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Prévia do material em texto

Organização
Carine Teles Sangaleti Miyahara
Capa e Diagramação
Cristiano Walter de Farias
Autores
Alessandra Cristina de Paula Faria Zampier
Aline Padilha Mattei
Amanda de Paula Grad
Bruna Zarpellon
Calíope Pilger
Carine Teles Sangaleti Miyahara
Catiuscie Cabreira da Silva Tortorella
Cristiano Walter de Farias
Dannyele Cristina da Silva
Eliane Rosso
Fernanda Eloy Schmeider
Francine Meira da Cruz
Gabriele de Vargas
Janete Dalmar dos Santos Hupfer
Jessica Rodrigues dos Passos
Kelly Holanda Prezotto
Laryssa de Col Dalazoana Baier
Leticia Gramazio Soares
Lucas de Oliveira Araújo
Maicon Henrique Lentsck
Maria Regiane Trincaus
Mariana Abe Vicente Cavagnari
Pollyanna Bahls de Souza
Saionara Zakrzevski Stoy
Silvana Maria Sasso
Soriane Loures
Tatiana da Silva Melo Malaquias
Tatiane Baratieri
Vanessa Nerone
Vera Lúcia Borges Ferreira
 FERIDAS crônicas: guia prático [e-book interativo] / Organizado por 
Carine Teles Sangaleti Miyahara. – – Guarapuava: Ed. da Unicentro, 2021.
231 p.
ISBN 978-65-5597-016-6
Bibliografia
1. Enfermagem. 2. Feridas. 3. Feridas crônicas. I. Título.
CDD 610.73
Catalogação na Publicação
Rede de Bibliotecas UNICENTRO
Editora UNICENTRO 
Rua Salvatore Renna, 875, Santa Cruz 
85015-430 - Guarapuava - PR 
Fone: (42) 3621-1019 
editora@unicentro.br - www.unicentro.br/editora
F356
Denise Gabriel Witzel
Renata Daletese
Beatriz Anselmo Olinto
Suelem Andressa de Oliveira Lopes
Cristiano Walter Farias
Carine Teles Sangaleti Miyahara
Direção 
Coordenação de Apoio à Divisão de 
Editoração
Assessoria técnica
Capa
Revisão Final
http://www.unicentro.br/editora
SUMÁRIO
 Módulo 1 - Def inições e Guias para Avaliação
Capítulo 1 - Feridas Crônicas......................................................................................13
Capítulo 2 - As Fases da Cicatrização....................................................................18
Capítulo 3 - Avaliação Global da Pessoa com Ferida Crônica.................30
Capítulo 4 - Avaliação das Condições Sociais.................................................64
Capítulo 5 - Avaliação e Manejo da Dor...............................................................76
Capítulo 6 - Classif icação das Feridas Crônicas..............................................91
 Módulo 2 - Técnicas, Procedimentos e Produtos
Capítulo 1 - Preparo do Leito da Ferida.............................................................113
Capítulo 2 - Técnica de Limpeza............................................................................117
Capítulo 3 - Desbridamento....................................................................................128
Capítulo 4 - Contra-Indicações.............................................................................142
Capítulo 5 - Malhas não Aderentes e Gaze......................................................149
Capítulo 6 - Pomadas e Hidrogéis........................................................................153
Capítulo 7 - Fibras e Hidrof ibras...........................................................................169
Capítulo 8 - Espumas e Hidrocolóides..............................................................175
Capítulo 9 - Bota de Unna e Terapias Compressivas.................................181
Capítulo 10 - Outros Produtos.................................................................................186
Capítulo 11 - A Fitoterapia no Tratamento de Feridas..............................198
 Módulo 3 - Aspectos Legais
Capítulo 1 - O Papel do Enfermeiro.....................................................................210
Capítulo 2 - Controle de Contaminação............................................................220
FIGURAS
 Módulo 1
1.1 - A Avaliação do Portador de Ferida a Partir da T.I.M.E
1.2 - Ferida em Fase Inflamatória
1.3 - Ferida em Fase Proliferativa
1.4 - Fase de Maturação
1.5 - Hiperqueratose ao Redor de Mal Perfurante Plantar
1.6 - Fluxograma da Cicatrização - Ferida Aguda e Crônica
1.7 - Tecido de Granulação
1.8 - Tecido de Epitelização
1.9 - Esfacelo Fibrinoso
1.10 - Necrose de Liquefação
1.11 - Necrose de Coagulação
1.12 - Eczema de Estase
1.13 - Dermatite Ocre
1.14 - Lipodermatoesclerose em Tornozelo
1.15 - Bordas Maceradas
1.16 - Exsudato Seroso
1.17 - Exsudato Serosanguinolento
1.18 - Exsudato Fibrinoso
1.19 - Exsudato Purulento
1.20 - Exsudato Seropurulento
1.21 - Exsudato Hemopurulento
1.22 - Exsudato Sanguinolento/Hemorrágico
1.23 - Ilustração Topográf ica para Identif icação de Feridas
1.24 - Algoritmo para orientar o encaminhamento de pessoas com 
feridas para o nutricionista
1.25 - Exemplo de Instrumento de Avaliação Social (Frente)
1.26 - Exemplo de Instrumento de Avaliação Social (Verso)
1.27 - Classif icação da Dor
1.28 - Sintomas Clínicos Relacionados à Presença de Dor (Dor Orgânica)
1.29 - Padrões Mínimos Necessários para a Avaliação da Dor
1.30 - Ferida Venosa
1.31 - Ferida Arterial 
1.32 - Índice Tornolezelo Braquial (ITB)
1.33 - Ferida por Neuropatia Sensitiva
1.34 - Pé Diabético
1.35 - LPP de Estágio 1
1.36 - LPP de Estágio 2
1.37 - LPP de Estágio 3
1.38 - LPP de Estágio 4
1.39 - LPP Não Classif icável
1.40 - LPP em Região Sacral
1.41 - Úlcera de Martorell
 Módulo 2
2.1 - Preparo da Maca
2.2 - Preparo do Carrinho
2.3 - Posicionamento do Paciente
2.4 - Abertura do Campo Estéril
2.5 - Abertura da Agulha
2.6 - Abertura da Seringa
2.7 - Retirada do Curativo
2.8 - Técnica de Irrigação
2.9 - Técnica de Irrigação com Seringa
2.10 - Limpeza das Bordas
2.11 - Limpeza da Pele
2.12 - Aplicação de Cobertura
2.13 - PHMB em Gel
2.14 - Malha Não Aderente
2.15 - Malha Não Aderente com Matriz Cicatrizante TLC-AG
2.16 - Malha Não Aderente Impregnada com Prata
2.17 - Gaze
2.18 - Papaína em pó a 100%
2.19 - Pomada Hidrogel
2.20 - Pomada de Cadexómero de iodo
2.21 - Fibra Poliabsorvente com Matriz Cicatrizante TLC-AG
2.22 - Hidrof ibras
2.23 - Alginato de Cálcio
2.24 - Placas de Hidrocolóide
2.25 - Placas de Espuma
2.26 - Colocação da Bota de Unna
2.27 - Bota de Unna
2.28 - AGE
2.29 - Cobertura com Carvão Ativado
2.30 - Filme Transparente Não Estéril
2.31 - Aloe barbadensis Miller
2.32 - Calendula off icinalis L.
QUADROS
 Módulo 1
1.1 - Inflamação Aguda X Inflamação Crônica
1.2 - Fatores de Risco de Infecção em Feridas
1.3 - Sinais Locais e Sistêmicos de infecção
1.4 - Mensuração do Exsudato em Feridas
1.5 - Nutrientes, Fontes Alimentares e seus Mecanismos Potenciais
1.6 - Escalas para a Avaliação de Parâmetros da Condição Social 
Durante Tratamento de Feridas Crônicas
1.7 - Escalas de Avaliação Multifuncional da Dor
1.8 - Tipos de Feridas e suas Etiologias
 Módulo 2
2.1 - Diluições da Papaína em Pó em Solução Fisiológica ou Água Estéril
2.2 - Produtos e Terapias Inovadoras
APRESENTAÇÃO
 Nos dias atuais existem diversos manuais, disponíveis para consulta, 
voltados ao atendimento de pessoas com feridas. O diferencial deste Guia, 
apresentado na forma de ebook, é que seu principal objetivo é conversar 
com o prof issional de saúde de modo que possa orientar, de forma prática e 
cientif icamente embasada, o atendimento ao portador de Ferida Crônica.
 Todo conteúdo aqui apresentado tem relevância para guiar o 
atendimento, por isso este e-book busca ser interativo, levando o leitor a 
seguir uma sequência coerente durante todos os atendimentos, durante 
discussões de casos ou em momentos de estudo.
 Os organizadores têm vasta experiência no cuidado de feridas crônicas 
e, por isso buscaram elaborar os textos destacando pontos relevantes para 
a prática cotidiana, respondendo questionamentos que f requentemente 
ouvimos e ainda, esclarecendo equívocos que se perpetuam no cuidado de 
feridas.
 A vasta experiência citada não é apenas empírica, não se baseia na 
repetição de atos e procedimentos, é uma experiência construída com base em 
pesquisa, numa prática cotidiana qualif icada, que se inova constantemente e, 
numa prática questionadora, que busca confrontar as bulas de produtos, os 
diagnósticos não esclarecidos, as situaçõessociais caóticas, a falta de recursos 
f inanceiros ou o mau emprego destes, que é realidade em diversos serviços 
de saúde.
 Nosso empenho é materializado no atendimento de portadores de feridas 
crônicas, no Serviço de Reabilitação Física e Projeto Feridas da Universidade 
Estadual do Centro-Oeste (Unicentro/Guarapuava-Paraná). São projetos de 
extensão universitária destinados à prestação de serviços para a comunidade, 
e são pactuados com os serviços de saúde da região centro-oeste do Paraná. 
Esse projeto possibilita ainda o ensino e a pesquisa na área.
 Esperamos que nossa experiência estimule a renovação e qualif icação 
do cuidado nessa área de interesse.
1
Módulo 1
Definições e Guias Para 
Avaliação
13
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
CAPÍTULO 1
FERIDAS CRÔNICAS
Maria Regiane Trincaus
Maicon Henrique Lentsck
Definição
Ferida crônica é uma lesão que não cicatriza no período esperado, ou seja, 
entre 30 e 90 dias, e cujas características do processo de cicatrização estão 
alteradas.
Desta forma, considera-se uma ferida crônica aquela lesão que não cicatriza 
em até 90 dias, se estagna num período da cicatrização e não evolui. Geralmente, 
é a fase inflamatória que se prolonga e às vezes perpetua, de forma a manter a 
lesão aberta. A compreensão sobre esse fenômeno é muito complexa, e, por isso, 
o atendimento ao portador da lesão crônica também é. 
São inúmeras as causas que fazem com que uma ferida não cicatrize, mas 
pode-se afirmar que as principais são aquelas que muitas vezes não damos 
atenção, como por exemplo, não tratar a causa da ferida, não eliminar tecidos 
desvitalizados, não manter a umidade ideal no leito da ferida e não identificar e 
tratar as causas da inflamação. 
Nas sessões seguintes será oferecido o suporte para o atendimento integral 
do portador de ferida crônica, com enfoque nos fatores que causam a dificuldade 
de cicatrização.
Lembre-se: O tratamento de uma pessoa com ferida requer 
muito conhecimento, mas também iniciativa. Não basta 
buscar o conhecimento sem colocá-lo em prática; da mesma 
forma, não adianta manter práticas antigas, sem o suporte 
do conhecimento cientifíco, que constantemente se renova e 
se aprimora. O conhecimento é apenas o princípio da nossa 
atuação nessa vasta temática que abrange as feridas crônicas. 
Ser um profissional competente nessa área envolve também 
ter atitudes e habilidades, além do conhecimento.
14
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Gerenciamento do cuidado de pessoas com feridas crônicas
Promover o tratamento de feridas crônicas, buscando o melhor resultado clínico, 
que é o fechamento rápido da ferida, sem recidivas, a melhora da qualidade de vida 
e redução dos custos¹, são os objetivos perseguidos por todos os prof issionais de 
saúde que atuam nessa área.
As feridas crônicas afetam milhões de pessoas em todo o mundo.² A prevalência 
desse agravo na população pode ser considerada uma “epidemia silenciosa” ³, o 
que muitas vezes resulta em planejamento inadequado e baixa implementação de 
estratégias de prevenção, tratamento e gerenciamento do problema.4
Apesar de desaf iante, o gerenciamento do cuidado de pessoas com feridas 
crônicas não precisa ser uma tarefa assustadora, se alguns princípios básicos se 
tornarem rotina.
Chegar a resultados favoráveis requer uma abordagem sistemática com 
uma avaliação minuciosa da pessoa e da ferida, capaz de orientar o tratamento 
subsequente.¹ Considerando a complexidade do quadro que culmina numa ferida 
crônica, recomenda-se uma ação interprof issional no gerenciamento do cuidado, 
pois a ação de um único prof issional não será efetiva.5
Para o tratamento bem-sucedido exige-se o conhecimento detalhado dos 
componentes moleculares e celulares presentes no leito de cada ferida. Partindo 
dessa premissa, que é praticamente impossível de ser atingida no nosso cotidiano, 
atualmente as feridas crônicas são tratadas utilizando uma abordagem com 
múltiplos passos, que se baseiam no conhecimento do processo de cicatrização. 
Essa abordagem é difundida amplamente pela sigla em inglês TIME6, que signif ica 
tecido, infecção/inflamação, equilíbrio da umidade e estímulo à epitelização da 
ferida.²,6 Entende-se que a TIME pode ser uma ferramenta para o gerenciamento do 
processo de cicatrização de feridas crônicas, olhando do leito para o todo.7
15
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
A letra T enfoca os tipos de tecido. Se tiver no leito da ferida 
necrose, esfacelo ou corpos estranhos, isso aumentará a 
inflamação, favorecerá a infecção e impedirá a cicatrização. 
Logo, esses tecidos devem ser removidos.
A letra I se refere à presença de inflamação e infecção. 
Existem inúmeras condições que causam inflamação e 
favorecem a infeção. A colonização crítica e a formação do 
biofilme é uma delas. 
A letra M nos orienta a manter o equilíbrio na umidade. Se 
houver maceração nas bordas da ferida isso indica excesso 
de umidade, e se houver ressecamento das bordas e do 
leito isso indica falta de umidade. 
Se a borda da ferida não evolui, e também não há formação 
de ilhas epiteliais, percebe-se que a ferida está com a 
epitelização prejudicada. Buscar o alinhamento das bordas 
com o leito da ferida é o foco da letra E da TIME.
T
I
M
E
O que essa sigla quer dizer ? 
Significa que a qualidade do tecido no leito da ferida, a 
proporção da inflamação, presença de infecção, equilíbrio da 
umidade no leito e as condições para favorecer a epitelização 
são aspectos que guiam o atendimento. E estes, por sua vez, 
se relacionam com as condições gerais da pessoa, ou seja, 
com doenças associadas, o estado nutricional, a exposição a 
situações que causam estresse, condições físicas, hábitos de 
vida e até com os procedimentos que são empregados no 
tratamento das feridas.
16
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Assim, guiando-se pela TIME, é possível avaliar todos os aspectos que 
interferem no processo de cicatrização e mantêm uma ferida aberta (crônica). 
A figura abaixo pode ajudar nessa visão ampla de um processo integrado de 
avaliação.
Figura 1.1 - A avaliação do portador de ferida a partir da T.I.M.E
Avaliação Global da Pessoa com Ferida Crônica
Avaliaçao da ferida
T.I.M.E
Avaliação das 
necessidades 
Condição social e rede de 
suporte (familiar, serviços 
de saúde, seguridade 
social) 
O que já buscou e fez 
para tratar a ferida 
Aspectos 
psicológicos/saúde 
mental
Histórico de 
doenças/doenças atuais 
Controle de doenças 
associadas a lesões como 
diabetes, hipertensão, 
distúrbios vasculares, 
anemias , hanseníase, 
distúrbios nutricionais 
Uso de medicamentos
psicossociais
,
,
Histórico de doenças/
doenças atuais
Controle de doenças 
associadas a lesões, como 
diabetes, hipertensão, 
distúrbios vasculares, 
anemias, hanseníase, 
distúrbios nutricionais
Uso de medicamentos
Tabagismo e etilismo
17
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Os itens deste esquema serão desenvolvidos nos próximos capítulos, e a 
primeira questão abordada são as fases da cicatrização, pois elas nos ajudam 
a compreender o fenômeno da cicatrização normal, numa ferida aguda, e o 
prejudicado, alterado, de uma ferida crônica.
Referências
FRYKBERG, R. G.; BANKS, J. Challenges in the Treatment of Chronic Wounds. 
Adv Wound Care (New Rochelle). v.4, n.9, p.560-582. 2015.
MCCALLON, S. K.; WEIR, D.; LANTIS, J. C. 2nd. Optimizing Wound Bed Preparation 
With Collagenase Enzymatic Debridement. J Am Coll Clin Wound Spec. v.6, n.1, 
p.14-23. 2015.
MARTINENGO, L.; OLSSON, M.; BAJPAI, R.; SOLJAK, M.; UPTON, Z.; SCHMIDTCHEN, 
A.; CAR, J.; JÄRBRINK, K. Prevalence of chronic wounds in the general population: 
systematic review and meta-analysis of observational studies. Ann Epidemiol. 
n.29, p.8-15. 2019.
JÄRBRINK, K. N. G.; SÖNNERGREN, H. et al. Prevalence and incidence of chronic 
wounds and related complications: a protocol for a systematic review. Syst Rev. 
v.5, n.1, p.152. 2016. 
UBBINK,D.T.; SANTEMA, T. B.; STOEKENBROEK, R. M. Systemic wound care: a 
meta-review of cochrane systematic reviews. Surg Technol Int. v.24, p.99-111. 
2014. 
FALANGA, V. Wound bed preparation: science applied to practice. Position 
Document. Londres: Medical Education Partnership. 2014.
LEAPER, D. J.; SCHULTZ, G.; CARVILLE, K.; FLETCHER, J.; SWANSON, T.; DRAKE, 
R. Extending the TIME concept: what have we learned in the past 10 years? Int 
Wound J. v.9, p.1–19. 2014.
1
2
3
4
5
6
7
18
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
CAPÍTULO 2
AS FASES DA CICATRIZAÇÃO 
Carine Teles Sangaleti
Bruna Zarpellon
Definição
Toda vez que a integridade da pele é rompida e se forma uma ferida, essa 
lesão será cicatrizada graças a um processo dinâmico que pode ser dividido 
em três fases – a inflamatória, a proliferativa e a fase de maturação. 1
Essas três fases ocorrem num determinado período de tempo, que varia 
de acordo com as características da lesão e das condições da pessoa. Todo 
livro didático e manual sobre feridas apresentam essas fases, no entanto, na 
prática cotidiana pouca atenção é dada a essas informações, e não deveria 
ser assim.
Essas três fases, que ainda apresentam subdivisões, guiam a avaliação 
do prof issional de saúde sobre o que está ocorrendo na lesão, ou seja, o 
conhecimento dessas fases torna possível reconhecer se o processo de 
cicatrização está ocorrendo de forma adequada, ou se há algum problema. 
Além disso, ao compreendermos as características teciduais e circulatórias 
de cada fase, podemos realizar intervenções corretas e, ainda, escolhermos 
o produto de curativo adequado a cada fase.
No caso das feridas crônicas, o que dif iculta a aplicação dessa divisão 
é que as fases de cicatrização ou se sobrepõem, ou estagnam, como já foi 
abordado na apresentação deste manual. É comum uma ferida crônica f icar 
estagnada na fase inflamatória, mesmo após ter transcorrido o período 
considerado normal para inflamação. Assim, o reconhecimento das fases 
do processo de cicatrização ajuda a compreender não apenas o que está 
ocorrendo na ferida, mas no organismo como um todo da pessoa com ferida.
19
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Por que a fase inflamatória está durando mais que o esperado? Por que 
a exsudação está aumentando? O que está atrasando a fase de proliferação? 
Por que o tecido de granulação não parece saudável? Por que a maturação 
não se inicia? 
Estas e muitas outras perguntas podem ser respondidas se entendermos 
as fases do processo de cicatrização, que nas feridas crônicas se caracteriza 
como um processo prejudicado.
Fase de Hemostasia e Inflamatória:
Muitas vezes descrita nos livros apenas como inflamatória ou 
exsudativa, a primeira fase de cicatrização de uma ferida se inicia com 
a interrupção do sangramento, seja este induzido por cirurgia, causado 
por um ferimento ou causado pelo rompimento da integridade da pele 
devido a um processo patológico crônico, como ocorre na insuf iciência 
venosa. 
A hemostasia pode ser compreendida em três etapas: 2
Contração imediata dos vasos sanguineos, mediada por 
inervação
Adesão plaquetária - formação de tampão plaquetário e 
liberação de fatores de coagulação
Coagulação e a hemostasia
Esse processo é complexo e envolve diversos componentes sanguíneos, 
proteínas da cascata da coagulação e células do sistema imunológico. 
Para a prática cotidiana, a informação mais importante desta primeira 
etapa da cicatrização é: 
1
2
3
20
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Após a hemostasia há o início da inflamação. Tanto os f ragmentos celulares 
da lesão quanto as plaquetas envolvidas no processo de hemostasia dão 
início à resposta inflamatória. As plaquetas liberam fatores de crescimento, 
como o fator de crescimento derivado de plaquetas (do inglês Platelet-
Derived Growth Factor– PDGF) e os fatores de crescimento transformantes 
alfa 1, 2 e beta (Transforming Growth Factor -TGF-α1 e TGF-α2, TGFβ), que 
atraem células inflamatórias como leucócitos, neutróf ilos e macrófagos para 
o local da lesão. Além dessa atração, os fatores de crescimento modulam o 
processo de cicatrização por propiciarem a diferenciação celular, a ativação e 
proliferação dos f ibroblastos e a angiogênese. As plaquetas também liberam 
citocinas e outros agentes indutores da reparação celular ou de apoptose. 5,1
Lembrando que como os leucócitos são células fagocíticas, eles liberam 
espécies reativas de oxigênio e proteases que limpam a ferida de corpos 
estranhos e microrganismos. 
A combinação da vasodilatação, promovida por esses fatores indutores da 
inflamação, e o aumento consequente da permeabilidade vascular dá origem 
aos sinais característicos da inflamação da ferida: rubor, calor, edema e dor 
(Figura 1.2).
Numa ferida aguda a resolução da fase inflamatória é acompanhada 
de apoptose de células inflamatórias, que ocorre gradualmente 
dentro de alguns dias após a ocorrência da ferida. O mecanismo para 
a resolução da inflamação é atualmente desconhecido. No entanto, 
estudos sugerem que citocinas anti-inflamatórias, como TGF-α1, 
 
Se a primeira etapa da cicatrização é a hemostasia, não há sangramento 
normal em feridas. Esfregar o leito de uma ferida até provocar seu 
sangramento é prática totalmente inadequada e contra o processo normal de 
cicatrização. A falha da hemostasia, caracterizada por sangramentos persistentes 
ou espontâneos, indica, por exemplo, distúrbios de coagulação, infecção ou 
neoplasia em feridas crônicas.
21
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
interleucina 1, lipídios bioativos, como as prostaglandinas e lipoxinas e células 
do sistema imunológico, com perf il anti-inflamatório, participam desse 
processo.5, 4
Assim, para a prática cotidiana, o conhecimento da fase inflamatória numa 
ferida aguda deve deixar claro que:
No caso das feridas crônicas , que já passaram pelo período 
considerado normal de inflamação, observa-se f requentemente 
a presença de uma prolongada e excessiva fase inflamatória e, 
consequentemente da exsudação [Conf ira a página 41 sobre Avaliação 
do Exsudato] . Essa inflamação pode ser ocasionada pela manutenção, 
no leito da ferida ou nos tecidos adjacentes, de corpos estranhos como 
a necrose [Conf ira os Tipos de Necrose na Página 33] ; restos de gaze, 
hemácias extravasadas para o espaço extravascular [Dermatite Ocre, 
Conf ira a página 38] . A inflamação também pode se manter devido à 
contínua injúria tecidual por isquemia, como ocorre nas feridas arteriais;
Figura 1.2 - Ferida em Fase Inflamatória
 
A inflamação é um processo normal e necessário para o processo de 
cicatrização da ferida. A inflamação propicia a exsudação, logo é esperado
que nessa fase a ferida exsude mais. Se a inflamação é normal, sua ausência 
pode indicar a presença de um quadro patológico como um estado de 
imunoincompetência, anemias, distúrbios nutricionais entre outros.
Fonte: Ambulatório de 
feridas da UNICENTRO. 
(2019)
22
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
 
A inflamação na ferida crônica demonstra que há a permanência de um 
fator de injúria no leito da ferida ou nos tecidos adjacentes à lesão ou, 
ainda, há a presença do biofilme. A inflamação deve ser interrompida 
pela eliminação do seu fator causal, caso contrário manterá a exsudação 
abundante, provocará destruição e substituição tecidual, perda da 
função e, consequentemente, a ferida aumentará e permanecerá aberta.
também por toxicidade de produtos de curativo inadequados, como a 
Iodopovidona e a água oxigenada; por f issuras na pele adjacente à ferida, 
ocasionadas por ressecamento por uso de sabões ou; perda do turgor cutâneo 
por distúrbios nutricionais, hormonais ou uso de corticóides.
Além dos fatores citados acima, comunidades microbianas complexas 
formadas por bactérias e fungos, comuns nas úlceras crônicas, são capazes 
de sintetizar e secretar uma matriz protetora denominada de biof ilme, que 
prolonga a inflamação.
O biof ilme se f ixa firmemente ao leito da ferida e promove o aumento 
da produção de proteases, especialmente metaloproteinases, que degradam 
a matriz extracelular e os fatores de crescimento que deveriam agir no leito 
e promover a cicatrização. 
A melhor estratégia de lidar com o biof ilme é evitar seu desenvolvimento. 
Ele pode se formar devido à limpeza inadequada do leito da lesão [Confira 
o capítulo sobre limpeza da ferida na página 118], pelo uso de antibióticos 
tópicos que são contra-indicados [ver capítulo sobre produtos contra-
indicados] e pelo tratamento inadequado de infecções na ferida.
Uma vez formado, o biof ilme não é penetrado por limpeza tradicional, 
nem tampouco pela maioria dos produtos tópicos de tratamento das feridas. 
A polihexanida é uma das escassas alternativas indicadas para limpeza ef icaz 
e segura para evitar e eliminar o bioflime.
Assim, para a prática cotidiana, o conhecimento sobre a inflamação na 
ferida crônica indica:
23
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Fase Proliferativa:
É facilmente reconhecida, pois é marcada pelo surgimento do tecido 
de granulação (tecido vermelho, brilhante e granuloso) e a produção de 
colágeno pelos f ibroblastos. É uma fase totalmente dependente da fase 
inflamatória, pois são as células recrutadas durante a inflamação que 
liberam os fatores de crescimento e diferenciação celular, necessários à 
fase proliferativa.
As células epidérmicas e dérmicas atuam de forma autocrina, paracrina 
e justacrina para induzir e manter a proliferação celular, ao iniciar a 
migração celular. Estes eventos são necessários para a formação de tecido 
de granulação e posterior epitelização. À medida que as células dérmicas 
e epidérmicas migram e proliferam dentro do leito da ferida, existe um 
requisito de fornecimento de sangue adequado para que ocorra troca de 
nutrientes, gás e metabólitos. 
Portanto, para essa fase progredir normalmente, uma resposta 
angiogênica robusta deve ser iniciada e sustentada. Por isso o tecido 
de granulação apresenta a coloração vermelho viva, tem um aspecto 
edematoso e é caracterizado pela presença de muitos espaços vazios, pois 
os vasos neoformados são ainda imaturos, tanto que, ao ser observado de 
perto, parece ter grânulos. Assim, esse tecido também é muito exsudativo 
e sangra com facilidade, devido à sua f ragilidade.4
Fatores pró-angiogênicos como o fator de crescimento endotelial 
vascular (VEGF), o fator de crescimento de f ibroblastos 2 (FGF-2) e PDGF, 
lançados inicialmente por plaquetas e depois por células do leito da ferida, 
são os mediadores centrais da indução angiogênica induzida por feridas.
Mais recentemente, revelou-se que as células progenitoras endoteliais 
(Endothelial progenitor cells-EPCs) também são necessárias para 
revascularização de feridas.5
24
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
A mobilização de células progenitoras endoteliais é mediada pelo 
óxido nítrico, VEGF, Metaloproteinases de matriz (MMP) e pelo fator de 
crescimento semelhante à insulina (IGF).
Numa ferida aguda e não complexa essa fase pode durar semanas.
A f ragilidade e a intensa atividade de proliferação celular, características 
da fase proliferativa (Figura 1.3), requerem condições ideais de umidade e 
temperatura. O leito seco dif iculta ou mesmo impede a migração celular 
e a formação dos vasos novos.7, 8 Se a temperatura do leito da lesão não 
estiver semelhante à temperatura corporal, as células envolvidas com esse 
processo de cicatrização levarão mais tempo para promover a cicatrização 
[Confira o capítulo sobre limpeza da ferida na página 118]. Usar coberturas 
que ressecam o leito, ou remover coberturas de forma brusca, podem lesar 
o tecido de granulação.
Figura 1.3 - Ferida em Fase Proliferativa
Fonte: Ambulatório de 
feridas da UNICENTRO. 
 
É importante destacar que no processo de reparação o leito da 
ferida é preenchido inicialmente por fibrina e fibronectina e, 
à medida que os fibroblastos se tornam ativos, sintetizam novas 
moléculas de colágeno, elastina e proteoglicanos. A fibrina, que 
é uma proteína com aparência esbranquiçada no leito da ferida, 
é a base inicial do tecido de granulação. Técnicas equivocadas de 
limpeza da ferida podem removê-la e, assim, prejudicar a cicatrização.
25
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Aqui temos outra informação importante:
Nas feridas crônicas a fase proliferativa é retardada e inef iciente 
devido à persistência da inflamação, que promove a produção intensa de 
exsudato rico em f ibrina e colágeno, que se depositam no leito e impedem 
a formação de outros tecidos. A excessiva produção de f ibrina é nítida nas 
feridas crônicas, formando muitas vezes depósitos desta proteína e outros 
restos celulares nas bordas da lesão, o esfacelo [ver página 32]. A excessiva 
fase inflamatória impede a liberação e a ação dos fatores de crescimento 
necessários à fase proliferativa, por isso não há renovação dos f ibroblastos, e 
estes se tornam senelescentes. Além disso, o equilíbrio normal entre gênese 
de novas células e apoptose é rompido, havendo então o aumento da morte 
celular e aumento do esfacelo e até de necrose no leito da ferida.9, 10 Dessa 
forma, não se observa um tecido de granulação exuberante e os produtos de 
curativo não surtem o efeito esperado na promoção da cicatrização. Eliminar 
as causas da inflamação e promover as condições ideiais f isiológicas no 
leito da ferida são fundamentais para que haja evolução.
Para a prática cotidiana, deve-se favorecer a fase proliferativa nas feridas 
crônicas da seguinte forma:
 
A manutenção da umidade e de temperatura igual a temperatura corporal 
são fundamentais para promover a cicatrização. Deixar feridas abertas
e secas, usar soluções de limpeza frias, podem retardar a cicatrização.
 
