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O legado linguístico da antiguidade clássica
Profª. Fernanda Lemos de Lima, Profª. Márcia Regina de Faria da Silva
Descrição
Aspectos linguísticos e culturais da antiguidade greco-latina e suas contribuições para a língua portuguesa e a
cultura ocidental.
Propósito
Compreender elementos linguísticos e culturais das línguas grega e latina para ampliar o conhecimento acerca
do legado da Antiguidade Clássica.
Preparação
Tenha em mãos dicionários para consultar os termos específicos da área. Na internet você pode acessar
gratuitamente o Dicionário de Termos Linguísticos, hospedado no Portal da Língua Portuguesa, o Dicionário de
Cultura Básica, de Salvatore D’Onofrio, e o Dicionário Glosbe Latim/Português e Português/Latim.
Objetivos
Módulo 1
Presença e in�uência do grego no português
Identificar a contribuição do grego na língua portuguesa e cultura brasileira.
Módulo 2
Aspectos históricos e culturais do Latim
Reconhecer o legado latino na língua portuguesa e na cultura ocidental.
Módulo 3
O alfabeto e as pronúncias da Língua Latina
Identificar as características do alfabeto latino e as particularidades das pronúncias.
1 - Presença e in�uência do grego no português
Ao �nal deste módulo, você identi�cará a contribuição do grego na língua
portuguesa e cultura brasileira.
Muito já ouvimos falar sobre a influência de gregos e romanos na atualidade.
Em praticamente todas as áreas de saber é possível encontrar vestígios da Antiguidade Clássica, como na
filosofia, na história, na política, na constituição familiar e até mesmo na estrutura dos nomes próprios.
Quer linguística, quer institucionalmente, romanos e gregos estão presentes em nossas vidas. Até mesmo
o nosso alfabeto é proveniente do alfabeto latino, ou seja, desde nossas primeiras experiências de
letramento estamos envolvidos, mesmo sem saber, em elementos linguísticos e culturais da Antiguidade.
Por isso, vamos aprender a identificar todo esse legado da língua e da cultura greco-latinas.
Introdução
Vamos verificar como a cultura grega e seu vocabulário se manifestam na cultura brasileira e no português.
Ao pensarmos na cultura brasileira, lembramos que o Brasil foi constituído por várias influências, como:

Indígena

Africana

Europeia (em especial portuguesa)
Nesse legado da língua portuguesa que é falada no Brasil, está embutida uma herança cultural clássica, a qual se
manifesta na língua de origem latina, com elementos de grande relevo oriundos da língua grega.
Neste módulo, você refletirá sobre a presença da cultura grega em vários âmbitos da cultura brasileira e sua
presença marcante na língua portuguesa.
Diversos aspectos de nossa cultura e o legado
linguístico-cultural da Grécia antiga
Muitas vezes ouvimos o termo “berço da cultura ocidental” quando nos referimos à Grécia antiga, uma Grécia
mitológica, uma Grécia dos Jogos Olímpicos e de tantos outros aspectos. O legado cultural grego é riquíssimo e
uma série de elementos helênicos irão influenciar não apenas a nossa cultura brasileira, mas também a cultura
em abrangência mundial.
Se pensarmos que mitologia grega povoa a literatura, os filmes, os quadrinhos e, até mesmo, os animes
(desenhos animados japoneses), vamos começar a entender que, realmente, a cultura grega está presente no
mundo todo.
“Hoje vou maratonar uma série!”
Já falou essa frase alguma vez?
Saiba que ao falar essa frase você está, de certo modo, falando grego, não apenas por usar uma palavra grega
(maratona), mas por ela guardar todo um aspecto cultural de fazer algo que tem uma longa duração e demanda
um grande esforço. Afinal, uma prova de maratona é uma corrida de 42 quilômetros aproximadamente. Até aí,
tudo bem...
Mas qual o aspecto histórico envolvido nesse termo?
Maratona é o nome de uma localidade na Grécia e a ideia de correr 42 quilômetros está intimamente ligada a
uma guerra ocorrida no século V a.C., quando os persas tentaram invadir a Grécia.
Segundo a tradição, os atenienses, temendo que os persas cumprissem a promessa de marchar sobre Atenas,
violar suas mulheres e sacrificar seus filhos, pactuaram uma espécie de suicídio coletivo. Tendo vencido os
persas, coube a Fidípedes avisar às mulheres de Atenas sobre a vitória.
Para tanto, ele correu cerca de 40 quilômetros o mais rápido possível e, ao chegar à cidade, falou apenas
“vencemos” e morreu em decorrência do esforço. Sua morte salvou a vida de mulheres e crianças atenienses.
Na cultura brasileira, podemos perceber a presença da cultura grega, não apenas na própria língua portuguesa,
uma vez que é originária da língua latina, como já mencionamos, e recebeu muita influência da língua grega
indiretamente. Ou ainda, apenas no âmbito da mitologia que povoam as histórias infanto-juvenis. A cultura grega
ou helênica está presente:
Compreendemos, assim, como a cultura grega é resiliente e permanece em tantas áreas, não só da cultura
brasileira, mas também da cultura mundial. Vamos pensar em algumas áreas e procurar exemplificar em qual
medida os aspectos do legado linguístico-cultural helênico estão inegavelmente presentes.
Vocabulário e aspectos herdados da Grécia
Na �loso�a Na medicina Nas ciências
Há uma influência helênica na língua portuguesa e tal influência se manifesta especialmente em termos de
vocabulário. Isso porque o latim, língua matriz da língua portuguesa, faz parte da mesma família linguística indo-
europeia em que encontramos o grego.
Além disso, ao longo da história de interação entre Grécia e Roma, muitos conceitos e
vocabulários gregos foram incorporados ao latim e, por isso, chegaram à língua
portuguesa.
Agora que entendemos a influência da língua grega na língua portuguesa, veremos mais sobre o alfabeto grego.
Alfabeto grego
O alfabeto grego veio do alfabeto fenício. As inscrições alfabéticas gregas mais antigas são do fim do séc. VIII
a.C. O alfabeto grego é composto por 24 letras: 17 consoantes e 7 vogais. Foi o primeiro alfabeto que
representou os sons vocálicos, e não apenas os sons correspondentes às consoantes, algo comum nos alfabetos
semíticos, que eram anteriores ao alfabeto grego.
Confira a sequência do alfabeto grego (letra maiúscula e minúscula) e as letras latinas correspondentes:
Αα Ββ Γγ Δδ Εε
a b g d e
Ηη Θθ Ιι Κκ Λλ
ē th i k l
Νν Ξξ Οο Ππ Ρρ
n xi, ks, x o p r,rh
Ττ Υυ Φφ Χχ Ψψ
t y ph kh,ch ps
Os elementos que compõem as palavras do grego antigo continuaram presentes e ativos na formação de
palavras em língua portuguesa, como podemos ver no exemplo a seguir:
Exemplo
O neologismo maratonar, formado a partir da palavra grega maratona.
Entretanto, para além dos neologismos, as palavras gregas ficaram presentes no português em função de termos
específicos ligados às áreas de conhecimento, como caso da Literatura, da Arquitetura, da Filosofia, da Biologia
etc.
Agora, que tal fazer um passeio e observar como a língua grega está
presente em diversos aspectos da cultura do Brasil?
Teatro
O teatro é um ótimo exemplo de permanência da cultura grega na cultura brasileira. Além desta palavra, existem
outras na língua portuguesa que também são de origem grega, tais como:
Cena
Protagonista
Antagonista
Tragédia
Comédia
Além disso, temos os mitos reaproveitados pelo teatro brasileiro em termos de temática, como veremos adiante.
Vocabulário do teatro
Todas as palavras enunciadas acima são de origem grega.
Mas o que elas signi�cam?
Teatro (theatron em grego) é o lugar (-tron) de onde se observam as coisas, de onde vemos a paisagem (thea-).
Ou seja, estamos falando da estrutura do prédio teatral, do lugar em que nos sentamos para observar a peça.
Para o grego, o palco seria equivalente à skené, que deu origem à palavra “cena”, em que transitavam as
personagens.
Protagonista e antagonista são palavras que têm uma raiz comum: agon- (disputa em grego). Vamos ver agora a
diferença entre elas:
Protagonista
O protagonista é o primeiro (protos) na disputa, ou seja, o principal no embate verbal que ocorre em umapeça teatral.
Antagonista
O antagonista (com o prefixo grego anti-, ou seja, contra) é aquele que se coloca contra, que se opõe em um
embate verbal.
Tragédia e comédia são termos que extrapolaram a área do teatro e passaram a ser de uso cotidiano. Vamos ver
cada um deles a seguir:

