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CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM SONDAGEM VESICAL DE DEMORA Enfermeira Elayne Heide Melo enyaleheide@gmail.com 981953720 Qual o tamanho do problema? o ITU compreende 30 a 40% de todas as IRAS o 80% das infecções urinárias hospitalares são atribuídas a cateter vesical o 17 a 69 % das ITUs podem ser preveníveis com medidas de controle de infecção o A incidência de bacteriúria é de 3 a 10% por dia de cateterização Korean J Urol 2013;54:59-65 Infect Dis Clin North Am 2003; 17:411-432. Current Opinion in infectious Diseases 2006, 19:67-71 A ITU no ambiente de Pacientes Graves Dentro das UTI’s esta prevalência se eleva para 8-21% Pacientes de UTI requerem rigoroso do balanço hídrico, portanto usam mais cateteres vesicais, o que lhes confere um risco maior de ITU que outros pacientes. Além disso, estão mais gravemente enfermos e com mais complicações que outros pacientes fazendo com que o uso deste dispositivo tenha efeitos mais críticos Cada episódio de ITU adquirida em UTI’s eleva em média US$ 676 os custos com internação podendo chegar a US$ 2.836 se houver ICS secundária a ITU Korean J Urol 2013;54:59-65 Infect Dis Clin North Am 2003; 17:411-432. Current Opinion in infectious Diseases 2006, 19:67-71 Uso inapropriado de cateter vesical o Mais de 21% inapropriada dos pacientes internados em UTI tem indicação de cateterismo Mais de 21 % dos pacientes internados em UTI tem indicação de cateterismo inapropriada A permanência do CVD é injustificada em 47% dos casos Em UTI’s 64% dos CVD injustificadas se devem a um período excessivamente prolongado de monitorização de débito urinário Em áreas não críticas as maiores causas de injustificada cateterização vesical de demora inicial foi incontinência urinária (52%) e continuidade (56%) Am J Infect Control. 2007, 35(9):594–9. Arch Intern Med. 1995 Jul 10;155(13):1425-9 Porque o CVD é inserido e mantido inapropriado? Desconhecimento das recomendações publicadas Incerteza dos médicos sobre a evolução do paciente sondado e relutância na reinserção Conveniência da enfermagem “Esquecimento” por parte da equipe médica (50% de médicos questionados não sabiam se seu paciente estava com sonda ou não) Ann Intern Med. 2002 Jul 16;137(2):125-7 Como o CVD aumenta o risco de infecção urinária 7.Facilita a subida de bactérias móveis pela umidade existente entre a mucosa urinária e a parede externa do cateter 1. A distância entre os orifícios de drenagem do cateter e o colo vesical , dependendo do volume de água que preenche o balão, permite a formação de pequeno resíduo urinário que favorece o crescimento de bactérias 2. O cateter vesical age como corpo estranho causando inflamação na uretra e bexiga 8. O refluxo urinário da bolsa para a bexiga também pode levar à contaminação 3.A falta de fixação do cateter ao corpo pode levar um segmento extra-vesical do cateter ao interior da bexiga levando consigo bactérias que causam infecção 4.A superfície do cateter vesical fica recoberta com um biofilme formado por componentes do hospedeiro e dos microrganismos, e que protege os micróbios da ação dos antimicrobianos e dos mecanismos de defesa do hospedeiro, como os leucócitos e anticorpos 6.A uretra fica dilatada e as glândulas periuretrais que secretam substâncias bactericidas tem seus ductos bloqueados pela presença do cateter 5. A ponta do cateter traumatiza e corrói a camada protetora de glicosaminoglicanos (CAG) e o revestimento de muco que protegem a parede da bexiga facilitando a invasão bacteriana Como garantir a Excelência na prevenção de ITU Processos baseados nas melhores evidências Rotinas padronizadas, descritas e atualizadas Equipe capacitada Material de qualidade disponível Mensuração da qualidade dos processos Utilizar indicadores e traçar metas ANVISA 2017 Avaliar a necessidade de cateterização o Quanto maior a permanência do cateter maior o perigo de adquirir ITU (risco de bacteriúria 3 a 7% ao dia) Somente use CVD após considerar método alternativo (condom, pesar fraldas e cateterismo intermitente) Revise regularmente a necessidade de manter a sonda e remova-a tão breve quanto possível Indicações adequadas para uso de CVD O cateterismo vesical deve ter técnica asséptica Higienize as mãos nos momentos adequados (imediatamente antes da colocação da luva estéril, antes e após tocar no cateter e sistema coletor, após manipular o sistema coletor) A inserção do CVD deve ser realizada com técnica asséptica rigorosa por profissional treinado e competente Higienize o meato uretral antes da inserção do CV (nenhum guia indica qual é o melhor antisséptico) Use um lubrificante apropriado de uso único para minimizar trauma uretral e infecção Registre sempre: indicações de inserção, data e hora da inserção, profissional que inseriu e data e hora da remoção Um cateter é melhor do que outro? A escolha do material do cateter vai depender da experiência clínica, das características do paciente, da duração