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PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
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Direito Civil 
(Ponto 11) 
Da superfície. Das servidões. Do usufruto. Do 
uso. Da habitação. Do direito do promitente 
comprador. Do penhor, da hipoteca e da 
anticrese. Da laje. 
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CURSO MEGE 
 
Site para cadastro: www.mege.com.br 
Celular / Whatsapp: (99) 98262-2200 (Tim) 
Turma: Clube Delta 
Material: Direito Civil – Ponto 11 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Civil 
(Ponto 11) 
Da superfície. Das servidões. Do usufruto. Do uso. 
Da habitação. Do direito do promitente 
comprador. Do penhor, da hipoteca e da anticrese. 
Da laje. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 
1.1. DA SUPERFÍCIE ........................................................................................................... 5 
1.2. DAS SERVIDÕES.......................................................................................................... 8 
1.3. DO USUFRUTO ........................................................................................................... 9 
1.4. DO USO .................................................................................................................... 11 
1.5. DA HABITAÇÃO ........................................................................................................ 11 
1.6. DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR .......................................................... 12 
1.7. DO PENHOR, DA HIPOTECA E DA ANTICRESE .......................................................... 12 
1.8. DA LAJE .................................................................................................................... 16 
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 22 
4. QUESTÕES ................................................................................................................... 27 
5. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 31 
 
 
 
 
 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA 
(Conforme Edital Mege) 
 
 
 
DIREITO CIVIL 
Da superfície. Das servidões. Do usufruto. Do uso. Da habitação. Do direito do 
promitente comprador. Do penhor, da hipoteca e da anticrese. Da laje. (Ponto 11) 
 
 
 
 
CPF: 860.542.154-18
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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DA SUPERFÍCIE 
 
Com origem no Direito Romano, o direito de superfície - surgiu para substituir 
a enfiteuse - passando a ser regido pelo CC/2002 entre os seus arts. 1.369 a 1.377, 
sendo certo que já havia previsão no Estatuto da Cidade (arts. 21 a 24 da Lei 
10.257/2001). 
Cuida-se de um direito real de gozo ou fruição por meio do qual o proprietário 
concede a outrem (superficiário), por tempo determinado ou indeterminado, gratuita 
ou onerosamente, o direito de construir ou de plantar sobre seu terreno, mediante 
escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis. 
Nele ocorre um desmembramento entre o domínio do solo e o domínio do 
que está (ou será) incorporado a ele por acessão. No particular, a doutrina majoritária 
defende que a superfície é direito real "autônomo", apartando-o do rol dos demais 
"ius in re aliena” (direitos reais sobre coisa alheia). 
Enquanto o proprietário mantém a titularidade do solo, o superficiário 
adquire a propriedade resolúvel das acessões, pois, findo o prazo, estas se incorporam 
ao patrimônio do proprietário do solo. 
Superficiário é o titular do direito real de superfície e proprietário é aquele 
que transfere ao superficiário, alguns de seus poderes, quais sejam, usar, fruir, dispor e 
reaver. O direito real de superfície não abrange obra no subsolo, salvo se inerente ao 
objeto de concessão. 
O direito de superfície deve ser por tempo determinado. Não obstante, o 
Estatuto da Cidade (art. 21) autoriza a superfície por tempo determinado ou 
indeterminado, sendo compatível com o que estabelece o Código Civil. Isto porque, o 
Estatuto é norma especial, aplicável apenas aos imóveis urbanos, ao passo que o CC é 
norma geral e aplicável aos imóveis rurais. 
Nesse sentido é o Enunciado 93 das Jornadas de Direito Civil, que assim 
preconiza: “As normas previstas no Código Civil sobre direito de superfície não 
revogam as relativas a direito de superfície constantes do Estatuto da Cidade (Lei 
10.257/2001) por ser instrumento de política de desenvolvimento urbano”. 
O direito de superfície tem como características: 
 
i) alienabilidade; 
ii) disponibilidade; 
iii) transmissibilidade; 
iv) não personalíssimo; e 
v) pode ser gratuito ou oneroso. 
 
A gratuidade do direito de superfície é presumida, exigindo prova da 
onerosidade. Uma vez estabelecida contraprestação pecuniária, o pagamento poderá 
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ser feito em parcela única ou de forma parcelada. Tal remuneração recebe o nome de 
cânon. Porém, gratuito ou oneroso, o ônus decorrente de encargos e tributos será de 
responsabilidade do superficiário. 
Para a constituição do direito é necessária escritura pública devidamente 
registrada no Cartório de Registro de Imóveis. E uma vez constituída, caso haja 
desapropriação do imóvel sobre o qual recai o direito de superfície, a indenização 
deverá ser partilhada entre proprietário e superficiário, na proporção correspondente 
ao direito real de cada um. 
Em caso de alienação do imóvel ou da superfície, o superficiário ou o 
proprietário têm direito de preferência em igualdade de condições. Ou seja, se o 
proprietário quiser alienar o imóvel, ao superficiário deverá ser dado o direito de 
preferência e, de igual forma, se a hipótese for de alienação da superfície, a 
preferência será do proprietário. Portanto, há um direito de preferência recíproco. 
Como vimos, o Estatuto da Cidade também trata do direito de superfície. Pela 
importância, segue quadro para melhor esclarecimento da matéria: 
 
SUPERFÍCIE no Código Civil SUPERFÍCIE no Estatuto da Cidade 
Imóvel URBANO ou RURAL. Imóvel URBANO. 
Exploração mais restrita: construções e 
plantações. 
Exploração mais ampla: qualquer 
utilização de acordo com a política 
urbana. 
Cessão somente por prazo 
DETERMINADO. 
Cessão por prazo DETERMINADO ou 
INDETERMINADO. 
O proprietário pode conceder a outrem o 
direito de construir ou de plantar em seu 
terreno, por tempo determinado, 
mediante escritura pública devidamente 
registrada no CRI. 
O proprietáriourbano poderá conceder a 
outrem o direito de superfície do seu 
terreno, por tempo determinado ou 
indeterminado, mediante escritura pública 
registrada no CRI. 
Em regra, NÃO há autorização para 
utilização do subsolo e do espaço aéreo. O 
Código Civil não dispõe sobre o espaço 
aéreo. 
O direito de superfície não autoriza obra 
no subsolo, salvo se for inerente ao objeto 
da concessão. 
Em regra, é possível utilizar o subsolo ou o 
espaço aéreo. 
O direito de superfície abrange o direito 
de utilizar o solo, o subsolo ou o espaço 
aéreo relativo ao terreno, na forma 
estabelecida no contrato respectivo, 
atendida a legislação urbanística. 
OBS: A legislação civil não contemplava a possibilidade da sobrelevação ou superfície 
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em segundo grau, denominada “direito de laje”. 
 
O Enunciado 568 da VI Jornada de Direito Civil do CJF já fazia essa previsão: 
 
Enunciado 568 – “O direito de superfície abrange o direito de 
utilizar o solo, o subsolo ou o espaço aéreo relativo ao terreno, 
na forma estabelecida no contrato, admitindo-se o direito de 
sobrelevação, atendida a legislação urbanística”. 
 
A Lei nº 13.465, de 2017, inseriu o direito de laje no rol dos direitos reais, 
acrescentando os artigos 1.510-A a 1.510-E ao Código Civil. 
 
1.1.1. EXTINÇÃO 
 
A extinção do direito real de superfície pode se dar de duas formas: 
 
(i) pelo implemento do termo (prazo final); ou 
(ii) pela destinação diversa daquela prevista no ato da 
concessão. Assim, sendo a superfície por prazo determinado, 
ao final do termo, extingue-se o direito. Entretanto, a extinção 
poderá ser antecipada se o superficiário der destinação diversa 
daquela que foi concedida, caracterizando o abuso de direito. 
 
Por se tratar de direito resolúvel, a extinção do direito de superfície não 
pressupõe qualquer indenização ao superficiário, embora parte da doutrina entenda 
ser possível indenização desde que haja previsão neste sentido. 
A extinção do direito de superfície será averbada no CRI. Antes do termo final, 
resolver-se-á a concessão se o superficiário der ao terreno destinação diversa daquela 
para que foi concedida. Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a propriedade 
plena sobre o terreno, construção ou plantação, independentemente de indenização, 
se as partes não houverem estipulado o contrário. 
 
1.1.2. SUPERFÍCIE x ENFITEUSE 
 
O direito de superfície veio substituir a enfiteuse, banida pelo Código Civil de 
2002 (art. 2038). As enfiteuses anteriores foram mantidas, mas se proibiu a instituição 
de novas. 
 
