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Territórios, territorialidades e fronteiras (72)

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■ De que maneira as desigualdades socioeconômicas e raciais afetam sua 
vida cotidiana e a vida de jovens que você conhece? Discuta a questão com 
os colegas e o professor.
ANALISAR E REFLETIR
JOVENS E DESIGUALDADES RACIAIS
Comparativamente, jovens brancos que vivem em áreas urbanas têm condições 
privilegiadas de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Parte importante des-
se grupo social tem condições dignas de moradia e vida saudável, além de alimen-
tação adequada e acesso a equipamentos sociais básicos, como hospitais e escolas. 
É fato que jovens brancos enfrentam desafios semelhantes em relação aos de-
mais, por exemplo no que diz respeito ao emprego. Mas, como esse grupo atinge 
em média níveis maiores de estudo e de conclusão da Educação Básica, sua inser-
ção no mercado de trabalho é maior, ainda que esbarre em problemas estruturais 
da sociedade brasileira.
Já os jovens negros estão mais expostos à situação de pobreza e vulnerabilidade. 
Isso ocorre tanto com os que vivem nos grandes centros urbanos quanto com os 
que vivem em cidades médias e nas áreas rurais do país. Parte importante desses 
jovens sofre com a falta de condições sociais e familiares para lhes assegurar o 
acesso a instituições de ensino e, principalmente, a permanência nelas.
Entre os jovens brasileiros que não trabalham nem estudam, o maior grupo é 
o das mulheres negras e pobres. Para elas, os afazeres domésticos e os cuidados 
com outras pessoas constituem os principais obstáculos à continuidade dos estu-
dos e ao acesso ao trabalho remunerado. Como mostra o gráfico a seguir, embora 
em 2018 a taxa de desocupação das mulheres que participam da força de trabalho 
fosse semelhante à dos homens, havia muito mais mulheres fora da força de traba-
lho que homens. A vulnerabilidade social e econômica das jovens pretas e pardas é 
intensificada por taxas mais elevadas de gravidez.
Sintonia: “Pegaram 
a Cacau”
Direção de 
KondZilla. Brasil, 
2019. Duração: 
37 min.
Série ficcional sobre 
jovens moradores da 
periferia de São Paulo 
(SP) e seus diferentes 
dilemas, perspectivas 
e sonhos perante 
as dificuldades 
cotidianas.
F
I
C
A
 A
 D
I
C
A
BRASIL : JOVENS DE 15 A 29 ANOS SEM ESTUDAR E 
SEM OCUPAÇÃO, POR SEXO E COR OU RAÇA (2018) 
35,0
%
25,0
15,0
5,0
0,0
Total Homem Homem
branco
Mulher Mulher
branca
Homem
preto ou
pardo
Mulher
preta ou
parda
30,0
20,0
10,0
Na força de trabalho (desocupado) Fora da força de trabalho
Fonte: elaborado com base em IBGE. Síntese de indicadores sociais 2019. Rio de Janeiro: 
IBGE, 2019. p. 45.
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QUESTÕES EM FOCO
Desigualdades sociais e oportunidades de trabalho 
O texto e o gráfico a seguir abordam questões referentes às desigualdades no acesso a oportunidades de 
trabalho que acometem a população brasileira de maneira geral. Leia-os refletindo, em especial, sobre a 
população jovem.
Jônatas nunca teve um emprego com carteira 
assinada. Cansou de escutar que precisava de 
experiência, sem mesmo ter tido uma oportu-
nidade. Se alistou no Exército, mas, depois do 
período obrigatório, não foi convocado. Silvânia 
passou mais de um ano procurando uma vaga, 
depois de ser demitida de uma fábrica de cal-
cinhas. Israel tem um trabalho formal: é mari-
nheiro de píer, mas queria uma renda extra. 
Com histórias diferentes, tiveram destinos pa-
recidos: se tornaram entregadores por aplica-
tivo. Sem nunca ter trabalhado com entrega 
antes, viram [aí] uma alternativa para o desem-
prego. […]
Em um novo contexto digital em que pesqui-
sas recentes indicam que mais de 5,5 milhões 
de brasileiros trabalham com aplicativos de 
transporte, os entregadores chamam atenção. 
Eles encaram jornadas flexíveis, mas que po-
dem chegar a 14 horas, em um único dia, todos 
os dias da semana. Ao mesmo tempo que não 
contam com proteção alguma – seja legal, seja 
de sua integridade física, chegam a triplicar a 
renda que tinham [...].
BORGES, Thais. Até 14 horas de trabalho e 80 km pedalados por dia: conheça os entregadores por aplicativo. 
Correio*, 30 jun. 2019. Disponível em: www.correio24horas.com.br/noticia/nid/ate-14-horas-de-trabalho-e-80-km-
pedalados-por-dia-conheca-os-entregadores-por-aplicativo/. Acesso em: 13 maio 2020.
	■ Com base no texto, no gráfico e em seus conhecimentos, redija um texto dissertativo-argumentativo 
sobre o tema “Condições sociais e oportunidades de trabalho: desafios e possibilidades”. Discorra so-
bre o problema e apresente propostas de intervenção que respeitem os direitos humanos. 
BRASIL : EMPREGOS, SEGUNDO PREDOMÍNIO DE BRANCOS E 
NEGROS, EM PORCENTAGEM DOS OCUPADOS NO SETOR (2016) 
Brancos Negros
Engenheiro de equipamentos
em computação
92%
90%
89%
88,5%
88,4%
88%
87,7%
87,6%
87,4%
87,4%
92,7%
84,3%
83,7%
78,3%
78%
77,2%
76,8%
74,5%
74,1%
74%
Professor de Matemática pura
(no Ensino Superior)
Engenheiro mecânico automotivo
Professor de Medicina
Modelista de calçados
Engenheiro aeronáutico
Professor de Odontologia
Piloto de aeronaves
Comissário de voo
Desenhista projetista de máquinas
Trabalhador da cultura de dendê
Trabalhador no cultivo de
trepadeiras frutíferas
Trabalhador no cultivo de
espécies frutíferas rasteiras
Trabalhador da cultura de
cana-de-açúcar
Examinador de cabos, linhas
elétricas e telefônicas
Criador de camarões
Trabalhador da cultura de cacau
Agente de higiene e segurança
Sinaleiro (ponte-rolante)
Operador de telemarketing
ativo e receptivo
Fonte: elaborado com base em GOMES, Helton Simões. Brancos são maioria em empregos de elite e negros ocupam vagas sem 
quali�cação. G1, Economia, 14 maio 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/brancos-sao-maioria-em-empregos-
de-elite-e-negros-ocupam-vagas-sem-quali�cacao.ghtml. Acesso em: 17 maio 2020.
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