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ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! DRA. LARISSA DONATO AGROCLIMATOLOGIA EXPEDIENTE Coordenador(a) de Conteúdo Grazielle Jenske Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Nivaldo Villela de Oliveira Junior Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. DONATO, Larissa. AGROCLIMATOLOGIA / Dra. Larissa Donato. - Indaial, SC: Arqué, 2024. 180 p ISBN papel 978-65-6137-410-1 ISBN digital 978-65-6137-411-8 “Graduação - EaD”. 1. Clima 2. Meteorologia 3. Tempo 4.EaD. I. Título. CDD - 613.1 FICHA CATALOGRÁFICA ACADÊMICO!ACADÊMICO! AO FIM DE CADA TEMA DE APRENDIZAGEM, VOCÊ É CONVIDADO A VERIFICAR O QUE COM PREENDEU SOBRE O ASSUNTO ESTUDADO, REALIZANDO ALGUMAS ATIVIDADES. ACESSE AS ÚLTIMAS PÁGINAS DE CADA TEMA E RESOLVA AS ATIVIDADES PROPOSTAS. NÃO PERCA A OPORTUNIDADE DE AMPLIAR SEUS CONHECIMENTOS! NO FINAL DO LIVRO VOCÊ PODE ACESSAR O GABARITO E CONFERIR A RESOLUÇÃO DAS ATIVIDADES DE CADA TEMA. BOA SORTE! AVISO IMPORTANTE! 1 2 3 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou conceitos avançados, levando ao aprofundamento do que está sen- do trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO Utilizado para agregar um conteúdo externo. Utilizando o QR-code você poderá acessar links de vídeos, artigos, sites, etc. Acres- centando muito aprendizado em toda a sua trajetória. EU INDICO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que con- tribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Uma dose extra de conheci- mento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conheci- mento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO 4 CAMINHOS DE APRENDIZAGEM 5 7U N I D A D E 1 O QUE É DE FATO A CLIMATOLOGIA? 8 Fundamentos da climatologia 9 ESTAÇÕES DO ANO: ROTAÇÃO E TRANSLAÇÃO 40 AS PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS 54 75U N I D A D E 2 ATMOSFERA E ÁGUA: ESPAÇO GEOGRÁFICO EM ANÁLISE 76 ELEMENTO CLIMÁTICO: A PRECIPITAÇÃO E O CICLO DA ÁGUA 86 AS ESCALAS DE ESTUDOS CLIMÁTICOS 104 117U N I D A D E 3 CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS 118 FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS I 140 FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS II 154 UNIDADE 1UNIDADE 1 UNIDADE 1 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 O QUE É DE FATO A CLIMATOLOGIA? DRA. LARISSA DONATO Entenda o que é a Climatologia e suas aplicações. Conceituar clima e tempo. Diferencie climatologia e meteorologia. Conceituar fatores climáticos. Conceituar elementos do clima. 8 INICIE SUA JORNADA FUNDAMENTOS DA CLIMATOLOGIA Você já parou para pensar qual a importância da climatologia na sua vida e em todas as mudanças climáticas que ocorreram no globo? Há séculos, a temperatura de determinados locais não era como é agora, ou seja, as estações do ano eram diferentes das atuais, existiam locais que eram cobertos de gelo e, hoje, são verda- deiras florestas e, também, locais que eram mar e, hoje, são desertos. Por exemplo: No norte do Paraná, onde hoje se encontra a floresta estacional semidecidual, presente na mata atlântica, são encontrados relictos de savana, mostrando que o paleoclima era muito mais seco que o atual. Diversas áreas da Mata Atlântica já foram submersas em oceano, e o próprio deserto do Saara, o maior do planeta Terra, já foi um mar com mais de 3.000 quilômetros de extensão, com possibili- dade de atingir mais de 50 metros de profundidade. VOCÊ SABE RESPONDER? - Você sabe como os cientistas chegaram a estas conclusões? - Como que a temperatura e a umidade eram aferidas? Estas são algumas das questões que responderemos ao longo deste tema de apren- dizagem. Temos que entender, também, o quanto o ser humano pode afetar, direta ou indiretamente, nesta mudança. Será que ela é natural? Na Geografia, nada acontece separadamente. O clima de determinado local depende, dentre outros fatores, do posicionamento no globo, do relevo, que influencia no solo, na vegetação e, consequentemente, no modelo cultural de vida em sociedade. Não é uma questão determinista, mas uma questão de aproveitamento das possibilidades naturais daquele sistema geográfico. Sendo assim, neste tema de aprendizagem, vamos começar do começo e entender os 9 UNIDADE 1 UNIDADE 1 principais conceitos do que de fato é a climatologia, lembrando, sempre, qual o papel do professor de Geografia neste processo de ensino e aprendizagem ligados ao clima. Vamos lá!? DESENVOLVE SEU POTENCIAL É muito comum vermos reportagens sobre situações climáticas, tanto em nível local, dentro da nossa cidade, quanto em nível regional ou global. As notícias sobre tempestade, calor intenso, ventania, estiagem, ou até mesmo deslizamen- to causado por chuvas podem acontecer em nossa rua, nosso estado, país e, até mesmo, do outro lado do globo. E, em todas essas situações, referimo-nos, de certa forma, ao que chamamos de clima. Todos os dias, os jornais notificam as previsões de tempo e, sempre, vemos algum recorde sobre o dia mais quente do ano, a maior chuva da estação e a frente fria que adentra a região naquele dia. Junto com essas previsões, aparecem relatos de problemas ambientais, aquecimento global, ilha de calor, inversão térmica e diversos outros registros que nos fazem pensar: como o clima é formado? Qual sua origem e como isso influencia a nossa vida? O que são e onde estão os ele- mentos da atmosfera? Pois bem, vamos pensar nessas reportagens sobre a situação do tempo at- mosférico. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou, em um certo dia, que ocorreria chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h), com baixo risco de corte de energia elétrica, podendo ocorrer queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas para um recorte de área no Brasil. É importante entendermos que o INMET fez uma previsão, ou seja, com base nos dados atmosféricos, o órgão realizou uma prévia sobre os possíveis aconte- cimentos. Essa antecipação dos dados pode ser feita por você mesmo, usando como base o mapa em tempo real de pressão, direção e velocidade dos ventos. O mapa barométrico, como é conhecido, apresenta os dados ao nível do mar e, com ele, é possível calcular o que e quando um acontecimento atmosférico irá acontecer. Chegamos, então, a quatro conceitos básicos e de extrema importância dentro da climatologia. Os dois primeiros dizem respeito aos estudos climáticos e meteorológicos que acabam por reproduzir os seguintes — Tempo e Clima. 1 1 Geografia: práticas de campo. Editora: Marandi Autor: Luis Antonio Bittar Venturi Sinopse:O livro, Geografia: práticas de campo, laboratório e sala de aula, de Luis Antonio Bittar Venturi (org ), reúne informações técnicas e conceituais da pesquisa científica produzida por 35 professores reconhecidos por sua atuação acadêmica e docente da USP — Univer- sidade de São Paulo. A obra interessa a pesquisadores e professores de todos os níveis do ensino de Geografia eáreas ambientais da natureza, pois, além de aportes teóricos, traz modelos práticos de atuação em campo e em sala de aula INDICAÇÃO DE LIVRO Por exemplo, quando comentamos que, no norte brasileiro, o clima é quente e úmido, estamos afirmando que, pelo menos nos últimos 30 anos, os registros desse local foram de temperaturas e umidade relativa do ar altas. É claro que existem exceções, um dia ou outro de determinado mês que pode ter chovido menos ou o fato de o dia ter sido mais frio, mas é importante entendermos que essa não é a característica principal do clima local. Para Sorre (1951), o clima é muito mais do que um compilado de médias, mas, sim, uma série do histórico de dados atmosféricos de um local sobre sua condição habitual. Maximilien Sorre foi um Geógrafo francês que ficou mundial- mente conhecido por fazer pesquisas na Geografia, na Biologia e, sobretudo, na Geografia em Sociedade, ou seja, buscando entender e analisar o meio em que estamos inseridos.Dessa maneira, conceituamos aqui, então, clima — registro da série histórica, de pelo menos, 30 anos do tempo. E, assim, conceituamos o tempo — registro atmosférico do momento. Esses conceitos nos levam a outros dois conceitos iniciais: entender que a Climato- logia estuda os registros do clima, do passado em uma série histórica e que a Meteorologia estuda os registros do tempo futuro, com dados de previsões de dados atmosféricos possíveis de acontecerem. Resumidamente, Cavalcanti et al. (2015) traduz que o TEMPO é o que vemos acontecer, e o CLIMA é o que Toda vez que nos remetemos aos assuntos ligados ao clima, falamos direta- mente dos acontecimentos já registrados, ou seja, que estão no passado. Então, para discutir o clima, necessitamos de uma construção em série, de pelo menos 30 anos, para poder mencionar uma característica de determinado local. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 esperamos que aconteça, afinal, registramos todo seu período histórico com a intenção de que as médias sejam mantidas. Pode ser que você, ainda, não tenha condições de fazer os cálculos matemá- ticos e físicos para entender o que virá do tempo atmosférico. Mas você já pode acessar o mapa barométrico em tempo real e perceber onde estão localizadas as rajadas de vento pelos movimentos das massas de ar bem como as diferenças de pressão de cada local do Brasil. Acesse o link e busque a pressão e as massas de ar atuantes na sua região. Você pode clicar no ícone na parte superior direita do mapa, conforme figura a seguir e mudar o índice temático do mapa — preensão, rajada de ventos, temperaturas, dentre outras. Figura 1 - Pressão em tempo real / Fonte: a autora Descrição da Imagem: a imagem mostra a interface do site, em que alguns dados climáticos são apresentados em tempo real. Nele, está como base cartográfica o mapa do Brasil, com o oceano atlântico e as linhas barométricas em circulação. As cores variam entre azul, verde e amarelo, e quanto mais quente a cor, maior é a pressão no local. Além disso, há indicações das ferramentas que podem ser acessadas de forma online como escala, elementos do mapa, datas de diferentes registros, índices, dentre outros, em uma coluna na lateral direita. 1 1 Agora que observamos a imagem do mapa e procuramos por essas questões, percebemos que a velocidade do deslocamento do vento sobre os oceanos é mais acelerada do que sobre os continentes. Isso ocorre devido às barreiras encon- tradas no relevo continental e que não estão presentes em alto mar, no nível do mar. Aqui, conseguimos compreender uma correlação importante existente entre clima e geomorfologia, ou seja, o formato do relevo. A velocidade do vento na superfície terrestre, também, diferencia-se em locais de relevo baixo, plano para locais altos e ondulados. O mesmo acontece com a pressão, quanto mais elevado o local, menor a pressão existente; sendo assim, a pressão em nível do mar será diferente da pressão em topo de morro. “O menino que descobriu o vento” Ano: 2019 Sinopse: O filme “O menino que descobriu o vento” conta com a sinopse que sempre esforçando-se para adquirir conhecimentos cada vez mais diversificados, um jovem de Malawi se cansa de assistir todos os colegas de seu vilarejo passando por dificuldades e começa a desenvolver uma inovadora turbina de vento. INDICAÇÃO DE FILME VOCÊ SABE RESPONDER? Levando em consideração o mapa barométrico, observe a velocidade dos ventos e perceba se a velocidade nos oceanos é a mesma do que nas áreas continentais. Por que elas são diferentes? Existe uma relação entre pressão e temperatura? Onde a pressão é maior, a temperatura também é maior, ou não? 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Um dos exemplos práticos é o pico do Everest que tem pressão rarefeita e tempe- raturas muito baixas, o que nos leva a outra correlação geográfica entre clima e al- titude, clima e pressão atmosférica. Quanto maior a pressão, maior a temperatura. Podemos, ainda, relacionar esses aspectos à vegetação, uma vez que quanto mais quente e úmido, maior a possibilidade de desenvolvimento de grandes matas. Lembre-se, sempre, de que a Geografia é dinâmica. Assim como a maioria das ciências, a climatologia surgiu como um fenômeno de reconhecimento do meio. Entender seu estado para prever suas situações fez com que os seres humanos avançassem nas resoluções de suas necessidades. A partir do momento que se domina uma técnica, existe a possibilidade de evoluir e a climatologia pode potencializar, ainda mais, esse processo. Ou seja, a climato- logia está diretamente relacionada ao modo de vida, às culturas, às possibilidades e ao desenvolvimento social. Até o momento, conseguimos entender a diferença entre TEMPO / CLIMA e Climatologia / Meteorologia e, ainda, a relação entre CLIMA / Climatologia e TEMPO / Meteorologia (Figura 2). Com esses conceitos, podemos compreender a diferença entre uma estação cli- matológica, que faz estudos sobre o clima e uma estação meteorológica, que faz estudos sobre a previsão do tempo. Existem, ainda, estações principais, que são formadas por todos os aparelhos necessários para uma análise precisa, e as esta- ções secundárias, que são formadas por alguns equipamentos e fazem registros Figura 2 - Conceito e correlação entre clima e tempo / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: nesta imagem, que é uma ilustração, apresentam-se os conceitos de climatologia (estudo do clima, série histórica) e de meteorologia (estudo do Tempo, previsão para posteriori). Cada uma dessas temática está dentro de um quadro com uma seta indicando seu conceito. 1 4 voltados a especialidades. Para que possamos nos aprofundar nesse conhecimen- to, podemos propor um dicionário da climatologia; assim, além de entender a nomenclatura e o conceito, entendemos também o seu funcionamento. Figura 3 - Vista geral da estação climatológica principal da UEM / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia composta por uma estação meteorológica e seus equipamentos com indicativo de cada nome. A paisagem fotográfica pode ser dividida em três setores horizontais. No primeiro setor, de cima para baixo, em um plano mais profundo e longínquo, vemos um céu azul, limpo, sem a presença de nuvens; no segundo setor, no centro da fotografia, vemos a urbanização da cidade de Maringá ao fundo da estação, com a presença de prédios de diferentes tamanhos e árvores que se aproximam do espaço físico da estação em si. As árvores estão carregadas de folhas verdes. No primeiro setor da imagem, à frente na paisagem, vemos a estação em si. Ela é composta por um gramado rasteiro de coloração verde claro cercada por uma tela de proteção, no entanto vazada, para não interferir na passagem de vento e calor. Do lado esquerdo da imagem, vemos dois tanques circulares com água e um cilindro para medição da chuva. Ao centro, vemos um pequeno abrigo de madeira, em formato quadrado, fechado e termômetros presos no solo. Por fim, no lado direito, vemos duas grandes torres emformato de poste circular e finos que sustentam uma placa solar e uma biruta, material cônico Uma estação meteorológica (Figura 3) pode ser classificada entre convencion- al, quando as informações de cada equipamento são coletadas por profissionais que tomam nota e enviam para o sistema geral de dados e, ainda, a estação automática, em que os dados são eletronicamente captados por sensores e enviados automaticamente para a central de informações. Em alguns casos, as estações podem ocupar essas duas classificações e manter dados convencion- ais e automáticos a fim de comparação e registros com maior precisão. 1 5 UNIDADE 1 UNIDADE 1 As estações são compostas por diversos equipamentos, dentre eles: 1. Anemômetro: equipamento utilizado para medir a velocidade do vento; é uma espécie de colheres e pás aéreas, como em um catavento, que é girado quando o vento passa por ele. 2. Barômetro: equipamento utilizado para medir a pressão atmosférica, por meio de elementos, como mercúrio ou cápsula de vácuo que expande de acordo com a pressão recebida. 3. Biruta: equipamento utilizado para demonstrar a direção do vento; normalmente, tem formato de cone e é colocado deitado em uma haste móvel, para que ele gire de acordo com o vento. Pode ser maciço ou de tecido/plástico. Figura 4 - Instrumentos presentes na estação climatológica principal da UEM / Fonte: a autora Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia que mostra dois equipamentos de uma estação com fundo de céu limpo. Ambos são sustentados por postes altos. No poste da esquerda, existem quatro equipamento, um sobre o outro separadamente. Na parte mais alta, uma espécie de leque e um marcador em formato de seta. O segundo é uma espécie de cone que roda livremente, indicando a direção do vento. O terceiro, uma seta aponta para o Norte com a letra “N” presa na ponta. O quarto é uma haste que marca a velocidade do vento. No segundo poste, à direita da imagem, vemos um único equipamento em uma altura um pouco mais baixa que o da esquerda. Esse equipamento é um anemômetro e um barômetro, formado por uma base horizontal de cerca de 60cm que carrega em cada extremidade uma haste pequena com pequenas conchas semicirculares que medem a pressão. 1 1 4. Heliógrafo: equipamento utilizado para medir a insolação sobre a su- perfície; uma esfera de vidro recebe os raios solares que, em um feixe de calor específico pelo brilho solar, queima a fita de pastel com a marcação dos horários, que são baseados na esfera e no movimento aparente do sol. 5. Higrômetro: equipamento utili- zado para medir a umidade relati- va do ar, ou seja, a quantidade de vapor de água que está suspensa com os gases; consiste em um tubo circular que com duas hastes, uma fixa e outra móvel, desenham a os- cilação da umidade. Para captar o diferencial desse índice, é usado um elemento de alta absorção de umidade, como o cabelo humano ou lítio que se expande de acordo com a água recebida. Figura 5 - Heliógrafo presente na estação climatológica principal da UEM e fita de marcação utilizada Fonte: a autora Descrição da Imagem: a imagem é composta por duas fotografias, que mostram duas figuras; a primeira de- monstra um heliógrafo, equipamento esférico, de vidro que recebe a luz solar e queima uma fita de papel com marcação dos horários. Essa fita com a marcação de cada hora do dia recebe insolação de papel verde com linhas brancas para cada hora do dia. Na segunda figu- ra, vemos três fitas em destaque, a primeira de frente, na cor verde e as duas outras viradas, com o verso em destaque para os horários que o sol literalmente queimou o papel. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 6. Pluviômetro: equipamento utiliza- do para medir a quantidade de pre- cipitação pluviométrica; consiste em um cone com abertura na parte supe- rior que capta a quantidade de chuva e reserva em seu interior. Figura 6 - Anotações de Higrômetro e de termômetro presente na estação climatológica principal da UEM Fotos: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia que apresenta um higrômetro formado por caixa de alumínio, com visor de vidro, no qual se vê um cilindro de papel bran- co e uma agulha que registra as marcações, seguindo as oscilações dos níveis. Figura 7 - Pluviômetro presente na estação climatológica principal da UEM / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia que mostra um pluviômetro, uma espécie de cone cilíndrico invertido com abertura na parte superior, feito de alumínio. 7. Tanques evaporímetros e atôme- tros: usados para medir a quantidade de água evaporada em determinado período do dia com base na insolação. Esses tanques são cobertos por uma grade para proteger de animais que podem utilizar a água. 1 8 8. Termômetro: equipamento utilizado para medir a temperatura. Normalmente, são usados diversos termômetros, um para temperatura do solo, outro para temperatura atmosférica, outro para temperatura com proximidade da superfície. São, também, equipamentos que utilizam elementos químicos para a medição, no caso, o mercúrio que é sensível ao calor. Figura 8 - Tanque evaporímetro e atmômetro presente na estação climatológica principal da UEM Fotos: a autora Descrição da Imagem: a imagem mostra três foto- grafias. Na primeira, vemos dois tanques de alumínio circular, cheio de água e cobertos por uma tela que protege contra a entrada de animais. Na segunda e na terceira imagem, vemos em detalhe o medi- dor da água do tanque, que marca a altura da água dentro do tanque. É um equipamento suspenso por três hastes que sustentam uma régua de marcação do nível da água. 1 9 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Todos esses equipamentos são verificados, e suas medidas anotadas em quatro horários padrões seguidos por todas as estações em todo o globo terrestre, sendo os três últimos horários considerados principais. Seguindo o horário de Green- wich, essas medições são realizadas às 00h, 06h, 12h e 18h, o que transferindo para o horário de Brasília, ocorrem 3h, 9h, 15h e 21h. Em estações mais antigas, ocorrem as medições de forma manual, por um técnico capacitado que envia os dados para a central responsável no setor regional. O setor regional, após sua junção, envia para a central nacional, que o remete para os índices internacionais. Nas estações digitais recentes, essas medições são aferidas e enviadas para a base responsável automaticamente. No caso de estações que mantêm os dois formatos, automático e manual, a prática é realizada para que haja veracidade e continuação dos registros sem alterações técnicas (Figura 10). Figura 9 - Termômetros presentes na estação climatológica principal da UEM / Fotos: a autora. Descrição da Imagem: a figura é formada por três fotografias de três termômetros. O primeiro, à esquerda, está dentro de um abrigo de madeira com frestas para circulação do ar; o segundo, ao centro da figura, parcialmente, inserido no solo para registrar a sua temperatura; e o terceiro, à direita, também, dentro do abrigo (caixa de madeira semi aberta), é segurado por uma mão humana de cor clara que registra os seus dados. 1 1 Toda a estação, os profissionais e seus equipamentos seguem normas padroniza- das internacionais. Alguns equipamentos, como termômetro, são mantidos em abrigo (Figura 11), em uma caixa de madeira com abertura em formato de per- sianas para a passagem e circulação do vento. Esse abrigo é instalado a uma altura padrão de 1,20m a 1,50m do solo, sempre pintado de branco, devido à absorção de radiação solar acontecer equilibrada e evitando aquecimento. Também, deve, no hemisfério sul, ter abertura da porta voltada para o sul para não receber, em nenhum momento do dia, luz direta; no hemisfério norte, ocorre o contrário. Figura 10 - Coleta de dados manuais na estação climatológica de Maringá na UEM / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura é composta por duas fotografias de um homem branco de cabelos castanhose curtos que faz medições com uma lupa de vidro, de dois equipamentos: o primeiro, à esquerda, em um abrigo (caixa de madeira), e o segundo, à direita, cilíndrico com uma agulha que registra os índices. Figura 11 - Abrigo de instrumentos na estação climatológica de Maringá na UEM / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a ima- gem é uma fotografia que é composta por uma caixa de madeira quadrada e branca com persianas de abertura horizontais coberta por um telhado também de madeira e suspensa do nível do solo com uma base de 4 pedestais. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Todos os outros equipamentos que precisam estar abertos ao tempo, junto com o abrigo, devem estar em uma cerca de gramado para manter o nível de albedo em qualquer localidade, evitando situações adversas e diferentes do padrão em todas as estações (conforme demonstrado na Figura 3). Fazendo isso, as marcações serão devidamente equiparadas no quesito téc- nico, restando realmente o índice de dados meteorológicos. Mas, então, o que são esses elementos medidos? VENTO Descolamento do ar PRESSÃO ATMOSFÉRICA “Força” que a atmosfera exerce sobre a superfície. ATMOSFERA Camada gasosa que envolve o planeta Terra INSOLAÇÃO Medida da quantidade de irradiação solar por um determinado tempo UMIDADE RELATIVA DO AR É a porcentagem de água, ou partículas úmidas, que estão em suspensão no ar. A umidade, também, pode ser medida no solo, sendo, então, a quantidade de água existente neste local Precipitação pluviométrica: é o que chamamos de “chuva”, ou seja, a queda da umidade após ser condensada (agrupada, juntada) na atmosfera. TEMPERATURA Índice de calor 1 1 Os estudos da climatologia existem desde o século VI a.C., mas foi somente por volta do século XVIII d.C que as características da atmosfera foram observadas com especificidades de espacialidade e temporalidade, o que nos fez pensar em uma climatologia geográfica. Os autores, ainda, afirmam que, após a entrada no século XXI, houve a aplicação de novas tecno- logias, como satélites e imagens de radar. Esse avanço tecnológico não dispensa equipamentos mais antigos, justamente para manter a qualidade e a mesma precisão, mas é, sem dúvida, um avanço e nova aplicabilidade nos estudos regionais e locais, que também aumentaram nas últimas décadas. Mendonça e Danni-Oliveira (2007) Quando todos os índices gerados por esses elementos são agrupados, determina- mos, então, as condições temporais e climáticas de um local. E é, aqui, que está a principal questão de um profissional da Geografia e, sobretudo, de um professor de Geografia. Isso porque esta ciência é reconhecida pela sua interdisciplinari- dade natural, uma vez que engloba tanto fatores físicos quanto fatores sociais. Durante o estudo da Geografia, dividimos os processos educacionais em nichos, como as disciplinas: Geomorfologia, Hidrografia, Pedologia, Geografia Urbana e Rural, Geografia da População, Climatologia, dentre outras, mas as análises precisam ser integradas. AMPLITUDE TÉRMICA Diferença entre mínima e máxima diária. ALBEDO É a quantidade de energia refletida pela superfície. Quando mais escuras, menor o albedo e maior a absorção do calor; quanto mais clara, maior o albedo e menor a absorção dessa energia. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Essa subdivisão conceitual, até mesmo processual, é realizada para desenvol- ver, de forma ampla e aprofundada, as análises e o desenrolar cognitivo de quem aprende. No entanto fazer Geografia é, inicialmente, entender o sistema integrado, em que todas essas disciplinas estão inseridas. Por esse motivo, di- vidimos os conceitos de cada item, de cada instrumento e de cada análise, mas nenhum deles gera qualquer potencial de compreensão do espaço geográfico de forma separada. Para se fazer a Geografia — que é o estudo do Espaço Geo- gráfico — é necessário compreender todos os conceitos e, portanto, todas as disciplinas de forma integrada. Uma vez que a Climatologia é um ramo da Geografia, não se pode esquecer que ela está a serviço da sociedade, uma vez que essa ciência busca respostas de diversos acontecimentos ambientais e sociais, com base no clima (BORSATO, 2016). Isso não seria diferente com o estudo climático. Determinar o clima de um local, ou região, já nos faz procurar o entendimento dos fatores que levaram àquelas determinações. Por que uma cidade é mais quente que outra? Por que na praia é mais calor que no morro? Por que chove todos os dias em um local e não chove em outros? Pois bem! Vamos entender os Fatores Determinantes do Clima. Para você, o que são Fatores? Normalmente, pensar nos fatores nos remete a algo que antecede o fato. Ou seja, para que determinado fato ocorra, é necessário que, antes dele, algo seja determinante. Por exemplo, para que um bolo fique pronto, é necessário que seja aquecido. Para que chova, é necessário ter umidade. PENSANDO JUNTOS Na literatura, você pode encontrar diversos fatores climáticos, mas eles podem se resumir em quatro principais, sendo eles: Latitude, Altitude, Maritimidade e Massa de Ar. Esses quatro podem vir, ainda, subdivididos em relevo — o que já está reconhecido no processo de estudo da altitude, continentalidade — que acaba por ser o contrário de maritimidade, assim como as correntes oceânicas, também, ligadas às massas de ares. Sendo assim, esses quatro fatores são determinantes para os registros climá- ticos de uma localidade. Não podemos esquecer que o clima é dinâmico, ou seja, está diretamente em transformação, junto com todo sistema natural em que está inserido. Segundo Borsato (2016), 1 4 o clima é consequência de uma atmosfera complexa, e não se pode ler o clima por fatos isolados, mas sim com a intencionalidade regional, ou seja, as características do local. O primeiro fator climático de proporção global é a LATITU- DE. O posicionamento norte/sul, a partir da linha do equador, faz com que um local seja reconhecido como mais ou menos quente. Isso ocorre pois a irradiação solar, devido ao formato geoidal da Terra, é maior em baixas latitudes e diminui conforme a latitude aumenta em direção aos polos. Justamente por ser dinâmico e de- vido ao eixo de inclinação da Terra, existem locais com verões mais brandos que em outras áreas. O fator latitude nos leva a uma com- preensão de que a faixa equatorial do globo tem dinâmica climá- tica reconhecida por ser espelhada, justamente por contrapor as principais características no globo. Próximo à linha do Equador, o clima é considerado quente e úmido, conhecida então como Zona Equatorial. As faixas tropicais do globo são, por excelência e generalização, quentes e secas; não coincidentemente, nessas faixas, encontramos os principais deser- tos do mundo, conhecidas então como Zona Tropical. As faixas polares, por sua vez, são frias e quanto maior a latitude, mais gelada é a temperatura, conhecida, então, como Zona Tem- perada e Zona Polar. Latitude e incidência solar O fato de a terra ser um círculo geoidal, com superfícies irre- gulares e estar inclinada em relação ao seu eixo central, faz com que o sol incida com intensidades diferentes em cada região lati- tudinal do globo. A zona equatorial recebe os raios de forma mais incisiva e perpendicular do que as zonas polares, o que influencia direta e especificamente na situação climática do globo terrestre. 