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RESUMO CAPÍTULO 19 Poder patriarcado e dispositivos de gênero no manejo clínico analítico-comportamental - O texto aborda o papel do poder, do patriarcado e dos dispositivos de gênero no contexto clínico analítico-comportamental. - Destaca-se a influência das variáveis culturais na prática científica e clínica, enfatizando a importância da consciência do terapeuta sobre seu poder e privilégio. - A compreensão do poder, conforme descrito por Saffioti e Foucault, é contextualizada nas relações sociais, sendo materialmente expresso e externo. - No âmbito clínico, o terapeuta é considerado a parte mais poderosa da relação, sendo fundamental a consideração ética do uso desse poder. - Discute-se o patriarcado como uma estrutura hierárquica que perpetua a supremacia masculina e a opressão das mulheres, destacando a importância de os terapeutas entenderem suas ramificações na prática clínica. - São mencionados os dispositivos de subjetivação de gênero como parte integrante da estrutura patriarcal, mediando a aprendizagem social sobre identidades de gênero. - - No contexto da família nuclear e do lar burguês, os ideais sobre ser mulher eram centrados no casamento, maternidade e domesticidade. - O patriarcado promove a submissão feminina em contraposição à autonomia masculina. - No capitalismo, o binarismo de gênero justifica as desigualdades sociais através da divisão sexuada do trabalho. - Gênero é entendido como arranjos sociais que transformam características biológicas em produtos da atividade humana. - Scripts culturais ensinam comportamentos específicos para ser considerado "verdadeiramente" homem ou mulher. - Tecnologias de gênero, como mídia e pornografia, criam e reiteram ideais, estereótipos e valores de gênero. - Mulheres são condicionadas a buscar o amor romântico como validação da sua identidade feminina, enquanto homens aprendem a objetificar sexualmente as mulheres. - A linguagem e os símbolos são usados para reforçar papéis de gênero, como a associação entre mulheres e rosas. - Tecnologias de gênero moldam comportamentos através de repetição e fortalecimento de scripts culturais. - Dispositivos de subjetivação feminina incluem o dispositivo amoroso e o materno, enquanto para os homens destaca-se o dispositivo da eficácia. - O dispositivo amoroso ensina às mulheres a se centrarem no amor pelos homens e terceirizarem sua autoestima. - Mulheres são subjetivadas em uma "prateleira do amor", onde há rivalidade entre mulheres e hierarquia onde homens avaliam mulheres fisicamente e moralmente. - O ideal de beleza é historicamente construído e privilegia características como brancura, magreza e juventude, afetando o acesso a reforçadores sociais. - - O conceito de privilégio revela desequilíbrios no acesso a reforçadores sociais entre pessoas privilegiadas e não privilegiadas. - Mulheres são valorizadas na sociedade patriarcal principalmente pela chancela de serem escolhidas em relacionamentos ou casamento. - Homens e mulheres enfrentam consequências diferenciadas por conquistas semelhantes devido às contingências patriarcais. - Disputas entre mulheres pelo reconhecimento masculino reforçam a rivalidade e a objetificação sexual. - Homens detêm maior poder na medida em que controlam a liberação de reforçadores para as mulheres nas relações heterossexuais. - O dispositivo materno atribui às mulheres a responsabilidade de cuidar e priorizar os outros em detrimento de si mesmas. - O dispositivo amoroso e o materno criam oportunidades de "empoderamento colonizado" para as mulheres, através de investimentos em procedimentos estéticos e da idealização da maternidade. - Homens são valorizados pela virilidade sexual e laborativa, enquanto o trabalho se tornou um fim em si mesmo com o avanço do capitalismo. - A sistematização dos conceitos de poder, patriarcado, tecnologias de gênero e dispositivos de subjetivação feminina e masculina é fundamental para terapeutas. - Esses conceitos permitem ao terapeuta compreender como a cultura e variáveis políticas de opressão histórica influenciam o sofrimento psíquico dos pacientes. - Identificar variáveis de poder e privilégio, geralmente invisíveis, é essencial para evitar práticas terapêuticas opressivas e iatrogênicas. - O terapeuta pode mapear contingências patriarcais e identificar comportamentos sob controle de dispositivos de subjetivação para evitar reforçar comportamentos prejudiciais. - Orientar a prática clínica para um olhar empático e sensível a microviolências sutis pode ajudar a detectar e abordar sofrimentos mentais. - Este capítulo oferece contribuições para uma perspectiva analítico-comportamental sobre como as tecnologias de gênero operam e como os dispositivos de subjetivação selecionam. repertórios dentro de uma cultura de desigualdade de poder entre homens e mulheres.