Prévia do material em texto
Unidade 4 Projetos, Elementos do Canteiro e a Mão de Obra Fundamentos da Construção Civil Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria GISELE MEDINA AUTORIA Gisele Medina Olá! Meu nome é Gisele Medina. Sou formada na área de Construção Civil e pós-graduada nas áreas de Educação e Meio Ambiente, com experiência técnico-profissional de mais de 13 anos na área de educação. Atuei em empresas como a Secretária de Educação do Estado do Paraná e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, entre outras instituições de ensino. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessária observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Projetos e planilhas de controle de obras civis ............................ 12 Projeto arquitetônico..................................................................................................................... 12 Processo de projeto ................................................................................................... 14 Projeto de instalação elétrica ................................................................................................. 17 Diagramas ..........................................................................................................................18 Diagrama Unifilar ..........................................................................................................18 Diagrama Funcional ....................................................................................................18 Diagrama Multifilar ......................................................................................................18 Diagrama de Distribuição ....................................................................................... 19 Instalações hidro-sanitárias ..................................................................................................... 19 Planilhas ................................................................................................................................................ 20 O planejamento da obra ........................................................................................ 22 Planejamento .....................................................................................................................................22 Orçamento ........................................................................................................................23 Projeto ..................................................................................................................................24 Tipos de orçamentos ................................................................................................26 Orçamento paramétrico ..........................................................................................27 Orçamento para registro da edificação em condomínio ................27 Orçamento caracterizado ......................................................................................28 Discriminação orçamentária ....................................................................................................29 Especificações técnicas ............................................................................................................ 30 O canteiro de obra ......................................................................................32 Tipos de canteiro ...........................................................................................................................32 Instalações de infraestrutura ..................................................................................................32 Fornecimento de água ................................................................................................................33 Esgoto da obra ..................................................................................................................................33 Instalações elétricas .....................................................................................................................33 Áreas operacionais .........................................................................................................................34 Almoxarifado ...................................................................................................................34 Central de carpintaria ................................................................................................35 Central de concreto e argamassas .................................................................35 Central de montagem das armaduras .........................................................35 Áreas de vivência ........................................................................................................................... 36 Refeitório ........................................................................................................................... 36 Escritório da obra ........................................................................................................ 36 Vestiário e alojamentos ...........................................................................................37 Lavanderia .........................................................................................................................37 Área de lazer ....................................................................................................................37 Ambulatório ..................................................................................................................... 38 Planejamento geral do canteiro .......................................................................................... 38 Layout .................................................................................................................................. 38 Segurança do canteiro ............................................................................................................... 40 Caminho para veículo e pedestre dentro do canteiro ......................................... 41 A mão de obra na construção civil .......................................................43 Os profissionais envolvidos na área da construção civil ....................................43 Capacitação na construção civil ..........................................................................................45 Rotatividade de trabalhadores ..............................................................................................47Estudo de caso de alguns profissionais da construção civil trabalhadores da cidade de Chapecó-SC ...................................................................................................... 48 9 UNIDADE 04 Fundamentos da Construção Civil 10 INTRODUÇÃO Aqui você vai assimilar e reconhecer alguns dos projetos utilizados na construção civil, entender a importância de cada um deles e perceber como eles podem contribuir de maneira gratificante para todos que estão envolvidos na sua concepção, como os arquitetos e/ou engenheiros, para os profissionais que estão envolvidos na sua interpretação e também para os colaboradores que estão envolvidos na execução das atividades que constam nesses projetos. Vamos estudar também sobre o planejamento da obra, aspecto de suma relevância para seu sucesso. Um bom planejamento e um orçamento adequado da edificação, do início ao fim, visa minimizar as perdas de materiais e insumos aplicados na construção, aproveitando ao máximo o potencial da mão de obra dos trabalhadores e o tempo gasto com tarefas que precisam ser realizadas utilizando-se de máquinas e ou/equipamentos e ferramentas. Estes, em algumas situações, não estão disponíveis de maneira direta e precisam ser locados por um período de tempo. Ao se planejar as etapas de obra de forma adequada, é possível viabilizar o cumprimento do cronograma previsto. Daremos a devida atenção, em nossos estudos, a tudo o que se relaciona ao canteiro de obras, local no qual se desenvolvem os processos construtivos. Entenderemos sobre a sua classificação, a logística adequada no seu interior, o valor e a relevância do cumprimento das normas exigidas para a construção civil. Veremos também os distintos tipos de mão de obra que fazem parte das construções. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! Fundamentos da Construção Civil 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Conhecer os diversos tipos de projetos de edificações e as planilhas utilizadas na construção civil. 2. Entender a importância de um bom planejamento para o desenvolvimento da obra. 3. Identificar os elementos que fazem parte do canteiro de obra. 4. Compreender as diferentes mãos de obra envolvidas na construção civil. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Fundamentos da Construção Civil 12 Projetos e planilhas de controle de obras civis OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você vai conhecer alguns projetos e também planilhas que normalmente são utilizados para o desenvolvimento das atividades que envolvem o setor da construção civil. Será importante para você entender que os projetos são necessários para oportunizar o conforto dos usuários nos ambientes sociais e/ou de trabalho. Motivado(a) para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Projeto arquitetônico De acordo com Kowaltowski et al. (2011), o projeto arquitetônico não é simples, já que abrange elucidações técnicas e artísticas, e a conclusão do manuseio criativo de distintas partes de um todo, como: • funcionalidades; • capacidade; • dimensionamento; • textura; • iluminação; • insumos; • elementos técnicos e custos; • execução e inovações construtivas. Segundo Kowaltowski et al. (2011), não existe apenas um procedimento para solucionar as divergências, já que cada situação é única e necessita de resoluções singulares. Variados procedimentos, ferramentas, estratégias e maneiras de representação são fundamentais para trabalhar com as muitas variáveis. Para os autores, foi por esse Fundamentos da Construção Civil Financeiro01 Realce 13 motivo que os profissionais envolvidos com projetos passaram a ser multidisciplinar e a possuírem a colaboração de expertises de distintas áreas. Para Kowaltowski et al. (2006), os estudos em procedimentos de projeto arquitetônico encontram-se na transversalidade de diversos setores, como: • Conforto no ambiente construtivo; • Qualidade ambiental; • Psicologia ambiental; • Sistematização de projeto; • Informática adotada; • Análise de projetos; • Empreendimentos em pós-ocupação. De acordo com Kowaltowski et al. (2006), as inovações em tecnologia e as transformações universais dos vínculos sociais e também da economia interferem nas atividades de arquitetura. Recentemente, a heterogeneidade do projeto e a necessidade da qualidade nos ambientes construídos de porte considerável manifestam-se em elevação. Alguns motivos podem ser mencionados relativamente a essa elevação: • evolução acelerada da tecnologia; • transformações de compreensão e de exigências dos proprietários das construções; • elevação da relevância do empreendimento como oportunizador da produtividade: ampliação da disponibilidade de dados e supervisionamento humano; • exigência de concepção de ambientes sustentáveis, com eficácia energética. Para Kowaltowski et al. (2006), revelam-se inclusive um impulsionamento concorrente e a exigência gradativa de contribuição dos envolvidos em um projeto para realizar com eficácia e qualidade. Fundamentos da Construção