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CONTABILIDADE GERAL
Programa de Pós-Graduação EAD
UniAssElvi-PÓs
Professora: Eli Teresinha Biscaro
Editora
CEnTRO UnivERsiTÁRiO lEOnARDO DA vinCi
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – inDAiAl/sC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
 Reitor: Prof. Dr. Malcon Tafner
 Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
 Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Janes Fidélis Tomelin
 Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Profa. Elisabeth Penzlien Tafner 
 Prof. Norberto Siegel
 Revisão de Conteúdo: Prof. Osir Afonso Tessari
 Revisão Gramatical: Profa. Tereza Pfiffer Franco
 
 Diagramação e Capa: Carlinho Odorizzi
Copyright © Editora AssElvi 2009
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri – Grupo UNIASSELVI – Indaial.
657
B6213c Biscaro, Eli Teresinha.
 Contabilidade Geral/ Eli Teresinha Biscaro
 Centro Universitário leonardo da vinci. – indaial :
 Grupo UniAssElvi, 2009.x ; 104 p.: il.
 Inclui bibliografia. 
 isBn 978-85-7830-185-9
 1. Contabilidade Geral I. Centro Universitário 
 leonardo da vinci. ii. Núcleo de Ensino a Distância 
 iii. Título
Graduada em Ciências Contábeis, mestre em Ciências Contábeis 
com área de concentração em Controladoria, pela Universidade 
Regional de Blumenau (FURB - sC), especialista em Gerência 
da Qualidade nos Serviços Contábeis e Direito Tributário, pela 
Universidade Regional de Blumenau (FURB – sC). Atuou como 
gerente administrativa contábil e contadora durante 27 anos em 
empresa privada. Atualmente, é professora em várias instituições 
de ensino superior no curso de Ciências Contábeis, nas disciplinas 
Teoria da Contabilidade, Contabilidade Avançada, Contabilidade 
Tributária, Perícia Contábil, Orçamento Empresarial e Controladoria. 
Participa da Compasso Consultoria Multidisciplinar em Políticas sociais, 
como assessora contábil.
Eli Teresinha Biscaro
Sumário
APREsEnTAÇÃO ......................................................................7
CAPÍTUlO 1
EStrutura ConCEitual da ContabilidadE .......................................9
CAPÍTUlO 2
Patrimônio .................................................................................31
CAPÍTUlO 3
EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS ..................................45
CAPÍTUlO 4
análiSE daS dEmonStraçõES ContábEiS .......................................65
CAPÍTUlO 5
introdução à ContabilidadE dE CuStoS .......................................85
APRESENTAÇÃO
Caro (a) aluno (a), bem-vindo(a) à disciplina de Contabilidade Geral.
Este é o nosso Caderno de Estudos, material elaborado com o objetivo de 
contribuir para o seu conhecimento e realização de seus estudos sobre o assunto.
A proposta deste caderno é oferecer um trabalho didático acessível, 
especialmente aos que se iniciam no estudo da Contabilidade. Ao lado de uma 
abordagem teórica do assunto, você encontrará atividades práticas, que o levarão 
a um melhor desempenho e compreensão da matéria.
Desse modo, você tem em mãos um material escrito em linguagem acessível, 
mas com termos técnicos necessários; assim a contabilidade fica mais fácil.
No decorrer do caderno, você perceberá como está estruturada a 
contabilidade e quem se utiliza de suas informações; também verá que a 
escrituração contábil tem início a partir dos documentos hábeis, que comprovam 
a ocorrência dos fatos na empresa. Por exemplo:
- Um fato = venda de um carro.
- Documento hábil = nota fiscal.
A partir desse documento, a nota fiscal, inicia-se o processo contábil. Após 
várias etapas, a serem vistas no decorrer do estudo, o processo contábil é 
concluído nas Demonstrações Contábeis, entre as quais se encontra o Balanço 
Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.
Após o entendimento dessas demonstrações contábeis, entraremos no capítulo 
que trata de como analisar as informações obtidas através desses relatórios, para a 
tomada de várias decisões. Este capítulo contempla a análise de balanços.
No último capítulo, estudaremos uma introdução à contabilidade de custos. 
Serão vistos, então, conceitos básicos, que são utilizados por várias empresas para 
saber quanto custam seus produtos e, a partir daí, formular o preço de venda.
Desejo-lhe um bom estudo e que você aproveite, ao máximo, o conteúdo dos 
temas abordados nesta disciplina.Vamos ao estudo!
8
 Contatibilidade Geral
8
CAPÍTUlO 1
EStrutura ConCEitual da ContabilidadE
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Conhecer os conceitos e objetivos da contabilidade, seus usuários, os princípios que 
regem a contabilidade, os regimes contábeis e o plano de contas. 
 3 Diferenciar os regimes contábeis. 
 3 Conhecer a estruturação do plano de contas.
10
 Contatibilidade Geral
10
11
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
11
 Capítulo 1 
ContExtualização
É com grande prazer que escrevo sobre Contabilidade Geral. Este capítulo 
tem por objetivo trazer as informações básicas sobre a estrutura conceitual da 
contabilidade. 
Nossa meta é mostrar que os processos contábeis são ótimos, que se 
prestam a análises necessárias das empresas e que a grande maioria dos 
empresários deveria utilizá-los, desde que, com dados confiáveis. 
Portanto, a contabilidade é responsável pela geração de informações 
necessárias para gerir as empresas. Compreendendo um conjunto coordenado 
de conhecimentos, com objeto e finalidades definidos, obedecendo a preceitos 
e normas próprias, pode-se dizer, então, que a contabilidade é uma ciência do 
grupo das chamadas ciências econômicas e administrativas. A contabilidade 
registra, estuda e interpreta os fatos financeiros ou econômicos que afetam a 
situação patrimonial de determinada pessoa, seja ela física ou jurídica.
Você compreenderá melhor a finalidade da contabilidade, observando 
a seguinte situação: suponha que você pretenda tornar-se comerciante, 
constituindo uma empresa para vender eletrodomésticos. Aí, surgem as 
primeiras perguntas:
- você vai constituir uma empresa com quê?
- O que você precisa ter em mãos para estar em condições de constituir 
um negócio?
 
Respondemos: Você precisa de um capital. E capital, neste caso, significa 
principalmente dinheiro.
Suponhamos, então, que você possua uma importância suficiente para 
montar a loja. Pronto, esta importância suposta é o seu capital inicial.
Bem, agora que você já tem o dinheiro, precisa de um local para instalar 
sua loja. Vamos supor que você também já tenha alugado uma casa para esse 
fim. E então, o que falta? 
 
Respondemos: Você precisa equipar sua loja com vitrines, balcões, 
prateleiras, cadeiras, mesas, etc.
Suponha, finalmente, ter adquirido esses materiais, e que eles já estejam 
em sua loja. 
 
A essa altura dos acontecimentos, você já deve estar indagando:
A contabilidade 
é responsável 
pela geração 
de informações 
necessárias para 
gerir as empresas. 
Compreendendo um 
conjunto coordenado 
de conhecimentos, 
com objeto e 
finalidades definidos, 
obedecendo a 
preceitos e normas 
próprias, pode-se 
dizer, então, que a 
contabilidade é uma 
ciência do grupo das 
chamadas ciências 
econômicas e 
administrativas. 
12
 Contatibilidade Geral
12
- E os eletrodomésticos, para venda? Pois bem, você deverá adquirir as 
mercadorias para negociar. 
Pronto, sua loja está instalada. Você já gastou dinheiro, já aplicou seu 
capital inicial. Agora sua empresa já existe e você a colocará em funcionamento. 
Veja, você vai abrir a sua loja.
Qual é o principal objetivo do seu negócio? Certamente, você responderá 
que é a obtenção de lucros. Muito bem. Para obter o lucro desejado, você 
precisará vender assuas mercadorias. sendo assim, podemos concluir que, 
na empresa, entrarão diariamente pessoas com finalidades diferentes:
a) algumas entrarão com o objetivo de lhe fornecer mercadorias, são 
chamadas de fornecedores;
b) outras entrarão na sua loja para comprar suas mercadorias, são os clientes.
Note bem:
• Quanto você imaginou ter de capital?
• Quanto você aplicou em relação a esse capital inicial?
• O que e quanto você comprou?
• Quais os bens que você possui e quantos são?
• Se você comprou a prazo, quanto ficou devendo e para quem?
• Se você vendeu a prazo, quanto tem para receber e de quem?
• Se você comprou ou vendeu à vista, quanto comprou e o que comprou, e 
quanto vendeu e o que vendeu?
• O que e quanto você possui agora?
Essas e outras perguntas nos levam a entender que você já possui 
um patrimônio, o qual está em movimento, em função de quatro operações 
principais – compras, vendas, pagamentos e recebimentos – e que essa 
movimentação (gestão) do patrimônio da sua empresa necessita de um 
controle, para que você possa avaliar e verificar se o seu principal objetivo 
(lucro) está sendo atingido.
Acho que você já percebeu que há necessidade de manter um controle 
do seu patrimônio. E é exatamente aí que a contabilidade desempenha o seu 
papel. Nosso estudo tem por objetivo trazer as informações básicas sobre 
a estrutura conceitual da contabilidade, qual seu objeto e objetivos, seus 
usuários, os aspectos do patrimônio. Também abordaremos os princípios 
fundamentais da contabilidade, pois são eles que dão o direcionamento de 
como ela deve ser efetuada, a questão dos regimes contábeis, e o plano de 
contas, que é uma peça fundamental da contabilidade. 
13
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
13
 Capítulo 1 
objEtivoS E uSuárioS da ContabilidadE
A contabilidade, de acordo com Franco (1998, p.25):
é uma ciência que estuda e controla o patrimônio das 
entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva 
e a interpretação dos fatos ocorridos, com o fim de 
oferecer informações sobre a sua composição e suas 
variações, bem como sobre o resultado econômico da 
gestão da riqueza patrimonial. 
A figura 1 mostra que toda entidade precisa de uma contabilidade, para 
que os fatos ocorridos sejam registrados, a fim de fornecer relatórios que serão 
utilizados no seu controle.
Figura 1 – A entidade e as ocorrências
Fonte: Adaptado de Franco (1998)
Durante todo o processo evolutivo da contabilidade, vários conceitos se 
formaram. Destacamos alguns: 
 
segundo Franco (1998, p. 21), “é a ciência que estuda e controla as 
variações no patrimônio das entidades econômico-administrativas, através de 
um conjunto sistematizado de preceitos e normas próprias”.
Padoveze (2000, p. 35) define “Contabilidade como o sistema de 
informação que controla o patrimônio de uma entidade”.
Percebemos, então, que a contabilidade é uma ciência que permite, através 
de suas técnicas, manter um controle permanente do patrimônio da empresa.
A partir desses conceitos, você poderá estar pensando:
- O que é Patrimônio?
Patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações de uma empresa 
ou de uma pessoa, avaliado em moeda.
No capítulo 2, você encontrará mais informações sobre o patrimônio.
Entidades
fatos registro relatórios controle
14
 Contatibilidade Geral
14
objEto E objEtivo da ContabilidadE 
A Contabilidade é a ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades 
e por objetivo o controle desse patrimônio, com a finalidade de fornecer 
informações a seus usuários.
O patrimônio é o objeto da Contabilidade, isto é, constitui a matéria sobre 
a qual se exercem as funções contábeis. O patrimônio é um conjunto de bens, 
direitos e obrigações vinculados à entidade.
O objetivo da Contabilidade é controlar o patrimônio. Na Contabilidade, 
os objetivos estão definidos, como as informações que deverão ser geradas, 
para que os diversos usuários possam tomar conhecimento da situação da 
organização, em dado momento, com a finalidade de tomar as decisões que 
considerarem necessárias.
Perceba, então, que a finalidade da Contabilidade é a de controlar o 
Patrimônio, assegurar o controle do patrimônio administrado e fornecer 
informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como o 
resultado das atividades econômicas desenvolvidas pela entidade para 
alcançar seus fins, que podem ser lucrativos ou meramente ideais (sociais, 
esportivos e outros); enfim, fornecer informações a seus usuários.
Em resumo, podemos dizer que o conhecimento sobre os conceitos 
contábeis, por parte das pessoas, é importante para a análise e interpretação 
de dados financeiros, planejamento e controle do patrimônio, seja ele pessoal 
ou empresarial.
no entanto, no entendimento de Fávero (1997), existem dois pontos 
fundamentais a serem considerados, que complicam o processo de geração 
de informações:
• Quem são os usuários da informação contábil? 
• Como gerar informações para esses usuários?
oS uSuárioS da ContabilidadE
Os usuários são pessoas que se utilizam da contabilidade, que se 
interessam pela situação da empresa e buscam, nas informações trazidas 
pela contabilidade, as suas respostas. Então, quem são esses usuários? Eles 
são denominados de usuários internos ou externos à entidade. 
A Contabilidade é a 
ciência que tem por 
objeto o patrimônio 
das entidades e por 
objetivo o controle 
desse patrimônio, 
com a finalidade de 
fornecer informações a 
seus usuários.
Os usuários são 
pessoas que 
se utilizam da 
contabilidade, que 
se interessam pela 
situação da empresa 
e buscam, nas 
informações trazidas 
pela contabilidade, 
as suas respostas. 
Então, quem são 
esses usuários? Eles 
são denominados de 
usuários internos ou 
externos à entidade. 
15
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
15
 Capítulo 1 
Os usuários internos (diretores, gerentes, administradores nos diversos 
níveis) são pessoas que trabalham na entidade. Esses usuários utilizam as 
informações contábeis para ajudar no processo de decisão. Um gerente da 
empresa, por exemplo, necessita saber se um produto consegue produzir 
resultado positivo no mercado. Caso a resposta seja negativa, o gerente 
poderá decidir não mais vender o produto. Uma empresa comercial que 
possui diversas lojas, em diferentes cidades, poderá verificar em qual delas 
o resultado é melhor. A contabilidade é denominada gerencial quando é 
utilizada por esses usuários nas suas decisões.
Os usuários externos (acionistas, clientes, fornecedores, bancos, governo, 
sindicatos, etc.) utilizam as informações sobre a entidade para suas decisões. 
Esses usuários se diferenciam dos internos, por não estarem envolvidos 
diretamente com a entidade. A habilidade desses usuários em obter informação da 
entidade é mais limitada; por não serem pessoas da entidade. Eles têm acesso à 
informação preparada pela administração da entidade. A contabilidade destinada 
a esses usuários recebe o nome de contabilidade financeira.
Evidentemente, os usuários internos não são os únicos que se utilizam da 
contabilidade para buscar informações; os usuários externos também buscam 
informações para conhecer melhor a situação da empresa. Assim, o processo 
decisório acaba sendo influenciado pelas informações contábeis disponíveis, o 
que requer do contador sensibilidade, para entender que seria injusto oferecer 
as mesmas informações padronizadas para os usuários externos e internos. 
Você, com certeza, já procurou emprego. Se você tivesse conhecimento 
das informações contábeis da empresa, na qual procurava emprego, e 
percebesse que a mesma não tinha uma boa situação financeira, você iria 
trabalhar nessa empresa? Por quê?
Até agora, estudamos os diversos conceitos relacionados à contabilidade 
e quem se utiliza das informações geradas pela contabilidade, sendo eles os 
usuários internos e externos.
semelhante ao que se passa em outras áreas do conhecimento, a 
contabilidade também é governada porum conjunto de leis de formação, 
os chamados Princípios Fundamentais da Contabilidade, que servem para 
orientar a pratica profissional. Sobre esses princípios, trataremos a seguir.
Evidentemente, os 
usuários internos 
não são os únicos 
que se utilizam da 
contabilidade para 
buscar informações; 
os usuários externos 
também buscam 
informações para 
conhecer melhor 
a situação da 
empresa. 
16
 Contatibilidade Geral
16
PrinCíPioS FundamEntaiS da ContabilidadE
Não pretendemos apresentar uma ampla discussão sobre os Princípios 
Fundamentais da Contabilidade, mas simplesmente mostrar-lhe esses 
fundamentos da contabilidade. 
a) Princípio da entidade
O princípio da entidade reconhece que o patrimônio é o objeto da 
contabilidade. Nesse sentido, deve existir separação entre os diversos 
patrimônios. Em termos práticos, isso significa, por exemplo, que o patrimônio 
de entidade não se confunde com o patrimônio dos sócios. 
É muito comum, em pequenas empresas, o proprietário utilizar os recursos 
da conta corrente da empresa para efetuar pagamentos pessoais. Essa atitude 
não respeita o princípio da entidade, pois não separa os dois patrimônios 
envolvidos: o patrimônio da entidade e o do proprietário. seria correto que a 
conta corrente da empresa só fosse utilizada para os pagamentos da empresa.
b) Princípio da continuidade
A continuidade de uma entidade deve ser levada em conta, quando estão 
sendo preparadas as suas demonstrações financeiras. Caso exista chance 
de que a entidade cesse suas operações, isso pode afetar a forma de como 
alguns ativos e passivos serão apresentados ou avaliados. 
Uma situação possível de ocorrer é um empréstimo captado numa 
instituição financeira em que existe um compromisso de pagamento imediato, 
diante da possibilidade de não continuidade. Isso, naturalmente, afeta a 
situação do balanço patrimonial da entidade.
Alguns ativos somente possuem valor, caso a empresa continue existindo 
no futuro. É o caso dos denominados “impostos a compensar”. A entidade pode 
reduzir a carga tributária no futuro, conforme permitido pela legislação. Entretanto, 
essa possibilidade não existe caso a entidade paralise suas operações.
c) Princípio da oportunidade
A oportunidade diz respeito ao fato de a contabilidade reconhecer um 
determinado evento, tão logo o mesmo ocorra. E que o mesmo seja feito de 
forma correta. 
Considere a seguinte situação: um grupo de empregados entra com 
processo na justiça trabalhista contra a entidade. Nesse momento, a entidade 
17
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
17
 Capítulo 1 
estudará a situação; se for constatada a chance de a empresa perder o 
processo, o mesmo deverá ser registrado imediatamente. Assim, a empresa 
já pode reconhecer essa despesa, e, em consequência, diminuindo seu lucro, 
pagar menos imposto de renda. 
d) Princípio do registro pelo valor original
Quando um bem é adquirido por uma entidade, ele deve ser registrado 
pelo valor de aquisição. O princípio do registro pelo valor original significa 
que se deve considerar como valor de um terreno, por exemplo, o preço 
pago na sua aquisição. Além disso, se um terreno foi comprado, deve 
ser registrado na contabilidade da entidade, e o seu valor não deve ser 
alterado. Outro aspecto importante, decorrente desse princípio, é que a 
contabilidade deve ser feita em moeda nacional. 
 
e) Princípio da atualização monetária
Os aumentos de preços da economia afetam os valores da contabilidade 
de uma entidade. O princípio da atualização monetária reconhece esse fato 
e afirma que esses efeitos devem ser considerados. Desse modo, o valor de 
aquisição de um terreno deverá sofrer atualização monetária, para reconhecer 
a inflação ocorrida no período. 
O objetivo principal da atualização monetária é, exatamente, expurgar os 
efeitos inflacionários sobre os elementos patrimoniais, de modo a possibilitar 
que as demonstrações contábeis retratem o real estado econômico-financeiro 
da empresa.
nesses últimos anos, o Brasil tem passado por vários planos econômicos, 
com variação do nível de inflação e com retorno e volta oficial/legal/fiscal do 
procedimento de atualização monetária. No momento, estamos sem esse 
procedimento, desde 1o de janeiro de 1996.
f) Princípio da competência
O princípio da competência estabelece quando a contabilidade deve 
registrar a receita e a despesa. A regra é que ambas devem ser consideradas 
na demonstração do resultado de uma entidade quando ocorrem, independente 
de pagamento ou recebimento.
Um exemplo da aplicação do princípio da competência refere-se à situação 
da receita de prestação de serviço de uma entidade, a prazo. A contabilidade 
fará o registro da receita quando ocorrer a prestação do serviço, e não quando 
a entidade obtiver o recebimento. 
18
 Contatibilidade Geral
18
g) Princípio da prudência
O princípio da prudência considera que, entre as alternativas válidas 
na quantificação dos componentes das demonstrações financeiras, deve-se 
adotar a que irá apresentar o menor ativo e o maior passivo para a entidade. 
Em decorrência da equação contábil, isso significa que, entre duas alternativas 
existentes, deve-se escolher a que apresenta o menor patrimônio líquido. 
É importante notar que se deve aplicar o princípio da prudência quando 
existir incerteza na estimativa dos valores. Considere, a título de exemplo, uma 
entidade que responde por um processo na justiça trabalhista. Já se sabe que 
a entidade será condenada, mas a previsão do valor a ser pago está em torno 
de dois números. A contabilização deve adotar a prudência, ou seja, utilizar o 
número que represente o maior passivo. 
Uma discussão mais aprofundada sobre os Princípios Fundamentais da 
Contabilidade pode ser vista na Resolução n. 774, de 16/12/1994, do Conselho 
Federal de Contabilidade. Consulte o site: www.cfc.org.br
ATIVIDADE DE ESTUDO:
Agora, que você sabe em que consiste cada um dos Princípios Fundamentais 
da Contabilidade, vamos resolver o Estudo de Caso:
 
