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Hérnias · Hérnia é protusão anormal de órgão ou tecido através de defeito na parede abdominal. Anatomia da Região Inguinal · O cirurgião deve ter um conhecimento abrangente da anatomia da região inguinal para selecionar e utilizar apropriadamente a melhor técnica de reparo da hérnia. · Além disso, as relações de músculos, aponeuroses, fáscia, nervos, vasos sanguíneos e estruturas do cordão espermático na região inguinal precisam ser compreendidas para diminuir a incidência de recidivas e evitar as complicações pós-operatórias. · Aponeurose: Porção tendinosa, formada por tecido conjuntivo denso, responsável pela fixação dos músculos em suas inserções ósseas, podendo assim confiar a elas um papel de contensão durante a realização de um reparo cirúrgico. · Fáscia: Bainha de tecido conjuntivo frouxo que envolve os músculos, muitas vezes determinado compartimentos musculares. · Logo abaixo da pele, encontramos o tecido celular subcutâneo. Nele identifica-se duas camadas: · Fáscia de Camper: delicada, bem vascularizada e de difícil visualização · Fáscia de Scarpa: Mais espessa, profunda, e fácil identificação. · Sob esse tecido subcutâneo encontra-se a aponeurose do músculo oblíquo externo. · O Músculo Oblíquo externo é o mais superficial dos músculos da parede abdominal lateral. A aponeurose do músculo oblíquo externo é formada por uma camada superficial e uma profunda. Logo abaixo dessa aponeurose encontra-se o canal inguinal e seu conteúdo, sendo assim, essa aponeurose, forma o limite anterior do canal. · O ligamento inguinal (ligamento de Poupart) é a margem inferior da aponeurose oblíqua externa e estende-se da espinha ilíaca superior anterior ao tubérculo púbico, inclinando-se posteriormente para formar uma margem em prateleira. · O ligamento lacunar é a expansão medial em formato de leque do ligamento inguinal, que se insere no púbis e forma a margem (borda) medial do espaço femoral. · Canal Inguinal: Tem 4cm de comprimento é definido como a passagem entre a musculatura da parede abdominal, de direção oblíqua, que segue de lateral para medial e da profundidade para os planos mais superficiais. É limitado: · Superficialmente pela aponeurose oblíqua externa. · Parede cefálica do canal inguinal: As aponeuroses do músculo oblíquo interno e do transverso do abdome. · Parede inferior é formada pelo ligamento inguinal e pelo ligamento lacunar. · Parede posterior ou assoalho do canal inguinal é formada pela fáscia transversal e pela aponeurose do músculo transverso do abdome · Através dele passa o funículo espermático (formado pelo músculo cremaster, ducto deferente com sua artéria e veia, essas estruturas passam pelo anel inguinal interno, e vasos e ducto deferente saem do anel inguinal externo), no homem, e o ligamento redondo do útero, na mulher. · No interior do canal inguinal, descendo junto ao funículo, encontramos o nervo ilioinguinal. Este divide a inervação da porção interna da coxa e da bolsa escrotal com o nervo íleo-hipogástrico, localizado junto com a aponeurose do músculo oblíquo interno. · O canal inguinal passa por esses músculos através do anel inguinal interno (parede posterior) e anel inguinal externo (aponeurose do músculo oblíquo externo). · O teto do canal inguinal é formado por fibras da aponeurose do obliquo externo. · A aponeurose desses dois músculos insere-se quase juntas no tubérculo púbico e forma tendão conjuntas. · Profundamente ao plano do músculo transverso abdominal, encontramos a fáscia transversalis que reveste a porção mais interna de toda musculatura da parede abdominal. Abaixo da fáscia transversalis encontramos o tecido gorduroso pré-peritoneal e, logo em seguida, o peritônio. · Algumas estruturas abaixo da fáscia transversalis são importantes, para o reparo da hérnia: · Ligamento de Cooper: Corresponde ao espessamento do periósteo da face interna do ramo superior do púbis. É empregado como ponto de reparo da técnica de McVay, junto a esse ligamento passa uma veia chamada corona mortis, se lesada, leva um sangramento importante. Essa estrutura é posterior ao trato iliopúbico e forma a borda posterior do canal femoral. · Trato Iliopúbico (Ligamento de Thomson): Conjunto de fibras aponeuróticas do músculo transverso que tem trajeto paralelo e posterior ao ligamento inguinal, é importante para o reparo videolaparoscópico das hérnias inguinais. · Triângulo de Hesselbach: Uma região triangular, corresponde a região de maior fraqueza da fáscia transversalis, sendo vulnerável à formação de Hérnias diretas que ocorrem no triângulo de