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1 MATRIZ DE ATIVIDADE INDIVIDUAL Estudante: João Vitor Silva Simonato Disciplina: Responsabilidade Civil Turma: 1 TAREFA 1 CASO HOSPITAL CURA NOSTRA O Hospital Cura Nostra atende, há mais de 30 anos, pacientes particulares e conveniados. Diante do crescimento de casos envolvendo a discussão da sua responsabilização civil, o hospital decidiu repensar algumas das suas políticas internas. Situação 3: Henrique, após a alta de um procedimento cirúrgico, passou a sentir náuseas e acredita que o seu mal-estar é decorrente da atuação do médico anestesista. Para iniciarmos a discussão sobre a situação em questão podemos dizer que há um certo conflito em relação ao médico anestesista, tendo em vista que, pelo STJ há um entendimento pacificado no sentido de que, tendo em vista a capacitação especializada do médico anestesista, este pode responder por danos de forma individual, por conta de sua autonomina na profissão. Entretanto, não é uma simples análise, discorramos: Hipotese de responsabilidade aos danos: 1) Vejamos um cenário em que o médico anestesista está subordinado a um médico chefe, nesse cenário, quem responderia seria o hospital, isso se o médico chefe estivesse nos quadros de funcionários do hospital, diante disso, quem responderia seria o HOSPITAL. 2) Em um segundo cenário, como trazido acima, o médico anestesista, caso não seja subordinado, por conta da sua capacitação especializada, este responderia pelos danos. 2 Vale destacar que o Art. 14 do CDC discorre que a responsabilidade civil do hospital é objetiva, ou seja, independe de culpa. Contudo, como sucitado anteriormente, no Art. 932 e na Sumula 341 do STF, o empregador também é responsável pela reparação, sendo assim, caso não haja vínculo, não há culpa do hospital. Nas palavras do doutrinador Sergio Cavalieri: “Em outras palavras: embora a equipe médica atue em conjunto, não há, só por isso, solidariedade entre todos os que a integram. Será preciso apurar que tipo de relação jurídica há entre eles. Se atuam como profissionais autônomos, cada qual em sua especialidade, a responsabilidade será individualizada, cada um respondendo pelos seus próprios atos, de acordo com as regras que disciplinam o nexo de causalidade [...] A responsabilidade será daquele membro da equipe que deu causa ao evento. [...]” No caso do hospital, poderia ser alegado culpa exclusiva de terceiros se possivelmente não houvesse uma subordinação do médico anestesista com o hospital e em caso de condenação do hospital, uma ação de regresso contra o médico ou até mesmo denunciado na lide em sua contestação. Situação 5: A lojinha do hospital vende flores e lembranças. Charles, ao visitar um amigo internado, comprou flores na saída e chamou um táxi para se encontrar com a sua mãe. Durante o trajeto, o taxista teve uma crise alérgica, e uma ambulância precisou ser chamada. Os médicos constataram uma severa reação alérgica às flores, cuja espécie não pode ser comercializada no Brasil. O taxista ficou uma semana afastado do seu trabalho. Assim como no caso anterior, podemos notar que a melhor defesa plausível seria a de culpa exclusiva de terceitos para o hospital, pelos motivos que podemos trazer a seguir: 1) O hospital poderá ser responsabilizado por conta de que a loja em que foi comprada ficaria dentro das dependências do hospital em questão, contudo, conforme sucitado anteriormente, poderia em sua contestação alegar culpa exclusiva de terceiros por conta de as flores serem vendidas pela lojinha, afastando sua responsabilidade. 2) Charles por outro lado, poderia alegar a responsabilidade objetiva do hospital, local em que comprou as flores, além da responsabilidade subjetiva da loja de flores, tendo em vista que nesse caso, estava vendendo floques que não poderiam ser comercializadas. Charles também tem a opção do afastamento da responsabilidade por culpa exclusiva de terceiros. 3 Nesses casos caberia ao taxista, ingressar com uma ação de reparação cívil contra os envolvidos no caso, pedindo ainda o lucro cessante pelo tempo em que ficou afastado de seu trabalho como taxista. Além disso, no caso do hospital, caberia uma ação regressa em caso de condenação junto a loja de flores que comercializava flores proibidas. Em ambos os casos, notei que haveriam uma análise de uma possível tese de culpa exclusiva de terceiros para afastar a responsabilidade civil, nesse caso tanto do Charles, quanto do Hospital, isso corroborou para a tarefa 3, em que analise os casos que estou diretamente ligado em meu dia a dia como advogado. 4 TAREFA 2 Através do REsp: 908359 SC 2006/0256989-8 a Ministra Nancy Andrighi julgou procedente o Recurso Especial do Hospital no sentido de que o embora o CDC em seu Art. 14 reconheça a responsabilidade subjetiva do hospital, este não obtinha vínculo empregatício com os médicos que realizaram a cirgurgia em questão, visto que conforme mencionado no acordão pela Ministra: “A responsabilidade do hospital somente tem espaço quando o dano decorrer de falha de serviços cuja atribuição é afeta única e exclusivamente ao hospital” Nesse caso podemos comentar o que foi comentado acima em análise, no sentido de que de forma convergente de que embora o hospital responda de forma objetiva, esse só pode ser afetado se os médicos responsáveis, nesse caso o anestesista fosse um colaborador com vínculo junto ao hospital, visto que se trata claramente de uma excludente. Contudo, em divergência, precisamos entender qual o vínculo dos mádicos junto ao hospital, se é uma relação de cadastro médicos ou subodinatório. 5 TAREFA 3 Atualmente, atuo em um escritório a qual sou responsável por um cliente bancário, e recebemos muitas demandas de fraude através da modalidade PIX, onde golpistas abrem contas válidas no banco para que os valores oriundos de fraudes sejam enviados para elas. Em defesa, sempre alegamos culpa exclusiva de terceiro, visto que se trata de uma excludente de responsabilidade civil, uma vez que o banco realizou a abertura das contas de forma regulares e dentro das diretrizes do Bacen. Além disso, também alegamos culpa exclusiva da vítima, tendo em vista que é possível verificar quem é o beneficiário final antes de finalizar a transação, bem como é feita por mera liberalidade. Sendo assim, temos recebido sentenças favorais, destando nossas teses de excludente de responsabilidade, por conta de culpa exclusiva de terceiros. Ademais, acredito que todo o exposto, venha de encontro ao caso que analisei acima, visto que no caso do anestesista o hospital pode alegar culpa exclusiva de terceiro para afastar a sua responsabilidade objetiva. *Referências bibliográficas FILHO, Sergio Cavalieri. Programa de Responsabilidade Civil. 10. Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2012. STJ - REsp: 908359 SC 2006/0256989-8, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 27/08/2008, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: --> DJe 17/12/2008