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Doença Pulmonar Obstrutiva Periférica-DPOC Thaynara Silva GOLD- Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease 2024 Conceitos: Síndrome caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de limitação ao fluxo aéreo, que não é totalmente reversível, associado à inflamação crônica das vias aéreas por inalação de partículas e gases nocivos (agressor das vias aéreas). INFLAMAÇÃO REATIVA A AGENTES NOCIVOS Limitação persistente ao fluxo aéreo com má resposta à prova broncodilatadora (eu disse má resposta à prova e não tratamento com broncodilatador) Doença prevenível: · A principal causa de risco é ambiental: tabagismo · 90% dos pacientes com DPOC Doença tratável Doença progressiva · Com o passar dos anos: deterioração clínica Pode ser prevenida e tratada, mas ainda é incurável. Apesar do nome, não é uma doença restrita aos pulmões, visto que com sua evolução há o desencadeamento de uma resposta inflamatória sistêmica com frequente acometimento extrapulmonar. Epidemiologia: Insuficiência coronariana AVC Infecção respiratória baixa DPOC · 3º maior causa de mortalidade no mundo. · Prevalência vem aumentando ptte no sexo feminino · Estimativa de 12% da população brasileira acima de 40 anos · Doença de adultos mais velhos (5º- 6º década de vida) · Masculino>feminino (maior prevalência do tabagismo nos homens) · Doença subdiagnosticadaCarga tabágica: Quant. de maços consumidos por dia x n de anos de tabagismo Ex: 2 maços/dias durante 30 anos= 60 maços/ano Fatores de risco: · Tabagismo ativo; · Tabagismo passivo; · GENÉTICA: · Deficiência de alfa- 1 – antitripsina (decorrente de mutação no gene SERPINA1): doença genética autossômica recessiva que cursa frequentemente com enfisema pulmonar isolado em crianças ou adolescentes. A ausência da ação da α-1-antitripsina deixa livre a elastase neutrofílica (enzima que vai degradando paulatinamente o parênquima pulmonar). · Quando suspeitar? · Paciente jovens · Histórico familiar · Tabagismo ausente · Enfisema em bases pulmonares · Enfisema panlobular. · Enfisema da DPOC por deficiencia da enzima alfa-1 antitripsina · Nas bases pulmonares (ao contrário do enfisema da DPOC tabágica) · É panlobular · · TTO= Infusão venosa semanal de alfa-1-antiprotease; · Poluição urbana; · Exposição à queima de biomassa e combustível fóssil (fogão à lenha, carvão, etc); · Exposição ocupacional a poeiras orgânicas (minas de carvão, ouro), fumaças (cádmio) e vapores; · Baixo nível socioeconômico (RNBPN, RNPT- não atinge o pico de maturação pulmonar); · Asma e hiperreatividade brônquica · remodelamento brônquico · Tuberculose · Infecções de repetição: bronquiolite · Prematuridade; · Desnutrição; · Hiper-responsividade brônquica História Natural O pulmão aumenta a sua capacidade de trabalho progressivamente até os 20 anos (atinge o máximo). A partir dos 30 anos essa capacidade naturalmente diminui, em um ritmo lento e constante. O tabagismo acelera esse declínio Os pacientes geralmente tornam-se sintomáticos quando atingem metade de seu VEF1 máximo. População Velocidade de queda do VEF1 Não fumante 20-30 ml/ano Fumante 60 ml/ano Fisiopatologia: Quais alterações as substâncias do tabaco causam nas vias aéreas? 