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Cutting Crianças e adolescentes que se automutilam https://www.youtube.com/watch?v=Lodh-yE2bdQ O que é Na última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-5, na sigla da Associação Americana de Psiquiatria), a automutilação sem intenção de suicídio ficou sob observação para ser tratada como um transtorno isolado, apesar de estar comumente associada a comportamentos obsessivos compulsivos e outras síndromes, como a de Borderline (momentos em que estão estáveis, que alternam com surtos psicóticos, manifestando comportamentos descontrolados). O principal público atingindo são meninas de 13 a 17 anos. A internet tem papel preponderante na disseminação atual da prática, que ele chama de epidêmica. https://www.youtube.com/watch?v=w23j24o4Q6A Formas de apresentação Apesar de ser mais comum na forma de pequenos cortes pelo corpo, a automutilação consiste em qualquer autolesão, como queimar-se, morder-se ou bater-se. Objetos utilizados Compasso Lâmina do apontador Estilete Tampa de caneta Por que acontece A incapacidade de lidar com os próprios sentimentos se reflete nas marcas do corpo. E esse sofrimento pode inclusive estar associado a uma dificuldade ou situação que o estudante está passando na escola. Apesar de não necessariamente haver um transtorno psiquiátrico, geralmente há uma tristeza envolvida. Há quem se utilize de um ato autolesivo pela dor, mas outros (o fazem) porque todo mundo está fazendo, para ver qual é. Quanto ao estímulo da Internet, há blogs que ensinam qual a melhor lâmina, em que parte do corpo você tem mais alívio. Para dar vazão instantaneamente àquela angústia enorme, eles deslocam o sofrimento. Por isso, vira uma compulsão. Eles ficam prestando atenção ao corte, comemoram o aniversário da cicatriz Busca na dor do corpo uma “justificativa” para a dor emocional. Refletindo com o adolescente sobre a sua relação com as emoções, este começa a ganhar consciência de que é mais sensível às emoções, sentindo-as de forma mais profunda e intensa que os outros, optando por não as expressar, “guardando-as só para si”, e demorando mais tempo a sentir-se reconfortado, com todos os custos que isso acarreta. Causas mais frequentes A automutilação de pessoas diferentes possuíam causas diferentes. Ou seja, cada pessoa tinha um motivo diferente dos demais para se auto-mutilar. Necessidade de mais atenção ou a fuga de alguma atividade desagradável. Também foi sugerido que algumas vezes a auto-mutilação poderia estar relacionada com as consequências sensórias produzidas pelo comportamento. Isto é, a pessoa poderia gostar da sensação ou talvez atenuar a dor que a pessoa estava experenciando. Apesar do fato de que uma série de hipóteses sobre os casos começaram a aparecer, uma coisa estava começando a ficar clara: 40% dos casos analisados – a causa tinha relação com a fuga de estímulos aversivos 26% dos casos analisados – a causa tinha relação com a atenção obtida 26% dos casos analisados – a causa tinha relação com as sensações provocadas pelo próprio ato Mais de uma causa foi identificada em 5 % dos casos. Os outros casos não puderam ser interpretados. Com os anos, foram feitos cerca de 200 estudos das causas funcionais da auto-mutilação. Como saber se isto está acontecendo Procure por muitos machucados e cicatrizes. O sinal de aviso mais óbvio serão os próprios ferimentos. Observe o tipo de roupa que o sujeito usa. O adolescente pode usar blusas de manga longa e calças compridas até mesmo em dias quentes. Homens podem usar munhequeiras (pulseiras de tecido ou de borracha), enquanto mulheres tendem a usar pulseiras e corretivo. Quando o indivíduo parece começar a ficar mais introspectivo. Ele pode se afastar e agir de maneira mais reservada. Observe sinais de depressão. Um deles é se comportar de maneira depressiva, mau humorada, ou ir de um estado normal a raivoso rapidamente. Observe-o para ver se ele deixou de participar de suas atividades cotidianas.Ele pode evitar ir à piscina, praia, academia ou qualquer prática de esportes (que requerem menos roupa). O adolescente também pode não querer ir ao médico ou outras consultas. O sujeito pode não ter amigos ou ter poucos, brigar com eles ou ter novos amigos. Veja se seu estoque de medicamentos está desaparecendo. Se curativos, desinfetantes etc. estiverem sumindo de seu armário, esse é outro sinal. Fique atento a objetos afiados e cortantes em lugares incomuns. Você pode encontrá-los no quarto do adolescente ou com ele. Queda na autoestima pode ser outro sinal. Perfil do automutilador O automutilador tende a ter grandes dificuldades para se expressar verbal ou emocionalmente, portanto, não consegue falar publicamente sobre suas angústias nem chorar diante de outras pessoas. Alguns indivíduos afirmam que escrever (textos, poemas, contos, músicas, etc.) lhes parece de grande ajuda, como uma forma de expressar suas emoções, o que não conseguem fazer de outras formas. Desse modo, a necessidade de se automutilar diminui significativamente. Não possui amor próprio e usualmente define a si mesmo como sendo "um lixo humano, uma criatura insuficiente e fracassada, que não tem direito de conviver com os demais". Geralmente afirmam automutilar-se com a intenção de interromper uma dor emocional muito forte. A maioria alega se tratar "de uma espécie de troca, da dor emocional pela dor física". Vários automutiladores se ferem também como uma forma de punição, por se sentirem insuficientes e fracassados. Eles descrevem o desejo automutilador como algo incontrolável, como um vício do qual, ainda que queiram, não conseguem se libertar. Logo após uma crise, em que o automutilador fere o próprio corpo ou apresenta qualquer outro comportamento autoagressivo, o sentimento que permanece é, geralmente, de culpabilidade. O indivíduo geralmente chora muito e a sensação de fracasso é extrema. Possui extrema dificuldade em falar sobre si mesmo, principalmente sobre a doença, pois tem medo de não ser aceito, julgado ou incompreendido. Constantemente se descobre buscando feridas ou cicatrizes nos pulsos de outras pessoas, talvez como uma forma de não sentir-se tão só ou de tentar ajudar essa pessoa, pois sabe o quão mau é não ter ninguém que o ajude e compreenda. Alguns abandonam qualquer tipo de atividade em que seja necessária a exibição do corpo, como ir à praia ou a um clube, para que suas feridas e cicatrizes permaneçam ocultas e, desse modo, não tenham que falar sobre o problema nem corram o risco de serem impedidos da prática. Não possui qualquer expectativa com relação ao futuro, pois se considera incapaz de alcançar qualquer coisa realmente boa - razão pela qual se surpreende muito quando alcança grandes feitos, como passar no vestibular ou conquistar o amor incondicional de alguém que lhes interesse. Quando o indivíduo consegue superar a doença, o primeiro problema com que se depara é a sensação de vazio. Os automutiladores, no geral, sentem compaixão por outras pessoas na mesma situação e tentam ajudá-las, muitas vezes querendo que outros parem com este comportamento mesmo que o pratiquem também. O que fazer De acordo com o psiquiatra, ao descobrir que alguém está se cortando, o primeiro passo é manter a calma. É preciso ter uma atitude acolhedora para tentar entender de onde parte o comportamento, pois uma reação excessiva pode fazê-lo sentir-se ainda mais sozinho. “Antes de se preocupar com o que dizer, é importante escutar ativamente e sem julgamentos” Contato com os pais A empatia é sempre importante para que os essas pessoas se sintam confortáveis para compartilhar como estão se sentindo e o que está se passando. No caso dos adolescentes, os pais devem ser comunicados apenas quando há risco para saúde ou vida do jovem ou quando há autorização para evitar quebrar o elo de confiança. “No caso das crianças, eles devem ser convocados porque os precisam saber. Não se trata apenas de uma relação de confiança, mas de obediência” Para que essa comunicação seja efetiva,ela deve seguir a mesma linha da conversa com os envolvidos (na escola e família). É preciso fazê-la de forma que não se culpabilize nem ao jovem nem aos pais, que se estabeleça um clima de apoio aos familiares e para que não se perca a parceria com ninguém. Também deve ser sugerido o encaminhamento a um especialista - psicólogo ou psiquiatra - para avaliação do caso e, se necessário, tratamento. Dicas aos responsáveis Não fique bravo. Neste momento, ele precisa de ajuda, não de raiva. Fique calmo e apoie, mesmo que ele faça besteira. Se suspeitar que seu filho está se cortando ou automutilando de alguma forma, não culpe-o ou faça-o se sentir culpado pela situação. Tente entender por que ele faz isso ao invés de focar no fato de que ele faz isso. Não o questione. Isso fará o adolescente perceber que você suspeita de algo e ele sentirá que precisa esconder a verdade de você, e o medo de ser pego pode fazê-lo se automutilar ainda mais. Não desista se a pessoa não quiser conversar com você sobre isso. Continue tentando ou o convença a ir a um psicólogo - ele pode se sentir mais à vontade em se abrir para outra pessoa. Não ignore os sinais e procure ajuda para seu adolescente! Se ele não estiver mais se cortando, ótimo, mas se estiver, continue pressionando-o para parar. Depois de um tempo, veja se seu filho continua se cortando. Faça todo o possível para convencê-lo a ir a um psicólogo ou mande-o para um o mais rápido possível. Avisos Você não pode fazer o adolescente parar, não importa o quanto queira - ele tem que querer. Se o indivíduo precisar de pontos ou perdeu muito sangue, não hesite em levá-lo ao hospital. Na maioria dos casos, é contraproducente confiscar as "ferramentas" favoritas do adolescente se machucar; se ele não tiver o objeto preferido, provavelmente usará o que estiver por perto, o que é, na verdade, geralmente mais perigoso do que simplesmente deixá-lo usar o que normalmente utiliza. Não foque sua atenção aos ferimentos em si ou sinta dó do adolescente excessivamente; isso pode aumentar o comportamento de automutilação. Não exagere ou corra com o adolescente para o hospital. Muitas pessoas na área da saúde não sabem como ou não querem lidar com isso. Além disso, qualquer tratamento que seu filho possa receber não superará o dano psicológico que isso pode causar. Não ignore o problema, procure ajuda! A automutilação sob qualquer forma é um vício perigoso que tem potencial para ser letal se não for tratado! Não ignore os cortes, porque isso seria como perdoar implicitamente esse comportamento, o que não faria o adolescente parar. Tratamento A terapia cognitivo-comportamental explica que a duração do tratamento depende da gravidade das lesões e do tempo das práticas de automutilação. Para além do óbvio risco de infecções e doenças, há as marcas psicológicas, mais difíceis de apagar. Em simultâneo, o encaminhamento para um profissional qualificado, como um psicólogo ou psiquiatra, será importante no sentido de serem aprendidas/desenvolvidas outras estratégias de regulação emocional alternativas e mais adequadas. A comunicação eficaz dentro da família é verdadeiramente importante para que o adolescente se sinta seguro, valorizado e confiante, pelo que se sugere a existência de um momento diário, nas rotinas da família, em que todos se sintam livres e aceites na partilha de ideias, dúvidas, preocupações e conquistas Existe necessidade de uma análise atenta das causas funcionais do comportamento de se automutilar, ou seja, por qual motivo, porque a pessoa tem este comportamento. image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg