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c. Que elementos linguísticos tornam possível reconhecer que o nar-
rador estabelece uma interlocução direta com o leitor?
7 Releia o seguinte trecho:
As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, 
porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam 
de usá-las complicadas.
SARAMAGO, José. A maior flor do mundo. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001.
a. Você concorda com o narrador? Em sua opinião, para ser com-
preendido por uma criança, esse conto deveria ser escrito de uma 
forma mais simples?
b. Proponha uma reescrita para esse trecho.
Curta-metragem
Você já se perguntou como os personagens ganham vida nas telas? 
Como as diferentes linguagens são combinadas para a produção de um 
filme? Como se planeja uma narrativa que será vista e não lida? Como 
dar vida às cenas descritas, às ações narradas?
Para tentar responder a essas questões, você estudará o curta-metra-
gem A maior flor do mundo que ganhou uma versão no cinema, sendo 
adaptado em 2007 para uma animação.
Por meio do uso do pronome pessoal na 1a pessoa do singular, é possível indicar a inclusão do leitor na narrativa, pois o narrador se dirige 
diretamente a ele, construindo a metalinguagem. Ao dizer, por exemplo, “do que peço desculpa [a você]”, essa construção se torna explícita.
Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes reconheçam que as crianças podem ler textos como esse.
Sugestão de resposta: “As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, 
porque as crianças pequenas conhecem poucas palavras e não gostam das que são complicadas.”
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Cartaz do filme La flor más grande del mundo [A 
maior flor do mundo], de Juan Pablo Etcheverry, 2007 
(Espanha, 10 min).
Curta-metragem: A maior flor do mundo
País: Espanha
Ano: 2007
Gênero: Animação
Duração: 10 min
Realização: Juan Pablo Etcheverry
Vozes: José Saramago
Argumento: Juan Pablo Etcheverry
Música original: Emilio Aragón
Ilustrações: Diego Mallo
Produção: Pancho Casal
Censura: Livre
Ficha técnica
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8 Após assistirem ao curta (disponível em: https://vimeo.com/3691184; 
acesso em: 13 ago. 2020), é possível perceber a passagem de um narrador 
em terceira pessoa para um narrador-personagem. Como isso se deu?
O narrador encontra o menino e 
seu pai no começo da história. 
O narrador está analisando o 
espaço, e o menino e o pai vão 
retirar a última flor que encontram.
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Frame do curta-metragem 
La flor más grande del 
mundo [A maior flor do 
mundo], de Juan Pablo 
Etcheverry, 2007 (Espanha, 
10 min).
NÃO ESCREVA 
NESTE LIVRO.
9 É possível afirmar que o menino empreendeu uma jornada para salvar 
a flor? Justifique sua resposta com trechos do vídeo.
10 Após a jornada, o menino descansa sob a flor; esta, por sua vez, como 
se retribuísse o gesto dele, o acolhe e o protege. O que é possível infe-
rir dessa relação?
11 No conto, após salvarem a flor, as pessoas da aldeia diziam que quando 
o menino saísse de lá faria coisas grandiosas. Nesse momento, o narra-
dor afirma que essa é a moral da história.
 De acordo com o Dicionário Priberam,
moral da história
• Lição ou ensinamento que se pode retirar de um acontecimento ou 
história narrados. = MORALIDADE
MORAL. Dicionário Priberam. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/ 
moral%20da%20hist%C3%B3ria. Acesso em: 19 jun. 2020.
a. Como pode ser entendida a moral da história?
b. Por que o narrador/autor apresenta essa “moral da história”?
12 Leia a seguir a autobiografia do autor do conto e responda às questões.
Autobiografia de José Saramago
Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma peque-
na povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio 
Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chama-
vam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também 
o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciati-
va, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai 
era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma 
planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de 
carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, 
É possível afirmar que o menino fez uma grande jornada para conseguir levar, com as mãos, alguns punhados de água para a sedenta flor (trecho 
dos 5 min 25 s aos 6 min 10 s). Trechos que comprovam: “atravessa o mundo todo [...] volta o mundo a atravessar [...], carrega a água com as 
pequenas mãos.”
É possível inferir uma relação de reciprocidade, uma vez que a flor o acolhe sob uma 
de suas pétalas e o protege no final da tarde, até que ele seja encontrado pelos pais. 
O narrador vai ao encontro das narrativas tradicionais infantis em que havia uma preocupação com o aprendizado do leitor, mas diverge delas a 
partir do momento em que as ações são recíprocas, ou seja, não há compensação ou castigo, mas sim troca: ele salva a flor e esta o protege.
alcunha: denominação ou 
qualificativo, geralmente 
fundado em alguma 
particularidade física ou 
moral do indivíduo ao 
qual ele se atribui.
Pode ser entendida a partir do ato do menino de salvar a flor ao 
mesmo tempo que a flor “salva” o menino do cansaço. Isso é 
reforçado pela imagem do menino coberto pela pétala da flor, o que 
traz a reciprocidade da ação. Ao cuidar da flor, o menino também 
estava garantindo seu acolhimento e cuidado. 
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