1. Estimulam a produção de muco e hipertrofia das glândulas submucosas 2. Reduzem ou bloqueiam o movimento ciliar das células epiteliais 3. Ativam macrófagos alveolares a secretarem quimiotáticos (IL-8) que estimulam recrutamento de neutrófilos; 4. Ativam neutrófilos-> enzimas proteolíticas como a elastase (quebra enzimas musculares); 5. Inibem a atividade da α-1-antitripsina, enzima inibidora fisiológica de elastase. - Elasticidade pulmonar está diminuída na DPOC - Resistência das vias aéreas distais aumentada Na DPOC a complacência pulmonar é patologicamente aumentada (como se fosse uma bexiga relaxada) Complacência aumentada e força elástica diminuída Pulmão cronicamente insuflado - Surgimento de auto-PEEP (pressão alveolar positiva no final da expiração), aumentando o trabalho da musculatura respiratória na inspiração - Altera a mecânica do diafragma e o indivíduo passa a utilizar a musculatura acessória (esternocleidomastoideo, intercostais, abdominais), desenvolvendo certo grau de esforço para respirar. Os agentes nocivos inalados desencadeiam resposta inflamatória crônica desencadeando: · Doença das pequenas Vias aéreas, · Destruição da parede alveolar, · Destruição da rede vascular e · Perda de elasticidade. E consequentemente: • Limitação ao fluxo aéreo expiratório pela diminuição do recuo elástico e aumento da resistência das vias aéreas; • Aprisionamento aéreo em razão da lentificação do esvaziamento pulmonar; • Alterações das trocas gasosas, resultando em hipoxemia e hipercapnia; • Hipersecreção mucosa, ocasionando tosse crônica produtiva; • Hipertensão pulmonar nas fases avançadas da doença, decorrente da destruição do leito vascular e vasoconstrição hipóxica. Alterações nutricionais, disfunção muscular esquelética e perda de peso. Certo, então na DPOC existe um processo inflamatório crônico das vias aéreas do paciente. Mas, essa inflamação é DIFERENTE da inflamação vista na Asma. A via final da inflamação na DPOC é o desbalanço entre as proteases, lesivas ao epitélio respiratório, e as antiproteases. Aprisionamento aéreo:VC VC CPT VR VR Exposição a partículas e gases tóxicos → Prejuízo ao transporte mucociliar e quebra de barreira epitelial → neutrófilos, macrófagos e Linfócitos TCD8+ → radicais livres de O2, citocinas pró inflamatórias, elastase neutrofílica, metaloproteinases→ Dano tecidual → Bronquite crônica e/ou enfisema pulmonar—-> hipoxemia Fenótipos da DPOC: Enfisema Pulmonar “Pink puffer”- soprador rosado Acomete parênquima pulmonar, destruição da membrana alveolar, com estiramento das vias aéreas distais e aumento permanente e anormal dos ácinos alveolares, sem fibrose óbvia. Diagnóstico histopatológico. Tipo patológico mais comum= 1º Enfisema centroacinar (relacionada ao tabagismo). 2º Enfisema panacinar (relacionado à def. de alfa-1- antitripsina. O diagnóstico é ANATOMOPATOLÓGICO: Destruição dos septos interalveolares Coalescência dos septos alveolares Bronquite Crônica Obstrutiva “Blue bloater”- azul pletórico Presença de tosse produtiva >3 meses, no período de 2 anos consecutivos, excluídas outras causas de tosse crônica. A tosse ocorre por hipersecreção de muco (hipertrofia e hiperplasia de gls submucosas secretoras de muco+ aumento do número de céls caliciformes da mucosa), não necessariamente com obstrução ao fluxo aéreo. Redução do lúmen das vias aéreas distais devido ao espessamento da parede brônquica por edema e fibrose. Diagnóstico é CLÍNICO: Tosse produtiva e sazonal A maioria dos doentes está entre os dois fenótipos Fenótipos mais utilizados atualmente: · Overlap asma com DPOC (Asthma-COPD overlap Syndrome: ACOS) · Exacerbador · Hiperinnsuflador Anamnese: Pesquisar comorbidades COMORBILIDADES que podem contribuir para o agravamento da doença: ▪ Doenças cardiovasculares ▪ Disfunção músculo-esquelética ▪ Deformidade da caixa torácica ▪ SAOS ▪ Cancer do pulmão ▪ Osteoporose/osteopenia ▪ Ansiedade e depressão ▪ Síndrome metabólica Quadro clínico: Sintomas geralmente acontecem mais pela manhã Sintomas cardinais: · Dispneia · Tosse crônica · Expectoração #ATENÇÃO: o surgimento de sintomas nos pacientes com DPOC não guarda relação direta com a função pulmonar e sim com o AUMENTO DO VOLUME RESIDUAL Dispneia Dispneia progressiva, persistente e piora com esforço. Evolução insidiosa marcada por pioras agudas desencadeadas por fatores descompensantes (ex. infec. Respiratória). mMRC (Modified Medical Research Council Questionnaire) Escore CAT (COPD Assessment Test)- Avaliação sintomática mais abrangente Portuguese_Brazil_CAT_combined.pdf (catestonline.org) Tosse crônica Pode ser intermitente-> diária e seca-> produtiva. “Pigarro de fumante” Habitualmente, é maior pela manhã, com aspecto claro e em pequena quantidade, melhorando com a cessação do tabagismo. O aumento do volume e o aspecto purulentosugerem exacerbação infecciosa. Aperto no peito Emagrecimento e anorexia Pletórico: policitemia reativa à hipoxemia crônica Exame físico do tórax na DPOC: Pode ser normal. Varia de acordo com o fenótipo predominante da doença (enfisematoso ou bronquítico). Tórax em tonel= Aumento do diâmetro anteroposterior. Formas avançadas Uso de musculatura acessória Fase expiratória prolongada em relação à inspiratória Expansibilidade pulmonar reduzida Taquipneia Sibilos e roncos, ptte nas exacerbações. Diminuição dos MV Hipertimpanismo à percussão Expansibilidade reduzida Estertores geralmente são ausentes Achados de cor pulmonale ( insuficiência cardíaca direita) · Edema de MMII, · turgência jugular patológica, · hepatomegalia dolorosa, · bulha pulmonar (P2) · hiperfonética e palpável, · sopro de insuficiência tricúspide. Exames complementares: Radiografia de tórax na DPOC: Se normal não exclui a doença Não faz diagnóstico de DPOC, faz diagnóstico de hiperinsuflação pulmonar Está alterado nos casos avançados de DPOC (sensibilidade 50%) Hiperinsuflação somente em doença avançada Importante para excluir outras condições diferenciais ou associadas. Importante procurar complicações: pneumonia, pneumotórax e tumor. Sinais clássicos da DPOC: · Retificação das hemicúpulas diafragmáticas · Hiperinsuflação pulmonar (aumento do nº de costelas visíveis na incidência PA. Mais de 9-10 arcos costais); · Hipertransparência; · Aumento dos espaços intercostais (>4,4cm); · Redução do diâmetro cardíaco ( <11,5 cm) “coração em gota”; · Aumento do espaço aéreo retroesternal no perfil; · Espessamento brônquico. TC de tórax: Teste definitivo para o estabelecimento da presença ou não de enfisema. No entanto, o achado de enfisema não define o diagnóstico de DPOC, tampouco tem significado patológico. NÃO deve ser pedido de rotina! Indicação precisa e aceita da TC de tórax: Avaliação dos pacientes candidatos à terapia cirúrgica da DPOC (cirurgia de redução do volume pulmonar) Tipos de enfisema: · Parasseptal: região subpleural,--> causa pneumotórax · Centrolobular/ Centroacinar: · Clássico do DPOC tabágico; · associado ao tabagismo, · eventualmente assume o aspecto “em roído de traça” · Panlobular: muito comum na deficiência de alfa-1- antitripsina. · ocupa mais as bases pulmonares Ecocardiograma: Avaliar se tem Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) · VD > VE · Hemograma: Pode mostrar eritrocitose (Ht>55%) Mensuração dos níveis séricos de alfa 1 antitripsina: VR: 90 a 200 mg/dL (por método imunonefelométrico) #É apropriado realizar a testagem de alfa-1-antitripsina em todos os pacientes, no entanto, não é uma etiologia comum, mas o paciente que possui pode se beneficiar com a reposição. Indicações para pesquisa de Deficiência de alfa-1-antitripsina: · Enfisema em jovens (<45 anos); · Enfisema predominantemente em bases pulmonares; · Enfisema em não tabagistas ou com pequena carga tabágica; · Forte HF de enfisema ou hepatopatia; · Doença hepática associada inexplicada. Gasometria arterial: Hipoxemia (leve moderada ou grave)- PaCO2 <55mmHg ou SatO2 <88% Deve ser solicitada se: · Suspeita de hipoxemia/hipercapnia aguda (DPOC com descompensação grave) · Presença de VEF1 <40% do previsto, mesmo fora do contexto de uma descompensação. · Sinais de insuficiência do VE. ECG: Investigar alterações do cor pulmonale (sinais de sobrecarga cardíaca