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FACULDADE FASIPE- RONDONÓPOLIS BACHARELADO EM ODONTOLOGIA EDUARDO FILIPE LOPES CAMPOS CASCATA DA COAGULAÇÃO ORIENTADORA: PROFA. DRA. JOZI GODOY FIGUEIREDO Rondonópolis 2024 1. O que é a cascata da coagulação A cascata de coagulação é um fenômeno que se dá através da conjunção de reações enzimáticas amplificadoras que por fim induzem a formação de uma proteína fibrilar e insolúvel, a fibrina. A proteína gera uma rede molecular que aprisiona os elementos figurados do sangue, que culminam na formação de um coágulo. Processo que ocorre via conversão enzimática sequencial de uma cascata de proteínas circulantes e localmente sintetizadas1, 2. FIGURA 1 Processo de coagulação em um vaso sanguíneo traumatizado. (Modificada de SeegersWH: Hemostatic Agents, 1948. Cortesia de Charles CThomas, Editor, Ltd., Springfield, IL.) 2. Ativação da cascata -A ativação da cascata da coagulação in vivo se dá quando ocorre uma lesão vascular através do fator tecidual elaborado que é um iniciador importante da coagulação(envolve os fatores II, IIa, III, V, VII, X )1, 2, 3. -A ativação da cascata da coagulação in vitro se dá pela formação do complexo ativável pelo contato, através de trauma ao próprio sangue ou a exposição do sangue ao colágeno da parede vascular lesada(envolve os fatores II, IIa, V, VIII, IX, X, XI, XII)2, 3. 3. Importância A cascata da coagulação tem a importância de ajudar na regulação da hemostase(processo regulado que culmina na formação de um coágulo de sangue que limita o sangramento de um vaso lesado) e consequentemente na homeostase corporal(a capacidade dos organismos de manterem seu meio interno em certa estabilidade)1. O fenômeno da coagulação torna a recuperação de tecidos lesados mais eficiente e ágil. Caso ocorra disfunção na regulação da cascata da coagulação sanguínea, poderá estar disposto à patologias relacionadas aos distúrbios da circulação, a falta de coagulação resulta em hemorragias; coagulação aumentada sucede em tromboses2. 4. Funcionamento O funcionamento dá-se pela cascata de enzimas que necessita de uma concentração localizada dos fatores de coagulação circulantes nos sítios da lesão5. Quando existe uma lesão vascular, as plaquetas identificam a exposição e através dos fatores de coagulação formam uma fibrina, consequentemente gerando um coágulo1, 2, 5. Através do arranjo de complexos moleculares(zimógenos, cofatores e substratos), agregados em uma superfície sólida que sustenta o arranjo. Os complexos moleculares propiciam amplificação das reações, basicamente os fatores de coagulação são passados de um parceiro para o outro 1, 2. Estes componentes são montados em uma superfície fosfolipídica de carga negativa, que é assegurada pelas plaquetas ativadas. A montagem dessa reação complexa também depende do cálcio, que se liga aos resíduos de ácido glutâmico carboxilados presentes nos fatores II, VII, IX e X1. 5. As vias envolvidas A polimerização do fibrinogênio em fibrina é ocasionada pela trombina, a formação desse sistema sucede pelas vias intrínseca extrínseca. FIGURA 2 A cascata da coagulação e as vias extrínseca, intrínseca e comum. (Fonte: Adaptado de Bioneogênios)| 5.1 Via extrínseca É a mais importante fisiologicamente, ocorrendo a partir da lesão vascular, a ativação se dá pela liberação da tromboplastina tecidual ou fator tecidual na lesão. Nela ocorre a liberação dos fatores II, IIa, III, V, VII e X. Na via extrínseca, o fator VII ativa o fator X, o fator X faz a ativação do fator V, através do fator V, ocorre um feedback positivo da trombina, que acelera a coagulação, tendo a formação da fibrina que será parte da formação do coágulo2, 3. 5.2 Via intrínseca A coagulação via intrínseca tem início pela formação do complexo ativável pelo contato, tende a ser exposição do sangue ao colágeno da parede vascular Traumatizada. Os fatores II, IIa, V, VIII, IX, X, XI, XII estão correlacionados. Nessa via, o fator XII é ativado e após isso ativa o fator XI, o fator XI ativa o fator IX, os fatores VIII e IX em conjunto com o fator III ativam o fator X, os fatores X e V combinados formam o complexo ativador da protrombina, que faz clivagem, tornando-se trombina, posteriormente da fibrina, dando fim ao processo de coagulação2, 3. 