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Sumário Prefácio Introdução 1. O EVANGELHO, A EVANGELIZAÇÃO E O EVANGELISTA 2. DISCIPULADO CONTÍNUO 3. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA 4. O PLANTADOR DE IGREJAS 5. MANUAL PARA PLANTAÇÃO DE IGREJAS 6. DEUS USA PESSOAS PARA REVITALIZAR SUA IGREJA Conclusão Bibliografia Anexo 1 - O manual do Oficial Anexo 2 - Questionário de ordenação Anexo 3 - Termo de compromisso na ordenação Anexo 4 - Leituras recomendáveis para ordenação Landmarks Cover Copyright ©2023, de Arival Dias Casimiro Publicado pela Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei n.º 9.610, de 19/2/1998. Diretor editorial: Arival Dias Casimiro Diretor executivo: João Gabriel Novais Preparação: Lucas Vasconcellos Freitas Revisão: Fabiana Lopes Coordenação de Projeto Gráfico: Fernanda Lopes Diagramação: Tiago Elias Capa: Design do Alto As citações bíblicas foram extraídas da Almeida Revista e Atualizada. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (BENITEZ Catalogação Ass. Editorial, MS, Brasil) C332g Casimiro , Arival Dias 1.ed. A grande comissão : princípios bíblicos para plantação e revitalização de igrejas / Arival Dias Casimiro ; ilustração Design do Alto. – 1.ed. – São Paulo : Editora Heziom, 2023. 128 p.; 13,7 x 20,9 cm. ISBN : 978-65-84686-39-7 1. Igrejas – Crescimento. 2. Igrejas - Revitalização. 3. Líderes – Aspectos religiosos – Cristianismo. 4. Missão cristã. 5 Pastores – Ministério cristão. 6. Princípios bíblicos. I. Design do Alto. II. Título. 04-2023/139 CDD 248.4 Índice para catálogo sistemático 1. Igrejas cristãs : Princípios bíblicos 248.4 Bibliotecária responsável: Aline Graziele Benitez CRB-1/3129 Editora Heziom é uma marca licenciada à Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros. Todos os direitos reservados à Associação Editora Presbiteriana de Pinheiros. Av. Dra. Ruth Cardoso, 6151 - Pinheiros CEP: 05477-000 — São Paulo — SP Telefone: (11) 91005-4482 Site: www.editoraheziom.com.br SUMÁRIO Prefácio Introdução 1. O EVANGELHO, A EVANGELIZAÇÃO E O EVANGELISTA 2. DISCIPULADO CONTÍNUO 3. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA 4. O PLANTADOR DE IGREJAS 5. MANUAL PARA PLANTAÇÃO DE IGREJAS 6. DEUS USA PESSOAS PARA REVITALIZAR SUA IGREJA Conclusão Bibliografia Anexo 1 - O manual do Oficial Anexo 2 - Questionário de ordenação Anexo 3 - Termo de compromisso na ordenação Anexo 4 - Leituras recomendáveis para ordenação PREFÁCIO O tema tratado pelo Rev. Arival Dias Casimiro nesse precioso livro é resultado não apenas do seu conhecimento teológico, mas também de sua experiência pessoal. Rev. Arival é um plantador de igrejas, apaixonado por Jesus, por sua Palavra e pela igreja de Cristo. Dividindo a temática em seis capítulos, o Rev. Arival nos apresenta três assuntos que fazem parte de um mesmo processo: evangelização, discipulado e plantação de igrejas. Também dá atenção ao plantador de igrejas de forma específica, e conclui com uma abordagem sobre revitalização e fortalecimento de igrejas locais. O livro inteiro se fundamenta em uma perspectiva teológica e prática da singularidade e centralidade de Jesus Cristo. Jesus é único como Redentor, Senhor da igreja e Governador do universo. Não há outro caminho, outra verdade e nenhum outro meio de vida. A singularidade de Jesus Cristo deve encher nossos sermões e guiar nossas vidas. Além de singular, Jesus também é central. Ele é central na vida dos plantadores, na apresentação do evangelho e no discipulado, e também nas igrejas plantadas. Tudo deve ser feito debaixo de sua autoridade, segundo o seu ensino e para a sua glória. Esse livro, portanto, convida à uma reflexão mais profunda. Trata-se, não apenas de estabelecer e desenvolver projetos de plantação e multiplicação de igrejas, mas de buscar uma vida construída pela fidelidade bíblica, seguindo de perto a Cristo, e manifestando os frutos da fé em nossas vidas e ministérios.Assim, somos chamados a retirar o foco de nós mesmos para que seja Cristo glorificado em nossas vidas. Deus o chamou para seguir a Jesus. Assim, o seu primeiro chamado não é fazer, realizar ou conquistar. O seu primeiro chamado é ser transformado em seguidor de Cristo, chamado esse que jamais expira. Mas Deus também o chamou a frutificar. Dessa forma, suas ações devem representar de forma clara a sua fé. Se verdadeiramente cremos que a missão da igreja é fazer Jesus Cristo conhecido perto e longe, nenhuma outra tarefa deve preencher mais nosso coração, energia e tempo, a não ser aquela que colabora para que a missão seja cumprida. Gisbertus Voetius, primeiro missiólogo protestante (séc. 17) afirmou que a igreja de Cristo é ‘Vocatio et Missio’,¹ ou seja, simultaneamente chamada e enviada. Segundo ele, a igreja é chamada por Deus para a salvação em Cristo Jesus, e enviada por Deus para a missão em Cristo Jesus. Se é igreja, é missionária. Assim, seguir a Jesus e proclamar o Seu Nome é tanto nosso chamado quanto nossa missão. E devemos nos lembrar que há motivos teológicos, eclesiológicos e estratégicos para a plantação de igrejas. Teológicos, pois é desejo de Deus que a salvação em Cristo Jesus seja conhecida entre todos os povos da terra. Motivos eclesiológicos, pois é da natureza da igreja se multiplicar, vendo outras igrejas locais surgindo a partir da comunhão misturada com a missão. E motivos estratégicos, pois plantar igrejas é possivelmente a forma mais eficaz de assegurar que o evangelho permanecerá enraizado por várias gerações em uma cidade, um povo ou uma nação. Minha oração é que esse livro seja usado pelo Senhor para despertar o seu coração para o pleno envolvimento com esse que é um dos nossos maiores privilégios, e também um dos nossos maiores desafios: fazer Cristo conhecido entre todos os povos da terra. Rev. Ronaldo Lidório INTRODUÇÃO A obra missionária de Deus é o maior empreendimento da história. Ela é maior em sua origem, pois foi planejada antes da fundação do mundo e executada dentro da história pelo Deus Onipotente. É maior pelo seu propósito de salvar pecadores, libertando-os da escravidão do pecado, da morte e do Diabo. É maior em sua extensão geográfica, pois alcança pessoas de toda tribo, língua, povo e nação. E, por fim, é maior por conta da sua produtividade pois os seus resultados durarão por toda a eternidade. “Se você deseja plantar algo que dure uma semana, plante hortaliças; se você quer plantar algo que dure uma estação, plante flores; se você aspira plantar algo que dure uma vida, plante árvores; mas, se você busca plantar algo eterno, plante uma igreja”.² Evangelizar, discipular e reunir pessoas em igrejas locais é o trabalho mais fascinante dessa vida. Ser escolhido por Deus para trabalhar nessa obra é a maior honra que um pecador como eu pode ter. Ganhar almas para Jesus é uma experiência indescritível. A alegria de ganhar uma alma é uma felicidade celestial. John Henry Jowett diz: “Quando ganhamos uma alma ficamos possuídos de paixão por elas. Ganhe uma e você desejará uma multidão”. O ato de ganhar uma vida para Jesus já é uma recompensa maravilhosa. Matthew Henry diz: “Sinto maior alegria em ganhar uma alma para Cristo do que em ganhar montanhas de prata e ouro para mim mesmo”. Nossa alegria até morrermos será ganhar almas para Jesus. A salvação de pecadores é a nossa ocupação até Deus nos chamar. Devemos realizar essa obra de acordo com os princípios estabelecidos na Palavra de Deus. Como dito por William Penn, “o que é certo é certo, mesmo que todo o mundo seja contra ele; e o que é errado é errado, mesmo que todo o mundo seja a favor dele”. Devemos realizar a obra missionária fundamentados na Bíblia. Não adianta querer fazer a obra de Deus se não for do jeito dele. Precisamos nos submeter à soberania de Deus e aosprincípios que ele nos dá, em sua Palavra. A missão é de Deus e não minha. Nesse livro, reunimos alguns princípios bíblicos que temos usado na execução da obra missionária. O nosso propósito é compartilhar esses princípios na expectativa de que serão úteis para os leitores. Quando a fidelidade a Deus se torna mais difícil, ela é mais necessária. Arival Dias Casimiro O EVANGELHO, A EVANGELIZAÇÃO E O EVANGELISTA “Quando os cristãos evangelizam, não estão empenhando-se em algum passatempo agradável e inofensivo, mas, sim, em uma luta terrível, cujos resultados são eternos.” Leon Morris “O evangelho não cai das nuvens como chuva, por acidente, mas é levado pelas mãos dos homens para onde Deus o enviou.” João Calvino Para realizarmos o trabalho de um evangelista, precisamos saber o que é o evangelho, qual é o nosso papel, e a quem devemos evangelizar. O evangelho de Jesus Cristo é a maior e mais necessária mensagem que esse mundo precisa receber. O evangelho traz as boas novas de grande alegria vindas do céu. É o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer. É graça, paz, salvação e reconciliação. É sobre Deus, sobre o reino e sobre a gloriosa proclamação de Cristo, que traz vida e imortalidade. O próprio Jesus usou o termo “evangelho” (euangelion) para descrever sua mensagem. “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14-15). Jesus é o autor, o mensageiro e o conteúdo da mensagem do evangelho. E isto não é uma invenção humana, como testemunha Paulo: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.11-12). O evangelho se origina em Deus, e não é a mensagem do homem sobre Deus, mas de Deus sobre a salvação dos homens. O evangelho não pode ser separado da evangelização ou da sua proclamação. O evangelho não é uma discussão nem um debate. É uma proclamação. A palavra “evangelho” (gr. euangelion) significa também “a pregação do evangelho”: “E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt 9.35). A palavra “pregando” (gr. kerissen, Gl 2.2) significa proclamar, anunciar e divulgar publicamente. Outras palavras acompanham a pregação do evangelho: anunciar por completo ou totalmente (gr. diangellô, Lc 9.60); proclamar, declarar abertamente ou em voz alta, de forma intensa (gr. katagellô, At 13.5, 38); anunciar ousadamente em meio às dificuldades (gr. lalein, 1Ts 2.2). O evangelho possui em si mesmo o poder de criar a fé, de trazer a salvação promovendo a vida, e também o juízo para quem o ouve. Ele transforma a vida do homem e cria igrejas locais.³ Mas isso só vai acontecer se o evangelho for proclamado. A igreja que não evangeliza não é obediente. Recusar-se a evangelizar é tão pecaminoso quanto cometer adultério ou homicídio. A missão de evangelizar o mundo é a única razão para estarmos na terra. A pessoa que proclama o evangelho é chamada de “evangelista”. “No dia seguinte, partimos e fomos para Cesareia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele” (At 21.8). A palavra “evangelista” (gr. euangelistês) é um termo para aquele que proclama o evangelho. No contexto da igreja primitiva, o evangelista era um pregador que não tinha residência fixa particular, mas viajava como missionário, evangelizando e fundando novas igrejas. Filipe foi um evangelista eficaz e o responsável por plantar a igreja em Samaria (At 8.4-8). Evangelizar também é considerado um dom espiritual que deve ser usado para a edificação da igreja. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12). O evangelista é, portanto, alguém capacitado por Deus para a edificação da sua igreja. “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2Tm 4.5). Filipe era diácono por ofício, assim como Estevão, mas ambos realizaram o trabalho de proclamação do evangelho. Timóteo era pastor ordenado pelo presbitério e realizava o trabalho de pregar o evangelho (1Tm 4.14). Se levarmos em consideração os textos da grande comissão, todo cristão é um evangelista, um missionário e uma testemunha do evangelho. Vejamos o exemplo do que aconteceu em Antioquia. Com a perseguição religiosa, houve uma dispersão e os crentes saíram por toda parte pregando o evangelho. A maioria pregava o evangelho somente para os judeus, mas uma minoria resolveu pregar também aos gentios. Lucas narra: “Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor.” (At 11.20-21). Deus usa cada crente para anunciar o evangelho a fim de que novas pessoas sejam convertidas ao Senhor. Uma grande e magnífica igreja nasce em Antioquia, pela instrumentalidade de crentes que resolveram pregar o evangelho. Todo crente é um evangelista. Após essa introdução, faremos um estudo expositivo de Romanos 1.1-17. O EVANGELHO DA BOA NOTÍCIA O evangelho é a boa notícia que veio dos céus para a alegria de todos os homens. “O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11). Jesus Cristo veio a este mundo para salvar pecadores. Essa notícia é explicada por Paulo em sua carta aos Romanos. A boa notícia é que Deus tem um remédio para o pecado. O homem pecador pode ser perdoado, a sua culpa pode ser removida e a sua vida preservada para sempre. Os homens nascem em pecado e escravidão, mas Jesus Cristo veio para libertá-los. Trata-se de libertação completa: libertação da ira de Deus, libertação da escravidão de Satanás, libertação da condenação da lei, e libertação da escravidão do pecado para uma vida nova com Deus. Em síntese, Romanos revela o nosso pecado, declara a nossa condenação, mostra a salvação de Deus nos livrando de toda condenação, ensina-nos a ter uma vida vitoriosa, e nos guia em todos os nossos relacionamentos. 1. O PROCLAMADOR DA BOA NOTÍCIA Antes de proclamar a boa notícia, Paulo apresenta o seu cartão de visita ou as suas credenciais: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Observe três detalhes importantes sobre Paulo. Primeiro, ele é um servo de Cristo Jesus. A palavra usada em grego para servo é doulos, que significa escravo, alguém sem vontade própria que vive exclusivamente para o seu senhor. No império Romano havia cerca de sessenta milhões de escravos. Cada escravo era visto como uma propriedade, e não como uma pessoa. William Hendriksen comenta que “do escravo era requerida submissão absoluta a seu dono e total dependência dele, como também o domínio do dono sobre o seu escravo e a irrestrita autoridade sobre ele”.⁴ Em outra epístola, Paulo amplia esse conceito de “servo”: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4.5). A palavra “servo” (gr. doulos) recebe um adendo: “por amor de Jesus”. Essa expressão aponta para o escravo que recebia a sua alforria, mas que continuava servindo ao seu senhor. Paulo recebe a sua liberdade em Jesus Cristo e passa a servi-lo por amor. O que Paulo quer nos ensinar com esse título de servo? Todo cristão é um evangelista que se submete totalmente ao Senhor Jesus. Não temos autonomia de pregar outra mensagem e devemos ir onde ele nos enviar. Somos merosinstrumentos nas mãos de Deus para sermos usados como ele quiser. Toda a nossa suficiência procede Dele. Segundo, ele foi chamado para ser apóstolo. Paulo diz “chamado para ser apóstolo”. Ele foi chamado (gr. klêtós) por Deus e para ser enviado ao campo missionário (gr. apóstolos). O termo apóstolo deve ser entendido de duas maneiras. No contexto do ministério de Jesus, o termo se aplica somente aos doze discípulos que foram escolhidos e chamados por ele (Lc 6.12-16). Para ser apóstolo neste sentido, alguém precisava ter sido pessoalmente escolhido por Jesus, ser uma testemunha ocular da ressurreição e estar qualificado para ensinar ou escrever com autoridade divina. Neste sentido ninguém pode ser apóstolo hoje. O outro sentido para a palavra “apóstolo” é de alguém que, após ser chamado por Deus, é enviado para uma missão espiritual. “Missionário” é o termo em latim para “apóstolo”, ou para aquele que foi enviado. Paulo foi chamado para ser crente, chamado para o ministério e chamado para uma missão entre os gentios. “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai- me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre” (At 13.2-4). Ele foi separado, chamado e enviado por Deus juntamente com Barnabé. Paulo nos ensina aqui que todo crente foi chamado por Deus e enviado para uma missão. Cada cristão é um missionário, um evangelista, uma testemunha e um embaixador de Jesus Cristo. Terceiro, ele era separado para o evangelho de Deus. Paulo diz: “separado para o evangelho de Deus”. A palavra “separado” (gr. aphoridzô) significa “colocado a parte para fazer algo”, “selecionado ou indicado”. Ele foi separado por Deus antes mesmo de nascer: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue” (Gl 1.15-16). Preste atenção na sequência: me separou, me chamou e me revelou com o propósito de que eu pregasse a Cristo entre os gentios. Paulo nos ensina aqui que Deus tem o propósito de usar os seus filhos na obra missionária. Em resumo, as credenciais de Paulo são o fato de ele ser um servo de Cristo, um apóstolo, e um crente separado para pregar o evangelho de Deus. Seu exemplo é um padrão ou um modelo para todo evangelista. 2. OS DESTINATÁRIOS DA BOA NOTÍCIA A mensagem do evangelho se destina a toda criatura. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16.15-16). Devemos fazer discípulos para Jesus em todas as nações da terra. “Jesus, aproximando-se, falou- lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18-20). A igreja de Roma provavelmente foi fundada por visitantes romanos que estavam na festa do pentecostes quando aconteceu a descida do Espírito Santo (At 2.10). O Espírito Santo é enviado para que pessoas de todas as nações da terra sejam alcançadas pelo evangelho. Paulo não conhecia pessoalmente os crentes romanos, mas os descreve de forma espiritual em Romanos 1:6-12. Eles são chamados para serem de Jesus (v.6). Eles são os amados de Deus, em Roma (v.7). Eles são chamados para a santificação (v.7). Eles são os receptores da graça e paz de Deus (v.7). Eles são a igreja de Deus, em Roma (v.8). Eles são consoladores espirituais (v.12). Paulo, porém, ensina sobre a depravação total do homem. Todos os homens são pecadores e estão sob a condenação divina (Rm 1.18-3.20). Ele também fala da manifestação, ou da revelação da ira de Deus sobre os pecadores. Primeiro, Paulo destaca o juízo de Deus sobre os gentios (Rm 1.18-32). Eles são ímpios e praticam todo tipo de impiedade, rejeitam a verdade divina e cultuam a criatura no lugar do Criador. Warren W. Wiersbe diz que a trágica degeneração do homem é marcada por quatro estágios: inteligência (1.18-20), ignorância (1.21- 23), imoralidade (1.24-27) e impenitência (1.28-32).