1 5 UNIDADE 1 UNIDADE 1 O segundo fator climático do qual falaremos, aqui, é a ALTITUDE. É importante compreender que nem todos os locais que estão na zona equatorial global são quentes e úmi- dos, e nem todas as áreas da zona tro- pical são quentes e secas. Isso ocorre, pois, como comentado, não existe apenas o fator LATITUDE, mas, sim, pelo menos quatro fatores principais. Pois bem, duas cidades podem ter latitudes aproximadas e não terem a mesma classificação climática devi- do às altitudes diferenciadas. Por exemplo, Campos do Jordão, cidade paulista, encontra-se com uma latitude média de 22º44’Se a capital Carioca, Rio de Janeiro, encontra-se a uma latitude média de 22º54’S. Com latitudes aproximadas, essa capital tem uma característica climática de ser tropical, quente e úmida, com mé- dias anuais de 20ºC e um verão bas- tante quente, podendo ultrapassar os 35ºC. Campo do Jordão, por sua vez, tem clima considerado tropical tem- perado, com temperatura que pode chegar a 1ºC e raramente ultrapassam os 28ºC (Figura 12). 1 1 Não é apenas a altitude que faz com que essa diferença seja marcada, no entanto, apesar das grandes variações do relevo do Rio de Janeiro que chega no máximo a 1.025 m justamente na Zona Oeste da cidade, ou seja, mais distante do mar, a cidade LATITUDE: distância entre o equador e os polos, medida pelos paralelos em graus com início do principal paralelo — o equador (0 grau) e o polos (até 90 graus). Os trópicos são paralelos que estão a 23º26’16″ do equador. O trópico de câncer, ao norte; e o trópico capricórnio, ao sul. Ambos com circunferência média de =~ 36.787 km. ALTITUDE: nível de altura média ao nível do mar com 0 metros. ZOOM NO CONHECIMENTO Figura 12 - Mapa dos municípios analisados. / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: : a imagem é formada por um mapa de localização, contendo os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, com as cidades do Rio de Janeiro e Campos do Jordão, respectivamente representadas. Na parte superior do mapa, vemos o mapa do Brasil, em tamanho maior, com a delimitação das fronteiras e dos limites estatais em vermelho e, ao seu lado direito, é apresentado em destaque, com ampliação da escala em zoom, os estados de São Paulo, a Oeste em vermelho queimado e do estado do Rio de Janeiro a Leste em laranja. Embaixo desta representação, aparece uma escala gráfica representada por uma faixa branca e preta que a cada espaça- mento gráfico representa 100km do real. Logo, abaixo destes mapas menores e que representam a localização geral, está o mapa. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 encontra-se no litoral, com altitudes que partem dos 2 metros, já a cidade paulista, está situada a uma altitude que ultrapassa os 1.620 metros na Serra da Mantiqueira. Ainda que estando na mesma zona climática, com latitudes similares, o fator altitude é predominante no clima desses locais, assim como os fatores de mariti- midade — que afeta diretamente a capital carioca, e continentalidade — que afeta diretamente o município paulista. Chegamos então ao terceiro fator climático estabelecido anteriormente: MARITIMIDADE. Diversos autores preferem trabalhar a maritimidade e a continentalidade separadamente. Apesar de, realmente, apresentarem questões diferentes e terem conceitos diferenciados, são, justamente, opostos entre si. Uma localidade é afe- tada diretamente pela maritimidade, quando está próxima de regiões oceânicas, ou ainda que insulares, contrapondo então locais que estão situados no interior do continente, distante da umidade do mar e, por isso, tendo potencialidades em serem mais secos. Comentamos aqui sobre potencialidades, uma vez que a área pode ser úmi- da mesmo quando sendo continental, já que pode estar posicionado próximo à corpos hídricos como rios e lagos. Estes últimos, assim como qualquer corpo hídrico continental, não é considerado um fator climático, justamente por ser uma consequência. Podemos aqui questionar se o clima é úmido pois existe um rio, ou existe um rio pelo fato de o clima ser úmido. E esta conclusão vai depen- der do local, dos fatores e dos elementos climáticos, o que veremos mais adiante. 1 8 Maritimidade e continentalidade (figura 13) referem-se ao fato de deter- minado local receber maior influência de zonas marítimas ou continentais. E, justamente por essa oposição, trataremos como um único fator climático neste material. No entanto, como comentado, nem todo centro continental é seco uni- camente pelo fato de não ser insular, isso ocorre por conta da relação e existência do quarto fator climático, aqui, estudado. Não menos importante que os outros, o fator MASSA DE AR, também, está diretamente relacionado às correntes ma- rinhas e à maritimidade. Isso ocorre pois o mar atua como termorregulador das regiões litorâneas, o que influencia, também, nas massas de ares. As MASSAS DE AR são classificadas por serem o conjunto de ar em movi- mento que carrega consigo temperatura e umidade e se deslocam devido à mu- dança de pressão. Para Mendonça e Danni-Oliveira (2006), não é muito simples conceituar massa de ar, uma vez que se trata de um fenômeno atmosférico que não ocorre isoladamente. Elas têm um trajeto conhecido e podem se originar tanto sobre os oceanos quanto sobre os continentes, o que fará com que elas sejam determinadas como quentes, frias, úmidas ou secas. Neste tema de aprendizagem, falamos das massas, apenas, para conhecer os fatores climáticos. Figura 13 - Maritimidade e continentalidade Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem mostra a paisagem de uma praia com a continente coberto de vegetação; nela, existem duas setas, uma que sai do mar e indica o caminho da maritimidade até o continente, e outra que se origina do continente e se direciona ao mar, demonstrando continentalidade 1 9 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Para que uma massa de ar seja formada, o ar deve permanecer estacionário durante certo tempo sobre a superfície homogênea da Terra, que são as regiões polares recobertas de gelo, as grandes áreas marinhas quentes ou frias, as regiões de deserto, as regiões de floresta tropical etc. “A formação de uma massa de ar ocor- re nos grandes centros de alta pressão atmosférica [...]” (STEINKE, 2012, p. 122). Figura 14 - Massas de Ar Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração que mostra o globo terrestres com as linhas dos paralelos e dos meridianos; em cores quentes, estão as manchas de origem das massas de ar quente, próximo à zona tropical; e, em cores frias, as massas de ar de origem nos polos e, portanto, mais frias. As características de uma massa de ar são determinadas pela sua localização, uma vez que massas originadas em locais secos terão características secas; enquanto as originadas em locais úmidos serão úmidas. Isso, também, ocorre com a temperatura, ou seja, quando a massa tem como origem a zona de baixa pressão de locais com baixa latitudes, são mais quentes dos que as originadas em altas latitudes, mais próximas dos polos. Como todos os outros fatores climáticos comentados e pelo fato de o clima ser dinâmico, dependendo de mais de um elemento do atmosférico do clima, existem raras exceções, como o caso da massa equatorial continental que, mesmo sendo formada sobre o continente, é quente e úmida, devido à presença da Amazônia, região muito úmida. Sendo assim, estudaremos as massas de maneira mais aprofundada, mas — de maneira geral — elas podem ser: 1 1 Após entender os fatores do clima, ou seja, o que antecede sua formulação e condiciona sua realidade, falaremos dos ELEMENTOS DO CLIMA. De forma geral, os elementos climáticos são aqueles que são analisados para gerar uma categorização dos climas. Ao dizer que determinado local tem características quentes e úmidas, estamos nos referindo à temperatura e à umidade relativa do ar, sendo assim, esses itens são alguns dos elementos climáticos. Os elementos climáticos são como características que variam no decorrer do tempo (desta vez, falamos de tempo do relógio, e não atmosférico) e no espaço, ou seja, são dinâmicos. Conhecidos, também, como elementos atmosféricos, os principais são: temperatura, umidade, radiação solar e pressão atmosférica. É importante entendermos que os elementos variam de acordo com os fatores. Isso ocorre pois, como já vimos, são determinantes. Por exemplo, a temperatura pode variar de acordo com a altitude e a latitude, assim como a radiação e a pressão. Em alguns casos, a mudança dos elementos se relacionam, também, à temperatura e pressão. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Até o momento, falamos sobre os fatores e oselementos que condicionam e carac- terizam, respectivamente, o clima atmosférico. Falamos que tempo atmosférico é diferente de clima atmosférico, no entanto, apesar de conceituar Atmosfera como sendo a camada gasosa que envolve o planeta Terra, não falamos sobre sua configuração, origem e influência no globo. Desse modo, finalizamos esse tema de aprendizagem conceitual, entendendo onde estão e como se organizam os elementos na atmosfera. A atmosfera é uma camada gasosa, composta, em sua maioria, por gases conhecidos do nosso dia a dia, como oxigênio, gás carbônico, nitrogênio, argô- nio, hélio, ozônio, dentre outros, que são essenciais para a manutenção da vida do planeta Terra. Uma das principais funções desta camada de gás em nosso sistema terrestre está justamente ligada à climatologia: manter a temperatura da superfície terrestre adequada ao tipo de vida, aqui, existente. Se as características desta camada fossem diferentes, com certeza, o tipo de vida aqui também seria, adaptando-se a outra temperatura e a outra pressão. Figura 15 - Relação topografia e clima / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração que mostra a paisagem desenhada do Rio de Janeiro (na lateral direita, onde localiza-se o litoral brasileiro) com menor topografia e temperatura mais elevada. O relevo inicia uma crescente subirá até chegar em um plano mais alto de 800m de altitude com prédios demonstrando a cidade. A topografia continua a se elevar até chegar em um morro alto com a presença de uma casa, demonstrando Campos do Jordão em local mais alto e mais frio. 1 1 Assim como os recursos naturais que a população humana utiliza para se desen- volver, os elementos gasosos presentes na atmosfera, também, são de interesse econômico para compostos de equipamentos como lâmpadas, por exemplo. Além dos já mencionados, o Ozônio tem grande importância na proteção dos raios ultravioletas vindo do sol. Apesar de não existir uma barreira física no seu limite, uma vez que é justamente composta por gases que acabam ficando rarefeitos a uma certa altura atmos- férica, os principais estudos apontam para existência de 1.000 Km de camada gasosa, entre a superfície terrestre e o espaço sideral. O dióxido de carbono (CO2), por exemplo, um dos gases da atmosfera, é usado, efetivamente, pela vegetação; esse gás faz com que ocorra o crescimento das plantas, uma vez que a respiração vegetal é realizada de forma contrária aos animais. En- quanto os animais inspiram Oxigênio e expiram Gás carbônico, os vegetais absor- vem o CO2 e dispensam o O2. Esta é a concreta relação de necessidade que existe entre os membros da natureza. O Oxigênio está na atmosfera a uma proporção de 21%, seguido do Nitrogênio que compõe cerca de 78% da atmosfera. Devido à essa grande importância e para melhor compreensão analítica, a atmos- fera é dividida em algumas camadas, que também podem variar de acordo com nível da escola do conhecimento, para o nosso estudo em climatologia geográfica, são elas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. É impor- tante entender que elas não têm limites físicos entre si, mas, devido às mudanças nos volumes dos gases, são classificadas e reconhecidas pelos cientistas. Veremos cada uma delas. As camadas se iniciam na base da superfície terrestre, com maior peso gasoso, justamente pela quantidade de gás que se concentra nesta região. Na Figura 16, podemos ver que as camadas se iniciam a partir da superfície terrestre Troposfera, sentido o espaço sideral, onde está localizada a camada mais dis- Que tal vermos isso na prática! O posicionamento em que determinado local se encontra no Globo é um fator de extrema importância. A altitude e a maritimidade são de mesmo valor, mas realmente o fator latitude é o mais genericamente e amplamente condicion- ador das características comuns do clima; sendo assim, vamos dar foco a esta temática em um vídeo que pode, inclusive, dar-lhe suporte na sala de aula com seus alunos. Uma experiência simples que identifica facilmente algumas situações que determinam o clima. APROFUNDANDO 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 tante, chamada de Exosfera. Cada uma delas mantém uma característica que a diferencia das demais. Figura 16 - Composição da Atmosfera Descrição da Imagem: : a imagem é uma ilustração que mostra uma porção do planeta terra na parte inferior da imagem, de onde inicia-se a atmosfera dividida em camadas; na primeira camada, a Troposfera, mais próxima à terra, existem nuvens. Na segunda camada, Estratosfera, existem aviões, seguidas da terceira, Mesosfera, com meteoros; a quarta, Termosfera, com a aurora boreal e, por fim, na exosfera, os satélites. Troposfera É a camada onde está concentrada a vida, animal e vegetal. Além disso, é onde percebe-se mais de 70% de todo vapor de água e das atividades atmosféricas liga- das aos processos climáticos, como a chuva, o vento e as nuvens. Nela, também, está concentrado um peso maior dos gases que varia em regiões próximas aos tópicos. É, aqui, que ocorre toda atividade paraquedista. 1 4 Estratosfera Basicamente, é a camada onde circulam os jatos, devido à estabilidade. Nela, a luz solar começa a se dissipar e o azul do céu a se formar. É, também, chamada de camada de Ozônio por manter maior concentração desse gás, o que faz com que haja grande mudança de temperatura neste local. Mesosfera Caracterizada por ser a camada mais fria, chegando a cerca de -95ºC e alojar as principais combustões dos meteoros e meteoritos. Termosfera A camada mais extensa da atmosfera, chegando a cerca de 500 km acima da superfície terrestre, onde o ar é extremamente escasso e, por isso, absorve muita radiação solar, chegando a cerca de 1000ºC, a camada mais quente da atmosfera. Esta, também, é uma das explicações para sediar as auroras e os ônibus espaciais em órbita no planeta Terra. Exosfera Camada mais externa da Terra, tem maior concentração de hélio e hidrogênio. Nela, encontram-se os satélites que geram imagens e dados terrestres. São nestas camadas atmosféricas que todos os elementos se encontram. Não à toa são chamados de elementos atmosféricos. Estudaremos todos eles de maneira integrada e com intuito de perceber a correlação direta entre eles pró- prios, entre eles e o restante do globo. As paisagens, a economia, a sociedade têm relações diretas com as questões físicas do globo e, por isso, podemos modificar o seu funcionamento. 1 5 UNIDADE 1 UNIDADE 1 VOCÊ SABE RESPONDER? Pensando nisso, vamos fazer, na prática, a busca e organização de um material para aula de climatologia? TEMPO E CLIMA Como em todas as ciências, em Geografia, também, é importante ampliar os horizontes e conhecer diversas pesquisas que deem base para o assunto que aprendemos. Sendo assim, vamos conversar com o Prof. Dr. Victor Borsato que há anos acompanha as pesquisas clima- tológicas. Vamos falar sobre o que é, de fato, climatologia e as relações existentes entre as características da atmosfera e fatores do globo! PLAY NO CONHECIMENTO Em uma estação meteorológica, podem ser geradas diversas pesquisas científicas que dão base para o desenvolvimento das práticas sociais. Essas pesquisas podem ter como base a comparação de elementos climáticos de determinados locais em períodos diferentes ou, ainda, de locais diferentes no mesmo período do ano. Um dos bancos de dados mais utilizados é o site oficial de órgão de pesquisa, é o caso do INMET. O INMET não é o único site disponível para buscar informações na- cionais e internacionais sobre o tempo e o clima. Você pode comparar satélites, estações e análises em sites, como o CPTEC — Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais). EU INDICO Por exemplo, no ensino fundamental, no 7º ano, você vai demonstrar para os alunos as diferenças culturais entre as regiões do Brasil e, para isso, você pode começar demonstrando a situação das característicasclimáticas em cada uma delas. Vamos pensar na capital mais quente do Brasil com base na temperatura 1 1 https://vimeo.com/647272299/34ec81e802 https://www.cptec.inpe.br/ média anual: Boa Vista — Roraima, no norte do país — com 27,4ºC; e a capital mais fria do Brasil; também, com base na temperatura média anual: Curitiba — Paraná, no sul do país, com 18ºC. Para chegar a essas conclusões, foi realizada a busca das médias anuais no site do INMET, nos últimos 30 anos. É importante atentar-se ao fato de que não são as cidades com temperaturas mais quentes ou mais frias do Brasil, mas, sim, as capitais. Também, não significa que essas capitais tiveram o registro do dia mais quente ou de menor temperatura entre as capitais. Outras capitais podem ter registrado índices mais extremos, no entanto, na mé- dia anual, ou seja, a média entre a maior e a menor temperatura registrada no ano, essas duas capitais acabaram por ser a mais quente e a mais fria, respectivamente. Sendo assim, você pode fazer essa prática com seus alunos, demonstrando os números e as diferenças culturais diárias que isso pode causar. Desde o vestuário, a alimentação, as moradias até os investimentos em energia e alimentação. Vamos lá! 1. Acesse o site do INMET e vamos colocar em prática o que estudamos até o momento. Perceba que o site demonstra os elementos do clima de uma localidade, no caso da figura a seguir, o município de Brasília — Distrito Federal Brasileiro. Não tenha medo de buscar informações diferentes, como: os avisos meteorológicos, a previsão do tempo, os satélites que fa- zem as marcações dos elementos climáticos e trocar a localidade desejada. O intuito é buscar material para uma pesquisa ou, até mesmo, uma aula de Geografia em que você fará com seus alunos. Pense nisso, durante sua busca! Clique aqui. 1 1 UNIDADE 1 https://portal.inmet.gov.br/ UNIDADE 1 2. Busque por essas duas localidades: Boa Vista-RR e Curitiba-PR. Em cada uma delas, anote os principais elementos: temperatura e umidade relativa do ar. 3. Analise as diferenças existentes no mesmo dia, verifique qual está mais quente neste momento, qual tem maior umidade e o como isso influencia a vida cultural e econômica dos citadinos locais. Figura 17 - Elementos do clima no site do INMET / Fonte: INMET ([2022], on-line). Descrição da Imagem: a figura mostra o site do INMET com os elementos climáticos na situação real e a previsão por local. O site é dividido em duas colunas; na primeira, usando mais de 2/3 da imagem, existe um mapa da américa do sul com destaque ao Brasil e a previsão do tempo atualizada, mostrando em cores diferentes que, no Norte, há risco de chuvas fortes maiores que no sul. Isso é visto com manchas amarelas que sobrepõem o mapa do Brasil ao norte e nordeste no litoral. Sobre o mapa existe, no canto direito, uma legenda, que classifica a cor amarela como perigo potencial, a cor laranja como perigo e a cor vermelha como grande perigo. Apenas a cor amarela aparece neste mapa do Brasil. Na segunda coluna, vemos o título: “Previsão para sua cidade”, em que foi selecionada a cidade de Maringá-PR. Abaixo, aparece o subtítulo “temperatura” com a presença de um ícone de gelo ao lado de um termômetro, demonstrando 12° C, seguido de um ícone com sol e termômetro registrando a tendência de 28°C. Logo abaixo, dois ícones de gotas, sendo um em azul e outro em vermelho, 75% e 30%, respectivamente. A seguir, na parte inferior da imagem, vemos um ícone de lua com poucas nuvens representando esta característica na previsão que pode ser alterada para noite, manhã e tarde. 1 8 Quem sabe você não tem acesso à sala de informática e consegue fazer essa atividade em grupo com os alunos, ou até mesmo usar o celular individual de cada um para isso?! Organize qual grupo vai pesquisar cada elemento, instigue a investigação. Você pode ir além e comentar sobre o relevo, a vegetação, a economia, até porque esse é o diferen- cial da Geografia, sua conectividade dos sistemas! PENSANDO JUNTOS 4. Agora, busque a previsão do tempo para esses dois locais. Existe diferen- ça? Quais são elas? E que tal comparar a sua cidade? Ela é mais quente ou mais fria que alguma delas? Agora que estudamos a teoria e a prática para analisar os elementos e os fatores climáticos, faça uma checklist, respondendo às questões buscadas no site do IN- MET da atividade sugerida. Procure por esses dados, análise e contextualize o que você aprendeu até agora. Para isso, faça um mapa de empatia, demonstrando os seus conhecimentos. Você pode fazer isso no formato do tradicional papel e caneta, ou se provocar ainda mais e colocar em prática seu potencial de professor inovador. Para isso, pode usar o apoio de tecnologias. Vá além! Seja sempre o seu melhor! NOVOS DESAFIOS Começamos nossos estudos de climatologia entendendo que, apesar de ser bom começar pelo começo, sempre buscamos o entendimento do todo. A própria Geografia mesmo não tem subdivisões reais e práticas. Fazemos isso apenas para organizar o processo de ensino e aprendizagem. Vimos, então, que o clima não está dissociado do relevo nem mesmo da hidrografia, tampouco do ser humano e de sua relação com o meio. Estudamos também sobre os conceitos de clima e tempo, entendendo a diferença entre climatologia e meteorologia e conhecendo suas características, finalidades, elementos e equipamentos. Por fim, conceitua- mos os fatores climáticos e os elementos do clima. 1 9 UNIDADE 1 AGORA É COM VOCÊ 1. Agora que estudamos a teoria e a prática para analisar os elementos e os fatores climáticos, faça uma checklist, respondendo às questões buscadas no site do INMET da atividade sugerida. Procure por esses dados, análise e contextualize o que você aprendeu até agora. Para isso, faça um mapa de empatia, demonstrando os seus conhecimentos. Você pode fazer isso no formato do tradicional papel e caneta, ou se provocar ainda mais e colocar em prática seu potencial de professor inovador. Para isso, pode usar o apoio de tecnologias. Vá além! Seja sempre o seu melhor! 4 1 MEU ESPAÇO 4 1 UNIDADE 1 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 ESTAÇÕES DO ANO: ROTAÇÃO E TRANSLAÇÃO PROFA. DRA. LARISSA DONATO Entender como são formadas as estações do ano. Entender como se dão os movimentos de rotação e translação do globo e como esses movimentos influenciam nossa vida. 4 1 INICIE SUA JORNADA Eu sempre gostei de conhecer as estações do ano. Quando criança, gostava de entender o que mudava em cada uma delas e ficava muito intrigada com o fato de comer morango em julho e manga no final do ano. Meu pai mora na área rural e eu gostava de ver a árvore da manga criando flores, que se tornavam mangas pe- sadas que caiam do pé sozinhas. Inclusive, meu pai sempre diz que não há sabor melhor do que o de comer a fruta embaixo do pé. Coisas do sítio! Eu a prefiro mais durinha, cortada com a faca, mas sempre gostei de perceber a mudança na paisagem causada pelas etapas do desenvolvimento de cada fruto. Essa paisagem é marcada por cheiro, cores e volumes diferentes. Outra situação um pouco mais recente foi quando comecei a dar aulas na Unicesumar, em meados de 2015, e a coordenadora me pediu para não usar roupas pesadas, quentes — casacos, lenços, cachecóis — durante a gravação das aulas e nas aulas ao vivo. Não sei se ela se recorda disso, mas eu fiquei intrigada e perguntei se a sala era climatizada, pois estava frio naquela noite. Vale comentar que, climatologicamente, a sede principal da universidade está na região sul. Além de ela responder que sim — o estúdio é climatizado, mantendo tempera- tura agradável ao professor —, ela explicou que, como existiam alunos de todo o Brasil assistindo à aula (e, até mesmo, fora do país), o fato de estar toda coberta de tecido poderia causar um estranhamento em quem estivesse assistindo à aula no Norte ou Nordeste brasileiro. Percebi, então, o quanto aquilo fazia sentido e o quanto a percepçãodo clima estava, até mesmo, nos nossos olhos. Mesmo sem sentir fisicamente, percebemos o clima na paisagem. Não há nada mais geográfico do que isso! Por isso, voltando para a minha infância, muito antes de pensar em aprender mais sobre a Geografia, eu sempre me atentei às estações do ano e às roupas que a repórter usava quando apresentava uma matéria lá na Inglaterra em dezembro, com o solo coberto de neve, e eu de regata, na frente na TV, torcendo para o venti- lador refrescar a sala. As estações do ano não somente são diferentes dependendo do hemisfério do globo, como também se apresentam diferentemente dentro do próprio hemisfério. Você já deve ter ouvido que, em Portugal, as quatro estações são bem definidas, no Sul do Brasil, há verão e inverno e, em Fortaleza, há verão e inferno! Pois bem, além dos fatores e dos elementos determinarem o clima, isso pode ser diferente dependendo da localização no globo. 4 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Em primeiro lugar, então, para responder a todas estas perguntas, é preciso en- tender que o clima não é igual em todos os lugares do globo. E como já co- mentado, isso justamente ocorre devido à diferença na incidência da radiação solar sobre a Terra. Esse elemento climático/atmosférico, que já foi comentado, aquece o planeta e garante este tipo de vida que conhecemos na Terra. Ou seja, até mesmo nossa posição no sistema solar, como terceiro planeta em órbita, a cerca de 148.440.000 km desta estrela, que é fonte de luz e calor, permite a vida das espécies que aqui habitam. Temos, então, movimentos constantes no nosso sistema. O fato de tudo ser dinâmico e nem um pouco estático faz com que os estudos sejam complexos e sempre necessários. VOCÊ SABE RESPONDER? Então, como são formadas as estações do ano? Como se dão os movimentos de rotação e translação do globo? Existem outros movimentos do planeta Terra? Esses movimentos são padrões ou sofrem alterações? No que eles influenciam na nossa vida? 4 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL O movimento de Rotação é aquele em que a Terra faz em torno dela mesma, ou seja, no seu próprio eixo. Este movimento faz com que uma parcialidade terrestre esteja exposta ao sol, enquanto a outra parcialidade seja protegida do sol, assim, temos o que chamamos de dia e de noite, respectivamente. Se tomarmos como base o Equador, com cerca de 40.075 km de perímetro, o movimento de rotação, com duração próxima a 24h (23h56min4,09053s), tem uma velocidade média de 460 m/s, ou cerca de 1.656 km/h. Devido à inclinação da Terra, que, atualmente, é de 23°26’21”, os hemisférios Norte e Sul não seguem com a mesma exposição solar, uma vez que, além desse movimento em torno do seu próprio eixo, a Terra também faz um movimento de translação, orbital, em torno do Sol. Essa inclinação do eixo terrestre faz com que o hemisfério Sul esteja aproximado do Sol em metade do seu trajeto e o hemisfério Norte esteja nesta condição na outra metade do trajeto em torno do Sol. Essa é a significação base da duração dos nossos dias e, consequentemente, das estações do ano. Pode parecer um pouco complicado, mas estes movimentos são diretamente percebidos por nós, justamente pela mudança do dia para a noite e pelas estações do ano. Quando criança, você já deve ter ouvido alguma criança dizer que adoraria ir ao local onde o dia e a noite se “encontram”, parece bobagem, mas muitas pessoas falam isso ao olhar imagens de satélites que mostram a divisão marcada pelo claro do dia e o escuro da noite. A grande questão é que estamos neste local duas vezes ao dia: no amanhecer do dia e no pôr do sol para a queda da noite! Estes são, justamente, os horários em que o dia e a noite se encontram, indepen- dentemente do local. Vamos entender isso na prática? Em um dia de sol, observe uma árvore e sua sombra. Você pode usar outro objeto como recurso para esta experiência. Você perceberá que a radiação solar sobre a árvore, além da sombra que ela gera, é diferente no decorrer do dia. Isso ocorre devido ao chamado movimento apa- rente do Sol, pois, na realidade, sabemos que o Sol não tem movimento orbital sobre os planetas, mas, sim, o contrário. No entanto, quando olhamos para o céu, percebemos, aparentemente, que é ele que “se desloca” no decorrer do dia. Inclusive, o sol sempre inicia o amanhecer no Leste e se põe no Oeste. Mas falare- mos disso a seguir. Sendo assim, a sombra do objeto também mudará de direção. 4 5 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Faça a seguinte experiência: coloque um objeto em um ambiente aberto, com sol, e observe a relação dele com a sua sombra. Faça isso, com o mesmo objeto, no mesmo local, em diferentes horários do dia. Você observará que a sombra se desloca em relação ao objeto. Isso acontece pelo movimento aparente do sol, que é, na realidade, o movimento de rotação. Faça o seguinte: Figura 1 - Posição do sol / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: na imagem, temos os passos sobre o movimento aparente do sol: 1 - colocar um objeto ao sol; 2 - com auxílio de uma bússola ou do próprio GPS de um celular, no Google Maps, verifique o posicionamento norte, sul, leste e oeste; 3 - anote o horário e o posicionamento do sol referente ao objeto e, consequentemente, o posicionamento da sombra em relação a ele; 4 - faça isso pelo menos mais umas duas vezes em horários distintos, com pelo menos 2 horas de espaçamento entre uma anotação e outra. Lembre-se que você tem o objetivo de ser professor(a) de Geografia, sendo assim, é importante praticar atividades para compreender, da melhor forma, os processos geográficos do clima e, ainda, garantir atividades práticas para realizar com seus alunos. O diferencial do professor de Geografia está, justamente, em tornar visível algo que, na maioria das vezes, é abstrato. PENSANDO JUNTOS E aí? o que você conseguiu observar? Vamos anotar as nossas conclusões. Perce- beu que a sombra é inversa à posição da radiação do sol? Ou seja, quando o sol está a leste, no período da manhã, a sombra está na direção oeste. Quanto mais 4 1 próximo do meio-dia, o sol fica à pino, posição aproximada da radiação, com ângu- lo de 90º, sobre a superfície terrestre. Esta posição faz com que a sombra diminua. Quanto mais tarde são feitas as observações e anotações, mais as sombras são deslocadas para o leste, uma vez que o sol está se pondo no Oeste e, também, passa a ser uma sombra maior e mais alongada. Essa localidade da Terra perde a intensidade de calor dos raios solares que passa a clarear o outro lado do globo. Faça um texto com suas observações, busque conhecer outras pesquisas sobre o assunto e novas atividades. O seu objeto funcionou, basicamente, como um relógio do sol. Para saber mais sobre o relógio de sol, aprender a fazer o seu próprio reló- gio e conhecer o processo do seu desenvolvimento, acesse aqui. EU INDICO O movimento de rotação nos permite, então, ter o dia e a noite. Mas como chegamos às estações do ano? A resposta está justamente na inclinação do eixo terrestre e no movimento de translação da Terra (Figura 1). 