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2 A PRIORIZE REDE DE ENSINO CURSO GESTÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA E PRIVADA DESARMAMENTO: As Consequências Do Estatuto Do Desarmamento E Atuais Flexibilizações CLAUDIO SILVA JARAGUÁ - GO 2022 Claudio Silva DESARMAMENTO: As Consequências Do Estatuto Do Desarmamento E Atuais Flexibilizações Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado Priorize Rede de Ensino como requisito parcial a obtenção do Título de Bacharel em Gestão em Segurança Pública e Privada, sob orientação da Profª. Drª JARAGUÁ - GO 2022 RESUMO resumo Palavras Chave: ABSTRACT SUMÁRIO INTRODUÇÃO 5 1. O DIREITO A ARMAR-SE E SUAS LIMITAÇÕES 7 1.1 O histórico do armamento civil e militar 7 1.2 A regulamentação do armamento no brasil 12 1.3 O porte e a posse 14 2. O ESTATUTO DO DESARMAMENTO 15 3. FLEXIBILIZAÇÃO PÓS-DESARMAMENTO 16 CONSIDERAÇÕES FINAIS 17 REFERÊNCIAS 18 INTRODUÇÃO O ser humano é dito como o animal com o maior uso de ferramentas de todo o mundo, muito embora diversas espécies se utilizem de ferramentas para o desenvolvimento de caça e outras atividades, tais como os bonobos ou alguns pássaros, porém o ser humano é o único que se utiliza de diversas ferramentas complexas desde a antiguidade (COSTA, 2015). Algumas atividades humanas essencialmente necessitam de certas ferramentas complexas, tal como a caça que necessita de ferramentas cortantes e de certa periculosidade. Neste sentido de uso das ferramentas, no período moderno, nasce o uso de armas de fogo, sendo estes armamentos tendo uma série de peculiaridades que os colocam altamente periculosos (COSTA, 2015). O uso das armas de fogo detém diversas complexidades desde asa sua criação, isso ocorre, pois, o uso da ferramenta, seja qual for, depende das intenções do usuário e assim o uso de uma arma de fogo e sua alta periculosidade pode ser usada facilmente para males contra qualquer pessoa (COSTA, 2015). Esta periculosidade das armas, especialmente as armas de fogo, causa a necessidade de o Estado, como entidade protetora do povo, regulamentar as os usos corretos e aplicar punições para os usos incorretos de tais ferramentas mecânicas humanas. Uma das formas de o Estado regular o desenvolvimento das armas é justamente a aplicação de restrições de certos tipos ou para certos indivíduos, assim evitando que armamentos sejam utilizados indevidamente. Neste sentido que se apresenta a pesquisa em tela, visando compreender em como a restrição de acesso a armamentos, desenvolvida por parte do Estado, pode ou não ser benéfica para a proteção do povo e especialmente seu impacto na segurança pública e privada. Cabe ressaltar que o estudo ainda visa compreender como o direito do cidadão é interpretado sob a égide de sua liberdade individual, assim observando o direito de ter armamento e a ingerência do Estado nesta liberdade individual. O problema central de estudo gira em torno de uma questão essencial de segurança pública, considerando que armas acarretam em uma dita situação de perigo, porém também servido de item liberdade e proteção individuais do indivíduo. Diante disto, busca se responder a problemática de: O desarmamento importa em proteção efetiva para a população ou pode ferir direitos e liberdades individuais? Quanto aos objetivos do estudo, importando em objetivos gerais e específicos, estes são voltados ao auxílio do estudo e direcionais para a solução da problemática anteriormente descrita. Ao objetivo geral aplicado a este estudo, existe a busca por compreender a efetividade do desarmamento do povo, imposta pelo Estado, observando seus resultados práticos no Brasil. Já aos objetivos específicos busca-se: Observar o direito individual de armar-se e como tal direito é interpretado no Brasil; Compreender a norma de desarmamento no Brasil; e Analisar os resultados pós desarmamento e as reações por flexibilização. Quanto a metodologia aplicada ao estudo em tela, esta se trata de estudo de revisão bibliográfica que visa observar e fundamenta-se com base em estudos prévios que sejam advindos de artigos científicos, livros, teses e documentos já validados e publicados na comunidade científica. Trata-se ainda de estudo qualitativo e quantitativo, isto é, detendo dados estatísticos e bem como exposições de conceitos sobre o tema em estudo. Sendo ainda uma pesquisa de natureza básica, sem aplicação específica. Os principais autores utilizados no estudo são XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A pesquisa foi dividida em três distintas partes, cada uma das partes tendo o intuito de desenvolver o entendimento sobre o tema. O primeiro tópico visa compreender o direito de armar-se e as limitações comuns aplicadas no mundo e como são tais limitações no Brasil. O segundo tópico compreende uma análise sobre o estatuto do desarmamento (Lei 10.826 de 2003) e o contexto de sua aprovação. Já o terceiro tópico e cerne do estudo apresentado, vida desenvolver os impactos do desarmamento e as ações sucessivas que ocorreram nos últimos anos a fim de flexibilizar as restrições advindas do estatuto do desarmamento. 1. O HISTÓRICO DO ARMAMENTO CIVIL E MILITAR Incialmente é importante desenvolver o entendimento sobre o direito de armar-se e as limitações que foram impostas a este direito ao longo do tempo, especialmente compreendendo como a evolução dos armamentos, o desenvolvimento tecnológico e a modernidade impactaram na periculosidade e potencial de danos das armas em geral e das armas de fogo. Neste escopo, ainda é necessário compreender como algumas normas internacionais e órgãos internacionais influenciam o direito de armar-se e suas limitações. Em toda etapa humana, do surgimento até os dias contemporâneos, os homens utilizam alguma forma de autodefesa. O que mudou foram os tipos de armas e as formas que começaram a ser utilizadas, sobretudo após o surgimento de novas tecnologias bélicas, que sempre acompanharam o desenvolvimento humano. (TEIXEIRA (2018, p. 11) Diante disto, este tópico inicial é dedicado a compreender como existe um histórico de armamento civil e militar, bem como limitações ao armamento militar de certos Estados soberanos e obviamente limitações aos direitos gerais e civis de armar-se. Vale informar que este tópico inicial ainda visa apresentar o regulamento de armamento no Brasil, considerando as diversas mudança históricas no país desde seus períodos coloniais e as diversas influências através do tempo que acarretaram na legislação atual. O histórico do armamento civil e militar no Brasil segue um desenvolvimento similar ao daquilo que é observado no desenvolvimento tecnológico dos armamentos no mundo. Antes do período do descobrimento, imperava no mundo o uso de armamentos cortantes ou armamentos de projeteis perfurantes diversos da arma de fogo (COSTA, 2015) Conforme expõe Costa (2015) os primeiros usos de armas de fogo portáteis são do século XV e XVI com a invenção dos primeiros mosquetes, anterior a isto somente se ouvia falar do uso de canhões, sendo discutivelmente definidos como tipos de armas de fogo ou como definição especial de artilharia fixas especiais que não se confundiriam com armas de fogo. Figura 1 - Drill zur Waffenhandhabung bei Musketieren (Broca de manuseio de arma de mosqueteiro) Fonte: Jacob de Gheyn (1664) O desenvolvimento dos primeiros mosquetes (Figura 1) foi dado exclusivamente para as forças armadas em todo o mundo, sendo raros os exemplares que chegavam a mãos civis, isso pois, ao período do século XVI a produção de um mosquete era uma tecnologia de ponta e com custo elevado. Além do alto preço para se confeccionar um mosquete, que poderia disparar apenas uma vez antes de ser demoradamente recarregado, existia um grande controle mundial da pólvora neste período em razão das expansões marítimas que demandavam a busca da pólvora para os canhões e da vasta guerra chinesa neste período (KINDERSLEY, 2012). O mosquete, sendo o primeiro armamento de fato a surgir em grande escalano mundo, detinha de baixa tecnologia com o que conhecemos hoje de armas de fogo, tratava-se de uma arma com boca única onde se injetava a pólvora e a bala, pesava 10 quilos e sua recarga poderia demorar até 3 minutos para ser perfeitamente completa. A complexidade e peso do mosquete levava a esta arma ser utilizada apenas como recurso inicial ou em momentos de distância contra o inimigo ou alvo, em combates duradouros o sabre e espadas ainda eram as principais armas até o século XVII e XVIII (COSTA, 2015; KINDERSLEY, 2012). Nucci (2016) apresenta que no início da criação das armas de fogo, no século XVI, não havia necessidade de desenvolver