5 5
UN
IDAD
E 4
para a pesca e as atividades relacionadas, as quais dependem 
de águas despoluídas para sua produtividade.
Uma exceção notável ao derramamento de óleo de super-
f ície mais comum foi o naufrágio da plataforma de petróleo 
marítima Deepwater Horizon no Golfo do México em 2010, 
que resultou na ruptura do poço, a uma profundidade de 
1,5 km e na liberação de mais de 4 milhões de barris de óleono fundo do oceano ( Seção 19.9 e Figura 19.20). Aproxi-
madamente 35% da nuvem de hidrocarbonetos resultantes 
eram constituídos de componentes de baixo peso molecular 
e de gás natural (metano, etano, propano). A disponibilidade 
destes componentes do óleo facilmente degradados parece 
ter acelerado o processo de degradação natural, estimulando 
o desenvolvimento de um grande aumento de bactérias com 
capacidade para oxidar os componentes de hidrocarbone-
tos de fácil degradação e os mais recalcitrantes. Permanece 
incerto se a decisão da indústria para promover a dispersão 
do petróleo (que visava aumentar a área de superf ície e a bio-
disponibilidade do óleo) por meio da injeção de milhares de 
litros de dispersantes químicos diretamente na nuvem de hi-
drocarbonetos realmente acelerou a degradação microbiana. 
Independentemente, apesar de alguns dos legados deste gran-
de derramamento de petróleo existirem, a maior parte do óleo 
desapareceu a partir de uma combinação de volatilização e 
atividades microbianas.
Degradação de hidrocarbonetos armazenados
Interfaces, regiões onde o óleo e a água encontram-se, muitas 
vezes ocorrem em grande escala. Além da água que é sepa-
rada do óleo bruto durante o armazenamento e transporte, 
a umidade pode condensar o interior dos tanques de arma-
zenamento de combustível em massa (Figura 21.9), onde há 
vazamentos. Esta água acumula-se eventualmente em uma 
camada abaixo do petróleo. Tanques de armazenagem de ga-
solina e de óleo bruto são, portanto, potenciais hábitats para 
microrganismos oxidantes de hidrocarboneto. Se existir sul-
fato (SO4
2–
) suficiente no petróleo, como muitas vezes está no 
óleo bruto, as bactérias redutoras de sulfato podem crescer em 
tanques consumindo hidrocarbonetos em condições anóxicas 
( Seções 13.24 e 14.9). O sulfureto (H2S) produzido é alta-
mente corrosivo e provoca corrosão e subsequente vazamento 
dos tanques juntamente com a acidificação do combustível. 
A degradação aeróbia dos componentes de combustível ar-
mazenados é o menor dos problemas porque os tanques de 
armazenamento são selados e o próprio combustível contém 
O2 pouco dissolvido.
 • Por que as bactérias degradadoras de petróleo precisam se 
anexar à superfície de gotículas de óleo?
 • O que é singular na fisiologia da bactéria Alcanivorax?
MINIQUESTIONÁRIO
21.5 Biorremediação de poluentes 
orgânicos: pesticidas e plásticos
Ao contrário dos hidrocarbonetos, muitos produtos químicos 
que os seres humanos colocaram no ambiente nunca estive-
ram lá antes. Estes são os xenobióticos, e consideraremos sua 
degradação microbiana aqui.
Catabolismo de pesticidas
Xenobióticos incluem pesticidas, bifenilos policlorados (PCB), 
munições, corantes e solventes clorados, entre muitos outros 
produtos químicos. Alguns xenobióticos diferem quimica-
mente das estruturas que os organismos têm encontrado na 
natureza e os biodegradam muito lentamente, se degradados. 
Outros xenobióticos são estruturalmente relacionados com 
um ou mais compostos naturais e, algumas vezes, podem ser 
degradados lentamente por enzimas que normalmente degra-
dam compostos naturais estruturalmente relacionados. Foca-
mos aqui na biorremediação de pesticidas.
Mais de 1.000 tipos de pesticidas foram comercializados 
globalmente visando o controle químico de pragas. Os pesti-
cidas incluem herbicidas, inseticidas e fungicidas. Os pestici-
das podem ser de uma ampla variedade de tipos químicos, in-
cluindo compostos clorados, aromáticos, compostos contendo 
nitrogênio e fósforo (Figura 21.10). Algumas dessas substâncias 
podem ser utilizadas como fontes de carbono e doadores de 
elétrons por microrganismos, enquanto outras não. Compos-
tos altamente clorados são normalmente os pesticidas mais 
resistentes ao ataque microbiano. No entanto, os compostos 
relacionados podem variar consideravelmente na sua degra-
dabilidade. Por exemplo, os compostos clorados, tais como o 
DDT, persistem relativamente inalterados durante anos nos 
T
. 
D
. 
B
ro
c
k
Bactérias
Gotículas
de óleo
Figura 21.8 Bactérias oxidantes de hidrocarbonetos associadas a 
gotículas de óleo. As bactérias são concentradas em grandes números na 
interface óleo-água, e não no interior da própria gotícula.
Figura 21.9 Tanques de armazenamento de petróleo. Os tanques de 
combustível muitas vezes suportam crescimento microbiano nas interfaces 
óleo-água.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
DICA DO PROFESSOR
No vídeo a seguir, apresentam-se os aspectos relacionados aos danos à MICROBIOTA, 
abordando também a importância dos microrganismos; biorremediação em solos e conservação 
da biodiversidade microbiana.
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EXERCÍCIOS
1) Entre os muitos danos à microbiota, os agroquímicos estão cada vez mais ganhando 
destaque. A Resolução CONAMA nº 465, de 5 de dezembro de 2014, regulamenta a 
destinação final ambientalmente adequada aos agrotóxicos e afins. Para estar 
habilitado ao recebimento de embalagens contendo resíduos de agrotóxicos e afins, o 
posto (ou central de recebimento) já em operação deverá requerer adequação por 
meio de um documento, qual?
A) Atestado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).
B) Licença ambiental e/ou licenciamento ambiental.
C) Atestado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA).
D) Atestado da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM).
E) Licença Oficial do Ministério da Agricultura.
A microbiota está presente em uma série de processos, como o ciclo do carbono e o 
ciclo do nitrogênio. E, ao se pensar de forma mais ampla, a grande transformação da 
vida se dá exatamente por meio do trabalho de microrganismos, já que são eles que 
realizam a reciclagem de restos mortais por meio da decomposição. É enorme a lista 
2) 
de processos (ou de serviços ambientais) em que eles atuam. Alguns deles são tão 
importantes que seria impossível pensar em vida na Terra caso eles não existissem. 
Dentre os exemplos a seguir, qual NÃO se encaixa como função microbiana?
A) Fixação do nitrogênio e de hidrocarbonetos.
B) Equilíbrio ecológico.
C) Manutenção da flora e fauna.
D) Manutenção da biodiversidade.
E) Formação do solo e bioindicadores.
3) Com a Resolução CONAMA nº 420, de 28 de dezembro de 2009, o gerenciamento de 
áreas contaminadas tornou-se factível, com adoção de medidas que assegurem o 
conhecimento das características dessas áreas e dos impactos por ela causados, 
proporcionando os instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas 
de intervenção mais adequadas. O princípio da prevenção deve ser adotado como 
foco principal para proteção dos compartimentos ambientais, como forma de 
garantir a funcionalidade do meio e a vida das espécies que nele habitam ou 
usufruem, conforme os princípios tratados em qual documento nacional? 
A) Lei de Diretrizes e Bases (LDB).
B) Declaração de Estocolmo da Organização das Nações Unidas (ONU) adaptada para o 
Brasil.
C) Agenda 21 Brasileira.
D) Carta da Terra.
E) Política Nacional de Meio Ambiente.
4) Microrganismo compreende uma definição taxonômica que congrega grupos 
variados de organismos unicelulares de dimensões microscópicas, que vivem na 
natureza como células isoladas ou em agregados celulares, com bastante diversidade 
morfológica. A seguir, estão citados alguns grupos. Quais deles NÃO pertencem à 
categoria denominada como "microrganismo"?
A) Bactérias e arqueas.
B) Fungos microscópicos filamentosos e leveduras.
C) Protozoários.
D) Dinoflagelados.
E) Testudines e algas unicelulares.
5) Como a microbiota do solo é a principal responsável pela decomposição dos 
compostos orgânicos, pela ciclagem de nutrientes e pelo fluxo de energia do solo, a 
biomassa microbiana e sua atividade têm sido apontadas como as características mais 
sensíveis às alteraçõesna qualidade do solo, causadas por mudanças de uso e práticas 
de manejo, como as promovidas pela aplicação de resíduos orgânicos. Dentre as 
atividades antrópicas citadas a sehuir, qual delas NÃO causa danos à microbiota?
A) Extrativismo vegetal.
B) Distribuição seletiva de resíduos orgânicos (húmus - matéria orgânica).
C) Utilização de agroquímicos (fertilizantes, pesticidas e inseticidas).
D) Disposição direta no solo de resíduos sólidos da construção civil.
E) Disposição direta no solo de resíduos hospitalares.
NA PRÁTICA
Imagine que você atua como gestor ambiental de uma empresa do ramo da construção civil em 
que são realizados trabalhos de remoção da vegetação e abertura da rede viária; para tanto, estão 
previstas atividades de compactação de solos, em virtude do tráfego de maquinarias pesadas. Na 
licença de instalação (LI) do referido empreendimento, não há observações sobre os possíveis 
danos à microbiota.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Biorremediação de solos contaminados com hidrocarbonetos aromáticos policíclicos
Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) são compostos mutagênicos e 
carcinogênicos aos humanos e aos animais que são introduzidos no ambiente em grandes 
quantidades, devido às atividades relacionadas à extração, ao transporte, ao refino, à 
transformação e à utilização do petróleo e de seus derivados.
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Biorremediação
A biorremediação é um processo no qual organismos vivos, normalmente plantas ou 
microrganismos, são utilizados tecnologicamente para remover ou reduzir (remediar) poluentes 
no ambiente. Leia mais no artigo a seguir.
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Microrganismos e saúde pública: 
Significância Sanitária
APRESENTAÇÃO
Nesta Unidade de Aprendizagem, será estudada a importância da microbiologia na saúde 
pública. Serão abordadas as relações dos microrganismos no saneamento, no impacto ambiental, 
os vetores e os veículos de transmissão de doenças e as estratégias de prevenção. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a relação dos microrganismos na saúde pública e sua significância sanitária.•
Identificar as diferentes doenças relacionadas à saúde pública.•
Distinguir estratégias de prevenção adequadas às diferentes formas de contaminação.•
DESAFIO
Você acaba de assumir um cargo público em um município do interior do estado. No momento, 
ocorre um surto de diarreia em uma zona rural, e todos são convocados para uma reunião de 
emergência. Sabendo que essa é uma questão de saúde pública, pois o destino dos dejetos das 
residências em áreas rurais é o rio, seu desafio é propor uma solução que seja viável do ponto de 
vista da eliminação do risco de contaminação, e que seja também economicamente viável e 
biossustentável.
Não se esqueça de explicar rapidamente o processo sugerido.
INFOGRÁFICO
No infográfico a seguir, há uma síntese dos principais pontos de estudo desta Unidade de 
Aprendizagem, que relaciona microrganismos com saúde pública.
CONTEÚDO DO LIVRO
O trecho selecionado a seguir é do livro Microbiologia de Brock, que traz, no capítulo 36, 
"Tratamento da água de rejeitos, purificação da água e doenças microbianas transmitidas pela 
água", mais detalhes sobre o tratamento e sobre a purificação da água. Leia o item 36.1 "Saúde 
pública e qualidade da água" e o item 36.2 "Tratamento de água de rejeitos e esgotos".
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DICA DO PROFESSOR
O vídeo a seguir trata da qualidade da água como um fator importante para a saúde de uma 
população. São abordados tópicos como os diversos componentes que podem alterar as 
características da água e os fatores controladores da diversidade dos microrganismos no meio 
aquático.
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EXERCÍCIOS
1) Uma das áreas em que o gestor ambiental pode atuar é no saneamento ambiental, 
que consiste em: 
A) controlar os fatores ambientais que podem exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar, 
físico, mental e social dos indivíduos.
B) gerenciar, administrar e conduzir as atividades econômicas e sociais das empresas, visando 
ao desenvolvimento sustentável e ao uso racional de matérias-primas e dos recursos 
naturais.
C) mudar o meio ambiente por meio da atividade humana.
D) uma série de normas que determinam diretrizes para garantir que determinada empresa 
(pública ou privada) pratique a gestão ambiental.
E) Cuidar, evitando poluir as águas, separando o lixo, impedindo desastres ecológicos, como 
queimadas e desmatamentos.
2) Mesmo a água que parece limpa pode estar contaminada com microrganismos, o que 
é um problema de saúde pública. Para o controle da qualidade da água, há 
procedimentos que permitem o monitoramento e a avaliação das condições da água. 
Você sabe identificar os microrganismos que são indicadores de contaminação da 
água? 
A) Os aeróbios.
B) Os protozoários.
C) Os coliformes.
D) As algas.
E) Os aquáticos.
3) Tendo como foco a preocupação com a contaminação por microrganismos 
patogênicos, o gestor ambiental deve estabelecer estratégias de prevenção. A água é 
um veículo em potencial para a transmissão de doenças. Você consegue identificar 
qual doença é transmitida pela água? 
A) A leishmaniose.
B) A toxoplasmose.
C) A malária.
D) A giardiase.
E) O tétano.
4) A água de rejeitos originada do esgoto doméstico ou de fontes industriais não pode 
ser lançada sem tratamento em rios ou lagos. Para remover ou neutralizar os 
contaminantes, o tratamento de água pode utilizar processos físicos, químicos e 
biológicos (microbiológicos). Você sabe identificar em qual fase do tratamento da 
água são utilizados processos microbiológicos? 
A) No tratamento primário.
B) No tratamento secundário.
C) No tratamento terciário.
D) Na purificação.
E) A desinfecção.
5) No caso de contaminação do solo, pode-se utilizar a técnica de biorremediação, que 
consiste na utilização de microrganismos ou suas enzimas, plantas verdes ou fungos 
na redução, eliminação ou transformação de poluentes presentes no solo. Para o 
projeto de implantação de biorremediação, é necessária a análise dos seguintes 
pontos de vista: 
A) biológico, hidrológico, físico e geográfico.
B) químico, físico, hidrológico e geográfico.
C) químico, biológico, hidrológico e social.
D) físico, químico, biológico e social.
E) físico, químico, biológico e hidrológico.
NA PRÁTICA
A Secretaria Municipal de Saúde detectou um alto índice de contaminação na população por 
doenças de origem microbiana transmitidas por meio da água contaminada e contratou você, 
gestor ambiental, para resolver esse problema. A primeira providência que você toma é definir 
pontos estratégicos de abastecimento de água na região e contatar um laboratório para a coleta 
da água e identificação dos microrganismos causadores das patologias.
Os resultados apontaram para a contaminação na caixa de água da praça central por 
espécies do gênero Shigella.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Microbiologia aplicada ao saneamento básico: Conceitos fundamentais e microbiologia de 
sistemas anaeróbios:
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A vigilância da qualidade da água para consumo humano – desafios e perspectivas para o 
Sistema Único de Saúde
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Acesso à água para consumo humano e aspectos de saúde pública na Amazônia Legal
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Conferência de Estocolmo
APRESENTAÇÃO
A Conferência de Estocolmo foi um dos primeiros movimentos histórico-políticos 
internacionais, com foco nas tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente.Buscava o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução da degradação ambiental, 
com o objetivo de atender às necessidades da população presente sem comprometer as gerações 
futuras. 
Nesta Unidade Aprendizagem, você vai conhecer as principais motivações para o encontro em 
Estocolmo, em 1972, as principais mudanças, os acordos e o motivo de ela ter sido um marco 
precursor dos movimentos socioambientais e humanitários. 
Bons estudos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Caracterizar a relevância da conferência como evento precursor dos movimentos 
socioambientais, assim como as principais motivações, posicionamentos e problemáticas.
•
Apontar os temas, os acordos, assim como os pontos altos e baixos abordados na 
conferência.
•
Estabelecer quais foram as realizações e os acordos voltados para o desenvolvimento 
econômico, social e ambiental e o posicionamento de alguns países.
•
DESAFIO
Imagine que você é chefe de Estado de um país dito em desenvolvimento, e sua posição é uma 
espécie de gestor socioambiental. Você é destinado a participar de um importante encontro 
ambiental entre muitos países (entre eles, países mais ricos e ainda os em desenvolvimento). A 
principal demanda desse evento é discutir e encontrar novas alternativas para a problemática da 
degradação ambiental e escassez dos recursos naturais. É sabido que, em conferências como 
essas, todos os presentes são pressionados a conduzir em seus países ações semelhantes.
 
INFOGRÁFICO
Nesse infográfico, você vai conhecer os principais pontos e o desfecho da Conferência de 
Estocolmo.