4 1 UNIDADE 1 https://pt.khanacademy.org/science/6-ano/terra-e-universo-6-ano/os-movimentos-da-terra/a/o-gnmon-e-os-movimentos-da-terra UNIDADE 1 Ao realizar este movimento de translação, que tem, aproximadamente, 940 mi- lhões de km, com durabilidade de cerca de 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 56 segundos e com velocidade média de, aproximadamente, 107.000 km/h (ou próximo de 30 km/s), a Terra, por estar inclinada em seu próprio eixo, faz com que a irradiação solar seja diferente dependendo da posição do trajeto do movi- mento de translação. Se não existisse a inclinação deste eixo terrestre, as estações do ano, também, não existiriam da forma como conhecemos. Figura 2 - Estações do ano / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: em um círculo do lado esquerdo, aparece o título: “estações do ano”. Deste círculo, saem três linhas que apresentam as três principais condições das estações, numeradas em 1: rotação, movimentoem torno do seu eixo; 2: translação, movimento orbital em torno do Sol; e 3: eixo de inclinação, irradiação solar diferenciada no globo. 4 8 Percebemos que o eixo de rotação da Terra, marcado também pelo eixo de in- clinação, não coincide com a incidência de radiação solar, fazendo com que o hemisfério Norte esteja mais próximo do sol e, portanto, na estação marcada pelo verão. Consequentemente, o hemisfério Sul recebe menor incidência solar, por isso, o inverno. Nesse sentido, duas informações são importantes: Figura 3 - Inclinação da Terra / Fonte: Wikimedia Commons (online). Descrição da Imagem: a figura apresenta uma ilustração do planeta Terra com linhas e marcações que orientam sobre a sua movimentação, indicando eixo de rotação, inclinação axial ou obliquidade, perpendicular à órbita, Equador Celeste, Eclíptica e Direção da Órbita. O que a inclinação do eixo da terra tem a ver com as estações do ano? Vamos estender um pouco mais sobre? Clique aqui. EU INDICO 4 9 UNIDADE 1 https://m.youtube.com/shorts/nXwW3CQJv7g UNIDADE 1 1. O eixo de inclinação não é fixo, podendo mudar no decorrer dos anos. 2. O sol não está posicionado exatamente no centro deste movimento, fa- zendo também com que a radiação seja diferente em períodos diferentes do ano. Veremos cada uma dessas informações mais detalhadamente. Em março de 2021, os cientistas Deng S. Liu, Jiang e Bauer-Gottwein publica- ram a pesquisa “Deriva polar na década de 1990 explicada por mudanças no armazenamento de água terrestre”, que mostra que a deriva polar, na década de 1990, pode ser explicada por mudanças no armazenamento de água terrestre e, consequentemente, no eixo de inclinação da Terra. Segundo eles, a crise climática altera, diretamente, o movimento terrestre, uma vez que o eixo da Terra está, cada vez mais, distante do Canadá e mais próximo da Rússia, devido à mudança na massa líquida derretida das geleiras. 5 1 O que já acontecia, devido ao ferro no interior do pla- neta, fenômeno chamado Deriva Polar, foi intensi- ficado em 17 vezes desde a entrada no século XXI, comparada às duas últimas décadas do século XX. A mudança na massa hídrica alterou, ainda mais, o eixo de inclinação da Terra. Para realizar a pesquisa, além de sondas espaciais da NASA e do centro alemão, os pesquisadores usaram dados de registros dos últimos 170 anos das geleiras polares. A consequência dessa mudança pode ser percebida nas estações do ano, uma vez que o sol incide mais sobre um hemis- fério, em uma das estações, do que no outro hemisfério, dependendo do local onde o planeta esteja na trajetória em torno do Sol. Isso nos remete à segunda informação, de que o sol não está posicionado no centro deste movimento de translação orbital. Conforme é possível observar na Figura 4, a seguir, o movimento da Terra em torno do Sol — chamado translação — é uma órbita elíptica, ou seja, ela não é circular central com excentricidade zero. De maneira facilitada, a órbita elíptica é achatada, fazendo com que as distâncias do centro não sejam as mesmas em qualquer ponto da órbita. Figura 4 - Órbita do planeta Terra no Sol / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: A figura mostra o sol, esférico, na cor amarela, no centro da imagem, circulado por uma linha que é mais aproximada ao sol do lado esquerdo do que do lado direito. Sobre essa linha, aparece, por quatro vezes, o planeta Terra, representando as diferentes distâncias em relação ao Sol. Nas partes superior e inferior, estão representados os equinócios de primavera e outono e, nas duas laterais, estão representados os solstícios de verão e inverno. As partes internas das Terras representadas no círculo são mais claras do que as externas, mostrando o dia, quando expostas ao sol e à noite, quando na sombra que a Terra causa a partir da iluminação dele. a crise climática altera, diretamente, o movimento terrestre 5 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Por conta dessa diferente distância do Sol em relação à órbita terrestre, exis- te um exato momento em que a Terra se encontra o mais distante possível do Sol, chamado afélio, e, ainda, um momento em que ela está mais aproximada do Sol, chamado periélio. No afélio, a Terra e o Sol estão a uma distância de, aproximadamente, 153.100.000 km, o que é cerca de 3,4% mais distante do que quando se encontra na posição mais aproximada. Essa distância é alcançada perto do dia 4 de julho, e a velocidade do movimento de translação, também, é diminuída em relação ao periélio. No periélio, a distância entre a estrela e o planeta é de, aproximadamente, 147.300.000 km, ocorrendo próximo ao dia 4 de janeiro. Consequentemente, em relação a esta órbita elíptica, ocorrem, então, os solstícios e os equinócios. Nos solstícios, os dias e as noites não têm a mesma duração, justamente pelo fato de que os raios solares incidem verticalmente sobre os trópicos. Isso ocorre entre os dias 21 e 22 de dezembro, marcando o solstício de verão no hemisfério Sul e, consequentemente, solstício de inverno para o hemisfério Norte, quando o periélio está com o hemisfério Sul mais próximo do Sol. Nos dias 21 ou 22 de julho, ocorre o contrário, o solstício de inverno para o hemisfério Sul e solstício de verão para o hemisfério Norte, quando afélio. Em situação oposta, consequentemente, gerando as quatro estações do ano, no dia 21 ou 22 de março e no dia 22 ou 23 de setembro, existem os equinócios de prima- vera e verão, ocorrendo também inversamente em cada hemisfério, Sul e Norte. O livro “Climatologia: noções básicas e climas do Brasil”, dos au- tores Francisco Mendonça e Inês Moresco Danni-Oliveira, reúne os conceitos básicos de Meteorologia e Climatologia, destacando os domínios climáticos e sistemas atmosféricos que regem o tempo e os climas do continente Sul-Americano e do Brasil. Efeito estufa, El Niño e La Niña e desertificação, associados às mudanças climáticas globais, recebem atenção especial. O livro destina-se às áreas de Geografia, Agronomia, Biologia, entre outras. INDICAÇÃO DE LIVRO No momento do equinócio, os dois hemisférios recebem, praticamente, a mesma ra- diação solar, tendo o dia e a noite a mesma duração de, aproximadamente, 12h. ZOOM NO CONHECIMENTO 5 1 Os dias de ocorrência tanto para os solstícios de verão e inverno como para os equinócios de primavera e outono não são fixos, variando até em um dia, como mencionado anteriormente. Isso ocorre justamente devido ao ano bissexto. No Quadro 1, a seguir, podemos observar as datas dos equinócios e solstícios, de 2020 a 2025, com horário de Brasília. Quadro 1 - Equinócios e Solstícios / Fonte: adaptado de Simepar (2022). Que está ocorrendo uma mudança orbital já foi estudado e comprovado, mas você já pa- rou para pensar o quanto isso pode influenciar no nosso dia? Se o sol tiver sua incidência angular diferente nas regiões do globo, isso pode alterar a circulação das águas dos rios e da irrigação da agricultura bem como o comprimento do dia e da noite, uma vez que, apesar do dia todo ter cerca de 24 horas, as horas solares e lunares oscilam no decorrer das estações e, também, em diferentes regiões. Na Noruega, por exemplo, conhecido como o país do sol da meia-noite, devido à inclinação do eixo terrestre, o sol continua clareando o ambiente, em contrapartida, no Alasca, a noite polar pode durar todo o inverno, sem que seja possível ver o sol. Qualquer mudança neste sistema pode alterar toda relação climática do globo. Apesar do eixo mudar naturalmente, como visto nas pesquisas, nos últimos 20 anos, ele foi 17 vezes maior que nas duas décadas anteriores, devido à influência da humanidade. PENSANDO JUNTOS 5 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Uma outra consequência, que é percebida, de forma muito direta, por nós, de todo esse movimento terrestre e está diretamente relacionada ao movimento de translação, são os anos bissextos. Como já comentado, esse movimento orbital de, aproximadamente, 940 milhões de km leva cerca de 365dias, cinco horas, 48 minutos e 56 segundos para acontecer de forma completa. Como já vimos, um dia completo, que consideramos como 24h, também não é exatamente este nú- mero, sendo assim, a cada quatro anos, ocorrem os anos bissextos, fazendo com que o ano tenha 366 dias. Sempre em fevereiro, a cada quatro anos, marcamos o dia 29, devido, justamente, à junção dessas horas ditas excedentes dos anos com 365 dias e quase 6h. Ou seja, ao somar essas 6h a mais em quatro anos, resulta-se em um dia a mais. Essa convenção foi adotada desde a ditadura de Júlio César, nos anos 50 a.C., e o dia 29 de fevereiro passou a ser acrescido, desde 1582, no calendário gregoriano com anos que são matematicamente divisíveis por quatro (CAMPOS, [2022]). Para saber se o ano é bissexto, basta dividir sua dezena por quatro, por exem- plo, para o ano de 2016, dividimos 16 por quatro, como o resultado é um número inteiro, quatro, o ano de 2016 foi bissexto. Já o ano de 2022, em que 22 dividido por quatro resulta em número não inteiro (5,5), concluímos que o ano não é bissexto. Quando o ano termina em 00, como o ano de 2000, por exemplo, dividi- mos o número total por 400 e, caso o resultado seja um número inteiro, também resulta em ano bissexto. No caso do ano 2000, que dividido por 400 resulta em cinco, concluímos como um ano que foi bissexto. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem você pode entender como são formadas as estações do ano e também como se dão os movimentos de rotação e translação do globo e como esses movimentos influenciam nossa vida. 5 4 AGORA É COM VOCÊ Você já parou para pensar quanta informação vimos até aqui? Que tal fazer um Mapa Mental com os principais dados e os principais conceitos?! Convido-o(a) a buscar climogramas de outros biomas do globo e compará-los para entender, cada vez mais, a correlação ambiental e social existente na Geografia. 5 5 UNIDADE 1 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 AS PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS PROFA. DRA. LARISSA DONATO Conhecer um dos fatores climáticos determinantes para o clima: a latitude. Entender as principais classificações climáticas. Entender qual a relação entre climogramas, regime pluviométrico e temper- atura. Perceber a relação dos elementos climáticos e os biomas no globo. Entender o que são os fusos-horários e sua relação com os movimentos dinâmicos do planeta Terra. Entender qual a relação entre fuso-horário e longitude. 5 1 INICIE SUA JORNADA Agora que entendemos as estações do ano e a sua principal origem — o movi- mento de translação com o eixo de inclinação da Terra —, precisamos lembrar de um dos fatores climáticos determinantes para o clima: a latitude. Este fator nos mostra justamente como tudo está relacionado em um grande sistema correlato. Este fator de posicionamento do globo diante do sol e seu movimento em órbita a ele faz com que, basicamente, o Equador funcione como um espelho, onde o clima quente se resfria quanto mais alta for a latitude, ou seja, do Equador até os polos, tanto no hemisfério Norte quanto no hemisfério Sul. Amplamente, o globo é dividido em cinco faixas climáticas, sendo elas: Zona Tropical, delimitada pelos trópicos de Câncer, ao norte, e de Capricórnio, ao sul; Zona Temperada do Norte; Zona Temperada do Sul; Zona Polar Ártica; e Zona Polar Antártica, conforme Figura 1, que, apesar de subdividir a Zona Tropical, demonstra as cinco principais zonas. 5 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Figura 1 - Zonas climáticas do globo / Fonte: o autora. Descrição da Imagem: a figura mostra um mapa-múndi dividido em zonas latitudinais, em que, próximo do Equa- dor, as cores são quentes (vermelho e laranja) e, quanto mais próximo dos pólos, as cores são frias (verde e azul). Com um detalhamento em escala um pouco mais específico, é possível classificar regiões climáticas dentro destas Zonas, gerando, assim, as principais classificações climáticas do globo. Segundo Ayoade (2003), as classificações climáticas fazem uma descrição dos tipos de clima de cada local, levando em consideração, principalmente, os elementos atmosféricos sistematizados, simplificados e condensados, com objetivo de delimitar um domínio do clima. Ele mesmo analisa que nem sempre o clima é fiel às características locais, uma vez que é dinâmico e complexo APROFUNDANDO 5 8 Para Mendonça e Danni-Oliveira (2007), não existem dois climas iguais, e a combinação de elementos diferentes pode resultar em um clima homogêneo e distinto de outra região. Historicamente, os estudos das classificações climáticas iniciaram com Aristóteles (século V a.C.), que percebeu a diferença da incidência dos raios solares na superfície terrestre. As próprias zonas térmicas, ou zonas climáticas, apresentadas anteriormente tiveram origem na classifi- cação de Parmênides, em 500 a.C., nestes estudos STRAUSS, 200. Atualmente, após a Revolução Industrial, diversas classificações surgiram, com mais de 200 estudos sobre este assunto, no entanto as mais reconhecidas interna- cionalmente são aquelas fundadas na descrição empírica que combinam elemen- tos, como a de Koppen-Geiger (1961), que classificou em letras os diferentes tipos climáticos agrupados, e as classificações com origem na genética climática, por exemplo, a de Strahler (1951). Desde então, diversas classificações são realizadas, mas as zonas climáticas são, de forma geral, base para estudo deamplitude climá- tica com algumas distinções da Zona Equatorial, entre as tropicais. Em relação às principais classificações climáticas, a maioria dos estudos apresentam dez grupos, sendo eles: CLIMA EQUATORIAL Com proximidade à Linha do Equador e presente entre os trópicos, ocorre na Amazônia, África equatorial e Indonésia. É reconhecido por ser quente, com tem- peraturas de, aproximadamente, 25 graus com pouca amplitude térmica, ou seja, não tem grande variedade no decorrer do dia A alta umidade, superior a 200 mm, é uma das principais características,sendo o grande diferencial na Zona Tropical CLIMA TROPICAL Região delimitada pelos trópicos de Câncer, ao norte, e de capricórnio, ao sul. Apesar de ter temperaturas elevadas, de, aproximadamente, 20 graus, tem duas estações bem definidas, com verão úmido e inverno seco. A maritimidade versus a continentalidade pode influenciar bastante na variação dessa classificação, assim como a topografia. Sendo assim, locais mais próximos do litoral são mais úmidos, e locais mais altos acabam sendo mais frios. 5 9 UNIDADE 1 UNIDADE 1 CLIMA TEMPERADO Próximo das médias latitudes e, também, com altitude mediana, apresenta quatro estações com temperaturas que variam de oito a 15 graus Tem grande influência da maritimidade e da continentalidade, sendo mais úmidos e menos frios, quando próximo ao oceano, e mais seco e mais frio, quando próximo às regiões continentais CLIMA SUBTROPICAL É marcado pela transição entre o clima Tropical e o clima Temperado Apesar de chuvas bem distribuídas durante o ano, registra temperaturas negativas no inverno e acima de 30 graus no verão CLIMA MEDITERRÂNEO Específico da região próxima ao mar Mediterrâneo, tem duas estações bem de- finidas: verão, quente e seco, e inverno, mais frio e chuvoso. A média anual é 20 graus CLIMA FRIO SUBPOLAR Com duas estações, o verão é considerado fresco, com temperaturas que variam de três a dez graus, no entanto tem um inverno rigoroso, com temperaturas ne- gativas com presença de neve CLIMA FRIO DE MONTANHA Formado em uma região montanhosa, como os Andes, os Alpes e o Himalaia, a temperatura varia de acordo com o relevo, ficando drasticamente mais frio quan- to mais alto. Nestas regiões, há neve, durante todo o ano, que nunca derrete. 1 1 Resumidamente, os movimentos de rotação e trans- lação determinam o valor de luz e calor recebido pelo Sol durante os dias e o ano, respectivamente. Dessa forma, conectamos, mais uma vez, a relação integrada da Geografia, que depende, ciclicamente, dosfatores externos e internos, bióticos e abióticos, para manifes- tar, entre outras situações, o clima de um local que muda, às vezes, mais, às vezes, menos, de acordo com as estações do ano. Devemos ficar atentos à correlação dessas principais zonas às estações do ano. Perceba que, na relação com a temperatura, existe sempre alguma denomina- ção de diferença ou semelhança no decorrer do ano. No clima Polar, por exem- plo, existe uma diferença entre o verão e o inverno, mesmo que as temperaturas sejam sempre baixas o ano todo. No clima Temperado, a principal característica é que as quatro estações são bem definidas, diferentemente do Mediterrâneo, CLIMA POLAR OU GLACIAL Próximo dos pólos Norte e Sul, tem altitude elevada com temperaturas baixas durante todo o ano, próximo dos -30 graus. Além da baixa umidade, tem baixo nível pluviométrico CLIMA SEMIÁRIDO Normalmente, ocorre próximo a um deserto, salvo algumas exceções, como é o caso do semiárido em parte do Nordeste brasileiro. É como uma faixa de transição ao deserto, um local de seca, porém com presença de Oasis e chuvas espaçadas, mesmo que escassas A temperatura média é marcada por cerca de 28°C e com baixa umidade. CLIMA DESÉRTICO Normalmente, presente nas Zonas Temperadas e, principalmente, nas Tropicais, como no Oriente Médio, no norte da África, no oeste dos EUA, no Chile e no Peru, tem amplitude térmica diária de mais de 50 graus com baixa umidade e chuvas extremamente escassas Devemos ficar atentos à correlação dessas principais zonas às estações do ano. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 com verões quentes e invernos amenos, e do Semiárido, com temperaturas ele- vadas durante todo o ano. No clima Tropical, existem apenas duas estações bem definidas, assim como no Subtropical, com verões quentes e invernos frios. Já no clima Equatorial, está sempre quente. No mapa, esta distribuição ocorre da seguinte forma (Figura 2): Figura 2 - Distribuição dos principais climas do mundo / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta o mapa-múndi com a distribuição de dez tipos de clima. Cada continente é cortado, latitudinalmente, com cores frias para locais de baixa temperatura e cores quentes para locais de altas temperaturas. De norte a sul, temos: azul escuro, simbolizando clima polar; azul claro, clima de tundra; verde escuro, continental úmido; e verde claro, temperado. As cores amarelo, marrom e preto se mesclam em meio a faixa do trópico de Câncer, simbolizando, respectivamente, clima oceânico, desértico e de monções. Próximo ao Equador, as cores laranja e rosa representam clima de savana e equatorial. A partir deste momento, o Equador se comporta como um espelho, e as cores começam a repetir de forma contrária, até chegar na zona polar sul fria, na cor azul escura, novamente. Abaixo do mapa, existe uma legenda com a determinação de cada uma dessas cores. . 1 1 Isso é muito utilizado em todas as áreas da Geografia. Para demonstrar solos, granulometrias e clivagens, normalmente, utilizamos uma caneta ou um martelo geológico. Nas imagens da Figura 3, foi usada uma escala que pode dar ideia de proporção real. Essas imagens mostram o quanto as características climáticas influenciam na agricultura e, ainda, evidenciam a relação de uma localidade la- titudinal que resulta em estações bem distribuídas durante o ano, como é o caso da oliveira (árvore da azeitona), em Portugal — Zona Climática Temperada com influência do clima Mediterrâneo. Convido-o(a) a fotografar uma mesma árvore todo dia 1 de todos os meses e comparar as fotografias. Perceba se, na sua região, a árvore sofre alteração com o calor, com a chuva, com o frio ou com a seca. Será possível identificar as estações sem olhar as datas das fotos? Dependendo da região, o verão e o inverno são muito aproximados nas suas condições. Você pode utilizar algum objeto conhecido para servir de escala. Mesmo que o tamanho não seja especificado, ele pode dar ideia e noção espacial para o item fotografado. PENSANDO JUNTOS 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Você deve estar se perguntando como esses estudos são realizados, ou seja, como um pesquisador chegou à conclusão de que um local tem duas estações bem defi- nidas, e outro faz frio o ano todo. Isso é possível por meio de sucessões do tempo, marcados com estudos climáticos de, pelo menos, 30 anos, como já foi estudado por aqui. No entanto, os principais registros e as principais análises são realizados por meio de dois gráficos importantes na climatologia. Os climogramas, como são chamados, apresentam, basicamente, duas informações importantes ligadas a dois elementos atmosféricos: a umidade, marcada pelo regime pluviométrico ou pela maritimidade, e a temperatura, marcada pelo calor do ar atmosférico. O re- gime pluviométrico é composto não apenas pela quantidade, mas também pela distribuição das chuvas, ou seja, o quanto choveu e como foi essa precipitação em tempo e volume. O mesmo ocorre com a temperatura, que é marcada não apenas de forma média, mas sua intensificação no espaço e no tempo. Figura 3 - Paisagens de diferentes estações do ano: a) primavera; b) verão; c) outono; e d) inverno Fonte: Oliveira (2019). Descrição da Imagem:a figura apresenta quatro imagens da mesma árvore, oliveira. Na primeira, a oliveira, na região central de Portugal, está florida, demonstrando o avanço do plantio de azeitonas; na segunda, as flores deram espaço para os frutos (as azeitonas, que serão colhidas); na terceira, a oliveira aparece sem flores, porém com muita folhagem verde; e, na quarta, ela está apenas com os galhos, sem folhas. 1 4 Um climograma pode ser realizado com informações medianas no decorrer de um ano em uma localidade ou, ainda, com informações medianas de cada dia, podendo, ainda, ser específicos a horas da situação atmosférica local. Neste tipo de gráfico, as colunas representam a precipitação, e as linhas demonstram as temperaturas registradas. Por exemplo, o climograma disponível neste link representa os dados obtidos no município de Maringá-PR (Sul do Brasil). Nele, obser- vamos dados médios dos 12 meses do ano de 2019. Isso significa que, em cada dia, foi tirada uma média e gerada uma planilha com dados médios diários. Ou seja, vamos supor que, no dia 20 de janeiro de 2019, tenha feito mínima de 21,1°C e máxima, de 28,8°C, como é o caso. Isso significa que, neste dia, a média foi de 24,5°C. Sendo assim, isso foi realizado para todos os dias e, então, feita a média mensal e, por fim, apresentado o climograma de toda média mensal do ano de 2019. EU INDICO Este climograma nos revela um local com maiores temperaturas nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro com temperaturas que se aproximam dos 25°C (da- dos em vermelho), sendo, também, os meses com maior índice de pluviosidade, com destaque para o primeiro mês do ano, que se aproxima aos 230 mm (dados em azul). Em contrapartida, julho foi o mês mais frio, com temperatura em torno de 17°C. O mês com menor precipitação foi o mês sucessor, agosto, com menos de 60 mm mensal. Podemos concluir que, neste ano, ficou registrado um verão quente e úmido contraposto a um inverno frio e seco. Será que isso é o comum em todos os anos? Para saber, devemos analisar os climogramas de toda uma série histórica. Para isso, acesse aqui. É possível com- parar estes dados de 2019 aos dados médios dos últimos 30 anos (até 2022, por exemplo), realizado pelo CLIMATEMPO com os dados da Simepar (Quadro 1). Percebemos que as médias são semelhantes em todos os meses, com julho sendo o mais frio, com mínima próxima de 13°C registrada, e os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro como sendo os mais quentes, com máximas de cerca de 30°C. Agosto foi o mês que menos choveu e janeiro, com maior preci- pitação registrada. 1 5 UNIDADE 1 https://www.climatempo.com.br/climatologia/278/maringa-pr https://pt.climate-data.org/america-do-sul/brasil/parana/maringa-4479/#climate-graphUNIDADE 1 Estes climogramas podem ser realizados com dados diários e, até mesmo, com dados de cada hora, depen- dendo dos índices e do objetivo de representação. Para realizá- -los, você pode usar softwares, como Excel ou, ainda, o Google Planilhas. O mais importante é saber analisar e entender os significados destes gráficos. Se observarmos um climograma de uma localidade de clima Tropical, por exemplo, veremos que ele difere totalmente de um climograma de um local com características de clima Desértico, que é, ainda, diferente de outro climograma de uma localidade com clima geral carac- terizado como Polar. Agora que entendemos os dois principais movimentos da Terra e a relação direta de um deles com as estações do ano e mencionamos, mais uma vez, a importante integração dos elementos na Geografia, estudaremos as consequências desses movimentos na paisagem. Os fatores e os elementos climáticos e atmosféricos, junto à inclinação do eixo terrestre, permitem- -nos analisar a relação clima e vegetação bem como os fusos horários. Veremos, então, como essas questões influenciam no nosso dia-a-dia. Determinado clima está diretamente ligado à consequência do solo, à vegetação natural e, sendo assim, aos ani- mais que ali habitam. Flora e fauna bem como o meio abiótico estão interligados e é importante entendermos essa conexão real do espaço geográfico. Vejamos os biomas a seguir. Vida de Inseto Ano: 1998 Sinopse:O filme “Vida de Inseto”, conta a história de uma formiga procura guerreiros insetos para ajudar o seu grupo a proteger a col- heita contra gafanhotos gananciosos que roubam sua comida todo ano e, dessa vez, desejam travar uma batalha. INDICAÇÃO DE FILME 1 1 Não nos aprofundaremos, aqui, nestas questões biogeográficas, mas todos os biomas que são existentes no globo seguem as características do fator latitude presente nas zonas climáticas, assim como os elementos do clima. Sendo assim, todas as zonas que são mais aproximadas ao Equador, ou seja, com latitudes mais baixas, devido aos fatores e aos elementos já estudados, são, geralmente, zonas mais quentes e úmidas. Figura 4 - Relação dos elementos climáticos e biomas no globo / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é composta por uma pirâmide com desenho dos biomas, que dependem de setas que apontam para regiões mais úmidas, mais secas, mais quentes ou mais frias. No topo da pirâmide, está representada a tundra, em uma região mais fria e mais úmida. Logo abaixo, a região boreal, seguida de uma zona temperada e outra tropical. Quanto mais quente e seco, os desertos se aproximam. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Em uma escala menor, sem muito detalhamento, porém com imagens de satélite, é possível visualizar estas grandes localizações das zonas mais quentes e úmidas, quentes e secas, frias e com geleiras, como no mapa da Figura 5, a seguir. Percebemos, então, na figura anterior, que locais com maiores temperaturas e umidades resultam em florestas tropicais, com vegetação de grande porte e rios com potencial hídrico em volume e extensão. Quando a temperatura é alta, mas a umidade é cada vez menor, as vegetações acabam se tornando mais secas, por isso, chegam a ser classifica- das como savanas e, até mesmo, desertos. Quando a temperatura passa a diminuir, mas a umidade continua alta, as vegetações são caracterizadas por florestas temperadas, boreais e tundras, quanto menor a temperatura. PENSANDO JUNTOS Figura 5 - Florestas ou desertos do globo / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta a representação do mapa-múndi com as regiões florestais marcadas em verde, pela presença das árvores; as geleiras, em branco, os oceanos, em azul; e os desertos, na cor areia. Essas consequências são visíveis na paisagem. Por este motivo, Aziz Ab’Saber for- mulou o mapa de potencialidades paisagísticas do Brasil com os Domínios Morfo- climáticos Brasileiros (os quais veremos mais à frente) que retratam essa realidade. 1 8 De forma geral, o autor utilizou-se das características climáticas e geomorfológicas — que estão extremamente ligadas — para classificar as paisagens brasileiras. Outra consequência que afeta diretamente a nossa vida e tem relação direta com os movimentos dinâmicos do planeta Terra é o Fuso Horário. Os fusos acompanham a longitude do globo e foram criados na Conferência Internacio- nal do Meridiano, em 1884, na cidade de Washington (EUA), quando se definiu o marco zero no meridiano terrestre. Esta decisão é marcada pela política euro- centrista e imperialista, em que o “centro” do mapa-múndi ficou estabelecido, convencionalmente, como sendo na Inglaterra, na cidade de Greenwich, onde está localizado o Observatório Astronômico, próximo à cidade de Londres. Antes dessa decisão, ainda no final do século XIX, os países utilizavam o movimento aparente do sol, causado pelo movimento de rotação, para marcar as horas no relógio. No entanto, como os dias e as noites não têm a mesma duração — principalmente quanto em solstício —, isso causava certo desentendimento até mesmo dentro de um mesmo território. A chamada Hora GMT (Greenwich Mean Time) é a hora padrão internacional, que divide os fusos terrestres de 24h, sendo 12 a oeste de Greenwich e 12 a leste. Como a Terra tem 360°, ao ser dividida em 24 partes iguais, passa a ter uma divisão padrão de cada hora para cada 15°. 