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Sumário
Prefácio
Introdução
1.	O	EVANGELHO,	A	EVANGELIZAÇÃO	E	O	EVANGELISTA
2.	DISCIPULADO	CONTÍNUO
3.	PRINCÍPIOS	BÍBLICOS	PARA	O	CRESCIMENTO	DA	IGREJA
4.	O	PLANTADOR	DE	IGREJAS
5.	MANUAL	PARA	PLANTAÇÃO	DE	IGREJAS
6.	DEUS	USA	PESSOAS	PARA	REVITALIZAR	SUA	IGREJA
Conclusão
Bibliografia
Anexo	1	-	O	manual	do	Oficial
Anexo	2	-	Questionário	de	ordenação
Anexo	3	-	Termo	de	compromisso	na	ordenação
Anexo	4	-	Leituras	recomendáveis	para	ordenação
Landmarks
Cover
Copyright	©2023,	de	Arival	Dias	Casimiro
Publicado	pela	Associação	Editora	Presbiteriana	de	Pinheiros.
Todos	os	direitos	reservados	e	protegidos	pela	Lei	n.º	9.610,	de	19/2/1998.
Diretor	editorial:	Arival	Dias	Casimiro
Diretor	executivo:	João	Gabriel	Novais
Preparação:	Lucas	Vasconcellos	Freitas
Revisão:	Fabiana	Lopes
Coordenação	de	Projeto	Gráfico:	Fernanda	Lopes
Diagramação:	Tiago	Elias
Capa:	Design	do	Alto
As	citações	bíblicas	foram	extraídas	da	Almeida	Revista	e	Atualizada.
Nenhuma	parte	deste	livro,	sem	autorização	prévia	por	escrito	da	editora,	poderá
ser	reproduzida	ou	transmitida	sejam	quais	forem	os	meios	empregados:
eletrônicos,	mecânicos,	fotográficos,	gravação	ou	quaisquer	outros.
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
(BENITEZ	Catalogação	Ass.	Editorial,	MS,	Brasil)
C332g
Casimiro
,	Arival	Dias
1.ed.	A	grande	comissão	:	princípios	bíblicos	para	plantação	e	revitalização	de
igrejas	/	Arival	Dias	Casimiro	;	ilustração	Design	do	Alto.	–	1.ed.	–	São	Paulo	:
Editora	Heziom,	2023.
128	p.;	13,7	x	20,9	cm.
ISBN	:	978-65-84686-39-7
1.	Igrejas	–	Crescimento.	2.	Igrejas	-	Revitalização.	3.	Líderes	–	Aspectos
religiosos	–	Cristianismo.	4.	Missão	cristã.	5	Pastores	–	Ministério	cristão.	6.
Princípios	bíblicos.	I.	Design	do	Alto.	II.	Título.
04-2023/139	CDD	248.4
Índice	para	catálogo	sistemático
1.	Igrejas	cristãs	:	Princípios	bíblicos	248.4
Bibliotecária	responsável:	Aline	Graziele	Benitez	CRB-1/3129
Editora	Heziom	é	uma	marca	licenciada	à	Associação	Editora	Presbiteriana	de
Pinheiros.
Todos	os	direitos	reservados	à	Associação	Editora	Presbiteriana	de	Pinheiros.
Av.	Dra.	Ruth	Cardoso,	6151	-	Pinheiros
CEP:	05477-000	—	São	Paulo	—	SP
Telefone:	(11)	91005-4482
Site:	www.editoraheziom.com.br
SUMÁRIO
Prefácio
Introdução
1.	O	EVANGELHO,	A	EVANGELIZAÇÃO	E	O	EVANGELISTA
2.	DISCIPULADO	CONTÍNUO
3.	PRINCÍPIOS	BÍBLICOS	PARA	O	CRESCIMENTO	DA	IGREJA
4.	O	PLANTADOR	DE	IGREJAS
5.	MANUAL	PARA	PLANTAÇÃO	DE	IGREJAS
6.	DEUS	USA	PESSOAS	PARA	REVITALIZAR	SUA	IGREJA
Conclusão
Bibliografia
Anexo	1	-	O	manual	do	Oficial
Anexo	2	-	Questionário	de	ordenação
Anexo	3	-	Termo	de	compromisso	na	ordenação
Anexo	4	-	Leituras	recomendáveis	para	ordenação
PREFÁCIO
O	tema	tratado	pelo	Rev.	Arival	Dias	Casimiro	nesse	precioso	livro	é
resultado	não	apenas	do	seu	conhecimento	teológico,	mas	também	de	sua
experiência	pessoal.	Rev.	Arival	é	um	plantador	de	igrejas,	apaixonado	por
Jesus,	por	sua	Palavra	e	pela	igreja	de	Cristo.
Dividindo	a	temática	em	seis	capítulos,	o	Rev.	Arival	nos	apresenta	três	assuntos
que	fazem	parte	de	um	mesmo	processo:	evangelização,	discipulado	e	plantação
de	igrejas.	Também	dá	atenção	ao	plantador	de	igrejas	de	forma	específica,	e
conclui	com	uma	abordagem	sobre	revitalização	e	fortalecimento	de	igrejas
locais.
O	livro	inteiro	se	fundamenta	em	uma	perspectiva	teológica	e	prática	da
singularidade	e	centralidade	de	Jesus	Cristo.	Jesus	é	único	como	Redentor,
Senhor	da	igreja	e	Governador	do	universo.	Não	há	outro	caminho,	outra
verdade	e	nenhum	outro	meio	de	vida.	A	singularidade	de	Jesus	Cristo	deve
encher	nossos	sermões	e	guiar	nossas	vidas.
Além	de	singular,	Jesus	também	é	central.	Ele	é	central	na	vida	dos	plantadores,
na	apresentação	do	evangelho	e	no	discipulado,	e	também	nas	igrejas	plantadas.
Tudo	deve	ser	feito	debaixo	de	sua	autoridade,	segundo	o	seu	ensino	e	para	a	sua
glória.
Esse	livro,	portanto,	convida	à	uma	reflexão	mais	profunda.	Trata-se,	não	apenas
de	estabelecer	e	desenvolver	projetos	de	plantação	e	multiplicação	de	igrejas,
mas	de	buscar	uma	vida	construída	pela	fidelidade	bíblica,	seguindo	de	perto	a
Cristo,	e	manifestando	os	frutos	da	fé	em	nossas	vidas	e	ministérios.Assim,
somos	chamados	a	retirar	o	foco	de	nós	mesmos	para	que	seja	Cristo	glorificado
em	nossas	vidas.
Deus	o	chamou	para	seguir	a	Jesus.	Assim,	o	seu	primeiro	chamado	não	é	fazer,
realizar	ou	conquistar.	O	seu	primeiro	chamado	é	ser	transformado	em	seguidor
de	Cristo,	chamado	esse	que	jamais	expira.	Mas	Deus	também	o	chamou	a
frutificar.	Dessa	forma,	suas	ações	devem	representar	de	forma	clara	a	sua	fé.	Se
verdadeiramente	cremos	que	a	missão	da	igreja	é	fazer	Jesus	Cristo	conhecido
perto	e	longe,	nenhuma	outra	tarefa	deve	preencher	mais	nosso	coração,	energia
e	tempo,	a	não	ser	aquela	que	colabora	para	que	a	missão	seja	cumprida.
Gisbertus	Voetius,	primeiro	missiólogo	protestante	(séc.	17)	afirmou	que	a	igreja
de	Cristo	é	‘Vocatio	et	Missio’,¹	ou	seja,	simultaneamente	chamada	e	enviada.
Segundo	ele,	a	igreja	é	chamada	por	Deus	para	a	salvação	em	Cristo	Jesus,	e
enviada	por	Deus	para	a	missão	em	Cristo	Jesus.	Se	é	igreja,	é	missionária.
Assim,	seguir	a	Jesus	e	proclamar	o	Seu	Nome	é	tanto	nosso	chamado	quanto
nossa	missão.
E	devemos	nos	lembrar	que	há	motivos	teológicos,	eclesiológicos	e	estratégicos
para	a	plantação	de	igrejas.	Teológicos,	pois	é	desejo	de	Deus	que	a	salvação	em
Cristo	Jesus	seja	conhecida	entre	todos	os	povos	da	terra.	Motivos
eclesiológicos,	pois	é	da	natureza	da	igreja	se	multiplicar,	vendo	outras	igrejas
locais	surgindo	a	partir	da	comunhão	misturada	com	a	missão.	E	motivos
estratégicos,	pois	plantar	igrejas	é	possivelmente	a	forma	mais	eficaz	de
assegurar	que	o	evangelho	permanecerá	enraizado	por	várias	gerações	em	uma
cidade,	um	povo	ou	uma	nação.
Minha	oração	é	que	esse	livro	seja	usado	pelo	Senhor	para	despertar	o	seu
coração	para	o	pleno	envolvimento	com	esse	que	é	um	dos	nossos	maiores
privilégios,	e	também	um	dos	nossos	maiores	desafios:	fazer	Cristo	conhecido
entre	todos	os	povos	da	terra.
Rev.	Ronaldo	Lidório
INTRODUÇÃO
A	obra	missionária	de	Deus	é	o	maior	empreendimento	da	história.	Ela	é
maior	em	sua	origem,	pois	foi	planejada	antes	da	fundação	do	mundo	e
executada	dentro	da	história	pelo	Deus	Onipotente.	É	maior	pelo	seu
propósito	de	salvar	pecadores,	libertando-os	da	escravidão	do	pecado,	da
morte	e	do	Diabo.	É	maior	em	sua	extensão	geográfica,	pois	alcança	pessoas
de	toda	tribo,	língua,	povo	e	nação.	E,	por	fim,	é	maior	por	conta	da	sua
produtividade	pois	os	seus	resultados	durarão	por	toda	a	eternidade.	“Se
você	deseja	plantar	algo	que	dure	uma	semana,	plante	hortaliças;	se	você
quer	plantar	algo	que	dure	uma	estação,	plante	flores;	se	você	aspira
plantar	algo	que	dure	uma	vida,	plante	árvores;	mas,	se	você	busca	plantar
algo	eterno,	plante	uma	igreja”.²
Evangelizar,	discipular	e	reunir	pessoas	em	igrejas	locais	é	o	trabalho	mais
fascinante	dessa	vida.	Ser	escolhido	por	Deus	para	trabalhar	nessa	obra	é	a	maior
honra	que	um	pecador	como	eu	pode	ter.	Ganhar	almas	para	Jesus	é	uma
experiência	indescritível.	A	alegria	de	ganhar	uma	alma	é	uma	felicidade
celestial.	John	Henry	Jowett	diz:	“Quando	ganhamos	uma	alma	ficamos
possuídos	de	paixão	por	elas.	Ganhe	uma	e	você	desejará	uma	multidão”.	O	ato
de	ganhar	uma	vida	para	Jesus	já	é	uma	recompensa	maravilhosa.	Matthew
Henry	diz:	“Sinto	maior	alegria	em	ganhar	uma	alma	para	Cristo	do	que	em
ganhar	montanhas	de	prata	e	ouro	para	mim	mesmo”.	Nossa	alegria	até
morrermos	será	ganhar	almas	para	Jesus.	A	salvação	de	pecadores	é	a	nossa
ocupação	até	Deus	nos	chamar.
Devemos	realizar	essa	obra	de	acordo	com	os	princípios	estabelecidos	na
Palavra	de	Deus.	Como	dito	por	William	Penn,	“o	que	é	certo	é	certo,	mesmo
que	todo	o	mundo	seja	contra	ele;	e	o	que	é	errado	é	errado,	mesmo	que	todo	o
mundo	seja	a	favor	dele”.	Devemos	realizar	a	obra	missionária	fundamentados
na	Bíblia.	Não	adianta	querer	fazer	a	obra	de	Deus	se	não	for	do	jeito	dele.
Precisamos	nos	submeter	à	soberania	de	Deus	e	aosprincípios	que	ele	nos	dá,
em	sua	Palavra.	A	missão	é	de	Deus	e	não	minha.
Nesse	livro,	reunimos	alguns	princípios	bíblicos	que	temos	usado	na	execução
da	obra	missionária.	O	nosso	propósito	é	compartilhar	esses	princípios	na
expectativa	de	que	serão	úteis	para	os	leitores.	Quando	a	fidelidade	a	Deus	se
torna	mais	difícil,	ela	é	mais	necessária.
Arival	Dias	Casimiro
O	EVANGELHO,	A	EVANGELIZAÇÃO	E	O	EVANGELISTA
“Quando	os	cristãos	evangelizam,	não	estão	empenhando-se	em	algum
passatempo	agradável	e	inofensivo,	mas,	sim,	em	uma	luta	terrível,	cujos
resultados	são	eternos.”	Leon	Morris
“O	evangelho	não	cai	das	nuvens	como	chuva,	por	acidente,	mas	é	levado	pelas
mãos	dos	homens	para	onde	Deus	o	enviou.”	João	Calvino
Para	realizarmos	o	trabalho	de	um	evangelista,	precisamos	saber	o	que	é	o
evangelho,	qual	é	o	nosso	papel,	e	a	quem	devemos	evangelizar.	O	evangelho
de	Jesus	Cristo	é	a	maior	e	mais	necessária	mensagem	que	esse	mundo
precisa	receber.	O	evangelho	traz	as	boas	novas	de	grande	alegria	vindas	do
céu.	É	o	poder	de	Deus	para	a	salvação	de	todo	aquele	que	crer.	É	graça,
paz,	salvação	e	reconciliação.	É	sobre	Deus,	sobre	o	reino	e	sobre	a	gloriosa
proclamação	de	Cristo,	que	traz	vida	e	imortalidade.
O	próprio	Jesus	usou	o	termo	“evangelho”	(euangelion)	para	descrever	sua
mensagem.	“Depois	de	João	ter	sido	preso,	foi	Jesus	para	a	Galileia,	pregando	o
evangelho	de	Deus,	dizendo:	O	tempo	está	cumprido,	e	o	reino	de	Deus	está
próximo;	arrependei-vos	e	crede	no	evangelho”	(Mc	1.14-15).	Jesus	é	o	autor,	o
mensageiro	e	o	conteúdo	da	mensagem	do	evangelho.	E	isto	não	é	uma	invenção
humana,	como	testemunha	Paulo:	“Faço-vos,	porém,	saber,	irmãos,	que	o
evangelho	por	mim	anunciado	não	é	segundo	o	homem,	porque	eu	não	o	recebi,
nem	o	aprendi	de	homem	algum,	mas	mediante	revelação	de	Jesus	Cristo”	(Gl
1.11-12).	O	evangelho	se	origina	em	Deus,	e	não	é	a	mensagem	do	homem	sobre
Deus,	mas	de	Deus	sobre	a	salvação	dos	homens.
O	evangelho	não	pode	ser	separado	da	evangelização	ou	da	sua	proclamação.	O
evangelho	não	é	uma	discussão	nem	um	debate.	É	uma	proclamação.	A	palavra
“evangelho”	(gr.	euangelion)	significa	também	“a	pregação	do	evangelho”:	“E
percorria	Jesus	todas	as	cidades	e	povoados,	ensinando	nas	sinagogas,	pregando
o	evangelho	do	reino	e	curando	toda	sorte	de	doenças	e	enfermidades”	(Mt
9.35).	A	palavra	“pregando”	(gr.	kerissen,	Gl	2.2)	significa	proclamar,	anunciar	e
divulgar	publicamente.	Outras	palavras	acompanham	a	pregação	do	evangelho:
anunciar	por	completo	ou	totalmente	(gr.	diangellô,	Lc	9.60);	proclamar,	declarar
abertamente	ou	em	voz	alta,	de	forma	intensa	(gr.	katagellô,	At	13.5,	38);
anunciar	ousadamente	em	meio	às	dificuldades	(gr.	lalein,	1Ts	2.2).	O	evangelho
possui	em	si	mesmo	o	poder	de	criar	a	fé,	de	trazer	a	salvação	promovendo	a
vida,	e	também	o	juízo	para	quem	o	ouve.	Ele	transforma	a	vida	do	homem	e
cria	igrejas	locais.³	Mas	isso	só	vai	acontecer	se	o	evangelho	for	proclamado.	A
igreja	que	não	evangeliza	não	é	obediente.	Recusar-se	a	evangelizar	é	tão
pecaminoso	quanto	cometer	adultério	ou	homicídio.	A	missão	de	evangelizar	o
mundo	é	a	única	razão	para	estarmos	na	terra.
A	pessoa	que	proclama	o	evangelho	é	chamada	de	“evangelista”.	“No	dia
seguinte,	partimos	e	fomos	para	Cesareia;	e,	entrando	na	casa	de	Filipe,	o
evangelista,	que	era	um	dos	sete,	ficamos	com	ele”	(At	21.8).	A	palavra
“evangelista”	(gr.	euangelistês)	é	um	termo	para	aquele	que	proclama	o
evangelho.	No	contexto	da	igreja	primitiva,	o	evangelista	era	um	pregador	que
não	tinha	residência	fixa	particular,	mas	viajava	como	missionário,
evangelizando	e	fundando	novas	igrejas.	Filipe	foi	um	evangelista	eficaz	e	o
responsável	por	plantar	a	igreja	em	Samaria	(At	8.4-8).
Evangelizar	também	é	considerado	um	dom	espiritual	que	deve	ser	usado	para	a
edificação	da	igreja.	“E	ele	mesmo	deu	uns	para	apóstolos,	outros	para	profetas,
outros	para	evangelistas	e	outros	para	pastores	e	mestres,	com	vistas	ao
aperfeiçoamento	dos	santos	para	o	desempenho	do	seu	serviço,	para	a	edificação
do	corpo	de	Cristo”	(Ef	4.11-12).	O	evangelista	é,	portanto,	alguém	capacitado
por	Deus	para	a	edificação	da	sua	igreja.	“Tu,	porém,	sê	sóbrio	em	todas	as
coisas,	suporta	as	aflições,	faze	o	trabalho	de	um	evangelista,	cumpre
cabalmente	o	teu	ministério”	(2Tm	4.5).	Filipe	era	diácono	por	ofício,	assim
como	Estevão,	mas	ambos	realizaram	o	trabalho	de	proclamação	do	evangelho.
Timóteo	era	pastor	ordenado	pelo	presbitério	e	realizava	o	trabalho	de	pregar	o
evangelho	(1Tm	4.14).	Se	levarmos	em	consideração	os	textos	da	grande
comissão,	todo	cristão	é	um	evangelista,	um	missionário	e	uma	testemunha	do
evangelho.
Vejamos	o	exemplo	do	que	aconteceu	em	Antioquia.	Com	a	perseguição
religiosa,	houve	uma	dispersão	e	os	crentes	saíram	por	toda	parte	pregando	o
evangelho.	A	maioria	pregava	o	evangelho	somente	para	os	judeus,	mas	uma
minoria	resolveu	pregar	também	aos	gentios.	Lucas	narra:	“Alguns	deles,	porém,
que	eram	de	Chipre	e	de	Cirene	e	que	foram	até	Antioquia,	falavam	também	aos
gregos,	anunciando-lhes	o	evangelho	do	Senhor	Jesus.	A	mão	do	Senhor	estava
com	eles,	e	muitos,	crendo,	se	converteram	ao	Senhor.”	(At	11.20-21).	Deus	usa
cada	crente	para	anunciar	o	evangelho	a	fim	de	que	novas	pessoas	sejam
convertidas	ao	Senhor.	Uma	grande	e	magnífica	igreja	nasce	em	Antioquia,	pela
instrumentalidade	de	crentes	que	resolveram	pregar	o	evangelho.	Todo	crente	é
um	evangelista.
Após	essa	introdução,	faremos	um	estudo	expositivo	de	Romanos	1.1-17.
O	EVANGELHO	DA	BOA	NOTÍCIA
O	evangelho	é	a	boa	notícia	que	veio	dos	céus	para	a	alegria	de	todos	os	homens.
“O	anjo,	porém,	lhes	disse:	Não	temais;	eis	aqui	vos	trago	boa-nova	de	grande
alegria,	que	o	será	para	todo	o	povo:	é	que	hoje	vos	nasceu,	na	cidade	de	Davi,	o
Salvador,	que	é	Cristo,	o	Senhor”	(Lc	2.10-11).	Jesus	Cristo	veio	a	este	mundo
para	salvar	pecadores.	Essa	notícia	é	explicada	por	Paulo	em	sua	carta	aos
Romanos.	A	boa	notícia	é	que	Deus	tem	um	remédio	para	o	pecado.	O	homem
pecador	pode	ser	perdoado,	a	sua	culpa	pode	ser	removida	e	a	sua	vida
preservada	para	sempre.	Os	homens	nascem	em	pecado	e	escravidão,	mas	Jesus
Cristo	veio	para	libertá-los.	Trata-se	de	libertação	completa:	libertação	da	ira	de
Deus,	libertação	da	escravidão	de	Satanás,	libertação	da	condenação	da	lei,	e
libertação	da	escravidão	do	pecado	para	uma	vida	nova	com	Deus.	Em	síntese,
Romanos	revela	o	nosso	pecado,	declara	a	nossa	condenação,	mostra	a	salvação
de	Deus	nos	livrando	de	toda	condenação,	ensina-nos	a	ter	uma	vida	vitoriosa,	e
nos	guia	em	todos	os	nossos	relacionamentos.
1.	O	PROCLAMADOR	DA	BOA	NOTÍCIA
Antes	de	proclamar	a	boa	notícia,	Paulo	apresenta	o	seu	cartão	de	visita	ou	as
suas	credenciais:	“Paulo,	servo	de	Jesus	Cristo,	chamado	para	ser	apóstolo,
separado	para	o	evangelho	de	Deus”	(Rm	1.1).	Observe	três	detalhes	importantes
sobre	Paulo.
Primeiro,	ele	é	um	servo	de	Cristo	Jesus.	A	palavra	usada	em	grego	para
servo	é	doulos,	que	significa	escravo,	alguém	sem	vontade	própria	que	vive
exclusivamente	para	o	seu	senhor.	No	império	Romano	havia	cerca	de
sessenta	milhões	de	escravos.	Cada	escravo	era	visto	como	uma
propriedade,	e	não	como	uma	pessoa.	William	Hendriksen	comenta	que	“do
escravo	era	requerida	submissão	absoluta	a	seu	dono	e	total	dependência
dele,	como	também	o	domínio	do	dono	sobre	o	seu	escravo	e	a	irrestrita
autoridade	sobre	ele”.⁴	Em	outra	epístola,	Paulo	amplia	esse	conceito	de
“servo”:	“Porque	não	nos	pregamos	a	nós	mesmos,	mas	a	Cristo	Jesus	como
Senhor	e	a	nós	mesmos	como	vossos	servos,	por	amor	de	Jesus”	(2	Co	4.5).	A
palavra	“servo”	(gr.	doulos)	recebe	um	adendo:	“por	amor	de	Jesus”.	Essa
expressão	aponta	para	o	escravo	que	recebia	a	sua	alforria,	mas	que
continuava	servindo	ao	seu	senhor.	Paulo	recebe	a	sua	liberdade	em	Jesus
Cristo	e	passa	a	servi-lo	por	amor.
O	que	Paulo	quer	nos	ensinar	com	esse	título	de	servo?	Todo	cristão	é	um
evangelista	que	se	submete	totalmente	ao	Senhor	Jesus.	Não	temos	autonomia	de
pregar	outra	mensagem	e	devemos	ir	onde	ele	nos	enviar.	Somos	merosinstrumentos	nas	mãos	de	Deus	para	sermos	usados	como	ele	quiser.	Toda	a
nossa	suficiência	procede	Dele.
Segundo,	ele	foi	chamado	para	ser	apóstolo.	Paulo	diz	“chamado	para	ser
apóstolo”.	Ele	foi	chamado	(gr.	klêtós)	por	Deus	e	para	ser	enviado	ao
campo	missionário	(gr.	apóstolos).	O	termo	apóstolo	deve	ser	entendido	de
duas	maneiras.	No	contexto	do	ministério	de	Jesus,	o	termo	se	aplica
somente	aos	doze	discípulos	que	foram	escolhidos	e	chamados	por	ele	(Lc
6.12-16).	Para	ser	apóstolo	neste	sentido,	alguém	precisava	ter	sido
pessoalmente	escolhido	por	Jesus,	ser	uma	testemunha	ocular	da
ressurreição	e	estar	qualificado	para	ensinar	ou	escrever	com	autoridade
divina.	Neste	sentido	ninguém	pode	ser	apóstolo	hoje.
O	outro	sentido	para	a	palavra	“apóstolo”	é	de	alguém	que,	após	ser	chamado
por	Deus,	é	enviado	para	uma	missão	espiritual.	“Missionário”	é	o	termo	em
latim	para	“apóstolo”,	ou	para	aquele	que	foi	enviado.	Paulo	foi	chamado	para
ser	crente,	chamado	para	o	ministério	e	chamado	para	uma	missão	entre	os
gentios.	“E,	servindo	eles	ao	Senhor	e	jejuando,	disse	o	Espírito	Santo:	Separai-
me,	agora,	Barnabé	e	Saulo	para	a	obra	a	que	os	tenho	chamado.	Então,
jejuando,	e	orando,	e	impondo	sobre	eles	as	mãos,	os	despediram.	Enviados,
pois,	pelo	Espírito	Santo,	desceram	a	Selêucia	e	dali	navegaram	para	Chipre”	(At
13.2-4).	Ele	foi	separado,	chamado	e	enviado	por	Deus	juntamente	com
Barnabé.
Paulo	nos	ensina	aqui	que	todo	crente	foi	chamado	por	Deus	e	enviado	para	uma
missão.	Cada	cristão	é	um	missionário,	um	evangelista,	uma	testemunha	e	um
embaixador	de	Jesus	Cristo.
Terceiro,	ele	era	separado	para	o	evangelho	de	Deus.	Paulo	diz:	“separado
para	o	evangelho	de	Deus”.	A	palavra	“separado”	(gr.	aphoridzô)	significa
“colocado	a	parte	para	fazer	algo”,	“selecionado	ou	indicado”.	Ele	foi
separado	por	Deus	antes	mesmo	de	nascer:	“Quando,	porém,	ao	que	me
separou	antes	de	eu	nascer	e	me	chamou	pela	sua	graça,	aprouve	revelar	seu
Filho	em	mim,	para	que	eu	o	pregasse	entre	os	gentios,	sem	detença,	não
consultei	carne	e	sangue”	(Gl	1.15-16).	Preste	atenção	na	sequência:	me
separou,	me	chamou	e	me	revelou	com	o	propósito	de	que	eu	pregasse	a
Cristo	entre	os	gentios.	Paulo	nos	ensina	aqui	que	Deus	tem	o	propósito	de
usar	os	seus	filhos	na	obra	missionária.	Em	resumo,	as	credenciais	de	Paulo
são	o	fato	de	ele	ser	um	servo	de	Cristo,	um	apóstolo,	e	um	crente	separado
para	pregar	o	evangelho	de	Deus.	Seu	exemplo	é	um	padrão	ou	um	modelo
para	todo	evangelista.
2.	OS	DESTINATÁRIOS	DA	BOA	NOTÍCIA
A	mensagem	do	evangelho	se	destina	a	toda	criatura.	“E	disse-lhes:	Ide	por	todo
o	mundo	e	pregai	o	evangelho	a	toda	criatura.	Quem	crer	e	for	batizado	será
salvo;	quem,	porém,	não	crer	será	condenado”	(Mc	16.15-16).	Devemos	fazer
discípulos	para	Jesus	em	todas	as	nações	da	terra.	“Jesus,	aproximando-se,	falou-
lhes,	dizendo:	Toda	a	autoridade	me	foi	dada	no	céu	e	na	terra.	Ide,	portanto,
fazei	discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai,	e	do	Filho,	e
do	Espírito	Santo;	ensinando-os	a	guardar	todas	as	coisas	que	vos	tenho
ordenado.	E	eis	que	estou	convosco	todos	os	dias	até	à	consumação	do	século”
(Mt	28.18-20).
A	igreja	de	Roma	provavelmente	foi	fundada	por	visitantes	romanos	que
estavam	na	festa	do	pentecostes	quando	aconteceu	a	descida	do	Espírito	Santo
(At	2.10).	O	Espírito	Santo	é	enviado	para	que	pessoas	de	todas	as	nações	da
terra	sejam	alcançadas	pelo	evangelho.	Paulo	não	conhecia	pessoalmente	os
crentes	romanos,	mas	os	descreve	de	forma	espiritual	em	Romanos	1:6-12.	Eles
são	chamados	para	serem	de	Jesus	(v.6).	Eles	são	os	amados	de	Deus,	em	Roma
(v.7).	Eles	são	chamados	para	a	santificação	(v.7).	Eles	são	os	receptores	da
graça	e	paz	de	Deus	(v.7).	Eles	são	a	igreja	de	Deus,	em	Roma	(v.8).	Eles	são
consoladores	espirituais	(v.12).
