Prévia do material em texto
02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 1/19 Introdução “Fascismo” ou “fascista” é uma dessas palavras que, de tão usadas e abusadas, hoje muitas vezes são empregadas por quem não tem muita ideia de qual exatamente é o signi�cado do termo. O fascismo foi um movimento político da década de 1920, surgido na Itália, e que inspirou muitos outros regimes de tipo autoritário e nacionalista, a começar pela Alemanha nazista de Adolf Hitler. O fascismo foi também um �lho de circunstâncias históricas bem especí�cas: o chamado período “entreguerras” (1919-1939), isto é, as duas décadas que separam a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo, o capitalismo liberal estava em crise. Países do mundo todo, mas especialmente os europeus, viram seu cenário político se radicalizando entre duas correntes. Por um lado, o crescimento do comunismo, especialmente porque a URSS funcionava como um “farol” da esquerda mundial, um exemplo de país que se Unidade 3 - O entreguerras: crise capitalista e ascensão do nazifascismo Pietro SantʼAnnaIniciar 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 2/19 modernizou rapidamente, como vimos na unidade anterior, e também imune às crises capitalistas. Esse crescimento do comunismo teve, como resposta, o surgimento de partidos e movimentos ultranacionalistas que pregavam um Estado forte, ditatorial, capaz de conduzir o capitalismo sem os “riscos” do livre-mercado e de esmagar os inimigos políticos – a começar pelos comunistas. Os governos fascistas são, portanto, �lhos dessa polarização, desse embate entre grupos antagônicos no qual os comunistas, via de regra, saíram perdendo. Na década de 1930, quase todos os países Europeus tinham um governo ao menos proto- fascista. Isso quer dizer que não se entende a história do fascismo sem entender a descrença na democracia e a queda do liberalismo que assolaram a década de 1920. Para entender como esse “clima cultural” surgiu, é preciso sair um pouco da Europa, berço do fascismo, e voltar nossas atenções para os Estados Unidos. Como os americanos, do outro lado do Oceano Atlântico, poderiam estar relacionados com a ascensão fascista? É o que veremos agora. Bons estudos! 1. Década de 1920: os anos loucos Os Estados Unidos aproveitaram uma fantástica janela de oportunidade para seu crescimento econômico nos anos 1920. A Europa tinha sido destruída pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Países como a Inglaterra, a França e até a Alemanha precisavam desesperadamente reconstruir sua infraestrutura após anos de destruição. Indústrias, portos, ferrovias, estradas, hospitais e escolas: tudo precisava de se reerguer após a destruição da guerra. No 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 3/19 entanto, nenhum desses países tinha forças para se reconstruir por conta própria, já que haviam passado os últimos anos com a economia voltada completamente para o esforço de guerra. Seus olhares se voltaram para os Estados Unidos. O país era a única economia capitalista industrial plenamente desenvolvida que estava fora da Europa e, portanto, não havia sofrido nada com a Primeira Guerra Mundial. Separadas do con�ito por um oceano, nem uma única fábrica ou estrada norte-americana havia sido bombardeada, e o país estava pronto para se tornar o grande fornecedor de mercadorias para o velho continente. Durante toda a década de 1920, os americanos exportaram bens industrializados, especialmente aço, e também comida para os europeus. Também emprestaram dinheiro, tornando-se os maiores credores do mundo. No �nal daquela década, praticamente metade de todas as mercadorias do mundo já era produzida em solo americano. A economia crescia num ritmo alucinante e as taxas de desemprego no país eram baixíssimas. Você quer ver? A prosperidade da indústria americana na década de 1920 deve muito a dois homens: Henry Ford e Frederick Taylor. O primeiro, fundador da famosa marca de automóveis, foi um dos maiores empresários do seu tempo e criou todo um modelo de produção industrial que �caria conhecido como “fordismo”. O segundo era um engenheiro que revolucionou o cotidiano das fábricas criando um conceito simples, porém extremamente e�caz: a linha de produção. Taylor teve a ideia de separar os trabalhadores numa espécie de �la, cada um executando uma tarefa especí�ca, simples e repetitiva, o que reduziu muito o tempo de produção. A linha era fortemente controlada por �scais, garantindo que tudo funcionasse como o mecanismo de um relógio. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 4/19 Não há ilustração mais clara do “taylorismo” em prática do que o clássico “Tempos modernos”, de 1936, �lme dirigido e protagonizado por Charles Chaplin. Tudo funcionava num enorme efeito em cadeia: a demanda europeia fazia com que as empresas americanas produzissem cada vez mais. Para isso, precisavam contratar muitos funcionários (logo, o país experimentou anos de “pleno emprego) e também adquirir muita matéria-prima, o que erguia toda a economia mundial. Essas empresas também buscavam �nanciamento para se expandir, o que alavancou o setor bancário dos Estados Unidos e fez a oferta de crédito disparar. O resultado desse ciclo virtuoso aparecia nos números da Bolsa de Valores: as ações das empresas americanas só se valorizavam e a Bolsa de Nova York se tornou um polo concentrador de investimentos de vindos de toda parte do mundo. O otimismo era não grande que os anos 1920 receberam até um apelido: “roaring twenties”, ou os “loucos anos vinte”. Foi um momento exuberância, de crescimento urbano, de emancipação feminina, de multiplicação das festas nos bares e salões das cidades americanas, de popularização de estilos modernos como o jazz ou, no campo das artes plásticas, a art déco. Você sabia? A década de 1920 foi um período de crescimento do feminismo e de conquistas para as mulheres. Isso ocorreu em parte como decorrência da Primeira Guerra Mundial: milhões de mulheres haviam entrado no mercado de trabalho por conta do “vácuo” deixado pelos homens, recrutados em massa pelas Forças Armadas. Elas ocuparam postos na indústria e no comércio e passaram a ter renda própria. Consequentemente, as reivindicações feministas ganharam força quando o con�ito acabou. A principal pauta na época era o voto feminino. Por pressão das sufragistas, países como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos passaram a permitir nos anos 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 5/19 pós-guerra a participação das mulheres nas eleições. No caso do Brasil, o direito ao voto foi conquistado pelas mulheres só em 1933. Esse crescimento puxou também uma entrada enorme in�uxo de imigrantes para o país. Os Estados Unidos eram conhecidos desde o século XIX por acolher grandes quantidades de estrangeiros. Vimos na primeira unidade, por exemplo, que políticas como o Homestead Act (Lei de Terras) de 1861 eram desenhadas especi�camente para atrair populações de outros países. No entanto, o �uxo do pós-guerra foi incomparável: massas de europeus, especialmente alemães, italianos, ingleses e irlandeses, procuravam fugir de uma Europa destruída e tomada pelo desemprego para tentar uma vida melhor na América do Norte. Organizações racistas como a Ku Klux Klan cresceram bastante também nesses anos, deixando de ser uma doença social exclusiva de alguns estados rurais do Sul e chegando às grandes cidades. Esse grupo havia surgido após a Guerra de Secessão, como reação à libertação dos escravos. A KKK defendia o nacionalismo e a supremaciados indivíduos de raça branca e religião puritana. Seu alvo preferencial ao longo da história foi, é claro, a população negra, que chegou a ser vítima de linchamentos nas regiões mais “saudosistas” da escravidão. No começo do século XX, porém, com a entrada maciça de imigrantes, os alvos da KKK se diversi�caram: imigrantes em geral, judeus, católicos e simpatizantes do comunismo eram todos inimigos da entidade, que passou a persegui-los mais sistematicamente. Claro que nem todos concordavam com as ideias supremacistas da KKK, mas esse clima cultural levou o país a implementar leis anti-imigração no meio da década de 1920. Em 1924, por exemplo, os Estados Unidos passaram a estipular cotas de quantos imigrantes receberiam de cada país europeu, procurando assim evitar supostos “excessos” no �uxo de populações. Sobre isso, o historiador René Rémond faz o seguinte comentário: O Estado mais liberal do mundo no tocante à circulação das pessoas converteu-se num daqueles de mais difícil acesso. De cerca de um milhão, o número médio anual de imigrantes caiu para uns cem mil [no �nal da década de 1920]. A América acreditava ter 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 6/19 salvo sua civilização; patrões e operários felicitavam-se por terem afastado agitadores e concorrentes no mercado de trabalho. Mas os Estados Unidos, talvez sem se aperceberem disso, secaram uma das fontes de sua espantosa prosperidade. (RÉMOND, 1989, p. 92 ). Esse capítulo obscuro da história americana – que, aliás, não foi encerrado ainda, já que a KKK e outras organizações do tipo existem até hoje – não impediu o crescimento extraordinário do país nos anos 20, mas serviu de alerta para o fato de que o modelo econômico norte-americano estava atingindo um limite. No �m da década, os anos de ouro acabaram. 2. O fim da festa: 1929 Você deve ter notado que todo esse crescimento da economia americana dependia do fator “demanda europeia”. Ou seja, enquanto os países do velho mundo estivessem em processo de reconstrução, precisariam comprar dos Estados Unidos em enormes quantidades e puxariam, assim a expansão das fábricas, do emprego, do crédito etc. Empolgados com as possibilidades de enriquecimento sem precedentes, a maioria dos analistas e homens de negócios do período não notaram um problema óbvio: a Europa não iria precisar se reconstruir para sempre. Uma hora esse processo estaria mais ou menos concluído e, consequentemente, a tal “demanda europeia” cairia. No �nal da década de 1920, especialmente a partir de 1928, essa tendência começou a se acentuar. As empresas e bancos americanos ignoraram os sinais e continuaram especulando freneticamente na Bolsa de Valores. Em 1929, veio a crise mundial. As empresas americanas já não iam tão bem no �m da década. Parte de sua produção não conseguia ser escoada para o mercado europeu, �cando acumulada nos armazéns. Os preços de vários produtos apresentavam tendência de queda mundial, os lucros das empresas diminuíam lentamente, a renda da população americana estava mais ou menos estagnada. Investidores de todo o mundo foram 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 7/19 notando esses sintomas e começaram a querer se desfazer de suas ações, enquanto o valor delas ainda estava alto. No fatídico dia 24 de outubro de 1929, a “quinta-feira negra”, a Bolsa de Valores de Nova York foi inundada com ações à venda. Por excesso de oferta, o preço das ações despencou em cerca de uma hora. O mercado entrou em pânico e, nas semanas seguintes, todos tentaram se livrar o mais rápido possível desses títulos podres. Investidores pequenos ou grandes, que tinham comprado ações de empresas americanas porque era uma forma “certa” de ganhar dinheiro, viram seu patrimônio se desmanchar. O crash da Bolsa de Nova York impactou todos os setores do país. Empresas foram à falência, gerando demissões em massa, o crédito secou, os bancos quebraram com a corrida de cidadãos querendo sacar seus investimentos em dinheiro para evitar perdas. Leu Huberman explica no trecho abaixo esse percurso dos Estados Unidos nos anos 20 do apogeu até a crise: “A expansão contém as sementes de sua própria retração, e quanto maior for a expansão maior será a retração subsequente. A explicação para o colapso da década de 1930 foi a crise de 1929, e a explicação para a crise de 1929 foi o súbito desenvolvimento anterior. A sequência de mais lucros e mais acumulação estava destinada a ser rompida. A corda iria partir no ponto mais fraco. E foi assim mesmo. O ponto mais fraco era a orgia especulativa no mercado de ações, mas isto não era um fator básico. O fator básico é que o sistema capitalista depende de expansão permanente se quiser continuar, depende de pôr em liberdade forças produtivas inde�nidas – mas enquanto opera levanta barreira à expansão permanente. E quando não pode mais se expandir começa a se retrair. O sistema, na Europa, já tinha entrado na fase de crise geral em 1919. Os Estados Unidos estavam 10 anos atrasados”. ( HUBERMAN, 1981, p. 305 ) A crise era também mundial. Além dos vários estrangeiros que perderam fortunas na bolsa em 1929, os Estados Unidos tinham um dos maiores mercados do mundo, importando, por exemplo, produtos primários de vários países. O Brasil, por exemplo, vendia muito café para os norte-americanos. Com o desemprego e a queda da renda da população, esse mercado também travou. Assim, o mundo saiu do “otimismo” da década de 1920 e entrou no período conhecido como “Grande Depressão”. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 8/19 Você sabia? Esta fotogra�a de 1937 tornou-se provavelmente o maior símbolo da Grande Depressão. O cartaz mostra uma família branca e de classe média a bordo de um carro. Acompanham os dizeres que poderiam ser traduzidos como “o melhor padrão de vida do mundo / nada se compara ao American way”. Em frente, uma �la de homens negros aguarda sua vez para pegar um jantar de graça, oferecido pelo governo ou por instituições de caridade. É difícil achar uma imagem mais icônica do contraste que existiu entre a prosperidade dos anos 1920 e a dureza dos anos 1930. Figura 1 - O melhor padrão de vida do mundo Fonte: Margaret Bourke-White. Louisville, Kentucky, 1937 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 9/19 A Crise de 1929 foi tão desastrosa que colocou em cheque os próprios fundamentos da economia capitalista daquela época. O liberalismo econômico, que até então era uma espécie de unanimidade entre os economistas burgueses, passou a ser visto com descon�ança. A questão era muito simples: se as ideias de livre mercado e não- intervenção do Estado na economia eram tão boas, como puderam conduzir o mundo a um erro econômico tão grave? Essa questão se colocou em todos os países do mundo. No caso dos Estados Unidos, a saída foi moderada, com a adoção de um modelo de “Estado intervencionista” para barrar o ciclo vicioso iniciado pela crise, conforme veremos na próxima unidade. Porém, no resto do mundo, especialmente na Europa, machucada pela recente guerra mundial, a situação seria bem mais grave: a própria democracia liberal foi colocada em cheque. 3. A Itália fascista O pós-guerra foi um período de radicalização política na Europa. A Primeira Guerra Mundial havia minado a con�ança dos europeus na democracia liberal pois muitos culparam esse regime por ter arrastado o continente para um con�ito imperialista longo e doloroso. Nos países perdedores, que enfrentavam crises sociais muito graves, esse descontentamento foi ainda mais potente. Esse era o caso da Itália. Embora tivesse lutado no lado da Entente, que saiuvencedora, a população do país se sentia no mínimo traída: suas principais reivindicações, que incluíam a anexação de um território até então pertencente à Áustria, não foram contempladas pelos tratados de paz; além disso, os italianos sofriam com a crise e a in�ação que tomou o país após 1918. Esse clima foi propício para o crescimento das ideias de esquerda. O Partido Socialista Italiano, existente desde o século XIX, atingiu um pico de popularidade nos 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 10/19 anos 1920. Chegou a conseguir mais de 30% dos votos na eleição de 1919. Nos anos seguintes, o país foi tomado por greves e manifestações, mostrando o vigor do movimento comunista. Paralelamente a essa expansão comunista, as forças nacionalistas e conservadoras também foram crescendo no pós-guerra, muito especialmente porque viam a necessidade de barrar o avanço da esquerda. Foi assim que surgiu o movimento Fasci Italiani di Combattimiento, ou “Unidades Italianas de Combate”, fundado em 1919 por Benito Mussolini. Mussolini era ex-membro do partido socialista, do qual foi expulso em 1914. Ele compartilhava com as esquerdas o seu antiliberalismo, mas tinha um projeto de sociedade totalmente diferente. O líder fascista era fortemente nacionalista e desenvolveu ao longo dos anos o ódio ao comunismo. Escolheu o fasce para representar e batizar seu movimento por duas razões: em primeiro lugar, porque era um símbolo de poder na Roma Antiga, que os seguidores de Mussolini cultivavam como “época de ouro” do povo italiano. Em segundo lugar, o fasce simbolizava perfeitamente a ideologia política do grupo: um feixe de varas �nas de madeira atadas por uma tira, de modo que formavam um único bastão. Isto é, o indivíduo isolado é frágil, mas a união da nação torna o conjunto inteiro resistente. Era uma alegoria perfeita para o ultranacionalismo autoritário defendido por Mussolini. Os fascistas apareceram o�cialmente na cena italiana nas eleições de 1919. Foram muito mal naquele pleito, o que levou Mussolini a repensar suas estratégias políticas. Decidiu reorganizar o movimento, transformando-o de um grupo político que, como qualquer outro, disputava votos, num grupo paramilitar. Os fascistas se tornaram uma milícia, dedicada a perseguir e espancar adversários socialistas