Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

João Calvino
As obras e a lei espiritual
1ª edição
FIDEbooks
2024
Copyright © 2024 por Instituto Fide.
Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Instituto Fide.
Proibida a reprodução por quaisquer meios, salvo em breves citações, com indicação da fonte.
●
As citações bíblicas são da Almeida Revista e Atualizada (ARA), salvo leves modificações e a menos que seja especificada outra
versão da Bíblia Sagrada.
●
Autor: João Calvino
Tradução: Fabrício Guimarães
Publisher: FIDEbooks Publicações
Editor: Saulo de Tarso
Produção editorial e preparação: Carlos Lima
Revisão: Larissa Lima
Diagramação: Carlos Lima
Capa e Projeto gráfico: João Almeida
Produção de ebook: FIDEbooks Publicações
●
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
CALVINO, João. As obras e a lei espiritual / João Calvino. – Traduzido por Fabrício Guimarães — 1.ed. – GO. Editora
FIDEbooks, 2024.
14 x 21 cm.
1. Teologia. 2.Soteriologia. 3. Vida Cristã. 4. Cosmovisão.
Índice para catálogo sistemático:
1. Teologia: Vida cristã.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO A EDIÇÃO BRASILEIRA 5
1 | Revelando a hipocrisia humana 9
2 | A Lei e a consciência humana 15
3 | O caminho da transformação 31
"Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia,
idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões,
facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das
quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de
Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.
Contra estas coisas não há lei.
(Gálatas 5:19-23)
Introdução a edição brasileira
Ao longo da história da humanidade, temos testemunhado uma batalha constante entre o
bem e o mal, entre a virtude e o pecado. Esta manhã, mergulhamos nas profundezas dessa
batalha, explorando como os homens são frequentemente cegados pela própria hipocrisia e
orgulho, ignorando sua condição de inimizade com Deus e sua propensão à maldade. Através das
palavras do apóstolo Paulo, confrontamos a verdade desconfortável de que nossas vidas são um
testemunho de nossa natureza corrupta, revelando nossos pecados mais profundos, mesmo que
tentemos ocultá-los sob uma máscara de retidão.
O texto de referência nos leva a uma reflexão penetrante sobre a natureza humana e sua
relação com o divino. Calvino nos desafia a reconhecer a manifestação do pecado em nossas
vidas, a reconhecer que nossas ações são sintomáticas de uma condição espiritual deteriorada.
Ele nos lembra que não podemos escapar da verdade que Deus conhece, que nossos esforços
para dissimular nossos pecados são em vão diante da presença onisciente do Criador.
À medida que mergulhamos mais fundo nessa exploração, somos confrontados com a
necessidade urgente de examinar nossas próprias vidas à luz da verdade divina. Não podemos
nos dar ao luxo de permanecer na ignorância autoimposta; devemos confrontar a realidade de
nossa depravação moral e buscar a transformação que só pode vir através da graça de Deus.
Neste livro, vamos nos adentrar em uma jornada de autoconhecimento e busca por
redenção. Vamos explorar as complexidades da natureza humana e descobrir como podemos
romper com a hipocrisia que nos aprisiona. Ao longo do caminho, vamos nos deparar com
verdades desconfortáveis, mas essenciais, que nos desafiarão a crescer em direção à verdadeira
santidade.
No primeiro capítulo, vamos nos aprofundar na análise das obras da carne conforme
delineadas pelo apóstolo Paulo. Exploraremos como nossas ações e comportamentos revelam a
verdade sobre nossa natureza interior. Ao examinar os exemplos de pecado apresentados,
confrontaremos nossa própria propensão para o mal e reconheceremos a necessidade de uma
mudança radical em nossas vidas.
No segundo capítulo, exploraremos a função da lei divina e sua capacidade de nos
confrontar com a verdade sobre nós mesmos. Investigaremos como a lei não apenas proíbe ações
específicas, mas também expõe os padrões morais pelos quais devemos viver. Ao confrontar
nossa consciência com os padrões divinos, seremos levados a uma compreensão mais profunda
de nossa necessidade de redenção.
Por fim, no terceiro e último capítulo, vamos explorar o caminho da transformação
espiritual. Investigaremos como podemos romper com a hipocrisia e abraçar uma vida de
verdadeira santidade. Ao reconhecer nossa dependência da graça divina, seremos capacitados a
viver de acordo com os padrões de retidão estabelecidos por Deus.
Ao longo deste pequeno, mas importante livro, seremos desafiados a confrontar
nossos próprios pecados e a abraçar a verdade libertadora do evangelho. Que este a mensagem
aqui exposta sirva como um guia para todos os que buscam escapar da armadilha da hipocrisia e
abraçar uma vida de integridade e santidade diante de Deus. Que possamos, juntos, trilhar o
caminho da verdadeira transformação espiritual, encontrando graça e redenção no Salvador que
nos ama. Soli Deo Gloria.
1 | Revelando a Hipocrisia Humana
Vimos nesta manhã que os homens são condenados aos olhos de Deus porque tudo o que
procede do homem está contaminado e imundo. Agora, se Deus é o autor de toda perfeição,
segue-se que tudo o que é contrário à sua natureza ou à sua Palavra é totalmente corrupto.