Tragédia
Uma tragédia é um acontecimento terrível e, no âmbito do teatro, indica uma temática séria e
tensa. A palavra tragédia estaria ligada à etimologia indicada por alguns como sendo proveniente
do sacrifício de um bode expiatório, durante alguma passagem do culto ao deus Dioniso, o deus do
teatro grego. Tragos é bode, em grego; odia é canto. Tragédia, seria “o canto do bode”
originalmente.
Comédia
C édi i t d t t d l b i V l lt
Temas gregos no teatro brasileiro
A Grécia influenciou o teatro brasileiro em termos de vocabulário, como vimos. Todavia, não parou aí a sua
presença, pois, em termos de temática, também encontraremos temas gregos sendo explorados pela
dramaturgia brasileira.
Um exemplo é o teatro de Nelson Rodrigues (1912-1980), um dos maiores dramaturgos brasileiros.
Rodrigues compôs uma série de Tragédias Cariocas, ou seja, ele se valeu da ideia de uma peça que carrega uma
tensão trágica, uma tensão aparentemente insolúvel.
Nelson Rodrigues se vale desse modelo para compor as Tragédias Cariocas e evidencia a inegável presença
desse legado grego na composição, ainda, de Senhora dos afogados, peça que traz situações trágicas terríveis e
insolúveis.
Nelson Rodrigues.
No caso dessa última peça citada, há uma inspiração no próprio teatro grego, uma vez que é retomada a temática
inspirada na figura de Electra, personagem mitológica que deseja vingar a morte de seu pai Agamemnon,
assassinado por sua mãe, Clitemnestra. Esse tema foi explorado em três tragédias gregas preservadas até hoje.
Além disso, gerou uma percepção do chamado complexo de Electra, que giraria em torno da ideia da filha que
deseja a figura paterna.
Comédia seria um canto durante o sono ou transe, provocado pela embriaguez. Vale ressaltar que
é uma etimologia hipotética. Mas faria sentido, afinal, Dioniso, também chamado Bachus (daí,
Baco), é o deus do vinho. A comédia teria surgido de festas dedicadas ao deus e cuja temática era
mais jocosa e licenciosa.
Medeia por Frederick Sandis.
Outro tema do teatro grego também explorado pela dramaturgia brasileira é aquele ligado ao mito de Medeia, a
mulher rejeitada por seu marido, que decide matar os próprios filhos.
Paulo Pontes e Chico Buarque reinventaram o tema na belíssima peça Gota d’água.
E outras tantas peças foram escritas, como Des-Medeia, escrita, dirigida e encenada pela dramaturga e atriz
brasileira Denise Stoklos. Percebemos, assim, a vitalidade do teatro grego, como temática, também no teatro
brasileiro.
Matemática
Você sabia que, ao falar a palavra matemática, está usando uma palavra de
origem grega?
Matemática é uma palavra composta pela raiz grega math-, ligada à ideia de conhecimento, de aprendizado,
indicando um indivíduo que está inclinado a aprender, que tem gosto por aprender.
Assim, a matemática é a ciência que estuda as quantidades, as medidas, mas também o raciocínio lógico e as
abstrações numéricas. Uma das áreas da matemática é a aritmética, outra palavra grega ligada à raiz grega
aritmós (número).
A partir dessas duas palavras, você pode constatar novamente que os vocabulários gregos estão presentes
também nessa área de conhecimento.
Entretanto, o pensamento matemático helênico estará presente também nos conteúdos matemáticos.Vamos ver
como?
Palavras e temas gregos na Matemática
Muito do que se aprende na escola, hoje em dia, foi desenvolvido por pensadores gregos que remontam ao
século VI a.C.
O teorema de Pitágoras é um ótimo exemplo!
Vamos re�etir sobre ele?
O teorema de Pitágoras teria sido elaborado pela escola pitagórica ou pela figura misteriosa de Pitágoras.
Dizemos que é uma figura misteriosa por não ter deixado nada escrito e por sua existência ter sido cercada de
mistério e misticismo. O teorema de Pitágoras tem um propósito de mensurar uma área. Você se lembra? A
soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Muitas vezes, decoramos a fórmula e não
temos ideia de seu significado. Vamos pensar nas palavras!
Cateto
Cateto, em grego, significa algo que cai, que vai para baixo... dependendo de como olhamos para o triângulo, uma
das linhas do cateto poderá estar vindo de cima para baixo.
Hipotenusa
Hipotenusa é a palavra que, em grego, significa algo esticado (teinein) por baixo (hipo). Era a linha que se esticava
de um cateto a outro.
E teorema?
É algo que pode ser demonstrado, que se mostra, ligada à ideia de thea (algo visível, vista).
Além do teorema de Pitágoras, há ainda hoje o estudo do teorema de Tales de Mileto, um pensador do VI século
a.C., como Pitágoras. Em seu pensamento filosófico, afirmava ser a água a origem de toda as coisas vivas no
mundo.
No âmbito da Matemática, seu teorema estabelece relações de proporcionalidade entre retas paralelas e
transversais, servindo para projetar medidas de objetos imensos, como um prédio, a partir da medida de sua
sombra.
Vamos tomar mais exemplos e pensar onde a herança linguística do grego aflora na
língua portuguesa em áreas de conhecimento?
Astronomia
Astronomia é mais uma palavra grega. Seu significado se manteve o mesmo desde o ambiente helênico:

Temos a raiz “astro” (aster, estrela)

E temos “nomos”, que significa lei, ordem, ordenação
Ou seja, Astronomia é o campo de saber que lida com a ordenação dos
astros.
É interessante pensar como essa raiz grega permaneceu em nossa língua, seja ao falarmos sobre Astronomia,
seja ao nos referirmos a um astro da televisão, por exemplo. Estaremos, assim, utilizando a mesma palavra de
origem grega para indicar o brilho de uma celebridade.
Voltando à Astronomia, vale ressaltar que se trata de uma ciência muito antiga, desenvolvida pelo Egito e pela
Caldeia, e que os gregos souberam aprofundar bem. Especialmente os estudiosos de Alexandria, cidade fundada
por Alexandre, o Grande, no Egito, e que se tornou um polo da cultura expressa em grego, a partir de 323 a.C. No
ambiente alexandrino, muito se desenvolveu a Astronomia tanto em seu Museu, templo de adoração às Musas,
como em sua biblioteca, pelo estudo e pelas pesquisas.
Sabemos que os estudos astronômicos se desenvolveram muito no período helenístico, quando reis gregos
governaram o Egito, tendo por capital Alexandria. Uma figura conhecida é a de Cláudio Ptolomeu, que foi não
apenas astrônomo, mas um estudioso da Matemática, da Geografia e da Cartografia. Ou seja, ele era um cientista
que atuava em áreas correlatas do que hoje chamamos de ciências da natureza. Ele foi responsável por
estabelecer um sistema geométrico-numérico para descrever a movimentação dos astros no céu. Seu tratado de
Astronomia influenciou a astronomia árabe e europeia. Apenas com a teoria heliocêntrica de Copérnico, o
pensamento de Claudio Ptolomeu foi superado. Mas seus estudos foram um caminho importante para o
desenvolvimento da Astronomia.
Cláudio Ptolomeu.
Filoso�a
A filosofia ocidental é inegavelmente de matriz grega. Ela surge com a filosofia grega desenvolvida pelos
primeiros indivíduos que pararam para perguntar “como?”, ou seja, para questionar a razão das coisas.
Filosofia é uma palavra grega. Sofia é sabedoria em grego, logo, o filósofo seria o amigo
do saber, uma vez que a raiz filo significa amigo. A filosofia como amizade ao saber
acontece pela observação e questionamento, inicialmente, da natureza.
Os primeiros filósofos são os filósofos da physis (raiz originária da palavra “física”), que significa natureza em
grego. Foram esses filósofos da natureza, também rotulados de físicos ou pré-socráticos, que desenvolveram as
primeiras teorias sobre a origem do universo. O cosmos (ordem em grego) teria uma origem a ser investigada.
Além desses pensadores que surgiram a partir do século VI a.C., há ogrande marco da filosofia grega e mundial:
a metafísica socrático-platônica, que estabelece um pensamento que tende a ser mais abstrato e, como o nome
diz, está para além da natureza, pois o prefixo que compõe a palavra (meta) significa depois, além de.
Ou seja, é aprofundado o pensamento que busca a compreensão do cosmos para além do que o nosso olhar
pode ver na natureza.
Alguns termos filosóficos empregados até hoje foram cunhados pelos gregos e permanecem em nossa língua.
Lógica, ética e política são alguns exemplos desse legado. Do mesmo modo, o pensamento filosófico grego,
especialmente a metafísica, segue sendo tema de debate no âmbito da filosofia brasileira e mundial.
Demonstração
Agora que você pode compreender melhor o legado linguístico e cultural da antiguidade grega na língua
portuguesa e na cultura brasileira, que tal verificar mais a fundo alguns dos vocábulos que foram mencionados?
Astronomia, como vimos, é o estudo das estrelas, dos corpos celestes. Vimos outras palavras que também se
referem a áreas de conhecimento, como Cartografia, Geometria e Geografia.
O que essas palavras têm em comum?
O sufixo -ia, presente em astronomia, cartografia, geometria e geografia indica que se trata de um assunto, um
tema de estudo. Assim, podemos começar a compreender o significado de cada palavra. Vamos ver como fica:
Assim, você pode perceber melhor como a língua grega permanece no nosso português cotidiano.
Mão na massa
Questão 1
A partir do que foi estudado neste módulo, é possível afirmar que o legado linguístico e cultural da Grécia
Cartogra�a
É uma palavra formada de carto (raiz chart- que em grego significa papiro) e da raiz graf- (escrita).
Assim, ao pé da letra, seria o estudo da escrita no papiro, mas acabou se tornando uma palavra de
uso para a ideia de se desenhar mapas em papiros. Ou seja, Cartografia seria a escrita de mapas.
Geometria
É uma palavra formada de geo- (terra) acrescido a metr- (metron, medida em grego) e do sufixo -ia.
Logo, Geometria é, inicialmente, o estudo das medidas da Terra e, por extensão, do espaço ou dos
corpos no espaço.
Geogra�a
A geografia traz dois elementos que acabamos de conhecer: geo e graf. Portanto, Geografia seria o
estudo da escrita da Terra.