direita) · Onda P alta e pontiaguda/ apiculada, medindo >2,5mm na amplitude (P pulmonale): denota aumento/ sobrecarga de atrial direito. · Desvio do eixo QRS para a direita · Graus variados de bloqueio de ramo direito · Relação R/S >1 em V1 (sinais de sobrecarga de câmaras direitas) # A taquicardia atrial multifocal é muito encontrada em pacientes com DPOC durante a exacerbação. · Hipoxemia · Hipercapnia Pletismografia: Quantifica Volume residual e capacidade pulmonar total Geralmente não é necessária no DPOC Diagnóstico: Considerar hipótese primária nos indivíduos: • > 40 anos de idade; • Com fatores de risco (geralmente histórico tabágico > de 20 anos/maço); • Presença dos seguintes sintomas: dispneia, tosse crônica com ou sem expectoração frequente ou sibilância; • Para a confirmação diagnóstica, a realização da espirometria é mandatória: relação VEF1/CVF < de 0,7 após o uso de broncodilatador. O diagnóstico exige: Dados clínicos: sintomas respiratórios crônicos e progressivosÍndice de Tiffenau: VEF1/CVF pós BD <0,7 VEF1= Volume expirado forçado no primeiro segundo. CVF= Capacidade Vital Forçada Dados funcionais: obstrução ao fluxo aéreo Dados epidemiológicos: fatores de risco #Confirmar o diagnóstico por meio de uma espirometria: Espirometria: Tem papel diagnóstico central na DPOC. É por meio dela que o componente obstrutivo da doença pode ser caracterizado. Utiliza-se como critério diagnóstico para DPOC uma relação VEF1/CVF inferior a 70% do previsto, sem alteração significativa após a prova broncodilatadora. Achado que revela a existência de uma obstrução “fixa” das vias aéreas. · Espirometria pré e pós-broncodilatador é indicada para todos os pacientes. · VEF1 é um excelente parâmetro prognóstico (quanto menor o VEF1, maior a chance de exacerbação e mortalidade nos próximos anos). Aspecto da curva: · “curva de espreguiçadeira” FEF 25-75%: é o primeiro parâmetro a se alterar na DPOC! Marcador mais sensível de obstrução das vias aéreas. Não serve para confirmar o diagnóstico Volumes pulmonares aumentados: Volume residual, capacidade residual funcional, capacidade pulmonar total. #Diagnóstico de “Pré-DPOC” Indivíduos com sintomas respiratórios e/ou lesão estrutural (enfisema) e/ou anormalidades fisiológicas (VEF1 baixo, aprisionamento de ar, hiperinsuflação) SEM obstrução ao fluxo de ar (VEF1/CVF > 0,7 pós-BD) Teste de difusão de CO2: avalia extensão da superfície pulmonar para troca gasosa. Está REDUZIDO (ao contrário da asma). #Qual o principal fator de descompensação da DPOC? Infecção respiratória bacteriana ou viral. Diagnóstico Diferencial: DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO 1º PASSO: Estabelecer o diagnóstico por espirometria. Índice de Tiffenau: VEF1/CVF pós BD <0,7 VEF1= Volume expirado forçado no primeiro segundo. CVF= Capacidade Vital Forçada VEF1/CVF < 0,7 Geralmente com prova broncodilatadora NEGATIVA Se tiver prova broncodilatadora não significa que necessariamente é asma, existe DPOC com prova broncodilatadora positiva também Prova broncodilatadora negativa não significa má resposta ao tratamento 2º PASSO: Classificar a obstrução de fluxo aéreo (GOLD 1-4) Classificação espirométrica GOLD VEF1 pós BD I- leve ≥80% do predito II- moderada 50-79% do predito III- grave 30-49% do predito IV- muito grave <30% do predito Decore: “30 / 50 / 80” 3º PASSO: Avaliar sintomas + exacerbações (grupo ABE). Avaliar dispneia · Escala mMRC: · 0-1: Assintomático · 2-4: Sintomático · CAT DPOC Duas perguntinhas:Quantas crises você teve nos últimos 12 meses? Como/ quando você sente falta de ar? (escala mMRC ou CAT) A interpretação final é: Grupo A: Assintomático sem nenhuma exacerbação no último ano Grupo B: Sintomático sem nenhuma exacerbação no último ano Grupo E: quem teve 1 exacerbação grave (precisou internar, ficar monitorizado) no