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A exaustão resulta da depleção das fontes corporais durante o estágio de resistência.
O estresse pode desencadear certas doenças pela inibição do sistema imunológico. A interleucina­1 (IL­1), produzida pelos
macrófagos, é uma importante ligação entre estresse e imunidade; IL­1 estimula a secreção de ACTH.
Desenvolvimento do sistema endócrino
O desenvolvimento do  sistema endócrino não  é  tão  localizado quanto os outros  sistemas porque os órgãos  endócrinos  se
desenvolvem em partes separadas do embrião.
A glândula hipófise, a medula da glândula suprarrenal e a glândula pineal se desenvolvem a partir do ectoderma; o córtex da
glândula suprarrenal se desenvolve a partir do mesoderma e a glândula tireoide, as glândulas paratireoides, o pâncreas e o
timo se desenvolvem a partir do endoderma.
Envelhecimento e sistema endócrino
Embora algumas glândulas endócrinas se atrofiem com o envelhecimento, seu desempenho pode ou não ser comprometido.
A produção de hormônio do crescimento, hormônios da tireoide, cortisol, aldosterona e estrogênios diminui com o avanço da
idade.
Com o envelhecimento, os níveis sanguíneos de TSH, LH, FSH e PTH sobem.
O pâncreas libera insulina mais lentamente com o avanço da idade e a sensibilidade à glicose dos receptores diminui.
Depois da puberdade, o tamanho do timo começa a diminuir e o tecido tímico é substituído por tecido conjuntivo areolar e
adiposo.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Amanda  odeia  a  foto  da  sua  nova  identidade  estudantil.  Seu  cabelo  parece  seco,  o  peso  extra  que  ganhou  está
aparente  e  seu  pescoço  parece  gordo. De  fato,  existe  uma  tumefação  estranha  em  forma  de  borboleta  na  região
anterior do pescoço, debaixo do mento. Amanda também tem se sentido muito cansada e mentalmente “lerda” nos
últimos  tempos,  mas  ela  acredita  que  todo  estudante  de  anatomia  e  fisiologia  se  sinta  assim.  O  que  Amanda
deveria fazer: uma consulta médica ou usar gola rolê?
Amanda  (da  questão  anterior)  foi  ao médico  e  coletou  sangue. Os  resultados mostraram que  os  níveis  de T4  e
TSH estão baixos. Depois, ela fez um exame de estimulação com TSH no qual TSH é injetado e os níveis de T4
monitorados. Depois  da  injeção  de  TSH,  o  nível  de  T4  subiu. Amanda  tem  problemas  na  glândula  hipófise  ou
tireoide? Como chegou a sua conclusão?
O Sr. Hernandez foi ao médico com queixas de sede constante e de “idas dia e noite ao banheiro” para urinar. O
médico solicitou exames de sangue e urina para pesquisa de glicose e cetonas, cujos resultados foram negativos.
Qual é o diagnóstico do Sr. Hernandez e que glândula(s) ou órgão(s) está(ão) envolvido(s)?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
As  secreções  das  glândulas  endócrinas  se  difundem para  o  líquido  intersticial  e,  em  seguida,  para  o  sangue;  as
secreções exócrinas fluem para ductos que levam às cavidades corporais ou à superfície corporal.
No estômago, a histamina é parácrina porque atua nas células parietais circunjacentes sem entrar no sangue.
O complexo receptor­hormônio modifica a expressão genética ativando e desativando genes específicos do DNA
nuclear.
O AMP cíclico é chamado de segundo mensageiro porque traduz a existência do primeiro mensageiro, o hormônio
hidrossolúvel, em uma resposta intracelular.
As  veias  porto­hipofisárias  transportam  sangue  da  eminência  mediana  do  hipotálamo,  onde  hormônios
hipotalâmicos de liberação e inibição são secretados, para a adeno­hipófise, onde esses hormônios atuam.
Os hormônios da tireoide suprimem a secreção de TSH pelos tireotrofos e de TRH pelas células neurossecretoras
do hipotálamo; os hormônios das gônadas suprimem a secreção de FSH e LH pelos gonadotrofos e GnRH pelas
células neurossecretoras do hipotálamo.
Níveis excessivos de GH causam hiperglicemia.
Funcionalmente,  tanto  o  trato  hipotálamo­hipofisial  quanto  as  veias  porto­hipofisárias  transportam  hormônios
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hipotalâmicos para a glândula hipófise. Do ponto de vista estrutural, o trato é composto por axônios de neurônios
que  se  estendem  do  hipotálamo  à  neuro­hipófise;  as  veias  porto­hipofisárias  são  vasos  sanguíneos  que  vão  do
hipotálamo à adeno­hipófise.
A absorção de 1.000 mℓ de água nos intestinos diminuiria a pressão osmótica do plasma sanguíneo, desativando a
secreção de hormônio antidiurético e diminuindo seus níveis sanguíneos.
As  células  foliculares  secretam  T3  e  T4,  também  conhecidos  como  hormônios  da  tireoide.  As  células
parafoliculares secretam calcitonina.
A tireoglobulina é a forma de armazenamento dos hormônios da tireoide.
Falta de iodo na dieta → diminuição da produção de T3 e T4 → maior liberação de TSH → aumento da glândula
tireoide → bócio.
As  células  parafoliculares  da  glândula  tireoide  secretam  calcitonina;  as  células  principais  das  glândulas
paratireoides secretam PTH.
Os tecidos­alvo do PTH são os ossos e os rins; o tecido­alvo da calcitonina é o osso; o tecido­alvo do calcitriol é
o sistema digestório.
As glândulas suprarrenais se encontram superiormente aos rins no espaço retroperitoneal.
A angiotensina II promove vasoconstrição por meio da promoção da contração da musculatura lisa vascular, além
de  estimular  a  secreção de  aldosterona  (pela  zona glomerulosa do  córtex da glândula  suprarrenal),  que,  por  sua
vez, faz com que os rins conservem água e, por isso, o volume de sangue aumenta.
O  receptor  de  transplante  que  usa  prednisona  terá  níveis  sanguíneos  baixos  de  ACTH  e  CRH,  pois  esse
medicamento suprime por feedback negativo a adeno­hipófise e o hipotálamo.
O pâncreas é uma glândula tanto endócrina quanto exócrina.
Glicogenólise é a conversão de glicogênio em glicose e, portanto, eleva o nível sanguíneo de glicose.
A homeostasia mantém condições controladas típicas do meio interno normal; a resposta ao estresse reestabelece
as condições controladas em um nível diferente para conter vários estressores.
O córtex das glândulas suprarrenais é derivado do mesoderma, enquanto a medula se origina do ectoderma.
Na doença de Graves, ocorre a produção de anticorpos que imitam a ação do TSH.
____________
* GIP – antes chamado de peptídio inibidor gástrico – foi renomeado porque, em concentrações fisiológicas, seu efeito inibitório sobre a
função do estômago é insignificante.
19.1
•
•
Sangue e homeostasia
O sangue contribui para a homeostasia transportando oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes e hormônios para dentro e para
fora das células do corpo. Ele ajuda a regular o pH e a temperatura corporais e fornece proteção contra doenças por meio de
fagocitose e produção de anticorpos.
O sistema circulatório consiste em três componentes inter­relacionados: sangue, coração e vasos sanguíneos. O foco deste
capítulo  é  o  sangue;  os  dois  capítulos  seguintes  abordam  o  coração  e  os  vasos  sanguíneos,  respectivamente.  O  sangue
transporta  várias  substâncias,  ajuda  a  regular  diversos  processos  vitais  e  fornece  proteção  contra  doença.  Apesar  das
semelhanças de origem, composição e funções, o sangue é único de pessoa para pessoa, assim como a pele, os ossos e o
cabelo.  Os  profissionais  de  saúde  rotineiramente  examinam  e  analisam  essas  diferenças  por  meio  de  vários  exames  de
sangue  enquanto  tentam  determinar  a  causa  de  inúmeras  doenças.  O  ramo  da  ciência  que  estuda  o  sangue,  os  tecidos
formadores de sangue e os distúrbios associados é chamado de hematologia.
Funções e propriedades do sangue
 OBJETIVOS
Descrever as funções do sangue
Descrever as características físicas e os principais componentes do sangue.
1.
2.
3.
A maioria das células de um organismo multicelular não consegue se mover para obter oxigênio e nutrientes ou eliminar
dióxido de carbono e outrasescórias metabólicas. Essas necessidades são atendidas por dois líquidos: o sangue e o líquido
intersticial. O sangue é um tecido conjuntivo líquido que consiste em células circundadas por matriz extracelular líquida. A
matriz extracelular é chamada de plasma sanguíneo e suspende várias células e fragmentos celulares. Líquido intersticial é
o  líquido  que  banha  as  células  do  corpo  (ver  Figura  27.1),  sendo  constantemente  renovado  pelo  sangue.  O  sangue
transporta o oxigênio vindo dos pulmões e os nutrientes do sistema digestório, que se difundem do sangue para o líquido
intersticial  e,  daí,  para  as  células  corporais.  Dióxido  de  carbono  e  outras  escórias  metabólicas  são  levados  no  sentido
inverso, das células do corpo para o  líquido  intersticial e daí para o sangue. Em seguida, o sangue  transporta as escórias
metabólicas para vários órgãos – pulmões, rins e pele – para que sejam eliminados do corpo.
Funções do sangue
O sangue apresenta três funções gerais:
Transporte. Conforme  já  dito  anteriormente,  o  sangue  transporta  oxigênio dos pulmões para  as  células  do  corpo  e
dióxido de carbono das células corporais para os pulmões para que  seja exalado. Além disso,  leva os nutrientes do
sistema digestório  para  as  células  corporais  e  hormônios  das  glândulas  endócrinas  para  outras  células  do  corpo. O
sangue também transporta calor e produtos residuais para diversos órgãos para que sejam eliminados do corpo.
Regulação.  O  sangue  circulante  ajuda  a  manter  a  homeostasia  de  todos  os  líquidos  corporais.  O  sangue  ajuda  a
regular o pH usando tampões. Além disso, auxilia no ajuste da temperatura corporal por meio da absorção de calor e
propriedades refrigerantes da água (ver Seção 2.4) no plasma sanguíneo e sua taxa variável de fluxo pela pele, onde o
excesso de calor pode  ser perdido do  sangue para o ambiente. Ademais,  a pressão osmótica do  sangue  influencia o
conteúdo de água das células, principalmente por meio de interações de proteínas e íons dissolvidos.
Proteção. O  sangue  é  capaz de  coagular  (se  tornar  parecido  com um gel),  propriedade que o protege  contra  perdas
excessivas  do  sistema  circulatório  depois  de  uma  lesão.  Além  disso,  seus  leucócitos  protegem  contra  doença,
realizando  fagocitose.  Diversos  tipos  de  proteínas  sanguíneas,  inclusive  anticorpos,  interferonas  e  complemento
auxiliam na proteção contra doença de várias formas.
Características físicas do sangue
O sangue é mais denso  e mais viscoso que  a  água,  além de  ligeiramente pegajoso. A  temperatura do  sangue  é de 38°C,
cerca de 1°C mais elevada que a temperatura corporal oral ou retal, e apresenta pH levemente alcalino, variando de 7,35 a
7,45.  A  cor  do  sangue  varia  com  o  conteúdo  de  oxigênio.  Quando  saturado  com  oxigênio,  o  sangue  é  vermelho­vivo.
Quando insaturado de oxigênio é vermelho­escuro. O sangue constitui cerca de 20% do líquido extracelular, contabilizando
8% da massa corporal total. O volume de sangue varia de 5 a 6 ℓ em um homem adulto de porte mediano e de 4 a 5 ℓ na
mulher adulta de porte mediano. A diferença de volume entre homens e mulheres é decorrente das diferenças de tamanho
corporal.  Vários  hormônios  regulados  por  feedback  negativo  garantem  que  o  volume  de  sangue  e  a  pressão  osmótica
permaneçam  relativamente  constantes.  Os  hormônios  aldosterona,  hormônio  antidiurético  e  peptídio  natriurético  atrial
(PNA) são especialmente importantes, pois regulam o volume de água excretada na urina (ver Seção 27.1).
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Coleta de sangue
As amostras de sangue para exames laboratoriais podem ser obtidas de várias maneiras. O procedimento mais comum é o de punção venosa (venipuntura), que
consiste na retirada de sangue de uma veia através de uma agulha e um tubo coletor contendo vários aditivos. Um torniquete é enrolado no braço acima do local da
punção, o que faz com que sangue se acumule na veia. Esse volume de sangue mais elevado faz com que veia se dilate. A abertura e o fechamento do punho fazem
com que a veia que ainda mais proeminente, tornando a punção mais bem-sucedida. A veia intermédia do cotovelo é um local comum de punção venosa (ver Figura
21.25A). Outro método de coleta de sangue é por meio de punção digital ou plantar. Tipicamente, os diabéticos que monitoram o nível de glicose sanguínea todos
os dias o fazem por meio de punção digital, sendo, muitas vezes realizada também para coletar sangue de lactentes e crianças. Na punção arterial, o sangue é
coletado de uma artéria; este procedimento é usado para determinar o nível de oxigênio no sangue.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html#ch27fig1
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2-4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html#ch27-1
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter21.html#ch21fig25
1.
2.
3.
Componentes do sangue
O  sangue  total  possui  dois  componentes:  (1)  plasma  sanguíneo,  matriz  extracelular  aquosa  que  contém  substâncias
dissolvidas e (2) elementos figurados, que consistem nas células e nos fragmentos celulares. Se uma amostra de sangue for
centrifugada em um pequeno  tubo de vidro, as células  (que são mais densas)  se depositam no  fundo do  tubo enquanto o
plasma (que é menos denso) forma uma camada na parte superior (Figura 19.1A). Cerca de 45% do sangue é constituído
pelos  elementos  figurados  e  55%  por  plasma  sanguíneo.  Normalmente,  mais  de  99%  dos  elementos  figurados  são
eritrócitos  (hemácias).  Os  leucócitos  e  as  plaquetas  correspondem  a menos  de  1%  dos  elementos  figurados.  Por  serem
menos  densos  que  as  hemácias,  porém mais  densos  que  o  plasma  sanguíneo,  eles  formam  uma  fina  camada  de  creme
leucocitário  entre  as  hemácias  e  o  plasma  no  sangue  centrifugado.  A  Figura  19.1B  mostra  a  composição  do  plasma
sanguíneo e os números dos vários tipos de elementos figurados do sangue.
FUNÇÕES DA MEMBRANA PLASMÁTICA
Transportar oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes, hormônios, calor e escórias metabólicas.
Regular o pH, a temperatura corporal e o conteúdo de água das células.
Proteger contra perda sanguínea por meio da coagulação e contra doença por meio de leucócitos fagocíticos e
proteínas como anticorpos, interferonas e complemento.
Figura 19.1 Componentes do sangue em um adulto normal.
O sangue é um tecido conjuntivo composto por plasma sanguíneo (líquido) e elementos figurados (hemácias,
leucócitos e plaquetas).
Qual é o volume aproximado de sangue no seu corpo?
Plasma sanguíneo
Quando  os  elementos  figurados  são  removidos  do  sangue,  é  observado  um  líquido  cor  de  palha  chamado  de  plasma
sanguíneo (ou simplesmente plasma). O plasma sanguíneo é composto 91,5% de água e 8,5% de solutos, cuja maioria é
(7% por peso) de proteínas. Algumas das proteínas no plasma  sanguíneo  também são  encontradas  em outros  lugares do
corpo, porém aquelas confinadas ao sangue são chamadas de proteínas plasmáticas. Os hepatócitos sintetizam a maioria
das proteínas plasmáticas, que incluem as albuminas (54% das proteínas plasmáticas), globulinas  (38%) e fibrinogênio
(7%).  Determinadas  células  sanguíneas  amadurecem  e  se  tornam  produtoras  de  gamaglobulinas,  um  importante  tipo  de
globulina.  Essas  proteínas  plasmáticas  também  são  chamadas  de anticorpos  ou  imunoglobulinas  porque  são  produzidas
durante certas respostas imunológicas. Substâncias estranhas (antígenos), como bactérias e vírus, estimulam a produção de
milhões de anticorpos diferentes. Um anticorpo se  liga especificamente ao antígeno que estimulou sua produção e, dessa
forma, neutraliza o antígeno invasor.
Além de proteínas,  os  outros  solutos  no plasma  são  eletrólitos,  nutrientes,  substâncias  reguladoras  como enzimas  e
hormônios, gasese escórias metabólicas como ureia, ácido úrico, creatinina, amônia e bilirrubina.
A Tabela 19.1 descreve a composição química do plasma sanguíneo.
Elementos figurados
Os elementos figurados do sangue  incluem três componentes principais: hemácias,  leucócitos e plaquetas  (Figura 19.2).
As hemácias ou eritrócitos  transportam oxigênio dos pulmões para as células corporais e dióxido de carbono das células
do corpo para os pulmões. Os leucócitos protegem o corpo de patógenos invasores e outras substâncias estranhas. Existem
diversos  tipos  de  leucócitos:  neutrófilos,  basófilos,  eosinófilos,  monócitos  e  linfócitos.  Os  linfócitos  são  ainda
subdivididos em linfócitos B (células B), linfócitos T (células T) e células exterminadoras naturais (natural killers, NK).
Cada tipo de leucócito contribui da sua maneira para os mecanismos de defesa do corpo. As plaquetas, o último tipo de
elemento  figurado,  são  fragmentos  celulares  sem  núcleo.  Entre  outras  ações,  elas  liberam  substâncias  químicas  que
promovem a coagulação do sangue nos casos de dano dos vasos sanguíneos. As plaquetas são o equivalente funcional dos
trombócitos,  células  nucleadas  encontradas  nos  vertebrados  inferiores  que  evitam  a  perda  de  sangue  pela  coagulação  do
sangue.
O  percentual  do  volume  de  sangue  total  ocupado  pelas  hemácias  é  chamado  de  hematócrito;  o  hematócrito  de  40
indica que 40% do volume de sangue são compostos por hemácias. O hematócrito normal de mulheres adultas varia de 38 a
46% (média = 42), enquanto o de homens adultos varia entre 40 e 54% (média = 47). O hormônio testosterona, encontrado
em  concentração  muito  mais  elevada  nos  homens  do  que  nas  mulheres,  estimula  a  síntese  de  eritropoetina  (EPO),  um
hormônio que, por sua vez, estimula a produção de hemácias. Dessa forma, a  testosterona contribui para os hematócritos
mais altos nos homens. Valores mais baixos nas mulheres durante os anos férteis também podem ser decorrentes da perda
excessiva  de  sangue  durante  a  menstruação.  Uma  queda  significativa  no  hematócrito  indica  anemia,  que  consiste  em
contagem  de  hemácias  abaixo  da  normal.  Na  policitemia,  o  percentual  de  hemácias  está  anormalmente  elevado  e  o
hematócrito pode ser de 65% ou mais, o que aumenta a viscosidade do sangue, acentua a resistência ao fluxo e dificulta o
bombeamento do sangue pelo coração. A viscosidade mais acentuada também contribui para elevação da pressão arterial e
do  risco  de  AVE.  As  causas  de  policitemia  são  intensificação  anormal  da  produção  de  hemácias,  hipoxia  tecidual,
desidratação, dopagem sanguínea e uso de EPO por atletas.
TABELA 19.1 Substâncias no plasma sanguíneo.
CONSTITUINTE DESCRIÇÃO FUNÇÃO
Água (91,5%) 
Proteínas plasmáticas
(7%)
Porção líquida do sangue 
A maioria é produzida pelo fígado
Solvente e meio de suspensão. Absorve, transporta e libera calor 
Responsável pela pressão coloidosmótica. Principais contribuintes para a
viscosidade do sangue. Transportam hormônios (esteroides), ácidos graxos e
cálcio. Ajudam a regular o pH do sangue
Albumina Menor e mais numerosa proteína plasmática Auxilia a manter a pressão osmótica, um importante fator na troca de líquido
pelas paredes dos capilares sanguíneos
Globulinas Proteínas grandes (os plasmócitos produzem
imunoglobulinas)
As imunoglobulinas ajudam a atacar vírus e bactérias. Alfaglobulinas e
betaglobulinas transportam ferro, lipídios e vitaminas lipossolúveis
Fibrinogênio Proteína grande Tem participação essencial na coagulação sanguínea
Outros solutos (1,5%)
Eletrólitos Sais inorgânicos; Na+, K+, Ca2+, Mg2+ com
carga elétrica positiva (cátions); Cl–, HPO4
2–,
SO4
2–, HCO3
– com carga negativa (ânions)
Ajudam a manter a pressão osmótica e são essenciais nas funções celulares
Nutrientes Produtos da digestão como aminoácidos,
glicose, ácidos graxos, glicerol, vitaminas e
minerais
Essenciais nas funções celulares, no crescimento e desenvolvimento
1.
2.
3.
4.
5.
6.
