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PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: 
ESPORTES INDIVIDUAIS 
AULA 7
COMUNICADO SOBRE A PANDEMIA COVID-19 
Caro aluno, 
Devido à pandemia que enfrentamos neste momento, estamos passando por 
tempos desafiadores, juntos e com esforços de cada um, certamente 
venceremos essas adversidades. 
Pensando na saúde e bem-estar de todos os nossos alunos, corpo docente e 
administrativo, e seguindo as determinações dos órgãos municipais, estaduais e 
dos Ministérios da Saúde e da Educação, as práticas pedagógicas propostas 
pelo seu curso deverão ser desenvolvidas em casa. 
Precisamos nos assegurar de que nossos alunos estão em segurança e, por 
isso, pedimos que você utilize sua criatividade, mas não deixe de realizar suas 
práticas, pois elas são fundamentais para a sua formação. 
FLUXO DE DESENVOLVIMENTO DO PROJETO 
A parte de planejamento/organização e RELÁTORIO DAS ATIVIDADES devem 
ser realizados em sua casa... NÃO HÁ PERDA DA QUALIDADE DO PRODUTO 
A SER APRESENTADO! 
PARTE PRÁTICA DE EXECUÇÃO DO PROJETO 
Vale realizar as atividades propostas em cada projeto com os pais, irmãos, 
sobrinhos (QUE RESIDAM EM SUA CASA...), vale fazer videoconferência com 
a amiga que é professora, com o colega que trabalha como secretário, enfim, 
use sua imaginação, mas não deixe de fazer suas práticas pedagógicas e postar 
no portal, pois essas atividades compõem sua avaliação. 
Se você residir sozinho(a), utilize a sua CRIATIVIDADE, mas execute o 
plano da atividade que você está propondo para as PRÁTICAS 
PEDAGÓGICAS. 
Temos certeza de que essa pandemia se trata de algo que iremos superar e, 
rapidamente, poderemos normalizar nossas vidas. 
Um abraço, 
Equipe da UNIFAVENI 
A Escolha 
do Material 
Didático 
Abertura 
Olá!
Existem diversos meios de educar. A educação formal, adquirida na escola, adota uma variedade 
de materiais didáticos, onde cada um atua de uma forma específica, mas com uma intenção em 
comum: fortalecer a aprendizagem. 
Esses instrumentos pedagógicos são fundamentais na função de orientar e amparar o projeto 
da escola e o planejamento o professor.
BONS ESTUDOS!
APRESENTAÇÃO CONCEITUAL 
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM GESTÃO DA APRENDIZAGEM 
1 – O QUE É MATERIAL DIDÁTICO?
O material didático pode ser definido como instrumento e produto pedagógico 
utilizado em sala de aula, elaborado com finalidade pedagógica. Atualmente, 
os materiais didáticos abrangem diferentes linguagens e meios, sejam físicos 
e/ou digitais, constituindo uma das principais fontes de conhecimento que 
passa por curadoria e chancela. Isso possibilita qualidade conceitual e 
adequação à fase de desenvolvimento dos estudantes. 
A ideia é que o material didático não seja utilizado como um fim em si mesmo, e 
sim como um dos meios que contribuem para a aprendizagem significativa dos 
alunos. 
É sobre essa base que o professor deve tecer o processo de 
aprendizagem, considerando os conhecimentos prévios dos alunos e 
possibilitando situações dinâmicas e desafiadoras que os levem a 
desenvolver competências e habilidades relacionadas aos seus contextos 
culturais. 
2 – USO DO MATERIAL DIDÁTICO VIRTUAL 
O material didático virtual complementa e dialoga com a versão impressa. Ele 
contribui com diversos recursos e amplia a possibilidade de reflexão e 
aprofundamento de alguns aspectos do conhecimento ao favorecer uma 
construção não tão linear. No entanto, o desenvolvimento das possibilidades 
digitais não se limita a essa relação. Por meio de e-books, audiolivros, 
plataformas de aprendizagem adaptativa, gamificação, realidade virtual e 
comunidades colaborativas é possível personalizar os itinerários de 
aprendizagem às necessidades de cada aluno.
3 – O MATERIAL DIDÁTICO COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO 
As características dos materiais geralmente estão ancoradas nas opções 
teórico-metodológicas utilizadas como estratégica didática. Apesar de terem em 
comum a preocupação com o momento de desenvolvimento dos alunos, muitas 
são as linhas de abordagem e concepções de como o estudante aprende e 
desenvolve suas competências. Sendo assim, há uma diversidade de soluções 
educacionais para cada segmento, cada um tendo seus próprios desafios, como 
o desenvolvimento da linguagem e o controle psicomotor na Educação Infantil,
o processo de letramento e alfabetização nos anos iniciais do Ensino
Fundamental ou a aquisição de uma maior autonomia e pensamento crítico nos
anos finais do Ensino Fundamental. O Ensino Médio não fica atrás, tendo como
desafio, por exemplo, o desenvolvimento das competências do século 21 para
os jovens, que logo escolherão suas carreiras profissionais.
4 – COMO ADAPTAR O MATERIAL DIDÁTICO À PERSONALIDADE DE CADA 
ALUNO? 
O grande desafio dos professores é compreender o que cada aluno sabe e é 
capaz de fazer sozinho, o que está em processo de aquisição e o que ele ainda 
não sabe. Tendo clareza desse contexto, o professor, poderá utilizar o material 
didático com maior dinamismo e segurança. A partir disso, será possível fazer o 
planejamento das aulas com diferentes desafios e trajetos de aprendizagem, 
contemplando a realidade heterogênea comum em qualquer sala de aula. 
5 – MATERIAL E PRÁTICA DOCENTE 
Mais do que possível, é necessário que os materiais didáticos ganhem vida e 
sejam orquestrados pelos professores com o objetivo de compor diversas 
músicas e ritmos. Por isso, cada vez mais são compostos por diferentes 
complementos, como cadernos de atividades, projetos, atividades 
interdisciplinares, sequências didáticas e outras metodologias ativas e digitais 
que possam agir como arcabouços para essa construção. 
Para adquirir conhecimentos, não é preciso que os alunos passem por tudo, ao 
mesmo tempo e com a mesma complexidade e sequência. 
A neurociência tem nos mostrado claramente que as pessoas aprendem 
de forma e em ritmos diferentes. 
Também se faz necessário que as escolas comuniquem os familiares dos 
alunos sobre os recursos e os caminhos utilizados pelo jovem neste processo 
de desenvolvimento. 
O aprendizado é dinâmico, vivo. Quanto mais a comunidade escolar como 
um todo estiver envolvida, melhores serão os resultados. 
6 - O LIVRO DIDÁTICO 
O livro didático pode ser definido como um produto cultural que 
se encontra no cruzamento da cultura, da Pedagogia, da produção 
editorial e da sociedade. Sua origem está na cultura escolar, mesmo antes 
da invenção da imprensa, no final do século XV . No século XVI, 
Comenius propunha que os professores planejassem didaticamente o saber 
para que o tornasse acessível ao nível dos alunos em processo de 
formação.
São várias as maneiras pelas quais a questão do livro didático pode 
ser analisada. Aspectos metodológicos e ideológicos têm instigado a 
atenção de pesquisadores nas últimas décadas. Entretanto, não se trata 
somente de deixar sob a incumbência do professor a escolha dos livros 
didáticos que usará em suas aulas, mas, atrelado a isso, assegurar-lhe 
a formação continuada de sua profissão para que ele possa 
estabelecer critérios qualitativos para essa escolha, por meio de 
conhecimento e competências. 
De outra maneira, a utilização do livro didático é uma forma de apoio 
ao trabalho do professor, mas não o único recurso, conforme salientado por 
Soares (1999): 
(...) O papel ideal seria que o livro didático fosse apenas um apoio, 
mas não o roteiro do trabalho dele. Na verdade isso dificilmente se 
concretiza, não por culpa do professor, (...) por culpa das condições 
de trabalho que o professor tem hoje.