Paulo,	porém,	ensina	sobre	a	depravação	total	do	homem.	Todos	os	homens	são
pecadores	e	estão	sob	a	condenação	divina	(Rm	1.18-3.20).	Ele	também	fala	da
manifestação,	ou	da	revelação	da	ira	de	Deus	sobre	os	pecadores.	Primeiro,
Paulo	destaca	o	juízo	de	Deus	sobre	os	gentios	(Rm	1.18-32).	Eles	são	ímpios	e
praticam	todo	tipo	de	impiedade,	rejeitam	a	verdade	divina	e	cultuam	a	criatura
no	lugar	do	Criador.	Warren	W.	Wiersbe	diz	que	a	trágica	degeneração	do
homem	é	marcada	por	quatro	estágios:	inteligência	(1.18-20),	ignorância	(1.21-
23),	imoralidade	(1.24-27)	e	impenitência	(1.28-32).⁵	Em	segundo	lugar,	Paulo
trata	do	juízo	de	Deus	sobre	os	judeus	(Rm	2.1-3.8).	Os	judeus	achavam	que
deveriam	ser	inocentados	por	não	serem	tão	maus	quanto	os	gentios.	Paulo
declara,	porém,	que	os	judeus	são	igualmente	culpados	diante	do	Senhor,	apesar
de	todos	os	privilégios	espirituais	que	receberam	de	Deus.	Paulo	conclui	o
assunto	do	pecado	humano:	“Que	se	conclui?	Temos	nós	qualquer	vantagem?
Não,	de	forma	nenhuma;	pois	já	temos	demonstrado	que	todos,	tanto	judeus
como	gregos,	estão	debaixo	do	pecado”	(Rm	3.9).	Ele	salienta	a	universalidade
do	pecado,	pois	todos	os	homens	estão	sob	o	pecado.
Paulo,	então,	apresenta	o	veredicto	final:	“Ora,	sabemos	que	tudo	o	que	a	lei	diz,
aos	que	vivem	na	lei	o	diz	para	que	se	cale	toda	boca,	e	todo	o	mundo	seja
culpável	perante	Deus,	visto	que	ninguém	será	justificado	diante	dele	por	obras
da	lei,	em	razão	de	que	pela	lei	vem	o	pleno	conhecimento	do	pecado”	(Rm
3.19-20).	Tanto	judeus	como	gentios	são	pecadores,	e	todos	são	culpados	diante
de	Deus.	Ninguém	poderá	ser	declarado	justo	por	obedecer	a	Lei,	pois	a	função
da	Lei	é	mostrar	o	quanto	somos	pecadores,	impotentes	para	agradar	a	Deus.
Todos	os	homens	são	pecadores	e	necessitam	da	graça	de	Deus	para	serem
salvos.
3.	A	NATUREZA	DA	BOA	NOTÍCIA
O	evangelho	é	a	boa	notícia	que	veio	do	céu.	São	as	boas	novas	de	grande
alegria.	Evangelização	é	um	mendigo	contando	a	outro	onde	encontrar	pão.
Paulo,	que	foi	alcançado	pelo	evangelho,	enriquece	e	amplia	o	significado	do
termo.
Primeiro,	ele	é	o	evangelho	de	Deus	(Rm	1.1).	O	evangelho	é	a	mensagem	de
Deus	e	fala	sobre	Deus.	A	divindade	é,	ao	mesmo	tempo,	a	fonte	e	o
conteúdo	do	evangelho.	Deus	é	a	palavra	mais	importante	nesta	carta.	O
evangelho	vem	de	Deus	e	nos	leva	para	Deus.	Nosso	Deus	é	um	Deus
missionário.	A	evangelização	não	é	um	empreendimento	humano,	mas	uma
operação	divina	e	sobrenatural.
Segundo,	ele	é	o	evangelho	antigo	(Rm	1.2).	O	evangelho	foi	prometido	por
Deus:	“O	qual	foi	por	Deus,	outrora,	prometido	por	intermédio	dos	seus
profetas	nas	Sagradas	Escrituras”	(Rm	1.2).	O	evangelho	não	é	uma
novidade,	um	conjunto	de	ideias	que	surgiu	de	uma	hora	para	outra.	Ele	foi
revelado	progressivamente	por	Deus	aos	profetas	e	confiado	aos	apóstolos.
Ele	é	o	evangelho	do	antigo	testamento	e	do	novo	testamento,	atestado	pelas
Escrituras.	Ele	é	o	evangelho	de	Deus,	a	boa	notícia	do	próprio	Deus	para
um	mundo	perdido.
Terceiro,	ele	é	o	evangelho	de	seu	Filho	(Rm	1.3-5,	9).	O	evangelho	de	Deus	é
o	evangelho	de	seu	Filho.	O	conteúdo	do	evangelho	é	Jesus,	que	veio
segundo	a	carne	e	segundo	o	espírito.	Ele	era	verdadeiramente	homem	e
verdadeiramente	Deus,	semente	de	Davi	e	Filho	de	Deus.	Ele	viveu	o	estado
de	humilhação	e	de	exaltação.	E	o	alvo	do	evangelho	é	exaltar	a	Cristo.	O
evangelho	reúne	os	fatos	históricos	relacionados	à	morte	e	a	ressurreição	de
Cristo,	segundo	as	Escrituras	(1Co	15.1-8).	Pregar	o	evangelho	é	proclamar
quem	é	Cristo	e	aquilo	que	ele	fez,	conforme	as	Escrituras.
Quarto,	ele	é	o	evangelho	para	todos	os	povos	e	nações	(Rm	1.5).	O
evangelho	tem	como	alvo	alcançar	todas	as	nações.	“Por	intermédio	de
quem	viemos	a	receber	graça	e	apostolado	por	amor	do	seu	nome,	para	a
obediência	por	fé,	entre	todos	os	gentios”	(Rm	1.5).	Paulo	entende	que	por
meio	do	evangelho,	pessoas	de	todo	o	mundo	serão	chamadas	à	obediência
pela	fé.	Na	Grande	Comissão,	Jesus	mandou	que	fizéssemos	discípulos	de
todas	as	nações.	Devemos	pregar	o	evangelho	a	toda	criatura.
Quinto,	ele	é	o	evangelho	poderoso	(Rm	1.16).	“Pois	não	me	envergonho	do
evangelho,	porque	é	o	poder	de	Deus	para	a	salvação	de	todo	aquele	que
crê,	primeiro	do	judeu	e	também	do	grego”	(Rm1.16).	A	palavra	“poder”
(gr.	dinamis)	dá	origem	à	palavra	“dinamite”	que,	negativamente,	indica
destruição.	Mas,	o	evangelho	é	o	poder	de	Deus	para	a	salvação	de	todo
aquele	que	crê.	A	palavra	“poder”	enfatiza	o	aspecto	positivo	do	evangelho
em	libertar	o	homem	da	escravidão	do	pecado,	do	domínio	do	diabo	e	do
temor	da	morte.	Não	existe	poder	libertador	que	se	compare	ao	poder	da
cruz:	“Certamente,	a	palavra	da	cruz	é	loucura	para	os	que	se	perdem,	mas
para	nós,	que	somos	salvos,	poder	de	Deus”	(1Co	1.18).
Sexto,	ele	é	o	evangelho	para	ser	apropriado	(Rm	1.17).	“Visto	que	a	justiça
de	Deus	se	revela	no	evangelho,	de	fé	em	fé,	como	está	escrito:	O	justo
viverá	por	fé”	(Rm	1.17).	Há	uma	diferença	fundamental	entre	a	justiça
humana	e	a	justiça	de	Deus.	Uma	pessoa	quando	procura	estabelecer	a	sua
própria	justiça	defende	que	é	merecedora	da	sua	salvação,	por	méritos
próprios.	Os	judeus	achavam	que	Deus	tinha	a	obrigação	de	salvá-los.	Eles
rejeitaram	a	justiça	de	Deus,	recebida	por	meio	da	fé,	pelos	méritos	de
Cristo.	“Porque	o	fim	da	lei	é	Cristo,	para	justiça	de	todo	aquele	que	crê.
Ora,	Moisés	escreveu	que	o	homem	que	praticar	a	justiça	decorrente	da	lei
viverá	por	ela”	(Rm	10.4-5).	Paulo	afirma	que	o	fim	da	lei	é	Cristo	para	a
justificação	de	todo	aquele	que	crê.	Jesus	cumpriu	plenamente	a	lei	de	Deus,
em	nosso	lugar	(Mt	5.17),	e	o	propósito	ou	o	objetivo	da	lei	é	conduzir	o
pecador	a	Cristo.	“De	maneira	que	a	lei	nos	serviu	de	aio	para	nos	conduzir
a	Cristo,	a	fim	de	que	fôssemos	justificados	por	fé”	(Gl	3.24).	A	lei	revela
quanto	eu	sou	pecador	e	me	faz	recorrer	à	graça	de	Cristo.
A	justiça	de	Jesus	Cristo	nos	é	revelada	pelo	evangelho.	Ela	é	a	nossa	absolvição
completa	e	final.	Precisamos	vivê-la	pela	fé.	Ela	é	revelada	e	declarada	através
do	evangelho.	O	justificado	é	a	pessoa	que,	por	causa	da	absolvição	de	toda	e
qualquer	condenação,	passa	a	viver	uma	vida	de	plena	liberdade	espiritual.	Ele
passa	a	viver	pela	fé.	Para	Jesus,	a	fé	significa	o	estar	aberto	às	possibilidades	de
Deus.	É	a	antítese	entre	o	pequeno	e	o	grande,	entre	o	homem	e	Deus.	Para
Paulo,	a	fé	significa	o	recebimento	da	mensagem	da	salvação	e	uma	conduta	ou
comportamento	de	acordo	com	o	evangelho.	É	explicitamente	uma	fé	salvadora,
baseada	na	obra	de	Jesus	Cristo.	Esta	fé	é	um	dom	de	Deus.
Em	síntese,	Paulo	ensina	quatro	lições:	A	origem	do	evangelho	é	o	evangelho	de
Cristo;	a	natureza	do	evangelho	é	o	poder	de	Deus;	o	efeito	do	evangelho	é	a
salvação	do	pecador;	o	alcance	do	evangelho	é	para	todo	aquele	que	crê.
DISCIPULADO	CONTÍNUO
“Graça	barata	é	a	pregação	do	perdão	sem	arrependimento,	batismo	sem
disciplina	eclesiástica,	comunhão	sem	confissão,	absolvição	sem	confissão
pessoal.	Graça	barata	é	a	graça	sem	discipulado,	graça	sem	cruz,	graça	sem	o
Jesus	Cristo	vivo	e	encarnado.”	Dietrich	Bonhoeffer
“O	maior	desafio	que	a	igreja	enfrenta	hoje	é	a	formação	de	discípulos
autênticos	de	Cristo.”	Dallas	Willard
Olhando	para	a	Bíblia	e	observando	os	movimentos	de	plantação	de	igrejas
eficazes	em	andamento	no	mundo,	notamos	alguns	princípios	universais:
oração	incessante	e	fervorosa;	direção	e	dependência	do	Espírito	Santo;
total	submissão	à	autoridade	da	Bíblia;	semeadura	abundante	(pregação	e
ensino	da	Palavra,	distribuição	de	literatura	bíblica);	discipulado	pessoal	e
em	pequenos	grupos;	visitação	de	casa	em	casa;	treinamento	de	liderança
leiga;	urgência	missionária	com	disposição	de	pagar	o	preço;	e	igrejas
plantando	novas	igrejas.
Destacaremos	aqui	o	discipulado.	“Fazei	discípulos”	é	o	imperativo	de	Jesus	à
toda	sua	igreja	na	Grande	Comissão.	Esta	ordem	não	é	para	ser	discutida,	mas
obedecida.	Ela	é	divina,	intransferível	e	honrosa.	A	formação	de	um	discípulo
abrange	toda	a	sua	vida,	após	a	sua	conversão.	“Salvação	sem	discipulado	é
graça	barata”.	Discipulado	não	é	um	curso,	mas	uma	identidade	espiritual.	Juan
Carlos	Ortiz	declara:	“Discípulo	é	a	pessoa	que	aprende	a	viver	a	vida	que	seu
mestre	vive.	Discipulado	é	mais	do	que	conseguir	conhecer	o	que	o	mestre
conhece.	É	conseguir	ser	o	que	ele	é”.	Fazer	um	discípulo	significa	produzir	uma
cópia	de	Jesus	Cristo.
Por	consequência,	plantar	igreja	é	fazer	discípulos	para	Jesus	e	ajuntá-los	numa
igreja	local.	Plantar	uma	igreja	é	formar	e	treinar	pessoas	para	seguirem	a	Cristo,
ensinando-as	a	guardar	tudo	o	que	Ele	ensinou	(Mt	28.18-20).	É	enxertar	e	regar
a	Palavra	de	Deus	na	vida	das	pessoas	pelo	poder	do	Espírito	Santo	(1Co	3.6-9).
É	trabalhar	para	que	Cristo	seja	formado	nas	pessoas	(Gl	4.19).	Plantar	uma
igreja	é	trabalhar	árdua	e	exaustivamente	para	que	as	pessoas	alcancem	a
maturidade	espiritual	(Cl	1.28-29).	Fazer	discípulos	para	Jesus	é	o	trabalho	de
toda	igreja,	o	tempo	todo	e	até	ele	voltar.
Dallas	Willard	afirma	que	“o	maior	desafio	que	a	igreja	enfrenta	hoje	é	a
formação	de	discípulos	autênticos	de	Jesus”. 	Hoje,	as	pessoas	são	chamadas	a
aceitar	a	Cristo	como	seu	Salvador	pessoal,	mas	dispensadas	de	uma	vida	de
compromisso,	aprendizagem	e	obediência	a	Jesus.	É	como	se	fosse	possível	ter
Jesus	como	Salvador,	mas	não	como	Senhor.	James	M.	Boice	declara	que	há	um
defeito	fatal	na	vida	da	igreja	hoje:	a	falta	de	discipulado	genuíno.⁷
O	nosso	propósito	neste	capítulo	é	apresentar	princípios	bíblicos	para	o	trabalho
de	fazer	discípulos	para	Jesus	e	plantar	novas	igrejas.
1.	A	ORDEM	DE	JESUS:	FAZEI	DISCÍPULOS
No	último	encontro	com	os	seus	discípulos	aqui	na	terra,	Jesus	dá	uma	ordem
para	sua	igreja:	“Toda	a	autoridade	me	foi	dada	no	céu	e	na	terra.	Ide,	portanto,
fazei	discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai,	e	do	Filho,	e
do	Espírito	Santo;	ensinando-os	a	guardar	todas	as	coisas	que	vos	tenho
ordenado.	E	eis	que	estou	convosco	todos	os	dias	até	à	consumação	do	século”
(Mt	28.18-20).	Essa	ordem	é	chamada	de	“Grande	Comissão”.	O	que	há	de	tão
grande	nela?
Primeiro,	ela	é	grande	em	sua	autoridade.	Jesus	diz:	“toda	a	autoridade	me
foi	dada”.	A	palavra	“autoridade”	(gr.	eksousia)	significa	“poder”,
“domínio”	e	“governo”	sobre	tudo	e	todos.	Na	condição	de	Criador,	Jesus
tem	o	direito	original	sobre	todas	as	coisas	(Cl	1.16-17).	Como	Redentor,	a
sua	autoridade	se	expande	e	se	aprofunda.	A	origem	dessa	autoridade	é
Deus,	Pai.	A	consumação	dessa	autoridade	se	dá	“no	céu	e	na	terra”.	A
referência	ao	céu	significa	que	Jesus	domina	todas	as	forças	e	potestades
espirituais,	do	bem	e	do	mal.	Ele	é	o	Senhor	nas	hostes	espirituais.	Ele	tem
as	chaves	da	morte	e	do	inferno.	Na	terra,	ele	governa	sobre	tudo	e	todos.
Ele	tem	autoridade	sobre	todas	as	pessoas,	todas	as	nações	e	toda	a	sua
igreja.	Somente	por	causa	dessa	autoridade	plena	poderemos	ter	sucesso	no
céu	e	na	terra.	Somente	por	isso	poderemos	cumprir	a	missão	com	eficácia
entre	as	nações	e	contra	as	potestades	do	mal,	no	poder	de	Jesus.
Segundo,	ela	é	grande	em	seu	conteúdo.	A	expressão	“portanto”	atrela	as
ordens	que	vem	na	sequência	à	autoridade	de	Jesus:	“Ide,	portanto,	fazei
discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em	nome	do	Pai,	e	do	Filho,	e	do
Espírito	Santo;	ensinando-os	a	guardar	todas	as	coisas	que	vos	tenho
ordenado”	(Mt	28:19-20).	William	Hendriksen	diz:	“Vão:	porque	seu
Senhor	o	ordenou;	porque	ele	prometeu	comunicar	a	força	indispensável;	e
porque	ele	é	digno	da	homenagem,	da	fé	e	da	obediência	de	todos	os
homens”.⁸
O	cerne	da	grande	comissão	é	fazer	discípulos	mediante	o	batismo	e	o	ensino.
“Fazei	discípulos”	(gr.	matheosate)	é	o	imperativo	que	significa	fazer	um
“aprendiz”	ou	um	“aluno”.	Todos	os	verbos	estão	no	gerúndio,	mas	“fazei
discípulos”	é	uma	ordem	e	não	uma	opção.	Hernandes	Dias	Lopes	comenta:
“Fica	claro	que	Jesus	não	mandou	fazer	fãs.	Quem	precisa	de	fã	são	os	artistas.
Jesus	não	mandou	fazer	admiradores.	Os	atores	e	jogadores	de	futebol	é	que
buscam	admiradores.	Jesus	não	mandou	apenas	evangelizar	e	ganhar	almas,
abandonando	os	bebês	espirituais.	Ele	quer	discípulos.	Jesus	não	mandou
recrutar	crentes	e	encher	as	igrejas	de	pessoas.	Ele	quer	convertidos	maduros.”
Fazei	discípulos,	“batizando-os”	em	nome	da	Trindade.	Observe	o	singular	“em
nome”	ou	batizarem	nome	de	Deus,	Pai,	Filho	e	Espírito	Santo.	O	batismo
simboliza	e	sinaliza	a	regeneração	e	a	remissão	de	pecados	(At	2.38;	22.16).	O
batismo	é	com	água,	não	sendo	determinada	a	quantidade	ou	a	forma	batismal
(imersão	ou	aspersão).	O	batismo	é	único	e	irrepetível	(Ef	4.5).	O	batismo	é	um
ato	que	integra	o	novo	crente	à	igreja	ou	ao	corpo	de	Cristo	(At	2.41;	1Co
12.13).	A	expressão	“ensinando-os	a	guardar	todas	as	coisas	que	vos	tenho
ordenado”	nos	revela	que	o	processo	dura	a	vida	inteira.	O	verbo	“ensinar”	(gr.
didaskalos)	significa	“instruir	com	o	objetivo	de	transmitir	conteúdo
doutrinário”.	O	infinitivo	“guardar”	indica	que	a	instrução	é	para	ser	encarnada	e
praticada.	Além	disso,	o	professor	deve	instruir	sobre	aquilo	que	Jesus	ordenou,
e	não	sobre	o	que	ele	mesmo	deseja	ensinar.	Discípulo	não	é	alguém	que	já
aprendeu,	mas	que	está	aprendendo	sempre.	Os	dias	de	escola	do	verdadeiro
cristão	nunca	se	acabam.
Terceiro,	ela	é	grande	em	sua	extensão.	Jesus	disse:	“fazei	discípulos	de
todas	as	nações”.	A	palavra	“nação”	(gr.	ethnos)	significa	“uma	raça	ou
pessoas	com	os	mesmos	hábitos,	uma	tribo”.	Há	nações	hoje	que	são
formadas	por	várias	etnias	que	precisam	ser	evangelizadas.	Não	é	somente
para	os	judeus,	mas	para	todas	as	nações	ou	todos	os	gentios.	A	extensão	da
missão	está	relacionada	à	obra	expiatória	de	Jesus	Cristo.
“E	entoavam	novo	cântico,	dizendo:	Digno	és	de	tomar	o	livro	e	de	abrir-lhe	os
selos,	porque	foste	morto	e	com	o	teu	sangue	compraste	para	Deus	os	que
procedem	de	toda	tribo,	língua,	povo	e	nação	e	para	o	nosso	Deus	os
constituíste	reino	e	sacerdotes;	e	reinarão	sobre	a	terra”	(Ap	5.9-10).
Se	Jesus	comprou	com	o	seu	sangue	pessoas	de	todas	as	tribos,	línguas,	povo	e
nação,	devemos	evangelizar	todas	as	nações.	Em	Marcos,	Jesus	diz:	“Ide	por
todo	mundo	e	pregai	o	evangelho	a	toda	criatura”	(Mc	16.15).	Essa	mensagem
começou	a	ser	pregada	em	Jerusalém	e	deve	chegar	até	os	confins	da	terra.	Jesus
só	voltará	quando	o	evangelho	for	pregado	a	todas	as	nações	da	terra.
Quarto,	ela	é	grande	em	seu	conforto.	“E	eis	que	estou	convosco	todos	os
dias	até	à	consumação	do	século”.	Isso	não	é	uma	promessa,	mas	um	fato.	O
pronome	“eu”	é	escrito	separadamente	para	ser	enfático.	Jesus	está
dizendo:	“eu	estou	enviando	vocês	e	eu	estarei	pessoalmente	com	vocês”.
Trata-se	de	um	acompanhamento	pessoal.	Também	é	um	fato	constante:
“todos	os	dias	até	o	fim	do	mundo”.	Ele	está	conosco	sempre,	nos	dias	bons
ou	ruins,	nas	alegrias	ou	tristezas,	nas	vitórias	ou	derrotas.	A	presença	de
Jesus	gera	proteção,	direção,	poder,	conforto,	encorajamento,	paz	e	certeza
de	vitória.	A	Grande	Comissão	é	uma	missão	para	toda	a	sua	igreja.	Todo
cristão	é	um	missionário.	Todo	salvo	é	um	enviado	para	pregar	o	evangelho
a	toda	criatura.	A	expressão	“até	a	consumação	do	século”	indica	que	Deus
tem	um	plano	para	a	sua	igreja	na	história:	missões.
2.	A	ESTRATÉGIA:	TREINAMENTO	DE	DISCIPULADO
Todo	pastor,	evangelista,	missionário	e	cristão	deve	ser	guiado	por	um	conceito
muito	claro	do	que	é	a	igreja.	Precisamos	saber	biblicamente	o	que	é	a	igreja	e
para	que	ela	existe	aqui	na	terra.
“Escrevo-te	estas	coisas,	esperando	ir	ver-te	em	breve;	para	que,	se	eu	tardar,
fiques	ciente	de	como	se	deve	proceder	na	casa	de	Deus,	que	é	a	igreja	do	Deus
vivo,	coluna	e	baluarte	da	verdade”	(1Tm	3.14-15).
“Vós,	porém,	sois	raça	eleita,	sacerdócio	real,	nação	santa,	povo	de
propriedade	exclusiva	de	Deus,	a	fim	de	proclamardes	as	virtudes	daquele	que
vos	chamou	das	trevas	para	a	sua	maravilhosa	luz;	vós,	sim,	que,	antes,	não
éreis	povo,	mas,	agora,	sois	povo	de	Deus,	que	não	tínheis	alcançado
misericórdia,	mas,	agora,	alcançastes	misericórdia”	(1Pe	2.9-10).
Faça	algumas	perguntas	básicas:	Por	que	e	para	que	Deus	me	salvou	e	me
colocou	na	sua	Igreja?	Qual	é	o	meu	propósito	dentro	do	propósito	maior	da
Igreja?	O	que	devo	fazer	no	ministério	para	que	a	Igreja	possa	cumprir	a	sua
missão?	A	resposta	que	dou	como	pastor	é	que	a	essência	do	ministério	pastoral
é	ajudar	o	crente	a	ser	igual	a	Jesus,	no	caráter	e	nas	ações.	O	progresso	ou	a
maturidade	espiritual	dos	crentes	é	o	propósito	do	ministério	pastoral.	Paulo
revela	esse	conceito	de	forma	magistral	na	sua	carta	aos	Efésios,	levantando	três
pontos	importantes:
Primeiro,	a	origem	dos	dons.
“E	a	graça	foi	concedida	a	cada	um	de	nós	segundo	a	proporção	do	dom	de
Cristo.	Por	isso,	diz:	Quando	ele	subiu	às	alturas,	levou	cativo	o	cativeiro	e
concedeu	dons	aos	homens.	Ora,	que	quer	dizer	subiu,	senão	que	também	havia
descido	até	às	regiões	inferiores	da	terra?	Aquele	que	desceu	é	também	o	mesmo
que	subiu	acima	de	todos	os	céus,	para	encher	todas	as	coisas”	(Ef	4.7-10).
Segundo,	os	dons	ministeriais	e	os	seus	propósitos.
“E	ele	mesmo	concedeu	uns	para	apóstolos,	outros	para	profetas,	outros	para
evangelistas	e	outros	para	pastores	e	mestres,	com	vistas	ao	aperfeiçoamento
dos	santos	para	o	desempenho	do	seu	serviço,	para	a	edificação	do	corpo	de
Cristo,	até	que	todos	cheguemos	à	unidade	da	fé	e	do	pleno	conhecimento	do
Filho	de	Deus,	à	perfeita	varonilidade,	à	medida	da	estatura	da	plenitude	de
Cristo,	para	que	não	mais	sejamos	como	meninos,	agitados	de	um	lado	para
outro	e	levados	ao	redor	por	todo	vento	de	doutrina,	pela	artimanha	dos
homens,	pela	astúcia	com	que	induzem	ao	erro”	(Ef	4.11-14).
Terceiro,	o	envolvimento	dos	membros	no	crescimento	do	corpo	ou	da
igreja.
“Mas,	seguindo	a	verdade	em	amor,	cresçamos	em	tudo	naquele	que	é	a	cabeça,
Cristo,	de	quem	todo	o	corpo,	bem-ajustado	e	consolidado	pelo	auxílio	de	toda
junta,	segundo	a	justa	cooperação	de	cada	parte,	efetua	o	seu	próprio	aumento
para	a	edificação	de	si	mesmo	em	amor”	(Ef	4.15-16).
Outro	texto	fundamental	para	compreender	a	questão	do	progresso	espiritual	do
crente	como	foco	do	ministério	pastoral	é	Colossenses	1.28-29.
“O	qual	nós	anunciamos,	advertindo	a	todo	homem	e	ensinando	a	todo	homem
em	toda	a	sabedoria,	a	fim	de	que	apresentemos	todo	homem	perfeito	em	Cristo;
para	isso	é	que	eu	também	me	afadigo,	esforçando-me	o	mais	possível,	segundo
a	sua	eficácia	que	opera	eficientemente	em	mim”.
Nessa	passagem	vemos	alguns	pontos	que	delineiam	a	ação	do	ministério
pastoral	nessa	empreitada.
Primeiro,	o	propósito:	ajudar	cada	crente	a	ser	igual	a	Jesus	Cristo,	no
caráter	e	nas	ações.	A	palavra	“perfeito”	(gr.	teleios)	significa	“atender	ao
padrão	mais	elevado”,	“ser	maduro	ou	alcançar	a	maturidade”	e	“ser
completamente	desenvolvido	no	sentido	moral”.	A	essência	do	discipulado	é
ser	igual	a	Cristo	no	pensamento,	na	emoção,	na	vontade,	e	nos
relacionamentos	e	atitudes.
Segundo,	a	estratégia:	pregação	e	ensino	equivalem	a	discipulado.	Somente
quando	o	discipulado	é	fundamentado	na	Bíblia	é	que	o	homem	de	Deus
pode	ter	seu	caráter	aperfeiçoado	e	se	torna	perfeitamente	habilitado	para
realizar	a	obra	de	Deus	(2Tm	3.16-17).
Terceiro,	o	preço	a	ser	pago:	fadiga	e	esforço	extenuante.	A	palavra	denota
uma	competição,	um	conflito	agonizante	e	um	empenho	ardente	e	laborioso
(Lc	13.24).