A é pouco relevante na cultura brasileira.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EApenas%20o%20enunciado%20da%20op%C3%A7%C3%A3o%20D%20est%C3%A1%20correto%2C%2
cultural%20hel%C3%AAnico%20tanto%20na%20l%C3%ADngua%20portuguesa%20quanto%20na%20cultura%20bra
Questão 2
Os vocábulos protagonista e antagonista têm a raiz agon em comum. Indique a opção que oferece o
significado correto de agon.
B existe apenas no aspecto do vocabulário do português.
C é relevante na cultura brasileira, mas ínfimo na língua portuguesa.
D é relevante na cultura brasileira, além de estar fortemente presente na língua portuguesa.
E é irrelevante na cultura brasileira e ínfimo na língua portuguesa.
A Disputa
B Harmonia
C Indiferença
D Simpatia
E Antipatia
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20significado%20de%20%3Cem%3Eagon%3C%2Fem%3E%20%C3%A9%20disputa%3A%20no%20
Questão 3
O teatro grego tem grande influência na dramaturgia brasileira. Essa influência ocorre
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20dramaturgia%20grega%20aproveita%20os%20temas%20da%20trag%C3%A9dia%20grega%20e
Questão 4
A partir do que você estudou no módulo, indique a opção que apresenta o significado grego da palavra
matemática.
A apenas na repetição de temas do teatro antigo grego, sem inovação.
B apenas na repetição da indumentária de cena, seguindo os modelos gregos.
C no aproveitamento de temas da tragédia em adaptações e recriações.
D no uso do vocabulário técnico do teatro antigo, mas com o abandono dos temas.
E no uso de personagens antigos, mas abandonando a ideia de tragédia.
A Aprendizado do número.
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20palavra%20matem%C3%A1tica%20%C3%A9%20composta%20pela%20raiz%20de%20%3Cem%
Questão 5
Geografia e cartografia são palavras que apresentam o termo graf- em comum. Indique a opção que
apresenta corretamente o significado do termo em grego.
Parabéns! A alternativa B está correta.
B Estudo da lógica.
C Aprendizado da natureza.
D Inclinado a esquecer.
E Inclinado a aprender.
A Pintura
B Escrita
C Estudo
D Escuta
E Ordenação
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20termo%20%3Cem%3Egraf%3C%2Fem%3E-
%2C%20em%20grego%2C%20significa%20escrita%20e%20est%C3%A1%20ligado%20%C3%A0%20ideia%20verbal%
Questão 6
Indique a afirmação correta a respeito do tema da matemática.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EEmbora%20a%20matem%C3%A1tica%20tenha%20se%20desenvolvido%20em%20outras%20regi%C3
Teoria na prática
Vamos aplicar um pouco do conteúdo que aprendemos?
Tomemos algumas palavras mencionadas em nosso conteúdo para poder pensar seus significados mais
profundos, a partir de suas raízes gregas.
As palavras são ética e política.
A O nome “matemática" é um legado linguístico-cultural de origem árabe.
B O nome “matemática" é um legado linguístico-cultural de origem romana.
C O nome “matemática" é um legado linguístico-cultural de origem egípcia.
D O nome “matemática" é um legado linguístico-cultural de origem grega.
E O nome “matemática" é um legado linguístico-cultural de origem inglesa.
_black
Mas como podemos saber a etimologia da palavra e compreender seu significado mais profundo de origem
helênica? É mais fácil do que parece.
Busque, na internet, algum site que apresente um dicionário etimológico. Há vários gratuitos e de boa qualidade,
um deles é o Priberam.
Lá, você verificará que ética provém do grego, pelo latim, e significa costume, hábito. Ou seja, a ética é um
conjunto de hábitos ou costumes pelos quais nos pautamos em nossa conduta.
E política?
Oriundo do grego politikos, significa cívico.
Já o termo politikos, por sua vez, advém da palavra polites, que quer dizer cidadão, que se originou de polis,
traduzido por cidade.
Ou seja, aprendemos que política está intimamente ligada à ideia de cidadão e àqueles que habitam uma cidade
ou uma comunidade, por extensão.
Viu como é perfeitamente possível aperfeiçoar seus conhecimentos em relação ao vocabulário do português?
Basta querer!
No vídeo a seguir, assista a explicações e exemplos sobre características gerais do alfabeto e da língua grega e
sua influência na língua portuguesa e na cultura brasileira.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O legado linguístico da Grécia Antiga se faz presente em diferentes áreas do conhecimento e na cultura
ocidental. Assinale a alternativa que apresenta uma dessas influências linguística e cultural.
A
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%0A%20%20%20%20%20%20%20%
paragraph'%3ETanto%20do%20ponto%20de%20vista%20lingu%C3%ADstico%20hist%C3%B3rico%20(etimologia)%2
Questão 2
Qual é o legado grego no âmbito da matemática? Indique a opção que apresenta a resposta correta.
A etimologia e a origem cultural da comédia e da tragédia.
B A teoria heliocêntrica, que explica cientificamente o sistema solar.
C A origem e o desenvolvimento dos alfabetos semíticos, como o fenício.
D A narrativa bíblica da origem do universo.
E O desenvolvimento de religiões monoteístas.
A O legado grego no âmbito da matemática é inexistente.
B O legado grego no âmbito da matemática se dá apenas no vocabulário.
C
O legado grego no âmbito da matemáticase dá no vocabulário e nos conteúdos de teoremas
e outras equações.
D O legado grego no âmbito da matemática se dá apenas em dois teoremas.
E O legado grego no âmbito da matemática se dá na nomenclatura dos números.
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20legado%20grego%20no%20%C3%A2mbito%20da%20matem%C3%A1tica%20se%20d%C3%A1%
2 - Aspectos históricos e culturais do Latim
Ao �nal deste módulo, você reconhecerá o legado latino na língua portuguesa e
na cultura ocidental.
Nosso nome é romano?
Sabemos que a cultura ocidental e um grande número de línguas modernas tiveram sua origem nos antigos
romanos. Mas você já parou para pensar o quanto da romanidade sobrevive em nossos dias? Comecemos pelo
seu nome. Você já deve ter notado que muitos nomes são latinos: Ângelo, Marcos, Túlio, Júlio, Júlia, Lívia, Márcia
e inúmeros outros.
Mas você sabia que também a estrutura do nome vem dos nomes romanos?
Muitas pessoas, ainda hoje, utilizam um prenome (praenomen), um nome (nomen) e um cognome (cognomen).
Vamos ver cada um deles:
Assim temos a composição dos nomes:
Percebe como a estrutura na construção do nome ainda permanece? Temos, muito frequentemente, os nomes
compostos José Luiz, Carlos Henrique, seguido do nome da família ou sobrenome. Apenas a ordem mudou um
Praenomen
Normalmente indicava uma escolha da família, era como o filho era chamado em casa; assim
temos, por exemplo, Caius, Publius e Marcus, ou ainda poderia ser usado um numeral como
Quintus, que era comum para indicar a ordem do nascimento do filho na família.
Nomen
O nomen ou nome gentílico indicava a gens, ou seja, a família. Assim temos Iulius, Terentius, Tulius,
Horatius.
Cognomen
Poderia indicar um traço particular, como uma característica física ou comportamental da pessoa,
como Tacitus (calado), mas também poderia ser a particularização do nome da família como
Cicero ou ainda uma função ou título como Caesar (general romano).
Caius Iulius Caesar
O famoso ditador perpétuo de
Roma.
Quintus Horatius
Flaccus
O grande poeta romano.
Marcus Terentius
Varro
Um magistral filólogo e
erudito.
pouco e houve o acréscimo de mais de um nome familiar.
Você deve estar se perguntando por que não houve nenhum exemplo de nome feminino. Vamos explicar!
A mulher não tinha uma posição jurídica na família romana. Sendo assim, ela apenas recebia o nome da gens.
Desse modo, todas as mulheres da família Iulia eram chamadas Júlia. Se nascessem duas mulheres, seriam Júlia
Maior e Júlia Menor.
Nada criativo, não é mesmo?
Ao longo do tempo e com a igualdade de direitos, a forma usada para nomear os homens passou também a ser
utilizada para as mulheres, que é como a usamos nos dias de hoje.
A família romana
A palavra família vem do latim familia e também a estrutura da família patriarcal ocidental está vinculada à
organização familiar romana. Aliás, o termo patriarcal provém de pater, o pai, o cerne da família romana.
A família foi uma das mais importantes instituições de Roma. Era presidida pelo paterfamilias, o pai de família, e
reunida no lar, além de protegida pelos deuses Lares, divindades que representavam os ancestrais da família e
que eram cultuados na lareira. Foram os romanos que criaram o lar como hoje o conhecemos.
Os antepassados são considerados os maiores e fonte de exemplo para os descendentes. A educação começava
no lar, especialmente seguindo os preceitos dos antepassados, o mos maiorum.
Em direito romano, a palavra família pode ser aplicada às coisas, indicando o conjunto de bens, o patrimônio, ou
de escravos de um mesmo proprietário; e também às pessoas, determinando as pessoas livres, sujeitas ao poder
do paterfamilias.
Enquanto o paterfamilias estivesse vivo, a família representava todos os membros das diversas famílias que se
originaram da sua e sobre a qual exercia o pátrio poder. Após a morte dele, a família passava a designar o total
das pessoas oriundas de um antepassado comum, por exemplo a gens Iulia ou família Júlia.
Se aplicada a ambas, coisas e pessoas, a família significava todos os que estavam sob
o poder do paterfamilias: pais, filhos e todos os seus parentes, além de genros e noras,
patronos e libertos, escravos e bens.
Cabe dizer que havia duas formas de um filho adquirir sua emancipação ou sui iuris:
ui Iuris
Significa seu próprio juízo, ou seja, a faculdade de tomar suas próprias decisões. Percebeu que é a base da palavra
jurídico?

