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REDAÇÃO	ESSENCIAL	PARA
CONCURSOS	DESCOBRINDO	OS
SEGREDOS
TEORIA	E	EXERCÍCIOS
A.	Oliveira	Lima
SER	IE	PROVAS	E	CONCURSOS
Sumário
Capa
Folha	de	rosto
Cadastro
Copyright
Epígrafe
Agradecimentos
O	Autor
Apresentação
Capítulo	1.	Prepare-se	para	a	Redação
1.1.	A	REDAÇÃO	EM	UM	CONCURSO
Capítulo	2.	As	Funções	da	Linguagem
2.1.	ELEMENTOS	DA	COMUNICAÇÃO
Capítulo	3.	Tipologia	Textual
3.1.	TIPOS	DE	TEXTOS
Capítulo	4.	A	Paráfrase
4.1.	PARÁFRASE
Capítulo	5.	O	Parágrafo
5.1.	O	PARÁGRAFO
Capítulo	6.	Preparando	a	Dissertação
6.1.	A	PREPARAÇÃO	DE	UM	PLANO
Capítulo	7.	A	Montagem	da	Redação
7.1.	A	PREPARAÇÃO	DA	REDAÇÃO
Capítulo	8.	O	Verbo	na	Redação
8.1.	IMPORTÂNCIA	DO	VERBO
Capítulo	9.	O	Nome	na	Redação
9.1.	USO	DO	NOME
Capítulo	10.	Tira	Dúvidas	de	Termos	Usuais	na	Redação
10.1.	TIRA	DÚVIDAS	ORTOGRÁFICO,	GRAMATICAL	E
SEMÂNTICO
Capítulo	11.	Vamos	Treinar?
Gabaritos
Bibliografia
Cadastro
	
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Copyright
©	2011,	Elsevier	Editora	Ltda.
Todos	os	direitos	reservados	e	protegidos	pela	Lei	nº	9.610,	de	19/2/1998.
Nenhuma	parte	deste	livro,	sem	autorização	prévia	por	escrito	da	editora,	poderá	ser	reproduzida	ou
transmitida	sejam	quais	forem	os	meios	empregados:	eletrônicos,	mecânicos,	fotográficos,	gravação	ou
quaisquer	outros.
Copidesque:	Adriana	Araújo	Kramer
Revisão	Gráfica:	Hugo	de	Lima	Corrêa
Editoração	Eletrônica:	SBNigri	Artes	e	Textos	Ltda.
Coordenador	da	Série:	Sylvio	Motta
Elsevier	Editora	Ltda.
Conhecimento	sem	Fronteiras
Rua	Sete	de	Setembro,	111	–	16º	andar
20050-006	–	Centro	–	Rio	de	Janeiro	–	RJ	–	Brasil
Rua	Quintana,	753	–	8º	andar
04569-011	–	Brooklin	–	São	Paulo	–	SP	–	Brasil
Serviço	de	Atendimento	ao	Cliente
0800-0265340
sac@elsevier.com.br
ISBN	978-85-352-5904-9
Nota:	Muito	zelo	e	técnica	foram	empregados	na	edição	desta	obra.	No	entanto,	podem	ocorrer	erros	de
digitação,	impressão	ou	dúvida	conceitual.	Em	qualquer	das	hipóteses,	solicitamos	a	comunicação	ao	nosso
Serviço	de	Atendimento	ao	Cliente,	para	que	possamos	esclarecer	ou	encaminhar	a	questão.
Nem	a	editora	nem	o	autor	assumem	qualquer	responsabilidade	por	eventuais	danos	ou	perdas	a	pessoas	ou
bens,	originados	do	uso	desta	publicação.
mailto:sac@elsevier.com.br
Epígrafe
	
“Quando	a	sabedoria	entrar	no	teu	coração	e	o	próprio	conhecimento	se	tornar	agradável	à	tua
alma,	guardar-te-á	o	próprio	raciocínio,	resguardar-te-á	o	próprio	discernimento.”
(Prov.	2:10,11)
Só	se	aprende	a	escrever,	escrevendo.	E,	para	escrever	bem,	é	preciso	estar
completamente	 senhor	 do	 assunto,	 refletir	 nele,	 ver	 claramente	 a	 ordem	 dos
pensamentos	e	formular	uma	sequência,	uma	cadeia	em	que	cada	elo	representa
uma	ideia	ligada	à	anterior.
Agradecimentos
A	 Sylvio	 Motta,	 que	 me	 incentivou	 a	 transformar	 aulas	 em	 livros;	 a	 Ivone
Goldner,	Cláudio	Borba	 e	Valério	Heringer,	mestres	 de	 obras	 que	me	 fizeram
pedreiro	 no	 edifício	 da	Redação;	 a	meus	 alunos,	minha	 lição	 de	 vida,	 com	 os
quais	estou	 sempre	aprendendo	no	dia	a	dia	das	 salas	de	aula;	 a	minha	esposa
Rosânia,	 companheira	de	 todas	as	horas	e	 sem	a	qual	eu	não	 teria	coragem	de
escrever	uma	 linha	 sequer;	 a	meus	 filhos,	que	não	me	saem	da	mente;	 a	meus
netos	e	bisnetos,	com	todo	o	carinho	que	eu	possa	ter	e,	principalmente,	a	Jeová,
Deus,	 que	me	 tem	 dado	 a	 gana	 de	 saber,	 o	 desejo	 de	 levar	 aos	 outros	 o	 que
aprendi	e	a	alegria	de	sempre	estar	em	uma	sala	de	aula,	cercado	de	alunos.
O	Autor
A.	 Oliveira	 Lima	 é	 bacharel	 e	 licenciado	 em	 Letras,	 mestre	 em	 Literatura
Brasileira,	além	de	bacharel	em	Jornalismo	e	mestre	em	Assessoria	de	Imprensa.
Atua	 no	magistério	 desde	 1954,	 tendo	 lecionado	 no	 Rio	 de	 Janeiro	 até	 1960,
quando	 se	 transferiu	 para	 Brasília,	 ingressando,	 por	 concurso,	 na	 Fundação
Educacional	 e	 ali	 permanecendo	 até	 1971.	Paralelamente,	 lecionou	no	Colégio
Maçônico	de	Brasília	e	no	Colégio	Padre	Champagnat	(Marista)	de	Taguatinga-
DF.	De	1971	a	1973,	 lecionou	no	Colégio	Avanço	de	Ensino	Programado,	em
São	 Paulo,	 e	 ministrou	 cursos	 para	 gerentes,	 contadores	 e	 secretárias	 das
Superintendências	 do	 Unibanco	 dos	 Estados	 de	 São	 Paulo,	 Rio	 de	 Janeiro	 e
Minas	 Gerais.	 Retornando	 a	 Brasília,	 ingressou	 no	 Colégio	 Compacto,	 onde
permaneceu	 por	 19	 anos.	Ministrou	 cursos	 de	Linguagem	 e	Redação	Técnico-
Profissional	 para	 servidores	 do	 1º	 e	 2º	 escalões	 do	 Incra,	 Imprensa	 Nacional,
Ministério	 do	 Exército,	 Ministério	 da	 Previdência	 Social	 e	 da	 Radiobrás.
Lecionou	nos	 cursos	Alfa,	Cespro,	Previsão	e	Obcursos,	 em	Brasília-DF	e	nas
Faculdades	de	Direito,	Administração	e	Economia	da	FOPLAC,	em	Goiás.
Como	jornalista	profissional,	exerceu	a	função	de	Redator,	a	partir	de	1954,
atuando	nas	rádios	Nacional,	Mundial	e	Mayrink	Veiga,	além	do	extinto	jornal
Diário	da	Noite,	do	Rio	de	 Janeiro.	Em	Brasília,	 fez	concurso	para	a	“Voz	do
Brasil”	e,	a	partir	de	1960,	foi,	na	Empresa	Brasileira	de	Notícias-EBN,	editor	de
“A	 Voz	 do	 Brasil”,	 Coordenador-Chefe	 de	 Reportagem,	 Editor	 de	 Política,
Chefe	 do	Escritório	Regional	 da	 Paraíba,	 Editor	 da	 Sinopse	 da	 Presidência	 da
República	 e	 editor	das	Resenhas	de	Rádio	 e	TV.	Com	a	 fusão	da	EBN	com	a
Radiobrás,	 no	 Governo	 Sarney,	 foi	 promovido	 a	 Redator	 Pleno	 e	 Editor	 da
Sinopse	e	após,	da	Mídia	Impressa	da	Presidência	da	República	até	dezembro	de
1977,	quando	se	aposentou.
Atualmente	 é	 professor	 das	 equipes	 do	 CPC	 –	 Centro	 Preparatório	 para
Concursos,	 em	 Porto	 Alegre,	 Santo	 Ângelo	 e	 Caxias-RS,	 do	 Curso	 Cláudio
Borba,	em	Campos	dos	Goytacazes	e	do	CEP	–	Centro	de	Evolução	Profissional,
em	 Vitória-ES.	 Na	 área	 de	 treinamento	 profissional,	 ministra	 cursos	 de
Linguagem	 e	 Redação	 Oficial	 e	 Empresarial,	 em	 organismos	 públicos	 e
empresas	privadas.
É	autor	dos	 livros	Manual	de	Redação	Oficial	 (Campus-Elsevier),	Faça	e
Passe	 –	 2.000	 Exercícios	 de	 Português	 para	 Concursos	 (Campus-Elsevier),
Interpretação	de	Textos	em	Provas	de	Concursos	–	Aprenda,	Fazendo	(Campus-
Elsevier)	e	Gramática	Simples	e	Fácil	para	Concursos	(Campus-Elsevier).
Apresentação
É	com	 redobrado	prazer,	 honra	 e	 satisfação	que	 atendo	 ao	 convite	 do	 autor,	 o
incomparável	e	amigo	Professor	Oliveira	Lima,	para	prefaciar	esta	obra.
Graças	 à	 sensibilidade,	 compreensão	 e	 experiência	 do	 autor,	 tem-se	 um
livro	surpreendente,	cuidadosamente	produzido	como	fruto	de	 incontáveis	anos
de	 magistério	 direcionado	 à	 preparação	 de	 candidatos	 aos	 mais	 variados
concursos	públicos.
Depois	de	várias	outras	obras	publicadas,	nesta	o	autor,	de	maneira	simples
e	 numa	 linguagem	 excepcional,	 mostra	 os	 segredos	 da	 redação	 em	 provas	 de
concursos.	Os	capítulos	abordam	vários	assuntos,	como:	o	que	é	uma	redação;	a
paráfrase;	 o	 parágrafo;	 a	 tipologia	 textual,	 com	 menção	 a	 diversos	 tipos	 de
descrição,	a	narração	e	a	dissertação;	a	elaboração	de	um	plano	de	redação;	o	uso
do	 verbo	 na	 redação	 e	 a	 concordância	 e	 regência	 verbal;	 o	 uso	 do	 nome	 e	 a
concordância	 nominal.	 Há,	 ainda,	 um	 capítulo	 tira-dúvidas	 ortográfico	 e
semântico,	além	de	exercícios	sobre	os	diversos	temas.
O	 material	 aqui	 apresentado	 é	 um	 texto	 fundamental	 para	 o	 candidato	 a
concursos,	sendo	que,	sem	perda	de	rigor	ou	de	conteúdo,	mas	com	substancial
redução	 da	 dificuldade	 formal,	 o	 leitor	 se	 depara	 com	 segredos	 e	 técnicas
indispensáveis,	 tratando-se	 de	 uma	 combinação	 muito	 cuidadosa	 de	 teoria	 e
prática.
Afeiçoada	 à	 árdua	 tarefa,	 há	mais	 de	 20	 anos,	 de	 preparar	 e	 acompanhar
candidatos	 a	 concursos	 públicos,	 testemunho	 a	 enorme	 dificuldade	 encontrada
pelos	alunos	ao	elaborarem	a	redação	exigida	nos	certames,	sendo	que	esta	obra
representará	 um	 significativo	 diferencial,dotando	 o	 candidato	 de	 substratos
suficientes	 para	 o	 atendimento	 dos	 anseios	 da	 banca	 examinadora,	 evitando	 as
inúmeras	desclassificações	em	decorrência	do	não	atingimento	da	nota	mínima
na	prova	de	redação.
Estou	 convicta	 de	 que	 esta	 obra	 irá	 contribuir	 significativamente	 para	 a
desmistificação	 de	 muitos	 pontos	 quanto	 à	 elaboração	 de	 uma	 redação,
considerados	complexos	ou	até	mesmo	inatingíveis,	ficando	toda	a	comunidade
de	concurseiros	com	uma	dívida	enorme	a	ser	paga	ao	Professor	Oliveira	Lima,
que	emprestou	 toda	a	 sua	 larga	e	 inigualável	 experiência	na	área	de	concursos
públicos	ao	escrever	este	livro.
Ivone	Goldner
Diretora	Pedagógica	do	CEP,	Preparatório	para	Concursos
	
Capítulo	1
Prepare-se	para	a	Redação
	
Escrever	 é	 fácil:	Você	começa	com	uma	 letra	maiúscula	 e	 termina	com	um	ponto	 final.	No
meio,	você	coloca	ideias.
Pablo	Neruda	–	poeta	chileno	(1904-1973)
1.1.	A	REDAÇÃO	EM	UM	CONCURSO
A	prova	de	 redação	é,	provavelmente,	o	momento	em	que	mais	se	evidencia	o
desempenho	–	pífio	ou	digno	–	da	escolaridade	do	candidato.	É	mais	do	que	uma
provação	para	quem	deseja	ingressar	em	uma	instituição	federal.	É	o	atestado	de
todo	um	processo	de	 ensino.	Na	prática,	 não	há	garantia	de	que	aprender	uma
dada	quantidade	de	técnicas	de	escrita	nos	faça	escrever	melhor.	Escrever	é	um
hábito	que	depende	de	outro	hábito,	o	de	ler,	e	só	será	efetivamente	qualificado
se	feito	com	prazer.
É	ao	esculpir	um	texto	que	se	percebe	quanto	é	insuficiente	decorar	regras	de
português	ou	macetes	rápidos	de	construção	retórica.	Um	bom	texto	denuncia	a
seriedade	de	nosso	prazer	de	ler	e	escrever.	Uma	dissertação	ruim,	por	sua	vez,
revela	os	problemas	de	comunicação,	a	organização	 truncada	de	argumentos,	o
mau	 entendimento	 do	 que	 foi	 proposto,	 a	 incapacidade	 de	 demonstrar	 um
raciocínio	autônomo,	personalizado.	Todos	esses	fatores	são	fruto	da	fragilidade
de	 um	 aprendizado	 e	 não	 condizem	 com	 a	 função	 de	 um	 Servidor	 Federal,
muitas	vezes	encarregado	de	elaborar	cartas,	ofícios	e	até	mesmo	dissertar	sobre
um	determinado	assunto,	durante	a	confecção	de	um	relatório.
Aqui	 não	 nos	 propomos	 a	 substituto	 da	 prática	 prazerosa	 de	 ler	 e	 escrever,
credenciais	 naturais	 para	 quem	 deseja	 ser	 um	 bom	 redator.	 Aqui	 vamos	 dar,
evidentemente,	as	coordenadas	que	todo	texto	em	situação	de	concurso	tende	a
exigir.	 Mas	 também	 há	 foco	 nos	 principais	 elementos	 que	 permitem	 uma
reflexão	 crítica	 sobre	 o	 próprio	 processo	 de	 criar	 textos	 com	 finalidades
específicas.	O	que	se	espera	de	um	candidato	a	uma	vaga,	o	que	ele	pode	esperar
à	luz	das	técnicas	e	especificidades	de	uma	redação.
Lembre-se	de	que	a	redação	é	um	processo	de	descobertas	e	que	só	você	pode
fazê-las.	 Um	 modo	 de	 articular	 o	 que	 se	 sabe	 para	 alcançar	 o	 que
necessariamente	não	está	dado	desde	o	 início.	Esperamos	que	aqui	o	candidato
encontre	informações	que	o	ajudem	não	a	padronizar	seu	texto,	mas	a	aflorar	o
melhor	do	seu	raciocínio.
1.1.1.	Um	bate-papo	necessário
O	fantasma	da	redação	por	certo	causa	pavor,	tremores,	bloqueios	e	frustrações
em	 muitas	 pessoas.	 É	 que	 não	 aprenderam	 a	 conviver	 com	 ela,	 não	 lhe
descobriram	os	segredos,	não	assimilaram	as	técnicas	e	não	adquiriram	o	sabor
gratificante	e	a	alegria	que	nos	traz	o	dizer	em	palavras	escritas	o	que	ocorre	em
nossa	mente.	Ouvem	falar	de	redação,	mas	não	procuram	ter	intimidade	com	ela.
A	 culpa,	 sabemos,	 é	 do	 ensino	 atual,	 em	 geral	 pragmático,	 distanciado	 da
cultura	humanística,	avesso	ao	gosto	pelas	letras.	É	mais	fácil	procurar	um	texto
pronto	em	uma	revista	ou	jornal,	pesquisar	e	copiar	da	Internet,	do	que	saborear
o	 prazer	 de	 fazer.	 E	 as	 pessoas	 não	 escrevem.	Quando	 o	 fazem,	 são	 rabiscos,
arremedos	de	comunicação	insipiente	lançados	ao	papel.
Lembre-se:	 redigir	 é	 comunicar.	 Comunicar	 é	 criar.	 É	 buscar	 o	 novo.	 É
apresentar	 ao	 mundo	 o	 que	 pensamos	 dele,	 os	 nossos	 raciocínios,	 as	 nossas
opiniões,	 as	 nossas	 experiências	 de	 vida,	 a	 nossa	 cultura	 e,	 acima	 de	 tudo,	 a
nossa	 personalidade.	Muito	 além	 da	 comunicação	 oral,	 a	 comunicação	 escrita
desponta	 como	o	 nosso	alter	 ego,	 como	o	 espelho	 de	 nossa	mente,	 reflexo	 de
nossa	bagagem	formativa	e	cultural.
Você,	 concursando,	 é	 um	maratonista.	 Todo	 concurso	 é	 uma	maratona	 com
diversas	provas.	 Imagine	 se	uma	das	provas	 fosse	 ciclismo,	numa	distância	de
dez	 quilômetros,	 com	 obstáculos,	 em	 um	 determinado	 período	 de	 tempo.
Aqueles	participantes	acostumados	a	pedalar	desde	pequenos	e	que	diariamente
fazem	um	percurso	 de	 cinco	 ou	mais	 quilômetros	 não	 se	 preocupariam	 com	 a
prova.	Têm	prática	e	resistência.	Mas	aqueles	que	nunca	andaram	de	bicicleta?
Esses	seriam	obrigados	a	fazer	um	treinamento	duro,	cansativo,	várias	horas	por
dia,	 o	 que	 exigiria	 muita	 força	 de	 vontade	 em	 um	 aprendizado	 intensivo	 por
semanas	e	até	meses.	É	assim	a	redação.	Sinta	como	você	está	e	o	que	lhe	falta
para	começar	o	 treinamento,	descobrindo	o	segredo	da	redação	para	escrever	o
suficiente	 com	 técnica,	 coerência,	 coesão,	 concisão	 e	 correção,	 dentro	 de	 um
limite	de	tempo	e	de	um	número	de	linhas	determinado.
É	 necessário	 esforço,	 dedicação,	 humildade	 para	 se	 reconhecer	 fraco	 e
consciente	 das	 próprias	 limitações	 e	 necessidades,	 mas	 capaz.	 Sim,	 todos	 nós
somos	capazes,	 repetindo	aqui	o	slogan	da	campanha	de	Barack	Obama:	“Nós
podemos!”	 Isso	 nos	 trará	 a	 autoconfiança	 destruidora	 dos	 bloqueios	 e	 brancos
mentais	que	descambam	para	os	erros	infantis	de	uma	redação	de	quem	não	teve
o	preparo	suficiente,	não	lhe	conhece	os	segredos.
Lembre-se	 de	 que	 redigir	 faz	 parte	 integrante	 da	 comunicação	 humana.	 É	 a
superação	das	limitações	da	oralidade,	o	meio	mais	adequado	para	a	reflexão	e	o
raciocínio.	 É	 escrevendo	 que	 se	 aprende	 a	 analisar,	 a	 julgar	 e	 a	meditar	 sobre
tudo	o	que	nos	cerca.	Como	dissemos,	é	o	mesmo	que	andar	de	bicicleta.	Monte
na	bicicleta,	não	desanime	ao	levar	oito,	dez	ou	mais	tombos	ou	ralar	os	joelhos
e	os	braços.	Tente.	Consiga	o	equilíbrio	e	ande	até	sem	as	mãos.
Escreva,	 escreva	 sempre,	 nunca	 deixe	 de	 anotar	 ideias	 que	 lhe	 venham	 à
cabeça.	 Desenvolva-as.	 E	 não	 deixe	 de	 ler.	 Leia	 tudo	 o	 que	 puder,
principalmente	 os	 editoriais	 e	 as	 colunas	 de	 jornais	 e	 revistas.	 Além	 de
apresentarem	boa	redação,	trazem	conhecimentos	novos,	com	os	quais	você	verá
o	mundo	 desde	 outra	 perspectiva,	 poderá	 discutir	 os	mais	 variados	 assuntos	 e
ainda	com	a	vantagem	de	ter	enriquecido	o	seu	vocabulário.
A	 fórmula	 é	 simples,	 você	 a	 encontra	 em	 vários	 livros	 e	 dita	 por	 muitos
professores:	EU	+	FORÇA	DE	VONTADE	=	TREINO,	TREINO
Acredite	 em	 você.	 Sinta-se	 capaz.	 Mostre-se	 confiante.	 Tenha	 disciplina.
Reserve	15	minutos	por	dia	para	escrever.	Faça	isso	diariamente	e,	se	possível,
no	mesmo	horário.	Treine	continuamente.	Procure	ser	objetivo,	claro,	ligando	as
ideias	 uma	 às	 outras.	 Faça	 e	 refaça	 seus	 textos,	 pois	 esses	 são	 os	 requisitos
básicos	para	quem	deseja	sair-se	bem	em	uma	redação.
E	nunca	esqueça	a	grande	verdade:
SÓ	SE	APRENDE	A	ESCREVER	ESCREVENDO.
1.1.2.	Alguns	lembretes	iniciais
O	grande	mestre	da	gramática	e	filólogo	Mattoso	Câmara	afirmou	pesaroso:
Tantos	estudantes	psiquicamente	normais,	que	falam	bem,	e	até	com	exuberância	e	eloquência,
no	intercâmbio	de	todos	os	dias,	são	desoladores	quando	se	lhes	põe	um	lápis	ou	uma	caneta
na	mão.
E	o	poeta	Carlos	Drummond	de	Andrade	revelou	em	um	de	seus	poemas:
Gastei	uma	hora	pensando	um	verso
que	a	pena	não	quer	escrever.
No	entanto	ele	está	cá	dentro	inquieto,	vivo.
Ele	está	cá	dentro	e	não	quer	sair.
Tal	 como	 os	 estudantes	 de	Mattoso	 Câmara,	 tal	 como	 o	 poeta	 Drummond,
poucas	 são	 as	 pessoas	 que	 não	 sentem	 um	 calafrio,	 ficam	 inibidas,	 com	 um
branco	paralisante	ao	receberem	a	incumbência	de	escrever	algumas	linhas,	um
quase	 nada	 para	 que	 outrosleiam.	 São	 tomadas	 por	 um	 vazio	 mental,	 uma
angústia	apavorante,	mordem	o	lápis,	roem	as	unhas,	olham	para	o	vazio,	suam.
Sabe	o	que	está	 acontecendo	com	essas	pessoas,	 algumas	até	desinibidas	 ao
falar	e	com	uma	razoável	cultura	humanística?	Simplesmente	a	falta	de	hábito.
Elas	não	estão	acostumadas	a	escrever	e	a	ler.	Depois,	vem	o	bloqueio	psíquico.
Quando	escrevemos,	nos	expomos,	dizemos	o	que	nos	vai	na	alma,	e	o	medo	de
se	expor	inibe.
Desse	modo,	falar	bem	não	significa	escrever	bem.	Quando	falamos,	temos	os
recursos	da	entonação,	da	mímica,	do	olhar,	da	expressão	 facial	e	de	situações
configuradas,	 descritas	por	muitos	 autores,	 e	 somos,	 por	vezes,	 repetitivos.	Na
redação,	 temos	 de	 ser	 objetivos,	 claros,	 não	 repetitivos	 e	 procurar	 dizer	 o
máximo	de	pensamentos	com	o	mínimo	de	palavras.	É	aí	que	surgem	a	inibição,
os	 brancos	 paralisantes,	 os	 bloqueios.	 Daí	 a	 necessidade	 de	 muito	 treino	 e
perseverança	a	fim	de	termos	a	autoconfiança	necessária	para	que	a	redação	não
se	torne	algo	penoso	e	inócuo.	E	como	se	evita	isso?	Lendo	bastante,	treinando,
escrevendo	sempre,	diariamente.
MAS	EU	NÃO	TENHO	TEMPO.
É	a	maior	balela	de	quem	não	quer	aprender.	O	tempo	quem	faz	somos	nós.	É
uma	 questão	 de	 saber	 aproveitá-lo.	 Nada	 custa	 tirar	 dez	 minutos	 diários	 para
uma	leitura	e	mais	quinze	minutos	para	uma	ligeira	redação.	Pode-se	fazer	isso
pela	manhã,	antes	do	café	ou	no	intervalo	do	almoço…	Há	tantos	momentos	no
dia!	É	só	fazer	disso	um	hábito	e	viciar-se	nele.
ADIANTA	ESCREVER	SE	NÃO	HÁ	NINGUÉM	PARA	CORRIGIR?
Claro	que	sim.	É	no	escrever	todos	os	dias,	mesmo	sem	que	alguém	corrija,	que
se	vai	desinibindo,	 expulsando	os	brancos	paralisantes	 e	os	bloqueios	mentais.
Adquire-se	jeito	para	a	coisa.	Pega-se	o	fio	da	meada.	Percebem-se	os	erros	de
concordância,	 de	 regência,	 sanam-se	 dúvidas	 de	 ortografia,	 com	 a	 consulta	 ao
dicionário.
ESCREVER	SOBRE	O	QUÊ?	QUAL	O	MELHOR	ASSUNTO?
Não	 existe	 assunto.	 Comece	 escrevendo	 sobre	 qualquer	 coisa.	 Você	 está
aprendendo.	 Escreva	 sobre	 coisas	 do	 dia	 a	 dia.	 Coisas	 que	 aconteceram	 com
você.	Uma	notícia,	um	comentário,	algo	a	que	você	assistiu	na	TV,	um	assunto
doméstico,	 uma	 conversa	 com	 amigos.	Há	muito	 sobre	 o	 que	 escrever.	Numa
segunda	etapa,	passe	a	escrever	sobre	um	assunto	abstrato	e	 faça	paráfrases	de
editoriais	 ou	 colunas	 de	 jornais	 e	 revistas,	 reproduzindo	 aquilo	 que	 leu.	 Caso
tenha	alguma	redação	corrigida,	aproveite	e	reescreva-a	sem	os	erros	apontados,
aumentando-a	 com	 novas	 ideias,	 enriquecendo-a	 com	 detalhes	 que	 agora	 lhe
ocorram.	 Releia,	 dias	 depois,	 e	 perceberá	 erros	 que	 antes	 não	 identificava.	 É
assim	que	se	começa.
1.1.3.	Como	começar	a	escrever
Para	 que	 você	 se	 saia	 bem	 no	 ato	 de	 escrever,	 principalmente	 agora	 que	 está
começando,	é	preciso	que	entenda	todo	o	processo	de	criação.	E	não	pense	que
ele	começa	no	momento	em	que	se	pega	o	lápis	ou	a	caneta	para	escrever	sobre
um	 assunto.	 É	 bem	 antes.	 O	 processo	 de	 criação	 de	 um	 texto	 está	 no
conhecimento	 do	 mundo	 e	 das	 coisas	 que	 nos	 cercam,	 na	 leitura	 de	 jornais,
livros	e	revistas,	nos	comentários	do	noticiário	da	TV	e	das	emissoras	de	rádio,
em	nossas	conversas	com	amigos,	enfim,	no	que	chamamos	de	textualidade.
Tenha	sempre	em	mente	que	a	comunicação	escrita	é	diferente	da	verbal,	pois
quando	falamos	procuramos	apenas	ser	entendidos	pelo	nosso	interlocutor,	e	um
candidato	numa	conversa	 informal	pode	dizer:	“Reunimos	um	grupo	de	estudo
ontem.	A	gente	 tentamos,	mas	não	deu	para	compreender	a	correlação	verbal”.
Podemos	 entender	 que	 ele	 se	 referia	 ao	 grupo,	 mesmo	 que	 tenha	 errado	 a
concordância.	Isso	não	atrapalha	a	comunicação	verbal.
Na	 comunicação	 escrita,	 porém,	 erros	 como	 esse	 são	 inadmissíveis.	Mesmo
entre	os	textos	há	aqueles	que	podem	ser	menos	formais,	como	um	bilhete	para	a
namorada,	 e	 outros	 que	 devem	 ser	 totalmente	 estruturados	 dentro	 da	 norma
padrão	da	língua,	caso	de	uma	redação	para	concurso.
Você	 deve	 saber	 o	 que	 é	 a	 norma	 padrão,	 aquele	 conjunto	 de	 regras
estabelecidas	 de	 comum	 acordo	 entre	 os	 países	 que	 falam	 uma	 determinada
língua.	Assim,	o	fato	de	a	palavra	bruxaria	ser	escrita	com	x	e	não	com	ch	é	uma
regra	 ortográfica	 vigente	 nos	 oito	 países	 de	 língua	 portuguesa,	 faz	 parte	 da
norma	 padrão	 que	 aprendemos	 desde	 o	 curso	 fundamental,	 sendo	 a	 forma
prestigiada	nos	textos	formais	de	comunicação.
Muitos	 acham	que	 falar	 é	 tão	 ou	mais	 importante	 do	que	 escrever	 e	 julgam
não	haver	a	necessidade	de	se	avaliar	um	candidato	para	determinado	cargo	por
meio	de	uma	redação.	Esquecem	ser	a	redação	o	complemento	da	avaliação	do
candidato	que,	por	meio	dela,	mostra	o	seu	conhecimento	da	língua,	do	meio	em
que	vive	e	o	seu	repertório	de	leitura.
Desse	 modo,	 para	 escrever	 bem	 é	 preciso	 ler	 bastante,	 estar	 informado	 e
atualizado	acerca	de	tudo	o	que	acontece	no	mundo,	até	mesmo	do	que	não	nos
interessa	de	pronto.	Isso	é	textualidade.
1.1.4.	Torne-se	um	leitor
Quem	não	gosta	de	ler	jamais	avançará	em	seus	textos	e	terá	ojeriza	em	redigir.
No	entanto,	não	há	idade	para	aquirir	bons	hábitos	de	leitura,	e	mesmo	os	idosos
podem	fazê-lo.
Não	é	necessário	debruçar-se	em	obras	de	que	não	gosta	para	ser	considerado
um	leitor.	Deixe	autores	como	Saramago,	Euclides	da	Cunha,	Guimarães	Rosa	e
outros	que	tais	para	mais	tarde,	quando	estiver	disposto	a	conhecer	essas	obras.
O	 que	 você	 deve	 fazer	 é	 começar	 a	 ler	 textos	 curtos	 de	 assuntos	 que	 lhe
interessem,	como	futebol,	cultura,	crítica	de	filmes	e	política,	se	gostar.	Depois,
vá	ampliando	para	textos	um	pouco	mais	longos,	ainda	do	seu	interesse.	Procure,
então,	 ler	 livros	 de	 contos	 ou	 crônicas	 que	 trazem	 textos	 mais	 curtos	 que	 os
romances	e	com	desfechos	por	vezes	surpreendentes.	Isso	é	estimulante,	chama	a
atenção	e	provoca	o	desejo	de	ler	mais.
Não	 deixe	 de	 ler	 os	 outdoors,	 as	 publicidades	 apresentadas	 nas	 revistas	 e
jornais,	algumas	com	grande	criatividade	e	feitas	por	excelentes	redatores.	Não
esqueça:	 quem	 pratica	 a	 leitura	 está	 fazendo	 o	 mesmo	 com	 a	 consciência,	 o
raciocínio	 e	 a	 visão	 crítica.	 Se	 a	 leitura	 o	 aborrece	 sempre,	 não	 perca	 o	 foco.
Assista	a	um	bom	filme	ou,	em	último	caso,	a	um	programa	de	TV.	Tente	depois
escrever	 sobre	 eles.	 Uma	 coisa	 você	 notará:	 a	 leitura	 frequente	 vai	 fazê-lo
expressar-se	de	maneira	clara	e	objetiva,	e,	quando	estiver	diariamente	treinando
a	 redação,	 observará	 que	 dia	 a	 dia	 desenvolve	 essa	 arte	 sem	 esforço,	 sem	 o
branco	aterrador.
1.1.5.	Práticas	de	redação
A	prática	a	que	nos	referimos	aqui	é	o	costume	diário	de	escrever.	Não	vamos
entrar	 nas	 técnicas	 da	 redação,	 o	 que	 deixaremos	 para	 o	 Capítulo	 6,	 nem
falaremos	de	estrutura,	 tipos	e	diferenças	de	 textos	ou	o	que	deve	ser	 feito	e	o
que	deve	ser	evitado.	Isso	veremos	adiante,	em	outros	capítulos.
O	que	queremos	afirmar	com	práticas	de	redação	é	o	que	você	precisa	saber
em	 primeiro	 lugar,	 antes	 de	 escrever.	 É	 o	 que	 você	 deve	 entender	 como
fundamental	quando	vai	escrever	sobre	qualquer	assunto.
1.	Reflexão.	Pense	primeiro.	Reflita	sobre	o	que	vai	escrever.	Qual	é	o	tema.	O
que	 ele	 significa	 para	 você.	 Observe	 o	 que	 você	 conhece	 sobre	 o	 assunto.
Tenha	em	mente	que	um	bom	texto	não	nasce	de	uma	hora	para	outra.	É	muito
melhor	 pensar	 um	 pouco	mais	 do	 que	 sair	 escrevendo	 o	 que	 vem	 à	 cabeça,
repetindo	coisas	que	ouviu	dizer,	mas	que	não	têm	nada	a	ver	com	o	tema.
2.	Controle.	Não	fique	nervoso	nem	ansioso.	Você	não	é	e	não	será	o	primeiro	a
enfrentar	 a	 tarefa	 de	 escrever.	 Esqueça	 experiências	 passadas.	 Se	 houve
ocasiões	em	que	você	não	foi	bem	em	uma	redação,	isso	não	quer	dizer	que	se
dará	mal	em	todas.	Você	está	aprendendo,	e	ninguém	aprende	de	chofre.	Há
que	ter	calma,	há	que	esperar.
3.	Tempo.	Comece	 a	 treinar	 redação	pensando	no	 tempo.	Em	um	concurso,	 o
tempoé	pouco.	Você	não	terá	apenas	a	redação,	mas	também	as	questões	das
outras	 matérias.	 Treine	 redigir	 rascunhos	 inicialmente	 em	 15	 minutos	 e
procure	diminuir	esse	tempo.	O	importante	é	deixar	para	a	redação	o	tempo	de
que	você	realmente	precisará.	Assim	não	irá	atropelar	o	final.
4.	Equilíbrio.	Não	escreva	demais	e	também	não	seja	excessivamente	conciso.
Quem	 escreve	 demais,	 com	 frases	 longas,	 períodos	 quilométricos,	 não
consegue	 se	 fazer	 entender.	A	 prolixidade	 é	 um	 erro	 imperdoável.	 Também
não	 escreva	 uma	 série	 de	 frases	 curtas,	 picadinhas,	 num	 estilo	 gaguinho.	 É
horrível	 para	 quem	 lê.	 O	 segredo	 está	 no	 equilíbrio,	 naquilo	 que	 diziam	 os
nossos	avós:	“Nem	tanto	ao	mar,	nem	tanto	à	terra.”
5.	Letra.	É	outro	 item	para	o	qual	 você	deve	 estar	 atento.	A	 letra	 exigida	 é	 a
cursiva,	 embora	 a	 letra	 de	 forma	 seja	 aceita,	 desde	 que	 haja	 diferença	 entre
maiúsculas	e	minúsculas.	A	 letra	 tem	de	 ser	 legível,	visível	 e	compreensível
para	o	examinador.	Se	a	sua	não	o	for,	adquira	caderno	de	caligrafia	e	treine	a
letra.	Não	perca	pontos	com	esse	item.	Faça	uma	letra	constante,	sem	diminuir
ou	aumentar	ao	longo	do	texto.
6.	Margens.	Assim	que	começar	a	treinar	redação,	fique	atento	para	as	margens
direita	e	esquerda.	Não	escreva	fora	e	nem	adentre	as	margens.	Em	cada	linha
você	 começará	 na	 margem	 esquerda,	 embaixo	 da	 linha	 anterior	 e	 vai	 até	 a
margem	direita	com	a	última	letra	sob	a	última	letra	da	 linha	superior,	a	não
ser	 em	 final	 de	 parágrafo.	 As	 alíneas	 paragrafais	 devem	 também	 estar
rigorosamente	uma	embaixo	da	outra.
7.	 Cuidado.	 Após	 ter	 feito	 o	 rascunho,	 verifique	 se	 os	 parágrafos	 estão
concatenados	(veremos	isso	quando	estudarmos	parágrafo),	se	não	há	erros	de
acentuação,	 translineação	 e	 pontuação.	 Muito	 cuidado	 com	 a	 vírgula,	 que
altera	significados.	Não	saia	colocando	vírgulas	onde	não	deve.
8.	Leitura.	Sempre	que	terminar	um	rascunho	de	redação,	leia	com	calma	o	que
escreveu	para	encontrar	e	corrigir	erros	primários,	comuns	a	todas	as	pessoas
que	 escrevem.	 Depois,	 faça	 uma	 segunda	 leitura,	 agora	 como	 se	 fosse	 um
examinador,	isto	é,	alguém	que	tem	a	tarefa	de	julgar	seus	conhecimentos,	sua
opinião	 sobre	 o	 tema	 proposto.	 Tente	 perceber	 se	 o	 que	 você	 escreveu	 está
claro.	Se	achar	que	deve	 reler,	 faça-o,	mas	não	esqueça	o	 tempo	de	passar	a
limpo	e	entregar	a	redação.
1.1.6.	Como	chegar	à	redação	nota	10
Embora	muitos	pensem	que	é	difícil	ou	complicado	chegar	a	uma	redação	nota
10,	 a	 realidade	 é	 outra.	 Qualquer	 um	 pode	 chegar	 lá.	 E	 a	 receita	 é	 a	 mais
simples:	praticar,	praticar	e	praticar	bastante.
Quando	você	estuda	Direito	Civil	ou	Língua	Portuguesa,	não	dedica	horas	de
estudo	e	faz	dezenas	de	exercícios	para	cada	assunto	dessas	matérias?	Por	que,
então,	não	separar	um	tempo	diário	para	a	redação?	Faça	isso,	escreva	todos	os
dias,	escreva	sempre	e	comece	a	se	preparar	para	fazer	uma	boa	redação	em	seu
concurso.
O	 certo	 é	 que	de	 nada	 adianta	 conhecer	 toda	 a	 gramática,	 sabendo	de	 cor	 e
salteado	 todas	 as	 regras	 de	 ortografia,	 do	 uso	 das	 classes	 de	 palavras,	 de
concordância,	regência,	pontuação,	crase,	se	não	souber	como	juntar	todos	esses
ingredientes	e	fazer	aquela	vitamina	suculenta	e	de	paladar	requintado.
Não	basta	conhecer,	não	basta	saber	o	que	fazer,	é	preciso	saber	como	fazer.
Para	tanto,	repetimos	mais	uma	vez,	é	preciso	treinar,	escrever	uma	redação	por
dia.	Se	não	tem	assunto,	se	não	descobre	um	tema,	peça	a	alguém	para	escolher
por	você.	Procure	temas	da	atualidade,	assuntos	publicados	nos	jornais.	Escreva
dois	ou	mais	textos	sobre	o	mesmo	tema	e	um	dia	depois	leia-os.	Procure	ver	se
a	sua	opinião	sobre	o	tema	está	igual	ou	não,	qual	a	diferença,	qual	o	texto	em
que	você	se	saiu	melhor,	se	está	evoluindo	ou	não.
Essa	prática	diária	é	que	vai	fazer	de	você	um	redator	que	pode	escrever	sem
inibições.	A	 experiência	 nos	 diz	 que	 a	 prática	 é	 o	 caminho	mais	 fácil	 para	 se
chegar	 a	 uma	 redação	 nota	 10.	 E	 se	 obtém	 a	 prática	 com	 perseverança,	 sem
desanimar,	mesmo	que,	de	início,	venha	o	desânimo	e	a	vontade	de	parar	tudo.	E
aqui	 vai	 um	 conselho:	 se	 tiver	 muita	 dificuldade,	 recorra	 ao	 método	 mais
simples:	 a	 cópia,	 como	 forma	de	 treino.	Tome	um	editorial	 ou	 uma	 coluna	de
jornal,	especialmente	aquelas	assinadas,	e	comece	a	copiar.	Depois,	tente	mudar
algumas	 palavras	 e	 frases	 ou	 procure	 fazer	 o	 resumo	 do	 texto	 com	 as	 suas
palavras.	 Daí	 você	 pode	 partir	 para	 a	 paráfrase,	 como	 está	 explicitado	 no
Capítulo	4.
Outro	bom	exercício	é	a	prática	do	diário.	Lembra	do	tempo	de	nossas	tias	e
avós,	que	tinham	um	diário	no	qual	escreviam	tudo	o	que	se	passava	com	elas?
Começavam	até	com	a	frase:	“Querido	diário…”	Não	ria.	Isso	é	ótimo	para	seu
aperfeiçoamento.	Colocar	no	papel	as	coisas	que	acontecem	no	dia	a	dia,	as	suas
emoções,	os	seus	sentimentos,	aquilo	de	que	você	gosta	vai	acabar	por	torná-lo
um	técnico	que	escreve	sobre	qualquer	assunto.
Essa	 etapa	 (escrever	 diariamente)	 é	 a	 mais	 difícil	 e	 dá	 trabalho	 para	 se
acostumar.	Mas	vá	em	frente.	Não	desanime.	Ela	vai	levar	à	perda	da	ansiedade
e	 do	 chamado	 “branco”	 que	 ocorre	 na	 hora	 de	 redigir.	 Se	 você	 realmente	 se
dedicar,	escrevendo	diariamente,	em	poucas	semanas	estará	escrevendo,	mesmo
que	 timidamente.	É	 uma	 tarefa	 que	 se	 tornará	mais	 prazerosa	 quanto	mais	 for
praticada.
Não	esqueça	a	grande	verdade:	para	escrever	bem	é	preciso	ler	bem.	Ninguém
consegue	ser	bom	em	qualquer	arte	se	não	observar	os	mestres.	Quem	não	lê	não
vai	 aprender	 a	 escrever	 por	milagre.	Mas	 fuja	 dos	 textos	 acadêmicos	 que,	 em
geral,	são	empolados	e	escritos	em	linguagem	tortuosa.
Escrever,	 segundo	 Edson	 Aran,	 escritor	 e	 diretor	 de	 redação	 da	 revista
Playboy,	“é	a	arte	de	utilizar	palavras	simples	para	exprimir	ideias	complexas”	–
e	não	o	contrário.	Assim,	use	sempre	a	ordem	direta,	pois	a	ordem	inversa	é	uma
questão	de	estilo,	e	o	estilo	só	deve	ser	procurado	por	aqueles	que	já	dominam	as
boas	técnicas	de	redação.	Não	tenha	pressa.	Primeiro,	o	básico;	depois,	o	floreio.
A	regra	geral	é:	use	frases	curtas,	economize	vírgulas,	tenha	como	seu	amigo
o	ponto.	Excesso	de	vírgulas	é	sinal	de	que	você	precisa	de	mais	pontos.
Seu	texto	será	lido	pelo	examinador.	Então,	quando	terminar	de	escrever,	leia-
o	em	voz	alta.	Quando	bem	escrita,	a	linguagem	tem	sonoridade.	Se	a	sua	frase
não	 soa	 bem,	 reescreva-a.	 Saiba	 que	 a	 leitura	 em	 voz	 alta	 dá	 para	 perceber
cacófatos	 como:	 “Ali	 se	 disputa	 uma	 vaga”,	 “vai	 chover,	 vou-me	 já	 que	 está
pingando”,	 “aquela	mulher	 é	maravilhosa,	 não	 existe	 outra	 como	ela”	 e	 tantos
mais.	Caso	falte	fôlego	na	leitura	de	um	período,	é	sinal	de	que	a	frase	está	longa
demais.
Não	esqueça:	quem	lê	passa	a	pensar	bem;	quem	pensa	bem	se	expressa	bem,
e	quem	se	expressa	bem	escreve	bem.	Então,	leia.
	