Hesselbach, enquanto hérnias inguinais indiretas originam-se lateralmente ao triângulo, e é limitada: · Inferiormente: por ligamento inguinal · Medialmente: borda do reto abdominal · Lateralmente: vasos epigástricos inferiores. · O Canal femoral é limitado anteriormente pelo trato ileopúbico, ligamento de Cooper posteriormente e veia femoral lateralmente. Hérnia Inguinal · 75% das hérnias são da parede abdominal. · São dividias quando ao seu mecanismo e formação, em indiretas (mais comum) e diretas. · Essa condição é mais frequente em homens, ocorrendo mais do lado direito. Hérnias Indiretas · Secundárias a alterações congênitas decorrente do não fechamento do conduto peritoneovaginal, uma espécie de túnel criado pela descida do testículo da cavidade abdominal em direção à bolsa escrotal. · Normalmente esse conduto é obliterado totalmente, recebendo o nome de ligamento de Cloquet. O equivalente a mulher é o divertículo de Nuck, uma espécie de túnel criado pela descida do ovário. · Quando não há a obliteração do conduto após o nascimento ou o fechamento é parcial permanece uma comunicação entre a cavidade abdominal e o canal inguinal, permitindo o aparecimento de hérnias e outras condições. Hérnias Diretas · Condições adquiridas. Têm sua gênese um enfraquecimento da musculatura da parede posterior do canal inguinal. · Diretamente pela parede abdominal · A hérnia direta ocorre no triangulo de Hesselbach, por ser uma região menos protegida pela aponeurose. · Alguns fatores bioquímicos estão associados: · Diminuição de hidroxiprolina (componente fundamental do colágeno da aponeurose) · Proliferação anormal de fibroblastos da aponeurose do reto abdominal. · E alguns fatores ambientais: · Tabagismo · Idade avançada · Desnutrição · Doenças crônicas · Atividades físicas intensas · Aumenta pressão abdominal: tose crônica, obesidade, prostatismo, esforço físico acentuado. · Clinicamente se for um saco herniário lateralmente aos vasos epigástricos corresponde à hérnia indireta. E se for medialmente é sinônimo de hérnia direta. Classificação de Nyhus · Tipo I: Hérnia indireta com anel inguinal profundo normal. Ex: hérnia pediátrica · Tipo II: Hérnia indireta com anel inguinal interno alargado, porém com parede posterior preservada,vasos epigástrios profundos inferiores não deslocados. · Tipo III: Defeito na parede posterior · A: Hérnia Inguinal direta · B: Hérnia inguinal indireta – anel inguinal interno dilatado, invadindo os limites ou destruindo a fáscia transversal do triângulo de Hesselbach (hérnia escrotal maciça) – parede posterior destruída. · C: Hérnia Femoral · Tipo IV: Hérnias recidivadas · A: Direta · B: Indireta · C: Femoral · D: Mista ou Combinada Avaliação da Hérnia · Exame físico ainda se impõe como principal. US e TC ficam reservadas aos casos raros e dúvidas diagnósticas. · As queixas mais frequentes são: sensação de peso ou dor mal definida na região inguinal associada aos esforços. A dor pode estar acompanhada ou não de abaulamento, e esse abaulamento pode retornar ou não para cavidade abdominal. · Hérnia Redutível: Reduzida, ou seja, o saco herniário retorna à cavidade abdominal, espontaneamente ou através de manobras. · Hérnia Encarcerada: Aquela que não é possível a redução manual do saco, ficando irredutível · Hérnia Estrangulada: O encarceramento leva a um comprometimento vascular, com o PCNT apresentando dor intensa acompanhada de sinais flogísticos na região inguinal. · O encarceramento ou estrangulamentopode levar a uma obstrução intestinal. · Durante o exame físico é importante buscar fatores desencadeantes (que levam ao aumento da pressão abdominal), podendo ser hipertrofia prostática, obesidade, cirurgias com tensão ou tela, ascite, tosse crônica, constipação crônica e tumorações abdominais volumosas. · Recidiva tem que fazer diferente da primeira cirurgia, ou seja, se fez aberta e teve recidiva faz por vídeo e vice versa. · O exame físico deve ser realizado inicialmente em pé. Podemos observar a presença de abaulamento da região em repouso e durante a manobra de Valsalva. · Nos casos de hérnias indiretas volumosas, o saco herniário pode insinuar-se para dentro da bolsa escrotal, o que define hérnia inguinoescrotal. · Manobra de taxe com valsalva em pé positiva já é diagnóstico para hérnia. · Manobras para determinar se a hérnia é indireta ou direta: · Manobra de Taxe: O examinador introduz o dedo no anel inguinal externo que é palpado através da bolsa escrotal, introduzimos o dedo indicador na porção mais inferior da bolsa escrotal e invaginamos o saco herniário para o interior do canal