Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

MATERIAL COMPLEMENTAR 
 
Disciplina: FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO 
Professor: GIOVANI DE ARRUDA CAMPOS 
 
 
Fome de poder: uma análise sob a premissa produto, processos e 
pessoas 
 
O filme “Fome de Poder” ou “The Founder” em inglês é um filme que narra a 
trajetória do Mc Donalds, desde o seu início como uma pequena lanchonete em 
San Bernardino, Califórnia, até tornar-se um poderoso símbolo cultural e uma das 
maiores cadeias de restaurantes fast-food do mundo. Esta história singular há 
tempos merecia ser contada no cinema, e o resultado não decepcionou. O roteiro 
não foge das polêmicas e retrata o protagonista em sua plenitude, com suas 
qualidades e defeitos, e passa longe de ser uma peça de propaganda da 
organização, vide o filme “Os Estagiários” para o Google. 
O roteirista e diretor tiveram liberdade para desenvolver o roteiro sem exageros, 
mas sem omitir pontos importantes da história, como as desavenças entre Ray 
Kroc e a família Mc Donald, a relação delicada de Ray com a bebida e a maneira 
polêmica de como Ray Kroc, e não os Mc Donalds, virou o símbolo da organização. 
Evitando construir caricaturas ou versões grosseiras de personagens históricos, 
como já vistos em filmes anteriores baseados em biografias, vide Steve Jobs 
interpretado por Michael Fassbender em “Jobs”. O filme é parado obrigatória para 
todo administrador ou estudante de administração. Este artigo contém alguns 
spoilers, mas acredito que não estragará a diversão de quem ainda não viu. 
 
Análise do Filme sob a tríade: Produto, Processo, Pessoas 
 
1. PRODUTO (Oportunidade na crise) 
 
Crise de 29, a bolsa de valores e todo o sistema financeiro entram em colapso 
e a economia americana vai para o buraco. Não há dinheiro e a população se vê 
à beira da fome. Mas é na dificuldade e escassez que surgem as melhores ideias 
e naquele momento os irmãos Maurice e Richard Mc Donald resolvem mudar de 
ramo e investem no único negócio que estava prosperando na época. Comida. E 
barata. “As pessoas tem que comer, certo?”, comenta Maurice em determinado 
momento. 
Para quem? 
É essencial para que tenha sucesso que um produto ou serviço seja criado para 
atender a uma demanda, satisfazer a uma necessidade do consumidor. Equipes 
de pesquisa e desenvolvimento neste exato momento estão trabalhando na 
concepção de novos produtos, cuja necessidade de compra muitas vezes ainda 
está para ser criada. Uma década atrás você por acaso tinha demanda por internet, 
tv a cabo, chamadas por vídeo etc.? São demandas que foram criadas a partir do 
desenvolvimento destes serviços. 
Mas no caso do filme em questão, se o seu negócio é vender hambúrguer, algo 
banal e trivial, encontrado em qualquer lanchonete da época, não bastaria, então, 
oferecer um hambúrguer de qualidade e saboroso. A inovação não ocorre neste 
caso no produto, mas da forma como ele é oferecido, segundo os próprios donos, 
o cliente no Mc Donalds deveria ter uma típica experiência familiar, baseada nos 
valores americanos. 
Para isso, era necessário oferecer um ambiente agradável, limpo e adequado 
para receber famílias (a rede até hoje não vende bebida alcoólica). Bem diferente 
do modelo de lanchonetes típicos da época, que serviam de pontos de encontro 
de jovens, atraindo aglomerações de adolescentes barulhentos, motoqueiros 
arruaceiros e outros tipos de clientes indesejáveis, que permaneciam no local por 
tempo demasiado sem gerar receita correspondente. Era necessário melhorar o 
ticket médio gasto por cliente. Definir o público-alvo. 
Para atrair o perfil de público desejado, era necessário melhorar o serviço. Em 
geral, drives thrus lidavam com diversos problemas em relação ao atendimento. 
Pedidos saiam com quantidade absurda de erros, anotados por garçonetes que 
tinham de se deslocar até o veículo do cliente, evitar o assédio e anotar os pedidos. 
E o maior problema a ser resolvido era o tempo. Os pedidos demoravam muito a 
ficarem prontos. Era normalmente os clientes esperarem mais de trinta minutos 
para receberem um prato, que geralmente chegava errado. Baseado em dados 
(medição), foram realizadas as seguintes ações: 
a) Redução do cardápio 
Os irmãos MC Donald identificaram que 87% das receitas vinham 
exclusivamente de três itens: hambúrguer, fritas e refrigerante. Era necessário 
focar no principal e não perder tempo. Ouvi aí alguém falar em Curva ABC? 
 
