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DIREITO PREVIDENCIÁRIO Professor Dr. Fernando Machado 
4° Semestre RGM: 012.10692 
 
Resumo das apostilas 1 e 2, seguindo as aulas disponíveis no Youtube. 
Aula 1 – HISTÓRIA DA SEGURIDADE SOCIAL NO BRASIL. 
 
• O idoso era visto como encargo da família; 
• Menores e deficientes também, eram todos parte do poder familiar. 
1° Todo aquele que não podia trabalhar, deveria ser protegido e sustentado pela 
família, não cabendo ao Estado oferecer tal proteção. 
 
2° Em outro momento, a previdência passou a ser vista como filantropia, indo do 
dever familiar às Santa Casas de Misericórdia. 
 
• Século XIX: primeiras regras sobre seguridade: 
Art. 195. São condições indispensáveis para obter aposentadoria 
ordinária; 1°, ter completado 60 anos de idade e trinta de serviço efectivo; 
2°, absoluta incapacidade physica ou moral, para continuar no exercício 
do emprego. (Decreto n. 9.9123-A, de 26 de março de 1888). 
 
LEY ELOY CHAVES – DECRETO LEI N. 4.682/23 
 
• Marca o inicio da Previdência Social no Brasil: a publicação do Decreto 
Legislativo n. 4.682, de 24 de janeiro de 1923. 
• Benefícios: aposentadoria aos seus colaboradores e pensão aos seus 
dependentes em caso de morte do segurado, além de assistência medica 
e diminuição do custo de medicamentos. 
• Críticas: o regime das “caixas” era ainda pouco abrangente, e, como era 
estabelecido por empresa, o numero de contribuintes foi, muitas vezes, 
insuficiente para a manutenção. 
 
Foram criadas as chamadas Caixas de Aposentadoria e Pensões nas empresas 
de estradas de ferro, mediante contribuição dos empregados. 
 
CRIAÇÃO DO INPS – INSTITUTO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL 
 
• Ao longo das décadas 30 e 40 foram criados os Institutos de 
Aposentadoria e Pensões – IAPs, por categorias profissionais (operários, 
correios, ferroviários, etc.); 
• A Constituição de 1934 foi a primeira a estabelecer, em texto 
constitucional, a forma tripartite de custeio: contribuição dos 
trabalhadores, dos empregadores e do poder público (art. 121, § 1°, h). 
 
Padronização das regras: em 1960 pela LOPS; 
Criação do INPS: Em 1966, pelo Decreto – lei n. 72, de 21 de novembro de 
1966, com a unificação dos IAPs. 
 
 
CFBR/88 E CRIAÇÃO DO INSS 
A CF/88 trouxe avanços: 
 
• Garantia de benefícios no piso de um salário mínimo vigente; 
Obs. Complemento de renda tem valor diverso, os benefícios que 
substituem a renda não podem ser inferiores ao piso do salário mínimo. 
• Seguridade Social: formada por saúde, previdência e assistência 
social; (art. 194) 
• Proteção aos trabalhadores rurais. 
 
Importante: ficaram excluídos do regime geral os servidores públicos efetivos, 
militares, membros do Poder Judiciário e membros do Ministério Público. 
Criação do INSS: em 1990 e publicação e publicação da Lei 8212 e 8.213 de 
1.991. 
 
A Constituição Federal de 1988 dividiu os regimes em dois: 
RGPS RPPS 
CLT - setor privado Servidores públicos efetivos 
Individuais Militares 
Facultativos Membros do Poder Judiciário 
**Setor público Membros do MP 
** trabalhadores do setor público, quando não estejam filiadas à regime próprio. 
 
REFORMAS DA PREVIDÊNCIA 
É fato que a Previdência Social sofreu muitas mudanças com o passar dos anos, 
mas duas reformas são tidas como as mais importantes, são elas: 
 
• 1ª Reforma: EC n. 20/98. 
a) Tempo mínimo de contribuição: 35 anos p/ o homem e 30 anos p/ a 
mulher. 
b) Idade mínima para ingresso: 16 anos trabalhador e 14 anos aprendiz. 
 
Observação: em 1999, foi criado o fator previdenciário, cálculo de 
redução/compensação para aquele que se aposentou muito cedo. 
A expectativa de vida cresceu e gerou um rombo previdenciário, o que levou à 
2ª reforma em 2019. 
• 2ª Reforma: EC n. 103/19. 
a) Fim da aposentadoria por tempo de contribuição; 
b) Idade mínima p/ aposentadoria: 65 anos p/ homem e 62 p/ mulher, 
observado o tempo de contribuição. 
 