Uma seria a emancipação promovida pelo próprio pai.

A outra viria por causa da morte do paterfamilias.
A morte do paterfamilias desagregaria a família, formando tantas famílias quantos fossem os homens
emancipados, unidas apenas pelo parentesco que poderia ser civil ou agnatio, fundamentado na autoridade
paterna sobre todos os membros dependentes do paterfamilias, incluindo aqui as noras, ou consanguíneo,
chamado cognatio.
Já ouviu falar de palavras cognatas? São aqueles que possuem uma mesma raiz, ou seja, família.
O casamento romano
Se falamos em família, pensamos também em casamento. Será que alguma coisa do casamento romano
sobreviveu em nossos dias?
O casamento legítimo, segundo o direito civil romano, era chamado de iustiae nuptiae ou iustum matrimonium,
que era, segundo o autor latino Modestino (apud NORONHA, 2011, p. 6), “a união do homem e da mulher, o
consórcio de toda a vida, a comunhão do direito divino e humano”. Ainda mantemos a designação de núpcias e
matrimônio para o casamento.
Um longo período de sponsalia ou noivado precedia o casamento. O motivo era que, como a maioria dos
casamentos eram arranjados quando os nubentes eram apenas crianças, devia-se esperar até a idade em que o
ato pudesse efetivamente se concretizar. Embora nos dias de hoje, em nossa cultura, já não haja mais os
absurdos arranjos matrimoniais de crianças, ainda se mantém a tradição do noivado como um período no qual o
casamento é preparado.
O casamento podia se realizar de duas formas: com a aquisição da manus (mãos) ou sem a aquisição da manus.
Percebeu de onde vem a expressão “pedir a mão em casamento”?
No casamento cum manu (com a mão), a mulher passava da dependência do chefe de sua família para a
dependência do paterfamilias da família do marido. Para isso, era necessário um ato chamado conventio in
manum ou aquisição da manus, ou seja, do poder do marido sobre a mulher.
A manus podia ser estabelecia de três maneiras: por meio da confarreatio, da coemptio ou do usus. Veremos a
seguir cada uma delas:
<em>Confarreatio</em>
Era um casamento celebrado com grande solenidade e presidido pelo sumo pontífice ou pelo flâmine de Júpiter
(tipo de sacerdote da Roma Antiga), que, após juntar as mãos dos noivos, declarava-os unidos em bens e culto,
na presença de dez testemunhas e na casa paterna da noiva. Era privilégio apenas dos patrícios, as famílias mais
importantes da sociedade romana. Qualquer semelhança com o casamento religioso de hoje não é mera
coincidência.
<em>Coemptio</em>
Era a maneira corrente de criar a manus. A mulher era comprada de seu pai ou tutor, de forma fictícia, pelo futuro
marido. Por ela, o marido pagava um asse, a menor moeda romana, na presença do pretor (magistrado da Roma
Antiga), de 5 cidadãos e 1 avaliador. Na ausência de uma lei que regulasse os casamentos, especialmente entre
os plebeus, o povo em geral, usava-se a lei comercial. O casamento assemelhava-se, portanto, a um contrato de
comércio. Percebe aí o cerne do casamento civil?
<em>Usus</em>
Era o modo mais antigo de estabelecer a manus. Ele acontecia por meio do convívio comum entre o homem e a
mulher por um ano inteiro. Assim, o marido passava a ter poder sobre a mulher, desde que durante esse tempo
ela não tivesse dormido fora de casa por três noites. Olha como os romanos já tratavam de forma jurídica a
união estável!
A manus dava à mulher a posição de materfamilias. Ela entrava, então, na família do marido. Caso o maridofosse:
Sui iuris
A mulher passava a ter a condição de uma filha (loco filiae).
Alieni iuris (dependente do pai ou avô)
A mulher ficava na situação de neta (loco nepotis).
O casamento sine manu (sem a mão), dava à mulher, mesmo casada, o direito de continuar sob o poder de seu
paterfamilias, não ingressando na família do marido. Era um ato de direito privado no qual não interferiam nem
pontífices, nem magistrados, mas era tão legítimo quanto o cum manu.
Esse tipo de união era mais comum quando acontecia com mulheres emancipadas e que, por isso, podiam dispor
de seus bens. Para elas, a melhor opção era o casamento sine manu, pois não modificava sua capacidade
jurídica, representada pelo seu tutor.

Havia vários tipos de cerimônias matrimoniais. As duas mais comuns eram:
O casamento só poderia ser dissolvido em três casos, que veremos a seguir:
1. Ocorrência da morte de um dos esposos. Se a morte fosse da mulher, o homem poderia casar-se novamente
logo depois. Se fosse o homem, a mulher deveria esperar de dez a doze meses para se casar novamente,
tempo que levava para ela dar à luz, se estivesse grávida quando ficasse viúva. Isso ajudava a eliminar
suspeitas quanto à paternidade e à herança;
Traditio
A traditio (entrega, transmissão), na qual a mulher deixava a casa paterna sob autorização
expressa do paterfamilias.
Deductio uxoris in domum mariti
A deductio uxoris in domum mariti (“condução da mulher à casa do marido”), na qual a esposa era
levada à casa do esposo com um grande cortejo em que os participantes acompanhavam a noiva
cantando. Ao chegar à porta de sua nova casa, a nova esposa era levada no colo até a cama, para
ser introduzida em sua nova família. Outra tradição que prevalece até hoje.
2. Ocorrência da perda do conubium, o direito de estar casado. Essa perda podia se dar, por exemplo, se um
cidadão romano perdesse a cidadania, ao ser exilado, ou a liberdade, tornando-se escravo. A mulher tornava-se
solteira novamente;
3. Pelo divórcio, que existiu em Roma, desde os primórdios de sua civilização. Se o casamento fosse cum manu,
somente o marido poderia repudiar a esposa, por falta grave. O casamento sine manu admitia o divórcio por
consentimento mútuo dos cônjuges, ou pelo repúdio de um deles.
Percebe o quanto do casamento romano sobreviveu até hoje?
Pois é! E tudo isso graças ao fato de que o casamento era tratado como um ato regido pelos direitos dos
cidadãos romanos, os ciues. A palavra civil vem daí. O que nos dá a dimensão da importância do Direito, que
também foi outro grande legado do povo do Lácio ao Ocidente.
As constituições de muitos países têm como base as Leis das doze tábuas, primeiro código legal romano. Já
ouviu falar delas? Então vamos lá.
A Lei das doze tábuas
Durante o século V a.C., a sociedade romana era dividida entre patrícios, originários das famílias antigas e
tradicionais e que detinham os direitos políticos e econômicos, e a plebe, o povo de um modo geral.
Os plebeus eram trabalhadores livres que:

Tinham deveres

Pagavam impostos

Eram convocados para o exército

Não tinham qualquer direito

Sofriam os mais variados tipos de violência física

Podiam até ser mortos sem um julgamento pelos
patrícios
E pensar que, depois de tantos séculos, ainda vemos coisas assim acontecerem. Não foi sem luta que
conseguiram algum direito.
Com as conquistas romanas e o gradativo aumento da população e das guerras, os patrícios tiveram que,
constantemente, recorrer aos plebeus para engrossar as fileiras do exército. Esses plebeus, depois, recebiam
terras como recompensa e tornavam-se cada vez mais importantes e economicamente independentes.
Isso levou a vários levantes entre 494 a.C. e 287 a.C., que �caram
conhecidos como revoltas plebeias.
Foi assim que asseguraram que não poderiam mais sofrer violência dos patrícios sem que estes fossem
responsabilizados, conseguindo que as leis se tornassem escritas para que fossem reivindicadas também por
eles.
Outros direitos também foram garantidos ao longo dos anos, em uma incansável luta. Com isso, foi crescendo
entre eles:
A noção de interesses comuns.
O desejo de organização.
Esse fato fez com que, inicialmente, fossem recrutados em quatro tribos, que tinham representantes. Talvez os
primeiros tenham sido comandantes das tropas plebeias. Ganharam destaque e acabou sendo instituído o cargo
de Tribuno da plebe. Eles eram considerados os defensores dos plebeus. No início, eram quatro, um para cada
tribo, depois chegaram a dez.
Era fato que, nessa época, os cônsules aplicavam a lei de forma muito severa em relação aos plebeus. As leis não
eram escritas e faziam distinção entre patrícios e plebeus. Por isso, o direito era incerto e desigual.

Com a organização da plebe, os tribunos passaram a reivindicar leis escritas que igualassem as classes.
Assim, o Senado ficou encarregado de nomear uma comissão de dez membros, na qual não havia plebeus, para
elaborar uma lei que estabelecesse a igualdade, definindo os direitos e deveres do povo.
Os integrantes da comissão foram chamados decênviros e foram comandados por Ápio Cláudio.
Os decênviros concluíram o trabalho após uma viagem à Grécia para consultar as leis de Sólon, no ano 452 a.C.,
expondo em praça pública dez tábuas que foram aprovadas. Porém, a legislação não foi considerada completa,
sendo eleitos novos decênviros sob o mesmo comando, mas com a inclusão de três plebeus. Dessa revisão,
surgiram mais duas tábuas e acredita-se que deveria ter sido elaborada mais uma, mas os decênviros gostaram
do poder e estavam se tornando despóticos e, por isso, foram destituídos.
Ficaram, portanto, as doze tábuas que não se sabe se eram de madeira ou de bronze, pois nunca foram
encontradas. Mas foram atestadas por escritores da época e por autores posteriores também, como Cícero e Tito
Lívio.
A Lei das doze tábuas, como ficou conhecida, teve grande importância para o povo
romano, já que foi o resultado da luta da plebe e tornou a lei menos desigual.
A maioria das constituições legais do Ocidente tem como origem a Lei das doze tábuas. Além disso, temos
também no campo linguístico a sobrevivência no direito de expressões latinas, chamados de brocados jurídicos,
como:
Também na política temos uma gama de vocabulário proveniente da estrutura republicana romana. Aliás, a
palavra república vem de res publica, ou seja, coisa do povo. Lógico que, como forma de governo, nossa república
é fruto da Revolução Francesa, imbuída das ideias iluministas, mas o vocábulo é latino.
Também o Senado é em sua origem romano. Era o conselho de anciãos, já que provém da palavra senex (velho).
O cônsul também existia em Roma e era o governante eleito anualmente. A própria palavra candidato é romana.
Candidato era aquele político que pretendia ganhar a eleição e usava a candida, uma roupa branca que
simbolizava a pureza de suas intenções.
Mas todo esse legado não chegou até nós por acaso, ele se disseminou por meio das conquistas romanas e
perdurou durante o processo de romanização das terras conquistadas.
A colonização romana se dava principalmente pela abertura de escolas para que todos pudessem aprender a
língua latina, que se tornava oficial a partir do momento da conquista, e a cultura romana.
Além disso, os casamentos entre os povos conquistados e os romanos eram incentivados como uma forma de
unir não só politicamente, mas também de forma consanguínea. Assim, a maior parte da Europa foi bem
romanizada e transmitiu a cultura romana por seu principal veículo cultural, a língua latina.
Actore non probante, reus absolvitur
Se o autor não prova, o réu é absolvido.
Nemo tenetur se ipsum accusare
Ninguém é obrigado a acusar a si próprio.
Habeas corpus (tenhas o corpo)
Mais conhecida e é usada para liberar o réu da detenção.
Mão na massa
Questão 1
A partir do que foi estudado neste módulo, é possível afirmar que
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-paragraph'%3EApenas%20o%20enunciado%20da%20op%C3%A7%C3%A3o%20C%20est%C3%A1%20correto%2C%2

