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Victor Velloso – FASAI 23.1 1 ➜ Embriologia do aparelho genital masculino ⇀ Durante a 5a e a 6a semanas, o sistema genital está em estado indiferenciado, e dois pares de ductos genitais estão presentes. Os ductos mesonéfricos (ductos de Wolff) desempenham uma parte importante no desenvolvimento do sistema genital masculino. Os ductos paramesonéfricos (ductos müllerianos) têm papel preponderante no desenvolvimento do sistema genital feminino. ⇀ O mesonéfron é uma estrutura que temporariamente faz o trabalho dos rins no feto, até se degenerar e o metanefron dar origem aos rins definitivos. ⇀ O desenvolvimento gonadal inicia durante a quinta semana, quando uma área espessada do mesotélio se desenvolve no lado medial do mesonefro, a crista gonadal, que se torna um cordão gonadal com um córtex e uma medula. Se o embrião tiver cromossomos XX, o córtex se desenvolve e a medula atrofia, entretanto se ele tiver XY, a medula se desenvolve dando origem aos testículos e o córtex atrofia. ⇀ Durante a sexta semana, as células germinativas indiferenciadas que se originam na vesícula umbilical migram para as cristas gonadais com auxílio da sinalização quimiotáxica do fator de células tronco e formam as espermatogônias. As células de Sertolli são derivadas do mesênquima. ⇀ As células de Leydig tem origem a partir do mesênquima e a partir da 8º semana liberam hormônios androgênios. ⇀ As características morfológicas masculinas e femininas não começam a desenvolver-se até a 7a semana. ⇀ O gene SRY que codifica o fator determinante do testículo (FDT) age como uma chave que direciona o desenvolvimento das gônadas indiferenciadas em testículo. ⇀ Os testículos fetais produzem hormônios masculinizantes (testosterona, dihidro...) e o Hormônio antimulleriano. As células de Sertoli produzem o HAM da 6a à 7a semana. As células intersticiais começam a produzir testosterona na 8a semana. A testosterona estimula os ductos mesonéfricos a formarem os ductos genitais masculinos bem como a formação da genitália externa, enquanto o HAM causa a regressão dos ductos paramesonéfricos. ⇀ As vesículas seminais são formadas a partir da parte distal do ducto mesonéfrico. A glândula bulbouretral se desenvolve a partir da uretra esponjosa. ⇀ Múltiplas protuberâncias endodérmicas surgem da parte prostática da uretra e crescem no mesênquima circundante. O epitélio glandular da próstata diferencia-se dessas células endodérmicas, e o mesênquima associado diferencia-se em um estroma denso e no músculo liso da próstata. Victor Velloso – FASAI 23.1 2 ⇀ Até a 7º/12º, as genitálias externas são sexualmente indiferenciadas. A testosterona age no aparelho genital masculino ao desenvolver a glande do pênis, fechar a membrana cloacal (rafe peniana) e formar o escroto a partir das saliências labioescrotais. ➜ Anatomia ⇀ O aparelho genital masculino é composto pelo pênis, escroto e glândulas anexas. ⇀ O pênis é formado pelos corpos cavernosos e corpos esponjosos. A glande é recoberta pelo prepúcio ⇀ O ducto deferente se origina a partir dos ductos eferentes e tem cerca de 30~40 cm. Cruza por cima do ureter até se juntar ao ducto da vesícula seminal e adentrar na próstata para formar o ducto ejaculatório. ⇀ A próstata é uma glândula ímpar que mede 3- 4cm (20 g) e se localiza abaixo do colo da bexiga urinária. É atravessada pela uretra, onde despeja a secreção de suas 30~40 glândulas. ⇀ As glândulas bulbouretrais estão incluídas, em ambos os lados, na musculatura perineal (músculo transverso profundo do períneo). As glândulas individuais desembocam, em ambos os lados, na região proximal da porção esponjosa da uretra Victor Velloso – FASAI 23.1 3 ➜ Histologia ⇀ Os testículos são cobertos por uma cápsula de tecido conjuntivo denso não modelado chamada túnica albugínea. Enquanto os testículos estão migrando do abdome para a região inguinal, eles levam uma dobra de peritônio que se torna a túnica vaginal. ⇀ Cada testíuclo contém cerca de 300 lóbulos, cada um com 3 a 4 túbulos seminíferos, onde ocorre a produção de espermatozoides. ⇀ O epitélio seminífero é formado por células de Sertolli e células germinativas. ⇀ As células de Sertolli são colunares e sua principal função é dar suporte ao desenvolvimento das espermatogônias em espermatozoides. A membrana basal dessas células tem receptores para o hormônio foliculoestimulante (FSH) e para os androgênios. ⇀ As células de Leydig se encontram nos espaços entre os túbulos seminíferos e são responsáveis pela produção de androgênios. ⇀ Os espermatozoides são produzidos pelo epitélio seminífero dos túbulos seminíferos. Entram em ductos retilíneos curtos, os túbulos retos, que conectam a extremidade aberta de cada túbulo seminífero à rede testicular, um sistema de espaços labirínticos alojados no