 
CONTEÚDO DO LIVRO
Nesse capítulo, você vai estudar a Conferência de Estocolmo de 1972. A conferência foi um 
encontro socioambiental em Estocolmo, na Suécia, tido como conferência "marco" do início dos 
movimentos sociopolíticos ambientais. O foco eram as tentativas de melhorias das relações 
homem e meio ambiente, buscando um desenvolvimento mais sustentável. Boa leitura!
RESPONSABILIDADE
SOCIOAMBIENTAL 
Thais Miranda
Conferência de Estocolmo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Perceber a relevância da Conferência de Estocolmo, assim como as
principais motivações, posicionamentos e problemáticas, como evento
precursor nos movimentos socioambientais.
 Apontar os temas, acordos, assim como pontos altos e baixos, abor-
dados na Conferência.
 Estabelecer quais foram as realizações e acordos voltados aos desen-
volvimentos econômicos, sociais e ambientais e o posicionamento
de alguns países.
Introdução
Neste texto, você vai conhecer as principais motivações para o encontro 
em Estocolmo em 1972, principais mudanças, acordos e o porquê ela foi 
um marco precursor dos movimentos socioambientais e humanitários.
Foi um dos primeiros movimentos histórico-político internacional, com 
foco nas tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente, 
em busca do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução 
da degradação ambiental, visando atender necessidades da população 
presente sem comprometer as gerações futuras.
Conferência como ponto de partida para os 
movimentos socioambientais
A Conferência de Estocolmo aconteceu em 1972 em Estocolmo, na Suécia, 
conhecida também como Conferência das Nações Unidas para o Meio Am-
U N I D A D E 2 
biente Humano. É considerada como “ponto de partida” para as discussões 
socioambientais a nível global.
É importante que você entenda o cenário que se transcorria antes deste 
marco; na década de 60 é evidenciada a emergência do colapso ambiental, 
provocado pela concentração industrial, urbanização, o aumento de renda e 
consumo. Assim, o crescimento socioeconômico e a preservação ambiental 
começavam a ser vistos como antagonistas. 
Em 1962, ocorreu o primeiro despertar ecológico, com uma publicação de 
extrema relevância que foi escrita pela cientista e ecologista Rachel Louise 
Carson chamada Primavera Silenciosa. Esse texto norteava o sistema de 
direitos humanos aos recursos naturais.
Na década de 70 houve a iniciativa do Relatório de Measdows, elaborado 
pelo Clube de Roma. Na época este relatório foi orientador e indicava proble-
mas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, com temas como 
energia, saneamento, saúde, ambiente, tecnologias e crescimento populacional. 
Indicava um cenário catastrófico com limitações do requedo “crescimento”, 
por conta da escassez de recursos ambientais. 
Os desequilíbrios e desastres ambientais da época agravavam a preocupação 
dos cientistas e dos Estados, desta forma, novas saídas e estratégias para esta 
problemática de ordem mundial foram repensadas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu que havia chegado 
a hora de uma reação. A partir desse fato, o desenvolvimento e o meio am-
biente passaram a ser discutidos no cenário mundial. Em setembro de 1968, 
a UNESCO organizou uma conferência de peritos para tratar sobre os fun-
damentos científicos da utilização e da conservação racional dos recursos 
da biosfera, que por sua vez, trouxe o reconhecimento dos Estados acerca da 
necessidade de uma declaração universal sobre a proteção e a melhoria do 
meio ambiente humano, o que levou à Declaração de Estocolmo.
 Responsabilidade socioambiental 
Figura 1. Japoneses contaminados pela poluição química desembarcam em Estocolmo 
na Conferência de 1972.
Fonte: Arnt (2011).
A Conferência de Estocolmo marcou uma etapa muito importante na 
ecopolítica mundial. Desta resultaram inúmeras questões que continuam a 
influenciar e a motivar as relações entre os atores internacionais, colaborando 
para a notável evolução que eclodiu após a Conferência.
Foram quatro motivações principais:
 O aumento da cooperação científica nesta década, originado por inú-
meras preocupações, como as mudanças climáticas e os problemas da
quantidade e da qualidade da água.
 O aumento da publicidade sobre os problemas ambientais, causado
especialmente pela ocorrência de certas catástrofes, seus efeitos foram 
visíveis (o desaparecimento de territórios selvagens, a modificação das 
paisagens e acidentes).
 O crescimento econômico acelerado, gerador de uma profunda trans-
formação das sociedades e de seus modos de vida, especialmente pelo
êxodo rural, e de regulamentações criadas e introduzidas, sem suficiente 
preocupação com suas consequências em longo prazo.
 Inúmeros outros problemas, identificados no fim da década de 60 por
cientistas e pelo governo sueco, considerados de maior importância
e que só poderiam ser resolvidos com a cooperação internacional.
Você pode utilizar como exemplo as chuvas ácidas, a poluição do Mar
Báltico, a acumulação de metais pesados e pesticidas que impregnaram 
peixes e aves.
47Conferência de Estocolmo
Temas, acordos, pontos altos e baixos, 
abordados na Conferência;
A busca por soluções efi cazes para tais questões, fez com que a Conferência 
de Estocolmo originasse uma nova dinâmica por meio do desenvolvimento 
de “atitudes novas”. O reconhecimento pelos Estados da existência desses 
problemas e da necessidade de agir, fez com que a Conferência desempenhasse 
um papel decisivo na sensibilização dos países em desenvolvimento para suas 
responsabilidades. Sendo assim, foram votadas questões como a Declaração 
de Estocolmo (Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente), a qual 
traz em seu Preâmbulo sete pontos principais, além de vinte e seis princípios 
referentes a comportamentos e responsabilidades destinados a orientar decisões 
relativas à questão ambiental, com o objetivo de “garantir um quadro de vida 
adequado e a perenidade dos recursos naturais”.
As questões principais, proclamadas em virtude da Declaração de Esto-
colmo, são as seguintes: 
Fonte: Nosso ambiente direito. 
 Responsabilidade socioambiental 
1 – O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente 
que o cerca, o qual lhe dá sustento materiale lhe oferece oportunidade 
para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga 
e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma 
etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o 
homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em 
uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio 
ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar 
do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive 
o direito à vida mesma.
2 – A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma 
questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvi-
mento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de 
todo o mundo e um dever de todos os governos.
As duas primeiras questões da declaração asseguram que tanto o meio 
ambiente natural, quanto o artificial, são essenciais para os direitos humanos 
e para que se tenha uma qualidade de vida saudável. Desta mensagem pode-se 
perceber uma forte relação de dependência entre a qualidade da vida humana 
e a qualidade do meio ambiente.
3 – O homem deve fazer constante avaliação de sua experiência e con-
tinuar descobrindo, inventando, criando e progredindo. Hoje em dia, 
a capacidade do homem de transformar o que o cerca, utilizada com 
discernimento, pode levar a todos os povos os benefícios do desenvol-
vimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência. 
Aplicado errônea e imprudentemente, o mesmo poder pode causar 
danos incalculáveis ao ser humano e a seu meio ambiente. Em nosso 
redor vemos multiplicarem-se as provas do dano causado pelo homem 
em muitas regiões da terra, níveis perigosos de poluição da água, do ar, 
da terra e dos seres vivos; grandes transtornos de equilíbrio ecológico da 
biosfera; destruição e esgotamento de recursos insubstituíveis e graves 
deficiências, nocivas para a saúde física, mental e social do homem, no 
meio ambiente por ele criado, especialmente naquele em que vive e 
trabalha. 
4 – Nos países em desenvolvimento, a maioria dos problemas am-
bientais está motivada pelo subdesenvolvimento. Milhões de pessoas 
seguem vivendo muito abaixo dos níveis mínimos necessários para 
uma existência humana digna, privada de alimentação e vestuário, de 
49Conferência de Estocolmo
habitação e educação, de condições de saúde e de higiene adequadas. 
Assim, os países em desenvolvimento devem dirigir seus esforços para 
o desenvolvimento, tendo presente suas prioridades e a necessidade de 
salvaguardar e melhorar o meio ambiente. Com o mesmo fim, os países 
industrializados devem esforçar-se para reduzir a distância que os separa 
dos países em desenvolvimento. Nos países industrializados, os problemas 
ambientais estão geralmente relacionados com a industrialização e o 
desenvolvimento tecnológico.
As principais questões levantadas nestes trechos ilustram as preocupações 
com a degradação do meio ambiente. No item 4, você pode ver fatores que são 
considerados responsáveis pelos danos ambientais. Os problemas ambientais 
passaram a ser encarados não apenas como provenientes do processo de 
industrialização e desenvolvimento tecnológico, mas, sobretudo como um 
problema gerado pelas desigualdades sociais.
5 – O crescimento natural da população coloca continuamente, problemas 
relativos à preservação do meio ambiente, e devem-se adotar as normas 
e medidas apropriadas para enfrentar esses problemas. De todas as coisas 
do mundo, os seres humanos são a mais valiosa. Eles são os que promo-
vem o progresso social, criam riqueza social, desenvolvem a ciência e a 
tecnologia e, com seu árduo trabalho, transformam continuamente o meio 
ambiente humano. Com o progresso social e os avanços da produção, 
da ciência e da tecnologia, a capacidade do homem de melhorar o meio 
ambiente aumenta a cada dia que passa. 
Neste item, você pode perceber a importância do ser humano como o que 
se tem de mais valioso. Este transforma a natureza, sendo, de tal maneira, o 
responsável pelo desenvolvimento econômico e social. 
6 – Chegamos a um momento da história em que devemos orientar 
nossos atos em todo o mundo com particular atenção às consequências 
que podem ter para o meio ambiente. Por ignorância ou indiferença, 
podemos causar danos imensos e irreparáveis ao meio ambiente da 
terra do qual dependem nossa vida e nosso bem-estar. Ao contrário, 
com um conhecimento mais profundo e uma ação mais prudente, po-
demos conseguir para nós mesmos e para nossa posteridade, condições 
melhores de vida, em um meio ambiente mais de acordo com as neces-
sidades e aspirações do homem. As perspectivas de elevar a qualidade 
 Responsabilidade socioambiental 
do meio ambiente e de criar uma vida satisfatória são grandes. É preciso 
entusiasmo, mas, por outro lado, serenidade de ânimo, trabalho duro e 
sistemático. Para chegar à plenitude de sua liberdade dentro da natureza, 
e, em harmonia com ela, o homem deve aplicar seus conhecimentos para 
criar um meio ambiente melhor. A defesa e o melhoramento do meio 
ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu 
na meta imperiosa da humanidade, que se deve perseguir, ao mesmo 
tempo em que se mantém as metas fundamentais já estabelecidas, da 
paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo, e em 
conformidade com elas. 
7 – Para se chegar a esta meta será necessário que cidadãos e co-
munidades, empresas e instituições, em todos os planos, aceitem as 
responsabilidades que possuem e que todos eles participem equitativa-
mente, nesse esforço comum. Homens de toda condição e organizações 
de diferentes tipos plasmarão o meio ambiente do futuro, integrando 
seus próprios valores e a soma de suas atividades. As administrações 
locais e nacionais, e suas respectivas jurisdições, são as responsáveis pela 
maior parte do estabelecimento de normas e aplicações de medidas em 
grande escala sobre o meio ambiente. Também se requer a cooperação 
internacional com o fim de conseguir recursos que ajudem os países 
em desenvolvimento a cumprir sua parte nesta esfera. Há um número 
cada vez maior de problemas relativos ao meio ambiente que, por ser de 
alcance regional ou mundial ou por repercutir no âmbito internacional 
comum, exigem uma ampla colaboração entre as nações e a adoção 
de medidas para as organizações internacionais, no interesse de todos. 
A Conferência demanda ao povo e governantes que unam esforços para 
preservar e melhorar o meio ambiente humano em benefício do homem e de 
sua posteridade. Nestes últimos itens (6 e 7) são levantadas questões sobre 
como o homem lida com o meio ambiente. 
51Conferência de Estocolmo
Fonte: Gabinete de História.
Estabelecendo os acordos voltados aos 
desenvolvimentos econômicos, sociais e 
ambientais e o posicionamento de alguns países
É importante você observar como foram os posicionamentos de alguns países 
– os Estados Unidos da América, por exemplo, foi o primeiro a se manifestar 
na redução dos seus níveis de emissões na natureza. Manifestaram-se dizendo 
que “reduziriam por um determinado tempo” com suas atividades industriais. 
O país contou com a liderança do Instituto de Tecnologia de Massachusetts 
(MIT). Neste instituto foram feitos estudos sobres as condições da natureza, 
denominado “desenvolvimento zero”.
Esta expressão preocupou alguns países mais “pobres” e que ainda eram 
considerados em desenvolvimento, que não aprovavam a ideia de reduzir suas 
atividades industriais pelo fato de terem a base econômica focada na indus-
trialização. Surgiu então, o “desenvolvimento a qualquer custo” defendido 
pelas nações subdesenvolvidas.
Embora não tenha sido possível atingir um acordo que estabelecesse metas 
concretas a serem cumpridas pelos países entre outros impasses nas negociações 
a conferência teve resultados importantes como: 
 Responsabilidade socioambiental 
  Desencadear e potencializar outrasimportantes conferências de tratados 
ambientais;
  Criar o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA;
  Incentivar a criação de ministérios ou órgãos ambientais em muitos 
países e de ONGs;
  Elaborar o relatório “Nosso Futuro Comum” (relatório de Brundland) 
em 1987 – onde surge o conceito de desenvolvimento sustentável, que 
ocorreu na Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvi-
mento (CMMAD), esta criada na Conferência de Estocolmo. 
O resultado de tal conscientização, propiciou a consolidação das mais 
indispensáveis bases à moderna política ambiental adotada pela imensa maioria 
dos países, com maior ou menor rigor, nos seus respectivos ordenamentos 
jurídicos. É, portanto, caracterizada pelo despertar da consciência das nações 
sobre essa realidade, fazendo com que surgissem, também, novos movimentos 
ecologistas e preservacionistas que, por sua vez, passaram a refletir-se nas 
Cartas Constitucionais dos Estados, os quais passaram a incluir em seus textos 
os chamados direitos de proteção ao meio ambiente. O ponto de partida foi esta 
declaração do Meio Ambiente, trazida pela Conferência das Nações Unidas, 
em Estocolmo, a qual incluiu princípios, na tentativa de oferecer aos povos do 
mundo inspiração e guia para preservar e melhorar o meio ambiente humano.
Antes da Conferência de Estocolmo, o meio ambiente era tratado, em 
plano mundial, como algo dissociado da humanidade. Porém, a partir de 1972, 
logrou-se modificar o foco do pensamento ambiental do planeta, classificando-
-se as determinações decorrentes da Declaração de Estocolmo como normas 
que visam regulamentar futuros comportamentos dos Estados, pois mesmo 
que não houvesse um “status” com “normas jurídicas”, haviam conteúdos de 
sentido moral.
A conferência, consolidou bases para a política ambiental adotada pela 
maioria dos países, respondendo à demanda social de preservação do meio 
ambiente. Representa uma primeira moldura para a implementação do Direito 
Internacional do Meio Ambiente. É possível afirmar que a iniciativa tomada 
em Estocolmo veio a estimular a realização de diversos acordos sobre questões 
ambientais em virtude da publicidade que se deu para a temática ambiental, 
bem como das estratégias propostas em decorrência da Conferência. Embora 
a implementação das medidas de proteção e cooperação propostas tenha 
sido muito mais difícil do que imaginavam seus idealizadores, ainda assim 
acredita-se que houve uma considerável evolução. Mesmo que tenha decorrido 
algum tempo após a Conferência, a dinâmica internacional de proteção ao meio 
53Conferência de Estocolmo
ambiente continuou enfraquecida, a partir de 1987 as agendas ambientalistas 
retomaram o foco das atividades diplomáticas, firmando-se os princípios da 
Declaração de Estocolmo, de maneira crescente, nas políticas nacionais e 
internacionais de desenvolvimento, fazendo com que surja, neste contexto, o 
ambientalismo como um novo movimento social. Essa nova postura influenciou 
a ONU, os Estados e todos os demais atores a assumir a defesa do meio ambiente 
no mundo, algo que ocorreu também no Brasil e está claramente refletido 
no capítulo referente ao Meio Ambiente da Constituição Federal brasileira.
1992 – ECO-92 (ONU – Agenda 21)
1987 – Relatório de Brundtland
1972 – Conferência de Estocolmo
1968 – Fundação do Clube de Roma
 Responsabilidade socioambiental 
GABINETE de história. 1972: o Brasil na Conferência de Estocolmo. [S. l.: s. n], 2013. Dis-
ponível em: <http://gabinetedehistoria.blogspot.com.br/search?q=estocolmo>. 
Acesso em: 10 jan. 2017.