Capítulo	2
As	Funções	da	Linguagem
	
Uma	condição	necessária	ao	pensar	certo	é	não	estarmos	demasiado	certos	de	nossas	certezas.
Paulo	Freire	–	educador	brasileiro	autor	de	Pedagogia	do	Oprimido	(1921-1997)
2.1.	ELEMENTOS	DA	COMUNICAÇÃO
Quando	acontece	um	ato	de	fala,	quer	por	meio	da	linguagem	oral	ou	da	escrita,
há	 o	 desejo	 de	 alguém	 comunicar	 alguma	 coisa	 a	 outrem.	 Dependendo	 da
intenção	dessa	pessoa,	a	comunicação	adquire	diferentes	formas	ou	funções.
Para	um	melhor	 entendimento	das	diferentes	 funções	da	 linguagem,	deve-se
compreender	como	funcionam	os	elementos	essenciais	da	comunicação,	a	partir
das	 três	 pessoas	 do	 verbo.	 Assim,	 em	 uma	 comunicação	 oral	 ou	 escrita,	 é
necessário,	em	primeiro	lugar,	alguém	que	realize	o	ato	da	fala.	Esse	alguém	é	o
emissor,	remetente	ou	codificador	da	mensagem,	geralmente	representado	pela
primeira	pessoa	do	verbo:	a	pessoa	que	fala.	É	ele	quem	escolhe	as	palavras	que
vai	 utilizar,	 coloca-as	 em	 ordem,	 transformando	 pensamentos	 ou	 emoções	 em
código.
A	mensagem	 é	 a	 informação,isto	 é,	 o	 discurso	 transmitido	 pelo	 autor	 do
texto.	Suponhamos	que	um	redator	comunique	o	recebimento	de	um	prêmio	por
quatro	personagens.	Dirá	o	primeiro:	–	Hoje	eu	recebi	um	prêmio.
O	segundo	afirmará:
–	Acaba	de	sair	o	meu	prêmio.
O	terceiro	dirá:
–	Hoje,	a	empresa	me	deu	um	senhor	prêmio.
E	o	quarto:
–	Queria	tanto	receber	aquele	prêmio!
Observe	que,	na	primeira	mensagem,	o	autor	comunica	o	fato	dando	ênfase	e
destaque	psicológico	ao	pronome	sujeito	eu	 transmitindo	ao	receptor	o	orgulho
de	ter	sido	premiado.	Na	segunda,	o	que	se	vê	é	uma	ênfase	maior	para	o	prêmio,
destaque	 psicológico,	 sujeito	 da	 oração,	 caracterizado	 pelo	 pronome	 adjetivo
meu.	Na	terceira	mensagem,	o	emissor	põe	em	primeiro	plano	a	empresa,	para	a
qual	reserva	a	função	de	sujeito,	mas	comunica	a	conotação	de	emotividade	com
a	expressão	aumentativa	um	senhor	prêmio.	Na	última	mensagem,	além	de	se
colocar	 em	 primeiro	 plano	 (sujeito	 eu	 como	 destaque	 psicológico),	 o	 autor
transmite,	em	sua	mensagem,	uma	sensação	de	desejo	e	preocupação.
Toda	mensagem	tem	um	destino:	a	segunda	pessoa	do	verbo,	isto	é,	a	pessoa
com	 quem	 se	 fala	 ou	 o	 leitor.	 É	 o	 receptor,	 destinatário	 ou	 decodificador
aquele	 a	 quem	 a	 mensagem	 é	 dirigida.	 Ao	 recebê-la,	 ele	 cria	 uma	 imagem
mental	 e	 transforma	 o	 código	 em	 pensamentos	 e	 emoções.	 É	 sempre
representado	pelos	pronomes	de	segunda	pessoa	 (tu,	vós)	e	pelos	pronomes	de
tratamento	 (você,	 o	 senhor,	V.	 Exa.,	V.	 Sa.,	V.	Maga.	 etc.).	Assim,	 quando	 o
emissor	envia	a	mensagem	ao	receptor,	ele	o	faz	por	meio	da	terceira	pessoa	do
verbo:	a	pessoa	de	quem	ou	de	que	se	fala,	representada	no	texto	pelos	pronomes
ele,	 ela	 ou	 pelos	 pronomes	 de	 tratamento	 iniciados	 pela	 palavra	 sua	 (Sua
Excelência,	 Sua	 Majestade,	 Sua	 Senhoria	 etc.).	 Desse	 modo,	 o	 assunto	 da
mensagem	reflete	as	coisas	 e	os	seres	 do	mundo	a	que	os	 signos	 se	 referem	e
que,	por	isso	mesmo,	denominamos	de	referente.
O	 referente,	 transportando	 a	 mensagem,	 chega	 ao	 receptor	 levado	 por	 um
código	 que	 é	 o	meio	 criado	 pelo	 homem	 para	 comunicar-se.	 É	 o	 conjunto	 de
signos	utilizados	pelo	emissor	e	aceitos	pelo	receptor.	Tanto	podem	ser	verbais
como	não	verbais,	como	os	sinais	de	trânsito,	os	códigos	de	barras	utilizados	no
comércio,	as	notações	algébricas	e	químicas,	a	mímica,	as	gesticulações	de	um
maestro	 e	 tantos	 outros.	 Desse	 modo,	 codificar	 é	 transformar	 uma	 ideia	 ou
sentimento	 em	 código;	 decodificar	 é	 retirar	 de	 um	 código	 uma	 ideia	 ou
sensação.
Quando	 a	 mensagem	 é	 enviada	 pelo	 emissor,	 ela	 vai	 atingir	 o	 receptor
utilizando	um	canal	de	comunicação,	um	veículo	através	do	qual	os	sinais	são
enviados.	 Para	 que	 o	 canal	 funcione,	 há	 que	 haver	 um	 meio	 físico	 e	 um
constituinte	psicológico.	Em	um	telefonema,	por	exemplo,	o	sistema	telefônico,
com	todos	os	seus	fios,	aparelhos	transistores,	computadores,	impulsos	elétricos
e	o	ar	que	propaga	o	som,	desde	a	boca	do	emissor	até	o	fone	e	desde	o	fone	até
o	ouvido	do	receptor,	fazem	a	parte	física	do	canal.	A	atenção	do	receptor	é	que
vai	 constituir-se	 no	 elo	 psicológico	 entre	 ele	 e	 o	 emissor.	 Se,	 ao	 receber	 o
telefonema,	 ele	 estiver	 distraído,	 vendo	 um	 filme	 ou	 atento	 a	 uma	 conversa
paralela,	nada	vai	entender,	pois	o	ato	comunicativo	não	se	realiza	pela	falta	da
sintonia	 psicológica,	 pela	 desatenção.	 Isso	 significa	 que	 a	 sintonia	 psicológica
entre	emissor	e	receptor	faz	parte	do	canal.
Desse	modo,	tem-se:
Com	 base	 nos	 elementos	 da	 comunicação,	 podem-se	 entender	 as	 distintas
funções	da	 linguagem,	haja	vista	que	elas	estão	presentes	em	todos	os	 tipos	de
textos.
Assim,	as	funções	da	linguagem	são	seis,	de	acordo	com	os	seis	elementos	da
comunicação:	 1.	 Função	 emotiva,	 expressiva	 ou	 de	 exteriorização	 psíquica,
baseada	no	emissor.
2.	Função	referencial,	informativa	ou	cognitiva,	com	base	no	referente.
3.	Função	conativa	ou	apelativa,	centrada	no	receptor.
4.	Função	metalinguística,	preocupada	com	o	código.
5.	Função	fática,	referindo-se	ao	canal.
6.	Função	poética	ou	estética,	centrada	na	mensagem.
2.1.1.	Função	emotiva
Conhecida	 também	 como	 expressiva	 ou	 de	 exteriorização	 psíquica,	 tem	 como
base	 a	 primeira	 pessoa	 do	 verbo.	 A	mensagem	 do	 texto	 não	 está	 centrada	 no
acontecimento	 ou	 fato	 que	 está	 em	 evidência,	 mas	 nos	 sentimentos	 e	 nas
sensações,	no	ponto	de	vista	do	autor.	Usa	e	abusa	de	adjetivos,	pois	estes	levam
à	emotividade.	Pode	apresentar	verbos	e	pronomes	na	primeira	pessoa.
Todo	 texto	 emotivo	 pode	 ser	 contestado,	 visto	 que	 sua	 característica	 é	 a
opinião	do	eu	falante,	do	emissor.	É	o	que	se	nota	nos	editoriais	dos	jornais,	nos
comentários,	nas	matérias	dos	colunistas,	na	 linguagem	dos	âncoras	de	 rádio	e
TV.	 A	 função	 emotiva	 encontra-se,	 ainda,	 nos	 diários	 íntimos,	 nos	 textos
românticos	e	nas	autobiografias,	como	se	vê	no	exemplo	a	seguir:
“Quando	 dos	meus	 quatorze	 anos,	 como	 é	 próprio	 dessa	 idade,	 apaixonava-me	 a	 cada	 três
semanas.	Como	um	típico	adolescente,	era	meio	desengonçado,	ingênuo,	cheio	de	espinhas,	e,
para	 piorar,	 tímido,	 muito	 branco	 e	 não	 jogava	 bem	 esporte	 algum.	 Dentro	 desse	 quadro,
obviamente	imperava	o	platonismo.	Pois	bem,	naquela	época	comecei	a	escrever	poesias	em
cadernos	 que	 adquiria	 especificamente	 para	 essa	 atividade.	 Tudo	 o	 que	 gostaria	 de	 dizer	 à
amada,	por	falta	de	oportunidade	ou	coragem,	eu	transpunha	para	o	papel.”
(William	Douglas,	Como	passar	em	provas	e	Concursos,	p.	556)
A	mensagem	está	centrada	na	primeira	pessoa,	expressando	os	sentimentos	e
as	sensações	do	autor	realçadas	pelo	uso	de	adjetivos,	o	que	evidencia	a	função
emotiva.
Veja	este	outro	exemplo:
“Atualmente,	a	concepção	de	ato	violento	é	bastante	ampla,	 indo	além	da	noção	 tradicional,
que	o	vinculava	à	existência	de	dano	físico.	Somos	sensíveis	a	novos	tipos	de	violência,	que
antes	 não	 eram	 considerados	 como	 tal:	 discriminação	 por	 cor,	 sexo,	 idade,	 etnia,	 religião,
escolha	sexual	e	situações	de	constrangimento,	exclusão	ou	humilhação.	Trata-se,	portanto,	de
uma	 definição	 de	 longo	 alcance,	 abrangente,	 que	 decorre	 de	 um	 processo	 histórico	 que
resultou	na	pacificação	da	sociedade,	na	ampliação	das	normas	e	em	uma	maior	intolerância
ao	que	será	considerado	violência.”
(Andréa	Buoro	et	al.	Violência	urbana	–	dilemas	e	desafios.	pp.10-11)
A	autora	dá	a	sua	própria	opinião	sobre	a	concepção	de	ato	violento,	opinião
essa	 que	 poderá	 ser	 contestada	 por	 quem	 não	 comungue	 com	 ela,	 pois	 retrata
apenas	 o	 ponto	 de	 vista	 do	 próprio	 eu	 falante,	 realçado	 pelo	 uso	 do	 verbo	 na
primeira	pessoa	do	plural:	somos.
2.1.2.	Função	referencial
Recebe	 também	 os	 nomes	 de	 função	 informativa	 ou	 cognitiva.	 Referencial
porque	 tem	como	objetivo	declarar	algo	sobre	os	referentes	do	mundo	que	nos
cerca.	Traz	informações	(por	 isso	é	chamada	de	informativa),	dá	conhecimento
acerca	de	um	determinado	assunto.	Daí	que	 essa	 função	é	 centrada	na	 terceira
pessoa	do	verbo	(a	pessoa	de	quem	ou	de	que	se	fala),	o	referente,	o	assunto	do
texto.
Sua	 característica	 principal	 é	 não	 poder	 ser	 contestada.	 A	 linguagem	 é
denotativa	 (jamais	 terá	 sentido	 figurativo)	 e	 raramente	 usa	 adjetivos.	É	 o	 caso
das	reportagens	(apenas	narram	os	fatos,	não	trazem	opinião,	quase	nunca	usam
adjetivos	e	não	podem	ser	contestadas,	pois	são	fatos	reais),	dos	textos	técnicos,
científicos	e	didáticos.
1º	exemplo:
“A	maior	 parte	 (cerca	 de	 60%)	 das	 294	mil	 toneladas	 de	 lixo	 que	 o	Brasil	 produz	 não	 tem
destino	 apropriado,	 sendo	 descartada	 em	 lixões	 ou	 rios.	Mesmo	 os	 rejeitos	 adequadamente
dispostos	 em	 aterros	 sanitários	 geram	 problemas,	 já	 que	 ocupam	 terras	 que	 poderiam	 ser
usadas	para	a	agricultura,	 impedem	o	 reaproveitamento	de	nutrientes	pelo	solo,	contaminam
águas	 subterrâneas,	 levam	 à	 proliferação	 de	 animais	 e	 insetos	 transmissores	 de	 doençase
exigem	um	investimento	alto.	O	chamado	composto	de	lixo	urbano	pode	ser	uma	alternativa
para	reduzir	o	volume	de	lixo	e	os	gastos	associados.”
(Fred	Furtado.	Descartado	e	útil.	In	Ciência	Hoje,	maio	2003,	p.	44)
O	 autor	 apresenta	 o	 problema	 do	 lixo	 utilizando	 termos	 denotativos,	 numa
linguagem	 direta	 com	 verbos	 na	 terceira	 pessoa.	 As	 referências	 do	 texto	 não
podem	 ser	 contestadas,	 mesmo	 os	 números	 ali	 apresentados.	 Há	 informações,
trazendo	 conhecimento	 do	 assunto,	 mostrando	 as	 dificuldades	 com	 o	 lixo	 no
Brasil	e	apontando	uma	possível	solução.	Utiliza,	pois,	a	função	referencial.
2º	exemplo:
“Desde	cerca	de	300	anos	a.C.	e	aproximadamente	500	d.C,	estendeu-se	a	era	do	grego	coiné
ou	comum,	uma	mistura	de	diferentes	dialetos	gregos,	dos	quais	o	ático	era	o	mais	influente.
Coiné	 tornou-se	 a	 língua	 internacional.	 Tinha	 uma	 nítida	 vantagem	 sobre	 as	 outras	 línguas
daquele	tempo,	por	ser	quase	que	universalmente	conhecida.	Coiné	significa	língua	comum	ou
dialeto	comum	a	todos.	Quão	amplo	era	o	seu	uso	pode	ser	visto	no	fato	de	que	os	decretos
dos	governadores	imperiais	e	do	Senado	Romano	eram	traduzidos	para	o	coiné,	a	fim	de	serem
distribuídos	em	todo	o	Império	dos	Césares.”
(Estudo	Perspicaz	das	Escrituras,	vol.	1,	p.	262)
Como	se	pode	notar,	o	 texto	é	didático	e	explica	o	 termo	coiné	dado	a	uma
mistura	 de	diferentes	 dialetos	 gregos	por	 um	período	de	 cerca	de	800	 anos.	O
texto	 traz	 verbos	 na	 terceira	 pessoa,	 e	 o	 objetivo	 da	 mensagem	 é	 dar	 uma
informação	sobre	os	referentes	da	língua	que,	no	esplendor	do	Império	Romano,
era	de	uso	quase	universal.	Não	há	figuras	de	linguagem,	e	as	informações	não
podem	ser	contestadas.	Trata-se	de	função	referencial.
2.1.3.	Função	conativa
Também	conhecida	como	função	apelativa,	está	centrada	na	segunda	pessoa	do
verbo	(a	pessoa	com	quem	se	fala),	o	destinatário,	o	receptor	da	mensagem.	Sua
finalidade	é	 influenciar	ou	modificar	o	comportamento	do	receptor.	Para	 tanto,
usa	 verbos	 no	 imperativo,	 pronomes	 na	 segunda	 pessoa,	 subentendidos	 ou
explícitos,	 e,	 como	 se	 dirige	 ao	 receptor,	 é	 comum	 o	 uso	 de	 vocativos.	 É	 a
linguagem	da	propaganda,	dos	sermões,	dos	discursos	e	da	política.
1º	exemplo:
“Quer	 passar	 no	 concurso?	Venha	 para	 o	 CEP.	No	 nosso	 curso,	 as	 aulas	 são	 presenciais	 e
ministradas	por	corpo	docente	selecionado	entre	os	melhores	profissionais	do	país.	Aqui	você
resolve	suas	dúvidas	com	o	próprio	professor	que	ministra	a	aula.”
(In	jornal	A	Gazeta,	Vitória-ES,	caderno	“Empregos”.	30	nov.	2005,	p.	7)
A	 mensagem	 pretende	 influenciar	 o	 receptor	 a	 quem	 ela	 é	 dirigida.	 Daí	 o
pronome	 você	 subentendido	 no	 primeiro	 e	 segundo	 períodos	 e	 explícito	 no
quarto.	A	intenção	do	autor	do	 texto	é	modificar	o	comportamento	do	receptor
com	a	mensagem	subliminar	“não	procure	outro	curso,	procure	o	nosso,	ele	faz
você	passar”	que	está	implícita	no	segundo	período	com	a	intensidade	dada	pelo
imperativo	Venha.
2º	exemplo:
“Que	fazes,	Jorge,	a	estas	horas	mortas?
A	noite	está	tristonha	e	friorenta;
Vai	aquecer	da	prostituta	ao	colo
De	libertino	a	fronte	macilenta.
Vai	escaldar	esta	alma	morta	e	fria
Aos	beijos	do	conhaque	que	incendia.”1	(Castro	Alves)
Nesses	 versos,	 o	 poeta	 Castro	 Alves	 procura	 obter	 uma	 reação	 do	 receptor
(Jorge).	 Para	 tanto,	 utiliza	 pronomes	 na	 segunda	 pessoa	 (Que	 fazes	 tu,	Vai	 tu
aquecer,	 Vai	 tu	 escaldar),	 verbos	 no	 imperativo	 (Vai)	 e,	 como	 se	 dirige	 ao
receptor,	 usa	 o	 vocativo	 (Que	 fazes,	 Jorge…?).	 Trata-se	 de	 um	 texto	 com	 a
função	conativa	ou	apelativa.
2.1.4.	Função	metalinguística
Segundo	os	semiólogos,	essa	função	ocorre	quando	há	encontro	do	código	com	o
próprio	código,	isto	é,	quando	a	mensagem	se	preocupa	em	esclarecer	o	código,
definindo-o.	O	código	pede	uma	definição	e	a	definição	explica	o	código	e	vice-
versa.
1º	exemplo:
Em	 1981,	 na	 coluna	 humorística	 que	 escrevia	 mensalmente	 para	 a	 revista
Veja,	Millor	Fernandes	trouxe	as	seguintes	definições	de	parque:
“Parque	nacional	–	é	uma	espécie	de	reserva	florestal.
Parque	público	–	é	um	jardim	urbano
Parque	de	diversões	–	é	onde	os	petizes	(e	os	marmanjos)	se	divertem.
Parque	industrial	–	é	onde	as	multinacionais	deitam	e	rolam.”
Pelo	 que	 se	 observa,	 Millor	 Fernandes	 deu	 as	 definições	 preocupado	 em
esclarecer	 cada	 um	 dos	 códigos:	 parque	 nacional,	 parque	 público,	 parque	 de
diversões,	parque	industrial.
Um	 exemplo	 típico	 de	 metalinguagem	 é	 uma	 aula	 de	 português.	 Nela	 o
professor	utiliza	o	código	língua	portuguesa	para	explicar	o	próprio	código	que	é
a	língua	portuguesa.
O	 exemplo	 a	 seguir,	 nos	 versos	 de	 Fernando	 Pessoa,	 é	 próprio	 da	 função
metalinguística,	quando	ele	define	um	poeta:
“O	poeta	é	um	fingidor.
Finge	tão	constantemente
Que	chega	a	fingir	que	é	dor
A	dor	que	deveras	sente.”
2.1.5.	Função	fática
Tem	como	base	o	canal.	O	objetivo	da	mensagem	é	verificar	o	funcionamento	do
canal	para	iniciar,	continuar	ou	encerrar	uma	comunicação,	vez	que	essas	são	as
funções	 do	 canal.	 Por	 vezes,	 há	 interrogações	 e	 exclamações	 e	 expressões
típicas,	 denominadas	 de	 fáticas,	 como:	 Alô!	 Ei!	 Psiu!	 Olá!,	 que	 servem	 para
iniciar	uma	comunicação,	ou:	Entendeu?	Viu?	Compreendeu?	Né?	Como	é	que
pode?,	que	servem	para	sustentar	uma	comunicação.	Há	ainda	expressões	como:
tá	 bem,	 até	 logo,	 adeus,	 Deus	 te	 acompanhe	 e	 outras	 mais,	 que	 servem	 para
encerrar	 a	 comunicação.	 Essa	 função	 encontra-se	 bem	marcada	 na	 linguagem
das	crianças,	dos	telefonemas	e	das	pessoas	sem	instrução.
1º	exemplo:
Phelipe,	de	cinco	anos,	na	Praia	de	Camburi,	em	Vitória,	puxa	conversa	com	um	pescador:
–	O	que	é	que	você	está	fazendo?
–	Pescando…
–	Pescando	o	quê?
–	Peixe.
–	Cadê?
–	Não	tem…
–	Então,	o	que	é	que	você	está	fazendo?
Nesse	 diálogo,	 o	 emissor	 (Phelipe)	 quis	 iniciar	 uma	 comunicação	 e,
conseguindo,	tentou	sustentá-la	utilizando	interrogações	na	continuidade	da	fala,
encerrada	com	a	última	pergunta.
2º	exemplo:
A	diarista	chega	esbaforida	e	a	patroa,	já	pronta	para	o	cabeleireiro,	reclama:
–	Outra	vez	atrasada,	Eliana?
–	Pois	é,	patroa,	a	senhora	sabe,	né?	A	gente	mora	pra	lá	de	Cariacica	e	vem
naquele	 ônibus	 todo	 apertado,	 viu?	 Não	 tem	 nem	 lugar	 pra	 botar	 o	 pé,
entendeu?	Quando	 chega	 no	Terminal	 é	 um	 filão	 pra	 pegar	 outro	 ônibus,
sabe?	Depois	de	tudo,	quando	a	gente	consegue	chegar,	você	diz:	“outra	vez
atrasada?”	Como	é	que	pode,	né,	patroa?
Na	 resposta	 da	 diarista,	 pode-se	 notar	 uma	 série	 de	 expressões	 fáticas,	 no
intuito	de	 sustentar	a	comunicação	e	desculpar-se	do	atraso:	né,	viu,	 entendeu,
sabe,	como	é	que	pode.	Tem-se	aí	a	função	fática	da	linguagem.
2.1.6.	Função	poética
É	a	maneira	diferente	de	se	enviar	uma	mensagem,	tendo	a	intenção	de	transmiti-
la	de	forma	especial	e	não	da	forma	comum	de	se	expressar.	Ou	melhor,	não	é	o
que	se	diz,	mas	como	se	diz.	Somando-se	às	outras	funções,	a	poética	dá	realce
àquelas.	 A	 linguagem	 dessa	 função	 é	 conotativa	 (sentido	 figurado)	 e	 está
presente	 nos	 poemas,	 nos	 trocadilhos,	 nos	 nomes	 incomuns	 de	 algumas	 casas
comerciais,	nos	nomes	formados	pela	fusão	de	outros	(hipocorísticos),	nas	frases
de	parachoques	de	caminhões,	nos	provérbios	e	nas	tiradas	infantis.
Exemplos:
“Meu	verso	é	sangue.	Volúpia	ardente…
Tristeza	esparsa…	remorso	vão…
Dói-me	nas	veias.	Amargo	e	quente,
Cai,	gota	a	gota,	do	coração.”
(Manuel	Bandeira)
O	 poeta	 diz,	 de	maneira	 diferente,	 como	 é	 o	 seu	 verso.	 Não	 é	 como	 todos
dizem,	 daí	 se	 ter	 nesse	 texto	 a	 função	 poética	 ou	 estética.	É	 o	 que	 se	 nota	 no
trecho	a	seguir,	do	poeta	Mário	Quintana,	em	que	ele	utiliza	as	funções	poética	e
apelativa:
“Sê	bom.	Mas	ao	coração
Prudência	e	cautela	ajunta,
Quem	todo	de	mel	se	unta,
Os	vasos	o	lamberão.”
O	 trocadilho	 é	 também	 uma	 forma	 diferente	 de	 se	 dizer.	 Por	 isso	 todo
trocadilho	é	função	poética	da	linguagem.	Observe-se:
Não	confundabife	à	milanesa
Com	bife	ali	na	mesa.
As	 frases	 de	 parachoques,	 tão	 usadas	 no	 século	 passado	 e	 hoje	 quase	 em
desuso,	 trazem	 a	 filosofia	 popular	 dos	 caminhoneiros,	 dizendo	 a	 verdade	 de
forma	diferente,	como:
Se	casamento	fosse	bom,	não	precisava	de	testemunhas.
Sou	livre,	só	vou	para	onde	me	mandam.
Os	 provérbios	 trazem	 a	 sabedoria	 popular	 numa	maneira	 diferente,	 poética,
simples	e	clara	de	se	falar:
Água	mole	em	pedra	dura,
Tanto	bate	até	que	fura.
Os	ditos	infantis:
Raysa,	mostrando	o	copo	com	a	dentadura	da	avó:
–	Vovó,	achei	seu	sorriso!
Conclui-se,	 então,	 que	 toda	 a	 mensagem	 elaborada	 de	 modo	 não	 usual	 é
função	poética	da	linguagem.
1
“Incendeia”	é	a	forma	correta,	mas	não	rima	com	“fria”	do	verso	anterior.	Tem-se	aí	um	exemplo	de	licença	poética,	usada	por	Castro	Alves.
	
