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<p>FILOSOFIA MANUAL DO PROFESSOR</p><p>ACERTA ENEM MANUAL DO PROFESSOR FILOSOFIA Hugo Leonardo Cavalcanti da Silva edição São Paulo / 2020 EDITORA</p><p>Copyright 2020 Título original da obra: MWC EDITORA Acerta mais ENEM: Filosofia Av. Paulista, 37 4° andar Manual do Professor Cond. Parque Cultural Paulista edição / São Paulo, 2020 CEP 01311-000 São Paulo SP Brasil Edição CNPJ: 13.101.659/0001-86 Rodrigo Gonçalves Fone: (11) 2246.2848 comercial@mwceditora.com.br Assistência Editorial Janaína Ferreira Luísa Félix Preparação e revisão Dayane Oliveira Jéssica Tayrine Produção gráfica Gilberto Melo Diagramação Alexandre Cavalcanti Fernando Galdino Fernando Gabriel Gilberto Melo Wilker Mad Ilustração Lelo Alves Iconografia Anderson Figueiredo Projeto Gráfico Alexandre Cavalcanti Caio Lopes Gilberto Melo Banco de imagens Shutterstock Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S58a Silva, Hugo Leonardo Cavalcanti da 1.ed. Acerta mais ENEM: filosofia: manual do professor / Hugo Leonardo Cavalcanti da Silva; [editor] Rodrigo Gonçalves. 1.ed. São Paulo: MWC Editora, 2020. 120 20,5 27,5 cm. ISBN 978-65-5662-003-9 1. 2. ENEM questões. 3. 4. Manual do professor. Gonçalves, Rodrigo. II. Na tentativa de cumprir todas as regulamentações determinadas CDD 101 pela legislação, realizamos todos os esforços para localizar os detentores dos direitos das imagens e textos contidos Índices para catálogo sistemático: nesta obra. No entanto, caso tenha havido alguma omissão 1. Filosofia: manual do professor involuntária, a MWC Editora se compromete em corrigi-la na 2. ENEM: questões primeira oportunidade. 3. Vestibular Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode Bibliotecária responsável: Aline Graziele Benitez CRB-1/3129 ser reproduzida sem a permissão por escrito da editora.</p><p>Apresentação Prezado professor, Ao reconhecer a relevância de um material didático que sistematiza os conhecimentosrelacionados às competências e habilidades ao Exame Nacional do Ensino Médio Enem, a coleção Acerta Mais Enem foi elaborada para ser um suporte voltado a atender às necessidades de professores e estudantes do Ensino Médio. Os livros que compõem a coleção foram produzidos para apoiar o processo de preparação para as provas de cada área de conhecimento do Enem. Para isso, algumas estratégias foram adotadas. Em primeiro plano, os volumes, divididos por área de conhecimento, são subdivididos por componentes curriculares. Dessa forma, atende-se a um maior número de habilidades que podem ser desenvolvidas a partir das mediações pedagógicas realizadas pelos professores. Em relação aos recursos digitais, as videoaulas têm acesso facilitado via tecnologia QR Code, em que o estudante verifica a resolução das questões apresentadas nos livros. Já em relação ao manual do professor, é disponibilizado um quadro descritivo dos conteúdos, competências e habilidades para auxiliar no planejamento das aulas. É importante que o livro de redação é um volume único e foca no desenvolvimento da escrita do texto dissertativo-argumentativo explorando o processo de produção passo a passo. Em síntese, a etapa final da Educação Básica Ensino Médio deve concretizar um processo educativo pautado na formação integral, essencial à continuidade da vida escolar dos estudantes. Como consequência, a formação de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva será alcançada.</p><p>ENEM ENEM O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi instituído em 1998 como forma de o desenvol- vimento de competências por parte dos egressos do ensino médio e, consequentemente, orientar a criação de políticas públicas que pudessem resultar em melhores desempenhos. Foi a partir de 2009 que o Novo Enem passou a avalian jovens e adultos brasileiros como mecanismo único, alternativo ou complementar aos processos de seleção para o acesso ao ensino superior no Brasil. Por ser uma avaliação complexa, sustentada em eixos cognitivos o domínio de linguagens, a com- preensão de fenômenos, o enfrentamento de situações-problema, a construção de argumentação e a ela- boração de propostas os alunos/participantes precisam estar preparados para atender aos requisitos de cada prova. Os eixos cognitivos são assim caracterizados: I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa. II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tec- nológica e das manifestações artísticas. III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informa- ções representados de diferentes formas, para tomar decisões e situações-problema. IV. Construir argumentação (CA): informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente. V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e conside- rando a diversidade sociocultural. Os eixos são os mesmos para as quatro áreas de conhecimento do ensino médio, que, de acordo com a Matriz de Referência do são: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação: referente aos componentes curriculares Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna (Inglês ou Espanhol), Literatura, Arte, Educação Física. Matemática e suas Tecnologias: referente ao componente curricular Matemática. Ciências da Natureza e suas Tecnologias: referente aos componentes curriculares Química, Física e Biologia. Ciências Humanas e suas Tecnologias: referente aos componentes curriculares Geografia, História, Filosofia e Sociologia. 1 Conjunto de competências e habilidades elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC) responsável pela aplicação a prova. 4 MANUAL DO PROFESSOR</p><p>ACERTA MAIS ENEM PRESSUPOSTOS Conectado à Matriz de Referência do Enem, o ACERTA MAIS ENEM foi concebido com o objetivo geral de aprimorar o conhecimento com base no desenvolvimento de competências e habilidades, como um esforço para que o processo de aprendizagem seja focado na preparação dos alunos para os desafios do mundo contemporâneo. Assim, é importante considerar que: Competência é capacidade de mobilizar, cognitivamente, recursos - saberes, habi- lidades e informações visando resolver uma situação complexa. É o aluno saber saber ou saber conhecer. As competências são constituídas de um conjunto de habilidades. Habilidade é a aplicação prática de alguma competência para resolver uma situa- ção complexa, estando associada ao saber Para o desenvolvimento das competências e habilidades de cada componente curricular, a coleção ACERTA MAIS ENEM foi dividida em três obras Ciências Humanas e Linguagens, Ciências da Natu- reza e Matemática, e Redação tendo, as duas primeiras, 3 volumes e, a última, um volume único: Ciências Humanas: referente aos componentes curriculares Geografia, História, Filosofia e So- ciologia; e Linguagens: referente à Literatura, Interpretação, Inglês, Espanhol, Arte, Educação Fí- sica Volume 1, volume 2 e volume 3. Ciências da Natureza: referente aos componentes curriculares Química, Física e Biologia; e Ma- temática: referente ao componente curricular Matemática Volume 1, volume 2 e volume 3. Redação: Volume único. No Enem, agrupamento em quatro áreas não implica ques- tões relativas a uma única disciplina. Assim, ao len um enunciado do Exame, não é possível que ele se refere apenas à litera- tura, à arte, ou à história, por exemplo. Essa estratégia evidencia que o conhecimento humano é historicamente adquirido e não se subdivide em "arquivos segmentados", devendo ser considerado MANUAL DO PROFESSOR 5</p><p>como uma ampla rede, mutável e heterogênea. Portanto, o conhecimento, no Exame, é apresentado de maneira interdisciplinar, apoiando a ideia de que apenas o conhecimento "enciclopédico" não é suficiente para que o aluno atinja uma boa nota. Nesse sentido, Blaise Pascal afirmou, no século XVII, uma premissa que ainda é válida: "Não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, nem conhecer todo sem conhecer as partes". Corroborando com a necessidade da interdisciplinaridade, Morin (2000) enfatiza que a aptidão do conhecimento é questão fundamental da educação e que, para torná-lo pertinente, é necessário tornar o contexto, o global, o multidimensional e completo evidentes: A esse problema universal confronta-se a educação do futuro, pois existe inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre, de um os saberes compartimenta- dos de outro, as realidades ou problemas cada vez mais transversais, multidi- globais e planetários (MORIN, 2000, p. Outra característica das questões do Enem é a contextualização, cujo objetivo é estabelecer associações entre conhecimento e o contexto de mundo que nos cerca, envolvendo aspectos sociais, políticos, culturais e científicos, sempre relacionados a problemas da realidade. Em relação à importância do contexto, Morin (2000) afirma que "O conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente. É preciso as informa- ções e os dados em seu contexto para que adquiram sentido" (p. 37). Em cada enunciado, as questões do Enem trazem uma situação-problema desafiadora e nitidamen- te ligada a um contexto. Para a resolução, o candidato deve apoiar-se nas informações contidas no pró- prio enunciado e em conhecimentos prévios. Por esse motivo, é muito importante uma leitura atenta do enunciado, uma vez que este pode apresentar as informações necessárias e suficientes para a resolução da questão, garantindo um bom desempenho. Assim, se pudéssemos indicar a principal competência para as provas do Enem seria a leitora, ou seja, a capacidade de compreender e interpretar o que foi lido. Para isso, deve-se considerar não apenas a leitura dos textos verbais, mas também dos textos multissemióticos ou multimodais que circulam em nossa sociedade, como mapas, diagramas, infográficos, tirinhas, charges, campanhas de publicidade etc. Ao realizar as provas do Enem, o aluno/participante receberá cinco notas diferentes, uma para cada área de conhecimento e uma para a redação. Não haverá peso diferente para cada uma dessas notas. No entanto, ao usarem as notas em seus respectivos processos seletivos, as instituições de ensino superior poderão conferir a elas pesos distintos, a fim de classificar os candidatos entre as carreiras concorridas. OBJETIVOS DA COLEÇÃO Por meio de atividades com grau de complexidade progressivo e adequado à série à qual se destina, a coleção ACERTA MAIS ENEM tem como objetivos específicos: Auxiliar na aprendizagem de conteúdos das quatros áreas de conhecimento previstas na Matriz de Referência do Enem. Contribuir com processo de desenvolvimento de competências e habilidades de diferentes áreas de conhecimento. Disponibilizar materiais digitais pedagógicos de cada componente curricular do ensino médio para alunos e professores. a aprendizagem por meio de simulados no modelo Enem, com correção baseada na Teo- ria de Resposta ao Item (TRI). 1 Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. 3 ed. São Paulo: DF: 2000. 6 MANUAL DO PROFESSOR</p><p>Em Ciências Humanas, o objetivo é as aprendizagens nos componentes curriculares Filosofia, Geografia, História e Sociologia, propondo que os estudantes desenvolvam a capacidade de estabelecer diálogos entre indivíduos, grupos sociais e cidadãos de diversas nacionalidades, saberes e culturas dis- tintas elemento essencial para a aceitação da alteridade e a adoção de uma conduta ética em sociedade. Em Linguagens, o objetivo é ampliar as aprendizagens nos componentes Literatura, Interpretação, Língua Inglesa, Língua Espanhola, Arte e Educação Física, considerando a garantia dos direitos linguísti- aos diferentes povos e grupos sociais brasileiros. Para tanto, prevê que os estudantes desenvolvam competências e habilidades que lhes possibilitem mobilizar e articular, simultaneamente, conhecimentos desses componentes a dimensões socioemocionais, em situações de aprendizagem que lhes sejam signi- ficativas e relevantes para sua formação integral. Em Ciências da Natureza, é levado em consideração a interpretação e a aplicação de modelos ex- plicativos para fenômenos naturais e sistemas tecnológicos, aspectos fundamentais do fazer ampliando aprendizagens nos componentes curriculares Física, Química e Biologia. Em Matemática, o foco é a construção de uma visão integrada da Matemática, aplicada à reali- dade, em diferentes contextos, levando em consideração as vivências cotidianas dos estudantes do ensino médio a fim de promover ações que ampliem o letramento matemático. Além das áreas de conhecimento, tendo em vista a complexidade do ato de escrever e o peso que a Redação possui na média final do Exame, elaboramos o ACERTA MAIS ENEM Redação, um material que orienta o(a) candidato(a) a uma nota de excelência na produção textual, auxi- liando trabalho do professor em sala de aula. O livro é pautado nos referenciais teóricos da Matriz de Competências da Redação do Enem, com propostas de produção textual e temas de viés social e de interesse público. O objetivo é desenvolver as competências necessárias para a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo, considerando o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa; a compreensão da proposta de redação e a aplicação de conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolvimento do tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo- -argumentativo em prosa; a seleção, a relação, a organização e a interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e a elaboração de proposta de intervenção que res- peite os direitos humanos. Para atingir tais objetivos, a coleção considera como ponto de partida os conhecimentos prévios dos estudantes, disponibilizando os conteúdos de forma no intuito de estabelecer um diálo- go entre aluno e professor para a sistematização dos conteúdos da aprendizagem. Dessa forma, o aluno se torna protagonista de sua própria aprendizagem, e desenvolve colaborativamente com os colegas, com os professores e com a comunidade. PLATAFORMA ON-LINE E APLICATIVO ACERTA MAIS Para complementar o trabalho do professor em sala de aula, a partir da concepção de todo o material pode ser acessado pelo aplicativo ACERTA MAIS, tornando o aprendizado disponível a qual- quer momento, e também pela plataforma on-line de acesso dinâmico e simples, que fornece banco de questões, videoaulas, correção personalizada de redação, simulados e muito mais. O projeto parte da revisão dos conhecimentos explorados pelo Enem, utilizando, para isso, a dis- cussão de teorias abordadas em diferentes componentes curriculares e a prática de exercícios em sala de aula, que demanda uma carga horária destinada para o projeto. Em consonância a isso, as videoau- las da plataforma e os simulados que os professores podem gerar para acompanhar a evolução e o desempenho da turma dão suporte extraclasse, contribuindo para os estudos diários dos estudantes. 2 Técnica que consiste em utilizar estratégias e recursos dos jogos digitais, criando uma dinâmica motivacional para pessoas e resolver problemas. MANUAL DO PROFESSOR 7</p><p>Em relação à Redação, as propostas de produção presentes no material estão alinhadas às da plata- forma on-line, com correção e envio de feedbacks individuais em até 5 dias Essa atividade otimiza tempo em sala de aula para o professor, que pode explorar as discussões temáticas sem a necessidade de detalhadamente as produções textuais realizadas pelos estudantes. A avaliação da aprendizagem é realizada pela aplicação de simulados impressos com 180 questões, no modelo Enem, com correção pela Teoria de Resposta ao Item (TRI), sendo distribuídas nas 4 áreas de conhecimento: 45 questões de Linguagens, 45 questões de Ciências Humanas, 45 questões de Ciências da Natureza e 45 questões de Matemática e redação. Em suma, a coleção ACERTA MAIS ENEM incentiva uma formação voltada ao pensamento crítico, à capacidade de formular hipóteses e solucionar problemas diversos, em face de realidades que estão em constante transformação. No final deste caderno, você encontrará um quadro designando as competências e habilidades que orientaram a seleção dos conteúdos das aulas dos três volumes do ACERTA MAIS ENEM. Você pode utilizá-lo para o planejamento pedagógico. Além disso, os gabaritos comentados das atividades também são disponibilizados para a consulta. 