da cateterização e particularidades do serviço (custo e aderência às técnicas e higiene) Cateteres impregnados podem diminuir bacteriúria assintomática até 7 dias mas não há evidência que reduza a infecção sintomática. O uso rotineiro não é indicado mas elas podem ser úteis em algumas situações Selecione o menor calibre possível que permita o fluxo livre da urina evitando obstrução (considere drenagem de sangue, debris e grumos) Cateteres de silicone são preferíveis a outros materiais para reduzir o risco de incrustação em pacientes com sondagem contínua que tem frequente obstrução Cateteres hidrofílicos causam menos microtraumas na uretra Irrigação vesical previne e trata infecção? Irrigação da bexiga, instilação e lavagem não previnem infecção urinária associada ao CV sonda vesical Não realize irrigação vesical continua com antimicrobianos como rotina de prevenção de ITU (que dose usar? Qual a absorção pela bexiga? Qual a velocidade de infusão?) Para resolver obstrução por coágulos, muco ou cristais a irrigação com solução salina intermitente é indicada Fungos resistentes ao fluconazol em urocultura (Candida glabrata e krusei) podem ser tratados com irrigação vesical com anfotericina B (IDSA Guideline 2016 – fraca recomendação) Apropriada manutenção minimiza infecções Assegure que a conexão entre sonda e sistema coletor não seja aberta exceto por boas razões clínicas (lavagem por obstrução) Troque o sistema coletor usando técnica asséptica após desinfetar a junção sonda/tubo coletor com álcool quando houver desconexão ou vazamento e o cateter não possa ser trocado Higienize as mãos e use um novo par de luvas limpas, antes de manipular a sonda do paciente e higienize as mãos após manipular a sonda Posicione a bolsa coletora abaixo do nível da bexiga em um suporte que não permita seu contato com o chão. Se preciso mobilizar a bolsa coletora clampeie o sistema desclampeando assim que possível Esvaziar a bolsa coletora de urina regularmente (manter com menos de 2/3 da capacidade) Manter o fluxo de urina desobstruído (não fechar pinça corta fluxo sem indicação, vigiar dobras e torções) Diagnóstico Não busque por bacteriúria assintomática em pacientes cateterizados sem sinais ou sintomas de ITU Para coleta de urina para exame use o dispositivo presente no tubo coletor aspirando com seringa após limpeza do mesmo com álcool 70%. Envie rapidamente ao laboratório Para grandes volumes de urina colete assepticamente da bolsa coletora Em pacientes sépticos, cultura de sangue e urina devem ser colhidos antes de iniciar terapia com antimicrobianos Tratamento Não trate bacteriúria assintomática em pacientes sondados (exceção antes e procedimentos urológicos invasivos) Para terapia empirica antibióticos de amplo espectro deve ser dado com base nos padrões de susceptibilidade local Após o resultado da urocultura o antibiótico deve ser ajustado de acordocom a sensibilidade do patógeno Em caso de ITU sintomática associada a sonda pode ser considerado substituir ou remover a sonda antes de iniciar a terapia antimicrobiana se a sonda estiver em uso por mais de 7 dias Em caso de candidúria associada com sintomas urinários ou se candidúria é um sinal de uma infecção sistêmica, terapia sistêmica com antifungicos é indicada Profilaxia com antibióticos em pacientes que fazem sondagem intermitente não é recomendada Indicações para coleta de URC em pacientes com CVD: Febre em paciente com rim transplantado Febre em paciente gestante Febre em neutropênicos Febre após procedimento ou cirurgia urológica Febre em conhecida obstrução do trato urinário Dor suprapúbica ou em flanco inexplicada Paciente com lesão medular com nova ou piora da espasticidade, hiperreflexia autônoma, mal estar ou agitação Na admissão de paciente em uso crônico de CVD com febre, ou alteração de estado mental inexplicada Sepse Idoso com delirium de causa inexplicada ATENÇÃO: Urina turva, malcheirosa ou piúria não são indicadores confiáveis de ITU e não são razões para solicitação de urocultura Educação e Treinamento Educar pessoas envolvidas na inserção, cuidados e manutenção de cateter vesical sobre prevenção de ITUASV incluindo alternativas para cateter vesical e procedimentos para inserção, cuidados e remoção. Como lidar com CVD sem indicação inapropriada? É necessário mudar a cultura a respeito das indicações iniciais de uso de sonda vesical nas UTIs. Através da colaboração e da comunicação entre membros da equipe (médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem) Necessidade de abordagem desta prática ritualizada (educação, lembretes no prontuário, recurso eletrônicos, ultrassom, etc) Rotinas padronizadas e descritas Orientam os profissionais Garantem um padrão no atendimento Aumentam a segurança no processo Como garantir a Excelência na prevenção de ITU Excelência no tratamento da retenção urinária Equipe capacitada Nenhuma graduação entrega profissionais prontos para o lidar com retenção urinária A educação deve ser continua priorizando