GONÇALVES, J. M. de S. S. Educação, meio ambiente e direitos humanos nas conferências 
da ONU. [2001?]. Disponível em: <http://leg.ufpi.br/ subsiteFiles/ppged/arquivos/ files/
eventos/evento2002/GT.5/ GT5_6_2002.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2016.
PASSOS, P. N. C. de. A Conferência de Estocolmo como ponto de partida para a pro-
teção internacional do meio ambiente. Revista Direitos Fundamentais e Democracia, 
Curitiba, v. 6, p. 1-25, 2009. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/ sites/
default/files/18-19-1-pb.pdf >. Acesso em: 19 dez. 2016.
SANCHES J. R. Estocolmo, desenvolvimento sustentável e solidariedade intergeracional. 
[S. l.: s. n], 2014. Disponível em: <http://nossoambientedireito.blogspot.com.br/2014/06/
estocolmo-desenvolvimento-sustentavel-e.html>. Acesso em: 10 jan. 2017.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Biblioteca Virtual de Direitos Humanos. Declaração 
de Estocolmo sobre o meio ambiente humano. 1972. Disponível em: <http://www.
 
DICA DO PROFESSOR
No vídeo, você vai conhecer o contexto da instituição que pensou e organizou a Conferência de 
Estocolmo e em que contexto esse encontro foi pensado e por que precisava acontecer.
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EXERCÍCIOS
1) A Conferência de Estocolmo foi o primeiro marco para as discussões mundiais para 
preservação ambiental. Considerando seus conhecimentos adquiridos, avalie as 
afirmativas abaixo: 
Apesar da emergência ambiental começar a ficar evidente a partir da década de 60, a 
Conferência de Estocolmo só ocorreu em 1972 
Porque 
Não foram relatados desequilíbrios e acidentes ambientais que sinalizassem a 
necessidade de um acordo global de preservação do meio-ambiente. 
Assinale a alternativa correta: 
A) Deliberar inovações e melhorias nas tecnologias limpas.
B) As duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. 
C) As duas afirmativas são falsas. 
D) A primeira afirmativa é falsa e a segunda afirmativa é verdadeira. 
E) A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda afirmativa é falsa. 
2) Quatro motivações principais foram determinantes para a ocorrência da Conferência 
de Estocolmo, organizada pela Organização das Nações Unidas. 
Qual alternativa apresenta uma dessas motivações? 
A) Os cientistas precisavam trabalhar rapidamente para desenvolver parcerias e novas 
tecnologias que auxiliassem na preservação do ambiente. 
B) Os relatos de chuvas ácidas, contaminação do solo e acúmulo de metais pesados eram cada 
vez mais frequentes e já era sabido que essas contaminações poderiam afetar a saúde 
humana. 
C) Os cientistas e a ONU acreditavam que a água era uma fonte de recursos ilimitada, em 
virtude do tamanho dos oceanos, por isso não se preocupavam que ela fosse faltar. 
D) A ONU considerou um momento importante para finalmente tornar pública a ocorrência 
dos impactos ambientais, tais como catástrofes e alterações nos ecossistemas. 
E) Todos os governos estavam alinhados, agregando desenvolvimento social, econômico e 
ambiental, promovendo o desenvolvimento sustentável. 
3) A Declaração de Estocolmo, ou a Declaração das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente, buscou sensibilizar os países quanto a sua responsabilidade. 
Assinale a alternativa correta acerca da Declação de Estocolmo. 
A) O ser humano não pode considerar o meio ambiente natural de seu direito, apenas o 
ambiente artificial, mas deve zelar pelos dois para manter a saúde de todos. 
B) Muitas questões da Declaração de Estocolmo foram votadas, visando garantir o 
desenvolvimento humano e assegurar a preservação dos recursos naturais. 
C) Foi estabelecido que os impactos ambientais ocorreram em virtude apenas do 
desenvolvimento industrial e tecnológico desenfreado, sendo comum a todos os países. 
D) O progresso e o desenvolvimento humanos são as razões principais para os problemas 
ambientais, não havendo benefícios para a natureza, sendo necessário atrasar esse 
desenvolvimento. 
E) Para se atingir as metas de preservação era necessária a cooperação das empresas e 
instituições, e o entendimento que era apenas sua a responsabilidade pela preservação 
ambiental. 
4) Diferentes percepções e perspectivas foram adotados pelos diferentes países que 
participaram da Conferência de Estocolmo. 
A partir disso, avalie as afirmativas abaixo: 
I – Os Estados Unidos participaram da conferência, porémse recusaram a assinar a 
declaração de Estocolmo.
II – Os países da União Europeia, grandes responsáveis por impactos ambientais, 
precisaram traçar esforços de preservação ambiental.
III – Os países subdesenvolvidos foram totalmente de acordo com a Declaração de 
Estocolmo e com o “desenvolvimento zero”.
A) Apenas II. 
B) Apenas I. 
C) Apenas III. 
D) Apenas I e II. 
E) Apenas II e III. 
5) A Conferência de Estocolmo gerou uma série de repercussões nas políticas públicas 
de preservação ambiental, que fomentam as ações de sustentabilidade até hoje. 
Assinale a alternativa que apresenta uma das repercussões da Conferência de 
Estocolmo: 
A) Os primeiros passos para a implementação do Direito Internacional do Meio Ambiente. 
B) As metas concretas estabelecidas, que foram de comum acordo a todos os países presentes. 
C) A dissociação do meio ambiente e do ser humano, como duas entidades independentes. 
D) A elaboração de um relatório, chamado Relatório de Measdows, pelo Clube de Roma. 
E) O acordo assinado por todos os países, visando a preservação ambiental a qualquer custo. 
NA PRÁTICA
A Declaração em Estocolmo em 1972 gerou um importante documento que apontava princípios 
de gestão, como apoio à luta contra a poluição, racionamento dos recursos naturais em benefício 
de toda a população, descarte correto de substâncias tóxicas, prevenção à poluição e utilização 
das águas, entre outros princípios. Encontros e conferências como essa nos levam a refletir 
também sobre o quanto nós, sociedade, políticos, empresários e comunidade científica, 
poderíamos ser versáteis. Não seria utópico e incoerente afirmar que o ser humano não possa 
criar, progredir e se desenvolver? Qual seria a saída para que possamos integrar homem e 
natureza e o porquê dessa questão ser real, lógica e não filosófica e holística? Nossa genialidade 
e desenvolvimento tecnológico não poderiam se voltar também para produções mais limpas e de 
impactos socioambientais reduzidos?
Entre os anos 1950 e 1990, na Califórnia, nos Estados Unidos, se discutiu um dos maiores casos 
de crime socioambiental de responsabilidade corporativa. Acompanhe!
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
A Declaração de Estocolmo
A Declaração de Estocolmo foi um importante marco para a questão ambiental. Confira aqui 
nesse link a Declaração na íntegra, observando todas as questões abordadas no documento.
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O Brasil na Conferência de Estocolmo
Quer saber mais sobre o posicionamento do governo brasileiro frente à declaração de 
Estocolmo? Confira aqui o relatório da delegação do Brasil quanto à conferência.
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Celebrando o meio ambiente
Você sabia que o dia 05 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente? Saiba as principais ações 
que serão realizadas nesse dia, ano a ano. Confira também os links das páginas de redes sociais 
para receber atualizações sobre o tema.
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O Projeto das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
Você sabia que o Projeto das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tem um 
escritório no Brasil? Confira aqui as principais informações sobre o trabalho do nosso país junto 
a ONU nesse projeto.
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Resíduos de Equipamentos Elétricos e 
Eletrônicos - REEE
APRESENTAÇÃO
Esta unidade discute os aspectos e os impactos decorrentes dos resíduos de equipamentos 
elétricos e eletrônicos e quais são suas características e origens. Nós como sociedade estamos 
diretamente envolvidos e somos responsáveis por esse consumo e descarte impactante. Nesta 
Unidade de Aprendizagem, você vai ver algumas ações e mitigações que já estão acontecendo 
neste meio, em nível nacional e global.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar os conceitos de resíduos elétricos e eletroeletrônicos.•
Estabelecer a relação entre lixo eletrônico e meio ambiente.•
Apontar as consequências e possíveis soluções relacionadas aos resíduos eletrônicos.•
DESAFIO
Você trabalha para um centro comercial. Esse centro comercializa pilhas e baterias. Você é 
contratado para lançar um programa de conscientização e coleta desses materiais que estão 
sendo descartados. Esse programa deve esclarecer quais componentes são possivelmente 
nocivos. Apresente medidas para informar e mobilizar os consumidores locais a descartarem 
esse tipo de resíduo corretamente. Com essas informações, elabore um material visual 
informativo, como um banner, para fixar em pontos estratégicos do centro comercial.
INFOGRÁFICO
Nesse infográfico você vai conhecer os principais pontos que envolvem o aparecimento e a 
problemática dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos.
 
CONTEÚDO DO LIVRO
Nesse capítulo, você vai estudar sobre resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, suas 
características e origens. Nós, como sociedade, estamos diretamente envolvidos e somos 
responsáveis por ações e pelos impactos desse comércio e do descarte. Você vai ver algumas 
ações e mitigações que já estão acontecendo neste universo, em nível nacional e global.
Boa leitura!
RESPONSABILIDADE
SOCIOAMBIENTAL
Organizador: 
Thais Miranda
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
M672r Miranda, Thais.
Responsabilidade socioambiental / Thais Miranda. – 2. 
ed. – Porto Alegre : SAGAH, 2017.
xi, 215 p. : il. ; 22,5 cm.
ISBN 978-85-9502-032-0
1. Meio ambiente - Sociedade. 2. Desenvolvimento 
sustentável I. Título. 
CDU 502.131.1:658
Resíduos de equipamentos 
elétricos e eletrônicos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identifi car o conceito de resíduos eletroeletrônicos e as origens do 
problema.
  Estabelecer a relação entre lixo eletrônico e meio ambiente.
  Apontar as consequências e possíveis soluções, analisando medidas 
globais e em nosso país.
Introdução
Este texto discute sobre o fenômeno conhecido como resíduos de equi-
pamentos elétricos e eletroeletrônicos, quais são as suas características 
e origens. Como sociedade, estamos diretamente envolvidos e somos 
responsáveis por ações e impactos desse comércio e descarte. Neste 
texto, você vai ver a análise de algumas ações e mitigações que já estão 
acontecendo, tanto nacional quanto globalmente.
Lixo eletrônico
O lixo eletrônico (e-lixo) ou tecnológico, como o próprio nome indica, é 
aquele proveniente de materiais eletrônicos. Ele também é conhecido pela 
sigla REEE (resíduos de equipamentos elétricos e eletroeletrônicos).
Com o avanço da tecnologia no mundo moderno, há um excesso de lixo 
eletrônico que pode causar diversos impactos negativos no meio ambiente.
Segundo a diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu art. 3°, o conceito 
de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos, ou REEE, é o seguinte:
Equipamentos elétricos ou eletrônicos que constituem resíduos, nos termos 
da alínea “A” do artigo 1º da Diretiva 75/442/CEE, incluindo todos os com-
ponentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte do produto 
no momento em que este é descartado.
A seguir apresentamos uma lista com exemplos de lixo eletrônico:
Figura 1. Resíduos eletrônicos.
Fonte: Toda Matéria (2016). 
  Computadores;
  Tablets;
  Monitores;
  Teclados;
  Impressoras;
  Câmeras fotográficas;
  Aparelhos de som;
  Lâmpadas eletrônicas;
  Televisores;
  Geladeira;
  Fogão;
  Micro-ondas;
  Rádios;
  Telefones;
  Celulares;
  Carregadores;
  Baterias;
  Pilhas;
  Fios.
É importante refletir e discutir como esse fenômeno (resíduo eletroeletrô-
nico) passou a acontecer rapidamente e em largas escalas. Você já percebeu 
com que velocidadeas tecnologias são substituídas? Quando se substitui uma 
tecnologia, para onde vão os equipamentos “obsoletos”? Um exemplo que 
ilustra isso são os telefones celulares e computadores.
191Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
Em nosso dia a dia não temos tempo para contabilizar esse fenômeno. 
Não pensamos no quanto uma bateria de celular ou de notebook ou mesmo os 
demais componentes como plástico e metais pesados vão poluir o solo ou os 
lençóis freáticos (muitas vezes nem sabemos que poluem). Nossa preocupação 
está geralmente em nos manter dentro das atualidades tecnológicas.
Como exemplo do descaso em relação a esse material tão danoso, a atual 
legislação ambiental do estado de São Paulo (2008), que trata especificamente 
dos resíduos sólidos, nem cita os equipamentos eletrônicos, e a legislação 
nacional está revisando a resolução que trata do assunto há uns 4 anos por meio 
do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). (PEREIRA, [201-?]).
O lixo eletrônico é produzido por materiais de origem inorgânica, por 
exemplo, cobre, alumínio, metais pesados (mercúrio, cádmio, berílio e chumbo), 
grande quantidade de substâncias prejudiciais ao ambiente e ao homem.
Eles podem comprometer o ambiente visto que são compostos por elementos 
muito poluentes os quais são absorvidos pelo solo e pelos lençóis freáticos 
comprometendo o equilíbrio ecológico. Além do fator poluição, o contato com 
esses produtos pode acarretar em diversas doenças para os animais e os seres 
humanos. Veja na Figura 2 a seguir, um exemplo desse material.
Figura 2. Placas e componentes metálicos.
Fonte: Toda Matéria (2016). 
Impactos
Alguns impactos do lixo eletrônico são contaminação de solos, rios e lençóis 
subterrâneos; bioacumulação pelos organismos vivos; concentração de metais 
pesados em fauna e fl ora, muito maior que a sua capacidade de autodepuração. 
 Responsabilidade socioambiental 192
Além disso, determinados metais reagem em exposição com a atmosfera e 
liberam gases, causando emissões atmosféricas. 
O chumbo pode causar danos ao sistema nervoso central e periférico, 
sistema sanguíneo e nos rins dos seres humanos. Efeitos no sistema endócrino 
também têm sido observados e seu sério efeito negativo no desenvolvimento do 
cérebro das crianças tem sido muito bem documentado. O chumbo se acumula 
no meio ambiente e tem efeitos tóxicos agudos e crônicos nas plantas, animais e 
microrganismos. Produtos eletrônicos constituem 40% do chumbo encontrado 
em aterros sanitários. A principal preocupação do chumbo encontrado nesses 
locais é a possibilidade de vazar e contaminar os sistemas fornecedores de água 
potável. As principais aplicações do chumbo, em equipamentos eletrônicos, são: 
  Solda nos circuitos impressos e outros componentes eletrônicos. 
  Tubos de raios catódicos nos monitores e televisores. 
Em 2004, mais de 315 milhões de computadores se tornaram obsoletos nos 
Estados Unidos. Isso representa em torno de 954 mil toneladas de chumbo 
que podem ser despejados no meio ambiente.
Os compostos a partir do cádmio são classificados como altamente tóxi-
cos, com riscos considerados irreversíveis para a saúde humana. O cádmio 
e seus compostos acumulam-se no organismo humano, particularmente nos 
rins. É absorvido pela respiração, mas também pode ser absorvido por meio 
de alimentos, causando sintomas de envenenamento. Apresenta um perigo 
potencial para o meio ambiente devido à sua aguda e crônica toxicidade e 
seus efeitos cumulativos. Em equipamentos elétricos e eletrônicos, o cádmio 
aparece em certos componentes, tais como resistores, detectores de infraver-
melho e semicondutores. Versões mais antigas dos tubos de raios catódicos 
também contêm cádmio. Além disso, o cádmio é usado como estabilizador 
para plásticos.
Já o mercúrio se espalha na água, transforma-se em metilmercúrio, um 
tipo de mercúrio nocivo para a saúde do feto e dos bebês, podendo causar 
danos crônicos ao cérebro. O mercúrio está presente no ar e, ao entrar em 
contato com o mar, como já foi mencionado, transforma-se em metilmercúrio 
e vai para as partes mais profundas do oceano. Essa substância acumula-se 
em seres vivos e se concentra através da cadeia alimentar, particularmente 
via peixes e mariscos. 
A estimativa é de que 22% do consumo mundial de mercúrio é usado em 
equipamentos elétricos e eletrônicos, como termostatos, sensores de posição, 
chaves, relés e lâmpadas descartáveis. Além disso, é usado, também, em 
193Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
equipamentos médicos, de transmissão de dados, telecomunicações e telefones 
celulares. Também é usado em baterias, interruptores de residências e placas 
de circuito impresso, embora em uma quantidade muito pequena para cada 
um desses componentes. Considerando os 315 milhões de computadores ob-
soletos, até o ano 2004, esse equipamento representa cerca de 182 toneladas 
de mercúrio, no total.
Os plásticos, também são representativos quando se trata de resíduos. 
Com base no cálculo de que mais de 315 milhões de computadores estão 
obsoletos e de que os produtos plásticos perfazem 6.2 kg por computador, em 
média, haverá mais do que 1,8 milhões de toneladas de plásticos descartados. 
