Prévia do material em texto
■ De que maneira as desigualdades socioeconômicas e raciais afetam sua vida cotidiana e a vida de jovens que você conhece? Discuta a questão com os colegas e o professor. ANALISAR E REFLETIR JOVENS E DESIGUALDADES RACIAIS Comparativamente, jovens brancos que vivem em áreas urbanas têm condições privilegiadas de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Parte importante des- se grupo social tem condições dignas de moradia e vida saudável, além de alimen- tação adequada e acesso a equipamentos sociais básicos, como hospitais e escolas. É fato que jovens brancos enfrentam desafios semelhantes em relação aos de- mais, por exemplo no que diz respeito ao emprego. Mas, como esse grupo atinge em média níveis maiores de estudo e de conclusão da Educação Básica, sua inser- ção no mercado de trabalho é maior, ainda que esbarre em problemas estruturais da sociedade brasileira. Já os jovens negros estão mais expostos à situação de pobreza e vulnerabilidade. Isso ocorre tanto com os que vivem nos grandes centros urbanos quanto com os que vivem em cidades médias e nas áreas rurais do país. Parte importante desses jovens sofre com a falta de condições sociais e familiares para lhes assegurar o acesso a instituições de ensino e, principalmente, a permanência nelas. Entre os jovens brasileiros que não trabalham nem estudam, o maior grupo é o das mulheres negras e pobres. Para elas, os afazeres domésticos e os cuidados com outras pessoas constituem os principais obstáculos à continuidade dos estu- dos e ao acesso ao trabalho remunerado. Como mostra o gráfico a seguir, embora em 2018 a taxa de desocupação das mulheres que participam da força de trabalho fosse semelhante à dos homens, havia muito mais mulheres fora da força de traba- lho que homens. A vulnerabilidade social e econômica das jovens pretas e pardas é intensificada por taxas mais elevadas de gravidez. Sintonia: “Pegaram a Cacau” Direção de KondZilla. Brasil, 2019. Duração: 37 min. Série ficcional sobre jovens moradores da periferia de São Paulo (SP) e seus diferentes dilemas, perspectivas e sonhos perante as dificuldades cotidianas. F I C A A D I C A BRASIL : JOVENS DE 15 A 29 ANOS SEM ESTUDAR E SEM OCUPAÇÃO, POR SEXO E COR OU RAÇA (2018) 35,0 % 25,0 15,0 5,0 0,0 Total Homem Homem branco Mulher Mulher branca Homem preto ou pardo Mulher preta ou parda 30,0 20,0 10,0 Na força de trabalho (desocupado) Fora da força de trabalho Fonte: elaborado com base em IBGE. Síntese de indicadores sociais 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. p. 45. B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra 141 V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap6_132a151_LA.indd 141V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap6_132a151_LA.indd 141 9/21/20 2:18 PM9/21/20 2:18 PM QUESTÕES EM FOCO Desigualdades sociais e oportunidades de trabalho O texto e o gráfico a seguir abordam questões referentes às desigualdades no acesso a oportunidades de trabalho que acometem a população brasileira de maneira geral. Leia-os refletindo, em especial, sobre a população jovem. Jônatas nunca teve um emprego com carteira assinada. Cansou de escutar que precisava de experiência, sem mesmo ter tido uma oportu- nidade. Se alistou no Exército, mas, depois do período obrigatório, não foi convocado. Silvânia passou mais de um ano procurando uma vaga, depois de ser demitida de uma fábrica de cal- cinhas. Israel tem um trabalho formal: é mari- nheiro de píer, mas queria uma renda extra. Com histórias diferentes, tiveram destinos pa- recidos: se tornaram entregadores por aplica- tivo. Sem nunca ter trabalhado com entrega antes, viram [aí] uma alternativa para o desem- prego. […] Em um novo contexto digital em que pesqui- sas recentes indicam que mais de 5,5 milhões de brasileiros trabalham com aplicativos de transporte, os entregadores chamam atenção. Eles encaram jornadas flexíveis, mas que po- dem chegar a 14 horas, em um único dia, todos os dias da semana. Ao mesmo tempo que não contam com proteção alguma – seja legal, seja de sua integridade física, chegam a triplicar a renda que tinham [...]. BORGES, Thais. Até 14 horas de trabalho e 80 km pedalados por dia: conheça os entregadores por aplicativo. Correio*, 30 jun. 2019. Disponível em: www.correio24horas.com.br/noticia/nid/ate-14-horas-de-trabalho-e-80-km- pedalados-por-dia-conheca-os-entregadores-por-aplicativo/. Acesso em: 13 maio 2020. ■ Com base no texto, no gráfico e em seus conhecimentos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Condições sociais e oportunidades de trabalho: desafios e possibilidades”. Discorra so- bre o problema e apresente propostas de intervenção que respeitem os direitos humanos. BRASIL : EMPREGOS, SEGUNDO PREDOMÍNIO DE BRANCOS E NEGROS, EM PORCENTAGEM DOS OCUPADOS NO SETOR (2016) Brancos Negros Engenheiro de equipamentos em computação 92% 90% 89% 88,5% 88,4% 88% 87,7% 87,6% 87,4% 87,4% 92,7% 84,3% 83,7% 78,3% 78% 77,2% 76,8% 74,5% 74,1% 74% Professor de Matemática pura (no Ensino Superior) Engenheiro mecânico automotivo Professor de Medicina Modelista de calçados Engenheiro aeronáutico Professor de Odontologia Piloto de aeronaves Comissário de voo Desenhista projetista de máquinas Trabalhador da cultura de dendê Trabalhador no cultivo de trepadeiras frutíferas Trabalhador no cultivo de espécies frutíferas rasteiras Trabalhador da cultura de cana-de-açúcar Examinador de cabos, linhas elétricas e telefônicas Criador de camarões Trabalhador da cultura de cacau Agente de higiene e segurança Sinaleiro (ponte-rolante) Operador de telemarketing ativo e receptivo Fonte: elaborado com base em GOMES, Helton Simões. Brancos são maioria em empregos de elite e negros ocupam vagas sem quali�cação. G1, Economia, 14 maio 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/brancos-sao-maioria-em-empregos- de-elite-e-negros-ocupam-vagas-sem-quali�cacao.ghtml. Acesso em: 17 maio 2020. B a n c o d e i m a g e n s /A rq u iv o d a e d it o ra 142 V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap6_132a151_LA.indd 142V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap6_132a151_LA.indd 142 9/21/20 2:18 PM9/21/20 2:18 PM