Eliminar a causa da inflamação analisando-se atentamente as 
condições nutricionais, usos de medicações, doenças de base, 
técnicas de curativo, produtos tópicos contra-indicados. É 
necessário ainda manter o leito na temperatura corporal, úmido 
e limpo, evitando o depósito do exsudato. Estas condições devem 
orientar o cuidado prestado e o produto de curativo a ser utilizado.
26
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Fase de Remodelação:
Também denominada como fase de maturação, é marcada pela contração 
dos tecidos neoformados e assim, remodelação da cicatriz. Isso se deve à 
diminuição da vascularização e dos f ibroblastos; aumento da força tensil 
da pele e reordenação das f ibras de colágeno (Figura 1.4). Em uma ferida 
aguda esta fase tem início em torno da terceira semana após o início da 
lesão, podendo se estender por até dois anos.
Na ferida crônica o processo de remodelação pode culminar no 
espessamento anormal da camada externa da pele por aumento da produção 
de queratina. Essa condição é denominada hiperqueratose, comum em feridas 
de origem venosa e neuropáticas, como as feridas decorrentes de diabetes e 
hanseníase. A formação de rachaduras entre as camadas hiperqueratósicas 
pode causar inflamação e prurido10, e permitem que bactérias e fungos 
entrem nas camadas inferiores da pele. Se não for controlada, isso pode levar 
à celulite.12,13 
Ao somar a excessiva inflamação, a falha na fase proliferativa e a 
hiperqueratose, tem-se o cliclo patológico que impede a cicatrização completa 
de feridas crônicas (Figura 1.5)
Figura 1.4 - Fase de Maturação
Fonte: Ambulatório de 
feridas da UNICENTRO. 
27
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
A figura a seguir sintetiza as diferenças entre os processos de cicatrização 
aguda e crônica e os fatores que explicam o que dificulta a cicatrização nas 
feridas crônicas.
Figura 1.5 - Hiperqueratose ao Redor de Mal Perfurante Plantar
Fonte: Ambulatório de 
feridas da UNICENTRO. 
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
CAPÍTULO 3
AVALIAÇÃO GLOBAL DA PESSOA COM 
FERIDA CRÔNICA Carine Teles Sangaleti
Catiuscie Cabreira da Silva Tortorella 
Dannyele Cristina da Silva
Mariana Abe Vicente Cavagnari
Tatiane BaratieriDefinição
Antes de realizar o curativo em si, é necessário que se realize uma 
avaliação completa da pessoa que tem a ferida, na busca de informações que 
possam esclarecer a causa da ferida e os motivos que retardam o processo 
de cicatrização.
 Como destacado anteriormente, devemos nos guiar pela ferramenta 
TIME. Assim, toda informação coletada deve ser relacionada às caraterísticas 
do leito da lesão, pois o leito expressa as consequências de doenças, de más 
condutas de tratamento, de processos infecciosos, de carências alimentares 
e até a falta de cuidado.
Assim, é fundamental, que na primeira avaliação sejam realizadas as 
seguintes etapas:
Avaliação das necessidades de saúde, em todas as suas dimensões, 
inclusive social, como, por exemplo, avaliação da disponibilidade 
da rede de suporte em saúde, disponibilidade de recursos 
materiais e de consumo. A avaliação social é muito relevante 
no tratamento de uma pessoa com ferida, especialmente em 
países com grandes desigualdades como o Brasil. Os protocolos 
internacionais que frequentemente são usados como exemplo para 
nossa prática, não destacam esse contexto social. Recentemente, 
um consenso britânico destacou a importância de se incluir 
fatores sociais na avaliação e propôs a mudança do nome da 
ferramenta TIME para TIMERS, incluindo o social nessa ferramenta. 
1
31
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
No Brasil já estamos habituados, há muitos anos, a considerar as 
condições sociais para implantar as ações de cuidado das pessoas 
com feridas. Assim, dada a importância do tema, vamos destacar 
um capítulo destinado a instrumentalizar a Avaliação Social.
Lembre-se: Nunca esqueça de envolver a pessoa que recebe o 
cuidado, os cuidadores e familiares. Se a pessoa que apresenta 
uma ferida crônica não tem cuidador e nem familiares 
disponíveis para o apoio, então uma das necessidades 
identificadas nesse item é a de compor uma rede de apoio
Avaliação clínica: Exame f ísicogeral, história familiar de doenças, 
avaliação de patologias atuais e pregressas, de resultados de 
exames laboratoriais ou a necessidades dos mesmos, avaliar o 
uso de medicamentos, prescritos e não prescritos, interações 
medicamentosas, polifarmácia, avaliação antropométrica, 
avaliação nutricional geral, análise dos pulsos periféricos, 
avaliação neurológica, com enfoque na detecção de neuropatias 
e da capacidade para o autocuidado.
2
Para que investigar tudo isso? Para identificar fatores que 
podem explicar a etiologia da lesão e os motivos da dificuldade 
de cicatrização da mesma.
32
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Avaliação da ferida: devemos avaliar usando a TIME, ou seja, 
com enfoque nos tipos de tecido no leito, presença de fatores 
no leito e na pele ao redor que indiquem inflamação e infecção, 
avaliação do grau de umidade, tipo e grau de exsudação e de 
fatores que comprometem a epitelização. Lembre-se: a TIME nos 
leva ao TODO. 
O diagrama abaixo apresenta os principais tópicos que devem ser 
abordados e registrados na avaliação da ferida:
3
Avaliação dos tipos de tecido:
Segundo a ferramenta TIME, a avaliação dos tipos de tecidos no leito 
da ferida (sigla T) é fundamental para o preparo do mesmo. Todo tecido 
desvitalizado deve ser removido, e todo tecido viável, necessário à 
cicatrização, deve ser cuidadosamente manejado. [conforme o capítulo 1 
do módulo 2 – preparo do leito da ferida.] Assim, abaixo estão destacadas 
as def inições e características dos tipos de tecido que o leito da ferida pode 
apresentar:
A avaliação da ferida 
deve conter
Tipo de tecido no leito 
da lesão
Sinais de inflamação 
e/ou infecção
Características de 
pele ao redor
Investigação de 
outros fatores (locais 
e sistêmicos)
Mensuração da lesão
A avaliação da ferida 
deve conter
Tipo e quantidade de 
exsudato
Localização da lesão
33
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Tecido de Granulação 
Tecido conjuntivo que se forma na fase 
proliferativa da cicatrização. É vital a 
cicatrização. O tecido de granulação 
saudável é rosado ou vermelho vivo e 
é umido. O tecido de granulação não 
saudável é descorado ou vermelho 
escuro e sangra com facilidade. Isso 
pode indicar isquemia e a presença de 
infecção local.
Tecido de Epitelização 
Novo epitélio que deve surgir após 
a granulação, na fase proliferativa. A 
epitelização tem cor rosa-claro brilhante 
(pele fina), e as células epiteliais proliferam 
das bordas da lesão para o centro. Nas 
feridas crônicas é comum surgirem ilhas 
de epitelização.
Esfacelo Fibrinoso 
Tecido desvitalizado de coloração que 
varia de esbranquiçada ou amarelada. É 
composto por fibrina, elastina, colágeno, 
leucócitos intactos, fragmentos celulares, 
exsudato e grandes quantidades 
de DNA. Pode ter a presença de 
microrganismos. O esfacelo pode estar 
firme ou frouxamente aderido no leito 
e nas bordas da ferida. Chamamos 
esse esfacelo de excesso de fibrina. 
Fonte: Ambulatório de Feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.7 - Tecido de Granulação
Figura 1.8 - Tecido de Epitelização
Fonte: Ambulatório de Feridas da 
UNICENTRO. 
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.9 - Esfacelo Fibrinoso
34
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Necrose de liquefação ou 
esfacelo mucóide 
Tecido delgado de coloração amarelada 
inviável. É resultado da morte celular devido a 
ação de uma agente de lesão, especialmente 
à colonização microbiana. Representa um 
importante fator de risco para contaminação 
e proliferação bacteriana, e amplia a resposta 
inflamatória, por isso prejudica a cicatrização. 
Necrose de coagulação 
Trata-se do tecido morto, inviável, no 
qual as células se convertem em uma 
placa opaca de coloração negra. É um 
tipo de necrose comum em processos 
isquêmicos, como os causados por 
pressão contínua e ressecamento, por 
exemplo. Essa necrose também amplia 
a inflamação, favorece a proliferação 
microbiana e impede a cicatrização. A 
cobertura total de uma ferida por necrose 
de coagulação recebe o nome de escara.
Sinais de inflamação e de infecção:
A inflamação é marca característica e determinante de 
uma lesão crônica. A inflamação constante, ocasionada pela 
manutenção de um fator agressor, seja ele biológico (biof ilme, má 
vascularização, doenças crônicas, medicamentos, estresse, necrose),
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.10 - Necrose de Liquefação
Figura 1.11 - Necrose de Coagulação
35
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
mecânico (traumas), químico (produtos inadequados para curativo, alteração 
de pH) ou f ísico (pressão, temperaturas inadequadas) é o que explica em 
grande parte a não cicatrização da ferida. Por isso, a avaliação da inflamação 
é um dos itens destacados na ferramenta TIME. Saber avaliar os sinais de 
inflamação e de infeccção na ferida é fundamental para guiar o tratamento, 
para evitar encaminhamentos desnecessários e para promover o uso racional 
de antibióticos. 
A presença de uma ferida por si só aumenta o risco de invasão local 
e sistêmica por microrganismos, por isso, antes de avaliar os sinais de 
infecção é importante f icar atendo às condições que aumentam seu risco, 
que são:
Sinais de Inflamação Aguda
Eritema ou Rubor Progressiva Destruição e Fibrose 
Tecidual
Edema Edema Persistente
Calor Local
Lipodermatoesclerose e 
Hiperqueratose
Dor
Dor na Lesão, Insensibilidade na 
Região Peri-lesão
Exsudato Limpo ou Seroso
Fontes: ZHAO, R. et al.2016; Wounds UK, 2015.
Exsudato Fibrinoso
Duração de até 20 Dias Dura Mais de 4 Meses
Sinais de Inflamação Crônica
 
Importante: Apesar da ferida crônica apresentar constante inflamação 
(inflamação crônica), também pode ocorrer inflamação aguda, caso
a ferida apresente infecção ou sofra um dano agudo (novo dano). 
Quadro 1.1 - Inflamação Aguda X Inflamação Crônica
36
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Sinais locais de infecção
Exacerbação dos sinais 
inflamatórios agudos (atenção ao 
sinal do aumento do edema nas 
bordas da lesão)
Febre, taquicardia, leucocitúria, 
hiperglicemia
Aumento da extensão da lesão
Mudança no odor, exacerbação do 
odor
Tecido de granulação friável Descoloração da lesão
. . .
Insensibilidade na ferida, mas dor 
intensa ao redor, devido edema 
(aumento da dor)
Aumento da extensão do eritema, 
para além das bordas da lesão
Sinais sistêmicos de infecção 
Considerados os fatores de risco, no quadro abaixo estão apresentados 
os sinais de infecção em feridas:
Comorbidades 
Sistêmicas
Condições 
psicossociais
Hospitalização, pobreza, más condições de higiene, 
hábitos de vida não saudáveis como tabagismo.
Corticóides, imunossupressores e agentes 
citotóxicos.
Hipóxia tecidual por insuficiência arterial ou venosa, 
presença de necrose no leito da ferida, extensão 
e profundidade (quanto maior, maior o risco), 
localizações potencialmente contaminadas (região 
anal, pés).
Diabetes, obesidade, estados de 
imunocomprometimento, desnutrição, anemias, 
insuficiência renal, doenças cardíacas, arteriopatia 
periférica, neoplasias malignas, artrite reumatóide.
Na área da ferida
Medicamentos
Quadro 1.3 - Sinais Locais e Sistêmicos de infecção
Quadro 1.2 - Fatores de Risco de Infecção em Feridas
37
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Parada repentina da evolução 
no processo de cicatrização e 
aumento da extensão da ferida
Aumento na exsudação serosa ou 
presença de exsudato purulento
Gânglios linfáticos palpáveis, 
próximos à lesão 
Crepitação, endurecimento e 
descoloração que se expandem 
para além das bordas da ferida
. . .
Endurecimento da pele e tecidos 
subcutâneos ao redor de uma 
ferida, devido à inflamação 
exacerbada.
Mal-estar ou outra deterioração 
inespecífica na condição geral da 
pessoa com ferida
Fontes: World Union of Wound Healing Societies (WUWHS), 2008.
Importante: A presença de necrose NÃO é sinônimo de infecção 
na ferida,por isso a avaliação criteriosa é fundamental para 
evitar o uso desnecessário de antibióticos.
Condições da pele ao redor:
Demonstram a presença de processos inflamatórios, como é o caso da 
dermatite ocre e lipodermatoesclerose; problemas circulatórios como é o 
caso da palidez, edema, hematomas, perda de pêlos e também a dermatite 
ocre. Evidenciam ainda a manutenção do atrito como na hiperqueratose; 
demonstram uso inadequado de produtos, como exemplo a maceração, 
se a cobertura escolhida foi pouco absorvente, e ainda evidencia processos 
infecciosos.
38
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Abaixo serão abordadas as alterações mais prevalentes na área ao redor 
das feridas: 
Edema 
Sua avaliação auxilia na definição da etiologia da ferida crônica, 
pois pode indicar problemas vasculares, insuficiência cardíaca, 
alteração da função renal, déficit nutricional e quadro reacional a 
alguns produtos, medicamentos e alimentos. A redução do edema 
é importante para recuperação da pele ao redor, para melhora do 
padrão circulatório ao redor da lesão e, consequentemente o grau 
de nutrição e oxigenação da ferida, impactando na cicatrização. 
A diminuição do edema muitas vezes sugere melhora no padrão 
inflamatório e de remissão de processos infecciosos.
a
 