RELAÇÃO JURÍDICA DA SEGURIDADE SOCIAL 
Objeto da relação jurídica de proteção social: riscos sociais. 
O objetivo da seguridade social é proteger o segurado em caso da ocorrência 
dos chamados riscos sociais, que são situações nas quais o segurado não tem 
condições de prover o seu sustento. São exemplos de risco social: a idade 
avançada, a maternidade, a doença, acidente, prisão, dentre outras. 
• Os valores dos benefícios de seguridade social destinam-se a garantir os 
mínimos vitais, isto é, o necessário à sobrevivência com dignidade. 
• A relação jurídica da seguridade será sempre entre o Estado e aquele que 
dela precisar, seja no aspecto da saúde, previdência ou assistência social. 
 
PRINCÍPIOS DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO 
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 194, parágrafo único, e art. 
195, parágrafo 5º, estabelece os princípios constitucionais que norteiam a 
Seguridade Social, quais sejam: 
 
1. Universalidade da cobertura e do atendimento; 
Todos os que vivem no território nacional têm direito ao mínimo 
indispensável à sobrevivência com dignidade, não podendo haver 
excluídos da proteção social. (art. 196) 
 
2. Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às 
populações urbanas e rurais; 
A CF de 1988 reafirmou o princípio da isonomia, consagrado no 
caput de seu art. 5º, no inc. II, do parágrafo único, do art. 194, garantindo 
uniformidade e equivalência de tratamento, entre urbanos e rurais, em 
termos de seguridade social. 
 
3. Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e 
serviços; 
O Estado deverá ampliar sua cobertura, sobretudo, para as 
situações mais sensíveis e importantes, devendo o legislador definir quais 
serão as prioridades para atendimento conforme o valor orçamentário 
disponível. (ex.: salário família, auxilio reclusão). 
 
4. Irredutibilidade do valor dos benefícios; 
A irredutibilidade do valor dos benefícios, segundo o STF, garante 
apenas a irredutibilidade nominal do benefício, e não o seu reajuste. Isso 
não quer dizer que ela não exista, mas que sua garantia se encontra em 
outro dispositivo (CF/88, art. 201, §4º). Além do mais, nenhum benefício, 
à exceção daqueles que não substituam o rendimento do trabalho, poderá 
ser pago em valor mensal inferior ao de um salário mínimo. 
 
5. Equidade na forma de participação no custeio; 
A equidade na participação no custeio representa a ideia de permitir 
o acesso aos benefícios e principalmente, de estabelecer as contribuições 
conforme a capacidade econômica de cada um. 
 
Tabela de exemplo 
Salário de contribuição (R$) Alíquota progressiva para 
recolhimento 
1.302,00 7,5% 
1.302,01 a 2.571,29 9% 
 
 
6. Diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas 
contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas 
vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, 
preservado o caráter contributivo da previdência social; 
Para a maior estabilidade da seguridade social, sua base de 
financiamento é bem diversa, e não recai estritamente sobre segmentos 
específicos da sociedade. 
O financiamento da seguridade social é de responsabilidade de 
toda a comunidade, na forma do art. 195 da CF. Trata-se da aplicação do 
princípio da solidariedade, que impõe a todos os segmentos sociais — 
Poder Público, empresas e trabalhadores — a contribuição na medida de 
suas possibilidades. A proteção social é encargo de todos porque a 
desigualdade social incomoda a sociedade como um todo. 
Leitura da Lei 8.213/91 do art. 3º ao 5º. 
 
7. Caráter democrático e descentralizado da administração, mediante 
gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos 
empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos 
colegiados; 
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, 
mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos 
empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. 
 
8. A regra da contrapartida. 
Não é prevista expressamente como um princípio. A seguridade 
social só pode ser efetivada com o equilíbrio de suas contas, com a 
sustentaçãoeconômica e financeira do sistema. Por isso, opera com 
conceitos atuariais. 
 
FONTES DA SEGURIDADE SOCIAL 
• CF/88: arts. 194 a 204; 
• Lei 8.742/93, Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS); 
• Lei 8.080/90 que dispõe sobre o SUS; 
• Lei 8.212 e 8.213 de 1991, que estabelecem os planos de custeio e plano 
de benefícios da previdência social. 
• Decreto 3.048/99, que aprova o regulamento da Previdência Social. 
• Instrução Normativa, IN 128, de 2002, que especifica as regras da 
Previdência Social. 
 
SEGURIDADE SOCIAL 
Saúde: gratuita e universal (art. 196); 
Assistência Social: gratuita e a quem dela necessitar (art. 202); 
Previdência Social: mediante contribuição aos segurados e dependentes (art. 
201). 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO Professor Dr. Fernando Machado 
4° Semestre RGM: 012.10692 
 
Resumo das apostilas 3 e 4, seguindo as aulas disponíveis no Youtube. 
 
AULA 3 – CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. 
 