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ENFITEUSE SUPERFÍCIE 
ONEROSA GRATUITA OU ONEROSA 
PERPÉTUA TEMPORÁRIA OU PERMANENTE 
 
1.2. DAS SERVIDÕES 
 
A servidão é direito real sobre coisa alheia que se caracteriza pela imposição 
de um gravame em um imóvel (prédio serviente) em favor de outro (prédio 
dominante), proporcionando utilidade a este. Ou seja, por meio desse instituto real um 
prédio proporciona utilidade a outro, gravando o último, que é do domínio de outra 
pessoa. 
A constituição se dá mediante expressa declaração dos proprietários, ou por 
testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. Também é 
admitida a constituição da servidão por usucapião, desde que a servidão seja aparente, 
isto é, ostensiva e visível. 
O Código Civil de 2002 utiliza o termo servidões (arts. 1.378 a 1.389), ao invés 
de servidões prediais que constava no Código anterior. Isso porque, o termo servidões 
prediais acaba por ser pleonástico, uma vez que a servidão, por razões óbvias, 
somente pode recair sobre imóveis ou prédios. 
A servidão possui os seguintes componentes: 
 
i) é uma relação entre dois prédios: a) Prédio dominante – 
aquele que tem a servidão a seu favor; b) Prédio serviente – 
aquele que serve o outro, em detrimento do seu domínio; 
ii) envolve uma obrigação negativa; 
iii) implica a ideia de que os prédios pertencem a donos 
distintos. 
 
A servidão pode ser estabelecida por diversos objetivos: 
 
- Servidões de passagem – buscam assegurar o trânsito de 
pessoas através de um determinado prédio, em benefício das 
que venham do prédio dominante e passam pelo serviente; 
- Servidões de águas – são as servidões de aqueduto, buscam 
garantir a passagem de água de um imóvel pelo outro; 
- Servidões de vista – objetivam garantir que não se construa 
no terreno serviente, retirando a vista do prédio dominante. 
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ATENÇÃO! Qual a diferença entre servidão de passagem e passagem forçada? 
 
PASSAGEM FORÇADA SERVIDÃO DE PASSAGEM 
É direito de vizinhança. 
Só é conferida ao proprietário de imóvel 
encravado. 
É direito pessoal. 
Se estabelece judicialmente. 
Pode ser gratuita ou onerosa. 
É direito real. 
Independe de que o prédio dominante 
seja encravado. 
É estabelecida por acordo entre as partes. 
Gera direito a indenização. 
 
O registro é ato necessário não apenas à constituição, mas também à extinção 
da servidão. É facultado ao dono do prédio serviente promover o cancelamento do 
registro da servidão nas seguintes hipóteses: 
 
i) quando o titular houver renunciado à servidão; 
ii) quando tiver cessado, para o prédio dominante, a utilidade 
ou comodidade, que determinou a sua constituição; ou quando 
o dono do prédio serviente resgatar a servidão. 
 
Também é possível a extinção: 
 
i) pela reunião dos dois prédios no domínio da mesma pessoa 
(confusão); 
ii) pela supressão das respectivas obras por efeito de contrato, 
ou de outro título expresso; e 
iii) pelo não uso, durante dez anos contínuos. 
 
Por fim, registramos que o exercício da servidão é ainda regido pelo princípio 
da indivisibilidade, retirado do art. 1.386 do CC. Segundo o referido dispositivo, as 
servidões prediais são indivisíveis, e subsistem, no caso de divisão dos imóveis, em 
benefício de cada uma das porções do prédio dominante, e continuam a gravar cada 
uma das partes do prédio serviente. 
 
1.3. DO USUFRUTO 
 
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O usufruto gera para o seu titular as faculdades de usar e fruir de bem de 
terceiro, podendo ser apontado como o direito real de gozo ou fruição por excelência. 
Isso porque, há a divisão igualitária dos atributos da propriedade entre as partes 
envolvidas. De um lado, há o titular do bem (nu-proprietário) e, de outro, o 
usufrutuário, que poderá exercer a defesa de seu direito, inclusive em face de quem o 
constituiu. 
Constitui-se por lei (legal ou cogente), por decisão judicial (judicial) ou pela 
vontade das partes (voluntário ou convencional). É possível, ainda, a aquisição de 
usufruto por usucapião. 
O objeto do usufruto pode ser bem móvel ou imóvel, a totalidade do 
patrimônio ou apenas parte dele, abrangendo, no todo ou em parte, os frutos e 
utilidades. Portanto, não há necessidade de que os bens sejam determinados, 
podendo recair sobre uma universalidade. Porém, em se tratando de usufruto de 
imóveis, há necessidade de registro no Cartório de Registro de Imóveis, salvo quando 
decorrente de usucapião. 
O usufruto pode ser: 
 
i) próprio, quando recair sobrebem infungível; ou 
ii) impróprio ou quase usufruto, quando recair sobre bem 
fungível. Neste caso, a restituição deverá se dar por meio de 
coisa do mesmo gênero, quantidade e qualidade. 
 
O usufruto é inalienável, mas o seu exercício pode ceder-se por título gratuito 
ou oneroso. Assim, não se pode transferir o direito, mas é possível ceder, a título 
gratuito ou oneroso, o exercício do direito. 
O usufruto tem caráter temporário (não pode ser perpétuo), embora seja 
vitalício. A extinção do usufruto deve se dar com o cancelamento do Registro e as 
hipóteses estão previstas no art. 1.410 do CC, merecendo destaque o inciso I, que 
versa sobre a morte do usufrutuário. Cabe ressaltar que, com a morte do usufrutuário, 
não há transmissão do direito. 
Em regra, extinto o usufruto, o nu-proprietário retoma a plena propriedade 
do bem, salvo nas hipóteses em que haja usufruto em favor de duas ou mais pessoas e 
previsão expressa de que o quinhão do usufrutuário falecido caiba ao usufrutuário 
sobrevivente. 
CARACTERÍSTICAS DO USUFRUTO: 
 
- INALIENABILIDADE - O usufruto é inalienável, por isso, 
extingue-se com a morte do usufrutuário. Porém, é permitida a 
cessão do exercício do usufruto a título gratuito ou oneroso; 
- IMPENHORABILIDADE - O usufruto é inalienável, logo é 
IMPENHORÁVEL. Porém, admite-se a penhora dos frutos; 
CPF: 860.542.154-18
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- TEMPORARIEDADE - É temporário, embora possa durar toda a 
vida do usufrutuário, quando será chamado de vitalício; 
- DIVISIBILIDADE - O usufruto é divisível, podendo ser atribuído 
simultaneamente a mais de uma pessoa. 
 
Não havendo ressalva, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus 
acrescidos. 
 
1.4. DO USO 
 
Cuida-se de direito real sobre coisa alheia que confere ao seu titular a 
possibilidade de usar a coisa e perceber seus frutos, quando o exigirem as 
necessidades suas e de sua família. 
O direito real de uso pode ser constituído de forma gratuita ou onerosa, 
havendo a cessão apenas do atributo de utilizar a coisa, seja ela móvel ou imóvel. 
Assim, seria um direito de menor expressão, pois o usuário não explora 
economicamente o bem, sendo, em verdade, um “usufruto limitado”, no dizer de 
Carlos Roberto Gonçalves. 
Por isso se justificam as nomenclaturas usufruto anão, nanico ou reduzido. 
São partes do direito real em comento: a) proprietário – faz a cessão real da coisa. b) 
usuário – tem o direito personalíssimo de uso ou utilização da coisa. 
As normas que regem o usufruto aplicam-se ao uso naquilo que for 
compatível com a sua natureza. 
 
1.5. DA HABITAÇÃO 
 
O direito real de habitação constitui o mais restrito dos direitos reais de 
fruição, eis que apenas é cedida uma parte do atributo de usar, qual seja o direito de 
habitar o imóvel. 
Trata-se de direito real sobre coisa alheia que gera para o seu titular o poder 
de morar, gratuitamente, em imóvel de terceiro, podendo ser conferido a uma ou mais 
pessoas. Na hipótese de mais de um titular, qualquer deles poderá sozinho habitar o 
imóvel, mas não poderá inibir o direito que também compete aos demais. É direito 
personalíssimo. 
Por sua própria natureza, somente recai sobre bens imóveis, podendo ser 
constituído convencionalmente, judicialmente ou legalmente, devendo ser levado a 
registro no Cartório de Registro de Imóveis para que produza efeitos erga omnes. 
O direito real de habitação tem especial relevância no direito de família, uma 
vez que o CC assegura ao cônjuge ou companheiro o direito real de habitação, 
observados os requisitos da lei. 
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Assim, cabe direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente, enquanto 
viver e permanecer viúvo, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança ou 
meação, relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o 
único bem daquela natureza a inventariar (CC, art. 1.831). 
Em havendo direito real de habitação simultâneo, conferido a mais de uma 
pessoa, qualquer delas que sozinha habite a casa não terá de pagar aluguel à outra, ou 
às outras, o que ressalta o seu caráter gratuito (art. 1.415 do CC). Porém, esse 
habitante exclusivo não pode as inibir de exercerem, querendo, o direito, que também 
lhes compete, de habitá-la. Em suma, é possível o compartilhamento compulsório do 
imóvel. 
Por fim, aplicam-se ao direito real de habitação as regras do usufruto naquilo 
que com ele não for incompatível. 
 