Quarto,	a	capacitação:	o	poder	de	Deus.	A	força	motriz	do	discipulado	é	o
poder	do	Espírito	Santo	operando	de	forma	eficaz.
Concluindo,	o	que	é	o	treinamento	de	discipulado?	É	uma	ação	prática	aplicada	a
fim	de	atingir	um	propósito	ou	padrão	definido.	O	treinamento	precisa	ter	um
alvo,	um	método	específico,	um	lugar	adequado	e	uma	grande	expectativa	de
resultados	decorrentes	desse	processo.	O	propósito	final	do	treinamento	é
conduzir	o	crente	a	ser	semelhante	a	Jesus,	no	caráter	e	na	vida.	Cada	crente
precisa	se	tornar	maduro,	perfeitamente	equipado	para	toda	boa	obra,	através	do
ensino	da	Palavra	e	no	poder	do	Espírito	Santo.	“Toda	a	Escritura	é	inspirada	por
Deus	e	útil	para	o	ensino,	para	a	repreensão,	para	a	correção,	para	a	educação	na
justiça,	a	fim	de	que	o	homem	de	Deus	seja	perfeito	e	perfeitamente	habilitado
para	toda	boa	obra”	(2Tm	3.16-17).
Para	isso,	não	há	outro	caminho	a	não	ser	estudar	a	Palavra	de	Deus.	É	preciso	se
dedicar	ao	estudo,	de	forma	metódica,	individualmente	e	em	grupos.	Precisamos
nos	debruçar	sobre	temas	específicosda	Palavra	de	forma	aprofundada	e
consistente.	“Até	que	todos	cheguemos	à	unidade	da	fé	e	do	pleno	conhecimento
do	Filho	de	Deus,	à	perfeita	varonilidade,	à	medida	da	estatura	da	plenitude	de
Cristo,	para	que	não	mais	sejamos	como	meninos,	agitados	de	um	lado	para
outro	e	levados	ao	redor	por	todo	vento	de	doutrina,	pela	artimanha	dos	homens,
pela	astúcia	com	que	induzem	ao	erro”	(Ef	4.13-14).
Ser	cristão	é	ser	um	discípulo	ou	um	aprendiz	eterno	de	Jesus.	E	o	maior	desafio
que	a	Igreja	enfrenta	hoje	é	a	formação	de	discípulos	autênticos	de	Jesus	Cristo.
Ele	nos	ordenou	a	fazer	discípulos	e	precisamos	empreender	todo	esforço	nesse
propósito.
PRINCÍPIOS	BÍBLICOS	PARA	O	CRESCIMENTO	DA
IGREJA
“A	igreja	nada	tem	a	fazer,	a	não	ser	salvar	almas;	portanto,	deve	gastar	e	ser
gasta	nesta	obra.	Não	lhe	é	requerido	falar	tantas	vezes,	mas	salvar	tantas	almas
quanto	puder,	levar	ao	arrependimento	tantos	pecadores	quanto	possível.”	John
Wesley
“A	igreja	não	é	uma	democracia	na	qual	escolhemos	a	Deus,	mas	uma	teocracia
na	qual	ele	nos	escolheu.	A	igreja	é	a	única	sociedade	no	mundo	que	nunca	perde
nenhum	de	seus	membros,	nem	mesmo	pela	morte.”	J.	Blanchard
O	livro	de	Atos	dos	Apóstolos	é	o	manual	inspirado	pelo	Espírito	Santo	para
promover	o	crescimento	da	igreja	até	Jesus	voltar.	O	livro	de	Atos	foi	escrito
por	Lucas,	por	volta	de	70	d.C.,	provavelmente	da	cidade	de	Roma.	Lucas
era	médico	(Cl	4.14)	e	acompanhou	a	Paulo	a	partir	da	segunda	viagem
missionária	(At	16.10-17)	e	ficou	com	o	apostolo	até	a	sua	morte	(2Tm	4.11).
A	pergunta	que	precisa	ser	feita	é:	qual	o	propósito	de	Lucas	ao	escrever	o	livro
de	Atos?	Toda	a	interpretação	correta	pela	hermenêutica	bíblica	começa	com	a
compreensão	do	propósito	do	autor.	Pelas	evidências	internas,	Lucas	declara	que
o	seu	objetivo	em	Atos	era	continuar	narrando,	para	um	homem	chamado
Teófilo,	o	ensino	e	as	obras	realizadas	por	Jesus:	“Escrevi	o	primeiro	livro,	ó
Teófilo,	relatando	todas	as	coisas	que	Jesus	começou	a	fazer	e	a	ensinar	até	ao
dia	em	que,	depois	de	haver	dado	mandamentos	por	intermédio	do	Espírito
Santo	aos	apóstolos	que	escolhera,	foi	elevado	às	alturas”	(At	1.1-2).
No	estudo	de	Atos,	concluímos	que	há	um	duplo	propósito.	O	primeiro	é	narrar	o
crescimento	da	igreja	para	nos	ensinar	o	princípio	do	crescimento.	Toda	igreja
local	deve	crescer	onde	ela	estiver	até	os	confins	da	terra.	O	versículo	chave	é:
“Mas	recebereis	poder,	ao	descer	sobre	vós	o	Espírito	Santo,	e	sereis	minhas
testemunhas,	tanto	em	Jerusalém,	com	em	toda	a	Judéia	e	Samaria,	até	aos
confins	da	terra”	(At	1.8).	Observe	que	este	versículo	serve	como	esboço	para	o
conteúdo	do	livro	de	Atos:	(1)	o	evangelho	se	propagando	por	toda	Jerusalém	e
Judéia	nos	capítulos	1-7;	(2)	o	evangelho	se	propagando	por	Samaria	e	regiões
vizinhas	nos	capítulos	8-12;	(3)	o	evangelho	se	propagando	em	terras	distantes
nos	capítulos	13-28.
O	segundo	propósito	de	Atos	é	oferecer	aos	seus	leitores	um	“manual	bíblico	de
missões”,	inspirado	pelo	Espírito	Santo,	para	orientar	o	crescimento	da	igreja,
em	todos	os	lugares	e	em	todas	as	épocas,	até	a	volta	de	Cristo.¹ 	Se	colocarmos
em	prática	esses	princípios,	Deus	certamente	promoverá	o	crescimento	da	igreja
em	que	congregamos	ou	que	pastoreamos.
O	PRINCÍPIO	ESPIRITUAL	DO	CRESCIMENTO
Lucas	não	era	um	historiador,	mas	um	médico	que	se	dedicou	à	obra	missionária.
O	seu	livro	poderia	ser	considerado	um	diário	missionário.	Entretanto,	Lucas
deixa	explícita	no	texto	a	sua	intenção	de	nos	oferecer	o	princípio	do
crescimento	da	igreja.	É	natural	que	a	igreja	de	Cristo	cresça	por	meio	da
evangelização	e	da	plantação	de	novas	igrejas.	William	Barclay	declara	que	o
livro	de	Atos	se	divide	em	seis	partes,	com	cada	uma	delas	terminando	com	um
resumo	de	crescimento:
Atos	1.1-6.7	–	o	crescimento	da	igreja	em	Jerusalém,	que	finaliza	com	um
resumo:	“Crescia	a	palavra	de	Deus,	e,	em	Jerusalém,	se	multiplicava	o	número
dos	discípulos;	também	muitíssimos	sacerdotes	obedeciam	à	fé”	(At	6.7).
Atos	6.8-9.31	–	o	crescimento	da	Igreja	em	Samaria	e	Judéia,	que	termina	com	o
resumo:	“A	igreja,	na	verdade,	tinha	paz	por	toda	a	Judeia,	Galileia	e	Samaria,
edificando-se	e	caminhando	no	temor	do	Senhor,	e,	no	conforto	do	Espírito
Santo,	crescia	em	número”	(At	9.31).
Atos	9.32-12.24	–	o	crescimento	da	igreja	entre	os	gentios,	em	Cesareia	e
Antioquia,	que	se	encerra	com	o	resumo:	“Entretanto,	a	palavra	do	Senhor
crescia	e	se	multiplicava”	(At	12.24).
Atos	12.25-16.5	–	o	crescimento	da	igreja	na	Ásia	Menor,	principalmente,	na
Galácia,	que	finaliza	da	seguinte	forma:	“Assim,	as	igrejas	eram	fortalecidas	na
fé	e,	dia	a	dia,	aumentavam	em	número”	(At	16.5).
Atos	16.6-19.20	–	o	crescimento	da	igreja	na	Europa,	em	grandes	cidades,	que
finaliza	da	seguinte	forma:	“Assim,	a	palavra	do	Senhor	crescia	e	prevalecia
poderosamente”	(At	19.20).
Atos	19.21-28.31	–	o	crescimento	da	igreja	em	Roma	com	a	chegada	de	Paulo,
que	termina	assim:	“Pregando	o	reino	de	Deus,	e,	com	toda	a	intrepidez,	sem
impedimento	algum,	ensinava	as	coisas	referentes	ao	Senhor	Jesus	Cristo”	(At
28.31).¹¹
Fica	clara	a	intenção	de	Lucas	de	apresentar	a	evolução	da	igreja	em	números.
Na	primeira	reunião,	cento	e	vinte	pessoas	estavam	presentes	(At	1.15).	No
sermão	de	Pedro,	após	o	Pentecostes,	quase	três	mil	foram	batizadas	(At	2.41).
Pouco	tempo	depois,	muitas	conversões	aconteceram,	chegando	a	um	número	de
quase	cinco	mil	homens,	sem	contar	mulheres	e	crianças	na	igreja	em	Jerusalém
(At	4.4).	Daí	por	diante,	Lucas	vai	usar	expressões	para	descrever	o	crescimento
da	igreja	tais	como	“multidão	dos	que	creram”	(At	4.32),	“multidão	de	crentes”
(At	5.14),	“multiplicando	o	número	dos	discípulos”	(At	6.1-7),	“multidões
atendiam”	(At	8.6),	“muitos	e	muita	gente”	(At	11.21	e	24),	“creu	grande
multidão”	(At	14.1),	“numerosa	multidão”	(At	17.4	e	12),	“dezenas	de	milhares”
(At	21-20).
Podemos	resumir	esse	princípio	de	crescimento	da	Igreja	em	Atos	dos	Apóstolos
da	seguinte	maneira:
Crescimento	Geográfico:	“Mas	recebereis	poder,	ao	descer	sobre	vós	o	Espírito
Santo,	e	sereis	minhas	testemunhas,	tanto	em	Jerusalém,	com	em	toda	a	Judéia	e
Samaria,	até	aos	confins	da	terra”	(At	1.8).	Observe	que	este	versículo	serve
como	roteiro	geográfico	para	a	obra	missionária.	De	Jerusalém	até	os	confins	da
terra	e	de	forma	simultânea:	“tanto	em”,	“como	em”	e	“até”.	A	Igreja	faz
missões	locais,	regionais	e	internacionais.
Crescimento	numérico:	“A	Igreja,	na	verdade,	tinha	paz	por	toda	a	Judéia,
Galileia	e	Samaria,	edificando-se	e	caminhando	no	temor	do	Senhor	e,	no
conforto	do	Espírito	Santo,	crescia	em	número”	(At	9.31).	A	Igreja	cresce
numericamente	quando	ela	cumpre	a	sua	missão.
Crescimento	espiritual:	“Então,	os	que	lhe	aceitaram	a	palavra	foram	batizados,
havendo	um	acréscimo	naquele	dia	de	quase	três	mil	pessoas.	E	perseveravam	na
doutrina	dos	apóstolos	e	na	comunhão,	no	partir	do	pão	e	nas	orações”	(At	2.41-
42).	Observe	que	os	novos	convertidos	se	integram	na	Igreja	de	forma	plena.
Eles	perseveram	na	doutrina,	na	comunhão,	na	generosidade	e	na	oração.	Havia
o	temor	de	Deus	em	cada	novo	convertido.
Crescimento	verdadeiro:	“Louvando	a	Deus	e	contando	com	a	simpatia	de	todo	o
povo.	Enquanto	isso,	acrescentava-lhes	o	Senhor,	dia	a	dia,	os	que	iam	sendo
salvos”	(At	2.47).	Observe	que	é	Deus	quem	produz	o	crescimento	saudável	da
igreja,	pois	era	ele	quem	acrescentava,	diariamente,	pessoas	salvas	a	igreja.
Trata-se	de	um	crescimento	genuíno.
Crescimento	rápido:	“Naqueles	dias,	levantou-se	Pedro	no	meio	dos	irmãos	(ora,
compunha-se	a	assembleia	de	umas	cento	e	vinte	pessoas)	e	disse...”	(At	1.15).
Começando	com	cento	e	vinte	pessoas	a	igreja	alcançou	milhões,	em	trinta	anos.
PRINCÍPIOS	BÍBLICOS	PARA	O	CRESCIMENTO	DA	IGREJA
É	possível	estudar	o	crescimento	genuíno	e	saudável	da	igreja	a	partir	de	Atos
dos	Apóstolos.	Ele	é	o	livro	inspirado	pelo	Espírito	Santo.	Não	busque	em	outra
fonte,	não	copie	modelos	ou	estratégias	de	crescimento	de	igrejas.	Merrill	C.
Tenney	declara:	“O	livro	de	Atos	não	é	apenas	uma	história	de	um	dado	períododa	vida	da	igreja,	é	um	manual	para	os	cristãos.	Exemplifica	a	administração	e	a
eficácia	de	uma	igreja	edificada	sobre	os	princípios	que	o	Espírito	Santo
ministra”.¹²	Ernest	C.	Reisinger	refere-se	ao	livro	de	Atos	como	um	“manual
divino	para	o	evangelismo”	que	registra	mensagens	e	métodos	apostólicos	que	a
igreja	precisa	usar	hoje.¹³
Por	que	a	Igreja	em	Atos	cresceu	tanto	e	tão	rápido?	Quais	princípios	ela	seguiu
para	obter	crescimento?
Submissão	e	dependência	do	Espírito	Santo:	Antes	de	enviar	a	Igreja	ao	mundo,
Deus	enviou	o	Espírito	Santo	a	sua	Igreja.	“Mas	recebereis	poder,	ao	descer
sobre	vós	o	Espírito	Santo,	e	sereis	minhas	testemunhas,	tanto	em	Jerusalém,
com	em	toda	a	Judeia	e	Samaria	e	até	aos	confins	da	terra”	(At	1.8).	A	fonte	do
poder	é	o	Espírito	Santo,	a	natureza	do	poder	é	espiritual	e	o	uso	do	poder	é	para
realizar	a	missão.	A	igreja	se	submete	à	soberania	de	Deus	de	forma	prática	e
inquestionável.
No	texto	de	Atos,	o	Espírito	Santo	é	citado	mais	de	50	vezes.	Ele	é	Deus,	a
terceira	pessoa	da	Trindade.	Ele	é	o	executivo	da	obra	missionária.	Ele	capacita	a
igreja	a	pregar	(At	4.31),	converte	o	coração	dos	incrédulos	(At	11.15-18),
separa	e	envia	missionários	(At	13.1-3),	dirige	e	conduz	a	obra	missionária	(At
16.6-10),	produz	o	caráter	cristão	(At	6.3	e	5),	abre	a	visão	e	quebra	paradigmas
(At	10.19-20;	11.12),	constitui	liderança	na	igreja	(At	20.28)	e	consola	e
encoraja	a	igreja	(At	9.31).	Não	há	melhor	evangelista	no	mundo	do	que	o
Espírito	Santo.	O	crescimento	da	igreja	começa	com	a	submissão	ao	Espírito
Santo.
Prioridade	e	foco	na	sua	missão:	Qual	é	a	missão	da	igreja?	Em	outras	palavras:
Qual	é	a	tarefa	que	Deus	deu	a	igreja	para	ela	realizar	enquanto	estiver	neste
mundo?	A	tarefa	primordial	e	intransferível	da	Igreja	é	proclamar	o	evangelho	de
Jesus	Cristo,	e	reunir	os	convertidos	em	igrejas	locais.	Foi	o	próprio	Jesus	quem
definiu	a	tarefa	de	sua	Igreja,	na	chamada	“Grande	Comissão”	(Mt	28.18-20).	A
missão	da	Igreja	é	de	natureza	espiritual:	pregar,	batizar	e	ensinar.	O	alvo	da
missão	é	alcançar	todo	o	mundo,	toda	criatura	e	todas	as	nações.	O	versículo
chave	de	Atos	é:	“Mas	recebereis	poder,	ao	descer	sobre	vós	o	Espírito	Santo,	e
sereis	minhas	testemunhas,	tanto	em	Jerusalém,	com	em	toda	a	Judeia	e	Samaria
e	até	aos	confins	da	terra”	(At	1.8).	Esse	verso	resume	a	missão.
Quando	uma	igreja	local	deixa	de	cumprir	a	sua	missão	evangelizadora,	ela
deixa	de	ser	uma	igreja	evangélica.	Ela	é	tudo,	menos	a	igreja	de	Deus.	Ela	pode
ter	pastor,	templo,	dinheiro	e	realizar	diversas	atividades.	Se	ela	não	cumprir	a
sua	missão	evangelizadora	perde	a	sua	razão	de	ser	ou	de	existir.	A	igreja	que
não	evangeliza	morre.
O	oração	e	trabalho:	O	terceiro	princípio	que	o	livro	de	Atos	nos	ensina	é	que,
para	a	igreja	crescer,	precisamos	de	muita	oração	e	muito	trabalho.	Há	no	livro
mais	de	trinta	referências	à	oração.	Tudo	que	a	igreja	fazia	era	com	oração	(At
1.12-14;	2.42	e	46;	4.24;	6.4;	8.15;	12.5;	16.13,	16,	25-26).	A	oração	era
prioridade	para	a	igreja	em	Atos,	a	começar	pelos	líderes.	Não	podemos	fazer	a
obra	de	Deus	sem	oração.	Além	de	orar,	a	igreja	trabalhava	muito.	Ela	trabalhava
todos	os	dias	e	Deus	dava	o	crescimento	diário	(At	2.46-47).	E	quando	a	igreja
era	pressionada	a	não	trabalhar,	aí	é	que	trabalhava	ainda	mais.	“E	todos	os	dias,
no	templo	e	de	casa	em	casa,	não	cessavam	de	ensinar	e	de	pregar	Jesus,	o
Cristo”	(At	5.42).	Não	há	crescimento	sem	oração	e	trabalho.
O	homem	é	o	instrumento	de	Deus	para	a	obra:	O	livro	de	Atos	narra	o	agir	de
Deus	por	meio	das	pessoas.	“E	sereis	minhas	testemunhas”	(At	1.8).	O	poder	do
Espírito	veio	sobre	todos	para	que	todos	pudessem	testemunhar.	Os	líderes	e
todo	o	povo	são	testemunhas	que	devem	realizar	o	trabalho	missionário	(At	5.42;
8.4;	9.20;	11.19-20;	28.31).	Deus	usa	algumas	peças-chave,	como	Pedro	e	Paulo,
mas	também	pessoas	como	Estevão,	Filipe,	Dorcas	e	muitos	outros.	John	Wesley
diz:	“Dê-me	uma	centena	de	pregadores	que	nada	temem	a	não	ser	o	pecado,
nada	desejam	a	não	ser	Deus,	e	não	me	importa	se	são	clérigos	ou	leigos;
somente	tais	pessoas	abalarão	os	portões	do	inferno	e	estabelecerão	o	reino	dos
céus	sobre	a	terra”.	Deus	quer	usar	você,	meu	irmão.	Consagre	a	sua	vida	a
Deus!
A	pregação	é	o	meio	escolhido	por	Deus	para	realizar	a	obra	missionária:	A
pregação	é	o	meio	prescrito	por	Deus	para	salvar,	santificar,	encorajar	e
fortalecer	a	igreja.	Um	terço	do	livro	de	Atos	é	constituído	de	pregações.	A
palavra	de	Deus	é	a	semente	do	reino	(Lc	8.11).	É	a	palavra	de	Deus	que	gera	a
vida	ou	o	novo	nascimento	(Tg	1.18;	1Pe	1.23).	Em	Atos,	há	uma	relação	íntima
entre	pregação	e	crescimento.	“Crescia	a	palavra	de	Deus,	e,	em	Jerusalém,	se
multiplicava	o	número	dos	discípulos;	também	muitíssimos	sacerdotes
obedeciam	a	fé”	(At	6.7).	“Entrementes,	os	que	foram	dispersos	iam	por	toda	a
parte	pregando	a	palavra”	(At	8.4).	“Entretanto,	a	palavra	do	Senhor	crescia	e	se
multiplicava”	(At	12.24).	“Assim,	a	palavra	do	Senhor	crescia	e	prevalecia
poderosamente”	(At	19.20).	Observe	que	o	crescimento	da	Igreja	é	o
crescimento	da	palavra,	por	meio	da	pregação	e	do	evangelismo	pessoal.	Se	você
deseja	o	crescimento	da	Igreja	ou	a	sua	revitalização	espiritual,	pregue	a	palavra.
Jesus	é	o	tema	da	Bíblia	e	deve	ser	o	assunto	principal	da	pregação.	A	Igreja
cresce	quando	prega	a	Cristo.	Os	sermões	em	Atos	dos	Apóstolos	destacam	a
pessoa	e	a	obra	de	Jesus,	com	ênfase	no	seu	senhorio:	“Esteja	absolutamente
certa,	pois	toda	a	casa	de	Israel	de	que	a	este	Jesus,	que	vós	crucificastes,	Deus	o
fez	Senhor	e	Cristo”	(At	2.36).	Em	Atos,	só	há	dois	versículos	que	falam	de
Jesus	como	“Salvador”	(At	5.31	e	13.23),	enquanto	o	título	“Senhor”	aparece	em
noventa	e	dois	versículos	de	Atos.
Cada	Igreja	local	é	uma	agência	missionária:	Aprendemos	em	Atos,	que	a	igreja
local	é	a	responsável	pela	evangelização	e	pela	plantação	de	igrejas.	A	Igreja
local	deve	coordenar	o	trabalho	missionário	recrutando,	treinando,	enviando,
sustentando	e	recebendo	relatórios	dos	missionários.	Mesmo	que	ela	busque	o
apoio	denominacional	ou	de	agências	e	juntas	missionárias,	a	igreja	local	não
deve	abrir	mão	de	seu	papel.	Em	Atos,	a	Igreja	pregava	e	reunia	os	convertidos
em	igrejas	locais,	onde	pudessem	ser	edificados	e	treinados	para	o	serviço	(At
11.19-26;	14.23;	17.1-4;	18.11).	Igrejas	locais	plantam	novas	igrejas.
O	livro	de	Atos	pode	ser	esboçado	ou	estudado	a	partir	de	duas	igrejas:	(1)	A
Igreja	de	Jerusalém	–	Atos	1.1-11.18	e	12.	O	seu	trabalho	missionário	começou
em	Jerusalém	e	foi	até	a	Judéia	e	Samaria.	Ela	foi	a	mãe	de	todas	as	igrejas
fundadas	nesta	região.	(2)	A	Igreja	de	Antioquia	–	Atos	11.19-30	e	13-28.	O	seu
trabalho	missionário	começou	em	Antioquia	e	foi	até	Roma.	Ela	foi	mãe	das
igrejas	transculturais.
A	doutrina	da	eleição	é	a	motivação	para	a	obra	missionária:	A	única	esperança
de	êxito	na	evangelização	é	a	doutrina	da	soberana	eleição	divina.	Se	a	doutrina
da	eleição	não	existe	o	nosso	trabalho	missionário	é	vão.	Esta	doutrina	está
presente	em	toda	a	Bíblia,	e	a	sua	tese	principal	é	que	Deus	escolhe	aqueles	que
serão	salvos	e	providencia	os	meios	para	salvá-los	(Jo	10.27-30;	15.16;	17.3-7;
Ef	1.3-14;	2Ts	2.13-14.	Rm	9-11).	O	livro	de	Atos	nos	ensina	que	a	obra
missionária	não	acontece	num	vácuo	doutrinário.	Pelo	contrário,	ela	é	a	teologia
em	ação.	“Os	gentios,	ouvindo	isto,	regozijavam-se	e	glorificavam	a	palavra	do
Senhor,	e	creram	todos	os	que	haviam	sido	destinados	para	a	vida	eterna”	(At
13.48).	O	objetivo	da	eleição	de	Deus	é	a	salvação	do	eleito:	“e	creram	todos	os
que	haviam	sido	destinados	para	a	vida	eterna”.	O	destino	ou	o	alvo	da	eleição	é
a	vida	eterna.
A	fé	não	é	a	causa	da	salvação,	mas	consequência	da	eleição.	O	verbo	destinado
significa	registrado,	ou	arrolado,	no	sentido	de	ter	o	nome	escrito	num	livro.	Esta
ideia	aparece	no	evangelho:	“Não	obstante,	alegrai-vos,	não	porque	os	espíritos
se	vos	submetem,	e	sim	porque	o	vosso	nome	está	arrolado	nos	céus”(Lc	10.20).
Trata-se	de	uma	colocação	feita	por	Jesus	que	aparece	em	vários	lugares	dabíblia	(Dn	12.1;	Fp	4.3;	Hb	12.23;	Ap	3.5;	13.8;	20.12,	15;	21.27;	22.19).
Paulo	realizava	o	seu	ministério	motivado	pela	doutrina	da	eleição.	“Por	esta
razão,	tudo	suporto	por	causa	dos	eleitos,	para	que	também	eles	obtenham	a
salvação	que	está	em	Cristo	Jesus,	com	eterna	glória”	(2Tm	2.10).	Ele	era	um
promotor	da	fé	que	pertencia	aos	eleitos	de	Deus	(Tt	1.1;	Ef	1.3-14;	2Ts	2.13-
14).	O	apóstolo	Pedro	ensina	sobre	essa	doutrina	da	eleição	como	algo	que
envolvia	todo	o	trabalho	da	Trindade:	“Pedro,	apóstolo	de	Jesus	Cristo,	aos
eleitos	que	são	forasteiros	da	Dispersão	no	Ponto,	Galácia,	Capadócia,	Ásia	e
Bitínia,	eleitos,	segundo	a	presciência	de	Deus	Pai,	em	santificação	do	Espírito,
para	a	obediência	e	a	aspersão	do	sangue	de	Jesus	Cristo,	graça	e	paz	vos	sejam
multiplicadas”	(1Pe	1.1-2).	Neste	verso	temos	três	lições	sobre	a	fonte	da	nossa
salvação:	Fomos	escolhidos	pelo	Pai,	fomos	feitos	santos	pelo	Espírito	Santo	e
somos	purificados	pelo	sangue	do	Filho.
O	trabalho	missionário	acontece	em	meio	às	tribulações:	O	livro	de	Atos	poderia
ser	chamado	de	“Atos	dos	Apóstolos	na	Tribulação”.	Paulo	foi	um	dos	que	mais
sofreu	na	realização	do	seu	ministério.	Logo	após	ser	apedrejado	e	dado	como
morto	em	Listra,	ele	se	recuperou	e	viajou	pelas	cidades	de	Derbe,	Icônio	e
Antioquia	encorajando	os	novos	crentes:	“Fortalecendo	a	alma	dos	discípulos,
exortando-os	a	permanecer	firmes	na	fé;	e	mostrando	que,	através	de	muitas
tribulações,	nos	importa	entrar	no	reino	de	Deus”	(At	14.22).	A	menção	a	muitas
tribulação	indica	que	a	fé	não	significa	imunidade	ao	sofrimento.	Antes	de
“chegar	ao	céu”,	cada	cristão	experimentará	individualmente	muitas	tribulações.
Portanto,	o	evangelho	em	Atos	não	é	o	da	prosperidade,	mas	o	da	tribulação.
Vejamos	algumas	tribulações	apontadas	em	Atos:	Pedro	e	João	são	presos	e
proibidos	de	falar	acerca	de	Jesus	(At	4.1-22);	Ananias	e	Safira	mentem	para
prejudicar	a	unidade	da	igreja	(At	5.1-11);	os	apóstolos	foram	açoitados	no
Sinédrio	e	proibidos	de	pregar	a	Jesus	(At	5.17-42);	Estevão	foi	morto	por
apedrejamento	de	forma	cruel	e	injusta	(At	7.1-60);	a	igreja	é	perseguida	por
Saulo	de	Tarso,	com	prisões,	agressões	e	mortes	(At	8.1-3);	Tiago	é	assassinado
por	Herodes	e	Pedro	é	preso	injustamente	(At	12);	Paulo	e	Silas	são	açoitados	e
presos	covardemente	(At	16.19-26);	Paulo	é	preso	em	Jerusalém	(At	21.27-40);
Paulo	viaja	preso	para	Roma	e	enfrenta	um	furacão,	um	naufrágio	(At	27.27-44)
e	fica	em	prisão	domiciliar	em	Roma,	por	dois	anos	(At	28.30-31).
