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TECNOLOGIA COSMÉTICA 
Nathália Silveira Barsotti 
Raquel Silveira Bertoluci 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO À TECNOLOGIA COSMÉTICA .............................................. 3 
2 ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE E SEUS ANEXOS ............................... 20 
3 PRODUTOS CAPILARES .......................................................................... 34 
4 PRODUTOS DE HIGIENE, PREVENÇÃO E EMBELEZAMENTO ................... 48 
5 DERMOCOSMÉTICOS NO TRATAMENTO DE ALTERAÇÕES 
MORFOFUNCIONAIS DA PELE – TRATAMENTOS FACIAIS .......................... 63 
6 DERMOCOSMÉTICOS NO TRATAMENTO DE ALTERAÇÕES 
MORFOFUNCIONAIS DA PELE – TRATAMENTOS CORPORAIS ................... 82 
 
 
 
3 
 
 
1 INTRODUÇÃO À TECNOLOGIA COSMÉTICA 
 
 
Apresentação 
Este bloco tratará dos conceitos básicos sobre cosmetologia, compreendendo os 
fundamentos da cosmetologia, história e evolução, regulamentação Anvisa, envolvendo 
normas principais e classificações. Ao final do bloco, o(a) estudante deverá ser capaz de 
compreender os aspectos históricos da Tecnologia Cosmética, sua evolução, além das 
normativas principais que regulamentam a área, tendo em vista que profissional de 
farmácia pode atuar utilizando desses conceitos para prescrever e preparar formulações 
cosméticas adequadas à necessidade de cada paciente. 
1.1 Introdução à ciência cosmética 
A Cosmetologia é a ciência que estuda os cosméticos. Embora sua concepção como 
ciência seja recente, o uso dos cosméticos pela humanidade remonta a idos tempos. O 
conceito de cosmetologia é associado aos gregos no período clássico. Nesse período, foi 
cunhado o termo Kosmétikos, relacionado a “tudo o que pode ser usado para adornar”, 
não se limitando, portanto, apenas ao conceito da aplicação de um produto. 
O hábito em se usar materiais de origem natural para realçar a beleza estética ou para 
reforçar uma imagem de austeridade pode ser confirmado imageticamente pelas 
histórias registradas pelos antigos egípcios em seus murais presentes em tumbas, 
templos e formulações descritas em pergaminhos. 
A cosmetologia como ciência é mais recente em nossa história, uma vez que ela será 
aplicada não apenas ao processo de fabricação de um produto, mas no reconhecimento 
das características físico-químicas dos ingredientes que o compõe, bem como o 
conhecimento sobre sua aplicação em pele, cabelos e unhas. 
 
4 
 
O termo cosmético tem origem na palavra grega kosmêtikos, que significa adornar ou 
enfeitar. O uso de produtos pela humanidade é conhecido há bastante tempo. Registros 
históricos mostram sua importância junto à evolução social, política e cultural da 
humanidade, desde a pré-história. 
Alguns autores relatam a prática do uso de “adornos” como pinturas para camuflar a 
pele desde a pré-história (por volta do ano 30.000 a. C.), a partir de registros 
pictográficos, rupestres. Nesse período, os usos limitavam-se a colorir o corpo como 
uma forma de proteger-se ou de intimidar seus inimigos, sejam eles outros humanos ou 
animais. 
O “desenvolvimento das primeiras tecnologias cosméticas” surge a partir da formação 
das primeiras civilizações (por volta do ano 3.000 a. C.). Pode-se dizer que surgiram 
rituais de beleza que foram difundidos a partir dos primeiros egípcios, indianos e 
orientais que desenvolveram cosméticos e práticas similares. Os verdadeiros cuidados 
cosméticos começavam a emergir. Os egípcios usavam uma pasta de antimônio e cinzas, 
chamada kohl, nos olhos para destacar o olhar e fazer sobressair os membros das castas 
mais elevadas da sociedade à época (Souza, 2018). 
O uso de produtos cosméticos, desde os primórdios, esteve associado às práticas 
religiosas. Tais produtos, portanto, estão sempre associados a essas práticas religiosas 
e divinas, evidenciadas no Antigo Egito. O uso de produtos marcando o contorno dos 
olhos era usado, também, para protegê-los e permitir reverenciar o sol. Além de 
produtos coloridos, foram encontrados em tumbas potes contendo resíduos de gordura 
vegetal e animal, cera de abelhas, mel e leite para produção de “unguentos” que 
protegiam as suas peles do clima quente e seco da região (Galambeck; Csordas, 2015). 
Essa herança do uso de produtos com benefícios terapêuticos também foi estudada e 
postulada por Hipócrates, médico grego, do século V, considerado, atualmente, como o 
pai da medicina, que instruía sobre hábitos de higiene, como banhos de sol e água. 
Hipócrates viveu em um contexto advindo do período da guerra do Peloponeso, e nesse 
contexto, era efervescente a separação dos conhecimentos empíricos da magia, pois 
iniciava-se a busca pela ciência (Ribeiro Jr., 2005). 
 
5 
 
Por volta de 180 d. C. o médico grego Claudius Galen desenvolveu um produto chamado 
Unguentum Refrigerans, formulado a partir de cera de abelha e óleo de oliva e água de 
rosas. Hoje é mundialmente conhecido como Cold cream (Souza, 2008). 
Mesmo durante a Idade Média, período conhecido por sua fase obscurantista, mesmo 
com uma restrição ao hábito de higiene, vaidade e exposição de corpos, pautados pela 
Igreja Católica, predominante naquele momento, a população lançava mão de recursos 
e pigmentos naturais para realçar cores nos lábios e bochechas (Infante; Melo; Campos, 
2018). 
Nesse mesmo período, mais ao oriente, Avicena, médico árabe do séc. X aprimorou o 
sistema de destilação existente na sua época, o que possibilitou a primeira destilação de 
óleo essencial floral, anos mais tarde, conhecimento disseminado na Europa, durante as 
invasões árabes (Matos, 2016). 
As rotas comerciais em períodos pré era industrial trouxeram à Europa o contato com 
novas substâncias como, corantes naturais, óxido de zinco, óleo de rícino, terebintina, 
enxofre. Nos séculos XVII e XVIII, a maioria dos cosméticos ainda era feita em casa. A 
composição dos cremes e loções não mudara muito, consistindo basicamente em banha 
de porco, sebo, cera branca e amarela e óleos essenciais. O impulso tecnológico do 
período da industrialização permitiu a síntese de novos compostos como, ureia, ácido 
benzoico, soda, glicerina, peróxido de hidrogênio, óleo mineral refinado, vaselina, 
permitindo o início de uma produção padronizada, mais segura e em larga escala. 
Destacam-se, aqui, a cidade de colônia na Alemanha e o desenvolvimento de uma água 
aromática, chamada água de colônia (Souza, 2018). 
No século XX, a fisiologia da pele e dos cabelos passou a ser mais bem 
estudada. Por volta de 1920, pesquisas básicas começaram a ser realizadas 
para melhor compreender os efeitos do ato de barbear e de aparar os pelos. 
Em 1928, foi vendido nos EUA o primeiro protetor solar industrializado, 
contendo como ingredientes ativos o cinamato de benzila e o salicilato de 
benzila. Os grandes nomes da indústria cosmética no século XX estavam 
estabelecendo-se, principalmente nos EUA. Personalidades como Helena 
Rubinstein, Elizabeth Arden, Cheesebrough-Ponds, Charles Revson (Révlon), 
Max Factor, Procter e Gamble, Roger e Gallet tornaram-se referências (Souza, 
2018). 
 
 
6 
 
Sabe-se que o período entre guerras trouxe novos recursos e investimentos à indústria 
cosmética e para o desenvolvimento de agências regulatórias locais, para resguardar a 
segurança envolvida no uso desses produtos. A partir de então, os produtos cosméticos 
passam a ter um lugar na rotina e no hábito de compras das pessoas, em todos os 
continentes, podendo ser variáveis quanto a texturas, cores, fragrâncias e novas 
tecnologias envolvidas, pois nota-se que a tecnologia cosmética envolve as ciências 
biológicas, químicas e humanas aplicadas a um determinado contexto histórico social. 
Os cosméticos podem servir mais do que suas funções científicas, sendo 
também uma afirmação política, social e cultural para o desenvolvimento de 
produtos e publicidade contextualizada com o momento presente (Palacios, 
2006). 
1.2 Regulamentação cosméticaNo Brasil, a área cosmética é regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA), que tem papel principal na publicação de normas, liberação de usos, 
fabricação, comercialização e/ou importação de produtos. Os requisitos técnicos e 
normas atualizadas sobre a área podem ser consultados através do link: 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/cosmeticos. 
O cosmético é produto fundamental para a higiene pessoal, saúde e beleza da pele. A 
definição legal, dada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pela 
resolução RDC n°211, de 14 de julho de 2005, traz a seguinte definição: 
Produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes são preparações 
constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas 
diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos 
genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o 
objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua 
aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou mantê-los em 
bom estado (ANVISA, 2005). 
De acordo com essa resolução, o uso do produto cosmético é restrito ao uso na pele e 
nos anexos cutâneos, como unhas, cabelos, dentes e mucosa oral e áreas íntimas 
externas ao corpo humano. Portanto, as tecnologias que envolvem os cosméticos não 
devem alterar a característica principal da pele, podendo ser aplicadas diariamente. De 
uma forma geral, podemos dizer que o cuidado cosmético apresenta algumas funções 
principais: limpeza, conservadora, decorativa e reparadora da pele. 
 
7 
 
Funções dos cosméticos: 
• Conservar a pele: a sua aplicação deve manter o bom estado da pele, 
protegendo-a contra agressão de agentes externos e manutenção das 
características eudérmicas (ou seja, da pele em seu perfeito estado de 
equilíbrio); 
• Embelezar a pele: deve tornar a pele bonita. Cumprindo, também, a função 
decorativa, pois é um fator relevante para a autoestima e saúde de cada 
indivíduo; 
• Reparar a pele: deve corrigir ou restaurar qualquer pele, tornando-a mais 
próxima a pele normal, devolvendo-lhe viço, hidratação e aspecto saudável. 
Para desenvolver e orientar a correta aplicação de produtos cosméticos na pele, os 
profissionais da área farmacêutica devem aplicar ao desenvolvimento da formulação 
conhecimentos de biologia, bioquímica, química, farmacotécnica e dermatologia. 
Etapas de desenvolvimento de produtos cosméticos 
O desenvolvimento de um produto cosmético envolve diversas etapas interligadas, 
desde a concepção inicial até a sua comercialização. Cada etapa apresenta desafios e 
requer atenção meticulosa para garantir a qualidade, segurança e eficácia do produto 
final. 
1. Planejamento de um produto cosmético: 
O desenvolvimento de um produto cosmético requer a definição do objetivo do 
produto e do público-alvo, com a identificação das necessidades e expectativas 
do mercado consumidor, de forma a atender o perfil dos consumidores que o 
utilizarão. Além disso, é essencial realizar uma análise de mercado e da 
concorrência, pesquisando tendências mercadológicas, produtos similares 
existentes e seus pontos fortes e fracos. Por fim, a verificação da viabilidade 
técnica e econômica para o desenvolvimento do seu produto cosmético é 
fundamental, estimando a disponibilidade de recursos, matérias-primas, 
tecnologias e mão de obra necessárias para sua produção. 
 
8 
 
2. Geração do conceito: 
Nesta etapa, se determina as características sensoriais, que envolvem a textura, 
cor, aroma e outras características sensoriais que agreguem valor ao produto. A 
partir dessas definições, é feita a elaboração da formulação cosmética, com a 
seleção dos ingredientes e suas concentrações, para garantir a funcionalidade, 
segurança e estabilidade do produto. Também é necessário, nesta etapa, a 
elaboração de uma estratégia de marketing para a identidade do produto 
cosmético, a qual envolve a criação de um nome, logotipo, slogan e design de 
embalagem que transmitam a proposta e os valores do produto. 
3. Produção de um protótipo e desafios para manter a estabilidade do produto 
cosmético: 
Com base na formulação desenvolvida na etapa anterior, a preparação de um 
protótipo se faz necessária, com a produção de uma pequena quantidade do 
produto para testes e ajustes. 
É importante, nesta etapa, a realização de testes de estabilidade físico-química 
e microbiológica para garantir a qualidade do produto durante sua vida útil. Um 
bom material de suporte para essa etapa pode ser encontrado no “Guia de 
Estabilidade de Produtos Cosméticos”, material desenvolvido pela ANVISA e de 
acesso gratuito. 
A partir do protótipo, é possível verificar as necessidades de ajustes na fórmula 
e nos processos de fabricação, com base nos resultados dos testes de eficácia e 
segurança, teste de feedbacks de voluntários, de forma a otimizar a qualidade e 
a estabilidade do produto. Também é importante levar em consideração se a 
produção do cosmético é compatível para a fabricação em escala industrial. 
 
 
 
 
 
9 
 
4. Registro e comercialização do produto desenvolvido: 
Após a elaboração do protótipo e testes e definições finais de fabricação, a 
fórmula deve ser documentada, bem como o processo de produção e os 
métodos para controle de qualidade. A partir dessa documentação, é possível 
submeter o produto para a obtenção do registro do produto na Agência Nacional 
de Vigilância Sanitária (ANVISA). Para essa etapa, já se deve ter a elaboração do 
material informativo, como rótulos, bulas e outros materiais com informações 
claras e precisas sobre o produto. Após a aprovação da Agência Sanitária, é 
possível a comercialização do produto cosmético. 
1.3 Classificação cosmética 
A RDC 211, de 2014, foi atualizada recentemente pela RDC nº 752, de 19 de setembro 
de 2022, alinhada às regulamentações do Mercosul, que dispõem sobre a definição, a 
classificação, os requisitos técnicos para rotulagem e embalagem, os parâmetros para 
controle microbiológico, bem como os requisitos técnicos e procedimentos para a 
regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. É possível 
verificar essa atualização em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-rdc-n-752-
de-19-de-setembro-de-2022-430784222. 
 A classificação dos cosméticos pode ser realizada em dois requisitos principais: por 
categorização, envolvendo função principal e/ou público a que é direcionado e graus de 
risco: 
1) Categorização 
Classificação usada conforme uso do produto: 
• Produtos de higiene pessoal: são produtos cosméticos destinados à limpeza da 
pele e anexos cutâneos. Exemplos: pasta ou creme dental, sabonete, xampu, 
enxaguatório bucal etc.; 
• Cosméticos: são produtos usados para manutenção e reparação do estado 
normal da pele e embelezamento. Exemplos: hidrantes, máscaras, 
fotoprotetores e maquiagens; 
 
10 
 
• Perfumes: cosméticos destinados à perfumação. Exemplos: perfumes e deo 
colônias. 
2) Graus de risco 
Os critérios para esta classificação foram definidos em função da 
probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados devido ao uso 
inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do corpo a 
que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua utilização 
(Brasil, 2022). 
Produtos Grau 1: são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja 
formulação cumpre com a definição adotada da Resolução 211/2005 e que se 
caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação 
não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao 
seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do 
produto. 
Produtos Grau 2: são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes cuja 
formulação cumpre com a definição adotada na RDC 211/2005, que possuem indicações 
específicas cujas características exigem comprovação desegurança e/ou eficácia, bem 
como informações e cuidados, modo e restrições de uso. 
São exemplos de produtos classificados dentro dessa categoria, os listados no Quadro 1 
a seguir: 
Quadro 1.1: lista de produtos conforme classificação por grau de risco. 
Lista de tipos de produtos de Grau de 
risco 1 
Lista de tipos de produtos de Grau de 
risco 2 
1 Água de colônia, água perfumada, perfume e 
extrato aromático; 
2 Amolecedor de cutícula (não cáustico); 
3 Aromatizante bucal; 
4 Base facial/corporal (sem finalidade 
fotoprotetora); 
5 Batom labial e brilho labial (sem finalidade 
fotoprotetora); 
6 Blush/rouge (sem finalidade fotoprotetora); 
7 Condicionador/creme rinse/enxaguatório 
capilar (exceto os com ação antiqueda, 
anticaspa e/ou outros benefícios específicos 
que justifiquem comprovação prévia); 
8 Corretivo facial (sem finalidade 
fotoprotetora); 
1 Água oxigenada 10 a 40 volumes; 
2 Antitranspirante axilar; 
3 Antitranspirante pédico; 
4 Ativador/acelerador de bronzeado; 
5 Batom labial e brilho labial infantil; 
6 Bloqueador solar/antisolar; 
7 Blush/rouge infantil; 
8 Bronzeador; 
9 Bronzeador simulatório; 
10 Clareador da pele; 
11 Clareador para as unhas químico; 
12 Clareador para cabelos e pêlos do corpo; 
13 Colônia infantil; 
14 Condicionador anticaspa/antiqueda; 
15 Condicionador infantil; 
16 Dentifrício anticárie; 
 
11 
 
9 Creme, loção e gel para o rosto (sem ação 
fotoprotetora da pele e com finalidade 
exclusiva de hidratação); 
10 Creme, loção, gel e óleo esfoliante 
(“peeling”) mecânico, corporal e/ou facial; 
11 Creme, loção, gel e óleo para as mãos (sem 
ação fotoprotetora, sem indicação de ação 
protetora individual para o trabalho, como 
equipamento de proteção individual (EPI) e com 
finalidade exclusiva de hidratação e/ou 
refrescância); 
12 Creme, loção, gel e óleos para as pernas 
(com finalidade exclusiva de hidratação e/ou 
refrescância); 
13 Creme, loção, gel e óleo para limpeza facial 
(exceto para pele acnéica); 
14 Creme, loção, gel e óleo para o corpo (exceto 
os com finalidade específica de ação antiestrias, 
ou anticelulite, sem ação fotoprotetora da pele 
e com finalidade exclusiva de hidratação e/ou 
refrescância); 
15 Creme, loção, gel e óleo para os pés (com 
finalidade exclusiva de hidratação e/ou 
refrescância); 
16 Delineador para lábios, olhos e 
sobrancelhas; 
17 Demaquilante; 
18 Dentifrício (exceto os com flúor, os com ação 
antiplaca, anticárie, antitártaro, com indicação 
para dentes sensíveis e os clareadores 
químicos); 
19 Depilatório mecânico/epilatório; 
20 Desodorante axilar (exceto os com ação 
antitranspirante); 
21 Desodorante colônia; 
22 Desodorante corporal (exceto desodorante 
íntimo); 
23 Desodorante pédico (exceto os com ação 
antitranspirante); 
24 Enxaguatório bucal aromatizante (exceto os 
com flúor, ação antisséptica e antiplaca); 
25 Esmalte, verniz, brilho para unhas; 
26 Fitas para remoção mecânica de impureza da 
pele; 
27 Fortalecedor de unhas; 
28 Kajal; 
29 Lápis para lábios, olhos e sobrancelhas; 
30 Lenço umedecido (exceto os com ação 
antisséptica e/ou outros benefícios específicos 
que justifiquem a comprovação prévia); 
31 Loção tônica facial (exceto para pele 
acneica); 
32 Máscara para cílios; 
33 Máscara corporal (com finalidade exclusiva 
de limpeza e/ou hidratação); 
34 Máscara facial (exceto para pele acneica, 
peeling químico e/ou outros benefícios 
17 Dentifrício antiplaca; 
18 Dentifrício antitártaro; 
19 Dentifrício clareador/clareador dental químico; 
20 Dentrifrício para dentes sensíveis; 
21 Dentifrício infantil; 
22 Depilatório químico; 
23 Descolorante capilar; 
24 Desodorante antitranspirante axilar; 
25 Desodorante antitranspirante pédico; 
26 Desodorante de uso íntimo; 
27 Enxaguatório bucal antiplaca; 
28 Enxaguatório bucal anti-séptico; 
29 Enxaguatório bucal infantil; 
30 Enxaguatório capilar anticaspa/antiqueda; 
31 Enxaguatório capilar infantil; 
32 Enxaguatório capilar colorante/tonalizante; 
33 Esfoliante “peeling” químico; 
34 Esmalte para unhas infantil; 
35 Fixador de cabelo infantil; 
36 Lenços umedecidos para higiene infantil; 
37 Maquiagem com fotoprotetor; 
38 Produto de limpeza/higienização infantil; 
39 Produto para alisar e/ ou tingir os cabelos; 
40 Produto para área dos olhos (exceto os de 
maquiagem e/ou ação hidratante e/ou 
demaquilante); 
41 Produto para evitar roer unhas; 
42 Produto para ondular os cabelos; 
43 Produto para pele acneica; 
44 Produto para rugas; 
45 Produto protetor da pele infantil; 
46 Protetor labial com fotoprotetor; 
47 Protetor solar; 
48 Protetor solar infantil; 
49 Removedor de cutícula; 
50 Removedor de mancha de nicotina químico; 
51 Repelente de insetos; 
52 Sabonete antisséptico; 
53 Sabonete infantil; 
 54 Sabonete de uso íntimo; 
55 Talco/amido infantil; 
56 Talco/pó anti-séptico; 
57 Tintura capilar 
temporária/progressiva/permanente; 
58 Tônico/loção Capilar; 
59 Xampu anticaspa/antiqueda; 
60 Xampu colorante; 
61 Xampu condicionador anticaspa/antiqueda; 
62 Xampu condicionador infantil; 
63 Xampu infantil. 
 