O Grupo Provença do vale ltda. está contratando uma pessoa para 
trabalhar no Departamento de Contabilidade, tendo em vista a expansão 
de seus negócios. A pessoa a ser contratada deverá ter conhecimentos 
de contabilidade.
Considere que seja você esta pessoa. Nessas condições, estude 
cautelosamente os dados a seguir, que fazem parte do teste de seleção, e 
a seguir responda os questionamentos:
a) Um dos sócios emitiu um cheque seu para pagamento de uma duplicata 
da empresa.
b) A empresa recebeu um pedido de venda em 30/10/2008, o diretor 
comercial mandou o contador contabilizar o pedido. A venda e a 
entrega da mercadoria ocorreriam no dia 03/11/2008.
c) A empresa comprou um imóvel por R$ 85.000,00. Oito meses após 
a aquisição, o diretor da empresa verificou que o seu imóvel estava 
valendo R$ 100.000,00. Então, solicitou ao contador que retificasse o 
valor do imóvel para R$ 100.000,00.
19
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
19
 Capítulo 1 
d) O prolabore dos sócios, referente ao mês de janeiro e pagos em 
fevereiro, estão contabilizados em fevereiro.
e) A empresa está às voltas com um processo judicial. Na avaliação do 
departamento jurídico, ela tem 40% de chance de ganhar a causa. O 
contador entende que deve fazer a provisão e lançar em despesa o 
valor depositado.
Nas questões, que princípios devem ser observados:
a) ________________________________________________________
b) ________________________________________________________
c) ________________________________________________________
d) ________________________________________________________
e) ________________________________________________________
Como vimos, a contabilidade possui regras a serem seguidas, e entre elas 
estão os Princípios Fundamentais da Contabilidade, os quais servem para 
orientar os profissionais contábeis na elaboração das informações para vários 
tipos de usuários; porém, nem sempreesses usuários têm entendimento das 
práticas e normas contábeis. Entre as práticas contábeis, encontram-se os 
regimes contábeis. Para melhor compreensão, vamos descrevê-los a seguir.
rEgimES ContábEiS
Regimes contábeis são as normas que orientam o registro e o controle 
dos fatos patrimoniais. Os regimes contábeis estão divididos em Regime de 
Competência e Regime de Caixa.
a) Regime de Competência: determina que as receitas e as despesas 
devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrem, 
sempre simultaneamente, quando se correlacionam, independentemente de 
recebimento ou pagamento.
De acordo com Hoji (2000), o regime de competência de exercícios, as 
receitas e as despesas são consideradas em função de seu fato gerador e não 
em função do seu recebimento ou pagamento, respectivamente. As receitas do 
exercício são aquelas efetivamente ganhas no período; não importa se foram 
recebidas ou não. As despesas do exercício são aquelas efetivamente incorridas 
no período, não importando se têm sido pagas ou não. O regime de competência 
se diferencia do regime de caixa, pelo fato do último considerar como receitas e 
despesas do período as que foram efetivamente recebidas ou pagas.
O regime de 
competência se 
diferencia do regime 
de caixa, pelo fato do 
último considerar como 
receitas e despesas do 
período as que foram 
efetivamente recebidas 
ou pagas.
20
 Contatibilidade Geral
20
Vejamos este exemplo, apresentado por Hoji (2000) e adaptado aos 
objetivos deste caderno: uma empresa adquire, em abril de 2006, material 
de escritório (papel, clips, canetas, cartuchos para impressora, papel, etc.), 
por R$ 2.300,00, a prazo, para pagamento em junho de 2006. O material é 
totalmente consumido no mês de maio de 2006. Considerando que o resultado 
do exercício é apurado mensalmente, em que mês será atribuída a despesa 
com material de escritório (abril, maio ou junho)?
• Aquisição do material de escritório: abril
• Consumo do material de escritório: maio
• Pagamento do material de escritório: junho
Pelo regime de competência, o material de escritório será registrado 
como despesa no mês de maio (mês do consumo). No mês de abril (mês de 
aquisição), o material foi registrado no ativo (estoque), ou seja, um gasto não 
desembolsado, pois será pago no mês de junho.
 
b) Regime de Caixa: considera o registro contábil do pagamento ou 
recebimento no momento de sua efetivação, não importando a que período se 
refere o fato.
De acordo com Hoji (2000), no regime de caixa, são consideradas 
receitas do período aquelas efetivamente recebidas e, despesas do período 
as efetivamente pagas. As empresas com fins lucrativos estão obrigadas, 
pela legislação fiscal, a adotarem o regime de competência na apuração 
do resultado, o que não impede que o regime de caixa seja utilizado 
gerencialmente como instrumento de controle e de decisão.
A utilização do regime de caixa ou financeiro é muito comum nas empresas 
sem fins lucrativos, como: associações, entidades religiosas, entidades 
filantrópicas, bem como nas micro e pequenas empresas, dispensadas da 
obrigatoriedade do regime de competência.
Com base no exemplo anterior, pelo regime de caixa, o material de 
escritório será registrado como despesa no mês de junho, mês do efetivo 
pagamento, e não no mês de consumo.
Na maioria das vezes, os empresários se perguntam: como obtive lucro, 
se não tenho dinheiro em caixa para pagar as minhas dívidas? E a resposta é: 
o lucro é fluxo econômico de recursos e caixa é fluxo financeiro de recursos. É 
imprescindível que todo empresário se utilize desse importante instrumento de 
gestão (a demonstração do fluxo de caixa) para administrar de forma eficiente 
os recursos da entidade (HOJI, 2000).
De acordo com 
Hoji (2000), no 
regime de caixa, 
são consideradas 
receitas do período 
aquelas efetivamente 
recebidas e, despesas 
do período as 
efetivamente pagas. 
21
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
21
 Capítulo 1 
Para fixar melhor os regimes contábeis, observe uma aplicação prática 
dos conceitos:
Veja o seguinte exemplo: a empresa Estrela Ltda teve uma receita de 
R$ 20.000,00 no período, sendo que apenas 60% dessa receita foi recebida. 
Teve despesas no total de R$ 17.000,00 no mesmo período, sendo que R$ 
12.000,00 foram efetivamente pagos. Os resultados, utilizando o regime de 
competência (econômico) e o regime de caixa (financeiro) serão os seguintes:
 Itens Regime de Competência Regime de Caixa
Receita 20.000,00 12.000,00
(-) Despesas 17.000,00 12.000,00
lucro 3.000,00 0
Normalmente, o resultado apurado pelo regime de competência é bem 
diferente daquele apresentado pelo regime de caixa. O regime de competência 
representa o resultado econômico e o regime de caixa representa o resultado 
financeiro. Os dois conceitos se complementam.
Em resumo, podemos dizer que o conhecimento dos regimes contábeis é 
importante, pois refletem a situação da empresa de modo diferente. Lembramos 
também que a contabilidade é fundamentada no regime da competência, e isto 
vocês já tiveram conhecimento quando estudamos os princípios fundamentais 
da contabilidade.
ATIVIDADE DE ESTUDO:
1 Considerando os dados a seguir, referentes ao mês de dezembro/2005, 
calcule o resultado, de acordo com o regime de competência e o regime 
de caixa:
Despesa de dezembro de 2005 paga em janeiro/2006 $ 46,00
Despesa de dezembro de 2005 paga em janeiro/2006 $ 64,00
Despesa de dezembro/2005 paga em dezembro/2005 $ 55,00
Receita de dezembro/2005 recebida em janeiro/2006 $ 37,00
Receita de janeiro/2006 recebida em dezembro/2005 $ 73,00
Receita de dezembro/2005 recebida em dezembro/2005 $ 61,00
Resultado apurado pelo regime de competência: $ _________________
Resultado apurado pelo regime de caixa: $ _________________
O resultado apurado 
pelo regime de 
competência é bem 
diferente daquele 
apresentado pelo 
regime de caixa. O 
regime de competência 
representa o resultado 
econômico e o regime 
de caixa representa o 
resultado financeiro. 
Os dois conceitos se 
complementam.
22
 Contatibilidade Geral
22
2 Sabe-se o seguinte:
a) Receitas do ano:
De vendas $ 300.000,00
De vendas a prazo (não recebidas) $ 400.000,00
De prestação de serviços à vista $ 40.000,00
De prestação de serviço a prazo (não recebido) $ 30.000,00 
 $ 770.000,00
b) Despesas do ano:
Aluguéis pagos (01/01 a 30/11) $ 50.000,00
Aluguel (12) a pagar em janeiro $ 5.000,00
salários pagos (01/01 a 30/11) $ 100,000,00
Salários (12) a pagar em janeiro $ 15.000,00
Água e luz pagas $ 5.000,00
 $ 175.000,00
Pelo Regime de Caixa e de Competência, temos lucro de:
( ) $ 185.000,00 – $ 180.000,00
( ) $ 185.000,00 – $ 595.000,00
( ) $ 595.000,00 – $ 185.000,00
( ) $ 180.000,00 – $ 590.000,00
Agora você já conheceu a estrutura conceitual da contabilidade, e para 
que esta consiga desempenhar seu papel, dentro de todos seus preceitos, é 
fundamental um plano de contas, pois, é através dele que se registram os 
acontecimentos de uma empresa.
inicialmente, veremos o que é conta e, posteriormente, estudaremos o 
plano de contas.
Plano dE ContaS
na sua linguagem cotidiana, o que representa a palavra conta? Possivelmente, 
sua resposta será:
- É quanto se deve na farmácia, no supermercado, na loja, enfim, é tudo 
aquilo que tenho para pagar.Vejamos o conceito do ponto de vista técnico, ou seja, da contabilidade:
CONTA – é o nome técnico dado aos componentes patrimoniais (Bens, 
Direitos, Obrigações e Patrimônio Líquido) e aos elementos de resultados 
(Despesas e Receitas).
23
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
23
 Capítulo 1 
E, agora você deve estar perguntando, mas para que servem essas 
contas dentro da contabilidade? É através das contas que a contabilidade 
consegue desempenhar o seu papel. Por isso, elas devem ser tratadas com 
bastante carinho pelos contabilistas. Todos os acontecimentos que ocorrem 
na empresa, responsáveis pela sua gestão, como as compras, as vendas, os 
pagamentos, os recebimentos são registrados em livros próprios, através das 
contas. (RiBEiRO, 1996).
Até aqui você ficou sabendo que as contas são importantes para os 
registros contábeis. São elas que permitem a escrituração dos atos e fatos 
ocorridos nas empresas. Todo o contabilista, ao proceder a escrituração 
contábil, deve ter em mãos uma relação de todas as contas necessárias ao 
seu processo contábil. Essa relação de contas chama-se plano de contas.
Através das contas se faz a escrituração contábil dos atos e fatos ocorridos 
nas empresas. Esclarecemos que os atos são os acontecimentos que ocorrem 
na empresa e que não provocam alterações no patrimônio, e os fatos são os 
acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais, podendo 
ou não alterar o patrimônio).
Então, você deve estar pensando: afinal, o que é o Plano de Contas?
a) Plano de contas
O Plano de Contas é a estrutura sobre a qual se constrói e elabora a 
escrituração, com a finalidade de mantê-la ordenada, de forma a obter, de 
maneira clara e objetiva, os dois instrumentos informativos mais importantes 
da contabilidade: o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do 
Exercício (PADOvEZE, 2000).
Em outras palavras, o plano de contas deve ser planejado com a mesma 
estrutura do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do 
Exercício.
Para Padoveze (2000, p.73), é chamado plano de contas:
conjunto de contas criado pelo contador, para atender às 
necessidades de registro dos fatos administrativos, de forma 
a possibilitar a construção dos principais relatórios contábeis 
e atender a todos os usuários da informação contábil.
O Plano de Contas deve ser tão detalhado, conforme as necessidades e 
o interesse da empresa em informações detalhadas; não existem regras que 
estabeleçam o número máximo ou o número mínimo de contas que um plano 
de contas deve conter. É preciso que se saiba, todavia, que o plano de contas 
Através das contas 
se faz a escrituração 
contábil dos atos 
e fatos ocorridos 
nas empresas. 
Esclarecemos que 
os atos são os 
acontecimentos que 
ocorrem na empresa 
e que não provocam 
alterações no 
patrimônio, e os fatos 
são os acontecimentos 
que provocam 
variações nos valores 
patrimoniais, podendo 
ou não alterar o 
patrimônio).
O Plano de Contas 
deve ser tão 
detalhado, conforme 
as necessidades e o 
interesse da empresa 
em informações 
detalhadas; não 
existem regras que 
estabeleçam o número 
máximo ou o número 
mínimo de contas que 
um plano de contas 
deve conter. 
deve estar elaborado de forma a permitir a inclusão de novas contas, sempre 
que isto se fizer necessário. Portanto, o grau de detalhamento do plano de 
contas varia segundo o interesse do contador e da empresa, levando sempre 
em consideração a necessidade de registrar todas as ocorrências na vida de 
uma empresa.
No livro Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações-FIPECAFI, 
você encontrará, no capitulo 2, mais informações e também um modelo de 
PlAnO DE COnTAs. 
b) Técnica da elaboração do plano de contas
 
O Plano de contas deve possuir contas em número suficiente para 
registrar todos os valores positivos, todos os valores negativos, 
todos os ingressos e todas as despesas de forma detalhada, a fim 
de não ocorrerem confusões. na preparação do Plano de Contas 
deve-se iniciar do grupo maior para os grupos menores - do geral 
para o particular. (FAGUnDEs, 2009).
Assim, segundo Fagundes (2009), podemos dizer que o plano de contas 
pode se dividir em quatro grandes grupos:
• Contas patrimoniais: - ativo
 - passivo e patrimônio líquido 
• Contas de resultado: - receitas
 - despesas 
Ou, visando à elaboração da demonstração do resultado do exercício, em 
apenas três:
•	 Ativo: agrupando todas as contas que representam bens ou direitos da empresa.
•	 Passivo e patrimônio líquido: agrupando todas as contas que representam 
as obrigações da empresa e o capital próprio (patrimônio líquido).
•	 Contas de resultado: agrupando as contas de resultado. seu saldo 
representa uma receita, um ingresso, um lucro, quando credor, ou uma 
despesa, um gasto, uma perda, quando devedor.
As contas de segundo grau são aquelas que representam o agrupamento 
de contas em que se divide o ativo, o passivo e as contas de resultado, com 
o mesmo ordenamento em que é feita a apresentação das demonstrações 
contábeis. 
25
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
25
 Capítulo 1 
Assim, teremos dentro do ativo, os seguintes grandes grupos, conforme a 
Medida Provisória 449/2008:
1 ATIVO
1.1 Ativo Circulante: Este grupo agrega as contas que representam os 
valores disponíveis em caixa, em bancos, os valores a receber até a data 
do próximo balanço, os estoques e as despesas pagas antecipadamente 
e que influenciarão os resultados do exercício seguinte. Este grupo pode 
ser dividido em outros subgrupos de acordo com as necessidades e 
conveniências. 
1.2 Ativo Não-Circulante: Este grupo agrega as contas que representam 
os valores a receber (os direitos) cujo vencimento ocorre após o balanço 
seguinte, denominado Ativo Realizável a Longo Prazo; e as contas 
representativas dos bens adquiridos com caráter permanente, que são os 
Investimentos, as Imobilizações e o Intangível:
a) Investimentos: Agrupam as contas que representam as aplicações 
de recursos financeiros em outras empresas ou em bens que não 
mantenham relação com a atividade objeto da empresa.
b) Imobilizações: Aqui se agrupam as contas que representam as 
aplicações de recursos financeiros que visam à manutenção da atividade 
objeto da empresa e as respectivas contas de regularização.
c) Intangível: Os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos, 
destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa 
finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. 
2 PASSIVO
2.1 Passivo Circulante: Reúne as contas representativas das obrigações 
da empresa, vencíveis no decurso do exercício seguinte (antes do 
próximo balanço). 
2.2 Passivo Não-Circulante: Agrupa as contas que representam as obrigações 
que terão seu vencimento após o decurso do exercício seguinte (após o 
próximo balanço); também neste grupo estão as contas de Resultado de 
Exercícios Futuros e do Patrimônio líquido. 
a) Resultado de exercícios futuros: são as contas que representam 
as receitas e despesas relativas a obras, cujo ciclo operacional seja 
superior a um ano. Ex.: a construção de um edifício.
26
 Contatibilidade Geral
26
b) Patrimônio líquido: são as contas que representam o patrimônio líquido 
da empresa, formado pelo seu capital social, suas reservas e lucros ou 
prejuízos acumulados.
rESultado do PEríodo
O resultado do período compara as receitas com as despesas do período, 
reconhecidas e apropriadas, conforme o regime de competência, já estudado 
neste capítulo, apurando um resultado que pode ser positivo ou negativo. As 
contas que compõem este resultado estão descritas a seguir:
a) Receita Bruta: reúne as contas que representam a receita bruta das 
vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou apenas, de serviços.
b) Abatimentos da Receita Bruta: reúne as contas que representam as vendasanuladas, os descontos incondicionais e os impostos incidentes sobre as 
vendas, dos quais o comerciante é mero repassador (iCMs, Pis e COFins).
c) Custo das Vendas: neste grupo se reúnem as contas utilizadas na apuração 
do custo das mercadorias vendidas: mercadorias estoque (EI); compras à 
vista; compras a prazo; fretes sobre compras e devolução de compras. 
 
