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PRECIOSO 243 PREPARAR
Terceiro, esta palavra significa ‘‘pesado” ou ‘‘no
bre”: "Assim como a mosca morta faz exalar mau
cheiro e inutilizar o ungüento do perfumador, as
sim é para o famoso em sabedoria e em honra um
pouco de estultícia [literalmente, “um pouco de
estultícia é mais pesado do que a sabedoria e a
honra”]” (Ec 10.1). Assim como a mosca morta
faz o perfume feder, assim um pouco de tolice
estraga a sabedoria e a honra — vale mais num
sentido negativo (cf. Lm 4.2).
B. Verbo.
yãqor (1?;): “dificultar, estimar, avaliar, honrar,
apreciar” . Este verbo, que aparece 11 vezes no
hebraico bíblico, tem cognatos no ugarítico, árabe e
acadiano. Em 1 Sm 26.21, a palavra quer dizer “apre
ciar”: ‘‘Então, disse Saul: Pequei; volta, meu filho
Davi, porque não mandarei fazer-te mal; porque/r;/
hoje preciosa a minha vida aos teus olhos”.
C. Substantivo.
Yqãr{~\~')\ "coisa preciosa, valor, preço, esplen
dor, honra”. Este substantivo, que aparece 16 vezes
no hebraico bíblico, é aramaico na forma. A palavra
significa “valor” ou “preço” (Zc 11.13), “esplen
dor” (Et 1.4) e “honra” (Et 8.16). Em Jr 20.5, a
palavra sc refere a “coisas preciosas” : “Também
darei toda a fazenda desta cidade, e todo o seu tra
balho, e todas as suas coisas preciosas".
PREPARAR
A. Verbo.
kün (113): “estar fixo, estabelecer-se, aprontar-
se. preparar-se, ser certo, ser admissível”. Este ver
bo aparece em quase todos os idiomas semíticos
(não no aramaico bíblico). O termo kün ocorre na
Bíblia cm torno de 220 vezes e em todos os perío
dos do hebraico.
Esta raiz usada concretamente conota “estar fir
memente fixo”, “estar ancorado com firmeza” e “es
tar firme” . O primeiro significado é aplicado a um
telhado que está “firmemente fixo” nos pilares.
Sansão disse ao moço que o conduzia: “Guia-me
para que apalpe as colunas em que se sustem a casa,
para que me encoste a cias” (Jz 16.2(>.). Em sentido
semelhante, a terra habitada “está firmemente lixa
ou ancorada” ; está imóvel: “O mundo também está
firmado e não poderá vacilar” (Sl 93.1). No Sl 75.3,
a imagem troca para a terra “firmemente estabeleci
da" em colunas. No Sl 65.6. o estabelecimento divi
no das montanhas é sinônimo da criação divina. O
verbo também significa “firmar-se”: “E cresceste, e
te engrandeceste, e alcançaste grande formosura [a
idade para finos ornamentos]; avultaram os seios, e
cresceu o teu cabelo” (Ez 16.7).
Usado abstratamente, kün se refere ao conceito
que está “estabelecido" ou “fixo”, de modo a ser imu
tável e inalterável: “E o sonho foi duplicado duas
vezes a Faraó é porque esta coisa é determinada de
Deus. e Deus se apressa a fazê-la” (Gn 41.32, pri
meira ocorrência da palavra). Em sentido um tanto
quanto semelhante, pode-se dizer que a luz do dia
“está firmemente fixa" ou chegou completamente:
“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que
vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Pv
4.18). A palavra kün é usada para aludir a "estabele
cer” os descendentes, a vê-los prósperos (Jó 21.8).
Algo pode estar "fixo” no sentido de "estar pron
to ou terminado": "Assim se preparou toda a obra
de Salomão, desde o dia da fundação da Casa do
SENHOR" (2 Cr 8.16).
Uma coisa "estabelecida” pode ser algo que per
manece. Em 1 Sm 20.31. Saul diz a Jônatas: "Por
que todos os dias que o filho de Jessé viver sobre a
terra nem tu serás firme, nem o teu reino” . Os lábi
os verdadeiros i o que eles falam) “serão estabeleci
dos" ou permanecerão para sempre (Pv 12.19). Os
planos "permanecerão" (serão estabelecidos) se a
pessoa entregar suas obras ao Senhor (Pv 16.3).
O termo kün também quer dizer “estar fixo" no
sentido de "estar pronto". Josias disse ao povo para
que "se preparasse” para a Páscoa (2 Cr 35.4). Este
mesmo sentido aparece em Éx 19.11: "E estejam
prontos para o terceiro dia: porquanto, no terceiro
dia. o SENHOR descerá diante dos olhos de todo o
povo sobre o monte Sinai". Acepção um pouco di
ferente aparece em Jó 18.12. Bildade diz que sem
pre que a impiedade se manifesta, há julgamento:
“A destruição está pronta ao seu lado". Quer dizer
a calamidade está "fixa” ou "preparada” , de forma
que existe potencialmente mesmo antes de a impie
dade surgir.
Algo "fixo" ou “estabelecido” pode "ser certo” :
“Então, inquirirás, e inforinar-te-ás, c com diligên
cia perguntarás; e eis que, sendo esse negócio verda
de, e certo que se fez uma tal abominação no meio
de ti..." (Dt 13.14). Em acepção um pouco diferente
a coisa pode ser fidedigna ou verdadeira. Acerca dos
ímpios, o salmista diz que "não há retidão na boca
deles” (Sl 5.9). Um desenvolvimento adicional des
ta ênfase é que um assunto pode "ser admissível".
Moisés disse a Faraó: “Não convém que façamos
assim, porque sacrificaríamos ao SENHOR, nosso
Deus, a abominação dos egípcios” (Êx 8.26).
PREPARAR 244 PREVARICAR
Quando a pessoa “fixa"’ unia seta no arco, ela apon
ta ou “se prepara’" para atirar a flecha (cf. Sl 7.12).
B. Substantivos.
nfkônãh (nícç): “lugar apropriado, base”. Este
substantivo ocorre 25 vezes e, em Ed 3.3, significa
"lugar apropriado-’: “E firmaram o altar sobre as
suas bases”. A palavra diz respeito a “bases” em 1
Rs 7.27.
Dois outros substantivos estão relacionados com
o verbo kwi. O substantivo rnãkôn, que aparece 17
vezes, quer dizer “lugar estabelecido” (Êx 15.17). O
termo rkfmãh, que faz três ocorrências, significa
“lugar fixo” em Jó 23.3 ou “matéria fixo”, como em
Ez 43.11: “Faze-lhes saber a forma desta casa, e a
sua figura [fkúnãh 1”.
