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CONTABILIDADE GERAL Programa de Pós-Graduação EAD UniAssElvi-PÓs Professora: Eli Teresinha Biscaro Editora CEnTRO UnivERsiTÁRiO lEOnARDO DA vinCi Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – inDAiAl/sC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Dr. Malcon Tafner Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Janes Fidélis Tomelin Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Profa. Elisabeth Penzlien Tafner Prof. Norberto Siegel Revisão de Conteúdo: Prof. Osir Afonso Tessari Revisão Gramatical: Profa. Tereza Pfiffer Franco Diagramação e Capa: Carlinho Odorizzi Copyright © Editora AssElvi 2009 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri – Grupo UNIASSELVI – Indaial. 657 B6213c Biscaro, Eli Teresinha. Contabilidade Geral/ Eli Teresinha Biscaro Centro Universitário leonardo da vinci. – indaial : Grupo UniAssElvi, 2009.x ; 104 p.: il. Inclui bibliografia. isBn 978-85-7830-185-9 1. Contabilidade Geral I. Centro Universitário leonardo da vinci. ii. Núcleo de Ensino a Distância iii. Título Graduada em Ciências Contábeis, mestre em Ciências Contábeis com área de concentração em Controladoria, pela Universidade Regional de Blumenau (FURB - sC), especialista em Gerência da Qualidade nos Serviços Contábeis e Direito Tributário, pela Universidade Regional de Blumenau (FURB – sC). Atuou como gerente administrativa contábil e contadora durante 27 anos em empresa privada. Atualmente, é professora em várias instituições de ensino superior no curso de Ciências Contábeis, nas disciplinas Teoria da Contabilidade, Contabilidade Avançada, Contabilidade Tributária, Perícia Contábil, Orçamento Empresarial e Controladoria. Participa da Compasso Consultoria Multidisciplinar em Políticas sociais, como assessora contábil. Eli Teresinha Biscaro Sumário APREsEnTAÇÃO ......................................................................7 CAPÍTUlO 1 EStrutura ConCEitual da ContabilidadE .......................................9 CAPÍTUlO 2 Patrimônio .................................................................................31 CAPÍTUlO 3 EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS ..................................45 CAPÍTUlO 4 análiSE daS dEmonStraçõES ContábEiS .......................................65 CAPÍTUlO 5 introdução à ContabilidadE dE CuStoS .......................................85 APRESENTAÇÃO Caro (a) aluno (a), bem-vindo(a) à disciplina de Contabilidade Geral. Este é o nosso Caderno de Estudos, material elaborado com o objetivo de contribuir para o seu conhecimento e realização de seus estudos sobre o assunto. A proposta deste caderno é oferecer um trabalho didático acessível, especialmente aos que se iniciam no estudo da Contabilidade. Ao lado de uma abordagem teórica do assunto, você encontrará atividades práticas, que o levarão a um melhor desempenho e compreensão da matéria. Desse modo, você tem em mãos um material escrito em linguagem acessível, mas com termos técnicos necessários; assim a contabilidade fica mais fácil. No decorrer do caderno, você perceberá como está estruturada a contabilidade e quem se utiliza de suas informações; também verá que a escrituração contábil tem início a partir dos documentos hábeis, que comprovam a ocorrência dos fatos na empresa. Por exemplo: - Um fato = venda de um carro. - Documento hábil = nota fiscal. A partir desse documento, a nota fiscal, inicia-se o processo contábil. Após várias etapas, a serem vistas no decorrer do estudo, o processo contábil é concluído nas Demonstrações Contábeis, entre as quais se encontra o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. Após o entendimento dessas demonstrações contábeis, entraremos no capítulo que trata de como analisar as informações obtidas através desses relatórios, para a tomada de várias decisões. Este capítulo contempla a análise de balanços. No último capítulo, estudaremos uma introdução à contabilidade de custos. Serão vistos, então, conceitos básicos, que são utilizados por várias empresas para saber quanto custam seus produtos e, a partir daí, formular o preço de venda. Desejo-lhe um bom estudo e que você aproveite, ao máximo, o conteúdo dos temas abordados nesta disciplina.Vamos ao estudo! 8 Contatibilidade Geral 8 CAPÍTUlO 1 EStrutura ConCEitual da ContabilidadE A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Conhecer os conceitos e objetivos da contabilidade, seus usuários, os princípios que regem a contabilidade, os regimes contábeis e o plano de contas. 3 Diferenciar os regimes contábeis. 3 Conhecer a estruturação do plano de contas. 10 Contatibilidade Geral 10 11 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 11 Capítulo 1 ContExtualização É com grande prazer que escrevo sobre Contabilidade Geral. Este capítulo tem por objetivo trazer as informações básicas sobre a estrutura conceitual da contabilidade. Nossa meta é mostrar que os processos contábeis são ótimos, que se prestam a análises necessárias das empresas e que a grande maioria dos empresários deveria utilizá-los, desde que, com dados confiáveis. Portanto, a contabilidade é responsável pela geração de informações necessárias para gerir as empresas. Compreendendo um conjunto coordenado de conhecimentos, com objeto e finalidades definidos, obedecendo a preceitos e normas próprias, pode-se dizer, então, que a contabilidade é uma ciência do grupo das chamadas ciências econômicas e administrativas. A contabilidade registra, estuda e interpreta os fatos financeiros ou econômicos que afetam a situação patrimonial de determinada pessoa, seja ela física ou jurídica. Você compreenderá melhor a finalidade da contabilidade, observando a seguinte situação: suponha que você pretenda tornar-se comerciante, constituindo uma empresa para vender eletrodomésticos. Aí, surgem as primeiras perguntas: - você vai constituir uma empresa com quê? - O que você precisa ter em mãos para estar em condições de constituir um negócio? Respondemos: Você precisa de um capital. E capital, neste caso, significa principalmente dinheiro. Suponhamos, então, que você possua uma importância suficiente para montar a loja. Pronto, esta importância suposta é o seu capital inicial. Bem, agora que você já tem o dinheiro, precisa de um local para instalar sua loja. Vamos supor que você também já tenha alugado uma casa para esse fim. E então, o que falta? Respondemos: Você precisa equipar sua loja com vitrines, balcões, prateleiras, cadeiras, mesas, etc. Suponha, finalmente, ter adquirido esses materiais, e que eles já estejam em sua loja. A essa altura dos acontecimentos, você já deve estar indagando: A contabilidade é responsável pela geração de informações necessárias para gerir as empresas. Compreendendo um conjunto coordenado de conhecimentos, com objeto e finalidades definidos, obedecendo a preceitos e normas próprias, pode-se dizer, então, que a contabilidade é uma ciência do grupo das chamadas ciências econômicas e administrativas. 12 Contatibilidade Geral 12 - E os eletrodomésticos, para venda? Pois bem, você deverá adquirir as mercadorias para negociar. Pronto, sua loja está instalada. Você já gastou dinheiro, já aplicou seu capital inicial. Agora sua empresa já existe e você a colocará em funcionamento. Veja, você vai abrir a sua loja. Qual é o principal objetivo do seu negócio? Certamente, você responderá que é a obtenção de lucros. Muito bem. Para obter o lucro desejado, você precisará vender assuas mercadorias. sendo assim, podemos concluir que, na empresa, entrarão diariamente pessoas com finalidades diferentes: a) algumas entrarão com o objetivo de lhe fornecer mercadorias, são chamadas de fornecedores; b) outras entrarão na sua loja para comprar suas mercadorias, são os clientes. Note bem: • Quanto você imaginou ter de capital? • Quanto você aplicou em relação a esse capital inicial? • O que e quanto você comprou? • Quais os bens que você possui e quantos são? • Se você comprou a prazo, quanto ficou devendo e para quem? • Se você vendeu a prazo, quanto tem para receber e de quem? • Se você comprou ou vendeu à vista, quanto comprou e o que comprou, e quanto vendeu e o que vendeu? • O que e quanto você possui agora? Essas e outras perguntas nos levam a entender que você já possui um patrimônio, o qual está em movimento, em função de quatro operações principais – compras, vendas, pagamentos e recebimentos – e que essa movimentação (gestão) do patrimônio da sua empresa necessita de um controle, para que você possa avaliar e verificar se o seu principal objetivo (lucro) está sendo atingido. Acho que você já percebeu que há necessidade de manter um controle do seu patrimônio. E é exatamente aí que a contabilidade desempenha o seu papel. Nosso estudo tem por objetivo trazer as informações básicas sobre a estrutura conceitual da contabilidade, qual seu objeto e objetivos, seus usuários, os aspectos do patrimônio. Também abordaremos os princípios fundamentais da contabilidade, pois são eles que dão o direcionamento de como ela deve ser efetuada, a questão dos regimes contábeis, e o plano de contas, que é uma peça fundamental da contabilidade. 13 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 13 Capítulo 1 objEtivoS E uSuárioS da ContabilidadE A contabilidade, de acordo com Franco (1998, p.25): é uma ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a interpretação dos fatos ocorridos, com o fim de oferecer informações sobre a sua composição e suas variações, bem como sobre o resultado econômico da gestão da riqueza patrimonial. A figura 1 mostra que toda entidade precisa de uma contabilidade, para que os fatos ocorridos sejam registrados, a fim de fornecer relatórios que serão utilizados no seu controle. Figura 1 – A entidade e as ocorrências Fonte: Adaptado de Franco (1998) Durante todo o processo evolutivo da contabilidade, vários conceitos se formaram. Destacamos alguns: segundo Franco (1998, p. 21), “é a ciência que estuda e controla as variações no patrimônio das entidades econômico-administrativas, através de um conjunto sistematizado de preceitos e normas próprias”. Padoveze (2000, p. 35) define “Contabilidade como o sistema de informação que controla o patrimônio de uma entidade”. Percebemos, então, que a contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas, manter um controle permanente do patrimônio da empresa. A partir desses conceitos, você poderá estar pensando: - O que é Patrimônio? Patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações de uma empresa ou de uma pessoa, avaliado em moeda. No capítulo 2, você encontrará mais informações sobre o patrimônio. Entidades fatos registro relatórios controle 14 Contatibilidade Geral 14 objEto E objEtivo da ContabilidadE A Contabilidade é a ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades e por objetivo o controle desse patrimônio, com a finalidade de fornecer informações a seus usuários. O patrimônio é o objeto da Contabilidade, isto é, constitui a matéria sobre a qual se exercem as funções contábeis. O patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações vinculados à entidade. O objetivo da Contabilidade é controlar o patrimônio. Na Contabilidade, os objetivos estão definidos, como as informações que deverão ser geradas, para que os diversos usuários possam tomar conhecimento da situação da organização, em dado momento, com a finalidade de tomar as decisões que considerarem necessárias. Perceba, então, que a finalidade da Contabilidade é a de controlar o Patrimônio, assegurar o controle do patrimônio administrado e fornecer informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas desenvolvidas pela entidade para alcançar seus fins, que podem ser lucrativos ou meramente ideais (sociais, esportivos e outros); enfim, fornecer informações a seus usuários. Em resumo, podemos dizer que o conhecimento sobre os conceitos contábeis, por parte das pessoas, é importante para a análise e interpretação de dados financeiros, planejamento e controle do patrimônio, seja ele pessoal ou empresarial. no entanto, no entendimento de Fávero (1997), existem dois pontos fundamentais a serem considerados, que complicam o processo de geração de informações: • Quem são os usuários da informação contábil? • Como gerar informações para esses usuários? oS uSuárioS da ContabilidadE Os usuários são pessoas que se utilizam da contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam, nas informações trazidas pela contabilidade, as suas respostas. Então, quem são esses usuários? Eles são denominados de usuários internos ou externos à entidade. A Contabilidade é a ciência que tem por objeto o patrimônio das entidades e por objetivo o controle desse patrimônio, com a finalidade de fornecer informações a seus usuários. Os usuários são pessoas que se utilizam da contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam, nas informações trazidas pela contabilidade, as suas respostas. Então, quem são esses usuários? Eles são denominados de usuários internos ou externos à entidade. 15 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 15 Capítulo 1 Os usuários internos (diretores, gerentes, administradores nos diversos níveis) são pessoas que trabalham na entidade. Esses usuários utilizam as informações contábeis para ajudar no processo de decisão. Um gerente da empresa, por exemplo, necessita saber se um produto consegue produzir resultado positivo no mercado. Caso a resposta seja negativa, o gerente poderá decidir não mais vender o produto. Uma empresa comercial que possui diversas lojas, em diferentes cidades, poderá verificar em qual delas o resultado é melhor. A contabilidade é denominada gerencial quando é utilizada por esses usuários nas suas decisões. Os usuários externos (acionistas, clientes, fornecedores, bancos, governo, sindicatos, etc.) utilizam as informações sobre a entidade para suas decisões. Esses usuários se diferenciam dos internos, por não estarem envolvidos diretamente com a entidade. A habilidade desses usuários em obter informação da entidade é mais limitada; por não serem pessoas da entidade. Eles têm acesso à informação preparada pela administração da entidade. A contabilidade destinada a esses usuários recebe o nome de contabilidade financeira. Evidentemente, os usuários internos não são os únicos que se utilizam da contabilidade para buscar informações; os usuários externos também buscam informações para conhecer melhor a situação da empresa. Assim, o processo decisório acaba sendo influenciado pelas informações contábeis disponíveis, o que requer do contador sensibilidade, para entender que seria injusto oferecer as mesmas informações padronizadas para os usuários externos e internos. Você, com certeza, já procurou emprego. Se você tivesse conhecimento das informações contábeis da empresa, na qual procurava emprego, e percebesse que a mesma não tinha uma boa situação financeira, você iria trabalhar nessa empresa? Por quê? Até agora, estudamos os diversos conceitos relacionados à contabilidade e quem se utiliza das informações geradas pela contabilidade, sendo eles os usuários internos e externos. semelhante ao que se passa em outras áreas do conhecimento, a contabilidade também é governada porum conjunto de leis de formação, os chamados Princípios Fundamentais da Contabilidade, que servem para orientar a pratica profissional. Sobre esses princípios, trataremos a seguir. Evidentemente, os usuários internos não são os únicos que se utilizam da contabilidade para buscar informações; os usuários externos também buscam informações para conhecer melhor a situação da empresa. 16 Contatibilidade Geral 16 PrinCíPioS FundamEntaiS da ContabilidadE Não pretendemos apresentar uma ampla discussão sobre os Princípios Fundamentais da Contabilidade, mas simplesmente mostrar-lhe esses fundamentos da contabilidade. a) Princípio da entidade O princípio da entidade reconhece que o patrimônio é o objeto da contabilidade. Nesse sentido, deve existir separação entre os diversos patrimônios. Em termos práticos, isso significa, por exemplo, que o patrimônio de entidade não se confunde com o patrimônio dos sócios. É muito comum, em pequenas empresas, o proprietário utilizar os recursos da conta corrente da empresa para efetuar pagamentos pessoais. Essa atitude não respeita o princípio da entidade, pois não separa os dois patrimônios envolvidos: o patrimônio da entidade e o do proprietário. seria correto que a conta corrente da empresa só fosse utilizada para os pagamentos da empresa. b) Princípio da continuidade A continuidade de uma entidade deve ser levada em conta, quando estão sendo preparadas as suas demonstrações financeiras. Caso exista chance de que a entidade cesse suas operações, isso pode afetar a forma de como alguns ativos e passivos serão apresentados ou avaliados. Uma situação possível de ocorrer é um empréstimo captado numa instituição financeira em que existe um compromisso de pagamento imediato, diante da possibilidade de não continuidade. Isso, naturalmente, afeta a situação do balanço patrimonial da entidade. Alguns ativos somente possuem valor, caso a empresa continue existindo no futuro. É o caso dos denominados “impostos a compensar”. A entidade pode reduzir a carga tributária no futuro, conforme permitido pela legislação. Entretanto, essa possibilidade não existe caso a entidade paralise suas operações. c) Princípio da oportunidade A oportunidade diz respeito ao fato de a contabilidade reconhecer um determinado evento, tão logo o mesmo ocorra. E que o mesmo seja feito de forma correta. Considere a seguinte situação: um grupo de empregados entra com processo na justiça trabalhista contra a entidade. Nesse momento, a entidade 17 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 17 Capítulo 1 estudará a situação; se for constatada a chance de a empresa perder o processo, o mesmo deverá ser registrado imediatamente. Assim, a empresa já pode reconhecer essa despesa, e, em consequência, diminuindo seu lucro, pagar menos imposto de renda. d) Princípio do registro pelo valor original Quando um bem é adquirido por uma entidade, ele deve ser registrado pelo valor de aquisição. O princípio do registro pelo valor original significa que se deve considerar como valor de um terreno, por exemplo, o preço pago na sua aquisição. Além disso, se um terreno foi comprado, deve ser registrado na contabilidade da entidade, e o seu valor não deve ser alterado. Outro aspecto importante, decorrente desse princípio, é que a contabilidade deve ser feita em moeda nacional. e) Princípio da atualização monetária Os aumentos de preços da economia afetam os valores da contabilidade de uma entidade. O princípio da atualização monetária reconhece esse fato e afirma que esses efeitos devem ser considerados. Desse modo, o valor de aquisição de um terreno deverá sofrer atualização monetária, para reconhecer a inflação ocorrida no período. O objetivo principal da atualização monetária é, exatamente, expurgar os efeitos inflacionários sobre os elementos patrimoniais, de modo a possibilitar que as demonstrações contábeis retratem o real estado econômico-financeiro da empresa. nesses últimos anos, o Brasil tem passado por vários planos econômicos, com variação do nível de inflação e com retorno e volta oficial/legal/fiscal do procedimento de atualização monetária. No momento, estamos sem esse procedimento, desde 1o de janeiro de 1996. f) Princípio da competência O princípio da competência estabelece quando a contabilidade deve registrar a receita e a despesa. A regra é que ambas devem ser consideradas na demonstração do resultado de uma entidade quando ocorrem, independente de pagamento ou recebimento. Um exemplo da aplicação do princípio da competência refere-se à situação da receita de prestação de serviço de uma entidade, a prazo. A contabilidade fará o registro da receita quando ocorrer a prestação do serviço, e não quando a entidade obtiver o recebimento. 