8 MANUAL DO PROFESSOR</p><p>ACERTA FILOSOFIA Obra concebida e produzida pela MWC Editora. edição São Paulo / 2020</p><p>Copyright 2020 Título original da obra: EDITORA Acerta mais ENEM: Ciências Humanas MWC EDITORA e Linguagens Volume 1 Av. Paulista, 37 4° andar edição / São Paulo, 2020 Cond. Parque Cultural Paulista CEP 01311-000 Edição São Paulo SP Brasil Rodrigo Gonçalves CNPJ: 13.101.659/0001-86 Fone: (11) 2246.2848 Assistência editorial comercial@mwceditora.com.br Ferreira Luísa Félix Preparação e revisão Dayane Oliveira Jéssica Tayrine Produção gráfica Gilberto Melo Diagramação Alexandre Cavalcanti Fernando Galdino Fernando Gabriel Gilberto Melo Wilker Mad Lelo Alves Iconografia Anderson Figueiredo Projeto Gráfico Alexandre Cavalcanti Caio Lopes Gilberto Melo Banco de imagens Shutterstock Na tentativa de cumprir todas as regulamentações determinadas pela legislação, realizamos todos os esforços para localizar os detentores dos direitos das imagens e textos contidos nesta obra. No entanto, caso tenha havido alguma omissão involuntária, a MWC Editora se compromete em corrigi-la na primeira oportunidade. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida sem a permissão por escrito da editora.</p><p>Mensagem Prezado estudante, Parafraseando Vinicius de Moraes, um livro sem apresentação é como um rio sem pontes, portanto, faz-se necessária essa breve, porém imprescindível introdução. Você está iniciando uma nova etapa do ciclo escolar: o Ensino Médio. Reconhece- mos os desafios da educação na sociedade atual e entendemos que a juventude vive hoje as transformações geradas por um mundo globalizado e impulsionado pelas tecnologias cada vez mais virtuais e impessoais. No entanto, convidamos você, com entusiasmo, a enfrentar os desafios que essa nova jornada apresenta, pois isso é necessário para o seu desenvolvimento não apenas como sujeito do saber, mas também como cidadão. Além disso, é nessa etapa que se vislumbra o Ensino Superior, principal objetivo para consolidar essa trajetória de sucesso. A coleção ACERTA MAIS ENEM irá auxiliá-lo nessa jornada. Sabe-se que hoje, no Brasil, a principal porta de entrada de estudantes con- cluintes do Ensino Médio para o nível superior de ensino é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que avalia os conhecimentos dos candidatos em quatro áreas de conhecimento: Ciências Humanas e suas Tecnologias; Ciências da Nature- za e suas Matemática e suas Tecnologias e; Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Redação. Considerando que em cada uma dessas áreas é requerido dos estudantes certas competências e habilidades que os tornam aptos para ingresso no Ensino Supe- rior, buscamos, de forma didática e objetiva, prepará-lo para uma compreensão interdisciplinar dos diferentes domínios e temáticas exigidas pelo Enem. Para tanto, nos valemos de resumos sucintos e completos dos conteúdos e de ques- tões práticas, no mesmo estilo da avaliação, associadas às tecnologias da plata- forma on-line e do App ACERTA MAIS, nos quais você encontrará videoaulas, simulados, correção de redações e muito mais. Pensando nas suas necessidades, nosso objetivo é oferecer um material de alta qualidade que contribua para o seu projeto de vida, suas metas e seus planos de estudos diários. Esperamos que você encontre no ACERTA MAIS ENEM o supor- te necessário para o desenvolvimento de suas atuais habilidades e das potenciais competências que você conquistará durante a sua formação no Ensino Médio. Lembre-se: com foco e perseverança, você pode conquistar todos os seus objetivos!</p><p>Sumário CONHEÇA ACERTA MAIS ENEM 14 VOLUME 1 AULA 01 As origens da filosofia no ocidente 18 AULA 02 Os filósofos pré-socráticos 22 AULA 03 Sofistas, Sócrates e Platão 26 AULA 04 Aristóteles e a filosofia no contexto do helenismo 31 AULA 05 Filosofia medieval 37 VOLUME 2 AULA 01 Filosofia moderna: teóricos absolutistas 44 AULA 02 Filosofia moderna: racionalismo 49 AULA 03 Filosofia moderna: empirismo 54 AULA 04 Filosofia moderna: teóricos iluministas 59 AULA 05 Filosofia utilitarista 64 S VOLUME 3 AULA 01 Kant e Hegel 70 AULA 02 Filosofia Contemporânea: Existencialismo I 75 AULA 03 Filosofia Contemporânea: Existencialismo II 81 AULA 04 Filosofia Contemporânea: Pessimismo 86 AULA 05 Filosofia Contemporânea: Filosofia Política 91 AULA 06 Temas filosóficos: ética e política 96 GABARITO E COMENTÁRIOS QUADRO DESCRITIVO DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES 102 VOLUME 1 103 VOLUME 2 108 VOLUME 3 114</p><p>Sumário VOLUME 1 AULA 01 As origens da filosofia no ocidente 120 AULA 02 Os filósofos pré-socráticos 124 AULA 03 Sofistas, Sócrates e Platão 128 AULA 04 Aristóteles e a filosofia no contexto do helenismo 133 AULA 05 Filosofia medieval 139 VOLUME 2 AULA 01 Filosofia moderna: teóricos absolutistas 126 AULA 02 Filosofia moderna: racionalismo 131 AULA 03 Filosofia moderna: empirismo 136 AULA 04 Filosofia moderna: teóricos iluministas 141 AULA 05 Filosofia utilitarista 146 VOLUME 3 AULA 01 Kant e Hegel 134 AULA 02 Filosofia Contemporânea: Existencialismo I 139 AULA 03 Filosofia Contemporânea: Existencialismo II 145 AULA 04 Filosofia Contemporânea: Pessimismo 150 AULA 05 Filosofia Contemporânea: Filosofia Política 155 AULA 06 Temas filosóficos: ética e política 160</p><p>Conheça ACERTA MAIS ENEM Nosso material oferece uma abordagem atual dos temas exigidos do ENEM, a fim de que você possa enxergar o mundo de forma ampla e conectada. Conheça o ACERTA MAIS ENEM e tudo que ele oferece como solução educacional. LIVROS ACERTA O livro CIÊNCIAS HUMANAS E LINGUA- ENEM GENS e livro CIÊNCIAS DA NATUREZA E MATEMÁTICA organizam as aulas com os com- ponentes curriculares específicos de cada área de conhecimento, nas quais são apresentados os conceitos de cada assunto e sugeridas questões inéditas e de ENEMs anteriores. Nossa proposta é que você faça a leitura das temáticas e em seguida HUMANAS LINGUAGENS resolva questões relacionadas a fim de a sua aprendizagem. ACERTA ENEM ACERTA ENEM REDAÇÃO IZA CIÊNCIAS DA NATUREZA MATEMATICA Na seção QUESTÕES, assista, em vídeos, a resolução de algumas questões acessando-as por meio do QR Code. 14</p><p>PLATAFORMA ON-LINE Imagine ter em um único local tudo o que você precisa para o seu plano de estudos direcio- nado ao ENEM. Em nossa plataforma on-line, você Módulo 1 tem acesso a mais de 300 videoaulas ministradas por experientes professores que seguiram a se- ENEM quência de aulas dos livros que você tem em mãos. Você dispõe, ainda, da opção de gerar simulados com o banco de mais de 3000 questões gabarita- das e comentadas que preparamos para a sua rotina de aprendizagem. As videoaulas possuem a tradução em Libras como forma de inclusão para todos os estudantes. RevisgENEM APP ACERTA MAIS E-mail Em tempos de redes sociais, em que todos Senha interagem sobre as diversas áreas da vida, o App Login ACERTA MAIS é um aplicativo que propõe a inte- ração entre diversos estudantes com o propósito de compartilhar dúvidas, assuntos e informações de forma rápida. Por meio do App, além de se co- nectar com outros colegas, você pode assistir às videoaulas, gerar simulados e enviar sua redação para correção, a fim de obter um feedback rápido e útil para o seu desenvolvimento Todas as suas ações no App acumulam pon- tos para um ranking de competição com seus co- legas. Você pode, ainda, trocar os pontos acumu- lados com suas conquistas por prêmios em nossa loja virtual. Livros + Plataforma on-line e App: leia as aulas dos livros e acesse todo o conteúdo digital complementar oferecido. Utilize todos os recursos que o ACERTA MAIS ENEM oferece e tenha a certeza de ter em suas mãos um suporte necessário para uma aprendizagem para vida. 15</p><p>AULA As origens da filosofia 01 no Ocidente A NARRATIVA MÍTICA Assim, é importante que a narrativa mítica é um primeiro relato do ser humano acerca de toda a rea- Para como se deu o início da Filosofia no lidade que o rodeia, quando este buscava uma espécie de Ocidente, é necessário entendermos o que é mito e "resposta" para aquilo que, por muitas vezes, o encantava qual é sua importância na cultura grega, no contexto da ou até mesmo o assustava. Podemos, então, acrescentar Antiguidade. Nessa perspectiva, buscaremos o sentido que o mito é a maneira mais primitiva de o ser humano específico do mito no contexto da cultura grega para, a natureza por meio da intervenção do sobrena- em seguida, observarmos os pressupostos teóricos tural. Com isso, o ser humano tenta justificar seus medos, que marcaram o início do desenvolvimento da Filosofia suas aflições diante de algo que o inquieta e, ao mesmo no Ocidente, especificamente na Grécia Antiga. tempo, o apavora. Nesse sentido, para a narrativa mítica as entidades divinas agiriam enquanto "forças superiores" nos processos naturais da realidade existente. No que diz respeito à perspectiva que envolve a cul- tura grega antiga, podemos destacar que a tradição mítica se tornou algo importante na consolidação de sua cultura, mesmo diante da existência de uma variedade de cidades- -Estados em uma mesma região. Com efeito, surgiu uma interpretação baseada na visão religiosa acerca de todas as A essa tentativa de explicação sobre a origem do Universo chamamos de Teogonia, isto é, uma explicação da origem e do desenvolvimento de todas as coisas através da interferência dos deuses no mundo como causa de todos os fenômenos naturais. Já a Cosmogonia narra o surgimen- to do cosmos a partir de aspectos naturais. Estátuas de deuses gregos na academia de Atenas DO MITO À FILOSOFIA Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder etc.). A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo (contar, nar- rar, falar alguma coisa para outros) e do verbo (conversar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou pro- ferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma Partenon: uma construção erguida em homenagem à deusa da sa- narrativa feita em público, baseada, portanto, na au- bedoria Atena toridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa Com a finalidade de o Universo de modo autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou di- retamente o que está narrando ou recebeu a narrativa mais racionalizado, surgiu na Grécia Antiga, aproxima- de quem testemunhou os acontecimentos narrados. damente no século VI a.C., na cidade de Mileto, região da Jônia (Ásia Menor), aquilo que posteriormente se Marilena. Convite à Filosofia. chamou de Filosofia (philia = amor, amizade, compulsão São Paulo: Editora Ática, 2000. cap. 2. pessoal; sophos = sabedoria). Também conhecido como 18 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>a passagem do mito ao logos (razão), constitui o primeiro QUESTÃO 2 (ENEM) momento da construção de uma tentativa de explicação cosmológica, isto é, uma explicação sistemática e racio- nal do Universo em face das narrativas míticas deixadas Jamais deixou de haver sangue, martírio e sacrifício, quan- pela tradição. Isso se dá devido ao não convencimento do o homem sentiu a necessidade de em si uma me- das narrativas míticas em suas explicações, sobretudo, os mais horrendos sacrifícios e penhores, as mais acerca da essência dos fenômenos da natureza. Nesse repugnantes mutilações (as castrações, por exemplo), os sentido, a cosmologia pode ser entendida a partir da se- mais cruéis rituais, tudo isto tem origem naquele instinto guinte associação: que divisou na o mais poderoso da COSMOS: MUNDO ORDENADO E ORGANIZADO NIETZSCHE, F. Genealogia da São Paulo: das 1999. + LOGIA/LOGOS: PENSAMENTO/DISCURSO O fragmento evoca uma reflexão sobre a condição hu- RACIONAL, CONHECIMENTO mana e a elaboração de um mecanismo distintivo entre homens e animais, marcado pelo(a) COSMOLOGIA racionalidade científica. Esse primeiro momento pode ser classificado, determinismo biológico. portanto, em período cosmológico, naturalista ou pré- -socrático. G degradação da natureza. D domínio da contingência. consciência da existência. QUESTÕES QUESTÃO 3 (ENEM) QUESTÃO 1 (ENEM) filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gos- to da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, limita a a ambiguidade, esta se chama com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam coisas. Será mesmo necessário deter-nos e levá-la a sério? construir uma filosofia absolutamente positiva, só conse- Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa pro- guiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, posição anuncia algo sobre a origem das coisas; em segun- se recusaram direito de se instalar no saber absoluto. do lugar, porque faz sem imagem e fabulação; e em que caracteriza o filósofo é o movimento que leva inces- terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de santemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, crisálida, está contido pensamento: Tudo é um. e um certo repouso neste movimento. NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. M. Elogio da filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1999. Lisboa; 1998 (adaptado). O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgi- O texto apresenta um entendimento acerca dos ele- mento da filosofia entre os gregos? mentos constitutivos da atividade do filósofo, que se caracteriza por A O impulso para transformar, mediante justificati- vas, os elementos sensíveis em verdades racionais. reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético. O desejo de explicar, usando metáforas, a origem ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo dos seres e das das ideias. A necessidade de buscar, de forma racional, a causa associar a certeza do intelecto à imutabilidade da primeira das coisas existentes. verdade. D A ambição de expor, de maneira metódica, as dife- D conciliar rigor da investigação à inquietude do renças entre as coisas. questionamento. E A tentativa de justificar, a partir de elementos em- E compatibilizar as estruturas do pensamento aos píricos, o que existe no real. princípios fundamentais. CIÊNCIAS HUMANAS 19</p><p>QUESTÃO 4 (ENEM) legalismo estatal ao punir com a prisão perpétua crime de parricídio. A definição de Aristóteles para enigma é totalmen- busca pela explicação racional sobre os fatos até te desligada de qualquer fundo religioso: dizer coisas então desconhecidos. reais associando coisas impossíveis. Visto que, para D caráter antropomórfico dos deuses na medida em Aristóteles, associan coisas impossíveis significa for- que imitavam os homens. mulan uma contradição, sua definição quer dizer que E impossibilidade de homem fugir do destino pre- o enigma é uma contradição que designa algo real, em determinado pelos deuses. vez de não indicar nada, como é de regra. G. nascimento da filosofia. Campinas: Unicamp, 1996 (adaptado). QUESTÃO 6 (ENEM) Segundo o texto, Aristóteles inovou a forma de pensar aparecimento da pólis, situado entre os séculos VIII e sobre o enigma, ao argumentar que VII a.C., constitui, na história do pensamento grego, um acontecimento decisivo. Certamente, no plano intelectual a contradição que caracteriza o enigma é desprovi- da de relevância filosófica. como no domínio das instituições, a vida social e as rela- ções entre os homens tomam uma forma nova, cuja origi- os enigmas religiosos são contraditórios porque in- nalidade foi plenamente sentida pelos gregos, manifestan- dicam algo religiosamente real. do-se no surgimento da o enigma é uma contradição que diz algo de real e algo de impossível ao mesmo tempo. J.