12 
 
específicos que justifiquem a comprovação 
prévia); 
35 Modelador/fixador para sombrancelhas; 
36 Neutralizante para permanente e alisante; 
37 Pó facial (sem finalidade fotoprotetora); 
38 Produtos para banho/imersão: sais, óleos, 
cápsulas gelatinosas e banho de espuma; 
39 Produtos para barbear (exceto os com ação 
antisséptica); 
40 Produtos para fixar, modelar e/ou embelezar 
os cabelos: fixadores, laquês, reparadores de 
pontas, óleo capilar, brilhantinas, mousses, 
cremes e géis para modelar e assentar os 
cabelos, restaurador capilar, máscara capilar e 
umidificador capilar; 
41 Produtos para pré-barbear (exceto os com 
ação anti-séptica); 
42 Produtos pós-barbear (exceto os com ação 
anti-séptica); 
43 Protetor labial sem fotoprotetor; 
44 Removedor de esmalte; 
45 Sabonete abrasivo/esfoliante mecânico 
(exceto os com ação anti-séptica ou esfoliante 
químico); 
46 Sabonete facial e/ou corporal (exceto os com 
ação anti-séptica ou esfoliante químico); 
47 Sabonete desodorante (exceto os com ação 
anti-séptica); 
48 Secante de esmalte; 
49 Sombra para as pálpebras; 
50 Talco/pó (exceto os com ação antisséptica); 
51 Xampu (exceto os com ação antiqueda, 
anticaspa); 
52 Xampu condicionador (exceto os com ação 
antiqueda, anticaspa). 
 
Essa resolução técnica, determina, ainda, que os cosméticos listados pertencentes ao 
grupos a seguir estão sujeitos ao procedimento de registro, são eles: I - bronzeador; II - 
gel antisséptico para as mãos; III - produto para alisar os cabelos; IV - produto para alisar 
e tingir os cabelos; V - produto para ondular os cabelos; VI - protetor solar; VII - protetor 
solar infantil; VIII - repelente de insetos; e IX - repelente de insetos infantil. 
O uso do termo Dermocosméticos ou Cosmecêuticos para a classificação dos cosméticos 
é um jargão cunhado pelo médico norte americano Dr. Albert Kligman, na década de 
1990, que se refere aos cosméticos com ações terapêuticas na pele (similar aos 
medicamentos tópicos). Pode utilizar, mediante prescrição médica, dosagens 
diferenciadas para ativos cosméticos. Não há um consenso na área científica. 
 
13 
 
É um termo extraoficial, não regulamentado pela ANVISA, usado para cosméticos de 
resultado ou que permeiem a barreira cutânea, associados, em sua maioria, aos de 
classificação de grau de risco 2. 
1.4 Rotulagem cosmética 
O rótulo cosmético deve atender também aos requisitos técnicos descritos na Resolução 
RDC 07/2015 da ANVISA, atualizada pela RDC 752/22. Por meio deste, o consumidor tem 
acesso às informações imprescindíveis sobre o produto e o fabricante responsável por 
ele. A empresa precisa estar respaldada legalmente para evitar sanções e restrições à 
produção e/ou importação e comercialização dos produtos, para isso, deve atender a 
todos os requisitos técnicos. 
Com o objetivo em atender a regulamentaçãodo direito do consumidor, os rótulos dos 
produtos cosméticos fabricados e/ou comercializados no território nacional devem 
apresentar a descrição dos ingredientes também em língua portuguesa, como será 
explicado mais à frente. 
A seguir, conforme a legislação, seguem as informações obrigatórias para rótulo de 
cosméticos, podendo estas estarem na embalagem primária (a que está em contato 
direto com o rótulo) ou na embalagem secundária (quando acompanhar cartucho): 
a. Denominação de venda do produto: nome do produto que deve indicar a sua 
finalidade; 
b. Nome ou razão social e endereço do fabricante ou importador: indicação do 
responsável pelo produto; 
c. Peso ou volume líquido: quantidade do produto contida na embalagem; 
d. Número de lote: identificação do lote de fabricação do produto; 
e. Prazo de validade: data limite para o uso do produto; 
f. Registro no órgão competente: número do registro na Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa); 
 
14 
 
g. Instruções de uso: modo correto de utilizar o produto, precauções e eventuais 
contraindicações; 
h. Composição qualitativa: lista de ingredientes utilizados na formulação do 
produto, descritas em INICI, que é a nomenclatura internacional de ingredientes 
cosméticos e a DCB e os nomes em português, atendendo a denominação 
comum brasileira. 
Advertências obrigatórias: frases de alerta sobre os possíveis riscos do produto e 
informações para o uso seguro. 
Além dos requisitos obrigatórios, o rótulo deverá conter dados sobre o representante 
legal da empresa que fabrica e distribui o cosmético, com CNPJ, endereço, AFE, nome e 
número do conselho do responsável técnico, além de dados de contato que ajudem o 
consumidor a entender melhor o produto, como o número de telefone do Serviço de 
Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante ou importador. 
1.5 Segurança cosmética 
Controle de qualidade 
A ANVISA também orienta sobre os padrões de qualidade de um produto cosmético, 
para evitar riscos à saúde do consumidor. São necessários testes de controle físico, 
químico e microbiológico. 
Segundo Tavares et al. (2020): 
Um produto cosmético de qualidade deve apresentar estabilidade, segurança 
e eficácia, sendo que a segurança é fundamental, pois o cosmético, 
diferentemente dos medicamentos, não pode causar nenhum efeito adverso 
ao consumidor. De acordo com a Anvisa, a empresa que produz cosmético(s) 
deve ter um dossiê de segurança e eficácia do(s) produto(s) à disposição das 
autoridades competentes. Além disso, os produtos cosméticos não podem 
apresentar “risco à saúde quando utilizados em conformidade com as 
instruções de uso e demais medidas constantes na embalagem de venda 
durante o seu prazo de validade. 
O papel da qualidade é atestar a segurança e eficácia das substâncias ativas ou do 
produto cosmético final. Para tanto, a ANVISA publicou, em 2012, o Guia para avaliação 
de segurança de produtos cosméticos (http://www.anvisa.gov), publicação esta, 
atualizada em 2020. 
 
15 
 
A avaliação da segurança deve preceder a colocação do produto cosmético 
no mercado. A empresa é responsável pela segurança do produto cosmético, 
conforme assegurado pelo Termo de Responsabilidade apresentado no ato 
da regularização do produto, onde ela declara possuir dados comprobatórios 
que atestam a sua eficácia e segurança (Anvisa, 2020). 
Para assegurar essa segurança ao consumidor, os responsáveis pelo processo de 
desenvolvimento e elaboração da cadeia produtiva de um cosmético devem se atentar 
a minimizar os riscos ao consumidor final, para tanto devem empregar recursos 
técnicos e científicos suficientemente capazes de reduzir possíveis danos, como 
irritação, sensibilidade, desconfortos e efeitos sistêmicos. Para tanto deve-se considerar 
os seguintes pontos de atenção: 
• Formular o produto com ingredientes referenciados, conforme estabelecido nas 
RDC 211/05 e Portaria 295/98 e suas atualizações, e reconhecidamente seguros 
(Brasil, 2005; Brasil, 1998); 
• Obter dados de segurança dos produtos acabados; 
• Seguir as Boas Práticas de Fabricação e Controle, conforme estabelecido na 
Portaria 348/97 e suas atualizações (Brasil, 1997); 
• Fornecer informações ao consumidor da maneira mais clara possível, a fim de 
evitar o uso inadequado do produto; 
• Avaliar as reações ocasionadas por produtos cosméticos disponíveis no mercado. 
Tipos de Ensaios a serem realizados: 
• Ensaios toxicológicos: são realizados nas matérias-primas de interesse 
cosmético. O Guidance for the testing of cosmetic ingredients (SCCS, 2010) lista 
os seis testes primordiais, validados internacionalmente, que têm sido 
considerados os ensaios toxicológicos mínimos, ficando os demais sujeitos à 
avaliação. São eles: 
o Toxicidade sistêmica aguda; 
o Corrosividade e irritação dérmica; 
o Sensibilização cutânea; 
 
16 
 
o Absorção/penetração cutânea; 
o Doses repetidas; 
o Mutagenicidade/genotoxicidade; 
o Toxicidade subaguda e subcrônica; 
o Irritação ocular; 
o Irritação de mucosas; 
o Efeitos tóxicos induzidos pela radiação UV (fototoxicidade, 
genotoxicidade, fotoalergia); 
o Carcinogenicidade; 
o Toxicidade do desenvolvimento e reprodutiva (teratogenicidade); 
o Toxicocinética e Toxicodinâmica. 
Importante ressaltar que esses testes substituem o uso do modelo 
experimental animal, não mais realizado no país. 
• Ensaios físicos: são testados diversos parâmetros relacionados ao que se 
observa fisicamente no produto: cor, odor, densidade, viscosidade e pH. 
Realizados em matérias-primas e produto acabado; 
• Ensaios químicos: são determinados teor de princípios ativos, avaliação de FPS 
e ação de conservantes. Realizado no produto acabado; 
• Ensaios microbiológicos: determinam limites para presença de microrganismos 
e ausência de fungos e patógenos. Realizados em matérias-primas e produto 
acabado. 
 
 
 
 
17 
 
Conclusão 
O uso de produtos cosméticos está diretamente associado à ideia de atributos de beleza, 
sendo, portanto, parte fundamental dos tratamentos atuais. Estudar a aplicação prática 
desses produtos implica em garantir satisfação ao cliente, promovendo o sucesso do 
tratamento escolhido. 
Além do conhecimento prático sobre o uso dos produtos, é necessário ao profissional 
farmacêutico conhecimento básico sobre química e bioquímica, com o objetivo de 
compreender a interação dos cosméticos com a pele, conforme a necessidade de cada 
indivíduo, assim como o domínio das etapas de criação, desenvolvimento e 
regulamentação para que o produto final seja comercializado corretamente. 
REFERÊNCIAS 
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Guia de Estabilidade de Produtos 
Cosméticos. 1. ed. Brasília: ANVISA, 2004. 52 p. (Série Qualidade em Cosméticos, v. 1). 
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Guia para avaliação de segurança de 
produtos cosméticos. Anvisa, 2012. Disponível em: http://www.anvisa.gov. 
br/cosmeticos/guia/index.htm. Acesso em: 28 mar. 2024. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 7, de 10 de fevereiro de 2015. 
Dispõe sobre os requisitos técnicos para a regularização de produtos de higiene 
pessoal, cosméticos e perfumes e dá outras providências. Diário Oficial da União, 10 
fev. 2015. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2015/rdc0007_10_02_2015.pdf. 
Acesso em: 2 abr. 2024. 
BRASIL. Biblioteca de cosméticos. 5 mar. 2024. Disponível em: 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/regulamentacao/legislacao/bibliotecas-
tematicas/arquivos/cosmeticos. Acesso em: 2 abr. 2024. 
 
 
http://www.anvisa.gov/
 
18 
 
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Conselho Nacional de Controle 
de Experimentação Animal. RN nº 17, de 3/7/2014. Dispõe sobre o reconhecimento de 
métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa no Brasil e dá 
outras providências. Diário Oficial da União, 4 jul. 2014. 
BRASIL. Portaria nº 295,de 16 de abril de 1998. Diário Oficial da União, 16 abr. 1998. 
Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs1/1998/prt0295_16_04_1998.html. 
Acesso em: 2 abr. 2024. 
BRASIL. Resolução - RDC nº 211, de 14 de julho de 2005. Diário Oficial da União, 14 jul. 
2005. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2005/rdc0211_14_07_2005.html. 
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GALEMBECK, F.; CSORDAS, Y. Cosméticos: a química da beleza. Rio de Janeiro: 
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PALACIOS, A. R. J. Cultura, consumo e segmentação de público em anúncios de 
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Disponível em: https://revistacmc.espm.br/revistacmc/article/view/63/64. Acesso em: 
2 abr. 2024. 
 
19 
 
RIBEIRO JR., W. A. Hipócrates de Cós. In: CAIRUS, H. F.; RIBEIRO JR., W. A. Textos 
hipocráticos: o doente, o médico e a doença. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2005. 
Disponível em: https://books.scielo.org/id/9n2wg. Acesso em: 2 abr. 2024. 
SOUZA, I. História dos cosméticos da Antiguidade ao século XXI. Cosmética em foco, 1 
abr. 2018. Disponível em: https://cosmeticaemfoco.com.br/artigos/historia-dos-
cosmeticos-da-antiguidade-ao-seculo-xxi/. Acesso em: 2 abr. 2024. 
SOUZA, N. M. A História da Beleza Através dos Tempos. 2008. 43 p. Monografia – 
Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro. Disponível em: 
http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/K206393.pdf. Acesso em: 2 
abr. 2024. 
TAVARES, R. S. N. et al. Biologia Celular e Molecular - Avaliação da Segurança e Eficácia 
de Produtos Cosméticos. Cosmetoguia, 26 nov. 2020. Disponível em: 
https://cosmetoguia.com.br/article/read/area/IND/id/740/%3E. Acesso em: 2 abr. 
2024. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 
2 ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE E SEUS ANEXOS 
 
 
Apresentação 
A Anatomia e Fisiologia da Pele e seus Anexos são pilares fundamentais para o 
desenvolvimento e uso eficaz de cosméticos e dermocosméticos. A compreensão da 
estrutura e das funções da pele, suas camadas, células e anexos (unhas, pelos, 
glândulas), permite formular produtos que atendam às necessidades específicas de cada 
indivíduo. O conhecimento da barreira cutânea, sua permeabilidade e mecanismos de 
absorção, por exemplo, é crucial para a criação de cosméticos com ativos que penetrem 
nas camadas desejadas da pele e exerçam seus efeitos benéficos. Assim como, ao 
entendermos os processos de envelhecimento cutâneo, como a perda de elasticidade, 
a produção de colágeno e a desidratação, podemos desenvolver dermocosméticos com 
ativos que combatam esses sinais e promovam a saúde e a beleza da pele. Portanto, o 
estudo da Anatomia e Fisiologia da Pele e seus Anexos é essencial para a indústria 
cosmética, pois permite a criação de produtos eficazes, seguros e personalizados para 
as necessidades de cada tipo de pele. 
2.1 Estruturas da pele 
A pele é o maior órgão do corpo humano, revestindo a superfície de, aproximadamente, 
2 m² do corpo. Ela apresenta complexas estruturas e funções que garantem a proteção 
do nosso corpo, sendo uma barreira física contra o meio externo, desempenhando 
várias funções vitais para a comunicação entre o meio externo e interno e controle, 
garantindo a homeostase do organismo. 
A pele é um órgão que sofre várias transformações ao longo da vida devido à influência 
do meio ambiente em que se vive e do processo de envelhecimento, natural dos seres 
vivos, podendo sofrer significativas mudanças em suas funções fisiológicas e estruturais. 
 
21 
 
Anatomicamente, a pele é formada por um epitélio estratificado, de origem 
ectodérmica, associado a uma derme de tecido conjuntivo de origem mesenquimal. 
Suas camadas são denominadas Epiderme, Derme e Hipoderme. 
Epiderme 
A epiderme é a camada mais externa, formada pelo epitélio pavimentoso estratificado 
quratinizado, composto por células queratinizadas (queratinócitos) que formam uma 
barreira contra o ambiente externo. É possível dividi-la em mais cinco subcamadas, 
chamadas de: camada basal, camada espinhosa, camada granulosa, camada lúcida e 
camada córnea. 
 
Fonte: Tortora; Nielsen, 2013. 
Figura 2.1 – Camadas da Epiderme. 
• Camada córnea: formada pelos queratinócitos, que são células achatadas 
anucleadas e abundantes em queratina no seu citoplasma e, portanto, não 
exercem atividade metabólica (estão mortas). Essa camada se descama 
continuamente; 
 
22 
 
• Camada lúcida: constituída de queratinócitos pavimentosos com núcleo 
citoqueratinizado, presente especialmente em regiões de pele mais espessa 
como plantas dos pés, palmas das mãos e lábios; 
• Camada granulosa: possui células achatadas, organizadas em cinco fileiras. São 
chamadas de granulosas por possuir grande quantidade de grânulos de que 
queratohialina e grânulos lamerares; 
• Camada espinhosa: conhecida também por camada de Malpighi, é composta por 
camadas de células bem unidas pela ligação entre os desmossomos. Essa camada 
é a grande responsável pela resistência ao atrito; 
• Camada basal: é a camada mais próxima ao tecido conjuntivo e formada por 
uma única camada de células em formato de cubos e de núcleos avantajados. 
Essa camada é rica em células-tronco, sendo conhecida também como camada 
germinativa. 
Na epiderme, além dos queratinócitos, é possível encontrar alguns outros tipos de 
células como os melanócitos, as células de Langerhans e as células de Merkel. Os 
melanócitos são responsáveis pela produção de melanina, que ficam armazenados em 
melanossomas (grânulos de armazenamento do pigmento). As células de Langerhans 
são, na realidade, macrófagos, células do sistema imune, responsáveis pela fagocitose 
de elementos estranhos e pela a ativação de linfócitos T. E as células de Merkel, que 
apresentam característica de receptores mecânicos ao liberar neurotransmissores 
liberados mediante pressão na pele. 
Derme 
É o tecido conjuntivo que se associa à epiderme. Essa região é rica em vasos sanguíneos, 
nervos e fibras colágenas, responsável pela firmeza e elasticidade da pele. Nessa camada 
é onde se encontram a inserção dos anexos da pele. Na derme se encontra uma camada 
de células chamada de papilas dérmicas que tem como função ancorar a epiderme na 
derme. Essa camada é dividida em camada papilar, constituída de tecido conjuntivo 
frouxo, que fica em contato com a lâmina basal, e a camada reticular, constituída por 
tecido conjuntivo denso. 
 
23 
 
Hipoderme 
É a camada mais profunda da pele, chamada também de panículo adiposo, por ser 
composta por células adiposas. Além de fornecer isolamento térmico e proteção contra 
impactos, a hipoderme também possui uma função endócrina, pela produção ou 
conversão de hormônios lipídicos. 
 
Fonte: Encyclopedia Britannica, Inc. 2010. 
Figura 2.2 – Estrutura da pele. 
Dentre as funções desse órgão, estão a proteção mecânica, devido a sua espessura e 
rigidez, e a proteção contra raios UV, pela presença de melanina em células que compõe 
esse tecido; a termorregulação, através da excreção do suor para refrigeração e da 
camada lipídica da hipoderme, que permite isolamento da temperatura;a 
impermeabilidade, sendo barreira contra a perda de água e outras substâncias; a 
excreção de substância como água, eletrólitos, bicarbonato, ureia, lipídeos etc.; a 
proteção imunológica, sendo ela parte da resposta inata do sistema imune; a 
endócrino-metabólica, responsável pela produção de vitamina D e hormônios lipídicos; 
e a sensibilidade, devido às diversas terminações nervosas e a presença das células de 
Merkel. 
 
24 
 
2.2 Anexos cutâneos 
Os anexos cutâneos são estruturas microscópicas e macroscópicas presentes na derme 
e hipoderme que complementam as funções da pele. Cada anexo possui características 
e funções específicas, contribuindo para a proteção, termorregulação, excreção e 
estética do corpo humano. 
Os anexos da pele são: as glândulas sebáceas, as glândulas sudoríparas, o folículo piloso 
e o aparato ungueal. 
 
Fonte: https://anatomiaefisiologiahumana.com.br/sistemas/tegumentar/1. 
Figura 2.3 – Anexos cutâneos em diferentes regiões de pele. 
As glândulas sudoríparas são do tipo écrina, com ampla distribuição corporal e 
altamente concentradas em regiões como palmas das mãos e plantas dos pés, e 
apócrina concentradas em regiões específicas como axilas, região pubiana, auréola 
mamária e região anal, sendo maiores e mais complexas que as primeiras e surgindo 
durante o processo de puberdade. Suas funções são a produção de suor, para a 
termorregulação, a excreção de produtos residuais e a liberação de feromônios. 
As glândulas sebáceas estão associadas aos folículos pilosos. Elas são as responsáveis 
pela produção de uma substância oleosa, chamada sebo, com intuito de lubrificar os 
pelos, para impermeabilizá-los e prevenir o ressecamento da pele. 
 
25 
 
Os folículos pilosos são poros aos quais se encontram estruturas como hastes, formadas 
por queratina, conhecidas como pelos. Como função, conferem proteção contra atrito, 
perda de calor e proteção contra radiação UV. 
O aparato ungueal ou unhas, como mais conhecidos, são estruturas formadas por 
queratina, material que confere resistência e flexibilidade, formando uma lâmina 
ungueal, com função de proteger as pontas dos dedos e auxiliar na manipulação de 
objetos. 
2.2.1 Classificação da pele frente aos parâmetros biofísicos (hidratação, oleosidade, 
fototipos FitzPatrick, Baumman) 
Neste tópico vamos desvendar os segredos da pele de acordo com a Classificação 
biofísica detalhada. 
1. Hidratação e oleosidade 
A hidratação é fundamental para a saúde e beleza da pele, conferindo maciez, 
elasticidade e viço. Níveis adequados de água na pele previnem o envelhecimento 
precoce, rugas e linhas de expressão. Além disso, a oleosidade natural da pele é 
importante para sua proteção e hidratação. No entanto, o excesso de oleosidade pode 
obstruir os poros e causar acne. 
Classificação: 
• Normal: pele hidratada, sem sinais de descamação e com oleosidade 
equilibrada, sem apresentar brilho excessivo; 
• Seca: falta de hidratação e oleosidade, com descamação, aspereza e sensação 
de repuxamento; 
• Oleosa: excesso de oleosidade, com brilho intenso, poros dilatados e propensão 
à acne; 
• Mista: combinação de áreas secas e oleosas, geralmente com a zona T (testa, 
nariz e queixo) mais oleosa e as demais áreas normais ou secas. 
 
