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DESCRIÇÃO
Construção da governança corporativa e seu papel para o sucesso das organizações.
Publicação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX). Adoção da prática de governança corporativa no
Brasil e no mundo.
PROPÓSITO
Descrever o conceito de governança corporativa e sua importância para as práticas das
organizações, bem como o contexto corporativo anterior à publicação da Lei SOX e a
importância dela para a adoção de melhores práticas de governança corporativa no Brasil e no
mundo.
PREPARAÇÃO
Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha à mão papel e caneta para acompanhar o
material.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Definir a governança corporativa e a sua importância para o sucesso das organizações
MÓDULO 2
Descrever o contexto e as principais contribuições da Lei Sarbanes-Oxley para a melhoria das
práticas de governança corporativa
INTRODUÇÃO
Você sabe o que significa uma governança corporativa? Para início de conversa, podemos
dizer que ela é um conjunto de mecanismos de controle interno e externo adotados por
empresas que permite aos investidores uma maior confiança.
O mais importante, no primeiro momento, é saber que a governança corporativa constitui parte
fundamental da estrutura das organizações e que boas práticas de governança podem resultar
em menores riscos, melhores resultados e impactos positivos na sociedade.
No primeiro módulo, apresentaremos não apenas seu conceito e a comparação dela com
outras conceituações de governança, mas também detalharemos seus princípios de
transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.
No segundo módulo, descreveremos a Lei SOX, importante instrumento legal que busca inibir
práticas que prejudiquem a credibilidade das informações apresentadas pelas empresas que
operam ou possuem capital nos Estados Unidos. Para isso, definiremos o contexto dela, as
principais regras impostas e suas consequências para as empresas brasileiras e internacionais.
MÓDULO 1
 Definir a governança corporativa e a sua importância para o sucesso das
organizações
ORIGEM DE GOVERNANÇA
Governança é um termo derivado da palavra “governo”. Assunto rotineiro nas discussões
organizacionais, o sentido de governança pode ter diferentes abordagens e perspectivas. A
palavra surge, em especial, graças a reflexões propostas pelo Banco Mundial (BM).
Por ser uma agência de fomento, ou seja, de empréstimos, o BM impõe contrapartidas aos
países financiados com os recursos da instituição. Desse modo, exigir boas práticas das
instituições governamentais e do mercado privado de determinada nação passa a configurar
um dos requisitos para a concessão de financiamentos.
Essas contrapartidas do BM significam, na realidade, a exigência de boas práticas — nos
governos, nas instituições ou na iniciativa privada — para a concessão de empréstimos.
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BANCO MUNDIAL (BM)
Com 189 países membros, funcionários de mais de 170 nações e escritórios em mais de
130 locais, o Grupo Banco Mundial é uma parceria global única. Esse grupo é formado
por cinco instituições que trabalham para soluções sustentáveis a fim de reduzir a
pobreza e gerar prosperidade compartilhada nas nações em desenvolvimento. Ele
constitui uma das maiores fontes de financiamento e conhecimento do mundo para os
países em desenvolvimento.
Essas boas práticas exigidas correspondem ao sentido da palavra governança.
Fonte: Rido/Shutterstock
GOVERNANÇA E PODER
Em seu relatório Governance and the law (em português, a governança e a lei), o BM define a
governança como “o processo pelo qual os atores estatais e não estatais interagem para
projetar e implementar políticas dentro de um dado conjunto de regras formais e informais que
moldam e são moldadas pelo poder”. Fonte: (THE WORLD BANK, 2017, p. 41)
Esse documento (2017) ainda oferece uma definição de poder como a “capacidade de grupos e
indivíduos para fazerem com que outros ajam segundo seus interesses e para trazer resultados
específicos”.
Nota-se que os sentidos de governança e poder estão correlacionados, pois o exercício de
persuasão requer minimamente uma ação de convencimento.
CONVENCIMENTO
Uso dos mais diversificados recursos para induzir uma pessoa (ou um grupo delas) a
adotar uma ideia ou agir em prol de uma finalidade.
Nas organizações, o convencimento é produzido por meio da governança, que leva
determinada instituição a seguir as diretrizes e as práticas. Ela o faz a partir de um discurso
capaz de proporcionar uma identificação tanto emocional quanto racional por parte dos
colaboradores.
A percepção do conceito de governança difere entre alguns autores:
O conceito de governança está associado a mudanças nos processos e estruturas por meio
dos quais a sociedade é gerida, envolvendo a redefinição de limites entre governos e
organizações privadas com ou sem fins lucrativos.
Fonte: (COSTA, 2017, p. 332)

O conceito de governança diz respeito às instituições que influenciam como as corporações
alocam recursos e retornos.
Fonte: (GROENEWEGEN, 2004, p. 353)
Para o campo dos estudos de gestão, definiremos a governança, portanto, como um
conjunto de políticas institucionais (princípios, normas e boas práticas) que conduz as
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atividades exercidas pelas organizações, desdobrando-se em todos os seus níveis
(operacional, tático e estratégico).
GOVERNANÇA VS. GOVERNABILIDADE
Em muitos momentos, a governança é confundida com o termo “governabilidade”. Mas ambas
possuem diferenças fundamentais.