Portanto, há uma constante batalha da carne contra o espírito; pois, se os homens seguissem seus
próprios caminhos, seriam inimigos mortais de Deus por toda a vida. Por esse motivo, podemos
apenas concluir que os homens estão cheios de maldade e iniquidade. Quando ouvimos essa
sentença pronunciada, devemos sentir-nos completamente envergonhados; pois aqui está o
decreto de nosso juiz celestial, e não é lícito contestá-lo, pois Deus fala com autoridade. Quando
ele declara que somos maus e perversos por natureza, ele cumpre sua função; pois é nosso dever
prestar contas a ele. No entanto, os homens estão tão cegos em sua hipocrisia e orgulho que não
se importam se provocaram a ira de Deus contra si mesmos. Isso ocorre porque todos nós nos
vangloriamos e alimentamos os nossos pecados. Portanto, a única maneira pela qual podemos
conhecer verdadeiramente nossos pecados é pela força de Deus. Mesmo assim, fazemos uso de
técnicas ardilosas e subterfúgios. E o que é pior, buscamos descaradamente desculpas frívolas,
como se elas fossem agradáveis a Deus! Portanto, não basta ouvir a sentença geral de
condenação vinda de Deus pronunciada contra nós; precisamos que ele revele nossa própria
vileza, que faça com que nos envergonhemos de nós mesmos. Precisamos que ele seja específico
e aponte o dedo para os pecados que são aparentes e óbvios para as pessoas ao nosso redor.
Portanto, Paulo, tendo dito nesta manhã que todos os pensamentos e sentimentos dos
homens lutam contra Deus, agora acrescenta a declaração que acabamos de ouvir. Ele nos diz
que a aparência do fruto nos permite avaliar a condição da árvore, embora a parte mais
importante, a raiz, esteja oculta. Assim como a árvore é conhecida por seus frutos, o pecado que
reina em nós e em nossa natureza é visto pelas obras que produzimos. Assim, podemos ver por
que Paulo diz aqui que ‘as obras da carne são manifestas’.
É como se ele estivesse dizendo que as pessoas deliberadamente fecham os olhos para
obscurecer seu próprio mal e se enganam pensando que estão cheias de nada além de virtude,
embora estejam se afogando em tantos vícios terríveis. Por mais que possamos protestar,
procurar desculpas diferentes, limpar a boca e disfarçar a maneira como as coisas realmente são,
ainda temos que voltar ao fato de que nossas vidas declaram, em alto e bom som, o tipo de
pessoas que somos. Assim, as obras da carne são realmente manifestas. Agora isso é suficiente
para repreender aqueles que procuram se esconder atrás de uma camada de maquiagem, por
assim dizer, como se fossem inocentes aos olhos de Deus. É verdade que Paulo não fornece aqui
uma lista completa dos pecados que Deus condena nalei, mas ele recita exemplos pelos quais
podemos facilmente julgar o resto. Além disso, teria sido um procedimento demorado se Paulo
quisesse enumerá-los dessa maneira. Como veremos, no entanto, essa lista é suficiente para
convencer todos aqueles que pensam que podem lucrar com sua hipocrisia.
Para entender melhor tudo isso, precisamos estar cientes do que é andar em obediência a
Deus. No segundo capítulo de Tito, versículo onze, é dito que a graça de Deus foi revelada para
que pudéssemos andar neste mundo em santidade, temperança e retidão, enquanto aguardamos a
vida que Deus nos prometeu e o retorno do nosso grande Salvador, que nos reunirá a si mesmo
em seu reino celestial. A isso os cristãos devem ficar atentos acima de tudo.
Eles devem estar exercitados nessas coisas; ou seja, no conhecimento de que este não é o
lugar de nosso descanso eterno, nem nossa herança. Este mundo é como uma terra estrangeira
pela qual devemos viajar, enquanto nossos olhos estão fixos no céu. Esta é a coisa mais
importante. No entanto, isso não pode ser alcançado a menos que os crentes invoquem a Deus e
recorram somente a ele. Quanto às nossas vidas, Paulo fala de três coisas específicas: existe a
santidade, o que significa que servimos a Deus com um coração puro, com integridade e
honestidade, renunciando a toda poluição deste mundo. Este é o primeiro ponto. Em segundo
lugar, não devemos nos tornar mundanos ou profanos, mas levar uma vida honesta. O terceiro é
que não prejudiquemos ninguém, que nunca pratiquemos engano ou crueldade, mas que
procuremos, antes, servir nossos vizinhos. A vida de um cristão deveria ser assim.
Agora, aqui Paulo diz que, para aqueles que não reconhecem que estão em completa
inimizade com Deus e cheios de malícia e rebelião, é necessário um teste simples. Se
examinássemos suas vidas, descobriríamos que alguns são dados à fornicação, outros são
beberrões, outros são entregues a todo tipo de maldade, alguns são assassinos, outras são bruxas,
alguns provocam revoltas, outros são cheios de ambição, alguns ainda só buscam semear
discórdia e criar problemas e seitas que pervertem a verdade de Deus por meio de sua corrupção.
É isso que encontraremos se olharmos para a vida dos homens. Agora, o que eles ganharão
reclamando de Deus e procurando esconder sua infâmia discutindo? Se eles não confessarem
isso com a boca, suas vidas falarão. Suas vidas, com todas as obras que os vemos realizar, serão
um testemunho do que dissemos; assim, não pode haver mais debate. 
Além disso, quando Paulo diz que as obras da carne são manifestas, ele não quer dizer
que todos aqueles que Deus permite que sigam seu curso natural, e que não são guiados pelo
Espírito Santo, são culpados de cada pecado mencionado aqui. É mais provável que uma pessoa
seja corrupta na medida em que será entregue primeiro a um pecado, depois a dois ou três,
conforme a ocasião surgir. Assim, existem muitos pagãos e incrédulos que não temem a Deus e
nunca foram instruídos em sua Palavra, que ainda assim têm aparência de virtude e retidão. No
entanto, isso não significa que eles estejam livres de corrupção, pois se a infecção estiver oculta e
escondida dentro deles, então terão um tumor que acabará por apodrecer cada parte sua. Pois a
natureza do homem não conhece fronteiras, nem limites; tudo é confusão desenfreada. É isso que
devemos reter desta passagem; e, para que nenhum de nós seja enganado pela hipocrisia,
precisamos olhar bem para nós mesmos e examinar nossas vidas diligentemente. Então seremos
levados a baixar nossas cabeças e fechar a boca, sabendo que somos totalmente miseráveis e
dignos de condenação.
É verdade que nada do que Paulo lista aqui é aparente, e talvez não possamos ser
acusados diante dos homens; mas ainda que pareçamos externamente como anjinhos, ainda
somos maus e perversos, até que Deus nos transforme. É justo que não seja da vontade de Deus
que fiquemos sem testemunho em nossas vidas para nos abater e fazer com que sejamos levados
a nos condenar voluntariamente.
2 | A Lei e a Consciência Humana
Agora veremos como aplicar essa doutrina. Se pensamos que somos dignos de alguma
forma e não percebemos nossa própria pobreza, vamos examinar nossas vidas e fazer uma
comparação entre nossas próprias ações e tudo o que Deus condenou e proibiu. É nesse momento
então que teremos uma boa imagem de nossa maldade e sujeira; em vez de pensarmos que
estamos cheios de pureza e perfeição, como fizemos antes, Deus revelará aos nossos olhos que
estamos cheios de iniquidade. No entanto, depois de reconhecermos um pecado, depois dois,
depois três, devemos concluir que isso nem sequer é a centésima parte dele. Pois sempre
apresentamos uma visão embaçada quando se trata de nos conscientizarmos de nossa própria
pobreza. Mesmo quando vemos claramente nossas obras, devemos ser capazes de prosseguir até
a sua fonte.
Algumas pessoas são tão estúpidas que acham que serão aceitas desde que não sejam
culpadas de fornicação, ou enquanto a embriaguez permanecer encoberta, ou desde que a fraude
tenha sido realizada de maneira tão secreta e cuidadosa que ninguém a tenha percebido. A
intenção de Paulo, no entanto, ao dizer que as obras da carne são manifestas, não é lisonjear os
homens, dizendo-lhes que um pecado pode permanecer sem condenação até que seja detectado.
Pois, como eu disse, um pecado leva a outro. Portanto, se fornicação, embriaguez, roubo,
assassinato, traição, blasfêmia contra Deus, conflito e rebelião são coisas detestáveis em si
mesmas, podemos concluir que o mesmo se aplica à impiedade, ambição, ao orgulho ou a um
senso exagerado de autoestima que permanecem ocultos no coração. A cobiça, por meio da qual
desejamos as coisas que pertencem aos outros, é outro pecado que devemos condenar. Em suma,
as ações externas dão testemunho do fato de que estamos cheios de infecção aos olhos de Deus.
Onde isso é visto? Em nossos desejos, em nossos conselhos, em nossos pensamentos e em todos
os nossos empreendimentos; podemos ver que essas coisas nascem de uma fonte maligna.
Assim, somos atraídos pelo conhecimento de nossos pecados, o que nos deixa
completamente envergonhados diante de Deus. Ele usa o mesmo método de instrução da lei. Lá,
Deus não proíbe apenas a fornicação, mas ele proíbe o adultério. À primeira vista, parece que o
Senhor não proíbe trapaça ou saque. Em vez disso, o que ele condena? Roubo. Ele não proíbe
mentir, mas apenas prestar um falso testemunho. Assim, para aqueles que nada sabem do poder
da lei, parece que eles cumpriram seu dever quando se abstiveram desses crimes específicos. Por
essa razão, Paulo diz que, por um tempo, ele pensou que era o mais justo, como se Deus não
pudesse ter descoberto nada nele pelo qual fosse achado reprovado (Romanos 7:7). Assim, os
hipócritas se embriagam de orgulho e ficam completamente loucos se Deus os repreende, pois
acham que ele os prejudica equivocadamente. Por quê? Porque eles não entendem a natureza da
lei. Ela é espiritual, diz Paulo, o que significa que devemos ser totalmente transformados antes
que possamos nos submeter a ela (Romanos 7:14). Enquanto seguirmos nossa natureza carnal,
tudo o que pensamos, tudo o que fazemos e dizemos, só pode ser pecado aos olhos de Deus.
