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DI¡LOGOS
NÃO ESCREVA NO LIVRO
• Observe a fotografia e leia o texto que a acompanha.
Roberto Burle Marx (1909­1994) desenvolveu uma es­
tética moderna de paisagem incorporando um caráter 
de especulação plástica sobre forma e cor, uma proje­
ção do espírito do homem moderno, que se questiona 
sempre pela razão das coisas, e que pretende sugerir 
uma estrutura estável diferente da mutabilidade da na­
tureza. Utiliza, assim, a definição intelectual da forma 
através da geometria em luta contra a instabilidade da 
matéria viva, num gesto moderno de intervir. Não ocor­
re em suas obras a intenção de simular romanticamen­
te o ambiente natural. Ao contrário: mesmo os traçados de jardins com linhas livres e orgânicas, 
que aparentemente se aproximam da sinuosidade da natureza, são, na verdade, traçados de curvas 
geometrizadas, construídas, fruto de um exercício plástico abstrato próprio da ação do homem 
moderno no mundo. Nesse sentido, a aparente anti­geometria de sua obra acaba passando pela 
geometria; cada linha tem um ponto de início e um ponto final completamente relevante e não 
arbitrário, fortemente relacionado às características naturais do local onde é implantado. Esta ati­
tude inaugura uma posição ativa frente à natureza, uma atuação construtiva e reguladora, que não 
propõe a mímesis, mas a construção de uma natureza humanizada, interpretada, reelaborada. [...].
POLIZZO, Ana Paula. O jardim como ordenamento da natureza e a poética de Burle Marx. Disponível em: 
http://docomomo.org.br/wp­content/uploads/2016/01/143.pdf. Acesso em: 3 maio 2020.
a) A fotografia retrata uma paisagem natural ou uma paisagem cultural? Por quê?
b) Roberto Burle Marx foi um conhecido paisagista brasileiro que viveu no século XX. Seus jardins 
espalham-se pelo Brasil e marcam presença também no exterior. Você classificaria esses jardins 
como obras de arte? Justifique.
c) Se a pintura, a escultura, a dança e a música são tradicionalmente reconhecidas como expressões 
artísticas, a contemporaneidade veio acompanhada de outras manifestações no campo das artes. 
As instalações artísticas, que se caracterizam pela organização de elementos no ambiente – interno 
ou externo –, procuram mexer com a percepção sensorial do sujeito, convidando-o a interagir com 
a obra. Veja o exemplo a seguir, o Desvio para o vermelho, de Cildo Meireles. Concebida em 1967, no 
auge da ditadura militar, a obra ganhou várias versões até 1984. Carregada de simbolismos, a insta-
lação está desde 2006 em exibição permanente no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).
 Faça uma pesquisa sobre o contexto político 
brasileiro de 1967. Observe com atenção a insta-
lação e busque interpretar seu significado. Para 
isso, tente se imaginar nesse ambiente e pense 
sobre as sensações que ele lhe causaria. Aten-
ção às cores, à disposição dos móveis e objetos, 
à combinação dos elementos. Depois, compare-
-a com o jardim de Burle Marx: Como essas duas 
obras afetaram seus sentidos? 
Veja respostas e orientações 
no Manual do Professor.
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A cidade e o logos: a origem da 
Filosofia
Na história ocidental, foi na Grécia antiga que 
se desenvolveu uma forma de discurso racional 
conhecida como logos. Segundo historiadores, 
o desenvolvimento do logos esteve associado à 
racionalização da vida social nas cidades-Estado 
gregas, as pólis. As pólis gregas, que se consti-
tuíram entre os séculos VIII a.C. e VI a.C., foram 
uma invenção social dos povos helenos. Apesar 
de terem desenvolvido o logos, os gregos con-
tinuavam crendo nos poderes sobrenaturais de 
suas divindades.
Nessas cidades do mundo grego antigo foram 
criadas formas de governos, normas jurídicas, mo-
dos de conduzir a produção econômica, etc. Tudo 
isso exigia uma racionalidade coletiva. A Filosofia, 
fruto dessa racionalidade e do logos da pólis grega, desenvolveu-se cons-
truindo argumentos para investigar a natureza das coisas, as relações hu-
manas e os rumos da coisa pública.
A palavra filosofia deriva de dois termos gregos: filo, que significa “amor”, 
e sofia, que significa “sabedoria”. Mas essa sabedoria que o filósofo “ama” 
não é qualquer tipo de saber. Quem esclareceu isso foi o filósofo Platão 
(427 a.C.-347 a.C.), ao distinguir um saber que decorre de uma simples opi-
nião (doxa, em grego) do saber que resulta de um argumento racionalmen-
te fundamentado. Assim, Platão separou o “amor às opiniões” (filodoxia) do 
amor ao saber racional reflexivo (filosofia).
Além disso, o filósofo caracteriza-se por estar em permanente procura 
de saber, isto é, incomoda-se com algo que desconhece e esforça-se para 
conhecê-lo. Porém, não se contenta com esse conhecimento como se fosse 
uma verdade completa e absoluta, imposta a todos. Por isso, está sempre 
lançando novas perguntas em um movimento contínuo que vai da ignorância 
ao saber e do saber à ignorância, como indicou o filósofo francês Maurice 
Merleau-Ponty (1908-1961).
Para designar esse saber sistemático, intensamente procurado, que é 
próprio do discurso racional, do logos, os gregos costumavam usar o termo 
epistême (“conhecimento”, ”saber”) e os latinos usavam o termo scientia 
(do latim, “ciência”, “saber”, “conhecimento”).
Na Grécia antiga, a filosofia designava a totalidade do saber racional. Pos-
teriormente, desse tronco original foram surgindo outros ramos que, ao lon-
go da história, constituíram campos especializados da ciência ou disciplinas 
científicas. Perceba que muitos campos da ciência utilizam em seu nome o 
sufixo logia, por exemplo, Biologia, Ecologia, Antropologia, Sociologia, Odonto-
logia, Geologia, etc.
Vista do Partenon, templo construído em Atenas, na Grécia, 
entre 447 a.C. e 438 a.C. Esse templo era uma homenagem 
à deusa Atena, que representava a sabedoria e a razão. 
Fotografia de 2019.
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