inguinal, até encontramos o orifício inguinal externo. Solicitamos então que o PCNT realiza a manobra de valsalva. Caso seja palpada protusão que vem de encontro ao nosso dedo, estamos frente a uma hérnia indireta. Caso a protusão seja sentida na polpa digital, a partir do assoalho do canal inguinal, a suspeita é hérnia direta. · Manobra de Landivar: A palpação com oclusão do anel inguinal interno, na sua topografia cutânea, combinada com manobras de aumento da pressão abdominal também diferenciam de hérnia inguinal direta da indireta. Se aparecer a hérnia nessa manobra, caracteriza por hérnia direta. Diagnóstico Diferencial · · Hidrocele · Adenite Inguinal · Varicocele · Testículo Ectópico · Lipoma · Hematoma · Cisto sebáceo · Hidradenite de glândulas apocrinas · Abscesso de psoas · Linfoma · Neoplasia metastática · Epididimite · Torção testicular · Hérnia Femoral · Adenite femoral · Aneurisma de artéria femoral Tratamento · A maioria dos cirurgiões recomenda a intervenção cirúrgica quando da descoberta de uma hérnia inguinal sintomática porque a história natural de uma hérnia inguinal é a de aumento progressivo de volume e enfraquecimento da parede abdominal e/ou inguinal, com o potencial de encarceramento e estrangulamento. · Na pediatria como 95% dos casos são de hérnias indiretas, esta indicada em todas crianças cirurgia. · Em adultos, os reparos clássicos também são realizados através da abordagem anterior da região inguinal. Através da incisão transversa ou oblíqua na região inguinal, são abertas os planos subcutâneos e do oblíquo externo, o cordão espermático é isolado da parede posterior e separado do saco herniário. Assim é feito o diagnóstico de hérnia indireta ou direta (se for medial é direta, e lateral é indireta). · Procede-se então à redução do saco herniário direto ou abertura do saco herniário com redução do seu conteúdo, ligadura alta (próximo ao anel interno) e ressecção deste. · Bassini: O reforço é realizado através da sutura do tensão conjunto e o arco músculo aponeurótico do transverso no ligamento inguinal, alta recidiva. · Shouldice: É uma das técnicas com menor índice de recidiva, porém uma das mais complexas de se realizar, já que se utiliza da imbricação de quatro planos de estruturas músculo aponeuróticas no reforço da parede posterior. · Zimmerman: Fazemos a sutura da fáscia transversalis à cinta íleopectínea, iniciando-se no nível do púbis e terminando na borda do anel inguinal interno, estreitando-o. Alta recidiva. · Reparo Livre de Tensão: · Litchenstein: A grande revolução no reparo das hérnias foi a adoção dos reparos livres de tensão com utilização de telas material sintético. Em que a tela feita do polipropileno é suturada ao longo do ligamento inguinal inferiormente, no tendão conjunto e sob o oblíquo interno. É feita abertura na tela para a passagem do cordão espermático em que “abraçado” pela tela. · Tipos de tela: é por celulose ou colágeno, pode ser absorvível, inabsorvível ou mista, para diminuir infecção e dor crônica · Reparo que aborda a região inguinal pelo espaço pré-peritoneal: indicada em casos de hérnias bilaterais e hérnias recidivadas · Stoppa: Incisão mediana infraumbilical desloca-se o espaço pré-peritoneal até o tubérculo púbico. São reduzidos os sacos herniário e coloca-se uma tela gigante. · Reparo videolaparoscópio: Tem por via extraperitoneal e Transabdominal. · Extraperitoneal: O espaço pré-peritoneal é alcançando diretamente através de uma incisão infraumbilical e a penetração de um endoscópio com balão, este ao ganhar o espaço pré-peritoneal é insuflado, permitindo um alargamento da região. · Transabdominal: O espaço pré-peritoneal é acessado depois da penetração na cavidade peritônio, utilizam prótese. · A cirurgia videolaparoscópica não adiciona nenhuma vantagem aos procedimentos convencionais e aumenta o custo e risco anestésico. Todavia, esta abordagem é recomendada em casos de hérnias recidivas, principalmente se o reparo anterior tiver sido aberto. O procedimento tem o beneficio de um retorno mais rápido às atividades normais e os PCNT costumam se queixar menos de dor. · Defeito do vídeo é que é mais cara, comparada a aberta. Porem a aberta é mais segura. · Tela não pode ficar em contato com a área inguinal, pois pode causar fístula. Complicações · Costumam ser infreqüentes e podem ser divididas em: · Complicações da ferida operatória (hematoma, seroma e infecção) · Complicações isquêmicas: Trombose do delicado plexo venoso do testículo, causando atrofia testicular · Complicações neurológicas: Decorrentes da lesão dos nervos da região inguinal, seja