-P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2004 (adaptado). D as coisas impossíveis são enigmáticas e devem ser explicadas em vista de sua origem religiosa. Segundo Vernant, a filosofia na antiga Grécia foi re- a contradição enuncia coisas impossíveis e irreais, sultado do(a) E porque ela é desligada de seu fundo religioso. da oralidade, pois, em seu território, toda estratégia de comunicação era baseada na escrita QUESTÃO 5 (ENEM) e no uso de imagens. isolamento progressivo de seus membros, que pre- (...) O SERVIDOR Diziam ser filho do rei... feriam o convívio familiar às relações travadas nos ÉDIPO Foi ela quem te entregou a criança? espaços públicos. O SERVIDOR Foi ela, Senhor. manutenção de instituições políticas arcaicas, que ÉDIPO Com que intenção? reproduziam, o poder absoluto de origem di- SERVIDOR Para que eu a matasse. vina do monarca. ÉDIPO Uma mãe! Mulher desgraçada! D diversidade linguística e religiosa, pois sua difu- SERVIDOR Ela tinha medo de um oráculo dos deuses. sa organização social dificultava a construção de ÉDIPO O que ele anunciava? identidades culturais. SERVIDOR Que essa criança um dia mataria seu pai. ÉDIPO Mas por que tu a entregaste a este homem? E constituição de espaços de expressão e discussão, que ampliavam a divulgação das ações e ideias de O SERVIDOR Tive piedade dela, mestre. Acreditei que seus membros. ele a levaria ao país de onde vinha. Ele te salvou a vida, mas para os piores males! Se és realmente aquele de quem ele fala, saibas que nasceste marcado pela infelicidade. ÉDIPO Oh! Ai de mim! Então no final tudo seria ver- QUESTÃO 7 (ENEM) dade! Ah! Luz do dia, que eu te veja aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não devia nascer, "Quando Édipo nasceu, seus pais, Laio e Jocasta, os reis esposo de quem não devia ser, assassino de quem de Tebas, foram informados de uma profecia na qual o não deveria filho mataria pai e se casaria com a mãe. Para Édipo Rei. Alegre: L 2011. ordenaram a um criado que matasse o menino. Porém, trecho da obra de Sófocles, que expressa o núcleo da penalizado com a sorte de Édipo, ele o entregou a um tragédia grega, revela o(a) casal de camponeses que morava longe de Tebas para que Édipo soube da profecia quando se tornou condenação eterna dos homens pela prática injus- adulto. Saiu então da casa de seus pais para evitar a tra- tificada do incesto. gédia. Eis que, perambulando pelos caminhos da Grécia, 20 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>encontrou-se com Laio e seu séquito, que insolentemen- importância relativizada pela razão a partir dos elementos te, ordenou que saísse da estrada. Édipo reagiu e matou existentes na natureza estudados pelos pré-socráticos. todos os integrantes do grupo, sem saber que entre eles Ágatha Cristine Ariel Koch Gomes, Sidinei Soares, estava seu verdadeiro pai. Continuou a viagem até che- MSc. SURGIMENTO DA FILOSOFIA E A EVOLUÇÃO DOS MITOS: gar em Tebas, dominada por uma Esfinge. Ele decifrou a importância da Escola Jônica para a construção da racionalidade. o enigma da Esfinge, tornou-se rei de Tebas e casou-se A passagem do mito à filosofia se deu a partir do ques- com a rainha, Jocasta, a mãe que desconhecia". tionamento das verdades apresentadas pelas narrativas Disponível em: www.culturabrasil.org. Nesse sentido, busca-se o logos, que significa Acesso em: 28 ago. 2010 (adaptado). as sensações. No mito Édipo Rei, são dignos de destaque os temas do B as experiências. destino e do determinismo. Ambos são características do mito grego e abordam a relação entre liberdade hu- o discurso racional. mana e providência divina. A expressão filosófica que D os sonhos não realizados. toma como pressuposta a tese do determinismo é: E a imanência relativa. "Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo." (Jean Paul Sartre) QUESTÃO 10 (INÉDITA) "Ter fé é assinar uma folha em branco e que Deus nela escreva o que quiser." (Santo Agostinho) Nas civilizações antigas, a interpretação religiosa e a ob- "Quem não tem medo da vida também não tem servação dos astros mantiveram estreita relação entre medo da morte." (Arthur Schopenhauer) si. homem primitivo já reproduzia símbolos e corpos D "Não me pergunte quem sou eu e não me diga para celestes nas pinturas rupestres. No Egito faraônico e em permanecer mesmo." (Michel Foucault) outras civilizações antigas, supunha-se que a Terra fosse plana e consideravam-se as estrelas lâmpadas fixas numa E "O homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua ima- gem e semelhança." (Friedrich Nietzsche) abóbada giratória. Também era generalizada a crença de que o Sol morria a cada noite para renascer na madru- gada seguinte, mito que constituiu um dos princípios bá- QUESTÃO 8 (INÉDITA) sicos da adoração religiosa desse astro. Para os antigos filósofos gregos, movimento dos corpos celestes era Deve-se entender a governado por relações harmônicas de leis naturais. "linguagem do mito enquanto objeto de uma experiência Disponível em: numinosa (sagrada) arcaica. Esta experiência da linguagem logia.php. Acesso em: 22 abr. 2020. está profunda e inextricavelmente ligada a uma certa con- cepção arcaica da linguagem, a uma certa concepção arcai- Levando em consideração as especulações sobre a ori- ca de tempo, a uma concepção arcaica de Ser e de Verdade." gem do universo, em diferentes culturas, ao longo do Teogonia: a origem dos p. 14. tempo, que diferencia a Cosmogonia da Cosmologia principalmente, De acordo com o mito o método que utilizam para alcançar a verdade do é para quem o vive, uma forma de realidade. universo, uma vez que a Cosmogonia se vale dos é um passatempo sem importância. deuses e a Cosmologia da lógica filosófica. é uma passagem necessária entre o pensamento B modo como ambas interpretam a ação dos deu- do senso comum e o senso crítico. ses, uma vez que a cosmologia só aceita os deuses gregos e a Cosmogonia, os orientais. D é uma reflexão científica elaborada e precisa. o uso da técnica para se à verdade do uni- E é um estranhamento em relação ao mundo. na qual a Cosmologia se traduz como ciência e a Cosmologia se exprime como racionalidade. QUESTÃO 9 (INÉDITA) D a forma como se entende o universo, uma vez que para a Cosmogonia é material e para a Cosmologia conhecimento filosófico surgiu aos poucos, em substitui- ele se mostra por meio de divindades. ção aos mitos e às crenças religiosas, na tentativa de conhe- cer e o mundo e os seres que nele habitam. E o objetivo de cada uma, pois a Cosmologia busca explicar a origem dos deuses e a Cosmogonia, en- A formação do pensamento filosófico se deu na passagem tender a filosofia do mundo. do mito (mythos) para a razão (lógos). Os deuses têm sua CIÊNCIAS HUMANAS 21</p><p>AULA 02 Os filósofos pré-socráticos Como sabemos, o primeiro momento da Filosofia elementos opostos, tais como a vida e a morte, o frio foi chamado de período pré-socrático, cosmológico ou e o quente, que explicaria a dinâmica das mudanças naturalista os primeiros filósofos gregos se inserem ocorridas no mundo. nesse contexto. O período pré-socrático inaugura uma Contrapondo-se ao pensamento de Heráclito, te- explicação racional sobre a natureza (phisis) e é marca- mos o principal representante da cidade de Eleia, Par- do pela fundação da Escola Jônica, situada na antiga a que, juntamente com Zenão, formou a chama- cidade de Mileto, litoral ocidental da Ásia Menor. Os da Escola Eleática. Os pontos principais da Filosofia de primeiros filósofos dessa escola, denominados de Parmênides se baseiam na ideia de que as transforma- lósofos da natureza" por terem como preocupação ções não produzem algo que pode ser definido racio- central os processos naturais tinham em comum a nalmente, assim como apontam que é na constatação necessidade de identificar qual seria a substância bá- do que ele chama de ser que podemos identificar aquilo sica essencial a todas as coisas do mundo, a qual eles que é verdadeiro. A tarefa de entender a essência de chamaram de arché (elemento primordial). Dentre eles, todas as coisas seria, portanto, da razão e não dos sen- destacam-se Tales, Anaximandro e Anaxímenes. tidos, que, segundo ele, apenas captariam a aparência Tales afirmou ser a água a substância essencial a dessas coisas. Outro aspecto importante de sua Filoso- todas as transformações da natureza. Estimulava seus fia está nas considerações daquilo que ele chama de ser discípulos a pensarem de forma autônoma, inclusive e não ser, uma vez que, ao de algo que não existe contradizendo-o. Anaximandro afirmou que existe para algo que existe, seria admitir a existência do que um elemento comum a todas as coisas, mas que, por Parmênides definiria como o não ser. O autor afirmou sua vez, está inacessível ao nosso entendimento. Ele que "aquilo que é não pode não ser", formulando, assim, chamou esse elemento de indeterminado ou infinito, uma versão inicial da lei da identidade, um princípio ló- também conhecido como ápeiron. Já Anaxímenes ma- gico-metafísico que consiste em caracterizar a realida- nifestou sua explicação acerca da essência de todas as de em seu sentido mais profundo, como algo coisas considerando que seria o an (pneuma) o elemen- exclui, portanto, o movimento e a mudança como aquilo to primordial dos elementos naturais. que não é, porque deixou de ser o que era, e não veio a Outras explicações sucederam aquelas dadas ser ainda o que será, e então não é por isso, ape- pelos primeiros filósofos de Mileto; uma delas foi a de nas o permanente e imutável pode ser caracterizado Pitágoras, da cidade de Samos. Suas explicações não como ser. Observe: estavam voltadas às questões de ordem natural, como a água e o ar. Assim, elegeu os números enquanto ele- SER É mento imaterial e princípio universal da realidade. Neles, estariam dispostas todas as harmonias do Uni- Indica a ideia de que o ser [ou aquilo que é eterna- verso, compreendidas de forma a serem demonstradas mente, pois ser constitui, para ele, a substância perma- nente das coisas. Portanto, o ser é de maneira imutável Podemos destacar como importantes para e imóvel e é o único que existe. esse período dois filósofos que, inclusive, contribuí- É ram com questões que foram discutidas por Platão e Aristóteles, que os sucederam. São eles Heráclito e Indica a ideia de que o não ser [a negação do ser] não Parmênides. Segundo Heráclito, todas as coisas es- é, não tem ser, substância, essência. Portanto é nada, tão em constante movimento, daí a constatação de não existe. Essa é uma conclusão lógica, pois, se o ser que "tudo flui" e, portanto, nada é permanente na é tudo, o não ser não pode não existir. Para Parmê- natureza, tal como um fluxo de águas do rio que nun- o não ser se identificaria com a mudança ca cessa. Assim, entendemos sua célebre frase: "não devir], pois mudar é justamente não ser mais aquilo podemos entrar duas vezes no mesmo rio". Diante da que era, nem ser aquilo que é [...]. constatação dessa mudança ou do devir, Heráclito Gilberto: Mirna Fundamentos de Filosofia. 2 também afirmou que existe uma necessária dem de ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 210-211. 22 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>Discípulo de filósofo Zenão de Eleia Por fim, observaremos o filósofo da buscou a crítica de Parmênides em relação à cidade de Abdera, que juntamente com Leucipo desen- ideia da possibilidade do movimento, por ser contradi- volveu uma Filosofia marcada pelo materialismo. Ele tória e, portanto, falsa. Assim se justifica o que ficou co- afirmou que o elemento essencial de todas as coisas é inhecido como paradoxo. O mais famoso foi relatado na composto por átomos, que se apresentavam como par- história que ilustra a corrida entre a tartaruga e Aquiles. tículas invisíveis, eternas e imutáveis, atuan- Essas análises apresentam uma estrutura lógica bem do enquanto elementos que se agregam e se dissipam de definida, mas quando associamos ao real tornam-se fal- modo causal e mecânico a toda matéria existente. sas, uma vez que ideia e realidade se apresentam como Assim sendo, podemos classificar os filósofos pré- elementos distintos, tornando-se, assim, um paradoxo. -socráticos da seguinte forma: Consequentemente, modo segundo o qual Zenão ar- gumentou gerou dificuldades para o pensamento racio- OS PRÉ-SOCRÁTICOS (SÉC.VII nal, nas questões que envolvem, por exemplo, o movi- Os Jônios Os Efésios Os Eleatas Os Pitágoricos Os Atomistas mento, o espaço, o tempo, entre tantos outros. Tales Xenófanes Leucipo de Mileto Pitágoras se Anaxágoras Anaximandro Heráclito Parmênides Paradoxo: Empédocles Aquiles, o mais veloz dos Zenão Timeu Anaximenes de Eleia Demócrito corredores, dá a dianteira à tartaruga em uma corrida. Mesmo assim, ele jamais será capaz de a tartaruga, pois seria necessário percorrer a distância da dianteira dada a ela; sendo tal distância divisível ao infinito, ela QUESTÕES jamais poderá ser percorrida: a diferença irá diminuindo, mas jamais será nula. Aristóteles QUESTÃO 1 (ENEM) Uma outra explicação acerca da matéria-prima de Texto que são feitas todas as coisas é encontrada no filósofo de Mileto disse que o an é o elemento origi- da cidade de Agrigento, chamado de Empédocles. De nário de tudo o que existe, existiu e e que outras acordo com Empédocles, quatro seriam os elementos coisas provêm de sua descendência. Quando o an se di- da estrutura do Universo: água, ar, fogo e terra; tais lata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são elementos, combinados entre si formariam a composi- an condensado. As nuvens formam-se a partir do an por ção de todas as coisas. Um aspecto importante nessa feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se combinação seria a maneira segundo a qual essas subs- em água. A água, quando mais condensada, transforma- tâncias se agregam e se esse movimento de -se em terra, e quando condensada ao máximo possível, reunião e separação das substâncias seria provocado transforma-se em pedras. por forças antagônicas cósmicas, que Empédocles cha- ma de amor e de ódio, o primeiro enquanto força cria- J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio. 2006 (adaptado). dora e harmonizadora, e o segundo como uma espécie de energia desagregadora da ordem existente. Texto Basílio Magno, filósofo medieval, "Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensi- nam os ou dos átomos, como julga Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha". E.: P. História da Filosofia Os quatro elementos que para Empédocles constituíam a essência de São Paulo: Vozes. 1991 (adaptado). todas as coisas CIÊNCIAS HUMANAS 23</p><p>Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolve- sem compostas de modo a serem as mesmas. Todas ram teses para explicar a origem do universo, a partir as coisas nascem, através de diferenciações, de uma de uma explicação racional. As teses de mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, reto- filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, mando sempre a mesma coisa. têm em comum, na sua fundamentação, teorias que In: G.A. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo, Cultrix, 1967. eram baseadas nas ciências da natureza. O texto descreve argumentos dos primeiros pensado- refutavam as teorias de filósofos da religião. res, denominados pré-socráticos. Para eles, a principal tinham origem nos mitos das civilizações antigas. preocupação filosófica era de ordem D postulavam um princípio originário para o mundo. A cosmológica, propondo uma explicação racional do E defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas. mundo fundamentada nos elementos da natureza. política, discutindo as formas de organização da QUESTÃO 2 (INÉDITA) pólis ao as regras de democracia. ética, desenvolvendo uma filosofia dos valores vir- Para a história da filosofia, a importância de Tales advém tuosos que tem a felicidade como o bem maior. sobretudo de ter afirmado que a água era a origem de D estética, procurando a aparência dos en- todas as coisas. A água seria a physis, que, no vocabulário tes sensíveis. da época, abrangia tanto a acepção de "fonte originária" E hermenêutica, construindo uma explicação unívo- quanto a de "processo de surgimento e de desenvolvi- ca da realidade. mento", correspondendo perfeitamente a "gênese". Os Pensadores. Pré-Socráticos. Seleção de textos e super- visão: Prof. José Cavalcante de Souza. QUESTÃO 4 (INÉDITA) Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo, 1996. Para os pensadores pré-socráticos a arché (elemento "[...] é preciso que te informes de tudo, não só da ver- primordial) seria encontrado na natureza (physis). Es- dade como das opiniões humanas. A estas não deves ses filósofos também eram chamados de conceder um crédito de verdade: entretanto, é pre- ciso que tu as conheças também, de modo a que, por estagiaras. um questionamento que se estende sobre tudo e em tudo, qual é o juízo que deves fazer sobre a realidade teogônicos. dessas opiniões [...] Afasta o teu pensamento dessa fisiólogos. via de pesquisa e não deixes que a experiência te force D espíritas. a seguir cega e surdamente por esse caminho. Mas é pela razão que se deve atacar o problema controverso E dogmáticos. [...] esta é a única via que te resta [...]" De la Nature, In Jean Voilquin 1964, Les Pen- seurs Grecs Avant Socrate, Paris, Garnier-Flammarion p. 93. QUESTÃO 3 (ENEM) A partir da leitura do texto pode-se concluir que o pen- samento filosófico de Parmênides Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coi- A estabelece o movimento (kinesis) como defini- sa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as dor de todo processo de constituição da filoso- coisas que são agora neste mundo terra, água an e fia antiga. fogo e as outras coisas que se manifestam neste mun- do se alguma destas coisas fosse diferente de qual- altera o formato tradicional de identidade e a colo- quer outra, diferente em sua natureza própria e se ca numa situação de constante devir. não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mu- agrega elementos platônicos e aristotélicos na de- danças e diferenciações, então não poderiam as coi- finição de seu sistema filosófico. sas, de nenhuma maneira, misturar-se umas às outras, D separa a razão da observação (experiência), a pri- nem fazer bem ou mal umas às outras, nem a planta meira é o instrumento para aceder à verdade, en- poderia brotan da terra, nem um animal ou qualquer quanto que os sentidos conduziriam ao efêmero, outra coisa vir à existência, se todas as coisas não fos- ao limitado, ao contingente, à opinião. 