d) Despesas Operacionais: são todas as despesas necessárias à atividade 
geral da empresa, tendo em vista o fim a que ela se propõe. Este grupo, 
geralmente, é dividido em subgrupos, de acordo com o interesse da empresa 
(despesas com vendas, despesas administrativas, despesas financeiras etc.)
É importante ressaltar os aspectos operacionais que o contador deve 
levar em consideração, na criação das contas. são elementos que ele cria e 
dos quais se utiliza para melhor controlar o patrimônio de uma entidade. com 
o objetivo de responder às três perguntas básicas para o responsável pela 
entidade contabilizada, que são:
• O que tenho e devo e qual o valor do que tenho e devo?
• Respondida através do Balanço Patrimonial.
• Quanto ganhei no último período?
• Respondida pela variação do Patrimônio líquido, no Balanço Patrimonial e 
na Demonstração de Resultados.
• Como foi o ganho do último período?
O resultado do período 
compara as receitas 
com as despesas do 
período, reconhecidas 
e apropriadas.
27
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
27
 Capítulo 1 
• Respondida pela Demonstração dos Resultados (Receitas – Despesas).
O contador cria tantas contas quantas forem necessárias, para registrar 
todos os fatos que possibilitem tais respostas.
Para finalizar, você deve ter percebido que, para assegurar a uniformidade 
na utilização de contas para o registro das transações, as empresas se utilizam 
de um plano de contas.
Um plano de contas representa a organização das contas usadas pela 
empresa para o registro das transações, com o objetivo de assegurar a 
uniformidade na sua utilização. 
Neste capítulo, você conheceu alguns termos usados na contabilidade, 
tais como: Ativo, Passivo e Patrimônio líquido. no próximo capítulo, em que 
estudaremos o patrimônio, esses termos serão melhor esclarecidos.
ATIVIDADE DE ESTUDOS:
O sistema patrimonial de contas divide-as em quatro grandes agrupamentos:
 Contas Patrimoniais = contas de Ativo e Passivo
 Contas de Resultado = contas de Receitas e Despesas
As contas abaixo representam um patrimônio em detalhe.
Coloque (A) se for conta de Ativo; (P) se for conta de Passivo; (D) se for 
conta de Despesa; e (R) se for conta de Receita.
( ) Caixa ( ) Empréstimos ( ) Bancos com movimento
( ) Juros recebidos ( ) Juros pagos ( ) Fretes e despachos
( ) Salários a pagar ( ) Salários ( ) Duplicatas a receber
( ) Móveis e utensílios ( ) Vendas ( ) Descontos obtidos
( ) Duplicatas a pagar ( ) Mercadorias estoque ( ) Aluguéis pagos
( ) Encargos de INSS ( ) Aluguéis recebidos ( ) Capital Social
( ) Comissões pagas ( ) Comissões recebidas ( ) Viagens e refeições
( ) Energia elétrica ( ) Gastos com telefone ( ) FGTs a pagar 
algumaS ConSidEraçõES
Neste capítulo, conhecemos que o objetivo da contabilidade é avaliar o 
patrimônio da empresa, fornecendo informações úteis aos diversos tipos 
de usuários. Podemos perceber que a contabilidade não é propriedade do 
contador e nem a ele se destina. Compete a este importante profissional 
comunicar, da forma mais apropriada possível, a informação que possa auxiliar 
os tomadores de decisão.
Entendemos que os conceitos contábeis devem ser claros e concisos, 
de modo a serem corretamente entendidos pelos usuários. Vimos, também, 
que os usuários são divididos em usuários internos, que são pessoas que 
trabalham na entidade, ou externos, como por exemplo, a autoridade fiscal, os 
investidores, as agências reguladoras do governo, os fornecedores e clientes. 
Diferenciamos os regimes de caixa e de competência e aprendemos que, 
na contabilidade, usamos o regime de competência. 
E, não menos importante, você compreendeu que o plano de contas é um 
guia para se fazer contabilidade e que cada empresa deverá efetuar um plano 
de contas de acordo com suas necessidades.
rEFErênCiaS
BRASIL. Medida provisória n. 449/08, de 4 de dezembro de 2008. 
Diário	Oficial	da	União, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 dez. 2008. 
Seção 1. Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/mate/servlet/
PDFMateServlet?s=http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/MateFO.
xsl&o=ASC&m=88571>.Acesso em: 11 abr. 2009.
FAGUNDES, Jair Antonio. Site do contador. Disponível em: <http://www.jair.
fema.com.br/>. Acesso em: 23 abr. 2009.
FAVERO, Hamilton Luiz. Contabilidade: teoria e prática. são Paulo: Atlas, 
1997.
FRAnCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. são Paulo: Atlas, 1998.
HOJI, Masakazu. Administração	financeira: uma abordagem prática. 2. ed. 
são Paulo: Atlas, 2000. 
29
Estrutura ConCEitual da ContabilidadE
29
 Capítulo 1 
PADOvEZE, Clóvis luís. Manual de contabilidade básica. Uma introdução 
à prática contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
RiBEiRO, Osni Moura. Contabilidade básica. 20. ed. são Paulo: saraiva, 
1996.
30
 Contatibilidade Geral
30
CAPÍTUlO 2
Patrimônio
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender a situação patrimonial das entidades.
 3 Classificar a situação do patrimônio das entidades.
 3 Diferenciar origens e aplicações de recursos.
CAPÍTUlO 2
Patrimônio
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender a situação patrimonial das entidades.
 3 Classificar a situação do patrimônio das entidades.
 3 Diferenciar origens e aplicações de recursos.
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 Contatibilidade Geral
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33
Patrimônio
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 Capítulo 2 
ContExtualização
Vamos pensar juntos. O tema deste capítulo é o patrimônio. Você deve 
estar pensando: eu já ouvi este termo, de fato, ouviu, sim! No capítulo1, 
mencionamos este termo. Lembra da questão de montar uma loja de 
eletrodomésticos? nela foi comentado como se forma o patrimônio de uma 
empresa. Como você já tem uma breve noção de patrimônio, neste capítulo 
trataremos com mais detalhes sobre este assunto.
Para tanto, inicialmente trataremos do conceito de patrimônio. A seguir, 
vamos diferenciar os aspectos do patrimônio (quando é qualitativo ou 
quantitativo). Veremos a representação gráfica, a situação líquida e a equação 
fundamental do patrimônio. Por fim, conheceremos o que são origens e 
aplicações de recursos. 
Patrimônio
Patrimônio é o conjunto de riquezas de propriedade de alguém ou de uma 
empresa. Padoveze (2000, p. 37) dá a seguinte definição para patrimônio: “É 
o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade”.
Quando você entra em um supermercado, por exemplo, encontra 
inúmeros objetos, como balcão, vitrines, prateleiras, computadores e uma 
infinidade de mercadorias para venda. Todos estes objetos são os bens que o 
supermercado possui. 
Bens são coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas; do 
ponto de vista das empresas, os bens são tudo aquilo que elas possuem, seja 
para seu uso, venda ou consumo.
Os bens classificam-se em: bens materiais e imateriais, segundo 
Padoveze (2000).
Se você consultar outros autores, você também encontrará esta classificação, 
já que os conceitos a seguir são fundamentais na Ciência Contábil. Contudo, 
neste caderno optamos pela abordagem de Pavodeze (2000). 
a) Bens materiais: são também chamados de bens corpóreos, ou de bens 
tangíveis; representam os objetos que a empresa tem para uso (prédios, 
móveis, carros etc.), para venda/troca (mercadorias, dinheiro etc.), ou para 
consumo (material de limpeza, de expediente etc.).
Bens são coisas 
capazes de satisfazer 
as necessidadeshumanas; do ponto de 
vista das empresas, os 
bens são tudo aquilo 
que elas possuem, 
seja para seu uso, 
venda ou consumo.
34
 Contatibilidade Geral
34
b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são 
os gastos que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como 
parte do patrimônio (ativo diferido, gastos com reformas, benfeitorias, etc.); 
como tais também são classificadas as marcas e as patentes, o fundo de 
comércio, etc.
Os conceitos a seguir também nos ajudam a entender melhor o conceito 
de patrimônio:
• Constituem Direitos os valores que as empresas têm para receber de terceiros, 
tais como duplicatas a receber, promissórias a receber, aluguéis a receber, etc.
• Constituem as Obrigações os valores que as empresas têm a pagar a 
terceiros, como duplicatas a pagar, salários a pagar, impostos a pagar, etc.
Constituem Direitos para a empresa todos os valores que ela tem a 
receber de terceiros (terceiros, no caso, são os clientes da empresa). 
 As Obrigações para a empresa são todos os valores que ela tiver a 
pagar para terceiros (neste caso, terceiros são os fornecedores, bancos e 
outras pessoas para quem a empresa deve).
Depois de analisar estes conceitos, você deve ter compreendido que o 
patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações. 
Mas, se eu disser que o Patrimônio da minha empresa é:
BENS + DIREITOS + OBRIGAÇÕES
somente com essas informações será possível avaliar o tamanho desse 
Patrimônio? É evidente que não. É necessário ressaltar dois aspectos que a 
contabilidade leva em conta para representar os elementos que compõem o 
Patrimônio: o qualitativo e o quantitativo.
ASPECTO QUALITATIVO E QUANTITATIVO
Vimos, a princípio, que o Patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e 
Obrigações. Porém, existe a necessidade de ressaltar dois aspectos que a 
contabilidade deve levar em conta para representar adequadamente os 
elementos que compõem o patrimônio: o qualitativo e o quantificativo:
a) Aspecto Qualitativo: consiste em qualificar os nomes, os títulos dados 
aos elementos patrimoniais, de acordo com sua classificação contábil; 
designando assim a natureza de cada elemento.
35
Patrimônio
35
 Capítulo 2 
Exemplo: 
 BENS DIREITOS OBRIGAÇÕES
Dinheiro Contas a Pagar
Veículos Duplicatas a receber Impostos a Pagar
Máquinas Financiamentos a Pagar
Com este conhecimento, já melhorou a ideia que se pode ter do Patrimônio 
da minha empresa. Mas ainda não basta, pois, eu pergunto: quanto dinheiro 
possuo? Quantos veículos tenho? Quanto tenho a pagar? Daí a necessidade 
do segundo aspecto.
b) Aspecto Quantitativo: consiste em dar a esses bens, direitos e obrigações 
seus respectivos valores.
Veja o exemplo:
 BENS R$
 Dinheiro 10.000,00
 veículos 50.000,00
 Máquinas 80.000,00
 DIREITOS
 Duplicatas a Receber 15.000,00
 OBRIGAÇÕES
 Contas a pagar 18.000,00
 impostos a pagar 8.000,00
Com essas informações é possível fazer uma ideia do tamanho do 
Patrimônio da minha empresa, pois ficou esclarecido o que e quanto 
a empresa tem em Bens, Direitos e Obrigações. O próximo passo é a sua 
representação gráfica.
rEPrESEntação gráFiCa do Patrimônio
Na representação gráfica, conforme o modelo a seguir, temos, de um 
lado, os Bens e os Direitos, que formam o grupo dos elementos positivos, 
denominados de Ativo, e do outro lado, as Obrigações, que formam o grupo 
dos elementos negativos, denominados de Passivo. 
 
36
 Contatibilidade Geral
36
 Patrimônio
 Ativo Passivo
 Bens Obrigações
 Móveis e Utensílios Duplicatas a pagar
 Estoques impostos a pagar
 Caixa 
 Direitos 
 Duplicatas a receber P L
 
Essa é a forma de representar o patrimônio de uma empresa, que recebe o nome 
de Balanço Patrimonial. note que mais dois nomes apareceram: Ativo e Passivo. 
Até agora, nos limitamos a esclarecer o que é Ativo e Passivo e onde 
devem ser colocados os elementos representativos dos Bens, Direitos e 
Obrigações. Para que a representação gráfica do Patrimônio Líquido esteja 
completa, é preciso representar os elementos que o compõem com seus 
respectivos valores. É isso que faremos nesta parte do capítulo. E, por que 
estudar as situações líquidas?
- Para atender a um grande objetivo: acrescentar ao seu conhecimento 
mais um grupo de elementos na representação gráfica do patrimônio.
Situação líquida ou Patrimonio líquido
Esse novo grupo, que se chama Patrimônio Líquido, juntamente com 
o Ativo e o Passivo, completará a representação gráfica do Patrimônio, 
permitindo que o total do lado esquerdo seja igual ao do lado direito, dando-
lhe a forma de equação. Entretanto, para que você possa compreender 
melhor esse novo grupo de elementos (Patrimônio líquido), vamos estudar as 
situações líquidas patrimoniais.
Se considerarmos, de forma simplificada, apenas Ativo e Passivo, 
podemos denominar como situação líquida, ou Pl, a diferença simples entre 
Ativo e Passivo. neste caso não tomamos inicialmente o Pl como grupo do 
Passivo, mas sim, como resultado dessa diferença:
Ativo – Passivo = PL
a) Situação Líquida Positiva (PL > 0)
Dado o exposto, há três situações possíveis em relação à Situação 
Líquida, ou PL. A primeira delas é a situação em que a soma dos bens 
37
Patrimônio
37
 Capítulo 2 
e direitos supera o total das obrigações da empresa. Tal situação pode ser 
definida como situação líquida positiva, situação superavitária, ativo maior que 
passivo, ou situação líquida ativa. (lUCEnA, 2009).
Vejamos o exemplo a seguir:
 PATRIMÔNIO
 ATIVO PASSIVO
Bens Obrigações
 Caixa 4.000,00 Fornecedores 12.000,00
 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 3.000,00
Direitos
 Clientes 25.000,00 Pl 45.000,00
 
 TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00
Perceba no exemplo que o PL é maior que zero, ou seja, há uma situação 
líquida positiva.
b) Situação Líquida Negativa (PL < 0)
Como consequência da definição apresentada, podemos ter uma situação 
em que o PL seja negativo; ou seja, uma situação líquida negativa, na qual 
o Ativo é menor que o Passivo; também chamada de deficitária, passiva ou, 
simplesmente, de passivo a descoberto. (LUCENA, 2009).
Observemos o exemplo que segue:
 PATRIMÔNIO
 ATIVO PASSIVO
Bens Obrigações
 Caixa 4.000,00 Fornecedores 40.000,00
 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 25.000,00
Direitos
 Clientes 25.000,00 Pl (5.000,00) 
 
 TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00
Note que o PL é menor que zero, ou seja, há uma situação líquida negativa.
c) Situação Líquida Nula (PL = 0)
seguindo o mesmo raciocínio patrimonial, é fato que possamos ter uma 
38
 Contatibilidade Geral
38
situação em que o PL seja nulo, ou seja, igual a zero; também chamada de 
situação líquida nula, inexistente, ou Ativo igual a Passivo. (lUCEnA, 2009).
Tomemos o seguinte caso:
 PATRIMÔNIO
 ATIVO PASSIVO
Bens Obrigações
 Caixa 4.000,00 Fornecedores 40.000,00
 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 20.000,00
Direitos
 Clientes 25.000,00 Pl --------- 
 
 TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00
Observe que o PL é igual a zero, ou seja, há uma situação líquida nula.
nas situações apresentadas, note que os valores do Ativo e do Passivo 
são sempre positivos, ou seja, maiores que zero. Entretanto, há casos 
particulares em que esses valores podem ser iguais a zero, porém nunca 
negativos. Teremos Passivo igual a zero no ato de constituição do patrimônio 
da empresa, em que esta não tem ainda obrigações. Outrossim, teremos o 
Ativo igual a zero porocasião do encerramento das atividades da empresa, 
em que esta não tem mais bens e/ou direitos. Estas são situações hipotéticas, 
porém, passíveis de ocorrerem. Já, em relação ao Patrimônio Líquido (PL), 
este pode ser positivo, negativo ou nulo – como vimos (lUCEnA, 2009).
Equação FundamEntal do Patrimônio 
O patrimônio, por ser um conjunto de bens, direitos e obrigações, deve ser 
demonstrado de forma bastante simples, a fim de transmitir as informações 
desejadas pelos usuários. A equação gráfica que demonstra esse patrimônio é 
denominada de Balanço Patrimonial e deve expressar: 
 BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Bens e Direitos Obrigações
 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Capital próprio
39
Patrimônio
39
 Capítulo 2 
Vejamos como fica o Gráfico Patrimonial, considerando os subgrupos contábeis:
 PATRIMÔNIO
 ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE CIRCULANTE
NÃO-CIRCULANTE NÃO-CIRCULANTE
Realizável a Longo Prazo
investimentos
Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO
intangível Capital social
 Reservas de Capital
 (+/-) Ajustes de avaliação patrimonial
 Reservas de lucros
 (-) Ações em tesouraria 
 Prejuízos Acumulados
Quadro 1 – Gráfico Patrimonial
Fonte: Adaptado de lucena (2009)
se voltar ao capítulo 1 deste caderno, no item Técnica de Elaboração do 
Plano de Contas, você encontrará a composição das contas do Ativo, Passivo 
e Patrimônio líquido.
 Chegou o momento de você saber por que o Patrimônio da empresa é 
representado pelo Balanço Patrimonial, em um gráfico de dois lados, e por 
que ambos os lados possuem o mesmo total; e, ainda, por que o valor do 
Patrimônio não é igual à soma dos dois totais encontrados nos dois lados do 
Balanço Patrimonial.
Para começar, o que a representação gráfica mostra? Ela nos mostra que 
o Passivo é a Origem de Capitais, isto é, como a empresa conseguiu os 
recursos que possui, e o Ativo mostra a Aplicação de Capitais, isto é, onde a 
empresa aplicou os recursos originados pelo lado do Passivo.
Veja a seguir o que significam os termos Origem e Aplicação de Recursos.
origEnS E aPliCaçõES dE rECurSoS
Observando um gráfico patrimonial, é possível identificar o total de 
recursos que a empresa obteve e que estão à sua disposição. O Passivo 
patrimonial representa de onde provêm esses recursos; enquanto o Ativo 
O Passivo patrimonial 
representa de onde 
provêm esses 
recursos; enquanto 
o Ativo patrimonial 
representa onde a 
empresa os aplicou.
40
 Contatibilidade Geral
40
patrimonial representa onde a empresa os aplicou. Vejamos especificamente 
cada um desses conceitos:
a) Passivo (Origem de Recursos)
São os recursos totais à disposição da empresa, que têm origem em duas fontes:
• Recursos de terceiros: correspondem às obrigações; 
são os recursos provenientes de terceiros e que a 
empresa utiliza para a suas atividades, estes recursos 
são denominados débitos de funcionamento (débitos 
com fornecedores, débitos fiscais, obrigações 
trabalhistas, etc.). Também são recursos de terceiros 
os débitos de financiamento, como os empréstimos, 
financiamentos, etc.
• Recursos próprios: são recursos provenientes do 
capital próprio dos sócios (Capital Social), bem como os 
acréscimos a esse capital decorrentes da gestão normal 
da empresa, como lucros e reservas. Os recursos 
próprios da empresa estão todos localizados nas contas 
do Patrimônio líquido (Pl). (lUCEnA, 2009).
b) Ativo (Aplicações de Recursos)
O lado do Ativo mostra onde a empresa aplicou seus recursos. Como 
exemplo, podemos citar os valores em caixa e em bancos, os saldos de 
estoque, os imóveis, etc.
Vejamos um exemplo prático desses conceitos, na perspectiva de Lucena (2009):
 PATRIMÔNIO
 ATIVO PASSIVO
 CiRCUlAnTE CiRCUlAnTE
 Caixa 23.000,00 Fornecedores 18.000,00
 Clientes 30.000,00 impostos a recolher 5.000,00
 Estoques 50.000,00 salários a pagar 8.000,00
 nÃO-CiRCUlAnTE nÃO-CiRCUlAnTE
 Realizável a Longo prazo Financiamentos 15.000,00 
 Clientes 10.000,00 Aluguéis ativos a vencer 2.000,00
 Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Móveis 6.000,00 Capital social 70.000,00
 imóveis 34.000,00 Reservas de capital 20.000,00
 Reservas de lucro 15.000,00
 TOTAL DO ATIVO 153.000,00 TOTAL DO PASSIVO 153.000,00
41
Patrimônio
41
 Capítulo 2 
 vamos usar alguns termos úteis em relação aos componentes do 
patrimônio, representado anteriormente por lucena (2009):
• Recursos Totais = R$ 153.000,00 (é o total do Ativo ou do Passivo)
• Capital Total = R$ 153.000,00 (igual a recursos totais)
• Capital = R$ 70.000,00 (igual a capital social)
• Capital Subscrito = R$ 70.000,00 (igual a capital social)
• Capital nominal = R$ 70.000,00 (igual a capital social)
• Capital inicial = R$ 70.000,00 (igual a capital social
• Patrimônio = R$ 153.000,00 (igual a recursos totais)
• Patrimônio líquido = R$ 105.000,00
• situação líquida = R$ 105.000,00 (igual a patrimônio líquido).
• Recursos Próprios = R$ 105.000,00 (igual a patrimônio líquido)
• Recursos de Terceiros = R$ 48.000,00 (total do passivo menos Pl)
• Passivo = Origens dos Recursos
• Ativo = Aplicações dos Recursos
Quando você analisar um Balanço Patrimonial, atente para os seguintes pontos:
• o Ativo mostra em que a empresa aplicou seus recursos, ou onde ela 
aplicou todo o seu Capital;
• o Passivo mostra onde a empresa conseguiu os recursos que estão 
aplicados no ativo.
 
Depois de descrever e classificar as várias situações do Patrimônio, 
vamos conhecer, no próximo capítulo, quais são e como se elaboram as 
Demonstrações Contábeis de uma empresa.
Atividade de Estudo:
1 Diferencie o aspecto quantitativo e o aspecto qualitativo do patrimônio.
2 Dê os conceitos de bens intangíveis e bens materiais.
3 A Cia. Chaves apresenta o seguinte balancete:
Contas Saldo devedor Saldo credor
Caixa 10.200,00 
Capital 10.000,00
Terrenos 200,00 
Despesas de salários 3.000,00 
Contas a pagar 200,00
Despesas de material 220,00 
Despesas de aluguel 800,00 
Despesas de impostos 500,00 
Despesas gerais 200,00 
Receitas 4.920,00
Total 15.120,00 15.120,00
42
 Contatibilidade Geral
42
 Efetue:
a) A Demonstração de resultado
b) O Balanço Patrimonial
c) Qual a situação líquida do balanço da Cia. Chaves?
4 Classifique os elementos constantes do quadro a seguir em:
A – Bens ou Direitos ou Obrigações
B – Positivo ou negativo
C – Ativo ou Passivo
ELEMENTOS A B C
 Bens Positivo Ativo
Computadores e periféricos 
Móveis do escritório 
Duplicatas a receber 
impostos a recolher 
 Aluguéis a pagar 
Dinheiro em caixa 
Fornecedores 
instalações 
Duplicatas a pagar 
impostos a pagar 
salários a pagar 
Conta Corrente Bancária 
Máquinas 
Estoques 
Financiamentos a pagar 
Terrenos 
veículos 
Encargos sociais a pagar 
Comissões a pagar 
Móveis e Utensílios 
algumaS ConSidEraçõES
neste capítulo, conhecemos como é a composição do patrimônio de uma 
empresa, o qual é composto de bens, direitos e obrigações. Quando esses 
43
Patrimônio
43
 Capítulo 2 
elementos são representados graficamente, temos a equação patrimonial, 
onde: Ativo – Passivo = Patrimônio Líquido.
Para entender a representação gráfica do patrimônio, é preciso quantificar, 
ou seja, dar valor aos elementos que o compõem.
Podemos diferenciar as situações líquidas do patrimônio, isto é: quando o 
Ativo é maior que o Passivo, temos uma situação positiva; quando o Ativo for 
menor que o Passivo, temos uma situação negativa; e, quando o Ativo for 
igual ao Passivo, teremosuma situação nula.
Ao analisar um Balanço Patrimonial, você saberá diferenciar as origens 
e as aplicações de recursos, em que o ativo mostra em que a empresa 
aplicou seus recursos e o passivo mostra onde a empresa conseguiu os 
recursos que estão aplicados no ativo, se foram de capitais de terceiros ou 
de capitais próprios. 
 
rEFErênCiaS
LUCENA, Humberto Fernandes. Curso de contabilidade introdutória. 
Disponível em: <www.editoraferreira.com.br>. Acesso em: 24 abr.2009. 
PADOvEZE, Clóvis luís. Manual de contabilidade básica. Uma introdução à 
prática contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
44
 Contatibilidade Geral
44
CAPÍTUlO 3
EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Conhecer as demonstrações contábeis exigidas pela legislação brasileira. 
 3 Compreender como elaborar as demonstrações contábeis. 
 3 Diferenciar cada demonstração contábil.
46
 Contatibilidade Geral
46
47
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
47
 Capítulo 3 
ContExtualização
Como você já sabe, para que os usuários da informação contábil possam 
conhecer cada empresa, os mesmos utilizam as Demonstrações Contábeis, 
que representam o principal meio informativo da situação patrimonial e dos 
resultados obtidos.
No capítulo I, você compreendeu que o objetivo da contabilidade é 
prestar informações aos usuários. Agora, além da aplicação dos princípios 
fundamentais da contabilidade, você perceberá que são necessários 
cuidados especiais quanto à forma, ao conteúdo e ao nível de detalhes das 
demonstrações contábeis, pois, elas visam a responder questões básicas, tais 
como: qual	o	retorno?	qual	o	patrimônio?	qual	a	situação	financeira? Ao 
final deste capítulo, você saberá como responder essas questões.
Para tanto, inicialmente, veremos quais são as demonstrações contábeis 
exigidas das empresas. A seguir, conheceremos essas demonstrações, que 
são peças importantes extraídas dos registros contábeis e são apresentadas 
em forma de relatórios, como: Balanço Patrimonial, Demonstração do 
Resultado do Exercício, Demonstração das Mutações do Patrimônio líquido, 
Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do valor Adicionado.
EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS
normalmente, as informações geradas para os usuários externos são 
padronizadas e atendem aos requisitos da Lei n. 6.404/76, com as alterações 
dadas pela lei n. 11.638/07 e, posteriormente, pela MP 449/08. 
você encontrará, na íntegra, a lei n. 11.638/07 e a MP 449/08, acessando 
o site do Conselho Federal de Contabilidade: www.cfc.org.br. 
 