 
26 
 
2. Tipo de pele segundo Baumann 
A classificação de Baumann leva em consideração a hidratação e a oleosidade da pele, 
dividindo-a em 16 tipos distintos. Essa classificação permite uma avaliação mais precisa 
das necessidades da pele e a escolha de produtos mais específicos. 
Conheça os 16 tipos de pele, segundo Baumann: 
a) Tipos de Pele 
Normal (N): pele hidratada e com oleosidade equilibrada, sem descamação ou brilho 
excessivo, textura suave e poros pouco visíveis; 
Seca (S): pele com falta de hidratação, pode ser oleosa ou não, descamação, aspereza e 
sensação de repuxamento; 
Oleosa (O): pele com excesso de oleosidade, pode ser hidratada ou não, brilho intenso, 
poros dilatados e propensão à acne; 
Combinada (C): pele com áreas secas e oleosas, zonas T (testa, nariz e queixo) 
geralmente mais oleosas, áreas remanescentes normais ou secas. 
b) Subtipos de pele: 
Cada tipo de pele (normal, seca, oleosa e combinada) pode ser dividido em quatro 
subtipos, de acordo com a quantidade de água e óleo presente na pele: 
• A: Pele desidratada (falta de água); 
• B: Pele deslipidada (falta de óleo); 
• C: Pele desidratada e deslipidada (falta de água e óleo); 
• D: Pele equilibrada (níveis adequados de água e óleo). 
c) Classificação final: 
Ao combinar os tipos e subtipos de pele, chegamos as 16 classificações de Baumann: 
• Normal: NA, NB, NC, ND; 
 
27 
 
• Seca: SA, SB, SC, SD; 
• Oleosa: OA, OB, OC, OD; 
• Combinada: CA, CB, CC, CD. 
3. Fototipos de Fitzpatrick 
O fototipo de Fitzpatrick classifica a pele de acordo com sua sensibilidade à radiação 
solar, determinando o risco de queimaduras e o potencial para desenvolver câncer de 
pele. 
Classificação: 
• I: Pele muito clara, sempre queima, nunca bronzeia. 
• II: Pele clara, queima facilmente, bronzeia pouco. 
• III: Pele morena clara, queima moderadamente, bronzeia gradualmente. 
• IV: Pele morena moderada, queima raramente, bronzeia facilmente. 
• V: Pele morena escura, raramente queima, bronzeia profundamente. 
• VI: Pele negra, nunca queima, bronzeia muito pouco. 
4. Outros fatores importantes: 
• Idade: a pele muda com o passar do tempo, tornando-se mais fina e seca com a 
idade; 
• Genética: a genética influencia o tipo de pele, a predisposição a rugas e 
manchas e a resposta aos tratamentos; 
• Clima: os climas secos podem desidratar a pele, enquanto climas úmidos podem 
aumentar a oleosidade; 
• Saúde: doenças, medicamentos e hormônios podem afetar a saúde da pele. 
 
 
28 
 
A classificação da pele frente aos parâmetros biofísicos é fundamental para o cuidado 
adequado da pele. Ao conhecer as características da sua pele, você poderá escolher 
produtos de limpeza, hidratação e proteção solar específicos para suas necessidades, 
garantindo uma pele mais saudável e bonita. 
2.3 Fibra capilar 
A fibra capilar dispõe sobre as propriedades físicas e superficiais como a resistência 
mecânica à ruptura, a elasticidade, as propriedades relacionadas à estrutura da a-
queratina, o brilho, a resistência e a penteabilidade dos fios de cabelo. Ela é dividida em 
duas partes, a raiz e haste, sendo a haste a porção que se projeta para fora da superfície 
da pele, enquanto a raiz está inserida no folículo piloso. 
O folículo piloso é composto da bainha epitelial e bainha de tecido conjuntivo. A 
primeira, que está mais próxima da raiz do pelo, já a epitelial externa é considerada um 
prolongamento inferior da epiderme, com a camada espinhosa por dentro e membrana 
vítrea. 
 
Fonte: Amiralian; Fernandes, 2018. 
Figura 2.4 – Estrutura da fibra capilar. 
 
 
29 
 
A haste é composta por células fusiformes contendo, principalmente, α-queratina que, 
dependendo do tipo de cabelo, pode corresponder de 65% a 95% de sua massa. Essa 
proteína está disposta em cadeias polipeptídicas helicoidais e é formada por elevada 
proporção de cistina insolúvel, estabilizada física e quimicamente por ligações de 
dissulfeto, ligações de hidrogênio e hidrofóbicas, interações de van der Walls e salinas. 
A haste é subdividida em três estruturas principais: cutícula, córtex e medula e é 
responsável por conferir brilho, corpo e textura ao cabelo. 
A cutícula é a mais externa da fibra capilar e é formada por células anucleadas e 
achatadas, que são translúcidas e queratinizadas, sendo responsáveis pela proteção das 
células corticais e regulação da entrada e saída de água na fibra, permitindo a 
manutenção da estrutura física do fio e gerando a aparência pela forma da reflexão da 
luz, sendo responsáveis pelas propriedades de brilho e textura. 
O córtex é o maior constituinte da fibra capilar, possuindo célulascorticais que são 
subdivididas em macrofibrilas, formadas por material interfilamentar amorfo, rico em 
enxofre e microfibrilas, dispostas em a-hélice, constituídas por protofibrilas. A cor dos 
cabelos é determinada pela presença ou ausência de diversos tipos de melaninas 
depositadas no córtex da fibra capilar. 
A medula se apresenta como camada fina e cilíndrica, localizada na parte interna central 
das fibras capilares espessas, sendo constituídas por células anucleadas. Pode estar 
presente ou ausente ao longo do comprimento do fio e sua função ainda não é um 
consenso, podendo ser classificada como ausente, fragmentada ou contínua. 
Os folículos pilosos não apresentam crescimento contínuo e cada fibra capilar se 
encontra nas fases do ciclo de crescimento em períodos diferentes. Existem três fases 
do ciclo de crescimento do cabelo: anágena, catágena e telógena. 
A fase anágena representa a fase ativa de crescimento capilar e dura entre dois e seis 
anos, dependendo da região cutânea. Em seguida, temos a fase catágena, que é de curta 
duração, entre duas e três semanas, na qual ocorre regressão no desenvolvimento do 
pelo por meio da apoptose das células localizadas na raiz. 
 
30 
 
Essas duas fases são separadas por um período de repouso conhecido como fase 
telógena, que perdura entre três a quatro meses. Durante a fase telógena os cabelos 
caem e uma nova matriz se forma gradualmente, a partir das células germinativas da 
camada basal e um novo fio de cabelo começa a crescer e o folículo volta para a fase 
anágena. Normalmente, até cerca de 90% dos nossos folículos pilosos estão na fase 
anágena, enquanto entre 10% e 14% estão na fase telógena e apenas 1% e 2% estão na 
fase catágena. 
2.4 Vascularização da pele 
A pele, sendo o maior órgão do corpo humano, possui uma complexa rede de vasos 
sanguíneos que garantem seu funcionamento adequado, pois a vascularização fornece 
oxigênio, nutrientes e outras substâncias essenciais para as células da pele. 
A irrigação da pele é realizada por um sistema de artérias, capilares e veias. As artérias 
transportam sangue rico em oxigênio e nutrientes do coração para a pele, enquanto as 
veias coletam o sangue rico em gás carbônico e outros produtos residuais produzido 
pelas células para serem eliminados do corpo. A ponte entre o sangue e as células da 
pele são os capilares, vasos sanguíneos muito finos que vinculam o sistema circulatório 
ao tecido cutâneo. A parede endotelial dos capilares é muito fina, permitindo a troca 
gasosa e de nutrientes, substâncias residuais. 
A rede arterial da pele se subdivide em artérias musculares que irrigam a derme, e 
artérias foliculares, que irrigam os folículos pilosos. As veias da pele também são 
divididas em veias subpapilares, localizadas na derme papilar e veias profundas, 
localizadas na derme reticular. Derivadas dos vasos mais calibrosos, na derme também 
são encontrados os plexos vasculares, que são redes de capilares que se conectam entre 
si, garantindo um fluxo sanguíneo constante e eficiente para todas as regiões da pele. 
A vascularização no tecido tegumentar é fundamental para a troca de gases e nutrientes, 
termorregulação (pela vasoconstrição e vasodilatação) e a resposta inflamatória contra 
agentes agressores. 
A vascularização da pele é vital para a saúde e o bem-estar do corpo humano. Alterações 
na vascularização da pele podem levar a diversos problemas como palidez, pela 
 
31 
 
diminuição do fluxo sanguíneo; cianose, com o aumento de concentração de 
hemoglobinas desoxigenadas; e edema, com o acúmulo de líquido/exsudato no tecido 
intersticial. 
2.5 Inervação da pele 
A pele, sendo o maior órgão do corpo humano, possui uma complexa rede de vasos 
sanguíneos e nervos que garantem seu funcionamento adequado. A vascularização 
fornece oxigênio, nutrientes e outras substâncias essenciais para as células da pele, 
enquanto a enervação permite a percepção de estímulos táteis, térmicos e dolorosos. 
A pele é rica em terminações nervosas que a tornam um órgão sensorial altamente 
sensível. As fibras nervosas se originam na medula espinhal e se ramificam na derme, 
onde se conectam a diferentes tipos de receptores sensoriais. 
As fibras nervosas são classificadas em fibras aferentes que transmitem informações 
sensoriais da pele para o sistema nervoso central (SNC) e fibras eferentes, que 
controlam a função das glândulas sudoríparas e dos músculos piloeretores. 
A sensibilidade promovida por essa inervação permite a sensação do tato, que 
determina a percepção de texturas, formas e pressão; percepção da temperatura 
externa; e a percepção da dor, devido aos estímulos nos nociceptores presentes na 
derme. 
As redes de fibras nervosas que se conectam são chamadas de plexos nervosos, que 
garante a inervação completa de todas as regiões da pele. 
A enervação da pele é de extrema complexidade e intrinsecamente ligada ao processo 
de homeostase corporal. Alterações na enervação da pele podem levar a diversos 
problemas como parestesias e dor. 
A compreensão desses sistemas é fundamental para o diagnóstico e tratamento de 
diversas doenças dermatológicas, bem como para a elaboração de produtos cosméticos 
dermatocosméticos para amenizar os sintomas ou até mesmo recuperar a saúde da 
pele. 
 
 
32 
 
Conclusão 
O conhecimento profundo da estrutura da pele, seus anexos e redes de vascularização 
e inervação é fundamental para o desenvolvimento de produtos cosméticos e 
dermocosméticos eficazes e seguros. Farmacêuticos que dominam esse conhecimento 
têm habilidades para selecionar princípios ativos com maior afinidade pelas diferentes 
camadas da pele e anexos, otimizando a entrega e ação dos princípios ativos; 
desenvolver formulações que considerem as características fisiológicas da pele, como 
pH, permeabilidade e barreira cutânea, bem como das características específicas de 
cada tipo de pele (como seca, oleosa, mista, madura etc.), garantindo a estabilidade e 
biocompatibilidade dos produtos e resultados personalizados e eficazes; e avaliar a 
segurança e a eficácia dos produtos através de testes específicos para cada tipo de pele 
e seus anexos, garantindo a qualidade e confiabilidade dos produtos para os 
consumidores. 
Portanto, para o desenvolvimento de produtos cosméticos e dermocosméticos 
inovadores, seguros e eficazes, que atendam às necessidades dos consumidores e 
contribuam para a saúde e beleza da pele, é importante compreender a anatomia e 
fisiologia do sistema tegumentar. 
REFERÊNCIAS 
AMIRALIAN, L.; FERNANDES, C. R. Fundamentos da cosmetologia. Cosmetics & 
Toiletries (Brasil), v. 30, 2018. 
GAMA, R. M. et al. Thermal analysis of hair treated with oxidative hair dye under 
influence of conditioners agents. Journal of Thermal Analysis and Calorimetry, 2011, 
vol. 106, p. 399-405. 
ISABEL, A. P. F. Cuidados dermocosméticos para uma pele saudável: aconselhamento 
farmacêuticos nos casos mais comuns. Universidade do Algarve, faculdade de ciências 
e tecnologia, 2012. 
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J.; ABRAHAMSOHN, P. Histologia básica: texto e atlas. 
13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 
 
33 
 
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Pele e anexos. Histologia Básica, v. 9, p. 303-309, 
2004. 
SAMPAIO, S. A. P.; RIVITTI, E. A. Dermatologia. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 
2018. 
TORTORA, G. J.; NIELSEN, M. T. Princípios de anatomia humana. 12. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
3 PRODUTOS CAPILARES 
 
 
Apresentação 
Os cabelos transcendem a mera função estética na sociedade, eles assumem um papel 
que molda desde a identidade individual até a identidade coletiva de grupos sociais e de 
diferentes épocas. Sua importância se manifesta em diversos aspectos como forma de 
expressão pessoal, identidade cultural, saúde e bem-estar, sendo, portanto, parte 
essencialda vida humana, impactando a maneira como nos vemos, nos expressamos e 
nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. 
O mercado de produtos capilares movimenta bilhões de dólares anualmente, 
impulsionado pela busca por beleza, saúde e bem-estar e, com isso, a indústria investe 
continuamente em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias para oferecer 
produtos cada vez mais eficazes e personalizados para diferentes tipos de cabelo. 
Neste bloco, vamos explorar os diferentes tipos de produtos capilares, aprendendo suas 
funções, princípios ativos e formas de aplicações e desenvolver habilidades para analisar 
criticamente a composição dos produtos capilares, interpretando rótulos e identificando 
os ingredientes mais adequados para a necessidade de cada tipo de cabelo, bem como 
o conhecimento das principais inovações tecnológicas que revolucionam a indústria, 
como nanotecnologia, biotecnologia e ingredientes naturais, para se manter atualizado 
com as últimas tendências do mercado. 
3.1 Xampu (shampoo) 
Os xampus são cosméticos dedicados à limpeza do couro cabeludo e dos cabelos, 
gerando uma experiência sensorial que combina higiene, beleza e cuidado. No entanto, 
eles foram angariando novas aplicações, além da remoção de impurezas, como evitar o 
ressecamento e promover nutrição, apresentando formulações suaves que eliminam a 
 
35 
 
oleosidade e resíduos sem agredir os fios, mantendo o pH ideal do couro cabeludo, 
gerando maciez e brilho, facilidade em pentear e reduzindo a eletricidade estática. 
Em situações de problemas dermatológicos, os xampus podem também ser 
desenvolvidos incorporando princípios ativos que previnem e tratam irritações, 
descamação, seborreia etc. Na atualidade, os xampus são encontrados na sua forma 
líquida cremosa, a mais tradicional, gel, pós e em barra. 
Esses produtos são classificados pela sua indicação de uso entre cada tipo de 
características capilares, como secos ou oleosos, lisos ou cacheados, danificados 
quimicamente etc. ou, ainda, pelos benefícios que podem proporcionar como proteção 
de cor, hidratação, definição de cachos ou controle de frizz. 
Os xampus modernos também têm como objetivo proporcionar uma experiência 
sensorial completa, combinando fragrâncias e texturas inovadoras, para gerar 
momentos de prazer e autocuidado que transformam a rotina de higiene em um ritual 
estético. 
Composição dos xampus 
Os xampus são compostos, majoritariamente, por tensoativos que têm a função de 
lavagem e remoção de oleosidade e resíduos do couro cabeludo e de toda a extensão 
dos fios. Dentre outros insumos que podem ser incorporados à formulação dos xampus, 
estão os agentes quelantes, reguladores de viscosidade e pH, agentes de opacidade, 
umectantes, formadores de filme, fragrância e conservantes farmacotécnicos. 
Espera-se de um xampu que possua características físico-químicas dentro dos seguintes 
parâmetros: pH: 5,5 a 6,0; viscosidade: 5000 a 7000 cps e aspecto líquido-cremoso. 
 
 
 
 
36 
 
 
Fonte: Amiralian; Fernandes, 2018. 
Figura 3.1 – Exemplo típico da formulação de um xampu. 
O processo de fabricação de xampus é relativamente simples, pois depende apenas da 
mistura dos ingredientes em ordem de polarização e solubilidade, sem necessidade de 
aquecimento, apenas no caso do uso de agentes de opacidade, onde eles devem ser 
aquecidos separadamente, misturados em água quente e depois incorporados ao resto 
da formulação. 
3.2 Condicionadores 
Os condicionadores são produtos usados após a lavagem dos cabelos, com objetivo de 
restaurar, hidratar e proteger os fios. São emulsões catiônicas formada por tensoativos 
catiônicos, ácidos-graxos, emolientes, agentes de estabilização, agentes conservantes e 
fragrância, portanto, conferem equilíbrio do pH, maciez, brilho, alinhamento e controle 
do frizz, boa penteabilidade e proteção dos fios. Além dos condicionadores capilares, 
entram nessas categorias cosméticas produtos como: máscara capilar, creme para 
pentear sem enxágue e sprays desembaraçantes. 
Os condicionadores capilares são importantes após a utilização do xampu, pois, após a 
lavagem, os cabelos ficam eletrostaticamente carregados com cargas negativas 
provenientes dos tensoativos aniônicos e outras cargas negativas presentes na 
formulação dos xampus, o que gera aspereza e embaraçamento, com aspecto 
arrepiado. Assim, os condicionadores agem como neutralizantes dessas cargas e, ao se 
aderirem aos fios, por sua alta interação com a queratina da cutícula capilar, atraem 
moléculas de água, mantendo a hidratação. 
 
37 
 
Composição dos condicionadores 
Por serem emulsões, os condicionadores se constituem de uma fase aquosa e uma fase 
lipídica que são aquecidas e acrescidas de um agente tensoativo que permite a formação 
da emulsão. 
Espera-se de um xampu que possua características físico-químicas dentro dos seguintes 
parâmetros: pH: 3,5 a 4,5; viscosidade compatível com a embalagem e de fácil manuseio 
e aplicação e aspecto de uma emulsão cremosa. 
 
Fonte: Amiralian; Fernandes, 2018. 
Figura 3.2 – Exemplo típico da formulação de um condicionador. 
Outros ingredientes utilizados na formulação dos condicionadores são os mesmos 
utilizados em xampus, por melhorarem a estabilização e características organolépticas 
e de conservação do produto após fabricação como os reguladores de viscosidade, 
reguladores de pH, umectantes, agentes quelantes, fragrâncias, extratos e óleos 
vegetais e conservantes farmacotécnicos 
 
 
 
 
 
 
38 
 
3.3 Insumos no preparo de Xampus e Condicionadores 
Tensoativos 
Tensoativos são substâncias anfipáticas que reduzem a tensão superficial da água, 
favorecendo a ação de eliminar resíduos gordurosos, suor e sujidades do couro cabeludo 
e fios, nos xampus (tensoativos aniônicos, tensoativos anfóteros, tensoativos não-
iônicos) ou utilizados como matéria-prima para gerar emulsificação nos condicionadores 
(tensoativos catiônicos). 
São classificados entre tensoativos aniônicos, tensoativos anfóteros e tensoativos não-
iônicos. 
Os tensoativos aniônicos possuem na parte polar de sua molécula um grupamento de 
carga negativa (formado por ânions). Quando em solução aquosa, como os alquil 
sulfatos, os alquil éter sulfatos e os alquil sulfosuccinatos, são os mais utilizados. 
Possuem forte ação de limpeza e espumação, isolados, podem gerar ressecamento, 
sendo necessário o equilíbrio desses com outros tensoativos para deixar a formulação 
mais suave. 
São exemplos de tensoativos aniônicos o lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de 
sódio, lauril éter sulfato de trietanolamina e lauril éter sulfosuccinato de sódio. 
Os tensoativos anfóteros apresentam tanto grupamentos de carga positiva e negativa 
na mesma molécula e, a depender do pH do meio ao qual estão incorporados e do 
tamanho da cadeia molecular, podem possuir alterações em suas características de 
solubilidade, limpeza e espumação. Em cosméticos, a betaína é o tensoativo anfótero 
mais utilizado pela indústria. 
Os tensoativos não iônicos não possuem carga, devido ao grande número de 
grupamentos hidrofílicos ligados à cadeia de ácido graxo. Por isso são compatíveis com 
a maioria das formulações, especialmente direcionadas ao público infantil, pois não 
geram irritação na pele e olhos, no entanto, possuem baixo poder de limpeza e 
espumação. 
 