Um professor hoje, neste país, para minimamente sobreviver, ele tem 
que dar aulas o dia inteiro, de manhã, de tarde e, frequentemente, até 
a noite. Então, é uma pessoa que não tem tempo de preparar aula, que 
não tem tempo de se atualizar. A consequência é que ele se apoia 
muito no livro didático.Idealmente, o livro didático devia ser apenas um suporte, um apoio, 
mas na verdade ele realmente acaba sendo a diretriz básica do 
professor no seu ensino. Para você refletir sobre as palavras de Soares 
(1999): 
Os professores são despreparados para elaborar aulas mais 
criativas muito por consequência da desvalorização da profissão? 
O professor deixa de ser um mediador e passa a ser um 
transmissor do livro didático? 
Referencial Teórico 
Para enriquecer sua aprendizagem, convidamos você a fazer a leitura do artigo abaixo:
A CONSTRUÇÃO DE UM LIVRO DIDÁTICO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: 
DISCUSSÃO, APRESENTAÇÃO E ANÁLISE 
BOA LEITURA!
387 
A CONSTRUÇÃO DE UM LIVRO DIDÁTICO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: 
DISCUSSÃO, APRESENTAÇÃO E ANÁLISE 
Suraya Cristina DARIDO1 
Amarílis Oliveira CARVALHO2 
Ana Cristina BONFÁ3 
André BARROSO4 
André Minuzzo de BARROS5 
Anoel FERNANDES6 
Christiano Streb RICCI7 
Fernanda Moreto IMPOLCETTO8 
Glauber Bedini de JESUS9 
Heitor RODRIGUES10 
Janaina TERRA11 
Laércio FRANCO12 
Maria Fernanda Telo LADEIRA13 
Nelson SERVILHA14 
Odailton Pollon LOPES15 
Osmar Souza JUNIOR16 
Ricardo Ducatti COLPAS17 
Ricardo Ziotti GABRIEL18 
Ricardo Simões de OLIVEIRA19 
Telma GASPARI20 
1. INTRODUÇÃO
Esse capítulo discutirá as concepções do nosso grupo21 (LETPEF) a respeito da 
construção de um livro didático, dedicado à disciplina de Educação Física na escola. Esse livro 
encontra-se em processo de elaboração e o que apresentaremos são as reflexões que 
antecedem e explicam esse material. 
Num primeiro momento são apresentadas as características e justificativas que 
entendemos que um material didático deva ter. Além disso, buscamos identificar as críticas 
comumente realizadas a esse tipo de material, assim como apresentar argumentos que 
1 Universidade Estadual Paulista – IB/UENSP/Rio Claro 
2 Rede Municipal de Ensino de São Paulo 
3 UNICEP-São Carlos e Rede Estadual de Ensino 
4 METROCAMP e FAJ 
5 UNINOVE E UNIANCHIETA 
6 (Rede Estadual de Ensino) 
7 Colégio Marista e Rede Estadual de Ensino 
8 Faculdades Claretianas 
9 SESI 
10 Prefeitura-Rio Claro 
11 FAFIBE – Bebedouro e SESI 
12 METROCAMP 
13 Rede Estadual de Ensino e SESI 
14 Rede Municipal de Ensino de São Paulo 
15 Rede Municipal de Ensino de Osasco 
16 Colégio Anglo Claretiano 
17 Faculdades Integradas de Itapetininga e Colégio Piracicabano 
18 SESI 
19 FAFIBE 
20 FAFIBE 
21 LETPEF (Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física, certificado pelo CNPq). 
388 
busquem justificar a sua construção. No item 2 apresentamos a nossa concepção de 
conteúdos e em seguida a de metodologia presente no nosso livro didático. 
1.1 A origem e a justificativa do livro 
Este livro foi construído com o intuito de contribuir para as reflexões relacionadas 
à prática pedagógica em Educação Física escolar, por meio de sugestões de aulas que foram 
elaboradas a partir de experiências e idéias dos professores integrantes do grupo LETPEF 
(Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física). 
Foram preparados temas sobre os conteúdos da cultura corporal de movimentos 
considerados importantes de serem tratados nas aulas de Educação Física escolar. Isso não 
quer dizer que não existam outros, a riqueza da cultura corporal de movimento é muito grande, 
só o esporte, por exemplo, possui mais de quinhentas modalidades diferentes, além de outras, 
nas lutas, nas danças, nos jogos e na ginástica. É claro que não seria possível abordar todas 
as modalidades, assim, apresentamos a proposta de uma seleção, baseada em critérios como 
a relevância social dos conteúdos e o contexto de vivência do grupo. 
A produção bibliográfica específica da Educação Física escolar é muito pequena, 
poucos trabalhos dedicaram-se a sistematização de seus conteúdos. Além disso, os 
professores de Educação Física do Ensino Fundamental e Médio geralmente não costumam 
utilizar livros em suas práticas pedagógicas, pois a disciplina está atrelada à perspectiva do 
saber fazer. A dimensão conceitual e atitudinal dos conteúdos são categorias pouco 
desenvolvidas na prática pedagógica dos professores de Educação Física ou desenvolvidas na 
forma de currículo oculto, esporadicamente, quando surgem situações favoráveis. As atuais 
propostas emergentes na área aconselham o tratamento intencional, organizado e 
sistematizado desses conhecimentos, mas os professores encontram poucos materiais de 
suporte para esse tipo de trabalho. 
Consideramos que a apresentação de um currículo que contenha um conjunto 
de princípios de sistematização, com conteúdos diversificados e aprofundados, traria diversos 
benefícios aos professores e alunos nas aulas de Educação Física, como possibilidades de 
refletir sobre a própria prática, auxílio para um melhor planejamento das atividades, a 
implementação de conteúdos diversificados e melhores condições de aprendizagem, mesmo 
reconhecendo que nosso país é muito extenso e apresenta inúmeras diferenças culturais. 
O processo de desenvolvimento das pesquisas que culminaram na elaboração 
deste livro, foi iniciado em 2003 com a formação de um dos grupos do LETPEF, composto por 
mestres, mestrandos e alunos de graduação do Departamento de Educação Física da Unesp 
 
 389 
de Rio Claro da linha de pesquisa da Educação Física escolar22. As reuniões aconteciam 
semanalmente, durante uma hora, com o objetivo de discutir, refletir e pesquisar sobre temas 
importantes relacionados à Educação Física no contexto escolar. Nos últimos dois anos as 
reuniões ocorrem mensalmente com a duração de aproximadamente quatro horas. 
No decorrer destes anos, desenvolvemos pesquisas relacionadas, 
principalmente à tematização/organização dos conteúdos da Educação Física escolar23. 
Procuramos subsídios teóricos em livros, materiais didáticos, entramos em contato com 
professores que atuam em escolas, analisamos planos de aula, entrevistamos professores do 
Ensino Superior e verificamos a dificuldade que existe na área quanto à sistematização e 
organização dos conteúdos, havendo poucas pesquisas sobre este assunto. 
Estes trabalhos indicam ainda, que alguns professores de Educação Física tem 
sistematizado, aprofundado e diversificado os conteúdos na prática pedagógica a partir de suas 
próprias experiências, pois a produção teórica da área ainda não possibilitou a construção de 
parâmetros que pudessem nortear esta prática. 
1.2 O processo de construção do livro 
A partir dos estudos realizados pelo grupo, sentimos a necessidade de elencar 
alguns conteúdos da cultura corporal de movimento possíveis de serem desenvolvidos nas 
aulas de Educação Física escolar. Foram escolhidos os seguintes conteúdos: futebol, 
basquetebol, handebol, voleibol, jogos e brincadeiras, atletismo, ginástica, lutas, atividades 
aquáticas, atividades rítmicas e expressivas, capoeira, esportes de aventura, práticas corporais 
alternativas e exercícios físicos. 