De acordo com a Lei 11.638/07, as demonstrações contábeis a serem 
elaboradas pela contabilidade são: 
•	 Balanço Patrimonial - BP
•	 Demonstração de Resultado do Exercício - DRE
•	 Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido - DMPL
•	 Demonstração do Fluxo de Caixa
•	 Demonstração do Valor Adicionado
É preciso que o profissional de contabilidade saiba, entre as diversas 
concepções de elaboração e apresentação dos relatórios contábeis, efetuar 
48
 Contatibilidade Geral
48
aquela que melhor se adapte aos usuários, levando em consideração as 
necessidades de cada usuário.
balanço Patrimonial
O balanço patrimonial é uma demonstração estática (quer dizer, parada), 
pois apresenta a situação da empresa em um dado momento. Portanto, o 
balanço patrimonial é a demonstração utilizada para refletir a posição financeira 
e patrimonial da empresa em um determinado momento. (iUDÍCiBUs, 2008).
O balanço patrimonial apresenta os bens e direitos, que são os ativos, 
e as obrigações da entidade, numa determinada data. As obrigações estão 
divididas em dois grandes grupos: o passivo, que são as obrigações da 
entidade com terceiros; e o patrimônio líquido, que são as obrigações da 
entidade para com os acionistas. A relação entre os ativos e as obrigações 
encontra-se no esquema abaixo.
A ilustração apresenta a equação contábil básica que relaciona o ativo com o 
passivo e o patrimônio líquido. Essa relação explica a denominação do balanço 
patrimonial. Em outras palavras, o ativo deve estar equilibrado – ou balanceado – 
com as obrigações. Em termos práticos, isso significa que, numa entidade, o valor 
do ativo deverá ser igual à soma do passivo e o patrimônio líquido.
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
No balanço patrimonial, as contas são classificadas segundo os 
elementos do patrimônio que registram e estão agrupadas de modo a facilitar 
o conhecimento e análise da situação financeira, segundo o artigo 178 da Lei 
6.404/76, alterado pela lei 11.638/07. 
no ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de 
liquidez dos elementos nelas registrados e, no passivo, em ordem decrescente 
de grau de exigibilidade.
O balanço patrimonial, normalmente dividido em três grandes grupos, é 
apresentado conforme o quadro a seguir:
a) Ativo: compreende as aplicações de recursos, normalmente em bens e direitos.
b) Passivo: compreende as exigibilidades e obrigações.
c) Patrimônio líquido: representa a diferença entre o ativo e o passivo, 
portanto, o valor líquido da empresa.
O balanço patrimonial 
apresenta os bens e 
direitos, que são os 
ativos, e as obrigações 
da entidade, numa 
determinada data.
49
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
49
 Capítulo 3 
BALANÇO PATRIMONIAL
 ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante Passivo Circulante
 Passivo não-Circulante
Ativo não-Circulante Receitas de Exercícios Futuros
 Realizável a Longo Prazo
 investimentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO
 Imobilizado Capital Social
 intangível Reservas de Capital
 Reservas de lucros
 +/- Ajuste Avaliação Patrimonial
 (-) Ações em Tesouraria
 Prejuízos Acumulados
Quadro 2 – Balanço Patrimonial
Fonte: Elaborado pela autora
As informações, que podem ser extraídas a partir do balanço patrimonial, são as 
mais diversas possíveis. Considere o balanço patrimonial da Cia. Estrela, apresentado 
no quadro 3. É possível constatar que o capital aplicado pelos acionistas na entidade 
é de R$ 300 mil. A esse capital, soma-se o valor dos lucros acumulados, de R$ 50 
mil. Esse montante dos lucros acumulados foi obtido a partir da demonstração das 
mutações do patrimônio líquido, mostrado no quadro 8. O passivo da entidade é 
composto por contas a pagar, de R$ 30 mil, e empréstimos obtidos em instituições 
financeiras, de R$ 220 mil. Uma análise da composição do ativo da Cia. Estrela 
revela que a maioria dos recursos está aplicada em terrenos (R$ 270 mil) e máquinas 
(R$ 230 mil). Existem recursos em conta corrente, em bancos (R$ 45 mil), valores a 
receber de terceiros (R$ 35 mil) e estoques (R$ 20 mil). 
BALANÇO PATRIMONIAL EM 31.12.2008
CIA. ESTRELA 
 ATIVO PASSIVO
 Circulante Circulante
Bancos 45.000,00 Contas a pagar 30.000,00
DP a Receber 35.000,00 Não-Circulante
Estoques 20.000,00 Empréstimos a pagar 220.000,00
 Não-Circulante
Terrenos 270.000,00 Patrimônio Líquido
Máquinas 230.000,00 Capital 300.000,00
 Reservas de lucros 50.000,00
 Total do Ativo 600.000,00 Total Passivo + P.Liquido 600.000,00
Quadro 3 – Balanço Patrimonial da Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
50
 Contatibilidade Geral
50
É importante também observar que, ao contrário da demonstração do 
resultado, o balanço patrimonial refere-se a uma data específica no tempo. 
Isso significa, por exemplo, que o valor de R$ 45 mil, do item bancos, 
expressa quanto a entidade possuía, no dia 31 de dezembro de 2008, na 
sua conta corrente. 
Para fazermos uma pequena análise do balanço da Cia. Estrela (pois, no 
capítulo 4, vamos tratar com maior profundidade sobre o assunto), observe 
o quadro 4, no qual podemos questionar onde a entidade está buscando 
dinheiro para suas operações. A resposta vem da informaçãocontábil contida 
no Balanço Patrimonial. Isto significa que poderíamos saber qual o nível 
do endividamento da Cia. Estrela, se fossemos a entidade bancária onde a 
empresa solicitou financiamento.
 Questão Informação O que Como
	 	 	 	 	 	 significa?	 															analisar?
 
 
 
Quadro 4 – Analisando a informação contábil
Fonte: Elaborado pela autora
 
dEmonStração do rESultado
do ExErCíCio (drE)
A demonstração do resultado tem por objetivo informar se, durante um 
determinado período, a entidade obteve lucro ou prejuízo. Essa demonstração 
é também conhecida como DRE (REIS, 2003).
A apresentação dessa demonstração, conforme evidenciado no quadro 5, 
obedece à seguinte ordem: primeiro apresenta-se a receita e depois a despesa. 
As receitas referem-se à prestação de serviços para clientes. Para obter 
determinada receita, a entidade necessitou utilizar uma série de insumos. As 
despesas apresentadas na demonstração do resultado representam o uso que 
Onde a 
entidade está 
buscando os 
recursos para 
financiar suas 
operações?
Balanço 
Patrimonial
A resposta 
dessa 
pergunta 
refere-se 
ao nível de 
endividamento 
da entidade
Entidades endividadas 
possuem um 
risco maior. Baixo 
endividamento pode 
significar dificuldade 
de acesso às fontes 
de recursos.
A demonstração do 
resultado tem por 
objetivo informar 
se, durante um 
determinado período, a 
entidade obteve lucro 
ou prejuízo.
51
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
51
 Capítulo 3 
se fez desses insumos. A despesa de salários diz respeito ao pagamento de 
salários aos funcionários da entidade. A despesa de aluguel está vinculada ao 
pagamento pela ocupação de um imóvel por parte da entidade. As despesas de 
vendas e administrativas são decorrentes de energia elétrica, telefone, água, 
prolabore, etc. e são relacionadas com o consumo desses itens. A despesa 
financeira corresponde aos juros decorrentes de um empréstimo realizado 
pela entidade.
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
vEnDA DE MERCADORiAs/PRODUTOs/sERviÇOs
(-) impostos s/vendas
(-) vendas Canceladas
vEnDAs lÍQUiDAs
(-) C.M.v. / C.P.v. / C.s.v.
REsUlTADO BRUTO
(-) DEsPEsAs OPERACiOnAis
vendas / Administrativas / Outras
(+/-) REsUlTADO FinAnCEiRO lÍQUiDO
(-) Despesas Financeiras
(+) Receitas Financeiras
(+/-) Resultado da Equivalência Patrimonial
REsUlTADO AnTEs DOs iMPOsTOs
(-) imposto de Renda
(-) Contribuição Social
REsUlTADO DO EXERCÍCiO
(-) Participações e Contribuições
REsUlTADO lÍQUiDO DO EXERCÍCiO
lucro por ação
Quadro 5 – Demonstração do Resultado do Exercício
Fonte: Elaborado pela autora
De acordo com o quadro 6, a Cia. Estrela apresentou uma receita de R$ 
540 mil para um total de despesa de R$ 480 mil. 
52
 Contatibilidade Geral
52
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
EM 31.12.2008 – CIA. ESTRELA
RECEITAS
 venda de Mercadorias 540.000,00
 (-) impostos s/vendas 84.000,00
 vendas líquidas 456.000,00
 (-) C.M.v. 150.000,00
 Resultado Bruto 306.000,00
(-) DESPESAS OPERACIONAIS
 Despesas de salários 85.000,00
 Despesas de aluguel 30.000,00
 Despesas de vendas 40.000,00
 Despesas de administrativas 50.000,00
 Despesas financeiras 20.000,00
RESULTADO OPERACIONAL 81.000,00
 (-) impostos s/lucro 21.000,00
LUCRO LÍQUIDO 60.000,00
Quadro 6 – DRE- Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
O quadro 6 mostra também que o confronto entre a receita de R$ 540 mil e a 
despesa de R$ 480 mil conduz a um resultado positivo, ou lucro líquido, de R$ 60 mil. 
A apuração do resultado de uma entidade é uma das informações mais 
relevantes para o usuário. Uma entidade que consegue obter bons lucros 
provavelmente terá condições de crescer, ganhar mercado e pagar em dia 
seus passivos. Além disso, a obtenção de lucro é sinal de que a entidade pode 
distribuir esse resultado para seus acionistas, sob a forma de dividendos. 
 Analisando a Demonstração de Resultado da Cia. Estrela, conforme o 
quadro 7, podemos perceber que a empresa é lucrativa. (no capítulo 4 você 
verá com mais detalhes a análise desta demonstração).
 Questão Informação O que Como
	 	 	 	 	 	 significa?	 															analisar?
Quadro 7 – Analisando a informação contábil
Fonte: Elaborado pela autora
A apuração do 
resultado de uma 
entidade é uma das 
informações mais 
relevantes para o 
usuário.
A entidade 
é lucrativa?
Demonstração 
do Resultado
Verificar se as receitas 
são superiores 
às despesas.
Em geral, quanto 
maior o lucro, melhor o 
desempenho da entidade.
53
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
53
 Capítulo 3 
É importante notar que, na demonstração do resultado, não existe 
informação sobre o destino do resultado. Essa informação será dada pela 
demonstração das mutações do patrimônio líquido (nele se encontra um item 
relacionado ao lucro acumulado), as quais serão estudadas a seguir.
dEmonStração daS mutaçõES
PatrimoniaiS (dmPl)
A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
(DMPl) é facultativa e, de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da lei das 
S/A, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser 
incluída nesta demonstração.
A DMPL é uma demonstração mais completa e abrangente, já que 
evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido durante o 
exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas 
do lucro. As contas que formam o Patrimônio líquido podem sofrer variações 
por inúmeros motivos, tais como: 
a) Itens que afetam o patrimônio total
• acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; 
• redução por dividendos; 
• acréscimo por ajustes patrimoniais de ativos (quando o resultado for credor); 
• acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos; 
• acréscimo por subscrição e integralização de capital;
• acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações 
integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; 
• acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; 
• acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures; 
• redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; 
• acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores. (LEI DAS S/A. 6404/76).
b) Itens que não afetam o total do patrimônio
• aumento de capital com utilização de lucros e reservas; 
• apropriações do lucro líquido do exercício, reduzindo a conta Lucros 
Acumulados para formação de reservas, como: Reserva legal, Reserva de 
Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras; 
• reversões de reservas patrimoniais para a conta de Reservas de lucros; 
• compensação de Prejuízos com Reservas. (LEI DAS S/A. 6404/76). 
A DMPL é uma 
demonstração 
mais completa 
e abrangente, já 
que evidencia a 
movimentação de 
todas as contas do 
patrimônio líquido 
durante o exercício 
social, inclusive a 
formação e utilização 
das reservas não 
derivadas do lucro. 
54
 Contatibilidade Geral
54
A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é 
uma demonstração bastante simples, pois é representada, de forma sumária 
e coordenada, pela movimentação que houve durante o exercício nas 
diversas contas do Patrimônio líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, 
Reservas de Lucros, Ajuste de avaliação Patrimonial, Ações em Tesourariae 
Prejuízos Acumulados. Através da demonstração das mutações do patrimônio, 
os sócios e acionistas verificam o que aconteceu com a riqueza efetiva da 
empresa e deles também, pois nela está contemplada uma coluna referente 
aos lucros acumulados; assim, o usuário poderá ter uma ideia da prática de 
pagamentos de dividendos e da distribuição dos lucros da entidade (PORTAL 
DA COnTABiliDADE, 2009).
Se o usuário for um investidor, ele poderá inferir as chances de receber 
bons dividendos no futuro, a partir dessa demonstração. Esse é o caso da Cia. 
Estrela que, no exercício de 2008, obteve um lucro de R$ 60 mil e distribuiu R$ 
55 mil. Desta forma, os lucros acumulados da entidade aumentaram de R$ 45 
mil para R$ 50 mil, conforme você pode constatar no quadro a seguir.
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO –
CIA. ESTRELA em 31.12.2008
 Descrição Capital Reserva lucros Total 
 lucros acumulados
saldo em 31.12.2006 300.000,00 45.000,00 345.000,00
lucro exercício 60.000,00 60.000,00
Destinação do lucro: 
 Reservas de lucros 5.000,00 (5.000,00) 
 Dividendos (55.000,00) (55.000,00)
Saldo em 31.12.2007 300.000,00 50.000,00 - 0 - 350.000,00
Quadro 8 – DMPl – Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
dEmonStração do Fluxo dE Caixa
A demonstração do fluxo de caixa apresenta a movimentação dos recursos 
financeiros da entidade. Essa demonstração apresenta os valores que a 
entidade recebeu e os valores que a entidade pagou, durante um determinado 
período de tempo. A demonstração do Fluxo de Caixa está prevista no inciso 
iv do caput do art. 176 da lei 6.404/76, alterada pela lei 11.638/2007.
Para compreender melhor a análise dessa demonstração, acompanhe com 
atenção as etapas seguintes: os pagamentos e recebimentos são classificados 
Através da 
demonstração 
das mutações do 
patrimônio, os sócios 
e acionistas verificam 
o que aconteceu 
com a riqueza efetiva 
da empresa e deles 
também
A demonstração 
do fluxo de caixa 
apresenta a 
movimentação dos 
recursos financeiros da 
entidade.
55
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
55
 Capítulo 3 
em três grupos de atividades executadas por uma entidade: (1) atividades 
operacionais; (2) atividades de investimento; (3) atividades de financiamento. 
Além de mostrar cada uma dessas atividades, a demonstração do fluxo de caixa 
apresenta o valor inicial do caixa, a variação no período e o valor final. 
 Os usuários dessa demonstração estão interessados em saber onde 
a entidade obteve caixa, como esses recursos foram aplicados e qual a 
mudança, no caixa, durante o período. Podemos dizer que a utilidade desta 
demonstração permite:
a) Aos investidores, credores e outros usuários avaliar:
– a capacidade de gerar fluxos futuros de caixa;
– a capacidade de saldar obrigações e pagar dividendos;
– a flexibilidade financeira da empresa;
– a taxa de conversão do lucro em caixa.
b) Que investidores, credores e outros usuários avaliem:
– o desempenho operacional de diferentes empresas, por eliminar efeitos de 
critérios contábeis distintos para um mesmo tipo de transação ou evento;
– o grau de precisão das estimativas passadas de fluxos futuros de caixa;
– os efeitos sobre a posição financeira da empresa, das transações de 
investimento e financiamento.
A Demonstração do Fluxo de Caixa realizada pode ser apresentada por 
meio de duas formas: o método direto e o método indireto.
a) O método direto demonstra os recebimentos e pagamentos derivados das 
atividades operacionais da empresa, em vez do lucro líquido ajustado. Mostra, 
efetivamente, as movimentações dos recursos financeiros ocorridos no período.
FORMA DE APRESENTAÇÃO DO MÉTODO DIRETO
Atividades operacionais
(+) Recebimento de clientes
(+) Dividendos recebidos
(+) Juros recebidos
(-) Pagamentos a fornecedores
(-) Pagamentos de salários e encargos
(-) imposto de Renda Pago
(-) Juros pagos
(+/-) Outros recebimentos/pagamentos que não são definidos como 
investimentos ou financiamentos
(=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs OPERACiOnAis
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 Contatibilidade Geral
56
Atividades de Investimentos
(+) Alienação de imobilizado
(+) Alienação de investimentos
(-) Aquisição de imobilizado
(-) Aquisição de investimentos
(=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE invEsTiMEnTO
Atividades	de	financiamentos
(+) Empréstimos de capital de giro líquido (curto prazo)
(+) Empréstimos captados
(+) Aumento do capital social
(-) Pagamento de leasing (principal)
(-) Dividendos pagos
(-) Pagamento de empréstimos (principal)
(=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE FinAnCiAMEnTOs
(=) Aumento/diminuição líquida de caixa e equivalente de caixa
(+) saldo de caixa e equivalente de caixa – inicial
(=) sAlDO DE CAiXA E EQUivAlEnTE DE CAiXA – FinAl
Como se verifica, a demonstração pelo método direto facilita ao usuário 
avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos 
financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados.
b) O método indireto é aquele pelo qual os recursos provenientes das 
atividades operacionais são demonstrados, a partir do lucro líquido, 
ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado, que não afetam 
o caixa da empresa.
FORMA DE APREsEnTAÇÃO DO MÉTODO inDiRETO
Atividades operacionais
Resultado líquido
(+/-) Ajustes que não representam entrada ou saída de caixa
(+) Depreciação e amortização
(+) Provisão para devedores duvidosos
(+/-) Resultado na venda do imobilizado
(+/-) Resultado de equivalência patrimonial
(+/-) Aumento ou diminuição de contas a receber
(+/-) Aumento ou diminuição de estoques
(+/-) Aumento ou diminuição de despesas antecipadas
(+/-) Aumento ou diminuição de passivos
(+/-) Aumento ou diminuição de outros ajustes
( = ) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs OPERACiOnAis
A demonstração pelo 
método direto facilita 
ao usuário avaliar a 
solvência da empresa, 
pois evidencia toda 
a movimentação dos 
recursos financeiros, 
as origens dos 
recursos de caixa 
e onde eles foram 
aplicados.
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Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
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 Capítulo 3 
Atividades de Investimentos
(+) Alienação de imobilizado
(+) Alienação de investimentos
(-) Aquisição de imobilizado
(-) Aquisição de investimentos
(=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE invEsTiMEnTO
Atividades	de	financiamentos
(+) Empréstimos de capital de giro líquido (curto prazo)
(+) Empréstimos captados
(+) Aumento do capital social
(-) Pagamento de leasing (principal)
(-) Dividendos pagos
(-) Pagamento de empréstimos (principal)
(=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE FinAnCiAMEnTOs
(=) Aumento/diminuição líquida de caixa e equivalente de caixa
(+) saldo de caixa e equivalente de caixa – inicial
(=) sAlDO DE CAiXA E EQUivAlEnTE DE CAiXA – FinAl
A diferença básica entre os métodos consiste, principalmente, na apuração 
do Caixa Gerado pelas Operações, conforme discriminado anteriormente, pois 
as atividades de investimentos e atividades de financiamentos terão resultados 
iguais, tanto em um quanto noutro método. 
FLUXO DAS OPERACOES
 Método Direto Método Indireto
 (+) Recebimentos Lucro Líquido do Exercício
 de clientes (+ /-) itens que não afetam o CCl
 de juros (+) redução nas contas
 de dividendos (método do custo) operacionais do Ativo Circulante
 (-) Pagamentos (-) aumento nas contas
 a fornecedores operacionais do Ativo Circulante
 de impostos (+) aumento nas contas
 encargos operacionais do Passivo Circulante
 de despesas operacionais (-) redução nas contas operacionais
 do Passivo Circulante
 (=) Caixa Gerado pelas Operações (=) Caixa Gerado pelas Operações
Quadro 9 - Comparativo dos Métodos
Fonte: Elaborado pela autora
A demonstração do fluxo de caixa da Cia. Estrela encontra-seno 
quadro 10. Pode-se perceber que, durante o período, o caixa da entidade 
diminuiu em R$ 30 mil. Essa redução no caixa da entidade ocorreu devido 
58
 Contatibilidade Geral
58
aos investimentos realizados, no valor de R$ 45 mil, e aos pagamentos das 
atividades de financiamento, em R$ 75 mil. Com isso, o caixa inicial de R$ 75 
mil foi reduzido para R$ 45 mil, ou seja, R$ 45.000 = R$ 75.000 – 30.000. 
 