Capítulo	3
Tipologia	Textual
	
Para	escrever,	o	aprendizado	é	a	própria	vida	se	vivendo	em	nós	e	ao	redor	de	nós.	É	que	não
sei	estudar.	E	para	escrever,	o	único	estudo	é	mesmo	escrever.
Clarice	Lispector–	escritora	ucraniana	naturalizada	brasileira.	(1920-1977)
3.1.	TIPOS	DE	TEXTOS
3.1.1.	Definição
Todas	 as	 formas	 de	 expressão	 escrita	 recebem	 o	 nome	 genérico	 de	 redação.
Classificam-se	 em	 descrições,	 narrações	 e	 dissertações,	 que	 podem	 estar	 em
formas	literárias	e	não	literárias.	No	estudo	da	redação	é	necessário	conhecer	as
diferenças	entre	elas.
•	Descrição	–	é	a	redação	em	que	o	autor	procura	emitir	imagens,	como	se
fora	 uma	 fotografia,	 apontando	 as	 características	 que	 compõem	 uma
paisagem,	um	ambiente,	determinado	objeto,	um	ser,	como	no	exemplo:
“Fui	 também	recomendado	ao	Sanches.	Achei-o	supinamente	antipático:	cara	extensa,	olhos
rasos,	mortos,	de	um	pardo	transparente,	lábios	úmidos,	porejando	baba,	meiguice	viscosa	de
crápula	antigo.”
(Raul	Pompeia,	O	Ateneu	—	Coleção	de	Clássicos	Brasileiros,	p.	58)
•	 Narração	 –	 é	 uma	 forma	 de	 redação	 em	 que	 o	 autor	 conta	 um	 fato
ocorrido	em	determinado	lugar	e	tempo,	envolvendo	personagens	humanas
ou	não:
“Em	nova	assembleia	dos	deuses,	ficou	decidido,	a	instâncias	de	Atenas,	o	regresso	de	Ulisses.
Hermes	 transmite	 a	Calipso	 a	 ordem	de	Zeus,	 intimando-a	 a	 deixar	 partir	 o	 cativo.	A	ninfa
declara	a	Ulisses	ser	necessário	que	ele	construa	uma	jangada	e	exorta-o,	mas	em	vão,	a	que
permaneça	junto	dela.”
(Homero	–	Odisseia.	pp.72)
•	Dissertação	 –	 Acontece	 quando	 se	 apresenta	 ou	 se	 discute	 uma	 ideia,
expondo,	explicando,	argumentando,	a	fim	de	comprovar	o	que	se	afirma:
“Hoje,	a	maior	parte	da	aprendizagem	ocorre	fora	da	sala	de	aula.	A	quantidade	pura	e	simples
de	 informações	 transmitidas	 pela	 imprensa,	 revistas,	 filmes,	 rádio,	 televisão	 e	 pela	 Internet
excede,	de	longe,	a	quantidade	de	informações	transmitidas	pela	instrução	e	textos	escolares.
Esse	 desafio	 destruiu	 o	 monopólio	 do	 livro	 como	 auxiliar	 de	 ensino	 e	 abriu	 brechas	 nas
próprias	paredes	da	aula,	tão	de	súbito	que	ficamos	confusos,	desconcertados.”
(Edmund	Carpenter	e	Marshall	McLuhan,	Revolução	na	Comunicação,	p.	28)
Pelos	exemplos	dados,	pode-se	dizer	que	a	descrição	detalha,	a	narração	conta
e	a	dissertação	argumenta.
Para	 iniciar	 o	 seu	 treinamento	 em	 casa,	 recomendamos	 que	 comece	 pela
descrição.	Observe,	 a	 seguir,	 o	 que	 é	 a	 descrição,	 seus	 vários	 tipos	 e	 como	 se
procede	para	mostrar,	por	escrito,	o	que	nos	cerca.	Leia	e	entenda	cada	espécie
desse	tipo	de	texto	e	procure,	primeiro,	descrever	o	ambiente	da	sala	de	sua	casa,
da	cozinha,	do	quarto,	a	portaria	do	prédio,	sua	rua,	uma	praça.	Faça	descrições
de	 pessoas	 que	 você	 conhece,	 seguindo	 todos	 os	 passos	 que	 damos	 a	 seguir.
Tenha	calma	e	paciência	que	você	chega	lá.
3.1.2.	Descrição
Descrever	 é	 colocar	 uma	 fotografia	 na	 mente	 do	 leitor.	 É	 detalhar	 uma	 cena,
pessoa,	objeto,	movimento,	destacando-lhe	características	peculiares,	de	modo	a
passar	uma	imagem,	a	mais	próxima	possível	daquela	que	mentalizamos,	como
se	fosse	uma	fotografia.	Por	essa	razão,	a	descrição	não	pode	sobrepor	imagens,
isto	 é,	 acumular	 detalhes	 supérfluos.	 Ela	 compõe	 a	 imagem	 de	 uma	 ideia	 e	 a
representa	 por	 meio	 de	 palavras.	 Assim,	 uma	 pessoa	 pode	 ser	 vista	 em	 seu
exterior	 ou	 examinada	 do	 ponto	 de	 vista	 psicológico;	 um	 ambiente	 pode	 ser
apresentado	em	sua	parte	física	ou	emotiva,	e	a	natureza	pode	ser	vista	do	lado
estático	 ou	 espiritual,	 de	 forma	 que	 o	 leitor,	 por	meio	 da	 linguagem	 de	 quem
escreve,	possa	“ver”	o	que	está	sendo	descrito.
Ela	é	estática,	ou	seja,	destituída	de	ação,	pois	o	ser,	o	objeto	ou	o	ambiente
têm	 mais	 importância,	 e	 as	 frases	 têm	 como	 destaque	 o	 substantivo	 e	 o
adjetivo.
Na	 descrição,	 o	 substantivo	 representa	 cenas,	 paisagens,	 ambientes,	 seres
animados	 ou	 inanimados,	 coisas	 e	 estados	 psíquicos.	 O	 adjetivo	 indica	 seus
aspectos	mais	característicos,	os	pormenores	que	os	individualizam	e,	por	meio
do	 registro	 das	 impressões	 sobre	 o	 descrito,	 marca	 a	 cor,	 sonoridade,	 textura,
aroma	ou	sabor.	Daí	a	forte	incidência	de	adjetivos	no	texto.
Os	 verbos	 indicativos	 de	 ação	 ou	 movimento	 são	 secundários	 em	 uma
descrição,	 valorizando-se	 mais	 os	 processos	 verbais	 não	 significativos	 ou	 de
ligação.	O	 tempo	 verbal	 é	 o	 presente	 do	 indicativo	 ou	 o	 pretérito	 imperfeito,
embora	 sejam	 mais	 utilizadas	 as	 formas	 nominais	 (infinitivo,	 gerúndio,
particípio),	o	que	dá	à	descrição	o	tom	característico	de	imobilidade	do	objeto.
3.1.2.1.	Espécies	de	descrição
A	descrição	pode	ser	de	paisagem,	de	ambiente	(interno	ou	externo),	de	cenas,
de	 seres	 (animais,	 vegetais,	minerais),	 de	objetos,	de	 estados	d’alma,	 técnica	 e
científica.
Exemplos:
•	Descrição	de	paisagem
A	 descrição	 de	 paisagem	 é	 feita	 a	 partir	 de	 um	 plano	 elevado.	 O	 autor
abarca	com	o	olhar	o	que	se	espraia	à	sua	frente,	até	o	horizonte.	Anuncia	o
que	 vê	 no	 geral	 e,	 a	 seguir,	 vem	 do	 horizonte	 para	 o	 local	 em	 que	 se
encontra,	observando	os	detalhes	e,	como	se	estivesse	fotografando,	joga	as
imagens	na	mente	do	leitor	de	tal	modo	que	este	poderá	reproduzi-las	até	no
desenho	de	uma	aquarela.	Portanto,	a	descrição	de	paisagem	pode	ter	visão
panorâmica,	 detalhes	 do	 que	 se	 vê	mais	 longe,	 detalhes	 do	 que	 se	 vê	 em
volta,	 movimentação	 de	 pessoas,	 carros,	 viaturas,	 espaço	 aéreo,	 espaço
observado,	território	etc.
Exemplo:
“Perante	 ele	 estava	 o	 vale	 Palancar,	 exposto	 como	 um	 mapa	 aberto.	 A	 base	 das	 cataratas
Igualda,	 a	mais	 de	 oitocentos	metros	 abaixo,	 era	 o	 ponto	mais	 ao	 norte	 do	 vale.	 Perto	 das
cataratas	ficava	Carvahall,	um	punhado	de	edificações	de	cor	marrom.	A	fumaça	branca	subia
das	 chaminés,	 desafiando	 a	 área	 selvagem	 em	 volta.	 Naquela	 altura,	 as	 fazendas	 eram
pequenos	retalhos	quadrados,	menores	do	que	a	ponta	do	dedo	dele.	A	terra	em	volta	delas	era
ressecada	ou	arenosa,	onde	o	mato	seco	dançava	ao	vento.	O	rio	Anora	cortava	a	terra	desde	as
cataratas	até	o	lado	sul	de	Palancar,	refletindo	grandes	porções	da	luz	do	sol.	Longe,	ele	corria
por	 fora	 do	 vilarejo	 de	Therinsford,	 que	 daquela	 altura	 parecia	 um	punhado	 de	 casinhas	 de
bonecas,	e	pela	solitária	montanha	Utgard.	Além	daquilo,	ele	via	apenas	o	rio	virando	para	o
norte,	a	caminho	do	mar.”
(Christopher	Paolini,	Eragon,	p.	11)
Observe	que,	nessa	descrição	de	paisagem,	o	primeiro	olhar	do	autor	abarca	até
o	horizonte,	observando	o	vale	Palancar	com	detalhes	do	que	vê	mais	longe	(as
cataratas,	a	cidade	de	Carvahall),	o	que	vê	mais	perto	(as	fazendas,	o	rio	Anora,
o	vilarejo	de	Therinsford	e	o	rio	que	segue	até	o	Norte).	Põe	essas	 imagens	na
mente	 do	 leitor,	 como	 uma	 fotografia	 tirada	 do	 alto	 em	 que	 ele	 se	 encontra,
podendo-se	 até	 fazer	 uma	 aquarela	 ou	 um	 quadro	 dessa	 paisagem,	 como
aconteceu	no	filme	homônimo.
•	Descrição	de	ambiente	externo
É	a	descrição	apenas	de	um	local,	como	uma	praça,	um	campo	de	futebol,
um	parque	de	diversões,o	pátio	de	uma	igreja,	um	cais	de	porto,	uma	rua.
Não	é	ampla	como	a	descrição	de	paisagem,	mas	restrita	a	um	determinado
lugar.	 O	 autor	 deve	 observar	 todos	 os	 detalhes,	 como	 cercas,	 bancos,
brinquedos	 infantis,	 barracas,	 árvores,	 canteiros,	 alambrados,	 chafariz,
alamedas,	veículos,	enfeites,	prédios,	lago,	coreto	etc.
Exemplo:
“Desceram	 a	 alameda	 da	 balsa,	 que	 era	 reta	 e	 bem	 cuidada,	 ladeada	 por	 grandes	 pedras
caiadas.	Cerca	de	cem	metros	dali,	ficava	a	margem	do	rio	onde	havia	um	largo	ancoradouro
de	madeira.	Uma	 balsa	 grande	 e	 rasa	 estava	 atracada.	Os	 tocos	 em	 que	 eram	 amarradas	 as
embarcações,	próximos	à	beira	da	água,	brilhavam	na	 luz	de	duas	 lamparinas	 suspensas	 em
cercas	vivas;	mas	a	água	à	 frente	era	escura,	com	apenas	alguns	chumaços	de	névoa	que	se
enrolavam	como	vapor	por	entre	os	juncos	na	margem.	Parecia	haver	menos	neblina	no	outro
lado.”
(J.R.R.Tolkien,	O	Senhor	dos	Anéis,	vol.	2)
Compare	 com	 a	 descrição	 de	 paisagem	 e	 note	 que	 o	 autor	 não	 observa	 o	 que
ocorre	 além	 do	 local	 em	 que	 se	 encontra.	 Apresenta	 os	 detalhes	 do	 lugar,	 de
forma	que	o	leitor	“veja”	a	alameda	da	balsa	com	suas	pedras,	a	margem	do	rio,
o	ancoradouro,	 a	balsa,	os	 tocos	de	amarra	das	embarcações,	 as	 lamparinas	na
cerca	viva	e	o	cais.	Fica	apenas	nesse	local,	nem	mesmo	passa	da	margem	do	rio
com	chumaços	de	névoa	entre	os	juncos.	É	a	descrição	de	ambiente	externo.
•	Descrição	de	ambiente	interno
É	 quando	 se	 faz	 a	 descrição	 de	 ambientes	 fechados,	 como	 um	 quarto	 de
casal,	o	 interior	de	uma	igreja,	uma	sala	de	aula,	um	salão	de	baile	etc.	O
autor	observará	 todos	os	detalhes	que	 se	encontram	no	ambiente:	móveis,
decoração,	 paredes,	 janelas,	 cores,	 utensílios,	 objetos,	 quadros.	 Se	 houver
armários	ou	móveis	abertos,	o	que	se	vê	neles.	Se	há	mesa,	o	que	está	sobre
ela;	 a	 cor	 e	 tamanho	 de	 tapetes,	 as	 cortinas,	 e	 coloca	 aquele	 ambiente	 na
mente	do	leitor	como	se	fora	uma	fotografia.
Exemplo:
“É	uma	sala	ampla	e	bem	cuidada.	Paredes	lisas,	pintadas	de	bege	e	assoalho	de	cerâmica.	A
um	canto,	um	conjunto	de	sofá	e	duas	poltronas,	cercando	uma	mesinha	de	centro	com	tampo
de	mármore	na	qual	repousam	dois	cinzeiros	de	barro.	O	sofá	e	as	poltronas	ficam	diante	de
um	aparelho	de	televisão,	como	à	espera	de	telespectadores.	Encostada	à	parede	do	fundo,	uma
estante	com	alguns	 livros	de	 literatura	e	de	 filosofia,	garrafas	de	gim	e	de	conhaque	e	umas
poucas	taças.	No	centro	do	chão,	um	tapete	desbotado	e	na	parede,	acima	do	sofá,	um	quadro
mostrando	uma	paisagem	campestre.”
•	Descrição	de	ser	(pessoa)
É	o	retrato	falado	da	pessoa.	O	autor	pode	observar	todas	as	características
físicas:	peso,	 cor,	 altura,	 idade,	voz,	vestimenta,	 cabelos,	partes	do	corpo.
Rosto:	 olhos,	 boca,	 nariz,	 bochechas,	 lábios,	 olheiras,	 furinho	 no	 queixo.
Pele:	 clara,	 escura,	 enrugada,	 lisa.	Corpo:	magro,	gordo,	 esbelto,	 formato
de	pera,	formato	de	maçã.	Membros:	normais,	desproporcionais	ao	corpo,
curtos,	alongados.	Pés:	chatos,	finos,	delicados,	compridos	ou	defeituosos.
Unhas:	 longas,	 roídas,	 escuras,	 quadradas,	 perfeitas,	 pintadas,	 feitas,
postiças,	 curvas,	 quebradiças;	 marcas	 de	 identificação:	 pinta,	 mancha,
cicatriz,	corte,	queimadura,	falta	de	dedos,	calvo,	cabeludo,	vesgo,	manco,
fanhoso,	e	outras	mais.
Exemplo:
“Chamava-se	 Rufino	 o	 velho	 cuja	 carapinha	 em	 desalinho	 a	 neve	 dos	 anos	 manchara	 de
branco	[…]	A	pele	preta	era	opaca	e	sem	viço,	própria	da	idade	avançada.	Seu	nariz	achatado
parecia	 esborrachado.	 O	 lábio	 inferior,	 bem	 vermelho	 e	 grosso,	 pendia	 desgovernado,
dificultando	 a	 fala.	Os	 pés	 grandes	 e	 descalços,	 sempre	 inchados,	 permitiam-lhe	 apenas	 um
caminhar	 trôpego,	 arrastado	 e	 cansado.	 Usava	 um	 velho	 capote	 de	 cor	 indefinida,	 em	 que
predominava	o	pó	da	estrada,	e	um	chapéu	de	feltro	[…]	tão	deformado	pela	falta	de	forro	a
ponto	de	parecer	uma	tigela	desabada	sobre	os	olhos.	Uma	camisa	quadriculada	rasgada	aqui	e
ali	e	uma	calça	velha	e	desbotada	completavam	a	imagem	daquele	arremedo	de	pessoa.”
(Dalva	Ferreira	Fanchium,	Piraí	do	Sul,	sua	gente	e	suas	histórias,	p.	90)
Ao	descrever	uma	pessoa,	procure,	no	primeiro	parágrafo,	fazer	uma	abordagem
de	qualquer	aspecto	de	caráter	geral,	ou	relate	sua	primeira	impressão	sobre	ela.
Nos	parágrafos	seguintes,	fale	sobre	as	características	físicas	como:	altura,	peso,
cor	 da	 pele,	 idade,	 cabelos,	 traços	 do	 rosto	 (nariz,	 boca,	 olhos,	 rugas,
sobrancelhas),	voz,	vestimenta.	No	último	parágrafo,	 faça	uma	 retomada	 sobre
qualquer	outro	aspecto	de	caráter	geral.
•	Descrição	de	objeto
Há	que	distinguir	dois	 tipos	essenciais	de	objetos:	os	que	são	constituídos
de	 uma	 única	 parte,	 como	 uma	 garrafa,	 uma	 bola,	 um	 clipe,	 um	 giz,	 um
cálice,	um	cinzeiro,	um	pedaço	de	pau,	uma	folha	de	papel	etc.,	e	aqueles
constituídos	de	várias	partes,	como	um	telefone,	um	aparelho	de	som,	uma
geladeira,	um	aquário,	um	despertador,	uma	carteira,	um	violão.
Ao	descrever	um	objeto	constituído	de	uma	única	parte,	 faça,	no	primeiro
parágrafo,	observações	de	caráter	geral,	referentes	à	procedência	do	objeto
ou	 sua	 localização.	 Nos	 demais	 parágrafos,	 descreva	 o	 formato
comparando-o	 com	 figuras	 geométricas	 e	 com	 objetos	 semelhantes	 e
apresente	as	dimensões:	largura,	comprimento,	diâmetro,	raio	etc.,	além	do
material	de	que	é	feito,	peso,	cor,	brilho	e	textura.	No	último	parágrafo,	faça
observações	 de	 caráter	 geral,	 referente	 à	 sua	 utilidade	 ou	 qualquer	 outro
comentário	que	envolva	o	objeto	como	um	todo.
Observe	esta	descrição	de	um	clipe:
“Este	pequeno	objeto	que	agora	descrevemos	encontra-se	sobre	uma	mesa	de	escritório	e	sua
função	é	a	de	prender	folhas	de	papel.
Tem	o	formato	semelhante	ao	de	uma	torre	de	igreja.	É	constituído	por	um	único	fio	metálico
que,	dando	duas	voltas	sobre	si	mesmo,	assume	a	configuração	de	dois	desenhos	(um	dentro
do	outro),	cada	um	deles	apresentando	uma	forma	específica.	Essa	forma	é	composta	por	duas
figuras	 geométricas:	 um	 retângulo	 cujo	 lado	 maior	 apresenta	 aproximadamente	 três
centímetros	e	um	lado	menor	de	cerca	de	um	centímetro	e	meio;	um	dos	seus	lados	menores	é,
ao	 mesmo	 tempo,	 a	 base	 de	 um	 triângulo	 equilátero,	 o	 que	 acaba	 por	 torná-lo	 um	 objeto
ligeiramente	pontiagudo.
O	 material	 metálico	 de	 que	 é	 feito	 confere-lhe	 um	 peso	 insignificante.	 Por	 ser	 niquelado,
apresenta	um	brilho	suave.	Prendemos	as	folhas	de	papel,	fazendo	com	que	elas	se	encaixem
no	meio	dele.
Está	presente	em	todos	os	escritórios	ou	 locais	onde	se	necessitam	separar	 folhas	em	blocos
diferenciados.	 Embora	 aparentemente	 insignificante,	 dadas	 as	 suas	 reduzidas	 dimensões,	 é
muito	útil	na	organização	de	papéis.”
(Branca	Granatic,	Técnicas	básicas	de	redação)
Na	 descrição	 de	 um	 objeto	 constituído	 de	 várias	 partes,	 faça	 o	 primeiro
parágrafo	 com	 observações	 de	 caráter	 geral	 referente	 à	 procedência	 e/ou	 à
localização	do	objeto	a	ser	descrito.	Nos	parágrafos	centrais	enumere	e	comente
as	 partes	 que	 compõem	 o	 objeto,	 explicando	 como	 elas	 se	 agrupam	 a	 fim	 de
formar	o	todo.	Apresente	detalhes	do	objeto	visto	externamente	como	um	todo	e
o	 seu	 formato,	 dimensão,	 material,	 peso,	 textura,	 cor	 e	 brilho.	 No	 último
parágrafo,	 faça	 observações	 de	 caráter	 geral	 referente	 à	 sua	 utilidade	 ou	 outro
comentário	 que	 envolva	 o	 objeto	 em	 seu	 todo,	 como	 nesta	 descrição	 de	 uma
caneta	esferográfica:
“Fabricada	atualmente	em	larga	escala,	a	caneta	esferográfica	parece	ser	um	objeto	simples;
no	entanto,	é	constituída	por	inúmeras	partes	que	se	agrupam.
Em	sua	constituição,	verificamos	a	presença	dos	seguintes	elementos:	um	tubo	cilíndrico,	fino
e	comprido,	de	plástico,	dentro	do	qual	é	colocada	a	tinta;	uma	ponta	de	acrílico	em	forma	de
cone	 que	 se	 liga	 a	 uma	 das	 extremidades	 do	 tubo.	 Na	 ponta	 desse	 cone	 há	 uma	 esfera
minúscula	através	da	qual	a	 tinta	sai,	passando	para	opapel.	Há	 também	um	tubo	cilíndrico
maior,	de	acrílico,	que	envolve	o	tubo	de	plástico,	e	duas	tampas:	uma	interna	e	outra	maior	e
externa	em	cada	uma	das	extremidades	do	cilindro	de	acrílico.
Se	 observarmos	 a	 caneta	 fechada	 com	 a	 tampa,	 veremos	 que	 ela	 assume	 a	 forma	 de	 um
cilindro	 de	 aproximadamente	 quinze	 centímetros	 de	 comprimento	 e	 meio	 centímetro	 de
diâmetro.	 Por	 ser	 constituída	 de	materiais	 leves,	 como	 plástico	 e	 acrílico,	 seu	 peso	 é	muito
pequeno.	O	tubo	externo	é	translúcido	e	as	tampas	de	plástico	apresentam	a	mesma	cor	da	tinta
dessa	caneta.	A	tampa	externa	tem	o	formato	de	cone	alongado	e	dela	sai	uma	pequena	haste.
A	caneta	 esferográfica	 encontra-se	hoje	 em	 todos	os	 lugares,	 entre	os	quais	 escolas,	 firmas,
escritórios,	 consultórios.	 Estará	 presente	 sempre	 que	 alguém	 quiser	 escrever	 algo	 sem	 sujar
suas	mãos	de	tinta.”
(redação	de	aluno,	in	Maria	Tércia	Juliana,	Redação,	p.	16)
•	Descrição	científica
Apresenta	 fatos	 e	 casos	 científicos,	 mostrando	 suas	 características,	 sua
atuação,	 seu	 modo	 de	 apresentar-se,	 de	 forma	 que	 o	 leitor	 apreenda,	 de
maneira	simples,	o	que	se	quer	informar.
Exemplo:
“Edemas	 podem	 ser	 localizados	 ou	 generalizados,	 ocorrendo	 comumente	 sobre	 a	 linha
articular	 lateral,	 em	 relação	 à	 patela,	 na	 fossa	 poplítea	 e	 originando	 de	 músculos	 como	 o
semimembranoso	e	o	grupo	da	pata	de	ganso,	se	o	edema	for	discreto.	Certos	edemas	tornam-
se	 mais	 óbvios	 quando	 o	 joelho	 está	 retificado,	 particularmente	 no	 caso	 de	 efusão	 e	 cisto
poplíteo,	enquanto	outros	são	aliviados	pela	flexão	do	joelho.”
(Malcolm	F.	Manicol.	O	Joelho	com	problema,	p.	21)
•	Descrição	de	estado	d’alma
O	 autor	 se	 fixa	 nas	 características	 psicológicas,	 como	 personalidade,
atitudes,	 temperamento,	 caráter,	 ações	 frequentes,	 dom,	 manias,
preferências,	 inclinações,	 e	 na	 postura:	 bagunceiro,	 calmo,	 educado,
inquieto,	 desleixado,	 extrovertido,	 introvertido	 etc.	 Veja	 o	 texto	 de
Graciliano	Ramos:
“No	 fim	 da	 vida	 nasceram-lhe	 nos	 pés	 copiosas	 perebas	 que	 se	 estenderam	 e	 avultaram,
abriram	sulcos	na	pele,	corromperam	a	carne,	supuraram,	sangraram,	 impossibilitando	o	uso
do	calçado	(…)	Era	um	Pé-de-molambo.	O	apelido	pegou.	E	quando	os	moleques	berravam-
lhe	o	insulto,	os	olhos	biliosos	enchiam-se	de	raiva	e	lágrimas,	o	rosto	enxofrado	coloria-se	de
manchas	 vermelhas,	 a	 boca	 mole	 e	 desguarnecida	 espumava,	 o	 corpo	 alquebrado	 inchava
como	um	peru,	ameaçava	rebentar	as	costuras	da	roupa	suja	e	esgarçada,	arrastava,	bambo	e
trôpego,	 os	 dois	 chumaços	 escuros	 e	 sanguinolentos.	 Tremores	 agitavam	 aquela	 ruína,
sacudiam	 as	 bambinelas	 do	 pescoço	 magro	 e	 os	 cabelos	 grisalhos	 que	 enfeitavam	 a	 pobre
velhice	desmoralizada.”
(Graciliano	Ramos.	Viventes	das	Alagoas,	p.	108/109)
Observe-se,	 além	 das	 características	 físicas	 (perebas,	 sulcos	 na	 pele,	 olhos
biliosos,	rosto	enxofrado,	boca	mole	e	desguarnecida,	corpo	alquebrado,	bambo
e	 trôpego,	manchas	vermelhas),	as	características	psicológicas	 (raiva,	 lágrimas,
tremores	 sacudindo	 as	 bambinelas	 do	 pescoço)	 e	 a	 postura	 (inchava	 como	 um
peru,	espumava,	arrastava	os	dois	chumaços	escuros	e	sanguinolentos).
•	Descrição	literária
Envolve	 a	 transmissão	 de	 emoções	 sugeridas	 ou	 despertadas	 por	 uma
determinada	 realidade.	 A	 atitude	 do	 autor	 é	 subjetiva,	 e	 o	 vocabulário
assume	 a	 função	 poética	 da	 linguagem,	 fixando-se	 na	 elaboração	 da
mensagem.	Usa	figuras	de	estilo,	principalmente	metáforas	e	comparações.
Os	verbos	ficam	no	presente	do	indicativo,	procurando	dar	continuidade	à
ação,	como	neste	exemplo:
“O	 torcedor	 fanático	não	se	 limita	a	 ir	ao	estádio:	ele	ouve	os	comentários	pelo	 rádio,	 lê	os
jornais,	vê	o	vídeo	do	jogo	a	que	assistiu.	O	torcedor-que-vai-ver-ganhar	vai	sempre	munido
de	 bandeira,	 faixa,	 camisa	 ou	 outros	 símbolos	 do	 clube.	 Incentiva	 o	 seu	 time	 vibrando,
vaiando,	agitando	bandeiras,	tocando	buzina,	levando	charanga,	empurrando	os	craques	para	o
ataque,	reclamando	pênalti,	xingando	o	juiz,	irritando	o	adversário	com	“corinhos”	e	refrões,
censurando	agressivamente	o	técnico	ou	jogadores	do	seu	clube	que	não	o	defendem	com	todo
o	 esforço.	 E,	 no	 caso	 de	 o	 time	 estar	 vencendo,	 riem,	 choram,	 se	 abraçam,	 batem	 palmas,
soltam	“olé”,	gritam	“já	ganhou”.	Em	final	de	campeonato,	à	plateia,	à	massa,	ao	público,	à
galeria	não	basta	o	estádio	para	nele	expandir	sua	alegria:	saem	às	ruas	em	passeata,	buzinam	à
frente	 da	 sede	 do	 clube	 perdedor,	 fazem	 o	 “enterro”	 do	 adversário,	 enfim,	 um	 verdadeiro
carnaval	 –	 outra	 festa	 também	 liberatória	 de	 tensões	 e	 vinculada	 ao	 futebol,	 já	 que	 ambas
representam	um	fenômeno	de	histeria	coletiva.”
(Maria	do	Carmo	de	Oliveira	Fernandez,	Futebol	–	fenômeno	linguístico	I-	p.	143)
3.1.2.2.	Tipos	de	descrição
A	descrição	pode	 ser	 analisada	 quanto	 ao	 que	 está	 sendo	descrito	 e	 quanto	 ao
posicionamento	do	autor.
Quanto	 ao	 descrito,	 ela	 pode	 ser	 estática	 ou	 dinâmica.	É	 estática	 quando	 se
descreve	o	que	está	parado;	é	dinâmica	quando	se	descreve	o	que	se	encontra	em
movimento.
Quanto	ao	posicionamento	do	autor,	pode	ser	fotográfica	ou	cinematográfica.
Fotográfica,	 quando	 o	 autor	 está	 parado,	 como	 se	 estivesse	 tirando	 uma
fotografia;	 cinematográfica,	 quando	 o	 autor	 acha-se	 em	 movimento,	 como	 se
estivesse	filmando.
Assim,	tem-se	a	descrição:
•	Descrição	fotográfica	estática
Quando	o	autor	e	a	coisa	descrita	estão	parados.
Exemplo:
“Sinuosa,	poeirenta,	ora	com	ladeiras	íngremes,	ora	em	um	plano	interminável,	às	vezes	larga,
às	vezes	estreita,	era	assim	a	estrada	que	ligava	Vargem	de	Dentro	ao	Engenho	Vitória.	Aqui	e
ali	uma	casinha	de	taipa	isolada,	coberta	de	sapé.	Às	vezes	pequenina,	porta	e	janela,	um	jirau
nos	 fundos,	 duas	 ou	 três	 árvores	 frutíferas.	 Por	 vezes	 um	 capão	 de	 mato	 ou	 uma	 roça	 de
mandioca	ou,	ainda,	um	pequeno	riacho	modificava	a	paisagem.”
A	descrição	é	de	uma	paisagem.	O	autor	está	posicionado	em	um	determinado
local,	 onde	 observa	 o	 que	 descreve,	 sem	 dar	 movimento	 a	 nada.	 É	 como	 se
estivesse	fotografando	algo	parado.	Tem-se	uma	descrição	fotográfica	estática.
•	Descrição	fotográfica	dinâmica
O	autor	está	parado,	e	o	que	ele	descreve	está	em	movimento.
Exemplo:
“Aconteceu	numa	delegacia.	De	repente	a	porta	abriu	com	estrondo	e	entrou	um	baita	crioulo.
Quase	dois	metros	de	altura,	calças	de	zuarte,	botinas,	camisas	para	fora	das	calças,	um	grande
revólver	na	cintura	e	andando	com	o	gingado	característico	do	malandro	carioca.	Com	a	mão
direita	 trazia	quase	arrastada	uma	sarará.	Cabelos	cor	de	caju,	cheia	de	sardas	–	tinha	sardas
até	nos	pés.	Chinelo	de	dedo,	num	pé	só.	Blusa	rasgada	e	chorando	feito	criança.	Com	a	mão
esquerda,	trazia	uma	crioula	e	esta	vinha	desmaiada	mesmo.	Cabelos	sujos	de	terra,	um	filete
de	sangue	correndo	da	testa,	blusa	em	pandarecos,	saia	nem	existia.”
O	autor	está	parado,	apenas	observando	a	cena	como	se	estivesse	fotografando.
Mas	tudo	o	que	ele	descreve	está	em	movimento.	A	porta	que	abre,	o	crioulo	que
anda,	 a	 sarará	 aos	 trancos	 e	 barrancos,	 e	 a	 negra	 desmaiada	 e	 arrastada.	 É
descrição	fotográfica	dinâmica.
•	Descrição	cinematográfica	estática
Ocorre	quando	o	autor	está	em	movimento	(como	se	estivesse	filmando)	e	o
que	ele	descreve	está	parado.
Exemplo:
“É	uma	velha	casa	de	fazenda	colonial.	Do	alicerce	até	à	metade,	as	paredes	são	em	pedra	e
daí	para	cima,	de	barro	batido.	Aqui	e	ali	o	reboco	caíra	e,	pelos	buracos,	veem-se	mourões	de
madeira	podre.	A	cor	barro	pardacenta	revela	uma	pintura	antiga	de	dezenas	de	anos.	Do	lado
direito,	uma	velha	mangueira,	copada	e	 repleta	de	 lianas	dá	uma	vasta	 sombra	e	 suas	 raízes
apontam	pelo	chão	quebrado	da	varanda.	Há	musgo	na	parede	e	manchas	deixadas	pelas	águas
de	 muitas	 chuvas.	 Nesse	 mesmo	 lado,	 uma	 das	 janelas	 apodrecera	 e	 está	 pendurada	 das
dobradiças.	No	lado	esquerdo,onde	não	bate	o	sol,	crescem	avenquinhas	miúdas.	Nesse	lado,
espraia-se	um	terreiro	com	uma	horta	em	que	as	verduras	estão	sufocadas	pelo	mato	rasteiro.
Na	 parte	 de	 trás	 da	 casa,	 um	 jirau	 com	 algumas	 panelas	 de	 barro	 jogadas	 a	 esmo,	 como	 à
espera	de	alguém	que	há	muito	tempo	nem	lembra	delas.	Mato	crescendo	desordenadamente
indica	o	abandono	da	velha	casa.”
O	autor	estava,	de	início,	em	frente	à	casa,	depois	foi	ao	lado	direito	descrevendo
o	que	ali	se	encontra,	seguindo	depois	para	o	lado	esquerdo	e	para	a	parte	de	trás.
Vê-se,	então,	que	o	autor	está	em	movimento,	como	se	estivesse	filmando	a	casa
que	está	parada.	É	uma	descrição	cinematográfica	estática.
A	descrição	pode	ser,	ainda,	objetiva	e	subjetiva.
•	Descrição	Objetiva
Mostra	 a	 realidade	 concreta,	 ou	 seja,	 como	 todo	 mundo	 vê.	 Não	 tem
intervenções	 e	 deve	 ser	 tal	 qual	 uma	 foto	 com	 os	 detalhes	 sendo
apresentados	 como	 o	 são	 na	 realidade.	 Tem	 como	 características:
linguagem	 denotativa	 e	 com	 função	 referencial;	 frases	 curtas	 em	 ordem
direta;	 substantivos	 concretos;	 adjetivos	 pospostos;	 captação	 exata	 de
imagens	 dimensionais;	 expressionismo;	 visão	 fria	 isenta	 e	 imparcial;
perspectiva	técnica,	científica,	geométrica	e	anatômica.
“Apenas	da	igreja	avistaram	o	cortejo,	o	sineiro,	que	já	estava	à	espreita,	pôs	em	obra	as	lições
mais	 complicadas	 do	 seu	 ofício,	 enquanto	 uma	 girândola,	 entremeada	 de	 alguns	 foguetes
soltos,	anunciava	às	nuvens	do	céu	que	o	imperador	do	Divino	era	chegado.	Na	igreja	houve
um	rebuliço	geral	apenas	se	anunciou	que	era	chegado	o	imperador.	Um	mestre-de-cerimônias
ativo	e	desempenado	ia	abrindo	alas,	com	grande	dificuldade,	porque	o	povo	ansioso	por	ver	a
figura	 do	 tenente-coronel	 aglomerava-se	 desordenadamente	 e	 desfazia	 a	 obra	 do	mestre-de-
cerimônias.	Afinal	aconteceu	o	que	sempre	acontece	nessas	ocasiões;	as	alas	foram-se	abrindo
por	si	mesmas,	e	ainda	com	algum	custo,	o	tenente-coronel	atravessou	a	multidão,	precedido	e
acompanhado	pela	irmandade	até	chegar	ao	trono	que	se	levantava	ao	lado	do	altar-mor.	Subiu
com	 firmeza	 os	 degraus,	 e	 sentou-se	 nele,	 tão	 orgulhoso	 como	 se	 governasse	 dali	 todos	 os
impérios	juntos	do	mundo.”
(Machado	de	Assis.	Histórias	da	meia-noite	–	A	Parasita	Azul,	p.	30)
O	autor	mostra-nos	a	realidade	da	chegada	do	Imperador	do	Divino,	na	festa	que
era	realizada	no	interior	de	Goiás,	no	início	do	século	passado.	Ele	apresenta	as
imagens	 em	 uma	 linguagem	 denotativa,	 com	 função	 referencial,	 captando-as
numa	visão	isenta	e	imparcial,	com	perspectiva	geométrica	e	anatômica.
•	Descrição	Subjetiva
Apresenta	 a	 opinião	 pessoal	 do	 autor	 com	 intervenção	 da	 imaginação.	 O
mundo	 é	 o	 do	 faz	 de	 conta	 com	 invenção	 da	 realidade,	 sonhos,	 desejos,
emoções	e	exageros.	Geralmente	é	feita	em	primeira	pessoa	(eu/nós).	Tem
como	 características:	 linguagem	 conotativa	 e	 função	 poética;	 frases
elaboradas;	substantivos	abstratos;	adjetivos	antepostos,	captação	imprecisa
de	 imagens	 vagas,	 diluídas;	 impressionismo;	 visão	 pessoal	 e	 parcial;
perspectiva	literária,	artística,	como	nesta	descrição	do	Carnaval	da	terceira
década	do	século	XX,	feita	por	Graça	Aranha:
“Maravilha	 de	 ruído,	 encantamento	 do	 barulho.	 Zé	 Pereira,	 bumba,	 bumba.	 Falsetes
azucrinam,	 zombeteiam.	 Viola	 chora	 e	 espinoteia.	 Melopeia	 negra,	 melosa,	 feiticeira,
candomblé.	Tudo	é	instrumento,	flautas,	violões,	reco-recos,	saxofones,	pandeiros,	liras,	gaitas
e	trombetas.	Instrumentos	sem	nome,	inventados	subitamente	no	delírio	da	improvisação,	do
ímpeto	musical.	Tudo	é	canto.	Os	sons	se	sacodem,	berram,	 lutam,	arrebentam	no	ar	sonoro
dos	 ventos,	 vaias,	 klaxons,	 aços	 estrepitosos.	 Dentro	 dos	 sons	 movem-se	 cores,	 vivas,
ardentes,	pulando,	dançando,	desfilando	sob	o	verde	das	árvores,	em	face	do	azul	da	baía	no
mundo	dourado.	Dentro	dos	sons	e	das	cores,	movem-se	os	cheiros,	cheiro	de	negro,	cheiro
mulato,	 cheiro	 branco,	 cheiro	 de	 todos	 os	 matizes,	 de	 todas	 as	 excitações	 e	 de	 todas	 as
náuseas.	 Dentro	 dos	 cheiros,	 o	 movimento	 dos	 tatos	 violentos,	 brutais,	 suaves,	 lúbricos,
meigos	 alucinantes.	 Tatos,	 sons,	 cores,	 cheiros	 se	 fundem	 em	 gostos	 de	 gengibre,	 de
mendubim,	 de	 castanhas,	 de	 bananas,	 de	 laranjas,	 de	 bocas	 e	 de	 mucosas.	 Libertação	 dos
sentidos	 envolventes	 das	 massas	 frenéticas,	 que	 maxixam,	 gritam,	 tresandam,	 deslumbram,
saboreiam,	de	Madureira	à	Gávea	na	unidade	do	prazer	desencadeado.”
(Graça	Aranha.	A	viagem	maravilhosa.	Apud	Maria	Antonieta	Cunha,	Ler	e	redigir,	p.	65)
O	 texto	 é	 uma	 descrição	 subjetiva	 do	 carnaval	 em	 que	 o	 autor	 revela	 um
envolvimento	 afetivo	 e	 emocional	 abordando	 aspectos	 de	 tempo	 numa
perspectiva	 de	 observador.	Note-se,	 porém,	 que	 essa	 observação	 não	 é	 apenas
dos	olhos,	pois	estão	envolvidos	nela	 todos	os	sentidos,	com	a	realidade	sendo
percebida	pela	audição	nos	nove	primeiros	períodos;	a	visão	no	período	dez;	o
olfato	no	período	onze;	o	tato	no	período	doze,	e	o	paladar	no	período	treze.	Há
figuras	 de	 estilo,	 como	 a	 onomatopeia;	 a	 enumeração	 gradativa,	 em	 que	 cada
palavra	 acentua	 ou	 abranda	 o	 sentido	 da	 anterior;	 e	 a	 sinestesia,	 com
interpenetração	de	planos	sensoriais	numa	linguagem	figurada,	expressando	uma
fusão	de	sensações	diferentes.
Depois	 que	 treinar	 bastante	 a	 descrição,	 por	 duas	 ou	mais	 semanas,	 comece	 a
treinar	a	narração.	Leia	atenciosamente	as	instruções	a	seguir	e,	da	mesma	forma
que	 fez	 com	a	descrição,	 comece	 a	 redigir	 narrações.	Faça-o	diariamente,	mas
sem	esquecer	a	descrição.
3.1.3.	Narração
É	 o	 relato	 de	 um	 ou	 mais	 fatos	 ou	 acontecimentos	 reais	 ou	 fictícios,	 em
sequência	 lógica,	 com	 inclusão	 de	 personagens	 e	 desenrolando-se	 na	 linha	 do
tempo,	um	após	outro.	Desse	modo,	há	seis	ingredientes	para	a	criação	de	um	ato
narrativo:	 personagem,	 ação,	 espaço,	 tempo	 em	 desenvolvimento	 (ou	 em
passagem),	 narrador	 e	 enredo	 (ou	 trama),	 tudo	 em	 uma	 atmosfera	 repleta	 de
elementos	circunstanciais.
Enquanto	a	descrição	é	estática,	a	narração	é	dinâmica,	com	a	predominância
de	verbos,	pois,	nela,	o	importante	é	a	ação,	o	que	aconteceu.
Assim,	em	uma	narração	haverá	sempre	o	desenrolar	de	um	fato:	é	a	ação;	a
presença	de	quem	participa	do	fato:	é	a	personagem;	o	 lugar	em	que	ocorre	o
fato:	 é	 o	 espaço;	 o	 momento	 em	 que	 acontece	 o	 fato:	 é	 o	 tempo	 em
desenvolvimento	ou	em	passagem;	alguém	que	conta	o	fato:	é	o	narrador	e	o
fato	em	si:	é	o	enredo	ou	trama.
Quando	se	redige	uma	narração	deve-se	ter	em	mente	uma	série	de	perguntas
a	partir	dos	seguintes	elementos:	1.	Quem?	–	são	as	personagens,	que	podem	ser
gente,	bicho,	coisa,	planta.
2.	Quando?	–	é	o	tempo,	a	velocidade	da	ação,	o	momento,	a	época	em	que	se
passam	os	fatos.	Divide-se	em:
•	Tempo	cronológico	–	sucessão	de	horas,	dias,	semanas,	meses,	anos.
•	Tempo	psicológico	–	sucessão	do	tempo	apenas	no	pensamento,	como	se
fora	uma	viagem	através	do	tempo	na	recordação	do	passado	(flashback)	ou
em	busca	do	futuro.	O	tempo	passa	por	meio	das	ações	das	personagens.
3.	O	Quê?	 –	 é	 o	 fato,	 o	 assunto,	 o	 episódio	 que	 gerou	 o	 enredo:	 um	 crime
passional,	uma	reunião,	uma	viagem,	um	encontro,	a	história	de	uma	pessoa,
tráfico	 de	 drogas,	 aliciamento	 de	menores,	 causas	 para	 um	divórcio,	 disputa
entre	herdeiros	etc.
4.	Como?	–	é	o	desenvolvimento	da	narrativa:	a	ação,	o	enredo,	a	trama	da	ação,
o	modo	como	se	desenvolvem	os	fatos.
5.	Onde?	–	é	o	local.	Se	o	espaço	é	interno	dá-se	o	nome	de	ambiente	interno;
se	é	um	espaço	restrito	do	lado	de	fora,	dá-se	o	nome	de	ambiente	externo;	se
trata	de	uma	visão	panorâmica,	chama-se	paisagem.
6.	Espaço	físico	–	é	o	local	concreto:	casas,	prédios,	lojas,	repartições,	cômodos,
paredes,	portas,	 janelas,	decoração,	objetos,	utensílios,	 roupas,	 ruas,	estradas,
vias,	praças,	parques,	rios,	lagos,	praias	etc.
7.	 Espaço	 psicológico	 –	 é	 a	 atmosfera	 sugeridadurante	 a	 ação:	 alegria,
tranquilidade,	 emoção,	 felicidade,	 surpresa,	 tristeza,	 terror,	 medo,	 agitação,
suspense.
8.	Por	quê?	–	é	a	causa,	a	razão,	o	motivo	de	ter	acontecido	determinado	fato.
9.	Por	isso	–	é	o	resultado,	a	consequência	dos	fatos.
Para	que	a	narração	seja	completa,	não	há	necessidade	absoluta	da	presença	de
todos	 esses	 elementos,	 mas	 sempre	 se	 deve	 permitir	 que	 o	 leitor	 tenha	 um
registro	da	cena.	Desse	modo,	o	narrador	pode	colocar	em	evidência	um	fato	em
detrimento	de	outros,	numa	tarefa	de	seleção	de	dados.
A	narração	tem	como	característica	básica	o	consummatum	est,	ou	seja,	o	fato
narrado	 já	 ocorreu,	 já	 foi	 consumado,	 por	 isso,	 os	 verbos	 são	 usados	 quase
sempre	 na	 forma	 do	pretérito	 perfeito	 do	 indicativo.	Quando	 se	 quer	 criar	 o
imaginário	ou	dar	sensação	de	fantasia,	usa-se	a	forma	do	pretérito	imperfeito
do	indicativo.
Observe-se	 esta	 narração	 de	 Manoel	 Bandeira	 em	 Poema	 tirado	 de	 uma
notícia	de	jornal:
“João	Gostoso	era	carregador	de	feira	livre	e	morava	no	morro	da	Babilônia	num	barracão	sem
número.
Uma	noite,	ele	chegou	no	Bar	Vinte	de	Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois	se	atirou	na	Lagoa	Rodrigo	de	Freitas	e	morreu	afogado.”
Tem-se,	então:
a)	Quem?	João	Gostoso.
b)	Quando?	Uma	noite.
c)	O	 quê?	 Chegou	 no	 bar,	 bebeu,	 cantou,	 dançou,	 depois	 se	 atirou	 na	 Lagoa
Rodrigo	de	Freitas.
d)	Por	isso	Morreu	afogado.
3.1.3.1.	Estrutura	da	narração
Uma	narração	estrutura-se	da	seguinte	forma:
a)	Exposição	–	é	a	apresentação	do	tema	ou	assunto.
b)	Complicação	 –	 é	 o	 desenrolar	 dos	 acontecimentos,	 as	 situações,	 o	 conflito
entre	pessoas	e	a	ação	desenvolvida	pelas	personagens.
c)	Clímax	–	é	o	suspense	da	narrativa,	o	ponto	culminante	da	história,	o	auge	do
conflito.
d)	Desfecho	–	é	um	comentário	ou	generalização,	uma	apreciação,	o	 resultado
do	conflito.
Tudo	isso	se	encontra	presente	no	texto	de	Manoel	Bandeira.
a)	Exposição:	“João	Gostoso	era	carregador	de	feira	livre	e	morava	no	morro	da
Babilônia	num	barracão	sem	número.”
b)	Complicação:	 “Uma	 noite	 ele	 chegou	 no	 bar	 Vinte	 de	 Novembro.	 Bebeu.
Cantou.	Dançou.”
c)	Clímax:	“Depois	se	atirou	na	Lagoa	Rodrigo	de	Freitas.”
d)	Desfecho:	“…	e	morreu	afogado.”
3.1.3.2.	O	narrador
Quando	 se	 tem	 uma	 narração,	 pressupõe-se	 alguém	 que	 conte	 um	 fato	 e	 que
pode	ou	não	participar	dele.	Esse	alguém	é	o	narrador.	Ele	poderá	ter	um	ponto
de	vista	 interno	ou	externo,	pode	ser	onisciente	ou	onipresente,	ou	será,	ainda,
personagem	ou	participante.
a)	narrador	observador	ou	externo:
É	aquele	que	conta	o	fato	utilizando	a	terceira	pessoa	(ele	ela	você	eles	elas	/
vocês)	 e	 mostra	 apenas	 o	 que	 conhece	 do	 ocorrido,	 não	 participa	 dos
acontecimentos.	 Quando	 o	 ponto	 de	 vista	 é	 externo,	 tem-se	 a	 narração
objetiva	 que	 se	 limita	 a	 contar	 os	 fatos	 sem	 deixar	 que	 os	 sentimentos
transpareçam	no	decorrer	da	narrativa.
Exemplo:
“Cair,	 cair	mesmo,	Roma	 nunca	 caiu.	Não	 culturalmente:	 este	 texto	 está	 em	 português,	 um
dialeto	do	latim,	língua	que	chegou	à	península	ibérica	por	causa	dos	romanos.	Mais:	este	é	o
mês	da	 deusa	 Juno	 (junho),	 a	 rainha	das	 divindades	 deles.	E	depois	 vêm	os	meses	 de	 Júlio
César	(julho)	e	o	de	seu	sobrinho	neto,	Augusto	(agosto)	–	imperador	que	roubou	um	dia	de
fevereiro	para	que	seu	mês	ficasse	tão	longo	quanto	o	do	tio.	Até	o	nosso	dinheiro	tem	algo	de
Roma.	Os	primeiros	planos	econômicos	que	substituíram	uma	moeda	desvalorizada	por	uma
nova	 aconteceram	 lá.	 No	 ano	 de	 312,	 trocaram	 o	 áureo	 pelo	 sólido.	 Cada	 275	 mil	 áureos
viraram	1	sólido.	Em	1994,	cada	2.750	cruzeiros	viraram	1	real.”
(Superinteressante,	ed.	279,	junho	2010,	p.	50)
b)	narrador	onisciente	ou	onipresente:
O	ponto	de	vista	é	interno.	O	narrador	não	apenas	conhece	os	fatos,	como	tem
a	 capacidade	 de	 enxergar	 o	 que	 se	 passa	 na	mente	 da	 personagem,	 em	 seu
espaço	 interno,	 íntimo,	 psicológico	 ou	 sentimental.	 É	 como	 se	 ela	 estivesse
dialogando	consigo	mesma.	Às	vezes	 é	um	 suspiro,	 um	pensamento	 em	voz
alta,	 uma	 reflexão,	 um	 xingamento.	 O	 narrador	 não	 fica	 apenas	 no	 que	 ele
conhece	dos	fatos.	Ele	é	onisciente	ou	onipresente.
Um	 belo	 exemplo	 está	 no	 excerto	 de	 Graciliano	 Ramos,	 em	 Vidas	 Secas,
quando	 ele	 penetra	 o	 pensamento	 da	 personagem	 no	 trecho	 “O	 soldado
amarelo”.	O	narrador	inicia	contando	o	fato	e,	a	seguir,	penetra	no	pensamento
da	personagem.	É	como	se	fora	um	solilóquio:
“(…)	chegou	a	mão	esquerda,	grossa	e	cabeluda,	à	cara	do	polícia,	que	recuou	e	se	encostou	a
uma	catingueira.	Se	não	fosse	a	catingueira,	o	infeliz	teria	caído.	Fabiano	pregou	nele	os	olhos
ensanguentados,	meteu	o	facão	na	bainha.	Podia	matá-lo	com	as	unhas.	Lembrou-se	da	surra
que	levara	e	da	noite	passada	na	cadeia.	Sim,	senhor.	Aquilo	ganhava	dinheiro	para	maltratar
as	criaturas	inofensivas.	Estava	certo?	O	rosto	de	Fabiano	contraía-se,	medonho,	mais	feio	que
um	 focinho.	Hem?	Estava	 certo?	Bulir	 com	 as	 pessoas	 que	 não	 fazem	mal	 a	 ninguém.	 Por
quê?	 Sufocava-se,	 as	 rugas	 da	 testa	 aprofundavam-se,	 os	 pequenos	 olhos	 azuis	 abriam-se
demais,	numa	interrogação	dolorosa.	O	soldado	encolhia-se,	escondia-se	por	detrás	da	árvore.”
(Graciliano	Ramos	–	Vidas	Secas,	p.	101)
O	narrador	enxerga	o	que	passa	na	mente	de	Fabiano	nos	trechos:	“Podia	matá-
lo	 com	 as	 unhas”	 e	 “Sim,	 senhor.	 Aquilo	 ganhava	 dinheiro	 para	 maltratar	 as
criaturas	 inofensivas.	 Estava	 certo?”	 E	 novamente	 penetra	 no	 pensamento	 de
Fabiano	ao	dizer:	“Hem?	Estava	certo?	Bulir	com	as	pessoas	que	não	fazem	mal
a	 ninguém.	 Por	 quê?”	 Essa	 forma	 de	mostrar	 o	 pensamento	 da	 personagem	 é
típica	do	narrador	onisciente.
c)	narrador	personagem:
O	 ponto	 de	 vista	 é	 interno.	 O	 narrador	 participa	 dos	 fatos	 como	 uma	 das
personagens	e	conta	em	primeira	pessoa.
Exemplo:
“Uma	coisa	que	sempre	me	comoveu	(e	 intrigou)	é	a	alegria	da	 rapaziada	da	coleta	de	 lixo.
Dia	sim,	dia	não,	o	caminhão	da	SLU	desce	a	minha	rua	e	eles	fazem	aquela	algazarra.	Quase
sempre	 estão	 brincando,	 tirando	 sarro	 uns	 com	 os	 outros,	 sorridentes	 e	 solícitos	 com	 os
moradores.	Mesmo	na	pressa	de	apanhar	os	sacos	de	lixo,	encontram	tempo	para	gritar	“bom-
dia,	patrão”	ou	para	comentar	a	vitória	do	Galo,	a	derrota	do	Cruzeiro	ou	vice-versa.”
(Jorge	 Fernandes	 dos	 Santos.	 Disponível	 em
HTTP://umacoiosaeoutra.com.br/cultura/jorge.htm>	Acesso	em	10	dez.	2009)
Quando	o	ponto	de	vista	é	 interno	 (casos	do	narrador	onisciente	e	do	narrador
personagem)	 tem-se	 a	 narração	 subjetiva	 em	 que	 os	 fatos	 são	 apresentados
levando-se	em	conta	as	emoções,	os	sentimentos	envolvidos	na	história.	Nota-se
claramente	 a	 posição	 sensível	 e	 emocional	 do	 narrador,	 ao	 relatar	 os
acontecimentos.	O	fato	não	é	narrado	de	modo	frio	e	impessoal,	mas	de	maneira
pessoal,	 dando	 destaque	 aos	 efeitos	 psicológicos	 (alegria,	 agitação,	 ânsia,
ternura,	desprezo	etc.)	que	os	acontecimentos	desencadeiam	nas	personagens.
3.1.3.3.	O	discurso
As	personagens	falam,	e	a	fala	das	personagens	é	conhecida	como	discurso,	que
pode	ser	direto,	indireto	e	indireto	livre.
•	Discurso	Direto
http://umacoiosaeoutra.com.br/cultura/jorge.htm
É	 quando	 o	 narrador	 transcreve	 a	 fala	 da	 personagem	 tal	 qual	 ela	 falou.
Tem	as	seguintes	características:
a)	 quase	 sempre	 apresenta	 verbos	 de	 elocução,	 também	 chamados	 verbos
dicendi	como	falar,	perguntar,	dizer,	indagar,	replicar,	argumentar,	inquirir,
responder,	retrucar,	afirmar	etc.
b)	 quando	 não	 apresenta	 esses	 verbos,	 tem	 recursos	 de	 pontuação	 (dois-
pontos,	mudança	de	linha,	travessão,	aspas).
Exemplo	com	verbo	de	elocução	ou	dicendi:
“Um	mineiro	estava	acocorado	à	beira	da	estrada,	enrolando	o	cigarrinho	de	palha,	quando	um
sujeito	parou	o	carro	e	indagou:
–	Escuta:	esta	estrada	vai	para	Belo	Horizonte?
Ao	que	o	mineiro	respondeu:
–	Moço,	se	vai	eu	num	sei,	mas	se	fô	vai	fazê	uma	farta!…”
Observe	que	antes	das	duas	falashouve	verbos	de	elocução	ou	dicendi	(indagar	e
responder)	que	sublinhamos	no	trecho.
Exemplo	 sem	 verbo	 dicendi	 tirado	 de	 um	 texto	 do	 escritor	 Paulo	 Mendes
Campos:
“Era	uma	vez	um	menino	triste,	magro,	barrigudinho,	do	sertão	de	Pernambuco.	Por	volta	da
soalheira	do	meio-dia,	ele	estava	sentado	na	poeira	do	caminho,	imaginando	bobagem,	quando
passou	um	gordo	vigário	a	cavalo:
–	Você	aí,	menino,	para	onde	vai	essa	estrada?
–	Ela	num	vai	não,	nóis	é	que	vamo	nela.
–	Metido	a	engraçadinho,	hein?	Como	você	se	chama?
–	Eu	num	me	chamo	não;	os	outros	é	que	me	chamam	de	Zé.”
No	texto,	não	houve	verbos	de	elocução	(ou	dicendi),	mas	apenas	os	dois	pontos
antes	da	primeira	fala	do	vigário.
•	Discurso	Indireto
Apresenta	as	seguintes	características:
a)	O	narrador	é	quem	informa	a	“fala”	da	personagem.
b)	 A	 “fala”	 é	 realizada	 em	 uma	 oração	 subordinada	 substantiva	 objetiva
direta.
c)	 O	 verbo	 dicendi	 é	 obrigatório	 (será	 a	 oração	 principal	 da	 subordinada
substantiva).
d)	Geralmente	a	oração	subordinada	está	na	terceira	pessoa.
Exemplo:
“Ele	afirmou	que	se	não	fosse	o	número	dois,	o	amor	não	existiria.	Acrescentou	que	o	amor
surge	porque	há	dois	indivíduos	e	quer	deles	fazer	um.”
•	Discurso	Indireto	livre
Apresenta	as	seguintes	características:
a)	O	narrador	é	onisciente.
b)	 Não	 terá	 verbo	 dicendi,	 dois-pontos,	 mudança	 de	 linha,	 travessão	 ou
aspas.
c)	O	narrador	apresenta	o	pensamento	da	personagem	em	períodos	 livres,
sem	qualquer	elo	subordinativo.
Exemplo	(sublinhamos	o	discurso	indireto	livre):
“Foi	 à	 sala,	 passou	por	 baixo	do	punho	da	 rede	onde	Fabiano	 roncava	 (…).	O	 chocalho	da
vaca	laranja	tilintou	para	os	lados	do	rio.	Fabiano	era	capaz	de	se	ter	esquecido	de	curar	a	vaca
laranja.	Quis	acordá-lo	e	perguntar,	mas	distraiu-se	olhando	os	xiquexiques	e	os	mandacarus
que	avultavam	na	campina.”
(Graciliano	Ramos,	Vidas	Secas,	p.	41)
3.1.3.4.	Transposição	dos	discursos
O	discurso	direto	pode	ser	 transformado	em	discurso	 indireto,	e	o	 indireto,	em
direto.	 Para	 tanto,	 é	 necessário	 que	 se	 façam	 modificações	 nos	 verbos	 e	 nos
pronomes,	como	se	verifica	a	 seguir:	a)	discurso	direto:	verbo	no	presente	do
indicativo:
“Não	gosto	de	romances”,	disse	Rosânia.
discurso	indireto:	verbo	no	pretérito	imperfeito	do	indicativo:
Rosânia	disse	que	não	gostava	de	romances.
b)	discurso	direto:	verbo	no	pretérito	perfeito	do	indicativo:
Ivone	afirmou:	“Afastei	as	más	lembranças.”
discurso	 indireto:	 verbo	 no	 pretérito	 mais-que-perfeito	 simples	 ou
composto:
Ivone	afirmou	que	afastara	(ou	tinha/havia	afastado)	as	más	lembranças.
c)	discurso	direto:	verbo	no	futuro	do	presente:
Andrey	indagou:	“Sairemos	juntos	amanhã?”
discurso	indireto:	verbo	no	futuro	do	pretérito:
Andrey	indagou	se	sairíamos	juntos	amanhã.
d)	discurso	direto:	verbo	no	imperativo,	no	presente	do	subjuntivo	ou	no	futuro
do	subjuntivo:
Zarli	alertou:	“Preparem-se,	pois	o	concurso	vem	aí!”
Jeane	sempre	repetia:	“Espero	que	ele	passe,	pois	estuda	bastante.”
Phelipe	replicou:	“Se	eu	passar	será	maravilhoso!”.
discurso	indireto:	verbo	no	pretérito	imperfeito	do	subjuntivo:
Zarli	alertou	que	se	preparassem.
Jeane	sempre	repetia	que	esperava	que	ele	passasse.
Phelipe	replicou	que	se	passasse	seria	maravilhoso!
e)	discurso	direto:	primeira	ou	segunda	pessoa:
Eliana	reiterou:	“Não	quero	sair	hoje	com	o	Gervinho.”
discurso	indireto:	pronomes	na	terceira	pessoa:
Eliana	reiterou	que	não	queria	sair	naquele	dia	com	o	Gervinho.
f)	discurso	direto:	pronomes	demonstrativos	este	ou	esse:
Elisângela	pegou	a	laranja	e	disse:	“Esta	é	a	mais	doce.”
discurso	indireto:
Elisângela	pegou	a	laranja	e	disse	que	aquela	era	a	mais	doce.
g)	discurso	direto:	forma	interrogativa:
Larissa	abriu	o	estojo,	contou	os	lápis	e	perguntou:	Cadê	o	amarelo?
discurso	indireto:	forma	declarativa:
Larissa	abriu	o	estojo,	contou	os	lápis	e	perguntou	pelo	amarelo.
h)	discurso	direto:	vocativo.
Você	quer	café,	Rosânia?,	perguntou	Rosemary.
discurso	indireto:	objeto	indireto	na	oração	principal:
Rosemary	perguntou	a	Rosânia	se	ela	queria	café.
RESUMINDO
A	narração	compreende:
1)	Tempo
a)	cronológico	(tempo	real)
b)	psicológico	(tempo	mental)
2)	Espaço
Lugar	em	que	se	desenrolam	as	ações:	cenário.
3)	Ação
Sucessão	de	fatos.
4)	Personagem(ns)
define(m)-se	física	e	psicologicamente	pela	descrição.
5)	Foco
a)	 de	 terceira	 pessoa:	 narrador	 onisciente	 (o	 que	 tudo	 sabe)	 e	 narrador
observador	(só	vê)
b)	de	primeira	pessoa:	narrador	personagem	(participa)
6)	Discurso
a)	direto	–	a	fala	da	personagem
b)	indireto	–	o	narrador	traduz	a	fala	da	personagem
c)	indireto	livre	–	fusão	da	fala	do	narrador	e	da	personagem
Leia	este	texto:
“A	 Incapacidade	de	Ser	Verdadeiro	Paulo	 tinha	 fama	de	 ser	mentiroso.	Um	dia,	 chegou	em
casa	 dizendo	 que	 vira	 no	 campo	 dois	 dragões	 da	 Independência	 cuspindo	 fogo	 e	 lendo
fotonovelas.
A	mãe	botou-o	de	castigo,	mas	na	semana	seguinte	ele	veio	contando	que	caíra	no	pátio	da
escola	um	pedaço	de	lua,	todo	cheio	de	buraquinhos,	feito	queijo,	ele	provou	e	tinha	gosto	de
queijo.	 Desta	 vez	 Paulo	 ficou	 sem	 sobremesa	 como	 foi	 proibido	 de	 jogar	 futebol	 durante
quinze	dias.
Quando	o	menino	voltou	falando	que	todas	as	borboletas	da	Terra	passaram	pela	chácara	de
Siá	Elpídia	e	queriam	formar	um	tapete	voador	para	transportá-lo	ao	sétimo	céu,	a	mãe	decidiu
levá-lo	ao	médico.	Após	o	exame,	Dr.	Epaminondas	abanou	a	cabeça:
–	Não	há	nada	a	fazer,	Dona	Coió.	Este	menino	é	mesmo	um	caso	de	poesia.”
(Carlos	Drummond	de	Andrade)
Veja,	 nesse	 texto,	 os	 elementos	 que	 compõem	 a	 narração:	 a)	 Descrição	 da
personagem:	“Paulo	tinha	fama	de	ser	mentiroso.”
b)	Tempo:	“Um	dia”	(L.	1)	e	“…na	semana	seguinte…”	(L.4).
c)	Espaço:	“…em	casa…”	(L.	1)
d)	Ação:	“A	mãe	botou-o	de	castigo…”	(L.	4),	“…ele	provou	e	 tinha	gosto	de
queijo.”	(L.	6)	“Quando	o	menino	voltou…”	(L.	8)	e	“…a	mãe	decidiu	levá-lo
ao	médico.”(L.	10)	e)	Discurso	 indireto:	“…dizendo	que	vira	no	campo	dois
dragões	 da	 independência	 cuspindo	 fogo	 e	 lendo	 fotonovelas.”(L.	 1-3);	 “…
contando	 que	 caíra	 na	 escola	 um	 pedaço	 de	 lua	 todo	 cheio	 de	 buraquinhos
feito	 queijo	 e	 ele	 provou	 e	 tinha	 gosto	 de	 queijo.”(L.	 4-6);	 “…falando	 que
todas	as	borboletas	da	Terra	passaram	pela	chácara	de	Siá	Elpídia	e	queriam
formar	um	tapete	voador	para	transportá-lo	ao	sétimo	céu…”	(L.	8-10).
f)	Discurso	direto:	“Não	há	nada	a	fazer,	Dona	Coió.	Este	menino	é	mesmo	um
caso	de	poesia.”	(L.	12-13).
Agora	que	você	entendeu	a	narração,	faça,	como	sugerimos,	diversas	redações
narrativas,	 da	mesma	 forma	 que	 fez	 com	 a	 descrição.	 Enquanto	 isso,	 estude	 e
procure	entender	a	dissertação,	matéria	na	qual	nos	demoraremos	mais,	tendo	em
vista	ser	esse	o	tipo	de	redação	mais	solicitado	em	provas	de	concursos.
3.1.4.	Dissertação
Dissertar	é	apresentar	considerações	com	respeito	a	um	 tema	abstrato,	um	fato
doutrinário,	 um	 assunto	 genérico,	 a	 fim	 de	 expor,	 explicar,	 explanar	 ou
interpretar	 ideias.	Em	resumo,	é	 tecer	 ideias	em	torno	de	um	assunto	qualquer,
esclarecendo	verdades	que	o	envolvem,	discutindo	sua	problemática,	defendendo
princípios	na	tomada	de	uma	posição.
É	o	que	fazemos	diariamente.	A	todo	instante	procuramos	justificativas	sobre
a	alta	dos	preços	nos	supermercados,	o	aumento	da	violência	urbana,	a	falta	de
transportes,	 o	mau	 atendimento	 hospitalar,	 a	 escola	 das	 crianças.	 Defendemos
nossos	pontos	de	vista	em	relação	à	liberdade	individual,	ao	futebol,	à	política,	à
religião,	e	nos	preocupamos	com	os	problemas	decorrentes	da	poluição,	com	a
maneira	de	educar	os	filhos	e	até	mesmo	com	o	sistema	de	governo.	Tudo	isso	é
dissertação.
Podemos,	pois,	dizer	que	dissertação	é	a	discussão	de	ideias,	organização	do
pensamento,	 raciocínio,	 defesa	 de	 pontos	 de	 vista,	 descoberta	 de	 soluções.	 É
refletir	sobre	nós	mesmos	e	sobre	o	mundo	que	nos	cerca	com	base	em	um	plano
de	 desenvolvimento,	 esclarecendo	 o	 tema,	 discutindo	 a	 sua	 problemática,
defendendo	 princípios,	 tomandoposições	 e	 traçando	 soluções.	 É	 o	 que	 se
observa	no	texto	a	seguir:
“Em	recente	levantamento,	a	Prefeitura	de	São	Paulo	contou	8.334	pessoas	vivendo	nas	ruas
da	cidade,	número	17,26%	maior	do	que	o	do	ano	passado	e	92,45%	maior	do	que	o	de	1991,
quando	a	pesquisa	foi	realizada	pela	primeira	vez.	São	homens,	mulheres	e	crianças	que,	sem
endereço	fixo,	sobrevivem	de	esmolas,	do	comércio	do	lixo	ou	mesmo	do	crime.
Essa	 realidade,	 que	 também	 contribui	 para	 a	 sensação	 de	 insegurança	 que	 atinge	 todos	 os
cidadãos,	 é	 consequência	 direta	 das	 injustiças	 de	 um	 sistema	 econômico	 que	 não	 consegue
sequer	 dar	 alguma	 proteção	 aos	 mais	 desfavorecidos.	 O	 morador	 de	 rua	 é	 a	 vítima	 mais
evidente	de	efeitos	que	tanto	as	crises	como	os	ajustes	econômicos	implicam.
O	 aumento	 do	 número	 de	 pessoas	 espalhadas	 por	 São	 Paulo,	 verificado	 nos	 últimos	 anos,
período	em	que	o	país	está	sob	os	efeitos	(os	bons,	mas	também	os	ruins)	do	pouco	aumento
da	taxa	SELIC,	mostra	que,	mesmo	no	caso	de	encaminhamentos	considerados	bem-sucedidos
na	 economia,	 há	 sempre	 um	 preço	 a	 pagar.	Mas,	 se	 desse	 custo	 é	 praticamente	 impossível
fugir,	não	é	necessariamente	impossível	diminuir	seus	efeitos	danosos.
Estabelecer	 um	programa	mais	 efetivo	de	 assistência	 a	 essas	pessoas	não	demanda	vultosos
recursos.	Certamente	o	problema	poderia	ser	resolvido	em	boa	parte	se	houvesse	empenho	do
poder	 público.	 Há	 custos	 sociais	 espalhados	 por	 capitais	 de	 todo	 o	 país.	 Amenizá-los	 não
chega	a	ser	uma	tarefa	árdua,	mas	necessitada	de	vontade	política.”
(Folha	de	São	Paulo	“Editorial”,	15/10/2009)
O	 autor	 aborda	 o	 tema	 dos	 sem-teto	 da	 cidade	 de	 São	 Paulo,	 que	 vêm
aumentando	a	cada	ano.	No	primeiro	parágrafo,	ele	traz	o	assunto,	esclarecendo-
o	e,	nos	dois	parágrafos	centrais,	discute	a	realidade	dos	sem-teto,	o	porquê	do
seu	aumento	e	o	problema	causado.	No	último	parágrafo,	 toma	uma	posição	e
aponta	soluções	que	podem	resolver	o	problema.
3.1.4.1.	Tipos	de	dissertação
	
•	Expositiva
Apresenta	ou	explica	as	ideias	sem	ter	a	preocupação	de	convencer	o	leitor.
Não	 há	 intenção	 de	 debater	 o	 assunto,	 nem	 de	 polemizar,	 ou,	 ainda,	 de
contestar	posições	diferentes	das	nossas,	como	se	vê	a	seguir:
“A	demanda	doméstica	depende	de	vários	fatores,	e	da	perspectiva	do	seu	aumento	depende	a
produção	industrial.	É	normal,	então,	dar	atenção	especial	ao	nível	do	emprego	e	à	evolução
da	massa	salarial	 real,	 sem	deixar	de	acompanhar	as	 receitas	e	despesas	do	governo	federal.
Enquanto	 a	 ligeira	 retomada	 da	 economia	 norte-americana	 é	 acompanhada	 por	 aumento	 do
desemprego,	no	Brasil	o	quadro	é	diferente.	Os	dados	de	julho,	nas	seis	principais	regiões	do
País,	mostram	redução	do	desemprego	de	8,1%	para	8%,	o	que	significa	a	geração	de	185	mil
postos	 de	 trabalho.	 Essa	 taxa	 de	 desemprego,	 em	 julho,	 é	 a	 menor	 da	 série	 desde	 2002.
Paralelamente,	houve	melhora	na	qualidade	do	emprego,	e	142	mil	postos	foram	criados	com
carteira	de	trabalho	assinada.”
(O	Estado	de	S.	Paulo.	“Editorial”.	21/8/2009)
•	Argumentativa
Tenta	convencer	o	 leitor	de	que	a	 razão	está	do	 lado	de	quem	escreveu	o
texto.	 O	 autor	 é	 o	 dono	 da	 razão	 e,	 para	 provar	 tal	 fato,	 lança	 mão	 de
raciocínio	lógico,	coerente	e	com	base	em	evidência	de	provas.
Exemplo:
“O	 sistema	 atual	 de	 remuneração	 de	 professores	 opera	 na	 direção	 contrária	 da	 lógica	 de
mercado	–	o	tal	do	mercado	que	aos	poucos	vai	se	impondo	como	parte	da	realidade,	exceto
aos	mais	radicais.	A	lógica	que	prevalece	é	a	seguinte:	o	salário	inicial	é	baixo;	salário	inicial
baixo	 atrai	 alunos	menos	 preparados	 para	 carreiras	 de	magistério;	 alunos	menos	 preparados
têm	pior	desempenho;	os	professores	recrutados	dentro	desse	grupo	ou	não	são	submetidos	ou
não	alcançam	níveis	adequados	em	testes	que	medem	as	competências	requeridas;	os	estágios
probatórios	 são	 meros	 rituais	 burocráticos.	 E,	 para	 completar,	 o	 sistema	 de	 carreira	 de
magistério	 fornecido	 pelos	 governos	 e	 pressionado	 pelas	 corporações	 é	 perverso,	 incentiva
maior	remuneração	para	variáveis	e	atributos	formais	que	não	guardam	qualquer	relação	com
desempenho	decente,	 tais	como	tempo	de	serviço	e	frequência	a	cursos	adicionais.	O	diretor
da	escola	pública	não	dispõe	de	instrumentos	para	administrar	seu	pessoal.	Resultado:	salários
iniciais	baixos	geram	um	mercado	de	professores	formados	pelos	alunos	de	pior	desempenho
acadêmico	–	um	mercado	de	limões.”
(Araujo	e	Oliveira.	Jornal	do	Brasil.	3/6/2003,	p.A-14)
Tanto	 na	 dissertação	 expositiva	 como	 na	 dissertação	 argumentativa,	 é
necessário	 que	 se	 tenha	 domínio	 do	 assunto,	 cultura	 apreciável	 e	 sobretudo
domínio	 das	 estruturas	 sintáticas	 mais	 elaboradas	 e	 do	 período	 composto	 por
subordinação.	 Um	 material	 excelente	 são	 as	 orações	 reduzidas	 de	 infinitivo,
particípio	e	gerúndio.
Quanto	 ao	 ponto	 de	 vista	 do	 autor,	 têm-se	 dois	 tipos	 de	 dissertação:
I.	Dissertação	Subjetiva	–	o	autor	se	deixa	envolver	ao	expressar	as	suas	ideias.
Usa	verbos	na	primeira	pessoa,	num	texto	em	que	predomina	a	função	emotiva,
mostrando	as	opiniões	do	eu	falante.
Exemplo:
“A	única	conclusão	a	que	posso	chegar	é	que,	de	todos	os	problemas	brasileiros,	o	que	mais
sobressai	 em	 importância	 e	 gravidade	 é	 o	 da	 educação.	 Todos	 os	 outros,	 até	 mesmo	 os
problemas	econômicos	e	sociais,	não	podem	ser	comparados	ao	problema	educacional,	quando
se	 fala	 em	 qualquer	 hipótese	 de	 reconstrução	 nacional.	 Assim,	 entendo	 que,	 se	 o
desenvolvimento	do	sistema	cultural	do	país	depende	de	suas	condições	econômicas,	não	há
dúvida	de	que	é	impossível	desenvolver	qualquer	tipo	de	força	econômica	ou	de	produção	sem
o	preparo	intensivo	dos	seus	operadores.”
(Senador	Cristóvão	Buarque	/	entrevista	ao	Correio	Braziliense)
II.	Dissertação	 Objetiva	 –	 O	 autor	 usa	 verbos	 na	 terceira	 pessoa	 e	 defende
conceitos	 de	 conhecimento	 de	 todos,	 conceitos	 universais	 ou	 que	 já	 foram
expressos	 em	outros	 textos.	 É	 o	 tipo	 de	 dissertação	 solicitado	 em	provas	 de
concursos.
Exemplo:
“A	juventude	de	hoje	vive	um	processo	 inusitado	na	história:	 tem	saudades	daquilo	que	não
conheceu	nem	viveu,	mas	sabe	ao	certo	como	foi	e	curte.	Por	quê?	Porque	vive	um	quotidiano
de	 grande	mutação	 que	 a	 nada	 fixa,	 consolida	 ou	 solidifica.	 Tudo	 é	 provisório,	 do	 bem	 de
consumo	à	moradia	e	ao	casamento.	Uma	certa	necessidade	de	solidez,	pelo	menos	no	que	é
básico	da	vida,	é	importante	para	o	jovem.	Protege-o.	E	aquilo	que	permaneceu	a	respeito	de
mudanças	 é	 algo	 sólido,	 feito	 de	um	material	 que	 aplaca	no	 jovem	o	medo	 inconsciente	 ou
consciente	da	transitoriedade	e	provisoriedade	que	o	cercam.”
(Artur	da	Távola.	Disponível	em	<http://www.jornalhorah.com.br/coluna/artur1.htm>	Acesso
em	28	dez.	2004)
3.1.5.	A	redação	bem	escrita
Você	já	sabe	o	que	é	a	tipologia	textual.	Mas,	antes	de	escrever,	há	ainda	muita
coisa	 para	 seu	 conhecimento.	 Uma	 delas:	 a	 maioria	 dos	 candidatos	 tem	 a
impressão	 de	 que	 uma	 boa	 redação	 se	 define	 pela	 correção	 da	 linguagem.	De
fato,	escrever	com	correção,	sobretudo	um	texto	dissertativo,	é	importante,	mas
não	suficiente.	Para	comprovar	isso,	basta	confrontar	os	três	enunciados	a	seguir,
igualmente	corretos,	com	o	mesmo	sentido	e	perceber	que	um	é	francamente	o
melhor.
1.	Todo	mundo	já	viu	pessoas	que	defendem	certos	direitos	que	são	justos,	mas
que,	na	hora	de	defendê-los,	não	têm	bons	argumentos	e	aí	mais	prejudicam	do
que	ajudam.	Exemplo	disso	são	os	ecologistas.
2.	Há	pessoas	comprometidas	com	causas	justas,	mas,	por	não	saberem	defendê-
las,	causam	mais	prejuízo	do	que	benefício.	É	o	que	ocorre	com	o	problema	da
Ecologia.
3.	Nada	pior	para	uma	boa	causa	do	que	maus	defensores:	é	o	que	acontece	com
a	Ecologia.
Fica	evidente	que	o	terceiro	texto	é	muito	mais	bem	redigido	e	merece	melhor
nota	 do	 que	 os	 dois	 anteriores.	 O	 primeiro	 é	 o	 pior	 deles;	 o	 segundo,menos
ruim,	e	o	 terceiro	é	melhor.	Por	quê?	Os	 três	 são	corretos	gramaticalmente,	os
três	 falam	 do	 mesmo	 assunto,	 mas	 o	 terceiro	 supera	 os	 outros	 em	 precisão,
clareza	 e	 simplicidade.	É	 isso	 que	o	 examinador	 vai	 olhar	 inicialmente.	E	não
adianta	pedir	recurso.
Bom	 texto	 é	 o	 que	 atinge	 o	 resultado	 programado.	 Com	 base	 nisso	 é	mais
funcional	 trocar	 o	 conceito	 de	 “correção”	 pelo	 de	 “direcionalidade”.	 Desse
modo,	pode-se	afirmar	que	bom	escritor	não	é	o	que	escreve	correto,	mas	o	que
sabe	 escolher	 para	 o	 seu	 texto	 a	 direcionalidade	 que	 pode	 ser	 chamada	 de
http://www.jornalhorah.com.br/coluna/artur1.htm
orientação	argumentativa.	É	a	competência	de	controlar	o	texto	e	orientá-lo	para
o	 rumo	que	 se	 quer	 dar	 a	 ele.	Mais	 do	 que	 a	 simples	 posse	 do	 conhecimento,
uma	redação	de	concurso	procura	avaliar	se	o	candidato	está	envolvido	com	os
problemas	 do	 mundo	 em	 que	 vive,	 se	 tem	 sensibilidade	 social,	 preocupação
ética,	 hábito	 de	 reflexão,	 capacidade	 de	 usar	 os	 conhecimentos	 adquiridos	 em
favor	 da	 coletividade,	 se	 sabe	 usar	 a	 linguagem	 para	 fazer-se	 entender	 e	 para
ouvir	 as	 razões	 do	 outro.	 O	 candidato	 deve	 preocupar-se	 em	 revelar	 essas
qualidades	por	meio	de	uma	redação	bem	escrita.
3.1.6.	Exercícios
	
1.	Exercício	de	descrição:
Agora	que	você	obteve	uma	visão	geral	de	descrição,	narração	e	dissertação,
procure,	inicialmente,	treinar	a	descrição.	Faça	isso	diariamente	durante,	pelo
menos,	uma	semana.	Por	exemplo:
1.	Faça	a	descrição	da	sala	de	sua	casa.
2.	Descreva	uma	pessoa	amiga.
3.	Procure	descrever	uma	praça	ou	uma	rua.
4.	Conte	como	é	o	fogão	de	sua	casa	ou	a	geladeira.
5.	Descreva	uma	paisagem	da	qual	não	esqueceu.
6.	Conte	como	é	o	jardim	que	você	gostaria	de	ter.
Essas	 são	apenas	sugestões.	Faça,	de	qualquer	modo,	uma	descrição	por	dia	e,
depois,	 apresente-a	 a	 uma	 pessoa	 amiga	 ou,	 se	 tiver	 oportunidade,	 a	 um
professor	de	redação	e	peça	opinião.	Procure	saber	se	você	conseguiu	fotografar,
colocar	 na	 mente	 do	 leitor,	 a	 sala,	 a	 pessoa,	 a	 praça,	 o	 fogão,	 a	 paisagem,	 o
jardim.
Em	 seu	 treinamento,	 você	 escreverá	 várias	 descrições,	 uma	 por	 dia.	Releia	 no
dia	 seguinte	 o	 que	 escreveu	 e	 corrija	 os	 erros	 notados.	 Não	 esqueça:	 só	 se
aprende	 a	 escrever	 escrevendo.	 Procure	 reescrever	 suas	 descrições.	 Lembre-se
de	 que	 é	 necessário	 ter	 disciplina	 e	 força	 de	 vontade.	 Não	 desanime.	 Vá	 em
frente,	 mesmo	 que	 os	 primeiros	 trabalhos	 não	 pareçam	 bons.	 É	 assim	 que	 se
começa.
2.	Exercício	de	narração:
Observe	o	texto	de	Ziraldo:
O	Cacique	estava	indo	de	trem	para	a	cidade	para	assinar	um	Tratado	de	Paz
com	o	branco.	 Ia	 ele	e	o	ajudante	de	ordens	do	 lado.	De	 repente,	o	Cacique
vira-se	para	o	ajudante	de	ordens	e	diz:
–	Ajudante	Pomba	Roxa,	Cacique	Touro	Sentado	tem	sede.	Buscar	água.
Pomba	Roxa	pegou	o	copo,	foi	ao	toalete	do	vagão,	voltou	com	o	copo	cheio
d’água.	Cacique	Bebeu.	Mais	meia	hora,	olha	o	Cacique	de	novo:
–	Ter	sede.
Pomba	 Roxa	 levanta,	 vai	 ao	 reservado,	 volta	 com	 o	 copo	 cheio.	Meia	 hora
depois,	mais	sede.	Pomba	Roxa	vai	lá,	volta	com	água.
Lá	pela	sétima	vez,	Pomba	Roxa	volta	do	toalete	com	o	copo	vazio.
–	Que	aconteceu?	–	perguntou	Touro	Sentado.	–	Água	acabou?
–	Não	–	respondeu	Pomba	Roxa	–	tem	branco	sentado	no	poço!
Agora	responda	(gabarito	comentado	no	final	do	livro):	1.	O	que	faz	deste
um	texto	narrativo?
2.	Retire	expressões	que	indiquem	noções	de	espaço.
3.	Aponte	as	expressões	que	indicam	tempo.
4.	Reescreva	os	verbos	de	elocução	(ou	verbos	dicendi)	que	aparecem	no	texto.
5.	Passe	os	discursos	diretos	para	discursos	indiretos.
a)	 “–	 Ajudante	 Pomba	 Roxa,	 Cacique	 Touro	 Sentado	 tem	 sede.	 Buscar
água”.
b)	“–	Que	aconteceu?	–	perguntou	Touro	Sentado.	–	Água	acabou?”
c)	“–	Não	–	respondeu	Pomba	Roxa	–	tem	branco	sentado	no	poço.”
Gabarito	comentado	no	final	do	livro.
Se	você	já	fez	as	descrições	solicitadas	e	procurou	aprimorá-las,	passe	para	a
narração.	Será	mais	uma	semana	de	trabalho	diário.
1	–	Conte	um	encontro	que	teve	com	um(a)	amigo(a).
2	–	Narre	sua	ida	para	o	trabalho	ou	para	o	curso.
3	–	Diga	o	que	aconteceu	com	você	hoje	pela	manhã.
4	–	Procure	contar	um	acidente	ou	um	fato	que	você	viu	na	TV.
5	–	Ponha	a	imaginação	para	funcionar	e	conte	uma	história	qualquer.
Da	mesma	forma	que	fez	com	a	descrição,	procure	escrever	várias	narrações,
uma	por	dia,	mostre-as	para	outras	pessoas	e	peça	opinião.	Dependendo	do	que
lhe	 disserem,	 procure	 reescrevê-las	 e	 aperfeiçoá-las.	 Se	 houver	 oportunidade,
mostre-as	a	um	professor	de	redação.
Mas	não	fique	preso	às	sugestões	aqui	apresentadas	para	descrição	e	narração.
Solte	 a	 sua	 mente.	 Aproveite	 a	 sua	 criatividade.	 Procure	 outros	 assuntos	 e
aprimore-se	nesses	dois	tipos	de	textos.
Seria	agora	a	vez	da	dissertação	que,	como	afirmamos	anteriormente,	é	o	tipo
de	 redação	mais	 exigido	 em	 provas	 de	 concurso.	 Porém,	 antes	 de	 estudarmos
como	se	redige	uma	dissertação,	vamos,	passo	a	passo,	descobrir	seus	segredos,
começando	pela	paráfrase.
	
Capítulo	4
A	Paráfrase
	
Deve-se	pensar	antes	de	escrever,	pois	tudo	o	que	concebemos	bem	enunciamos	com	clareza
e,	assim,	as	palavras	chegam	facilmente.
Nicolas	Boileau,	escritor	francês	(1636-1711)
4.1.	PARÁFRASE
No	capítulo	anterior,	vimos	o	que	é	uma	dissertação	e	tivemos	alguns	exemplos
desse	tipo	de	redação.	Agora	vejamos	o	que	é	a	paráfrase,	uma	maneira	simples
e	 fácil	 de	 se	 começar	 a	 escrever	 dissertações.	Depois,	 nos	 próximos	 capítulos,
detalharemos	 a	 dissertação,	 começando	 pelo	 parágrafo,	 os	 diversos	 tipos	 de
parágrafos,	o	planejamento	de	uma	dissertação	e	a	redação	propriamente	dita,	e
mostraremos	 a	 técnica	 do	 planejamento	 de	 um	 texto,	 para,	 depois	 de	 vários	 e
vários	exercícios,	aplicar	no	dia	do	concurso.
A	paráfrase	é	a	forma	de	reprodução	de	um	texto	em	que	se	pretende	mostrar
o	sentido	captado,	 recontando-o	com	palavras	diferentes	das	usadas	pelo	autor.
Ou	seja:	lê-se	um	texto	e	tenta-se	reescrevê-lo.
Assim,	 faz-se	 uma	 paráfrase	 quando	 se	 diz,	 de	maneira	 clara,	 em	 um	 novo
texto,	 o	 que	 está	 implícito	 em	 um	 primeiro	 texto,	 mas	 sem	 comentários
marginais,	 sem	 nada	 a	 acrescentar	 e	 sem	 nada	 a	 omitir	 do	 que	 seja	 essencial,
usando	torneios	de	frase,	com	outras	palavras,	numa	nova	versão	sucinta	e	fiel,
em	que	haja	pleno	entendimento	do	texto	original.
Exemplo:
“Foi	um	amigável	acerto	de	contas,	graças	ao	qual	o	Brasil	talvez	não	precise	mais	caminhar
para	 o	 século	 XXI	 empunhando	 como	 novidade	 as	 ideias	 de	 uma	 geração	 biologicamente
concebida	meio	século	atrás.”
(Texto	adaptado	de	“A	Sucessão”,	Revista	Veja	25	anos)
Paráfrase	desse	texto:
“O	 jovem	moderno	 talvez	não	 tenha	a	necessidade	de,	em	pleno	século	XXI,	olhar	o	 futuro
considerando	como	novidade	as	ideias	de	uma	geração	biologicamente	concebida	meio	século
antes,	graças	a	um	amigável	acerto	de	contas.”
Assim,	essa	paráfrase	recria	o	contexto	com	base	na	estrutura	frásica	do	texto
anterior	 da	 revista	 Veja,	 tendo	 como	 apoio	 os	 seus	 referentes	 sintáticos	 na
construção	de	um	novo	período.
Outro	 exemplo,	 citado	 por	 vários	 autores,	 encontra-se	 no	 soneto	 de	 José
Bonifácio,	o	Moço,	escrito	no	século	XVIII	e	denominado	“Saudades”,	e	a	sua
paráfrase,	 escrita	 no	 século	XIX	 por	 Luís	Guimarães	 Jr.,	 sob	 o	 título	Visita	 à
Casa	Paterna.
Observe	o	texto	de	José	Bonifácio,	o	Moço:
SAUDADES
Deserta	a	casa	está.	Entrei	chorando,
De	quarto	em	quarto,	em	busca	de	ilusões!
Por	toda	a	parte	as	pálidas	visões!
Por	toda	a	parte	as	lágrimas	falando!
Vejo	meu	pai,	na	sala	caminhando,
Da	luz	da	tarde	aos	pálidos	clarões;
De	minha	mãe	escuto	as	orações
Na	alcova	onde	ajoelhei,	rezando.
Brincam	minhas	irmãs	(doce	lembrança!)
Na	sala	de	jantar.	Ai!	Mocidade,
És	tão	veloz,	e	o	tempo	não	descansa!
Ó	sonhos,	sonhos	meus	de	claridade!
Como	é	tardia	a	última	esperança!
Meu	Deus!	Como	é	tamanha	esta	saudade!E	agora,	veja	o	texto	de	Luís	Guimarães	Jr:
VISITA	À	CASA	PATERNA
Como	a	ave	que	volta	ao	ninho	antigo,
Depois	de	longo	e	tenebroso	inverno,
Eu	quis	também	rever	o	lar	paterno,
O	meu	primeiro	e	derradeiro	abrigo.
Entrei.	Um	gênio	carinhoso	e	amigo,
O	fantasma,	talvez,	do	amor	materno,
Tomou-me	as	mãos,	olhou-me,	grave	e	terno,
E	passo	a	passo,	caminhou	comigo.
Era	esta	a	sala…	(Oh!	Se	me	lembro	e	quanto!)
Em	que,	da	luz	noturna	à	claridade,
Minhas	irmãs	e	minha	mãe…	O	pranto
Jorrou-me	em	ondas…	Resistir	quem	há-de?
Uma	ilusão	gemia	em	cada	canto,
Chorava	em	cada	canto	uma	saudade.
O	tema	dos	dois	sonetos	é	o	mesmo:	a	volta	saudosa	à	casa	paterna.	Ambos,
no	 primeiro	 quarteto,	 falam	 da	 chegada	 ao	 antigo	 lar;	 no	 segundo,	 vem	 a
lembrança	dos	pais.	No	primeiro	terceto,	surge	o	vulto	querido	das	 irmãs	e,	no
segundo,	aparece	o	sentimento	de	ilusão	e	de	saudade	do	ambiente	familiar	que	o
tempo	levou	para	nunca	mais.	Um	é	a	reescritura	do	outro,	mas	com	uma	nova
criatividade.	Não	há	desvio	nenhum	do	tema	ou	o	desvio	é	mínimo.	Trata-se	de
paráfrase.
Procure	fazer	paráfrases	de	editoriais,	colunas	de	jornais,	textos	dissertativos.
Treine	 para	 aprender	 como	 os	 autores	 escrevem	 e	 como	 relacionam	 as	 ideias.
Depois,	passe	a	fazer	a	paráfrase	estilizada,	como	veremos	a	seguir.
4.1.1.	Estilização
É	um	tipo	de	paráfrase	que	se	distancia	um	pouco	mais	do	texto	original.	Há	uma
nova	construção,	um	remake	como	no	caso	de	uma	peça	teatral,	novela,	filme	ou
minissérie	 extraídos	 de	 um	 romance	 como	 “Mad	 Maria”,	 “A	 Casa	 das	 Sete
Mulheres”,	 “Dona	Flor	 e	Seus	Dois	Maridos”	ou	 “Sinhá	Moça”.	Mantém-se	 a
ideia	 fundamental,	porém	dando	um	novo	 tratamento	à	história,	com	variações
estilísticas.
Um	exemplo	 clássico	 está	 no	 texto	 bíblico	 da	 história	 de	 Jacó	 e	Raquel	 em
Gênesis,	Capítulo	29,	 versos	16	 a	30	 e	 sua	 famosa	 estilização	 feita	 pelo	poeta
Luís	Vaz	de	Camões	em	um	de	seus	mais	belos	sonetos.
Diz	o	texto	bíblico:
“Aconteceu	que	Labão	 tinha	duas	 filhas.	O	nome	da	mais	velha	 era	Lia,	 e	o	nome	da	mais
moça,	Raquel.
Mas	os	olhos	de	Lia	não	tinham	brilho,	ao	passo	que	Raquel	se	tinha	tornado	bela	de	figura	e
bela	de	semblante.
E	Jacó	amava	Raquel.	De	modo	que	ele	disse:	‚Estou	disposto	a	servir-te	sete	anos	por	Raquel,
tua	filha	mais	moça.’
A	isso	Labão	disse:	‚É	melhor	para	mim	dá-la	a	ti	do	que	dá-la	a	outro	homem.	Fica	morando
comigo.’
E	 Jacó	 passou	 a	 servir	 sete	 anos	 por	 Raquel,	 mas	 eles	 se	 mostraram	 aos	 seus	 olhos	 como
apenas	alguns	dias,	por	causa	do	seu	amor	por	ela.
Jacó	 disse	 então	 a	 Labão:	 ‚Entrega-me	 a	minha	 esposa,	 porque	 terminaram	 os	meus	 dias	 e
tenha	eu	relações	com	ela.’
Em	vista	disso,	Labão	ajuntou	todos	os	homens	do	lugar	e	deu	um	banquete.
Deu-se,	porém	que	durante	a	noitinha	recorreu	a	tomar	Lia,	sua	filha,	e	a	trazê-la	a	ele,	para
que	tivesse	relações	com	ela.
Além	disso,	Labão	deu	a	ela	Zilpa,	sua	serva,	sim	a	Lia,	sua	filha,	como	serva.
Ora,	sucedeu	que,	de	manhã,	eis	que	era	Lia!	Por	conseguinte,	ele	disse	a	Labão:	‚Que	é	isso
que	me	fizeste?	Não	foi	por	Raquel	que	te	servi?	Assim,	por	que	me	lograste?’
Labão	disse	a	isso:	‚Não	é	costumeiro	fazer	assim	no	nosso	lugar,	dar	a	mais	jovem	antes	da
primogênita.
Celebra	 plenamente	 a	 semana	 desta	 mulher.	 Depois	 se	 há	 de	 dar	 a	 ti	 também	 esta	 outra
mulher,	pelo	serviço	que	podes	prestar-me	por	mais	sete	anos.’
Concordemente,	Jacó	fez	assim	e	celebrou	plenamente	a	semana	desta	mulher,	após	o	que	lhe
deu	Raquel,	sua	filha	por	esposa.
Além	disso,	Labão	deu	Bila,	sua	serva,	a	Raquel,	sua	filha,	como	serva	dela.
Daí	teve	também	relações	com	Raquel	e	expressou	também	mais	amor	por	Raquel	do	que	por
Lia,	e	foi	servir-lhe	mais	sete	anos.”
(Tradução	do	Novo	Mundo	das	Escrituras	Sagradas,	Ed.	Associação	Torre	de	Vigia	de	Bíblias
e	Tratados,	S.	Paulo)
A	estilização	dessa	história	bíblica	de	amor	 foi	 feita	pelo	poeta	Luís	Vaz	de
Camões	 em	 um	 soneto	 em	 que	 ele	 relata	 de	 forma	 bem	 lírica	 e	 estilizada	 o
mesmo	episódio:
Sete	anos	de	Pastor	Jacó	servia
Labão,	pai	de	Raquel,	serrana	bela;
Mas	não	servia	ao	pai,	servia	a	ela
Que	a	ela	só	por	prêmio	pretendia.
Os	dias	na	esperança	de	um	só	dia
Passava,	contentando-se	com	vê-la;
Porém	o	pai,	usando	de	cautela,
Em	lugar	de	Raquel,	lhe	deu	a	Lia.
Vendo	o	triste	pastor	que	com	enganos
Assim	lhe	era	negada	a	sua	pastora
Como	se	não	a	tivera	merecida
Começou	a	servir	outros	sete	anos
Dizendo:	–	“Mais	servira,	se	não	fora
Para	tão	longo	amor,	tão	curta	a	vida.”
Como	 se	 pode	 verificar,	 o	 texto	 de	 Camões	 desvia-se	 da	 história	 bíblica,
dizendo	ser	Raquel	uma	“serrana	bela”	no	segundo	verso	do	primeiro	quarteto	e,
no	último	terceto,	no	discurso	direto	de	Jacó:	“Mais	servira,	se	não	fora	para	tão
longo	amor,	tão	curta	a	vida”,	descaracterizando,	assim,	a	paráfrase.	Além	disso,
percebe-se	 a	 estilização	 tendo	 em	 vista	 que	 a	 função	 poética	 da	 linguagem,
usada	 pelo	 autor,	 tem	 como	 finalidade	 valorizar	 a	 forma	 da	 mensagem,
recontando	o	fato	de	maneira	diferente.	Houve	uma	nova	construção	da	história
de	Jacó	e	Raquel.
4.1.2.	Paródia
Após	fazer	paráfrases,	procure	treinar	fazendo	paródia.	É	uma	forma	em	que	há
um	 distanciamento	 completo	 do	 texto	 original,	 quer	 na	 sua	 estrutura	 quer	 no
sentido.
A	mesma	história	bíblica	de	Jacó	e	Raquel,	que	vimos	estilizada	por	Camões,
foi	 retomada	 pelo	 poeta	 Bastos	 Tigre,	 numa	 paródia	 do	 soneto	 camoniano,
dando-lhe	um	desvio	mais	acentuado:
“Sete	anos	de	pastor	Jacó	servia
Labão,	pai	de	Raquel”,	gentil	criatura,
Porém,	servindo	ao	pai,	Jacó	queria
A	filha	desposar,	conta	a	Escritura…
Quando,	entretanto,	chegando	o	dia
De,	no	contrato,	apor	a	assinatura,
Mestre	Labão	quis	impingir-lhe	a	Lia,
Que	era	feia,	zarolha	e	já	madura.
Porém	Jacó,	que	percebera	o	logro,
Gritou	ao	pai	Labão:	–	“Não	vou	no	embrulho!”
E	ao	demônio	mandou	a	Lia	e	o	sogro.
E	ante	os	pastores	escandalizados,
Jacó	raptou	Raquel	e,	em	doce	arrulho,
Foram	viver	os	dois…	“como	casados”.
Nessa	paródia,	o	poeta	Bastos	Tigre	se	desvia	do	texto	bíblico,	utiliza	termos
como	 “apor	 a	 assinatura	 no	 contrato”	 e,	 aproveitando	 que	 o	 texto	 original
informa	ser	Lia	mais	velha	e	que	“seus	olhos	não	tinham	brilho”,	conclui	que	ela
“era	 feia,	 zarolha	 e	 já	madura”.	 Também	 não	 diz	 que	 Jacó	 esperou	mais	 sete
anos,	 mas	 afirma	 que	 “raptou	 Raquel”	 e	 foi	 viver	 com	 ela	 como	 se	 fossem
casados.
A	paródia	pode	também	ser	construída	de	forma	inteiramente	caricata,	o	que	é
comum	 na	 poesia	 popular.	 Essa	 mesma	 história	 bíblica	 de	 Jacó	 e	 Raquel	 foi
recontada	 numa	 paródia	 caricata	 do	 poema	 de	 Camões	 feita	 pelo	 poeta
Alexandre	Marcondes	Machado,	mais	conhecido	como	“Juó	Bananére”.	Em	seus
poemas,	 nos	 anos	 1920	 a	 1930	 do	 século	 passado,	 ele	 procurava	 imitar	 o
português	estropiado	dos	italianos	recém-chegados	a	São	Paulo	e	que	iam	residir
no	bairro	do	Braz.	Observe-se	como	ele	reconta	a	história:
Sette	anno	di	pastore,	Giacó	servia	Labó,
Padre	da	Raffaella,	serrana	bella,
Ma	non	servia	o	pai,	che	illo	no	era	troxa	nó!
Servia	a	Raffaella	pra	si	gazá	co’ella.
I	os	dias,	na	esperanza	de	um	dia	só,
Apassava	spiáno	na	gianella;
Ma	o	paio,	fugino	da	gumbinaçó,
Deu	a	Lia	inveiz	da	Raffaella.
Quano	o	Giacó	adiscobri	o	ingano,
E	que	tigna	gaído	na	sparrella,
Ficó	c’un	brutto	d’un	garó	di	arara.
I	incominció	di	servi	otros	sette	anno
Dizeno:	–	“Si	o	Labó	non	fossi	o	pai	della
Io	pígava	elli	e	li	quibrava	a	gara”.
Como	se	vê,	a	paródia	tem	bastante	criatividade	no	intertexto.	Há,	pois,	uma
recriação	 do	 texto	 original,	mas	 com	 um	 distanciamento	 bem	maior	 e	 que	 até
mesmo	pode-se	dizer	contrário	a	ele.
4.1.3.	Exercícios
Para	treinar,	a	fim	de	entender	bem	a	paráfrase,	procure	resolver,	agora,	algumas
questões	 de	 provas	 de	 concursos	 em	 que	 o	 comando	 feito	 pelo	 examinador
solicita	ao	candidato	indicar	esse	tipo	de	texto.	Tente	respondê-las.
1.	 (Esaf/AssessorFiscal	 da	 Receita	 Federal)	 Assinale	 a	 opção	 em	 que	 o
segundo	 texto	 representa	 uma	 paráfrase	 textual	 e	 gramaticalmente
correta	do	primeiro.
a)	 1.	 Cumpre	 associar	 o	 indivíduo	 no	 processo	 de	 autoridade,	 isto	 é,	 o
trabalhador	no	poder	industrial.	A	exclusão	de	alguém	de	uma	parceria	do
poder	é,	forçosamente,	a	exclusão	daquele,	dos	benefícios	deste.
2.	 Cumpre	 associar	 o	 indivíduo	 ao	 poder	 industrial,	 ou	 seja,	 o
trabalhador	 ao	 processo	 de	 autoridade.	 Inobstante	 excluir	 alguém	 de
uma	 parcela	 do	 poder	 é	 forçosamente	 excluí-lo	 dos	 benefícios	 deste
poder.
b)	1.	Todos	deviam	e	devem,	portanto,	ter	direito	a	uma	parte	dos	resultados
da	vida	social.	E	as	diferenças	devem	existir	somente	quando	necessárias	ao
bem	comum.
2.	 Portanto,	 todos	 deviam	 e	 devem	 ter	 direito	 a	 uma	 parte	 dos
resultados	 da	 vida	 social	 por	 que,	 somente	 quanto	 necessário,	 deve
haver	diferenças	no	bem	comum.
c)	1.	Impõe-se,	pois,	uma	igualdade	econômica	maior,	porque	os	benefícios
que	um	homem	pode	obter	do	processo	social	estão	aproximadamente	em
função	de	seu	poder	de	consumo,	o	que	resulta	de	seu	poder	de	propriedade.
Assim	 os	 privilégios	 econômicos	 são	 contrários	 à	 verdadeira	 sociedade
democrática.
2.	 Os	 privilégios	 econômicos	 são	 contrários	 à	 verdadeira	 sociedade
democrática	 conquanto	 os	 benefícios	 que	 um	 homem	 pode	 obter	 do
processo	 social,	 em	 função	 de	 seu	 poder	 de	 consumo	 –	 o	 que	 é
resultado	de	seu	poder	de	propriedade.
d)	 1.	O	 próprio	 conceito	 de	 liberdade	 redefine-se	 através	 dos	 séculos,	 de
acordo	 com	 as	 circunstâncias	 históricas	 e	 o	 desenvolvimento	 das	 forças
econômicas.	 E	 a	 liberdade,	 no	 mundo	 atual,	 só	 existirá	 de	 fato	 quando
assentada	na	segurança	e	em	função	da	igualdade.
2.	De	 acordo	 com	as	 circunstâncias	 históricas,	 o	 próprio	 conceito	 de
liberdade	redefine-se	através	dos	séculos,	segundo	o	desenvolvimento
das	 forças	 econômicas,	 e	 aquela	 só	 existirá	 quando	 baseada	 na
segurança	e	na	igualdade.
e)	 1.	 Para	 que	 a	 liberdade	 realmente	 exista,	 é	 preciso	 que	 a	 sociedade	 se
estruture	 sobre	cooperação	 e	não	 sobre	a	exploração.	E	assim	os	homens
serão	livres.
2.	É	necessário	que	 a	 sociedade	 se	organize	não	 sobre	 a	exploração,
mas	sobre	a	cooperação,	a	fim	de	que	a	 liberdade	exista	de	fato	e	os
homens	sejam,	realmente,	livres.
2.	(Esaf/Assessor	Fiscal	da	Receita	Federal)	Analise	as	paráfrases	propostas
para	o	período	a	seguir	e	assinale	aquela	em	que	se	preservam	as	relações
semânticas.
“Não	 denunciamos	 com	 eficiência	 o	 desemprego	 e	 o	 desleixo	 com	 que
tratamos	metade	da	população	urbana	brasileira	que	vive	 em	condições
subumanas.”
(SAYAD,	 João.	 “Crime	 e	 Castigo”.	 Revista	 Classe,	 nº	 87,	 2002	 –	 com
adaptações)
a)	Não	denunciamos	com	eficiência	o	desemprego	e	o	desleixo	que	metade
da	 população	 urbana	 é,	 por	 nós,	 tratada	 e	 que	 vive	 em	 condições
subumanas.
b)	Tratamos	com	o	desemprego	e	o	desleixo	metade	da	população	urbana
brasileira	 vivendo	 em	 condições	 subumanas,	 não	 a	 denunciamos	 com
eficácia.
c)	 Não	 somos	 eficazes	 em	 denunciar	 nem	 o	 desemprego	 nem	 o	 desleixo
com	 que	 tratamos	 metade	 da	 população	 urbana	 brasileira	 que	 vive	 em
condições	subumanas.
d)	 Metade	 da	 população	 urbana	 brasileira	 que	 vive	 em	 condições
subumanas	 não	 é	 denunciada	 com	 eficácia	 quanto	 ao	 desemprego	 e	 o
desleixo	com	que	a	tratamos.
e)	Não	denunciamos	metade	da	população	urbana	brasileira	–	que	vive	em
condições	subumanas	–	devido	à	nossa	ineficácia	e	o	desleixo	que	tratamos
o	desemprego.
3.	 (Esaf/Assessor	 Fiscal	 da	 Receita	 Federal)	 Marque	 a	 opção	 que	 não
constitui	paráfrase	do	segmento:
“O	abolicionismo	que	logrou	pôr	fim	à	escravidão	nas	Antilhas	Britânicas
teve	 peso	 ponderável	 na	 política	 antinegreira	 dos	 governos	 britânicos
durante	a	primeira	metade	do	século	passado.	Mas	tiveram	peso	também
os	 interesses	 capitalistas,	 comerciais	 e	 industriais,	 que	 desejavam
expandir	 o	 mercado	 ultramarino	 de	 produtos	 industriais	 e	 viam	 na
inevitável	 miséria	 do	 trabalhador	 escravo	 um	 obstáculo	 para	 esse
desiderato.”
(Paul	Singer.	A	formação	da	classe	operária.	São	Paulo,	Atual,	1988,	p.	44)
a)	Na	 primeira	metade	 do	 século	 passado,	 a	 despeito	 da	 forte	 pressão	 do
mercado	ultramarino	em	criar	consumidores	potenciais	para	seus	produtos
industriais,	foi	o	movimento	abolicionista	o	motor	que	pôs	cobro	à	miséria
do	trabalhador	escravo.
b)	A	 política	 antinegreira	 da	Grã-Bretanha	 na	 primeira	metade	 do	 século
passado	foi	fortemente	influenciada	não	só	pelo	ideário	abolicionista	como
também	pela	pressão	das	necessidades	comerciais	e	industriais	emergentes.
c)	 Os	 interesses	 capitalistas	 que	 buscavam	 ampliar	 o	 mercado	 para	 seus
produtos	 industriais	 tiveram	 peso	 considerável	 na	 formulação	 da	 política
antinegreira	 inglesa;	 mas	 teve-o	 também	 a	 consciência	 liberal
antiescravista.
d)	 Teve	 peso	 considerável	 na	 política	 antinegreira	 britânica	 o
abolicionismo.	 Mas	 as	 forças	 de	 mercado	 tiveram	 também	 peso,	 pois
precisavam	dispor	de	consumidores	para	seus	produtos.
e)	 Ocorreu	 uma	 combinação	 de	 idealismo	 e	 de	 interesses	 materiais,	 na
primeira	 metade	 do	 século	 XIX,	 na	 formulação	 da	 política	 britânica	 de
oposição	à	escravidão	negra.
4.	 (Esaf/Assessor	 Fiscal	 da	 Receita	 Federal)	Marque	 o	 item	 que	 constitui
paráfrase	do	trecho	sublinhado	a	seguir:
“Dizem-me	 que	mais	 da	metade	 da	 humanidade	 se	 dedica	 à	 prática	 da
arte	de	não	fazer	nada;	mas	eu	discordo	dessa	afirmativa,	visto	que	não
existe	 tal	quantidade	de	gente	 inativa.	O	que	acontece	é	estar	essa	gente
interessada	 em	 atividades	 exclusivamente	 pessoais	 sem	 consequências
úteis	para	o	mundo.”
(Cecília	Meireles	–	com	adaptações)
a)	 mas	 eu	 questiono	 essa	 afirmativa,	 uma	 vez	 que	 existe	 muita	 gente
inativa.	 O	 fato	 é	 que	 essa	 gente	 demonstra	 interesse	 por	 atividades
impessoais	com	repercussões	imediatas	para	o	mundo;
b)	mas	eu	duvido	dessa	afirmativa,	já	que	não	existe	tanta	gente	laborista.	O
fato	 é	 que	 essa	 gente	 decide	 desenvolver	 atividades	 imparciais	 sem
consequências	vantajosas	para	o	mundo;
c)	mas	eu	interrogo	essa	afirmação,	posto	que	existe	muita	gente	sem	fazer
nada.	 O	 que	 acontece	 é	 que	 esta	 gente	 está	 interessada	 em	 atividades
bilaterais	sem	consequências	vãs	para	o	mundo;
d)	mas	eu	discordo	dessa	afirmativa,	porque	existe	muita	gente	 inativa.	O
que	 acontece	 é	 que	 esta	 gente	 fica	 desinteressada	 em	 atividades
exclusivistas	com	repercussões	positivas	para	o	mundo;
e)	mas	eu	não	concordo	com	essa	afirmação,	porque	não	existe	tanta	gente
sem	 fazer	 nada.	 O	 fato	 é	 que	 essa	 gente	 prefere	 desenvolver	 atividades
individualistas	sem	repercussões	positivas	para	o	mundo.
5.	(FAURGS/TRT/RS)	Observe	o	texto:
“A	mídia	precisa	ter	consciência	de	seu	compromisso	social,	não	podendo
deixar	 de	 assumir	 como	 verdadeira	 a	missão	de	 ser	 uma	um	veículo	 de
resgate	da	cidadania.”
Nos	itens	a	seguir,	foram	feitas	reescrituras	desse	texto.	Observe-as.
I.	A	mídia	 necessita	 ter	 consciência	 de	 seu	 comprometimento	 social;
portanto,	deve	assumir	como	verdadeira	a	missão	de	ser	um	veículo	de
resgate	da	cidadania.
II.	A	mídia	precisa	conscientizar-se	de	seu	efetivo	compromisso	social,	e
não	 pode	 deixar	 de	 assumir	 como	 verdadeira	 missão	 a	 de	 ser	 um
veículo	de	remição	da	cidadania.
III.	A	mídia	 nem	 precisa	 ter	 consciência	 de	 seu	 compromisso	 social,
nem	pode	deixar	de	assumir	como	verdadeira	missão	ser	um	veículo	de
resgate	da	cidadania.
Qual	delas	é	a	paráfrase	do	texto	original?
a)	Apenas	I.
b)	Apenas	II.
c)	Apenas	III.
d)	Apenas	I	e	II.
e)	I,	II	e	III.
Gabarito	no	final	do	livro.
Agora	que	você	já	sabe	o	que	é	e	como	se	faz	uma	paráfrase,	tente	parafrasear
os	textos	a	seguir.	Faça	uma	paráfrase	de	cada	um	deles,	com	calma,	procurando
captar	as	ideias,	reproduzindo	oque	diz	o	autor	de	maneira	sucinta	e	com	pleno
entendimento	do	texto	original:	Texto	1
No	 início	 deste	 ano,	 o	 Newsweek	 divulgou	 um	 estudo	 da	 Universidade	 de	 Delaware,	 nos
Estados	Unidos,	 que	 comprovou	 que	 o	 ciúme	 é	 capaz	 de	 “cegar”	 as	mulheres.	 Para	 provar
isso,	 foram	 feitos	 testes	 com	 casais	 que,	 separados,	 deviam	 avaliar	 fotografias	 exibidas	 em
computadores.	Quando	eram	apresentadas	fotos	femininas	aos	parceiros,	as	mulheres	sentiam
ciúmes	 e	 começavam	 a	 se	 confundir	 nas	 imagens	 do	 seu	 próprio	 computador.	Quanto	mais
ciumentas,	mais	distraídas	elas	ficavam,	levando	ao	erro	de	tarefas	simples.
(Priscila	Thompson,	jornal	A	Gazeta,	6/6/2010,	p.	8)
Texto	2
A	paz	começa	com	ações	individuais	simples.	A	paz	se	irradia	com	as	atitudes	de	cada	um	de
nós	nos	relacionamentos,	em	casa,	no	trabalho,	na	igreja,	na	comunidade	e	no	lazer.	Homens,
mulheres,	 adultos	 e	 crianças	 são	 responsáveis	 por	 essa	 bênção.	 Precisamos	 respeitar	 a	 vida,
rejeitar	 a	 violência,	 valorizar	 os	 direitos	 humanos	 e	 praticar	 a	 solidariedade.	 Só	 assim
poderemos	ter	a	tão	desejada	paz.
(Walmir	da	Hora,	Opinião	do	Leitor,	A	Gazeta,	5/6/2010,	p.	2)
Texto	3
Viver	só	pode	ser	uma	simples	questão	de	opção.	Nesse	caso	a	solidão	é	quase	sempre	uma
boa	 aliada.	 Experimentar	 esses	 momentos	 funciona	 como	 um	 importante	 recurso	 para	 o
autoconhecimento	 e	 a	 reflexão.	 Mas	 agora	 a	 ciência	 descobriu	 que	 em	 algumas	 pessoas	 o
sentimento	 de	 isolamento	 pode	 ser	 um	 detonador	 de	 sérios	 problemas	 de	 saúde.	 Nesses
indivíduos,	os	efeitos	negativos	da	solidão	parecem	estar	determinados	já	no	DNA,	o	material
genético	de	cada	um.
(Isto	É,	26/9/2007)
Texto	4
Está	 na	 última	 moda	 dizer	 que	 algo	 ou	 alguém	 que	 se	 destaque	 da	 multidão	 por	 suas
qualidades	 extraordinárias	 é	 diferenciado.	 De	 repente	 todo	 mundo	 quer	 ser	 diferenciado,
embora,	 curiosamente,	 ninguém	 queira	 ser	 diferente.	 Diferenciar,	 diferente	 e	 diferenciado
tornou-se	uma	habilidade	social	básica,	que	a	maioria	de	nós	exerce	de	forma	intuitiva,	sem
pensar.	 Se	 formos	 refletir,	 porém,	 vamos	 descobrir	 que	 a	 diferença	 entre	 diferente	 e
diferenciado	pressupõe	valores	que	boa	parte	de	nós	teria	vergonha	de	assumir.
(Sérgio	Rodrigues.	“A	Diferença”.	Jornal	do	Brasil,	19	ago.	2001.)
Texto	5
O	filósofo	F.	Hegel,	em	sua	Fenomenologia	do	Espírito,	analisou	detalhadamente	a	dialética
do	senhor	e	do	servo.	O	senhor	se	torna	tanto	mais	senhor	quanto	mais	o	servo	internaliza	em
si	o	senhor,	o	que	aprofunda	ainda	mais	o	seu	estado	de	servo.	A	mesma	dialética	identificou
Paulo	Freire	na	relação	oprimido-opressor,	em	sua	clássica	obra	Pedagogia	do	oprimido.	Com
humor	 comentou	 Frei	 Betto:	 “Em	 cada	 cabeça	 de	 oprimido	 há	 uma	 placa	 virtual	 que	 diz:
hospedaria	de	opressor.”	Quer	dizer,	o	oprimido	hospeda	em	si	o	opressor	e	é	exatamente	isso
que	o	faz	oprimido.	A	libertação	se	realiza	quando	o	oprimido	extrojeta	o	opressor	e	aí	começa
então	uma	nova	história	na	qual	não	haverá	mais	oprimido	e	opressor,	mas	o	cidadão	livre.
(Leonardo	Boff.	“Opinião	–	A	saudade	do	servo”,	A	Gazeta,	7	jun.	2010)
Texto	6
O	Brasil	é	um	país	grande	que	olha	muito	pouco	para	fora.	Temos	como	característica	estar
sempre	 tentando	 reinventar	 a	 roda.	 Alguns	 analistas	 teorizam	 dizendo	 até	 que	 o	 país	 não
deveria	valer-se	de	soluções	originadas	em	outros	países.	Segundo	esse	tipo	de	análise,	temos
o	 dever	 de	 buscar	 soluções	 “nossas”,	 “criativas”	 e	 “originais”.	 Ora,	 nossos	 fracassos	 se
deveram	no	passado	justamente	a	essa	recusa	em	aceitar	as	lições	de	sucesso	de	experiências
comprovadamente	 eficazes	 obtidas	 em	 outros	 países.	 Isso	 faz	 com	 que,	 no	 Brasil,	 uma
prioridade	óbvia	para	todo	mundo,	como	combate	à	inflação,	seja	discutida	e	rediscutida	várias
vezes.	Isso	não	é	ser	criativo	e	original.	É	ser	míope.
(Henrique	Meireles.	Entrevista.	Veja,	São	Paulo,	19	jan.	2005,	p.11-14)
Texto	7
A	ordem	global	em	formação	tem	algumas	vantagens	e	muitos	riscos,	parte	deles	criada	pelo
desmoronamento	 das	 instituições	 multilaterais.	 A	 principal	 vantagem	 é	 a	 integração	 pelas
comunicações.	 Hoje,	 atrocidades	 como	 as	 que	 aconteciam	 sob	 a	 censura	 e	 o	 véu	 da
impunidade	hegemônica	no	século	passado	se	tornam	conhecidas,	em	tempo	real,	pela	opinião
pública	mundial.	É	o	primeiro	passo	para	o	estabelecimento	de	limites	e	sanções	à	violação	em
larga	escala	dos	direitos	da	humanidade.	Mas	aí	está	Kosovo	para	provar	que	a	humanidade
ainda	 é	 impotente	 diante	 desses	 eventos.	O	 horror	 instantâneo,	 porém,	 já	 não	 nos	 pode	 ser
sonegado.	 Nós	 nos	 horrorizamos	 em	 tempo	 real.	 A	 rede	 global	 de	 comunicações	 dá	 novos
recursos	aos	movimentos	coletivos	de	defesa	dos	direitos	e	da	paz	e	compromete	governantes.
Há	falhas,	claro.	O	reconhecimento,	tardio,	da	censura	e	da	pressão	à	imprensa	nos	EUA	e	na
Inglaterra	durante	o	ataque	ao	Iraque,	por	exemplo.
(Sérgio	Abranches.	Em	foco.	Veja,	24	set.	2003)
Texto	8
Não	somos	 livres	como	acreditamos	 ser.	Quando	se	entende	 isso,	 fica	evidente	que	a	maior
parte	de	nossos	atos	e	pensamentos	não	é	 tão	 livre	de	condicionamentos	como	gostamos	de
acreditar.	Nossa	 certeza	 de	 sermos	 livres,	 de	 fazermos	 tudo	 aquilo	 que	queremos,	 e	 quando
queremos,	é	quase	sempre	uma	ilusão.	Quase	todos,	na	verdade,	carregamos	condicionamentos
mais	ou	menos	ocultos	que,	com	frequência,	tornam	difícil	a	manifestação	de	uma	honestidade
genuína,	uma	criatividade	livre,	uma	intimidade	simples	e	pura.	É	preciso	sublinhar	o	fato	de
que	 todas	 as	 posições	 existenciais	 necessitam	 de	 pelo	 menos	 duas	 pessoas	 cujos	 papéis
combinem	 entre	 si.	 O	 algoz,	 por	 exemplo,	 não	 pode	 continuar	 a	 sê-lo	 sem	 ao	menos	 uma
vítima.	 A	 vítima	 procurará	 seu	 salvador,	 e	 este	 último,	 uma	 vítima	 para	 salvar.	 O
condicionamento	 para	 o	 desempenho	 de	 um	 dos	 papéis	 é	 bastante	 sorrateiro	 e	 trabalha	 de
forma	invisível.
(Planeta,	set.	2007)
Texto	9
É	voz	corrente	que	a	humanidade	está	vivendo	um	momento	de	crise.	A	excessiva	exaltação
dos	objetivos	econômicos,	com	a	eleição	dos	índices	de	crescimento	como	padrão	de	sucesso
ou	fracasso	dos	governos,	estimulou	a	valorização	exagerada	da	busca	de	bens	materiais.	Isso
foi	 agravado	 pela	 utilização	 dos	 avanços	 tecnológicos	 para	 estimular	 o	 consumismo	 e
apresentar	 maliciosamente	 a	 posse	 de	 bens	 materiais	 supérfluos	 como	 padrão	 de	 sucesso
individual.	 A	 consequência	 última	 desse	 processo	 foi	 a	 implantação	 do	 materialismo	 e	 do
egoísmo	na	convivência	humana,	sufocando-se	os	valores	espirituais,	a	ética	e	a	solidariedade.
Dalmo	Dallari.	Internet:	<dhnet.org.br/direitos/SOS/dsiscrim/preconceito/policiais.html>
http://dhnet.org.br/direitos/SOS/dsiscrim/preconceito/policiais.html
	
Capítulo	5
O	Parágrafo
	
Para	escrever	bem	é	necessário	conhecer	plenamente	o	assunto;	é	necessário	refletir	bastante
para	perceber	claramente	a	ordem	dos	pensamentos.
Buffon	–	escritor	francês,	em	Discours	sur	le	style.	(1707-1788)
5.1.	O	PARÁGRAFO
Já	vimos	que	redigir	é	apresentar	ideias	que	se	sucedem	umas	às	outras,	dentro
de	 determinado	 assunto.	 Essas	 ideias	 são	 expostas	 por	 meio	 de	 orações	 que
formam	períodos,	os	quais,	por	sua	vez,	constituirão	o	parágrafo,	base	de	todo	e
qualquer	texto.	Desse	modo,	o	parágrafo	é	uma	unidade	de	composição	textual
que	 apresenta	 uma	 ideia	 básica,	 central	 ou	 nuclear,	 à	 qual	 se	 juntam	 ideias
secundárias	 relacionadas	 pelo	 sentido.	Nele,	 os	 vocábulos	 são	 estruturados	 em
frases	 unidas	 em	 combinações	 semântico-sintáticas,	 de	 forma	 coerente,
constituindo	um	todo	estrutural.
Pode-se	 dizer	 que	 o	 parágrafo	 é	 um	 minitexto.	 Segundo	 Francis	 Trainor	 e
Brian	 McLaughlin	 (“An	 Inductive	 Method	 of	 Teaching	 Composition”,	 The
English	 Journal,	 vol	 3,	 nº	 6,	 set.	 1963,	 p.	 422)	 o	 parágrafo	 resulta	 de	 “uma
unidade	 de	 composição	 suficientemente	 ampla	 para	 conterum	 processo
completo	 de	 raciocínio	 e	 curta	 o	 bastante	 para	 nos	 permitir	 a	 análise	 dos
comportamentos	 desse	 processo,	 na	 medida	 em	 que	 contribuem	 para	 a
comunicação”.
Um	parágrafo	não	deve	expor	um	tema,	o	que	é	feito	pelo	conjunto	paragrafal.
Ele	 gira	 em	 torno	 de	 uma	 ideia,	 também	 conhecida	 como	 ideia-núcleo,	 ideia
principal.	Desse	modo,	 cada	 parágrafo	 apresenta	 apenas	 uma	 ideia	 básica,	 um
aspecto	novo	a	respeito	do	tema,	desenvolvendo	e	formatando	o	texto.	Essa	ideia
básica	 é	 conhecida	 como	 ideia	 central	 ou	 tópico	 frasal.	 Assim,	 o	 parágrafo
consta	 de	 um	 ou	 mais	 períodos	 em	 que	 se	 apresenta	 uma	 determinada	 ideia
central,	à	qual	se	juntam	outras	secundárias	decorrentes	dela.
Em	uma	composição,	o	que	indica	o	parágrafo	é	um	afastamento	de	cerca	de	2
a	4	cm	da	margem	esquerda	do	texto	(4,5	a	6,5	cm	da	borda	esquerda	do	papel),
cuja	 finalidade	 é	 mostrar	 que	 as	 frases	 ali	 englobadas	 mantêm	 maior	 relação
entre	 si	 do	 que	 com	 o	 restante	 da	 redação.	 Ele	 isola	 e	 dá	 unidade	 às	 ideias
principais,	 facilitando	 a	 quem	 redige	 a	 tarefa	 de	 separar	 e	 ajustar
convenientemente	 os	 pensamentos,	 permitindo	 ao	 leitor	 acompanhar	 o
desenvolvimento	de	um	determinado	assunto.
Esse	 afastamento	 da	 margem	 esquerda	 do	 texto	 é	 conhecido	 como	 branco
paragráfico	 ou	 alínea	 paragrafal	 e	 não	 existia	 nos	 códices	 antigos.	 O	 que	 se
usava	 era	 um	 sinal	 à	 margem,	 separando	 os	 textos,	 composto	 de	 dois	 “ss”,
abreviatura	da	expressão	signum	sectionis	ou	sinal	de	separação.	Com	o	correr
do	tempo,	os	dois	“ss”	foram	superpostos	formando	o	sinal	de	parágrafo	(§)	tal
como	 é	 conhecido	 e	 usado	 atualmente	 em	 documentos	 da	 correspondência
oficial	 e	 nas	 leis.	Nos	 demais	 tipos	 de	 redação,	 o	 parágrafo	 será	 indicado	 por
aquele	 afastamento	 de	 cerca	 de	 2	 a	 4	 cm	 da	 margem	 esquerda,	 ou	 alínea
paragrafal.
Assim,	 sempre	 que	 observamos	 um	 texto,	 vemos	 que	 ele	 é	 composto	 de
parágrafos,	 uns	maiores	 e	outros	menores.	E	vêm	as	perguntas:	 há	um	critério
para	 isso?	Como	 se	 divide	 um	 texto	 em	 parágrafos?	A	mudança	 de	 parágrafo
implica	 um	 novo	 aspecto	 da	 abordagem	 do	 assunto	 ou	 cada	 parágrafo	 exige
mudança	de	assunto?	Afinal,	o	que	é	um	parágrafo?
5.1.1.	Extensão	do	parágrafo
A	divisão	 de	 um	 texto	 em	parágrafos	 exige	 que	 as	 ideias	 estejam	organizadas
para	que	se	possa	acompanhar	o	desenvolvimento	da	abordagem	dada	ao	tema.
As	 ideias,	 ou	melhor,	 os	 tópicos	 frasais	 têm	 de	 ser	 concatenados,	 isto	 é,	 uma
ideia	deve	puxar	a	outra,	pois	se	não	estiverem	bem	ordenados	o	texto	ficará	sem
unidade	e	coerência.	Assim,	pode-se	desenvolver	o	parágrafo	em	uma	frase,	em
uma	oração	ou	em	vários	períodos,	e	sua	extensão	depende	da	ideia	principal	a
ser	 desenvolvida.	 Mas	 cada	 um	 só	 pode	 ter	 uma	 ideia.	 Enquanto	 se	 estiver
naquela	ideia,	não	se	pode	mudar	de	parágrafo.
Como	 exemplo,	 veja	 este	 texto	 de	 Marcelo	 Gleiser:	 “A	 ciência	 precisa	 de
Deus?”
“Desde	 o	 final	 do	 século	 XX	 a	 ciência	 tem	 condições	 de	 enfrentar,	 usando	 seus	 próprios
métodos,	questões	que	anteriormente	eram	província	exclusiva	da	religião,	como	a	origem	do
Universo	ou	a	origem	da	vida.	É	aqui,	na	fronteira	entre	o	conhecido	e	o	desconhecido,	que
vários	cientistas	encontraram	Deus.
Há	 exemplos	 de	 cientistas	 que	 “desistiram”	 de	 tentar	 entender	 todas	 as	 questões	 de	 forma
científica,	preferindo	optar	por	uma	 solução	 religiosa.	E	há	exemplos	de	outros	que	veem	a
manifestação	 de	 Deus	 em	 suas	 pesquisas	 ou	 na	 organização	 do	 mundo	 natural.	 Tais	 casos
podem	sugerir	que	a	ciência	moderna	precisa	de	Deus.
Será	que	essa	tendência	é	assim	tão	nova?	Absolutamente	não!	Ao	longo	de	toda	a	história	da
ciência	 encontramos	 vários	 cientistas	 que	 justificam	 sua	 devoção	 à	 pesquisa	 de	 maneira
religiosa,	ou	que	encontram	uma	inspiração	espiritual	em	seu	trabalho.	Desde	Platão,	a	 ideia
de	que	a	surpreendente	ordem	na	Natureza	é	obra	de	um	Arquiteto	Universal	tem	sido	usada
como	metáfora	para	descrever	o	mundo.	O	estudo	da	Natureza,	a	descoberta	de	suas	 leis,	é,
para	esses	cientistas,	um	veículo	que	os	coloca	mais	próximos	de	Deus	ou	da	natureza	divina
do	 mundo.	 Kepler,	 Newton,	 Einstein	 e	 muitas	 outras	 mentes	 responsáveis	 pelo
desenvolvimento	da	ciência	usaram	metáforas	semelhantes	às	ideias	platônicas	ao	justificarem
sua	devoção	ao	trabalho	científico.
Não	 existe	 nenhum	 conflito	 em	 uma	 justificativa	 religiosa	 ou	 espiritual	 para	 o	 trabalho
científico,	contanto	que	o	produto	desse	trabalho	satisfaça	as	regras	impostas	pela	comunidade
científica.	A	 inspiração	 para	 se	 fazer	 ciência	 é	 completamente	 subjetiva	 e	 varia	 de	 cientista
para	 cientista.	 Mas	 o	 produto	 de	 suas	 pesquisas	 tem	 um	 valor	 universal,	 fato	 que	 separa
claramente	a	ciência	da	religião.”
(Marcelo	Gleiser.	Retalhos	cósmicos.	São	Paulo.	Companhia	das	Letras.	1999)
5.1.1.1.	Aplicação	ao	texto
Note	que	os	quatro	 tópicos	 frasais	 estão	 concatenados,	 fazendo	um	 resumo	do
texto:	 1.	 A	 ciência	 tem	 condições	 de	 enfrentar	 questões	 que	 eram	 província
exclusiva	da	religião.
2.	Há	exemplos	de	cientistas	que	“desistiram”	de	tentar	entender	as	questões	de
forma	científica,	preferindo	optar	por	uma	solução	religiosa.
3.	Será	que	essa	tendência	é	assim	tão	nova?
4.	Não	existe	conflito	em	uma	justificativa	religiosa	ou	espiritual	para	o	trabalho
científico,	 contanto	 que	 satisfaça	 as	 regras	 impostas	 pela	 comunidade
científica.
De	posse	dos	quatro	tópicos	frasais,	o	autor	desenvolveu	cada	um	com	ideias
secundárias.	E	assim:	No	primeiro	parágrafo	do	texto,	ele	parte	da	declaração	do
tópico	frasal,	afirmando	que	“a	ciência	tem	condições	de	enfrentar	questões	que
eram	 província	 exclusiva	 da	 religião”,	 desenvolve	 essa	 ideia,	 concluindo	 que
nessa	 “fronteira	 entre	 o	 conhecido	 e	 o	 desconhecido	 os	 cientistas	 encontraram
Deus”.	 Não	 há	 mais	 nada	 a	 dizer	 com	 respeito	 a	 essa	 ideia.	 Aí	 termina	 o
parágrafo	que	não	ficou	tão	longo.
No	segundo	parágrafo,	o	autor	justifica	o	que	disse	no	primeiro,	apresentando
exemplos	 de	 cientistas	 que	 “desistiram”	 de	 entender	 as	 questões	 de	 forma
científica,	preferindo	uma	solução	religiosa,	e	desenvolve	a	ideia	acrescentando
existirem	 outros	 que	 “veem	 a	 manifestação	 de	 Deus	 em	 suas	 pesquisas”,
sugerindo	que	a	ciência	precisa	de	Deus.	Não	há	nada	mais	a	dizer	quanto	a	essa
justificativa,	e	ele	parte	para	uma	outra	ideia,	ou	seja,	o	terceiro	parágrafo.
Aqui	 o	 autor	 faz	 um	 questionamento	 sobre	 essa	 tendência	 dos	 cientistas,
indagando,	no	tópico	frasal,	se	ela	é	nova.	E	desenvolve	essa	ideia	respondendo
à	questão.	Mostra	que	Platão	 já	 ligava	a	Natureza	ao	Arquiteto	Universal,	 cita
outros	cientistas,	como	Kepler,	Newton	e	Einstein,	concluindo	que	eles	usaram
as	 mesmas	 metáforas	 platônicas	 ao	 justificarem	 o	 seu	 trabalho	 científico,
concluindo,	assim,	o	questionamento	inicial	do	parágrafo.	Por	isso	ele	se	alonga
e	o	parágrafo	fica	bem	maior	que	os	outros.
No	último	parágrafo,	 o	 tópico	 frasal	 afirma	que	não	 existe	 conflito	 em	uma
justificativa	religiosa	para	o	trabalho	científico,	mas	faz	uma	ressalva:	desde	que
satisfaça	as	regras	impostas	pela	comunidade	científica.	O	autor	desenvolve	essa
ideia	 concluindo	 que	 a	 inspiração	 para	 fazer	 ciência	 é	 subjetiva	 e	 varia	 de
cientista	 para	 cientista,	 tendo	 um	 valor	 universal,	 o	 que	 separa	 a	 ciência	 da
religião.	 Assim,	 encerra	 o	 pensamento	 de	 forma	 mais	 sucinta,	 tornando	 o
parágrafo	menor	do	que	o	anterior.
Conforme	acabamos	de	ver,	 a	 extensão	do	parágrafo	depende	da	divisão	do
assunto	e	das	ideias	do	próprio	autor.
5.1.2.	A	organização	do	parágrafo
A	organização	dos	elementos	estruturais	do	parágrafo	(apresentação	de	ideias	em
frases,	orações	e	períodos)	depende	do	tipo	de	raciocínio	desenvolvido	por	quem
escreve,	podendo	ser	dedutivo	ou	indutivo.5.1.2.1.	Raciocínio	dedutivo
Faz-se	 um	 parágrafo	 por	 raciocínio	 dedutivo	 quando	 se	 parte	 do	 geral	 para	 o
particular.	A	ideia	principal	(tópico	frasal)	é	uma	generalização,	constituindo-se
de	um	ou	mais	períodos,	 logo	no	início	do	parágrafo.	O	desenvolvimento,	com
as	ideias	secundárias,	são	as	especificações,	como	neste	exemplo:
“A	 Agência	 Nacional	 de	 Águas	 (ANA)	 mostrou	 que	 é	 possível	 abastecer	 o	 Nordeste	 sem
precisar	da	transposição	do	rio	São	Francisco.	O	Ibama	que	deu	o	aval	forneceu,	sem	querer,
argumentos	contra	o	projeto.	Reconhece	que	70%	da	água	seriam	para	irrigação	e	26%	para	o
abastecimento	 de	 cidades;	 que	 a	 maior	 parte	 da	 água	 transposta	 iria	 para	 açudes	 onde	 se
perdem	até	75%	por	evaporação;	que	20%	dos	solos	que	se	pretende	 irrigar	“têm	limitações
para	 uso	 agrícola”	 e	 62%	 dos	 solos	 precisam	 de	 controle,	 por	 causa	 da	 forte	 tendência	 à
erosão.”
(Leonardo	Boff.	“Transposição	e	Maldição”.	A	Gazeta.	12/03/2007.	p.	3.	Cad.1)
O	tópico	 frasal	 é	o	período	“A	Agência	Nacional	de	Águas	 (ANA)	mostrou
que	 é	 possível	 abastecer	 o	 Nordeste	 sem	 precisar	 da	 transposição	 do	 rio	 São
Francisco”.	 É	 uma	 generalização,	 à	 qual	 seguiram-se	 as	 ideias	 secundárias
especificando	e	explicando	a	ideia	principal.	O	raciocínio	é	dedutivo.
5.1.2.2.	Raciocínio	indutivo
Neste	tipo	de	parágrafo,	parte-se	do	particular	para	o	geral.	O	tópico	frasal	(ideia
principal)	 estará	 no	 final	 do	 parágrafo,	 constituindo	 o	 último	 período.	 Faz-se
primeiro	 o	 desenvolvimento	 (especificações),	 expondo	 as	 ideias	 secundárias,
encerrando	com	a	principal:	Exemplo:
“O	 caminho	 de	 cada	 um	 se	 faz	 ao	 caminhar.	 Ou	 seja,	 a	maneira	 como	 eu	 percorro	 o	meu
caminho	é	que	vai	determinar	como	ele	irá	se	delinear.	O	ponto	de	chegada	é	a	meta	de	que	eu
necessito	 para	 a	 evolução	 da	 minha	 consciência,	 do	 meu	 ser	 interior.	 Aquilo	 que	 eu	 devo
aprender.	A	conclusão	a	que	eu	devo	chegar.	Não	existem	caminhos	predeterminados.”
(Eneida	Lima.	Jornal	do	Brasil.	“Revista	Vida”.	Rio	de	Janeiro,	28/08/2004.	Ano	1.	n.	38	p.
20)
A	autora	partiu	das	especificações	(períodos	que	expõem	as	ideias	secundárias
relacionadas	 com	 o	 tópico	 frasal)	 para	 concluir	 o	 parágrafo	 com	 a	 ideia
principal:	“Não	existem	caminhos	predeterminados.”	Se	você	colocar	essa	ideia
no	 início	 do	 texto,	 verá	 que	 ela	 é	 a	 generalização	 e	 as	 outras	 são	 as
especificações.
5.1.2.3.	Parágrafo	com	conclusão
O	 parágrafo,	 por	 ser	 um	minitexto,	 pode	 também,	 ser	 estruturado	 com	 tópico
frasal,	desenvolvimento	e	conclusão,	como	no	exemplo	a	seguir	(colocamos	em
negrito	o	tópico	frasal	e	a	conclusão):
“Destruir	 a	 natureza	 é	 a	 forma	mais	 fácil	 de	 o	 homem	 se	 aniquilar	 da	 face	 da	 terra.
Dizimando	certas	espécies	de	animais,	por	exemplo,	interfere	nas	teias	alimentares,	causando
desequilíbrios	 ecológicos	 que	 poderão	 levar	 muitas	 espécies	 à	 extinção.	 Produzindo	 e
espalhando	 diariamente	 toneladas	 e	 toneladas	 de	 produtos	 químicos	 poluentes,	 causa	 a
destruição	 da	 fauna	 e	 da	 flora	 ambiental.	 Se	 não	 começar	 a	 refletir	 profundamente	 nas
consequências	de	seus	atos,	o	homem	logo	será,	assim	como	os	dinossauros,	uma	espécie
em	extinção.”
(Hermínio	G.	Sargentim.	Redação	para	o	2º	grau)
Nesse	parágrafo,	além	da	abertura	em	um	tópico	frasal	por	raciocínio	dedutivo
(“Destruir	a	natureza	é	a	 forma	mais	 fácil	de	o	homem	se	aniquilar	da	 face	da
terra”),	 uma	 generalização,	 há	 o	 desenvolvimento	 (as	 especificações)	 e	 uma
conclusão,	retomando	o	tópico	frasal	(“Se	não	começar	a	refletir	profundamente
nas	consequências	de	seus	atos,	o	homem	logo	será,	assim	como	os	dinossauros,
uma	espécie	em	extinção”),	como	se	fora	um	minitexto.
5.1.2.4.	Qualidades	do	parágrafo
Apontadas	 como	 essenciais	 ao	 estilo	 literário,	 as	 qualidades	 do	 parágrafo	 são:
unidade,	coerência,	clareza,	concisão,	harmonia,	originalidade,	vigor	e	correção.
Unidade	–	O	parágrafo	caracteriza-se	pelo	conjunto	da	 ideia	principal	e	das
ideias	secundárias	que	desenvolvem	aquela.	É	necessário	que	haja	uma	só	linha
de	raciocínio	englobando	as	ideias	em	torno	do	tópico	frasal,	com	o	objetivo	de
esclarecê-lo	 e	 com	 todas	 as	 frases	 concorrendo	 para	 esse	 fim.	 Consequência
dessa	noção	de	conjunto	é	a	unidade	do	parágrafo.	Se	o	texto	não	tem	unidade,	é
porque	 o	 candidato	 não	 leu	 a	 proposta	 feita	 no	 enunciado	 da	 prova.	 Para	 um
tema	como	a	“Lei	da	Palmada”	que	altera	o	art.	18	do	Estatuto	da	Criança	e	do
Adolescente,	um	dos	parágrafos	poderia	ser:
“No	 Brasil,	 o	 castigo	 físico	 de	 teor	 pedagógico	 foi	 introduzido	 pelos	 jesuítas	 no	 início	 da
colonização.	 Para	 surpresa	 deles,	 os	 índios	 não	 tinham	 o	 costume	 de	 bater	 nos	 filhos.	 Não
existia	nenhuma	preocupação	em	estudar	as	particularidades	das	crianças,	seja	na	psicologia,
seja	na	medicina.	Foi	só	com	a	divulgação	de	conceitos	psicológicos	que	a	família,	a	partir	do
século	XX,	 passou	 a	 compreender	 a	 criança,	 conferindo-lhe	mais	 liberdade	 para	manifestar
seus	sentimentos	e	contrariedades.”
Nota-se	que,	nesse	parágrafo,	não	há	uma	 linha	de	 raciocínio	englobando	as
ideias.	 O	 terceiro	 período	 não	 é	 uma	 progressão	 do	 que	 foi	 dito	 nos	 dois
primeiros.	Falta	unidade.	Seria	mais	bem	redigido	se	apresentasse	ampliação	das
informações	básicas,	estendendo	as	considerações,	fazendo	uma	ligação	entre	o
início	da	colonização	e	o	século	XX,	numa	correta	progressão	de	ideias,	como	na
reescrita	a	seguir:
No	 Brasil,	 o	 castigo	 físico	 de	 teor	 pedagógico	 foi	 introduzido	 pelos	 jesuítas	 no	 início	 da
colonização.	Para	surpresa	deles,	os	índios	não	tinham	o	costume	de	bater	nos	filhos.	Apanhar,
para	a	criança	do	Brasil	colônia,	era	trivial,	e	o	castigo	físico,	como	método	pedagógico,	tanto
nos	 lares	 como	 nas	 escolas,	 com	 o	 uso	 da	 palmatória,	 era	 totalmente	 aceito	 na	 sociedade
brasileira	 até	 a	 chegada	 do	 século	 XX.	 Não	 existia	 nenhuma	 preocupação	 em	 estudar	 as
particularidades	das	crianças,	seja	na	psicologia,	seja	na	medicina.	Foi	só	com	a	divulgação	de
conceitos	 psicológicos	 que	 a	 família	 passou	 a	 compreender	 a	 criança,	 conferindo-lhe	 mais
liberdade	para	manifestar	seus	sentimentos	e	contrariedades.
Agora	 o	 texto	 segue	 uma	 linha	 de	 raciocínio	 e	 estende	 considerações	 para
possíveis	causas	da	extinção	dos	castigos	físicos.	E	veja	como	se	fez	progressão
das	ideias	entre	o	terceiro	e	os	dois	primeiros	períodos,	trazendo	o	castigo	físico
infantil	do	Brasil	colônia	ao	século	XX,	o	que	deu	unidade	ao	texto.
Coerência	–	É	decorrência	da	unidade.	Pode	ser	conseguida	a	partir	do	tópico
frasal,	mas	a	coerência	depende	de	uma	ordem	adequada	das	ideias,	de	maneira
clara	 e	 lógica,	 com	 os	 períodos	 interdependentes,	 ligados	 entre	 si	 com
subordinação	 e	 relacionamento	 de	 sentido	 entre	 as	 ideias	 secundárias	 e	 a
principal.
“Uma	imagem	vale	mais	que	dezenas	de	palavras.	Mas	nem	sempre	as	imagens	falam	tudo	o
que	queremos.	Às	vezes	vão	além	do	imaginado	por	quem	as	produz.”
Esse	parágrafo	é	incoerente.	Se	as	imagens	vão	além	do	imaginado,	elas	falam
tudo	o	que	queremos	e	mais	ainda.	Não	há	logicidade	nem	clareza	nesse	texto,
que	poderia	ser	assim	redigido:
“Uma	 imagem	 vale	 mais	 que	 dezenas	 de	 palavras.	 Para	 serem	 compreendidas,	 as	 imagens
dependem	de	quem	as	produz	e	de	quem	as	lê.”
Coesão	 –	Relaciona-se	 com	 a	 coerência.	 Esse	 relacionamento	 é	 obtido	 pela
coesão	 lexical,	 ou	 seja,	 pelas	 relações	 de	 sinônimos	 ou	 quase	 sinônimos,
hiperônimos,	 hipônimos,	 nomes	 genéricos	 e	 formas	 elididas.	É	 de	 importância
também	a	coesão	 gramatical,	 conseguida	 a	 partir	 do	 emprego	 conveniente	 de
expressões	 ou	 elementos	 de	 coesão,	 isto	 é,	 advérbios	 e	 locuções	 adverbiais,
adjetivos,	 pronomes	 substantivos	 e	 adjetivos,	 pronomes	 pessoais	 de	 terceira
pessoa	 e	 palavras	 denotativas,	 elipse	 e	 numerais.	 São	 expressões	 que
“arredondam”	 o	 discursoe	 tornam	 as	 frases,	 as	 orações	 e	 os	 períodos	 mais
agradáveis	 e	 compreensíveis.	 Mas	 de	 suma	 importância	 para	 a	 coesão	 são	 as
conjunções	 coordenativas,	 subordinativas	 e	 as	 locuções	 conjuntivas	 e	 as
prepositivas	 que,	 ao	 unir	 orações,	 criam	 relações	 entre	 elas.	 São	 chamados	 de
elementos	relacionais.	Assim,	podem	ser	estabelecidas	diferentes	relações	entre
duas	ou	mais	orações,	dependendo	do	uso	desses	elementos.	A	atenção	do	autor
deve	estar	voltada	para	os	encontros	que	se	dão	no	final	de	um	período	ou	de	um
parágrafo	 e	 início	 do	 outro.	 Um	 bom	 encadeamento	 gera	 coesão	 textual	 ou
textualidade	 e	 evita	 que	 a	 redação	 tenha	 palavras	 “soltas”	 com	 uma	 parte	 do
texto	não	relacionando	com	a	outra.	Veja	um	exemplo	sem	coesão:
Uma	 pesquisa	 inédita	 do	 Ibope	 feita	 com	 médicos	 associados	 à	 Sociedade	 Brasileira	 de
Cirurgia	Plástica	revelou	que	em	2009	foram	realizadas	443.143	cirurgias	estéticas	no	país	–
quase	uma	por	minuto.	Só	nos	Estados	Unidos	se	faz	mais	do	que	isso.	Entretanto	os	homens
representam	 18%	 desse	 total.	 O	 calcanhar	 de	 aquiles	 masculino	 parecem	 ser	 as	 pálpebras
caídas,	embora	a	intervenção	para	levantá-las	seja	a	mais	procurada	entre	os	homens.
Há	 falta	 de	 coesão	 no	 texto	 pelo	 mau	 uso	 das	 conjunções.	 Observe	 que	 a
conjunção	 entretanto,	 iniciando	 o	 terceiro	 período,	 é	 adversativa	 e	 indica
oposição.	E	não	há	oposição	entre	serem	realizadas	aquelas	cirurgias	estéticas	e
os	homens	serem	18%	desse	total.	No	período	seguinte,	há	a	conjunção	embora,
concessiva,	que	 indica	uma	 ideia	contrária	à	anterior,	sem,	no	entanto,	 impedir
ou	modificar	a	sua	realização,	o	que	não	é	o	caso	da	segunda	oração	do	último
período.	Ambas	as	conjunções	são	dispensáveis	nesse	texto,	pois	o	tornam	sem
coesão	e	incoerente.
Clareza	 –	 é	 a	 maneira	 simples	 e	 clara	 de	 dizer	 o	 pensamento,	 a	 ponto	 de
fazer-se	entendido	por	todos.	As	ideias	têm	de	ser	arranjadas	numa	certa	ordem,
com	um	elo	de	subordinação	entre	elas,	para	que	nosso	pensamento	não	se	dilua
na	obscuridade	e	num	acúmulo	de	 ideias	desconexas,	de	compreensão	difícil	 e
quase	impenetrável.	A	clareza	depende	muito	da	escolha	das	palavras	adequadas
ao	contexto,	tornando	o	parágrafo	uma	leitura	agradável	e	de	fácil	compreensão.
Para	tanto:
•	Evite	frases	ambíguas,	mal	construídas,	muito	longas,	carregadas	de	ideias
incidentes	que	distorcem	o	sentido	e	afetam	a	clareza.	Exemplo:
O	camponês	nordestino	vive	num	regime	no	qual	ele	é	altamente	explorado	e	 sua	produção
agrícola	é	mínima,	devido	a	isto	urge	uma	modernização	na	estrutura	agrária	que	só	poderá	ser
feita	através	da	Reforma	Agrária	na	qual	deverá	haver	distribuição	de	terras	a	camponeses	e
condições	de	fixá-los	ao	campo	e	deste	produzirem	adequadamente.
Não	 há	 clareza	 nesse	 texto,	muito	 longo,	 com	 um	 único	 período	 e	 quase	 sem
nexo.	Poderia	ser	reestruturado	em	dois	períodos:
O	camponês	nordestino	vive	num	regime	de	exploração	e	sua	produção	agrícola	é	mínima.	É
necessária,	pois,	a	modernização	dessa	estrutura,	com	a	Reforma	Agrária	distribuindo	terras	e
dando	condições	de	fixação	ao	homem	no	campo,	para	que	ele	produza	adequadamente.
•	Tenha	simplicidade.	Quanto	mais	simples	se	escrever,	melhor.	Evitem-se
termos	arcaicos,	rebuscados	como:
Ele	era	o	heréu	de	toda	a	fortuna,	embora	fosse	de	uma	nugacidade	extrema.
(heréu	=	herdeiro;	nugacidade	=	futilidade)
•	Evite	o	uso	de	palavras	cujo	significado	não	se	adapte	ao	texto:
A	audiência	começou	com	esplendor	e	orgia,	pois	os	juízes	são	cabíveis	de	erro.
(orgia	é	libertinagem	e	cabível	é	o	que	tem	cabimento)
•	Evite	o	pleonasmo	vicioso	(tautologia):
O	réu	não	passa	de	um	parasita	que	vive	à	custa	dos	outros.
(todo	parasita	vive	à	custa	dos	outros)
•	Evite	as	anfibologias	ou	duplo	sentido:
Matou-se	por	causa	do	ciúme	da	mulher.
(do	ciúme	que	ele	tinha	da	mulher	ou	do	ciúme	que	a	mulher	tinha	dele?)
•	 Evite	 o	 acumulamento	 que	 consiste	 na	 abusiva	 intercalação	 ou
entrecruzamento	 de	 fatos	 e	 explicações	 dentro	 de	 um	 mesmo	 período.
Revela	 a	 incapacidade	 de	 quem	 escreve	 em	 disciplinar	 o	 pensamento	 às
exigências	da	clareza,	em	ordenar	e	concatenar	as	sequências	ideativas	num
arranjo	de	fácil	compreensão	para	o	leitor:	Veja:
O	problema	do	lixo,	que	aliás	ocorre	em	todos	os	bairros	e	que	merece	inúmeros	comentários
em	toda	a	cidade	em	que	ele	existe	desde	o	século	passado,	eu	o	destaco	agora	nessa	situação.
Note	a	diferença	no	mesmo	trecho	escrito	sem	acumulamentos:
Destaco	 agora	 o	 problema	 do	 lixo,	 objeto	 de	 inúmeros	 comentários	 em	 vários	 bairros	 da
cidade.	Ele	não	surgiu	nos	últimos	anos,	mas	vem	desde	o	século	passado.
Concisão	 –	 é	 a	 fuga	 da	 prolixidade.	 Deve-se	 mencionar	 apenas	 o	 que	 é
estritamente	 indispensável,	 exprimindo	 o	 maior	 número	 de	 ideias	 no	 mínimo
possível	 de	 palavras,	 mas	 sem	 detrimento	 da	 clareza.	 Para	 melhor	 concisão,
deve-se	eliminar:
•	o	uso	excessivo	dos	indefinidos	um	e	uma:
O	acordo	coletivo	que	prevê	um	regime	de	compensação	de	jornada	não	deve	ser	invalidado
pelo	 fato	 de	 haver	 um	 labor	 extraordinário.	 É	 imprescindível	 valorizar	 uma	 negociação
coletiva,	 como	 forma	 de	 um	 incentivo	 à	 autocomposição	 dos	 conflitos	 pelos	 próprios
interessados.
Corrija-se	para:
O	acordo	 coletivo	 que	 prevê	 o	 regime	 de	 compensação	 de	 jornada	 não	 deve	 ser	 invalidado
pelo	 fato	 de	 haver	 labor	 extraordinário.	 É	 imprescindível	 valorizar	 a	 negociação	 coletiva,
como	forma	de	incentivo	à	autocomposição	dos	conflitos	pelos	próprios	interessados.
•	os	pormenores	desnecessários:
O	 alcoolismo,	 que	 é	 o	 uso	 continuado	 de	 bebidas	 alcoólicas,	 é	 uma	 figura	 típica	 e
característica	de	falta	grave	do	empregado	de	uma	firma	ou	empresa,	ensejadora	e	causadora
da	demissão	por	justa	causa	para	que	seja	feita	a	rescisão	do	contrato	de	trabalho.
Corrija-se	para:
O	alcoolismo	é	uma	figura	típica	de	falta	grave	do	empregado	ensejadora	da	justa	causa	para	a
rescisão	do	contrato	de	trabalho.
•	o	supérfluo,	o	redundante:
Ao	 contrário	 disso,	 pensamos	 diferente,	 pois	 o	 alcoolismo	 é	 um	 problema	 da	 alçada	 do
Estado	que	tem	de	enfrentá-lo	de	frente,	assumindo	o	cidadão	doente.
Corrija-se	para:
Pensamos	diferente,	pois	o	alcoolismo	é	um	problema	da	alçada	do	Estado,	que	deve	assumir	o
cidadão	doente.
Observe	 o	 texto	 abaixo	 em	 que	 fizemos	 adaptações	 para	 torná-lo	 inteiramente
prolixo	e	inconciso:
Uma	 promulgação	 tem	 por	 finalidade	 e	 objeto	 determinado	 a	 atestação	 e	 reconhecimento
oficial,	 pelas	 autoridades	públicas,	da	existência	de	uma	 lei,	 com	a	ordem	para	que	ela	 seja
executada	por	todas	as	pessoas	e	a	publicação	é	a	condição	única	e	primordial	dessa	execução
que	foi	ordenada	na	promulgação:	a	divulgação	de	uma	lei	em	toda	a	parte	onde	ela	tenha	de
ser	 cumprida,	 por	 todos	 que	 dela	 tomarem	 conhecimento.	 Uma	 condição	 é,	 portanto,	 o
complemento	da	outra	premissa;	 sem	a	promulgação	que	atesta	oficialmente	a	 existência	de
uma	 lei,	 a	 publicação	 é	 apenas	 e	 unicamente	 uma	 informação	 e	 não	 uma	 ordem;	 sem	 a
publicação	de	uma	 lei,	a	promulgação	é	uma	ordem	inexequível	que	não	pode	ser	cumprida
porque	não	é	transmitida	e	não	sendo	transmitida	não	chega	ao	conhecimento	de	todos	aqueles
que	têm	de	cumpri-la.
Vê-se	 que,	 reescrito,	 o	 texto	 está	 repleto	 de	 pormenores	 desnecessários,	 com
palavras	 e	 expressões	 dispensáveis.	 Nem	 se	 compara	 à	 forma	 clara,	 sucinta	 e
concisa	com	que	o	redigiu	o	seu	autor,	o	ilustre	jurista	Paulino	de	Souza	Netto,
em	Cadernos	do	Direito	Civil,	como	se	observa	a	seguir:
“A	promulgação	tem	por	objeto	a	atestação	oficial	da	existência	da	lei	com	a	ordem	para	que
ela	 seja	 executada.	 A	 publicação	 é	 a	 condição	 primordial	 dessa	 execução	 ordenada:	 a
divulgação	 da	 lei	 em	 toda	 a	 parte	 em	 que	 ela	 tenha	 de	 ser	 cumprida.	 Uma	 é	 condição	 e
complemento	da	outra.	Sem	a	promulgação,	a	publicação	é	apenas	umainformação	e	não	uma
ordem.	 Sem	 a	 publicação,	 a	 promulgação	 é	 apenas	 uma	 ordem	 inexequível,	 porque	 não	 é
transmitida	e	não	chega	ao	conhecimento	de	quem	tem	de	cumpri-la.”
(Paulino	de	Souza	Netto,	in	Cadernos	de	Direito	Civil,	Vol.	I,	p.	125)
Harmonia	 –	 é	 a	 boa	 disposição	 dos	 elementos	 da	 frase	 e	 dos	 arranjos
fraseológicos	 do	 período,	 procurando	 o	 melhor	 ritmo	 e	 ajustamento	 fônico
agradável,	sem	utilizar	expressões	chulas	e	plebeias.
Originalidade	–	é	a	ausência	do	trivial,	evitando-se	o	queísmo	(uso	abusivo	do
“que”),	chapas	e	repetições	de	palavras.
Corrige-se	 o	 uso	 abusivo	 da	 palavra	 que	 fazendo	 a	 substituição	 com	 orações
reduzidas	ou	períodos	simples:
Exemplo:
Entende-se	por	greve	política,	em	sentido	amplo,	a	que	é	dirigida	contra	os	poderes	públicos
para	 que	 se	 consigam	 determinadas	 reivindicações	 que	 não	 são	 suscetíveis	 de	 negociação
coletiva.
Corrija-se	para:
Entende-se	por	greve	política,	 em	sentido	amplo,	 a	dirigida	contra	os	poderes	públicos	para
conseguir	determinadas	reivindicações	não	suscetíveis	de	negociação	coletiva.
Vigor	 –	 é	 o	 emprego	 do	 termo	 próprio	 e	 adequado	 à	 integral	 expressão	 do
pensamento.
Correção	–	é	a	observação	das	 regras	de	gramática,	de	acordo	com	a	 tradição
clássica	da	 língua.	O	vício	que	contraria	essa	qualidade	chama-se	 impureza	da
língua.	Um	texto	correto	apresenta-se	inteiramente	livre	dos	solecismos	(erros	de
sintaxe),	 das	 cacografias	 (erros	 de	 grafia),	 das	 deformações	 (alterações	 nas
formas	 das	 palavras)	 e	 dos	 cruzamerntos	 léxicos	 (emprego	 equivocado	 de
parônimos).
•	Solecismos:	Para	evitá-los	é	necessário	conhecer	os	princípios	e	as	regras
da	sintaxe	de	concordância,	de	regência,	de	construção	e	de	colocação	dos
termos	na	frase.	Eis	um	exemplo	repleto	de	solecismos:
Era	um	bom	professor	e	haviam	muitos	candidatos	que	vinham	lhe	procurar.
Encontram-se	 na	 frase	 três	 solecismos:	 de	 concordância	 (o	 verbo	 haver,
impessoal,	não	se	 flexiona	no	plural);	de	colocação	 (o	pronome	pessoal	átono,
em	 oração	 subordinada	 desenvolvida,	 antepõe-se	 ao	 verbo	 ou	 prende-se	 por
hífen	 ao	 infinitivo	 da	 expressão	 verbal):	 de	 regência	 (o	 verbo	 procurar	 é
transitivo	direto,	e	seu	objeto	pronominal	não	pode	ser	representado	por	lhe,	mas
por	o,	a,	os,	as).	Assim,	será	correto:
Era	um	bom	professor	e	havia	muitos	candidatos	que	o	vinham	procurar.
Era	um	bom	professor	e	havia	muitos	candidatos	que	vinham	procurá-lo.
•	Cacografias:	 Evitam-se	 as	 cacografias	 com	o	 estudo	 acurado	 das	 regras
ortográficas	 sobre	 o	 emprego	 das	 vogais,	 das	 consoantes,	 do	 hífen	 e	 dos
acentos.	Aqui	está	uma	relação	das	cacografias	mais	comuns	em	redações
de	concursos	com	a	correção	ao	lado,	em	itálico.
amisade	 –	 amizade	 /	 ância	 –	 ânsia	 /	 apezar	 –	 apesar	 /	 atravéz	 –	 através	 /	 atraz	 –	 atrás	 /
candieiro	–	candeeiro	/	carangueijo	–	caranguejo	/	conciência	–	consciência	/	concurrência	–
concorrência	 /	 dansar	 –	dançar	 /delapidar	 –	dilapidar	 /	 despêndio	 –	dispêndio	 /	 despeza	 –
despesa	 /	 discreção	–	discrição	 /	 dispender	 –	despender	 /	 estensão	–	extensão	 /	 estensivo	–
extensivo	/	excacês	–	escassez	/	excecivo	–	excessivo	/	explêndido	–	esplêndido	/	expontâneo	–
espontâneo	 /	extender	–	estender	 /	extranho	–	estranho	 /	 frontespício	–	 frontispício	 /	geito	–
jeito	 /	hombro	–	ombro	 /	hontem	–	ontem	húmido	–	úmido	 lage	–	 laje	 /	 limpesa	–	 limpeza	 /
mez	–	mês	/	magestoso	–	majestoso	/	mixto	–	misto	/	praso	–	prazo	/	pretenção	–	pretensão	/
previlégio	–	privilégio	/	recindir	–	rescindir	/	requesito	–	requisito	/	suscinto	–	sucinto.
•	 Deformações:	 são	 as	 deturpações	 mórficas	 de	 uma	 palavra.	 Essas
modificações	na	estrutura	do	vocábulo	são	criadas	por	pessoas	de	educação
idiomática	 deficiente.	 Seguem	 alguns	 exemplos,	 com	 a	 correção	 entre
parênteses:
adevogado	 (por	 advogado);	 contigente	 (por	 contingente);	 desiguinar	 (por	 designar);
excepicional	 (por	excepcional);	 esteje	 (por	esteja);	 falávamos	 (por	 falávamos);	 frustado	 (por
frustrado);	 fôsteis	 (por	 fostes);	 idenização	 (por	 indenização);	 indentidade	 (por	 identidade);
opito	 (por	 opto);	 opróbio	 (por	 opróbrio);	 perfazeria	 (por	 perfaria);	 pertubação	 (por
perturbação);	 pespectiva	 (por	 perspectiva);	 pespicaz	 (por	 perspicaz);	 própio	 (por	 próprio);
prostado	(por	prostrado);	quiz	(por	quis);	reinterar	(por	reiterar);	seje	(por	seja);	solussão	(por
solução);	sube	(por	soube);	vemos-nos	(por	vemo-nos).
•	 Cruzamentos:	 são	 equívocos	 no	 uso	 de	 parônimos,	 ou	 seja,	 palavras
semelhantes	na	 forma	e	na	pronúncia,	mas	de	 significação	diferente.	Esse
emprego	 de	 uma	palavra	 por	 outra	 chama-se	 cruzamento	 léxico,	 como	 se
pode	ver	nos	exemplos	a	seguir:
abjeção	(degradação)	e	objeção	(argumento	contrário);	absolver	(perdoar,	inocentar),	absorver
(sorver,	 aspirar);	 acurado	 (feito	 com	 cuidado),	 apurado	 (refinado,	 fino);	 afear	 (tornar	 feio),
afiar	 (amolar);	 aprender	 (instruir-se),	 apreender	 (assimilar);	 área	 (superfície),	 ária	 (melodia,
cantiga);	 arrear	 (pôr	 arreios),	 arriar	 (descer);	 assoar	 (limpar	 o	 nariz),	 assuar	 (vaiar);	 avocar
(chamar	 a	 si),	 evocar	 (trazer	 à	 lembrança);	 cavaleiro	 (que	 cavalga),	 cavalheiro	 (homem
cortês);	 comprimento	 (extensão,	 medida),	 cumprimento	 (saudação);	 costear	 (passar	 junto	 à
costa,	 navegar),	 custear	 (pagar	 as	 custas,	 financiar);	 deferimento	 (anuição,	 aprovação),
diferimento	(adiamento,	procrastinação);	delatar	(denunciar),	deletar	(apagar),	deleitar	(causar
prazer);	dilatar	(distender,	aumentar),	diletar	(agradar);	descrição	(ato	de	descrever),	discrição
(relativo	a	discreto);	descriminar	(tirar	a	culpa),	discriminar	(distinguir);	despensa	(lugar	onde
se	 guardam	 mantimentos),	 dispensa	 (ato	 de	 dispensar);	 despercebido	 (não	 notado),
desapercebido	(desprevenido);	destratar	(ofender),	distratar	(romper	o	trato);	elidir	(suprimir),
ilidir	(refutar,	anular);	emenda	(correção),	ementa	(resumo);	emigrar	(deixar	um	país),	imigrar
(entrar	num	país);	 eminente	 (elevado),	 iminente	 (prestes	 a	ocorrer);	 emissão	 (ato	de	 emitir),
imissão	 (investimento	 na	 posse	 de	 um	 bem);	 estada	 (permanência	 de	 pessoa),	 estadia
(permanência	de	veículos);	esbaforido	(ofegante,	apressado),	espavorido	(apavorado);	extreme
(puro,	 não	 contaminado),	 extremo	 (afastado,	 último);	 flagrante	 (evidente),	 fragrante
(perfumado);	fluir	(correr	em	estado	líquido),	fruir	(desfrutar);	imergir	(afundar),	emergir	(vir
à	 tona);	 imitir	 (investir	 em),	 emitir	 (mandar	 para	 fora);	 incontinenti	 (sem	 demora),
incontinente	 (falta	 de	moderação);	 indefeso	 (desarmado,	 sem	defesa),	 indefesso	 (incansável,
laborioso);	inflação	(alta	de	preço),	infração	(violação);	infligir	(aplicar	pena),	infringir	(violar,
desrespeitar);	 intemerato	 (puro),	 intimorato	 (corajoso);	 lide	 (demanda),	 lida	 (trabalho);	 lustre
(luminária),	 lustro	 (cinco	 anos);	 mandado	 (ordem	 judicial),	 mandato	 (procuração);	 peão
(operário),	 pião	 (brinquedo);	 preito	 (homenagem),	 pleito	 (disputa,	 eleição);	 prescrever
(ordenar),	 proscrever	 (banir);	 prescrito	 (ordenado,	 vencido),	 proscrito	 (desterrado);	 prover
(abastecer),	provir	(vir	de);	ratificar	(confirmar),	retificar	(corrigir);	recrear	(divertir,	alegrar),
recriar	 (criar	 novamente);	 soar	 (ecoar,	 tocar),	 suar	 (transpirar);	 sortir	 (abastecer),	 surtir
(produzir	efeito);	tráfego	(trânsito),	tráfico	(comércio	ilegal);	vadear	(atravessar	a	vau),	vadiar
(andar	ociosamente);	vultoso	(volumoso),	vultuoso	(atacado	de	congestão	na	face).
5.1.3.	Como	desenvolver	um	parágrafo
O	desenvolvimento	de	um	parágrafo	não	tem	normas	fixas.	Depende	do	tipo	de
composição,	 da	 natureza	 do	 assunto.	 Assim,	 pode-se	 iniciar	 um	 parágrafo	 de
várias	formas,	para	que	o	texto	não	fique	monótono.	Quando	fizer	dissertações,
procure	 sempre	 variar	 o	 desenvolvimento	 dos	 parágrafos,	 a	 fim	 de	 os	 tópicos
frasaisnão	serem	sempre	os	mesmos,	tornando	o	seu	trabalho	algo	desagradável
e	sem	beleza.	Para	seu	treinamento,	seguem	algumas	formas	de	como	iniciar	um
parágrafo.
5.1.3.1.	Declaração	inicial
Afirma-se	ou	nega-se	alguma	coisa	no	tópico	frasal	e,	a	seguir,	desdobra-se	essa
afirmação	ou	negação	nas	ideias	secundárias.	A	justificação	ou	a	fundamentação
do	que	foi	afirmado	ou	negado	é	o	restante	do	parágrafo,	como	se	observa	neste
exemplo:
“O	Brasil	sofre	no	paradoxo	das	drogas	legalizadas.	Maconha	é	crime,	mas	cigarros	podem	ser
facilmente	comprados	no	supermercado.	Tranquilizantes	precisam	de	receita	médica,	embora
qualquer	um	possa	relaxar	com	o	álcool	na	festinha	de	batizado.	Álcool	e	fumo	são	vendidos	e
consumidos	 no	 Brasil	 com	 facilidades	 banidas	 nos	 países	 desenvolvidos.	 O	 efeito	 dessa
liberalidade	 é	 devastador.	 As	 drogas	 legais	 viciam,	 causam	 doenças,	 separam	 famílias	 e
constituem	graves	problemas	sociais	e	de	saúde	pública.”
(In	Superinteressante,	outubro	1998)
O	 autor	 partiu	 de	 uma	 afirmação:	 “O	 Brasil	 sofre	 no	 paradoxo	 das	 drogas
legalizadas.”	A	seguir,	desenvolveu	essa	afirmação,	demonstrando	que	o	cigarro
e	as	bebidas,	apesar	de	drogas,	são	legalizados	e	consumidos	no	Brasil,	tendo	um
efeito	 devastador,	 com	 problemas	 sociais	 e	 de	 saúde	 pública.	 Desenvolveu	 a
afirmação	 (tópico	 frasal),	 podendo,	 agora,	 concatenar	 uma	 nova	 ideia	 em	 um
novo	parágrafo.
5.1.3.2.	Causa	e	consequência
É	outra	maneira	de	se	redigir	um	parágrafo.	Faz-se	uma	correlação	de	ideias,	em
que	uma	pressupõe	a	outra.	Em	um	parágrafo	assim	estruturado,	o	que	vale	é	o
encadeamento	 lógico	 do	 raciocínio.	 Pode	 ser	 de	 forma	 explícita,	 quando
aparecem	 termos	 como	 ora,	 porque,	 porquanto,	 uma	 vez	 que	 (para	 causa),
portanto,	 pois,	 logo,	 de	 sorte	 que,	 de	 forma	 que	 (para	 consequência).	 Será	 de
forma	implícita	se	não	aparecerem	tais	termos,	como	a	seguir:
“As	 transformações	 na	 legalização	 do	 imposto	 de	 renda,	 aplicável	 às	 empresas,	 provocam
alívio	 nos	 dois	 extremos	 do	 seu	 universo.	 As	 micro	 e	 pequenas	 empresas	 são	 hoje
privilegiadas	 por	 tratamento	 especial,	 que	 gradativamente	 vai	 correspondendo	 às	 suas
peculiaridades,	 dando-lhes	 tributação	 mitigada.	 Na	 outra	 ponta,	 as	 grandes	 empresas,
poderosíssimas	na	nossa	economia,	multinacionais	e	 instituições	 financeiras,	 têm	um	regime
de	tributação	único	no	mundo,	pagando	o	imposto	de	renda	optativamente,	não	sobre	o	lucro,
mas	sobre	os	juros	do	capital	próprio.”
(Osíris	Lopes	Filho.	A	Gazeta.	14/03/2007.	p.	3.	Opinião)
Há,	 pois,	 no	 texto,	 uma	 correlação	 de	 ideias	 a	 partir	 de	 uma	 causa:	 “as
transformações	no	imposto	de	renda	provocam	alívio	nos	dois	extremos	de	seu
universo”.	 A	 consequência	 é	 o	 tratamento	 especial	 para	 as	 micro	 e	 pequenas
empresas	e	o	regime	diferenciado	das	grandes	empresas.
5.1.3.3.	Divisão
Para	 redigir	 um	 parágrafo	 por	 divisão,	 faz-se	 uma	 discriminação	 de	 ideias	 no
tópico	 frasal.	 O	 restante	 do	 parágrafo	 é	 explicar	 essa	 discriminação,	 como	 no
texto	a	seguir:
“A	 proposta	 de	 redução	 da	maioridade	 penal	 esconde	 dois	 problemas.	 O	 primeiro	 é	 que	 o
Estatuto	 da	 Criança	 e	 do	 Adolescente	 ainda	 não	 foi	 efetivamente	 implementado	 e,	 por
enquanto,	 direitos	 de	 crianças	 e	 adolescentes	 estão	 apenas	 no	 papel.	 O	 segundo	 é	 a	 não
existência	de	políticas	públicas	para	lhes	assegurar	uma	vida	digna.	Mudanças	estruturais	que
ataquem	os	verdadeiros	males	do	país	são	necessárias	e	não	‚tapar	goteiras’	com	leis	de	fácil
aprovação,	porém	sem	resultados	práticos	e	que	só	irão	decepcionar.”
O	 autor	 anunciou	 dois	 problemas	 (fez	 a	 discriminação)	 e,	 em	 seguida,
desenvolveu	 o	 parágrafo	 informando	 quais	 eram	 (explicou	 a	 discriminação)	 e
indicou	uma	solução	para	eles,	encerrando	o	parágrafo.
5.1.3.4.	Interrogação
Outra	maneira	de	se	redigir	o	parágrafo	é	por	interrogação.	A	proposta	do	autor	é
chamar	 a	 atenção,	 despertar	 a	 curiosidade	 logo	 no	 tópico	 frasal.	 Faz-se	 a
pergunta,	e	o	 restante	do	parágrafo	é	a	 resposta	ou	explicação	a	essa	pergunta,
conforme	se	pode	ver	no	exemplo	a	seguir:
“Tempero	do	relacionamento?	Prova	de	amor?	Afinal,	o	que	é	o	ciúme,	e	por	que	ele	provoca
tantas	 reações	 –	 positivas	 e	 negativas	 –	 no	 nosso	 organismo?	 Dificilmente	 controlável,	 ele
pode	ser,	sim,	saudável	e	até	ajudar	a	melhorar	o	relacionamento.	Mas,	quando	a	“dosagem”
recomendada	do	tempero	não	é	seguida	à	risca,	a	receita	tende,	mesmo,	a	desandar.	Basta	uma
“pitadinha”	 a	 mais	 para	 fazer	 aquele	 namoro	 gostoso	 deixar	 de	 ser	 saudável,	 explica	 a
psicóloga	e	terapeuta	familiar	Adriana	Müller.”
(Priscilla	Thompson.	A	Gazeta.	6/6/2010.	p.	8	Caderno3)
Segundo	 Óthon	 M.	 Garcia,	 “a	 interrogação	 camufla	 um	 tópico	 frasal	 por
declaração	ou	por	definição”.	Observe	que	a	interrogação	poderia	ser	substituída
por	uma	declaração	 inicial.	A	autora	poderia	dizer	que	“o	ciúme	é	 tempero	do
relacionamento,	prova	de	amor	e	provoca	reações	positivas	e	negativas	em	nosso
organismo”	 e	 partir	 para	 as	 especificações.	Mas,	 se	 ela	 tivesse	 iniciado	 o	 seu
texto	com	essa	afirmação,	não	atrairia	tanto	a	atenção	para	o	assunto,	como	o	fez
com	a	interrogação.
5.1.3.5.	Contraste
Neste	 tipo	 de	 parágrafo,	 o	 autor	 procura	 estabelecer	 comparações,	 apresentar
paralelos,	apontar	diferenças,	evidenciar	contrastes,	como	neste	exemplo:
“Não	 se	 pode	 imaginar	 contraste	mais	 violento	 do	 que	 o	 existente	 entre	 o	 litoral	 e	 o	 sertão
nordestino.	De	 um	 lado,	 a	 terra	 escura,	 pegajosa,	 úmida,	 cavada	 de	 sulcos	 ou	 embebida	 de
água,	com	árvores	 frutíferas,	mangueiras,	 laranjeiras,	 canaviais,	 rios	 limosos.	De	outro	 lado,
um	caos	de	pedras	cinzentas	cravadas	em	desordem	no	chão	de	argila	seca,	rachado	pelo	sol,	e
vastas	extensões	de	areia	ardente.	No	litoral,	a	riqueza	da	vegetação	exuberante,	de	um	verde
quase	negro,	com	raízes	mergulhadas	nos	pântanos	e	o	cimo	muitas	vezes	coroado	de	brumas
matinais	–	plantas	que	arrebentam	de	seiva,	de	mel,	de	perfumes.	No	sertão,	a	caatinga,	como
lhe	 chamavam	 os	 índios,	 com	 uma	 vegetação	 de	 cactos,	 de	 moitas	 espinhosas,	 de	 ervas
raquíticas,	 amarelas,	 calcinadas,	 de	 árvores	 esqueléticas	 com	 folhas	 raivosamente	 eriçadas,
transformadas	em	espinhos	ou	arestas,	de	árvores	ventrudas	que	são	como	odres	para	reter	sob
a	 casca	 rugosa	 a	 maior	 quantidade	 possível	 da	 mesquinha	 água	 da	 chuva.	 À	 paisagem
voluptuosa	 da	 cana-de-açúcar,	 em	 que	 tudo	 é	 tentação	 de	 vadiar,	 de	 dormir,	 de	 sonhar,	 de
amar,	opõe-se	esta	paisagem	dura,	angulosa,	trágica.”
(Roger	Bastide,	Brasil-Terra	de	Contrastes,	p.	251)
O	objetivo	do	autor,	no	parágrafo,	é	contrastar	as	diferenças	existentes	entre	o
litoral	e	a	região	sertaneja,	o	que	se	observa	em	um	e	o	que	existe	no	outro.	O
tópico	frasal	(“Não	se	pode	imaginar	contraste	mais	violento	do	que	o	existente
entre	o	litoral	e	o	sertão	nordestino”)	indica	esse	objetivo	e	anuncia	que	as	ideias
serão	desenvolvidas	por	contraste.
5.1.3.6.	Alusão	histórica
É	 um	 recurso	 muito	 utilizado,	 principalmente	 por	 cronistas	 e	 oradores.	 Neste
tipo	 de	 parágrafo	 apresentam-se	 fatos,	 tradições,	 lendas,	 anedotas,
acontecimentos	históricos	e	alusões	ao	passado	para	chamar	a	atenção	do	leitor,
como	no	exemplo	a	seguir:
“Os	antigos	egípcios	fabricavam	e	consumiam	cerveja.	O	vinho	vem	desde	a	época	do	dilúvio.
Beber	 pode	 ser	 agradável	 se	 não	 prejudicar	 a	 saúde.	 O	 primeiro	 efeito	 é	 o	 bem-estar.	 Um
drinque	entorna	alegria,	desinibição,	segurança.	Mas	o	álcool	é	uma	substância	que	ultrapassa
facilmente	as	membranas	celulares	e	em	minutos	encharca	todos	os	órgãos	e	tecidos.	Mesmo	o
cérebro	protegido	por	filtros	bioquímicos	é	imediatamente	invadido.”
O	 autor	 procurou	 despertar	 a	 atenção	 do	 leitor	 com	 a	 alusão	 aos	 antigos
egípcios	e	ao	dilúvio.	Sua	intenção	não	é	falar	da	origem	da	cerveja	ou	do	vinho,
mas	apontar	que	o	abusodo	álcool	é	prejudicial	à	saúde,	por	ser	uma	droga	que
afeta	 principalmente	 o	 cérebro	 e,	 para	 chamar	 a	 atenção	 do	 leitor,	 utilizou
aqueles	dados	históricos.
5.1.3.7.	Omissão	de	dados	identificadores	É	outra	forma	prática	de	se	iniciar	e
desenvolver	 um	 parágrafo.	 Utilizado	 principalmente	 nas	 narrações,	 procura
prender	 o	 leitor	 criando	 uma	 expectativa	 em	 relação	 ao	 que	 será	 dito,	 com	 a
omissão	 de	 dados	 que	 possam	 identificar	 uma	 personagem	ou	 um	 fato	 e,	 com
isso,	criar	um	suspense.	Veja	este	texto:
“Como	diziam	os	amigos,	vivia	no	mundo	da	lua.	Não	prestava	atenção	às	conversas,	por	mais
banais	 que	 fossem.	Esquecia	 de	 abotoar	 o	 colarinho	 quando	 punha	 a	 gravata.	Muitas	 vezes
estava	no	ponto	de	ônibus	e	pegava	o	primeiro	que	parasse,	para	só	depois	lembrar	que	não	era
aquele	que	o	levaria	aonde	queria.	Já	perdera	dois	empregos	por	causa	de	sua	displicência	e	até
quebrara	uma	perna	por	andar	distraído	e	não	perceber	o	buraco	que	havia	na	calçada.	Agora
afirma	 que	 vai	 mudar	 de	 vida,	 que	 nunca	 mais	 estará	 “fora	 de	 órbita”,	 deixará	 de	 ser
nefelibata.	Pretende	olhar	o	mundo	como	ele	é,	arranjar	uma	namorada,	casar	e	ser	feliz.”
Pela	leitura	do	parágrafo,	nota-se	que	o	autor	não	forneceu	um	só	detalhe	para
informar	 quem	 é	 a	 personagem,	 criando	 um	 suspense	 e	 mantendo	 o	 leitor	 na
expectativa.
5.1.3.8.	Explicitação
Pode-se	 começar	 um	 parágrafo	 por	 explicitação,	 esclarecendo	 um	 conceito,
justificando	 uma	 afirmativa.	 No	 tópico	 frasal	 explica-se	 o	 que	 é,	 em	 que
consiste,	qual	é	o	significado	da	expressão,	explicitando-se	o	conceito	por	meio
de	sua	definição,	como	no	exemplo:
“O	processo	mediante	o	qual	os	 seres	humanos	podem	arbitrariamente	 fazer	com	que	certas
coisas	 representem	outras	 pode-se	 chamar	de	processo	 simbólico.	Quando	quer	 que	dois	 ou
mais	 seres	 humanos	 possam	 comunicar-se	 entre	 si,	 eles	 poderão,	 mediante	 acordo,	 fazer
qualquer	coisa	representar	qualquer	outra	coisa,	isto	é,	criar	símbolos.	Não	é	só	isso,	mas	ainda
podemos	 ir	 mais	 longe,	 criando	 símbolos	 que	 representem	 outros	 símbolos.	 Essa	 liberdade
para	criar	símbolos	de	qualquer	valor	determinado	e	criar	símbolos	que	representem	símbolos
é	essencial	àquilo	que	denominamos	processo	simbólico.”
O	 tópico	 frasal	 traz	 um	 conceito	 e	 o	 define	 como	 “processo	 simbólico”.	 O
restante	do	parágrafo	explica	por	que	é	um	processo	simbólico,	levando	o	leitor	a
uma	conclusão.
A	partir	de	agora,	em	suas	redações,	procure	fazer	com	que	os	seus	parágrafos
não	 sejam	 todos	 iguais,	 como	uma	 ladainha.	Escreva	parágrafos	por	definição,
causa	 e	 consequência,	 alusão	 histórica,	 interrogação,	 contraste,	 explicitação,
divisão.
Resumindo
Os	parágrafos	são	fundamentais	à	redação,	pois	constituem	o	visual	prático	da
estrutura	 do	 texto,	 apontando	 as	 três	 partes	 obrigatórias:	 a	 introdução,	 o
desenvolvimento	e	a	conclusão,	e	facilitando	isolar	e	unir	as	ideias	contidas	nos
tópicos	frasais.
Como	vimos	anteriormente,	na	 folha	de	 redação,	o	parágrafo	é	 indicado	por
um	 ligeiro	 afastamento	 da	 margem	 esquerda,	 mais	 ou	 menos	 dois	 a	 três
centímetros,	 com	 a	 alínea	 paragrafal	 iniciando-se	 todas	 à	 mesma	 altura.	 Não
esqueça:	 um	 parágrafo	 não	 pode	 adentrar	 a	 linha	 mais	 do	 que	 outro,	 porque
assim	não	haverá	harmonia	no	visual.
O	 número	 de	 parágrafos	 é	 variável,	 conforme	 a	 extensão	 exigida	 para	 a
redação.	Em	um	concurso,	o	mínimo	exigido	é	de	três	parágrafos	(aconselha-se
quatro	para	melhor	 expor	 as	 ideias	 e	 os	 argumentos),	 e	 o	máximo	depende	da
quantidade	de	linhas	solicitadas	pelos	examinadores.
Treine	para	escrever	parágrafos	com	uma	média	de	cinco	a	oito	linhas,	que	é	o
mais	aconselhável	em	um	concurso,	permitindo	a	você	 ficar	dentro	do	número
solicitado	no	edital,	geralmente	de	30	linhas.
Não	 esqueça	 que	 um	 parágrafo	 só	 pode	 conter	 uma	 ideia	 núcleo	 e	 que	 as
ideias	 secundárias	 devem	 se	 relacionar	 intimamente	 com	 a	 principal	 (coesão).
Toda	vez	que	mudar	o	fio	do	raciocínio,	mude	de	parágrafo.
Em	 uma	 redação	 de	 concurso,	 somente	 o	 primeiro	 parágrafo	 pode	 ser
constituído	de	apenas	um	período	(no	máximo	três).	Nele	faz-se	a	apresentação
do	assunto.	Os	parágrafos	do	desenvolvimento	devem	ter	vários	períodos	(nunca
um)	observando-se	a	quantidade	de	linhas	prevista.	O	último	parágrafo	terá,	no
mínimo,	três	períodos.	No	primeiro,	retoma-se	o	tema;	no	segundo,	faz-se	uma
síntese	 do	 desenvolvimento,	 e,	 no	 terceiro,	 traçam-se	 soluções	 com	 vistas	 ao
futuro.
5.1.4.	Exercícios
Observe	as	frases	a	seguir	e	faça	a	correção:	1.	Quando	o	candidato	chegou,
haviam	muitos	eleitores	que	vinham	lhe	felicitar.
2.	Fizemos	 tudo	o	que	 foi	pedido,	mas	a	carta	de	cuja	nos	 referimos	não	pôde
seguir	anexo.
3.	Segue	incluso	a	petição	inicial	em	cujo	o	texto	estão	as	provas	do	delito.
4.	 Toda	 comunidade	 cujas	 as	 aspirações	 e	 necessidades	 devem	 vincular-se	 os
temas	 da	 pesquisa	 científica,	 possui	 uma	 cultura	 própria	 de	 que	 precisa	 ser
preservada.
5.	 Se	 lhe	 disserem	 que	 não	 entregamos	 o	 relatório,	 enganam-lhe	 por	 que	 essa
falsa	informação	é	um	dos	problemas	de	que	aludimos	em	nossa	última	carta
que	a	enviamos.
Nas	 próximas	 questões	 é	 proibido	 usar	 “que”.	 Assim	 reescreva	 os
períodos	a	seguir	sem	usar	uma	única	vez	a	palavra	“que”	e	sem	substituí-la
por	outro	pronome	relativo.
6.	Os	torcedores	que	tinham	chegado	um	pouco	antes	ao	estádio	 levantaram-se
quando	o	time	entrou	em	campo,	pois	sabiam	que	ele	era	o	melhor.
7.	O	contínuo	que	me	trouxe	a	portaria	que	você	citou	falou	que,	depois	que	a
comentarmos,	todos	se	convencerão	da	utilidade	que	tem	a	referida	portaria.
8.	Os	temas	dados	nas	últimas	redações	se	tornaram	tão	difíceis,	face	à	situação
que	 vivemos,	 que	 até	 os	 melhores	 candidatos	 que	 têm	 os	 concursos	 não
conseguiram	o	êxito	que	estão	acostumados	a	ter.
9.	O	escritor	Rubem	Braga,	que	nasceu	em	Cachoeiro	do	Itapemirim	e	que	é	um
dos	melhores	 cronistas	 que	 nasceram	no	Brasil,	 apresenta	 uma	 temática	 que
vai	desde	o	sentimento	mais	lírico	que	o	ser	humano	pode	ter	até	a	consciência
mais	profunda	que	o	homem	contemporâneo	tem	da	realidade	sociopolítica	em
que	vive.
10.	 Os	 questionários	 que	 vocês	 solicitaram	 que	 fossem	 feitos,	 logo	 que	 o
bimestre	 iniciasse,	 foram	preparados.	Espero	 que	 vocês	 respondam	para	 que
possa	tirar	as	dúvidas	que	foram	suscitadas	pelos	assuntos	que	discutimos	na
reunião	que	passou.
11.	Você	afirmou	que	o	problema	que	a	empresa	estava	tendo	foi	resolvido	pelo
auditor,	o	que	fez	com	que	os	trabalhadores	mudassem	o	comportamento	que
tinham	assumido	ultimamente.
12.	É	bom	que	revisemos	todos	os	itens	que	foram	inseridos	na	última	unidade
do	 balanço	 da	 firma	 e	 que,	 pelo	 regimento	 que	 tem	 a	Empresa,	 é	 certo	 que
serão	temas	da	Portaria	que	será	feita	no	fim	do	mês.
Reescreva	 os	 períodos	 a	 seguir	 de	 modo	 que	 a	 redação	 tenha	 clareza,
coerência,	coesão,	concisão	e	correção.
13.	 Cabe-nos	 levar	 ao	 conhecimento	 dessa	 Gerência	 Financeira	 que	 todos	 os
nossos	 esforços	 foram	baldados	 no	 sentido	 de	 localizarmos	 diferenças	 ainda
existentes	nos	saldos	financeiros	das	contas	de	estoques,	as	quais	não	nos	foi
possível	 localizar,	 embora	 tivéssemos	 pesquisado,	 com	 profundidade,	 os
saldos	de	todas	as	contas	que	compõem	o	grupo	de	estoques.	(Texto	extraído
de	relatório	de	uma	repartição	pública.)	14.	Os	países	subdesenvolvidos	por	se
basearem	numa	economia	praticamente	agrária	e	sendo	eles	o	palco	da	fome,
uma	reforma	agrária	seria	imprescindível	para	diminuir	a	fome	nesses	países.
(Texto	extraído	de	uma	redação	de	concurso.)	15.	Os	homens	modernos	nessa
situação	 de	 incerteza	 gerada	 pela	 inflação,	 salários	 sem	 o	 devido	 reajuste	 e
uma	indefinição	política.	Faz	com	que	gere	nas	pessoas	uma	certa	angústia	e
insegurança.	 (Texto	 extraído	 de	 uma	 redação	 feita	 em	 concurso	 público.)
16.	 O	 camponêsnordestino	 vive	 num	 regime	 no	 qual	 ele	 é	 altamente
explorado	 e	 sua	 produção	 agrícola	 é	 mínima,	 devido	 a	 isto	 urge	 uma
modernização	na	estrutura	agrária.	Que	só	poderá	ser	feito	através	da	Reforma
Agrária.	Na	qual	deverá	haver	distribuição	de	terras	a	camponeses	e	condições
de	 fixar	 o	 homem	 ao	 campo	 e	 destes	 produzirem	 adequadamente.	 (Texto
extraído	 de	 trabalho	 universitário.)	 A	 seguir	 você	 encontra	 dez	 tópicos
frasais.	Leia	cada	um	deles	com	atenção	e	procure	desenvolver	parágrafos
a	partir	da	ideia	que	eles	apresentam.	Lembre-se	de	que	para	aprender	a
redigir	é	necessário	persistência,	disciplina	e	exercitar-se	diariamente.
1.	Falar	em	criminalidade	traz	à	lembrança	os	jogos,	as	drogas	e	o	tráfico.
2.	Dinheiro	é	a	maior	invenção	dos	últimos	700	anos.
3.	O	 panorama	da	 sociedade	 contemporânea	 sugere	 incontáveis	 abordagens	 da
ética.
4.	Ao	reiterar	apavoradamente,	que	apenas	Deus	pode	criar	a	vida,	as	religiões	se
posicionam	contra	a	ciência	genética,	em	vias	de	criar	vida,	artificialmente,	em
laboratório.
5.	Os	milhares	de	pessoas	que	cometeram	delitos,	após	cumprirem	suas	penas,
ficam	quites	com	a	sociedade.
6.	Pesquisas	realizadas	pelo	IBGE	mostram	que	a	pobreza	e	a	violência	atingem
especialmente	os	mais	jovens.
7.	Será	que	a	homofobia	é	um	crime	igual	à	discriminação	racial?
8.	Uma	das	causas	da	criminalidade,	nas	grandes	cidades,	é	o	êxodo	rural.
9.	Não	somos	livres	como	acreditamos	ser.
10.	Ninguém	discordará,	 em	 sã	 consciência,	 da	necessidade	de	o	Brasil	 passar
por	mudanças	significativas	em	sua	 legislação	penal,	 tendo	em	vista	adquirir
um	 melhor	 instrumental	 jurídico	 para	 combater	 algumas	 das	 nossas	 mais
notórias	chagas	sociais.
	
Capítulo	6
Preparando	a	Dissertação
	
Experiência	não	é	o	que	acontece	com	você,	mas	o	que	você	fez	com	o	que	lhe	aconteceu.
Aldous	Huxley	–	escritor	inglês	(1894-1963)
6.1.	A	PREPARAÇÃO	DE	UM	PLANO
Pelo	que	foi	visto	até	agora,	a	dissertação	exige	reflexão,	seleção	de	 ideias	e	a
montagem	de	um	plano	de	desenvolvimento.	O	escritor	e	filósofo	francês	Buffon
foi	enfático	ao	afirmar:
“É	pela	ausência	de	plano,	é	por	não	ter	refletido	bastante	sobre	o	assunto,	que	um	homem
de	talento	se	sente	embaraçado,	não	sabendo	por	onde	começar	a	escrever.	Entrevê,	ao	mesmo
tempo,	grande	número	de	ideias	e,	como	não	as	comparou,	nem	subordinou,	nada	o	obriga	a
preferir	umas	às	outras;	 fica,	pois,	perplexo.	Mas	quando	 tiver	esboçado	um	plano,	quando
tiver	reunido	e	posto	em	ordem	todos	os	pensamentos	essenciais	ao	seu	assunto,	sentirá	o
ponto	de	maturação	da	produção	do	espírito,	apressar-se-á	a	fazê-lo	desabrochar	e	terá	prazer
em	escrever.”
Assim,	para	 escrever	bem	é	preciso	 estar	 completamente	 senhor	do	assunto,
refletir	 bem	 nele,	 ver	 claramente	 a	 ordem	 dos	 pensamentos	 e	 formular	 uma
sequência,	uma	cadeia	em	que	cada	elo	 representa	uma	 ideia	 ligada	à	anterior.
Ter	um	plano,	enfim.
Antes	de	começar	a	escrever,	você	tem	de	delimitar	o	tema,	traçar	o	objetivo
de	sua	redação,	selecionar	ideias,	organizá-las	e	desenvolvê-las.	Nunca	comece	a
escrever	sem	traçar	esse	plano.
6.1.1.	O	plano
Começa	 com	 o	 tema.	 Ele	 pode	 ser	 uma	 frase,	 uma	 oração,	 um	 período.	 O
examinador	 pode,	 além	 do	 tema,	 dar	 algum	 texto	 para	 apoio	 do	 candidato.
Observe	 bem	 o	 tema.	 Não	 o	 confunda	 com	 o	 título.	 Esqueça	 essa	 história	 de
título.	Prenda-se	ao	tema,	pois	você	não	pode	afastar-se	dele.
Imaginemos	que	seja	dado	o	tema:
“A	vida	humana	 tem	um	valor,	o	qual	deve	ser	protegido	por	 leis	que	 tutelem	a	 integridade
física	e	moral	do	cidadão	e	estabeleçam	formas	mais	fraternas	de	convivência.	É	um	direito	de
todos	porque	a	vida	está	acima	de	todas	as	normas.”
Não	 comece	 a	 escrever	 de	 imediato.	 Examine	 o	 tema,	 procure	 entendê-lo,
relacioná-lo	 a	 alguma	 situação	 que	 você	 conheça,	 pois,	 segundo	 Aristóteles,
ninguém	escreve	sobre	o	que	não	conhece.	É	hora	de	esboçar	o	plano.	Prepare	o
rascunho	e	parta,	então,	para	a	primeira	fase	da	sua	redação:	a	delimitação	do
tema.
6.1.1.1.	Delimitação	do	tema
Delimitar	um	tema	é	procurar	entendê-lo,	procurar	descobrir	o	que	você	conhece
do	assunto,	porque	assim	irá	escrever	sobre	o	que	sabe,	de	acordo	com	os	seus
conhecimentos,	com	o	que	você	leu	sobre	ele,	conversou	a	respeito,	ouviu	falar.
Encontrado	o	fio	da	meada,	faça,	agora,	uma	frase	nominal	(sem	verbo)	dizendo
o	que	pretende	discutir	ou	explanar	sobre	esse	assunto.
Para	esse	 tema,	 sobre	o	valor	da	vida	humana	e	seu	direito	de	ser	protegido
por	 leis,	 digamos	 que	 já	 tenhamos	 lido	 a	 respeito	 e	 até	 comentado	 sobre
reportagens	 ou	 questões	 de	Direito	Civil	 ou	Constitucional	 que	 trataram	desse
assunto,	 entendendo	 que	 esse	 direito	 é	 inalienável	 e	 que	 a	 vida	 tem	 um	 valor
jurídico.	 Rascunharemos,	 então,	 uma	 frase	 nominal	 (nesta	 altura	 não	 se	 pode
usar	verbo	algum,	pois	irá	“trancar”	nossas	ideias).
A	nossa	frase	nominal	pode	ser:	“A	vida	humana	como	valor	jurídico.”	É	o
que	deduzimos	do	tema	com	base	em	nossas	conversas,	em	nossas	leituras.
Assim,	delimitar	é	determinar	para	que	se	vai	escrever,	com	que	finalidade,
quais	 os	 objetivos.	 É	 uma	 etapa	 indispensável	 no	 planejamento,	 mas	 não	 é	 a
mais	importante.	A	delimitação	por	si	só	não	garante	uma	direção	para	quem	vai
escrever.	Quem	escreve	sobre	um	determinado	assunto,	mesmo	que	delimitado,
pode	desenvolvê-lo	segundo	diferentes	linhas	de	pensamento	e	acaba	fugindo	à
unidade	e	coerência.	Daí	a	necessidade	de	se	traçar	um	objetivo	para	a	redação.
6.1.1.2.	Objetivo
É	o	nosso	segundo	passo.	Agora	vamos	usar	um	verbo	no	infinitivo.	Esse	verbo
é	que	vai	abrir	a	nossa	mente	e	trazer	as	ideias	que	constituirão	os	tópicos	frasais
de	 nossa	 redação,	 o	 que	 pretendemos	 fazer:	 caracterizar,	 descrever,	 mostrar,
comparar,	 provar,	 apontar,	 indicar,	 contrastar,	 citar	 ou	 outro	 verbo,	 de	 acordo
com	o	que	se	pretende	escrever.	Observe	que	sua	redação	será	de	acordo	com	o
verbo	que	você	escolher.
Digamos	 que	 o	 verbo	 escolhido	 seja	 caracterizar.	O	 nosso	 objetivo,	 então,
será:	caracterizar	que	a	vida	humana	tem	um	valor	jurídico	e	deve	ser	protegida
de	acordo	com	as	necessidades	de	sobrevivência	de	cada	um.
Vê-se	que,	delimitado	o	tema,	torna-se	fácil	fixar	o	objetivo	que	irá	facilitar	a
aquisição	 de	 ideias	 e	 argumentos	 favoráveis	 ou	 contrários	 sobre	 o	 tema	 e	 sua
ordenação.	O	objetivo	é	a	orientação	sobre	o	que	se	vai	escrever	em	um	assunto
delimitado,	dentro	de	uma	 linha	de	pensamento	que	 estará	presente	 em	 todo	o
texto	e	dada	por	aquele	verbo	no	 infinitivo.	É	um	controle	do	pensamento	que
deve	manter-se	dentro	dos	limites	indicados	pelo	verbo,	dando	unidade	ao	texto.
Traçado	o	objetivo,	passamos	agora	à	terceira	etapa,	que	é	a	seleção	de	ideias.
6.1.1.3.	Seleção	de	ideias
Selecionar	ideias	é	utilizar	o	verbo	que	escolhemos	no	infinitivo	e,	a	partir	dele,
anotar	 tudo	 o	 que	 vier	 à	 mente	 com	 que	 se	 possa	 caracterizar	 que	 a	 vida
humana	 tem	 um	 valor	 jurídico	 e	 deve	 ser	 protegida	 de	 acordo	 com	 as
necessidades	de	sobrevivência	de	cada	um.	Você	fará	assim:
•	Caracterizo	dizendo…
•	Caracterizo	dizendo…
•	Caracterizo	dizendo…
Anote	 todas	 as	 ideias,	 fatos,	 opiniões,	 informações,	 tudo.	Mesmo	 que	 essas
ideias	 sejam	 desordenadas	 e	 bem	 simplistas.	 Muitas	 vezes	 a	 ideia	 menos
interessante	será	a	principal.	Esta	fase	é	de	muita	importância	para	desdobrar	a
dissertação.	Muitas	 ideias	 anotadas	 talvez	 nem	 sejam	 utilizadas	 depois,	 outras
poderão	 surgir	 no	 decorrer	 do	 rascunho	 do	 texto,	 uma	 ideia	 pode	 completar
outra.	O	importante	é	que	sejam	todas	anotadas.
6.1.1.4.	Organização	de	ideias
Selecionadas	as	ideias	a	próxima	fase	é	a	sua	organização.	Mas	antes	temos	de
saber	quantos	parágrafos	terá	a	nossa	redação.	Normalmente	os	examinadores	de
concursos	 pedem	 que	 se	 disserte	 em	 25	 ou	 30	 linhas	 no	 máximo,	 pelo	 que
sugerimos	 quatro	 parágrafos	 com	uma	média	 de	 sete	 a	 oito	 linhas,pois	 assim
não	precisará	ficar	contando	linhas.
Digamos	que	ao	selecionar	as	ideias	tivemos	as	seguintes:
•	 Sedimenta-se	 a	 ideia	 de	 que	 a	 vida	 de	 todo	 ser	 humano	 é	 ornada	 de
especial	 dignidade,	 o	 que	 deve	 ser	 colocado	 em	 defesa	 da	 proteção	 das
necessidades	e	da	sobrevivência	de	cada	um.
•	A	consciência	atual	começa	a	encontrar	a	mais	 lógica	de	suas	normas:	a
tutela	da	vida.
•	Os	políticos	devem	elaborar	leis	que	defendam	a	vida	humana.
•	 A	 Constituição	 do	 Brasil	 protege	 a	 vida,	 e	 tudo	 o	 que	 for	 diferente	 é
contrário	ao	Direito.
•	Os	direitos	da	pessoa	humana	devem	ser	bem	respeitados.
•	 A	 Constituição	 orienta	 o	 Estado	 no	 sentido	 da	 dignidade	 da	 pessoa
humana.
•	Não	proteger	a	pessoa	humana	é	um	crime	de	lesa-humanidade.
•	Todos	devem	viver	sob	a	proteção	da	Lei.
•	O	valor	jurídico	da	pessoa	humana	é	inestimável.
•	Devem-se	criar	mais	leis	para	proteção	das	pessoas.
Temos	 dez	 ideias	 anotadas.	 Mas	 a	 nossa	 redação	 terá	 apenas	 quatro
parágrafos.	Então,	vamos	organizar	essas	 ideias,	procurando	dentre	elas	quatro
que	 se	 interliguem.	 Elas	 serão	 os	 tópicos	 frasais	 de	 nossos	 quatro	 parágrafos.
Para	o	primeiro,	escolheremos	a	ideia	que	contenha	o	tema	e	que	poderá	ser:
•	 A	 Constituição	 orienta	 o	 Estado	 no	 sentido	 da	 dignidade	 da	 pessoa
humana	(sexta	ideia	selecionada).
A	ideia	que	se	interliga	a	esta	é:
•	 A	 Constituição	 do	 Brasil	 protege	 a	 vida,	 e	 tudo	 o	 que	 for	 diferente	 é
contrário	ao	Direito	(quarta	ideia).
As	outras	que	se	concatenam	são:
•	A	consciência	atual	começa	a	encontrar	a	mais	 lógica	de	suas	normas:	a
tutela	da	vida	(segunda	ideia).
•	 Sedimenta-se	 a	 ideia	 de	 que	 a	 vida	 de	 todo	 ser	 humano	 é	 ornada	 de
especial	 dignidade,	 o	 que	 deve	 ser	 colocado	 em	 defesa	 da	 proteção	 das
necessidades	e	da	sobrevivência	de	cada	um	(primeira	ideia).
Observe	que	as	 ideias	selecionadas	formam	uma	espécie	de	resumo	do	texto
que	 iremos	 escrever.	 Cada	 uma	 delas	 será	 o	 tópico	 frasal	 de	 nossos	 quatro
parágrafos.	 Só	 nos	 resta	 desenvolver	 cada	 um	 desses	 tópicos	 frasais,	 e	 estará
pronta	a	nossa	redação.	Para	sua	observação,	sublinhamos	as	ideias	dos	tópicos
frasais	ao	desenvolvê-los:
“Vivemos	sob	a	égide	de	uma	Constituição	que	orienta	o	Estado	no	sentido	da	dignidade	da
pessoa	 humana,	 tendo	 como	 normas	 a	 promoção	 do	 bem	 comum,	 a	 garantia	 da	 integridade
física	e	moral	do	cidadão	e	a	proteção	incondicional	do	direito	à	vida.	Essa	proteção	é	de	tal
forma	solene	que	o	atentado	a	essa	integridade	eleva-se	à	condição	de	ato	de	lesa-humanidade:
um	atentado	contra	todos	os	homens.
Afirma-se	que	a	Constituição	do	Brasil	protege	a	vida	e	que	 tudo	aquilo	que	soa	diferente	é
contrário	 ao	Direito	 e	 por	 isso	 não	 pode	 realizar-se.	 Todavia,	 dizer	 que	 a	 vida	 depende	 da
proteção	da	Carta	Maior	é	superfetação	porque	a	vida	está	acima	das	normas	e	compõe	todos
os	artigos,	parágrafos,	incisos	e	alíneas	de	todas	as	constituintes.
A	cada	dia,	a	consciência	atual,	despertada	e	aturdida	pela	 insensibilidade	e	pela	 indiferença
do	mundo	tecnicista,	começa	a	reencontrar	a	mais	lógica	de	suas	normas:	a	tutela	da	vida.	Essa
consciência	de	que	a	vida	humana	necessita	de	uma	imperiosa	proteção	vai	criando	uma	série
de	regras	que	se	ajustam	mais	e	mais	com	a	agressão	sofrida,	não	apenas	no	sentido	de	se	criar
dispositivos	 legais,	mas	como	maneira	de	 estabelecer	 formas	mais	 fraternas	de	convivência.
Este,	sim,	seria	o	melhor	caminho.
Tudo	 isso	vai	 sedimentando	a	 ideia	de	que	a	vida	de	 todo	 ser	humano	é	ornada	de	especial
dignidade,	o	que	deve	ser	colocado	de	forma	clara	em	defesa	da	proteção	das	necessidades	e
da	 sobrevivência	 de	 cada	 um.	Esses	 direitos	 fundamentais	 e	 irrecusáveis	 da	 pessoa	 humana
devem	 ser	 definidos	 por	 um	 conjunto	 de	 normas	 que	 possibilitem	 que	 cada	 um	 tenha
condições	de	desenvolver	suas	aptidões	e	suas	possibilidades.”
6.1.2.	A	estrutura	da	dissertação
Toda	 dissertação	 será	 estruturada	 em	 três	 partes:	 introdução	 (prólogo	 ou
apresentação),	 desenvolvimento	 (explanação	 ou	 análise)	 e	 conclusão	 (fecho).
Logo,	a	organização	das	ideias	deverá	ser	feita	com	esse	foco.
1.	Introdução	–	contém	a	 ideia	núcleo	e	 situa	o	 leitor	dentro	do	assunto	a	 ser
questionado.
2.	Desenvolvimento	–	trata	o	assunto	de	forma	completa,	com	apresentação	de
fatos,	ideias	e	argumentos	exigidos.
3.	 Fecho	 –	 é	 a	 síntese	 e	 encerramento	 do	 texto,	 com	 a	 reafirmação	 da	 ideia
central,	tomando-se	uma	posição	relativamente	ao	assunto.
Deve-se	 usar	 um	 vocabulário	 adequado,	 linguagem	 simples,	 clara,	 objetiva,
além	de	 ter	o	maior	cuidado	com	a	ordem	e	a	clareza	na	exposição	das	 ideias,
dando	destaque	aos	argumentos	de	maior	peso.
6.1.2.1.	A	introdução
Introduzir	 significa	 levar	 para	 dentro.	 É,	 pois,	 na	 introdução	 que	 nos
conduzimos	para	dentro	do	tema,	do	assunto.	Ela	deve	conter	a	ideia	núcleo	que
será	discutida,	nada	lhe	acrescentando.
A	introdução	é	de	suma	importância,	sendo	o	contato	inicial	do	leitor	com	o
texto.	Deve	atrair,	despertar	o	interesse.	É	como	se	fosse	a	vitrina	de	uma	loja.
Tem	 de	 chamar	 o	 freguês.	 Desse	 modo,	 deve	 ser	 objetiva,	 simpática	 e,
sobretudo,	não	pode	ser	longa.	Dois	períodos	já	são	suficientes.	Faça-a	com,	no
máximo,	três	períodos.
Não	 esqueça	 que	 o	 importante	 na	 introdução	 é	 abordar	 o	 tema	 da	 redação,
mesmo	 que	 tenhamos	 de	 usar	 as	 palavras	 dele	 ou	 parte	 delas.	 E	 tem	mais:	 a
redação	começa	na	primeira	linha,	com	a	primeira	palavra	e	não	no	tema	ou	no
título	(esqueça	o	título),	não	havendo,	pois,	repetição.
O	 tópico	 frasal	 (ideia	 principal	 da	 introdução)	 pode-se	 apresentar	 de	 várias
formas:	raciocínio	dedutivo	(tese),	roteiro,	interrogação,	com	exemplos,	razões	e
consequências	etc.
Suponhamos	que	o	tema	da	redação	seja	“Células-tronco”.	Podem	ser	feitos
vários	 tipos	 de	 introdução,	 de	 acordo	 com	 as	 ideias	 do	 redator,	 como	 nos
exemplos	a	seguir:	6.1.2.2.	Introdução	tese
Nesse	tipo	de	introdução	menciona-se,	de	pronto,	no	tópico	frasal,	a	tese	que	se
pretende	 discutir.	 Naturalmente	 a	 tese	 será	 retomada	 na	 conclusão,	 que	 vai
funcionar	como	uma	confirmação	do	que	foi	apresentado	na	 tese,	com	o	apoio
do	desenvolvimento.	É	preciso	ter	bem	claro	o	conteúdo	do	texto,	isto	é,	o	tema
deve	ser,	de	fato,	comprovado	no	desenvolvimento.
Exemplo:
As	células-tronco	provenientes	de	embriões	humanos	armazenados	em	clínicas	de	infertilidade
são	pluripotentes,	podendo	dar	origem	a	qualquer	outra	célula	do	corpo,	exceto	as	necessárias
para	criar	outro	embrião.
6.1.2.3.	Introdução	roteiro
O	 tópico	 frasal	 refere-se	 ao	 tema	 a	 ser	 discutido	 e	 à	 forma	 como	 o	 texto	 será
organizado.	 Para	 o	 tema	 células-tronco,	 pode-se	 fazer	 a	 seguinte	 introdução
roteiro:
Células-tronco	 provenientes	 de	 embriões	 humanos	 armazenados	 em	 clínicas	 de	 infertilidade
são	pluripotentes	e	podem	dar	origem	a	outras	células	do	corpo.	Vejamos	o	porquê.
Outro	exemplo	de	tópico	frasal	para	introdução	roteiro:
Uma	 discussão	 muito	 em	 voga	 no	 momento	 é	 o	 poder	 que	 têm	 as	 células-tronco	 de	 se
reproduzirem	em	outras	células	do	corpo	humano.	Isso	traz	à	tona	inúmeros	questionamentos,
a	começar	pela	ética	médica.
6.1.2.4.	 Introdução	 com	 interrogação	 O	 tópico	 frasal	 apresenta	 questões
relacionadas	 ao	 tema.	A	 resposta	 será	 dada	 no	 desenvolvimento	 do	 parágrafo:
Exemplo:
As	células-tronco	podem	dar	origem	a	qualquer	outra	célula	do	corpo?	São	elas	pluripotentes?
Ou	então:
É	possível	uma	célula	tronco	dar	origem	a	quaisquer	outras,	mesmo	às	necessárias	para	criar
embriões?
6.1.2.5.	Introdução	com	exemplos
É	a	que	traz,	no	tópico	frasal,	um	exemplo	de	como	a	situação	ocorre,	dando	ao
leitor	 a	 dimensão	 do	 problema.	O	 exemplo	 pode	 ser	 real	 ou	 fictício,	 feito	 por
meio	de	uma	pequena	narração	que	introduz	o	assunto,	em	um	tópico	frasal	por
alusão	histórica:
Um	 fato	 ocorreu	 na	 Inglaterra,foi	 noticiado	 na	 Europa	 e,	 em	 seguida,	 em	 todo	 o	 mundo.
Glorificado	pela	mídia	marcou	uma	nova	revolução	nas	ciências	médicas:	um	paciente	de	70
anos	 teve	a	válvula	mitral	 recuperada	com	um	 transplante	de	células-tronco	provenientes	de
um	embrião	humano.	O	paciente	foi	salvo,	mas	foi	criada	uma	polêmica	mundial	sobre	ética
médica	e	células-tronco.
Outro	exemplo:
O	 transplante	 de	 células-tronco,	 tanto	 de	 embriões	 como	 da	medula,	 vem	 sendo	 testado	 na
Europa	e	nos	Estados	Unidos,	com	sucesso	relativo	na	cura	de	várias	doenças,	como	o	diabetes
e	males	 renais.	 Na	 Inglaterra	 já	 foi	 caracterizada	 uma	 cura	 de	 doença	 pulmonar.	Mas	 será
válido	o	uso	de	células-tronco	de	embriões?
6.1.2.6.	Introdução	com	causa	e	consequência	É	das	mais	comuns.	Nesse	tipo
de	 introdução	 os	 motivos,	 as	 justificativas,	 as	 razões	 confundem-se,	 muitas
vezes,	com	detalhes	ou	exemplos:
Tanto	do	ponto	de	vista	 científico	quanto	da	medicina,	 as	 células-tronco	vão	 revolucionar	 a
ciência	da	saúde,	tendo	em	vista	suas	possibilidades	de	reprodução	e	de	substituição	de	outras
células.	 Haverá,	 pois,	 muitas	 alterações	 no	 tratamento	 de	 doenças,	 algumas	 tidas	 como
incuráveis	e	agora	com	perspectivas	de	cura.
Como	 foi	 dito,	 não	 são	 apenas	 essas,	 mas	 há	 outras	 maneiras	 de	 se	 fazer
introduções,	dependendo	da	versatilidade	do	redator.
6.1.3.	O	desenvolvimento
É	 a	 parte	 principal,	 o	 corpo	 da	 redação.	 É	 nesta	 parte	 que	 se	 apresentam	 as
ideias,	 os	 argumentos,	 a	 originalidade.	 A	 introdução	 apresenta	 a	 tese,	 e	 o
desenvolvimento	 é	 o	 debate	 da	 tese.	 É	 a	 parte	mais	 longa	 compreendendo	 os
parágrafos	mediais.
O	 desenvolvimento	 apresenta	 cada	 um	 dos	 argumentos	 ordenadamente,
analisando	detidamente	as	ideias	e	exemplificando	de	maneira	clara	e	suficiente
o	pensamento,	sendo	a	parte	mais	longa	da	redação,	mas	não	necessariamente	a
mais	 confusa,	 complicada	 e	 ininteligível.	 Isso	 só	 ocorrerá	 se	 você	 não	 tiver
selecionado	 e	 organizado	 as	 ideias.	 Daí	 observe	 o	 que	 dizem	 os	 mestres	 da
redação:
Só	comece	a	escrever	depois	de	selecionar	e	organizar	as	ideias,	quando	você	já	escolheu	os
tópicos	frasais	que	vai	utilizar,	sabendo,	com	certeza,	aquilo	que	e	sobre	o	que	vai	escrever.
Não	há	necessidade	de	muitas	ideias	(o	espaço	dado	é	pequeno:	30	a	40	linhas
no	máximo).	O	importante	é	que,	mesmo	sendo	poucas	as	ideias,	sejam	correta	e
objetivamente	 expostas,	 unidas	 por	 termos	 correlacionais	 (coesivos),	 a	 fim	 de
não	 cansar	 o	 leitor	 (examinador)	 com	 ideias	 superpostas	 e	 períodos	 longos	 e
maçantes.
Lembre-se:	 para	 desenvolver	 um	 tema	 é	 preciso	 cultivar	 o	 hábito	 de
entranhar-se	em	diversos	assuntos,	a	 fim	de	observar	as	relações	entre	as	áreas
de	 conhecimento,	 ou	 seja,	 é	 preciso	 ler,	 acostumar-se	 a	 ler	 e	 ler	 bastante.
Dominar	o	assunto	implica	observar	e	fazer	uma	seleção	das	ideias	que	vão	ao
encontro	do	seu	ponto	de	vista	para	o	desenvolvimento	do	texto.
Descobrir	 os	 limites	 temáticos	 (o	 que	 você	 faz	 na	 delimitação	 do	 tema)	 é
imprescindível,	 já	que	os	 textos	 serão	desconsiderados	e	não	corrigidos	 se	não
desenvolverem	 a	 proposta	 solicitada.	 Aqueles	 que	 tangenciarem	 o	 assunto	 ou
apresentarem	 baixo	 nível	 de	 informações	 também	 não	 terão	 retorno	 positivo:
texto	fraco,	nota	fraca.
É	 no	 desenvolvimento	 que	 se	 faz	 a	 argumentação.	Argumentar	 é	 apresentar
evidências	que	confirmem	a	posição	assumida,	expor	os	detalhes	que	justifiquem
a	tese	para	convencer	o	leitor	(examinador)	de	que	a	defesa	que	se	faz	é	a	melhor
possível.	 O	 objetivo	 é	 convencer,	 mas	 não	 a	 qualquer	 preço,	 e	 sim	 com
argumentos	sustentáveis	e	éticos.	Defenda	na	sua	redação	a	opinião	para	a	qual
você	tenha	os	melhores	argumentos	a	fim	de	articular	com	competência.
E	surge	a	pergunta:	como	imaginar	argumentos?	Uma	forma	simples	é	pensar
no	modo	como	raciocina	alguém	de	quem	você	discorda.	O	que	ele	diria	sobre	o
assunto?	 Enumere	 os	 argumentos	 em	 oposição	 a	 ele.	 Outra	 forma	 é	 utilizar
paradoxos,	ou	seja,	fugir	da	opinião	comum.	Afastar-se	do	senso	comum,	pensar
na	 ideia	 que	 vai	 contra	 a	 corrente	 e	 verificar	 se	 há	 pertinência	 com	 o	 tema
proposto	para	a	redação.
Utilize	dois	ou,	no	máximo,	três	parágrafos	no	desenvolvimento.
6.1.4.	A	conclusão
É	 o	 acabamento	 da	 redação.	 Da	 mesma	 forma	 que	 não	 se	 pode	 iniciar
abruptamente,	 também	 não	 se	 pode	 terminar	 de	 chofre.	 Você	 caminha	 por
etapas.	Fez	a	delimitação	do	tema,	traçou	o	objetivo,	selecionou	e	organizou	as
ideias,	 redigiu	 a	 introdução	 e	 o	 desenvolvimento.	 Agora	 é	 o	 momento	 de
elaborar	o	fecho,	a	conclusão.
O	 último	 parágrafo	 da	 redação	 é	 aquele	 que	 vai	 “amarrar”	 as	 ideias
desenvolvidas,	ou	melhor,	vai	 sintetizar,	 reforçar	 a	 tese	provada.	Não	deve	 ser
longo	e,	a	exemplo	da	introdução,	ocupará	apenas	um	parágrafo.
A	conclusão	pode	e	deve	ser	maior	do	que	a	introdução,	mas	sempre	menor	do
que	 o	 desenvolvimento.	 Deve	 ter	 exatidão,	 clareza	 e	 coerência	 em	 função	 da
análise	 feita	 no	 desenvolvimento.	 Aconselha-se	 que	 tenha	 um	mínimo	 de	 três
períodos.	Dessa	forma	você	pode	concluir	seu	texto:	1.	fazendo	uma	síntese	das
ideias	expostas;
2.	explicando	um	posicionamento	e/ou	questionamento,	desde	que	coerente	com
o	 desenvolvimento;	 3.	 extraindo	 uma	 dedução	 ou	 demonstrando	 uma
consequência	 dos	 argumentos	 expostos;	 4.	 fazendo	 uma	 proposta,	 isto	 é,
apontando	 soluções,	 procurando	 saída,	 buscando	 medidas	 que	 possam	 ser
tomadas;	 5.	 levantando	 uma	 hipótese	 ou	 fazendo	 uma	 sugestão	 que	 seja
coerente	com	as	afirmações	feitas	no	desenvolvimento.
Essas	formas	de	conclusão	não	são	exclusivas.	Você	pode	concluir	um	texto
deduzindo	 algo	 do	 que	 foi	 exposto,	 mas	 expressando	 tal	 dedução	 como	 seu
posicionamento	face	ao	problema	analisado.
Vejamos	dois	tipos	de	conclusão:
6.1.4.1.	Conclusão	proposta
Este	 tipo	 de	 conclusão	 aponta	 soluções,	 procura	 saída,	 busca	 medidas	 que
possam	ser	tomadas.	Para	um	texto	que	fale	sobre	o	aumento	da	criminalidade	e
cujo	 parágrafo	 de	 abertura	 diga	 que	 “entre	 as	 causas	 do	 aumento	 da
criminalidade	 estão	 o	 êxodo	 rural,	 ocasionado	 pelo	 abandono	 em	 que	 vive	 o
homem	 do	 campo,	 os	 meninos	 de	 rua	 e	 os	 adultos	 sem-teto”	 uma	 conclusão
proposta	poderia	ser:
Como	 se	 nota	 pela	 dimensão	 do	 problema,	 algumas	 medidas	 têm	 de	 ser	 tomadas	 com
urgência.	 É	 necessário	 investir	 no	 homem	 do	 campo,	 para	 localizá-lo	 na	 terra,	 a	 fim	 de
produzir	e	auferir	ganhos	para	sua	subsistência;	desenvolver	projetos	educativos	para	tirar	as
crianças	 das	 ruas	 e	 educá-las	 no	 sentido	 de	 transformá-las	 em	 mão	 de	 obra	 qualificada	 e
cidadãos	 honestos.	 Além	 disso,	 deve-se	 promover	 campanhas	 educativas	 para	 a	 população,
com	ampla	fiscalização	das	autoridades	responsáveis.
Não	 esqueça	 que	 o	 encerramento	 deve	 ser	 maior	 do	 que	 o	 parágrafo	 de
abertura	do	texto,	tendo	em	vista	retomar	o	tema,	sintetizar	as	ideias	expostas	no
desenvolvimento	e	procurar	apontar	soluções.
6.1.4.2.	Conclusão	resumo
É	um	outro	tipo	de	conclusão	fácil	de	se	redigir.	Faz-se	um	resumo	dos	aspectos
abordados	no	desenvolvimento	e	apresenta-se	 (ou	 reforça-se)	a	 tese	contida	no
primeiro	 parágrafo.	 Para	 a	 hipótese	 do	 texto	 de	 que	 falamos	 no	 item	 anterior,
poder-se-á	fazer	a	seguinte	conclusão	resumo:
Pelo	que	acabamos	de	verificar,	o	problema	do	aumento	da	criminalidade	não	é	 tão	simples
como	 parece.	 É	 amplo	 e	 abrange	 do	 êxodo	 rural	 às	 crianças	 abandonadas	 e	 aos	 sem-teto.
Afeta-nos	diretamente	e	 torna	necessária	uma	ação	conjunta	governo-sociedade	na	busca	de
uma	solução	urgente	e	definitiva,	com	o	apoio	de	todos	e,	principalmente,	com	o	empenho	das
autoridades	responsáveis.
6.1.5.	Leia	e	entenda
É	 importante	 que	 você	 treine	 o	 planejamento.	 Mas,	 antes,	 para	 entendê-lo
melhor,	 leia	 o	 texto	 a	 seguir,	 afim	 de	 compreender	 bem	 os	 itens	 introdução,
desenvolvimento	 e	 conclusão.	 Ao	 término	 do	 texto,	 faremos	 um	 comentário
exemplificando	esses	itens	que	você	sempre	deverá	ter	em	mente	ao	escrever.
Há	 ideologias	 que	 pressupõem	 o	 homem	 como	 um	 ser	 naturalmente	 inclinado	 à	 guerra,
essencialmente	agressivo.	São	 ideias	 fundamentadas	na	 teoria	da	evolução,	nos	conceitos	da
luta	pela	existência,	em	que	o	mais	forte	ocupa	as	altas	posições	econômicas	e	políticas.
No	 entanto,	 essas	 concepções	 são	 completamente	 contrárias	 à	 tendência	 evolucionária
humana,	 que	 retrocede	 não	 só	 até	 a	 evolução	 em	nível	 animal,	mas	 também	 ao	mais	 baixo
nível	de	luta	animal.	Nem	mesmo	os	carnívoros	se	alimentam	uns	dos	outros,	como	o	homem
competitivo	devora	os	rivais.
Nenhum	 futuro	 evolucionário	 espera	 o	 homem	que	 segue	 este	 caminho.	A	 luta	 competitiva
não	deixará	sobreviventes.	Mesmo	que	se	limite	a	uma	guerra	econômica,	só	pode	acabar	em
contenda	 social,	 em	 crises	 de	 desemprego,	 em	 apuros	 financeiros	 e	 num	 fracasso	 quanto	 à
utilização	dos	recursos	do	mundo	da	maneira	mais	completa	e	eficiente.
Fora	 de	uma	 atitude	mútua	de	 colaboração	 social	 e	 da	 produção	voltada	 e	 planejada	para	 o
consumo,	não	há	solução	para	tais	dificuldades.	Enquanto	se	mantiverem	as	condições	atuais,
o	homem	sentir-se-á	agressivo,	estará	preparado	para	assegurar	seu	próprio	bem-estar	à	custa
do	próximo.
Esta,	contudo,	não	é	a	natureza	do	homem,	e	sim	a	natureza	do	homem	em	nível	subumano.	Se
o	colocarmos	em	condições	de	trabalho	realmente	humanas,	tendo	em	vista	o	bem	comum,	sua
natureza	 tornar-se-á	 mais	 humana,	 mais	 cooperativa	 e	 seu	 futuro	 estará	 assegurado.	 Se
fracassarmos	nesse	propósito,	seu	futuro	será	a	guerra	e	a	destruição.
Como	você	observou	na	leitura,	o	tema	desse	texto	é:	“o	homem	é	um	animal
naturalmente	agressivo,	o	que	se	tem	provado	por	inúmeras	ideologias	e	até	pela
teoria	da	evolução.	Prova	disso	é	a	luta	competitiva	que	ele	trava	todos	os	dias,
procurando	sobressair	no	trabalho,	na	sociedade	e	em	todos	os	momentos	de	sua
vida.”
Dado	 o	 tema,	 o	 autor	 fez	 a	 delimitação,	 em	 uma	 frase	 nominal:	 “A
agressividade	 do	 homem	 frente	 à	 própria	 natureza.”	 A	 seguir,	 traçou	 o	 seu
objetivo,	usando,	agora,	um	verbo	no	infinitivo:	“Mostrar	que	a	agressividade	do
homem	não	é	a	natureza	normal	do	ser	humano.”
A	 partir	 do	 verbo	 no	 infinitivo	 (mostrar)	 ele	 selecionou	 várias	 ideias	 que
organizou	depois	em	cinco,	já	que	sua	redação	foi	prevista	para	cinco	parágrafos.
Cada	uma	das	cinco	ideias	que	organizou	(de	tal	modo	que	uma	puxasse	a	outra)
tornou-se	o	tópico	frasal	dos	cinco	parágrafos.	Então,	ele	objetiva	“mostrar	que	a
agressividade	do	homem	não	é	a	natureza	normal	do	ser	humano”,	dizendo	que:
1.	Há	ideologias	que	pressupõem	o	homem	como	um	ser	naturalmente	inclinado
à	guerra,	essencialmente	agressivo.
2.	 Essas	 concepções	 são	 completamente	 contrárias	 à	 tendência	 evolucionária
humana.
3.	Nenhum	futuro	evolucionário	espera	o	homem	que	segue	este	caminho.
4.	 Fora	 de	 uma	 atitude	mútua	 de	 colaboração	 social	 e	 da	 produção	 voltada	 e
planejada	para	o	consumo,	não	há	solução	para	tais	dificuldades.
5.	 Esta	 não	 é	 a	 natureza	 do	 homem,	 e	 sim	 a	 natureza	 do	 homem	 em	 nível
subumano.
Vê-se	que	a	organização	de	 ideias	 fez	um	resumo	do	 texto	e	com	unidade	e
coerência.	 Partiu,	 então,	 o	 autor,	 para	 o	 desenvolvimento	 das	 ideias,	 ou	 seja,
cada	ideia	tornou-se	o	tópico	frasal	de	um	parágrafo	a	ser	redigido.
A	 introdução	 foi	 feita	 a	 partir	 da	 primeira	 ideia	 selecionada.	 É	 o	 parágrafo
inicial.	Nele,	 o	 autor	 fez	 a	 abordagem	do	 tema	 (contém	o	 tema)	 com	base	 em
uma	tese:	“Há	ideologias	que	pressupõem	o	homem	como	um	ser	naturalmente
inclinado	 à	 guerra,	 essencialmente	 agressivo.”	 Terminada	 essa	 ideia,	 o	 autor
iniciou	 o	 desenvolvimento,	 usando	 a	 segunda	 ideia,	 segundo	 parágrafo.	 Nela,
discorda	da	que	foi	apresentada	na	introdução,	de	acordo	com	o	objetivo	traçado.
De	acordo	com	esse	segundo	parágrafo,	no	desenvolvimento,	ele	confirmou	e
justificou	 os	 princípios	 expostos	 em	 sua	 tese	 (ideia	 núcleo	 do	 segundo
parágrafo),	 utilizando	 recursos	 de	 exemplos	 (quatro	 últimas	 linhas	 do	 terceiro
parágrafo)	 que	 reforçam	 a	 ideia	 assumida	 no	 decorrer	 de	 sua	 argumentação,	 e
apresentou	 soluções	 aos	 impasses	 que	 denuncia	 (quatro	 primeiras	 linhas	 do
quarto	parágrafo).
Na	conclusão	 (parágrafo	 final),	o	autor	 retomou	a	 ideia	núcleo	desenvolvida
no	 decorrer	 da	 dissertação,	 sintetizando-a	 e	 encerrando	 o	 assunto	 de	 forma
taxativa	e	enfática.
6.1.6.	Exercícios
A	 seguir	 há	 dez	 assuntos	 de	 dissertação.	 Você	 vai	 fazer	 uma	 introdução
para	cada	um	deles,	de	acordo	com	o	que	aprendeu	neste	capítulo.
1.	A	Lei	Seca	não	está	sendo	cumprida	e	precisa	de	uma	“boa	sacudida”.
2.	Aumenta	consideravelmente	o	número	de	idosos	no	Brasil.	Em	1980	havia	16
idosos	para	100	crianças;	em	2000,	30	para	100	e,	para	2050	a	previsão	é	de
175	idosos	para	cada	100	crianças.
3.	 De	 todos	 os	 problemas	 brasileiros	 o	 que	 mais	 sobressai	 em	 importância	 e
gravidade	é	o	da	educação.
4.	 Segurança	 e	 saúde	 são	 imprescindíveis	 quando	 o	 propósito	 é	 manter	 um
ambiente	de	trabalho	hígido	e	produtivo.
5.	Já	está	provado	que	quanto	mais	pobre	é	uma	comunidade,	mais	ela	depende
do	meio	ambiente.
6.	Na	atualidade,	avanços	da	biologia	molecular	e	genética	começam	a	viabilizar
procedimentos	médicos	que	afetam	as	fronteiras	do	universo	ético.
7.	O	processo	de	globalização	foi	muito	mais	rápido	no	âmbito	das	finanças	e	do
comércio	do	que	no	plano	político	e	institucional.
8.	Reduzir	a	idade	penal	é	a	solução.
9.	Os	direitos	humanos,	a	grande	conquista	moderna,	procedem	da	ideia	de	que	o
governo	está	a	serviço	dos	cidadãos,	e	não	o	contrário.
10.	O	sistema	de	saúde	pública	está	falido.
Continuando	a	treinar	redação,	faça	um	encerramento	para	cada	um	dos
textos	 a	 seguir:	 1.	 Ser	 miserável	 significa	 viver	 de	 forma	 absolutamente
insalubre.	No	Recife,	favelas	enormes	são	erguidas	em	cima	de	mangues	ou	rios
sem	 qualquer	 condição	 de	 segurança	 ou	 higiene.	 Quando	 a	maré	 sobe,	 o	 lixo
invade	 os	 barracos,	 espalhando	 dejetos	 por	 toda	 a	 vizinhança.	 A	 falta	 de
saneamento	é	responsável	pela	proliferação	de	doenças.
2.	O	Brasil	 gasta	 21%	do	 produto	 interno	 bruto	 na	 área	 social,	mas	 os	 pobres
ficam	com	a	menor	fatia	desse	dinheiro.	Os	10%	mais	ricos	recebem	quase	a
metade	 dos	 recursos	 distribuídos	 entre	 aposentados.	 Cerca	 de	 60%	 do	 gasto
com	 educação	 financiam	 as	 universidades	 do	 governo,	 onde	 estudam	 os
integrantes	do	topo	da	pirâmide.	Só	2%	das	despesas	sociais	são	destinados	a
investimento	em	saneamento	básico.
3.	Metade	dos	miseráveis	brasileiros	vive	no	Nordeste,	geralmente	na	zona	rural
de	 cidades	muito	 pequenas.	Nesses	 bolsões	 de	 pobreza,	 assolados	 pela	 seca,
falta	 comida,	 e	 não	há	 trabalho	para	 todo	mundo.	Em	muitos	 casos,	 a	 única
fonte	de	rendimento	das	famílias	provém	da	venda	de	ossos	aos	comerciantes,
que	usam	o	“produto”	como	matéria-prima	de	ração	de	animais.
(Textos	 retirados	da	 revista	Veja,	 edição	1,735)	4.	Costumamos	olhar	 pouco
para	fora	do	Brasil	quando	tentamos	compreender	o	que	estamos	vivendo.	Faz
muito	 que	 a	 distância	 entre	 os	 países	 desapareceu,	 no	 plano	 objetivo.
Continuamos,	 porém,	 vivendo	 “isolados	 do	mundo”,	 como	 diz	 uma	 canção,
ainda	que	apenas	na	subjetividade.	Se	pensarmos	no	que	está	à	nossa	volta,	na
América	 do	 Sul,	 então,	 mais	 ainda.	 Mesmo	 quando	 é	 bem	 informado,	 o
brasileiro	típico	se	mostra	mais	capaz	de	dar	notícia	do	que	ocorre	na	Europa	e
nos	Estados	Unidos	da	América	do	que	em	qualquer	outro	de	nossos	vizinhos.
(Marcos	Coimbra.	“Olhando	à	nossa	volta”	in	Correio	Braziliense,	23/9/2007)
5.	Cidadania	é	o	direito	de	ter	uma	ideia	e	poder	expressá-la.	É	poder	votar	em
quem	 quiser	 sem	 constrangimento.É	 processar	 um	médico	 que	 cometa	 um
erro.	 É	 devolver	 um	 produto	 estragado	 e	 receber	 o	 dinheiro	 de	 volta.	 É	 o
direito	 de	 ser	 negro	 sem	 ser	 discriminado,	 de	 praticar	 uma	 religião	 sem	 ser
perseguido.	Há	detalhes	que	parecem	insignificantes,	mas	revelam	estágios	de
cidadania:	 respeitar-se	 o	 sinal	 vermelho	 no	 trânsito,	 não	 jogar	 papel	 na	 rua,
não	destruir	telefones	públicos.	Por	trás	desse	comportamento	está	o	respeito	à
coisa	pública.
6.	A	reserva	de	cotas,	como	não	podia	deixar	de	ser,	proporciona	um	problema
social.	Não	há	como	concordar	com	a	reserva	de	cotas	nas	universidades	nem
para	negros,	nem	para	índios,	nem	para	minorias.	O	caminho	não	é	por	aí.	Isso
seria	simplesmente	estímulo	ao	problema	racial	que	já	está	em	estágio	bastante
avançado	no	país.
(Opinião.	A	Gazeta.	Natanael	Leal	–	Vitória,	27/6/2010)	7.	A	morosidade	do
Judiciário,	 que	 está	 diretamente	 associada	 ao	 sentimento	 de	 impunidade,	 se
reaviva	sempre	que	algum	caso	de	corrupção	é	denunciado	ou	o	autor	de	um
homicídio	 bárbaro	 é	 solto,	 apesar	 de	 o	 senso	 comum	 apontar	 para	 a	 grave
ameaça	que	este	representa	à	sociedade.	É	um	tema	recorrente	que	desafia	os
magistrados	 a	 identificar	 causas	 e	 buscar	 soluções.	 (…)	 Os	 juízes	 federais
estão	 empenhados	 em	mudar	 essa	 situação.	 A	 reforma	 do	 Processo	 Penal	 é
uma	 das	 iniciativas	 mais	 importantes	 para	 pôr	 fim	 ao	 sentimento	 de
impunidade.
8.	 O	 Brasil	 rural	 está	 vencendo	 seus	 desafios	 com	 mais	 rapidez.	 A
universalização	da	educação	e	o	acesso	progressivo	a	comodidades	do	mundo
moderno,	 como	 energia	 elétrica	 e	 telecomunicações,	 além	 da	 importância
crescente	 do	 agronegócio	 na	 economia,	 tendem	 a	 reduzir	 fluxos	migratórios
para	as	cidades	e	ainda	a	diminuir	as	diferenças	entre	os	indicadores	do	campo
e	 dos	 centros	 urbanos	 (as	 taxas	 de	 fecundidade,	 por	 exemplo,	 já	 se
aproximam).
(Editorial	O	Globo,	21/11/2007)	9.	Volta-se	a	falar	em	reforma	política,	mas
todos	os	que	a	pregam	dentro	da	 tradição	brasileira	querem-na	porque	não	a
querem,	 pretendem	 fazê-la	 de	 tal	 forma	 que	 o	 poder	 permaneça	 com	 as
oligarquias.	O	 sistema	eleitoral	 terá	de	 ser	de	 tal	ordem	que	o	poder	de	 fato
não	saia	das	mãos	dos	descendentes	daquelas	famílias	que,	acompanhando	D.
João	VI,	 aqui	 se	 instalaram	 em	 nova	 e	mais	 efetiva	 colonização	 política	 do
Brasil.	O	argumento	reacionário	das	elites	é	sempre	o	mesmo:	o	povo	não	está
preparado	para	o	poder.
(Mário	 Santayana.	 “A	 pirâmide	 e	 o	 trapézio”.	 In	 Correio	 Braziliense,
4/10/2008)	10.	A	magnitude	e	a	velocidade	das	mudanças	em	todo	o	mundo
têm	trazido	um	impacto	dramático	sobre	as	pessoas	e	seus	locais	de	trabalho
nos	 últimos	 tempos.	 O	 ritmo	 das	mudanças	 é	muito	 rápido.	 E	 o	 futuro	 nos
acena	com	uma	aceleração	ainda	maior	em	termos	de	 inovação,	 tecnologia	e
globalização.
Leia	 os	 textos	 a	 seguir	 e	 considere-os	 como	 sendo	 um	 parágrafo	 de
abertura.	 Faça,	 então,	 dois	 parágrafos	 de	 desenvolvimento	 e	 um	 de
encerramento	para	cada	um	deles.
1.	 Várias	 pesquisas	 revelam	 que,	 no	 Brasil,	 os	 jovens	 são	 mais	 vítimas	 que
algozes	da	violência.	De	um	lado,	o	número	de	infratores	supera	em	pouco	a
casa	dos	40	mil,	o	que	representa	2%	da	população	total	da	faixa	etária	dos	12
aos	17	anos.	Esses	adolescentes	respondem	por	20%	das	infrações	praticadas
no	 território	 brasileiro.	 De	 outro	 lado,	 os	 assassinatos	 representam	 hoje
50,15%	dos	óbitos	verificados	entre	os	adolescentes	em	decorrência	de	causas
não	naturais.
2.	 Antes	 de	 falar	 em	 cota,	 o	 que	 o	 governo	 deve	 fazer	 é	 privatizar	 todas	 as
universidades	públicas.	A	quantia	absurda	de	dinheiro	que	vai	ganhar	com	a
privatização	 e	 o	 que	 vai	 deixar	 de	 gastar	 com	 o	 ensino	 superior	 dará	 para
conceder	 bolsas	 de	 estudo	 para	 que	 todos	 –	 independente	 de	 cor	 ou	 raça	 –
façam	cursos	preparatórios	e	o	ensino	superior	em	faculdades	particulares,	e,
ainda,	 ficará	 em	 caixa	muito	 dinheiro.	 Cota	 para	 negro	 é	 racismo,	 é	 querer
afirmar	que	o	negro	é	menos	inteligente	que	o	branco.
3.	O	problema	da	droga	é	econômico	e	ideológico.	Com	a	transnacionalização	da
economia,	materializam-se	 novas	 formas	 de	 controle.	 Foi	 criado	 um	 sistema
jurídico-penal	 com	o	 fim	de	criminalizar	 e	penalizar	determinadas	drogas.	É
curioso	 observar	 que	 se	 penaliza	 sobretudo	 aquelas	 vindas	 das	 economias
periféricas	 (maconha,	 crack	 e	 cocaína	 produzidas	 na	 América	 Latina)
enquanto	se	permitem	as	ligadas	à	grande	indústria	(álcool	e	anfetaminas).
(Cadernos	do	Terceiro	Mundo,	nº	176-Ed.	Terceiro	Mundo)	4.	Nesta	“aldeia
global”	 de	 nosso	 tempo,	 em	 que	 os	 meios	 de	 comunicação	 exibem	 a	 cada
instante	as	vantagens	do	bem-estar	material,	da	cultura	e	do	poder,	não	se	pode
pedir	a	nosso	povo	que	continue	vivendo	na	pobreza.	Mas	é	fato,	dramático,
que	 quase	 a	 metade	 da	 população	 vive	 na	 pobreza	 e	 que	 o	 Brasil	 exibe
assombrosas	desigualdades	na	distribuição	de	renda.
5.	“Os	estudos	encomendados	pela	Agência	Nacional	de	Aviação	Civil	 (Anac)
para	avaliação	da	viabilidade	de	concessão	à	iniciativa	privada	da	gestão	dos
aeroportos	 trouxe	 novamente	 à	 baila	 da	 discussão	 sobre	 o	 módulo	 de
administração	 dos	 terminais	 aéreos	 brasileiros.	 Junte-se	 a	 isso	 a	 necessidade
urgente	 de	 investimentos	 na	 ampliação	 e	 modernização	 da	 infraestrutura
existente,	além	da	construção	de	novas	estações	aeroviárias.”
(Jornal	A	Gazeta,	19/01/2011,	Editorial)	6.	“Quando	você	manda	embora	uma
empregada	não	tem	de	pagar	13º	salário,	férias,	folgas?	Por	que	a	esposa	que
faz	o	mesmo	tem	de	ficar	só	com	a	pensão	quando	o	marido	a	larga?”,	rebela-
se	uma	dona	de	casa	que	jamais	comungou	com	o	feminismo.	Intuitivamente
ela	 tocou	 num	 ponto	 nevrálgico	 da	 organização	 econômica	 das	 sociedades.
Trabalho,	 por	 definição	 técnica	 é	 um	 investimento	 de	 energia	 física	 na
execução	de	alguma	tarefa.	O	que	varia	são	as	modalidades.
7.	 A	 economia	 liberal	 é	 a	 força	 motriz	 do	 desenvolvimento	 do	 mercado	 de
drogas	 legais	 e	 ilegais.	 O	 consumo	 delas	 é	 regulado	 pela	 lei	 da	 oferta	 e	 da
demanda.	Mas,	além	disso,	há	uma	carga	ideológica	e	emocional	em	torno	do
assunto,	 que	 criou	 o	mito	 da	 droga,	 disseminado	pela	mídia	 e	 acolhido	 pelo
imaginário	 social,	 a	 partir	 de	 uma	 estratégia	 dos	 países	 capitalistas,
responsáveis	pela	demanda	por	drogas	no	mercado	internacional.
8.	 O	 Brasil	 volta	 ao	 banco	 dos	 réus	 por	 permitir	 que	 milhares	 de	 pessoas
trabalhem	em	regime	escravagista.	Há	denúncias	de	escravidão	por	dívidas	em
trabalho	nas	carvoarias	de	Minas	Gerais,	nas	usinas	de	açúcar	do	Nordeste	e
do	 Sudeste,	 nas	 fazendas	 do	 Centro-Oeste	 e	 nos	 seringais	 e	 garimpos	 da
Amazônia.	Trata-se	de	uma	denúncia	que	certamente	compromete	um	pouco
mais	a	imagem	do	Brasil.
Você	 aprendeu	 como	 preparar	 o	 plano	 de	 sua	 redação,	 como	 fazer	 a
introdução,	 o	 desenvolvimento	 e	 o	 encerramento.	 Treine,	 agora,	 escrevendo
redações	(mas	só	depois	de	preparar	o	plano,	ou	seja,	delimitar	o	tema	com	uma
frase	nominal,	 traçar	 o	objetivo	 com	um	verbo	no	 infinitivo,	 selecionar	 ideias,
organizá-las	e	desenvolver	os	tópicos	frasais).	E	não	esqueça	de	que	um	tópico
frasal	deve	ser	ligado	ao	outro,	as	ideias	bases	formando	um	resumo	do	texto	e
as	 ideias	 secundárias	 coesas	 (intimamente	 ligadas	 à	 ideia	 principal	 e	 entre	 si).
Procure	fazer	esse	treinamento	não	uma	ou	dez	vezes,	mas	o	máximo	que	puder
até	acostumar-se	e	conseguir	fazer	redações	nota	dez.
	
