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não decidimos que emoção sentir. O medo não é uma escolha. Ele se manifesta em nós por conta própria. Por que isso ocorre? Quem toma essa decisão? Se uma criança de 2 anos visse uma onça no quintal, qual seria sua reação? Sem saber que o animal representa uma ameaça, possivelmente o ignoraria. Se essa criança tivesse alguma familiaridade com gatos, possivelmente iria ao encontro da onça. Esse exemplo simples anula a teoria de que nascemos com instintos naturais de defesa como o medo. A verdade é que não nascemos com um chip de autodefesa instalado no cérebro. Pelo contrário, criamos nosso instinto de defesa ao longo dos anos. A partir de crenças e convenções assimiladas com nossa experiência pessoal, elaboramos um sistema de conceitos preestabelecidos que servirão de caminho para nossas reações. Esses sistemas, formados pelas nossas convicções, são aceitos, na maior parte das vezes, de maneira inconsciente e inquestionável e, por isso, permanecem enraizados em nós, muitas vezes por uma vida inteira. E, o que é mais intrigante, eles se tornam os pontos de referência que o cérebro usa como atalhos para tomar decisões rápidas. Acessando nossas convicções, o cérebro é capaz de processar um oceano de informações de maneira instantânea, sem ser percebido pela mente consciente. Quando as pessoas se depararam com Joshua Bell na estação de metrô, por exemplo, o cérebro não fez nenhum questionamento consciente. Ele apenas acessou inconscientemente as convicções existentes e tomou uma decisão. Nesse caso, a convicção é que pessoas que se apresentam em estações de metrô não são extraordinárias e não merecem atenção maior. Esse mecanismo cerebral é muito eficiente e fundamental para nossa sobrevivência. Imagine se, diante de uma onça, tivéssemos de avaliar todas as opções possíveis antes de fazer uma escolha. Nossa espécie simplesmente não teria sobrevivido. Se todas as nossas decisões fossem tão lentas