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Você já ouviu falar do lago Titicaca? É um lago localizado na cordilheira dos Andes, entre o Peru e a Bolí-
via. Além de ser o lago mais alto do mundo, é o maior da América do Sul em volume de água.
Leia um conto sobre esse lago.
O geógrafo
Eduardo Galeano
— O lago Titicaca. O senhor conhece?
— Conheço.
— Antes, o lago Titicaca ficava aqui.
— Aonde?
— Pois bem aqui.
E passeou o braço pela imensidão ressecada.
Estávamos no deserto do Tamarugal, uma paisagem 
de cascalhos calcinados que se estendia de horizonte a 
horizonte, atravessada muito de vez em quando por al-
guma lagartixa; mas eu não era ninguém para contradizer 
um entendido.
Fui picado pela curiosidade científica. E o homem teve 
a amabilidade de me explicar como foi que o lago se mu-
dou para tão longe.
— Quando foi, não sei. Eu não tinha nascido. Foi leva-
do pelas garças.
Num longo e cruel inverno, o lago tinha se con-
gelado. Virou gelo de repente, sem aviso, e as garças 
haviam ficado presas pelas patas. Após muitos dias e 
muitas noites de bater asas com todas as suas forças, 
as garças prisioneiras tinham enfim conseguido levan-
tar voo, mas com lago e tudo. Levaram o lago gelado e 
andaram com ele pelos céus. Quando o lago derreteu, 
caiu. E ficou lá, longe.
Eu olhava as nuvens. Suponho que não estava com 
cara de muito convencido, porque o homem perguntou, 
com certa impaciência:
— E se existem discos voadores, diga-me, senhor: por que não podem existir lagos voadores?
GALEANO, Eduardo. Bocas do tempo. Porto Alegre: L&PM, 2004. p. 207.
 1 O título do conto é “O geógrafo”. Releia o trecho a seguir:
[...] eu não era ninguém para contradizer um entendido.
Geógrafo é um profissional especialista em Geografia, portanto, “um entendido” no assunto. Na histó-
ria, a explicação dada para a mudança do lago pode ser considerada uma explicação de especialista? 
Por quê? 
 2 A história surpreendeu você? Por quê? 
 3 Como pode ser classificado o narrador desse conto? Dê um exemplo que justifique sua resposta. 
 4 Converse com os colegas procurando identificar cada um dos momentos do enredo:
 a) situação inicial 
 b) complicação O personagem aponta o lugar em 
que ficava o lago: um deserto.
 c) clímax 
 d) desfecho 
1. Sugestão: Não; trata-se mais de uma explicação poética, imaginativa, fantasiosa, sem explicações científicas e, 
portanto, distante da realidade.
Resposta pessoal.
3. Narrador-personagem (em 1ª- pessoa). Possibilidades de exemplos: 
“Fui picado [...]”, “[...] amabilidade de me explicar como foi [...]”, “Eu 
olhava as nuvens [...]”, “Suponho que não estava com cara [...]”, “[...] 
eu não era ninguém [...]”, “Estávamos no deserto [...]”.
O narrador conversa com um homem 
sobre a localização do lago Titicaca.
4c. O personagem explica que o lago se mudou para 
longe por obra das garças presas pelas patas no lago congelado, que voaram levando o lago para outra região.
O personagem tenta convencer o 
narrador usando como argumento a 
existência de discos voadores.
Outro texto do mesmo gêneroO
Deserto do Tamarugal, Chile, 2017.
Lago Titicaca, 
Peru, 2017.
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NÃO ESCREVA NO LIVRO.
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Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido.
Outro texto do mesmo 
gênero
Habilidades da BNCC:
EF69LP47, EF69LP49, EF69LP53, 
EF67LP28
Sugere-se a leitura compartilhada 
do texto desta seção. Para contem-
plar os elementos imagéticos de envol-
vimento do leitor, essa leitura deve ser 
feita de forma bem expressiva. Os co-
mentários para melhor compreender o 
texto devem ser conduzidos coletiva-
mente, assim os estudantes poderão 
partilhar hipóteses de leitura de forma 
espontânea, considerando que o tex-
to favorece inúmeras possibilidades de 
interpretação.
Atividade 2
Espera-se que os estudantes expli-
quem que o surpreendente da histó-
ria foi a resposta dada à consulta fei-
ta, atribuindo às garças a mudança do 
lago para outra região. Outro fator a ser 
destacado é o final inesperado em que 
o personagem compara discos voado-
res a lagos voadores.
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Descrever: criar imagens com palavras
No conto “Como os campos”, lido no início da unidade, a autora leva o leitor 
a imaginar imagens cheias de cores e detalhes por meio de palavras, organizan-
do trechos descritivos ao longo da narrativa.
Ela empregou diversas vezes o recurso de narrar as ações da história com 
uma linguagem rica em detalhes. Isso possibilita ao leitor visualizar cenários e 
elementos do conto como se observasse um quadro.
 ⓿ Releia este trecho do conto:
Aos poucos foram recriando em longas vestes os campos 
arados, o vivo verde dos campos em primavera, o pintalgado 
da germinação. E entremearam fios de ouro no amarelo dos 
trigais, fios de prata no alagado das chuvas, até chegarem ao 
branco brilhante da neve. As vestes suntuosas estendiam-se 
como mantos. [...] 
 a) É possível criar um desenho com o que o narrador descre-
veu? Converse com os colegas e o professor sobre isso. 
 b) Em uma folha à parte, represente com desenho e cores a 
imagem que o trecho estimula em sua mente. 
 c) Escolha outro trecho que expresse uma sequência com 
descrições. 
a. O estudante poderá observar a possibilidade 
de criação de um desenho em função do uso de 
expressões referenciais, formadas por substantivos e adjetivos/locuções adjetivas.
Produção pessoal. 
Sugestão: “Sob seu olhar abriram os rolos das sedas, 
desdobraram as peças de damasco, e cortaram quadrados de 
veludo, e os emendaram com retângulos de cetim. [...]”
Língua: usos e reflexãoL NÃO ESCREVA NO LIVRO.
Determinantes do substantivo: sentidos para o texto
Para descrever algo com detalhes, um dos recursos que a língua oferece é associar aos nomes (substan-
tivos) palavras ou expressões que enriqueçam a ideia expressa por eles. 
São determinantes que ampliam o sentido dos substantivos. Vamos refletir sobre o uso desse recurso 
nos textos.
Na unidade 5, você estudou que no sujeito há uma parte mais importante chamada núcleo do sujeito. 
Esse núcleo pode ser acompanhado de alguns elementos que ampliem ou alterem sentidos do sujeito.
Releia este trecho do conto “Como os campos”:
O jovem pequenino emendou os rasgões com fios de lã, costurou remendos onde o pano cedia. Quando 
a neve veio, prendeu em sua roupa mangas mais grossas para se aquecer.
Nesse período, há dois verbos que se referem ao mesmo sujeito: emendou e costurou. Então, nesse pe-
ríodo há duas orações referindo-se ao mesmo sujeito: o jovem pequenino.
Observe no esquema a seguir o sujeito e o predicado da primeira oração:
 sujeito predicado
O jovem pequenino emendou os rasgões com fios de lã [...].
artigo substantivo adjetivo
 (núcleo)
Observe que o núcleo jovem está acompanhado de palavras que o tornam mais preciso, que o determinam.
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Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido.
Língua: usos e reflexão
Habilidades da BNCC:
EF69LP04, EF69LP54, EF67LP36, 
EF67LP37, EF07LP08, EF07LP12, 
EF07LP13
Descrever: criar imagens 
com palavras
Atividade
Ler com os estudantes o trecho ci-
tado do conto “Como os campos”, res-
saltando os detalhes presentes no tre-
cho e estimulando que façam um le-
vantamento das cores que aparecem 
nos detalhes. 
O objetivo dessa atividade é que o 
estudante identifique e produza uma 
sequência descritiva, com o empre-
go de recursos de ampliação, detalha-
mento, enriquecimento expressivo, re-
presentados principalmente pelo uso 
de adjetivos ou locuções adjetivas. 
É importante destacar para os estu-
dantes que há uma narração (os ver-
bos são de ação), mas os detalhes 
compõem a parte descritiva. Pode-se, 
inclusive, considerar o trecho lido do 
conto, que combina narração e des-
crição.Determinantes do 
substantivo: sentidos 
para o texto
Nesta seção será explorado o con-
ceito de determinante do substantivo, 
mas não serão enfatizadas as relações 
de concordância, e sim os efeitos pro-
duzidos, especialmente nas sequên-
cias descritivas em textos narrativos.
Inicialmente, o estudante deve rever 
a organização da oração em sujeito e 
predicado para poder identificar o nú-
cleo do sujeito, que terá sentidos am-
pliados pela presença de determinan-
tes. Isso é apresentado por meio de 
esquemas para reiterar a organização 
básica da oração (sujeito e predicado) 
e, ao mesmo tempo, para fazer o estu-
dante visualizar o núcleo do sujeito e os 
elementos que o acompanham. 
Enfatizar a ideia de núcleo como ele-
mento principal da expressão. Retoma-
-se a noção de sintagma nominal: um 
bloco de sentido em que os elementos 
orbitam em torno de um nome, no ca-
so, o substantivo.
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