Governança
Este termo trata da adoção de boas práticas com os públicos interno e externo à organização
no intuito de executar sua missão cada vez melhor. Ele possui um caráter filosófico e de
princípios.
Governabilidade
Já a governabilidade corresponde à legitimidade e à estabilidade de um grupo para dirigir
determinada organização. Tem vinculação direta com a política de sustentação de presidentes
de companhias ou de executivos dos mais diversos ramos organizacionais ou empresariais.
Sobre a governabilidade, verificamos que sua existência depende das condições de
sustentação (apoios) de um poder de mando e de decisão.
TIPOS DE GOVERNANÇA
Discutiremos neste vídeo a classificação da governança corporativa segundo estes parâmetros:
atividades, funções e finalidade da organização.
Os tipos de governança se organizam da seguinte forma:
Por atividades:
Sustentabilidade
Comunitária
De tecnologia da informação
Legal
Contábil
Por finalidade:
Governança pública
Governança corporativa
Com relação à classificação por finalidade da organização, Secchi (2013) aponta que a
governança pública é a forma de interação horizontal entre atores estatais e não estatais no
processo de construção de políticas públicas.
Ou seja, essa governança representa os princípios pelos quais as diversas instituições
do Estado se estruturam, apontando a filosofia que fundamenta o relacionamento – que,
neste caso, é externo – com seu público.
Este tipo se difere da governança corporativa em boa parte pelo fato de sua atividade-fim ser
diferente. Enquanto as entidades privadas visam ao lucro, as públicas buscam a criação de
valor público para a sociedade. Por conta disso, as empresas são estruturadas de maneira a
garantir esse valor em primeiro lugar.
Na governança corporativa, por outro lado, existe a direção que uma instituição privada almeja
seguir para o alcance dos resultados: o lucro e o retorno para os acionistas como atividades-
fim, além de seu equilíbrio econômico-financeiro.
A pública conta com o mesmo intento, mas espera-se que os resultados culminem no bem
comum e na criação de valor público, o qual, aliás, pode ser traduzido na adequada prestação
de serviços à população.
A GOVERNANÇA CORPORATIVA
Imagine que você seja um investidor e precise decidir em qual empresa colocar seus
recursos. Provavelmente, você decidiria investir naquela em que confiasse plenamente.
Usualmente, os investidores levam em consideração não apenas a situação atual da empresa,
mastambém suas perspectivas de futuro, seus potenciais de ganho e a segurança que elas
passam.
A governança corporativa surge como um conjunto de mecanismos que permite aos
investidores estarem mais confiantes em relação ao bom uso dos recursos da empresa. Ela
cria, portanto, as medidas que possibilitam mais transparência e a garantia de que as
organizações funcionam de maneira ética, ainda que elas sempre busquem o lucro.
A governança corporativa foi introduzida no Brasil por influência do Instituto Brasileiro de
Governança Corporativa (IBGC).
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA
CORPORATIVA
Pronatec/IBGC
Organização sem fins lucrativos e principal referência do Brasil para o desenvolvimento
das melhores práticas da chamada governança corporativa.
Listaremos a seguir os setes princípios norteadores da boa governança:
1
PARTICIPAÇÃO

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2
ESTADO DE DIREITO

3
TRANSPARÊNCIA

4
RESPONSABILIDADE

5
ORIENTAÇÃO POR CONSENSO

6
IGUALDADE E INCLUSIVIDADE

7
EFETIVIDADE E EFICIÊNCIA
Embora a literatura especializada destaque a existência de sete princípios norteadores da boa
governança, destacaremos apenas – pela relevância do IBGC para a prática da governança no
Brasil – as quatro bases que, segundo o instituto, são fundamentais para a boa governança
corporativa:
A) TRANSPARÊNCIA
null
Marvent/shutterstock
Ela consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas informações que sejam do
seu interesse – e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos.
O ideal é que a transparência não fique restrita ao desempenho econômico-financeiro,
contemplando também os demais fatores (inclusive os intangíveis) que norteiam a ação
gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da organização.
A palavra “transparência”, no âmbito da governança, pode ser compreendida por uma
infinidade de possibilidades, relacionando-se, na maioria das vezes, às ações da organização
caracterizadas pela nitidez de suas práticas e de suas diretrizes.
Para as empresas, ela remete à disponibilização de informações de modo claro, sejam elas
obrigatórias (como as demonstrações contábeis) ou não obrigatórias (como as políticas de
promoção de um colaborador dentro da instituição).
A transparência não está assentada apenas em questões contábeis, econômicas e financeiras:
ela também contempla a nitidez das políticas institucionais que demarcam o processo de
gestão. Além disso, contribui para a criação de valor dentro e fora da organização, conduzindo
todos os stakeholders a confiarem e se dedicarem à instituição.
Sob um viés histórico, verifica-se que o conceito de transparência passou a ganhar cada vez
mais relevância a partir dos anos 1980 nos Estados Unidos. Ainda que tenha sido o berço da
administração moderna, o país não possui apenas exemplos positivos: muitas práticas
adequadas atualmente — como a própria ideia de governança — surgiram dos problemas de
falta de transparência enfrentados no contexto norte-americano no período anterior aos anos
1990.
