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Procedimentos epistemológicos
Como vimos, a palavra ciência é de origem la-
tina. Em linhas gerais, busca construir conheci-
mentos sobre fenômenos da realidade. Trata-se de 
atividade fundamentada por métodos de pesquisa, 
ou seja, por procedimentos epistemológicos rigo-
rosos, e não rígidos. Rigor tem a ver com precisão; 
rigidez tem a ver com inflexibilidade. Para o filósofo 
francês Edgar Morin (1921-), pelo critério do rigor e 
da rigidez, podemos distinguir teorias e doutrinas. 
As teorias, que são mais próprias das ciências, são 
produto de trabalho rigoroso e aberto. Já as dou-
trinas reúnem pensamentos que podem ser mais 
rígidos e fechados.
Há diversos procedimentos epistemológicos 
que caracterizam os métodos das disciplinas cien-
tíficas ou dos ramos do conhecimento. Lembremos 
que o termo método vem do grego (meta, “meio”, 
+ hodos, “caminho”). Analisando as estruturas 
desses caminhos ou procedimentos, é possível re-
conhecer neles alguns elementos comuns de mé-
todos experimentais amplamente utilizados nas 
Ciências da Natureza e nas Ciências Sociais:
1. Identificação de um problema – consiste em 
enunciar um tema de investigação, um objeto 
de estudo, ao qual se procura oferecer uma 
resposta, uma solução.
2. Proposição de hipóteses – consiste na pro-
posição de possíveis caminhos para solução 
do problema investigado. Essas hipóteses, em 
certos casos, costumam ser testadas ou com-
paradas com percepções de outros sujeitos. 
Nesse caso, a avaliação de um investigador 
pode se associar também às avaliações de 
uma comunidade de pesquisadores. 
3. Apresentação de resultados – consiste na 
apresentação dos resultados da pesquisa 
científica, por meio de artigos em revistas es-
pecializadas, dissertações, teses, etc. 
As concepções contemporâneas da ciência 
costumam traduzir-se numa busca permanente 
pelo saber. Com isso, foram abandonadas as pre-
tensões do saber absoluto, total, pronto e acabado. 
Desse modo, a ciência é uma atividade contínua 
de pesquisas nos diversos ramos do conhecimen-
to, e não algo que tenha um ponto final e defini-
tivo. Uma teoria permanece como válida até que 
outra possa aprimorá-la ou contestá-la.
Ciências Humanas e Sociais 
Aplicadas
Os conhecimentos produzidos pelos seres hu-
manos podem ser classificados de diversas for-
mas. Uma dessas classificações leva em conta 
as áreas de Linguagens, Matemática, Ciências da 
Natureza e Ciências Humanas.
Neste livro, vamos tratar das Ciências Huma-
nas e Sociais Aplicadas, que abrangem os estudos 
das Ciências Humanas (História, Geografia, Socio-
logia e Filosofia) e das Ciências Sociais Aplicadas 
(Economia, Administração, Direito, Arquitetura, 
etc.). Essa área do conhecimento estuda a atua-
ção dos seres humanos nas sociedades de dife-
rentes tempos e espaços, buscando refletir sobre 
seus modos de ser e de viver, isto é, suas culturas.
Um dos objetivos da educação básica é utilizar 
os conhecimentos científicos para a construção 
de uma sociedade justa, democrática, inclusiva e 
sustentável ambientalmente. Dentro desse objeti-
vo amplo, as Ciências Humanas no Ensino Médio 
contribuem para que você possa elaborar hipóte-
ses e argumentos sobre o mundo em que vive e 
participar da vida social com protagonismo e cida-
dania, enfrentando os desafios do seu tempo.
Cientistas brasileiros em laboratório de química industrial do 
curso superior de Tecnologia em Biocombustíveis. Instituto 
Federal de Mato Grosso, Cáceres, 2018. 
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CONEXÕES
CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
34
Pesquisa e “fuga de cérebros”
[...]
Uma pessoa que investiga os processos de 
transformação, sejam eles sociais, econômi­
cos, humanos ou químicos, e a partir dessa 
investigação constrói conhecimentos que são 
essenciais para o desenvolvimento de uma na­
ção. Esta é definição de pesquisador científico, 
segundo Anna Benite, professora­doutora da 
Universidade Federal de Goiás, [...] além de in­
tegrante da Associação Brasileira de Pesquisa e 
Ensino de Ciências e da Associação Brasileira de 
Pesquisadores Negros (ABPN).
[...]
“Nenhuma nação consegue evoluir sem pesquisa científica”, afirma Benite. “Se estamos hoje em 
uma sociedade tecnológica, isso se deve aos pesquisadores que criam modelos de pesquisa, validam 
dados e os publicam. Essa sistematização é fundamental para alimentar a produção de conhecimento”.
[...]
ENTENDA por que a pesquisa científica é importante para a sociedade. Fundação Telefônica, 5 jul. 2019. 
Disponível em: http://fundacaotelefonica.org.br/noticias/entenda­por­que­a­pesquisa­cientifica­e­importante­para­a­sociedade/. 
Acesso em: 29 maio 2020.
É possível imaginar a abrangência do desenvolvimento científico – e de seus benefícios – na socie-
dade contemporânea. São vacinas, técnicas de plantio, sistemas de transporte, teorias que melhoram a 
educação, a arqueologia, a economia.
No Brasil, a pesquisa científica acontece, majoritariamente, em universidades públicas ou em conse-
quência do investimento público (por meio de bolsas de pesquisa) em estudantes e pesquisadores. En-
tretanto, temos assistido a uma desvalorização das áreas de pesquisa e a um decréscimo substancial 
dos valores repassados para a pesquisa científica.
Como resultado da redução de investimentos, o país perde capacidade de produção e amplia a 
exportação de um produto estratégico, de altíssimo valor agregado, que multiplica bilhões de vezes 
seu valor e que deveria ser mantido em território nacional a todo custo. Somos hoje um importante 
exportador de cérebros. Por outro lado, nos consolidamos como importador de inovação e conhe­
cimento, versão moderna do processo de stop-and-go do início do século 20 que enfraquece a base 
industrial, que se torna dependente de produtos tecnológicos desenvolvidos no exterior. A soma 
dessas variáveis vem gestando um hiato na formação de cientistas, na produção de conhecimento 
e no desenvolvimento industrial do Brasil que poderá levar 30 anos para ser superado.
OLIVEIRA, Riley Rodrigues de. Ao cortar investimentos em ciência, Brasil assassina o futuro. Época Negócios. 20 abr. 2028. 
Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2018/04/ao­cortar­investimentos­em­ciencia­brasil­assassina­ 
o­futuro.html. Acesso em: 29 maio 2020.
• Com base em sua leitura e nas reflexões geradas pelo conteúdo trabalhado neste capítulo, organi-
ze uma forma esquemática de transmissão do que foi trabalhado. Você pode organizar um gráfico, 
um desenho, uma tirinha. O importante é que seja sintético e claro.
Veja respostas e orientações no Manual do Professor.
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