C. Adjetivo.
ken (]3): “direito, verdadeiro, honesto”. Este ad
jetivo ocorre 24 vezes no hebraico bíblico. A pala
vra, em Gn 42.11. implica “honesto” ou “justo” :
"Todos nós somos filhos de um varão; somos ho
mens de retidão; os teus servos não são espias”. A
palavra significa não “certo” em 2 Rs 17.9.
PRESA
shãlãl (¥?&): “presa, saque, espólio, pilhagem,
ganho”. Esta palavra ocorre 75 vezes e em todos os
períodos do hebraico bíblico.
O termo shãlãl significa literalmente “presa”,
que um animal persegue, mata e come: “Benjamim c
lobo que despedaça: pela manhã, comerá a presa
[shãlãl] e, à tarde, repartirá o despojo” (Gn 49.27,
primeira ocorrência).
A palavra pode significar “saque” ou “espólio
de guerra”, incluindo tudo o que o soldado ou exér
cito captura e leva de um inimigo: “Salvo as mulhe
res, e as crianças, e os animais; f...] todo o seu des
pojo, tomaras para ti” (Dt 20.14). Uma nação intei
ra pode ser “pilhagem” ou “espólio de guerra” (Jr
50.10). “Ter a vida por despojo” é ter a vida salva
(cf. Jr 21.9).
O vocábulo shãlãl é usado em algumas passa
gens para se referir a “pilhagem particular” : “Ai dos
que decretam leis injustas e dos escrivães que escre
vem perversidades, para prejudicarem os pobres em
juízo, e para arrebatarem o direito dos aflitos do
meu povo, e para despojarem as viúvas, e para rou
barem os órfãos!” (Is 10.1,2).
Esta palavra também pode descrever “ganho
particular”: “O coração do seu marido está nela con
fiado, e a cia nenhuma fazenda [shãlãl] faltará” (Pv
31.11).
A. Verbo.
mã'al Civo): “transgredir, prevaricar, agir infi
elm ente” . Este verbo não é muito comum no
hebraico bíblico ou rabínico. Ocorre 35 vezes no
Antigo Testamento hebraico, particularmente no
hebraico recente. Embora podendo ser traduzido
separadamente, a maioria das traduções combina o
verbo mã'al com o substantivo m a‘al numa frase
na qual o verbo toma o significado de “agir” ou
“cometer”. Por exemplo, Js 7.1: “E prevaricaram
[mã‘al] os filhos de Israel [uma prevaricação
(m a1 ah] no anátema”. Ou numa tradução mais li
vre: “Mas os israelitas agiram infielmente”; “Mas
o povo de Israel infringiu a fé”; “Mas os israelitas
desafiaram a proibição”.
A primeira ocorrência do verbo (junto com o
substantivo) é encontrada cm Lv 5.15: “Quando
alguma pessoa cometer uma transgressão c pecar
por ignorância...” O sentido do verbo é semelhante
ao verbo "pecar”. De fato, no capítulo seguinte o
verbo hebraico quesignifica “pecar” e o verbo m ã‘al
são usados juntos: “Quando alguma pessoa pecar, e
transgredir contra o SENHOR, e negar ao seu pró
ximo o que se lhe deu em guarda...” (Lv 6.2). A
combinação destes dois usos em Levítico é impor
tante. Primeiro, mostra que o verbo pode ser sinô
nimo de "pecar". A palavra m ã‘al tem este signifi
cado básico em Lv 5.15, visto que aqui o pecado é
por ignorância e não por ato deliberado de desleal
dade. Segundo, o significado de mãi‘al é expresso
mais adiante por um verbo que indica a intenção de
ser infiel ao próximo visando lucro pessoal (“e trans
gredir contra o SENHOR, e negar ao seu próximo o
que se lhe deu em guarda”).
A ofensa é contra Deus, mesmo quando a pessoa
age infielmente contra o próximo. Em 2 Cr 29.6,
lemos: "Porque nossos pais transgrediram, e fize
ram o que era mal aos olhos do SENHOR, nosso
Deus, e o deixaram”; e Daniel orou: “Por causa da
sua prevaricação, com que prevaricaram contra ti”
(Dn 9.7; ou: “Por causa da nossa deslealdade para
convosco”).
Além do significado adicional de “deslealdade”.O
o verbo e o substantivo têm implicações fortemen
te negativas que o tradutor tem de transmitir. Quan
do Deus falou a Ezequiel: “Filho do homem, quan
do uma terra pecar contra mim, gravemente se re
belando [“cometendo graves transgressões”, ARA],
então, estenderei a mão contra ela, [...] e arrancarei
dela homens e animais” (Ez 14.13). Deus também
PREVARICAR
PREVARICAR 245 PRIMOGÊNITO
comunicou Seu desgosto com a atitude rebelde e
traiçoeira de Israel. Este fato também é comunica
do neste mesmo versículo: “Filho do homem, quan
do uma terra pecar contra mim, gravemente se re
belando [“com etendo graves transgressões7',
ARA]”.
O verbo mã'al expressa em geral a deslealdade
do homem para com Deus (Lv 26.40; Dt 32.51; 2
Cr 12.2; Ed 10.2; Ez 14.13). A palavra também
significa a fidelidade de uma pessoa à outra. Em
particular, ilustra a infidelidade no casamento:
“Quando a mulher de alguém sc desviar e prevari
car contra ele, de maneira que algum homem se hou
ver deitado com ela...” (Nm 5.12,13). Então, Lv 6.2
também deve ser entendido nesse sentido: “Quan
do alguma pessoa pecar, e transgredir [for infielJ
contra o SENHOR, e negar ao seu próximo o que se
lhe deu em guarda”.
Na Septuaginta encontramos estas traduções:
aihetein (“invalidar, rejeitar, cometer ofensa”);
asuníhetein (“ser infiel”); e aphisíanein (“enganar,
retirar-se”). As expressões “agir ou ser infiel” e “in
fringir a fé” expõem mais explicitamente a natureza
pública do pecado do que os termos “transgres
são”, “cometer transgressão”, “transgredir”, “pre
varicar”, “rebelar-se”.
B. Substantivo.
ma 'al (7>’D): “transgressão, ato infiel, ato trai
çoeiro” . Este substantivo é usado 29 vezes no
hebraico bíblico. Além do sentido primário de
“transgressão”, pode haver a indicação do motivo
pelo qual o pecado foi cometido. A maioria dos
usos apóia a idéia de “infidelidade, deslealdade”.
Trata-se de ato cometido por uma pessoa que co
nhece bem, mas que, por motivos egoístas, age de
má fé. A história de Acã corrobora a atitude de
deslealdade (Js 7.1). Josué desafiou Israel a não
seguir o exemplo de Acã: “Não cometeu [mã‘al]
Acã. filho de Zerá, transgressão [ma‘al] no tocan
te ao anátema? E não veio ira sobre toda a congre
gação de Israel?” (Js 22.20).