país afora. Ganharam nessa época o apelido de “camisas negras”. A mudança funcionou, pois o movimento cresceu e ganhou adeptos rapidamente. Em 1921, o movimento de Mussolini se tornou o�cialmente o Partido Fascista Italiano, uma organização política poderosa, com mais de 200 mil �liados, que contava 35 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 11/19 deputados eleitos para parlamento italiano naquele ano e ainda era dona de sua força paramilitar própria. A elite e a classe média da Itália começaram a olhar com bons olhos o Partido Fascista. Para muitos, o grupo de Mussolini parecia ser o melhor remédio contra o temerário crescimento da esquerda. Cientes dessa força política, os fascistas que era o momento de ir a público exigir um espaço no governo. No dia 22 de outubro de 1922 �zeram a famosa Marcha sobre Roma. Tomaram as ruas da capital exigindo do governo maior participação política e conseguiram: o rei Vitor Emanuel III decidiu nomear Mussolini como primeiro-ministro da Itália. A partir dessa data, portanto, podemos falar da existência de um governo fascista na Itália. Mussolini passou os anos seguintes sufocando a oposição e concentrando poderes. Quando praticamente todos os seus adversários já estavam presos, mortos ou exilados, pôde dar um passo além: no ano de 1925, o governo declarou ilegais todos os demais partidos políticos. O parlamento foi fechado e substituído por um Conselho Fascista. Começava então a ditadura fascista, na qual o partido e o Estado italiano se tornaram uma única coisa. Mussolini passou a ser chamado de o Duce, o “chefe”. Você sabia? Mussolini foi responsável por criar o Estado do Vaticano como existe hoje. A questão remonta ao século XIX: quando a Itália se uni�cou em 1870, deixando de ser um conjunto de reinos para se tornar um país, a Igreja Católica perdeu seus territórios, que ocupavam boa parte do centro da península itálica. Isso deu origem à chamada “questão romana”, isto é, a disputa entre o governo italiano e a Igreja por conta desse suposto “roubo” das terras papais. Em 1929, Mussolini resolveu esse assunto com a assinatura do Tratado de Latrão, que criava o minúsculo Vaticano e o entregava para a Igreja, que teria o direito de administra-lo como um país independente. O Duce, na verdade, estava com isso 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 12/19 garantindo o apoio da Igreja Católica ao partido fascista, o que de fato ocorreu até o regime chegar ao �m na Segunda Guerra Mundial. Gradualmente o governo fascista foi se tornando de tipo totalitário, isto é, um governo ditatorial, de partido único, que interfere em cada setor da vida social, inclusive na esfera privada. Nas escolas e universidades, por exemplo, aqueles que não jurassem �delidade ao regime estariam passíveis de demissão. Valia o lema “crer, obedecer, combater”. O país também foi crescentemente militarizado, com as ideias de obediência e disciplina rígida sendo consideradas admiráveis em todos os ambientes e pro�ssões. Tudo isso era possível porque os fascistas tinham enorme apoio popular. E isso acontecia, em parte, porque seu programa de reconstrução da economia deu ótimos frutos ao longo da década de 1920. Mussolini investiu na indústria pesada, como a do aço, a bélica, a de construção naval, o que, além de gerar empregos, colocou a Itália em condições mais equiparáveis aos países industriais avançados da Europa. Você sabia? Parte da estratégia de crescimento do governo fascista era aumentar sua presença imperialista na África. Em 1935, Mussolini ordenou a invasão da Etiópia. A ação gerou protestos de países como França e Inglaterra, mas sem sucesso, A Etiópia tornou-se colônia da Itália. Esse episódio foi importante para revelar como os organismos internacionais do período, como a Liga das Nações, eram impotentes diante de eventuais violações de tratados e leis. A Alemanha, também nos anos 1930, provaria isso várias vezes, descumprindo acordos de paz que a proibiam de expandir seu território e, mesmo assim, não sofrendo consequências por parte desses órgãos supranacionais. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 13/19 Respaldados por esse sucesso econômico, o governo fascista parecia ter pela frente um futuro promissor. Ele tinha encontrado uma fórmula autoritária aparentemente muito e�ciente para substituir a “pouco con�ável” democracia liberal: uma ditadura totalitária, baseada num regime de partido único e num líder carismático – no caso, o duce Mussolini; ultranacionalismo e militarismo como valores praticados pelo Estado; o culto ao “passado glorioso” do país; e a perseguição implacável e violenta de adversários políticos por meio de uma milícia armada e, com o tempo, legalizada – os “camisas negras”. Num pronunciamento do dia 27 de outubro de 1930, Benito Mussolini fez uma espécie de enumeração das conquistas fascistas: “Hoje a�rmo que o fascismo, como ideia, doutrina, realização, é universa; italiano em suas instituições particulares, o fascismo é universal em eu espírito e não poderia ser de outro modo. O espírito é universal por sua própria natureza. Portanto, podemos prever uma Europa fascista, uma Europa cujas instituições se inspirem nas doutrinas e na prática do fascismo. Quer dizer, uma Europa que resolva, no sentido fascista,o problema do Estado moderno, do Estado do século XX, que é muito distinto dos Estados que existiam antes de 1789 [data da Revolução Francesa, início da era contemporânea] ou que se formaram depois. O fascismo atualmente responde a exigências de caráter universal. Efetivamente, resolve o tríplice problema das relações entre Estado e indivíduo, entre Estado e grupos, entre grupos e grupos organizados”. ( MUSSOLINI, 27 de outubro de 1930 ) Essa fórmula de sucesso passou a ser copiada por líderes autoritários em toda a Europa e, logo depois, pelo mundo. O caso mais dramático de regime inspirado nos princípios do fascismo ocorreu, como sabemos, na Alemanha. 4. Ascenção do nazismo As potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial foram implacáveis com a Alemanha. Em 1919, o país foi obrigado a assinar o Tratado de Versalhes, que marcou o que seria chamado de “paz punitiva”. O acordo partia do pressuposto que a Alemanha havia sido culpada pela guerra e, consequentemente, estabelecia uma série de sanções. O país estava forçado a pagar uma gigantesca indenização, perdeu territórios, teve sua indústria e exército limitados. Por trás dessa aparente 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 14/19 “crueldade” havia um cálculo político. O objetivo era impedir que a Alemanha voltasse no futuro a oferecer alguma ameaça, tanto no plano econômico quando político, especialmente para a França, sua vizinha de fronteira que tinha acabado de ser invadida. O governo alemão na época, responsável por assinar esse Tratado, era o da República de Weimar. Tratava-se de um governo constitucional, democrático, misto de presidencialismo com parlamentarismo, e que funcionava com o aval dos países vencedores. Você sabia? No �m da guerra, a Alemanha chegou a ter outro governo chamado de República da Baviera, fundado por comunistas alemães em Munique. Desde a revolução bolchevique de 1917, parte da socialdemocracia alemã tinha se radicalizado, passado a pregar uma tomada do poder como a que aconteceu na Rússia. Esses comunistas fundara a chamada Liga Espartaquista, nome em homenagem à revolta escrava de Spartacus na Roma antiga. A militante mais famosa deste grupo é Rosa Luxemburgo. Com o �m da guerra, viram uma oportunidade para tomar o poder. Em Munique a luta deu certo e os comunistas de fato fundaram o governo paralelo da Baviera, mas acabaram esmagados já em 1919 pelo governo da República de Weimar, que contava com o aval das potências vencedoras. Para muitos alemães, os integrantes do governo eram, na verdade, traidores do povo, que haviam submetido a pátria aos termos humilhantes do Tratado de Versalhes. Essa era a opinião dos membros do Partido dos Trabalhadores Alemães, uma agremiação minúscula e que, de linha nacionalista, disputava o voto operário com os comunistas. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 15/19 Em 1919, Adolf Hitler ingressou nesse partido. Hitler tinha sido soldado do exército alemão, ferido na guerra e condecorado, e representava uma �gura bastante típica na sociedade alemã daquela época: era um veterano de guerra cheio de ressentimento por conta da rendição e que não conseguia se reinserir na sociedade, marcada pela crise e pelo desemprego. Hitler foi construindo seu nome nos debates do partido em Munique, mostrando seus talentos de orador. Essas reuniões políticas aconteciam em geral nas cervejarias da cidade. Conquistando cada vez mais seguidores com a sua pregação contra a fraqueza da República de Weimar, ele se tornou líder do partido em 1920, apenas um ano depois de ingressar na sigla. Naquele ano, mudou o nome do grupo para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O termo “nazista” é justamente uma derivação de “nacional socialista”. A sigla passou a reunir cada vez mais adeptos. Sua maior base social era a classe média que sofria os efeitos da crise enfrentada pela Alemanha e também ex- militares. O partido se apresentava determinado a combater o governo “fraco” de Weimar, tido como co-responsável pela situação de penúria do povo, e combater comunismo que, assim como na Itália, crescia rapidamente. Copiando o modelo dos “camisas negra”, os nazistas também tinham a sua própria milícia, a Divisão de Assalto – na sigla alemã, SA – dedicada a combater �sicamente os comunistas, sindicalistas, socialdemocratas e qualquer outro grupo identi�cado com as ideias de esquerda. No entanto, o que diferenciava o programa nazista dos demais “fascismos” era a ênfase no antissemitismo e no combate à “raça inferior” dos judeus. O partido abrigou desde o início intelectuais antissemitas, adeptos das teorias raciais pseudocientí�cas que circularam entre o �nal do século XIX e início do XX. Para esses ideólogos, a raça ariana – isto é, os germânicos de sangue puro, não miscigenado – precisava ser protegida e preservada contra o risco de proliferação dos povos inferiores, especialmente o judeu. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 16/19 Os nazistas atribuíam ao judeu a culpa pela situação de crise da Alemanha, já que eles supostamente controlavam as elites das potências vencedoras e encarnavam os piores aspectos do capitalismo, como a ganância desenfreada e a falta de preocupação com a situação do povo. Os judeus também eram responsáveis por criar e disseminar a nefasta ideologia igualitária do comunismo. Nos discursos e documentos nazistas, é muito comum encontrar a expressão “judeu-bolchevismo” para designar a ideologia inimiga, criada pelo judeu Karl Marx. Há um trecho do famoso livro “Minha luta”, espécie de manifesto informal do movimento nazista escrito por Adolf Hitler, que exempli�ca bem essa associação entre a ideologia comunista e a inferioridade racial judaica: “Se o judeu, com o auxílio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana”. O historiador Eric Hobsbawm explica melhor como o crescimento do antissemitismo na Europa toda, e em especial na Alemanha, está relacionado a circunstâncias de época: O cimento comum desses movimentos era o ressentimento de homens comuns contra uma sociedade que os esmagava entre a grande empresa, de um lado, e os crescentes movimentos trabalhistas, do outro. Ou que, na melhor das hipóteses, os privava da posição respeitável que tinham ocupado na ordem social, e que julgavam lhes ser devida (...). Esses sentimentos encontraram sua expressão característica no antissemitismo, que começou a desenvolver movimentos políticos especí�cos baseados na hostilidade aos judeus no último quartel do século XIX em vários países. Os judeus estavam presentes em quase todo lugar e podiam simbolizar com facilidade tudo o que havia de mais odioso num mundo injusto (...). Eles podiam servir como símbolo do odiado capitalista/�nancista; do agitador revolucionário; da corrosiva in�uência dos intelectuais sem raízes e dos novos meios de comunicação; da competição que lhes dava uma fatia desproporcional dos empregos em certas pro�ssões que exigiam educação; e do estrangeiro e forasteiro como tal. Para não falar da visão aceita entre os cristãos antiquados de que eles tinham matado Jesus” ( HOBSBAWM, Eric, 1995, p.112 ). Portanto, o fenômeno do antissemitismo não era um fato novo na Europa, criado pelo partido nazista, mas este soube aproveita-lo como ninguém. Com o crescimento rápido de seu partido, Hitler se inspirou na Itália de Mussolini e tentou reproduzir a “marcha sobre Roma”, mas exortando os nazistas a marcharem sobre Berlim. Em 1923, organizou o chamado “Golpe da Cervejaria” – a tentativa de 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html17/19 tomada do poder foi organizada numa das costumeiras reuniões nas cervejarias de Munique. Mas os nazistas ainda não tinham o apoio que os fascistas italianos tiveram um ano antes. O movimento foi desmantelado e Hitler acabou preso. O