24 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>E conduz sua interpretação de mundo associado ao QUESTÃO 7 (INÉDITA) pensamento de Heráclito, seu mestre e mentor intelectual. "Uma outra tentativa de fuga parece ter residido numa vaga esperança de que, considerando como infinito QUESTÃO 5 (ENEM) um infinito grosseiro, mal identificado, que era mais um muito grande, do que o infinito moderno- o número de que formam um segmento de reta, talvez as A representação de Demócrito é semelhante à de Ana- dificuldades desaparecessem" xágoras, na medida em que um infinitamente múltiplo é In: Bento de Jesus Caraça, 1963. a origem; mas nele a determinação dos princípios fun- Conceitos Fundamentais da Matemática, Lisboa, p. 75. damentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o as- Filósofo pré-socrático que elaborou suas ideias a partir do elemento citado no texto: pecto simples para si. Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concen- Pitágoras. tração, formam aquilo que aparece como figura. Crítica moderna. In: J.C. (Org.). Os pré-so- B Tales. crática: vida e obra. São Paulo: Nova 2000 (adaptado). Xenófanes. O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensa- D Anaximandro. mento de segundo o qual "princípio cons- titutivo das coisas" estava representado pelo(a) E Górgias. A número, que fundamenta a criação dos deuses. QUESTÃO 8 (ENEM) devir, que simboliza o constante movimento dos objetos. Texto água, que expressa a causa material da origem do universo. Fragmento B91: Não se pode duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal duas vezes D imobilidade, que sustenta a existência do ser atem- a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da poral. mudança, dispersa e de novo reúne. E átomo, que explica o surgimento dos entes. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado). QUESTÃO 6 (INÉDITA) Texto II "[...] tudo o que existe se engendrou por uma determi- Fragmento B8: São muitos os sinais de que ser é ingê- nada condensação do an ou, ao contrário, por uma di- nito e pois é compacto, inabalável e sem latação. O movimento existe ao longo de toda a eter- fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, nidade. A terra foi criada pela compressão do ar. Ela é contínuo. Como poderia o que é perecer? Como muito achatada e é, por consequência, suportada pelo poderia gerar-se? ar. Quanto ao Sol, à Lua e aos outros astros tiveram na Da natureza. Terra a sua origem São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado). In: Jean Voilquin 1964, Les Penseurs Grecs Avant Socrate, p. 56. Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das Em há uma regressão às reflexões filosóficas de outro pensador pré-socrático. Que pensador é esse? investigações do pensamento sistemático. Pitágoras. B preocupações do período mitológico. discussões de base ontológica. Leucipo. D habilidades da retórica sofística. D verdades do mundo sensível. E Tales. CIÊNCIAS HUMANAS . 25</p><p>AULA 03 Sofistas, Sócrates e Platão SOFISTAS to. Górgias afirmava ser impossível a apreensão sobre a "coisa" em si: "não temos a capacidade de O período em que se destacam, primeiramente, como os objetos são e, mesmo se não os e em seguida, Sócrates, Platão e Aristóte- seríamos capazes de anunciá-los". Trasímaco estabele- les, é denominado período clássico ou antropológico. ce o conceito de justiça como a conveniência dos mais Nesse contexto, temos Atenas como centro das dis- fortes e se mostra como um advogado. cussões e formadora de grandes questões, que foram analisadas por grandes pensadores ao longo da SÓCRATES (399-469 A.C.) ria. Os na maioria das vezes, aconteciam na ágora (praça pública) e faziam parte da prática do ci- dadão ateniense, que precisava da habilidade da ora- tória (do bem falar) e da retórica (poder de persuasão) enquanto instrumentos de argumentação para ques- tões de interesses, muitas vezes, particulares. A figura retrata as atividades que aconteciam dentro da ágora (praça pública) Recorte da estátua do filósofo Sócrates Nesse contexto, surgiram os sofistas, grupo de Tornou-se grande referência para o seu tempo e pessoas que ensinavam (a certo custo) a arte da per- para as gerações futuras, deixando suas heranças in- suasão a qualquer pessoa em relação a qualquer as- telectuais para filósofos como Platão. Sócrates se po- sunto que fosse de seu interesse. Daí a constatação sicionou contrário àquilo que os sofistas ensinavam, de que a verdade dependeria da perspectiva de cada uma vez que para ele a verdade poderia ser alcançada um, de acordo com suas necessidades, o que traria, através do diálogo e do desenvolvimento crítico das assim, uma visão relativista do que seria o ideias. Ainda segundo o filósofo, seria imprescindível, de onde vem a afirmação de que "o homem é a me- para se chegar à verdade, um método, um meio segun- dida de todas as coisas". Destacam-se Protágoras, do o qual poderíamos obter conhecimento correto Górgias e acerca de várias questões, tais como o que seria a jus- Protágoras estabeleceu uma antilógica, ou seja, tiça, ou que é bem ou o belo. Para tanto, adotou um uma colocação e o seu contrário. Com pretendeu método composto de duas partes: a ironia e a maiêuti- radicalizar os opostos e compreendê-los por comple- ca, explicadas a seguir. 26 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>IRONIA Consiste em buscar, através de questionamentos, o reconhecimento da multiplicidade de opiniões, o que levaria à consciência de suas contradições. Sua finalida- de seria esclarecer quão vagos são, muitas vezes, nos- SOS argumentos através da constatação de que a única coisa que sabemos é de que nada sabemos. MAIÊUTICA Processa, através do debate e do diálogo, o conhe- cimento a partir da construção do desenvolvimento das ideias, de modo a ser chamada de "a arte de trazer à Recorte da estátua do filósofo de Sócrates O ponto de partida para entendermos a Filosofia de Platão é a questão deixada por Heráclito e Parmê- Jacques-Louis. A morte de 1787 nides acerca de temas como: unidade e multiplicidade; A famosa inscrição do templo de Apolo, "Conhece- permanência e mudança; razão e sentidos. Para tanto, -te a ti foi interpretada por Sócrates como um desenvolveu aquilo que ficou conhecido como teoria das ideias ou teoria das formas. caminho de autoconhecimento, ou seja, primeiro o indi- Nessa doutrina, Platão afirmou que existem duas víduo deve se conhecer para depois conhecer o mundo a sua volta. Certa vez, o oráculo de Delfos declarou Só- realidades distintas, explicadas a seguir. crates o maion sábio da Grécia entre todos os homens. MUNDO SENSÍVEL Sócrates como resposta afirmou: "só sei uma coisa, e é que nada sei". Não se julgava um sábio, mas um "amante Corresponde à matéria e compõe-se das coisas na da "e o que é senão ignorância, a mais repro- maneira como as percebemos na vida cotidiana (isto é, vável, acreditar saber aquilo que não se pelas sensações, as quais surgem e desaparecem conti- Sócrates enxergava que o reconhecimento da pró- nuamente). Assim, coisas e fatos do mundo sensível são pria ignorância é o primeiro passo para a busca da verda- temporários, mutáveis e corruptíveis. de. A verdade não é, entretanto, propriedade de nenhum MUNDO INTELIGÍVEL homem, e ser filósofo é estar numa incessante busca por ela: "a vida não refletida não vale a pena ser vivida". Corresponde às ideias, que são sempre as mesmas para o de tal maneira que nos permitem experi- PLATÃO (427-347 A.C.) mentar a dimensão do do do perfeito. Desenvolveu um pensamento que influenciou Gilberto: Fundamentos de 2 vários pensadores, inclusive os neoplatônicos e, poste- ed. São Paulo: Saraiva, p. 221-222 riormente, Santo Agostinho, na Idade Média, a partir de um grandioso projeto intelectual. Fundou a Academia, Desse modo, todo conhecimento que vem dos onde foram debatidas várias questões de extrema rele- sentidos é tido como falso e aparente, uma vez que é vância para a história do pensamento ocidental. Escre- cópia daquilo que existe no mundo das ideias, caben- via em forma de diálogos, nos quais a principal per sona- do-nos, assim, a tarefa de procurar um modo de conhe- gem era seu mestre Sócrates. cer que privilegie a razão para que possamos às CIÊNCIAS HUMANAS 27</p><p>ideias eternas e, portanto, verdadeiras. Para represen- cracia (poder dos sábios) significa que todos os cida- tan essa intenção (no livro sétimo de A ve- dãos deveriam ter acesso ao conhecimento filosófico, mos como Platão nos demonstra os principais pontos pois assim qualquer um que venha a governar gover- de sua Filosofia através de uma explicação alegórica nará com sabedoria. Platão também faz uma análise denominada de mito da caverna ou alegoria da caver- sobre a tripartição da alma, que teria seus correspon- na. Nela, encontraremos elementos fundamentais para dentes na cidade. o entendimento acerca da gênese do conhecimento e seus significados mais importantes. ALMA CIDADE Sobre o mito, primeiramente, Platão nos fala de um grupo de pessoas que vivem dentro de uma caver- Desejante Economia na, de costas para a entrada, presas por correntes, de modo que o que conseguem ver são sombras que se projetam no fundo desse lugar. Imaginemos que um des- Racional Política ses habitantes consiga se libertar e passar por todos os obstáculos, chegando, à parte externa da parede. A parte racional é aquela que deve a A princípio, ele não consegue enxergar devido à luz in- alma do homem, assim como a política deve comandar tensa que o ofusca, mas, aos poucos, consegue perceben a cidade. nitidamente como a realidade é. Decide, então, voltar e convencer aqueles que ainda estão no interior da caver- na a dela. No entanto, essas pessoas, além de não acreditarem nele, acabam por matá-lo. QUESTÕES QUESTÃO 1 (ENEM) Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma rela- ção entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segun- do. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias Alegoria da caverna formava-se em sua mente. A Filosofia de Platão demonstra, entre outras coi- M. Platão e Aristóteles: o da São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado). sas, um projeto que pretendia estabelecer uma visão acerca daquilo que seria a definição e a estrutura da O texto faz referência à relação entre razão e sensação, política a partir de uma demonstração de como seria um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão a sociedade ideal para os habitantes da cidade (pólis). De acordo com o texto, como Platão se Essa classificação se dá da seguinte maneira: a classe situa diante dessa relação? dos trabalhadores é responsável pelo mate- rial da pólis; a classe dos militares tem a finalidade de A Estabelecendo um abismo intransponível entre as a a classe dos magistrados possui a duas. tarefa de cumprir as leis a todos. Privilegiando os sentidos e subordinando o conhe- Para Platão, apenas o rei filósofo teria capaci- cimento a eles. dade de governar, de maneira justa, a cidade, estan- do também dirigida pelos cientistas, guardada pelos Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e guerreiros e sustentada por aquelas pessoas que sensação são inseparáveis. produzem e cultivam. Caso haja alguma mudança D Afirmando que a razão é capaz de gerar conheci- nessas determinações, segundo ele, haverá ações in- mento, mas a sensação não. justas tanto por parte dos trabalhadores quanto dos E Rejeitando a posição de Parmênides de que a sen- militares ou magistrados que, por sua vez, procurarão sação é superior à razão. suprir apenas os seus interesses particulares. A sofo- 28 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>QUESTÃO 2 (ENEM) QUESTÃO 4 (ENEM) Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem que implica o sistema da pólis é uma extraordinária queren justificá-las racionalmente, pode-se desprezar preeminência da palavra sobre todos os outros instru- as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e mentos do poder. A palavra constitui o debate contradi- Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que tório, a discussão, a argumentação e a polêmica. Torna-se uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de a regra do jogo intelectual, assim como do jogo político. adotar crenças com base em razões e evidências e ques- VERNANT, J. As origens do pensamento grego. tudo o mais a fim de seu sentido último. Rio de Janeiro: Bertrand, 1992 (adaptado). M. Platão e Aristóteles: o da filosofia. Na configuração política da democracia grega, em es- São Paulo: Odysseus, 2002. pecial a ateniense, a ágora tinha por função Platão e Aristóteles marcaram profundamente a for- mação do pensamento Ocidental. No texto, é ressalta- agregar os cidadãos em torno de reis que governa- do importante aspecto filosófico de ambos os autores vam em prol da cidade. que, em linhas gerais, refere-se à permitir aos homens livres o acesso às decisões do Estado expostas por seus magistrados. adoção da experiência do senso comum como cri- tério de verdade. constituir o lugar onde o corpo de cidadãos se reunia para sobre as questões da comunidade. B incapacidade de a razão o conhecimento resultante de evidências empíricas. D os exércitos para decidir em assembleias fechadas os rumos a serem tomados em caso de G pretensão de a experiência legitimar por si mesma guerra. a verdade. E a comunidade para elegen representan- D defesa de que a honestidade condiciona a possibili- tes com direito a pronunciar-se em assembleias. dade de se pensar a verdade. E compreensão de que a verdade deve ser justificada QUESTÃO 3 (ENEM) racionalmente. Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os QUESTÃO 5 (ENEM) seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, Uma conversação de tal natureza transforma ouvin- as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas te: o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma di- sociedade. No entanto, essas regras não passavam de reção incomum: os temperamentais, como invenções humanas. sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que J. Problemas da Filosofia. Lisboa: Gradiva, são capazes, mas fogem porque receiam essa imfuência poderosa, que os leva a se censurarem. É sobretudo a sofista personagem imortalizado no diá- esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta im- logo A República, de Platão, sustentava que a correlação primir sua orientação. entre justiça e ética é resultado de História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977. determinações biológicas impregnadas na natu- O texto evidencia características do modo de vida socráti- reza CO, que se baseava na verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. contemplação da tradição mítica. mandamentos divinos inquestionáveis legados das sustentação do método dialético. tradições antigas. relativização do saber verdadeiro. D convenções sociais resultantes de interesses hu- manos contingentes. D valorização da argumentação retórica. E sentimentos experimentados diante de determina- E investigação dos fundamentos da natureza. das atitudes humanas. CIÊNCIAS HUMANAS 29</p><p>QUESTÃO 6 (ENEM) QUESTÃO 8 (ENEM) Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da eles estão lá desde a in- fância, as pernas e o pescoço presos por de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a ca- beça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ao longo do ca- minho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapu- mes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios. A República. Lisboa: SANZIO. R. Detalhe do afresco A Escola de Fundação Calouste Gulbenkian, 2007. em: fil.chf.ufsc.br. Acesso em: 20 mar. 2013. Essa narrativa de Platão é uma importante manifes- No centro da imagem, filósofo Platão é retratado apon- tação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia tando para alto. Esse gesto significa que conhecimen- central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a) to se encontra em uma instância na qual o homem des- cobre a: A caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo. suspensão do juízo como reveladora da verdade. sistema penal da época, criticando sistema carce- B realidade inteligível por meio do método dialético. rário da sociedade salvação da condição mortal pelo poder de Deus. vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos. D essência das coisas sensíveis no intelecto divino. D sistema político provindo do surgimento da E ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade. pólis e da democracia ateniense. E teoria do conhecimento, expondo a passagem do QUESTÃO 7 (INÉDITA) mundo ilusório para o mundo das ideias. "Assim, é necessário que os que desejam ser sofistas QUESTÃO 9 (INÉDITA) investiguem o gênero dos argumentos mencionados, pois isso lhes será propício. De fato, é esse tipo de ca- Meu caro amigo, és ateniense, natural de uma cidade pacidade que poderá fazer alguém aparentar/parecer que é a maior e a mais afamada pela sabedoria e pelo ser sábio - e eles têm o propósito focado nisso [sc. poder, e não te envergonhas de só cuidares de riquezas aparentar/parecer ser sábio]" (165a28-31). e dos meios de as aumentares o mais que puderes, de Isto é, os argumentos que parecem ser bons só pensar em glórias e honras, sem a mínima preocu- argumentos, cf. 164a23 pação com o que há em ti de racional, com a verdade e O principal ponto de discórdia entre o filósofo Sócrates com a maneira de tornar a tua alma o melhor possível? e os sofistas estava relacionado à questão da Apologia de 29d-e. metafísica. A fala de Sócrates dirigida aos cidadãos de Atenas pe- rante o tribunal enfatiza o quanto se preocupava com a verdade. questão da Areté, que significa ontologia. A prosperidade. D gnosiologia. excelência. E empiria. prudência. D riqueza. E inteligência. 