Em 2 Cr 29.19, a “infidelidade” foi cometida con
tra Deus: “Também todos os objetos que o rei Acaz,
no seu reinado, lançou fora, na sua transgressão".
O substantivo ma ‘al também aparece em Ed 9.2:
"E até a mão dos príncipes e magistrados foi a pri
meira nesta transgressão" .
PRIMEIRO
r i’shôn OiDtn): “anterior, superior, primeiro”.
Esta palavra provém de uma raiz semítica comum
que também admite rõ ’sh (“cabeça”) e re’shit ("co
meço”). A palavra r i’shôn, que aparece 182 vezes
(primeira vez em Gn 8.13), está bem representada
ao longo de todo o Antigo Testamento, com a exce
ção dos livros poéticos e dos profetas menores.
O significado básico de rishôn é “primeiro” em
uma série. A palavra é o antônimo de ’aharôn (“úl
timo” ). Por um lado, rVshôn se refere ao “primeiro
mês" (Éx 40.2). ao “primeiro dia” (Êx 12.15), à “pri
meira casa [templo]” (Ed 3.12) ou ao “primogêni
to" (Gn 25.25ss).
Por outro lado. a palavra denota o “mais proe
minente” em uma série. Assim. Deus é “o primeiro"
como também "o último": "Quem operou e fez isso.
chamando as gerações desde o princípio? Eu, o SE
NHOR. o primeiro, e com os últimos, eu mesmo"
(Is 41.4). As pessoas mais proeminentes em uma
festa se sentavam no "primeiro lugar" (El 1.14). O
uso de rishôn com "pai" em "teu primeiro pai pe
cou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim"
(Is 43.271. expressa como o começo de Israel foi de
pecado e rebelião.
Para referência de tempo, rishôn significa o que
foi — isto é. o "anterior". Este uso aparece em ex
pressões que significam "posição anterior” (Gn
40.13 ) e "marido falecido” (Os 2.7). Os termos
"primeiros profetas" (Zc 1.4) e os “antepassados"
(Lv 26.45) são melhor entendidos como expressões
que se referem ao passado. A expressão profética
“dias anteriores" (diferente de “últimos dias”) ex
pressa o pecado passado de Israel e o julgamento de
Deus sobre Israel: "Eis que as primeiras coisas pas
saram. e novas coisas eu vos anuncio, e, antes que
venham à luz. vo-las faço ouvir" (Is 42.9).
As traduções da Septuaginta são: proteros ("an
tigo. anterior, superior"), protos (“primeiro, anti
go, o mais antigo" ), emprosthen (“à frente, em fren
te”), arche ("começo, causa primeira, governante,
governo").
PRIMOGÊNITO
b k ô r (Tü3): "primogênito”. A palavra Ifkôr
aparece por volta de 122 vezes no hebraico bíblico
e em todos os períodos. A palavra representa o
“primogênito” de uma família (Gn 25.13); a palavra
também representa o “primogênito” de uma nação,
coletivamente (Nm 3.46). A forma plural da pala
vra aparece ocasionalmente (Ne 10.36); nesta pas
sagem. a palavra também é aplicada a animais. Em
outras passagens, a forma singular de bkô r signifi
ca um único animal "primogênito” (Lv 27.26) ou
PRIMOGÊNITO 246 PROCURAR
coletivamente o “primogênito” de um rebanho (Êx
11.5).
O filho “mais velho" ou “primogênito” (Êx 6.14)
linha privilégios especiais na família. Ele recebia a
bênção familiar especial, o que significav a liderança
espiritual c social e uma porção dupla das posses
do pai — ou duas vezes o que todos os outros
filhos recebiam (Dt 21.17). Ele podia perder esta
bênção por má ação (Gn 35.22) ou vendendo-a (Gn
25.29-34). Deus reivindicou que todo o Israel e to
das as suas possessões lhe pertenciam. Como pro
va desta reivindicação, Israel devia lhe dar todos os
"primogênitos” (Êx 13.1-16). Os animais seriam
sacrificados, redimidos ou mortos, enquanto que as
crianças masculinas eram redimidas ou substituídas
pelos levitas ou pelo pagamento de urn preço de
redenção (Nm 3.4üss).
Israel era o “primogênito” de Deus; desfrutava
posição privilegiada e bênçãos sobre todas as ou
tras nações (Êx 4.22; Jr 31.9).
O “primogênito da morte” é uma linguagem que
significa doença mortal (Jó 18.13); o "primogênito
dos pobres” é a classe mais pobre de pessoas (Is
14.30).
hikkíirim (Z'~'2Z): “primeiros frutos, primícias”.
Este substantivo aparece 16 vezes. As “primícias
do grão e do fruto" colhidas deviam ser oferecidas a
Deus (Nm 28.26) em reconhecimento da proprieda
de de Deus da terra c Sua soberania sobre a nature
za. O pão das “primícias” era o pão feito com os
primeiros grãos da colheita, apresentados a Deus
no Pentecostes (Lv 23.20). O “dia das primícias”
era o Pentecostes (Nm 28.26).
PRÍNCIPE
A. Substantivos.
n ã s i’ (K'i?p): “príncipe, chefe, líder”. Este subs
tantivo aparece 129 vezes no hebraico bíblico. A
primeira oconência de n ã si’ está em Gn 23.6: “Ouve-
nos, meu senhor: príncipe de Deus és no meio de
nós”. Os livros de Números e Ezequiel usam a pala
vra com muita freqüência. Em outros lugares rara
mente ocorre.
Emboraa origem e o significado de n ã s i’ sejam
controversos, está obviamente associado com lide
rança israelita e não israelita. M. Noth propôs a
idéia de que n ã s i’ era originalmente um representan
te tribal ou “deputado, chefe”. Ismael recebeu a pro
messa de gerar doze “príncipes” (Gn 17.20; cf. Gn
25.16); os midianitas tinham “príncipes” (Nm
25.18), como também os tinham os amorreus (Js
13.21). os povos do mar (Ez 26.16), Quedar (Ez
27.21), Egito (Ez 30.13) e Edom (Ez 32.29). Israel
também tinha “príncipes”: “E aconteceu que, ao
sexto dia, colheram pão em dobro, dois ômeres para
cada um; e todos os príncipes da congregação vie
ram e contaram-no a Moisés” (Êx 16.22). Os “prín
cipes” de Israel participavam da liderança civil e
também eram considerados pilares na vida religiosa
israelita, os defensores do estilo de vida do concer
to: "Então. Moisés os chamou, e Arão e todos os
príncipes da congregação tornaram a ele: e Moisés
lhes falou" (Êx 34.31; cf. Js 22.30). Conseqüente
mente, Israel devia obedecer aos seus “líderes”: “Os
juizes não amaldiçoarás e o príncipe dentre o teu
povo não maldirás” (Êx 22.28).
A tradução da Septuaginta é archon (“governante,
soberano, senhor, príncipe, autoridade, oficial”).