Portanto, não devemos olhar simplesmente para o termo empregado pela lei. Pois,
quando Deus nos dá o exemplo do adultério, ele também buscava fazer com que qualquer
fornicação nos parecesse detestável, pois se os votos do casamento são quebrados e violados, é
uma perversão de toda lei e ordem entre os homens. Por esta palavra 'adultério', portanto, Deus
está mostrando que detesta toda impureza sexual e falta de recato. Diz-nos também: 'Não
matarás'. Não é, portanto, lícito brigar? De modo nenhum; nem mesmo odiar, de acordo com
João, que nos diz que se alguém odeia secretamente o próximo, mesmo que nunca o atormente,
nem levante um dedo contra ele, é um assassino aos olhos de Deus (1 João 3:15). Assim, pela
palavra 'assassinato', Deus está condenando qualquer dano que possamos causar aos nossos
vizinhos.Portanto, mesmo que não possamos levantar um dedo para machucá-los, se os
odiarmos ou tivermos má vontade para com eles, somos culpados de assassinato aos olhos de
Deus. O mesmo se aplica ao roubo; ladrões não são apenas pessoas que açoitamos e penduramos,
e cujas orelhas cortamos. Estes, digo-vos, não são os únicos ladrões aos olhos de Deus. Mesmo
aqueles que buscam criar uma reputação como boas pessoas e são altamente respeitados – se eles
enganam e traem seus vizinhos, embora não possam ser acusados de roubo por causa de sua alta
posição aos olhos dos homens, são, no entanto, ladrões diante de Deus. O mesmo se aplica a
todos os outros pecados.
Nesta passagem, onde Paulo diz que as obras da carne são manifestas, sua linha de
instrução se move dos pecados mais graves para os menores. Uma vez convencidos de nossa
pobreza e pecado, e uma vez que descobrimos nossa própria condição vergonhosa, para que
fiquemos sem palavras, devemos então ser convencidos de outro ponto: é preciso perceber que
todos os apetites que nos levam a praticar o mal, seja roubo e crueldade, engano e perjúrio, ou
ódio e inimizade – todas essas coisas devem ser igualmente condenadas. Pois a árvore ainda é
má, mesmo que não vejamos seus frutos à primeira vista; a árvore tem sua própria natureza, mas
a única maneira de julgar a natureza da árvore é por seus frutos. Agora, isso é digno de nota,
porque, como eu disse, embora Deus obrigue os homens a se condenarem, apenas metade deles o
fará. Eles desejam que tudo o que não é aparente para os outros seja esquecido, para que
nenhuma menção seja feita. A pessoa condenada por ter feito o mal sem dúvida nunca perdoará
seu próprio pecado se for forçada a confessá-lo.
No entanto, não faz questão de se examinar voluntariamente para sentir o julgamento de
Deus contra ela. Ela não pensa no que merece, nem considera as muitas tentações pelas quais
passou antes de cometer esse ato, e as centenas de vezes que ofendeu a Deus antes que seu
pecado se tornasse aparente para todos.
Devemos, portanto, prestar mais atenção a esse aviso sobre o qual comentei;
especialmente porque os doutores Papistas demonstram excessiva estupidez dizendo que não é
pecado pensar o mal ou ser tentado a praticá-lo, desde que não consinta em fazê-lo. Um homem
pode ser tentado a enganar o próximo de alguma maneira; ele pode ter uma queixa ou frustração
que o faz querer se vingar da pessoa que o ofendeu. Se a ocasião surgisse, ele ficaria encantado.
Isso não é pecado, dizem eles, a menos que ele tenha consentido com a tentação com
determinação. Eles estão apenas limpando a boca como prostitutas, ou mostrando o focinho
como porcos, depois de se afundarem na lama e na sujeira. Um homem pode murmurar contra
Deus e ficar zangado com ele, e duvidar que o Senhor cuidará dele; ele pode ser perturbado por
muitos pensamentos desconfiados, para que ele não possa encontrar refúgio em Deus; mas
nenhuma dessas coisas é pecado, de acordo com os papistas. Não estou dizendo que o rebanho
comum seja o único a ser enganado nessas questões, pois todas as suas escolas mantêm a
doutrina e a crença de que isso não é pecado. Eles dizem que tudo é pecado antes do batismo;
mas depois do batismo, tudo se torna virtuoso, por mais que duvidemos de Deus, ou por mais
queixas que tenhamos contra ele. Podemos estar muito impacientes com ele, ou agitados sobre
esse assunto ou aquilo – mas não podemos ser acusados se não tivermos sido levados a praticar o
mal externamente! Em resumo, se estamos inclinados a tudo o que Deus condena e reprova em
sua lei – tudo o que é ilegal – isso não é nada. É compreensível que eles creiam em coisas tão
estúpidas! Afinal, eles fizeram ídolos e estátuas grotescas para adorar, e agora suas mentes se
obscurecem à medida que se divertem em torno de seus deuses, zombando de nós, como de uma
criança enquanto esta fala de retidão e integridade. Portanto, não devemos nos surpreender se
essas pessoas se comportarem assim. Porque eles falsificaram a glória de Deus e a destruíram,
eles devem ser completamente brutos. 
