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89
MIDIAEDUCAÇÃO 
3
PROJETO 
INTEGRADOR
Produto
O produto fi nal será uma campa-
nha social de orientação sobre o “bom 
uso” das redes digitais.
Tema Contemporâneo Transversal
Cidadania e civismo.
QUESTÕES DESAFIADORAS
 Você já prestou atenção em quantas vezes por dia acessa as 
redes sociais? Quantas horas por dia você gasta nessa atividade?
 Seu celular caiu e você precisou levá-lo para o conserto. Ou você 
foi viajar para um lugar em que o sinal de internet é fraco. Você 
terá de fi car sem celular e sem acesso à internet por 24 horas. 
Como seria essa experiência? Como seria seu dia sem internet?
Competências
Enfoque prioritário nas competências 
gerais 4, 5 e 7.
Competência específi ca da área de 
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: 1, 4.
Habilidades em Ciências Humanas 
e Sociais Aplicadas: (EM13CHS101), 
(EM13CHS102), (EM13CHS103), 
(EM13CHS106), (EM13CHS404)
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1FASE
CONECTIVIDADE E ACESSO MÓVEL À INTERNET (Brasil, 2017)
■ 85% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos eram usuários de internet
(cerca de 24,7 milhões).
■ 93% dessas crianças e adolescentes utilizaram o telefone celular. Destes, 44% 
acessaram a internet exclusivamente pelo celular (cerca de 11 milhões de pessoas).
■ 8% nunca haviam acessado a rede (2,2 milhões de pessoas).
Encontro 1 
O que dizem os números?
CONHECER PARA 
ENFRENTAR MELHOR
Vamos começar nossa conversa apresentando alguns dados estatísticos sobre a interação 
de jovens com a internet e as redes sociais. Esses dados foram extraídos de uma pesquisa 
encomendada pelo governo federal e publicada em 2018. Observe com atenção os gráfi cos 
a seguir e depois, com a ajuda do professor, procure entender o que os dados representam.
Todos os dias ou quase todos os dias
Pelo menos uma vez por semana Menos de uma vez por mês
Pelo menos uma vez por mês Não sabe/não respondeu
*Em 2012, a pesquisa tinha como população-alvo usuários de Internet de 9 a 16 anos.
0
2012*
2013
2014
2015
2016
2017
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
47 38 10 5
63 27 8 2
81 13 4 2
84 11 2 2
84 9 4 3
88 6 33
Total de usu‡rios de internet de 9 a 17 anos (%)
CRIANÇAS E ADOLESCENTES, POR FREQUÊNCIA DE USO DA INTERNET (2012-2017)
No Manual do Professor, na parte específi ca dedicada ao Projeto 3, 
há orientações e comentários relacionados aos encontros em que 
está organizado este projeto. Não deixe de consultá-los, pois eles 
podem ajudá-lo a desenvolver melhor os trabalhos aqui propostos.
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Fonte: elaborado com base em Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Pesquisa sobre o uso da internet 
por crianças e adolescentes no Brasil. TIC Kids Online Brasil 2017. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 
2018. Disponível em: www.cgi.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-
tic-kids-online-brasil-2017/. Acesso em: 22 out. 2020.
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91
CIDADANIA E ENGAJAMENTO NA REDE (Brasil, 2017)
■ 40% das crianças e adolescentes conversaram com pessoas de outras cidades, países ou 
culturas.
■ 36% participaram de uma página ou grupo na internet para conversar sobre assuntos de 
que gostam.
■ 12% conversaram sobre problemas da cidade ou do país na internet.
■ 4% participaram de campanhas ou protestos na rede.
MEDIAÇÃO PARENTAL (Brasil, 2017)
■ 50% relataram que seus pais ou responsáveis sabem mais ou 
menos ou nada sobre suas atividades na internet.
■ 70% tinham a percepção de que sabem muitas coisas sobre 
como usar a rede.
■ 76% afi rmaram que sabem usar a rede melhor que seus pais.
RISCOS DE CONTEÚDO NA INTERNET (Brasil, 2017)
■ 22% declararam que já foram tratados de forma ofensiva, de uma maneira de que não 
gostaram ou que os chateou na internet.
■ 39% tiveram contato com conteúdo de natureza intolerante ou discurso de ódio e afi rma-
ram ter visto alguém sendo discriminado ou sofrendo preconceito na internet.