39 
 
As alcanolamidas de ácidos graxos são os tensoativos não iônicos mais utilizados no 
mercado brasileiro, pois se trata de um insumo de baixo custo e gera espessamento no 
produto, para o aumento de viscosidade. Também podemos citar os 
alquilpoliglicosídeos, que são derivados de milho e, portanto, biodegradáveis. 
Os tensoativos catiônicos são os agentes principais dos condicionadores. Os tensoativos 
catiônicos são quartenários de amônio que possuem na parte polar de sua molécula um 
grupamento de carga positiva (formado por cátions de nitrogênio), quandoem solução 
aquosa. Além de atuar na diminuição da tensão de superfície da água, possuem ação 
bactericida e agem na estabilidade da emulsão. Ao aderirem a fibra capilar, promovem 
alinhamento, maciez e brilho, facilitando o desembaraço e conferindo boa aparência aos 
cabelos. 
Os sais de quaternário de amônio, como o cloreto de cetrimônio, o cloreto de 
berrentrimônio, o metossulfato de berrentrimônio, a estearamidopropil dimetilamina 
e, mais recentemente, o éster quat., são os principais tensoativos aniônicos 
incorporados à formulação dos condicionadores. 
Agentes quelantes 
Os quelantes são sequestradores de íons metálicos, como cálcio, ferro, cobre e 
magnésio, provenientes da água ou de matérias-primas da formulação, formando 
complexos estáveis e pouco reativos. Por isso, são utilizados nos produtos cosméticos 
para evitar problemas como mudança de cor, de cheiro e de textura. 
O EDTA dissódico, utilizado em formulações com pH mais ácido, e o EDTA tetrassódico, 
utilizado em formulações com pH mais alcalino, são os principais representantes desses 
agentes. 
Reguladores de viscosidade 
Os reguladores de viscosidade ou espessantes aumentam a viscosidade da formulação, 
melhorando a estabilidade, aparência e textura. São classificados como orgânicos e 
inorgânico. Os primeiros são polímeros de carboidratos ou éteres poliglicólicos de ácidos 
graxos, já os inorgânicos são os sais como o cloreto de sódio, cloreto de magnésio e 
fosfato de sódio ou amônio. 
 
40 
 
Reguladores de pH 
São agentes utilizados para ajustar o pH da formulação de acordo com a intenção do 
desenvolvedor. São classificados em neutralizantes, acidulantes, alcalinizantes e 
tampões. Os ácidos carboxílicos e ácidos hidroxicarboxílicos, como o ácido cítrico e o 
ácido láctico, são os mais utilizados na elaboração desses produtos cosméticos. 
Umectantes 
Os umectantes têm o poder de agregar moléculas de água, retendo a água na pele, 
cabelo e na formulação cosmética. A glicerina, os poliglicóis, os sacarídeos e 
polissacarídeos, bem como alguns extratos vegetais, têm esse potencial. 
Agentes condicionantes 
O intuito dos agentes condicionantes é reduzir a porosidade ou formam um filme de 
proteção no fio, impermeabilizando-os. Por isso, conferem resistência, maior 
elasticidade e maciez, favorecendo o alinhamento dos fios e uma melhor 
penteabilidade. 
Os poliquatérnios, a goma guar quaternizada e os polímeros naturais catiônicos são os 
principais agentes desembaraçantes e são rapidamente absorvidos pelos fios. Enquanto 
os silicones são propensos a formar um filme de proteção, conferindo brilho, 
alinhamento e proteção térmica. 
Agentes de Opacidade 
Agentes de Opacidade não são agentes necessários para a funcionalidade da 
formulação, mas conferem uma aparência melhor ao produto final. São materiais 
cerosos derivados de álcoois, glicerídeo, ésteres, amidas e ácidos-graxos, e insolúveis 
em água e nos tensoativos. Para sua incorporação na fórmula, são emulsionados em 
temperatura acima de seu ponto de fusão. Quando a formulação esfria, eles se 
solidificam gerando partículas amorfas ou cristalinas e heterogêneas. As partículas 
amorfas conferem a opacidade, enquanto as partículas cristalinas geram aspecto 
perolado no produto. 
 
 
41 
 
Conservantes farmacotécnicos 
Para aumentar a vida útil de produtos cosméticos, se faz necessária a utilização de 
conservantes ou preservantes. 
Os preservantes são regulamentados pela RDC nº 29, de 1º/6/2012, da Agência Nacional 
de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece a lista de insumos de uso permitido, sua 
máxima concentração e as limitações de uso. 
Além das matérias-primas citadas acima, também podem ser incorporados fragrâncias, 
corantes, extratos e outros aditivos para conferir originalidade e perfil do cosmético, 
desde que esses elementos sejam compatíveis com a formulação, garantindo a 
estabilidade e características organolépticas. 
3.4 Agentes de alteração capilar – Alisantes capilares 
O cabelo é uma de poucas características físicas do corpo que podemos alterar parcial 
ou totalmente, de acordo com as tendências da moda, cultura ou valores sociais. Seja 
por motivos estéticos ou na busca de melhor qualidade de vida, a busca por agentes de 
alterações capilares é amplamente abordada em diversos estudos científicos das áreas 
médica e cosmética. Embora não tenha nenhuma função vital, representam 
tratamentos relevantes na imagem corporal e possuem importância psicológica e de 
inserção social, fazendo parte da identidade do indivíduo. 
Por isso, ao longo dos séculos, os seres humanos têm utilizado diferentes materiais e 
métodos químicos e físicos para alterar a aparência física do cabelo, como alisantes, 
relaxantes, cacheadores, tinturas etc. 
Os alisantes capilares são produtos químicos que modificam a estrutura natural dos fios, 
alisando-os temporária ou permanentemente, mesmo após o enxágue. Os alisantes são 
classificados entre ácidos ou alcalinos. 
 
42 
 
 
Fonte: Elena Pimukova, via Shutterstock. 
Figura 3.3 – Tipos de Capelo e suas classificações. 
Os alisantes alcalinos promovem efeito permanente e são classificados em duas 
categorias: os tióis (tioglicolato) e os hidróxidos (de sódio, de potássio, de cálcio e a 
guanidina), todos aprovados pela ANVISA para a finalidade de alisamento capilar. Esses 
produtos atuam quebrando as pontes dissulfeto (ligações químicas) presentes na 
queratina do cabelo, permitindo que ele fique maleável para ser modelado com secador 
e chapinha. No entanto, a incompatibilidade entre tioglicolato e hidróxidos, juntamente 
com o pH alcalino, pode causar danos como queimaduras no couro cabeludo, quebra 
dos fios e fragilidade. Por outro lado, os alisantes ácidos, conhecidos popularmente 
como escova progressiva, utilizam formaldeído (formol) em combinação com produtos 
contendo queratina hidrolisada (aminoácidos). Com o calor do secador e da chapinha, o 
formol é liberado como gás, reagindo com a queratina do cabelo e modificando sua 
estrutura para obter fios lisos. 
É importante ressaltar que o uso de formol como alisante é proibido, devido ao seu 
potencial carcinogênico. A exposição crônica ao formol representa riscos para 
profissionais de salões de beleza, enquanto a exposição aguda pode causar reações 
alérgicas, irritações na pele, olhos e vias respiratórias, além de intoxicação grave, 
podendo levar à morte. 
 
 
 
43 
 
Após a proibição do formaldeído, novas substâncias começaram a ser empregadas em 
escovas progressivas e “botox capilar”, cuja ação é temporária e se potencializam com 
a frequência de aplicações, como o ácido glioxílico, que encontra-se atualmente em 
processo de avaliação pela ANVISA quanto à sua segurança como agente alisante para 
comercialização de formulações no país; os aminoácidos de queratina glyoxyloyl, já 
aprovados pela angênia de vigilância, mas com ressalvas na frequência de utilização, e 
o cloridrato de L-cisteína, o cloridrato de cisteínamida e a carbocisteína glyoxyloyl, que 
ainda não possuem regulamentação, porém já existem produtos com esses 
componentes devidamente registrados na ANVISA e sendo comercializados. 
 
 
Fonte: Barreto. et al., 2021. 
Figura 3.4 – Ação dos diferentes tipos de alisantes capilares. 
 
 
 
 
44 
 
3.5 Agentes de alteração capilar – Tintura capilar 
As tinturas capilares alteram a cor dos cabelos, podendo cobrir fios brancos, realçar a 
cor natural ou criar tons fantasia. 
Antigamente, a coloração capilar era a mistura de plantas e compostos metálicos. A 
primeira tintura orgânica sintética foi desenvolvida com base no “pirogalol” (1,2,3 -
triidroxibenzeno). Há mais de 100 anos, a coloração dos cabelos é realizada por tinturas 
oxidativas a partir da p-fenilenodiamina (composto incolor), que produzia um composto 
colorido quando oxidado. 
As tinturas capilares se popularizaram devido à sua ampla aceitaçãosocial e facilidade 
de aplicação em casa. Com o avanço da síntese orgânica na área da química, surgiram 
novas moléculas que permitiram uma variedade maior de cores, proporcionando tons 
mais naturais para realçar a cor original do cabelo e/ou cobrir os fios brancos. 
Atualmente, a pigmentação dos cabelos entrou num paradigma lúdico, com a utilização 
de cores variadas e não-naturais. 
A coloração dos cabelos é geralmente feita com corantes sintéticos, sendo os 
autorizados para uso cosmético listados no Anexo III da RDC nº 79 de 28 de agosto de 
2000 (BRASIL, 2000). Já os agentes alcalinizantes e oxidantes permitidos em produtos 
cosméticos são regulamentados pela RDC nº 215 de 25 de julho de 2006. 
• Tinturas naturais: são de origem vegetal e recomendadas aos indivíduos 
sensíveis às tinturas oxidativas. Entretanto, devido à dificuldade de estabilidade 
na formulação contendo esses extratos, comprometem a eficácia. Dentre os 
corantes mais conhecidos dessa classificação temos a “Henna”, que apresenta 
tonalidade avermelhada; 
• Tinturas sintéticas: são formadas por corantes ácidos e de caráter aniônico. São 
moléculas de alta massa molar o que impede uma boa penetração na fibra 
capilar. Por isso, em sua formulação são acrescentados agentes de 
permeabilidade, que tornam os fios mais porosos para a absorção da coloração; 
 
45 
 
• Tinturas semipermanentes: são compostos sintéticos derivados de petróleo, 
possuem baixa massa molar e possuem natureza catiônica e ácida. Devido às 
suas características, essa tintura pode ser utilizada em ambiente doméstico. Ela 
penetra facilmente pelas cutículas até chegar ao córtex capilar, podendo durar 
de cinco a dez lavagens; 
• Tinturas permanentes: são amplamente utilizadas e podem ser classificadas 
entre as graduais e as oxidativas. As tinturas graduais são compostas por sais de 
chumbo, bismuto ou prata, que interagem com os resíduos de cisteína 
pertencentes à queratina da cutícula, formando complexos que se acumulam aos 
poucos na haste capilar. Formulações gradativas não fornecem boa qualidade e 
longevidade da cor e seu uso constante pode fragilizar a fibra capilar. Já as 
tinturas oxidativas são constituídas por fenóis, portanto, altamente reativas 
que, ao interagirem entre si num meio oxidante, formam polímeros de cor. O 
principal componente que torna o ambiente oxidativo é o peróxido de 
hidrogênio. 
É muito comum que na busca pelo cabelo de textura e cor desejadas as pessoas façam 
aplicações de vários produtos com espaçamento curto entre as aplicações. Esse hábito 
é muito prejudicial aos fios, visto que muitos dos agentes alisantes são incompatíveis 
entre si, podendo levar a agravos na fibra capilar e até mesmo ao corte químico. A tabela 
a seguir orienta sobre a possível combinação de agentes capilares diferentes: 
Tabela 3.1 – Combinação entre diferentes agentes capilares. 
 
 
Fonte: Barreto. et al., 2021. 
 
46 
 
Com isso, tanto os alisantes quanto as tinturas capilares permitem que as pessoas 
expressem sua individualidade e estilo através da aparência, melhorando a autoestima 
e autoconfiança ao seguir os padrões de beleza definidos pela sociedade. 
Conclusão 
Os produtos capilares, como xampus, condicionadores, alisantes e tinturas, 
desempenham um papel fundamental na rotina de cuidados com os cabelos, 
proporcionando não apenas benefícios estéticos, mas também de saúde capilar. O 
farmacêutico desempenha um papel crucial na formulação e controle de qualidade 
desses produtos, garantindo a eficácia, a segurança e a conformidade com as 
regulamentações vigentes. Além disso, o farmacêutico atua como um agente de 
orientação essencial para os consumidores, fornecendo informações sobre a utilização 
correta desses cosméticos. Desde a escolha do produto mais adequado para cada tipo 
de cabelo até as instruções de aplicação e possíveis efeitos adversos, o farmacêutico 
desempenha um papel educativo importante para garantir que os consumidores 
utilizem os produtos de forma segura e eficaz, contribuindo para a promoção da saúde 
e beleza nos cuidados rotineiros com os cabelos. 
REFERÊNCIAS 
AMIRALIAN, L.; FERNANDES, C. R. Fundamentos da cosmetologia. Cosmetics & 
Toiletries (Brasil), v. 30, 2018. 
BARRETO, T. et al. Straight to the Point: What Do We Know So Far on Hair 
Straightening? Skin Appendage Disord., v. 7, n. 4, p. 265-271, jun. 2021. doi: 
10.1159/000514367. Epub 2021 Mar. 30. PMID: 34307473; PMCID: PMC8280444. 
HALAL, J. Milady Tricologia e a Química Cosmética Capilar: Tradução da 5. edição 
norte-americana. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2016. E-book. ISBN 
9788522126620. 
MATIELLO, A. et al. Cosmetologia aplicada II. Porto Alegre: SAGAH, 2019. E-book. ISBN 
9788595029965. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595029965/pageid/0. 
Acesso em: 15 abr. 2024. 
 
47 
 
SANCTIS, D. F. S. Aspectos técnicos e práticos para o desenvolvimento de produtos 
cosméticos emulsionados. Curso de Cosmetologia Express. São Paulo: Instituto Racine 
de Educação Superior, 2003. 
SIMÃO, D. et al. Cosmetologia aplicada I. Porto Alegre: SAGAH, 2018. E-book. ISBN 
9788595028722. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595028722/pageid/0. 
Acesso em: 15 abr. 2024. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
 
4 PRODUTOS DE HIGIENE, PREVENÇÃO E EMBELEZAMENTO 
 
 
Apresentação 
O mercado de produtos de higiene e embelezamento se destaca como um dos setores 
mais dinâmicos da economia mundial. Impulsionado pela busca de bem-estar, saúde e 
beleza, esse mercado oferece um universo de opções para atender às necessidades e 
desejos dos consumidores cada vez mais exigentes com suas expectativas e qualidade 
dos produtos. 
Os produtos de higiene e embelezamento vão além da simples vaidade, pois assumem 
um papel importante na rotina de cuidados, autoestima e expressão da individualidade 
das pessoas. A indústria cosmética, por sua vez, acompanha as tendências e inova 
constantemente, lançando produtos cada vez mais eficazes e seguros, com ingredientes 
naturais, orgânicos e veganos, personalizados e sustentáveis, além de tecnologias 
inovadoras. 
Com uma constante busca por inovação esse mercado continuará a crescer e a se 
adaptar às necessidades de um público cada vez mais exigente. 
4.1 Desodorantes e antitranspirantes 
A transpiração é um processo natural e essencial do corpo humano, responsável por 
regular a temperatura corporal. No entanto, o suor excessivo pode gerar odores 
desagradáveis e comprometer o bem-estar social. Para auxiliar no controle da 
transpiração e do odor, surgem os desodorantes. 
Os desodorantes têm a função de neutralizar o odor das axilas, combatendo as bactérias 
causadoras do mau cheiro. Sua composição consiste em agentes antimicrobianos, 
emolientes, fragrância e veículo da formulação. Os principais agentes antimicrobianos 
são o triclosan e o lactato de zinco. 
 
49 
 
Os emolientes servem para manter a hidratação da pele e conferem maciez e suavidade 
à pele, reduzindo a aspereza e o descamação, para essa finalidade são utilizados 
insumos como óleos vegetais, manteigas, silicones. A fragrância tem finalidade de 
mascarar o odor corporal. Além desses, na formulação dos desodorantes outros 
materiais são utilizados como o propilenoglicol que atua como conservante do produto 
ou o álcool, que serve como adstringente reduzindo a produção de suor e gerando 
secagem mais rápida após a aplicação. 
As indicações de uso para os desodorantes são para pessoas com transpiração normal a 
leve e que buscam apenas neutralizar o odor corporal, além disso também é o melhor 
recurso para quem tem pele sensível. Além dos desodorantes, outro recurso para 
auxiliar no controle da transpiração e do odor são os antitranspirantes. 
Os antitranspirantes têm a função de reduzir a produção de suor nas axilas, controlandoa transpiração excessiva e combatendo as bactérias causadoras do mau cheiro. Sua 
composição consiste em sais de alumíno, emolientes e veículo da formulação. Os 
principais sais de alumínio são cloreto de alumínio, cloridróxido de alumínio e hidróxido 
de alumínio. A concentração desses sais na formulação é que determina o efeito do 
produto, em geral a concentração varia de 10% a 20%, podendo chegar a 30%. Os 
emolientes, o propilenoglicol ou álcool seguem a mesma finalidade que nos 
desodorantes. Já a fragrância nos antitranspirantes apenas de perfumar, sem a 
necessidade de ser um mascarador do odor corporal. 
As indicações de uso dos antitranspirantes são para pessoas excesso de transpiração, 
como é o caso de indivíduos com hiperidrose, que tem como principal objetivo reduzir 
a quantidade de suor ou quando a intenção seja utilizar em situações que exigem maior 
controle da transpiração como em climas quentes ou para praticar atividades físicas. 
 
 
50 
 
 
Fonte: (elaboração própria) 
Figura 4.1 – Diferenças entre desodorantes e antitranspirantes. 
Para que a formulação de desodorantes e antitranspirantes tenham sucesso, o equilíbrio 
entre os ingredientes da fórmula é essencial. As combinações entre diferentes 
antimicrobianos e/ou sais de alumínio vai determinar o efeito desejado no produto final. 
Para garantir a estabilidade da fórmula a longo prazo, o uso de antioxidantes e 
preservantes se faz necessário, evitando mudança nas características do produto devido 
a agentes externos. 
Cada país gere a composição dos desodorantes e antitranspirantes conforme suas 
agencias de vigilância sanitária, podendo existir grandes diferenças nas formulações, 
com a limitação do uso certos ativos e suas concentrações. Essas regras visam garantir 
a segurança e a qualidade dos produtos. Assim, a escolha dos ativos, a combinação 
estratégica dos demais ingredientes e o cumprimento das normas regulatórias são 
essenciais para garantir a eficácia e a segurança do produto final. 
4.2 Formas cosméticas de desodorantes e antitranspirantes 
Além dos diversos ativos empregados em desodorantes e antitranspirantes, as formas 
de apresentação dos produtos são bastante variadas. 
A versão em forma de spray aerossol e rollon são as mais utilizadas no país, havendo 
uma tendência crescente no uso da versão em creme nos últimos anos. 
 
 
 
51 
 
O veículo das formulações são o que definem a forma física final do produto, além de 
garantir que sua forma de aplicação garanta a atuação do princípio ativo e as 
características mais desejadas como secagem rápida, absorção na pele, efeito 
prolongado, evitar manchar ou danificar o tecido da roupa, dentre outras. 
Seguem abaixo as principais formas farmacêuticas de desodorantes e antitranspirantes: 
• Pós: são os talcos, utilizados principalmente para aplicação nos pés. A ação dos 
talcos é apenas superficial devida a sua baixa aderência à pele. Como vantagem, 
mantém a região mais seca; 
• Loções: apresentam melhor aplicabilidade que os talcos e, devido a seu alto teor 
em álcool, oferecem rápida secagem e melhor adesão do ativo na região 
aplicada, no entanto, são menos práticas do que outras formas farmacêuticas, 
portanto, menos comercializadas; 
• Rollon: forma que vem apresentando crescimento de participação de mercado. 
Formulações de rollon são emulsões ou suspensões facilmente aplicáveis e que 
tem boa característica sensorial na pele. A dificuldade relacionada na formulação 
está no tipo de veículo escolhido, pois esse deve fornecer ao produto secagem 
rápida. Outro desafio é que a forma necessita de um pouco de viscosidade para 
assegurar que a esfera aplicadora se movimente e espalhe uniformemente 
durante a aplicação, portanto, são podem ser emulsão O/A ou suspensão anidra; 
• Squeezes: é uma forma bastante aceita, especialmente pelo mercado de baixo 
custo, no entanto, necessita de alta concentração de álcool o que torna o 
produto potencialmente mais irritativo à pele. O álcool da formulação serve 
tanto como veículo quanto como agente antimicrobiano auxiliando na 
eliminação e/ou redução da microbiota da região de pele aplicada e na secagem 
rápida e imediata, mas, pela rápida volatilidade, não apresentando o efeito 
antimicrobiano prolongado, sendo necessárias várias aplicações durante o dia 
para atender a necessidade de controle de odor, desejado em formulações de 
desodorantes; 
 
52 
 
• Cremes: servem tanto para desodorantes quanto antitranspirantes. 
Dependendo da proporção oleosa/aquosa, têm ampla aplicabilidade e boa 
cobertura em várias regiões de pele como pés, mãos e axilas. A ação dos cremes 
é mais duradoura e menos irritativa para a pele; 
• Sticks em barra: são práticos para a aplicação e podem conter álcool ou não. A 
preparação das barras é baseada no mesmo princípio dos sabonetes, por meio 
da saponificação de soluções e emulsões ou de suspensões anidras. Já foram 
mais comercializados, mas, a espalhabilidade pode não ser tão boa, 
especialmente em regiões com pelos e geralmente levam a maior ressecamento 
da pele e consequentemente, irritações; 
• Spray aerossol: são considerados a forma mais prática de aplicação de 
desodorantes e antitranspirantes. Existem formas de jato seco ou mais líquidos 
que proporcionam boa sensação na pele, especialmente pela refrescância. 
Desodorantes e antitranspirantes são itens essenciais na lista de produtos de higiene 
pessoal. Em suas formulações alguns pontos de atenção devem ser considerados para 
garantir os efeitos desejáveis e garantir menos irritações, efeito prolongado e boa 
praticidade na forma de aplicação. A escolha do princípio ativo é essencial e deve ter 
aprovação da agência de vigilância sanitária tanto no insumo quanto em sua quantidade. 
Além disso, a escolha dos veículos é de extrema relevância para determinar estabilidade 
do produto e tempo de secagem ou absorção. Todos os ingredientes da fórmula devem 
ser ou estar em quantidade reduzida quanto apresentam potencial alergênico ou 
irritante, especialmente por serem produtos de aplicação direta na pele e de uso diário. 
A facilidade de aplicação, o aspecto sensorial do produto na pele e o conforto pós 
aplicação, também devem ser considerados na elaboração desses produtos, para que 
tenham melhor apelo de comercialização. 
A indústria cosmética tem investido cada vez mais em inovações na fórmula dos 
produtos, como a tecnologia de sistema de liberação lenta dos ativos ou fragrâncias, 
que, em microemulsões vão sendo liberados conforme atrito durante o movimento, 
liberando aos poucos esses insumos. 
 
53 
 
Essa ação prolongada promove mais segurança aos consumidores, que passam a aplicar 
1x ao dia, ou após o banho, e não precisarem realizar reaplicações. Da mesma forma, 
estão sendo propostas tecnologias para permitir maior toque seco do produto, com a 
utilização de ingredientes que gerem absorção da umidade da pele, como sílica 
hectoritas e hidrolisado de tapioca; maior poder hidratante e; princípios clareadores da 
pele. Todas essas ações são amplamente desejadas pelos consumidores. 
4.3 Dentifrícios 
Os dentifrícios são produtos destinados para uso durante a escovação dentária, aliados 
na promoção da saúde bucal, geralmente conhecidos como pasta, creme ou gel dental. 
O ato da escovação, por si só, já promove diversos benefícios para a higiene, pois além 
de remover restos alimentares e promover bom hálito, também são capazes de desfazer 
as placas bacterianas que se formam na superfície dos dentes. O uso de dentifrícios 
junto com a escovação potencializa a eliminação das bactérias e o controle de 
crescimento das mesmas durante o período entre escovações. Portanto, exercem papel 
terapêutico no controle do desenvolvimento de cáries, especialmente pela presença do 
flúor. 
Dentre os componentes dessas formulações podemos encontrar diferentes mecanismos 
de ação, mas, também de efeitos colateraisao seu uso, como o enfraquecimento do 
esmalte dentário pela ação abrasiva ou ainda, que podem atrapalhar na remoção da 
placa dentária ou causar fluorose dental. 
Nas formulações de dentifrícios é necessária a presença de: 
• Componentes abrasivos, como a sílica hidratada, o carbonato de cálcio e o 
fosfato dicálcico, responsáveis pela remoção física da placa bacteriana e de 
manchas superficiais dos dentes; 
• Agentes detergentes, como o laurel-sulfato de sódio ou a betaína, que garantem 
a formação de espuma, facilitando a distribuição do produto e a limpeza da 
cavidade bucal como um todo; 
 
54 
 
• Umectantes, como a glicerol e sorbitol, que impedem o ressecamento do 
produto durante a aplicação e mantém uma textura agradável; 
• Agentes antimicrobianos, fluoreto de sódio, clorexidina e triclosan (derivados 
fenólicos), que combatem bactérias, especialmente Streptococcus viridans, que 
formam a placa bacteriana e o mau hálito; 
• Agentes clareadores, como peróxido de hidrogênio e peróxido de carbamida, 
que melhoram a ação de remoção de manchas mais profundas nos dentes e 
restauram o brilho natural da dentina; 
• Agentes remineralizantes, como fluoreto de sódio, fosfato de cálcio, que 
buscam fortalecer o esmalte do dente e com isso, prevenirem cáries; e 
• Aromatizantes e corantes, que conferem sabor e aparência agradáveis ao 
produto e tornam a escovação mais refrescante e prazerosa. 
Tabela 4.1 – Composição básica de dentifrícios. 
COMPONENTE % 
Abrasivo 20-50 
Detergente 1-3 
Umectante 20-40 
Água 20-35 
Agentes terapêuticos/preventivos (antimicrobianos, clareadores e 
mineralizantes) 
0,4-1 
Flavorizantes 1-2 
Conservantes 0,05-0,5 
Fonte: modificada a partir de Cury, J.A. Dentifrícios: como escolher e como indicar proteção pulpar – 
uma visão para a clínica. 
Apesar das formulações dos dentifrícios serem, em geral, seguras, alguns efeitos 
colaterais decorrentes de seu uso podem acontecer. Um desses efeitos é o desgaste 
dental, especificamente da dentina, o que leva a maior probabilidade de cáries e 
aumento da sensibilidade dentária. Para melhorar essa situação, o grau de abrasividade 
dos agentes deve ser suficiente para que, no período de aproximadamente 1 (um) 
minuto, seja possível a limpeza e remoção de manchas superficiais, sem desgaste. 
 
 
55 
 
Outro problema recorrente do uso de dentifrícios é a sensação de queimação na mucosa 
oral, causada pela presença de flavorizantes, especialmente compostos de óleos 
aromáticos (por exemplo, o mentol). Quando isso é uma queixa do consumidor, a 
indicação é que escolham diferentes marcas com outros tipos de agentes aromáticos ou 
que contenham menor quantidade desses agentes na formulação. Porém, um dos 
efeitos mais preocupantes pode ser os causados pelos agentes detergentes, que podem 
gerar desde irritação da mucosa oral, com formação de aftas frequentes, até mesmo a 
ocorrência de um câncer de boca. A presença dos detergentes é fundamental na fórmula 
dos dentifrícios, porém, a indicação aos fabricantes é que ocorra a diminuição da 
concentração e a opção de detergentes mais brandos, como é o caso da betaína. Por 
fim, podemos destacar algumas consequências como os cremes dentais com agentes 
clareadores, que são altamente irritativos para a mucosa da boca e a utilização de 
formulações com alta concentração de fluoretos, que promove a fluorose dental, um 
problema significativo na fase da infância que provém da ingestão excessiva de flúor. O 
flúor interfere na mineralização dos dentes em sua fase de formação, levando desde 
formação de manchas esbranquiçadas leves, até a defeitos na formação do esmalte 
deixando os dentes com aspecto alterado. 
Conhecendo os benefícios e consequências que as formulações dos dentifrícios podem 
causar, é importante que o formulador esteja atento às características que deseja 
promover no seu produto que envolve a eficácia na remoção da placa bacteriana, a baixa 
abrasividade, um pH neutro, sabor agradável e que atenda as diferentes necessidades 
que cada nicho de consumidores possa ter, como ação clareadora, efeito prolongado, 
textura adequada, dentre outras. Sendo assim, podemos ter produtos bem simples, com 
finalidades cosméticas de limpeza e polimento dental e produtos mais elaborados 
visando ações anti-placa, anti-tártaro, anti-hipersensibilidade e claro, ação de controle 
microbiano. 
 
 
 
 
56 
 
4.4 Protetor Solar 
A pele está exposta frequentemente à radiação ultravioleta (UV), que em grande 
exposição pode levar à danos como queimaduras, manchas, envelhecimento precoce e 
desenvolvimento de câncer de pele. Com domínio desse conhecimento, na atualidade o 
uso de protetores solares passa a ser indicação fundamental na rotina de cuidados e 
prevenção com a pele. 
Os fotoprotetores agem como bloqueadores, com ingredientes que podem gerar 
reflexão, dispersão ou absorção dos raios UV, impedindo que esses chequem nas células 
do tecido epitelial. Portanto, são essenciais para evitar queimaduras solares, que podem 
ser dolorosas, provocar vermelhidão, inchaço e formação de bolhas; envelhecimento 
precoce, pela formação aumentada de radicais livres, que danificam as fibras de 
colágeno e elastina da pele, levando ao aparecimento de rugas, linhas finas e perda de 
firmeza; e a consequência mais grave, o surgimento de um câncer de pele, pelas 
mutações celulares que os raios UVs causam nas células. 
Para a formulação dos fotoprotetores, o elemento essencial são os filtros solares, que 
promovem a ação do produto. Podemos dividi-los em filtros solares físicos e filtros 
solares químicos. Os filtros físicos, ou também chamados de filtros inorgânicos, são os 
responsáveis pela formação de uma barreira física na superfície da pele, refletindo os 
raios UV, as principais matérias-primas com essa finalidade são o dióxido de titânio e o 
óxido de zinco. Os filtros químicos, também conhecidos como filtros orgânicos, por sua 
vez, absorvem os raios UV e os convertem em calor, liberando-o na pele e, como 
exemplo de insumos temos avobenzona, octocrileno e homosalate. 
 
 
57 
 
 
Fonte: disponível em: https://blogdebeleza.com.br/blog/protetor-solar-fisico-x-quimico-qual-a-
diferenca/. Acesso em: 7 maio 2024. 
Figura 4.2 – Diferença na ação de filtros solares físicos e químicos. 
Além desses agentes, na composição dos protetores solares também podemos ter 
agentes emolientes, que hidratam a pele e evitam o ressecamento, por exemplo, a 
manteiga de karité, o óleo de jojoba e a aloe vera; e agentes antioxidantes, que 
combatem os radicais livres gerados pelos raios UV, como exemplos, as vitaminas C e E 
e o extrato de chá verde. 
Suas formas cosméticas podem ser bastante variadas como preparos de loções 
hidroalcóolicas, óleos, géis, emulsões, barras e aerossóis. As emulsões são as formas 
cosméticas mais populares e preferidas por formuladores e consumidores, porque tem 
boa espalhabilidade e estudos indicam que promovem maior proteção. 
Para cada uma dessas formulações, é importante conhecer componentes que irão gerar 
estabilidade e características físico-químicas e organoléptica agradáveis. Dentre esses 
aspectos estão: 
• Fator de proteção solar (FPS), que indica o nível de proteção contra os raios UVB, 
responsáveis pelas queimaduras solares; 
• Amplo espectro de proteção contra raios UVA e UVB; 
• Resistências à água, já que as exposições mais intensas ocorrem em atividades 
físicas ao ar livre, com muita produção de suor, e em ambientes aquáticos; 
 
58 
 
• Fórmulas não comedogênica, que não obstrui os poros, evitando o aparecimento 
de cravos e espinhas; e 
• Fórmulas hipoalergênicas. 
Fator de Proteção Solar (FPS) 
O Fator de Proteção Solar (FPS) é um índice crucial na escolha do protetor solar ideal, 
indicando o nível de proteção contra os raios UVB, responsáveis pelas queimaduras 
solares. Considere que a pele é uma barreira naturalpara um tempo limite de exposição 
aos raios UVB, sendo assim, o FPS multiplica esse tempo, permitindo que você fique 
mais tempo ao sol sem se queimar. Sendo assim, a classificação do FPS indica a 
quantidade de tempo a mais que a pele pode ficar exposta ao sol sem que haja 
queimadura solar. 
• FPS 30: protege 30 vezes mais do que a pele sem protetor solar, permitindo que 
você fique no sol 30 vezes mais tempo sem se queimar do que sem proteção; 
• FPS 50: protege 50 vezes mais do que a pele sem protetor solar, permitindo que 
você fique no sol 50 vezes mais tempo sem se queimar do que sem proteção; 
• FPS acima de 50: oferece proteção ainda maior, mas a diferença de eficácia entre 
FPS 50 e protetores com fatores mais altos diminui exponencialmente e, sua 
indicação fica limitada a peles mais claras e sensíveis. 
Para atingir o FPS indicado, os protetores solares combinam diferentes tipos de filtros 
UV, os físicos e químicos. Além disso, alguns fatores influenciam para sua classificação, 
como a quantidade de filtro solar presente na fórmula, a qualidade desses insumos, a 
combinação exata entre filtros físico e químicos, além de outros ingredientes da fórmula 
que vão influenciar a eficácia e o FPS do produto. 
É importante ressaltar que o FPS é apenas um dos fatores a serem considerados na 
escolha de um protetor solar adequado a cada pessoa, como é o caso do espectro de 
proteção, ampliado em produtos que fornecem proteção contra raios UVA, além dos 
UVB. 
 
59 
 
Para a eficácia do produto, o protetor deve ser espalhado com generosidade na pele, 
para formação de uma camada e, a reaplicação do produto deve ser feita a cada 2h ou 
em situações nas quais a transpiração for muito intensa ou ocorrer prática de imersão 
em água. 
A estabilidade das formas cosméticas em emulsão, que é quando o produto se mantém 
a superfície interfásica, mesmo após exposição a diferentes temperaturas, agitações e 
aceleração da gravidade, é determinada pelo equilíbrio entre os ingredientes e a 
viscosidade e pH. 
4.5 Maquiagem 
A maquiagem é a aplicação de produtos cosméticos no rosto para realçar características, 
corrigir imperfeições e criar efeitos estéticos. Ela pode ser utilizada para enfatizar 
características fisionômicas marcantes do rosto (olhos, lábios, maçãs do rosto, etc.), 
disfarçar imperfeições como manchas, olheiras, acne, cicatrizes, etc., criar diferentes 
estéticas como look natural, social, festa, fantasia, dramáticos, e expressar traços da 
personalidade, como criatividade, ousadia, delicadeza, entre outros. Dentre os produtos 
destinados à maquiagem facial temos: 
• Base: uniformiza o tom da pele, disfarçando imperfeições e manchas. São 
preparações que contém a combinação de pigmentos, agentes emolientes, 
espessantes, umectantes e controladores de oleosidade; 
• Pó fixador: fixa a maquiagem e controla o brilho da pele. São formulações na 
forma de pó solto ou compactado e constituídas de partículas de minerais (talco, 
carbonato de magnésio, estearato de magnésio), pigmentos, argilas, nylon e 
agentes de aglutinação; 
• Blush: realça as maçãs do rosto e confere um aspecto saudável à pele. São 
preparações cosméticas na forma de pó solto ou compactado ou em formulação 
cremosa, sendo os principais componentes talco, argilas, micas, estearato de 
zinco, nylon, pigmentos e agentes emolientes; 
 
60 
 
• Sombra: destaca e define os olhos, criando diversos efeitos. São preparações 
cosméticas na forma de pó solto ou compactado e na forma cremosa, tem 
formulação similar à do blush e os corantes utilizados devem ser permitido para 
a área dos olhos; 
• Rímel: alonga, engrossa e define os cílios. São formulações na forma líquida, com 
algum grau de viscosidade contendo pigmentos, ceras, óleos, agentes 
espessantes e polímeros (nylon ou PVC) para garantir a formação de um filme 
nos cílios com alta fixação; 
• Batom: colore e hidrata os lábios, valorizando a boca. São preparações 
cosméticas constituídas de pigmentos, emolientes, ceras naturais ou sintéticas 
(as ceras mais utilizadas para conferir dureza ao produto são as ceras de 
carnaúba, ozoquerita e candelila). Além disso, vários batons são acrescidos de 
aditivos que promovem a hidratação, efeito de longa duração da cor, efeito 
mate, proteção UV, dentre outros. 
Os produtos também podem ser acrescidos de flavorizantes (batons) ou aromatizantes, 
desde que seguindo as orientações estabelecidas nas resoluções da agência reguladora. 
No desenvolvimento de produtos de maquiagem é necessário selecionar 
criteriosamente os componentes que serão utilizados, pois os ingredientes deverão ser 
apropriados e seguros para a finalidade de uso e a proposta do produto. 
A formulação desses produtos inclui corantes e pigmentos. Esses devem estar alinhados 
à lista de substâncias corantes permitidas para uso em produtos de higiene pessoal, 
perfumaria e cosméticos (HPPC) que constam na RDC 44/2012 da Anvisa, que divide os 
corantes em: 
• Coluna 1: Substâncias corantes permitidas para uso em todos os tipos de 
produto; 
• Coluna 2: Substâncias corantes permitidas para uso em todos os tipos de 
produto, exceto nos produtos que são aplicados na área dos olhos; 
 
61 
 
• Coluna 3: Substâncias corantes permitidas para serem utilizadas exclusivamente 
em produtos que não entram em contato com as mucosas, nas condições 
normais ou previsíveis de uso; 
• Coluna 4: Substâncias corantes permitidas exclusivamente para uso em produtos 
que fiquem por um breve tempo em contato com a pele e os cabelos. 
É papel do desenvolvedor de formulações para maquiagem a garantia da qualidade e 
pureza dos insumos, bem como a análise de toxicidade do produto final, por meio de 
testes de segurança e de compatibilidade com a pele, olhos e lábios. Outro ponto 
relevante é a atenção com o uso de preservativos da formulação, que impedem a 
proliferação de microrganismos mesmo depois da violação do lacre do produto e 
utilização. É possível conferir os preservantes permitidos para uso em produtos de 
higiene e cosméticos na RDC 29/2012, que indica a concentração máxima autorizada, as 
limitações de uso e as advertências sobre algumas dessas substâncias. 
Conclusão 
A ciência farmacêutica dedicada à concepção, desenvolvimento e produção de formas 
farmacêuticas, assume um papel fundamental na indústria de produtos de higiene 
pessoal e cosméticos. Através de técnicas e conhecimentos específicos, combina 
matérias-primas em produtos com propriedades e funcionalidades distintas, capazes de 
atender às diversas necessidades dos consumidores. Nesse âmbito, a seleção de 
excipientes, agentes de viscosidade, estabilidade e outras propriedades desejáveis ao 
produto final, é fundamental. Também é papel dos formuladores cosméticos que se 
preocupem com a estética e a sensorialidade dos produtos, utilizando de várias técnicas 
para que os preparos tenham características agradáveis aos consumidores. 
A indústria de higiene pessoal e cosméticos está em constante evolução, impulsionada 
pelas demandas do mercado e pelo desenvolvimento científico na área magistral e de 
tecnologia industrial. Nesse contexto, a farmacotécnica se reinventa e se adapta, 
buscando sempre formulações que possibilitem a criação de produtos cada vez mais 
eficazes, seguros e prazerosos de usar. 
 
 
62 
 
REFERÊNCIAS 
SIMÃO, Daniele et al. Cosmetologia aplicada I. Porto Alegre: SAGAH, 2018. E-book. 
ISBN 9788595028722. Disponível em: 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595028722. 
 MATIELLO, Aline et al. Cosmetologia aplicada II. Porto Alegre: SAGAH, 2019. E-book. 
ISBN 9788595029965. Disponível 
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595029965. Acesso em: 
23 de Feb 2023. 
FRANGIE, Catherine M.; BOTERO, Alisha Rimando; AL., Colleen Hennessey et. Milady 
Cosmetologia: Ciências gerais, da pele e das unhas. São Paulo: Cengage Learning Brasil.E-book. ISBN 9788522126729. Disponível 
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522126729. Acesso em: 
23 fev. 2023. 
MARTINS, A. Mecanismo de Ação dos Desodorantes. Cosmetics & Toiletries, Brasil, v. 
18, n. 5, p. 46-48, 2006. 
COELHO, L.C.S. Protetor solar: desenvolvimento farmacotécnico e avaliação da eficácia 
e segurança. Recife: O Autor, 2005. 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://integrada.minha/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595029965
 
63 
 
 
5 DERMOCOSMÉTICOS NO TRATAMENTO DE ALTERAÇÕES 
MORFOFUNCIONAIS DA PELE – TRATAMENTOS FACIAIS 
 
 
Apresentação 
Os produtos de higiene e beleza sempre tiveram relevância na sociedade humana. 
Inicialmente, eram usados unicamente com foco na promoção da higiene e realce ou 
mascaramento das caraterísticas de forma a alterar a aparência por um curto prazo. 
Atualmente, com o avanço da ciência farmacêutica e a necessidade crescente por 
produtos que possam tratar e melhorar a aparência da pele a longo-prazo, são 
desenvolvidos os dermocosméticos, que promovem o cuidado da pele com ativos que 
proporcionam hidratação, nutrição, proteção e prevenção de sinais do envelhecimento. 
Mais recentemente, uma nova categoria surge para o tratamento de problemas mais 
específicos da pele como acne, melasmas e outras hiperpigmentações, preenchimento 
e firmeza da pele, celulites, estrias, entre outros. Esses produtos são chamados de 
cosmecêuticos, cuja formulação combina preparações cosméticas tradicionais com 
ativos farmacológicos mais potentes, eficazes e seguros em concentrações menores do 
que as encontradas em medicamentos e acima dos apresentados em dermocosméticos. 
Os dermocosméticos e cosmecêuticos são utilizados para uma elevada variedade de 
aplicações, como o cuidado capilar, oral e de pele. 
5.1 Dermocosméticos e Cosmecêuticos 
Os dermocosméticos promovem o cuidado da pele com ativos que proporcionam 
hidratação, nutrição, proteção e prevenção de sinais do envelhecimento, suprindo um 
mercado consumidor da beleza e saúde da pele. Segundo a Resolução RDC nº 07/2015, 
os dermocosméticos se enquadram na categoria de cosméticos grau 2, os quais 
necessitam de testes e pesquisas para atestar sua eficácia. 
 
 
64 
 
Ainda numa área cinzenta, os cosmecêuticos surgem como uma nova categoria na 
terapêutica de problemas mais específicos da pele. A formulação dos dermocosméticos 
e cosmecêuticos combina preparações cosméticas tradicionais com ativos 
farmacológicos - esses, mais potentes nos cosmecêuticos – que são eficazes e seguros 
para aplicação direta na pele, sendo, portanto, utilizados para uma elevada variedade 
de aplicações, como o cuidado capilar, oral e de pele. 
A ação dessas formulações terapêuticas ocorre em camadas mais profundas da pele, de 
forma a promover uma resposta celular/tecidual mais efetiva e com produção de 
proteínas estruturais, neutralização de radicais livres, diminuição da degradação do 
colágeno e elastina, ação anti-inflamatória, entre outras funções. Os ativos presentes é 
que irão determinar a ação no tecido e esses insumos podem ser vitaminas, lipídeos, 
antioxidantes, reparadores de colágeno, despigmentantes, esfoliantes, hidratantes e 
anti-envelhecimento. 
Por se tratar de cosméticos com adição de agentes terapêuticos, conforme legislação, é 
necessário que os produtos sejam acompanhados de bula com informações detalhadas 
da composição bem como modo de uso, cuidados no armazenamento, contraindicações 
e possíveis interações com medicamentos ou outros cosméticos. 
 
 
Fonte: disponível em: 
https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/93073/1/Documento%20Unico%20Carolina%20Maia%20Lo
pes%20%281%29.pdf. Acesso em: 7 maio 2024. 
Figura 5.1 – Classificação de produtos cosméticos (aos quais estão inclusos os 
dermocosméticos), produtos cosmecêuticos e produtos farmacêuticos. 
 
 
 
65 
 
5.2 Tratamentos Faciais 
O rosto impacta diretamente na autoestima das pessoas, ao revelar emoções, estilo de 
vida e servir como impressão no nosso convívio social. A saúde da pele do rosto é 
fundamental para causar bom impressão, bem-estar e qualidade de vida. Nesse 
contexto, os tratamentos faciais com dermocosméticos se consolidam como 
ferramentas poderosas para alcançar uma pele viçosa e saudável. 
As famosas “rotinas de skincare” seguem alguns passos importantes para atingir os 
objetivos de limpar, hidratar e nutrir a pele que incluem a higienização, esfoliação, 
tonificação e uso da máscara facial adequada. 
Higienização 
Ao iniciar um tratamento estético procede-se a etapa de limpeza ou higienização. A 
finalidade é a remoção de células mortas, excesso de gordura, poluição e outros 
resíduos presentes na pele. Os cosméticos para higienização têm ação superficial na 
pele. Em geral, são produtos que alteram o pH da pele, tornando-o mais alcalino e 
favorecendo a remoção de células de resíduos e células mortas da camada mais 
superficial da epiderme. Nessas formulações podem ser adicionados grânulos, pós-
minerais e sementes. 
Os principais produtos para limpeza facial são os sabões em barra, de pH muito alcalino; 
sabonetes líquidos, de pH neutro; gel de limpeza, de pH neutro mais suave para peles 
sensíveis; emulsão de limpeza, destinados a pele seca e demaquilante, destinados para 
remoção de maquiagem. 
As formas de apresentação dos produtos podem variar conforme indicação de uso e 
tipos de 
pele: 
• Remoção de maquiagem (demaquilantes): emulsionados ou oleosos; 
• Pele normal: leite de limpeza, sabonetes líquidos ou sólidos; 
 
66 
 
• Pele oleosa: leite de limpeza (leite de toalete O/A), em gel, sabonetes cremosos 
oil-free; 
• Pele acneica: sabonetes em gel, em barra com ativos como enxofre, sabonetes 
cremosos oil-free, loção de limpeza oil-free; 
• Pele mista: sabonetes oil-free, sabonetes glicerinados, emulsões oil-free; 
• Pele seca: emulsão cremosa de limpeza, sintéticos (ex.: Dove). 
Esfoliação 
Etapa de tratamento auxiliar na preparação da pele para receber tratamentos faciais, 
pois deixa a pele mais permeável aos ativos cosméticos, e mais uniforme em textura e 
coloração. Sua função principal é acelerar o processo de renovação celular por meio de 
desprendimento da camada córnea, que gera o estímulo para a renovação celular. A 
esfoliação pode ser realizada por métodos físicos – partículas e microgrânulos, ou 
métodos químicos – peelings ácidos e peelings enzimáticos. Podem se apresentar em 
diferentes veículos como sabonetes sólidos ou líquidos (suspensão), gel, creme, 
máscara, fluídos, etc. 
A esfoliação física ou mecânica pode ocorrer logo após a etapa de higienização da pele. 
As microesferas ou pequenas sementes podem ser veiculadas em sabonetes, géis ou 
emulsões e, os princípios ativos acrescidos nas formulações são geralmente: 
• Pós-minerais: argilas, sílicas; 
• Sementes vegetais: apricot, kiwi, morango etc.; 
• Esferas de jojoba: coloridas, não irritantes, para esfoliação facial; 
• Esfoliante de bambu: pó cristalino rico em sílica e sais minerais; 
• Exfolliskin 5000SJ: emulsão de copolímeros que realiza esfoliação suave; 
• Melafresh Exfol100: folhas particuladas de melaleuca com óleo, suave; 
 
67 
 
• Microesferas de polietileno: esferas sintéticas, arredondadas, brancas e 
coloridas. 
Dentre os métodos químicos, temos a esfoliação enzimática (peeling biológico), que 
realizam a esfoliação por meio de quebra de proteínas, açúcares e lipídeos da superfície 
da pele, com isso, auxilia no tratamento estético de limpeza de pele, pois facilita a 
abertura dos óstios (poros) e o processo de desincruste. Essas formulações podem 
conter bromelina, papaína e pumpkin enzyme (enzimas proteolíticas); e os peelings 
químicos, que realizam renovação celular por meio de descamação induzida por 
alteração de pH. Em tratamentos de estética facial são usados ácidos de baixa 
concentração com faixa de pH próxima a fisiológica e são mais indicadospara 
tratamento de pequenas rugas, acne e manchas na pele. Os peelings podem estar 
presentes em formulações cosméticas apresentadas em sabonetes, soluções, máscaras, 
géis, séruns e cremes para uso noturno. Os princípios ativos usados nas formulações dos 
peelings são os alfa-hidróxiacidos (AHAS), e os mais usados em cosméticos profissionais 
são o ácido glicólico (peles fototipos I, II e III – com lenta pigmentação ao sol) e o ácido 
mandélico (peles fototipos IV, e V – pigmentam rapidamente ao sol); ácido salicílico, 
usado para peeling superficial (pele fototipo VI – pele negra com muita pigmentação) e 
coquetel de ácidos. Importante ressaltar que é necessário verificar o tempo de ação do 
produto – quanto mais pigmentada a pele, menor o tempo de permanência do produto 
na pele. 
Princípios ativos: 
• AHAS – alfa-hidroxiácidos ou ácidos das frutas: ácido glicólico, mandélico, 
cítrico, málico, tartárico, lático e pirúvico. Podem ser usados em cosméticos em 
até 10% em pH 3,5; 
• BHA – beta-hidroxiácido: ácido salicílico. Pode ser usado em cosméticos até 2%; 
• PHAS- póli-hidroxiácidos: ácido lactobiônico e gluconolactona. Pode ser usado 
em cosméticos entre 1 a 10%; 
• Resorcina: possui ação queratolítica e é indicada no tratamento de acne. Pode 
ser usado em cosméticos até 2%. 
 
68 
 
As aplicações de peeling químico podem ser realizadas em tratamentos para 
revitalização cutânea (reduzindo efeito visual de rugas, linhas de expressão, manchas e 
aumento da hidratação cutânea), tratamento de acne e manchas hiperpigmentadas. 
Após aplicação de espoliantes é recomendado evitar exposição à luz e à radiação solar 
e o uso obrigatório de protetor solar de alto FPS. 
Os métodos químicos apresentam vantagens similares aos métodos físicos e a escolha 
da melhor técnica a ser aplicada irá variar na avaliação do tipo de pele, no tempo de 
tratamento e na escolha pessoal de maior conforto para o usuário. 
Tonificação 
Essa etapa tem por finalidade remover resíduos deixados na pele por substâncias 
higienizantes, fechar os poros e reequilibrar o pH da pele, preparando-a para receber o 
tratamento estético (máscara facial) adequado. Para isso, são usadas soluções 
cosméticas chamadas de tônicos faciais. Dentre os agentes que compõe essas 
formulações, temos os compensadores hidrolipídicos, como as ceramidas, colesterol, 
triglicerídeos e a lecitina, que são complementares à etapa da limpeza e removem 
resíduos deixados pelos higienizantes faciais, devolvendo a umidade retirada pelos 
agentes de limpeza; e os mantenedores do pH da pele, que regulam o pH através da 
regulação do sistema tampão da pele. Existem diferentes formulações para tônicos 
faciais, conforme indicação e tipos de pele: 
• Pele Normal: loção tônica; 
• Pele Oleosa: loção adstringente e anti-inflamatória; 
• Pele Acneica: loção adstringente, secativa, anti-inflamatória e antisséptica; 
• Pele Mista: loção tônica adstringente; 
• Pele Seca: loção tônica hidratante e de sustentação (desvitalizada); 
 
 
 
 
69 
 
Máscaras Faciais 
As máscaras faciais são veículos oclusivos para ação tópica momentânea, que favorecem 
os tratamentos estéticos, aumentando a permeabilidade cutânea e a hidratação. Elas 
têm como funções principais: 
• Limpeza: quando aplicada para favorecer o amolecimento de comedões; 
• Efeito adstringente: para reduzir o diâmetro dos óstios dilatados; 
• Efeito calmante: para reduzir vermelhidão após extração ou peeling; 
• Efeito secativo: para reduzir oleosidade da pele; 
• Nutrição: para adicionar vitaminas e minerais às peles maduras; 
• Hidratação: para regular a quantidade de água na pele, uso de cremes e oclusão. 
A ação hidratante e nutritiva são as principais procuradas em máscaras faciais. Nesses 
produtos, que se tem por função manter o teor de água da pele, pode se usar: 
• Agentes de oclusão, que são ingredientes lipídicos (emolientes) que obstruem 
os poros; 
• Agentes umectantes, que retém água na superfície da pele; e 
• Agentes de reposição de substâncias existentes na pele como ureia, ceramidas, 
escaleno, dentre outros. 
Hidratar é manter a água em teor adequado na epiderme e nutrir é dar a pele 
substâncias semelhantes os naturais para manter seu aspecto saudável e minimizar a 
desidratação. 
As máscaras faciais podem se apresentar na forma de: 
• Cremes, indicadas a todos os tipos de pele para hidratação, tonificação e 
nutrição da pele; 
• Terrosas ou argilas, de uso indicado para peles oleosa e acneica por reduzirem a 
oleosidade na superfície da pele; 
 
70 
 
• Gel a base de substâncias geleificantes e gomas, indicados para peles oleosas, 
procedimento pré e pós-peeling, pela facilidade em associar com ativos 
refrescantes, como o mentol; 
• Tensioplástica, que são géis em alta concentração que formam uma película 
oclusiva ao secarem e são retiradas como uma luva após secagem, por sua ação 
oclusiva são excelentes para hidratação e efeito tensor. 
Tabela 5.1 – Nomes de princípios ativos ou complexos comerciais e sua ação nas 
máscaras faciais. 
NOME AÇÃO 
Ácido hialurônico; Ácido glicólico; ADN vegetal; 
Biodynes TRF; Extrato de Caviar; Chitoglycan; 
Densiskin; Dermosilane; Biocolágeno marinho; 
Elascom (elastina, colágeno e 
mucopolissacarídeos); Cerealmilk; Glycosan 
Umectação 
Ceramidas (lipídio); Esqualeno (lipídio); Manteiga 
de karité; Manteiga de cupuaçu; Emolien; Óleo de 
amêndoas; Óleo de gérmen de trigo; Óleo de 
maracujá; Óleo de semente de uva; Extrato de 
Oliva 
Emoliência 
Uréia ; PCA-Na; NMF; Vitacomplex H; Vitasoft 
(lipossomado); D-pantenol Pró vitamina B5; 
Ácidos florais 
Hidratação ativa 
Ciclometicone; Fluido de silicone Oclusão 
Aveno-lat (aveia) Umectação e oclusão 
Aloe vera Umectação e regeneração 
celular 
Fomblin; Colágeno vegetal Umectação e formação de 
filme 
Hidraskin; Hidroviton Umectação e hidratação 
ativa 
Glucam Umectação e emoliência 
Lactato de amônia Emoliência e hidratação 
ativa 
Microesferas de óleo de macadâmia Emoliência e nutrição 
Fucogel Oclusão e formação de filme 
Coup D’eclat complex (vitaminas A,D3 e E) Hidratação ativa e nutrição 
Ácido hialurônico Hidratação ativa e formação 
de filme 
 
 
 
71 
 
Cosméticos para área dos olhos 
A área dos olhos, que inclui pálpebras superiores e inferiores, são regiões de pele mais 
fina e sensível. Na maioria das vezes, os cosméticos faciais não são indicados para 
utilização nessa região, existindo preparações cosméticas específicas com os objetivos 
de atenuar rugas e linhas de expressão (umectantes, regeneradores de colágeno e 
renovação celular), bolsas de gordura (vasodilatadores e anti-inflamatórios, lipolíticos e 
firmadores), olheiras (inibidores da melanina, vasodilatadores e 
Anti-inflamatórios) e flacidez (umectantes, antioxidantes e firmadores). 
Os ativos mais indicados nas formulações para área dos olhos são: 
• Cafeisilane C: redução das bolsas de gordura e melhoria da circulação local 
amenizando olheiras e bolsas de gordura; 
• Óleo de Macadâmia: controla a hidratação e redução das rugas aparentes; 
• Hidroxiprolisilane® C: tensor, hidratante e renovador de colágeno; 
• Matrixyl®: tensor, hidratante e renovador de colágeno; 
• Lanablue®: ativo de origem de algas canadenses – ação reinóide-like – estimula 
a regeneração da epiderme, promovendo efeito iluminador, hidratante e 
redutor de olheiras. 
5.3 Cosméticos auxiliares no tratamento da Acne 
Os cosméticos que auxiliam no tratamento da acne têm como principal função a 
remoção do excesso de oleosidade na pele, favorecendo o dessecamento e a 
descamação dos comedões, pápulas e pústulas, além de amolecer as concentrações de 
queratina facilitando assim a drenagem da secreção sebácea. Os produtos cosméticos 
para acne podem ser apresentados como sabões e espumas de limpeza, soluções 
adstringentes, loções tônicas, calmantes e/ ou hidratantes. 
 
 
72 
 
Há uma grande variedade de agentestópicos que podem ser aplicados para cumprir o 
objetivo do tratamento, como realizar assepsia da pele, eliminando bactérias 
causadoras da acne; agentes de ação queratolítica, que promovem a descamação e 
emoliência das pápulas e pústulas; agentes anti-seborreicos, que realizam controle de 
oleosidade da pele; emolientes, álcalis que promovem amolecimento dos comedões; 
adstringentes, com ação secativa; e anti-inflamatórios. 
Na tabela abaixo, podemos verificar os princípios ativos que compõe as formulações de 
produtos anti-acneicos e suas finalidades: 
Tabela 5.2 – Relação dos princípios ativos e suas finalidades em produtos para 
tratamento da acne. 
Princípio Ativo Finalidade 
Óleo de melaleuca, triclosan, zinco, Ácido bórico, Cânfora, 
Alantoína, Bioecolia 
Assepsia (ação 
bactericida ou 
bacteriostática) 
Ácido salicílico, calêndula, ácido glicólico, ácido 
mandélico, resorcina, peelings enzimáticos (bromelina e 
papaína), enxofre 
Queratolíticos e 
redutores de 
hiperqueratinização 
Trietanolamina, laurel-éter-sulfato de sódio. Emolientes 
Ácido azelaico, niacinamida, zinco, cloreto de cetilpiridio, 
Pró-vitamina B5 (D-pantenol), Vitamina B6 
Antisseborreicos 
Microesponjas (polytrap, Silicashells), argilas, 
Takalophane 
Adstringentes 
Ácido salicílico, niacimanida, zinco, beta-glucan, aloe vera, 
camomila, azuleno, Vitamina E 
Anti-inflamatórios 
 
Limpeza e cuidados para a pele acneica 
A limpeza da pele se faz fundamental para a manutenção do equilíbrio hidro-lipídico que 
mantém a pele saudável e livre de agentes comedogênicos e agressores. Para 
manutenção do tratamento anti-acne, recomenda-se lavar o rosto ao menos duas vezes 
ao dia, mas deve-se evitar limpeza excessiva, pois a pele deve manter sua condição 
fisiológica ideal – controle de oleosidade, mas não a remoção total da gordura da pele. 
Hidratação e fotoproteção são também essenciais para a manutenção do tratamento. 
 
 
73 
 
Os produtos de escolha devem ser apresentados em veículos não-oleosos. É importante 
para o profissional que irá conduzir o tratamento escolher produtos com ativos de ação 
sinérgica, ou seja, que trabalhem reduzindo oleosidade, facilitando a limpeza e extração 
por ação queratolítica e emoliente da rolha de queratina e gordura (comedão), com ação 
suave, calmante e anti-inflamatória. 
Abaixo, alguns extratos vegetais que cumprem o papel necessário de cosméticos para 
tratamento da acne: 
• Alcaçuz (Glvcvrrhiza glabra): sais minerais (potássio, sódio), ácido glicirrizínico, 
flavonóides. Ação: calmante, anti-edema e cicatrizante; 
• Alface (Lactuca sativa): cumarinas, flavonóides, quercitina. Ação: Calmante e 
emoliente; 
• Arnica (Arnica montana): óleo essencial, resina, ácido málico, silício. Ação: anti-
inflamatória, cicatrizante, vasodilatadora e seborreguladora; 
• Bardana (Arctium lappa): inulina, fuquinona, tanino, óleo essencial. Ação: 
cicatrizante, anti-séptica, analgésica, antiinflamatória, emoliente; 
• Calêndula (Calêndula cfficinalis): óleos essenciais, carotenoides (derivados da 
Vitamina A), saponina, flavonoides, cumarinas. Ação: cicatrizante, 
reepiltelizante, antiinflamatória, emoliente, calmante; 
• Camomila (Matricaria cammomila): óleo essencial (camazuleno, matricina e 
bisabolol), flavonoides e colina. Ação: calmante, descongestionante, cicatrizante 
e anti-inflamatória; 
• Ginseng Brasileiro (Pfaffia paniculata): saponinas, óleos essenciais. Ação: 
estimulante da recuperação dos tecidos, cicatrizante; 
• Hamamélis (Hamamelis viirginiana): taninos, óleos essenciais, ácido gálico. 
Ação: Vasoconstritor e adstringente; 
 
 
74 
 
• Lavanda (Lavandula officinalis) ou alfazema: óleos essenciais (cânfora, borneol, 
geraniol). Ação: calmante, descongestionante, antisséptica, cicatrizante; 
• Sálvia (Salvia officinalis): óleo essencial (cânfora, borneol, cineol, eucaliptol), 
taninos. Ação: adstringente, anti-inflamatória, antisséptica. 
Outros ativos de origem natural e que complementam a ação desses cosméticos são: 
• Própolis: resinas, ácido benzóico e cinâmico, flavonóides e ceras, com ação 
cicatrizante, bactericida e antifúngica; 
• Óleo de lavanda: fungicida, bactericida, cicatrizante, combate acne; 
• Óleo de melaleuca: bactericida, antifúngico, cicatrizante; 
• Óleo essencial de menta (Mentol): vasodilatador, calmante e antisséptico. 
Algumas empresas farmacêuticas já têm patenteado alguns complexos multifuncionais 
específicos para o tratamento da acne, que podem ser comprados diretamente para 
serem acrescentados na forma cosmética produzida de forma magistral. 
• Complexo Anti-acne: DSBC (silício orgânico do ácido salicílico), óleos essenciais, 
extratos vegetais, hidruminas de lúpulo, exyproteínas, cocoil sarcosine, com 
ação queratolítica, anti-inflamatória, anti-edema, anti-radicais livres, 
seborregulador, bactericida, hidratante, descongestionante, estimulante dos 
fibroblastos, normalizador da multiplicação celular e que previne a formação de 
cicatrizes/queloides; 
• Cuivridone: molécula de PCA (ácido pirrolidona carboxílico) associado ao cobre, 
Propriedades: bacteriostátíco, antifúngico, antiseborreico, regenerador; 
• Drieline: extrato biotecnológico do fungo Saccharomis cerevisae (levedura) com 
alta concentração de betas-glucans, com ação que protege e estimula o sistema 
inume da epiderme, anti-inflamatória, anti-envelhecimento e regenerador; 
 