19.2
•
Gases Oxigênio (O2) 
Dióxido de carbono (CO2)
Nitrogênio (N2)
Importante em muitas funções celulares 
Envolvido na regulação do pH do sangue 
Função não conhecida
Substâncias 
reguladoras
Enzimas 
Hormônios 
Vitaminas
Catalisam reações químicas 
Regulam o metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento 
Cofatores para reações enzimáticas
Produtos 
residuais
Ureia, ácido úrico, creatina, creatinina, 
bilirrubina, amônia
A maioria é subproduto do metabolismo proteico transportado pelo sangue
para os órgãos de excreção
Figura 19.2 Elementos figurados do sangue.
Os elementos figurados do sangue são as hemácias, os leucócitos e as plaquetas.
Que elementos figurados do sangue são fragmentos celulares?
 TESTE RÁPIDO
De que maneira o plasma sanguíneo é semelhante ao líquido intersticial? Como se difere?
Que substâncias o sangue transporta?
Quantos quilogramas de sangue existem no seu corpo?
Como o volume de plasma sanguíneo no seu corpo se compara ao volume de líquido em uma garrafa de 2 ℓ de
Coca­Cola?
Enumere os elementos figurados existentes no plasma sanguíneo e descreva suas funções.
O que significa hematócrito mais alto e mais baixo que o normal?
Formação das células sanguíneas
 OBJETIVO
Explicar a origem das células sanguíneas.
Embora alguns linfócitos vivam anos, a maioria dos elementos figurados do sangue dura apenas horas, dias ou semanas, e
a  maioria  precisa  ser  reposta  continuamente.  Sistemas  de  feedback  negativo  regulam  a  contagem  total  de  hemácias  e
plaquetas na circulação e, em geral, a contagem desses elementos permanece constante. A abundância de diferentes tipos de
leucócitos,  no  entanto,  varia  em  resposta  aos  desafios  impostos  pelos  patógenos  invasores  e  por  outros  antígenos
estranhos.
O processo  pelo  qual  os  elementos  figurados  do  sangue  se  desenvolvem  é  chamado  de hemopoese, eritropoese  ou
hematopoese. Antes do nascimento, a hemopoese ocorre primeiramente no saco vitelino do embrião e, depois, no fígado,
no baço, no timo e nos linfonodos do feto. A medula óssea vermelha se torna o principal local de hemopoese nos últimos 3
meses da gravidez e continua sendo a fonte de células sanguíneas depois do nascimento e ao longo da vida.
A medula óssea vermelha é um tecido conjuntivo extremamente vascularizado localizado nos espaços microscópicos
entre as trabéculas do tecido ósseo esponjoso. É encontrada principalmente nos ossos do esqueleto axial, nos cíngulos dos
membros superiores e inferiores e nas epífises proximais do úmero e fêmur. De 0,05 a 0,1% das células da medula óssea
vermelha são chamadas de células­tronco pluripotentes ou hemocitoblastos, que são derivadas do mesênquima (tecido a
partir do qual a maioria dos  tecidos conjuntivos evolui). Essas células são capazes de se desenvolver em muitos  tipos de
células  diferentes  (Figura 19.3). Nos  recém­nascidos,  toda  a medula  óssea  é  vermelha  e,  portanto,  ativa  na  produção  de
células sanguíneas. Com o envelhecimento do indivíduo, a velocidade de formação de células sanguíneas diminui; a medula
óssea vermelha na cavidade medular dos ossos longos se torna inativa e é substituída por medula óssea amarela, formada
principalmente por  células  gordurosas. Em determinadas  condições,  como  sangramentos graves,  a medula óssea  amarela
pode  voltar  a  ser  medula  óssea  vermelha;  isso  ocorre  porque  células­tronco  formadoras  de  sangue  da  medula  óssea
vermelha vão para medula óssea amarela, que é repovoada por células­tronco pluripotentes.
Figura 19.3 Origem, desenvolvimento e estrutura das células sanguíneas. Algumas gerações de algumas linhagens celulares foram
omitidas.
A produção de células sanguíneas, chamada de hemopoese, ocorre principalmente na medula óssea vermelha
depois do nascimento.
A partir de que células do tecido conjuntivo evoluem as células­tronco pluripotentes?
As células­tronco na medula óssea vermelha se reproduzem, proliferam e se diferenciam em células que dão origema
células  sanguíneas,  macrófagos,  células  reticulares,  mastócitos  e  adipócitos.  Algumas  células­tronco  podem  também
formar osteoblastos, condroblastos e células musculares, que podem ser usadas como fonte de tecido ósseo, cartilaginoso e
muscular com finalidade de reposição orgânica e tecidual. As células reticulares produzem fibras reticulares, que formam o
estroma que dá suporte às células da medula óssea vermelha. Sangue das artérias nutrícias e metafisárias (ver Figura 6.4)
penetra  no  osso  e  passa  para  capilares  dilatados  e  permeáveis,  chamados  seios,  que  circundam  as  fibras  e  as  células  da
medula óssea vermelha. Depois da formação das células sanguíneas, elas entram nos seios e em outros vasos sanguíneos e
deixam o osso pelas veias nutrícias e periosteais (ver Figura 6.4). Com exceção dos linfócitos, os elementos figurados não
se dividem depois que deixam a medula óssea vermelha.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Exame da medula óssea
Às vezes, uma amostra de medula óssea vermelha precisa ser obtida para diagnosticar certos problemas sanguíneos, como leucemia e anemias graves. O exame da
medula óssea pode envolver aspiração da medula óssea (retirada de uma pequena amostra de medula óssea vermelha com uma seringa ou agulha na) ou biopsia
de medula óssea (remoção de uma amostra de medula óssea vermelha com uma agulha mais calibrosa).
Em geral, os dois tipos de amostras são retirados da crista ilíaca do osso do quadril, embora, muitas vezes, sejam aspiradas do esterno. Em crianças pequenas, as
amostras de medula óssea são coletadas de uma vértebra ou da tíbia. Depois disso, a amostra celular ou tecidual é enviada para análise laboratorial. Especi camente,
os técnicos laboratoriais buscam sinais de células neoplásicas (câncer) ou outras alterações celulares a m de ajudar o diagnóstico.
A  fim de  formar  células  sanguíneas,  as  células­tronco  pluripotentes  na medula  óssea  vermelha  produzem mais  dois
tipos de  células­tronco, que possuem a  capacidade de  se desenvolver  em vários  tipos  celulares. Essas  células­tronco  são
chamadas  de  células­tronco  mieloides  e  células­tronco  linfoides.  As  células­tronco  mieloides  começam  o  seu
desenvolvimento  na  medula  óssea  vermelha  e  dão  origem  a  hemácias,  plaquetas,  monócitos,  neutrófilos,  eosinófilos,
basófilos  e mastócitos.  As  células­tronco  linfoides,  que  dão  origem  aos  linfócitos,  começam  o  seu  desenvolvimento  na
medula óssea vermelha, porém o completam nos tecidos linfáticos. As células­tronco linfoides também originam as células
natural killer  (NK).  Embora  as  diversas  células­tronco  apresentem  diferentes marcadores  de  identidade  celular  nas  suas
membranas plasmáticas, elas não podem ser distinguidas histologicamente e se assemelham aos linfócitos.
Durante a hemopoese, algumas das células­tronco mieloides se diferenciam em células progenitoras. Outras células­
tronco mieloides e as células­tronco linfoides se desenvolvem diretamente nas células precursoras (descritas a seguir). As
células  progenitoras  não  são  mais  capazes  de  se  reproduzir  e  estão  comprometidas  a  dar  origem  a  elementos  mais
específicos do sangue. Algumas células progenitoras são conhecidas como unidades formadoras de colônia (UFC). Depois
da  designação  UFC  vem  a  abreviação  que  indica  os  elementos  maduros  no  sangue  que  vão  produzir:  UFC­E  produz
eritrócitos (hemácias); UFC­Meg produz megacariócitos, a fonte das plaquetas; e UFC­GM produz granulócitos (sobretudo
neutrófilos) e monócitos (ver Figura 19.3). Células progenitoras, como as células­tronco, lembram linfócitos e não podem
ser diferenciadas apenas por sua aparência microscópica.
Na geração seguinte, as células são chamadas de células precursoras,  também conhecidas como blastos. Depois de
várias divisões, elas se desenvolvem nos elementos figurados do sangue propriamente ditos. Por exemplo, os monoblastos
se  tornam  monócitos,  os  mieloblastos  eosinofílicos  se  tornam  eosinófilos  e  assim  por  diante.  As  células  precursoras
apresentam aparências microscópicas reconhecíveis.
Vários hormônios chamados de fatores de crescimento hematopoéticos  regulam a diferenciação e a proliferação de
células progenitoras específicas. A eritropoetina (EPO) aumenta o número de células precursoras de hemácias. A EPO é
produzida principalmente por células que se encontram entre os túbulos renais (células intersticiais peritubulares). Em caso
de insuficiência renal, a liberação de EPO fica mais lenta e a produção de hemácias inadequada, o que leva à diminuição do
hematócrito e da capacidade de  levar oxigênio aos  tecidos corporais. A trombopoetina  (TPO) é um hormônio produzido
pelo  fígado  que  estimula  a  formação  de  plaquetas  a  partir  dos  megacariócitos.  Várias  citocinas  diferentes  regulam  o
desenvolvimento  de  tipos  distintos  de  células  sanguíneas. Citocinas  são  pequenas  glicoproteínas  tipicamente  produzidas
por células como as da medula óssea vermelha, leucócitos, macrófagos, fibroblastos e células endoteliais. Em geral, atuam
como  hormônios  locais  (autócrinos  ou  parácrinos;  ver  Capítulo  18).  As  citocinas  estimulam  a  proliferação  de  células
progenitoras  na  medula  óssea  vermelha  e  regulam  as  atividades  de  células  envolvidas  nas  defesas  inespecíficas  (como
fagócitos) e respostas imunes (como células B e T). Os fatores estimuladores de colônia (FEC) e as interleucinas (IL)
são duas importantes famílias de citocinas que estimulam a formação de leucócitos.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter06.html#ch6fig4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter06.html#ch6fig4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html
7.
8.
19.3
•
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Usos médicos dos fatores de crescimento
hematopoéticos
Os fatores de crescimento hematopoéticos disponibilizados pela tecnologia de DNA recombinante têm enorme potencial para usos médicos quando a capacidade
natural da pessoa de formar novas células sanguíneas está diminuída ou defeituosa. A forma arti cial da eritropoetina (epoetina alfa) é muito efetiva no tratamento
do comprometimento da produção de hemácias que acompanha a doença renal em estágio terminal. Fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos e
FEC de macrófagos são fornecidos para estimular a formação de leucócitos nos pacientes com câncer submetidos à quimioterapia, que mata as células da medula
óssea vermelha bem como as células cancerígenas, pois as duas células se encontram em mitose. (Lembre-se de que os leucócitos ajudam a proteger contra doenças.)
A trombopoetina parece ser uma grande promessa na prevenção da depleção das plaquetas, que são necessárias para a coagulação sanguínea, durante a
quimioterapia. Os FEC e a trombopoetina também melhoram o desfecho dos pacientes que recebem transplantes de medula óssea. Os fatores de crescimento
hematopoéticos também são usados para tratar trombocitopenia em neonatos, outros distúrbios da coagulação e vários tipos de anemia.
 TESTE RÁPIDO
Quais fatores de crescimento hematopoéticos regulam a diferenciação e a proliferação de UFC­E e a formação
de plaquetas a partir de megacariócitos?
Descreva  a  formação  das  plaquetas  a  partir  das  células­tronco  pluripotentes,  incluindo  a  influência  dos
hormônios.
Hemácias (eritrócitos)
 OBJETIVO
Descrever a estrutura, as funções, o ciclo de vida e a produção das hemácias.
As hemácias  ou eritrócitos  contêm  a  proteína  carreadora  de  oxigênio hemoglobina,  que  consiste  em  um  pigmento  que
confere ao sangue sua cor vermelha. Um adulto saudável do sexo masculino possui cerca de 5,4 milhões de hemácias por
microlitro (μℓ) de sangue* e uma mulher adulta saudável possui cerca de 4,8 milhões. (Uma gota de sangue contém cerca
de  50  μ ℓ .)  Para  manter  a  contagem  normal  de  hemácias,  novas  células  maduras  precisam  entrar  na  circulaçãona
impressionante velocidade de, pelo menos, 2 milhões por segundo, um ritmo que contrabalanceia a taxa igualmente alta de
destruição das hemácias.
Anatomia das hemácias
As hemácias são discos bicôncavos, com 7 a 8 μm de diâmetro (Figura 19.4A). (Lembre­se de que 1 μm = 1/10.000 de 1
cm ou 1/1.000 de 1 mm.) As hemácias maduras apresentam uma estrutura simples. Sua membrana plasmática é, ao mesmo
tempo,  resistente  e  flexível,  o  que  possibilita  a  deformação  eritrocitária  sem  ruptura  quando  as  hemácias  atravessam
capilares  sanguíneos  estreitos.  De  acordo  com  o  que  será  abordado  posteriormente,  certos  glicolipídios  na  membrana
plasmática das hemácias  são  antígenos  responsáveis  pelos vários grupos  sanguíneos  como ABO e Rh. As hemácias não
possuem núcleo e outras organelas e não podem se reproduzir nem realizar atividades metabólicas intensas. O citosol das
hemácias contém moléculas de hemoglobina; essas importantes moléculas são sintetizadas antes da perda do núcleo durante
a fase de produção da hemácia e constituem cerca de 33% do peso da célula.
Fisiologia das hemácias
As hemácias  são muito  especializadas  na  sua  função  de  transportar  oxigênio. Visto  que  hemácias maduras  não  possuem
núcleo,  todo seu espaço  interno  fica disponível para o  transporte de oxigênio. Uma vez que não possuem mitocôndrias e
geram ATP de forma anaeróbica  (sem oxigênio), elas não utilizam o oxigênio que  transportam. Até mesmo o formato da
hemácia facilita sua função. O disco bicôncavo possui uma área de superfície muito maior para a difusão de moléculas de
gás para dentro e para fora da hemácia do que uma esfera ou um cubo.
Cada hemácia contém cerca de 280 milhões de moléculas de hemoglobina. Uma molécula de hemoglobina consiste em
uma proteína chamada globina, composta por quatro cadeias polipeptídicas (duas cadeias alfa e duas beta), e um pigmento
não proteico anular chamado heme (Figura 19.4B), que está ligado a cada uma das quatro cadeias. No centro de cada anel
de  heme,  encontra­se  um  íon  ferro  (Fe2+)  que  pode  se  combinar  reversivamente  com  uma molécula  de  oxigênio  (Figura
19.4C), possibilitando que cada molécula de hemoglobina se ligue a 4 moléculas de oxigênio. Cada molécula de oxigênio
captada dos pulmões liga­se a um íon ferro. À medida que o sangue flui pelos capilares teciduais, a reação ferro­oxigênio
se inverte. A hemoglobina libera oxigênio, que se difunde primeiro para o líquido intersticial e, depois, para as células.
A  hemoglobina  também  transporta  cerca  de  23%  do  dióxido  de  carbono  total,  um  subproduto  do metabolismo.  (O
dióxido  de  carbono  remanescente  é  dissolvido  no  plasma  ou  carreado  na  forma  de  íons  bicarbonato.) O  sangue  que  flui
pelos  capilares  sanguíneos  capta  dióxido  de  carbono  e  parte  dele  se  combina  com  aminoácidos  na  parte  globina  da
hemoglobina. Conforme o sangue flui pelos pulmões, o dióxido de carbono é  liberado da hemoglobina e, depois disso, é
exalado.
Figura 19.4 Formatos de uma hemácia e uma molécula de hemoglobina. Em (B), observe que cada uma das quatro cadeias
polipetídicas de uma molécula de hemoglobina (azul) apresenta um grupo heme (dourado), que contém um íon ferro (Fe2+), mostrado em
vermelho.
A porção de ferro de um grupo heme se liga ao oxigênio para ser transportada pela hemoglobina.
Quantas moléculas de O2 uma molécula de hemoglobina consegue transportar?
Além da função­chave no transporte de oxigênio e dióxido de carbono, a hemoglobina também participa na regulação
do fluxo sanguíneo e da pressão arterial. O hormônio gasoso óxido nítrico (NO), produzido pelas células endoteliais que
revestem  os  vasos  sanguíneos,  se  liga  à  hemoglobina.  Sob  algumas  circunstâncias,  a  hemoglobina  libera  NO.  O  NO
liberado causa vasodilatação, um aumento do diâmetro do vaso sanguíneo que ocorre quando o músculo liso na parede dos
vasos relaxa. A vasodilatação melhora o fluxo de sangue e aumenta o fornecimento de oxigênio para as células próximas do
local de liberação do NO.
As hemácias também contêm a enzima anidrase carbônica (CA), que catalisa a conversão de dióxido de carbono e água
em  ácido  carbônico,  que,  por  sua  vez,  se  dissocia  em H+  e  HCO3
–.  Toda  a  reação  é  reversível  e  resumida  da  seguinte
maneira:
Essa  reação  é  importante  por  dois  motivos:  (1)  permite  que  cerca  de  70%  do  CO2  seja  transportado  no  plasma
sanguíneo  das  células  teciduais  para  os  pulmões  na  forma  de  HCO3
–  (ver  Capítulo  23)  e  (2)  também  serve  como  um
importante tampão no líquido extracelular (ver Capítulo 27).
Ciclo de vida das hemácias
As hemácias vivem aproximadamente 120 dias devido ao desgaste que suas membranas plasmáticas sofrem ao atravessar
os  capilares  sanguíneos.  Como  não  têm  núcleo  e  outras  organelas,  as  hemácias  não  conseguem  sintetizar  novos
componentes para repor os danificados. A membrana plasmática fica mais frágil com o avanço da idade e as hemácias mais
propensas a se romper, especialmente à medida que são comprimidas pelos canais estreitos no baço. As hemácias rompidas
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html
são  removidas da circulação e destruídas por macrófagos  fagocíticos presentes no baço e no  fígado e os produtos da sua
degradação são reciclados e usados em vários processos metabólicos, inclusive formação de novas hemácias. A reciclagem
ocorre da seguinte maneira (Figura 19.5):
Figura 19.5 Formação e destruição das hemácias e reciclagem dos componentes da hemoglobina. Após deixar a medula óssea
vermelha, as hemácias circulam por cerca de 120 dias antes de serem fagocitadas pelos macrófagos.
A taxa de formação das hemácias pela medula óssea vermelha se iguala à taxa de destruição pelos macrófagos.
Qual é a função da transferrina?
Os macrófagos no baço, no fígado ou na medula óssea vermelha fagocitam hemácias rompidas ou gastas.
As porções globina e heme da hemoglobina são separadas.
A globina é degradada em aminoácidos, que podem ser reutilizados na síntese de outras proteínas.
O  ferro  é  removido  da  porção  heme  na  forma  de  Fe3+,  que  se  associa  à  proteína  plasmática  transferrina,  um
transportador de Fe3+ na corrente sanguínea.
Nas fibras musculares, nos hepatócitos e nos macrófagos do baço e do fígado, o Fe3+ se desliga da transferrina e se
fixa a uma proteína que armazena ferro chamada ferritina.
Ao ser liberado de um local de reserva ou absorvido do sistema digestório, o Fe3+ se fixa novamente à transferrina.
O  complexo Fe3+–transferrina  é  levado  para  a medula  óssea  vermelha,  onde  as  células  precursoras  de  hemácias  os
captam por meio de endocitose mediada por receptores (ver Figura 3.12) para uso na síntese de hemoglobina. O ferro
é necessário para a porção heme da molécula de hemoglobina e os aminoácidos para a porção globina. A vitamina B12
também é essencial para a síntese de hemoglobina.
A eritropoese na medula óssea vermelha resulta na produção de hemácias, que entram na circulação.
Quando o ferro é removido da heme, a porção sem ferro da heme é convertida em biliverdina, um pigmento verde e,
em seguida, em bilirrubina, um pigmento amarelo­alaranjado.
A bilirrubina entra no sangue e é transportada para o fígado.
No fígado, a bilirrubina é liberada pelos hepatócitos na bile, passa para o intestino delgado e, depois, para o intestino
grosso.
No intestino grosso, bactérias convertem bilirrubina em urobilinogênio.
Parte  do  urobilinogênio  é  absorvida  de  volta  ao  sangue,  convertida  em um pigmento  amarelo  chamado urobilina e
excretado na urina.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig12
A maior parte do urobilinogênio é eliminada nas fezes na forma de um pigmento marrom chamado de estercobilina,
que confere às fezes sua cor característica.
CORRELAÇÃOCLÍNICA | Sobrecarga de ferro e dano tecidual
Uma vez que íons ferro livres (Fe2+ e Fe3+) se ligam a moléculas nas células ou no sangue e as dani cam, a transferrina e a ferritina atuam como “escoltas proteicas “
protetoras durante o transporte e o armazenamento dos íons ferro. Por isso, o plasma praticamente não tem ferro livre. Além disso, apenas pequenas quantidades
estão disponíveis dentro das células corporais para uso na síntese de moléculas contendo ferro como os pigmentos citocromos necessários para a produção de ATP na
mitocôndria (ver Figura 25.9). Em casos de sobrecarga de ferro, a concentração de ferro no corpo sobe. Por não termos um método de eliminação do ferro
excessivo, qualquer condição que promova o aumento da absorção de ferro da dieta pode causar sobrecarga de ferro. A certa altura, as proteínas transferrina e
ferritina se tornam saturadas com íons ferro e a concentração de ferro livre aumenta. Doenças do fígado, coração, ilhotas pancreáticas e gônadas são consequências
comuns da sobrecarga de ferro. A sobrecarga de ferro também possibilita a proliferação de certos organismos dependentes de ferro. Em geral, esses micróbios não são
patogênicos, mas se multiplicam com rapidez e podem causar efeitos letais em um curto período de tempo na presença de ferro livre.