Civil 14 Essas necessidades com relação às atividades do arquiteto implicam um aperfeiçoamento das metodologias aderidas e o emprego de procedimentos mais metódicos de análise e projeto. Processo de projeto De acordo com Kowaltowski et al. (2006), na área de arquitetura, o sistema de criação não tem parâmetros limitados ou globais com relação aos profissionais, ainda que possam ser encontradas determinadas metodologias semelhantes entre projetistas. A sistematização é enigmática e não muito externada pelo arquiteto. Existem subáreas que crescem de forma autônoma, cada qual com uma espécie de linguagem, sendo preciso incluí-las na criação do projeto. Segundo Kowaltowski et al. (2006), a área tem o entendimento global para elaborar normas e a compreensão específica para qualquer caso. Dessa maneira, toda divergência é singular. Entretanto, cada resolução tem base em um grupo distinto de parâmetros. Kowaltowski e Labaki (1993) afirmam que são enormes os problemas de adequar os atributos da metodologia projetiva em sistematização de projetos, já que o procedimento de elaborar formas em arquitetura é, normalmente, não formal, singular ou somente pertence a doutrinas de normatizações estéticas. De acordo com Kowaltowski et al. (2006), pode-se conceituar a metodologia de projeto como um grupo de tarefas cognitivas fundamentais, sistematizadas em etapas de atributos e conclusões diferentes. Essas tarefas são investigações, resumo, prognóstico, parecer e definição. No exercício, determinadas tarefas podem ser executadas por meio da inspiração. Algumas delas de maneira racional e outras por meio de referências ou legislações. Segundo Rosso (1980), o projeto arquitetônico inclui-se na família da tomada de decisão. Em um projeto, existem as possibilidades de se empregar a apresentação verbal, ortográfica ou alusiva, ou seja, diversos artifícios de informação, para adiantar minuciosamente um padrão e sua performance. Para Kowaltowski et al. (2006), existe, ainda, a possibilidade de ponderar as fundamentais etapas do padrão generalizado do processo Fundamentos da Construção Civil 15 decisório, que, interpretadas pelo exercício habilitado do projetista, segmentam-se em: • Planejamento das atividades; • Projeto; • Análise e processo decisório; • Edificação e investigação pós-ocupação. Para os autores em cada etapa, existe a possibilidade de serem executadas diversas tarefas. No dia a dia dos escritórios dos profissionais de arquitetura, verifica-se também uma segmentação das etapas de projetos: • Desenvolvimento de croquis; • Fase de anteprojeto; • Projeto.De acordo com Kowaltowski et al. (2006), a concepção criativa demonstra uma maneira de resolver inconvenientes. As investigações da aptidão humana de procurar respostas para os problemas destacam constituintes cognitivos. Pode haver empecilhos que dificultem a manifestação da criatividade na pessoa, que é capaz de ser: • perspicazes; • relativos à cultura; • ambientais; • emotivos e cognitivos. Segundo Kowaltowski et al. (2006), de outro ponto de vista, existem artifícios para incentivar os trabalhos criativos, a título de exemplo, os procedimentos denominados brainstorming. Kowaltowski et al. (2006, p. 9) salientam que: há ainda a Theory of Inventive Problem Solving1, conhecida por “TRIZ”, criada por Altshuller em 1946 e recentemente aplicada ao projeto arquitetônico (ALTSHULLER, 1984; MANN, 2001; KIATAKE, 2004). Esse método consiste Fundamentos da Construção Civil 16 essencialmente na reestruturação de um problema de projeto específico em um problema genérico cuja solução tenha princípios referenciais consolidados. De acordo com Kowaltowski et al. (2006), a heterogeneidade da metodologia de projeto tem a possibilidade de ser sustentada por intermédio do emprego da aplicação de processos de supervisionamento e planejamento do processo intelectual. É fato que, em arquitetura, há diversos pormenores incompatíveis que precisam de solução. Segundo Kiatake (2004), a forma criativa de resolver esses impasses é aquela que acha no mesmo impasse estímulo para criar aperfeiçoamentos. Conforme Kowaltowski et al. (2006), processos que contribuem para esse procedimento procuram limitar o espaço ou propósito da situação difícil para minimizar o tempo no prosseguimento do projeto e ampliar a sua excelência. Para Rosso (1980), no projeto de construção civil, é responsabilidade do projetista retratar não uma quantidade enorme de soluções, porém, aquelas que, na origem, acolham o programa do cliente nas vertentes práticas e o prisma econômico que o próprio cliente sugere. Segundo Kowaltowski et al. (2006), é atributo dessas resoluções acatar uma das realidades absolutas na desenvoltura da sistematização mental de concepção do projeto: os conceitos geralmente estão em distintos níveis de significado e não obedecem a uma linha sequencial de definições. As distintas etapas de determinação dos itens que abrangem o projeto exigem do autor executá-las em ciclos coincidentes de decisão, conforme o segmento do processo estudado, o que incentiva, especialmente, a melhoria de estudos para a aplicação de metodologias lógicas na área do projeto arquitetônico. De acordo com Kowaltowski et al. (2006), a sistematização de projeto, como um modo de fazer estruturado para conduzir a técnica de concepção de determinado resultado, busca simplificar as tarefas criativas e auxiliar o projetista para a resolução de questões cada vez mais complicadas, já que o processo decisório significa selecionar um curso de atitudes entre diversas probabilidades. As estruturas de projeto que contribuem para as técnicas criativas encontram-se na ótica da intangibilidade e de minimizações empregadas para entender a ocorrência projetiva. Fundamentos da Construção Civil 17 Conforme Kowaltowski et al. (2006), acontece uma concordância entre os especialistas de que a percepção é segmento relevante do recurso e de que o padrão de projeto não é um encadeamento reto de tarefas precisas, já que o projetista não tem intuitivamente grande entendimento da essência do objeto de projeto e seu processamento de ideia não pode ser julgado impreterivelmente coeso. De acordo com Kowaltowski et al. (2006), no momento do método de criação, são executadas análises frequentes de diversos tipos. Existem esquematizações de investigação abertas, os denominados processos de esclarecimento, que destacam e beneficiam determinadas resoluções de projeto. Para Kowaltowski et al. (2006), a argumentação é motivada por atributos pessoais, pela vivência do projetista relativa à objeção, assim como pela perspectiva de sua constituição frente ao projeto. Segundo Kowaltowski et al. (2006), todos esses motivos, nesse momento demonstrados, realçam o começo do projeto. É inestimável e proveitoso para arquitetos examinar diversas formas de adquirir respostas de projeto de uma aparência exclusiva, praticando distintos destaques no decorrer do processo de criação da elucidação. Diversas vezes são empregadas três atitudes para um projeto com o panorama orientado na análise por argumentação. Para Kowaltowski et al. (2006), o elemento imagem é empregado no momento em que o destaque no ponto de vista é a aparência, o instintivo. O programa do projeto tem a possibilidade de apresentar-se no realce por meio do coerente, do praticável, e o sítio tem enfoque na perspectiva pelo interior da sua ambiência. Projeto de instalação elétrica Segundo Azeredo (1987), os projetos de instalações elétricas prediais são uma das fases mais relevantes da edificação. Uma instalação dimensionada incorretamente, executada de maneira errada, mesmo que aplicados materiais de primeira linha, tem a possibilidade de onerar os custos da obra futuramente e causar acidentes de proporcionalidades consideráveis, como, por exemplo, explosão e/ou incêndio. Fundamentos da Construção Civil 18 Diagramas De acordo com Azeredo (1987), os projetos de instalações elétricas são retratados por diagramas, nos quais se ilustra a instalação global ou o segmento desta, por meio de simbologias grafadas. Dessa maneira, para um projeto que se trata de instalações elétricas predial, o autor menciona os diagramas a seguir: • Diagrama Unifilar; • Diagrama Funcional; • Diagrama Multifilar; e • Diagrama de Distribuição. Diagrama Unifilar Segundo Azeredo (1987), o Diagrama Unifilar retrata segmentos relevantes de um sistema elétrico e relaciona a quantidade de condutores e suas orientações por somente uma linha. Além disso, frequentemente, exibe o posicionamento físico dos elementos da instalação. O autor salienta que não configura com transparência o ato de funcionar e o prosseguimento prático dos circuitos. Diagrama Funcional De acordo com Azeredo (1987), o Diagrama Funcional exibe a completude do sistema elétrico e possibilita esclarecer, com agilidade e transparência, o movimento ou encadeamento prático dos circuitos, não levando em consideração o posicionamento físico dos elementos da instalação. Diagrama Multifilar Para Azeredo (1987), o Diagrama Multifilar demonstra o completo sistema elétrico em suas particularidades e retrata integralmente os condutores. Não oferece dados quanto ao posicionamento entre os Fundamentos da Construção Civil 19 elementos do circuito. É empregado apenas para circuitos básicos, já que seu entendimento é complexo no caso de circuitos considerados difíceis. Diagrama de Distribuição Conforme Azeredo (1987), o Diagrama de Distribuição é considerado um Diagrama Unifilar que possibilita compreender com muita agilidade o arranjo dos circuitos e aparatos, isto é, o ato de funcionar. Para a realização de uma instalação elétrica, uma dupla apresentação é relevante para o profissional de elétrica: a inicial é o posicionamento dos componentes na planta, a quantidade de fios que estarão em algum eletroduto e qual o direcionamento da instalação; e a outra é o funcionamento, o arranjo dos circuitos e dos apetrechos. De acordo com Azeredo (1987), pelo fato de ser impossível retratar instantaneamente esses dois fatos em um diagrama exclusivo, sem dificultar a transparência de análise de um deles, a instalação é exibida por meio de dois diagramas. A realização de um projeto de instalação elétrica predial não é uma atividade ininterrupta como a do profissional pedreiro, que permanece no canteiro de obra até a entrega das chaves ao dono do empreendimento. A tarefa do eletricista é definitiva,por segmentos bem determinados de como produzir. Conforme o autor: 1) A instalação da tubulação seca na estrutura de concreto na fase de concretagem. 2) As descidas nas alvenarias, compreendendo a marcação, rasgo e colocação dos conduítes e caixas. 3) Após os revestimentos concluídos, antes da pintura, a passagem da enfiação. 