B) EQUIDADE
null
fizkes/shutterstock
Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e as demais partes
interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades,
interesses e expectativas.
A ideia de equidade compreende o tratamento igualitário de todos os envolvidos no processo
empresarial. Estamos falando, neste caso, de colaboradores internos e externos, clientes,
fornecedores, investidores, concorrentes, empresas parceiras, comunidade, governo,
sindicatos e entidades de classes. Esse grupo abrangente com o qual as organizações têm de
lidar é chamado de stakeholders.
Naturalmente, se relacionar com um grupo tão ampliado gera um grande esforço para as
organizações conseguirem ser isonômicas, ou seja, proporcionarem para todos direitos e
deveres iguais no âmbito da relação direta com o negócio.
Essa habilidade é fundamental para que se efetive uma boa governança corporativa,
representando, ao mesmo tempo, um desafio. Afinal, cada um desses stakeholders possui
necessidades diferentes e, às vezes, exige tomadas de decisão que contrariam um ou outro
grupo interessado.
C) PRESTAÇÃO DE CONTAS OU ACCOUNTABILITY
null
Fizkes/shutterstock
Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das
organizações, reduzir as externalidades negativas dos negócios e das operações e aumentar
as positivas. Além disso, eles levam em consideração, no modelo de negócios, os diversos
capitais (financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional etc.) no
curto, no médio e no longo prazo.
O princípio de prestação de contas (ou accountability, em inglês) impõe à governança
corporativa de uma organização o dever de reunir todos os recursos necessários a fim de
impedir perdas para aqueles que realizarem aportes de capital na empresa.
A atenção com os recursos – que são advindos de terceiros e precisam ser adequadamente
investidos – representa a maneira ideal de se prestar contas: alocando bem o capital da
empresa.
Esse princípio abrange ainda o dever de se demonstrar aos interessados todos os esforços
financeiros e não financeiros que a organização tem feito para gerar os melhores resultados.
D) RESPONSABILIDADE CORPORATIVA
null
Fizkes/shutterstock
Os agentes de governança precisam prestar contas de sua ação de modo claro, conciso,
compreensível e tempestivo. Além disso, assumem integralmente as consequências de seus
atos e de suas omissões, atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus
papéis.
O princípio da responsabilidade corporativa diz respeito à capacidade da organização em
responder pelos próprios atos, pois eles sempre geram alguma consequência. Sua missão é
ser hábil em responder pelas próprias ações, que, em alguns momentos, serão assertivas e,
em outros, não.
Empresas que adotam essas medidas apresentam uma menor probabilidade de fraudes e
escândalos, além de promoverem a transparência das suas contas para o público interessado.
Isso permite que os investidores tomem decisões mais conscientes e precisas.
 ATENÇÃO
Para que tais princípios da governança corporativa sejam alcançados, é necessário que as
empresas disponham dos chamados mecanismos de controle internos e externos.
Conforme aponta Silveira (2004), a minimização dos conflitos de interesse entre investidores e
empresas depende desses mecanismos internos e externos (aos quais se dá o nome de
governança corporativa).
Eis alguns exemplos de mecanismos da governança corporativa:
Conselhos de administração.
Políticas de remuneração.
Estrutura de capital.
Competição nos mercados de produtos e insumos.
Publicação de relatórios pelas empresas.
 ATENÇÃO
É importante ressaltar que boas práticas de governança corporativa são desejáveis não apenas
do ponto de vista dos investidores, já que elas também são vantajosas para as empresas. Isso
garante um melhor funcionamento, uma maior transparência e uma menor probabilidade de
desvio de recursos, favorecendo a eficiência econômica.
PRÁTICAS DE GOVERNANÇA
CORPORATIVA E SUA EVOLUÇÃO
PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA
Nas empresas, cujo fundamento basilar é auferir lucros, a adoção da governança corporativa
indica que elas — embora almejem obter recompensas financeiras advindas do processo de
produção ou serviço — também têm preocupações com outros fatores que ultrapassam o ato
de se ganhar dinheiro.
Devemos relembrar a ideia da estrutura básica das empresas (níveis administrativos) para que
entendamos em que nível a governança corporativa é formulada. Essa estrutura é formada por
três níveis administrativos:
OPERACIONAL
Corresponde ao nível de supervisão. São necessárias habilidades técnicas para a sua
execução. É neste local que estão os níveis de supervisão e o pessoal de execução.
INTERMEDIÁRIO (OU TÁTICO)
Diz respeito ao nível de gerência pelo qual é feita a comunicaçãoentre os níveis operacional e
institucional.
INSTITUCIONAL (OU ESTRATÉGICO)
Engloba a alta direção, que deve ter habilidades conceituais. Corresponde aos elaboradores
das políticas da organização, definindo a filosofia adotada por ela.
Por analogia, a adoção (ou não) de uma efetiva governança corporativa provoca os mesmos
atores que, se estiverem conscientes de sua importância, buscarão harmonizar a atividade
empresarial. Além disso, eles poderão relacionar sua finalidade (o lucro) com os princípios
norteadores da boa governança, adicionando os valores monetário e ético às ações da
organização.
