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COMORBIDADES EM TRANSTORNOS SOMATOFORMES E DE HÁBITOS E IMPULSOS. INTRODUÇÃO / COMORBIDADE A hipertensão arterial, possivelmente é a mais popular das comorbidades, e uma das mais conhecidas popularmente, mas é possível apresentar mais de uma condição ao mesmo tempo em conjunto. Comorbidade é um termo aplicado, para descrever a existência de mais de uma enfermidade ou condições prejudiciais em algum nível que se manifestam no organismo paralelamente. Inclusive são conhecidas por multimorbidade. De maneira geral, as “co-morbidades” integram as doenças crônicas, ou seja, não têm cura, porém são passíveis de convivência, na maior parte dos casos. Além das questões físicas, uma condição comórbida igualmente podem incluir, transtornos psicológicos como a depressão, a ansiedade, e os transtornos somatoformes, e hábitos e impulsos, da mesma maneira podem incluir e classificar nas comorbidades psiquiátricas, porque eles agem simultaneamente no nosso organismo. TRANSTORNOS SOMATOFORMES Os transtornos somatoformes são formados por diversos quadros clínicos, variando de acordo com a queixa do paciente. Estes transtornos “incluem sintomas físicos (como por exemplo, dor, náuseas e tonturas), nos quais não se pode encontrar uma explicação médica ou lesões anátomo-clínicas proporcionais.” (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997 apud. J. CARVALHO, p.18. 2010). Ou seja, não é detectada somente através de exames físicos ou exames complementares de diagnóstico. Tornando assim as queixas apresentadas como algo de extrema importância para o diagnóstico. Por tanto, a anamnese e uma avaliação clínica é essencial já que dentre os vários sintomas apresentados pelo paciente, junto com o histórico de vida, o emocional, o contexto familiar e os problemas psicossociais, podem apontar para esse transtorno psíquico com sintomas físicos. “Os sintomas e queixas somáticas são suficientemente sérios para causarem um sofrimento emocional ou prejuízo significativo à capacidade do paciente para exercer seus papéis sociais e ocupacionais.” (KAPLAN, SADOCK e GREBB, 1997 apud. J. CARVALHO, p.18. 2010). Em alguns casos, o paciente se sente tão angustiado com os sintomas, podendo assim prejudicar sua vida rotineira, levando a casos de depressão ou até suicídio. Algumas comorbidades diagnósticas típicas incluem: “transtornos de humor, transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos dissociativos e transtornos obsessivo-compulsivos.” (NETO R., 2019) A abordagem médica deve ser delicada quando diagnostica que o paciente está com transtorno somatoforme, pois na maioria das vezes, o doente quer um diagnóstico preciso com um tratamento bem específico, e se o médico abordar de uma maneira demonstrando que ele precisa se tratar de algo que não seja uma doença física, o paciente pode não se sentir seguro e pode até desistir do tratamento. Então, o profissional precisa escutar com atenção as queixas apresentadas, não duvidando e respeitando o paciente. Deve também demonstrar segurança e preocupação com o estado de saúde daquele indivíduo, analisando os sintomas para avaliar o melhor tratamento. RANSTORNOS DOS HÁBITOS E DOS IMPULSOS (TCI): É caracterizado por uma variedade de comportamentos, impulsos sem motivação clara, incontroláveis que se caracterizam pela gratificação no momento imediatamente anterior ao ato. São impulsos associados a agir e normalmente vão contra os interesses do próprio sujeito. A comorbidade psiquiátrica ao longo da vida desse indivíduo consiste em como esses comportamentos afetam a vida diária, podendo interferir na educação, trabalho e relacionamentos pessoais. Sofrem de prejuízo significativo em sua capacidade de funcionamento social e ocupacional. Entre as TCI, estão incluídas as seguintes: · Ludopatia (compulsão por jogo): necessidade compulsiva de se envolver em jogos de azar, apesar dos resultados econômicos negativos; · Cleptomania: impulso incontrolável de cometer furtos, pode ser de alto valor monetário, mas também pode ser objetos de pouco valor ou mesmo utilidade real para a pessoa; · Tricotilomania: necessidade compulsiva de arrancar fios de cabelo e pelos no corpo, como as sobrancelhas ou cílios, que geralmente termina em calvície; · Transtorno explosivo intermitente: surtos de raiva física ou verbal excessiva, descontando a sua frustração em objetos ou a terceiros. · Piromania: o indivíduo tem fascinação pelo fogo e necessidade compulsiva de causar incêndios repetidamente, que não traria um benefício pessoal ou econômico; · Vício em sexo: excesso de apetite sexual e pensamentos sexuais compulsivos, sem alterações biológicas desse indivíduo. · Cyber