Uma análise encomendada pela Microelectronics and Computer Technology 
Corporation (MCC) estimou que o total de restos de plásticos está subindo 
para mais de 580 mil toneladas por ano. O mesmo estudo estimou que o maior 
volume de plásticos usados na manufatura eletrônica (cerca de 26%) era o 
cloreto de polivinil (PVC), que é responsável por mais prejuízos à saúde e ao 
meio ambiente do que a maior parte de outros plásticos.
Lixo eletrônico e meio ambiente
Embora muitas empresas fabricantes de computadores tenham reduzido ou 
parado com o uso do PVC, ainda há um grande volume de PVC contido em 
restos de computadores. Outro fato a ser considerado é em relação ao perigo 
do lixo eletrônico descartado em aterros sanitários, pois, por mais seguros e 
modernos que sejam os aterros sanitários, há o risco de vazamento de produtos 
químicos e metais que poderão se infi ltrar no solo. Essa situação é muito pior 
nos velhos e menos controlados aterros sanitários, que acabam sendo a maioria 
em todo o país (FRANCO, 2007). 
Os principais problemas que podem ser causados pelo lixo eletrônico nos 
aterros sanitários são: 
  Após a destruição de equipamentos eletrônicos, como, por exemplo, 
interruptor de circuito eletrônico, poderá ocorrer o vazamento do mer-
cúrio, que irá se infiltrar no solo e causar danos ao meio ambiente e à 
população.
  O mesmo pode ocorrer com o cádmio que, além de se infiltrar no solo, 
pode contaminar os depósitos fluviais. 
  Outro problema é devido à quantidade significativa de íons de chumbo, 
que são dissolvidos do chumbo contido em vidro, tal como o vidro 
 Responsabilidade socioambiental 194
cônico dos tubos de raios catódicos, quando misturados com águas 
ácidas, o que ocorre comumente nos aterros sanitários. 
Não é apenas a infiltração do mercúrio que causa problemas ao meio 
ambiente, a vaporização do mercúrio metálico e do mercúrio dimetileno 
também é fonte de preocupação. Além disso, pequenas explosões acontecem 
com frequência nos aterros sanitários, e, quando expostos ao fogo, metais e 
outras substâncias químicas podem ser liberados. 
A Figura 3, a seguir, mostra uma situação de descarte indevido.
Figura 3. Contaminação de corpo hídrico.
Fonte: Nova Escola (2016).
Na Figura 4, podemos ver um exemplo de contaminação de lençol freático.
Figura 4. Contaminação de lençol freático.
Fonte: Nova Escola (2016).
A contaminação do lençol freático acontece da seguinte maneira: 
a) Nos depósitos, pilhas e baterias ficam expostas ao sol e à chuva e se 
oxidam. Abertas, deixam escapar os metais pesados, que se misturam 
ao líquido formado no lixo. 
195Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
b) Com novas chuvas, o líquido infiltra-se no solo, atingindoo lençol 
freático. 
c) Essa água, usada na irrigação agrícola, contamina legumes, frutas e 
verduras. Nas cidades, ela também é prejudicial, já que os sistemas de 
tratamento não eliminam os metais pesados.
Os processos de reciclagem de resíduos sólidos eletrônicos buscam recu-
perar a matéria-prima secundária para a fabricação de novos produtos. 
Estatísticas apontam que cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrô-
nico são produzidos anualmente em todo o mundo, sendo que 10 milhões são 
reciclados na China. Os impactos também são sociais, pois nesse país ocorre 
exploração de pessoas, até mesmo de crianças e idosos. Um exemplo disso, 
bem como do excesso de lixo eletrônico produzido no mundo, é a cidade 
de Guiyu, na China, onde milhares de pessoas trabalham separando esses 
resíduos. Essa atividade é muito perigosa, pois ficam expostas diretamente 
aos metais pesados e radioativos. Estudos apontam que o solo e os cursos de 
água da região já estão contaminados pelos produtos eletrônicos.
Com o aumento da globalização e da tecnologia, novos aparelhos eletrônicos 
são lançados em curto espaço de tempo, o que leva as pessoas a trocarem 
seus aparelhos mesmo que ainda estejam funcionando. Assim, o que pode 
parecer um simples ato de consumo é um grande impacto no meio ambiente, 
degradando solo, água e ar.
Há algumas teorias e alguns autores que denominam essa mecânica de 
trocas e mudanças rápidas na indústria como “obsolescência programada”, 
ou seja, programam um tempo de validade para esses produtos, o que leva os 
consumidores a trocar e consumirem cada vez mais.
Assim, visto a quantidade de lixo eletrônico produzido no mundo, a melhor 
alternativa é ainda a reciclagem desses produtos, a prática da logística reversa, 
além da sensibilização dos 3Rs – reduzir, reutilizar e reciclar.
Quanto à coleta e descarte, atualmente muitas empresas que fabricam e 
que são responsáveis por grande parte da poluição proveniente dos produtos 
eletrônicos estão apostando em ações de sustentabilidade e, portanto, oferecem 
locais apropriados para o descarte desses aparelhos. A própria empresa recicla 
esses materiais, gerando outros novos. Há ainda casos em que as pessoas 
levam seus aparelhos usados e trocam por um novo, mediante o pagamento da 
diferença. Outro dado importante é que cerca de 80% de todo o lixo eletrônico 
produzido pelos países desenvolvidos é transportado para os países pobres, 
sobretudo da África, do Oriente Médio e da Ásia.
 Responsabilidade socioambiental 196
No Brasil, o aumento da comercialização de produtos eletrônicos nas 
últimas décadas tem gerado grandes problemas ambientais. Entre os países 
considerados em crescimento, o Brasil é o que mais gera lixo eletrônico no 
mundo.
Aqui, a Lei Estadual de São Paulo, nº 13.576, de 6 de julho de 2009, institui 
normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e destinação final 
de lixo tecnológico:
Artigo 1º – Os produtos e os componentes eletroeletrônicos considerados 
lixo tecnológico devem receber destinação final adequada que não provoque 
danos ou impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade.
Parágrafo único – A responsabilidade pela destinação final é solidária 
entre as empresas que produzam, comercializem ou importem produtos e 
componentes eletroeletrônicos.
Dados da Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente) apontam que 
o Brasil descarta anualmente cerca de 97 mil toneladas métricas de compu-
tadores; 2,2 mil toneladas de celulares; e 17,2 mil toneladas de impressoras. 
Em 2014, a ONU declarou que o Brasil produziu 1,4 milhão de toneladas 
de lixo eletrônico. Esses valores são assustadores e, portanto, devemos nos 
conscientizar de seus danos e começar a ter uma postura ética e responsável 
com o descarte correto dos produtos eletrônicos, sejamos os fabricantes ou 
os consumidores. (TODA MATÉRIA, 2016).
Campanhas de conscientização precisam ser promovidas de modo a alertar 
a população mundial da importância da separação desses e de outros tipos de 
lixo com o descarte correto. Ainda que nem todas as cidades do Brasil reali-
zem a coleta e reciclagem do lixo eletrônico, atualmente cerca de 720 cidades 
apresentam esse serviço. No entanto, o país ainda está longe de conseguir 
coletar esses materiais em larga escala.
197Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
O Brasil descarta 96,8 mil toneladas de computadores por ano. Em 1 toneladas de PCs 
existe mais ouro do que 17 toneladas de minério bruto do metal.
Fonte: ECO4YOU (2016).
Consequências e possíveis soluções
Considerando as consequências negativas que esses tipos de resíduos podem 
provocar no meio ambiente, a melhor solução é o descarte correto nas empre-
sas ou cooperativas que recebem esses materiais, levam para a reciclagem e 
realizam o desmonte e a extração dos metais que lhes interessam para venda 
posterior. Esse ato reduz impactos e ainda favorece a economia com o rea-
proveitamento de materiais que possam ser reciclados.
Além do descarte em locais apropriados, doações de aparelhos em fun-
cionamento para entidades sociais podem ajudar a diminuir esse problema.
A tecnologia padrão para a reciclagem de resíduos sólidos da categoria 3 é 
o tratamento mecânico, que compreende as fases de desmontagem, trituração 
e separação dos resíduos. Paralelo a esse processo também podem ocorrer 
processos térmicos com o objetivo de separação dos materiais, como o der-
retimento, a pirólise ou tecnologias específicas de dissolução. Muitas vezes 
ocorre também a combinação dessas tecnologias citadas.
As tecnologias mais avançadas utilizadas em países como a Alemanha 
podem ser dividas, por exemplo, de acordo com as seguintes funções:
  Separação automática dos resíduos de acordo com suas características 
físicas.
 Responsabilidade socioambiental 198
  Separação e extração de gases e líquidos.
  Desmontagem com o objetivo de extração de matérias recicláveis ou 
reutilizáveis.
  Trituração e classificação.
  Seleção dos resíduos em função de propriedades físicas como densidade, 
magnetismo, tamanho das frações, peso, etc.
  Tecnologia de reciclagem (tratamento térmico ou mecânico) dos metais, 
plásticos, vidros, etc. 
Na Figura 5 você pode conferir o processo comum de reciclagem de resíduos 
de equipamentos eletrônicos na Alemanha.
Figura 5. Reciclagem de resíduos de equipamentos. 
Fonte: Machado (2013).
Uma grande contribuição para o setor de reciclagem de resíduos eletrônicos 
poderia ser dada com a implantação de identificações eletrônicas dos equi-
pamentos fabricados por meio do uso de tecnologias como radio frequency 
identification – RFID (identificação por frequência de rádio). Pequenos RFID 
– transponder poderiam ser instalados nos equipamentos contendo uma lista 
exata de todos os materiais utilizados na fabricação daquele equipamento ou 
peça e avisos sobre os métodos indicados para o seu processamento.
Esse sistema traria vantagens também para os fabricantes, que poderiam 
identificar com maior precisão a rota traçada pelos equipamentos que fabricam, 
oferecendo aos consumidores opções de reciclagem, reparos, cuidados especiais 
pela Internet, assim como facilitar imensamente a implantação de um sistema 
199Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
de coleta seletiva e logística reversa no país. Por outro lado, o fabricante poderia 
informar sobre eventuais cuidados especiais com determinados elementos 
perigosos contidos em seus produtos e como deveriam ser tratados.
1. O chumbo é um dos componentes 
de alguns dos resíduos eletrônicos. 
As principais aplicações do Pb 
nesses produtos são: 
a) Solda nos circuitos impressos e 
outros componentes eletrônicos 
e nos tubos de raios catódicos 
nos monitores e televisores.
b) Em sensores de posição, 
chaves, relés.
c) Utilizado na parte externa 
de computadores e em 
alguns termômetros.
d) Atualmente é utilizado em 
detectores infravermelhos 
e semicondutores.
e) Largamente utilizado para 
estabilizaçãode plásticos na 
confecção da parte externa 
dos computadores.
2. Por que os resíduos eletroeletrônicos 
representam perigo e impactos 
sociais e ambientais? 
a) Porque possuem um alto 
nível de matéria orgânica.
b) Por conterem altos níveis 
de chumbo que pode 
contaminar as águas.
c) Porque são compostos de 
recursos renováveis.
d) Em sua composição contem 
substancias químicas prejudiciais, 
como metais pesados.
e) São perigosos por que podem 
comprometer a qualidade do ar.
3. Visto as consequências negativas 
que esse tipo de resíduos pode 
provocar na saúde e no meio 
ambiente, poderíamos apontar 
algumas soluções como: 
a) Atualmente a medida 
para erradicar este tipo de 
problema é a aplicabilidade da 
legislação e seu rigor proibindo 
esse tipo de comercio.
b) Não utilizar mais metais pesados 
como componentes nos 
eletroeletrônicos e certificar 
toda a linha de produção.
c) Após o termino do seu 
ciclo de vida, descartar 
em aterros sanitários
d) Uma das alternativas é a 
utilização da ferramenta P+L na 
linha de produção destes itens.
e) Descarte com empresas ou 
cooperativas licenciadas 
para destinação ou coo- 
processamento desses materiais.
4. Como o conceito de logística reversa 
contribui para reduzir impactos 
ambientais ocasionados pelos 
resíduos eletrônicos? 
a) Contribui e reduz impactos 
pois é um conceito que gera 
obrigatoriedade do gerador 
 Responsabilidade socioambiental 200
produzir sem incorporar 
metais perigosos.
b) É um conceito que contribui 
estruturando projetos de 
educação e conscientização.
c) Destinando, produtos já 
descartados pelo consumidor 
ao próprio produtor. O resíduo 
passa a ser responsabilidade 
do seu gerador.
d) Determinando e criando 
tarifas para cada tipo de 
resíduo descartado.
e) O conceito de logística 
reversa contribui mapeando 
e ditando formas corretas de 
acondicionamento do resíduo.
5. Por que a utilização de 
resíduos como matéria prima 
é tão importante para reduzir 
impactos ambientais? 
a) Para preservar recursos 
renováveis.
b) Para reduzir a necessidade de 
extração de minérios/metais 
que são retirados da natureza 
e não podem ser repostos.
c) Principalmente para evitar 
impactos na fauna.
d) Para evitar catástrofes 
ambientais naturais.
e) A recuperação da matéria prima é 
importante principalmente para 
potencializar a economia local.
201Resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos
ECO4YOU. [201-?]. Disponível em: <https://eco4u.wordpress.com/>. Acesso em: 21 
dez. 2016.
FRANCO, R. G. F. Gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos domésticos 
para o Município de Belo Horizonte. 2007. Dissertação (Mestrado)- Universidade Federal 
de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.
MACHADO, G. B. Reciclagem de resíduos sólidos eletrônicos. 17 dez. 2013. Disponível 
em: <http://www.portalresiduossolidos.com/ reciclagem-de-residuos-solidos-ele-
tronicos/>. Acesso em: 11 dez. 2016.
MIGUEZ, E. C. Logística reversa como solução para o problema do lixo eletrônico: bene-
fícios ambientais e financeiros. São Paulo: Qualitymark, 2010.
PENSAMENTO VERDE. Japão pode usar lixo eletrônico para fabricar medalhas da Olim-
píada de 2020. 09 set. 2016. Disponível em: <http://www.pensamentoverde.com.br/ 
reciclagem/japao-pode-usar-lixo-eletronico- para-fabricar-medalhas-da-olimpiada-
-de-2020/>. Acesso em: 12 dez. 2016.
PEREIRA, D. Lixo eletrônico: problema e soluções. [201-?]. Disponível em: <http://www.
sermelhor.com.br/ecologia/ lixo-eletronico-problema-e-solucoes.html>. Acesso em: 
12 dez. 2016.
PORTAL RESÍDUOS SÓLIDOS. 2016. Disponível em: <http://www.portalresiduossolidos.
com/>. Acesso em: 21 dez. 2016.
TODA MATÉRIA. Lixo eletrônico. 24 maio 2016. Disponível em: <https://www.todama-
teria.com.br/ lixo-eletronico/>. Acesso em: 11 dez. 2016.
 Responsabilidade socioambiental 202
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
DICA DO PROFESSOR
Nesse vídeo, você vai conhecer mais detalhes sobre a logística reversa, uma importante 
ferramenta para reduzir impactos ambientais desse tipo de lixo.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) O chumbo é um dos componentes de alguns dos resíduos eletrônicos. As principais 
aplicações do Pb nesses produtos são:
A) a) Solda nos circuitos impressos e outros componentes eletrônicos e nos tubos de raios 
catódicos nos monitores e televisores.
B) b) Em sensores de posição, chaves e relés.
C) c) Utilizado na parte externa de computadores e em alguns termômetros.
D) d) Atualmente é utilizado em detectores infravermelhos e semicondutores.
E) e) Largamente utilizado para estabilização de plásticos na confecção da parte externa dos 
computadores.
2) Por que os resíduos eletroeletrônicos representam perigo e impactos sociais e 
ambientais?
A) a) Porque possuem um alto nível de matéria orgânica.
B) b) Por conterem altos níveis de chumbo, que pode contaminar as águas.
C) c) Porque são compostos de recursos renováveis.
D) d) Porque sua composição contém substâncias químicas prejudiciais, como metais 
pesados.
E) e) São perigosos porque podem comprometer a qualidade do ar.
3) Visto as consequências negativas que esse tipo de resíduo pode provocar na saúde e 
no meio ambiente, poderíamos apontar algumas soluções como:
A) a) Atualmente a medida para erradicar esse tipo de problema é a aplicabilidade da 
legislação e seu rigor proibindo esse tipo de comércio.
B) b) Não utilizar mais metais pesados como componentes nos eletroeletrônicos e certificar 
toda a linha de produção.
C) c) Após o término do seu ciclo de vida, descartar em aterros sanitários.
D) d) Uma das alternativas é a utilização da ferramenta P+L na linha de produção desses 
itens.
E) e) Descarte com empresas ou cooperativas licenciadas para destinação ou 
cooprocessamento desses materiais.