 ATENÇÃO
A governança corporativa tem significativa relevância nas organizações, pois permite a adoção
de princípios éticos em suas ações. Tais princípios acrescentam um valor (tangível e intangível)
ao negócio, uma vez que a sociedade tem exigido cada vez mais empresas comprometidas
com boas práticas nos níveis humano e financeiro, bem como em toda a cadeia de operação
delas.
A implementação da política eficaz de governança corporativa busca alterar o cenário de
insegurança no mercado financeiro – caracterizado pela renda variável dos investidores – para
um ambiente capaz de atrair recursos.
Isso é possível graças à confiabilidade das informações apresentadas, resultando em
benefícios para todos os envolvidos na negociação. Um exemplo de incentivo legal à
governança corporativa nas empresas é a Lei Sarbanes-Oxley (que analisaremos de maneira
detalhada no próximo módulo).
EVOLUÇÃO DAS PRÁTICAS DE GOVERNANÇA
CORPORATIVA
A governança corporativa destaca a relevância das funções desempenhadas pelo conselho de
administração, pelos executivos e pela administração das empresas, pois eles devem ter como
propósito a definição de regras de conduta e responsabilidades claras.
POR MEIO DE INSTRUMENTOS DE MONITORAMENTO
E CONTROLE, A GOVERNANÇA GARANTE A
PROTEÇÃO DOS ACIONISTAS E CREDORES, DE
FORMA QUE ELES NÃO SEJAM PREJUDICADOS
PELOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO.
(SHLEIFER; VISHNY, 1997)
Para compreendermos melhor esse conteúdo, que tal conhecermos o relato a seguir?
Alf Ribeiro/shutterstock
O objetivo do escalonamento é aumentar a transparência das informações divulgadas e
diminuir o custo de captação de recursos no mercado.
A IMPORTÂNCIA PRÁTICA VERIFICADA PELOS PAÍSES
PARA GARANTIR A CONFIABILIDADE DAS
INFORMAÇÕES PRESTADAS PELAS EMPRESAS
LEVOU À CRIAÇÃO DE CÓDIGOS NACIONAIS
PRÓPRIOS COM BASE NOS PRINCÍPIOS E NAS
MELHORES PRÁTICAS DE GOVERNANÇA
CORPORATIVA DISCUTIDAS E ORIENTADAS PELA
OCDE (ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-
OPERATION AND DEVELOPMENT).
(ALMEIDA, 2010)
Com a intensificação dos debates nas últimas três décadas, a governança corporativa tem
recebido mais destaque.
O termo “governança corporativa” ganhou notoriedade no campo da administração de
empresas no início dos anos 1980. Abordado ainda nas áreas de Contabilidade, Direito,
Economia e Finanças, ele gerou interesse tanto no âmbito acadêmico como no empresarial.
O marco histórico da utilização desse termo é impreciso, porém pode-se perceber, nos últimos
anos, o gradual amadurecimento e a percepção da necessidade de sua prática.
Atualmente, sua adoção acaba por ser obrigatória e extremamente esperada no mundo
organizacional.
Vejamos a aplicação desses processos em alguns lugares:
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, resultou na criação do
Securities and Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) no Brasil.
Associadas à exagerada liberdade dos contratos privados, as fraudes apuradas nos registros
de títulos naquele ano resultaram na mudança de postura e na adoção de um modelo mais
contratualista nos Estados Unidos. Com a SEC, os norte-americanos reconheceram o grau de
importância que a regulação tem sobre as relações contratuais.
Fonte: MikeBKKlife/Shutterstock
BRASIL
Durante muito tempo, o país foi reconhecido como um mercado atrativo para capitais de curto
prazo com alta liquidez, atraindo investidores pouco preocupados com questões ligadas a
dividendos, lucros, conselhos de administração e fatores dessa natureza.
Os instrumentos de governança brasileiros têm evoluído fundamentalmente com a
concentração na relação entre os administradores e os acionistas. Esse fato, por si só,
demonstra uma similaridade com o modelo de governança norte-americano.
Fonte: Motioncenter/Shutterstock
EUROPA
Já na Europa, o padrão de governança corporativa é o que expande a relação entre acionista e
gestores, incluindo ainda outros membros do processo empresarial, como, por exemplo,
empregados, fornecedores e clientes.
Fonte: Giulio Benzi/Shutterstock
 SAIBA MAIS
Em 2001, o Brasil promulgou a Lei nº 10.303, que propicia aos acionistas minoritários a
redução de riscos e a maximização das participações deles no controle das empresas. A
motivação principal dessa lei era contribuir para que o mercado de capitais brasileiro
diminuísse a concentração acionária, estimulando o pequeno investidor. Foram adotadas, para
isso, práticas essenciais de governança corporativa que contribuíram para o tratamento
igualitário dos acionistas.