18 Contatibilidade Geral 18 g) Princípio da prudência O princípio da prudência considera que, entre as alternativas válidas na quantificação dos componentes das demonstrações financeiras, deve-se adotar a que irá apresentar o menor ativo e o maior passivo para a entidade. Em decorrência da equação contábil, isso significa que, entre duas alternativas existentes, deve-se escolher a que apresenta o menor patrimônio líquido. É importante notar que se deve aplicar o princípio da prudência quando existir incerteza na estimativa dos valores. Considere, a título de exemplo, uma entidade que responde por um processo na justiça trabalhista. Já se sabe que a entidade será condenada, mas a previsão do valor a ser pago está em torno de dois números. A contabilização deve adotar a prudência, ou seja, utilizar o número que represente o maior passivo. Uma discussão mais aprofundada sobre os Princípios Fundamentais da Contabilidade pode ser vista na Resolução n. 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade. Consulte o site: www.cfc.org.br ATIVIDADE DE ESTUDO: Agora, que você sabe em que consiste cada um dos Princípios Fundamentais da Contabilidade, vamos resolver o Estudo de Caso: O Grupo Provença do vale ltda. está contratando uma pessoa para trabalhar no Departamento de Contabilidade, tendo em vista a expansão de seus negócios. A pessoa a ser contratada deverá ter conhecimentos de contabilidade. Considere que seja você esta pessoa. Nessas condições, estude cautelosamente os dados a seguir, que fazem parte do teste de seleção, e a seguir responda os questionamentos: a) Um dos sócios emitiu um cheque seu para pagamento de uma duplicata da empresa. b) A empresa recebeu um pedido de venda em 30/10/2008, o diretor comercial mandou o contador contabilizar o pedido. A venda e a entrega da mercadoria ocorreriam no dia 03/11/2008. c) A empresa comprou um imóvel por R$ 85.000,00. Oito meses após a aquisição, o diretor da empresa verificou que o seu imóvel estava valendo R$ 100.000,00. Então, solicitou ao contador que retificasse o valor do imóvel para R$ 100.000,00. 19 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 19 Capítulo 1 d) O prolabore dos sócios, referente ao mês de janeiro e pagos em fevereiro, estão contabilizados em fevereiro. e) A empresa está às voltas com um processo judicial. Na avaliação do departamento jurídico, ela tem 40% de chance de ganhar a causa. O contador entende que deve fazer a provisão e lançar em despesa o valor depositado. Nas questões, que princípios devem ser observados: a) ________________________________________________________ b) ________________________________________________________ c) ________________________________________________________ d) ________________________________________________________ e) ________________________________________________________ Como vimos, a contabilidade possui regras a serem seguidas, e entre elas estão os Princípios Fundamentais da Contabilidade, os quais servem para orientar os profissionais contábeis na elaboração das informações para vários tipos de usuários; porém, nem sempreesses usuários têm entendimento das práticas e normas contábeis. Entre as práticas contábeis, encontram-se os regimes contábeis. Para melhor compreensão, vamos descrevê-los a seguir. rEgimES ContábEiS Regimes contábeis são as normas que orientam o registro e o controle dos fatos patrimoniais. Os regimes contábeis estão divididos em Regime de Competência e Regime de Caixa. a) Regime de Competência: determina que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrem, sempre simultaneamente, quando se correlacionam, independentemente de recebimento ou pagamento. De acordo com Hoji (2000), o regime de competência de exercícios, as receitas e as despesas são consideradas em função de seu fato gerador e não em função do seu recebimento ou pagamento, respectivamente. As receitas do exercício são aquelas efetivamente ganhas no período; não importa se foram recebidas ou não. As despesas do exercício são aquelas efetivamente incorridas no período, não importando se têm sido pagas ou não. O regime de competência se diferencia do regime de caixa, pelo fato do último considerar como receitas e despesas do período as que foram efetivamente recebidas ou pagas. O regime de competência se diferencia do regime de caixa, pelo fato do último considerar como receitas e despesas do período as que foram efetivamente recebidas ou pagas. 20 Contatibilidade Geral 20 Vejamos este exemplo, apresentado por Hoji (2000) e adaptado aos objetivos deste caderno: uma empresa adquire, em abril de 2006, material de escritório (papel, clips, canetas, cartuchos para impressora, papel, etc.), por R$ 2.300,00, a prazo, para pagamento em junho de 2006. O material é totalmente consumido no mês de maio de 2006. Considerando que o resultado do exercício é apurado mensalmente, em que mês será atribuída a despesa com material de escritório (abril, maio ou junho)? • Aquisição do material de escritório: abril • Consumo do material de escritório: maio • Pagamento do material de escritório: junho Pelo regime de competência, o material de escritório será registrado como despesa no mês de maio (mês do consumo). No mês de abril (mês de aquisição), o material foi registrado no ativo (estoque), ou seja, um gasto não desembolsado, pois será pago no mês de junho. b) Regime de Caixa: considera o registro contábil do pagamento ou recebimento no momento de sua efetivação, não importando a que período se refere o fato. De acordo com Hoji (2000), no regime de caixa, são consideradas receitas do período aquelas efetivamente recebidas e, despesas do período as efetivamente pagas. As empresas com fins lucrativos estão obrigadas, pela legislação fiscal, a adotarem o regime de competência na apuração do resultado, o que não impede que o regime de caixa seja utilizado gerencialmente como instrumento de controle e de decisão. A utilização do regime de caixa ou financeiro é muito comum nas empresas sem fins lucrativos, como: associações, entidades religiosas, entidades filantrópicas, bem como nas micro e pequenas empresas, dispensadas da obrigatoriedade do regime de competência. Com base no exemplo anterior, pelo regime de caixa, o material de escritório será registrado como despesa no mês de junho, mês do efetivo pagamento, e não no mês de consumo. Na maioria das vezes, os empresários se perguntam: como obtive lucro, se não tenho dinheiro em caixa para pagar as minhas dívidas? E a resposta é: o lucro é fluxo econômico de recursos e caixa é fluxo financeiro de recursos. É imprescindível que todo empresário se utilize desse importante instrumento de gestão (a demonstração do fluxo de caixa) para administrar de forma eficiente os recursos da entidade (HOJI, 2000). De acordo com Hoji (2000), no regime de caixa, são consideradas receitas do período aquelas efetivamente recebidas e, despesas do período as efetivamente pagas. 21 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 21 Capítulo 1 Para fixar melhor os regimes contábeis, observe uma aplicação prática dos conceitos: Veja o seguinte exemplo: a empresa Estrela Ltda teve uma receita de R$ 20.000,00 no período, sendo que apenas 60% dessa receita foi recebida. Teve despesas no total de R$ 17.000,00 no mesmo período, sendo que R$ 12.000,00 foram efetivamente pagos. Os resultados, utilizando o regime de competência (econômico) e o regime de caixa (financeiro) serão os seguintes: Itens Regime de Competência Regime de Caixa Receita 20.000,00 12.000,00 (-) Despesas 17.000,00 12.000,00 lucro 3.000,00 0 Normalmente, o resultado apurado pelo regime de competência é bem diferente daquele apresentado pelo regime de caixa. O regime de competência representa o resultado econômico e o regime de caixa representa o resultado financeiro. Os dois conceitos se complementam. Em resumo, podemos dizer que o conhecimento dos regimes contábeis é importante, pois refletem a situação da empresa de modo diferente. Lembramos também que a contabilidade é fundamentada no regime da competência, e isto vocês já tiveram conhecimento quando estudamos os princípios fundamentais da contabilidade. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 Considerando os dados a seguir, referentes ao mês de dezembro/2005, calcule o resultado, de acordo com o regime de competência e o regime de caixa: Despesa de dezembro de 2005 paga em janeiro/2006 $ 46,00 Despesa de dezembro de 2005 paga em janeiro/2006 $ 64,00 Despesa de dezembro/2005 paga em dezembro/2005 $ 55,00 Receita de dezembro/2005 recebida em janeiro/2006 $ 37,00 Receita de janeiro/2006 recebida em dezembro/2005 $ 73,00 Receita de dezembro/2005 recebida em dezembro/2005 $ 61,00 Resultado apurado pelo regime de competência: $ _________________ Resultado apurado pelo regime de caixa: $ _________________ O resultado apurado pelo regime de competência é bem diferente daquele apresentado pelo regime de caixa. O regime de competência representa o resultado econômico e o regime de caixa representa o resultado financeiro. Os dois conceitos se complementam. 22 Contatibilidade Geral 22 2 Sabe-se o seguinte: a) Receitas do ano: De vendas $ 300.000,00 De vendas a prazo (não recebidas) $ 400.000,00 De prestação de serviços à vista $ 40.000,00 De prestação de serviço a prazo (não recebido) $ 30.000,00 $ 770.000,00 b) Despesas do ano: Aluguéis pagos (01/01 a 30/11) $ 50.000,00 Aluguel (12) a pagar em janeiro $ 5.000,00 salários pagos (01/01 a 30/11) $ 100,000,00 Salários (12) a pagar em janeiro $ 15.000,00 Água e luz pagas $ 5.000,00 $ 175.000,00 Pelo Regime de Caixa e de Competência, temos lucro de: ( ) $ 185.000,00 – $ 180.000,00 ( ) $ 185.000,00 – $ 595.000,00 ( ) $ 595.000,00 – $ 185.000,00 ( ) $ 180.000,00 – $ 590.000,00 Agora você já conheceu a estrutura conceitual da contabilidade, e para que esta consiga desempenhar seu papel, dentro de todos seus preceitos, é fundamental um plano de contas, pois, é através dele que se registram os acontecimentos de uma empresa. inicialmente, veremos o que é conta e, posteriormente, estudaremos o plano de contas. Plano dE ContaS na sua linguagem cotidiana, o que representa a palavra conta? Possivelmente, sua resposta será: - É quanto se deve na farmácia, no supermercado, na loja, enfim, é tudo aquilo que tenho para pagar.Vejamos o conceito do ponto de vista técnico, ou seja, da contabilidade: CONTA – é o nome técnico dado aos componentes patrimoniais (Bens, Direitos, Obrigações e Patrimônio Líquido) e aos elementos de resultados (Despesas e Receitas). 23 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 23 Capítulo 1 E, agora você deve estar perguntando, mas para que servem essas contas dentro da contabilidade? É através das contas que a contabilidade consegue desempenhar o seu papel. Por isso, elas devem ser tratadas com bastante carinho pelos contabilistas. Todos os acontecimentos que ocorrem na empresa, responsáveis pela sua gestão, como as compras, as vendas, os pagamentos, os recebimentos são registrados em livros próprios, através das contas. (RiBEiRO, 1996). Até aqui você ficou sabendo que as contas são importantes para os registros contábeis. São elas que permitem a escrituração dos atos e fatos ocorridos nas empresas. Todo o contabilista, ao proceder a escrituração contábil, deve ter em mãos uma relação de todas as contas necessárias ao seu processo contábil. Essa relação de contas chama-se plano de contas. Através das contas se faz a escrituração contábil dos atos e fatos ocorridos nas empresas. Esclarecemos que os atos são os acontecimentos que ocorrem na empresa e que não provocam alterações no patrimônio, e os fatos são os acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais, podendo ou não alterar o patrimônio). Então, você deve estar pensando: afinal, o que é o Plano de Contas? a) Plano de contas O Plano de Contas é a estrutura sobre a qual se constrói e elabora a escrituração, com a finalidade de mantê-la ordenada, de forma a obter, de maneira clara e objetiva, os dois instrumentos informativos mais importantes da contabilidade: o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (PADOvEZE, 2000). Em outras palavras, o plano de contas deve ser planejado com a mesma estrutura do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício. Para Padoveze (2000, p.73), é chamado plano de contas: conjunto de contas criado pelo contador, para atender às necessidades de registro dos fatos administrativos, de forma a possibilitar a construção dos principais relatórios contábeis e atender a todos os usuários da informação contábil. O Plano de Contas deve ser tão detalhado, conforme as necessidades e o interesse da empresa em informações detalhadas; não existem regras que estabeleçam o número máximo ou o número mínimo de contas que um plano de contas deve conter. É preciso que se saiba, todavia, que o plano de contas Através das contas se faz a escrituração contábil dos atos e fatos ocorridos nas empresas. Esclarecemos que os atos são os acontecimentos que ocorrem na empresa e que não provocam alterações no patrimônio, e os fatos são os acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais, podendo ou não alterar o patrimônio). O Plano de Contas deve ser tão detalhado, conforme as necessidades e o interesse da empresa em informações detalhadas; não existem regras que estabeleçam o número máximo ou o número mínimo de contas que um plano de contas deve conter. deve estar elaborado de forma a permitir a inclusão de novas contas, sempre que isto se fizer necessário. Portanto, o grau de detalhamento do plano de contas varia segundo o interesse do contador e da empresa, levando sempre em consideração a necessidade de registrar todas as ocorrências na vida de uma empresa. No livro Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações-FIPECAFI, você encontrará, no capitulo 2, mais informações e também um modelo de PlAnO DE COnTAs. b) Técnica da elaboração do plano de contas O Plano de contas deve possuir contas em número suficiente para registrar todos os valores positivos, todos os valores negativos, todos os ingressos e todas as despesas de forma detalhada, a fim de não ocorrerem confusões. na preparação do Plano de Contas deve-se iniciar do grupo maior para os grupos menores - do geral para o particular. (FAGUnDEs, 2009). Assim, segundo Fagundes (2009), podemos dizer que o plano de contas pode se dividir em quatro grandes grupos: • Contas patrimoniais: - ativo - passivo e patrimônio líquido • Contas de resultado: - receitas - despesas Ou, visando à elaboração da demonstração do resultado do exercício, em apenas três: • Ativo: agrupando todas as contas que representam bens ou direitos da empresa. • Passivo e patrimônio líquido: agrupando todas as contas que representam as obrigações da empresa e o capital próprio (patrimônio líquido). • Contas de resultado: agrupando as contas de resultado. seu saldo representa uma receita, um ingresso, um lucro, quando credor, ou uma despesa, um gasto, uma perda, quando devedor. As contas de segundo grau são aquelas que representam o agrupamento de contas em que se divide o ativo, o passivo e as contas de resultado, com o mesmo ordenamento em que é feita a apresentação das demonstrações contábeis. 25 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 25 Capítulo 1 Assim, teremos dentro do ativo, os seguintes grandes grupos, conforme a Medida Provisória 449/2008: 1 ATIVO 1.1 Ativo Circulante: Este grupo agrega as contas que representam os valores disponíveis em caixa, em bancos, os valores a receber até a data do próximo balanço, os estoques e as despesas pagas antecipadamente e que influenciarão os resultados do exercício seguinte. Este grupo pode ser dividido em outros subgrupos de acordo com as necessidades e conveniências. 1.2 Ativo Não-Circulante: Este grupo agrega as contas que representam os valores a receber (os direitos) cujo vencimento ocorre após o balanço seguinte, denominado Ativo Realizável a Longo Prazo; e as contas representativas dos bens adquiridos com caráter permanente, que são os Investimentos, as Imobilizações e o Intangível: a) Investimentos: Agrupam as contas que representam as aplicações de recursos financeiros em outras empresas ou em bens que não mantenham relação com a atividade objeto da empresa. b) Imobilizações: Aqui se agrupam as contas que representam as aplicações de recursos financeiros que visam à manutenção da atividade objeto da empresa e as respectivas contas de regularização. c) Intangível: Os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos, destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. 2 PASSIVO 2.1 Passivo Circulante: Reúne as contas representativas das obrigações da empresa, vencíveis no decurso do exercício seguinte (antes do próximo balanço). 2.2 Passivo Não-Circulante: Agrupa as contas que representam as obrigações que terão seu vencimento após o decurso do exercício seguinte (após o próximo balanço); também neste grupo estão as contas de Resultado de Exercícios Futuros e do Patrimônio líquido. a) Resultado de exercícios futuros: são as contas que representam as receitas e despesas relativas a obras, cujo ciclo operacional seja superior a um ano. Ex.: a construção de um edifício. 26 Contatibilidade Geral 26 b) Patrimônio líquido: são as contas que representam o patrimônio líquido da empresa, formado pelo seu capital social, suas reservas e lucros ou prejuízos acumulados. rESultado do PEríodo O resultado do período compara as receitas com as despesas do período, reconhecidas e apropriadas, conforme o regime de competência, já estudado neste capítulo, apurando um resultado que pode ser positivo ou negativo. As contas que compõem este resultado estão descritas a seguir: a) Receita Bruta: reúne as contas que representam a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou apenas, de serviços. b) Abatimentos da Receita Bruta: reúne as contas que representam as vendasanuladas, os descontos incondicionais e os impostos incidentes sobre as vendas, dos quais o comerciante é mero repassador (iCMs, Pis e COFins). c) Custo das Vendas: neste grupo se reúnem as contas utilizadas na apuração do custo das mercadorias vendidas: mercadorias estoque (EI); compras à vista; compras a prazo; fretes sobre compras e devolução de compras. d) Despesas Operacionais: são todas as despesas necessárias à atividade geral da empresa, tendo em vista o fim a que ela se propõe. Este grupo, geralmente, é dividido em subgrupos, de acordo com o interesse da empresa (despesas com vendas, despesas administrativas, despesas financeiras etc.) É importante ressaltar os aspectos operacionais que o contador deve levar em consideração, na criação das contas. são elementos que ele cria e dos quais se utiliza para melhor controlar o patrimônio de uma entidade. com o objetivo de responder às três perguntas básicas para o responsável pela entidade contabilizada, que são: • O que tenho e devo e qual o valor do que tenho e devo? • Respondida através do Balanço Patrimonial. • Quanto ganhei no último período? • Respondida pela variação do Patrimônio líquido, no Balanço Patrimonial e na Demonstração de Resultados. • Como foi o ganho do último período? O resultado do período compara as receitas com as despesas do período, reconhecidas e apropriadas. 