⁵ Em segundo lugar, Paulo trata do juízo de Deus sobre os judeus (Rm 2.1-3.8). Os judeus achavam que deveriam ser inocentados por não serem tão maus quanto os gentios. Paulo declara, porém, que os judeus são igualmente culpados diante do Senhor, apesar de todos os privilégios espirituais que receberam de Deus. Paulo conclui o assunto do pecado humano: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado” (Rm 3.9). Ele salienta a universalidade do pecado, pois todos os homens estão sob o pecado. Paulo, então, apresenta o veredicto final: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.19-20). Tanto judeus como gentios são pecadores, e todos são culpados diante de Deus. Ninguém poderá ser declarado justo por obedecer a Lei, pois a função da Lei é mostrar o quanto somos pecadores, impotentes para agradar a Deus. Todos os homens são pecadores e necessitam da graça de Deus para serem salvos. 3. A NATUREZA DA BOA NOTÍCIA O evangelho é a boa notícia que veio do céu. São as boas novas de grande alegria. Evangelização é um mendigo contando a outro onde encontrar pão. Paulo, que foi alcançado pelo evangelho, enriquece e amplia o significado do termo. Primeiro, ele é o evangelho de Deus (Rm 1.1). O evangelho é a mensagem de Deus e fala sobre Deus. A divindade é, ao mesmo tempo, a fonte e o conteúdo do evangelho. Deus é a palavra mais importante nesta carta. O evangelho vem de Deus e nos leva para Deus. Nosso Deus é um Deus missionário. A evangelização não é um empreendimento humano, mas uma operação divina e sobrenatural. Segundo, ele é o evangelho antigo (Rm 1.2). O evangelho foi prometido por Deus: “O qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (Rm 1.2). O evangelho não é uma novidade, um conjunto de ideias que surgiu de uma hora para outra. Ele foi revelado progressivamente por Deus aos profetas e confiado aos apóstolos. Ele é o evangelho do antigo testamento e do novo testamento, atestado pelas Escrituras. Ele é o evangelho de Deus, a boa notícia do próprio Deus para um mundo perdido. Terceiro, ele é o evangelho de seu Filho (Rm 1.3-5, 9). O evangelho de Deus é o evangelho de seu Filho. O conteúdo do evangelho é Jesus, que veio segundo a carne e segundo o espírito. Ele era verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, semente de Davi e Filho de Deus. Ele viveu o estado de humilhação e de exaltação. E o alvo do evangelho é exaltar a Cristo. O evangelho reúne os fatos históricos relacionados à morte e a ressurreição de Cristo, segundo as Escrituras (1Co 15.1-8). Pregar o evangelho é proclamar quem é Cristo e aquilo que ele fez, conforme as Escrituras. Quarto, ele é o evangelho para todos os povos e nações (Rm 1.5). O evangelho tem como alvo alcançar todas as nações. “Por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios” (Rm 1.5). Paulo entende que por meio do evangelho, pessoas de todo o mundo serão chamadas à obediência pela fé. Na Grande Comissão, Jesus mandou que fizéssemos discípulos de todas as nações. Devemos pregar o evangelho a toda criatura. Quinto, ele é o evangelho poderoso (Rm 1.16). “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm1.16). A palavra “poder” (gr. dinamis) dá origem à palavra “dinamite” que, negativamente, indica destruição. Mas, o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A palavra “poder” enfatiza o aspecto positivo do evangelho em libertar o homem da escravidão do pecado, do domínio do diabo e do temor da morte. Não existe poder libertador que se compare ao poder da cruz: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co 1.18). Sexto, ele é o evangelho para ser apropriado (Rm 1.17). “Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17). Há uma diferença fundamental entre a justiça humana e a justiça de Deus. Uma pessoa quando procura estabelecer a sua própria justiça defende que é merecedora da sua salvação, por méritos próprios. Os judeus achavam que Deus tinha a obrigação de salvá-los. Eles rejeitaram a justiça de Deus, recebida por meio da fé, pelos méritos de Cristo. “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela” (Rm 10.4-5). Paulo afirma que o fim da lei é Cristo para a justificação de todo aquele que crê. Jesus cumpriu plenamente a lei de Deus, em nosso lugar (Mt 5.17), e o propósito ou o objetivo da lei é conduzir o pecador a Cristo. “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé” (Gl 3.24). A lei revela quanto eu sou pecador e me faz recorrer à graça de Cristo. A justiça de Jesus Cristo nos é revelada pelo evangelho. Ela é a nossa absolvição completa e final. Precisamos vivê-la pela fé. Ela é revelada e declarada através do evangelho. O justificado é a pessoa que, por causa da absolvição de toda e qualquer condenação, passa a viver uma vida de plena liberdade espiritual. Ele passa a viver pela fé. Para Jesus, a fé significa o estar aberto às possibilidades de Deus. É a antítese entre o pequeno e o grande, entre o homem e Deus. Para Paulo, a fé significa o recebimento da mensagem da salvação e uma conduta ou comportamento de acordo com o evangelho. É explicitamente uma fé salvadora, baseada na obra de Jesus Cristo. Esta fé é um dom de Deus. Em síntese, Paulo ensina quatro lições: A origem do evangelho é o evangelho de Cristo; a natureza do evangelho é o poder de Deus; o efeito do evangelho é a salvação do pecador; o alcance do evangelho é para todo aquele que crê. DISCIPULADO CONTÍNUO “Graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, batismo sem disciplina eclesiástica, comunhão sem confissão, absolvição sem confissão pessoal. Graça barata é a graça sem discipulado, graça sem cruz, graça sem o Jesus Cristo vivo e encarnado.” Dietrich Bonhoeffer “O maior desafio que a igreja enfrenta hoje é a formação de discípulos autênticos de Cristo.” Dallas Willard Olhando para a Bíblia e observando os movimentos de plantação de igrejas eficazes em andamento no mundo, notamos alguns princípios universais: oração incessante e fervorosa; direção e dependência do Espírito Santo; total submissão à autoridade da Bíblia; semeadura abundante (pregação e ensino da Palavra, distribuição de literatura bíblica); discipulado pessoal e em pequenos grupos; visitação de casa em casa; treinamento de liderança leiga; urgência missionária com disposição de pagar o preço; e igrejas plantando novas igrejas. Destacaremos aqui o discipulado. “Fazei discípulos” é o imperativo de Jesus à toda sua igreja na Grande Comissão. Esta ordem não é para ser discutida, mas obedecida. Ela é divina, intransferível e honrosa. A formação de um discípulo abrange toda a sua vida, após a sua conversão. “Salvação sem discipulado é graça barata”. Discipulado não é um curso, mas uma identidade espiritual. Juan Carlos Ortiz declara: “Discípulo é a pessoa que aprende a viver a vida que seu mestre vive. Discipulado é mais do que conseguir conhecer o que o mestre conhece. É conseguir ser o que ele é”. Fazer um discípulo significa produzir uma cópia de Jesus Cristo. Por consequência, plantar igreja é fazer discípulos para Jesus e ajuntá-los numa igreja local. Plantar uma igreja é formar e treinar pessoas para seguirem a Cristo, ensinando-as a guardar tudo o que Ele ensinou (Mt 28.18-20). É enxertar e regar a Palavra de Deus na vida das pessoas pelo poder do Espírito Santo (1Co 3.6-9). É trabalhar para que Cristo seja formado nas pessoas (Gl 4.19). Plantar uma igreja é trabalhar árdua e exaustivamente para que as pessoas alcancem a maturidade espiritual (Cl 1.28-29). Fazer discípulos para Jesus é o trabalho de toda igreja, o tempo todo e até ele voltar. Dallas Willard afirma que “o maior desafio que a igreja enfrenta hoje é a formação de discípulos autênticos de Jesus”. Hoje, as pessoas são chamadas a aceitar a Cristo como seu Salvador pessoal, mas dispensadas de uma vida de compromisso, aprendizagem e obediência a Jesus. É como se fosse possível ter Jesus como Salvador, mas não como Senhor. James M. Boice declara que há um defeito fatal na vida da igreja hoje: a falta de discipulado genuíno.⁷ O nosso propósito neste capítulo é apresentar princípios bíblicos para o trabalho de fazer discípulos para Jesus e plantar novas igrejas. 1. A ORDEM DE JESUS: FAZEI DISCÍPULOS No último encontro com os seus discípulos aqui na terra, Jesus dá uma ordem para sua igreja: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18-20). Essa ordem é chamada de “Grande Comissão”. O que há de tão grande nela? Primeiro, ela é grande em sua autoridade. Jesus diz: “toda a autoridade me foi dada”. A palavra “autoridade” (gr. eksousia) significa “poder”, “domínio” e “governo” sobre tudo e todos. Na condição de Criador, Jesus tem o direito original sobre todas as coisas (Cl 1.16-17). Como Redentor, a sua autoridade se expande e se aprofunda. A origem dessa autoridade é Deus, Pai. A consumação dessa autoridade se dá “no céu e na terra”. A referência ao céu significa que Jesus domina todas as forças e potestades espirituais, do bem e do mal. Ele é o Senhor nas hostes espirituais. Ele tem as chaves da morte e do inferno. Na terra, ele governa sobre tudo e todos. Ele tem autoridade sobre todas as pessoas, todas as nações e toda a sua igreja. Somente por causa dessa autoridade plena poderemos ter sucesso no céu e na terra. Somente por isso poderemos cumprir a missão com eficácia entre as nações e contra as potestades do mal, no poder de Jesus. Segundo, ela é grande em seu conteúdo. A expressão “portanto” atrela as ordens que vem na sequência à autoridade de Jesus: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:19-20). William Hendriksen diz: “Vão: porque seu Senhor o ordenou; porque ele prometeu comunicar a força indispensável; e porque ele é digno da homenagem, da fé e da obediência de todos os homens”.⁸ O cerne da grande comissão é fazer discípulos mediante o batismo e o ensino. “Fazei discípulos” (gr. matheosate) é o imperativo que significa fazer um “aprendiz” ou um “aluno”. Todos os verbos estão no gerúndio, mas “fazei discípulos” é uma ordem e não uma opção. Hernandes Dias Lopes comenta: “Fica claro que Jesus não mandou fazer fãs. Quem precisa de fã são os artistas. Jesus não mandou fazer admiradores. Os atores e jogadores de futebol é que buscam admiradores. Jesus não mandou apenas evangelizar e ganhar almas, abandonando os bebês espirituais. Ele quer discípulos. Jesus não mandou recrutar crentes e encher as igrejas de pessoas. Ele quer convertidos maduros.” Fazei discípulos, “batizando-os” em nome da Trindade. Observe o singular “em nome” ou batizarem nome de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. O batismo simboliza e sinaliza a regeneração e a remissão de pecados (At 2.38; 22.16). O batismo é com água, não sendo determinada a quantidade ou a forma batismal (imersão ou aspersão). O batismo é único e irrepetível (Ef 4.5). O batismo é um ato que integra o novo crente à igreja ou ao corpo de Cristo (At 2.41; 1Co 12.13). A expressão “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” nos revela que o processo dura a vida inteira. O verbo “ensinar” (gr. didaskalos) significa “instruir com o objetivo de transmitir conteúdo doutrinário”. O infinitivo “guardar” indica que a instrução é para ser encarnada e praticada. Além disso, o professor deve instruir sobre aquilo que Jesus ordenou, e não sobre o que ele mesmo deseja ensinar. Discípulo não é alguém que já aprendeu, mas que está aprendendo sempre. Os dias de escola do verdadeiro cristão nunca se acabam. Terceiro, ela é grande em sua extensão. Jesus disse: “fazei discípulos de todas as nações”. A palavra “nação” (gr. ethnos) significa “uma raça ou pessoas com os mesmos hábitos, uma tribo”. Há nações hoje que são formadas por várias etnias que precisam ser evangelizadas. Não é somente para os judeus, mas para todas as nações ou todos os gentios. A extensão da missão está relacionada à obra expiatória de Jesus Cristo. “E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (Ap 5.9-10). Se Jesus comprou com o seu sangue pessoas de todas as tribos, línguas, povo e nação, devemos evangelizar todas as nações. Em Marcos, Jesus diz: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Essa mensagem começou a ser pregada em Jerusalém e deve chegar até os confins da terra. Jesus só voltará quando o evangelho for pregado a todas as nações da terra. Quarto, ela é grande em seu conforto. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Isso não é uma promessa, mas um fato. O pronome “eu” é escrito separadamente para ser enfático. Jesus está dizendo: “eu estou enviando vocês e eu estarei pessoalmente com vocês”. Trata-se de um acompanhamento pessoal. Também é um fato constante: “todos os dias até o fim do mundo”. Ele está conosco sempre, nos dias bons ou ruins, nas alegrias ou tristezas, nas vitórias ou derrotas. A presença de Jesus gera proteção, direção, poder, conforto, encorajamento, paz e certeza de vitória. A Grande Comissão é uma missão para toda a sua igreja. Todo cristão é um missionário. Todo salvo é um enviado para pregar o evangelho a toda criatura. A expressão “até a consumação do século” indica que Deus tem um plano para a sua igreja na história: missões. 2. A ESTRATÉGIA: TREINAMENTO DE DISCIPULADO Todo pastor, evangelista, missionário e cristão deve ser guiado por um conceito muito claro do que é a igreja. Precisamos saber biblicamente o que é a igreja e para que ela existe aqui na terra. “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.14-15). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1Pe 2.9-10). Faça algumas perguntas básicas: Por que e para que Deus me salvou e me colocou na sua Igreja? Qual é o meu propósito dentro do propósito maior da Igreja? O que devo fazer no ministério para que a Igreja possa cumprir a sua missão? A resposta que dou como pastor é que a essência do ministério pastoral é ajudar o crente a ser igual a Jesus, no caráter e nas ações. O progresso ou a maturidade espiritual dos crentes é o propósito do ministério pastoral. Paulo revela esse conceito de forma magistral na sua carta aos Efésios, levantando três pontos importantes: Primeiro, a origem dos dons. “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas” (Ef 4.7-10). Segundo, os dons ministeriais e os seus propósitos. “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.11-14). Terceiro, o envolvimento dos membros no crescimento do corpo ou da igreja. “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef 4.15-16). Outro texto fundamental para compreender a questão do progresso espiritual do crente como foco do ministério pastoral é Colossenses 1.28-29. “O qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim”. Nessa passagem vemos alguns pontos que delineiam a ação do ministério pastoral nessa empreitada. Primeiro, o propósito: ajudar cada crente a ser igual a Jesus Cristo, no caráter e nas ações. A palavra “perfeito” (gr. teleios) significa “atender ao padrão mais elevado”, “ser maduro ou alcançar a maturidade” e “ser completamente desenvolvido no sentido moral”. A essência do discipulado é ser igual a Cristo no pensamento, na emoção, na vontade, e nos relacionamentos e atitudes. Segundo, a estratégia: pregação e ensino equivalem a discipulado. Somente quando o discipulado é fundamentado na Bíblia é que o homem de Deus pode ter seu caráter aperfeiçoado e se torna perfeitamente habilitado para realizar a obra de Deus (2Tm 3.16-17). Terceiro, o preço a ser pago: fadiga e esforço extenuante. A palavra denota uma competição, um conflito agonizante e um empenho ardente e laborioso (Lc 13.24). Quarto, a capacitação: o poder de Deus. A força motriz do discipulado é o poder do Espírito Santo operando de forma eficaz. Concluindo, o que é o treinamento de discipulado? É uma ação prática aplicada a fim de atingir um propósito ou padrão definido. O treinamento precisa ter um alvo, um método específico, um lugar adequado e uma grande expectativa de resultados decorrentes desse processo. O propósito final do treinamento é conduzir o crente a ser semelhante a Jesus, no caráter e na vida. Cada crente precisa se tornar maduro, perfeitamente equipado para toda boa obra, através do ensino da Palavra e no poder do Espírito Santo. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17). Para isso, não há outro caminho a não ser estudar a Palavra de Deus. É preciso se dedicar ao estudo, de forma metódica, individualmente e em grupos. Precisamos nos debruçar sobre temas específicosda Palavra de forma aprofundada e consistente. “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.13-14). Ser cristão é ser um discípulo ou um aprendiz eterno de Jesus. E o maior desafio que a Igreja enfrenta hoje é a formação de discípulos autênticos de Jesus Cristo. Ele nos ordenou a fazer discípulos e precisamos empreender todo esforço nesse propósito. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA “A igreja nada tem a fazer, a não ser salvar almas; portanto, deve gastar e ser gasta nesta obra. Não lhe é requerido falar tantas vezes, mas salvar tantas almas quanto puder, levar ao arrependimento tantos pecadores quanto possível.” John Wesley “A igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual ele nos escolheu. A igreja é a única sociedade no mundo que nunca perde nenhum de seus membros, nem mesmo pela morte.” J. Blanchard O livro de Atos dos Apóstolos é o manual inspirado pelo Espírito Santo para promover o crescimento da igreja até Jesus voltar. O livro de Atos foi escrito por Lucas, por volta de 70 d.C., provavelmente da cidade de Roma. Lucas era médico (Cl 4.14) e acompanhou a Paulo a partir da segunda viagem missionária (At 16.10-17) e ficou com o apostolo até a sua morte (2Tm 4.11). A pergunta que precisa ser feita é: qual o propósito de Lucas ao escrever o livro de Atos? Toda a interpretação correta pela hermenêutica bíblica começa com a compreensão do propósito do autor. Pelas evidências internas, Lucas declara que o seu objetivo em Atos era continuar narrando, para um homem chamado Teófilo, o ensino e as obras realizadas por Jesus: “Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas” (At 1.1-2). No estudo de Atos, concluímos que há um duplo propósito. O primeiro é narrar o crescimento da igreja para nos ensinar o princípio do crescimento. Toda igreja local deve crescer onde ela estiver até os confins da terra. O versículo chave é: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, com em toda a Judéia e Samaria, até aos confins da terra” (At 1.8). Observe que este versículo serve como esboço para o conteúdo do livro de Atos: (1) o evangelho se propagando por toda Jerusalém e Judéia nos capítulos 1-7; (2) o evangelho se propagando por Samaria e regiões vizinhas nos capítulos 8-12; (3) o evangelho se propagando em terras distantes nos capítulos 13-28. O segundo propósito de Atos é oferecer aos seus leitores um “manual bíblico de missões”, inspirado pelo Espírito Santo, para orientar o crescimento da igreja, em todos os lugares e em todas as épocas, até a volta de Cristo.¹ Se colocarmos em prática esses princípios, Deus certamente promoverá o crescimento da igreja em que congregamos ou que pastoreamos. O PRINCÍPIO ESPIRITUAL DO CRESCIMENTO Lucas não era um historiador, mas um médico que se dedicou à obra missionária. O seu livro poderia ser considerado um diário missionário. Entretanto, Lucas deixa explícita no texto a sua intenção de nos oferecer o princípio do crescimento da igreja. É natural que a igreja de Cristo cresça por meio da evangelização e da plantação de novas igrejas. William Barclay declara que o livro de Atos se divide em seis partes, com cada uma delas terminando com um resumo de crescimento: Atos 1.1-6.7 – o crescimento da igreja em Jerusalém, que finaliza com um resumo: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (At 6.7). Atos 6.8-9.31 – o crescimento da Igreja em Samaria e Judéia, que termina com o resumo: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At 9.31). Atos 9.32-12.24 – o crescimento da igreja entre os gentios, em Cesareia e Antioquia, que se encerra com o resumo: “Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (At 12.24). Atos 12.25-16.5 – o crescimento da igreja na Ásia Menor, principalmente, na Galácia, que finaliza da seguinte forma: “Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (At 16.5). Atos 16.6-19.20 – o crescimento da igreja na Europa, em grandes cidades, que finaliza da seguinte forma: “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20). Atos 19.21-28.31 – o crescimento da igreja em Roma com a chegada de Paulo, que termina assim: “Pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo” (At 28.31).¹¹ Fica clara a intenção de Lucas de apresentar a evolução da igreja em números. Na primeira reunião, cento e vinte pessoas estavam presentes (At 1.15). No sermão de Pedro, após o Pentecostes, quase três mil foram batizadas (At 2.41). Pouco tempo depois, muitas conversões aconteceram, chegando a um número de quase cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças na igreja em Jerusalém (At 4.4). Daí por diante, Lucas vai usar expressões para descrever o crescimento da igreja tais como “multidão dos que creram” (At 4.32), “multidão de crentes” (At 5.14), “multiplicando o número dos discípulos” (At 6.1-7), “multidões atendiam” (At 8.6), “muitos e muita gente” (At 11.21 e 24), “creu grande multidão” (At 14.1), “numerosa multidão” (At 17.4 e 12), “dezenas de milhares” (At 21-20). Podemos resumir esse princípio de crescimento da Igreja em Atos dos Apóstolos da seguinte maneira: Crescimento Geográfico: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, com em toda a Judéia e Samaria, até aos confins da terra” (At 1.8). Observe que este versículo serve como roteiro geográfico para a obra missionária. De Jerusalém até os confins da terra e de forma simultânea: “tanto em”, “como em” e “até”. A Igreja faz missões locais, regionais e internacionais. Crescimento numérico: “A Igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galileia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At 9.31). A Igreja cresce numericamente quando ela cumpre a sua missão. Crescimento espiritual: “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.41- 42). Observe que os novos convertidos se integram na Igreja de forma plena. Eles perseveram na doutrina, na comunhão, na generosidade e na oração. Havia o temor de Deus em cada novo convertido. Crescimento verdadeiro: “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47). Observe que é Deus quem produz o crescimento saudável da igreja, pois era ele quem acrescentava, diariamente, pessoas salvas a igreja. Trata-se de um crescimento genuíno. Crescimento rápido: “Naqueles dias, levantou-se Pedro no meio dos irmãos (ora, compunha-se a assembleia de umas cento e vinte pessoas) e disse...” (At 1.15). Começando com cento e vinte pessoas a igreja alcançou milhões, em trinta anos. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA É possível estudar o crescimento genuíno e saudável da igreja a partir de Atos dos Apóstolos. Ele é o livro inspirado pelo Espírito Santo. Não busque em outra fonte, não copie modelos ou estratégias de crescimento de igrejas. Merrill C. Tenney declara: “O livro de Atos não é apenas uma história de um dado períododa vida da igreja, é um manual para os cristãos. Exemplifica a administração e a eficácia de uma igreja edificada sobre os princípios que o Espírito Santo ministra”.¹² Ernest C. Reisinger refere-se ao livro de Atos como um “manual divino para o evangelismo” que registra mensagens e métodos apostólicos que a igreja precisa usar hoje.¹³ Por que a Igreja em Atos cresceu tanto e tão rápido? Quais princípios ela seguiu para obter crescimento? Submissão e dependência do Espírito Santo: Antes de enviar a Igreja ao mundo, Deus enviou o Espírito Santo a sua Igreja. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, com em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). A fonte do poder é o Espírito Santo, a natureza do poder é espiritual e o uso do poder é para realizar a missão. A igreja se submete à soberania de Deus de forma prática e inquestionável. No texto de Atos, o Espírito Santo é citado mais de 50 vezes. Ele é Deus, a terceira pessoa da Trindade. Ele é o executivo da obra missionária. Ele capacita a igreja a pregar (At 4.31), converte o coração dos incrédulos (At 11.15-18), separa e envia missionários (At 13.1-3), dirige e conduz a obra missionária (At 16.6-10), produz o caráter cristão (At 6.3 e 5), abre a visão e quebra paradigmas (At 10.19-20; 11.12), constitui liderança na igreja (At 20.28) e consola e encoraja a igreja (At 9.31). Não há melhor evangelista no mundo do que o Espírito Santo. O crescimento da igreja começa com a submissão ao Espírito Santo. Prioridade e foco na sua missão: Qual é a missão da igreja? Em outras palavras: Qual é a tarefa que Deus deu a igreja para ela realizar enquanto estiver neste mundo? A tarefa primordial e intransferível da Igreja é proclamar o evangelho de Jesus Cristo, e reunir os convertidos em igrejas locais. Foi o próprio Jesus quem definiu a tarefa de sua Igreja, na chamada “Grande Comissão” (Mt 28.18-20). A missão da Igreja é de natureza espiritual: pregar, batizar e ensinar. O alvo da missão é alcançar todo o mundo, toda criatura e todas as nações. O versículo chave de Atos é: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, com em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Esse verso resume a missão. Quando uma igreja local deixa de cumprir a sua missão evangelizadora, ela deixa de ser uma igreja evangélica. Ela é tudo, menos a igreja de Deus. Ela pode ter pastor, templo, dinheiro e realizar diversas atividades. Se ela não cumprir a sua missão evangelizadora perde a sua razão de ser ou de existir. A igreja que não evangeliza morre. O oração e trabalho: O terceiro princípio que o livro de Atos nos ensina é que, para a igreja crescer, precisamos de muita oração e muito trabalho. Há no livro mais de trinta referências à oração. Tudo que a igreja fazia era com oração (At 1.12-14; 2.42 e 46; 4.24; 6.4; 8.15; 12.5; 16.13, 16, 25-26). A oração era prioridade para a igreja em Atos, a começar pelos líderes. Não podemos fazer a obra de Deus sem oração. Além de orar, a igreja trabalhava muito. Ela trabalhava todos os dias e Deus dava o crescimento diário (At 2.46-47). E quando a igreja era pressionada a não trabalhar, aí é que trabalhava ainda mais. “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” (At 5.42). Não há crescimento sem oração e trabalho. O homem é o instrumento de Deus para a obra: O livro de Atos narra o agir de Deus por meio das pessoas. “E sereis minhas testemunhas” (At 1.8). O poder do Espírito veio sobre todos para que todos pudessem testemunhar. Os líderes e todo o povo são testemunhas que devem realizar o trabalho missionário (At 5.42; 8.4; 9.20; 11.19-20; 28.31). Deus usa algumas peças-chave, como Pedro e Paulo, mas também pessoas como Estevão, Filipe, Dorcas e muitos outros. John Wesley diz: “Dê-me uma centena de pregadores que nada temem a não ser o pecado, nada desejam a não ser Deus, e não me importa se são clérigos ou leigos; somente tais pessoas abalarão os portões do inferno e estabelecerão o reino dos céus sobre a terra”. Deus quer usar você, meu irmão. Consagre a sua vida a Deus! A pregação é o meio escolhido por Deus para realizar a obra missionária: A pregação é o meio prescrito por Deus para salvar, santificar, encorajar e fortalecer a igreja. Um terço do livro de Atos é constituído de pregações. A palavra de Deus é a semente do reino (Lc 8.11). É a palavra de Deus que gera a vida ou o novo nascimento (Tg 1.18; 1Pe 1.23). Em Atos, há uma relação íntima entre pregação e crescimento. “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam a fé” (At 6.7). “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda a parte pregando a palavra” (At 8.4). “Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (At 12.24). “Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20). Observe que o crescimento da Igreja é o crescimento da palavra, por meio da pregação e do evangelismo pessoal. Se você deseja o crescimento da Igreja ou a sua revitalização espiritual, pregue a palavra. Jesus é o tema da Bíblia e deve ser o assunto principal da pregação. A Igreja cresce quando prega a Cristo. Os sermões em Atos dos Apóstolos destacam a pessoa e a obra de Jesus, com ênfase no seu senhorio: “Esteja absolutamente certa, pois toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2.36). Em Atos, só há dois versículos que falam de Jesus como “Salvador” (At 5.31 e 13.23), enquanto o título “Senhor” aparece em noventa e dois versículos de Atos. Cada Igreja local é uma agência missionária: Aprendemos em Atos, que a igreja local é a responsável pela evangelização e pela plantação de igrejas. A Igreja local deve coordenar o trabalho missionário recrutando, treinando, enviando, sustentando e recebendo relatórios dos missionários. Mesmo que ela busque o apoio denominacional ou de agências e juntas missionárias, a igreja local não deve abrir mão de seu papel. Em Atos, a Igreja pregava e reunia os convertidos em igrejas locais, onde pudessem ser edificados e treinados para o serviço (At 11.19-26; 14.23; 17.1-4; 18.11). Igrejas locais plantam novas igrejas. O livro de Atos pode ser esboçado ou estudado a partir de duas igrejas: (1) A Igreja de Jerusalém – Atos 1.1-11.18 e 12. O seu trabalho missionário começou em Jerusalém e foi até a Judéia e Samaria. Ela foi a mãe de todas as igrejas fundadas nesta região. (2) A Igreja de Antioquia – Atos 11.19-30 e 13-28. O seu trabalho missionário começou em Antioquia e foi até Roma. Ela foi mãe das igrejas transculturais. A doutrina da eleição é a motivação para a obra missionária: A única esperança de êxito na evangelização é a doutrina da soberana eleição divina. Se a doutrina da eleição não existe o nosso trabalho missionário é vão. Esta doutrina está presente em toda a Bíblia, e a sua tese principal é que Deus escolhe aqueles que serão salvos e providencia os meios para salvá-los (Jo 10.27-30; 15.16; 17.3-7; Ef 1.3-14; 2Ts 2.13-14. Rm 9-11). O livro de Atos nos ensina que a obra missionária não acontece num vácuo doutrinário. Pelo contrário, ela é a teologia em ação. “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). O objetivo da eleição de Deus é a salvação do eleito: “e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. O destino ou o alvo da eleição é a vida eterna. A fé não é a causa da salvação, mas consequência da eleição. O verbo destinado significa registrado, ou arrolado, no sentido de ter o nome escrito num livro. Esta ideia aparece no evangelho: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus”(Lc 10.20). Trata-se de uma colocação feita por Jesus que aparece em vários lugares dabíblia (Dn 12.1; Fp 4.3; Hb 12.23; Ap 3.5; 13.8; 20.12, 15; 21.27; 22.19). Paulo realizava o seu ministério motivado pela doutrina da eleição. “Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória” (2Tm 2.10). Ele era um promotor da fé que pertencia aos eleitos de Deus (Tt 1.1; Ef 1.3-14; 2Ts 2.13- 14). O apóstolo Pedro ensina sobre essa doutrina da eleição como algo que envolvia todo o trabalho da Trindade: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1Pe 1.1-2). Neste verso temos três lições sobre a fonte da nossa salvação: Fomos escolhidos pelo Pai, fomos feitos santos pelo Espírito Santo e somos purificados pelo sangue do Filho. O trabalho missionário acontece em meio às tribulações: O livro de Atos poderia ser chamado de “Atos dos Apóstolos na Tribulação”. Paulo foi um dos que mais sofreu na realização do seu ministério. Logo após ser apedrejado e dado como morto em Listra, ele se recuperou e viajou pelas cidades de Derbe, Icônio e Antioquia encorajando os novos crentes: “Fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22). A menção a muitas tribulação indica que a fé não significa imunidade ao sofrimento. Antes de “chegar ao céu”, cada cristão experimentará individualmente muitas tribulações. Portanto, o evangelho em Atos não é o da prosperidade, mas o da tribulação. Vejamos algumas tribulações apontadas em Atos: Pedro e João são presos e proibidos de falar acerca de Jesus (At 4.1-22); Ananias e Safira mentem para prejudicar a unidade da igreja (At 5.1-11); os apóstolos foram açoitados no Sinédrio e proibidos de pregar a Jesus (At 5.17-42); Estevão foi morto por apedrejamento de forma cruel e injusta (At 7.1-60); a igreja é perseguida por Saulo de Tarso, com prisões, agressões e mortes (At 8.1-3); Tiago é assassinado por Herodes e Pedro é preso injustamente (At 12); Paulo e Silas são açoitados e presos covardemente (At 16.19-26); Paulo é preso em Jerusalém (At 21.27-40); Paulo viaja preso para Roma e enfrenta um furacão, um naufrágio (At 27.27-44) e fica em prisão domiciliar em Roma, por dois anos (At 28.30-31). A obra missionária é feita em meio ao sofrimento e o sacrifício para a glória de Deus. Jesus pagou o preço da redenção e os redimidos devem pagar o preço da proclamação. Tribulações são normais na vida do cristão e na oposição ao avanço missionário da igreja. Qualquer igreja que se envolver com a obra missionária enfrentará oposição interna e externa. O Diabo levantará perseguição contra a igreja. Ninguém, porém, poderá deter o avanço missionário da igreja. A dinheiro jamais será empecilho para a obra missionária: O livro de Atos revela que a igreja não tinha dinheiro, não tinha templos, não tinha bíblia impressa, não tinha meios de transporte, não tinha meios de comunicação como rádio, televisão e internet, e não tinha direitos legais perante o Estado. Contudo, a obra foi realizada de forma exponencial. Lucas destaca a relação entre o Espírito Santo e o dinheiro ou bens materiais. O Espírito Santo não precisa de dinheiro para agir (At 3.3-8). O Espírito Santo é o senhor dos nossos bens (At 4.32-35). O Espírito Santo providencia os recursos para a obra (At 4.36-37). O Espírito Santo avalia e julga como ofertamos para Deus e para a sua obra (At 5.1-11). O Espírito Santo não pode ser subornado por dinheiro (At 8.18-24). O Espírito Santo nos revela que é mais bem-aventurado dar do que receber (At 20.35). Não fazer a obra missionária por não ter dinheiro é um sofisma espiritual. Nunca houve falta e jamais faltarão recursos da parte de Deus para que sua obra seja realizada. Ele é o dono da prata e do ouro. Ele é o provedor do seu povo. Mas é preciso obedecer à ordem missionária para que os recursos sejam enviados por Deus. Primeiro, obediência e depois os recursos. Só que é preciso ter fé. Não é ver para crer, mas, crer para ver. Se Deus mandar o dinheiro primeiro, a fé não é necessária. Há muitas igrejas e irmãos com dinheiro, mas sem a experiência de investir na obra missionária. Conta-se que Tomás de Aquino (Século XII) foi visitar o Papa Inocêncio II, sendo recebido de forma suntuosa. O Papa, ocupado em contar grande importância de dinheiro, disse sorrindo: “Olha, Tomás, a igreja não diz mais: Não tenho prata nem ouro! Respondeu-lhe imediatamente São Tomás: É verdade, mas também não diz mais: Em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda!” O Papa referia-se ao que considerava uma grande vitória da igreja; Aquino, ao que considerava o grande declínio espiritual da igreja. A obra missionária é prática e não discurso: O livro de Atos é que declara isso no seu próprio nome. “Atos” (práxis) significa ações práticas, efetivas e intencionais. Os irmãos da igreja descrita em Atos entenderam isto: “Agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra” (At 4.29). O evangelho não é somente para consumo interno, mas para exportação. Sempre, e em toda parte, os servos de Cristo estão sob a ordem de evangelizar. Desafio as igrejas e suas lideranças a voltarem ao primeiro amor. A Igreja de Éfeso foi uma grande agência missionária para toda a Ásia. Infelizmente, porém, perdeu o seu ardor pelas missões. “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.4-5). Comentando esse texto, Harry L. Reeder escreve: “Ele nos diz que um corpo de crentes pode impedir seu declínio e ir das brasas novamente para as chamas se sua liderança os ensinar simplesmente a lembrar-se, arrepender-se e se recuperar”.