1 9 UNIDADE 1 UNIDADE 1 A chamada Hora GMT (Greenwich Mean Time) é a hora padrão internacional. Como é possível perceber na Figura 6, cada fuso horário marca uma hora a partir do Meridiano de Greenwich, sempre aumentando a leste (hora adiantada) e di- minuindo a oeste (hora atrasada), devido ao movimento de rotação da Terra que ocorre naturalmente de oeste para leste, fazendo com que o dia receba a radiação solar inicialmente a leste — conhecida como a terra do sol nascente. Figura 6 - Fusos Horários globais / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta o mapa-múndi dividido longitudinalmente a cada 15 graus, com cores diferentes que apresentam o horário local. Na parte inferior, existem relógios que marcam as horas de cada fuso. É importante mencionar que ocorre de uma marca do fuso cortar um mesmo território, ou seja, a divisão, a cada 15°, pode dividir uma mesma nação, um mesmo estado e, até mesmo, uma mesma cidade, por este motivo, para facilitar a contagem das horas no relógio e as questões econômicas e sociais que isso acarreta, os fusos podem ser adaptados às fronteiras dos países. Por exemplo, o Fuso Horário Brasileiro é dividido em quatro marcas longitudinais de GMT, após 2013, uma vez que já passou por três alterações ao longo da história, a fim de conseguir facilitar e diminuir as questões de horário nacional: 1 1 GMT 2 O território brasileiro inicia o marco horário no segundo fuso oeste em relação ao GMT inicial (Greenwich), que é marcado em 30° de longitude oeste Apesar de es- tar 2h a mais que o GMT, está 1h a menos que ao padrão brasileiro, ou seja, horá- rio de Brasília. Apenas as ilhas brasileiras pertencem a este fuso, como Fernando de Noronha (PE), São Pedro e São Paulo (PE), Atol das Rocas (RN) e Trindade e Martim Vaz (ES). GMT 3 É o terceiro fuso em relação ao marco zero, porém o segundo atuante no Brasil, ou seja, tem 3h a menos que Greenwich, por estar a 45° de longitude oeste É também o fuso padrão brasileiro do horário de Brasília, que dá base aos horários oficiais do país, com maior abrangência territorial. GMT 4 É o quarto fuso em relação ao marco zero e, portanto, o terceiro no Brasil, pre- sente na longitude de 60° oeste, com 1h a menos de Brasília GMT 5 É o quinto fuso do marco zero e o quarto presente no Brasil com 2h a menos de Brasília. É o horário oficial do Acre e de 13 municípios do oeste do estado do Amazonas. 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Essa é, então, mais uma consequência direta no nosso dia-a-dia, que tem como origem, direta ou indiretamente, dos movimentos dinâmicos da Terra,que, junto ao seu eixo de inclinação, fazem com que existam estações do ano, o dia e a noite, locais mais quentes e mais frios, dias com 24h de sol e muito mais. Reveja os conceitos: Figura 7 - Fuso Horário brasileiro / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta o mapa do Brasil com a delimitação estadual e a demarcação dos quatro fusos horários presentes. Cada fuso é seguido de um relógio com a demonstração da hora local. ESTAÇÃO DO ANO Divisões no globo com base em situações climáticas causadas, devido ao movi- mento de translação e ao eixo de inclinação da Terra Existem quatro, sendo elas: primavera, normalmente, com temperaturas de amenas à quente, favorecendo a floração vegetal; verão, com temperaturas mais elevadas que o restante do ano; outono, com temperaturas que começam a cair, assim como as folhas de algu- mas árvores; e inverno, estação com as menores temperaturas do ano. 1 1 FUSO HORÁRIO Divisão dos horários de cada localidade em tempo real, de acordo com a longitu- de em que se encontra. Apesar do movimento de rotação ser natural, os horários foram escolhidos por convenções sociais CLIMOGRAMA: gráficos de representações climáticas, em que as barras verticais demonstram as precipitações, e a linha horizontal apresenta a temperatura de determinado local. Podem ser realizados a cada hora, dia, mês, estação ou ano. Há lugares em que as estações do ano acontecem marcadamente, com frio no inverno, calor no verão, folhas caindo no outono e flores se abrindo na primavera. Mas já vimos que não é em todo local que isso acontece. Vamos continuar nosso bate papo com o Prof. Dr. Victor Borsato, a fim de entender como as estações acontecem? Quais são, realmente, os fatores envolvidos? Ouça o podcast no seu ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO 1 1 UNIDADE 1 UNIDADE 1 Figura 8 - Climograma da região serrana do Paraná / Fonte: Manosso et al. (2013).t Descrição da Imagem: a figura apresenta seis climogramas para comparação. Cada climograma tem um gráfico de colunas demonstrando a precipitação em azul e um linear com a temperatura de cada mês, de janeiro a dezembro. O primeiro gráfico representa a cidade de Mauá da Serra com as médias dos anos de 1919 a 1991, entre os meses de junho e agosto, chove menos e com menor temperatura. O segundo, da cidade de Ponta Grossa, mostra mínima média de 15°C, entre os meses de junho e julho, com chuva superior a 111 mm nos meses de verão e inferiores a 81 mm em julho, de 1954 a 1111. O terceiro climograma, da cidade de Apucarana, entre os anos de 1911 e 1111, mostra que ocorreu elevada temperatura em pratica- mente todo o ano, com queda de cerca de 5°C, nos meses de inverno, e menor concentração de chuvas no inverno. O quarto climograma, da cidade de Londrina, entre os anos de 1911 e 1118, assemelha-se muito ao terceiro. O quinto climograma, de Cândido Abreu, entre os anos de 1989 e 1998 marca a concentração de chuvas entre dezembro e janeiro, com o restante dos meses com médias entre 81 e 111 mm e temperatura entre 15 °C, nos meses de inverno, e 15°C, nos meses de verão. Por fim, o último climograma, da cidade de Telêmaco Borba, assemelha-se ao anterior. 1 4 Você já parou para pensar quanta informação vimos até aqui? Que tal fazer um Mapa Mental com os principais dados e os principais conceitos?! Convido-o(a) a buscar climogramas de outros biomas do globo e compará-los para entender, cada vez mais, a correlação ambiental e social existente na Geografia. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem, você pôde entender um dos fatores climáticos de- terminantes para o clima: a latitude. Logo, conheceu também as principais clas- sificações climáticas. Climogramas, regime pluviométrico e temperatura: neste tema, você estudou o que são e quais as relações entre esses conceitos. Por fim, este tema apresentou o conceito de fusos-horários, como são formados e sua relação com os movimentos dinâmicos do planeta Terra. Os professores Manosso, Gomes e Aoki (2013), publicaram climogramas de comparações entre municípios da região ser- rana do Paraná. É importante perceber a diferença entre cada local e compreender, ainda, o motivo e as consequências. Faça uma análise de cada um dos municípios e, em seguida, com- pare cada um deles. Explique, neste texto de análise, no que eles são semelhantes e no que são divergentes. Comente as consequências e tente pesquisar os motivos dessas relações. O artigo completo para auxílio pode ser lido aqui. EU INDICO 1 5 UNIDADE 1 https://www.researchgate.net/publication/307691278_DISTRIBUICAO_ESPACIAL_E_TEMPORAL_DA_PRECIPITACAO_E_TEMPERATURA_MEDIA_NA_REGIAO_DA_SERRA_DO_CADEADO_PR3 AGORA É COM VOCÊ 1. Em relação às principais classificações climáticas, podemos citar dez grupos? Quais são eles: 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 ATMOSFERA E ÁGUA: ESPAÇO GEOGRÁFICO EM ANÁLISE PROFA. DRA. LARISSA DONATO Entender que existem tipos diversos de chuvas. Conhecer como se dá a distribuição das chuvas. Estudar sobre o ciclo da água. 1 8 INICIE SUA JORNADA Estudamos que o espaço geográfico é aquele onde contém vida, onde, de for- ma muito generalizada, o oxigênio está presente. O geógrafo estuda a formação rochosa, mas cabe ao geólogo saber as suas características mais aprofundadas. VOCÊ SABE RESPONDER? O geógrafo estuda o sistema solar, mas não especificamente cada planeta, então, o que é e até onde cabe ao geógrafo o conhecimento atmosférico? Onde está a lua em meio a estas questões climáticas? Afinal de contas, se ela influencia nas marés, será que influencia no clima? E a distribuição das chuvas? Você sabia que existem tipologias de chuvas diferentes? Pois bem. Vamos verificar estas questões! Antonio Carlos Jobim, um dos maiores compositores brasileiros, conhecido como Tom Jobim, escreveu, em 1972, a belíssima música Águas de Março, que ficou ainda mais conhecida com o dueto do compositor junto à voz de Elis Regi- na, expoente intérprete da música brasileira, após a gravação em 1974. Pois Tom tinha razão. O mês de março, além de fechar o verão, o faz com grande volume de chuva, pelo menos em grande parte do Brasil, entre eles, o estado do Rio de Janeiro, onde o compositor residia na época. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Mais recentemente, em 2022, o Jornal Nacional, noticiou que “Chuvas com volume recorde no Brasil são alerta de novo padrão do clima, dizem cien- tistas” referindo-se às grandes chuvas do final de abril. Segundo o Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, as chuvas no interior do Rio de Janeiro foram 5 vezes maiores do que toda a série histórica climática, sendo a maior já registrada. Em Pedra Azul, Minas Gerais, choveu em um mês o triplo do previsto para o período. Em São Mateus, no Espírito Santo, 1 9 UNIDADE 2 UNIDADE 2 o dobro. Em fevereiro, Petrópolis, na Região Serrana do Rio, registrou a maior chuva de sua história: 534 milímetros em apenas um dia. Se ampliarmos a escala temporal, e falarmos em todo o período de primavera e verão do mesmo ano, observamos acontecimentos em Capitólio - MG com altos índices de chuvas que acarretaram deslizamentos e deslocamento de blocos rochosos. Apesar de terem ocorrido mais 5 acidentes em 6 anos, nenhum deles foi de magnitude tão vasta, tanto ecologicamente, quanto socialmente, levando em consideração que o acidente em questão deixou 10 vítimas. Sempre é impor- tante lembrar que estudar Geografia é pensar no todo, afinal, a Geografia é uma ciência ampla e integradora, que não pode ser confundida como simplificadora, ou resumidora de análise, mas sim uma ciência que sintetiza, no sentido de dar respaldo amplo aos acontecimentos. Sendo assim, vale comentar que a geologia local de Capitólio - MG tem características físicas de clivagem que, com o passar do tempo, podem se soltar do bloco principal. Assim como demonstra os traços amarelos da Figura 1(a), do mosaico a seguir: Figura 1 - Mosaico de imagens de Capitólio – MG: 1 (a) - imagem do local do acidente com demonstração da clivagem; 1 (b) e 1 (c) - cachoeiras das proximidades; 1 (d) - área ao redor com mesma característica rochosa Fonte: a autora Descrição da Imagem: são apresentadas quatro imagens, sendo três da lagoa principal onde ocorreu o acidente em Capitólio - MG. Na primeira, está demarcada a clivagem natural rochosa tanto na horizontal quanto nos blocos verticais. Nas três seguintes, imagens apresentadas demonstram toda a região com essa mesma característica. Observamos a presença de rios, lagos, cachoeiras e blocos rochosos com clivagem acentuada.s. 8 1 Ao observar a primeira imagem do mosaico (1 (a)), percebemos que a clivagem natural da rocha local originada da formação Furnas de quartzitos com granu- lometria média a grossa e estratificação cruzada pode passar por processo de solturas. Isso pode ser agravado quando existe a presença de umidade e força de água em escoamento, que é justamente o que estamos falando até agora. Cabe comentar que o acontecimento, que poderia ser natural, passa a ser um desastre, pois existe a presença de seres humanos no local, uma vez que a região é artificial, já que é resultado do alagamento da Usina Hidrelétrica de Furnas. A especulação turística também precisa ser feita com devida atenção, no entanto, sabemos que, pela natureza da rocha local, e com o aumento de chuvas no período, os riscos fo- ram agravados. Sendo assim, voltamos ao aumento das chuvas. As pessoas não se preocupam com as questões climáticas por acharem que suas consequências são para longo prazo, no entanto, se assustam ao perceberem que, na realidade, são questões atuais. É de extrema necessidade que gestores públicos, empresas privadas e a sociedade como um todo se atentem a estas questões para diminuir danos que, normalmente, são de cunho também social, pois atingem pessoas em situação de vulnerabilidade. As águas de março fecharam um verão de maneira atípica neste ano, e de forma gener- alizada, já que atingiu diversos estados de diferentes regiões do Brasil. Devemos entender a responsabilidade social que cada ser humano tem sobre estes efeitos e exigir, dos governantes, ou seja, dos representantes legais da sociedade, um posicionamento de ações viáveis para a resolução destes problemas. PENSANDO JUNTOS Mas vejamos: um tipo de chuva é diferente de outro. Existem chuvas rápidas, curtas, ou longas e com trovões que escurecem o dia. Para se ter chuva, é necessária a pre- sença de umidade, vento, calor, entre outros fatores que fazem parte da atmosfera. VOCÊ SABE RESPONDER? E a distribuição das chuvas? Você sabia que existem tipologias de chuvas diferentes? E como é o ciclo da água? 8 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 O Ciclo hidrológico ou ciclo da água nada mais é do que o caminho que a umidade em massa percorre. É sabido que este ciclo é estudado desde as séries iniciais do ensino, assim como os 3 estados físicos da água: sólido, líquido e gasoso. Esse estudo ultrapassa as barreiras dos níveis educacionais, uma vez que tem uma dimensão em importância única e faz parte diretamente no desenro- lar dos nossos dias. Justamente por este motivo, a água é considerada um bem social, já que está atrelada à base da existência dos seres vivos. Sem a água, não existe vida da forma que conhecemos. A Água é utilizada na produção inicial dos alimentos. Desde o plantio, até o seu cozimento. Ela é necessária para a vida e também para o transporte. A discussão sobre a qualidade e, principalmente, sobre a distribuição geo- gráfica da água são, justamente, as principais correlações da ciência geográfica com esta temática. Quando falamos nas poluições, tanto do ar quanto do solo e também da água, falamos em condições naturais que foram modificadas pelos seres humanos e, assim, estamos diretamente falando de climatologia. A famosa frase de Lavoisier de que nada se cria e tudo se transforma é uma realidade. A Água mesmo não pode ser considerada finita, no entanto, ela tem sua finitude dentro do universo potável, aquele justamente de uso para a sociedade. Quando a água passa por processo de poluição nos rios, seja pela falta de tratamento de esgoto, por uso intensivo de agrotóxicos no solo que chegam ao lençol freático ou ainda até o leito dos rios, seja pelas mudanças climáticas que podem afetar diretamente a distribuição da água potável, ela é um bem durável e infinito. Isso ocorre, justamente, devido ao ciclo hidrológico que não carrega apenas a água doce, emersa e líquida da superfície terrestre. No ciclo da água, as águas subter- râneas, salgadas e congeladas também são incluídas, assim como o vapor d’água das plantas e superfícies e a condensação das nuvens. Ou seja, a água potável, distribuída pelo globo terrestre, pode ter fim, mas água em si, não! Desta forma, concluímos também que, dependendo do local onde se encon- tra a água, a sua quantidade, a temperatura, o relevo e toda a questão geográfica do local, teremos precipitações diferentes: líquidas como a chuva ou sólidas como o granizo ou ainda como a neve. Além disso, ainda será possível classificar cada tipo de chuva, já que existem chuvas passageiras, de verão, e trovoadas intensas. 8 1 Você já observou o ciclo hidrológico? Se você olhar com atenção, consegue perce- ber a evaporação, a condensação, a precipitação, a infiltração, a evapotranspiração e a percolação. Basta olhar para a paisagem. Pois bem. Olhe com atenção e veja os tipos de nuvens que se formaram nessa condensação. Analise a possibilidade de chuva, agora que você já sabe que apenas nuvens baixas causam precipitação, ao menos que ocorram frentes. Comente sobre o que você vê e o que você percebe da paisagem climatológica. Nas imagens a seguir, vemos nuvens ocorrendo isoladamente e nuvens aconte- cendo concomitantes com outros tipos. Quais são elas? Que tal levar seus alunos a observar as nuvens? Também pode ser feita uma atividade com tomada de fotografia e exposição das análises. Observe as duas imagens a seguir e descreva as nuvens e sua tipologia. É isso que ocorre quando colocamos a roupa para secar no varal, ou ainda água para ferver e fazer um café. Este é um exemplo simples para demonstrar aos alunos, o primeiro em um ambiente natural com calor solar, e o segundo com calor artificial tendo o fogo como fonte de calor. Que tal colocar uma bacia com água no sol, juntamente com uma régua submersa, em pé, na mesma bacia, fazendo ângulo de 90 graus com o solo (o Zero deve estar junto a parte inferior) e colocá-la ao sol? Será possível perceber, junto com os alunos, a quantidade de água que evaporou, ou ainda o quanto aumentou, caso a umidade do ar seja maior ou ocorra precipitação nos dias de exposição. Junto com o professor de matemática, é possível calcular com os alunos a quantidade de mililitros dessa evaporação. Basta saber o diâmetro da abertura da bacia. Para evitar doenças e vetores, acrescente uma colher de água sanitária. PENSANDO JUNTOS a água é considerada um bem social, já que está atrelada à base da existência dos seres vivos 8 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Iremos, então, compreender o ciclo que essa água percorre no globo. Para além da atmosfera, a água passa pela litosfera, a camada composta por ro- chas e minerais, por influência da gravidade, quando infiltra no solo e não é evaporada pelo calor dos raios solares. Figura 2 – Nuvens / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: na figura, temos duas fotografias coloridas. A primeira delas à esquerda registra uma paisagem com um trecho sinuoso de um rio e vegetação, morros ao fundo e um céu azul com diversas nuvens. A segunda fotografia à direita registra o morro do Cristo Redentor em um céu azul com três nuvens isoladas. O livro “A Geografia Física e as Relações Sociedade/Na- tureza no Mundo Tropical” de José Bueno Conti, conta com texto que propõe uma reflexão sobre o papel da Geografia Física esua participação no estudo da natureza tropical. Comenta o conhecimento do mundo tropical pelos geógr- afos, discutindo as consequências da relação conflituosa entre o homem e o meio nas baixas latitudes. Finaliza te- cendo considerações sobre o trópico e o imaginário. INDICAÇÃO DE LIVRO EVAPORAÇÃO Teoricamente, este é o momento de transformação da água do estado líquido para o gasoso a partir do aquecimento das partículas Ao ocorrer o aquecimento (pelos raios solares 8 4 MOVIMENTAÇÃO Neste momento do ciclo, referimo-nos ao movimento das partículas em suspen- são na atmosfera Ou seja, para cada parte do ciclo, entre um momento e outro, quando em mudança, a água está em movimentação. CONDENSAÇÃO OU LIQUEFAÇÃO Tecnicamente é a passagem do estado gasoso para o sólido, ocorrendo aglutina- ção das partículas de água. Conhecemos condensação pela junção das gotículas em suspensão que formam as nuvens e isso não está errado. Dependendo da altitude, a nuvem pode ser mais ou menos sólida e gasosa. Justamente por isso, usa-se o termo físico onde o gás passa a ser sólido, mas também pela aglomera- çãoe junção condensada, unida, das partículas PRECIPITAÇÃO Este é o momento literal da queda da água. Essa queda, ou precipitação, pode acontecer em formato de neve, chuva ou granizo. Por isso, falar que chuva e pre- cipitação são a mesma coisa nem sempre está correto, uma vez que toda chuva é uma precipitação, mas nem toda precipitação é uma chuva EVAPOTRANSPIRAÇÃO Também de terminologia física, significa a passagem da água acumulada em plantas ou solos do estado líquido para o gasoso Ou seja, toda a umidade do reino vegetal que é evaporada, é chamada de evapotranspiração ESCOAMENTO Conhecido pelo caminhamento da água podendo acontecer de forma subterrâ- nea ou superficial, mas sempre em contato com o solo, sofre influência da gravidade 8 5 UNIDADE 2 UNIDADE 2 De forma lúdica e representativa (Figura 3), o ciclo hidrológico ocorre com a água que passa pelos 3 estados físicos e é levada pelo vento (massas de ar) de um local ao outro. O elemento climático umidade depende do fator radiação para mudar de condição, assim como da gravidade e outros quesitos que também fazem parte da climatologia geográfica. Figura 3 - Ciclo hidrológico / Fonte: WWF Brasil. Descrição da Imagem: a figura é composta por um fluxograma que representa um conjunto de morros no canto superior direito onde a chuva e a neve precipitam formando rios e lagos azuis em meio a pequenas áreas com vegetação. No centro, está desenhado o sol em amarelo em meio a algumas nuvens e pequenas bolinhas e risquinhos que representam a chuva. Ao fundo, existem montanhas geladas e na parte inferior existe o solo da cor terra com água infiltrada. No topo está escrito: Ciclo da Água e no canto esquerdo tem a logo da WWF Brasil. INFILTRAÇÃO Com maior influência da gravidade, ocorre quando a água penetra no solo ou nas rochas por meio de porosidades, que nada mais são do que espaços livres 8 1 Em aplicações práticas no decorrer da vida em sociedade, o ciclo hidrológico in- fluencia diretamente na qualidade socioambiental. Isso ocorre, pois está atrelado ao monitoramento e à avaliação das bacias hidrográficas, de onde abastecemos nossas necessidades diárias de uso tanto biológico quanto social. A distribuição geográfica destas bacias e das precipitações que afetam essas áreas depende de questões como topografia, solo, vegetação, ventos, urbaniza- ção, entre outros, deixando, mais uma vez, marcada a interdisciplinaridade e a multiconectividade geográfica, não apenas climatológica, mas na Geografia como ciência ampla e integradora. Sendo assim, falamos mais uma vez de questões econômicas e sociais dentro da climatologia, ou seja, falamos aqui de Geografia. Apesar da água não acabar como recurso natural, ela acaba como recurso acessível, torna-se poluída, de difícil acesso e de custo alto. Fica, então, a pergunta: Quem tem acesso à água potável no mundo? NOVOS DESAFIOS Este tema de aprendizagem trouxe para você o conhecimento das diversas tipo- logias de chuvas e sobre como se dá a distribuição das chuvas. Além disso, você teve a oportunidade de entender o ciclo da água. 8 1 UNIDADE 2 AGORA É COM VOCÊ 1. O espaço geográfico é dinâmico e está em constante transformação. Algumas trans- formações ocorrem de formas naturais, sem a intencionalidade humana, outras, ocorrem justamente pelo desenvolvimento da vida em sociedade. Dentre as alter- nativas a seguir, assinale a que pode ocorrer por consequência antrópica. a) Um terremoto ocorrido no Japão. b) Um tsunami na orla da Indonésia. c) Um ciclone no oeste do pacífico. d) Uma chuva ácida em uma metrópole. e) Chuvas orográficas. 8 8 MEU ESPAÇO 8 9 UNIDADE 2 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 ELEMENTO CLIMÁTICO: A PRECIPITA ÇÃO E O CICLO DA ÁGUA PROFA. DRA. LARISSA DONATO Entender a relação entre a precipitação e o ciclo da água. Conhecer os principais formatos de chuvas. Aprender quais os principais tipos de nuvens e suas características. 9 1 INICIE SUA JORNADA Segundo Teixeira et al. (2003), diversas questões importantes sobre a água pre- cisam ser estudadas no ciclo hidrológico, como, por exemplo, o tempo médio de permanência da água em alguns ambientes. Neste sentido, Teixeira et al. (2003) se referem ao fato de a mesma água, ou seja, as mesmas partículas, nos oceanos, onde estão presentes cerca de 94% da água líquida da Terra, ter durabilidade média de permanência nesta situação por cerca de 4.000 anos. Nos reservatórios de geleiras, estão cerca de 2% do volume com tempo médio de 10 a 1000 anos de permanência. As águas subterrâneas, cerca de 4% do volume, permanecem, da forma como estão, de 2 semanas a 10.000 anos. Muito dinâmica e com bastante amplitude de usos e possibilida- des, a água literalmente caminha pelas camadas da superfície e da atmosfera. Estes dados demonstram o quanto a água é distribuída de forma irregular e ainda por tempo médio, sem muita precisão, devido, justamente, à sua dinâmica. Teixeira et al. (2003) Teixeira et al. (2003) continuam dizendo que a água é um agente escavador e modelador do relevo e da paisagem que pode ser visto como demonstrador de beleza, em rios, aquíferos, geleiras e lagos, ou como agentes catastróficos quan- do em tempestades, infiltrações, deslizamentos e enchentes, como já vimos nas reportagens apresentadas. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Neste sentido, um dos elementos climáticos já debatidos e que está diretamente atrelado ao ciclo da água é a precipitação que pode ocorrer, principalmente em forma de chuva, neve e granizo, ou ainda de orvalho e geada, por exemplo. Quando ocorre a geada, é porque o vapor d’água em precipitação encontra o solo com uma temperatura abaixo de 0 ºC e se solidifica. Normalmente ela é percebida por uma camada de gelo fina que se instala em superfícies lisas nas estações de 9 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 outono e inverno. A geada é um dos grandes preocupantes da agricultura em regiões como sul e sudeste do Brasil, no café, por exemplo, se a folha chegar a -3 ºC e -4 ºC, podem prejudicar a produção a ponto de erradicar o vegetal. Para cada tipo de produção, existe uma temperatura de queima e perda por resfriamento, por este motivo, as previsões são importantes para a produção, uma vez que o produtor rural pode proteger as espécies. O orvalho ocorre da mesma forma, no entanto, não passa ao estado sólido devido à temperatura. Quando as tempera- turas estão mais geladas, o orvalho se congela, formando a geada. Precipitação por chuva TITULO Solese molupitas quo dolupta sequiaest lit, to et aut ut fugia dollabori net quatia- tur? Ga Everati temolorit vollor solorest, quamusdae pro ventius volore porpos et et pa sitibus as quis mo mo in reheniam, aut que doloreperit exceper unditia cus. TITULO Solese molupitas quo dolupta sequiaest lit, to et aut ut fugia dollabori net quatia- tur? Ga Everati temolorit vollor solorest,quamusdae pro ventius volore porpos et et pa sitibus as quis mo mo in reheniam, aut que doloreperit exceper unditia cus. TITULO O granizo é um tipo de precipitação que ocorre devido à condensação em nu- vens de grande amplitude vertical, como as cumulonimbus, que ainda vamos estudar. No entanto, devido às baixas temperaturas, os blocos de gelo não der- retem enquanto estão em precipitação, caindo da atmosfera para a superfície ainda como água sólida. Normalmente são mais tradicionais na primavera, pois o ar quente da su- perfície encontra nuvens muito mais frias. O encontro brusco entre as duas faz com que haja precipitação, no entanto, não há tempo para o degelo, hav- endo, então, a chuva em forma de granizo, como é comumente chamada. 