Conceito de Financiamento: 
 
• Refere-se aos métodos de arrecadação para custear os benefícios da Seguridade 
Social. 
• Natureza do Financiamento: 
 
A Seguridade Social funciona como um seguro, onde contribuições são feitas 
antecipadamente para garantir benefícios futuros. 
 
Legislação Aplicável: 
 
• As regras de custeio são estabelecidas na Lei 8.212/91 e no Decreto 3.048/99. 
 
Salário de Contribuição: 
 
• Valor base para calcular as contribuições previdenciárias. 
• Inclui todas as remunerações recebidas pelo segurado. 
 
Limites do Salário de Contribuição: 
 
• Não pode ser inferior a um salário mínimo nem ultrapassar o teto da Previdência 
Social. 
• Valores são reajustados anualmente para manter o valor real. 
Valor real é diferente de valor nominal. 
• Equidade na participação e no custeio, ou seja, quem tem uma remuneração menor 
paga um pouco menos, quem tem remuneração maior, é obrigado a pagar um pouco 
mais. 
• Parcelas indenizatórias não entram no cálculo do salário de contribuição. 
 
Alíquotas de Contribuição: 
 
• Progressivas, variando de acordo com a renda do segurado. 
• Aplicadas sobre o salário de contribuição (incluso salário, remuneração, comissão, 
gorjeta, etc.). 
 
Tipos de Contribuintes: 
 
• Empregados, empregadores, contribuintes individuais (autônomo) e segurados 
facultativos. 
 
Contribuinte Individual: 
 
• Trabalhador autônomo que contribui com 20% de sua renda. 
• Opção de contribuir com alíquota reduzida de 11% para faturamento de um salário 
mínimo. 
 
Segurado Facultativo: 
 
• Pessoa sem renda própria que deseja contribuir para a Previdência. (Ex. estudante) 
• Alíquotas diferenciadas para MEI e Segurado Facultativo de Baixa Renda (inscrito em 
assistência social). 
 
Fontes de Custeio: 
 
• Contribuições diretas e indiretas. 
• Incluem contribuições do empregador, do trabalhador, receitas de loterias, impostos 
sobre importação, entre outros. 
 
Contribuições diretas e indiretas: 
 
• Direta: Pagamento mensal feito pelo segurado ou contribuinte. 
• Indireta: Retenção de parte do valor de transações comerciais, posteriormente 
repassada para a Previdência. (segurado especial) 
 
Contribuições do empregador: 
 
• Sobre a folha de salários: Incide sobre a soma dos salários pagos aos trabalhadores. 
• Sobre o faturamento: Incide sobre a receita bruta da empresa. 
• Sobre o lucro: Incide sobre o lucro líquido da empresa. 
 
Segurado Especial: 
 
• Trabalhador rural em regime de economia familiar. 
• Contribuição indireta sobre a comercialização de produtos. 
• Não precisa comprovar contribuição direta, apenas tempo de atividade rural para 
aposentadoria. 
 
AULA 4 – SEGURADOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 
 
Segurados da Previdência Social: 
 
• Possuem vínculo formal e jurídico com a Previdência, gerando direitos e deveres. 
• O artigo 201 da Constituição Federal estabelece o Regime Geral de Previdência 
Social (RGPS) como contributivo e de filiação obrigatória. 
 
 
 
Filiação Previdenciária: 
 
• É necessária para a contribuição e acesso aos benefícios previdenciários. 
• Os segurados devem contribuir conforme exigido e atender aos requisitos legais para 
receber benefícios. 
Categorias de Segurados: 
 
• Segurados Obrigatórios: Não têm opção de filiação e devem contribuir. Incluem 
empregados, trabalhadores avulsos, empregados domésticos, contribuintes individuais 
e segurados especiais. 
• Segurados Facultativos: Não têm obrigatoriedade de filiação, mas podem contribuir 
para ter acesso aos benefícios previdenciários. 
 
Segurados Obrigatórios: 
 
• Empregados: Prestam serviço para um empregador e recebem salário. 
• Trabalhadores Avulsos: Prestam serviço para várias empresas, intermediados por 
sindicatos ou órgãos gestores. (portuário, ensacador de cacau) 
• Empregados Domésticos: Prestam serviço em residências, sem finalidade lucrativa 
para o empregador. 
• Contribuintes Individuais: Autônomos que auferem renda do seu trabalho. 
• Segurados Especiais: Trabalhadores rurais em regime de economia familiar, cuja 
contribuição é indireta sobre a comercialização dos produtos. 
 
Segurados Facultativos: 
 
• Não têm renda própria, mas podem se filiar à Previdência para ampliar a cobertura. 
• Exemplos incluem donas de casa, síndicos não remunerados e estudantes que 
desejam contribuir para a Previdência. 
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