Verifique agora o valor do item Bancos no quadro 3. Observe que o 
montante é de R$ 45 mil. isso não é uma coincidência, pois a demonstração 
do fluxo de caixa dessa entidade incorpora a movimentação ocorrida nessa 
conta da Cia. Estrela. 
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DA CIA.
ESTRELA EM 31.12.2008
Fluxo de Caixa das atividades operacionais
 (+) Recebimento de clientes 550.000,00
 (-) Pagamento de salários 240.000,00
 (-) Pagamento de aluguel 60.000,00
 (-) Despesas de vendas 75.000,00 
 (-) Despesas de administrativas 85.000,00 
 Caixa das atividades operacionais 90.000,00
Fluxo de Caixa atividade de financiamentos
 (-) Pagamento de dividendos 55.000,00
 (-) Pagamento financiamento 20.000,00
 Caixa das atividade de financiamentos (75.000,00)
Fluxo de Caixa atividade de investimentos
 (-) Aquisição de terreno 27.000,00
 (-) Aquisição de máquinas 18.000,00
 Caixa das atividades de investimentos (45.000,00)
Redução no caixa (30.000,00)
Caixa início período 75.000,00
Caixa final período 45.000,00
Quadro 10 – Demonstração do Fluxo de Caixa
Fonte: Elaborado pela autora
O fluxo de caixa é fundamental para as empresas, constituindo-se numa 
indispensável sinalização dos rumos financeiros do negócio. Para se manter em 
operação, a empresa deve liquidar corretamente seus vários compromissos, 
devendo, como condição básica, apresentar respectivo saldo em seu caixa 
nos momentos dos vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar 
cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias e ser 
causa de uma séria descontinuidade em suas operações. 
O fluxo de caixa 
é fundamental 
para as empresas, 
constituindo-se 
numa indispensável 
sinalização dos rumos 
financeiros do negócio.
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Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
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 Capítulo 3 
dEmonStração do valor adiCionado (dva)
A Demonstração do Valor Adicionado tem a função de divulgar e identificar 
o valor da riqueza gerada pela entidade, e como essa riqueza foi distribuída 
entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua 
geração. A partir do exercício social de 2008 (conforme a lei 11638/07), essa 
demonstração tornou-se obrigatória para as sociedades anônimas de capital 
aberto e também para as empresas de grande porte. O Valor Adicionado 
constitui-se da receita de venda, deduzida dos custos dos recursos adquiridos 
de terceiros. É, portanto, o quanto a entidade contribuiu para a formação do 
Produto interno Bruto (PiB) do país. 
Para exemplificar, considere uma economia, na qual as únicas transações 
ocorridas foram as seguintes:
•	 Agricultor: venda de algodão em rama para a indústria Têxtil, por R$ 1.000.
•	 Indústria Têxtil: venda de tecido de algodão para a indústria de Confecções, 
por R$ 1.400.
•	 Indústria de Confecções: venda de camisas para os consumidores finais, 
por R$1.700.
Qual foi o valor adicionado em cada operação? 
Respondemos: na indústria têxtil foi de R$ 400,00 e, na indústria de 
confecções, foi de R$ 700,00. isto demonstra que, a cada etapa, a indústria 
vai agregando valor aos seus produtos, pois os mesmos tiveram alteração.
a) Características básicas da DVA
• Fornecer informações que demonstrem a geração de riqueza da empresa 
e seus efeitos sobre a sociedade na qual está inserida.
• Demonstra o valor adicionado em cada um dos fatores de produção e seu 
destino. Veja:
- dispêndio na remuneração dos empregados;
- geração de tributos para o governo (municipal, estadual e federal);
- remuneração do capital de terceiros, através de juros;
- remuneração dos acionistas, através da distribuição de lucros.
• O somatório dos valores obtidos nas Demonstrações de Valor Adicionado, 
apresentados pelas unidades produtivas dos mais variados níveis de 
A Demonstração do 
Valor Adicionado tem 
a função de divulgar 
e identificar o valor da 
riqueza gerada pela 
entidade.
60
 Contatibilidade Geral
60
atividades econômicas, que são classificados pelo IBGE, excluídas as 
duplas contagens, pode ser considerado como o próprio PiB do país.
• Pode-se efetuar análise vertical/horizontal dessa demonstração, com a 
comparação da participação de cada item da demonstração em sucessivos 
exercícios sociais, enfatizando sua evolução.
A partir do exercício social de 2008 (lei 11638/07), essa demonstração 
tornou-se obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto e 
também para as empresas de grande porte. A DVA é elaborada a partir da 
Demonstração do Resultado de Exercício. O modelo da DvA, evidenciado 
no quadro 11, foi elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, 
Atuariais e Financeiras da UsP.
Acesse o site www.cvm.gov.br. Ali, você encontrará a instrução CVM 
469 de 02.05.2008, que regulamentou este demonstrativo, determinando 
que a DVA pode ser elaborada de acordo com o Ofício Circular CVM/SNC/
sEP 01/2007. Modelo do Ofício Circular que apresenta a DvA e a forma de 
preenchimento (item por item) para a sua elaboração:
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO
DESCRIÇÃO VALOR 
1 RECEITAS 
1.1 vendas de mercadorias, produtos e serviços 
1.2 Provisão p/ devedores duvidosos – Reversão / (Constituição) 
1.3 não operacionais 
2 INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI) 
2.1 Matérias-primas consumidas 
2.2 Custo das mercadorias e serviços vendidos 
2.3 Materiais, energia, serviço de terceiros e outros 
2.4 Perda / Recuperação de valores ativos 
3 VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 
4 RETENÇÕES 
4.1 Depreciação, amortização e exaustão 
5 VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 
6 VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 
6.1 Resultado de equivalência patrimonial 
6.2 Receitas financeiras 
7 VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 
8 DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO* 
8.1 Pessoal e encargos 
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Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
61
 Capítulo 3 
8.2 Impostos, taxas e contribuições 
8.3 Juros e aluguéis 
8.4 Juros s/ capital próprio e dividendos 
8.5 lucros retidos / prejuízo do exercício 
* O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7. 
Quadro 11 – Modelo - Demonstração do valor Adicionado
Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras da USP.
Como já sabemos, para a elaboração da DVA, precisamos ter a 
Demonstração do Resultado do Exercício; no quadro 12, faremos a 
Demonstração do valor Adicionado da Cia. Estrela, de acordo com sua DRE 
(veja o quadro 6). 
DEMONSTRAÇÃO VALOR ADICIONADO CIA. ESTRELA
DESCRIÇÃO VALORES %
1 Receitas 540.000,00
2 Insumos adquiridos terceiros
 2.1 Mercadorias (150.000,00)
 2.2 Outros insumos (90.000,00)
3 Valor adicionado líquido 300.000,00
4 Valor adicionado a distribuir 300.000,00
5 Distribuição do valor adicionado: 300.000,00100%
 5.1 Pessoal e encargos 85.000,00 35%
 5.2 Impostos 105.000,00 17%
 5.3 Aluguéis e juros 50.000,00 20%
 5.4 lucros retidos 60.000,00
Quadro 12 – Demonstração do valor Adicionado
Fonte: Elaborado pela autora
Após a elaboração desta demonstração, podemos perceber onde foi 
distribuído o valor que a empresa agregou a suas mercadorias que foram 
vendidas. Gostaria que vocês percebessem, nos percentuais da distribuição, que 
o valor dos impostos é superior ao valor dos salários, e também, no valor do lucro 
retido pela empresa, que é usado para a expansão e investimento da empresa.
Voltamos, agora, àquelas questões iniciais que coloquei: qual o retorno? qual 
a situação financeira? qual o Patrimônio? Se você olhar as demonstrações que 
foram elaboradas da Cia. Estrela, temos as respostas, isto é:
O retorno foi de $ 60.000,00, que é seu lucro, e que consta na DRE. A 
situação financeira é de $ 45.000,00, o dinheiro disponível em caixa, e que 
consta na Demonstração do Fluxo de Caixa. O Patrimônio é de $ 350.000,00, 
que você visualiza na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.
62
 Contatibilidade Geral
62
Neste capítulo, você conheceu as demonstrações contábeis e suas formas 
de elaboração. No próximo capítulo, vamos obter alguns conhecimentos sobre 
como efetuar uma análise dessas demonstrações.
Atividade de Estudo
1 Quais são as principais Demonstrações Contábeis?
2 Qual a finalidade das demonstrações contábeis?
3 A CIA. Lua de Cristal começou a operar no dia 1º. de janeiro de 2004. 
No final de 2004 a empresa apresentava as seguintes informações: Capital 
= R$ 49.000; Caixa = R$ 2.800; Contas a Pagar = R$ 7.000; Despesa de 
Aluguel = R$ 14.000; Despesa de Manutenção = R$ 2.800; Despesa de 
salários = R$ 25.200; Dividendos = R$ 21.000; Empréstimos = R$ 35.350; 
Estoques = R$ 16.800; lucros Acumulados = R$ ?; Máquinas = R$ 56.000; 
Receita de Serviços = R$ 70.000; e DP a Receber = R$ 22.750. A partir 
dessas informações, elabore:
a) a demonstração do resultado;
b) a demonstração das mutações do patrimônio líquido;
c) o balanço patrimonial. 
algumaS ConSidEraçõES
Apresentamos, neste capítulo, como estão estruturadas as demonstrações 
contábeis exigidas pela legislação brasileira. 
Ficou evidenciado que as Demonstrações contábeis são peças extraídas 
dos livros, registros e documentos, que compõem o sistema contábil de 
qualquer tipo de empresa.
Aprendemos que o Balanço Patrimonial é a demonstração contábil 
que evidencia resumidamente o patrimônio da entidade, quantitativa e 
qualitativamente; que a Demonstração do Resultado nos mostra a situação 
econômica da empresa, ou seja, se ela obteve lucro ou prejuízo num 
determinado período. Além disso, também percebemos que a Demonstração 
das Mutações do Patrimônio líquido evidencia as variações ocorridas nas 
contas do patrimônio liquido.
63
Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis
63
 Capítulo 3 
Conhecemos a Demonstração do Fluxo de Caixa, na qual estão contidos 
os valores que a empresa recebeu e os valores que a empresa pagou, durante 
um determinado período. Também vimos a Demonstração do Valor Adicionado, 
cuja função é demonstrar a riqueza gerada pela empresa e como ela foi 
distribuída entre os diversos setores que contribuem direta ou indiretamente 
para sua geração.
 
rEFErênCiaS
BRASIL. Lei n. 6404, de 15 de dezembro de 1976. Diário	Oficial	da	União, 
Brasília, DF, 17 dez. 1976.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ 
LEIS/L6404compilada.htm>.Acesso em: 11 abr. 2009.
BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário	Oficial	da	União, 
Brasília, DF, 28 de dez. 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm>.Acesso em: 15 abr. 2009.
BRAsil. Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Ofício-Circular/
CVM/SNC/SEP/N. 01/2007. Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/port/
atos/oficios/OFiCiO-CiRCUlAR-CvM-snC-sEP-01_2007.asp>. Acesso 
em: 16 abr. 2009.
iUDÍCiBUs, sérgio de et al. Manual de contabilidade das sociedades por 
ações: suplemento. são Paulo: Atlas, 2008.
PORTAL DE CONTABILIDADE. Disponível em : <http://www.
portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstmutapl.htm>.
Acesso em: 27 abr. 2009.
REIS, Arnaldo Carlos de Rezende. Demonstrações contábeis: estrutura e 
análise. são Paulo: saraiva, 2003.
64
 Contatibilidade Geral
64
CAPÍTUlO 4
 análiSE daS dEmonStraçõES ContábEiS
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem: 
 3 Explicar uma introdução ao estudo da análise das Demonstrações Contábeis. 
 3 Analisar a situação econômica e financeira. 
66
 Contatibilidade Geral
66
67
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
67
 Capítulo 4 
ContExtualização
Você já sabe que o processo contábil se inicia com a ocorrência dos fatos 
administrativos na empresa. A partir desses fatos, apoiados em documentos 
idôneos, são efetuados os registros nos livros próprios, encerrando o processo 
contábil com a apuração do resultado do exercício e com a elaboração das 
demonstrações contábeis.
Portanto, a análise das demonstrações contábeis começa a partir dessas 
demonstrações elaboradas pela contabilidade, analisando-as e interpretando-
as, para apresentar informações a respeito das conclusões obtidas na 
respectiva análise.
Assim, você conhecerá, no decorrer deste capítulo, alguns indicadores 
para a análise da situação econômico-financeira de uma empresa, feita 
por meio de indicadores que representam a liquidez (situação financeira), a 
rentabilidade (situação econômica) e a posição de endividamento (estrutura de 
capital) da empresa, em um determinado momento. 
Marion (2009) afirma que só há condição de conhecer a situação 
econômico-financeira de uma empresa por meio desses três pontos 
fundamentais de análise, ao que ele denomina de “tripé da análise”.
Figura 2 – Tripé da análise
Fonte: Marion (2009)
Para se ter uma visão rápida da situação econômico-financeira em 
determinado momento, basta apurar os índices de liquidez corrente, seca e 
geral, os índices de rentabilidade (da empresa e do empresário) e os índices 
de endividamento da empresa, em termos de quantidade e qualidade. Estes 
três índices serão vistos com mais detalhes, ao longo deste capítulo, porém, 
a critério do analista, uma série de outros indicadores, projeções e modelos 
também podem ser utilizados para se ter um melhor diagnóstico da situação 
econômico-financeira das entidades. (MARION, 2009).
Endividamento
Rentabilidade
Liquedez
68
 Contatibilidade Geral
68
ConCEitoS baSiCoS
As demonstrações contábeis mais utilizadas para efeito de análise 
contábil são o balanço patrimonial (BP), a demonstração de resultado 
do exercício (DRE), a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados 
(DLPA), a demonstração de fluxo de caixa (DFC) e a demonstração de valor 
adicionado (DVA). Você já conhece essas demonstrações, pois as estudamos 
no capítulo 3. Também podem ser consideradas, entretanto, no processo de 
avaliação, as notas explicativas que acompanham os balanços, assim como 
os pareceres de auditoria e outros relatórios emitidos pela empresa. A maior 
ênfase da análise, todavia, reside nas duas primeiras demonstrações, ou seja, 
o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, uma vez 
que tais demonstrativos identificam, de forma objetiva, a situação financeira e 
econômica da entidade em determinado momento. (MARiOn, 2009).
Os indicadores (ou índices ou quocientes) são obtidos, sempre, da divisão 
entre grandezas ou valores constantes em contas, grupos e subgrupos do 
ativo, passivo ou resultado, tais como o ativo circulante, disponível, realizável 
em curto prazo, estoques, receitas, passivo circulante, capital próprio, capital 
de terceiros, etc. Tais quocientes permitem diagnosticar a saúde econômico-
financeira das entidades, em termos de viabilidade futurae continuidade.
Para Sá (2005, p. 18), a finalidade da análise “é a de conseguir opinião 
sobre um empreendimento, para suprir a múltiplos objetivos (conceder crédito, 
julgar gestões, prever continuidade dos negócios, etc”.
Os maiores interessados na análise são os próprios acionistas. Contudo, 
uma série de outros interessados, sejam empresas, pessoas ou instituições 
que se relacionam com as empresas, sejam entidades que têm interesse 
social, podem, querem ou devem utilizar-se dos relatórios contábeis para 
análise financeira.
Para Sá (2005, p. 18), 
a finalidade da análise 
“é a de conseguir 
opinião sobre um 
empreendimento, 
para suprir a múltiplos 
objetivos (conceder 
crédito, julgar gestões, 
prever continuidade 
dos negócios, etc”.
69
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
69
 Capítulo 4 
USUÁRIOS INTERESSADOS NA ANÁLISE
 Principais Tipo
 interessados de informação
 É abrangente:
 - Avaliar a situação econômico-financeira.
 - Verificar se a rentabilidade está sendo adequada.
 - Verificar se o ativo e o passivo estão dentro do esperado.
 Buscar as evidências da:
 - Solvência/liquidez.
 - Garantia para os credores.
 - Verificação da capacidade financeira.
 Se concentram nos seguintes pontos:
 - Avaliação da empresa pelo seu potencial
 de lucros futuros.
 - Avaliação da capacidade de geração de lucros e caixa.
 - Capacidade de liquidação dos juros e dos títulos.
Quadro 13 – Usuários interessados na análise
Fonte: sá (2005, p. 19)
A análise das demonstrações contábeis não é exigida por lei. Decorre da 
necessidade de informações mais detalhadas sobre a situação do patrimônio 
e suas variações.
Os processos mais utilizados para se fazer análise das demonstrações 
contábeis são a análise horizontal, análise vertical e a análise por quocientes. 
Na sequência, você estudará a análise horizontal e vertical e, após, a análise 
por quocientes. Então, vamos à análise horizontal e vertical.
análiSE Horizontal E vErtiCal
A análise horizontal e a análise vertical das demonstrações levam à 
verificação de tendências, possibilitando a projeção de cenários, com base na 
manutenção ou alteração de determinado comportamento.
Marion (2009, p. 24-25) sugere que “quando fazemos a divisão de uma 
grandeza por outra, nossos olhos leem no sentido vertical, daí a chamarmos 
de análise vertical, considerando dados de um mesmo período (ou de um 
mesmo ano)”. O autor se refere à análise horizontal, dizendo que, “quando 
comparamos os indicadores de vários períodos (vários semestres, anos...), 
analisamos a tendência dos índices. nesse caso, a chamamos de análise 
horizontal, pois nossos olhos leem no sentido horizontal”.
Gestores
Credores: 
instituições
financeiras...
investidores: 
donos, acionistas 
ou cotistas, 
debenturistas
Marion (2009, p. 
24-25) diz que 
“quando fazemos 
a divisão de uma 
grandeza por outra, 
nossos olhos lêem no 
sentido vertical, daí a 
chamarmos de análise 
vertical, considerando 
dados de um mesmo 
período (ou de um 
mesmo ano)”.
70
 Contatibilidade Geral
70
Enquanto a análise vertical diz respeito a elementos homogêneos (do 
mesmo grupo, AC, AT, PC, PT), relativos a um mesmo período, e examina 
a representatividade de uma conta pelo todo, a análise horizontal também 
compara elementos homogêneos, mas de períodos diferentes, para verificar a 
evolução ou involução das contas, grupos. 
Para você não errar:
AC = Ativo Circulante
AT = Ativo Total
PC = Passivo Circulante
P = Passivo Total
Vamos exemplificar como ocorre a análise horizontal, na prática! Uma 
determinada empresa apresenta os seguintes dados:
BALANÇO PATRIMONIAL
EMPRESA ALUNOS
 Ativo Circulante 2007 2008 Passivo Circulante 2007 2008
 Caixa 150 250 Diversos a pagar 1.850 3.500
 Duplicatas a receber 1.410 2.750 
 Estoques 2.440 3.000 Total PC 1.850 3.500
 Total AC 4.000 6.000 Passivo 
 Não-Circulante
 Patrimônio líquido 
 Capital 9.000 9.000
 Ativo 
 Não-Circulante Reservas de lucros 1.150 2.500
 Imobilizado 8.000 9.000 Total PL 10.150 11.500
 TOTAl ATivO 12.000 15.000 TOTAl PAssivO 12.000 15.000
Quadro 14 – Demonstração do valor Adicionado
Fonte: Elaborado pela autora
Com os dados do quadro 14, podemos efetuar a análise vertical e horizontal, 
pois, neste demonstrativo, há contas dos exercícios de 2007 e 2008. 
Analisando a representatividade do AC para o AT, nos exercícios de 2007 
e 2008, teremos:
 AC 4.000 
 AT 12.000 
 AC 6.000 
 AT 15.000 
em mil
= = 0,33 ou 33%
= = 0,40 ou 40%
71
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
71
 Capítulo 4 
A interpretação do índice, no exercício de 2007, seria que o AC representa 
33% do AT, ou seja, para cada R$ 1,00 do AT, R$ 0,33 está no AC. Já, no exercício 
de 2008, o AC representa 40% do AT; quer dizer, para cada R$ 1,00 do AT, R$ 
0,40 está no AC. Percebemos que houve um aumento do AC, pois, se olharmos 
no Balanço da Empresa Alunos, notaremos que houve um acréscimo no lucro da 
empresa que, provavelmente, resultou no aumento do AC.
Para a análise horizontal, temos:
 Conta ou grupo 2007 2008 índice
 Total Ativo Circulante 4.000 6.000 ((6.000/4.000)-1)*100 = 0,5 50%
A interpretação do índice seria que o AC evoluiu, cresceu, aumentou, em 
2008, 50% em relação a 2007.
análiSE Por quoCiEntES (índiCES)
segundo Marion (2009), os indicadores ou índices, ou quocientes, como 
são conhecidos, refletem a posição econômico-financeira da empresa em 
determinados períodos, em termos de liquidez, rentabilidade e endividamento. 
São obtidos por meio de divisões entre grupos, subgrupos, ou mesmo, entre 
contas apresentadas nas demonstrações contábeis, umas pelas outras, de 
maneira a evidenciar a situação do patrimônio. 
Como exemplo, temos o índice de liquidez corrente, obtido pela divisão 
entre o valor do ativo circulante e o valor do passivo circulante, que mostra 
a capacidade de pagamento de uma empresa, em curto prazo. Há diversos 
índices que podem ser obtidos por meio de divisões entre grandezas, expressas 
nas demonstrações contábeis, evidenciando a situação patrimonial existente. 
Os principais índices utilizados são os relativos à estrutura de capital, índices 
financeiros, econômicos e de atividades (MARION, 2009).
Os indicadores deverão estar de acordo com a visão da alta administração, 
em termos de acompanhamento das atividades, rentabilidade e situação 
patrimonial, e serão por ela escolhidos.
O instrumental de análise de balanço objetiva detectar situações, verificar 
a tendência dos acontecimentos e dar subsídios para que a administração da 
companhia enfatize os esforços corretivos nas direções necessárias.
não há necessidade de muitos indicadores e podemos separá-los em cinco 
categorias, sendo eles os indicadores de estrutura de capital, os indicadores 
Segundo Marion 
(2009), os indicadores 
ou índices, ou 
quocientes, como são 
conhecidos, refletem 
a posição econômico-
financeira da empresa 
em determinados 
períodos, em 
termos de liquidez, 
rentabilidade e 
endividamento.
72
 Contatibilidade Geral
72
financeiros, os indicadores econômicos, a análise pelo método Dupont e os 
indicadores de atividade, conforme relacionados a seguir:
a) Indicadores de estrutura de capital
Tais indicadores demonstram como foi utilizado o capital da empresa 
em determinados grupos ou subgrupos de contas. A seguir, mostramos os 
dois principais índices utilizados, relativos ao comprometimento do capital 
da empresa. Para apresentar as fórmulas e comentários de cada indicador, 
adotamos a abordagem de Marion (2009).
• Imobilização do Patrimônio Líquido – Indica quanto a empresa imobilizou 
de seu patrimônio liquido, ou quanto a empresa aplicou de seu capitaltotal 
no ativo permanente.
IPL = Imobilizado 
 Pl 
• Participação de Capitais de Terceiros sobre Recursos Próprios – indica 
quanto a empresa possui de recursos de terceiros em relação ao seu 
capital próprio.
PCT = Capitais de Terceiros
 Capital Próprio
b)	Indicadores	financeiros
Os indicadores financeiros são os, normalmente, ligados à solvência da 
empresa e endividamento. A seguir, apresentamos os principais índices utilizados.
•	 Índice de Liquidez Corrente (ou Liquidez Comum) 
Mostram a capacidade de pagamento da empresa em curto prazo. Um 
índice acima de 1 é considerado positivo e quanto maior, melhor a liquidez 
para pagar as dívidas de curto prazo e menor a possibilidade de inadimplência.
ILC = Ativo Circulante
 Passivo Circulante
•	 Índice de Liquidez Seca – é o mesmo índice que o de liquidez corrente, 
porém diminuem-se do ativo circulante o valor dos estoques, como se a 
empresa não pudesse contar com a venda de seus estoques, para fins 
de sanar suas dívidas de curto prazo. É um índice muito utilizado por 
banqueiros, por ocasião da análise de crédito relacionado a financiamentos.
73
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
73
 Capítulo 4 
ILS = Ativo Circulante - Estoque
 Passivo Circulante
•	 Índice de Liquidez Geral – Mostra a capacidade de pagamento da empresa 
a longo prazo, considerando a possibilidade de que ela venda tudo o que 
possui para saldar suas dívidas, tanto de curto como de longo prazo. O ideal 
é um índice acima de 1, por representar uma boa capacidade de pagamento 
das dívidas de curto e longo prazo. Porém, o índice deve ser analisado em 
conjunto com outros anos, pois pode acontecer, por exemplo, de a empresa 
fazer determinada aquisição de um ativo permanente em longo prazo, em um 
ano (e o índice ficar muito baixo), e recuperar sensivelmente o valor gasto em 
anos posteriores, pelo acréscimo de renda (e do ativo circulante), o que pode 
provocar um acréscimo significativo no índice.
ILG = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo
 Passivo Circulante + Passivo não-Circulante
•	 Índice de Liquidez Imediata – Mostra o que a empresa dispõe de 
imediato para fazer frente a dívidas de curto prazo. É um índice sem muita 
expressão, apenas demonstrando quanto se dispõe em disponibilidades 
imediatas para fazer frente à quitação de dívidas.
ILI = Disponível (Caixa e Bancos)
 Passivo Circulante
•	 Índices de Endividamento – Há vários indicadores de endividamento, 
dentre os quais destacamos o que evidencia a proporção de capital de 
terceiros, utilizado pela empresa, sobre o capital próprio e de terceiros, ou 
seja, o patrimônio líquido somado ao exigível de curto e longo prazo.
iE = Capital de Terceiros
 Capital de Terceiros + Capital próprio
E, no que se refere à qualidade do endividamento, ou seja, se a dívida é 
de curto ou longo prazo, há o seguinte indicador:
iE = Passivo Circulante ( quanto da dívida total da empresa é de curto prazo).
 Passivo Circulante
 + Passivo não-circulante
c) Indicadores econômicos 
Os indicadores econômicos indicam a situação de rentabilidade da 
empresa, em relação a sua possibilidade e habilidade na geração de 
74
 Contatibilidade Geral
74
resultados, assim como seu potencial de vendas, que é refletido na DRE 
(demonstração do resultado do exercício). A taxa de retorno sobre o 
investimento e a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido são os dois 
principais índices utilizados, permitindo verificar quanto de retorno a 
empresa gera a partir do investimento realizado.
TRI = lucro líquido 
 Ativo Total
TRPL = lucro líquido
 Patrimônio líquido
d) Análise Método Dupont (Margem X Giro) 
Na visão de Matarazzo (2003), essa análise conjuga os aspectos de 
produtividade financeira do investimento, da lucratividade das vendas 
e da estrutura de capitais. Evidencia os três componentes básicos de 
alavancagem da rentabilidade do capital próprio. O objeto da decomposição 
dos componentes, que propiciam a maximização da rentabilidade do capital 
próprio, é possibilitar o estudo dos componentes, os quais, eventualmente, 
ainda carecem de adequações corretivas.
A taxa de retorno sobre investimentos pode ser obtida por meio da 
multiplicação da Margem de lucro pelo Giro do Ativo. As empresas que 
ganham mais na margem, normalmente ganham no preço. As empresas que 
ganham mais no giro visam quantidade. A rentabilidade de uma empresa é 
obtida por meio de uma boa conjugação entre preço e quantidade, ou seja, 
Margem (lucratividade) e Giro (produtividade); isto é: Margem de lucro X Giro 
do Ativo = TRi.
As empresas podem ter a mesma Taxa de Retorno sobre Investimentos 
(TRi), porém, com Margem e Giro totalmente diferentes. Acompanhe o 
exemplo a seguir:
 Margem x Giro
Empresa A - TRI - 15% = 0,15 x 1,0
Empresa B - TRI - 15% = 0,075 x 2,0
Empresa C - TRI - 15% = 0,20 x 0,075
Assim, conforme a característica de cada empresa, o ganho poderá 
ocorrer numa concentração maior sobre o giro ou sobre a margem.
 