A	obra	missionária	é	feita	em	meio	ao	sofrimento	e	o	sacrifício	para	a	glória	de
Deus.	Jesus	pagou	o	preço	da	redenção	e	os	redimidos	devem	pagar	o	preço	da
proclamação.	Tribulações	são	normais	na	vida	do	cristão	e	na	oposição	ao
avanço	missionário	da	igreja.	Qualquer	igreja	que	se	envolver	com	a	obra
missionária	enfrentará	oposição	interna	e	externa.	O	Diabo	levantará	perseguição
contra	a	igreja.	Ninguém,	porém,	poderá	deter	o	avanço	missionário	da	igreja.
A	dinheiro	jamais	será	empecilho	para	a	obra	missionária:	O	livro	de	Atos	revela
que	a	igreja	não	tinha	dinheiro,	não	tinha	templos,	não	tinha	bíblia	impressa,	não
tinha	meios	de	transporte,	não	tinha	meios	de	comunicação	como	rádio,	televisão
e	internet,	e	não	tinha	direitos	legais	perante	o	Estado.	Contudo,	a	obra	foi
realizada	de	forma	exponencial.	Lucas	destaca	a	relação	entre	o	Espírito	Santo	e
o	dinheiro	ou	bens	materiais.	O	Espírito	Santo	não	precisa	de	dinheiro	para	agir
(At	3.3-8).	O	Espírito	Santo	é	o	senhor	dos	nossos	bens	(At	4.32-35).	O	Espírito
Santo	providencia	os	recursos	para	a	obra	(At	4.36-37).	O	Espírito	Santo	avalia	e
julga	como	ofertamos	para	Deus	e	para	a	sua	obra	(At	5.1-11).	O	Espírito	Santo
não	pode	ser	subornado	por	dinheiro	(At	8.18-24).	O	Espírito	Santo	nos	revela
que	é	mais	bem-aventurado	dar	do	que	receber	(At	20.35).
Não	fazer	a	obra	missionária	por	não	ter	dinheiro	é	um	sofisma	espiritual.	Nunca
houve	falta	e	jamais	faltarão	recursos	da	parte	de	Deus	para	que	sua	obra	seja
realizada.	Ele	é	o	dono	da	prata	e	do	ouro.	Ele	é	o	provedor	do	seu	povo.	Mas	é
preciso	obedecer	à	ordem	missionária	para	que	os	recursos	sejam	enviados	por
Deus.	Primeiro,	obediência	e	depois	os	recursos.	Só	que	é	preciso	ter	fé.	Não	é
ver	para	crer,	mas,	crer	para	ver.	Se	Deus	mandar	o	dinheiro	primeiro,	a	fé	não	é
necessária.	Há	muitas	igrejas	e	irmãos	com	dinheiro,	mas	sem	a	experiência	de
investir	na	obra	missionária.
Conta-se	que	Tomás	de	Aquino	(Século	XII)	foi	visitar	o	Papa	Inocêncio	II,
sendo	recebido	de	forma	suntuosa.	O	Papa,	ocupado	em	contar	grande
importância	de	dinheiro,	disse	sorrindo:	“Olha,	Tomás,	a	igreja	não	diz	mais:
Não	tenho	prata	nem	ouro!	Respondeu-lhe	imediatamente	São	Tomás:	É
verdade,	mas	também	não	diz	mais:	Em	nome	de	Jesus	Cristo,	o	nazareno,
anda!”	O	Papa	referia-se	ao	que	considerava	uma	grande	vitória	da	igreja;
Aquino,	ao	que	considerava	o	grande	declínio	espiritual	da	igreja.
A	obra	missionária	é	prática	e	não	discurso:	O	livro	de	Atos	é	que	declara	isso	no
seu	próprio	nome.	“Atos”	(práxis)	significa	ações	práticas,	efetivas	e
intencionais.	Os	irmãos	da	igreja	descrita	em	Atos	entenderam	isto:	“Agora,
Senhor,	olha	para	as	suas	ameaças	e	concede	aos	teus	servos	que	anunciem	com
toda	a	intrepidez	a	tua	palavra”	(At	4.29).	O	evangelho	não	é	somente	para
consumo	interno,	mas	para	exportação.	Sempre,	e	em	toda	parte,	os	servos	de
Cristo	estão	sob	a	ordem	de	evangelizar.
Desafio	as	igrejas	e	suas	lideranças	a	voltarem	ao	primeiro	amor.	A	Igreja	de
Éfeso	foi	uma	grande	agência	missionária	para	toda	a	Ásia.	Infelizmente,	porém,
perdeu	o	seu	ardor	pelas	missões.	“Tenho,	porém,	contra	ti	que	abandonaste	o
teu	primeiro	amor.	Lembra-te,	pois,	de	onde	caíste,	arrepende-te	e	volta	à	prática
das	primeiras	obras;	e,	se	não,	venho	a	ti	e	moverei	do	seu	lugar	o	teu	candeeiro,
caso	não	te	arrependas”	(Ap	2.4-5).	Comentando	esse	texto,	Harry	L.	Reeder
escreve:	“Ele	nos	diz	que	um	corpo	de	crentes	pode	impedir	seu	declínio	e	ir	das
brasas	novamente	para	as	chamas	se	sua	liderança	os	ensinar	simplesmente	a
lembrar-se,	arrepender-se	e	se	recuperar”.¹⁴	Lembre-se	que	a	missão	da	igreja	é
realizar	o	trabalho	missionário.	Ore	e	trabalhe	para	que	a	sua	igreja	volte	ao	foco
missionário.	Priorize	o	que	é	a	prioridade	de	Deus.
Concluindo,	crescimento	da	igreja	é	um	assunto	que	atualmente	é	visto	por	dois
extremos.	Primeiro,	o	pragmatismo	que	defende	o	crescimento	da	igreja,	usando
métodos	e	estratégias	humanas,	pois	o	mais	importante	são	os	resultados.	Neste
caso,	o	fim	justifica	os	meios.	Segundo,	o	imobilismo	que	coloca	a
responsabilidade	do	crescimento	da	igreja	em	Deus	e	não	faz	absolutamente
nada	para	a	igreja	crescer.	Nesse	caso,	temos	uma	teologia	deturpada	para
justificar	a	inércia	e	a	preguiça.	Muitos	pastores	acham	que	foram	chamados	só
para	proteger	a	sã	doutrina	e	manter	a	igreja	pequena.	Lucas	mostra	que	a	igreja
crescia	pela	vontade	de	Deus	de	forma	saudável	e	robusta.	É	Deus	quem	produz
o	crescimento	da	sua	igreja	através	do	trabalho	humano.	Em	Atos,	a	igreja	cresce
por	ação	de	Deus	e	pelo	trabalho	missionário	dos	irmãos.	Esse	é	o	padrão
bíblico.
O	PLANTADOR	DE	IGREJAS
“Não	me	importava	o	lugar	ou	a	maneira	que	tivesse	de	morar,	nem	por	qual
sofrimento	tivesse	que	passar,	contanto	que	pudesse	ganhar	almas	para	Cristo.
Quando	dormia,	sonhava	com	isso	e,	ao	acordar,	a	primeira	coisa	de	que	me
ocupava	era	essa	grande	obra;	eu	não	tinha	outro	desejo	a	não	ser	a	conversão
dos	perdidos.”	David	Brainerd
“Se	não	queres	dar-me	almas,	retira	a	minha.”	George	Whitefield
A	obra	de	Deus	sempre	foi	comparada	a	uma	atividade	agrícola.	O	reino	de
Deus	é	um	campo	onde	o	semeador	sai	a	semear	a	semente	da	Palavra	de
Deus.	O	coração	dos	homens	são	os	solos	em	que	a	semente	é	lançada.	Jesus
usa	essa	figura	várias	vezes:
“Não	dizeis	vós	que	ainda	há	quatro	meses	até	à	ceifa?	Eu,	porém,	vos	digo:
erguei	os	olhos	e	vede	os	campos,	pois	já	branquejam	para	a	ceifa.	O	ceifeiro
recebe	desde	já	a	recompensa	e	entesoura	o	seu	fruto	para	a	vida	eterna;	e,
dessarte,se	alegram	tanto	o	semeador	como	o	ceifeiro.	Pois,	no	caso,	é
verdadeiro	o	ditado:	Um	é	o	semeador,	e	outro	é	o	ceifeiro.	Eu	vos	enviei	para
ceifar	o	que	não	semeastes;	outros	trabalharam,	e	vós	entrastes	no	seu
trabalho”	(Jo	4.35-38).
Já	que	o	reino	de	Deus	é	uma	seara,	é	necessário	que	tenhamos	trabalhadores.
Qualquer	lavoura	quando	atinge	a	maturidade	precisa	ser	colhida,	do	contrário
apodrece.
Jesus	disse:	“A	seara,	na	verdade,	é	grande,	mas	os	trabalhadores	são	poucos.
Rogai,	pois,	ao	Senhor	da	seara	que	mande	trabalhadores	para	a	sua	seara”	(Mt
9.37-38).	Há	três	lições	importantes	aqui:	(1)	a	seara	é	grande	pois	envolve	todas
as	nações	da	terra	ao	longo	de	todas	as	gerações.	(2)	Os	trabalhadores	são
poucos	e	dificilmente	atenderão	a	demanda	da	colheita.	(3)	Deus	enviará
trabalhadores	para	a	seara	como	resposta	à	oração	do	povo	de	Deus.
Nas	parábolas	sobre	os	mistérios	do	reino	de	Deus,	Jesus	também	usa	a	figura
agrícola:
“Eis	que	o	semeador	saiu	a	semear.	E,	ao	semear,	uma	parte	caiu	à	beira	do
caminho,	e,	vindo	as	aves,	a	comeram.	Outra	parte	caiu	em	solo	rochoso,	onde	a
terra	era	pouca,	e	logo	nasceu,	visto	não	ser	profunda	a	terra.	Saindo,	porém,	o
sol,	a	queimou;	e,	porque	não	tinha	raiz,	secou-se.	Outra	caiu	entre	os	espinhos,
e	os	espinhos	cresceram	e	a	sufocaram.	Outra,	enfim,	caiu	em	boa	terra	e	deu
fruto:	a	cem,	a	sessenta	e	a	trinta	por	um”	(Mt	13.3-8).
Quatro	lições	importantes	podem	ser	tiradas	daqui:	(1)	O	semeador	é	Jesus	ou
qualquer	discípulo	dele	que	trabalha	na	obra	de	evangelizar	os	perdidos.	(2)	A
semente	é	a	Palavra	de	Deus,	que	tem	potencial	para	gerar	vida	e	transformação.
(3)	O	coração	de	cada	pessoa	é	o	solo	onde	a	semente	da	palavra	é	semeada.	(4)
Apenas	parte	das	sementes	lançadas	frutificam.	Ainda	bem	que	ela	frutifica	e
produz	a	cem,	a	sessenta	e	a	trinta	por	um.	Louvado	seja	Deus.
Jesus	volta	a	comparar	o	reino	de	Deus	a	uma	lavoura.	“Porque	o	reino	dos	céus
é	semelhante	a	um	dono	de	casa	que	saiu	de	madrugada	para	assalariar
trabalhadores	para	a	sua	vinha”	(Mt	20.1).	O	dono	da	vinha,	que	é	Deus,	contrata
trabalhadores	durante	o	dia	e	uns	trabalham	mais	tempo	que	os	outros,	mas	todos
recebem	o	mesmo	salário.	O	texto	narra:	“Ao	cair	da	tarde,	disse	o	senhor	da
vinha	ao	seu	administrador:	Chama	os	trabalhadores	e	paga-lhes	o	salário,
começando	pelos	últimos,	indo	até	aos	primeiros”	(Mt	20.8).	Ao	entardecer,	o
dono	da	vinha	ordena	a	seu	administrador	que	pague	os	trabalhadores,
começando	pelo	último	contratado	até	chegar	ao	primeiro.	Duas	lições
importantes:	(1)	não	devemos	querer	mais	honra	e	recompensa	pelo	fato	de
estarmos	a	mais	tempo	trabalhando	na	obra	do	Senhor.	No	reino	de	Deus,	a
antiguidade	nem	sempre	implica	em	honras.	Não	existe	um	fundo	de	garantia
por	tempo	de	serviço	na	obra	de	Deus.	(2)	No	reino	de	Deus,	impera	a	graça.
Somos	recompensados	pela	graça,	não	pelo	nosso	serviço.
Paulo	também	usa	a	figura	agrícola	e	diz:	“Eu	plantei,	Apolo	regou;	mas	o
crescimento	veio	de	Deus.	De	modo	que	nem	o	que	planta	é	alguma	coisa,	nem	o
que	rega,	mas	Deus,	que	dá	o	crescimento.	Ora,	o	que	planta	e	o	que	rega	são
um;	e	cada	um	receberá	o	seu	galardão,	segundo	o	seu	próprio	trabalho”	(1Co
3.6-8).	Nestes	versos	temos	informações	que	nos	ajudam	a	conceituar	a	figura	do
plantador	de	igrejas.	Primeiro,	alguém	pode	liderar	um	projeto	de	plantação,	mas
ninguém	planta	sozinho.	O	plantador	sempre	trabalha	em	equipe.	Um	lançou	a
semente	e	o	outro	a	regou	com	a	quantidade	de	água	necessária.	São	duas	tarefas
importantes	feitas	por	pessoas	diferentes,	numa	mesma	lavoura.	Paulo	diz	ainda:
“Ora,	o	que	planta	e	o	que	rega	são	um”	(v.8).	São	dois	trabalhadores	ocupados
na	plantação	de	uma	lavoura	e	com	um	só	objetivo.	A	ideia	é	de	unidade	e
individualidade.	Não	há	rivalidade	ou	competição,	mas	cooperação.	O	numeral
“um”	está	no	gênero	neutro	em	grego,	indicando	que	ambas	as	pessoas
pertencem	à	mesma	categoria	de	obreiros	na	lavoura	de	Deus.
Segundo,	a	plantação	de	uma	igreja	é	uma	obra	divina.	“Eu	plantei,	Apolo	regou;
mas	o	crescimento	veio	de	Deus”	(v.6).	Uma	lição	básica	que	todo	agricultor
aprende	logo	cedo	é	a	sua	dependência	de	Deus.	Ele	ara	a	terra,	planta,	rega	e
aduba	a	semente,	mas	o	crescimento	da	lavoura	depende	de	Deus.	Assim
também	acontece	na	lavoura	espiritual.	Todo	o	trabalho	de	Paulo	e	Apolo	seria
em	vão	se	Deus	não	tivesse	feito	a	semente	germinar,	frutificar	e	crescer.	É	Deus
quem	faz	a	igreja	nascer,	crescer	e	frutificar.	Somente	Deus	dá	o	crescimento!	Os
resultados	espirituais	do	esforço	humano	provêm	de	Deus.	Sem	Ele	nada
podemos	fazer.	Por	isso	devemos	tomar	muito	cuidado	com	os	ensinos	sobre
plantação	de	igreja,	bem	como	com	os	modelos	oferecidos	no	mercado.	Quando
o	nosso	trabalho	é	feito	fundamentado	na	sabedoria	humana	e	com	o	emprego	de
técnicas	pragmáticas,	os	resultados	são	falsos	e	promovem	apenas	nossa	vaidade.
Uma	igreja	é	plantada	quando	vidas	são	salvas	e	reunidas	em	um	determinado
local.	Somente	Deus	pode	ressuscitar	uma	pessoa	espiritualmente,	dando-lhe	a	fé
salvadora	e	a	vida	eterna.
AS	CARACTERÍSTICAS	DE	UM	VERDADEIRO	PLANTADOR	DE
IGREJAS
A	maioria	dos	estudiosos	foca	suas	pesquisas	na	teologia	de	Paulo	e	não	na	sua
missão.	Thomas	R.	Schreiner	diz:
“Tendemos	a	nos	debruçar	sobre	os	temas	que	nos	interessam,	e	boa	parte	dos
estudiosos	não	tem	inclinação	para	missões.	Paulo,	por	sua	vez,	era	acima	de
tudo	um	missionário.	Ele	não	era	um	teólogo	sistemático	que	se	dedicava	a
escrever	tratados	em	que	as	várias	partes	de	sua	teologia	fossem	logicamente
interrelacionadas	e	explicadas.	Ele	era	um	missionário	que	escrevia	cartas	às
igrejas	com	o	propósito	de	sustentar	seus	convertidos	em	sua	fé	incipiente.	Via	a
si	mesmo	como	um	missionário	chamado	por	Deus	para	levar	a	mensagem	de
salvação	do	evangelho	a	todas	as	nações”.¹⁵
Por	isso,	olharemos	para	Paulo	como	um	plantador	de	igrejas	e	identificaremos
as	suas	principais	características.
1.	CONVERTIDO	E	ENVIADO	POR	DEUS
A	conversão	de	Saulo	de	Tarso	foi,	possivelmente,	um	dos	maiores
acontecimentos	da	Igreja	depois	da	vinda	do	Espírito	Santo.	Muitos	a
consideram	a	mais	importante	conversão	da	história.
A	narrativa	da	sua	conversão	é	registrada	três	vezes	em	Atos:	9.1-9;	22.4-11;
26.9-18.	Ele	foi	o	maior	perseguidor	dos	cristãos,	mas	sua	conversão	aconteceu
na	estrada	de	Damasco,	de	forma	repentina	e	sobrenatural.	A	sua	conversão	foi
um	ato	único,	soberano,	irresistível	e	intencional	de	Deus.
Paulo	não	se	converteu,	mas	foi	convertido	pelo	Senhor	Jesus.	A	salvação
baseia-se	na	doutrina	da	eleição:	“Quando,	porém,	ao	que	me	separou	antes	de
eu	nascer	e	me	chamou	pela	sua	graça,	aprouve	revelar	seu	Filho	em	mim,	para
que	eu	o	pregasse	entre	os	gentios,	sem	detença,	não	consultei	carne	e	sangue”
(Gl	1.15-16).	Paulo	declara	que	a	sua	conversão	foi	realizada	por	Deus,	pela
graça	e	por	intermédio	de	Jesus.	Ele	foi	escolhido,	chamado,	convertido	e
comissionado	a	pregar	a	outros.	“Eu	fui	conquistado	por	Cristo”	(Fp	3.12).
Paulo	tinha	consciência	da	sua	salvação	e	certeza	da	sua	vocação.	Quando	Paulo
teve	o	encontro	com	Jesus	na	estrada	de	Damasco,	ele	não	somente	foi	salvo	mas
constituído	ministro	e	testemunha	do	evangelho.	Observe	que	Jesus	foi	quem
constituiu	e	enviou	Paulo	para	pregar	o	evangelho:
“Então,	eu	perguntei:	Quem	és	tu,	Senhor?	Ao	que	o	Senhor	respondeu:	Eu	sou
Jesus,	a	quem	tu	persegues.	Mas	levanta-te	e	firma-te	sobre	teus	pés,	porque	por
isto	te	apareci,	para	te	constituir	ministro	e	testemunha,	tanto	das	coisas	em	que
me	viste	como	daquelas	pelas	quais	te	aparecerei	ainda,	livrando-te	do	povo	e
dos	gentios,	para	os	quais	eu	te	envio,	para	lhes	abrires	os	olhos	e	os
converteres	das	trevas	para	a	luz	e	da	potestade	de	Satanás	para	Deus,	a	fim	de
que	recebam	eles	remissão	de	pecados	e	herança	entre	os	que	são	santificados
pela	fé	em	mim”	(At	26.15-18).
Paulo	usa	duas	palavras	para	descrever	seu	chamado:	“ministro”	(gr.	huperetes),
que	significa	“um	remador	subordinado”	ou	“um	auxiliar”	que	serve	sob	a
direção	de	outra	pessoa;	e	“testemunha”	(gr.	martys),	que	apontapara	alguém
que	revela	a	verdade	que	viu,	ouviu	ou	conhece,	mesmo	que	isso	implique	em
sua	morte.	Em	síntese,	Paulo	nos	ensina	que	foi	chamado	para	ser	salvo,
constituído	para	ser	ministro	e	testemunha,	e	enviado	para	pregar	o	evangelho.
Portanto,	todo	pastor	plantador,	assim	como	Paulo,	deve	ter	três	chamados:	para
ser	salvo,	para	ser	pastor	e	para	cumprir	uma	tarefa	num	campo	específico	(1Tm
1.12-17;	At	13.1-3).
2.	INTEGRIDADE	E	CARÁTER	CRISTÃO
Uma	das	marcas	que	todo	cristão	deve	ter	é	a	da	integridade,	especialmente	os
ministros	do	evangelho.	Precisamos	ter	integridade	de	caráter,	na	motivação,	nos
objetivos,	na	pregação,	na	metodologia	e	na	relação	pastoral.	Quando	escreveu
aos	Tessalonicenses,	Paulo	abriu	o	seu	coração	e	declarou	a	sua	integridade:
“Pois	a	nossa	exortação	não	procede	de	engano,	nem	de	impureza,	nem	se	baseia
em	dolo.	Pelo	contrário,	visto	que	fomos	aprovados	por	Deus,	a	ponto	de	nos
confiar	ele	o	evangelho,	assim	falamos,	não	para	que	agrademos	a	homens,	e	sim
a	Deus,	que	prova	o	nosso	coração”	(1Ts	2.3-4).
Como	vimos,	a	pregação	de	Paulo	não	tinha	como	objetivo	enganar	as	pessoas
com	falsas	promessas.	A	palavra	“dolo”	significa	“colocar	uma	isca	no	anzol”
com	o	propósito	de	enganar.	O	evangelho	pregado	visava	converter	os	ouvintes	e
levá-los	a	uma	vida	de	pureza	e	santidade.	Paulo	declara	que,	uma	vez	que	seu
ministério	foi	aprovado	por	Deus,	ele	foi	autorizado	por	Deus.	Ele	não	se	fez
ministro,	mas	Deus	o	fez	ministro	e	o	autorizou	a	pregar	em	nome	dele.	Por	isso,
o	seu	grande	propósito	era	agradar	a	Deus	e	não	aos	homens.	Em	síntese,	Paulo
declara	que	a	mensagem	que	ele	pregava	era	o	genuíno	evangelho.	O	motivo	do
seu	evangelho	era	levar	uma	vida	pura.	O	método	do	seu	evangelho	era	falar	a
verdade	e	não	enganar	as	pessoas.¹
Precisamos	aprender	que	integridade	é	o	que	você	é	e	faz	quando	ninguém	está
olhando.	Liderança	é	“ser”	antes	de	“fazer”.	Conhecimento	bíblico	e	teológico
sem	integridade	é	coisa	perigosa	e	temível.	Carisma	sem	caráter	é	algo
enganador	e	destrutivo.	A	reputação	é	preciosa,	mas	o	caráter	não	tem	preço.
Reputação	é	o	que	os	homens	pensam	que	você	é,	mas	caráter	é	aquilo	que	você
tem,	de	fato,	diante	de	Deus.	Uma	frase	normalmente	atribuída	a	Abraham
Lincoln	diz:	“O	caráter	é	como	uma	árvore,	e	a	reputação	é	como	sua	sombra.	A
sombra	é	o	que	nos	faz	lembrar	da	árvore,	a	árvore	é	o	objeto	real”.	Todo	obreiro
deve	zelar	por	sua	integridade	e	caráter	cristão.	Paulo	recomenda:	“Não	dando
nós	nenhum	motivo	de	escândalo	em	coisa	alguma,	para	que	o	ministério	não
seja	censurado”	(2Co	6.3).
3.	PROPÓSITO	E	PRIORIDADE	MINISTERIAL
Os	dois	dias	mais	importantes	da	vida	de	uma	pessoa	são	o	dia	do	seu
nascimento	e	o	dia	em	que	ela	descobre	por	que	nasceu.	O	homem	sem
propósitos	é	como	um	navio	sem	leme,	um	trem	desgovernado	sem	maquinista	e
uma	viagem	sem	destino	definido.	Um	plantador	de	igrejas	precisa	saber	o
propósito	do	seu	ministério.
Paulo	declara:	“Porém	em	nada	considero	a	vida	preciosa	para	mim	mesmo,
contanto	que	complete	a	minha	carreira	e	o	ministério	que	recebi	do	Senhor
Jesus	para	testemunhar	o	evangelho	da	graça	de	Deus”	(At	20.24).	Neste
versículo,	temos	três	lições:	(1)	Ele	tem	um	ministério	que	recebeu	do	Senhor.
Ele	foi	chamado	e	enviado	para	pregar	o	evangelho	(Rm	1.1).	(2)	Ele	se	dispõe	a
pagar	o	preço	da	sua	vocação	e	ministério	com	a	própria	vida.	É	o	ministério	da
cruz	e	a	cruz	do	ministério.	A	sua	vida	é	o	seu	ministério	(Fp	1.21-22).	(3)	Ele
tem	um	único	propósito	na	vida	que	é	“testemunhar	o	evangelho	da	graça	de
Deus”.	Ele	quer	completar	a	sua	carreira	de	pregar	o	evangelho	e,	de	fato,	a
completou	(2Tm	4.7).
O	apóstolo	Paulo	não	se	tornou	um	líder	influente	por	causa	do	seu	carisma,	da
sua	eloquência	ou	das	suas	habilidades	pessoais.	A	causa	principal	da	sua
influência	foi	a	sua	prioridade	de	pregar	o	evangelho	de	Jesus	Cristo	com
coragem,	convicção	e	poder.	Onde	estivesse	e	em	qualquer	situação,	ele	pregava.
Na	sinagoga,	no	templo,	nas	praças,	nas	casas	e	nas	prisões,	Paulo	pregava	a
Jesus.	Ele	pregava	para	transformar	e	não	apenas	para	informar.	Ele	declara:	“Se
anuncio	o	evangelho,	não	tenho	de	que	me	gloriar,	pois	sobre	mim	pesa	essa
obrigação;	porque	ai	de	mim	se	não	pregar	o	evangelho!	Se	o	faço	de	livre
vontade,	tenho	galardão;	mas,	se	constrangido,	é,	então,	a	responsabilidade	de
despenseiro	que	me	está	confiada”	(1Co	9.16-17).	Paulo	pregava	o	evangelho	de
Jesus	Cristo	com	boa	vontade,	por	obediência,	por	obrigação	e	por
responsabilidade.
4.	PRODUTIVIDADE	E	CRESCIMENTO
Todo	trabalhador	do	reino	de	Deus	precisa	apresentar	resultados.	Como	qualquer
trabalhador,	o	obreiro	tem	que	ser	produtivo	e	eficiente	no	que	realiza.	Paulo	era
um	líder	produtivo	e	que	buscava	crescimento.	Ele	declara:	“Porque	vós,	irmãos,
sabeis,	pessoalmente,	que	a	nossa	estada	entre	vós	não	se	tornou	infrutífera”	(1Ts
2.1).	A	palavra	“infrutífera”	(gr.	kenos)	significa	“vã”,	“ineficaz”,	“algo	que	não
produziu	resultados”	ou	“inútil”	(1Ts	3.5).	A	estada	de	Paulo	em	Tessalônica	não
fora	oca,	vazia	ou	sem	consistência,	mas	produziu	grandes	efeitos	espirituais.	Ele
não	chegou	ali	de	“mãos	vazias”,	mas	para	levar	a	benção	da	salvação.	Sabemos
que	todo	crescimento	espiritual	vem	de	Deus,	mas	todo	cristão	deve	desejá-lo.	O
crescimento	não	é	produto	apenas	do	esforço,	mas	da	vida	de	Deus	que	reside
em	nós.
Os	frutos	de	um	ministério	são	vidas	convertidas	ao	Senhor.	Frutos	são
conversões	genuínas	a	Deus,	como	aconteceu	com	Paulo	em	Tessalônica	(At
17.4).	Charles	Spurgeon	diz:	“Não	há	maior	honra	do	que	ser	um	instrumento
nas	mãos	de	Deus	para	resgatar	almas	do	reino	de	satanás	e	conduzi-las	para	o
reino	de	Deus”.	Todo	crente	e,	principalmente	o	plantador,	deve	ser	um	ganhador
de	almas.	O	verdadeiro	currículo	de	um	pastor	não	são	os	cursos	teológicos	que
ele	fez,	mas,	as	vidas	que	ele	ganhou	para	Cristo	e	as	igrejas	que	ele	pastoreou
com	zelo	e	fidelidade	a	Deus.
Se	a	sua	igreja	não	está	crescendo,	pergunte:	o	que	está	impedindo	o
crescimento?	Se	você	prega	e	evangeliza	sem	esperar	conversões,	você	não	as
terá.	John	Knox,	pai	do	presbiterianismo,	costumava	clamar	a	Deus:	“Dá-me	a
Escócia,	ou	eu	morro!”	Semelhantemente	clamava	o	calvinista	George
Whitefield:	“Se	não	queres	dar-me	almas,	retira	a	minha	alma”.	Matthew	Henry
dizia:	“Sinto	maior	alegria	em	ganhar	uma	alma	para	Cristo	que	em	ganhar
montanhas	de	ouro	e	prata	para	mim	mesmo”.
Paulo	queria	ganhar	o	maior	número	possível	de	pessoas	para	Jesus	Cristo:
“Porque,	sendo	livre	de	todos,	fiz-me	escravo	de	todos,	a	fim	de	ganhar	o	maior
número	possível”	(1Co	9.19).	Ele	se	esforçava	para	pregar	o	evangelho	onde
Cristo	ainda	não	tivesse	sido	anunciado	(Rm	15.20).	Ele	orava	para	que	os
crentes	tivessem	uma	vida	frutífera	e	cheia	de	boas	obras,	crescimento	e
maturidade	espiritual	(Cl	1.9-12).	Ele	renunciou	tudo	para	obter	crescimento
espiritual,	avançando	para	o	alvo	da	perfeição	espiritual,	a	soberana	vocação	de
Deus,	em	Cristo	Jesus	(Fp	3.8-16).
5.	MOTIVADO	PELO	AMOR	E	PELA	COMPAIXÃO
A	motivação	para	realizarmos	o	ministério	de	evangelização	e	plantação	de
igrejas	é	o	amor	e	a	compaixão	pelas	pessoas.	Não	há	ministério	sem	amor	a
Deus	e	às	pessoas.	Ministrar	é	amar.	Quando	realizava	o	seu	ministério,	Jesus
viu,	sentiu	e	descreveu	as	pessoas:	“Vendo	ele	as	multidões,	compadeceu-se
delas,	porque	estavam	aflitas	e	exaustas	como	ovelhas	que	não	têm	pastor”	(Mt
9.36).
Paulo	escrevendo	aos	irmãos	em	Tessalônica,	utilizou	as	figuras	de	mãe	e	pai,
para	descrever	o	que	sentia:
“Embora	pudéssemos,	como	enviados	de	Cristo,	exigir	de	vós	a	nossa
manutenção,	todavia,	nos	tornamos	carinhosos	entre	vós,	qual	ama	que	acaricia
os	próprios	filhos;	assim,	querendo-vos	muito,	estávamos	prontos	a	oferecer-vos
não	somente	o	evangelho	de	Deus,	mas,	igualmente,	a	própria	vida;	por	isso	que
vos	tornastes	muito	amados	de	nós.	Porque,	vos	recordais,	irmãos,	do	nosso
labor	e	fadiga;	e	de	como,	noite	e	dia	labutando	para	não	vivermos	à	custa	de
nenhum	de	vós,	vos	proclamamos	o	evangelho	de	Deus”	(1Ts	2.7-9).
Comentando	essetrecho,	Hernandes	Dias	Lopes	diz	que	“como	uma	mãe,	Paulo
abriu	mão	de	seus	direitos;	como	mãe,	Paulo	cuidou	dos	seus	filhos	espirituais
com	ternura;	como	mãe,	Paulo	cuidou	dos	seus	filhos	espirituais	com	sacrifício
cabal;	e	como	mãe,	Paulo	cuidou	dos	seus	filhos	espirituais	com	a	melhor
provisão”.¹⁷	Eu	acrescento	mais	três	lições:	(1)	Mãe	não	tem	salário,	mas
trabalha	por	amor.	O	salário	de	uma	mãe	é	a	felicidade	do	filho.	(2)	Mãe	é	oferta
de	carinho	e	afeto	desinteressados.	Ela	se	realiza	e	se	completa	dando	amor	e
acariciando	os	filhos.	(3)	Mãe	é	sacrifício	ou	a	disposição	de	morrer	pelo	bem
dos	seus	filhos.
Paulo	continua	e	agora	usa	a	figura	do	pai:
“Vós	e	Deus	sois	testemunhas	do	modo	por	que	piedosa,	justa	e
irrepreensivelmente	procedemos	em	relação	a	vós	outros,	que	credes.	E	sabeis,
ainda,	de	que	maneira,	como	pai	a	seus	filhos,	a	cada	um	de	vós,	exortamos,
consolamos	e	admoestamos,	para	viverdes	por	modo	digno	de	Deus,	que	vos
chama	para	o	seu	reino	e	glória”	(1Ts	2.10-12).
A	figura	do	pai	revela	três	lições:	(1)	Pai	é	o	exemplo	ou	o	modelo	que	o	filho
deve	seguir.	Paulo	se	colocava	de	maneira	irrepreensível	como	exemplo	a	ser
seguido.	(2)	Pai	é	fonte	de	ensino	e	orientação	para	o	filho.	Ele	usa	três	verbos:
exortamos,	consolamos	e	admoestamos.	Todos	os	três	fazem	parte	da	estratégia
paterna	de	educar	os	seus	filhos	espirituais.	(3)	Pai	é	o	provedor	e	o	protetor	dos
filhos.	Paulo	sempre	se	preocupou	em	alimentar	os	seus	filhos	com	a	Palavra	de
Deus,	dando-lhes	segurança	e	proteção.
O	cristão,	o	evangelista	e	os	plantadores	de	igreja	devem	demonstrar	pela
compaixão	o	mesmo	interesse	que	demonstram	pelas	doutrinas.	Amemos	a
Palavra	de	Deus,	amemos	a	pregação	e	amemos	as	pessoas	a	quem	pregamos.
6.	COMPROMETIDO	COM	A	PREGAÇÃO	DA	PALAVRA
Um	plantador	de	igrejas	não	tem	autonomia	para	pregar	o	que	quer.	Ele	tem	uma
mensagem	que	lhe	foi	dada	por	Deus	para	ser	proclamada	ao	pecador:	todo	o
conteúdo	da	Palavra	de	Deus.	Paulo	era	um	ministro	da	Palavra.	“Porque	não	me
enviou	Cristo	para	batizar,	mas	para	pregar	o	evangelho;	não	com	sabedoria	de
palavra,	para	que	se	não	anule	a	cruz	de	Cristo”	(1Co	1.17).
Paulo	era	um	ministro	da	Palavra.	Todas	as	igrejas	que	plantou	foram	resultados
da	sua	pregação.	Vejamos	o	exemplo	de	Tessalônica:
“Outra	razão	ainda	temos	nós	para,	incessantemente,	dar	graças	a	Deus:	é	que,
tendo	vós	recebido	a	palavra	que	de	nós	ouvistes,	que	é	de	Deus,	acolhestes	não
como	palavra	de	homens,	e	sim	como,	em	verdade	é,	a	palavra	de	Deus,	a	qual,
com	efeito,	está	operando	eficazmente	em	vós,	os	que	credes”	(1Ts	2.13).
As	pessoas	que	ouviram	a	pregação	da	palavra	a	“receberam”	ou	a	“aceitaram”
como	sendo	de	Deus.	A	ideia	é	de	escutar	com	o	ouvido.	Mas	elas	também
“acolheram”,	deram	ouvidos	e	a	receberam	no	coração.	“Quem	tem	ouvidos
[para	ouvir],	ouça”	(Mt	13.9).	A	Escritura	foi	reconhecida	como	revelação
escrita	de	Deus.	Os	ouvintes	de	Paulo	acolheram	a	Palavra	de	Deus	no	coração,
tal	como	o	solo	recebe	uma	semente.	Trata-se	do	ato	da	conversão,	quando	a
semente	da	Palavra	produz	vida	(1Pe	1.23).	Além	disso,	eles	obedeceram	e
praticaram	a	Palavra	de	Deus	e	foram	perseguidos	ou	sofreram	por	causa	da
Palavra	(1Ts	2.14-16).
Paulo	ordena	a	Timóteo:	“Conjuro-te,	perante	Deus	e	Cristo	Jesus,	que	há	de
julgar	vivos	e	mortos,	pela	sua	manifestação	e	pelo	seu	reino:	prega	a	palavra,
insta,	quer	seja	oportuno,	quer	não,	corrige,	repreende,	exorta	com	toda	a
longanimidade	e	doutrina”	(2Tm	4.1-2).	Primeiro,	trata-se	de	uma	afirmação
solene	que	tem	como	objetivo	chamar	a	atenção	de	Timóteo	para	a	seriedade	da
pregação.	Quem	prega	vai	prestar	contas	a	Deus	acerca	do	que	pregou.	Segundo,
a	pregação	da	Palavra	de	Deus	não	é	uma	opção,	mas	uma	ordem	a	ser
cumprida.	Terceiro,	Paulo	ordena	que	preguemos	a	Palavra	de	Deus	em	todo
tempo.	A	orientação	é	que	Timóteo	pregue	quer	as	pessoas	ouçam	ou	não,
quando	as	oportunidades	são	favoráveis	ou	contrárias.	O	tempo	e	as
circunstâncias	não	devem	impedir	a	pregação	do	evangelho.
Todo	cristão,	evangelista,	pastor/mestre	e	plantador	de	igreja	deve	pregar
somente	a	Palavra	de	Deus	em	sua	totalidade.	Trata-se	de	uma	tarefa
intransferível	e	urgente.
7.	UMA	PESSOA	DE	ORAÇÃO
Paulo	era	um	homem	de	oração.	Ele	orava	e	ensinava	sobre	o	assunto.	Ele	era
um	modelo	de	vida	de	oração.	A	palavra	oração	aparece	105	vezes	nas	13	cartas
de	sua	autoria,	e	ele	utiliza	16	palavras	diferentes	na	língua	grega	para	oração.
Paulo	aprendeu,	praticou	e	ensinou	que	a	oração	é	a	ferramenta	principal	no
processo	de	plantação	e	edificação	da	Igreja.	Usaremos	o	texto	de	Colossenses
4.2-4:	“Perseverai	na	oração,	vigiando	com	ações	de	graças.	Suplicai,	ao	mesmo
tempo,	também	por	nós,	para	que	Deus	nos	abra	porta	à	palavra,	a	fim	de
falarmos	do	mistério	de	Cristo,	pelo	qual	também	estou	algemado;	para	que	eu	o
manifeste,	como	devo	fazer”.
Paulo	ordena	que	a	igreja	se	dedique	à	oração:	Perseverai	na	oração,	vigiando
com	ações	de	graças	(v.2).	“Oração”	(gr.	proseuche)	significa	“orar	a	Deus”	de
forma	fervorosa	e	objetiva.	Este	significado	para	oração	é	o	mais	frequente	no
Novo	Testamento.
Com	essa	perspectiva	sobre	a	importância	da	oração,	devemos	nos	questionar
sobre	alguns	pontos.	Primeiro,	como	a	igreja	deve	orar?	Podemos	destacar	três
maneiras:
(1)	Orar	com	perseverança.	A	palavra	“perseverai”	(gr.	proskatereo)	é	formada
pela	preposição	grega	“pros”	que	indica	“direção”,	e	pelo	verbo	“katereo”	que
significa	“continuar”,	“dedicar”	e	“persistir”.	Sugere	a	ideia	de	ser	forte,	ser
firme	ou	ter	uma	fidelidade	obstinada	à	oração.	Esta	palavra	aparece	dez	vezes
no	Novo	Testamento,	cinco	delas	relacionadas	à	oração	(At	1.14;	2.42,	46;	6.4;
Rm	12.12).	Paulo	usa	o	verbo	no	modo	imperativo	e	no	tempo	presente.
Perseverar	na	oração	não	é	uma	opção,	mas	um	mandamento	que	deve	ser
obedecido	incessantemente.	Orai	sem	cessar	ou	ininterruptamente	é	o	que	a
Palavra	orienta.	Não	devemos	parar	de	orar.	Devemos	orar	com	obstinação	e
força.
(2)	Orar	com	vigilância.	O	verbo	“vigiar”	(gr.	gregoreu)	significa	“manter-se
acordado”	ou	“abster-se	do	sono”.	A	ideia	é	orar	com	os	olhos	abertos	e	atentos
para	o	perigo	e	para	as	oportunidades	(Ne	6.9;	Mt	26.38,	40-41.	1Pe	5.8-9).
(3)	Orar	em	gratidão.	A	palavra	“ações	de	graças”	(gr.	eucharista)	significa	um
reconhecimento	grato	por	aquilo	que	Deus	é	e	tem	feito	por	nós.
Em	segundo	lugar,	pelo	que	orar?	Ele	pede	oração	pelo	seu	trabalho	de
evangelização	e	plantação	de	igrejas,	como	fez	a	outras	igrejas	(Rm	15.30;	2Co
1.11;	Ef	6.19;	1Ts	5.25	e	2Ts	3.1).	Ele	pede	oração	também	pelos	líderes:
“Suplicai,	ao	mesmo	tempo,	também	por	nós”(Cl	4.3).	Paulo	trabalhava	em
equipe.	Não	se	planta	uma	Igreja	sozinho.	Ainda	que	uma	pessoa	lidere	o
processo	de	plantação,	sempre	há	uma	equipe	envolvida.	Mas,	a	lição	principal,
é	que	a	igreja	precisa	orar	por	sua	liderança.	Os	líderes	são	alvos	prioritários	do
Diabo.	Ele	deseja	maltratar	e	matar	a	liderança,	principalmente	quando	Deus	está
abençoando	o	trabalho.
Paulo	também	pede	oração	por	motivos	espirituais	na	plantação	de	igrejas.	O
primeiro	deles	é	que	haja	oportunidades	para	que	ele	pregue:	“Suplicai,	ao
mesmo	tempo,	também	por	nós,	para	que	Deus	nos	abra	porta	à	palavra,	a	fim	de
falarmos	do	mistério	de	Cristo,	pelo	qual	também	estou	algemado”	(Cl	4.3).
Paulo	quer	que	a	igreja	ore	para	que	Deus	lhe	abra	as	portas	para	a	pregação	da
palavra.	Ele	não	pede	que	a	porta	da	prisão	seja	aberta	para	ele	sair.	Ele	estava
preso	por	causa	de	Cristo,	portanto,	a	sua	prisão	era	a	vontade	de	Deus	para	a	sua
vida.
O	segundo	pedido	espiritual	feito	por	Paulo	envolve	ajuda	para	que	ele	cumpra	o
seu	propósito	da	maneira	adequada:	“para	que	eu	o	manifeste,	como	devo	fazer”
(Cl	4.4).	Paulo	nos	revela	em	seus	escritos	como	ele	pregava.	Em	Corinto,	a	sua
palavra	e	pregação	foi	“demonstração	do	Espírito	e	de	poder”	(1Co	2.4).	Em
Tessalônica,	a	sua	pregação	foi	acompanhada	de	poder	(gr.	dinamis),	feita	no
Espírito	(gr.	pneuma)	e	na	plena	convicção	(gr.	plerophoria),	que	significa	“total
confiança”	e	“certeza”	(1Ts	1.5).	Pauloprecisa	das	orações	para	que	ele	falasse
como	deveria	falar	ou	falasse	como	Deus	queria.	“Para”	(gr.	hina)	significa
“efeito	ou	propósito”.	Paulo	queria	pregar	de	forma	eficaz	e	produtiva.
“Manifeste”	(gr.	phanero)	significa	tornar	visível,	ser	claramente	reconhecido	ou
completamente	compreendido.	“Devia”	(gr.	dei)	significa	“necessário”,
“conveniente”	e	“adequado”.	Paulo	entendia	que	a	oração	devia	acompanhar
todo	o	processo	de	evangelização.
A	oração	abre	portas	para	a	pregação.	A	oração	ensina	e	capacita	o	pregador	a
falar	o	que	precisa	ser	dito	e	da	maneira	apropriada.	A	oração	ajuda	a	revelar	ao
ouvinte	o	mistério	de	Jesus	Cristo.
Concluindo,	as	sete	principais	marcas	de	um	plantador	de	igreja,	à	luz	da	pessoa
de	Paulo,	são:	ser	convertido	e	enviado	por	Deus,	ser	integro	e	ter	caráter	cristão,
ter	propósito	e	prioridade	ministerial,	ser	produtivo	e	buscar	crescimento,	ser
motivado	pelo	amor	e	compaixão,	estar	comprometido	com	a	pregação	da
Palavra	e	ser	uma	pessoa	de	oração.
MANUAL	PARA	PLANTAÇÃO	DE	IGREJAS
Se	você	deseja	plantar	algo	que	dure	uma	semana,	plante	hortaliças;
Se	você	quer	plantar	algo	que	dure	uma	estação,	plante	flores;
Se	você	aspira	plantar	algo	que	dure	uma	vida,	plante	árvores;
Mas,	se	você	busca	plantar	algo	eterno,	plante	uma	igreja.
Autor	desconhecido
Não	há	evangelização	sem	intencionalidade.	Evangelizamos	pessoas	para
que	elas	creiam	em	Jesus	Cristo,	sejam	convertidas	pelo	Espírito	Santo	e
transformadas	em	discípulos	do	Senhor.	Não	há	evangelização	sem
propósito	ou	objetivo.	O	Evangelho	requer	uma	decisão	e	uma	mudança	da
vida	de	quem	o	ouve.	As	bênçãos	do	evangelho	são	para	os	arrependidos	e
humildes	de	coração.	A	obra	sacrificial	de	Jesus	Cristo	e	a	pregação	do
evangelho	cumprem	um	proposito	único:	salvar	os	pecadores	eleitos.
Participar	do	projeto	de	plantação	de	uma	igreja	é	o	maior	e	o	mais	excepcional
privilégio	que	alguém	pode	desfrutar	nesta	vida.	Você	prega	o	evangelho,
pessoas	se	convertem,	são	batizadas,	discipuladas	e	reunidas	numa	comunidade
local.	Você	semeia	a	semente	da	Palavra,	no	solo	que	é	o	coração	das	pessoas,	o
Espírito	Santo	age,	a	semente	germina	e	a	vida	eterna	é	gerada.	Tudo	começa
com	evangelização	e	termina	em	congregação.	Esse	é	o	método	bíblico	eficaz	de
evangelização	que	redunda	em	plantação	de	novas	igrejas.
Este	manual	foi	escrito	com	dois	propósitos:	Primeiro,	esclarecer	para	os	nossos
obreiros	qual	é	o	nosso	conceito	de	Igreja,	ou	seja,	que	tipo	de	Igreja	queremos
plantar.	Segundo,	delinear	qual	é	o	papel	do	plantador	e	o	que	esperamos	dele.	O
manual	vai	orientar	e	nortear	todo	o	trabalho	de	plantação	sem	deixar	dúvidas
sobre	o	que	pensamos	e	esperamos	de	cada	obreiro.	Não	administramos
resultados	porque	esses	vêm	de	Deus.	Plantamos	e	regamos,	mas	o	crescimento
vem	do	Senhor.	Por	outro	lado,	o	esforço	humano	é	necessário.	Precisamos
trabalhar	duramente	semeando	a	preciosa	semente,	regando-a,	se	possível	com
lágrimas,	para	que	o	fruto	nasça	e	apareça.
Este	manual	está	estruturado	em	três	pontos:	(1)	a	Igreja	que	irei	plantar,	(2)	o
plantador	que	devo	ser,	(3)	a	maneira	como	plantarei	a	Igreja.
1.	A	IGREJA	QUE	IREI	PLANTAR
O	conceito	bíblico	de	Igreja	é	povo	de	Deus.	A	nossa	Confissão	de	Fé	resume:
“A	Igreja	Católica	ou	Universal,	que	é	invisível,	consta	do	número	total	dos
eleitos	que	já	foram,	dos	que	agora	são	e	dos	que	ainda	serão	reunidos	em	um	só
corpo	sob	Cristo,	seu	cabeça;	ela	é	a	esposa,	o	corpo,	a	plenitude	daquele	que
cumpre	tudo	em	todas	as	coisas”.¹⁸	Deus	escolheu	pessoas	para	fazer	parte	desse
povo	exclusivo.	Ele	redimiu	esse	povo	através	do	sacrifício	de	Jesus.	Ele	chama
cada	pessoa	eleita	pela	pregação	do	Evangelho,	regenerando-a	pelo	poder	do
Espírito	Santo.
Plantar	uma	igreja	é	pregar	o	evangelho	às	pessoas,	na	expectativa	de	que	elas
sejam	convertidas	por	Deus	(veja,	por	exemplo,	1Ts	1.1-10).	Após	a	conversão,
cada	pessoa	deve	ser	batizada	e	torna-se	um	discípulo	de	Jesus.
Uma	igreja	local	reúne	um	grupo	de	pessoas	com	os	seguintes	propósitos:
Adoração,	Ensino,	Comunhão,	Serviço	e	Missão.	Resumimos	a	nossa	identidade
como	igreja	da	seguinte	maneira:
Somos	uma	igreja	que	adora:	uma	comunidade	de	sacerdotes.	(Adoração)
Somos	uma	igreja	que	ensina:	uma	comunidade	de	discípulos.	(Ensino)
Somos	uma	igreja	que	edifica:	uma	comunidade	de	trabalhadores.	(Comunhão)
Somos	uma	igreja	que	ama:	uma	comunidade	de	servos.	(Diaconia)
Somos	uma	igreja	que	testemunha:	uma	comunidade	de	missionários.	(Missões).
Os	propósitos	da	igreja	estão	ligados	àquilo	que	nós	somos	em	Jesus	Cristo.	A
nossa	identidade	determina	o	nosso	propósito.
A	partir	desse	conceito	de	igreja,	apresentamos	algumas	diretrizes	para	serem
aplicadas	no	processo	de	plantação:
Queremos	plantar	uma	igreja	de	acordo	com	os	propósitos	eclesiológicos	acima.
Queremos	plantar	uma	Igreja	Presbiteriana,	conforme	os	seus	princípios
doutrinários,	liturgia	e	sistema	de	governo.
Queremos	plantar	uma	igreja	que	reúne	pessoas	de	todas	as	idades,	sexos,	graus
de	instrução	e	poder	econômico.	Não	há	possibilidade	de	se	ter	uma	igreja
segmentada,	só	para	um	público	específico.
Queremos	plantar	uma	igreja,	preferencialmente,	com	novos	convertidos.
Crentes	antigos	e	oriundos	de	outras	igrejas	evangélicas	serão	bem-vindos,	desde
que	creiam	nos	princípios	da	fé	reformada.
Queremos	plantar	uma	igreja	com	treinamento	de	discipulado	em	pequenos
grupos.
Queremos	plantar	uma	igreja	com	líderes	treinados	e	capacitados.
Queremos	plantar	uma	igreja	contextualizada,	que	seja	relevante	no	grupo	social
ou	na	cidade	onde	ela	está	inserida.
Queremos	plantar	uma	igreja	com	DNA	missionário,	que	plantará	novas	igrejas.
Queremos	plantar	uma	igreja	que	tenha	sede	própria	(templo,	salão	social,	salas
e	banheiros).
Queremos	plantar	uma	igreja	no	prazo	máximo	de	cinco	anos.
2.	O	PLANTADOR	QUE	DEVO	SER
O	plantador	de	igrejas	é	o	obreiro	que	lidera	o	processo	de	plantação	de	uma
igreja.	Ele	pode	ser	um	pastor,	um	evangelista	ou	um	crente	comum.	A	figura	do
plantador	vem	da	analogia	feita	por	Paulo:	“Eu	plantei,	Apolo	regou;	mas,	o
crescimento	veio	de	Deus”	(1Co	3.6).	Jesus	usou	as	figuras	do	“trabalhador
rural”	(Mt	9.37-38;	20.1),	do	“semeador”	(Mt	13.13)	e	do	“ceifeiro”	(Jo	4.35-
36).	Todas	essas	figuras	indicam	que	o	trabalho	de	evangelizar	pessoas	e	plantar
novas	igrejas	exige	um	esforço	muito	grande.	Trata-se	de	um	trabalho	árduo,
comparável	ao	de	um	agricultor.
Não	existe	um	perfil	único	que	possa	enquadrar	um	plantador	de	igreja.	A	Junta
Missionária	de	Pinheiros,	em	seu	processo	de	avaliação,	estabelece	quatro
pilares	de	competências	que	um	plantador	deve	ter:
Visão:	Sabe	onde	quer	chegar	e	cria	alvos	e	planos	certeiros.	Tem	a	capacidade
de	planejar,	de	analisar	riscos	e	tem	percepção	externa.
Liderança:	Realiza	por	meio	das	pessoas,	inspirando-as	diante	de	desafios.	Sabe
delegar,	mobilizar	e	ensinar.
Realização:	Concretiza	os	objetivos	traçados,	por	ação	própria.	É	disciplinado	na
rotina,	tem	foco	no	resultado	e	é	capaz	de	solucionar	problemas.
Relacional:	Constrói	relacionamentos	produtivos	e	duradouros.	É	capaz	de
orientar	pessoas,	administrar	conflitos,	comunicar-se	bem	e	representar	a	igreja.
Olhando	para	a	Bíblia	e	observando	as	necessidades	do	campo	de	trabalho,
apontamos	o	que	o	plantador	deve	ser	e	fazer:
Caráter	cristão:	o	ser	vem	antes	do	fazer.	O	plantador	deve	ter	as	qualificações
morais	de	um	líder	(1Tm	3.1-13;	Tt	1.5-9).	Ele	deve	refletir	o	caráter	de	Cristo.
Vocação	divina:	vocação	é	o	chamado	de	Deus	para	ser	obreiro	e	para	cumprir	a
tarefa	(At	13.1-3;	16.6-10).
Vida	devocional:	o	obreiro	deve	ser	uma	pessoa	comprometida	com	oração	e
meditação	diária	na	Bíblia	(Mc	1.35;	Sl	1).
Visão	espiritual:	a	visão	celestial	é	o	que	motiva	o	plantador	(At	26.19-20).
Visão	espiritual	das	pessoas	(Mt	9.36),	visão	dos	recursos	(2Rs	6.17),	visão	de
um	ideal	de	mudança	(Ne	2.17)	e	visão	do	tempo	oportuno	(Jo	4.35).
Missão	definida:	saber	o	que	Deus	quer	dele,	naquele	local	e	tempo	(Ne	2.12;	Jo
4.34).	O	plantador	deve	ter	foco	e	prioridadeno	que	vai	fazer.
Sacrifício:	é	a	disposição	de	pagar	o	preço	pela	salvação	de	outras	pessoas.	Não
existe	liderança	sem	sacrifício	(Mc	10.45;	2Tm	1.8).
Proativo	na	busca	de	recursos:	a	obra	precisa	de	recursos	espirituais,	humanos	e
materiais.	O	plantador	deve	correr	atrás	dos	recursos.
Solucionador	de	problemas:	o	plantador	não	deve	ser	o	problema	do	campo,	mas
a	solução	(Jn	1.12;	At	13.13).
Perseverante	e	resiliente:	perseverança,	ou	a	habilidade	de	nunca	desistir	é	o
segredo	do	sucesso.	Resiliência	é	a	capacidade	de	reagir	positivamente	após	ser
submetido	a	uma	provação	ou	fracasso	(1Sm	12.23;	Fp	4.11-13).
3.	A	MANEIRA	COMO	PLANTAREI	A	IGREJA
A	Bíblia	não	nos	oferece	um	modelo	ou	um	plano	estratégico	de	plantação	de
igrejas.	Cada	igreja	nasce	de	forma	diferente	e	as	estratégias	que	são	usadas	em
determinado	campo	muitas	vezes	não	são	aplicáveis	em	outro	campo.	Igrejas
nascem	quando	seguimos	os	princípios	da	Palavra	de	Deus.	Por	isso,
estabeleceremos	um	roteiro	de	plantação	a	ser	seguido	pelo	plantador.	A
execução	desse	plano	deverá	ser	acompanhada	pela	igreja	plantadora.
ESTRATÉGIAS	ESTABELECIDAS	PELA	IGREJA	PLANTADORA
Usarei	as	seguintes	estratégias	para	plantação	de	uma	igreja:
Oração	intensa
Pregação	expositiva	da	Bíblia
Programa	de	discipulado	da	igreja	plantadora
Plano	de	visitação
Pequenos	grupos	nos	lares
Escola	dominical
Treinamento	de	liderança	presencial	ou	online
Trabalho	de	capelania	em	hospital	e	escola
Distribuição	abundante	de	literatura
Mídia	digital
PLANO	DE	AÇÃO
O	compromisso	assumido:	O	meu	objetivo	é	plantar	uma	igreja	no	prazo	de
quatro	anos.	Da	minha	parte	farei	todo	esforço,	mas	convicto	de	que,	sem	Jesus,
nada	posso	fazer,	e	que	todo	crescimento	vem	de	Deus.
Nome	do	projeto:
Data	de	início	e	conclusão:
Cronograma	com	alvos	e	atividades:
1º.	Ano:
2º.	Ano:
3º.	Ano:
4º.	Ano:
Atividades	especiais	de	evangelização
Campanhas	para	aquisição	do	patrimônio
Agenda	semanal	de	trabalho
Segunda-feira:	folga	ou	outro	dia	da	semana.
Terça-feira:	manhã,	tarde	e	noite.
Quarta-feira:	manhã,	tarde	e	noite.
Quinta-feira:	manhã,	tarde	e	noite.
Sexta-feira:	manhã,	tarde	e	noite
Sábado:	manhã,	tarde	e	noite.
Domingo:	manhã,	tarde	e	noite.
TERMO	DE	COMPROMISSO
A	Constituição	da	IPB	estabelece:	“Uma	comunidade	de	cristãos	poderá	ser
organizada	em	igreja	somente	quando	oferecer	garantias	de	estabilidade,	não	só
quanto	ao	número	de	crentes	professos,	mas	também	quanto	aos	recursos
pecuniários	indispensáveis	à	manutenção	regular	de	seus	encargos,	inclusive	as
causas	gerais	e	disponha	de	pessoas	aptas	para	os	cargos	eletivos”	(Artigo	5º).
Sei	que	o	crescimento	da	igreja	é	produzido	por	Deus.	Não	realizamos	os
resultados	espirituais.	Irei,	porém,	trabalhar	dedicadamente	para	plantar	uma
igreja.	O	meu	objetivo	é	plantar	uma	igreja	no	prazo	de	quatro	anos.	Teremos
sede	própria,	membros	comungantes	e	não	comungantes,	e	arrecadação	que	seja
suficiente	para	a	manutenção	geral	da	comunidade.	A	Deus	toda	glória.
Data:	_____/_____/______
______________________	______________________
Plantador	Representante	da	junta	de	missões
LEITURAS	OBRIGATÓRIAS
Bounds,	E.M.	O	Poder	Através	da	Oração.	São	Paulo:	Editora	Batista	Regular,
2015.	(Recomendamos	a	leitura	de	todas	as	obras	desse	autor	sobre	oração).
Casimiro,	Arival	Dias.	Plante	Igrejas:	princípios	bíblicos	para	plantação	e
revitalização	de	igrejas.	Santa	Barbara	do	Oeste:	Z3	Ideias	editora,	2012.
Casimiro,	Arival	Dias.	O	Plantador	de	Igreja.	Santa	Barbara	do	Oeste:	Z3	Ideias
editora,	2014.
Casimiro,	Arival	Dias.	Chamados	para	Liderar	a	Restauração.	São	Paulo:
Heziom,	2022
Casimiro,	Arival	Dias.	A	Fé	dos	Eleitos:	Estudo	Indutivo	da	Confissão	de	Fé	de
Westminster	1.	São	Paulo:	Heziom,	2021.
Casimiro,	Arival	Dias.A	Fé	dos	Eleitos:	Estudo	Indutivo	da	Confissão	de	Fé	de
Westminster	2.	São	Paulo:	Heziom,	2021.
Casimiro,	Arival	Dias.	Discípulos	de	Jesus:	Princípios	bíblicos	para	ser	e	fazer
discípulos.	São	Paulo:	Heziom,	2022.
Edwards,	Jonathan.	A	Vida	de	David	Brainerd.	São	José	dos	Campos:	Editora
Fiel,	2017.
Keller,	Timothy.	Como	Reconquistar	o	Ocidente	para	Cristo:	6	Pontos
Fundamentais	sobre	Missões	no	Mundo	de	Hoje.	São	Paulo:	Heziom,	2023.
Lidório,	Ronaldo.	Teologia,	Piedade	e	Missão.	São	Paulo:	Heziom,	2021.
Lopes,	Hernandes	Dias	&	Casimiro,	Arival	D.	Sacrifício:	o	preço	da	missão.	São
Paulo:	Hagnos,	2016.
Lopes,	Hernandes	Dias	Pregação	Expositiva.	São	Paulo:	Editora	Hagnos,	2016.
Oak,	John	Han	Hum.	Chamado	para	acordar	a	Liderança.	Santa	B.	do	Oeste,	SP:
Z3	Ideias,	2018.
Smith,	Oswald.	Paixão	pelas	Almas.	São	Paulo:	Editora	Vida,	2016.
Spurgeon,	C.H.	O	Conquistador	de	Almas.	São	Paulo:	Editora	PES,	2014.
DEUS	USA	PESSOAS	PARA	REVITALIZAR	SUA	IGREJA
“Assim	como	a	salvação,	a	missão	pertence	ao	nosso	Deus.	A	missão	não	é
nossa,	a	missão	é	de	Deus.	A	missão	não	foi	feita	para	a	igreja,	mas	a	igreja	foi
feita	para	a	missão	–	a	missão	de	Deus.”	Christopher	J.H.	Wright
“Uma	de	nossas	tarefas	centrais	na	geração	atual	é	sermos	ousados	em	nossa
visão	de	replantar	igrejas	–	ajudando	as	igrejas	existentes	a	encontrar	uma	nova
visão,	um	novo	foco	estratégico,	uma	nova	paixão	pelo	evangelho,	uma	nova
fome	pela	pregação	da	Palavra,	um	novo	amor	para	suas	comunidades,	e	uma
nova	emoção	em	ver	as	pessoas	chegarem	à	fé	em	Jesus.”	R.	Albert	Mohler	Jr
Além	do	trabalho	de	plantação	de	igrejas,	há	ainda	uma	demanda	grande
por	uma	ação	de	revitalização	de	diversas	igrejas	já	existentes.	São	igrejas
que	estão	estagnadas	no	seu	crescimento	e	com	declínio	na	quantidade	de
membros.	Os	números	não	contam	toda	a	história,	mas	eles	começam	a
história.	É	preciso	ligar	a	sirene	de	emergência	e	procurar	a	causa	do
problema.	Geralmente,	essa	situação	é	gerada	pela	falta	de	visão	do	que	é	a
Igreja,	desprezo	com	a	pregação	da	Palavra	de	Deus,	ausência	de
evangelismo	e	discipulado,	pouca	comunhão	entre	os	membros,	e	um
pastorado	focado	na	manutenção	e	proteção	da	tradição	religiosa.
A	revitalização	da	Igreja	não	é	fácil,	mas	é	possível.	Precisamos	ter	humildade
para	reconhecer	que	precisamos	de	revitalização,	e	não	ficar	apresentando
sofismas	para	justificar	a	decadência	da	Igreja.	Quando	o	assunto	é	revitalização
de	igrejas	locais	sempre	nos	preocupamos	em	buscar	uma	espécie	de	“guia	de
revitalização”,	uma	receita	pronta	que,	se	obedecida,	gerará	os	frutos	almejados.
Muitos	fazem	cursos,	e	até	pós-graduações	em	revitalização	de	igrejas.
Proponho	ao	leitor	que	olhemos	para	o	livro	de	Neemias.	O	tema	principal	do
livro	de	Neemias	é	“reconstruir”,	“restaurar”	ou	“revitalizar	algo	que	estava	em
ruínas.	Os	verbos	“edificar”,	“reparar”,	“reedificar”	e	“assentar”	revelam	a	ação
de	um	grupo	de	pessoas	com	uma	visão	única,	intencional	e	com	um	foco:
reconstruir	os	muros,	a	cidade	e	o	povo	de	Jerusalém.	Na	Bíblia	hebraica,	Esdras
e	Neemias	formam	um	só	livro.	Vários	comentaristas	defendem	que	Neemias	é	o
autor	do	livro	que	leva	seu	nome,	mas	ele	foi	redigido	por	Esdras	anteriormente
a	400	a.C.,	com	grande	parte	do	conteúdo	sendo	extraído	dos	diários	pessoais	de
Neemias	(1.1-7.5;	12.27-43;	13.4-31).	O	livro	pode	ser	esboçado	de	forma
simples:	numa	primeira	parte,	vemos	a	reconstrução	dos	muros	de	Jerusalém
(1.1-6.19)	e,	depois,	observamos	a	narrativa	da	restauração	espiritual	da	nação
(7.1-13.31).
O	livro	de	Neemias	nos	ensina	que	Deus	pode	usar	qualquer	pessoa	para	liderar
restauração	e	avivamento	em	tempos	de	crise	e	miséria.	Neemias	era	um	copeiro
que	liderou	o	seu	povo	na	restauração	de	uma	nação	em	ruínas,	passando	por	um
período	de	miséria	e	opróbrio.	Ele	mobilizou	pessoas	a	sairem	de	onde	estavam
para	irem	ao	lugar	onde	Deus	queria	que	elas	estivessem.	Ele	influenciou	e
mobilizou	o	povo	a	concretizar	o	plano	de	Deus.	Esse	deve	ser	o	propósito	de
todo	líder	espiritual	vocacionado	por	Deus.
Quais	são	as	pessoas	que	Deus	usa	para	revitalizar	a	sua	igreja	em	momentos	de
crise?	Vamos	usar	como	texto	básico	os	dois	primeiros	capítulos	do	livro	de
Neemias.
1.	DEUS	USA	PESSOAS	QUE	SE	IMPORTAM	COM	PESSOAS
Neemias	significa“o	Senhor	consolou”.	Ele	era	copeiro	ou	mordomo	de
Artaxerxes	I	(465-424	a.C.),	imperador	da	Pérsia.	No	ano	444	a.C.,	Neemias
recebeu,	em	Susã,	a	visita	de	Hanani,	que	lhe	deu	informações	sobre	os	judeus
que	estavam	em	Jerusalém:
“As	palavras	de	Neemias,	filho	de	Hacalias.	No	mês	de	quisleu,	no	ano
vigésimo,	estando	eu	na	cidadela	de	Susã,	veio	Hanani,	um	de	meus	irmãos,	com
alguns	de	Judá;	então,	lhes	perguntei	pelos	judeus	que	escaparam	e	que	não
foram	levados	para	o	exílio	e	acerca	de	Jerusalém.	Disseram-me:	Os	restantes,
que	não	foram	levados	para	o	exílio	e	se	acham	lá	na	província,	estão	em	grande
miséria	e	desprezo;	os	muros	de	Jerusalém	estão	derribados,	e	as	suas	portas,
queimadas”	(Ne	1.1-3).
Ele	se	importou	o	suficiente	para	perguntar,	chorar	e	orar	pelo	seu	povo.	A
situação	do	povo	era	de	pobreza	extrema,	desprezo	e	total	insegurança.	O	povo
estava	abandonado	e	ninguém	se	interessava	por	eles.	Mas	Deus	ama	o	seu	povo
e	resolve	levantar	Neemias	para	restaurar	e	mudar	a	sorte	de	Israel.	Warren
Wiersbe,	comentando	o	capítulo	1,	diz	que	Neemias	revelou	sua	preocupação
com	os	seus	irmãos	pobres	e	sofridos,	de	quatro	maneiras:
Importou-se	o	suficiente	para	perguntar	(vv.1-3).
Importou-se	o	suficiente	para	chorar	(v.4).
Importou-se	o	suficiente	para	orar	(vv.	5-10).
Importou-se	o	suficiente	para	se	dispor	a	trabalhar	(v.11).¹
2.	DEUS	USA	PESSOAS	QUE	ORAM
Deus	escolhe	pessoas	para	salvação,	frutificação	e	para	uma	vida	de	oração	(Jo
15.16;	Lc	18.7).	A	maior	prova	da	conversão	de	uma	pessoa	é	a	sua	vida	de
oração.	E	Deus	só	usa	poderosamente	filhos	que	oram.	Neemias	diz:	“Tendo	eu
ouvido	estas	palavras,	assentei-me,	e	chorei,	e	lamentei	por	alguns	dias;	e	estive
jejuando	e	orando	perante	o	Deus	dos	céus”	(Ne	1.4).	A	triste	situação	do	seu
povo	levou	Neemias	a	se	assentar,	chorar,	jejuar	e	orar	a	Deus.	Neemias	era	um
homem	de	oração	e	há	doze	orações	registradas	em	seu	livro	(2.4;	4.4,9;	5.19;
6.9,14;	9.5ss;	13.14,	22,	29	e	31).	O	seu	livro	começa	e	termina	com	orações.
A	oração	de	Neemias	começa	com	adoração:	“E	disse:	ah!	Senhor,	Deus	dos
céus,	Deus	grande	e	temível,	que	guardas	a	aliança	e	a	misericórdia	para	com
aqueles	que	te	amam	e	guardam	os	teus	mandamentos!”	(v.5).	Em	primeiro
lugar,	ele	se	dirige	ao	“Deus	dos	céus”	(Ed	1.1-2;	Ne	2.4	e	20),	ou	seja,	ao	único
Deus	verdadeiro	em	comparação	com	os	deuses	falsos	da	terra.	Ele	é	o	Deus
grande	e	temível,	que	cumpre	a	aliança	e	as	promessas	feitas	ao	seu	povo.
Em	segundo	lugar,	ele	confessa	os	seus	pecados	pessoais	e	os	pecados	do	povo
contra	Deus:
“Estejam,	pois,	atentos	os	teus	ouvidos,	e	os	teus	olhos,	abertos,	para	acudires	à
oração	do	teu	servo,	que	hoje	faço	à	tua	presença,	dia	e	noite,	pelos	filhos	de
Israel,	teus	servos;	e	faço	confissão	pelos	pecados	dos	filhos	de	Israel,	os	quais
temos	cometido	contra	ti;	pois	eu	e	a	casa	de	meu	pai	temos	pecado.	Temos
procedido	de	todo	corruptamente	contra	ti,	não	temos	guardado	os
mandamentos,	nem	os	estatutos,	nem	os	juízos	que	ordenaste	a	Moisés,	teu
servo”	(vv.	6-7).
Ele	se	identifica	com	o	povo	como	se	o	pecado	também	fosse	dele.
Em	terceiro	lugar,	ele	ora	baseado	naquilo	que	estava	escrito	na	palavra	de	Deus:
“Lembra-te	da	palavra	que	ordenaste	a	Moisés,	teu	servo,	dizendo:	Se
transgredirdes,	eu	vos	espalharei	por	entre	os	povos;	mas,	se	vos	converterdes	a
mim,	e	guardardes	os	meus	mandamentos,	e	os	cumprirdes,	então,	ainda	que	os
vossos	rejeitados	estejam	pelas	extremidades	do	céu,	de	lá	os	ajuntarei	e	os
trarei	para	o	lugar	que	tenho	escolhido	para	ali	fazer	habitar	o	meu	nome”
(vv.8-9).
Ele	pede	que	Deus	perdoe	o	seu	povo	e	que	o	restaure	à	terra	santa.	O	motivo	é
muito	simples:	“Estes	ainda	são	teus	servos	e	o	teu	povo	que	resgataste	com	teu
grande	poder	e	com	tua	mão	poderosa”	(v.10).	O	pecado	não	anula	a	paternidade
de	Deus	sobre	os	seus	filhos.	Ele	é	o	Deus	da	aliança	e	da	promessa.
Em	quarto	lugar,	Neemias	pede	que	Deus	escute	a	sua	oração	e	a	daqueles	que
estão	orando.	“Ah!	Senhor,	estejam,	pois,	atentos	os	teus	ouvidos	à	oração	do	teu
servo	e	à	dos	teus	servos	que	se	agradam	de	temer	o	teu	nome;	concede	que	seja
bem-sucedido	hoje	o	teu	servo	e	dá-lhe	mercê	perante	este	homem.	Nesse	tempo
eu	era	copeiro	do	rei”	(v.11).	Ele	pede	para	que	Deus	toque	o	coração	do	rei	a
fim	de	que	ele	consiga	autorização	para	ir	a	Jerusalém	e	também	para	que	ele
prospere	em	levantar	os	recursos	para	a	obra.	Deus	deixou	claro	para	Neemias
que	ele	estava	sendo	chamado	não	apenas	para	orar,	mas	para	ir.
Hernandes	Dias	Lopes	olha	para	Neemias	como	um	intercessor.	Quais	são	os
atributos	de	um	intercessor?	Um	intercessor	é	alguém	que	sente	o	fardo	dos
outros	sobre	si	(1.4);	alguém	que	reconhece	a	soberania	de	Deus	sobre	si	(1.5);
alguém	que	se	firma	na	fidelidade	de	Deus	(1.5);	alguém	que	importuna	Deus
com	as	suas	orações	(1.6);	alguém	que	reconhece	os	seus	pecados	e	os	do	povo,
confessando-os	(1.6-7);	alguém	que	se	estriba	nas	promessas	da	Palavra	de	Deus
(1.8-10);	alguém	que	associa	devoção	e	ação	(1.11).²
3.	DEUS	USA	PESSOAS	QUE	SE	DISPÕEM	A	TRABALHAR
Deus	escolheu	e	dispôs	o	coração	de	Neemias	para	trabalhar:	“Disse-me	o	rei:
Que	me	pedes	agora?	Então,	orei	ao	Deus	dos	céus	e	disse	ao	rei:	se	é	do	agrado
do	rei,	e	se	o	teu	servo	acha	mercê	em	tua	presença,	peço-te	que	me	envies	a
Judá,	à	cidade	dos	sepulcros	de	meus	pais,	para	que	eu	a	reedifique”	(Ne	2.4-5).
Primeiro,	ele	ora	ao	Rei	celestial	obedecendo	ao	chamado	para	o	trabalho.
Depois,	ele	pede	permissão	ao	rei	terreno	para	ir	trabalhar	na	reedificação	de
Judá.	Neemias	busca	o	favor	de	Deus	por	meio	do	jejum	e	da	oração.	Ele	ora
também	para	que	Deus	mova	o	coração	do	rei	para	ajudá-lo	(Pv	21.1).	Ele	busca
os	recursos	do	céu	e	da	terra	para	resolver	os	problemas	do	seu	povo.	O	seu
propósito	era	reedificar	a	cidade	em	todos	os	seus	aspectos	materiais	e
espirituais.	Ele	estava	pronto	e	disposto	a	trabalhar.
O	rei	Artaxerxes	deu	a	Neemias	autoridade,	recursos	e	prazo	para	que	a	missão
fosse	cumprida	(Ne	2.6-10).	Ele	serviu	como	governador	durante	doze	anos	(Ne
5.14),	quando	voltou	para	prestar	constas	ao	rei	da	Pérsia.	Após	um	ano,	ele
retornou	a	Jerusalém	para	corrigir	alguns	abusos	(Ne	13.6-7).
Uma	igreja	só	pode	ser	revitalizada	se	estiver	debaixo	de	muita	oração.	Os
líderes	são	os	primeiros	a	se	dedicarem	na	tarefa	de	importunar	a	Deus.
4.	DEUS	USAS	PESSOAS	QUE	TÊM	ALGO	NO	CORAÇÃO	PARA
REALIZAR
Neemias	enfim	chega	a	Jerusalém.	Ele	diz:	“Então,	à	noite	me	levantei,	e	uns
poucos	homens,	comigo;	não	declarei	a	ninguém	o	que	o	meu	Deus	me	pusera
no	coração	para	eu	fazer	em	Jerusalém.	Não	havia	comigo	animal	algum,	senão
o	que	eu	montava”	(Ne	2.12).	Neemias	precisava	de	um	plano	ou	de	um	projeto
para	executar.	Para	isso,	ele	caminha	entre	as	ruínas	para	fazer	um	diagnóstico
da	situação.	Três	detalhes	chamam	atenção:	(1)	A	origem	do	projeto:	Deus.	O
projeto	não	era	de	Neemias,	mas	de	Deus.	Foi	Deus	quem	lhe	deu	o	projeto,	os
recursos	e	a	capacidade	de	realização.	(2)	O	lugar	onde	o	projeto	foi	colocado:
me	pusera	no	coração.	O	coração	é	a	fonte	de	todos	os	desejos	e	realizações.
Tudo	quanto	fizermos	para	Deus	e	na	sua	obra,	devemos	realizar	com	o	coração.
(3)	A	realização	e	o	local	do	projeto:	para	eu	fazer	em	Jerusalém.	Veja	que	ele
diz:	para	eu	fazer	e	não	para	os	outros	fazerem.	O	local	é	bem	específico:	em
Jerusalém.	Durante	os	quatro	meses	que	orou,	Neemias	planejou,	sob	a
orientação	de	Deus,	aquilo	que	faria	em	Jerusalém	e	que,	de	fato,	realizou.
Louvado	seja	o	Senhor!
Qualquer	irmão	que	for	convocado	para	liderar	a	revitalização	de	uma	igreja
deve	orar	para	que	Deus	coloque	um	plano	no	seu	coração.	Também	precisa
saber	que	liderar	é	influenciar.	Liderança	espiritual	é	mobilizar	e	levar	pessoas	a
realizar	os	planos	de	Deus.	A	reconstrução	dos	muros	de	Jerusalém	e	a
restauração	espiritual	do	povo	de	Israel	eram	projetos	de	Deus.	Neemias	foi	um
homem	que	estava	sintonizado	com	o	céu	e	a	terra.
Neemias,	antes	de	mobilizar	o	povo	para	o	trabalho,	faz	uma	inspeção,	um
diagnóstico,	da	real	situação:
“De	noite,	saí	pelaPorta	do	Vale,	para	o	lado	da	Fonte	do	Dragão	e	para	a
Porta	do	Monturo	e	contemplei	os	muros	de	Jerusalém,	que	estavam	assolados,
cujas	portas	tinham	sido	consumidas	pelo	fogo.	Passei	à	Porta	da	Fonte	e	ao
açude	do	rei;	mas	não	havia	lugar	por	onde	passasse	o	animal	que	eu	montava.
Subi	à	noite	pelo	ribeiro	e	contemplei	ainda	os	muros;	voltei,	entrei	pela	Porta
do	Vale	e	tornei	para	casa”	(Ne	2.13-15).
Todo	plano	de	trabalho	começa	pelo	diagnóstico.	Um	líder	espiritual	usado	por
Deus	precisa	conhecer	a	real	situação	do	seu	campo	de	trabalho.	Esse
conhecimento	deve	ser	in	loco,	e	não	apenas	por	informações	dos	outros.
Neemias	praticou	aquilo	que	é	chamado	por	J.	Maxwell	de	a	“lei	da	navegação”:
(1)	Ele	tomou	conhecimento	do	problema	(Ne	1.2-4).	(2)	Ele	usou	tempo	para
orar	e	jejuar	pelo	assunto	(Ne	1.4-11).	(3)	Ele	se	aproximou	da	pessoa	chave	(Ne
2.1-9).	(4)	Ele	avaliou	as	necessidades	(Ne	2.11-15).	(5)	Ele	reuniu	o	povo	e
mostrou-lhes	a	visão	(Ne	2.16-17).	(6)	Ele	encorajou	o	povo,	relatando	projetos
vitoriosos	do	passado	(Ne	2.18).	(7)	Ele	recebeu	apoio	do	povo	e	desprezou	a
ajuda	dos	inimigos	(Ne	2.19-20).²¹
5.	DEUS	USA	PESSOAS	DISPOSTAS	A	PAGAR	O	PREÇO	PARA
MUDAR	UMA	REALIDADE
Toda	visão	de	Deus	está	conectada	com	uma	realidade.	Neemias	diz	ao	povo:
“Estais	vendo	a	miséria	em	que	estamos,	Jerusalém	assolada,	e	as	suas	portas,
queimadas;	vinde,	pois,	reedifiquemos	os	muros	de	Jerusalém	e	deixemos	de	ser
opróbrio”	(Ne	2.17).	Desse	pequeno	trecho,	podemos	assimilar	três	pontos:	(1)	A
realidade:	miséria,	assolação	e	destruição	pelo	fogo.	(2)	O	desafio:	trabalhar
todos	os	dias	para	a	reedificação	dos	muros.	Trata-se	de	um	chamado	para	mudar
uma	realidade	por	meio	do	trabalho.	(3)	O	propósito:	deixar	de	ser	opróbrio,
desonra,	vexame	e	humilhação	pública.
Neemias	mobiliza	o	povo	a	pagar	o	preço	pela	mudança.	Ele	e	todo	o	povo	são
agentes	de	transformação	e	de	mudanças,	do	pior	para	o	melhor.	Qualquer	igreja
pode	mudar	a	sua	história	se	todos	compreenderem	que	Deus	nos	criou	e	nos
salvou	para	sermos	promotores	de	transformação.
Os	recursos	serão	enviados	por	Deus.	Neemias	diz	ao	povo	que	temos	a	“boa
mão”	de	Deus	a	nosso	favor	e	temos	a	providência	divina	gerando	os	recursos
para	realizarmos	a	obra.	“E	lhes	declarei	como	a	boa	mão	do	meu	Deus	estivera
comigo	e	também	as	palavras	que	o	rei	me	falara.	Então,	disseram:	Disponhamo-
nos	e	edifiquemos.	E	fortaleceram	as	mãos	para	a	boa	obra”	(Ne	2.18).
Disposição	para	o	trabalho	e	dependência	de	Deus	são	os	segredos	para	realizar
a	obra.	O	homem	faz	a	sua	parte,	e	Deus	faz	a	dele.
6.	DEUS	USA	PESSOAS	QUE	NÃO	TEMEM	OPOSIÇÃO
A	obra	de	Deus	é	feita	em	face	de	oposição	e	sob	o	ataque	do	mal.	Quando
Neemias	veio	para	edificar	o	muro	e	transformar	a	vida	dos	judeus,	a	oposição	se
levantou	de	imediato:	“Disto	ficaram	sabendo	Sambalate,	o	horonita,	e	Tobias,	o
servo	amonita;	e	muito	lhes	desagradou	que	alguém	viesse	a	procurar	o	bem	dos
filhos	de	Israel”	(Ne	2.10).	Desagrada	ao	diabo	saber	que	alguém	se	interessa
pelo	bem	daqueles	que	são	filhos	de	Deus	ou	daqueles	que	estão	sofrendo	sob	a
tirania	do	mal.
Quando	a	notícia	virou	fato,	a	oposição	zombou	e	desprezou	os	trabalhadores	de
Deus:	“Porém	Sambalate,	o	horonita,	e	Tobias,	o	servo	amonita,	e	Gesém,	o
arábio,	quando	o	souberam,	zombaram	de	nós,	e	nos	desprezaram,	e	disseram:
Que	é	isso	que	fazeis?	Quereis	rebelar-vos	contra	o	rei?”	(Ne	2.19).	A	oposição
maligna	sempre	desqualificará	o	valor	da	obra	que	realizamos	para	Deus	e
lançará	suspeitas	sobre	as	nossas	motivações.	O	diabo	ataca	a	obra	e	os	obreiros.
E	o	seu	objetivo	final	é	parar	a	obra.
Como	responder	à	oposição	espiritual?	“Então,	lhes	respondi:	o	Deus	dos	céus	é
quem	nos	dará	bom	êxito;	nós,	seus	servos,	nos	disporemos	e	reedificaremos;
vós,	todavia,	não	tendes	parte,	nem	direito,	nem	memorial	em	Jerusalém”	(Ne
2.20).	Vemos,	portanto,	três	atitudes	práticas	neste	contexto:	(1)	Reconhecer	e
declarar	que	o	sucesso	da	obra	dependerá	de	Deus.	O	“bom	êxito”	na	terra	é	um
presente	do	céu.	(2)	Mostrar	que	a	obra	de	Deus	é	feita	exclusivamente	pelos
seus	servos	com	disposição	e	muito	trabalho.	(3)	Rejeitar	qualquer	ajuda	do
inimigo.	A	obra	de	Deus	é	feita	pelos	seus	servos	e	não	pelos	seus	inimigos.
Deus	é	onipotente.	Nenhum	dos	seus	planos	ou	projetos	pode	ser	frustrado	ou
ficar	inacabado.	Tudo	que	ele	quer	fazer,	faz	de	forma	completa.	Tudo	que	ele
começa,	termina.	Neemias	registra:
“Acabou-se,	pois,	o	muro	aos	vinte	e	cinco	dias	do	mês	de	elul,	em	cinquenta	e
dois	dias.	Sucedeu	que,	ouvindo-o	todos	os	nossos	inimigos,	temeram	todos	os
gentios	nossos	circunvizinhos	e	decaíram	muito	no	seu	próprio	conceito;	porque
reconheceram	que	por	intervenção	de	nosso	Deus	é	que	fizemos	esta	obra”	(Ne
6.15-16).
A	obra	de	Deus	é	feita	por	intermédio	das	pessoas	que	ele	usa.
CONCLUSÃO
Concluímos	esse	livro,	reafirmando	a	importância	de	realizarmos	a	missão
de	Deus	conforme	os	princípios	bíblicos.	A	Bíblia	é	o	manual	de	missões	da
Igreja,	com	o	destaque	especial	para	o	livro	dos	Atos	dos	Apóstolos.	Estou
convencido	de	que	o	livro	de	Atos	dos	Apóstolos	é	o	manual	bíblico,
inspirado	pelo	Espírito	Santo,	para	orientar	o	crescimento	da	igreja,	em
todos	os	lugares	e	em	todas	as	épocas,	até	a	volta	de	Cristo.	Deus	nos	oferece
princípios	espirituais,	que,	se	forem	obedecidos	e	aplicados,	promoverão	o
crescimento	da	igreja	local.	Se	os	princípios	bíblicos	forem	desprezados,	não
haverá	crescimento	e,	se	houver,	não	será	saudável.
Certamente	a	única	coisa	que	Deus	requer	de	nós	é	a	fidelidade.	“Assim,	pois,
importa	que	os	homens	nos	considerem	como	ministros	de	Cristo	e	despenseiros
dos	mistérios	de	Deus.	Ora,	além	disso,	o	que	se	requer	dos	despenseiros	é	que
cada	um	deles	seja	encontrado	fiel”	(1Co	4.1-2).	A	fidelidade	a	Deus	é	nossa
primeira	obrigação	em	tudo	o	que	somos	chamados	a	fazer	a	serviço	do
evangelho.	E	a	chave	para	a	fidelidade	é	o	temor	a	Deus.
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ANEXO	1
O	MANUAL	DO	OFICIAL
Princípios	Bíblicos	e	Doutrinários	aceitos	e	praticados	pelos	oficiais	da	Igreja
Presbiteriana	de	Pinheiros
Como	pastor	da	Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros,	em	São	Paulo,	e	autor
deste	livro,	quero	convidar	o	leitor	para	conhecer	o	material	que	utilizamos
em	nossa	igreja	para	orientar	e	direcionar	nossos	oficiais.	Com	isso,	nosso
objetivo	é,	a	partir	da	nossa	experiência,	colaborar	para	a	instrução	de
outrosirmãos,	qualquer	que	seja	o	lugar	onde	eles	forem	chamados	para
servir.
Introdução
Servir	a	Deus	na	sua	Igreja	é	o	maior	privilégio	que	uma	pessoa	pode
receber,	principalmente	para	aquelas	pessoas	que	são	chamadas	para	a
liderança	espiritual:	presbíteros	e	diáconos.
Essa	honra	é	também	a	responsabilidade	mais	pesada	que	alguém	pode	assumir.
Trata-se	de	uma	tarefa	árdua	e	sacrificial.	Um	líder	espiritual	vai	pastorear	as
ovelhas	de	Jesus	Cristo,	cuidar	da	Noiva	do	Cordeiro.	Ele	pagará	um	grande
preço.	Ele	sofrerá	um	duro	julgamento.	Tiago	já	exortava:	“Meus	irmãos,	não
vos	torneis,	muitos	de	vós,	mestres,	sabendo	que	havemos	de	receber	maior
juízo”	(Tg	3.1).
Há	muita	literatura	sobre	liderança	no	mercado.	Cursos	e	congressos	sobre
liderança	são	promovidos	em	grande	quantidade.	Nunca	houve	na	história	do
Cristianismo	tantas	faculdades	e	seminários	de	teologia	oferecendo	instrução
formal	em	teologia.	Entretanto,	continuamos	carentes	de	homens	de	Deus.	A
declaração	de	Jesus	continua	válida:	a	seara	é	grande,	mas	os	trabalhadores	são
poucos	(Lc	10.2).
Com	a	pressão	da	secularização,	a	igreja	tem	sido	vista	como	uma	empresa,	e	os
seus	líderes	são	tidos	como	executivos	da	espiritualidade.	Muitos	princípios	e
conceitos	de	liderança	empresarial	têm	sido	aplicados	à	igreja	na	tentativa	de
torná-la	mais	eficiente	e	funcional	como	empresa	ou	instituição.	Não	tenho	nada
contra	o	treinamento	de	liderança	empresarial,	mas,	na	igreja,	precisamos
assumir	uma	concepção	bíblica	de	ministério.	Ministrar	não	é	gerenciar,	mas
pastorear.	O	pastor	tem	que	ajudar,	gerar,	alimentar,	criar,	conduzir,	consolar,
corrigir	e	proteger	as	ovelhas.
O	Manual	do	Oficial	nasce	com	o	objetivo	de	redescobrir	e	resgatar	os	princípios
bíblicos	para	o	ministério	dos	presbíteros	e	diáconos	da	Igreja	Presbiteriana	de
Pinheiros.	A	intenção	é	orientar	aqueles	que	aspiram	ao	oficialato	bem	como
aqueles	que	já	estão	no	trabalho.	Somos	presbiterianos	e	o	nosso	foco	é
confessional.	Precisamos	de	oficiais	que	aceitem	e	defendam	os	Princípios	de	Fé
da	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil.
Agradecemos	ao	pastor	Cláudio	César	Gonçalves,	que	escreveu	o	capítulo
primeiro.
A	nossa	luta,	é	para	sermos	encontrados	fiéis.	“Assim,	pois,	importa	que	os
homens	nos	considerem	como	ministros	de	Cristo	e	despenseiros	dos	mistérios
de	Deus.	Ora,	além	disso,	o	que	se	requer	dos	despenseiros	é	que	cada	um	seja
encontrado	fiel”	(1Co	4.1-2).
Arival	Dias	Casimiro
1.	OS	OFÍCIOS	NA	BÍBLIA
Sempre	que	falamos	sobre	os	ofícios	na	Bíblia,	nos	lembramos	dos	ofícios	de
profeta,	sacerdote	e	rei.	Aqui,	o	nosso	interesse	é	falar	sobre	os	presbíteros	e
diáconos,	dois	ministérios,	ou	dois	ofícios,	que	existiram	na	Igreja	Primitiva	e
que	existem	na	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil.
1.	PRESBÍTEROS
1.1.	Definição
A	palavra	“Presbítero”	vem	da	transliteração	do	termo	grego	presbiteroi,	que
aparece	66	vezes	no	Novo	Testamento	e	significa	“mais	velho”	(em	relação	ao
mais	novo),	ou	“ancião”,	mas	também	pode	ser	usado	em	referência	a	um	ofício
eclesiástico.	“Bispo”	é	a	tradução	da	palavra	grega	episcopoi,	que	significa
“supervisor”,	“guardião”,	“superintendente”.	Paulo	usa	ambos	os	termos	sem
distinção	quando	manda	chamá-los	em	Éfeso	(At	20.	17,	28).	Também	enumera
as	qualificações	e	responsabilidades	de	tais	pessoas	em	1Timóteo	3.1-7	e	Tito
1.2-9.	Não	há	distinção	entre	o	presbítero	e	o	ancião	no	Novo	Testamento	e	os
termos	são	intercambiáveis.
1.2.	Origem
A	autoridade	dos	anciãos	já	era	reconhecida	no	Antigo	Testamento.	Moisés	era
encarregado	de	transmitir	a	mensagem	de	Deus	aos	anciãos	de	Israel	(Ex	3.16).
A	eles	eram	atribuídas	as	responsabilidades	da	vida	administrativa	e	nacional	de
Israel	(Jz	8.14;	Js	20.4;	1Sm	4.3;	8.4).	Outros	povos	também	tinham	anciãos	(Gn
50.7;	Nm	22.7),	que	também	gozavam	de	prestígio,	autoridade	e	status	obtidos
por	causa	da	idade	e	experiência.
No	Novo	Testamento,	as	comunidades	judaicas	eram	de	responsabilidade	do
conselho	de	anciãos,	tanto	na	questão	civil	como	religiosa.	Em	Atos	11.30
vemos	os	primeiros	registros	sobre	o	ofício	na	igreja	da	Judéia.	Era	um	cargo
vitalício,	eleito	pela	comunidade	por	meio	de	um	rito	solene.	Os	judeus
possuíam	um	concílio	semelhante,	cujo	principal	era	o	Sinédrio	de	Jerusalém,
que	funcionava	como	supremo	tribunal	dos	judeus.	A	principal	função	do
Sinédrio	era	estudar	e	ensinar	a	Lei,	além	de	aplicá-la	contra	os	infratores.
1.3.	Sua	função
Na	igreja	Primitiva	os	presbíteros	eram	os	responsáveis	pela	pregação,	pelo
ensino	e	pela	disciplina,	sempre	em	conexão	com	os	apóstolos.	Com	o
crescimento	da	igreja,	foram	escolhidos	diáconos	para	resolver	os	assuntos
práticos	referentes	aos	mais	necessitados.	No	Concílio	de	Jerusalém,	além	dos
apóstolos,	havia	os	presbíteros	(At	11.30).	Ali	eram	propostas	e	julgadas
questões	teológicas	da	igreja	(At	15.2,	4,	6,	22,	23;	16.4).
Após	suas	viagens	missionárias,	o	apóstolo	Paulo	elegia	presbíteros	em	cada
nova	igreja	(At	14.23).	É	bem	provável	que	aqueles	que	tinham	o	dom	de	ser
profeta,	pastor	e	mestre	eram	nomeados	para	o	ofício	do	presbiterato.	Destes
dependiam	a	pureza	e	estabilidade	do	rebanho	quanto	às	tentações,	crises	e
heresias.	Gozavam	de	alta	estima	dentro	da	igreja	(3	Jo)	e	participavam	da
visitação	pastoral	dos	enfermos	(Tg	5.14).	Tinham	a	função	de	supervisão
pastoral,	sendo	coparticipantes	do	ministério	de	Cristo	(1Pe	5.1-4;	At	20.28;	Ef
4.11).
Nas	palavras	de	Berkhof:	“Estes	oficiais	detinham	a	superintendência	do
rebanho	que	fora	entregue	aos	seus	cuidados.	Eles	tinham	que	abastecê-lo,
governá-lo	e	protegê-lo,	como	sendo	a	própria	família	de	Deus”.²²
2.	DIÁCONOS
2.1.	Definição
O	termo	“Diácono”	vem	do	grego	diáconos,	que	significa:	“servo”,	“serviço”,
“servir”,	“servir	à	mesa”.	Os	substantivos	“Diaconia”	(33	vezes)	e	“Diáconos”
(30	vezes)	e	o	verbo	“Diaconar”	(34	vezes)	são	amplamente	usados	e	são
traduzidos	por	serviço,	ministério,	socorro	e	assistência.	O	substantivo	diaconia
é	usado	como	ajuda	financeira	(2Co	8.4;	11.8;	Rm	15.25,	26);	beneficência	(At
6.1)	e	assistência	pessoal	atendendo	às	necessidades	temporais,	e	também	para
se	referir	aos	esforços	evangelísticos	e	missionários	(At	19.22;	1Co	6.15;	2Tm
4.11;	Ap	2.19).	Este	termo	é	aplicado	em	toda	forma	de	ministério	cristão,	o	que
inclui	apóstolos,	missionários,	evangelistas	e	profetas	(1Co	12.5;	Ef	4.12).	Era
aplicado	sempre	no	sentido	de	servo	ou	servidor,	mas	posteriormente	passou	a
designar	aqueles	que	se	dedicam	às	obras	de	misericórdia	e	caridade.
2.2.	Origem
A	origem	do	ofício	de	diácono	está	registrada	em	Atos	6.1-7,	como	resultado	de
uma	necessidade	das	viúvas	dos	helenistas.	Por	causa	do	excesso	de	trabalho	dos
apóstolos,	estas	viúvas	estavam	sendo	“esquecidas	na	distribuição	diária”	(At
6.1).	Em	relatos	posteriores	os	sete	são	mencionados	não	apenas	por	servir	às
mesas,	mas	por	debater,	ensinar,	pregar	e	batizar.	Estevão	anunciava	a	Palavra	e
Filipe	é,	na	verdade,	chamado	de	“evangelista”	(At	21.8).	A	saudação	em
Filipenses	1.1	parece	se	referir	ao	diaconato	como	uma	função	específica	dentro
da	congregação,	muito	relacionada	com	o	bispo.	O	mesmo	uso,	quase	oficial,
ocorre	em	1Timóteo	3.8-13.
2.3.	Cristo	como	Servo
O	Senhor	Jesus	valorizou	a	dignidade	e	honra	do	servir,	fazendo	de	si	mesmo	um
servo.	Ele	ilustrou	isso	ao	lavar	os	pés	dos	apóstolos	antes	da	Ceia	(Jo	13.1-11).
Também	ensinou:	“Quem	quiser	tornar-se	grande	entre	vós,	será	esse	que	vos
sirva	(diákonos);	e	quem	quiser	ser	o	primeiro	entre	vós	será	servo	(doûlos)	de
todos;	pois	o	próprio	Filho	do	Homem	não	veio	para	ser	servido,	mas	para	servir
(diacokonêsai)	e	dar	sua	vida	em	resgate	por	muitos”	(Mt	20.20-28).	Cristo	é
diácono	por	excelência!
2.4.	Um	ministério
A	missão	espiritual	da	Igreja	é	restaurar	as	relações	sociais	através	da	comunhão
com	Deus.	A	restauração,	quanto	ao	estado	material	e	à	saúde	física,	é	função	de
um	ministério	espiritual:	o	diaconato	–	esta	é	a	ordem	estabelecida	por	Cristo.
O	ministério	material	da	igreja	está	intrinsecamente	ligado	com	a	vida	espiritual,
e	vice-versa.	Enquanto	os	presbíterosse	dedicam	ao	ensino	da	Palavra,	os
diáconos	devem	se	ater	à	assistência	aos	necessitados.
Para	os	reformadores,	não	basta	simplesmente	ajudar	os	pobres	materialmente.
Também	é	preciso	lhes	dar	os	meios	necessários	para,	por	si	próprios,	saírem	de
sua	condição	precária.	Para	isso	Calvino	agiu	na	fundação	e	ampliação	de
instituições	em	Genebra,	como	a	Academia	de	Genebra	(dando	base	intelectual
aos	alunos,	que	seria	de	extrema	importância	para	a	Reforma	da	Igreja).	Também
atuou	com	veemência	no	Hospital	Geral	(que	fornecia	abrigo,	alimentação,
assistência	médica	e	educacional);	e	no	Fundo	Francês	(que	financiava	pequenos
negócios	e	ensinava	novas	profissões	aos	refugiados	de	Genebra).	Os	ociosos
eram	presos.	Todos	deveriam	trabalhar	e	fazer	o	bem,	para	a	glória	de	Deus.
Calvino	distingue	o	ministério	diaconal	em	duas	categorias.	Primeiro,	aqueles
encarregados	de	recolher	e	repartir	os	bens	ofertados	pelos	fiéis	aos	pobres.
Estes	servem	à	Igreja	dispensando	e	administrando	os	bens	aos	necessitados.	Em
segundo	lugar,	ficam	os	que	são	responsáveis	por	cuidar,	mais	diretamente,	dos
carentes,	enfermos,	idosos	e	doentes.²³
Os	diáconos	devem	ser	considerados	como	embaixadores	de	Deus,	pois	foram
chamados	para	uma	missão	de	extrema	importância	para	o	mundo.	São
revestidos	de	toda	dignidade	e	honra	para	estabelecer	a	justa	distribuição	dos
bens	materiais	consagrados	e	ofertados	pelos	cristãos.	Participam	do	governo	do
mundo	juntamente	com	Deus,	em	socorro	aos	seus	filhos.	O	Criador	lhes	deu	o
privilégio	de	participar	com	ele	nesta	grande	empreitada	de	amor	e	compaixão.
O	serviço	diaconal	é	crucial	para	a	vida,	fé,	função,	testemunho	e	missão	da
igreja	em	todos	os	tempos,	e	deve	legitimar	o	seu	modo	de	ser.	O	Art.	53	e
alíneas	da	CI/IPB.,	apresenta	uma	definição	que	segue	a	mesma	linha	bíblica;
porém,	amplia	mais	a	sua	função,	adaptando-a	às	necessidades	da	Igreja	no
Brasil.	Aquele	que	aspira	este	ministério	fará	bem	em	conhecer	a	definição	ali
apresentada.
Por	fim,	vale	lembrar	das	palavras	do	apóstolo	João:
“Nisto	conhecemos	o	amor:	que	Cristo	deu	a	sua	vida	por	nós;	e	devemos	dar
nossa	vida	pelos	irmãos.	Ora,	aquele	que	possuir	recursos	deste	mundo,	e	vir	a
seu	irmão	padecer	necessidade,	e	fechar-lhe	o	seu	coração,	como	pode
permanecer	nele	o	amor	de	Deus?	Filhinhos,	não	amemos	de	palavra,	nem	de
língua,	mas	de	fato	e	de	verdade”	(1Jo	3.16-18).
2.	OS	OFÍCIOS	NA	IGREJA	PRESBITERIANA	DO	BRASIL
Para	os	presbiterianos	há	somente	dois	ofícios	na	Igreja:	diáconos	e	presbíteros.
O	pastor	é	também	um	presbítero.	A	teologia	reformada	baseada	em	1Timóteo
5.17,	faz	uma	diferença	entre	presbítero	docente	(Pastor)	e	presbítero	regente
(aquele	que	governa).
Na	prática,	porém,	e	usando	outros	textos	da	bíblia,	observamos	que	o	presbítero
docente	é,	na	verdade,	um	regente;	e	o	presbítero	regente	é,	no	fundo,	um
docente,	alguém	que	tem	de	ensinar	e	pastorear	o	rebanho	de	Deus	(At	20.28;	Tt
1.9;	1Pe	5.1-4).	O	pastor	(presbítero	docente)	também	governa	e	administra.
Nos	Concílios	da	Igreja	(Conselho,	Presbitério,	Sínodo	e	Supremo	Concílio)	o
presbítero	tem	a	mesma	autoridade	dos	pastores.
Nenhum	oficial	pode	exercer	simultaneamente	dois	ofícios	e	jamais	deverá	ser
constrangido	a	aceitar	o	ofício	contra	a	sua	vontade	(Hb	13.17).
Os	ofícios	de	diáconos	e	presbíteros	são	iguais	quanto	à	importância	espiritual	e
diferente	quanto	às	responsabilidades.	Utilizamos	a	Constituição	da	IPB	para
destacar	o	conceito	e	a	competência	de	cada	oficial.
1.	O	PRESBÍTERO	DOCENTE	-	PASTOR
O	Ministro	do	Evangelho	é	o	oficial	consagrado	pela	Igreja,	representada	no
Presbitério,	para	dedicar-se	especialmente	à	pregação	da	Palavra	de	Deus,
administrar	os	sacramentos,	edificar	os	crentes	e	participar,	com	os	presbíteros
regentes,	do	governo	e	disciplina	da	comunidade	(Art.	30,	CI/IPB).
O	pastor	é	ordenado	ao	ministério	por	um	presbitério	da	IPB	após	cursar	o
bacharelado	em	Teologia	em	um	dos	seminários	da	Igreja	Presbiteriana	do
Brasil.	Ele	deve	ser	sustentado	dignamente	pela	igreja	que	pastoreia,	mas	o	seu
vínculo	não	é	empregatício	(CLT)	e	a	sua	motivação	não	deve	ser	profissional.
O	pastor	tem	funções	privativas,	isto	é,	exclusivas,	que	não	devem	ser	exercidas
pelo	presbítero	regente	ou	pelo	diácono.	São	elas:
administrar	os	sacramentos;
invocar	a	bênção	apostólica	sobre	o	povo	de	Deus;
celebrar	o	casamento	religioso	com	efeito	civil;
orientar	e	supervisionar	a	liturgia	na	Igreja	de	que	é	pastor.
As	atribuições	constitucionais	de	um	pastor	são	claramente	definidas:
orar	com	o	rebanho	e	por	este;
apascentá-lo	na	doutrina	cristã;
exercer	as	suas	funções	com	zelo;
orientar	e	superintender	as	atividades	da	Igreja,	a	fim	de	tornar	eficiente	a	vida
espiritual	do	povo	de	Deus;
prestar	assistência	pastoral;
instruir	os	neófitos,	dedicar	atenção	à	infância	e	à	mocidade,	bem	como	aos
necessitados,	aflitos,	enfermos	e	desviados;
exercer,	juntamente	com	os	outros	presbíteros,	o	poder	coletivo	de	governo.
2.	O	PRESBÍTERO	REGENTE
Presbítero	regente	é	o	representante	imediato	do	povo,	por	este	eleito	e
ordenado	pelo	Conselho,	para,	juntamente	com	o	pastor,	exercer	o	governo	e	a
disciplina	e	zelar	pelos	interesses	da	Igreja	a	que	pertencer,	bem	como	pelos	de
toda	a	comunidade,	quando	para	isso	eleito	ou	designado	(Art.	50,	CI/IPB).
O	presbítero	junto	com	o	pastor	exerce	o	governo	e	a	disciplina	na	igreja	local.
Ambos	zelam	pelos	interesses	da	igreja	a	que	pertencem.
Segundo	a	Constituição	da	IPB,	compete	ao	Presbítero:
levar	ao	conhecimento	do	Conselho	as	faltas	que	não	puder	corrigir	por	meio	de
admoestações	particulares;
auxiliar	o	pastor	no	trabalho	de	visitas;
instruir	os	neófitos,	consolar	os	aflitos	e	cuidar	da	infância	e	da	juventude;
orar	com	os	crentes	e	por	eles;
informar	o	pastor	dos	casos	de	doenças	e	aflições;
distribuir	os	elementos	da	Santa	Ceia;
tomar	parte	na	ordenação	de	ministros	e	oficiais;
representar	o	Conselho	no	Presbitério,	no	Sínodo	e	no	Supremo	Concílio.
3.	O	DIÁCONO
O	diácono	é	o	oficial	eleito	pela	Igreja	e	ordenado	pelo	Conselho,	para,	sob	a
supervisão	deste,	dedicar-se	especialmente:
à	arrecadação	de	ofertas	para	fins	piedosos;
ao	cuidado	dos	pobres,	doentes	e	inválidos;
à	manutenção	da	ordem	e	reverência	nos	lugares	reservados	ao	serviço	divino;
exercer	a	fiscalização	para	que	haja	boa	ordem	na	Casa	de	Deus	e	suas
dependências.
Os	ofícios	de	presbíteros	e	diáconos	são	permanentes,	mas	o	seu	exercício	é
temporário.	Explicando	melhor,	quando	uma	pessoa	é	ordenada	presbítero	pelo
Conselho	de	uma	igreja	local,	ele	continuará	presbítero	até	morrer,	exceto	se	for
despojado	do	ofício.	A	ordenação	é	um	ato	de	natureza	espiritual	que	consagra	a
pessoa	para	o	ofício.	O	exercício	do	presbítero	é	temporário	no	sentido	de	que
ele	recebe	um	mandato	de	cinco	anos	concedido	pela	assembleia	da	igreja,	que	o
elegeu	por	votação	secreta.	Portanto,	se	um	presbítero	ou	diácono	já	ordenado
não	for	eleito	por	uma	assembleia,	ele	não	deixa	de	ser	presbítero	ou	diácono,
mas	fica	em	disponibilidade.
4.	O	OFICIAL	TRAINEE
Quanto	à	eleição	de	diáconos,	a	Bíblia	recomenda	um	período	de	prova,	nos
seguintes	termos:	“Também	sejam	estes	primeiramente	experimentados;	e,	se	se
mostrarem,	irrepreensíveis,	exerçam	o	diaconato”	(1Tm	3.10).	A	expressão
“primeiramente	experimentado”	significa	que	os	candidatos	ao	diaconato	devem
passar	por	um	exame	cuidadoso,	um	período	de	prova,	quando	eles	serão
observados	pelo	Conselho	e	pela	Congregação.
A	Constituição	da	IPB	não	estabelece	período	probatório	para	um	candidato	ao
diaconato.	Estabelece,	porém,	que	o	Conselho	tem	competência	para	designar
mulheres	para	o	exercício	do	trabalho	diaconal,	sem	que	isso	envolva	a	eleição
pela	assembleia	e	a	ordenação	para	o	ofício.	Nas	funções	privativas	do	Conselho
lemos:	designar,	se	convier,	mulheres	piedosas	para	cuidarem	dos	enfermos,	dos
presos,	das	viúvas	e	órfãos,	dos	pobres	em	geral,	para	alívio	dos	que	sofrem	(art.
83,	alínea	x,	CI/IPB).
Quanto	aos	presbíteros,	há	recomendações	em	1	Timóteo	5.17-25,	em	que	os
presbíterosdevem	ser	honrados	ou	apreciados	(vv.17-19),	protegidos	de	calúnias
(v.19),	disciplinados	com	imparcialidade	(vv.20-21)	e	finalmente,	não	devem	ser
ordenados	de	forma	precipitada:	A	ninguém	imponhas	precipitadamente	as	mãos
(v.22).
Quanto	ao	candidato	ao	pastorado	(presbítero	docente),	a	Constituição	da	IPB
estabelece	um	período	de	experiência,	chamado	de	licenciatura,	de	no	mínimo
um	e	no	máximo	três	anos	(arts.	120	a	125,	CI/IPB).	Não	estabelece,	porém,
nenhum	período	de	experiência	para	o	presbítero,	antes	de	sua	ordenação.
Considerando	tais	argumentos	e	a	preocupação	de	eleger	e	ordenar	oficiais
vocacionados	e	comprometidos	com	o	ministério,	o	Conselho	de	Pinheiros
institui	a	figura	do	diácono	e	do	presbítero	trainee.	Trata-se	de	um	período	de
experiência	de	um	ano,	em	que	o	candidato	trabalhará	com	os	oficiais	já	eleitos
para	conhecer	o	serviço,	ser	observado	e	ter	convicção	da	sua	vocação.
O	oficial	trainee	será	nomeado	pelo	Conselho,	que	se	responsabilizará	por	ele	e
oferecerá	um	curso	de	preparação	bíblica	e	teológica.
3.	OS	PRÉ-REQUISITOS	PARA	ALGUÉM	SER	OFICIAL	NA	IGREJA
PRESBITERIANA	DE	PINHEIROS
Uma	das	práticas	mais	perigosas	da	igreja	hoje	é	a	desconsideração	das
orientações	de	Deus	quanto	ao	tipo	de	pessoa	que	Ele	deseja	na	liderança	da
igreja.
Estudando	os	textos	bíblicos,	concluímos	que	há	três	requisitos	para	ser	um
oficial	da	IPP:	(1)	vocação,	ou	chamado	de	Deus;	(2)	qualificações	bíblicas	para
ser	um	oficial;	(3)	ser	eleito	pela	assembleia	e	passar	pelo	exame	do	Conselho.
1.	VOCAÇÃO	OU	CHAMADO	DE	DEUS
A	Bíblia	declara	que	toda	pessoa	que	é	salva	por	Deus	é	salva	para	servir	(Ef
2.10).	Deus	não	somente	nos	escolheu	para	a	salvação,	mas	também	para	o
trabalho	na	igreja.	Todo	crente	é	um	sacerdote	de	Deus,	que	foi	capacitado	com
dons	espirituais,	para	trabalhar	na	edificação	da	igreja	(1Pe	2.9-10;	1Co	12.1-10;
Rm	12.3-8).	Cada	crente	é	um	mordomo	de	Deus	(1Co	4.1-2;	1Pe	4.10).
Além	de	chamar	pessoas	para	a	salvação	e	para	o	serviço,	Deus	chama	pessoas
para	o	ministério	de	liderança	(Ef	4.12).	Por	isso,	na	Igreja	Presbiteriana,	o
ministério	do	presbítero	e	do	diácono	se	fundamenta	na	doutrina	da	vocação,	ou
do	chamado	de	Deus.
A	Constituição	da	IPB	define:	Vocação	para	ofício	na	Igreja	é	a	chamada	de
Deus,	pelo	Espírito	Santo,	mediante	o	testemunho	interno	de	uma	boa
consciência	e	a	aprovação	do	povo	de	Deus,	por	intermédio	de	um	Concílio	(art.
108).	A	vocação	tem	duas	partes	que	se	completam:	(i)	o	chamado	interior,	que	é
parte	da	experiência	do	indivíduo	com	Deus;	e	(ii)	o	chamado	exterior,	que	é	o
reconhecimento	público	da	igreja,	por	meio	de	uma	eleição.
Na	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil,	conforme	a	sua	CI,
ninguém	poderá	exercer	ofício	na	Igreja	sem	que	seja	regularmente	eleito,
ordenado	e	instalado	no	cargo	por	um	concílio	competente.	§1º	-	Ordenar	é
admitir	uma	pessoa	vocacionada	ao	desempenho	do	ofício	na	Igreja	de	Deus,	por
imposição	das	mãos,	segundo	o	exemplo	apostólico	e	oração	pelo	concílio
competente.	§2º	-	Instalar	é	investir	a	pessoa	no	cargo	para	que	foi	eleita	e
ordenada.	§3º	-	Sendo	vários	os	ofícios	eclesiásticos,	ninguém	poderá	ser
ordenado	e	instalado	senão	para	o	desempenho	de	um	cargo	definido.	(art.	109	e
parágrafos)
Temos	observado	que	muitas	pessoas	desejam	ser	oficiais,	mas	não	tem	um
chamado	de	Deus.	Outros	aspiram	ao	cargo,	mas	não	assumem	o	serviço.	A
orientação	bíblica	é:	“se	alguém	aspira	ao	episcopado	excelente	obra	almeja”
(1Tm	3.1).	A	pessoa	deve	almejar	o	serviço,	e	não	a	posição	ou	o	cargo.
2.	QUALIFICAÇÕES	BÍBLICAS	PARA	SER	OFICIAL
Os	dois	principais	textos	que	apresentam	as	qualificações	da	pessoa	para	ser
presbítero	e	diácono	são	1Timóteo	3.1-16	e	Tito	1.5-9.	Podemos	classificar	essas
qualidades	em	três	áreas:	vida	familiar,	caráter	e	conduta,	e	integridade
doutrinária.
A	palavra	irrepreensível	é	a	base	que	sustenta	todas	as	qualidades	exigidas	de	um
presbítero	ou	diácono	(1Tm	3.2,	10	e	Tt	1.5).	Isso	não	significa	que	o	oficial	seja
imune	a	erros,	ou	de	uma	perfeição	impecável,	pois	nesse	caso	ninguém	estaria
qualificado	para	o	ofício.	Exige-se,	porém,	que	o	oficial	seja	uma	pessoa	com
vida	santa	e	reputação	irrepreensível,	dentro	e	fora	da	igreja.
2.1.	VIDA	FAMILIAR
A	vida	familiar	de	uma	pessoa	é	um	pré-requisito	muito	importante	para	o	seu
ministério	na	Igreja.	São	dois	aspectos	práticos:
A.	Marido	de	uma	só	mulher	(1Tm	3.2;	Tt	1.6).
O	oficial	é	“homem	de	uma	só	mulher”,	devotado	à	sua	única	esposa.	A	ênfase	é
na	fidelidade	conjugal	(Hb	13.4).	John	MacArthur	Jr	diz	que	o	pecado	sexual
desqualifica	qualquer	homem	para	o	pastorado	(1Co	9.27).
B.	Liderança	Espiritual	Familiar	(1Tm	3.4;	Tt	3.6)
O	oficial	deve	ser	alguém	que	governa,	lidera,	preside	e	administra	bem	a	sua
família.	O	lar	é	considerado	um	campo	de	treinamento	para	o	líder	da	igreja.
Jonh	Stott	diz:	“Os	pais	que	não	tiveram	sucesso	na	condução	de	seus	próprios
filhos	não	são	merecedores	de	confiança	quanto	a	conduzir	a	família	de	Deus”.
2.2.	CARÁTER	E	CONDUTA
O	oficial	precisa	ser	irrepreensível	em	sua	conduta.	Ele	é	um	mordomo,	um
despenseiro	de	Deus.	O	texto	de	Tito	1.7-8	oferece	duas	listas	de	características
gerais,	uma	delas	que	especifica	condutas	que	os	oficiais	não	podem	ter,	e	outra
que	detalha	os	pontos	positivos	que	precisam	ser	encontrados	em	suas
vidas.Acrescentaremos	outras	exigências	encontradas	em	1Timóteo	3.
A.	O	OFICIAL	NÃO	DEVE	SER:
Arrogante
Irascível
Dado	ao	vinho
Violento
Cobiçoso	de	torpe	ganância
Neófito
B.	O	OFICIAL	DEVE	SER:
Hospitaleiro
Amigo	do	bem
Sóbrio	ou	Moderado
Justo
Piedoso
Temperante
Homem	de	boa	reputação	fora	da	igreja
Homem	de	uma	só	palavra
Experimentado	ou	experiente
Quando	olhamos	para	o	restante	dos	textos	bíblicos	encontramos	mais	algumas
exigências:
Que	sejam	pastores	do	rebanho	de	Deus	(At	20.28;	1Pe	5.1-4)
Que	sejam	fiéis	em	tudo	(1Co	4.1-2)
Homens	fiéis	e	idôneos	(2Tm	2.2)
Cheios	do	Espírito	Santo	e	de	sabedoria	espiritual	(At	6.3)
Homens	de	oração	(Tg	5.14)
A	Bíblia	estabelece	um	padrão	elevado	para	a	liderança	da	igreja.	Somente	pela
graça	e	pela	misericórdia	de	Deus	é	que	podemos	trabalhar.	Isso	exige	de	nós
aquela	que	é	a	virtude	maior	do	servo	de	Deus:	a	humildade.
2.3.	INTEGRIDADE	DOUTRINÁRIA
O	oficial	precisa	ser	íntegro	na	doutrina	ortodoxa,	ou	sã	doutrina.	Tito	afirma
que	ele	deve	ser:	“Apegado	à	palavra	fiel,	que	é	segundo	a	doutrina,	de	modo
que	tenha	poder	tanto	para	exortar	pelo	reto	ensino	como	para	convencer	os	que
o	contradizem”	(Tt	1.9).
Observe	que	o	oficial	tem	que	ser	alguém	apegado	à	Palavra,	ao	seu	estudo	e
ensino.	Ele	deve	ter	competência	bíblica	e	doutrinária	para	exortar	as	pessoas	à
verdade	e	também	contradizer	os	erros	doutrinários.	No	caso	exposto,	não	se
trata	de	uma	formação	acadêmica,	mas	de	conhecimento	bíblico	exaustivo.
Em	1Timóteo	3.2,	Paulo	fala	que	o	oficial	deve	ser	apto	para	ensinar.	Ensinar	o
quê?	A	palavra	de	Deus	e	a	sã	doutrina	(1Tm	1.10;	2Tm	1.13;	2.2;	3.10).
3.	SER	ELEITO	PELA	ASSEMBLÉIA	E	PASSAR	PELO	EXAME	DO
CONSELHO
Ninguém	poderá	exercer	o	ofício	de	diácono	ou	de	presbítero	na	igreja	sem	ter
sido	eleito	por	uma	assembleia	de	igreja	local.	Não	existe	a	figura	do	“presbítero
ou	diácono	biônico”,	isto	é,	nomeado	por	alguém,	ou	por	algum	concílio.
A	eleição	de	oficiais	é	de	competência	exclusiva	da	assembleia,	quando
convocada	pelo	Conselho.	Ao	Conselho	pertence	a	competência	exclusiva	de
ordenar	e	instalar,	ou	não,	o	eleito.	Antes	de	ser	ordenado	e	instalado	no	ofício
para	desempenhar	o	seu	ministério,	o	eleito	será	submetido	ao	exame	do
Conselho.	A	CI/IPB	preceitua,	no	Art.114:	Só	poderá	ser	ordenado	e	instalado
quem,	depois	de	instruído,	aceitar	a	doutrina,	o	governo	e	a	disciplina	da	Igreja
Presbiteriana	do	Brasil,	devendo	a	Igreja	prometer	tributar-lhe	honra	e
obediência	no	Senhor,	segundo	a	Palavra	de	Deus	e	esta	Constituição.	O	exame	é
imprescindível	para	ordenação,	pois	o	oficial	ordenado	deverá	aceitar,	obedecer
e	defender	os	símbolos	de	fé	da	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil.
Concluindo,	para	ser	escolhidooficial,	o	homem	precisa	ser	alguém	chamado
por	Deus.	O	que	faz	um	presbítero	ou	diácono	não	é	um	mandato	de	cinco	anos
dado	pela	assembleia	da	igreja,	mas	um	chamado	especial	de	Deus.	Por	isso	a
Constituição	da	IPB	reconhece	que	“o	mandato	é	temporário,	mas	o	ofício	é
perpétuo”.
O	oficial,	também,	deve	ser	alguém	que	aspira	ao	trabalho	de	pastorear	o
rebanho	de	Deus.	Ser	oficial	é	ser	servo	de	todos.	É	trabalhar	duramente	para	a
edificação	da	igreja,	orando,	ensinando,	visitando,	aconselhando	e
administrando.
E,	finalmente,	o	oficial	deve	ser	alguém	com	qualificações	morais	e	espirituais.
Ele	precisa	passar	pelo	crivo	ético	e	da	competência	doutrinária.
4.	O	PAPEL	DA	IGREJA	NA	ELEIÇÃO	DE	OFICIAIS
A	igreja	local	reunida	em	assembleia	para	eleger	oficiais	tem	uma	grande
responsabilidade	diante	de	Deus	e	um	grande	compromisso	com	o	bem	espiritual
da	comunidade.	Quando	a	igreja	escolhe	e	elege	mal	os	seus	oficiais,	ela	mesma
é	prejudicada	espiritualmente.	É	como	diz	o	ditado:	“o	povo	tem	o	governo	que
merece”.
Por	isso	incluímos	neste	Manual	algumas	orientações	para	a	Igreja	quanto	à
eleição	de	oficiais.
1.	BASE	BÍBLICA
Segundo	as	informações	bíblicas,	desde	o	período	apostólico,	quando	as
primeiras	igrejas	foram	organizadas,	a	eleição	foi	o	método	estabelecido	para	a
escolha	de	oficiais	da	igreja.	Sob	a	orientação	dos	apóstolos,	os	membros	de	uma
igreja	local	elegiam	os	seus	presbíteros:	“E,	promovendo-lhes,	em	cada	igreja,	a
eleição	de	presbíteros,	depois	de	orar	com	jejuns,	os	encomendaram	ao	Senhor
em	quem	haviam	crido”	(At	14.23).	“Por	esta	causa,	te	deixei	em	Creta,	para	que
pusesses	em	ordem	as	cousas	restantes,	bem	como,	em	cada	cidade,	constituísses
presbíteros,	conforme	te	prescrevi”	(Tt	1.5).
Podemos	extrair	quatro	lições	destes	dois	versículos:
A	eleição	de	oficiais	é	uma	responsabilidade	corporativa.	Os	apóstolos
designavam	os	critérios,	mas	quem	tinha	a	responsabilidade	de	escolher	era	a
congregação.	Trata-se	de	uma	imensa	responsabilidade	espiritual.
Não	se	deve	fazer	a	escolha	ou	a	eleição	de	oficiais	sem	a	prática	da	oração	e	do
jejum.	A	igreja	precisa	se	dedicar	ao	jejum	e	a	oração	antes	de	escolher	os	seus
oficiais.	Veja	o	exemplo:	Jesus	mandou	que	os	discípulos	pedissem	a	Deus	que
mandasse	trabalhadores	para	a	seara	(Mt	9.37-38),	e	os	discípulos	obedeceram
(At	1.24-25).
A	igreja	somente	deve	votar	naqueles	homens	que	se	enquadram	nos	critérios
espirituais	estabelecidos	pela	Palavra	de	Deus	(1Tm	3.1-13	e	Tt	1.5-9).
Deus	deseja	que	cada	igreja	local	tenha	um	conselho	de	presbíteros.	A	expressão
eleição	de	presbíteros	indica	que	Deus	não	quer	que	a	igreja	seja	governada	por
uma	pessoa	sozinha,	mas	por	um	conselho	de	presbíteros	(At	20.28).
Assim	sendo,	a	Igreja	precisa	encarar	com	muita	responsabilidade	a	eleição	de
oficiais.	O	progresso	da	igreja	depende	de	uma	liderança	escolhida	por	Deus.
Evite	eleger	oficial	usando	os	seguintes	critérios:
Simpatia	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	ele	é	muito	simpático.
Interesse	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	ele	defenderá	os	nossos	interesses	no
Conselho	ou	Junta.
Faixa-etária	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	ele	é	novo	(ou	velho)	e	a	nossa
igreja	precisa	de	“sangue	novo”	(ou	gente	experiente).
Influência	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	me	pediram.
Família	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	pois	a	nossa	família	precisa	ter	um
representante	no	Conselho	ou	Junta.
Desinteresse	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	qualquer	um	serve.
Raiva	ou	vingança	–	Eu	vou	votar	em	fulano,	porque	ele	não	gosta	do	pastor.
Politicagem	–	Eu	vou	votar	em	fulano	porque	ele	fez	campanha	e	me	pediu	o
voto.
2.	BASE	CONSTITUCIONAL
A	Igreja	Presbiteriana	é	conciliar,	isto	é,	ela	é	administrada	e	funciona	por	meio
dos	seus	concílios.	No	âmbito	da	igreja	local,	o	Conselho	cumpre	essa	função.
Instituído	pela	assembleia	no	ato	de	constituição	eclesiástica	da	igreja	local,	o
Conselho	possui	certas	competências	exclusivas.
Todavia,	a	assembleia	também	possui	competências	exclusivas,	conforme	visto
no	art.	9º	da	CI/IPB:
A	assembleia	geral	da	Igreja	constará	de	todos	os	membros	em	plena	comunhão
e	se	reunirá	ordinariamente,	ao	menos	uma	vez	por	ano,	e,	extraordinariamente,
convocada	pelo	Conselho,	sempre	que	for	necessário,	regendo-se	pelos
respectivos	estatutos.	§1º	-	Compete	à	assembleia:	a)	eleger	pastores	e	oficiais	da
Igreja;	b)	pedir	a	exoneração	deles	ou	opinar	a	respeito,	quando	solicitada	pelo
Conselho;	c)	aprovar	os	seus	estatutos	e	deliberar	quanto	à	sua	constituição	em
pessoa	jurídica;	d)	ouvir,	para	informação,	os	relatórios	do	movimento	da	Igreja
no	ano	anterior,	e	tomar	conhecimento	do	orçamento	para	o	ano	em	curso;	e)
pronunciar-se	sobre	questões	orçamentárias	e	administrativas,	quando	isso	lhe
for	solicitado	pelo	Conselho;	f)	adquirir,	permutar,	alienar,	gravar	de	ônus	real,
dar	em	pagamento	imóvel	de	sua	propriedade	e	aceitar	doações	ou	legados
onerosos	ou	não,	mediante	parecer	prévio	do	Conselho	e,	se	este	julgar
conveniente	também	do	respectivo	Presbitério;	g)	conferir	a	dignidade	de	pastor
emérito,	presbítero	emérito	e	diácono	emérito;	§2º	-	Para	tratar	dos	assuntos	a
que	se	referem	as	alíneas	“c”,	“e”	e	“f”	do	parágrafo	anterior	a	assembleia	deverá
constituir-se	de	membros	civilmente	capazes.
Observe	que	a	primeira	competência	exclusiva	da	assembleia	é	eleger	pastores	e
oficiais	da	igreja.	Sem	dúvida,	cada	membro	da	igreja	deveria	colocar	a	eleição
de	oficiais	como	uma	de	suas	prioridades	espirituais,	para	o	seu	bem	e	para	o
bom	desenvolvimento	espiritual	da	Igreja.	Cada	irmão	precisa	levar	a	sério	essa
sua	responsabilidade	diante	de	Deus.
CONCLUSÃO
O	trabalho	de	liderança	espiritual	na	igreja	é	fruto	de	um	chamado	divino,
concedido	a	homens	frágeis	e	carentes	da	graça	divina.	Paulo	declara:	“a	nossa
suficiência	vem	de	Deus”	(2Co	3.5).	Ele	geralmente	chama	os	mais	fracos	e	os
capacita	para	realizar	essa	obra	tão	preciosa.
Deus	concede	líderes	espirituais	à	sua	igreja	(Ef	4.7-16)	com	o	objetivo	de
promover	a	edificação	e	o	crescimento.	Nesse	processo	de	concessão	divina,	os
vocacionados,	os	membros	da	assembleia	e	o	Conselho	exercem	papéis
exclusivos	e	complementares.	Os	dois	lados,	divino	e	humano,	atuam	juntos	na
composição	da	liderança	espiritual	da	igreja	local.	Somos	responsáveis	pelas
nossas	atitudes	e	escolhas.	Ninguém	deve	aspirar	um	ofício	sem	um	chamado	de
Deus.	A	igreja	não	deve	escolher	e	eleger	pessoas	desqualificadas	para	o	ofício.
O	Conselho	não	deve	agir	de	forma	relaxada	ao	encaminhar	para	a	assembleia
candidatos	para	serem	escolhidos	ou	eleitos	como	presbíteros	e	diáconos.
A	humildade	é	o	segredo	para	esta	tarefa	tão	difícil	e	de	tamanha
responsabilidade.	Ela	é	a	marca	registrada	de	qualquer	servo	comprometido	com
a	obra	de	Deus.	E	a	chave	para	a	humildade	está	diretamente	relacionada	com	a
perspectiva	que	temos	de	Deus,	pois	ele	é	o	dono	da	seara:	“Rogai,	pois,	ao
senhor	da	seara	que	mande	trabalhadores	para	a	sua	seara”	(Mt	9.38).
Este	Manual	do	Oficial	é	uma	tentativa	de	abordar	o	trabalho	do	diácono	e	do
presbítero	de	forma	bíblica,	confessional	e	sensata.	Entendemos	que	a	qualidade
espiritual	de	uma	igreja	local	passa	primeiro	pela	excelência	espiritual	da	sua
liderança.	Investir	no	crescimento	da	igreja	é	trabalhar	na	qualidade	dos	seus
líderes.
Que	o	Senhor	da	Igreja	tenha	misericórdia	de	nós!
ANEXO	2
QUESTIONÁRIO	DE	ORDENAÇÃO
O	Questionário	de	Ordenação	abrange	três	áreas	em	que	os	candidatos	à
ordenação	e	instalação	deverão	demonstrar	proficiência:	(1)	Conhecimento
Bíblico;	(2)	Símbolos	de	Fé	da	IPB	–	Confissão	de	Fé	e	os	Catecismos	Maior	e
Menor;	(3)	Governo,	liturgia	e	disciplina	da	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil.
1.	CONHECIMENTO	BÍBLICO
A	ordem	dos	66	livros	da	Bíblia
Divisões	do	Antigo	e	Novo	Testamento
Autores	dos	livros	da	Bíblia
Esboço	da	Cronologia	Bíblica	(Dos	patriarcas	até	os	Apóstolos)
Esboço	da	Vida	de	Jesus
Identificar	alguns	personagens	da	Bíblia
2.	SÍMBOLOS	DE	FÉ	DA	IGREJA	(DOUTRINA)
O	Candidato	deve	expor	resumidamente	a	doutrina	acompanhada	de	sua	base
bíblica.Inspiração	e	autoridade	bíblica
Revelação,	inspiração	e	iluminação
A	Pessoa	de	Deus	e	a	Trindade
Origem	e	natureza	do	homem
Pecado	Original	e	Queda
Os	decretos	de	Deus:	Eleição
A	Doutrina	do	Pacto
Jesus:	Pessoa	e	Obra
Salvação,	Santificação	e	Glorificação
Espírito	Santo:	pessoa	e	obra
A	Igreja:	origem,	natureza	e	missão
Os	Sacramentos:	Batismo	e	Santa	Ceia
A	Segunda	Vinda	de	Cristo
Ressurreição	e	Juízo	Final
Os	Cinco	Pontos	do	Calvinismo
3.	GOVERNO,	DISCIPLINA	E	LITURGIA
O	Candidato	deve	apresentar	conhecimentos	aplicáveis	à	vida	diária	da	Igreja:
Origem	do	Presbiterianismo	no	mundo	e	no	Brasil
Os	Ofícios	e	Concílios	da	IPB
Assembleia	da	Igreja:	tipos	e	competências
As	faltas	e	penalidades	do	Código	de	Disciplina
A	posição	oficial	da	IPB	sobre:	divórcio,	homossexualismo,	ecumenismo,
ordenação	feminina	e	aborto
Os	princípios	litúrgicos	da	IPB	sobre:	o	dia	do	Senhor,	tipos	de	culto,
administração	dos	sacramentos,	benção	matrimonial,	funeral	e	ordenação	de
oficiais
ANEXO	3
TERMO	DE	COMPROMISSO	NA	ORDENAÇÃO
O	Conselho	da	Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros	providenciará	um	livro	em	que
o	recém-ordenado,	logo	após	a	sua	ordenação	e	instalação,	subscreverá	o
compromisso	de	bem	e	fielmente	servir	no	ofício	sagrado.
TERMO	DE	COMPROMISSO
Eu_________________________________________eleito	pela	assembleia	da
Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros,	em	___/___/_____,	para	o	ofício
de___________________,	e	hoje	ordenado	e	instalado	pelo	Conselho	desta
Igreja,	assumo	o	seguinte	compromisso:
Comprometo-me	a	exercer,	com	fidelidade	e	zelo,	o	ministério	que	o	Senhor	me
concedeu,	para	trabalhar	na	Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros.
Creio,	aceito	e	obedeço	a	Bíblia	como	única	regra	de	fé	e	prática.
Aceito	e	me	comprometo	a	ensinar	e	defender	o	sistema	de	doutrina	da	Igreja,
conforme	exposição	da	Confissão	de	Fé	de	Westminster	e	os	Catecismos	Maior	e
Breve.
Aceito	e	me	comprometo	a	cumprir	o	sistema	de	governo	da	Igreja	Presbiteriana
do	Brasil,	os	seus	Princípios	de	Liturgia	e	o	Código	de	Disciplina.
Prometo	obedecer	às	autoridades	da	Igreja	enquanto	elas	permanecerem	fiéis	as
Escrituras	Sagradas.
_________________________________
Oficial
São	Paulo,_______/_______/_________
ANEXO	4
LEITURAS	RECOMENDÁVEIS	PARA	ORDENAÇÃO
A	recomendação	bíblica	é	que	um	oficial	seja	dedicado	à	leitura.	Paulo
recomenda	a	Timóteo:	“Até	a	minha	chegada,	aplica-te	a	leitura,	a	exortação,	ao
ensino”	(1Tm	4.13).
O	Conselho	da	Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros	recomenda	aos	candidatos	ao
ofício	de	presbítero	e	diácono	as	seguintes	leituras:
Bíblia	Sagrada	(leitura	anual)
Confissão	de	Fé	de	Westminster	e	Catecismos	Maior	e	Breve
Manual	Presbiteriano	(Constituição,	Princípios	de	Liturgia	e	Código	de
Disciplina).
Coração	de	PastorJohn	Sittema	–	CEP
O	Chamado	para	Líderes	CristãosJohn	Stott	–	CEP
Teologia	SistemáticaLouis	Berkhof	-	CEP
Os	Pioneiros	Presbiterianos	do	BrasilAlderi	de	S.	Matos	-	CEP
O	Líder	que	Deus	UsaRussel	Shedd	–	Vida	Nova
O	Que	Todo	Presbiteriano	Inteligente	deve	SaberAdão	Carlos	–	SOCEP
Liderança	em	tempos	de	CriseCharles	Swindoll	–	Mundo	Cristão
Redescobrindo	o	Ministério	PastoralJohn	MacArthur,	JR	–	CPAD
O	Sistema	PresbiterianoW.	H.	Roberts	–	CEP
O	Diário	de	SimontonCEP
A	Vida	de	João	CalvinoAlister	McGrath
O	Presbítero	RegenteSamuel	Miller	–	Editora	Os	Puritanos
¹Lidório,	Ronaldo	A.	Teologia,	Piedade	e	Missão:	A	influência	de	Gisbertus
Voetius	na	missiologia	e	no	plantio	de	igrejas.	São	Paulo:	Heziom,	2021,	p.	11
²Autor	desconhecido
³Brown,	Colin	–	O	Novo	Dicionário	Internacional	de	Teologia	do	Novo
Testamento.	São	Paulo:	Edições	Vida	Nova,	1982,	p.	171.
⁴Hendriksen,	W.	Comentário	do	Novo	Testamento:	Romanos.	São	Paulo:	Editora
Cultura	Cristã,	2001,	p.	52.
⁵Wiersbe,	W.W.	Comentário	Bíblico	Expositivo.	Novo	Testamento	–	Volume	1.
Santo	André,	SP:	Geográfica	Editora,	2007,	pp.	674-676.
Willard,	Dallas.	A	Grande	Omissão.	São	Paulo:	Editora	Mundo	Cristão,	2008,
pp.18-19.
⁷Boice,	James	M.	O	Discipulado	Segundo	Jesus.	São	Paulo:	Cultura	Cristã,
2001,	p.15.
⁸Hendriksen,	Wiliam.	Comentário	do	Novo	Testamento.	Mateus	–	Volume	2.	São
Paulo:	Cultura	Cristã,	2001,	p.	700.
Lopes,	Hernandes	D.	Mateus:	Jesus	o	Rei	dos	reis.	São	Paulo:	Hagnos,	2019,	p.
821.
¹ Para	conhecer	de	forma	mais	detalhada	esses	princípios,	veja:	Casimiro,	Arival
D.	Plante	Igrejas.	Princípios	Bíblicos	para	Plantação	e	Revitalização	de	Igrejas.
Santa	Barbara	do	Oeste,	SP:	Z3	Editora,	2012.
¹¹Barclay,	William.	Hechos	de	Los	Apostoles.	Buenos	Ayres:	Associacion
Editorial	La	Aurora,	1974,	p.11.
¹²M.	Tenney	apresenta	informações	interessantes	em	seu	livro:	O	Novo
Testamento:	sua	origem	e	análise,	p.	237-258.
¹³Reisingier,	E.	C.	Today`s	Evangelism:	Its	Message	and	Methods.	Phillipsburg,
Craig	Press,	1982.
¹⁴Reeder,	Harry	L.	A	Revitalização	da	sua	igreja	segundo	Deus.	São	Paulo:
Cultura	Cristã,	2011,	p.	28.
¹⁵Schreiner,	Thomas	R.	Teologia	de	Paulo:	o	apóstolo	da	glória	de	Deus	em
Cristo.	São	Paulo:	Edições	Vida	Nova,	2015,	pp.33-34.
¹ Lopes,	Hernandes	D.	1	e	2	Tessalonicenses	–	Como	se	preparar	para	a	segunda
vinda	de	Cristo.	São	Paulo,	Hagnos,	2008,	pp.50-51.
¹⁷	Lopes,	Hernandes	D.	1	e	2	Tessalonicenses	–	Como	se	preparar	para	a
segunda	vinda	de	Cristo.	São	Paulo,	Hagnos,	2008,	pp.	54-57.
¹⁸Símbolos	de	Fé	de	Westminster.	São	Paulo:	Cultura	Cristã,	2018,	p.	87.
¹ Wiersbe,	W.W.	Comentário	Bíblico	Expositivo.	Antigo	Testamento,	Volume	II
–	Histórico.	Santo	André,	SP,	Geográfica	Editora,	2006,	pp.615-620.
² Lopes,	Hernandes	D.	Neemias:	o	líder	que	restaurou	uma	nação.	São	Paulo:
Hagnos,	2014,	pp.	31-37.
²¹Bíblia	da	Liderança	Cristã.	Barueri,	SP:	Sociedade	Bíblica	do	Brasil,	2007,	pp.
430-431.
²²Berkhof,	Louis.	Teologia	Sistemática.	Campinas:	LPC,	1996,	p.	590.
²³Calvino,	João.	As	Institutas	da	Religião	Cristã.	São	Paulo:	Editora	Cultura
Cristã,	2006.	p.	71,	vol.	4
	Cover Page
	A Grande Comissão
	Prefácio
	Introdução
	1. O EVANGELHO, A EVANGELIZAÇÃO E O EVANGELISTA
	2. DISCIPULADO CONTÍNUO
	3. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA
	4. O PLANTADOR DE IGREJAS
	5. MANUAL PARA PLANTAÇÃO DE IGREJAS
	6. DEUS USA PESSOAS PARA REVITALIZAR SUA IGREJA
	Conclusão
	Bibliografia
	Anexo 1 - O manual do Oficial
	Anexo 2 - Questionário de ordenação
	Anexo 3 - Termo de compromisso na ordenação
	Anexo 4 - Leituras recomendáveis para ordenação

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