Segundo Vieira e Mendes (2004), das inovações resultantes da nova legislação brasileira para
as empresas do tipo sociedades por ações (S.A.), destacam-se:
1
1. A adoção de novas regras para a posição em conselho.
2
2. O refinamento de questões de custódia.
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3
3. O limite de emissão de ações preferenciais em relação às ordinárias.
4
4. A utilização da arbitragem como mecanismo para a solução de divergências entre os
controladores e os acionistas minoritários.
Outra novidade da lei foi o chamado tag-along , que nada mais é que a garantia de um
acionista vender suas ações com direito a voto por valor igual ou superior a 80% da quantia
paga por elas, mesmo não fazendo parte do bloco de controle da empresa.
Fonte: (BRASIL, 2001, artigo 254-A)
Quais foram os resultados promovidos por essa lei?
As mudanças resultantes de sua adoção, assim como as medidas adotadas pelos órgãos
reguladores do mercado (Bovespa, CVM e Banco Central do Brasil – BC), permitem que o
mercado de ações brasileiro avance na prática de governança corporativa.
Esse cenário confirma a expectativa mínima dos investidores: preferir a compra de ações de
empresas com maior grau de maturidade de governança, pois isso resulta em menor risco
ao capital investido.
A adoção de práticas de governança corporativa é um importante mecanismo para a atração de
investidores, pois elas requerem transparência e confiabilidade nas informações prestadas.
Além disso, uma política de gestão que zele pela exatidão e pela autenticidade dos dados
financeiros expostos pelas empresas é sempre muito bem-vinda.
Por conta disso, as decisões de investimento buscarão unificar o interesse de maximização dos
resultados e o atendimento das expectativas dos stakeholders .
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. O MODELO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA QUE CONSIDERA OS
ACIONISTAS, OS ADMINISTRADORES, OS EMPREGADOS, OS CLIENTES
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E OS FORNECEDORES É ADOTADO NO(A):
A) Brasil
B) Estados Unidos
C) China
D) África do Sul
E) Europa
2. QUAL DOS CONCEITOS APRESENTADOS A SEGUIR REPRESENTA O
SIGNIFICADO DA PALAVRA “GOVERNANÇA” DA MELHOR FORMA?.
A) É a capacidade de a organização responder pelos próprios atos.
B) Trata-se da disponibilização de informações de modo claro, sejam elas obrigatórias (como
as demonstrações contábeis) ou não obrigatórias (como as políticas de promoção de um
colaborador dentro da instituição).
C) É o conjunto de princípios, normas e boas práticas que conduz as atividades
desempenhadas pelas organizações, desdobrando-se em todos os seus níveis.
D) Constitui a reunião de todos os recursos necessários a fim de impedir perdas para quem
realizou aportes de capital na empresa.
E) É o modo igualitário pelo qual são tratados todos os envolvidos no processo empresarial,ou
seja, os stakeholders .
GABARITO
1. O modelo de governança corporativa que considera os acionistas, os administradores,
os empregados, os clientes e os fornecedores é adotado no(a):
A alternativa "E " está correta.
Nos países da Europa, o modelo de governança corporativa vai além da relação entre
acionistas e gestores, incluindo outros atores da atividade empresarial, como, por exemplo,
empregados, fornecedores e clientes.
2. Qual dos conceitos apresentados a seguir representa o significado da palavra
“governança” da melhor forma?.
A alternativa "C " está correta.
A governança tem relação com as instituições que influenciam como as corporações alocam
recursos e retornos. Trata-se, portanto, das políticas institucionais que conduzem as ações
corporativas, desdobrando-se nos níveis operacional, tático e estratégico das empresas.
MÓDULO 2
 Descrever o contexto e as principais contribuições da Lei Sarbanes-Oxley para a
melhoria das práticas de governança corporativa
CONTEXTO DA LEI SARBANES-OXLEY
A Lei Sarbanes-Oxley (SOX) é um importante instrumento legal para inibir práticas que
prejudiquem a credibilidade das informações apresentadas pelas empresas norte-americanas,
bem como daquelas que registram ações nas bolsas de valores situadas nos Estados Unidos.
Tal dispositivo legal possui regras rígidas que influenciaram na adoção da prática de
governança corporativa no Brasil e no mundo. Na visão das autoras Oliveira e Linhares (2007),
os condicionantes para a criação da referida lei foram:
1
1. Crises de credibilidade enfrentadas pelo mercado de capitais norte-americano.
2
2. Falta de transparência das organizações.
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3
3. Frequentes fraudes corporativas.
4
4. Manipulação dos balanços.
Eventos que impulsionaram a criação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX)
Fonte: Andrii Yalanskyi/shutterstock
A formalização da lei se deu para proteger os acionistas e a sociedade contra as fraudes
verificadas no final do ano 2001, em particular aquelas ocorridas nas empresas Enron e Arthur
Andersen. Ambas surpreenderam o mercado após a divulgação de que os excepcionais lucros
apresentados por elas nos registros contábeis dos anos anteriores eram, na verdade, resultado
de fraudes.
Você já ouviu falar nos casos das companhias Enron e Arthur Andersen? Vamos saber
mais sobre essa história.
Até o final de 2001, a Enron era considerada uma potência empresarial do ramo energético
mundial, ocupando a sétima posição no ranking de maiores empresas dos Estados Unidos.