período posterior foi de queda do movimento nazista. Seu líder estava na cadeia – onde, aliás, escreveu o livro “Minha luta”. A economia alemã começou a apresentar uma melhora, em parte porque o país passou a receber ajuda e investimentos dos Estados Unidos. Sem uma crise tão aguda, o discurso nazista contra o governo “traidor” da República de Weimar era menos sedutor. O partido continuou ganhando adeptos, mas numa velocidade bem menor. Seu desempenho eleitoral ainda era muito fraco. Diferentemente do que ocorreu na Itália, o fascismo parecia ter sido uma onda passageira na Alemanha ou, no mínimo, um movimento que continuaria à margem do espectro político. Até que veio a crise de 1929. 5. 1933: no centro do poder A crise mundial derrubou a já complicada situação econômica e social alemã. Os investimentos norte-americanos que estavam ajudando a reerguer o país sumiram. A in�ação voltou com força e o desemprego explodiu. Nesse contexto, o discurso nazista voltou a ser um refúgio para os desiludidos com a situação do país. Em 1930 ocorreram eleições para o parlamento. Os nazistas tinham conseguido eleger até aquele momento 12 deputados. Após as eleições, o número subiu para mais de 100. Tornaram-se uma das agremiações mais in�uentes no Poder Legislativo. Nas eleições de 1932, o desempenho foi ainda melhor: �caram com 196 assentos do parlamento alemão. Com isso, cresceu também o apoio do grande capital, que temia a tentativa de um golpe comunista naquele contexto de crise aguda. Donos de indústria chegaram a escrever um manifesto pedindo que o presidente Hindenburg nomeasse Adolf Hitler como chanceler – cargo similar ao de primeiro ministro. 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 18/19 Em 29 e janeiro de 1933, o pedido foi acatado: Hitler tornou-se chanceler e, pela primeira vez, um membro do partido nazista ocupava um posto no Poder Executivo nacional. No ano seguinte, com a morte do presidente, o parlamento monopolizado pelos nazistas votaria que Hitler deveria acumular os cargos – ser chefe do poder Legislativo (chanceler) e Executivo (presidente) simultaneamente. Criou-se o cargo de führer (“líder”). Começava assim a ditadura nazista, mas veremos isso com atenção na próxima unidade. Síntese O historiador Eric Hobsbawm faz a seguinte re�exão sobre a ascensão do fascismo no período entreguerras: “[...] a Depresão transformou [o fascismo] num movimento mundial, e, mais objetivamente, num perigo mundial. O fascismo em sua versão alemã (nacional-socialismo) bene�ciou-se tanto da tradição intelectual alemã, que se mostrava hostil às teorias neoclássicas de liberalismo econômico, transformadas em ortodoxia internacional desde a década de 1880, quanto de um governo implacável, decidido a livrar-se do desemprego a qualquer custo. Cuidou da Grande Depressão, deve-se dizer, rápida e de maneira mais bem-sucedida do que qualquer outro (os resultados do fascismo italiano são menos impressionantes). Contudo, esse não foi seu grande apelo numa Europa que perdera em grande parte o rumo. Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso” ( HOBSBAWM, 1995, p.112 ). Foi o que tentamos demonstrar nesta unidade: a relação íntima entre a crise econômica iniciada pela Quebra da Bolsa em 1929 e o surgimento de movimentos 02/06/2024, 18:48 EDU_HCIIGM_19_E_3 https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/EDU_HCIIGM_19/unidade_3/ebook/index.html 19/19 políticos radicalizados, que pareciam atender aos anseios populares. Na próxima unidade, veremos as consequências catastró�cas desse cenário, com a formação de rivalidades que levaram à Segunda Guerra Mundial. Nesta unidade você teve a oportunidade de: Compreender o cenário social e político da década de 1920, conhecida como “os anos loucos”; Observar como o ano de 1929 representou um “�m da festa” a ascensão coesa do capitalismo; Estudar o desenvolvimento do fascismo na Itália, suas consequências e ideais; Compreender o solo que propiciou a ascensão do nazismo na Alemanha. Download do PDF da unidade Bibliografia HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos. São Paulo: Companhia da Letras, 1995. HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1981. MUSSOLINI, Benito. Mensagem aos diretórios federais , Palácio Venecia, 27 de outubro de 1930. RÉMOND, René. História dos Estados Unidos . São Paulo: Martins Fontes, 1989.