a prevenção de eventos Cada novo dispositivo padronizado deve ser devidamente apresentado para a equipe Fundamental para segurança do paciente Deve utilizar metodologias diversas que chamem atenção (games, blitz, campanhas, etc) Material de qualidade disponível Reduz desperdícios Reduz o tempo gasto no procedimento Conquista a confiança dos profissionais Garante satisfação e segurança aos pacientes Como garantir a Excelência na prevenção de ITU Cateter Foley ponta Coudé Tiemann Cateteres hidrofílicos com ponta arredondada O barato pode sair caro: infecção, trauma uretral, lesão de pele, uretrorragia, etc Kits cateterismo vesical prontos Fixadores de CVD Bolsas de urina valvuladas, com protetor para o bico e tubo sem memória Excelência no tratamento da retenção urinária Utilizar indicadores e traçar metas Se você não sabe onde quer chegar qualquer lugar serve Taxas de infecção do trato urinário associada ao cateter vesical Taxa de utilização de cateter vesical de longa permanência e de cateterismo de alívio Número de eventos relacionados a inserção de cateter vesical Avaliação dos pacientes Os indicadores mostram o resultado 1,4 3,6 1,5 1,2 1,2 0,6 0,37 0,3 0,00 0,5 0 6,07 5,96 5,06 4,57 4,2 3,79 3,13 2,72 1,6 1,4 1,3 1,93 1,3 1,62 1,2 1,251 1,15 1,18 0 1 2 3 4 5 6 7 2010 2011 2012 2020 2021 ago/22 2013 2014 UTI HIAE Densidade de Incidência de ITUAC em UTI adulto por 1.000 CV/dia 0 2015 2016 2017 CVE SP 2020 2018 2019 NDNQI 2022 UTIs do Estado de SP UTIs do Estado de SP UTI HIAE UTI HIAE NDNQI* NDNQI* *NDNQI –National Database of Nursing Quality Indicators reúne dados de 2.000 hospitais norte americanos 63 58 58 32 49 65 29 35 37 59 53 80 55 25 24 26 54 60 55 47 48 65 68 42 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Consumo de SVD e SVA na UTIA 2020 UTI SVA UTI SVD 13 22 34 10 26 41 24 24 35 39 50 25 36 42 46 44 64 66 50 59 40 48 56 61 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Distribuição das SVD e SVA UTIA 2017 UTI SVA UTI SVD A cultura pode mudar Redução do uso de CVD mesmo em meio a Covid-19 Aumento do número de cateterismos de alívio MELHORES PRÁTICAS NO CATETERISMO VESICAL Como escolher o melhor cateter? Foley Latex Mais incrustação Mais toxicidade tecidual Mais maleável Dura 45 dias Mais formação de biofilme Paredes mais finas 10 x mais barata que silicone Contra indicada em alérgicos a látex Foley Silicone Menos incrustação Menos toxicidade tecidual Menos maleável(menos confortável) Dura 90 dias Menos formação biofilme Paredes mais grossas Balão pode desinsuflar 10 x mais cara Indicada em alérgicos a látex e uso prolongado Preciso usar lubrificante? Sim! Reduz o atrito do cateter na mucosa da uretra e o risco de traumas 10 ml é suficiente para adultos Deve ser estéril Devo testar o cateter antes da inserção? Opcional. O teste pode detectar algum defeito no balão ou válvula Se fizer o teste observe se o balão desinsuflou completamente Como posicionar o paciente? Pênis 90 graus e retificado Segurar pelas laterais Pênis 90 graus e retificado Segurar pelas laterais Qual o volume de água no balão? Consultar a recomendação do fabricante Quanto introduzir o cateter? O que fazer se o cateter não progride? DIFICULDADE COMO AGIR Resistência durante a passagem em homens Posicione o pênis em ângulo reto (voltado para o teto) Recue 2 a 3 cm do cateter e insira novamente girando-o Peça para o paciente tossir ou relaxar o músculo do esfíncter, como se fizesse força para urinar Em homens uma sonda mais calibrosa (ponta mais redonda) as vezes pode facilitar Dor durante o procedimento Aguarde 1 a 3 minutos para o anestésico agir antes de iniciar a inserção Pare o procedimento imediatamente Peça para o paciente relaxar Se dor importante persistir remova o cateter e solicite um urologista O que fazer se a urina não drena? Como fixar o cateter ao corpo do paciente? Inguinal Suprapúbica Face interna da coxa Devo conectar o cateter à bolsa antes da inserção? Sim, o sistema já será introduzido fechado VIDEO SOBRE melhores Práticas de SVD Obrigada pessoal ! Bons estudos e até a próxima! image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image17.png image18.png image19.jpg image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.jpg image32.jpg image33.png image34.png image35.png image36.png image10.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.jpg image42.jpg image43.png image44.jpg image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image45.png image46.jpg image47.jpg image48.jpg image49.jpg image50.png image51.jpg image52.png image53.png image54.jpg image55.jpg image63.jpg image64.jpg image65.jpg image66.jpg image56.jpg image57.png image58.png image59.png image60.jpg image61.jpg image62.jpg image67.jpg image68.png image69.png image70.jpg image71.jpg image72.png image73.png image74.png image75.png image76.png image77.jpg image78.jpg image79.jpg image80.jpg image81.png image82.jpg image83.jpg image84.jpg image85.png image86.jpg image87.png image88.png image89.png