Eritropoese | Produção de hemácias
A  eritropoese,  que  consiste  na  produção  de  hemácias,  começa  na  medula  óssea  vermelha  com  uma  célula  precursora
chamada proeritroblasto  (ver Figura 19.3). O proeritroblasto  se  divide  várias  vezes,  produzindo  células  que  começam a
sintetizar  hemoglobina.  Por  fim,  perto  do  final  da  sequência  de  desenvolvimento  o  núcleo  é  ejetado  e  se  torna  um
reticulócito. A  perda  do  núcleo  faz  com  que  o  centro  da  célula  sofra  uma  endentação,  produzindo  o  formato  bicôncavo
diferencial  das  hemácias.  Os  reticulócitos  retêm  algumas  mitocôndrias,  ribossomos  e  retículo  endoplasmático.  Os
reticulócitos passam da medula óssea vermelha para  a  corrente  sanguínea  se  espremendo entre  as  células  endoteliais dos
capilares  sanguíneos. Os  reticulócitos  se  tornam hemácias maduras  no  período  de  1  a  2  dias  depois  da  sua  liberação  da
medula óssea vermelha.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Contagem de reticulócitos
A taxa de eritropoese é medida pela contagem de reticulócitos. Normalmente, um pouco menos de 1% das hemácias mais antigas é substituído pelos recém-
chegados reticulócitos todos os dias. É preciso 1 ou 2 dias para que os reticulócitos percam seus últimos vestígios de retículo endoplasmático e se tornem hemácias
maduras. Assim, a contagem de reticulócitos variando de 0,5 a 1,5% de todas as hemácias em uma amostra de sangue é normal. A contagem baixa na pessoa
anêmica pode indicar carência de eritropoetina ou incapacidade da medula óssea vermelha de responder à EPO, talvez por conta de de ciência nutricional ou
leucemia. A contagem elevada pode indicar resposta boa da medula óssea vermelha à perda de sangue prévia ou reposição de ferro em alguém que apresentou
de ciência de ferro. Também pode apontar o uso ilegal de epoetina alfa por um atleta.
Normalmente, a eritropoese e a destruição de hemácias quase se equivalem. Se a capacidade de transportar oxigênio do
sangue  diminui  porque  a  eritropoese  não  está  acompanhando  a  velocidade  de  destruição  das  hemácias,  um  sistema  de
feedback negativo aumenta a produção de hemácias (Figura 19.6). A condição controlada é o aporte de oxigênio aos tecidos
corporais. A deficiência de oxigênio celular, chamada de hipoxia, pode ocorrer se muito pouco oxigênio entrar no sangue.
Por exemplo, o conteúdo mais baixo de oxigênio nas altitudes elevadas  reduz o  teor de oxigênio no sangue. O aporte de
oxigênio  também  pode  cair  em  decorrência  de  anemia,  que  tem  muitas  causas,  tais  como  a  falta  de  ferro,  de  certos
aminoácidos  e  de  vitamina  B12  (ver  Distúrbios  |  Desequilíbrios  homeostáticos  ao  final  deste  capítulo).  Problemas
circulatórios que reduzem o fluxo de sangue para os tecidos também podem diminuir o aporte de oxigênio. Independente da
causa,  a  hipoxia  estimula  os  rins  a  intensificar  a  liberação  de  eritropoetina,  acelerando  o  desenvolvimento  dos
proeritroblastos em reticulócitos na medula óssea vermelha. Conforme a quantidade de hemácias circulantes aumenta, mais
oxigênio pode ser levado aos tecidos do corpo.
Figura 19.6 Regulação da eritropoese (formação de hemácias) por feedback negativo. Quantidade mais baixa de oxigênio no ar em
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html#ch25fig9
altitudes elevadas, anemia e problemas circulatórios podem reduzir o fornecimento de oxigênio aos tecidos corporais.
O principal estímulo à eritropoese é a hipoxia, que consiste na diminuição da capacidade de transportar oxigênio
do sangue.
Que alterações podem ocorrer no hematócrito quando nos mudamos de uma cidade ao nível do mar para
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11.
19.4
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uma vila no alto da montanha?
Não  raro,  bebês  prematuros  exibem  anemia,  em  parte  devido  à  produção  inadequada  de  eritropoetina.  Durante  as
primeiras semanas depois do nascimento, o fígado, e não os rins, produz a maior parte da EPO. Uma vez que o fígado é
menos sensível que os rins à hipoxia, os recém­nascidos apresentam uma resposta menor da EPO à anemia que os adultos.
Visto  que  a  hemoglobina  fetal  (hemoglobina  presente  ao  nascimento)  carreia  até  30%  mais  oxigênio,  a  perda  de
hemoglobina fetal, devido à produção insuficiente de eritropoetina, piora a anemia.
 TESTE RÁPIDO
Descreva o tamanho, a aparência microscópica e as funções das hemácias.
Como a hemoglobina é reciclada?
O que é eritropoese? Como a eritropoese afeta o hematócrito? Que fatores aceleram e retardam a eritropoese?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Dopagem sanguínea
O fornecimento de oxigênio aos músculos é um fator limitante dos feitos musculares desde o levantamento de peso até a corrida de maratona. Em consequência
disso, aumentar a capacidade de transporte de oxigênio do sangue melhora o desempenho atlético, sobretudo em eventos de resistência. Uma vez que hemácias
transportam oxigênio, os atletas tentam vários meios de elevar a contagem dessas células, o que é conhecido como doping sanguíneo ou policitemia induzida
arti cialmente (uma contagem anormalmente elevada de hemácias) a m de adquirir uma margem competitiva. Os atletas aumentam sua produção de hemácias
injetando epoetina alfa, um agente usado para tratar anemia por meio da estimulação da produção de hemácias pela medula óssea vermelha. As práticas que
elevam a contagem de hemácias são perigosas porque tornam o sangue mais viscoso, aumentando a resistência ao uxo sanguíneo e di cultando o bombeamento
do sangue pelo coração. A viscosidade maior também contribui para a elevação da pressão arterial e do risco de acidente vascular cerebral ou encefálico. Durante a
década de 1980, pelo menos 15 ciclistas que participavam de competições morreram de infarto do miocárdio ou AVE relacionados com a suspeita de uso de epoetina
alfa. Embora o Comitê Olímpico Internacional tenha banido o uso da epoetina alfa, o controle é difícil porque essa substância é idêntica à eritropoetina natural (EPO).
O doping sanguíneo natural é a chave do sucesso dos maratonistas do Quênia. A altitude média no Quênia é de cerca de 1.830 metros acima do nível do mar e
existem regiões ainda mais altas. O treino na altitude melhora muito o condicionamento, a resistência e o desempenho. Nessas altitudes, o corpo intensi ca a
produção de hemácias, o que quer dizer que o exercício oxigena bastante o sangue. Quando esses corredores competem em Boston, por exemplo, em altitude pouco
acima do nível do mar, seus corpos contêm mais eritrócitos do que os dos outros competidores que treinaram em Boston. Inúmeros campos de treinamento foram
estabelecidos no Quênia e, hoje em dia, atraem atletas de resistência de todo o mundo.
Leucócitos
 OBJETIVODescrever a estrutura, as funções e a produção dos leucócitos.
Tipos de leucócitos
Diferentemente  das  hemácias,  os  leucócitos  possuem  núcleos  e  um  complemento  total  de  outras  organelas,  porém  não
contêm  hemoglobina.  Os  leucócitos  são  classificados  como  granulócitos  ou  agranulares  agranulócitos,  dependendo  se
contêm notáveis grânulos citoplasmáticos cheios de substâncias químicas (vesículas) que se tornam visíveis com coloração
quando  visualizados  pelo  microscópio  óptico.  Os  leucócitos  granulócitos  englobam  os  neutrófilos,  os  eosinófilos  e  os
basófilos;  os  leucócitos  agranulócitos  abarcam  os  linfócitos  e  os  monócitos.  Conforme  mostrado  na  Figura  19.3,  os
monócitos e os leucócitos granulócitos se desenvolvem a partir de células­tronco mieloides. Em contrapartida, os linfócitos
evoluem a partir de células­tronco linfoides.
Leucócitos granulócitos
Depois da coloração, cada um dos três tipos de leucócitos granulócitos demonstra grânulos, com colorações distintas, que
podem ser reconhecidos no microscópio óptico. Os leucócitos granulócitos podem ser diferenciados da seguinte maneira:
Neutrófilos.  Os  grânulos  do  neutrófilo  são  menores  que  os  dos  outros  leucócitos  granulócitos,  são  distribuídos  de
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maneira uniforme e apresentam cor lilás­clara (Figura 19.7A). Uma vez que os grânulos não atraem fortemente nem o
corante ácido (vermelho) nem o básico (azul), esses leucócitos são neutrofílicos (= neutros). O núcleo apresenta dois a
cinco  lobos conectados por filamentos muito finos de material nuclear. Conforme o  leucócito envelhece, o número de
lobos nucleares aumenta. Como os neutrófilos mais velhos apresentam lobos nucleares de vários formatos diferentes,
muitas vezes, são chamados de leucócitos polimorfonucleares (PMN)
Eosinófilos.  Os  grânulos  grandes  e  de  tamanho  uniforme  dentro  de  um  eosinófilo  são  eosinofílicos  (atraídos  pela
eosina) – eles se coram de vermelho­alaranjado com corantes ácidos (Figura 19.7B). Em geral, os grânulos não cobrem
ou  obscurecem  o  núcleo,  que,  na  maioria  das  vezes,  possui  dois  lobos  conectados  por  um  filamento  fino  ou  um
filamento espesso de material nuclear
Basófilos. Os grânulos  redondos e de  tamanho variado de um basófilo  são basofílicos  (atraídos  pela  base)  –  eles  se
coram  de  azul­arroxeado  com  corantes  básicos  (Figura  19.7C).  Os  grânulos  comumente  obscurecem  o  núcleo,  que
apresenta dois lobos.
Leucócitos agranulócitos
Embora  os  chamados  leucócitos  agranulócitos  possuam  grânulos  citoplasmáticos,  eles  não  são  visíveis  ao  microscópio
óptico devido ao seu pequeno tamanho e baixa afinidade pelos corantes.
Linfócitos. O  núcleo  de  um  linfócito  possui  uma  coloração  escura  e  é  redondo  ou  discretamente  endentado  (Figura
19.7D). O  citoplasma  se  cora  de  azul­celeste  e  forma uma margem ao  redor  do núcleo. Quanto maior  a  célula, mais
visível o citoplasma. Os linfócitos são classificados de acordo com o diâmetro celular como linfócitos grandes (10 a 14
μm) ou pequenos (6 a 9 μm). Embora a importância funcional da diferença de tamanho entre os linfócitos pequenos e
grandes  não  seja  conhecida,  a  distinção  é  útil  do  ponto  de  vista  clínico  porque  a  elevação  da  contagem de  linfócitos
grandes tem importância diagnóstica nas infecções virais agudas e em algumas doenças causadas por imunodeficiência
Monócitos.  O  núcleo  de  um  monócito  normalmente  tem  forma  de  rim  ou  de  ferradura  e  o  citoplasma  é  azul­
acinzentado e possui uma aparência  espumosa  (Figura 19.7E). A  cor  e  a  aparência  do  citoplasma  são  decorrentes  de
grânulos azurofílicos muito finos, que são os lisossomos. O sangue é meramente um conduto para os monócitos, que
migram  do  sangue  para  os  tecidos,  onde  crescem  e  se  diferenciam  em macrófagos.  Alguns  se  tornam macrófagos
fixos  (tecido),  o  que  quer  dizer  que  residem  em  um  tecido  particular;  os  macrófagos  alveolares  nos  pulmões  ou
macrófagos  no  baço  são  alguns  exemplos.  Outros  se  tornam macrófagos  nômades,  que  vagam  pelos  tecidos  e  se
reúnem em locais de infecção ou inflamação.
Figura 19.7 Tipos de leucócitos.
As formas dos núcleos e as propriedades de coloração dos grânulos citoplasmáticos distinguem os leucócitos uns
dos outros.
Quais leucócitos são chamados de granulócitos? Por quê?
Os  leucócitos  e  todas  as  outras  células  nucleadas  do  corpo  apresentam  proteínas,  chamadas  de  complexo  de
histocompatibilidade principal (MHC) ou HLA (human leukocyte antigen), que se projetam da membrana plasmática no
líquido  extracelular.  Esses  “marcadores  de  identidade  celular”  são  únicos  para  cada  pessoa  (exceto  gêmeos  idênticos).
Embora as hemácias possuam antígenos de grupo sanguíneo, eles não apresentam antígenos MHC.
Funções dos leucócitos
Em um corpo  saudável,  alguns  leucócitos,  sobretudo os  linfócitos,  podem viver  vários meses  ou  anos,  porém a maioria
sobrevive apenas alguns dias. Durante um período de infecção, leucócitos fagocitários podem durar apenas algumas horas.
Os leucócitos são muito menos numerosos do que hemácias, cerca de 5.000 a 10.000 células por microlitro de sangue; a
quantidade  de  hemácias  excede  a  de  leucócitos  em uma  proporção  aproximada  de  700:1. A  leucocitose,  que  consiste no
aumento da quantidade de leucócitos acima de 10.000/μℓ, é uma resposta de proteção normal a estresses como organismos
invasores,  exercício  vigoroso,  anestesia  e  cirurgia.  O  nível  anormalmente  baixo  de  leucócitos  (abaixo  de  5.000/μ ℓ )  é
chamado leucopenia. Nunca é benéfico e pode ser causado por radiação, choque e certos agentes quimioterápicos.
A  pele  e  as  túnicas  mucosas  do  corpo  são  continuamente  expostas  a  micróbios  e  suas  toxinas.  Alguns  desses
organismos podem  invadir  tecidos mais profundos  e  causar doenças. Quando patógenos  entram no corpo,  a  função geral
dos  leucócitos é combatê­los por  fagocitose ou  respostas  imunes. Para  realizar essas  tarefas, muitos  leucócitos deixam a
corrente sanguínea e se reúnem em locais de invasão patogênica ou inflamação. Uma vez que os leucócitos granulócitos e
os monócitos deixam a corrente sanguínea para combater alguma lesão ou infecção, eles nunca retornam. Os linfócitos, por
outro  lado,  voltam  a  circular  de maneira  contínua  –  do  sangue  para  os  espaços  intersticiais  dos  tecidos,  para  o  líquido
linfático  e  de  volta  ao  sangue.  Apenas  2%  da  população  total  de  linfócitos  encontram­se  circulando  no  sangue  em  um
determinado momento; o restante se encontra no líquido linfático e em órgãos como pele, pulmões, linfonodos e baço.
As hemácias ficam contidas na corrente sanguínea, porém os leucócitos deixam a corrente sanguínea por meio de um
processo  chamado emigração,  também chamado  de diapedese,  no  qual  se movimentam  ao  longo  do  endotélio,  se  fixam
nele e, em seguida, se comprimem entre as células endoteliais (Figura 19.8). Os sinais precisos que estimulam a emigração
por um vaso sanguíneo em particular variam para os diferentes tipos de leucócitos. Moléculas conhecidas como moléculas
de  adesão  ajudam  os  leucócitos  a  se  fixarem  ao  endotélio.  Por  exemplo,  células  endoteliais  demonstram moléculas  de
adesão chamadas selectinas em resposta a lesão e inflamação próxima. As selectinas se fixam a carboidratos na superfície
dos neutrófilos, fazendo com que fiquem mais lentos e se movimentem ao longo da superfície endotelial. Na superfície dos
neutrófilos,  há  outras moléculas  de  adesão  chamadas  integrinas,  que  fixam  os  neutrófilos  ao  endotélio  e  ajudam  o  seu
movimento pela parede do vaso sanguíneo e no líquido intersticial do tecido lesionado.
Neutrófilos  e  macrófagos  são  ativos  na  fagocitose;  são  capazes  de  ingerir  bactérias  e  destruir  matéria  morta  (ver
Figura 3.13). Várias substâncias químicas diferentesliberadas por micróbios e tecidos inflamados atraem os fagócitos, um
fenômeno  chamado  de  quimiotaxia.  As  substâncias  que  estimulam  a  quimiotaxia  incluem  as  toxinas  produzidas  por
micróbios;  as  cininas,  que  são  produtos  especializados  de  tecidos  danificados;  e  alguns  dos  fatores  estimuladores  de
colônia (FEC). Os FEC também intensificam a atividade fagocitária dos neutrófilos e macrófagos.
Entre os leucócitos, os neutrófilos respondem mais rapidamente à destruição tecidual causada pelas bactérias. Depois
de engolfar um patógeno durante a fagocitose, o neutrófilo libera várias substâncias químicas que destroem este patógeno.
Essas  substâncias  químicas  incluem  a  enzima  lisozima,  que  destrói  determinadas  bactérias,  e  fortes oxidantes,  como  o
ânion superóxido (O2
–), peróxido de hidrogênio (H2O2) e o ânion hipocloreto (OCl–), que é similar ao alvejante doméstico.
Os  neutrófilos  também  contêm  defensinas,  proteínas  que  exibem  uma  ampla  variedade  de  atividade  antibiótica  contra
fungos  e  bactérias.  No  neutrófilo,  vesículas  contendo  defensinas  emergem  com  fagossomos  contendo  micróbios.  As
defensinas formam “lanças” peptídicas que perfuram as membranas microbianas; a perda resultante dos conteúdos celulares
mata o invasor.
Figura 19.8 Emigração de leucócitos.
As moléculas de adesão (selectinas e integrinas) ajudam na emigração de leucócitos da corrente sanguínea para o
líquido intersticial.
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig13
De que maneira o “padrão de trânsito” dos linfócitos no corpo é diferente dos outros leucócitos?
Os  eosinófilos  deixam  os  capilares  e  entram  no  líquido  tecidual.  Acredita­se  que  liberem  enzimas,  como  a
histaminase,  que  combatem  os  efeitos  da  histamina  e  outras  substâncias  envolvidas  na  inflamação  durante  reações
alérgicas. Os eosinófilos  também fagocitam complexos antígeno–anticorpo e  são efetivos contra alguns parasitas. Muitas
vezes, uma contagem de eosinófilos elevada indica uma condição alérgica ou uma parasitose.
Nos  locais  de  inflamação,  os  basófilos  deixam  os  capilares,  entram  nos  tecidos  e  liberam  grânulos  que  contêm
heparina,  histamina  e  serotonina. Essas  substâncias  intensificam  a  reação  inflamatória  e  estão  envolvidas  em  reações  de
hipersensibilidade (alérgicas). Os basófilos demonstram função similar aos mastócitos, células de tecido conjuntivo que se
originam  das  células­tronco  pluripotentes  na  medula  óssea  vermelha.  Assim  como  os  basófilos,  os  mastócitos  liberam
substâncias envolvidas na inflamação, inclusive heparina, histamina e proteases. Os mastócitos estão amplamente dispersos
no corpo, sobretudo nos tecidos conjuntivos da pele e nas túnicas mucosas dos sistemas respiratório e digestório.
Os  linfócitos são os principais soldados nas batalhas do sistema linfático (descrição em detalhes no Capítulo 22). A
maioria  dos  linfócitos  se movimenta  continuamente  entre  os  tecidos  linfoides,  linfa  e  sangue,  passando  apenas  algumas
horas no sangue por vez. Dessa forma, apenas uma pequena proporção dos linfócitos totais é encontrada no sangue a cada
momento.  Os  linfócitos  B  e  T  e  as  células  NK  são  os  três  tipos  principais  de  linfócitos.  Os  linfócitos  B  são  efetivos
sobretudo  na  destruição  de  bactérias  e  na  inativação  de  suas  toxinas.  As  células  T  atacam  vírus,  fungos,  células
transplantadas, células cancerígenas e algumas bactérias e são responsáveis pelas reações transfusionais, alergias e rejeição
de órgãos  transplantados. As  respostas  imunes  realizadas pelos  linfócitos B e T ajudam a combater  infecção e  fornecem
proteção  contra  algumas  doenças.  As  células  NK  atacam  inúmeros  microrganismos  infecciosos  e  determinadas  células
tumorais que surgem de maneira espontânea.
Os monócitos levam mais tempo para alcançar o local de infecção que os neutrófilos, porém chegam em número maior
e destroem mais invasores. Na chegada, os monócitos crescem e se diferenciam em macrófagos migratórios que removem
os resíduos celulares e microbianos por fagocitose depois de uma infecção.