Procuramos apontar em cada um desses conteúdos aspectos importantes de 
serem tratados, além de elaborar e sugerir estratégias para o desenvolvimento de temas. Por 
exemplo, no conteúdo voleibol os temas selecionados foram: “Origem e História do Voleibol”; 
“O voleibol no Brasil”; “Evolução da modalidade: regras e alterações”; “Futevôlei, Vôlei de praia 
e Vôlei 4X4”; “Os fundamentos no processo de ensino e aprendizagem”; “Táticas e técnicas”; 
“A inclusão de portadores de necessidades especiais”; “Lesões”. 
Na preparação de cada tema, pesquisamos e estudamos, para indicar as 
atividades. Algumas foram criadas, outras adaptadas e até mesmo reproduzidas das 
experiências de cada professor que colaborou com a construção desse trabalho. 
 
22 Sob a coordenação da professora Suraya Cristina Darido. 
23 ROSÁRIO et al, 2003; MACIEL et al, 2003; IMPOLCETTO et al, 2003; BARROS et al, 2004; SOUZA JUNIOR et al, 2004; ROSÁRIO etal, 2004; 
VENÂNCIO et al, 2004; BONFÁ et al, 2005; PONCHIO et al, 2005; SÁ et al, 2006; IMPOLCETTO et al, 2006; TERRA et al, 2006; BATTISTUZZI et 
al, 2006; GASPARI et al, 2006; SOUZA JUNIOR et al, 2006a; SOUZA JUNIOR et al, 2006b. 
 
 390 
No processo de elaboração dos conteúdos, os mesmos foram divididos entre os 
membros do grupo. Individualmente ou em duplas, cada membro ficou encarregado de 
desenvolver os temas referentes ao seu conteúdo. 
À medida em que os temas eram concluídos, passava-se aos leitores críticos. 
Cada conteúdo tinha dois ou três leitores que faziam as correções necessárias e apontavam 
sugestões para o aprimoramento do mesmo. Estas sugestões além de serem transmitidas ao 
encarregado pelo conteúdo eram também expostas ao grupo nas reuniões para discussões, 
trocas de experiências e novas sugestões. 
Quando as correções estavam prontas, novamente os temas eram revisados 
pelos leitores, que incluíam novas sugestões caso julgassem necessário. Assim, os temas de 
cada conteúdo foram apresentados e discutidos nas reuniões e modificados de acordo com as 
experiências e decisões do grupo. 
Cada capítulo deste livro apresentará temas relacionados a determinado 
conteúdo. Além dos conteúdos selecionados, outros poderiam fazer parte deste livro, como, por 
exemplo, os jogos com raquete. Inicialmente pretendíamos desenvolver tal conteúdo, no 
entanto, devido ao grande número de conteúdos existentes na cultura corporal de movimento e 
ao número insuficiente de participantes para desenvolver todos eles, optamos então, por lidar 
com os mais tradicionais24, como os esportes coletivos buscando oferecer um novo tratamento 
para tais atividades, que se aproxime mais da realidade dos alunos e do espaço escolar, 
atendendo as suas expectativas e partindo das experiências dos professores. Além disso, 
procuramos escolher os conteúdos que possuem maior oferta enquanto disciplinas nos cursos 
de graduação em Educação Física e outros que estavam diretamente relacionados à 
experiência dos integrantes do grupo, como os esportes de aventura e as práticas corporais 
alternativas, por exemplo. 
Temos a consciência de que nem sempre todas as sugestões apresentadas no 
livro servirão para a realidade cotidiana dos diversos professores, devido ao grande número de 
variáveis que influenciam esta prática, como a falta de infra-estrutura e materiais, o número de 
alunos por turma, entre outros conforme indicado por Gaspari et al (2006). No entanto, 
esperamos que possam servir de inspiração para serem adaptadas de acordo com as 
necessidades, interesses e características de cada realidade. Nossa experiência indica que um 
mesmo conteúdo, aplicado na mesma escola, para a mesma série, nem sempre é recebido do 
mesmo modo, com o mesmo interesse, ou seja, podendo variar de um grupo para outro, de 
classe para classe, de ano para ano ou de professor para professor. Cabe a nós adaptarmos, 
modificarmos nossa prática, para podermos garantir a aprendizagem dos alunos e atingirmos 
os objetivos. 
 
24 Relacionamos os conteúdos tradicionais às atividades mais utilizadas nas aulas de Educação Física que ao longo do tempo 
causaram exclusão e seleção de alunos. 
391 
Outro aspecto que deve ser considerado é o projeto político pedagógico da 
escola. Seria interessante que o professor escolhesse os conteúdos que estivessem 
relacionados à proposta da escola, mas não basta escolher aleatoriamente alguns temas e 
implementá-los acriticamente. É papel do professor ter claro as referências contidas neste 
documento escolar podendo assim contextualizar os temas aos objetivos perseguidos pela 
comunidade escolar. 
1.3 Vantagens e desvantagens dos materiais didáticos 
Os materiais didáticos ou materiais curriculares são instrumentos que 
proporcionam ao professor critérios e referências para tomar decisões, tanto na intervenção 
direta do processo de ensino-aprendizagem, quanto no planejamento e na avaliação. Em 
outras palavras, são os meios que auxiliam os docentes a resolver os problemas que as 
diferentes fases do planejamento, execução e avaliação apresentam. 
Os livros didáticos podem ser considerados atualmente como a estratégia 
metodológica mais utilizada pelos professores, chegando muitas vezes, de acordo com Zabala 
(1998), a ditar a atividade dos mesmos. Apesar desta constatação, estes materiais 
constantemente são criticados e até menosprezados. 
Segundo este autor, o processo de questionamento do livro didático e a 
oposição à sua utilização tiveram início no século XX, por meio de diferentes movimentos 
progressistas. 
No Brasil a depreciação aos livros didáticos foi determinada no período da 
ditadura militar. Com as reformas educacionais, esses materiais passaram a ser identificados 
como suporte da ideologia oficial, ao mesmo tempo em que as renovações editoriais (uso de 
ilustrações, cores e linguagens alternativas) foram criticadas como artifícios da industria cultural 
para atrair a nova clientela, em detrimento do conteúdo, considerado restrito e empobrecido. 
A maior parte das críticas aos objetivos e conteúdos desses materiais é de 
caráter ideológico e apesar de serem críticas justificadas, os argumentos que utilizam podem 
ser estendidos a qualquer outro componente de ensino. 
Uma das críticas indicada por Zabala (1998) considera que a maior parte desses 
livros trata os conteúdos de modo unidirecional e por causa de sua estrutura não oferece idéias 
diferentes em relação à linha de pensamento estabelecida. São livros que transmitem um saber 
baseado em estereótipos culturais. Além disso, reproduzem valores, idéias e preconceitos de 
determinadas correntes ideológicas e culturais. 
O que pode ser relacionado ao caso do Brasil na época da ditadura, onde a 
crítica ao livro didático tornou-se um meio de contrariar o regime político. De acordo com 
 
 392 
Munakata (2003) proliferaram discursos convocando os professores a abandonar essas 
“muletas” em nome de uma educação mais criativa, crítica e reflexiva. Os professores que 
adotassem o livro didático eram considerados como incompetentes em sua formação, mesmo 
que o conteúdo do livro sequer tivesse sido analisado. 
No mesmo sentido, um outro grupo realizava sérias pesquisas sobre os livros 
didáticos com o objetivo de denunciar a ideologia oficial e burguesa veiculada por meio dos 
livros didáticos aos jovens estudantes. Certamente muitos destes livros foram criticados 
corretamente, no entanto, estas investigações passaram a encontrar a presença de 
concepções ideológicas em cada parágrafo ou frase e até mesmo nas obras consideradas 
críticas que seguissem um referencial diferente do professado pelo pesquisador. 
Munakata (2003) aponta que existem muitos inconvenientes nesta abordagem, 
pois a ideologia está em toda parte não apenas nos livros didáticos, o que torna essa 
modalidade de investigação sem sentido, pois o resultado está sempre pressuposto de 
antemão. 