1.6. DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR 
 
É um direito real sobre coisa alheia que confere ao seu titular a preferência 
para a aquisição do imóvel (direito real na coisa alheia de aquisição), titularizado pelo 
promitente comprador em face do promitente vendedor. 
Cabe mencionar que a doutrina não é unânime quanto à classificação, 
havendo entendimento de que se trata: 
 
i) de direito real sobre coisa alheia de aquisição (majoritária); 
ii) de direito real de gozo e fruição; e 
iii) de direito real de garantia. 
 
Tem como objeto um bem imóvel e se constitui mediante promessa de 
compra e venda, sem direito de arrependimento, celebrada por instrumento público 
ou particular (não exige escritura pública), e registrada em Cartório de Registro de 
Imóveis. 
O titular do direito real pode exigir do promitente vendedor, ou de terceiros, 
a quem os direitos deste forem cedidos, a outorga da escritura definitiva de compra e 
venda, conforme o disposto no instrumento preliminar. Em caso de oposição, o 
promitente comprador poderá ajuizar ação de adjudicação compulsória a fim de 
compelir o promitente vendedor que outorgue a escritura definitiva, desde que se 
tenha operado o pagamento integral do preço. 
 
1.7. DO PENHOR, DA HIPOTECA E DA ANTICRESE 
 
O CC regula o penhor, a hipoteca e a anticrese de forma exaustiva, de tal 
modo que basta, em regra, a leitura dos artigos para a plena compreensão. 
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Os três institutos dizem respeito a direito real de garantia. Convém ressaltar 
que as garantias creditícias podem ter natureza fidejussória ou real. As fidejussórias 
são garantias pessoais prestadas por terceiros (ex.: aval e fiança), ao passo que as 
garantias reais incidem sobre bens pertencentes ao devedor ou a terceiros, dos quais 
são exemplos o penhor, a hipoteca e a anticrese. 
Como apenas garantem o crédito, os direitos reais de garantia não conferem 
ao credor, ainda que na posse do bem, o direito de gozo da coisa, constituindo-se 
apenas em finalidade assecuratória ao cumprimento da obrigação. 
Merece registro a proibição do pacto comissório, isto é, em caso de 
inadimplemento não é facultado ao credor a apropriação da coisa dada em garantia. 
Características básicas dos direitos reais de garantia sobre coisa alheia: 
 
- Preferência: O credor hipotecário e o pignoratício têm o 
direito de preferência, no pagamento em relação a outros 
credores, observada, quanto à hipoteca, a prioridade no 
registro. Ficam ressalvadas as dívidas que, em virtude de outras 
leis, devam ser pagas antes de quaisquer outros créditos. 
- Indivisibilidade: O pagamento de uma ou mais prestações da 
dívida não importa exoneração correspondente da garantia, 
ainda que esta compreenda vários bens, salvo disposição 
expressa no título ou na quitação. 
- Sequela: representada pela máxima “para onde o bem vai, o 
direito real de garantia o acompanha”.Há restrição dessa 
característica no seguinte entendimento do Superior Tribunal 
de Justiça: 
Súmula nº 308 do STJ: A hipoteca firmada entre a construtora e 
o agente financeiro, anterior ou posterior à celebração da 
promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os 
adquirentes do imóvel. 
- Excussão: O credor hipotecário e o pignoratício têm o direito 
de excutir a coisa hipotecada ou empenhada. Assim, pode 
ingressar com ação de execução pignoratícia ou hipotecária 
para promover a alienação judicial da coisa garantida, visando a 
perceber o seu crédito. É nulo o pacto comissório real, mas, 
após o vencimento, poderá o devedor dar a coisa em 
pagamento da dívida (CC, 1.428). 
 
1.7.1. DO PENHOR 
 
É um direito real de garantia que submete uma coisa móvel ou mobilizável ao 
pagamento de uma dívida, constituindo-se com a efetiva tradição de um objeto móvel 
que o devedor faz ao credor, chamado de credor pignoratício, em garantia do débito. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
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Efetuada a tradição, o credor recebe a coisa dada em garantia como 
depositário, respondendo como tal em face do devedor, impondo-se-lhe todas as 
obrigações que incumbem ao depositário. Em contrapartida, o credor tem o direito de 
retenção para cobrar as despesas feitas com a manutenção da coisa, bem como pelos 
prejuízos por força de seus defeitos. 
O contrato, que pode ser realizado por instrumento público ou particular, 
deve ser levado a registro no Cartório de Registro de Títulos e Documentos a fim de 
que se aperfeiçoe o direito real de garantia. 
São partes do penhor: 
 
i) Devedor pignoratício – aquele que dá a coisa em garantia, 
tendo a dívida em seu desfavor. Pode ser o próprio devedor ou 
terceiro; 
ii) Credor pignoratício – tem o crédito e o direito real de 
garantia a seu favor. 
 
O penhor pode ser: 
 
i) convencional, quando deriva da vontade das partes; ou 
ii) legal, quando decorre da lei. 
 
O penhor é constituído sobre bens móveis (em regra), ocorrendo a 
transferência efetiva da posse do bem do devedor ao credor (também em regra). Diz-
se duplamente em regra, pois, no penhor rural, industrial, mercantil e de veículos, as 
coisas empenhadas continuam em poder do devedor, que as deve guardar e 
conservar. No mais, nem sempre o penhor recairá sobre coisa móvel, nos termos do 
que consta do art. 1.431 do CC. 
No que atine ao penhor sobre veículos, destacamos a revogação do art. 1.463 
do Código Civil, pela Medida Provisória n. 958 de 24 de abril de 2020. Esta MP 
estabeleceu normas para a facilitação do acesso ao crédito e mitigação dos impactos 
econômicos decorrentes da pandemia de coronavírus (covid-19). 
Por fim, extingue o penhor: 
 
a) Pela extinção da obrigação; 
b) Pelo perecimento da coisa; 
c) Pela renúncia do credor; 
d) Pela confusão (credor e devedor na mesma pessoa); 
e) Pela adjudicação judicial, remissão ou venda de coisa 
empenhada, feita pelo credor ou por ele autorizada. 
 
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Penhor X Penhora: O penhor é direito real de garantia consistente na entrega 
de coisa móvel em garantia de uma obrigação. A penhora é um instituto de direito 
processual. 
 
1.7.2. DA HIPOTECA 
 
É o direito real de garantia sobre coisa alheia com maior repercussão prática, 
recaindo sobre bens imóveis (em regra) e não havendo a transmissão da posse da 
coisa entre as partes. 
Na hipoteca o devedor confere ao credor, sobre um bem imóvel de sua 
propriedade ou de terceiro, para que o mesmo responda, preferencialmente, ao 
credor, pelo resgate da dívida. 
Embora recaia, em regra, sobre bens imóveis, o CC estatui a possibilidade de 
hipoteca sobre navios e aeronaves (art. 1.473, VI e VII). Outro alerta diz respeito à 
herança, pois o art. 80 do CC estabelece que a sucessão aberta deve ser considerada 
bem imóvel (por força da lei). Não obstante, a doutrina majoritária entende que não é 
possível a hipoteca sobre a herança por não estar previsto no rol do art. 1.473 do CC. 
Na hipoteca, não há transferência do direito de propriedade sobre o imóvel, 
que serve apenas à garantia de um crédito. Assim, é facultado ao proprietário 
(devedor) alienar o imóvel hipotecado, sendo nula a cláusula que proíbe a venda. Não 
obstante, o CC prevê a possibilidade de que, mediante convenção prévia, a hipoteca 
tenha o seu vencimento antecipado em caso de alienação do imóvel. 
A constituição da hipoteca se dá mediante registro no Cartório de Registro de 
Imóveis da circunscrição onde se situar o bem dado em garantia. É possível, ainda, que 
incida mais de uma hipoteca sobre o mesmo bem. Denomina-se sub-hipoteca ou 
hipoteca de segundo grau a hipoteca de um bem já hipotecado. A ordem de 
preferência se dará pelo registro, e não pelo vencimento, salvo expressa disposição em 
contrário. 
Pode ocorrer de um adquirente de imóvel hipotecário, entendendo que o 
ônus incidente sobre o imóvel não compensa a sua manutenção, deixe que o imóvel 
seja excutido, isto é, executado. Por exemplo, um indivíduo que adquire imóvel 
hipotecado a título de herança pode entender que não compensa quitar a dívida para 
manter o imóvel, razão pela qual opta por abandonar o bem ao credor. Tal hipótese 
configura o chamado abandono liberatório, previsto no art. 1.479 do CC. 
A hipoteca pode ser: 
 
a) convencional, quando deriva da anuência das partes; 
- Comum: é a hipoteca contratual que recai sobre imóvel ou 
sobre recursos minerais, que também são considerados 
imóveis; 
- Especial: é a hipoteca contratual que tem objetos diversos, 
como vias férreas, navios e aeronaves. Há dispositivos especiais 
que tratam do tema. 
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b) legal, quando imposta por lei; ou 
c) judicial, que decorre das decisões judiciais. 
 