b) Corte de Custos 
O desafio aqui era ser lucrativo vendendo hambúrguer que custavam alguns 
centavos de dólar. Era necessário cortar custos e evitar desperdícios. Foram 
eliminados os pratos, talheres e outros acessórios desnecessários, os 
hambúrgueres viriam embrulhados em papel e as bebidas servidas em copos 
descartáveis. Os pedidos seriam efetuados diretamente no caixa, eliminando 
assim a necessidade de garçonetes. Nada de máquinas de cigarros, bebidas 
alcóolicas, músicas altas e qualquer coisa que não agregasse valor. Quebra de 
paradigmas? Sim, temos! 
c) Controle de Qualidade e Alto Padrão 
Os irmãos Mc Donald não renunciavam à qualidade do seu produto, a 
impossibilidade de fiscalizar e padronizar a gestão do rígido controle de qualidade 
foi o motivo do insucesso das primeiras franquias. Há uma cena no filme em que 
mostra um grande desentendimento entre os irmãos e Ray Kroc, quando o 
segundo, a fim de diminuir os elevados custos com refrigeração para o 
armazenamento de altas quantidades de sorvete, descobre um novo tipo de milk 
shake em pó e pensa em subsumi-lo pelo milk shake original, o que não agrada 
aos irmãos, porque isso comprometeria a qualidade dos produtos. 
2. PROCESSO 
Era necessário colocar em prática o planejado, estruturar e operacionalizar o 
que seria a espinha dorsal do negócio. E aí, já sabe, né. Só tinha um jeito: 
1) Processos 
2) Processos 
3) Processos 
 
The Crazy Burger Ballet 
O termo acima foi utilizado pelo irmão “cabeça de engenheiro” Dick Mc Donald, 
quando esta orquestra um verdadeiro balé em uma quadra de tênis em que os 
funcionários simulavam um dia de trabalho normal em uma cozinha desenhada em 
giz no chão. É um belo exemplo do planejamento da operação pelo método de 
tentativa e erro e que somente a prática levará ao encontro do melhor processo, o 
que levou ao desenvolvimento do sistema Speedy, o grande trunfo da lanchonete 
em relação aos concorrentes, que permitiu a elaboração de lanches padronizados 
servidos em 15 segundos. 
A padronização do produto também é um fator de suma importância, e o filme 
mostra isso muito bem, desde a obsessão de Dick Mc Donald tentando encontrar 
a temperatura ideal para o óleo e o melhor tempo de fritura para dar às batatas a 
aparência e crocância desejada. Devido ao pioneirismo da empresa, os 
equipamentos foram encomendados sob medida para a loja para que estes 
colocassem a quantidade exata de mostarda e catchup nos sanduíches, a 
supervisão de Ray Kroc na cozinha chamando a atenção do funcionário a respeito 
da quantidade de picles “duas rodelas, nenhuma a mais nem a menos”, são 
exemplos de quanto sacrifício demanda trabalhar com altos padrões e rígidos 
níveis de padronização. 
The Big Mac Index 
E é esta padronização de um sanduíche vendido em escala global que permitiu 
à revista The Economist criar em 1986 o índice Big Mac, onde são calculadas as 
variações de preço do sanduíche preparado nos Estados Unidos em relação a 
outro país. Isso somente é possível pela presença global da marca e pela certeza 
que o lanche produzido nos Estados Unidos segue o mesmo processo do 
preparado em outros lugares, 
3. PESSOAS 
O sucesso de qualquer organização está atrelado à contribuição de cada 
indivíduo ao desempenho de uma empresa. Podemos destacar todos os “Heads” 
retratados no filme e suas contribuições à organização. Passando pela perspicácia 
e visão de negócio dos irmãos Mc Donald, ao desenvolver o sistema Speedy e 
toda sua eficácia, o rígido controlede custos e a obsessão com a padronização, o 
que levou a muitos desentendimentos com Ray Kroc, pois o plano de expansão 
por meio de franquias muitas vezes necessitava uma maior flexibilidade para 
novas propostas, novos procedimentos e até mesmo novos produtos, que a gestão 
mão de ferro e o contrato leonino imposto pelos irmãos à Ray Kroc engessavam. 
É exatamente esta figura de Raymond Kroc, um cidadão de classe média, 
ambicioso, visionário, que parece não se importar em pagar o preço necessário 
para que seus sonhos se tornem realidades que torna o filme uma experiência bem 
crível. Santo e demônio ao mesmo tempo, Ray Kroc vai tomando as medidas que 
julga necessária para concretizar suas aspirações, nem que para isso seja 
necessário passar por cima de quem esteja em seu caminho. As próprias relações 
de Ray Kroc, pessoais ou profissionais, vão se ajustando durante o filme, 
adequando-se aos seus valores e propósitos, começando por sua relação com a 
esposa, retratada como uma típica dona de casa classe média, que naquela altura 
da vida sonhava em ter uma vida pacata com o marido aposentado, socializando 
com os amigos no clube. As diferenças entre o casal vão se acentuando durante 
o filme até seu divórcio, que já não causava surpresa, pois a esta altura Ray Kroc 
já estava envolvido emocionalmente com Joan Mansfield, que viria a se tornar sua 
terceira esposa. (O primeiro casamento de Ray Kroc não é retrato no filme). Jane 
já trabalhava em uma unidade do Mc Donalds juntamente com o marido, e é 
possível observar a admiração de Ray pelo empenho e dedicação de Jean aos 
negócios. 
Cercar-se das pessoas certas 
Os personagens que cercam Ray Kroc durante o filme também compartilham 
dos mesmos valores e tem a mesma sede de ascender profissionalmente. Este 
acerto na escolha dos parceiros certos foi fundamental para o sucesso e 
crescimento da empresa, mas não foi assim desde o começo. Inicialmente, Ray 
Kroc convence alguns investidores, colegas de clube, a investirem em franquias 
da rede, o que se comprovou um equívoco, constatado após visitas aos 
franqueados em que verificou-se que as lojas estavam completamente 
descaracterizadas, vendendo produtos fora do cardápio oficial, a limpeza deixando 
a desejar, música alta, um conceito bem distante do ambiente familiar que o Mc 
Donalds se propunha a ser. 
Não bastava ter dinheiro, era preciso cercar-se de pessoas com os mesmos 
valores que o seu, que compartilhassem o mesmo propósito e o mesmo sonho. E 
para ser dono de uma lanchonete, era preciso encontrar pessoas dispostas a botar 
a mão na massa, e não investidores interessados somente no retorno sobre o 
capital. 
Jorge Paulo Lemann e os PSDs 
Ray Kroc começa a buscar pessoas que tenham este perfil “hands on”, uma 
espécie de PSDs utilizados por Jorge Paulo Lemann para selecionar futuros 
funcionários no banco Garantia, Ambev e 3G Capital. PSD (Poor, Smart and Desire 
to get rich) – Pessoas pobres, inteligentes e com vontade de ganhar dinheiro. 
Baseado neste perfil Ray Kroc vai encontrar novos investidores para as 
franquias, pessoas cujo investimento inicial para abrir uma loja era o resultado de 
uma poupança de toda uma vida. Pessoas que não teriam outra opção que não 
fosse fazer o negócio dar certo. Funcionários com o mesmo perfil são reconhecidos 
e passam a ser valorizados na organização, como Fred Turner, antigo funcionário 
da primeira franquia de Ray Kroc, que viria a suceder o próprio Kroc na 
presidência. June Martino, sua antiga contadora, tornou-se sócia da corporação e 
virou uma das primeiras mulheres a operar na bolsa de valores. 
 
O negócio do Mc Donalds não é a venda de hambúrguer, mas sim uma 
imobiliária 
Outra figura de fundamental importância foi a do financista Harry Sonneborn. 
Sonneborn, que foi CEO do MC Donalds, foi o visionário que deu a ideia a Ray 
Kroc de que o Mac Donalds comprasse o terreno onde seriam abertos os 
restaurantes e os alugasse aos franqueados. Desta forma, além do controle rígido 
que isso possibilitaria sobre os franqueados, garantiria uma fonte de receita certa 
e confiável com o aluguel, dependendo menos dos royalties pagos pelos 
franqueados. 
E desta forma o MC Donalds tornou-se uma das maiores imobiliárias do mundo. 
Portanto, hoje é possível dizer que o grande negócio do Mc Donalds não é a venda 
de hambúrgueres e sim a gestão de um negócio imobiliário onde recebe aluguéis 
sem a necessidade de investir no imóvel, já que o custo de reforma cabe ao 
franqueado. 
 
“Terra, e não hambúrguer é o que tem feito a fortuna do Mc Donalds.” 
 
Ética nos negócios e o “shake hands” 
O final do filme mostra como Ray Kroc se tornou de fato a grande figura por trás 
do Mc Donalds. Apesar dos irmãos Mc Donalds terem desenvolvido o sistema 
Speedy, Ray foi o grande visionário que transformou o Mc Donalds em uma 
corporação, algo muito além dos sonhos dos Mc Donalds. 
Entretanto, a forma agressiva de como este processo foi conduzido e a falta de 
escrúpulos de Ray Kroc devem ser motivos de questionamentos por parte de 
qualquer administrador. Afinal, “shake hands”, ou aperto de mão deve valer tanto 
quanto um contrato assinado. E se anteriormente, Ray Kroc sofreu pelo contrato 
estipulado pelos Mc Donalds, virou o jogo no final ao estipular um contrato de 
venda sem incluir formalmente o valor dos royalties a serem pagos eternamente 
aos irmãos, o que nunca foi cumprido e, diante da impossibilidade de provar o 
acordado, não teve como ser cobrado judicialmente. Também é questionável a 
atitude de abrir uma franquia Mc Donalds exatamente em frente ao local da antiga 
lanchonete dos irmãos Mc Donald, que não aguentou a concorrência e encerrou 
suas atividades. 
 
Contratos são como corações. Foram feitos para serem quebrados 
O título acima foi retirado de uma fala de Ray Kroc no filme. Sinceramente, não 
acredito que ele tenha falado isso. Mas deve-se levar em consideração a própria 
noção de que o meio empresarial é uma batalha e que demanda uma postura 
selvagem dos gestores para ser bem-sucedida deve ser examinada com prudência 
e cautela por todo administrador sério. 
Nenhuma outra corporação tenha talvez encarnado tão bem o American way e 
o capitalismo americano, o que faz com que a rede seja motivo de ira e admiração 
ao redor do mundo. Para nós, administradores, é fundamental conhecer este 
interessante case empresarial e a forma como uma pequena lanchonete em 
pequena cidade na Califórnia transformou-se em uma corporação que alimenta 
diariamente cerca de 1% da população mundial.

Mais conteúdos dessa disciplina