A segunda crítica apontada por Zabala (1998) indica que os livros didáticos são 
comercializados por uma infinidade de interesses, dada a sua condição de produto. Para 
Munakata (2003) na sociedade capitalista a produção de qualquer livro, seja didático ou mesmo 
os dos “frankfurtianos” visa o lucro e é realizada segundo os procedimentos da industria 
cultural. O processo que conduz à acumulação de capital e lucro também gera empregos a 
trabalhadores, autores, editores, redatores entre outros, que para desempenhar bem a função 
de produzir uma mercadoria para ser consumida pelo mercado deve atender as demandas e 
expectativas do mesmo, mas sem deixar de ter preocupações a respeito das questões 
educacionais. Por isso mesmo a maior parte dos autores brasileiros tem experiência docente. 
Outra crítica recorrente ao livro didático, refere-se à apresentação de 
conhecimentos acabados e sem possibilidade de questionamento,impedindo o conflito, que é 
fonte de criação cultural e científica. Além da questão de que os livros didáticos não 
conseguem oferecer toda a informação necessária para garantir uma comparação, mesmo com 
a grande quantidade de informação que contêm. Desse modo, a seleção de informações 
transforma em determinante aquilo que é exposto, em detrimento do que foi deixado de lado. 
Além das críticas aos próprios materiais, outras são apresentadas em relação às 
conseqüências de sua utilização nas aulas, como por exemplo, provocar atitude de passividade 
nos alunos, já que impede uma participação efetiva dos mesmos tanto no processo de 
aprendizagem quanto na escolha dos conteúdos, limitando a iniciativa e curiosidade, permitindo 
somente a utilização das estratégias baseadas nos próprios materiais didáticos. 
 
 393 
Outro ponto questionado é o impedimento da formação crítica dos alunos, já que 
os livros não favorecem a comparação entre a realidade e o ensino escolar e impedem o 
desenvolvimento de propostas mais próximas do contexto e experiências dos alunos. 
A uniformização do ensino também é indicada como crítica à utilização dos 
materiais didáticos, por não considerarem a forma e o ritmo de aprendizagem dos alunos, suas 
experiências anteriores, interesses, necessidades, expectativas e diferenças pessoais, 
imprimindo um ritmo de aprendizagem comum e coletiva. 
Por último, a crítica ao fato de promoverem estratégias didáticas voltadas 
basicamente para a aprendizagem por memorização mecânica. 
Podemos verificar que estas críticas têm fundamento, no entanto, de acordo com 
Zabala (1998), é possível construir materiais que não cometam os erros dos livros didáticos 
convencionais. 
O autor lembra que o slogan “não ao livro didático” fazia referência a uma frase 
incompleta que dizia “não ao livro didático como manual único”, referindo-se a um tipo de livro 
elaborado de modo estritamente transmissor. A questão não tem que ser colocada em termos 
de “livros sim, livros não”, mas em termos de “que materiais e como utilizá-los?”. (ZABALA, 
1998). 
Munakata (2003) aponta que o livro didático não é um portal que se abre para 
que o leitor possa colher idéias perfeitas ou ideologias, e sim um objeto educacional a ser 
manipulado pelo professor e os alunos. Já está distante o tempo em que se combatia o livro 
didático da mesma maneira que se lutava contra a ditadura militar, atualmente é possível 
compreender este material como elemento constitutivo do currículo escolar, no qual é 
necessário buscar uma compreensão a partir de sua materialidade e historicidade. 
Na área da Educação Física, verificamos que a existência de material curricular 
é escassa e falta tradição na construção desse tipo de material. Uma pesquisa realizada pelo 
LETPEF (BEDINI et alii, 2007) indica que alguns fatores como o próprio contexto histórico em 
que a área foi se desenvolvendo, ligada estritamente à realização dos movimentos, o “saber 
fazer", baseada em conteúdos estritamente procedimentais, fez com que se tornasse difícil o 
pensar na estruturação desse material, assim como sua aceitação junto aos docentes e mesmo 
ao mercado editorial. 
Além disso, outros fatores são indicados, como o redirecionamento do pensar a 
respeito do objeto de estudo da Educação Física na escola, que ocorreu a partir dos anos 80, 
momento em que foi negada a produção de materiais realizados no passado em forma de 
“manuais”, que se restringiam a conteúdos estritamente diretivos, voltados para uma 
concepção esportivista e que passaram a ser entendidos como um instrumento de uma 
 
 394 
ideologia impositiva e que conseqüentemente vetava a possibilidade da reflexão dos docentes 
e discentes no processo de ensino. 
Outra questão relevante está relacionada à falta de discussão acadêmica na 
área que levante, reflita e construa conhecimentos a respeito das questões do uso do livro 
didático como um dos inúmeros materiais curriculares possíveis de colaborar na construção da 
prática pedagógica. 
 Podemos citar ainda a formação dos professores de Educação Física, que 
continua bastante distante dessas discussões. No caso de outras áreas de conhecimentos 
como; Matemática e Português, os alunos de graduação, futuros professores, tem disciplinas 
específicas sobre o livro didático, sendo preparados para escolher bons materiais, as formas de 
utilização com os alunos, como levar os alunos a criticar os materiais didáticos etc. 
Na verdade, a complexidade do processo educativo exige que o professor 
disponha de recursos e instrumentos que auxiliem a tarefa de ensinar. É necessária a utilização 
de materiais que estejam a serviço das propostas didáticas do professor, que incentivem sua 
criatividade e a diversificação de estratégias e não o contrário. 
O material didático pode auxiliar os professores na prática pedagógica, pois 
serve como referencial e pode ser transformado pelo docente de acordo com a realidade na 
qual atua e as necessidades dos alunos. 
1.4 O formato do livro 
Os temas de cada conteúdo foram estruturados basicamente com sugestões de 
rodas, pesquisas, leituras, sessão de memórias, curiosidades, vivências e discussões 
colocados em ordens diversas, de acordo com as necessidades de abordagem. Todos são 
iniciados com uma “roda”, momento no qual o professor expõe o tema da aula e/ou realiza uma 
avaliação diagnóstica para levantar o conhecimento prévio dos alunos e alunas sobre o 
assunto a ser tratado. 
As pesquisas sugeridas, tanto para os momentos de aula como para tarefa de 
casa, podem ser orientadas pelo professor para as mais diversas fontes, como revistas, livros, 
jornais, Internet etc. Algumas seguem com sugestões de site para procura. Alguns temas 
apresentam textos para o professor que podem servir como fonte para aprofundamento do 
assunto, já os textos elaborados para os alunos permitem uma primeira aproximação com o 
tema. 
As vivências sugeridas representam uma significativa forma de aprendizagem, 
além de proporcionar aos alunos o contato real com as diferentes manifestações da cultura 
 
 395 
corporal de movimento. As discussões foram elaboradas para a reflexão dos alunos sobre os 
temas de cada conteúdo. 
As sugestões oferecidas neste livro pretendem a apropriação por parte dos 
alunos de conceitos, procedimentos e atitudes, relativos aos diversos temas, devendo ocorrer 
de forma integrada. Lembramos que pesquisar/ler, vivenciar e discutir são maneiras de adquirir 
conhecimento e tornar as aprendizagens mais significativas. 
1.5 Como usar o livro? 
Inicialmente existia a intenção de elaborar um livro para ser utilizado pelos 
professores de Educação Física que ministram aulas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. 
No entanto, no decorrer do processo de implementação das propostas do livro pelos próprios 
professores do grupo, verificamos que alguns conteúdos podem também ser desenvolvidos nas 
séries iniciais do Ensino Fundamental, como a ginástica, os jogos e brincadeiras, a capoeira e 
as lutas, e no Ensino Médio, como os esportes de aventura, o voleibol e outros. Por isso, 
chegamos à conclusão de que o professor é quem melhor poderá identificar os temas que 
podem ser trabalhados em cada turma. 
