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SIMULADO ESPECIAL 18 | 1º DIA
PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS E REDAÇÃO
PROVA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
QUESTÕES 1 A 45
QUESTÕES 1 A 05 (OPÇÃO INGLÊS)
1. (ENEM) 1984 (excerpt)
‘Is it your opinion, Winston, that the past has real
existence?’ [...] O’Brien smiled faintly. ‘I will put it
more precisely. Does the past exist concretely, in
space? Is there somewhere or other a place, a world of
solid objects, where the past is still happening?’
‘No.’
‘Then where does the past exist, if at all?’
‘In records. It is written down.’
‘In records. And – –?’
‘In the mind. In human memories.’
‘In memory. Very well, then. We, the Party, control all
records, and we control all memories. Then we control
the past, do we not?’
ORWELL. G. Nineteen Eighty-Four. New York: Signet Classics, 1977.
O romance 1984 descreve os perigos de um Estado
totalitário. A ideia evidenciada nessa passagem é que
o controle do Estado se dá por meio do(a)
a) boicote a ideais libertários.
b) veto ao culto das tradições.
c) poder sobre memórias e registros.
d) censura a produções orais e escritas.
e) manipulação de pensamentos individuais
2. (ENEM PPL) Monks embrace web to reach recruits
Stew Milne for The New York Times
The Benedictine monks at the Portsmouth Abbey in
Portsmouth have a problem. They are aging and their
numbers have fallen to 12, from a peak of about 24 in
1969. So the monks have taken to the Internet with
an elaborate ad campaign featuring videos, a blog and
even a Gregorian chant ringtone. “If this is the way
the younger generation are looking things up and are
communicating, then this is the place to be”, said Abbot
Caedmon Holmes, who has been in charge of the abbey
since 2007. That place is far from the solitary lives
that some may think monks live. In fact, in this age
of social media, the monks have embraced what may
be the most popular form of public self-expression: a
Facebook page, where they have uploaded photos and
video testimonials. Some monks will even write blogs.
MILNE, S. Disponível em: www.nytimes.com. Acesso em: 19 jun. 2012
(adaptado).
A internet costuma ser um veículo de comunicação
associado às camadas mais jovens da população,
embora não exclusivamente a elas. Segundo o texto, a
razão que levou os religiosos a fazerem uma campanha
publicitária na internet foi o(a)
a) busca por novos interessados pela vida religiosa de
monge.
b) baixo custo e a facilidade de acesso dos monges à
rede.
c) desejo de diminuir a solidão vivida pelos monges
na abadia.
d) necessidade dos monges de se expressarem
publicamente.
e) divulgação de fotos pessoais dos monges no
Facebook.
3. (ENEM) Lava Mae: Creating Showers on Wheels for
the Homeless
San Francisco, according to recent city numbers, has
4,300 people living on the streets. Among the many
problems the homeless face is little or no access to
showers. San Francisco only has about 16 to 20 shower
stalls to accommodate them.
But Doniece Sandoval has made it her mission to change
that. The 51-year-old former marketing executive
started Lava Mae, a sort of showers on wheels, a new
project that aims to turn decommissioned city buses
into shower stations for the homeless. Each bus will
have two shower stations and Sandoval expects that
they'll be able to provide 2,000 showers a week.
ANDREANO, C. Disponível em: http://abcnews.go.com. Acesso em: 26
jun. 2015 (adaptado).
A relação dos vocábulos shower, bus e homeless, no
texto, refere-se a
a) empregar moradores de rua em lava a jatos para
ônibus.
b) criar acesso a banhos gratuitos para moradores de rua.
2
c) comissionar sem-teto para dirigir os ônibus da
cidade.
d) exigir das autoridades que os ônibus municipais
tenham banheiros.
e) abrigar dois mil moradores de rua em ônibus que
foram adaptados.
4. (ENEM PPL) Which skin colour are you? The human
swatch chart that confronts racism
In 1933, in a book called The Masters and the Slaves,
the Brazilian anthropologist Gilberto Freyre wrote:
“Every Brazilian, even the light-skinned, fair-haired
one, carries about him on his soul, when not on soul
and body alike, the shadow, or at least the birthmark,
of the aborigine or the negro.” This was forefront in the
mind of the French artist Pierre David when he moved
to Brazil in 2009. “When I was in the streets, I could
see so many skin colours”, he says. He decided to make
a human colour chart, like one you would find in the
paint section of B&Q shop, but showing the gradations
and shades of our skin colour. The project, called
Nuancier or “swatches”, was first shown at the Museu
de Arte Moderna in Salvador – Bahia, and is now on
show in his native France. “Brazil has a better attitude
to skin colour than other developed nations”, he says.
“There's no doubt, because the concept of skin colour
difference was recognised very early in their history.
Now, it even appears on identity documents.”
Yet Nuancier, David says, is still a critique of racism,
in Brazil and around the world. “This work may
seem provocative – to classify men by colour, to
industrially produce the colour of an individual so it
can be store-bought. But this is a demonstration of
the commodification of bodies. It denounces racism
anywhere it is found in the world.”
SEYMOUR, T. Disponível em: www.theguardian.com. Acesso em: 21
out. 2015 (adaptado).
O artista francês Pierre David, ao evidenciar seu
encantamento com a diversidade de cores de peles no
Brasil, no projeto Nuancier, também
a) desencadeia um estudo sobre a atitude dos
brasileiros com base na análise de características
raciais.
b) denuncia a discriminação social gerada com a
distinção de cores na população de Salvador.
c) destaca a mistura racial como elemento-chave no
impedimento para a ascensão social.
d) provoca uma reflexão crítica em relação à
classificação e à mercantilização das raças.
e) elabora um produto com base na variedade de cores
de pele para uso comercial.
5. (ENEM PPL) Most people today have a mobile
phone. In fact, many people can't imagine how they
ever got along without a portable phone. However,
many people also complain about cell phone users.
People complain about other people loudly discussing
personal matters in public places. They complain when
cell phones ring in movie theaters and concert halls.
They complain about people driving too slow, and not
paying attention to where they are going because they
are talking on a cell phone. And they complain about
people walking around talking to people who aren't
there.
Whenever a new communications technology
becomes popular, it changes the way society is
organized. Society has to invent rules for the polite
way to use the new devices. Our social etiquette, our
rules of politeness for cell phones, is still evolving.
Disponível em: www.indianchild.com. Acesso em: 28 fev. 2012
(adaptado).
O uso de celulares em lugares públicos tem sido prática
corrente. O texto aponta que essa prática tem gerado
a) anseios por recursos para ampliar os benefícios dos
dispositivos.
b) reclamações sobre a falta de normas no
comportamento dos usuários.
c) questionamentos a respeito da dependência
constante dessa tecnologia.
d) discussões acerca da legislação para a
comercialização de telefones.
e) dúvidas dos usuários em relação ao manuseio de
novos aparelhos.
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
QUESTÕES 1 A 45
QUESTÕES 1 A 05 (OPÇÃO ESPANHOL)
1. (ENEM) Que hay de cierto en la fábula de la cigarra
y la hormiga
Cuenta una conocida fábula que, tras pasar todo un
verano cantando y ociosa, una cigarra se encontró sin
alimento y decidió pedir a su vecina la hormiga algo
que llevarse a la boca. Ésta le ofreció granos de arroz
acompañados de una moraleja: más vale prevenir que
lamentar. ¿Merecen su fama de previsoras y afanosas3
las hormigas? Sin duda. las hormigas cortadoras de
hojas (Atta cephalotes), por ejemplo, son consideradas
las primeras agricultoras del planeta, dedicadas a
cortar, acarrear e integrar hojas en el jardín de hongos
del que se alimentan. Otro dato curioso es que se ha
comprobado que, prácticamente en todas las especies
de hormigas, las más ancianas asumen trabajos de
mayor riesgo. De acuerdo con Dawid Moron de la
Universidad de Jagiellonian (Polonia), esto se debe a
que es mejor para la colonia sacrificar una vida que
está cerca de su fin que a un individuo joven.
En cuanto a las cigarras, no se les puede acusar de
perezosas. Lo que sí es cierto es que los machos pasan
el verano "cantando" – un sonido que producen con
unas membranas llamadas timbales – y encaramados
a un árbol, de cuya savia se alimentan.
Disponível em: www.muyinteresante.es. Acesso em: 31 out. 2012.
Adaptado.
A fábula é um gênero de ampla divulgação
frequentemente revisitado com diversos objetivos. No
texto, a fábula A cigarra e a formiga é retomada para
a) apresentar ao leitor um ensinamento moral.
b) reforçar o estereótipo associado às cigarras.
c) descrever o comportamento dos insetos na natureza.
d) expor a superioridade das formigas em relação às
cigarras.
e) descrever a relação social entre as formigas e
cigarras na natureza.
2. (ENEM PPL) Reflexiones sobre la xenofobia en
Europa
La xenofobia es una lacra que se resiste como el peor
de los cánceres a lo largo de las últimas décadas, al
punto que el escritor portugués José Saramago se llegó
a preguntar: “¿Cómo ha sido posible encontrarnos
con esta plaga de vuelta, después de haberla creído
extinta para siempre, en qué mundo terrible estamos
finalmente viviendo, cuando tanto habíamos creído
haber progresado en la cultura, civilización, derechos
humanos y otras prebendas...?” Qué hacer para
mitigar ésta desesperada y abominable situación, es la
clave que nos debe preocupar de forma urgente en la
sociedad, ya que el sistema global económico y político
parece algo mucho más complejo de cambiar a corto o
medio plazo. La solución – en el sentir más extendido
entre de la masa social pensante europea – pasa por
la educación. La educación ha de orientarse hacia
el fomento de la interdependencia y la cooperación
entre los pueblos para favorecer la universalidad,
el reconocimiento recíproco de las culturas y una
síntesis sociocultural nueva. Dicho de otra manera,
es preciso promover la idea de la diversidad cultural,
la igual validez de todas las culturas, el interés
por otras formas de ver el mundo como fuente de
enriquecimiento personal y social y la presentación de
la sociedad multicultural como la sociedad del futuro
(Gabino y Escribano, 1990).
Disponível em: hemisferioizquierdo.uy. Acesso em: 18 ago. 2017.
Esse texto, que reflete sobre a xenofobia na Europa,
defende que
a) o multiculturalismo se apresenta como um
dificultador nas relações sociais.
b) a educação intercultural deve insistir na aceitação
da condição do outro.
c) o preconceito étnico é uma característica perene da
sociedade europeia.
d) o rechaço aos imigrantes é um problema solucionável
a longo prazo.
e) a xenofobia seja entendida como uma doença física
grave.
3. (ENEM PPL) El maíz peruano en la historia
Aunque es más conocida como cuna de la papa, la
sociedad inca también fue la civilización del maíz,
cultivo conocido en el Perú desde, por lo menos, 1
200 años a.C. Los antiguos agricultores peruanos
lograron sofisticación en la selección y creación de
nuevas variedades adaptables a los diversos espacios
geográficos y climáticos. Al respecto, el cronista
Bernabé Cobo cuenta que en el antiguo Perú se hallaba
maíz, llamado choclo, de todos los colores: blanco,
amarillo morado, negro colorado y mezclado. Hoy en
día, en ese país se cultivan más de 55 variedades de
la popular mazorca, más que en ningún otro lugar
del mundo. En los Comentarios Reales de los Incas,
Garcilaso de la Vega nos ilustra sobre los hábitos
alimenticios incaicos relatando que uno de los pilares
de la alimentación era el maíz y que lo comían tostado
o cocinado en agua. En ocasiones solemnes molían
los granos para hacer un pan llamado humita. Al maíz
tostado se le denominaba como aún se le llama hoy:
cancha, antecesora de las palomitas.
Disponível em: www.yanuq.com. Acesso em: 20 jun. 2012 (adaptado).
O texto destaca a importância do milho na história do
Peru. Informa que os antigos agricultores peruanos
a) desenvolveram cinquenta e cinco variedades da
planta.
4
b) introduziram o milho em substituição à cultura da
batata.
c) expandiram o cultivo do milho a outras partes do
mundo.
d) produziram espécies de milho adaptáveis a diversos
solos.
e) transformaram o preparo da pipoca em um evento
solene.
4. (ENEM) Millennials: Así es la generación que ya no
recuerda cómo era el mundo sin Internet
Algunos los llaman generación Y, otros “Millennials”,
generación del milenio o incluso “Echo Boomers”.
Nacieron y crecieron en una era de rápido desarrollo
de las nuevas tecnologías, y casi no recuerdan cómo
era el mundo sin Internet.
Son idealistas, impacientes y están bien preparados
académicamente. Muchos de ellos han tenido
oportunidad de viajar por el mundo a una edad
temprana, de estudiar en las mejores universidades y
de trabajar en empresas multinacionales y extranjeras.
La generación Y se compone de este tipo de personas
que quieren todo a la vez. No están dispuestos a
soportar un trabajo poco interesante y rutinario, no
quieren dejar las cosas buenas para luego. Lo que sí
quieren es dejar su huella en la historia, vivir una
vida interesante, formar parte de algo grande, crecer
y desarrollarse, cambiar el mundo que les rodea, y no
solo ganar dinero.
Disponível em: https://actualidad.rt.com. Acesso em: 4 dez. 2018.
O texto aponta características e interesses da “Geração
Y”. Nele, a expressão dejar su huella refere-se a um
dos desejos dessa geração, que é o de
a) conhecer diferentes lugares.
b) fazer a diferença no mundo.
c) aproveitar todas as oportunidades.
d) obter uma formação acadêmica de excelência.
e) conquistar boas colocações no mundo do trabalho.
5. (ENEM) Adelfos
Yo soy como las gentes que a mi tierra vinieron
– soy de la raza mora, vieja amiga del sol –,
que todo lo ganaron y todo lo perdieron.
Tengo el ama de nardo del árabe español.
MACHADO, M. Disponível em: www.poetasandaluces.com. Acesso
em: 22 out. 2015.
Nessa estrofe, o poeta e dramaturgo espanhol Manuel
Machado reflete acerca
a) de sua formação identitária plural.
b) da condição nômade de seus antepassados.
c) da perda sofrida com o processo de migração.
d) da dívida do povo espanhol para com o povo árabe.
e) de sua identificação com os elementos da natureza.
QUESTÕES 06 A 45
6. (G1 - UTFPR) “Macaco-louro é achado
Da reportagem local
Uma espécie de macaco-prego da mata atlântica
que há muito tempo não era vista, foi encontrada por
pesquisadores no Nordeste. Eles estavam em cativeiro
(presos em casas das pessoas).
Por ter a pelagem clara, ficou batizado como
macaco-louro, mas seu nome científico é 'Cebus
flavius'.
Dois casais da espécie encontrada estão no
Centro de Conservação da Fauna do Zoológico de São
Paulo. A bióloga Cecília Kierulff diz que lá eles serão
estudados. 'É preciso saber se estão saudáveis, qual
o seu cardápio e verificar como é a reprodução deles,
para que procriem'. E talvez no futuro, eles possam
voltar à natureza."