Logo após a divulgação da concordata, o Congresso Americano iniciou a análise da falência do
grupo.
Foi detectada uma dívida aproximada de 22 bilhões de dólares. Dado o montante anunciado e
a importância global da empresa, este caso constitui, sem dúvidas, a falência mais importante
da história empresarial americana.
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Para Carvalho (2004), pela amplitude e solidez da imagem da organização, os analistas de
mercado experientes não foram capazes de identificar antecipadamente qualquer motivo que
abalasse a confiança dos investidores. Afinal, as informações prestadas não revelavam as
manobras contábeis e acabavam por mascarar a real situação financeira da corporação.
Ou seja, a partir das informações de que dispunham os investidores e analistas, aparentemente
não existia nada de errado com aquela empresa. Para piorar, havia tanta confiança nela que
eles sequer desconfiaram de qualquer problema.
A empresa de auditoria Arthur Andersen foi a responsável por checar os dados financeiros
divulgados pela Enron. Até o escândalo eclodir, ela ocupava um lugar de prestígio e
credibilidade no mercado global, sendo uma das cinco maiores do ramo.
Ela foi condenada pelo Tribunal Federal norte-americano por fraude contábil e obstrução de
justiça graças à destruição de documentos. Mesmo após a absolvição no processo judicial, a
empresa não resistiu à perda de valor e ao custo de imagem resultantes das perdas financeiras
dos acionistas.
Esse acontecimento abalou a economia dos Estados Unidos e despertou o alerta sobre o futuro
do país, pois o prejuízo econômico poderia ser ainda maior. A falência da Enron gerou prejuízos
não apenas para seus funcionários — que perderam seus empregos -, mas principalmente
para quem investiu em ações da empresa.
Isso gerou um senso de alerta no contexto do mundo financeiro norte-americano. Caso
ações do tipo continuassem a ser negociadas em um ambiente tão globalizado, uma catástrofe
parecida poderia, devido ao grande impacto causado no sistema econômico mundial, ser
gigante. Com isso, muitos bancos e investidores poderiam acompanhar o destino das
empresas fraudulentas, indo à falência.
Mas qual foi o objetivo dos criadores da Lei SOX?
O objetivo maior de seus formuladores era que as empresas que mantivessem relações
financeiras em território norte-americano fossem vistas pelo mercado geral, especialmente
pelos investidores, como organizações confiáveis nas quais se pode investir.
Cada vez mais havia a necessidade de valorizar e garantir, no ambiente empresarial, a
transparência necessária às relações entre os investidores, os executivos e a sociedade. Isso
resultaria em maior confiabilidade e probabilidade de sucesso das empresas daquele país.
Em 2002, os senadores norte-americanos Paul Sarbanes e Michael Oxley propuseram a
normatização de regras que propiciassem mais confiabilidade no mercado financeiro.
Fonte: Commons Wikimedia.
Com isso, foram estabelecidas severas punições àqueles que não se adequassem às
determinações. Essa proposta foi convertida em lei, sendo batizada posteriormente com os
sobrenomes de seus dois idealizadores.
A Lei SOX foi aprovada pelo congresso norte-americano em 2002 e sancionada pelo então
presidente George W. Bush. Estudiosos afirmam que essa lei acabou criando um conjunto de
regras que contribuiu para a construção de um novo ambiente de governança corporativa no
país.
Seu principal objetivo era justamente este: transformar a boa governança em lei.
A LEI SARBANES-OXLEY E O CONTROLE
INTERNO DAS EMPRESAS
Abordaremos neste vídeo a Lei SOX e os controles internos das empresas.
REGRAS E CRITÉRIOS DA LEI SARBANES-
OXLEY
De acordo com Oliveira (2006), a Lei SOX buscou reparar a perda da credibilidade pública dos
líderes empresariais dos Estados Unidos, além de destacar novamente a necessidade do
cumprimento de parâmetros éticos para a confecção e a divulgação das informações contábeis.
IMAGINE UM INVESTIDOR DA ÉPOCA AO VER O
ESCÂNDALO DA GRANDE EMPRESA ENRON E O FATO
DE ELE NÃO TER SIDO PREVISTO PELOS PRINCIPAIS
ANALISTAS.
Caso nada fosse feito, isso provavelmente ocasionaria uma desconfiança dos investidores, que
poderiam retirar seus investimentos das empresas. As consequências diretas disso sobre o
investimento e o consumo seriam desastrosas, podendo acarretar até uma recessão da
economia.
A SOX teve como propósito proteger os investidores por intermédio da divulgação de
demonstrações financeiras mais precisas e confiáveis, evitando a possível fuga dos
investidores financeiros para outros países. Afinal, eles poderiam não estar seguros sobre a
qualidade e a credibilidade das ações de governança corporativa praticadas pelas empresas
que operavam em solo norte-americano.
Um conjunto de regras, portanto, foi criado e estabelecido pela Lei SOX. Segundo Defond e
Francis (2005), por causa dela, todas as empresas que negociam ações nas bolsas dos
Estados Unidos devem seguir detalhadamente diversas obrigações. Entre elas, destacam-se
as seguintes:
1
1. Implementar reformas que garantam a governança corporativa e a divulgação de
informações contábeis confiáveis ao público interessado.