30 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>AULA Aristóteles e a filosofia no 04 contexto do helenismo ARISTÓTELES (384-322 A.C) existem (ta onta) e, de acordo com esse relato, os seres podem ser divididos em dez categorias distintas. Elas incluem substância, qualidade, quantidade e relação, entre outras. Dessas categorias de seres, é à primei- ra, substância (ousia), que Aristóteles dá uma posição privilegiada. Vale lembrar que, embora o filósofo nunca tenha afirmado isso, é tentador supor que essas cate- gorias são mutuamente exclusivas e conjuntamente exaustivas das coisas que existem. Substâncias são únicas ao serem independentes; os itens das outras categorias dependem, de alguma forma, de substâncias. Isto é, qualidades são as quali- dades das quantidades são as quantida- des e os tamanhos que as substâncias possuem; as re- lações são o modo como as substâncias se interligam. Todas essas não substâncias devem sua existência às substâncias - cada uma delas, como diz Aristóteles, existe apenas em um sujeito. Ou seja, cada não subs- tância "está em algo, não como uma parte, e não pode existir separadamente do que está "em". De fato, tor- na-se claro que as substâncias são os sujeitos em que essas não substâncias ontologicamente dependentes Recorte da estátua do filósofo Aristóteles estão "dentro". Aristóteles (da cidade de Estagira, na Macedônia), Cada membro de uma categoria de não substân- foi discípulo de Platão e tornou-se um dos grandes no- cia permanece nessa relação de inerência (como é fre- mes da Filosofia antiga devido às suas grandes contri- quentemente chamada) a alguma substância ou outra buições ao pensamento ocidental, inclusive à ciência - a con é sempre encontrada em corpos, conhecimen- e à política. Em primeiro lugar, é importante entender to na alma. Nem a brancura nem o conhecimento gra- a grande importância que Aristóteles dá à ciência en- matical, por exemplo, são capazes de por conta quanto pesquisa. Nesse aspecto, privilegia também os própria. Cada um requer, para sua existência, que haja sentidos enquanto fonte de conhecimento e, assim di- alguma substância na qual ela seja inerente. ferencia-se de Platão, que não valoriza o conhecimento obtido através dos sentidos. Aristóteles foi o primeiro a formular um sistema filosófico com vertentes como a física, a metafísica, a ética, a política e a poética. METAFÍSICA ARISTOTÉLICA Para entendermos os problemas e projeto da metafísica de Aristóteles, é melhor começarmos com um de seus primeiros trabalhos, chamado Categorias. Embora colocado por uma longa tradição entre seus trabalhos lógicos, devido a sua análise dos termos que compõem as proposições, a partir das quais inferên- cias dedutivas são construídas, Categorias começa com uma abordagem geral e exaustiva. Trata das coisas que CIÊNCIAS HUMANAS . 31</p><p>As quatro causas que classificam a realidade de Com relação à classificação dos governos, Aristó- um ser ou objeto são divididas em: causa material, que teles acreditava que cada Estado possui uma estrutura é a matéria de toda e qualquer coisa; causa formal, que que lhe é peculiar, de acordo com a característica de dá a característica ou a identidade de algo; causa efi- cada forma de governo que se apresenta. A monarquia, ciente, sendo o elemento que causa a constituição de a aristocracia e a democracia são exemplos de repre- cada ser ou objeto, transformando-o com fins de deter- sentação política. minado causa final, que define cada ser tendo em vista sua finalidade ou propósito. Formas de Governo Puras Formas de Governo Impuras MATERIAL FORMAL FINAL EFICIENTE Democracia Aristocracia Monarquia (O (COMO?) (POR (QUEM?) Anarquia Oligarquia Tirania Finalmente, para Aristóteles, duas questões são de extrema importância para entendermos aquilo FILOSOFIA NO CONTEXTO que ele define como sendo as ciências práticas. Tra- ta-se da ética e da política e de como é possível a re- DO HELENISMO lação entre elas. Em relação à ética, Aristóteles tem como propó- sito inicial sobre a questão da felicidade (Eudai- monia) humana, que, segundo ele, é a sua finalidade. A ética aristotélica é um estudo da virtude (areté ou, mais propriamente, uma vez que, segun- do o próprio filósofo, "nosso objetivo é tornar-nos ho- mens bons, ou alcançar o grau mais elevado do bem humano, este bem é a felicidade; e a felicidade con- siste na atividade da alma de acordo com a virtude" (Ética a Nicômaco, I). O homem virtuoso deve, assim, conhecer o ponto médio, a justa medida das Busto de Alexandre, o Grande A política, na visão aristotélica, é retratada como uma ação que define o ser humano em sua realidade As filosofias ditas helenísticas tinham em comum mais familiar, homem é um animal político", assim a busca de respostas que preenchessem as necessida- como o Estado é algo essencial para a convivência hu- des individuais do ser humano, como a felicidade e o mana. Dessa forma, segundo Aristóteles, somos "seres bem comum, por exemplo. Além disso, foi um período sociais" por natureza. que marcou a interação entre a cultura helênica e a dos povos ora conquistados por intermédio do imperador Alexandre. "O homem é por natureza um animal politico, tem Assim, a ética também foi colocada na ordem do dia primeiro na família sua e se transformou no mais importante projeto filosó- socialização e garantia da manutenção da vida em fico da nova comunidade internacional (assim con- seus aspectos financeiros quistada por Alexandre). A questão era saber em que e mas é na consistia a verdadeira felicidade e como ela podia ser Polis que se realiza plena- alcançada. encontrando no fiel cumprimento das leis e da mundo de Sofia. São Paulo: Cia. Justiça, dado que só podemos ser feliz no exer- das Tradução de João Azenha Jr. p. cício da justa medida, ou seja, sendo prudente e encontrando o meio termo em nossas ações." Embora as filosofias de Sócrates, Platão e Aristóteles teles fossem ainda uma grande referência quanto ao modo de pensar, podemos definir o pensamento filosó- fico da época, a partir de quatro grandes escolas. 32 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>CINISMO EPICURISMO No contexto da Filosofia, refere-se à escola fi- É uma postura de vida bastante difundida no con- losófica fundada por Antistenes, a qual afirma que a texto do helenismo. Fundada por Epicuro, a principal condição real de nossa felicidade não está condicio- questão colocada foi de associan a felicidade ao prazer. nada a condições materiais de existência. Ser feliz, No entanto, diferentemente dos hedonistas (que ti- seria, portanto, exatamente afastar-se do poder e das nham, a princípio, a mesma ideia), no epicurismo a pers- posses financeiras. Destaca-se, nessa linha de pensa- pectiva que envolvia o prazer tinha duas posturas que mento, Diógenes. deveriam ser levadas em conta: a do prazer enquanto fruto de ações momentâneas e a do prazer que traz para o ser humano uma sensação mais duradora de feli- cidade, como a amizade. Uma questão importante na Filosofia dos epicu- ristas ou epicureus é a de que seguindo quatro regras, chamadas de "quatro poderemos alcançar nosso esses "remédios" podem ser descri- tos como: não devemos os deuses; não devemos temer a é fácil o bem; é fácil suportar o que nos amedronta. "Quando dizemos que o prazer é a essência de uma boa não queremos dizer o prazer do extrava- gante ou o que depende da satisfação física, mas por prazer queremos o estado em que o corpo se GÉRÔME, 1860 libertou da e a mente da ansiedade." Epicuro ESTOICISMO Fundada por Zenão, a postura do estoicismo era entender que, mediante a constatação de todas as coi- sas, as leis universais deveriam ser aceitas com absolu- CETICISMO OU PIRRONISMO ta tranquilidade (Ataraxia). Devido a isso, teríamos que aceitar o nosso destino, uma vez que todos os aconteci- Fundado por Pirro, transmite a ideia de impos- sibilidade de um conhecimento absolutamente verda- mentos fazem parte de certa ordem natural das coisas. Ser feliz, portanto, é a essas condições. Desta- deiro (motivo pelo qual é chamado de ceticismo). Por posteriormente, no período que irá compreen- isso, há a necessidade, apenas, de aquilo que der o Império Romano, os pensadores Epiteto, Marco nos aparece de imediato, não cabendo a ninguém jul- Aurélio e gar qualquer coisa que se possa afirmar como verda- deira ou falsa. "O homem que sofre antes de "As coisas em si são indife- ser necessário sofre mais que o necessário" incomensuráveis e indiscriminadas. Não existe Sêneca (4 a.C. 65 d.C.) verdade certa." Pirro CIÊNCIAS HUMANAS 33</p><p>aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com QUESTÕES resignação. D sobre os valores e as normas dadas pela E defenden a indiferença e a impossibilidade de se QUESTÃO 1 (ENEM) atingir o saber. Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, jus- QUESTÃO 3 (ENEM) to ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas A quem não basta pouco, nada basta. segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985. aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, Remanescente do período helenístico, a máxima apre- nada procurando evitar e não se desviando do que quer sentada valoriza a seguinte virtude: que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, pre- cipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos. A Esperança, tida como confiança no porvir. D. Vidas e sentenças dos filósofos Brasília: Editora 1988. Justiça, interpretada como retidão de caráter. Temperança, marcada pelo domínio da vontade. O conforme sugerido no texto, caracteriza- -se por: D Coragem, definida como fortitude na dificuldade. Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão. quaisquer convenções e obrigações da sociedade. o verdadeiro prazer como o princípio e o QUESTÃO 4 (ENEM) fim da vida feliz. a indiferença e a impossibilidade de ob- ter alguma certeza. Quanto à deliberação, deliberam as pessoas sobre D Aceitar o determinismo e ocupar-se com a espe- tudo? São todas as coisas objetos de possíveis delibera- rança transcendente. ções? Ou será a deliberação impossível no que tange a algumas coisas? Ninguém delibera sobre coisas eternas E Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o e imutáveis, tais como a ordem do universo; tampouco homem bom e belo. sobre coisas mutáveis como os fenômenos dos sols- tícios e o nascer do sol, pois nenhuma delas pode ser QUESTÃO 2 (ENEM) produzida por nossa ação. Ética a São Paulo: Edipro, 2007 (adaptado). Alguns dos desejos são naturais e outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem conceito de deliberação tratado por Aristóteles é necessários, mas nascidos de opinião. Os desejos importante para entender a dimensão da responsabi- que não nos trazem don se não satisfeitos não são ne- lidade A partir do texto, considera-se que é cessários, mas seu impulso pode ser facilmente des- possível ao homem sobre feito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem A coisas imagináveis, já que ele não tem controle so- geradores de dano. bre os acontecimentos da natureza. EPICURO DE SAMOS. "Doutrinas principais". In: Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974 ações humanas, ciente da influência e da determi- nação dos astros sobre as mesmas. No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem fatos atingíveis pela ação humana, desde que este- tem como fim jam sob seu controle. A alcançar o prazer moderado e a felicidade. D fatos e ações mutáveis da natureza, já que ele é parte dela. B valorizar os deveres e as obrigações sociais. E coisas eternas, já que ele é por essência um ser re- ligioso. 34 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>QUESTÃO 5 (ENEM) QUESTÃO 7 (ENEM) A felicidade é portanto, a melhor, a mais nobre e a mais Ao falan do caráter de um homem não dizemos que ele aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo estar separados como na inscrição existente em Delfos ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, "das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a é a referindo-se ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor porém a mais doce é ter o que amamos". Todos chamamos virtude. estes atributos estão presentes nas mais excelentes Ética a São Paulo: atividades, e entre essas a melhor, nós a identificamos Nova Cultural, 1973. como Em Aristóteles, o conceito de virtude ética expressa a A Política. São Paulo: das 2010. excelência de atividades praticadas em consonân- Ao reconhecen na felicidade a reunião dos mais exce- cia com o bem comum. lentes atributos, Aristóteles a identifica como B concretização utilitária de ações que revelam a ma- busca por bens materiais e títulos de nobreza. nifestação de propósitos privados. plenitude espiritual e ascese pessoal. concordância das ações humanas aos preceitos emanados da finalidade das ações e condutas humanas. D realização de ações que permitem a configuração D conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. da paz interior. E expressão do sucesso individual e reconheci- E manifestação de ações estéticas, coroadas de mento público. adorno e beleza. QUESTÃO 6 (ENEM) QUESTÃO 8 (ENEM) O termo injusto se aplica tanto às pessoas que infrin- gem a lei quanto às pessoas ambiciosas (no sentido de A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Am- quererem mais do que aquilo a que têm direito) e iní- bos prestam serviços corporais para atender às neces- quas, de tal forma que as cumpridoras da lei e as pes- sidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do soas corretas serão justas. O justo, então, é aquilo con- homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forme à lei e o injusto é o ilegal e iníquo. forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o Ética à São Paulo: homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho Nova Cultural: 1996 (adaptado). braçal, porém apto à vida do cidadão. Segundo Aristóteles, pode-se reconhecer uma ação Política. Brasília: 1985. justa quando ela observa O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristo- compromisso com os movimentos desvinculados télica, como da legalidade. indicador da imagem do homem no estado de benefício para o maior número possível de indi- natureza. víduos. condição necessária para a realização da virtu- interesse para a classe social do agente da ação de humana. D fundamento na categoria de progresso histórico. atividade que exige força física e uso limitado da E princípio de a cada um o que lhe é devido. racionalidade. D referencial que o homem deve seguir para viver uma vida ativa. mecanismo de aperfeiçoamento do trabalho por meio da experiência. CIÊNCIAS HUMANAS . 