A o direito romano não influenciou as leis atuais.
B a estrutura dos nomes em nossa sociedade é de origem grega.
C
a família romana tinha no paterfamilias o principal membro que deveria ser respeitado e
obedecido.
D a política de nossos dias tem como base unicamente a democracia ateniense.
E expressões em língua latina não são mais usada pelo direito moderno.
Questão 2
Marque a opção em que todas as três palavras utilizadas ainda hoje para nossas instituições sociais são
provenientes de palavras latinas.
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20%C3%BAnica%20op%C3%A7%C3%A3o%20em%20que%20os%20tr%C3%AAs%20voc%C3%A1b
Questão 3
Quando pensamos em política atual, muitas vezes não notamos o quanto provém da língua e da cultura
romana. Marque a única opção em que, no âmbito político, utiliza-se uma palavra latina para determinar uma
instituição que existia desde os primeiros tempos de Roma:
A Família, matrimônio, república.
B Democracia, candidato, família.
C Tirania, juiz, núpcias.
D Divórcio, cônsul, oligarquia.
E Pátria, tirania, eleitor.
A Família
B Leis
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3ENo%20%C3%A2mbito%20pol%C3%ADtico%2C%20a%20%C3%BAnica%20possibilidade%20%C3%A9%
Questão 4
De acordo com o brocado jurídico Nemo tenetur se ipsum accusare, podemos concluir que
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20%C3%BAnica%20interpreta%C3%A7%C3%A3o%20poss%C3%ADvel%20para%20a%20express%
C Constituição
D Senado
E Núpcias
A o réu tem que dizer a verdade.
B o juiz pode condenar o réu sem provas.
C o réu deve ficar em silêncio.
D o advogado deve falar pelo réu.
E o réu não é obrigado a entregar prova que possa incriminá-lo.
Questão 5
Você viu que muitos nomes próprios vieram do latim. Marque a opção em que encontramos um nome de
origem latina:
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EEntre%20os%20nomes%20apresentados%20e%20os%20nomes%20inseridos%20no%20m%C3%B3d
Questão 6
Um dos legados da cultura da Roma Antiga é a instituição do casamento. A respeito do casamento romano,
podemos afirmar que
A Jacó
B Túlio
C Miriam
D Helena
E Heitor
A para os romanos, o casamento é uma instituição sagrada, a união em bens e culto.
B a noiva escolhia o marido.
C toda a população romana tinha a mesma forma de celebrar o casamento.
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20%C3%BAnica%20afirma%C3%A7%C3%A3o%20correta%20%C3%A9%20a%20letra%20A.%20Os
Teoria na prática
Vamos brincar com os nomes?
Meu nome é bem latino. Márcia Regina de Faria da Silva. Dos quatro nomes, três são seguramente latinos. Márcia
significa guerreira do deus Marte, Regina é rainha e Silva é selva, floresta.
E na estrutura também tem um teor latino. O uso de um prenome com um nome: Márcia Regina, como Caius
Iulius ou Publius Terentius, com a diferença de que Iulius e Terentius são os nomes das famílias que acabaram se
transformando no que equivalia ao prenome, ou seja, duplicamos o prenome e colocamos o nome familiar para o
fim. No meu caso Faria e Silva. Tenho dois nomes familiares. Se usasse somente o sobrenome paterno, que era o
que acontecia em Roma, a ordem seria um pouquinho diferente: Márcia Faria Regina. O prenome seria Márcia, o
nome familiar Faria e o cognome, aquele que traz uma característica peculiar, que, logicamente, no meu caso é
Regina, porque estou destinada a reinar.
Brincadeiras à parte, é a sua vez. Utilize seu nome, de um familiar ou de um conhecido e faça a análise a partir do
modelo que você acabou de ver. A partir da sua história familiar, é possível que seu nome e sobrenome não
tenham origem latina, por isso, você pode escolher o nome de algum conhecido.
No vídeo a seguir, assista a explicações e exemplos sobre o legado linguístico e cultural do latim.
D não havia nenhuma possibilidade de divórcio.
E os filhos se tornavam independentes ao chegar à maior idade.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A instituição do casamento e a organização familiar são aspectos da nossa cultura e da vida em sociedade
que têm relação com o legado linguístico e cultural latino. Um dos termos latinos importantes para entender
a família romana é o termo paterfamilias, que corresponde
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20termo%20%3Cem%3Epaterfamilias%3C%2Fem%3E%20corresponde%20exatamente%20ao%20
Questão 2
Há duas expressões latinas que estão relacionadas com a tradição cultural do casamento romano. São elas
cum manu e sine manu. A partir do sentido dessas duas expressões, marque a alternativa que apresenta uma
A ao pai de família.
B a todos os membros da família.
C ao lar.
D aos deuses dos lares.
E ao direito de governar uma cidade.
afirmativa verdadeira.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3E%3Cem%3ECum%20manu%3C%2Fem%3E%20(com%20a%20m%C3%A3o)%20%C3%A9%20a%20exp
paragraph'%3EAs%20demais%20alternativas%20est%C3%A3o%20incorretas%20porque%20todos%20podiam%20s
A Não havia cerimônia de casamento.
B Os noivos iam para um templo onde acontecia a celebração do casamento.
C Não era necessário o consentimento do paterfamilias.
D
Havia duas possibilidades de união, a mulher entrava para a família do marido ou permanecia
sob o poder de seu paterfamilias.
E Somente os patrícios tinham direito de se casar.
3 - O alfabeto e as pronúncias da Língua Latina
Ao �nal deste módulo, você identi�cará as características do alfabeto latino e
as particularidades das pronúncias.
Conhecendo o alfabeto latino
Já vimos que o legado cultural romano é muito amplo e permeia quase todos os ramos de saber. Um dos mais
importantes legados foi o alfabeto latino, que é a base do alfabeto usado pela maioria dos povos ocidentais
atualmente.
Pronto para ser alfabetizado em latim?
Curiosidade
A palavra alfabeto não é latina. Vem das duas primeiras letras gregas: alfa e beta.
O alfabeto latino teve, em sua origem, influência do alfabeto grego usado nas colônias gregas do sul da Itália. Ele
era chamado de Calcídico de Cumas e influenciou bastante a criação de um antigo alfabeto etrusco de 26 letras.
Foi esse alfabeto etrusco que originou o alfabeto latino. Os etruscos foram, portanto, os intermediários entre os
gregos e os romanos. A adoção do alfabeto pelos latinos ocorreu por volta do século VII ou VI a.C.
Fíbula prenestina.
A fíbula prenestina, de meados do século VII a.C., é a inscrição considerada a mais antiga em língua latina. É
muito semelhante a inscrições gregas, encontradas em Cumas, e também a algumas inscrições etruscas da
mesma época. Podemos encontrar características importantes em relação à evolução do latim arcaico para o
clássico, bem como a influência do alfabeto etrusco.
Fíbula prenestina
Um tipo de broche de ouro que foi encontrado na cidade de Palestrina, antigamente chamada de Preneste. Não há
consenso sobre a autenticidade dessa fíbula.
O alfabeto latino do período clássico possuía 23 letras, todas elas usadas nos alfabetos do Ocidente. Elas eram
escritas em maiúsculas, pois assim os romanos as usavam:
A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T V X Y Z
Você já sabe que as letras representam os sons ou fonemas. Em português, temos fonemas vocálicos e
consonantais. Em latim, encontramos três categorias:

As vogais

As consoantes

As soantes
As soantes são fonemas que podemter um valor vocálico, funcionando como uma vogal, ou valor consonantal,
quando funcionam como uma consoante. Observe que na palavra uita (vida) o u é uma consoante, pois faz sílaba
com a vogal i, enquanto na palavra discipulo, o u é uma vogal, pois faz sílaba com a consoante p.
As soantes latinas vieram das soantes do indo-europeu, que se compunham de:
Mas no latim, somente as semivogais mantiveram o valor de soante. As
outras se transformaram em consoantes.
Nasais
m, n
Líquidas
l, r
Semivogais
i, u
Assim, o I (i) e o V (u) podem ser tanto vogais, como os nossos i e u, como podem ser consoantes, funcionado
como os nossos j e v. Essas duas letras não existiam no alfabeto latino, mas você certamente já viu expressões
latinas com elas. Isso acontece porque elas foram incluídas ao alfabeto pelo filósofo e humanista francês Pierre
de la Ramée (1515-1572), na Renascença. Por isso, são chamadas de letras ramistas.
Os autores latinos Cícero e Quintiliano consideravam que o alfabeto latino tinha, na verdade, 21 letras. Eles não
aceitavam o Y e o Z como parte integrante do alfabeto, porque só eram usados em transcrições de palavras
gregas.
Existiam dois tipos de escrita:
Escrita capital
Alfabeto somente em maiúsculas, como mostrado acima. Era utilizada nos manuscritos de autores latinos e
em documentos públicos.
Escrita cursiva
Ela se assemelhava um pouco com a nossa manuscrita e era usada para escrever documentos particulares
e recibos.
As pronúncias do Latim
A língua latina, como já sabemos, deixou de ser falada há muitos séculos e, como naquela época ainda não
haviam sido inventados celular, câmera nem mesmo gravador, é muito difícil afirmar como os romanos
pronunciavam sua língua em séculos de história.
Isso quer dizer que não sabemos como o latim era falado?
Responder a essa pergunta é uma tarefa muito difícil, para não dizer quase impossível. Depois da queda do
Império Romano do Ocidente, que utilizava o latim como língua oficial, em 476 d.C., o latim não deixou de ser
falado, ele foi adotado por muitos povos que se fixaram nas regiões da Europa. Entretanto, sem um governo
unificado e sem escolas que pudessem transmitir a língua latina, com o passar do tempo, a língua falada em
cada região foi se diferenciando. Dessa forma, o latim se transformou. O latim vulgar, falado pelo povo de todo

