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A família não só tem influência nesse mundo interior como também no mundo exterior, 
uma vez que é responsável por apresentá-los aos seus descendentes. A partir dos 
modelos que são vivenciados, a inserção desses seres humanos na sociedade poderá se 
dar de forma menos ou mais bem adaptada. No entanto, é bom ressaltar que a criança 
não aprende tudo passivamente. Ao contrário, no seu caminhar pela estrada do 
desenvolvimento humano, ela vai fazendo conexões entre as diversas experiências 
vividas e ressignificando-as, produzindo novas aprendizagens. 
 
O núcleo familiar em que nasce já estabelece, em princípio, um caminho futuro, não se 
tratando de uma regra, mas sim de possibilidades. Uma criança nascida entre pais 
pianistas e violinista, por exemplo, terá muito mais possibilidade de ser um artista do 
que outra que nasceu em uma família que não se apropriou da leitura e da escrita. 
Segundo Vygotsky (2015), somos 90% frutos do meio, de forma que as chances de 
reprodução da estrutura familiar existem e são um fato. Com isso, hábitos, atitudes, 
valores etc. – enfim, experiências vivenciadas no seio familiar – influenciam o 
comportamento das crianças, a ponto de generalizar esses comportamentos para o 
cotidiano escolar, reproduzindo-os em suas relações com colegas e professores. 
 
Precisamos estar conscientes, ainda, de que a estrutura familiar de algum tempo atrás 
se modificou. Pai-mãe-filhos consistia no modelo ideal pensado para determinar todos 
os outros arranjos como desestruturados. Compreendendo a família apenas desse 
modo, era comum julgar outras formas de organização familiar de forma moralista se 
comparada com o padrão estabelecido. 
 
Segundo Bock et all (2018, p. 249), “Vamos percebendo que a família como a 
conhecemos hoje, não é uma organização natural nem uma determinação divina. A 
organização familiar transforma-se no decorrer da história do homem”. Em outras 
palavras, os tempos mudaram e continuam mudando de forma veloz. Não mais há como 
negar outras configurações de família na época pós-moderna: pais separados e casados 
 
 
 
 
 
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de novo; pais casados com pais; mães casadas com outro parceiro ou uma parceira, 
formando famílias que nada têm de desestruturadas. 
 
Nesse sentido, apesar de entender a importância da família como responsável por 
transmitir os valores necessários para inserção do indivíduo na sociedade, precisamos 
compreender que o mais importante para a formação da criança é que exista uma figura 
(que servirá de modelo) que se preocupe em cuidar e dar carinho a ela. Pode ser o pai 
ou mãe que cria sozinho(a), mas também podem ser avós, tios, irmãos mais velhos ou, 
até mesmo, um membro da família substituta, bastando que se preocupe com o 
desenvolvimento pleno da criança. 
 
Por essa razão, é necessário que a escola reflita sobre o refrão tão usado pelos 
professores: “a família daquele aluno é desestruturada”, por ser criado por outros, que 
não pais ou mães. Devemos lembrar que, com esse pensamento, poderemos estar 
fadando ao fracasso as crianças oriundas de orfanatos.

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