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S A B E R E S C O N E C TA D O S C I Ê N C I A S D A N AT U R E Z A E S U A S T E C N O L O G I A S No campo do evolucionismo, houve conflitos teóricos. Segundo Charles Darwin (teoria darwinista), seres que não conseguiam se adaptar às mudanças do meio ambiente estavam condenados à extinção. Porém, o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) defendia a ideia da geração espontânea das espécies levando em conta que elas evoluíam morfologicamente para se adaptar à natureza (teoria lamarckista). Três hipóteses auxiliares do programa darwiniano foram adotadas de natura- listas que o precederam, entre os quais Lamarck: a primeira referia-se à ação do meio ambiente como causa das variações; a segunda, ao uso e desuso de partes e órgãos do organismo, que atuaria independentemente da seleção natural; e, final- mente, a terceira, à hereditariedade dos caracteres adquiridos, na qual Darwin discute, como é próprio do seu estilo, diversos exemplos de plantas e animais, nos quais a “mudança de hábitos produz efeitos hereditários”. ■ Considerando as divergências entre as teorias desses dois evolucionistas, comparem, em grupos, as ilustrações A e B e identifiquem qual exprime a concepção de Darwin e qual exprime a de Lamarck. Justifiquem a resposta. DARWIN, C. A origem das espŽcies. Porto: Lello & Irm‹o, 1961. p. 332. Leia o texto a seguir. Darwin e a sele•‹o natural Se variações úteis a um ser organizado se apresentam, certamente os indivíduos que são objeto delas têm melhor chance de vencer na luta pela sobrevivência; pois, em virtude do princípio poderoso da hereditariedade, es- ses indivíduos tendem a deixar descendentes tendo a mesma característica que eles – dei o nome de sele•‹o natural a esse princípio de conservação ou da persistência do mais apto. Apud JACQUARD, Albert. A origem das espécies. In: CHATELET, F. et al. (org.). Dicionário das obras políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993. p. 298. ■ Tendo em vista que, no texto, a palavra “indi- víduo” não é sinônimo de ser humano consi- derado isoladamente na sociedade, e sim de exemplo único de qualquer ser vivo – inseto, peixe, planta, etc. –, discutam, em grupos, as questões a seguir. a) Em que trecho Darwin relaciona estreita- mente a vitória de alguns seres na luta pela sobrevivência às mudanças ambientais? b) O conceito de seleção natural é uma ex- pressão científica da “lei do mais forte”? c) O conceito de hereditariedade é exclusivo da humanidade ou abrange todos os seres vivos? ANALISAR E REFLETIR Il u s tr a ç õ e s : M a n zi /A rq u iv o d a e d it o ra Ilustrações artísticas representando as teorias de Jean-Baptiste Lamarck e Charles Darwin. Cores fantasia. A 1 2 3 B 1 2 3 27 V1_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a039_LA.indd 27V1_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a039_LA.indd 27 9/18/20 2:23 PM9/18/20 2:23 PM Modelo de reconstituição de Lucy com base em fóssil encontrado na Etiópia na década de 1970. P R O C E S S O D E H O M I N I Z A Ç Ã O Em 1871, Darwin publicou a obra A origem do homem, aprofundando a análise evolucionista dos seres humanos ao sustentar que a humanidade não seria uma criação divina, e sim uma evolução natural de outros primatas. Trata-se do pro- cesso de hominização. Apesar das críticas que recebeu, sobretudo de religiosos, a teoria de Darwin foi mundialmente reconhecida e abriu caminho para várias pesquisas que vieram re- forçar sua tese inicial. Pesquisadores puderam avançar no conhecimento das ori- gens da humanidade, apoiados em disciplinas como Arqueologia e Paleontologia. hominização processo de formação da humanidade desde os primeiros primatas até o Homo sapiens, considerado o tipo morfológico do ser humano atual. Arqueologia ciência dedicada ao estudo de ruínas, materiais ou humanas, com base em escavações e técnicas de datação dos resíduos encontrados. Paleontologia ramo da Arqueologia que estuda períodos geológicos remotos, particularmente com base em fósseis humanos. Há controvérsias sobre a idade do primeiro Australopithecus descoberto pela pesquisa arqueológica. Alguns estudiosos afirmam que o primeiro fóssil de homi- nídeo foi encontrado em 1924, na África do Sul, em uma pesquisa comandada pelo australiano Raymond Dart (1893-1988). Posteriormente, considerou-se que esse não era o Australopithecus, mas um pré-hominídeo ainda próximo dos primatas. Uma descoberta importante, em pesquisa liderada pelo paleontó- logo Donald Johanson (1943-), ocorreu em 1974. Trata-se do fóssil de uma fêmea encontrado na Etiópia (África) e chamado de Lucy. A espé- cie de Lucy é a dos Australopithecus, hominídeos que viveram na Terra entre 3,8 milhões e 2,9 milhões de anos atrás. Em 1992, outra descoberta na Etiópia pôs em xeque a primazia de Lucy: o esqueleto de uma fêmea de 4,4 milhões de anos, com cerca de 1,20 metro de altura e peso estimado em 50 quilos. Ardi, como foi chamado o hominídeo mais antigo encontrado até agora, é cerca de 1 milhão de anos mais antigo que Lucy. A pesquisa arqueológica, apoiada na Paleontologia, registrou diver- sas descobertas dos primeiros hominídeos, oito delas seguramente classificadas como Australopithecus. Todos esses indivíduos tinham baixa estatura, pouco peso e caixa craniana diminuta, mas já havia in- dícios de uma transição para a posição ereta, característica essencial da hominização nos seus primórdios. Também o polegar invertido su- gere a capacidade de pegar e usar pedras e madeira para se defender de outros animais e transformar o meio ambiente para sobreviver. E li s a b e th D a y n e s /S c ie n c e P h o to L ib ra ry /F o to a re n a David Gifford/SPL/Fotoarena Proconsul Australopithecus Homo habilis Homo erectus Homo neanderthalensis Homo Sapiens Representação artística do longo processo de hominização. 28 V1_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a039_LA.indd 28V1_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap1_018a039_LA.indd 28 9/18/20 2:23 PM9/18/20 2:23 PM