9 1 A diferença do granizo para a neve está justamente no tamanho granulométrico do gelo e justamente no contato com a temperatura da atmosfera. O granizo precipita justamente devido ao peso do bloco de gelo em contato com o ar mais aquecido, já a neve, que é a solidificação do vapor d’água em cristais de gelo, precipita em áreas geladas. Para nevar, é preciso que a nuvem e o ar estejam com temperaturas próximas ou inferiores a zero, para que não haja choque de tem- peratura ou derretimento desses cristais. Figura 1 – Geada, Figura 2 – Orvalho ,Figura 3 – Granizo, Figura 4 – Neve Figura 5 – Chuva, Figura 6 – Neblina Fonte: A autora. Descrição da Imagem: vemos uma sequência de fotografias. Na Figura 1, está presente um gramado verde co- berto por uma fina camada de gelo branca. Na Figura 2, a folhagem verde está coberta por gotículas de água. Na Figura 3, em primeiro plano, duas mãos unidas seguram pedras de gelo arredondadas e no segundo plano aparece um gramado verde coberto de uma camada fina de gelo. Na Figura 4, algumas pessoas brincam na neve branca e ao fundo aparecem algumas construções também cobertas de neve branca. Na Figura 5, o sol está medianamente escondido por uma grande nuvem que na parte inferior é mais escura que a parte superior, demonstrando a chuva em precipitação na paisagem. Na parte inferior da imagem, vemos um gramado que recebe a chuva. Por fim, na Figura 6, observamos um morro coberto de vegetação e uma neblina forte que chega a encobrir o topo do relevo. A neblina não é uma precipitação, mas sim uma condensação da umidade em baixas altitudes, normalmente próximas ao solo. Atrelada às baixas temper- aturas, ela também pode ser chamada de Nevoeiro ou Bruma. Para nevar, é preciso que a nuvem e o ar estejam com temperaturas próximas ou inferiores a zero 9 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Dentre todos esses tipos de precipitações, a mais comum em todo o mundo é, sem dúvidas, a chuva. Talvez justamente por este motivo, a neve seja tão cobiçada por muitos, afinal, não é em qualquer local do globo que existe a possibilidade desta precipitação congelada em pequenos flocos de gelo. A cidade de Valdez nos EUA, sedia um dos locais que mais neva no mundo, seguido de algumas cidades no Japão, que é, sem dúvidas, o país onde mais neva, e do Canadá. No entanto, a Estônia (país no norte da Europa) é conhecida pelo país que fica coberto por neve durante mais dias do ano. Percebemos aqui a diferença entre a precipitação da neve em si e o fato de a neve se manter mais tempo congelada no solo, devido às baixas temperaturas constantes. O cálculo de neve é realizado pela metragem, em algumas cidades na região montanhosa no noroeste do Japão, são registrados cerca de 38 metros de neve por ano. “No entanto, os cientistas avisam que os nevões estão em risco devido ao aumento das temperaturas — os totais de neve já estão a diminuir” (NOBEL, [2022], on-line). Num estudo publicado em novembro de 2013 no Journal of Geo- physical Research, Kawase, o principal autor do artigo, indicava que a queda de neve deverá diminuir em todas as altitudes, embora o impacto venha a ser muito mais pronunciado nas altitudes mais baixas. A maior parte da neve que cai em Tokamachi, por exemplo, acontece quando a temperatura se encontra perto da temperatu- ra de congelamento. Se o tempo aquecer alguns graus e a neve se transformar em chuva, é fácil perceber a razão por que os níveis de queda de neve poderão descer dramaticamente. NOBEL, [2022], on-line 9 4 O derretimento da neve pode causar aumento nos corpos hídricos e na infiltração no solo, alterando a dinâmica de toda a região. Mais uma vez, percebemos as pesquisas mostrando dados de mudanças em níveis locais e regionais que podem afetar o nível global. Já que as chuvas, ou seja, a precipitação em forma líquida da água condensada na atmosfera é a mais comum, tanto no globo, quanto no Brasil, veremos, a seguir, 3 principais formatos delas ocorrerem que, além de causarem consequências dife- rentes para o meio ambiente, são também originadas em modelos diferenciados. São elas: Chuvas Convectivas, Chuvas Frontais e Chuvas Orográficas. ■ Chuva Convectiva: sabe aquele dia de verão muito quente, em que, depois de horas de sol intenso, precipita uma pancada forte que molha tudo rapidamente, mas que logo passa? Pois bem, essas são consideradas chuvas convectivas, mesmo quando sua duração é mais alongada, elas são mais frequentes em regiões de clima tropical, justamente devido ao calor que faz com que sejam formadas pela rápida evaporação seguida de rá- pida condensação hidrológica e a diferença de temperatura nas camadas atmosféricas. Ou seja, o ar quente faz com que a umidade evapore e se condense ao encontrar a camada atmosférica mais fria e, consequente- mente já precipite, praticamente no mesmo local de evaporação e con- densação”. É uma formação rápida. Chamamos de chuvas locais, pois elas são formadas e precipitadas em locais próximos. Elas têm curta duração, A série “Profetas Da Chuva (Homens De Couro)”, da Malague- ta Filmes, mostra reportagens feitas no sertão nordestino. Histórias de um povo batalhador, forte, guerreiro e persever- ante. Entender o humor de São Pedro é preocupação con- stante de quem lida com rebanhos. De olhos bem abertos para os sinais dos animais, homens do sertão em suas armaduras de couro narram suas profecias. Existem outros episódios com o mesmo enfoque. Busque para assistir. EU INDICO 9 5 UNIDADE 2 UNIDADE 2 porém intensidade alta – são as famosas, chuvas de verão. Nestas chuvas, percebemos arco íris, devido à luz solar que reflete a umidade do ar. Eles são fenômenos meteorológicos que causam uma visão colorida devido à dispersão da luz branca em diversas cores do espectro visível de luz. Figura 7 - Chuva convectiva / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura mostra o ar quente representado com setas vermelhas que se elevam concen- trando-se em nuvens que precipitam num ar mais frio representado por setas em azul. ■ Chuva Frontal: para quem percebe a paisagem de raios e trovões como realmente belas e não assustadoras, gostam quando esse tipo de precipi- tação ocorre. Este é o tipo de chuva que ocorre devido ao choque frontal de duas massas, sendo uma quente e úmida, e outra fria e seca. É mais comum em zonas temperadas e de climas subtropicais. O ar frio, por ser mais denso que o ar quente, causa um movimento circular entre as massas, acarretando no que é chamado de chuvas ciclônicas. As chuvas frontais podem ocorrer tanto quando uma frente fria avança sobre um local quente, como quando uma frente quente avança sobre um local que já esteja frio. 9 1 ■ Chuva Orográfica: assim como as outras duas formas de precipitação em formato de chuva, o nome tem relação direta ao seu acontecimento. Na convectiva, vimos um movimento ascendente formando ciclo; na chu- va frontal, vimos um choque causado de frente por duas massas de ar; na orográfica, vemos relação direta com a orografia, ou seja, com o relevo. Essa chuva ocorre em regiões com presença de relevo. Este relevo serve como uma barreira que segura o ar úmido causando a condensação da umidade e, consequentemente, a precipitação em um doslados orográ- ficos. Este local, com umidade, é chamado de barlavento, ao precipitar a massa de ar seca, movimenta-se no relevo, fazendo com que a outra face da orografia não tenha umidade. Esta parte seca é chamada de sotavento. Figura 8 - Chuva frontal / Fonte: Pierre (2022, on-line). Descrição da Imagem: ilustração que mostra o ar quente representado com setas vermelhas que se choca com ar mais frio representado por setas em azul formando nuvens que precipitam em formato de chuva.. 9 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Percebemos, então, a correlação entre umidade, vento, relevo, pressão e, inclusive, sociedade. Alguns fatores podem ser mais atuantes do que outros, dependendo do local e da situação, mas estão sempre interligados, como demonstra os autores: Alguns constituintes da atmosfera desempenham papel peculiar, merecendo considerações adicionais. O vapor d’água é um exem- plo, não somente por ser matéria-prima na formação de nuvens, mas também como veículo para o transporte de calor na atmosfera, conduzindo-o sob forma latente e liberando-o como calor sensível. Tanto vertical quanto horizontalmente, esse transporte é de im- portância capital no tempo meteorológico. Além disso, atua como agente termorregulador, em virtude do efeito estufa (...). Vianello e Alves (2004, p. 27) Figura 9 - Chuva convectiva / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a ilustração mostra o ar úmido representado com setas azuis que se choca com uma montanha e faz com que as nuvens se precipitem neste local. Do outro lado da montanha, podemos observar apenas o vento seco representado por setas vermelhas. 9 8 É importante saber, então, que elas não se condensam quimicamente alteradas, mas sim carregam consigo, em cada gotícula de umidade, os elementos sólidos em suspensão no ar. Os gases poluentes, ao reagirem com a água, tornam-na ácida, podendo causar acidentes como queimaduras tanto em objetos, quanto na pele dos indivíduos. Normalmente elas se originam em países industriali- zados que emitem grande carga de ácidos como o dióxido de enxofre, dióxido de carbono, dióxido de nitrogênio, entre outros. Ela não ocorre apenas nesses locais, uma vez que essa carga em suspensão no ar pode ser transportada pelo movimento do ar, chegando em regiões mais afastadas. Outra fonte de poluentes para a transformação da chuva em ácida pode ser os vulcões que emitem poeira com enxofre na atmosfera, além de respiração animal e vegetal. Ambientalmente a chuva ácida (Figura 10) é um grande problema, pois, além de causar danos à saúde da população e animais em geral, pode afetar o solo chegando às reservas hídricas como lagos, rios e lençol freático, de onde é retirado o maior volume para uso da população. Podem atingir a vegetação prejudicando o desenvolvimento de raiz, folhas e frutos, devido ao alto nível de acidez. Provoca danos físicos na construção por corroer objetos, vias e obras citadinas. A água, mais uma vez, seja ela em um corpo hídrico, ou em suspensão na atmosfera, devido ao ciclo da água, é importante e, na realidade, crucial, para a manutenção da vida no planeta Terra. E neste ciclo, independentemente da forma de chuva que ocorre na precipitação, temos que nos atentar às chuvas ácidas. Essas chuvas, na realidade, são qualquer tipo de chuva que se tornam ácidas ao encontrar poluição atmosférica no momento de sua precipitação. PENSANDO JUNTOS 9 9 UNIDADE 2 UNIDADE 2 As chuvas ácidas ocorreram em maior proporção no período da Revolução Industrial devido à grande queima de combustíveis fósseis e já em 1852 foi registrada pelo climatólogo Robert Smith na Inglaterra. Um exemplo de chuva ácida ocorreu após o acidente em Chernobyl na Ucrânia em 1986, que acarretou esse evento atmosférico devido à emissão de estrôncio 90, iodo 131 e césio 127 na atmosfera que causaram chuvas ácidas em quase toda a Europa e no Japão. Poeira radioativa foi verificada até mesmo no continente americano. Isso, mas em menores proporções, ocorreu quando o lançamento das bombas norte-americanas atingiram o Japão colocando fim à Segunda Guerra Mundial, ou ainda quando a erupção do vulcão Cumbre Vieja na ilha de La Palma em 2021 atingiu mais de 4 países europeus. Para cada um desses tipos de precipitações ou ainda desses tipos de chuvas já comentados, existe a formação de um tipo específico de nuvem. Provavelmente você já olhou para o céu e se deparou com a formação de nuvens diferenciadas na paisagem. Este pode ser um passatempo muito divertido da infância de alguns, mas que, com certeza, é trabalho árduo para muitos pesquisadores. Enquanto, na Figura 10 - Chuva ácida / Fonte: a autora Descrição da Imagem: prédios, indústrias e vegetação estão cobertos por nuvens carregadas de elementos químicos que agridem o meio ambiente. Gotículas de chuva se encontram com esses elementos em suspensão e geram a chuva ácida. 1 1 1 juventude, olhar os formatos dessa condensação era imaginação para ver formas divertidas entre as diferentes “bolas de algodão”, sua altitude, cores e formatos, elas refletem especificidades importantes para a climatologia. Às vezes elas são mais escuras, às vezes mais claras, às vezes mais altas e outras mais baixas. Pode ser que elas sejam cumpridas e até mesmo rastros lineares na atmosfera, mas com certeza elas têm diversos formatos e significados diferentes. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) (1961, p. 3), “a nuvem é um con- junto visível de partículas minúsculas de água líquida ou de gelo, ou ambas ao mesmo tempo em suspensão na atmosfera”. l APROFUNDANDO O importante aqui para nós é entender que estes formatos não ocorrem alea- toriamente. Existe um processo físico climático que faz com que cada tipo de nuvem seja apresentado na paisagem, para isso, são estabelecidos 2 critérios para classificação, o formato ou aparência da nuvem e, principalmente a altitude em que se encontra. Dentre os principais modelos, estão: nuvens altas, nuvens médias, nuvens baixas e nuvens verticais. Grupo de nuvens altas: quando as nuvens estão em uma altitude maior, cerca de 6.000 metros, são chamadas de cirrus. Elas são formadas na alta troposfera a uma temperatura de cerca de 0 °C, o que faz com que elas sejam constituídas de microscópicos cristais de gelo. Essas nuvens estratiformes, ou seja, de formato estratificado, tem essa aparência, pois encontram baixas temperaturas e baixa umidade do ar, devido à sua altitude. São as nuvens cirrus estratificadas, chamadas então de cirrostratus, com conden- sação mais afastada. Elas também podem ser cumuliformes, ou seja, de cirrus acumulados, sendo chamadas de cirroscumulus quando a massa condensada na nuvem se encontra mais unida do que o comum. Normalmente em dias com a presença dessas nuvens, o tempo é aberto e ensolarado. Essa aparência de linhas estratificadas, espaçadas no céu se dá devido ao vento dessa altitude da atmosfera. ■ Grupo de nuvens médias: chamadas de altos, também podem ser es- tratificadas (estratiformes) ou acumuladas (cumuliformes), normalmente formadas em altitude de 2 e 6 mil metros e apresentam sua própria som- bra, podem ser brancas ou acinzentadas. Isso ocorre, pois elas têm uma 1 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 certa espessura de nível maior de condensação da umidade, que já está mais presente nesta altitude. Quando nos relacionamos à previsão do tempo, as nuvens altocumulus são constituídas de blocos, o que dificulta a precipitação, no entanto, os altostratus podem provocar uma chuva leve. ■ Grupo de nuvens baixas: normalmente abaixo de 2000 metros, formada por nuvens isoladas de um tempo mais calmo e de preparação para futu- ras chuvas, com proximidade à superfície terrestre. Elas são chamadas de stratus, podendo se manifestar como: estratiformes, conhecidas como seu nome de origem - Stratus, nuvens uniformes que lembram uma bruma, no entanto, distante do solo e que podem causar chuvisqueiros leves; como Stratocumulus com formato de bloco devido à relaçãocumulifor- me; ou ainda as Nimbostratus, uma das chuvas mais cinzas e relacionadas à precipitação fluídica, ou seja, constante. Muitas vezes essas nuvens podem acontecer juntas, demonstrando grande eva- poração e condensação que podem ser do local ou ainda estarem em movimento junto às massas de ar, ocorrendo à baixa e alta altitude. Além disso, quando ocu- pam mais de uma camada da atmosfera, são consideradas nuvens verticais, cha- madas de cumulus devido à alta formação cumuliforme, o que caracteriza uma que, normalmente, se mostra ao final da tarde, principalmente em movimento de convecção da evaporação e da condensação. Pode causar chuva de verão ou se dissipar pelo vento. Elas são mais densas e com base frequentemente planas e mais escuras, acontecendo isoladamente ou em bloco com outras nuvens. Por fim, existem as Cumulonimbus, associadas a chuvas fortes e trovoadas. Essas nu- vens ocupam toda a altitude de formação das nuvens. Segundo a OMM (1961, p. 32), “Os cumulus originam-se sob efeito das correntes convectivas que aparecem quando o decréscimo vertical da temperatura nas camadas baixas da atmosfera é suficientemente forte”. Os cumulonimbus “desenvolvem-se normalmente de um cumulus volumoso e fortemente desenvolvido, por um processo de evolução contínua”. As nuvens stratus tem por definição na Organização Meteorológica Mundial (1961, p. 29): “camada de nuvens, geralmente cinzenta, com base bas- tante uniforme, podendo dar lugar à garoa, prismas de gelo ou neve granular”. Esta nuvem, na sua maioria das vezes, compõe-se de gotículas de água. Já o nim- bostratus “resulta comumente da lenta ascensão de camadas de ar de grande extensão horizontal e alturas suficientemente elevadas”. 1 1 1 Existem nuvens como a cumulonimbus que indicam tempestades e estão perpen- diculares às camadas da troposfera, normalmente são mais escuras na base, devido à sombra de sua intensa condensação. A formação destas nuvens está ligada à distribuição do ciclo hidrológico, às massas de ar e às relações climáticas locais. Ou seja, a atmosfera é toda interligada e ainda conectada com as questões geográficas. Figura 11 - Principais tipos de nuvens / Fonte: a autora. Descrição da Imagem:a ilustração apresenta 4 camadas horizontais de altitude a partir da superfície ter- restre, representada em verde. De baixo para cima, após essa superfície, estão apresentados os 4 tipos de nuvens que ocorrem na baixa atmosfera – a primeira, Nimbostratus, um bloco de nuvens mais carregadas de cor branca e sombreada com gotas de chuva precipitando de sua base; a segunda e a terceira são, res- pectivamente, stratus e stratocumulus, sendo esta última mais sobreposta à anterior em altitude. Ambas têm formato linear estratificado. A quarta apresenta formato de algodão doce, com aspecto mais fofo e branco. Na segunda camada em altitude, encontram-se altostratus e altocumulus, sendo a primeira de forma mais linear e a segunda formada por pequenos e espaçados blocos de nuvens circulares. Na terceira linha de altitude, mais alta na ilustração, são apresentadas as nuvens cirrocumulus e a cirrus, sendo a primeira formada por pequenos blocos de nuvens separadas, como em uma malha, e a segunda, mais leve e linear, como uma fumaça no céu. Sobre esta segunda, encontra-se na mesma linha de latitude, a cirrustratus, ainda mais fina e esfumaçada que a anterior. Por fim, no lado direito da ilustração, está representada a nuvem de tipo cumulonimbus que ocupa verticalmente todas as 1 camadas de altitude. É uma nuvem grande, verticalizada, de cor branca sólida e com gotas de precipitação saindo de sua base. 1 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Outros atores importantes relacionados às formações no ciclo hidrológico e das chuvas são os chamados Rios Aéreos. Eles são formados devido à umidade do calor equatorial que, atraído pela umidade da floresta amazônica, em área continental, se liga ainda à umidade das geleiras dos Andes, chegando até o su- deste e sul brasileiros. Isso ocorre devido à alta evapotranspiração dessas áreas que se conectam entre si. Confira, neste artigo aqui, como os rios aéreos colaboram com o Brasil agrícola. EU INDICO Todas essas nuvens que estudamos até o momento fazem parte direta do ciclo da água. No momento da evaporação, da condensação e da precipitação, seja ela líquida ou sólida, ocorre a formação das nuvens que se deslocam por meio das massas de ar atuantes em cada localidade. Sendo assim, é conclusivo que essas nuvens são responsáveis, então, pelo acondicionamento da umidade que acaba por ser transportada pelas massas de ar. É justamente neste momento que percebemos a presença dos rios aéreos. Quanto maior a proximidade com área de vegetação ou corpos hídricos na superfície terrestre, os rios aéreos de deslocam levando a umidade em uma altitude atmosférica na camada da troposfera. Essa é a conectividade do sistema geográfico da climatologia. PENSANDO JUNTOS O calor dos raios solares, junto às condições naturais de vegetação e junto ao ciclo da água formam uma conectividade que distribui a água do oceano Atlântico até a Amazônia que chegam também ao sul do Brasil, por exemplo. Por este motivo, você já deve ter ouvido falar que a Amazônia é o pulmão do mundo. Cabe dizer que esse termo não é correto. De nada adianta uma grande concentração de mata no local e que o restante seja desértico. A distribuição geográfica é tão importante 1 1 4 https://blogs.canalrural.com.br/embrapasoja/2017/05/19/como-os-rios-aereos-colaboram-com-o-brasil-agricola/. quanto a qualidade da vegetação e isso já foi comentado quando estudamos a in- fluência do fator latitude na climatologia. No entanto, a proporção da Amazônia faz com que a circulação da umidade, tanto do Atlântico, quanto do Pacífico, seja melhor distribuída devido à sua grande massa de floresta.Isso também é pro- porcionado devido à circulação das massas atuantes no Brasil, assunto assunto que você verá em breve, assim como as questões de escala geográfica da clima- tologia. Estudos locais interferem em estudos globais, assim como o clima local influencia no clima global. Vamos falar sobre isso?! Atualmente, estas pesquisas são importantes e são possibilitadas devido à implantação de estações, aquelas que já estudamos, em diversas regiões, bem distribuídas pelo globo. Criado em 1909, o INMET, apesar de já ter mudado de nome, realiza pesquisas práticas fundamentais para a descoberta sobre o clima e tomadas de decisão na agricultura, por exemplo. Junto com a criação do IBGE em 1934, esses 2 órgãos monitoram todo o território nacional para compreender e planejar cada vez me- lhor o ordenamento e o desenvolvimento local. Segundo Ayoade (2007), esses órgãos, junto com a Organização Meteorológica Mundial (OMI) criada pela ONU em 1950, têm responsabilidade internacional em facilitar a cooperação no estabe- lecimento de redes de estações meteorológicas; desenvolver centros para serviços meteorológicos; e garantir o intercâmbio das informações meteorológicas. Por isso, as pesquisas locais e globais são necessárias para a compreensão do todo. De quem é a culpa do desastre? Ele pode ser chamado de natural? ambiental? O que classifica um desastre ambien- tal? Essas perguntas o Prof. Dr. Victor Borsato nos responde com muito entusiasmo! Vamos lembrar que o professor já escreveu diversos livros sobre a temática climática e realiza muitas pesquisas nacionais e internacionais sobre a dinâmica climática. Vem com a gente aprender muito mais nesse bate papo climatológico! Ouça o podcast no seu ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO Quanto chove na sua região? Observe as nuvens de formação diária, quanto tempo elas permanecem no céu? Qual o formato que elas têm? Assim como fa- zíamos quando crianças, aproveite o conhecimento científico para analisar, mas, 1 1 5 UNIDADE 2 UNIDADE 2 principalmente, qual relação elas têm com o rio que existe na sua cidade? Será que é diferente do queem outro local? Analise as potencialidades e as relações do ciclo hidrológico com os fatores e os elementos do clima. NOVOS DESAFIOS Este tema de aprendizagem oportunizou o entendimento da relação entre a precipitação e o ciclo da água. Você também conheceu os principais formatos de chuvas e aprendeu quais os principais tipos de nuvens e suas características. 1 1 1 AGORA É COM VOCÊ 1. Observe a imagem e o texto a seguir e assinale o que for CORRETO: I - II - A área úmida, anterior à barragem, é chamada de Barlavento e a área seca após a barragem é chamada de Sotavento. a) I e II não tem correlação direta. b) I e II estão corretos, porém não estão correlacionados. c) I expressa consequência de II. d) II expressa consequência de I. e) I está correto, porém II está incorreto. 1 1 1 UNIDADE 2 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 AS ESCALAS DE ESTUDOS CLIMÁTICOS PROFA. DRA. LARISSA DONATO Refletir assertivamente sobre o aquecimento global. Conhecer as escalas climáticas e suas características.. 1 1 8 INICIE SUA JORNADA Neste momento, você já conhece os principais itens conceituais da base da cli- matologia. Fatores, elementos, compreensão de funcionamento de estações que analisam o tempo e o clima, o porquê chove, como chove e para onde vai a água da chuva. Agora, pense comigo: será que tudo é efetivamente parte de um ciclo constante que, apesar de dinâmico e em movimento, é sempre igual? Será que o ser humano, que vive em sociedade e se adapta às diversas adversidades e tam- bém melhorias, pode alterar o curso climático natural? Sabemos que o clima que ocorre aqui é diferente do que acontece lá, sendo assim, como é o clima daqui e de lá? E por que é assim? A gente sempre se preocupa com o aquecimento global. Mesmo quem não se preocupa, direciona sua atenção e energia em querer provar que tal fato é natural ou não. Aqueci- mento global está dentro do ciclo geológico das eras do gelo. Parece nome de filme de an- imação, mas a verdade é que alguns especialistas se esforçam para “comprovar” algumas ditas “verdades”. Vamos por parte. Na ciência, existe metodologia e qualificação em hipó- teses. Mas nunca, uma verdade absoluta. Afinal o que é a verdade?! Teríamos que debater um capítulo todo sobre filosofia para tentar, quem sabe, chegar a algum entendimento! PENSANDO JUNTOS O que nos cabe compreender é que na ciência existem, sim, divergências, e longe de mim estar de acordo com apenas um ou outro fato constatado por uma metodologia de pesquisa que averiguou determinada hipótese, no entanto, dados nos mostram que, nos últimos 50 anos, o globo aquece mais rapidamen- te, comparado aos outros séculos, mesmo estando no que pode realmente ser um ciclo natural de aquecimento. Vamos deixar claro que o que pretendemos aqui, com esta problematização, não é ditar teorias certas ou erradas e muito menos opiniões, afinal de contas, trabalhamos com ciência, com método analítico. Então, vamos focar em conhecer as pesquisas e en- tender o que acontece no globo, no continente, no país, no estado, na região, na cidade e, até mesmo, no nosso bairro, por que não? 1 1 9 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Veja bem, em um único parágrafo, viajamos da pangeia até a rua da nossa casa pensando em questões sobre a humanidade ter ou não interferência na tempera- tura média do planeta. É uma viagem no tempo e no espaço passando do global para o local em uma única vírgula. Pois bem, queremos, neste momento, falar sobre ciência, aquecimento global e responsabilidades. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Pode ser muito difícil aferir a temperatura do globo, mas é muito simples aferir a temperatura de um local. Pode ser muito difícil sentir a temperatura do outro lado do mundo, mas é muito fácil sentir a temperatura do local onde estamos. Quando falamos em temperatura, na realidade nos referimos a todos os ele- mentos climáticos, ou seja, calor, umidade, vento, entre outros. E, para que seja possível fazer a análise e organização desses dados, as pesquisas em climatologia se diferem em escalas diferentes. Como estudamos em cartografia. Com certeza você já percebeu a diferença da temperatura embaixo de uma árvore com- parada à temperatura no meio de uma rua asfaltada com sol quente, sem nenhuma sombra. Chamamos isso de conforto térmico, que pode ou não acontecer dentro de uma pequena área - ou seja, dentro de características microclimáticas. Temperaturas medianas com umidade também mediana, a presença de uma brisa, vento leve, embaixo de uma sombra natural, dão ao indivíduo a sensação térmica de qualidade e conforto. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que umidade inferior a 30% ou superior a 60% podem ser prejudiciais. Olha que interessante, falamos aqui em três questões importantes para a clima- tologia geográfica: Conforto térmico; Sensação térmica e Microclima. Ainda veremos a conceituação de cada uma delas, mas você já pode ampliar o seu inte- resse pelo conhecimento fazendo na prática, afinal de contas, experiências não são transmitidas, mas sim vivenciadas. 1 1 1 É impossível, dentro da Geografia, realizar pesquisas, independentemente da área, sem antes pensar na escala em que ela será delimitada. A relação escalar, tanto de delimitação de área, quanto de atuação específica da ciência, são a base de pesquisa na Geografia. Independentemente da questão conceitual e temática, a escala de análise dá base para o desenvolvimento analítico, proporcionando a busca por ações que estejam diretamente correlatas entre o local e o global. Delimitar uma escala de estudo, de atuação e de análise vai além do que apenas saber o tamanho da escala cartográfica, em que determinado elemento do plano real é diminuído, um número específico de vezes, para caber em uma represen- tação gráfica. Escala é, antes de mais nada, o nível do olhar estabelecido para análise. É o tamanho do enfoque direcionado ao tamanho da área geográfica. É também a relação direta entre o objeto pesquisado do espaço geográfico e o pesquisador. Em climatologia, referimo-nos a três escalas base de dimensão analítica: MACROclimática, MESOclimática e MICROclimática. Falaremos de cada uma delas (Figura 1). Que tal sentir isso na pele? Passe alguns minutos de um dia ensolarado em locais som- breados naturalmente, com árvores, e alguns outros minutos em um local sombreado artificialmente. Por fim, passe os mesmos minutos em um local de pavimentação, sem cobertura e proteção dos raios solares. É interessante que essa experiência seja realiza- da no mesmo dia, em horários aproximados, para que você possa sentir o conforto tér- mico. Sua sensação em cada local será diferente: qual você prefere? Pode ser que, em um dia de inverno, a preferência seja diferenciada em relação a um dia de verão com sol forte. Apesar do conforto e da sensação serem únicas, de pessoas para pessoas, existe uma mediana básica de qualidade, entre temperatura, umidade e vento. É a percepção dos elementos climáticos sendo observado em um dado período de tempo. PENSANDO JUNTOS 1 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Tecnicamente, escala é a relação entre a distância de dois pontos quaisquer do mapa com a correspondente distância na superfície da Terra. Ou seja, é a rela- ção existente entre a distância linear do mapa com a mesma distância linear na natureza, é a quantidade de vezes que o real foi diminuído para caber em uma representação gráfica, seja ela plana ou tridimensional. Quanto maior a riqueza de detalhes, maior a escala e, por isso, menor a área representada, conforme vimos na Figura 1. Quando nos referimos à escala do macroclima, falamos diretamente de um evento ou dado climático que ocorre diretamente relacionado a um clima global, com relação às zonas climáticas. Ao falar de um clima MACRO, o quesito escalar do tamanho da área de análise pode ultrapassar os milhões de km. Neste nível escalar, correlato a uma escala de pequeno porte, falamos de relações existentes nas zonas climáticasdo globo, ou seja, as zonas tropicais, zonas temperadas e zonas polares, sem estabelecer um detalhamento geográfico de um local especí- fico. Podemos, ainda, direcionar o macroclima a alguns continentes, mas sempre pensando na área como um todo e na faixa climática generalizada. Isso ocorre, justamente, porque as interferências climáticas não respeitam os limites territoriais, uma vez que o clima não é delimitado por uma fronteira, ou uma convenção geopolítica. Normalmente, no macroclima, os índices não são expressivos para análises agrícolas, por exemplo, mas facilitam no entendimento de produção energética, de questões globais ambientais e econômicas. Não con- funda macroclima com grande nível escalar. Uma escala macro na climatologia é aquela que, justamente, abrange uma grande área global, sem riqueza de detalhamento no sentido do local, mas com riqueza de dados no sentido global, do todo. Figura 1 - Escalas climáticas / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a figura apresenta uma paisagem que, ao ser ampliada, compreende uma menor área do real, em maior área no mapa. 1 1 1 Quando nos referimos ao mesoclima, falamos diretamente de uma escala maior que a macroclima, com maior detalhamento da área. Ou seja, nesta escala, referi- mo-nos ao clima de um continente, de uma região, ou, ainda, de um bioma, para facilitar a leitura. É justamente nesta escala que estudamos a presença e as carac- terísticas de uma fauna, flora e sua inter-relação com os avanços da sociedade. Nesta escala, podemos compreender as potencialidades paisagísticas e até mesmo agrícolas para direcionar as práticas efetivas, no entanto, ainda estamos em um nível escalar que apresenta uma área com cerca de centenas de quilómetros. Na escala mesoclimática, podemos analisar uma grande floresta, um deserto, uma modalida- de dentro de regiões litorâneas ou de alto relevo. As regiões morfoclimáticas (Figura 2), de Aziz Ab’Sáber, por exemplo, são consideradas em escala mesoclimática. Figura 2 - Exemplo de Mesoclima - Domínios Morfoclimáticos do Brasil Fonte: adaptada de Ab’Sáber (2003). Descrição da Imagem: a imagem apresenta o mapa do Brasil com a delimitação dos domínios morfoclimáticos de Aziz Ab’Sáber. Ao norte, um polígono na cor verde representa o domínio amazônico. No nordeste do país, um polígono na cor vermelha representa a caatinga. Na extensão do litoral, um polígono na cor marrom representa o domínio de mares de morros, que adentram em partes da região sudeste. Na região sul, um polígono laranja repre- senta o domínio das araucárias, seguido, no extremo sul, de um polígono em verde claro, representando o domínio das pradarias. Do lado esquerdo da imagem, existe a legenda com estas explicações da simbologia de cada cor e, do lado direito do mapa, o título que diz: DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICO BRASILEIRO - Áreas nucleares 1965 - Aziz Ab’Sáber. Por fim, há a representação da escala, mostrando que cada 1 cm equivale a cerca de 500 km no real. 1 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Isso significa que nenhum domínio tem limite de começo e fim exatamente de- marcado, existindo áreas de transições que podem variar de acordo com o clima, com o relevo, com o solo, com a vegetação e até mesmo com o uso destinado por cada população que ali habita. Para Aziz, os domínios são a expressão da herança registrada na paisagem. O mais importante neste estudo, entre os grandes aspec- tos analisados, é justamente a efetiva relação geográfica existente entre clima e outros aspectos que formalizam características diferentes na paisagem, demons- trando, mais uma vez, que, na geografia, tudo é interligado e interdependente. Este mapeamento é a consequência de um estudo específico de grande valia geográfica em que o geógrafo levou em consideração o clima e a morfologia do terreno – por isso a nomenclatura de domínios morfo (forma) climáticos (clima). Aziz Ab’Sáber estudou a correlação existente entre a topografia local e o formato do relevo, justamente com base na temperatura e na umidade de cada área. Dependendo do tipo de clima, o relevo se apresenta de uma forma diferente, mesmo quando com solos semelhantes, o que fez que ele desenhasse um mapa com escala mesoclimática do Brasil, dividido em 6 grandes zonas (uma para cada domínio) permeadas por uma faixa de transição. Esta faixa de transição pode ser observada nos limites de cada zona e, justamente por isso, podem variar em cada localidade, sendo uma mistura das áreas que margeiam, ou ainda um domínio diferenciado devido às condições de mescla. APROFUNDANDO 1 1 4 Por fim, a escala em microclima fala especificamente do clima local, podendo ser de uma escala em nível urbano, citadino, de um estado, ou até mesmo a diferença entre estar embaixo de uma árvore ou exposto ao sol, o que definiria a menor área em microclima real. Isso nos leva ao fato de a escala em microclima ser em uma grande escala geográfica, afinal, demonstra riqueza de detalhamento em uma pe- quena área. Também conhecido como clima local, esta escala de estudo climático está diretamente relacionada com a sensação térmica e, consequentemente, com o conforto térmico, por estar diretamente atrelada ao sentido dos seres vivos. Vale lembrar que qualquer ser vivo, animal ou vegetal, sofre consequências devido à quantidade de águas, a intensidade de calor, a velocidade do vento, seja quando ocorrem para mais ou para menos que uma média básica. Este conforto é estabelecido pela sensibilidade em estar em um local sem sofrer danos pelo fato de o ambiente estar muito frio, ou muito quente, muito seco ou muito úmido. No micro- clima, a escala de análise é muito grande e com riquezas de detalhes aprofundada. Figura 3 - Relação entre escala geográfica e escala climática / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a ilustração mostra um triângulo invertido, do lado esquerdo do triângulo aparece a des- crição do tamanho da área do mapa e, do lado direito, a descrição do tamanho da escala do mapa. A área maior representa o nível de detalhamento de um mapa. Quanto maior o nível de detalhamento no topo do triângulo invertido, significa que a escala é maior, no entanto, a representação climática é considerada em microclima. Quanto mais próximo da ponta do triângulo, na parte inferior da imagem, menor é o nível de detalhamento e, por isso, maior a escala climática. Entre elas, aparece o mesoclima, no meio do triângulo. 