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1 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Interpretação Clínica I | Aula 5 | UC 16 LINFOMAS • Os linfomas são neoplasias malignas provenientes de linfócitos em diferentes estágios de maturação. Se originam nos órgãos e tecidos linfoides: linfonodos, amigdalas, timo e baço. • Se dividem em linfomas de Hodgkin (LH) e não Hodgkin (LNH). CLASSIFICAÇÃO As neoplasias linfoides são classificadas em 5 categorias baseadas nas características clínicas, morfológicas, imunofenotípicas e genotípicas: • Neoplasias de linfócitos B precursores (pré-B) (linfócitos B imaturos). • Neoplasias periféricas de linfócitos B (linfócitos B maduros). • Neoplasias de linfócitos T precursores (pré-T) (linfócitos T imaturos). • Neoplasias periféricas de linfócitos T e NK (linfócitos T e NK maduros). • LH (neoplasias de células de Reed-Sternberg [RS]). A maioria das neoplasias linfoides (85% a 90%) tem origem nos linfócitos B, sendo a maior parte dos restantes tumores de linfócitos T; somente os tumores raros são de origem histiocítica ou de linfócitos NK. A maioria das neoplasias linfoides assemelha-se a algum estágio reconhecível do desenvolvimento dos linfócitos B ou T, uma característica usada em sua classificação. Linfomas e Mieloma A diferença entre linfomas e leucemia linfocítica, que acometem o tecido linfoide, é que a origem dos linfomas é no tecido linfoide e pode acometer a medula óssea e a origem da leucemia é na medula óssea, podendo acometer os linfonodos. 2 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Nesse material e nessa aula, o foco é apenas linfomas de Hodgkin e não Hodgkin. Linfoma de Hodgkin (LH) Linfoma Não Hodgkin (LNH) • Esclerose nodular • Celularidade mista • Rico em linfócitos • Com depleção de linfócitos • Com predominância de linfócitos • Linfomas indolentes • Linfomas agressivos • Linfomas altamente agressivos LINFOMA DE HODGKIN • Corresponde a 0,5-1% de todas as neoplasias malignas. • É um linfoma de células B. • Dois principais: o linfoma Hodgkin clássico, com uma célula neoplásica característica (Reed-Sternberg) e o linfoma de Hodgkin de predominância linfocítica, nodular, com uma célula linfocítica predominante característica, muito menos comum (~5% dos casos). • O LH é menos comum do que o LNH (25 a 30% dos casos). • Apresenta elevado comprometimento torácico, especialmente exprimindo- se com massa mediastinal e linfonodomegalia. Mais de 85% dos pacientes com LH apresentam linfonodomegalias mediastinais, diferentemente do LNH, no qual ocorrem dois terços dos casos, e no terço restante o comprometimento é extranodal (que é raro na LH). • Apresenta dois picos de incidência – na terceira e sexta décadas, sendo mais prevalente em homens. Junto com o LNH é a terceira neoplasia mais comum em crianças depois da leucemia linfocítica aguda (LLA) e neoplasias cerebrais. • As regiões brasileiras mais pobres apresentam um predomínio do tipo histológico de celularidade mista, enquanto nas mais ricas predomina o tipo esclerose nodular. Há também uma prevalência de infecção pelo EBV em pacientes com o tipo esclerose nodular. Células de Reed-Sternberg: células gigantes binucleadas, com nucléolos grandes e eosinófilos dando aspecto de “olho de coruja”. FISIOPATOLOGIA • A causa é desconhecida. Não está associado a exposição à radiação, produtos químicos, agentes biocidas, trabalho na saúde e profissões correlatas, ou tonsilectomia prévia. • O vírus Epstein-Barr (EBV) é o suspeito principal, com base em evidências sugestivas, mas ainda sem prova definitiva Ele infecta linfócitos B, estimulando sua proliferação. Em imunodeprimidos, o vírus se replica descontroladamente levando a proliferação de linfócitos B e levando a formação de células neoplásicas. QUADRO CLÍNICO • Linfadenopatia na área cervical, axilar ou mediastinal, e apenas em 10% das vezes surge como doença nodal inferior ao diafragma. • O envolvimento de linfonodos é geralmente indolor, mas alguns pacientes podem notar desconforto em sítios nodais acometidos imediatamente após ingerirem álcool. • Sintomas B clássicos: perda de peso significativa (>10% do peso nos últimos 6 meses), sudorese noturna ou febre persistente geralmente sinalizam doença disseminada ou localmente extensa e precisam de tratamento sistêmico. • O prurido generalizado, ocasionalmente severo, pode anteceder em vários anos o diagnóstico de LH. • Tosse ou estridor resultante de compressão traqueobrônquica por doença mediastinal ou dor óssea secundária ao envolvimento metastático. • Anemia sintomática ou pancitopenia (porque o LH pode acometer a medula óssea extensamente). • Síndromes paraneoplásicas (raras). 