Outro substantivo. tfsVim, está relacionado com
n ã s i’. A palavra, que é encontrada quatro vezes,
significa “nuvens": “Como nuvens e ventos que não
trazem chuva, assim é o homem que se gaba falsa
mente de dádivas” (Pv 25.14; cf. Sl 135.7; Jr 10.13;
51.16).
B. Verbo.
n ã sã ' (N»:>: "erguer, carregar” . Este verbo apa
rece 654 vezes no Antiso Testamento. Ocorrc uma
vez em Gn 44.1: “Enche de mantimento os sacos
destes varões, quanto puderem levar”.
PROCURAR
A. Verbos.
bãqash Cl” >: "buscar, procurar, consultar”. Este
verbo só ocorre no ugarítico, fenício e hebraico (bí
blico e pós-bíblico). Aparece na Bíblia cm torno de
220 vezes e em todos os períodos.
Basicamente, bãqash quer dizer “procurar” algo
que está perdido, ou, pelo menos, cuja localização é
desconhecida. Em Gn 37.15, um homem pergunta a
José: “Que procuras?” Acepção especial deste sen
tido é “procurar entre um grupo, escolher, selecio
nar" algo ou alguém que ainda não foi designado,
como em 1 Sm 13.14: “Já tem buscado o SENHOR
para si um homem segundo o seu coração” . “Buscar
a face de alguém” é “procurar” chegar diante dele ou
ter uma audiência favorável com ele. Todo o mundo
estava “buscando” a presença de Salomão (1 Rs
10.24). Em sentido semelhante, pode-se “buscar" a
face dc Deus permanecendo diante dElc no Templo
orando (2 Sm 21.1).
O sentido de “procurar se assegurar” enfatiza a
busca de um desejo ou a realização de um plano.
PROCURAR 247 PROCURAR
Moisés perguntou aos levitas que se rebelaram con
tra a posição singular de Arão e seus filhos: “Ain
da também procurais o sacerdócio?” (Nm 16.10).
Este uso tem um matiz emocional, como "visar,
dedicar-se e interessar-se por”. Deus pergunta aos
filhos dos homens (o gênero humano): “Até quan
do convertereis a minha glória em infâmia? Até
quando amareis a vaidade e buscareis a mentira [o
pecado]”? (Sl 4.2). Cultualmente, pode-se “pro
curar” garantir o favor ou a ajuda de Deus: “Tam
bém de todas as cidades de Judá veio gente para
buscar ao SENHOR” (2 Cr 20.4, ARA). Em tais
usos, o elemento intelectual está no plano de fun
do. Não há busca de informação. Uma exceção a
isto encontra-se em Jz 6.29: “Quem fez esta coi
sa? E, esquadrinhando [dãrash] e inquirindo
[bãqash], disseram: Gideão, o filho de Joás, fez
esta coisa”. Raramente este verbo é empregado para
designar a busca de informação de Deus (Êx 33.7).
Em sentido semelhante, pode-se “buscar” a face
de Deus (“consultar” ; 2 Sm 21.1). Aqui, bãqash 6
usado claramente para aludir à busca de informa
ção (busca cognitiva). Compare também com a
busca de sabedoria (Pv 2.4).
Este sentido de “procurar se assegurar” também
é usado para designar “buscar a alma” (nephesh).
Deus disse a Moisés: “Vai. volta para o Egito; por
que todos os que buscavam a tua alma morreram”
(Êx 4.19). O termo bãqash é usado com esta mesma
acepção, mas sem nephesh. Faraó “procurou matar
a Moisés” (Êx 2.15). Só duas vezes esta acepção é
aplicada a procurar obter o bem de alguém, como no
Sl 122.9: “Por causa da Casa do SENHOR, nosso
Deus, buscarei o teu bem” (em geral, dãrash é usa
do para se referir a procurar o bem de alguém).
Em cerca de 20 vezes bãqash significa tornar
alguém responsável por algo, porque aquele que fala
tem um direito legal (verdadeiro ou imaginário) so
bre tal coisa. Em Gn 31.39 (primeira ocorrência bí
blica do verbo), Jacó ressalta a Labão que em rela
ção ao animal que era comido pelas bestas selva
gens, “da minha mão o requerias”.
Só raramente bãqash é usado para designar “pro
curar um lugar", ou como verbo de movimento para
um lugar. José “procurou [um lugar) onde chorar, e
entrou na câmara, e chorou ali" (Gn 43.30).
Teologicamente, este verbo é usado não só para
aludir a “procurar” um local diante do Senhor (para
ficar perante Ele no Templo e procurar se assegurar
da Sua bênção), mas também é empregado para de
signar o estado de mente: “Então, dali, buscarás ao
SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o busca-
res [dãrash] de todo o teu coração e de toda a tua
alma" (Dt 4.29). Em ocasiões como estas, onde o
verbo é usado em paralelismo sinônimo com dãrash.
os dois verbos têm o mesmo significado.
dãrash (lítO: “procurar, buscar, inquirir, con
sultar. perguntar, requerer, freqüentar”. Esta pala
vra é uma palavra semítica comum, sendo encontra
da no ugarítico e no siríaco. como também no hebraico
em seus vários períodos. É usado comumente no
hebraico moderno em sua forma verbal com o signi
ficado de "interpretar, expor" e em suas formas
substantivais derivadas com o sentido de “sermão,
pregador". Ocorrendo mais de 160 vezes no Antigo
Testamento, dãrash e usado pela primeira vez em
Gn 9.5: "E certamente rt quererei o vosso sangue, o
sangue da vossa vida”. Traz a idéia freqüente de
vingar uma ofensa contra Deus ou o derramamento
de sangue (cf. Ez 33.6).
Um dos usos mais freqüentes desta palavra está
na expressão "consultar a Deus", que às vezes indi
ca buscar a Deus em particular pela oração para
receber direção (Gn 25.22). e se refere ao contato de
um profeta que seria o instrumento da revelação de
Deus 11 Sm 9.9: 1 Rs 22.8). Em outros momentos,
esta expressão é encontrada com relação ao uso do
Urim e do Tumim pelo sumo sacerdote, quando ele
buscava descobrir a vontade de Deus jogando estas
pedras sagradas iNm 27.21). Exatamente o que es
tava envolvido nesse procedimento não está claro,
mas pode ser presumido que somente perguntas
com resposta "sim" ou "não" podiam ser respondi
das pela maneira como as pedras caíam. Os povos
pagãos e. às vezes, até os israelitas apóstatas “con
sultavam” os deuses pagãos. Acazias instruiu seus
mensageiros: "Ide e perguntai a Baal-Zebube. deus
de Ecrom. se sararei desta doença” (2 Rs 1.2). Em
bruta violação da lei mosaica (Dt 18.10,11), Saul
"consultou” a feiticeira de En-Dor, o que. nesta oca
sião. significava que ela devia invocar o espírito dn
profeta Samuel que já havia morrido (1 Sm 28.3ss .i.