legislações específicas sobre o controle de armamento, isso pois, seu alto custo, barulho e pouca possibilidade de realmente matar alguém, acarretavam em baixa efetividade de seu fim. Com isso as armas costumeiramente poderiam ser adquiridas por aqueles que acreditavam em seu potencial e pagassem o alto valo de uma tecnologia de ponta no século XVI. É compreensível que o desenvolvimento dos armamentos no período do XV e XVI fosse arcaico com o alto poder de fogo que existe na atualidade, esse surgimento das armas levou a necessidade de pesquisas e aprimoramento por séculos para chegar ao que temos na atualidade. O início da história dos armamentos começa de forma tímida e até ineficaz em suas finalidades de causar dano ou proteção, porém existiu acentuado aprimoramento dos armamentos que culminaram em armas cada vez mais tecnológicas e aprimoradas como na atualidade. Costa (2015) expõe que o mosquete não agradava por seu peso e complexidade de uso que levava a baixa taxa de tiros, sendo menos de 1 por minuto. Com certos aprimoramentos se construiu o que ficou conhecido como fuzil de pederneira, sendo este mais leve, de fácil manuseio e podendo atirar até três vezes por indivíduos com experiência e treinamento. É compreensível que os primeiros modelos de armas de fogo não fossem efetivamente precisos ou com grande segurança, considerando a tecnologia e início de industrialização e domínio do metal existente no século XVI. Assim é evidente que o uso de um bom sabre de batalha ou até mesmo as técnicas de batalha seriam, a aquele período, superiores em u confronto direto, ainda mais considerando combate de curta distância. O Grande problema das primeiras armas de fogo era justamente a sua forma de carregamento que poderia até mesmo explodir a arma quando feita de forma incorreta. O carregamento das primeiras armas de fogo era feito pela boca, inserindo pólvora, inserindo um projetil esférico de chumbo, algum metal ou pedra e no final inserindo papeis ou limitadores e socando para comprimir a carga (KINDERSLEY, 2012). O problema de recarga das primeiras armas de fogo, levava ao uso de projeteis pouco eficientes, mal pensados para o uso da arma de fogo, com baixa precisão e com considerável chance de ferir o usuário da arma durante o seu manuseio. Tais problemas levaram a diversos investimentos no setor de armamentos, ainda mais considerando os climas instáveis do século XVI e XVII e das expansões marítimas do período (KINDERSLEY, 2012). Figura 2 - exemplares de balas de mosquete Fonte: Fioravante Patrone (2013) A revolução da tecnologia do século XVII e XVIII permitiram aprimoramentos no mosquete, criando o fuzil de pederneira e posteriormente criando ainda o fuzil de retro carga que permitiu diversos tiros por minuto e assim levando a arma de fogo ao patamar de essencial para segurança pública e privada (COSTA, 2015). O fuzil de retrocarga barateou a produção, melhorou a sua forma de recarga e até mesmo permitiu garantir a segurança do usuário com uso de recarregadores de pólvora e até mesmo capsulas prontas em certos modelos. No período do século XVII o modelo de retrocarga levou a possibilidade de civis adquirirem tais armas, isso pois, o valor não era extremo e assim poderiam existir vendas avulsas a fazendeiros ou até mesmo corsários que buscavam proteção ou simplesmente poder de fogo para os mais diversos fins (BICHARA, 2012; COSTA, 2015). O custo acessível das armas no século XVI e XVII acarreta em uma possibilidade de descentralização militar das armas de fogo, não sendo as armas de fogo mais um monopólio do poder Estatal ou das forças militares, assim surgindo cada vez mais artesão s e fabricantes especializados de armas que vendiam para civis ou qualquer interessado. A consequência dessa popularização das armas de fogo foram seu uso contra membros do clero, da nobreza e até mesmo a imposição de força por poderosos armados, assim existindo a necessidade de regulamentar usos de tais armamentos (BICHARA, 2012; COSTA, 2015). Este período do século XVII e início do século XVIII também coincide com a revolução industrial, o domínio humano dos metais e a expansão das formas industriais de produção. Tal avanço tecnológico permitiu a produção de ferramentas mais complexas e ainda mais a produção de armamentos modernos com grande precisão, facilitado uso e produção em escala industrial (COSTA, 2015; KINDERSLEY, 2012). A criação dos rifles de repetição revolucionou as técnicas de guerra e levou as armas de fogo a serem a principal ferramenta militar do mundo moderno e dando vantagens de combate aos exércitos que os usavam. Tais rifles tiveram papel principal na guerra civil americana e na guerra do Paraguai, sendo peça chave para o lado vencedor (KINDERSLEY, 2012; TEIXEIRA, 2001). A revolução industrial e o domínio do metal, aliado com a evolução de processos e técnicas de produção, permitem que o século XIX se inicie com as armas de repetição curtas, tal como o revolver e os rifles semiautomáticos. A revolução destes armamentos modernos era a possibilidade de múltiplos disparos com uma única carga e alta precisão das munições modernas (KINDERSLEY, 2012; TEIXEIRA, 2001). Figura 3 - Revolver MKL1888 Fonte: Konversationslexikon (1990) O revólver e sua técnica de repetição revolucionaram os armamentos pessoais e militares, possibilitando armamentos compactos, de fácil transporte e fácil produção de larga escala. Com este novo armamento o mundo inteiro passou a ressignificar a possibilidade de atentados e armamento civil, diante da facilidade de armar-se e causar vítimas com algo compacto (TEIXEIRA, 2018). Assim se deu o surgimento das consideradas “armas curtas”, como as pistolas a pederneira, depois, as pistolas iniciadas por espoletas. Por último, e com o invento do cartucho metálico (para conter a carga de pólvora e a espoleta, e para fazer a vedação da câmara de disparo, minimizando o escape de gases) foram diversificando-se os modelos, com diferentes sistemas de funcionamento, que continuaram evoluindo até a chegada das armas de fogo curtas, de alta tecnologia, como os revólveres e pistolas fabricadas com ligas de polímero e/ou alumínio. (TEIXEIRA, 2018, p. 14). Na atualidade a revolução se tornou os armamentos automáticos, com possibilidade de múltiplos disparos com apenas um apertar de gatilho. Estes armamentos automáticos podem ainda ser compactos como as submetralhadoras ou armamentos de guerra como as metralhadoras, que detém calibres diversos, com alto poder de destruição e disparos sucessivos de até centenas de projeteis em única ação contínua (TEIXEIRA, 2018). Existe ainda, na atualidade, diversos armamentos e tecnologias de ponta voltadas ao ramo militar e com uso específico para guerras de alta escala, tais como tanques com canhões de grosso calibre e até mesmo veículos especializados com intuito de carregar armas automáticas de diversos calibres. O Século XX e XXI é marcado especialmente pela popularização das armas automáticas e desenvolvimento de armamentos cada vez mais precisos e com potencial cada vez mais letais. Existindo na atualidade diferentes tipos de munição que podem facilmente atravessar blindagens e dispararem múltiplas vezes. É certo que a evolução do armamento foi exponencial e especialmente a atualidade existindo uma série de armas com grande potencial de dano e periculosidade extrema. Com a criação de armas automáticas ecrescente popularização das armas, surge as regulamentações do Estado sobre este tipo de ferramenta. 2. A REGULAMENTAÇÃO DO ARMAMENTO NO BRASIL E O DESARMAMENTO No mundo todo a regulamentação das armas ocorreu de formas diversas em cada país e de acordo com o avanço de cada tipo de armamento e sua periculosidade. Para a situação brasileira, diversas foram as alterações no desenvolvimento de normas, porém o acesso ao armamento no Brasil sempre foi um item controverso desde o período do descobrimento até os momentos atuais. A situação jurídica brasileira é de grande complexidade, considerando os anos de seu descobrimento, o período do impero e a atual república, nota-se que diversas foram as transformações legislativas e especialmente influencias legais no país. Conforme expõe Lenza (2020) o desenvolvimento normativo brasileiro seguiu uma fase inicial de replicação das normas do império português, seguido de um período com mescla de normas próprias e replicação das normas portuguesas e um final período de democracia com normas próprias com diversas influencias nacionais e internacionais. As ordenações, figuraram no país por diversos anos, tendo como base para o direito em todo o país e servindo como norma que regulamentava as ações