27 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 27 Capítulo 1 • Respondida pela Demonstração dos Resultados (Receitas – Despesas). O contador cria tantas contas quantas forem necessárias, para registrar todos os fatos que possibilitem tais respostas. Para finalizar, você deve ter percebido que, para assegurar a uniformidade na utilização de contas para o registro das transações, as empresas se utilizam de um plano de contas. Um plano de contas representa a organização das contas usadas pela empresa para o registro das transações, com o objetivo de assegurar a uniformidade na sua utilização. Neste capítulo, você conheceu alguns termos usados na contabilidade, tais como: Ativo, Passivo e Patrimônio líquido. no próximo capítulo, em que estudaremos o patrimônio, esses termos serão melhor esclarecidos. ATIVIDADE DE ESTUDOS: O sistema patrimonial de contas divide-as em quatro grandes agrupamentos: Contas Patrimoniais = contas de Ativo e Passivo Contas de Resultado = contas de Receitas e Despesas As contas abaixo representam um patrimônio em detalhe. Coloque (A) se for conta de Ativo; (P) se for conta de Passivo; (D) se for conta de Despesa; e (R) se for conta de Receita. ( ) Caixa ( ) Empréstimos ( ) Bancos com movimento ( ) Juros recebidos ( ) Juros pagos ( ) Fretes e despachos ( ) Salários a pagar ( ) Salários ( ) Duplicatas a receber ( ) Móveis e utensílios ( ) Vendas ( ) Descontos obtidos ( ) Duplicatas a pagar ( ) Mercadorias estoque ( ) Aluguéis pagos ( ) Encargos de INSS ( ) Aluguéis recebidos ( ) Capital Social ( ) Comissões pagas ( ) Comissões recebidas ( ) Viagens e refeições ( ) Energia elétrica ( ) Gastos com telefone ( ) FGTs a pagar algumaS ConSidEraçõES Neste capítulo, conhecemos que o objetivo da contabilidade é avaliar o patrimônio da empresa, fornecendo informações úteis aos diversos tipos de usuários. Podemos perceber que a contabilidade não é propriedade do contador e nem a ele se destina. Compete a este importante profissional comunicar, da forma mais apropriada possível, a informação que possa auxiliar os tomadores de decisão. Entendemos que os conceitos contábeis devem ser claros e concisos, de modo a serem corretamente entendidos pelos usuários. Vimos, também, que os usuários são divididos em usuários internos, que são pessoas que trabalham na entidade, ou externos, como por exemplo, a autoridade fiscal, os investidores, as agências reguladoras do governo, os fornecedores e clientes. Diferenciamos os regimes de caixa e de competência e aprendemos que, na contabilidade, usamos o regime de competência. E, não menos importante, você compreendeu que o plano de contas é um guia para se fazer contabilidade e que cada empresa deverá efetuar um plano de contas de acordo com suas necessidades. rEFErênCiaS BRASIL. Medida provisória n. 449/08, de 4 de dezembro de 2008. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 4 dez. 2008. Seção 1. Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/mate/servlet/ PDFMateServlet?s=http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/MateFO. xsl&o=ASC&m=88571>.Acesso em: 11 abr. 2009. FAGUNDES, Jair Antonio. Site do contador. Disponível em: <http://www.jair. fema.com.br/>. Acesso em: 23 abr. 2009. FAVERO, Hamilton Luiz. Contabilidade: teoria e prática. são Paulo: Atlas, 1997. FRAnCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. são Paulo: Atlas, 1998. HOJI, Masakazu. Administração financeira: uma abordagem prática. 2. ed. são Paulo: Atlas, 2000. 29 Estrutura ConCEitual da ContabilidadE 29 Capítulo 1 PADOvEZE, Clóvis luís. Manual de contabilidade básica. Uma introdução à prática contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000. RiBEiRO, Osni Moura. Contabilidade básica. 20. ed. são Paulo: saraiva, 1996. 30 Contatibilidade Geral 30 CAPÍTUlO 2 Patrimônio A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Compreender a situação patrimonial das entidades. 3 Classificar a situação do patrimônio das entidades. 3 Diferenciar origens e aplicações de recursos. CAPÍTUlO 2 Patrimônio A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Compreender a situação patrimonial das entidades. 3 Classificar a situação do patrimônio das entidades. 3 Diferenciar origens e aplicações de recursos. 32 Contatibilidade Geral 32 33 Patrimônio 33 Capítulo 2 ContExtualização Vamos pensar juntos. O tema deste capítulo é o patrimônio. Você deve estar pensando: eu já ouvi este termo, de fato, ouviu, sim! No capítulo1, mencionamos este termo. Lembra da questão de montar uma loja de eletrodomésticos? nela foi comentado como se forma o patrimônio de uma empresa. Como você já tem uma breve noção de patrimônio, neste capítulo trataremos com mais detalhes sobre este assunto. Para tanto, inicialmente trataremos do conceito de patrimônio. A seguir, vamos diferenciar os aspectos do patrimônio (quando é qualitativo ou quantitativo). Veremos a representação gráfica, a situação líquida e a equação fundamental do patrimônio. Por fim, conheceremos o que são origens e aplicações de recursos. Patrimônio Patrimônio é o conjunto de riquezas de propriedade de alguém ou de uma empresa. Padoveze (2000, p. 37) dá a seguinte definição para patrimônio: “É o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade”. Quando você entra em um supermercado, por exemplo, encontra inúmeros objetos, como balcão, vitrines, prateleiras, computadores e uma infinidade de mercadorias para venda. Todos estes objetos são os bens que o supermercado possui. Bens são coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas; do ponto de vista das empresas, os bens são tudo aquilo que elas possuem, seja para seu uso, venda ou consumo. Os bens classificam-se em: bens materiais e imateriais, segundo Padoveze (2000). Se você consultar outros autores, você também encontrará esta classificação, já que os conceitos a seguir são fundamentais na Ciência Contábil. Contudo, neste caderno optamos pela abordagem de Pavodeze (2000). a) Bens materiais: são também chamados de bens corpóreos, ou de bens tangíveis; representam os objetos que a empresa tem para uso (prédios, móveis, carros etc.), para venda/troca (mercadorias, dinheiro etc.), ou para consumo (material de limpeza, de expediente etc.). Bens são coisas capazes de satisfazer as necessidadeshumanas; do ponto de vista das empresas, os bens são tudo aquilo que elas possuem, seja para seu uso, venda ou consumo. 34 Contatibilidade Geral 34 b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são os gastos que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como parte do patrimônio (ativo diferido, gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são classificadas as marcas e as patentes, o fundo de comércio, etc. Os conceitos a seguir também nos ajudam a entender melhor o conceito de patrimônio: • Constituem Direitos os valores que as empresas têm para receber de terceiros, tais como duplicatas a receber, promissórias a receber, aluguéis a receber, etc. • Constituem as Obrigações os valores que as empresas têm a pagar a terceiros, como duplicatas a pagar, salários a pagar, impostos a pagar, etc. Constituem Direitos para a empresa todos os valores que ela tem a receber de terceiros (terceiros, no caso, são os clientes da empresa). As Obrigações para a empresa são todos os valores que ela tiver a pagar para terceiros (neste caso, terceiros são os fornecedores, bancos e outras pessoas para quem a empresa deve). Depois de analisar estes conceitos, você deve ter compreendido que o patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações. Mas, se eu disser que o Patrimônio da minha empresa é: BENS + DIREITOS + OBRIGAÇÕES somente com essas informações será possível avaliar o tamanho desse Patrimônio? É evidente que não. É necessário ressaltar dois aspectos que a contabilidade leva em conta para representar os elementos que compõem o Patrimônio: o qualitativo e o quantitativo. ASPECTO QUALITATIVO E QUANTITATIVO Vimos, a princípio, que o Patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e Obrigações. Porém, existe a necessidade de ressaltar dois aspectos que a contabilidade deve levar em conta para representar adequadamente os elementos que compõem o patrimônio: o qualitativo e o quantificativo: a) Aspecto Qualitativo: consiste em qualificar os nomes, os títulos dados aos elementos patrimoniais, de acordo com sua classificação contábil; designando assim a natureza de cada elemento. 35 Patrimônio 35 Capítulo 2 Exemplo: BENS DIREITOS OBRIGAÇÕES Dinheiro Contas a Pagar Veículos Duplicatas a receber Impostos a Pagar Máquinas Financiamentos a Pagar Com este conhecimento, já melhorou a ideia que se pode ter do Patrimônio da minha empresa. Mas ainda não basta, pois, eu pergunto: quanto dinheiro possuo? Quantos veículos tenho? Quanto tenho a pagar? Daí a necessidade do segundo aspecto. b) Aspecto Quantitativo: consiste em dar a esses bens, direitos e obrigações seus respectivos valores. Veja o exemplo: BENS R$ Dinheiro 10.000,00 veículos 50.000,00 Máquinas 80.000,00 DIREITOS Duplicatas a Receber 15.000,00 OBRIGAÇÕES Contas a pagar 18.000,00 impostos a pagar 8.000,00 Com essas informações é possível fazer uma ideia do tamanho do Patrimônio da minha empresa, pois ficou esclarecido o que e quanto a empresa tem em Bens, Direitos e Obrigações. O próximo passo é a sua representação gráfica. rEPrESEntação gráFiCa do Patrimônio Na representação gráfica, conforme o modelo a seguir, temos, de um lado, os Bens e os Direitos, que formam o grupo dos elementos positivos, denominados de Ativo, e do outro lado, as Obrigações, que formam o grupo dos elementos negativos, denominados de Passivo. 36 Contatibilidade Geral 36 Patrimônio Ativo Passivo Bens Obrigações Móveis e Utensílios Duplicatas a pagar Estoques impostos a pagar Caixa Direitos Duplicatas a receber P L Essa é a forma de representar o patrimônio de uma empresa, que recebe o nome de Balanço Patrimonial. note que mais dois nomes apareceram: Ativo e Passivo. Até agora, nos limitamos a esclarecer o que é Ativo e Passivo e onde devem ser colocados os elementos representativos dos Bens, Direitos e Obrigações. Para que a representação gráfica do Patrimônio Líquido esteja completa, é preciso representar os elementos que o compõem com seus respectivos valores. É isso que faremos nesta parte do capítulo. E, por que estudar as situações líquidas? - Para atender a um grande objetivo: acrescentar ao seu conhecimento mais um grupo de elementos na representação gráfica do patrimônio. Situação líquida ou Patrimonio líquido Esse novo grupo, que se chama Patrimônio Líquido, juntamente com o Ativo e o Passivo, completará a representação gráfica do Patrimônio, permitindo que o total do lado esquerdo seja igual ao do lado direito, dando- lhe a forma de equação. Entretanto, para que você possa compreender melhor esse novo grupo de elementos (Patrimônio líquido), vamos estudar as situações líquidas patrimoniais. Se considerarmos, de forma simplificada, apenas Ativo e Passivo, podemos denominar como situação líquida, ou Pl, a diferença simples entre Ativo e Passivo. neste caso não tomamos inicialmente o Pl como grupo do Passivo, mas sim, como resultado dessa diferença: Ativo – Passivo = PL a) Situação Líquida Positiva (PL > 0) Dado o exposto, há três situações possíveis em relação à Situação Líquida, ou PL. A primeira delas é a situação em que a soma dos bens 37 Patrimônio 37 Capítulo 2 e direitos supera o total das obrigações da empresa. Tal situação pode ser definida como situação líquida positiva, situação superavitária, ativo maior que passivo, ou situação líquida ativa. (lUCEnA, 2009). Vejamos o exemplo a seguir: PATRIMÔNIO ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 4.000,00 Fornecedores 12.000,00 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 3.000,00 Direitos Clientes 25.000,00 Pl 45.000,00 TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00 Perceba no exemplo que o PL é maior que zero, ou seja, há uma situação líquida positiva. b) Situação Líquida Negativa (PL < 0) Como consequência da definição apresentada, podemos ter uma situação em que o PL seja negativo; ou seja, uma situação líquida negativa, na qual o Ativo é menor que o Passivo; também chamada de deficitária, passiva ou, simplesmente, de passivo a descoberto. (LUCENA, 2009). Observemos o exemplo que segue: PATRIMÔNIO ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 4.000,00 Fornecedores 40.000,00 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 25.000,00 Direitos Clientes 25.000,00 Pl (5.000,00) TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00 Note que o PL é menor que zero, ou seja, há uma situação líquida negativa. c) Situação Líquida Nula (PL = 0) seguindo o mesmo raciocínio patrimonial, é fato que possamos ter uma 38 Contatibilidade Geral 38 situação em que o PL seja nulo, ou seja, igual a zero; também chamada de situação líquida nula, inexistente, ou Ativo igual a Passivo. (lUCEnA, 2009). Tomemos o seguinte caso: PATRIMÔNIO ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa 4.000,00 Fornecedores 40.000,00 Terrenos 31.000,00 impostos a pagar 20.000,00 Direitos Clientes 25.000,00 Pl --------- TOTAL 60.000,00 TOTAL 60.000,00 Observe que o PL é igual a zero, ou seja, há uma situação líquida nula. nas situações apresentadas, note que os valores do Ativo e do Passivo são sempre positivos, ou seja, maiores que zero. Entretanto, há casos particulares em que esses valores podem ser iguais a zero, porém nunca negativos. Teremos Passivo igual a zero no ato de constituição do patrimônio da empresa, em que esta não tem ainda obrigações. Outrossim, teremos o Ativo igual a zero porocasião do encerramento das atividades da empresa, em que esta não tem mais bens e/ou direitos. Estas são situações hipotéticas, porém, passíveis de ocorrerem. Já, em relação ao Patrimônio Líquido (PL), este pode ser positivo, negativo ou nulo – como vimos (lUCEnA, 2009). Equação FundamEntal do Patrimônio O patrimônio, por ser um conjunto de bens, direitos e obrigações, deve ser demonstrado de forma bastante simples, a fim de transmitir as informações desejadas pelos usuários. A equação gráfica que demonstra esse patrimônio é denominada de Balanço Patrimonial e deve expressar: BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Bens e Direitos Obrigações PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital próprio 39 Patrimônio 39 Capítulo 2 Vejamos como fica o Gráfico Patrimonial, considerando os subgrupos contábeis: PATRIMÔNIO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE CIRCULANTE NÃO-CIRCULANTE NÃO-CIRCULANTE Realizável a Longo Prazo investimentos Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO intangível Capital social Reservas de Capital (+/-) Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de lucros (-) Ações em tesouraria Prejuízos Acumulados Quadro 1 – Gráfico Patrimonial Fonte: Adaptado de lucena (2009) se voltar ao capítulo 1 deste caderno, no item Técnica de Elaboração do Plano de Contas, você encontrará a composição das contas do Ativo, Passivo e Patrimônio líquido. Chegou o momento de você saber por que o Patrimônio da empresa é representado pelo Balanço Patrimonial, em um gráfico de dois lados, e por que ambos os lados possuem o mesmo total; e, ainda, por que o valor do Patrimônio não é igual à soma dos dois totais encontrados nos dois lados do Balanço Patrimonial. Para começar, o que a representação gráfica mostra? Ela nos mostra que o Passivo é a Origem de Capitais, isto é, como a empresa conseguiu os recursos que possui, e o Ativo mostra a Aplicação de Capitais, isto é, onde a empresa aplicou os recursos originados pelo lado do Passivo. Veja a seguir o que significam os termos Origem e Aplicação de Recursos. origEnS E aPliCaçõES dE rECurSoS Observando um gráfico patrimonial, é possível identificar o total de recursos que a empresa obteve e que estão à sua disposição. O Passivo patrimonial representa de onde provêm esses recursos; enquanto o Ativo O Passivo patrimonial representa de onde provêm esses recursos; enquanto o Ativo patrimonial representa onde a empresa os aplicou. 40 Contatibilidade Geral 40 patrimonial representa onde a empresa os aplicou. Vejamos especificamente cada um desses conceitos: a) Passivo (Origem de Recursos) São os recursos totais à disposição da empresa, que têm origem em duas fontes: • Recursos de terceiros: correspondem às obrigações; são os recursos provenientes de terceiros e que a empresa utiliza para a suas atividades, estes recursos são denominados débitos de funcionamento (débitos com fornecedores, débitos fiscais, obrigações trabalhistas, etc.). Também são recursos de terceiros os débitos de financiamento, como os empréstimos, financiamentos, etc. • Recursos próprios: são recursos provenientes do capital próprio dos sócios (Capital Social), bem como os acréscimos a esse capital decorrentes da gestão normal da empresa, como lucros e reservas. Os recursos próprios da empresa estão todos localizados nas contas do Patrimônio líquido (Pl). (lUCEnA, 2009). b) Ativo (Aplicações de Recursos) O lado do Ativo mostra onde a empresa aplicou seus recursos. Como exemplo, podemos citar os valores em caixa e em bancos, os saldos de estoque, os imóveis, etc. Vejamos um exemplo prático desses conceitos, na perspectiva de Lucena (2009): PATRIMÔNIO ATIVO PASSIVO CiRCUlAnTE CiRCUlAnTE Caixa 23.000,00 Fornecedores 18.000,00 Clientes 30.000,00 impostos a recolher 5.000,00 Estoques 50.000,00 salários a pagar 8.000,00 nÃO-CiRCUlAnTE nÃO-CiRCUlAnTE Realizável a Longo prazo Financiamentos 15.000,00 Clientes 10.000,00 Aluguéis ativos a vencer 2.000,00 Imobilizado PATRIMÔNIO LÍQUIDO Móveis 6.000,00 Capital social 70.000,00 imóveis 34.000,00 Reservas de capital 20.000,00 Reservas de lucro 15.000,00 TOTAL DO ATIVO 153.000,00 TOTAL DO PASSIVO 153.000,00 41 Patrimônio 41 Capítulo 2 vamos usar alguns termos úteis em relação aos componentes do patrimônio, representado anteriormente por lucena (2009): • Recursos Totais = R$ 153.000,00 (é o total do Ativo ou do Passivo) • Capital Total = R$ 153.000,00 (igual a recursos totais) • Capital = R$ 70.000,00 (igual a capital social) • Capital Subscrito = R$ 70.000,00 (igual a capital social) • Capital nominal = R$ 70.000,00 (igual a capital social) • Capital inicial = R$ 70.000,00 (igual a capital social • Patrimônio = R$ 153.000,00 (igual a recursos totais) • Patrimônio líquido = R$ 105.000,00 • situação líquida = R$ 105.000,00 (igual a patrimônio líquido). • Recursos Próprios = R$ 105.000,00 (igual a patrimônio líquido) • Recursos de Terceiros = R$ 48.000,00 (total do passivo menos Pl) • Passivo = Origens dos Recursos • Ativo = Aplicações dos Recursos Quando você analisar um Balanço Patrimonial, atente para os seguintes pontos: • o Ativo mostra em que a empresa aplicou seus recursos, ou onde ela aplicou todo o seu Capital; • o Passivo mostra onde a empresa conseguiu os recursos que estão aplicados no ativo. Depois de descrever e classificar as várias situações do Patrimônio, vamos conhecer, no próximo capítulo, quais são e como se elaboram as Demonstrações Contábeis de uma empresa. Atividade de Estudo: 1 Diferencie o aspecto quantitativo e o aspecto qualitativo do patrimônio. 2 Dê os conceitos de bens intangíveis e bens materiais. 3 A Cia. Chaves apresenta o seguinte balancete: Contas Saldo devedor Saldo credor Caixa 10.200,00 Capital 10.000,00 Terrenos 200,00 Despesas de salários 3.000,00 Contas a pagar 200,00 Despesas de material 220,00 Despesas de aluguel 800,00 Despesas de impostos 500,00 Despesas gerais 200,00 Receitas 4.920,00 Total 15.120,00 15.120,00 42 Contatibilidade Geral 42 Efetue: a) A Demonstração de resultado b) O Balanço Patrimonial c) Qual a situação líquida do balanço da Cia. Chaves? 4 Classifique os elementos constantes do quadro a seguir em: A – Bens ou Direitos ou Obrigações B – Positivo ou negativo C – Ativo ou Passivo ELEMENTOS A B C Bens Positivo Ativo Computadores e periféricos Móveis do escritório Duplicatas a receber impostos a recolher Aluguéis a pagar Dinheiro em caixa Fornecedores instalações Duplicatas a pagar impostos a pagar salários a pagar Conta Corrente Bancária Máquinas Estoques Financiamentos a pagar Terrenos veículos Encargos sociais a pagar Comissões a pagar Móveis e Utensílios algumaS ConSidEraçõES neste capítulo, conhecemos como é a composição do patrimônio de uma empresa, o qual é composto de bens, direitos e obrigações. Quando esses 43 Patrimônio 43 Capítulo 2 elementos são representados graficamente, temos a equação patrimonial, onde: Ativo – Passivo = Patrimônio Líquido. Para entender a representação gráfica do patrimônio, é preciso quantificar, ou seja, dar valor aos elementos que o compõem. Podemos diferenciar as situações líquidas do patrimônio, isto é: quando o Ativo é maior que o Passivo, temos uma situação positiva; quando o Ativo for menor que o Passivo, temos uma situação negativa; e, quando o Ativo for igual ao Passivo, teremosuma situação nula. Ao analisar um Balanço Patrimonial, você saberá diferenciar as origens e as aplicações de recursos, em que o ativo mostra em que a empresa aplicou seus recursos e o passivo mostra onde a empresa conseguiu os recursos que estão aplicados no ativo, se foram de capitais de terceiros ou de capitais próprios. rEFErênCiaS LUCENA, Humberto Fernandes. Curso de contabilidade introdutória. Disponível em: <www.editoraferreira.com.br>. Acesso em: 24 abr.2009. PADOvEZE, Clóvis luís. Manual de contabilidade básica. Uma introdução à prática contábil. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2000. 44 Contatibilidade Geral 44 CAPÍTUlO 3 EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Conhecer as demonstrações contábeis exigidas pela legislação brasileira. 