("Folha de São Paulo", Folhinha, 5/8/06)
Marque a alternativa correta quanto ao texto dado.
a) A espécie de macacos foi encontrada por
pesquisadores nordestinos.
b) As pessoas que estavam de posse dos macacos os
chamavam por seu nome científico, 'Cebus flavius'.
c) Os macacos já têm um tempo definido para voltar à
natureza.
d) Os macacos de origem nordestina terão problemas
de adaptaçãoem São Paulo.
e) O objetivo de manter os macacos no Zoológico é o
estudo sobre eles.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a tirinha abaixo para responder a(s) quest(ões)
abaixo. Nela aparecem Mafalda (a menina com o laço
na cabeça), Susanita (a outra menina) e o menino
Manolito.
5
7. (G1 - IFSC) Assinale a alternativa CORRETA.
a) Susanita crê que Manolito tem concepções religiosas
próprias dos homens primitivos, que divinizavam o
que eram incapazes de compreender.
b) Na concepção de Susanita, Manolito tem dificuldades
em compreender os conteúdos escolares.
c) Susanita expressa uma concepção de escola na qual
os conhecimentos devem ser cultuados da mesma
forma como antigamente se cultuavam os fenômenos
da natureza.
d) O fato de Susanita referir-se a Manolito como “esse
aí” (terceiro quadrinho) revela sua simpatia pela
ingenuidade do colega na relação com os conteúdos
da escola.
e) A partir da afirmação final de Susanita, pode-se
prever que Manolito também tenderá a divinizar os
fenômenos naturais.
8. (ENEM)
Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes
assegura identidade peculiar, são iguais enquanto
frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das
indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo
o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em
pirâmide que tende a se prolongar infinitamente,
como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.
(Nádia Gotlib. "Tarsila do Amaral, a modernista")
O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um
tema que também se encontra nos versos transcritos
em:
a) "Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas." (Vinícius de Moraes)
b) "Somos muitos severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima." (João Cabral de Melo Neto)
c) "O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada em arquivos." (Ferreira Gullar)
d) "Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os
sonhos do mundo." (Fernando Pessoa)
e) "Os inocentes do Leblon
Não viram o navio entrar (...)
Os inocentes, definitivamente inocentes tudo
ignoravam,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam pelas costas, e aquecem." (Carlos
Drummond de Andrade)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
A última aposta
“Com um discurso em tom de urgência, Obama (o fraco)
propõe ao Congresso (ainda mais fraco) um pacote de
447 bilhões de dólares para criar empregos – derradeira
tentativa de evitar o repique da recessão e uma derrota
eleitoral em 2012.” Não custa repetir. Obama, na
Câmara: “Aprovem esse plano imediatamente”, disse
ele, uma, duas, quatro, seis, oito vezes.
6
9. (G1 - IFSP) No parágrafo do quadro “Empregos
caros”, as formas verbais “distribuísse” e “poderia”
estão na base de um enunciado em que se
a) afirma que os norte-americanos desempregados
irão receber 80.000 dólares.
b) nega a existência de outra possibilidade econômica
diferente daquela proposta por Obama.
c) cria uma hipótese que demonstra como a criação de
postos de trabalho é algo custoso.
d) explicam as facilidades de se criarem empregos no
governo Obama.
e) faz uma consideração favorável ao pacote de Obama,
defendendo-se a ideia de se criarem empregos.
10. (ENEM PPL) Brazil, capital Buenos Aires
No dia em que a bossa nova inventou o Brazil
Teve que fazer direito, senhores pares,
Porque a nossa capital era Buenos Aires,
A nossa capital era Buenos Aires.
E na cultura-Hollywood o cinema dizia
Que em Buenos Aires havia uma praia
Chamada Rio de Janeiro
Que como era gelada só podia ter
Carnaval no mês de fevereiro.
Naquele Rio de Janeiro o tango nasceu
E Mangueira o imortalizou na avenida
Originária das tangas
Com que as índias fingiam
Cobrir a graça sagrada da vida.
Tom Zé. Disponível em http://letras.terra.com.br. Acesso em: abr. 2010.
O texto de Tom Zé, crítico de música, letrista e cantor,
insere-se em um contexto histórico e cultural que,
dentro da cultura literária brasileira, define-se como
a) contemporâneo à poesia concretista e por ela
influenciado.
b) sucessor do Romantismo e de seus ideais
nacionalistas.
c) expressão do modernismo brasileiro influenciado
pelas vanguardas europeias.
d) representante da literatura engajada, de resistência
ao Estado Novo.
e) precursor do movimento de afirmação nacionalista,
o Tropicalismo.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O texto abaixo serve de referência para responder à(s)
questão(ões) a seguir.
Será que os dicionários liberaram o ‘dito-cujo’?
Por Sérgio Rodrigues
Brasileirismo informal, termo não está proibido, mas
deve ser usado de forma brincalhona
O registro num dicionário não dá certificado
automático de adequação a expressão alguma:
significa apenas que ela é usada com frequência
suficiente para merecer a atenção dos lexicógrafos. O
substantivo “dito-cujo”, que substitui o nome de uma
pessoa que já foi mencionada ou que por alguma razão
não se deseja mencionar, é um brasileirismo antigo e,
de certa forma, consagrado, mas aceitável apenas na
linguagem coloquial. Mais do que isso: mesmo em
contextos informais seu emprego deve ser sempre
“jocoso”, ou seja, brincalhão, como anotam diversos
lexicógrafos, entre eles o Houaiss e o Francisco Borba.
Convém que quem fala ou escreve “dito-cujo” deixe
claro que está se afastando conscientemente do
registro culto.
Exemplo: “O leão procurou o gerente da Metro e
se ofereceu para leão da dita-cuja, em troca de
alimentação”, escreveu Millôr Fernandes numa de
suas “Fábulas fabulosas”.
(http://veja.abril.com.br/blog/sobrepalavras/consultorio/sera-que-
os-dicionarios-liberaram-odito-cujo/>. Acesso em 13/11/2015. Texto
adaptado)
11. (G1 - IFAL) Em vista da intenção do autor –
refletir sobre o uso da expressão “dito-cujo” –, o texto
7
se organiza linguisticamente observando certas
propriedades de estilo. Quanto a essas propriedades,
apenas está correto o que se afirma em:
a) A linguagem é culta, com traços de erudição que
restringem a abrangência de interlocutores do texto,
conforme objetiva o autor.
b) O texto compõe-se em estilo formal, sem perder
de vista a proximidade com o leitor, recurso que está
adequado à finalidade didática da mensagem.
c) Desde o título, que vem em forma de pergunta, o
texto busca o coloquialismo, em diálogo simples com
o leitor.
d) O texto é formal e coloquial ao mesmo tempo, pois
se vale de seriedade e de jocosidade para discutir o
tema.
e) O uso exagerado de palavras próprias da linguagem
oral deixa o texto leve e informal, garantindo a
compreensão geral deste pelo leitor.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a charge abaixo para responder as questões.
12. (G1 - IFSC) De maneira bem-humorada, o texto
trata dos relacionamentos via internet. É CORRETO
afirmar que a alternativa que MELHOR resume a ideia
geral do texto é:
a) Pessoas solitárias e tímidas podem valer-se das
interações virtuais proporcionadas pela internet para
mostrar ao mundo como realmente são, sem medos
nem pudores.
b) Por meio da internet, é possível estabelecer
relacionamentos sólidos, baseados não somente nos
dotes físicos, mas também nas qualidades éticas e
morais do outro.
c) A interação por meios eletrônicos, como a internet,
é de grande valor para que as pessoas construam uma
imagem melhor de si mesmas, ganhando autoestima e
autoconfiança.
d) A internet é um mundo de fantasia, no qual tudo
é permitido, mesmo as fantasias mais delirantes, mas
sempre respeitando os limites da verdade e da ética.
e) Em contatos virtuais, por meios eletrônicos, nem
sempre é possível elaborar julgamentos acertados
sobre os atributos físicos do interlocutor.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Velho papel pode estar com os anos contados
Já imaginou, daqui a algumas décadas, seu neto
lhe perguntando o que era papel? Pois é,alguns
pesquisadores já estão trabalhando para que esse dia
chegue logo.
A suposta ameaça 7à fibra natural não é o desajeitado
e-book, mas o papel eletrônico, uma 'folha' que você
carregaria dobrada no bolso.
Ela seria capaz de mostrar o jornal do dia – com vídeos,
fotos e notícias 8atualizadas –, o livro que você estivesse
lendo ou qualquer informação antes impressa. Tudo
ali.
Desde os anos 70, está no ar a 5ideia de papel eletrônico,
mas as últimas novidades são de duas semanas atrás.
Cientistas holandeses anunciaram que estão perto de
criar uma tela com 'quase todas' as propriedades do
papel: 3leveza, flexibilidade, 4clareza, etc.
A novidade que deixa o invento um pouco mais
palpável está nos transistores. No papel do futuro, eles
não serão de 6silício, mas de plástico – que é maleável
e barato.
Os holandeses dizem já ter um protótipo que mostra
imagens em movimento em uma tela de duas
polegadas, ainda que de qualidade 1'meia-boca'.
2Mas não vá celebrando o fim do desmatamento e
do peso na mochila. A expectativa é que um papel
eletrônico mais ou menos convincente apareça só
daqui a cinco anos.
Folha de S. Paulo, 17 dez. 2001. Folhateen, p. 10.
13. (G1 - IFCE) O narrador do texto
a) limita-se a dar uma informação.
b) em nenhum momento se dirige ao leitor.
c) mostra-se contra o invento.
d) dialoga com o leitor.
e) fez uso de uma linguagem essencialmente técnica.
8
14. (G1 - UTFPR) Antigamente as moças chamavam-
se “mademoiselles” e eram todas mimosas e
muito prendadas. Não faziam anos: completavam
primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não
sendo rapagões, faziam-lhe pé de alferes, arrastando a
asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se
levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e
ir pregar em outra freguesia. (...)
Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo
para tomar a fresca; e também tomavam cautela de
não apanhar o sereno. Os mais jovens, esses iam ao
animatógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam
em andar de aeroplano. Estes, de pouco siso, se metiam
em camisa de onze varas e até em calças pardas; não
admira que dessem com os burros n’água.
Carlos Drummond de Andrade
Sobre o excerto acima, retirado da crônica
“Antigamente”, assinale a alternativa correta.
a) A linguagem culta formal é opção feita pelo autor,
mas acaba sendo prejudicada pelos arcaísmos, que
tornam o texto obsoleto.
b) A linguagem do texto apoia-se em uma variante
linguística que demonstra o movimento de mudanças
constantes que as línguas sofrem, através do tempo.
c) Por empregar expressões em desuso, existentes
apenas nos dicionários, o texto desperta interesse
apenas dos mais idosos.
d) Contém erros grosseiros, como o uso de palavra
estrangeira, expressões incompreensíveis como “pé
de alferes”, “faziam o quilo”, “de pouco siso” etc.
e) O saudosismo do autor confere ao texto um tom
muito triste, nostálgico.
15. (G1 - UTFPR) Desde que pesquisada corretamente,
a modificação genética é um recurso inevitável no
esporte. É melhor compreendê-la o quanto antes. Até
porque muitos atletas com um desempenho pior do
que o dos outros não hesitarão em se oferecer para
a nova experiência, sem se importarem se haverá
prejuízos a sua saúde ou não.
Se jogar limpo é mesmo o que preocupa, tornar a
tecnologia controlada, segura e acessível para todos
é preferível a sua proibição. Essa atitude afastaria
qualquer risco de mercado negro e danos irreversíveis
à integridade física dos esportistas.
(Andy Miah, pesquisador britânico, in "Discovery Magazine",
setembro/2004, p. 14)
Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto.
a) O autor tem preferência pela proibição da tecnologia
da modificação genética.
b) O autor é favorável à legalização da investigação da
modificação genética.
c) O autor apresenta opiniões contraditórias a respeito
da modificação genética.
d) Os atletas são altruístas, já que se oferecem a novas
experiências genéticas, mesmo correndo riscos.
e) A proibição da tecnologia da modificação genética
protegeria os esportistas de danos irreversíveis a sua
integridade física.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
16. (ENEM) Quanto às variantes linguísticas presentes
no texto, a norma padrão da língua portuguesa é
rigorosamente obedecida por meio
a) do emprego do pronome demonstrativo “esse” em
“Porque o senhor publicou esse livro?”.
b) do emprego do pronome pessoal oblíquo em “Meu
filho, um escritor publica um livro para parar de
escrevê-lo!”.
c) do emprego do pronome possessivo “sua” em “Qual
foi sua maior motivação?”.
d) do emprego do vocativo “Meu filho”, que confere à
fala distanciamento do interlocutor.
e) da necessária repetição do conectivo no último
quadrinho.
9
17. (ENEM) O autor da tira utilizou os princípios de
composição de um conhecido movimento artístico
para representar a necessidade de um mesmo
observador aprender a considerar, simultaneamente,
diferentes pontos de vista.
Das obras reproduzidas, todas de autoria do pintor
espanhol Pablo Picasso, aquela em cuja composição
foi adotado um procedimento semelhante é:
a) b)
c) d)
e)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
TEXTO
18. (G1 - IFAL) De acordo com a leitura do texto,
escolha a alternativa correta.
a) As crianças de hoje perderam o respeito pelos
adultos e não lhes obedecem, sendo necessário aos
pais reeducar os filhos para que estes, futuramente,
não se tornem jovens assaltantes.
b) O mau desempenho das crianças na escola está
exclusivamente relacionado à falta de atenção dos
pais, que passam mais tempo em frente à TV do que
cuidando da educação dos filhos.
c) A televisão tem contribuído para tornar as pessoas
mais agressivas, na medida em que expõe uma
programação que banaliza a violência e deixa os
sujeitos insensíveis.
d) A mensagem veiculada nos dois quadros poderia
ser substituída pelo ditado: “Dize-me com quem andas
e te direi quem és.”, mantendo-se a ideia expressa no
texto original.
e) Os atos infratores cometidos pelos jovens podem
estar relacionados à falta de diálogo na família e ao
mau exemplo dos pais.
19. (ENEM) DOCUMENTO 1
O cômputo da idade da Terra
Da Criação até o Dilúvio.................................1.656 anos
Do Dilúvio até Abraão................................................ 292
Do Nascimento de Abraão até Êxodo do Egito.......... 503
Do Êxodo até a Construção do Templo........................481
Do Templo ao Cativeiro..............................................414
Do Cativeiro até o Nascimento de Jesus Cristo............614
Do Nascimento de Jesus Cristo até hoje....................1.560
Idade da Terra.................................................5.520 anos
10
DOCUMENTO 2
Avalia-se em cerca de quatro e meio bilhões de anos a
idade da Terra, pela comparação entre a abundância
relativa de diferentes isótopos de urânio com suas
diferentes meias-vidas radiativas.
Considerando os dois documentos, podemos afirmar
que a natureza do pensamento que permite a datação
da Terra é de natureza:
a) científica no primeiro e mágica no segundo.
b) social no primeiro e política no segundo.
c) religiosa no primeiro e científica no segundo.
d) religiosa no primeiro e econômica no segundo.
e) matemática no primeiro e algébrica no segundo.