6. Fatores da cascata da coagulação Os fatores da cascata da coagulação são proteínas presentes no sangue2, 3. Sendo elas: - Plaquetas; - Fator I: Fibrinogênio; - Fator Ia: Fibrina; - Fator II: Protrombina; - Fator IIa: Trombina; - Fator III ou fator tecidual: Tromboplastina tecidual; - Fator IV: Cálcio; - Fator V: Fator de Leiden; - Fator VI; - Fator VII: Proconvertina; - Fator VIII: Fator Antihemofílico A; - Fator IX: Fator Antihemofílico B; - Fator X: Fator Stuart-Prower ou protrombinase; - Fator XI: Fator anti-hemofílico C; - Fator XII: Fator Hageman; - Fator XIII: Fator estabilizador da fibrina; - Fator Fletcher ou Pré-calicreína; - Fator de Fitzgerald ou Cininogênio de alto peso molecular. 7. Novo modelo da cascata da coagulação O novo modelo baseia-se no preceito que a ativação da coagulação se dá em superfícies celulares distintas e abrange 4 etapas: 7.1 Fase de iniciação Ocorre no sítio da lesão, quando as células são expostas a sangue e expressam o fator tecidual. Ocorre a ativação do FVIIa e através disso dá-se a interação do complexo FVIIa/FT. O complexo converte limitadas quantidades de protrombina(FVII) em trombina, o que ainda é insuficiente para finalizar o processo de formação do coágulo de fibrina4. 7.2 Fase de amplificação Quando um vaso é lesado, plaquetas escapam de dentro dos vasos, ligando- se ao colágeno e outros componentes da matrix extracelular no sítio da lesão, onde serão parcialmente ativadas, ocasionando em um tampão plaquetário responsável pela hemostasia primária. Ocorre a interação do complexo FVIII com as plaquetas, que culmina na formação de fibrina estável, estabelecendo o tampão plaquetário inicial. Através dessa fase são atraidos os fatores da coagulação para superfície das plaquetas4. 7.3 Fase de propagação É caracterizada pelo recrutamento de grande quantidade de plaquetas para o sítio da lesão, ocasionando a formação do complexo tenase e também do complexo protrombinase, que transmutam grande quantidade de protrombina em trombina. O fibrinogênio é clivado em monômeros de fibrina. Esses monômeros polimerizam-se e consolidam o tampão plaquetário inicial4. 7.4 Fase de finalização Sendo a última etapa, o coágulo de fibrina sobre a área lesada já está formado e entende se que o processo de coagulação não ocorrer infinitamente devendo limitar-se ao sítio da lesão para se evitar a oclusão trombótica do vaso. Através disso, para controlar a disseminação da ativação da coagulação, ocorre a intervenção de quatro anticoagulantes naturais: a antitrombina(inibe a atividade das serino proteases e da trombina), a proteína C e S(dispõem da capacidade de inativar os cofatores procoagulantes FVa e FVIIIa) e o inibidor da via do fator tecidual(proteína secretada pelo endotélio que inativa os fatores ativados e limita a coagulação)4. Referências 1. Kumar, Vinay Robbins patologia básica/Vinay Kumar, Abul K. Abbas, Jon C. Aster; [tradução Tatiana Ferreira Robaina] ... [et al.] - 10. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2018. 2. Bogliolo, Luigi, 1908-1981 Bogliolo, patologia geral/[editado por] Geraldo Brasileiro Filho. – 5. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. 3. Hall, John E. (John Edward), 1946- Tratado de Fisiologia Médica [recurso eletrônico] / John E. Hall; [tradução Alcides Marinho Junior ... et al.]. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2011. recurso digital: il. 4. Ferreira, C. N., Sousa, M. de O., Dusse, L. M. S., & Carvalho, M. das G.. (2010). O novo modelo da cascata de coagulaçãobaseado nas superfícies celulares e suas implicações. Revista Brasileira De Hematologia E Hemoterapia, 32(5), 416–421. 5. Hoffbrand, A. V. Fundamentos em Hematologia de Hoffbrand / A. V. Hoffbrand, P. A. H. Moss; tradução e revisão técnica: Renato Failace. – 7. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2018.