75
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
75
 Capítulo 4 
e) Indicadores de atividades
Os indicadores ou índices de atividade são utilizados no processo de 
análise do giro de estoques, ou seja, de sua renovação, considerando os 
prazos envolvidos em compras e vendas de mercadorias. No caso, quanto 
maior a velocidade de renovação de estoques e a velocidade de recebimento 
de vendas, melhor; assim também, quanto mais lento for o pagamento das 
compras. O índice mais utilizado é o seguinte:
PMRE + PMRv 
 PMPC
Onde:
PMRE = prazo médio de renovação dos estoques
PMRV = prazo médio de recebimento de vendas
PMPC = prazo médio de pagamento de compras
Para calcular os prazos de recebimento médio de vendas, assim como 
pagamento médio de compras e quantos dias a empresa leva para vender 
seus estoques, utilizamos as seguintes fórmulas:
PMRV = 360 x Duplicatas a Receber
 vendas Brutas
PMRV = 360 x Estoques
 Custo das vendas
PMPC = 360 x Fornecedores
 Compras
Vamos, agora, fazer uma análise dos índices de estrutura de capitais, 
financeiros, endividamento e rentabilidade do exercício de 2007, vistos neste 
capítulo, da empresa Cia. Estrela, que foi objeto de estudo no capítulo 3, 
quando estudamos as Demonstrações Contábeis. Serão analisados o Balanço 
Patrimonial e a Demonstração de Resultado.
76
 Contatibilidade Geral
76
BALANÇO PATRIMONIAL CIA. ESTRELA 
ATIVO
 Circulante 2007 2008 
Bancos 15.000 45.000 
DP a Receber 30.000 35.000 
Estoques 22.000 20.000 
Não-Circulante
Terrenos 270.000 270.000 
Máquinas 210.000 230.000 
Total do Ativo 547.000 600.000
PASSIVO 2007 2008
Circulante
Contas a pagar 17.000 30.000
Empréstimos a pagar 200.000 220.000
Patrimônio Líquido 300.000 300.000
Capital 30.000 50.000 
Reservas de lucros 
Total Passivo + PL 547.000 600.000
Quadro 15 – Balanço Patrimonial Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO CIA. ESTRELA
 2007 2008
RECEiTAs
 venda de Mercadorias 475.000,00 540.000,00 
 (-) impostos s/vendas 73.900,00 84.000,00 
 vendas líquidas 401.100,00 456.000,00 
 (-) C.M.v. 140.000,00 150.000,00Resultado Bruto 261.100,00 306.000,00 
 (-) DEsPEsAs OPERACiOnAis
 Despesas de salários 81.000,00 85.000,00 
 Despesas de aluguel 28.000,00 30.000,00 
 Despesas de vendas 42.000,00 40.000,00 
 Despesas de administrativas 48.000,00 50.000,00 
 Despesas financeiras 15.000,00 20.000,00
REsUlTADO OPERACiOnAl 47.100,00 81.000,00 
 (-) impostos s/lucro 16.400,00 21.000,00 
lUCRO lÍQUiDO 30.700,00 81.000,00 
 
Quadro 16 – Demonstração do Resultado Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
77
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
77
 Capítulo 4 
 INDICES FÓRMULA CÁLCULO Resultado 
 %
Estrutura de Capital: 
Imobilização do P.L. Imobilizado 500.000 60 
 Pl 300.000
Participação de Cap. 
Terceiros s/Rec.Próprios Capitais de terceiros 250.000 83
 Capital Próprio 300.000
Financeiros:
Liquidez Corrente Ativo Circulante 100.000 3,33
 Passivo Circulante 30.000
Liquidez Seca Ativo Circulante-estoques 80.000 2,66
 Passivo Circulante 30.000
Liquidez Geral Ativo Circ. + Realiz.L.P. 100.000 40
 Passivo Circ.+não-Circ. 250.000
Liquidez Imediata Disponível 45.000 1,5
 Passivo Circulante 30.000
Endividamento:
Endividamento total Capital Terceiros
 Capital de Terceiros + 250.000 0,41
 Capital Próprio 600,000 
Endividamento Passivo Circulante
a Curto Prazo Passivo Circ.+Passivo 30,000 0,13
 não-circulante 220,000
Econômicos:
Taxa retorno interna lucro líquido 60.000 10
 Ativo Total 600.000
Taxa retorno s/ lucro líquido 60.000 17
patrimônio líquido Patrimônio líquido 350.000
 
Quadro 17 – Análise de índices – Cia. Estrela
Fonte: Elaborado pela autora
Vamos nos concentrar, a partir de agora, em alguns comentários sobre a 
análise da Cia. Estrela: nos indicadores da estrutura de capital, percebemos 
que a Cia. Estrela utiliza um valor maior de capital de terceiros do que 
capital próprio. isto pode ser política dos administradores, quando o capital 
de terceiros é mais barato que o capital próprio, porque, muitas vezes, os 
proprietários preferem um percentual maior de juros do seu dinheiro a buscar 
esse dinheiro fora da empresa.
Os indicadores de liquidez corrente, seca e imediata insinuam que a Cia. 
Estrela possui recursos para liquidar suas dividas de curto prazo; porém, na 
78
 Contatibilidade Geral
78
liquidez geral, esse índice revela que, caso tivesse que liquidar todas suas 
dívidas, não teria recursos suficientes.
Os indicadores de endividamento mostram que, do total de capital que 
a Cia. Estrela tem à sua disposição, 41% é de terceiros. Isso demonstra que 
os proprietários investiram mais do que terceiros, o que reflete uma situação 
favorável. Já, no endividamento a curto prazo, a empresa está numa situação 
boa, pois, como vimos no índice de liquidez imediata, a empresa pode quitar 
suas dívidas de curto prazo sem problemas.
Os indicadores de rentabilidade interna revelam que, para cada um real 
investido, a empresa obteve uma lucratividade de 10%. Vejamos qual o prazo 
de retorno do capital total investido, quer dizer, em quanto tempo a Cia. Estrela 
terá de volta o valor do seu ativo. 
X = 100 x 1 = 10 anos
 10
Pelo resultado obtido concluímos que, utilizando exclusivamente os 
lucros apurados, a Cia. Estrela precisará de 10 anos para ter de volta o 
valor do seu ativo.
O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada 
um real investido, os proprietários obtiveram 19% de retorno. Vamos, agora, 
calcular o prazo de retorno do capital investido.
X = 1 x 100 = 5,26 anos
 19
Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela 
terão de volta seu capital investido em 5,26 anos. Em outras palavras, a 
empresa precisa de 5,26 anos para dobrar o valor dos capitais próprios, 
utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que 
esse fato constitui situação positiva.
 
avaliação da Situação FinanCEira, 
EConômiCa E Patrimonial dE uma EmPrESa
Para Marion (2009), uma boa análise da situação financeira, econômica 
e patrimonial deve ser feita com base no tripé de decisões da empresa: 
Situação Financeira (liquidez), Estrutura de Capital (endividamento) e Situação 
Econômica (rentabilidade). E não é só o Balanço Patrimonial e a Demonstração 
do Resultado do Exercício que são utilizados para a devida análise. 
79
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
79
 Capítulo 4 
Além destas duas demonstrações, sem dúvida fundamentais, são 
importantes a Demonstração do Fluxo de Caixa (direto e indireto), a 
Demonstração do valor Adicionado e alguns indicadores de outras 
demonstrações. Isto porque, muitas vezes, a real situação financeira ou 
econômica pode não estar demonstrada no balanço ou DRE. 
A empresa pode, por exemplo, investir uma grande quantia em imobilizado 
durante o ano, sendo que aquele imobilizado, a partir de sua operação ou 
funcionamento, pode gerar um acréscimo de rentabilidade em anos seguintes. 
Haveria um indicador muito alto de imobilização, preocupante no início, 
porém, no ano seguinte, esta imobilização poderia se transformar em grandes 
resultados operacionais.
Os indicadores ou índices ou quocientes são as principais grandezas 
utilizadas por agentes financeiros (bancos) e econômicos (governo), além dos 
demais interessados na contabilidade (acionistas, investidores, corretores, 
etc.). são medidas de desempenho da empresa, que permitem avaliar, 
inicialmente, o comportamento e a trajetória da empresa. 
Uma boa situação de liquidez, aliada a um baixo endividamento, com bons 
indicadores de rentabilidade, é, sem dúvida, o sinal de uma empresa sólida 
e merecedora de crédito. Porém, a devida análise para fins de concessões 
governamentais ou mesmo pelos agentes financeiros é mais aprofundada, 
utilizando diversos outros índices, a partir de outras demonstrações contábeis 
que não apenas o BP e a DRE. notas explicativas, Pareceres de auditoria e 
Relatórios expedidos pela própria empresa (e sua auditoria interna) também 
podem ser utilizados, além das demonstrações financeiras.
mEtodologia da análiSE daS 
dEmonStraçõES ContábEiS
Após selecionar as Demonstrações Contábeis a serem analisadas, 
averigua-se a qualidade dessas demonstrações (por exemplo, se têm parecer 
da auditoria; de quem é esse parecer etc.) e se houver necessidade, efetua-se 
a reclassificação das contas. O passo seguinte é selecionar um conjunto de 
Índices/Indicadores que melhor se ajuste ao tipo de análise. Após o cálculo 
dos Índices/indicadores, o correto é comparar esses indicadores aos de outras 
empresas do mesmo ramo de atividade. Matarazzo (2003, p. 19) afirma: “a 
análise de balanço baseia-se no raciocínio científico”; e, mais adiante, continua: 
“na maioria das ciências, o processo de tomada de decisões obedece, mais ou 
menos, à sequência da figura a seguir”.
Os indicadores ou 
índices ou quocientes 
são as principais 
grandezas utilizadas 
por agentes financeiros 
(bancos) e econômicos 
(governo), além dos 
demais interessados 
na contabilidade 
(acionistas, 
investidores, 
corretores, etc.). 
80
 Contatibilidade Geral
80
Etapas: 1 2 3 4 
 
 → → →AnÁlisE 
 
Figura 3 – Processo de tomada de decisões
Fonte: Matarazzo (2003, p.20)
Matarazzo (2003) faz uma comparação da análise das Demonstrações 
Contábeis, com outras ciências. A analogia feita com a medicina é no sentido 
de, em qualquer exame, que o médico fará num paciente, medirá a temperatura, 
a pressão, a pulsação, etc. Esses são os indicadores (1). O médico compara, 
então, cada indicador com padrão próprio (2) desenvolvido e aprimorado e, 
em seguida, ponderando conjuntamente seus indicadores, elabora suas 
conclusões (3), mental ou formalmente, transmitindo-as ou não ao paciente 
de alguma forma, conforme sua técnica de trabalho. Em seguida, toma uma 
decisão (4), como: internar o paciente, encaminhá-lo a outro especialista, 
receitar medicamentos ou, simplesmente, dizer que está tudo ‘ok’.
As etapas 1, 2 e 3 devem realizar-se nesta sequência e estar 
perfeitamente classificadas. Porém, para cada uma é preciso utilizar técnicas 
próprias. A etapa da elaboração de diagnósticos ou conclusões distingue-se 
da etapa de comparação com padrões, pois, é neste momento que serão 
devidamente ponderadas, pesadas e medidas as informações parciais obtidas 
nas duas etapas anteriores.
No mesmo sentido, ao fazer a comparação com o Direito, os elementos 
considerados serão os indicadores; a lei, a jurisprudência ou os comentários 
de juristas representam os padrões; a avaliação pela experiência e pelo 
conhecimento representa a etapa de elaboração de conclusões. A partir desta 
é que virão as decisões de condenar, absolver, entrar em acordo, etc.
Quando falamos em Análise de Balanços, aplica-se o mesmo raciocínio 
científico. E Matarazzo (2003, p. 20) dá a sequência:
a) extraem-se índices das demonstrações financeiras;
b) comparam-se os índices com os padrões;
c) ponderam-se as diferentes informações e chega-se a um diagnóstico ou 
conclusões;
d) tomam-se decisões.
Quando essa sequência não é levada em conta, a Análise de Balanços 
pode não refletir a verdadeira situação da empresa. Portanto, a qualidade e 
Escolha de
indicadores
Comparação
com padrões
Diagnóstico
ou conclusões
Decisões
81
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
81
 Capítulo 4 
a veracidade da análise podem ficar comprometidas, pois como se poderia 
elaborar afirmativas sem os elementos de referência?
Com base nas etapas descritas, admite-se que uma determinada 
companhia tenha R$ 1.200,00 de Ativo Circulante e R$ 1.000,00 de Passivo 
Circulante. Toma-se a iniciativa de escolher o indicador, dividindo o Ativo 
Circulante pelo Passivo Circulante. nesse caso, o indicador será 1,20 
(1.200/1.000), induzindo que, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo 
(Passivo Circulante), a Cia. terá R$ 1,20, que será transformado em dinheiro, 
no Ativo Circulante, para pagamento da dívida. Aparentemente, a situação de 
pagamento é favorável. Todavia, ao comparar esse indicador com a média 
de outras indústrias de suco de laranja, o analista constata que, nesse ramo 
de atividade, é muito comum esse indicador ser maior que 1,60. A conclusão 
é que o desempenho da Cia. é ruim no que tange a sua capacidade de 
pagamento, pois, a média das concorrentes é muito maior que 1,20. Baseado 
nisso, o analista poderá fazer propostas para que decisões sejam tomadas, a 
fim de melhorar a capacidade de pagamento da empresa.
 Questão Informação O que Como 
	 	 	 	 																							significa?	 													analisar?
 