O Código Civil de 1916 expressamente previa a hipótese de hipoteca judicial, 
não havendo equivalente no Código atual. Não obstante, o CPC/2015, em seu art. 495 
remete ao instituto. 
Por fim, a extinção da hipoteca se dá com a averbação no Cartório de Registro 
de Imóveis, nas hipóteses previstas no art. 1.499 do CC. 
Extingue-se ainda a hipoteca com a averbação, no Registro de Imóveis, do 
cancelamento do registro, à vista da respectiva prova (art. 1.500 do CC). Com o 
cancelamento registral, o direito real deixa de ter efeitos erga omnes. Porém, não 
extinguirá a hipoteca, devidamente registrada, a arrematação ou adjudicação, sem que 
tenham sido notificados judicialmente os respectivos credores hipotecários, que não 
forem, de qualquer modo, partes na ação de execução hipotecária (art. 1.501). 
 
1.7.3. DA ANTICRESE 
 
É um direito real sobre coisa alheia, oriundo de contrato, que se estabelece 
pela entrega de um imóvel frugífero ao credor, que fica autorizado a retê-lo e a 
perceber-lhe os frutos, imputando na dívida, e até o seu resgate, as importâncias que 
for recebendo. Assim, a anticrese confere ao credor o poder de retirar os frutos e 
rendimentos da coisa com a finalidade de compensar o débito devido. 
Formas de extinção da anticrese: 
 
- Pagamento integral da obrigação; 
- Perecimento do imóvel; 
- Renúncia do credor, que não significa remissão da dívida; 
- Decurso do prazo de 15 anos de sua constituição. 
 
Trata-se de instituto em desuso, sobre o qual se recomenda apenas a leitura 
dos dispositivos do Código Civil referentes ao instituto (arts. 1.506 – 1.510). 
 
1.8.DA LAJE 
 
O Direito Real de Laje está previsto a partir do art. 1.510-A do Código Civil 
como uma nova espécie de Direito Real. 
A Lei 13.465/2017 introduziu um tratamento relativo à laje, além de sua 
previsão no rol dos direitos reais, previsto no art. 1.225 do Código Civil (inc. XIII). 
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Trata-se de importante iniciativa no sentido de regular um fato social comum 
à sociedade brasileira (a construção do chamado “puxadinho”) e que carecia de 
legislação própria capaz de solucionar os problemas dele decorrentes. 
A doutrina aponta a atecnia da nomenclatura (direito de laje), haja vista 
tratar-se de direito de superfície de graus sucessivos ou direito de sobrelevação. Não 
obstante, a designação utilizada (“laje”) melhor se adequa ao costume linguístico da 
população. 
Não se deve, porém, entender com isso que o novo instituto se limita a 
construções ascendentes, pois que também abrange as construções subterrâneas. Ao 
imóvel que confere a cessão da laje dá-se o nome de construção-base. 
A doutrina diverge quanto à natureza jurídica do instituto. Para uma primeira 
corrente, trata-se de direito real sobre coisa alheia. No dizer de Pablo Stolze Gagliano: 
 
“diferentemente de outros direitos reais na coisa alheia, o 
direito de laje tem em seu conteúdo um singular animus, 
equiparável ao de domínio, embora não se caracterize, pela sua 
estrutura peculiar, como direito real na coisa própria 
(propriedade), na medida em que, derivando de mera cessão 
de uso, gratuita ou onerosa, da superfície do imóvel que lhe é 
inferior, resulta na coexistência de unidades autônomas em 
uma mesma área”. 
 
Em sentido diverso, Carlos Eduardo Elias de Oliveira entende se tratar de 
direito real sobre coisa própria. Segundo Oliveira: 
 
“O Direito de Laje é um Direito Real de Propriedade e faculta ao 
seu titular todos os poderes inerentes à propriedade (usar, 
gozar e dispor), conforme art. 1.510-A, § 3º, do Código Civil. Ele 
terá, inclusive, uma matrícula própria no Registro de Imóveis, 
pois, conforme o princípio registral da unitariedade ou 
unicidade matricial, a cada imóvel deve corresponder apenas 
uma matrícula. Se o Direito Real de Laje fosse um direito real 
sobre coisa alheia, ele – por esse princípio registral – não 
poderia gerar uma matrícula própria”. 
 
A respeito do direito de laje, no julgamento do REsp. 1.478.254, o voto do 
ministro Luis Felipe Salomão abarcou a tese do direito de laje como direito real sobre 
coisa alheia, nos seguintes termos: 
 
“Criou-se, assim, um direito real sobre coisa alheia (CC, art. 
1.510-A), na qual se reconheceu a proteção sobre aquela 
extensão - superfície sobreposta ou pavimento inferior - da 
construção original, conferindo destinação socioeconômica à 
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referida construção. A laje é unidade imobiliária autônoma que, 
em sua perspectiva funcional, deve ser uma célula habitacional 
distinta (isolada) da construção-base, possuindo, inclusive, 
matrícula própria (§ 3°). Perfaz-se, assim, uma situação jurídica 
peculiar, na qual, na mesma área, coexistem unidades 
imobiliárias autônomas de titularidade distintas, sendo que, no 
tocante ao titular do direito de laje, responderá pelos encargos 
e tributos atinentes à sua área (§ 2°), podendo dela usar, gozar 
e dispor (§ 3°), bem como contribuir, proporcionalmente, com 
às taxas condominiais (despesas comuns de conservação e de 
serviços) (CC, art. 1.510-C).” 
 
Como ressaltado no voto do ministro Noronha, no direito real de laje, ocorre a 
coexistência de unidades imobiliárias autônomas de titularidades distintas situadas em 
uma mesma área, cabendo ao titular do direito de laje a responsabilidade pelos 
encargos e tributos relativos ao seu direito. 
Importante registrar que o direito real de laje não implica a atribuição de 
fração ideal de terreno ao titular da laje ou a participação proporcional em áreas já 
edificadas. Não obstante, as despesas necessárias à conservação e fruição das partes 
que sirvam a todo o edifício e ao pagamento de serviços de interesse comum serão 
partilhadas entre o proprietário da construção-base e o titular da laje, na proporção 
que venha a ser estipulada em contrato, sem prejuízo, no que couber, das normas 
aplicáveis aos condomínios edilícios. 
CARACTERÍSTICAS: 
 
- Contempla o espaço aéreo ou subsolo de terrenos públicos ou 
privados, tomados em projeção vertical, como unidade 
imobiliária autônoma, mas não contempla as demais áreas 
pertencentes ao proprietário da construção-base (artigo 1.510-
A, § 1º). 
- O direito de laje é constituído em matrícula própria (artigo 
1.510-A, § 3º). 
- Confere ao seu titular as faculdades de usar, gozar e dispor da 
laje (artigo 1.510-A, § 3º). 
- A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de 
fração ideal de terreno ao titular da laje ou a participação 
proporcional em áreas já edificadas (artigo 1.510-A, § 4º). 
 
O 1.510-A prevê o seu § 5.º que os Municípios e o Distrito Federal poderão 
dispor sobre posturas edilícias e urbanísticas associadas ao direito real de laje. Valem 
as regras relativas ao plano diretor de cada cidade, visando a sua função social, nos 
termos do que consta do art. 2.º da Lei 10.257/2001 e do art. 182 da Constituição de 
1988. 
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LAJES SUCESSIVAS: (artigo 1.510-A, § 6º): O código civil permite a instituição 
de lajes sucessivas, por meio da cessão da superfície da sua construção pelo titular da 
laje, sendo necessária a autorização expressa dos titulares da construção-base e das 
demais lajes, respeitando-se as posturas edilícias e urbanísticas vigentes. 
 
§ 6º O titular da laje poderá ceder a superfície de sua 
construção para a instituição de um sucessivo direito real de 
laje, desde que haja autorização expressa dos titulares da 
construção-base e das demais lajes, respeitadas as posturas 
edilícias e urbanísticas vigentes 
 
DEVERES DO TITULAR DA LAJE: 
 
- O titular do direito real de laje responderá pelos encargos e 
tributos que incidirem sobre a sua unidade (artigo 1.510-A, 
§2º). 
- O titular da laje não pode prejudicar com obras novas ou com 
falta de reparação a segurança, a linha arquitetônica ou o 
arranjo estético do edifício, observadas as posturas previstas 
em legislação local (artigo 1.510-B). 
 
DESPESAS PARA CONSERVAÇÃO DAS PARTES QUE SERVEM TODO O 
EDIFÍCIO: serão partilhadas entre o proprietário da construção-base e o titular do 
direito real de laje as despesas necessárias à conservação e fruição das partes que 
sirvam a todo o edifício e o pagamento de serviços de interesse comum, na proporção 
estipulada no contrato. 
 