35</p><p>QUESTÃO 9 (INÉDITA) QUESTÃO 11 (INÉDITA) Supondo o conhecimento entre as coisas belas e valio- A felicidade é portanto, a melhor, a mais nobre e a mais sas, e um mais do que outro, seja pela exatidão, seja por aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem es- ter objetos melhores e mais notáveis, por ambas as ra- tar separados como na inscrição existente em Delfos "das zões o estudo da alma estaria bem entre os primeiros. coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; Há inclusive a opinião de que o conhecimento da alma porém a mais doce é ter o que amamos". Todos estes atri- contribui bastante para a verdade em geral e, sobretu- butos estão presentes nas mais excelentes atividades, e do, no que concerne à natureza; pois a alma é como um entre essas a melhor, nós a identificamos como felicidade. princípio dos animais. Buscamos e conhecer A São Paulo: das 2010 sua natureza e substância, bem como todos os seus dentre os quais, uns parecem ser afecções A Afelicidade é o fim último do ser humano. Mas. de acor- próprias da alma, enquanto outros parecem subsistir do com o pensamento aristotélico, para que esse fim nos animais graças a ela. seja realmente alcançado, é preciso Ética a Tradução do grego António de Castro São Paulo: 2009. A efetivan a soberania diante dos filhos e dependentes. B racionalmente na apreensão das virtudes ne- A concepção aristotélica de virtude é expressa pela organizar todos os sentimentos e motivações hu- manas. Lógica. D buscar o prazer acima de tudo e fugir da dor e do Empiria. sofrimento. D Areté. E racionalizar aquilo que se refere ao amor, aos ami- E gos e à família. QUESTÃO 10 (INÉDITA) QUESTÃO 12 (INÉDITA) Diferem, porém, quanto ao que seja a felicidade, e o E se indagarmos quais são os princípios ou elementos vulgo não o concebe do mesmo modo que os sábios. das substâncias, relações e quantidades se são os Os primeiros pensam que seja alguma coisa simples e mesmos ou diferentes é claro que quando os nomes óbvia, como o prazer, a riqueza ou as honras, muito em- das causas são usados em vários sentidos ou causas de bora discordem entre si; e não raro o mesmo homem a cada um são as mesmas, mas quando distinguimos os identifica como diferentes coisas, com a saúde quando sentidos elas são diferentes. está doente, e com a riqueza quando é pobre. Metafísica. Porto Alegre: Globo. Metafísica: livro 1 e livro 2; Ética a Nicômaco: Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. Tradução de texto se refere à teoria das causas de Aristóteles, na Vincenso Cocco et al. São Paulo: Abril 1979. qual se defende que Segundo Aristóteles, o objetivo de investigação da ciência política é o mais alto de todos os bens que o a causa material é determinante na apreensão da causa essencial, ou causa formal. homem pode alcançar por meio da ação, e que tanto homem vulgar como o de cultura superior reconhecem a causa formal se refere ao ser das coisas do mundo como sendo a felicidade, identificando assim o bem vi- e se relaciona à causa final. ver e o bem agir como o ser feliz. Nessa perspectiva, a a causa formal se atém à substância dos seres no felicidade é mundo e se relaciona à causa eficiente. a busca por prazeres. D a causa eficiente é material e pressupõe a dimen- são metafísica do ser humano. B a satisfação pessoal. E a causa final se refere à finalidade dos seres, que o reconhecimento de honrarias. corresponde a como o ser se mostra no mundo. D a ascese pessoal. E a promoção do bem coletivo. 36 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>AULA 05 Filosofia medieval A transição entre o que se denomina Filosofia pagãos, combater as heresias e justificar a fé, os pri- antiga e o período chamado de Filosofia medieval foi meiros padres da Igreja escreveram obras de apolo- marcada, entre outras coisas, pela pregação do cris- gética (defesa da fé). tianismo. Ele aparece, enquanto referencial teórico, Maria L. A.: Maria H. P. Filosofandos Intro- bastante difundido, especialmente na Grécia e em dução à 5 ed. São Paulo: 2013. p. 126. Roma, palco das grandes discussões filosóficas da An- tiguidade. Nesse sentido, é a partir do políti- Apesar de encontrarmos grandes e importantes e cultural do Império Romano que a teologia nomes na patrística cristã, tais como Justino, Clemente encontra o ambiente propício para desenvolvimento de Alexandria e Orígenes, temos na figura de Aurélio das novas ideias ou das boas novas, isto é, do revange- Agostinho, Agostinho ou Santo Agostinho um marco lho cristão. para o pensamento da patrística Isso se justifica devido à sua capacidade de interpretar as questões de natureza teológica, sabendo conciliá-las com aspectos da Filosofia grega, mais especificamente as filosofias de Platão e Plotino (principal representante do neoplato- nismo). Tais aspectos podem ser descritos na questão, por exemplo, que envolve o dualismo platônico entre o chamado "mundo sensível" e o "mundo das acrescentado por "ideias divinas". A Teoria da Iluminação Divina vem substituir e complementar a Teoria da Remi- niscência de Platão, pois este não afirma a origem do in- telecto Já Santo Agostinho se refere a uma cen- telha divina no homem, já que este foi criado por Deus. Concílio de com representantes da cujo propósito era o consenso e a universalização da Igreja PATRÍSTICA O primeiro período da Filosofia medieval é co- inhecido como patrística, no qual foram aprofundadas as questões que iriam ser debatidas durante toda a Ida- de Média, como a que envolve fé e É importante constatar, de igual forma, que [...] os religiosos que elaboraram a doutrina foram chamados padres da Igreja, de onde deriva a palavra patrística. [...] No esforço de converter os Santo Agostinho CIÊNCIAS HUMANAS . 37</p><p>Para Santo Agostinho, diversas questões são ana- Ser necessário e os seres possíveis (argumento lisadas enquanto aspectos de grande valia no contexto cosmológico): compara os seres que podem ser e da Idade Média. Podemos citar algumas, como o proble- não ser. Essa possibilidade implica que alguma vez ma do mal, o problema do tempo e a discussão acerca da o ser não foi e passou a ser e ainda vem a não ser possível relação entre a fé e a Sobre essa relação, novamente. Contudo, do nada, nada vem e, por isso, Agostinho defendia um possível vínculo, de modo que esse ser possível depende de um ser necessário para a razão daria condições para entender aquilo que a re- fundamentar sua existência. velação apresenta. Por isso, ele afirmava: é necessário Graus de perfeição: trata dos graus de perfeição, "compreender para e para compreender". em que comparações são constatadas a partir de um máximo (ótimo) que na verdade contém o verdadei- ESCOLÁSTICA ro ser (o mais ou menos só se diz em referência a um Considerado o segundo período da Filosofia me- máximo). dieval, a escolástica abrange não só o que fora chamado Governo supremo (argumento teológico): trata da de último período do pensamento cristão propriamen- questão da ordem e da finalidade com que a supre- te dito, mas uma espécie de "transição" para as poste- ma inteligência governa todas as coisas (já que no riores ideias que levaram à construção do pensamento mundo há ordem), dispondo-as de forma organizada moderno. Temos como fato relevante nesse período o racionalmente, o que evidencia a intenção da exis- desenvolvimento das escolas, bem como a criação das tência de cada ser. Vários pensadores se destacaram nesse momento, a exemplo de Pedro Abelardo e Duns Scoto, porém temos como principais nomes Tomás de Aquino e Roger Bacon. Com a presença da Filosofia platônica nas ques- tões discutidas na Idade Média, o estudo da Filosofia aristotélica, no contexto da escolástica, através dos fi- lósofos árabes Averróis e Avicena, é um marco para o pensamento cristão. Nesse contexto, surge o filósofo Tomás de Aqui- no, que procurou desenvolver as principais questões da teologia a partir de conceitos importantes da filosofia aristotélica. Primeiramente, segue a questão da relação entre a fé e a razão, na qual vê a possibili- dade de possuirmos um conhecimento que se guie pela razão e pelos sentidos, mas que tenha como percepção inequívoca aquilo que a revelação orienta. O filósofo distingue cinco vias para caracterizar o conhecimento e a existência de Deus: Primeiro motor imóvel: supõe a existência do movi- mento no um ser não move a si mesmo, só Tomás de Aquino podendo, então, outro ou por outro ser mo- vido. Assim, se retroagirmos ao infinito, não explica- Por sua vez, Roger Bacon valorizou a experiência, mos o movimento se não encontrarmos um primeiro o cálculo e a pesquisa enquanto critérios de verificação motor que move todos os outros. do conhecimento. Nesse ponto, embora a revelação Primeira causa eficiente: diz respeito ao efeito que ainda seja o conhecimento por essência, o homem de- esse motor imóvel a percepção da ordena- veria desenvolver as faculdades da razão, concedidas ção das coisas em causas e efeitos permite averiguar por Deus. que não há efeito sem causa. Dessa forma, igualmen- Tal perspectiva do conhecimento marcou o perío- te retrocedendo ao infinito, não poderíamos senão do de transição entre a filosofia (ou teologia) medieval e a uma causa eficiente que dá início ao movi- o pensamento moderno propriamente dito. mento das coisas. Assim o legado de Roger Bacon foi a busca por um entendimento mais racional de tudo. Da mesma forma, 38 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>ele ampliou os interesses pela experiência enquanto criticar a Igreja Católica, instigando a criação de método de comprovação, que iria contribuir decisiva- outras instituições religiosas. mente para o método científico no contexto histórico D evocar pensamentos de religiões orientais, minan- do renascimento e suas posteriores implicações. do a expansão do cristianismo. E contribuir para o desenvolvimento de sentimentos antirreligiosos, seguindo sua teoria política. QUESTÃO 2 (INÉDITA) É certo que o homem jamais saberá qualquer coisa com absoluta certeza, antes que Deus seja visto face a face [...], pois ninguém é versado na natureza a ponto de saber tudo E já que, em comparação com o que o homem sabe, são infinitas e indubitavelmente maio- res e mais belas as coisas que ele ignora, ele está fora do juízo se se vanglorian a respeito de seus próprios conhecimentos [...] Tenho aprendido importantes ver- dades com homens de posição humilde, mais do que com doutores célebres. Portanto, não deve ninguém vangloriar-se de sua sabedoria. Roger, Opus Maius, 1266, pp. 24-25. Roger Bacon O filósofo medieval Roger Bacon buscava, entre ou- tras coisas, a(o) QUESTÕES racionalização do conhecimento na busca do B abandono da fé nas causas perdidas. conhecimento pelos grandes doutores da época. QUESTÃO 1 (ENEM) D fugir da humildade, já que essa prática dimi- nuía o homem. Enquanto o pensamento de Santo Agostinho repre- E vangloriar-se de seus feitos. senta o desenvolvimento de uma filosofia ins- pirada em Platão, o pensamento de São Tomás rea- bilita a filosofia de Aristóteles até então vista sob QUESTÃO 3 (ENEM) suspeita pela Igreja mostrando ser possível desen- volver uma leitura de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. O aristotelismo de São Tomás abriu "Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preci- caminho para o estudo da obra aristotélica e para a algum dirigente, pelo qual se atinja diretamen- legitimação do interesse pelas ciências naturais, um te o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para dos principais motivos do interesse por Aristóteles diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não nesse período. chegaria ao fim de destino, se por indústria do piloto D. Textos básicos de filosofia. Rio não fosse dirigido ao porto: ora, tem o homem um fim, de Janeiro: Zahar, 2005. para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acon- tece, porém, agirem os homens de modos diversos em A Igreja Católica por muito tempo impediu a divulgação vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços da obra de Aristóteles pelo fato de a obra aristotélica em ações humanas comprova. Portanto, precisa ho- mem de um dirigente para fim." valorizar a investigação científica, contrariando cer- tos dogmas religiosos. AQUINO, T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. declarar a inexistência de Deus, colocando em dú- Petrópolis: 1995 (adaptado). vida toda a moral religiosa. CIÊNCIAS HUMANAS 39</p><p>No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monar- Uma das principais teorias desenvolvidas pelo filósofo quia como o regime de governo capaz de Santo Agostinho foi a(s): os movimentos religiosos contestatórios. A Cinco vias para a existência de Deus. promover a atuação da sociedade civil na vida política. Reminiscência. a sociedade tendo em vista a realização do Argumentação ontológica da existência divina. bem comum. D Iluminação Divina. D reformar a religião por meio do retorno à tradi- E ção helenística. Hermenêutica jurídica. E dissocian a relação política entre os poderes tem- poral e espiritual. QUESTÃO 6 (ENEM) Se os nossos adversários, que admitem a existência de QUESTÃO 4 (ENEM) uma natureza não criada por Deus, o Sumo Bem, quises- sem admitir que essas considerações estão certas, dei- xariam de proferir tantas como a de atribuir Desde que tenhamos compreendido o significado da a Deus tanto a autoria dos bens quanto dos males. pois palavra "Deus". sabemos, de imediato, que Deus exis- sendo Ele fonte suprema de Bondade, nunca poderia ter te. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal criado aquilo que é contrário à sua natureza. ordem que não podemos nada que lhe seja A natureza do Bem. Rio de Janeiro: maior. Ora, que existe na realidade e no pensamento é Sétimo Selo, 2005 (adaptado). maior do que o que existe apenas no pensamento. Don- de se segue que o objeto designado pela palavra "Deus", Para Agostinho, não se deve atribuir a Deus a origem que existe no pensamento, desde que se entenda essa do mal porque palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. A o surgimento do mal é anterior à existência de Deus. TOMÁS DE AQUINO. Suma mal, enquanto princípio ontológico, independe de Rio de Loyola, 2002. Deus. O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Deus apenas transforma a matéria, que por na- Aquino caracterizada por: tureza, má. D por ser bom, Deus não pode crian o que lhe é opos- Reiteran a ortodoxia religiosa contra os heréticos. to, o mal. B racionalmente doutrina alicerçada na fé. E Deus se limita a administrar a dialética existente Explicar as virtudes teologais pela demonstração. entre o bem e o mal. D a interpretação oficial dos textos sagrados. E pragmaticamente crença livre de dogmas. QUESTÃO 7 (ENEM) Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espi- QUESTÃO 5 (INÉDITA) ritual aqueles que nos dizem: "Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada "Uma só coisa me magoava no meio de tão grande ardor: dizem eles, "por que não ficou sempre assim no decur- não aí nome de Cristo. Porque este nome, dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação? segundo disposição da vossa misericórdia, Senhor, este Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nome do meu Salvador e Filho vosso, bebera-o com o nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criara, leite materno o meu terno coração, e dele conservava o como pode haver verdadeira eternidade, se n'Ele apa- mais alto apreço. Tudo aquilo de que estivesse ausente rece uma vontade que antes não existia?" este nome, ainda que fosse duma obra literária burilada AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril Cultural, e verídica, nunca me arrebatava totalmente." S. De Trinitate Livros IX XIII. A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, Universidade da Beira Interior, 2008. é um exemplo da reflexão filosófica sobre a(s) 40 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>essência da ética cristã. mente nas minhas opiniões, digo: O inventor foi fula- natureza universal da tradição. no de tal, não sou eu. A. Apud PEDRERO História da Idade Mé- certezas inabaláveis da experiência. dia: texto e São Paulo: Unesp, 2000. D abrangência da compreensão humana. Nos textos são apresentados pontos de vista distin- E interpretações da realidade circundante. tos sobre as mudanças culturais ocorridas no século XII no Ocidente. Comparando os textos, os autores discutem o(a) QUESTÃO 8 (INÉDITA) produção do conhecimento face à manutenção dos A virtude designa certa perfeição da potência. Mas argumentos de autoridade da Igreja. a perfeição de uma coisa é considerada, principal- caráten dinâmico do pensamento laico frente à es- mente, em ordem do seu fim. Ora, o fim da potência tagnação dos estudos religiosos. é o ato. Portanto, a potência será perfeita na medida em que é determinada por seu ato. As potências ra- surgimento do pensamento científico em oposição cionais próprias do homem não são determinadas a à tradição teológica cristã. uma coisa só, antes se prestam, indeterminadamen- D desenvolvimento do racionalismo crítico ao opon te, a muitas coisas. Ora, é pelos hábitos que elas se fé e razão. determinam aos atos. Por isso as virtudes humanas E construção de um saber teológico científico. são hábitos. São Tomaz. Suma seção, parte, q. 55 Uma das principais teorias desenvolvidas pelo filósofo QUESTÃO 10 (ENEM) São Tomaz de Aquino foi a(s) Cinco vias para a existência de Deus. A casa de Deus, que acreditam una, está, portanto, di- Da reminiscência. vidida em três: uns oram, outros combatem, outros, en- fim, trabalham. Essas três partes que coexistem não su- Argumentação ontológica da existência divina. portam ser separadas; os serviços prestados por uma D Iluminação Divina. são a condição das obras das outras cada uma por E Hermenêutica jurídica. sua vez encarrega-se de o conjunto... Assim a lei pode triunfar e o mundo gozar da paz. ALDALBERON DE LAON. In: F. Antologia de textos histó- QUESTÃO 9 (ENEM) ricos Lisboa: Sá da 1981. A ideologia apresentada por Aldalberon de Laon foi Texto produzida durante a Idade Média. Um objetivo de tal Não é possível passar das trevas da ignorância para a ideologia e um processo que a ela se opôs estão indica- luz da ciência a não ser lendo, com um sempre dos, respectivamente, em: mais vivo, as obras dos Antigos. Ladrem os cães, gru- nhem os porcos! Nem por isso deixarei de ser um se- Justificar a dominação estamental / revoltas guidor dos Antigos. Para eles irão todos os meus cuida- camponestas. dos e, todos os dias, a aurora me encontrará entregue Subverter a hierarquia social / centralização ao seu P. Apud PEDRERO M. G. História da Idade Média: Impedir a igualdade jurídica / revoluções burguesas. texto e São Paulo: Unesp, 2000. D Controlar a exploração econômica / unificação Texto monetária. A nossa geração tem arraigado o defeito de recusar E Questionar a ordem divina / Reforma Católica. admitir tudo o que parece dos modernos. Por isso, quando descubro uma ideia pessoal e quero torná-la pública, atribuo-a a outrem e declaro: Foi fulano de tal que o disse, não sou eu. E para que acreditem total- CIÊNCIAS HUMANAS 41</p><p>Acesse as videoaulas desta disciplina.