Saul foi à feiticeira de En-Dor como último recurso,
dizendo: "Buscai-me uma mulher que tenha o espí
rito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte” (1
Sm 28.7).
Esta palavra é empregada para descrever "bus
car" ao Senhor no sentido de entrar em relaciona
mento de concerto com Ele. Os profetas usaram
dãrash quando eles convocavam o povo a dar meia
volta na vida: “Buscai ao SENHOR enquanto se
pode achar” (Is 55.6).
PROCURAR 248 PROFETIZAR
B. Substantivo.
O substantivo midrash significa “estudo, comen
tário, história”. Este substantivo ocorre algumas
vezes no hebraico bíblico recente (2 Cr 13.22). É
usado comumente no judaísmo pós-bíblico para se
referir aos vários comentários tradicionais feitos
pelos sábios judeus. Uma ocorrência da palavra está
em 2 Cr 24.27:“E, quanto a seus filhos, e à grande
za do cargo que se lhe impôs. [...] eis que está escri
to no livro da história [comentário] dos reis”.
PROFETIZAR
A. Verbo.
nãba (íOp): “profetizar”. Esta palavra surge cm
todos os períodos do idioma hebraico. Parece estar
relacionado com a antiga palavra acadiana nabu. que
em sua forma passiva significa “chamar-se". A pa
lavra é achada no texto hebraico bíblico em torno de
115 vezes. Sua primeira ocorrência está em 1 Sm
10.6, onde Samuel disse a Saul que quando este en
contrasse certo bando de profetas em êxtase, ele
também “profetizaria" com eles e seria transforma
do em outro homem. Este incidente ressalta o fato
de que há certa ambigüidade no uso bíblico das for
mas verbal e substantivai. Há ampla gama de signi
ficados refletidas no termo do Antigo Testamento.
Com muita freqüência, nãbã' é usado para des
crever a função do verdadeiro profeta quando cie fala
a mensagem de Deus para o povo sob a influência do
Espírito divino (1 Rs 22.8; Jr 29.27; Ez 37.10). "Pro
fetizar” era tarefa que o profeta não podia evitar:
"Falou o Senhor JEOVÁ, quem não profetizara?"
(Am 3.8: cf. Jr 20.7, onde Jeremias diz que ele foi
atraído e forçado a ser profeta). Ainda que a fórmula
■‘A palavra do Senhor veio [ao profeta]” seja usada
literalmente centenas de vezes no Antigo Testamen
to. não há indicação real sobre a maneira pela qual
vinha — quer viesse pelos processos do pensamen
to, por visão ou por outro modo. As vezes, sobretu
do com os profetas mais primitivos, parece que al
gum tipo de experiência extática estava envolvido,
como em I Sm 10.6.11; 19.20. Está escrito que a
música é meio para profetizar, como em 1 Cr 25.1-3.
Está dito que os falsos profetas, embora não ca
pacitados pelo Espírito divino, também profetiza
vam: “Não lhes falei a eles; todavia, eles profetiza
ram'' (Jr 23.21). O falso profeta é condenado re
dondamente, porque ele fala uma palavra não au
têntica: “Profetiza contra os profetas de Israel que
são profetizadores c dize aos que só profetizam o
que vê o seu coração: Ouvi a palavra do SENHOR.
[...] Ai dos profetas loucos, que seguem o seu pró
prio espírito e coisas que não viram” (Ez 13.2,3). O
falso profeta está especialmente sujeito aos estados
frenéticos da mente, o que faz que ele profetize,
embora o conteúdo de tal atividade não seja clara
mente explicado (1 Rs 22.10). O ponto é que no
contexto bíblico "profetizar” se refere a algo desde
0 êxtase frenético de um falso profeta até à procla
mação sóbria e imperturbável do julgamento de Deus
por um Amós ou Isaías.
"Profetizar” é muito mais que predizer eventos
futuros. Na verdade, a primeira preocupação do
profeta é falar a palavra de Deus para as pessoas do
seu tempo, convocando-as à fidelidade do concerto.
A mensagem do profeta é condicional, dependente
da resposta das pessoas. Pela resposta que dão a
esta palavra, as pessoas determinam em grande par
te como será o futuro, como está bem ilustrado pela
resposta dos ninivitas à pregação de Jonas. Claro
que. às vezes, a predição não entra em cogitação,
como na predição de Naum da queda de Nínive (Na
2.13) e nas várias passagens messiânicas (Is 9.1-6:
11.1-9: 52.13—53.12).
B. Substantivo.
nãbV (X’?p): "profeta”. A palavra tem um possí
vel cognato no acadiano. Ocorre em torno de 309
vezes no hebraico bíblico e em todos os períodos.
O termo nãbV representa o “profeta”, quer ver
dadeiro ou falso (cf. Dt 13.1-5). Os verdadeiros
profetas eram porta-vozes do verdadeiro Deus. Em
1 Cr 29.29. três palavras são usadas para se referir
a "profeta”: “Os atos, pois, do rei Davi, assim os
primeiros como os últimos, eis que estão escritos
nas crônicas de Samuel, o vidente [rõ’eh\, e nas
crônicas do profeta [rnlbi’] Natã, e nas crônicas de
Gade. o vidente [hõzeh]". As palavras traduzidas
por "vidente” enfatizam o meio pelo qual o “profe
ta” se comunicava com Deus, mas não identifica
que os homens sejam diferentes dos profetas (cf. 1
Sm 9.9). A primeira ocorrência de nãbV também
não ajuda a defini-lo claramente: “Agora, pois, res-
titui a mulher ao seu marido, porque profeta é
[Abraão] e rogará por ti, para que vivas” (Gn 20.7).
A segunda ocorrência de nãbi” estabelece seu sig
nificado: “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis
que te tenho posto por Deus sobre Faraó; e Arão, teu
irmão, será o teu profeta" (Êx 7.1). O plano de fundo
desta declaração é Êx 4.10-16, onde Moisés discutiu
a sua inabilidade de falar com clareza. Por conseguin
te, ele não podia comparecer diante de Faraó como
porta-voz de Deus. Deus prometeu designar Arão
PROFETIZAR 249 PROSTITUIR-SE
(irmão dc Moisés) para ser o locutor: “E ele falará
por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca.
e tu lhe serás por Deus" (Ex 4.16). Êxodo 7.1 expres
sa a mesma idéia com palavras diferentes. Está claro
que a palavra “profeta” é igual àquele que fala por
outra pessoa ou é a sua boca.
Este significado básico de nãbV é apoiado por
outras passagens. Na passagem clássica de Dl: 18.14-
22, Deus prometeu levantar outro “profeta” como
Moisés que seria o porta-voz de Deus (Dt. 18.18).