3 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Os sintomas B são chamados assim devido ao estadiamento dos linfomas: a letra B representa a presença de pelo menos um dos sintomas, enquanto a letra A significa ausência de todos eles. Indicam prognóstico ruim. +: > 90% dos casos positivos; +/ −: maioria dos casos positivos; - / +: minoria de casos positivos; -: <10% dos casos positivos. * A positividade do CD20 do LH clássico é bastante heterogênea, com ampla variação no brilho da coloração. ** No LH clássico, um padrão de crescimento nodular está confinado ao subtipo esclerosante nodular. • Diagnóstico diferencial: linfoma não Hodgkin, tumores de células germinativas, timoma, sarcoidose e tuberculose. A biópsia prontamente determina o diagnóstico. ESTADIAMENTO • Os testes para estadiamento de LH incluem: Anamnese completa para procura de sintomas B (febre, perda de peso, sudorese noturna) ou outros problemas sintomáticos sugerindo doença mais avançada. DIAGNÓSTICO • Baseado no reconhecimento das células de Hodgkin-Reed-Sternberg ou das células de Hodgkin (nucléolo proeminente igual das células Reed-Sternberg, mas as células são mononucleadas) ou de ambas, em cortes de tecido a partir de linfonodo ou órgão extralinfático, como medula óssea, pulmão ou osso. • A biópsia por punção aspirativa com agulha fina não é adequada para o diagnóstico de LH. São necessárias biópsias abertas e coloração imuno-histoquímica padronizada para se estabelecer com precisão e determinar o subtipo histológico. • Imunofenotipagem: as células comumente se coram positivas para CD30 (80 a 100%), para CD15 (75 a 85%) e para o fator de transcrição/proteína ativadora específica de células B (BSAP – B-cell- specific activating protein), o qual é produto do gene PAX5 gene (>90%). O CD20 (marcador confiável de linhagem celular B) está positivo em cerca de 40% em LH clássico, mas fraco. Já o LH de predominância linfocítica nodular quase sempre é marcado fortemente positivo para CD20 e para marcadores de células B especializadas CD79a e CD45, sendo negativo para CD30 e CD15. O linfoma de grandes células anaplásicos é positivo para CD30, mas negativo para CD15, CD20 e CD79a. A realização precoce da biópsia em pacientes com linfadenopatia, especialmente do mediastino, geralmente ganha tempo e poupa o paciente de testes desnecessários e de atraso no diagnóstico. Por isso, deve-se biopsiar todo linfonodo que apresentar qualquer um dos sinais a seguir: 1. Tamanho superior a 2 cm; 2. Localização supraclavicular ou escalênica; 3. Crescimento progressivo; 4. Consistência endurecida e imóvel (aderido). 4 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Exame físico para linfadenopatia ou organomegalia. Hemograma. Creatinina sérica, fosfatase alcalina, lactato desidrogenase, bilirrubina e eletroforese de proteínas (incluindo o nível de albumina sérica). Radiografia de tórax,incidências PA e lateral. Imagem por TC de pescoço, tórax, abdome e pelve. Tomografia por emissão de pósitrons com fludesoxiglicose associada à TC (PET/TC). Certos testes são requisitados apenas para manifestações específicas: ▪ Sintomas B ou leucócitos < 4.000/mm3, Hb < 12g/dL (mulheres) e 13g/dL (homens), ou plaquetas < 125x10³/mm3 → biópsia e aspirado de medula óssea. ▪ Doença em estágio IA ou IIA com envolvimento de linfonodo cervical (supra- hioide) → exame em ouvidos, nariz e garganta. SISTEMA DE ESTADIAMENTO ANN HARBOR MODIFICADO PARA LINFOMA DE HODGKIN ESTÁGIO DESCRIÇÃO I Única região linfonodal (I) ou um sítio extralinfático (IE) II Duas ou mais regiões linfonodais, do mesmo lado do diafragma (II), ou extensão extralinfática local somada a uma ou mais regiões linfonodais, do mesmo lado do diafragma (IIE) III Regiões linfonodais em ambos os lados do diafragma (III); pode ser acompanhada por extensão extralinfática local (IIIE) IV Envolvimento difuso de um ou mais sítios ou órgãos extralinfáticos Subtipos A Sem sintomas “B” B Presença de pelo menos um dos seguintes: • Perda de peso não justificada, > 10% média durante os seis meses anteriores ao estadiamento; • Febre recorrente sem explicação > 38ºC; • Sudorese noturna recorrente. • Os 3 primeiros indicam a extensão da doença linfonodal: estágio I, uma única área nodal; estágio II, duas ou mais áreas nodais, mas ainda em um lado do diafragma; e estágio III, doença nodal em ambos os lados do diafragma. O estágio IV é reservado para doença extranodal (pulmão, medula óssea, osso ou fígado). O LH em qualquer outro sítio extranodal deve induzir o questionamento do diagnóstico ou a procura de infecção por HIV. LINFOMA NÃO HODGKIN (LNH) • Corresponde a 3% de todas as neoplasias malignas. • Originam-se principalmente das células B e com menos frequência das células T e NK e não contêm células de Reed-Sternberg. • O LNH é três vezes mais comum do que o LH. • Diferentemente do LH, 40 a 50% dos casos apresentam lesão torácica e podem não necessariamente acometer linfonodos, sendo seu comprometimento extranodal maior do que no LH. • O tipo mais frequente é o linfoma difuso de grandes células B, que representa 31% de todos os linfomas não Hodgkin. O linfoma folicular representa 22% dos casos. • A incidência do LNH aumenta com a idade, mas também acomete adultos jovens, especialmente o linfoma difuso de grandes células B. 5 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Nas crianças, são comuns os linfomas difusos divididos em linfomas linfoblásticos (30%), principalmente originados do linfócito T, e os linfomas não linfoblásticos (70%). • FATORES DE RISCO: exposição a altas doses de radiação, deficiência de imunidade relacionada com doenças genéticas hereditárias, uso de drogas imunossupressoras (doenças autoimunes e transplantes de órgãos), infecções virais por HIV (aumenta 40 a 100 vezes o risco) e EBV, transfusão de sangue e aspectos mais gerais que podem vir a ser considerados como industrialização e estilo de vida. FISIOPATOLOGIA • Na maioria dos casos a causa é desconhecida, apesar de fatores genéticos, ambientais e agentes infecciosos terem sido relacionados. • Em muitos casos, os estudos citogenéticos identificam translocações cromossômicas que sustentam o desenvolvimento ou a progressão de um linfoma. Na maioria dos casos de LNH, a ativação de proto-oncogenes é a principal anormalidade, mas, às vezes, translocações cromossômicas levam a fusões gênicas que codificam proteínas quiméricas. Além disso, alguns casos estão associados à deleção de genes supressores do tumor. • Tem-se tornado claro que o microambiente do tumor, a partir de células do sistema imunitário do hospedeiro, é importante para a sobrevivência das células do tumor e a resposta à terapia. QUADRO CLÍNICO • Adenopatia cervical, axilar ou inguinal notada pelo paciente. Os linfonodos são consistentes, indolores e não estão associados a uma infecção regional. • Em alguns pacientes, a linfadenopatia que ocorre em locais como mediastino ou retroperitônio causa sintomas locais de compressão que levam o paciente ao médico. • Dor torácica, tosse, síndrome da veia cava superior, dor abdominal ou lombar, compressão de medula óssea e sintomas de insuficiência renal, entre outros, são característicos. • Em geral, os LNH estão associados a sintomas sistêmicos, e os mais frequentes são os sintomas B: febre, sudorese noturna e perda de peso inexplicável. • Outros sintomas menos característicos incluem fadiga, que está frequentemente presente no momento do diagnóstico caso o paciente seja questionado cuidadosamente, e prurido. • Síndromes paraneoplásicas. DIAGNÓSTICO • Anamnese cuidadosa e exame físico. • Biópsia para estabelecer o diagnóstico. • Avaliação laboratorial com hemograma, triagem bioquímica (incluindo níveis de lactato desidrogenase). • Avaliação por imagem (TC de tórax, abdome e pelve) e tomografia por emissão de pósitrons. • Biópsias adicionais (medula óssea e qualquer outro local suspeito, se os resultados da biópsia modificarem a terapia). 