20. (ENEM PPL) TEXTO I
TEXTO II
Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente
de aniversário especial ao seu marido, Oswald de
Andrade. Pintou o Abaporu. Eles acharam que parecia
uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-
se do dicionário tupi-guarani de seu pai. Batizou-se
quadro de Abaporu, que significa homem que come
carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu
o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento
Antropofágico.
Disponível em: www.tarsiladoamaral.com.br. Acesso em: 4 ago. 2012
(adaptado).
O movimento originado da obraAbaporu pretendia se
apropriar
a) da cultura europeia, para originar algo brasileiro.
b) da arte clássica, para copiar o seu ideal de beleza.
c) do ideário republicano, para celebrar a modernidade.
d) das técnicas artísticas nativas, para consagrar sua
tradição.
e) da herança colonial brasileira, para preservar sua
identidade.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Aos treze anos de minha idade, e três da sua,
separamo-nos, o meu cajueiro e eu. Embarco para o
Maranhão e ele fica. Na hora, porém, de deixar a casa,
vou levar-lhe o meu adeus. Abraçando-me ao seu
tronco, aperto-o de encontro ao meu peito. A resina
transparente e cheirosa corre-lhe do caule ferido. Na
ponta do ramo mais alto abotoam os primeiros cachos
de flores miúdas e arroxeadas, como pequeninas
unhas de criança com frio.
– Adeus, meu cajueiro! Até a volta!
Ele não diz nada, e eu me vou embora.
Da esquina da rua, olho ainda, por cima da cerca, a
sua folha mais alta, pequenino lenço verde agitado
em despedida. E estou em S. Luís, homem-menino,
lutando pela vida, enrijando o corpo no trabalho bruto
e fortalecendo a alma no sofrimento, quando recebo
uma comprida lata de folha acompanhando uma carta
de minha mãe: “Receberás com esta uma pequena lata
de doce de caju, em calda. São os primeiros cajus do teu
cajueiro. São deliciosos, e ele te manda lembranças”.
(CAMPOS, Humberto de. Memórias. São Luís: Instituto Geia, 2009.
Adaptado)
21. (G1 - IFSP) Sobre o texto é correto afirmar que
a) a expressão “homem-menino” significa que o
narrador partiu de sua cidade para trabalhar e cursar
a universidade em uma grande metrópole.
b) o narrador assume a perspectiva da 3ª pessoa
onisciente, pois relata fatos dos quais tem inteiro
domínio.
c) a mãe, embora atenciosa e saudosa, não percebeu a
relação de amizade entre o filho e o cajueiro.
d) o texto apresenta dois discursos: o indireto, que
corresponde à visão do escritor, e o direto, que
corresponde aos pensamentos do protagonista.
e) o cajueiro aparece personificado, pois se atribuem a
ele características próprias de um ser humano.
11
22. (ENEM)
A origem da obra de arte (2002) é uma instalação seminal
na obra de Marilá Dardot. Apresentada originalmente
em sua primeira exposição individual, no Museu de
Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, a obra constitui
um convite para a interação do espectador, instigado
a compor palavras e sentenças e a distribuí-las pelo
campo. Cada letra tem o feitio de um vaso de cerâmica
(ou será o contrário?) e, à disposição do espectador,
encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes.
Para abrigar a obra e servir de ponto de partida para a
criação dos textos, foi construído um pequeno galpão,
evocando uma estufa ou um ateliê de jardinagem.
As letras-vaso foram produzidas pela cerâmica que
funciona no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, num
processo que durou vários meses e contou com a
participação de dezenas de mulheres das comunidades
do entorno. Plantar palavras, semear ideias é o que
nos propõe o trabalho. No contexto de Inhotim, onde
natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta
proposição se torna, de certa maneira, mais perto da
possibilidade.
Disponível em: www.inhotim.org.br. Acesso em: 22 maio 2013
(adaptado).
A função da obra de arte como possibilidade de
experimentação e de construção pode ser constatada
no trabalho de Marilá Dardot porque
a) o projeto artístico acontece ao ar livre.
b) o observador da obra atua como seu criador.
c) a obra integra-se ao espaço artístico e botânico.
d) as letras-vaso são utilizadas para o plantio de
mudas.
e) as mulheres da comunidade participam na
confecção das peças.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Viver não dói
Por que sofremos tanto por amor?
(...)
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido
juntos e
não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
(...)
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente
conosco, mas por todos os momentos em
que poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela
euforia sufocada.
(...)
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o
desperdício da vida está no amor que não damos,
nas
forças que não usamos, na prudência egoísta que
nada
arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos
também a felicidade...
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: www.carlosdrummond.com.br
23. (G1 - IFAL) Da análise do texto, é correto afirmar que:
a) A dor é opcional enquanto que o sofrimento é
inevitável.
12
b) o seu assunto principal é a efemeridade da vida
humana.
c) o texto revela o valor do verdadeiro amor (que
não damos), das pequenas coisas simples que
constroem a felicidade, da consciência do tempo que
desperdiçamos.
d) o sofrimento existe porque o futuro é confiscado
do homem, impedindo-o de realizar seus projetos
e sonhos, uma vez que não há recursos, inclusive
financeiros, para concretizá-los.
e) na vida há sonhos e utopia. Somente os sonhos são
capazes de levar o ser humano a superar o sofrimento
e a dor.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Texto I
[...] já foi o tempo em que via a convivência como viável,
só exigindo deste bem comum, piedosamente, o meu
quinhão, já foi o tempo em que consentia num contrato,
deixando muitas coisas de fora sem ceder contudo no
que me era vital, já foi o tempo em que reconhecia a
existência escandalosa de imaginados valores, coluna
vertebral de toda ‘ordem’; mas não tive sequer o sopro
necessário, e, negado o respiro, me foi imposto o
sufoco; é esta consciência que me libera, é ela hoje que
me empurra, são outras agora minhas preocupações, é
hoje outro o meu universo de problemas; num mundo
estapafúrdio — definitivamente fora de foco — cedo ou
tarde tudo acaba se reduzindo a um ponto de vista, e
você que vive paparicando as ciências humanas, nem
suspeita que paparica uma piada: impossível ordenar o
mundo dos valores, ninguém arruma a casa do capeta;
me recuso pois a pensar naquilo em que não mais
acredito, seja o amor, a amizade, a família, a igreja, a
humanidade; me lixo com tudo isso! me apavora ainda
a existência, mas não tenho medo de ficar sozinho, foi
conscientemente que escolhi o exílio, me bastando
hoje o cinismo dos grandes indiferentes [...].
NASSAR, R. Um copo de cólera. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
Texto II
Raduan Nassar lançou a novela Um Copo de Cólera
em 1978, fervilhante narrativa de um confronto verbal
entre amantes, em que a fúria das palavras cortantes
se estilhaçava no ar. O embate conjugal ecoava o
autoritário discurso do poder e da submissão de um
Brasil que vivia sob o jugo da ditadura militar.
COMODO, R. Um silêncio inquietante. IstoÉ. Disponível em: http://
www.terra.com.br. Acesso em: 15 jul. 2009.
24. (ENEM) Considerando-se os textos apresentados
e o contexto político e social no qual foi produzida a
obra Um Copo de Cólera, verifica-se que o narrador,
ao dirigir-se à sua parceira, nessa novela, tece um
discurso
a) conformista, que procura defender as instituições
nas quais repousava a autoridade do regime militar no
Brasil, a saber: a Igreja, a família e o Estado.
b) pacifista, que procura defender os ideais libertários
representativos da intelectualidade brasileira
opositora à ditadura militar na década de 70 do século
passado.
c) desmistificador, escrito em um discurso ágil econtundente, que critica os grandes princípios
humanitários supostamente defendidos por sua
interlocutora.
d) politizado, pois apela para o engajamento nas causas
sociais e para a defesa dos direitos humanos como
uma única forma de salvamento para a humanidade.
e) contraditório, ao acusar a sua interlocutora de
compactuar com o regime repressor da ditadura
militar, por meio da defesa de instituições como a
família e a Igreja.
25. (ENEM CANCELADO) Quer evitar pesadelos?
Então não durma de barriga para cima. Este é o
conselho de quem garante ter sido atacado pela
Pisadeira. A meliante costuma agir em São Paulo e
Minas Gerais. Suas vítimas preferidas são aquelas que
comeram demais antes de dormir. Desce do telhado
— seu esconderijo usual — e pisa com muita força no
peito e na barriga do incauto adormecido, provocando
os pesadelos. Há controvérsias sobre sua aparência.
De acordo com alguns, é uma mulher bem gorda. Já o
escritor Cornélio Pires forneceu a seguinte descrição
da malfeitora: “Essa é ua muié muito magra, que tem
os dedos cumprido e seco cum cada unhão! Tem as
perna curta, cabelo desgadeiado, quexo revirado pra
riba e nari magro munto arcado; sobranceia cerrado e
zoio aceso...”
Pelo sim, pelo não, caro amigo... barriga para baixo e
bons sonhos.
Almanaque de Cultura Popular. Ano 10, out. 2008, nº- 114
(adaptado).
Considerando que as variedades linguísticas
existentes no Brasil constituem patrimônio cultural,
a descrição da personagem lendária, Pisadeira, nas
palavras do escritor Cornélio Pires,
a) mostra hábitos linguísticos atribuídos à personagem
13
lendária.
b) ironiza vocabulário usado no registro escrito de
descrição de personagens.
c) associa a aparência desagradável da personagem ao
desprestígio da cultura brasileira.
d) sugere crítica ao tema da superstição como
integrante da cultura de comunidades interioranas.
e) valoriza a memória e as identidades nacionais
pelo registro escrito de variedades linguísticas pouco
prestigiadas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
26. (G1 - UTFPR) A partir da leitura da charge é correto
afirmar que:
a) não há problemas de entendimento entre a
recenseadora e a família pesquisada.
b) a internet é um dos meios de comunicação mais
utilizados pelas famílias brasileiras.
c) o censo trabalha com diferentes perguntas de acordo
com o contexto dos pesquisados.
d) as perguntas do censo são apenas sobre dados
básicos da vida da população.
e) não há no censo adequação das perguntas à
realidade da maioria da população.
27. (G1 - IFSC)
Sobre a charge, assinale a alternativa CORRETA.
a) A mensagem de paz do texto que introduz a charge
apresenta-se substancialmente oposta à imagem
violenta retratada.
b) O confronto entre os personagens apresenta uma
mensagem coerente com a mensagem inicial da
charge: de amor e paz.
c) Lutar é algo inerente ao ser humano; por isso pode-
se afirmar que não há qualquer contradição entre a
mensagem verbal e a não verbal.
d) As frases da torcida indicam que esses espectadores
não gostam de violência.
e) No contexto da charge, a luta pode ser entendida
como uma forma de violência pacífica.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Entrevistador: Vamos falar de um escritor que você
ressuscitou (...): Lima Barreto.
João Antônio: (...) Ele é excelente do ponto de vista
político, do ponto de vista econômico e do ponto de
vista de uma administração brasileira. Um mulato que
pagou caro pelo talento que teve, ainda mais porque
assumiu a sua condição de negro, enfrentou todos os
percalços e dificuldades que isso impunha, e fez uma
obra simplesmente, a meu ver, única no Brasil. Não
ficou apenas no BELETRISMO, numa época em que o
beletrismo era moda e quase obrigação. (...)
Entrevistador: Quais outros autores você admira, e
que influenciaram ou não em sua formação literária?
João Antônio: Os autores que me deram alguma
coisa, dos brasileiros, foram aqueles autores que se
distinguiram por uma oposição de coragem diante
da literatura, não somente por fazerem uma FATURA
estética de alto valor, mas também por buscar
caminhos cujo EPICENTRO é o homem brasileiro.
Manuel Antônio de Almeida, Graciliano Ramos, José
Lins do Rego, Lima Barreto, gente para qual a literatura
não teve um minuto que significasse brinquedo, a
literatura não era pó de vaidade, ela era objetivo na
vida. E não se pense que em algum momento eles
quiseram destruir o homem brasileiro, pelo contrário,
eles quiseram compreender e expô-lo e ver se melhora
alguma coisa em torno desse homem. Esse é o objetivo
de qualquer literatura que se preze.
O [sub]mundo de João Antônio. Entrevista publicada em setembro
de 1975, na revista Crítica, em Leão de chácara, São Paulo: Cosac &
Naify, 2002.
14
28. (G1 - UTFPR) Segundo João Antônio, Manuel
Antônio de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do
Rego e Lima Barreto, são autores que o influenciaram:
a) pela qualidade de seus textos estéticos e pela
atuação como políticos em partidos de esquerda.
b) por que escreviam na norma culta, tentavam
compreender o que é literatura e não eram vaidosos.
c) pela qualidade de seus textos, com relação à
utilização da linguagem, pela denúncia e crítica social
da situação do brasileiro.
d) pelo tom elevado da linguagem em suas obras e sua
participação na Academia Brasileira de Letras.
e) pelo vocabulário requintado e reconhecimento do
público, manifesto pela compra de livros.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
29. (G1 - UTFPR) De acordo com os quadrinhos acima
é possível afirmar que:
a) a mãe não tem dinheiro para colocar o filho em
atividades educativas.
b) o filho não entende a fala da mãe.
c) a pergunta do filho indica que ele não entendeu o
que a mãe quer para ele.
d) o desejo da mãe é sobrecarregar o filho de atividades.
e) com tantas tarefas a criança não tem tempo para
brincar.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O horizonte a um centímetro
Há cidades, como o Rio de Janeiro, em que, ao abrir
uma janela, pode-se enxergar o infinito. Ou não, já que
ele é infinito. O mar está à nossa frente e, ao fundo, as
montanhas surgem umas por trás das outras, mas não
se vê onde terminam.
Pois, com toda essa imensidão ao nosso alcance,
preferimos trazer o horizonte para cinco centímetros
do rosto. Essa é a distância entre os olhos e o visor
dos smartphones e similares que as pessoas carregam
consigo – e de que não se desgrudam nem para
atravessar a rua, levar a comida à boca ou dirigir o
carro. O risco de cair num bueiro, espetar o garfo na
bochecha ou bater num poste não faz com que tentem
se livrar desse jugo – mais forte do que todas as formas
de escravidão a que o ser humano foi submetido nos
últimos 2.000 anos.
Não contente, o homem conseguiu agora aproximar
ainda mais o horizonte – a um centímetro do rosto.
Chegou o Google Glass, um óculos que se equilibra nas
orelhas e no nariz, como os óculos comuns, mas, em
vez das lentes, contém uma telinha de uma polegada,
equipada com câmera, microfone e internet – enfim,
tudo de que você precisa na vida.
Com ele, pode-se fotografar e gravar imagens, estocá-
las, reproduzi-las e transmiti-las, ditar (não digitar) e
mandar mensagens de texto, e ler (aliás, ouvir) o jornal
ou o Guerra e Paz*. Serve também como GPS, controle
remoto, relógio, TV, iPod e só falta trazer de volta a
pessoa amada.
Segundo os que já o testaram, o Google Glass provoca
dor de cabeça, faz a pessoa tropeçar na rua e criará
uma geração de vesgos se for usado continuamente
por menores de 13 anos. E seu design é cafonérrimo.
Ou seja, tem tudo para ser um sucesso de vendas.
(Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 13.05.2013. Adaptado)
*Guerra e Paz: extenso romance considerado uma das
obras-primas de Leon Tolstói.
30. (G1 - IFSP) Pela leitura do texto, pode-se concluir
corretamente que, para o autor,
a) os diversos aplicativos, presentes em aparelhos
comoos smartphones, e a maior proximidade do
usuário com a tela permitem às pessoas amplo
domínio da própria liberdade.
b) o principal atrativo do Google Glass é possibilitar,
em um curto período de tempo, a leitura de textos
consagrados da literatura, a exemplo do romance
Guerra e Paz.
c) os smartphones e outros celulares, apesar do design
deselegante e futurista, garantem maior interação
entre os indivíduos e a realidade que os cerca.
15
d) as pessoas não utilizam o senso crítico quando
compram e usam, indiscriminadamente, determinados
produtos e equipamentos oferecidos pelo mercado
consumidor.
e) os indivíduos portadores de deficiências visuais
substituirão os óculos convencionais pelo Google
Glass, uma vez que este possui lentes mais leves e
sofisticadas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
O gosto da surpresa
Betty Milan
Psicanalista e escritora
Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo
com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de
viajar. Nem o trânsito, nem a fila no aeroporto, nem
o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste
caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e
se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no
teatro.
O turista compra a viagem baseado nas garantias que
a agência de turismo oferece, mas se transporta em
busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos
mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso,
viver não”, erroneamente atribuída a Fernando Pessoa,
já que data da Idade Média.
Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se
surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor,
acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala
caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um
monumento histórico.
Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar
sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade
natural na criança e que o adulto precisa conquistar,
suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se
deixando absorver por preocupações egocêntricas.
Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete
perfeitamente numa água tranquila.
O que nós vemos e ouvimos depende de nós. A
meditação nos afasta do clamor do cotidiano e nos
permite, por exemplo, ouvir a nossa respiração. Quem
escuta com o espírito e não com o ouvido, percebe os
sons mais sutis. Ouve o silêncio, que é o mais profundo
de todos os sons, como bem sabem os músicos.
Numa de suas músicas, Caetano Veloso diz que “só o
João (Gilberto) é melhor do que o silêncio”. Porque o
silêncio permite entrar em contato com um outro eu,
que só existe quando nos voltamos para nós mesmos.
Há milênios, os asiáticos, que valorizam a longevidade,
se exercitam na meditação, enquanto nós, ocidentais,
evitamos o desligamento que ela implica. Por
imaginarmos que sem estar ligado não é possível
existir, ignoramos que o afastamento do circuito
habitual propicia uma experiência única de nós
mesmos, uma experiência sempre nova.
Desde a Idade Média, muitos séculos se passaram. Mas
o lema dos navegadores continua atual. Surpreender-
se é preciso. A surpresa é a verdadeira fonte da
juventude, promessa de renovação e de vida.
(Veja, Editora Abril, edição 2184 – ano 43 – nº 39, 29/09/2010, p. 116)
31. (G1 - IFAL) No texto: “O gosto da surpresa”, Betty
Milan defende a tese segundo a qual:
a) viajar é a única forma de experimentar a surpresa,
e, assim, ver o mundo com os olhos de uma criança.
Por isso ela cita a frase “Navegar é preciso, viver não”.
b) precisamos nos surpreender, para o que basta
enxergar o mundo com outros olhos e, como fazem as
crianças, perceber o novo nas coisas cotidianas.
c) o gosto da surpresa depende do ato de olhar as
maravilhas do mundo infantil, como fazem as crianças,
de forma natural.
d) a natureza da criança está condicionada a uma
percepção das maravilhas do mundo sem a agitação da
vida cotidiana e livre de preocupações egocêntricas.
e) a vida cotidiana e o egoísmo afastam as crianças de
um futuro surpreendente e maravilhoso.
32. (ENEM CANCELADO) Cada vez mais, as pessoas
trabalham e administram serviços de suas casas,
como mostra a pesquisa realizada em 1993 pela
Fundação Europeia para a Melhoria da Qualidade
de Vida e Ambiente de Trabalho. Por conseguinte, a
‘centralidade da casa’ é uma tendência importante
da nova sociedade. Porém, não significa o fim da
cidade, pois locais de trabalho, escolas, complexos
médicos, postos de atendimento ao consumidor,
áreas recreativas, ruas comerciais, shopping centers,
estádios de esportes e parques ainda existem e
continuarão existindo.
E as pessoas deslocar-se-ão entre todos esses lugares
com mobilidade crescente, exatamente devido à
flexibilidade recém-conquistada pelos sistemas de
trabalho e integração social em redes: como o tempo
fica mais flexível, os lugares tornam-se mais singulares
à medida que as pessoas circulam entre elas em um
padrão cada vez mais móvel.
CASTELLS, M. A Sociedade em rede. V. 1. São Paulo: Paz e Terra,
2002.
16
As tecnologias de informação e comunicação têm
a capacidade de modificar, inclusive, a forma das
pessoas trabalharem. De acordo com o proposto pelo
autor
a) a ‘centralidade da casa’ tende a concentrar as
pessoas em suas casas e, consequentemente, reduzir
a circulação das pessoas nas áreas comuns da cidade,
como ruas comerciais e shopping centers.
b) as pessoas irão se deslocar por diversos lugares, com
mobilidade crescente, propiciada pela flexibilidade
recém-conquistada pelos sistemas de trabalho e pela
integração social em redes.
c) cada vez mais as pessoas trabalham e administram
serviços de suas casas, tendência que deve diminuir
com o passar dos anos.
d) o deslocamento das pessoas entre diversos lugares
é um dos fatores causadores do estresse nos grandes
centros urbanos.
e) o fim da cidade será uma das consequências
inevitáveis da mobilidade crescente.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Enigma do cérebro avariado
Enquanto cientistas tentam entender a genialidade
de Albert Einstein, a medicina se surpreende com
circunstâncias absolutamente opostas: das pessoas
que vivem bem com apenas parte do cérebro. Dois
anos atrás, uma radiografia de rotina revelou um
oco no interior da cabeça de um francês de 44 anos.
Só depois de submetê-lo a exames de tomografia e
ressonância magnética, os médicos da Universidade
do Mediterrâneo, em Marselha, perceberam que ele
tinha cérebro, mas minúsculo e alojado como uma
capa rente ao crânio. Ainda assim, esse francês viveu
quatro décadas sem chamar a atenção. Vinte anos
atrás o cérebro era visto como sendo formado por
setores estanques, cada um deles responsável por
determinada habilidade.
A descoberta da neurogênese, o processo de produção
de novos neurônios ao longo da vida, em 1998, e o
avanço da tecnologia de neuroimagens revelaram
uma realidade diferente. O cérebro tem capacidade de
se regenerar e de se adaptar. Quando uma área sofre
dano, outra pode muitas vezes assumir suas funções.
Oito em cada dez crianças que, para curar a epilepsia,
tiveram um hemisfério retirado vivem normalmente
com meio cérebro. “As conexões cerebrais são globais.
Cada tarefa é realizada não por uma única área, mas
por uma densa rede de neurônios”, explica Benito
Damasceno, chefe do departamento de neurologia
da Faculdade de Medicina da Unicamp. As funções
vitais, como o batimento cardíaco e a respiração, estão
protegidas em áreas profundas, como o hipotálamo
e o tronco cerebral. A maior parte do cérebro é
constituída de massa encefálica, sem nenhuma função
vital. Isso explica como uma pessoa pode ter a cabeça
transpassada por um arpão e sobreviver sem sequelas.
“O cérebro é mais parecido com uma floresta do que
com um relógio ou computador, como se pensava
no passado.”, diz o neurologista Mauro Muszkat, da
Universidade Federal de São Paulo.
(Carolina Romanini – Revista Veja, 21 de outubro de 2009 p.103)
33. (G1 - UTFPR) Pode-se concluir após a leitura dotexto que:
a) os estudos do cérebro contribuíram para a cura de
pacientes com danos cerebrais como a epilepsia.
b) o cérebro é uma intensa rede neural, oco, com
setores estanques e com capacidade de regeneração.
c) a ciência descobriu que o cérebro avariado pode
se regenerar, porque uma área assume a função da
afetada.
d) pensava-se antes que o cérebro se parecia com um
relógio ou um computador porque possui uma densa
rede neural.
e) Albert Einstein foi um neurologista que viveu quatro
décadas com o cérebro avariado e ainda assim foi um
gênio.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Seria o fogo em minha casa? Correriam risco de arder
todos os meus manuscritos, toda a expressão de toda
a minha vida? Sempre que esta ideia, antigamente,
simplesmente me ocorrera, um pavor enorme me
fazia estarrecer. E agora reparei de repente, não sei
já se com pasmo ou sem pasmo, não sei dizer se com
pavor ou não, que me não importaria que ardessem.
Que fonte – que fonte secreta mas tão minha – se me
havia secado na alma?
Fernando Pessoa: Barão de Teive: a educação do insólito.
34. (G1 - IFCE) As reflexões do autor se identificam
melhor com o seguinte posicionamento:
a) Normalmente, a gente não para para pensar sobre
a vida, porque ela nunca muda, e, quando alguma
coisa muda, sempre sabemos quando ocorreu e o que
ocasionou a alteração, visto que somos nós mesmos
os agentes conscientes de tudo que se altera em nós.
17
b) De repente, a gente para para pensar na vida, vê que
tudo mudou, que não conseguimos mais concordar
com nossas antigas opiniões, mas, se nos perguntarem,
sempre sabemos explicar tudo sobre tais mudanças.
c) Sem precisar de muitas explicações, o pensamento
da gente começa a se fixar nas mudanças que alteram
nossa vida, porque alteram nossa opinião sobre as
coisas, e o melhor disso tudo é que somos sempre
atentos a cada passo diferente e, por isso, somos
capazes de dar explicações sobre os diversos aspectos
em que as coisas mudaram.
d) Todos os dias, a vida mostra com mais verdade que
a gente nunca foi capaz de mudar qualquer opinião ou
sentimento a respeito das coisas que nos são caras.
e) Um belo momento na vida, a gente para para refletir
e percebe que as coisas, mesmo as mais profundas
das nossas particularidades, sempre mudam, embora
nunca possamos voltar no tempo para contemplar o
momento exato em que isso ocorreu, bem como nem
sempre sabemos explicar as causas de tais mudanças.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Como fazíamos sem óculos
Três graus de miopia. Hoje, um diagnóstico como
esse é bobagem. Afinal, você pode viver normalmente
usando um par de óculos. Mas há alguns séculos,
um problema de visão assim era sinônimo de
aposentadoria.
O senador romano Marco Túlio Cícero, que viveu
no século I a.C., quase teve de abandonar seu cargo
quando a idade o impediu de ler sozinho. Como tinha
dinheiro, resolveu o problema do jeito que se fazia
na época: comprou escravos que pudessem ler para
ele. No século IV, o grego Sêneca, autor de tragédias e
famoso pensador, resolveu o mesmo problema usando
um pote com água sobre os textos para deixar as letras
maiores.
Foi aproximadamente pelo ano 1 000 que as lentes
apareceram na Europa. As primeiras foram criadas
pelos monges católicos, os poucos alfabetizados na
época, que usaram cristais de quartzo, topázio ou
berilo lapidados em forma de semicírculos e polidos.
O resultado era uma lupa primitiva que se colocava
em cima do material que se pretendia ler.
Muito tempo se passou até que os homens tivessem
a ideia de aproximar a lente dos olhos, ou melhor, do
olho, pois os primeiros modelos de óculos eram feitos
só para uma vista.
Quando surgiu a versão para dois olhos, tinha o formato
de um V invertido e era preciso segurar a armação
com as mãos para que permanecesse apoiada sobre o
nariz. Nessa época, óculos eram caríssimos, a ponto
de aparecerem listados em testamentos e inventários.
Foi só em 1752 que o inglês James Ayscough criou
óculos com duas hastes laterais. Mas apesar de
terem aberto os olhos de muita gente, muitas tinham
vergonha de aparecer em público usando o acessório.
Menos na Espanha, onde as pessoas achavam que
aquele objeto de vidro as deixava com um ar mais
importante e respeitoso.
(SOALHEIRO, Barbara. Como fazíamos sem. São Paulo: Panda Books,
2006. Adaptado)
35. (G1 - IFSP) De acordo com as informações
presentes no texto, é correto afirmar que
a) o senador Cícero e o pensador Sêneca, por serem
ricos, solucionaram o problema de visão contratando
serviçais para auxiliá-los.
b) os monges católicos dedicavam-se à publicação de
livros, por esse motivo criaram os primeiros óculos no
fim do século XIV.
c) as lupas primitivas, feitas a partir de lentes de
cristais lapidados, eram apoiadas sobre o nariz para
servirem adequadamente à leitura.
d) os óculos concebidos por James Ayscough
representavam para algumas pessoas a possibilidade
de ostentar um acessório que as distinguia socialmente.
e) os modelos de óculos com formato em V, dois apoios
laterais e lentes de cristal raro eram caríssimos, por
isso faziam parte de testamentos.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia este texto para responder à(s) questão(ões) a
seguir.
18
Heráclito não poderia ser mais certeiro ao afirmar
que "um homem não pode entrar no mesmo rio duas
vezes”. Pode ser que os brasileiros nunca mais entrem
no Rio Doce assim, doce.
“Lira Itabirana”
I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa.
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
Do Portal Vermelho, Mariana Serafini. In: http://www.vermelho.org.
br/noticia/272915-11
36. (G1 - IFAL) Considerando o sentido metafórico
da segunda palavra “doce”, no texto que subscreve a
paisagem, o referido rio não mais terá justificado o seu
nome porque será
a) um rio de água estéril.
b) um rio de água potável.
c) um rio de água tranquila.
d) um rio de água navegável.
e) um rio de água saudável.
37. (ENEM)
Colcha de retalhos representa a essência do mural e
convida o público a
a) apreciar a estética do cotidiano.
b) interagir com os elementos da composição.
c) refletir sobre elementos do inconsciente do artista.
d) reconhecer a estética clássica das formas.
e) contemplar a obra por meio da movimentação física.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Grande parte dos avanços tecnológicos integra o
processo evolutivo da comunicação, conduzindo-
nos para uma maior democratização da informação
e, 1consequentemente, do saber. A comunicação
virtual introduz um conceito de descentralização
da informação e do poder de comunicar. Todo
computador, conectado à internet, possui a capacidade
de transmitir palavras, imagens, sons. Não se limita
apenas aos donos de jornais e emissoras; qualquer
pessoa pode construir um 2site na internet, sobre
qualquer assunto e propagá-lo de maneira simples. O
espaço cibernético tem se tornado um lugar essencial,
um futuro próximo de comunicação completamente
distinta da mídia clássica. [...].
A internet proporciona a interação entre 3locutor
e 4interlocutor, 5uma vez que, 6na rede, qualquer
elemento adquire a possibilidade de interação,
havendo interconexões entre pessoas dos mais
diferentes lugares do planeta, facilitando, portanto, o
contato entre elas, assim como a busca por opiniões
e ideias convergentes. Uma prova da eficiência da
internet em construir esse ideal de propagação de
mensagens e opiniões está na multiplicidade de temas
que podem ser encontrados nela. Além dos 7sites, as
listas de discussão, 8que agregam pessoas interessadas
em um dado assunto, também merecem consideração.