O professor também decidirá se um tema será correspondente a uma ou mais 
aulas, de acordo com seus objetivos, necessidades e interesses da turma, possibilidade de 
aplicação etc. Poderá escolher ainda, quais atividades de cada tema podem ser desenvolvidas 
e qual a ordem de execução das mesmas. 
 Importante ressaltar que os temas não devem ser encarados como “receitas” a 
serem seguidas. Os professores têm a possibilidade de alterar, adaptar e criar novas 
estratégias para a implementação das atividades sugeridas, de acordo com as necessidades e 
sua realidade. 
Todos os conteúdos e seus respectivos temas foram implementados e avaliados 
na prática por professores membros do LETPEF, que atuam emescolas. Aos professores 
responsáveis pela aplicação dos temas, foram designados conteúdos diferentes dos que eles 
haviam participado no processo de elaboração, justamente para que cada conteúdo fosse 
testado. Como resultado, novas sugestões surgiram e críticas também, pois como já foi dito, 
cada realidade pressupõe um modo de intervenção. 
Os relatos destes professores estão em anexo no final de cada conteúdo, para 
que possam ser consultados. Eles apresentam a contextualização das escolas nas quais foram 
aplicados os conteúdos, as alterações feitas pelos professores em cada tema, além de uma 
avaliação e a indicação dos avanços conseguidos e dificuldades enfrentadas na 
implementação dos mesmos. 
 
 396 
A respeito dos conteúdos menos tradicionais apresentados neste livro, como as 
lutas, atividades aquáticas, esportes da natureza, capoeira e práticas corporais alternativas, por 
exemplo, gostaríamos de esclarecer que somos conhecedores dos diversos motivos 
geralmente apresentados pelos professores de Educação Física, para a não inserção destes 
nas aulas, como por exemplo, a associação com a violência no caso das lutas, a falta de 
materiais e espaço adequado para as atividades aquáticas e esportes de aventura, ou mesmo 
a falta de experiência para ministrar aulas de capoeira, práticas corporais alternativas e 
atividades rítmicas e expressivas. 
Entretanto, acreditamos ser possível e necessário desenvolver esses conteúdos. 
E para isso não é imprescindível ser ou ter sido um praticante da modalidade em questão ou 
necessitar de espaço e equipamento oficial. Em alguns capítulos procuraremos desmistificar 
tais fatos, argumentando que qualquer conteúdo pode ser tratado na escola, mediante 
pesquisas e outros recursos. Para isso, apresentaremos alguns subsídios na tentativa de 
esclarecer, orientar e encorajá-los a inserirem estes conteúdos em suas aulas. 
Em relação aos conteúdos mais tradicionais, como as modalidades esportivas 
coletivas e individuais (futebol, basquete, voleibol, handebol e atletismo) nossa proposta 
certamente não é formar atletas de rendimento e sim oferecer subsídios para que todos os 
alunos e alunas, independentemente de suas características físicas, étnicas, econômicas, 
sociais, de gênero ou de habilidade, conheçam os diversos aspectos relacionados a estas 
práticas como, por exemplo, suas origens e significados em nossa e outras culturas, algumas 
das diversas formas possíveis de praticá-las, suas principais características e finalidades, além 
de outras. 
2. OBJETIVO, CONTEÚDOS E METODOLOGIA 
2.1 Objetivos da Educação Física na escola 
A partir desse momento, temos o propósito de tratar dos objetivos deste livro, 
estando estes relacionados com o que o grupo do LETPEF entende ser importante para a 
Educação Física escolar. Torna-se importante destacar que, ao longo de sua trajetória 
histórica, o componente curricular da Educação Física apresentou finalidades distintas, mesmo 
atualmente não existe uma proposta hegemônica ou única. 
Na sua origem, a Educação Física estava voltada para uma preocupação com os 
hábitos de higiene e saúde, tendo como referência métodos ginásticos oriundos do continente 
europeu, como a ginástica sueca e a ginástica francesa, sendo caracterizada como uma 
Educação Física higienista. 
 
 397 
Posteriormente, no modelo militarista, os propósitos vinculavam-se à formação 
de indivíduos fortes e sadios, aptos a defender a nação no caso de combates com outros 
países. Nesta concepção, valorizavam-se as pessoas avaliadas como fisicamente aptas e 
excluíam-se os considerados incapacitados. 
A concepção esportivista instalou-se durante a década de 60 com o governo 
militar, transformando a Educação Física basicamente em sinônimo de esporte. Neste modelo, 
as aulas abordavam exclusivamente o conteúdo relacionado ao esporte, com o objetivo da 
identificação de talentos esportivos e da melhora da aptidão física para uma possível 
representação de futuros atletas em competições nacionais e internacionais. Desta forma, as 
aulas privilegiavam uma minoria que apresentava certa facilidade para aprendizagem de gestos 
e habilidades motoras específicos à prática esportiva, deixando em segundo plano aqueles que 
não possuíam tais características. 
A partir de 1980, o país passa por um momento de transformação política, 
havendo a abertura para a democracia. Nesse momento, originam-se novas correntes 
pedagógicas para a Educação. Os objetivos, conteúdos, métodos, estratégias de ensino e 
avaliações começam a ser discutidos em diferentes componentes curriculares. Na Educação 
Física surgem novas tendências pedagógicas, com o intuito de ressignificar o papel deste 
componente no ambiente escolar. Podemos destacar algumas dessas abordagens: 
Psicomotricidade, Desenvolvimentista, Construtivista, Crítico-superadora, Crítico-
emancipatória, Saúde Renovada e Parâmetros Curriculares Nacionais (DARIDO, 2003). 
Atualmente, entendemos como o principal objetivo da Educação Física no 
ambiente escolar seja a inserção e intervenção do aluno na esfera da cultura corporal de 
movimento. Para Daólio (2004) “cultura é o principal conceito para a educação física, porque 
todas as manifestações corporais humanas são geradas na dimensão cultural, desde os 
primórdios da evolução até hoje, expressando-se diversificadamente e com significados 
próprios no contexto de grupos culturais específicos”. Ao adotarmos o termo cultura corporal de 
movimento, devemos ter claro que, quando o ser humano produz cultura, o corpo está 
totalmente inserido neste processo, independente do conhecimento que ele está 
transformando, ou seja, nas diversas construções culturais produzidas pela humanidade, 
jamais podemos excluir a utilização do corpo, pois ele faz parte de qualquer aprendizagem. De 
acordo com Daólio (2004), referindo-se ao professor de Educação Física, “trata do ser humano 
nas suas manifestações culturais relacionadas ao corpo e ao movimento humanos, [...]”. 
Portanto, o que queremos evidenciar, quando falamos de cultura corporal de movimento, são 
recortes desta cultura humana, apresentando características específicas relacionadas ao 
corpo-movimento. 
Temos um vasto repertório de movimentos acumulados historicamente durante 
todo processo de desenvolvimento da espécie humana, manifestando-se por meio do jogo, do 
 
 398 
esporte, da ginástica, da atividade rítmica e expressiva, da luta, da capoeira, além de outros. E 
é justamente o direito do aluno a este conhecimento que estamos defendendo, possibilitando 
que ele tenha condições de usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar toda e 
qualquer forma de manifestação da cultura corporal de movimento. Assim, compartilhamos com 
as posições de Daólio (2004), ao destacar que a Educação Física deixa de ser pautada 
exclusivamente nos princípios biológicos, passando a priorizar os conhecimentos culturais 
historicamente construídos. 
Entendemos que a Educação Física, juntamente com os demais componentes 
curriculares escolares, deva propiciar ao aluno o exercício da cidadania, buscando durante a 
prática pedagógica a formação do aluno crítico, direcionado para a conquista de sua 
autonomia, por meio do conhecimento, reflexão e transformação da cultura corporal de 
movimento. 
Foi nessa perspectiva que procuramos encaminhar o desenvolvimento deste 
livro, quando, por exemplo, abordamos o conteúdo esporte, manifestado por algumas 
modalidades, queremos que o aluno, além de aprender a praticá-lo para usufruir dessa 
atividade em momentos de lazer, ele também seja capaz de entender qual o tipo de movimento 
está realizando ou quais grupos musculares estão sendo requisitados para a execução dos 
diferentes gestos motores ou qual a representação do significado social desses movimentos. 