3 Compreender como elaborar as demonstrações contábeis. 3 Diferenciar cada demonstração contábil. 46 Contatibilidade Geral 46 47 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 47 Capítulo 3 ContExtualização Como você já sabe, para que os usuários da informação contábil possam conhecer cada empresa, os mesmos utilizam as Demonstrações Contábeis, que representam o principal meio informativo da situação patrimonial e dos resultados obtidos. No capítulo I, você compreendeu que o objetivo da contabilidade é prestar informações aos usuários. Agora, além da aplicação dos princípios fundamentais da contabilidade, você perceberá que são necessários cuidados especiais quanto à forma, ao conteúdo e ao nível de detalhes das demonstrações contábeis, pois, elas visam a responder questões básicas, tais como: qual o retorno? qual o patrimônio? qual a situação financeira? Ao final deste capítulo, você saberá como responder essas questões. Para tanto, inicialmente, veremos quais são as demonstrações contábeis exigidas das empresas. A seguir, conheceremos essas demonstrações, que são peças importantes extraídas dos registros contábeis e são apresentadas em forma de relatórios, como: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração das Mutações do Patrimônio líquido, Demonstração do Fluxo de Caixa e Demonstração do valor Adicionado. EStrutura daS dEmonStraçõES ContábEiS normalmente, as informações geradas para os usuários externos são padronizadas e atendem aos requisitos da Lei n. 6.404/76, com as alterações dadas pela lei n. 11.638/07 e, posteriormente, pela MP 449/08. você encontrará, na íntegra, a lei n. 11.638/07 e a MP 449/08, acessando o site do Conselho Federal de Contabilidade: www.cfc.org.br. De acordo com a Lei 11.638/07, as demonstrações contábeis a serem elaboradas pela contabilidade são: • Balanço Patrimonial - BP • Demonstração de Resultado do Exercício - DRE • Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido - DMPL • Demonstração do Fluxo de Caixa • Demonstração do Valor Adicionado É preciso que o profissional de contabilidade saiba, entre as diversas concepções de elaboração e apresentação dos relatórios contábeis, efetuar 48 Contatibilidade Geral 48 aquela que melhor se adapte aos usuários, levando em consideração as necessidades de cada usuário. balanço Patrimonial O balanço patrimonial é uma demonstração estática (quer dizer, parada), pois apresenta a situação da empresa em um dado momento. Portanto, o balanço patrimonial é a demonstração utilizada para refletir a posição financeira e patrimonial da empresa em um determinado momento. (iUDÍCiBUs, 2008). O balanço patrimonial apresenta os bens e direitos, que são os ativos, e as obrigações da entidade, numa determinada data. As obrigações estão divididas em dois grandes grupos: o passivo, que são as obrigações da entidade com terceiros; e o patrimônio líquido, que são as obrigações da entidade para com os acionistas. A relação entre os ativos e as obrigações encontra-se no esquema abaixo. A ilustração apresenta a equação contábil básica que relaciona o ativo com o passivo e o patrimônio líquido. Essa relação explica a denominação do balanço patrimonial. Em outras palavras, o ativo deve estar equilibrado – ou balanceado – com as obrigações. Em termos práticos, isso significa que, numa entidade, o valor do ativo deverá ser igual à soma do passivo e o patrimônio líquido. Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido No balanço patrimonial, as contas são classificadas segundo os elementos do patrimônio que registram e estão agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e análise da situação financeira, segundo o artigo 178 da Lei 6.404/76, alterado pela lei 11.638/07. no ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados e, no passivo, em ordem decrescente de grau de exigibilidade. O balanço patrimonial, normalmente dividido em três grandes grupos, é apresentado conforme o quadro a seguir: a) Ativo: compreende as aplicações de recursos, normalmente em bens e direitos. b) Passivo: compreende as exigibilidades e obrigações. c) Patrimônio líquido: representa a diferença entre o ativo e o passivo, portanto, o valor líquido da empresa. O balanço patrimonial apresenta os bens e direitos, que são os ativos, e as obrigações da entidade, numa determinada data. 49 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 49 Capítulo 3 BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Ativo Circulante Passivo Circulante Passivo não-Circulante Ativo não-Circulante Receitas de Exercícios Futuros Realizável a Longo Prazo investimentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Imobilizado Capital Social intangível Reservas de Capital Reservas de lucros +/- Ajuste Avaliação Patrimonial (-) Ações em Tesouraria Prejuízos Acumulados Quadro 2 – Balanço Patrimonial Fonte: Elaborado pela autora As informações, que podem ser extraídas a partir do balanço patrimonial, são as mais diversas possíveis. Considere o balanço patrimonial da Cia. Estrela, apresentado no quadro 3. É possível constatar que o capital aplicado pelos acionistas na entidade é de R$ 300 mil. A esse capital, soma-se o valor dos lucros acumulados, de R$ 50 mil. Esse montante dos lucros acumulados foi obtido a partir da demonstração das mutações do patrimônio líquido, mostrado no quadro 8. O passivo da entidade é composto por contas a pagar, de R$ 30 mil, e empréstimos obtidos em instituições financeiras, de R$ 220 mil. Uma análise da composição do ativo da Cia. Estrela revela que a maioria dos recursos está aplicada em terrenos (R$ 270 mil) e máquinas (R$ 230 mil). Existem recursos em conta corrente, em bancos (R$ 45 mil), valores a receber de terceiros (R$ 35 mil) e estoques (R$ 20 mil). BALANÇO PATRIMONIAL EM 31.12.2008 CIA. ESTRELA ATIVO PASSIVO Circulante Circulante Bancos 45.000,00 Contas a pagar 30.000,00 DP a Receber 35.000,00 Não-Circulante Estoques 20.000,00 Empréstimos a pagar 220.000,00 Não-Circulante Terrenos 270.000,00 Patrimônio Líquido Máquinas 230.000,00 Capital 300.000,00 Reservas de lucros 50.000,00 Total do Ativo 600.000,00 Total Passivo + P.Liquido 600.000,00 Quadro 3 – Balanço Patrimonial da Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora 50 Contatibilidade Geral 50 É importante também observar que, ao contrário da demonstração do resultado, o balanço patrimonial refere-se a uma data específica no tempo. Isso significa, por exemplo, que o valor de R$ 45 mil, do item bancos, expressa quanto a entidade possuía, no dia 31 de dezembro de 2008, na sua conta corrente. Para fazermos uma pequena análise do balanço da Cia. Estrela (pois, no capítulo 4, vamos tratar com maior profundidade sobre o assunto), observe o quadro 4, no qual podemos questionar onde a entidade está buscando dinheiro para suas operações. A resposta vem da informaçãocontábil contida no Balanço Patrimonial. Isto significa que poderíamos saber qual o nível do endividamento da Cia. Estrela, se fossemos a entidade bancária onde a empresa solicitou financiamento. Questão Informação O que Como significa? analisar? Quadro 4 – Analisando a informação contábil Fonte: Elaborado pela autora dEmonStração do rESultado do ExErCíCio (drE) A demonstração do resultado tem por objetivo informar se, durante um determinado período, a entidade obteve lucro ou prejuízo. Essa demonstração é também conhecida como DRE (REIS, 2003). A apresentação dessa demonstração, conforme evidenciado no quadro 5, obedece à seguinte ordem: primeiro apresenta-se a receita e depois a despesa. As receitas referem-se à prestação de serviços para clientes. Para obter determinada receita, a entidade necessitou utilizar uma série de insumos. As despesas apresentadas na demonstração do resultado representam o uso que Onde a entidade está buscando os recursos para financiar suas operações? Balanço Patrimonial A resposta dessa pergunta refere-se ao nível de endividamento da entidade Entidades endividadas possuem um risco maior. Baixo endividamento pode significar dificuldade de acesso às fontes de recursos. A demonstração do resultado tem por objetivo informar se, durante um determinado período, a entidade obteve lucro ou prejuízo. 51 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 51 Capítulo 3 se fez desses insumos. A despesa de salários diz respeito ao pagamento de salários aos funcionários da entidade. A despesa de aluguel está vinculada ao pagamento pela ocupação de um imóvel por parte da entidade. As despesas de vendas e administrativas são decorrentes de energia elétrica, telefone, água, prolabore, etc. e são relacionadas com o consumo desses itens. A despesa financeira corresponde aos juros decorrentes de um empréstimo realizado pela entidade. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO vEnDA DE MERCADORiAs/PRODUTOs/sERviÇOs (-) impostos s/vendas (-) vendas Canceladas vEnDAs lÍQUiDAs (-) C.M.v. / C.P.v. / C.s.v. REsUlTADO BRUTO (-) DEsPEsAs OPERACiOnAis vendas / Administrativas / Outras (+/-) REsUlTADO FinAnCEiRO lÍQUiDO (-) Despesas Financeiras (+) Receitas Financeiras (+/-) Resultado da Equivalência Patrimonial REsUlTADO AnTEs DOs iMPOsTOs (-) imposto de Renda (-) Contribuição Social REsUlTADO DO EXERCÍCiO (-) Participações e Contribuições REsUlTADO lÍQUiDO DO EXERCÍCiO lucro por ação Quadro 5 – Demonstração do Resultado do Exercício Fonte: Elaborado pela autora De acordo com o quadro 6, a Cia. Estrela apresentou uma receita de R$ 540 mil para um total de despesa de R$ 480 mil. 52 Contatibilidade Geral 52 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EM 31.12.2008 – CIA. ESTRELA RECEITAS venda de Mercadorias 540.000,00 (-) impostos s/vendas 84.000,00 vendas líquidas 456.000,00 (-) C.M.v. 150.000,00 Resultado Bruto 306.000,00 (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas de salários 85.000,00 Despesas de aluguel 30.000,00 Despesas de vendas 40.000,00 Despesas de administrativas 50.000,00 Despesas financeiras 20.000,00 RESULTADO OPERACIONAL 81.000,00 (-) impostos s/lucro 21.000,00 LUCRO LÍQUIDO 60.000,00 Quadro 6 – DRE- Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora O quadro 6 mostra também que o confronto entre a receita de R$ 540 mil e a despesa de R$ 480 mil conduz a um resultado positivo, ou lucro líquido, de R$ 60 mil. A apuração do resultado de uma entidade é uma das informações mais relevantes para o usuário. Uma entidade que consegue obter bons lucros provavelmente terá condições de crescer, ganhar mercado e pagar em dia seus passivos. Além disso, a obtenção de lucro é sinal de que a entidade pode distribuir esse resultado para seus acionistas, sob a forma de dividendos. Analisando a Demonstração de Resultado da Cia. Estrela, conforme o quadro 7, podemos perceber que a empresa é lucrativa. (no capítulo 4 você verá com mais detalhes a análise desta demonstração). Questão Informação O que Como significa? analisar? Quadro 7 – Analisando a informação contábil Fonte: Elaborado pela autora A apuração do resultado de uma entidade é uma das informações mais relevantes para o usuário. A entidade é lucrativa? Demonstração do Resultado Verificar se as receitas são superiores às despesas. Em geral, quanto maior o lucro, melhor o desempenho da entidade. 53 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 53 Capítulo 3 É importante notar que, na demonstração do resultado, não existe informação sobre o destino do resultado. Essa informação será dada pela demonstração das mutações do patrimônio líquido (nele se encontra um item relacionado ao lucro acumulado), as quais serão estudadas a seguir. dEmonStração daS mutaçõES PatrimoniaiS (dmPl) A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPl) é facultativa e, de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da lei das S/A, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) poderá ser incluída nesta demonstração. A DMPL é uma demonstração mais completa e abrangente, já que evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas do lucro. As contas que formam o Patrimônio líquido podem sofrer variações por inúmeros motivos, tais como: a) Itens que afetam o patrimônio total • acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício; • redução por dividendos; • acréscimo por ajustes patrimoniais de ativos (quando o resultado for credor); • acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos; • acréscimo por subscrição e integralização de capital; • acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal; • acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; • acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures; • redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda; • acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores. (LEI DAS S/A. 6404/76). b) Itens que não afetam o total do patrimônio • aumento de capital com utilização de lucros e reservas; • apropriações do lucro líquido do exercício, reduzindo a conta Lucros Acumulados para formação de reservas, como: Reserva legal, Reserva de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras; • reversões de reservas patrimoniais para a conta de Reservas de lucros; • compensação de Prejuízos com Reservas. (LEI DAS S/A. 6404/76). A DMPL é uma demonstração mais completa e abrangente, já que evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas do lucro. 54 Contatibilidade Geral 54 A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é uma demonstração bastante simples, pois é representada, de forma sumária e coordenada, pela movimentação que houve durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Ajuste de avaliação Patrimonial, Ações em Tesourariae Prejuízos Acumulados. Através da demonstração das mutações do patrimônio, os sócios e acionistas verificam o que aconteceu com a riqueza efetiva da empresa e deles também, pois nela está contemplada uma coluna referente aos lucros acumulados; assim, o usuário poderá ter uma ideia da prática de pagamentos de dividendos e da distribuição dos lucros da entidade (PORTAL DA COnTABiliDADE, 2009). Se o usuário for um investidor, ele poderá inferir as chances de receber bons dividendos no futuro, a partir dessa demonstração. Esse é o caso da Cia. Estrela que, no exercício de 2008, obteve um lucro de R$ 60 mil e distribuiu R$ 55 mil. Desta forma, os lucros acumulados da entidade aumentaram de R$ 45 mil para R$ 50 mil, conforme você pode constatar no quadro a seguir. DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – CIA. ESTRELA em 31.12.2008 Descrição Capital Reserva lucros Total lucros acumulados saldo em 31.12.2006 300.000,00 45.000,00 345.000,00 lucro exercício 60.000,00 60.000,00 Destinação do lucro: Reservas de lucros 5.000,00 (5.000,00) Dividendos (55.000,00) (55.000,00) Saldo em 31.12.2007 300.000,00 50.000,00 - 0 - 350.000,00 Quadro 8 – DMPl – Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora dEmonStração do Fluxo dE Caixa A demonstração do fluxo de caixa apresenta a movimentação dos recursos financeiros da entidade. Essa demonstração apresenta os valores que a entidade recebeu e os valores que a entidade pagou, durante um determinado período de tempo. A demonstração do Fluxo de Caixa está prevista no inciso iv do caput do art. 176 da lei 6.404/76, alterada pela lei 11.638/2007. Para compreender melhor a análise dessa demonstração, acompanhe com atenção as etapas seguintes: os pagamentos e recebimentos são classificados Através da demonstração das mutações do patrimônio, os sócios e acionistas verificam o que aconteceu com a riqueza efetiva da empresa e deles também A demonstração do fluxo de caixa apresenta a movimentação dos recursos financeiros da entidade. 55 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 55 Capítulo 3 em três grupos de atividades executadas por uma entidade: (1) atividades operacionais; (2) atividades de investimento; (3) atividades de financiamento. Além de mostrar cada uma dessas atividades, a demonstração do fluxo de caixa apresenta o valor inicial do caixa, a variação no período e o valor final. Os usuários dessa demonstração estão interessados em saber onde a entidade obteve caixa, como esses recursos foram aplicados e qual a mudança, no caixa, durante o período. Podemos dizer que a utilidade desta demonstração permite: a) Aos investidores, credores e outros usuários avaliar: – a capacidade de gerar fluxos futuros de caixa; – a capacidade de saldar obrigações e pagar dividendos; – a flexibilidade financeira da empresa; – a taxa de conversão do lucro em caixa. b) Que investidores, credores e outros usuários avaliem: – o desempenho operacional de diferentes empresas, por eliminar efeitos de critérios contábeis distintos para um mesmo tipo de transação ou evento; – o grau de precisão das estimativas passadas de fluxos futuros de caixa; – os efeitos sobre a posição financeira da empresa, das transações de investimento e financiamento. A Demonstração do Fluxo de Caixa realizada pode ser apresentada por meio de duas formas: o método direto e o método indireto. a) O método direto demonstra os recebimentos e pagamentos derivados das atividades operacionais da empresa, em vez do lucro líquido ajustado. Mostra, efetivamente, as movimentações dos recursos financeiros ocorridos no período. FORMA DE APRESENTAÇÃO DO MÉTODO DIRETO Atividades operacionais (+) Recebimento de clientes (+) Dividendos recebidos (+) Juros recebidos (-) Pagamentos a fornecedores (-) Pagamentos de salários e encargos (-) imposto de Renda Pago (-) Juros pagos (+/-) Outros recebimentos/pagamentos que não são definidos como investimentos ou financiamentos (=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs OPERACiOnAis 56 Contatibilidade Geral 56 Atividades de Investimentos (+) Alienação de imobilizado (+) Alienação de investimentos (-) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de investimentos (=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE invEsTiMEnTO Atividades de financiamentos (+) Empréstimos de capital de giro líquido (curto prazo) (+) Empréstimos captados (+) Aumento do capital social (-) Pagamento de leasing (principal) (-) Dividendos pagos (-) Pagamento de empréstimos (principal) (=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE FinAnCiAMEnTOs (=) Aumento/diminuição líquida de caixa e equivalente de caixa (+) saldo de caixa e equivalente de caixa – inicial (=) sAlDO DE CAiXA E EQUivAlEnTE DE CAiXA – FinAl Como se verifica, a demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados. b) O método indireto é aquele pelo qual os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados, a partir do lucro líquido, ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado, que não afetam o caixa da empresa. FORMA DE APREsEnTAÇÃO DO MÉTODO inDiRETO Atividades operacionais Resultado líquido (+/-) Ajustes que não representam entrada ou saída de caixa (+) Depreciação e amortização (+) Provisão para devedores duvidosos (+/-) Resultado na venda do imobilizado (+/-) Resultado de equivalência patrimonial (+/-) Aumento ou diminuição de contas a receber (+/-) Aumento ou diminuição de estoques (+/-) Aumento ou diminuição de despesas antecipadas (+/-) Aumento ou diminuição de passivos (+/-) Aumento ou diminuição de outros ajustes ( = ) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs OPERACiOnAis A demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a solvência da empresa, pois evidencia toda a movimentação dos recursos financeiros, as origens dos recursos de caixa e onde eles foram aplicados. 