■ 8% declararam que já se sentiram discriminados na internet.
Fonte de consulta: Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e 
adolescentes no Brasil. TIC Kids Online Brasil 2017. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2018. 
Disponível em: www.cgi.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-tic-
kids-online-brasil-2017/. Acesso em: 10 out. 2019.
Parental diz respeito aos 
pais ou responsáveis.
Fonte: elaborado com base em Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR. Pesquisa sobre o uso da internet 
por crianças e adolescentes no Brasil. TIC Kids Online Brasil 2017. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2018. 
Disponível em: www.cgi.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-tic-kids-
online-brasil-2017/. Acesso em: 22 out. 2020.
0
Realizou compras na Internet
Jogou na Internet, conectado com outros jogadores
Baixou músicas ou filmes
Jogou na Internet, não conectado com outros jogadores
Baixou aplicativos
Ouviu música na Internet
Assistiu a vídeos, programas, filmes ou séries na Internet
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8 91
38 62
52 48
58 42
66 33
75 25
77 23
Sim Não sabeNão Não respondeu
Percentual sobre o total de usuários de internet de 9 a 17 anos (%)
CRIANÇAS E ADOLESCENTES, POR ATIVIDADES REALIZADAS NA INTERNET – 
MULTIMÍDIA, ENTRETENIMENTO, DOWNLOADS E CONSUMO (2017)
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92
Refl etindo sobre os dados
A turma toda: Formem uma roda de conversa e refl itam sobre os dados da pesquisa representa-
dos nos gráfi cos. Levem em conta algumas questões:
 1. De acordo com os dados, o acesso de crianças e adolescentes à internet, no Brasil, é eleva-
do? Por que ainda existem 8% de crianças e adolescentes que nunca acessaram a internet? 
Você conhece alguém nessa situação? Sabe qual o motivo?
 2. É realmente necessário ter acesso à internet todos os dias? Por que alguns jovens sentem 
necessidade de entrar diariamente nas redes sociais?
 3. Algumas das atividades mais comuns entre os jovens na internet são baixar música, assistir 
a fi lmes, comunicar-se com outras pessoas. Há alguma outra que você considera importan-
te? Por quê?
 4. Os jovens poderiam utilizar mais a internet para promover ações de cidadania e defesa de 
direitos? Que tipo de ação? Você conhece algum site que faça campanhas usando a inter-
net?
 5. Você acredita que os familiares devem acompanhar as atividades dos fi lhos na internet? Em 
sua opinião, deveria haver algum tipo de regra ou controle estabelecido pelos pais nesse 
sentido? Por quê? Que ação você sugeriria?
 6. Como você resolveria o problema dos conteúdos de ódio e de intolerância na internet? Em 
sua opinião, é grave uma criança ou um adolescente terem contato com esse tipo de con-
teúdo ou serem tratados de forma desrespeitosa? Você conhece alguém que já enfrentou 
essa situação? Se sim, conte aos colegas.
Refl etindo sobre as minhas práticas
Agora, a pergunta mais importante (sobre a qual gostaríamos que você fosse sincero ao res-
ponder!): Como você utiliza as redes sociais? Para facilitar, vamos dividir essa questão em cinco 
pontos principais:
 1. Quantas horas por dia você utiliza o celular ou outros dispositivos para acessar plataformas 
de redes sociais ou plataformas de comunicação instantânea?
 2. Você já deixou de fazer alguma atividade presencial (como ir a umafesta, conversar com 
amigos, participar de algum evento familiar, etc.) porque preferiu interagir pelas redes 
sociais?
 3. Você já fi cou sem acesso à internet durante um dia inteiro? O que você fez ao longo desse 
dia?
 4. Como você reage diante das interações com outras pessoas nas redes sociais? Você se sen-
te irritado com certos posts? De que tipo? Fica orgulhoso quando alguém de quem você 
gosta ou a quem admira “curte” uma foto no seu perfi l social? Já fi cou interessado em co-
nhecer alguém por meio das redes sociais? Conte como foi essa experiência.