Para que da mesma maneira, quando estiver assistindo a determinado evento esportivo, possa 
ter condições de atribuirum olhar crítico perante aquela atividade e não seja somente um 
consumidor passivo de transmissões esportivas realizadas pela televisão. 
Outro exemplo refere-se ao tema saúde. Nesse capítulo temos o propósito de 
oferecer ao aluno condições para que entenda os princípios básicos sobre a realização de 
exercícios físicos, objetivando assim, uma incorporação regular desta prática, com fins de 
contribuir para uma perspectiva de reflexão e melhoria na qualidade de vida individual e 
coletiva. Quando defendemos a idéia de que a expressão corporal pode se caracterizar de 
formas diversificadas, seja relacionada às atividades rítmicas e expressivas, à capoeira, à 
ginástica, ou a qualquer uma das práticas corporais, objetivamos que o aluno, além de obter o 
entendimento do significado destas atividades, também tenha condições de analisar diferentes 
formas de linguagem e comunicação que podemos nos apropriar. 
Não temos o intuito e nem a Educação Física escolar teria como possibilitar aos 
alunos conhecer todas as formas de manifestações da cultura corporal de movimento. Porém, 
podemos oferecer uma abrangência maior destas manifestações, de forma que, não restrinja 
os alunos a ter contatos restritos com a cultura, o que historicamente ocorre quando o 
professor oferece exclusivamente conteúdos esportivos. Pretendemos também que o processo 
de ensino e aprendizagem ultrapasse o limite da realização de movimentos, possibilitando que 
os alunos observem, analisem, critiquem, contextualizem tudo o que for desenvolvido nas aulas 
 
 399 
de Educação Física. Assim, além de incorporarem uma prática adequada de exercícios físicos, 
sejam capazes de destinar um olhar crítico dos acontecimentos da sociedade a qual pertencem 
e ter condições de atuarem nesta sociedade. Desta forma, entendemos que estaremos 
contribuindo para a construção de um caminho direcionado a uma apropriada formação cidadã. 
2.2 Conteúdos 
Neste capítulo, procuraremos apresentar algumas orientações que possam 
auxiliar na compreensão das diversas aulas propostas neste livro. 
Considerando a intenção deste trabalho de apresentar algumas possibilidades 
de concretização de pressupostos teóricos, os temas relacionados aos conteúdos da Educação 
Física mostram-se relevantes, justamente por abordar “o quê” implementar nas aulas para que 
sejam atendidos objetivos correspondentes à perspectiva da cultura corporal de movimento e à 
formação da cidadania. 
É importante lembrar que conteúdos e estratégias estão intimamente 
relacionados aos objetivos e avaliação. É por meio dos conteúdos e estratégias que os 
objetivos estabelecidos serão concretizados e, avaliando a aprendizagem é que saberemos se 
os objetivos foram ou não atingidos, para repensarmos as ações didáticas, afim de que se 
tornem mais eficazes e eficientes. 
O conceito de conteúdos, aqui defendido, foge à idéia de ser apenas a matéria a 
ser passada para o aluno no momento da aula (MEDEIROS, 2005). Neste sentido, e baseados 
nas idéias de Coll (1998), os conteúdos foram tratados em três dimensões: procedimental, 
conceitual e atitudinal. 
Por conteúdos procedimentais, entende-se como sendo aqueles relacionados ao 
“aprender a fazer”, por conteúdos conceituais, “aprender sobre o que se faz” e por conteúdos 
atitudinais os relacionados ao “aprender como ser”. Ou seja, podemos ensinar ao nosso aluno 
como jogar futebol, mas desejamos que ele saiba mais do que isso, que ele saiba, por 
exemplo, sobre a história e o significado do futebol para a nossa sociedade e também que ele 
jogue com honestidade, cooperação, solidariedade e respeito aos adversários. Para isso, as 
nossas ações devem ser planejadas pensando nas três dimensões. 
Tradicionalmente, os conteúdos procedimentais têm sido tratados quase que 
com exclusividade nas aulas de Educação Física, limitadas a ensinar técnicas de arremessos, 
chutes, passes, dribles etc. e táticas, geralmente, com o propósito de alcançar padrões de 
rendimentos excelentes. Em nosso entendimento, esta concepção reduz as contribuições da 
Educação Física para a formação do aluno. Além de defendermos o tratamento das três 
400 
dimensões, lembramos que ensinar o aluno a pesquisar, organizar-se em grupo, discutir, 
produzir textos, também representam importantes procedimentos a serem tratados nas aulas. 
No decorrer da leitura deste livro, serão encontradas diversas possibilidades de 
conteúdos procedimentais a serem tratados, inclusive relacionados às práticas corporais que 
exigem locais e materiais mais específicos e que nem sempre a escola possui, como, por 
exemplo, os esportes de aventuras. Atividades sobre rodas – skates, patins, bicicletas, etc. 
podem ser praticados nos espaços comuns das aulas, sob a ótica do jogo e não da 
performance, com os equipamentos trazidos pelos alunos; paredes de escalada podem ser 
confeccionadas utilizando materiais alternativos – ripas de madeira, placas metálicas ou de 
resina - parafusados em paredes comuns de tijolos, entre outros. 
Podemos também “extrapolar os muros da escola” e realizar visitas com os 
alunos em instituições, academias etc. que ofereçam tais atividades para que possam 
experimentá-las. 
Os conteúdos atitudinais, referem-se aos valores e normas de conduta 
apresentadas pelo aluno “na” ou “para” a prática de atividades corporais. Por exemplo, 
podemos pensar em conteúdos para que o aluno não apresente postura individualista (o 
fominha), que se perceba como um integrante do coletivo, sendo gentil e honesto “NA” 
realização de práticas corporais e que apresente disposição “PARA” cultivar práticas corporais 
de forma sistemática, valorizando-as como importante patrimônio cultural. 
Dessa forma, poderemos dizer que pretendemos que o aluno desenvolva 
atitudes desejáveis e saudáveis para a vida em sociedade. Um exemplo que pode trazer à tona 
situações que levem a uma reflexão sobre valores, consiste na implementação do jogo de 
futebol de casais – no qual meninos e meninas devem jogar em duplas de mãos dadas – e 
posteriormente ao jogo, abrir uma discussão com os alunos sobre a importância da sincronia 
nesta atividade e conseqüentemente do respeito às diferenças, além da reflexão sobre a 
construção cultural dos corpos masculinos e femininos que resulta em diferenças motoras entre 
os gêneros. Tais discussões possibilitam uma avaliação crítica por parte dos alunos e um 
redimensionamento das relações de gênero. 
Perceba que os conteúdos atitudinais, não são exclusivos da Educação Física, 
sendo também desenvolvidos pelas demais disciplinas, apesar de poder haver temas 
específicos da área, como o interesse e hábito pela prática de atividades físicas. Esta 
dimensão, há tempo se faz presente nas aulas de Educação Física, entretanto sem que fosse 
planejada, sendo geralmente desenvolvida por meio de ações pedagógicas improvisadas 
(currículo oculto). A proposta defendida nesta obra é de que esta dimensão também seja 
planejada para que possa ser adequadamente desenvolvida e seus resultados avaliados. 
 
 401 
Os conteúdos conceituais relacionam-se ao “saber sobre o que se faz”, ou seja, 
que os alunos saibam, por exemplo, sobre a capoeira, a sua origem, sua história 
contextualizada aos momentos políticos e econômicos do país, seu significado em nossa 
sociedade, as políticas públicas adotadas relacionadas a esta manifestação cultural, a relação 
com a saúde, qualidade de vida, entre outros. Por exemplo, desejamos que os alunos saibam 
quais os fatores políticos e econômicos que favoreceram a conquista do tricampeonato mundial 
de futebol na Copa de 70, ou ainda, os motivos da ascensão do vôlei ou da decadência do 
basquete na atualidade. Também é desejado que os alunos conheçam alguns princípios 
básicos de fisiologia, anatomia entre outros. 
