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61 EXPERIMENTAÇÃO ESCUTA ATIVA 1 Agora, você e os colegas vão escutar a música “Era pra ser e não foi”, de Hermeto Pascoal, de um jeito diferente, uma maneira de escutar música que chamamos de escuta ativa. Ao realizá-la, tente perceber os seguintes detalhes: a. Três momentos em que a música muda seu andamento, ou seja, sua velocidade. Existem andamentos mais lentos e mais rápidos em relação a outros. Você percebe quando essa música muda o andamento? b. Um momento de improvisação. c. Um momento de retorno de algo que já foi escutado. 2 A seguir, vocês vão escutar a música novamente colocando o corpo em movimento. Abram espaço na sala e experimentem caminhar enquanto a música é executada. Procurem acompanhar os diferentes andamentos dessa música, inventem formas de se movimentar que dialoguem com cada um desses momentos e prestem atenção em seu corpo. 3 Ao final, converse com os colegas sobre a experiência de realizar essa atividade. a. O que você achou dela? Que diferença foi possível perceber em relação à primeira atividade de escuta da música “Era pra ser e não foi” que você realizou? b. Ao se movimentar acompanhando a execução da música, como o seu corpo ficou quando o andamento estava mais lento? Como ele se movimentou quando a música estava mais acelerada? Improvisações no jazz Entre as ideias de “mistura” e de “música universal”, Hermeto firma-se como um músico multi- facetado. Ele próprio afirma: “Sou um músico de jazz quando toco jazz. É uma parte, uma parte forte de minha música. Mas é apenas uma das coisas que faço, não é a única.” PASCOAL, Hermeto. [Entrevista cedida a] Revista Eletrônica Brazil-Brasil, [s.d.]. Apud ARRAIS, Marcos A. G. A música de Hermeto Pascoal: uma abordagem semiótica. 2006. Dissertação (Mestrado em Semiótica e Linguística Geral) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006, p. 13. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-01082007-144148/publico/TESE_MARCOS_AUGUSTO_ GALVAO_ARRAIS.pdf. Acesso em: 2 jun. 2020. E você, sabe o que é jazz? Foi no século XX, com o surgimento do jazz, que a improvisação na música popular começou a ser sistematizada e influenciar as práticas de música popular de diversos países. O jazz é um gênero musical com muitas va- riações e fusões que surgiu no final do século XIX, na cidade de New Orleans, nos Estados Unidos, como um legado cultural da população afrodescendente do país, que desenvolveu um tipo de música popular a partir de elementos da sua música religiosa, dos instrumentos das bandas marciais e de muita improvisação. O jazz, então, tornou-se um importante movi- mento cultural que contribuiu para o reconhe- cimento e a legitimidade da cultura negra esta- dunidense. Orquestra de jazz Carter e King, em Houston, Estados Unidos, 1921. Reprodução/Wikimedia Commons NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 61V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 61 14/09/2020 14:3414/09/2020 14:34 62 As improvisações no jazz acontecem sobre uma base harmônica, ou seja, enquanto um músico faz um solo improvisado, os outros instrumentos do grupo executam simultaneamente as notas de acompanhamento (a percussão, os acordes e as notas mais graves, chamadas de linha do baixo). Em suas diversas vertentes, o jazz também tem diferentes maneiras de improvisar. Por exemplo, no jazz de New Orleans, também chamado de dixieland, há a improvisação coletiva, com todos os músicos improvi- sando ao mesmo tempo. No bebop, considerado o início do jazz moder- no, as improvisações têm mais complexidade, com maior ênfase na téc- nica, enquanto no free jazz ela rompe com os moldes do jazz mais tradi- cional e explora sonoridades menos comuns. acordes: conjunto de três ou mais notas que soam simultaneamente, fundamental para a construção da base harmônica. R e d fe rn s I rv K lin e /R e d fe rn s /G e tt y I m a g e s Sarah Lois Vaughan nasceu em uma família de músicos amadores, em Nova Jersey, Estados Unidos. Em sua infância, aprendeu a tocar piano, órgão e cantou em coros de igreja. Ela iniciou sua carreira em apresentações de músicos amadores no teatro Apollo, do Harlem, em Nova York, em 1942. A partir de então, a artista passou a trabalhar como cantora e pianista em big bands, os grupos musicais de jazz. A partir de 1945, Sarah começou a aparecer em programas de TV e, durante a década de 1950, fez turnês pelos Estados Unidos e pela Europa. A vasta extensão vocal, aliada à técnica, ao virtuosismo e à interpretação, colocou Sarah Vaughan entre as principais cantoras de jazz do século XX. Hulton Archive/Getty Im ages Ella Fitzgerald durante apresentação em clube de jazz na Filadélfia, Estados Unidos, 1963. Acid, Bebop, Free. Você conhece os termos do jazz?, de Carol Vidal, publicado em Sesc Jazz, 14 out. 2019. Disponível em: https://sescjazz. sescsp.org.br/2019/10/termos-do-jazz/. Acesso em: 4 jun. 2020. Esse texto apresenta diversos termos comuns no mundo do jazz, como classificações dos estilos e dos recursos expressivos desse gênero musical. FICA A DICA NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. A improvisação é algo tão característico do jazz que até mesmo os cantores desenvolveram um modo de improvisar com a voz, o chamado scat singing. No scat singing, os cantores criam contornos melódicos so- bre a base harmônica, explorando diferentes velocidades e mostrando a amplitude vocal ao pronunciar sílabas soltas e fazer vocalizações, sem a preocupação com a formação de palavras e com significados semânticos. O artista pioneiro do scat singing foi Louis Armstrong (1901-1971) e, ao longo da história do jazz, diversas vozes se destacaram nessa técnica, como Ella Fitzgerald (1917-1996) e Sarah Vaughan (1924-1990). 2 Para conhecer esse estilo de improvisação, ouça a música “Lullaby of Birdland”, uma composição de George Shearing (1919-2011), com letra de George David Weiss (1921-2010) e interpretação de Sarah Vaughan, gravada em 1954. a. Você percebe quando se inicia a seção de improvisação? b. Quais instrumentos você identifica improvisando? c. O que você percebe de diferente na voz de Sarah Vaughan quan- do ela começa a improvisar? A seção de improvisação começa em 1 min 12 s e segue até 3 mim 15 s. O retorno para a canção é feito com muita desen- voltura e sutileza no meio da frase musical improvisada, sendo possível perceber quando a cantora retoma a letra. A seção começa com uma improvisação do piano, seguido por um solo de improviso do contrabaixo e da bateria. Quando a voz inicia o scat singing, surgem também improvisos da flauta transversal, do saxofone e do trompete. A cantora fala sílabas soltas e sem sentido semântico, explorando diferentes velocidades e sua habilida- de de extensão vocal nos extremos de agudo e grave, recursos característicos do scat singing. V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 62V1_LINGUAGENS_Faraco_g21Sa_Cap2_054a087_LA.indd 62 14/09/2020 14:3414/09/2020 14:34