19
É nesse ponto que a internet se sobressai, pois integra
e condensa nela todos os recursos de todas as formasde 9comunicação, como jornal, por exemplo. Além
de apresentar todas as funções do jornalismo, que,
segundo Beltrão são econômica, social educativa e
de entretenimento, 10ela é um meio de comunicação
interativo. 11Além disso, há a questão da dinamicidade
e da interatividade12: 13o espaço virtual, diferentemente
de um texto de jornal ou revista em papel, está
constantemente em movimento.
GALLI, Fernanda. Linguagem da internet: um meio de comunicação
global. In: Hipertexto e gêneros digitais. MARCUSCHI, Luiz Antônio;
XAVIER, Antonio Carlos (Org.). São Paulo: Cortez, 2010, p. 151-2.
(adaptado)
38. (G1 - IFBA) O texto é um fragmento de um
artigo, que se insere no conjunto dos textos de tipo
argumentativo, os quais se caracterizam por
a) apresentar dados sobre um objeto ou fato específico,
sua descrição e a indicação de suas qualidades.
b) ter a função apelativa como predominante, e tentar
convencer o receptor a tender à vontade do emissor.
c) arranjar uma sequência de fatos na qual os
personagens se movimentam num determinado
espaço à medida que o tempo passa.
d) defender um ponto de vista, em que apresentar
fundamentos para sustentar a tese é essencial.
e) representar verbalmente um objeto sensível, através
da indicação dos seus aspectos mais característicos,
que o individualizam.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Celular liberado
Em 2010, a pesquisadora em Tecnologias da
Informação e Comunicação na Educação Glaucia da
Silva Brito e o mestrando em Educação Marlon de
Campos Mateus, ambos da Universidade Federal
do Paraná (UFPR), realizaram uma pesquisa com
professores de um colégio estadual de Curitiba (PR).
A pergunta era: é possível usar os aparelhos celulares
dos alunos com propósito pedagógico em sala de aula?
A maioria não via nenhuma utilidade nos aparelhos,
e ainda os considerava como um empecilho em suas
aulas. Quatro anos depois, é crescente o número de
professores que veem os celulares com outros olhos.
E muitos os estão usando como aliados.
No Colégio Vital Brazil, de São Paulo (SP), costuma-se
dizer que a liberação do uso dos smartphones e outros
aparelhos eletrônicos em aula foi uma 1“necessidade”.
A coordenadora pedagógica do ensino médio, Maria
Helena Esteves da Conceição, conta que, desde
2013, o uso dos aparelhos eletrônicos passou a ser
feito em laboratórios e aulas específicas, como artes
e matemática. Os pesquisadores da UFPR sugerem
ainda outras possibilidades de uso pedagógico dos
smartphones: pesquisas em dicionários on-line ou
aplicativos, a câmera como recurso nas aulas de artes,
as redes sociais com geolocalização para as aulas de
geografia. 2Tudo depende do propósito pedagógico e
da disponibilidade do professor.
3Mas será que esses aparelhos precisam ser usados em
sala de aula? Não 4haveria outros meios para chegar
aos mesmos resultados de pesquisa? Para incorporar
os smartphones nas classes, é preciso preparo dos
professores e planejamento para as aulas, acredita
Vanderlei Cardoso, professor e assessor de matemática
do Colégio Vital Brasil.
Mãe do aluno 5David, do 9º ano do Colégio
Bandeirantes, Beatriz Silva, 6aprova a utilização dos
aparelhos eletrônicos em aula, “já que fazem parte do
dia a dia dessa nova geração” e, segundo sua percepção,
houve mudanças no processo de aprendizagem
de seu filho. “Ele se tornou mais motivado para
7algumas atividades escolares específicas nas 8quais
usa os aparelhos e apresentou mais autonomia para
fazer pesquisa na internet e criatividade no uso de
programas relacionados às artes gráficas”, relata. Mas
Beatriz não esconde suas preocupações, que são as
mesmas de muitos pais e pesquisadores, preocupados
com o uso excessivo da tecnologia no cotidiano de
jovens e crianças. “Minha preocupação é com o fato
de os jovens permanecerem o tempo todo conectados
aos smartphones. Considero que, 9dessa forma, há o
risco de os recursos de informática se tornarem os
‘protagonistas’ do processo quando, na verdade, o
foco deve ser sempre o recurso ‘humano’”, diz Beatriz.
Disponível em: http://revistaeducacao.uol.com.br. Acesso em:
24.09.2015. Adaptado.
39. (G1 - IFBA) É possível afirmar que o texto:
a) conclui que não há problemas pedagógicos ou
sociais no uso do aparelho celular em sala de aula.
b) defende o uso do celular em sala de aula como sendo
mais benéfico do que prejudicial ao ensino.
c) problematiza o uso do celular em sala de aula,
apresentando posicionamentos divergentes quanto a
esse uso.
d) atribui aos pais a maior parte da responsabilidade
na orientação dos filhos quanto ao uso do aparelho
celular.
20
e) condena o uso do celular em sala de aula, já que
esse aparelho pode desvalorizar as relações pessoais,
tornando-as mais mecânicas.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
AS VOZES DO PROTESTO: A TRUCULÊNCIA POLICIAL
CONTRA AS VOZES À PROCURA DE UMA CAUSA
A onda de protestos que varreu o país em junho de 2013
teve por impulso o aumento nas tarifas de transporte,
mas esteve longe de ter uma motivação unificadora da
multidão. 1Desnudou, de quebra, a capa da civilidade
que disfarça a truculência de policiais e governadores
saudosos da ditadura militar.
As pessoas 2saíram às ruas descontentes com
3discrepâncias como a que há entre a qualidade de
um serviço público tão básico como o transporte e a
farra dos empresários da Copa com o erário, que em
dado momento havia sido justificada por conta de
benfeitorias que não vieram.
Mas o 4protesto da gota d’água foi às ruas avolumando
gente com todo tipo de bandeira, da tolerância zero a
políticos ao fim da PEC 5que tira poderes do Ministério
Público.
6Em todo mundo, 7de Detroit a Istambul, pipocaram
movimentos populares apartidários, horizontais, sem
líderes. Para o sociólogo espanhol Manuel Castells, que
foi entrevistado pelo jornal Valor Econômico quando
no Brasil, 8em pleno furdunço das ruas de junho, 9o
ponto em comum na onda de protestos do planeta é
a internet.
10Há a visão de que a política é corrupta e os
partidos monopolizam o poder com um modelo de
representação que está esgotado. 11a rede mundial
tornou as relações mais horizontais, apartidárias
e sem lideranças formais – 12as que se apresentam
sofrem a reação avessa dos participantes.
As pessoas saíram às ruas 13ávidas por expressão,
mesmo sem saber o que, juntas, expressariam. Foi
o mais 14notável movimento de vozes cujo mérito
é não terem uma voz em comum. A mera existência
da forma – a insatisfação, seja ela qual for – já era seu
melhor conteúdo.
Revista Língua Portuguesa, Ano 8, nº93, julho de 2013.
40. (G1 - IFBA) A partir da leitura do texto, pode-se
afirmar que
a) as diferentes vozes presentes nas manifestações
mostraram que, apesar de levantarem bandeiras
diferentes, as pessoas tinham um objetivo em comum.
b) as atitudes exercidas pela polícia e pelos
governantes, durante a ditadura militar, retornam
durante as manifestações.
c) o protesto, mesmo sem liderança, teve a internet
como um elo entre os manifestantes.
d) o autor do texto expõe, de forma clara, seu ponto
de vista sobre a participação de grupos partidários nas
manifestações.
e) os chamados vândalos influenciaram na volta de
uma polícia truculenta, saudosa da ditadura militar.
41. (ENEM PPL) Prima Julieta
Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a
feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo
ainda garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino,
teria ela uns trinta ou trinta e dois anos de idade.
Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa,
diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava
em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando
os belos braços brancos. A cabeleira loura incluía
reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um
verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, em
dois planos: voz de pessoa da alta sociedade.
MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
Entre os elementos constitutivos dos gêneros,está o
modo como se organiza a própria composição textual,
tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar,
descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho,
reconhece-se uma sequência textual
a) explicativa, em que se expõem informações objetivas
referentes à prima Julieta.
b) instrucional, em que se ensina o comportamento
feminino, inspirado em prima Julieta.
c) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer
do tempo, envolvem prima Julieta.
d) descritiva, em que se constrói a imagem de prima
Julieta a partir do que os sentidos do enunciador
captam.
e) argumentativa, em que se defende a opinião do
enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a adesão
do leitor a essas ideias.
42. (SIMULADO) Quarto de Despejo, de Carolina Maria
de Jesus, completa 60 anos
Considerado um best-seller improvável, clássico literário
segue incômodo e atual e chegou a ser traduzido para 13
idiomas
21
A luxuosa sede da editora Francisco Alves, em São
Paulo, presenciava uma noite diferente naquele 19
de agosto de 1960. Afinal, não era sempre que uma
mulher negra e de origem humilde lançava um livro,
ainda mais com uma recepção lotada, com mais de
1.500 convidados.
(...)
“Ela quebrou o cânone”, avalia o jornalista Tom Farias,
autor de Carolina – Uma Biografia, lançado em 2018.
“A academia foi surpreendida por uma linguagem
coloquial, porém com poder narrativo muito forte,
muito precisa nas orações que ela faz”, explica. Junto
do sucesso, vieram as críticas. “A intelectualidade
torceu o nariz. Não admitiam uma mulher negra, que
acusavam de iletrada, vender tantos livros como ela
fez”, reforça.
Disponível em: https://vermelho.org.br. Acesso em: 3 set. 2020.
Os textos fazem uso constante de recurso que
permitem a articulação entre suas partes. Quanto à
construção do fragmento da notícia, o termo
a) “Ela” retoma a palavra “academia”.
b) “afinal” introduz uma ideia de finalidade.
c) “ainda” remete a “19 de agosto de 1960”.
d) “porém” estabelece uma ideia de adversidade.
e) “best-seller” retoma a informação “Editora Francisco
Alves”.
43. (ENEM PPL) Cândido Portinari, nascido em 1903,
em uma fazenda de café em Brodósqui, no interior do
estado de São Paulo, é um dos ícones das artes plásticas
no Brasil e no mundo. Sua vasta e variada obra é um
dos valiosos patrimônios da cultura brasileira. A
seguir, são apresentadas pinturas desse grande artista.
Na série de pinturas apresentada, Portinari
a) valoriza o folclore brasileiro com a representação
de tradicionais brincadeiras infantis, fenômeno da
cultura popular.
b) revela seu apego à cultura rural, mediante imagens
impressionistas de tipos regionais remanescentes em
algumas áreas do Brasil.
c) apresenta figuras humanas em estilo
tradicionalmente acadêmico, com técnica de óleo
sobre tela, uma influência europeia em sua arte.
d) representa cenas de sua cidadezinha do interior
e de sua infância de menino pobre, mas livre, que
pertencem a um passado que se perdeu.
e) apresenta uma maneira própria de ver a arte, à
medida que usa traços, luzes, formas, texturas, com
impressões de seu estado de espírito no momento da
criação.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada
Carolina Maria de Jesus
17 DE MAIO Levantei nervosa. Com vontade de morrer.
1Já que os pobres estão mal colocados, para que viver?
2Será que os pobres de outro país sofrem igual aos
pobres do Brasil? 3Eu estava 4discontente que até
cheguei a brigar com o meu filho José Carlos sem
motivo...
... 5Chegou um caminhão aqui na favela. O motorista e
o seu ajudante jogam umas latas. É linguiça enlatada.
Penso: é assim que fazem esses comerciantes
insaciaveis. Ficam esperando os preços subir na
ganancia de ganhar mais. E quando apodrece jogam
para os corvos e os infelizes favelados.
6Não houve briga. 7Eu até estou achando 8isso aqui
monotono. Vejo as crianças abrir as latas de linguiça e
exclamar satisfeitas:
_ Hum! Tá gostosa!
A Dona Alice deu-me uma para experimentar. 9Mas a
lata está estufada. Já está podre.
Trecho disponível em: JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo –
diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2001.
44. (G1 - IFCE) A informação de que “Não houve briga”
(referência 6) deixa subentendido que
a) as crianças geralmente brigavam por linguiça.
b) eram raras as brigas na favela.
c) na favela só havia briga por comida.
d) podia-se esperar briga na favela.
e) como de costume, ninguém brigou.
45. (SIMULADO) Quem Sabe um Dia
Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
22
Quem sabe um morreremos!
Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!
Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!
Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida
QUINTANA, Mário – Antologia Poética, 5ª edição. Rio de Janeiro. Ed.
Alfaguara.
Na última estrofe do poema, o autor utilizou, como
recurso de expressividade, a(o)
a) metáfora, pela comparação subjetiva.
b) assíndeto, pelo não uso de conetivos.
c) apóstrofe, pela interpelação ao tempo.
d) gradação, pela ideia crescente do tempo.
e) hipérbole, pelo exagero no aspecto temporal.
ANOTAÇÕES
23
TEMA DE REDAÇÃO: O AUMENTO DOS CASOS DE FRAUDE FINANCEIRA NA INTERNET
TEXTO 1
Conheça os principais golpes praticados na internet
Furto de identidade: alguém se passa por outra pessoa
para obter vantagens ilícitas. A vítima poderá perder
dinheiro e temporariamente crédito, ou até ter sua
reputação abalada. Pode ser demorado e trabalhoso
reverter todos os problemas causados pelo impostor.
Antecipação de recursos: um golpista induz a vítima
a fornecer informações confidenciais ou a realizar um
pagamento adiantado com a promessa de que esta
receberá um benefício. Em algum tempo, a vítima
percebe que o benefício não existe, que foi vítima de
um golpe e que seus dados e/ou dinheiro ficaram com
o golpista.
Golpes de comércio eletrônico: exploram a relação de
confiança do usuário nos negócios on-line. A vítima
pode ser atraída por uma oferta imperdível e não
receber a mercadoria comprada ou o pagamento por
um produto vendido, além de passar dados seus ao
golpista.
Phishing: um golpista tenta obter dados pessoais
e financeiros de um usuário utilizando técnicas
de engenharia social. A consequência pode ser o
vazamento de informações pessoais e financeiras,
além de infectar o computador com códigos maliciosos.
Pharming: golpe que envolve o redirecionamento da
navegação do usuário para sites falsos. A consequência
será o vazamento de dados pessoais e financeiros, com
possível perda financeira. Desconfie se, ao digitar o
endereço do site no navegador, você for redirecionado
para outro site, o qual tenta realizar alguma ação
suspeita, como abrir um arquivo ou instalar um
programa.
Boato (ou hoax): a mensagem tem conteúdo falso e
alarmante e geralmente é enviada por uma empresa
importante ou órgão governamental, e até mesmo
por um conhecido. Pode trazer problemas tanto para
aqueles que a recebem e distribuem, como para
aqueles que são citados em seu conteúdo, como conter
códigos maliciosos, espalhar desinformação pela
Internet, comprometer a credibilidade e a reputação
de pessoas envolvidas.