mais diversas, de direito civil, passando por normas processuais gerais e até mesmo regulamentando o direito penal (LENZA, 2020). Este período das ordenações, sendo as Ordenações Afonsinas, Ordenações Manuelinas e as Ordenações Filipinas eram as principais compilações de normas que regeram o Brasil até seu período de 1916. Muito embora o Brasil tenha se distanciado dos poderes do imperialismo de Portugal e proclamando-se república em 1889 a transição para abandonar normas estritamente portuguesas somente ocorre no século XX (LENZA, 2020) Especificamente no Brasil, no período do século XVI e XVII, imperou inicialmente as Ordenações Filipinas as quais vedavam o uso e porte de armas por parte do povo civil e prevendo punição de prisão por um mês e multa. As ordenações Filipinas iniciaram seu vigor em 1603, em Portugal e pouco sendo aplicadas no Brasil colônia que era quase uma terra sem leis até o período de 1700 com a instalação de importante estratificação por parte do império português (LENZA, 2020; MARCÃO 2017) A norma das ordenações Filipinas vigorou no país até 1916, porém com uma série de seus dispositivos não fazendo efeito de fato e servindo algumas partes destas ordenações Filipinas como apenas meras normas simbólicas ou até mesmo ineficazes por não serem compatíveis com as diversas constituições ao longo do tempo ou por serem tratadas em normas específicas (MARCÃO, 2017). O Código Criminal de 1830, conhecido como código criminal do império, seguia a mesma interpretação daquelas apresentadas nas ordenações Filipinas, prevendo prisão e multa a qualquer civil portando armas de fogo. Em anos iniciais do Brasil, no seu período imperial, as armas de fogo somente eram destinadas as forças armadas e somente esta força ou indivíduos especiais autorizados as poderiam utilizar; tais como corsários ou milicias de interesse da coroa portuguesa (MARCÃO, 2017). Marcão (2017) expõe que muito embora existissem as normas criminais e as ordenações Filipinas o comercio de armas era crescente no Brasil e existindo cada vez mais armamentos desde o período do descobrimento. Diversos eram os latifundiários que mantinham armamentos para proteção até mesmo intimidação, alguns senhorios de escravos e comerciantes recorrentemente detinham armas e nenhuma punição era aplicada de costume e inexistindo grandes repressões do Estado imperial para este fato. Bichara (2012) expõe que as normas brasileiras sobre armas de fogo não eram tão relevantes até o período do século XX, isso pois, a popularização das armas não feria recorrentemente o Estado ou eram utilizadas recorrentemente em crimes. Anterior ao século XX armas eram itens de alto preço e os civis que detinham condições de as adquirir não costumavam ter motivos para seu uso além da proteção ou segurança privada. Durante o século XX o desenvolvimento de materiais, o controle quase absoluto sobre os metais e as formas artesanais de desenvolvimento de armamentos, tais como carabinas, levaram a uma ainda maior popularização de armas em situações de milícias privadas e até mesmo o fato de o cangaço ter colocado medo em todo país (LIMA, 2020). Diante das revoluções do início do século XX, considerando ainda a existência de um movimento de poder estatal e obrigações do Estado para com a segurança pública, nascem diversas formas administrativas de controle de armamentos e munições. Tal movimento ganha força em razão da Constituição de 1934, que previa controle administrativo de atos lesivos ou com ações preventivas para proteção do povo (LENZA, 2020). É Somente em 1934 que um movimento por repressão a armamentos sem controle nenhum surge, posteriormente, com a Lei das Contravenções Penais (Decreto-lei 3.688 de 3 de outubro de 1941) que previa controle de armamentos produzidos ou destinados aos exércitos, de forma que armamentos pesados, produzidos ou importados, para as forças armadas teriam controle e não poderiam ser destinados aos civis (BICHARA, 2012; MARCÃO, 2012). Art. 18. Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão da autoridade, arma ou munição: Pena – prisão simples, de três meses a um ano, ou multa, de um a cinco contos de réis, ou ambas cumulativamente, se o fato não constitue crime contra a ordem política ou social. Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade: Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou ambas cumulativamente. § 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado, em sentença irrecorrivel, por violência contra pessoa. § 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição: a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina; b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo; c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18 anos ou pessoa inexperiente em manejá-la. (BRASIL, 1941, online) Nota-se que o desenvolvimento das normas de limitação a armas de fogo não necessariamente surgiu com força, isso pois, as contravenções penais, desde a sua criação, são vistas como uma infração penal amena, tendo pena de prisão simples ou multa. Assim, neste lapso temporal, de meados do século XX até o final de tal século, existia uma leve limitação das armas, porém sem real repressão e sem o aspecto de crime de fato sobre a violação do controle de armas. Nucci (2016) expõe que a repressão a armas sem controle e a necessidade de licença que foi imposta em 1941, pouco importou para o real controle de armamentos e servindo até mesmo como forma de perseguição política. Ainda mais em períodos de instabilidade democrática, a norma de contravenções penais e os artigos de limitação dos armamentos foram utilizadas para perseguição política e violação de direitos. A norma das contravenções penais previa apenas a necessidade de licença para a posse ou porte de armas, vez que se passou a existir um controle administrativo dos armamentos e para certos tipos um controle de fabricação. Assim passando a existir regulamentação para não somente a produção, ainda mais existindo controle de quem poderia usar armamento bélico (BICHARA, 2012; MARCÃO, 2012). A evolução da limitação de armamentos ganha força ainda maior com o advento da Constituição Federal de 1988 (CF/88) que previa em seu artigo 21 o controle de materiais bélicos: “Art. 21. Compete à União: VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;” (BRASIL, 1988, p.1) Diante desta competência da União, diversos Estados passaram o controle de armamentos para a União, que se viu forçada anão somente melhorar as suas normas e ainda mais centralizar a distribuição de licenças e atuação para fiscalização de todo material bélico no país. Assim, em 1997, surge a Lei 9.437 que institui o Sistema Nacional de Armas (SINARM) e deu diversas outras providencias sobre o porte de armas de fogo e seu registro. Tal Lei Nº 9.437, de 20 de fevereiro de 1997 ainda passou a criminalizar de fato o armamento de fogo irregular em diversas formas, em seu artigo 10, com diversas qualificações e definições do tipo penal. Art. 10. Possuir, deter, portar, fabricar, adquirir, vender, alugar, expor à venda ou fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda e ocultar arma de fogo, de uso permitido, sem a autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Pena - detenção de um a dois anos e multa. § 1° Nas mesmas penas incorre quem: I - omitir as cautelas necessárias para impedir que menor de dezoito anos ou deficiente mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade, exceto para a prática do desporto quando o menor estiver acompanhado do responsável ou instrutor; II - utilizar arma de brinquedo, simulacro de arma capaz de atemorizar outrem, para o fim de cometer crimes; III - disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que o fato não constitua crime mais grave. § 2° A pena é de reclusão de dois anos a quatro anos e multa, na hipótese deste artigo, sem prejuízo da pena por eventual crime de contrabando ou descaminho, se a arma de fogo ou acessórios forem de uso proibido ou restrito. § 3° Nas mesmas penas do parágrafo anterior incorre quem: I - suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II - modificar as características da arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito; III - possuir, deter, fabricar ou empregar artefato explosivo e/ou incendiário sem autorização; IV - possuir condenação anterior por crime contra a pessoa, contra o patrimônio e por tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. § 4° A pena é aumentada da metade se o crime é praticado por servidor público. (BRASIL, 1997) É evidente que a regulamentação de armamentos no Brasil na década de 90 com a exposta Lei 9.437 de 1997, sendo somente neste período que se criminalizou o armamento ilegal e passou a existir uma certa seriedade em toda a regulamentação de armamento. Lima (2020) apresenta que tal mudança de paradigma se deu em razão das milicias armadas e o medo de um novo cangaço que se formava com a facilidade de armar-se, com armamento cada vez mais compacto e letal. A norma de 1997 trouxe uma série de consequências para a posse e porte de armas no Brasil, isso pois, agora além de uma necessidade de licenciamento para o armamento, existia então uma punição gravosa para infrações das normas e um tratamento federal da fiscalização. Marcão (2017) apresenta que a norma de 1997 acarretava em melhores possibilidades de punição e a esquiva de apadrinhamentos ou controles políticos que livrava poderosos das punições diante de sua influência. Ocorre ainda o fato de que esta norma de que a Lei 9.437 de 1997 desempenhava uma sistemática moderna de controle de armamento, podendo auxiliar pericias criminais e bem como o desenvolvimento de políticas criminais, baseadas em balísticas e analises de dados de armamentos em cada região. Em tese, o SINARM deveria auxiliar todo o governo na compreensão sobre o impacto dos armamentos e especificamente em que ações tomar diante de altas taxas de ilegalidade, usos de armamentos para cometimento de crimes e ações a serem tomadas. Neste sentido, as informações de Maia (2006) apresentam que o desenvolvimento de dados estatísticos foi, em certas partes, questionável, vez que faltavam diversos dados sobre ilegalidade e fiscalização e bem como uma informação de vieses em dados sobre a criminalidade e usos de armas. Maia (2006) expõe que a Lei 9.437 de 1997 e a regulamentação de armamentos nos anos iniciais do século XXI não eram de agrado do povo, levando a diversos debates sobre o controle estatal dos armamentos bélicos e especialmente sobre a necessidade de uma maior controle e efetividade da fiscalização estatal sobre armamentos. Em especial, a alta taxa de homicídios e mortes em geral causadas por armas de fogo, de forma intencional ou não, gerava uma série de alertas para a falta de bons usos para os armamentos e para a complexidade de um sistema de desvio de armamento para o crime e até mesmo furtos ou roubos de armamentos devidamente licenciados (MAIA, 2006). Diante das complexidades existentes em armamentos e a alta taxa de usos indevidos, no período de 2000 nascem os debates iniciais sobre uma necessidade de desarmamento da população e controle rigoroso de armamentos, considerando os dados de acidentes e mortes com armas de fogo. Assim surge a LEI N 10.826, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003, que tratou de atualizar e inserir mais rigor as normas sobre armamento no Brasil. A Lei Nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003 ficou conhecida no país como o Estatuto do Desarmamento, de forma que limitava fortemente o uso de armas e ainda mais disciplinava rigorosamente a punição para infrações de normas penais de armamentos (LIMA, 2020). O estatuto do desarmamento foi uma revolução no quesito de proteção pública por política de segurança, isso pois, a limitação de armamentos era descrita como uma necessidade do período e que serviria para o desenvolvimento de limitação a armamentos que costumeiramente eram usados de forma irregular. Assim o Estatuto do Desarmamento tratou de desenvolver um controle de armamento para que somente o necessário seja de fato possibilitado, quando se fala de armar-se, limitando ao máximo o porte de armas (LIMA, 2020). Em especial, o artigo 6º do Estatuto do Desarmamento tratou de limitar ao extremo aqueles que poderiam andar com armamento e de fato portar em certas localidades. Em geral somente aqueles que utilizavam de armamento para proteção pública ou privada poderiam ter o armamento, de forma que o civil não poderia andar armado sem a real necessidade de sua profissão ou mediando de excursas de norma específica (LIMA, 2020). Para além do incremento da burocracia legal necessária para se obter a autorização para a posse e, especialmente, para o porte legal de uma arma de fogo, acessório ou munição, também houve um recrudescimento da punição aos crimes atinentes à posse e porte de armas de fogo, de uso permitido, proibido ou restrito (LIMA, 2020, p. 409) O Estatuto do Desarmamento