</p><p>AULA Filosofia moderna: 01 Teóricos absolutistas Alguns aspectos são importantes para compreen- quiavel, são a virtú (capacidade de dominar e agarrar a for- dermos a transição da teologia e da filosofia, desen- tuna) e afortuna (sorte, acaso), que resultam numa repre- volvidas na Idade Média, para a filosofia moderna pro- sentação do governante como ambicioso e oportunista. priamente dita. Dentre esses aspectos, destacamos a política e a ciência que se apresentam como temas THOMAS HOBBES (1588-1679) relevantes no contexto do Renascimento. Para tal, ini- ciaremos nossos estudos a partir da filosofia política de Hobbes analisa, em termos gerais, o papel e a ne- Nicolau Maquiavel, que aparece como um marco divi- cessidade do Estado nas sociedades modernas. Para son entre a concepção antiga e medieval da política e a tanto, busca a ideia do estado de natureza para funda- nova perspectiva desenvolvida na Idade Moderna. mentar essa necessidade de entendermos a presença do Estado e de suas leis na sociedade. Esse estado primitivo, MAQUIAVEL (1469-1527) que é estado de natureza, é caracterizado pela guerra permanente de todos contra todos, uma vez que é da Maquiavel busca uma explicação da política não natureza humana não ser social, pelo contrário, são da idealizada, como descrita no contexto da tradição antiga e índole dos seres humanos o e o individualismo, medieval e, para isso, descreve a ação política de modo rea- são formas de preservar a sua Para isso, é lista, dentro daquilo que ocorre no cotidiano das socieda- preciso para garantir as suas posses, nem que seja des emgeral. Nessa perspectiva, escreve o livro necessário anulan o seu semelhante: "o homem é o lobo (1513), uma espécie de manual sobre o que o governante, do próprio homem" (HOBBES, 1651). o representante político, deve fazer para entrar, estar e se De acordo com o filósofo, para que não haja um con- manter no poder, levando em conta todos os aspectos da flito constante, os seres humanos estabeleceram uma for- luta pela administração do domínio político. ma de pacto baseado naquilo que se chamou de contrato social, para que o Estado, por meio das leis e de seus re- presentantes, estabeleçam a convivência pacífica em um possível convívio social. Contudo, seria preciso que todas as pessoas abrissem mão de suas vontades pessoais para que o Estado definisse o que deve ser feito a partir do es- tabelecimento desse pacto. O Estado, portanto, apresen- ta-se, segundo Hobbes, como uma espécie de controlador, de também chamado de nome que tam- bém intitula um dos seus principais livros. Nicolau Maquiavel Em sua obra, Maquiavel desvincula a concepção de que ética e política são compatíveis, uma vez que as ati- tudes do governante teriam apenas uma finalidade, isto o benefício próprio. Por isso, tudo pode ser feito para a perpétua manutenção do poder, ou seja, não importam os Hobbes e o o Estado visto como um contrato em que os ho- meios que sejam usados (incluindo a força), o que importa mens superam seu estado de natureza é o propósito final daquele que administra o poder "os fins justificam os meios". Portanto, as características que Assim como ocorreu com a política, a nova visão mais se enquadram no perfil do governante, segundo Ma- da ciência aparece como elemento principal para o de- 44 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>senvolvimento do pensamento moderno, que se con- JACQUES-BÉNIGNE BOSSUET trapõe à abordagem feita pelos pensadores antigos (1627-1704) e medievais, tendo como destaque a noção científica desenvolvida por Aristóteles. Destacaremos para essa Jacques-Bénigne Bossuet foi um prelado, prega- crítica os nomes de Galileu Galilei e Francis Bacon. e escritor francês. Vindo de uma família de magis- trados, estudou no colégio dos de Dijon antes JEAN BODIN (1530-1596) de ingressar no Colégio de Navarra, em Paris, aos 15 anos. Interessado em filosofia e teologia, em 1648 Jean Bodin foi um filósofo e teórico político fran- abandonou a vida mundana e foi ordenado subdiácono cês que influenciou a história intelectual da Europa for- em Langres. Alguns anos depois, tornou-se arquidiáco- mulando suas teorias econômicas e princípios de "bom no de Sarrebourg (1652) e Metz (1654). governo". Ele é considerado o introdutor do conceito Em Bossuet escreve o Discurso sobre a moderno de soberania. História Universal, no qual, depois de apresentar um Nas obras método para fácil compreensão da histó- breve resumo dos principais eventos da história da ria (1566) e Seis livros da República (1576) que são duas humanidade, procura a razão para eles nos planos de partes de um mesmo projeto Bodin traz ao humanismo Deus para sua Igreja. O filósofo mistura providência e jurídico uma verdadeira base: no primeiro, descreve e inter- referência a fontes tanto da Bíblia quanto dos doutores preta; no segundo, teoriza, prescreve e propõe. Assim, au- da Igreja e dos autores greco-latinos, como Heródoto. tor procura sobre toda a evolução das sociedades Bossuet também escreveu o Tratado sobre conheci- humanas no espaço e no tempo. Ele não interpreta textos, mento de Deus e do eu, no qual, em termos gerais, se- mas a história humana, para derivar uma ciência da política. gue a doutrina de René Descartes. Seis livros da República uma apresentação sobre a natu- reza da República (o Estado), cuja existência é definida pela soberania tornou-se um clássico do pensamento político. Para filósofo, o Estado soberano é mais forte que as leis civis e está sujeito apenas às leis naturais e divinas. Em 1578, Jean Bodin publicou dois livros: um sobre leis, e outro sobre economia. No primeiro, intitulado lu- ris universi distributio (1578), que é uma reflexão sobre a essência do Direito, ele estabelece uma sistematização do Direito romano. No segundo, com o título de Resposta ao paradoxo do Sr. de Malestroit no tocante ao encarecimento de todas as coisas, e a maneira de remediar esta situação (1578), estabelece uma relação entre o aumento dos preços no sé- culo XVI e a contribuição dos metais preciosos da Améri- ca. É nesse livro que o autor estabelece as bases da teoria Bossuet quantitativa do dinheiro, o que faz dele um dos primeiros Na teologia, é pelo rigor dogmático, pelo ape- defensores da teoria do mercantilismo na França. go aos ideais mais tradicionais da Igreja que ele se mostra um inflexível oponente de todas as novida- des, como o jansenismo, quietismo, o molinismo, os questionários, a reforma etc. Pelo com o qual REPVBLICA LIBRI SEX lutou contra essas doutrinas, fica claro que ele se alimentou muito mais do terrorismo bíblico do que da ternura do Evangelho. Assim, fica fácil deduzir, de acordo com esses princípios, para além do catolicis- mo puro, quais são as opiniões de Bossuet sobre as "coisas terrenas" e a organização das sociedades hu- manas. Suas teorias, nesse ponto, sugerem que as ci- vilizações asiáticas devem ser consideradas um ideal em termos de política e governo. O autor ainda aponta, em suas teorias, para um Seis livros da República. despotismo puro, pois seria impossível imaginar um Jean Bodin, 1576 estado social mais degradante, mais parecido com a CIÊNCIAS HUMANAS 45</p><p>barbárie: a raça humana não passa de um gado; não há tradição epistemológica. mais sociedade, não há mais mas rebanhos D condição original. marchando sob a vara do que é ne- cessariamente, fatalmente, o representante de Deus E vocação política. na terra. Além disso, para o autor, os reis são eles pró- prios espécies de deuses na terra. Diz ele: QUESTÃO 2 (ENEM) N A autoridade real é absoluta. o príncipe não deve relatar a ninguém o que ele ordena. Príncipes são deuses, seguindo portanto, não deve se com a reputa- a linguagem das Escrituras e, de alguma forma, partici- ção de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. pando da independência divina. Contra a autoridade do De com uns poucos exemplos duros poderá ser mais príncipe, não pode haver remédio exceto em sua autori- clemente do que outros que, por muita piedade, permitem dade. Não há força coativa contra o o príncipe é os distúrbios que levem ao e ao roubo. uma figura pública: todo o estado está nele; a vontade de todo o povo está encerrada na dele... Não se deve examinar N. Principe, São Paulo: Martin 2009. como o poder do príncipe está estabelecido: basta que se No século XVI, Maquiavel escreveu reflexão so- encontre estabelecido e reinando... Não é permitido para bre a Monarquia e a função do governante. A manutenção levantar, por qualquer motivo, contra os príncipes da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na A Política tirada da Sagrada Escritura, 1709. A inércia do julgamento de crimes polêmicos. bondade em relação ao comportamento dos mer- QUESTÕES cenários. compaixão quanto à condenação de transgressões religiosas. QUESTÃO 1 (ENEM) D neutralidade diante da condenação dos servos. E conveniência entre o poder tirânico e a moral do Texto Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido QUESTÃO 3 (ENEM) também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser ofereci- A importância do argumento de Hobbes está em parte da por sua própria força e invenção. no fato de que ele se ampara em suposições bastan- te plausíveis sobre as condições normais da vida hu- T. São Paulo: Abril Cultural, 1983. mana. Para exemplificar: o argumento não supõe que Texto todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ne- para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma ideia de bondade, o homem seja naturalmente suposição discutível que possibilitaria a conclusão mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O natureza aquele em que o cuidado de nossa conserva- que torna o argumento assustador e lhe atribui impor- ção é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, tância e força dramática é que ele acredita que pes- por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conve- soas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem niente ao gênero humano. ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de situação, Discurso sobre a origem e fundamento da desigualdade que resvalará, então, em um estado de guerra. entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado). RAWLS. J. Conferências sobre a história da filosofia política. São Paulo: 2012 (adaptado). Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o O texto apresenta uma concepção de filosofia política qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma conhecida como predisposição ao conhecimento. A alienação ideológica. submissão ao transcendente. microfísica do poder. 46 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>estado de natureza. Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos D contrato social. contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente E vontade geral. de John Locke, entende o estado de natureza como um(a) QUESTÃO 4 (ENEM) condição de guerra de todos contra todos, miséria universal, insegurança e medo da morte violenta. organização pré-social e pré-política em que ho- Anatureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades mem nasce com os direitos naturais: vida, liberda- do corpo e do que, embora por vezes se encon- de, igualdade e propriedade. tre um homem manifestamente mais forte de corpo, ou capricho típico da menoridade, que deve ser elimi- de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando nado pela exigência moral, para que o homem pos- se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um sa constituir o Estado civil. e outro homem não é suficientemente considerável para D situação em que os homens nascem como deten- que um deles possa com base nela reclamar algum tores de mas são feridos em sua livre cio a que outro não possa igualmente aspirar. decisão pelo pecado original. T. São Paulo: Martins Fontes, 2003 E estado de felicidade, saúde e liberdade que é des- Para Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, truído pela civilização, que perturba as relações Sociais e violenta a humanidade. quando dois homens desejavam o mesmo objeto, eles entravam em conflito. QUESTÃO 6 (ENEM) recorriam aos clérigos. consultavam os anciãos. Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas D apelavam aos governantes. as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá- E exerciam a solidariedade. -las, é muito mais seguro ser temido que amado, quan- do haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, QUESTÃO 5 (ENEM) volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, ofe- Texto recem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele outras o obrigaram a submeter-se ao governo), chega, revoltam-se. juntamente com o grande poder do seu governante, o N. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. qual comparei com o tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde A partir da análise histórica do comportamento huma- Deus, após ter estabelecido o grande poder do no em suas relações sociais e políticas, Maquiavel defi- lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, ne o homem como um ser disse ele, que se lhe possa comparar. munido de virtude, com disposição nata a praticar T. São Paulo: Martins Fontes, 2003. bem a si e aos outros. Texto possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a so- lução adequada para as inconveniências do estado de guiado por interesses, de modo que suas ações são natureza, que devem certamente ser grandes quando imprevisíveis e inconstantes. os homens podem ser juízes em causa própria, pois é D naturalmente racional, vivendo em um estado pré- fácil imaginar que um homem tão injusto a ponto de le- -social e portando seus direitos naturais. o irmão dificilmente será justo para condenar a si E sociável por natureza, mantendo relações pacíficas mesmo pela mesma ofensa. com seus pares. J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: 1994. CIÊNCIAS HUMANAS 47</p><p>QUESTÃO 7 (ENEM) D Hugo Grotius, que preconizava a existência de um Estado forte para controlar a sociedade civil. Hobbes realiza o esforço supremo de atribuir ao con- E John Locke, que indica a liberdade como princípio trato uma soberania absoluta e indivisível. Ensina fundamental. que, por um único e mesmo ato, os homens naturais constituem-se em sociedade política e submetem-se a QUESTÃO 9 (INÉDITA) N um senhor, a um soberano. Não firmam contrato com esse senhor, mas entre si. É entre si que renunciam, Com o propósito de que aquilo a que me propus escre- em proveito desse senhor, a todo o direito e toda li- ver acerca do método histórico possua algum valor di- berdade nocivos à paz. dático, começarei por definir a história e suas principais J. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos divisões; em seguida, estudarei a sucessão cronológica; dias. Rio de Janeiro: Agir, 1995 (adaptado). em seguida, para auxiliar a memória, adaptarei à his- A proposta de organização da sociedade apresentada tória os desenvolvimentos clássicos relativos às ações no texto encontra-se fundamentada na humanas; assim, distinguirei dentre todos os historia- minha escolha pessoal; discutirei então acerca imposição das leis e na respeitabilidade ao soberano. do juízo crítico em história. abdicação dos interesses individuais e na legitimi- BODIN, Jean. Methodus ad facilem historiarum cognitionem. dade do governo. Em torno do conjunto da obra de Jean Bodin (1530- alteração dos direitos civis e na representatividade 1596), formou-se uma tradição interpretativa longa e vo- do monarca. lumosa, que acumula a produção de sentidos bastantes di- D cooperação dos súditos e na legalidade do poder versificados. A análise preponderante na obra de Bodin é democrático. A compreensiva. mobilização do povo e na autoridade do parlamento. B crítica. analítica. QUESTÃO 8 (INÉDITA) D positiva. Tais, e ainda mais perniciosos [...] são os efeitos natu- E pragmática. rais desta nova doutrina. Mas [...] este espírito de insu- bordinação e independência, ainda que espalhado em QUESTÃO 10 (INÉDITA) todas as heresias destes últimos séculos, não produziu universalmente os mesmos efeitos. Encontrou diver- Estado Moderno surgiu a partir da fragmentação SOS limites, segundo temor, os interesses, o caráter do sistema feudal. É marcado por quatro fases: estado dos indivíduos e das nações, ou segundo o poder divi- moderno, estado liberal, crise no estado liberal e esta- no que, quando lhe agrada, termos imprevistos às do democrático liberal. Nasceu no século XV, com o de- mais indomáveis humanas. senvolvimento do capitalismo mercantil registrado em Disponível em: Portugal, França, Inglaterra e Espanha. view/6189/3354. Acesso em: 18 2019 Disponível em: As ideias presentes no texto acima são associadas a Acesso em: 18 out. 2019 Estado Moderno surge a partir do(a) Jacques Bossuet, teórico do absolutismo francês que divergia da Teoria do Contrato Social. fortalecimento do poder da nobreza. Nicolau Maquiavel, italiano que defendia valores B ampliação da dependência do rei em relação aos como virtude e fortuna para a manutenção do po- senhores feudais e à Igreja. do desagregação do feudalismo e centralização política. Thomas Hobbes, inglês que defendia que a socie- dade civil deveria se organizar politicamente para D diminuição do poder real e crise do capitalismo co- mercial. sain do estado de natureza, associada à guerra. E enfraquecimento da burguesia e equilíbrio entre Estado e Igreja. 48 CIÊNCIAS HUMANAS</p><p>AULA Filosofia moderna: 02 Racionalismo O movimento filosófico do século XVII, conheci- de que o mundo existe. A primeira certeza da Filosofia do como Racionalismo, pregava a aquisição do conhe- cartesiana (ou de Descartes) vem da constatação de que cimento por meio do intelecto e do raciocínio deduti- posso duvidar de tudo, menos de que estou duvidando, vo (princípios lógicos e matemáticos), em oposição às se duvido, então penso, e, se penso, logo existo. experiências sensoriais ou ensinamentos religiosos. Com base na constatação da primeira certeza, Des- Em resumo: cartes entende ser importante procurar uma segunda certeza, que o levaria a compreender que a ideia de Deus Defendia basicamente a tese de que o conhecimento seria um fundamento seguro para justificar a presença de obtido pela razão [fundamentalmente em seu uso 16- ideias claras e distintas em nosso intelecto. Assim, parte gico dedutivo] é mais confiável do que aquele que se do argumento de que a ideia de um ser perfeito (que se obtém pela experiência sensível, desqualificando o va- torna evidente em nossa mente) não poderia surgir de lor da experiência no processo de conhecer a verdade. um ser imperfeito, cabendo apenas a Deus (que é per- Gilberto: Fundamentos de feito) a relação entre a sua existência e a ideia de perfei- ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 270. ção, uma vez que só ele se constitui como tal. Logo, Deus existe e isso é algo indubitável também para Descartes. RENÉ DESCARTES (1596-1560) Por fim, Descartes confirma que, consequentemente, o mundo existe pela constatação de que, se Deus existe, o Assim como Baruch Spinoza e Gottfried Leibniz, mesmo garantiria a veracidade dos objetos assim pensa- René Descartes está no rol dos filósofos ditos raciona- dos, inclusive a de que o corpo também existe. listas e se destaca igualmente nesse cenário. A ques- Com essas três afirmações, observamos que a es- tão central do pensamento de Descartes é a busca do trutura que envolve a realidade segundo Descartes é conhecimento e do inquestionável, para isso, parte da dualista, isto é, constituída por uma substância pensan- dúvida, na tentativa de excluir qualquer coisa que se te (res cogitans) e uma substância material (res extensa). apresente como aparentemente verdadeiro. Nesse ponto, ele começa duvidando de tudo, desde os senti- dos, as informações percebidas em nossa consciência, BARUCH SPINOZA (1632-1677) a nossa imaginação, a realidade em que vivemos até as Baruch ou Benedictus Spinoza é o autor de obras deduções obtidas por nosso próprio raciocínio. caras aos ideias do Iluminismo europeu, especialmente A Ética (1677) e o Tratado teológico-político (1670). A ética, na visão do autor, se caracteriza como uma série densa de argumentos sobre assuntos que se estreitam progressivamente - a metafísica, a mente, os afetos hu- manos, a escravidão humana, a paixão e a bem-aventu- rança e são apresentados em uma ordem geométrica baseada na teoria de Euclides de Alexandria. Nela, Spi- noza começa defendendo uma metafísica na qual Deus é a única substância e está limitado pelas leis de sua própria natureza, para, então, construir uma ética na- turalista que é restringida e, até certo ponto, é produto dessa forte metafísica. Para esse filósofo, os seres humanos são indi- René Descartes víduos que causalmente interagem com outros indi- Por meio do exercício da dúvida metódica e radical, víduos e são extremamente vulneráveis à influência Descartes chega a três certezas (que se apresentam de externa. Eles não são substâncias. Além disso, estão forma clara e distinta): a de que eu sou algo que pensa, limitados pelas mesmas leis e naturezas causais simila- assim, "penso, logo a de que Deus existe; e a res em espécie a outros objetos comuns, outros "mo- CIÊNCIAS HUMANAS 49</p><p>dos finitos" que ligam todos os outros indivíduos na terminada" (Ética, 1677). Portanto, o indivíduo apai- natureza, de modo que Spinoza apresenta relatos de xonado não é livre. bondade, virtude e perfeição, consistentes com essas No entanto, as também são de dois tipos leis perfeitamente gerais. O autor também mostra que De acordo com cada um desses dois casos, os conceitos morais, como os de bem e mal, virtude e não experimentamos as mesmas perfeição, têm base na psicologia humana, ou seja, as- Quando nos encontramos com um corpo que não se sim como os seres humanos não são diferentes do res- encaixa com o nosso, tudo acontece como se o poder tante da natureza, os conceitos morais não são diferen- desse corpo fosse oposto ao nosso. Nosso poder de tes de outros conceitos. agir é dizer que nosso conatus está impedido. Então relato detalhado de Spinoza sobre os afetos sentimos tristeza. humanos, suas ações e é crucial. Para que seu argumento tenha sucesso, a teoria dos afetos deve ser Quando nos encontramos com um corpo externo, tanto um relato plausível da psicologia humana quanto que se adapte à nossa natureza, que é útil para nós e uma base plausível para a ética. que é composto com o nosso, seu poder é adiciona- do ao nosso. Sentimos alegria e nosso poder de agir é aumentado ou ajudado. A alegria pode ser uma pai- xão quando tem uma causa externa e nós não domi- namos o poder de agir de fora. No entanto, se apro- ximam do ponto que vamos dominar e trará alegrias ativas aqueles que vêm de nossas individualidades, que existem quando o conatus é realizado em si, por si só, que é o conhecimento. GOTTFRIED WILHELM LEIBNIZ (1646-1716) Leibniz foi um filósofo e matemático alemão que influenciou grandes pensadores nessas duas Spinoza áreas. No plano da filosofia do conhecimento, Leib- niz se apega a ideias, definidas como objetos do pen- As para Spinoza, resultam da ação dos samento, de acordo com sua clareza e distinção (na modos externos no homem. De acordo com a teoria do linha de Descartes): paralelismo de atributos, a paixão não é a ação do corpo na alma, como em Descartes, mas a ação de um modo Uma ideia é clara quando é suficiente reconhecer externo em nosso corpo, paralela a um modo externo uma coisa e distingui-la; sem isso, a ideia é obscura. em nossa alma. Segundo a teoria das isto é, As ideias que distinguem no objeto as marcas que o das modificações do modo, do que acontece com mo- tornam conhecido são distintas; caso contrário, são distinguir dois tipos de afeto: chamadas de confusas. Ações que são explicadas pela natureza do indiví- LEIBNIZ E AS duo afetado e são, portanto, o efeito de seu cona- tus (vontade de existir). Essas ações derivam de Em sua descrição do Universo, Leibniz também sua essência. tenta in além do mecanismo cartesiano. Se aos olhos de Descartes, a matéria é reduzida a uma extensão As que são explicadas pela ação das coisas geométrica, a esse mecanismo opõe-se o dinamismo externas em de Leibniz, segundo o qual o Universo é formado por Dessa forma, o poder de ser afetado tem um du- que são substâncias simples, sem partes, plo significado. É ao mesmo tempo poder agir, quando átomos da natureza e elementos das coisas, realidades as afeições são ativas, e poder quando o indi- espirituais dinâmicas, análogas às almas. víduo está sujeito à paixão. Isso corresponde à defi- Em todos os lugares esses princípios espirituais nição de liberdade e restrição de Spinoza: "Eu chamo estão em ação: eles são caracterizados, de fato, não de livre uma coisa que é e age de acordo com a única apenas pela percepção, representação do múltiplo na necessidade de sua natureza, restringe o que é deter- unidade, mas também pela apetência, tendência de minado por outro a existir e a agir de certa forma de- qualquer monada a agir. Toda percebe o Uni- 50</p><p>verso e tende a exercer uma ação. Assim, um mundo móvel e fluido está emergindo, onde tudo, matéria, na- QUESTÕES tureza e objetos, são animados por ou almas. Além disso, segundo Leibniz, existem níveis na per- cepção, e nessa pluralidade de níveis a consciência apare- ce apenas como um grau e uma passagem. Se a percep- QUESTÃO 1 (ENEM) ção como tal designa uma percepção distinta e percebida pela consciência, a percepção sem a reflexão também é possível. Assim, quando andamos à beira-mar, diversas Os filósofos concebem as emoções que se combatem percepções inconscientes e pequenas demais para serem entre si, em nós, como vícios em que os homens caem apreendidas, conteúdos psíquicos que não conhecemos, por erro próprio; é por isso que se habituaram a ridicu- formam toda a nossa clara percepção. É por meio dessas larizá-los, deplorá-los, reprová-los ou, quando querem percepções pequenas e despercebidas que estamos in- parecer mais morais, detestá-los. Concebem os homens, sensivelmente ligados a todo o mundo e ao real. efetivamente, não tais como são, mas como eles próprios melhor dos mundos possíveis gostariam que fossem. ESPINOSA, B. Tratado político. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Para Leibniz, o otimismo denota a ideia de que o mundo é o de todos os mundos possíveis, ou No trecho, Espinosa critica a herança filosófica no que seja, entre uma infinidade de mundos possíveis, o me- diz respeito à idealização de uma de todos é este mundo real hoje. Aquele que per- guntasse "O mundo, no entanto, não é rico de males?", estrutura da interpretação fenomenológica. Leibniz responderia que qualquer dor ou ansiedade são natureza do comportamento humano. as mesmas condições de prazer e felicidade. O prazer, na verdade, não decorre de um curso dicotomia do conhecimento prático. uniforme, que daria origem ao tédio. Esse sentimento de D manifestação do caráter religioso. perfeição, esse avanço em direção à felicidade, vem da E reprodução do saber tradicional. vitória sobre uma quantidade de meias dores que final- mente satisfazem o desejo de alguém. Quanto felicida- de, ela nunca consiste em um gozo pleno, no qual não há QUESTÃO 2 (ENEM) nada a desejar, mas em um perpétuo progresso rumo a novos prazeres e novas perfeições. Mal, dor, ansiedade Texto são condições do bem, atalhos para uma maior perfeição. Tal é o otimismo de Leibniz que vê, em particular, Há já de algum tempo eu me apercebi de que, desde na ansiedade, um conjunto de solicitações meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões veis que sempre nos mantêm em suspense, uma pro- como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei messa de prazer e um anúncio de perfeição. em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamen- te, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opi- niões a que até então dera crédito, e começar tudo nova- mente a fim de estabelecer um saber firme e R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado). Texto É de caráter radical do que se procura que exige a ra- dicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma Descartes: a metafísica da modernidade. Leibniz São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). CIÊNCIAS HUMANAS 51</p><p>A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam B utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica. que, para viabilizar a reconstrução radical do conheci- inaugurar a posição teórica conhecida como em- mento, deve-se pirismo. D o método da tradição para edificar a ciên- estabelecer um princípio indubitável para o conhe- cimento. cia com legitimidade. E questionar de forma ampla e profunda as antigas a relação entre a filosofia e o tema da N existência de Deus. ideias e concepções. investigar os conteúdos da consciência dos ho- mens menos esclarecidos. QUESTÃO 5 (ENEM) D uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados. É o caráter radical do que se procura que exige a radica- lização do próprio processo de busca. Se todo o espaço E ideias e pensamentos evidentes que dis- pensam ser questionados. for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que QUESTÃO 3 (ENEM) foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, em- de questionar os conceitos da tradição, a dúvi- bora nossa memória possua todas as demonstrações da radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de re- por contribuir para o (a): solver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e A Dissolução do científico. Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter Recuperação dos antigos juízos. aprendido, não ciências, mas histórias. Exaltação do pensamento clássico. R. Regras para a orientação do D Surgimento do conhecimento inabalável. São Paulo: Martins Fontes, 1999. E Fortalecimento dos preconceitos religiosos. Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera conhecimento, de modo crítico, como resultado da investigação de natureza empírica. QUESTÃO 6 (ENEM) retomada da tradição intelectual. imposição de valores ortodoxos. A substância é um Ser capaz de Ação. Ela é simples ou D autonomia do sujeito pensante. composta. A substância simples é aquela que não tem E liberdade do agente moral. partes. O composto é a reunião das substâncias simples ou Mônadas. Monas é uma palavra grega que significa unidade ou o que é uno. Os compostos ou os orpos são QUESTÃO 4 (ENEM) Multiplicidades, e as Substâncias simples, as Vidas, as Almas, os Espíritos são unidades. É preciso que em toda Após ter examinado cuidadosamente todas as coisas, cum- parte haja substâncias simples porque sem as simples pre enfim concluir e ter por constante que esta proposi- não haveria as compostas, nem movimento. Por conse- ção, eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas guinte, toda natureza está plena de vida. as vezes que a enuncio ou que a concebo em meu espírito. LEIBNIZ, Discurso de metafísicas e outros textos. São Paulo: Abril Cultural, 1979. São Paulo: Matins Fontes, 2004 (adaptado). A proposição "eu sou, eu existo" corresponde a um dos Dentre suas diversas reflexões, Leibniz voltou sua aten- momentos mais importantes na ruptura da filosofia do ção para o tema da metafísica, que trata basicamente do século XVII com os padrões da reflexão medieval, por fundamento de realidade das coisas do mundo. A busca por esse fundamento muitas vezes é resumida a partir do estabelecer o ceticismo como opção legítima. conceito de substância, que para ele se refere a algo que é 52</p>

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