último ano OU 2 ou + exacerbações leve ( broncodilatador e resolveu) a moderada (precisou de ATB) no último ano, independente dos sintomas. Conduta: · Todo paciente com diagnóstico de DPOC deve testar pelo menos uma vez para deficiência de alfa-1 antitripsina, especialmente em áreas de alta prevalência para a doença Tratamento: Objetivo: Avaliar e tratar o paciente baseando-se no risco atual e futuro. Risco atual: • Aliviar os sintomas; • Melhorar a capacidade física; • Melhorar a qualidade de vida. Risco futuro: • Prevenir e tratar a progressão da doença, minimizando o declínio da função pulmonar; • Evitar as exacerbações e as internações; •Aumentar a sobrevida do paciente. Quais terapêuticas reduzem morbimortalidade no paciente com DPOC (Impacto em sobrevida)? · Cessação do tabagismo; · O2 domiciliar;· Cirurgia de redução volumétrica pulmonar; · Reabilitação pulmonar; · Uso do Bilevel domiciliar (BIPAP) · Terapia Tripla: LABA + LAMA + ICS Base da abordagem terapêutica: 1. Cessar tabagismo (TRN, Bupropiona, Vareniclina) → Impacto na sobrevida 2. Tto farmacológico das exacerbações 3. Tto farmacológico crônico 4. Programas de reabilitação cardiopulmonar 5. Oxigenioterapia nos pacientes francamente hipoxêmicos → Impacto na sobrevida 6. Avaliação da indicação de transplante pulmonar ou cirurgia pneumo redutora.Após um ano, a taxa de queda do VEF1 iguala-se a dos não tabagistas. Tratamento não farmacológico: 1. Cessar tabagismo 2. Vacinação anual para Influenza (reduz exacerbação e óbito) 3. Vacinação anual para COVID-19 4. Vacinação a cada 5 anos para pneumococo (pneumo-13 ou 23) 5. Atualizar vacina para dTp-pertussis 6. Vacina para Zoster se > 50 anos 7. Vacina para Vírus Sincicial Respiratório se > 60 anos 8. Indicar reabilitação pulmonar para pacientes com sintomas persistentes B e E 9. Ensinar o paciente a utilizar e a se familiarizar com o dispositivo inalatório indicado 10. Suplementação nutricional para pacientes desnutridos 11. Encorajar a prática de atividade física regular Imunizações vacinação para Pneumococo utilizando Prevenar13 (VPC13) seguida de Pneumo23 (VPP23) com intervalo de um ano com repetição de dose de Pneumo23 (VPP23) 5 anos após Tratamento farmacológico: Objetivo: reduzir exacerbação, tratar sintomas, melhorar tolerância ao exercício. Quais as drogas centrais no manejo dos sintomas da DPOC? · Broncodilatadores inalados- Pilar do tratamento · Beta-2 agonistas · Anticolinérgicos · Broncodilatadores de curta duração São recomendados como terapia de resgate Indicados a TODOS os pacientes com DPOC. SABA de resgate para todos! Os beta-agonistas são mais efetivos no controle da hiperinsuflação dinâmica da DPOC. O uso concomitante de anticolinérgicos sempre é recomendado, na tentativa de otimizar o efeito desejado. Beta 2-agonista- Short Acting Beta Agonists (SABA) Salbutamol (Aerolin®) Aerossol: 200-400mcg (intervalo de 4 a 6h) Nebulização: 10 a 20 gotas em 3 a 5 ml de SF (intervalo de 4 a 6h) Fenoterol (Berotec®) Aerossol: 200-400mcg (intervalo de 4 a 6h) Nebulização: 10 a 20 gotas em 3 a 5 ml de SF (intervalo de 4 a 6h) Antimuscarínico Brometo de Ipratópio (Atrovent®) Aerossol: 2 a 3 puffs de 400 a 600mcg (intervalo de 4h). Nebulização: 20 a 40 gotas em 3 a 5 ml se SF (intervalo de 4 a 6h) MDI: metered dose inhaler (inalador pressurizado); DPI: dry powder inhaler (inalador de pó); SMI: soft mist inhaler (inalador formador de névoa). · Broncodilatadores de longa duração Beta-agonistas- Long Acting Beta Agonists (LABA) Formoterol Via inalatória 2x/d Salmeterol Indacaterol Via inalatória 1x/d Vilanterol Olodaterol Anticolinérgicos- Long Acting Muscarinic Antagonists (LAMA) Tiotrópio (Spiriva®) Via inalatória 1x/d *Não são úteis no tto de sintomas agudos. Glicopirrônio Umeclidínio · Corticoide inalatório (CI) Recomendação