6 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina • As biópsias por punção de agulha fina podem ocasionalmente ser utilizadas para um diagnóstico primário, se a amostra for tratada de forma adequada, mas dificilmente são um bom meio de diagnosticar um linfoma, pois impossibilitam determinar o subtipo específico. • Na maioria das vezes, necessita-se realizar uma biópsia excisional para o diagnóstico inicial; uma outra biópsia deve ser realizada se não tiver material o suficiente. • Diagnóstico diferencial: linfoma de Hodgkin, infecções virais, carcinoma metastático, condições autoimunes, sarcoidose etc. ESTADIAMENTO SISTEMA DE ESTADIAMENTO PARA LINFOMA NÃO HODGKIN ESTÁGIO DESCRIÇÃO I Envolvimento de apenas uma região linfonodal (I) ou um único órgão ou localização extralinfática (IE) II Comprometimento de ≥2 regiões linfonodais no mesmo lado do diafragma (II) ou comprometimento localizado de um órgão ou locais extralinfáticos e ≥1 região linfonodal no mesmo lado do diafragma (IIE) III Comprometimento de regiões linfonodais em ambos os lados do diafragma (III), o qual pode ser acompanhado também pelo comprometimento localizado de um órgão ou sítio extralinfático (IIIE) ou pelo comprometimento do baço (IIIS) ou ambos (IIISE) IV Comprometimento difuso ou disseminado de ≥1 órgão ou tecido extralinfático, com ou sem a presença de linfonodo aumentado Subtipos A Sem sintomas “B” B Sintomas B: perda de peso inexplicável ≥10% do peso corpóreo há seis meses, febre não esclarecida com temperatura >38°C e/ou sudorese noturna. • Embora uma ampla variedade de fatores do paciente (p. ex., idade, sintomas, nível de LDH) e fatores tumorais (p. ex., magnitude, padrão de expressão gênica, taxa de proliferação) possa afetar os resultados do tratamento, dois sistemas de prognóstico podem ajudar na escolha da terapia e determinação de um prognóstico preciso. • O International Prognostic Index (IPI) é o método mais amplamente utilizado para prever o resultado do tratamento e a sobrevida. O IPI é baseado em cinco fatores adversos (idade >60 anos, desempenho ≤2, nível de LDH sérico elevado, dois ou mais locais extranodais da doença, estágio III ou IV de Ann Arbor), que são somados para dar a pontuação. Esse índice foi desenvolvido para pacientes com linfoma agressivo difuso, mas pode ser utilizado para prever o resultado do tratamento com qualquer subtipo. • Em pacientes jovens, um índice abreviado que considera apenas o estado de desempenho reduzido, o nível elevado de LDH sérico e o estágio clínico alto pode ser aplicado. Como os pacientescom linfoma folicular raramente têm um estado de desempenho reduzido ou um grande número de locais extraganglionares, foi desenvolvido um índice alternativo denominado 7 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina Follicular Lymphoma International Prognostic Index (FLIPI) que substitui mais de quatro áreas nodais de envolvimento e uma hemoglobina inferior a 12 g/dL como critérios de teste, e prediz um pouco melhor o resultado do tratamento no linfoma folicular. 8 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina MIELOMA MÚLTIPLO • Neoplasia hematológica onde ocorre uma proliferação clonal de plasmócitos malignos na medula óssea, e com isso, há o surgimento de uma proteína monoclonal sérica e/ou urinária. • Disfunção de órgão alvo. • A causa não é bem estabelecida, mas se sabe que a exposição a pesticidas e benzeno tem maior chance de desenvolver e em alguns grupos de familiares (parentes de 1º grau e gêmeos idênticos). • Corresponde a 1% de todos os tipos de câncer e é a 2ª neoplasia hematológica mais frequente (13%). Com incidência de 4/100 mil, predominando discretamente o sexo masculino. • A idade mediana ao diagnóstico é 70 anos. No Brasil, é entre 60-65 anos. FISIOPATOLOGIA • Produção de proteína monoclonal pelas células do mieloma pelos plasmócitos (imunoglobulina). • A nomeação do mieloma é de acordo com o tipo de cadeia: Cadeia pesada: IgG, IgA, IgM, IgD, IgE. Cadeia leve: kappa, lambda. • Excesso de proteínas monoclonal que se acumula na corrente sanguínea – ou é excretado na urina. Essas moléculas podem se aderir umas as outras e/ou outros tecidos. • Excesso de cadeias leves produzidas (proteína de Bence Jones). • Ligação à fatores de coagulação que leva a sangramentos, coagulação ou flebite. • Ligação com os nervos (sintomas de neuropatia periférica). • Ligação com hormônios circulantes (levando à disfunção metabólica). • Presença de hemácias em Rouleaux – empilhamento de hemácias como