75 
 
• Phlorogine: composto de poliuronidas que purificam e balanceiam o pH, com 
propriedades cicatrizante, anti-lipásica (impede a conversão de triglicerídeos em 
ácido graxos), sebostático e inibição da inflamação folicular; 
• Unitrienol: acetato de farnesila e triacetato de pantenila, com propriedades que 
normalizam a secreção sebácea, hidrata e regenera. 
5.4 Cosméticos usados para prevenção ao envelhecimento cutâneo 
Pela aparência da pele do rosto conseguimos predizer a idade das pessoas, no entanto, 
em muitas situações, o aspecto da pele pode parecer mais envelhecido que nossa idade 
real, seja por questões genéticas ou por questões de influência ambiental. Tentar 
parecer mais jovem é um ideário para muitos, especialmente para as mulheres, que 
sofrem mais com questões sociais associadas ao envelhecimento. 
Os dermocosméticos e cosmecêuticos utilizados para prevenir o envelhecimento e 
amenizar sinais já estabelecidos da idade tem como principais funções neutralizar a ação 
dos radicais livres (antioxidantes); regular as funções fisiológicas da pele como o balanço 
oleosidade/hidratação; regular a pigmentação e estimular a manutenção da produção 
de colágeno e elastina, para manter a pele mais firme e viçosa. 
Para prevenção de envelhecimento cutâneo, utilizamos diferentes bases cosméticas, 
conforme o tipo de pele e faixa de idade envolvida. Além da hidratação e nutrição, 
essenciais para uma aparência jovial da face, algumas estratégicas de tratamento 
cosmético antienvelhecimento tem em comum as finalidades: 
• Antioxidante, com substâncias que se unem aos radicais livres neutralizando-os 
e promovendo proteção da parede celular e retardo do processo de 
envelhecimento; 
• Esfoliativa, com substâncias que promovem ação física de esfoliação superficial, 
melhorando a ação do esfoliante químico que promovem uniformidade à pele 
pela descamação da camada mais externa e regeneração celular; 
• Eutrófica, com ação citoquinas (peptídeos) que atuam por comunicação celular 
e estimulam a produção de colágeno e elastina; e 
 
76 
 
• Tensora, com substâncias que promovem aumento do tônus do tecido cutâneo 
e disfarçam momentaneamente rugas e flacidez, também melhoram a 
hidratação da pele. 
Diversos princípios ativos e complexos multifuncionais comerciais existem para gerar as 
ações especificadas. Podemos ressaltar as vitaminas A, C e E não só como antioxidantes, 
mas também com outras ações sinérgicas na melhoria do aspecto da face. 
• A vitamina A (retinol) tem porfunção principal a manutenção das condições 
fisiológicas em ampla variedade de tecidos epiteliais, modula a síntese de 
colágeno, estimula a pele tanto na divisão celular como metabolicamente, 
mantendo assim pele com aparência mais jovem; 
• A vitamina C (ácido ascórbico) tem ação antioxidante, combatendo radicais 
livres, firmante, que contribui para a formação de novas fibras colágenas, 
melhorando a elasticidade e firmeza cutânea, e despigmentante, pois inibe a 
biossíntese melânica e também na melanina já formada transformando-a em 
leucomelanina; e 
• A vitamina E (tocoferóis) que é antioxidante por captarem os radicais livres. 
Além das vitaminas, se destacam os ativos e complexos abaixo: 
• Coenzima Q10 Lipossomas Pml®: liberam o ativo ubidecarenona nas camadas 
mais profundas da epiderme, prevenindo o envelhecimento prematuro da pele, 
ação antioxidante e hidratante; 
• Stabyl® F: possui ácido felúrico, antioxidante durador de ação sinérgica com 
vitaminas C e E; 
• Gatuline age: sementes de nogueira com ação que reduz a ação da elastase 
(enzima que quebra as fibras elastinas no tecido conjuntivo, e ação antioxidante; 
• Dmae/ Deanol (Dimetilaminoetanol Acetoaminobenzoato): isolado de peixes 
marinhos, tais como anchovas e sardinhas, apresentam efeito tensor e firmador 
nas peles envelhecidas; 
 
77 
 
• Tensine®: ativo constituído por proteínas purificadas do trigo, de alto peso 
molecular, que forma filmes resistentes e responsáveis pelo chamado “efeito 
cinderela” (efeito tensor); 
• Iris Iso®: extrato hidroglicólico do lírio Iris florentina, contendo isoflavonas 
fitoestrogênicas que reforçam a barreira cutânea, assegurando a hidratação e 
diminuindo a profundidade das rugas; 
• Raffermine®: extrato hidrolisado da soja (Glycine soya), rico em glicoproteínas e 
polissacarídeos. Estimula a retração dos fibroblastos para organizar as fibras 
colágenas como resultado existe uma melhora da resistência mecânica da pele, 
com efeito firmador prolongado; 
• Argireline: hexapeptideo que reduz as rugas, atenua flacidez e melhora a 
formação de colágeno, como agente tensor; 
• Matrixyl: peptídeo com lisina, serina e treonina- reduz rugas, estimula a 
formação de colágeno, e regeneração de epiderme; 
• Silício orgânico: atua diretamente sobre o metabolismo celular estimulando a 
síntese das fibras e sustentação da pele (colágeno, elastina e proteoglicanas), 
conferindo firmeza, tonicidade aos tecidos e hidratação; 
• Ascorbosilane C®: silício orgânico do ácido ascórbico e pectina; 
• Hydroxyprolisilane C: hidroxiprolina e ácido aspártico; 
• Methiosilane C: acetilmetionato metilsilanol; 
• Tyrosilane C: cobre e Tirosina. 
Importante ressaltar que a aplicação das formulações com ação anti-idade tem sua ação 
otimizada se seguir a sequência de higienização da pele, esfoliação e tonificação, para 
na sequência utilizar o dermocosmético escolhido. 
 
 
 
78 
 
5.5 Cosméticos usados no tratamento de hipercromias 
Os tratamentos com ativos clareadores podem atuar diretamente na via metabólica de 
produção de melanina da pele, ou sobre a oxidação da melanina presente nos 
queratinócitos. Portanto, são tratamentos que necessitam de acompanhamento e 
diagnóstico, alguns ativos são aplicados por tempo determinado e sem exceção 
requerem uso obrigatório de bloqueadores solares de amplo FPS. 
A ANVISA, por meio do Parecer Técnico nº 1, de 28 de julho de 2009, proíbe o uso dos 
termos “mancha” e “despigmentante” em produtos cosméticos (revisão do Parecer 
Técnico Catec nº 08/2001), a fim de evitar a “automedicação” e o uso inadequado destas 
substâncias pelo consumidor. 
Os ativos cosméticos dessas formulações, só podem atuar no clareamento de 
hipercromias de origem solar como sardas, melasmas e cloasmas, lentigos (manchas 
senis) e hiperpigmentação pós-inflamatória (acne, cosméticos, depilatórios). Podem 
também promover “clareamento superficial” de hiperpigmentação na área dos olhos. 
As manchas de pele são classificadas de acordo com suas características de surgimento 
na pele, como fatores de fotoenvelhecimento (melanoses ou manchas senis), 
afinamento da camada córnea, hiperqueratinização, gravidez (cloasmas), depilação, 
queimaduras, cicatrização de acne, picadas de insetos. Também podemos classificá-las 
como manchas hiperpigmentadas (escuras), manchas hipopigmentadas (claras). 
Os princípios ativos clareadores atuam pelos mecanismos de ação já citados que 
envolvem: 
• Inibição da síntese de melanina, que ocorre por agentes quelantes que se ligam 
a íons presentes na cascata de formação de melanina; 
• Inibidores da tirosinase, que se ligam à enzima tirosinase impedindo que a 
mesma catalise a reação de quebra do aminoácido tirosina; 
• Antioxidantes, que agem como redutores, impedem a conversão da DOPA em 
dopaquinona; 
 
79 
 
• Antagonista da melanotropina (MSH), hormônio responsável pelo fator de 
regulação da pigmentação da pele. 
Um mecanismo secundário que complementa a ação de despigmentação é a eliminação 
da melanina depositada nos queratinócitos. 
Para essas finalidades, se destacam os ativos e complexos abaixo: 
• Ácido Fítico: encontrado nas sementes de alguns cereais como: aveia, arroz e 
germen de trigo. Clareador (inibidores de tirosinase) e hidratante; 
• Acido Kójico: obtido através da fermentação do arroz, clareador (inibidores de 
tirosinase) não tóxico; 
• Biosome C: ativo lipossomado com vitamina C estável (ascorbil fosfato de sódio) 
com acetato de tocoferol (vitamina E). Ação clareadora da pele e atividade 
antioxidante; 
• Fosfato de Ascorbil Magnésio: vitamina C estável com capacidade de permear a 
pele de forma intacta, produzindo os efeitos clareadores e antioxidante; 
• Melfade: bearberry (extrato de uva ursi) e fosfato de ascorbil magnésio. Inibe o 
progresso do escurecimento da pele e reduz a pigmentação existente; 
• Alpha-Arbutin: clareador (inibidores de tirosinase) que promove um tom 
uniforme. Pode ser usado em todos os tipos de pele; 
• Aqua Licorice: obtido do alcaçuz com ação inibidora da tirosinase e anti-
inflamatória; 
• Azeloglicina – clareador (inibidores de tirosinase) e seborregulador. Ideal para 
tratamento de manchas inflamatórias de acne; 
• Belides: obtido de flores de margarida. Controla fatores inflamatórios pós 
radiação solar; inibe a sintese de melanina e impede a transferência do pigmento 
formado para o queratinócito; 
 
80 
 
• Biowhite: Saxifraga sarmentosa, Vitis vinífera, Morus bombycis, Scutetellaria 
baicalensis. Clareador e antioxidante com ação suave, pode ser usado em peles 
sensíveis; 
• Clariskin: agente clareador e antioxidante, produzido através do extrato de 
gérmen de trigo, prevenindo a liberação de radicais livres; 
• Idebenona: molécula é similar à coenzima Q10, com ação clareadora e 
antioxidante; 
• Melawhite: peptídeos fracionados e extrato de leucócitos, clareadores. 
Como para o uso de qualquer dermocosmético facial, é importante ressaltar que a 
aplicação das formulações com ação anti-idade tem sua ação otimizada se seguir a 
sequência de higienização da pele, esfoliação e tonificação. 
Além disso, durante o tratamento de manchas faciais, o uso de bloqueadores solares 
com alto FPS é de extrema importância, sob o risco de a exposição ao sol piorar as 
manchas e dificultar futuros tratamentos despigmentadores. 
Conclusão 
Ao longo deste bloco, exploramos os dermocosméticos faciais e seu papel fundamental 
na promoção da saúde e beleza da pele. Para os tratamentos faciais, seja qual for o 
objetivo, como hidratação e nutrição, tratamento de acne, prevenção e amenização de 
sinais de envelhecimento ou tratamentos de manchas, muitos dos ativos cosméticos das 
formulações são similares ou aplicados em concentrações diferentes a depender da 
finalidade. O conhecimento desses ativos e suas aplicações é essencial para a criação e 
preparação das formulações cosméticas com essaspropostas. Também é importante 
ressaltar que as orientações de uso ou até mesmo a aplicação por profissional habilitado 
são necessárias para evitar agravos das condições de saúde e beleza da pele. 
 
 
 
 
81 
 
REFERÊNCIAS 
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Biológicas - Modalidade Médica. Pontífice Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás), 
Brasil. 22 maio 2020. Disponível em: 
https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/359. Acesso em: 23 fev. 
2023. 
NICOLETTI, M. A. et al. Hipercromias: Aspectos Gerais e Uso de Despigmentantes 
Cutâneos. Cosmetics & Toiletries (edição em português), v. 14, maio-jun. 2002. 
Disponível em: http://tecnopress-editora.com.br/pdf/nct_443.pdf. Acesso em: 23 fev. 
2023. 
 
 
 
https://integrada.minha/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595029965
https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/359
http://tecnopress-editora.com.br/pdf/nct_443.pdf
 
82 
 
 
6 DERMOCOSMÉTICOS NO TRATAMENTO DE ALTERAÇÕES 
MORFOFUNCIONAIS DA PELE – TRATAMENTOS CORPORAIS 
 
 
 
Apresentação 
Os cosméticos para tratamentos corporais vão além de serem produtos estéticos, eles 
têm formulações elaboradas com ativos dermocosméticos e princípios ativos 
farmacológicos que atuam em diversas camadas da pele, proporcionando benefícios 
que superam a hidratação e nutrição da pele, como renovação celular, com estimulo 
para a produção de colágeno e elastina, combatendo o envelhecimento; proteção 
contra os danos causados pelos raios UV, poluição e radicais livres, além de prevenir 
contra doenças como o câncer de pele. Mas, a principal busca pelos dermocosméticos 
é por suas ações terapêuticas para controle de manchas, celulite e estrias. Uma pele 
saudável e bonita aumenta a autoconfiança e o bem-estar físico e mental. 
6.1 Fisiopatologia da Celulite 
A hidrolipodistrofia ginoide (HLDG), chamada popularmente de celulite, é uma 
degeneração do tecido adiposo com alteração da matriz intersticial, diminuição da 
microcirculação e hipertrofia dos adipócitos com evolução para fibrose cicatricial. 
A HLDG é uma condição estética que afeta mais de 90% das mulheres pós puberdade, 
causando ondulações e irregularidades na superfície da pele, principalmente nas coxas, 
nádegas e quadris. 
Os fatores que predispõem o aparecimento da celulite são: 
• O sexo feminino, pela influência hormonal e suas fases, com maior produção de 
estrogênio que contribui para o armazenamento de gordura na região 
subcutânea; 
 
83 
 
• Fatores genéticos, que aumentam a suscetibilidade à celulite, principalmente em 
relação à distribuição e quantidade de gordura; 
• Distribuição de gordura corporal com acúmulo em coxas, nádegas e quadris, 
facilitando o aparecimento da celulite; 
• Microcirculação deficiente; e 
• Retenção de líquidos. 
O conjunto dos fatores predisponentes citados contribuem para a fisiopatologia da 
HLDG no qual o aumento do tamanho dos adipócitos na região subcutânea desencadeia 
alterações no tecido conjuntivo, com espessamento e proliferação das fibras de 
colágeno entre as células de gordura, “prendendo-as” e provocando enrijecimento e 
irregularidades/ondulações na superfície do tecido, com aspecto de “casca de laranja”. 
Além disso, o emaranhado de fibras comprime vasos e nervos da região acometida gera 
uma má circulação sanguínea e linfática na região afetada dificulta a boa oxigenação e 
nutrição das células do tecido conjuntivo, o que gera inflamação local e inchaço. A 
inflamação crônica, por sua vez, contribui para mais formação de fibrose no tecido 
conjuntivo e para a retenção de líquidos, intensificando o aspecto da celulite e 
dificultando seu processo de eliminação. 
 
 
Fonte: https://pubsaude.com.br/wp-content/uploads/2020/03/011-Recursos-eletroterapeuticos-para-
o-tratamento-do-fibroe.pdf. 
Figura 6.1 – Compressão do sistema circulatório pelo tecido adiposo e formação do 
fibroedema geloide (celulite). 
 
84 
 
A HLDG pode ser classificada com base na sua aparência e características por nível de 
gravidade. A classificação é importante para compreender a gravidade da condição e a 
indicação do(s) tratamento(s) mais adequados em cada caso. 
• Grau I: estágio em que o aspecto de “casca de laranja” só aparece durante a 
contração muscular ou na manipulação da região afetada com pressão no 
movimento de pinça. Em repouso, o aspecto é imperceptível ou bem pouco 
evidente. 
• Grau II: estágio em que o aspecto de “casca de laranja” é evidente durante a 
inspeção física, e independe da contração muscular. Também é evidente sinais 
de flacidez, pela diminuição da elasticidade do tecido e temperatura da pele 
levemente aumentada. 
• Grau III: estágio em que a celulite assume um aspecto mais acentuado, devido 
ao surgimento de nódulos celulíticos visíveis e palpáveis. Durante a inspeção 
física a região pode estar dolorida à palpação. 
• Grau IV: último estágio de classificação, caracterizado pelo aumento do 
aparecimento dos nódulos gordurosos agrupados devido ao excesso de fibrose 
no tecido conjuntivo. A dor é mais intensa e a irregularidade na superfície da pele 
é permanente. 
 
Fonte: https://www.bodyhealthbrasil.com/quais-sao-os-tipos-de-celulite/ 
Figura 6.2 – Classificação da gravidade da celulite. 
 
 
85 
 
As condições de gravidade não são permanentes, podendo ocorrer a redução do quadro 
clínico com a utilização dos tratamentos adequados. No entanto, os níveis III e IV são 
mais desafiadores de tratar, sendo necessário ir além de tratamentos com 
dermocosméticos, com a introdução de técnicas terapêuticas como terapias de 
endermologia, criofrequência, radiofrequência e/ou ultrassom de alta potência, em 
aplicações múltiplas. A abordagem específica para obtenção de resultados efetivos dos 
tratamentos necessita da influência de um profissional de saúde especializado ou 
dermatologista. 
O sedentarismo é um importante fator de agravamento no quadro de celulite, pois a 
falta de exercícios físicos reduz a microcirculação, além de diminuir a tonicidade 
muscular, contribuindo para o problema. Outros hábitos que agravam o problema é a 
ingestão insuficiente de água, que dificulta a eliminação de toxinas e promove retenção 
de líquidos; uma dieta inadequada, rica em açúcares e gordura saturada, que colabora 
com o ganho de peso e; o tabagismo que prejudica a circulação sanguínea e a produção 
de colágeno, intensificando o aspecto da celulite. Portanto, não adianta realizar os 
tratamentos estéticos propostos se os hábitos de vida não mudarem, pois assim como 
é possível a regressão dos estágios da celulite, pode ocorrer o retorno do problema. 
6.2 Tratamentos cosméticos para Celulite 
Os produtos cosméticos formulados para tratamento de HLDG devem atender a alguns 
pré-requisitos relacionados à forma de aplicação, objetivo do tratamento (relacionado 
com o grau evolutivo da HLDG) e quanto à expectativa do cliente. 
Com relação à forma de aplicação podemos encontrar 
• Produtos cosméticos em forma de óleos, cremes e loções voltadospara 
aplicação de massagem; 
• Produtos para ação local, nos mais variados veículos como gel, creme, fluidos 
com ação lipolítica, termoterápica (hiperemiante), crioterápica, etc.; 
 
 
 
86 
 
• Produtos demelanges para uso com equipamentos eletroterápicos, 
apresentados sempre em veículos aquosos, podendo ser em gel neutro, em gel 
com ativos para condução de ultrassom ou em fluido neutro ou com ativos para 
aplicação com ionizador; e 
• Produtos finalizadores, apresentados em diferentes veículos com a finalidade em 
atrair o público associando tratamento a uma experiência sensorial agradável, 
podendo ser mousse, fluido, sérum, gel, creme e loção. 
 Os cosméticos para tratamento de HLDG devem ser de fácil aplicação e ter boa 
emoliência, favorecendo a técnica de massagem e da drenagem linfática, estimulando a 
irrigação sanguínea no local. Para eficácia do tratamento estético, muitos formuladores 
adicionam à base do produto ingredientes cosméticos promotores de permeação 
(etoxidiglicol, propilenoplicol, álcool graxo, ácido oleico, lanolina etoxilada) ou 
carreadores (lipossomas, silanóis e nanosferas) para facilitar a penetração dos princípios 
ativos na pele até a camada do tecido conjuntivo. Por isso, é recomendável a associação 
de ativos sinérgicos para potencializar o desempenho do produto. 
Os mecanismos de ação dos ativos para controle da celulite envolvem as seguintes 
estratégias: 
1. Diminuir a lipogênese por inibir o processo natural de estoque de triglicerídeos nos 
adipócitos. Ativos novos no mercado atuam bloqueando os receptores α2. 
2. Aumentar a lipólise através do uso de ativos que estimulam os receptores β, podendo 
atuar na inibição da enzima fosfodiestearase ou no estímulo à enzima adenilciclase. 
Pode-se também aumentar a lipólise pelo bloqueio aos receptores neuropeptídeos γ. 
3. Restabelecer a microcirculação local com a aplicação de ativos hiperemiantes, 
quando não houver um comprometimento visível da região a ser tratada, ou a aplicação 
de ativos vasoprotetores e vasodilatadores locais. 
4. Diminuir o edema com a aplicação de ativos antioxidantes, calmantes e anti-
inflamatórios. 
 
 
87 
 
Com base nas estratégias citadas, podemos classificar os princípios ativos entre os que 
atuam diretamente nos adipócitos, os que atuam no interstício e os que atuam na 
microcirculação. 
Dentre os ativos que atuam nos adipócitos, os que visam promover a lipólise e reduzir 
a lipogênese são os mais relevantes, pois atuam na resposta bioquímica da célula para 
produção de energia (ATP) através da quebra do triglicerídeo em estoque nos 
adipócitos. Com esse propósito, existem os ativos inibidores da fosfodiesterase, enzima 
que converte AMPc em AMP; ativos que aumentam a atividade da adenilato ciclase, 
enzima conversora de ATP em AMPc; ativos inibidores α2-adrenérgicos, que impedem 
a lipogênese no adipócito e aceleram a produção de ATP por favorecerem o ciclo do 
ácido cítrico (ciclo de Krebs), levando os ácidos graxos livres para mitocôndrias, onde 
serão convertidos em ATP (energia). 
Tabela 6.1 – Princípios ativos que atuam no adipócito para tratamentos estéticos de 
HLDG e de Gordura Localizada. 
 