Quanto a nós, notemos as palavras que já citei do apóstolo Paulo, a saber, que a lei é
espiritual. Se somos condenados como rebeldes contra Deus por causa de atos externos visíveis,
lembre-se de que Deus encontrará um número infinito, de fato, um abismo de maus desejos, se
contorcendo dentro de nós, embora eles não sejam considerados pelos homens como algo que os
torna culpados. Devemos, portanto, concluir que, em tudo e de todas as formas, somos afogados
na perdição, até que Deus tenha piedade de nós e nos atraia. A maneira de aplicar este texto de
Paulo às nossas instruções é a seguinte: na medida em que desconhecemos os pecados que nos
espreitam, é necessário que Deus venha e examine nossas vidas. Depois disso, aprenderemos a
nos humilhar. Então, quando vemos os pecados que são conhecidos e evidentes para todos, e que
não podem ser desculpados, mesmo aos olhos das crianças, podemos ser levados ainda mais
longe a sondar as profundezas e reconhecer que todos os nossos apetites e pensamentos são
como muitas rebeliões contra Deus. No entanto, se cada um de nós tivesse mais cuidado em se
examinar dessa maneira, todos certamente teríamos ocasião de tremer e suspirar; toda arrogância
e orgulho seriam descartados e teríamos vergonha de todos os aspectos de nossas vidas. Mas
sabemos que cada um de nós se afasta o máximo possível de qualquer conhecimento de nossos
pecados; jogamos todos eles para longe de nossa presença. Deus não os esquece; embora
possamos querer que eles sejam esquecidos, ele precisa mantê-los em memória. É para isso que
Paulo atrai nossa atenção nesta passagem.
Além disso, podemos ver a tolice e a ignorância (ou melhor, a estupidez) dos Doutores do
Papado, na medida em que acreditam que a palavra "carne" se refere apenas à natureza sensual
do homem (como a chamam); pois é assim que eles dividem. Eles admitem que os apetites que
eles chamam de "inferiores" são muito corruptos, mas acreditam que, enquanto tivermos livre-
arbítrio, restará algum grau de razão e inteligência dentro de nós.
Segundo os papistas, a sensualidade do homem se manifesta quando não é guiado por sua
própria razão, mas se dedica excessivamente à impureza sexual, embriaguez, gula ou algo assim.
No entanto, aqui, Paulo coloca a ambição no mesmo plano. Por que mais os homens invejam uns
aos outros e competem pela superioridade um do outro, desejando ser os mais sábios ou mais
inteligentes? Não é porque cada um deseja ser estimado aos olhos do mundo? Isso é menos digno
de condenação do que fornicação ou embriaguez? Se um pobre coitado que adora comer e beber
fica muito bêbado, bem, ele continuará seu caminho alegre; ele não pede para ser rei ou um
grande senhor – ele simplesmente desperdiça seu tempo. Outro viciado em jogos de azar vai
jogar com malandros como ele, sem ser tentado pela ambição e pelo desejo de possuir grande
honra. Portanto, aqueles que são considerados os mais honrosos e que pensam bem de si mesmos
são os mais carnais, diz Paulo. Vimos na Primeira Epístola aos Coríntios que ele os acusava de
serem carnais, porque eles debatiam uns com os outros sobre assuntos doutrinários, e tinham um
desejo tolo de serem valorizados e notados pelos homens (1 Coríntios 3: 3).
De fato, ele menciona 'conflitos e divisões' lá também. Se um homem perturba a igreja de
Deus com falsas doutrinas, por desdém pelos outros ou por um desejo de aclamação e reputação,
os papistas não diriam que ele era carnal. Eles diriam que ele era esperto demais; mas Paulo diz
que heresias, ambição e emulações são obras da carne. Isso prova o que dissemos nesta manhã,
que a palavra "carne" inclui tudo o que diz respeito ao homem. Seremos completamente
entregues ao mal, a menos que sejamos transformados.
Como eu já disse, é verdade que pagãos e incrédulos sempre serão considerados
virtuosos, embora Deus tenha soltado suas rédeas e não os tenha regenerado por seu Espírito
Santo. De fato, encontraremos algum grau de decência presente em suas vidas; nomínimo, nem
todos serão fornicadores, ou bêbados ou ladrões. Portanto, como Paulo pode dizer que eles são
carnais? Porque o coração do homem é um poço profundo de iniquidade, como Jeremias diz,
sem suporte ou margem; o profeta exclama: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas,
e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Só Deus (Jeremias 17:9).