Império Romano, evoluiu no tempo e no espaço e gerou as línguas neolatinas ou românicas, entre elas, o
português.
Esse processo durou séculos. As primeiras línguas neolatinas tiveram registros escritos no século IX, enquanto
as últimas vieram à luz no século XII.
O latim ficou restrito aos conventos e tornou-se a língua da Igreja Católica. Apenas no Renascimento, a partir do
século XV, é que o estudo das línguas clássicas, o grego e o latim, voltou a fazer parte do ensino dos leigos
(FARIA, 1933).
Mas como se falaria o latim? Será que se poderia usar as línguas neolatinas
como base?
Não seria seguro. Como cada uma das novas línguas tinha características próprias, cada uma utilizaria a
pronúncia de uma forma diferente. Alguns estudiosos, contudo, usaram esse parâmetro para falar o latim.
A solução seria usar o latim falado pelo Vaticano como a fonte segura de pronúncia, já
que ele representa o latim que continuou a ser usado após a queda do Império Romano
e é usado até hoje para escrever os documentos oficiais? É a forma mais antiga ainda
utilizada e, por isso, é uma fonte segura da pronúncia?
Também não podemos utilizar esse argumento, pois há muita influência do italiano no latim usado pela igreja.
Então, é impossível saber como César, Augusto, Cícero ou Virgílio falavam
no período clássico?
Indicar uma pronúncia com absoluta certeza não é possível, mas os gramáticos e outros autores latinos
deixaram, em suas obras, pistas de como o latim clássico deveria ser pronunciado.
Agora você pode entender os motivos que levam a existir, hoje em dia, três pronúncias possíveis para a língua
latina: a eclesiástica, a reconstituída e a tradicional. Vamos ver cada uma delas a seguir:
Agora, vamos ver como funcionam as três possibilidades de pronúncia através de um quadro comparativo, no
qual apresentaremos cada letra do alfabeto latino e como seria o som em cada uma das pronúncias:
RECONSTITUÍDA TRADICIONAL ECLESIÁSTICA
a = a a = a a = a
b = b b = b b = b
ca, co, cu = k ca, co, cu = k ca, co, cu = k
Pronúncia eclesiástica
É a pronuncia utilizada pela Igreja Católica, com influência da pronúncia italiana. Isso quer dizer
que se fala o latim quase da mesma forma como se pronuncia o italiano, com poucas exceções.
Pronúncia reconstituída ou restaurada
É a mais bem fundamentada cientificamente. Foi estabelecida a partir de um cuidadoso estudo de
linguistas e filólogos, tendo por base os gramáticos latinos e outros autores que identificavam a
pronúncia dos fonemas em suas obras. Com isso, puderam fazer a reconstituição do que teria sido
o latim falado pelos romanos do período clássico. Por ter tido como fonte um apurado estudo
linguístico, ela é comumente usada nos cursos de Letras.
Pronúncia tradicional
É a adaptação do latim aos sistemas linguísticos das diversas línguas que o estudam. Quando, na
Renascença, os estudiosos retomaram os clássicos gregos e latinos e, consequentemente, suas
línguas, eles não se preocuparam em como teriam sido faladas. Assim, adaptaram a pronúncia.
Um falante de francês, por exemplo, pronunciava o latim como se fosse francês. Por isso, na
verdade, existem várias pronúncias tradicionais. No Brasil, usamos a tradicional portuguesa. Uma
área de saber que utiliza essa pronúncia é o Direito.
RECONSTITUÍDA TRADICIONAL ECLESIÁSTICA
ci, ce = k ci, ce = s ci, ce = tch
ch = k ch = k ch = k
d = d d = d d = d
ĕ = é ĕ = é ĕ = é
ē = ê ē = ê ē = ê
f = f f = f f = f
ga, go, gu = g ga, go, gu = g ga, go, gu = g
ge, gi = g ge, gi = j ge, gi = dj
gn = gn gn = gn gn = nh
h inicial = leve aspiração h inicial = mudo h inicial = mudo
h medial = mudo h medial = mudo h medial = leve k
i = i i = i i = i
Não há j. I consoante = i j = j Não há j. I consoante = i
l = l sempre lateral l = l l = l sempre lateral
m = m m = m m = m
n = n n = n n = n
ŏ = ó ŏ = ó ŏ = ó
ō = ô ō = ô ō = ô
p = p p = p p = p
ph = f ph = f ph = f
RECONSTITUÍDA TRADICIONAL ECLESIÁSTICA
q = k q = k q = k
qu = ku qu = ku qu = ku
r inicial = r vibrante r inicial = r velar r inicial = r vibrante
r medial = r vibrante r medial – r vibrante r medial = r vibrante
rr = r vibrante longo rr = r velar rr = r vibrante
s inicial e final = s s inicial e final = s s inicial e final = s
s medial = s s medial = z s medial = z
ta, te, to, tu = t ta, te, to, tu = t ta, te, to, tu = t
ti = t ti intervocálico = ci ti intervocálico = ci
nti = nti nti + vogal = nci nti + vogal = nci
cti = kti cti+ vogal = ci cti+ vogal = ci
th = t th = t th = t
u = u u = u u = u
Não há v - consoante = u v = v v = v
x = ks x = ks x = ks
y = ui y = i y = i
z = dz z = z z = dz
No quadro acima não foi utilizado um alfabeto fonético. O objetivo é apenas reproduzir o som de forma que
qualquer estudante, mesmo os leigos em estudos fonéticos, possa entender.

Pronúncias do latim
Neste vídeo, o professor Luís Cláudio Dallier Saldanha falará sobre as diferenças entre as pronúncias do latim.
Vamos lá!
Os encontros
Em latim, como também em português, o centro da sílaba é sempre uma vogal. Isso quer dizer que não existe
sílaba sem vogal.
Mas e sobre a consoante? Pode ter mais de uma?
Os exemplos mostram que sim. São chamados encontros consonantais. Vemos, portanto, que as consoantes
podem se encontrar em:
Uma mesma sílaba
pri – mus = primeiro
Sílabas separadas
im – po – ten – ti -a = impotência
Quando acontece um encontro de vogais, pode ser um hiato, se as vogais estiverem em sílabas separadas, como
em sapientia (sa-pi–en-ti-a - sabedoria), ou pode ser um ditongo, se elas estiverem na mesma sílaba, como em
praesentia (prae–sen–ti–a – presença).
No latim clássico,existem apenas três ditongos: ae, oe, au. Os hiatos e os encontros consonantais seguem as
dicas de pronúncia do vídeo que você acabou de assistir, mas para os ditongos teremos as três possibilidades de
pronúncia a seguir:
PALAVRA RECONSTITUÍDA TRADICIONAL ECLESIÁSTICA
caelestis (celeste) ae = ai (kailestis) ae = é (celestis) ae = é (celestis)
Oedipus (Édipo) oe = oi (oidipus) oe = é (édipus) oe = é (édipus)
taurus (touro) au = au (taurus) au = au (taurus) au = au (taurus)
É bom destacar que a separação silábica do latim segue basicamente as mesmas regras da língua portuguesa.
Quantidade
Existe em latim uma noção que não evoluiu para as línguas neolatinas: a quantidade. Cada vogal, na língua latina,
pode ser breve ou longa. A vogal longa tem o dobro da duração de pronúncia do que uma breve. Existiam dois
sinais usados em cima das vogais para indicar a sua quantidade:
Quantidade
A quantidade não é altura, nem timbre, e o sinal não representa um acento gráfico, pois não existe, em latim, tal
acento.
A braquia ( ˘ )
Se a vogal fosse breve.
O macron ( ˉ )
Se a vogal fosse longa.
Em português, o acento gráfico é usado para marcar a sílaba tônica de uma palavra. Na língua latina, todas as
vogais têm quantidade sem depender de serem tônicas ou átonas. A quantidade não é uma marca de tonicidade.
Isso não quer dizer que não existem sílabas átonas e tônicas. As palavras possuem sempre uma mais forte, a

tônica, e pode ter ou não sílabas átonas. De acordo com a posição da sílaba tônica, existe uma classificação dos
vocábulos.
Será monossílaba a palavra que tiver uma única sílaba.
Os monossílabos tônicos possuem significação própria, como pax (paz), est (é) e nunc (agora). Normalmente,
são tônicos os substantivos, verbos e advérbios. Os monossílabos átonos não têm um significado independente,
como ut (como) ou de (de), conjunção e preposição, respectivamente. Eles adquirem significado apenas quando
relacionados a outros termos em uma oração.
Como não há palavras originalmente latinas com a última sílaba tônica, não existem oxítonas. Assim, todo
vocábulo de duas sílabas é chamado de paroxítono.
E quando a palavra tiver mais de duas sílabas?
Vamos observar a posição da sílaba tônica para classificar. Temos uma palavra paroxítona, se a penúltima sílaba
for longa e ela mesma será a silaba tônica. Contudo, quando a penúltima sílaba é breve, a sílaba tônica será a
antepenúltima e, por isso, será proparoxítona.
Vamos ver alguns exemplos para ficar mais claro:
Laetitĭa (alegria)
Separa-se: lae – ti – tĭ – a.
Palavra proparoxítona, já que a penúltima sílaba –ti– é breve. Por isso, a sílaba tônica é a antepenúltima, ou
seja, o primeiro –ti.
Amor (amor)
Separa-se: a – mor.
Tem apenas duas sílabas, por isso, é paroxítona, independentemente da quantidade de suas vogais.
Intercēptus (interceptado)
Separa-se: in – ter – cēp – tus.
Essa palavra é paroxítona, porque a penúltima sílaba é longa e, por isso, é também a sílaba tônica.
A quantidade e a tonicidade
Há inúmeras regras para o uso da quantidade. Os romanos não costumavam usar os sinais de quantidade, pois
sabiam, como falantes nativos, se deviam pronunciar de uma forma mais longa ou mais breve. Contudo, para nós,
que estamos aprendendo a língua, algumas regras para o uso da quantidade nos ajudam a identificar a tonicidade
e pronunciar corretamente as palavras.
Vamos nos deter apenas nas regras de mais fácil identificação. Os dicionários, normalmente, indicam a
quantidade da vogal da penúltima sílaba.
Vejamos as regras com alguns exemplos:
Regra 1
Vogal seguida de outra vogal ou de ditongo é breve. Ainda que tenha um h entre as
vogais.
Exemplo: Comparatĭo (comparação) – com – pa – ra – tĭ – o; detrăho (eu corto) – de – tră – ho;
iustitĭae (da justiça) – ius – ti – tĭ – a
Todas as palavras acima possuem mais de duas sílabas, com a penúltima sílaba breve. Portanto,
todas são proparoxítonas.
Regra 2
Vogal seguida de x é longa, pois essa consoante representa dois fonemas (ks).
Exemplo: Reflēxi (voltei) re – flē – xi
Como a palavra tem três sílabas com a penúltima longa é paroxítona.
Regra 3
Vogal seguida de duas (ou mais) consoantes é longa.
Exemplo: Refērtus (cheio) – re – fēr – tus; puēlla (menina) – pu – ēl – la; praesūmpti (presunçosos)
– prae – sūmp – ti.
Todas são paroxítonas, pois possuem a penúltima sílaba longa.
Regra 4
Vogal seguida de encontro consonantal com r ou l (br, bl, pr, pl, fr, �, gr, gl), como
segundo elemento, é breve.
Exemplo: Conflăgro (ardo) – con – flā – gro
Q d últi íl b é b t ít
Estas normas servem para a vogal de qualquer sílaba, mas nos interessa apenas a penúltima sílaba, pois assim
podemos identificar qual é a sílaba tônica.
Assim encerramos nossas considerações sobre o alfabeto e as pronúncias da língua latina e você pode aprender
a base da prosódia para pronunciar corretamente as palavras latinas.
Mão na massa
Questão 1
Marque a alternativa correta a respeito das letras j e v:
Quando a penúltima sílaba é breve, temos uma proparoxítona.
Regra 5
Todos os ditongos são longos.
Exemplo: Restauro (eu restauro) – res – tau – ro
Como o ditongo está na penúltima sílaba, a palavra é paroxítona.