Conforme  podemos  concluir,  a  elevação  da  contagem  de  leucócitos  circulantes  geralmente  indica  inflamação  ou
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html
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infecção.  O médico  pode  solicitar  uma  contagem diferencial  de  leucócitos,  que  consiste  na  contagem  de  cada  um  dos
cinco  tipos  de  leucócitos  para  detectar  infecção  ou  inflamação,  determinar  os  efeitos  de  possível  intoxicação  por
substâncias químicas ou drogas, monitorar distúrbios sanguíneos (p. ex., leucemia) e efeitos da quimioterapia ou constatar
reações  alérgicas  e  parasitoses.  Uma  vez  que  cada  tipo  de  leucócito  desempenha  uma  função  diferente,  determinar  o
percentual  sanguíneo  de  cada  tipo  de  leucócito  ajuda  no  diagnóstico  da  condição. A Tabela 19.2  enumera  a  importância
tanto da contagem alta quanto da contagem baixa de leucócitos.
 TESTE RÁPIDO
Qual é a importância da emigração, da quimiotaxia e da fagocitose no combate a invasores bacterianos?
Como a leucocitose e a leucopenia se diferenciam?
O que é contagem diferencial de leucócitos?
Quais as funções dos leucócitos granulócitos, dos macrófagos, dos linfócitos B e T e das células NK?
Plaquetas
 OBJETIVO
Descrever a estrutura, a função e a origem das plaquetas.
Além  dos  tipos  de  células  imaturas  que  se  desenvolvem  em  eritrócitos  e  leucócitos,  as  células­tronco  hematopoéticas
também se diferenciam em células produtoras de plaquetas. Sob a influência do hormônio trombopoetina, as células­tronco
mieloides se  tornam células  formadoras de colônia de megacariócitos que, por sua vez, evoluem para células precursoras
chamadas megacarioblastos  (ver  Figura 19.3).  Os megacarioblastos  se  transformam  em megacariócitos,  células  grandes
que se quebram em 2.000 a 3.000 fragmentos. Cada fragmento, envolvido por um pedaço de membrana plasmática, é uma
plaqueta. As plaquetas  se originam dos megacariócitos na medula óssea vermelha  e,  depois disso,  entram na circulação
sanguínea. Em cada microlitro de sangue há 150.000 a 400.000 plaquetas. Cada uma tem a forma de um disco irregular, 2 a
4 μm de diâmetro e muitas vesículas, porém sem núcleo.
TABELA 19.2 Importância da contagem de leucócitos (leucometria) alta e baixa.
TIPO DE LEUCÓCITO A CONTAGEM ELEVADA INDICA A CONTAGEM BAIXA INDICA
Neutró los Infecção bacteriana, queimaduras, estresse,
in amação
Exposição à radiação, intoxicação medicamentosa, de ciência
de vitamina B12, lúpus eritematoso sistêmico (LES)
Linfócitos Infecções virais, algumas leucemias, mononucleose
infecciosa
Doença prolongada, infecção pelo HIV, imunossupressão,
tratamento com cortisol
Monócitos Infecções virais ou fúngicas, tuberculose, algumas
leucemias e outras doenças crônicas
Mielossupressão, tratamento com cortisol
Eosinó los Reações alérgicas, parasitoses, doenças autoimunes Intoxicação medicamentosa, estresse, reações alérgicas agudas
Basó los Reações alérgicas, leucemias, cânceres,
hipotireoidismo
Gravidez, ovulação, estresse, hipotireoidismo
Seus grânulos contêm substâncias químicas que, uma vez liberadas, promovem a coagulação do sangue. As plaquetas
ajudam  a  cessar  a  perda  de  sangue  de  vasos  sanguíneos  danificados  formando  o  tampão  plaquetário.  As  plaquetas
apresentam  vida  curta,  variando,  em  geral,  de  apenas  5  a  9  dias.  As  plaquetas  mortas  e  velhas  são  removidas  por
macrófagos fixos no baço e no fígado.
A Tabela 19.3 traz um resumo dos elementos figurados do sangue.
TABELA 19.3 Resumo dos elementos figurados do sangue.
NOME E APARÊNCIA CONTAGEM CARACTERÍSTICAS* FUNÇÕES
HEMÁCIAS OU
ERITRÓCITOS 
4,8 milhões/μℓ em
mulheres; 
5,4 milhões/μℓ em homens
7 a 8 μm de diâmetro, discos bicôncavos, sem
núcleos;vivem cerca de 120 dias.
A hemoglobina dentro das hemácias
transporta a maioria do oxigênio e parte do
dióxido de carbono no sangue.
LEUCÓCITOS 5.000 a 10.000/μℓ A maioria vive de algumas horas a alguns
dias.†
Combatem patógenos e outras substâncias
estranhas que entram no corpo.
Leucócitos granulócitos
Neutró los 60 a 70% de todos os
leucócitos
10 a 12 μm de diâmetro; o núcleo tem 2 a 5
lobos conectados por nos lamentos de
cromatina; o citoplasma possui grânulos
muito nos de cor lilás-clara.
Fagocitose. Destruição de bactérias com
lisozima, defensinas e oxidantes fortes, como
ânion superóxido, peróxido de hidrogênio e
ânion hipocloreto.
Eosinó los 2 a 4% de todos os leucócitos 10 a 12 μm de diâmetro; em geral, o núcleo
possui 2 lobos conectados por lamento
espesso de cromatina; grânulos grandes e de
cor vermelho-alaranjada enchem o
citoplasma.
Combatem os efeitos da histamina em
reações alérgicas, fagocitam complexos
antígeno-anticorpo e destroem certos vermes
parasitários.
Basó los 0,5 a 1% de todos os
leucócitos
8 a 10 μm de diâmetro; o núcleo tem 2 lobos;
grandes grânulos citoplasmáticos de cor azul-
arroxeada escura.
Liberam heparina, histamina e serotonina nas
reações alérgicas que intensi cam a resposta
in amatória geral.
Leucócitos agranulócitos
Linfócitos (T, B e NK) 20 a 25% de todos os
leucócitos
Os linfócitos pequenos apresentam 6 a 9 μm
de diâmetro; os grandes variam de 10 a 14
μm de diâmetro; o núcleo é redondo e
discretamente endentado; o citoplasma
forma uma borda ao redor do núcleo que
parece azul-claro; quanto maior a célula, mais
visível o citoplasma.
Medeia respostas imunes, inclusive reações
antígeno-anticorpo. Os linfócitos B se
desenvolvem em plasmócitos, que secretam
anticorpos. Os linfócitos T atacam vírus
invasores, células cancerígenas e células de
tecidos transplantados. As células NK atacam
uma ampla variedade de microrganismos
infecciosos e determinadas células tumorais
que surgem espontaneamente.
Monócitos 3 a 8% de todos os leucócitos 12 a 20 μm de diâmetro; núcleo em forma de Fagocitose (depois de se transformar em
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rim ou ferradura; o citoplasma é azul-
acinzentado e parece espumoso.
macrófagos xos ou migratórios).
Plaquetas 150.000 a 400.000/μℓ Fragmentos celulares de 2 a 4 μm de
diâmetro que vivem 5 a 9 dias; contêm
muitas vesículas, mas nenhum núcleo.
Formam o tampão plaquetário na
hemostasia; liberam substâncias químicas
que promovem espasmo vascular e
coagulação do sangue.
*As colorações são aquelas observadas no método de Wright.
† Uma vez gerados, alguns linfócitos, chamados de células de memória T e B, podem viver muitos anos.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Hemograma completo
O hemograma completo é um exame muito valioso que analisa anemia e várias infecções. Em geral, estão incluídas as contagens de hemácias, leucócitos e
plaquetas por microlitro de sangue total; hematócrito e contagem diferencial de leucócitos. A concentração de hemoglobina em gramas por mililitro de sangue
também é determinada. A hemoglobina normal varia da seguinte maneira: lactentes, de 14 a 20 g/100 mℓ de sangue; mulheres adultas, de 12 a 16 g/100 mℓ de
sangue; e homens adultos, de 13,5 a 18 g/100 mℓ de sangue.
 TESTE RÁPIDO
Como  se  comparam  as  hemácias,  os  leucócitos  e  as  plaquetas  com  relação  ao  tamanho,  contagem  por
microlitro de sangue e tempo de vida?
Transplantes de células-tronco de medula óssea e sangue de
cordão umbilical
 OBJETIVO
Explicar a importância dos transplantes de medula óssea e de células­tronco.
O  transplante  de medula  óssea  consiste  na  substituição  de medula  óssea  vermelha  anormal  ou  cancerosa  por  medula
óssea  vermelha  saudável  a  fim  de  reestabelecer  a  contagem  normal  das  células  sanguíneas. Nos  pacientes  com  câncer  e
algumas doenças genéticas, a medula óssea vermelha com defeito é destruída por altas doses de quimioterapia e  radiação
aplicada  em  todo  o  corpo  pouco  antes  da  realização  do  transplante.  Esses  tratamentos matam  as  células  cancerígenas  e
destroem o sistema imune do paciente a fim de diminuir as chances de rejeição do transplante.
A medula óssea vermelha  saudável para  transplante pode  ser  conseguida com um doador ou com o próprio paciente
quando a doença subjacente não está em atividade, como nos casos de leucemia em estado de remissão. Em geral, a medula
óssea vermelha do doador é retirada da crista ilíaca do osso do quadril sob anestesia geral com uma seringa e, em seguida,
é  injetada na veia do  receptor, de modo muito parecido com uma  transfusão de  sangue. A medula  injetada migra para as
cavidades de medula óssea vermelha do receptor, onde as células­tronco do doador se multiplicam. Se tudo correr bem, a
medula óssea vermelha do receptor é inteiramente substituída por células saudáveis, não cancerosas.
Os  transplantes  de  medula  óssea  são  usados  no  tratamento  de  anemia  aplásica,  certos  tipos  de  leucemia,
imunodeficiência  combinada grave  (IDCG), doença de Hodking,  linfoma de não Hodgkin, mieloma múltiplo,  talassemia,
doença  falciforme,  câncer  de  mama,  câncer  de  ovário,  câncer  testicular  e  anemia  hemolítica.  Entretanto,  há  alguns
inconvenientes.  Uma  vez  que  os  leucócitos  do  receptor  foram  destruídos  em  sua  totalidade  pela  quimioterapia  e  pela
irradiação, o paciente fica extremamente vulnerável à infecção. (Demora 2 ou 3 semanas para a medula óssea transplantada
produzir  leucócitos  suficientes  para  promover  proteção  contra  infecções.)  Além  disso,  a  medula  óssea  vermelha
transplantada pode produzir linfócitos T que atacam os tecidos do receptor, uma reação chamada de doença enxerto­versus­
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hospedeiro. Da mesma  forma,  quaisquer  linfócitos T  do  receptor  que  tenham  sobrevivido  à  quimioterapia  e  à  irradiação
conseguem atacar as células transplantadas do doador. Outro incômodo é a necessidade de administração de medicamentos
imunossupressores para o resto da vida. Ao mesmo tempo que essas substâncias reduzem o nível de atividade do sistema
imunológico,  elas  aumentam  o  risco  de  infecção.  Os  medicamentos  imunossupressores  também  ocasionam  efeitos
colaterais como febre, mialgia, cefaleia, náuseas, fadiga, depressão, elevação da pressão arterial e dano renal e hepático.
O avanço mais recente na obtenção de células­tronco envolve transplante de sangue de cordão umbilical. O cordão
umbilical  é  a  ligação  entre  a  mãe  e  o  embrião  (e,  posteriormente,  feto).  Células­tronco  podem  ser  obtidas  do  cordão
umbilical logo após o nascimento. As células­tronco são removidas do cordão por uma seringa e, em seguida, congeladas.
As células­tronco do cordão oferecem inúmeras vantagens em relação às obtidas da medula óssea vermelha:
A coleta é fácil, desde que com permissão dos pais do recém­nascido.
São mais abundantes que as células­tronco na medula óssea vermelha.
A  possibilidade  de  doença  enxerto­versus­hospedeiro  é menor,  logo  a  compatibilidade  entre  doador  e  receptor  não
precisa  ser  tão  próxima  como  no  transplante  de  medula  óssea  vermelha,  possibilitando  um  número  maior  de
potenciais doadores.
São menos propensas a transmitir infecções.
Podem ser armazenadas indefinidamente em bancos de sangue de cordão umbilical.
 TESTE RÁPIDO
Quais são as semelhanças entre os transplantes de sangue de cordão umbilical e de medula óssea? Quais são
as diferenças?
Hemostasia
 OBJETIVOS
Descrever os três mecanismos que contribuem para a hemostasia
Explicar os vários fatores que promovem e inibem a coagulação sanguínea.
Hemostasia,  que  não  deve  ser  confundida  com o  termo muito  parecido homeostasia,  é  uma  sequência  de  respostas  que
interrompe o sangramento. Quando os vasos sanguíneos são danificados ou sofrem ruptura, a resposta hemostática precisa
ser  rápida,  localizada  na  região  do  dano  e  cuidadosamente  controlada  para  que  seja  efetiva. Três mecanismos  reduzem a
perda  de  sangue:(1)  espasmo  vascular,  (2)  formação  de  tampão  plaquetário  e  (3)  coagulação  sanguínea.  Quando  bem­
sucedida, a hemostasia evita hemorragia, que consiste na perda de grande volume de sangue dos vasos. Os mecanismos
hemostáticos conseguem evitar a hemorragia de vasos sanguíneos pequenos, porém as hemorragias substanciais de vasos
maiores demandam intervenção médica.
Espasmo vascular
Quando  artérias  ou  arteríolas  são  danificadas,  o músculo  liso  arranjado  de  forma  circular  em  suas  paredes  contrai­se  de
imediato, uma reação chamada de espasmo vascular. O espasmo vascular  reduz a perda de sangue por vários minutos a
algumas  horas,  tempo  durante  o  qual  os  outros mecanismos  hemostáticos  entram  em  ação. O  espasmo  é  provavelmente
causado  pelo  dano  ao  músculo  liso,  por  substâncias  liberadas  de  plaquetas  ativadas  e  por  reflexos  iniciados  pelos
receptores de dor.
Formação de tampão plaquetário
Considerando  seu  tamanho  pequeno,  as  plaquetas  armazenam  uma  impressionante  variedade  de  substâncias  químicas.
Dentro de muitas vesículas são encontrados fatores de coagulação, ADP, ATP, Ca2+ e serotonina. Também estão presentes
enzimas  que  produzem  tromboxano  A2,  uma  prostaglandina;  fator  estabilizador  da  fibrina,  que  ajuda  a  fortalecer  o
coágulo sanguíneo; lisossomos; algumas mitocôndrias; sistemas de membrana que captam e armazenam cálcio e fornecem
canais  para  liberação  dos  conteúdos  dos  grânulos;  e  glicogênio.  Também  dentro  das  plaquetas  é  encontrado  o  fator  de
crescimento derivado das plaquetas (PDGF), um hormônio que promove a proliferação de células endoteliais vasculares,
fibras  de  músculo  liso  vascular  e  fibroblastos  com  objetivo  de  ajudar  o  reparo  das  paredes  danificadas  dos  vasos
sanguíneos.
A formação do tampão plaquetário ocorre da seguinte maneira (Figura 19.9):
Inicialmente,  as  plaquetas  entram  em  contato  e  se  fixam  a  partes  do  vaso  sanguíneo  danificado,  como  fibras  de
colágeno  do  tecido  conjuntivo  subjacente  às  células  endoteliais  danificadas.  Esse  processo  é  chamado  de  adesão
plaquetária.
Essa  adesão  ativa  as  plaquetas  e  suas  características  mudam  de  maneira  drástica.  As  plaquetas  estendem  muitas
projeções  que  possibilitam  entrar  em  contato  e  interagir  umas  com  as  outras;  as  plaquetas  começam  a  liberar  os
conteúdos  das  suas  vesículas.  Essa  fase  é  chamada  de  reação  de  liberação  das  plaquetas.  O  ADP  liberado  e  o
tromboxano A2 desempenham um papel  essencial na ativação das plaquetas vizinhas. A  serotonina e o  tromboxano
A2 atuam como vasoconstritores, promovendo e sustentando a contração do músculo vascular  liso, o que diminui o
fluxo de sangue pelo vaso lesado.
A  liberação de ADP  torna as outras plaquetas da área visguentas,  e  essa condição das plaquetas  recém­recrutadas e
ativadas  promove  sua  adesão  às  plaquetas  originalmente  ativadas.  Essa  aglomeração  de  plaquetas  é  chamada  de
agregação  plaquetária.  Por  fim,  o  acúmulo  e  a  fixação  de  numerosas  plaquetas  formam  uma massa  chamada  de
tampão plaquetário.
O tampão plaquetário é muito eficaz na prevenção da perda de sangue no vaso pequeno. Embora inicialmente o tampão
plaquetário  seja  frouxo,  ele  passa  a  ser  bastante  firme  quando  é  reforçado  por  filamentos  de  fibrina  formados  durante  a
coagulação  (ver  Figura 19.10). O  tampão  plaquetário  pode  cessar  a  perda  de  sangue  por  completo  se  o  orifício  no  vaso
sanguíneo não for muito grande.
Coagulação do sangue
Normalmente, o  sangue permanece em seu estado  líquido enquanto  se  encontra no  interior dos vasos  sanguíneos. Se  for
coletado do corpo, no entanto, torna­se espesso e forma um gel. Por fim, o gel se separa do líquido. O líquido de cor palha,
chamado soro, é simplesmente plasma sanguíneo sem as proteínas de coagulação. O gel é chamado de coágulo sanguíneo,
que consiste em uma rede de fibras proteicas insolúveis chamadas de fibrina, na qual os elementos figurados do sangue são
aprisionados (Figura 19.10).
Figura 19.9 Formação do tampão plaquetário.
O tampão plaquetário pode cessar a perda de sangue por completo se o orifício no vaso sanguíneo for
suficientemente pequeno.
Juntamente com a formação do tampão plaquetário, quais são os dois mecanismos que contribuem para
a hemostasia?
O processo de formação do gel, chamado de coagulação, consiste em uma série de reações químicas que culmina na
formação de filamentos de fibrina. Se o sangue coagula com muita facilidade, uma das consequências pode ser trombose –
coagulação  em  um  vaso  sanguíneo  não  danificado.  Se  o  sangue  demora  muito  tempo  para  coagular,  pode  ocorrer
hemorragia.
Figura 19.10 Formação de coágulo sanguíneo. Observe as plaquetas e hemácias aprisionadas nos filamentos de fibrina.
O coágulo sanguíneo é um gel que contém elementos figurados do sangue emaranhados em filamentos de fibrina.
O que é o soro?
A coagulação envolve  inúmeras substâncias conhecidas como  fatores de coagulação. Esses  fatores  incluem os  íons
cálcio (Ca2+), várias enzimas  inativas  sintetizadas por hepatócitos e  liberadas na corrente  sanguínea e diversas moléculas
associadas  às  plaquetas  ou  liberadas  pelos  tecidos  danificados.  A  maioria  dos  fatores  de  coagulação  é  identificada  por
numerais romanos que indicam a ordem da sua descoberta (não necessariamente a ordem da sua participação no processo
de coagulação).
A coagulação consiste em uma cascata complexa de reações enzimáticas na qual cada fator de coagulação ativa várias
moléculas do fator seguinte em uma sequência fixa. Por fim, forma­se a proteína insolúvel fibrina. A coagulação pode ser
dividida em três estágios (Figura 19.11):
Duas  vias,  chamadas  de  via  extrínseca  e  intrínseca  (Figura  19.11A,  B),  que  serão  descritas  brevemente,  levam  à
formação  de  protrombinase.  Uma  vez  formada  a  protrombinase,  as  etapas  envolvidas  nas  duas  fases  seguintes  da
coagulação são as mesmas tanto na via intrínseca quanto na extrínseca e, juntas, essas duas fases são chamadas de via
comum.
A protrombinase converte a protrombina (uma proteína plasmática formada pelo fígado) na enzima trombina.
A  trombina  converte  fibrinogênio  solúvel  (outra  proteína  plasmática  formada  pelo  fígado)  em  fibrina  insolúvel.  A
fibrina forma os filamentos do coágulo.
Figura 19.11 Cascata da coagulação sanguínea. As setas verdes representam ciclos de feedback positivo.
Na coagulação do sangue, os fatores de coagulação são ativados em sequência, resultando em uma cascata de
reações que envolve ciclos de feedback positivo.
Qual é o resultado do primeiro estágio da coagulação sanguínea?
Via extrínseca
A via extrínseca  da  coagulação  sanguínea  apresenta menos  etapas  que  a  via  intrínseca  e  ocorre  rapidamente  –  em  uma
questão de  segundos  se o  traumatismo  for  importante. É assim chamada porque uma proteína  tecidual  chamada de  fator
tecidual (FT), também conhecida como tromboplastina, passa para o sangue a partir de células do lado de fora dos vasos
sanguíneos  (extrínsecas  aos)  e  inicia  a  formação  da  protrombinase.  O  FT  é  uma  mistura  complexa  de  lipoproteínas  e
fosfolipídios liberada das superfícies de células danificadas. Na presença de Ca2+, o FT começa uma sequência de reações
que,  por  fim,  ativa  o  fator  de  coagulação X  (Figura 19.11A). Uma vez  ativado,  o  fator X  se  combina  com o  fator V na
presença de Ca2+ para formar a enzima ativa protrombinase, completando a via extrínseca.