Artigo 1.510-C: Sem prejuízo, no que couber, das normas 
aplicáveis aos condomínios edilícios, para fins do direito real de 
laje, as despesas necessárias à conservação e fruição das partes 
que sirvam a todo o edifício e ao pagamento de serviços de 
interesse comum serão partilhadas entre o proprietário da 
construção-base e o titular da laje, na proporção que venha a 
ser estipulada em contrato. 
 
São partes que servem todo o edifício (artigo 1.510-C, § 1º): 
 
- os alicerces, colunas, pilares, paredes-mestras e todas as 
partes restantes que constituam a estrutura do prédio; 
- o telhado ou os terraços de cobertura, ainda que destinados 
ao uso exclusivo do titular da laje;CPF: 860.542.154-18
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20 
- as instalações gerais de água, esgoto, eletricidade, 
aquecimento, ar condicionado, gás, comunicações e 
semelhantes que sirvam a todo o edifício; 
- em geral, as coisas que sejam afetadas ao uso de todo o 
edifício. 
 
No caso de urgência, qualquer interessado poderá executar ou mandar 
executar as reparações, independentemente de autorização judicial, sendo depois 
ressarcido. 
 
Artigo 1.510-C 
§ 2º É assegurado, em qualquer caso, o direito de qualquer 
interessado em promover reparações urgentes na construção 
na forma do parágrafo único do art. 249 deste Código. 
Art. 249. Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, 
independentemente de autorização judicial, executar ou 
mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. 
 
DIREITO DE PREFERÊNCIA (artigo 1.510-D): no caso de alienação das unidades 
sobrepostas, os titulares da construção-base e da laje terão direito de preferência, 
nesta ordem, em igualdade de condições com terceiros, sendo necessário notificá-los, 
por escrito, para que se manifestem no prazo de 30 dias, salvo disposição em contrário 
no contrato. 
Ausência de notificação (artigo 1.510-D, § 1º): em caso de ausência de 
notificação, o titular da construção-base ou da laje poderá haver para si a parte 
alienada, mediante depósito do preço, desde que o faça no prazo decadencial de 180 
dias da data da alienação. 
Ordem de prioridades (artigo 1.510-D, § 2º): havendo mais de uma laje, terá 
preferência, sucessivamente, o titular das lajes ascendentes e o titular das lajes 
descendentes, assegurada a prioridade para a laje mais próxima à unidade sobreposta 
a ser alienada. 
 
Art. 1.510-D. Em caso de alienação de qualquer das unidades 
sobrepostas, terão direito de preferência, em igualdade de 
condições com terceiros, os titulares da construção-base e da 
laje, nessa ordem, que serão cientificados por escrito para que 
se manifestem no prazo de trinta dias, salvo se o contrato 
dispuser de modo diverso. 
§ 1º O titular da construção-base ou da laje a quem não se der 
conhecimento da alienação poderá, mediante depósito do 
respectivo preço, haver para si a parte alienada a terceiros, se o 
requerer no prazo decadencial de cento e oitenta dias, contado 
da data de alienação 
CPF: 860.542.154-18
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§ 2º Se houver mais de uma laje, terá preferência, 
sucessivamente, o titular das lajes ascendentes e o titular das 
lajes descendentes, assegurada a prioridade para a laje mais 
próxima à unidade sobreposta a ser alienada 
 
EXTINÇÃO (artigo 1.510-E): a ruína da construção-base implica extinção do 
direito real de laje, havendo direito à eventual reparação civil contra o culpado pela 
ruína. 
Exceções: 
 
- Se o direito real de laje tiver sido instituído sobre o subsolo; 
- Se a construção-base não for reconstruída no prazo de cinco 
anos. 
 
Art. 1.510-E. A ruína da construção-base implica extinção do 
direito real de laje, salvo: 
I - se este tiver sido instituído sobre o subsolo; (Incluído pela Lei 
nº 13.465, de 2017) 
II - se a construção-base não for reconstruída no prazo de cinco 
anos 
Parágrafo único. O disposto neste artigo não afasta o direito a 
eventual reparação civil contra o culpado pela ruína. 
 
Com efeito, uma prova de que a existência concreta de construção é requisito 
para o direito real de laje no espaço aéreo é a previsão expressa de extinção da laje no 
caso de ruína do prédio sem posterior reedificação (art. 1.510-E, CC). É diferente do 
que sucede com as lajes subterrâneas, pois, como o subsolo possui existência 
concreta, não há necessidade de se exigir uma prévia averbação de uma construção na 
laje anterior. Veja que a ruína da construção não extingue os direitos de lajes 
subterrâneas exatamente em razão da intangibilidade desse espaço (art. 1.510-E, I, 
CC). 
 
 
CPF: 860.542.154-18
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2. JURISPRUDÊNCIA 
 
SÚMULAS DO STJ 
 
Súmula 76: A falta de registro do compromisso de compra e venda de imóvel não 
dispensa a prévia interpelação para constituir em mora o devedor. 
Súmula 84: É admissível a oposição de embargos a terceiros fundados em alegação de 
posse advinda do compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que desprovido 
de registro. 
Súmula 239: O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do 
compromisso de compra e venda no cartório de imóveis. 
Súmula 308: A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou 
posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os 
adquirentes do imóvel. 
Súmula 638: É abusiva a cláusula contratual que restringe a responsabilidade de 
instituição financeira pelos danos decorrentes de roubo, furto ou extravio de bem 
entregue em garantia no âmbito de contrato de penhor civil. 
 
SÚMULAS DO STF 
 
Súmula 166: É inadmissível o arrependimento no compromisso de compra e venda 
sujeito ao regime do Decreto-Lei 58, de 10.12.1937. 
Súmula 167: Não se aplica o Decreto-Lei 58, de 10.12.1937, ao compromisso de 
compra e venda não inscrito no registro imobiliário, salvo se o promitente vendedor se 
obrigou a efetuar o registro. 
Súmula 168: Para os efeitos do Decreto-Lei 58, de 10.12.1937, admite-se a inscrição 
imobiliária do compromisso de compra e venda no curso da ação. 
Súmula 169: Depende de sentença a aplicação da pena de comisso. (Comentários: a 
pena de comisso importava na perda do direito real de enfiteuse, que incidia quando o 
foreiro deixava de pagar as pensões devidas por 3 anos consecutivos. O CC/02 vedou a 
constituição de novas enfiteuses, mantendo as que já existiam sob a égide do CC/16). 
Súmula 122: O enfiteuta pode purgar a mora enquanto não decretado o comisso por 
sentença. 
Súmula 170: É resgatável a enfiteuse instituída anteriormente à vigência do Código 
Civil. 
Súmula 412: No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a 
devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por que o recebeu, 
exclui a indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os 
encargos do processo. 
Súmula 413: O compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que não loteados, 
dá direito à execução compulsória, quando reunidos os requisitos legais. 
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23 
Súmula 415: Servidão de trânsito não titulada, mas tomada permanente, sobretudo 
pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito a 
proteção possessória. 
 