ainda tratou de atualizar os sistemas administrativos para fiscalização, cadastro e licenciamento dos armamentos, de forma que seja mais centralizado, de certa forma mais burocrático, sendo atualizado o SINARM e especialmente dando a este sistema uma série de atribuições (LIMA, 2020). O grande marco do Estatuto do Desarmamento foi a forte necessidade de regularização do armamento, causando consequentemente uma série de armamentos a ficarem à margem da Lei. Com esse fato foi criada a campanha do desarmamento, que teria como funcionalidade a regularização doe todo o armamento do país ou a possibilidade do cidadão, em posse de arma ilegal, regularizar seu armamento ou o entregar as autoridades competentes. O cidadão teria 180 dias para regularizar sua arma de fogo na Polícia Federal ou entregá-la em um posto de coleta. De acordo com o Ministério da Defesa, entre os anos de 2003 e 2010 mais de 1.3 milhões de armas foram entregues e mais de 1 milhão foram destruídas. (TEIXEIRA, 2018, p. 20) Tal campanha mobilizou forças nacionais e grandes recursos para o cumprimento do Estatuto do Desarmamento e uma busca por controle da segurança pública e privada, assim levando a uma série de louvores e críticas. Por um lado, a atuação do governo brasileiro se colocava em uma forma de ação que buscava a segurança públicacomo um fator essencial e o controle de armamentos sendo o principal ponto, porém um alto gasto do Estado estava sendo gerado com tais medidas e bem como se via uma certa limitação do dito direito de armar-se (LIMA, 2020; TEIXEIRA, 2018) Muito embora tais desenvolvimentos normativos tenham sido os principais, desde o período de 2003 não existiram tantas alterações no que se refere a normas de desarmamento, sendo tal norma considerada rígida e criticada por certa parcela da população. Com a complexidade dos entreves burocráticos para o uso de armamentos e ainda mais existindo uma série de imbróglios políticos no período contemporâneo, uma série de debates sobre desarmamentos floresceram e deram um maior foco em críticas ao estatuto do desarmamento e no direito de defesa do cidadão. 3. FLEXIBILIZAÇÃO PÓS-DESARMAMENTO Diante das complexidades diversas do desarmamento que ocorreu em 2003 e ainda mais das outras questões políticas e debates sobre a necessidade de desarmamento x direito de proteção por parte do cidadão, nascem movimentos por flexibilização dos entraves para armar-se. Esse recrudescimento penal e administrativo decorrente do Estatuto do Desarmamento despertou - e continua despertando - debates acalorados. Isso porque é cada vez maior o coro de vozes daqueles que sustentam que toda e qualquer pessoa tem direito a possuir armas de fogo, seja para fins de autodefesa, seja para defesa do patrimônio próprio ou alheio. (LIMA, 2020, p. 410) É difícil de acreditar, mas, em menos de um ano de governo, de modo a atender às promessas de campanha divulgadas pelo atual Presidente quando ainda candidato, foram editados nada mais nada menos do que 8 (oito) Decretos com o objetivo de regulamentar a Lei n. 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), instalando, nessa seara, um verdadeiro caos normativo (LIMA, 2020, p. 410) O Governo armamentista A flexibilização em 2019 Decretos 5.123/2019, 9.785/2019 e 9.845/2019 Projetos atuais por flexibilização e o posicionamento do judiciário CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BICHARA, Anderson de Andrade. Histórico e legislação aplicável às armas de fogo. Jus Navigandi, v. 3389, 2012. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/22801/historico-e-legislacao-aplicavel-as-armas-de-fogo. Acesso em: 17 Jan. 2021 BRASIL, Lei das Contravenções Penais - DECRETO-LEI Nº 3.688, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941. 13 de Outubro de 1941. Rio de Janeiro, 3 de outubro de 1941. 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A PRIORIZE REDE DE ENSINO CURSO GESTÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA E PRIVADA DESARMAMENTO : As Consequências Do Estatuto Do Desarmamento E Atuais Flexibilizações CLAUDIO SILVA JARAGUÁ - GO 20 2 2 A PRIORIZE REDE DE ENSINO CURSO GESTÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA E PRIVADA DESARMAMENTO: As Consequências Do Estatuto Do Desarmamento E Atuais Flexibilizações CLAUDIO SILVA JARAGUÁ - GO 2022