Via intrínseca
A via  intrínseca  da  coagulação  sanguínea  é mais  complexa  que  a  via  extrínseca  e  ocorre mais  lentamente,  em geral  em
alguns minutos. A via intrínseca é assim chamada porque seus ativadores ou estão em contato direto com o sangue ou estão
contidos  no  sangue  (intrínsecos  ao):  não  há  necessidade  de  dano  tecidual  externo.  Seas  células  endoteliais  se  tornam
rugosas ou são danificadas, o sangue pode entrar em contato com as fibras de colágeno no  tecido conjuntivo ao redor do
endotélio do vaso sanguíneo. Além disso, o trauma às células endoteliais causa danos às plaquetas, resultando na liberação
plaquetária de fosfolipídios. O contato com as fibras de colágeno (ou com as paredes de vidro do tubo de coleta de sangue)
ativa  o  fator  de  coagulação  XII  (Figura  19.11B),  que  começa  uma  sequência  de  reações  que,  por  fim,  ativa  o  fator  de
coagulação X. Fosfolipídios plaquetários e Ca2+ também podem participar da ativação do fator X. Uma vez ativado, o fator
X  se  combina  com  o  fator  V  para  formar  a  enzima  ativa  protrombinase  (assim  como  acontece  na  via  extrínseca),
completando a via intrínseca.
Via comum
A  formação  de  protrombinase  marca  o  começo  da  via  comum.  No  segundo  estágio  da  coagulação  do  sangue  (Figura
19.11C), a protrombinase e o Ca2+ catalisam a conversão da protrombina em trombina. No terceiro estágio, a trombina, na
presença de Ca2+, converte fibrinogênio, que é solúvel, em filamentos de fibrina frouxos, que são insolúveis. A trombina
também ativa o fator XIII (fator estabilizador da fibrina), que fortalece e estabiliza os filamentos de fibrina em um coágulo
forte. O plasma contém um pouco de fator XIII, que também é liberado pelas plaquetas presas no coágulo.
A  trombina  exerce  dois  efeitos  de  feedback  positivo. Na  primeira  alça  de  feedback  positivo,  que  envolve  o  fator V,
acelera  a  formação  de  protrombinase.  A  protrombinase,  por  sua  vez,  acelera  a  produção  de mais  trombina  e  assim  por
diante. Na  segunda  alça  de  feedback  positivo,  a  trombina  ativa  plaquetas,  que  reforçam  sua  agregação  e  a  liberação  dos
fosfolipídios plaquetários.
Retração do coágulo
Uma vez  formado, o  coágulo  tampa a  área  rompida do vaso  sanguíneo e, dessa  forma,  interrompe a perda de  sangue. A
retração do coágulo consiste na consolidação ou fortalecimento do coágulo de fibrina. Os filamentos de fibrina fixados às
superfícies danificadas do vaso sanguíneo vão gradativamente se contraindo conforme são recobertos pelas plaquetas. Com
a  retração  do  coágulo,  as  margens  do  vaso  danificado  são  aproximadas,  diminuindo  o  risco  de  mais  dano.  Durante  a
retração, um pouco de soro pode escapar por entre os filamentos de fibrina, sem perder elementos figurados do sangue. A
retração  normal  depende  da  concentração  adequada  de  plaquetas  no  coágulo,  que  liberam  fator  XIII  e  outros  fatores,
fortalecendo  e  estabilizando  o  coágulo.  Assim,  pode  ocorrer  o  reparo  permanente  do  vaso  sanguíneo.  Por  fim,  os
fibroblastos formam tecido conjuntivo na área rompida e novas células endoteliais reparam o revestimento do vaso.
Função da vitamina K na coagulação
A coagulação normal depende de níveis adequados de vitamina K no corpo. Embora a vitamina K não esteja envolvida na
formação  do  coágulo  propriamente  dito,  ela  é  necessária  para  a  síntese  de  quatro  fatores  de  coagulação.  Normalmente
produzida por bactérias que habitam o intestino grosso, a vitamina K é lipossolúvel e pode ser absorvida pelo revestimento
do  intestino  passando  para  o  sangue  se  a  absorção  de  lipídios  for  normal.  Com  frequência,  as  pessoas  que  sofrem  de
distúrbios  que  retardam  a  absorção  de  lipídios  (p.  ex.,  liberação  inadequada  de  bile  no  intestino  delgado)  apresentam
sangramento descontrolado em consequência da deficiência de vitamina K.
Os vários fatores de coagulação, suas fontes e vias de ativação estão resumidos na Tabela 19.4.
Mecanismos de controle hemostático
Muitas vezes ao longo do dia, pequenos coágulos começam a se formar, quase sempre em um local de pequena rugosidade
ou em uma placa aterosclerótica em desenvolvimento dentro de um vaso sanguíneo. Uma vez que a coagulação do sangue
envolve  amplificação  e  ciclos  de  feedback  positivo,  o  coágulo  tende  a  crescer,  criando um potencial  para  comprometer  o
fluxo sanguíneo através de vasos não danificados. O sistema fibrinolítico dissolve pequenos coágulos inapropriados; além
disso, desfaz coágulos em um local danificado desde que o dano esteja reparado. A dissolução de um coágulo é chamada de
fibrinólise.  Quando  um  coágulo  é  formado,  uma  enzima  plasmática  inativa  chamada  plasminogênio  é  incorporada  ao
coágulo. Tanto os tecidos do corpo quanto o sangue contêm substâncias que podem ativar o plasminogênio, que passa a se
chamar plasmina  ou  fibrinolisina,  uma  enzima  plasmática  ativa.  Entre  essas  substâncias  estão  a  trombina,  o  fator  XII
ativado  e  o  ativador  do  plasminogênio  tecidual  (t­PA),  que  é  sintetizado nas  células  endoteliais  da maioria  dos  tecidos  e
liberado no sangue. Uma vez formada, a plasmina consegue dissolver um coágulo por meio da digestão dos filamentos de
fibrina e inativação de substâncias como fibrinogênio, protrombina e fatores V e XII.
TABELA 19.4 Fatores de coagulação.
NÚMERO* NOME(S) FONTE VIA(S) DE ATIVAÇÃO
I Fibrinogênio Fígado Comum
II Protrombina Fígado Comum
III Fator tecidual (tromboplastina) Tecidos dani cados e
plaquetas ativadas
Extrínseca
IV Íons cálcio (Ca2+) Dieta, ossos e plaquetas Todas
V Pró-acelerina, fator lábil ou globulina aceleradora (AcG) Fígado e plaquetas Extrínseca e intrínseca
VII Acelerador da conversão da protrombina sérica (SPCA), fator estável ou pró-
convertina
Fígado Extrínseca
VIII Fator anti-hemofílico (AHF), fator anti-hemofílico A ou globulina anti-hemofílica
(AHG)
Fígado Intrínseca
IX Fator de Christmas, componente de tromboplastina plasmática (PTC) ou fator
anti-hemofílico B
Fígado Intrínseca
X Fator de Stuart, fator de Prower ou tromboquinase Fígado Extrínseca e intrínseca
XI Antecedente da tromboplastina plasmática (PTA) ou fator anti-hemofílico C Fígado Intrínseca
XII Fator de Hageman, fator de contato ou fator anti-hemofílico D Fígado Intrínseca
XIII Fator estabilizador da brina (FSF) Fígado e plaquetas Comum
*Não existe fator VI. A protrombinase (ativador da protrombina) é uma combinação dos fatores V e X ativados.
Mesmo  que  a  trombina  exerça  efeito  de  feedback  positivo  na  coagulação  do  sangue,  a  formação  do  coágulo
normalmente permanece restrita ao local do dano. Um coágulo não se estende além do local lesado na circulação geral, em
parte porque a fibrina absorve trombina no coágulo. Outro motivo para a formação localizada de coágulo é a dispersão de
parte  dos  fatores  de  coagulação  pelo  sangue,  cujas  concentrações  não  são  altas  o  suficiente  para  promover  a  coagulação
disseminada.
Vários  outros  mecanismos  também  controlam  a  coagulação  do  sangue.  Por  exemplo,  as  células  endoteliais  e  os
leucócitos produzem uma prostaglandina chamada prostaciclina que se opõe às ações do tromboxano A2. A prostaciclina é
um poderoso inibidor da adesão e da liberação plaquetárias.
Além  disso,  o  sangue  apresenta  substâncias  que  retardam,  suprimem  ou  evitam  a  coagulação  sanguínea,  chamadas
18.
19.
20.
21.
22.
19.8
•
•
anticoagulantes. Entre essas substâncias, incluímos a antitrombina, que bloqueia a ação de vários fatores, inclusive XII,
X  e  II  (protrombina);  a  heparina,  um  anticoagulante  produzido  pelos  mastócitos  e  basófilos,  que  se  combina  à
antitrombina  e  aumenta  sua  efetividade  no  bloqueio  da  trombina;  e  a  proteína  C  ativada  (PCA),  que  inativa  os  dois
principais  fatores  de  coagulação  não  bloqueados  pela  antitrombina  e  intensifica  a  atividade  dos  ativadores  de
plasminogênio. Lactentes que não possuem a capacidade de produzir PCA devido a mutação genética em geral morrem por
conta de coágulos sanguíneos durante o primeiro ano de vida.
Coagulação intravascular
Apesar  dos  mecanismos  fibrinolíticos  e  anticoagulantes,  não  raro,  coágulos  sanguíneos  se  formam  dentro  do  sistema
circulatório.Tais  coágulos  podem  ser  iniciados  por  superfícies  endoteliais  rugosas  de  um vaso  sanguíneo  resultantes  de
aterosclerose, traumatismo ou infecção. Essas condições induzem à adesão de plaquetas. Coágulos intravasculares também
podem se formar quando o sangue flui muito lentamente (estase), possibilitando que fatores de coagulação se acumulem no
local  em  concentrações  altas  o  suficiente  para  iniciar  a  coagulação.  A  coagulação  em  um  vaso  sanguíneo  não  rompido
(normalmente  uma  veia)  é  chamada  de  trombose.  O  coágulo,  chamado  trombo,  pode  se  dissolver  por  si  só,
espontaneamente.  Se  permanecer  intacto,  no  entanto,  o  trombo  pode  se  deslocar  e  ser  levado  pelo  sangue.  Coágulos
sanguíneos, bolhas de ar, gordura de ossos quebrados ou fragmentos transportados na corrente sanguínea são chamados de
êmbolo. Um êmbolo que se desprende de uma parede arterial pode se alojar em uma artéria de diâmetro menor e bloquear
o  fluxo  de  sangue  para  um  órgão  vital.  Quando  o  êmbolo  se  aloja  nos  pulmões,  a  condição  é  chamada  de  embolia
pulmonar.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Ácido acetilsalicílico (AAS) e agentes
trombolíticos
Nos pacientes com doenças cardíacas e/ou vasculares, os eventos da hemostasia podem ocorrer mesmo sem lesão externa do vaso sanguíneo. Em doses baixas, o
ácido acetilsalicílico (AAS) inibe a vasoconstrição e a agregação de plaquetas, bloqueando a síntese de tromboxano A2, além de reduzir as chances de formação de
trombo. Por conta desses efeitos, o AAS reduz o risco de ataques isquêmicos transitórios (AITs), AVE, infartos do miocárdio e bloqueio de artérias periféricas.
Agentes trombolíticos são substâncias químicas injetadas no corpo para dissolver coágulos sanguíneos que já se formaram com objetivo de restaurar a
circulação. Esses agentes ativam direta ou indiretamente o plasminogênio. O primeiro agente trombolítico, aprovado em 1982 pela FDA para a dissolução de coágulos
nas artérias coronárias do coração, foi a estreptoquinase, produzida por estreptococos. Uma versão da engenharia genética do ativador de plasminogênio
tecidual humano (tPA) é usada hoje em dia para tratar vítimas de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou encefálicos (AVE) causados por
coágulos sanguíneos.
 TESTE RÁPIDO
O que é hemostasia?
Como ocorrem o espasmo vascular e a formação de tampão plaquetário?
O que é fibrinólise? Por que o sangue raramente permanece coagulado dentro dos vasos sanguíneos?
Como as vias extrínseca e intrínseca da coagulação sanguínea se diferem?
Defina cada um dos seguintes termos: anticoagulante, trombo, êmbolo e agente trombolítico.
Grupos e tipos sanguíneos
 OBJETIVOS
Distinguir os grupos sanguíneos AB0 e Rh
Explicar por que é  tão  importante a compatibilidade entre os  tipos sanguíneos do doador e do receptor antes de
administrar a transfusão.
As  superfícies  das  hemácias  contêm  inúmeros  antígenos  geneticamente  determinados  compostos  de  glicoproteínas  e
glicolipídios. Esses antígenos, chamados aglutinogênios, ocorrem em combinações características. Com base na presença
ou  ausência  de  vários  antígenos,  o  sangue  é  classificado  em  diferentes grupos sanguíneos.  Em  um  determinado  grupo
sanguíneo, pode haver dois ou mais tipos de sangue diferentes. Existem, pelo menos, 24 grupos sanguíneos e mais de 100
antígenos que podem ser detectados na superfície das hemácias. Aqui, discutiremos dois importantes grupos sanguíneos –
AB0  e  Rh. Os  sistemas  Lewis,  Kell,  Kidd  e Duffy  são  exemplos  de  outros  grupos  sanguíneos. A  incidência  dos  tipos
sanguíneos AB0 e Rh varia entre os diferentes grupos populacionais, conforme mostra a Tabela 19.5.
TABELA 19.5 Tipos sanguíneos nos EUA.
  TIPO SANGUÍNEO (PERCENTUAL)
GRUPO POPULACIONAL 0 A B AB Rh+
Euro-americano 45 40 11 4 85
Afro-americano 49 27 20 4 95
Coreano-americano 32 28 30 10 100
Nipo-americano 31 38 21 10 100
Sino-americano 42 27 25 6 100
Nativo Americano 79 16 4 1 100
Grupo sanguíneo AB0
O grupo  sanguíneo AB0  é  baseado  em  dois  antígenos  glicolipídios  chamados  de A  e  B  (Figura 19.12).  Pessoas  cujas
hemácias demonstram apenas antígeno A apresentam sangue do tipo A. Aqueles com apenas antígeno B são do tipo B. Os
indivíduos que apresentam tanto o antígeno A quanto o B são do tipo AB; aqueles que não têm antígeno A nem B são do
tipo 0.
Figura 19.12 Antígenos e anticorpos dos tipos sanguíneos AB0.
Os anticorpos no plasma não reagem com os antígenos eritrocitários.
Que anticorpos estão normalmente presentes no tipo sanguíneo O?
Em geral, o plasma sanguíneo contém anticorpos chamados aglutininas que reagem com os antígenos A ou B se os
dois se misturarem; são os anticorpos anti­A, que reagem com o antígeno A, e os anticorpos anti­B, que reagem com o
antígeno B. A  Figura 19.12 mostra  os  anticorpos  encontrados  em  cada  um  dos  quatro  tipos  de  sangue. Não  possuímos
anticorpos que reagem com os antígenos de nossas próprias hemácias, porém temos anticorpos contra quaisquer antígenos
que nossas hemácias não possuam. Por exemplo, em caso de tipo sanguíneo B, a pessoa tem antígenos B nas hemácias e
anticorpos  anti­A  no  plasma  sanguíneo.  Embora  as  aglutininas  comecem  a  aparecer  no  sangue  alguns meses  depois  do
nascimento, ainda não foi esclarecido o motivo. Talvez sejam formadas em resposta às bactérias que normalmente habitam
o sistema digestório. Uma vez que os anticorpos são grandes anticorpos do tipo IgM (ver Tabela 22.3) que não cruzam a
placenta, a incompatibilidade AB0 entre a gestante e o feto raramente causa problemas.
Transfusões
Apesar  das  diferenças  entre  os  antígenos  das  hemácias  refletidas  nos  sistemas  de  grupo  sanguíneo,  o  sangue  é  o  tecido
humano mais facilmente compartilhado, salvando milhares de vidas todos os anos por meio de transfusões. Transfusão de
sangue consiste na transferência de sangue total ou componentes sanguíneos (hemácias ou plasma apenas) para a corrente
sanguínea ou diretamente na medula óssea vermelha. Na maioria das vezes, a  transfusão é realizada para corrigir anemia,
para  aumentar  o  volume  de  sangue  (p.  ex.,  depois  de  uma  hemorragia  significativa)  ou  para  melhorar  a  imunidade.
Entretanto,  os  componentes  normais  da membrana  plasmática  eritrocitária  de  uma  pessoa  podem  desencadear  respostas
antígeno­anticorpo  danosas  no  receptor  da  transfusão.  Na  transfusão  de  sangue  incompatível,  anticorpos  no  plasma  do
receptor se ligam aos antígenos nas hemácias doadas, o que causa aglutinação de hemácias. A aglutinação é uma resposta
antígeno­anticorpo na qual há ligação cruzada das hemácias. (Observe que aglutinação não é a mesma coisa que coagulação
sanguínea.)  Quando  esses  complexos  antígeno­anticorpo  se  formam,  eles  ativam  proteínas  plasmáticas  da  família
complemento (descrita na Seção 22.6). Essencialmente, o complemento torna porosa a membrana plasmática das hemácias
doadas,  causando hemólise  ou  ruptura  das  hemácias  e  liberação  de  hemoglobina  no  plasma  sanguíneo.  A  hemoglobina
liberada pode causar dano renal obstruindo os glomérulos renais. Embora bastante raro, é possível que os vírus que causam
AIDS e hepatites B e C sejam transmitidos por transfusão de hemoderivados contaminados.
Considere o que acontece quando uma pessoa com sangue do  tipo A recebe uma  transfusão de sangue do  tipo B. O
sangue do receptor (tipo A) contém antígenos A nas hemácias e anticorpos anti­B no plasma. O sangue do doador (tipo B)
contém antígenos B e anticorpos anti­A. Nessa situação, duas coisas podem acontecer. Na primeira, os anticorpos anti­B
no plasma do receptor podem se ligar aos antígenos B nos eritrócitos do doador, causando aglutinação e lise das hemácias.
Na  segunda,  os  anticorpos  anti­A  no  plasma  do  doador  podem  se  ligar  aos  antígenos A  nas  hemácias  do  receptor,  uma
reação menos grave porque os  anticorpos anti­A do doador  estão  tão diluídos no plasmado  receptor que não promovem
aglutinação e lise significativas das hemácias do receptor.
Pessoas  com sangue do  tipo AB não  apresentam anticorpos  anti­A nem anti­B no plasma  sanguíneo. Às vezes,  são
chamadas  de  receptores universais,  porque  teoricamente  podem  receber  sangue  de  doadores  de  todos  os  quatro  tipos  de
sangue.  Elas  não  possuem  anticorpos  para  atacar  antígenos  nas  hemácias  doadas.  Pessoas  com  sangue  do  tipo  0  não
possuem antígenos A nem B nas  suas hemácias  e  são, muitas vezes,  chamadas de doadores universais,  pois,  em  teoria,
podem doar  sangue para  todos os quatro  tipos de  sangue AB0. As pessoas do  tipo 0 que precisam de  sangue  só podem
receber sangue do tipo 0 (Tabela 19.6). Na prática, o uso dos termos receptor universal e doador universal gera confusão e
pode ser perigoso. O sangue contém outros antígenos e anticorpos além dos associados ao sistema AB0 que podem causar
reações transfusionais. Por isso, o sangue deve ser testado e avaliado com cuidado antes da transfusão. Em cerca de 80%
da população, os antígenos solúveis do  tipo AB0 aparecem na saliva e outros  líquidos corporais. Nesses casos o  tipo de
sangue pode ser identificado a partir de uma amostra da saliva.
Grupo sanguíneo Rh
O grupo sanguíneo Rh é assim chamado porque o antígeno Rh, chamado de fator Rh, foi encontrado pela primeira vez no
sangue do macaco Rhesus. Os alelos de três genes codificam o antígeno Rh. Pessoas cujas hemácias apresentam antígenos
Rh são chamadas de Rh+  (Rh­positivo);  aquelas que não apresentam antígenos Rh  são designadas Rh–  (Rh­negativo). A
Tabela 19.5 mostra a incidência de Rh+ e Rh– em várias populações. Em geral, o plasma sanguíneo não contém anticorpos
anti­Rh.  Se  uma  pessoa  Rh–  receber  uma  transfusão  de  sangue  Rh+,  no  entanto,  o  sistema  imune  começa  a  produzir
anticorpos  anti­Rh  que  persistem  no  sangue.  Se  uma  segunda  transfusão  de  sangue  Rh+  ocorrer  posteriormente,  os
anticorpos anti­Rh previamente  formados causarão aglutinação e  lise das hemácias no sangue doado e ocorre uma reação
grave.