Os homens se vangloriam, como sabemos, e cometem atos perversos com impunidade;
eles são tão endurecidos pelo pecado que acumulam mal sobre mal e erro sobre erro,
considerando que seus vícios são virtudes. Ainda assim, suas vidas podem ter uma aparência
atraente e brilhante. Dessa forma, não podemos dizer que aqueles que não foram ensinados na
verdade serão justificados. Paulo disse no primeiro capítulo aos romanos que o mundo inteiro é
culpado de impiedade e ingratidão, já que Deus se revelou a todos sem exceção, o suficiente para
deixá-los sem desculpa (Romanos 1:20). Ele acrescenta: “porquanto, tendo conhecimento de
Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram insensatos em
seus próprios raciocínios, e o coração insensato se obscureceu.” (Romanos 1:21); portanto, ele os
abandonou como réprobos, e os deixou seguir após as suas próprias luxúrias e iniquidades. Paulo
continua recitando todas as coisas detestáveis que eles fazem. Entre outras coisas, ele fala de
assassinato, fornicação e outras coisas más e corruptas que não devemos mencionar.
Depois disso, ele fala de inveja, como nesta passagem, e daqueles que inventam coisas
más; de engano, calúnia, malignidade, contendas e pelejas. É claro que nem tudo isso está em
evidência em todo incrédulo! No entanto, Paulo nos diz que todos os incrédulos, dos maiores aos
menores, são ingratos a Deus e lhe roubaram a honra que lhe é devida. Por isso, eles são
culpados de sacrilégio, porque retiraram tudo o que lhe pertence. Assim, ele lhes dá o salário que
eles mereciam, devido ao fato de que as sementes de todo pecado residem na natureza do
homem.
Contudo, embora os homens estejam cheios de tantos vícios quanto podemos imaginar,
Deus ainda mantém as rédeas firmes e não permite que os homens se lancem completamente na
iniquidade. Por causa disso, muitos incrédulos não são controlados por seus sentidos naturais; de
fato, muitos são castos e modestos; eles não roubam os bens dos outros, mas são sóbrios e retos.
Em resumo, possuem muitas virtudes de acordo com a opinião do mundo. Por que, então, eles
são condenados junto com os fornicadores, ladrões e bêbados? É porque eles não têm essas
virtudes por causa do desejo de obedecer a Deus, uma vez que não há integridade em seus
corações. Eles são retidos pela vergonha ou por algum outro motivo desconhecido para nós.
Dessa maneira, Deus poupa a raça humana, para que as coisas não fiquem em estado de confusão
e os homens não sejam totalmente brutais. Deus está no controle desses incrédulos na medida em
que todas as suas virtudes, sejam elas quais forem, permanecem vícios. Portanto, na primeira
oportunidade, quando Deus libera suas rédeas, eles se envolvem em todos os tipos de males.
Podemos dizer que os crentes podem ser facilmente ridicularizados. De fato, porém Deus
prometeu conceder força a eles para perseverar. Além disso, há uma grande diferença entre os
filhos de Deus, que são guiados por Seu Espírito Santo, e os incrédulos, que ainda são carnais.
Os filhos de Deus anseiam e pretendem dedicar-se a ele e ser verdadeiramente purificados por
sua graça. Os outros andam sem rumo e, se são bons, mal sabem o porquê! Eles chamarão isso
de 'virtude', mas não têm Deus em mente porque estão longe d’Ele. É disso que precisamos
lembrar desta passagem.
Por outro lado, Paulo diz que “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fidelidade” (Gálatas 5:22) e coisas semelhantes. É como se ele estivesse
dizendo que, em função de nossa grande perversidade e do fato de estarmos cheios de maldade e
corrupção, há aqui o suficiente para nos exercitar de maneira a garantir que não ficaremos
ociosos pelo resto de nossas vidas! A batalha contra o nosso pecado é suficiente para nos ocupar
dia e noite. No entanto, também somos ordenados a ser gentis e de boa índole, a viver uma vida
sóbria e casta e a evitar que sejamos poluídos. Devemos nos entregar como um sacrifício a Deus
e abster-nos de tudo o que causaria algum dano. Em vez de buscar o desenvolvimento próprio,
devemos fazer tudo o que pudermos para ajudar e confortar aqueles que precisam de nós.
Quando vemos que todas essas coisas são esperadas de nós, perguntamos, é possível conseguir
isso? De modo nenhum; de fato, precisamos ser transportados para o céu, a fim de nos
aproximarmos de Deus.
A santidade que Deus exige na lei e todas as boas obras que ele requer de nós têm sua
justificativa porque ele está buscando uma união entre nós e ele. Mas onde estão as asas para
voar tão alto? Pois não podemos ser castos, nem benignos, nem gentis, nem temperantes, nem
sóbrios, a menos que renunciemos ao mundo e a nós mesmos e descartemos tudo o que somos
por natureza. No entanto, isso está além de nossas faculdades. Portanto, há muita coisa aqui que
poderia nos assustar.