¹⁴ Lembre-se que a missão da igreja é realizar o trabalho missionário. Ore e trabalhe para que a sua igreja volte ao foco missionário. Priorize o que é a prioridade de Deus. Concluindo, crescimento da igreja é um assunto que atualmente é visto por dois extremos. Primeiro, o pragmatismo que defende o crescimento da igreja, usando métodos e estratégias humanas, pois o mais importante são os resultados. Neste caso, o fim justifica os meios. Segundo, o imobilismo que coloca a responsabilidade do crescimento da igreja em Deus e não faz absolutamente nada para a igreja crescer. Nesse caso, temos uma teologia deturpada para justificar a inércia e a preguiça. Muitos pastores acham que foram chamados só para proteger a sã doutrina e manter a igreja pequena. Lucas mostra que a igreja crescia pela vontade de Deus de forma saudável e robusta. É Deus quem produz o crescimento da sua igreja através do trabalho humano. Em Atos, a igreja cresce por ação de Deus e pelo trabalho missionário dos irmãos. Esse é o padrão bíblico. O PLANTADOR DE IGREJAS “Não me importava o lugar ou a maneira que tivesse de morar, nem por qual sofrimento tivesse que passar, contanto que pudesse ganhar almas para Cristo. Quando dormia, sonhava com isso e, ao acordar, a primeira coisa de que me ocupava era essa grande obra; eu não tinha outro desejo a não ser a conversão dos perdidos.” David Brainerd “Se não queres dar-me almas, retira a minha.” George Whitefield A obra de Deus sempre foi comparada a uma atividade agrícola. O reino de Deus é um campo onde o semeador sai a semear a semente da Palavra de Deus. O coração dos homens são os solos em que a semente é lançada. Jesus usa essa figura várias vezes: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte,se alegram tanto o semeador como o ceifeiro. Pois, no caso, é verdadeiro o ditado: Um é o semeador, e outro é o ceifeiro. Eu vos enviei para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho” (Jo 4.35-38). Já que o reino de Deus é uma seara, é necessário que tenhamos trabalhadores. Qualquer lavoura quando atinge a maturidade precisa ser colhida, do contrário apodrece. Jesus disse: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37-38). Há três lições importantes aqui: (1) a seara é grande pois envolve todas as nações da terra ao longo de todas as gerações. (2) Os trabalhadores são poucos e dificilmente atenderão a demanda da colheita. (3) Deus enviará trabalhadores para a seara como resposta à oração do povo de Deus. Nas parábolas sobre os mistérios do reino de Deus, Jesus também usa a figura agrícola: “Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um” (Mt 13.3-8). Quatro lições importantes podem ser tiradas daqui: (1) O semeador é Jesus ou qualquer discípulo dele que trabalha na obra de evangelizar os perdidos. (2) A semente é a Palavra de Deus, que tem potencial para gerar vida e transformação. (3) O coração de cada pessoa é o solo onde a semente da palavra é semeada. (4) Apenas parte das sementes lançadas frutificam. Ainda bem que ela frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um. Louvado seja Deus. Jesus volta a comparar o reino de Deus a uma lavoura. “Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha” (Mt 20.1). O dono da vinha, que é Deus, contrata trabalhadores durante o dia e uns trabalham mais tempo que os outros, mas todos recebem o mesmo salário. O texto narra: “Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros” (Mt 20.8). Ao entardecer, o dono da vinha ordena a seu administrador que pague os trabalhadores, começando pelo último contratado até chegar ao primeiro. Duas lições importantes: (1) não devemos querer mais honra e recompensa pelo fato de estarmos a mais tempo trabalhando na obra do Senhor. No reino de Deus, a antiguidade nem sempre implica em honras. Não existe um fundo de garantia por tempo de serviço na obra de Deus. (2) No reino de Deus, impera a graça. Somos recompensados pela graça, não pelo nosso serviço. Paulo também usa a figura agrícola e diz: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho” (1Co 3.6-8). Nestes versos temos informações que nos ajudam a conceituar a figura do plantador de igrejas. Primeiro, alguém pode liderar um projeto de plantação, mas ninguém planta sozinho. O plantador sempre trabalha em equipe. Um lançou a semente e o outro a regou com a quantidade de água necessária. São duas tarefas importantes feitas por pessoas diferentes, numa mesma lavoura. Paulo diz ainda: “Ora, o que planta e o que rega são um” (v.8). São dois trabalhadores ocupados na plantação de uma lavoura e com um só objetivo. A ideia é de unidade e individualidade. Não há rivalidade ou competição, mas cooperação. O numeral “um” está no gênero neutro em grego, indicando que ambas as pessoas pertencem à mesma categoria de obreiros na lavoura de Deus. Segundo, a plantação de uma igreja é uma obra divina. “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus” (v.6). Uma lição básica que todo agricultor aprende logo cedo é a sua dependência de Deus. Ele ara a terra, planta, rega e aduba a semente, mas o crescimento da lavoura depende de Deus. Assim também acontece na lavoura espiritual. Todo o trabalho de Paulo e Apolo seria em vão se Deus não tivesse feito a semente germinar, frutificar e crescer. É Deus quem faz a igreja nascer, crescer e frutificar. Somente Deus dá o crescimento! Os resultados espirituais do esforço humano provêm de Deus. Sem Ele nada podemos fazer. Por isso devemos tomar muito cuidado com os ensinos sobre plantação de igreja, bem como com os modelos oferecidos no mercado. Quando o nosso trabalho é feito fundamentado na sabedoria humana e com o emprego de técnicas pragmáticas, os resultados são falsos e promovem apenas nossa vaidade. Uma igreja é plantada quando vidas são salvas e reunidas em um determinado local. Somente Deus pode ressuscitar uma pessoa espiritualmente, dando-lhe a fé salvadora e a vida eterna. AS CARACTERÍSTICAS DE UM VERDADEIRO PLANTADOR DE IGREJAS A maioria dos estudiosos foca suas pesquisas na teologia de Paulo e não na sua missão. Thomas R. Schreiner diz: “Tendemos a nos debruçar sobre os temas que nos interessam, e boa parte dos estudiosos não tem inclinação para missões. Paulo, por sua vez, era acima de tudo um missionário. Ele não era um teólogo sistemático que se dedicava a escrever tratados em que as várias partes de sua teologia fossem logicamente interrelacionadas e explicadas. Ele era um missionário que escrevia cartas às igrejas com o propósito de sustentar seus convertidos em sua fé incipiente. Via a si mesmo como um missionário chamado por Deus para levar a mensagem de salvação do evangelho a todas as nações”.¹⁵ Por isso, olharemos para Paulo como um plantador de igrejas e identificaremos as suas principais características. 1. CONVERTIDO E ENVIADO POR DEUS A conversão de Saulo de Tarso foi, possivelmente, um dos maiores acontecimentos da Igreja depois da vinda do Espírito Santo. Muitos a consideram a mais importante conversão da história. A narrativa da sua conversão é registrada três vezes em Atos: 9.1-9; 22.4-11; 26.9-18. Ele foi o maior perseguidor dos cristãos, mas sua conversão aconteceu na estrada de Damasco, de forma repentina e sobrenatural. A sua conversão foi um ato único, soberano, irresistível e intencional de Deus. Paulo não se converteu, mas foi convertido pelo Senhor Jesus. A salvação baseia-se na doutrina da eleição: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue” (Gl 1.15-16). Paulo declara que a sua conversão foi realizada por Deus, pela graça e por intermédio de Jesus. Ele foi escolhido, chamado, convertido e comissionado a pregar a outros. “Eu fui conquistado por Cristo” (Fp 3.12). Paulo tinha consciência da sua salvação e certeza da sua vocação. Quando Paulo teve o encontro com Jesus na estrada de Damasco, ele não somente foi salvo mas constituído ministro e testemunha do evangelho. Observe que Jesus foi quem constituiu e enviou Paulo para pregar o evangelho: “Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.15-18). Paulo usa duas palavras para descrever seu chamado: “ministro” (gr. huperetes), que significa “um remador subordinado” ou “um auxiliar” que serve sob a direção de outra pessoa; e “testemunha” (gr. martys), que apontapara alguém que revela a verdade que viu, ouviu ou conhece, mesmo que isso implique em sua morte. Em síntese, Paulo nos ensina que foi chamado para ser salvo, constituído para ser ministro e testemunha, e enviado para pregar o evangelho. Portanto, todo pastor plantador, assim como Paulo, deve ter três chamados: para ser salvo, para ser pastor e para cumprir uma tarefa num campo específico (1Tm 1.12-17; At 13.1-3). 2. INTEGRIDADE E CARÁTER CRISTÃO Uma das marcas que todo cristão deve ter é a da integridade, especialmente os ministros do evangelho. Precisamos ter integridade de caráter, na motivação, nos objetivos, na pregação, na metodologia e na relação pastoral. Quando escreveu aos Tessalonicenses, Paulo abriu o seu coração e declarou a sua integridade: “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo. Pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração” (1Ts 2.3-4). Como vimos, a pregação de Paulo não tinha como objetivo enganar as pessoas com falsas promessas. A palavra “dolo” significa “colocar uma isca no anzol” com o propósito de enganar. O evangelho pregado visava converter os ouvintes e levá-los a uma vida de pureza e santidade. Paulo declara que, uma vez que seu ministério foi aprovado por Deus, ele foi autorizado por Deus. Ele não se fez ministro, mas Deus o fez ministro e o autorizou a pregar em nome dele. Por isso, o seu grande propósito era agradar a Deus e não aos homens. Em síntese, Paulo declara que a mensagem que ele pregava era o genuíno evangelho. O motivo do seu evangelho era levar uma vida pura. O método do seu evangelho era falar a verdade e não enganar as pessoas.¹ Precisamos aprender que integridade é o que você é e faz quando ninguém está olhando. Liderança é “ser” antes de “fazer”. Conhecimento bíblico e teológico sem integridade é coisa perigosa e temível. Carisma sem caráter é algo enganador e destrutivo. A reputação é preciosa, mas o caráter não tem preço. Reputação é o que os homens pensam que você é, mas caráter é aquilo que você tem, de fato, diante de Deus. Uma frase normalmente atribuída a Abraham Lincoln diz: “O caráter é como uma árvore, e a reputação é como sua sombra. A sombra é o que nos faz lembrar da árvore, a árvore é o objeto real”. Todo obreiro deve zelar por sua integridade e caráter cristão. Paulo recomenda: “Não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado” (2Co 6.3). 3. PROPÓSITO E PRIORIDADE MINISTERIAL Os dois dias mais importantes da vida de uma pessoa são o dia do seu nascimento e o dia em que ela descobre por que nasceu. O homem sem propósitos é como um navio sem leme, um trem desgovernado sem maquinista e uma viagem sem destino definido. Um plantador de igrejas precisa saber o propósito do seu ministério. Paulo declara: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Neste versículo, temos três lições: (1) Ele tem um ministério que recebeu do Senhor. Ele foi chamado e enviado para pregar o evangelho (Rm 1.1). (2) Ele se dispõe a pagar o preço da sua vocação e ministério com a própria vida. É o ministério da cruz e a cruz do ministério. A sua vida é o seu ministério (Fp 1.21-22). (3) Ele tem um único propósito na vida que é “testemunhar o evangelho da graça de Deus”. Ele quer completar a sua carreira de pregar o evangelho e, de fato, a completou (2Tm 4.7). O apóstolo Paulo não se tornou um líder influente por causa do seu carisma, da sua eloquência ou das suas habilidades pessoais. A causa principal da sua influência foi a sua prioridade de pregar o evangelho de Jesus Cristo com coragem, convicção e poder. Onde estivesse e em qualquer situação, ele pregava. Na sinagoga, no templo, nas praças, nas casas e nas prisões, Paulo pregava a Jesus. Ele pregava para transformar e não apenas para informar. Ele declara: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada” (1Co 9.16-17). Paulo pregava o evangelho de Jesus Cristo com boa vontade, por obediência, por obrigação e por responsabilidade. 4. PRODUTIVIDADE E CRESCIMENTO Todo trabalhador do reino de Deus precisa apresentar resultados. Como qualquer trabalhador, o obreiro tem que ser produtivo e eficiente no que realiza. Paulo era um líder produtivo e que buscava crescimento. Ele declara: “Porque vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera” (1Ts 2.1). A palavra “infrutífera” (gr. kenos) significa “vã”, “ineficaz”, “algo que não produziu resultados” ou “inútil” (1Ts 3.5). A estada de Paulo em Tessalônica não fora oca, vazia ou sem consistência, mas produziu grandes efeitos espirituais. Ele não chegou ali de “mãos vazias”, mas para levar a benção da salvação. Sabemos que todo crescimento espiritual vem de Deus, mas todo cristão deve desejá-lo. O crescimento não é produto apenas do esforço, mas da vida de Deus que reside em nós. Os frutos de um ministério são vidas convertidas ao Senhor. Frutos são conversões genuínas a Deus, como aconteceu com Paulo em Tessalônica (At 17.4). Charles Spurgeon diz: “Não há maior honra do que ser um instrumento nas mãos de Deus para resgatar almas do reino de satanás e conduzi-las para o reino de Deus”. Todo crente e, principalmente o plantador, deve ser um ganhador de almas. O verdadeiro currículo de um pastor não são os cursos teológicos que ele fez, mas, as vidas que ele ganhou para Cristo e as igrejas que ele pastoreou com zelo e fidelidade a Deus. Se a sua igreja não está crescendo, pergunte: o que está impedindo o crescimento? Se você prega e evangeliza sem esperar conversões, você não as terá. John Knox, pai do presbiterianismo, costumava clamar a Deus: “Dá-me a Escócia, ou eu morro!” Semelhantemente clamava o calvinista George Whitefield: “Se não queres dar-me almas, retira a minha alma”. Matthew Henry dizia: “Sinto maior alegria em ganhar uma alma para Cristo que em ganhar montanhas de ouro e prata para mim mesmo”. Paulo queria ganhar o maior número possível de pessoas para Jesus Cristo: “Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível” (1Co 9.19). Ele se esforçava para pregar o evangelho onde Cristo ainda não tivesse sido anunciado (Rm 15.20). Ele orava para que os crentes tivessem uma vida frutífera e cheia de boas obras, crescimento e maturidade espiritual (Cl 1.9-12). Ele renunciou tudo para obter crescimento espiritual, avançando para o alvo da perfeição espiritual, a soberana vocação de Deus, em Cristo Jesus (Fp 3.8-16). 5. MOTIVADO PELO AMOR E PELA COMPAIXÃO A motivação para realizarmos o ministério de evangelização e plantação de igrejas é o amor e a compaixão pelas pessoas. Não há ministério sem amor a Deus e às pessoas. Ministrar é amar. Quando realizava o seu ministério, Jesus viu, sentiu e descreveu as pessoas: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36). Paulo escrevendo aos irmãos em Tessalônica, utilizou as figuras de mãe e pai, para descrever o que sentia: “Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós. Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus” (1Ts 2.7-9). Comentando essetrecho, Hernandes Dias Lopes diz que “como uma mãe, Paulo abriu mão de seus direitos; como mãe, Paulo cuidou dos seus filhos espirituais com ternura; como mãe, Paulo cuidou dos seus filhos espirituais com sacrifício cabal; e como mãe, Paulo cuidou dos seus filhos espirituais com a melhor provisão”.¹⁷ Eu acrescento mais três lições: (1) Mãe não tem salário, mas trabalha por amor. O salário de uma mãe é a felicidade do filho. (2) Mãe é oferta de carinho e afeto desinteressados. Ela se realiza e se completa dando amor e acariciando os filhos. (3) Mãe é sacrifício ou a disposição de morrer pelo bem dos seus filhos. Paulo continua e agora usa a figura do pai: “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes. E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1Ts 2.10-12). A figura do pai revela três lições: (1) Pai é o exemplo ou o modelo que o filho deve seguir. Paulo se colocava de maneira irrepreensível como exemplo a ser seguido. (2) Pai é fonte de ensino e orientação para o filho. Ele usa três verbos: exortamos, consolamos e admoestamos. Todos os três fazem parte da estratégia paterna de educar os seus filhos espirituais. (3) Pai é o provedor e o protetor dos filhos. Paulo sempre se preocupou em alimentar os seus filhos com a Palavra de Deus, dando-lhes segurança e proteção. O cristão, o evangelista e os plantadores de igreja devem demonstrar pela compaixão o mesmo interesse que demonstram pelas doutrinas. Amemos a Palavra de Deus, amemos a pregação e amemos as pessoas a quem pregamos. 