 5. Você adora uma selfi e ou odeia? O que mobiliza esse sentimento ou impressão?
Essas perguntas são um ponto de partida para você pensar não só sobre seus hábitos em relação ao uso da inter-
net, mas também sobre sua participação em eventos com pessoas do seu convívio. Esse é o momento de partilhar 
opiniões – e até, se possível, sentimentos – com o grupo em uma roda de conversa. É importante que todos se 
sintam confortáveis para falar abertamente, sem constrangimentos, pois o objetivo aqui é verifi car como o grupo 
utiliza as redes sociais, e não criticar alguém por suas práticas e seus valores.
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2FASE
Encontro 2 
A presença da cultura digital no dia a dia
Na última década, no Brasil, verifi cou-se uma espantosa ampliação do uso dos chamados 
smartphones (ou celulares inteligentes, em português), como mostram os dados que discu-
timos em nosso encontro anterior. Graças a importantes mudanças tecnológicas, entre elas 
o aperfeiçoamento de microchips com alta capacidade de processamento de dados e com 
tamanho muito reduzido (muito mesmo!), esses celulares permitem executar ações que 
antes só podiam ser realizadas em computadores, como o acesso à internet e o processa-
mento de jogos em 3D.
A difusão do consumo desses celulares e a melhoria do acesso 
à internet, por meio das redes sem fi o (wi-fi ) nas casas e nos am-
bientes profi ssionais e também pelo uso das redes 4G oferecidas 
pelas empresas de telecomunicação, resultaram nesse cenário 
de uso intensivo da internet por uma parcela signifi cativa da po-
pulação. Essa mudança cultural provocou outras transformações 
na vida cotidiana, como a facilidade de comunicação virtual, a 
criação de redes sociais que integram milhões de usuários e a 
ampliação do comércio eletrônico (em inglês, e-commerce).
Esse fenômeno transformou também o modo como intera-
gimos com as pessoas a nossa volta e como agimos diante de 
nossos desejos, expectativas e sonhos. Para refl etir sobre isso, selecionamos dois artigos 
com opiniões distintas sobre os efeitos da cultura digital no mundo contemporâneo. Afi nal, 
utilizar a internet com muita frequência pode ser prejudicial? Como adequar esse uso aos 
nossos interesses e às nossas necessidades?
Leia os artigos com atenção. Depois, vamos organizar um debate sobre o conteúdo deles.
QUEM TEM MEDO DAS 
REDES SOCIAIS?
4G 
sigla de um protocolo 
de comunicação de 
quarta geração que 
envia e recebe pacotes 
de informações e dados. 
Tem velocidade de 
transmissão mais rápida 
e segura que o 3G, o 
que permite ampliar as 
comunicações digitais.
Mau uso de redes sociais agrava sinais depressivos nos jovens
Segundo estudo, meninas são mais afetadas pela conexão entre mídias sociais e doenças 
psicológicas
Na era do troco likes, me segue que eu sigo de volta e muitas retuitadas, a depressão é quem 
está se conectando aos jovens que mais usam as redes sociais – principalmente as garotas. 
Segundo um estudo da Universidade de Londres, adolescentes do sexo feminino apresentam 
duas vezes mais chances de terem depressão ao utilizar redes sociais do que homens da mesma 
faixa etária. Entre garotas de 14 anos, cerca de 75% sofrem de depressão por baixa autoestima, 
insatisfação com sua aparência e por dormir sete horas ou menos por noite. Os pesquisadores 
analisaram os processos que poderiam estar ligados ao uso de mídias sociais e depressão e 
descobriram que 40% das meninas e 25% dos meninos tinham experiência de assédio on-line 
ou cyberbullying. O levantamento ainda aponta que 12% dos usuários considerados moderados 
e 38% dos que fazem uso intenso de mídias sociais mostraram sinais de depressão mais graves. 
Para completar esta relação, no fi nal do ano passado a Universidade da Pensilvânia comprovou, 
pela primeira vez, uma conexão da redução do bem-estar com o uso do Facebook, Snapchat 
e o Instagram.
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O professor Joel Rennó Júnior, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da 
USP (FMUSP) e diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria (IPq) do 
Hospital das Clínicas (HC), ressalta que o fenômeno das redes sociais é algo recente e com poucas 
conclusões, mas que já existe ligação entre quadros propícios à depressão e internet. “Há uma 
relação importante do perfi l de personalidade do adolescente, seu gênero – o feminino sendo mais 
afetado – e o tempo de exposição. É o conjunto de fatores que torna o adolescente mais vulnerável 
ao quadro de depressão.”
Porém, as redes sociais, por si só, não são culpadas pelos quadros depressivos. Rennó Júnior 
entende que a questão está no tempo gasto e no isolamento que ela provoca na rotina dos jovens, 
além da fase vivenciada. “Isso acaba combinado, muitas vezes, com algumas características da 
adolescência. No caso das meninas, muitas têm baixa autoestima, distorção de imagem corporal, 
ansiedade e são meninas que sofrem assédio on-line.” Neste ponto, o especialista enfatiza: “As 
pessoas se mascaram, criam outra identidade até para atrair crianças e adolescentes. É algo muito 
sério. Muitas vezes as meninas expõem fotos – de forma ingênua – para outras meninas, para o 
namorado, e aí que vêm a difamação e a calúnia. Em adolescentes vulneráveis, isso pode causar 
grandes estragos psíquicos”. É necessário o uso de ações públicas conjuntas para traçar estratégias 
que solucionem o problema, segundo o professor do Departamento de Psiquiatria.
EZEQUIEL, Pedro. Mau uso de redes sociais agrava sinais depressivos nos jovens. Jornal da USP, 5 fev. 2019. 
Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/mau-uso-de-redes-sociais-agrava-sinais-depressivos-nos-jovens/. 
Acesso em: 8 out. 2019.
Como o uso de redes sociais impacta nossa saœde mental
Pesquisas indicam que tempo demais na internet tem relação com aumento da ansiedade 
e da depressão, mas que redes sociais também têm efeitos positivos. Entenda a mudança de 
comportamento global causada por elas e saiba como usá-las para o bem.
“Eu sei que não deveria, mas não posso evitar” ou “ter este objeto perto de mim enquanto estou 
dormindo é um conforto” são frases típicas de quem sofre de algum tipo de dependência. Neste 
caso, o vício é em redes sociais. As duas declarações foram ouvidas pela professora de psicologia 
da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, Jean Twenge, autora do livro “The Narcissism 
Epidemic”, ou “A Epidemia do Narcisismo”, em tradução livre (Free Press, 2010).
Em um artigo de opinião publicado na revista The Atlantic, Twenge afi rmou que o uso 
exagerado de internet e redes sociais pode ter relação direta com o aumento exponencial 
de ansiedade e depressão – de acordo com a ONU, elas incidem em 3,6% e 4,4% da população 
mundial, respectivamente.
[...]
Para o professor de sociologia da Universidade da Califórnia em Berkeley Claude Fischer, que 
estuda redes sociais analógicas e digitais desde os anos 1970, há um certo exagero no ímpeto 
de atribuir problemas de saúde mental exclusivamente às mídias sociais. Em artigo de opinião 
publicado no jornal Boston Review, ele até defende que as redes sociais colaboram para melhorar as 
habilidadessociais de seus usuários.
Fischer cita uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center que demonstra o uso social da 
ferramenta – além dos limites digitais. O levantamento mostra que, de todos que usam o smartphone 
para postar fotos ou vídeos, 45% o fazem a partir de encontros sociais, e que 38% das pessoas usam 
seus smartphones para obter informações relevantes para seus grupos sociais. No geral, 78% dos 
entrevistados revelam que usam suas redes sociais digitais para estreitar laços com sua comunidade – 
e não para se isolar.
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95
A pesquisa da Royal Society for Public Health também destaca a forma como o uso das redes 
sociais colabora para a construção da sensação de comunidade. Sensação de pertencimento, 
informações sobre condições de saúde, suporte emocional, autoidentidade e autoexpressão são 
outros fatores desenvolvidos, sobretudo no Facebook e no Twitter, diz o levantamento.
[...]
Em outro estudo, produzido pela Universidade Carnegie Mellon, foi possível observar que a troca 
de mensagens, postagens e comentários positivos são importantes elementos de apoio social para 
pessoas com sintomas de solidão e depressão – os efeitos positivos foram ainda mais fortes quando 
os contatos eram entre amigos próximos. A conclusão é de que embora atualizações de status, 
curtidas e interações superfi ciais não sejam sufi cientes para gerar bem-estar, engajamento ativo e 
interação signifi cativa efetivamente fazem bem.
Redes sociais: causa ou consequência de doenças psicológicas?
“Que prática estranha é essa que um homem deve sentar-se à mesa do café da manhã e, em 
vez de conversar com a esposa e os fi lhos, segura diante de seu rosto uma espécie de tela na qual 
está inscrita uma rede mundial de fofoca”. A frase é do sociólogo norte-americano Charles Cooley e 
proferida em 1909 – ou mais de um século atrás. O objeto em questão não era um smartphone nem 
um iPad, mas o jornal, identifi cado à época por Cooley como responsável pelo fi m da conversa.
Toda nova tecnologia, sobretudo aquelas ligadas à informação e à comunicação, é recebida 
com um misto de euforia e desconfi ança. Jornal, rádio e televisão passaram por questionamentos 
semelhantes. Uns diziam que eles provocariam o fi m da leitura, outros que seriam objetos de 
idiotização em massa. Até hoje, há um debate acalorado, com argumentos a favor e contra essas 
teses. O uso intensivo das redes sociais passa pelo mesmo processo. Mas há um agravante, que faz 
do fenômeno algo mais preocupante.
[...]
Em artigo, Jean Twenge informa que adolescentes que passam três horas ou mais por dia usando 
dispositivos eletrônicos têm 35% mais chances de desenvolver um fator de risco para o suicídio. 
[...]
O que ninguém nega é que a ferramenta mudou de vez o comportamento humano. 
Principalmente entre os mais jovens.
Segundo Twenge, nos EUA, já há pesquisas que comprovam o “alargamento” da infância. Ou seja, 
adolescentes apresentam, cada vez mais tardiamente, padrões de comportamento condizente com 
suas faixas etárias, como dirigir, sair sem a família e namorar. “Jovens de 18 anos agem agora como 
os de 15 anos e os de 15 anos, como os de 13 anos. A infância agora se estende até o Ensino Médio 
(High School)”, afi rma.
[...]
COMO o uso de redes sociais impacta nossa saúde mental, 22 abr. 2019. 
Disponível em: https://bluevisionbraskem.com/desenvolvimento-humano/como-o-uso-de-redes-sociais-
impacta-nossa-saude-mental/. Acesso em: 17 jan. 2020. 
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96
Desenvolvendo e defendendo argumentos
Em dois grupos: Vamos refl etir, por meio de um debate, sobre o conteúdo dos textos lidos? 
Para isso, dividam a turma em duas equipes: a primeira fi ca responsável por desenvolver mais 
argumentos relativos ao primeiro artigo, a fi m de confi rmar as opiniões apresentadas. A segunda 
equipe defenderá os argumentos do segundo artigo.
■ Antes de dar início ao debate, é preciso identifi car e elencar os argumentos relativos a cada 
posicionamento.
■ Esta atividade colabora para a construção de argumentos e de alternância de posições. Isso 
signifi ca que é possível que tenhamos de defender um argumento, mesmo que não concor-
demos com ele. Ao formular opiniões e argumentos usando como base um ponto de vista 
diferente do nosso, podemos compreender melhor as opiniões contrárias às nossas e, assim, 
aprender a respeitá-las.
■ Duração sugerida do debate: 15 minutos. Se houver tempo, um segundo debate pode ser or-
ganizado, com a inversão dos grupos e a defesa da posição contrária.
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Ao fi nal do debate, organizem uma roda de conversa sem divisão em grupos e refl itam 
sobre o que aprenderam sobre os usos da internet e das redes sociais. Cada um pode par-
tilhar sua opinião com a turma, levando em conta os diferentes argumentos utilizados pelos 
colegas. 
A proposta da atividade é debater e instigar uma refl exão pessoal sobre o tema, mas 
ninguém deverá se sentir constrangido a mudar de opinião simplesmente porque outras 
pessoas pensam diferente. Cada um deve construir os próprios argumentos e ter convic-
ção para reconhecer suas práticas e valores. É importante que haja um clima em que os 
questionamentos, as diferenças e as discordâncias sejam não apenas respeitadas, mas 
bem-vindas.
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3FASE
Encontro 3 
As redes sociais na escola
Nos encontros anteriores, discutimos o uso das redes sociais empregando algumas es-
tratégias: 
■ análise de dados estatísticos;
■ apresentação de relatos dos integrantes do grupo;
■ debate sobre dois artigos argumentativos com posições diferentes em relação ao tema. 
Agora, vamos fazer uma investigação na escola onde vocês estudam, partindo de uma 
pergunta central: “Como os alunos da escola onde eu estudo interagem com as redes 
sociais?”.
Para responder a essa questão, propomos dois caminhos de pesquisa, os quais você tri-
lhará com os colegas e o professor. O primeiro se baseia em um experimento social contro-
lado dentro do próprio grupo, e o segundo percurso se apoia em uma ferramenta chamada 
entrevista semiestruturada (você vai saber como usá-la na próxima página) com grupos 
específi cos da escola.
Experimento social controlado
Inicialmente, propomos, então, um experimento social controlado. Ele permitirá que a turma 
vivencie de forma mais intensa os tipos de interação com as redes sociais e com a internet em 
geral. Para isso, a turma vai escolher dois estudantes para o experimento. Alguém se oferece 
como voluntário?
■ Estudante 1: fi cará 24 horas sem utilizar nenhum dispositivo digital, como celulares, tablets e 
computadores; portanto, não poderá acessar as redes sociais (não pode responder a mensa-
gens de texto nem a áudio ou e-mails), procurar informações na internet, utilizar jogos nem 
aplicativos de entretenimento.
Exceções: emergências médicas ou familiares e situações que coloquem em risco a segurança 
do estudante.
■ Estudante 2: fi cará 24 horas imerso nas redes sociais, utilizando todos os aplicativos necessá-
rios para se comunicar, pesquisar informações, entreter-se ou estudar. Deve ainda reduzir as 
interações diretas e presenciais apenas ao necessário.
Exceções: emergências médicas ou familiares e situações que coloquem em risco a segurança 
do estudante. Também seria oportuno se comunicar para não parecer grosseiro com pessoas 
que não estão envolvidas no experimento.
Ambos devem:
a) informar os familiares ou responsáveis e os amigos mais próximos sobre o experimento;
b) defi nir o horário de início do experimento (que deve acabar 24 horasdepois);
c) registrar, por escrito, as impressões, sentimentos e percepções identifi cados durante o experimento.
EXPERIMENTO SOCIAL CONTROLADO 
E ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA
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Encontro 4 
Analisando os resultados do experimento
Cada estudante do experimento do encontro anterior deve relatar para a turma como 
se sentiu durante as 24 horas, destacando as vantagens e as desvantagens que identifi cou, 
bem como o que mais fez falta e o que foi mais prazeroso.
Para ouvir os colegas que participaram do experimento, organizem uma roda de con-
versa. Depois do relato, pode-se destinar um tempinho para perguntas e refl exões. Ao fi nal, 
seria muito importante registrar, por escrito, as principais refl exões e conclusões do grupo a 
partir das indagações a seguir. De novo, quem se candidata?
■ Quais foram as principais impressões e percepções de quem fi cou 24 horas sem acessar as 
redes sociais?
■ Como o estudante que fi cou sem redes sociais se sentiu? Ansioso, tranquilo, inseguro, intros-
pectivo, triste?
■ Quais foram as principais impressões e percepções de quem fi cou 24 horas com acesso con-
tínuo às redes sociais?
■ Como o estudante que fi cou com acesso contínuo às redes sociais se sentiu? Ansioso, tranqui-
lo, inseguro, afl ito, eufórico?
Encontro 5 
Entrevista semiestruturada
Entrevistas semiestruturadas (também chamadas de semidirigidas) são aquelas em que 
o entrevistador prepara um roteiro de perguntas diretas e objetivas sobre um tema do seu 
interesse, mas conduz a entrevista com fl exibilidade, deixando-a fl uir. Em geral, a entrevista 
começa com as perguntas previamente formuladas e, à medida que o diálogo se desenvol-
ve, entrevistado e entrevistador sentem-se à vontade para refl etir sobre outras questões 
em torno do tema proposto. Nesse ponto, a entrevista se transforma em uma conversa. Mas 
lembre-se desta dica: para o diálogo não se tornar um bate-papo sem objetivos, o entrevis-
tador tem de estar ligado na condução geral da entrevista. Assim, garante-se que os temas 
selecionados e as questões fundamentais ligadas e eles serão devidamente explorados.
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