4) Finalmente, após a pintura, a colocação dos aparelhos, tomadas, interruptores e espelhos. (AZEREDO, 1987, p. 2- 3) Instalações hidro-sanitárias Segundo Azeredo (1987), a instalação hidrossanitária predial é constituída das seguintes fases: • águas pluviais; • água fria; • água quente; Fundamentos da Construção Civil 20 • esgoto; • incêndio. Para Azeredo (1987), todos os projetos precisam ser realizados por profissionais especializados, na forma de lei, e terão de seguir precisamente as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e as legislações estaduais e municipais. As instalações hidrossanitárias necessitam ser projetadas de maneira que as reformas, que poderão ser inevitáveis no futuro, tenham a possibilidade de ser realizadas de forma descomplicada. Segundo Azeredo (1987), não é possível posicionar tubulações introduzidas em elementos estruturais, mesmo que isso conste em projeto. Porém, serão aceitas passagens de maior dimensionamento de diâmetro, planejadas para essa situação e que possibilitem simples alcance para ajustes no decorrer do tempo. De acordo com o autor, no projeto obrigatoriamente deverão ser apontados os acoplamentos adequados para qualquer tipo de associação entre tubulações e também as localizações onde precisarão ser fixados “uniões, flanges, adaptadores, unhas e peças de inspeção” (AZEREDO, 1987, p. 23). Planilhas De acordo com Spillere (2003), as planilhas eletrônicas são muito aplicadas em avançadas consultas e investigações de informações, mecanismos relevantes na administração de uma organização. As planilhas eletrônicas são recomendadas pelo fato da simplicidade de manuseio e aplicação dos programas fundamentais ao seu funcionamento. De mais a mais, necessitam de mínimo investimento para a obtenção e preservação e têm a possibilidade de serem ajustadas ou incorporadas a diferentes programas. Miglioli et al. (2004) elaboram planilhas eletrônicas como instrumento para contribuição a processos decisórios e concepção da compreensão de organizações de pequeno porte. Eles asseguram que pelo fato destas não serem empresas que possuem equipamentos avançados de Fundamentos da Construção Civil 21 informática, podem apresentar uma grande desvantagem no que se diz respeito à utilização das planilhas eletrônicas. Conforme Miglioli et al. (2004), isso acontece porque os administradores não têm significativa vivência com os aplicativos, o que requer treinamentos específicos. O pouco entendimento teórico dos gestores no campo da informática tem a possibilidade de ser mais uma razão desmotivadora da prática de planilhas eletrônicas. Esses profissionais abrangem o íntegro desempenho do mercado, percebem possíveis adversidades e possuem propriedade para sugerir opções. Porém, não têm conhecimento de como aproveitar a tecnologia para tais processos decisórios. RESUMINDO E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Tivemos o entendimento de que os projetos da construção civil são necessários para, além de promover a confortabilidade dos usuários em seus ambientes de convivência, também favorecer a organização da obra e viabilizar a sua construção, já que os projetos atrelados a alguns outros tipos de documentações e planilhas especificam o quantitativo de materiais e insumos a serem utilizados na obra, utilidade de mão de obra e diversas informações. Percebemos que, por meio do projeto de construção, podemos conhecer, por exemplo, a fachada do empreendimento, o layout dos ambientes internos, os materiais utilizados nos acabamentos, os pontos tanto da elétrica como da hidráulica, entre outros detalhamentos importantes para a conclusão bem sucedida de uma edificação. Fundamentos da Construção Civil 22 O planejamento da obra OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de entender que tanto elaborar um bom planejamento como proporcionar um bom orçamento para a obra a ser construída é fundamental para o sucesso do empreendimento e isso é satisfatório para ambas as partes envolvidas: o responsável técnico e o dono da edificação. E, então? Motivado(a) para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Planejamento De acordo com González (2008), o planejamento da edificação equivale à sistematização para a atividade e integra o orçamento e o ato de programar a obra. A parte do orçamento viabiliza o entendimento do que diz respeito ao financeiro, enquanto que a programação refere-se à repartição das tarefas no tempo. Pelo fato da inconstância da área, é fundamental executar o planejamento da obra em fases de detalhamentos distintos, levando em conta períodos de longo, médio e curto prazos. Segundo González (2008), o planejamento considerado de longo prazo é mais generalizado, com poucos indicativos de detalhamento, referenciando-se os maiores conceitos, como, por exemplo, a necessidade de mão de obra pessoal ou terceirizada, estrutura de máquinas e equipamentos, sistematização do canteiro de obra, prazo da conclusão da obra, formato de contratação (adoção de preço de custo ou empreitada) e inteiração com o cliente. A intenção, no começo, possui baixo grau de pormenorização, geralmente apontando macroitens, como “fundações”, “cobertura”, entre outros. Para González (2008), em uma obra de em média dois anos, o objetivo é estabelecido semestralmente. Essa situação é aplicada para o entendimento da obra e o processo decisório do setor administrativo da empresa. Ao se tratar do planejamento de médio prazo, a concentração se volta para tarefas que serão realizadas nos próximos cinco meses em Fundamentos da Construção Civil 23 média. Nesse cenário de planejamento, o objetivo está na remoção de contrariedade à produtividade, por meio da verificação antecipada da urgência de aquisição de materiais ou o compromisso com empreiteiros. De acordo com González (2008), o planejamento de curto prazo propõe o trabalho propriamente dito. Essa fase do planejamento estabelece um plano para um período de, em média, cinco semanas, especificando as tarefas a serem realizadas. Nessa circunstância, já existe confirmação de disponibilidade de mão de obra e, ainda, o entendimento do dinamismo presente na obra. Assume-se o pensamento de produtividade assegurada contra as consequências da falta de certeza, isto é, as tarefas programadas possuem grande probabilidade de acontecerem. Segundo González (2008), é normal mensurar a qualidade desse planejamento por meio de aferição do Percentual de Planos Concluídos (PPC), com a verificação dos motivos dos erros. Sendo assim, os planos das próximas tarefas têm a possibilidade de serem melhorados. Orçamento Conforme González (2008), existe uma ligação entre o tempo de execução e o gasto da obra em razão das moderações dos clientes. As receitas acessíveis durante o mês podem estabelecer um prazo mínimo para a construção. Em contrapartida, o prazo da obra acarreta determinados gastos fixos mensalmente, como, por exemplo, locação de máquinas e equipamentos e profissionais envolvidos na sistematização. De acordo com González (2008), dessa maneira, é fundamental verificar as ressalvas gerais, elaborando-se uma estratégia geral para a obra, a qual, em seguida, será esmiuçada. Encontram-se diversos tipos de orçamentos, como, por exemplo, os paramétricos, conforme a NBR 12721, individualizados e operacionais. Segundo o autor, o orçamento precisa seroficializado, composto por documentações importantes para a administração da obra. Na concepção tradicional, um orçamento é um prognóstico do custo de uma obra. O gasto total da obra é a somatória dos valores imprescindíveis para a sua realização. O valor final, o chamado preço, é igual ao somatório Fundamentos da Construção Civil 24 de todos os custos gerados pela obra acrescido do lucro, isto é, P = C + L. Em vários segmentos do setor da construção civil, existe uma quantidade elevada com relação à concorrência e comumente ouve-se dizer que o preço é fornecido pelo mercado. Em outras palavras, o consumidor final analisa preços antecipadamente e combina a contratação com base nessa inciativa. Nesse contexto, a organização tem a necessidade de administrar seus custos para conseguir lucrar (GONZÁLEZ, 2008). De todas as maneiras, o orçamento precisa ser realizado previamente ao começo da obra, viabilizando a análise ou o planejamento antecipado. Isso é proveitoso para o monitoramento da obra. A adequada sistematização e aplicação das documentações em obra são importantes para o êxito na construção civil. Há um grande número de informações que precisam estar registradas e não existe a possibilidade de alcançar a qualidade do empreendimento sem que aconteça um minucioso controle desses dados. Ainda, os interessados em determinadas documentações são profissionais diferentes, como os responsáveis pela obra, sendo arquitetos ou engenheiros, profissionais técnicos das prefeituras e das instituições financeiras, fornecedores, entre outros que estão de certa forma envolvidos com a construção (GONZÁLEZ, 2008). Projeto A conclusão do projeto de construção civil é uma coleção de documentos, tanto em ilustrações como em textos, que retrata a obra, possibilitando a negociação e a execução. De um modo geral, o “projeto” contempla toda a documentação importante para transferir a ideia e criar o produto. Devido à multiplicidade de elementos envolvida e a convencional segmentação, geralmente o projeto é decomposto em especialidades, em outros, como, por exemplo, as plantas arquitetônicas e seus complementares, e documentos registrados de forma escrita (GONZÁLEZ, 2008). González (2008) comenta que, em determinadas situações, são elaboradas diversas versões de uma mesma documentação para responder a distintos públicos, caso do memorial descritivo, ajustado para apontamento da edificação, publicidade para venda, financiamento, Fundamentos da Construção Civil 25 autorização diante de instituições públicas, construção e vistorias, entre outros. Em uma visão ampla, o “projeto” abrange todas as documentações apontadas a seguir: o projeto é a fase inicial e uma das mais fundamentais etapas do decorrer de uma edificação; é uma atividade enigmática; pode ser olhado como um procedimento em que divergências e resoluções afloram coincidentemente; solicita a verificação e avaliação de distintas urgências, imposições e interesses dos usuários, estes que precisam ser corretamente interpretados para a expressão da construção e comparados com as resoluções adequadas, para então serem incluídos ao projeto (GONZÁLEZ, 2008). Conforme González (2008), as fases do projeto estão descritas a seguir: • Planejamento e criação: é a fase que agrega os dados primordiais à ideia da construção e abrange a relação das informações iniciais, o estabelecimento da programação de conveniência e a investigação de disponibilidade. Essa programação fundamenta-se na determinação/registro das imposições do cliente e geralmente é trabalhada em relacionamentos diretos do profissional de arquitetura ou da engenharia com o cliente. • Estudo preliminar: é o arranjo de princípio da resolução arquitetônica recomendada, levando-se em conta os fatores fundamentais da programação de conveniência. • Desenvolvimento do projeto: • Anteprojeto: é o arranjo concluso da resolução recomendada, levando-se em conta todos os fatores da programação, porém, com mais especificidades, em proporção reduzida. • Projeto básico: agrupa os fatores essenciais à contratação. Possui determinada especificidade, primordial para a compreensão da obra. Nesse momento, incluem-se os projetos da elétrica, hidráulica, estruturas, entre outros. Fundamentos da Construção Civil 26 a. Projeto legal: dispõe dos fatores fundamentais para o consentimento das instituições públicas; trata-se da licença para a construção executar ligações temporárias de água e energia. b. Projetos complementares: esses são das mais variadas especialidades, como paisagismo, climatização, entre outros. • Projeto executivo: contempla todos os fatores principais para a edificação, englobando os projetos complementares. • Planejamento físico-financeiro: plano com vista à realização. Pode apontar a possibilidade de modificações no projeto, em decorrência de redução de tempo ou quantidade de mecanismos à disposição. • Projeto “as built”: refere-se ao projeto efetivamente concretizado, com as integrais modificações que tenham sido realizadas até a conclusão da edificação. Tipos de orçamentos De acordo com González (2008), encontram-se diversos modelos de orçamentos, e a categoria decidida está na dependência do escopo da estimativa e da flexibilidade das informações. Se existe intenção de se ter uma estimativa rápida ou considerando somente a idealização inicial da obra ou em um determinado anteprojeto, o modelo mais recomendado é o paramétrico. Segundo o autor, para os empreendimentos em condomínio, a legislação impõe o registro de informações, no cartório do município, procedendo-se de forma padronizada, conforme a norma NBR 12721/99. O orçamento especificado é mais exato. Porém, necessita de um número muito maior de dados. Ocasionalmente, no momento da elaboração do projeto, é vantajoso executar o parecer de maneira minuciosa pelo menos nos segmentos que já foram estabelecidos. Para as outras, existe a possibilidade da realização de estimativas com base nas médias percentuais de trabalhos anteriores. Nesse sentido, se por um acaso houver a existência do projeto arquitetônico, com as especificações do dimensionamento, porém não estarem à disposição os projetos que envolvam a eletricidade e a Fundamentos da Construção Civil 27 hidráulica, os números possíveis podem ser ponderados empregando-se os percentuais que essas partes normalmente incidem para edificações com as mesmas características. Resumidamente, na perspectiva da sustentabilidade nas obras de construção civil, obtém-se relevância a investigação dos gastos no ciclo de vida (GONZÁLEZ, 2008). Orçamento paramétrico Para González (2008), é um orçamento aproximado, compatível às investigações prévias, como análises de disponibilidade ou breves pareceres com consumidores finais. Se os projetos não estão prontos, a despesa da obra pode ser estabelecida pela delimitação do espaço construído ou pelo seu volume. Os preços unitários são adquiridos de empreendimentos anteriores ou de instituições que os determinam por meio de cálculos indicadores. Um exemplo é o Custo Unitário Básico (CUB), determinado pela NBR 12721 e estimado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon) dos estados. É uma referência do custo unitário da edificação. Outros órgãos que também estão relacionados com essa temática são: Sistema Nacional de Pesquisas de Custos e Índices, os informativos da Fundação Getulio Vargas e as médias de custos veiculados pela editora Pini, mais precisamente na revista Construção e Mercado (GONZÁLEZ, 2008). O orçamento paramétrico auxilia como evidência do somatório de custos da obra. Esse preço é pressuposto e é recomendado para o estudo preliminar de praticabilidade, isto é, possibilita ao cliente o exame da ordem de grandeza e o ajustamento à sua estimativa de cálculo. Em síntese, se é interessante ou nãodar continuidade à investigação, tendo em vista que as fases a seguir precisarão de onerosos gastos com elaboração de anteprojeto, encargos, entre outros (GONZÁLEZ, 2008). Orçamento para registro da edificação em condomínio Segundo González (2008), a NBR 12721:2006, que trata da Avaliação de custos unitários – inclusive do preparo de orçamentos de construção para incorporação localizada em condomínio –, que ocupou o lugar da NBR 12721:1999 e a NB 140:1965, estabelece os parâmetros para Fundamentos da Construção Civil 28 orçamentos de edificações em condomínio. Aplica-se o CUB para definir o custo do empreendimento, conforme as particularidades do edifício. O objetivo da metodologia orientada pela legislação é a singularização do edifício para a transcrição no cartório localizado de seu município, assegurando a usuários e responsáveis pela obra um critério de supervisionamento para a construção ser realizada e auxiliando o diálogo de possíveis modificações que possam surgir no decorrer da construção (GONZÁLEZ, 2008). Orçamento caracterizado Conforme González (2008), esse tipo de orçamento é constituído por um repertório abrangente de atividades a serem realizadas na obra. Os valores unitários de cada uma delas são determinados por estruturações de custos. Estas são, normalmente, “fórmulas” praticadas de preços, associando as proporções e os custos unitários dos insumos, de máquinas e equipamentos, e da mão de obra, essenciais para realizar uma unidade da atividade examinada. O número de tarefas a serem realizadas é estipulado nos projetos. Geralmente, os orçamentos que se expõem a detalhamentos são subsegmentados em tarefas, ou conjunto de tarefas, auxiliando o estabelecimento dos gastos incompletos. Conforme o objetivo a que se designa, o orçamento poderá ter mais ou até menos minuciosidade (GONZÁLEZ, 2008). De acordo com Faillace (1988) e Parga (1995), a exatidão difere. Porém, não há a possibilidade de se falar em orçamento preciso ou sem erros. Encontram-se diversas condições, detalhamentos e adversidades que acarretam falhas, e é inexistente qualquer orçamento que possa estar isento de imprecisões, ainda que as falhas sejam minimizadas por meio do trabalho minucioso e da importância de pormenores. Contudo, González (2008) enfatiza que a construção civil é uma área passível de um grande nível de intercorrência, sendo sugerida a adesão de técnicas administrativas e de supervisionamento eficazes. Os orçamentos são realizados, diversas vezes, com base em estruturação Fundamentos da Construção Civil 29 de custos abrangentes, adquirida em cadastramentos de software que a empresa possui. Ainda que sejam fundamentadas na constatação da realidade em determinada região e momento, não serão devidamente adaptadas a uma organização em particular. A adequação essencial precisa ser executada por meio da apropriação de custos, que nada mais é do que a investigação no local dos gastos reais de realização das atividades, com a mensuração dos insumos e equipamentos utilizados e dos tempos disponibilizados pelos trabalhadores a cada tarefa. Finalmente, a segmentação das atividades nos orçamentos caracterizados precisa cumprir um modelo compreensível viabilizando a realização e a verificação dos resultados (GONZÁLEZ, 2008). De acordo com González (2008), sendo assim, precisa ser exercida, pela organização ou profissional, somente uma especificação orçamentária, que é uma descrição criteriosa de todas as tarefas que podem acontecer em uma obra. Os orçamentos mais exatos necessitam que o conjunto de informações do projeto encontre-se desenvolvido. Em posse dessas referências, os profissionais elaboram relações dos números de tarefas a serem realizadas, dimensionados nas plantas conforme parâmetros específicos. González (2008) comenta que se acham diversos enfoques, como se observa nos estudos de Botelho (1984), Faillace (1988), Hirschfeld (1997) e Parga (1995). Discriminação orçamentária A discriminação orçamentária (DO) de uma obra, para González (2008), é o vínculo das tarefas a serem realizadas. É configurada normalmente em relações que apresentam todas as tarefas a serem aplicadas em uma obra. Frequentemente, é ampla e presume todos os itens normais. As discriminações orçamentárias padronizadas são utilizadas como checklists, precavendo o ato de esquecer algum elemento. González (2008) salienta que, em cada orçamento, entretanto, o profissional precisa investigar quais atividades necessitam estar na última lista, observando-se as peculiaridades da obra em estudo, com possíveis tarefas adicionais, que ainda não faziam parte da discriminação Fundamentos da Construção Civil 30 orçamentária. Estas precisam ser organizadas da mesma maneira que as especificidades técnicas. As atividades listadas precisam ser compiladas e associadas conforme os parâmetros coerentes. A lista que consta da NBR 12721:1999 é considerada um modelo de discriminação orçamentária com diversos níveis de especificidade. De qualquer maneira, não se sugere a escolha de uma discriminação orçamentária qualquer, mas, sim, a organização de uma lista própria, com estudos e escolhas cautelosas das atividades que precisam constar como apropriadas para a espécie de obra continuamente orçada (GONZÁLEZ, 2008). Uma discriminação muito ampla é enfadonha para a utilização no cotidiano. Uma sugestão é estabelecer, em uma relação principal, as atividades aplicadas diariamente, desassociando as outras em uma relação à parte. Ademais, outras tarefas, de especificidades consideráveis, precisam de relações diferenciadas, como, por exemplo, os serviços de hidráulica, as instalações elétricas e os trabalhos de telefonia (GONZÁLEZ, 2008). Segundo González (2008), podem ser empregadas listagens padronizadas de atividades ou de materiais dos fabricantes, excluindo- se boa parte da tarefa repetitiva de designar por número de itens. É uma espécie diferenciada de discriminação orçamentária. Especificações técnicas De acordo González (2008), as especificações técnicas retratam de maneira exata, integral e sistematizada os insumos e os processos de execução que serão práticos na obra. Por exemplo: a maneira de execução do revestimento em cerâmica (classe da cerâmica, marca, dimensão, cor, maneira do assentamento, tipo da argamassa e espessura da junta de dilatação). As especificações técnicas têm como objetivo integrar o segmento gráfico do projeto. São fundamentais, já que o número de informações que precisam ser administradas no decorrer de uma obra naturalmente gera desalinhamento, esquecimento ou variações de parâmetros. Além disso, normalmente existem diversos profissionais incluídos. O conceito Fundamentos da Construção Civil 31 límpido da qualidade, classe de insumos, é importante, assim como a maneira da realização das atividades (GONZÁLEZ, 2008). Para Faillace (1988), os segmentos que constituem as especificações técnicas são: noções elementares, materiais de construção e determinação das atividades. Conforme González (2008), as categorias existentes são variadas de especificações técnicas de acordo com o objetivo. O texto tem a possibilidade de se apresentar mais ou menos aprofundado, ao passo que seja designado a obras de empreitadas, por gestão ou realizadas pelo próprio proprietário. Determinadas instituições têm caracterizações normatizadas, como, por exemplo, o Banco do Brasil ou consideráveis empresas do setor da indústria. Compõem-se de um texto integral que retrata a maior parte das atividades possíveis e são finalizados por tarefas ou insumos essenciais do empreendimento de que se trata (GONZÁLEZ, 2008). RESUMINDO E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Observamos que, aose elaborar um bom planejamento para a execução de uma obra, viabiliza-se o êxito da mesma. Para que isso aconteça, de fato, é muito importante estar a par de todas as informações mais verídicas possíveis, pois, ao fazer uso delas, o desenvolvimento da programação da obra caminhará para um resultado satisfatório. Aprendemos que o planejamento, quando executado de forma adequada, oportuniza menores gastos da construção, já que minimiza as perdas com materiais, preocupa-se em organizar melhor a mão de obra, respeitando-se uma sequência satisfatória das etapas a serem realizadas na construção, bem como otimiza o tempo que visa atender ao cronograma previsto. Vimos, por fim, que o orçamento é elemento intrínseco ao planejamento, pois os processos decisórios dos responsáveis técnicos pela edificação precisam necessariamente considerar a parte financeira envolvida na obra. Fundamentos da Construção Civil 32 O canteiro de obra OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você conhecerá os principais elementos constituintes de um canteiro de obras, local onde praticamente tudo acontece para a realização de uma edificação planejada. Entender a importância de cada segmento dessa área e ter uma visão holística