Addiction: uso compulsivo e descontrolado da Internet, em que passa a prejudicar outras áreas da vida, pode ser uma forma de canalizar outras formas de TCI. Causas prováveis A causa do transtorno do controle dos impulsos (TCI) não é exata, mas pode estar relacionada a desequilíbrios químicos no cérebro. Alterações na área do cérebro que controla os impulsos, conhecida como “lobo frontal”, podem estar relacionadas aos distúrbios do controle dos impulsos. Sintomas Os TCIs podem aparecer em qualquer faixa etária. Alguns comportamentos compulsivos ocorrem durante a infância ou adolescência. É possível que nem todas as pessoas tenham todos os sintomas de um TCI. Os sintomas são específicos para cada distúrbio, mas podem incluir os seguintes: · Comportamento compulsivo e repetitivo; · Lesões de lutas físicas ou queimaduras; · Roubo ou mentiras; · Ter mais Irritabilidade, impaciência ou exasperação do que o habitual em situações específicas; · Problemas familiares ou conjugais; · Problemas recorrentes com relações sociais, na educação ou no trabalho, problemas financeiros, problemas legais ou isolamento social. Diagnóstico Alguns distúrbios de controle de impulsos são mais fáceis de diagnosticar já que seus sintomas físicos são visíveis. Mas em outros casos, o diagnóstico é mais complexo, em que não há melhor explicação para o padrão de comportamento do que a presença de um distúrbio psicológico. Sendo assim, importante a avaliação de um médico especialista, já que cada padrão de comportamento deve ser avaliado e analisado para que o diagnóstico correto seja realizado . Tratamento Se constitui na combinação de medicamentos e psicoterapia. Porém não existem fármacos específicos aprovados para tratar os TCI, mas alguns podem ser benéficos. Pode ser preciso de um medicamento ou uma combinação deles. Sendo assim, encontrar a melhor droga ou combinação dessas pode levar algum tempo para cada caso, pois a resposta a medicamentos é diferente de indivíduo para indivíduo. As opções podem incluir o seguinte: · Antidepressivos · Anticonvulsivantes · Antipsicóticos · Estabilizadores de humor · Medicamentos glutamatérgicos · Medicamentos para controlar sentimentos de euforia A terapia auxilia o paciente a lidar com os problemas subjacentes que contribuem para o TCI. A psicoterapia também é útil para alterar e adaptar comportamentos destrutivos, melhorando a conduta do paciente e sua qualidade de vida. Abordagens comuns para o problema, incluem: Terapia cognitivo-comportamental (TCC): uma forma de psicoterapia que se concentra em situações estressantes. A TCC ajuda você a modificar os padrões de pensamento negativo para gerenciar melhor os problemas que estão além do seu controle. Terapia familiar: usado para ajudar outros membros da família a melhorar suas habilidades de comunicação e fornecer apoio e compreensão. CONCLUSÃO Através dos estudos, podemos definir então que é notória a necessidade do acompanhamento especializado e contínuo. De maneira geral, as comorbidades são frequentes em transtornos somatoformes e de hábitos e impulsos. Os pacientes com esses transtornos podem apresentar outras condições médicas, psiquiátricas e comportamentais que podem influenciar no seu diagnóstico, tratamento e prognóstico. É importante que os profissionais de saúde estejam atentos a essascomorbidades e realizem uma avaliação abrangente e integrada dos pacientes, para que possam fornecer um cuidado adequado e personalizado. Além disso, é essencial que sejam desenvolvidas estratégias de prevenção e intervenção para reduzir o impacto das comorbidades na qualidade de vida e na saúde dos pacientes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, Joaquim. Transtornos somatoformes na atenção básica à saúde - uma revisão de literatura. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva. Campos Gerais, 2010. 46f. Monografia (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família). Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/registro/Transtornos_somatoformes_na_atencao_basica_a_saude___uma_revisao_de_literatura/458 NETO, Rodrigo. Transtornos Somatoformes – Repositórios USP. Última revisão: 08/05/2019. Artigo online, disponível em: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7716/transtornos_somatoformes.htm BAITELLO, Marina. Transtornos de Controle dos Impulsos (Tci): Conheça e Trate – Clínica Marina Baitello. Publicado em: fev. 2019. Matéria Disponível em: https://artritereumatoide.blog.br/comorbidade-voce-sabe-o-que-significa/TORRES, Priscila. Comorbidade: você sabe o que significa? – Artrite Reuatóide. Junho, 2022. Matéria disponível em: https://artritereumatoide.blog.br/comorbidade-voce-sabe-o-que-significa/