2
2. Determinar que, dentro de sua administração, a empresa garantirá o controle dos seus
processos.
3
3. Responsabilizar a alta administração, em especial os diretores executivo e financeiro, por
eventuais fraudes na empresa.
4
4. Garantir a transparência em suasrelações de mercado em todas as transações.
5
5. Evidenciar em auditoria, por meio de amostragem aleatória e mecanismos confiáveis, que os
seus processos estão sendo executados conforme planejado.
6
6. Criar comitês para supervisionar as atividades e garantir mais independência na atuação da
auditoria externa, resultando em mudanças, como, por exemplo, determinação da qualidade do
serviço e aumento em mais de 50% dos honorários da auditoria, visando à diminuição dos
conflitos de interesses entre a administração e a empresa de auditoria.
A atividade de auditoria, informam Defond e Francis (2005), passou a ser autorregulada e
supervisionada pela SEC, cuja atividade, por sua vez, era controlada diretamente por uma
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agência quase governamental: o Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias
Abertas (em inglês, Public Company Accounting Oversight Board).
No tocante à criação e à composição dos comitês de auditorias estabelecidos pela Lei SOX,
devem ser atendidos os seguintes critérios:

Ter um comitê composto inteiramente por membros independentes da administração.
Conter, no mínimo, um especialista em finanças (financial expert ) e, caso não possua, explicar
o motivo.


Responsabilizar o comitê pela nomeação da empresa de auditoria externa, que é responsável
por aprovar as contas e os balanços das empresas.
Assegurar todos os requisitos para o cumprimento da independência dos auditores externos,
sem tentativa de influência externa ou suborno.


Discutir com os auditores as questões que tenham impacto nas demonstrações financeiras.
Possuir um consultor externo e outros que o comitê julgar necessário para cumprir as
obrigações legais.


Implementar procedimentos para receber e investigar queixas de empregados sobre as
práticas e políticas contábeis.
Fonte: (INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA, 2017)
Se qualquer uma das regras for descumprida, graves implicações poderão acometer as
empresas, como também seus dirigentes máximos. Existe, inclusive, a possibilidade de
responsabilização penal do presidente e da diretoria da instituição ou o pagamento de elevadas
multas devido à publicação de informações não condizentes com a verdade.
Essa lei, portanto, foi responsável por criar regras restritivas e requisitos para a boa
governança das empresas do país. Na próxima seção, detalharemos suas principais
contribuições.
Analisemos agora uma experiência baseada no contexto apresentado.
Fizkes/shutterstock
Graças a entrevistas com especialistas e análise documental, Silva e Junior (2008) concluíram
que a Lei SOX não apenas influenciou uma maior fiscalização da profissão, mas também
contribuiu para o aumento dos honorários dos profissionais do ramo e o ganho de credibilidade
das demonstrações financeiras.
Desse modo, as práticas de auditoria externa passaram de um requisito em lei para uma
prática bem vista e desejável para todas as empresas de capital aberto.
CONTRIBUIÇÕES DA LEI SARBANES-
OXLEY
O objetivo da Lei SOX é recuperar a credibilidade da informação contábil para as empresas,
além de ampliar o custo de litígio e o grau de governança corporativa, para minimizar os riscos
dos negócios e garantir a transparência dos resultados contábeis das companhias.
Tendo isso em vista, sua finalidade é garantir uma maior transparência ao processo de
investimento dos indivíduos que operam no mercado financeiro. Para Machado, essa lei
funciona como um pacote de reformas para:
A AMPLIAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DOS
EXECUTIVOS, O AUMENTO DA TRANSPARÊNCIA, A
GARANTIA DA INDEPENDÊNCIA DO TRABALHO DOS
AUDITORES, A INTRODUÇÃO DE REGRAS NO
TRABALHO DESTES E A REDUÇÃO DOS CONFLITOS
DE INTERESSES DOS ANALISTAS DE
INVESTIMENTOS.
(MACHADO, 2008 apud CONTEZINI; BEUREN, 2012)
Ela, portanto, amplia substancialmente as penalidades por fraudes e crimes de colarinho
branco.
A Lei SOX intervém na gestão pública? Quais são os impactos dela?
A Lei SOX também influenciou a gestão pública. As empresas que detêm a maioria das ações
com propriedade do Estado brasileiro (como é o caso da Petrobras e de suas subsidiárias)
também devem obedecer às regras estabelecidas pela lei norte-americana, caso possuam
ações listadas nas bolsas de valores daquele país. Dessa maneira, a Lei Sox teve um impacto
direto sobre essas organizações.
Seu impacto, contudo, não se limitou àquelas que possuem capital aberto em solo norte-
americano: afinal, essa lei também atingiu indiretamente outras tantas regiões. Muitas
empresas brasileiras adotaram políticas similares, mesmo não sendo estritamente necessárias.
Um fato interessante é que a maior parte dos códigos de boas práticas de governança
corporativa foi implementada ao redor do mundo, incluindo o Brasil, justamente por conta dessa
lei.