Fonte: Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Disponível em: https://
www.tjsc.jus.br/ (adaptado)
TEXTO2
Brasil é líder mundial em golpes de phishing
Um relatório divulgado pela Kaspersky revelou que o
Brasil foi líder mundial em phishing em 2020. O país
ficou à frente de Portugal, França, Tunísia e Guiana
Francesa, que completam a lista dos cinco territórios
com maior índice de roubo de dados no ano passado.
Nesse tipo de golpe, bandidos roubam informações
sigilosas das vítimas a partir de falsas promoções ou
links maliciosos divulgados na Internet. Segundo a
pesquisa, quase 20% dos brasileiros tentaram abrir
linksde phishing pelo menos uma vez no ano.
A Kaspersky avaliou que os ataques se intensificaram
durante o período inicial da pandemia, entre fevereiro
e março de 2020. Somente nesses meses, a quantidade
de tentativas cresceu mais de 120%. Os principais
fatores de estímulo foram o aumento do uso da
Internet, o crescimento dos acessos a serviços de
Internet banking e compras online, além da ansiedade
por informações sobre o coronavírus causador da
Covid-19. O levantamento revela que o Brasil está
acima da média global de phishing, que é de 13%.
De acordo com Fábio Assolini, analista de segurança
da Kaspersky, a diferença pode ser explicada pela
dificuldade dos brasileiros em diferenciar golpes de
mensagens verdadeiras na Internet.
Fonte: https://www.techtudo.com.br/noticias/2021/03/brasil-e-lider-
mundial-em-golpes-de-phishing-saiba-se-proteger.ghtml
TEXTO 3
Dia 1º de outubro é considerado o Dia Internacional do
Idoso. Mas ser idoso no Brasil não é uma tarefa fácil.
Pessoas acima de 60 anos estão entre os principais
alvos de bandidos. Somente este ano, de janeiro a
agosto, a Delegacia do Idoso, em Goiânia, registrou em
24
média 72 ocorrências mensais. Em sua grande maioria, são casos que expõe a perigo a saúde física e mental da
pessoa. Sem falar dos golpes registrados na Deic, por meio dos quais idosos são vítimas fáceis de criminosos.
Destaque para o “Golpe do Novo Número”, em que bandidos se passam por parentes, com objetivo de conseguir
dinheiro fácil.
“A verdade é que a gente não sabe lidar com o idoso dentro de casa”. A avaliação é do delegado Manoel Vanderic
que está há 9 anos à frente da Delegacia Especializada de Atendimento ao Idoso de Anápolis (DEAI). Esse seria o
motivo para tantos crimes contra pessoas maiores que 60 anos.
Fonte: Sindicato dos Policiais Civis de Goiás. Disponível em: https://www.sinpolgo.org.br/destaque/2021/10/idosos-estao-entre-as-principais-
vitimas-de-criminosos.html (adaptado)
TEXTO 4
Fonte: https://cardtec.com.br/golpes-virtuais-usando-a-pandemia-do-coronavirus/
25
CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
QUESTÕES 46 A 90
46. (SIMULADO) Considerando agora o funcionamento
das instituições democráticas de Atenas no seu
apogeu, os direitos políticos pertenciam aos cidadãos
do sexo masculino de mais de dezoito anos, sendo
que para certas funções exigia-se a idade mínima de
trinta ou mais anos. O centro da vida política era a
assembleia popular ou Eclésia, formada em princípio
por todos cidadãos no gozo de seus direitos, com
amplas funções legislativas, executivas (votação da
guerra ou da paz, decisão acerca das negociações
diplomáticas e dos tratados), judiciárias (imposição
ou não da pena do ostracismo) e eleitorais (eleição,
confirmação e eventual suspensão das magistraturas
eletivas; cassação eventual também dos cargos que
dependiam de sorteio). Uma limitação ao seu poder
era, no séc. V a.C., o fato de só poder votar projetos de
leis ou decretos preparados pela Bulé, [...].
CARDOSO, Ciro Flamarion. A cidade-estado antiga. Série Princípios.
Editora Ática, São Paulo, 1993, p.47.
O órgão apresentado pelo texto, centro essencial para
o exercício da cidadania na democracia ateniense,
para o seu funcionamento, prescindia do
a) processo eleitoral de escolha dos ocupantes das
funções públicas.
b) cumprimento de critérios pessoais para a conquista
de direitos.
c) limite institucional de suas prerrogativas legislativas.
d) respeito ao princípio da tripartição dos poderes.
e) exercício concentrado dos poderes públicos.
47. (ENEM PPL) Uma criança com deficiência
mental deve ser mantida em casa ou mandada a uma
instituição? Um parente mais velho que costuma
causar problemas deve ser cuidado ou podemos
pedir que vá embora? Um casamento infeliz deve ser
prolongado pelo bem das crianças?
MURDOCH, I. A soberania do bem. São Paulo: Unesp, 2013.
Os questionamentos apresentados no texto possuem
uma relevância filosófica à medida que problematizam
conflitos que estão nos domínios da
a) política e da esfera pública.
b) teologia e dos valores religiosos.
c) lógica e da validade dos raciocínios.
d) ética e dos padrões de comportamento.
e) epistemologia e dos limites do conhecimento.
48. (ENEM PPL) A tecelagem é numa sala com quatro
janelas e 150 operários. O salário é por obra. No começo
da fábrica, os tecelões ganhavam em média 170$000
réis mensais. Mais tarde não conseguiam ganhar mais
do que 90$000 e pelo último rebaixamento, a média
era de 75$000! E se a vida fosse barata! Mas as casas
que a fábrica aluga, com dois quartos e cozinha, são a
20$000 réis por mês; as outras são de 25$ a 30$000
réis. Quanto aos gêneros de primeira necessidade, em
regra custam mais do que em São Paulo.
CARONE, E. Movimento operário no Brasil. São Paulo: Difel, 1979.
Essas condições de trabalho, próprias de uma
sociedade em processo de industrialização como a
brasileira do início do século XX, indicam a
a) exploração burguesa.
b) organização dos sindicatos.
c) ausência de especialização.
d) industrialização acelerada.
e) alta de preços.
49. (ENEM) O filósofo reconhece-se pela posse
inseparável do gosto da evidência e do sentido
da ambiguidade. Quando se limita a suportar a
ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempre
aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam
construir uma filosofia absolutamente positiva,
só conseguiram ser filósofos na medida em que,
simultaneamente, se recusaram o direito de se
instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo
é o movimento que leva incessantemente do saber à
ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso
neste movimento.
MERLEAU-PONTY. M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães, 1998 (adaptado).
O texto apresenta um entendimento acerca dos
elementos constitutivos da atividade do filósofo, que
se caracteriza por
a) reunir os antagonismos das opiniões ao método
dialético.
b) ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das
ideias.
c) associar a certeza do intelecto à imutabilidade da
verdade.
d) conciliar o rigor da investigação à inquietude do
questionamento.
26
e) compatibilizar as estruturas do pensamento aos
princípios fundamentais.
50. (ENEM PPL) O justo e o bem são complementares no
sentido de que uma concepção política deve apoiar-se
em diferentes ideias do bem. Na teoria da justiça como
equidade, essa condição se expressa pela prioridade
do justo. Sob sua forma geral, esta quer dizer que as
ideias aceitáveis do bem devem respeitar os limites da
concepção política de justiça e nela desempenhar um
certo papel.
RAWLS, J. Justiça e democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2000
(adaptado).
Segundo Rawls, a concepção de justiça legisla sobre
ideias do bem, de forma que
a) as ações individuais são definidas como
efeitos determinados por fatores naturais ou
constrangimentos sociais.
b) o estudo da origem e da história dos valores morais
concluem a inexistência de noções absolutas de bem
e mal.
c) o próprio estatuto do homem como centro do
mundo é abalado, marcando o relativismo da época
contemporânea.
d) as intenções e bens particulares que cada indivíduo
almeja alcançar são regulados na sociedade por
princípios equilibrados.
e) o homem é compreendido como determinado e
livre ao mesmo tempo, já que a liberdade limita-se a
um conjunto de condições objetivas.
51. (ENEM) O instituto popular, de acordo com o exame
da razão, fez da figura do alferes Xavier o principal
dos Inconfidentes, e colocou os seus parceiros a meia
ração de glória. Merecem, decerto, a nossa estima
aqueles outros; eram patriotas. Mas o que se ofereceu
a carregar com os pecadores de Israel, o que chorou
de alegria quando viu comutada a pena de morte dos
seus companheiros, pena que só ia ser executada nele,
o enforcado, o esquartejado, o decapitado, esse tem de
receber o prêmio na proporção do martírio, e ganhar
por todos,visto que pagou por todos.
ASSIS, M. Gazeta de Notícias, n. 114, 24 abr. 1892.
No processo de transição para a República, a narrativa
machadiana sobre a Inconfidência Mineira associa
a) redenção cristã e cultura cívica.
b) veneração aos santos e radicalismo militar.
c) apologia aos protestantes e culto ufanista.
d) tradição messiânica e tendência regionalista.
e) representação eclesiástica e dogmatismo ideológico.
52. (ENEM) TEXTO I
Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em
que todo homem é inimigo de todo homem, é válido
também para o tempo durante o qual os homens
vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser
oferecida por sua própria força e invenção.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
TEXTO II
Não vamos concluir, com Hobbes que, por não
ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja
naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que,
sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado
de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros,
esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz
e o mais conveniente ao gênero humano.
ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da
desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993
(adaptado).
Os trechos apresentam divergências conceituais entre
autores que sustentam um entendimento segundo o
qual a igualdade entre os homens se dá em razão de
uma
a) predisposição ao conhecimento.
b) submissão ao transcendente.
c) tradição epistemológica.
d) condição original.
e) vocação política.
53. (ENEM PPL) Art. 1º – O estrangeiro que, por
qualquer motivo, comprometer a segurança nacional
ou a tranquilidade pública, pode ser expulso de parte
ou de todo o território nacional.
Art. 2º – São também causas bastantes para a expulsão:
1ª) a condenação ou processo pelos tribunais
estrangeiros por crimes ou delitos de natureza comum;
2ª) duas condenações, pelo menos, pelos tribunais
brasileiros, por crimes ou delitos de natureza comum;
3ª) a vagabundagem, a mendicidade e o lenocínio
competentemente verificados.
BRASIL. Lei 1.641, de 7 de janeiro de 1907. Disponível em: www2.
camara.leg.br. Acesso em: 29 ago. 2012 (adaptado).
27
No início do século XX, na transição do trabalho escravo
para o livre, os objetivos da legislação citada eram
a) disciplinar o trabalhador e evitar sua participação
em movimentos políticos contrários ao governo.
b) estabelecer as condições para a vinda dos imigrantes
e definir as regiões que seriam ocupadas.
c) demonstrar preocupação com as condições de
trabalho e favorecer a organização sindical.
d) criar condições políticas para a imigração e isolar os
imigrantes socialmente indesejáveis.
e) estimular o trabalho urbano e disciplinar as famílias
estrangeiras nas fábricas.
54. (ENEM) A tribo não possui um rei, mas um chefe
que não é chefe de Estado. O que significa isso?
Simplesmente que o chefe não dispõe de nenhuma
autoridade, de nenhum poder de coerção, de
nenhum meio de dar uma ordem. O chefe não é um
comandante, as pessoas da tribo não têm nenhum
dever de obediência. O espaço da chefia não é o lugar
do poder. Essencialmente encarregado de eliminar
conflitos que podem surgir entre indivíduos, famílias e
linhagens, o chefe só dispõe, para restabelecer a ordem e
a concórdia, do prestígio que lhe reconhece a sociedade.
Mas evidentemente prestígio não significa poder, e
os meios que o chefe detém para realizar sua tarefa de
pacificador limitam-se ao uso exclusivo da palavra.
CLASTRES. P. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco
Alves. 1982 (adaptado).
O modelo político das sociedades discutidas no texto
contrasta com o do Estado liberal burguês porque se
baseia em:
a) Imposição ideológica e normas hierárquicas.
b) Determinação divina e soberania monárquica.
c) Intervenção consensual e autonomia comunitária.
d) Mediação jurídica e regras contratualistas.
e) Gestão coletiva e obrigações tributárias.
55. (ENEM) Durante o Estado Novo, os encarregados
da propaganda procuraram aperfeiçoar-se na arte da
empolgação e envolvimento das “multidões” através
das mensagens políticas. Nesse tipo de discurso, o
significado das palavras importa pouco, pois, como
declarou Goebbels, “não falamos para dizer alguma
coisa, mas para obter determinado efeito”.
CAPELATO, M. H. Propaganda política e controle dos meios de
comunicação. In: PANDOLFI. D. (Org.). Repensando o Estado Novo.
Rio de Janeiro: FGV. 1999.
O controle sobre os meios de comunicação foi
uma marca do Estado Novo, sendo fundamental à
propaganda política, na medida em que visava
a) a conquistar o apoio popular na legitimação do novo
governo.
b) ampliar o envolvimento das multidões nas decisões
políticas.
c) aumentar a oferta de informações públicas para a
sociedade civil.
d) estender a participação democrática dos meios de
comunicação no Brasil.
e) alargar o entendimento da população sobre as
intenções do novo governo.
56. (ENEM (LIBRAS)) O major Schaeffer recebeu do
governo de D. Pedro I promessas de recompensa
financeira para cada imigrante recrutado. Para
obter maior lucro, montou uma rede de subagentes
espalhados pela Alemanha a fim de angariar colonos
e soldados para emigração. Os alemães que aceitavam
vir para o sul do país achavam que receberiam 50
hectares de terra, vacas, bois e cavalos, auxílio de um
franco por pessoa no primeiro ano e de 50 cêntimos no
segundo; além da isenção de impostos nos primeiros
dez anos, liberação do serviço militar, nacionalização
imediata e liberdade de culto. Entretanto, no decorrer
dos anos, vários desses compromissos nunca foram
cumpridos.
A Hora. Caderno especial: 192 anos de colonização alemã no RS.
Disponível em: https://issuu.com. Acesso em: 8 set. 2016 (adaptado).
Considerando a conjuntura histórica da primeira
metade do século XIX, essa política imigratória tinha
como objetivo
a) legitimar a utilização do trabalho livre.
b) garantir a ocupação dos territórios platinos.
c) possibilitar a aplicação da reforma fundiária.
d) promover o incremento do comércio fronteiriço.
e) assegurar a modernização das frentes agrícolas.
57. (ENEM (LIBRAS)) Os cartógrafos portugueses
teriam falseado as representações do Brasil nas
cartas geográficas, fazendo concordar o meridiano
com os acidentes geográficos de forma a ressaltar
uma suposta fronteira natural dos domínios lusos.
O delineamento de uma grande lagoa que conectava
a bacia platina com a amazônica já era visível nas
primeiras descrições geográficas e mapas produzidos
por Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem (1519),
28
nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), no planisfério
de André Homen (1559), nos mapas de Bartolomeu
Velho (1561).
KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas
cartográficas e historiográficas. Varia Historia, n. 37, 2007
(adaptado).