Eles foram considerados responsáveis pelo que ele
lhes falou e foram admoestados a obedecê-lo (Dt
18.19). Entretanto, se o que o “profeta” dissesse
comprovasse estar errado, ele seria morto (Dt 18.20).
Imediatamente, isto constitui promessa e definição
da longa sucessão de profetas de Israel. Em última
instância, é uma promessa do Grande Profeta, Jesus
Cristo (cf. At 3.22,23). O “profeta” ou sonhador de
sonhos podia fazer milagres para demonstrar que ele
era homem de Deus, mas as pessoas deviam olhar
para a mensagem em vez de se concentrar no milagre
antes de obedecerem a mensagem (Dt 13.1-5).
No plural, nãbV c usado para aludir àqueles que
não atuam como porta-vozes de Deus. No tempo
de Samuel, havia homens que o seguiam. Eles se
ocupavam de louvar a Deus (freqüentemente com
cânticos) e procuravam instigar as pessoas a se vol
tar para Deus (1 Sm 10.5,10; 19.20). Os seguidores
de Elias e Eliseu se organizaram em grupos para
ajudar e/ou aprender destes mestres. Eram chama
dos filhos dos profetas (1 Rs 20.35). Usado neste
sentido, a palavra nãbV significa companheiro e/ou
seguidor de profeta.
A palavra também é usada para se referir aos
“profetas pagãos”: “Agora, pois, envia, ajunta a
mim todo o Israel no monte Carmelo, como também
os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os
quatrocentos profetas dc Aserá, que comem da mesa
de Jezabel” (1 Rs 18.19).
Esta palavra tem uma forma feminina, “profeti
sa" (n'hi'ãli’) que ocorre seis vezes. Em Êx 15.20,
Miriã é chamada de “profetisa”. A esposa de Isaías
também é chamada de “profetisa” (Is 8.3). Este uso
pode estar relacionado com o significado "compa
nheiro e/ou seguidor de profeta”.
PROPRIEDADE
A. Substantivo.
’ahuzzãh (rTüiN): “propriedade, possessão”. Esta
palavra aparece 66 vezes, com a maioria de suas
ocorrências dando-se em Gênesis—Josué e Ezequiel.
Essencialmente, ’ahuzzãh é termo legal usado
para aludir à terra, sobretudo às propriedades fa
miliares a serem passadas para herdeiros. Em Gn
17.13 (primeira ocorrência da palavra), é prome
tido a Abrão o território da Palestina como pos
sessão tribal ou familiar até futuro indiscriminado.
Em Gn 23.20 (cf. Gn 23.4,9) a palavra traz signi
ficado semelhante. A diferença é que aqui a res
ponsabilidade feudal não está relacionada com esta
"possessão". Não obstante, a sorte bastante pe
quena pertencia a Abraão e seus descendentes
como local de sepultura: “Assim, o campo e a
cova que nele estava se confirmaram a Abraão,
em possessão de sepultura pelos filhos de Hete”
(Gn 23.20).
Em Lv 25.45.46. os não-israelitas também podi
am ser propriedade hereditária, mas os israelitas
não. A “propriedade hereditária" dos levitas não
era campos, mas o próprio Senhor (Ez 44.28).
B. Verbo.
'ãhaz ('T*?1: "agarrar, pegar, segurar com firme
za. trancar (a portai”. Este verbo, que aparece 64
vezes no hebraicobíblico, também ocorre na maio
ria dos outros idiomas semíticos. O verbo ocorre
em Gn 25.26: "E. depois, saiu o seu irmão, agarra
da sua mão ao calcanhar de Esaú” . O significado de
“trancar" ia porta) aparece em Ne 7.3: “Fechem as
portas, e. vós. trancai-as". Em 2 Cr 9.18, 'ãhaz
quer dizer “prendido" ào trono.
PROSPERAR
tsãleah tr rs ) : "ter sucesso, prosperar". Esta
palavra é encontrada no hebraico antigo e moderno.
Ocorrendo umas 65 vezes no texto do Antigo Tes
tamento hebraico, a palavra é achada primeiramente
em Gn 24.21: "Para saber se o SENHOR havia pros
perado a sua jornada ou não". Esta palavra expressa
a idéia de aventura bem-sucedida em contraste com
fracasso. A fonte de tal sucesso é Deus: "E. nos
dias em que buscou o SENHOR, Deus o fez pros
perar" (2 Cr 26.5). A despeito disso, as circunstan
cias da vida levantam a questão: “Por que prospera
o caminho dos ímpios?” (Jr 12.1).
As vezes, tsãleah c usado de modo tal a indicar
‘‘vitória": “E neste teu esplendor cavalga prospera
mente'' (Sl 45.4; sendo mais apropriado a tradução
“cavalga vitoriosamente”).
PROSTITUIR-SE
z.ãnãh (r;;): “prostituir-se após, cometer forni-
cação. ser prostituto(a). servir outros deuses”. Este
PROSTITUIR-SE 250 PROVAR
é o termo regular que denota prostituição ao longo
da história do hebraico, com acepções especiais que
surgem da experiência religiosa do Israel antigo. A
palavra ocorre em torno de 90 vezes 110 Antigo Tes
tamento hebraico. É usada pela primeira vez no tex
to bíblico na conclusão da história do estupro de
Diná por Siquém, quando os irmãos dela se descul
pam pela vingança que fizeram, perguntando: “Fa
ria, pois, ele a nossa irmã, como a uma prostituta?"
(Gn 34.31).
Ainda que o termo signifique “cometer forniea-
ção'\ quer por homem quer por mulher, deve ser
observado que, 110 Antigo Testamento, quase nunca
é usado para descrever a má conduta sexual por
parte do indivíduo. Parte da razão acha-se na atitu
de diferenciadora no Israel antigo concernente à ati
vidade sexual por homens e mulheres. A razão prin
cipal é o fato de que este termo é usado, em sua
maioria, para descrever a “prostituição espiritual”
na qual Israel se desviou dc Deus pelos deuses es
tranhos. Dcuteronômio 31.16 ilustra este significa
do: “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormi-
rás com teus pais: e este povo se levantará, e se
prostituirá, indo após os deuses dos estranhos da
terra para o meio dos quais vai. e me deixara, e
anulará o meu concerto que tenho feito com ele".
O termo zãnãh tornou-se, então, termo comum
para aludir à apostasia espiritual. O ato de prosti
tuir-se indo após deuses estranhos era mais que mu
dar de deus. Este fato era especialmente verdade quan
do Israel foi após os deuses cananeus, pois a adora
ção destas deidades pagãs envolvia verdadeira pros
tituição com prostitutas e/ou prostitutos cultuais li
gados aos santuários canancus. No Antigo Testamento
o uso da expressão “prostituir-se após” os deuses,
implica o envolvimento do indivíduo com prostitutos
cultuais. Temos um exemplo em Êx 34.15,16: “Para
que não faças concerto com os moradores da terra, e
não se prostituam após os seus deuses, nem sacrifi
quem aos seus deuses. [...] e tomes mulheres das
suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostitu
indo-se após os seus deuses, façam que também teus
filhos se prostituam após os seus deuses".