por tração, uso de eletrocautério ou aprosionamento do nervo. · Complicações recidivas: Uso de tela (prótese). · Perda de domicio: vísceras abdominais permanecem muito tempo encarcerado no interior de volumosos sacos herniários, pedir para o PCNT perder peso, parar de fumar e controlar morbidades, assim faz um pneumoperitôneo para criar um espaço e se adaptar a nova pressão. · Dor crônica (mais comum, 3 meses), orquite isquêmica, hidrocele e recidiva. Hérnias ventrais · A hérnia ventral é definida por uma protrusão através da fáscia da parede abdominal anterior. · Esses defeitos podem ser classificados como espontâneos ou adquiridos, ou por sua localização na parede abdominal. · Hérnias epigástricas: ocorrem entre o processo xifoide e o umbigo. · Protusão de gordura pré-peritoneal o do próprio peritônio, através do defeito da linha Alba, ou espaço compreendido entre apêndice xifóide e a cicatriz umbilical. · Sintomatologia é ausente em grandes parte dos casos. Alguns apresentam dor mal definida. · Pode ser múltiplas (como camisa de botão) · Tratamento consiste em fechamento simples do defeito na linha Alba, não necessitando de tela. Rafia sem tela. · Hérnias umbilicais ocorrem na cicatriz umbilical. · Definida por persistência do anel umbilical sem o fechamento de sua camada aponeurótica após o nascimento. · Protusão anormal do peritônio contendo tecido gorduroso pré-peritoneal e omento. Raramente encontramos alças intestinais no conteúdo do saco herniário. · Na infância, é um defeito congênito verdadeiro, sendo muito mais comum em crianças negras. Podendo fechar espontaneamente. · No adulto, a hérnia umbilical é mais frequentemente secundária a um defeito adquirido, decorrente de aumento de pressão abdominal como observado na obesidade, gravidez, ascite. · Nos casos de hérnias volumosas (>3cm) ou recidivas, pode-se utilizar tela de Márlex, como reforço da aponeurose. Até 3cm herniorrafia primária. · Hérnias hipogástricas são raras hérnias espontâneas que ocorrem abaixo do umbigo na linha média. · Hérnias adquiridas ocorrem normalmente após incisões cirúrgicas e são, portanto, denominadas hérnias incisionais. Embora não seja uma hérnia verdadeira, a diástase dos retos pode apresentar-se como uma protrusão da linha média. Nessa condição, a linha alba é estirada, resultandoem uma convexidade nas margens mediais dos músculos retos. Diástase da parede abdominal pode ocorrer em outros locais além da linha média. Não existe anel fascial ou saco herniário, e, a menos que significativamente sintomática, evita-se a correção cirúrgica. · Grandes defeitos precisa de uma liberação miofacial. Hérnia Femoral · Respondem por apenas 3% das hérnias da região da virilha. · Mais encontrados em mulheres obesas acima de 45 anos. · Possivelmente por um efeito tamponante do sigmóide no canal femoral esquerdo,e, em 20% dos casos, são bilaterais, · O saco herniário se anuncia através do canal femoral, estrutura inelástica localizada inferiormente ao ligamento inguinal. Essa “rigidez” do canal femoral é responsável pelo maior risco de encarceramento e entrangulamento. · Clinicamente é semelhante a hérnia inguinal. No exame físico, notamos abaulamento na região inguinal localizado inferiormente ao ligamento inguinal. · Mulheres > homens, porém ainda a hérnia mais frequente é a inguinal. · Acima do ligamento inguinal é inguinal e abaixo é femoral Tratamento · Técnica de McVay: reparo é feito com a sutura do tendão conjunto no ligamento de Cooper, desde o tubérculo púbico até os vasos femorais. A partir dai a sutura é feita no ligamento inguinal até o anel inguinal interno, recentemente, pode usar uma tela de Márlex Hérnias incomuns · Há um número de hérnias que ocorrem raramente, de vários tipos. · Estrangula porém não atrapalha o transito · Amyanal: apêndice no saco herniário inguinal · Garegeal: apêndice no saco herniário da hérnia femoral · Richter:pinçamento ant-mesentéricode alça intestinal, podendo estragular sem causar obstrução do transito · Littré: divertículo de Meckel no saco herniário, podendo estrangular sem obstruir. · Spiegal: Linha de spiegal e arco de Douglas. Geralmente inerparietal, pequenos defeitos (1-2cm), tem ter usar US e TC porque é difícil diagnóstico e tem sempre que operar. · Obturadora: enfraquecimento da membrana obsturadora, causa dor e parestesia na face interna da coxa que alivia com flexão. Diagnóstico é TC, operar sempre é a técnica é o acesso posterior ao forame obturador · Lombares: Triangulo lombar superior (grynfell) e inferior (pelit), sempre investigar se tem cirurgia prévia. image1.jpeg image2.jpeg