4) Como o conceito de logística reversa contribui para reduzir impactos ambientais 
ocasionados pelos resíduos eletrônicos?
A) a) Contribui e reduz impactos, pois é um conceito que gera obrigatoriedade do gerador de 
produzir sem incorporar metais perigosos.
B) b) É um conceito que contribui estruturando projetos de educação e conscientização.
C) c) Destinando produtos já descartados pelo consumidor ao próprio produtor. O resíduo 
passa a ser responsabilidade do seu gerador.
D) d) Determinando e criando tarifas para cada tipo de resíduo descartado.
E) e) O conceito de logística reversa contribui mapeando e ditando formas corretas de 
acondicionamento do resíduo.
5) Por que a utilização de resíduos como matéria-prima é tão importante para reduzir 
impactos ambientais?
A) a) Para preservar recursos renováveis.
B) b) Para reduzir a necessidade de extração de minérios/metais que são retirados da natureza 
e não podem ser repostos.
C) c) Principalmente para evitar impactos na fauna.
D) d) Para evitar catástrofes ambientais naturais.
E) e) A recuperação da matéria-prima é importante principalmente para potencializar a 
economia local.
NA PRÁTICA
O Japão é um dos maiores produtores de equipamentos eletroeletrônicos do mundo. A NTT é 
uma das maiores empresas japonesas de telecomunicação e que, em 2016, foi bastante 
pressionada a tomar medidas de redução de impactos ambientais nas suas atividades. Em 
entrevista, a emissora NHK questiona a empresa de telecomunicações NTT sobre produção 
responsável.
 
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Lixo eletrônico gera renda a empresa amazonense
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Animação - A história das coisas - Obsolescência programada
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Os impactos ambientais causados pelo lixo eletrônico e o uso da logística reversa para 
minimizar os efeitos causados ao meio ambienteConteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Rio 92, Rio +10, Rio +20
APRESENTAÇÃO
As conferências internacionais foram encontros que debateram assuntos relacionados ao 
desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a elaboração de projetos e acordos 
importantes na busca por soluções mais práticas e eficazes para as questões e problemáticas 
socioambientais. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as três importantes conferências sobre meio 
ambiente que foram consideradas determinantes para mudanças em nosso país: Rio 92 ou Eco 
92, Rio +10 e Rio +20. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as propostas, as elaborações e os resultados da Eco 92.•
Analisar as proposições da Rio +10 e alguns resultados da conferência.•
Problematizar e discutir as propostas e os resultados da conferência Rio +20.•
DESAFIO
Você é produtor rural e empresário de uma linha de produtos orgânicos e irá representar um 
grupo da sociedade civil em uma das cúpulas de uma conferência socioambiental. Você e seu 
grupo deverão apresentar e discutir com representantes políticos, Anvisa e outras grandes 
empresas sobre o real sentido da segurança alimentar dentro de um desenvolvimento 
sustentável.
O Brasil enfrenta barreiras em conciliar o crescimento dos grandes centros agrícolas com a 
preservação dos ecossistemas e recursos disponíveis; junto a larga utilização de pesticidas 
químicos; abrindo as discussões de segurança alimentar, situação que se alastra e reflete na 
nossa qualidade de vida. Para que possamos consumir e nos alimentar, foi adotado rapidamente, 
após a Revolução Industrial, outro sistema de produção alimentícia, que acompanha o grande 
crescimento populacional e o ritmo acelerado de trabalho.
Embora tenhamos um aumento significativo da produção mundial de alimentos, a desnutrição e 
a insegurança alimentar continuam em níveis inaceitáveis. O desafio atual da agricultura 
mundial consiste em aumentar a produção de alimentos sem aumentar os impactos negativos ao 
meio ambiente e saúde. Estruture e organize suas ideias/propostas sobre os reais princípios da 
segurança alimentar sustentável, buscando informar, sensibilizar e persuadir com seus dados e 
ponto de vista. Apresente práticas, medidas e metas que levam à produção e ao consumo mais 
saudável e vantajoso nas dimensões sociais e ambientais.
INFOGRÁFICO
Neste infográfico, você vai visualizar como ocorreram as estruturas das conferências Eco 92, 
Rio +10 e Rio +20 e quais foram os debates, os pontos altos e os resultados desses encontros.
CONTEÚDO DO LIVRO
Neste texto, você vai conhecer as três importantes conferencias que debateram sobre meio 
ambiente e que foram determinantes para mudanças em nosso país. Rio-92 (também conhecida 
como Eco-92), Rio +10 e Rio +20. Estes encontros internacionais debateram assuntos 
relacionados ao desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a elaboração de 
projetos e acordos importantes, na busca por soluções mais práticas e eficazes as questões e 
problemáticas socioambientais 
Boa leitura!
RESPONSABILIDADE 
SOCIOAMBIENTAL 
Thais Miranda
Rio-92, Rio +10 e Rio +20
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identifi car as propostas, elaborações e resultados da Rio-92;
 Analisar as proposições da Rio +10 e alguns resultados do encontro;
 Problematizar e discutir as propostas e resultados da conferencia
Rio +20;
Introdução
Neste texto, você vai conhecer as três importantes conferencias que 
debateram sobre meio ambiente e que foram determinantes para mu-
danças em nosso país. Rio-92 (também conhecida como Eco-92), Rio +10 
e Rio +20. Estes encontros internacionais debateram assuntos relaciona-
dos ao desenvolvimento socioambiental e foram oportunidades para a 
elaboração de projetos e acordos importantes, na busca por soluções 
mais práticas e eficazes as questões e problemáticas socioambientais.
Propostas, elaborações e resultados da Rio-92
A partir da década de 80, os debates sobre a preservaç ã o do meio ambiente se 
ampliaram. Em 1992, com a Guerra Fria recém terminada e a Europa assinando 
o Tratado de Maastrich, um marco para a formalização da União Europeia.
Neste mesmo período de tempo, a agenda ambiental ganhava força e passava
a ser discutida por toda a sociedade.
Culminou com a Eco-92 ou Rio-92 (Conferê ncia das Naç õ es Unidas sobre 
o Meio Ambiente e Desenvolvimento), realizada de 3 a 14 de junho de 1992
no Rio de Janeiro, esta gerou debates e contribui para o surgimento de novas
instituiç õ es, movimentos e ONGs ambientais. Veja a Figura 1:
Figura 1. Logotipo da Rio-92.
A intenção desse encontro era de introduzir a ideia do desenvolvimento 
sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais 
adequado ao equilíbrio ecológico. Os encontros ocorreram no centro de con-
venções Riocentro. A diferença entre a conferência de 1972 e a de 1992 pode 
ser marcada, na segunda conferência, pela presença maciça de Chefes de 
Estado, fator indicativo da importância atribuída à questão ambiental no 
início da década de 1990. Já as organizações não governamentais fizeram 
um encontro paralelo no Aterro do Flamengoː o Fórum Global. O encontro 
teve, como resultado, a aprovação da Declaração do Rio, também chamada 
de Carta da Terra. 
A Carta da Terra é uma espécie de código de ética planetário, semelhante 
à Declaração Universal dos Direitos Humanos, só que voltado à sustentabi-
lidade, à paz e a justiça socioeconômica. Idealizada pela Comissão Mundial 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, em 1987, ganhou 
impulso na Cúpula da Terra movimento que aconteceu “dentro” da Rio-92. 
Foi um documento oficial, reconhecido como um dos resultados do encontro.
Responsabilidade socioambiental58
Muitos objetos de discussões e prospecção de medidas nas pautas Rio-92 
foram retomados de eventos anteriores além de reformadas:
  Aquecimento global: a Rio-92 deu alicerces a eventos como a confe-
rência em Kyoto no Japão, em 1997. Este deu origem ao Protocolo de 
Kyoto, no qual a maioria das nações concordou em reduzir as emissões 
de gases estufa que intensificam o chamado “efeito estufa”.
  Ar e água: um congresso da ONU em Estocolmo em 1972, adotou 
um tratado para controlar 12 substâncias químicas organocloradas. 
Destinada a melhorar a qualidade do ar e da água, a convenção so-
bre Poluentes Orgânicos Persistentes pede a restrição ou eliminação de 
oito substâncias químicas como clordano, DDT e os PCBs.
  Transporte alternativo: os automóveis híbridos, movidos a gasolina e 
a energia elétrica, já reduzem as emissões de dióxido de carbono no 
Japão, na Europa e nos Estados Unidos.
O que é a Carta da Terra?
A Carta da Terra é uma declaração de princípios fundamentais para a construção de 
uma sociedade global no século XXI, que seja justa, sustentável e pacífica. O documento 
procura inspirar em todos os povos um novo sentido de interdependência global e de 
responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do mundo em 
geral. É uma expressão de esperança e um chamado a contribuir para a criação de uma 
sociedade global num contexto crítico na História. A visão ética inclusiva do documento 
reconhece que a proteção ambiental, os direitos humanos, o desenvolvimento humano 
equitativo e a paz são interdependentes e inseparáveis. Isto fornece uma nova base 
de pensamento sobre estes temas e a forma de abordá-los. O resultado é um conceito 
novo e mais amplo sobre o que constitui uma comunidade sustentável e o próprio 
desenvolvimento sustentável.
59Rio-92, Rio +10 e Rio +20
  Ecoturismo: com um crescimento anual estimado em 30%, o eco-
turismo incentivou governos a proteger áreas naturais e culturas 
tradicionais.
  Redução do desperdício: empresas adotaram programas de reutilização 
e redução, como acontecia com as garrafasde PET no Brasil antes 
que as empresas fossem taxadas com impostos sobre sua compra dos 
catadores de lixo.
  Redução da chuva ácida: na década de 1980, os países desenvolvi-
dos começaram a limitar as emissões de dióxido de enxofre, lançado por 
usinas movidas a carvão. A Alemanha adotou um sistema obrigatório 
de geração doméstica de energia através de célula fotoelétrica.
Os resultados
Além da sensibilização das sociedades e das elites políticas, a Conferência 
teve, como resultado, a produção de alguns documentos ofi ciais fundamentais 
nas seguintes convenções: 
  A Convenção sobre diversidade biológica, tratando da proteção 
da biodiversidade; 
  Convenção das Nações Unidas de combate à desertificação, tratando da 
redução da desertificação; e A Convenção – Quadro das Nações Unidas 
sobre a mudança do clima, tratando das mudanças climáticas globais;
  Além das declarações documentadas sobre;
  Princípios sobre Florestas;
  Documento, sem força jurídica obrigatória, que faz uma série de reco-
mendações para a conservação e o desenvolvimento sustentável florestal.
A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento: 
  Estabelecia uma nova e justa parceria global mediante a criação de 
novos níveis de cooperação entre os Estados, setores da sociedade e os 
indivíduos, trabalhando com vistas à conclusão de acordos internacionais 
respeitando interesses comuns e protegendo a integridade do sistema 
global de meio ambiente e desenvolvimento, reconhecendo a natureza 
integral da Terra.
Responsabilidade socioambiental60
Agenda 21
  É tido até hoje como um documento referência aos assuntos socioambien-
tais. Composta por quarenta capítulos, a Agenda 21 é um instrumento 
de planejamento participativo onde se admite a responsabilidade dos 
governos em impulsionar programas e projetos ambientais através de 
políticas que visam à justiça social e a preservação do meio ambiente. 
A Agenda pode/deve ser implementada por governos e sociedade, 
concretizando o lema da Eco-92. Veja a Figura 2: 
Figura 2. Logotipo da Agenda 21 em 1992.
Desafios
Apesar dos avanç os, a legislaç ã o brasileira ainda enfrenta o desafi o de con-
ciliar o crescimento das cidades e da fronteira agrí cola com a preservaç ã o 
de seus diversos ecossistemas. Como você pode observar, o desafi o é rever a 
hegemonia da economia em relaç ã o as manifestaç õ es humanas e à organizaç ã o 
das sociedades, nas quais a produç ã o do conhecimento, de bens materiais e 
culturais passe a implicar no bem-estar, na comunicaç ã o e integraç ã o solidá ria 
com a natureza e com todos os seres. 
Em outras palavras, trata-se de uma reconfiguraç ã o das relaç õ es sociais, nas 
quais ser sujeito livre, consciente e ativo e que percebe como indissociá vel a 
seu progresso, também o desenvolvimento da comunidade, torna-se o elemento 
essencial para as mudanças socioambientais.
Impacto Político
O Brasil, país-sede da Eco-92, vivia sob seu primeiro governo eleito pelo voto 
direto após a ditadura, mas a conferência ecológica aconteceu simultaneamente 
61Rio-92, Rio +10 e Rio +20
à CPI do Collorgate, que culminou, mais tarde, no impeachment do presidente 
Fernando Collor de Mello.
A Eco-92 foi um marco histórico – a maior conferência já realizada no 
planeta, com a presença de delegações de 178 países. Seu ineditismo fez com 
que o encontro resultasse em documentos – referência, e a continuação de sua 
agenda é um dos objetivos da Rio +20.
Ainda assim, a ausência de metas concretas fez com que muitos conside-
rassem a Eco-92, na época, uma “decepção”.
Proposições e resultados do encontro RIO +10
Dez anos após a Eco-92, entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, 
a ONU realizou a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em 
Joanesburgo – África do Sul, a chamada Rio +10 (ver Figura 3) ou conferência 
de Joanesburgo, que procurou fazer uma avaliaç ã o dos resultados obtidos nos 
dez anos que sucederam.
Figura 3. Logotipo da Rio +10.
A Rio +10 teve como objetivo principal discutir soluções já propostas 
na Agenda 21 primordial (Rio-92), para que pudesse ser aplicada de forma 
coerente não só pelo governo, mas também pelos cidadãos, realizando uma 
Agenda 21 local, e implementando o que fora discutido em 1992.
Novamente, a Agenda 21 estava em evidência, esta focou e reforçou a 
procura de meios de cooperação entre as nações para lidar com problemas 
ambientais globais como:
  Poluição;
  Mudanças climáticas; 
  Destruição da camada de ozônio; 
  Uso e gestão dos recursos marinhos e de água doce;
Responsabilidade socioambiental62
  Desmatamento;
  Desertificação e degradação do solo;
  Resíduos perigosos, e; 
  Degradação da diversidade biológica. 
Esta segunda edição serviu para fazer um balanço da anterior Eco-92, reali-
zada no Rio de Janeiro em 1992. Centrada no desenvolvimento sustentável, seu 
objetivo era a adoção de um plano de ação de 153 artigos divididos em 615 pontos 
sobre diversos temas: a pobreza e miséria, o consumo, os recursos naturais e 
sua gestão, globalização, o cumprimento dos direitos humanos, o lazer, etc.
Como consta no Informativo da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvi-
mento Sustentável, Joanesburgo (África do Sul), 26 de agosto a 4 de setembro 
de 2002, obrigou-se aos países desenvolvidos alcançar os níveis intencional-
mente convencionados de assistência oficial ao desenvolvimento, apoiar a 
criação de alianças regionais fortes para promover a cooperação internacional, 
afirmar que o setor privado também tem o dever de contribuir ao desen-
volvimento sustentável, e por último chamada para criação de instituições 
internacionais e multilaterais mais eficientes, democráticas e responsáveis. 
Veja a Figura 4.
Figura 4. Cúpula da Terra de Joanesburgo.
Fonte: CRI Português (2015).
Resultados
Apesar dos problemas levantados, a ampla participação e colaboração foram 
chave para o bom desenvolvimento da Cúpula e consequentemente, para o 
63Rio-92, Rio +10 e Rio +20
êxito para melhorias de um desenvolvimento sustentável. O grande êxito da 
Cúpula da Terra de Joanesburgo foi a ênfase que se conseguiu em temas de 
desenvolvimento social, tais como a erradicação da pobreza, o acesso a 
água e aos serviços de saneamento, e a saúde. 
Foi de comum acordo entre os países, para o ano de 2015, a reduzir na 
metade a proporção dos índices de pessoas cuja renda seja inferior a 1dólar 
por dia, de pessoas que sofrem de fome e a de pessoas que não tenham acesso 
a água potável. 
Houve também, um acordo de fortalecer a contribuição do desenvolvi-
mento industrial para a erradicação da pobreza, de maneira compatível com 
a proteção do meio ambiente. Apesar dessas conquistas, foi considerada a 
menos produtiva das reuniões ambientais internacionais, porque os debates se 
focaram mais em geopolítica e as questões ambientais foram postas de lado.
Para citar um exemplo, o Plano de Ações da Cúpula de Joanesburgo firmou o 
compromisso de restaurar os estoques de peixes nos mares até 2015. Entretanto 
o texto fala que essa restauração será feita “onde for possível” o que torna 
difícil realizar o monitoramento e a cobrança para realização do compromisso.
De qualquer forma, há quem diga que o balanço foi positivo, pois, de ma-
neira geral na Convenção de Joanesburgo temas como energia renovável que, 
embora tenham tido um tratamento muito aquém do pretendido, ainda tiveram 
um espaço aberto por Joanesburgo, fundamental para futuras negociações.