57 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 57 Capítulo 3 Atividades de Investimentos (+) Alienação de imobilizado (+) Alienação de investimentos (-) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de investimentos (=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE invEsTiMEnTO Atividades de financiamentos (+) Empréstimos de capital de giro líquido (curto prazo) (+) Empréstimos captados (+) Aumento do capital social (-) Pagamento de leasing (principal) (-) Dividendos pagos (-) Pagamento de empréstimos (principal) (=) CAiXA lÍQUiDO DAs ATiviDADEs DE FinAnCiAMEnTOs (=) Aumento/diminuição líquida de caixa e equivalente de caixa (+) saldo de caixa e equivalente de caixa – inicial (=) sAlDO DE CAiXA E EQUivAlEnTE DE CAiXA – FinAl A diferença básica entre os métodos consiste, principalmente, na apuração do Caixa Gerado pelas Operações, conforme discriminado anteriormente, pois as atividades de investimentos e atividades de financiamentos terão resultados iguais, tanto em um quanto noutro método. FLUXO DAS OPERACOES Método Direto Método Indireto (+) Recebimentos Lucro Líquido do Exercício de clientes (+ /-) itens que não afetam o CCl de juros (+) redução nas contas de dividendos (método do custo) operacionais do Ativo Circulante (-) Pagamentos (-) aumento nas contas a fornecedores operacionais do Ativo Circulante de impostos (+) aumento nas contas encargos operacionais do Passivo Circulante de despesas operacionais (-) redução nas contas operacionais do Passivo Circulante (=) Caixa Gerado pelas Operações (=) Caixa Gerado pelas Operações Quadro 9 - Comparativo dos Métodos Fonte: Elaborado pela autora A demonstração do fluxo de caixa da Cia. Estrela encontra-seno quadro 10. Pode-se perceber que, durante o período, o caixa da entidade diminuiu em R$ 30 mil. Essa redução no caixa da entidade ocorreu devido 58 Contatibilidade Geral 58 aos investimentos realizados, no valor de R$ 45 mil, e aos pagamentos das atividades de financiamento, em R$ 75 mil. Com isso, o caixa inicial de R$ 75 mil foi reduzido para R$ 45 mil, ou seja, R$ 45.000 = R$ 75.000 – 30.000. Verifique agora o valor do item Bancos no quadro 3. Observe que o montante é de R$ 45 mil. isso não é uma coincidência, pois a demonstração do fluxo de caixa dessa entidade incorpora a movimentação ocorrida nessa conta da Cia. Estrela. DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DA CIA. ESTRELA EM 31.12.2008 Fluxo de Caixa das atividades operacionais (+) Recebimento de clientes 550.000,00 (-) Pagamento de salários 240.000,00 (-) Pagamento de aluguel 60.000,00 (-) Despesas de vendas 75.000,00 (-) Despesas de administrativas 85.000,00 Caixa das atividades operacionais 90.000,00 Fluxo de Caixa atividade de financiamentos (-) Pagamento de dividendos 55.000,00 (-) Pagamento financiamento 20.000,00 Caixa das atividade de financiamentos (75.000,00) Fluxo de Caixa atividade de investimentos (-) Aquisição de terreno 27.000,00 (-) Aquisição de máquinas 18.000,00 Caixa das atividades de investimentos (45.000,00) Redução no caixa (30.000,00) Caixa início período 75.000,00 Caixa final período 45.000,00 Quadro 10 – Demonstração do Fluxo de Caixa Fonte: Elaborado pela autora O fluxo de caixa é fundamental para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros do negócio. Para se manter em operação, a empresa deve liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo, como condição básica, apresentar respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias e ser causa de uma séria descontinuidade em suas operações. O fluxo de caixa é fundamental para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros do negócio. 59 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 59 Capítulo 3 dEmonStração do valor adiCionado (dva) A Demonstração do Valor Adicionado tem a função de divulgar e identificar o valor da riqueza gerada pela entidade, e como essa riqueza foi distribuída entre os diversos setores que contribuíram, direta ou indiretamente, para a sua geração. A partir do exercício social de 2008 (conforme a lei 11638/07), essa demonstração tornou-se obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto e também para as empresas de grande porte. O Valor Adicionado constitui-se da receita de venda, deduzida dos custos dos recursos adquiridos de terceiros. É, portanto, o quanto a entidade contribuiu para a formação do Produto interno Bruto (PiB) do país. Para exemplificar, considere uma economia, na qual as únicas transações ocorridas foram as seguintes: • Agricultor: venda de algodão em rama para a indústria Têxtil, por R$ 1.000. • Indústria Têxtil: venda de tecido de algodão para a indústria de Confecções, por R$ 1.400. • Indústria de Confecções: venda de camisas para os consumidores finais, por R$1.700. Qual foi o valor adicionado em cada operação? Respondemos: na indústria têxtil foi de R$ 400,00 e, na indústria de confecções, foi de R$ 700,00. isto demonstra que, a cada etapa, a indústria vai agregando valor aos seus produtos, pois os mesmos tiveram alteração. a) Características básicas da DVA • Fornecer informações que demonstrem a geração de riqueza da empresa e seus efeitos sobre a sociedade na qual está inserida. • Demonstra o valor adicionado em cada um dos fatores de produção e seu destino. Veja: - dispêndio na remuneração dos empregados; - geração de tributos para o governo (municipal, estadual e federal); - remuneração do capital de terceiros, através de juros; - remuneração dos acionistas, através da distribuição de lucros. • O somatório dos valores obtidos nas Demonstrações de Valor Adicionado, apresentados pelas unidades produtivas dos mais variados níveis de A Demonstração do Valor Adicionado tem a função de divulgar e identificar o valor da riqueza gerada pela entidade. 60 Contatibilidade Geral 60 atividades econômicas, que são classificados pelo IBGE, excluídas as duplas contagens, pode ser considerado como o próprio PiB do país. • Pode-se efetuar análise vertical/horizontal dessa demonstração, com a comparação da participação de cada item da demonstração em sucessivos exercícios sociais, enfatizando sua evolução. A partir do exercício social de 2008 (lei 11638/07), essa demonstração tornou-se obrigatória para as sociedades anônimas de capital aberto e também para as empresas de grande porte. A DVA é elaborada a partir da Demonstração do Resultado de Exercício. O modelo da DvA, evidenciado no quadro 11, foi elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras da UsP. Acesse o site www.cvm.gov.br. Ali, você encontrará a instrução CVM 469 de 02.05.2008, que regulamentou este demonstrativo, determinando que a DVA pode ser elaborada de acordo com o Ofício Circular CVM/SNC/ sEP 01/2007. Modelo do Ofício Circular que apresenta a DvA e a forma de preenchimento (item por item) para a sua elaboração: DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO DESCRIÇÃO VALOR 1 RECEITAS 1.1 vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2 Provisão p/ devedores duvidosos – Reversão / (Constituição) 1.3 não operacionais 2 INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI) 2.1 Matérias-primas consumidas 2.2 Custo das mercadorias e serviços vendidos 2.3 Materiais, energia, serviço de terceiros e outros 2.4 Perda / Recuperação de valores ativos 3 VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 4 RETENÇÕES 4.1 Depreciação, amortização e exaustão 5 VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 6 VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1 Resultado de equivalência patrimonial 6.2 Receitas financeiras 7 VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 8 DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO* 8.1 Pessoal e encargos 61 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 61 Capítulo 3 8.2 Impostos, taxas e contribuições 8.3 Juros e aluguéis 8.4 Juros s/ capital próprio e dividendos 8.5 lucros retidos / prejuízo do exercício * O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7. Quadro 11 – Modelo - Demonstração do valor Adicionado Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras da USP. Como já sabemos, para a elaboração da DVA, precisamos ter a Demonstração do Resultado do Exercício; no quadro 12, faremos a Demonstração do valor Adicionado da Cia. Estrela, de acordo com sua DRE (veja o quadro 6). DEMONSTRAÇÃO VALOR ADICIONADO CIA. ESTRELA DESCRIÇÃO VALORES % 1 Receitas 540.000,00 2 Insumos adquiridos terceiros 2.1 Mercadorias (150.000,00) 2.2 Outros insumos (90.000,00) 3 Valor adicionado líquido 300.000,00 4 Valor adicionado a distribuir 300.000,00 5 Distribuição do valor adicionado: 300.000,00100% 5.1 Pessoal e encargos 85.000,00 35% 5.2 Impostos 105.000,00 17% 5.3 Aluguéis e juros 50.000,00 20% 5.4 lucros retidos 60.000,00 Quadro 12 – Demonstração do valor Adicionado Fonte: Elaborado pela autora Após a elaboração desta demonstração, podemos perceber onde foi distribuído o valor que a empresa agregou a suas mercadorias que foram vendidas. Gostaria que vocês percebessem, nos percentuais da distribuição, que o valor dos impostos é superior ao valor dos salários, e também, no valor do lucro retido pela empresa, que é usado para a expansão e investimento da empresa. Voltamos, agora, àquelas questões iniciais que coloquei: qual o retorno? qual a situação financeira? qual o Patrimônio? Se você olhar as demonstrações que foram elaboradas da Cia. Estrela, temos as respostas, isto é: O retorno foi de $ 60.000,00, que é seu lucro, e que consta na DRE. A situação financeira é de $ 45.000,00, o dinheiro disponível em caixa, e que consta na Demonstração do Fluxo de Caixa. O Patrimônio é de $ 350.000,00, que você visualiza na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. 62 Contatibilidade Geral 62 Neste capítulo, você conheceu as demonstrações contábeis e suas formas de elaboração. No próximo capítulo, vamos obter alguns conhecimentos sobre como efetuar uma análise dessas demonstrações. Atividade de Estudo 1 Quais são as principais Demonstrações Contábeis? 2 Qual a finalidade das demonstrações contábeis? 3 A CIA. Lua de Cristal começou a operar no dia 1º. de janeiro de 2004. No final de 2004 a empresa apresentava as seguintes informações: Capital = R$ 49.000; Caixa = R$ 2.800; Contas a Pagar = R$ 7.000; Despesa de Aluguel = R$ 14.000; Despesa de Manutenção = R$ 2.800; Despesa de salários = R$ 25.200; Dividendos = R$ 21.000; Empréstimos = R$ 35.350; Estoques = R$ 16.800; lucros Acumulados = R$ ?; Máquinas = R$ 56.000; Receita de Serviços = R$ 70.000; e DP a Receber = R$ 22.750. A partir dessas informações, elabore: a) a demonstração do resultado; b) a demonstração das mutações do patrimônio líquido; c) o balanço patrimonial. algumaS ConSidEraçõES Apresentamos, neste capítulo, como estão estruturadas as demonstrações contábeis exigidas pela legislação brasileira. Ficou evidenciado que as Demonstrações contábeis são peças extraídas dos livros, registros e documentos, que compõem o sistema contábil de qualquer tipo de empresa. Aprendemos que o Balanço Patrimonial é a demonstração contábil que evidencia resumidamente o patrimônio da entidade, quantitativa e qualitativamente; que a Demonstração do Resultado nos mostra a situação econômica da empresa, ou seja, se ela obteve lucro ou prejuízo num determinado período. Além disso, também percebemos que a Demonstração das Mutações do Patrimônio líquido evidencia as variações ocorridas nas contas do patrimônio liquido. 63 Estrutura das dEmonstraçõEs ContábEis 63 Capítulo 3 Conhecemos a Demonstração do Fluxo de Caixa, na qual estão contidos os valores que a empresa recebeu e os valores que a empresa pagou, durante um determinado período. Também vimos a Demonstração do Valor Adicionado, cuja função é demonstrar a riqueza gerada pela empresa e como ela foi distribuída entre os diversos setores que contribuem direta ou indiretamente para sua geração. rEFErênCiaS BRASIL. Lei n. 6404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 dez. 1976.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ LEIS/L6404compilada.htm>.Acesso em: 11 abr. 2009. BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 de dez. 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm>.Acesso em: 15 abr. 2009. BRAsil. Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Ofício-Circular/ CVM/SNC/SEP/N. 01/2007. Disponível em: <http://www.cvm.gov.br/port/ atos/oficios/OFiCiO-CiRCUlAR-CvM-snC-sEP-01_2007.asp>. Acesso em: 16 abr. 2009. iUDÍCiBUs, sérgio de et al. Manual de contabilidade das sociedades por ações: suplemento. são Paulo: Atlas, 2008. PORTAL DE CONTABILIDADE. Disponível em : <http://www. portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstmutapl.htm>. Acesso em: 27 abr. 2009. REIS, Arnaldo Carlos de Rezende. Demonstrações contábeis: estrutura e análise. são Paulo: saraiva, 2003. 64 Contatibilidade Geral 64 CAPÍTUlO 4 análiSE daS dEmonStraçõES ContábEiS A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Explicar uma introdução ao estudo da análise das Demonstrações Contábeis. 3 Analisar a situação econômica e financeira. 66 Contatibilidade Geral 66 67 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 67 Capítulo 4 ContExtualização Você já sabe que o processo contábil se inicia com a ocorrência dos fatos administrativos na empresa. A partir desses fatos, apoiados em documentos idôneos, são efetuados os registros nos livros próprios, encerrando o processo contábil com a apuração do resultado do exercício e com a elaboração das demonstrações contábeis. Portanto, a análise das demonstrações contábeis começa a partir dessas demonstrações elaboradas pela contabilidade, analisando-as e interpretando- as, para apresentar informações a respeito das conclusões obtidas na respectiva análise. Assim, você conhecerá, no decorrer deste capítulo, alguns indicadores para a análise da situação econômico-financeira de uma empresa, feita por meio de indicadores que representam a liquidez (situação financeira), a rentabilidade (situação econômica) e a posição de endividamento (estrutura de capital) da empresa, em um determinado momento. Marion (2009) afirma que só há condição de conhecer a situação econômico-financeira de uma empresa por meio desses três pontos fundamentais de análise, ao que ele denomina de “tripé da análise”. Figura 2 – Tripé da análise Fonte: Marion (2009) Para se ter uma visão rápida da situação econômico-financeira em determinado momento, basta apurar os índices de liquidez corrente, seca e geral, os índices de rentabilidade (da empresa e do empresário) e os índices de endividamento da empresa, em termos de quantidade e qualidade. Estes três índices serão vistos com mais detalhes, ao longo deste capítulo, porém, a critério do analista, uma série de outros indicadores, projeções e modelos também podem ser utilizados para se ter um melhor diagnóstico da situação econômico-financeira das entidades. (MARION, 2009). Endividamento Rentabilidade Liquedez 68 Contatibilidade Geral 68 ConCEitoS baSiCoS As demonstrações contábeis mais utilizadas para efeito de análise contábil são o balanço patrimonial (BP), a demonstração de resultado do exercício (DRE), a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), a demonstração de fluxo de caixa (DFC) e a demonstração de valor adicionado (DVA). Você já conhece essas demonstrações, pois as estudamos no capítulo 3. Também podem ser consideradas, entretanto, no processo de avaliação, as notas explicativas que acompanham os balanços, assim como os pareceres de auditoria e outros relatórios emitidos pela empresa. A maior ênfase da análise, todavia, reside nas duas primeiras demonstrações, ou seja, o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, uma vez que tais demonstrativos identificam, de forma objetiva, a situação financeira e econômica da entidade em determinado momento. (MARiOn, 2009). Os indicadores (ou índices ou quocientes) são obtidos, sempre, da divisão entre grandezas ou valores constantes em contas, grupos e subgrupos do ativo, passivo ou resultado, tais como o ativo circulante, disponível, realizável em curto prazo, estoques, receitas, passivo circulante, capital próprio, capital de terceiros, etc. Tais quocientes permitem diagnosticar a saúde econômico- financeira das entidades, em termos de viabilidade futurae continuidade. Para Sá (2005, p. 18), a finalidade da análise “é a de conseguir opinião sobre um empreendimento, para suprir a múltiplos objetivos (conceder crédito, julgar gestões, prever continuidade dos negócios, etc”. Os maiores interessados na análise são os próprios acionistas. Contudo, uma série de outros interessados, sejam empresas, pessoas ou instituições que se relacionam com as empresas, sejam entidades que têm interesse social, podem, querem ou devem utilizar-se dos relatórios contábeis para análise financeira. Para Sá (2005, p. 18), a finalidade da análise “é a de conseguir opinião sobre um empreendimento, para suprir a múltiplos objetivos (conceder crédito, julgar gestões, prever continuidade dos negócios, etc”. 69 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 69 Capítulo 4 USUÁRIOS INTERESSADOS NA ANÁLISE Principais Tipo interessados de informação É abrangente: - Avaliar a situação econômico-financeira. - Verificar se a rentabilidade está sendo adequada. - Verificar se o ativo e o passivo estão dentro do esperado. Buscar as evidências da: - Solvência/liquidez. - Garantia para os credores. - Verificação da capacidade financeira. Se concentram nos seguintes pontos: - Avaliação da empresa pelo seu potencial de lucros futuros. - Avaliação da capacidade de geração de lucros e caixa. - Capacidade de liquidação dos juros e dos títulos. Quadro 13 – Usuários interessados na análise Fonte: sá (2005, p. 19) A análise das demonstrações contábeis não é exigida por lei. Decorre da necessidade de informações mais detalhadas sobre a situação do patrimônio e suas variações. Os processos mais utilizados para se fazer análise das demonstrações contábeis são a análise horizontal, análise vertical e a análise por quocientes. Na sequência, você estudará a análise horizontal e vertical e, após, a análise por quocientes. Então, vamos à análise horizontal e vertical. análiSE Horizontal E vErtiCal A análise horizontal e a análise vertical das demonstrações levam à verificação de tendências, possibilitando a projeção de cenários, com base na manutenção ou alteração de determinado comportamento. Marion (2009, p. 24-25) sugere que “quando fazemos a divisão de uma grandeza por outra, nossos olhos leem no sentido vertical, daí a chamarmos de análise vertical, considerando dados de um mesmo período (ou de um mesmo ano)”. O autor se refere à análise horizontal, dizendo que, “quando comparamos os indicadores de vários períodos (vários semestres, anos...), analisamos a tendência dos índices. nesse caso, a chamamos de análise horizontal, pois nossos olhos leem no sentido horizontal”. Gestores Credores: instituições financeiras... investidores: donos, acionistas ou cotistas, debenturistas Marion (2009, p. 24-25) diz que “quando fazemos a divisão de uma grandeza por outra, nossos olhos lêem no sentido vertical, daí a chamarmos de análise vertical, considerando dados de um mesmo período (ou de um mesmo ano)”. 70 Contatibilidade Geral 70 Enquanto a análise vertical diz respeito a elementos homogêneos (do mesmo grupo, AC, AT, PC, PT), relativos a um mesmo período, e examina a representatividade de uma conta pelo todo, a análise horizontal também compara elementos homogêneos, mas de períodos diferentes, para verificar a evolução ou involução das contas, grupos. Para você não errar: AC = Ativo Circulante AT = Ativo Total PC = Passivo Circulante P = Passivo Total Vamos exemplificar como ocorre a análise horizontal, na prática! Uma determinada empresa apresenta os seguintes dados: BALANÇO PATRIMONIAL EMPRESA ALUNOS Ativo Circulante 2007 2008 Passivo Circulante 2007 2008 Caixa 150 250 Diversos a pagar 1.850 3.500 Duplicatas a receber 1.410 2.750 Estoques 2.440 3.000 Total PC 1.850 3.500 Total AC 4.000 6.000 Passivo Não-Circulante Patrimônio líquido Capital 9.000 9.000 Ativo Não-Circulante Reservas de lucros 1.150 2.500 Imobilizado 8.000 9.000 Total PL 10.150 11.500 TOTAl ATivO 12.000 15.000 TOTAl PAssivO 12.000 15.000 Quadro 14 – Demonstração do valor Adicionado Fonte: Elaborado pela autora Com os dados do quadro 14, podemos efetuar a análise vertical e horizontal, pois, neste demonstrativo, há contas dos exercícios de 2007 e 2008. Analisando a representatividade do AC para o AT, nos exercícios de 2007 e 2008, teremos: AC 4.000 AT 12.000 AC 6.000 AT 15.000 em mil = = 0,33 ou 33% = = 0,40 ou 40% 71 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 71 Capítulo 4 A interpretação do índice, no exercício de 2007, seria que o AC representa 33% do AT, ou seja, para cada R$ 1,00 do AT, R$ 0,33 está no AC. Já, no exercício de 2008, o AC representa 40% do AT; quer dizer, para cada R$ 1,00 do AT, R$ 0,40 está no AC. Percebemos que houve um aumento do AC, pois, se olharmos no Balanço da Empresa Alunos, notaremos que houve um acréscimo no lucro da empresa que, provavelmente, resultou no aumento do AC. Para a análise horizontal, temos: Conta ou grupo 2007 2008 índice Total Ativo Circulante 4.000 6.000 ((6.000/4.000)-1)*100 = 0,5 50% A interpretação do índice seria que o AC evoluiu, cresceu, aumentou, em 2008, 50% em relação a 2007. análiSE Por quoCiEntES (índiCES) segundo Marion (2009), os indicadores ou índices, ou quocientes, como são conhecidos, refletem a posição econômico-financeira da empresa em determinados períodos, em termos de liquidez, rentabilidade e endividamento. São obtidos por meio de divisões entre grupos, subgrupos, ou mesmo, entre contas apresentadas nas demonstrações contábeis, umas pelas outras, de maneira a evidenciar a situação do patrimônio. Como exemplo, temos o índice de liquidez corrente, obtido pela divisão entre o valor do ativo circulante e o valor do passivo circulante, que mostra a capacidade de pagamento de uma empresa, em curto prazo. Há diversos índices que podem ser obtidos por meio de divisões entre grandezas, expressas nas demonstrações contábeis, evidenciando a situação patrimonial existente. Os principais índices utilizados são os relativos à estrutura de capital, índices financeiros, econômicos e de atividades (MARION, 2009). Os indicadores deverão estar de acordo com a visão da alta administração, em termos de acompanhamento das atividades, rentabilidade e situação patrimonial, e serão por ela escolhidos. O instrumental de análise de balanço objetiva detectar situações, verificar a tendência dos acontecimentos e dar subsídios para que a administração da companhia enfatize os esforços corretivos nas direções necessárias. não há necessidade de muitos indicadores e podemos separá-los em cinco categorias, sendo eles os indicadores de estrutura de capital, os indicadores Segundo Marion (2009), os indicadores ou índices, ou quocientes, como são conhecidos, refletem a posição econômico- financeira da empresa em determinados períodos, em termos de liquidez, rentabilidade e endividamento. 72 Contatibilidade Geral 72 financeiros, os indicadores econômicos, a análise pelo método Dupont e os indicadores de atividade, conforme relacionados a seguir: a) Indicadores de estrutura de capital Tais indicadores demonstram como foi utilizado o capital da empresa em determinados grupos ou subgrupos de contas. A seguir, mostramos os dois principais índices utilizados, relativos ao comprometimento do capital da empresa. Para apresentar as fórmulas e comentários de cada indicador, adotamos a abordagem de Marion (2009). • Imobilização do Patrimônio Líquido – Indica quanto a empresa imobilizou de seu patrimônio liquido, ou quanto a empresa aplicou de seu capitaltotal no ativo permanente. IPL = Imobilizado Pl • Participação de Capitais de Terceiros sobre Recursos Próprios – indica quanto a empresa possui de recursos de terceiros em relação ao seu capital próprio. PCT = Capitais de Terceiros Capital Próprio b) Indicadores financeiros Os indicadores financeiros são os, normalmente, ligados à solvência da empresa e endividamento. A seguir, apresentamos os principais índices utilizados. • Índice de Liquidez Corrente (ou Liquidez Comum) Mostram a capacidade de pagamento da empresa em curto prazo. Um índice acima de 1 é considerado positivo e quanto maior, melhor a liquidez para pagar as dívidas de curto prazo e menor a possibilidade de inadimplência. ILC = Ativo Circulante Passivo Circulante • Índice de Liquidez Seca – é o mesmo índice que o de liquidez corrente, porém diminuem-se do ativo circulante o valor dos estoques, como se a empresa não pudesse contar com a venda de seus estoques, para fins de sanar suas dívidas de curto prazo. É um índice muito utilizado por banqueiros, por ocasião da análise de crédito relacionado a financiamentos. 73 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 73 Capítulo 4 ILS = Ativo Circulante - Estoque Passivo Circulante • Índice de Liquidez Geral – Mostra a capacidade de pagamento da empresa a longo prazo, considerando a possibilidade de que ela venda tudo o que possui para saldar suas dívidas, tanto de curto como de longo prazo. O ideal é um índice acima de 1, por representar uma boa capacidade de pagamento das dívidas de curto e longo prazo. Porém, o índice deve ser analisado em conjunto com outros anos, pois pode acontecer, por exemplo, de a empresa fazer determinada aquisição de um ativo permanente em longo prazo, em um ano (e o índice ficar muito baixo), e recuperar sensivelmente o valor gasto em anos posteriores, pelo acréscimo de renda (e do ativo circulante), o que pode provocar um acréscimo significativo no índice. ILG = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Passivo não-Circulante • Índice de Liquidez Imediata – Mostra o que a empresa dispõe de imediato para fazer frente a dívidas de curto prazo. É um índice sem muita expressão, apenas demonstrando quanto se dispõe em disponibilidades imediatas para fazer frente à quitação de dívidas. ILI = Disponível (Caixa e Bancos) Passivo Circulante • Índices de Endividamento – Há vários indicadores de endividamento, dentre os quais destacamos o que evidencia a proporção de capital de terceiros, utilizado pela empresa, sobre o capital próprio e de terceiros, ou seja, o patrimônio líquido somado ao exigível de curto e longo prazo. iE = Capital de Terceiros Capital de Terceiros + Capital próprio E, no que se refere à qualidade do endividamento, ou seja, se a dívida é de curto ou longo prazo, há o seguinte indicador: iE = Passivo Circulante ( quanto da dívida total da empresa é de curto prazo). Passivo Circulante + Passivo não-circulante c) Indicadores econômicos Os indicadores econômicos indicam a situação de rentabilidade da empresa, em relação a sua possibilidade e habilidade na geração de 74 Contatibilidade Geral 74 resultados, assim como seu potencial de vendas, que é refletido na DRE (demonstração do resultado do exercício). A taxa de retorno sobre o investimento e a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido são os dois principais índices utilizados, permitindo verificar quanto de retorno a empresa gera a partir do investimento realizado. TRI = lucro líquido Ativo Total TRPL = lucro líquido Patrimônio líquido d) Análise Método Dupont (Margem X Giro) Na visão de Matarazzo (2003), essa análise conjuga os aspectos de produtividade financeira do investimento, da lucratividade das vendas e da estrutura de capitais. Evidencia os três componentes básicos de alavancagem da rentabilidade do capital próprio. O objeto da decomposição dos componentes, que propiciam a maximização da rentabilidade do capital próprio, é possibilitar o estudo dos componentes, os quais, eventualmente, ainda carecem de adequações corretivas. A taxa de retorno sobre investimentos pode ser obtida por meio da multiplicação da Margem de lucro pelo Giro do Ativo. As empresas que ganham mais na margem, normalmente ganham no preço. As empresas que ganham mais no giro visam quantidade. A rentabilidade de uma empresa é obtida por meio de uma boa conjugação entre preço e quantidade, ou seja, Margem (lucratividade) e Giro (produtividade); isto é: Margem de lucro X Giro do Ativo = TRi. As empresas podem ter a mesma Taxa de Retorno sobre Investimentos (TRi), porém, com Margem e Giro totalmente diferentes. Acompanhe o exemplo a seguir: Margem x Giro Empresa A - TRI - 15% = 0,15 x 1,0 Empresa B - TRI - 15% = 0,075 x 2,0 Empresa C - TRI - 15% = 0,20 x 0,075 Assim, conforme a característica de cada empresa, o ganho poderá ocorrer numa concentração maior sobre o giro ou sobre a margem. 75 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 75 Capítulo 4 e) Indicadores de atividades Os indicadores ou índices de atividade são utilizados no processo de análise do giro de estoques, ou seja, de sua renovação, considerando os prazos envolvidos em compras e vendas de mercadorias. No caso, quanto maior a velocidade de renovação de estoques e a velocidade de recebimento de vendas, melhor; assim também, quanto mais lento for o pagamento das compras. O índice mais utilizado é o seguinte: PMRE + PMRv PMPC Onde: PMRE = prazo médio de renovação dos estoques PMRV = prazo médio de recebimento de vendas PMPC = prazo médio de pagamento de compras Para calcular os prazos de recebimento médio de vendas, assim como pagamento médio de compras e quantos dias a empresa leva para vender seus estoques, utilizamos as seguintes fórmulas: PMRV = 360 x Duplicatas a Receber vendas Brutas PMRV = 360 x Estoques Custo das vendas PMPC = 360 x Fornecedores Compras Vamos, agora, fazer uma análise dos índices de estrutura de capitais, financeiros, endividamento e rentabilidade do exercício de 2007, vistos neste capítulo, da empresa Cia. Estrela, que foi objeto de estudo no capítulo 3, quando estudamos as Demonstrações Contábeis. Serão analisados o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado. 76 Contatibilidade Geral 76 BALANÇO PATRIMONIAL CIA. ESTRELA ATIVO Circulante 2007 2008 Bancos 15.000 45.000 DP a Receber 30.000 35.000 Estoques 22.000 20.000 Não-Circulante Terrenos 270.000 270.000 Máquinas 210.000 230.000 Total do Ativo 547.000 600.000 PASSIVO 2007 2008 Circulante Contas a pagar 17.000 30.000 Empréstimos a pagar 200.000 220.000 Patrimônio Líquido 300.000 300.000 Capital 30.000 50.000 Reservas de lucros Total Passivo + PL 547.000 600.000 Quadro 15 – Balanço Patrimonial Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO CIA. ESTRELA 2007 2008 RECEiTAs venda de Mercadorias 475.000,00 540.000,00 (-) impostos s/vendas 73.900,00 84.000,00 vendas líquidas 401.100,00 456.000,00 (-) C.M.v. 140.000,00 150.000,00Resultado Bruto 261.100,00 306.000,00 (-) DEsPEsAs OPERACiOnAis Despesas de salários 81.000,00 85.000,00 Despesas de aluguel 28.000,00 30.000,00 Despesas de vendas 42.000,00 40.000,00 Despesas de administrativas 48.000,00 50.000,00 Despesas financeiras 15.000,00 20.000,00 REsUlTADO OPERACiOnAl 47.100,00 81.000,00 (-) impostos s/lucro 16.400,00 21.000,00 lUCRO lÍQUiDO 30.700,00 81.000,00 Quadro 16 – Demonstração do Resultado Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora 77 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 77 Capítulo 4 INDICES FÓRMULA CÁLCULO Resultado % Estrutura de Capital: Imobilização do P.L. Imobilizado 500.000 60 Pl 300.000 Participação de Cap. Terceiros s/Rec.Próprios Capitais de terceiros 250.000 83 Capital Próprio 300.000 Financeiros: Liquidez Corrente Ativo Circulante 100.000 3,33 Passivo Circulante 30.000 Liquidez Seca Ativo Circulante-estoques 80.000 2,66 Passivo Circulante 30.000 Liquidez Geral Ativo Circ. + Realiz.L.P. 100.000 40 Passivo Circ.+não-Circ. 250.000 Liquidez Imediata Disponível 45.000 1,5 Passivo Circulante 30.000 Endividamento: Endividamento total Capital Terceiros Capital de Terceiros + 250.000 0,41 Capital Próprio 600,000 Endividamento Passivo Circulante a Curto Prazo Passivo Circ.+Passivo 30,000 0,13 não-circulante 220,000 Econômicos: Taxa retorno interna lucro líquido 60.000 10 Ativo Total 600.000 Taxa retorno s/ lucro líquido 60.000 17 patrimônio líquido Patrimônio líquido 350.000 Quadro 17 – Análise de índices – Cia. Estrela Fonte: Elaborado pela autora Vamos nos concentrar, a partir de agora, em alguns comentários sobre a análise da Cia. Estrela: nos indicadores da estrutura de capital, percebemos que a Cia. Estrela utiliza um valor maior de capital de terceiros do que capital próprio. isto pode ser política dos administradores, quando o capital de terceiros é mais barato que o capital próprio, porque, muitas vezes, os proprietários preferem um percentual maior de juros do seu dinheiro a buscar esse dinheiro fora da empresa. Os indicadores de liquidez corrente, seca e imediata insinuam que a Cia. Estrela possui recursos para liquidar suas dividas de curto prazo; porém, na 78 Contatibilidade Geral 78 liquidez geral, esse índice revela que, caso tivesse que liquidar todas suas dívidas, não teria recursos suficientes. Os indicadores de endividamento mostram que, do total de capital que a Cia. Estrela tem à sua disposição, 41% é de terceiros. Isso demonstra que os proprietários investiram mais do que terceiros, o que reflete uma situação favorável. Já, no endividamento a curto prazo, a empresa está numa situação boa, pois, como vimos no índice de liquidez imediata, a empresa pode quitar suas dívidas de curto prazo sem problemas. Os indicadores de rentabilidade interna revelam que, para cada um real investido, a empresa obteve uma lucratividade de 10%. Vejamos qual o prazo de retorno do capital total investido, quer dizer, em quanto tempo a Cia. Estrela terá de volta o valor do seu ativo. X = 100 x 1 = 10 anos 10 Pelo resultado obtido concluímos que, utilizando exclusivamente os lucros apurados, a Cia. Estrela precisará de 10 anos para ter de volta o valor do seu ativo. O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada um real investido, os proprietários obtiveram 19% de retorno. Vamos, agora, calcular o prazo de retorno do capital investido. X = 1 x 100 = 5,26 anos 19 Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela terão de volta seu capital investido em 5,26 anos. Em outras palavras, a empresa precisa de 5,26 anos para dobrar o valor dos capitais próprios, utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que esse fato constitui situação positiva. avaliação da Situação FinanCEira, EConômiCa E Patrimonial dE uma EmPrESa Para Marion (2009), uma boa análise da situação financeira, econômica e patrimonial deve ser feita com base no tripé de decisões da empresa: Situação Financeira (liquidez), Estrutura de Capital (endividamento) e Situação Econômica (rentabilidade). E não é só o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício que são utilizados para a devida análise. 79 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 79 Capítulo 4 Além destas duas demonstrações, sem dúvida fundamentais, são importantes a Demonstração do Fluxo de Caixa (direto e indireto), a Demonstração do valor Adicionado e alguns indicadores de outras demonstrações. Isto porque, muitas vezes, a real situação financeira ou econômica pode não estar demonstrada no balanço ou DRE. A empresa pode, por exemplo, investir uma grande quantia em imobilizado durante o ano, sendo que aquele imobilizado, a partir de sua operação ou funcionamento, pode gerar um acréscimo de rentabilidade em anos seguintes. Haveria um indicador muito alto de imobilização, preocupante no início, porém, no ano seguinte, esta imobilização poderia se transformar em grandes resultados operacionais. Os indicadores ou índices ou quocientes são as principais grandezas utilizadas por agentes financeiros (bancos) e econômicos (governo), além dos demais interessados na contabilidade (acionistas, investidores, corretores, etc.). são medidas de desempenho da empresa, que permitem avaliar, inicialmente, o comportamento e a trajetória da empresa. Uma boa situação de liquidez, aliada a um baixo endividamento, com bons indicadores de rentabilidade, é, sem dúvida, o sinal de uma empresa sólida e merecedora de crédito. Porém, a devida análise para fins de concessões governamentais ou mesmo pelos agentes financeiros é mais aprofundada, utilizando diversos outros índices, a partir de outras demonstrações contábeis que não apenas o BP e a DRE. notas explicativas, Pareceres de auditoria e Relatórios expedidos pela própria empresa (e sua auditoria interna) também podem ser utilizados, além das demonstrações financeiras. mEtodologia da análiSE daS dEmonStraçõES ContábEiS Após selecionar as Demonstrações Contábeis a serem analisadas, averigua-se a qualidade dessas demonstrações (por exemplo, se têm parecer da auditoria; de quem é esse parecer etc.) e se houver necessidade, efetua-se a reclassificação das contas. O passo seguinte é selecionar um conjunto de Índices/Indicadores que melhor se ajuste ao tipo de análise. Após o cálculo dos Índices/indicadores, o correto é comparar esses indicadores aos de outras empresas do mesmo ramo de atividade. Matarazzo (2003, p. 19) afirma: “a análise de balanço baseia-se no raciocínio científico”; e, mais adiante, continua: “na maioria das ciências, o processo de tomada de decisões obedece, mais ou menos, à sequência da figura a seguir”. Os indicadores ou índices ou quocientes são as principais grandezas utilizadas por agentes financeiros (bancos) e econômicos (governo), além dos demais interessados na contabilidade (acionistas, investidores, corretores, etc.). 80 Contatibilidade Geral 80 Etapas: 1 2 3 4 → → →AnÁlisE Figura 3 – Processo de tomada de decisões Fonte: Matarazzo (2003, p.20) Matarazzo (2003) faz uma comparação da análise das Demonstrações Contábeis, com outras ciências. A analogia feita com a medicina é no sentido de, em qualquer exame, que o médico fará num paciente, medirá a temperatura, a pressão, a pulsação, etc. Esses são os indicadores (1). O médico compara, então, cada indicador com padrão próprio (2) desenvolvido e aprimorado e, em seguida, ponderando conjuntamente seus indicadores, elabora suas conclusões (3), mental ou formalmente, transmitindo-as ou não ao paciente de alguma forma, conforme sua técnica de trabalho. Em seguida, toma uma decisão (4), como: internar o paciente, encaminhá-lo a outro especialista, receitar medicamentos ou, simplesmente, dizer que está tudo ‘ok’. As etapas 1, 2 e 3 devem realizar-se nesta sequência e estar perfeitamente classificadas. Porém, para cada uma é preciso utilizar técnicas próprias. A etapa da elaboração de diagnósticos ou conclusões distingue-se da etapa de comparação com padrões, pois, é neste momento que serão devidamente ponderadas, pesadas e medidas as informações parciais obtidas nas duas etapas anteriores. No mesmo sentido, ao fazer a comparação com o Direito, os elementos considerados serão os indicadores; a lei, a jurisprudência ou os comentários de juristas representam os padrões; a avaliação pela experiência e pelo conhecimento representa a etapa de elaboração de conclusões. A partir desta é que virão as decisões de condenar, absolver, entrar em acordo, etc. Quando falamos em Análise de Balanços, aplica-se o mesmo raciocínio científico. E Matarazzo (2003, p. 20) dá a sequência: a) extraem-se índices das demonstrações financeiras; b) comparam-se os índices com os padrões; c) ponderam-se as diferentes informações e chega-se a um diagnóstico ou conclusões; d) tomam-se decisões. Quando essa sequência não é levada em conta, a Análise de Balanços pode não refletir a verdadeira situação da empresa. Portanto, a qualidade e Escolha de indicadores Comparação com padrões Diagnóstico ou conclusões Decisões 81 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 81 Capítulo 4 a veracidade da análise podem ficar comprometidas, pois como se poderia elaborar afirmativas sem os elementos de referência? Com base nas etapas descritas, admite-se que uma determinada companhia tenha R$ 1.200,00 de Ativo Circulante e R$ 1.000,00 de Passivo Circulante. Toma-se a iniciativa de escolher o indicador, dividindo o Ativo Circulante pelo Passivo Circulante. nesse caso, o indicador será 1,20 (1.200/1.000), induzindo que, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo (Passivo Circulante), a Cia. terá R$ 1,20, que será transformado em dinheiro, no Ativo Circulante, para pagamento da dívida. Aparentemente, a situação de pagamento é favorável. Todavia, ao comparar esse indicador com a média de outras indústrias de suco de laranja, o analista constata que, nesse ramo de atividade, é muito comum esse indicador ser maior que 1,60. A conclusão é que o desempenho da Cia. é ruim no que tange a sua capacidade de pagamento, pois, a média das concorrentes é muito maior que 1,20. Baseado nisso, o analista poderá fazer propostas para que decisões sejam tomadas, a fim de melhorar a capacidade de pagamento da empresa. Questão Informação O que Como significa? analisar? A entidade é lucrativa? Como é a política de dividendos da entidade? Onde a entidade está buscando os recursos para financiar suas operações? Demonstração do Resultado Demonstração dos lucros Acumulados Balanço Patrimonial Verificar se as receitas são superiores às despesas. Verificar se a entidade apresenta uma política de distribuição de resultados conservadora ou não. A resposta dessa pergunta refere- se ao nível de endividamento da entidade. Em geral, quanto maior o lucro, melhor o desempenho da entidade. A análise depende da situação. Entidades com possibilidade de crescimento devem evitar a distribuição excessiva. nesse caso, verificar a relação entre dividendos e lucro do exercício. Entidades endividadas possuem um risco maior. Baixo endividamento pode significar dificuldade de acesso às fontes de recursos. 