ENUNCIADOS DAS JORNADAS DE DIREITO CIVIL 
 
Enunciado 93: As normas previstas no Código Civil sobre direito de superfície não 
revogam as relativas a direito de superfície constantes do Estatuto da Cidade (Lei n. 
10.257/2001) por ser instrumento de política de desenvolvimento urbano. 
Enunciado 94: As partes têm plena liberdade para deliberar, no contrato respectivo, 
sobre o rateio dos encargos e tributos que incidirão sobre a área objeto da concessão 
do direito de superfície. 
Enunciado 95: O direito à adjudicação compulsória (art. 1.418 do novo Código Civil), 
quando exercido em face do promitente vendedor, não se condiciona ao registro da 
promessa decompra e venda no cartório de registro imobiliário (Súmula n. 239 do 
STJ). 
Enunciado 249: A propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de 
direitos reais de gozo e garantia, cujo prazo não exceda a duração da concessão da 
superfície, não se lhe aplicando o art. 1.474. 
Enunciado 250: Admite-se a constituição do direito de superfície por cisão. 
Enunciado 251: O prazo máximo para o usucapião extraordinário de servidões deve 
ser de 15 anos, em conformidade com o sistema geral de usucapião previsto no Código 
Civil. 
Enunciado 252: A extinção do usufruto pelo não-uso, de que trata o art. 1.410, inc. VIII, 
independe do prazo previsto no art. 1.389, inc. III. 
Enunciado 253: O promitente comprador, titular de direito real (art. 1.417), tem a 
faculdade de reivindicar de terceiro o imóvel prometido à venda. 
Enunciado 322: O momento da desapropriação e as condições da concessão 
superficiária serão considerados para fins da divisão do montante indenizatório (art. 
1.376), constituindo-se litisconsórcio passivo necessário simples entre proprietário e 
superficiário. 
Enunciado 323: É dispensável a anuência dos adquirentes de unidades imobiliárias no 
"termo de afetação" da incorporação imobiliária. 
Enunciado 324: É possível a averbação do termo de afetação de incorporação 
imobiliária (Lei n. 4.591/64, art. 31b) a qualquer tempo, na matrícula do terreno, 
mesmo antes do registro do respectivo Memorial de Incorporação no Registro de 
Imóveis. 
Enunciado 325: É impenhorável, nos termos da Lei n. 8.009/90, o direito real de 
aquisição do devedor fiduciante. 
Enunciado 510: Ao superficiário que não foi previamente notificado pelo proprietário 
para exercer o direito de preferência previsto no art. 1.373 do CC é assegurado o 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
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direito de, no prazo de seis meses, contado do registro da alienação, adjudicar para si 
o bem mediante depósito do preço. 
Enunciado 511: Do leilão, mesmo que negativo, a que se refere o art. 27 da Lei n. 
9.514/1997, será lavrada ata que, subscrita pelo leiloeiro, poderá ser averbada no 
registro de imóveis competente, sendo a transmissão da propriedade do imóvel levado 
a leilão formalizada mediante contrato de compra e venda. 
Enunciado 568: O direito de superfície abrange o direito de utilizar o solo, o subsolo ou 
o espaço aéreo relativo ao terreno, na forma estabelecida no contrato, admitindo-se o 
direito de sobrelevação, atendida a legislação urbanística. 
Enunciado 569: No caso do art. 1.242, parágrafo único, a usucapião, como matéria de 
defesa, prescinde do ajuizamento da ação de usucapião, visto que, nessa hipótese, o 
usucapiente já é o titular do imóvel no registro. 
Enunciado 626: Não afronta o art. 1.428 do Código Civil, em relações paritárias, o 
pacto marciano, cláusula contratual que autoriza que o credor se torne proprietário da 
coisa objeto da garantia mediante aferição de seu justo valor e restituição do supérfluo 
(valor do bem em garantia que excede o da dívida). 
Enunciado 627: O direito real de laje em terreno privado é passível de usucapião. 
Enunciado 628: Os patrimônios de afetação não se submetem aos efeitos de 
recuperação judicial da sociedade instituidora e prosseguirão sua atividade com 
autonomia e incomunicáveis em relação ao seu patrimônio geral, aos demais 
patrimônios de afetação por ela constituídos e ao plano de recuperação até que 
extintos, nos termos da legislação respectiva, quando seu resultado patrimonial, 
positivo ou negativo, será incorporado ao patrimônio geral da sociedade instituidora. 
 
ATENÇÃO! A IX Jornada de Direito Civil – Comemoração dos 20 anos da Lei 
10.406/2002 e da instituição da Jornada de Direito Civil, ocorreu nos dias 19 e 20 de 
maio do corrente ano, tendo sido aprovados 49 enunciados durante reunião plenária. 
O evento foi promovido pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), por intermédio do 
Centro de Estudos Judiciários (CEJ), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e 
da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). 
Foram aprovados 8 enunciados aprovados na comissão de Direito das Coisas e 
Propriedade Intelectual. Dentre eles, destacamos: 
4525 - (aglutinou ID 4579) No penhor de créditos futuros, satisfaz o requisito da 
especificação, de que trata o art. 1.424, IV, do Código Civil, a definição, no ato 
constitutivo, de critérios ou procedimentos objetivos que permitam a determinação 
dos créditos alcançados pela garantia. 
4697 - É possível o registro do direito real de laje sobre construção edificada antes da 
vigência da lei, desde que respeitados os demais requisitos previstos tanto para a 
forma quanto para o conteúdo material da transmissão. 
 
JULGADOS DO STJ 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
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Conforme o entendimento desta Corte Superior, "o promitente comprador passa a 
ser responsável pelo pagamento das despesas condominiais a partir da entrega das 
chaves, tendo em vista ser o momento em que tem a posse do imóvel" (REsp n. 
1.847.734/SP, relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 29/3/2022, DJe de 31/3/2022). 
 
"Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel 
submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição 
das parcelas pagas pelo promitente comprador - integralmente, em caso de culpa 
exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o 
comprador quem deu causa ao desfazimento" (Súmula 543/STJ). 2. Segundo o 
entendimento do STJ, "em caso de rescisão de contrato de compra e venda de imóvel 
por culpa da promitente-vendedora, os juros de mora sobre o valor a ser restituído 
incidem a partir da citação"(AgInt no AREsp 1.761.193/DF, Relator Ministro RAUL 
ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 22/3/2021, DJe de 13/4/2021). 3. Agravo 
interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.064.705/GO, relator Ministro Raul Araújo, 
Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 7/10/2022.) 
 
Promovido o leilão do bem pelo credor hipotecário, a permanência do mutuário no 
imóvel caracteriza posse de má-fé. AREsp. 1.013.333-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, 
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022. 
 
Tem direito ao recebimento de aluguéis a parte que, sem vínculo de parentalidade 
com a cônjuge supérstite, possuía imóvel em copropriedade com o de cujus. REsp. 
1.830.080-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, 
julgado em 26/04/2022, DJe 29/04/2022. 
 
De acordo com a Súmula 308/STJ, a hipoteca firmada entre a construtora e o , 
anterior ou posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia 
perante os adquirentes do imóvel. (....) (AgInt no REsp. 1.928.840/PE, Rel. Ministro 
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/11/2021, DJe 
19/11/2021). 
 
A morte de usufrutuário que arrenda imóvel, durante a vigência do contrato de 
arrendamento, sem a reivindicação possessória pelo proprietário, torna precária e 
injusta a posse exercida pelos seus sucessores, mas não constitui óbice ao exercício 
dos direitos provenientes do contrato de arrendamento pelo espólio perante o 
terceiro arrendatário. (....). REsp. 1.758.946-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 
Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 08/06/2021, DJe 11/06/2021. 
 
Os herdeiros não podem exigir remuneração do companheiro sobrevivente pelo uso 
do imóvel. O art. 1.414 do CC/2002 assegura ao detentor do direito real a 
prerrogativa de habitar a residência com sua família. (....) Sendo assim, não podem 
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os herdeiros exigir remuneração da companheira sobrevivente, nem da filha que 
com ela reside no imóvel. REsp. 1.846.167-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira 
Turma, por unanimidade, julgado em 09/02/2021. 
 
Aos herdeiros não é autorizado exigir a extinção do condomínio e a alienação do 
bem imóvel comum enquanto perdurar o direito real de habitação. (...) REsp. 
1.846.167-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado 
em 09/02/2021. 
 
 
 
CPF: 860.542.154-18
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4. QUESTÕES 
 
1. De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para que a hipoteca 
seja oponível erga omnes, ela deverá ser 
a) constituída por meio de contrato. 
b) imposta pela lei. 
c) assinada por duas testemunhas. 
d) declarada em sentença judicial. 
e) inscrita no cartório de registro de imóveis. 
 
2. No tocante às diretrizes gerais da política urbana, quanto ao direito de superfície, 
assinale a afirmativa correta. 
a) O direito de superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os termos do 
contrato respectivo. 
b) Em caso de alienação do terreno, ou do direito de superfície, o proprietário terá 
direito de preferência em detrimento do superficiário à oferta de terceiros. 
c) A concessão do direito de superfície será sempre gratuita. 
d) O proprietário urbano poderá conceder a outrem o direito de superfície de seu 
terreno, somente por tempo determinado, previamente estabelecido em contrato. 
 
3. Assinale a alternativa incorreta quanto ao direito real de habitação do viúvo, de 
acordo com entendimento dominante e atual do Superior Tribunal de Justiça: 
a) O fato de o viúvo ser casado pelo regime da separação obrigatória de bens não 
impede o reconhecimento do direito real de habitação. 
b) Exige-se o registro imobiliário para constituição do direito real de habitação do 
viúvo. 
c) O viúvo pode renunciar ao direito real de habitação nos autos de inventário ou por 
escritura pública, sem prejuízo de sua participação na herança. 
d) A copropriedade entre o autor da herança e os descendentes, anterior à abertura da 
sucessão, impede o reconhecimento do direito real de habitação em favor do viúvo. 
 
4. João, proprietário de um imóvel rural, denominado Fazenda São João, de difícil 
acesso a estrada, adquiriu servidão de passagem com dois mil metros de extensão, 
pela Fazenda dos Coqueiros, de propriedade de Pedro, levando o título aquisitivo ao 
Registro de Imóveis. Falecendo João, sua Fazenda foi partilhada entre seus filhos 
Antônio e José, que promoveram a divisão geodésia, passando, cada qual, a ser dono 
de um imóvel com registro distinto no Registro Imobiliário. Em seguida, José vendeu 
seu imóvel para Joaquim. Nesse caso, a servidão: 
a) não subsiste, salvo se houver ratificação por escritura pública, outorgada pelo dono 
do prédio serviente, aos sucessores do 
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proprietário do prédio dominante. 
b) não subsiste, porque a alienação do prédio dominante ou do prédio serviente 
sempre implica extinção da servidão. 
c) subsiste para Antônio, que é dono do imóvel dominante por sucessão hereditária, 
mas não subsiste para Joaquim, tendo em vista o princípio da relatividade do contrato, 
não prejudicando nem beneficiando terceiro. 
d) não subsiste, porque as servidões são intransmissíveis, salvo se outra coisa se 
dispuser em testamento ou contrato. 
e) subsiste, em benefício de cada porção do prédio dominante, salvo se a servidão se 
aplicar apenas a certa parte de um dos imóveis resultantes da divisão. 
 
5. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu 
terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada 
no Cartório de Registro de Imóveis. Este enunciado refere-se: 
a) ao direito de superfície. 
b) à servidão. 
c) ao arrendamento. 
d) ao usufruto. 
e) à anticrese. 
 
6. Se, mediante escritura pública, o proprietário de um terreno conceder a terceiro, 
por tempo determinado, o direito de plantar em seu terreno, então, nesse caso, 
estará configurado o: 
a) direito de superfície. 
b) direito de uso. 
c) usufruto resolutivo. 
d) usufruto impróprio. 
e) comodato impróprio. 
 
7. De acordo com o Código Civil de 2002, é titular de direito real de habitação o 
cônjuge sobrevivente: 
a) apenas se for casado pelo regime da separação total de bens, relativamente ao 
imóvel destinado à residência familiar, desde que seja o único daquela natureza a 
inventariar. 
b) apenas se for casado pelo regime da separação total de bens, relativamente ao 
imóvel destinado à residência familiar, independentemente da existência de outros 
bens residenciais a inventariar. 
c) qualquer que seja o regime de bens, relativamente ao imóvel destinado à residência 
familiar, independentemente da existência de outros bens residenciais a inventariar. 
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d) qualquer que seja o regime de bens, relativamente ao imóvel destinado à residência 
familiar, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. 
 
8. Assinale a alternativa correta acerca do direito de superfície no Código Civil. 
a) O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir em seu terreno, por 
tempo indeterminado, mediante instrumento particular, devidamente registrado no 
Cartório de Títulos e Documentos. 
b) O direito de superfície abrange a autorização para obra no subsolo, salvo se 
expressamente excluído no instrumento de concessão celebrado entre as partes. 
c) O superficiário não responde pelos encargos e tributos que incidirem sobre o 
imóvel. 
d) O direito de superfície não pode ser transferido a terceiros, exceto, por morte do 
superficiário, aos seus herdeiros. 
e) O proprietário, extinta a concessão, passará a ter a propriedade plena sobre o 
terreno, construção ou plantação, independentemente de indenização, se as partes 
não houverem estipulado o contrário. 
 
9. A servidão: 
a) proporciona utilidade para o prédio dominante e grava o prédio serviente, que 
pertence ao mesmo dono ou a diverso dono, constituindo-se por negócio jurídico inter 
vivos ou causa mortis, com subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
b) proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, que 
pertence a diverso dono, constituindo-se mediante declaração expressa dos 
proprietários, ou por testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de 
Imóveis. 
c) proporciona utilidade, mas não grava o prédio serviente, que pertence a diverso 
dono, constituindo-se mediante declaração expressa dos proprietários e subsequente 
registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
d) proporciona utilidade para o prédio serviente e grava o prédio dominante, que 
pertença a diverso dono, constituindo-se mediante declaração expressa dos 
proprietários e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
e) só pode adquirir-se mediante negócio jurídico inter vivos e subsequente registro no 
Cartório de Registro de Imóveis, não sendo em nenhuma hipótese passível de 
usucapião. 
 
10. Acerca do direito das coisas, assinale a opção correta à luz do Código Civil e do 
entendimentodoutrinário sobre o tema. 
a) Caso seja instituído o usufruto em favor de dois usufrutuários, o falecimento de um 
deles gerará de pleno direito o acréscimo ao sobrevivente. 
b) Ao efetuar o desdobramento da posse, o proprietário perde a condição de 
possuidor. 
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c) Para fins de proteção possessória, deve ser demonstrado algum vício objetivo da 
posse, não sendo imprescindível a constatação de má-fé do esbulhador. 
d) O conceito de multipropriedade, que perpassa a análise de uso compartilhado, fere 
o atributo de exclusividade da propriedade. 
 
11. Os contratos de penhor e de hipoteca declararão: 
a) necessariamente apenas o valor da dívida e do bem dado em garantia. 
b) o prazo fixado para pagamento, mas não é preciso declarar o valor do crédito, ou 
estimá-lo, nem valor máximo ou mínimo, podendo esses valores serem declarados no 
vencimento, para fins de cobrança. 
c) o valor do crédito, sua estimação ou valor máximo, bem como o prazo fixado para 
pagamento, sob pena de não terem eficácia. 
d) o valor mínimo do crédito ou sua estimação, bem como o prazo do pagamento, sob 
pena de nulidade. 
e) obrigatoriamente o valor da dívida, o do bem dado em garantia, e o prazo para 
pagamento se houver, não sendo, porém, necessário mencionar a taxa de juros, 
mesmo que se trate de mútuo feneratício. 
 
12. Lupércio, precisando de dinheiro, tomou emprestado R$ 20.000,00 de Jonas, 
oferecendo-lhe em penhor alguns móveis que guarnecem sua residência, e R$ 
200.000,00 de Clodoaldo, oferecendo-lhe em hipoteca sua casa de moradia. Lupércio 
pagou metade das dívidas contraídas com esses amigos, sendo que Jonas, em razão 
da amizade, restituiu ao devedor os móveis empenhados. Neste caso: 
a) as garantias se extinguiram proporcionalmente ao pagamento das dívidas. 
b) ficou extinta a garantia oferecida a Jonas, mas não ficou extinto o restante da dívida, 
e a garantia oferecida a Clodoaldo permaneceu íntegra, embora paga metade da 
dívida. 
c) extinguiu-se a dívida contraída com Jonas e a garantia oferecida a Clodoaldo 
reduziu-se à metade ideal do imóvel. 
d) são nulas as garantias oferecidas a Jonas e Clodoaldo, porque se trata de bem de 
família, mas as dívidas restantes subsistem. 
e) os contratos são nulos, porque é ilícita a garantia oferecida como bem de família e 
os credores só poderão cobrar Lupércio com base no princípio que veda o 
enriquecimento sem causa. 
 
 
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5. GABARITO COMENTADO 
 
1. E 
A hipoteca se constitui por meio de contrato (convencional), pela lei (legal) ou por 
sentença (judicial) e desde então vale entre as partes como crédito pessoal. Sua 
inscrição no cartório de registro de imóveis atribui a tal garantia a eficácia de direito 
real oponível erga omnes. (REsp 1455554/RN, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE 
NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/06/2016, DJe 16/06/2016) 
 
2. A 
Como visto, o direito de superfície diz respeito ao proprietário poder conceder a 
outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno, por tempo determinado, 
mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis. 
De fato, direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte do 
superficiário, aos seus herdeiros, de acordo com o art. 1.372, caput do CC. A lei no 
10.257, de 10 de julho de 2001 a qual estabelece diretrizes gerais da política urbana, 
dispõe que o direito de superfície pode ser transferido a terceiros, obedecidos os 
termos do contrato respectivo (art. 21, §4º do CC). 
 
3. B. 
A) CORRETA. CC: “Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de 
bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito 
real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que 
seja o único daquela natureza a inventariar”. 
(B) INCORRETA. “O direito real de habitação não exige o registro imobiliário (REsp. 
565.820/PR.” 
(C) CORRETA. Enunciado 271 da III Jornada de Direito Civil: “O cônjuge pode renunciar 
ao direito real de habitação nos autos do inventário ou por escritura pública, sem 
prejuízo de sua participação na herança”. 
(D) CORRETA. “A copropriedade anterior à abertura da sucessão impede o 
reconhecimento do direito real de habitação, visto que de titularidade comum a 
terceiros estranhos à relação sucessória que ampararia o pretendido direito” (EREsp. 
1.520.294/SP, Rel. Ministra 17 MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 
26/08/2020, DJe de 02/09/2020)”. 
 
4. E. 
CC: art. 1.386: “Art. 1.386. As servidões prediais são indivisíveis, e subsistem, no caso 
de divisão dos imóveis, em benefício de cada uma das porções do prédio dominante, e 
continuam a gravar cada uma das do prédio serviente, salvo se, por natureza, ou 
destino, só se aplicarem a certa parte de um ou de outro”. 
 