1 1 5 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Você ainda vai aprender mais diretamente sobre as ilhas de calor, no entanto, cabe mencionar que é justamente neste processo de estudo dos microclimas que elas são analisadas. É muito importante compreender que, apesar de toda essa questão escalar tradicional e internacionalmente conhecida, podemos comparar escalas dentro dos nossos estudos. Por exemplo, podemos dividir os níveis escalares quando vamos debater determina- do local Dessa forma, as escalas macro, meso e micro, passam a ser uma relação de proporcionalidade na pesquisa Uma cidade pode passar a ser o nível escalar macro, enquanto um bairro torna-se o nível mesoclimático, e uma rua, especificamente, ou uma praça, passa a ser analisada como microclima escalar. Neste sentido, os tamanhos das escalas climáticas deixam de ser aquelas bases utilizadas por geógrafos em geral, onde a macro são as zonas climáticas globais, mas passam a ser o nível de comparação da especificidade de uma análise. Para que isso seja feito corretamente, devemos explicar metodologicamente e garantir que as expressões sejam distribuídas de forma correta para que haja entendi- mento do todo. Quando falamos em aquecimento global, muito se discute como sendo ou não natural. Tecnicamente, seria o aquecimento médio dos oceanos e, conse- quentemente, o derretimento de geleiras causado principalmente pela concentra- ção de gás carbônico na atmosfera, o que acarretaria em um aquecimento médio da temperatura do globo. Segundo Carvalho et al. (2011, p. 222), “A mudança do clima pode decorrerde processos naturais internos ou de forças externas, bem como de persistentes mudanças antropogênicas na composição da atmosfera ou no uso da terra”. Natural ou não, o fato é que o aquecimento é real e que áreas mais urbanizadas aquecem mais rapidamente, demonstrando a interferência do homem neste processo. Pode ser que este aumento da temperatura em áreas urbanas não seja suficiente para causar danos irreversíveis, ou ainda que esse aquecimento seja neutralizado pelo ciclo natural do planeta, mas é certo que o ser humano se comporta como dominante em um ambiente em que ele não é o único. Por este motivo, e por entender a Geografia como a ciência que estuda a relação entre natureza e sociedade, é que vale entender mais sobre o assunto correlato à climatologia e de interesse mundial. 1 1 1 Acompanhe a série histórica apresentada aqui apenas por 3 imagens – Figuras 4, 5 e 6. Desde 1880, dados de sensores demonstram que as médias das temperaturas aumen- taram, mesmo com a presença de anos mais frios e temperaturas pouco abaixo da média do século XX. Isso pode ser verificado com base nas pesquisas do National Oceanic Atmospheric Administration (NOAA) que mantém uma série de satélites de monito- ramento contínuo. A seguir, observamos uma série de gráficos que nos mostram que, no ano de 1945, com avanço tecnológico e industrial, algumas médias anuais ultrapassam a média da temperatura do século XX todo. Ao comparar os dados das últimas décadas, as médias apresentam os 10 anos mais quentes registrados desde antes de 1900. ZOOM NO CONHECIMENTO Figura 4 - Média de temperatura mundial por ano até 1900 – cada linha se refere a um ano de medição Fonte: NOAA (2020, on-line). Descrição da Imagem: a imagem demonstra um gráfico com os dados das temperaturas médias no eixo vertical, com a temperatura média do século marcada por um traço principal e central; a partir dele, a cada 0.2 graus, a mais ou a menos, que vai de -0.8 a +1,2, são registradas. No eixo horizontal, estão registrados os meses do ano de 1 a 12. Além disso, traços em cinza mostram a temperatura média de cada mês e, quando acontece de ser um dos 10 anos mais frios do século, o gráfico apresenta a marcação em azul. Até 1900, 2 anos mais frios foram registrados. 1 1 1 UNIDADE 2 UNIDADE 2 Figura 5 - Média de temperatura mundial por ano até 1945 – cada linha se refere a um ano de medição, já é possível perceber aumento em relação aos anos anteriores / Fonte: NOAA (2020, on-line). Descrição da Imagem: a imagem demonstra um gráfico com os dados das temperaturas médias no eixo vertical com a temperatura média do século marcada por um traço principal e central; a partir dele, a cada 0.2 graus, a mais ou a menos, que vai de -0.8 a +1,2, são registradas. No eixo horizontal, estão registrados os meses do ano de 1 a 12. Além disso, traços em cinza mostram a temperatura média de cada mês e, quando acontece de ser um dos 10 anos mais frios do século, o gráfico apresenta a marcação em azul. Até 1945, os 10 anos mais frios foram registrados. 1 1 8 Figura 6 - Média de temperatura mundial por ano até 2000 – cada linha se refere a um ano de medição, é possível perceber o surgimento de máximas / Fonte: NOAA (2020, on-line). Descrição da Imagem: a imagem demonstra um gráfico com os dados das temperaturas médias no eixo vertical com a temperatura média do século marcada por um traço principal e central; a partir dele, a cada 0.2 graus, a mais ou a menos, que vai de -0.8 a +1,2, são registradas. No eixo horizontal, estão registrados os meses do ano de 1 a 12. Além disso, traços em cinza mostram a temperatura média de cada mês e, quando acontece de ser um dos 10 anos mais frios do século, o gráfico apresenta a marcação em azul. Até 1945, os 10 anos mais frios foram registrados e de 1945 a 2020 os 10 anos mais quentes aparecem registrados em vermelho, com média de mais de 1 grau acima da média do século. Para compreender melhor em qual ano cada temperatura é registrada, assista o gráfico dinâmico neste link. EU INDICO 1 1 9 UNIDADE 2 https://www.bbc.com/portuguese/geral-46424720 UNIDADE 2 Vamos analisar: Ao observar a Figura 4, dos anos de 1900, percebemos que a linha que marca a temperatura mediana do século XX está em um nível muito acima das temperaturas médias. Pela legenda, os anos com máximas de calor, representadas em vermelho, não são observados, pois as temperaturas realmente permanecem em um nível inferior. Marcando, inclusive a oposição, é possível perceber que, até o ano de 1900, ocorreram 2 anos considerados entre os 10 mais frios do século – representados pela linha azul. Na Figura 5, que representa o ano de 1945, algumas médias são ultrapassadas da média do século XX, mas ainda em pouca quantidade, mesmo sendo maiores do que as presentes na Figura 4. No entanto, ao observar as Figuras 5 e 6, com dados do ano de 2020, a relação do aquecimento fica nítida, uma vez que a grande maioria das médias são supe- riores ao valor médio do século XX, mostrando, ainda, a presença de máximas acentuadas que ultrapassam 1,2 graus de superioridade de calor. Natural ou an- trópico, interno ou externo, o aquecimento já é registrado. Até 1945, os 10 anos mais frios foram registrados e de 1945 a 2020 os 10 anos mais quentes aparecem registrados em vermelho, com média de mais de 1 grau acima da média do século. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem, você pôde entender o que significa “escala” e para que ela serve. Entendeu, também, que em climatologia, referimo-nos a três es- calas base de dimensão analítica: MACROclimática, MESOclimática e MICRO- climática, e pôde conhecer cada uma delas. Por fim, você teve a oportunidade de refletir sobre o aquecimento global. 1 1 1 AGORA É COM VOCÊ 1. Neste tema, vimos muitos conceitos e caracterizações diferentes dos climas brasilei- ros. Vamos fazer um mapa mental com essas principais denominações?! Pois bem. O intuito é montar um mapa mental em que os principais assuntos vistos nesta unidade sejam elencados e interligados. Faça uma busca por reportagens e artigos científicos que comentem sobre esses assuntos e exponha isso em formato de diagrama neste mapa mental. É muito importante entender que estes mapas ajudam não somente na compreen- são do assunto, mas também no desenvolvimento do aprendizado como um todo. Nossos olhos observam a conexão dos temas e conseguem fazer correlações mais avançadas. Comece seu mapa com o tema central, por exemplo: ESCALA CLIMÁTI- CA, e, então, correlacione as diversas escalas com reportagens sobre o clima. Essas reportagens são de escala meso ou microclimática? Depois, conceitue e localize, geograficamente, cada uma delas. Outra ideia é correlacionar dois tipos diferentes de classificação climática do Brasil. Por exemplo: compare a classificação de Köppen com a do IBGE, separe por região e descreva os itens de acordo com as semelhanças e as diferenças em cada uma delas. 1 1 1 uni a UNIDADE 3 UNIDADE 3 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS PROFA. DRA. LARISSA DONATO Entender o que são as eras geológicas. Entender o que são e como surgem as ilhas de calor. Estudar a relação dos fatores climáticos com as classificações climáticas. Entender a atuação dos tipos climáticos em cada região do Brasil. 1 1 1 As eras geológicas existem e estamos em meio a um desenrolar desses ciclos que esquentam e esfriam, no entanto, os registros mostram aumento significativo que ocorrem, principalmente, em grandes centros urbanos. Diversos autores transi- tam entre o processo natural de mudança climática e o processo antrópico. Leite (2015), por exemplo, apresenta um estudo epistemológico, com dados marcados pelo caminhar da ciência climatológica e de afins. Segundo ele: O problema da era do gelo foi o primeiro e, até algumas déca- das atrás, o único debate relevante sobre as mudanças climáticas, emergindo como uma discussão da geologia, quenão foi capaz de equacioná-lo. Ficou como um mistério que transitou, no século XIX, pela matemática e astronomia e foi objeto de especulações na geofísica e geoquímica sem que uma solução satisfatória fosse encontrada. A resposta básica para a ocorrência das eras do gelo foi dada por Milankovitch, com sua teoria matemática da insolação, na década de 1940. Todavia somente a consolidação da paleoclimato- logia, na década de 1970, ofereceu as evidências necessárias para comprová-la. O refinamento desses estudos paleoclimatológicos acabou revelando, todavia, um fenômeno inesperado, a saber, que as transições de estados de equilíbrio no sistema climático acon- teceram muito rapidamente no passado. As mudanças climáticas da era do gelo do pleistoceno ocorreram de maneira abrupta e ra- dical, em uma negação do gradualismo. Em consequência, o atual aquecimento global deve ser visto como um fenômeno muito mais perigoso e imprevisível do que usualmente apresentado. LEITE, 2015, p. 811 A teoria de Milutin Milankovitch, que reconheceu variações na órbita da Terra ao redor do Sol, apesar de aceita, gerava dúvidas na paleoclimatologia que usa de “[...]indicadores preservados em sedimentos oceânicos e lacustres, geleiras, rochas, sementes, corais, anéis dos troncos das árvores etc., de forma a construir grandes séries de informações sobre os estados pretéritos do sistema climático” (LEITE, 2015, p. 812), uma vez que apenas pequenas mudanças orbitais não se- riam suficientes para gerar grandes alterações no clima terrestre. Para Leite (2015, p. 813), “Tal constatação significa que o atual aquecimento global é um fenômeno 1 1 4 UNIDADE 3 UNIDADE 3 muito mais perigoso e cheio de consequências do que aquilo que é usualmente apresentado nas discussões sobre as mudanças climáticas”. Vejamos que interes- sante: já em meados do século XIX já havia o monitoramento de grande parte do globo com informações que transitavam rapidamente por meio do telégrafo e que permitiu uma abordagem descritiva dos acontecimentos climáticos que, ainda hoje, são analisados, por exemplo: Em 1824, Joseph Fourier, estudando a temperatura da Terra, per- guntou-se por que ela não era tão fria quanto seria de se esperar e especulou que parte da resposta poderia ser a existência de gases atmosféricos que aprisionam o calor que a Terra recebe do Sol, im- pedindo-o de dissipar-se completamente (a expressão “efeito estufa” só emerge na literatura científica em 1909, com Woods). Os estudos de Fourier são levados adiante por Claude Pouillet, que elaborou as primeiras estimativas do equivalente termal da radiação solar fora da atmosfera, a constante solar, e as primeiras estimativas do papel do vapor d’água na retenção do calor na atmosfera LEITE, 2015, p. 814 DESENVOLVA SEU POTENCIAL A meteorologia, reconhecida por ser uma pesquisa de empiristas e auxiliar à Geo- grafia, passou por diversos avanços até chegar a ser reconhecida como analítica de processos que, até então, a geologia não respondia sobre o aquecimento drástico do globo. Leite conclui seu artigo dizendo que nenhuma grande pesquisa prova que este ou aquele fator seja determinante para as mudanças climáticas do globo. Os dados dos sensores espalhados por todo o globo, inclusive de sondas em profundidades do gelo ou em satélites nas altitudes atmosféricas, demonstram que, além do globo como um todo estar aquecendo, quando observamos em pequenas áreas, com maiores escalas em pesquisas de microclima, percebemos que os grandes centros (áreas de aglomerados urbanos) sofrem aquecimento em maior proporção provocando Ilhas de Calor. Isso nos mostra que todas as mudanças ocorridas nas questões climáticas são em escalas micro, meso e macroclimáticas, gerando consequências em cadeia 1 1 5 As Ilhas de Calor são justamente a concentração do calor devido às condi- ções urbanas como impermeabilização do solo, poluição do ar que concentra o calor, entre outras questões. De forma geral, áreas mais antropizadas como o centro das cidades e áreas rurais com uso do solo monocultural ou exposto para pastoril concentram ilhas de maior calor do que áreas de parques ou áreas rurais com índice de preservação – conforme demanda a Lei 12651 de 2012 do Novo Código Florestal. Clique aqui para aprofundar seus estudos a respeito das Ilhas de Calor. EU INDICO 1 1 1 UNIDADE 3 https://sustentarqui.com.br/o-que-sao-ilhas-de-calor/ UNIDADE 3 “No Código Florestal são estabelecidas leis diretas para as duas áreas de proteção que são obrigatórias para o proprietário que deve respeitar áreas de vegetação que estejam presentes em suas terras. Segundo a lei, essas áreas são bens de interesse comum à nação brasileira. A RL varia de tamanho de acordo proporcional ao tamanho da propriedade e a APP torna-se necessária quando há presença de variáveis que devem ser preservadas por lei, como, por exemplo, área delimitada das margens de um corpo hídrico ou declive superior a 45%” (DONATO, 2021, p. 83). Essa relação que existe entre as ordens escalares, da micro para macro escala, ocorre, pois existem muitas ilhas de calor que, muitas vezes, não são dissipadas na atmosfera e acabam por interferir umas nas outras. Dependendo da distância em que se encontram podem formar uma grande zona de aquecimento. Em locais com a presença de vegetação, as temperaturas são mais baixas do que em áreas industriais e de concentração urbana. A alteração da temperatura em áreas centrais e impermeabilizadas, podem gerar aquecimento considerável, não apenas nas grandes cidades, mas também em pequenos centros, como é o caso das pequenas cidades. As pesquisas reali- zadas nesse segmento são importantes para que entendamos que as ações huma- nas causam consequências no ambiente, independentemente do tamanho desta ação e consequência, fato que torna ainda mais relevante as preocupações com o aquecimento, independentemente da sua origem. Para ilustrar esta questão, veremos um exemplo de dados coletados em campo em uma pesquisa realizada por Gomes, Donato e Lima em um município no noroeste do estado do Paraná. Barbosa Ferraz compreende uma área de 538,6 m² com uma população es- timada de 11.287 pessoas, segundo dados do IBGE (2021). Este trabalho traz algumas considerações sobre as variações termo-higrométricas entre a área rural e urbana do município. Para realização do estudo, foram coletados, com um termo-higro-anemometro-luximetro, dados referentes à temperatura e umidade relativa do ar, em pontos situados na área urbana, rural e zona de transição, às 15:00 horas, durante cinco dias referentes ao período de inverno. Esse estudo permitiu verificar que ambientes com características geoecológicas distintas in- fluenciam na temperatura e umidade relativa do ar. 1 1 1 Para realizar este estudo de conforto térmico, foi utilizado o Diagrama do Conforto Térmico do INMET. Nele, as sensações térmicas são divididas em 4 formatos, podendo ser classificadas como: muito quente e muito seco – opostas com a sensação de muito frio e muito úmido; ou seja, para esta análise, o INMET utiliza dos principais elementos do tempo atmosférico. Os dados obtidos em campo são marcados neste diagrama (Figura 1), no qual a temperatura está no eixo vertical (demonstrado ao lado direito) e a umidade relativa do ar no eixo horizontal (demonstrado na parte inferior). Ao centro, é demonstrado se há ne- cessidade de vento para conforto, necessidade de sol ou se a situação está dentro do que é considerado de conforto térmico saudável. Caso os dados fiquem fora deste campo, significa que estão em desconforto para um dos elementos ou para os dois, dependendo da sua localização no gráfico. Chegamos à conclusão que a área urbana deste município, mesmo sendo de pequeno porte e com pouca pavimentação e nenhuma construção com mais de 2 andares, apresentou, de modo geral, as maiores temperaturas e os menores valores de umidade relativa do ar. O gradiente médio entre a cidade e o campo foi de2,26 °C para tempera- tura e 4,6 % para umidade relativa do ar, como podemos observar nas imagens a seguir (Figuras 1, 2 e 3). Em locais com a presença de vegetação, as temperaturas são mais baixas do que em áreas industriais e de concentração urbana. 1 1 8 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Em análise ao gráfico da Figura 1, percebemos que, no dia 16 de agosto, tanto a área urbana quanto a de transição, estão com temperatura considerada muito quente e com umidade aproximada ao considerado muito seco. A área rural tem caracte- rísticas mais aproximadas do conforto térmico, mas ainda com necessidade de vento para que esta condição seja favorável. As 3 áreas apresentam umidade relativa do ar entre 30% (área urbana) e 40% (área rural), assim como a temperatura, marcada aproximadamente em 35°C (área urbana) e 30°C (área rural). Figura 1 - Conforto térmico com base na variação termo higrométrica / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem apresenta um gráfico com representação da temperatura no eixo vertical e umidade relativa do ar no eixo horizontal em formato retangular. No topo do gráfico, aparece o título: Conforto térmico 16/08/08 - 15:00h. Do lado esquerdo, a legenda de temperatura do ar em graus Celsius de 0 a 45. Na parte inferior, a legenda: umidade relativa do ar em porcentagens de 10 a 100. Quanto à intersecção dessas duas informações, é classificada como sendo muito quente, e a área do gráfico é pintada em rosa; quando classificada como muito seco, é representada em amarelo; quando classificada como muito úmido, em verde; e quando muito frio, está representada em azul. No centro dessas 4 classificações, existe uma área em branco considerada de conforto térmico, subdividida em 3 setores horizontais, demonstrando na parte superior a necessidade de vento, na parte central a classificação de confortável e na parte inferior a necessidade de sol para conforto térmico. Neste caso, existem 3 pequenos pontos, um vermelho, um laranja e um verde, representando, respectivamente as áreas urbana, de transição e rural. Os pontos vermelho e laranja estão localizados na parte rosa, já o verde, na parte central branca, na primeira subdivisão horizontal. 1 1 9 O conforto ideal pode ser verificado entre os 30% e 80% de umidade e entre os 20°C e 30°C podendo ainda ser escalonado dentro desse conforto. No dia 30 de agosto, no mesmo horário das 15h, da mesma estação do mesmo ano, percebe- mos que área rural se encontra em conforto térmico, com cerca de 28°C e 33%, sendo um conforto térmico muito próximo da faixa de necessidade de vento e umidade, mas ainda dentro desta modalidade. Tanto as áreas urbana e de tran- sição encontram-se em condições muito secas com, aproximadamente, 28%, inferior ao mínimo de 30% proposto pela OMS. ZOOM NO CONHECIMENTO Figura 2 - Conforto térmico com base na variação termo higrométrica / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: A imagem apresenta um gráfico com representação da temperatura no eixo vertical e umidade relativa do ar no eixo horizontal em formato retangular. No topo do gráfico, aparece o título: Conforto térmico 30/08/08 - 15:00h. Do lado esquerdo, a legenda de temperatura do ar em graus Celsius de 0 a 45. Na parte inferior, a legenda: umidade relativa do ar em porcentagens de 10 a 100. Quanto à intersecção dessas duas informações, é classificada como sendo muito quente, e a área do gráfico é pintada em rosa; quando classificada como muito seco, é representada em amarelo; quando classificada como muito úmido, em verde; e quando muito frio, está representada em azul. No centro dessas 4 classificações, existe uma área em branco considerada de conforto térmico, subdividida em 3 setores horizontais, demonstrando na parte superior como podendo ainda necessitar de vento – quando próximo da classificação muito quente –, na parte central, a classificação de confor- tável e, na parte inferior, a necessidade de sol para conforto térmico – quando próxima da classificação muito frio. Neste caso, existem 3 pequenos pontos, um vermelho, um laranja e um verde, representando, respectivamente, as áreas urbana, de transição e rural. Os pontos vermelho e laranja estão localizados na parte amarela, já o verde, na parte central branca, na segunda subdivisão horizontal. 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 O crescente processo de urbanização tem trazido inúmeras modificações no ambiente. O processo de transformação e alteração da natureza se dá pelas ações antrópicas com “maior expressão nos espaços ocupados pelas cidades, criando um ambiente artificial” (LOMBARDO, 1985, p. 17). Em decorrência desse pro- cesso, nas últimas décadas, principalmente após a entrada do século XXI, surgi- ram diversos problemas socioambientais, que afetam diretamente a qualidade de vida dos citadinos, o que confirma os estudos de desequilíbrio ambiental devido à falta de conforto ambiental, estando o sistema urbano em condições geoecoló- gicas específicas que atuam de forma profunda nas condições naturais (TROPPMAIR, 1987). Entre as variáveis ambientais que se modificam com a urbanização, está presente o clima: “O clima dessas áreas, ou clima urbano, é derivado da altera- ção na paisagem natural e da sua substituição por um ambiente construído, palco de intensas atividades humanas” (MENDONÇA, 2000, p. 168). A urbani- zação desordenada e sem planejamento adequado tem trazido uma série de modificações no clima local das cidades. As mudanças na ocupação do solo, o aumento de áreas construídas e a diminuição de áreas verdes alteram o clima local das cidades e contribuem para modificações climáticas globais. A urbanização desordenada e sem planejamento adequado tem trazido uma série de modificações no clima local das cidades. Dentre as mudanças mais observadas no ambiente construído, Mendonça (2000) destaca a temperatura, a umidade relativa do ar e os ventos; e nas cidades tropicais, a precipitação. As áreas urbanas tendem a apresentar temperaturas mais elevadas que o entorno, propiciando, muitas vezes, o surgimento de uma circulação específica na cidade. Esse fenômeno descrito recebe o nome de ilha de calor (LOMBARDO, 1985). Segundo Oke (apud LOMBARDO, 1985), as ilhas de calor são resultado das modificações dos parâmetros da superfície e da atmosfera pela urbanização. A elevação da temperatura sobre as cidades e a consequente formação de ilhas de calor ocorre devido à redução da evaporação, ao aumento da rugosidade e pelas propriedades térmicas das áreas construídas (LOMBARDO, 1985). A baixa densidade de áreas verdes e a impermeabilização do solo na cidade diminuem nas últimas décadas, principalmente após a entrada do século XXI, surgiram diversos problemas socioambientais, que afetam diretamente a qualidade de vida dos citadinos 1 1 1 a taxa de evaporação, fator que contribui para o aumento de temperatura. São fatores que contribuem para elevação de temperatura na cidade (ERIKSEN apud LOMBARDO, 1985): ■ A produção de energia antropogênica, por meio da emissão de calor pelas indústrias; ■ o movimento dos automóveis; e ■ o aumento de construções. A umidade relativa do ar é outra variável climática que sofre alteração no am- biente urbano. Em decorrência do aumento de temperatura na cidade, há uma diminuição da umidade relativa do ar (LOMBARDO, 1985). Com o aumento de temperatura e queda da umidade relativa do ar, as cidades se tornam, cada vez mais, um local propício na geração de desconforto térmico, afetando o bem-es- tar da população. Segundo Ribeiro e Silva (2006), uma das consequências das mudanças do clima na cidade é seu impacto no conforto térmico. O processo de urbanização modifica o clima local de modo que as diferenciações na composi- ção dos ambientes intra-urbanos criam condições ao conforto ou desconforto climático de seus habitantes. De acordo com García (apud GOMES; AMORIM, 2003, p. 96), conforto térmico é o “conjunto de condições em que os mecanismos de autorregulação são mínimos”ou ainda “a zona delimitada por características térmicas em que o maior número de pessoas manifestem se sentir bem”. As di- ferenças climáticas na cidade e sua influência na qualidade de vida das pessoas podem ser observadas quando se compara os dados climáticos entre o espaço urbano e o rural. As características distintas de uso e ocupação do solo geram um comportamento climático diferente entre esses ambientes. 