moedas. Acontece pelo excesso de proteínas na corrente sanguínea (mas não é patognomonico). • Doença óssea, pela produção de fatores de ativação de osteoclastos (citocinas como TNF alfa, IL-6 etc.), inibição dos osteoblastos (impede o reparo ósseo normal), aumentando o cálcio sérico e lesões osteolíticas → dá para ver as lesões em exames de imagem (lesões líticas). • Anemia: os plasmócitos irão ocupar a medula óssea, além da ação de citocinas inflamatórias que irão levar a anemia de doença crônica pelo aumento da hepcidina. • Disfunção renal: dano tubular pelo acúmulo de cilindros de cadeias leves precipitadas (principalmente), depósitos amiloides no rim, e o aumento de cálcio sérico e do ácido úrico. • Comprometimento da imunidade: inibição da produção normal de anticorpos, hipogamaglobulinemia (apenas 1 tipo de gamaglobulina será produzida), além da inibição de linfócitos T, leucopenia, o que dispõe o paciente a um risco maior de infecções por bactérias encapsuladas (importante causa de mortalidade). • Plasmocitomas: tumores compostos pelos plasmócitos, com crescimento intramedular, extramedular ou em tecidos moles e podem levar a síndromes compressivas. QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO • Eletroforese de proteína é um exame que ajuda muito no diagnóstico, pois detecta quais proteínas estão sendo produzidas para verificar a quantidade. No Mieloma Múltiplo, há acúmulo de proteína monoclonal, ou seja, só um tipo de proteína (haverá um pico monoclonal). • FASE ASSINTOMÁTICA: baixa quantidade de proteína monoclonal. GMSI = gamopatia monoclonal de significado indeterminado. É uma fase com produção muito baixa e assintomático. • FASE SINTOMÁTICA: o mieloma ativo é a fase em que vai ter todos os sintomas já discutidos, depois que recebe tratamento, ele fica um bom tempo sem a doença, mas depois recidiva (já que não tem cura), depois trata novamente e assim vai, até que ele entra na fase 3. • FASE REFRATÁRIA: todos os tratamentos disponíveis já foram feitos e a doença cria um tipo de resistência, então não adianta mais tratar, então o paciente acaba indo a óbito pela doença ou por outro motivo. • 9 INTERPRETAÇÃO CLÍNICA I | P6 - UC 16 | MEDICINA UNIT AL 2021.2 – Mayra Alencar @maydicina • Gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI) → considerada fase anterior ao mieloma múltiplo. Maior chance de desenvolver MM, mas não é obrigatória. • CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: Proteína monoclonal < 3,0g/dL. Sem indicadores de mieloma ativo. Células plasmáticas monoclonais na medula óssea < 10%. • SINTOMAS: Dor (lombar ou costelas) - 70% dos pacientes (dor repentina pode ser fratura patológica) → lesões líticas em imagem são observadas. Hipercalcemia – 30% dos pacientes → cansaço, sede, náuseas e deterioração da função renal (por causa do excesso de Ca sérico). Hiperviscosidade – distúrbio de coagulação apresentando hematomas, sangramentos, visão embaçada, cefaleias, sangramentos gastrointestinais e sintomas neurológicos. • LABORATÓRIO: VHS aumentado; Aumento da creatinina devido a lesão renal; Imunoglobulinas diminuídas (IgM, IgA, IgG), exceto a imunoglobulina que está sendo produzida pelo plasmócito; Albumina diminuída; B2-Microglobulina aumentada. • Dano a órgão ligado a progressão do mieloma – CRAB. Mieloma múltiplo indolente Mieloma ativo inicial Mieloma ativo • Componente monoclonal > 3g/dL e/ou presença de células plasmáticas na medula óssea entre 10 e 60%. • Sem CRAB (lesão de órgão alvo). • >60% de células plasmáticas na medula óssea; • Razão de cadeia leve livre > 100. • >1 lesão focal na ressonância magnética. • Proteína monoclonal presente; • 1 ou mais característica de CRAB. ESTADIAMENTO ISS I B2M sérica < 3,5mg/dL e Albumina sérica ≥ 3,5g/dL ISS II Nem I nem III ISS III B2M ≥ 5,5mg/dL OBS: Pico policlonal na eletroforese de proteína → processos infecciosos. •Elevação do cálcio (>10mg/dL).C •Disfunção Renal (creatinina > 2mg/dL ou ClCr < 40ml/min).R •Anemia (Hb < 10g/dL ou queda >2g/dL no basal).A •Doença óssea - Bone (1 ou + lesões osteolíticas detectadas em RX, TC ou PET/CT).B • Outros critérios incluídos: Anormalidades cromossômicas e DHL. R-ISS. ▪ I → ISS I + FISH risco padrão + DHL normal. ▪ II → nem I nem III. ▪ III → ISS III + FISH alto risco ou DHL alta.