ATIVO 
MECANISMO DE 
AÇÃO 
OBSERVAÇÕES 
Xantinas 
Teobromina 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) 
Teophyllisilane C, Extrato de 
Cacau 
Cafeína em 
Extratos 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) 
Ext. Café, Ext. Café verde, Ext. 
guaraná, 
Ext. mate, Ext. noz de cola, Ext. 
Chá verde, Ext. chá preto 
Cafeína em 
compostos 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) 
Unislim (ext. de semente de 
café e folhas de mate); 
Biotannicol (teofilina, glicina, 
ext.semente de cola, cafeína), 
Regu-Slim (Ext. guaraná, 
carnitina, cafeína); Coaxel (ver 
L-carinitana) Slimbuster L 
(PUFAs de óleo de café verde, 
fitoesteróis de brassica) 
Cafeína em 
Nanotecnologia 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) 
Cafeisilane C, Lipossomas de 
cafeína, Glycosan Cafeina, 
Neurocafein 
 
88 
 
Xantagosil C 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) e 
estimulante de 
adenilciclase 
INCI (Manurato de acefilina e 
metilsilanol) 
Teofilina 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) 
Biotannicol (teofilina, glicina, 
ext.semente de cola, cafeína) 
Complementares 
L-Carnitina 
Aumenta a 
velocidade da 
lipólise 
Coadjuvante no tratamento 
lipolítico 
Regu-Slim (Ext. guaraná, 
carnitina, cafeína) 
Coaxel 
Lipolítico (inibidor 
da 
fosfodiesterase) e 
aumenta a 
velocidade da 
lipólise 
Coenzima A, Carnitina e cafeina 
Acetil Coenzima A 
Aumenta a 
velocidade da 
lipólise 
Coadjuvante no tratamento 
lipolítico 
Ativos com Iodo 
Extrato de Algas 
Marinhas 
Lipolítico e 
estimulante de 
adenilciclase 
Compostos da talassoterapia 
Fucus vesiculosus 
Lipolítico e 
estimulante de 
adenilciclase 
Contém iodo; e vitaminas A, C e 
E (antioxidantes) 
Bloqueadores 
Amarashape 
Inibidor de 
lipogênese 
Sinefrina e cafeína 
Lanacrys 
Inibidor de 
lipogênese 
Ext. Crisantemo 
Myricelline 
Inibidor de 
lipogênese 
DHM 
Ext. Laminaria 
digitata 
Inibidor de 
lipogênese e 
inibidor de NP-γ 
Phycol R75 
Àcido linoléico 
Conjugado 
Inibidor de 
lipogênese 
Regu-shape Ativo lipossomado 
Slim Buster H 
Inibidor de 
lipogênese e 
vasoprotetor 
INCI (saponinas e flavonóides de 
marapuama, catuaba e pfafia) 
Outros mecanismos 
Cânfora + Mentol 
Lipólise por 
resfriamento 
Crioterapia 
 
89 
 
Nicotinato de 
metila 
Lipólise por 
hiperemia 
Termoterapia 
Capsicum 
Lipólise por 
hiperemia 
Termoterapia 
Ginkgo biloba 
Lipolítico e 
vasodilatador 
Ext. Ginkgo biloba 
Fosfatidilcolina 
Lipolítico (não 
eslarecido*) 
Liposoid 
Fonte: GOMES, K. R.; DAMAZIO, M. G., 2013; MICHALUN, M.V.; MICHALUN, N., 2011. 
Dentre os ativos que atuam no tecido conjuntivo, os mecanismos de ação visam realizar 
a manutenção da matriz intersticial, estimulando a formação de colágeno e elastina, 
levando a quebra de macromoléculas para melhorar a difusão da água e nutrientes, 
melhorando o edema e ativos com ação analgésica e anti-inflamatória. 
Tabela 6.2 – Princípios ativos que melhoram o interstício. 
 
Ativo Mecanismo de ação Nomes comerciais 
Ácido ascórbico 
Manutenção da matriz 
intersticial 
VCPMG,Ascorbato, Ext. de 
limão, Ext. de Romã 
Silício orgânicos 
Elemento estrutural do 
tecido conjuntivo – 
promovem regeneração de 
fibras de colágeno e 
elastina 
Ascorbosilane C, 
Cafeisilane C 
Enzimas de 
difusão 
Despolimeração das 
macromoléculas 
permitindo difusão de 
água e outros nutrientes 
Thiomucase e 
Hialuronidase 
Enzimas 
proteolíticas 
Renovação dos 
proteoglicanos 
Bromelina, Papaína 
Extratos 
vegetais 
Redução de edemas e 
melhora da textura da 
pele 
Bambu, Cavalinha 
(equisetum), Espirulina, 
Clorela Centella asiática 
(asiaticosídeo, 
matecassosídeo) 
Complexos 
multifuncionais 
Ação anti-inflamatória e 
ação analgésica 
Adipol e celulinol 
Oligoelementos 
Repositores de minerais 
essenciais à ação 
enzimática 
Cu, I, Mg, Mn, Si, Zn, Co, 
Sais de Talassoterapia 
Fonte: GOMES, K. R.; DAMAZIO, M. G., 2013; MICHALUN, M.V.; MICHALUN, N., 2011. 
 
 
 
90 
 
Os princípios ativos que atuam na melhora da microcirculação ativam o metabolismo 
local, favorecendo uma melhor oxigenação e nutrição nestas células. Os ativos usados 
para melhora da circulação local são, em sua maioria, extratos vegetais, complexos 
fitoterápicos ou flavonóides isolados com ação antioxidante como a rutina e a 
quecertina, saponinas e cumarinas. Esses ativos promovem aumento na resistência de 
capilares sanguíneos. Dividem-se em vasodilatadores e vasoprotetores. 
Os vasodilatadores promovem uma hiperemia (aquecimento) no local aplicado. 
Podemos citar, dentre os extratos vegetais: arnica, bétula, cavalinha, gengibre, 
cegaba, nicotilato de metila (termoterápico). Os vasoprotetores são o extrato de 
Gingko biloba (ação anti-radicais livres e lipolítica, por inibição da fosfodiesterase),castanha da índia, mirtilo, hera (reduz intumescimento do tecido conjuntivo). 
Além de todos os ativos citados acima, por fim, alguns ativos multifuncionais contribuem 
nas formulações corporais. Esses componentes, são complexos formados por diferentes 
princípios ativos que atuam atenuando a aparência externa da pele nas lipodistrofias. 
Estes complexos podem ser associações de extratos vegetais entre si, ativos 
biotecnológicos, encapsulados ou não. O principal enfoque de tratamento para estes 
ativos é restabelecer a circulação local, reduzindo a característica inflamatória do tecido, 
melhorando a permeação do capilar sanguíneo, a oxigenação e a nutrição do tecido. Há 
também a preocupação em melhorar a textura da pele, deixando-a com toque macio e 
reduzindo a incomoda aparência de “casca de laranja” do tecido epitelial. Os produtos 
com ativos multifuncionais apresentam melhor resultados em associação às técnicas de 
drenagem do tecido. 
 
 
 
 
 
 
 
91 
 
Tabela 6.3 – Princípios ativos multifuncionais. 
EXTRATOS E NOMES COMERCIAIS MECANISMO DE AÇÃO 
Iso.Slim Complex 
INCI (genisteína, cafeína, carnitina e extrato de 
microalgas) 
Lipólise e inibição da 
proliferação de novos 
adipócitos 
Coffee Oil 
INCI (Coffea Arabica Seed Oil) 
Lipólise (por inibir a 
fosfodiestearase), 
vasoprotetor e 
antioxidante. 
Biocelucomplex 
INCI (Lactobacillus/Trifolium pratense flower 
Ferment Extract (and) Lactobacillus/Theobroma 
Cacao Ferment Extract (and) 
Lactobacillus/Camelia 
Sinensis Leaf Ferment Extract): 
Lipolítico e vasodilatador 
Bioex Antilipêmico 
INCI (complexo de extratos vegetais: 
arnica, 
castanha-da-Índia, Centella asiática, equisetum, 
fuccus, hera, erva mate.) 
Anti-inflamatório, 
descongestionante, 
lipolítico e vasoconstritor 
Lanachrys 
INCI ( Chrysantellum indicam extract) 
Lipolítico (bloqueador de 
receptores α2, 
vasodilatador, calmante, 
redutor do edema e 
antioxidante 
Vitacomplex ACE 
INCI (Extratos glicólicos de algas, aquiléia, 
Arnica 
montana, calêndula, Centella asiatica, chá 
preto, 
confrey, gengibre, Ginkgo biloba e hera) 
Lipolítico, vasodilatador, 
anti-edema, calmante 
Remoduline 
INCI(extrato de laranja amarga, cuja ação é 
atribuída 
à sua rica fração flavonóide: flavonas e 
flavononas) 
Lipolítico e drenante 
Slimbuster H 
INCI (Ptychopetalum olacoides Bentham, 
Tríchilia catiguajus e Pfaffia ( sp) 
Ativa a microcirculação, 
melhora a textura da pele 
Slimming Phytoamino Biocomplex 
INCI (extrato de café, chá, wintergeen, 
siagesbeckia, castanha-da-Índia, aminoácidos da 
sericina, hidroxiprolina, extrato de Centella, 
extrato de Gaultheria.) 
Lipolítico, atenua o 
aspecto de “casca de 
laranja” característico da 
celulite 
Redulite 
INCI (Sambucus Nigra Flower Extract) 
Melhora a textura da pele 
e reduz retenção de água 
 
92 
 
Phytocafeil 
INCI (cafeína vetorizada, equiserum, fucus, 
hypocastanum, centella, e ilex extracts) 
Anti-inflamatório, 
hidratante, lipolítico, 
normalizador de tecido 
conjuntivo 
Venoxyl 
INCI (arruada, castanha da índia, ginkgo biloba) 
Anti-inflamatório, 
antioxidante e 
vasodilatador 
Liposomes Slimmigen 
Nome INCI: Hordeum Distichon (Barley) Extract 
(and) Melilotus Officinalis (Sweet Clover) Extract 
(and) Hedera Helix (Ivy) Extract (and) Fomes 
Officinalis (Mushroom) Extract (and) Ruscus 
Aculeatus (Butcherbroom) Extract (and) 
Bioflavonoids (and) Propylene Glycol (and) 
Caffeine (and) Theophyline (and) Silybum 
Marianum (Lady's thistle) Extract (and) 
Lecithin (and) Cholesterol) 
Lipolítico, ativa a 
microcirculação, 
antioxidante, 
vasoprotetor e anti-
edema 
Pro-Sveltyl. 
INCI ((Nelumbo nucifera, flower extract) 
Anti-inflamatório e 
regenerador de tecido 
adiposo 
Fonte: GOMES, K. R.; DAMAZIO, M. G., 2013; MICHALUN, M.V.; MICHALUN, N., 2011. 
A HLDG é uma alteração estética desencadeada por vários fatores, portanto, para que 
um tratamento cosmético tenha melhor resultado, a formulação deve combinar as 
estratégias para combater as diversas alterações que decorrem da fisiopatologia da 
celulite. Além, disso, a mudança de hábitos de vida é fundamental para complementar 
o tratamento estético e previnir o aparecimento de novos focos. 
6.3 Fisiopatologia das Estrias 
As estrias atróficas, conhecidas apenas como estrias, são marcas lineares na pele que 
se assemelham a cicatrizes. Elas se formam devido à distensão exagerada, quando a 
pele ultrapassa seu limite de elasticidade, gerando lesões e rompimento das fibras 
elásticas presentes no tecido conjuntivo. Essa lesão ativa a resposta inflamatória no 
local, com a chegada de leucócitos e produção de citocinas pró-inflamatórias, que por 
sua vez, favorecem o processo de fibrose, pela cicatrização. Ocorre assim uma 
desorganização das fibras colágenas e uma produção prejudicada dessa proteína 
estrutural. Todo esse processo contribui com o adelgaçamento (afinamento) da 
derme, formando as marcas características da estrias. 
 
 
93 
 
Elas podem surgir em diversas partes do corpo, sendo mais comuns em áreas como 
abdômen, coxas, seios, nádegas e costas. É comum o seu aparecimento durante a 
puberdade em conseqüência do crescimento acelerado nesta fase da vida, também 
na obesidade e na gravidez. Essa situação abrange os dois sexos sendo, porém, mais 
freqüente no sexo feminino. 
 
 
Fonte: disponível em: https://encurtador.com.br/gpzPV. Acesso em: 7 maio 2024. 
Figura 6.3 – Fisiopatologia das estriais. 
Clinicamente, as estrias apresentam morfologia linear, aspecto atrófico na superfície 
e são discretamente enrugadas, com pequenas rugas transversais ao seu maior eixo. 
Geralmente, são eritematosas e as vezes, violóceas, podendo ser elevadas devido ao 
edema gerado pelo processo inflamatório, o que justifica a queixa de prurido em 
alguns casos. Com o tempo, vão adquirindo tonalidade branco nacaradas. 
 
 
94 
 
 
 
Fonte: disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/tratamento-de-estrias. 
Acesso em: 7 maio 2024. 
Figura 6.4 – Tipos de estriais. 
Um fator predisponentes às estriais é embasado na teoria mecânica que diz que 
durante o estiramento da pele ocorre a ruptura ou perda de fibras elásticas dérmicas, 
decorrentes da excessiva deposição de gorduras no tecido adposo, causando o 
problema. 
Estudos apontam que a predisposição genética é fator relevante em indivíduos que 
desenvolvem estrias. A expressão dos genes para formação de colágeno, elastina e 
fibronectina estão diminuídas, o que acarreta na alteração do metabolismo do 
fibroblasto e na composição final do tecido conjuntivo. A atividade de esteróides, 
como a cortisona, também está associada ao desenvolvimento de estrias, pois ela 
aparece elevada durante o período da queixa do aparecimento das estrias, bem como 
as alterações dos hormônios sexuais. 
6.4 Tratamentos cosméticos para Estrias 
O primeiro passo fundamental para o tratamento das estriais é a hidratação e nutrição 
da pele, especialmente no início do seu aparecimento, favorecendo maior resistência 
ao processo de estiramento. Os cosméticos para tratamento de estrias atuam mais 
em nível superficial com intenção de reduzir o aspecto externo da estria. 
 
 
95 
 
Para tanto, as estratégias adotadas incluem a esfoliação química leve como boa 
alternativa para promover a remoção da camada córnea superficial, induzindo a 
renovação celular e estimulando a hidratação cutânea. Os ativos emolientes também 
são importantes nas formulações cosméticas para amenizar as estrias, por 
melhorarem a elasticidade do tecido, bem como hidratantes, estimuladores da 
circulação sanguínea local e ativos regeneradores. 
Tabela 6.4 – Ativos cosméticos para Estrias. 
ATIVOS MECANISMO DE AÇÃO 
Esfoliantes 
Argila verde 
Esfoliação física, aumenta a permeabilidade cutânea 
a outros ativos cosméticos. Ação calmante e 
hidratante. 
Ácido lático AHA queratolítico 
DBSC (salicilato de 
silanediol) 
Queratolitico e anti-inflamatórioÁcido glicólico 10% 
(indicado apenas 
para peles claras) 
Esfoliação química para suavizar as estrias, melhora 
a hidratação local e estimula a formação de fibras 
colágenas 
Ácido Mandélico 10% 
(indicado para peles 
morenas e negras) 
Esfoliação química para suavizar as estrias, sem 
promover 
inflamação local (apresenta efeito mais sutil do que 
do ácido glicólico) 
Papaína 
Esfoliação enzimática, estimulador da renovação 
celular 
Bromelina 
Esfoliação enzimática e estimulador da renovação 
celular 
Otimizadores da Drenagem 
Centella asiática: Vasoprotetor, antie-dema e regenerador de colágeno 
Extrato (seco) de 
limão 
Antiinflamatório e anti-edema 
Aloe vera 
Antioxidante, antiinflamatório, cicatrizante e 
umectante 
Escina Vasodilatadore antiinflamatório 
Regeneração tecidual 
Silício Normaliza a substâncias matricial e intersticial, 
melhorando a atividade dos fibroblastos, e 
antioxidante 
Óleo de Semente de 
uva 
Emoliente e cicatrizante 
Óleo de Copaíba Cicatrizante 
Óleo de Rosa 
mosqueta 
Cicatrizante e regenerador 
 
96 
 
Vitamina C Regenerador de colágeno, clareador e antioxidante 
Vitamina A oleosa Estimula regeneração da epiderme 
Vitamina E oleosa Antioxidante 
Fonte: Gomes; Damazio, 2013; Michalun; Michalun, 2011. 
Outros hábitos importantes para evitar o surgimento ou agravamento das estrias devem 
ser adotados junto ao processo de tratamento estético, como evitar usar roupas 
apertadas, fumar engordar ou emagrecer rapidamente, para tanto, a prática de regular 
de atividade física e a adoção de uma dieta equilibrada, podem contribuir. 
6.5 Prescrição Cosmética por Farmacêuticos 
A prescrição de dermocosmético, antes restrita ao médico, especialmente 
dermatologistas, é hoje prevista como competência profissional do farmacêutico. Essa 
regulamentação foi sancionada em 2003, com a Resolução 406 do Conselho Federal de 
Farmácia. Em dezembro de 2023, uma nova normativa regulamenta também a 
prescrição e a aplicação de dermocosméticos e injetáveis pela categoria, um grande 
avanço para os farmacêuticos estetas. 
Portanto, além do domínio magistral na formulação e fabricação de cosméticos e 
dermocosméticos, do controle de qualidade físico e microbiológico, dos testes de 
segurança e eficácia, o farmacêutico, hoje, é habilitado em prescrever e aplicar esses 
produtos em pacientes. A competência para isso, se dá tanto pelo domínio da ciência da 
cosmetologia, pelo conhecimento dos excipientes e princípios ativos, com seus 
mecanismos de ação que atuam fisiologicamente no combate a problemas estéticos da 
pele, cabelo e unhas, e dos efeitos colaterais e adversos decorrentes de seu uso, quanto 
também o domínio clínico desses problemas, podendo, assim como o farmacêutico 
clínico, atuar diretamente com os pacientes, sem intermédio de outros profissionais da 
saúde. 
É importante que os farmacêuticos que desejem atuar na área cosmética realizem 
especializações para se habilitarem a atuar como farmacêuticos estetas, podendo assim, 
receitar e administrar produtos dermocosméticos em casos de dermatomicoses simples, 
dermatites, acne, manchas de pele, celulites, estriais, tratamentos para a manutenção 
e antienvelhecimento, entre outros. 
 
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A aprendizagem permanente é a única forma de o profissional se manter atualizado e 
atuando com qualidade, pois, o avanço tecnológico e da cosmetologia é constante e 
rápido. 
A prescrição farmacêutica de dermocosméticos pode ocorrer pela indicação de 
dermocosméticos industriais, comercializados e drogarias e estabelecimentos 
especializados, ou ainda, uma prescrição magistral individualizada, elaborando uma 
formulação específica para atender as necessidades do seu paciente, a qual o paciente 
deve solicitar a manipulação em uma farmácia magistral. Essa última forma é a mais 
complexa, devido as diversas possibilidades de combinações de princípios ativos e o 
melhor veículo para sua administração. Importante ressaltar que, as orientações de 
Cuidado Farmacêutico são essenciais para garantir a adesão, forma correta de uso, de 
armazenamento e descarte dos dermocosméticos, já que tratamentos cosméticos 
exigem disciplina e frequência de aplicação para que apresentem resultados 
consistentes, além dos cuidados nos hábitos de vida para amenizar os quadros e evitar 
o ressurgimento dos problemas estéticos. 
Conclusão 
Os tratamentos com cosméticos corporais são amplamente procurados em nossa 
sociedade, que busca saúde, beleza e autoestima para alcançar o estado de bem-estar 
desejado. A celulite e as estriais são os problemas cutâneos mais comuns na pele do 
corpo e seu combate dependem da aplicação de dermocosméticos que atuam 
fisiologicamente na situação e promovem prevenção e tratamento para os quadros 
apresentados. 
O profissional farmacêutico é o mais apto na cadeia de dermocosméticos, podendo 
tanto atuar na formulação e fabricação desses produtos quanto na prescrição dos 
mesmos para seus pacientes, a partir de uma avaliação clínica do problema apresentado 
e pelo conhecimento dos principais ativos que contribuem para trata-los. 
 
 
 
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A prescrição de dermocosméticos por farmacêuticos se consolida como uma excelente 
ferramenta no cuidado da pele, oferecendo aos pacientes um tratamento 
personalizado, seguro e eficaz. Através da expertise em cosmetologia, dermatologia e 
da compreensão da regulamentação vigente, os farmacêuticos assumem um papel 
fundamental na promoção da saúde da pele e na melhora da qualidade de vida dos 
pacientes. 
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