 
A entidade 
é lucrativa?
Como é a 
política de 
dividendos 
da entidade?
Onde a 
entidade está 
buscando os 
recursos para 
financiar suas 
operações?
Demonstração 
do Resultado 
Demonstração 
dos lucros 
Acumulados
Balanço 
Patrimonial
Verificar se as 
receitas são 
superiores às 
despesas.
Verificar se 
a entidade 
apresenta 
uma política 
de distribuição 
de resultados 
conservadora 
ou não.
A resposta dessa 
pergunta refere-
se ao nível de 
endividamento 
da entidade.
Em geral, quanto 
maior o lucro, melhor 
o desempenho 
da entidade.
A análise depende da 
situação. Entidades 
com possibilidade de 
crescimento devem 
evitar a distribuição 
excessiva. nesse caso, 
verificar a relação 
entre dividendos e 
lucro do exercício.
Entidades endividadas 
possuem um risco maior. 
Baixo endividamento 
pode significar 
dificuldade de acesso 
às fontes de recursos.
82
 Contatibilidade Geral
82
Quadro 18 - Analisando a informação contábil – resumo
Fonte: Elaborado pela autora
Atiividade de Estudos:
1 As demonstrações contábeis mais usadas para efeito de análise contábil são 
o balanço patrimonial (BP), a demonstração de resultado do exercício (DRE), 
a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), a demonstração 
de fluxo de caixa (DFC) e a demonstração de valor adicionado (DVA). Que 
outros relatórios também podem ser usados?
2 Qual a diferença entre a análise horizontal e a análise vertical?
3 Uma determinada empresa apresenta:
ATivO PAssivO
Circulante 60.000* Circulante 50.000
Realizável a LP 10.000 Exigível a LP 40.000
Permanente 90.000 Patrimônio líquido 70.000
Estoques = 35.000*
Calcule a situação referente à:
 a) Liquidez corrente 
 b) Liquidez seca
 c) Liquidez geral
algumaS ConSidEraçõES
Apresentamos, neste capítulo, a análise das demonstrações contábeis 
como um dos instrumentos mais importantes no processo de gerenciamento 
contábil global.
Entendemos que as técnicas de análise das demonstrações contábeis são 
importantes para o conhecimento econômico-financeiro de outras empresas, 
Os recursos 
que a entidade 
está gerando 
nas atividades 
operacionais 
é positivo?
Demonstração 
do Fluxo 
de Caixa
A entidade 
está gerando 
caixa com suas 
operações. Caso 
contrário, é 
necessário obter 
recursos com 
as atividades de 
financiamento e 
investimento.
O valor do fluxo de 
caixa das atividades 
operacionais deve 
ser positivo.
83
análisE das dEmonstraçõEs ContábEis
83
 Capítulo 4 
notadamente concorrentes e fornecedores. O mais importante do instrumento 
de análise de balanço, porém, é a sua utilização interna na empresa.
A grande utilidade dessa ferramenta é o acompanhamento mensal 
dos indicadores escolhidos. Você deve ter percebido que, através desse 
acompanhamento e da tendência que os mesmos irão evidenciar, teremos, 
seguramente, uma visão real das operações e do patrimônio empresarial, e 
poderemos tomar medidas corretivas no rumo dos negócios, se as conclusões 
do acompanhamento analítico dos indicadores assim o exigirem.
Conclui-se que a análise das demonstrações contábeis constitui-se 
um processo de meditação sobre os demonstrativos contábeis, objetivando 
uma avaliação da situação da empresa, em seus aspectos operacionais, 
econômicos, patrimoniais e financeiros.
rEFErênCiaS
MARION, José Carlos. Análise das demonstrações contábeis. 
Contabilidade Empresarial. 4. ed. São Paulo, Atlas, 2009.
MATARAZZO, Dante Carmine. Análise	financeira	de	balanços: abordagem 
básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
sÁ, Antônio lopes de. Moderna análise de balanços ao alcance de todos. 
Curitiba: Juruá, 2006.
84
 Contatibilidade Geral
84
CAPÍTUlO 5
introdução à ContabilidadE dE CuStoS
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender a classificação de custos e o sistema de custeio. 
 3 Diferenciar as terminologias e tipos de custos na sua aplicação. 
 3 Comparar qual o melhor sistema de custeio.
86
 Contatibilidade Geral
86
87
introdução à ContabilidadE dE Custos
87
 Capítulo 5 
ContExtualização
Para estudar a Contabilidade de Custos, é necessário conhecer alguns 
conceitos básicos em Contabilidade. É por isso que se estuda inicialmente a 
Contabilidade Básica ou Geral, para depois estudar a Contabilidade de Custos. 
Vejamos um exemplo simplificado de custos aplicado a uma receita de doce 
de goiaba.
O exemploque apresentamos a seguir foi adaptado do site: 
administradores.com.br, o qual oferece várias leituras interessantes 
relacionadas à área.
Ingredientes: 10 kg de goiabas: $ 32,00; 3 kg de açúcar: $ 5,00; 6 g de 
cravo da índia: $ 1,00; 3 xícaras de água: $ 0,00; total= $ 38,00.
Tempo de preparo no fogão: 2 horas e meia; tempo de trabalho: 4 horas; 
rendimento: 5 kg aproximadamente. Pergunta-se: qual é o custo desse doce? 
Quando você vai a uma confeitaria e compra um doce, o custo desse doce, para 
você, é o preço pago por ele. E, no nosso exemplo de fabricação do doce, o seu 
custo corresponde apenas aos gastos com a compra dos ingredientes? É claro 
que não, pois para fazer o doce de goiaba, além dos ingredientes, foram utilizados: 
cozinha, mesa, faca, panela, fogão, colher, água, gás e energia elétrica. Portanto, 
os ingredientes utilizados, como os demais elementos que concorreram para que 
o doce de goiaba fosse feito, têm Custo e precisam ser considerados.
Depois desses dados, você pode concluir que o Custo de Fabricação 
ou Custo de Produção apresenta duas partes: parte direta, formada pelos 
gastos de aquisição dos ingredientes utilizados integralmente na fabricação 
(tecnicamente conhecidos por Materiais Diretos = MD, ou Matérias-Primas = 
MP), acrescidos do custo das horas de trabalho (tecnicamente conhecidos por 
mão de obra direta = MOD). A soma desses gastos também é denominada 
Custo Direto, pois suas quantidades e seus valores são facilmente identificados 
em relação ao produto. Portanto, no exemplo do doce de goiaba, pode-se 
concluir que os MD = $ 38,00 (soma dos ingredientes: goiaba = $ 32,00; açúcar 
= $ 5,00; e cravo da índia = $ 1,00) e a MOD = $ 4,00 (a confeiteira ganha $ 
1,00 por hora de trabalho e trabalhou 4 horas para fazer o doce). 
Vejamos agora a parte indireta. Esta é composta pelos gastos com 
outros elementos que concorreram indiretamente na fabricação do doce, 
como: aluguel, iPTU, depreciação, gás e energia elétrica (tecnicamente 
conhecidos por Custos Indiretos de Fabricação = CIF). O Custo Direto 
de produção é fácilmente conhecido, pois, geralmente corresponde 
aos valores integralmente gastos na compra dos materiais utilizados, 
somados à mão de obra das pessoas que trabalharam diretamente na 
88
 Contatibilidade Geral
88
produção/fabricação. Por outro lado, para se conhecer o valor dos Custos 
Indiretos de Fabricação de cada produto, deve-se estabelecer regras 
e efetuar cálculos, para que os referidos custos sejam adequadamente 
atribuídos a cada produto. Os Custos Indiretos de Fabricação são 
assim denominados porque não correspondem a gastos realizados 
especificamente para esse ou aquele produto. 
Como vimos nesse exemplo, é fundamental conhecer a composição dos 
custos de uma empresa. Por isso, o tema deste capítulo são os custos, e o 
exemplo do doce de goiaba já nos permite antecipar algumas ideias básicas 
sobre o assunto. No decorrer do estudo, vamos identificar as terminologias 
usadas, as classificações de custos e, também, sistemas de custeio.
tErminologia, objEtivoS,
FinalidadES doS CuStoS
Para estudarmos a Contabilidade de Custos, é importante nos 
familiarizarmos com os termos usuais da área: gasto, custo ou despesas. 
Estas e outras palavras são bastante utilizadas ao falarmos em contabilidade 
de custos, com relação àquele dinheiro que não está mais em poder das 
famílias. No entanto, você sabe realmente a diferença entre esses vocábulos? 
Muitos estudiosos lhe atribuem o mesmo significado: conjunto de 
dispêndios para adquirir algo. Outros consideram esses termos como um 
investimento. Para que você não faça confusão com os significados dessas 
palavras, veremos a seguir algumas terminologias, entendidas como 
fundamentais, bem como os objetivos e as finalidades dos custos.
a) Terminologias utilizadas em custos
•	 Custo: é o valor dos bens e serviços consumidos na produção de bens e/
ou serviços.
 Ex.: A matéria-prima consumida na produção de uma determinada quantidade 
de produtos ou serviços.
•	 Gasto: é todo dispêndio que compreende o valor dos bens e/ou serviços 
adquiridos pela empresa em um determinado período.
 Ex.: O valor das matérias-primas compradas no último mês.
•	 Despesa: é o valor dos bens e serviços, não relacionados diretamente 
com a produção de outros bens e serviços, consumidos num determinado 
período. Ou seja, o consumo de bens e serviços que não fazem parte ou 
89
introdução à ContabilidadE dE Custos
89
 Capítulo 5 
não estão ligados ao processo produtivo da empresa.
 Ex.: Consumo de material de expediente pelo escritório.
•	 Desembolso: é a saída de numerário do caixa ou da conta corrente, para 
pagar os compromissos vindos da aquisição de bens ou serviços.
 Ex.: Pagamento do salário dos funcionários.
•	 Desperdício: corresponde a valores consumidos em bens e/ou serviços 
que não podem ser acrescidos ao valor do produto.
 Ex.: Deixar uma máquina ligada, sem estar produzindo, consumindo assim 
energia elétrica desnecessariamente.
 
•	 Investimentos: são os gastos efetuados na empresa com a intenção de se 
obter lucro com eles. 
 Ex.: Pode ser a compra de uma máquina que auxiliará no processo 
produtivo.
•	 Perda: é o valor dos bens e serviços consumidos de maneira irregular.
 Ex.: perda de parte da produção por falta de energia elétrica.
É lógico que todos os itens descritos estão ligados, de certa forma, à 
produção de um bem ou serviço, mas devemos entender bem que, a princípio, 
cada um tem a sua função.
Agora que você já conheceu as terminologias utilizadas na contabilidade 
de custos, vamos fazer a atividade a seguir, para nos certificarmos de que os 
conceitos foram entendidos:
Atividade de Estudos:
1 Classifique as situações abaixo, identificando: (C) Custo, (G) Gasto, (D) 
Despesa, (E) Desembolso, (F) Desperdício, (I) Investimento e (P) Perda:
a) ( ) Compra de matéria-prima.
b) ( ) Salário do gerente financeiro.
c) ( ) Pagamento dos fornecedores de matéria-prima.
d) ( ) Redução na produção devido à queda de energia.
e) ( ) Redução na produção devido à falta de matéria-prima.
f) ( ) Mão de obra aplicada na confecção de um produto.
g) ( ) Compra de uma máquina industrial, necessária ao aumento de produção.
h) ( ) Aproveitamento de apenas 70% da matéria-prima consumida. 
i) ( ) Compra de peças de manutenção das máquinas.
j) ( ) Salário do auxiliar administrativo.
k) ( ) Pagamento dos encargos sociais da empresa.
l) ( ) serviços prestados de maneira irregular, sem qualidade.
90
 Contatibilidade Geral
90
m)( ) Matéria-prima não reaproveitada pela produção.
n) ( ) Compra de microcomputadores para toda a empresa.
o) ( ) Energia elétrica consumida na produção.
p) ( ) Telefone consumido na administração.
q) ( ) Salário do contador. Ele gasta 50% do seu trabalho dedicado ao
 setor fiscal e 50% ao setor de custos.
b) Objetivos dos custos
A princípio, a Contabilidade de custos não surgiu como um instrumento 
gerencial utilizado pela administração das empresas como uma importante 
ferramenta. O seu principal objetivo era o de avaliar, em números monetários, 
os estoques e os resultados obtidos pela empresa.
Porém, com o crescimento e desenvolvimento das empresas, houve a 
necessidade de que a contabilidade de custos assumisse, sim, uma função 
gerencial, relacionada ao controle e à decisão. Vamos entender melhor: 
controle, no sentido de acompanhar os fatos que ocorreram, que estão 
ocorrendo ou que venham a ocorrer; decisão, com o fim de obter informações 
que possam modificar a estrutura da empresa de curto a longo prazo.
Especificamente, a Contabilidade de Custos objetiva:
• avaliação de estoques
• atendimento das exigências fiscais
• determinação do resultado
• planejamento
• formação do preço de venda
• controle gerencial
• avaliação de desempenho
• controle operacional
• análise de alternativas
• estabelecimento de parâmetros
• obtenção de dados para orçamentos
•tomada de decisão
A Contabilidade de Custos tem vários objetivos básicos. Por sua vez, a 
aplicação do pensamento sistêmico explora e procura demonstrar a ligação 
entre os objetivos ideais e os reais de uma organização. Tais objetivos podem 
ser determinados, em alguns casos, por ações e não como ao contrário se 
imagina ser o ideal.
Contabilidade 
de custos tem o 
principal objetivo 
era o de avaliar, em 
números monetários, 
os estoques e os 
resultados obtidos 
pela empresa.
91
introdução à ContabilidadE dE Custos
91
 Capítulo 5 
c) Finalidades dos custos
Martins (2003) acredita que muitos objetivos são estabelecidos de 
acordo com a finalidade a que se propõem, ou seja, identificam quais as 
necessidades que este sistema tenderá a anular. Estas necessidades podem 
ser, genericamente, de três tipos:
•	 Finalidade Contábil – O sistema de custos tem sua estrutura formulada para 
encontrar o custo do estoque a ser contabilizado e, como consequência, o 
CMv ou CPv ou CsP, determinantes na apuração do resultado. Para atender 
a esta finalidade, é importante frisar que todos os procedimentos devem ser 
efetivados segundo os Princípios Fundamentais da Contabilidade (tema que 
foi abordado detalhadamente no primeiro capítulo).
•	 Finalidade Administrativa – O sistema de custos que procura atender à 
finalidade administrativa tem, como intuito principal, estabelecer maneiras 
de controle; utiliza, na grande maioria dos casos, o sistema de custo 
padrão, podendo o administrador gerenciar seu sistema operativo.
•	 Finalidade Gerencial – O sistema tem como base o cálculo do custo 
atual, do custo futuro, do custo de reposição, entre outros; busca subsídios 
para gerenciar seu sistema produtivo, na visão de curto e longo prazo, 
estabelecendo metas, preços de venda e estratégias.
Os objetivos principais do sistema de custo gerencial são:
• suprir a administração de informação, para a tomada de decisão.
• servir como ponto de orientação quanto a medidas de correção.
• Acompanhar distorções de valores, níveis de eficiência de produção e 
qualidade dos padrões estabelecidos.
• Identificar, entre outros aspectos, contribuição por produto, linhas deficitárias...
ClaSSiFiCação dE CuStoS E Sua 
nomEnClatura
Outra parte importante no estudo dos custos é a sua classificação. 
Acompanhe a seguir cada uma:
• Grau de média
• Variabilidade
• Facilidade de atribuição
• Momento do cálculo 
• Grau de produção
92
 Contatibilidade Geral
92
a) De acordo com o grau de média, temos:
•	 Custo Total: é o valor dos esforços (bens e/ou serviços) consumidos para 
fabricar um conjunto de unidades de produto.
•	 Custo Unitário: é o valor dos esforços (bens e/ou serviços) consumidos 
para fabricar uma unidade do produto.
b) De acordo com a sua variabilidade:
•	 Custo Variável: é aquele que é constante por unidade produzida, mas 
que varia no seu total, de forma proporcional às variações no volume de 
atividade. Ex.: custo de matéria-prima.
•	 Custo Fixo: é aquele que permanece constante e indiferente, no curto prazo, 
aos diferentes volumes de unidades produzidas. Ex.: Aluguel da fábrica.
•	 Custo	 Semi-fixo: é aquele que varia de acordo com as oscilações no 
volume de produção. Ex.: custo de energia elétrica - composto de uma 
parcela fixa e outra variável, dentro de certos limites de produção.
c) De acordo com a facilidade de atribuição:
•	 Custo Direto: é aquele que é facilmente atribuível a um determinado 
produto. Ex.: custo da matéria-prima.
•	 Custo Indireto: é aquele que apresenta algum grau de dificuldade para ser 
atribuído aos produtos. Ex.: salários dos supervisores.
Para que você possa entender melhor, vejamos o seguinte exemplo:
Matéria-prima $ 3.000.000
Embalagens $ 500.000
Materiais de consumo $ 200.000
Mão de obra direta $ 1.300.000
salários dos supervisores $ 200.000
Depreciação das máquinas $ 150.000
Energia elétrica $ 350.000
Aluguel do prédio $ 100.000
Total - $ 5.800.000
 
