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EMC 2 – Cirurgia Vascular Caso clínico 
Página de 5 1 
Doença Venosa Crónica – Varizes C2 
 
 
 
 
NOTA: Gesta 2 para 2 = mãe de dois filhos 
 ACO = anti-contracetivos orais 
 
 
 
Face ao descrito e segundo a classificação de CEAP, qual a classificação 
“C” desta doente? 
 
 
 
A componente “C” diz respeito ao estadio clínico da doença e à forma como ela é objetivada. 
 
EMC 2 – Cirurgia Vascular Caso clínico 
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No presente caso, a doente tinha varizes tronculares visíveis, assim como varizes reticulares, 
não apresentavam edema, hiperpigmentação, lipadermatoesclerose ou úlceras, equivalendo a 
um C2. Como apresentava sintomatologia (sensação de peso e dor nos membros inferiores), é-
-lhe atribuída a letra “s”. Assim sendo, 
 
R: C2, s – Varizes tronculares, sintomáticas 
 
 
Segundo a classificação de CEAP, qual a classificação “E” desta doente? 
 
 
 
A componente “E” diz respeito à etiologia da doença. 
 
No caso em questão, a doença teve um aparecimento gradual e lento, não existindo qualquer 
referência na história clínica a episódios prévios sugestivos de trombose venosa profunda, 
trauma, ou outra possível etiologia secundária para o quadro. A doente não tem história 
compatível com trombofilia e a sua história familiar de doença venosa crónica é compatível com 
uma predisposição familiar. Assim sendo, assume-se que a etiologia da doença venosa crónica 
encontrada é primária. 
R: Ep – etiologia Primária 
 
Qual o melhor exame complementar de diagnóstico para investigar este 
caso? 
 
Existem várias alternativas para estudar a doença venosa crónica, todas elas com vantagens e 
desvantagens. 
À exceção de situações muito pontuais, o exame mais indicado para um estudo inicial é o estudo 
por Eco-Doppler com codificação de cor, pois permite estabelecer ou confirmar o diagnóstico 
e oferece uma excelente capacidade de avaliação morfológica e mapeamento das alterações. 
No entanto não é um método fidedigno para avaliar a severidade da doença nem para determinar 
o seu significado hemodinâmico. 
Apesar de raramente utilizada, a pletismografia é um método muito sensível para avaliar a 
severidade da doença e o seu significado hemodinâmico. 
Os estudos axiais, como a RMN e a Veno-TC estão reservados para os casos de patologia 
envolvendo veias pélvicas ou abdominais do sistema profundo. 
 
 
EMC 2 – Cirurgia Vascular Caso clínico 
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A doente realizou o estudo por Eco-Dopller colorido, verificando-se: 
 
 
NOTA: os diâmetros das veias estão aumentados. 
 
Segundo a classificação de CEAP e o resultado do exame, qual a 
classificação “A” desta doente? 
 
 
 
A componente “A” diz respeito à anatomia. 
Esta componente pode ser descrita de forma mais ou menos detalhada, mas o mais importante 
é a divisão entre o envolvimento de veias superficiais, profundas ou perfurantes. 
 
De acordo com os achados do Eco-Doppler, a doença envolve veias do sistema venoso 
superficial e perfurantes, poupando as veias profundas. Assim sendo, 
 
R: Asp – veias superficiais e perfurantes 
 
 
Segundo a classificação de CEAP, qual a classificação “P” desta doente? 
 
 
 
A componente “P” refere-se ao mecanismo fisiopatológico que está por detrás das alterações 
encontradas, e pode ser refluxo venoso, obstrução venosa ou uma combinação de ambas. Assim 
sendo, neste caso: 
 
R: Pr – refluxo 
 
 
 
EMC 2 – Cirurgia Vascular Caso clínico 
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Qual é a classificação CEAP completa para esta doente? 
 
C2sEpAspPr 
 
Interpretação: 
Varizes tronculares sintomáticas, de etiologia primária, envolvendo veias do sistema superficial 
e perfurantes, com fisiopatologia refluxiva. 
 
 
Como se avalia a severidade da doença venosa crónica? 
 
Existem diversas formas. Conforme vimos anteriormente a severidade pode ser classificada 
através de estudos pletismográficos que nos dão informação relativa ao impacto hemodinâmico 
da doença. Ainda assim, esta quantificação nem sempre tem uma correlação direta com a 
sintomatologia do doente ou com o seu impacto na vida diária. 
 
Uma possível escala para a avaliação clínica da severidade é o Score de Severidade Clínica 
Venosa (VCSS). Este tem vários componentes que incluem: 
 
• Sintomas, como dor e desconforto 
• Presença de sinais, como varizes, edema, inflamação ou endurecimento 
• Presença e extensão da ulceração 
• Capacidade de compliance com terapêutica compressiva 
 
 
 
Qual a pontuação VCSS desta doente? 
 
VCSS = 4, que é um score relativamente baixo. 
 
 
Qual seria uma apropriada proposta terapêutica? 
 
A terapêutica da doença venosa crónica tem vários componentes, e deve ser ajustada aos 
sintomas, aos sinais, ao impacto na qualidade de vida e às expectativas dos doentes. 
 
 
 
 
EMC 2 – Cirurgia Vascular Caso clínico 
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Um algoritmo possível para a abordagem terapêutica, está descrito nesta imagem: 
 
 
 
 
 
Face a sinais e sintomas sugestivos, uma primeira abordagem conservadora, com medidas 
higieno-dietéticas e compressão elástica pode ser tentada. 
 
 
 
 
NOTAS: 
1. Medidas higieno-dietéticas: 
• No aconselhamento do exercício físico regular, deve evitar desportos de contacto. 
• Promoção da cessação tabágica uma vez que o tabagismo é um conhecido fator de 
risco para a doença venosa crónica, bem com para outras patologias. 
• Quanto ao vestuário, deve evitar roupa apertada na cintura e na raíz das coxas e 
relativamente ao calçado é de evitar saltos superiores a 4 cm e inferiores a 2 cm. 
 
2. Foi aconselhado o uso diário de meias de contenção elástica até ao joelho. 
3. Deve ponderar alternativas à contraceção oral, por ser fator de risco para a doença 
venosa crónica. 
 
Casos os sintomas persistam ou tenham agravado, poderá ser considerada uma terapêutica 
farmacológica com fármacos flebotónicos como a Diosmina, ou a terapêutica cirúrgica com 
ablação térmica do eixo das veias safenas, laqueação de perfurantes refluxivas e flebectomias 
dos trajetos colaterais.

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