mediastino testicular. Deixam a rede testicular através de 10 a 20 túbulos curtos, os dúctulos eferentes, que por fim se fundem com o ducto do epidídimo. Do epidídimo, os espermatozoides entram no ducto deferente. De lá, chegam aos ductos ejaculatórios, que os conduzem até a uretra, onde são unidos às secreções das glândulas genitais acessórias. ⇀ O sangue de cada testículo é fornecido pela artéria testicular (um ramo da aorta abdominal) que, durante a embriogênese, desce com o testículo até o escroto, acompanhada pelo ducto deferente. A artéria testicular forma vários ramos que atravessam a cápsula do testículo para suprir os leitos capilares testiculares, cujo sangue é drenado para várias veias entrelaçadas, o plexo venoso pampiniforme, cujos ramos se reúnem proximalmente no funículo espermático e levam à formação das veias testiculares. A artéria, as veias, os vasos linfáticos, as fibras nervosas e o ducto deferente formam, em conjunto, o cordão espermático, que passa pelo canal inguinal, a passagem da cavidade abdominal para o escroto. O sangue do plexo venoso pampiniforme é mais frio do que o da artéria testicular e, portanto, atua na redução da temperatura do sangue arterial, formando um sistema de troca de calor contracorrente. Dessa maneira, ajuda a manter a temperatura dos testículos cerca de 2°C mais baixa do que a do resto do corpo. ⇀ As membranas celulares laterais das células de Sertoli adjacentes formam junções de oclusão, subdividindo assim o lúmen do túbulo seminífero em dois compartimentos. ⇀ Assim, as zônulas de oclusão das células de Sertoli estabelecem uma barreira hematotesticular, que isola o compartimento adluminal das influências do tecido conjuntivo, protegendo os gametas em desenvolvimento do sistema imunológico. Como a espermatogênese começa após a puberdade, as células germinativas recém- diferenciadas, que têm um número de cromossomos diferente, além de expressarem Victor Velloso – FASAI 23.1 4 diferentes receptores e moléculas de superfície em suas membranas celulares, seriam consideradas “células estranhas” pelo sistema imunológico. ⇀ Algumas dessas células, as espermatogônias, estão localizadas no compartimento basal, enquanto a maioria das células em desenvolvimento – espermatócitos primários, espermatócitos secundários, espermátides e espermatozoides – ocupam o compartimento adluminal. As espermatogônias são células diploides que sofrem divisão mitótica para formar mais espermatogônias e espermatócitos primários, que migram do compartimento basal para o adluminal. ⇀ As espermátides são células haploides pequenas e redondas (8 μm de diâmetro). Todas as espermátides descendentes de uma única espermatogônia do tipo A pálida estão conectadas umas às outras por pontes citoplasmáticas. Elas formam pequenos aglomerados e ocupam uma posição próxima ao lúmen do túbuloseminífero. Tais células têm RER abundante, numerosas mitocôndrias e um complexo de Golgi bem desenvolvido. Durante sua transformação em espermatozoides, acumulam enzimas hidrolíticas, reorganizam e reduzem o número de suas organelas, formam flagelos e o aparato citoesquelético associado e eliminam parte de seu citoplasma. Esse processo de espermiogênese é subdividido em quatro fases. •Fase de Golgi Desenvolvimento dos complexos de Golgi que forma grânulos acrossomicos. •Fase de capuz Os grânulos começam a se acumular e formar um capuz •Fase acrossômica ⇀ O acrossomo está formado. acrossomo contém várias enzimas hidrolíticas, como hialuronidase, neuraminidase, fosfatase ácida e uma protease que tem atividade próxima à da tripsina. O acrossomo é, portanto, semelhante a um lisossomo. As enzimas do acrossomo são capazes de dissociar as células da corona radiata e de digerir a zona pelúcida, estruturas que envolvem os ovócitos. •Fase de maturação. ⇀ Nessa etapa, há o crescimento do flagelo com acúmulo de mitocôndrias em sua porção inicial e o desprendimento de grande parte do citoplasma das espermátides, originando os corpos residuais. Eles são fagocitados pelas células de Sertoli. ⇀ A liberação de LH é inibida pelo aumento nos níveis de testosterona e di-hidrotestosterona, enquanto a liberação de FSH é inibida pelo hormônio inibina e ativada pelo hormônio ativina. Os dois hormônios são produzidos pelas células de Sertoli. É interessante observar que os estrogênios, hormônios sexuais femininos, também são ligados pela ABP e, portanto, podem reduzir os níveis de espermatogênese. Victor Velloso – FASAI 23.1 5 ➜ Fisiologia ⇀ A espermatogênese inclui a mitose das espermatogônias para gerar outras espermatogônias que irão, em sua maioria, se transformar em espermatócitos primários, realizar a meiose I, e se tornar espermatócito secundário. Após a Meiose II, o produto haploide se chama espermátide. Victor Velloso – FASAI 23.1 6 Proteina abp - sertoli