93
introdução à ContabilidadE dE Custos
93
 Capítulo 5 
Veja, a partir do exemplo, a classificação de cada item:
- Custos Diretos 
 3 Matéria-prima e embalagens: podem ser apropriadas a cada 
produto, pois, se sabe exatamente quanto cada um consumiu.
 3 Mão de obra direta: é possível associá-la diretamente a cada 
produto, pois, foi feita uma medição de quanto cada empregado 
trabalhou em cada produto.
- Custos Indiretos 
 3 Materiais de consumo: alguns são lubrificantes de máquinas ou são 
materiais utilizados nos dois produtos, e não há como associá-los 
diretamente a cada um. E outros são de tão pequeno valor, de forma 
que ninguém se preocupou em associá-los a cada produto.
 3 Salários dos supervisores: é muito difícil de se identificar, já que 
a supervisão envolve a fábrica em geral, a não ser que a empresa 
tenha supervisores efetivos para cada produto.
 3 Depreciação das máquinas: as empresas depreciam as máquinas 
em valores iguais, por período, e não por produto.
 3 Energia elétrica: parte da energia pode ser considerada direta, se as 
máquinas tiverem medidores de consumo; mas para aquela que não 
possuir medidor, a energia elétrica é apurada de forma global.
 3 Aluguel do prédio: é impossível de se medir diretamente quanto se 
gasta para cada produto.
Observe que:
Tudo que envolve diretamente o produto são Custos Diretos.
Tudo que envolve o produto de forma indireta são Custos indiretos.
Portanto, a classificação Direto e Indireto está relacionada ao produto 
feito, e não à produção, no sentido geral, ou aos departamentos dentro de uma 
fábrica.
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 Contatibilidade Geral
94
Atividade de Estudo:
1 Classifique os custos abaixo como sendo fixos ou variáveis, diretos ou 
indiretos:
a) Custo de matéria-prima.
b) Salário dos funcionários que trabalham diretamente com o produto (MOD).
c) Depreciação das máquinas produtivas.
d) Energia Elétrica consumida nas máquinas.
e) Energia Elétrica consumida pelas instalações elétricas da fábrica 
(lâmpadas, ventiladores, computadores, etc.).
f) Aluguel da parte de produção da fábrica.
g) Consumo de óleo das máquinas.
h) Material de embalagem aplicada aos produtos.
i) salário dos supervisores.
j) Salário do pessoal do setor expedição.
k) Salário dos funcionários da administração da fábrica.
l) Seguro das máquinas e instalações da fábrica.
m) IPTU correspondente às instalações da fábrica.
n) Encargos sociais (inss e FGTs) do pessoal da produção (MOD).
o) Parcela de férias dos supervisores.
p) Peças de manutenção trocadas nas máquinas.
q) salários do pessoal da manutenção.
r) salários dos funcionários do setor de custos.
s) Material de limpeza consumido na fábrica.
t) Água consumida na fábrica (a empresa não utiliza tratamento de água) .
u) Telefone utilizado na fábrica.
d) De acordo com o momento do cálculo, os custos podem ser 
classificados	em:
•	 Custo Histórico: é aquele apurado após ter ocorrido, e tem por objetivo 
avaliar os estoques dos produtos fabricados, os produtos vendidos e apurar 
o resultado obtido pela empresa em um determinado período. Ex.: custos 
dos produtos vendidos em 07/02.
•	 Custo Pré-determinado: é o determinado antes de sua ocorrência e 
tem por objetivo auxiliar a administração no planejamento e controle das 
atividades empresariais. Ex.: orçamento de matéria-prima para 10/09.
e) De acordo com o grau de produção:
•	 Custos Primários: referem-se à soma dos custos da matéria-prima com a 
mão de obra direta. Não é a mesma coisa que o Custo Direto, já que nos 
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introdução à ContabilidadE dE Custos
95
 Capítulo 5 
Primários só estão incluídos esses dois itens. Assim, a embalagem é um 
Custo Direto, mas não primário.
•	 Custos de Transformação: equivale à soma de todos os custos de produção, 
exceto osrelativos a matérias-primas e os que não sofrem modificação no 
processo produtivo (itens já prontos, embalagens compradas, etc.).
Em todas as classificações de custos estudadas, as maiores complicações, 
dúvidas e questionamentos em uma empresa estão na separação dos Custos 
em Fixos e variáveis.
Podemos, a princípio, definir os Custos Fixos como sendo os custos que 
são constantes, ou seja, indiferentes aos níveis de produção. O Custo Fixo é 
aquele que existe e permanece constante, seja na produção de 100 unidades, 
1.000 unidades ou até em períodos em que a empresa não produz nada.
Ex.: Aluguel da fábrica - R$ 10.000,00 por mês.
Se produzirmos 100, 1.000 ou nenhuma unidade, esse valor permanecerá 
o mesmo. Os Custos Fixos só variam em casos especiais, tais como:
• um aumento na produção fora das estimativas previstas;
• aumentos por dissídios, vencimentos de contratos, atualizações monetárias, etc.
No primeiro caso, devemos verificar se o aumento na produção ocorreu 
somente em um determinado mês, ou se o excedente deve ser considerado 
como um custo variável. neste caso, a empresa terá que estipular novos 
valores para seus custos fixos.
Já os Custos Variáveis podem ser definidos como aqueles que só ocorrem 
quando a empresa produz algo, mesmo porque estes custos estão, geralmente, 
ligados à produção. Ex.: matéria-prima - só há consumo, se existir produção.
vamos agora nos concentrar no Cálculo dos Custos Fixos e Variáveis.
Os Custos Variáveis são sempre calculados por unidade, já os fixos são 
calculados pelo seu valor total.
Para entender, vamos a mais um exemplo: imagine a produção de 1.000 
unidades do Produto A, que custos estão envolvidos?
Custos Variáveis:
Matéria-prima - 5,00 Kg por unidade (custo/ Kg = $4,00)
Os Custos Variáveis 
são sempre calculados 
por unidade, já os fixos 
são calculados pelo 
seu valor total.
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 Contatibilidade Geral
96
Custos Fixos:
Depreciação do mês - R$ 10.000,00
levando em conta que a empresa só teve esses dois custos, os Custos 
de Produção do mês são:
- Variáveis = 1.000un X (5,00kg X $4,00) = 1.000 X 20 = $ 20.000,00 
- Fixos = $ 10.000,00
- Custos de Produção = $ 30.000,00
Podemos afirmar, então, que os custos de produção totais foram de $ 
30.000,00 e os custos unitários são de $ 30,00/un ($30.000,00/1.000un).
Agora que você já conheceu a classificação dos custos, vamos ver como 
inserir os custos dentro de um sistema de custeio.
SiStEmaS báSiCoS dE CuStEio
Um sistema de custeio, de acordo com Martins (2003), consiste num 
critério, por meio do qual os custos são apropriados à produção. De acordo 
com o sistema adotado, determinados custos podem ou não fazer parte 
dos custos de produção. Portanto, é preciso que a pessoa interessada nas 
informações fornecidas pela Contabilidade de Custos considere qual foi o 
sistema de custeio adotado pela empresa e quais os seus efeitos sobre a 
composição dos custos de produção.
Existem várias filosofias de custeios dos produtos. Cada filosofia propõe 
uma maneira própria de contabilizar os Custos Indiretos de Fabricação (CIF).
Fundamentados nessas filosofias, os sistemas de custeio têm evoluído de 
tal maneira que já se consegue obter o máximo de informações possíveis de 
todo o processo produtivo e operacional de uma empresa.
Vamos verificar três sistemas mais conhecidos. O primeiro será o sistema 
de custeio por absorção, que é o exigido pelo fisco; o segundo será o custeio 
direto, que tem sua forma própria de apurar os resultados; e o terceiro é o 
sistema de custeio ABC.
a) Custeio por Absorção
No sistema de custeio por absorção, apropriam-se à produção todos os 
custos fixos e variáveis, tanto os diretos quanto os indiretos. Assim, os custos 
97
introdução à ContabilidadE dE Custos
97
 Capítulo 5 
fixos e variáveis são “estocados” e lançados ao resultado apenas por ocasião 
da venda dos produtos correspondentes. (CREPAlDi, 2002).
O grande inconveniente na adoção do custeio por absorção diz respeito 
aos custos fixos. Os custos fixos são necessários para que a indústria esteja 
em condições de produzir. Dessa forma, o aluguel, o imposto predial e o seguro 
da fábrica, por exemplo, são gastos realizados para que a indústria adquira 
capacidade de produção. Todavia, são custos incorridos independentemente 
da quantidade que venha a ser produzida (até certo limite), já que não sofrem 
variações em razão do volume de produção.
Segundo Crepaldi (2002), como regra, os custos fixos são indiretos, sendo 
apropriados por estimativas mais ou menos arbitrárias. Isto faz com que o 
custo de fabricação de um produto possa variar, de acordo com os critérios 
adotados para a apropriação dos custos fixos. Por conseguinte, o resultado 
apurado na venda de um produto pode variar de acordo com a parcela de 
custos fixos que a ele se decida apropriar.
Outro inconveniente é o fato dos custos fixos unitários variarem de acordo 
com as quantidades produzidas (em razão inversa). Com o aumento do volume 
de produção, ocorre a redução do custo fixo unitário. Se, ao tomarmos em 
consideração dois produtos, verificarmos o aumento no volume de produção 
de um deles, enquanto a quantidade produzida do outro permanece constante, 
observaremos que, se o rateio dos custos fixos for feito com base no volume 
de produção, o aumento da quantidade fabricada do 1° produto reduzirá o 
custo unitário do 2°, já que este receberá uma parcela menor de custos fixos, 
em função da maior parcela atribuída ao primeiro, por seu maior número de 
unidades. Quer dizer, a variação no custo do 2° produto decorreu da alteração 
na quantidade produzida do 1°.
Vamos exemplificar: consideremos que uma indústria fabrique 1.000 
unidades do produto A e 1.000 unidades do produto B. Seus custos fixos totais 
de 10.000,00 foram apropriados aos produtos, de acordo com o número de 
unidades produzidas.
Produtos Unidades Produzidas Custos Fixos
Produto A 1.000 unidades 5.000,00
Produto B 1.000 unidades 5.000,00
Totais 2.000 unidades 10.000,00
98
 Contatibilidade Geral
98
se a produção de A for aumentada para 1.500 unidades, e a produção 
de B for mantida em 1.000 unidades, os custos fixos de 10.000,00 serão 
distribuídos da seguinte forma:
Produtos Unidades Produzidas Custos Fixos
Produto A 1.500 unidades 6.000,00
Produto B 1.000 unidades 4.000,00
Totais 2.500 unidades 10.000,00
O aumento da produção de A provocou o aumento dos seus custos fixos, 
de 5.000,00 para 6.000,00. Apesar da produção de B não ter sido alterada, 
seus custos fixos foram reduzidos de 5.000,00 para 4.000,00. Assim, o 
aumento da produção de A reduziu os custos fixos apropriados ao produto B.
b) Problemas do Sistema de Custeio por Absorção
Um dos grandes problemas é que este sistema, segundo Crepaldi (2002), 
não nos permite fixar o preço de venda dos produtos com base nos custos 
apurados, pois o sistema ignora outros custos e despesas, tais como despesas 
com vendas, despesas administrativas e despesas financeiras.
Outro grande problema se refere aos custos fixos. Agregando os custos 
fixos aos estoques, estamos apurando um resultado que não reflete a realidade, 
pois, independentemente de que a empresa produza ou não, ela sempre terá 
custos fixos e, se formos jogá-los aos estoques, apuraremos um resultado 
(lucro) maior, que na verdade não existe, sem contar que supervalorizaremos 
nossos estoques.Em meio a esse tipo de problema com os custos fixos é que muitas 
empresas costumam utilizar o Sistema de Custeio Direto ou variável, que 
veremos a seguir.
c) Custeio Direto (Variável) 
novamente contamos com o auxílio de Crepaldi (2002) para entender o 
que é custeio variável. Em razão dos problemas existentes no uso do sistema 
de custeio por absorção, no que diz respeito à apropriação dos custos fixos, 
surge o sistema de custeio variável; neste sistema, são apropriados aos 
produtos apenas os custos variáveis de produção, enquanto os custos fixos 
são lançados diretamente ao resultado, como se fossem despesas, sem 
transitar pelos estoques.
O sistema de custeio variável também é conhecido como sistema de 
custeio direto, em virtude dos custos variáveis serem, como regra, diretos. Mas, 
99
introdução à ContabilidadE dE Custos
99
 Capítulo 5 
em razão de, nesse método, serem apropriados à produção tanto os custos 
variáveis diretos quanto os variáveis indiretos, parece ser mais adequada a 
expressão sistema de custeio variável (CREPAlDi, 2002).
Se toda a produção, iniciada e acabada num determinado período, for 
vendida, o lucro bruto pelo custeio variável será maior que o apurado pelo 
custeio por absorção, pela não-apropriação dos custos fixos aos produtos no 
sistema de custeio variável, e a consequente redução do custo dos produtos 
vendidos. nessa mesma hipótese, o lucro líquido será igual nos dois métodos, 
pois os custos fixos integrarão o custo dos produtos vendidos no custeio por 
absorção e estarão entre as despesas operacionais no custeio variável.
Exemplificando, consideremos que uma indústria tenha apurado os 
seguintes gastos em seu primeiro mês de atividades:
 Custos variáveis totais 15.000,00
 Custos fixos totais 5.000,00
 Despesas administrativas 3.000,00
 Despesas de vendas 2.000,00
 
A indústria vendeu toda a sua produção, com receita total de 40.000,00. 
Comparando o resultado pelo custeio por absorção com o resultado apurado 
pelo custeio variável, temos:
Demonstração Custeio Custeio
 do Resultado por Absorção Variável
vendas Brutas 40.000,00 40.000,00
Custo dos Produtos vendidos (20.000,00)* (15.000,00)*
Lucro Bruto 20.000,00 25.000,00
Despesas Administrativas (3.000,00) (3.000,00)
Despesas de vendas (2.000,00) (2.000,00)
Custos Fixos - (5.000,00)*
Lucro Líquido 15.000,00 15.000,00
Você notou os asteriscos? Eles nos trazem uma informação muito 
importante para entendermos o custeio:
O CPV, no custeio por absorção, é representado por todos os custos 
de produção, tanto variáveis quanto fixos. Já o CPV, no custeio variável, 
corresponde apenas aos custos variáveis e os custos fixos são apresentados 
como despesas operacionais.
Se parte da produção, iniciada e acabada em determinado período, 
permanecer em estoque, o lucro bruto, nesse período, será maior pelo custeio 
100
 Contatibilidade Geral
100
variável, pela falta dos custos fixos na composição do custo dos produtos 
vendidos (igual à situação anterior). Mas o lucro líquido será maior pelo 
custeio por absorção, em razão de os custos fixos, no custeio variável, serem 
deduzidos integralmente como se fossem despesas operacionais e, no custeio 
por absorção, permanecerem, proporcionalmente, em estoque, como parte da 
produção não vendida. (CREPAlDi, 2002).
Exemplificando: consideremos que uma indústria tenha apurado os 
seguintes gastos em seu primeiro mês de atividades:
 Custos variáveis totais 20.000,00
 Custos fixos totais 10.000,00
 Despesas administrativas 5.000,00
 Despesas de vendas 4.000,00
A indústria vendeu 80% de sua produção e apurou receita total de 
50.000,00. Comparando o resultado pelo custeio por absorção com o resultado 
apurado pelo custeio variável, temos:
Demonstração Custeio Custeio
 do Resultado por Absorção Variável
vendas Brutas 50.000,00 50.000,00
Custo dos Produtos vendidos (24.000,00)* (16.000,00)*
Lucro Bruto 26.000,00 34.000,00
Despesas Administrativas (5.000,00) (5.000,00)
Despesas de vendas (4.000,00) (4.000,00)
Custos Fixos - (10.000,00)*
Lucro Líquido 17.000,00 15.000,00
Novamente é bom você ficar atento aos asteriscos; Veja:
O CPV, no custeio por absorção, é correspondente a 80% dos custos totais 
de produção, fixos e variáveis. O CPV, no custeio variável, é equivalente a 
80% dos custos variáveis, e os custos fixos foram apropriados como despesas 
operacionais.
Em comparação com o custeio por absorção, o sistema de custeio 
variável antecipa a apropriação dos custos fixos ao resultado. Os resultados 
acumulados, porém, são iguais nos dois métodos. No custeio por absorção 
todos os custos fixos são apropriados ao resultado dentro do custo dos produtos 
vendidos, enquanto no custeio variável os custos fixos são integralmente 
apropriados, como se fossem despesas operacionais.
Em comparação com o 
custeio por absorção, 
o sistema de custeio 
variável antecipa a 
apropriação dos custos 
fixos ao resultado. 
101
introdução à ContabilidadE dE Custos
101
 Capítulo 5 
Os princípios contábeis e a legislação do Imposto de Renda determinam 
a utilização do custeio por absorção. O custeio variável é adotado para fins 
gerenciais, principalmente no processo administrativo de tomada de decisão.
d) Custeio Direto versus Custeio por Absorção
Quando uma empresa adota o Sistema de Custeio Direto, sempre se faz 
necessário que haja uma comparação com o Custeio por Absorção. 
Essa comparação se faz necessária, pois o motivo do Custeio por Absorção 
é uma exigência fiscal. Sendo assim, temos que adaptar determinados 
resultados da empresa para esse método de custeio, principalmente os 
cálculos referentes ao Imposto de Renda e Contribuição Social. Outro motivo 
da comparação é que, enquanto o custeio direto analisa cada produto, 
individualmente ou por grupos de produtos, o custeio por absorção não 
faz restrições entre análise individual ou de conjunto. Mesmo porque, em 
Declarações do Imposto de Renda, a empresa está obrigada a apurar um 
resultado único, ou seja, de todos os produtos da empresa.
numa análise entre os dois sistemas, compara-se:
• resultados (lucro/prejuízo);
• estoques (iniciais e finais);
• variação no custo unitário de cada produto.
e) Método de Custeio ABC
O sistema de Custeio Baseado em Atividades( ABC) procura, igualmente, 
amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio, necessário aos 
sistemas tratados anteriormente, principalmente no que tange ao sistema de 
custeio por absorção (BUEREN; ROEDEL, 2002).
Ele poderia ser tratado como uma evolução dos sistemas já discutidos, 
mas sua relação direta com as atividades envolvidas no processo configura 
mero aprofundamento do sistema de custeio por absorção.
O Custeio Baseado em Atividades é uma metodologia de custeio que 
procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário 
dos custos indiretos. Este sistema tem, como fundamento básico, a busca do 
princípio da causa/ação; ou seja, procura identificar, de forma clara, por meio 
de rastreamento, o agente causador do custo, para lhe imputar o valor.
A ideia básica é atribuir, primeiramente, os custos às atividades e, 
posteriormente, atribuir custos das atividades aos produtos. Sendo assim, faz-
O Custeio Baseado 
em Atividades é 
uma metodologia de 
custeio que procura 
reduzir sensivelmente 
as distorções 
provocadas pelo 
rateio arbitrário dos 
custos indiretos.
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 Contatibilidade Geral
102
se o rastreamento dos custos que cada atividade causou, atribuindo-lhes estes 
custos,e, posteriormente, verifica-se como os portadores finais de custos 
consumiram serviços das atividades, atribuindo-lhes os custos definidos.
O Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas 
atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas 
atividades.
Para atribuir custos às atividades e aos produtos, utilizam-se 
direcionadores; mas, há que se distinguir dois tipos de direcionadores, 
conforme Bueren e Roedel (2002): direcionador de custos de recursos e 
direcionador de custos de atividades.
Por exemplo, os custos das atividades devem ser atribuídos de forma 
criteriosa, na ordem de prioridade para alocação direta, rastreamento e rateio. 
no sistema de custeio ABC, os custos indiretos são alocados aos produtos 
pelas atividades existentes em cada departamento, conforme tabela, a seguir:
Tabela 1 – Formação do Custeio baseado em atividades – ABC
 Custeio Baseado em Atividades - ABC
 Camisetas - $ Vestidos - $ Calças - $
Custos Diretos 3,75 5,75 4,25
Custos indiretos 2,66 17,33 5,33
Custo Total 6,41 23,08 9,58
Fonte: Elaborado pela autora
Na comparação da tabela 1, a metodologia de Custeio Baseado nas 
Atividades assegura melhoria significativa, porque adota os direcionadores de 
custos das atividades, que resulta em alocações proporcionais às atividades 
de cada produto, permitindo que as decisões, baseadas no custo total dos 
produtos, sejam tomadas com confiança nos dados. 
A comparação leva à necessidade de uma profunda reflexão sobre os 
sistemas de custeio tradicionais. A departamentalização pode minimizar as 
arbitrariedades, mas ainda não possibilita a alocação mais justa, enquanto 
o ABC com os direcionadores de custos melhoram o grau de exatidão das 
informações. 
O primeiro identifica a maneira como as atividades consomem recursos, 
e serve para custear as atividades, e o segundo identifica a maneira como os 
produtos consomem atividades, e serve para custear produtos.
Retomemos o nosso exemplo inicial (lembra do doce de goiaba?). Espero 
que agora fique mais fácil compreender, por que o valor que você pagou pelo 
103
introdução à ContabilidadE dE Custos
103
 Capítulo 5 
doce não é o mesmo que ele custou, pois, como vimos, a empresa precisa 
agregar valores a esse custo para atingir seus objetivos, sua meta, que todos 
nós sabemos que é o lucro.
Acredito que vocês devem ter percebido quanto é importante conhecer os 
procedimentos de custos para que as empresas possam ter continuidade.
 
Atividade de Estudos:
1 A atribuição de todos os gastos de fabricação aos produtos é determinada 
pela seguinte forma de custeio:
a) de realização
b) variável
c) direto
d) estimado
e) por absorção
2) É correto afirmar que:
a) O método de custeio variável agrega os custos fixos ao custo de produção 
pelo emprego de critérios variáveis de rateio.
b) O método de custeio por absorção leva em conta, na apuração do custo de 
produção, todos os custos incorridos no período.
c) O método de custeio por absorção exige que a avaliação dos estoques 
seja feita pelo critério do custo médio ponderado.
d) Para efeito de apuração de resultados industriais, é indiferente qual o 
método de custeio adotado, seja o variável ou por absorção.
e) A diferença fundamental entre o custeio variável e o custeio por absorção 
é que este admite a avaliação dos estoques por método diferente do custo 
médio ponderado, ao contrário do custeio variável.
algumaS ConSidEraçõES
Verificamos, neste capítulo, que a contabilidade de custos nos fornece 
informações importantes para o controle e a decisão de preços, mas é 
fundamental que as terminologias utilizadas sejam as mesmas para todos, 
para que não haja interpretação errada de um determinado termo.
Ficou evidenciado que temos vários sistemas de custeio, porém, cada 
empresa, de acordo com sua atividade, deve adotar um tipo de custeio.
104
 Contatibilidade Geral
104
Estudamos que o sistema de custeio por absorção determina o custo de 
cada unidade produzida e de seu total, mostrando-nos onde ocorreram os 
gastos produtivos, fixos e variáveis, gastos com mão de obra direta, indireta, 
água, luz, materiais diretos e indiretos, etc. No sistema por absorção, existe 
uma difícil tarefa, a de diferenciar custo e despesa, isso porque as despesas 
não são apropriadas diretamente para os produtos; devem ser feitos rateios.
Já o sistema ABC, Custo Baseado na Atividade, aloca melhor os Custos 
Indiretos de Fabricação, pois ele os diferencia por centro ou atividade, além de 
distribuir os custos normais e despesas; com isso ele é muito mais completo, 
demonstrando realmente todos os gastos e custos do produto.
rEFErEnCiaS 
BEUREN, Ilse Maria; ROEDEL, Ari. O uso do custeio baseado em atividades 
– ABC (activity based costing) nas maiores empresas de santa Catarina. 
Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, n. 30, p. 7-8, set./dez. 2002.
COnTABiliDADE DE CUsTOs. Disponível em: 
< http://www.administradores.com.br/artigos/contabilidade_de_
custos/13392/>. Acesso em: 23 maio 2009.
CREPAlDi, silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. 
2.ed. são Paulo: Atlas, 2002. 
MARTINS. Elizeu. Contabilidade de Custos. 9. ed. são Paulo: Atlas, 2003.
Errata Caderno de Estudos – Contabilidade 
 Página 34 
Onde se lê: 
b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são os gastos 
que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como parte do patrimônio 
(ativo diferido, gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são 
classificadas as marcas e as patentes, o fundo de comércio, etc. 
Leia-se 
b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são os gastos 
que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como parte do patrimônio 
(gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são classificadas as marcas 
e as patentes, o fundo de comércio, etc. 
 Página 75 
Onde se lê: 
PMRV = 360 x Estoques 
Custo das Vendas 
Leia-se: 
PMRE = 360 x Estoques 
Custo das Vendas 
 Página76 
Onde se lê: 
 
 
 
Leia-se: 
 
 
 
Onde se lê: 
 2007 2008 
LUCRO LÍQUIDO 30.700,00 81.000,00 
 
Leia-se: 
 2007 2008 
LUCRO LÍQUIDO 30.700,00 60.000,00 
 
 Página 77 
Onde se lê: 
 
Leia-se: 
 
 Página 78 
Onde se lê: 
O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada um real investido, os 
proprietários obtiveram 19% de retorno. Vamos, agora, calcular o prazo de retorno do capital 
investido. 
 
X = 1 x 100 = 5,26 anos 
 19 
 
Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela terão de volta seu capital 
investido em 5,26 anos. Em outras palavras, a empresa precisa de 5,26 anos para dobrar o valor 
dos capitais próprios, utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que 
esse fato constitui situação positiva. 
 
Leia-se: 
O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada um real investido, os 
proprietários obtiveram 17% de retorno. Vamos, agora, calcular o prazo de retorno do capital 
investido. 
 
X = 1 x 100 = 5,88 anos 
 17 
 
Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela terão de volta seu capital 
investido em 5,88 anos. Em outras palavras, a empresa precisa de 5,88 anos para dobrar o valor 
dos capitais próprios, utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que 
esse fato constitui situação positiva.

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