Portanto, Paulo conclui dizendo que "contra tais não há lei". Em outras palavras, se
somos verdadeiramente guiados pelo Espírito de Deus, não estamos mais debaixo da lei. Aqui,
Paulo encoraja todos os crentes que sentem sua própria fraqueza até o momento em que deixarão
seus corpos mortais para trás. Deus ainda os apoia, e o serviço deles é aceitável para ele, mesmo
que eles não sejam completamente regenerados ao ponto de alcançarem a perfeição. Portanto,
eles devem perseverar; caso contrário, serão perturbados e cairão em desespero. Paulo, portanto,
nos exorta a sermos constantes aqui, nos dizendo que, se formos guiados pelo Espírito de Deus,
não estaremos mais sujeitos à lei.
No entanto, ao mesmo tempo, ele está zombando indiretamente daqueles com quem tem
uma desavença, como vimos nesta manhã, pois eles anunciavam suas virtudes com grandes
fanfarras! É assim no Papado hoje, onde falar de santidade e do serviço a Deus se resume a boas
ações e guardar muitas cerimônias. Em outras palavras, eles se preocupam com bobagens
triviais. Um Papista se envolverá nisso e naquilo – ele se curvará a uma estátua e depois seguirá
em direção à próxima. Os fanáticos acendem suas velas, aplicam a água benta várias vezes,
fazem o sinal da cruz repetidamente aqui, ali e em qualquer lugar, e certificam-se de guardar dias
de festa. Eles se sobrecarregam com todas essas coisas para se redimirem através de missas ou
outras abominações. É assim que Deus é servido por eles e honrado! Para os Papistas, a perfeição
consiste naquilo que nada mais é do que uma mentira; as velas devem ser atraentes, os órgãos
devem soar de forma adequada, convém que haja muitos desfiles, as estátuas devem ser bem
douradas, precisam preparar suas fragrâncias e satisfazer todos os demais tipos de loucuras. Isso
é tolice, de fato, abominação, embora possam considerá-lo altamente virtuoso.
3 | O Caminho da Transformação
Quanto a nós, dizemos que o serviço de Deus é espiritual, e que ele não considera o que é
visto pelos homens (João 4: 23-24). Deus busca reta integridade e sinceridade de coração, como
diz o quinto capítulo de Jeremias (versículo três). No entanto, pelo contrário, os homens se
convencem de que podem satisfazer a Deus à sua maneira e como quiserem, e assim
transfiguram o Senhor e imaginam que ele é absolutamente igual a eles e, portanto, concorda
com suas ideias. Isso não deve nos surpreender, pois, embora eles digam que foram instruídos
debaixo da lei, nunca a estudam e realmente não sabem o que ela contém. Aprendemos, portanto,
que, se queremos nos dedicar a servir a Deus, não devemos fazer o que nos parecer correto, pois
nossas próprias ideias, como as chamamos, são simplesmente os enganos de Satanás. Devemos
dar atenção ao que Deus ordenou e nos ocuparmos com as coisas que Ele determinou. Façamos
disso nosso estudo, paraque possamos prestar-lhe obediência.
Devemos tomar nota da passagem que nos é apresentada aqui, porque, por mais que nos
esforcemos para observar nossas próprias invenções, isso não significa que Deus as aceitará.
Estamos seguindo nossa natureza, que é corrupta. O que Deus quer, então, que façamos? O que
ele pede de nós? Em primeiro lugar, renunciamos a toda perversidade, ódio, rancor; todas as
dissensões, enganos, tudo o que causa danos, blasfêmias, idolatria, crueldade, violência, traição,
inveja e inimizade. Assim, devemos ser bons soldados se quisermos nos dedicar a servir a Deus,
lutando contra as obras da carne, e não somente contra as obras visíveis e que o mundo condena
ou aprova.
Nossa luta é contra as concupiscências ocultas. Que possamos ser limpos dessa sujeira,
que está estagnada em nossos corações. Que possamos aplicar todos os nossos esforços para esse
fim; não que tenhamos a capacidade de conseguir isso sozinhos, mas devemos estar prontos para
orar a Deus e nos examinar de manhã e de noite. Uma vez que reconhecemos nossos pecados,
podemos ser movidos a tremer e pedir ajuda à fonte correta. Devemos pedir que Deus cure o mal
com o qual somos atingidos. Se, portanto, nos esforçamos cada vez mais para viver uma vida
feliz, sermos bem-humorados, sermos pacientes na adversidade, ao sofrermos insultos e
ferimentos sem buscar vingança – se, digo, formos assim, teremos muito com o que nos ocupar e
nunca poderemos ficar ociosos.