6. COMPROMETIDO COM A PREGAÇÃO DA PALAVRA Um plantador de igrejas não tem autonomia para pregar o que quer. Ele tem uma mensagem que lhe foi dada por Deus para ser proclamada ao pecador: todo o conteúdo da Palavra de Deus. Paulo era um ministro da Palavra. “Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1Co 1.17). Paulo era um ministro da Palavra. Todas as igrejas que plantou foram resultados da sua pregação. Vejamos o exemplo de Tessalônica: “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1Ts 2.13). As pessoas que ouviram a pregação da palavra a “receberam” ou a “aceitaram” como sendo de Deus. A ideia é de escutar com o ouvido. Mas elas também “acolheram”, deram ouvidos e a receberam no coração. “Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça” (Mt 13.9). A Escritura foi reconhecida como revelação escrita de Deus. Os ouvintes de Paulo acolheram a Palavra de Deus no coração, tal como o solo recebe uma semente. Trata-se do ato da conversão, quando a semente da Palavra produz vida (1Pe 1.23). Além disso, eles obedeceram e praticaram a Palavra de Deus e foram perseguidos ou sofreram por causa da Palavra (1Ts 2.14-16). Paulo ordena a Timóteo: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.1-2). Primeiro, trata-se de uma afirmação solene que tem como objetivo chamar a atenção de Timóteo para a seriedade da pregação. Quem prega vai prestar contas a Deus acerca do que pregou. Segundo, a pregação da Palavra de Deus não é uma opção, mas uma ordem a ser cumprida. Terceiro, Paulo ordena que preguemos a Palavra de Deus em todo tempo. A orientação é que Timóteo pregue quer as pessoas ouçam ou não, quando as oportunidades são favoráveis ou contrárias. O tempo e as circunstâncias não devem impedir a pregação do evangelho. Todo cristão, evangelista, pastor/mestre e plantador de igreja deve pregar somente a Palavra de Deus em sua totalidade. Trata-se de uma tarefa intransferível e urgente. 7. UMA PESSOA DE ORAÇÃO Paulo era um homem de oração. Ele orava e ensinava sobre o assunto. Ele era um modelo de vida de oração. A palavra oração aparece 105 vezes nas 13 cartas de sua autoria, e ele utiliza 16 palavras diferentes na língua grega para oração. Paulo aprendeu, praticou e ensinou que a oração é a ferramenta principal no processo de plantação e edificação da Igreja. Usaremos o texto de Colossenses 4.2-4: “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer”. Paulo ordena que a igreja se dedique à oração: Perseverai na oração, vigiando com ações de graças (v.2). “Oração” (gr. proseuche) significa “orar a Deus” de forma fervorosa e objetiva. Este significado para oração é o mais frequente no Novo Testamento. Com essa perspectiva sobre a importância da oração, devemos nos questionar sobre alguns pontos. Primeiro, como a igreja deve orar? Podemos destacar três maneiras: (1) Orar com perseverança. A palavra “perseverai” (gr. proskatereo) é formada pela preposição grega “pros” que indica “direção”, e pelo verbo “katereo” que significa “continuar”, “dedicar” e “persistir”. Sugere a ideia de ser forte, ser firme ou ter uma fidelidade obstinada à oração. Esta palavra aparece dez vezes no Novo Testamento, cinco delas relacionadas à oração (At 1.14; 2.42, 46; 6.4; Rm 12.12). Paulo usa o verbo no modo imperativo e no tempo presente. Perseverar na oração não é uma opção, mas um mandamento que deve ser obedecido incessantemente. Orai sem cessar ou ininterruptamente é o que a Palavra orienta. Não devemos parar de orar. Devemos orar com obstinação e força. (2) Orar com vigilância. O verbo “vigiar” (gr. gregoreu) significa “manter-se acordado” ou “abster-se do sono”. A ideia é orar com os olhos abertos e atentos para o perigo e para as oportunidades (Ne 6.9; Mt 26.38, 40-41. 1Pe 5.8-9). (3) Orar em gratidão. A palavra “ações de graças” (gr. eucharista) significa um reconhecimento grato por aquilo que Deus é e tem feito por nós. Em segundo lugar, pelo que orar? Ele pede oração pelo seu trabalho de evangelização e plantação de igrejas, como fez a outras igrejas (Rm 15.30; 2Co 1.11; Ef 6.19; 1Ts 5.25 e 2Ts 3.1). Ele pede oração também pelos líderes: “Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós”(Cl 4.3). Paulo trabalhava em equipe. Não se planta uma Igreja sozinho. Ainda que uma pessoa lidere o processo de plantação, sempre há uma equipe envolvida. Mas, a lição principal, é que a igreja precisa orar por sua liderança. Os líderes são alvos prioritários do Diabo. Ele deseja maltratar e matar a liderança, principalmente quando Deus está abençoando o trabalho. Paulo também pede oração por motivos espirituais na plantação de igrejas. O primeiro deles é que haja oportunidades para que ele pregue: “Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado” (Cl 4.3). Paulo quer que a igreja ore para que Deus lhe abra as portas para a pregação da palavra. Ele não pede que a porta da prisão seja aberta para ele sair. Ele estava preso por causa de Cristo, portanto, a sua prisão era a vontade de Deus para a sua vida. O segundo pedido espiritual feito por Paulo envolve ajuda para que ele cumpra o seu propósito da maneira adequada: “para que eu o manifeste, como devo fazer” (Cl 4.4). Paulo nos revela em seus escritos como ele pregava. Em Corinto, a sua palavra e pregação foi “demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2.4). Em Tessalônica, a sua pregação foi acompanhada de poder (gr. dinamis), feita no Espírito (gr. pneuma) e na plena convicção (gr. plerophoria), que significa “total confiança” e “certeza” (1Ts 1.5). Pauloprecisa das orações para que ele falasse como deveria falar ou falasse como Deus queria. “Para” (gr. hina) significa “efeito ou propósito”. Paulo queria pregar de forma eficaz e produtiva. “Manifeste” (gr. phanero) significa tornar visível, ser claramente reconhecido ou completamente compreendido. “Devia” (gr. dei) significa “necessário”, “conveniente” e “adequado”. Paulo entendia que a oração devia acompanhar todo o processo de evangelização. A oração abre portas para a pregação. A oração ensina e capacita o pregador a falar o que precisa ser dito e da maneira apropriada. A oração ajuda a revelar ao ouvinte o mistério de Jesus Cristo. Concluindo, as sete principais marcas de um plantador de igreja, à luz da pessoa de Paulo, são: ser convertido e enviado por Deus, ser integro e ter caráter cristão, ter propósito e prioridade ministerial, ser produtivo e buscar crescimento, ser motivado pelo amor e compaixão, estar comprometido com a pregação da Palavra e ser uma pessoa de oração. MANUAL PARA PLANTAÇÃO DE IGREJAS Se você deseja plantar algo que dure uma semana, plante hortaliças; Se você quer plantar algo que dure uma estação, plante flores; Se você aspira plantar algo que dure uma vida, plante árvores; Mas, se você busca plantar algo eterno, plante uma igreja. Autor desconhecido Não há evangelização sem intencionalidade. Evangelizamos pessoas para que elas creiam em Jesus Cristo, sejam convertidas pelo Espírito Santo e transformadas em discípulos do Senhor. Não há evangelização sem propósito ou objetivo. O Evangelho requer uma decisão e uma mudança da vida de quem o ouve. As bênçãos do evangelho são para os arrependidos e humildes de coração. A obra sacrificial de Jesus Cristo e a pregação do evangelho cumprem um proposito único: salvar os pecadores eleitos. Participar do projeto de plantação de uma igreja é o maior e o mais excepcional privilégio que alguém pode desfrutar nesta vida. Você prega o evangelho, pessoas se convertem, são batizadas, discipuladas e reunidas numa comunidade local. Você semeia a semente da Palavra, no solo que é o coração das pessoas, o Espírito Santo age, a semente germina e a vida eterna é gerada. Tudo começa com evangelização e termina em congregação. Esse é o método bíblico eficaz de evangelização que redunda em plantação de novas igrejas. Este manual foi escrito com dois propósitos: Primeiro, esclarecer para os nossos obreiros qual é o nosso conceito de Igreja, ou seja, que tipo de Igreja queremos plantar. Segundo, delinear qual é o papel do plantador e o que esperamos dele. O manual vai orientar e nortear todo o trabalho de plantação sem deixar dúvidas sobre o que pensamos e esperamos de cada obreiro. Não administramos resultados porque esses vêm de Deus. Plantamos e regamos, mas o crescimento vem do Senhor. Por outro lado, o esforço humano é necessário. Precisamos trabalhar duramente semeando a preciosa semente, regando-a, se possível com lágrimas, para que o fruto nasça e apareça. Este manual está estruturado em três pontos: (1) a Igreja que irei plantar, (2) o plantador que devo ser, (3) a maneira como plantarei a Igreja. 1. A IGREJA QUE IREI PLANTAR O conceito bíblico de Igreja é povo de Deus. A nossa Confissão de Fé resume: “A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas”.¹⁸ Deus escolheu pessoas para fazer parte desse povo exclusivo. Ele redimiu esse povo através do sacrifício de Jesus. Ele chama cada pessoa eleita pela pregação do Evangelho, regenerando-a pelo poder do Espírito Santo. Plantar uma igreja é pregar o evangelho às pessoas, na expectativa de que elas sejam convertidas por Deus (veja, por exemplo, 1Ts 1.1-10). Após a conversão, cada pessoa deve ser batizada e torna-se um discípulo de Jesus. Uma igreja local reúne um grupo de pessoas com os seguintes propósitos: Adoração, Ensino, Comunhão, Serviço e Missão. Resumimos a nossa identidade como igreja da seguinte maneira: Somos uma igreja que adora: uma comunidade de sacerdotes. (Adoração) Somos uma igreja que ensina: uma comunidade de discípulos. (Ensino) Somos uma igreja que edifica: uma comunidade de trabalhadores. (Comunhão) Somos uma igreja que ama: uma comunidade de servos. (Diaconia) Somos uma igreja que testemunha: uma comunidade de missionários. (Missões). Os propósitos da igreja estão ligados àquilo que nós somos em Jesus Cristo. A nossa identidade determina o nosso propósito. A partir desse conceito de igreja, apresentamos algumas diretrizes para serem aplicadas no processo de plantação: Queremos plantar uma igreja de acordo com os propósitos eclesiológicos acima. Queremos plantar uma Igreja Presbiteriana, conforme os seus princípios doutrinários, liturgia e sistema de governo. Queremos plantar uma igreja que reúne pessoas de todas as idades, sexos, graus de instrução e poder econômico. Não há possibilidade de se ter uma igreja segmentada, só para um público específico. Queremos plantar uma igreja, preferencialmente, com novos convertidos. Crentes antigos e oriundos de outras igrejas evangélicas serão bem-vindos, desde que creiam nos princípios da fé reformada. Queremos plantar uma igreja com treinamento de discipulado em pequenos grupos. Queremos plantar uma igreja com líderes treinados e capacitados. Queremos plantar uma igreja contextualizada, que seja relevante no grupo social ou na cidade onde ela está inserida. Queremos plantar uma igreja com DNA missionário, que plantará novas igrejas. Queremos plantar uma igreja que tenha sede própria (templo, salão social, salas e banheiros). Queremos plantar uma igreja no prazo máximo de cinco anos. 2. O PLANTADOR QUE DEVO SER O plantador de igrejas é o obreiro que lidera o processo de plantação de uma igreja. Ele pode ser um pastor, um evangelista ou um crente comum. A figura do plantador vem da analogia feita por Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas, o crescimento veio de Deus” (1Co 3.6). Jesus usou as figuras do “trabalhador rural” (Mt 9.37-38; 20.1), do “semeador” (Mt 13.13) e do “ceifeiro” (Jo 4.35- 36). Todas essas figuras indicam que o trabalho de evangelizar pessoas e plantar novas igrejas exige um esforço muito grande. Trata-se de um trabalho árduo, comparável ao de um agricultor. Não existe um perfil único que possa enquadrar um plantador de igreja. A Junta Missionária de Pinheiros, em seu processo de avaliação, estabelece quatro pilares de competências que um plantador deve ter: Visão: Sabe onde quer chegar e cria alvos e planos certeiros. Tem a capacidade de planejar, de analisar riscos e tem percepção externa. Liderança: Realiza por meio das pessoas, inspirando-as diante de desafios. Sabe delegar, mobilizar e ensinar. Realização: Concretiza os objetivos traçados, por ação própria. É disciplinado na rotina, tem foco no resultado e é capaz de solucionar problemas. Relacional: Constrói relacionamentos produtivos e duradouros. É capaz de orientar pessoas, administrar conflitos, comunicar-se bem e representar a igreja. Olhando para a Bíblia e observando as necessidades do campo de trabalho, apontamos o que o plantador deve ser e fazer: Caráter cristão: o ser vem antes do fazer. O plantador deve ter as qualificações morais de um líder (1Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). Ele deve refletir o caráter de Cristo. Vocação divina: vocação é o chamado de Deus para ser obreiro e para cumprir a tarefa (At 13.1-3; 16.6-10). Vida devocional: o obreiro deve ser uma pessoa comprometida com oração e meditação diária na Bíblia (Mc 1.35; Sl 1). Visão espiritual: a visão celestial é o que motiva o plantador (At 26.19-20). Visão espiritual das pessoas (Mt 9.36), visão dos recursos (2Rs 6.17), visão de um ideal de mudança (Ne 2.17) e visão do tempo oportuno (Jo 4.35). Missão definida: saber o que Deus quer dele, naquele local e tempo (Ne 2.12; Jo 4.34). O plantador deve ter foco e prioridadeno que vai fazer. Sacrifício: é a disposição de pagar o preço pela salvação de outras pessoas. Não existe liderança sem sacrifício (Mc 10.45; 2Tm 1.8). Proativo na busca de recursos: a obra precisa de recursos espirituais, humanos e materiais. O plantador deve correr atrás dos recursos. Solucionador de problemas: o plantador não deve ser o problema do campo, mas a solução (Jn 1.12; At 13.13). Perseverante e resiliente: perseverança, ou a habilidade de nunca desistir é o segredo do sucesso. Resiliência é a capacidade de reagir positivamente após ser submetido a uma provação ou fracasso (1Sm 12.23; Fp 4.11-13). 3. A MANEIRA COMO PLANTAREI A IGREJA A Bíblia não nos oferece um modelo ou um plano estratégico de plantação de igrejas. Cada igreja nasce de forma diferente e as estratégias que são usadas em determinado campo muitas vezes não são aplicáveis em outro campo. Igrejas nascem quando seguimos os princípios da Palavra de Deus. Por isso, estabeleceremos um roteiro de plantação a ser seguido pelo plantador. A execução desse plano deverá ser acompanhada pela igreja plantadora. ESTRATÉGIAS ESTABELECIDAS PELA IGREJA PLANTADORA Usarei as seguintes estratégias para plantação de uma igreja: Oração intensa Pregação expositiva da Bíblia Programa de discipulado da igreja plantadora Plano de visitação Pequenos grupos nos lares Escola dominical Treinamento de liderança presencial ou online Trabalho de capelania em hospital e escola Distribuição abundante de literatura Mídia digital PLANO DE AÇÃO O compromisso assumido: O meu objetivo é plantar uma igreja no prazo de quatro anos. Da minha parte farei todo esforço, mas convicto de que, sem Jesus, nada posso fazer, e que todo crescimento vem de Deus. Nome do projeto: Data de início e conclusão: Cronograma com alvos e atividades: 1º. Ano: 2º. Ano: 3º. Ano: 4º. Ano: Atividades especiais de evangelização Campanhas para aquisição do patrimônio Agenda semanal de trabalho Segunda-feira: folga ou outro dia da semana. Terça-feira: manhã, tarde e noite. Quarta-feira: manhã, tarde e noite. Quinta-feira: manhã, tarde e noite. Sexta-feira: manhã, tarde e noite Sábado: manhã, tarde e noite. Domingo: manhã, tarde e noite. TERMO DE COMPROMISSO A Constituição da IPB estabelece: “Uma comunidade de cristãos poderá ser organizada em igreja somente quando oferecer garantias de estabilidade, não só quanto ao número de crentes professos, mas também quanto aos recursos pecuniários indispensáveis à manutenção regular de seus encargos, inclusive as causas gerais e disponha de pessoas aptas para os cargos eletivos” (Artigo 5º). Sei que o crescimento da igreja é produzido por Deus. Não realizamos os resultados espirituais. Irei, porém, trabalhar dedicadamente para plantar uma igreja. O meu objetivo é plantar uma igreja no prazo de quatro anos. Teremos sede própria, membros comungantes e não comungantes, e arrecadação que seja suficiente para a manutenção geral da comunidade. A Deus toda glória. Data: _____/_____/______ ______________________ ______________________ Plantador Representante da junta de missões LEITURAS OBRIGATÓRIAS Bounds, E.M. O Poder Através da Oração. São Paulo: Editora Batista Regular, 2015. (Recomendamos a leitura de todas as obras desse autor sobre oração). Casimiro, Arival Dias. Plante Igrejas: princípios bíblicos para plantação e revitalização de igrejas. Santa Barbara do Oeste: Z3 Ideias editora, 2012. Casimiro, Arival Dias. O Plantador de Igreja. Santa Barbara do Oeste: Z3 Ideias editora, 2014. Casimiro, Arival Dias. Chamados para Liderar a Restauração. São Paulo: Heziom, 2022 Casimiro, Arival Dias. A Fé dos Eleitos: Estudo Indutivo da Confissão de Fé de Westminster 1. São Paulo: Heziom, 2021. Casimiro, Arival Dias.A Fé dos Eleitos: Estudo Indutivo da Confissão de Fé de Westminster 2. São Paulo: Heziom, 2021. Casimiro, Arival Dias. Discípulos de Jesus: Princípios bíblicos para ser e fazer discípulos. São Paulo: Heziom, 2022. Edwards, Jonathan. A Vida de David Brainerd. São José dos Campos: Editora Fiel, 2017. Keller, Timothy. Como Reconquistar o Ocidente para Cristo: 6 Pontos Fundamentais sobre Missões no Mundo de Hoje. São Paulo: Heziom, 2023. Lidório, Ronaldo. Teologia, Piedade e Missão. São Paulo: Heziom, 2021. Lopes, Hernandes Dias & Casimiro, Arival D. Sacrifício: o preço da missão. São Paulo: Hagnos, 2016. Lopes, Hernandes Dias Pregação Expositiva. São Paulo: Editora Hagnos, 2016. Oak, John Han Hum. Chamado para acordar a Liderança. Santa B. do Oeste, SP: Z3 Ideias, 2018. Smith, Oswald. Paixão pelas Almas. São Paulo: Editora Vida, 2016. Spurgeon, C.H. O Conquistador de Almas. São Paulo: Editora PES, 2014. DEUS USA PESSOAS PARA REVITALIZAR SUA IGREJA “Assim como a salvação, a missão pertence ao nosso Deus. A missão não é nossa, a missão é de Deus. A missão não foi feita para a igreja, mas a igreja foi feita para a missão – a missão de Deus.” Christopher J.H. Wright “Uma de nossas tarefas centrais na geração atual é sermos ousados em nossa visão de replantar igrejas – ajudando as igrejas existentes a encontrar uma nova visão, um novo foco estratégico, uma nova paixão pelo evangelho, uma nova fome pela pregação da Palavra, um novo amor para suas comunidades, e uma nova emoção em ver as pessoas chegarem à fé em Jesus.” R. Albert Mohler Jr Além do trabalho de plantação de igrejas, há ainda uma demanda grande por uma ação de revitalização de diversas igrejas já existentes. São igrejas que estão estagnadas no seu crescimento e com declínio na quantidade de membros. Os números não contam toda a história, mas eles começam a história. É preciso ligar a sirene de emergência e procurar a causa do problema. Geralmente, essa situação é gerada pela falta de visão do que é a Igreja, desprezo com a pregação da Palavra de Deus, ausência de evangelismo e discipulado, pouca comunhão entre os membros, e um pastorado focado na manutenção e proteção da tradição religiosa. A revitalização da Igreja não é fácil, mas é possível. Precisamos ter humildade para reconhecer que precisamos de revitalização, e não ficar apresentando sofismas para justificar a decadência da Igreja. Quando o assunto é revitalização de igrejas locais sempre nos preocupamos em buscar uma espécie de “guia de revitalização”, uma receita pronta que, se obedecida, gerará os frutos almejados. Muitos fazem cursos, e até pós-graduações em revitalização de igrejas. Proponho ao leitor que olhemos para o livro de Neemias. O tema principal do livro de Neemias é “reconstruir”, “restaurar” ou “revitalizar algo que estava em ruínas. Os verbos “edificar”, “reparar”, “reedificar” e “assentar” revelam a ação de um grupo de pessoas com uma visão única, intencional e com um foco: reconstruir os muros, a cidade e o povo de Jerusalém. Na Bíblia hebraica, Esdras e Neemias formam um só livro. Vários comentaristas defendem que Neemias é o autor do livro que leva seu nome, mas ele foi redigido por Esdras anteriormente a 400 a.C., com grande parte do conteúdo sendo extraído dos diários pessoais de Neemias (1.1-7.5; 12.27-43; 13.4-31). O livro pode ser esboçado de forma simples: numa primeira parte, vemos a reconstrução dos muros de Jerusalém (1.1-6.19) e, depois, observamos a narrativa da restauração espiritual da nação (7.1-13.31). O livro de Neemias nos ensina que Deus pode usar qualquer pessoa para liderar restauração e avivamento em tempos de crise e miséria. Neemias era um copeiro que liderou o seu povo na restauração de uma nação em ruínas, passando por um período de miséria e opróbrio. Ele mobilizou pessoas a sairem de onde estavam para irem ao lugar onde Deus queria que elas estivessem. Ele influenciou e mobilizou o povo a concretizar o plano de Deus. Esse deve ser o propósito de todo líder espiritual vocacionado por Deus. Quais são as pessoas que Deus usa para revitalizar a sua igreja em momentos de crise? Vamos usar como texto básico os dois primeiros capítulos do livro de Neemias. 