O edema evidencia uma condição clínica que deve ser tratada 
para que a ferida cicatrize, ou seja, é necessário tratar a causa do
edema e não apenas orientar a elevação dos membros inferiores 
e repouso, como se toda causa de edema fosse a estase venose e 
linfática. Por exemplo: Edema consequente de alteração cardíaca 
contraindica terapia compressiva, mesmo que a ferida seja venosa. 
Como mensurar e registrar o edema? 
É possivel mensurar o edema por meio da escala de cruzes 
(de + a ++++ cruzes).3 Esse sistema requer que o seguimento 
do portador de ferida seja realizado pelo mesmo profissional, 
uma vez que incorpora um aspecto subjetivo na avaliação.
39
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Hematomas/eczemas/eritemas: 
Podem indicar pressão/impacto constante na região da lesão, 
estase venosa, alergias, distúrbios de coagulação, processos 
inflamatórios e infecciosos. Deve-se investigar a causa da alteração 
a f im de intervir.
Eczema de estase: 
Comum nas feridas crônicas de origem 
venosa, é decorrente da estase venosa por 
insuficiência valvular ou tromboflebites. 
Se não for bem identif icado, pode levar 
a diagnósticos equivocados e uso de 
antibioticoterapia. Apresenta como 
sinais prodrômicos associados o edema 
e a dermatite ocre, com ou sem prurido. 
O eczema geralmente surge no terço
inferior da perna. É um sinal importante para identif icação de ferida 
venosa.4 [Para saber mais sobre a ferida venosa consulte a página 
92]
Dermatite ocre: 
É uma dermatite de estase, comum na insuficiência venosa e 
que representa uma inflamação na pele e tecidos adjacentes. 
Essa inflamação ocorre devido à ruptura de pequenos vasos 
superf iciais, ou mesmo à dilatação de vasos ocasionada por 
pressão venosa excessiva, que faz com que componentes do 
sangue sejam liberados no espaço extra-vascular. Nesse local, 
tais componentes são considerados corpos estranhos, levando 
à resposta inflamatória de defesa. A degradação das células 
sanguíneas leva à formação de pigmento ferroso que impregna na 
pele e confere a cor ocre (ferrugem). A dermatite ocre apresenta-
se na forma de petéquias ou equimoses de cor acastanhada e 
aparece nas pernas (terço inferior) e região perimaleolar, assumindo 
comumente o formato de bota. A dermatite ocre também
b
c
d
Fonte: https://www.mdsaude.
com/dermatologia/eczema/
Figura 1.12 - Eczema de Estase
https://www.mdsaude.com/dermatologia/eczema/
https://www.mdsaude.com/dermatologia/eczema/
40
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
e
f
pode ocorrer em adultos e idosos que 
permanecem em pé por muito tempo, 
ou em outras condições que causam 
estase venosa como varizes, obesidade, 
atrof ias musculares por envelhecimento, 
desuso, desnutrição, artrites, 
deformidades ósseas e pés planos.
Todas essas condições
aumentam a pressão hidrostática e dif icultam o retorno venoso. Se 
não tratada a causa da dermatite ocre, a inflamação contínua pode 
levar à formação de ferida.5
Perda de pelos: 
A maior causa de perda de pelos é a dificuldade de circulação 
sanguínea, tanto arterial quanto venosa. Geralmente essa perda 
de pelos na pele ao redor da lesão está acompanhanda de outros 
sinais clínicos, como alterações da coloração e espessura da 
pele. Áreas com redução de pelo e suor são sinas de hanseníase.
Lipodermatoesclerose: 
Também conhecida como hipodermite 
esclerodermiforme ou paniculite 
esclerosante, é um termo dado a um 
quadro de endurecimento da pele e tecido 
subcutâneo, progressivo, associado a 
um processo inflamatório, com evolução 
para fibrose local. Acomete membros 
inferiores, principalmente o terço distal 
das pernas. Está frequentemente 
associada à insuficiência venosa crônica, 
isquemia arterial e tromboflebite.4
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.13 - Dermatite Ocre
Figura 1.14 - Lipodermatoesclerose 
em Tornozelo
41
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Esse endurecimento demonstra a substituição e perda da função 
do tecido original. Além disso, nas áreas próximas ao tornozelo 
pode ocasionar anquilose. Anquilose é a rigidez completa ou 
parcial da articulação, que pode ocorrer devido ao f ibrosamento 
das estruturas circundantes.9 A anquilose reduz a mobilidade da 
panturrilha e, assim piora o retorno venoso, além de favorecer 
quedas devido à dif iculdade de movimentação articular.
Maceração: 
Processo de amolecimento com formação 
de dobras na pele, ao redor da lesão, que 
ocorre quando há excesso de umidade. 
O controle da umidade, por meio, do 
uso de coberturas adequadas e trocas 
frequentes (conforme necessidade 
– quando saturar a cobertura), é 
fundamental para evitar maceração.
Ressecamento e descamação: 
Sinais de perda de umidade da pele que causam sintomas 
como desconforto, prurido, sensação de repuxamento e até 
dor. Indicam poblemas circulatórios, processos alérgicos e 
inflamatórios, déf icits nutricionais e de hidratação sistêmica 
ou local. O ressecamento pode indicar ainda a perda da 
função das glândulas sudoríparas e sebáceas, como ocorre 
na hanseníase. A pele ressecada ou descamativa dif iculta 
a cicatrização e propicia a abertura de novas feridas.
Hiperqueratose: 
É um espessamento anormal da camada externa da pele 
(estrato córneo da epiderme), associado à proliferação
g
h
i
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.15 - Bordas Maceradas
42
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
excessiva de células produtoras de queratina. É comumente 
observada em pessoas que apresentam linfedema, insuficiência 
venosa crônica e alterações neuropáticas que causam inflamação 
contínua. O espessamento anormal da pele ocorre na tentativa de 
responder a um processo de lesão contínuo causado por pressão, 
cisalhamento, fricção, má nutrição vascular e drenagem linfática 
prejudicada. A hiperqueratose também é observada em condições 
de anidrose, como ocorre na hanseníase e diabetes mellitus. 
Também pode ocorrer devido à falta de limpeza da pele em pontos 
de pressão ou bordas de feridas, pois os restos celulares acumulados 
podem causar pressão, que é um fator de lesão, e com isso levar ao 
desenvolvimento da hiperqueratose.
Avaliação do Exsudato:
A produção de exsudato é uma parte natural do processo de cicatrização 
de feridas. É gerado como parte da resposta inflamatória inicial e durante 
o estágio proliferativo de cura, e é um componente essencial do processo 
de reparação. Geralmente, ocorre uma alta produção de exsudato na ferida 
após lesão inicial, diminui ao longo do tempo e varia dependendo da etiologia 
da ferida. Em uma ferida crônica, os exsudatos serão produzidos de forma 
contínua. 8,9O exsudato cria um ambiente úmido ideal para a cicatrização, mas o 
aumento no volume e viscosidade está associado a um aumento da carga 
biológica e da contagem de células brancas, o que prejudicará a cicatrização. 
Tais problemas podem apresentar-se como maceração da pele ao redor da 
ferida, bem como um risco aumentado de infecção. A seguir estão apresentados 
os tipos e características de exsudato: 8
43
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Seroso
Serosanguinolento
Fibrinoso
Purulento
Características: Claro e aquoso.
Aspectos: Esperado durante todo processo de cicatrização. 
O aumento na quantidade pode ser associado aos sinais de 
infecção. Em excesso durante todo o processo é necessário 
investigar ICC, desnutrição e, a depender da localização, 
fístulas.
Características: Claro com pontos avermelhados/roseados 
e aquoso e/ou viscoso.
Aspectos: Normal na fase inflamatória e proliferativa. Pode 
ser decorrente da remoção traumática de uma cobertura 
ou erro de desbridamento. Trauma no tecido de granulação. 
Características: Claro com pontos gelatinosos e aquoso e/
ou fino.
Aspectos: Tem a presença de fibrinas. Indicativo de 
inflamação e pode ser associado a infecção
Características: Leitoso de coloração amarelada, 
amarronzada ou às vezes esverdeada. Geralmente espesso.
Aspectos: Composto pode neutrófilos, células inflamatórias 
e patógenos e frequentemente incluí necrose liquefeita. 
Indicativo de infecção. A coloração verde pode ser 
indicativoa de processo infeccioso, mas é preciso relacionar 
esse tipo de exsudato a outros sinais de infecção.
Figura 1.16
Exsudato Seroso
Figura 1.18
Exsudato Fibrinoso
Figura 1.17 
Exsudato Serosanguinolento
Figura 1.19
Exsudato Purulento
44
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Na avaliação da quantidade do exsudato é fundamental acompanhar a 
evolução da lesão. Como destacado anteriormente, mudanças na quantidade 
do exsudato podem indicar evolução ou involução da ferida. Para a mensuração 
pode-se usar o sistema de cruzes, conforme quadro a seguir: 8
Seropurulento
Hemopurulento
Sanguinolento ou
Hemorrágico
Características: Leitoso de coloração amarelada, 
Geralmente fino
Aspectos: Composto pode exsudato seroso com presença 
de pus. Pode ser sinal de infecção. Pode estar relacionado 
com a liquefação de necrose tecidual.
Características: Leitoso de coloração avermelhada. 
Espesso.
Aspectos: Composto pode exsudato sanguinolento na 
presença de pus. É sinal de infecção estabelecida.
Características: De coloração avermelhada. Geralmente 
espesso, mas pode ser fino.
Aspectos: Composto por glóbulos vermelhos, indicativo de 
rompimento de capilares ou trauma na ferida. Pode indicar 
uma infecção bacteriana
Figura 1.20
Exsudato Seropurulento
Figura 1.22
Exsudato Sanguinolento/
Hemorrágico
Figura 1.21 
Exsudato Hemopurulento
45
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Por se tratar de uma medida subjetiva, é preciso que a equipe esteja 
familiarizada com as medidas utilizadas. Para minimizar a subjetividade 
e diminuir a imprecisão, recomenda-se que a pessoa com a ferida seja 
atendida sempre pelo mesmo prof issional; quando isso não for possível, o 
diálogo constante, o registro e discussão dos casos entre os prof issionais é 
fundamental.
Importante: A ferida vai exsudar até fechar e fatores 
como a intensidade da inflamação, presença de infecção, 
tamanho e profundidade (quantidade relativa ao tamanho) 
e etiologia da ferida influenciam no volume da exsudação. 
Na avaliação ambulatorial é importante perguntar qual foi 
a frequência da troca dos produtos para cobertura feita em 
casa.
Localização da ferida:
A localização da ferida pode variar dependendo da etiologia da lesão, logo 
essa informação auxilia muito o tratamento. 
A localização da lesão fornece importante informação sobre sua provável 
causa, ou seja, se é venosa, arterial, neuropática, hipertensiva ou lesão por 
pressão.10
Para o registro sugere-se uso de ilustrações topográficas que favoreçam a 
identif icação facilitada da localização da ferida, como segue:
Cruzes
+ LeveSecreção ocupa menos da metade da gaze
Secreção ocupa mais da metade da gaze
Secreção ocupa toda a gaze
++
+++
Moderado
Intenso
QuantidadeQuantidade
Quadro 1.4 - Mensuração do Exudato em Feridas
46
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Mensuração da ferida:
A mensuração da ferida viabiliza o acompanhamento do processo de 
evolução do processo de cicatrização. Essa medida é o principal indicador 
de resultado do tratamento de pessoas com feridas, e pode ser realizada das 
seguintes formas:
Mensuração simples: 
Com uma régua, medir em centímetros a região de maior 
comprimento, e depois a largura, com a régua em 90° ao 
comprimento aferido. A profundidade da ferida pode ser 
verif icada com uma pinça ou sonda uretral f ina, que deve ser 
inserida no ponto mais profundo da ferida. A precisão desse 
tipo de mensuração pode ser prejudicada se for realizada por 
várias pessoas, ou se existir tecido necrosado ou desvitalizado. O 
tamanho real da ferida só será evidente após o desbridamento.12
Figura 1.23 - Ilustração topográfica para identificação de feridas
Ilustração: Cristiano Walter
47
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Decalque: 
Consiste em traçar a forma da ferida em material transparente. 
O mais utilizado é o papel de acetato. Esta mensuração não dá 
informações sobre a profundidade e aparência da ferida. A área 
pode ser calculada colocando-se o decalque por cima de um papel 
quadriculado e contando-se o número de quadrados inteiros.12 
Fotografia: 
Proporciona uma evidência visual da aparência de uma ferida, 
no entanto, não detecta a profundidade da mesma. Esse método 
exige a repetição do procedimento, em intervalos regulares, sob 
o mesmo ângulo, luminosidade e distância focal constante, para 
permitir comparações futuras. O inconveniente deste método é 
que nem todos os prof issionais têm treinamento e acesso a uma 
boa câmera.12
Sistemas computadorizados de medição: 
Existem vários dispositivos/aplicativos para celulares/aparelhos 
planejados especialmente para calcular as dimensões das feridas. 
Com o avanço desta tecnologia, sistemas como este estão se 
tornando cada vez mais acessiveis e completos.12
Fatores que interferem na cicatrização:
A análise das características do leito da ferida (usando a ferramenta 
TIME) guia a investigação sobre possíveis fatores, locais e sistêmicos, 
que explicam o que foi observado no leito e, consequentemente, 
o que interfere no processo de cicatrização. Assim, a seguir são 
48
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
 apresentados os principais fatores, locais e sistêmicos, que influenciam nesse 
processo.
Doenças Sistêmicas: 
Alguns agravos crônicos podem comprometer as etapas 
de cicatrização e as mais importantes são: doença vascular 
periférica venosa e arterial, doenças coronarianas, hipertensão 
venosa, anemia, distúrbios de coagulação, doenças respiratórias, 
neuropatias e doenças imunossupressoras. A cicatrização 
depende do controle destas doenças. Os exames laboratoriais 
podem auxiliar o prof issional de saúde a fornecer o melhor plano 
de cuidado. 
Uso de Medicamentos Sistêmicos: 
Fármacos antiplaquetários, anticoagulantes ou que inibem a 
inflamação (corticoides, imunossupressores) podem reduzir a 
cicatrização de feridas, pois interferem na resposta imunológica 
normal à lesão. Também podem interferir na síntese protéica, 
redução na produção de colágeno, aumento na atividade da 
colagenase, tornando o tecido mais f rágil. Apesar de a ferida 
crônica apresentar uma inflamação persistente e que deve ser 
controlada, não é indicado o uso de anti-inflamatórios sistêmicos 
comuns. A inflamação deve ser controlada eliminando seu fator 
causal.
Restrição da Mobilidade: 
A imobilidade pode causar tensão no tecido e reduzir o grau de 
oxigenação. 
Tabagismo: 
A nicotina reduz a força de tração e a deposição de colágeno 
tipo III, prejudicaa angiogênese e a ação dos miofibroblastos. 
49
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
O fumo ainda reduz a quantidade de hemoglobina funcional, o 
que dif iculta o aporte de oxigênio para as células. 
Estresse: 
O estresse está associado ao aumento da produção de cortisol, 
com consequente desregulação de processos relacionados à 
cicatrização.
Consumo de Álcool: 
O consumo de álcool contribui para o processo de inflamação 
crônica e favorece os déficits nutricionais e hipovitaminoses. 
Atividade Ocupacional: 
Ficar muito tempo em pé ou realizar atividades que propiciam 
a contaminação pode retardar a cicatrização. O repouso é 
recomendado para a redução da estase venosa e da hipertensão 
venosa e consequentemente do edema [se ainda tem dúvidas 
sobre causas de edema, volte à página 38]. Pessoas com 
feridas ou que apresentam o risco de desenvolvê-las devem ser 
orientadas quanto ao uso de equipamentos de proteção, calçados 
adequados e uniformes, para evitar a contaminação da ferida ou 
novos ferimentos. Mais que orientar, o prof isisonal de saúde deve 
favorecer o acesso a esses equipamentos.
Aderência ao Tratamento: 
A não adesão ao tratamento de feridas crônicas pode ter origem 
intencional ou não intencional. A causa da não aderência deve 
ser amplamente avaliada por uma equipe multiprof issional, 
visando favorecer o tratamento e a qualidade de vida da pessoa 
com ferida. 
50
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Idade: 
Pacientes idosos podem ter baixa hidratação e ingestão nutricional, 
além de alterações nos sistemas circulatório e respiratório 
que podem prejudicar na cicatrização de feridas. Há sinais de 
involução da pele a partir dos 40 anos. Com o envelhecimento a 
epiderme torna-se mais f ina e a quantidade de f ibroblastos reduz. 
Há diminuição da elasticidade devido à modif icação das f ibras de 
colágeno e perda de água, o que altera a velocidade da cicatrização. 
Ocorre alteração do estado imunológico e os linfócitos pouco 
respondem aos estímulos blastogênicos.
Estado Nutricional: 
A def iciência nutricional pode dif icultar a cicatrização devido 
à depressão do sistema imune, com prolongamento da fase 
inflamatória e redução da síntese e proliferação f ibroblástica, 
colágeno, proteoglicanos e angiogênese. Algumas def iciências 
são importantes, como a carência de proteínas e de vitamina 
C, que atuam na síntese de colágeno. A vitamina B aumenta 
o número de f ibroblastos. O zinco é um cofator envolvido no 
crescimento celular e na síntese proteica. Até mesmo na 
presença de obesidade poderá ocorrer def iciência de nutrientes 
importantes. A avaliação nutricional deverá ser contínua e os 
níveis de albumina e pré-albumina, contagem total de linfócitos 
e níveis de transferrina são marcadores da desnutrição e devem 
ser avaliados e monitorados regularmente. 
51
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
No quadro abaixo estão apresentados alimentos que auxiliam no 
processo de cicatrização:
AlimentoNutriente Função
Carnes vermelhas e de 
f rango, ovos, leite e derivados 
(iogurte, queijo), soja, ervilha, 
grão de bico, lentilha, pasta 
de amendoim e amêndoas 
Frutos amarelos (laranja, 
cenoura, manga, caqui), 
abacate, cenoura, damasco 
seco, óleos de f ígado de 
peixes, derivados do leite, 
folhas de cor verde-escura
Laranja, tangerina poncã, 
acerola, caju, goiaba, mamão, 
morango, kiwi, tomate, 
brócolis, couve, couve-flor, 
repolho (branco e roxo), 
espinafre
Beterraba, couve, milho, 
espinafre, repolho, grão de 
bico, soja, lentilha, queijo, 
peixes, ovos, carne de vaca, 
leite integral, iogurte 
Fígado, carne bovina e de 
porco, cereais integrais, 
batatas, couve, brócolis, leite, 
ovos, ervilha, oleaginosas 
Proteínas
Síntese dos tecidos, adequar a 
resposta inflamatória
Aumenta a síntese e diminui 
a degradação proteica, inibe a 
decomposição de proteína
Melhora a imunidade, síntese 
de colágeno, melhora do 
processo cicatricial
Cofatores para o colágeno
Coagulação sanguínea
Ação antioxidante, auxilia 
a angiogênese, melhora a 
imunidade e favorece a síntese 
de colágeno e de novos 
tecidos
Ação antioxidante, reparo 
e regeneração tecidual, 
estabilização da membrana 
celular
Evitar a hipocalcemia para 
pacientes em tratamento com 
curativos de nitrato de prata 
ou acamados
Óleo de girassol, milho e soja, 
vegetais verde-escuros e 
sementes oleaginosas
Carne de porco, couve-flor 
e espinafre, óleos vegetais, 
hortaliças
Leite integral, requeijão, queijo, 
ricota, iogurtes, brócolis, 
gergelim
Glutamina
Vitamina A
Vitamina E
Vitamina K
Cálcio
Vitamina C
Vitaminas do
Complexo B
Quadro 1.5 - Nutrientes, fontes alimentares e seus mecanismos potenciais nas feridas
. . .
52
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Carne bovina, f ígado, ovos, 
f rutas secas (ameixa) cereais 
integrais enriquecidos, 
melaço e beterraba
Fígado, castanha de caju, 
leguminosas, banana, uva, 
tomate e carnes vermelhas
Óleo de girassol, milho, soja, 
linhaça, gergelim, peixes 
(sardinha, atum, tainha, 
salmão), nozes, castanha do 
Pará, castanha de caju
Leite integral, cereais 
integrais, ovos, f ígado, miúdos 
e carnes vermelhas, camarão, 
nozes, castanhas, ervilha
Castanha do Brasil, carnes 
vermelhas, f rango, peixes e 
ovos, leite e derivados, alho, 
repolho, cebola, couve-flor, 
brócolis, cogumelos
Ferro Otimizar a perfusão celular
Cofator enzimático do 
metabolismo energético, 
essencial no processo de 
divisão celular, síntese de DNA, 
RNA e proteínas que auxiliam 
no processo cicatricial
Angiogênese, fortalecimento 
da cicatriz por meio da 
polimerização do colágeno
Ação antioxidante, protege da 
peroxidação
Modulador da inflamação e 
promoção da cicatrização
Zinco 
Cobre
Selênio 
Autoria: Tortorella, Catiuscie Cabreira da Silva & Cavagnari, Mariana Abe Vicente; 2020.
Ácidos graxos essenciais 
(ômega 3- ômega 6)
. . .
AGE: ácidos graxos essenciais; DNA: ácido desoxirribonucleico; RNA: ácido ribonucleico
Para orientar a avaliação do estado nutricional e subsidiar o 
encaminhamento correto ao nutricionista, indicamos o uso do algoritmo a 
seguir:
53
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Importante: PANCS - Plantas alimentícias não 
convencionais. O termo, criado por Valdely Ferreira Kinupp 
em 2008, refere-se às plantas que possuem alguma porção 
comestível. São plantas nativas ou exóticas, cultivadas ou 
de origem espontânea, mas que não se encontram em 
nossos pratos e refeições cotidianos. São flores, tubérculos, 
folhas, caules, sementes, entre outros. São exemplos de 
Pancs: almeirão do campo, begônia, capuchinha, caruru, 
dente-de-leão, inhame e mastruz. Para mais informações, 
clique nos botões abaixo:
Embrapa UFRGS
Além das condições que afetam todo o organismo de uma pessoa com 
ferida (os fatores sistêmicos), fatores no local da lesão também causam grande 
interferência no processo de cicatrização e precisam ser tratados. São eles:
Técnica de Curativo e produtos tópicos inadequados: 
Uma técnica de curativo inapropriada e a escolha inadequada 
de um produto de corbertura pode aumentar a ferida ou impedir 
sua cicatrização. A disponibilidade de produtos e a avaliação de 
benef ícios e custos são aspectos que devem ser considerados 
durante a escolha do produto para o curativo. O uso indiscriminado 
de produtos tópicos como antibióticos, antifúngicos e 
antissépticos prejudica o processo cicatricial. O prof issional 
deve conhecer a f inalidade do produto antes de indicá-lo ou 
fazer uso [veja o capítulo de produtos contraindicados]. 
https://www.embrapa.br/documents/1355126/2250572/ed22.pdf/59c6768c-62da-72a3-84c7-1d996101f1b6https://www.ufrgs.br/viveiroscomunitarios/wp-content/uploads/2015/11/Cartilha-15.11-online.pdf
55
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Corpos Estranhos: 
A presença de corpos estranhos pode ampliar a inflamação e por 
isso prejudicar a cicatrização.
Presença de Necrose ou Tecido Desvitalizado: 
Aumentam a inflamação, a carga bacteriana e reduzem a progressão 
de tecidos viáveis [ler em limpeza e desbridamento]. 
Infecção e Inflamação: 
Durante o processo de infeçção há produção intensa de 
exsudato rico em f ibrina e colágeno, que se depositam no leito 
e impedem a formação de outros tecidos (leia novamente sobre 
a avaliação da ferida). 
Grau de Tensão (pressão): 
Impede a oxigenação local [veja a página 101 sobre de LPP].
Grau de Oxigenação: 
Doenças ou condições que alteram o fluxo sanguíneo normal 
podem afetar a distribuição de oxigênio e dos nutrientes. 
Doenças sistêmicas afetam localmente o fluxo sanguíneo, 
reduzindo a oxigenação. Da mesma forma, pressão contínua 
no local da lesão diminui a oxigenação. Cuidado com curativos 
compressivos, coxins e outros dispositivos que possam reduzir 
a perfusão periférica e o grau de oxigenação. A presença de 
biof ilme também compromete a tensão de oxigênio no leito da 
ferida [leia mais sobre o biof ilme no capítulo sobre o preparo 
do leito da ferida].
56
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
A diminuição do número de hemácias acarreta em anemia, que 
interfere no processo de reparação tecidual. 
Exames laboratoriais necessários para a avaliação da pessoa com 
ferida crônica:
Não é raro receber uma pessoa com ferida que não conhece seu histórico 
de saúde, nem mesmo a história familiar de doenças. Na prática cotidiana 
é comum que a presença de uma ferida seja o motivo da busca de um 
serviço de saúde. Sendo assim, para avaliar adequadamente a ferida e 
investigar suas causas, alguns exames laboratoriais podem contribuir para 
diagnosticar doenças e distúrbios que explicam a causa da ferida. 
Além disso, os exames laboratoriais podem ser utilizados como um 
parâmetro para o acompanhamento e controle metabólico. 
No quadro abaixo destacamos os principais exames, com relevância 
clínica, para o atendimento de uma pessoa com ferida crônica:
Hemograma
Hemácias................................................................................ 4,0 a 5,5 x106/mm3
Hemoglobina....................................................................................... 12 a 17,4 gℓ
Volume Corpuscular Médio.............................................................. 36 a 52%
Hemoglobina Corpuscular Média............................................... 84 a 96 fℓ
Concentração de Hemog. Corpuscular Média............... 32 a 36 g/dℓ
Plaquetas............................................................................ 140 a 400 x103/mm3
Leucócitos ........................................................................... 4,5 a 10,5 x103/mm3
57
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Os níveis de glicose estão intimamente relacionados com o processo 
retardado de cicatrização, especialmente em diabéticos. Pessoas com 
diabetes podem permanecer na fase inflamatória, o que dif iculta a deposição 
de matriz extracelular e remodelamento da ferida. 
Outro fator relacionado é predisposição em desenvolver aterosclerose, 
que contribui para alterações microvasculares, causando diminuição no 
fluxo sanguíneo e fornecimento insuf iciente de oxigênio.
A hemoglobina é responsável pelo carreamento de oxigênio, quando 
def iciente ocorre uma diminuição dos níveis moleculares de oxigênio 
entregue aos tecidos, contribuindo para o retardo da cicatrização. A 
oxigenação def iciente na lesão ou nos tecidos adjacentes aumenta o risco 
de infecção.
As plaquetas são responsáveis pela formação do tampão hemostático, 
do qual são secretados os fatores de crescimento, como o derivado de 
plaquetas (PDGF), o de crescimento transformante beta (TGF-beta), o 
de crescimento epidérmico (EGF), o de crescimento transformante alfa 
(TGF-α) e o fator de crescimento de células endoteliais (VEGF), além de 
glicoproteínas adesivas como a f ibronectina e trombospondina, que são 
importantes constituintes da matriz extracelular provisória. Em feridas 
crônicas, alterações nos níveis das plaquetas referem-se a distúrbios 
hemorrágicos.
Leucocitose pode impedir a cicatrização por hipóxia, visto que os 
leucócitos podem consumir o oxigênio necessário. Além disso, leucocitose 
indica inflamação contínua, levando à deterioração progressiva dos tecidos 
pela liberação de enzimas proteolíticas e espécies reativas de oxigênio 
prejudicando o tecido.
Glicemia de jejum
Glicose plasmática em jejum (GPJ)........................................≤ 100 mg/dℓ
58
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Outro ponto que vale ressaltar é que pessoas com diabetes têm uma maior 
propensão em desenvolver infecções.
A albumina sérica é um componente protêico, tido como um dos 
principais antioxidantes do organimo. Foi demonstrado que esta proteína 
sof re modif icações por ação de espécies reativas de oxigênio, por ser 
facilmente oxidada, retirada da circulação e degradada. A albumina foi 
identif icada como a proteína mais proeminente oxidada no fluido da ferida 
aguda e crônica. A exposição às espécies reativas de oxigênio contribui 
para a redução da albumina sérica e local, correlacionando com o retardo 
na progressão da ferida crônica.
Albumina sérica
Cultura da Biópsia ou Swab da lesão
Albumina sérica............................................................................. 3,9 a 5,0 g/dℓ
Bactérias gram-positivas mais comuns
Staphylococcus Aureus (incluindo MRSA) 
Staphylococcus Coagulase negativa
Enterococcus spp. (incluindo as resistentes avancomicina)
Bactérias gram-positiva anaeróbica mais comuns
Peptostreptococcus spp.
Clostridium spp
Bactérias gram-negativas mais comuns
Pseudomonas Aeruginosa
Escherichia Coli
Klebsiella Pneumoniae
Serratia Marcescens
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Enterobacter spp.
Proteus spp.
Acinetobacter spp.
Bactérias gram-negativa anaeróbicas mais comuns
Bacteroides spp.
Prevotella spp.
Uma variedade de microrganismos compõe a microbiota da pele. As 
mais comuns de serem encontradas são: Micrococcus spp., Coryneforms 
(diphtheroids), Staphylococcus Epidermidis, Othercoagulase-Negative 
Staphylococci, Alpha Haemolytic Streptococci, e Propionibacterium spp. Em 
uma ferida, onde a barreira natural está rompida, estes e outros microrganismos 
podem penetrar, causando dano e interrompendo o processo de cicatrização. 
A formação de biof ilme, caracterizado por uma comunidade de 
microrganismos agregados, envoltos em matriz extracelular no leito da ferida, 
coopera metabolicamente para degradação de substratos e até trocas de 
material genético. Esta organização traz alguns benefícios aos microrganismos 
permitindo sua agregação, retenção de água, criação de uma barreira 
protetora, fonte de nutrientes, entre outros. O biof ilme é um dos fatores mais 
importantes no processo de cronif icação de uma ferida [leia como evitar e 
tratar o biofilme na página 113].
A osteomielite é a principal alteração relacionada às feridas crônicas, 
sendo aguda ou crônica, def inida pela predominância de leucócitos 
polimorfonucleares no tecido ósseo, evidenciando a reabsorção óssea de 
bordas e detrito ósseo. Na osteomielite crônica ocorre f ibrose ao redor do 
tecido desvitalizado. Por sua relevância e prevalência em feridas crônicas, a 
osteomilielite deve ser investigada com radiograf ia, tomograf ia, ressonância 
e cintilograf ia óssea.
Exame de imagem
60
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Os diferentes estágios do processo de cicatrização são acompanhados 
de diferentes composições no exsudato. Tais composições modif icam o pH e 
metabólitos, servindo como biomarcadores para este processo. Este marcador 
vai depender do estadiamento da ferida. Assim, durante o processo de 
granulação o pHvaria de 4 a 6, e num processo de cicatrização prejudicado 
o pH varia de 7 a 8. Já foram desenvolvidos alguns sensores bioquímicos que 
detectam a mudança do pH no leito.
PHmetria
pH.................................................Durante a cicatrização oscila entre 4 e 6 
61
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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28
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64
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Amanda de Paula Grad
Francine Meira da Cruz
Vera Lúcia Borges Ferreira
Introdução
A presença de feridas crônicas leva a alterações biopsicossociais mais 
notórias na aparência f ísica e no convívio social. A forma como essas 
mudanças serão encaradas pela pessoa com feridas, familiares e amigos 
dependerá da capacidade de adaptação dos envolvidos, do ritmo com que 
essas alterações ocorrem e dos serviços de apoio disponíveis. O mundo 
moderno estabelece padrões a serem seguidos e não estar dentro dos padrões 
muitas vezes implica em discriminação, preconceito e isolamento social. 
A presença constante de qualquer tipo de lesão torna o indivíduo mais 
vulnerável a situações como restrições nas atividades de vida diária e de 
lazer, depressão, desemprego, subemprego e abandono. Conviver com 
uma ferida crônica implica em efeitos negativos nos projetos pessoais e 
sentimentos como tristeza, raiva, vergonha, ansiedade, desânimo e muitos 
outros, que podem se intensif icar gradativamente.1 
Além disso, sabemos que para uma ferida cicatrizar e não voltar a 
abrir é necessário ter acesso à alimentação saudável, condições de higiene, 
acesso aos recursos para o curativo, condições de trabalho que favoreçam o 
autocuidado e mais, condições de tempo pessoal para participar do processo 
de cuidado. O que é isso? Conseguir participar do plano de cuidado, ter 
autonomia para sugerir, lutar por direitos e se relacionar efetivamente com a 
rede de serviços de saúde. 
CAPÍTULO 4
AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES SOCIAIS
65
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Idade, Etnia e Sexo
Para que avaliar?
Apesar de serem dados demográficos, apresentam inúmeras 
implicações sociais como, por exemplo, vulnerabilidade à violência, 
preconceito e racismo. 
O que pode acarretar?
Além dos aspectos f isiopatológicos referentes a um maior risco 
de desenvover determinadas doenças e atrasos no processo de 
cicatrização, os aspectos sociais relacionados à idade, etnia e sexo 
podem aumentar o nível de estresse, aumentar os transtornos 
psicológicos, alterar o estado mental, prejudicar a adesão ao 
tratamento, impossibilitar o autocuidado.
Como a equipe de saúde deve agir?
Ao avaliar a pessoa idosa, em especial do sexo feminino, verif ique o 
grau de autonomia e investigue a presença de sinais indicativos de 
situações de violência. Analise a equidade no atendimento e toda 
a atenção recebida na rede de suporte social, ou seja, serviços de 
saúde, assistência social, jurídica e comunitária com enfoque na 
etnia.
A identificação de todos esses fatores compõe o que se conhece como 
condições sociais e rede socioassistencial para suporte, sendo fundamentais 
para favorecer o processo de cuidar de uma pessoa com ferida crônica.2
Abaixo estão descritos quais fatores devem ser abordados na avaliação 
social e a relação dos mesmos no processo de cicatrização das feridas:3,4,5,6
66
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Escolaridade
Para que avaliar?
Analisar o grau de dif iculdade no entendimento das orientações e 
promover a autonomia. 
O que pode acarretar?
O não entendimento das orientações realizadas durante o 
atendimento e a dif iculdade de participar do processo de cuidar.
Como a equipe de saúde deve agir?
Auxiliar na capacidade de compreensão do tratamento que está 
sendo empregado, amenizando a angústia e o sofrimento.
Ocupação
Para que avaliar?
Avaliar o tipo de atividade trabalhista ou laboral, formal e informal. 
Atividade doméstica e domiciliar. 
O que pode acarretar?
Determinadas atividades trabalhistas e laborais dif icultam o 
autocuidado, favorecem a contaminação da lesão e até mesmo 
o surgimento de novas lesões.
Como a equipe de saúde deve agir?
A equipe de saúde deve fornecer orientações adequadas e 
adaptadas à realidade trabalhista e laboral; deve favorecer o 
acesso ao direito previdenciário, quando adequado; deve favorecer 
a capacitação com vistas à prevenção de novas lesões.
67
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Aspectos Culturais e Religiosos
Para que avaliar?
Promove uma rede de apoio ao enfrentamento da situação em que 
se encontra. 
O que pode acarretar?
Algumas normas podem prejudicar a adesão ao tratamento.
Como a equipe de saúde deve agir?
Promover apoio e segurança, respeitar os costumes e tradições 
religiosas e espirituais de modo a favorecer o autocuidado e a 
melhora do processo de cicatrização.
Situação Econômica da Família
Para que avaliar?
Determinante das condições de moradia, nutricionais, do acesso a 
recursos indispensáveis ao tratamento. 
Avaliar a necessidade de encaminhamentos para dar início ao 
recebimento de benefício, prestação continuada ou outras formas 
de suporte previdenciário.
O que pode acarretar?
A precariedade econômica, a pobreza, impede o restabelecimento do 
estado vital, logo não favorece a cicatrização.
Dificulta ou mesmo impossibilita a aquisição de medidas de 
autocuidado e a adesão ao tratamento.
Favorece a baixa autoestima e demais alterações do estado mental.
68
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Como a equipe de saúde deve agir?
Auxiliar na aquisição de insumos necessários para sobrevivência, 
como, por exemplo, alimentação, suplementos alimentares, 
moradia, produtos de higiene corporal e doméstica;
Possibilitar acesso à rede de suporte social e inserir a pessoa com 
ferida nesse processo de forma ativa;
Viabilizar o acesso a direitos previdenciários.
Habitação
Para que avaliar?
Observar as condições de moradia e se há presença de saneamento 
básico. 
O que pode acarretar?
Viver em local sem condições sanitárias pode agravar ou favorecer a 
contaminação da lesão e, assim, infecções de repetição.
Como a equipe de saúde deve agir?
Melhoria do bem-estar do individuo;
Estabelecer contato com a Secretaria Municipal de Habitação e 
Urbanismo e demais órgãos responsáveis;
Avaliar a adequação de abrigamento em instituições de longa 
permanência e promover, se necessário, o encaminhamento a órgãos 
competentes.
69
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Convívio Social
Para que avaliar?
Observar se apresenta f ragilização de vínculos nas relações 
familiares e na comunidade. 
O que pode acarretar?
Não apresentar apoio para o enfrentamento do processo saúde-
doença, além do isolamento social.
Como a equipe de saúde deve agir?
Promover o suporte efetivo de familiares e da rede de suporte social 
como amigos, igreja, grupos de convívio – suporte ao tratamento;
Promover reuniões com cuidadores. Conhecer e acionar o grupo 
de cuidadores informais. Prestar o apoio nas diversas áreas da rede 
sociojurídica familiar ou governamental.
Hábitos de Lazer 
Para que avaliar?
A doença crônica provoca mudanças na rotina do indivíduo e seus 
familiares. 
O que pode acarretar?
Abandono de hábitos que geralmente proporcionavam sensação de 
bem-estar.
Como a equipe de saúde deve agir?
Proporcionar novos hábitos, melhorando a qualidade de vida.
70
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Considerando que o nível de adesão em qualquer tratamento de uma 
condição crônica é influenciada por todos esses fatores, é importante que o 
profissional de saúde tenha disponível instrumentos que permitam avaliar 
o impacto desses fatores na saúde de cada indivíduo, a fim de prestar uma 
assistência de qualidade e resolutiva.
Existem escalas e questionários que podem guiar sua avaliação de aspectos 
diretamente relacionados à condição social, como autoestima, participação 
social, risco familiar e grau de incapacidade e consciência de risco (Quadro 1.6).
Autoestima/Autocuidado 
Para que avaliar?
Verif icar o grau do cuidado que a pessoa com ferida exerce. 
O que pode acarretar?
Pode apresentar baixa adesão ao tratamento, em decorrência do 
déf icit de autocuidado, e isolamento por não aceitar as mudanças 
f ísicas desenvolvidas pela ferida e condições que favoreceram sua 
cronif icação.
Como a equipe de saúde deve agir?
Auxílio ao tratamento, observação de sinais depressivos, reflexão 
de que não precisamos nos encaixar nos “padrões exigidos” pela 
sociedade.
71
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
EspecificaçõesEscala Autor
Avalia o autoconceito das pessoas, com enfoqu 
no grau de autovalorização e satisfação consigo 
mesmo. 
Uma pontuação inferior a 15 denota baixa 
autoestima, de 15 a 25 demonstra uma autoestima 
saudável e a partir de 25 denota uma pessoa 
equilibrada.
Avalia o nível de comprometimento da vida 
social resultante da doença pré-existente como 
neuropatias periféricas, hanseníase e diabetes.
A escala apresenta 18 itens,com escore de 0 a 90. 
Estima-se que o ponto de corte seja de 12, pessoas 
acima de 12 até 22 pontos apresentam restrição 
leve, 23 a 32 pontos restrição moderada, 33 a 52 
pontos restrição alta, 53 a 90 restrição extrema.
É uma escala que avalia e monitora o grau 
de limitação e a consciência dos riscos pelo 
indivíduo afetado pela hanseníase. 
Apresenta 20 itens com escore f inal de 10 a 80 
pontos.
Pontuação até 25 indica que o individo apresenta 
baixa ou pouca dif iculdade nas atividades de vida 
diárias (AVDs); de 25 a 39 pontos leve dif iculdade; 
40 a 49 pontos dif iculdade moderada; 50 a 59 
severa limitação, e de 60 a 80 pontos limitação 
extrema às AVDs.
Avalia o risco familiar determinando seu risco 
social e de saúde, focando o adoecimento de 
cada núcleo familiar.
 Classif icação das famílias: Risco 1 (leve), Risco 2 
(moderado) ou Risco 3 (grave).
Escala de Autoestima 
de Rosemberg
Escala de Participação 
Social
Escala de Risco Familiar 
Coelho-Savassi
Escala Salsa e Grau de 
Incapacidade
Screening of Activity 
Limitation and Safety 
Awareness
Morris Rosenberg
Leonardo C. 
Monteiro Savassi
Flávio L. 
Gonçalves Coelho
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Quadro 1.6 - Escalas para a Avaliação de Parâmetros da Condição Social Durante 
Tratamento de Feridas Crônicas
Importante: Use as informações deste capítulo para elaborar 
um instrumento (ficha, roteiro) de avaliação das condições 
sociais da pessoa com ferida crônica no seu serviço.
https://www.academia.edu/17283663/Adapta%C3%A7%C3%A3o_brasileira_da_escala_de_auto_estima_de_Rosenberg
https://central3.to.gov.br/arquivo/344573/
http://www.saude.sp.gov.br/resources/humanizacao/homepage/acesso-rapido/formacao-tecnica-em-acolhimento-na-atencao-basica/escala_de_coelho.pdf
http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/novembro/22/Guia-Pratico-de-Hanseniase-WEB.pdf
72
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Figura 1.25 - Exemplode Instrumento de Avaliação Social (Frente)
73
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Figura 1.26 - Exemplo de Instrumento de Avaliação Social (Verso)
74
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Importante: A avaliação da Qualidade de Vida da pessoa 
com ferida é um dos aspectos socioafetivos mais relevantes 
a serem investigados na avaliação social, pois incorpora 
vários domínios como o físico (dor, fadiga, capacidades 
e limitações), psicológico (percepção do estado de saúde, 
depressão, autoestima, ansiedade e imagem corporal), 
relações sociais (apoio familiar e social, limitações 
impostas pela sociedade e as relações interpessoais), nível 
de independência (mobilidade, atividades cotidianas, 
capacidade para o trabalho) e noções sobre o bem-estar 
(corporal, emocional, saúde mental e vitalidade). Existe 
uma escala nacional para avaliação da Qualidade de 
Vida, específica para quem tem ferida crônica. Sugerimos 
enfaticamente que essa escala seja incorporada na rotina 
dos serviços para subsidiar a atenção de qualidade. 
Acesse Aqui
https://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43nspe/en_a15v43ns.pdf
75
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Referências
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YAMADA B. F. A.; SANTOS, V. L. C. G. Development and validation of Ferrans & 
Powers Quality of Life Index: wound version. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 
v.43, p.1103-1111. 2009.
1
2
3
4
5
6
76
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Fernanda Eloy Schmeider
Dannyele Cristina da Silva
Introdução
A dor em pacientes com feridas crônicas é um dos sinais que devem 
ser investigados e tratados de forma adequada, uma vez que é de grande 
relevância para a qualidade de vida. 
 De acordo com a Associação Internacional de Estudos sobre a Dor 
(International Association for the Study of Pain - IASP) a dor é conceituada 
como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano 
tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”.1 
 Nesse sentido, nas pessoas que apresentam lesões crônicas, a dor é 
uma experiência que pode ser detectada em muitos casos, uma vez que o 
rompimento dos tecidos, alterando a sua conformidade, ocasionará estímulos 
nocivos que serão transmitidos ao sistema nervoso central, acionando dessa 
forma os mecanismos de dor. Vários fatores podem influenciar a sensação 
dolorosa mais intensa, como a “etiologia da ferida, a presença de infecção, a 
troca de curativos, entre outras causas”.1
Sabe-se que conforme a etiologia da ferida a dor será mais intensa, é 
o que geralmente ocorre nas feridas isquêmicas arteriais e hipertensivas, 
nas feridas ocasionadas pela doença falciforme, nas lesões oncológicas, nas 
traumáticas e nas infectadas de qualquer etiologia. Quando a piora da dor 
ocorre de maneira inexplicável pode ser sinal de infecção ou colonização 
crítica.7
CAPÍTULO 5
AVALIAÇÃO E MANEJO DA DOR NO 
TRATAMENTO DAS FERIDAS CRÔNICAS
77
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Aguda Nociceptiva Contínua Sem Dor
Dor Leve
Dor Moderada
Dor Intensa
Breakthrough
(Intermitente)
Neuropática
Mista
Psicogênica
Crônica
Oncológica
 Outras situações de piora da dor podem estar associadas com a 
exsudação excessiva ou com coberturas que extravasam na pele ao redor 
da lesão, ocasionando dermatites na região. Complicações como a miíase 
também podem agravar o quadro de dor, dando uma sensação de que algo 
está “roendo ou comendo a ferida”.2
 Nesse contexto, é importante realizar a classif icação da dor e a f igura 
abaixo apresenta como:
Tempo Origem Padrão Intensidade
Figura 1.27 - Classificação da Dor
78
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Com base na f igura podemos observar que, em relação à duração, a 
dor pode ser aguda quando se manifesta por período relativamente 
curto, prolongando-se de minutos a algumas semanas, geralmente de no 
máximo um mês. A dor aguda deve ser utilizada como alerta para uma 
possível necessidade de atendimento, uma vez que leva a alterações 
neurovegetativas como taquicardia, diminuição da oferta de oxigênio 
aos tecidos, aumento da pressão arterial, ansiedade, medo, dentre outras 
alterações, que ampliam a dor. Como consequência ocorrerá a diminuição 
do sono, do apetite, dif iculdade para deambular, além de riscos aumentados 
para processos tromboembólicos e infecciosos.2,3
 Veja bem, a presença de infecção e distúrbios tromboembólicos são 
causas de dor aguda, mas outros fatores que levam à dor aguda, como 
trauma ou hipertensão arterial descompensada, podem causar dano 
tecidual e favorecer a infecção e o surgimento de distúrbios circulatórios 
locais, aumentando assim a dor.
Já a crônica tem duração prolongada, estendendo-se de meses a anos, 
ou seja, por um período superior a um mês, ou persiste além do esperado 
para a doença ou injúria. A dor crônica é considerada um problema de 
saúde pública, pois pode incapacitar o indivíduo, levando ao absenteísmo 
do trabalho e à elevação dos custos para o sistema de saúde.2,8,10
A dor pode ser ainda classif icada em relação ao tempo como contínua, 
em que varia de intensidade, porém é constante, ou recorrente (tipo 
breakthrough) que se apresenta em períodos curtos que se repetem ao 
longo do dia – que vai e volta.4,5
 Com relação à f isiopatogênese a dor pode ser classif icada em 
orgânica, com subclassif icações: nociceptiva, quando o sinal elétrico 
é transmitido ao sistema nervoso central; neuropática, quando atinge
79
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
o sistema somatossensorial; mista, quando ocorre a combinação das 
duas respostas anteriores; e psicogênica, quando relacionada a fatores 
psicológicos, localizada em nível cortical.6
É importante diferenciar a dor f isiopatológica (nociceptiva, neuropática 
ou mista) da psicogênica. E, sem pré -conceitos sobre que tipo de dor merece 
ou não a atenção prof issional, toda queixa de dor deve ser investigada e sua 
causa tratada. 
Uma condição orgânica não tratada, que cause dor e seja erroneamente 
classif icada como dor psicogênica, pode evoluir com piora e causar até a 
morte. Por outro lado, se a dor psicogênica for erroneamente associada a um 
quadro orgânico, a pessoa pode ser encaminhada a serviços e tratamentos 
desnecessários e a causa da dor não atendida.
Alguns fatores podem auxiliar na identif icação da dor psicogênica, 
dentre os quais podemos citar: 
Não há achados f ísicos anormais subjacentes ou eles não guardam 
proporção com a intensidade das queixas. Não há, por exemplo, 
sinais de infecção, nem aumento da inflamação, não houve 
trauma, pressão e outras explicações para o relato da dor.
As manifestações não são limitadas à área afetada, são 
amplamente distribuídas, com intensidades variadas.
Pouca def inição quanto ao início e locais de manifestação da dor. 
Às vezes o portador de feridas relata que não sabe onde dói, dói 
tudo. São queixas imprecisas e com relato mais ostensivamente 
apresentado, com certo grau de dramaticidade. 
1
2
3
80
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Altera-se mais comumente com variações de vivências emocionais 
e, por isso,pioram quando a pessoa com ferida passa por 
acontecimentos infelizes e estressantes.
1
4
Por f im, em relação à classif icação quanto à localização, divide-se em 
somática ou visceral. Na somática os estímulos originam-se da periferia do 
corpo ou de tecidos de suporte tais como musculares, fáscias, tendões e 
ligamentos. Na dor visceral a origem encontra-se na “tensão ou estiramento 
da parede das vísceras ocas ou da cápsula das vísceras parenquimatosas e pela 
tração ou estiramento peritoneal”. Essa dor pode se originar em estruturas 
distantes ou ser decorrente de lesões sistêmicas. 1,6
 Deve-se também classif icar a intensidade da dor e para isso é preciso 
considerar o relato de quem a tem, pois a dor se manifesta em intensidades 
diferentes nas pessoas, cada um tem seu limiar e, por isso, não há um 
instrumento f ísico para mensurá-la.
Percebe-se que a dor varia de um individuo para o outro influenciada 
por fatores neurof isiológicos e hormonais, mas também é afetada em sua 
magnitude pelas estratégias de enfrentamento situacionais, psicológicas e 
culturais.7
Existem algumas ferramentas que podem auxiliar na mensuração da dor 
sentida pelo paciente.7 Veja abaixo:
Escala Numérica
O indivíduo deve indicar a intensidade da sua dor em uma escala 
de 0 a 10, em que 0 indica “sem dor” e 10 “pior dor imaginável”. 
Essa escala deve ser utilizada na consulta inicial e durante todo o 
tratamento. A interpretação numérica sugerida é: 0 = sem dor; 1-3 
= dor leve; 4-6 = dor moderada e 7-10 = dor intensa.
81
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Escala Visual Analógica (EVA)
Nas extremidades de uma linha horizontal há os descritores “Sem 
dor” e “Pior dor imaginável”. O indivíduo pode se guiar pela linhas 
ou pelas cores para classif icar a intensidade de sua dor. Utiliza-se 
geralmente uma régua de 0 a 10 cm e não devem constar números 
nesse intervalo. 
Escala de Descritores Verbais
Nessa escala pode-se solicitar à pessoa com ferida que informe 
o signif icado de sua dor, fornecendo-lhe cinco descritores como 
opções.
Escala com descritores visuais
Conhecidas como Escala Facial de Dor ou Escala de Faces de 
Wong-Baker, são compostas por em torno de 6 a 8 expressões 
faciais que indicam a intensidade da sua dor. Podem ser 
numeradas, sendo mais utilizadas para crianças.
O prof issional de saúde também pode avaliar a intensidade e impacto 
da dor observando-se a presença de sintomas orgânicos comuns àqueles 
que sof rem com a mesma, são eles:
2
3
4
82
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Dor
Orgânica
Perda de sono
Taquicardia
Posição Antálgica
Redução da 
Mobilidade e 
Atrofias 
Sudorese
A avaliação da ferida 
deve conter
Dificuldade de 
Concentração
Cansaço e
Alteração de Humor
Fácies de Dor 
Figura 1.28 - Sintomas Clínicos Relacionados à Presença de Dor (Dor Orgânica)
Quadro 1.7 - Escalas de Avaliação Multifuncional da Dor
Importante: alguns destes sinais podem estar ausentes em pessoas com dor crônica.
Existem ainda várias escalas multidimensionais que podem ser aplicadas 
conforme a necessidade dos casos no cotidiano das práticas. Tais escalas 
avaliarão, além da intensidade da dor os demais aspectos que fazem parte 
desse sinal. Pode-se citar o Inventário Inicial de Avaliação da Dor, o Inventário 
Breve de Dor, o Diagrama Corporal de Localização e Distribuição Espacial da 
Dor, a Escala de LANSS e o Questionário McGill de Dor, sendo esse último um 
dos mais utilizados por ser f idedigno, válido, sensitivo e preciso.7,8
Escalas de Avaliação Multifuncional da Dor
Questionário McGill
avalia as qualidades sensoriais, afetivas, temporais 
e miscelânea da dor. Apresenta em seu escopo uma 
avaliação da distribuição espacial e da intensidade 
da dor (“sem dor” até “cruciante”).
Escala LANSS
um instrumento capaz de distinguir com boa 
confiabilidade uma dor de predomínio nociceptivo, 
neuropático ou misto. 
Acesse Aqui
Acesse Aqui
https://www.scielo.br/pdf/reeusp/v30n3/v30n3a09.pdf
http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2016/04/Escala-de-dor-LANNS-E-EVA.pdf
83
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Figura 1.29 - Padrões Mínimos Necessários para a Avaliação da Dor
Fonte: LOPES; SILVA; YAMADA (2016).
Além desses, tem-se escalas que podem ser utilizadas em pacientes 
com dif iculdade de comunicação, em que se observam características 
comportamentais e f isiológicas. Aqui pode-se citar a Escala Comportamental 
de Dor e a Escala de Avaliação de Dor em Demência Avançada – PAINAD, 
adaptada para a utilização no Brasil.2
A documentação da avaliação da dor é fundamental para a prescrição 
terapêutica e avaliação do resultado do tratamento destinado à pessoa 
com ferida. A história clínica deve ser detalhada, com informações precisas 
relacionadas com possíveis mecanismos explicativos da dor, sejam eles 
orgânicos ou psigogênicos. Essas informações devem ser claras, seguindo 
um padrão mínimo (Figura 1.29).9
Quando iniciou a dor? 
De que forma apareceu?
H
IS
T
Ó
R
IA
 D
A
 D
O
R
A dor é contínua? Ou 
intermitente?
Qual o período do dia 
que ela piora?
Como é sua dor? Qual a 
intensidade e o local?
Que fatores aliviam e 
quais pioram a dor?
84
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Tratamento / Manejo da Dor
Após classif icar e avaliar as características da dor, bem como quantif icar a 
sua intensidade e analisar sua etiologia, o prof issional de saúde deve intervir 
de forma a eliminar ou reduzir esse sinal, que se mostra tão prejudicial para 
a qualidade de vida das pessoas com lesão crônica. 
Nesse sentido o controle da dor deve ser realizado antes, durante e após 
a realização do curativo, uma vez que a dor pode ser mais intensa durante 
o procedimento. Logo, é necessária a manipulação cuidadosa da lesão e das 
estruturas adjacentes para evitar a sensação de dor. Acolher a insegurança da 
pessoa que tem ferida, seu medo antes da manipulação da lesão, garantindo 
que serão tomadas todas as medidas necessárias para evitar a dor, também 
é fundamental.
Também é possível orientar o uso de analgésico, conforme prescrição, 
cerca de meia hora antes do procedimento. Pode-se também agendar 
conforme o horário do efeito de ansiolíticos, para aqueles que possuem essa 
prescrição.8
O tratamento da dor pode ser mais ef icaz quando são associadas 
medidas farmacológicas e não farmacológicas. Sendo assim, o tratamento 
deve ser realizado de forma global a não apenas tratar a dor no local da 
lesão, mas envolver abordagens psicológicas e sociais.10
Uma das medidas é utilizar coberturas que proporcionem conforto e que 
possam ser trocadas em intervalos maiores. Além disso, garantir a autonomia 
da pessoa com ferida para que a mesma comunique a necessidade de 
modif icação de condutas que possam causar dor.8
Outros cuidados importantes referentes ao procedimento é não realizar 
a f ricção no leito da lesão com gazes, não retirar a cobertura anterior de 
forma abrupta sem umedecê-la adequadamente com solução aquecida, 
evitar utilizar coberturas aderentes ao leito e não manter por muito 
tempo a ferida exposta, pois causa ressecamento das estruturas nervosas, 
consequentemente essas ações levarão à exacerbação da dor.8
85
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Medidas Não Farmacológicas
Existem inúmeras medidas não farmacológicas para o controle da dor, 
tais como:
Acupuntura
Estimulação de pontos pré-determinados do corpo com agulhas 
esterilizadas. A acupuntura pode estimular o cérebro a produzir endorf inas. 
As endorf inas, produzidas naturalmente no cérebro, bloqueiam as sensações 
de dor e reduzem a inflamação. Deve ser realizada por acupunturista 
certif icado.
Massagens Terapêuticas
Promovem o relaxamento, pois através da manipulação, pressão, f ricção 
ou movimentos de deslizamento dos tecidos ativa a circulação local, 
levando à sensação de relaxamento e de alívio da dor. As técnicas que se 
destacam são a massagem sueca, a desportiva e shiatsu , que envolvem 
mais pressão e, o reikique envolve a passagem, levemente, das mãos 
sobre o corpo. Além destas, há a Reflexologia, que consiste em massagear 
pés, mãos ou couro cabeludo, em pessoas debilitadas. A massagem pode 
ser realizada em áreas próximas à lesão ou em outros locais do corpo 
como forma de proporcionar o conforto ao individuo, diminuir os níveis de 
cortisol e adrenalina, melhorar a circulação sanguínea e linfática, além de 
proporcionar sensações agradáveis.
Terapia Mente e Corpo
São realizados exercícios f ísicos e mentais focados na postura e 
meditação, que proporcionam tranquilidade para a mente, ao corpo e ao 
espírito, além de relaxar e estimular o fluxo sanguíneo.
86
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Musicoterapia
Vem sendo utilizada no tratamento complementar da dor crônica, de 
maneira comprovadamente ef icaz e de baixo custo.
É utilizada como estratégia de enfrentamento da dor como uma 
terapia cognitiva comportamental, mas também é capaz de propiciar o 
auto conhecimento levando a descobertas das causas dos sof rimentos 
que geraram a dor. Com isso a musicoterapia propicia a elaboração destes 
conflitos psíquicos de forma simbólica por meio de “experiências musicais”. 
As sensações agradáveis podem levar à produção de endorf inas que 
amenizam a dor.11
Atividade ou Exercício Físico 
A atividade f ísica regular e orientada, nas suas mais diversas formas 
como caminhada, natação, musculação, exercícios funcionais, dança, entre 
outros, melhoram o fluxo sanguíneo, a perfusão tecidual, estimula a liberação 
de fatores relaxantes derivados do endotélio vascular, reduz a produção de 
espécies reativas do oxigênio, ou seja, diminui o estresse oxidativo e a dor.
Plantas Medicinais e Fitoterapia
Na forma de gel, pasta, chás e infusões podem ter ação antinflamatória e 
analgésica. Acesse a Resolução RDC no 10, de 9 de março de 2010, Ministério 
da Saúde.
Abordagem Acolhedora
Atitude dos prof issionais durante a sua intervenção de forma calma, 
transmitindo conf iança e apoiando a pessoa com ferida e seus cuidadores 
para o tratamento. Essa postura dos prof issionais da saúde aliviará a 
ansiedade e trará como resultado o alívio da dor.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0010_09_03_2010.html
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Terapia com Calor Local ou Frio 
Quente: Consiste na aplicação de fontes de calor à superf ície do corpo ou 
aos tecidos profundos. As bolsas quentes, calor por infravermelho, os banhos 
de paraf ina (cera quente) e hidroterapia (água morna em movimento) são 
fontes de calor superf icial. O calor pode ser gerado nos tecidos profundos 
por ondas de som de alta f requência (ultrassom).
Frio: A aplicação de f rio pode ajudar a anestesiar tecidos e aliviar 
espasmos musculares, dor decorrente de lesões e dor decorrente da 
inflamação aguda. O f rio pode ser aplicado com o uso de uma bolsa de 
gelo, uma bolsa f ria ou líquidos (como cloreto de etila) que resf riam por 
evaporação. O terapeuta limita o tempo e a quantidade de exposição 
ao f rio para evitar danos aos tecidos e redução da temperatura corporal 
(provocando hipotermia). O f rio não deve ser aplicado aos tecidos com 
um fornecimento de sangue reduzido (por exemplo, quando as artérias 
são estenosadas por doença arterial periférica).
Outras Medidas Não Farmacológicas
Deve-se também utilizar outras formas de intervenção conforme avaliação 
e indicação para cada caso, tais como a elevação do membro afetado, aquecer 
o ambiente em estações frias, aquecer as soluções para a limpeza da lesão, 
remover com cuidado as coberturas, dar preferência para coberturas menos 
aderentes com uma frequência menor de trocas e manter o cuidado adequado 
dos tecidos perilesionais. 10
Medidas Farmacológicas
Essas medidas se dividem em locais e sistêmicas, com o objetivo de reduzir 
a dor persistente ou intermitente, sendo os medicamentos sistêmicos mais 
utilizados do que os tópicos.10
88
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
No tratamento local da dor, a analgesia ocorre com a aplicação de 
substâncias tópicas nas áreas próximas à lesão, com efeito no tecido 
alvo e com baixa concentração sérica. Dessa forma, se comparado com o 
tratamento sistêmico, possui baixos efeitos colaterais. Podem-se citar como 
exemplos os anestésicos locais, os AINES (anti-inflamatórios não esteróides) 
e a capsaicina.10
A aplicação dessas formulações é realizada na pele próxima do leito da 
lesão através de adesivos como patch de lidocaína, Eutectic Mixture of Local 
Anesthetics (EMLA) e capsaicina creme (analgésico tópico).10
Já no tratamento sistêmico, as opções se dividem em fármacos opioides 
e não-opioides. Os utilizados para tratamento de dor leve são os não-
opioides, sendo os AINES mais conhecidos mundialmente, pois possuem 
efeito analgésico, anti-inflamatório e antipirético por inibição da síntese de 
prostaglandinas. Tem-se como exemplos de medicamentos não-opioides o 
paracetamol, a dipirona e o ibuprofeno.2
Na dor intensa os fármacos opioides são as drogas de escolha, tem-se 
como exemplos a morf ina, fentanil, oxicodona e tramadol. Esses agem de 
forma sistêmica, mas também aliviam a dor no local da lesão, por isso sua 
ampla utilização na prática clínica.10
O tratamento com medicamentos opioides requer acompanhamento 
rigoroso para que ocorra uma administração segura, uma vez que podem 
ocorrer efeitos colaterais ou dependência dessas drogas, levando a 
consequências comportamentais e f ísicas.11
89
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Atenção: O uso de AINE, como o ibuprofeno, retarda o 
processo de cicatrização e pode causar lesão renal e gástrica. 
Evite o uso indiscriminado.
Acesse: Portaria nº 1083, de 02 de outubro de 2012 
- Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da dor 
crônica:
Acesse Aqui
http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pcdt-dor-cronica-2012.pdf
90
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Referências
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OLIVEIRA, R. G. Blackbook – Enfermagem. Belo Horizonte: Blackbook, 2016.
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10
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Carine Teles Sangaleti
Kelly Holanda Prezotto
Lucas de Oliveira Araújo
Maria Regiane Trincaus
Definição
Conhecer o fator causal da lesão é fundamental para selecionar a estratégia 
de tratamento da ferida. Sem agir nesse fator, a ferida não cicatriza. 
É importante destacarque, independente da causa de uma ferida, é possível 
que o processo de cicatrização seja prejudicado e a ferida se torne crônica 
[rever capítulo sobre fases da cicatrização], mesmo as feridas cirúrgicas e as 
traumáticas.1 
No entanto, as feridas crônicas mais comuns são as de membros inferiores 
e as lesões por pressão. Sendo asssim, apresentaremos a seguir os tipos mais 
comuns, segundo sua etiologia.
CAPÍTULO 6
CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS TIPOS 
DE FERIDAS CRÔNICAS 
Tipo de ferida
Venosa
Hipertensiva
Hipertensão venosa
Hipertensão arterial 
Arterial
Lesão por pressão
Neuropática
Aterosclerose (estenose ou 
obstrução arterial)
Isquemia, pressão intensa e/ou 
prolongada
Neuropatia diabética, hansênica, 
polineurites, alcoólica
Etiologia
Quadro 1.8 - Tipos de Feridas e suas Etiologias
92
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Ferida Venosa
É uma lesão ulcerada na pele da perna ou do pé, que ocorre em uma 
área afetada por hipertensão venosa1, que não cicatriza espontaneamente.2 
É um tipo de ferida com frequente evolução crônica e alta possibilidade de 
recidiva.3
Processo Patológico
A hipertensão venosa, geralmente associada à insuf iciência venosa nas 
pernas, causa uma alteração nos capilares permitindo que o f ibrinogênio 
extravase para os tecidos. Ocorre também o depósito de f ibrina nos 
capilares, o que diminui a difusão do oxigênio e de outros nutrientes 
para a pele. Soma-se a isso o acúmulo de leucócitos que obstruem os 
capilares, contribuindo para uma isquemia local4 e uma intensa atividade 
inflamatória nas áreas em que há extravasamento de células sanguíneas 
no interstício vascular. A inflamação mantida, devido à permanência do 
estado de estase venosa, promoverá a destruição celular e favorecerá a 
abertura da ferida.
Localização
Geralmente localizada no terço inferior, da face interna, da perna nas 
proximidades da região maleolar.3
Fatores de Risco
São fatores de risco para feridas venosas:5
 • Idade acima de 55 anos, devido à perda de massa muscular na 
panturrilha;
 • História familiar de Insuf iciência Venosa Crônica;
 • Índice de massa corporal elevado, pois dif iculta o retorno venoso;
93
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
 • História de embolia pulmonar;
 • História de trombose venosa superf icial/profunda;
• Extremidades inferiores com pequena massa muscular ou 
doenças das articulações como anquilose do tornozelo;
 • Número de gestações;
 • Histórico familiar de úlceras no tornozelo;
 • Inatividade f ísica;
 • História de ferida venosa;
 • Lipodermatosclerose grave;
Manifestações Clínicas
Pessoas com feridas venosas apresentam, além dos sinais de insuficiência 
venosa crônica, lesões com características específ icas que são descritas a 
seguir: 
Sinais e Sintomas de Insuficiência Venosa Crônica: 
Dor, queimação, câimbras musculares, inchaço, sensação de 
peso ou de latejamento, prurido cutâneo, dermatite ocre, eczema 
de estase, pernas inquietas, cansaço das pernas e fadiga.4 
Geralmente os sintomas são acentuados durante o dia e nos 
períodos em ortostase, com melhora pela elevação dos membros, 
com a ativação da musculatura da panturrilha e uso de meias de 
compressão.5,6
Características clínicas das lesões e pele ao redor: 
Bordas irregulares, planas ou pouco levantadas, leito superf icial 
com presença de granulação, esfacelo f ibrinoso, área perilesional 
apresentando dermatite ocre, lipodermatoesclerose e atrof ia branca 
(cicatrizes atróf icas esbranquiçadas).7
1
2
94
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Exames Complementares
Além da avaliação clínica, alguns exames são fundamentais para o 
diagnóstico e avaliação da insuf iciência venosa. Entre eles destacam-
se a ultrassonagraf ia com doppler, arterial e venoso, para descartar 
doença arterial associada à insuf iciência venosa. A angiotomograf ia 
e angioressonância venosa também podem ser indicadas em casos 
complexos.3
Importante: 
- As úlceras na perna são geralmente secundárias ao refluxo 
ou obstrução venosa, mas 20% das pessoas com úlceras nas 
pernas têm doença arterial, com ou sem distúrbios venosos. 8
- O tratamento de curativo de uma ferida venosa deve 
agir sobre o fator causal, logo as terapias compressivas 
ou contensivas são as mais indicadas, associadas ao 
fortalecimento da musculatura da panturrilha e melhora do 
padrão global de mobilidade.
Fonte: Ambulatório de Feridas da UNICENTRO
Figura 1.30 - Ferida Venosa
95
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Ferida Isquêmica Arterial
Lesão ulcerativa decorrente do estreitamento progressivo do lúmen do 
vaso arterial, devido à doença aterosclerótica que leva à obstrução gradual 
do fluxo sanguíneo. Assim, a ferida arterial aparece em decorrência do 
déf icit de suprimento sanguíneo local, que leva à isquemia e necrose dos 
tecidos. Esse tipo de ferida representa 10 a 25% dos casos de feridas. Como 
seu tratamento é demorado, f requentemente se tornam feridas crônicas.9,10
Fatores de Risco
Os fatores de risco incluem a idade acima de 45 anos, tabagismo, diabetes 
mellitus, hipertensão arterial, hiperlipidemia, hipercolesterolemia, história 
familiar de doença aterosclerótica precoce, sedentarismo.
Manifestações Clínicas
Claudicação intermitente (dor na panturrilha ou coxa durante 
a deambulação que piora progressivamente com o caminhar e 
melhora com poucos minutos de repouso);
Borda demarcada e oculta; não há presença de tecido de granulação 
viável, leito pálido e/ou necrótico; pouca ou nenhuma exsudação; 
edema discreto;
Melhora da dor com o membro abaixado;
Membro empalidece ao ser elevado e f ica enrubescido ao ser posto 
abaixo;
•
•
•
•
96
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
teste de perfusão periférica lentif icado, mais que 3 ou 4 segundos 
(teste de enchimento capilar dos dedos dos pés);
Pulsos f inos ou mesmo ausentes na extremidade inferior (femoral 
comum, poplítea, tibial anterior e/ou tibial posterior).
Avaliação Obrigatória
Palpação dos pulsos periféricos dos membros inferiores (femoral 
comum, poplíteo, tibial anterior e/ou tibial posterior e pedioso);
Avaliação do índice tornozelo-braquial (ITB), que é considerado 
como uma ferramenta de triagem primária; valores entre 1,0 a 1,4 
são considerados normais e entre 0,9-0,99 como limítrofes. Valores 
< 0,9 indicam a presença de doença obstrutiva, enquanto um índice 
>1,4 é indicativo de incompressibilidade arterial devido à provável 
calcif icação (veja como calcular o ITB no link da f igura abaixo).
•
•
1
2
Fonte: Ambulatório de Feridas da UNICENTRO
Figura 1.31 - Ferida Arterial
97
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Fonte: http://clinicordismedica.com.br/exames/itb-indice-
tornozelo-branquial/
Figura 1.32 - Indice Tornolezelo Braquial (ITB)
Exames Complementares
Dentre os exames mais indicados, podemos citar a ultrassonografia com 
Doppler arterial e angiotomografia de membros inferiores.
Importante: O tratamento das feridas arteriais exige uma 
abordagem multidisciplinar. É necessário garantir um 
fluxo sanguíneo adequado, o que muitas vezes implica 
uma intervenção cirúrgica. A pessoa com ferida deve ser 
encorajada a adotar e manter um estilo de vida saudável, 
pois essas alterações irão ajudar no controle de fatores 
que levam à arteriopatia, como a diabetes, a hipertensão 
arterial e o tabagismo e, com isso, melhorar a perfusão 
dos tecidos.
http://clinicordismedica.com.br/exames/itb-indice-tornozelo-branquial/
http://clinicordismedica.com.br/exames/itb-indice-tornozelo-branquial/
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Ferida Neuropática
É a ferida causada por uma neuropatia periférica, ou seja, pelo mau 
funcionameto de um nervo periférico sensitivo, motor ou misto.11 Logo, 
esse tipo de ferida é decorrente de alterações sensitivas, motoras e tróf icas 
consequentes da neuropatia.12,13
Causas
Uma neuropatia pode ser causada em decorrência de diabetes mellitus, 
hanseníase, uso crônico e abusivode álcool, por medicamentos, e por 
agravos neurológicos como espinha bíf ida, neuropatia hereditária sensorial 
e motora. 14, 15, 16
Etiopatogenia e Sinais Clínicos
Neuropatia Sensitiva: 
Observa-se uma redução da sensibilidade propioceptiva e 
somestésica e isso favorece microtraumatismos, traumatismos 
repetidos e queimaduras. A deformidade de áreas que sof rem 
contínuas lesões, também é um dos sinais da neuropatia 
sensitiva. 
Neuropatia Vegetativa: 
A disfunção autonômica resulta em pele seca e atrof ia da pele 
e das glândulas sudoríparas e sebáceas, com predisposição a 
eczemas, infecções e hiperqueratose. Além disso, ocorre alteração 
na microcirculação causando sinais clínicos como hiperfluxo 
sanguíneo, fluxo diastólico permanente, abertura de shunts 
arteriovenosos levando, por exemplo, à condição de pé quente e 
seco. 
1
2
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Neuropatia Motora: 
A alteração da inervação motora causa atrof ia com alteração na 
musculatura intrínseca dos pés, tornozelos, pernas e mãos. Essa 
atrof ia leva à deformidade, com aumento de carga, principalmente 
na base dos metatarsos. 
Pé Neuropático: 
Pé quente que favorece ao aparecimentode lesão de origem 
mecânica e térmica, pouco indolor e de aparecimento espontâneo. 
Desenvolve-se sob áreas de hiperqueratose, nas extremidades 
de dedos e sobre a superf ície plantar do metatarso. Para maior 
detalhamento desta lesão em pé, tão complexa, consulte o Manual 
do Ministério da Saúde. 
Neuropatia Hanseniana (Neuropatia Mista): 
Causadas pelo Mycobacterium leprae, é uma ferida de dif ícil 
tratamento devido ao comprometimento de mais de um 
tipo de função neural periférica. Os transtornos tróf icos 
observados nesse tipo de ferida ocorrem devido à alteração do 
sistema vasomotor e, como consequência, alteram o sistema 
tegumentar. O que se observa é uma epiderme f ina brilhante, 
com f issuras ou bolhas, até surgir a ferida. A lesão do nervo 
tibial posterior leva à paralisia dos músculos intrínsecos do 
pé, hipoestesia ou anestesia plantar, alterações simpáticas 
vasculares e das glândulas sudoríparas. 13, 14
A úlcera neuropática típica é o mal perfurante plantar, que ocorre em 
áreas de pressão, em geral embaixo de calosidades.17 A ferida é profunda, 
indolor e de bordos calosos. O mal perfurante plantar ocorre f requentemente 
na neuropatia por hanseníase e diabetes. 
3
4
5
http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/manual_do_pe_diabetico.pdf
http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2016/06/manual_do_pe_diabetico.pdf
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Complicações
• Destruição indolor dos ossos e das articulações, causando o pé 
de Charcot. Ocorre mudanças na arquitetura dos pés e cria outras 
áreas de alta pressão;
• Osteomielite e infecções bacterianas de partes moles.
Exames Complementares
Teste de monofilamento de Semmes–Weinstein. A não detecção do 
monofilamento laranja de 5.07 (10g), na região plantar, indica perda da 
sensibilidade protetora com risco para ulceração.17
Radiograf ias para avaliação da parte óssea, principalmente em caso de 
feridas profundas.18,19
Figura 1.33 - Ferida por Neuropatia Sensitiva Figura 1.34 - Pé Diabético
Fonte: Ambulatório de feridas da UNICENTRO. Fonte: Ambulatório de feridas da UNICENTRO. 
101
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Lesão por Pressão
O termo Lesão por Pressão (LP) substituiu o termo Úlcera por Pressão, e 
é definido como dano na pele e/ou tecidos subjacentes, que ocorre em pele 
íntegra ou como úlcera aberta. 20,21,22,23
Causas
A LP resulta da pressão intensa e duradoura em locais de proeminências 
ósseas em combinação com fricção e cisalhamento, o que leva à deformação 
das células e, f inalmente, morte celular. A pressão aplicada sobre os tecidos 
moles a um nível superior ao encontrado nos vasos sanguíneos pode causar 
isquemia e edema e, f inalmente, ferimentos. A pele é mais resistente à 
pressão do que o músculo, às vezes mascarando uma lesão mais profunda. 19
Existem três principais fatores de risco para o aparecimento da LP: 
 • Imobilidade ou atividade reduzida;
 • Perda de perfusão sanguínea;
 • Pele frágil.
Por tais motivos, os idosos também estão mais propensos ao 
desenvolvimento de LP.21 Assim como pessoas com déficit de mobilidade, 
morbidades cardiovasculares, renais, pulmonares, urinárias, endócrinas, 
demências, desnutrição e sepse.22,25,26
102
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Estágios e Classificação de Lesão por Pressão
De acordo com a recente classif icação da National Pressure Ulcer Advisory 
Panel 27,28, as lesões por pressão são classif icadas como:
Pele íntegra com eritema que não 
embranquece: 
Pele íntegra com área localizada de 
eritema que não embranquece com 
mudanças na sensibilidade, temperatura 
ou consistência (endurecimento).
Perda parcial da espessura da pele 
com exposição da derme: 
Perda da pele em sua espessura parcial 
com exposição da derme. O leito da ferida 
é de coloração rosa ou vermelha, úmido 
e pode também apresentar-se como 
uma bolha intacta (preenchida com 
exsudato seroso) ou rompida. O tecido 
adiposo e tecidos profundos não são 
visíveis. Tecido de granulação, esfacelo e 
escara não estão presentes. Geralmente 
ocorre na região da pélvis e no calcâneo. 
 