Tipagem e compatibilidade sanguíneas para transfusão
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22tab3
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22-6
Para  evitar  incompatibilidades  sanguíneas,  os  técnicos  de  laboratório  fazem  a  tipagem  do  sangue  do  paciente  e,  depois
disso,  realizam  uma  prova  de  reação  cruzada  com  o  sangue  do  doador  potencial  ou  verificam  se  há  anticorpos.  No
procedimento de  tipagem sanguínea AB0, gotas de  sangue  são misturadas  a diferentes antissoros,  que  são  soluções com
anticorpos (Figura 19.14). Uma  gota  de  sangue  é misturada  a  soro  anti­A,  que  contém  anticorpos  anti­A  que  aglutinam
hemácias  com  antígeno A. Outra  gota  é misturada  a  soro  anti­B,  que  contém  anticorpos  anti­B  que  aglutinam hemácias
com antígenos B. Se as hemácias se aglutinarem apenas quando forem misturadas a soro anti­A, o tipo sanguíneo é A. Se
as hemácias se aglutinarem apenas quando misturadas ao soro anti­B, o tipo de sangue é B. O sangue é AB se em ambas
as gotas ocorrer a aglutinação de hemácias; se não houver aglutinação, o tipo de sangue é O.
TABELA 19.6 Resumo das interações dos grupos sanguíneos AB0.
CARACTERÍSTICA
TIPO SANGUÍNEO
A B AB 0
Aglutinogênio (antígeno) nas hemácias A B A e B Nem A nem B
Aglutinina (anticorpo) no plasma Anti-B Anti-A Nem anti-A
nem anti-B
Anti-A e anti-B
Tipos de sangue compatíveis (sem hemólise) A, 0 B, 0 A, B, AB, 0 0
Tipos de sangue incompatíveis (hemólise) B, AB A, AB – A, B, AB
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Doença hemolítica do recém-nascido
O problema mais comum de incompatibilidade Rh, a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), pode surgir durante a gravidez (Figura 19.13). Normalmente,
não ocorre contato direto entre o sangue materno e o fetal durante a gravidez. Entretanto, se um pequeno volume de sangue Rh+ extravasa através da placenta do
feto para a corrente sanguínea da mãe Rh–, a mãe começa a produzir anticorpos anti-Rh. Como a maior possibilidade de extravasamento de sangue fetal para a
circulação materna é na hora do parto, em geral, o primeiro lho não é afetado. Se a mulher engravidar de novo, no entanto, seus anticorpos anti-Rh podem
atravessar a placenta e entrar na corrente sanguínea do feto. Se o feto for Rh–, não tem problema, pois o sangue Rh– não possui o antígeno Rh. Se o feto for Rh+,
entretanto, aglutinação e hemólise causadas pela incompatibilidade entre feto e mãe ocorrem no sangue fetal.
Uma injeção de anticorpos anti-Rh chamada de gamaglobulina anti-Rh pode ser aplicada para evitar a DHRN. Mulheres Rh– devem receber essa gamaglobulina
antes do parto e logo depois de cada parto ou aborto. Esses anticorpos se ligam e inativam os antígenos Rh fetais antes que o sistema imune da mãe possa responder
aos antígenos estranhos com a produção de seus próprios anticorpos anti-Rh.
Figura 19.13 Desenvolvimento da doença hemolítica do recém-nascido (DHRN). A. Ao nascimento, um pequeno volume de sangue fetal geralmente
atravessa a placenta e chega a corrente sanguínea da mãe. Pode ocorrer um problema quando a mãe é Rh– e o feto é Rh+, tendo herdado um alelo para os antígenos
Rh do pai. B. O sistema imune da mãe responde à exposição ao antígeno Rh com a produção de anticorpos anti-Rh. C. Durante a gravidez subsequente, os anticorpos
maternos cruzam a placenta para o sangue fetal. Se o segundo feto for Rh+, a reação antígeno-anticorpo resultante causa aglutinação e lise das hemácias fetais. O
resultado é a DHRN.
A DHRN ocorre quando anticorpos maternos anti-Rh cruzam a placenta e causam hemólise fetal.
Por que é improvável que o primeiro lho desenvolva DHRN?
 
No procedimento de determinação do fator Rh, uma gota de sangue é misturada a antissoro contendo anticorpos que
aglutinam hemácias com antígenos Rh. Se o sangue aglutinar, é Rh+ e, se isso não ocorrer, é Rh–.
Figura 19.14 Tipagem sanguínea AB0. As áreas no quadrado mostram aglutinação das hemácias.
No procedimento de tipagem sanguínea AB0, o sangue é misturado com soros anti­A e anti­B.
O que é aglutinação?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Anticoagulantes
Pacientes que correm risco mais elevado de formar coágulos sanguíneos podem receber anticoagulantes. A heparina e a varfarina são exemplos dessas substâncias.
Muitas vezes, a heparina é administrada durante hemodiálise e cirurgia cardíaca a céu aberto. A varfarina atua como antagonista da vitamina K e, dessa forma,
bloqueia a síntese de quatro fatores da coagulação. A varfarina age de maneira mais lenta que a heparina. Para evitar coagulação em sangue doado, muitas vezes, os
bancos de sangue e laboratórios adicionam substâncias que removem Ca2+; EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) e CPD (solução de citrato, fosfato e glicose) são
dois exemplos.
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Uma vez conhecido o tipo de sangue do paciente, é selecionado o sangue de doador com os mesmos tipos AB0 e Rh.
Na reação cruzada,  as hemácias do possível doador  são misturadas ao soro do  receptor. Se a aglutinação não ocorrer, o
receptor  não  apresenta  anticorpos  que  atacam  as  hemácias  do  doador. Uma opção  é  analisar  o  soro  do  receptor  com um
painel de hemácias que têm antígenos sabidamente indutores de reações transfusionais para detectar eventuais anticorpos.
 TESTE RÁPIDO
Que precauções precisam ser tomadas antes da realização de uma transfusão de sangue?
O que é hemólise e como pode ocorrer depois de uma transfusão de sangue incompatível?
Explique as condições que podem causar doença hemolítica do recém­nascido.
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
Anemia
Anemia é uma condição na qual a capacidade do sangue de transportar oxigênio está reduzida. Todos os muitos tipos
de anemia são caracterizados por contagem menor de hemácias ou diminuição da concentração de hemoglobina no
sangue. A pessoa se sentefadigada e intolerante ao frio, dois fatores relacionados com a falta do oxigênio necessário
para  a  produção  de  ATP  e  calor.  Além  disso,  a  pele  é  pálida  devido  ao  baixo  conteúdo  de  hemoglobina  de  cor
vermelha circulando nos vasos sanguíneos da pele. As causas e os tipos mais importantes de anemia são:
A absorção  inadequada de  ferro,  a  perda excessiva de  ferro,  o  aumento da demanda de  ferro ou a  ingestão de
ferro  insuficiente  causam  anemia  ferropriva,  o  tipo  mais  comum  de  anemia.  As  mulheres  correm  risco  mais
elevado de anemia ferropriva devido às perdas sanguíneas menstruais e demandas mais altas de ferro para o feto
em  crescimento  durante  a  gravidez.  Perdas  gastrintestinais,  como  nos  casos  de  malignidades  e  ulcerações,
também contribuem para este tipo de anemia
A  ingestão  inadequada  de  vitamina  B12  ou  ácido  fólico  provoca  a  anemia megaloblástica,  na  qual  a  medula
óssea  vermelha produz hemácias grandes e anormais  (megaloblastos). Também pode ser  causada por  fármacos
que alteram a secreção gástrica ou são usados no tratamento de cânceres
A hemopoese  insuficiente  resultante da  incapacidade do estômago de produzir  fator  intrínseco necessário para a
absorção de vitamina B12 no intestino delgado causa anemia perniciosa
A perda excessiva de hemácias por causa de sangramentos  resultantes de grandes  feridas, úlceras do estômago
ou especialmente menstruação intensa resulta em anemia hemorrágica
As membranas  plasmáticas  das  hemácias  se  rompem  prematuramente  na anemia  hemolítica.  A  hemoglobina
liberada  extravasa  para  o  plasma  e  pode  danificar  os  glomérulos  renais  (unidades  de  filtragem).  A  anemia
hemolítica  pode  resultar  de  defeitos  hereditários  como  enzimas  eritrocitárias  anormais  ou  de  agentes  externos
como parasitas, toxinas ou anticorpos de sangue transfundido incompatível
A  síntese  deficiente  de  hemoglobina  ocorre  na  talassemia,  um  grupo  de  anemias  hemolíticas  hereditárias.  As
hemácias são pequenas (microcíticas), pálidas (hipocrômicas) e de vida curta. A talassemia ocorre principalmente
em populações de países que margeiam o Mar Mediterrâneo
A destruição  da medula  óssea  vermelha  resulta  em anemia aplásica.  É  causada  por  toxinas,  radiação  gama  e
alguns medicamentos que inibem as enzimas necessárias para hemopoese.
Doença falciforme
As hemácias de uma pessoa com doença falciforme contêm Hb­S, um tipo anormal de hemoglobina. Quando a HbS
libera oxigênio para o líquido intersticial, ocorre a formação de estruturas rígidas e longas semelhantes a bastões que
conferem à hemácia o  formato de  foice (Figura 19.15). As hemácias  falciformes se  rompem com facilidade. Mesmo
que a eritropoese seja estimulada pela perda das hemácias, ela não consegue contrabalançar a hemólise. Os sinais e
sintomas  da  doença  falciforme  são  causados  pelo  afoiçamento  das  hemácias.  Quando  as  hemácias  se  tornam
falciformes,  elas  se  degradam  prematuramente  (as  hemácias  falciformes morrem  em  cerca  de  10  a  20  dias).  Isso
ocasiona  anemia,  que  pode  provocar  dispneia,  fadiga,  palidez  e  atraso  do  crescimento  e  desenvolvimento  das
crianças  afetadas.  A  rápida  degradação  e  perda  das  hemácias  também  pode  causar  icterícia,  que  consiste  na
coloração amarela dos olhos e da pele. As hemácias falciformes não atravessam com facilidade os vasos sanguíneos
e tendem a se agregar, formando grumos que obstruem os vasos sanguíneos. Essa situação priva os órgãos do corpo
de oxigênio suficiente e causa dor (p. ex., nos ossos e no abdome), infecções graves e dano orgânico, sobretudo nos
pulmões, no encéfalo, no baço e nos rins. Outras manifestações de doença falciforme são febre, taquicardia, edema e
inflamação  das  mãos  e/ou  pés,  úlceras  de  perna,  dano  ocular,  sede  excessiva,  poliuria  e  ereções  dolorosas  e
prolongadas  nos  homens.  Quase  todos  os  indivíduos  com  doença  falciforme  apresentam  episódios  dolorosos  que
podem durar horas a dias. Algumas pessoas apresentam um episódio a  intervalos de alguns anos, enquanto outras
têm  vários  episódios  por  ano.  Os  episódios  podem  variar  de  leves  àqueles  que  exigem  hospitalização.  Qualquer
atividade que  reduza a concentração de oxigênio no sangue,  como a prática de exercícios vigorosos, pode provocar
uma crise falciforme (agravamento da anemia, dor no abdome e nos ossos longos dos membros, febre e dispneia).
Figura 19.15 Hemácias de uma pessoa com doença falciforme.
As hemácias de uma pessoa com doença falciforme contêm um tipo anormal de hemoglobina.
Quais são alguns dos sinais/sintomas da doença falciforme?
A  doença  falciforme  é  hereditária.  Pessoas  com  dois  genes  falciformes  apresentam  anemia  grave,  enquanto
aquelas  com  apenas  um  gene  defeituoso  apresentam  o  traço  falciforme.  Genes  falciformes  são  encontrados
principalmente  nas  populações  (ou  seus  descendentes)  que  moram  no  cinturão  da  malária  ao  redor  do  mundo,
incluindo partes da Europa Mediterrânea, África Subsaariana e Ásia Tropical. Os genes responsáveis pela  tendência
das  hemácias  a  se  tornarem  falciformes  também  modificam  a  permeabilidade  das  membranas  plasmáticas  das
hemácias falciformes, causando o extravasamento de íons potássio. Níveis baixos de potássio matam os parasitas da
malária que infectam as hemácias falciformes. Por causa desse efeito, uma pessoa com um gene normal e um gene
falciforme apresenta resistência acima da média à malária. Desse modo, o fato de possuir um único gene falciforme
confere um benefício de sobrevida.
O  tratamento  da  doença  falciforme  consiste  na  administração  de  analgésicos  para  aliviar  a  dor,  terapia  hídrica
para  manter  a  hidratação,  oxigênio  para  reduzir  a  deficiência  de  oxigênio,  antibióticos  para  conter  infecções  e
transfusões  de  sangue.  As  pessoas  que  sofrem  de  doença  falciforme  apresentam  hemoglobina  fetal  (HbF)  normal,
uma  forma  discretamente  diferente  de  hemoglobina  que  predomina  ao  nascimento  e  é  encontrada  em  pequenas
quantidades  depois  do  nascimento.  Em  alguns  pacientes  com  doença  falciforme,  uma  substância  chamada
hidroxiureia promove a transcrição do gene normal HbF, eleva o nível de HbF e reduz as chances de as hemácias se
tornarem falciformes.  Infelizmente, a hidroxiureia também exerce efeitos tóxicos na medula óssea e existem dúvidas
quanto a sua segurança para uso prolongado.
Hemofilia
Hemofilia é uma deficiência hereditária da coagulação na qual pode ocorrer sangramento de maneira espontânea ou
após  microtraumatismos.  É  o  mais  antigo  distúrbio  hemorrágico  hereditário  conhecido;  já  foram  encontradas
descrições da doença oriundas do  início do século  II a.C. Em geral, a hemofilia acomete homens e muitas vezes é
referida  como  “a  doença  real”,  pois  muitos  descendentes  da  rainha  Victória,  começando  com  um  dos  seus  filhos,
foram afetados pela doença. Os diferentes  tipos de hemofilia são decorrentes de deficiências de  fatores distintos da
coagulação  sanguínea  e  exibem  diversos  graus  de  gravidade,  variando  de  tendências  hemorrágicas  leves  a
significativas.  A  hemofilia  é  caracterizada  por  hemorragias  intramusculares  e  subcutâneas  traumáticas  ou
espontâneas, sangramentos nasais, hematúria e hemorragias nas articulações que provocam dor e dano  tecidual. O
tratamento envolve  transfusões de plasma  fresco ou concentrados do  fator de coagulação deficiente para atenuar a
tendência ao sangramento. Outro tratamento é a desmopressina (DDAVP), que pode elevar os níveis dos fatores de
crescimento.
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Leucemia
O  termo  leucemia  se  refere  a  um  grupo  de  cânceres  da  medula  óssea  vermelha  em  que  leucócitos  anormais  se
multiplicam de maneira descontrolada. O acúmulo de  leucócitos cancerosos na medula óssea vermelha  interfere na
produção  de  hemácias,  leucócitos  eplaquetas.  Em  consequência  disso,  a  capacidade  de  transportar  oxigênio  do
sangue  diminui,  o  indivíduo  se  torna  mais  suscetível  à  infecção  e  a  coagulação  sanguínea  se  torna  anormal.  Na
maioria  das  leucemias,  os  leucócitos  cancerosos  se espalham para os  linfonodos,  o  fígado e o  baço,  provocando o
aumento  do  tamanho  desses  órgãos.  Todas  as  leucemias  provocam  os  sinais/sintomas  usuais  de  anemia  (fadiga,
intolerância ao  frio e pele pálida). Além disso, podem ocorrer perda de peso,  febre, sudorese noturna, sangramento
excessivo e infecções recorrentes.
Em  geral,  as  leucemias  são  classificadas  como  agudas  (os  sinais/sintomas  se  desenvolvem  rapidamente)  e
crônicas  (os  sinais/sintomas  podem  levar  anos  para  se  desenvolver).  As  leucemias  também  são  classificadas  com
base  no  tipo  de  leucócito  que  se  tornou maligno.  A  leucemia  linfoblástica  envolve  células  derivadas  das  células­
tronco  linfoides  (linfoblastos)  e/ou  linfócitos.  A  leucemia  mieloide  acomete  células  derivadas  de  células­tronco
mieloides (mieloblastos). Combinando o surgimento dos sinais/sintomas e as células envolvidas, existem quatro tipos
de leucemia:
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a  leucemia mais comum em crianças, porém adultos  também podem
desenvolvê­la.
A leucemia mieloide aguda (LMA) afeta tanto crianças quanto adultos.
A anemia linfoblástica crônica (ALC) é a leucemia mais comum em adultos, geralmente com mais de 55 anos.
A leucemia mieloide crônica (LMC) ocorre principalmente em adultos.
A  causa  da  maioria  dos  tipos  de  leucemia  não  é  conhecida.  No  entanto,  alguns  fatores  de  risco  já  foram
implicados,  e  incluem  exposição  a  radiação  ou  quimioterapia  para  outros  cânceres,  fatores  genéticos  (alguns
problemas genéticos como síndrome de Down),  fatores ambientais (tabagismo e benzeno) e microrganismos como o
vírus da leucemia/linfoma de células T humanas 1 (HTLV­1) e o vírus Epstein­Barr (EBV).
As  opções  de  tratamento  englobam  agentes  citotóxicos,  irradiação,  transplante  de  células­tronco,  interferona,
anticorpos e transfusão de sangue.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Banco de sangue.  Instituição que coleta e armazena uma  reserva de sangue para uso  futuro pelo doador e outras
pessoas. Uma vez que bancos de sangue apresentam outras e diversas funções (imuno­hematologia, trabalho de
referência,  educação  médica  continuada,  armazenamento  de  tecido  e  osso  e  consulta  clínica)  são  mais
apropriadamente referidos como centros de medicina transfusional.
Cianose.  Alteração  de  cor  discretamente  azulada/arroxeada  da  pele,  observada  com  mais  facilidade  nos  leitos
ungueais e nas túnicas mucosas devido ao aumento da concentração de hemoglobina reduzida, que consiste em
hemoglobina não combinada com o oxigênio no sangue sistêmico.
Flebotomista. Técnico especializado em coletar sangue.
Gamaglobulina.  Solução  de  imunoglobulinas  do  sangue  que  consiste  em  anticorpos  que  reagem  com  patógenos
específicos,  como  vírus.  É  preparada  com  a  injeção  do  vírus  específico  em  animais,  remoção  de  sangue  dos
animais após acúmulo dos anticorpos,  isolamento dos anticorpos e sua  injeção no ser humano a  fim de conferir
imunidade a curto prazo.
Hemocromatose.  Distúrbio  do  metabolismo  do  ferro  caracterizado  pela  absorção  excessiva  de  ferro  ingerido  e
excesso  de  depósito  de  ferro  nos  tecidos  (especialmente  fígado,  coração,  hipófise,  gônadas  e  pâncreas)  que
resulta em coloração bronzeada da pele, cirrose, diabetes melito e anormalidades ósseas e articulares.
Hemodiluição normovolêmica aguda. Remoção de sangue imediatamente antes da cirurgia e sua substituição por
uma solução acelular para manter o volume sanguíneo suficiente para a circulação adequada. Ao final da cirurgia,
uma vez controlado o sangramento, o sangue coletado é devolvido ao corpo.
Hemorragia. Perda de grande volume de sangue; pode ser interna (dos vasos sanguíneos para os tecidos) ou externa
(dos vasos sanguíneos diretamente para a superfície do corpo).
Icterícia. Coloração amarelada anormal da esclera dos olhos, da pele e das  túnicas mucosas devido ao excesso de
bilirrubina  (pigmento  amarelo­alaranjado)  no  sangue.  As  três  principais  categorias  de  icterícia  são  icterícia  pré­
hepática, devido ao excesso de produção de bilirrubina;  icterícia hepática,  processamento de bilirrubina anormal
pelo  fígado causado por doença hepática congênita, cirrose  (formação de  tecido cicatricial) hepática ou hepatite
(inflamação  do  fígado);  e  icterícia  extra(pós)­hepática,  devido  ao  bloqueio  da  drenagem  de  bile  por  cálculos
biliares ou câncer do intestino ou pâncreas.
Sangue  total.  Sangue  contendo  todos  os  elementos  figurados,  plasma  e  solutos  do  plasma  em  concentrações
naturais.
Septicemia. Existência e multiplicação de toxinas ou bactérias causadoras de doença no sangue.
Transfusão pré­operatória autóloga. Doação de sangue da própria pessoa; pode ser feita até 6 semanas antes de
uma cirurgia eletiva. Também chamada de pré­doação. Esse procedimento elimina o risco de incompatibilidade e
de doenças transmitidas pelo sangue.
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Trombocitopenia. Contagem de plaquetas muito baixa que resulta em tendência dos capilares ao sangramento.
Venissecção.  Incisão  de  uma  veia  para  coleta  de  sangue.  Embora  flebotomia  seja  sinônimo  de  venissecção,  na
prática clínica, a flebotomia se refere à sangria terapêutica como a remoção de um pouco de sangue para reduzir
sua viscosidade no paciente com policitemia.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Introdução
O sistema circulatório consiste em sangue, coração e vasos sanguíneos.
O sangue é um tecido conjuntivo líquido que consiste em elementos figurados (células e fragmentos celulares) circundados
por uma matriz extracelular líquida (plasma sanguíneo).
Funções e propriedades do sangue
O sangue transporta oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes, escórias metabólicas e hormônios.
O sangue ajuda a regular o pH, a temperatura corporal e o conteúdo de água das células.
O sangue confere proteção por meio da coagulação e do combate a toxinas e micróbios pela ação de determinados leucócitos
fagocíticos ou proteínas plasmáticas especializadas.
As características físicas do sangue incluem viscosidade maior que a da água, temperatura de 38°C e pH de 7,35 a 7,45.
O sangue constitui cerca de 8% do peso corporal e seu volume varia de 4 a 6 ℓ em adultos.
O sangue é composto aproximadamente por 55% de plasma sanguíneo e 45% de elementos figurados.
Hematócrito é o percentual do volume de sangue total ocupado pelas hemácias.
O  plasma  sanguíneo  é  composto  por  91,5% de  água  e  8,5%  por  solutos. Os  principais  solutos  são  proteínas  (albuminas,
globulinas, fibrinogênio), nutrientes, vitaminas, hormônios, gases respiratórios, eletrólitos e escórias metabólicas.
Hemácias (eritrócitos), leucócitos e plaquetas são os elementos figurados do sangue.
Formação das células sanguíneas
Hemopoese é a formação de células sanguíneas a partir de células­tronco hematopoéticas na medula óssea vermelha.
As células­tronco mieloides formam hemácias, plaquetas, granulócitos e monócitos. As células­tronco linfoides dão origem
aos linfócitos.
Vários fatores de crescimento hematopoéticos estimulam a diferenciação e a proliferação de diversas células sanguíneas.
Hemácias (eritrócitos)
Hemácias maduras são discos bicôncavos sem núcleo e contendo hemoglobina.
A função da hemoglobina nas hemácias é transportar oxigênio e parte do dióxido de carbono.
As hemácias vivem cerca de 120 dias. Um homem saudável apresenta aproximadamente 5,4 milhões de hemácias por μℓ de
sangue; uma mulher saudável tem em torno de 4,8 milhões/μℓ.
Depois da fagocitose de hemácias envelhecidas pelos macrófagos, a hemoglobina éreciclada.
A formação de hemácias, chamada de hematopoese ou eritropoese, ocorre na medula óssea vermelha adulta de determinados
ossos; é estimulada pela hipoxia que induz a liberação de eritropoetina pelos rins.
A contagem de reticulócitos é um exame laboratorial que indica a taxa de eritropoese.
Leucócitos
Os leucócitos são células nucleadas. Os dois principais tipos são os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e os
agranulócitos (linfócitos e monócitos).
A função geral dos  leucócitos é de combater  inflamação e  infecção. Os neutrófilos e macrófagos  (que se desenvolvem a
partir dos monócitos) fazem isso por meio da fagocitose.
Os  eosinófilos  combatem  os  efeitos  da  histamina  em  reações  alérgicas,  fagocitam  complexos  antígeno­anticorpo  e
combatem vermes parasitas. Os basófilos liberam heparina, histamina e serotonina nas reações alérgicas que intensificam a
resposta inflamatória.
Os linfócitos B, em resposta a substâncias estranhas (antígenos), se diferenciam em plasmócitos que produzem anticorpos.
Os  anticorpos  se  fixam  aos  antígenos  e  os  neutralizam.  Essa  resposta  antígeno­anticorpo  combate  infecções  e  confere
imunidade. Os linfócitos T destroem os invasores estranhos de maneira direta. As células destruidoras naturais (NK, natural
killer) atacam microrganismos infecciosos e células tumorais.
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Com exceção dos linfócitos, que podem viver anos, os leucócitos geralmente vivem apenas algumas horas ou alguns dias. O
sangue normal contém 5.000 a 10.000 leucócitos/μℓ.
Plaquetas
As plaquetas são fragmentos celulares em forma de disco derivadas dos megacariócitos. O sangue normal contém 150.000 a
400.000 plaquetas/μℓ.
As plaquetas ajudam a interromper a perda de sangue de vasos sanguíneos danificados por meio da formação de um tampão
plaquetário.
Transplantes de células­tronco de medula óssea e sangue de cordão umbilical
Transplantes de medula óssea envolvem remoção de medula óssea vermelha como fonte de células­tronco da crista ilíaca.
No transplante de sangue do cordão umbilical, células­tronco da placenta são removidas do cordão umbilical.
Os transplantes de sangue do cordão umbilical oferecem algumas vantagens em relação aos transplantes de medula óssea.
Hemostasia
Hemostasia se refere à interrupção do sangramento.
A hemostasia envolve espasmo vascular, formação de tampão plaquetário e coagulação sanguínea.
No espasmo vascular, o músculo liso da parede do vaso sanguíneo se contrai, o que retarda a perda de sangue.
A formação do tampão plaquetário envolve agregação de plaquetas para interromper o sangramento.
Coágulo é uma rede de fibras proteicas insolúveis (fibrina) na qual os elementos figurados do sangue são aprisionados.
As substâncias químicas envolvidas na coagulação são conhecidas como fatores de coagulação.
A coagulação do sangue envolve uma cascata de reações que pode ser dividida em três estágios: formação de protrombinase,
conversão de protrombina em trombina e conversão de fibrinogênio solúvel em fibrina insolúvel.
A coagulação é iniciada pela interação das vias extrínseca e intrínseca da coagulação sanguínea.
A  coagulação  normal  demanda  vitamina  K  e  é  seguida  pela  retração  do  coágulo  e,  por  fim,  fibrinólise  (dissolução  do
coágulo).
A coagulação em um vaso sanguíneo íntegro é chamada de trombose. Um trombo que se desloca do seu local de origem é
chamado de êmbolo.
Grupos e tipos sanguíneos
Os grupos sanguíneos AB0 e Rh são determinados geneticamente e baseados em respostas antígeno­anticorpo.
No grupo sanguíneo AB0, a existência ou não de antígenos A e B na superfície das hemácias determina o tipo de sangue.
No sistema Rh, indivíduos cujas hemácias apresentam antígenos Rh são classificados de Rh+ e aqueles que não apresentam
o antígeno são Rh–.
A doença hemolítica do recém­nascido (DHRN) pode ocorrer quando uma mulher Rh– engravida e o feto é Rh+.
Antes da transfusão do sangue, o tipo sanguíneo do receptor é determinado e, em seguida, é submetido à prova de reação
cruzada com o sangue do potencial doador ou analisado quanto à existência de anticorpos.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Recentemente,  Shirlei  utilizou  antibióticos  de  amplo  espectro  para  combater  uma  infecção  urinária  recorrente.
Quando estava cortando legumes, ela se cortou e teve dificuldades para cessar o sangramento. De que maneira os
antibióticos poderiam ter influenciado o sangramento de Shirlei?
A Sra. Brown está com insuficiência renal. Seus exames de sangue recentes indicaram hematócrito de 22. Por que
o hematócrito da Sra. Brown está baixo? O que pode ser feito para elevar o hematócrito dela?
Thomas  está  com hepatite,  o que  está  comprometendo  suas  funções hepáticas. Que  tipos de  sinais/sintomas  ele
está tendo com base na(s) função(ções) hepáticas relacionada(s) ao sangue?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
O volume de sangue corresponde a cerca de 8% da massa corporal, aproximadamente 5 a 6 ℓ nos homens e 4 a 5 ℓ
nas mulheres. Por exemplo, uma pessoa de 70 kg apresenta um volume sanguíneo de 5,6 ℓ (70 kg × 8% × 1 ℓ/kg).
Plaquetas são fragmentos celulares.
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As células­tronco pluripotentes se desenvolvem a partir do mesênquima.
Uma molécula de hemoglobina consegue transportar no máximo 4 moléculas de O2, cada uma ligada a um grupo
heme.
Transferrina é uma proteína plasmática que transporta ferro no sangue.
Ao se mudar para uma altitude elevada, o hematócrito sobe devido ao aumento da secreção de eritropoetina.
Os  neutrófilos,  eosinófilos  e  basófilos  são  chamados  de  leucócitos  granulócitos  porque  possuem  grânulos
citoplasmáticos visíveis à microscopia óptica quando corados.
Os linfócitos circulam do sangue para os tecidos e dos tecidos para o sangue. Depois de deixar o sangue, outros
leucócitos permanecem nos tecidos até morrerem.
Juntamente com a formação do tampão plaquetário, o espasmo vascular e a coagulação sanguínea contribuem para
a hemostasia.
O soro consiste em plasma sanguíneo sem as proteínas de coagulação.
O resultado do primeiro estágio da coagulação é a formação de protrombinase.
O sangue de tipo 0 geralmente contém anticorpos anti­A e anti­B.
Como é mais provável que a mãe comece a produzir anticorpos anti­Rh depois do parto do primeiro filho, ele não
sofre danos.
Aglutinação se refere ao agrupamento de hemácias.
Anemia,  icterícia,  dor  óssea,  dispneia,  aceleração  da  frequência  cardíaca,  dor  abdominal,  febre  e  fadiga  são
algumas das manifestações da doença falciforme.
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*1 μl = 1 mm3 = 10­6 litro.
Coração e homeostasia
O coração contribui para a homeostasia por meio do bombeamento de sangue pelos vasos sanguíneos para os tecidos do corpo,
do fornecimento de oxigênio e nutrientes e da remoção de escórias metabólicas.
No  capítulo  anterior  vimos  que  o  sistema circulatório  é  formado  pelo  sangue,  pelo  coração  e  pelos  vasos  sanguíneos.
Também  foi  examinada  a  composição  e  as  funções do  sangue;  neste  capítulo,  você  conhecerá  a bomba que  faz o  sangue
circular por todo o corpo – o coração. Para que o sangue alcance as células do corpo e troque materiais com elas, deve ser
bombeado continuamente por meio do coração ao longo dos vasos sanguíneos do corpo. O coração se contrai cerca de 100
mil vezes ao dia, o que perfaz aproximadamente 35 milhões de contrações em 1 ano,  e  cerca de 2,5 bilhões de vezes ao
longo de um período médio de vida. O  lado esquerdo do coração bombeia o  sangue por estimados 120 mil km de vasos
sanguíneos, o que equivale a circular a Terra (na altura do equador) aproximadamente três vezes. O lado direito do coração
bombeia  o  sangue  através  dos  pulmões,  possibilitando  que  o  sangue  receba  oxigênio  e  elimine  o  dióxido  de  carbono.
Mesmo  quando  dormimos,  o  coraçãobombeia  30  vezes  o  seu  próprio  peso  a  cada  minuto,  o  que  corresponde
aproximadamente 5 ℓ de sangue para os pulmões e o mesmo volume para o restante do corpo. O coração bombeia mais de
cerca  de  14 mil  litros  de  sangue  em  1  dia,  ou  5 milhões  de  litros  em  1  ano.  No  entanto,  não  passamos  todo  o  tempo
dormindo, e o coração bombeia ainda mais vigorosamente quando estamos ativos. Assim, o volume real de sangue que o
coração bombeia em um único dia é muito maior.
O estudo científico do coração normal e das doenças associadas é chamado cardiologia. Este capítulo explora a estrutura
do coração e as propriedades únicas que possibilitam o bombeamento vitalício, sem descanso.
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Anatomia do coração
 OBJETIVOS
Descrever a localização do coração
Descrever a estrutura do pericárdio e da parede do coração
Discutir a anatomia (externa e interna) das câmaras do coração
Correlacionar a espessura das câmaras do coração com suas funções
Localização do coração
Apesar de sua potência, o coração é relativamente pequeno, aproximadamente do tamanho (mas não com a mesma forma)
de sua mão fechada. Tem aproximadamente 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em seu ponto mais amplo, e 6 cm de
espessura. Pesa em média 250 g nas mulheres adultas e 300 g nos homens adultos. O coração repousa sobre o diafragma,
próximo  da  linha mediana  da  cavidade  torácica.  Lembre­se  de  que  a  linha mediana  é  uma  linha  vertical  imaginária  que
divide o corpo em lados esquerdo e direito, não simétricos. O coração encontra­se no mediastino, uma região anatômica
que  se  estende  do  esterno  à  coluna  vertebral,  da  primeira  costela  ao  diafragma,  e  entre  os  pulmões  (Figura  20.1A).
Aproximadamente  dois  terços  da massa  do  coração  encontram­se  à  esquerda  da  linha mediana  do  corpo  (Figura 20.1B).
Você  pode  visualizar  o  coração  como  um  cone  deitado  de  lado. O ápice  pontiagudo  é  formado  pela  ponta  do  ventrículo
esquerdo (a câmara inferior do coração) e está situado sobre o diafragma. O ápice está direcionado para frente, para baixo e
para  a  esquerda. A base  do  coração  está  do  lado  oposto  ao  ápice  e  constitui  sua  face  posterior.  É  formada  pelos  átrios
(câmaras superiores) do coração, principalmente o átrio esquerdo (ver Figura 20.3C).
Figura 20.1 Posição do coração e das estruturas associadas no mediastino. As posições das estruturas do coração e associadas no
mediastino estão indicadas por linhas tracejadas.
O coração está localizado no mediastino, com dois terços de sua massa à esquerda da linha mediana.
O que é o mediastino?
Além do ápice e da base, o coração  tem diversas faces. A face esternocostal é profunda ao esterno e às costelas. A
face diafragmática é a parte do coração entre o ápice e a margem direita e se apoia principalmente no diafragma (Figura
20.1B). A margem direita está voltada para o pulmão direito e se estende da  face  inferior à base. A margem esquerda
está voltada para o pulmão esquerdo e se estende da base ao ápice.
Pericárdio
A  membrana  que  envolve  e  protege  o  coração  é  o  pericárdio.  Restringe  o  coração  à  sua  posição  no  mediastino,
possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida. O pericárdio consiste em duas partes
principais: (1) o pericárdio fibroso e (2) o pericárdio seroso (Figura 20.2A). O pericárdio fibroso, superficial, é composto
por  tecido conjuntivo  inelástico,  resistente, denso e  irregular. Assemelha­se a uma bolsa que  repousa  sobre o diafragma,
fixando­se  nele;  a  extremidade  aberta  está  fundida  aos  tecidos  conjuntivos  dos  vasos  sanguíneos  que  entram  e  saem  do
coração. O pericárdio  fibroso  impede a hiperdistensão do coração,  fornece proteção e ancora o coração no mediastino. O
pericárdio fibroso próximo ao ápice do coração está parcialmente fundido ao tendão central do diafragma; por conseguinte,
o movimento do diafragma, como na respiração profunda, facilita a circulação do sangue pelo coração.
O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina, delicada, que forma uma dupla camada em torno do
coração  (Figura  20.2A).  A  lâmina  parietal  do  pericárdio  seroso  mais  externa  está  fundida  ao  pericárdio  fibroso.  A
lâmina visceral do pericárdio seroso mais  interna, que  também é chamada epicárdio,  é uma das  camadas da parede do
coração  e  adere  firmemente  à  sua  superfície.  Entre  as  camadas  parietal  e  visceral  do  pericárdio  seroso  existe  uma  fina
película de líquido seroso lubrificante. Esta secreção das células pericárdicas, conhecida como líquido pericárdico, reduz o
atrito  entre  as  camadas do pericárdio  seroso conforme o  coração  se move. O espaço que contém os poucos mililitros de
líquido pericárdico é chamado cavidade do pericárdio.
Figura 20.2 Pericárdio e parede do coração.
O pericárdio é um saco de três camadas que envolve e protege o coração.
Qual camada é parte tanto do pericárdio quanto da parede do coração?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Reanimação cardiopulmonar
A reanimação cardiopulmonar (RCP) é o procedimento de emergência para o estabelecimento de frequências cardíaca e respiratória normais. A RCP convencional
utiliza uma combinação de compressão cardíaca e ventilação arti cial dos pulmões via respiração boca a boca. Por muitos anos, esta combinação foi o único método
de RCP. Recentemente, no entanto, a RCP utilizando só compressões torácicas se tornou o método preferido.
Como coração encontra-se entre duas estruturas rígidas – o esterno e a coluna vertebral – a compressão do tórax pode ser usada para forçar o sangue para fora
do coração e em direção à circulação. Depois de ligar para a emergência, deve-se iniciar as compressões torácicas. No procedimento, deve-se aplicar compressões
torácicas fortes e rápidas a uma frequência de 100 por minuto e de 2 cm de profundidade no adulto. Isso deve ser continuado até que pro ssionais de saúde treinados
cheguem ou um des brilador automático externo esteja disponível. A RCP convencional é ainda recomendada para lactentes e crianças, assim como para quem sofre
de falta de oxigênio, como por exemplo, vítimas de afogamento, overdose de drogas ou envenenamento por monóxido de carbono.
Estima-se que a RCP utilizando apenas as compressões torácicas salve cerca de 20% mais vidas do que o método convencional. Além disso, este método
aumenta a taxa de sobrevida de 18 para 34% em comparação com o método tradicional ou nenhum método. Também é mais fácil para um funcionário da equipe de
emergência dar instruções sobre a RCP utilizando apenas compressões do tórax para espectadores assustados. Por m, como o medo da população de contrair
doenças contagiosas – como HIV, hepatite e tuberculose – continua aumentando, os espectadores são muito mais propensos a realizar a RCP utilizando apenas
compressões do tórax, em vez do método padrão.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Pericardite
A in amação do pericárdio é chamada pericardite. O tipo mais comum, a pericardite aguda, começa repentinamente e não tem causa conhecida na maior parte dos
casos, mas às vezes está ligada a uma infecção viral. Como resultado da irritação ao pericárdio, há dor torácica que pode se irradiar para o ombro esquerdo e pelo
braço esquerdo (muitas vezes confundida com um infarto agudo do miocárdio) e atrito pericárdico (um som de arranhado ou rangido auscultado por meio do
estetoscópio quando a lâmina visceral do pericárdio seroso atrita contra a lâmina parietal do pericárdio seroso). A pericardite aguda geralmente persiste por 1
semana e é tratada com medicamentos que reduzem a in amação e a dor, como o ibuprofeno ou o ácido acetilsalicílico.
A pericardite crônica começa gradualmente e é de longa duração. Em uma das modalidades desta condição, há acúmulo de líquido pericárdico. Se muito líquido
se acumula, esta é uma condição potencialmente fatal, porque o líquido comprime o coração, em uma condição chamada tamponamento cardíaco. Como resultado da
compressão, o enchimentoventricular é diminuído, o débito cardíaco é reduzido, o retorno venoso ao coração é diminuído, a pressão arterial diminui e a respiração é
difícil. Na maior parte dos casos, a causa da pericardite crônica envolvendo tamponamento cardíaco não é conhecida, mas às vezes resulta de condições como câncer e
tuberculose. O tratamento consiste na drenagem do excesso de líquido por meio de uma agulha introduzida na cavidade do pericárdio.
Camadas da parede do coração
A parede  do  coração  é  constituída  por  três  camadas  (Figura 20.2A):  o  epicárdio  (camada  externa),  o miocárdio  (camada
intermediária) e o endocárdio (camada interna). O epicárdio é composto por duas camadas de tecido. A mais externa, como
você acabou de ver, é chamada lâmina visceral do pericárdio seroso. Esta camada exterior fina e transparente da parede do
coração  é  composta  por mesotélio. Sob o mesotélio  existe  uma  camada variável  de  tecido  fibroelástico delicado  e  tecido
adiposo.  O  tecido  adiposo  predomina  e  torna­se  mais  espesso  sobre  as  faces  ventriculares,  onde  abriga  as  principais
artérias coronárias e vasos cardíacos. A quantidade de gordura varia de pessoa para pessoa, corresponde à extensão geral de
gordura corporal em um indivíduo, e geralmente aumenta com a idade. O epicárdio confere uma textura lisa e escorregadia
à face mais externa do coração. O epicárdio contém vasos sanguíneos, vasos linfáticos e vasos que irrigam o miocárdio.
A camada média, o miocárdio, é responsável pela ação de bombeamento do coração e é composto por tecido muscular
cardíaco.  Compõe  aproximadamente  95%  da  parede  do  coração.  As  fibras  musculares  (células),  como  as  do  músculo
estriado  esquelético,  são  envolvidas  e  separadas  em  feixes  por  bainhas  de  tecido  conjuntivo  compostas  por  endomísio  e
perimísio. As fibras musculares cardíacas são organizadas em feixes que circundam diagonalmente o coração e produzem
as fortes ações de bombeamento do coração (Figura 20.2C). Embora seja estriado como o músculo esquelético, é preciso
lembrar que o músculo cardíaco é involuntário como o músculo liso.
O  endocárdio  mais  interno  é  uma  fina  camada  de  endotélio  que  recobre  uma  fina  camada  de  tecido  conjuntivo.
Fornece  um  revestimento  liso  para  as  câmaras  do  coração  e  abrange  as  valvas  cardíacas. O  revestimento  endotelial  liso
minimiza  o  atrito  de  superfície  conforme  o  sangue  passa  através  do  coração.  O  endocárdio  é  contínuo  ao  revestimento
endotelial dos grandes vasos sanguíneos ligados ao coração.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Miocardite e endocardite
A miocardite é uma in amação do miocárdio que geralmente ocorre como complicação de uma infecção viral, febre reumática ou exposição à radiação ou
determinados produtos químicos ou medicamentos. A miocardite muitas vezes não provoca sinais nem sintomas. No entanto, se eles ocorrerem, podem incluir febre,
fadiga, dor torácica vaga, taquicardia, ritmo cardíaco irregular, artralgia e dispneia. A miocardite geralmente é leve e a recuperação ocorre em 2 semanas. Os casos
graves podem causar insu ciência cardíaca e morte. O tratamento consiste em evitar exercício vigoroso, manter dieta hipossódica, realizar monitoramento
eletrocardiográ co e tratar a insu ciência cardíaca. Endocardite refere-se à in amação do endocárdio e tipicamente envolve as valvas cardíacas. A maior parte dos
casos é causada por bactérias (endocardite bacteriana). Os sinais e sintomas da endocardite incluem febre, sopro cardíaco, taquicardia, ritmo cardíaco irregular,
fadiga, perda de apetite, sudorese noturna e calafrios. O tratamento inclui antibióticos intravenosos.
Câmaras do coração
O coração tem quatro câmaras. As duas câmaras de recepção superiores são os átrios, e as duas câmaras de bombeamento
inferiores são os ventrículos. O par de átrios  recebe sangue dos vasos sanguíneos que retornam o sangue ao coração, as
chamadas  veias,  enquanto  os  ventrículos  ejetam  o  sangue  do  coração  para  vasos  sanguíneos  chamados  artérias. Na  face
anterior  de  cada  átrio  existe  uma  estrutura  saculiforme  enrugada  chamada  aurícula,  assim  chamada  por  causa  de  sua
semelhança com a orelha de um cão (Figura 20.3). Cada aurícula aumenta discretamente a capacidade de um átrio, de modo
que ele possa conter maior volume de sangue. Também na superfície do coração existem vários sulcos, que contêm vasos
sanguíneos coronarianos e uma quantidade variável de gordura. Cada sulco marca a fronteira externa entre duas câmaras do
coração. O profundo sulco coronário circunda a maior parte do coração e marca a fronteira externa entre os átrios acima e
os ventrículos abaixo. O sulco  interventricular  anterior  é  um  sulco  raso  na  face  esternocostal  do  coração  que marca  a
fronteira externa entre os ventrículos direito e esquerdo na face esternocostal do coração. Este sulco continua em torno da
face posterior do coração como o sulco  interventricular posterior, que marca a fronteira externa entre os ventrículos na
face posterior do coração (Figura 20.3C).
Átrio direito
O átrio direito forma a margem direita do coração e recebe sangue de três veias: a veia cava superior, a veia cava inferior
e o seio coronário (Figura 20.4A). (As veias sempre levam o sangue para o coração.) O átrio direito tem cerca de 2 a 3 μm
de espessura, em média. As paredes anterior e posterior do átrio direito são muito diferentes. O interior da parede posterior
é  liso;  o  interior  da  parede  anterior  é  áspero,  por  causa  de  cristas  musculares  chamadas  de músculos  pectíneos,  que
também  se  estendem  até  a  aurícula  (Figura  20.4B).  Entre  o  átrio  direito  e  o  átrio  esquerdo  existe  uma  partição  fina
chamada septo  interatrial.  Uma  característica  proeminente  deste  septo  é  uma  depressão  oval  chamada  de  fossa oval,  o
remanescente  do  forame oval,  uma  abertura  no  septo  interatrial  do  coração  fetal  que  normalmente  se  fecha  logo  após  o
nascimento (ver Figura 21.30). O sangue passa do átrio direito para o ventrículo direito através da valva atrioventricular
direita, porque é composta por três válvulas (Figura 20.4A). Também é denominada valva tricúspide. As valvas cardíacas
são compostas por tecido conjuntivo denso recoberto por endocárdio.
Figura 20.3 Estrutura do coração: características da superfície. Ao longo deste livro, os vasos sanguíneos que transportam o sangue
oxigenado (vermelho­vivo) estão na cor vermelha, e aqueles que transportam sangue oxigenado (vermelho­escuro) estão na cor azul.
Os sulcos são entalhes que contêm vasos sanguíneos e gordura e que marcam os limites externos entre as
diferentes câmaras.
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O sulco coronário marca o limite externo entre quais câmaras do coração?
Ventrículo direito
O ventrículo direito tem cerca de 4 a 5 μm de espessura e forma a maior parte da face esternocostal do coração. O interior
do ventrículo direito contém uma série de cristas  formadas por  feixes elevados de  fibras musculares cardíacas chamadas
trabéculas  cárneas  (ver  Figura  20.2A).  Algumas  das  trabéculas  cárneas  transmitem  parte  do  sistema  de  condução  do
coração, o que você verá mais adiante neste capítulo  (ver Seção 20.3). As válvulas da valva atrioventricular direita estão
conectadas às cordas tendíneas, que por sua vez estão ligadas a trabéculas cárneas em forma de cone chamadas músculos
papilares.  Internamente,  o  ventrículo  direito  é  separado  do  ventrículo  esquerdo  por  uma  partição  chamada  de  septo
interventricular.  O  sangue  passa  do  ventrículo  direito  através  da  valva  do  tronco  pulmonar  para  uma  grande  artéria
chamada de tronco pulmonar, que se divide em artérias pulmonares direita e esquerda e levam o sangue até os pulmões. A
artérias sempre levam o sangue para longe do coração.
Figura 20.4 Estrutura do coração: anatomia interna.
O sangue flui para o átrio direitoa partir da veia cava superior, da veia cava inferior e do seio coronário, e para o
átrio esquerdo pelas quatro veias pulmonares.
Como a espessura do miocárdio relaciona­se com a carga de trabalho de uma câmara cardíaca?
Átrio esquerdo
O átrio esquerdo  tem aproximadamente a mesma espessura que o átrio direito e forma a maior parte da base do coração
(Figura 20.4A). Ele recebe o sangue dos pulmões, por meio das quatro veias pulmonares. Como o átrio direito, o interior
do átrio esquerdo tem uma parede posterior lisa. Como os músculos pectíneos estão restritos à aurícula do átrio esquerdo,
a parede anterior do átrio esquerdo também é lisa. O sangue passa do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo através da
valva atrioventricular esquerda, antigamente chamada de valva bicúspide ou mitral, a qual  tem duas válvulas. O antigo
termo mitral se refere à semelhança da valva com a mitra de um bispo, que tem dois lados.
Ventrículo esquerdo
O ventrículo esquerdo  é a câmara mais espessa do coração, com uma média de 10 a 15 mm. Forma o ápice do coração
(ver Figura 20.1B). Como o ventrículo direito, o ventrículo esquerdo contém trabéculas cárneas e tem cordas tendíneas que
ancoram as válvulas da valva atrioventricular esquerda aos músculos papilares. O sangue passa do ventrículo esquerdo
através da valva da aorta na parte ascendente da aorta. Um pouco do sangue da aorta flui para as artérias coronárias, que
se  ramificam da  parte  ascendente  da  aorta  e  transportam o  sangue  para  a  parede  do  coração. A parte  restante  do  sangue
passa para o arco da aorta e parte descendente da aorta (partes torácica e abdominal da aorta). Ramos do arco da aorta e
da parte descendente da aorta levam o sangue por todo o corpo.
Durante a vida fetal, um vaso sanguíneo temporário, chamado de ducto ou canal arterial, desvia o sangue do  tronco
pulmonar para a aorta. Por conseguinte, apenas um pequeno volume de sangue entra nos pulmões fetais não funcionantes
(ver Figura 21.30). O  ducto  ou  canal  arterial  normalmente  se  fecha  logo  após  o  nascimento,  deixando  um  remanescente
conhecido como ligamento arterial, que liga o arco da aorta e o tronco pulmonar (Figura 20.4A).
Espessura e função do miocárdio
A espessura do miocárdio das quatro câmaras varia de acordo com a função de cada uma das câmaras. Os átrios de paredes
finas  entregam  o  sangue  sob  menos  pressão  aos  ventrículos  adjacentes.  Como  os  ventrículos  bombeiam  o  sangue  sob
maior  pressão  por  distâncias maiores,  suas  paredes  são mais  espessas  (Figura 20.4A).  Embora  os  ventrículos  direito  e
esquerdo ajam como duas bombas separadas que ejetam simultaneamente volumes iguais de sangue, o lado direito tem uma
carga de  trabalho muito menor. Ele bombeia o sangue a uma curta distância para os pulmões a uma pressão  inferior, e a
resistência ao fluxo sanguíneo é pequena. O ventrículo esquerdo bombeia sangue por grandes distâncias a todas as outras
partes  do  corpo  com  uma  pressão  maior,  e  a  resistência  ao  fluxo  sanguíneo  é  maior.  Portanto,  o  ventrículo  esquerdo
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trabalha muito mais arduamente do que o ventrículo direito para manter a mesma taxa de fluxo sanguíneo. A anatomia dos
dois ventrículos confirma esta diferença  funcional –  a parede muscular do ventrículo esquerdo é  consideravelmente mais
espessa do que a parede do ventrículo direito (Figura 20.4C). Observe também que o lúmen do ventrículo esquerdo é mais
ou menos circular, em contraste com o do ventrículo direito, cujo formato é discretamente semilunar.
Esqueleto 耀䧞broso do coração
Além do  tecido muscular  cardíaco,  a  parede  do  coração  também  contém  tecido  conjuntivo  denso  que  forma  o  esqueleto
fibroso do coração (Figura 20.5). Essencialmente, o esqueleto fibroso é constituído por quatro anéis de tecido conjuntivo
denso que circundam as valvas cardíacas, unidos um ao outro, e que se fundem ao septo interventricular. Além de formar
uma  base  estrutural  para  as  valvas  cardíacas,  o  esqueleto  fibroso  evita  o  estiramento  excessivo  das  valvas  enquanto  o
sangue  passa  por  elas.  Também  serve  como  um  ponto  de  inserção  para  os  feixes  de  fibras musculares  cardíacas  e  atua
como um isolante elétrico entre os átrios e ventrículos.
Figura 20.5 Esqueleto fibroso do coração. Os elementos do esqueleto fibroso são mostrados em letras maiúsculas.
Os anéis fibrosos apoiam as quatro valvas cardíacas e são fundidos entre si.
Quais os dois modos pelos quais o esqueleto fibroso contribui para o funcionamento das valvas
cardíacas?
 TESTE RÁPIDO
Defina  cada  uma  das  estruturas  externas  do  coração  a  seguir:  aurícula,  sulco  coronário,  sulco  interventricular
anterior e sulco interventricular posterior.
Descreva a estrutura do pericárdio e as camadas da parede do coração.
Quais são as características internas típicas de cada câmara do coração?
Quais vasos sanguíneos fornecem sangue aos átrios direito e esquerdo?
Qual é a relação entre a espessura e a função da parede nas várias câmaras do coração?
Que tipo de tecido compõe o esqueleto fibroso do coração, e como ele está organizado?
Valvas cardíacas e circulação do sangue
 OBJETIVOS
Descrever a estrutura e a função das valvas cardíacas
Delinear o fluxo sanguíneo através das câmaras do coração e pelas circulações sistêmica e pulmonar
Discutir a circulação coronariana.
Quando  cada  uma  das  câmaras  do  coração  se  contrai,  empurra  um  volume  de  sangue  a  um  ventrículo  ou  para  fora  do
coração a uma artéria. As valvas se abrem e fecham em resposta às mudanças de pressão conforme o coração se contrai e
relaxa. Cada uma das quatro valvas  ajuda a  assegurar o  fluxo unidirecional de  sangue através da abertura  ao possibilitar
que o sangue passe e, em seguida, se fechando para impedir o seu refluxo.
Funcionamento das valvas atrioventriculares
Como  estão  localizadas  entre  um  átrio  e  um  ventrículo,  estas  valvas  são  chamadas  atrioventriculares  (AV)  direita  e
esquerda.  Quando  uma  valva AV  está  aberta,  as  extremidades  arredondadas  das  válvulas  se  projetam  para  o  ventrículo.
Quando  os  ventrículos  estão  relaxados,  os  músculos  papilares  estão  relaxados,  as  cordas  tendíneas  estão  frouxas,  e  o
sangue se move de uma área de maior pressão no átrio para uma de menor pressão nos ventrículos através das valvas AV
abertas (Figura 20.6A, D). Quando os ventrículos se contraem, a pressão do sangue aciona as válvulas para cima até que
suas  extremidades  se  encontrem  e  fechem  a  abertura  (Figura  20.6B,  E).  Ao  mesmo  tempo,  os  músculos  papilares  se
contraem, o que traciona e retesa as cordas  tendíneas.  Isso  impede que as válvulas das valvas evertam em resposta à alta
pressão  ventricular.  Se  as  valvas AV ou  cordas  tendíneas  estiverem danificadas,  o  sangue  pode  regurgitar  para  os  átrios
quando os ventrículos se contraem.
Funcionamento das válvulas semilunares
As  valvas  da  aorta  e  do  tronco  pulmonar  são  compostas  por  três  válvulas  semilunares  (Figura 20.6D). Cada  válvula  se
insere na parede arterial por sua margem externa convexa. As valvas do tronco pulmonar e da aorta possibilitam a ejeção de
sangue do coração para as artérias, mas evitam o refluxo de sangue para os ventrículos. As margens livres das válvulas se
projetam  parato  lúmen  da  artéria. Quando  os  ventrículos  se  contraem,  a  pressão  se  acumula  nas  câmaras. As  valvas  do
tronco  pulmonar  e  da  aorta  se  abrem  quando  a  pressão  no  ventrículo  é  superior  à  pressão  nas  artérias,  possibilitando  a
ejeção  do  sangue  dos  ventrículos  para  o  tronco  pulmonar  e  aorta  (Figura  20.6E).  Conforme  os  ventrículos  relaxam,  o
sangue começa a refluir para o coração. Este fluxo sanguíneo retrógrado enche as válvulas da valva, o que faz com que as
margens livres das valvasdo tronco pulmonar e da aorta se contraiam firmemente uma contra a outra e fechem a abertura
entre o ventrículo e a artéria (Figura 20.6D).
Figura 20.6 Respostas das valvas ao bombeamento do coração.
As valvas cardíacas evitam o refluxo de sangue.
Como os músculos papilares evitam que as válvulas das valvas atrioventriculares evertam em direção aos
átrios?
Surpreendentemente, talvez, não há valvas nas junções da veia cava com o átrio direito ou das veias pulmonares com o
átrio esquerdo. Quando os átrios se contraem, um pequeno volume de sangue reflui dos átrios para estes vasos. No entanto,
o refluxo é minimizado por um mecanismo diferente; conforme o músculo atrial se contrai, ele comprime e quase colapsa
as fracas paredes dos pontos de entrada das veias.
Circulações sistêmica e pulmonar
Na circulação pós­natal, o coração bombeia o sangue em dois circuitos fechados a cada contração – circulação sistêmica e
circulação pulmonar (Figura 20.7). Os dois circuitos estão dispostos em série: a saída de um torna­se a entrada do outro,
como aconteceria ao conectar duas mangueiras de jardim (ver Figura 21.17). O lado esquerdo do coração é a bomba para a
circulação  sistêmica;  ele  recebe  sangue  oxigenado  (rico  em  oxigênio)  vermelho  brilhante  dos  pulmões.  O  ventrículo
esquerdo ejeta sangue para a aorta  (Figura 20.7). A partir da aorta, o  sangue se divide em correntes  separadas, entrando
progressivamente  em  artérias  sistêmicas  menores  que  o  transportam  a  todos  os  órgãos  do  corpo  –  com  exceção  dos
alvéolos dos pulmões, os quais  são  irrigados pela  circulação pulmonar. Nos  tecidos  sistêmicos,  as  artérias dão origem a
arteríolas de menor diâmetro, que por fim levam a extensos  leitos de capilares sistêmicos. A  troca de nutrientes e gases
ocorre através das finas paredes capilares. O sangue libera O2 (oxigênio) e capta CO2 (dióxido de carbono). Na maior parte
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dos casos, o sangue flui por meio de um único capilar e então entra em uma vênula sistêmica. As vênulas  transportam o
sangue desoxigenado dos tecidos e se fundem para formar veias sistêmicas maiores. Por fim, o sangue reflui para o átrio
direito.
O  lado  direito  do  coração  é  a  bomba  para  a  circulação  pulmonar;  ele  recebe  todo  o  sangue  desoxigenado
vermelhoescuro que  retorna da  circulação  sistêmica. O  sangue  ejetado do ventrículo direito  flui  para  o  tronco pulmonar,
que se divide em artérias pulmonares que levam o sangue para os pulmões direito e esquerdo. Nos capilares pulmonares, o
sangue descarrega o CO2, que é expirado, e capta o O2 do ar inalado. O sangue recentemente oxigenado então flui para as
veias pulmonares e retorna ao átrio esquerdo.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Valvopatias cardíacas
Quando as valvas cardíacas funcionam normalmente, elas se abrem e se fecham completamente nos momentos adequados. Um estreitamento da abertura de uma
valva cardíaca que restringe o uxo sanguíneo é conhecido como estenose; a falha de uma valva em se fechar completamente é denominada insu ciência. Na
estenose atrioventricular esquerda, a formação de uma cicatriz ou um defeito congênito provoca um estreitamento na valva atrioventricular esquerda. Uma das
causas da insu ciência atrioventricular esquerda, em que há re uxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo, é o prolapso da valva mitral
(PVM). No PVM, uma ou ambas as válvulas da valva atrioventricular esquerda se projetam para o átrio esquerdo durante a contração ventricular. O prolapso da valva
mitral é uma das valvopatias mais comuns, afetando até 30% da população. É mais prevalente em mulheres do que em homens, e nem sempre representa uma
ameaça grave. Na estenose aórtica, a valva da aorta está estreitada, e na insu ciência aórtica existe re uxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo.
Algumas doenças infecciosas podem dani car ou destruir as valvas cardíacas. Um exemplo é a febre reumática, uma doença in amatória sistêmica aguda que
geralmente ocorre depois de uma infecção estreptocócica da garganta. As bactérias desencadeiam uma resposta imune em que os anticorpos produzidos para
destruir as bactérias atacam e in amam os tecidos conjuntivos em articulações, valvas cardíacas e outros órgãos. Mesmo que a febre reumática possa enfraquecer
toda a parede do coração, na maior parte das vezes prejudica as valvas atrioventricular esquerda e da aorta.
Se as atividades de vida diária forem afetadas pelos sinais/sintomas e se uma valva cardíaca não puder ser reparada cirurgicamente, então é crucial substituí-la.
Valvas de tecido podem ser fornecidas por doadores humanos ou suínos; às vezes, utilizam-se próteses mecânicas. Em ambos os casos, a substituição da valva envolve
uma cirurgia cardíaca a céu aberto. A valva da aorta é a valva cardíaca mais comumente substituída.
Figura 20.7 Circulações sistêmica e pulmonar.
O lado esquerdo do coração bombeia o sangue oxigenado para a circulação sistêmica até todos os tecidos do
corpo, com exceção dos alvéolos dos pulmões. O lado direito do coração bombeia o sangue desoxigenado para a
circulação pulmonar até os alvéolos.
Quais números constituem a circulação pulmonar? E quais constituem a circulação sistêmica?
Circulação coronariana
Os nutrientes não conseguem se difundir rapidamente o suficiente do sangue das câmaras do coração para suprir  todas as
camadas de células que formam a parede do coração. Por isso, o miocárdio tem a sua própria rede de vasos sanguíneos, a
circulação  coronariana  ou  circulação  cardíaca.  As  artérias  coronárias  ramificam­se  da  parte  ascendente  da  aorta  e
cercam  o  coração  como  uma  coroa  circundando  a  cabeça  (Figura 20.8A).  Enquanto  o  coração  está  se  contraindo,  pouco
sangue flui nas artérias coronárias, porque elas estão bem comprimidas. Quando o coração relaxa, no entanto, a pressão do
sangue elevada na aorta impulsiona o sangue ao longo das artérias coronárias até os vasos capilares e, em seguida, às veias
coronárias (Figura 20.8B).
Artérias coronárias
Duas  artérias  coronárias,  as  artérias  coronárias  esquerda  e direita,  ramificam­se da parte  ascendente da  aorta  e  fornecem
sangue oxigenado para o miocárdio (Figura 20.8A). A artéria coronária esquerda passa inferiormente à aurícula esquerda
e se divide nos ramos interventricular anterior e circunflexo. O ramo interventricular anterior encontra­se anteriormente
ao  sulco  interventricular  anterior  e  fornece  sangue  oxigenado  às  paredes  de  ambos  os  ventrículos.  O  ramo  circunflexo
encontra­se no sulco coronário e distribui sangue oxigenado às paredes do ventrículo esquerdo e átrio esquerdo.
A artéria coronária direita emite pequenos ramos (ramos atriais) para o átrio direito. Ela continua  inferiormente à
aurícula  direita  e,  por  fim,  se  divide  em  ramos  interventricular  posterior  e  marginal  direito.  O  ramo  interventricular
posterior segue o sulco interventricular posterior e irriga as paredes dos dois ventrículos com sangue oxigenado. O ramo
marginal posterior além do sulco coronário corre ao longo da margem direita do coração e transporta sangue oxigenado à
parede do ventrículo direito.
A maior parte do corpo recebe sangue de ramos de mais de uma artéria, e onde duas ou mais artérias irrigam a mesma
	19 Sistema Circulatório | Sangue
	20 Sistema Circulatório | O Coração

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