Após a crise da Enron, os benefícios da boa governança tornaram-se mais claros, o que
possibilitou o seu desenvolvimento no mundo corporativo. A governança corporativa adequada
passa a ser buscada para permitir o alinhamento favorável dos interesses dos acionistas e dos
gestores. Além disso, a boa governança tem a finalidade de aumentar o valor da organização,
facilitar o acesso ao capital e contribuir com a relação de longo prazo.
Analisaremos a seguir mais um caso de aplicação da Lei SOX.
Casimiro PT/shutterstock
Pela legislação brasileira, a empresa, anterior à Lei SOX, já dispunha de código de ética
próprio e conselho fiscal. No entanto, ela teve de implementar comitês de auditoria externa com
membros independentes.
Outro exemplo são os bancos brasileiros: como já tinham de cumprir uma série de regras
impostas pelo Banco Central, eles tiveram menos dificuldade de adaptação. Fonte: (SANTOS;
LEMES, 2007)
As principais diferenças entre as leis norte-americanas e as brasileiras, exigindo a adequação
das empresas locais, se referem ao comitê de auditoria e a uma maior rigidez quanto ao
controle interno dessas organizações.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. A DENOMINADA LEI SARBANES-OXLEY É FRUTO DOS ESCÂNDALOS
OCORRIDOS NO MERCADO DE CAPITAIS, ESPECIALMENTE APÓS O
CASO ENRON. CONSIDERADA UMA LEI QUE REGULAMENTA OS
CONTROLES CORPORATIVOS PARA MELHORAR A GOVERNANÇA, ELA
TEM COMO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL:
A) Percepção
B) Transparência
C) Legalidade
D) Negociação em Bolsas de Valores
E) Aumento de valor de mercado
2. EM RELAÇÃO AOS COMITÊS DE AUDITORIA QUE A LEI SARBANES-
OXLEY REGULAMENTA, MARQUE A OPÇÃO QUE ATENDA AO CRITÉRIO
PARA A SUA COMPOSIÇÃO.
A) Os comitês devem ser compostos por membros da administração da empresa.
B) Eles precisam conter, no mínimo, um especialista em finanças (financial expert ), mas, se
ele não for contratado, não existe a necessidade de formalizar o motivo de sua ausência.
C) O comitê é o responsável pela nomeação da empresa de auditoria externa.
D) Os auditores externos estão subordinados às deliberações da equipe que compõe o
conselho de administração.
E) A empresa precisa ter consultor interno, além de outros membros que ela julgar serem
necessários.
GABARITO
1. A denominada Lei Sarbanes-Oxley é fruto dos escândalos ocorridos no mercado de
capitais, especialmente após o caso Enron. Considerada uma lei que regulamenta os
controles corporativos para melhorar a governança, ela tem como princípio fundamental:
A alternativa "B " está correta.
Por causa da Lei SOX, todas as empresas que negociam ações nas bolsas norte-americanas
precisam seguir detalhadamente diversas obrigações a fim de garantir a transparência em suas
relações de mercado.
2. Em relação aos comitês de auditoria que a Lei Sarbanes-Oxley regulamenta, marque a
opção que atenda ao critério para a sua composição.
A alternativa "C " está correta.
Quanto aos comitês de auditoria, a Lei SOX regulamenta que eles precisam ser compostos por
membros independentes da administração, devendo conter um especialista em finanças ou
explicar a razão de nãoo ter. Além disso, eles devem nomear externamente a empresa de
auditoria, enquanto os auditores externos à empresa têm de ser independentes. Por fim, esses
comitês têm de possuir um consultor ou tantos quanto forem necessários (também de fora da
empresa).
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste tema, estabelecemos a definição de governança corporativa e a comparamos com
outros conceitos de governança. Apresentamos, no módulo 1, seus quatro princípios
fundamentais: transparência com stakeholders de ações e contas das empresas; equidade com
seus membros e externos, assim como no tratamento de todos; prestação de contas de modo a
garantir a accountability e o uso eficiente dos recursos; e, por último, responsabilidade
corporativa, trazendo a responsabilização pessoal para as consequências da empresa.
Já no módulo 2, descrevemos a Lei Sarbanes-Oxley (SOX), aprovada nos Estados Unidos em
2002. Demonstramos que ela buscava frear as práticas de falta de transparência –
especialmente a de cunho fiscal – a fim de contribuir para uma maior credibilidade e confiança
por parte dos investidores. Em seguida, ainda listamos suas regras e normas, assim como o
papel de auditores externos.
Por fim, estendemos nossa análise não apenas às organizações que operam com capital nos
Estados Unidos, mas também ampliamos suas consequências para outras empresas
internacionais e brasileiras.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
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dez. 2004. p. 103-122.
EXPLORE+
Pesquise na internet várias publicações interessantes do IBGC para se aprofundar no tema de
governança corporativa. Vale a pena conferir estes dois textos:
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Boas práticas de governança
corporativa para empresas estatais. ago. 2020.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Governança em empresas
familiares: um estudo qualitativo. ago. 2020.
CONTEUDISTA
Bernardo Andretti de Mello
 CURRÍCULO LATTES
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