Discussões Rio +20
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Natu-
ral (CNUDN), conhecida também como Rio +20, foi uma conferência rea-
lizada entre os dias 20 e 22 de junho de 2012 na cidade brasileira do Rio de 
Janeiro, cujo objetivo era discutir sobre a renovação do compromisso político 
com o desenvolvimento sustentável. Veja a Figura 5:
Responsabilidade socioambiental64
Figura 5. Logotipo da Rio +20.
Fonte: Pastoral Fé e Política (2012).
Considerado o maior evento já realizado pelas Nações Unidas, a Rio +20contou com a participação de chefes de Estado de 190 nações que propuseram 
mudanças, sobretudo, no modo como estão sendo usados os recursos naturais do 
planeta. Além de questões ambientais, foram discutidos aspectos relacionados 
a questões sociais como a falta de moradia entre outros tópicos.
O evento ocorreu em dez locais, tendo o Riocentro como principal local de 
debates e discussões; entre os outros locais, figuram o Aterro do Flamengo e 
o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
O objetivo da Conferência foi a renovação do compromisso político com 
o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das 
lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas 
sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.
A Conferência teve dois temas principais:
  A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da 
erradicação da pobreza, e;
  A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. 
A Rio +20 foi composta por três momentos: 
  Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, aconteceu a III Reunião do 
Comitê Preparatório, no qual se reuniram representantes governamentais 
para negociações dos documentos adotados na Conferência. 
  Em seguida, entre 16 e 19 de junho, foram programados os Diálogos 
para o Desenvolvimento Sustentável. 
65Rio-92, Rio +10 e Rio +20
  De 20 a 22 de junho, ocorreram o Segmento de Alto Nível da Confe-
rência, para o qual foi confirmada a presença de diversos Chefes de 
Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.
No Brasil, foi formado um Comitê Facilitador da Sociedade Civil Bra-
sileira para a Rio +20. Segundo Aron Belinky, coordenador de Processos 
Internacionais do Instituto Vitae Civis, que representa o Fórum Brasileiro de 
ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento na 
Coordenação Nacional do Comitê, o papel do grupo – atualmente formado 
por 14 redes – é trazer mais participantes para o debate até o ano que vem. 
As ações do grupo de trabalho são de formação e mobilização, levando 
os temas em discussão para a sociedade. O evento paralelo foi chamado de 
“Cúpula dos povos”. Veja a Figura 6:
Figura 6. Logotipo da Cúpula dos povos na Rio +20.
Outra frente da sociedade civil na Rio +20 se deu no âmbito do Fórum Social 
Mundial (FSM). A decisão foi em Dacar, no Senegal. Segundo o empresário 
e ativista da área de responsabilidade social, Roberto Martins que integra o 
Comitê Internacional do FSM – em janeiro de 2013 –, a edição internacional 
descentralizada do evento terá como principal pauta a temática ambiental, 
voltada à conferência. 
A FSM não representa as elites econômicas e demanda mobilização da 
sociedade sobre outro modelo de desenvolvimento. Propostas como:
  Mudança da matriz energética para a renovável; 
  Questões nucleares, das hidrelétricas em confronto com as populações 
indígenas;
  Modelo de consumo e resíduos orgânicos;
  Entre outros.
Responsabilidade socioambiental66
Segundo Oded Grajew, do instituto Ethos, a meta é propor políticas públicas 
ao governo e informações sobre indicadores quanto à grave situação do modelo 
atual de desenvolvimento, que leva ao esgotamento de recursos naturais e ao 
aumento das desigualdades.
Como 2012 será também um ano de eleições em alguns países impor-
tantes como EUA, Alemanha e França, isso prejudica decisões. Talvez 
essas nações não queiram assumir alguns compromissos, que podem 
comprometer os resultados nas urnas. (GRAJEW, 2012).
Ele reforça que, no contexto da Economia Verde, as discussões do FSM 
permanecerão voltadas a questões sociais, ao combate às desigualdades.
Entende-se que no campo empresarial algumas iniciativas em andamento 
são do Instituto Ethos, que lançou em fevereiro de 2012, a Plataforma por uma 
“Economia Inclusiva, Verde e Responsável”.
67Rio-92, Rio +10 e Rio +20
Em junho de 1992, chefes de Estado de todos os países se reuniram no 
Rio de Janeiro, para tratar dos problemas do Planeta Terra. Na Figura 7, 
você pode ver alguns dos assuntos discutidos e suas devidas proporções: 
População
Consumo de alimentos
Consumo de energia gerada
Poluição por C0
2
50% 50%
20%80%
20%
(1 bilhão)
80%
(4 bilhões)
70% 30%
Países industrializados
Países não industrializados
Figura 7.
Fonte: Mundo Vestibular (c2016).
Outro tema complexo da Conferência, segundo Aron Belinky, diz respeito 
à governança em um cenário de desenvolvimento sustentável. Tema pouco 
debatido oficialmente e extraoficialmente. Que deveria ser visto não como 
uma discussão sobre burocracia, mas como uma condição necessária para 
encaminhar as decisões e recomendações tomadas na conferência.
Belinky afirma que, se por um lado, hoje se enxerga o desenvolvimento 
sustentável no conjunto, as instituições internacionais e internas de cada 
Responsabilidade socioambiental68
país são estanques. Algumas atuam no campo econômico, como o Banco 
Interamericano de Desenvolvimento (BID), o FMI e a Organização Mundial 
do Comércio(OMC), que não se conectam nas dimensões sociais e ambientais. 
Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial do 
Trabalho (OIT), que têm algum poder político, estão desconectadas do lado 
ambiental. A ideia é integrá-las à questão do desenvolvimento sustentável.
No caso da questão ambiental, as discussões levam à constatação de que 
não existe nenhuma organização internacional com real poder regulatório. O 
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) é um dos com 
menor orçamento na ONU e depende de adesões voluntárias. Não é essencial 
dentro do sistema, participa quem quer. Pode encaminhar, no máximo, estudos 
e recomendações, mas sem poder regulatório.
Como primeiro passo, uma das propostas defendidas pela sociedade civil 
é que haja uma resolução para se criar uma agência ambiental internacio-
nal, aprimorando o funcionamento do Pnuma ou por meio de sua união com 
outras agências.
As entidades, segundo Belinky, enxergam que existe uma necessidade 
tanto ética quanto política e econômica de tirar as pessoas da pobreza. Porém, 
ainda haverá padrões de consumo insustentáveis, como o norte-americano e 
o europeu.
A Rio +20 aconteceu em um momento de crescimento em sua produção 
de petróleo e como um dos líderes na produção de etanol. O Brasil tenta se 
projetar como líder ambiental global, mas a preservação de seu ecossistema 
é colocada em xeque por medidas de estímulo ao desenvolvimento econô-
mico (por exemplo, a redução de IPI para montadoras, que incentiva o uso 
de automóveis).
O debate se estende também ao Código Florestal, aprovado em meio a um 
enfrentamento entre ambientalistas e ruralistas.
A Rio +20 teve a missão de definir os rumos do desenvolvimento susten-
tável das décadas seguintes, com temas como, segurança alimentar, economia 
verde, acesso à água, o uso de energia, etc.
Veja na Figura 8, como as ações ficaram organizadas nas dimensões de 
gestão após o evento:
69Rio-92, Rio +10 e Rio +20
Figura 8.
Fonte: RIO +20 (2011).
Segurança alimentar
Neste momento, o conceito de segurança alimentar passa a ser mais do que apenas 
características físico-químicas, normas de produção, transporte e armazenamento 
de alimentos – deve fazer parte deste ciclo as condições de plantio, mão de obra e 
produção, havendo segurança também no que diz respeito as condições laborais e 
uso de pesticidas e agrotóxicos. Lembrando que, muitos produtos químicos ainda 
permitidos no nosso país, são proibidos praticamente em todo mundo.
Economia Verde
É um tipo de economia que visa o desenvolvimento, diminuindo os impactos sociais 
e ambientais; resultando em uma melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade 
social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica. Não 
visa somente, ganhos materiais e posses de compras, mas também desenvolvimentos 
na agricultura, saúde, educação, saneamento e qualidade de vida.
A economia verde vem como proposta e resposta sobre um desenvolvimento mais 
sustentável,reduzindo impactos socioambientais. Uma evolução mais inteligente e 
limpa. Abre também para conceitos como desenvolvimento de produtos e economia 
local e economias colaborativas (Figura 9).
Responsabilidade socioambiental70
Figura 9. Como o mundo mudou entre a Eco-92 e a Rio +20.
Fonte: BBC Brasil (2012).
71Rio-92, Rio +10 e Rio +20
BRASIL. Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Conceitos. 02 jan. 
2013. Disponível em: <http://www4.planalto.gov.br/consea/acesso-a-informacao/
institucional/conceitos>. Acesso em: 19 dez. 2016.
FRANCISCO, W.de C. e. Rio+10. 2016. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/ 
geografia/rio-10.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
RIO +20. 2011. Disponível em: <http://www.rio20.gov.br/>. Acesso em: 19 dez. 2016.
TERRA. Da Eco-92 à Rio+20: duas décadas de debate ambiental. 13 JUN. 2012. Dispo-
nível em: <https://noticias.terra.com.br/ciencia/da-eco-92-a-rio20-duas-decadas-
-de-debate-ambiental,d0aa00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html>. 
Acesso em: 19 dez. 2016.
NASCIMENTO, L. F., LEMOS A. D. C., MELLO M. C. A. Gestão socioambiental estratégica, 
Porto Alegre : Bookman, 2008, p. 60.
SCHWANKE C. Ambiente: Conhecimentos e Práticas. Porto Alegre : Bookman, 2013, p. 67.
BARREIRA, C. Rede ecológica campo e cidade se dão as mãos. [2013?]. Disponível em: 
<http://slideplayer.com.br/slide/9903/>. Acesso em: 19 dez. 2016.
BBC BRASIL. Da Eco-92 à Rio+20: duas décadas de debate ambiental. 13 jun. 2012. 
Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/06/120612_gra-
fico_eco92_rio20_pai.shtml>. Acesso em: 19 dez. 2016.
CRI PORTUGUÊS. China: Cúpula de Joanesburgo do Fórum de Cooperação Sino-
-Africana abre nova era de desenvolvimento conjunto. 08 dez. 2015. Disponível em: 
<http://portuguese.people.cn/n/2015/1208/c310816-8987365.html>. Acesso em: 19 
dez. 2016.
MENDES, L. Carta da Terra: Muito mais que uma simples correspondência. 29 ago. 2013. 
Disponível em: <https://blogimpactoambiental.wordpress.com/2013/08/29/carta-da-
-terra-muito-mais-que-uma-simples-correspondencia/>. Acesso em: 19 dez. 2016.
MUNDO VESTIBULAR. Eco 92. c2016. Disponível em: <http://www.mundovestibular.
com.br/articles/217/1/ECO-92/Paacutegina1.html>. Acesso em: 19 dez. 2016.
PASTORAL FÉ E POLÍTICA. Breves Considerações Sobre a Rio +20 e a Cúpula dos Povos. 13 
jun. 2012. Disponível em: <http://www.pastoralfp.com/cms15/lateral-pedro-aguerre/ 
123-artigo-aguerre-consideracoes-rio-cupula-povos.html>. Acesso em: 19 dez. 2016.
73Rio-92, Rio +10 e Rio +20
DICA DO PROFESSOR
No vídeo sobre as conferências, você vai compreender mais sobre o principal conceito entre 
esses debates, que é o desenvolvimento sustentável.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) As conferências conhecidas como Eco 92, Rio +10 e Rio +20 tiveram como propósitos 
comuns os seguintes pontos: 
A) Encontros de natureza político-econômica, em que foram elaboradas declarações dos 
direitos humanos.
B) Foram encontros internacionais que debateram assuntos relacionados ao desenvolvimento 
socioambiental, criando oportunidades para a elaboração de projetos, acordos, soluções e 
práticas eficazes para as questões e problemáticas ambientais.
C) Foram encontros de natureza filantrópica realizados pelas Nações Unidas entre 1990 e 
2012.
D) Conferências realizadas para assinar as declarações da Carta da Terra, Agenda 21 e a 
Declaração do Rio sobre Meio Ambiente.
E) As conferências foram várias tentativas para que algumas nações assinassem acordo de 
paz, após a Segunda Guerra Mundial.
2) As discussões sobre economia verde e a erradicação da pobreza foram os assuntos 
mais discutidos e evidenciados em que momento? 
A) Na Eco 92 em Estocolmo.
B) No tratado da Carta da Terra.
C) Nos encontros Rio +20.
D) Na conferência Rio +10 em 2000.
E) No Protocolo de Kyoto.
3) No documento conhecido como Carta da Terra, elaborado na Eco 92, afirma-se que 
desenvolvimento e comunidade sustentável só poderiam ser alcançados mediante: 
A) Boas condições e bem-estar da família humana.
B) Redução das emissões dos gases de efeito estufa.
C) Potencialização dos nossos laços e da economia local.
D) Assinatura de um acordo de paz na Conferência de Estocolmo.
E) Ações éticas de inclusão e proteção ambiental dos direitos humanos e paz de forma 
inseparável.
4) Sobre a Conferência de Joanesburgo, podemos afirmar: 
A) A conferência focou na procura de meios de cooperação entre nações para lidar com 
questões como desmatamentos, resíduos perigosos, poluição, saneamento, etc.
B) Foi nessa conferência, também conhecida como Rio +20, que se intensificaram as 
discussões sobre as mudanças climáticas.
C) Os propósitos e as metas da conferência não foram sólidos e enfraqueceram-se, pois, na 
época, o Brasil passava por uma situação política difícil que levou ao impeachment 
(Collorgate).
D) Essa conferência foi de extrema relevância por fortalecer as discussões sobre as florestas.
E) Essa foi uma das poucas conferências em que não se tratou sobre condições sociais e 
erradicação da pobreza. Tratou-se apenas dos aspectos tecnológicos ambientais.
5) Sobre o conceito de economia verde, podemos afirmar:
A) É um antigo programa econômico que busca integrar países e comunidades mais pobres e 
carentes.
B) Conceito criado na Eco 92 para financiar pesquisas de tecnologias limpas.
C) Conceito tratado em todas as conferências, mas suas propostas não contemplam 
saneamento nem recursos renováveis.
D) Busca resultados e melhorias no bem-estar social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos 
ambientais. Não visa somente ganhos materiais e posses de compras, mas também 
desenvolvimento na agricultura, saúde, educação, saneamento e qualidade de vida.
E) A economia verde é um conceito de desenvolvimento sustentável, criada no encontro em 
Estocolmo e já largamente aplicado.
NA PRÁTICA
A Marcopolo é uma empresa brasileira fabricante de carrocerias de ônibus. É a maior fabricante 
nacional do setor, com 40,7% de participação no mercado, e uma das mais importantes no 
mundo. Conta com 20.016 empregados, em 10 fábricas espalhadas pelo mundo. Na linha de 
produção, são produzidos 80 ônibus por dia. Para se adequar às questões socioambientais e 
assegurar suas certificações e parcerias, em 2006 a empresa manifestou intenção de desenvolver 
uma gestão integrada para os processos produtivos.
Como movimentos como Eco 92, Rio +10, Rio +20 podem nortear premissas para que empresas 
como a Marcopolo organizem ações e metas de responsabilidade socioambiental? As três 
conferências, de alguma forma, tratam prioritariamente das prevenções de acidentes ambientais, 
ética e responsabilidade social. Esses encontros discutiram, documentaram e indicaram 
processos e apontaram objetivos para conceitos como produção e consumo sustentável, 
governança, ética para sustentabilidade, inclusão social, entre outros assuntos.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Ambiente: conhecimentos e Práticas
A História da Agricultura e a Economia Verde
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Comida Que Alimenta
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O Que é a Agenda 21?
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Protocolo de Kyoto
APRESENTAÇÃO
O tratado foi um marco específico e particular para as discussões sobre as aceleradas mudanças 
climáticas. Acordos como esse implicam em comprometimento e reduções de emissões, o que 
levaria a uma segunda discussão envolvendo ética, equidade e desenvolvimento social. Para 
tanto, percebe-se a necessidade de avaliar cada caso e elaborar acordos e metas para agir 
globalmente. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o Protocolo de Kyoto e 
perceber que ele não foi apenas mais uma conferência que virou um acordo. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintesaprendizados:
Relacionar alguns fenômenos que levam aos conceitos de aquecimento global e efeito 
estufa.
•
Identificar o conceito do Protocolo de Kyoto, sua origem e momento histórico e ações.•
Destacar alguns debates, resultados e aplicabilidades que aconteceram durante e após o 
protocolo.
•
DESAFIO
Você tem uma empresa multinacional de fundição que movimenta um grande valor econômico 
no mercado mundial. Sua empresa é conhecida por comercializar bons produtos, ter postura 
ética e responsabilidade social e ambiental. Um dos grandes marketings da empresa é a 
credibilidade.