restrita. Atualmente, devem ser considerados em pacientes com tratamento já otimizado – LAMA + LABA – e que mantenham instabilidade clínica. Nesse cenário, estão associados ao tratamento em vigor – terapia tripla. (paciente assintomático com VEF1 <50% e história de exacerbação). Budesonida (Miflonide®) Beclometasona (Clenil®, Beclosol®) Mometasona Fluticasona (Flixotide®) Efeito colateral: monilíase oral, rouquidão e Pneumonia Inicia ou não CI junto à terapia broncodilatadora? Usar o eosinófilo como biomarcador. Pacientes com <100 eosinófilos/mcL-> pouca resposta Pacientes com >300 eosinófilos/mcL -> boa resposta. · Metilxantinas Cada vez menos usadas Baixo Índice Terapêutico Bamifilina (Bamifix®) VO · Inibidor de Fosfodiesterase-4 (I PDE-4) Roflumilaste (Daxas®) VO 1x/d. ação predominantemente anti-inflamatória e não broncodilatadora. Bem indicado em portadores de bronquite crônica obstrutiva VEF1 < 50% Refratário à terapia Efeito adverso: diarreia e emagrecimento · Mucolíticos N-acetilcisteína (Fluimucil®) USO ORAL 1. ACETILCISTEÍNA 600MG------ 1 CX DILUIR 1 ENVELOPE EM ÁGUA TOMAR 3X NA SEMANA OU SE TIVER CATARRO AMARELO OU VERDE USAR TODOS OS DIAS Carbocisteína (Mucolitic®) · ATB com proposta anti-inflamatória Azitromicina 500 mg em dias alternados (3x/sem) OU 250 mg diário · Não tabagistas · Enfisemas e baixo risco CV · Fazer ECG seriado · Efeitos adversos: Prolongamento do intervalo QT, hepatopatia e hipoacusia · Reposição de alfa-1-antitripsina Venosa, mensal ou quinzenal. Estratégia terapêutica crônica recomendada na DPOC em função do grupo que o paciente está Exacerbações de DPOC: Conceito: Piora aguda (>48h e <14 dias) dos sintomas (dispneia, tosse, expectoração purulenta) respiratórios além da variação circadiana esperada e que requer mudança aguda no esquema terapêutico. Diagnóstico: é clínico e de EXCLUSÃO- tem de descartar: GOLD utiliza três critérios cardinais para classificar a exacerbação de DPOC. São eles: • Piora da dispneia; • Aumento da produção de escarro; • Escarro que se torna purulento. Classificação da exacerbação Leve: um dos critérios cardinais + um achado adicional, como IVAS, febre sem causa aparente, sibilos, aumento da tosse, aumento na FR ou FC em mais de 20% daquela de base; Moderada: dois dos três critérios cardinais; Grave: presença dos três critérios cardinais. Desencadeantes: · Infecções respiratórias (virais- principalmente e bacterianas) Haemophilus influenzae 20-30% S. pneumoniae 10-15% Moraxella catarrhalis 10-15% · Exposição a elevados níveis de poluição. 1/3 das exacerbações não têm etiologia definida. Fatores de risco para Exacerbação: · Exacerbação prévia (PRINCIPAL); · Inatividade física; · DRGE; · Bronquítico; · Obstrução grave-> VEF1 <35% · Cardiopatia grave Febre não é comum Diagnóstico diferencial: Pneumonia: se tiver condensação do parênquima pulmonar o diag é pneumonia e não descompensação da DPOC Exames complementares: · Hemograma; · PCR; · BNP; · D-dímero · gasometria arterial (se Sato2 < 92% ou sinais de gravidade) Tratamento da exacerbação Objetivo do tratamento: · Tratar fator associado: infecção, TEP, ICC · Melhorar oxigenação do paciente · Diminuir resistência das vias aéreas · Melhorar a função da musculatura respiratória Quando internar em enfermaria? · IRA grave · Piora da hipoxemia ou hipercapnia com acidose respiratória aguda · Complicações como embolia pulmonar, pneumonia ou pneumotórax · Impossibilidade de realizar corretamente o tto ambulatorial, por ausência de condição socioeconômica. · Dúvida diagnóstica. Quando internar em UTI? ABCD do tratamento da Exacerbação do DPOC A- Antibioticoterapia B- Broncodilatadores C- Corticóide D- Dois níveis de pressão- BIPAP/VNI 1. Antibioticoterapia: avaliar os 3 sintomas cardinais abaixo *Aumento do volume do escarro *Alteração do aspecto para