Deixemos os Papistas continuarem brincando com Deus. Por que eles se preocupam
tanto? Porque eles nunca souberam como Deus deseja ser servido e honrado. De acordo com
eles, os mandamentos do Senhor não são nada comparados às suas invenções tolas. Deixe-me lhe
dar um exemplo. Um homem trabalha honestamente para ganhar a vida; embora ele só tenha o
pão para se satisfazer, ele ainda chama a Deus de manhã e o louva à noite. Se ele tem filhos, nega
a si mesmo o máximo possível para alimentá-los e vesti-los. Se Deus envia aflições para sua
casa, ele as suporta pacientemente. Se ele pratica algum tipo de artesanato, ou algum outro
comércio, ele evita trair seu próximo. Ele preferiria morrer a lesar alguém. Esse homem, que vive
acima de tudo uma vida honesta, não será arrogante o suficiente para buscar a autopromoção sem
restrições. Ele não será entregue a hábitos intemperantes. Ele será modesto em comer e beber,
paciente em todas as adversidades. Que tipo de homem é esse, de acordo com os Papistas? “Oh,
ele é um homem secular; em outras palavras, ele é um homem do mundo”. É assim que eles
valorizam o puro serviço de Deus. Sabemos que o principal serviço que Deus requer de nós é que
nos dediquemos inteiramente a ele; isso significa que o glorificaremos na aflição e na
prosperidade e seguiremos a vocação que temos quando formos chamados, sem orgulho,
ambição ou inveja. Deus se deleita com isso, mas de acordo com a definição dos Papistas,
aqueles que vivem dessa maneira são mundanos!
Onde estão os “anjos” para os papistas, então? Dentro de mosteiros! Quando esses
hipócritas perversos se enchem de prazeres e se entopem de boa comida, eles não sabem o que
fazer depois, com exceção de apostar em jogos ou perseguir outros males. (Pois sabemos que
todos os conventos do Papado são perfeitos bordéis, e quisera Deus que eles fossem apenas
bordéis – pois cometem atos tão grosseiros e chocantes lá dentro que nossos cabelos se arrepiam
só de ouvir sobre eles!) Em outras palavras, seu estilo de vida nos deixaria horrorizados, e ainda
assim esses são os anjos se comparados às pessoas pobres que vivem como descrevemos
anteriormente. Por que isso? Por cantarem preces pela manhã devotamente, a missa e se
separarem do resto do mundo. Eles não tentam escavar terra, nem se envolvem em costura ou
alfaiataria, ou qualquer outra coisa. A vida deles é contemplativa e eles estão em estado de
perfeição. Você não vê como o mundo foi enganado? Essas pessoas, que transformam Deus em
pequenas estátuas, bem merecem a cova por conceber tais erros absurdos.
Quanto a nós mesmos, tenhamos consciência de que nosso Deus é Espírito e que ele
deseja ser servido espiritualmente, como nos diz em sua Palavra. Ao mesmo tempo, tenhamos
cuidado de ficar preso a noções tolas que enfeitiçam esses infelizes; em vez disso, percebamos
que Deus fala conosco para que possamos recorrer a Ele em toda a santidade, integridade e
retidão. Vamos medir nossas vidas em relação à lei e não em relação às nossas próprias opiniões
ou às do mundo. Vamos nos preocupar com o que Deus ordena e proíbe, pois temos que prestar
contas a Ele, e sabendo que não temos outro juiz que não o próprio Deus. Que possamos nos
exercitar em todas essas coisas, acreditando que, se o fizermos, não estaremos trabalhando em
vão. Deixe os Papistas quebrarem as pernas e o pescoço, o tempo todo sem saber o que estão
fazendo, ainda irritando a Deus e provocando-o cada vez mais. Para não nos esforçarmos em
vão, ou vagarmos aqui e ali seguindo essa ou aquela opinião sem um destino fixo, vamos nos
exercitar nas coisas que Paulo nos ensina nesta passagem. Consequentemente, não seremos
condenados por nos ocuparmos com coisas sem sentido que Deus desaprova, detesta e declara
como frívolas.
Agora, caiamos diante da majestade de nosso grande Deus, reconhecendo nossos pecados
e orando para que ele nos torne cada vez mais conscientes deles, para que nos humilhemos.
Tendo condenado a nós mesmos, vamos recorrer a ele, sabendo que está sempre disposto a
ajudar aqueles que estão famintos de sua graça e que a desejam sinceramente. Visto que nos deu
o Senhor Jesus Cristo, e vê sua conduta como se fosse nossa, que ele possa derramar os tesouros
e os dons de seu Espírito Santo, para que possamos participar deles. Que Ele aumente sua graça
em nós, e que estejamos tão bem armados que alcancemos a vitória em todos os nossos combates
contra Satanás, o mundo e nossa própria carne. Que Ele mostre essa graça não apenas para nós,
mas para todos os povos e nações da terra, Amém.
A Editora FIDEbooks tem como propósito servir a Deus através do serviço ao povo de Deus.
Nós disponibilizamos centenas de recursos gratuitos através de nossas redes sociais e e-books
que podem ser adquiridos na Amazon. Oferecemos ao nosso leitor, materiais que, cremos, serão
de grande proveito para sua edificação, instrução e crescimento espiritual.
Caso queiram nos abençoar, compre nossos livros na Amazon. Serão abençoados com muito
aprendizado. Basta clicar no link abaixo. Deus te abençoe!
SOLI DEO GLORIA
CLIQUE AQUI E SEJA REDIRECIONADO A NOSSA LOJA NA AMAZON.
https://www.amazon.com.br/shop/institutofide/list/1V63Z6C44AIYF?ref_=cm_sw_r_apin_aipsflist_aipsfinstitutofide_AJ0THAJHX2DV192WRXCK&language=en_US

Mais conteúdos dessa disciplina