das etapas da construção que vão acontecer no canteiro de obras é uma investigação bastante fundamental para todos que estão envolvidos na obra. E, então? Motivado(a) para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Tipos de canteiro De acordo com Naback (2008), os canteiros de obra podem fazer parte de uma das três classes subsequentes: reduzidos, espaçosos, compridos e afunilados. Os canteiros de obras identificados como espaçosos são aqueles em que a edificação não atinge a maior extensão do terreno, existindo, dessa maneira, a possibilidade para movimentação de automóveis, acomodação individual e acondicionamento de materiais. Para o autor, os canteiros de obras chamados de reduzidos são os mais básicos na construção de um empreendimento em perímetros urbanos, já que a edificação envolve praticamente todo o terreno, inviabilizando a preparação do layout do canteiro. Segundo Naback (2008), os canteiros de obra classificados de compridos e afunilados têm somente uma das dimensões reduzidas, existindo então a oportunidade de acesso em alguns locais. Instalações de infraestrutura Segundo Albert et al. (2002), as instalações de infraestruturas podem ser apontadas como suposições fundamentais para uma elaboração racional da edificação. Ao se executar as instalações, é preciso verificar os locais de abastecimento de água e de energia e, não menos importante, Fundamentos da Construção Civil 33 a coleta de esgoto, com a intenção de diminuir esses gastos, além de disseminá-los conforme o layout do canteiro. Fornecimento de água Para Filho e Mendes (2016), várias atividades precisam propriamente do provimento de água na obra. Podemos citar como exemplos a preparação de concreto, a limpeza das ferramentas, entre outras. Nos espaços de vivência, as instalações hidrossanitárias necessitam de um compartilhamento de água que encontre condições de escoamento mínimas para banheiros. Esgoto da obra De acordo com Filho e Mendes (2016), o esgoto da obra precisa ser investigado para não ser escorrido ao encontro da rede pública com componentes nocivos dos quais o recolhimento de esgoto é impedido de apanhar, sem prejudicar a saúde do sistema de uma maneira coletiva. Para isso, precisam ser examinadas as legislações locais. Sendo assim, a obra precisa dispor de uma estação de tratamento de esgoto (ETE), se a investigação julgá-lo tóxico. Instalações elétricas As instalações elétricas do canteiro de obras precisam dispor de um projeto com as caracterizações completas das cargas indispensáveis na edificação. De início, faz-se necessário investigar as localidades de energia, de maneira que a metodologia construtiva tenha dinamismo, isto é, seja possível, no decorrer da construção do layout (FILHO; MENDES, 2016). Conforme a Norma Regulamentadora 18 (NR-18), as instalações elétricas precisam ter chave geral da classe blindada mediante o consentimento da concessionária da região, fixada no quadro predominante de distribuição; chave específica para cada circuito de redirecionamento; chave-faca revestida com blindagem em painel de Fundamentos da Construção Civil 34 tomada; e chaves magnéticas e disjuntores, necessários para máquinas e equipamentos (FILHO; MENDES, 2016). Áreas operacionais Segundo Filho e Mendes (2016), as áreas operacionais se disponibilizam ao acondicionamento de materiais e se caracterizam como o lugar onde as tarefas contribuintes de processo construtivo serão realizadas. Almoxarifado No almoxarifado ficam armazenados os materiais a serem utilizados na obra. Sua localização estabelecerá parte da eficácia do processo construtivo e de questões como segurança e organização do canteiro. É necessário focar o fluxo dos materiais na agilidade. Por esse motivo, a localização do almoxarifado precisa ser estabelecida levando-se em consideração a proximidade com o lugar de descarregamento de caminhões, com o elevador destinado a transporte de cargas e com o escritório situado na obra, a fim de viabilizar a comunicação entre o profissional do almoxarifado e o supervisor técnico da obra (FILHO; MENDES, 2016). A área do almoxarifado é motivada especificamente pelo dimensionamento da obra e pela etapa na qual ela se encontra. No começo da edificação, os desaterros ou aterros e fundações tomam grande parte do terreno. Porém, não existe a necessidade de uma considerável reserva de materiais. No entanto, nas etapas da superestrutura e também de vedações, inicia-se o levantamento das áreas internas da obra que se convertem em locais usufruídos, à medida que a necessidade de materiais cresce (FILHO; MENDES, 2016). Na etapa de finalização, tais áreas precisam estar vazias para a aplicação de revestimentos e o armazenamento de materiais, necessariamente, precisa ser analisado novamente, com mais precisão (FILHO; MENDES, 2016). Fundamentos da Construção Civil 35 Central de carpintaria Filho e Mendes (2016) enfatizam que, na fase da utilização de concreto, a obra precisa de um lugar para a execução de fôrmas. Esse artefato está associado à movimentação de materiais. Portanto, o planejamento de sua posição é fundamental. O responsável técnico da obra pode preferir fôrmas pré-fabricadas. A execução ou pré-montagem de fôrmas no canteiro de obras demanda a criação de um ponto central para as atividades de carpintaria, para o qual a localização precisa ser definida com a intenção de oportunizar a movimentação do material. O montante de tábuas e vigotas precisa achar-se posicionado próximo ao acesso da obra. As máquinas de serragens, bem como a mesa de serviço, devem ficar localizadas de maneira que os elementos de madeira possam ser removidos do amontoado longitudinalmente e dispostos para o corte sem a modificação de orientação (FILHO; MENDES, 2016). Central de concreto e argamassas De acordo com Filho e Mendes (2016), se o concreto a ser utilizado na obra precisar ser preparado na central de concreto, a localização desta deverá estar nos arredores em que estão acondicionados os materiais, para diminuir a movimentação desses carregamentos. Orienta-se que a central tenha uma proteção de cobertura para prevenir delongamento em dias chuvosos. A quantidade de betoneiras precisa ser conforme o dimensionamento da obra e de acordo com a etapa que se encontra. Como foi mencionado quanto à questão dos espaços de estoque, mesmo que a obra necessite somente de uma betoneira, é interessante possuir uma de reserva para alguma situação inesperada (FILHO; MENDES, 2016). Central de montagem das armaduras De acordo com Filho e Mendes (2016), é a área disponibilizada para a preparação das ferragens. É imprescindível queesse local esteja coberto e localizado próximo à área de armazenamento do aço. A chegada ao Fundamentos da Construção Civil 36 elevador destinado ao carregamento de cargas precisa ser direta, com a intenção de facilitar as tarefas de montagem de estruturas armadas. Áreas de vivência Filho e Mendes (2016) explicam que as áreas de vivência são compostas pelos espaços de uma organização, na cidade ou fora dela: em canteiros de obras, são indispensáveis para a realização de alimentação, tranquilidade, entretenimento e conveniência de higienização dos colaboradores. Refeitório Qualquer canteiro de obras precisa ter uma área para alimentação, independentemente da quantidade de colaboradores. Essa área precisa dispor de um piso lavável e de um dimensionamento apropriado para a quantidade de trabalhadores, e de materiais que proporcionem a produção e a ingestão das refeições (FILHO; MENDES, 2016). Escritório da obra Segundo Filho e Mendes (2016), o escritório da obra precisa ser instalado junto ao acesso da edificação de forma que se visualize toda a obra, para que, dessa forma, o responsável tenha supervisionamento e claro conhecimento dos episódios no canteiro de obra. Um ambiente para reuniões pode ser pensado no interior do escritório ou à parte. Porém, fundamental é que o canteiro tenha tal ambiente com o intuito de agilizar a solução de problemas e determinações relevantes para a execução da obra. O supervisionamento completo da obra fica a cargo da gestão, e a segurança do canteiro precisa ganhar devido cuidado para impedir furtos. Nessa questão, é imprescindível arrumar o escritório de maneira que a entrada e saída seja vista e conduzida em formato eficiente (FILHO; MENDES, 2016). Fundamentos da Construção Civil 37 Vestiário e alojamentos Conforme Filho e Mendes (2016), qualquer canteiro de obras precisa dispor de um local apropriado para que os colaboradores troquem de roupa. Esses locais precisam ter bancos com, pelo menos, trinta centímetros de largura e devem possuir armários que possam ser trancados pelo usuário. É importante que esse espaço se encontre sempre organizado, já que é onde haverá convívio social, no qual o espaço do outro indivíduo precisa ser respeitado. Sendo assim, no planejamento, faz-se necessário dar importância aos elementos de ergonomia para dimensionar os vãos. neste sentido, o local deve ter pé direito de no mínimo 2,5 metros e chão de concreto, além de paredes de alvenaria ou matéria equivalente e área de ventilação. (FILHO; MENDES, 2016, p. 23) Dessa maneira, os alojamentos dos colaboradores têm limitações no que diz respeito ao dimensionamento e à arrumação do ambiente. As instalações sanitárias precisam ser acessíveis, isto é, sua localização é incorreta quando se encontrar além de 150 metros do posto de trabalho. A higienização desses espaços precisa ser recorrente e programada conforme a quantidade de colaboradores. Essas instalações são ambientes fundamentais no canteiro de obras e necessitam estar providas de louças sanitárias e chuveiros (FILHO; MENDES, 2016). Lavanderia Espaço apropriado para a lavagem e secagem das vestimentas dos colaboradores. As lavanderias precisam ter tanques individuais ou coletivos. O ambiente precisa estar corretamente coberto, com boa iluminação e adequada ventilação (FILHO; MENDES, 2016). Área de lazer No canteiro de obras, faz-se necessário um local de lazer, no qual os colaboradores terão a oportunidade de realizar os intervalos com entretenimentos saudáveis. Quando possível, o ambiente para refeições pode ser utilizado para esse fim. Em vista disso, é fundamental para os Fundamentos da Construção Civil 38 colaboradores alojados que se distraiam e tenham a possibilidade de executar suas tarefas com melhor produtividade (FILHO; MENDES, 2016). Ambulatório Se a obra contar com mais de 50 funcionários, passa a ser obrigatória a disponibilidade de um ambulatório. Esse espaço busca acolher, de maneira emergencial, colaboradores que sofram algum tipo de acidente e prestar os primeiros socorros (FILHO; MENDES, 2016). Planejamento geral do canteiro Elaborar o planejamento de um canteiro de obra é o mesmo que possuir um ótimo entendimento de qualquer elemento que se encontra no canteiro para produzir um layout que venha a satisfazer as necessidades do terreno, acatando a NR-18 e as legislações técnicas de segurança. Desse modo, podemos mencionar que o planejamento do canteiro de obras é estabelecido como a organização do layout (FILHO; MENDES, 2016). Layout Para Filho e Mendes (2016), o layout é o posicionamento dos constituintes das instalações não permanentes do canteiro. É possível encontrar distintas maneiras de organização de um canteiro de obras, as quais podem interferir na produtividade da obra. O layout tem a intenção de aprimorar o processo construtivo a fim de minimizar as movimentações, tanto de colaboradores quanto de materiais, máquinas e equipamentos. Incorporam-se todos os segmentos do sistema de produção, com a intenção de torná-lo mais consistente e de disponibilizar versatilidade ao canteiro, na proporção em que os procedimentos são realizados e as necessidades e limitações do método de construção alteradas. Além disso, objetiva-se orientar a sistematização para o produto finalizado sem que ocorram consideráveis paralisações e estimular os colaboradores aperfeiçoando as conjunturas das atividades laborais e a segurança no canteiro de obra (FILHO; MENDES, 2016). Fundamentos da Construção Civil 39 Filho e Mendes (2016) mencionam que, na concepção do projeto do canteiro de obras, faz-se necessário o conhecimento de demanda de materiais e atividades. Ou seja, é fundamental entender a exigência de armazenamento e locomoção dos materiais, as urgências dos colaboradores, ao passo que fazem parte de um meio social, e o anseio dos clientes no que diz respeito ao produto final (FILHO; MENDES, 2016). Dessa maneira, a investigação do layout do canteiro de obras ocupa um papel de considerável relevância, já que o produto final tem associação implícita com as exigências de produtividade desse meio. Na situação de um canteiro de obras desprovido de um bom planejamento, são perceptíveis dificuldades no dinamismo e o empreendimento fica comprometido com sua estética (FILHO; MENDES, 2016). Na etapa de finalização, os ambientes internos precisam ser esvaziados e a organização do layout necessita antever a necessidade de que os materiais e rejeitos sejam reconduzidos no local. Assim, a versatilidade do projeto toma vez, dado que as transformações da sistematização precisam ser seguidas de maneira eficiente, para que qualquer etapa da obra disponha de simultaneidade com o canteiro de obras (FILHO; MENDES, 2016). Quanto aos materiais indispensáveis, são os equipamentos e as ferramentas no ambiente dos quais os colaboradores precisam para realizar a atividade de maneira simples e eficiente. Para tal, a análise do layout precisa pressupor os distintos equipamentos e materiais indispensáveis em cada etapa e a conveniência dos armazenamentos externos se tornarem estendidos e reduzidos. Nessa perspectiva, grande parte do êxito da atividade é da incumbência desse planejamento precedente (FILHO; MENDES, 2016). Os espaçamentos entre os distintos componentes do canteiro de obras interferem na maneira como as tarefas serão realizadas e no nível de possibilidade de ter êxito. Nesse segmento, a compactação do próprio canteiro de obra é elemento primordial no orçamento da edificação, já que a movimentação de carga gera gasto com energia, tanto do colaborador como das máquinas. De mais a mais, em consideráveis distanciamentos Fundamentos da Construção Civil 40 trilhados com os materiais, os riscos de perda são grandes e há, inclusive, a probabilidade de acontecimentos casuais (FILHO; MENDES, 2016). Nesse planejamento,quaisquer tarefas que acontecerem no canteiro de obras precisam ser verificadas, com o intuito de integrá-las, tendo em vista que, no canteiro, diversas tarefas sucedem paralelamente. Portanto, para que a edificação aconteça de maneira organizada, é preciso que todas essas tarefas sejam ajustadas. Dessa forma, torna-se possível a agilidade do processo construtivo completo (FILHO; MENDES, 2016). A heterogeneidade dessa sistematização pode ocasionar diversas falhas. Sendo assim, a análise minuciosa dos caminhos a serem trilhados e que precisarão ser seguidos pelos distintos segmentos do processo oportuniza uma melhor visão do geral. Nesse segmento, a assimilação do processo construtivo decorrerá na minimização do índice do insucesso (FILHO; MENDES, 2016). O projeto de layout precisa ter como meta a conclusão da obra sem que aconteçam muitas perdas no trabalho construtivo, ou seja, a edificação do empreendimento deve fluir para a conclusão do projeto sem muitas paradas ou trabalheira. Sendo assim, a obra precisa ter os gastos e o tempo de edificação reduzidos (FILHO; MENDES, 2016). O colaborador precisa estar entusiasmado a preservar o canteiro de obras limpo e a realizar as tarefas de sua incumbência, de maneira que a construção seja finalizada em tempo reduzido e com amplo nível de qualidade. Tendo isso em vista, as situações dos postos de trabalho precisam estar de acordo com as legislações de segurança, e a proteção do colaborador precisa ser atentamente posta em pauta, sempre que o canteiro for programado (FILHO; MENDES, 2016). Segurança do canteiro A segurança no canteiro de obra está atribuída a diversas situações, às quais faz jus a apropriada atenção na programação da construção. Cada colaborador e tarefa precisam de um equipamento de segurança próprio. Posto isso, faz-se necessário um olhar atento para a segurança e a necessidade de se dar enfoque à minimização de riscos das tarefas Fundamentos da Construção Civil 41 a serem realizadas, especialmente em alturas e com grandes cargas (FILHO; MENDES, 2016). Segundo Filho e Mendes (2016), a NR-18 subentende os subsequentes cuidados no que diz respeito aos equipamentos de proteção individual (EPIs) utilizados individualmente. A organização é obrigada a entregar, em perfeito estado para uso aos colaboradores e de forma gratuita, os EPIs apropriados ao risco, conforme as prescrições inclusas na: NR 6 - Equipamento de Proteção Individual - EPI. O cinto de segurança tipo abdominal somente deve ser utilizado em serviços de eletricidade e em situações em que funcione como limitador de movimentação. O cinto de segurança tipo paraquedista deve ser utilizado em atividades a mais de 2,00m (dois metros) de altura do piso, nas quais haja risco de queda do trabalhador. O cinto de segurança deve ser dotado de dispositivo trava-quedas e estar ligado a cabo de segurança independente da estrutura do andaime. Os cintos de segurança tipo abdominal e tipo paraquedista devem possuir argolas e mosquetões de aço forjado, ilhoses de material não-ferroso e fivela de aço forjado ou material de resistência e durabilidade equivalentes. (FILHO; MENDES, 2016, p. 25) Em trabalhos de instalação industrial, junção e disjunção de gruas, montagens e desmontagens de andaimes, armação e desarmação de torres de elevadores, instalações de estruturas metálicas e afins nos quais exista a necessidade de fluxo do colaborador e não haja a possibilidade da montagem de cabo-guia de segurança, é compulsória a utilização de dois talabartes, junto com o mosquetão também de dois travamentos (FILHO; MENDES, 2016). Caminho para veículo e pedestre dentro do canteiro Segundo Filho e Mendes (2016), ainda que no cotidiano isso nem sempre aconteça, o interessante é que os caminhos usados por pessoas não coincidam com os utilizados por automóveis, por uma consideração Fundamentos da Construção Civil 42 de segurança. O correto é que o trânsito de automóveis seja regular e somente com uma mão. Dessa maneira, a segurança é mais eficaz. Os trajetos previstos precisam considerar que os transportes de cargas possam ser realizados desprovidos de dificuldades e de maneira ágil, de modo a prevenir acidentes. Assim, o acesso à entrada de automóveis no canteiro de obras precisa proporcionar maior visibilidade. Os locais centrais de produção precisam ser bem acessíveis e os caminhos no interior do canteiro de obras precisam viabilizar uma conexão direta entre as máquinas e/ou equipamentos de transporte vertical e horizontal (FILHO; MENDES, 2016). RESUMINDO E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Chegamos à conclusão de que, de fato, é muito relevante o layout do canteiro de obra estar de acordo com diversos fatores que precisam, em conjunto, trabalhar de forma harmoniosa para que ocorra a organização esperada e adequada no canteiro de obra. Estudamos que a disposição de pessoas, materiais, máquinas e equipamentos, ferramentas e instalações provisórias e fixas do canteiro de obra necessitam de bastante atenção, para que a obra seja concluída de acordo com o que foi projetado pelas equipes técnicas e obedeça às legislações ligadas à construção civil em âmbito municipal, estadual e federal, no que diz respeito ao meio ambiente, segurança, entre outras mais específicas. Por fim, quanto ao canteiro de obras, este imprescindivelmente deve ser estruturado e reestruturado no decorrer das atividades propostas e concluídas até a finalização da obra. Fundamentos da Construção Civil 43 A mão de obra na construção civil OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você vai conhecer os mais diferentes tipos de mão de obra que fazem parte da construção civil, os profissionais que estão diretamente envolvidos na execução das construções tanto no canteiro de obras como em outros departamentos não necessariamente instalados no canteiro. E, então? Motivado(a) para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Os profissionais envolvidos na área da construção civil De acordo com Cordeiro e Machado (2002), o panorama da economia, cada dia mais competitivo e mais inflexível, faz com que a maioria das organizações precisem se adaptar aos modelos, às necessidades e aos avanços tecnológicos do mercado. Nesse cenário, fica o profissional obrigado a ir junto com essas transformações, de maneira autônoma ou por meio da empresa, adaptando-se às gradativas modificações e inovações da tecnologia no ramo, assegurando, dessa maneira, sua ocupação profissional na área. Segundo Farah (1996), executar uma construção que disponha de qualidade e com custos reduzidos não está diretamente ligado apenas aos processos construtivos ou aos tipos de materiais utilizados, mas, também à mão de obra empregada. Assim, para as organizações conseguirem alcançar suas metas, dependem da produtividade do colaborador que é agente direto de algum tipo de atividade na obra. Conforme Cordeiro e Machado (2002), é importante que se entendam quais são essas exigências e quais parâmetros são consideráveis para que exista esse nível de engajamento por parte dos colaboradores. Dessa forma, é preciso levantar referências de seu enquadramento social e outras que se refiram à qualidade de vida no posto de trabalho, de modo Fundamentos da Construção Civil 44 a elaborar estratégias de qualificação que possam satisfazer às demandas de treinamento profissional dos trabalhadores. Para Farah (1996), as empresas de construção civil que reconhecem seus colaboradores por meio da capacitação da mão de obra têm grandes chances de continuarem no mercado e bastante possibilidade de se desenvolverem. De acordo com Cordeiro e Machado (2002), devido a razões, como a falta de estímulo, ocorre outra complicação, queé o envelhecimento dos colaboradores do ramo da construção civil. Existe uma pequena ocorrência de renovação, já que não há muita disposição de novos trabalhadores. Isso acontece pelo fato de haver, na construção civil, paradigmas de ser uma atividade de intenso esforço, fatigante, absolutamente braçal e não dispor da merecida valorização do colaborador, tanto pela organização como pela própria sociedade. Segundo Ribeiro (2005), um parâmetro a ser levado em consideração, por modificar essa definição na admissão, está ligado ao desenvolvimento do mercado da construção civil, o qual leva em consideração as inovações tecnológicas – entre elas, as empregadas no profissional de ponta – e os programas incorporados internamente, nos quais é possível examinar a produtividade e a performance de cada departamento, retratando as conclusões adquiridas de forma ágil e com baixo custo. A existência de diversas metodologias construtivas pode ser vista como viabilidade para a execução de capacitações específicas de alguns setores. Para Bufon e Anschau (2016), nessa perspectiva, para que se tenha uma melhor utilidade na capacitação dos colaboradores, é de grande relevância entender o perfil do profissional a ser habilitado. Dessa maneira, pode-se incorporar na capacitação conteúdos que tenham relação com a realidade presente deles. Atingindo-se isso, será possível atrair a atenção do colaborador, estabelecendo-se que o treinamento ou a atividade a ser implementada seja algo agradável. Assim, haverá um comprometimento coincidente para com a organização e um rendimento melhor dos seus trabalhos. Fundamentos da Construção Civil 45 Capacitação na construção civil Paiva e Salgado (2003) comentam que a temática sobre a conveniência de capacitação da mão de obra não é inédita. Portanto, diversas organizações optam por ter o trabalhador apenas no cotidiano da produção, ao contrário de possibilitar determinado tempo para a capacitação destes. A repercussão, no entanto, tem demonstrado o desaproveitamento e o retrabalho em virtude de existirem, ainda, tarefas executadas de maneira inadequada, que, em grande parte das vezes, precisam ser feitas novamente ou corrigidas, mesmo que haja relevância na produtividade. Conforme Nóbrega (2006), a capacitação da mão de obra se refere apenas à forma de conseguir convencer o colaborador a obter compreensão e aprendizagem fundamentais somente ao acatamento das atividades que se relacionam à sua tarefa. Souza e Silva (2009) enfatizam que a capacitação se compõe de uma atitude, geralmente de pequena duração, com o intuito de habilitar a mão de obra para a execução de um trabalho específico. A NR-18 (ABNT, 1978), que versa sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria e da Construção, tem sido o embasamento para as organizações colocarem em prática algumas determinações no que diz respeito ao local de trabalho do colaborador. A NR-18 (ABNT, 1978), na temática da capacitação, aborda que qualquer trabalhador precisa ter capacitações contínuas com a possibilidade de reprisar tal capacitação na quantidade de vezes que forem precisas, frequentemente com vista à garantia do andamento de suas tarefas com significativa segurança. Campos Filho (2004) salienta que a capacitação retrata condição de amor próprio, entusiasmo, concebendo-se em um causa incentivadora de bastante relevância, viabilizando o prosseguimento da educação. Esta que interrompida ou até mesmo não iniciada por diversos colaboradores, promovendo a eles um desenvolvimento melhor da atribuição profissional em distintos prismas. Para Marcondes (2011), a implementação de curso de capacitação nas organizações, em parceria com a segmentação dos compromissos Fundamentos da Construção Civil 46 pela educação, foi um dos mecanismos mais apontados para o aperfeiçoamento da qualificação dos trabalhadores. Porém, de maneira oposta do se faz ideia, até o presente, é classificado preocupante o índice de empregadores que pensam que não realizarem nada ou até mesmo impor do trabalhador sem uma contrapartida tende a ser uma saída. Bufon e Anschau (2016) informam que o Subcomitê da Indústria da Construção Civil, no ano de 2008, em um dos programas brasileiros voltados para a área da construção, descreveu uma conjuntura em que o departamento dos recursos humanos no ramo da construção civil é identificado pelo desprovimento de programas de capacitações, baixo investimento em habilitações profissionais, ambiente de trabalho insatisfatório e uma sistematização produtiva com bastante perigo, ocasionando, por fim, a ampla alternância na mão de obra. De acordo com Lucena (1999), uma das situações difíceis mais debatidas nos dias de hoje, não apenas no Brasil, mas em países de Primeiro Mundo, está ligada ao descompasso entre a inovação tecnológica e a habilidade da mão de obra para utilização dessa inovação. A tecnologia se desenvolve rapidamente e a educação e a capacitação profissional encontram-se praticamente na inércia. Dessa maneira, vai fazer parte no mercado da mão de obra na área da construção civil quem for junto com as inovações que são ofertadas. Segundo Bufon e Anschau (2016), dentro dessa perspectiva, atrair e poder conscientizar o colaborador da construção civil a constantemente acompanhar as gradativas inovações e técnicas no mercado tende a ser um desafio para as organizações da área, já que, nessa área da mão de obra, é proporcionado mais de metade do rendimento total do projeto. Ou seja, uma mão de obra bem habilitada, poderá vir a contribuir com a redução das perdas nas atividades realizadas na obra, minimizando, dessa forma, o índice destinado ao ramo, bem como tendo como resposta primordial um aperfeiçoamento na finalização da edificação. Fundamentos da Construção Civil 47 Rotatividade de trabalhadores De acordo com Chiavenato (2006), a rotatividade é empregada para conceituar o deslocamento de trabalhadores entre uma organização e outra. Isto é, a quantidade de colaboradores que entram e saem de uma empresa da mesma área frequentemente, em um pequeno espaço de tempo, devido a circunstâncias internas ou até mesmo externas. Podem ser vários os motivos de rotatividade de trabalhadores, entre eles: • falta de entusiasmo com relação ao ambiente de trabalho; • desânimo com relação à política de salário da organização; • falta de satisfação relacionada à política de benefícios da empresa; • problemas de relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho; • frustação com a função exercida; • planejamento insatisfatório de crescimento profissional; • parâmetros de análise de performance. Segundo Chiavenato (2006), a rotatividade é um dos obstáculos que contribuem para que as organizações passem a não investir mais no seu colaborador. Diversos trabalhadores, ao adquirirem uma certificação da empresa na qual trabalha, a abandonam na busca de trabalho em outra organização, para receberem, em grande parte dos casos, baixos benefícios financeiros que, por muita das vezes, não são vantajosos. Enfatiza Chiavenato (2006) que, a cada desvinculação, faz- se necessário normalmente um novo recrutamento, isto é, um novo trabalhador que fará parte do quadro de funcionários para ficar no lugar daquele que se desvinculou. Encontram-se duas categorias de demissão: • desvinculação por parte do colaborador: • ocorre no momento em que o trabalhador decide que, por alguma razão, precisa finalizar seu vínculo com a organização. • desvinculação por iniciativa da organização: Fundamentos da Construção Civil 48 • ocorre no momento em que a organização conclui que não precisa mais que o trabalhador faça parte de seu quadro de funcionários. De acordo com Chiavenato (2006), a rotatividade não somente aumenta os gastos da organização, mas, afeta os colaboradores que continuam fazendo parte dela, já que, até que sejafeita a substituição do trabalhador que se desvinculou da organização, na maioria das vezes, os que ali estiverem vão precisar realizar as atividades de maneira dobrada, para ter a possibilidade de concluir o serviço que o outro realizava. Conforme exposto o rodízio de trabalhadores não é bom para o trabalhador e nem mesmo para a empresa, a falsa ideia que o trabalhador saindo de determinada empresa num pequeno espaço de tempo para obter vantagem como, por exemplo, do seguro desemprego, faz com que o mesmo ao ser avaliado na admissão pelos Recursos Humanos-RH de outra empresa constate que não seja um bom trabalhador o qual não tenha o rendimento esperado para tal função, podendo em muitos casos não conseguir trabalho no tempo esperado ou com a mesma faixa salarial que recebia antes, para a empresa representa diminuição de mão de obra, tendo que buscar repor um novo funcionário e treiná-lo, além de ter um custo financeiro maior na dispensa do trabalhador, pois terá que efetuar o pagamento conforme previsto nas leis trabalhistas ao mesmo. (BUFON; ANSCHAU, 2016, p. 200) Estudo de caso de alguns profissionais da construção civil trabalhadores da cidade de Chapecó-SC Bufon e Anschau (2016), em suas investigações na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, no que diz respeito à faixa etária dos colaboradores empregados na construção civil, relataram que é um aspecto muito diversificado. As conclusões mostraram que, por mais dificultoso que seja, quase 23% de trabalhadores entre 18 e 25 anos de idade exercem algum tipo de atividade nesse setor. Porém, a parte predominante de colaboradores encontra-se com idade maior do que 34 anos. Fundamentos da Construção Civil 49 Para os autores, com relação ao gênero dos colaboradores, foi verificado que a maior parte (90%) é composta por homens. Porém, o surgimento da mão de obra das mulheres retrata que, gradativamente, elas estão sendo incluídas em uma área de trabalho que antigamente era ocupada totalmente por homens. Bufon e Anschau (2016) observam que o número de 8,43% diagnosticado em Chapecó/SC situou-se abaixo da média do Brasil que é de mais de 9%. E, ao ser comparado com a média estadual (8,88%), também ficou abaixo. No entanto, os autores enfatizam que existe um crescimento ao se analisar os anos anteriores em que não conseguiam chegar a 7% em âmbito nacional. De acordo com Bufon e Anschau (2016), na cidade de Chapecó/SC, tendo em que vista que a capacitação passa obrigatoriamente pelo âmbito de estudo, as informações coletadas retratam um contexto apreensivo no que diz respeito ao índice de analfabetismo. A pesquisas revelaram que mais de 20% dos colaboradores são analfabetos. Esses dados podem ser um dos inconvenientes vistos em propiciar a capacitação da mão de obra no setor da construção civil. Nos estudos de Bufon e Anschau (2016), foram classificados como analfabetos os colaboradores desprovidos de capacidade para a realização da leitura sem a necessidade de serem auxiliados por outro colaborador para responderem o questionário proposto pelos autores. Colaboradores que tinham concluído somente o ensino fundamental representaram mais de 50%; aproximadamente 20% concluíram o ensino médio; e somente 2,4% eram graduados no ensino superior ou estudaram o curso técnico. Conforme Bufon e Anschau (2016), no que se refere à educação profissional no ramo da construção civil, comprova-se a convicção do responsável pelo Sinduscon de Chapecó/SC, o qual afirma que o colaborador da construção civil não é muito qualificado. Os estudos demonstraram que mais de 60% não possuem nenhum tipo de habilitação no setor. Fundamentos da Construção Civil 50 As pesquisas de Bufon e Anschau (2016) apontaram quanto à quantidade de dependentes, que aproximadamente 70% têm até dois dependentes; um quarto dos entrevistados tem até quatro dependentes; e menos de 50% têm cinco ou mais dependentes. O fato de existir quantidade menor de dependentes é de significativa importância no momento em que se considera que a renda é um pouco baixa. Assim, com menos dependentes, é possível manter os familiares mais facilmente. As investigações de Bufon e Anschau (2016) indicaram que a moradia em casa própria é a realidade de apenas metade dos colaboradores. Praticamente todo o restante mora em locais alugados e menos de 4% hospedam-se em residências de parentes ou até mesmo amigos. Em relação ao motivo pelo qual os colaboradores optaram por trabalhar na construção civil, as razões são divididas. No tópico referente à identificação com o trabalho, aproximadamente 34% dos entrevistados assumiram ter reconhecimento com as atividades exercidas no ramo da construção. No que se refere à qualificação, quase 23% dos entrevistados não possuem qualquer tipo de capacitação na área da construção civil. Os autores alertam que esse índice é praticamente igual ao que foi relatado na questão do analfabetismo, ou seja, para eles o desprovimento de capacitação está sim diretamente ligado ao analfabetismo. Com valores de 12,04% e 15,67% ficaram para questão salarial, profissão de família e por não ter conseguido trabalho em outra área. Sobre o tempo de permanência trabalhando na atual empresa, os números comprovam um problema bastante comum na construção civil em relação com à rotatividade de trabalhadores, pois 63,85% dos entrevistados estão a menos de 03 anos na empresa, e entre eles 28.91% a menos de 01 ano, de 03 a 05 anos 25,30%, 05 a 07 anos 4,82% e com mais de 07 anos somente 6,03 dos trabalhadores permanecem nesta mesma empresa. (BUFON; ANSCHAU, 2016, p. 206) Para Bufon e Anschau (2016), no tocante ao período de trabalho no setor da construção civil, verifica-se que mais de 50% dos colaboradores permanecem há mais de cinco anos no setor; aproximadamente 40% trabalham abaixo de três anos; e menos de 5% encontram-se até um ano trabalhando na área de construção. Fundamentos da Construção Civil 51 Bufon e Anschau (2016) relatam sobre o que isso quer dizer, observando que, no ano de 2015, a demanda ou a oferta de trabalho no setor se reduziu significativamente. Com relação às dificuldades em se manter trabalhando na construção, cerca de metade dos entrevistados mencionaram como razão elementar as exposições de trabalho a que são sujeitados, por exemplo, condições de esforço, temperaturas agravantes e atividades insalubres. No que se refere ao perigo da atividade executada, 29% apontaram como quesito da instabilidade. A rotatividade dos trabalhadores da construção civil ficou em praticamente 17%. Menos de 4% relataram a carga horária de trabalho. Segundo Bufon e Anschau (2016), na perspectiva da segurança, questionados sobre a providência e a utilização dos equipamentos de proteção individual, todos os colaboradores responderam que 100% das organizações os concederam. No entanto, foi constatado que cerca de 20% os utilizavam eventualmente, enquanto o restante dos colaboradores sempre faz o uso de seus EPIs. De acordo com Bufon e Anschau (2016), quanto à execução de treinamentos específicos do setor da construção civil, quase 15% relataram possuir ou ter efetuado anteriormente, isto é, procuraram possuir um treinamento para poder começar no setor. Essa mesma quantidade de trabalhadores comentou que possui e efetuou treinamento depois de começar seus trabalhos na construção civil. Os demais, que contabilizam praticamente 70% dos entrevistados disseram que nunca tiveram a oportunidade de fazer algum tipo de capacitação no setor da construção. Conforme Bufon e Anschau (2016), no que se refere aos cursos profissionalizantes, mais de 90% dos colaboradores disseram que acham os cursos fundamentais, já que proporcionam conhecimento e viabilizam a disposição no mercado de trabalho. O restante dos entrevistados afirmou não ser relevante, já que a vivência na obra é maisdo que suficiente. Bufon e Anschau (2016) enfatizam que, entre os trabalhadores entrevistados, sobre o interesse de frequentar algum tipo de curso profissionalizante, 85% disseram que gostariam de participar de cursos no intuito de adquirir mais conhecimento e aumentar o salário. Aproximadamente 13% frequentariam algum curso profissionalizante Fundamentos da Construção Civil 52 se fosse possível conciliar seus horários de trabalho. Somente 2% não demonstraram qualquer tipo de interesse em frequentar algum curso profissionalizante. De acordo com Bufon e Anschau (2016), verifica-se que boa parte dos colaboradores manifesta disposição em se capacitar. Porém, várias vezes se deparam com condições como comprometimento de horários, falta de alfabetização e problemas financeiros. Em relação aos melhores horários para frequentar cursos profissionalizantes, a maior parte, cerca de 64%, afirmou que à noite, de preferência, com pouco tempo para ir até a sua residência e então prosseguir até o local do curso. Dos entrevistados, praticamente 18% tem preferência por participar do curso ao final da tarde de trabalho ou aos sábados e domingos. RESUMINDO E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Vimos a importância da qualificação profissional dos trabalhadores da área da construção civil, já que esta a cada dia tem avançado no quesito da tecnologia e o colaborador que estiver preparado para os desafios da profissão certamente ficará empregado. Constatamos também em nossos estudos que as empresas que estiverem atentas com relação ao incentivo e conseguirem proporcionar aos seus funcionários treinamentos específicos possivelmente enfrentarão uma redução significativa do quadro de pessoal, pois muitos valorizam as oportunidades ofertadas por seus empregadores, contribuindo para sua melhoria na produtividade com vista inclusive ao aumento de sua remuneração salarial. Podemos perceber que, de um modo geral, a mão de obra do setor da construção civil não possui muito estudo, o que às vezes pode dificultar um pouco a percepção desses profissionais no sentido de aprimorar-se profissionalmente, quando estão trabalhando em algum tipo de organização que não possui a cultura de disponibilizar cursos de aperfeiçoamento profissional. Fundamentos da Construção Civil 53 REFERÊNCIAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NB 140:1965 – Avaliação de custos unitários e preparo de orçamento de construção para incorporação de edifício em condomínio. Rio de Janeiro: ABNT, 1965. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12721:1993 – Avaliação de custos unitários e preparo de orçamento de construção para incorporação de edifício em condomínio. Rio de Janeiro: ABNT, 1993. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12721:1999 – Avaliação de custos unitários e preparo de orçamento de construção para incorporação de edifício em condomínio. Rio de Janeiro: ABNT, 1999. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12721:2006 – Avaliação de custos unitários e preparo de orçamento de construção para incorporação de edifício em condomínio. Rio de Janeiro: ABNT, 2006. AZEREDO, H. A. O edifício e seu acabamento. São Paulo: Blucher, 1987. BOTELHO, M. H. C. Manual de primeiros socorros do engenheiro e do arquiteto. São Paulo: Edgar Blüecher, 1984. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego, 2015. BUFON, N.; ANSCHAU, C. T. O perfil da mão de obra na construção civil de Chapecó/SC, 2016. Disponível em: https://uceff.edu.br/revista/ index.php/revista/article/view/117. Acesso em: 13 dez. 2020. CAMPOS FILHO, A. S. Treinamento à distância para mão de obra na construção civil. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Construção Civil) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, 2004. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/ disponiveis/3/3146/tde-16122004 141949/ptbr.php. Acesso em: 13 dez. 2020. Fundamentos da Construção Civil 54 CHIAVENATO, I. Administração de Recursos Humanos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2006. CORDEIRO, C. C.; MACHADO, M I. G. O perfil do operário da indústria da construção civil de Feira de Santana: requisitos para uma qualificação profissional, 2002. Disponível em: http://www2.uefs.br/ sitientibus/pdf/26/o_perfil_do_operario_da_industria_da_construcao_ civil.pdf. Acesso em: 13 dez.2020. FAILLACE, R. R. O orçamento na construção civil. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS, 1988. Caderno Técnico. FARAH, M. F. S. Processo de trabalho na construção habitacional: tradição e mudança. São Paulo: ANNABLUME, 1996. FILHO, C. P. C.; MENDES, L. A. C. Planejamento do canteiro de obras, 2016. Disponível em: http://revistaadmmade.estacio.br/index.php/ mangaio/article/viewFile/3075/1390. Acesso em: 10 dez. 2020. GONZÁLEZ, M. A. S. Noções de orçamentos e planejamentos de obras. São Leopoldo: UNISINOS, 2008. KIATAKE, M. Modelo de suporte ao projeto criativo em Arquitetura: uma aplicação da TRIZ – teoria da solução inventiva de problemas. 2004. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004. KOWALTOWSKI, D. C. C. K. et al. O processo de projeto em arquitetura. São Paulo: Oficina de textos, 2011. KOWALTOWSKI, D. C. C. K. et al. Reflexão sobre metodologias de projeto arquitetônico. Ambiente Construído, Rev. On-line da Antaq, v. 6, n. 2 (2006). Disponível em: https://bit.ly/3vCrvGi. Acesso em: 07 dez. 2020. KOWALTOWSKI, D. C. C. K.; LABAKI, L. O projeto arquitetônico e o conforto ambiental: necessidade de uma metodologia. In: ENTAC – ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, São Paulo, Anais..., 1993. v. 2. p. 785-794. LUCENA, M. D. S. Planejamento de recursos humanos. São Paulo: Editora Atlas, 1999. Fundamentos da Construção Civil 55 MARCONDES, C. G. N. Programas de qualificação de mão de obra. Paraná: CREA-PR, 2011. MIGLIOLI, A. M. et al. Planilhas eletrônicas como ferramentas para apoio à decisão e geração do conhecimento na pequena empresa. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 2004, Florianópolis, SC. Anais eletrônicos... Florianópolis, SC, 2004. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2004_enegep0902_1706. pdf. Acesso em: 13 dez. 2020 NABACK, G. L. S. Planejamento de canteiro de obras. Poço de Caldas, MG: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2008. NÓBREGA, P. H. Levantamento do perfil da mão de obra da construção civil de foz do Iguaçu com ênfase em treinamento. Foz do Iguaçu: UDC – União Dinâmica de Faculdades Cataratas, 2006. PAIVA, M. S.; SALGADO, M. S. Treinamento das equipes de obras para implantação de sistemas da qualidade, 2003. Disponível em: http:// www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2003_tr0208_0179.pdf. Acesso em: 13 dez.2020. PARGA, P. Cálculo do preço de venda na construção civil. São Paulo: PINI/Rio de Janeiro: SEAERJ, 1995. RIBEIRO, A. L. Gestão de pessoas. São Paulo: Saraiva, 2005. ROSSO, T. Racionalização da construção. São Paulo: FAUUSP, 1980. SOUZA E SILVA, M. F. Gestão da qualidade na construção civil: uma abordagem para empresas de pequeno porte. Revista Techne, edição 142, jan. 2009. SPILLERE, R. A. Sistema de Custos para PMEs, baseado no método das UEPs: uso de Planilhas Eletrônicas. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – PPGEP/UFSC, Florianópolis. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/84892. Acesso em: 13 dez. 2020. Fundamentos da Construção Civil Projetos e planilhas de controle de obras civis Projeto arquitetônico Processo de projeto Projeto de instalação elétrica Diagramas Diagrama Unifilar Diagrama Funcional Diagrama Multifilar Diagrama deDistribuição Instalações hidro-sanitárias Planilhas O planejamento da obra Planejamento Orçamento Projeto Tipos de orçamentos Orçamento paramétrico Orçamento para registro da edificação em condomínio Orçamento caracterizado Discriminação orçamentária Especificações técnicas O canteiro de obra Tipos de canteiro Instalações de infraestrutura Fornecimento de água Esgoto da obra Instalações elétricas Áreas operacionais Almoxarifado Central de carpintaria Central de concreto e argamassas Central de montagem das armaduras Áreas de vivência Refeitório Escritório da obra Vestiário e alojamentos Lavanderia Área de lazer Ambulatório Planejamento geral do canteiro Layout Segurança do canteiro Caminho para veículo e pedestre dentro do canteiro A mão de obra na construção civil Os profissionais envolvidos na área da construção civil Capacitação na construção civil Rotatividade de trabalhadores Estudo de caso de alguns profissionais da construção civil trabalhadores da cidade de Chapecó-SC