De acordo com a argumentação exposta no texto,
um dos objetivos das representações cartográficas
mencionadas era
a) garantir o domínio da Metrópole sobre o território
cobiçado.
b) demarcar os limites precisos do Tratado de
Tordesilhas.
c) afastar as populações nativas do espaço demarcado.
d) respeitar a conquista espanhola sobre o Império
Inca.
e) demonstrar a viabilidade comercial do
empreendimento colonial.
58. (ENEM) Em Beirute, no Líbano, quando perguntado
sobre onde se encontram os refugiados sírios, a
resposta do homem é imediata: “em todos os lugares
e em lugar nenhum”. Andando ao acaso, não é raro
ver, sob um prédio ou num canto de calçada, ao abrigo
do vento, uma família refugiada em volta de uma
refeição frugal posta sobre jornais como se fossem
guardanapos. Também se vê de vez em quando uma
tenda com a sigla ACNUR (Alto Comissariado das
Nações Unidas para Refugiados), erguida em um dos
raros terrenos vagos da capital.
JABER, H. Quem realmente acolhe os refugiados?Le Monde
Diplomatique Brasil. out. 2015 (adaptado).
O cenário descrito aponta para uma crise humanitária
que é explicada pelo processo de
a) migração massiva de pessoas atingidas por
catástrofe natural.
b) hibridização cultural de grupos caracterizados por
homogeneidade social.
c) desmobilização voluntária de militantes cooptados
por seitas extremistas.
d) peregrinação religiosa de fiéis orientados por
lideranças fundamentalistas.
e) desterritorialização forçada de populações afetadas
por conflitos armados.
59. (ENEM) Um dos teóricos da democracia moderna,
Hans Kelsen, considera elemento essencial da
democracia real (não da democracia ideal, que não
existe em lugar algum) o método da seleção dos
líderes, ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é
a afirmação de um juiz da Corte Suprema dos Estados
Unidos, por ocasião de uma eleição de 1902: “A cabine
eleitoral é o templo das instituições americanas, onde
cada um de nós é um sacerdote, ao qual é confiada
a guarda da arca da aliança e cada um oficia do seu
próprio altar”.
BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000
(adaptado).
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma
concepção de democracia fundamentada no(a)
a) justificação teísta do direito.
b) rigidez da hierarquia de classe.
c) ênfase formalista na administração.
d) protagonismo do Executivo no poder.
e) centralidade do indivíduo na sociedade.
60. (ENEM PPL) Os antigos filósofos, observando o
grande volume de água de rios como o Nilo, Reno e
outros, imaginavam que as chuvas eram insuficientes
para alimentar tão consideráveis massas de água.
Foi no século XVIII que Pierre Pernault mediu a
quantidade de chuva durante três anos na cabeceira do
rio Sena. Também mediu o volume de água do referido
rio e chegou à conclusão de que apenas a sexta parte
se escoava e o restante era evaporado.
LEINZ, V. Geologia geral. São Paulo: Editora Nacional, 1989
(adaptado).
A investigação feita por Pierre Pernault contribuiu
diretamente para a explicação científica sobre
a) intemperismo químico.
b) rede de drenagem.
c) degelo de altitude.
d) erosão pluvial.
e) ciclo hidrológico.
61. (ENEM) Anamorfose é a transformação cartográfica
espacial em que a forma dos objetos é distorcida,
de forma a realçar o tema. A área das unidades
espaciais às quais o tema se refere é alterada de forma
proporcional ao respectivo valor.
GASPAR, A. J. Dicionário de ciências cartográficas. Lisboa: Lidel,
2004.
29
A técnica descrita foi aplicada na seguinte forma de
representação do espaço:
a)
b)
c)
d)
e)
62. (ENEM PPL) Os objetivos da ONU, de acordo com
o disposto no capítulo primeiro de sua Carta, são
quatro: 1) manter a paz e segurança internacionais;
2) desenvolver ações amistosas entre as nações, com
base no respeito ao princípio de igualdade de direitos
e de autodeterminação dos povos; 3) conseguir uma
cooperação internacional para resolver os problemas
internacionais de caráter econômico, social, cultural ou
humanitário; 4) ser um centro destinado a harmonizar
a ação das nações para a consecução desses objetivos
comuns.
GONÇALVES, W. Relações internacionais. Rio de Janeiro: Zahar, 2008
(adaptado).
De acordo com os objetivos descritos, o papel do
organismo internacional mencionado consiste em
a) regular o sistema financeiro global.
b) mediar conflitos de ordem geopolítica.
c) legitimar ações de expansionismo territorial.
d) promover a padronização de hábitos de consumo.
e) estabelecer barreiras à circulação de mercadorias.
63. (ENEM PPL) As primeiras ações acerca do
patrimônio histórico no Brasil datam da década
de 1930, com a criação do Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 1937.
Nesse período, o conceito que norteou a política de
patrimônio limitou-se aos monumentos arquitetônicos
relacionados ao passado brasileiro e vinculava-se
aos ideais modernistas de conhecer, compreender e
recriar o Brasil por meio da valorização da tradição.
SANTOS, G. Poder e patrimônio histórico: possibilidades de diálogo
entre educação histórica e educação patrimonial no ensino médio.
EntreVer, n. 2, jan.-jun. 2012.
Considerando o contexto mencionado, a criação dessa
política patrimonial objetivou a
a) consolidação da historiografia oficial.
b) definição do mercado cultural.
c) afirmação da identidade nacional.
d) divulgação de sítios arqueológicos.
e) universalização de saberes museológicos.
64. (ENEM (LIBRAS)) Falavam em fuzilamentos, em
gente que era embarcada nos aviões militares e atirada
em alto-mar. Havia muita confusão. Sempre que há
mudança violenta de poder, a regra dos entendidos
é sumir, evaporar-se, não se expor, nos primeiros
momentos da rebordosa, um sargento qualquer
pode decidir sobre um fuzilamento. Depois as coisas
se organizam, até mesmo a violência é estruturada,
até mesmo o arbítrio. Mas quem, no meio tempo, foi
fuzilado, fuzilado fica.
CONY, C. H. Quase memória. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
A narrativa refere-se ao seguinte aspecto da segurança
nacional durante a Ditadura Militar:
30
a) Institucionalização da repressão como política
estatal.
b) Normatização da censura como mecanismo de
controle.
c) Legitimação da propaganda como estratégia
psicossocial.
d) Validação do conformismo como salvaguarda do
consenso.
e) Ordenação do bipartidarismo como prerrogativa
institucional.
65. (ENEM)
Elaborada em 1969, a releitura contida na Figura 2
revela aspectos de uma trajetória e obra dedicada à
a) valorização de uma representação tradicional da
mulher.
b) descaracterização de referências do folclore
nordestino.
c) fusão de elementos brasileiros à moda da Europa.
d) massificação do consumo de uma arte local.
e) criação de uma estética de resistência.
66. (ENEM (LIBRAS)) Todos os anos, multidões de
portugueses e de estrangeiros saem nas frotas para ir
às minas. Das cidades, vilas, plantações e do interior
do Brasil vêm brancos, mestiços e negros juntamente
com muitos ameríndios contratados pelos paulistas.
A mistura é de pessoas de todos os tipos e condições;
homens e mulheres; moços e velhos; pobres e
ricos; fidalgos e povo; leigos, clérigos e religiosos de
diferentes ordens, muitos dos quais não têm casa nem
convento no Brasil.
BOXER, C. O império marítimo português: 1435-1825. São Paulo: Cia.
das Letras, 2002.
A qual aspecto da vida no Brasil colonial o autor se
refere?
a) À imposição de um credo exclusivo.
b) À alteração dos fluxos populacionais.
c) À fragilização do poder da Metrópole.
d) Ao desregramento da ordem social.
e) Ao antilusitanismo das camadas populares.
67. (ENEM (LIBRAS))
Constituição Política do Império do Brasil
(de 25 de março de 1824)
Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a
organização política, e é delegado privativamente
ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu
Primeiro Representante, para que incessantemente
vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio
e harmonia dos demais Poderes Políticos.
Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 18 abr. 2015
(adaptado).
A apropriação das ideias de Montesquieu no âmbito
da norma constitucional citada tinha o objetivo de
a) expandir os limites das fronteiras nacionais.
b) assegurar o monopólio do comércio externo.
c) legitimar o autoritarismo do aparelho estatal.
d) evitar a reconquista pelas forças portuguesas.
e) atender os interesses das oligarquias regionais.
68. (ENEM) Uma pesquisa realizada por Carolina
Levis, especialista em ecologia do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia, e publicada na revista
Science, demonstra que as espécies vegetais
domesticadas pelas civilizações pré-colombianas são
as mais dominantes.
“A domesticação de plantas na floresta começou há
mais de8.000 anos. Primeiro eram selecionadas as
plantas com características que poderiam ser úteis
ao homem e em um segundo momento era feita a
propagação dessas espécies. Começaram a cultivá-las
31
em pátios e jardins, por meio de um processo quase
intuitivo de seleção”.
OLIVEIRA, J. Indígenas foram os primeiros a alterar o ecossistema da
Amazônia. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 11
dez. 2017 (adaptado).
O texto apresenta um novo olhar sobre a configuração
da Floresta Amazônica por romper com a ideia de
a) primazia de saberes locais.
b) ausência de ação antrópica.
c) insuficiência de recursos naturais.
d) necessidade de manejo ambiental.
e) predominância de práticas agropecuárias.
69. (ENEM) Os seus líderes terminaram presos e
assassinados. A “marujada” rebelde foi inteiramente
expulsa da esquadra. Num sentido histórico, porém,
eles foram vitoriosos. A “chibata” e outros castigos
físicos infamantes nunca mais foram oficialmente
utilizados; a partir de então, os marinheiros –
agora respeitados – teriam suas condições de vida
melhoradas significativamente. Sem dúvida fizeram
avançar a História.
MAESTRI, M. 1910: A revolta dos marinheiros – uma saga negra. São
Paulo: Global, 1982.
A eclosão desse conflito foi resultado da tensão
acumulada na Marinha do Brasil pelo(a)
a) engajamento de civis analfabetos após a emergência
de guerras externas.
b) insatisfação de militares positivistas após a
consolidação da política dos governadores.
c) rebaixamento de comandantes veteranos após a
repressão a insurreições milenaristas.
d) sublevação das classes populares do campo após a
instituição do alistamento obrigatório.
e) manutenção da mentalidade escravocrata da
oficialidade após a queda do regime imperial.
70. (ENEM) A situação demográfica de Israel é muito
particular. Desde 1967, a esquerda sionista afirma que
Israel deveria se desfazer rapidamente da Cisjordânia
e da Faixa de Gaza, argumentando a partir de uma
lógica demográfica aparentemente inexorável. Devido
à taxa de nascimento árabe ser muito mais elevada,
a anexação dos territórios palestinos, formal ou
informal, acarretaria dentro de uma ou duas gerações
uma maioria árabe “entre o rio e o mar”.
DEMANT, P. Israel: a crise próxima. História, n. 2. jul.-dez. 2014.
A preocupação apresentada no texto revela um aspecto
da condução política desse Estado identificado ao(à)
a) abdicação da interferência militar em conflito local.
b) busca da preeminência étnica sobre o espaço
nacional.
c) admissão da participação proativa em blocos
regionais.
d) rompimento com os interesses geopolíticos das
potências globais.
e) compromisso com as resoluções emanadas dos
organismos internacionais.
71. (ENEM PPL) Os níveis de desigualdade construídos
historicamente não se referem apenas a uma questão
de mérito individual, mas à falta de condições iguais
de oportunidades de acesso a educação, trabalho,
saúde, moradia e lazer. As pesquisas mostram que há
um grande abismo racial no Brasil, e as estatísticas,
ao apontarem as condições de vida, emprego e
escolaridade entre negros e brancos, comprovam que
essa desigualdade é fruto da estrutura racista, somada
à exclusão social e à desigualdade socioeconômica,
que atinge toda a população brasileira e, de modo
particular, os negros.
MUNANGA, K.; GOMES, N. L. Para entender o negro no Brasil de hoje:
história, realidades, problemas e caminhos. São Paulo: Global; Ação
Educativa, 2004 (adaptado).
O conjunto de ações adotado pelo Estado brasileiro, a
partir da última década do século XX, para enfrentar
os problemas sociais descritos no texto resultaram na
a) ampliação de planos viários de urbanização.
b) democratização da instrução escolar pública.
c) manutenção da rede hospitalar universitária.
d) preservação de espaços de entretenimento locais.
e) descentralização do sistema nacional de habitação.
72. (ENEM) No Segundo Congresso Internacional de
Ciências Geográficas, em 1875, a que compareceram
o presidente da República, o governador de Paris e
o presidente da Assembleia, o discurso inaugural
do almirante La Rouciére-Le Noury expôs a atitude
predominante no encontro: “Cavalheiros, a Providência
nos ditou a obrigação de conhecer e conquistar a terra.
Essa ordem suprema é um dos deveres imperiosos
inscritos em nossas inteligências e nossas atividades.
A geografia, essa ciência que inspira tão bela devoção
e em cujo nome foram sacrificadas tantas vítimas,
tornou- se a filosofia da terra”.
SAIO, E. Cultura e política. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
32
No contexto histórico apresentado, a exaltação da
ciência geográfica decorre do seu uso para o(a)
a) a preservação cultural dos territórios ocupados.
b) formação humanitária da sociedade europeia.
c) catalogação de dados úteis aos propósitos
colonialistas.
d) desenvolvimento de técnicas matemáticas de
construção de cartas.
e) consolidação do conhecimento topográfico como
campo acadêmico.
73. (ENEM) Para Maquiavel, quando um homem decide
dizer a verdade pondo em risco a própria integridade
física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa.
Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado,
os critérios pessoais não são mais adequados para
decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão
amplas, já que o prejuízo não será apenas individual,
mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias
e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o
melhor para o bem comum seja mentir.
ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna,
2006 (adaptado).
O texto aponta uma inovação na teoria política na
época moderna expressa na distinção entre
a) idealidade e efetividade da moral.
b) nulidade e preservabilidade da liberdade.
c) ilegalidade e legitimidade do governante.
d) verificabilidade e possibilidade da verdade.
e) objetividade e subjetividade do conhecimento
74. (ENEM PPL) Queremos saber o que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
E suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades
Das estepes, dos sertões
GILBERTO GIL. Queremos saber. O viramundo. São Paulo: Universal
Music, 1976 (fragmento).
A letra da canção relaciona dois aspectos da
contemporaneidade com reflexos na sociedade
brasileira:
a) A elevação da escolaridade e o aumento do
desemprego.
b) O investimento em pesquisa e a ascensão do
autoritarismo.
c) O crescimento demográfico e a redução da produção
de alimentos.
d) O avanço da tecnologia e a permanência das
desigualdades sociais.
e) A acumulação de conhecimento e o isolamento das
comunidades tradicionais.
75. (ENEM) A presunção de que a superfície das
chapadas e chapadões representa uma velha
peneplanície é a corroborada pelo fato de que ela
é coberta por acumulações superficiais, tais como
massas de areia, camadas de cascalhos e seixos e pela
ocorrência generalizada de concreções ferruginosas
que formam uma crosta laterítica, denominada
“canga”.