A Nunca fizeram parte do alfabeto latino.
B Na pronúncia reconstituída era usado apenas o v.
C Foi no período Clássico que Pierre de la Ramée introduziu essas letras ao alfabeto latino.
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EN%C3%A3o%20havia%20as%20letras%20j%20e%20v%20no%20alfabeto%20latino.%20Estas%20letra
Questão 2
Marque a única opção em que encontramos apenas palavras paroxítonas:
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EPor%20meio%20do%20uso%20da%20quantidade%2C%20sabemos%20que%20as%20palavras%20q
Questão 3
Sobre a pronúncia do latim é correto afirmar que
D Na pronúncia reconstituída, o som equivale ao som dessas mesmas letras em português.
E O j na pronúncia eclesiástica é pronunciado como dj.
A coniunctĭo (união), puēlla (menina), etsi (ainda que)
B Minērva (Minerva, deusa da sabedoria), exsūltans (saltitante), dĕa (deusa)
C oblītus (esquecido), renouatĭo (renovação), frigĭdus (frio)
D frons (rosto), os (ouvido), recens (recente)
E spes (esperança), assidŭus (presente), contēntus (contente)
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EExistem%2C%20por%20motivos%20hist%C3%B3ricos%2C%20tr%C3%AAs%20pron%C3%BAncias%2
Questão 4
Indique a regra utilizada para o uso da quantidade na penúltima sílaba da palavra prouēctus (adiantado).
A teve sua evolução natural para as línguas neolatinas.
B
por motivos históricos, há três possibilidades de pronúncias: a eclesiástica, a reconstituída e
a tradicional.
C não existem dados sobre como o latim era falado.
D a pronúncia eclesiástica é a mais científica.
E a pronúncia tradicional é a usada pelo Vaticano.
A Vogal antes de vogal é longa.
B Vogal antes de c é sempre longa.
C Vogal antes de hiato é breve.
D Vogal antes de ditongo é longa.
E Vogal antes de duas ou mais consoantes é longa.
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20vogal%20da%20pen%C3%BAltima%20s%C3%ADlaba%20est%C3%A1%20marcada%20com%20
Questão 5
Marque a alternativa na qual a palavra contenha um hiato.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20%C3%BAnica%20palavra%20em%20que%20possui%20um%20encontro%20voc%C3%A1lico%2
en-ti-
a.%20Todos%20os%20outros%20encontros%20voc%C3%A1licos%20s%C3%A3o%20ditongos%20(au%20e%20oe).%
Questão 6
A única palavra em que o sinal de quantidade está corretamente aplicado é
A rex (rei)
B poena (pena)
C aurum (ouro)
D scientia (ciência)
E discipulus(aluno)
A enŏrmis (enorme)
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EDe%20acordo%20com%20as%20regras%20aprendidas%2C%20vogal%20antes%20de%20vogal%20%
Teoria na prática
Chegou a hora de praticar. Vamos misturar tudo o que aprendemos neste módulo?
Tomemos a palavra despumatio (resfriamento) e, em primeiro lugar, vamos lembrar as três pronúncias para a
palavra. A diferença entre elas consiste no –ti– que está entre duas vogais e vai ser pronunciado –ci–
(despumacio), na tradicional e na eclesiástica, enquanto na reconstituída fica -ti- (despumatio) mesmo. Para
pronunciar corretamente, devemos saber qual é a sílaba tônica da palavra. Para isso, vamos dividi-la: des-pu-ma-
ti-o. Vemos aí um encontro consonantal (s-p) e um encontro vocálico, um hiato (ti-o). Como é um hiato, pois só há
três ditongos (ae, oe, au), encontramos como penúltima sílaba -ti-.
Nas regras para o uso de quantidade, vemos que vogal seguida de outra vogal é breve, por isso, colocamos uma
braquia no -ĭ. Como a penúltima sílaba é breve, a palavra é proparoxítona, ou seja, a antepenúltima sílaba (ma) é
pronunciada com mais força.
Pronto! Agora você é um iniciado em prosódia latina. Parabéns!
No vídeo a seguir, assista às explicações sobre aspectos gerais do alfabeto latino e algumas características
gramaticais do latim.
B mansĭo (morada)
C dēa (deusa)
D magĭster (professor)
E rĕx (rei)
_black
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Depois de estudar os principais aspectos do alfabeto latino, assinale a alternativa que traz uma afirmativa
correta.
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EO%20alfabeto%20latino%20possui%2023%20letras%2C%20tendo%20o%20f%20entre%20elas%2C%2
A O alfabeto latino tem 26 letras.
B O f não faz parte do alfabeto latino.
C Existem três vogais no Latim Clássico.
D O alfabeto latino sofreu influência germânica.
E O y e o z são provenientes do grego.
Questão 2
Você já sabe que na língua portuguesa as palavras podem ser proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas, em
função da posição da sílaba tônica. No latim, as palavras também possuem uma sílaba tônica. A respeito
das palavras paroxítonas em latim, podemos afirmar que
Parabéns! A alternativa C está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EApenas%20palavras%20de%20tr%C3%AAs%20ou%20mais%20s%C3%ADlabas%20podem%20ser%2
Considerações �nais
Tudo o que foi visto neste conteúdo mostra como é importante o conhecimento das origens para compreender
melhor nossa vida, nossas instituições e até mesmo a estrutura de nossa sociedade.
A Antiguidade Clássica não está apenas no passado, ela nos influencia ainda hoje, pois foram os gregos e os
romanos que nos deram a base do conhecimento nas mais diversas áreas de saber e também legaram a nós
muito de sua estrutura política e social. Até mesmo o alfabeto é fruto da antiguidade.
A são palavras cujo acento tônico recai na última sílaba.
B possuem, invariavelmente, apenas duas sílabas.
C são palavras com três ou mais sílabas que possuem a penúltima sílaba breve.
D são palavras que apresentam a penúltima sílaba longa.
E compõem um conjunto de vocábulos que possuem tão somente uma sílaba.
Por isso, quanto mais sabemos dos antigos gregos e romanos, mais profundamente conhecemos o legado
cultural e linguístico que nos foi transmitido.
Podcast
As professoras Fernanda Lemos de Lima e Márcia Regina de Faria da Silva encerram falando sobre o legado
linguístico do grego e do latim.

Explore +
Leia o artigo Do grego antigo ao português contemporâneo: o sortilégio da língua e a epifania da cultura, de Luís
Cardoso, disponível no repositório do Instituo Politécnico de Viseu (IPV), para uma abordagem sobre a história da
língua grega e sua relação com o português.
Leia o artigo A língua latina: sua origem, variedades e desdobramentos, de Maria Cristina Martins, publicado no
portal Filologia.org.br, para conhecer uma classificação dos períodos da língua latina e concepção de latim vulgar
e clássico.
Assista aos seguintes vídeos:
O que o grego tem a ver com o português?, da BBC News Brasil, que aborda de forma interessante e divertida a
influência grega na nossa língua.
Latim! Cadê você?, da TV Cultura, que debate a atualidade do latim com o professor Alexandre Hasegawa e o
escritor Ignácio de Loyola Brandão.
Referências
FARIA, Ernesto. A pronúncia do latim. Rio de Janeiro: Edição do autor, 1933.
NORONHA, Ibsen. Breves considerações acerca do influxo do Cristianismo sobre o matrimônio no Direito
Romano. Caderno Virtual, v.1, n. 24, jul.-dez. 2011.
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