82 Contatibilidade Geral 82 Quadro 18 - Analisando a informação contábil – resumo Fonte: Elaborado pela autora Atiividade de Estudos: 1 As demonstrações contábeis mais usadas para efeito de análise contábil são o balanço patrimonial (BP), a demonstração de resultado do exercício (DRE), a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), a demonstração de fluxo de caixa (DFC) e a demonstração de valor adicionado (DVA). Que outros relatórios também podem ser usados? 2 Qual a diferença entre a análise horizontal e a análise vertical? 3 Uma determinada empresa apresenta: ATivO PAssivO Circulante 60.000* Circulante 50.000 Realizável a LP 10.000 Exigível a LP 40.000 Permanente 90.000 Patrimônio líquido 70.000 Estoques = 35.000* Calcule a situação referente à: a) Liquidez corrente b) Liquidez seca c) Liquidez geral algumaS ConSidEraçõES Apresentamos, neste capítulo, a análise das demonstrações contábeis como um dos instrumentos mais importantes no processo de gerenciamento contábil global. Entendemos que as técnicas de análise das demonstrações contábeis são importantes para o conhecimento econômico-financeiro de outras empresas, Os recursos que a entidade está gerando nas atividades operacionais é positivo? Demonstração do Fluxo de Caixa A entidade está gerando caixa com suas operações. Caso contrário, é necessário obter recursos com as atividades de financiamento e investimento. O valor do fluxo de caixa das atividades operacionais deve ser positivo. 83 análisE das dEmonstraçõEs ContábEis 83 Capítulo 4 notadamente concorrentes e fornecedores. O mais importante do instrumento de análise de balanço, porém, é a sua utilização interna na empresa. A grande utilidade dessa ferramenta é o acompanhamento mensal dos indicadores escolhidos. Você deve ter percebido que, através desse acompanhamento e da tendência que os mesmos irão evidenciar, teremos, seguramente, uma visão real das operações e do patrimônio empresarial, e poderemos tomar medidas corretivas no rumo dos negócios, se as conclusões do acompanhamento analítico dos indicadores assim o exigirem. Conclui-se que a análise das demonstrações contábeis constitui-se um processo de meditação sobre os demonstrativos contábeis, objetivando uma avaliação da situação da empresa, em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros. rEFErênCiaS MARION, José Carlos. Análise das demonstrações contábeis. Contabilidade Empresarial. 4. ed. São Paulo, Atlas, 2009. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. sÁ, Antônio lopes de. Moderna análise de balanços ao alcance de todos. Curitiba: Juruá, 2006. 84 Contatibilidade Geral 84 CAPÍTUlO 5 introdução à ContabilidadE dE CuStoS A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Compreender a classificação de custos e o sistema de custeio. 3 Diferenciar as terminologias e tipos de custos na sua aplicação. 3 Comparar qual o melhor sistema de custeio. 86 Contatibilidade Geral 86 87 introdução à ContabilidadE dE Custos 87 Capítulo 5 ContExtualização Para estudar a Contabilidade de Custos, é necessário conhecer alguns conceitos básicos em Contabilidade. É por isso que se estuda inicialmente a Contabilidade Básica ou Geral, para depois estudar a Contabilidade de Custos. Vejamos um exemplo simplificado de custos aplicado a uma receita de doce de goiaba. O exemploque apresentamos a seguir foi adaptado do site: administradores.com.br, o qual oferece várias leituras interessantes relacionadas à área. Ingredientes: 10 kg de goiabas: $ 32,00; 3 kg de açúcar: $ 5,00; 6 g de cravo da índia: $ 1,00; 3 xícaras de água: $ 0,00; total= $ 38,00. Tempo de preparo no fogão: 2 horas e meia; tempo de trabalho: 4 horas; rendimento: 5 kg aproximadamente. Pergunta-se: qual é o custo desse doce? Quando você vai a uma confeitaria e compra um doce, o custo desse doce, para você, é o preço pago por ele. E, no nosso exemplo de fabricação do doce, o seu custo corresponde apenas aos gastos com a compra dos ingredientes? É claro que não, pois para fazer o doce de goiaba, além dos ingredientes, foram utilizados: cozinha, mesa, faca, panela, fogão, colher, água, gás e energia elétrica. Portanto, os ingredientes utilizados, como os demais elementos que concorreram para que o doce de goiaba fosse feito, têm Custo e precisam ser considerados. Depois desses dados, você pode concluir que o Custo de Fabricação ou Custo de Produção apresenta duas partes: parte direta, formada pelos gastos de aquisição dos ingredientes utilizados integralmente na fabricação (tecnicamente conhecidos por Materiais Diretos = MD, ou Matérias-Primas = MP), acrescidos do custo das horas de trabalho (tecnicamente conhecidos por mão de obra direta = MOD). A soma desses gastos também é denominada Custo Direto, pois suas quantidades e seus valores são facilmente identificados em relação ao produto. Portanto, no exemplo do doce de goiaba, pode-se concluir que os MD = $ 38,00 (soma dos ingredientes: goiaba = $ 32,00; açúcar = $ 5,00; e cravo da índia = $ 1,00) e a MOD = $ 4,00 (a confeiteira ganha $ 1,00 por hora de trabalho e trabalhou 4 horas para fazer o doce). Vejamos agora a parte indireta. Esta é composta pelos gastos com outros elementos que concorreram indiretamente na fabricação do doce, como: aluguel, iPTU, depreciação, gás e energia elétrica (tecnicamente conhecidos por Custos Indiretos de Fabricação = CIF). O Custo Direto de produção é fácilmente conhecido, pois, geralmente corresponde aos valores integralmente gastos na compra dos materiais utilizados, somados à mão de obra das pessoas que trabalharam diretamente na 88 Contatibilidade Geral 88 produção/fabricação. Por outro lado, para se conhecer o valor dos Custos Indiretos de Fabricação de cada produto, deve-se estabelecer regras e efetuar cálculos, para que os referidos custos sejam adequadamente atribuídos a cada produto. Os Custos Indiretos de Fabricação são assim denominados porque não correspondem a gastos realizados especificamente para esse ou aquele produto. Como vimos nesse exemplo, é fundamental conhecer a composição dos custos de uma empresa. Por isso, o tema deste capítulo são os custos, e o exemplo do doce de goiaba já nos permite antecipar algumas ideias básicas sobre o assunto. No decorrer do estudo, vamos identificar as terminologias usadas, as classificações de custos e, também, sistemas de custeio. tErminologia, objEtivoS, FinalidadES doS CuStoS Para estudarmos a Contabilidade de Custos, é importante nos familiarizarmos com os termos usuais da área: gasto, custo ou despesas. Estas e outras palavras são bastante utilizadas ao falarmos em contabilidade de custos, com relação àquele dinheiro que não está mais em poder das famílias. No entanto, você sabe realmente a diferença entre esses vocábulos? Muitos estudiosos lhe atribuem o mesmo significado: conjunto de dispêndios para adquirir algo. Outros consideram esses termos como um investimento. Para que você não faça confusão com os significados dessas palavras, veremos a seguir algumas terminologias, entendidas como fundamentais, bem como os objetivos e as finalidades dos custos. a) Terminologias utilizadas em custos • Custo: é o valor dos bens e serviços consumidos na produção de bens e/ ou serviços. Ex.: A matéria-prima consumida na produção de uma determinada quantidade de produtos ou serviços. • Gasto: é todo dispêndio que compreende o valor dos bens e/ou serviços adquiridos pela empresa em um determinado período. Ex.: O valor das matérias-primas compradas no último mês. • Despesa: é o valor dos bens e serviços, não relacionados diretamente com a produção de outros bens e serviços, consumidos num determinado período. Ou seja, o consumo de bens e serviços que não fazem parte ou 89 introdução à ContabilidadE dE Custos 89 Capítulo 5 não estão ligados ao processo produtivo da empresa. Ex.: Consumo de material de expediente pelo escritório. • Desembolso: é a saída de numerário do caixa ou da conta corrente, para pagar os compromissos vindos da aquisição de bens ou serviços. Ex.: Pagamento do salário dos funcionários. • Desperdício: corresponde a valores consumidos em bens e/ou serviços que não podem ser acrescidos ao valor do produto. Ex.: Deixar uma máquina ligada, sem estar produzindo, consumindo assim energia elétrica desnecessariamente. • Investimentos: são os gastos efetuados na empresa com a intenção de se obter lucro com eles. Ex.: Pode ser a compra de uma máquina que auxiliará no processo produtivo. • Perda: é o valor dos bens e serviços consumidos de maneira irregular. Ex.: perda de parte da produção por falta de energia elétrica. É lógico que todos os itens descritos estão ligados, de certa forma, à produção de um bem ou serviço, mas devemos entender bem que, a princípio, cada um tem a sua função. Agora que você já conheceu as terminologias utilizadas na contabilidade de custos, vamos fazer a atividade a seguir, para nos certificarmos de que os conceitos foram entendidos: Atividade de Estudos: 1 Classifique as situações abaixo, identificando: (C) Custo, (G) Gasto, (D) Despesa, (E) Desembolso, (F) Desperdício, (I) Investimento e (P) Perda: a) ( ) Compra de matéria-prima. b) ( ) Salário do gerente financeiro. c) ( ) Pagamento dos fornecedores de matéria-prima. d) ( ) Redução na produção devido à queda de energia. e) ( ) Redução na produção devido à falta de matéria-prima. f) ( ) Mão de obra aplicada na confecção de um produto. g) ( ) Compra de uma máquina industrial, necessária ao aumento de produção. h) ( ) Aproveitamento de apenas 70% da matéria-prima consumida. i) ( ) Compra de peças de manutenção das máquinas. j) ( ) Salário do auxiliar administrativo. k) ( ) Pagamento dos encargos sociais da empresa. l) ( ) serviços prestados de maneira irregular, sem qualidade. 90 Contatibilidade Geral 90 m)( ) Matéria-prima não reaproveitada pela produção. n) ( ) Compra de microcomputadores para toda a empresa. o) ( ) Energia elétrica consumida na produção. p) ( ) Telefone consumido na administração. q) ( ) Salário do contador. Ele gasta 50% do seu trabalho dedicado ao setor fiscal e 50% ao setor de custos. b) Objetivos dos custos A princípio, a Contabilidade de custos não surgiu como um instrumento gerencial utilizado pela administração das empresas como uma importante ferramenta. O seu principal objetivo era o de avaliar, em números monetários, os estoques e os resultados obtidos pela empresa. Porém, com o crescimento e desenvolvimento das empresas, houve a necessidade de que a contabilidade de custos assumisse, sim, uma função gerencial, relacionada ao controle e à decisão. Vamos entender melhor: controle, no sentido de acompanhar os fatos que ocorreram, que estão ocorrendo ou que venham a ocorrer; decisão, com o fim de obter informações que possam modificar a estrutura da empresa de curto a longo prazo. Especificamente, a Contabilidade de Custos objetiva: • avaliação de estoques • atendimento das exigências fiscais • determinação do resultado • planejamento • formação do preço de venda • controle gerencial • avaliação de desempenho • controle operacional • análise de alternativas • estabelecimento de parâmetros • obtenção de dados para orçamentos •tomada de decisão A Contabilidade de Custos tem vários objetivos básicos. Por sua vez, a aplicação do pensamento sistêmico explora e procura demonstrar a ligação entre os objetivos ideais e os reais de uma organização. Tais objetivos podem ser determinados, em alguns casos, por ações e não como ao contrário se imagina ser o ideal. Contabilidade de custos tem o principal objetivo era o de avaliar, em números monetários, os estoques e os resultados obtidos pela empresa. 91 introdução à ContabilidadE dE Custos 91 Capítulo 5 c) Finalidades dos custos Martins (2003) acredita que muitos objetivos são estabelecidos de acordo com a finalidade a que se propõem, ou seja, identificam quais as necessidades que este sistema tenderá a anular. Estas necessidades podem ser, genericamente, de três tipos: • Finalidade Contábil – O sistema de custos tem sua estrutura formulada para encontrar o custo do estoque a ser contabilizado e, como consequência, o CMv ou CPv ou CsP, determinantes na apuração do resultado. Para atender a esta finalidade, é importante frisar que todos os procedimentos devem ser efetivados segundo os Princípios Fundamentais da Contabilidade (tema que foi abordado detalhadamente no primeiro capítulo). • Finalidade Administrativa – O sistema de custos que procura atender à finalidade administrativa tem, como intuito principal, estabelecer maneiras de controle; utiliza, na grande maioria dos casos, o sistema de custo padrão, podendo o administrador gerenciar seu sistema operativo. • Finalidade Gerencial – O sistema tem como base o cálculo do custo atual, do custo futuro, do custo de reposição, entre outros; busca subsídios para gerenciar seu sistema produtivo, na visão de curto e longo prazo, estabelecendo metas, preços de venda e estratégias. Os objetivos principais do sistema de custo gerencial são: • suprir a administração de informação, para a tomada de decisão. • servir como ponto de orientação quanto a medidas de correção. • Acompanhar distorções de valores, níveis de eficiência de produção e qualidade dos padrões estabelecidos. • Identificar, entre outros aspectos, contribuição por produto, linhas deficitárias... ClaSSiFiCação dE CuStoS E Sua nomEnClatura Outra parte importante no estudo dos custos é a sua classificação. Acompanhe a seguir cada uma: • Grau de média • Variabilidade • Facilidade de atribuição • Momento do cálculo • Grau de produção 92 Contatibilidade Geral 92 a) De acordo com o grau de média, temos: • Custo Total: é o valor dos esforços (bens e/ou serviços) consumidos para fabricar um conjunto de unidades de produto. • Custo Unitário: é o valor dos esforços (bens e/ou serviços) consumidos para fabricar uma unidade do produto. b) De acordo com a sua variabilidade: • Custo Variável: é aquele que é constante por unidade produzida, mas que varia no seu total, de forma proporcional às variações no volume de atividade. Ex.: custo de matéria-prima. • Custo Fixo: é aquele que permanece constante e indiferente, no curto prazo, aos diferentes volumes de unidades produzidas. Ex.: Aluguel da fábrica. • Custo Semi-fixo: é aquele que varia de acordo com as oscilações no volume de produção. Ex.: custo de energia elétrica - composto de uma parcela fixa e outra variável, dentro de certos limites de produção. c) De acordo com a facilidade de atribuição: • Custo Direto: é aquele que é facilmente atribuível a um determinado produto. Ex.: custo da matéria-prima. • Custo Indireto: é aquele que apresenta algum grau de dificuldade para ser atribuído aos produtos. Ex.: salários dos supervisores. Para que você possa entender melhor, vejamos o seguinte exemplo: Matéria-prima $ 3.000.000 Embalagens $ 500.000 Materiais de consumo $ 200.000 Mão de obra direta $ 1.300.000 salários dos supervisores $ 200.000 Depreciação das máquinas $ 150.000 Energia elétrica $ 350.000 Aluguel do prédio $ 100.000 Total - $ 5.800.000 93 introdução à ContabilidadE dE Custos 93 Capítulo 5 Veja, a partir do exemplo, a classificação de cada item: - Custos Diretos 3 Matéria-prima e embalagens: podem ser apropriadas a cada produto, pois, se sabe exatamente quanto cada um consumiu. 3 Mão de obra direta: é possível associá-la diretamente a cada produto, pois, foi feita uma medição de quanto cada empregado trabalhou em cada produto. - Custos Indiretos 3 Materiais de consumo: alguns são lubrificantes de máquinas ou são materiais utilizados nos dois produtos, e não há como associá-los diretamente a cada um. E outros são de tão pequeno valor, de forma que ninguém se preocupou em associá-los a cada produto. 3 Salários dos supervisores: é muito difícil de se identificar, já que a supervisão envolve a fábrica em geral, a não ser que a empresa tenha supervisores efetivos para cada produto. 3 Depreciação das máquinas: as empresas depreciam as máquinas em valores iguais, por período, e não por produto. 3 Energia elétrica: parte da energia pode ser considerada direta, se as máquinas tiverem medidores de consumo; mas para aquela que não possuir medidor, a energia elétrica é apurada de forma global. 3 Aluguel do prédio: é impossível de se medir diretamente quanto se gasta para cada produto. Observe que: Tudo que envolve diretamente o produto são Custos Diretos. Tudo que envolve o produto de forma indireta são Custos indiretos. Portanto, a classificação Direto e Indireto está relacionada ao produto feito, e não à produção, no sentido geral, ou aos departamentos dentro de uma fábrica. 94 Contatibilidade Geral 94 Atividade de Estudo: 1 Classifique os custos abaixo como sendo fixos ou variáveis, diretos ou indiretos: a) Custo de matéria-prima. b) Salário dos funcionários que trabalham diretamente com o produto (MOD). c) Depreciação das máquinas produtivas. d) Energia Elétrica consumida nas máquinas. e) Energia Elétrica consumida pelas instalações elétricas da fábrica (lâmpadas, ventiladores, computadores, etc.). f) Aluguel da parte de produção da fábrica. g) Consumo de óleo das máquinas. h) Material de embalagem aplicada aos produtos. i) salário dos supervisores. j) Salário do pessoal do setor expedição. k) Salário dos funcionários da administração da fábrica. l) Seguro das máquinas e instalações da fábrica. m) IPTU correspondente às instalações da fábrica. n) Encargos sociais (inss e FGTs) do pessoal da produção (MOD). o) Parcela de férias dos supervisores. p) Peças de manutenção trocadas nas máquinas. q) salários do pessoal da manutenção. r) salários dos funcionários do setor de custos. s) Material de limpeza consumido na fábrica. t) Água consumida na fábrica (a empresa não utiliza tratamento de água) . u) Telefone utilizado na fábrica. d) De acordo com o momento do cálculo, os custos podem ser classificados em: • Custo Histórico: é aquele apurado após ter ocorrido, e tem por objetivo avaliar os estoques dos produtos fabricados, os produtos vendidos e apurar o resultado obtido pela empresa em um determinado período. Ex.: custos dos produtos vendidos em 07/02. • Custo Pré-determinado: é o determinado antes de sua ocorrência e tem por objetivo auxiliar a administração no planejamento e controle das atividades empresariais. Ex.: orçamento de matéria-prima para 10/09. e) De acordo com o grau de produção: • Custos Primários: referem-se à soma dos custos da matéria-prima com a mão de obra direta. Não é a mesma coisa que o Custo Direto, já que nos 95 introdução à ContabilidadE dE Custos 95 Capítulo 5 Primários só estão incluídos esses dois itens. Assim, a embalagem é um Custo Direto, mas não primário. • Custos de Transformação: equivale à soma de todos os custos de produção, exceto osrelativos a matérias-primas e os que não sofrem modificação no processo produtivo (itens já prontos, embalagens compradas, etc.). Em todas as classificações de custos estudadas, as maiores complicações, dúvidas e questionamentos em uma empresa estão na separação dos Custos em Fixos e variáveis. Podemos, a princípio, definir os Custos Fixos como sendo os custos que são constantes, ou seja, indiferentes aos níveis de produção. O Custo Fixo é aquele que existe e permanece constante, seja na produção de 100 unidades, 1.000 unidades ou até em períodos em que a empresa não produz nada. Ex.: Aluguel da fábrica - R$ 10.000,00 por mês. Se produzirmos 100, 1.000 ou nenhuma unidade, esse valor permanecerá o mesmo. Os Custos Fixos só variam em casos especiais, tais como: • um aumento na produção fora das estimativas previstas; • aumentos por dissídios, vencimentos de contratos, atualizações monetárias, etc. No primeiro caso, devemos verificar se o aumento na produção ocorreu somente em um determinado mês, ou se o excedente deve ser considerado como um custo variável. neste caso, a empresa terá que estipular novos valores para seus custos fixos. Já os Custos Variáveis podem ser definidos como aqueles que só ocorrem quando a empresa produz algo, mesmo porque estes custos estão, geralmente, ligados à produção. Ex.: matéria-prima - só há consumo, se existir produção. vamos agora nos concentrar no Cálculo dos Custos Fixos e Variáveis. Os Custos Variáveis são sempre calculados por unidade, já os fixos são calculados pelo seu valor total. Para entender, vamos a mais um exemplo: imagine a produção de 1.000 unidades do Produto A, que custos estão envolvidos? Custos Variáveis: Matéria-prima - 5,00 Kg por unidade (custo/ Kg = $4,00) Os Custos Variáveis são sempre calculados por unidade, já os fixos são calculados pelo seu valor total. 