purulento *Aumento da intensidade da dispneia VEF1 Bactéria ATB >50% e ausência de Fatores de Risco (>65 anos, comorbidade, ATB nos últimos 15 dias prévios) H. influenzae M. catarrhalis S. pneumoniae Amoxicilina+ Clavulanato Cefuroxima Azitromicina Claritromicina >50% e Fatores de Risco H. influenzae M. catarrhalis Os anteriores Quinolonas <50% H. influenzae M. catarrhalis Enterobactérias Pseudomonas Quinolonas Amoxicilina+ Clavulanato 2. Broncodilatadores: SABA (Salbutamol, fenoterol ou terbutalina) + SAMA (Brometo de Ipratóprio) via inalatória. Se for usar Nebulização → Usar ar comprimido em vez do O2 3. Corticoide sistêmico (em alguns casos) Sem necessidade de internação Prednisona 40 mg/d por 5 dias Metilprednisona 0,5-1 mg/Kg/dose Com necessidade de internação Hidrocortisona 3 a 5 mg/Kg/dose 4. Oxigênio: VNI, quando necessário. Manter a SatO2 entre 88-92% A hiperóxia no paciente com DPOC → pode induzir hipercapnia e pode mudar o drive respiratório no centro da respiração que pensa “se tem O2 demais, vamos diminuir o drive” → carbonarcose, sonolência 5. Ventilaçãoinvasiva quando necessária. · Na intubação orotraqueal, sugere-se utilizar cânulas com maior diâmetro possível, idealmente superior a 8 mm, para reduzir a resistência das vias aéreas e facilitar a remoção das secreções · O alvo de frequência respiratória para pacientes portadores de DPOC fica entre 10 e 16 irpm, apesar de ser algo individualizado. Uma frequência respiratória elevada diminuirá o tempo expiratório. Isto pode piorar a hiperinsuflação dinâmica e resultar em ventilação de proporção inversa (isto é, o tempo inspiratório é maior que o tempo expiratório), o que não é desejável na DPOC · Nos parâmetros de ventilação mecânica, no paciente portador de DPOC, buscamos reduzir o tempo inspiratório e aumentar o tempo expiratório. Reabilitação Cardiopulmonar: Indicada a todos os pctes Exercícios físicos controlados por fisioterapeutas Oxigenioterapia domiciliar: MELHORA A SOBREVIDA! Usar > 15h/dia e não só a noite Indicações: PaO2 ≤ 55mmHg e/ou SatO2 ≤ 88% OU PaO2 entre 55-59 mmHg ou SatO2 de 89% em pacientes COM hipertensão pulmonar, cor pulmonale ou policitemia (Ht>55%) Decore o telefone da DPOC: “55885989+” Cirurgia na DPOC: Transplante de pulmão Cirurgia redutora pulmonar (pneumoplastia) Referências Bibliográficas: · Aula Sanar residência médica · Aula Estratégia Med DPOC - Aula de Pneumologia do Curso Extensivo Residência Médica (youtube.com) · Aula Prof. Dra. Marcilea Cavalcante pneumologista 2024 · GOLD, 2024 Questões de treinamento: Explique porque é letra D- discorra 5- Quais terapêuticas reduzem morbimortalidade no paciente com DPOC (Impacto em sobrevida)? · Cessação do tabagismo; · O2 domiciliar; · Cirurgia de redução volumétrica pulmonar; · Reabilitação pulmonar; · Uso do Bilevel domiciliar (BIPAP) · Terapia Tripla: LABA + LAMA + ICS image65.png image35.png image46.png image53.png image31.png image23.png image14.png image67.png image81.png image82.png image78.png image74.png image76.png image49.png image10.png image44.png image60.png image70.png image56.png image69.png image72.png image51.png image1.png image52.png image4.png image20.png image36.png image24.png image27.png image8.png image34.png image33.png image19.png image57.png image79.png image59.png image50.png image73.png image54.png image9.png image48.png image7.png image58.png image5.png image39.png image75.png image15.png image6.png image42.png image30.png image2.png image45.png image29.png image55.png image62.png image21.png image64.png image26.png image41.png image13.png image3.png image43.png image68.png image71.png image63.png image77.png image37.png image25.png image18.png image40.png image38.png image32.png image16.png image47.png image22.png image12.png image66.png image17.png image11.png image80.png