Esta dimensão dos conteúdos provavelmente seja a que os professores de 
Educação Física encontram maior dificuldade para tratar, uma vez que passarama ser 
discutidas apenas a partir das mais novas propostas da área, sequer fazendo parte do currículo 
oculto. 
É importante reforçarmos que, “na prática” as três dimensões ocorrem de forma 
integrada, sendo possível apenas haver a predominância de alguma das dimensões em 
determinadas ações ou situações. Ao ensinarmos sobre o conceito de lutas e suas 
possibilidades de utilização no cotidiano, poderemos ao mesmo tempo estar desenvolvendo 
valores de solidariedade, cooperação, justiça, bem como o interesse por praticá-las, seja 
enquanto opção de lazer, prática esportiva e manutenção da saúde. Elas representam uma 
divisão didática para que o professor possa elaborar e aplicar planos de ensino e aulas que não 
privilegiem demasiadamente uma ou outra dimensão em detrimento das demais. Entretanto, a 
seleção destes conteúdos e a organização do ensino, caberá a cada professor, de acordo com 
as necessidades da realidade em que for atuar. 
2.3 Metodologia 
Uma vez decidido entre os membros do grupo os possíveis conteúdos da cultura 
corporal de movimento a serem abordados neste livro, outra opção se fez necessária: como 
tratá-los, ou seja, como tornar o processo ensino-aprendizagem durante as aulas de Educação 
Física de fato efetivas e garantir as melhores condições de aprendizagem. 
Tivemos a preocupação de buscar meios e indicar formas para se atingir os 
objetivos da Educação Física. Isso realizado de forma a inserir a todos em cada atividade 
proposta na aula de Educação Física, pressupondo como referência a diversidade que os 
alunos apresentam em relação às competências corporais. 
Achamos importante ressaltar o que entendemos por metodologia para um 
possível trabalho com a Educação Física escolar. Para Libâneo (1994) os métodos de ensino 
são mais abrangentes que os procedimentos, ou seja, enquanto o método refere-se às ações 
402 
do professor pelas quais organizam as atividades de ensino e dos alunos, para atingir os 
objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico, o procedimento é um 
detalhe do método, são formas específicas da ação docente, utilizadas em distintos métodos. O 
autor utiliza como exemplo o método expositivo para tratar de um conteúdo específico. Neste 
exemplo, pode-se utilizar como procedimentos a leitura e compreensão de um texto. Conforme 
Barros (2006), outros autores como Amorim (1999) e Masseto (1997), entendem que os 
procedimentos ou estratégias de ensino englobam o que Libâneo denominou de método. Para 
este livro estamos adotando o termo metodologia tanto os elementos que Libâneo denominou 
método, como os elementos que denominou de procedimentos. 
 Neste livro também foram citados métodos e procedimentos semelhantes. Por 
exemplo: no tema “Exercícios físicos e conceito de saúde”, após a exposição do tema que deve 
ser realizada pelo professor, sugerimos a leitura de um texto seguida por uma discussão do 
mesmo. Também ao se propor o tema “A proibição da Capoeira e a roda de Capoeira”, após a 
exposição deste assunto, o professor poderá apresentar aos alunos algumas curiosidades 
sobre o tema abordado seguida por uma discussão. 
Tomamos a linha metodológica baseada nas três dimensões dos conteúdos: 
conceitual, procedimental e atitudinal, indicada por Zabala (1998) e pelos Parâmetros 
Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998). 
Partimos do princípio que os saberes sobre a cultura corporal de movimento 
(dimensão conceitual do conteúdo), de como fazer, praticar, das possibilidades de execução da 
mesma (dimensão procedimental do conteúdo) e de como ser, a reflexão das atitudes e 
posicionamentos dos alunos mediante a inserção no meio sociocultural (dimensão atitudinal do 
conteúdo). 
Entendemos que a Educação Física escolar tem uma tradição metodológica 
apoiada na aprendizagem de conteúdos procedimentais. Atentamos para outras possibilidades, 
de forma a não restringir os alunos apenas à cultura das habilidades para determinados 
conteúdos da cultura corporal de movimento, acreditando que instrumentalizando-os também 
para os saberes e valores sobre a área possa de fato torná-los cidadãos críticos e reflexivos. 
De acordo com Barros (2006), a dimensão conceitual dos conteúdos pode ser tratada em todos 
os momentos da aula, mas relata como exemplo as aulas de determinados professores que 
teve o privilégio de acompanhar em caráter de pesquisa. Nestas aulas por ele acompanhadas: 
[...] os momentos iniciais e finais mostraram-se privilegiados para isso. Diversas 
estratégias podem ser utilizadas no tratamento dos conteúdos desta dimensão, mas 
as que envolvem exposições, discussões, reflexões sobre a prática e resolução de 
problemas, foram as mais utilizadas. O uso de desenhos, vídeo e pesquisas 
mostraram-se bastante eficientes. (BARROS, 2006, p. 128). 
403 
Da mesma forma que Barros (2006), vamos sugerir possibilidades de exemplos 
para o desenvolvimento dos saberes e também de valores nas aulas de Educação Física 
escolar. 
Vídeos 
Neste livro, indicamos sugestões de vídeos para serem assistidos junto aos 
alunos. Você, professor, poderá assisti-lo previamente e fazer a mediação antes, durante e 
depois do filme ou documentário assistido, procurando atentar para as necessidades a serem 
refletidas pelos alunos. Faça uma pesquisa prévia de filmes que possam lhe auxiliar no 
desenvolvimento de conceitos e valores sobre os assuntos pertinentes de abordagem. 
Exemplo: se quiser tratar da questão de gênero ou diversidade cultural o filme Driblando o 
destino é uma sugestão, pois mostra uma família do oriente vivendo no ocidente (Inglaterra) 
que pouco adere à cultura ocidental, impedindo que a filha realize o que mais gosta de fazer: 
jogar futebol; o filme Corpo perfeito mostra uma ginasta que adquire bulimia e anorexia 
achando que deve parar de comer para ter maior eficiência na prática corporal de rendimento. 
Os vídeos, portanto, se tornam aliados do processo ensino-aprendizagem, à 
medida que reforçam através de imagens e diálogos a diversidade de temas significativos de 
abordagem nas aulas. Essa possível metodologia na maioria das vezes é atrativa para todas as 
faixas etárias possibilitando que a aprendizagem seja mais significativa. 
Pesquisas 
Atualmente, a educação escolar tem privilegiado formar pessoas autônomas, 
que aprendam a aprender, que busquem pelos conhecimentos. 
Neste sentido, as pesquisas também foram incentivadas neste material, pois 
entendemos que os alunos precisam ampliar seus conhecimentos para além daqueles que o 
professor já traz pronto. 
A internet é um bom exemplo, ou seja, instrumentalizar para que os alunos a 
utilizem em prol de ampliar ou frisar os conhecimentos que estão sendo abordados, quer na 
própria escola (que disponibilize de computadores), em casa ou locais específicos de uso de 
computadores. É importante que o professor cobre do aluno estratégias para que ele exponha 
o material pesquisado para o grupo de forma a comprovar que realmente leu e não somente
imprimiu o material pesquisado. Exemplo: há alguns sites de manifestações populares
animados que podem tornar o assunto ainda mais significativo à aprendizagem do aluno, como
o www.ifolclore.com.br ou o www.rosanevolpatto.trd.br.
 
 404 
Utilizar a biblioteca da escola para pesquisas também pode ser uma 
possibilidade de ampliar os conhecimentos dos alunos. Ao sistematizar a programação da aula 
designar um tempo para buscas em livros, jornais e revistas na biblioteca da própria escola ou 
levar até o ambiente de aula tais materiais de pesquisa. A tarefa de pesquisar em casa os pais, 
avós, vizinhos, amigos ou visitar locais específicos para colher informações, também pode ser 
significativo. O incentivo à ressignificação do material pesquisado é ponto positivo para a 
formação de pessoas reflexivas, críticas e contextualizadoras, por isso, após a pesquisa, se faz 
importante a socialização dos conhecimentos e discussão dos mesmos. 