96 Contatibilidade Geral 96 Custos Fixos: Depreciação do mês - R$ 10.000,00 levando em conta que a empresa só teve esses dois custos, os Custos de Produção do mês são: - Variáveis = 1.000un X (5,00kg X $4,00) = 1.000 X 20 = $ 20.000,00 - Fixos = $ 10.000,00 - Custos de Produção = $ 30.000,00 Podemos afirmar, então, que os custos de produção totais foram de $ 30.000,00 e os custos unitários são de $ 30,00/un ($30.000,00/1.000un). Agora que você já conheceu a classificação dos custos, vamos ver como inserir os custos dentro de um sistema de custeio. SiStEmaS báSiCoS dE CuStEio Um sistema de custeio, de acordo com Martins (2003), consiste num critério, por meio do qual os custos são apropriados à produção. De acordo com o sistema adotado, determinados custos podem ou não fazer parte dos custos de produção. Portanto, é preciso que a pessoa interessada nas informações fornecidas pela Contabilidade de Custos considere qual foi o sistema de custeio adotado pela empresa e quais os seus efeitos sobre a composição dos custos de produção. Existem várias filosofias de custeios dos produtos. Cada filosofia propõe uma maneira própria de contabilizar os Custos Indiretos de Fabricação (CIF). Fundamentados nessas filosofias, os sistemas de custeio têm evoluído de tal maneira que já se consegue obter o máximo de informações possíveis de todo o processo produtivo e operacional de uma empresa. Vamos verificar três sistemas mais conhecidos. O primeiro será o sistema de custeio por absorção, que é o exigido pelo fisco; o segundo será o custeio direto, que tem sua forma própria de apurar os resultados; e o terceiro é o sistema de custeio ABC. a) Custeio por Absorção No sistema de custeio por absorção, apropriam-se à produção todos os custos fixos e variáveis, tanto os diretos quanto os indiretos. Assim, os custos 97 introdução à ContabilidadE dE Custos 97 Capítulo 5 fixos e variáveis são “estocados” e lançados ao resultado apenas por ocasião da venda dos produtos correspondentes. (CREPAlDi, 2002). O grande inconveniente na adoção do custeio por absorção diz respeito aos custos fixos. Os custos fixos são necessários para que a indústria esteja em condições de produzir. Dessa forma, o aluguel, o imposto predial e o seguro da fábrica, por exemplo, são gastos realizados para que a indústria adquira capacidade de produção. Todavia, são custos incorridos independentemente da quantidade que venha a ser produzida (até certo limite), já que não sofrem variações em razão do volume de produção. Segundo Crepaldi (2002), como regra, os custos fixos são indiretos, sendo apropriados por estimativas mais ou menos arbitrárias. Isto faz com que o custo de fabricação de um produto possa variar, de acordo com os critérios adotados para a apropriação dos custos fixos. Por conseguinte, o resultado apurado na venda de um produto pode variar de acordo com a parcela de custos fixos que a ele se decida apropriar. Outro inconveniente é o fato dos custos fixos unitários variarem de acordo com as quantidades produzidas (em razão inversa). Com o aumento do volume de produção, ocorre a redução do custo fixo unitário. Se, ao tomarmos em consideração dois produtos, verificarmos o aumento no volume de produção de um deles, enquanto a quantidade produzida do outro permanece constante, observaremos que, se o rateio dos custos fixos for feito com base no volume de produção, o aumento da quantidade fabricada do 1° produto reduzirá o custo unitário do 2°, já que este receberá uma parcela menor de custos fixos, em função da maior parcela atribuída ao primeiro, por seu maior número de unidades. Quer dizer, a variação no custo do 2° produto decorreu da alteração na quantidade produzida do 1°. Vamos exemplificar: consideremos que uma indústria fabrique 1.000 unidades do produto A e 1.000 unidades do produto B. Seus custos fixos totais de 10.000,00 foram apropriados aos produtos, de acordo com o número de unidades produzidas. Produtos Unidades Produzidas Custos Fixos Produto A 1.000 unidades 5.000,00 Produto B 1.000 unidades 5.000,00 Totais 2.000 unidades 10.000,00 98 Contatibilidade Geral 98 se a produção de A for aumentada para 1.500 unidades, e a produção de B for mantida em 1.000 unidades, os custos fixos de 10.000,00 serão distribuídos da seguinte forma: Produtos Unidades Produzidas Custos Fixos Produto A 1.500 unidades 6.000,00 Produto B 1.000 unidades 4.000,00 Totais 2.500 unidades 10.000,00 O aumento da produção de A provocou o aumento dos seus custos fixos, de 5.000,00 para 6.000,00. Apesar da produção de B não ter sido alterada, seus custos fixos foram reduzidos de 5.000,00 para 4.000,00. Assim, o aumento da produção de A reduziu os custos fixos apropriados ao produto B. b) Problemas do Sistema de Custeio por Absorção Um dos grandes problemas é que este sistema, segundo Crepaldi (2002), não nos permite fixar o preço de venda dos produtos com base nos custos apurados, pois o sistema ignora outros custos e despesas, tais como despesas com vendas, despesas administrativas e despesas financeiras. Outro grande problema se refere aos custos fixos. Agregando os custos fixos aos estoques, estamos apurando um resultado que não reflete a realidade, pois, independentemente de que a empresa produza ou não, ela sempre terá custos fixos e, se formos jogá-los aos estoques, apuraremos um resultado (lucro) maior, que na verdade não existe, sem contar que supervalorizaremos nossos estoques.Em meio a esse tipo de problema com os custos fixos é que muitas empresas costumam utilizar o Sistema de Custeio Direto ou variável, que veremos a seguir. c) Custeio Direto (Variável) novamente contamos com o auxílio de Crepaldi (2002) para entender o que é custeio variável. Em razão dos problemas existentes no uso do sistema de custeio por absorção, no que diz respeito à apropriação dos custos fixos, surge o sistema de custeio variável; neste sistema, são apropriados aos produtos apenas os custos variáveis de produção, enquanto os custos fixos são lançados diretamente ao resultado, como se fossem despesas, sem transitar pelos estoques. O sistema de custeio variável também é conhecido como sistema de custeio direto, em virtude dos custos variáveis serem, como regra, diretos. Mas, 99 introdução à ContabilidadE dE Custos 99 Capítulo 5 em razão de, nesse método, serem apropriados à produção tanto os custos variáveis diretos quanto os variáveis indiretos, parece ser mais adequada a expressão sistema de custeio variável (CREPAlDi, 2002). Se toda a produção, iniciada e acabada num determinado período, for vendida, o lucro bruto pelo custeio variável será maior que o apurado pelo custeio por absorção, pela não-apropriação dos custos fixos aos produtos no sistema de custeio variável, e a consequente redução do custo dos produtos vendidos. nessa mesma hipótese, o lucro líquido será igual nos dois métodos, pois os custos fixos integrarão o custo dos produtos vendidos no custeio por absorção e estarão entre as despesas operacionais no custeio variável. Exemplificando, consideremos que uma indústria tenha apurado os seguintes gastos em seu primeiro mês de atividades: Custos variáveis totais 15.000,00 Custos fixos totais 5.000,00 Despesas administrativas 3.000,00 Despesas de vendas 2.000,00 A indústria vendeu toda a sua produção, com receita total de 40.000,00. Comparando o resultado pelo custeio por absorção com o resultado apurado pelo custeio variável, temos: Demonstração Custeio Custeio do Resultado por Absorção Variável vendas Brutas 40.000,00 40.000,00 Custo dos Produtos vendidos (20.000,00)* (15.000,00)* Lucro Bruto 20.000,00 25.000,00 Despesas Administrativas (3.000,00) (3.000,00) Despesas de vendas (2.000,00) (2.000,00) Custos Fixos - (5.000,00)* Lucro Líquido 15.000,00 15.000,00 Você notou os asteriscos? Eles nos trazem uma informação muito importante para entendermos o custeio: O CPV, no custeio por absorção, é representado por todos os custos de produção, tanto variáveis quanto fixos. Já o CPV, no custeio variável, corresponde apenas aos custos variáveis e os custos fixos são apresentados como despesas operacionais. Se parte da produção, iniciada e acabada em determinado período, permanecer em estoque, o lucro bruto, nesse período, será maior pelo custeio 100 Contatibilidade Geral 100 variável, pela falta dos custos fixos na composição do custo dos produtos vendidos (igual à situação anterior). Mas o lucro líquido será maior pelo custeio por absorção, em razão de os custos fixos, no custeio variável, serem deduzidos integralmente como se fossem despesas operacionais e, no custeio por absorção, permanecerem, proporcionalmente, em estoque, como parte da produção não vendida. (CREPAlDi, 2002). Exemplificando: consideremos que uma indústria tenha apurado os seguintes gastos em seu primeiro mês de atividades: Custos variáveis totais 20.000,00 Custos fixos totais 10.000,00 Despesas administrativas 5.000,00 Despesas de vendas 4.000,00 A indústria vendeu 80% de sua produção e apurou receita total de 50.000,00. Comparando o resultado pelo custeio por absorção com o resultado apurado pelo custeio variável, temos: Demonstração Custeio Custeio do Resultado por Absorção Variável vendas Brutas 50.000,00 50.000,00 Custo dos Produtos vendidos (24.000,00)* (16.000,00)* Lucro Bruto 26.000,00 34.000,00 Despesas Administrativas (5.000,00) (5.000,00) Despesas de vendas (4.000,00) (4.000,00) Custos Fixos - (10.000,00)* Lucro Líquido 17.000,00 15.000,00 Novamente é bom você ficar atento aos asteriscos; Veja: O CPV, no custeio por absorção, é correspondente a 80% dos custos totais de produção, fixos e variáveis. O CPV, no custeio variável, é equivalente a 80% dos custos variáveis, e os custos fixos foram apropriados como despesas operacionais. Em comparação com o custeio por absorção, o sistema de custeio variável antecipa a apropriação dos custos fixos ao resultado. Os resultados acumulados, porém, são iguais nos dois métodos. No custeio por absorção todos os custos fixos são apropriados ao resultado dentro do custo dos produtos vendidos, enquanto no custeio variável os custos fixos são integralmente apropriados, como se fossem despesas operacionais. Em comparação com o custeio por absorção, o sistema de custeio variável antecipa a apropriação dos custos fixos ao resultado. 101 introdução à ContabilidadE dE Custos 101 Capítulo 5 Os princípios contábeis e a legislação do Imposto de Renda determinam a utilização do custeio por absorção. O custeio variável é adotado para fins gerenciais, principalmente no processo administrativo de tomada de decisão. d) Custeio Direto versus Custeio por Absorção Quando uma empresa adota o Sistema de Custeio Direto, sempre se faz necessário que haja uma comparação com o Custeio por Absorção. Essa comparação se faz necessária, pois o motivo do Custeio por Absorção é uma exigência fiscal. Sendo assim, temos que adaptar determinados resultados da empresa para esse método de custeio, principalmente os cálculos referentes ao Imposto de Renda e Contribuição Social. Outro motivo da comparação é que, enquanto o custeio direto analisa cada produto, individualmente ou por grupos de produtos, o custeio por absorção não faz restrições entre análise individual ou de conjunto. Mesmo porque, em Declarações do Imposto de Renda, a empresa está obrigada a apurar um resultado único, ou seja, de todos os produtos da empresa. numa análise entre os dois sistemas, compara-se: • resultados (lucro/prejuízo); • estoques (iniciais e finais); • variação no custo unitário de cada produto. e) Método de Custeio ABC O sistema de Custeio Baseado em Atividades( ABC) procura, igualmente, amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio, necessário aos sistemas tratados anteriormente, principalmente no que tange ao sistema de custeio por absorção (BUEREN; ROEDEL, 2002). Ele poderia ser tratado como uma evolução dos sistemas já discutidos, mas sua relação direta com as atividades envolvidas no processo configura mero aprofundamento do sistema de custeio por absorção. O Custeio Baseado em Atividades é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. Este sistema tem, como fundamento básico, a busca do princípio da causa/ação; ou seja, procura identificar, de forma clara, por meio de rastreamento, o agente causador do custo, para lhe imputar o valor. A ideia básica é atribuir, primeiramente, os custos às atividades e, posteriormente, atribuir custos das atividades aos produtos. Sendo assim, faz- O Custeio Baseado em Atividades é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. 102 Contatibilidade Geral 102 se o rastreamento dos custos que cada atividade causou, atribuindo-lhes estes custos,e, posteriormente, verifica-se como os portadores finais de custos consumiram serviços das atividades, atribuindo-lhes os custos definidos. O Custeio Baseado em Atividades parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas geram custos e que os produtos consomem essas atividades. Para atribuir custos às atividades e aos produtos, utilizam-se direcionadores; mas, há que se distinguir dois tipos de direcionadores, conforme Bueren e Roedel (2002): direcionador de custos de recursos e direcionador de custos de atividades. Por exemplo, os custos das atividades devem ser atribuídos de forma criteriosa, na ordem de prioridade para alocação direta, rastreamento e rateio. no sistema de custeio ABC, os custos indiretos são alocados aos produtos pelas atividades existentes em cada departamento, conforme tabela, a seguir: Tabela 1 – Formação do Custeio baseado em atividades – ABC Custeio Baseado em Atividades - ABC Camisetas - $ Vestidos - $ Calças - $ Custos Diretos 3,75 5,75 4,25 Custos indiretos 2,66 17,33 5,33 Custo Total 6,41 23,08 9,58 Fonte: Elaborado pela autora Na comparação da tabela 1, a metodologia de Custeio Baseado nas Atividades assegura melhoria significativa, porque adota os direcionadores de custos das atividades, que resulta em alocações proporcionais às atividades de cada produto, permitindo que as decisões, baseadas no custo total dos produtos, sejam tomadas com confiança nos dados. A comparação leva à necessidade de uma profunda reflexão sobre os sistemas de custeio tradicionais. A departamentalização pode minimizar as arbitrariedades, mas ainda não possibilita a alocação mais justa, enquanto o ABC com os direcionadores de custos melhoram o grau de exatidão das informações. O primeiro identifica a maneira como as atividades consomem recursos, e serve para custear as atividades, e o segundo identifica a maneira como os produtos consomem atividades, e serve para custear produtos. Retomemos o nosso exemplo inicial (lembra do doce de goiaba?). Espero que agora fique mais fácil compreender, por que o valor que você pagou pelo 103 introdução à ContabilidadE dE Custos 103 Capítulo 5 doce não é o mesmo que ele custou, pois, como vimos, a empresa precisa agregar valores a esse custo para atingir seus objetivos, sua meta, que todos nós sabemos que é o lucro. Acredito que vocês devem ter percebido quanto é importante conhecer os procedimentos de custos para que as empresas possam ter continuidade. Atividade de Estudos: 1 A atribuição de todos os gastos de fabricação aos produtos é determinada pela seguinte forma de custeio: a) de realização b) variável c) direto d) estimado e) por absorção 2) É correto afirmar que: a) O método de custeio variável agrega os custos fixos ao custo de produção pelo emprego de critérios variáveis de rateio. b) O método de custeio por absorção leva em conta, na apuração do custo de produção, todos os custos incorridos no período. c) O método de custeio por absorção exige que a avaliação dos estoques seja feita pelo critério do custo médio ponderado. d) Para efeito de apuração de resultados industriais, é indiferente qual o método de custeio adotado, seja o variável ou por absorção. e) A diferença fundamental entre o custeio variável e o custeio por absorção é que este admite a avaliação dos estoques por método diferente do custo médio ponderado, ao contrário do custeio variável. algumaS ConSidEraçõES Verificamos, neste capítulo, que a contabilidade de custos nos fornece informações importantes para o controle e a decisão de preços, mas é fundamental que as terminologias utilizadas sejam as mesmas para todos, para que não haja interpretação errada de um determinado termo. Ficou evidenciado que temos vários sistemas de custeio, porém, cada empresa, de acordo com sua atividade, deve adotar um tipo de custeio. 104 Contatibilidade Geral 104 Estudamos que o sistema de custeio por absorção determina o custo de cada unidade produzida e de seu total, mostrando-nos onde ocorreram os gastos produtivos, fixos e variáveis, gastos com mão de obra direta, indireta, água, luz, materiais diretos e indiretos, etc. No sistema por absorção, existe uma difícil tarefa, a de diferenciar custo e despesa, isso porque as despesas não são apropriadas diretamente para os produtos; devem ser feitos rateios. Já o sistema ABC, Custo Baseado na Atividade, aloca melhor os Custos Indiretos de Fabricação, pois ele os diferencia por centro ou atividade, além de distribuir os custos normais e despesas; com isso ele é muito mais completo, demonstrando realmente todos os gastos e custos do produto. rEFErEnCiaS BEUREN, Ilse Maria; ROEDEL, Ari. O uso do custeio baseado em atividades – ABC (activity based costing) nas maiores empresas de santa Catarina. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, n. 30, p. 7-8, set./dez. 2002. COnTABiliDADE DE CUsTOs. Disponível em: < http://www.administradores.com.br/artigos/contabilidade_de_ custos/13392/>. Acesso em: 23 maio 2009. CREPAlDi, silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. 2.ed. são Paulo: Atlas, 2002. MARTINS. Elizeu. Contabilidade de Custos. 9. ed. são Paulo: Atlas, 2003. Errata Caderno de Estudos – Contabilidade Página 34 Onde se lê: b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são os gastos que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como parte do patrimônio (ativo diferido, gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são classificadas as marcas e as patentes, o fundo de comércio, etc. Leia-se b) Bens imateriais: Também tidos como bens incorpóreos ou intangíveis, são os gastos que, por sua natureza, a legislação exige que sejam tidos como parte do patrimônio (gastos com reformas, benfeitorias, etc.); como tais também são classificadas as marcas e as patentes, o fundo de comércio, etc. Página 75 Onde se lê: PMRV = 360 x Estoques Custo das Vendas Leia-se: PMRE = 360 x Estoques Custo das Vendas Página76 Onde se lê: Leia-se: Onde se lê: 2007 2008 LUCRO LÍQUIDO 30.700,00 81.000,00 Leia-se: 2007 2008 LUCRO LÍQUIDO 30.700,00 60.000,00 Página 77 Onde se lê: Leia-se: Página 78 Onde se lê: O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada um real investido, os proprietários obtiveram 19% de retorno. Vamos, agora, calcular o prazo de retorno do capital investido. X = 1 x 100 = 5,26 anos 19 Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela terão de volta seu capital investido em 5,26 anos. Em outras palavras, a empresa precisa de 5,26 anos para dobrar o valor dos capitais próprios, utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que esse fato constitui situação positiva. Leia-se: O indicador da rentabilidade do patrimônio líquido mostra que, para cada um real investido, os proprietários obtiveram 17% de retorno. Vamos, agora, calcular o prazo de retorno do capital investido. X = 1 x 100 = 5,88 anos 17 Pelo resultado apurado, concluímos que os proprietários da Cia. Estrela terão de volta seu capital investido em 5,88 anos. Em outras palavras, a empresa precisa de 5,88 anos para dobrar o valor dos capitais próprios, utilizando-se exclusivamente dos lucros apurados. Percebemos, então, que esse fato constitui situação positiva.