1
2
Estágio
Estágio
Figura 1.35 - LPP de Estágio 1
Figura 1.36 - LPP de Estágio 2
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Perda da pele em sua espessura total: 
Perda da pele em sua espessura total na 
qual a gordura é visível e, frequentemente, 
tecido de granulação e epíbole (lesão 
com bordas enroladas) estão presentes. 
Esfacelo e/ou escara pode estar visível. 
A profundidade do dano tissular varia 
conforme a localização anatômica; áreas 
com adiposidade signif icativa podem 
desenvolver lesões profundas. Não há 
exposição de fáscia, músculo, tendão, 
ligamento, cartilagem e/ou osso.
Perda da pele em sua espessura total 
e perda tissular: 
Perda da pele em sua espessura total e 
perda tissular com exposição ou palpação 
direta da fáscia, músculo, tendão, 
ligamento, cartilagem ou osso. Esfacelo e 
/ou escara pode estar visível. 
Lesão por pressão não classificável:
Perda da pele em sua espessura total e 
perda tissular na qual a extensão do dano 
não pode ser confirmada porque está 
encoberta pelo esfacelo ou escara. Ao 
ser removido (esfacelo ou escara), pode 
f icar aparente o Estágio 3 ou Estágio 4.
3
4
Estágio
Estágio
Figura 1.37 - LPP de Estágio 3
Figura 1.38 - LPP de Estágio 4
Figura 1.39 - LPP Não 
Classificável
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Definições adicionais
Lesão por Pressão Tissular Profunda:
Descoloração vermelho-escuro, marrom ou púrpura, persistente 
e que não embranquece. Pele intacta ou não, com área localizada 
e persistente de descoloração vermelha-escuro, marrom ou 
púrpura que não embranquece ou separação epidérmica que 
mostra lesão com leito escurecido ou bolha com exsudato 
sanguinolento. Dor e mudança na temperatura f requentemente 
precedem as alterações de coloração da pele. 
Lesão por Pressão Relacionada a Dispositivo Médico:
Essa terminologia descreve a etiologia da lesão. A Lesão por 
Pressão Relacionada a Dispositivo Médico resulta do uso 
de dispositivos criados e aplicados para fins diagnósticos e 
terapêuticos. A lesão por pressão resultante geralmente apresenta 
o padrão ou forma do dispositivo. Essa lesão deve ser categorizada 
usando o sistema de classificação de lesões por pressão.
Lesão por Pressão em Membranas Mucosas:
A lesão por pressão em membranas mucosas é encontrada quando 
há histórico de uso de dispositivos médicos no local do dano. Devido 
à anatomia do tecido, essas lesões não podem ser categorizadas.
Como avaliar 
Existem escalas para avaliação de risco de desenvolvimento de LP. 
Entre elas, a Escala de Braden é muito utilizada no Brasil.29 Trata-se 
de uma escala que forneceum escore de risco para a ocorrência de LP 
baseado em seis características: percepção sensorial, umidade, atividade, 
mobilidade, nutrição e f ricção/ cisalhamento. O escore varia de 6 a 23 pontos 
e quanto menor a classif icação, maior o risco de ocorrência de uma LP. 
http://www.hcfmb.unesp.br/wp-content/uploads/2015/09/GuiaRapido.pdf
105
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
 Como citado nos outros tipos de ferida, é necessário tratar a causa 
para que ocorra a cicatrização. Assim, no caso das lesões por pressão é 
fundamental que o prof issional de saúde siga alguns passos para evitar a 
pressão contínua e o cisalhamento, que são:
 Avaliar o risco de novas LP, pois essa avaliação ajuda a identif icar 
as causas;
Reavaliar o risco em todos os atendimentos;
Inspecionar a pele diariamente;
Gerenciar a umidade;
Otimizar a nutrição e a hidratação;
Minimizar a pressão.
Recentemente, a National Pressure Ulcer Advisory Panel 27 instituiu 
um protocolo para a prevenção de LP subdividido em 5 itens: avaliação 
de risco, cuidados com a pele, nutrição, reposicionamento e mobilização 
e educação continuada. Cuidados a serem avaliados diariamente em 
pacientes hospitalizados ou com mobilidade reduzida. 
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2
3
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Figura 1.40 - LPP em Região Sacral
Fonte: Ambulatório de 
feridas da UNICENTRO. 
https://www.epuap.org/wp-content/uploads/2010/10/Quick-Reference-Guide-DIGITAL-NPUAP-EPUAP-PPPIA-16Oct2014.pdf
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MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Ferida Isquêmica Hipertensiva ou Úlcera de Martorell
É uma lesão isquêmica causada pela hipertensão arterial grave, não 
controlada, que leva à rarefação dos vasos da microcirculação arterial, com 
consequente isquemia e morte celular. É uma ferida rara de ser encontrada, 
quando comparada a outras já abordadas, mas sua principal manifestação 
clínica, a dor, chama a atenção, pois o portador frequentemente procura os 
serviços de saúde para analgesia.30,31
Causas
Esse tipo de ferida surge como consequência da manutenção de valores 
elavados da pressão arterial, que causa, na microcirculação arterial dos 
chamados órgãos alvo (cérebro, coração, retina, rins e artérias de membros 
inferiores), vasoespasmo, hipertrof ia e hiperplasia da camada média, 
espessamento intimal por hiperplasia do endotélio e acúmulo de material 
hialino. Todas essas transformações promovem diminuição da luz das 
arteríolas (pequenos vasos arteriais), privando os tecidos adjacentes de 
sangue em quantidades ideais para manter a vida celular. Assim, a isquemia 
leva à morte celular e necrose do tecido.32
Localização
As feridas isquêmicas hipertensivas se formam mais comumente 
no terço inferior da perna, na face lateral desta região, devido ao pobre 
suprimento sanguíneo e escassa circulação colateral. Também pode 
ocorrer sobre o tendão de Aquiles. É comum, ainda, o portador apresentar 
múltiplas lesões. 
107
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Características da lesão
A lesão inicial é arredondada, de base granulosa ou necrótica na face lateral 
inferior da perna. Essa lesão pode progredir até aumentar sua extensão, com 
manutenção da base bem granulosa ou necrótica.33,34
Manifestações clínicas
A principal manifestação clínica desta ferida é a dor intensa, 
desproporcional ao tamanho da lesão. Ocorrem com mais f requência 
em mulheres de 50 a 70 anos. Os analgésicos comuns geralmente são 
inef icientes no tratamento da dor neste tipo de lesão. 
Exames complementares
Como a isquemia arterial causa dor devido à falta de suprimento de 
nutrientes ao tecido, é importante realizar hemograma para afastar anemias 
severas, que também causam feridas e dor intensa. Também é indicado 
radiograf ia para excluir a hipótese de ostiomielite e doppler arterial. A 
avaliação clínica rigorosa para descartar infecção, que também causa muita 
dor, deve ser realizada.
Fonte: Ambulatório de feridas da UNICENTRO. 
Figura 1.41 - Úlcera de Martorell
108
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
Atenção: é comum os prof issionais de saúde 
considerarem que a manipulação de uma ferida causa 
a dor e leva ao aumento dos níveis de pressão arterial. 
Todavia, deve-se considerar que o aumento da pressão 
arterial por períodos prolongados (a hipertensão 
descontrolada) causa isquemia na ferida e isso causa a 
dor devido à injúria (sofrimento) tecidual. Controlar a 
pressão aliviará a dor.
O tratamento desta lesão deve incorporar 
obrigatoriamente o manejo da hipertensão. 
As referências internacionais indicam o uso de 
bloqueadores de canal de cálcio e inibidores da 
enzima de conversão da angiotensina com vistas à 
vasodilatação arterial periférica. Não adianta gastar 
em produtos sem tratar a hipertensão.
109
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
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MATOZINHOS F. P., et al. Fatores associados à incidência de úlcera por pressão 
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J Nurs Stud. v.27, n.75, p.35-42. 2017.
15
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20
21
22
23
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25
26
14
111
MÓDULO 1 - DEFINIÇÕES E GUIAS PARA AVALIAÇÃO
National Pressure Ulcer Advisory Panel. New 2014 prevention and treatment of 
pressure ulcers: Clinical practice guideline. 2014.
SERPA, L. F.; SANTOS, V. L. C. G.; CAMPANILI, T. C. G. F.; QUEIROZ, M. Validade 
preditiva da Escala de Braden para o risco de desenvolvimento de úlcera por 
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2011.
AYELLO, E. A.; LYDER, C. H. A new era of pressure ulcer accountability in acute 
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MANSOUR, M.; ALAVI, A. Martorell ulcer: chronic wound management and 
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2019.
CONDE MONTERO, E. et al. Martorell Hypertensive Ischemic Ulcer Successfully 
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LIMA, A. P. et al. Martorell’s Ulcer: Diagnostic and Therapeutic Challenge. Case 
Rep Dermatol., v.7, n.2, p.199–206. 2015.
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FREIRE, B. M.; FERNANDES, N. C.; PIÑEIRO-MACEIRA, J. Úlcera hipertensiva 
de Martorell: relato de caso. Anais Brasileiros de Dermatologia. v.81, n.3, 
p.S327-S331. 2006.
28
29
30
31
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33
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27
2
Módulo 2
Técnicas, Procedimentos
e Produtos
113
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 1
PREPARO DO LEITO DA FERIDA E 
ESCOLHA DA COBERTURA ADEQUADA
Carine Teles Sangaleti
Definição
Lembram da sigla TIME abordada no Módulo 1? É uma sigla que indica 
os passos que devem ser seguidos para cuidar do todo, a partir do leito da 
ferida. A TIME pode ser então considerada uma ferramenta que guia como 
preparar o leito da ferida de forma a favorecer a cicatrização.1
Assim devemos seguir quatro etapas para preparar o leito da ferida e 
selecionar os produtos de cobertura para favorecer a cicatrização:
• Remover Tecidos desvitalizados
- Remover todos os tecidos desvitalizados que são: necrose seca e úmida 
e esfacelo;
- Usar a técnica de desbridamento.
• Controle da Inflamação e Infecção
- Limpeza;
- Uso de surfactante e produtos de cobertura para evitar e diminuir a 
colonização microbiana e biofilme;
- Eliminar toda causa de inflamaçao crônica.
• Equilíbrio da Umidade
- Manter umidade no leito, sem excessos;
- Evitar o ressecamento do leito em toda ferida crônica para promover 
limpeza, a formação do tecido de granulação e epitelização.
 
• Favorecer a epitelização
- Proteger a lesão;
- Tratar fatores causais e evitar recidivas;
- Alinhar as bordas da lesão ao leito;
- Cuidar da pele ao redor e proteger a lesão.
T
I
M
E
114
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Remover tecidos desvitalizados
A remoção de tecido desvitalizado é obrigatória, mas existem contra 
indicações para a remoção ambulatorial e em Unidade Básica de Saúde. 
Saiba mais no capítulo sobre desbridamento.
Que tipos de tecidos devemos remover 
Tecidos necróticos e o esfacelo [ver página 32].
Como remover um tecido desvitalizado e necrótico 
Para isso emprega-se um procedimento chamado de 
Desbridamento. 
Quais as vantagens do desbridamento 
Retira o tecido não vascularizado, bactérias e células que impedem o 
processo de cicatrização (carga celular), proporcionando ambiente 
que estimula o tecido saudável. Ao contário das feridas agudas, 
que geralmente requerem desbridamento apenas uma vez, se for 
o caso, feridas crônicas podem exigir desbridamento repetido.
Por sua importância e devido aos aspectos legais de cada prof isssão, 
elaboramos um capítulo específ ico para abordar esse assunto [vá 
para a página 128].
Controle da Inflamação e Infecção
Como já abordado em capítulos anteriores, as feridas crônicas 
f requentemente apresentam como fator causal o fornecimento 
insuf iciente de fluxo sanguíneo, com consequente hipóxia tecidual, 
doenças subjacentes que alteram o padrão metabólico tecidual, e são 
colonizadas por microrganismos que podem levar à formação de biof ilme.2
1
2
115
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Todos estes fatores causam inflamação contínua, que é deletéria aos tecidos, 
e favorece a infecção. Assim, para promover o controle da inflamação e evitar a 
infecção é necessário: rigor no processo de limpeza da ferida, o uso adequado 
de anti-séptico (surfactante) e o controle dos fatores locais e sistêmicos que 
comprometem a nutrição tecidual no local da ferida [leia atentamente o 
capítulo sobre a limpeza da ferida - esse procedimento é fundamental].
Manter equilíbrio da umidade
É fundamental manter um nível ideal de umidade na lesão, ou seja, não 
permitir o ressecamento nem o excesso de umidade. Esse manejo do grau de 
umidade evita, em casos de excesso, a maceração e a colonização microbiana 
e, em caso de ressecamento, dor e retardo da epitelização. Na página 169 são 
apresentadas algumas coberturas indicadas para manejar o exsudado.3
Favorecer a reepitelização 
Para isso é necessário cuidado especial com as bordas da lesão. Estas 
devem ser alinhadas ao leito de forma a evitar a colonização crônica e 
todo tecido desvitalizado, hiperqueratose e tunelização devem ser tratados 
de forma a favorecer esse alinhamento. Se bordas e leito não estiverem 
num mesmo nível não ocorrerá a migração das células epiteliais das bordas 
ao leito da lesão.4
 
A realização de procedimentos e o uso de produtos inadequados, 
podem causar lesão ao leito da ferida e essa lesão amplia a inflamação e
atrasa o processo cicatricial. Avalie sua conduta para verificar se não é o seu 
procedimento que está retardando a cicatrização.
3
4
116
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Referências
European Pressure Ulcer Advisory Panel and National Pressure Ulcer Advisory 
Panel. Treatment of pressure ulcers: Quick reference guide. Washington, DC: 
National Pressure Ulcer Advisory Panel, 2009. 
HESS, C. T. Clinical Guide to Wound Care. 7º ed. Philadelphia, PA: Lippincott 
Williams & Wilkins, 2012. 
KOSIER, B. Fundamentals of Nursing: Concepts, Process, and Practice. 6º ed. 
Upper Saddle River, NJ: Prentice-Hall, Inc, 2000. 
OVINGTON, L. G. Hanging wet-to-dry dressings out to dry. Adv Skin Wound 
Care. v.15, n.2, p.79-84, 2002.
1
2
3
4
 
Informação fundamental para a prática: Todos os procedimentos, 
técnicas e produtos para curativo devem ser baseados nas quatro etapas 
fundamentais para o preparo do leito da lesão, visando sua cicatrização.
Por isso lembre-se: Existem muitos produtos e coberturas diferentes no mercado., 
e muitas outras devem surgir, por isso, para a escolha da cobertura ideal fique 
sempre atento a essas quatro etapas, ou seja:
 Se tiver tecido desvitalizado, ou necrótico, é necessário desbridar usando 
produtos ou técnica instrumental. Isso vale também para as bordas;
 A limpeza do leito é obrigatória e o uso de surfactantes é indicado em toda 
ferida crônica para tratar ou evitar a colonização crítica e o biofilme. Existem 
outros produtos, além dos surfactantes, também destinados a esse fim;
 O leitoda ferida deve ser mantido úmido, sem excessos. Existem muitos 
produtos para manejo de exsudato e controle da umidade (lembre das bordas);
 As bordas da lesão devem ser alinhadas ao leito, por isso existem produtos 
para serem usados em cavidades e para favorecer a granulação de forma a 
favorecer esse alinhamento.
117
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 2
TÉCNICA DE LIMPEZA DE LEITO, BORDAS 
E PELE AO REDOR
Alessandra Cristina de Paula Faria Zampier
Cristiano Walter de Farias
Jessica Rodrigues dos Passos
Definição
A técnica de limpeza das feridas: apesar de ser um procedimento fácil, 
a limpeza do leito de feridas é um procedimento muitas vezes banalizado 
no cotidiano dos serviços. A efetividade do tratamento de feridas depende 
de uma limpeza bem feita e isso signif ica técnica adequada, não lesiva, 
fundamentada em princípios de não contaminação e garantia de conforto à 
pessoa que precisa deste procedimento.1
A técnica de limpeza da ferida tem fundamental importância na reparação 
tecidual. 
 Sobre a técnica de limpeza 
Procedimento obrigatório em todo atendimento à pessoa com 
ferida. Sua f inalidade é: remover resíduos da cobertura anterior, restos 
celulares, materiais estranhos, tecido necrótico ou desvitalizado, reduzir a 
quantidade de microrganismos presentes na superf ície da ferida sem causar 
traumatismos no tecido saudável, tratar qualquer biof ilme residual e evitar 
sua re-formação. O que limpar: Leito, bordas e pele ao redor.1,2
118
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Como escolher o produto para limpar a ferida
O produto ideal é aquele que é hipoalergênico, não tóxico para tecido 
viável, prontamente disponível, econômico e estável. Esse produto também 
deve ser: 
Ef icaz na presença de material orgânico, como sangue, fluidos 
corporais ou tecido necrótico;
Reduzir o número de microrganismos que se formam na superf ície 
da ferida;
Impedir a lesão do tecido (mecânica ou f ísica).
Que solução usar e o que não devo fazer
O manuseio da ferida deve ser realizado com critério e rigor. Recomenda-se 
a limpeza por meio da irrigação, com solução f isiológica ou salina de cloreto 
de sódio a 0,9%, uma vez que esta solução é isotônica, não causa dano tecidual, 
alergias ou proliferação de microrganismos. A solução f isiológica limpa a ferida, 
removendo todo o exsudato e resíduo presente, sem traumatizar as células do 
leito da mesma e, por isso, favorece o processo de cicatrização.3
1
2
3
 
Atenção: Não é indicada a limpeza mecânica com gaze no leito 
da ferida, pois esta fricção pode lesar as células recém-formadas,
desencadeando reações inflamatórias e assim prejudicar a cicatrização
119
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Etapas do procedimento de limpeza do leito
Antes do procedimento em si é fundamental garantir a qualidade do local de 
realização do curativo e a qualidade do processo de esterilização dos materiais.
No esquema com fotos a seguir são demonstradas a forma de organização 
do local para atender a pessoa com ferida, do carrinho auxiliar, a técnica de 
abertura de campo, de irrigação do leito, limpeza das bordas da ferida, da pele 
ao redor e retirada das luvas.4,5
Importante: Percebeu que uma técnica de limpeza mal feita, 
que não remova as sujidades ou que causa ferimentos no leito 
pode ampliar a inflamação e favorecer a infecção?
Etapa 1
Etapa 2
• Preparo da maca para o atendimento:
Realizar limpeza concorrente antes e após cada 
atendimento. Usar impermeáveis e lençóis individuais, 
ou seja, realizar a troca a cada atendimento. Atenção ao 
recepiente para irrigação. Quando o uso da bacia não for 
possível, use campos cirúgicos ou outro tipo de campo 
limpo, evitando o contato deste tecido com a lesão.
• Preparo e posicionamento do carrinho auxiliar:
Após limpeza do carrinho auxiliar, promover o 
posicionamento adequado dos produtos que serão usados 
no procedimento. A organização é fundamental para evitar 
deslocamentos e contaminações.
Figura 2.1 
Preparo da Maca
Figura 2.2
Preparo do Carrinho
120
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Etapa 3
Etapa 5.1
Etapa 4
• Posicionamento da pessoa com ferida:
Manter a pessoa em posição confortável, de forma a 
favorecer a visualização da área. A posição deitada em 
maca ou no leito é a preferencial, pois favorece a circulação, 
a visualização adequada da ferida e pele ao redor, reduz a 
formação do edema e promove o conforto.
• Uso do frasco de SF sem a seringa:
Técnivas para abrir agulha e o frasco de SF para 
evitar contaminação. Observe que a face interna 
do invólucro da agulha é usado para evitar a 
contaminação da mesma.
• Abertura do campo de curativo:
Respeite sempre os princípios da não contaminação 
do campo.
Figura 2.3
Posicionamento do Paciente
Figura 2.4
Abertura do Campo Estéril
Figura 2.5
Abertura da Agulha 
121
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Etapa 7
Etapa 8
• Técnica de irrigação sem seringa:
Proceder a irrigação da ferida com a solução salina aquecida 
utilizando seringa sem agulha, ou a agulha inserida de 
forma estéril no frasco de soro, aplicando pouca força a 
uma distância de 15cm da ferida, buscando minimizar o 
trauma tecidual. Essa técnica é aplicável em leitos sem 
necrose ou esfacelo.
• Tecnica de irrigação com seringa:
Proceder a irrigação da ferida com jato de solução salina 
aquecida utilizando seringa com agulha ou pressão 
manual do frasco perfurado com agulha de grosso calibre 
(40 x 12 ou 25 x 8 mm), a uma distância de 15cm da ferida, 
buscando aumentar a efetividade da remoção de detritos 
e/ou população microbiana. A irrigação pode ser realizada 
com pressão variada, várias vezes, até a completa retirada 
de detritos e microrganismos.
Figura 2.8 
Técnica de Irrigação 
Figura 2.9 
Técnica de Irrigação com 
Seringa
Etapa 5.1
Etapa 6
• Uso do frasco de SF com a seringa:
Técnica para abrir a seringa de 20 ml e o frasco de 
SF para evitar contaminação.
• Retirada do Curativo:
Realizar irrigação prévia, usar luvas de 
procedimento. Use um par de luvas para retirar o 
curativo, e outro par para realização do novo.
Figura 2.6
Abertura 
da Seringa
Figura 2.7
Retirada do 
Curativo
122
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Etapa 9
Etapa 10
• Limpeza das bordas da ferida:
Remover tecido necrótico, crostas e esfacelos. Remover a 
hiperqueratose para corrigir bordas salientes que podem 
abrigar microrganismos e favorecer a formação do 
biofilme. Garanta que as bordas se alinhem com o leito da 
ferida para facilitar o avanço epitelial e contração da ferida.
• Limpeza da pele ao redor:
Promover a limpeza com gaze e solução fisiológica, 
evitando a entrada de soução da pele ao redor no leito. 
Promova a limpeza numa área de 10 até 20 cm da lesão.
Figura 2.10 
Limpeza das Bordas
Figura 2.11 
Limpeza da Pele
Etapa 11
• Aplicação de surfactante solução ou gel:
Por irrigação ou uso de gel mantendo o contato no leito 
em gaze por 15 minutos ou ainda usar a solução em gel, 
após a limpeza com SF aquecida como cobertura primária.
Figura 2.12 
Aplicação de Cobertura
123
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Considerações sobre o procedimento de irrigação com Solução 
Fisiológica (Cloreto de sódio 0,9%)
A limpeza da ferida por meio da irrigação com solução f isiológica pode 
ser realizada de diversas maneiras, considerando o tipo de tecido presente 
na lesão.6
A temperatura ideal da solução salina para a irrigação da ferida deve 
ser em torno de 37ºC, uma vez que a divisão celular no organismo humano 
ocorre à temperatura f isiológica de 37°C. Após a limpeza, a ferida demanda 
de 30 a 40 minutos para retornar a essa temperatura e de três a quatro horas 
para atingir a velocidade normal de divisão celular. Portanto, para preservar 
o processo celular, é importante manter a temperatura em torno de 37°C, 
justif icando o uso de solução salina aquecida.
A força hidráulica empregada na irrigação, que determina a remoção de 
detritos e bactérias, é mais efetiva utilizando-se seringa com agulha.Pressões 
inferiores a 8 psi podem não realizar uma limpeza adequada em feridas 
infectadas, com tecido necrótico ou esfacelo. Porém, a pressão excessiva 
pode lesar células recém-formadas, sendo contraindicada em feridas com 
tecido de granulação (usar irrigação com agulha, sem seringa - ver fotos 
acima).6
Para uma limpeza adequada do leito de uma ferida crônica recomenda-
se o uso de soluções surfactantes para conter a colonização microbiana.
Uso de soluções surfactantes para limpeza de feridas crônicas
O uso de antissépticos no tratamento de feridas gera muita 
polêmica, seja pela manutenção do uso de antissépticos inadequados 
[veja o capítulo 4 de produtos inadequados] , seja pela dif iculdade 
de indicar o uso destes produtos corretamente. Assim, as 
evidências científ icas vêm demonstrando que o uso de soluções 
surfactantes é indicado para limpeza de todas as feridas crônicas. 
124
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Essas soluções, além de terem poder antisséptico e desinfetante, podem 
remover o biof ilme que é um dos fatores mais prejudiciais ao processo de 
cicarização numa ferida crônica. Segundo o consenso de antissepsia de 
ferida, as soluções que contém polihexametileno biguanida (PMHB) e a 
betaína são as substâncias antissépticas surfactantes mais indicadas.6
Como usar 
As feridas podem ser irrigadas com a solução surfactante após 
a técnica de limpeza com irrigação de SF 0.9%, ou podem ser 
cobertas com gazes esterelizadas irrigadas com a solução de 
PMHB, deixando-o agir por 15 alguns minutos e, na sequência, 
retirar a gaze e proceder a aplicação da cobertura selecionada para 
o curativo.
Além destas formas, é possível usar o PHMB em gel, como uma cobertura 
primária.
Fonte: Ambulatório de feridas da UNICENTRO. 
Figura 2.13 - PHMB em Gel
125
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
O uso de um produto antisséptico, como o PMHB, não exclui os cuidados 
com a técnica asséptica de curativo e avaliação global da pessoa com ferida. Por 
isso, antes de usar um antisséptico, as seguintes regras devem ser consideradas:
Determine o diagnóstico correto (ou seja, etiologia) de qualquer 
ferida de dif ícil cicatrização, pois o melhor antisséptico será ineficaz 
se a causa da lesão, da contaminação ou de uma infecção não for 
tratada;
O uso de antissépticos não substitui limpeza e desbridamento, ao 
contrário, essas duas ações podem tornar desnecessário o uso de 
antissépticos. Antissépticos são ineficazes na presença de tecidos 
desvitalizados e em feridas não limpas;
Gerencie qualquer ferida de acordo com sua fase de cicatrização, 
especialmente no que se refere à técnica e à escolha dos curativos. 
Cada troca de curativo deve ser feita meticulosamente, seguindo 
regras antissépticas básicas. Não adianta fazer uma técnica sem 
seguir regras de assepsia e depois usar antissépico. Nesse caso, a 
causa da contaminação é a ação do profissional.
Além disso, para utilizar os antissépticos da forma correta, é necessário saber 
sua indicação:7
Prevenção de infecção de feridas agudas, por exemplo, após trauma, 
mordida ou ferimentos perfuro-cortantes;
Prevenção de infecções em feridas pós-cirúrgicas (infecções de sítio 
cirúrgico) em situações clínicas indicadas como: imunodeprimidos, 
cirurgias em áreas que aumentam o risco de infecção, implantação 
de cateteres, sondas e drenos;
1
1
2
2
3
126
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Descolonização de feridas colonizadas com microrganismos 
multirresistentes;
Tratamento de feridas infectadas que apresentam sinais clínicos da 
infecção;
Limpeza de feridas crônicas em ambulatórios, para reduzir a 
colonização no leito da lesão, especialmente de portadores de lesão 
crônica que não vinham sendo acompanhados em serviços de saúde 
qualificados.
3
4
5
Observação: Existem atualmente outros produtos para 
limpeza das feridas, além da solução fisiológica. Como já 
descrito existem produtos na forma de gel, espuma, fibras, que 
também se destinam à limpeza das feridas. Todavia, a limpeza 
com irrigação com SF 0.9% é uma etapa obrigatória antes 
de qualquer outro produto. Leia o capítulo sobre produtos e 
coberturas, mais especificamente no item “indicação”. 
127
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de condutas para tratamento de úlceras 
em hanseníase e diabetes. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em 
Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. 2. ed. Brasília, 2008.
PEDRO, I; SARAIVA, S. Intervenções de enfermagem na gestão de biofilmes em 
feridas complexas. Journal of Aging and Innovation, v.1, n.6, p.78-88, 2012.
SANTOS, V; MARQUES, J; SANTOS, A. S; CUNHA, B; MANIQUE, M. Limpeza de 
feridas crónicas: abordagem baseada na evidência. Journal of Aging and 
Innovation, v.1, n.4,2012.
WOLCOTT, R; FLETCHER, J. The role of wound cleansing in the management of 
wounds. Wounds International. v.1, n.1, 2014.
MURPHY, C. et al. International consensus document. Defying hard-to-heal 
wounds with an early antibiofilm intervention strategy: wound hygiene. J 
Wound Care. v.29, n.3, p.S1-28, 2020.
KRAMER, A; DISSEMOND, J; KIM, S. et al. Consensus on Wound Antisepsis: 
Update 2018. Skin Pharmacol Physiol. v.31, n.1, p.28-58, 2018.
EBSERH. Procedimento Operacional Padrão – Comissão de Prevenção e 
Tratamento de Feridas. Coberturas para feridas. EBSERH, 2018.
1
2
3
4
5
6
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128
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 3
DESBRIDAMENTO
Leticia Gramazio Soares
Definição
Desbridamento é a técnica empregada para remoção de tecido necrótico, 
desvitalizado, não viável, infectado, biof ilme, crostas, corpo estranho, 
detritos, calosidades e hiperqueratose do leito da ferida ou pele ao redor 
com o objetivo de promover a cicatrização.1,2,3,5 Na estratégia TIME, remover 
tecidos desvitalizados é o primeito item de preparo do leito da ferida.
Relevância
Além de remover tecidos inviáveis e corpos estranhos, o desbridamento 
reduz a carga bacteriana e preserva os tecidos viáveis.5 Sendo assim, o 
desbridamento pode diminuir odor, excesso de umidade, estimular as bordas 
da ferida e melhorar a qualidade de vida da pessoa com ferida.2
Na realização de um curativo, o desbridamento pode ser um procedimento 
essencial, uma vez que a presença de tecidos inviáveis pode retardar e 
prejudicar o processo de cicatrização. A literatura reconhece a importância 
do desbridamento para o melhor estabelecimento da cicatrização,6,7,8,9,10 sendo 
considerado um princípio básico no cuidado a feridas.5,10,11
O conhecimento dos métodos disponíveis para desbridamento, vantagens, 
desvantagens, riscos e produtos é indispensável para definir o que será mais 
eficiente e adequado para o tipo de ferida e às condições físicas e emocionais 
da pessoa.5 Esse capítulo tem o objetivo de instrumentalizar o enfermeiro 
para a tomada de decisão quanto ao desbridamento de feridas.12,13
129
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Por que desbridar tecido desvitalizado do leito e bordas das feridas?
Porque a presença de tecidos desvitalizados, necróticos, corpos ou 
partículas estranhas no leito ou borda da ferida: (i) prolonga a fase inflamatória, 
fundamental para a reparação tecidual; (ii) inibe a fagocitose; (iii) promove o 
crescimento de biof ilmes bacterianos, o que aumenta o risco de infecção;10,12,14 
(iv) cria uma barreira f ísica na recuperação do tecido de granulação.12
Todos esses fatores alteram o processo de cicatrização. Permanecer na fase 
inflamatória por um período prolongado é um problema para o estabelecimento 
da cicatrização8,11,12,14,15
Os tecidos necróticos fornecem um meio de crescimento para bactérias e 
favorecem a formação de endotoxinas que inibem a migração de f ibroblastos 
e queratinócitos para a ferida, o que prejudica a formação de tecido de 
granulação, contração e epitelização.8
Importante: não existe necrose favorável ou “casquinha de 
ferida” que deva ser mantida. As causas da necrose ou do 
tecido desvitalizado devem ser encontradas, removidasou 
tratadas, assim como todo tecido desvitalizado deve ser 
retirado da lesão. 
É necessário conhecimento para indicar a melhor técnica de 
desbridamento, ou seja, os tipos, pois esse conhecimento vai 
evitar dor, infecções, prolongamento do tratamento e perda 
da qualidade de vida.
130
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Tipos de desbridamento 
O desbridamento pode ser realizado de várias maneiras diferentes, a 
literatura é diversif icada em opções. Avanços tecnológicos têm permitido 
que os enfermeiros e outros prof issionais de saúde acessem novos métodos 
de desbridamento que vão desde ultrassom até a utilização de larvas.1,5,6,15 
No Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), por meio da 
Resolução 5015/2015, def iniu quatro tipos de desbridamento, sendo eles: 
autolítico, instrumental conservador, mecânico e químico.16
É competência específ ica do enfermeiro no cuidado às feridas a 
execução do desbridamento autolítico, instrumental conservador, químico 
e mecânico.16
Desbridamento autolítico
A autólise é um processo natural que ocorre durante a cicatrização, quando 
células fagocíticas e enzimas proteolíticas digerem e removem os detritos 
durante a fase inflamatória.8,15 Esse processo ocorre em todas as feridas, porém, 
nas crônicas torna-se sobrecarregado por altos níveis de endotoxinas liberadas 
pelo tecido danificado, sendo necessário o uso de outros métodos de depuração.8
O desbridamento autolítico refere-se ao uso de enzimas próprias do 
corpo e umidade para reidratar, suavizar e liquefazer tecidos necróticos.17 
É promovido pela ação de enzimas lisossomais liberadas pelos macrófagos, 
neutróf ilos, eosinófilos e basófilos e das enzimas digestivas do próprio 
organismo.16
Alguns produtos promovem a autólise do tecido necrótico e favorecem o 
desbridamento autolítico por meio de um método seletivo, no qual o tecido 
viável é mantido.16 Estes produtos garantem um ambiente propício para a 
cicatrização, umidade f isiológica e temperatura em torno de 37ºC.4,15 A remoção 
do excesso de exsudato facilitará o desbridamento autolítico.1
131
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Vantagens 
Método seletivo, indolor e não invasivo; pode ser usado antes ou entre 
outros métodos de desbridamento;6,8
Desvantagens 
Lento; pode levar à maceração da pele ao redor da ferida; potencial 
risco de infecção;1,6,17 
Indicação 
Quando há uma pequena quantidade de tecido não viável na ferida; 
pessoas que não podem sofrer desbridamento cirúrgico; crostas, 
especialmente em feridas isquêmicas; esfacelo seco aderido, úmido, 
e esfacelo fibrinoso.
Contraindicação 
Em feridas com presença de necrose de coagulação ou escaras; 
feridas infectadas e com grande quantidade de tecido necrótico;8 
feridas isquêmicas nos pés;17 usar com cautela em feridas arteriais.6 
Exemplos de produtos 
Hidrogéis; hidrocolóides; hidrof ibras, f ibras poliabsorventes; 
espumas hidrofílicas; coberturas à base de mel;5 alginato de cálcio 
gel [conheça mais sobre estes produtos a partir da página 153].
132
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Desbridamento instrumental conservador
É a remoção seletiva de tecidos necrosados, acima do tecido 
viável,1 realizada com instrumentos cortantes, bisturi, tesoura ou pinça 
esterilizados. Não deve ocasionar dor e sangramento.3,5,17
O desbridamento instrumental conservador, como o próprio nome diz, 
envolve um procedimento que remove apenas tecido desvitalizado e conserva 
o tecido viável. É diferente do desbridamento cirúrgico, que é indicado em 
feridas que apresentam extensa destruição de tecido, lesão óssea, muscular 
ou necrose tissular,16 e é um procedimento médico, realizado em ambiente 
cirúrgico, sob anestesia.2,5,6,8
O desbridamento instrumental conservador pode ser realizado por 
enfermeiros, mas exige dos prof issionais competência, conhecimento 
das estruturas anatômicas e dos riscos, segurança e habilidade para sua 
realização.5,8,16,17
O reconhecimento de que o procedimento comporta risco de danos a 
vasos sanguíneos, nervos e tendões e requer um alto grau de habilidade 
psicomotora é necessário para evitar danos.1,6
Somente deve ser realizado após uma avaliação do leito da ferida, com 
foco nas estruturas do tecido que deverá ser removido. Isso é vital para evitar 
lesão traumática.6 Quando houver exposição de estruturas, como vasos 
sanguíneos, nervos e tendões, não se encoraja realização de desbridamento 
pelo enfermeiro. 
Por isso, o COFEN reforça que pode ser empregado em lesões cuja área de 
necrose não seja muito extensa, que comprometem até o tecido subcutâneo; 
a analgesia local geralmente não é necessária, visto que o tecido necrótico é 
indolor.18
133
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
A literatura sugere a utilização de um agente debridante enzimático ou 
autolítico, antes ou em combinação, com o desbridamento instrumental 
conservador.13
Vantagens 
Ser seletivo, remover quantidade maior de tecido necrótico, garante 
resultados rápidos. 1,5,6
Desvantagens 
Pode exigir várias sessões, exige exímio domínio da técnica pelo 
profissional; 5,6
Indicação 
Feridas com uma camada sólida de tecido necrótico com uma clara 
linha entre tecido viável e não viável.2
Contra-indicação 
Ferida tumoral; insuficiência arterial; oxigenação tecidual deficiente; 
coagulação alterada/risco de hemorragia;5 quando houver presumido 
envolvimento de estruturas profundas, como vasos, ossos, nervos e 
tendões.2,5
Desbridamento mecânico
Consiste na aplicação de força mecânica diretamente sobre o tecido 
necrótico, a f im de facilitar sua remoção e promover um meio ideal para 
a ação de coberturas primárias.16 É o método mais simples para remover os 
tecidos que causam atraso na cicatrização.7 No entanto, esse método não é 
seletivo, pois na remoção pode ser removido tanto o tecido desvitalizado 
como o saudável, prejudicando potencialmente o leito cicatrizante.15,17
Pode ser realizado por f ricção com gaze, irrigação com jato de soro 
f isiológico a 0,9%; irrigação pulsátil, hidroterapia e curativo úmido-seco.16
134
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Fricção: realizada com gazes ou esponjas umedecidas em soluções de 
limpeza; indicado em lesões pequenas com áreas de necrose, pode ser 
dolorosa.5 Não deve ser realizado em leitos de feridas com tecido em 
granulação.2
Irrigação: realizada com soro morno em jato.5 É um passo na facilitação 
da progressão da fase inflamatória à proliferativa da ferida ao remover 
detritos que impedem a cicatrização.18 A pressão do fluido de irrigação 
é o fator determinante para o desbridamento.19
Irrigação pulsátil: refere-se a uma irrigação de solução estéril aquecida 
sob pressão de 10-15 psi no leito da ferida, por meio de um dispositivo 
alimentado por bateria, de modo pulsátil. Promove desbridamento 
por fluxo contínuo ou intermitente e é recomendada para remover 
qualquer tecido necrótico, restos de resíduos, especialmente após 
desbridamento cirúrgico,11 pois retira partículas e coágulos.20 A força 
da irrigação do fluxo retira também a exsudato, fibrina e bactérias 
associadas do leito da ferida.
•
•
•
Hidroterapia: realizada em tanques com turbilhonamento para tratar 
grandes feridas no tronco ou nas extremidades, com crosta e/ou 
secreção espessa, por meio da imersão do local afetado.5 As pressões 
geradas são difíceis de monitorar e podem resultar em danos nos 
tecidos de granulação.15
Curativo úmido-seco: envolve a aplicação de gaze embebida com 
soro fisiológico 0,9% na ferida, a umidade induz a separação do tecido 
desvitalizado. Depois de seco, o curativo é removido juntamente com o 
tecido necrótico.15 No entanto, deve ser evitada pois causa dor.15
•
•
135
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Importante: Nas técnicas que utilizam soro fisiológico 
0,9%, deve-se optar pela solução em temperatura morna, já 
que a temperatura ambiente altera a temperatura da lesão, 
retardando a cicatrização. Consulte o Capítulo 2, que trata 
sobre o assunto.
Vantagens 
Curativoúmido-seco tem baixo custo; hidroterapia remove 
hiperqueratose da borda da ferida; irrigação pulsátil é de fácil 
manuseio em áreas pequenas, como mãos e pés.19
Desvantagens 
Não é seletivo e pode danificar o tecido de granulação; pode ser 
doloroso e levar muito tempo;1,2,6,8 irrigação pulsátil tem custo 
elevado;20 no curativo úmido-seco pedaços remanescentes de gaze 
no leito da ferida podem atuar como corpos estranhos; 2 hidroterapia 
aumenta o risco de infecção.20 
Indicação 
Eficaz em todos os tipos de necroses, exceto escara seca.17
Contraindicação 
Feridas com tecido de granulação;8 clientes com distúrbios de 
coagulação.2
136
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Vantagens 
É rápido e altamente seletivo e mais conservador do que o 
desbridamento cirúrgico.8
Desvantagens 
Pode destruir tecido de granulação, no caso da colagenase; ou 
ser doloroso, no caso da papaína.
Indicação 
Ferida de pé diabético, excesso de f ibrina; quando o desbridamento 
mecânico é contraindicado; necrose de liquefação. Pode ser 
aplicado em necrose seca após umidif icação prévia e técnica 
de square.
Desbridamento químico
Também conhecido como desbridamento enzimático. Método no 
qual são utilizadas enzimas proteolíticas para obter remoção mais rápida 
do tecido desvitalizado, por degradação do colágeno.8 É semelhante 
ao autolítico por utilizar enzimas, mas neste caso são usadas enzimas 
exógenas.5 
O desbridamento químico envolve a aplicação de um produto que 
degrada seletivamente apenas colágeno desnaturado que está ancorado 
na ferida e não prejudica os f ibroblastos, que são as células responsáveis 
pela produção de colágeno, elastina e fatores de crescimento essenciais na 
fase proliferativa do processo de cicatrização8 [Para saber mais sobre os 
produtos que favorecem o desbridamento químico vá para à página 153 e 
169].
137
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Exemplo de produto 
Colagenase, papaína, f ibrinolisina, estreptoquinase.2, 5
Desbridar ou não desbridar
Há relativamente poucas feridas onde não é seguro desbridar, desde que 
o método correto seja escolhido. Uma regra geral: se a ferida não for coberta 
de tecido de granulação, o desbridamento pode ser realizado para progredir 
para a cura.1
Entretanto, antes de proceder o desbridamento é necessário que o 
prof issional realize uma adequada avaliação da pessoa com ferida quanto às: 
condições clínicas, doenças de base, perfusão sanguínea, condição mental 
e emocional, bem como avalie a necrose com relação ao tipo, quantidade e 
aderência.3,5 
A literatura aponta ainda outros aspectos importantes, tais como: 
etiologia, tamanho e profundidade da ferida, tecido presente no leito e borda, 
quantidade de exsudato, presença de infecção, dor, custo, estado nutricional 
e medicações em uso.2,13,14
Se for necessário rever os aspectos citados acima volte aos capítulos: 
avaliação global da pessoa com feridas e tipos de feridas.
138
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Condições nas quais não se indica o desbridamento incluem: 
doente em fase terminal, escara estável no calcanhar, escara seca em 
membros isquêmicos, na vigência de terapia anticoagulante e distúrbios 
hemorrágicos.3,5 
O desbridamento só deve ser realizado quando houver uma perfusão 
adequada da ferida, deve-se realizar uma avaliação vascular completa antes do 
desbridamento em extremidades inferiores para determinar se o suprimento 
arterial é suf iciente para suportar a cicatrização da ferida desbridada.3
O enfermeiro deve avaliar a ferida e reconhecer os diferentes tipos de 
necrose para indicar a melhor técnica e produto desbridante, tendo em 
vista que, para cada tipo de tecido desvitalizado ou necrótico, um produto 
e técnica específ ica devem ser empregados. Cabe ao enfermeiro e/ou ao 
médico escolher o melhor método.21,22,23
O enfermeiro deve reconhecer suas habilidades e conhecimentos para 
tomar decisão quanto à realização ou não do desbridamento. Mas é fato que, 
se o tecido desvitalizado não for removido, não haverá cicatrização. Além 
disso, devem sempre consultar o COREN do seu Estado com relação a esta 
técnica. 
O excessivo desbridamento pode resultar em uma reinstalação do 
processo inflamatório com uma consequente piora da ferida, o que adia a 
cicatrização.8
O procedimento deve ser interrompido quando houver sangramento 
excessivo.5
Como com qualquer tratamento, é importante explicar o processo 
à pessoa com ferida e obter consentimento antes de realizá-lo.1,6 É 
indispensável a aceitação, compreensão e envolvimento da pessoa, 
familiares e cuidadores.5
Deve-se sempre avaliar se o controle da dor é apropriado para a técnica 
escolhida, pode ser necessária a indicação médica de analgesia.6
139
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
A cada troca de curativo deve-se reavaliar a ferida para rever a necessidade 
de continuar ou não o desbridamento. Os resultados devem ser documentados 
para que possam ser avaliados.1
O desbridamento conservador das feridas do pé diabético e neuropáticas 
é um procedimento de risco e deve ser realizado com máxima cautela, pois, 
pela perda de sensibilidade, há maior risco de lesão traumática.24
Para f inalizar, levanta-se um desaf io para os enfermeiros: melhorar o 
nível de conhecimento e habilidade em desbridamento e aumentar o acesso 
a materiais, produtos e recursos nos serviços de saúde. Somente assim será 
possível oferecer assistência de enfermagem qualif icada aos portadores de 
feridas.24 
140
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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Stand. v.26, n.24, p.51-6, 2012.
14
15
16
21
17
22
18
23
19
24
20
142
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Gabriele de Vargas
O tratamento das feridas crônicas tem início com a limpeza do ferimento, 
e deve ser realizada com aplicação de produtos que não causem toxicidade 
celular e realizem a remoção de materiais estranhos, restos celulares, tecido 
necrótico e desvitalizado. As coberturas utilizadas não devem ser lesivamente 
aderentes à pele, devem favorecer o desbridamento autolítico e criar meios 
adequados para a cicatrização e, ainda, impedir a proliferação bacteriana. 
Todo produto que não apresente estas condições mínimas exigidas tem seu 
uso contraindicado. 1,2
São produtos contraindicados:
Antissépticos
Os resultados de revisões sistemáticas e a publicação do Consenso sobre 
Antissepsia de Feridas usado nesse capítulo, e demais evidências científ icas, 
demonstram que vários produtos, ainda comuns na prática prof issional, são 
contraindicados por prejudicarem o processo de cicatrização, por serem 
ineficientes ou ainda por serem inativados na presença de matéria orgânica. 
São eles: 3,4
Polivinilpirrolidona 10% (PVPI – tópico) 
O antisséptico tópico PVPI é inef icaz na presença de substância 
orgânica (ou seja, tudo o que há no leito de uma ferida), além de 
ser tóxico e atuar como inibidor do tecido de granulação. Deve ser 
utilizado em pele íntegra, e é contra-indicado em feridas abertas, 
independente da etiologia das mesmas. 
CAPÍTULO 4
CONTRAINDICAÇÕES NO TRATAMENTO E 
LIMPEZA DE FERIDAS CRÔNICAS
143
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Sua ação deletéria nos tecidos causa diversos efeitos colaterais 
como: acidose metabólica, hipernatremia, neutropenia, irritação 
da pele e membranas mucosas, queimadura, dermatite, 
hipotireoidismo até o prejuízo da função renal, quando utilizado 
por longos períodos.
O uso do produto é contraindicado por possuir efeito citotóxico 
sobre as células, causando destruição do f ibroblasto que retarda a 
epitelização celular e diminui a força tensional da ferida, além de 
causar reações alérgicas. 3
Clorexidina 
A clorexidina atua na destruição da membrana citoplasmática 
das bactérias, atuando como germicida. Porém seu uso não é 
aconselhado em feridas abertas de nenhuma etiologia, e limita-
se sua utilização para áreas de inserção e adjacentes a cateteres 
(vasculares, diálise), introdutores e f ixadores externos.5,6
Peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 
O peróxido de hidrogênio atua na limpeza mecânica e promove 
desbridamento devido à ação efervescente, porém causa ulceração 
tissular no tecido recém-formado. Estudos têm mostrado que o 
peróxido de hidrogênio atrasa o processo de cicatrização, além de 
ser citotóxico para os f ibroblastos, devendo então ser evitado para a 
limpeza de feridas. 7,8
Permanganato de Potássio 
É contraindicada a utilização de permanganato de potássio 
em feridas, pois este é tão citotóxico às células quanto os 
outros antissépticos. O permanganato resseca o tecido, o que 
impossibilita que o leito da ferida se torne úmido.9,10
144
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Antibióticos Tópicos
Aqui podemos citar a neomicina, nitrofurazona, rifampicina, metronidazol, 
entre outros. O uso de antibióticos tópicos em feridas crônicas na maioria 
das vezes é inef iciente, pois estes agentes não apresentam penetração 
tissular satisfatória para causar os efeitos desejados. Seu uso indiscriminado 
pode favorecer a resistência bacteriana, levando à mudança do perf il 
de sensibilidade da microbiota presente na ferida, favorecendo assim o 
surgimento de cepas bacterianas multirresistentes. Também é importante 
considerar que quando agentes antimicrobianos tópicos são utilizados 
em feridas limpas e prontas para cicatrizar, estes retardam o processo de 
cicatrização e não produzem os resultados benéf icos esperados. No caso 
de infecções nas feridas crônicas deve-se optar pelo uso de antibióticos 
sistêmicos.11
Açúcar
O açúcar é utilizado em feridas há muitos anos, porém existem poucos 
estudos científicos que descrevam qual o seu princípio de ação em feridas 
infectadas e colonizadas, que apresentam tecido necrótico e de granulação e 
suas contraindicações.12,13
Biswas et al (2010) refere que o açúcar tem ação bactericida por 
proporcionar um meio hiperosmótico, impedindo a proliferação bacteriana. 
Porém, depois de duas horas em contato com a ferida, perde o poder de 
alterar a osmolaridade e se transforma em um meio de cultura.14,15,16
O uso de açúcar em feridas é contraindicado, pois favorece a proliferação 
de infecção na ferida, necessita de trocas diárias constantes e ainda pode 
atrair insetos como as formigas; além disso, seu efeito esfoliante pode acabar 
lesando e prejudicando a formação do tecido de granulação da ferida. 17
145
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Corticoides, Éter/Benzina, Lidocaína gel e Vaselina
Corticoides
Retarda o crescimento tecidual e consequentemente a cicatrização 
da ferida é prejudicada. 
Éter/Benzina
Tem efeito tissular irritante no tecido perilesão, além de retardar o 
processo de cicatrização, causa resfriando e desidratação da pele.
Lidocaína gel
Sua anestesia em feridas abertas não é comprovada e interfere na 
ação de outros produtos, como os desbridantes. 
Vaselina
Por causar a impermeabilidade da pele, impede o mecanismo de 
ação de outros produtos e, por não ser garantida sua esterilização, 
pode favorecer a colonização bacteriana no ferimento.
Sabão ou sabonetes
É contraindicado o uso de qualquer tipo de sabão ou sabonete no leito das 
feridas, mesmo que sejam neutros e hipoalergênicos. Tais produtos, quando 
dermatologicamente testados, podem ser usados na limpeza da pele ao redor 
da lesão, pois no leito causam irritação, ressecamento e retardam o processo de 
cicatrização. 16
146
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Lavar a ferida no chuveiro durante o banho
Apesar de ainda ser uma indicação comum, esse hábito pode promover a 
colonização e infecção do leito de feridas crônicas, pois a água do banho vem 
carregada de contaminações da região genital, anal, axilar e da pele de um 
modo geral. Por isso o curativo ideal é oclusivo, para proteger o leito da lesão de 
agressões como esta. 12,13,14
147
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Referências
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1
2
3
4
5
6
7
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9
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11
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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13
14
15
16
17
149
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 5
MALHAS NÃO ADERENTES E GAZE
Malhas não aderentes
É um curativo primário destinado ao tratamento de feridas constituído por 
uma malha não aderente de acetato de celulose (Exemplos: Rayon, adaptic, 
malha não aderente). A celulose é um material que ocorre naturalmente na 
madeira, algodão, cânhamo e outros materiais à base de plantas, e consiste em 
repetir unidades de anidroglucose unidas por ß-. O processo para a fabricação 
de f ilme de celulose a partir de viscose foi descoberto por três químicos 
ingleses, Charles Frederick Cross, Edward John Bevan e Clayton Beadle, em 
1898.1,2
A aplicação mais utilizada de celulose em medicina tem sido como uma 
membrana no tratamento da insuficiência renal. Porém, o uso de celulose 
microbiana sintetizada por Acetobacter xylinum é uma ótima opção para a 
cicatrização de feridas.1,3
Qual sua ação?
Promovem a manutenção de meio úmido no leito da ferida e podem 
conferir proteção.
Quando impreganadas por algum composto adjuvante para tratamento, 
as malhas não aderentes podem desempenhar diversas ações como: ação 
antimicrobiana, tratamento de biof ilme, redução da dor por evitar a adesão 
e promover maleabilidade. São comuns no mercado malhas não aderentes 
impreganadas com prata. 
Vantagem
Não adere como as gazes comuns de algodão, sendo capaz de ser removido 
facilmente durante as trocas de curativo. Miniminiza a dor e traumas durante 
o procedimento de remoção do curativo, pois reduz a perda do tecido
Pollyanna Bahls de Souza
150
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
recém-formado, o que contribui para o processo de cicatrização. Podem ser 
recortados para atender à necessidade de diferentes tamanhos, sem provocar 
o desprendimento de f ilamentos.2
Além disso, podem apresentar mais de uma ação, como a ação 
antimicrobiana, quando impregnadas com prata ou outro composto.4
Indicação
É uma cobertura indicada para uso como curativo primário ou secundário, 
sobre feridas leves a moderadamente drenantes.
Contra-Indicação
A depender do composto agregado à malha não aderente podem ocorrer 
processos alérgicos. Não são indicadas em lesões com exsudação abundante.
Figura 2.14 - Malha Não Aderente Figura 2.15 - Malha Não Aderente com 
Matriz Cicatrizante TLC-AG
Figura 2.16 - Malha Não Aderente Impregnada com Prata
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
151
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Gaze
Um dos mais populares curativos para feridas. Começou a ser produzida 
em 1981 com a f inalidade de servir como curativo cirúrgico a partir de f io de 
algodão esterilizado.5
Vantagem
A gaze tem algumas vantagens: é barata, 
conf iável, não oclusiva, grande disponibilidade 
e, principalmente, é altamente permeável e 
absorvente. Além disso, pode ser usada tanto como 
cobertura primária como secundária, em feridas 
infectadas ou não, e de qualquer tamanho.3
Atualmente existem no mercado gazes 
impregnadas com PHMB, com hidrogel e com 
produtos f itoterápicos como o aloe vera. Desta 
forma esse clássico produto de cobertura vem 
agregando outras propriedades.6
Desvantagem
As gazes secas costumam se ligar à superf ície da ferida, causando dor 
e trauma no momento da retirada de curativo. Tem pouca capacidade de 
fornecer uma barreira efetiva contra a invasão bacteriana. É permeável a 
bactérias exógenas e está associada a uma maior taxa de infecção do que com 
f ilmes transparentes ou hidrocolóides. Nesse sentido, os custos dos curativos 
com gaze pode ser signif icativamente afetado também, uma vez que requer 
mudanças com maior frequência, de duas a três vezes ao dia.6
A gaze pode deixar resíduos na ferida, o que pode favorecer a inflamação 
e a formação de granuloma, e retardar a cicatrização. Atualmente, muitas 
gazes vêm impregnadas com substâncias distintas a f im de otimizar a 
cicatrização da ferida.6,7
 
Figura 2.17 - Gaze
152
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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1
2
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153
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Papaína
O que é papaína: é uma enzima proteolítica capaz de degradar proteínas 
inviáveis no leito de uma ferida, além de promover a reparação dos tecidos 
danif icados. É de origem vegetal proveniente do látex das folhas e frutos do 
mamão verde adulto carica papaya linne. Pode ser encontrada nas seguintes 
formulações: pura em pó a 100%, na forma de gel ou creme com concentrações 
que variam de 2 a 10%. 1,2
É um produto reconhecidamente seguro para 
uso, pois seu efeito proteolítico ocorre apenas sobre 
necrose e tecido desvitalizado, ou seja, não há riscos 
da papaína lesar o tecido sadio, de granulação 
ou epitelização. A papaína acelera o processo 
de cicatrização por favorecer o desbridamento e 
ainda tem múltiplas funções úteis ao processo de 
cicatrização. 2,3
Importante: no tecido sadio, a enzima α 1 antitripisina 
impede a ação de degradação da papaína,ou seja, a papaína 
não degrada tecido viável. Diversos profissionais comparam 
os efeitos da papaína no tecido humano aos efeitos 
amolecedores em carnes de animais. Mas esses efeitos de 
quebra de proteínas só ocorrem em tecido desvitalizado.
CAPÍTULO 6
POMADAS E HIDROGÉIS
Aline Padilha Mattei
Carine Teles Sangaleti
Lucas de Oliveira Araújo
Maicon Henrique Lentsck
Vanessa Neroni
Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.18 - Papaína em pó a 
100%
154
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Ação
A papaína apresenta diversas funções, tanto que é usada por dentistas, em 
formulações cosméticas, na indústria alimentícia e para promover a cicatrização 
de feridas. Seus efeitos sobre o processo de cicatrização variam conforme sua 
concentração. Formulações a 2% promovem a granulação e deixam o tecido de 
granulação mais exuberante, pois a papaína estimula a função dos fibroblastos 
e a angiogênese. Ainda nessa concentração, estimula a contração da ferida por 
estimular a diferenciação e alinhamento de fibras de colágeno.
Formulações de 6 a 10% são usadas para o desbridamento de todos os tipos 
de tecidos desvitalizados. Em qualquer concentração, apresenta ainda efeitos 
anti-inflamatórios e torna o meio desfavorável à proliferação de microrganismos 
patogênicos devido à sua ação bacteriostática e bactericida. 4
Cuidados na Manipulação
A papaína, quando usada na forma de pó, deve ser diluída no momento 
do uso, em água estéril ou solução f isiológica não aquecida, e em recipientes 
opacos, não metálicos, pois é inativada na presença de ar ambiente, luz, 
metais ou composições metálicas, derivados de iodo, água oxigenada e em 
temperaturas iguais ou superiores aos 30°C. Pelos mesmos motivos, a papaína 
na forma de creme e gel não deve ser mantida em bisnaga ou sachês metálicos 
e em temperaturas superiores a 30°C. Deve ser conservada em geladeira e 
apenas retirada no momento do seu uso. Requer o uso de máscara para não 
ser inalada.5
Lembre-se que sulfadiazina de prata ou qualquer produto de curativo 
que contenha prata reduz a atividade da papaína devido à presença desse 
componente metálico.
Indicação
A papaína é um dos produtos de curativo mais versáteis, pois pode ser 
utilizado em qualquer tipo de ferida, limpas, contaminadas ou infectadas, e 
em qualquer fase da cicatrização. 
155
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Possui boa tolerabilidade, respeitando-se as concentrações indicadas, 
apresenta efetividade comprovada no desbridamento de necrose e esfacelo 
em diversos estudos que utilizaram este produto, além de possuir um baixo 
custo de produção.6
Contra-indicação
Alergia ao látex; como ela pode causar ardência e dor durante e após 
a realização do curativo, as reações do portador de feridas devem ser 
consideradas para indicar ou continuar seu uso. Também é contraindicada 
em feridas muito exsudativas, pois o exsudato liquefeito com a solução 
enzimática pode irritar a pele ao redor. Além disso, feridas muito exsudativas 
não mantêm o produto no leito pelo período necessário à sua ação.7
Desvantagens
Pode causar dor, o despreparo prof issional pode prejudicar seu uso, 
especialmente da forma em pó que deve ser diluída, e requer inúmeros 
cuidados para sua atividade não ser reduzida ou inativada. Requer cobertura 
secundária e troca a cada 24 horas.
Diluição Concentração
1g + 50 ml
5g + 50 ml
2%
10%
2g + 100 ml
10g + 100 ml
2%
10%
Quadro 2.1 - Diluições da Papaína em Pó em Solução Fisiológica ou Água Estéril
156
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Hidrogéis
Os hidrogéis amorfos são produtos à base de glicerina e água fabricados 
principalmente com o propósito de hidratar o leito de feridas. Pode conter em 
sua composição: alginato de cálcio e sódio, ácidos graxos essenciais, dentre 
outros compostos. 8,9
Os hidrogéis ajudam a manter um ambiente úmido para a cicatrização 
da ferida, promovem a granulação e a epitelização, além de facilitar o 
desbridamento autolítico. Devido ao seu alto teor de água, normalmente não 
conseguem absorver grandes quantidades de exsudato. 10,11,12
Aplicação
O hidrogel deve ser aplicado após limpeza do leito da ferida, aplicando-se uma 
fina camada sobre a lesão. Em seguida, deve-se inserir uma cobertura secundária 
estéril não absorvente, como, por exemplo, filme transparente. 9,13,14
Indicação
Os hidrogéis são indicados para uso como 
curativo primário no tratamento de feridas com 
pouca quantidade de exsudação, como lesões por 
pressão de estágio 2, feridas dérmicas superf iciais, 
lacerações na pele, dermatites e feridas com 
necrose para favorecer o desbridamento autolítico. 
É indicada também em lesões por queimaduras, e 
pode controlar o prurido nesse tipo de ferida.15
Contraindicação
A aplicação do hidrogel é contraindicada em feridas com exsudação 
abundante, podendo causar maceração das bordas da lesão. 10
Figura 1.19 - Pomada Hidrogel
157
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Colagenase
Agente de desbridamento enzimático seletivo obtido a partir de uma 
bactéria Gram-positiva (Clostridium histolyticum), que limpa de maneira 
ef iciente o tecido necrótico da ferida e diminui a carga bacteriana. 17,18
Ação
Trata-se de um tratamento tópico que usa enzimas proteolíticas ou 
proteinases de forma seletiva, pois especif icadamente quebra uma única 
proteína, o colágeno, componente importante da matriz extracelular, cuja 
degradação seletiva facilita a cicatrização de feridas. Além da limpeza, a 
colagenase aumenta a migração e a proliferação de queratinócitos, células 
endoteliais e f ibroblastos, liberando fatores de crescimento ligados à célula 
ou à sua superf ície extracelular.19,20,21
Como o tecido necrótico está ancorado à ferida por meio de colágeno 
desnaturado, a colagenase quebra as f ibras dessa proteína, facilitando a 
remoção da necrose e a granulação. 20,21
Aplicação
A colagenase é aplicada diretamente (produto de curativo primário) no 
tecido necrótico ou esfacelo da ferida e fornece o desbridamento contínuo, 
estabelecendo um ambiente na ferida propício para a cura.19
A colagenase pode ser utilizada diariamente, e pode ser aplicada por 
mais vezes ao dia se houver saturação do curativo. Outro ponto importante 
é que o leito da ferida deve ser mantido úmido para que a enzima exerça 
sua atividade biológica, que pode ser obtida por exsudato endógeno ou 
exogenamente por meio de hidrogel. Em escaras secas, além da manutenção 
da umidade por meio de hidrogel, esta deve ser escarif icada.22
158
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
 Para melhor efetividade, a localização da ferida, tamanho e 
profundidade devem ser considerados; além disso, a escolha correta da 
cobertura secundária também é de extrema importantância. 22,23
Indicação
Este produto é indicado para desbridamento de tecido necrótico, 
especialmente em situações que contraindicam o desbridamento cirúrgico.24
Contraindicação
Não pode ser usada em tecidos viáveis como o tecido de granulação. 
Não pode ser aplicada juntamente com antimicrobianos que contêm prata 
iônica, pois esses curativos reduzem sua atividade em 50% e curativos de 
iodo inibem em 90% a atividade.25, 26
159
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Sulfadiazina de Prata 
A sulfadiazina de prata é uma combinação do nitrato de prata com a 
sulfadiazina, que é um agente antibiótico. Com relação ao aspecto f ísico, é 
um pó branco, inodoro, que sofre alterações na coloração quando exposto à 
luz devido à oxidação dos sais de prata.27
Atualmente, é um medicamento comercializado na forma de creme, 
com concentração a 1%, de uso externo, sendo uma opção terapêutica muito 
utilizada no tratamento de feridas.26,28
Ação
Os íons de prata causam a precipitação de proteínas, agindo 
diretamente na membrana citoplasmática da célula bacteriana, exercendo 
ação bactericida imediata e ação bacteriostática residual, pela liberação 
de pequenas quantidades de prata iônica. Tal ação resulta em um amplo 
espectro de cobertura microbiana,incluindo algumas espécies de fungos, 
bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.29
Aplicação 
A aplicação deste creme é realizada diretamente na lesão. Após limpeza 
do leito da ferida e remoção de tecidos desvitalizados, procede-se a 
aplicação, com técnica asséptica, de uma camada com aproximadamente 
5mm de extensão, em toda a ferida. 24,30
A periodicidade da troca é no máximo a cada 24 horas, ou quando a 
cobertura secundária estiver saturada, a cada 12 horas.27,28
160
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Indicação
Conforme publicação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos 
Estratégicos, a sulfadiazina de prata 1% é um creme indicado para profilaxia e 
tratamento de infecções em queimaduras e áreas de abrasão em enxerto de 
pele, além de adjuvante de curto prazo na infecção de feridas de perna e de 
decúbito.25
Limitações de Uso
Sua utilização pode acarretar em leucopenia e, raramente, em reações 
alérgicas, devido à absorção da sulfadiazina. O uso prolongado dessa 
substância demonstra um retardo na cicatrização, como um efeito adverso 
da prata, além de toxicidade renal. 28,31,32
o desaf io na utilização desta classe de produto tópico é manter uma 
concentração do agente antimicrobiano suf icientemente alta, com uma ação 
residual suf iciente para que não haja resistência. O creme de sulfadiazina de 
prata a 1% fornece uma concentração inicial alta de prata (3025 lg/L) porém 
pouca atividade residual. 32,34,35
Além disso, cabe ressaltar que a sulfadiazina de prata não deve ser aplicada 
juntamente com a colagenase, nem com a papaína, pois há inativação destes 
produtos. 35
Atenção: O uso de antibióticos tópicos em feridas crônicas 
não é recomendado, devido ao desenvolvimento de 
resistência e sensibilização. 32
161
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Ácido Hialurônico 
O ácido hialurônico, uma substância endógena, contribui para o 
processo de regeneração tecidual, aumentando sua concentração 
plasmática durante o processo de cicatrização de feridas, participando 
f isiologicamente na renovação tecidual.
Seu uso tópico favorece a síntese e atividade de elementos celulares 
responsáveis pela regeneração cutânea, podendo ser considerado como 
uma intervenção exógena capaz de reduzir o tempo de reparação de 
feridas e melhorar a qualidade da epitelização. 36
Ação
O ácido hialurônico (HA) mantém o leito da ferida hidratado por sua alta 
capacidade de ligação à água; facilita o transporte de nutrientes e outras 
substâncias essenciais para o bom funcionamento das células e tecidos. 
Contribui para a migração e proliferação de novas células. 36, 37
O HA permite o suporte para as ligações das unidades de proteoglicanos 
com as f ibras de colágeno, dando forma ao conteúdo que separa células e 
tecidos, atuando na organização e estrutura do tecido neoformado. 37
O ácido hialurônico e os componentes provindos da degradação celular 
nas feridas ativam respostas celulares, como a proliferação de f ibroblastos e a 
formação de novos vasos sanguíneos, migração de neutróf ilos e macrófagos 
favorecendo a atividade fagocítica dos mesmos, além do aumento em número 
de miof ibroblastos e f ibroblastos na fase proliferativa da cicatrização, o que 
favorece o remolde do tecido. 38
No uso tópico, foram detectados níveis plasmáticos moderados de ácido 
hialurônico, revelando a ação terapêutica a nível local, cuja absorção ocorre 
no tecido epitelial com permanência máxima neste. 39,40,41
162
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Indicação
O ácido hialurônico sintético é indicado para feridas agudas, caso seja 
necessário acelerar o processo de cicatrização da pele. Pode ser utilizado como 
adjuvante (em associação com outros produtos como o colágeno, bota de 
unna, sulfadiazina de prata, AGE, entre outros) ou uso exclusivo no processo de 
cicatrização de feridas crônicas, como: feridas de estase (venosas e arteriais), 
lesões de pressão e neuropáticas. 39, 42
Aplicação
Deve ser aplicado direto no leito, formando uma camada f ina. O tempo de 
troca de curativo e reaplicação da substância, indicado pelo fabricante, é de 24 
horas. Porém não existe contraindicação da permanência de um tempo maior 
do produto, visto que ele mantém a umidade do leito. 39,40
Advertências 
O uso prolongado do creme de ácido hialurônico a 2% pode causar 
sensibilização da área em que o produto está sendo aplicado. 42
163
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Gel ou creme de cadexômero de iodo 
Curativo em forma de pomada ou gel 
castanho-escuro estéril, composto por 
cadexômero (microgrânulos de amido 
modif icado), polietilenoglicol, poloxâmero e 
0.9% de iodo. Os grânulos de cadexômero são 
biodegradáveis.34
 
Ação
 Remove o excesso de exsudato e f ibrina do leito da ferida e reduz a 
contaminação bacteriana na sua superf ície, devido à ação antimicrobiana, 
de amplo expectro, do iodo de liberação lenta. Nesse processo é formado 
um gel úmido e suave no leito, que ajuda no desbridamento, tornando assim 
o produto efetivo contra o biof ilme.
Diferentemente da clássica apresentação de solução de iodo, o PVP-I, a 
composição em gel ou creme de cadoxômero com iodo fornece liberação 
lenta e sustentada, de baixa concentração, deste composto antimicrobiano, 
de forma a não agredir as células envolvidas no processo de cicatrização.32
Indicação
É indicado no tratamento tópico de feridas exsudativas crônicas. Pode ser 
usado sob terapia de compressão, bem como em feridas infectadas. Sempre 
que o produto for utilizado em feridas infectadas, a infecção deverá ser 
inspecionada e tratada de acordo com os protocolos clínicos locais [analisar 
sinais de infecção sistêmica e sinais de infecção local - Volte à página 36 
para recordar].
Esse produto é especialmente indicado para uso em cavidades, pois 
promove a ação antibacteriana nessa área de dif ícil acesso.32
Figura 1.20 - Pomada de 
Cadexómero de Iodo
164
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Contraindicação
Esse formulação não deverá ser usada em tecidos necróticos secos ou 
pessoas com sensibilidade conhecida ao iodo ou a qualquer um dos seus 
componentes. Não deve ser usado em crianças, mulheres grávidas ou que 
estejam amamentando, nem em pessoas que sofram de insuficiência renal ou 
com distúrbios da tiróide (ex: tireoidite de Hashimoto ou bócio nodular não-
tóxico).
Advertências 
- Há um risco potencial de interação com lítio, resultando numa maior 
possibilidade de desenvolvimento de hipotiroidismo.
- Não deve ser usado concomitantemente com antissépticos mercuriais ou 
taurolidina.
- O médico deve ser informado sobre o uso deste produto caso a pessoa 
com ferida tenha que realizar testes funcionais da tiróide.
- Pode causar uma leve dor passageira, principalmente durante a primeira 
hora após aplicação. Isso é sinal de que o produto está começando a limpar 
a lesão. Ocasionalmente, normalmente transitória. Porém, se persistir o 
enfermeiro deve suspender seu uso.
Aplicação
Deve ser aplicada uma camada f ina, de até 3 mm, sobre a lesão após a 
limpeza com solução f isiológica. A aplicação em cavidades pode ser facilitada 
usando luva estéril, para posicionar melhor o creme ou gel nessas regiões.
Não deve ser aplicado na pele perilesão e não deve ser usado próximo aos 
olhos, nariz, ouvido e boca.
Deve ser trocado quando se apresentar saturado de fluidos da lesão e todo 
iodo tiver sido liberado. Isso é indicado pela perda de cor e em geral ocorre 
duas a três vezes por semana. 
165
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 7
FIBRAS E HIDROFIBRAS 
Eliane Rosso
Saionara Zakrzevski Stoy
Os curativos à base de f ibras ou hidrof ibra são curativos de retenção 
de umidade, que contém em sua fórmula f ibra (não-tecido) hidrocolóide 
de carboximetilcelulose de sódio, com alterações macro e microscópicas 
de estrutura, podendo ou não conter prata na formulação. Os curativos 
contendo prata oferecem uma concentração de 1,2% de prata iônica em 
sua extensão, com objetivo de controle e/ou prevenção de infecção por 
bactérias. 1,2,3
Existem no mercado f ibras poliabsorventes com matrizes de cicatrização 
e tecnologias variadas para controle da colonização crítica e tratamento 
do biof ilme. São produtos versáteis e representam uma grande evolução 
do tratamento de feridas complexas.4
Ação
As hidrofibras têm propriedade de absorção semelhante à dos alginatos, 
mas sua capacidade de absorção pode ser até três vezes maior. Promovem a 
formação de um gel resistente, capaz de manter o exsudato absorvido no curativo 
mesmo sob compressão. Isso proporciona maior vida útil ao curativo quando 
em contato com a lesão e a utilização de sua capacidade máxima, diminuindo 
vazamentos e, com isso, prevenindo a maceração da pele ao redor.5,6,7
Nos curativos de hidrof ibra com prata iônica, oobjetivo é proporcionar, 
além de ambiente úmido para a ferida, ação contra bactérias de forma 
prof ilática e/ou terapêutica. Nestes curativos, a prata é liberada de forma 
lenta e gradual por até duas semanas.4
A nível celular, a prata atua na cadeia de citocromos das bactérias, 
bem como na replicação do DNA, impedindo sua proliferação; e 
a hidrof ibra mantém os microrganismos dentro de suas f ibras, 
diminuindo, ao longo do tempo, a carga microbiana da ferida.
170
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
A hidrof ibra com prata, por sua vez, atua também como debritante químico, 
com ação de liquefazer o tecido necrótico e desvitalizado, promovendo ganho 
em todo o processo de cicatrização da lesão.2,1
As matrizes de cicatrização das f ibras poliabsorventes combinam a ação 
da prata e de partículas lipof ílicas para remoção do biof ilme a tratamento 
do mesmo. O poder absorvente destas f ibras é conferido pelo poliacrilato de 
amônio. 
Aplicação
Devem ser aplicadas diretamente no leito da lesão, após limpeza com SF. 
Alguns tipos de f ibra e hidrofibras também podem ser usados em cavidades 
(depende do fabricante). Esses tipos de cobertura são maleáveis, se adaptam 
a qualquer formato de leito, mas o distanciamento da aplicação no leito em 
relação às bordas também devem seguir as indicações dos fabricantes.
Indicação
Os curativos de f ibras e hidrof ibra são indicados 
especialmente para manejo do exsudato e para a 
manutenção de um grau de umidade ideal no leito 
das feridas. Quando impregnados com prata ou 
outro agente antimicrobiano podem ser usados 
em lesões infectadas ou com risco de infecção.
As f ibras com matriz cicatrizante e partículas 
lipof ílicas são indicadas para o tratamento do 
biof ilme.
As f ibras e hidrof ibras também são indicadas 
para o desbridamento, pois ao manejarem o 
exsudato podem favorecer o desbridamento 
autolítico e, ao desempenhar tal ação, ainda 
evitam o crescimento microbiano. Fonte: Ambulatório de feridas da 
UNICENTRO. 
Figura 1.21 - Fibra Poliabsorvente 
com Matriz Cicatrizante TLC-AG
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
 As f ibras e hidrof ibras têm a vantagem de serem utilizadas também em 
lesões profundas, sendo aplicadas dentro de feridas cavitárias.5,6 
Curativos de hidrof ibra com prata têm sido utilizados no tratamento de 
queimaduras e demonstraram ef icácia contra microrganismos aeróbios e 
anaeróbios, fungos e bactérias resistentes a antibióticos, além de reduzir a 
perda de água e a dor, proporcionando maior conforto e cicatrização rápida 
neste tipo de lesão, culminando em menor tempo de internação, menor custo 
com cirurgias e efeitos adversos de anestesias.4
 
Contraindicação
A contraindicação deste tipo de cobertura está relacionada 
principalmente à sua composição, ou seja, alergia aos componentes.
As f ibras e hidrof ibras não devem ser usadas concomitantemente a 
outros produtos no leito, como gel, óleos, outras f ibras, pois isso impossibilita 
a ação destes compostos. Como toda ferida crônica tem a indicação do 
uso do surfactante para tratamento e prevenção do biof ilme, antes da 
aplicação da f ibra ou hidrof ibra, é necessário lavar a lesão com SF, solução 
de surfactantes e na sequência a aplicação deste tipo de cobertura.
Figura 2.22 - Hidrofibras
172
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Alginato de Cálcio 
Composto de f ibras de ácido algínico (ácido gulurônico e ácido 
manurônico) extraído das algas marinhas marrons (Laminaria), é 
biodegradável e amplamente utilizado no tratamento de lesões cutâneas.8
O produto pode ser encontrado em diversas apresentações como em 
f ibras, placas e gel, o que permite melhor adequação ao tipo de lesão. 
A caraterística primordial deste produto é a alta capacidade de absorção 
e não aderência ao leito das lesões e sua capacidade hemostática.9,10
Ação
A troca iônica que ocorre entre o cálcio do alginato, o sódio do sangue 
e o exsudato promove a hemostasia, assim há a absorção do exsudato e 
como conseqüência da reação é gerado um complexo sódio-cálcio, em forma 
de gel, que mantém a umidade no local da lesão. Esse processo promove a 
granulação e auxilia o desbridamento autolítico. A liberação de íons de cálcio 
leva à ativação plaquetária.3,8
Aplicação 
A aplicação deve ser direta no leito da lesão, tendo o cuidade de não 
aplicar o alginato sobre as bordas ou muito rente a essas, pois, por absorver 
de forma vertical e horizontal, o alginato se expande e pode extravasar nas 
laterais, ampliar a lesão e macerar a pele circundante.
Requer cobertura secundária. Em feridas cavitárias utilizar, 
preferencialmente, o corte em f ita preenchendo o espaço parcialmente, pois 
o produto sofre expansão.
Os alginatos podem permanecer em feridas por até 7 dias após sua 
saturação. Para feridas infectadas os curativos de alginato devem ser trocados 
diariamente. No caso de feridas limpas sangrantes a troca do alginato de 
cálcio está indicada a cada 48 horas. A cobertura secundária deve ser trocada 
sempre que houver a necessidade.8,10
173
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Indicação 
Este produto é particularmente eficaz para absorção do exsudato em feridas 
exsudativas e com profundidade. Também é indicado nas incisões cirúrgicas, 
deiscência de feridas e túneis, e o gel para áreas doadoras de pele para enxertos, 
regiões com tendões expostos e lesões infectadas. Devido às propriedades 
hemostáticas, são extremamente úteis em feridas que sangram.10 
Os curativos em forma de placa são ideais para feridas superf iciais, 
e em formatos de f itas ou cordões são indicados para feridas profundas e 
cavidades.10
Destaca-se que é necessário o uso de cobertura secundária associada ao 
uso do alginato de cálcio e esta cobertura precisa ser escolhida de acordo com 
o tipo de ferida, pois pode influenciar diretamente nos resultados associados 
ao uso do alginato de cálcio.8
Assim se recomenda que, para feridas altamente exsudativas, utilize-se 
uma cobertura que auxilie na absorção, como as gazes; já no caso de feridas 
com quantidade média de exsudato o uso de f ilme ou espuma pode levar a 
uma melhor cicatrização.10
Contraindicação
Este produto é contraindicado para feridas que não apresentam exsudato, 
como necrose seca, pois os alginatos prontamente promovem absorção e 
não têm qualidades de hidratação, e podem ser dolorosos para remover se 
usados em feridas que apresentam pequenas quantidades de exsudado.3,8,10
Figura 2.23 - Alginato de Cálcio
174
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 8
ESPUMAS E HIDROCOLÓIDES 
Maria Regiane Trincaus
Tatiana da Silva Melo Malaquias 
Espumas 
Curativos de espuma são placas comumente compostas por poliuretano, 
com pequenos poros capazes de reter uma grande quantidade de fluidos, 
similares a uma esponja. Eles podem ser impregnados ou em camadas, 
podendo ser combinados com outros materiais. A capacidade de absorção 
depende da espessura e da composição do curativo específ ico.
A área de contato com a superf ície da ferida não adere ao leito, 
possibilitando uma remoção fácil e atraumática. Os curativos de espuma 
estão disponíveis na forma de almofada, folha, tira e curativo cavitário, bem 
como com uma borda adesiva de silicone e/ou um revestimento de f ilme 
transparente que atua como uma barreira bacteriana.1,2
Ação
As espumas proporcionam a absorção do exsudato, transfomando-o 
em um gel que cria um ambiente úmido que estimula o desbridamento 
autolítico. Além disso, as espumas são maleáveis e evitam traumas na 
lesão, além de manter a temperatura ideal para promover o processo de 
cicatrização. A depender do produto impregnado na espuma outras ações 
são desempenhadas, como tratamento do biof ilme, ação antimicrobiana, 
proliferação de f ibroblastos e outras.
As espumas também são usadas nos curativos a vácuo que exercem 
pressão negativa no leito das feridas e com isso potencializam a aborsorção 
do exsudato.
Certamente esse é um tipo de curativo muito versátil e com muitas 
opções no mercado. 1,2
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Indicação
Os curativos de espuma são indicados para uso como curativos primários 
ou secundários em feridas com exsudação mínima ou intensa, como lesões 
por pressão de estágio 2-4, feridas cirúrgicas e úlceras neuropáticas. 
Dependendo do produto, curativos de espuma podem ser usados em 
feridas infectadas, feridas de tunelamento ou feridas cavitárias. Curativos 
de espuma também podem ser usados para proteger a pele intacta sobre 
as proeminências ósseas ou áreas de f ricção.
Contraindicação
As contraindicações variam de acordo com o produto. Os curativos de 
espuma são geralmente contraindicados para uso em queimaduras de 
terceiro grau e feridas secas ou não drenantes, a menos que sejam usados 
para prevenção ou proteção. Além disso, é necessário atentar para o risco de 
maceração das bordas.3
Aplicação 
As espumas devem ser posicionadas sobre o leito da lesão, em contato 
direto para exercer suas ações. Quando possuírem bordas de silicone ou 
hidrocolóide, tais bordas devem ser aplicadas apenas em pele íntegra, logo 
isso deve orientar a escolha do tamanho da espuma. Espumas sem bordas 
aderentes requerem cobertura secundária. A periodicidade depende da 
instrução do fabricante e saturação da espuma por exsudato, mas geralmente 
podem permanecer até 7 dias na lesão.4
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Hidrocolóides 
Curativos hidrocolóides são curativos oclusivos ou semioclusivos feitos 
de gelatina, pectina, polissacarídeos ou carboximetilcelulose sódica (CMC). 
Os curativos hidrocolóides estão disponíveis em forma de pasta, gel ou 
placa/folha com uma camada externa de poliuretano ou f ilme (pastas e géis 
requerem curativo secundário). Esses curativos gelif icam em contato com o 
exsudato da ferida, proporcionando um ambiente úmido para a cicatrização 
da ferida e promovendo o desbridamento autolítico. 1,2
Ação
Absorve uma grande quantidade de exsudato, mantém a umidade da 
ferida, liquefaz lentamente os tecidos necróticos. Quando impregnados com 
prata também exercem ação antimicrobiana. Hidrocolóides com alginato de 
cálcio tem maior poder de aborção, além de ação hemostática. Por ser um 
curativo maleável e ter formatos variados, aplicáveis em regiões de dif ícil 
adaptação de uma cobertura, esse produto reduz os traumas e proporciona 
conforto por reduzir a sensação de dor.2
Indicação
Os hidrocolóides são indicados para uso como curativo primário ou 
secundário no tratamento de feridas com exsudação leve a moderada, como 
úlceras dérmicas, lacerações na pele, lesões por pressão ou feridas com tecido 
necrótico ou descamação. Também é indicado como curativo preventivo para 
áreas de fricção com alto risco de lesão por pressão.5
Contraindicação
Os curativos hidrocolóides são geralmente contraindicados para 
queimaduras ou feridas secas, feridas com exsudato pesado, feridas
178
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
em túnel ou tratos sinusais, feridas infectadas, feridas com tendão ou osso 
exposto ou feridas com pele frágil ao redor da ferida.
O não conhecimento do produto também pode ser considerado uma 
contraindicação. Tais coberturas geram um odor discreto e deixam resíduos 
no leito da lesão, o que pode ser facilmente interpretado, ao olhar de um leigo, 
como sinal de infecção.5
Aplicação
É um tipo de cobertura autoadesiva, de fácil aplicação. Pode ser mantido 
por um periodo de 5 a 7 dias, minimizando o trauma à pele e a interrupção da 
cicatrização (dependendo da marca e da indicação do fabricante, ver bula).
É fundamental que seja respeitada uma margem de 2 a 3 cm de pele 
íntegra para f ixação da placa de hidrocolóide, para que não ocorram lesões nas 
bordas e para garantir a durabilidade indicada do produto. Os hidrocolóides 
podem ser usados como cobertura primária ou secundária para creme, gel 
ou f ibras.5,6
Na forma de pasta, o hicrocolóide pode ser aplicado diretamente no 
leito e em túneis ou cavidades. Os f ilmes têm baixo poder de absorção e são 
indicados nas fases f inais da cicatrização.6
Importante: Coberturas de hidrocolóide possuem 
características um tanto quanto singulares, que devem 
ser levadas em conta no momento da indicação. Dentre 
elas podemos citar: odor forte, que pode ser erroneamente 
interpretado por profissionais que não conheçam o produto. 
Risco de maceração de pele ao redor, se for usado em feridas 
muito exsudativas, e aumento da possibilidade de infecção 
por bactérias anaeróbicas, se não tiver um antimicrobiano 
associado. Por manter o leito úmido, há o risco de estímulo de 
granulação hipertrófica.
179
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Figura 2.24 - Placas de Hidrocolóide
Figura 2.25 - Placas de Espuma
Fonte: Ambulatório de feridas da UNICENTRO. 
Fonte: Cenfe - www.cenfewc.com.br
180
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Referências
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Janeiro: Guanabara-Koogan, 2012.
FRANCO, D; GONÇALVES, L.F. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. 
Revista Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 35, n. 3, 2008.
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atuais e recursos auxiliares – Parte I. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 78, 
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PINHEIRO, L. S.; BORGES, E. L.; DONOSO, M. T.V. Uso de hidrocolóide e alginato 
de cálcio no tratamento de lesões cutâneas. Revista Brasileira de Enfermagem, 
v. 66, n.5, 2013.
POTTER, P.A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 8ª edição, 2013.
FRANCO, D.; GONCALVES, L. F. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. 
Rev. Col. Bras. Cir., v.35, n.3, p.203-206, 2008.
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO 9
BOTA DE UNNA E TERAPIAS 
COMPRESSIVAS
Aline Padilha Mattei
Carine Teles Sangaleti
Definição 
Bota de Unna e outras coberturas que proporcionam contenção ou 
compressão são a melhor escolha para o tratamento de feridas provenientes 
de estase venosa e linfática de membros inferiores. A bota de Unna é uma 
bandagem inelástica, impregnada de pasta composta por óxido de zinco 
e associações. Além da bota de Unna existem terapias compressivas nomercado que associam componente inelástico ao elástico para potencializar o 
mecanismo de ação destes produtos. 1,2,3
Composição
A bota de Unna industrializada está disponível com diferentes composições, 
sendo o produto comum em todas as formulações o óxido de zinco, podendo 
conter também: glicerol, álcool ceto-estearílico, óleo de rícino, goma acácia, 
conservantes, água deionizada, gelatina, calamina, entre outros. As bandagens 
elásticas e inelásticas comerciais têm composição variada nos tipos de malhas.4
Ação 
Quando corretamente aplicadas as bandagens oferecem suporte à 
musculatura esquelética do membro inferior e, desta forma, agem na 
macrocirculação, favorecendo o retorno venoso. A ação compressiva diminui 
a pressão tissular, fazendo com que os líquidos acumulados nos espaços 
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
intersticiais retornem aos sistemas vascular e linfático e, desta forma, favorece 
a reabsorção do edema, evita sua formação e ainda favorece a circulação 
venosa local. 1,5,6
As terapias inelásticas, como a bota de Unna, exercem pressão durante a 
deambulação apenas, e pequena pressão durante o repouso. As bandagens 
que combinam o componente inelástico ao elástico favorecem a compressão 
ajustada durante deambulação e repouso. 4
Bandagens multicomponentes são mais efetivas que as 
monocomponentes.
A adequada compressão da perna é essencial na cicatrização da úlcera 
venosa. 1,2,3,5,7
Considerando as etapas de preparo do leito da ferida crônica, a bota 
de Unna também pode ser associada a produtos tópicos como f ibras, 
hidrofobras e outros, com o intuito de tratamento do biof ilme e produtos 
para desbridamento do leito.
Indicação
Feridas de etiologia venosa em membros inferiores. Também indicadas às 
pessoas com feridas crônicas que não conseguem aderir a outros tratamentos 
de manejo de edema.1,4
Contraindicação 
As terapias compressivas não devem ser usadas em pessoas que não 
deambulam, que apresentam o Índice tornozelo-braço inferior a 0,8. Também 
não devem ser usadas em pessoas que apresentem infecção ativa da lesão 
e tecidos adjacentes, como é o caso das vasculites infecciosas (erisipela). 
Também estão contraindicadas nos quadros de insuf iciência cardíaca 
congestiva, hipertensão arterial descompensada e em quadros sugestivos 
de trombose venosa.4
183
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Prescrição 
Antes de decidir pelo uso da bota de Unna ou outra terapia compressiva, 
o enfermeiro deve realizar a avaliação global da pessoa com ferida, 
preferencialmente no processo de enfermagem. É necessário ter adequada 
competência clínica para excluir todas as causas que contraindicam o 
tratamento, bem como segurança para identif icar as lesões que indicam a 
terapia compressiva.
Aplicação 
Orientações ao profissional:
- A bota de Unna e os outros tipos de terapia compressiva devem 
ser aplicadas no membro sem edema; ou seja, a pessoa com 
ferida deve estar em maca para que sejam realizadas manobras 
para redução do edema, antes da aplicação. Sugere-se a flexão 
e extensão do tornozelo, drenagem linfática e contração da 
panturilha. 
- A pessoa com ferida não deve sentir dor após a aplicação, mas 
pode sentir leve desconforto por não estar habituada à sensação da 
compressão. 8
- Não aplique uma terapia compressiva com a pessoa em posição 
sentada.
- Atentar para a indicação do fabricante do produto, pois algumas 
ataduras devem ser aplicadas com a técnica em oito e outras em 
espiral contínua; evitar dobras durante o enfaixamento; atentar para 
alergia aos componentes da bota; 
- Quanto à troca: Tanto bota de Unna quanto outras terapias 
compressivas geralmente podem permanecer por 07 dias, sendo o 
tempo máximo de permanência de 15 dias.4
- Tanto a bota quando outras terapias compressivas são 
permeáveias à saída do exsudato do leito das lesões, por isso 
devem ser aplicadas gazes na área externa das faixas. 
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Orientações ao paciente:
- Se a atadura f icar apertada ou desconfortável, orientar o 
paciente a elevar o membro por 30 minutos, sem comprimir as 
artérias iguinais. Caso o desconforto não passe, as faixas devem 
ser retiradas e é necessário procurar o serviço de saúde onde 
elas foram colocadas. Recomenda-se que as pessoas em uso 
destas terapias compressivas troquem diariamente o curativo 
secundário.9,10
Figura 2.26 - Colocação da Bota de Unna
Figura 2.27 - Bota de Unna
185
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Ácidos Graxos Essenciais (AGE) 
Apesar da prática de utilização dos Ácidos Graxos Essenciais (AGE) para o 
tratamento de feridas ser muito comum, existem poucos estudos que tratam 
sobre a sua utilização.1,2
No Brasil muitos profissionais de saúde denominam genericamente de AGEs 
algumas das apresentações comerciais utilizadas para tratamento de feridas, 
porém, ao consultar suas formulações, verifica-se presente apenas um AGE, o 
ácido linolênico. 
Ressalta-se que até há alguns anos, a Agência Nacional da Vigilância 
Sanitária (ANVISA), mesmo com alguns estudos descritos, não autorizava 
registro dos AGEs como produto terapêutico para o tratamento de feridas, 
sendo a maioria registrada como produto cosmético, portanto sem a indicação 
para a qual ele é amplamente utilizado. Recentemente a ANVISA passou a 
autorizar produtos que contém em sua fórmula AGEs para serem utilizados no 
tratamento de feridas. 
Ação
O produto é originado de óleos vegetais poliinsaturados que apresentam 
em sua composição ácidos graxos que não são produzidos pelo organismo, 
tais como: ácido linoleico, ácido caprílico, ácido cáprico, vitaminas A, E, e a 
lecitina de soja.3
Seu mecanismo de ação é favorável à cicatrização por sua ação bactericida 
e por sua interferência nas diversas fases do processo cicatricial: aumentam 
a permeabilidade da membrana celular; facilitam a entrada de fatores de 
crescimento; promovem a divisão e proliferação celular; estimulam a formação 
de novos vasos sanguíneos; e são quimiotáxicos para leucócitos.
CAPÍTULO 10
OUTROS PRODUTOS
Carine Teles Sangaleti
Kelly Holanda Prezotto
Lucas de Oliveira Araújo
Tatiana da Silva Melo Malaquias
187
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Aplicação
Aplicar o AGE no leito da ferida ou embeber uma gaze com o produto 
em quantidade suf iciente para manter a ferida úmida. Aplicar cobertura 
secundária seca (gaze, chumaço) para manter o ferimento ocluído. A troca 
do curativo deve acontecer a cada 24 horas ou sempre que a cobertura 
secundária estiver saturada.3,4O AGE pode ser utilizado em associação a outros produtos de cobertura, 
como alginato e carvão ativado. A aplicação tópica em pele íntegra tem 
grande absorção: forma uma película protetora, previne escoriações devido 
à alta capacidade de hidratação, e proporciona nutrição celular local.4
Indicação 
Seu uso é variado, podendo ser utilizado na pele íntegra para prevenção 
de lesões, no tratamento de dermatites e de feridas abertas, como as venosas, 
e por pressão.3
Contraindicação 
O uso do produto deve ser suspenso nos casos onde há sinais indicativos 
de hipergranulação do tecido ou hipersensibilidade ao produto.4
Figura 2.28 - AGE
188
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Carvão Ativado 
O curativo de carvão ativado é composto por material carbonizado envolto 
por camada de tecido sem carvão ativado e impregnado com nitrato de prata 
a 0,15%.5,6
Ação
Quando aplicado sobre uma ferida, os curativos com carvão ativado 
absorvem as toxinas e exsudatos e assim inativam odor. Além disso, o nitrato 
de prata combate os microrganismos da ferida, reduzindo sua colonização, 
o que favorece o processo de cicatrização.7,8
 
Aplicação e indicação
A cobertura de carvão ativado deve ser aplicada sobre a ferida após 
limpeza, retirada do exsudato e tecido necrótico. É indicado em feridas 
exsudativas, neoplásicas, fétidas e infectadas. Pode permanecer até 07 dias 
no leito da ferida, a depender da quantidade de exsudato no local.
Atenção: o invólucro não deve ser cortado. 7,9,10
Contraindicação 
O uso da cobertura de carvão ativado pode causar irritação em 
feridas de baixa exsudação. Outros eventos adversos são derivados da 
hipersensibilidade aos seus componentes.11
Figura 2.29 - Cobertura com Carvão Ativado
189
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Filmes Transparentes 
Os filmes transparentes utilizados em curativos são feitos de poliuretano 
com adesivo acrílico, permitindo a adesão à pele, mas não ao leito da ferida. 
São semioclusivos e permitem a evaporação de líquidos, porém não absorvem 
o exsudato, proporcionando um ambiente úmido. Este tipo de cobertura é 
impermeável a líquidos, água e bactérias, mas permeável ao vapor de umidade 
e gases atmosféricos. A transparência do curativo permite a visualização da 
ferida. Disponível em uma ampla variedade de tamanhos, tanto estéreis quanto 
a granel.12,13
Indicação
O Filme Transparente é indicado como curativo primário para áreas 
doadoras de enxerto, feridas cirúrgicas fechadas e limpas, proteção da pele 
íntegra em pessoas suscetíveis a lesão por pressão, lesões superf iciais de pele 
- desde que não sejam exsudativas -,f ixação e proteção de cateteres venosos 
centrais e periféricos. Também pode ser utilizado como curativo secundário 
para manter um material absorvente na ferida e para desbridamento 
autolítico de pequenas feridas. No caso das feridas crônicas, esse produtos 
só têm utilidade nos estágios f inais da cicatrização.14,15
Contraindicação
O Filme Transparente não deve ser utilizado sobre feridas infectadas, 
profundas ou altamente exsudativas.15
Figura 2.30 - Filme Transparente Não Estéril
190
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Outras Terapias para o Tratamento de Feridas 
É marcante a velocidade da inovação e incorporação de novas tecnologias 
para o cuidado com feridas. Inúmeras áreas do conhecimento se articulam 
para o desenvolvimento de novos produtos e técnicas para o tratamento de 
lesões complexas, de dif ícil cicatrização. A resolução do COFEN nº 567/2018 
destaca que os enfermeiros apresentam competência para o uso de novas 
técnicas e tecnologias como o Laser, Light Emitting Diode - LED, terapia por 
pressão negativa, eletroterapia, entre outras, mediante capacitação clínica 
e técnica, e isso vale a qualquer prof issional. Diferente dos outros produtos 
e técnicas apresentados anteriormente, algumas destas tecnologias ainda 
não estão amplamente difundidas, contudo devem ser apresentadas para 
fomentar a inovação e efetividade da atenção às pessoas com feridas 
crônicas. 
191
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Produto/Técnica Definição
Terapia por pressão 
negativa
(curativo a vácuo - 
VAC)
Aplicação de pressão subatmosférica no leito da 
ferida que possibilita a drenagem do exsudato, redução 
do edema local, a redução da carga bacteriana e o 
desenvolvimento precoce do tecido de granulação pela 
estimulação angiogênica.
Pode ser realizada continuamente em ambiente 
hospitalar, ou de forma intermitente em ambulatórios 
e ainda, com mecanismos portáteis que podem 
permanecer na lesão por sete dias, o que favorece o 
cuidado domiciliar.
Administração de uma fração inspirada de oxigênio 
puro ou a 100%, em ambiente com uma pressão superior 
(geralmente duas a três vezes) à pressão atmosférica 
ao nível do mar. Este aumento de pressão resulta em 
aumento da pressão arterial e tecidual de oxigênio. Esse 
tipo de terapia tem indicações específicas e é realizado 
em ambiente hospitalar.
Oxigenoterapia 
hiperbárica
Quadro 2.2 - Outras Possibilidades de Tratamento: Produtos e Terapias
192
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Eletroterapia
Ozonioterapia
Terapia que consiste na aplicação de corrente 
elétrica exógena no leito da ferida crônica ou nos 
tecidos adjacentes, de forma a favorecer o processo de 
cicatrização. O ambiente úmido no leito conduz a corrente 
elétrica e o campo elétrico estimula a proliferação e a 
migração de células epiteliais e de tecido conjuntivo. 
As correntes elétricas exógenas são classificadas como 
diretas, alternadas ou de pulso e possuem indicações 
terapêuticas específicas. 
Quando aplicada nos tecidos adjacentes à lesão, a 
eletroterapia promove importante redução da dor, e essa 
ação é um aliado adjuvante importante no processo de 
tratamento das feridas crônicas.
O ozônio é um gás volátil que apresenta potente 
ação antibacteriana, tanto que já é amplamente usado 
na indústria para tratamento de água. Para o tratamento 
de feridas é usada uma mistura de oxigênio e ozônio em 
proporções que variam de: 0,05% de ozônio e 99.95% de 
oxigênio a 5% de ozônio e 95% de oxigênio. A ozonioterapia 
inclui o uso deste desta mistura em várias formulações 
como: a limpeza das lesões com água ozonizada, uso 
tópico de cremes e/ou óleos ozonizados, sessões com 
bolsas infláveis com gás ozônio ou ainda imersão em 
água e gás, denominada hidrozonioterapia.
193
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Ozonioterapia
Fotobioestimulação: 
Laserterapia (terapia 
com o uso de luz 
Laser), Ledterapia 
(terapia com o uso de 
luz Led)
A ozonioterapia favorece a cicatrização segundo 
os seguintes mecanismos de ação do ozônio: ação 
bactericida e bacteriostática, viricida e fungicida; 
aceleração da neoangiogênese; aumento do número 
médio de fibroblastos; aumento da capacidade de 
absorção do O2 por parte do eritrócito, e estimula o 
sistema imunológico.
Terapia estimuladora da cicatrização que se baseia 
na interação da luz (Laser de Baixa Intensidade ou Diodo 
emissor de luz – LED) com os tecidos do corpo humano, 
estimulando os processos fotofísicos, fotoquímicos e 
fotobiológicos em nível mitocondrial. Esse estímulo 
aumenta o metabolismo celular, podendo acelerar 
cicatrização, aliviar dores e drenar inflamações. É útil 
tanto para favorecer a ação dos fibroblastos e demais 
componentes teciduais, quanto para recuperar lesões, 
reduzir a inflamação e edema e, consequentemente, a 
dor.
194
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Terapia fotodinâmica
Nanotecnologia 
Biomembranas
Fotoquimioterapia que associa um 
fotossensibilizante, a luz de intensidade e foco 
controláveis e, o oxigênio tecidual que tem o potencial 
de causar efeito citotóxico sobre microrganismos no 
leito da lesão. Além disso, o termo dinâmica se refere a 
capacidade de modif icação de intensidade, frequência, 
e o fotoestimulador e assim desempenhar outras 
funções como a destruição seletiva de um tecido, como 
o tecido desvitalizado, no leito de uma ferida.
Terapiasde cobertura baseadas em materias e 
princípios ativos em escala nanométrica. Destacam-
se as nanopartículas de prata, ouro e uma variedade 
de nanofibras poliméricas que podem ser aplicadas 
diretamente no leito da lesão, em emulsões, espumas, 
fibras. Dentre as ações no processo de cicatrização 
destacam-se o alto poder de penetração, inclusive em 
biofilme, liberação controlada de substâncias com 
ação antiinflamatória, antimicrobiana, estimulação da 
proliferação de fibroblastos. Ainda há muitos estudos em 
desenvolvimento sobre nanoestruturas, nanomateriais e 
nanopartículas no tratamento de feridas crônicas. 
São polímeros sintéticos biorreabsorvíveis que 
podem ser utilizados sob a forma de membranas 
para sustentar e guiar o crescimento celular no 
processo de reparação tecidual. As biomembranas 
aceleram o processo de adesão celular e favorecem um 
desenvolvimento celular constante, por este fato têm 
sido utilizadas, com o intuito de biocurativos.
195
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Plasma autógeno 
rico em plaquetas 
(gel de plaquetas)
Biomembranas
Concentrado de plaquetas obtido a partir do sangue 
da própria pessoa que receberá a aplicação deste 
concentrado. Esse produto tem grande potencial no 
tratamento de feridas crônicas porque contém fibrina e 
altas concentrações de fatores de crescimento. Sabe-
se que o leito de feridas crônicas apresenta fibroblastos 
senescentes e baixa concentração de fatores de 
crescimento, por isso o plasma rico em plaquetas, do 
próprio paciente, se destaca como uma terapia adjuvante 
de tratamento.
São exemplos de biomembramas: acajumembrana, 
membrana de latéx natural, de quitosana com ácido 
hialurônico, de colágeno, biopolímero de cana-de-
açúcar, de celulose microbiana, cola de fibrina.
Punção
Venosa
Aplicação
Pipetagem
Plasma
Centrifugação
Eritrocitos
Leococitos 
e PlaquetasPlasma Rico
em Plaquetas
Plasma Pobre
em Plaquetas
196
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Definição
No Brasil, as terapias tradicionais são reconhecidas como Práticas 
Integrativas e Complementares (PIC) pelo Ministério da Saúde (MS). Em 2006, 
o MS publicou a portaria n° 971/2006 que regulamenta a Política Nacional 
de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), com o intuito de 
reconhecer e inserir as PIC no Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2014). 
A PNPIC engloba as seguintes práticas: Medicina Tradicional Chinesa (MTC) – 
Acupuntura, Medicina Antroposóf ica, Homeopatia, Termalismo, Crenoterapia 
e Plantas Medicinais e Fitoterapia. 1,2
A f itoterapia é uma “terapêutica caracterizada pelo uso de plantas 
medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização 
de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal”. O uso de 
plantas medicinais na arte da cura, tratamento e prevenção de doenças 
vem de origens muito antigas, relacionadas aos primórdios da medicina e 
fundamentada no acúmulo de informações por sucessivas gerações.3,4
Embora exista no mercado uma gama de substâncias sintéticas para 
tratamentos de feridas, percebe-se que pacientes e prof issionais recorrem 
à f itoterapia como opção de tratamento, possivelmente pelo destaque que 
esta tem alcançado no contexto da saúde.5
A discussão sobre o uso da f itoterapia tornou-se mais consistente 
a partir da constatação de que, simultaneamente ao uso de 
CAPÍTULO 11
A FITOTERAPIA NO TRATAMENTO DE 
FERIDAS CRÔNICAS
Calíope Pilger
Laryssa de Col Dalazoana Baier 
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
medicamentos industrializados, a população faz seu uso, muitas vezes 
desconhecendo a possível existência de toxicidade e mesmo sua 
comprovada ação terapêutica, forma correta de cultivo, preparo, indicações 
e contraindicações, acreditando que, por serem plantas medicinais, não são 
prejudiciais à saúde, independente da forma e quantidade utilizada. 6,7,8
A ef iciência clínica destes componentes no tratamento de feridas tem 
sido investigada por meio de ensaios clínicos in vivo e in vitro, usando ambos 
modelos animais e humanos.9,10
Apesar do grande contingente de publicações em nível mundial, observa-
se que o Brasil vem desenvolvendo pesquisas importantes para o avanço 
do conhecimento das propriedades medicinais das plantas utilizadas pela 
população. De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 10, 
de 2010, que dispõe sobre a notif icação de drogas vegetais junto à Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA),há uma lista com 66 plantas 
medicinais que podem ser utilizadas e distribuídas pelos serviços de saúde 
no Brasil, dentre estas, oito são indicadas para cicatrização de feridas, 
com comprovadas ações, como a Anacardium occidentale L., Caesalpinia 
ferrea Mart., Casearia sylvestris Sw., Schinus terebinthifolius Raddi, 
Stryphnodendrom adstringens (Mart.) Coville, Maytenus ilicifolia Mart. ex 
Reissek e Polygonum punctatum Elliott e Calendula off icinalis L.10,11
Outra planta encontrada em estudos internacionais, com comprovada 
ação cicatrizante em feridas, é a Aloe vera, da família das Liliáceas.12
Após pesquisa e análise dos estudos encontrados que envolvem 
f itoterápicos e sua ef icácia no tratamento de feridas, selecionou-se duas 
plantas, a Calendula off icinalis L., uma das mais citadas na literatura nacional, 
e a Aloe vera, na literatura internacional para exposição de suas propriedades 
terapêuticas.13,14,15
200
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Aloe Vera
A Aloe barbadensis Miller, comumente conhecida como Aloe vera, é uma 
das mais de 400 espécies de Aloe da família das Liliaceae,sendo considerada 
de grande importância comercial. Pode ajudar na cicatrização de feridas e é 
popular no campo de pesquisas científicas. 15,16
Ação
A planta Aloe vera contém cerca de 70 componentes potencialmente 
ativos, dentre eles vitaminas, enzimas, minerais, açúcares, compostos 
fenólicos e orgânicos, além de ácido salicílico e ácidos aminados, apresenta 
efeito anti-inflamatório, antioxidante, cicatrizante, bactericida, laxativo, 
emoliente e suavizante. Muitos dos seus benef ícios são atribuídos aos 
polissacarídeos presentes em sua polpa.14,17,18
Um dos polissacarídeos presentes na Aloe vera é o acemano. Segundo 
o CONSELHO INTERNACIONAL DE CIÊNCIA DE ALOE – IASC (2012), 
apenas produtos que contenham acemano ou o beta 1-4 glucomananas 
acetilados, podem ser considerados como Aloe vera. O acemano tem sido 
apontado como responsável pela proliferação de f ibroblastos e produção 
do ácido hialurônico hidroxipolímerizado em f ibroblastos, os quais são 
importantes para o remodelamento da matriz extracelular durante a fase 
de cicatrização.14,19,20
Outros polissacarídeos, como o manose-6-fostato, podem ativar o 
crescimento de substâncias, especialmente na fase de epitelização, 
aumentar a contração da ferida e promover a síntese de colágeno 
e angiogênese. O manose-6-fosfato de ligação pode ainda induzir a 
proliferação de f ibroblastos, o que ajuda a promover a deposição de 
colágeno e reorganização celular.15,21
Desde muito tempo a espécie Aloe tem sido explorada e estudada 
por sua ef icácia médica, seus constituintes f itoquímicos, propriedades 
terapêuticas e rejuvenescedoras, e a espécie Aloe vera pelos seus 
efeitos antihiperlipídicos, antivirais, antimicrobianos, anticancerígenos, 
hepatoprotetores, antioxidantes, hipoglicêmicos e imunomoduladores.22,23
201
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Preparação do Composto
A partir do processamento das folhas da planta Aloe vera, dois produtos 
principais são obtidos:
- Da parte mais externa pode se extrair um suco amarelo amargo, 
geralmente conhecido como “Aloe vera latex ou suco de aloe”, que 
quando concentrado e seco recebe a denominação de Aloé. Esse suco flui 
espontaneamente das folhas cortadas e possui forte odor e sabor muito 
amargo, é composto principalmente por derivados antracênicos, sendo as 
aloínas (barbaloína e isobarbaloína) os mais conhecidos. 19,24
- Da polpa foliar, que é a porção mais interna da folha, pode se extrair o 
Gel de Aloe Vera, constituído por água, polissacarídeos e outras substâncias 
como vitaminas (A, B1, B2, B6, C e E), aminoácidos, lignina, lipídeos, 
enzimas (fosfatase ácida, fosfatase alcalina, amilase e lipase), carboidratos, 
ácidos salicílicos, proteínas e minerais (sódio, cálcio, magnésio e potássio, 
zinco).15,19,21,25
Aplicação
A Aloe vera pode ser aplicada topicamente em lesões cutâneas, como 
preparações tópicas, cremes, mucilagens, géis, ou ser impregnada dentro de 
um curativo e aplicada na ferida, além de soluções orais.15,21,26
Estudos apontam várias formulações tópicas, como creme de Aloe a 0,5%, 
gel f resco natural, gel de Aloe (composto de 98 % do gel bruto do interior da 
folha da planta).14,27
202
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Efeitos Adversos
Embora o preparo de soluções tópicas e orais de Aloe vera seja considerado 
seguro, sem efeitos colaterais graves, como toxicidade e mortalidade, 
algumas reações adversas foram experimentadas pelos pacientes.28
Algumas das reações, que podem ocorrer com as preparações tópicas, são 
prurido, irritação na pele, dermatite de contato, eritema e fotodermatite.15,19
Devido à presença de antraquinona na planta, quando se apresenta em 
excesso nas soluções orais, causa forte diarreia, cólicas severas, náusea e 
consequente perda de eletrólitos.4,17,19
Figura 2.31 - Aloe barbadensis Miller
Figura 2.32 - Calêndula officinalis L.
203
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Calêndula officinalis L.
Calêndula off icinalis L. pertence à Família Asteraceae, é uma planta 
herbácea, anual, de jardim comum, nativa da região do Mediterrâneo (sul 
da Europa e do Egito), amplamente cultivada em várias partes do mundo 
para f ins ornamentais, cosméticos e medicinais, conhecida no Brasil 
como calêndula, calêndula-hortense, maravilha, maravilha-dos-jardins, 
malmequer, malmequer-de-jardim, flor-de-todos-os-males, margarida-
dourada e verrucária. É usada para tratar vários distúrbios da pele, como 
queimaduras e feridas, eczema, psoríase e várias infecções cutâneas.1,13,18
Ação
Mais de 35 propriedades foram atribuídas a decocções e tinturas das 
flores de Calêndula off icinalis L.. Pesquisas f itotoquímicas realizadas com 
as flores e os receptáculos registraram um amplo espectro de compostos 
químicos, sobretudo flavonoides (Quercetina, rutina, narcissina, kaempferol) 
carotenoides, polissacarídeos, saponinas triterpênicas, triterpenos, 
cumarinas, taninos, além de ésteres de ácidos graxos, hidrocarbonetos, 
ácidos graxos, fenólicos, gálicos, cafeicos, salicílicos, poliacetilenos, esteróis, 
sesquiterpenos glicosídeo, um óleo volátil (0,1 a 0,2%) muito abundante em 
sesquiterpenos hidrocarbonetos e álcoois. 13,18,24,25
Estudos f itofarmacológicos de flores de Calêndula off icinalis têm 
mostrado atividade antiinflamatória, antibactericida, antiparasita, antiviral, 
antifúngica, imunomoduladora, vasodilatora, antiémetica, antioxidante, 
antiespasmódica, antitumoral, hipoglicêmica, hipolipídica e tonif icante da 
pele.
Em estudos clínicos, tem apresentado alta eficácia como agente de 
cicatrização de lesões de pele e mucosas, bem como para o tratamento de 
herpes, eritemas solares, queimaduras, dermatite e cicatrização de feridas.7,12
204
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Preparação do Composto
São citados o uso do caule e das folhas secas, das sementes, de toda a 
planta, e da flor, que é a parte mais utilizada e estudada.13
Aplicação
Inúmeros usos medicinais e farmacêuticos são vinculados à Calêndula 
off icinalis, conjugados ao uso interno e externo, em diferentes formas de 
preparo que incluem o seu consumo in natura em saladas, assim como infusão, 
de cocção, tinturas, pomadas, géis, cataplasmas, unguentos, banhos, extratos, 
contudo, esta última forma de preparo, para uso tópico, é a mais comumente 
utilizada como agentes anti-inflamatórios, agentes de cicatrização de lesões 
de pele e mucosas. 
A flor da Calêndula off icinalis pode ser utilizada na forma de chá, extrato, 
tintura a 5%, gel com concentração de 5%, 7% ou 10% da planta, pétalas 
maceradas em compressas de alcoolato são usadas para feridas abertas, 
óleo essencial, em produtos cosméticos ou de cuidados pessoais (pétalas 
secas).13,21,24,
Efeitos Adversos
A Calêndula off icinalis tem baixa toxicidade, mas deve-se ter cautela e ser 
contraindicada quando for conf irmado que o portador de ferida tem alergiaàs plantas e alimentos da família da Asteraceae, o que é muito raro. 12
205
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Considerações
Nos últimos tempos, tem ocorrido um aumento do uso de produtos 
naturais à base de plantas para o tratamento de várias condições crônicas. 
Esta pode ser uma alternativa terapêutica pelo seu baixo custo, todavia, 
sem a qualidade adequada, tais produtos não promovem a ação desejada, 
podem anular a sua ef icácia e trazer riscos à saúde.1,27
Para manter a ef icácia e qualidade dos componentes das plantas medicinais, 
faz-se necessário que os prof issionais de saúde estejam abertos a novas 
possibilidades de práticas de cuidados numa perspectiva de integralidade, 
aliando práticas populares, alternativas e complementares às convencionais, 
em uma associação promissora, visando o bem-estar dos pacientes, e a busca 
por novas ferramentas de cuidado.
Outro fator importante para o progresso do uso da f itoterapia, é o 
desenvolvimento de novos métodos de extração, procedimentos de 
purif icação, avaliação do controle de qualidade e protocolos de tratamento, 
mecanismos exatos de ação, efeitos colaterais e segurança destes 
compostos, e para isso são necessárias mais pesquisas, comprovação e 
evidências científ icas, além de f inanciamento de órgãos governamentais.21
Pode-se perceber que as duas plantas supracitadas, Aloe vera e Calêndula 
off icinallis, apresentaram evidências científ icas no tratamento de feridas. 
Este fato é de extrema relevância para a área da saúde, principalmente no 
cuidado com feridas, pois emerge a necessidade de realizar pesquisas com 
outras plantas medicinais, com intuito de conhecer a ef icácia e benef ícios 
das mesmas. Ainda percebe-se que as plantas medicinais tornam-se 
alternativas de grande relevância para o tratamento e cicatrização de feridas, 
considerando que seu uso seja validado por estudos que conf irmem seu 
potencial e ef icácia. Para isso, sugere-se novos estudos de comprovação 
clínica, custos e benef ícios, e a constante atualização acerca das publicações 
que envolvem a f itoterapia.22
206
MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
Referências
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MÓDULO 2 - TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS
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Módulo 3
Aspectos Legais
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MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
CAPÍTULO 1
O PAPEL DO ENFERMEIRO 
Leticia Gramazio Soares
Soriane Loures
Definição
As feridas constituem um problema complexo e multifatorial, que se 
integram à realidade dos diversos níveis de atenção à saúde, desde a básica 
até o atendimento terciário em hospitais. Ou seja, tem ferida em todas as 
áreas da atenção à saúde. As feridas fazem parte dotrabalho cotidiano das 
enfermeiras, enfermeiros e toda equipe de enfermagem. 1
O enfermeiro tem autonomia para avaliar a ferida, indicar produtos e 
técnicas para realizar o curativo e modificar a conduta, mediante evolução 
do caso. Tanto que a Resolução n. 567 de 2018, do Conselho Federal de 
Enfermagem definiu como competência do enfermeiro: realizar curativos, 
coordenar e supervisionar a equipe de enfermagem na prevenção e cuidado 
às feridas. Além disso, especif icou que é de competência do enfermeiro a 
abertura de consultório de enfermagem para a prevenção e cuidado às feridas, 
preferencialmente pelo enfermeiro especialista. 1
Mas você sabe definir claramente qual é o papel do enfermeiro na 
assistência ao paciente portador de feridas?
Podemos dizer que é um papel amplo e complexo, que exige 
comprometimento, conhecimento científ ico e habilidade clínica. Logo, esse 
papel é possível de ser executado nos serviços de saúde. 2,3
Os principais eixos que compõem o papel do enfermeiro na assistência de 
enfermagem ao portador de feridas incluem: 
211
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Avaliação global do portador de ferida; 
 
Identificação das necessidades de saúde do portador (clínicas, sociais, 
psicológicas/mentais); 
Avaliação da ferida em si (condições do leito e tecidos adjacentes); 
Indicação de técnicas e produtos; 
Educação em saúde;
Gerenciamento de recursos humanos e materiais.
Avaliação global do cliente portador de ferida 
O tratamento de feridas ocorre por meio de ações simples que visam 
remover as barreiras que impedem a cicatrização. Para tanto, o enfermeiro 
deve sistematizar suas ações, mas para isso ele precisa avaliar a pessoa que 
precisa de cuidado. Infelizmente é comum na prática de enfermagem a 
execução de procedimentos, a indicação de produtos, sem uma adequada 
avaliação. 2,3
Como avaliar? Sugerimos aqui a aplicação do Processo de Enfermagem, 
pois ele guia os passos da avaliação e da condução do cuidado de forma 
organizada e científ ica. Como é um processo direcionado a um fator, a ferida 
crônica, a TIME é a ferramente que deve ser incorporada no processo de 
enfermagem [leia novamente o início do módulo 1, se necessário].
A Resolução nº358 de 2009, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), 
dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem em cinco 
etapas: I. Coleta de dados de Enfermagem; II. Diagnóstico de Enfermagem; 
III. Planejamento de Enfermagem; IV. Implementação e V. Avaliação de 
Enfermagem. 4
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212
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
I. Coleta de dados de Enfermagem 
Nessa etapa o enfermeiro vai levantar o histórico de vida e saúde do 
portador de ferida e, na sequência, fazer um exame físico minucioso em 
busca de evidências clínicas de uma disfunção que possa explicar o retardo 
no processo de cicatrização, conforme amplamente abordado no primeiro 
módulo deste e-book. 3
Histórico de Enfermagem 
O conhecimento do histórico de uma pessoa que apresenta uma ferida 
de dif ícil cicatrização é muito importante, pois na trajetória de busca de 
cuidados, geralmente muitas infomações não foram consideradas. Ao 
conhecer o que a pessoa já fez para se cuidar, há quanto tempo tem o 
problema, que tratamentos realizou, o que faz no dia a dia e como faz, dentre 
tantas outras informações, podemos evidenciar fatores que interferem 
diretamente na cicatrização da ferida e podem ser identif icados nesta etapa 
do processo de enfermagem. 5
Exame físico 
Muitas vezes a presença de uma ferida que não cicatriza desvia a atenção 
do problema de base que a causa. Devemos ter claro que a ferida é a 
manifestação de uma doença descompensada, de uma alteração f isiológica 
grave ou de um tratamento mal conduzido ou mesmo não realizado. 5,6
Importante: Devemos obrigatoriamente analisar bem as 
seguintes informações:
Idade, condições socioeconômicas, ocupação, hábitos de vida 
como tabagismo e consumo de álcool, prática de atividades 
físicas, doenças pré-existentes, medicações em uso prescritas 
ou não, hábitos alimentares e histórico familiar. 
213
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
II. Diagnóstico de Enfermagem 
Depois de conhecer o histórico e realizar o exame f ísico, o enfermeiro 
deverá agrupar os dados coletados na primeira etapa e determinar os 
Diagnósticos de Enfermagem apropriados, os quais constituirão a base para 
a seleção das intervenções.
Quais técnicas utilizar: inspeção, palpação, percussão e ausculta. Cada 
técnica deve ser realizada de maneira detalhada, não basta observar à 
distância, tirando conclusões com base em odores ou inferir causas sem 
avaliação.
A avaliação da ferida em si também é realizada durante o exame f ísico. 
Essa avaliação é decisiva para a escolha do curativo e essencial para o 
estabelecimento de um diagnóstico de enfermagem acurado. Algumas 
manifestações clínicas são indispensáveis para def inir, por exemplo, qual a 
causa da ferida e explicam, por exemplo, a presença de tecido desvitalizado 
no leito.
 Essas manifestações devem ser registradas no prontuário, pois serão 
determinantes na escolha da conduta do enfermeiro.
Importante: Ao realizar o histórico de enfermagem com 
enfoque na ferramenta TIME é possível identificar as causas que 
explicam a presença de tecidos desvitalizados no leito da ferida 
(sigla T), causas da manutenção de processos inflamatórios e 
infecciosos (sigla I), fatores que aumentam a exsudação ou 
mantém o leito da ferida ressecado (sigla M) e os motivos do 
retardo no processo de epitelização (sigla E).
Importante: o exame físico deve seguir o sentido céfalo-caudal, 
observando todos os sistemas. É importante não pular nada, 
pelo menos na primeira avaliação. Todavia, devemos partir 
da análise do leito para o todo, segundo a ferramenta TIME, 
pois o exame deve ser direcionado à questão do processo de 
cicatrização.
214
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
III. Planejamento de Enfermagem 
Nesta etapa deve-se determinar os resultados que se espera alcançar 
e as intervenções de enfermagem que serão realizadas, lembrando que o 
objetivo das intervenções é garantir condições de cicatrização, remover 
barreiras que a impedem, sem risco de contaminação. A indicação de 
produtos e coberturas, da técnica e a educação em saúde são ferramentas 
importantes desta etapa.
Indicação de produtos e técnicas 
O enfermeiro deve indicar os produtos e técnicas para serem utilizados 
na ferida, de acordo com a sua avaliação. Para isso, deve conhecer a ação, 
indicação e contraindicação dos produtos disponíveis ou necessários para 
o preparo do leito - o curativo em si. 
Segundo o COFEN (2018), é competência do enfermeiro estabelecer 
prescrição de medicamentos/coberturas utilizados na prevenção e 
cuidado às feridas, estabelecida em Programas de Saúde ou Protocolos 
Institucionais. Essa colocação não se destina a uma reserva de mercado 
de trabalho, nem tampouco para aumentar a carga de trabalho dos 
prof issionais de enfermagem, mas se baseia na capacidade teórica, técnica 
e prática que os enfermeiros são formados para ter. 1
Além da indicação de produtos, o enfermeiro deve ainda indicar a melhor 
técnica para ser empregada no curativo, dentre as quais podemos citar: 
tipo de limpeza da ferida (irrigação ou desbridamento), tipo de curativo 
(oclusivo, compressivo, seco, úmido).
O enfermeiro deve também determinar a periodicidade da troca 
do curativo e def inir qual prof issional irá realizar, tendo em vista que o 
procedimento pode ser delegado para prof issional de nível médio. O 
enfermeiro tem competência para prescrever cuidados de enfermagem aos 
Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, observadas as disposições legais da 
prof issão. 1
215
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Educação em saúde 
É também papel do enfermeiro e faz parte do Planejamento de 
Enfermagem realizar ações de educação em saúde, relacionadas em boa 
parte aos modos de vida e gerenciamento de doenças subjacentes do 
portador de feridas. Por exemplo, no cuidado aos tabagistas,obesos ou 
desnutridos, diabéticos ou hipertensos, é necessário que o enfermeiro, com 
base no conhecimento da realidade e necessidades do portador de feridas, 
realize orientações necessárias para favorecer o processo de cicatrização. 
É importante envolver nesse processo a pessoa com ferida, familiares e 
cuidadores para que as ações de educação em saúde sejam efetivas. 7
Não é raro, nos casos das feridas crônicas, que as ações de educação em 
saúde requeiram a participação de assistentes sociais, psicólogos, órgãos 
de gestão estadual e municipal, para que o portador de feridas obtenha o 
que realmente precisa para modif icar seu estilo de vida. 8
Também cabe ao enfermeiros as ações de educação permanente em 
serviço, para atualização técnica e aprimoramento clínico.
IV. Implementação 
Nesta etapa ocorre a realização das ações ou intervenções determinadas 
na etapa de Planejamento de Enfermagem. Após conhecer as necessidades 
de saúde do portador de ferida e com base nos materiais disponíveis no 
serviço, o enfermeiro deverá proceder o curativo e as orientações (ações 
de educação em saúde). Para executar o curativo o enfermeiro deve 
dominar princípios científ icos e técnicos. Alguns cuidados são essenciais 
na implementação, tais como:
Importante: ação de educação em saúde não é sinônimo de 
prescrição de orientação apenas. Você deve se envolver com 
o caso para que suas ações de educação sejam realmente 
efetivas. 
216
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Garantir que o procedimento seja realizado por meio de técnica 
asséptica;
 
Disponibilizar materiais esterilizados para serem empregados na 
troca de curativos, como pinças, por exemplo; 
Utilizar equipamentos de proteção individual, pois na troca do 
curativo e realização de limpeza e novas coberturas existe o risco 
de contaminação prof issional com material biológico. Sendo 
assim, devem ser usados luvas, óculos, máscara, gorro e aventais de 
mangas longas. Assim como o cuidado ao manipular instrumentos 
cortantes como bisturis e o uso de calçados fechados; 
Realizar o atendimento em local apropriado, com adequada 
iluminação e ventilação, proporcionando privacidade, segurança e 
conforto a pessoas com ferida; 
Registrar o procedimento no prontuário, sendo que as informações 
destacadas no módulo 1 são indispensáveis. Produto e técnica 
empregados na troca do curativo e orientações realizadas também 
devem ser registrados;
Realizar as ações de educação em saúde, como: orientações por 
escrito, demonstração com repetição, grupos com cuidadores e 
familiares, implementação de formas de comunicação inovadoras 
como o monitoramento telefônico.
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217
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
IV. Avaliação de Enfermagem 
As feridas devem ser avaliadas por meio de processo contínuo, pois são 
dinâmicas e mudam conforme cicatrizam. Deve ser realizada exclusivamente 
pelo enfermeiro, por meio da avaliação da ferida propriamente dita, da 
evolução de todas as condições levantadas no histórico, bem como pelos 
registros em prontuários. Deve-se focar na verif icação da necessidade de 
manutenção ou mudanças de conduta. 2,4,9
Quando necessário, realizar registro fotográf ico para acompanhamento 
da evolução da ferida, desde que autorizado formalmente pela pessoas com 
ferida ou responsável, usando formulário institucional. 1
Gerenciamento dos recursos humanos e materiais 
Também é papel do enfermeiro o gerenciamento dos recursos humanos e 
materiais utilizados no cuidado a feridas, dentre os quais podemos citar: 
Capacitação da equipe de enfermagem;
Elaboração de protocolos e manuais, tendo em vista que a Resolução 
n. 567/2018 cita diversas vezes que a competência do enfermeiro 
no cuidado em feridas está vinculada à normatização das ações de 
atendimento, via protocolos institucionais;
Lembre-se: A realização do curativo não é uma ação final, e sim 
uma ação meio, a assistência de enfermagem deve sempre ser 
prestada de maneira integral. 
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MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Supervisão do trabalho do técnico e auxiliar de enfermagem;
 
Organização do ambiente;
Controlar estoques, gastos e custos;
Proporcionar qualidade e confiabilidade aos materiais utilizados; 
Realizar controle de infecções relacionadas à assistência à saúde;
Pleitear a aquisição de produtos e materiais junto aos gestores dos 
serviços de saúde, 
Gerenciar corretamente os resíduos sólidos produzidos no serviço.
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MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Referências
COFEN, Resolução nº 567, de 29 de janeiro de 2018. Regulamenta a atuação da 
Equipe de Enfermagem no Cuidado aos pacientes com feridas.
BRASIL. Protocolo para prevenção de úlcera por pressão. Ministério da Saúde/
Anvisa/Fiocruz, 2013.
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7.498/86; Decreto nº 94.406/87 e Código de Ética dos profissionais de enfermagem.
Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução nº 311 de 2007, que 
aprova o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução nº 358 de 2009, que 
dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem.
Conselho Federal de Enfermagem – COFEN (BR). Resolução nº 429 de 2012, que 
dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente.
Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo – COREN SP. PARECER COREN – 
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no tratamento clínico de feridas.
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J Clin Nurs., v.28, n.21, p.4021-4034. 2019.
Corbett, L. Q. Wound Care Nursing: Professional Issues and Opportunities. Adv 
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MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
CAPÍTULO 2
CONTROLE DE CONTAMINAÇÃO NOS 
LOCAIS DE ATENDIMENTO
Janete Dalmar dos Santos Hupfer 
Silvana Maria Sasso
Definição
Garantir uma assistência à saúde sem danos tem se tornado um desaf io, 
uma vez que enfrentamos tempos de crescente multirresistência de 
microrganismos e (re)surgimento de doenças. Prestar um cuidado efetivo, 
que preserve e garanta a segurança, requer conhecimento científ ico, 
voltado para o controle do processo de trabalho nos serviços de saúde, 
eliminando assim os principais riscos que o envolvem, principalmente, os 
referentes à infecção.
 Os prof issionais de saúde que atuam em serviços que prestam 
atendimento a pessoas com feridas crônicas realizam cotidianamente 
inúmeros procedimentos, sejam eles invasivos ou não. Tais procedimentos 
envolvem o contato de instrumentais com mucosas ou pele das pessoas 
assistidas, e muitos itens são reutilizáveis. Desta forma, falhas no processo 
de trabalho podem ter como consequência a disseminação e transferência 
de microrganismos no ambiente, colocando em risco a segurança das 
pessoas e dos próprios prof issionais.
 Dentre os fatores que favorecem a contaminação destes serviços, 
podemos citar: as mãos dos prof issionais de saúde em contato com as 
superf ícies; não utilização de técnicas básicas de proteção e segurança 
por estes prof issionais; manutenção de superf ícies úmidas, molhadas, 
empoeiradas ou com presença de matéria orgânica, seja pela falta da ação do 
profissional ou devido condições precárias de revestimentos do ambiente.1,2,3,4
221
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Medidas preventivas para profissionais de saúde 
Os profissionais que prestam assistência devem empregar estratégias 
e técnicas básicas para manutenção de um ambiente de trabalho seguro, 
e sempre visando à diminuição dos riscos de contaminação. Para isso, é 
imprescindível o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) como 
luvas, touca, máscara, óculos de acrílico, avental e calçados apropriados ao 
ambiente. 7,8
Segundo Hinrichsen (2004), há evidências da transmissão de infecções 
por rotavirus,que consegue sobreviver no meio ambiente por mais de 12 
dias, pelo HIV, que em superf ície com matéria orgânica sobrevive por até três 
dias, e o vírus da hepatite, nas mesmas condições, até sete dias. Portanto, a 
presença de sujidades, principalmente matéria orgânica de origem humana, 
pode colaborar para a proliferação de microrganismos. 5,6
 Sendo assim, são de suma relevância a limpeza e desinfecção corretas 
das superf ícies, e adoção de estratégias preventivas pelos prof issionais com 
objetivo de diminuir a disseminação dos microrganismos.
 
Atenção: Nunca toque com a mão enluvada maçanetas, 
puxadores de armários, canetas e pacotes esterilizados. 
As luvas são EPIs, mas se utilizadas de forma negligenciada se tornam uma fonte 
de contaminação.
Dica: como forma de diminuir o risco de contaminação, proteja 
com dupla camada de sacos plásticos íntegros o recipiente 
metálico (bacia), utilizado na lavagem da pele da pessoa 
assistida durante o curativo de suas lesões.
222
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
 
Atenção: O avental é um EPI, portanto, deve ser utilizado somente 
no ambiente de trabalho, nunca utilizar fora do serviço de saúde. 
No intervalo de descanso, retire-o e deixe-o acondicionado adequadamente. 
Transporte-o sempre protegido por um saco plástico. Utilize-o corretamente. 
Outras medidas preventivas simples que devem fazer parte da rotina dos 
prof issionais de saúde, tais como manter cabelos presos, totalmente cobertos 
pela touca; unhas aparadas, de preferência sem pinturas excessivas e com 
cutículas íntegras; evitar o uso de adornos, e a lavagem das mãos, diminuem 
os riscos de contaminação e infecção cruzada. 9
 A lavagem das mãos é a medida mais simples e a mais importante na 
prevenção e controle de infecção, o uso de água e sabão propicia a remoção 
de bactérias transitórias e algumas residentes, como também elimina células 
descamativas, suor, sujidades e oleosidade da pele.10,11 
Para maior ef icácia, utilizar a f ricção com álcool a 70%, por 15 segundos, 
lembrando que se deve proceder esta f ricção com as mãos secas, pois, se 
estiverem molhadas, a ef icácia diminui.12,13 
Além dos cuidados pessoais o prof issional de saúde deve atentar-
se para a prevenção de contaminação durante toda a sua rotina, desde o 
preparo do ambiente de trabalho, mantendo superf ícies limpas, preparando 
adequadamente o material para atendimento dos usuários, uso de medidas 
preventivas no cuidado direto e no gerenciamento e descarte dos resíduos 
dos serviços de saúde (RSS).
Lembre-se: A lavagem das mãos é uma técnica simples, de 
baixo custo, rápida e muito eficaz, utilize-a sem moderação. 
Faça deste procedimento um hábito.
223
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Limpeza e desinfecção de superfícies 
A estrutura f ísica dos serviços de saúde em território brasileiro segue 
um padrão normativo exigido pelo Ministério da Saúde (MS), que através da 
Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por meio da RDC nº 50 de 
21 de fevereiro de 2002, regulamentou as exigências sobre o planejamento, 
programação, elaboração e avaliação de projetos f ísicos de estabelecimentos 
assistenciais de saúde.5
A ANVISA elaborou recentemente um manual que aborda aspectos sobre 
a segurança do paciente em serviços de saúde, e discorre com riqueza de 
detalhes sobre a limpeza e desinfecção de superf ícies, que são considerados 
elementos primários e ef icazes de controle e que colaboram para o rompimento 
da cadeia epidemiológica das infecções. 12,14
A limpeza e desinfecção das superf ícies visa garantir aos usuários do 
serviço um ambiente limpo e com menor carga de contaminação possível, 
com redução da possibilidade de transmissão de infecção por estas fontes 
inanimadas. 15
As superf ícies em serviços de saúde compreendem: mobiliários, pisos, 
paredes, divisórias, portas e maçanetas, tetos, janelas, equipamentos para 
a saúde, bancadas, pias, macas, suporte para soro, balança, computadores, 
instalações sanitárias, ventilador, exaustor, luminárias, bebedouro, aparelho 
telefônico e outros. 4,16,17
Atenção: É importante que os ambulatórios, elaborem normas 
e rotinas próprias do processo de trabalho a ser desenvolvido, 
estabelecendo a frequência e o tipo de limpeza que deverá ser 
realizada no ambiente.
Como exemplo, limpeza e desinfecção de armários uma ou duas 
vezes por semana; paredes ao final de cada dia de trabalho; 
maca e bancadas sempre entre um curativo e outro.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/res0050_21_02_2002.html
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/res0050_21_02_2002.html
224
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Os ambulatórios devem possuir protocolos próprios referentes aos 
procedimentos operacionais padrão (POP), que enfatizem medidas 
importantes, tais como: utilizar a varredura úmida para evitar a dispersão de 
microrganismos pelas partículas de pó; utilizar produtos saneantes aprovados 
pela ANVISA; usar produtos desinfetantes apenas em superf ícies com matéria 
orgânica; padronização de todas as ações desenvolvidas no local, e cronograma 
de limpeza atentando para os locais com maior potencial de contaminação. 12
 Neste sentido, a sala onde são realizados os curativos apresenta alto 
potencial de contaminação, uma vez que pode apresentar a presença de 
sangue, secreção e matéria orgânica, como restos de tecidos necróticos. 
A sala de curativos deve ser limpa sempre ao f inal de cada turno de 
trabalho, bem como o lixo contendo RSS deve também ser retirado. Vale 
ressaltar que estes resíduos podem apresentar grande quantidade de 
secreção e que o odor pode ser forte, por isso o descarte deve ser adequado.
Importante: Lembre sempre do princípio científico da 
limpeza e desinfecção de superfícies, realizar do local menos 
contaminado para o mais contaminado.
Para limpeza concorrente utilizar água e sabão, e para a 
desinfecção fazer fricção por 15 segundos com álcool a 70%, 
sempre utilizando o mesmo sentido, com três repetições.
Na maca da sala de curativo, por exemplo, em muitos casos 
o local mais contaminado será a área destinada à limpeza de 
pernas e pés, assim a limpeza e desinfecção deverão ocorrer da 
cabeceira em direção à peseira.
225
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Segundo RDC nº 306 de 2004, conforme princípios de biossegurança 
para prevenir acidentes, preservando a saúde pública e o meio ambiente, foi 
estabelecida a responsabilidade por parte dos serviços de saúde pelo correto 
gerenciamento de todos os RSS. Todas as etapas devem ser realizadas de 
forma ordenada, garantindo o manejo adequado, desde a separação dos RSS, 
armazenamento, tratamento e disposição f inal. 18
 
Atenção: Utilizar somente 80% da capacidade dos recipientes 
coletores. No transporte deste material não permitir 
que o mesmo toque no profissional, não o arrastar.
Os RSS que necessitam, ser transportados por empresas para tratamento e 
disposição final necessitam obrigatoriamente, ficar armazenados em local 
separado, em recipientes fechados e abrigados em sala específica. 11
Reprocessamento de artigos nos serviços de saúde 
Como foi abordado no início deste capitulo, muitos artigos que entram 
em contato com o portador de feridas são reutilizáveis, e precisam ser 
adequadamente mantidos e manipulados. Os artigos de múltiplo uso são 
classificados de acordo com os riscos potenciais de transmissão de infecção 
para os pacientes e para definição dos processos a que serão submetidos após 
seu uso. 3,10,19
As práticas de reprocessamento dos materiais necessitam de estrutura, 
métodos e produtos adequados para garantir a segurança do procedimento, 
diminuindo ou eliminando o risco de transmissão de agentes infecciosos. Os 
métodos mais utilizados são os processos f ísicos, através do uso de autoclaves; 
os processos químicos como, por exemplo, o glutaraldeído a 2% e o ácido 
peracético; e processos f ísico-químicos, como o óxido de etileno, este último 
utilizado por empresas especializadas. 9
226
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAISAtenção: Segundo o Art. 92 da seção IX da RDC nº 15, não é permitido 
o uso de estufas para a esterilização de produtos para saúde.11
A validação e comprovação da eficácia do processo é realizada com uso de 
testes e indicadores, que podem ser físicos (tempo, temperatura, pressão etc), 
químicos (utilizados na parte externa e interna de todos os pacotes e indicam 
se estes passaram pelo processo) e biológicos (são preparações de cepas puras 
de microrganismos de alta resistência, podendo ser realizado ao início do dia, 
semanalmente ou conforme protocolo definido pelo serviço de saúde). 9,10,11
Contudo, é essencial que o elemento humano, prof issional de 
saúde, responsável pela realização de procedimentos, aplique e avalie 
constantemente o conhecimento sobre recomendações para a reutilização 
segura de artigos na assistência. 18,20
Atenção: Problemas referentes às falhas nas práticas de 
limpeza, desinfecção e esterilização dos artigos podem 
envolver a fabricação, manipulação, manutenção ou 
armazenagem dos mesmos e dos produtos usados para esta 
finalidade.
Importante: Se o artigo apresentar sujidade visível, deverá 
retornar ao processo de limpeza inicial, pois de nada adianta 
ter tecnologia disponível e fazer uso de testes com alto custo 
para validação do processo de esterilização, se os artigos não 
estiverem livres de material orgânico ou inorgânico.
227
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
 
Atenção: Segundo o Art. 79 da seção IX da RDC nº 15, não é permitido o uso 
de papel kraft como embalagem de artigos por conter amido, microfuros,
corantes e produtos tóxicos. Além disso, não resiste à umidade, apresenta 
irregularidades na gramatura, se mostra frágil quanto à resistência física e 
vulnerável com barreira microbiana após a esterilização. 11
A primeira etapa do reprocessamento e também uma das mais 
importantes é a limpeza dos artigos, onde é utilizada a ação mecânica 
(f ricção) ou produtos enzimáticos para remoção completa das sujidades, 
pois a presença de matéria orgânica dif iculta a ação dos produtos 
químicos nos processos de desinfecção e esterilização, inviabilizando estes 
processos. 11,16,17,21
O reprocessamento dos artigos tem como fases subsequentes a secagem, 
inspeção e avaliação da integridade e funcionalidade, desinfecção, preparo, 
embalagem, rotulagem, esterilização com uso de testes biológicos e químicos 
para análise residual do agente esterilizante, garantindo assim o desempenho 
e a segurança de todo o processo. 11,20
Ao final do processo de esterilização, os pacotes não devem ser colocados 
sobre superfícies frias, pois poderão provocar condensação com possibilidade 
de contaminação. Seu armazenamento deverá ser em local limpo e seco, sob 
proteção da luz solar direta e submetidos à manipulação mínima. 13,16,18
Atenção: Para lavagem dos artigos que contenham ranhuras 
ou serrilhas, nunca utilize materiais abrasivos, esponjas ou 
materiais com possibilidade de liberação de partículas, sempre 
utilize escovas de fio sintético, as quais devem ser substituídas 
periodicamente.11
228
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Considerações finais 
Diante do exposto, enfatiza-se o importante papel do ambiente como 
reservatório de microrganismos nos serviços de saúde, especialmente 
os multirresistentes. Ainda, a presença de matéria orgânica favorece a 
proliferação de microrganismos e o aparecimento de insetos e roedores, 
que podem veicular microrganismos nos serviços de saúde.
O aparecimento de infecções nesses ambientes pode estar relacionado 
ao uso de técnicas incorretas de limpeza e desinfecção de superf ícies, 
falhas no processo de trabalho e reprocessamento de artigos, e manejo 
inadequado dos RSS.21 
Sendo assim, é de extrema importância que os prof issionais sigam as 
recomendações dos órgãos regulamentadores, bem como os protocolos 
implantados pelos serviços de saúde, minimizando o risco de infecções e 
colaborando para a preservação do meio ambiente.
229
MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
Referências
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de tecnologias em saúde em estabelecimentos de saúde. Brasília, 2010. 
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(ANVISA). RDC nº 42, de 25 de outubro de 2010. Dispõe sobre a obrigatoriedade 
de disponibilização de preparação alcoólica para fricção antisséptica das 
mãos,pelos serviços de saúde do País e dá outras providências. Brasília, 2010. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). 
RDC Nº 31, de 4 de julho de 2011. Dispõe sobre a indicação de uso dos produtos 
saneantes na categoria “Esterilizante”, para aplicação sob a forma de imersão, 
a indicação de uso de produtos saneantes atualmente categorizados como 
“Desinfetante Hospitalar para Artigos Semicríticos” e dá outras providências. 
Brasília, 2011.
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MÓDULO 3 - ASPECTOS LEGAIS
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