WEIBEL, L. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 8
jul. 2015 (adaptado).
Qual tipo climático favorece o processo de alteração
do solo descrito no texto?
a) Árido, com deficit hídrico.
b) Subtropical, com baixas temperaturas.
c) Temperado, com invernos frios e secos.
d) Tropical, com sazonalidade das chuvas.
e) Equatorial, com pluviosidade abundante.
76. (ENEM) TEXTO I
Quando um exército atravessa montanhas, florestas,
zonas de precipícios, ou marcha ao longo de
desfiladeiros, alagadiços ou pântanos, ou qualquer
outro terreno onde a deslocação é árdua, está em
terreno difícil. O terreno onde é apertado e a sua saída
é tortuosa e onde uma pequena força inimiga pode
atacar a minha, embora maior, é cercado.
TZU. S. A arte da guerra. São Paulo: Marlin Claret.2001.
TEXTO II
O objetivo principal era encontrar e matar Osama Bin
Laden. Onde ele se esconde? Não podemos esquecer a
dificuldade de ocupação do país, que possui um relevo
montanhoso, cheio de cavernas, onde fica fácil, para
quem está acostumado com esse relevo, esconder-se.
OLIVEIRA. M G.; SANTOS. M. S. Ásia: uma visão histórica, política e
econômica do continente. Rio de Janeiro: E-Papers, 2009 (adaptado).
33
As situações apresentadas atestam a importância da
relação entre a topografia e o(a)
a) construção de vias terrestres.
b) preservação do meio ambiente.
c) emprego de armamentos sofisticados.
d) intimidação contínua da população local.
e) domínio cognitivo da configuração espacial
77. (ENEM PPL) Quando analisamos nossos
pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes
que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em
ideias simples que são cópias de uma sensação ou
sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira
vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram,
a um exame mais atento, ser derivadas dela.
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo:
Abril Cultural, 1973.
Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o
conhecimento tem a sua gênese na
a) convicção inata.
b) dimensão apriorística.
c) elaboração do intelecto.
d) percepção dos sentidos.
e) realidade transcendental.
78. (ENEM PPL) O representante das associações
de moradores (integrante de um conselho de saúde)
fez várias ponderações: “As prestações de contas, de
modo geral, tiveram uma transparência razoável. Eu
acho isso bom porque, no passado, não sabia quanto
se gastava, e hoje, a gente já tem conhecimento.
Acompanho permanentemente o desenvolvimento do
que entra e do que é gasto”.
CORREIA, M. V. C. Que controle social?: os conselhos de saúde como
instrumento. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2000 (adaptado).
A forma de atuação política indicada caracteriza uma
prática associada ao(à)
a) poder disciplinar.
b) gestão participativa.
c) processo burocrático.
d) autoridade carismática.
e) deliberação autocrática.
79. (ENEM PPL) Eis o ensinamento de minha doutrina:
“Viva de forma a ter de desejar reviver – é o dever –, pois,
em todo caso, você reviverá! Aquele que ama antes de
tudo se submeter, obedecer e seguir, que obedeça!
Mas que saiba para o que dirige sua preferência, e não
recue diante de nenhum meio! É a eternidade que está
em jogo!”.
NIETZSCHE apud FERRY, L. Aprender a viver: filosofia para os novos
tempos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 (adaptado).
O trecho contém uma formulação da doutrina
nietzscheana do eterno retorno, que apresenta
critérios radicais de avaliação da
a) qualidade de nossa existência pessoal e coletiva.
b) conveniência do cuidado da saúde física e espiritual.
c) legitimidade da doutrina pagã da transmigração da
alma.
d) veracidade do postulado cosmológico da perenidade
do mundo.
e) validade de padrões habituais de ação humana ao
longo da história.
80. (ENEM (LIBRAS)) TEXTO I
Esta foi a regra que eu segui diante dos que me
foram denunciados como cristãos: perguntei a eles
mesmos se eram cristãos; aos que respondiam
afirmativamente, repeti uma segunda e uma terceira
vez a pergunta, ameaçando-os com o suplício. Os que
persistiram, mandei executá-los, pois eu não duvidava
que, seja qual for a culpa, a teimosia e a obstinação
inflexível deveriam ser punidas. Outros, cidadãos
romanos portadores da mesma loucura, pus no rol dos
que devem ser enviados a Roma.
Correspondência de Plínio, governador de Bitínia, província romana
situada na Ásia Menor, ao imperador Trajano. Cerca do ano 111
d.C. Disponível em: www.veritatis.com.br. Acesso em: 17 jun. 2015
(adaptado).
TEXTO II
É nossa vontade que todos os povos regidos pela nossa
administração pratiquem a religião que o apóstolo
Pedro transmitiu aos romanos. Ordenamos que todas
aquelas pessoas que seguem esta norma tomem o
nome de cristãos católicos. Porém, o resto, os quais
consideramos dementes e insensatos, assumirão a
infâmia da heresia, os lugares de suas reuniões não
receberão o nome de igrejas e serão castigados em
primeiro lugar pela divina vingança e, depois, também
pela nossa própria iniciativa.
Édito de Tessalônica, ano 380 d.C. In: PEDRERO-SÁNCHEZ, M. G.
História da Idade Média: textos e testemunhas. São Paulo: Unesp,
2000.
34
Nos textos, a postura do Império Romano diante do
cristianismo é retratada em dois momentos distintos.
Em que pesem as diferentes épocas, é destacada a
permanência da seguinte prática:
a) Ausência de liberdade religiosa.
b) Sacralização dos locais de culto.
c) Reconhecimento do direito divino.
d) Formação de tribunais eclesiásticos.
e) Subordinação do poder governamental.
81. (ENEM PPL) Em Utopia, tudo é comum a todos.
A distribuição dos bens lá não é um problema, não se
vê nem pobre nem mendigo e, embora ninguém tenha
nada de seu, todos são ricos. Haverá maior riqueza
do que levar uma existência alegre e pacífica, livre
de ansiedades e sem precisar se preocupar com a
subsistência?
MORUS, T. Utopia. Brasília: UnB, 2004.
Retirado da obra de Thomas Morus, escrita no século
XVI, esse trecho influenciou movimentos sociais do
século XIX que lutaram para
a) inibir a ascensão da burguesia.
b) evitar a destruição da natureza.
c) combater o domínio do capital.
d) eliminar a intolerância religiosa.
e) superar o atraso tecnológico.
82. (ENEM PPL) Quer um conselho? Vá conhecer
alguma coisa da terra e deixe os homens em paz... Os
homens mudam, a terra é inalterável. Vá por aí dentro,
embrenhe-se pelo interior e observe alguma coisa de
proveitoso. Aqui na capital só encontrará casas mais
altas, ruas mais cheias e coisas parecidas ao que de
igual existe em todas as cidades modernas. Mas ao
contato com a terra você sentirá o que não pode sentir
nas avenidas asfaltadas.
LOBATO, M. Lobatiana: meio ambiente. São Paulo: Brasiliense, 1985.
O texto literário evidencia uma percepção dual sobre a
cidade e o campo, fundamentada na ideia de
a) progresso científico.
b) evolução da sociedade.
c) valorização da natureza.
d) racionalidade econômica.
e) democratização do espaço.
83. (ENEM PPL) O movimento abolicionista, que levou
à libertação dos escravos pela Lei Áurea em 13 de
maio de 1888, foi a primeira campanha de dimensões
nacionais com participação popular. Nunca antes
tantos brasileiros se haviam mobilizado de forma tão
intensa por uma causa comum, nem mesmo durante
a Guerra do Paraguai. Envolvendo todas as regiões
e classes sociais, carregou multidões a comícios e
manifestações públicas e mudou de forma dramática
as relações políticas e sociais que até então vigoravam
no país.
GOMES, L. 1889. São Paulo: Globo, 2013 (adaptado).
O movimento social citado teve como seu principal
veículo de propagação o(a)
a) imprensa escrita.
b) oficialato militar.
c) corte palaciana.
d) clero católico.
e) câmara de representantes.
84. (SIMULADO) […] a inserção material da Companhia
de Jesus no Novo Mundo e o combate na frente
ideológica contrarreformista expunham os jesuítas à
nova ordem que se instaurava e às novas ideias, o que
não deixou de influenciar o comportamento político
da congregação. Fosse por puro oportunismo político,
pela defesa de interesses materiais da ordem religiosa
ou pelo vislumbre da importância de algumas ideias
novas, os padres da Companhia de Jesus revelaram
maior tolerância política em relação aos adversários,
o que não representava o tom dominante da
Contrarreforma, principalmente da Inquisição.
ALVES, Gilberto Luiz. Origens da escola moderna no Brasil: a
contribuição jesuítica. Educ. Soc., Campinas. v. 26, n. 91, p. 617-635,
Aug. 2005. p. 662.
Os personagens apresentados pelo texto colaboraram,
de modo decisivo, para que a atual sociedade brasileira
fosse marcada pelaa) intolerância aos cultos de matriz africana.
b) eliminação das tradições culturais nativas.
c) pouca importância do judaísmo.
d) hegemonia do catolicismo.
e) religiosidade sincrética.
85. (ENEM) Procuramos demonstrar que o
desenvolvimento pode ser visto como um processo de
expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam.
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O enfoque nas liberdades humanas contrasta com
visões mais restritas de desenvolvimento, como as
que identificam desenvolvimento com crescimento
do Produto Nacional Bruto, ou industrialização. O
crescimento do PNB pode ser muito importante como
um meio de expandir as liberdades. Mas as liberdades
dependem também de outros determinantes, como os
serviços de educação e saúde e os direitos civis.
SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
A concepção de desenvolvimento proposta no texto
fundamenta-se no vínculo entre
a) incremento da indústria e atuação no mercado
financeiro.
b) criação de programas assistencialistas e controle de
preços.
c) elevação da renda média e arrecadação de impostos.
d) garantia da cidadania e ascensão econômica.
e) ajuste de políticas econômicas e incentivos fiscais.
86. (ENEM PPL) No primeiro semestre do ano de
2009, o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta
corte judicial brasileira, prolatou decisão referente
ao polêmico caso envolvendo a demarcação da
reserva indígena Raposa Serra do Sol, onde habitam
aproximadamente dezenove mil índios aldeados
nas tribos Macuxi, Wapixana, Taurepang, Ingarikó
e Paramona – em julgamento paradigmático que
estabeleceu uma série de conceitos e diretrizes válidas
não só para o caso em questão, mas para todas as
reservas indígenas demarcadas ou em processo de
demarcação no Brasil.
SALLES, D. J. P. C. Disponível em: www.ambito-juridico.com.br. Acesso
em: 30 jul. 2013 (adaptado).
A demarcação de terras indígenas, conforme o texto,
evidencia a
a) ampliação da população indígena na região.
b) função do Direito na organização da sociedade.
c) mobilização da sociedade civil pela causa indígena.
d) diminuição do preconceito contra os índios no
Brasil.
e) pressão de organismos internacionais em defesa
dos índios brasileiros.
87. (ENEM (LIBRAS)) Com o fim da Ditadura, os
movimentos populares tiveram maior participação
na formulação dos programas governamentais para
a reforma urbana. Porém, o direito à moradia só é
expresso no corpo da Constituição por meio de emenda,
em 2000, que alterou o conteúdo do art. 6º, que trata
dos direitos sociais. Na década de 1990 começou a
tramitar um projeto de lei que levou mais de dez anos
para ser aprovado, tendo como resultado o Estatuto
da Cidade. Essa lei instrumentaliza os municípios
para a garantia do pleno desenvolvimento das funções
sociais e ambientais da cidade e da propriedade.
HOLZ, S.; MONTEIRO, T. V. A. M. Disponível em: www.sociologia.ufsc.
br. Acesso em: 7 maio 2013 (adaptado).
A aprovação do referido estatuto responde à
necessidade de
a) democratização do uso do solo.
b) ampliação de áreas construídas.
c) diversificação do parque nacional.
d) expansão do transporte individual.
e) centralização de recursos financeiros.
88. (ENEM PPL) Jamais deixou de haver sangue,
martírio e sacrifício, quando o homem sentiu a
necessidade de criar em si uma memória; os mais
horrendos sacrifícios e penhores, as mais repugnantes
mutilações (as castrações, por exemplo), os mais cruéis
rituais, tudo isto tem origem naquele instinto que
divisou na dor o mais poderoso auxiliar da memória.
NIETZSCHE, F. Genealogia da moral. São Paulo: Cia. das Letras,
1999.
O fragmento evoca uma reflexão sobre a condição
humana e a elaboração de um mecanismo distintivo
entre homens e animais, marcado pelo(a)
a) racionalidade científica.
b) determinismo biológico.
c) degradação da natureza.
d) domínio da contingência.
e) consciência da existência.
89. (ENEM) O encontro entre o Velho e o Novo Mundo,
que a descoberta de Colombo tornou possível, é de um
tipo muito particular: é uma guerra – ou a Conquista
–, como se dizia então. E um mistério continua: o
resultado do combate. Por que a vitória fulgurante,
se os habitantes da América eram tão superiores
em número aos adversários e lutaram no próprio
solo? Se nos limitarmos à conquista do México – a
mais espetacular, já que a civilização mexicana é a
mais brilhante do mundo pré-colombiano – como
explicar que Cortez, liderando centenas de homens,
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tenha conseguido tomar o reino de Montezuma, que
dispunha de centenas de milhares de guerreiros?
TODOROV. T. A conquista da América. São Paulo: Martins Fontes.
1991 (adaptado).
No contexto da conquista, conforme análise
apresentada no texto, uma estratégia para superar as
disparidades levantadas foi
a) implantar as missões cristãs entre as comunidades
submetidas.
b) utilizar a superioridade física dos mercenários
africanos.
c) explorar as rivalidades existentes entre os povos
nativos.
d) introduzir vetores para a disseminação de doenças
epidêmicas.
e) comprar terras para o enfraquecimento das
teocracias autóctones.
90. (ENEM) No início da década de 1990, dois biólogos
importantes, Redford e Robinson, produziram um
modelo largamente aceito de “produção sustentável”
que previa quantos indivíduos de cada espécie
ANOTAÇÕES
poderiam ser caçados de forma sustentável baseado
nas suas taxas de reprodução. Os seringueiros do
Alto Juruá tinham um modelo diferente: a quem lhes
afirmava que estavam caçando acima do sustentável
(dentro do modelo), eles diziam que não, que o nível
da caça dependia da existência de áreas de refúgio em
que ninguém caçava. Ora, esse acabou sendo o modelo
batizado de “fonte-ralo” proposto dez anos após o
primeiro por Novaro, Bodmer e o próprio Redford e
que suplantou o modelo anterior.
CUNHA, M. C. Revista USP, n. 75, set.-nov. 2007.
No contexto da produção científica, a necessidade
de reconstrução desse modelo, conforme exposto no
texto, foi determinada pelo confronto com um(a)
a) conclusão operacional obtida por lógica dedutiva.
b) visão de mundo marcada por preconceitos morais.
c) hábito social condicionado pela religiosidade
popular.
d) conhecimento empírico apropriado pelo senso
comum.
e) padrão de preservação construído por
experimentação dirigida.