1. DEUS USA PESSOAS QUE SE IMPORTAM COM PESSOAS Neemias significa“o Senhor consolou”. Ele era copeiro ou mordomo de Artaxerxes I (465-424 a.C.), imperador da Pérsia. No ano 444 a.C., Neemias recebeu, em Susã, a visita de Hanani, que lhe deu informações sobre os judeus que estavam em Jerusalém: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas” (Ne 1.1-3). Ele se importou o suficiente para perguntar, chorar e orar pelo seu povo. A situação do povo era de pobreza extrema, desprezo e total insegurança. O povo estava abandonado e ninguém se interessava por eles. Mas Deus ama o seu povo e resolve levantar Neemias para restaurar e mudar a sorte de Israel. Warren Wiersbe, comentando o capítulo 1, diz que Neemias revelou sua preocupação com os seus irmãos pobres e sofridos, de quatro maneiras: Importou-se o suficiente para perguntar (vv.1-3). Importou-se o suficiente para chorar (v.4). Importou-se o suficiente para orar (vv. 5-10). Importou-se o suficiente para se dispor a trabalhar (v.11).¹ 2. DEUS USA PESSOAS QUE ORAM Deus escolhe pessoas para salvação, frutificação e para uma vida de oração (Jo 15.16; Lc 18.7). A maior prova da conversão de uma pessoa é a sua vida de oração. E Deus só usa poderosamente filhos que oram. Neemias diz: “Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). A triste situação do seu povo levou Neemias a se assentar, chorar, jejuar e orar a Deus. Neemias era um homem de oração e há doze orações registradas em seu livro (2.4; 4.4,9; 5.19; 6.9,14; 9.5ss; 13.14, 22, 29 e 31). O seu livro começa e termina com orações. A oração de Neemias começa com adoração: “E disse: ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos!” (v.5). Em primeiro lugar, ele se dirige ao “Deus dos céus” (Ed 1.1-2; Ne 2.4 e 20), ou seja, ao único Deus verdadeiro em comparação com os deuses falsos da terra. Ele é o Deus grande e temível, que cumpre a aliança e as promessas feitas ao seu povo. Em segundo lugar, ele confessa os seus pecados pessoais e os pecados do povo contra Deus: “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (vv. 6-7). Ele se identifica com o povo como se o pecado também fosse dele. Em terceiro lugar, ele ora baseado naquilo que estava escrito na palavra de Deus: “Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome” (vv.8-9). Ele pede que Deus perdoe o seu povo e que o restaure à terra santa. O motivo é muito simples: “Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com teu grande poder e com tua mão poderosa” (v.10). O pecado não anula a paternidade de Deus sobre os seus filhos. Ele é o Deus da aliança e da promessa. Em quarto lugar, Neemias pede que Deus escute a sua oração e a daqueles que estão orando. “Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo eu era copeiro do rei” (v.11). Ele pede para que Deus toque o coração do rei a fim de que ele consiga autorização para ir a Jerusalém e também para que ele prospere em levantar os recursos para a obra. Deus deixou claro para Neemias que ele estava sendo chamado não apenas para orar, mas para ir. Hernandes Dias Lopes olha para Neemias como um intercessor. Quais são os atributos de um intercessor? Um intercessor é alguém que sente o fardo dos outros sobre si (1.4); alguém que reconhece a soberania de Deus sobre si (1.5); alguém que se firma na fidelidade de Deus (1.5); alguém que importuna Deus com as suas orações (1.6); alguém que reconhece os seus pecados e os do povo, confessando-os (1.6-7); alguém que se estriba nas promessas da Palavra de Deus (1.8-10); alguém que associa devoção e ação (1.11).² 3. DEUS USA PESSOAS QUE SE DISPÕEM A TRABALHAR Deus escolheu e dispôs o coração de Neemias para trabalhar: “Disse-me o rei: Que me pedes agora? Então, orei ao Deus dos céus e disse ao rei: se é do agrado do rei, e se o teu servo acha mercê em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a reedifique” (Ne 2.4-5). Primeiro, ele ora ao Rei celestial obedecendo ao chamado para o trabalho. Depois, ele pede permissão ao rei terreno para ir trabalhar na reedificação de Judá. Neemias busca o favor de Deus por meio do jejum e da oração. Ele ora também para que Deus mova o coração do rei para ajudá-lo (Pv 21.1). Ele busca os recursos do céu e da terra para resolver os problemas do seu povo. O seu propósito era reedificar a cidade em todos os seus aspectos materiais e espirituais. Ele estava pronto e disposto a trabalhar. O rei Artaxerxes deu a Neemias autoridade, recursos e prazo para que a missão fosse cumprida (Ne 2.6-10). Ele serviu como governador durante doze anos (Ne 5.14), quando voltou para prestar constas ao rei da Pérsia. Após um ano, ele retornou a Jerusalém para corrigir alguns abusos (Ne 13.6-7). Uma igreja só pode ser revitalizada se estiver debaixo de muita oração. Os líderes são os primeiros a se dedicarem na tarefa de importunar a Deus. 4. DEUS USAS PESSOAS QUE TÊM ALGO NO CORAÇÃO PARA REALIZAR Neemias enfim chega a Jerusalém. Ele diz: “Então, à noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém. Não havia comigo animal algum, senão o que eu montava” (Ne 2.12). Neemias precisava de um plano ou de um projeto para executar. Para isso, ele caminha entre as ruínas para fazer um diagnóstico da situação. Três detalhes chamam atenção: (1) A origem do projeto: Deus. O projeto não era de Neemias, mas de Deus. Foi Deus quem lhe deu o projeto, os recursos e a capacidade de realização. (2) O lugar onde o projeto foi colocado: me pusera no coração. O coração é a fonte de todos os desejos e realizações. Tudo quanto fizermos para Deus e na sua obra, devemos realizar com o coração. (3) A realização e o local do projeto: para eu fazer em Jerusalém. Veja que ele diz: para eu fazer e não para os outros fazerem. O local é bem específico: em Jerusalém. Durante os quatro meses que orou, Neemias planejou, sob a orientação de Deus, aquilo que faria em Jerusalém e que, de fato, realizou. Louvado seja o Senhor! Qualquer irmão que for convocado para liderar a revitalização de uma igreja deve orar para que Deus coloque um plano no seu coração. Também precisa saber que liderar é influenciar. Liderança espiritual é mobilizar e levar pessoas a realizar os planos de Deus. A reconstrução dos muros de Jerusalém e a restauração espiritual do povo de Israel eram projetos de Deus. Neemias foi um homem que estava sintonizado com o céu e a terra. Neemias, antes de mobilizar o povo para o trabalho, faz uma inspeção, um diagnóstico, da real situação: “De noite, saí pelaPorta do Vale, para o lado da Fonte do Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam assolados, cujas portas tinham sido consumidas pelo fogo. Passei à Porta da Fonte e ao açude do rei; mas não havia lugar por onde passasse o animal que eu montava. Subi à noite pelo ribeiro e contemplei ainda os muros; voltei, entrei pela Porta do Vale e tornei para casa” (Ne 2.13-15). Todo plano de trabalho começa pelo diagnóstico. Um líder espiritual usado por Deus precisa conhecer a real situação do seu campo de trabalho. Esse conhecimento deve ser in loco, e não apenas por informações dos outros. Neemias praticou aquilo que é chamado por J. Maxwell de a “lei da navegação”: (1) Ele tomou conhecimento do problema (Ne 1.2-4). (2) Ele usou tempo para orar e jejuar pelo assunto (Ne 1.4-11). (3) Ele se aproximou da pessoa chave (Ne 2.1-9). (4) Ele avaliou as necessidades (Ne 2.11-15). (5) Ele reuniu o povo e mostrou-lhes a visão (Ne 2.16-17). (6) Ele encorajou o povo, relatando projetos vitoriosos do passado (Ne 2.18). (7) Ele recebeu apoio do povo e desprezou a ajuda dos inimigos (Ne 2.19-20).²¹ 5. DEUS USA PESSOAS DISPOSTAS A PAGAR O PREÇO PARA MUDAR UMA REALIDADE Toda visão de Deus está conectada com uma realidade. Neemias diz ao povo: “Estais vendo a miséria em que estamos, Jerusalém assolada, e as suas portas, queimadas; vinde, pois, reedifiquemos os muros de Jerusalém e deixemos de ser opróbrio” (Ne 2.17). Desse pequeno trecho, podemos assimilar três pontos: (1) A realidade: miséria, assolação e destruição pelo fogo. (2) O desafio: trabalhar todos os dias para a reedificação dos muros. Trata-se de um chamado para mudar uma realidade por meio do trabalho. (3) O propósito: deixar de ser opróbrio, desonra, vexame e humilhação pública. Neemias mobiliza o povo a pagar o preço pela mudança. Ele e todo o povo são agentes de transformação e de mudanças, do pior para o melhor. Qualquer igreja pode mudar a sua história se todos compreenderem que Deus nos criou e nos salvou para sermos promotores de transformação. Os recursos serão enviados por Deus. Neemias diz ao povo que temos a “boa mão” de Deus a nosso favor e temos a providência divina gerando os recursos para realizarmos a obra. “E lhes declarei como a boa mão do meu Deus estivera comigo e também as palavras que o rei me falara. Então, disseram: Disponhamo- nos e edifiquemos. E fortaleceram as mãos para a boa obra” (Ne 2.18). Disposição para o trabalho e dependência de Deus são os segredos para realizar a obra. O homem faz a sua parte, e Deus faz a dele. 6. DEUS USA PESSOAS QUE NÃO TEMEM OPOSIÇÃO A obra de Deus é feita em face de oposição e sob o ataque do mal. Quando Neemias veio para edificar o muro e transformar a vida dos judeus, a oposição se levantou de imediato: “Disto ficaram sabendo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita; e muito lhes desagradou que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel” (Ne 2.10). Desagrada ao diabo saber que alguém se interessa pelo bem daqueles que são filhos de Deus ou daqueles que estão sofrendo sob a tirania do mal. Quando a notícia virou fato, a oposição zombou e desprezou os trabalhadores de Deus: “Porém Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, quando o souberam, zombaram de nós, e nos desprezaram, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?” (Ne 2.19). A oposição maligna sempre desqualificará o valor da obra que realizamos para Deus e lançará suspeitas sobre as nossas motivações. O diabo ataca a obra e os obreiros. E o seu objetivo final é parar a obra. Como responder à oposição espiritual? “Então, lhes respondi: o Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós, seus servos, nos disporemos e reedificaremos; vós, todavia, não tendes parte, nem direito, nem memorial em Jerusalém” (Ne 2.20). Vemos, portanto, três atitudes práticas neste contexto: (1) Reconhecer e declarar que o sucesso da obra dependerá de Deus. O “bom êxito” na terra é um presente do céu. (2) Mostrar que a obra de Deus é feita exclusivamente pelos seus servos com disposição e muito trabalho. (3) Rejeitar qualquer ajuda do inimigo. A obra de Deus é feita pelos seus servos e não pelos seus inimigos. Deus é onipotente. Nenhum dos seus planos ou projetos pode ser frustrado ou ficar inacabado. Tudo que ele quer fazer, faz de forma completa. Tudo que ele começa, termina. Neemias registra: “Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do mês de elul, em cinquenta e dois dias. Sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, temeram todos os gentios nossos circunvizinhos e decaíram muito no seu próprio conceito; porque reconheceram que por intervenção de nosso Deus é que fizemos esta obra” (Ne 6.15-16). A obra de Deus é feita por intermédio das pessoas que ele usa. CONCLUSÃO Concluímos esse livro, reafirmando a importância de realizarmos a missão de Deus conforme os princípios bíblicos. A Bíblia é o manual de missões da Igreja, com o destaque especial para o livro dos Atos dos Apóstolos. Estou convencido de que o livro de Atos dos Apóstolos é o manual bíblico, inspirado pelo Espírito Santo, para orientar o crescimento da igreja, em todos os lugares e em todas as épocas, até a volta de Cristo. Deus nos oferece princípios espirituais, que, se forem obedecidos e aplicados, promoverão o crescimento da igreja local. Se os princípios bíblicos forem desprezados, não haverá crescimento e, se houver, não será saudável. Certamente a única coisa que Deus requer de nós é a fidelidade. “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co 4.1-2). A fidelidade a Deus é nossa primeira obrigação em tudo o que somos chamados a fazer a serviço do evangelho. E a chave para a fidelidade é o temor a Deus. BIBLIOGRAFIA Barclay, William. Hechos de Los Apostoles. Buenos Ayres: Asociación Editorial La Aurora, 1974. Bíblia da Liderança Cristã. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. Boice, James M. O Discipulado Segundo Jesus. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p.15. Brown, Colin. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982. Casimiro, Arival D. Plante Igrejas. Princípios Bíblicos para Plantação e Revitalização de Igrejas. Santa Barbara do Oeste, SP: Z3 Editora, 2012. Hendriksen, Wiliam. Comentário do Novo Testamento. Mateus – Volume 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. Hendriksen, Wiliam. Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001. Lopes, Hernandes D. 1 e 2 Tessalonicenses – Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo, Hagnos, 2008. _____. Mateus: Jesus o Rei dos reis. São Paulo: Hagnos, 2019. _____. Neemias: o líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2014. Reisingier, E. C. Today`s Evangelism: Its Message and Methods. Phillipsburg: Craig Press, 1982. Reeder, Harry L. A Revitalização da sua igreja segundo Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. Schreiner, Thomas R. Teologia de Paulo: o apóstolo da glória de Deus em Cristo. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015. Símbolos de Fé de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. Wiersbe, W.W. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, Volume II – Histórico. Santo André, SP, Geográfica Editora, 2006. _____. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento – Volume 1. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2007. Willard, Dallas. A Grande Omissão. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008. ANEXO 1 O MANUAL DO OFICIAL Princípios Bíblicos e Doutrinários aceitos e praticados pelos oficiais da Igreja Presbiteriana de Pinheiros Como pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, e autor deste livro, quero convidar o leitor para conhecer o material que utilizamos em nossa igreja para orientar e direcionar nossos oficiais. Com isso, nosso objetivo é, a partir da nossa experiência, colaborar para a instrução de outrosirmãos, qualquer que seja o lugar onde eles forem chamados para servir. Introdução Servir a Deus na sua Igreja é o maior privilégio que uma pessoa pode receber, principalmente para aquelas pessoas que são chamadas para a liderança espiritual: presbíteros e diáconos. Essa honra é também a responsabilidade mais pesada que alguém pode assumir. Trata-se de uma tarefa árdua e sacrificial. Um líder espiritual vai pastorear as ovelhas de Jesus Cristo, cuidar da Noiva do Cordeiro. Ele pagará um grande preço. Ele sofrerá um duro julgamento. Tiago já exortava: “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” (Tg 3.1). Há muita literatura sobre liderança no mercado. Cursos e congressos sobre liderança são promovidos em grande quantidade. Nunca houve na história do Cristianismo tantas faculdades e seminários de teologia oferecendo instrução formal em teologia. Entretanto, continuamos carentes de homens de Deus. A declaração de Jesus continua válida: a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos (Lc 10.2). Com a pressão da secularização, a igreja tem sido vista como uma empresa, e os seus líderes são tidos como executivos da espiritualidade. Muitos princípios e conceitos de liderança empresarial têm sido aplicados à igreja na tentativa de torná-la mais eficiente e funcional como empresa ou instituição. Não tenho nada contra o treinamento de liderança empresarial, mas, na igreja, precisamos assumir uma concepção bíblica de ministério. Ministrar não é gerenciar, mas pastorear. O pastor tem que ajudar, gerar, alimentar, criar, conduzir, consolar, corrigir e proteger as ovelhas. O Manual do Oficial nasce com o objetivo de redescobrir e resgatar os princípios bíblicos para o ministério dos presbíteros e diáconos da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. A intenção é orientar aqueles que aspiram ao oficialato bem como aqueles que já estão no trabalho. Somos presbiterianos e o nosso foco é confessional. Precisamos de oficiais que aceitem e defendam os Princípios de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil. Agradecemos ao pastor Cláudio César Gonçalves, que escreveu o capítulo primeiro. A nossa luta, é para sermos encontrados fiéis. “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel” (1Co 4.1-2). Arival Dias Casimiro 1. OS OFÍCIOS NA BÍBLIA Sempre que falamos sobre os ofícios na Bíblia, nos lembramos dos ofícios de profeta, sacerdote e rei. Aqui, o nosso interesse é falar sobre os presbíteros e diáconos, dois ministérios, ou dois ofícios, que existiram na Igreja Primitiva e que existem na Igreja Presbiteriana do Brasil. 1. PRESBÍTEROS 1.1. Definição A palavra “Presbítero” vem da transliteração do termo grego presbiteroi, que aparece 66 vezes no Novo Testamento e significa “mais velho” (em relação ao mais novo), ou “ancião”, mas também pode ser usado em referência a um ofício eclesiástico. “Bispo” é a tradução da palavra grega episcopoi, que significa “supervisor”, “guardião”, “superintendente”. Paulo usa ambos os termos sem distinção quando manda chamá-los em Éfeso (At 20. 17, 28). Também enumera as qualificações e responsabilidades de tais pessoas em 1Timóteo 3.1-7 e Tito 1.2-9. Não há distinção entre o presbítero e o ancião no Novo Testamento e os termos são intercambiáveis. 1.2. Origem A autoridade dos anciãos já era reconhecida no Antigo Testamento. Moisés era encarregado de transmitir a mensagem de Deus aos anciãos de Israel (Ex 3.16). A eles eram atribuídas as responsabilidades da vida administrativa e nacional de Israel (Jz 8.14; Js 20.4; 1Sm 4.3; 8.4). Outros povos também tinham anciãos (Gn 50.7; Nm 22.7), que também gozavam de prestígio, autoridade e status obtidos por causa da idade e experiência. No Novo Testamento, as comunidades judaicas eram de responsabilidade do conselho de anciãos, tanto na questão civil como religiosa. Em Atos 11.30 vemos os primeiros registros sobre o ofício na igreja da Judéia. Era um cargo vitalício, eleito pela comunidade por meio de um rito solene. Os judeus possuíam um concílio semelhante, cujo principal era o Sinédrio de Jerusalém, que funcionava como supremo tribunal dos judeus. A principal função do Sinédrio era estudar e ensinar a Lei, além de aplicá-la contra os infratores. 1.3. Sua função Na igreja Primitiva os presbíteros eram os responsáveis pela pregação, pelo ensino e pela disciplina, sempre em conexão com os apóstolos. Com o crescimento da igreja, foram escolhidos diáconos para resolver os assuntos práticos referentes aos mais necessitados. No Concílio de Jerusalém, além dos apóstolos, havia os presbíteros (At 11.30). Ali eram propostas e julgadas questões teológicas da igreja (At 15.2, 4, 6, 22, 23; 16.4). Após suas viagens missionárias, o apóstolo Paulo elegia presbíteros em cada nova igreja (At 14.23). É bem provável que aqueles que tinham o dom de ser profeta, pastor e mestre eram nomeados para o ofício do presbiterato. Destes dependiam a pureza e estabilidade do rebanho quanto às tentações, crises e heresias. Gozavam de alta estima dentro da igreja (3 Jo) e participavam da visitação pastoral dos enfermos (Tg 5.14). Tinham a função de supervisão pastoral, sendo coparticipantes do ministério de Cristo (1Pe 5.1-4; At 20.28; Ef 4.11). Nas palavras de Berkhof: “Estes oficiais detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados. Eles tinham que abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo a própria família de Deus”.²² 2. DIÁCONOS 2.1. Definição O termo “Diácono” vem do grego diáconos, que significa: “servo”, “serviço”, “servir”, “servir à mesa”. Os substantivos “Diaconia” (33 vezes) e “Diáconos” (30 vezes) e o verbo “Diaconar” (34 vezes) são amplamente usados e são traduzidos por serviço, ministério, socorro e assistência. O substantivo diaconia é usado como ajuda financeira (2Co 8.4; 11.8; Rm 15.25, 26); beneficência (At 6.1) e assistência pessoal atendendo às necessidades temporais, e também para se referir aos esforços evangelísticos e missionários (At 19.22; 1Co 6.15; 2Tm 4.11; Ap 2.19). Este termo é aplicado em toda forma de ministério cristão, o que inclui apóstolos, missionários, evangelistas e profetas (1Co 12.5; Ef 4.12). Era aplicado sempre no sentido de servo ou servidor, mas posteriormente passou a designar aqueles que se dedicam às obras de misericórdia e caridade. 2.2. Origem A origem do ofício de diácono está registrada em Atos 6.1-7, como resultado de uma necessidade das viúvas dos helenistas. Por causa do excesso de trabalho dos apóstolos, estas viúvas estavam sendo “esquecidas na distribuição diária” (At 6.1). Em relatos posteriores os sete são mencionados não apenas por servir às mesas, mas por debater, ensinar, pregar e batizar. Estevão anunciava a Palavra e Filipe é, na verdade, chamado de “evangelista” (At 21.8). A saudação em Filipenses 1.1 parece se referir ao diaconato como uma função específica dentro da congregação, muito relacionada com o bispo. O mesmo uso, quase oficial, ocorre em 1Timóteo 3.8-13. 2.3. Cristo como Servo O Senhor Jesus valorizou a dignidade e honra do servir, fazendo de si mesmo um servo. Ele ilustrou isso ao lavar os pés dos apóstolos antes da Ceia (Jo 13.1-11). Também ensinou: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse que vos sirva (diákonos); e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo (doûlos) de todos; pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir (diacokonêsai) e dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20.20-28). Cristo é diácono por excelência! 2.4. Um ministério A missão espiritual da Igreja é restaurar as relações sociais através da comunhão com Deus. A restauração, quanto ao estado material e à saúde física, é função de um ministério espiritual: o diaconato – esta é a ordem estabelecida por Cristo. O ministério material da igreja está intrinsecamente ligado com a vida espiritual, e vice-versa. Enquanto os presbíterosse dedicam ao ensino da Palavra, os diáconos devem se ater à assistência aos necessitados. Para os reformadores, não basta simplesmente ajudar os pobres materialmente. Também é preciso lhes dar os meios necessários para, por si próprios, saírem de sua condição precária. Para isso Calvino agiu na fundação e ampliação de instituições em Genebra, como a Academia de Genebra (dando base intelectual aos alunos, que seria de extrema importância para a Reforma da Igreja). Também atuou com veemência no Hospital Geral (que fornecia abrigo, alimentação, assistência médica e educacional); e no Fundo Francês (que financiava pequenos negócios e ensinava novas profissões aos refugiados de Genebra). Os ociosos eram presos. Todos deveriam trabalhar e fazer o bem, para a glória de Deus. Calvino distingue o ministério diaconal em duas categorias. Primeiro, aqueles encarregados de recolher e repartir os bens ofertados pelos fiéis aos pobres. Estes servem à Igreja dispensando e administrando os bens aos necessitados. Em segundo lugar, ficam os que são responsáveis por cuidar, mais diretamente, dos carentes, enfermos, idosos e doentes.²³ Os diáconos devem ser considerados como embaixadores de Deus, pois foram chamados para uma missão de extrema importância para o mundo. São revestidos de toda dignidade e honra para estabelecer a justa distribuição dos bens materiais consagrados e ofertados pelos cristãos. Participam do governo do mundo juntamente com Deus, em socorro aos seus filhos. O Criador lhes deu o privilégio de participar com ele nesta grande empreitada de amor e compaixão. O serviço diaconal é crucial para a vida, fé, função, testemunho e missão da igreja em todos os tempos, e deve legitimar o seu modo de ser. O Art. 53 e alíneas da CI/IPB., apresenta uma definição que segue a mesma linha bíblica; porém, amplia mais a sua função, adaptando-a às necessidades da Igreja no Brasil. Aquele que aspira este ministério fará bem em conhecer a definição ali apresentada. Por fim, vale lembrar das palavras do apóstolo João: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1Jo 3.16-18). 2. OS OFÍCIOS NA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL Para os presbiterianos há somente dois ofícios na Igreja: diáconos e presbíteros. O pastor é também um presbítero. A teologia reformada baseada em 1Timóteo 5.17, faz uma diferença entre presbítero docente (Pastor) e presbítero regente (aquele que governa). Na prática, porém, e usando outros textos da bíblia, observamos que o presbítero docente é, na verdade, um regente; e o presbítero regente é, no fundo, um docente, alguém que tem de ensinar e pastorear o rebanho de Deus (At 20.28; Tt 1.9; 1Pe 5.1-4). O pastor (presbítero docente) também governa e administra. Nos Concílios da Igreja (Conselho, Presbitério, Sínodo e Supremo Concílio) o presbítero tem a mesma autoridade dos pastores. Nenhum oficial pode exercer simultaneamente dois ofícios e jamais deverá ser constrangido a aceitar o ofício contra a sua vontade (Hb 13.17). Os ofícios de diáconos e presbíteros são iguais quanto à importância espiritual e diferente quanto às responsabilidades. Utilizamos a Constituição da IPB para destacar o conceito e a competência de cada oficial. 1. O PRESBÍTERO DOCENTE - PASTOR O Ministro do Evangelho é o oficial consagrado pela Igreja, representada no Presbitério, para dedicar-se especialmente à pregação da Palavra de Deus, administrar os sacramentos, edificar os crentes e participar, com os presbíteros regentes, do governo e disciplina da comunidade (Art. 30, CI/IPB). O pastor é ordenado ao ministério por um presbitério da IPB após cursar o bacharelado em Teologia em um dos seminários da Igreja Presbiteriana do Brasil. Ele deve ser sustentado dignamente pela igreja que pastoreia, mas o seu vínculo não é empregatício (CLT) e a sua motivação não deve ser profissional. O pastor tem funções privativas, isto é, exclusivas, que não devem ser exercidas pelo presbítero regente ou pelo diácono. São elas: administrar os sacramentos; invocar a bênção apostólica sobre o povo de Deus; celebrar o casamento religioso com efeito civil; orientar e supervisionar a liturgia na Igreja de que é pastor. As atribuições constitucionais de um pastor são claramente definidas: orar com o rebanho e por este; apascentá-lo na doutrina cristã; exercer as suas funções com zelo; orientar e superintender as atividades da Igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual do povo de Deus; prestar assistência pastoral; instruir os neófitos, dedicar atenção à infância e à mocidade, bem como aos necessitados, aflitos, enfermos e desviados; exercer, juntamente com os outros presbíteros, o poder coletivo de governo. 2. O PRESBÍTERO REGENTE Presbítero regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da Igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado (Art. 50, CI/IPB). O presbítero junto com o pastor exerce o governo e a disciplina na igreja local. Ambos zelam pelos interesses da igreja a que pertencem. Segundo a Constituição da IPB, compete ao Presbítero: levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares; auxiliar o pastor no trabalho de visitas; instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude; orar com os crentes e por eles; informar o pastor dos casos de doenças e aflições; distribuir os elementos da Santa Ceia; tomar parte na ordenação de ministros e oficiais; representar o Conselho no Presbitério, no Sínodo e no Supremo Concílio. 3. O DIÁCONO O diácono é o oficial eleito pela Igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente: à arrecadação de ofertas para fins piedosos; ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos; à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino; exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências. Os ofícios de presbíteros e diáconos são permanentes, mas o seu exercício é temporário. Explicando melhor, quando uma pessoa é ordenada presbítero pelo Conselho de uma igreja local, ele continuará presbítero até morrer, exceto se for despojado do ofício. A ordenação é um ato de natureza espiritual que consagra a pessoa para o ofício. O exercício do presbítero é temporário no sentido de que ele recebe um mandato de cinco anos concedido pela assembleia da igreja, que o elegeu por votação secreta. Portanto, se um presbítero ou diácono já ordenado não for eleito por uma assembleia, ele não deixa de ser presbítero ou diácono, mas fica em disponibilidade. 4. O OFICIAL TRAINEE Quanto à eleição de diáconos, a Bíblia recomenda um período de prova, nos seguintes termos: “Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem, irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (1Tm 3.10). A expressão “primeiramente experimentado” significa que os candidatos ao diaconato devem passar por um exame cuidadoso, um período de prova, quando eles serão observados pelo Conselho e pela Congregação. A Constituição da IPB não estabelece período probatório para um candidato ao diaconato. Estabelece, porém, que o Conselho tem competência para designar mulheres para o exercício do trabalho diaconal, sem que isso envolva a eleição pela assembleia e a ordenação para o ofício. Nas funções privativas do Conselho lemos: designar, se convier, mulheres piedosas para cuidarem dos enfermos, dos presos, das viúvas e órfãos, dos pobres em geral, para alívio dos que sofrem (art. 83, alínea x, CI/IPB). Quanto aos presbíteros, há recomendações em 1 Timóteo 5.17-25, em que os presbíterosdevem ser honrados ou apreciados (vv.17-19), protegidos de calúnias (v.19), disciplinados com imparcialidade (vv.20-21) e finalmente, não devem ser ordenados de forma precipitada: A ninguém imponhas precipitadamente as mãos (v.22). Quanto ao candidato ao pastorado (presbítero docente), a Constituição da IPB estabelece um período de experiência, chamado de licenciatura, de no mínimo um e no máximo três anos (arts. 120 a 125, CI/IPB). Não estabelece, porém, nenhum período de experiência para o presbítero, antes de sua ordenação. Considerando tais argumentos e a preocupação de eleger e ordenar oficiais vocacionados e comprometidos com o ministério, o Conselho de Pinheiros institui a figura do diácono e do presbítero trainee. Trata-se de um período de experiência de um ano, em que o candidato trabalhará com os oficiais já eleitos para conhecer o serviço, ser observado e ter convicção da sua vocação. O oficial trainee será nomeado pelo Conselho, que se responsabilizará por ele e oferecerá um curso de preparação bíblica e teológica. 3. OS PRÉ-REQUISITOS PARA ALGUÉM SER OFICIAL NA IGREJA PRESBITERIANA DE PINHEIROS Uma das práticas mais perigosas da igreja hoje é a desconsideração das orientações de Deus quanto ao tipo de pessoa que Ele deseja na liderança da igreja. Estudando os textos bíblicos, concluímos que há três requisitos para ser um oficial da IPP: (1) vocação, ou chamado de Deus; (2) qualificações bíblicas para ser um oficial; (3) ser eleito pela assembleia e passar pelo exame do Conselho. 1. VOCAÇÃO OU CHAMADO DE DEUS A Bíblia declara que toda pessoa que é salva por Deus é salva para servir (Ef 2.10). Deus não somente nos escolheu para a salvação, mas também para o trabalho na igreja. Todo crente é um sacerdote de Deus, que foi capacitado com dons espirituais, para trabalhar na edificação da igreja (1Pe 2.9-10; 1Co 12.1-10; Rm 12.3-8). Cada crente é um mordomo de Deus (1Co 4.1-2; 1Pe 4.10). Além de chamar pessoas para a salvação e para o serviço, Deus chama pessoas para o ministério de liderança (Ef 4.12). Por isso, na Igreja Presbiteriana, o ministério do presbítero e do diácono se fundamenta na doutrina da vocação, ou do chamado de Deus. A Constituição da IPB define: Vocação para ofício na Igreja é a chamada de Deus, pelo Espírito Santo, mediante o testemunho interno de uma boa consciência e a aprovação do povo de Deus, por intermédio de um Concílio (art. 108). A vocação tem duas partes que se completam: (i) o chamado interior, que é parte da experiência do indivíduo com Deus; e (ii) o chamado exterior, que é o reconhecimento público da igreja, por meio de uma eleição. Na Igreja Presbiteriana do Brasil, conforme a sua CI, ninguém poderá exercer ofício na Igreja sem que seja regularmente eleito, ordenado e instalado no cargo por um concílio competente. §1º - Ordenar é admitir uma pessoa vocacionada ao desempenho do ofício na Igreja de Deus, por imposição das mãos, segundo o exemplo apostólico e oração pelo concílio competente. §2º - Instalar é investir a pessoa no cargo para que foi eleita e ordenada. §3º - Sendo vários os ofícios eclesiásticos, ninguém poderá ser ordenado e instalado senão para o desempenho de um cargo definido. (art. 109 e parágrafos) Temos observado que muitas pessoas desejam ser oficiais, mas não tem um chamado de Deus. Outros aspiram ao cargo, mas não assumem o serviço. A orientação bíblica é: “se alguém aspira ao episcopado excelente obra almeja” (1Tm 3.1). A pessoa deve almejar o serviço, e não a posição ou o cargo. 2. QUALIFICAÇÕES BÍBLICAS PARA SER OFICIAL Os dois principais textos que apresentam as qualificações da pessoa para ser presbítero e diácono são 1Timóteo 3.1-16 e Tito 1.5-9. Podemos classificar essas qualidades em três áreas: vida familiar, caráter e conduta, e integridade doutrinária. A palavra irrepreensível é a base que sustenta todas as qualidades exigidas de um presbítero ou diácono (1Tm 3.2, 10 e Tt 1.5). Isso não significa que o oficial seja imune a erros, ou de uma perfeição impecável, pois nesse caso ninguém estaria qualificado para o ofício. Exige-se, porém, que o oficial seja uma pessoa com vida santa e reputação irrepreensível, dentro e fora da igreja. 2.1. VIDA FAMILIAR A vida familiar de uma pessoa é um pré-requisito muito importante para o seu ministério na Igreja. São dois aspectos práticos: A. Marido de uma só mulher (1Tm 3.2; Tt 1.6). O oficial é “homem de uma só mulher”, devotado à sua única esposa. A ênfase é na fidelidade conjugal (Hb 13.4). John MacArthur Jr diz que o pecado sexual desqualifica qualquer homem para o pastorado (1Co 9.27). B. Liderança Espiritual Familiar (1Tm 3.4; Tt 3.6) O oficial deve ser alguém que governa, lidera, preside e administra bem a sua família. O lar é considerado um campo de treinamento para o líder da igreja. Jonh Stott diz: “Os pais que não tiveram sucesso na condução de seus próprios filhos não são merecedores de confiança quanto a conduzir a família de Deus”. 2.2. CARÁTER E CONDUTA O oficial precisa ser irrepreensível em sua conduta. Ele é um mordomo, um despenseiro de Deus. O texto de Tito 1.7-8 oferece duas listas de características gerais, uma delas que especifica condutas que os oficiais não podem ter, e outra que detalha os pontos positivos que precisam ser encontrados em suas vidas.Acrescentaremos outras exigências encontradas em 1Timóteo 3. A. O OFICIAL NÃO DEVE SER: Arrogante Irascível Dado ao vinho Violento Cobiçoso de torpe ganância Neófito B. O OFICIAL DEVE SER: Hospitaleiro Amigo do bem Sóbrio ou Moderado Justo Piedoso Temperante Homem de boa reputação fora da igreja Homem de uma só palavra Experimentado ou experiente Quando olhamos para o restante dos textos bíblicos encontramos mais algumas exigências: Que sejam pastores do rebanho de Deus (At 20.28; 1Pe 5.1-4) Que sejam fiéis em tudo (1Co 4.1-2) Homens fiéis e idôneos (2Tm 2.2) Cheios do Espírito Santo e de sabedoria espiritual (At 6.3) Homens de oração (Tg 5.14) A Bíblia estabelece um padrão elevado para a liderança da igreja. Somente pela graça e pela misericórdia de Deus é que podemos trabalhar. Isso exige de nós aquela que é a virtude maior do servo de Deus: a humildade. 2.3. INTEGRIDADE DOUTRINÁRIA O oficial precisa ser íntegro na doutrina ortodoxa, ou sã doutrina. Tito afirma que ele deve ser: “Apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tt 1.9). Observe que o oficial tem que ser alguém apegado à Palavra, ao seu estudo e ensino. Ele deve ter competência bíblica e doutrinária para exortar as pessoas à verdade e também contradizer os erros doutrinários. No caso exposto, não se trata de uma formação acadêmica, mas de conhecimento bíblico exaustivo. Em 1Timóteo 3.2, Paulo fala que o oficial deve ser apto para ensinar. Ensinar o quê? A palavra de Deus e a sã doutrina (1Tm 1.10; 2Tm 1.13; 2.2; 3.10). 3. SER ELEITO PELA ASSEMBLÉIA E PASSAR PELO EXAME DO CONSELHO Ninguém poderá exercer o ofício de diácono ou de presbítero na igreja sem ter sido eleito por uma assembleia de igreja local. Não existe a figura do “presbítero ou diácono biônico”, isto é, nomeado por alguém, ou por algum concílio. A eleição de oficiais é de competência exclusiva da assembleia, quando convocada pelo Conselho. Ao Conselho pertence a competência exclusiva de ordenar e instalar, ou não, o eleito. Antes de ser ordenado e instalado no ofício para desempenhar o seu ministério, o eleito será submetido ao exame do Conselho. A CI/IPB preceitua, no Art.114: Só poderá ser ordenado e instalado quem, depois de instruído, aceitar a doutrina, o governo e a disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil, devendo a Igreja prometer tributar-lhe honra e obediência no Senhor, segundo a Palavra de Deus e esta Constituição. O exame é imprescindível para ordenação, pois o oficial ordenado deverá aceitar, obedecer e defender os símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil. Concluindo, para ser escolhidooficial, o homem precisa ser alguém chamado por Deus. O que faz um presbítero ou diácono não é um mandato de cinco anos dado pela assembleia da igreja, mas um chamado especial de Deus. Por isso a Constituição da IPB reconhece que “o mandato é temporário, mas o ofício é perpétuo”. O oficial, também, deve ser alguém que aspira ao trabalho de pastorear o rebanho de Deus. Ser oficial é ser servo de todos. É trabalhar duramente para a edificação da igreja, orando, ensinando, visitando, aconselhando e administrando. E, finalmente, o oficial deve ser alguém com qualificações morais e espirituais. Ele precisa passar pelo crivo ético e da competência doutrinária. 4. O PAPEL DA IGREJA NA ELEIÇÃO DE OFICIAIS A igreja local reunida em assembleia para eleger oficiais tem uma grande responsabilidade diante de Deus e um grande compromisso com o bem espiritual da comunidade. Quando a igreja escolhe e elege mal os seus oficiais, ela mesma é prejudicada espiritualmente. É como diz o ditado: “o povo tem o governo que merece”. Por isso incluímos neste Manual algumas orientações para a Igreja quanto à eleição de oficiais. 1. BASE BÍBLICA Segundo as informações bíblicas, desde o período apostólico, quando as primeiras igrejas foram organizadas, a eleição foi o método estabelecido para a escolha de oficiais da igreja. Sob a orientação dos apóstolos, os membros de uma igreja local elegiam os seus presbíteros: “E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (At 14.23). “Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as cousas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi” (Tt 1.5). Podemos extrair quatro lições destes dois versículos: A eleição de oficiais é uma responsabilidade corporativa. Os apóstolos designavam os critérios, mas quem tinha a responsabilidade de escolher era a congregação. Trata-se de uma imensa responsabilidade espiritual. Não se deve fazer a escolha ou a eleição de oficiais sem a prática da oração e do jejum. A igreja precisa se dedicar ao jejum e a oração antes de escolher os seus oficiais. Veja o exemplo: Jesus mandou que os discípulos pedissem a Deus que mandasse trabalhadores para a seara (Mt 9.37-38), e os discípulos obedeceram (At 1.24-25). A igreja somente deve votar naqueles homens que se enquadram nos critérios espirituais estabelecidos pela Palavra de Deus (1Tm 3.1-13 e Tt 1.5-9). Deus deseja que cada igreja local tenha um conselho de presbíteros. A expressão eleição de presbíteros indica que Deus não quer que a igreja seja governada por uma pessoa sozinha, mas por um conselho de presbíteros (At 20.28). Assim sendo, a Igreja precisa encarar com muita responsabilidade a eleição de oficiais. O progresso da igreja depende de uma liderança escolhida por Deus. Evite eleger oficial usando os seguintes critérios: Simpatia – Eu vou votar em fulano, porque ele é muito simpático. Interesse – Eu vou votar em fulano, porque ele defenderá os nossos interesses no Conselho ou Junta. Faixa-etária – Eu vou votar em fulano, porque ele é novo (ou velho) e a nossa igreja precisa de “sangue novo” (ou gente experiente). Influência – Eu vou votar em fulano, porque me pediram. Família – Eu vou votar em fulano, pois a nossa família precisa ter um representante no Conselho ou Junta. Desinteresse – Eu vou votar em fulano, porque qualquer um serve. Raiva ou vingança – Eu vou votar em fulano, porque ele não gosta do pastor. Politicagem – Eu vou votar em fulano porque ele fez campanha e me pediu o voto. 2. BASE CONSTITUCIONAL A Igreja Presbiteriana é conciliar, isto é, ela é administrada e funciona por meio dos seus concílios. No âmbito da igreja local, o Conselho cumpre essa função. Instituído pela assembleia no ato de constituição eclesiástica da igreja local, o Conselho possui certas competências exclusivas. Todavia, a assembleia também possui competências exclusivas, conforme visto no art. 9º da CI/IPB: A assembleia geral da Igreja constará de todos os membros em plena comunhão e se reunirá ordinariamente, ao menos uma vez por ano, e, extraordinariamente, convocada pelo Conselho, sempre que for necessário, regendo-se pelos respectivos estatutos. §1º - Compete à assembleia: a) eleger pastores e oficiais da Igreja; b) pedir a exoneração deles ou opinar a respeito, quando solicitada pelo Conselho; c) aprovar os seus estatutos e deliberar quanto à sua constituição em pessoa jurídica; d) ouvir, para informação, os relatórios do movimento da Igreja no ano anterior, e tomar conhecimento do orçamento para o ano em curso; e) pronunciar-se sobre questões orçamentárias e administrativas, quando isso lhe for solicitado pelo Conselho; f) adquirir, permutar, alienar, gravar de ônus real, dar em pagamento imóvel de sua propriedade e aceitar doações ou legados onerosos ou não, mediante parecer prévio do Conselho e, se este julgar conveniente também do respectivo Presbitério; g) conferir a dignidade de pastor emérito, presbítero emérito e diácono emérito; §2º - Para tratar dos assuntos a que se referem as alíneas “c”, “e” e “f” do parágrafo anterior a assembleia deverá constituir-se de membros civilmente capazes. Observe que a primeira competência exclusiva da assembleia é eleger pastores e oficiais da igreja. Sem dúvida, cada membro da igreja deveria colocar a eleição de oficiais como uma de suas prioridades espirituais, para o seu bem e para o bom desenvolvimento espiritual da Igreja. Cada irmão precisa levar a sério essa sua responsabilidade diante de Deus. CONCLUSÃO O trabalho de liderança espiritual na igreja é fruto de um chamado divino, concedido a homens frágeis e carentes da graça divina. Paulo declara: “a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3.5). Ele geralmente chama os mais fracos e os capacita para realizar essa obra tão preciosa. Deus concede líderes espirituais à sua igreja (Ef 4.7-16) com o objetivo de promover a edificação e o crescimento. Nesse processo de concessão divina, os vocacionados, os membros da assembleia e o Conselho exercem papéis exclusivos e complementares. Os dois lados, divino e humano, atuam juntos na composição da liderança espiritual da igreja local. Somos responsáveis pelas nossas atitudes e escolhas. Ninguém deve aspirar um ofício sem um chamado de Deus. A igreja não deve escolher e eleger pessoas desqualificadas para o ofício. O Conselho não deve agir de forma relaxada ao encaminhar para a assembleia candidatos para serem escolhidos ou eleitos como presbíteros e diáconos. A humildade é o segredo para esta tarefa tão difícil e de tamanha responsabilidade. Ela é a marca registrada de qualquer servo comprometido com a obra de Deus. E a chave para a humildade está diretamente relacionada com a perspectiva que temos de Deus, pois ele é o dono da seara: “Rogai, pois, ao senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.38). Este Manual do Oficial é uma tentativa de abordar o trabalho do diácono e do presbítero de forma bíblica, confessional e sensata. Entendemos que a qualidade espiritual de uma igreja local passa primeiro pela excelência espiritual da sua liderança. Investir no crescimento da igreja é trabalhar na qualidade dos seus líderes. Que o Senhor da Igreja tenha misericórdia de nós! ANEXO 2 QUESTIONÁRIO DE ORDENAÇÃO O Questionário de Ordenação abrange três áreas em que os candidatos à ordenação e instalação deverão demonstrar proficiência: (1) Conhecimento Bíblico; (2) Símbolos de Fé da IPB – Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Menor; (3) Governo, liturgia e disciplina da Igreja Presbiteriana do Brasil. 1. CONHECIMENTO BÍBLICO A ordem dos 66 livros da Bíblia Divisões do Antigo e Novo Testamento Autores dos livros da Bíblia Esboço da Cronologia Bíblica (Dos patriarcas até os Apóstolos) Esboço da Vida de Jesus Identificar alguns personagens da Bíblia 2. SÍMBOLOS DE FÉ DA IGREJA (DOUTRINA) O Candidato deve expor resumidamente a doutrina acompanhada de sua base bíblica.Inspiração e autoridade bíblica Revelação, inspiração e iluminação A Pessoa de Deus e a Trindade Origem e natureza do homem Pecado Original e Queda Os decretos de Deus: Eleição A Doutrina do Pacto Jesus: Pessoa e Obra Salvação, Santificação e Glorificação Espírito Santo: pessoa e obra A Igreja: origem, natureza e missão Os Sacramentos: Batismo e Santa Ceia A Segunda Vinda de Cristo Ressurreição e Juízo Final Os Cinco Pontos do Calvinismo 3. GOVERNO, DISCIPLINA E LITURGIA O Candidato deve apresentar conhecimentos aplicáveis à vida diária da Igreja: Origem do Presbiterianismo no mundo e no Brasil Os Ofícios e Concílios da IPB Assembleia da Igreja: tipos e competências As faltas e penalidades do Código de Disciplina A posição oficial da IPB sobre: divórcio, homossexualismo, ecumenismo, ordenação feminina e aborto Os princípios litúrgicos da IPB sobre: o dia do Senhor, tipos de culto, administração dos sacramentos, benção matrimonial, funeral e ordenação de oficiais ANEXO 3 TERMO DE COMPROMISSO NA ORDENAÇÃO O Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros providenciará um livro em que o recém-ordenado, logo após a sua ordenação e instalação, subscreverá o compromisso de bem e fielmente servir no ofício sagrado. TERMO DE COMPROMISSO Eu_________________________________________eleito pela assembleia da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em ___/___/_____, para o ofício de___________________, e hoje ordenado e instalado pelo Conselho desta Igreja, assumo o seguinte compromisso: Comprometo-me a exercer, com fidelidade e zelo, o ministério que o Senhor me concedeu, para trabalhar na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Creio, aceito e obedeço a Bíblia como única regra de fé e prática. Aceito e me comprometo a ensinar e defender o sistema de doutrina da Igreja, conforme exposição da Confissão de Fé de Westminster e os Catecismos Maior e Breve. Aceito e me comprometo a cumprir o sistema de governo da Igreja Presbiteriana do Brasil, os seus Princípios de Liturgia e o Código de Disciplina. Prometo obedecer às autoridades da Igreja enquanto elas permanecerem fiéis as Escrituras Sagradas. _________________________________ Oficial São Paulo,_______/_______/_________ ANEXO 4 LEITURAS RECOMENDÁVEIS PARA ORDENAÇÃO A recomendação bíblica é que um oficial seja dedicado à leitura. Paulo recomenda a Timóteo: “Até a minha chegada, aplica-te a leitura, a exortação, ao ensino” (1Tm 4.13). O Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros recomenda aos candidatos ao ofício de presbítero e diácono as seguintes leituras: Bíblia Sagrada (leitura anual) Confissão de Fé de Westminster e Catecismos Maior e Breve Manual Presbiteriano (Constituição, Princípios de Liturgia e Código de Disciplina). Coração de PastorJohn Sittema – CEP O Chamado para Líderes CristãosJohn Stott – CEP Teologia SistemáticaLouis Berkhof - CEP Os Pioneiros Presbiterianos do BrasilAlderi de S. Matos - CEP O Líder que Deus UsaRussel Shedd – Vida Nova O Que Todo Presbiteriano Inteligente deve SaberAdão Carlos – SOCEP Liderança em tempos de CriseCharles Swindoll – Mundo Cristão Redescobrindo o Ministério PastoralJohn MacArthur, JR – CPAD O Sistema PresbiterianoW. H. Roberts – CEP O Diário de SimontonCEP A Vida de João CalvinoAlister McGrath O Presbítero RegenteSamuel Miller – Editora Os Puritanos ¹Lidório, Ronaldo A. Teologia, Piedade e Missão: A influência de Gisbertus Voetius na missiologia e no plantio de igrejas. São Paulo: Heziom, 2021, p. 11 ²Autor desconhecido ³Brown, Colin – O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982, p. 171. ⁴Hendriksen, W. Comentário do Novo Testamento: Romanos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 52. ⁵Wiersbe, W.W. Comentário Bíblico Expositivo. Novo Testamento – Volume 1. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2007, pp. 674-676. Willard, Dallas. A Grande Omissão. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008, pp.18-19. ⁷Boice, James M. O Discipulado Segundo Jesus. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p.15. ⁸Hendriksen, Wiliam. Comentário do Novo Testamento. Mateus – Volume 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 700. Lopes, Hernandes D. Mateus: Jesus o Rei dos reis. São Paulo: Hagnos, 2019, p. 821. ¹ Para conhecer de forma mais detalhada esses princípios, veja: Casimiro, Arival D. Plante Igrejas. Princípios Bíblicos para Plantação e Revitalização de Igrejas. Santa Barbara do Oeste, SP: Z3 Editora, 2012. ¹¹Barclay, William. Hechos de Los Apostoles. Buenos Ayres: Associacion Editorial La Aurora, 1974, p.11. ¹²M. Tenney apresenta informações interessantes em seu livro: O Novo Testamento: sua origem e análise, p. 237-258. ¹³Reisingier, E. C. Today`s Evangelism: Its Message and Methods. Phillipsburg, Craig Press, 1982. ¹⁴Reeder, Harry L. A Revitalização da sua igreja segundo Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 28. ¹⁵Schreiner, Thomas R. Teologia de Paulo: o apóstolo da glória de Deus em Cristo. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015, pp.33-34. ¹ Lopes, Hernandes D. 1 e 2 Tessalonicenses – Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo, Hagnos, 2008, pp.50-51. ¹⁷ Lopes, Hernandes D. 1 e 2 Tessalonicenses – Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. São Paulo, Hagnos, 2008, pp. 54-57. ¹⁸Símbolos de Fé de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2018, p. 87. ¹ Wiersbe, W.W. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, Volume II – Histórico. Santo André, SP, Geográfica Editora, 2006, pp.615-620. ² Lopes, Hernandes D. Neemias: o líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2014, pp. 31-37. ²¹Bíblia da Liderança Cristã. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007, pp. 430-431. ²²Berkhof, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: LPC, 1996, p. 590. ²³Calvino, João. As Institutas da Religião Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006. p. 71, vol. 4 Cover Page A Grande Comissão Prefácio Introdução 1. O EVANGELHO, A EVANGELIZAÇÃO E O EVANGELISTA 2. DISCIPULADO CONTÍNUO 3. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA 4. O PLANTADOR DE IGREJAS 5. MANUAL PARA PLANTAÇÃO DE IGREJAS 6. DEUS USA PESSOAS PARA REVITALIZAR SUA IGREJA Conclusão Bibliografia Anexo 1 - O manual do Oficial Anexo 2 - Questionário de ordenação Anexo 3 - Termo de compromisso na ordenação Anexo 4 - Leituras recomendáveis para ordenação