A partir de 2005, sua demanda de vendas aumentou e consecutivamente sua produção também. 
Mas, para fechar parcerias de compras e vendas, você deve ter selos de certificação, que 
confirmam qualidade administrativa do produto e responsabilidade socioambiental. Outro 
grande problema de sua expansão é que as filiais localizadas em outros países já excederam suas 
cotas de emissões atmosféricas e não podem mais poluir para manter as certificações e, 
consecutivamente, as parcerias e as vendas. Qual seria sua alternativa? Que ações e medidas 
você pode tomar?
INFOGRÁFICO
No infográfico, é possível perceber as principais causas que levam aos impactos ambientais e 
sociais e às mudanças climáticas rígidas, para as quais o Protocolo de Kyoto oferece medidas de 
mitigação.
CONTEÚDO DO LIVRO
No capítulo desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o Protocolo de Kyoto e conhecer 
alguns debates, resultados e metas desse movimento que se tornou base para as discussões do 
superaquecimento global.
Boa leitura.
MEIO AMBIENTE
Thais Miranda
Revisão técnica:
Vanessa de Souza Machado
Mestre e Doutora em Ciências
Graduada em Ciências Biológicas
Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147
M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein
... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – 
Porto Alegre : SAGAH, 2018.
ISBN 978-85-9502-573-8
Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein,
Ronei Tiago.
CDU 502
Protocolo de Kyoto
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer alguns fenômenos que levam aos conceitos de aqueci-
mento global e efeito estufa.
 � Identificar o conceito do protocolo de Kyoto, qual sua origem e mo-
mento histórico e ações.
 � Destacar alguns debates, resultados e aplicabilidades que aconteceram 
durante e após o protocolo.
Introdução
Neste texto, você irá estudar o Protocolo de Kyoto, os acordos, as medidas 
e metas estabelecidas, compreendendo que não foi apenas mais uma 
conferência para assuntos ambientais. O tratado foi um marco específico 
e particular para as discussões sobre as aceleradas mudanças climáticas. 
Acordos como este implicam em comprometimento e reduções de 
emissões, o que levaria a uma segunda discussão, que seria sobre ética, 
equidade e desenvolvimento social. Para tanto, percebe-se a necessidade 
de avaliar cada caso e elaborar acordos e metas para agir globalmente.
Como surge a necessidade de acordo
Os anos 1960, 1970 e 1980 foram marcados por inúmeras catástrofes climá-
ticas e incidentes sociais e ambientais, gerando polêmica, gastos públicos e o 
comprometimento da boa visibilidade política.
Catástrofes como furacões, ciclones, tufões, tsunamis, ondas de calor, 
tempestades, enchentes, famílias desabrigadas, casas destruídas, mortes, 
doenças e epidemias, mudanças drásticas no clima mesclam-se entre teorias 
dos ciclos naturais geológicos da terra e do aquecimento global de origem 
antropogênica (práticas humanas). Veja as Figuras 1 e 2.
Figura 2. Enchentes castigaram o estado de Santa Catarina em 2008.
Fonte: Araújo (2010).
Figura 1. Inundação na Indonésia.
Fonte: Araújo (2010).
O Atlas Nacional do Brasil Milton Santos (nova versão do Atlas Nacional do Brasil) foi 
lançado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O documento revelou 
que, de 2007 a 2009, o número de brasileiros afetados por inundações, secas, vendavais 
e temperaturas extremas foi triplicado.
Protocolo de Kyoto230
Embora existam discordâncias no campo científico, a principal causa do 
problema climático que afeta todo o planeta é a intensificação do efeito estufa. 
Esse fenômeno natural é responsável pela manutenção do calor na Terra e 
vem apresentando maior intensidade em razão da poluição do ar resultante 
das práticas humanas. 
Emissões de processos industriais (gases), como material particulado (MP), 
dióxido de enxofre (SO
2
), trióxido de enxofre (SO
3
), monóxido de carbono 
(CO) e oxidantes fotoquímicos, como ozônio (O
3
), hidrocarbonetos (HC) e 
óxidos de nitrogênio (NO
x
), são intensificados de acordo com a evolução 
produtiva e econômica de cada país. Isso modifica padrões de qualidade do 
ar, da água e do solo.
Nesse ponto, surge o conceito de efeito estufa — fenômeno natural que 
gera o aquecimento térmico que possibilita a vida no planeta. O planeta Terra 
é envolto por uma camada de ar chamada atmosfera; é a atmosfera terrestre a 
responsável pela retenção de cerca da metade dos raios solares que chegam ao 
planeta. O conceito foi muito abordado ao longo dos anos, revertido e demasia-
damente conhecido por seus aspectos negativos, mas é um fenômeno natural. 
Existe uma relação com impactos ambientais negativos, por conta de ações 
irresponsáveis do homem, e, com isso, o efeito estufa está se tornando cada 
vez mais intenso, o que passa a ser bastante prejudicial para a vida na Terra. 
Os raios solares que chegam sobre a Terra têm dois destinos: parte é absor-
vida pelo planeta e transformada em calor, para manter a atmosfera quente, e a 
outra parte é refletida e direcionada ao espaço na forma de radiação ultravioleta.
Com a emissão de muitos gases poluidores, que causam diversas reações 
químicas, mais da metade da radiação acaba por ficar retida na superfície do 
planeta, devido à ação refletora dessa camada de gases. 
O excesso dos gases estufa, que agem como isolantes por absorver a energia 
irradiada, forma uma espécie de “cobertor térmico” em torno do planeta, 
impedindo que o calor volte para o espaço.
Efeito estufa natural
Na atmosfera terrestre, existe uma grande quantidade de gases e de partículas 
de poeira que funciona como uma redoma natural. Essa redoma retém parte do 
calor refletido pela superfície terrestre, mantendo a temperatura média da Terra 
em torno de 15ºC. O restante do calor é irradiado para fora da atmosfera. Sem 
essa estufa natural, a temperatura média do planeta ficaria em cerca de –27ºC.
231Protocolo de Kyoto
Efeito estufa artificial
A excessiva quantidade de gases produzidos pelas atividades humanas acumula-
-se na atmosfera. Assim, os raios solares penetram na atmosfera e aquecem 
a superfície, mas são irradiados para o espaço de forma reduzida. Parte do 
calor que deveria ser liberado para o espaço fica aprisionado, intensificando 
o efeito estufa e aumentando a temperatura média do planeta.
Estudos apontam que o efeito estufa artificial não acontece de forma 
equilibrada e igual em todos os continentes, e o que não é de conhecimento 
comum é que, muitas vezes, essa massa prejudicial se desloca em direção a 
continentes que não são geradores desse tipo de impacto, causando surpresa, 
revolta e sensação de injustiça. 
O Quadro 1 traz os maiores emissores de cada continente.
Fonte: Adaptado de Santos e Alencar (2010).
América 
do Norte
Emissão total: 6.787 milhões de toneladas
País que mais emite: Estados Unidos 
(5.800 milhões de toneladas)
América 
Central
Emissão total: 155 milhões de toneladas
País que mais emite: Trinidad e Tobago (29 milhões de toneladas)
América 
do Sul
Emissão total: 756 milhões de toneladas
País que mais emite: Brasil (299 milhões de toneladas)
Ásia Emissão total: 10.226 milhões de toneladas
País que mais emite: China (4.151 milhões de toneladas)
África Emissão total: 943 milhões de toneladas
País que maisemite: África do Sul (365 milhões de toneladas)
Oceania Emissão total: 400 milhões de toneladas
País que mais emite: Austrália (355 milhões de toneladas)
Europa Emissão total: 6.180 milhões de toneladas
País que mais emite: Rússia (1.496 milhões de toneladas)
Quadro 1. Quantidade de emissão de CO
2
 produzida a nível mundial
Protocolo de Kyoto232
Movimentos de intervenções foram iniciados pela ONU antes do tratado 
de Kyoto. A ideia começou em 1988, na “Toronto Conference on the Changing 
Atmosphere” (Canadá); desde então, foram realizadas várias outras conferên-
cias sobre o meio ambiente e clima, até que foi discutida e negociada a criação 
do Protocolo de Kyoto, no Japão, em 1997.
Em 1990, foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climá-
tica com o objetivo de alertar a população sobre o aquecimento global. Em 1992, 
foi a vez da Rio-92, onde ficou decidido que os países eram responsáveis pela 
conservação do clima independentemente do tamanho da nação em questão. 
O protocolo entrou em vigor em 2005 e evidenciou o interesse de países em 
utilizar o carbono como moeda.
O que é o Protocolo de Kyoto?
O Protocolo de Kyoto é um tratado internacional com o objetivo de firmar acor-
dos e discussões para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão 
de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países 
industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos 
impactante a países em crescimento. O fenômeno “Kyoto” foi constituído de 
vários outros movimentos socioambientais anteriores e tomou forma em 1997, 
na cidade japonesa de Kyoto. Na reunião, 141 países se dispuseram a aderir ao 
protocolo e o assinaram, comprometendo-se a implantar medidas com o intuito 
de diminuir a emissão de gases. Porém, o tratado só entrou em vigor em 2005.
As reduções das emissões aconteceram em várias atividades econômicas. 
O Protocolo de Kyoto estimulou os países signatários a cooperarem entre si, 
através de algumas ações básicas:
 � reformar os setores de energia e transportes;
 � promover o uso de fontes energéticas renováveis;
 � eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins 
da convenção;
 � limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos 
sistemas energéticos;
 � proteger florestas e outros sumidouros de carbono.
233Protocolo de Kyoto
Os Estados Unidos, maior emissor de dióxido de carbono do mundo, se opôs 
ao Protocolo de Kyoto, afirmando que a implantação das metas prejudicaria a 
economia do país. Na época, o presidente George W. Bush considerou a hipótese 
do aquecimento global bastante real, mas disse que preferia combatê-lo com 
ações voluntárias por parte das indústrias poluentes e com novas soluções 
tecnológicas. Outro argumento do líder para refutar o acordo foi a falta de 
exigência sobre os países em desenvolvimento para a redução das emissões 
— mais especificamente, China e Índia. Já outros representantes internos da 
Casa Branca questionaram o consenso científico de que os poluentes emitidos 
causassem a elevação da temperatura da Terra.
Mesmo que o governo dos Estados Unidos não tenha assinando o Protocolo 
de Kyoto, alguns municípios, Estados (Califórnia) e donos de indústrias do 
nordeste dos Estados Unidos tentaram maneiras de reduzir a emissão de gases 
tóxicos — buscando não diminuir sua margem de lucro com essa atitude.
O Quadro 2 mostra alguns dados das emissões de CO
2
 em 2004, per capita, 
realizadas por um pequeno grupo de países. Observe as enormes diferenças — a 
produção de 10,13 toneladas no Kuwait e a não produção no Chade. Mesmo 
entre países do mundo “desenvolvido”, há uma grande variação: por exemplo, 
os Estados Unidos produzem 5,61 toneladas de CO
2
, enquanto que na França a 
quantidade produzida é de 1,64. Um assunto de crescente interesse é o modo 
como essas diferenças afetam a disposição dos países a entrar em acordos 
ambientais internacionais, e como os termos desses acordos poderiam ser 
criados de forma a motivar uma ampla participação.
Detalhes de alguns países:
 � União Europeia: seus 15 membros são as maiores vozes a favor desse 
acordo.
 � China: segundo maior emissor de gases-estufa do planeta, tem redu-
zido muito suas emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Não 
tem meta de emissão a cumprir, mas os americanos querem que adote 
compromissos de redução.
 � Austrália: faz parte do “Umbrella Group” (integrado, ainda, por Ca-
nadá, Noruega, Japão e Nova Zelândia), conjunto de países que se 
aliaram aos Estados Unidos. Em 2007, após uma troca de governo, os 
australianos repensaram sua posição e ratificaram o acordo durante a 
Conferência da ONU em Bali. A participação do país nas emissões de 
gases de efeito estufa é de apenas 2%, mas é o maior exportador de 
carvão do mundo.
Protocolo de Kyoto234
Fonte: Adaptado de International Monetary Fund (2011).
País PIB (US$, 2010)
Emissões de 
CO
2
 (toneladas 
métricas, 2008)
Percentual 
de emissões 
globais (2008)
Austrália 39.764 18,9 1,3
China 7.544 5,3 23,3
Colômbia 9.593 1,5 0,2
França 35.910 6,1 1,3
Índia 3.408 1,5 5,8
Indonésia 4.347 1,8 1,4
Iraque 3.548 3,4 0,3
Kuwait 38.775 26,3 0,3
Nepal 1.269 0,1 < 0,1
Noruega 51.959 10,5 0,2
Rússia 15.612 12,1 5,7
Reino Unido 35.059 8,5 1,7
Estados unidos 46.860 12,5 18,1
Quadro 2. PIB e emissões de CO
2
, per capita, em países selecionados
 � Rússia: o colapso econômico pós-União Soviética fez com que o terceiro 
maior emissor não precisasse reduzir suas descargas.
 � Japão: foi o país em cuja antiga capital, Kyoto, foi assinado o protocolo. 
Tem uma posição duvidosa, mas apoia o tratado.
 � Kiribati: maior interessado no Protocolo de Kyoto, o arquipélago está 
ao nível do mar e vai desaparecer se as águas subirem. 
Muitos ecologistas fizeram manifestações em vários países. Na cidade de 
Sidney (Austrália), os manifestantes fizeram esculturas de gelo e as levaram 
para as ruas e, depois de algum tempo, elas derreteram. Esta foi uma forma 
de mostrar o que pode acontecer nas calotas polares se a temperatura da Terra 
aumentar.
235Protocolo de Kyoto
Em Brasília, foram plantadas várias mudas de árvores brasileiras e de 
outros países, que compuseram o chamado “Bosque de Kyoto”. Em São Paulo, 
em frente ao consulado dos Estados Unidos, alguns manifestantes levaram 
faixas de repúdio ao governo americano.
Nesse ano de assinatura, países em desenvolvimento, como o Brasil e a 
Índia, não precisaram se comprometer com metas específicas. Segundo o 
Protocolo, estes são os que menos contribuíram para as mudanças climáticas 
em curso e, por outro lado, tendem a ser os mais afetados por elas. Grande parte 
das nações em desenvolvimento aderiram ao documento. Como signatários, 
têm o dever de manter a ONU informada sobre seus níveis de emissão e, assim 
como os demais, desenvolver estratégias de redução.
O documento propõe três mecanismos para auxiliar os países a cumprirem 
suas metas ambientais:
 � O primeiro prevê parcerias entre países na criação de projetos ambien-
talmente responsáveis.
 � O segundo dá direito aos países desenvolvidos comprarem “créditos” 
diretamente das nações que poluem pouco.
 � O terceiro foi a criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo 
(MDL), conhecido como mercado de créditos de carbono.
Assim, foi criado o sistema de “Crédito de Carbono”, que conta com cer-
tificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de 
gases do efeito estufa (GEE).
Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO
2
) corresponde a 
um crédito de carbono, que pode ser negociado no mercado internacional. A 
redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, 
também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito 
de carbono equivalente (equivalência em dióxido de carbono).
Comprar créditos de carbono no mercado corresponde, aproximadamente, a 
comprar uma permissão para emitir GEE. O preço dessa permissão, negociado 
no mercado, deveser necessariamente inferior ao da multa que o emissor 
deveria pagar ao poder público, por emitir GEE. Para o emissor, portanto, 
comprar créditos de carbono no mercado significa, na prática, obter um des-
conto sobre a multa devida.
Acordos internacionais como o Protocolo de Kyoto determinam uma cota 
máxima de GEE que os países desenvolvidos podem emitir. Os países, por 
Protocolo de Kyoto236
sua vez, criam leis que restringem as emissões de GEE. Assim, aqueles países 
ou indústrias que não conseguem atingir as metas de reduções de emissões 
tornam-se compradores de créditos de carbono. 
Como funciona o mercado de carbono?
Cada tonelada de CO
2
 e equivalente não emitida ou retirada da atmosfera por 
um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial. Os termos 
comuns são descritos a seguir.
Crédito de 
carbono
Unidade comercial, com objetivos monetários, que 
representa uma tonelada de CO
2
 equivalente (tCO
2
e). 
O valor desse crédito varia diariamente, pois sua 
atribuição de valor é dada por vários fatores externos. 
A variação é semelhante a uma bolsa de valores.
Tonelada de 
CO
2
 equivalente 
(tCO
2
e)
Total emitido de gases que causam o efeito estufa 
multiplicado pelo seu potencial de aquecimento global.
Mercado de 
carbono
Campo de trocas, regulado pelo Conselho Executivo 
do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que 
permite a países com altas emissões de carbono comprar o 
“excedente” das cotas de países que produzem menos CO
2
.
Redução 
certificada 
de emissão
Unidade emitida pelo Conselho Executivo do 
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para cada 
tCO
2
 reduzida ou removida do meio ambiente.
Mecanismo de 
desenvolvimento 
limpo
Projetos que visam ao crescimento econômico de 
um país sem causar prejuízos ao meio ambiente.
Cap and trade Expressão utilizada para nomear o processo de limita 
as emissões de gases. Por meio desse modelo, é criada 
a estrutura do mercado de carbono, pois faz com que 
grandes empresas emissoras de gases comprem os 
créditos excedentes das companhias que emitem menos.
Principais gases 
do efeito estufa
Dióxido de carbono (CO
2
), metano (CH
4
), óxido nitroso 
(N
2
O), hexafluoreto de enxofre (SF
6
). Famílias de gases, 
hidrofluorcarbonos (HFCs) e perfluorcarbonos (PFCs).
237Protocolo de Kyoto
Debates, resultados e aplicabilidades durante e 
após o protocolo
O protocolo de Kyoto não propôs apenas discussões e implantações de medi-
das de redução de gases, mas também incentivou e estabeleceu medidas com 
intuito de substituir produtos oriundos do petróleo por outros que provocam 
menos impacto. 
A maioria dos países desenvolvidos, com exceção dos Estados Unidos, 
comprometeu-se com metas de redução de emissões dos principais gases de 
efeito estufa. As metas variaram entre as nações; algumas foram autorizadas 
a aumentar as suas emissões em uma determinada quantidade, enquanto 
outras foram obrigadas a fazer cortes significativos. O objetivo era atingir 
um corte médio de cerca de 5% em relação aos níveis de 1990 com prazo para 
ser atingido até 2012.
De forma geral, há mais sucessos do que fracassos, e a soma das emissões 
de países com metas de Kyoto caiu significativamente. Nesse meio tempo, 
no entanto, as emissões em países como China e algumas outras economias 
emergentes aumentaram.
Grande parte do crescimento na China e outras economias emergentes 
foi impulsionado pela produção de bens e serviços exportados para países 
desenvolvidos — logo, muitos países contribuem indiretamente para o avanço 
nas emissões. Um dos grandes avanços com o protocolo de Kyoto foi a tomada 
do primeiro grande passo na diplomacia do clima global.
Discutindo melhorias para um novo acordo — O que poderia conter nas reso-
luções de um novo acordo?
Um dos pontos mais importantes e polêmicos diz respeito aos países em desen-
volvimento que ficaram de fora das medidas propostas por Kyoto e agora deverão 
adotar compromissos semelhantes aos dos países desenvolvidos. Os Estados Unidos 
terão de adotar ações equivalentes às dos demais países industrializados. Também 
deve ser pensado um mecanismo para reduzir o desmatamento nas florestas tropicais, 
como a Amazônica.
Outros três tópicos devem ser contemplados: adaptação às mudanças climáticas, 
financiamento aos países em desenvolvimento e transferência de tecnologia.
Protocolo de Kyoto238
A principal crítica ao protocolo de Kyoto é que as metas instituídas re-
presentam pouco a luta contra o aquecimento global, causando um impacto 
pequeno na mudança do panorama atual. Baseando-se nessa crítica, boa parte 
dos especialistas se mantém cautelosa quanto ao novo tratado, na esperança 
de que seja mais rígido e abrangente. Para eles, a falta de adesão dos Estados 
Unidos enfraqueceu muito a utilidade do acordo, já que é o país com maiores 
emissões de gases poluentes do mundo. Por outro lado, os defensores do 
Protocolo apontam que, além da importância em traçar as linhas gerais para 
o próximo acordo, Kyoto foi essencial para que diversas nações e empresas 
tenham transformado em lei as metas de redução, tornando concretas as ações 
ambientais neste âmbito. 
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – Intergovernmental Panel 
on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meterológica Mundial (OMM) 
e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para avaliar de 
forma regular possíveis mudanças climáticas. O IPCC foi criado com a percepção de 
que a interação dos seres humanos com o meio ambiente tinha uma grande influência 
sobre as constantes mudanças climáticas, sobretudo, através das emissões de gases 
poluentes.
O Protocolo de Kyoto expirou em 2012. Após 10 anos, as discussões foram 
retomadas em Donha (Catar) entre representantes de 195 países — 18ª Con-
ferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-18). O tratado 
é o único que compromete os países desenvolvidos à redução dos gases de 
efeito estufa.
No Brasil
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou, em seu discurso 
sobre o Brasil no Protocolo de Kyoto, que esse foi um resultado histórico. “O 
Protocolo de Kyoto é mais do que um documento, ele expressa a convicção de 
que a mudança climática exige uma ação multilateral, a abordagem baseada em 
regras. O Protocolo de Kyoto é o padrão de integridade ambiental”, afirmou a 
239Protocolo de Kyoto
ministra. O Brasil exerceu importante papel para esse resultado e foi elogiado 
por vários países por seu desempenho nas negociações.
A ministra destacou, também, que o Brasil está trabalhando muito e com 
sucesso na luta contra as mudanças climáticas. “Estamos orgulhosos dos 
nossos esforços na redução do desmatamento na Amazônia, que falam por 
si. Estamos cumprindo tudo com o que nos comprometemos, de acordo com 
esta Convenção”, enfatizou. Teixeira reafirmou o compromisso do país em 
continuar sua participação ativa na Convenção Quadro das Nações Unidas 
sobre Mudanças Climáticas, “...plenamente consciente de que o multilateralismo 
é a melhor ferramenta para enfrentar o aquecimento global”.
No entanto, Teixeira afirmou que o Brasil não está totalmente satisfeito com 
o resultado obtido. “Queríamos mais. Acreditamos que é necessário mais, mas 
também acreditamos que uma Conferência que garantiu o segundo período do 
Protocolo de Kyoto é, por definição, um sucesso”, disse. A ministra lamentou 
que Partes do Anexo I estejam gradualmente se afastando das obrigações 
estabelecidas na Convenção: “esses países não estão tomando a liderança e 
não estão apoiando os países em desenvolvimento suficientemente em seus 
esforços para combater as alterações climáticas”, postura que a ministra clas-
sificou como “inaceitável”.
1. Quais foram as duas principais 
discussões no tratado de Kyoto?
a) Proteger florestas e outros 
sumidouros de carbono 
e reformar os setores de 
energia e transportes.
b) Reduzir temperaturas 
globais fazendo manejos 
florestais e aumentar o uso 
dos recursos renováveis.c) Estabelecer metas de redução 
na emissão de gases-estufa na 
atmosfera, principalmente a 
países industrializados e criar 
formas de desenvolvimento 
menos impactantes a países 
em desenvolvimento.
d) Promover desenvolvimento 
sustentável diminuindo 
os impactos ambientais 
e reduzir temperaturas 
com a reforma agrária.
e) Reduzir em 20% as emissões 
atmosféricas dos Estados 
Unidos, da China e da Austrália, 
assim como aplicar tecnologias 
mais limpas nesses países.
2. Sobre o efeito estufa, 
marque a opção correta.
a) Fenômeno prejudicial 
apenas à qualidade do ar.
b) Fenômeno que não interfere 
os raios UV causando 
impactos ambientais.
Protocolo de Kyoto240
c) Tem se intensificado nos 
polos do planeta.
d) Fenômeno de aquecimento 
que pode prejudicar 
principalmente o território de 
países subdesenvolvidos.
e) É um fenômeno natural de 
aquecimento, mas podemos 
interferir de forma negativa.
3. No Protocolo de Kyoto existiram 
metas específicas para países em 
desenvolvimento, como o Brasil?
a) Não. Países em desenvolvimento 
deveriam participar e tomar 
algumas cautelas, mas não 
precisaram se comprometer 
com metas específicas, pois 
pouco contribuíram para as 
mudanças climáticas e tendem 
a ser os mais afetados por elas.
b) Sim. As medidas e metas 
firmadas no acordo eram 
semelhantes em todos os 
territórios, pois somente assim 
todos se comprometeriam 
com as metas.
c) Não. As ações para países como o 
Brasil se restringiam a precauções 
e diligência com a Mata Atlântica.
d) Sim. Países em desenvolvimento 
puderam se desenvolver e fazer 
emissões sem mitigação até 2012.
e) Não. Durante essa conferência, 
países em desenvolvimento 
não precisaram participar 
no momento do fórum 
sobre tecnologias limpas.
4. Quais medidas o protocolo lança 
para o setor privado (corporações) 
para responsabilizar e reduzir 
as emissões atmosféricas?
a) Eliminar mecanismos financeiros 
e de mercado inapropriados 
aos fins da Convenção; limitar 
as emissões de metano no 
gerenciamento de resíduos e 
dos sistemas energéticos.
b) Implantar o transporte de 
massa e mobilidade sustentável 
e instigar a produção de 
consumo sustentável.
c) Envolver nos processos 
industriais a prática dos 
3Rs e criar legislação 
para obrigatoriedade de 
tecnologias mais limpas.
d) Parcerias entre países com 
projetos ambientalmente 
responsáveis. Direito aos países 
desenvolvidos de comprar 
“créditos” das nações que 
poluem pouco. Aplicação do 
Mecanismo de Desenvolvimento 
Limpo (MDL), conhecido como o 
mercado de créditos de carbono.
e) Adotaram-se medidas como 
desenvolvimento zero e 
as reduções de tempo em 
atividades industriais.
5. Além dos Estados Unidos, 
outras nações industrializadas se 
negaram a assinar o protocolo?
a) Todos os países em todos os 
continentes foram signatários.
b) Inicialmente, os Estados Unidos 
se negaram a ser signatários, 
mas metade dos municípios 
do país protestou e optou 
por executar medidas.
c) Alguns países da União Europeia 
e Ásia não se comprometeram.
d) Apenas Japão e Austrália 
não foram signatários.
e) Sim, Canadá, Noruega e Nova 
Zelândia fizeram parte do 
conjunto de países que se 
aliaram aos Estados Unidos.
241Protocolo de Kyoto
ARAÚJO, J. Triplica número de afetados pelo clima no Brasil. 16 dez. 2010. Disponível 
em: <https://biogalera.wordpress.com/tag/aquecimento-global/>. Acesso em: 19 
dez. 2016.
BILL’S EXCELLENT ADVENTURES. Kiribati. 23 jul. 2015. Disponível em: <http://www.
billtrips.com/2015/07/kiribati.html>. Acesso em: 21 dez. 2016.
BORDIN, S. O. Protocolo de Kyoto. [201-?]. Disponível em: <http://www.coladaweb.
com/geografia/protocolo-de-kyoto>. Acesso em: 19 dez. 2016. 
DUKE. 2016. Disponível em: <http://dukechargista.com.br/>. Acesso em: 21 dez. 2016.
ECOD. COP-18 prorroga Protocolo de Kyoto até 2020, mas resultado é aquém do esperado. 10 
dez. 2012. Disponível em: <http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/dezem-
bro/cop-18-firma-extensao-do-protocolo-de-kyoto-mas>. Acesso em: 19 dez. 2016.
EFEITO ESTUFA. In: SIGNIFICADOS. 2011-2016. Disponível em: <https://www.signifi-
cados.com.br/efeito-estufa/>. Acesso em: 19 dez. 2016. 
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Emissões atmosféricas. c2016. 
Disponível em: <http://www.fiesp.com.br/temas-ambientais/ver-todos/emissoes- 
atmosfericas>. Acesso em: 19 dez. 2016.
FIELD, B. C.; FIELD, M. K. Introdução à economia do meio ambiente. 6. ed. Porto Alegre: 
McGraw-Hill, 2014. cap. 16.
INTERNATIONAL MONETARY FUND. Slowing Growth, Rising Risks. Disponível em: 
<http://www.imf.org/en/Publications/WEO/Issues/2016/12/31/Slowing-Growth- 
Rising-Risks>. Acesso em: 21 dez. 2016.
MAGNOLI, D. História da Paz. São Paulo: Contexto, 2008. 
PENA, R. A. Aquecimento global. c2016. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.
br/geografia/aquecimento-global.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
PORTAL DO TÉCNICO. Disponível em: <http://ww1.portaldotecnico.net/>. Acesso 
em: 21 dez. 2016.
PROTOCOLO DE KYOTO. Protocolo de Kyoto. [201-?]. Disponível em: <http://protocolo- 
de-kyoto.info/>. Acesso em: 19 dez. 2016.
SANTOS, E. Q.; ALENCAR JÚNIOR, C. G. Os desafios para diminuir a poluição e conter o 
efeito estufa. 2010. Disponível em: <http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de- 
aula/os-desafios-para-diminuir-poluicao-e-conter-o-efeito-estufa>. Acesso em: 21 
dez. 2016.
UOL NOTÍCIAS. COP 18 termina com acordo às pressas no Catar e estende Protocolo de 
Kyoto até 2020. 08 dez. 2012. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/meio-am-
biente/ultimas-noticias/redacao/2012/12/08/cop-18-termina-com-acordo-as-pressas- 
no-catar-e-estende-protocolo-de-kyoto-ate-2020.htm>. Acesso em: 19 dez. 2016.
Protocolo de Kyoto242
Conteúdo:
 
DICA DO PROFESSOR
No vídeo, você vai saber o que se alcançou com o Protocolo de Kyoto e o que aconteceu após 
conhecer um pouco o seu sucessor: a COP18 e suas definições.
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EXERCÍCIOS
1) Quais foram as duas principais discussões no Protocolo de Kyoto?
A) Proteger florestas e outros sumidouros de carbono e reformar os setores de energia e 
transportes.
B) Reduzir temperaturas globais fazendo manejos florestais e aumentar o uso dos recursos 
renováveis.
C) Estabelecer metas de redução na emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, 
principalmente para países industrializados, e criar formas de desenvolvimento menos 
impactantes a países em desenvolvimento.
D) Promover desenvolvimento sustentável diminuindo os impactos ambientais e reduzir 
temperaturas com a reforma agrária.
E) Reduzir em 20% as emissões atmosféricas dos EUA, da China e da Austrália, assim como 
aplicar tecnologias mais limpas nesses países.
2) Sobre o efeito estufa, podemos afirmar:
A) É um fenômeno prejudicial apenas para a qualidade do ar.
B) É um fenômeno que não interfere nos raios UV causando impactos ambientais.
C) Tem se intensificado nos polos do nosso planeta.
D) É um fenômeno de aquecimento que pode prejudicar principalmente o território de países 
subdesenvolvidos.
E) É um fenômeno natural de aquecimento, porém podemos interferir (homem) de forma 
negativa.
3) No Protocolo de Kyoto existiram metas específicas para países em desenvolvimento 
como o Brasil? (OLHAR ANEXO NO FINAL)
A) Não, países em desenvolvimento deveriam participar e tomar algumas cautelas, mas não 
precisariam se comprometer com metas específicas, pois pouco contribuíram para as 
mudanças climáticas e tendiam a ser os mais afetados por elas.
B) Sim, as medidas e metas firmadas no acordo eram semelhantes em todos os territórios, 
pois somente dessa forma seria mais prático para todos se comprometerem com as metas.
C) Não, as ações para países como o Brasil se restringiam a precauções e diligências com a 
mata atlântica.
D) Sim, países em desenvolvimento puderam se desenvolver e fazer emissões sem mitigação 
até 2012.
E) Não, durante essaconferência, países em desenvolvimento não precisaram participar no 
dia e momento do fórum de tecnologias limpas.
4) Quais medidas o protocolo lança para o setor privado (corporações) para 
responsabilizar e reduzir as emissões atmosféricas?
A) Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da convenção e 
limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos.
B) Implantar o transporte de massa e mobilidade sustentável e instigar produção de consumo 
sustentável.
C) Envolver a prática dos 3Rs nos processos industriais e criar legislação para obrigatoriedade 
de tecnologias mais limpas.
D) Estabelecer parcerias entre países com projetos ambientalmente responsáveis, dar direito 
aos países desenvolvidos para comprar "créditos" das nações que poluem pouco e criar o 
mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), conhecido como o "mercado de créditos de 
carbono".
E) Adotar medidas como desenvolvimento zero e as reduções de tempo em atividades 
industriais.
5) Além dos EUA, outras nações industrializadas se negaram a assinar o protocolo?
A) Todos os países em todos os continentes foram signatários.
B) Inicialmente, os EUA refugou ser signatário, porém metade dos municípios do país 
protestou, o que o levou a optar por executar medidas.
C) Alguns países da União Europeia e Ásia não se comprometeram.
D) Apenas Japão e Austrália não foram signatários.
E) Sim, Canadá, Noruega e Nova Zelândia, conjunto de países que se aliaram aos EUA.
NA PRÁTICA
A brasileira Klabin está entre as dez maiores produtoras de papéis e afins no ranking mundial, 
setor de extrema importância na economia. Mas também é uma indústria extremamente 
impactante para o meio ambiente. Os fatores poluentes são diversos, decorrentes desse tipo de 
produção.
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Participação do Brasil no Protocolo de Kyoto é tema da coluna 'Momento eco' Fonte: 
Agência Senado
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O que é o Protocolo de Quioto?
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