A teoria religiosa por trás de tal atividade no
santuário cananeu era que as atividades sexuais com
prostitutos ou prostitutas cultuais, os quais re
presentavam os deuses c as deusas do culto da
fertilidade cananéia, estimulariam a fertilidade das
colheitas e rebanhos. Tais prostitutos cultuais não
eram considerados prostitutos, mas antes “os san
tos" ou “os separados", já que o termo semítico
traduzido por “santo” significa, cm primeiro lu
gar, ser separado para uso especial. Temos ilustra
ção dessa idéia em Dt 23.17: “Não haverá rameira
[a separada] dentre as filhas de Israel; nem haverá
sodomita dentre os filhos de Israel” (“Das filhas
de Israel não haverá quem se prostitua no serviço
do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o
faça", ARA). Este tema da prostituição religiosa
toma grandes proporções nos profetas que denun
ciam esta apostasia em termos certeiros. Ezequiel
não escolhe palavras quando chama, abertamente,
Judá e Israel de “rameiras" e descreve com nitidez
a apostasia dessas nações em termos sexuais (Ez
16.6-63: 23).
O Livro de Oséias, no qual a esposa de Oséias.
Gômer. lhe foi infiel e muito provavelmente envol
veu-se em tal prostituição cultuai, ilustra mais uma
vez não só o coração partido de Oséias, mas tam
bém o próprio coração partido de Deus por causa
da infidelidade de Sua esposa, Israel. A infidelidade
de Israel aparece em Os 9.1: “Não te alegres, ó Isra
el. até saltar, como os povos; porque te foste do teu
Deus como uma meretriz; amaste a paga sobre to
das as eiras de trigo”.
PROVAR
A. Verbo.
tsãraph (HjS): “refinar, provar, fundir". Esta raiz.
com 0 significado básico de fundir c refinar, é acha
da fora do Antigo Testamento no acadiano, fenício c
síriaco. No árabe, um adjetivo derivado do verbo
significa “puro. não misturado”, e descreve a quali
dade do vinho. O verbo tsãraph manteve o signifi
cado “refinar" no hebraico rabínico e moderno, mas
perdeu 0 significado primário de “fundir” no hebraico
moderno.
O verbo ocorre menos de 35 vezes 110 Antigo
Testamento, principalmente nos profetas c no Li
vro dos Salmos. A primeira ocorrência está na his
tória de Gideão, onde 10.000 são “provados” e só
300 são escolhidos para lutar com Gideão contra os
midianitas: “E disse o SENHOR a Gideão: Ainda
muito povo há; faze-os descer às águas, c ali os
provarei" (Jz 7.4). O significado neste contexto é
“provar” para descobrir quem está qualificado para
a batalha. A única outra ocorrência do verbo em
Juizes é equivalente ao substantivo “ferreiro", nes
te contexto ourives (Jz 17.4).
Jeremias descreve o processo de fundir e refinar:
“Já o fole se queimou, o chumbo se consumiu com 0
fogo; em vão vai fundindo 0 fundidor tão diligente
PROVAR 251 QUEBRAR
mente, pois os maus não são arrancados” (Jr 6.29;
veja ARA), e o fracasso de refinar a prata leva à
rejeição (Jr 6.30). O processo (fundição) e o resul
tado (refino) são considerados juntos. É difícil separá-
los no uso bíblico. Por conseguinte, o trabalho do
forjador envolve fundir e refinar, e particularmente
usar os metais refinados para produzir o produto
final: “O artífice grava a imagem, e o ourives a cobre
de ouro c cadeias dc prata funde para el a” (Is 40.19).
Ele usou um martelo e uma bigorna para fazer as
finas camadas dc ouro usadas para chapcar a forma
(Is 41.7).
O termo tsãraph também é usado metaforica
mente com o sentido de “refinar por meio do sofri
mento”. O salmista descreve a experiência dc Israel
deste modo: “Pois tu, ó Deus, nos provaste; lu nos
afinaste como se afina a prata, f...] Afligiste os nos
sos lombos. [...] Passamos pelo fogo e pela água;
mas trouxeste-nos a um lugar de abundância" (Sl
66.10-12). O julgamento dc Deus também é descri
to como um processo de refinamento: “E [...] puri
ficarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda
a impureza” (Is 1.25). Aqueles que são purificados
dessa maneira, são os que invocam o nome do Se
nhor e recebem os graciosos benefícios do concerto
(Zc 13.9). A vinda do mensageiro do concerto (Je
sus Cristo) é comparado ao trabalho do forjador;
"Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem
subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será
como o fogo do ourives. [...] E assentar-se-á, afi
nando e purificando a prata: e purificará os filhos de
Levi c os afinará como ouro e como prata” (Ml
3.2.3). O crente é confortado pela Palavra de Deus
pelo fato de que, na terra, só ela é provada e purificada
e pelo qual somos purificados: “A tua palavra é
muito pura; por isso, o teu servo a ama” (Sl 119.140;
cf. Sl 18.30; Pv 30.5).A palavra tsãraph tem as seguintes traduções na
Septuaginta: purao (“queimar, ficar aquecido ao
rubro") e chruso-o (“dourar, revestir de ouro” ).
B. Substantivos.
Dois substantivos derivados do verbo tsãraph
ocorrem raramente. O termo sõrphi aparece uma
vez e significa "ourives” (Ne 3.31). O substantivo
masreph ocorre duas vezes e se refere a um “cri-
sol": "O cri sol é para a prata, e o forno, para o ouro:
mas o SENHOR prova os corações” (Pv 17.3; cf.
Pv 27.21).
PROVOCAR (IRA)
kã'as "provocar, vexar. fazer ficar com
raiva". Esta palavra é comum ao longo da história
do hebraico e é usada no hebraico moderno no sen
tido de "enraivecer-se. irar". Ocorre cerca de 55 ve
zes no Antiso Testamento hebraico.
w
Sendo palavra característica do Livro de Deute-
ronômio. parece adequado que kã 'as seja encontra
do pela primeira vez no Antigo Testamento nesse
livro: "Para o provocar á ira" (Dt 4.25). A palavra
também é característica dos livros de Jeremias e 1 e
2 Reis. Uma revisão dos usos deste verbo mostra
que ao redor de 80 por cento deles dizem respeito a
Jeová ser provocado a ira pelo pecado de Israel,
sobretudo quando adoram outros deuses. Ternos um
exemplo em 2 Rs 23.19: "De mais disso, também
Josias tirou todas as casas dos altos que havia nas
cidades de Samaria. e que os reis de Israel tinham
feito para provocarem o Senhor à ira".
Q
QUEBRAR
shãbar (“DE?): “quebrar, despedaçar, arrom
bar, esmagar”. Esta palavra é freqüentemente usada
no acadiano e no ugarítico antigos, e é comum ao
longo do hebraico. E encontrado quase 150 vezes
na Bíblia hebraica. A primeira ocorrência bíblica
de shãbar está em Gn 19.9, que conta como os
homens de Sodoma aproximaram-se para “arrom
bar” a porta de Ló para levar-lhe os convidados
de sua casa.
Como palavra comum para “quebrar” coisas,
shãbar descreve a quebra de cântaros ou botija (Jz
7.20: Jr 19.10). de arco (Os 1.5), dc espada (“tirar".
Os 2.18). de osso (Ê.x 12.46) c de jugo (Jr 28.10,12,13).
Às vezes, a palavra é usada figurativamente para des
crever uma emoção ou coração "quebrado” (Sl 69.20;
Ez 6.9). Em seu sentido intensivo, shãbar conota
“quebrar” algo, como as tábuas da lei (Êx 32.19), as
imagens de ídolos (2 Rs 11.18) ou a “quebra” das
árvores pelo granizo (Êx 9.25).
QUEIMAR 2 5 2 QUEIMAR INCENSO
QUEIMAR
A. Verbo.
sãraph (rp£): “queimar”. Termo semítico co
mum. esta palavra <5 encontrada no acadiano e no
ugarítico antigos, como também ao longo da história
do idioma hebraico. Ocorre em sua forma verbal
quase 120 vezes no Antigo Testamento hebraico. O
termo sãraph t encontrado primeiramente em Gn
11.3 na história da Torre de Babel: "Eia, façamos
tijolos e queimemo-los bem”.
Visto que queimar é a principal característica do
fogo, o termo sãraph é usado para descrever a des
truição de objetos de todos os tipos. Assim, a porta
de uma torre da cidade foi “queimada” (Jz 9.52),
como o foram várias cidades (Js 6.24; 1 Sm 30.1),
carros (Js 11.6,9), ídolos (Êx 32.20: Dt 9.21) e o
rolo que Jeremias tinha ditado para Baruque (Jr
36.25,27.28). A queima que os moabitas fizeram
dos ossos do rei de Edom (Am 2.1) era terrível afron
ta para todos os semitas antigos. “Queimar” os os
sos dc homens no altar sagrado era grande ato de
profanação (1 Rs 13.2). Ezequiel “queimou” um
terço do seu cabelo como símbolo de que parte do
povo de Judá seria destruída (Ez 5.4).
De maneira interessante, sãraph nunca é usado
para aludir à “queima” de um sacrifício no altar,
embora alguns vezes designe a remoção de refugo,
partes de sacrifícios não utilizados e algumas partes
doentes. A "queima" de uma novilha vermelha era
feita com a finalidade de produzir cinzas para a
purificação (Nm 19.5.8).
B. Substantivos.
sãraph <T^'>: “queima, ser ardente”. Em Nm
21.6,8, o termo sãraph descreve as serpentes que
atacaram os israelitas no deserto. Elas são chama
das de “serpentes ardentes”. Uma serpente voado
ra “ardente” aparece em Is 14.29, como também em
Is 30.6.
s raphim (irirp ): “queima, nobre”. A palavra
s''raphim se refere aos seres ministrantes de Is 6.2,6,
e pode dar a entender ou uma forma de serpente (sc
bem que com asas, mãos humanas e vozes) ou seres
que têm uma qualidade de serem “ardentes”. Um
dos Sraphim ministrou a Isaías trazendo uma brasa
viva do altar.
QUEIMAR INCENSO
A. Verbo.
qãtar (~irp): “queimar incenso, fazer com que se
levante em fumaça”. O radical primário deste verbo
aparece no acadiano. Formas relacionadas aparecem
no ugarítico, árabe, fenício e hebraico pós-bíblico.
O uso deste verbo no hebraico bíblico nunca está no
radical primário, mas só no radical causativo e no
intensivo (e seus passivos).
A primeira ocorrência bíblica de qãtar está em
Êx 29.13: "Também tomarás toda a gordura que co
bre as entranhas, e o redenho de sobre o fígado, e
ambos os rins, e a gordura que houver neles e queimá-
los-ás [oferecê-los-ás em fumaça] sobre o altar”.
Tecnicamente, este verbo significa “oferecer ofertas
verdadeiras" toda vez que aparece no radical
causativo (cf. Os 4.13; 11.2), embora só possa se
referir à “queima de incenso” (2 Cr 13.11). Ofertas
são queimadas para transformar a coisa oferecida
em fumaça (a essência etérea da oferta), que ascen
deria a Deus como aroma agradável ou aplacador.
As coisas sacrificadas eram tipos de comidas pri
mariamente comuns e, deste modo, Israel oferecia a
Deus a própria vida, seus trabalhos e o fruto dos
seus labores.
Tais ofertas representam a doação da coisa ofere
cida e a substituição vicária da oferta pelo oferente
(cf. Jo 17.19: Ef 5.2). Por causa da pecaminosidade
do homem (Gn 8.21: Rm 5.12), ele estava impossibi
litado de iniciar uma relação com Deus. Então, o pró
prio Deus disse ao homem o que seria necessário
para cultuá-lo e servi-lo. Deus especificou que só as
melhores escolhas das possessões da pessoa poderi
am ser oferecidas e os melhores da oferta pertenciam
a Ele (Lv 4.10). Só os Seus sacerdotes deviam ofere
cer sacrifícios (2 Rs 16.13). Todas as ofertas seriam
feitas no lugar designado; depois da conquista de
Canaã. este foi o santuário central (Lv 17.6).
Alguns dos reis de Israel tentaram legitimar suas
ofertas idólatras, embora estivessem em aberta vio
lação às diretivas de Deus. Assim, o radical causativo
é usado para descrever, por exemplo, a adoração
idólatra de Jeroboão: “E sacrificou no altar que fize
ra em Betei, no dia décimo quinto do oitavo mês, do
mês que ele tinha imaginado no seu coração, assim
fez a festa aos filhos de Israel e sacrificou no altar.
queimando incenso” (1 Rs 12.33; cf. 2 Rs 16.13; 2
Cr 28.4).
O radical in tensivo (só ocorre depois do
Pentateuco) sempre descreve “falsa adoração”. Esta
forma de qãtar representa o “ato total do ritual" (2
Cr 25.14). Tal ato era normalmente ato consciente
de idolatria, imitativo da adoração cananéia (Is 65.7).
Este tipo de adoração era blasfema e vergonhosa (Jr
11.17). Aqueles que faziam esta “queima de incen
so” eram culpados de esquecer Deus (Jr 19.4), en