Organizaçãoda aula 
Propusemos uma estrutura de aula para estudar os temas propostos: Roda, 
Vivência, Discussão, Leitura, Pesquisa, Tarefa, Curiosidades. Tal estrutura sugere apenas uma 
organização da aula, mas deixa o professor livre para adaptá-la de acordo com as suas 
necessidades e possibilidades estruturais e humanas. Sabemos que cada clientela de alunos 
demanda especificidades diferentes e por isso consideramos importante dar flexibilidade à 
atuação na prática pedagógica quanto ao aprofundamento do tema e atividades propostas, 
bem como quanto ao tempo a ser destinado a cada atividade ou ao tema proposto e local de 
realização. Outra ação flexível é a de não seguir necessariamente a mesma ordem das 
atividades propostas, nem a estrutura e nem mesmo a ordem dos temas. Enfatizamos que 
estas são apenas sugestões, dando total abertura para o professor modificar de acordo com 
sua criatividade e necessidade. 
Exemplos 
Utilizaremos como exemplo o tema Hip Hop do conteúdo Atividades Rítmicas e 
Expressivas. Este tema foi escolhido privilegiando os alunos do Estado de São Paulo, pois, 
percebe-se nos mesmos, forte afinidade e proximidade com esta manifestação da cultura 
corporal de movimento. Logo, professor, sinta-se livre para tomá-lo como exemplo ou trocar o 
tema por outro adequado à sua realidade local. 
Ao abordar o tema Hip Hop buscamos por desenvolvê-lo nas três dimensões do 
conteúdo, a saber: 1. inicialmente propusemos que se faça uma avaliação diagnóstica, através 
da Roda, ou seja, perguntamos por conhecimentos prévios sobre o assunto, uma espécie de 
sondagem junto aos alunos sobre suas experiências anteriores, sendo o professor mediador de 
forma a garantir espaço para que todos participem; 2. sugerimos Pesquisas para o professor e 
para os alunos quanto aos possíveis materiais a serem utilizados na aula – filmes, vídeos, 
músicas e ainda de recursos humanos, como grupos de alunos da escola que dançam break, 
405 
ou são rappers e grafiteiros, ou ainda contactar conhecidos da comunidade com estes 
referenciais que possam colaborar com a aula; 3. para as Vivências sugerimos a reprodução de 
movimentos dançantes semelhantes ao do Break, elaboração de coreografias, bem como ouvir 
músicas de Rap, discutir as questões contextuais de suas letras e produzir canções cujos 
textos sejam pertinentes ao tema tratado; 4. sugerimos formas de Discussões sobre as 
vivências realizadas para fazer os alunos refletirem sobre o que experimentaram, sentiram e 
agiram; 5. também sugerimos Leituras informativas sobre o tema abordado; 6. quanto à Tarefa 
indicamos que os alunos pesquisem na comunidade local sobre a manifestação do Hip Hop 
estabelecendo uma interface com um dos objetivos da Educação Física – o lazer; 7. como uma 
forma de ampliar os conhecimentos sobre a manifestação do Hip Hop, trouxemos informações 
específicas de termos peculiares à manifestação. 
Dessa forma pretendeu-se aprofundar o assunto estudado, hora viabilizando os 
conhecimentos sobre o movimento Hip Hop (como no ítem 5 e 7), hora viabilizando como 
realizar as manifestações do movimento Hip Hop (exemplificado no ítem 3) ou ainda os valores 
e atitudes sobre o tema (exemplificado no ítem 4). 
As atividades propostas devem adequar-se ao aluno e não o contrário, 
almejando com isso despertar o seu interesse e tornar a aprendizagem mais significativa para o 
mesmo. É também importante lembrar que ninguém pode gostar e se interessar por aquilo que 
não conhece e que muitas vezes o professor temendo uma possível ridicularização por parte 
dos alunos sobre determinados conhecimentos da cultura corporal de movimento, omite do 
plano de ensino determinados conteúdos, principalmente ao lecionar para adolescentes – fase 
de desenvolvimento de auto-afirmação no grupo. Talvez a melhor estratégia não seja a 
omissão, mas sim o como desenvolver determinado conteúdo, proporcionar diferentes formas 
de condução do ensino para além da repetição mecânica dos fundamentos dos esportes mais 
tradicionais e práticas espetaculares. 
Modificações das sugestões 
Na tentativa de viabilizar uma maior confiabilidade de que tal estrutura didátco-
metodológica e sugestões de estratégias para o desenvolvimento dos conteúdos são realmente 
possíveis, o retorno dos professores que seguiram e aplicaram esta estrutura de aulas foi 
fundamental para sustentarmos nossa posição de que é possível desenvolver planos de aulas 
como os indicados neste livro, bem como da necessidade da flexibilidade na prática 
pedagógica. 
Como um exemplo, na aplicação da aula de ginástica no Ensino Fundamental, 
houve o relato de uma professora que modificou as sugestões do circuito na vivência. Isso se 
deu pelos seguintes motivos: adaptação ao material existente na escola, 
406 
dificuldades/facilidades corporais dos alunos e comportamento dos mesmos. Neste caso 
específico, os alunos não tinham conhecimento e nem vivência alguma nas ginásticas e 
apresentaram forte interesse, porém, eram tão ágeis, irrequietos e atirados que mereceram 
atenção exclusiva em cada atividade do circuito pela professora. Esta atividade foi realizada na 
quadra utilizando-se apenas de colchonetes, cordas, a trave do gol para se pendurar e 
balançar e as linhas demarcatórias da quadra como uma iniciação a uma trave estreita para 
equilibrar-se. 
Espaço 
Gostaríamos de atentar para o espaço como um fator muito importante nas aulas 
de Educação Física, pois a escola nos favorece ambientes diversificados para a realização das 
aulas, não precisando ficar restritos às quadras ou salas de aulas. Como exemplo, podemos 
citar as aulas testadas de Práticas Corporais Alternativas sob o tema sensibilização corporal: 
aguçar os sentidos. 
Nesta aula houve o relato de uma professora que saiu pelos diferentes 
ambientes escolares como pátio, jardim, horta, além da quadra e sala de aula para escutar os 
diferentes sons, ruídos ou barulhos, sentir a brisa na pele, ouvir os ruídos de quando pisa no 
chão, latidos dos cachorros fora da escola e as vozes que ecoam no ambiente escolar. 
Também a aula do tema auto massagem foi realizada num ambiente mais 
restrito, numa sala fechada, para minimizar a ação das intempéries da natureza (vento, chuva, 
sol) e minimizar desviar a atenção dos alunos pelos barulhos externos. A mesma professora 
relatou que a maioria das aulas de jogos e brincadeiras realizou-se no gramado, sem as 
delimitações restritivas e institucionalizadas da quadra poliesportiva. 
A questão do espaço é muito importante para os alunos perceberem que fora da 
escola também podem viabilizar atividades de lazer e este é um dos objetivos da Educação 
Física escolar: proporcionar, com diferentes metodologias de ensino, que os educandos 
percebam que podem levar para suas vidas em sociedade, uma vida ativa. 
407 
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Pesquisa 
Como escolher e usar o material didático - Socorro! Sou professor iniciante!
Acesse https://www.youtube.com/watch?v=x1TYgOCu4a4
N
OBS: Para redigir sua resposta, use uma linguagem acadêmica. Faça um texto com 
no mínimo 20 linhas e máximo 25 linhas. Lembre-se de não escrever em primeira 
pessoa do singular, não usar gírias, usar as normas da ABNT: texto com fonte tamanho 
12, fonte arial ou times, espaçamento 1,5 entre linhas, texto justificado.
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