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 A área urbana e de transição rural/urbano são as que apresentaram mais dias de desconforto térmico, fato intimamente ligado à maior temperatura e menor umidade relativa do ar em relação à área rural. Cabe salientar que no dia de menor temperatura registrada foi a área rural que obteve desconforto térmico devido ao menor aquecimento deste ponto em relação à cidade. Esse trabalho reforça o que vem sendo evidenciado por muitos estudos realizados na área da climatologia urbana, que apontam para um maior aquecimento e perda de umidade nas cidades, principalmente nas metrópoles e grandes cidades. A pesquisa realizada em Barbosa Ferraz - PR aponta que esse fenômeno também está presente nas cidades de pequeno porte. Nossa hipótese é a de que a forma de exploração econômica alterou o clima de forma global e trouxe consequências localizadas para a população. A relação dos fatores climáticos determina as classificações climáticas do Brasil podem ser classificadas de diversas formas, dependendo da metodologia escolhida por cada autor. Existem diversos autores que classificaram os climas brasileiros e, neste momento, veremos alguns deles. Como já estudamos, na divi- são macroclimática, o Brasil está localizado em duas áreas zonais, sendo que 92% do território nacional encontra-se em área tropical, já o restante, apenas 8%, em área de zona temperada, sendo composta pelo sul do país, uma área extratropical, ao sul do trópico de capricórnio. Na divisão mesoclimática e levando em consideração não mais o fator la- titude, mas os fatores maritimidade e continentalidade, é importante lembrar que o país tem um extenso litoral com mais de 9.000 Km, o que faz com que o clima brasileiro seja bastante úmido, assim como a presença da floresta amazô- nica ao norte que também tem característica de umidificação do ar em grandeza territorial. Não existe, nunca, dois climas iguais, ou seja, cada região, com suas características, fatores e elementos, apresentam distinções, e, além disso, cada classificação pode diferenciar-se de outra, mesmo quando se referem ao mesmo território, dependendo dos índices e características que foram levadas em con- sideração para sua análise. Uma característica climática pode ser subjetiva de acordo com os índices estabelecidos como critérios principais. Na maioria dos casos, são levados em consideração os elementos: temperatura, precipitação, radiação e vento. 1 1 1 Uma das classificações mais antigas e utilizadas pela comunidade científica, apesar de ser cada vez menos utilizada devido, justamente, às modificações e atualizações que surgiram no decorrer dos anos, é a classificação climática global de Köppen, fundada em 1918. Este autor dividiu a classificação com nomencla- turas que utilizam até 3 letras do alfabeto, de forma que a primeira letra significa o grupo climático em que a área está inserida, ou seja, a sazonalidade global – macroclima, seguida do tipo de precipitação sazonal, finalizada com a terceira letra que se refere à quantidade de calor local, assim, gerando diversas interações e classificando todo o globo (Figura 3). Figura 3 - Classificação climática segundo Köppen / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem representa o globo, os 6 continentes do globo divididos em 6 cores diferentes conforme o clima local. No norte, em azul, o clima polar, seguido do clima continental e temperado, ambos em tons de verde representando o frio. Na sequência, o clima deserto, próximo aos trópicos de câncer e capricórnio, em amarelo e sendo cortado pelo clima tropical em laranja. Ao sul, o clima temperado volta a ocorrer, seguido do clima polar no extremo sul. Para cada uma dessas 5 características climáticas, existe um desenho representativo na parte de baixo da imagem. No tropical, a presença de árvores, coqueiros e arbustos com flores; no deserto, cactos e areia mais seca; no temperado, uma floresta mista; no continental, a presença de coníferas; e no polar, gelo e montanhas congeladas. 1 1 4 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Para esta classificação, cada letra tem o seguinte significado, o que nos conclui no seguinte mapa do Brasil, segundo Köppen (Figura 4): GRUPO A - CLIMA TROPICAL CHUVOSO[1] Am – (de bosque tropical) temperatura elevada; pluviosidade elevada; temp mé- dia > 22 °C (em todos os meses); mínima do mês mais frio é > 20 °C. Aw – (seca no inverno) temperatura elevada; chuva no verão e seca no inverno; temp. média > 20 °C; no mês mais frio do ano, temp. mínima <18 °C. Aw`- (chuva no outono) temperatura elevada; chuva no verão e no outono; tem- peratura > 20 °C (sempre) Af – (falta de estação seca) Temperatura elevada; sem estação seca; temperatura > 20°C (sempre) As – (seca no verão) Chuva de inverno e outono; temperatura elevada, maior que 20°C (sempre) B – CLIMA SECO BSh – (Clima quente de estepe) temperatura elevada, chuvas escassas no inver- no, temp > 22 °C C – CLIMA TEMPERADO CHUVOSO E MODERADAMENTE SECO Cwa – (seca no inverno e temp do mês mais quente > 22 °C) temperatura mode- rada; verão quente e chuvoso; mês mais frio a temp. mínima < 20 °C. Cwb – (seca no inverno e temp. do mês mais quente é < 22 °C) verão brando e chuvoso; temperatura moderada; geadas no inverno; temp. média no inverno e outono é < 12 °C. Cfa – (falta de estação seca e temp do mês mais quente > 22 °C) temperatura moderada; chuvas bem distribuídas; verão quente; geadas nos meses de inverno; temp. média no inverno < 16 °C; temp. máx no mês mais quente > 30 °C. Cfb – (falta de estação seca e temp. do mês mais quente é < 22 °C) temperatura moderada; chuva bem distribuída; verão brando; ocorrência de geada (inverno e outono); temp. média < 20 °C (exceto no verão); temp. média no inverno < 14 °C e temp mínima, 8 °C (MARIANO, 2014, on-line) 1 1 5 Outra classificação muito utilizada no Brasil é a das regiões dos domínios mor- foclimáticos do professor Aziz Ab’Sáber que, apesar de não ser uma classificação apenas climática, é suporte para muitos estudos do clima. Para Ab’Sáber (2003), a paisagem – categoria que o autor realmente demonstra nos mapas – é como um conjunto de elementos, naturais ou artificiais sempre atrelados à herança. Esse caráter de herança é estabelecido por processos de atuação antigos e recentes, que remodelam a paisagem, por meio dos aspectos morfoclimáticos, pedoló- gicos, hidrológicos, ecológicos e fitogeográficos. As potencialidades dependem da integração das [...] feições de relevo, tipos de solos, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas para formação de complexos fisiográficos e biogeográficos homogêneos e extensivos. Tais complexos podem Figura 4 - Classificação de Koppen para o Brasil / Fonte: Köppen (1918 apud MARIANO, 2014, on-line). Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração que representa o clima do Brasil com os climas atuantes em cada área segundo a classificação de Köppen. São apresentadas 9 classificações gerais com cores distintas, con- forme a classificação por grupo dada por este autor. No norte, existe a concentração de climas da classificação em grupo A. Ao sul do grupo C e no nordeste do grupo B. 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 ser estruturados em arranjos poligonais possuidores de áreas core. Essas áreas possuem domínios de transição e de contato, que podem formar competências com combinações físico-ambientais diferen- ciadas com expressão regional, além dos enclaves distinguidos por sua própria natureza (OLIVEIRA SILVA, 2012, p. 252). O clima, para este autor, é fator de remodelagem do relevo e, por estar diretamenteliga- do às condições paisagísticas, também condiciona a vegetação, assim como o contrário também é verdadeiro. Ou seja, a Geografia acontece de forma interligada entre relevo, clima, vegetação e outros. Nas áreas de transição entre os domínios, pode correr caracte- rísticas de ambos os domínios ou ainda uma natureza diferenciada de ambos (Figura 5). a Geografia acontece de forma interligada entre relevo, clima, vegetação e outros. 1 1 1 Figura 5 - Domínios morfoclimáticos brasileiros de Aziz Ab’Sáber / Fonte: Ab’Sáber (2003). Descrição da Imagem: a figura mostra o mapa do Brasil em preto e branco com a representação dos 1 do- mínios morfoclimáticos com simbologias distintas. Ao norte, pintado com traços horizontais, encontra-se o domínio Amazônico; no nordeste, em traços verticais, o domínio da Caatinga; no centro do Brasil, encontra-se o domínio do Cerrado marcado por linhas horizontais contínuas; na região sul, encontra-se, na cor preta, o domínio das Araucárias; no extremo sul, em pontilhados pequenos, as Pradarias e, no litoral, o domínio dos Mares de Morros em linhas curvas. Todos os domínios, apresentam em sua intersecção uma faixa de transição em branco, com exceção do limite entre os Mares de Morro e as Araucárias ao sul, marcando a floresta mista. Do lado esquerdo do mapa, está presente a legenda, formada por 1 quadrados pequenos, dispostos de forma vertical. No primeiro, na parte superior pintado com traços horizontais, encontra-se o domínio Amazônico; no segundo, marcado por linhas horizontais contínuas, está descrito o cerrado; no terceiro, está descrito o domínio dos Mares de Morros em linhas curvas; no quarto, composto por traços verticais, o domínio da Caatinga; em quinto em pontilhados pequenos, as Pradarias; e, por último, em sétimo, o quadrado branco simboliza as áreas de transição. Vejamos que, para que ocorra o domínio Amazônico, foi necessária uma relação direta entre as terras baixas e úmidas e uma temperatura elevada encontrada na região que é cortada de perto pelo equador. No Cerrado, considerado de região tropical, o calor é marcado pelo trópico de capricórnio, com menor umidade. Nos mares de morro, o calor e a umidade do atlântico, são marcados por uma vegeta- ção de mata. Na Caatinga, a seca é prioritária, com galhos retorcidos e uma alta temperatura. Nas araucárias, esta espécie se estabelece justamente pela umidade e vento frio que diminui as temperaturas locais. Nas pradarias, as gramíneas verdes 1 1 8 UNIDADE 3 UNIDADE 3 e um frio mais intenso fazem do inverno o mais rigoroso do país em um campo praticamente plano de relevo. Entre todas elas, uma faixa de transição que se mistura em informação, podendo, inclusive, representar uma paisagem diferente. Esses domínios, que estão diretamente relacionados aos tipos de clima, po- dem ser comparados e verificados com base na classificação geral do IBGE (Fi- gura 6), que é sempre atualizada com base em pesquisas e avanços tecnológicos das estações climatológicas com dados recentes. Como as estações que já conhe- cemos, agora sabemos que os mapas podem ser atua- lizados, já que a cada ano, apesar da média climática, ocorrem mudanças consideráveis. Desta forma, pode- mos, a cada 60 anos, considerar uma média de normal climática, ou média de mudança na classificação. Figura 6 - Climas do Brasil pelo IBGE / Fonte: IBGE (2002). Descrição da Imagem: a imagem é composta pelo mapa do Brasil inserido na América do sul com a representação da legenda do lado direito. O mapa é colorido, em que cada cor representa uma característica climática zonal – mesoclima – do Brasil. No canto inferior direito, aparece um outro mapa síntese das zonas climáticas brasileiras e um QR Code para acessar o mapa com maiores detalhes. Na porção centro norte do Brasil, há uma concentração de cores em tonalidade de rosa, que representam o clima quente – equatorial, assim como no litoral. No nordeste, cores em tons de amarelo e laranja demonstram climas mais secos do semiárido e, na porção sul, as cores de tons do azul demonstram áreas mais frias e úmidas. Os climas Tropicais e Equatoriais são os dois mais atuantes no Brasil 1 1 9 Os climas Tropicais e Equatoriais são os dois mais atuantes no Brasil, justamente devido à sua localização zonal – macroclimáticas de interferência dos maiores fatores do clima. Como o norte brasileiro é cortado pela linha do equador e grande parte absoluta do país está na área tropical, essas duas características se relacionam com mudanças que são intensificadas devido às questões de umidade. CLIMA EQUATORIAL Aqui, por exemplo, além de temperaturas elevadas durante todo o ano, o nível pluviométrico é intenso com chuvas que ocorrem praticamente todos os dias A vasta rede hidrográfica faz com que a umidade seja concentrada e que precipi- tações convectivas ocorram devido ao alto índice de radiação solar Além da região norte brasileira, mais precisamente na floresta amazônica, regiões como Indonésia, Tailândia, Serra Leoa, Nigéria, Venezuela, Panamá e Jamaica também apresentam essas características Nacionalmente, podemos citar índices médios de temperatura próximos aos 26 °C com pouca variação em amplitude e regime de chuvas entre 2 e 3 mil milímetros anualmente, com umidade que ultrapassam a média de 80%. CLIMA TROPICAL É predominante no Brasil, com os verões que são quentes e chuvosos, com invernos considerados mais frios e secos Com amplitude que varia entre 5 °C e 6 °C, a média de mínima e máxima são, respectivamente, de 17 °C e 28 °C, podendo superar os 30 °C em diversos dias de verão Os principais registros de chuva variam de 750 mm a 1500 mm, porém com distribuição irregular entre verão e inverno TROPICAL DE ALTITUDE Clima mais presente no litoral brasileiro e no sudeste, com registro de mares de morro e serras litorâneas, observa-se quando existe a diferença causada pela altitude em diferentes níveis de um relevo mais acentuado e acima de 800 m A amplitude diária pode variar em até 9 °C, com índices entre 15 °C e 22 °C. Apesar de verões mais amenos que o Tropical típico, a umidade ainda é elevada, com registros concentrados de 1500 mm 1 4 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 É importante entendermos que os títulos e subtítulos climáticos podem variar. Isso ocorre justamente pelas características médias em macroclima, que sofrem al- terações quando analisadas em microclima de escala ampliada de cada localidade. De forma geral, é interessante trabalhar essas diferenças em sala de aula com os alunos e verificar o quanto a realidade do município em que estão inseridos tem as características do clima geográfico generalizado, ou seja, as característi- cas do macroclima, se modificam em qual proporção quando ampliamos para a microclimática? A compreensão da realidade pode variar de acordo com os índices e com as escalas de análise escolhidas. TROPICAL SEMIÁRIDO Clima que ocorre em parte do nordeste brasileiro, as temperaturas médias ultra- passam 27 °C e com grande amplitude térmica e chuvas escassas que ocorrem entre 250 e 700 mm anualmente, podendo ficar períodos muito longos sem nenhuma precipitação Como as chuvas ocorrem raramente e de forma isoladas, a região é conhecida como polígono da seca nordestina brasileiro. SUBTROPICAL Clima presente apenas no sul do Brasil, as temperaturas medianas entre 18 °C podem chegar a índices negativos em alguns locais, com presença, ainda que rara, de neve no inverno Geadas são comumente registradas e a pluviosidade média anual é registrada por volta de 1200 mm. A influência marcante da massa polar vinda do sul causa ondas mais geladas do que no restante do país, única fora da tropical Concluímos este tema de aprendizagem com a Figura 7 que demonstra o aquec- imento do globo nas últimas décadas e perguntando: o quanto essa alteração influenciou no seu bairro? Ou será que essa relação é contrária? O quanto as alterações do seu bairro modificaram o aquecimento total do globo? 1 4 1 Figura7 - Aquecimento Global / Fonte: Hawkins (2019, on-line). Descrição da Imagem: a figura é uma ilustração que é composta por 7 blocos que representam 6 grandes zonas, sendo respectivamente: América, Europa, África, Ásia, Médio Leste e Pacífico e a média global. Em todos eles, da esquerda para a direita, as cores mais frias representadas pelas tonalidades em azul se iniciam no ano de 1901 e passam a aquecer até chegarem no vermelho em 2018, demonstrando o aumento do aquecimento no século XXI. Ouça o podcast no seu ambiente virtual de aprendizagem. Neste podcast, falamos sobre os Climas do Brasil. Apesar de existirem diversas classificações com nomenclaturas difer- entes e visões distintas, a caracterização térmica e a dinâmica do clima existem de uma maneira integradora entre a pais- agem, o meio, o relevo e as escalas geográficas. Sendo assim, vamos bater um papo sobre as classificações! Ouça o podcast no seu ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO 1 4 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Agora que estudamos as classificações do clima no Brasil e a atuação deles em cada região, que tal se organizarmos uma comparação? Levando em conside- ração os climas do Brasil, observe a classificação climática mais antiga e uma mais atual para o município em que você reside e analise se ocorreram modi- ficações. Você pode buscar pela mesma estação, ou por médias anuais. O clima local sofreu alterações nas últimas décadas? Vale buscar uma série histórica e compreender qual a realidade climática do ambiente em que você passa todos os seus dias. Além disso, também é interessante perceber quais são as diferentes classificações climáticas dessa área e o que cada autor levou em consideração para chegar a essa conclusão. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem, vimos muitos conceitos e caracterizações diferentes dos climas brasileiros. Vamos fazer um mapa mental com essas principais deno- minações?! Pois bem. O intuito é montar um mapa mental em que os principais assuntos vistos neste tema de aprendizagem sejam elencados e interligados. Faça uma busca por reportagens e artigos científicos que comentem sobre esses assun- tos e exponha isso em formato de diagrama neste mapa mental. É muito impor- tante entender que estes mapas ajudam não somente na compreensão do assunto, mas também no desenvolvimento do aprendizado como um todo. Nossos olhos observam a conexão dos temas e conseguem fazer correlações mais avançadas. Comece seu mapa com o tema central, por exemplo: ESCALA CLIMÁTICA, e, então, correlacione as diversas escalas com reportagens sobre o clima. Essas reportagens são de escala meso ou microclimática? Depois, conceitue e localize, geograficamente, cada uma delas. Outra ideia é correlacionar dois tipos diferen- tes de classificação climática do Brasil. Por exemplo: compare a classificação de Köppen com a do IBGE, separe por região e descreva os itens de acordo com as semelhanças e as diferenças em cada uma delas. Este tema de aprendizagem apresentou para você as eras geológicas e o que são e como se formam as ilhas de calor. Com isso, você pôde entender a relação dos fatores climáticos com as classificações climáticas e a atuação delas em cada região do Brasil. 1 4 1 AGORA É COM VOCÊ 1. As características do macroclima, se modificam em qual proporção quando amplia- mos para a microclimática? 1 4 4 UNIDADE 3 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS I PROFA. DRA. LARISSA DONATO Conhecer os Tópicos Especiais da Climatologia. Entender o que é climatologia dinâmica e o que a diferencia da climatologia geográfica. 1 4 5 INICIE SUA JORNADA Neste tema de aprendizagem, partiremos, então, para o que chamamos, na cli- matologia, de Tópicos Especiais, principalmente dentro de uma vertente da climatologia chamada de climatologia dinâmica. A Climatologia dinâmica estuda o tempo e o clima com base nos eventos atmosféricos e leva este nome devido às mudanças e as consequências dinâmi- cas dessa atmosfera. Diferente da Climatologia Geográfica, ela não se preocupa necessariamente com a série histórica, mas com os índices atmosféricos de cada local no globo. É óbvio que elas estão relacionadas, afinal de contas, a série histó- rica nos leva a entender as reais mudanças dentro dos padrões de normalidade, no entanto, como a atmosfera está em constante mudança, ela se preocupa com os eventos cotidianos e transformantes especiais, que estão além das questões básicas da realidade climática. Sendo assim, a principal questão que norteia essa nossa discussão é: quais são os tópicos especiais e as ocorrências da climatologia dinâmica no globo? E é justamente sobre isso que falaremos a seguir. A Climatologia dinâmica estuda o tempo e o clima com base nos eventos atmosféricos 1 4 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL As situações do nosso cotidiano estão diretamente relacionadas ao clima. Esta- mos sempre atentos ao fato de que pode fazer frio em um dia que ficaremos fora por muito tempo e teremos que levar um agasalho melhor, ou, ainda, se tem probabilidade de chover no dia em que realizaremos um passeio com a família. Se, para cada ação do nosso dia, a previsão é importante, imagine então para a agricultura, que precisa se programar para a safra que se inicia. Entre uma previsão e outra, vemos reportagens e anúncios sobre as mudanças no tempo, tanto aquelas comuns, quanto aquelas causadas por alguma interferência de um fenômeno climático diferenciado, que atua sobre a região no momento. Por exemplo: Você já teve contato com alguma reportagem dizendo que o efeito da La Niña trouxe uma mudança no tempo de algum local? Pode ter sido o El Niño também. Pode ser que você tenha ouvido sobre um Furacão? Tufão? Ou quem sabe um ciclone extratropical. Uma reportagem sobre um dia frio atípico, sobre o dia mais quente do ano, ou ainda qualquer outro fenômeno meteoro- lógico que causam variações no clima regional. Esses são exemplos de análises em tópicos especiais da climatologia. Afinal, estes são fenômenos que decorrem de situações contrastantes às naturais, mas que, na prática, estão presentes no nosso dia a dia. Podemos perceber isso na reportagem do Diário do Nordeste que diz sobre as chances de chover durante todo o ano devido a presença de La Niña no Ceará, podendo ser a mais longa dos últimos 10 anos. Clique aqui para ler a matéria na íntegra. EU INDICO Nesta reportagem, dois pontos chamam a atenção: ■ O primeiro, relacionado ao fato de que existe a possibilidade de maior índice de chuvas durante todo o ano em local que, pelos dados da série histórica, não costuma chover tanto. 1 4 1 https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/chances-de-chuva-o-ano-inteiro-atuacao-do-la-nina-no-ce-podera-ser-a-maior-dos-ultimos-10-anos-1.3250254 ■ O segundo tem ligação direta a um fenômeno climático chamado de La Niña. Nos meses de julho a dezembro, com ênfase aos meses de agosto a novembro, apesar da média constante de temperaturas acima de 25 ºC, ocorrem poucas chuvas na capital cearense. Segundo a reportagem, a La Niña pode mudar isso. Figura 1 - Mapa do clima do Ceará segundo Köppen / Fonte: Hunter (2018, on-line). Descrição da Imagem: a imagem é composta pelo mapa do estado do Ceará em duas cores que se mesclam no mapa. Na área mais central, a cor laranja e, nas áreas mais externas, a cor azul. Sobre a imagem, aparece o título: Tipos climáticos do Ceará. Na parte inferior do mapa, está a legenda com subtítulo: Tipos climáticos de Köppen, seguido de dois quadrados, o primeiro pintado de azul com as escritas: As – Tropical de savana; o segundo em laranja com as escritas: BSh - semiárido quente. VOCÊ SABE RESPONDER? Pois bem, como é possível um fenômeno mudar as condições climáticas? Es- sas mudanças são definitivas ou temporárias? Existem diversos fenômenos? Quais são os principais? E por fim, fechamos com a dinâmica climática mundial e local. 1 48 UNIDADE 3 UNIDADE 3 A descrição na carta sinótica da América do Sul, disponibilizada no site do INMET (2022, on-line), demonstra, para o dia 4 de julho de 2022 às 12h UTC, a seguinte análise realizada com base na carta da Figura 2: Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o Atlântico oscilando entre 5ºN/10ºN em relação à linha do Equador. Áreas de instabilidade são observadas sobre o noroeste da Venezuela, norte da Colômbia, sul do Peru, centro e oeste da Bolívia, sul do Chile, sul e leste da Argentina e, no Brasil, sobre o norte de Roraima, centro e norte do Amazonas, em pontos isolados no oeste do Pará, Alagoas, nordeste da Bahia e no centro e leste do Rio Grande do Sul. Baixa pressão continental de 1013 hPa em torno de 25°S/60°W, de onde se estende um cavado sobre o nordeste da Argentina, sul e leste do Rio Grande do Sul e Oceano Atlântico ao longo da costa entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. Outro cavado prolonga seu eixo sobre o Atlântico ao longo da costa leste do Nordeste do Brasil. Frente estacionária ondulando desde o sudoeste e sudeste do Rio Grande do Sul e Oceano Atlântico adjacente, prosseguindo com seu ramo frio a leste de 30°S/33°W. Alta pressão pós-frontal com centro de 1026 hPa em 34ºS/38ºW. Ao sul desse sistema, observa-se outra frente fria ocluindo em baixa pressão de 980 hPa em torno de 50°S/21°W. Frente fria atuando desde a Província de Rio Negro, na Argentina, prosseguindo pelo Atlântico até baixa pressão de 994 hPa em torno de 51°S/65°W. Frente fria sobre o Oceano Pacífico atuando desde 36°S/88°W até baixa pressão de 9879 hPa ocluindo em 51°S/84°W. Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) com centro de 1028 hPa em 24ºS/22ºW; Alta Subtropical do Pacífico Sul (ASPS) com centro de 1036 hPa a oeste de 100ºW. 1 4 9 Pode parecer um pouco complicado, mas é interessante ler cada anotação e pro- curar por estes índices no mapa. Repare que o texto diz: “sobre o Atlântico os- cilando entre 5ºN/10ºN”, ou ainda que: “Áreas de instabilidade são observadas sobre o noroeste da Venezuela, norte da Colômbia”, ou seja, para descrever uma análise, o INMET apresenta a localização da qual a análise se refere. Sendo assim, busque cada informação no mapa, localize o que é exposto e compreenda, com base no mapa, o que o texto realmente se refere climatologicamente. Esta ativi- dade prática, além de ajudar nas relações geográficas do local, te fará perceber cada simbologia e cada forma de apresentar uma dinâmica no tópico especial sinótico do mapa. Para fazer uma leitura climática como esta, utilizamos uma carta sinótica. É importante conhecermos diversas fontes de informações sobre as bases meteoro- lógicas do globo. Dados de temperatura e pressão podem nos auxiliar a conhecer Figura 2 - Carta sinótica da América do Sul / Fonte: INMET (2022, on-line). Descrição da Imagem: a figura mostra o mapa da América do Sul com contorno em preto. Sobre o mapa,apare- cem faixas vermelhas e azuis que simbolizam baixas e altas pressões, além de diversos números de localização sobre as correntes. 1 5 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 o tempo em determinado local. Você já ouviu falar em uma carta sinótica? Vamos refletir sobre sua atuação a fim de aumentarmos o nosso conhecimento e o nosso poder de buscar novos conteúdos e novas práticas dentro da ciência geográfica e da climatologia. Antes de iniciarmos os nossos estudos sobre clima, o que você já conhecia da carta sinótica? Já tinha ouvido falar nela? E agora que já estudamos os principais conceitos e estamos analisando os tópicos especiais, quais expressões são novas para você? O que mais te chamou atenção nestes estudos? Busque por este e outros mapas sinóticos no site do INMET, na aba “Clima” - “análise sinótica” e descreva as suas ideias. Quando anotamos o que estudamos, nosso senso visual nos ajuda na memorização e no entendimento. Busque essas in- formações e anote suas respostas! EU INDICO Até este momento, mesmo quando falamos da prática da climatologia, referi- mo-nos às questões conceituais. Ou seja, debatemos os estudos básicos e diretos sobre os fatores e elementos do clima, ligados à climatologia e à meteorologia. Falamos das classificações climáticas e também das mudanças climáticas. No entanto, é importante saber que cada localidade, cada elemento e cada fator pode ser analisado e estudado com um olhar específico, gerando, assim, dados relacionados a tópicos especiais em climatologia. Você provavelmente já conhece os fenômenos climáticos e pesquisas espe- cíficas que compõem os tópicos especiais aqui apresentados. Falaremos, então, de questões específicas de um determinado local, ou de uma determinada ação climática que ocorre isoladamente, ou ainda em um ponto único e que geram consequências globais. Falar de fenômenos climáticos sem falar de El Niño e La Niña é praticamente impossível. Esses fenômenos causam consequências no globo como um todo, mas ainda mais efetivos e diretos aqui no hemisfério sul. Além disso, esses fenômenos geram uma das maiores curiosidades e conse- quências do mundo atual em climatologia. De forma geral, eles são fenômenos climáticos que alteram, de forma natural, um padrão, também natural do clima, no globo terrestre. 1 5 1 https://portal.inmet.gov.br/ O nome “El Niño” surgiu devido a uma crença cristã, quando pescadores da costa do pacífico sul se sentiram abençoados devido ao aumento no número de peixes que conseguiram pescar em um dia de trabalho. Os pescadores, então, disseram que o ocorrido era um milagre do menino Jesus, já que era final de ano e o dia do natal estava perto. O nome “La Niña” ficou conhecido anos seguintes, quando perceberam um efeito contrário na quantidade de pesca no mesmo local – ou seja, quando o volume de peixes diminuiu. A extensão da região do Pacífico Equatorial onde ocorrem as ano- malias da temperatura da superfície do mar (TSM), somado à gran- de capacidade de um fluído, como a água, em transportar energia, faz com que o El Niño provoque mudanças no padrão normal de circulação atmosférica. Por isso, a ocorrência deste fenômeno é vista como agente de anomalias climáticas, principalmente no regime pluviométrico e, por consequência, afetando os diversos setores da sociedade e da economia. MINUZZI, 2006, p. 8 O fenômeno do El Niño, climatologicamente e meteorologicamente anali- sado, tem como principal efeito o aquecimento das águas do pacífico sul, principalmente próximas à costa chilena. As águas, que normalmente são frias, passam por um processo de inversão das correntes próximas à zona equatorial, que aquecem as águas em cerca de 2 ºC a 3,5 ºC. No ano de 1997, foi registrado o maior aumento devido ao El Niño, chegando a 4 ºC acima do comum, que, na superfície, é de 26 ºC. Este fenômeno pode causar alterações em todo o globo, mas principalmente no hemisfério sul e ainda mais direta- mente na América do Sul, como observado na Figura 3 a seguir. 1 5 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Sabemos que esses fenômenos são cíclicos, ou seja, ocorrem um após o outro, no entanto, sem período padrão de permanência. Tanto a durabilidade de cada um, quanto o período de transição entre um e outro e sua dada normalidade cli- mática das condições meteorológicas do pacífico não são totalmente conhecidas pelos cientistas. Mas vejamos o que as pesquisas mostram e os seus principais indicadores: dois indicadores são os mais utilizados para medir a ocorrência e a intensidade do El Niño: Índice de Oscilação Sul (IOS ou SOI) e Anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (SSTA). A Oscilação Sul (OS) caracteriza-se por uma ‘gangorra barométrica’ de grande escala observada sobre a Bacia do Pa- cífico Tropical. Walker e Bliss (1932, 1937), citado por INFORMAÇÕES (2002), definiram a OS como uma flutuação inversa verificada na pressão ao nível do mar nas estações de Darwin (12.4S - 130.9E) localizada no norte da Austrália e Tahiti (17.5S - 149.6W) situada no Oceano Pacífico Sul. A diferença entre as pressõesFigura 3 - Atuação do El Niño no pacífico sul / Fonte: o autor. Descrição da Imagem: a figura é composta por duas ilustrações. A primeira representa a costa da Austrália rece- bendo uma corrente quente, na cor vermelha que tem origem na costa do Chile com temperaturas mais baixas. A segunda mostra a inversão desta corrente, onde as águas quentes que saem da Oceania chegam até a costa chilena. O título apresenta a seguinte nomenclatura: O fenômeno do El Niño. Do lado esquerdo dos mapas: -ANO NORMAL com: ventos equatoriais se juntam para o oeste; e ANO DE EL NIÑO com: ventos do leste que se enfra- quecem. Água morna se move para o leste. Do lado direito: água fria ao longo da costa sul-americana e inverno úmido. Dentro da imagem: Austrália sobre o país australiano / Oceano Pacífico sobre o mar / Equador sobre a linha do Equador / América do Sul, sobre o continente americano. 1 5 1 normalizadas (em desvio padrão) nas estações de Tahiti e Darwin é definida como o Índice de Oscilação Sul (IOS). Este índice é geralmente negativo nos anos de El Niño e positivo nos anos de La Niña, tendo dados disponíveis para mais de um século (KESSLER, 2002 apud KIYUNA, 2002, on-line). Essa explicação pode ser analisada de forma visual no gráfico a seguir, que nos mostra, justamente, a atuação cíclica deste fenômeno, com os dados apresentados na citação anterior. Atente-se ao fato de que uma ação sempre interfere na outra e que, apesar de não existir um padrão, propriamente dito, na maioria das vezes, quando uma atuação é muito forte, a seguinte é mais amenizada. Figura 4 - Índice de Oscilação Sul entre El Niño e La Niña Fonte: Kessler (2002 apud KIYUNA, 2002, on-line). Descrição da Imagem: gráfico demonstra a oscilação de pressão do ano de 1880 a 2000 com índices positivos em colunas verticais em azul no período de La Niña e índices negativos verticais em vermelho no período de El Niño. A cada ano, os índices vão de -2 a 2 graus saindo da linha zero. 1 5 4 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Como já estudamos, as estações do ano ocorrem de maneira oposta nos hemis- férios norte e sul do globo, com isso, o efeito do fenômeno El Niño não poderia ser diferente. Ou seja, quando em atuação, ele é percebido de forma diferente em cada estação, de acordo com sua ocorrência. No período de junho, julho e agosto, conhecido como inverno no hemisfério sul, a região centro-norte da América do Sul passa por um aquecimento e diminuição das chuvas, enquanto o centro-sul da América do Sul é acometido por invernos mais chuvosos, o que não é o comum dentro da série climática normal. Na Oceania, a região passa por uma seca quando em período de El Niño (Figura 5). Fenômeno climático: consequências climáticas ou meteorológicas formadas por ações naturais ou antrópicas e que acarretam alterações na normal climáti- ca global e local. Principalmente ligados à umidade, temperatura e pressão at- mosférica. Tópicos especiais em climatologia: estudo de fenômenos climáticos espe- cíficos com consequências globais e locais. ZOOM NO CONHECIMENTO 1 5 5 Figura 5 - Influência do El Niño de julho a agosto no globo / Fonte: Kiyuna (2002, on-line). Descrição da Imagem: a imagem mostra dois contornos de mapas mundiais. O mapa superior representa o efeito do El Niño de junho a agosto, com manchas coloridas sobre os locais de atuação. As manchas em marrom demonstram ar seco próximo à Oceania, as manchas em laranja o ar quente e seco no leste da Oceania. Em verde, as manchas no centro no Oceano Pacífico e no sul da América do Sul demonstram período chuvoso, e em amarelo a mancha quente e seca da América Central. O segundo mapa apresenta os mesmos efeitos, porém no período de dezembro a fevereiro. A mancha marrom se desloca ao norte da Oceania e ao sul asiático. Em amarela, a mancha quente e seca se desloca para sul da África. No Oceano Pacífico, oeste da América do Sul, encontra-se uma mancha em verde claro simbolizando tempo chuvoso e quente. No leste da Ásia, assim como no norte da América do Norte, concentram-se manchas vermelhas de ar seco, no nordeste brasileiro uma mancha marrom seca e, no sudeste brasileiro, uma mancha vermelha que simboliza ar quente. No sul da América do Norte, uma mancha azul simboliza tempo chuvoso e frio. Entre dezembro e fevereiro, ou seja, verão no hemisfério sul, a América do sul passa a ficar mais quente que o normal e com secas mais severas no nordeste, contrapondo um verão mais chuvoso no extremo sul, assim como na região sul africana. Na América do Norte, a influência é de invernos mais quentes que o habitual. No sul da África, ocorre um aquecimento, seguido do ar mais seco. Entre um ciclo regular e um ciclo com a presença de El Niño, ocorre o fenô- meno da La Niña, que é a intensificação das características naturais de tempera- tura das águas do Oceano Pacífico sul. Ou seja, as águas que já são gélidas passam 1 5 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 a ficar ainda mais frias. Como consequência deste processo, ocorre, no Brasil, o aumento de chuvas na região amazônica, o que causa ainda mais enchentes nas várzeas, assim como aumento de chuvas no nordeste, tornando o tempo menos seco que o habitual. Na região sul, as secas são intensificadas com o aumento da temperatura lo- cal. No período de dezembro a março, este fenômeno faz com que os elementos climáticos do sul sejam representados pelo aumento das chuvas e queda na tem- peratura. Já no período de julho a setembro, ocorre um aquecimento na Austrália, seguido de uma seca no centro do Oceano Pacífico e no sul do Brasil, além de tornar as áreas equatoriais mais frias que o habitual. Além de importante para a sensação térmica, condições de saúde e conheci- mento climático, o estudo deste fenômeno é importante para o planejamen- to agropecuário, que pode se preparar para a incidência dessas características que, apesar de ter origem local, têm grande influência regional. Os estudos atuais não responderam, ainda, o período exato de ocorrência entre o ciclo desses dois fenômenos que normalmente se intercalam, podendo ser um mais extenso que o outro. No período de 2010 a 2020, por exemplo, a presença da La Niña tem se tornado mais longa do que o de costume, causando seca no sul do Brasil, devido ao aquecimento. Mesmo assim, as pesquisas me- teorológicas conseguem prever quando os fenômenos se apresentam e, assim, possibilitar o planejamento necessário. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem, você aprendeu que a Climatologia dinâmica estuda o tempo e o clima com base nos eventos atmosféricos. Com isso, pôde perce- ber quais são os tópicos especiais e as ocorrências da climatologia dinâmica no globo. A partir dessa questão norteadora, apresentamos o El Niño e a La Niña, fenômenos que causam consequências no globo como um todo, mas ainda mais efetivos e diretos aqui no hemisfério sul. 1 5 1 AGORA É COM VOCÊ 1. Que tal assumirmos nosso entendimento em um mapa de empatia que pode abrir nosso olhar para tudo que já aprendemos e o que ainda nos falta explorar?Podemos começar com a pergunta: o que você compreende por fenômenos climáticos? Explique com suas palavras e busque por outros fenômenos que não foram apre- sentados neste material. É importante conectar suas consequências para a vida em sociedade e como você abordaria este tema em sala de aula. Pense na realidade dos alunos, o que eles já podem conhecer sobre a temática e amplie o conhecimento com questões conceituais de um assunto que eles já ouvi- ram falar, ou já viram. A climatologia faz parte do nosso dia a dia, da nossa vida em sociedade, da economia e da globalização. O intuito aqui é criar um mapa de empatia em que você organize os seus pensamentos sobre o que aprendeu, mas também pense em como disponibilizar essas ideias em formato de aprendizagem pedagógica. 1 5 8 UNIDADE 3 MINHAS METAS T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS II PROFA. DRA. LARISSA DONATO Entender o que são e ondeocorrem os fenômenos climáticos, ciclone, furacão, tornado e tufão. 1 5 9 INICIE SUA JORNADA Alguns fenômenos climáticos bastante recorrentes e que precisam de atenção para manutenção da vida e evitar graves acidentes são: ■ Ciclones; ■ Furacões; ■ Tornados; e ■ Tufões. DESENVOLVA SEU POTENCIAL Assim como muitos conceitos geográficos, a nomenclatura desses fenômenos foi estabelecida com base na localização de sua ocorrência. Você pode não sa- ber, mas eles são o mesmo fenômeno meteorológico, causados pela presença de uma tempestade que ocorre em formato giratório, devido à diferença de pressão intensa em uma área significativamente menor e sua temperatura ligeiramente maior do que as áreas que estão ao redor. Os CICLONES são normalmente divididos em tropicais (entre os trópicos) e extratropicais (fora dos trópicos) uma vez que ocorrem próximos ao limite dos trópicos ou em latitudes médias. Dessa forma, tufão e furacão são dois tipos de ciclones tropicais. Com este fenômeno, mais uma vez, percebemos a importância da relação existente entre a latitude do globo e a climatologia, um dos principais fatores cli- máticos de formação zonal em macroclima. Os ciclones ocorrem no centro de baixa pressão com formação de nuvens ou ainda de forma inversa, formando os anticiclones (Figura 1). Normalmente, o ar quente e úmido – mais leve – se desloca verticalmente fazendo a troca com o ar frio e seco – mais pesado. Esse processo de convecção provoca um grande movimento circular que aumenta quanto maior for a umidade. Os CICLONES são normalmente divididos em tropicais (entre os trópicos) e extratropicais (fora dos trópicos) 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 O FURACÃO é formado próximo à costa da América do Norte no Oceano Atlântico como, por exemplo, no Mar do Caribe, no Golfo do México e no Ocea- no Pacífico. Chegam a alcançar a velocidade de 120 km/h e com longa duração. Sua intensidade é aferida não apenas pela velocidade, mas também pela pressão encontrada no centro de troca de pressão – o olho do furacão – que é o que causa maior danos à superfície. Um furacão não pode ser visto na paisagem, uma vez que pode alcançar mais de 1500 km de diâmetro, diferente do tornado, que não ultrapassa 2 km. Um furacão não pode ser visto na paisagem. O TORNADO é tipicamente continental, ou seja, formado sobre a superfície sólida com formato de redemoinho que atinge cerca de 500 km/h, no entanto, se dissipa mais rapidamente que os outros tipos de ciclones, principalmente o Figura 1 - Formação de ciclones e anticiclones / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é composta por duas figuras de formação ciclônica. A primeira, à esquerda, com uma zona de encontro de baixa pressão demonstrada por setas vermelhas (quentes) que se resfriam e passam a ser demonstradas em azul que se elevam verticalmente formando movimentos giratórios. Vemos a presença de grandes nuvens verticalizadas. Já na segunda figura à direita, a alta pressão se dissipa no sentido inverso, ou seja, de cima para baixo e do centro para fora. As setas vermelhas que simbolizam o ar quente na parte superior passam a ficar azul, simbolizando o ar frio na base. Ciclones são a forma genérica de se referir aos demais fenômenos a ele associados e que depende da localização geográfica em que se encontram.. 1 1 1 furacão. Quando formados sobre as águas, são conhecidos como tromba d’água. Normalmente ocorrem ao final da tarde na costa dos Estados Unidos e na Amé- rica do Sul, como Uruguai. O TUFÃO é o mesmo fenômeno do furacão, porém formado no Pacífico próximo ao Japão, ao sul da Ásia e no leste do Oceano Índico. O tufão é formado no Pacífico próximo ao Japão. Existem muitos outros fenômenos climáticos, entre eles, a própria Ilha de Calor, já estudada, a inversão térmica, a chuva ácida, o efeito estufa, a desertificação, os próprios desertos, entre outros. Muitos deles são naturais, outros já são consequências da urbanização e das ações antrópicas. Busque sempre aumentar seu conhecimento e entender a influência da socieda- de e da falta de políticas públicas nestes fenômenos. Será que quando uma casa cai em um deslizamento, a culpa é realmente da chuva, do solo, do furacão? Por que na maioria das vezes são em bairros pobres que isso acontece? A política capitalista do merecimento e do poder aquisitivo para a qualidade de vida tem o mesmo peso do clima, não?! Pense nisso! Você já presenciou algum desses fenômenos? Pois existem muitos outros, por exemplo, o SOL DA MEIA NOITE. Já imaginou passar 6 meses na luz do sol e os outros 6 apenas com a lua sendo vista no céu? Pois bem, em alguns locais, devido à inclinação da Terra, quando é verão no hemisfério norte, o Sol é visto todos os dias no polo norte. Em contrapartida, no polo sul, ele não é visto. Em alguns locais como na Noruega, isso pode acontecer por um período menor de tempo, depende da localização, podendo ocorrer por alguns dias ou até 6 meses, onde o sol não se põe. Se o sol não se põe por 6 meses (Figura 2), no outro semestre todo, ocorre o contrário, o sol não chega a nascer. São os meses de inverno nos polos, com frio rigoroso. Quando formados sobre as águas, são conhecidos como tromba d’água. 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Não deve ser fácil se acostumar com esse fenômeno, mas a maioria dos moradores dizem estarem acostumados. As casas precisam ter adaptações para que os mora- dores possam ter noites de sono com qualidade, uma vez que a OMS regulamenta que o cérebro apenas descansa e se recompõe, quando em ambientes escuros. Figura 2 - Sol da meia noite / Fonte: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é composta por 9 figuras apresentadas uma ao lado da outra e que representam a imagem do sol no mesmo local visto no céu, porém em horários diferentes, desde as 18h até as 6h. Devido à localização, inclinação terrestre e latitude global, o sol é visto durante toda a noite, hora mais alto, hora mais baixo no céu. Vamos observar o processo de formação de um furacão? A mu- dança de temperatura e pressão, junto à umidade, condicionam uma relação meteorológica que acaba sendo o motor para o furacão se movimentar. Convido para conhecer o site como um todo que, além de muito informativo, pode te dar base para de- senvolver a temática dos fenômenos climáticos na sala de aula. Assista aqui ao vídeo de formação de um furacão. EU INDICO 1 1 1 https://www.climatempo.com.br/videos/video/B2zSWZGJTdc Outro fenômeno é o céu de vários sóis chamado de sol de halo, sun dog, parélio, falso sol, entre outros nomes, dependendo da cultura onde são observados. São ilusões ópticas atmosféricas causadas pelo sol e o sistema atmosférico do local naquele momento devido à luz do sol que atravessa uma camada de cristais de gelo presente na atmosfera em uma altitude próxima ao planeta Terra. Um fator interessante neste fenômeno, apesar de não causar consequências diretas na so- ciedade, como o El Niño, por exemplo, é que ele também é atribuído a questões culturais religiosas. Diversas tribos canadenses, por exemplo, veem esse fenôme- no como algo relacionado às crenças locais. Na Figura 8 a seguir, percebemos o momento registrado em Swan Lake, Manitoba – Canadá no dia 19 de janeiro de 2021, ou seja, no período de inverno do hemisfério norte. Este mesmo fenômeno pode ser visto em diversos locais do globo. Figura 3 - Sol de Halo – céu de 4 sóis – Canadá / Foto: a autora. Descrição da Imagem: a imagem é uma fotografia que é composta por uma foto do horizonte onde o sol se projeta em um círculo de luz que marca a presença óptica de outros sóis. O terreno, onde o sol se põe, é coberto por neve com algumas árvores e uma residência no centro. Observe o esquema a seguir que resume os fenômenos que estudamos neste tema. 1 1 4 UNIDADE 3 UNIDADE 3 É importante entendermos as técnicas, as pesquisas e os equipamentos tecnoló- gicos que permitem avançar no conhecimento de todos os fenômenos da clima- tologia. No entanto,não podemos nos esquecer das nossas sensações, dos nossos sentidos, afinal, é por conta deles que temos um conforto térmico garantido, ou ainda escolhemos locais mais quentes ou mais frios para viver. Cada espécie ani- mal e vegetal tem sua adaptação temporal, sendo assim pare por um momento e amplie as suas sensações e aproveite para fazer isso com seus alunos e alunas, afinal, é importante compreendermos o que sentimos do clima. Temos aqui mais uma conversa com o Prof. Dr. Victor Borsa- to. Não deixe de ouvir este episódio dessa entrevista super bacana na qual batemos um papo muito geográfico sobre os fenômenos climatológicos! Ouça o podcast em seu ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO 1 1 5 “O Brasil é um país tropical. Essa afirmação, aceita de maneira ge- ral pela sociedade, está diretamente relacionada às características naturais da imensa extensão do território brasileiro, cuja posição geográfica, na faixa tropical, lhe confere aspectos particulares” (MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007, p. 16). Os autores afirmam, ainda, que essa tropicalidade é marcada por uma das maio- res luminosidades dos raios solares com níveis pluviométricos consideráveis. No entanto, o Brasil também faz parte de uma das áreas preocupantes quanto à desertificação de locais áridos e semiáridos. Essa preocupação ocorre justamente devido à localização geográfica e aos condicion- antes climáticos já estudados. Sendo assim, com base nos seus conhecimentos, analise o mapa de desertificação apresentado por estes autores e explique por que essas áreas são mais susceptíveis a este fenômeno climático. APROFUNDANDO Figura 4 - Desertificação em terras áridas no mundo / Fonte: Mendonça e Danni-Oliveira (2007, p. 196). Descrição da Imagem: a figura é composta pelo mapa mundi em preto e branco com áreas propícias à desertifica- ção espalhadas pelos continentes em escala de cinza. Quanto mais escuro, maior a probabilidade de arenização, que ocorre, por exemplo, no norte da Índia e no oeste da América do Sul. Locais como nordeste brasileiro, norte da África, oeste canadense e na Austrália têm propensão média a maior desertificação. No canto inferior esquerdo, aparecem quatro quadrados pequenos, dispostos verticalmente, simbolizando, em cor mais clara, a atuação mais fraca e, em tom mais escuro, a atuação mais forte que se intensifica gradativamente entre os quatro quadrados. No canto inferior esquerdo, temos a legenda: fraca, moderada, severa e muito severa. 1 1 1 UNIDADE 3 UNIDADE 3 Que tal assumirmos nosso entendimento em um mapa de empatia que pode abrir nosso olhar para tudo que já aprendemos e o que ainda nos falta explorar? Pode- mos começar com a pergunta: o que você compreende por fenômenos climáticos? Explique com suas palavras e busque por outros fenômenos que não foram apre- sentados neste material. É importante conectar suas consequências para a vida em sociedade e como você abordaria este tema em sala de aula. Pense na realidade dos alunos, o que eles já podem conhecer sobre a temática e amplie o conhecimento com questões conceituais de um assunto que eles já ouviram falar, ou já viram. A climatologia faz parte do nosso dia a dia, da nossa vida em sociedade, da econo- mia e da globalização. O intuito aqui é criar um mapa de empatia em que você organize os seus pensamentos sobre o que aprendeu, mas também pense em como disponibilizar essas ideias em formato de aprendizagem pedagógica. NOVOS DESAFIOS Neste tema de aprendizagem, você estudou sobre os fenômenos climáticos ciclo- ne, furacão, tornado e tufão, entendendo como eles ocorrem e em quais regiões do globo surgem. 1 1 1 AGORA É COM VOCÊ 1. Como você descreveria o processo de formação de um furação? 1 1 8 REFERÊNCIAS UNIDADE 1 Tema 1 BORSATO, V. da A. A dinâmica climática do Brasil e massas de ares. Curitiba: CRV, 2016. CAVALCANTI, I. F. A. et al. Tempo e Clima no Brasil. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2015. INMET. [Sem título]. [2022]. 1 fotografia. Disponível em: https://portal.inmet.gov.br/ Acesso em: 29 set. 2022. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. SORRE, M. Le climat. Paris: Armand Collin, 1951. STEINKE, E. T. Climatologia Fácil. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. Tema 1 AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. CAMPOS, L. V. Ano bissexto. Brasil Escola, [2022]. Disponível em: https://brasilescola.uol. com. br/curiosidades/ano-bissexto.htm. Acesso em: 5 out. 2022. DENG, S. et al. Polar Drift in the 1990s Explained by Terrestrial Water Storage Changes. Geo- physical Research Letters, v. 48, n. 7, [s. p.], Apr. 2021. MANOSSO, F. C.; GOMES, F. M.; AOKI, A. Distribuição espacial e temporal da precipitação e temperatura média na região da Serra do Cadeado (PR). Revista Brasileira de Climatologia, v. 12, n. 1, dez. 2013. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/307691278_DIS- TRIBUICAO_ESPACIAL_E_TEMPORAL_DA_PRECIPITACAO_E_TEMPERATURA_MEDIA_NA_RE- GIAO_DA_SERRA_DO_CADEADO_PR. Acesso em: 5 out. 2022. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. STRAUSS, R. F. International Annotated Bibliography of Climate Classifications. Collage Station: Texas A&M University, 2007. 1 1 9 REFERÊNCIAS Tema 1 AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. CAMPOS, L. V. Ano bissexto. Brasil Escola, [2022]. Disponível em: https://brasilescola.uol. com.br/curiosidades/ano-bissexto.htm. Acesso em: 5 out. 2022. DENG, S. et al. Polar Drift in the 1990s Explained by Terrestrial Water Storage Changes. Geo- physical Research Letters, v. 48, n. 7, [s. p.], Apr. 2021. MANOSSO, F. C.; GOMES, F. M.; AOKI, A. Distribuição espacial e temporal da precipitação e temperatura média na região da Serra do Cadeado (PR). Revista Brasileira de Climatologia, v. 12, n. 1, dez. 2013. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/307691278_ DISTRIBUICAO_ESPACIAL_E_TEMPORAL_DA_PRECIPITACAO_E_TEMPERATURA_MEDIA_NA_RE- GIAO_DA_SERRA_DO_CADEADO_PR. Acesso em: 5 out. 2022. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. STRAUSS, R. F. International Annotated Bibliography of Climate Classifications. Collage Station: Texas A&M University, 2007. UNIDADE 2 Tema 4 AYOADE, J. O. Introdução à Climatologia para trópicos. 12. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,2007. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de texto, 2007. NOBEL, J. O Local do Mundo Onde Mais Neva Está a Começar a Derreter. National Geogra- phic,Meio Ambiente, [2022]. Disponível em: https://www.natgeo.pt/meio-ambiente/o-local- -do-mundo-onde-mais-neva-esta-a-comecar-a-derreter. Acesso em: 13 out. 2022. ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL. Atlas internacional das nuvens. Tradução Roberto de Carvalho Pires Ferrão. Rio de Janeiro, 1961. PIERRE, C. B. Warm front-fr.svg. 2022. 1 fotografia. Disponível em: https://commons.wikime- 1 1 1 REFERÊNCIAS dia.org/wiki/File:Warm_front-fr.svg. 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ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL. Atlas internacional das nuvens. Tradução Ro- berto de Carvalho Pires Ferrão. Rio de Janeiro, 1961. PIERRE, C. B. Warm front-fr.svg. 2022. 1 fotografia. Disponível em: https://commons.wikimedia. org/wiki/File:Warm_front-fr.svg. Acesso em: 14 out. 2022. TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2003. TUON, L.; ROSA, A. Rocha desaba em Capitólio (MG) e atinge lanchas; oito mortes foram confirmadas. CNN Brasil, 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/rocha- -desaba-em-capitolio-mg-e-atinge-lanchas/. Acesso em: 13 out. 2022. VIANELLO, R. L.; ALVES, A. R. O mundo em que vivemos. In: VIANELLO, R. L.; ALVES, A. R. Meteorologia básica e aplicações. Viçosa: UFV, 2004. p. 15-43. Tema 1 1 1 1 REFERÊNCIAS AB’SÁBER, A. N. Os domínios da natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Pau- lo: Ateliê Editorial, 2003. CARVALHO, J. L. R. de. et al. Mudanças climáticas e aquecimento global: implicações na gestão estratégica de empresas do setor siderúrgico de Minas. Scielo Cad., EBAPE.BR 9, 2011. DONATO, L. A viabilidade da reserva legal na conservação da paisagem do norte do Paraná:o uso do cadastro ambiental rural como instrumento de avaliação. 2021. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual de Maringá, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Departamen- to de Geografia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Maringá, 2021. DUARTE, A. J. Balanço do mês de janeiro de 2022 em São Paulo Capital. INMET - Instituto Nacional de Meteorologia, 2022. Disponível em https://portal.inmet.gov.br/noticias/balan%- C3%A7o-do-m%C3%AAs-de-janeiro-de-2022-em-s%C3%A3o-paulo-capital#:~:text=No%20m%- C3%AAs%20de%20janeiro%2C%20na,%2Fm%C3%A9dia%20(Tabela%201). GOMES, M. A. S.; AMORIM, M. C. C. T. Arborização e conforto térmico no espaço urbano: estu- do de caso nas praças públicas de Presidente Prudente (SP). 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Mudanças climáticas e aquecimento global: implicações na gestão estratégica de empresas do setor siderúrgico de Minas. Scielo Cad., EBAPE.BR 9, 2011. DONATO, L. A viabilidade da reserva legal na conservação da paisagem do norte do Paraná: o uso do cadastro ambiental rural como instrumento de avaliação. 2021. Tese (Doutorado)- Universidade Estadual de Maringá, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Departamen- to de Geografia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Maringá, 2021. DUARTE, A. J. Balanço do mês de janeiro de 2022 em São Paulo Capital. INMET - Instituto Nacional de Meteorologia, 2022. Disponível em https://portal.inmet.gov.br/noticias/balan%- C3%A7o-do-m%C3%AAs-de-janeiro-de-2022-em-s%C3%A3o-paulo-capital#:~:text=No%20 m%C3%AAs%20de%20janeiro%2C%20na,%2Fm%C3%A9dia%20(Tabela%201).. Acesso em: 17 out. 2022. GOMES, M. A. S.; AMORIM, M. C. C. T. Arborização e conforto térmico no espaço urbano: estu- do de caso nas praças públicas de Presidente Prudente (SP). 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In: VENTURI, L. V. (org.). Geografia – Prá- ticas de Campo, Laboratório e Salade Aula. São Paulo: Editora Sarandi, 2011. p. 107-134. HUNTER, A. Tipos climáticos do Ceará, de acordo com Köppen. 2018. 1 fotografia. Disponí- velem: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Clima_do_Cear%C3%A1_(K%C3%B6ppen).svg. Acesso em: 19 out. 2022. INMET. Instituto Nacional de Meteorologia. Análise Situação Atual. 2022. Disponível em: ht- tps://tempo.inmet.gov.br/AnaliseSituacaoAtual. Acesso em: 19 out. 2022. IPECE. Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará. Índices de aridez no estado doCeará, 2007. Disponível: http://www.funceme.br/?page_id=5826. Acesso: 24 jan. 2022. KIYUNA, I. El Niño 2002-03 e a Anomalia Climática. 2002. Disponível em: http://www.iea.sp.gov. br/out/LerTexto.php?codTexto=122. Acesso em: 19 out. 2022. MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São Paulo: Oficina de Texto, 2007. 1 1 5 CONFIRA SUAS RESPOSTAS Tema 11: 1. Resposta pessoal. Tema 11: Movimento de Rotação - DIA E NOITE - de oeste para leste. Movimento de translação - ESTAÇÕES DO ANO. Eixo de inclinação - peculiaridades das estações. Sombra - movimento aparente do sol que não está no centro exato do sistema. Periélio - TERRA MAIS APROXIMADA DO SOL. Afélio - TERRA MAIS DISTANCIADA DO SOL. SOLSTÍCIO - dias e noites com diferentes durações. EQUINÓCIO - dias e noites com durações aproximadas e equivalentes. Zonas climáticas - latitudes que geram os Climas Globais - interferência nos BIOMAS, na paisagem e no fuso horário. Tema 11: Clima Equatorial Clima Tropical Clima Temperado Clima Subtropical Clima Mediterrâneo Clima Frio Subpolar Clima Frio de Montanha Clima Polar ou Glacial Clima Semiárido Clima Desértico 1 1 1 CONFIRA SUAS RESPOSTAS Tema 14: 1. D. As chuvas ácidas ocorrem, principalmente, quando a precipitação encontra o ar poluído de óxidos e ácidos decorrentes de ações antrópicas. Mesmo podendo ocorrer por questões naturais, todos os outros itens mencionados são de origem natural. Tema 15: D. A orografia, ou seja, o relevo serve como uma barreira que concentra toda umidade no local que recebe a massa de ar úmida, causando precipitação. Do outro lado da barreira, a massa de ar continua a se deslocar, porém mais seca que anteriormente. Tema 11: Tema 07: A compreensão da realidade pode variar de acordo com os índices e com as escalas de análi- se escolhidas. 1 1 1 CONFIRA SUAS RESPOSTAS Tema 08: Fenômenos climáticos são consequências naturais ou antrópicas com bases nos elementos e nos fatores climáticos. Dependendo da localização geográfica, da zona em que está inserida e ainda do uso dado àquela localidade, um fenômeno pode ser mais ou menos atenuante da vida das pessoas. Muitas vezes ele causa danos ao ambiente, à própria sociedade e a bens materiais. Pode causar mortes e destruição ou, ainda, proporcionar o aumento de colheita, pesca e beleza na atmosfera. O importante é compreender sua formação e relacionar-se com as questões sociais e políticas. Um local é mais ou menos afetado por um fenômeno climático quanto maior ou menor seu poder aquisitivo. Locais que estão acostumados a receber fura- cões também se preparam efetivamente para isso. No entanto, já percebemos a mudança na rítmica desses fenômenos. O aquecimento global, sendo ele natural ou antrópico, ocorre no nosso ambiente. E você? Como propõe levar este assunto para a sala de aula? Reportagens, artigos, entrevistas, imagens e músicas podem ser ferramentas importante para facilitar e garantir o processo de ensino e aprendizagem. Tema 09: A mudança de temperatura e pressão, junto à umidade, condicionam uma relação meteoro- lógica que acaba sendo o motor para o furacão se movimentar. 1 1 8 MEU ESPAÇO 1 1 9 MEU ESPAÇO 1 8 1 _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.1fob9te _heading=h.tyjcwt unidade 1 O que é de fato a climatologia? FUNDAMENTOS DA CLIMATOLOGIA ESTAÇÕES DO ANO: ROTAÇÃO E TRANSLAÇÃO AS PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS unidade 2 ATMOSFERA E ÁGUA: ESPAÇO GEOGRÁFICO EM ANÁLISE ELEMENTO CLIMÁTICO: A PRECIPITAÇÃO E O CICLO DA ÁGUA AS ESCALAS DE ESTUDOS CLIMÁTICOS unidade 3 CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS I FENÔMENOS CLIMÁTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS II Botão 33: Botão 34: Botão 29: Botão 30: Botão 31: Botão 32: