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De acordo com essa perspectiva, não há Estado sem território. O território é, portanto, um espaço deli-
mitado com uma população reunida em torno de símbolos comuns (língua, religião, costumes, etc.) que se 
identifica como nação. Também possui recursos (como minérios, combustíveis fósseis, florestas, etc.) e é 
administrado, controlado e dominado pelo poder soberano estatal. Essa compreensão do termo apresenta 
certas limitações, por exemplo, no caso dos Estados plurinacionais e dos Estados que não têm território.
QUESTÕES EM FOCO
Nação e território
Os conceitos de nação e território nem sempre tiveram o mesmo significado ao longo da história, adequan-
do-se de acordo com as narrativas construídas em cada período. Compare os textos a seguir para refletir 
sobre o assunto. O Texto I foi escrito na época da unificação do Estado italiano, no século XIX, ao passo que o 
Texto II se relaciona aos dias atuais.
T E X T O I
Quais são os primeiros conhecimentos que [o homem] adquire, os primeiros afetos que brotam em 
seu coração? Conhece e ama aquele de quem nasceu e que o criam […]. Depois, bem cedo, conhece 
e ama a terra em que vive, as muralhas do vilarejo natal, os homens que nele habitam juntamente com 
ele. Esses instintos da criança são o germe de duas poderosas tendências do homem adulto, espe-
cialmente de duas leis naturais, de duas formas perpétuas da associação humana: a família e a nação. 
[…] Nada de modo mais transparente do que a �gura do planeta que habitamos e a diversidade de 
lugares e de climas manifesta o desígnio da mente organizadora do universo de querer a humanidade 
repartida em distintas grandes famílias. Para entregar a cada uma os limites naturais de seu território, 
aqui levantou cadeias inacessíveis de montanhas, […] em outros lugares no curso de um rio ou na 
imensidão do oceano preparou a evolução de sua história ou os limites de seu desenvolvimento.
MANCINI, P. S. A nacionalidade como fundamento do direito das gentes. In: MANCINI, P. S. 
Direito Internacional. Ijuí: Unijuí, 2003. p. 53.
T E X T O I I
[…] proponho a seguinte definição de nação: uma comunidade política imaginada – imaginada 
como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana.
Ela é imaginada porque mesmo os membros da mais minúscula das nações jamais conhecerão, 
encontrarão, ou sequer ouvirão falar da maioria de seus companheiros, embora todos tenham em 
mente a imagem viva da comunhão entre eles. […]
Imagina-se a nação limitada porque mesmo a maior delas, que agregue, digamos, 1 bilhão de habi-
tantes, possui fronteiras finitas, ainda que elásticas, para além das quais existem outras nações. […]
Imagina-se a nação soberana porque o conceito nasceu da época em que o Iluminismo e a revolu-
ção estavam destruindo a legitimidade do reino dinástico de ordem divina. […] As nações sonham 
em ser livres […]. A garantia e o emblema dessa liberdade é o Estado Soberano.
E, por último, ela é imaginada como uma comunidade porque, independentemente da desigualdade 
e da exploração efetivas que possam existir dentro delas, a nação sempre é concebida como uma 
profunda camaradagem horizontal.
ANDERSON, B. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e difusão do nacionalismo. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 32-34. 
 1 Compare a posição dos autores sobre o que é nação. Elas são semelhantes ou opostas? Explique. 
 2 Nos textos, como a definição de nação se reflete na compreensão do que é território?
 3 Avalie criticamente as definições de nação e território. Argumente com exemplos atuais sobre a validade 
ou os limites dessas definições para o entendimento.
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Os curdos são um grupo étnico do Oriente 
Médio com cerca de 30 milhões de indivíduos. 
São a maior nação sem território do mundo.
ESTADO NACIONAL E COESÃO TERRITORIAL
O Estado, como agente detentor de soberania, procura manter sua integridade territorial. Por inter-
médio do uso legítimo da força, procura obter poder e hegemonia com base em ações legais. Essa busca 
ocorre desde sua formação e se evidencia na ocupação e na manutenção de seu território.
Do ponto de vista interno, essa tarefa requer que o Estado se faça presente, por meio de instituições, 
leis e infraestrutura que garantam seu domínio territorial. Isso explica, por exemplo, os investimentos 
em malhas de transporte e comunicação.
Do ponto de vista externo, o Estado busca proteger seu território de invasões, investindo em For-
ças Armadas para defender suas dimensões terrestre, marítima e aérea. Os esforços para manter sua 
coesão foram e ainda são base de argumentos que justificam guerras e o uso da força coercitiva pelos 
Estados.
A coesão territorial passa pela coesão social. Esta pode ser estimulada pelo poder estatal mediante 
discursos e ações que ressaltem laços, vínculos ou símbolos ditos nacionais, como língua, religião, 
esportes, etnia. A gestão da memória por meio do ensino ou da produção artístico-cultural é outro ins-
trumento útil.
ESTADOS PLURINACIONAIS
Nem toda nação possui um Estado 
nacional e um território. Há casos de 
nações submetidas e incorporadas a 
um ou mais Estados. Estima-se que, 
no mundo, mais de cem Estados nacio-
nais abarquem cerca de 350 milhões 
de pessoas que, por características ét-
nicas, histórico-culturais, entre outras, 
identificam-se com uma nação sem 
Estado e território reconhecidos, como 
é o caso de curdos e palestinos.
■ Que desafios e oportunidades as múltiplas identidades étnico-culturais apresentam, considerando 
a ideia de Estado nacional e território?
ANALISAR E REFLETIR
Fonte: elaborado com base em POPULATION kurde au Moyen-Orient. SciencesPo: 
Atelier de Cartographie. Disponível em: http://cartotheque.sciences-po.fr/media/
Population_kurde_au_Moyen-Orient/2805. Acesso em: 3 jul. 2020.
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IRÃ 
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SÍRIA
TURQUIA
GEÓRGIA
ARMÊNIA
AZERBAIJÃO
AZB TURCOMENISTÃO
Mar Negro
Mar
Cáspio
Mar
Mediterrâneo
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lfo
 Pérsico
Teerã
Baku
Tbilisi 
Ierevã
BagdáDamasco
Ancara
Ashgabat
40° N
Área de povoamento curdo
0 335
km
ORIENTE MÉDIO: POPULAÇÃO CURDA (2017)
Frequentemente, essa situação gera demanda por autonomia, tendo em vista a igualdade de direitos e o 
questionamento da forma de estruturação do Estado. Tais exigências podem motivar movimentos que buscam 
independência e formação de um Estado territorial próprio.
Essas reivindicações podem ser observadas em vários momentos e locais: na dissolução da Iugoslávia, 
no início da década de 1990; na luta pela formação de um Estado autônomo capitaneada pela Organização 
para a Libertação da Palestina, que ganhou o reconhecimento de sua soberania e, posteriormente, tor-
nou-se Estado observador na Assembleia Geral das Nações Unidas; e na luta por independência do País 
Basco, cujo último grupo separatista atuante, Pátria Basca e Liberdade, anunciou a descontinuidade das 
atividades em 2018.
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