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32 
 
32 
5. A. 
ALTERNATIVA A: CORRETA 
Como visto, o direito de superfície “consiste na faculdade que o proprietário possui de 
conceder a um terceiro, tido como superficiário, a propriedade das construções e 
plantações que este efetue sobre ou sob o solo alheio (solo, subsolo ou espaço aéreo de 
terreno), por tempo determinado ou sem prazo, desde que promova a escritura pública 
no registro imobiliário.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de 
Direito Civil. Reais. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015. v. 5, p. 514). 
É o direito real sobre coisa alheia que confere a seu titular a faculdade de construir ou 
plantar em imóvel de terceiro. 
É dizer, trata-se de um direito real de gozo ou fruição, por meio do qual o proprietário 
concede a outrem (superficiário) o direito de construir ou de plantar sobre seu 
terreno, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de 
Imóveis. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
A servidão é direito real sobre coisa alheia que se caracteriza pela imposição de um 
gravame em um imóvel (prédio serviente) em favor de outro (prédio dominante), 
proporcionando utilidade a este. Ou seja, por meio desse instituto real um prédio 
proporciona utilidade a outro, gravando o último, que é do domínio de outra pessoa. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
O arrendamento rural nada mais é do que o contrato de locação imobiliária rural, 
disciplinado nos arts. 92/94 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64). Seu conceito consta 
no art. 3º do Decreto 59.566/66: “Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual 
uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de 
imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e 
ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, 
pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel, 
observados os limites percentuais da Lei". 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
É o direito real sobre coisa alheia que gera para o seu titular as faculdades de usar e 
fruir de bem de terceiro. 
O usufruto pode ser apontado como o direito real de gozo ou fruição por excelência, 
pois há a divisão igualitária dos atributos da propriedade entre as partes envolvidas. 
De um lado, há o titular do bem (nu-proprietário) e, de outro, o usufrutuário, que 
poderá exercer a defesa de seu direito inclusive em face de quem o constituiu. 
ALTERNATIVA E: INCORRETATrata-se de direito real sobre coisa alheia, oriundo de contrato, que se estabelece pela 
entrega de um imóvel frugífero ao credor, que fica autorizado a retê-lo e a perceber-
lhe os frutos, imputando na dívida, e até o seu resgate, as importâncias que for 
recebendo. Assim, a anticrese confere ao credor o poder de retirar os frutos e 
rendimentos da coisa com a finalidade de compensar o débito devido. 
 
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33 
6. A. 
ALTERNATIVA A: CORRETA 
Como visto, o direito de superfície “consiste na faculdade que o proprietário possui de 
conceder a um terceiro, tido como superficiário, a propriedade das construções e 
plantações que este efetue sobre ou sob o solo alheio (solo, subsolo ou espaço aéreo de 
terreno), por tempo determinado ou sem prazo, desde que promova a escritura pública 
no registro imobiliário.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de 
Direito Civil. Reais. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015. v. 5, p. 514). 
Ele pode ser concedido por tempo determinado ou indeterminado, de forma gratuita 
ou onerosa, recaindo sobre bens imóveis, por meio de escritura pública registrada no 
cartório de registro de imóveis com valor superior a 30 salários mínimos (art. 108). Há 
quem entenda que a sua constituição pode se dar também por meio de testamento. 
Vem tratado nos arts. 1.369 e seguintes do CC/02. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O direito real de uso tem abrangência bem mais reduzida, tanto é que a permissão 
para explorar os frutos naturais da coisa, restringe-se às necessidades de subsistência 
da família do titular do direito real limitado. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
Como já apontado, o usufruto é o direito real, conferido a uma pessoa, durante certo 
tempo, que autoriza a retirar, de coisa alheia, frutos e utilidades, que ele produza. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
Existe o usufruto próprio-regular, que recai sobre bens infungíveis e inconsumíveis, 
sendo que o usufrutuário restitui, ao final, os bens que recebeu. Por outro lado, temos 
também o usufruto impróprio-irregular-quase usufruto, que recai sobre bens fungíveis 
e consumíveis, com previsão no § 1º do art. 1.392 do CC. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA 
Comodato impróprio (comodato irregular) se caracteriza pela infungibilidade do 
gênero e uma fungibilidade na espécie, nada mais sendo do que um verdadeiro 
contrato de mútuo. 
 
7. D. 
ALTERNATIVA D: CORRETA 
Nos termos do art. 1.831 do CC, ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime 
de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o 
direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, 
desde que seja o único daquela natureza a inventariar. 
Note que o cônjuge sobrevivente tem direito real de habitação independentemente do 
regime de bens e, havendo outros imóveis, o que era por ele habitado poderá ser 
substituído por outro, mas desde que não seja de conforto inferior. 
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Apesar do referido dispositivo legal fazer referência, apenas, ao cônjuge, ele também 
deve ser aplicado ao companheiro, por meio de uma interpretação constitucional, em 
consonância com o art. 226, § 3º, da CRFB. 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Vide comentários da alternativa D. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Vide comentários da alternativa D. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
Vide comentários da alternativa D. 
 
8. E. 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Conforme art. 1.369 do CC: “O proprietário pode conceder a outrem o direito de 
construir ou plantar em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura 
pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis”. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
Conforme parágrafo único do art. 1.360 do CC: “O direito de superfície não autoriza 
obra no subsolo, salvo se for inerente ao objeto da concessão”. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA 
Conforme art. 1.371 do CC: “O superficiário responderá pelos encargos e tributos que 
incidirem sobre o imóvel”. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
Conforme art. 1.372 do CC: “O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por 
morte do superficiário, aos seus herdeiros”. 
ALTERNATIVA E: CORRETA 
Conforme art. 1.375 do CC: “Extinta a concessão, o proprietário passará a ter a 
propriedade plena sobre o terreno, construção ou plantação, independentemente de 
indenização, se as partes não houverem estipulado o contrário”. 
 
9. B. 
ALTERNATIVA A: INCORRETA. 
Um dos elementos da servidão é que os prédios dominante e serviente pertençam a 
proprietários distintos, conforme preceitua o art. 1.378 do CC, ao contrário do que 
afirma a assertiva. 
ALTERNATIVA B: CORRETA. 
A alternativa B é a única que está em consonância com o art. 1.378 do CC. 
ALTERNATIVA C: INCORRETA. 
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A servidão grava o prédio serviente, conforme a literalidade do art. 1.378 do CC, 
diferentemente do que afirma a alternativa. 
ALTERNATIVA D: INCORRETA. 
A servidão gera utilidade para o prédio dominante e grava o prédio serviente. Além 
disso, a servidão é direito real sobre coisa alheia, que se constitui mediante registro no 
Cartório de Registro de Imóveis, conforme art. 1.378 do CC, ao contrário do que afirma 
a alternativa. 
ALTERNATIVA E: INCORRETA. 
A servidão também pode se constituir mediante testamento, sendo sempre necessário 
o registro no Cartório de Registro de Imóveis, conforme art. 1.378 do CC. 
 
10. C. 
ALTERNATIVA A: INCORRETA 
Instituído o usufruto em favor de dois ou mais usufrutuários, em caso de morte de um 
deles, a parte que lhe cabia retorna ao proprietário, e não acresce aos demais 
usufruturários, salvo expressa disposição em contrário. Assim, o acréscimo ao 
usufrutuário sobrevivente é possível, mas não se dá de forma automática, conforme 
art. 1.411 do CC. 
ALTERNATIVA B: INCORRETA 
O desdobramento da posse se dá em posse direta e indireta, sendo certo que ao 
proprietário caberá a posse indireta e ao possuidor a posse direta, não havendo que se 
falar em perda da posse em razão de seu desdobramento, conforme art. 1.197 do CC. 
ALTERNATIVA C: CORRETA 
Conforme se depreende do art. 1.210 e seguintes do CC, a proteção possessória 
decorre de vício objetivo da posse, o que dispensa a verificação do critério subjetivo 
(boa-fé). 
ALTERNATIVA D: INCORRETA 
A multipropriedade ou time-sharing diz respeito ao exercício temporal fracionado, 
porém exclusivo, do direito de propriedade, não havendo que se falar em violação do 
atributo da exclusividade da propriedade. 
 
11. C. 
O art. 1.424 do CC elenca os elementos necessários aos contratos de penhor, hipoteca 
ou anticrese, sob pena de não terem eficácia. São eles: (i) o valor do crédito, sua 
estimação ou valor máximo; (ii) o prazo fixado para pagamento; (iii) a taxa de juros, se 
houver; o bem dado em garantia com as suas especificações. A única alternativa que 
apresenta os elementos constantes do referido artigo é a alternativa “C”. 
 
12. B. 
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Dívida garantida por penhor: o art. 1.436 do CC prevê como hipótese de extinção do 
penhor a renúncia do credor. A renúncia é presumida, conforme parágrafo 1º do 
mesmo artigo,quando o credor restitui ao devedor o bem dado em garantia, como na 
hipótese. Assim, verifica-se que o credor renunciou à garantia, incorrendo na hipótese 
de extinção, prevista no art. 1.436, III, do CC. Não obstante, a extinção do penhor não 
extingue a obrigação, que permanecerá em relação ao saldo remanescente, porém, 
sem qualquer garantia, conforme art. 387 do CC. 
Dívida garantida por hipoteca: Conforme art. 1.421 do CC, o pagamento de uma ou 
mais prestações da dívida não importa exoneração correspondente da garantia, assim, 
o fato de o devedor ter efetuado parte do pagamento não tem o condão de exonerar 
qualquer parcela da hipoteca, que permanece inalterada.

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