Capítulo	7
A	Montagem	da	Redação
	
É	claro	que	somos	livres	para	falar	ou	escrever	como	quisermos,	como	soubermos,	como
pudermos.	Mas	 é	 também	evidente	que	a	adequação	assinalada	 contribui	 efetivamente
para	a	maior	eficiência	comunicativa.
Domício	Proença	Filho	–	Filólogo	brasileiro	In:	Por	Dentro	das	Palavras	(Record,	2003)
7.1.	A	PREPARAÇÃO	DA	REDAÇÃO
Chegou	a	vez	de	passar	a	limpo	a	sua	redação.Você	fez	o	rascunho,	começando
por	 delimitar	 o	 tema,	 traçar	 o	 objetivo,	 selecionar	 ideias,	 organizá-las	 e
desenvolver	 os	 parágrafos.	 Preste	 atenção,	 agora,	 no	 que	 você	 deve	 fazer	 para
uma	redação	nota	dez.
Uma	das	coisas	que	o	examinador	não	deixa	de	verificar	é	o	visual.	O	impacto
(bom	ou	mau)	é	muito	importante.	Não	esqueça	de	que	o	belo	é	algo	instintivo	e
não	há	beleza	se	não	houver	ordem	e	limpeza.
Dentre	os	elementos	que	compõem	a	estética	da	redação	e	concorrem	para	um
melhor	visual	e	correção,	pode-se	destacar:	7.1.1.	Título
Normalmente	não	se	coloca	 título	na	 redação,	a	não	ser	se	houver	o	comando:
“Dê	título	à	sua	redação.”	Neste	caso,	faça	a	redação	normalmente,	sem	colocar
título	 e,	 só	 depois	 que	 a	 passar	 a	 limpo,	 faça	 uma	 releitura	 e,	 dessa	 releitura,
retire	um	título.
Nesse	caso,	observe	as	especificações	seguintes:
1.	 Coloca-se	 o	 título	 apenas	 nas	 folhas	 de	 redação	 em	 que	 houver	 um	 local
específico	 para	 ele	 ou	 nas	 folhas	 de	 redação	 que	 não	 estejam	 previamente
numeradas.	A	linha	do	título	e	as	duas	ou	três	linhas	que	se	deixam	em	branco
antes	 do	 primeiro	 parágrafo	não	 devem	 ser	 contadas.	A	 redação	 começa	 na
linha	um	e	na	primeira	palavra	do	primeiro	parágrafo.
2.	 Todas	 as	 iniciais	 do	 título,	 menos	 das	 palavras	 de	 pouca	 extensão,	 como
preposições,	 artigos,	 conjunções	 etc.,	 com	 exceção	 da	 primeira,	 devem	 ser
maiúsculas:
Exemplos:
A	Linguagem	no	Pensamento	e	na	Ação
Um	Olhar	sobre	a	Criminalidade
Ou	 maiúscula	 inicial	 apenas	 na	 primeira	 palavra,	 seja	 ela	 de	 qualquer	 classe
gramatical:
Exemplos:
A	linguagem	no	pensamento	e	na	ação
Um	olhar	sobre	a	criminalidade.
Ou,	ainda,	todas	as	palavras	em	maiúsculas	(letra	de	forma):
Exemplos:
A	LINGUAGEM	NO	PENSAMENTO	E	NA	AÇÃO
UM	OLHAR	SOBRE	A	CRIMINALIDADE.
3.	Use	ponto	final	nos	 títulos	apenas	se	 forem	uma	frase	ou	citação.	Os	 títulos
normais	não	levam	ponto	final.
4.	 Entre	 o	 título	 e	 o	 contexto	 deixe	 uma,	 duas	 ou	 três	 linhas	 ou	 espaço
equivalente.
7.1.2.	Parágrafos
Já	 vimos	 que	 são	 fundamentais	 à	 redação,	 pois	 constituem	o	 visual	 prático	 da
estrutura	 do	 texto,	 apontando	 as	 três	 partes	 obrigatórias	 de	 uma	 dissertação:	 a
introdução,	o	desenvolvimento	e	a	conclusão,	facilitando	isolar	e	unir	as	 ideias
contidas	nos	tópicos	frasais.
1.	Na	 folha	 de	 redação,	 o	 parágrafo	 é	 indicado	 por	 um	 ligeiro	 afastamento	 da
margem	 esquerda,	 mais	 ou	 menos	 dois	 a	 três	 centímetros,	 com	 a	 alínea
paragrafal	iniciando-se	todas	à	mesma	altura.	Não	esqueça:	um	parágrafo	não
pode	adentrar	a	linha	mais	do	que	outro,	pois	não	haveria	harmonia	no	visual.
2.	 Não	 deixe	 espaços	 vazios	 nas	 laterais	 das	 linhas	 nem	 avance	 nas	margens,
pois	isso	pode	acarretar	perda	de	pontos.
3.	 O	 número	 de	 parágrafos	 é	 variável,	 conforme	 a	 extensão	 exigida	 para	 a
redação.	Em	um	concurso,	nas	redações	dissertativas,	o	mínimo	exigido	é	de
três	 parágrafos	 (aconselha-se	 quatro	 para	 melhor	 expor	 as	 ideias	 e
argumentos),	 e	 o	máximo	 depende	 da	 quantidade	 de	 linhas	 solicitadas	 pelos
examinadores.
4.	Comece	parágrafos,	períodos	e	nomes	próprios	com	letra	maiúscula.	A	menos
que	o	tema	o	exija,	não	faça	citações	de	pessoas	conhecidas	ou	de	empresas,
nem	 para	 enaltecer	 nem	 para	 criticar.	 Exemplificando:	 se	 o	 tema	 for	 sobre
corrupção,	não	use	frases	como	“o	senador	Fulano	de	Tal	usou	a	Tribuna	para
mostrar	 a	 indignação	 popular…”;	 “o	 jornal	O	 Estado	 de	 São	 Paulo	 trouxe
mais	 provas	 de	 corrupção…”	 É	 melhor	 que	 sua	 redação	 fique	 impessoal
afirmando:	 um	 senador	 usou	 a	 Tribuna	 para…;	 um	 dos	 mais	 respeitados
jornais	trouxe	mais	provas	etc.
5.	Treine	para	escrever	parágrafos	com	uma	média	de	cinco	a	oito	linhas	que	é	o
mais	aconselhável	em	um	concurso,	permitindo	a	você	ficar	dentro	do	número
geralmente	pedido	(25	a	35	linhas).
6.	 Não	 esqueça	 que	 um	 parágrafo	 só	 pode	 conter	 uma	 ideia	 núcleo	 e	 que	 as
ideias	secundárias	devem	se	relacionar	intimamente	com	a	principal.	Toda	vez
que	mudar	o	fio	do	raciocínio	mude	de	parágrafo.
7.	 Somente	 o	 primeiro	 parágrafo	 pode	 ser	 constituído	 de	 apenas	 um	 período
(aconselha-se	 no	 máximo	 três),	 cuja	 finalidade	 é	 introduzir	 o	 assunto.	 Os
parágrafos	 do	 desenvolvimento	 devem	 ter	 vários	 períodos,	 nunca	 um	 só.	 O
último	deve	ter	no	mínimo	três:	o	primeiro	retoma	o	assunto,	o	segundo	faz	a
síntese	 do	 desenvolvimento	 e	 o	 terceiro	 traça	 soluções	 com	 vista	 ao	 futuro.
Nesse	 parágrafo	 seja	 incisivo,	 categórico	 a	 fim	 de	 superar	 possíveis
deficiências	dos	parágrafos	anteriores.
8.	Tente	não	 rasurar	 seu	 texto,	 pois	 não	 se	 admitem	 rasuras	 em	uma	prova	de
concurso.	Uma	redação	suja	e	borrada	dá	ao	examinador	a	primeira	impressão
negativa	que	dificilmente	 será	apagada,	mesmo	que	o	conteúdo	do	 seu	 texto
seja	excepcional	e	a	correção	esteja	 irrepreensível.	Passe	a	 limpo	o	rascunho
com	 bastante	 cuidado.	 Se	 a	 tensão	 da	 prova	 e	 o	 nervosismo	 fizerem	 você
cometer	 algum	 erro	 ao	 passar	 a	 limpo,	 utilize	 o	 recurso	 de	 empregar	 uma
palavra	 como	 “digo”,	 entre	 vírgulas,	 seguindo-se	 a	 palavra	 escrita
corretamente.	 Não	 coloque	 a	 palavra	 errada	 entre	 parênteses,	 mas	 com	 um
traço	sobre	ela.
9.	 Não	 faça	 carinhas,	 corações,	 bolinhas,	 lacinhos	 ou	 qualquer	 outro	 sinal	 ou
desenho	na	folha	de	redação.
7.1.3.	Letra
É	um	item	de	suma	importância,	não	só	pelo	visual	simpático	de	uma	caligrafia
legível,	 mas	 pela	 impressão	 de	 ordem	 e	 limpeza	 que	 ela	 nos	 passa.	 A
legibilidade	 é	 sempre	 solicitada	 em	 todos	 os	 concursos	 de	 forma	 específica	 e
alguns	chegam	até	a	exigir	o	uso	da	letra	cursiva.
Atualmente,	os	órgãos	examinadores	aceitam,	também,	a	letra	de	forma,	desde
que	haja	diferenciação	entre	as	maiúsculas	e	minúsculas,	e	palavras	acentuadas	e
não	acentuadas.
A	escrita	ilegível	é	item	anulatório	da	redação.	Ela	nem	será	corrigida.	Letra
feia	 em	 redação,	que	necessite	 adivinhar	o	que	 está	 escrito,	 é	pecado	capital	 e
merece	fuzilamento.	Não	adianta	escrever	bem	estilística	e	semanticamente,	com
letra	que	o	examinador	não	entenda	ou	que	necessite	de	releitura	ou	adivinhação.
Ele	não	vai	fazer	isso.	Se	a	sua	letra	não	for	legível,	o	único	remédio	é	treinar	a
caligrafia	ou	 a	 letra	de	 forma.	Um	 lembrete:	 caderno	de	 caligrafia	não	 é	 coisa
para	criança,	mas	para	quem	tem	letra	feia.
Todas	as	provas	de	concurso	que	pedem	redação	oferecem	uma	ou	mais	folhas
de	rascunho.	Desse	modo,	a	rasura	ao	passar	a	limpo	não	é	perdoada	e	nem	há
explicação	para	ela.	Ou	o	candidato	não	fez	rascunho	(e	isso	é	imperdoável)	ou
ainda	não	aprendeu	o	trabalho	elementar	da	cópia.	Você	deveria	ter	rasurado	no
rascunho,	antes	de	passar	a	limpo	e	copiar	sem	erros.
7.1.4.	Qualidades	da	redação
Formam	as	qualidades	básicas	de	uma	boa	redação:	coerência,	coesão,	concisão,
clareza,	elegância,	originalidade,	expressão,	propriedade	e	correção.	Redigir	é
aliar	 a	 correção	 e	 adequação	 da	 linguagem	 à	 criatividade	 e	 análise	 de	 um
assunto,	expressando	as	ideias	com	acerto	e	propriedade.	Há	que	apresentar	uma
linguagem	 escrita	 correta,	 adequada	 e	 harmoniosa,	 o	 que	 se	 consegue	 com	 a
leitura,	 vocabulário,	 conhecimento	 dos	 tipos	 de	 composição	 e	 interpretação	 de
textos	e	dos	fatos	gramaticais	que	ordenam,	disciplinam	e	sistematizam	a	língua.
7.1.4.1.	Coerência
A	coerência	 trata	da	 logicidade	do	 texto,	numa	subordinação	e	 relacionamento
de	sentido	entre	a	ideia	principal	e	as	ideias	secundárias,	compondo	um	todo	em
que	devem	estar	delimitados	o	princípio,	o	desenvolvimento	e	o	final.
Para	que	um	texto	seja	coerente	e	possa	ser	compreendido,	não	basta	que	trate
apenas	 de	 um	 assunto.	 É	 preciso	 também	 que	 os	 seus	 parágrafos	 estejam
relacionados	 e	 não	 apresentem	 contradições,	 devendo	 oferecer	 ao	 leitor	 uma
mensagem	completa.
Cada	parágrafo	concentrará	e	desenvolverá	uma	determinada	ideia	acercado
tema,	 e	 a	 sequência	 paragrafal	 determinará	 o	 desenvolvimento	 das	 ideias	 para
que	o	leitor	adquira	a	noção	do	que	o	texto	transmite.	Assim,	tem-se:
•	Coerência	global	–	o	texto	deve	estar	de	acordo	com	a	visão	do	mundo	–
é	o	princípio	da	realidade.
•	Coerência	local	–	o	texto	deve	estar	de	acordo	com	as	ideias	veiculadas
anteriormente	pelo	próprio	texto	(não	deve	fugir	do	tema)	–	é	o	princípio	da
consistência.
•	Coerência	temática	–	o	texto	deve	ter	apenas	um	assunto,	a	fim	de	não
prejudicar	a	veiculação	da	ideia	principal	–	é	o	princípio	da	parcimônia.
•	Coerência	formal	–	o	texto	deve	ater-se	a	um	mesmo	nível	de	linguagem.
A	mistura	 do	 culto,	 coloquial,	 popular	 e	 regional	 confunde	 e	 prejudica	 a
comunicação.
Um	 texto	 é	 coerente	 quando	 as	 ideias	 e	 situações	 que	 ele	 apresenta	 estão
encadeadas	 de	 maneira	 lógica.	 Quando	 não	 há	 coerência,	 o	 texto	 fica	 sem
sentido	e	não	há	como	se	tirar	dele	uma	conclusão,	como	neste	exemplo:
O	Polo	Sul	é	gelado	e	o	verão	é	quente.	O	homem	é	mortal	e	a	tartaruga	vive	300	anos,
está	em	fase	de	extinção	e	recebe	cuidados	do	Projeto	Tamar.
O	que	tem	a	ver	o	Polo	Sul	ser	gelado	e	o	verão	quente?	E	que	lógica	existe
em	o	homem	ser	mortal	e	a	tartaruga	viver	300	anos?	E	o	que	o	projeto	Tamar
tem	a	ver	com	isso?	É	um	texto	sem	coerência.
7.1.4.2.	Coesão
O	adjetivo	coeso	 significa	 lógico,	 coerente,	 intimamente	conexo.	Duas	 ideias
são	 coesas	 quando	 há	 uma	 ligação	 lógica,	 coerente,	 entre	 elas.	 A	 coesão	 está
relacionada	 com	 o	 microtexto	 e	 possui	 palavras	 que	 estabelecem	 relações	 de
ideias.	 Ela	 é	 importante	 para	 a	 coerência,	 embora	 esta	 não	 dependa
exclusivamente	daquela.
Um	texto	é	coeso	quando	as	suas	partes	se	relacionam	entre	si	de	modo	claro	e
adequado,	criando	um	todo	com	sentido,	com	o	uso	dos	instrumentos	da	língua
(uso	 correto	 de	 artigos	 e	 pronomes,	 correlação	 verbal	 lógica,	 uso	 correto	 das
conjunções	 e	 palavras	 denotativas).	 Deve	 haver	 relações	 de	 sentido	 entre	 as
frases	 que,	 unidas,	 possam	 transmitir,	 de	 modo	 claro,	 uma	 mensagem,	 uma
opinião,	uma	informação.
•	Coesão	 sequencial	 –	 é	 feita	 por	 conectores,	 também	 conhecidos	 como
operadores	 do	 discurso.	 São	 palavras	 ou	 expressões	 criadoras	 de	 relações
semânticas	 de	 causa,	 consequência,	 condição,	 concessão,	 qualidade	 e
outras,	 tais	 como:	 mas,	 dessa	 forma,	 no	 entanto,	 por	 conseguinte,	 então,
visto	que,	embora,	em	virtude	de,	por	isso	etc.
Exemplo:
Ele	falou	bonito	durante	a	conferência,	no	entanto	recebeu	poucos	aplausos.
Vê-se	que	a	expressão	no	entanto	não	 faz	 referência	a	nenhum	outro	vocábulo
do	 texto,	 servindo	apenas	para	 ligar	 (conectar)	uma	 ideia	 a	outra,	 transmitindo
uma	compensação,	numa	coesão	sequencial.
•	Coesão	referencial	–	manifesta-se	nas	estruturas	anafórica	(de	anáfora,
palavra	grega	com	o	sentido	de	 levar	para	 trás,	ou	seja,	 referência	a	uma
palavra	dita	anteriormente)	e	catafórica	(do	grego	catáfora,	com	o	sentido
de	levar	para	frente,	ou	seja,	referência	a	uma	expressão	que	será	dita),	bem
como	nas	chamadas	referências	endofórica	(expressão	grega	com	o	sentido
de	levar	para	dentro,	ou	seja,	referência	ao	que	está	no	texto)	e	exofórica
(com	 o	 sentido	 de	 levar	 para	 fora,	 ou	 seja,	 referência	 ao	 que	 não	 está
escrito	no	texto,	mas	se	depreende).
1.	 Referência	 anafórica	 –	 é	 a	 forma	 mais	 usual	 de	 coesão.	 O	 elemento
pressuposto	 está	 explícito	 no	 texto	 e	 prevê	 o	 item	 coesivo	 que	 será	 usado
depois	dele	para	evitar	a	sua	repetição.
Exemplo:
A	Filosofia	 teve	origem	na	tentativa	humana	de	escapar	para	um	mundo	em	que	nada
mudasse.	 Platão,	 fundador	 dessa	 área	 da	 cultura,	 supunha	 que	 a	 diferença	 entre	 o
passado	e	o	futuro	seria	mínima	e	que	essa	ciência	não	teria	evolução.
Veja	as	expressões	essa	área	da	cultura	e	essa	ciência.	Elas	referem-se	à	palavra
Filosofia,	evitando	a	sua	repetição.	São	nominados	termos	coesivos	anafóricos,
porque	se	referem	a	uma	expressão	dita	anteriormente	(que	ficou	para	trás).
2.	 Referência	 catafórica	 –	 É	 quando	 o	 item	 coeso	 aparece	 antes	 do	 termo
pressuposto,	como	no	seguinte	período:
Os	deputados	poderiam	fazer	uma	coisa:	renunciar	à	imunidade.
A	 expressão	uma	 coisa	 só	 pode	 ser	 recuperada	 como	 identificação	 da	 oração
apositiva	 renunciar	 à	 imunidade.	 Logo,	 uma	 coisa	 é	 o	 termo	 coesivo
catafórico,	pois	faz	referência	a	uma	expressão	dita	depois	dela.
	
•	Coesão	recorrencial	–	consiste	na	repetição	de	palavras	ou	de	estruturas
frasais	semelhantes	em	um	texto.	Normalmente	é	usada	para	dar	ênfase.
Exemplo:
	
1.	Vendo	o	palhaço,	as	crianças	riam,	riam,	riam.
2.	No	pequeno	palco	improvisado,	a	marionete	parece	que	anda,	parece	que
pula,	parece	que	dança,	parece	que	tropeça.
No	 primeiro	 exemplo,	 houve	 a	 repetição	 do	 vocábulo	 “riam”	 e	 no	 segundo,
repetiu-se	uma	estrutura	frasal	(oração	subordinada	objetiva	direta)	“que	anda”,
“que	pula”,	“que	dança”,	“que	tropeça”.
7.1.4.3.	Concisão
É	a	fuga	da	prolixidade.	Deve-se	mencionar	apenas	o	estritamente	indispensável,
exprimindo	o	maior	número	de	 ideias	com	o	mínimo	possível	de	palavras.	Em
um	 texto,	 o	 que	 não	 é	 indispensável	 constitui	 prolixidade.	 Mas	 há	 de	 ter	 o
cuidado	de	não	pretender	alcançar	a	concisão	em	detrimento	da	clareza.
Mais	uma	vez	surge	a	necessidade	do	rascunho.	Deve-se	escrever	de	acordo
com	 o	 fluxo	 das	 ideias	 que	 vêm	 à	 mente,	 sem	 grandes	 preocupações	 com	 a
concisão.	Depois	de	pronto	o	rascunho,	faz-se	uma	releitura	minuciosa,	cortando
tudo	o	que	não	faça	falta	ao	texto	nem	lhe	imprima	vigor.	Não	esqueça,	porém,
que	o	excesso	de	concisão	tornará	o	texto	obscuro	e	sem	harmonia.	Logo,	nem
tanto	ao	mar,	nem	tanto	à	terra.
Leia	o	rascunho	de	texto	a	seguir:
A	promulgação	 tem	por	 finalidade	 e	objeto	determinado	a	atestação	 e	 reconhecimento
oficial,	pelas	autoridades	públicas,	da	existência	da	 lei,	 com	a	ordem	para	que	ela	 seja
executada	por	 todas	as	pessoas.	Já	a	publicação	é	a	condição	única	e	primordial	dessa
execução	que	foi	ordenada	na	promulgação:	a	divulgação	da	lei	em	toda	a	parte	onde	ela
tenha	 de	 ser	 cumprida,	 por	 todos	 que	 dela	 tomarem	 conhecimento.	 Uma	 condição	 é,
portanto,	o	complemento	da	outra	premissa;	sem	a	promulgação	que	atesta	oficialmente
a	 existência	 da	 lei,	 a	 publicação	 é	 apenas	 e	 unicamente	 uma	 informação	 e	 não	 uma
ordem;	sem	a	publicação	da	lei,	a	promulgação	é	uma	ordem	inexequível	que	não	pode
ser	 cumprida	 porque	 não	 é	 transmitida	 e	 não	 sendo	 transmitida	 não	 chega	 ao
conhecimento	de	todos	aqueles	que	têm	de	cumpri-la.
O	rascunho	foi	elaborado	de	acordo	com	o	fluxo	das	ideias	e	sem	se	preocupar
com	 a	 concisão.	 Faz-se,	 agora,	 uma	 releitura	 a	 fim	 de	 retirar	 as	 palavras	 e
expressões	 dispensáveis.	 Para	 que	 fique	 conciso,	 basta	 deixar	 o	 estritamente
necessário,	o	que	lhe	dará	concisão	e	vigor.	Observe:
A	promulgação	tem	por	objeto	a	atestação	oficial	da	existência	da	lei,	com	ordem	para
que	ela	seja	executada.	A	publicação	é	a	condição	primordial	dessa	execução	ordenada:	a
divulgação	da	lei	em	toda	parte	em	que	ela	tenha	de	ser	cumprida.	Uma	são	condição	e
complemento	 da	 outra.	 Sem	 a	 promulgação,	 a	 publicação	 é	 apenas	 uma	 informação	 e
não	 uma	 ordem.	 Sem	 a	 publicação,	 a	 promulgação	 é	 apenas	 uma	 ordem	 inexequível,
porque	não	é	transmitida	e	não	chega	ao	conhecimento	de	quem	tem	de	cumpri-la.
Agora	o	texto	está	conciso,	com	o	que	o	autor	queria	dizer	e	sem	palavras	e
expressões	dispensáveis.
7.1.4.4.	Clareza
É	 resultante	 da	 coerência	 e	 da	 concisão.	 Não	 se	 pode	 abordar	 um	 tema
tangencialmente	ou	por	fragmentos,	porque	ele	ficará	indefinido	e	o	leitor	não	o
entenderá.	 Assim,	 a	 clareza	 é	 a	 forma	 mais	 simples	 de	 dizer	 o	 pensamento,
pondo	cada	ideia	no	seu	lugar	natural	e	exprimindo-a	nitidamente.
A	clareza	depende	muito	da	escolha	das	palavras	adequadas	ao	contexto	e	que
devem	ser	conhecidas	do	leitor.Evite	frases	ambíguas	e	mal	construídas,	muito
longas,	 carregadas	 de	 ideias	 incidentes	 que	 distorcem	 o	 sentido	 e	 afetam	 a
clareza.
Assim,	para	obter-se	clareza	é	necessário:
•	Meditar	sobre	o	tema,	reunir	as	ideias,	colocá-las	de	modo	coerente	e	só
começar	a	escrever	depois	de	saber	o	que	vai	escrever,	o	que	se	faz	com	um
esquema	(plano)	e	depois	com	o	rascunho.
•	Utilizar	 frases	 curtas.	 Períodos	 longos	 geralmente	 tornam-se	 confusos	 e
ininteligíveis.
Exemplo:
Em	 todo	 o	 país,	 renomados	 escritórios	 de	 advocacia	 têm-se	manifestado	 contrários	 ao
conceito	 de	 terrenos	 de	 marinha,	 e	 todavia	 nem	 é	 necessário	 ser	 expert	 em	 leis	 para
entender	claramente	que	a	figura	de	terreno	de	marinha	é	arcaica	e	imprecisa,	o	que	é
comprovado	historicamente,	pois	a	origem	da	referida	denominação	vem	do	período	do
Império	quando	o	terreno	de	marinha	foi	criado	pela	Lei	nº	601	de	18/9/1850,	assinada
pelo	imperador	Dom	Pedro	II,	delimitando	uma	faixa	de	terra	com	33	metros	de	largura
contados	a	partir	da	linha	da	preamar	média	de	1823,	adjacente	ao	mar	e	rios.
Esse	período	bem	que	poderia	ser	refeito,	em	períodos	menores:
Em	 todo	 o	 país,	 renomados	 escritórios	 de	 advocacia	 têm-se	manifestado	 contrários	 ao
conceito	de	terreno	de	marinha.	Todavia,	nem	é	necessário	ser	especializado	em	leis	para
entender	 claramente	 que	 a	 figura	 de	 terreno	 de	marinha	 é	 arcaica	 e	 imprecisa.	 Isso	 é
comprovado	historicamente,	pois	a	origem	da	referida	denominação	vem	do	período	do
Império.	Ela	foi	criada	pela	Lei	nº	601	de	18/9/1850,	assinada	pelo	imperador	D.	Pedro
II,	 como	 a	 faixa	 de	 terra	 com	 33	 metros	 de	 largura,	 contados	 a	 partir	 da	 linha	 da
preamar	média	de	1831,	adjacente	ao	mar	e	rios.
Dividido	em	quatro	períodos,	o	texto	ficou	mais	claro	e	inteligível.
•	 Empregar	 palavras	 precisas,	 de	 significado	 que	 você	 conhece	 e	 evitar
palavras	de	sentido	vago,	viciosas	ou	valorativas,	como:
É	um	cara	legal
O	Direito	é	um	negócio	sério
Os	juízes	são	cabíveis	de	erro.
•	Ter	simplicidade.	Evite	termos	arcaicos	e	rebuscados,	como:
Era	uma	jovem	de	uma	nugacidade	extrema.
(Em	lugar	de	nugacidade,	seria	melhor	futilidade.)
•	Evitar	o	pleonasmo	vicioso,	como	na	frase:
Aquilo	é	um	parasita	que	vive	às	custas	dos	outros.
(Ao	que	se	sabe,	todo	parasita	vive	às	custas	dos	outros.)
•	Evitar	as	anfibologias	ou	ambiguidades:
Matou-se	por	causa	do	ciúme	da	mulher.
(Não	 dá	 para	 entender:	 do	 ciúme	 que	 ele	 tinha	 da	mulher	 ou	 do	 ciúme	 que	 a	mulher	 tinha
dele?)
7.1.4.5.	Elegância
É	o	cuidado	com	o	visual	da	 redação.	Observar	 a	 alínea	paragrafal,	 a	margem
direita,	 a	 translineação,	 não	 rasurar.	 Isso	 é	 elegância	 em	 uma	 redação	 de
concurso	e	é	cobrada	pelos	examinadores	na	nota	de	conteúdo.
Lembre-se	de	que	a	alínea	paragrafal	tem	de	ficar	na	mesma	direção	vertical,
não	adentrando	à	direita	nem	saindo	à	esquerda,	devendo-se	fazer	o	mesmo	com
as	margens,	tanto	a	esquerda	quanto	a	direita.
Quando	 fizer	 a	 translineação	 (separação	 de	 palavras	 em	 final	 de	 linha)	 não
esqueça:	a)	No	final	da	linha	deve-se	colocar	apenas	o	sinal	de	translineação	(-)
após	a	última	letra	ou	embaixo	dela.
						CORRETO	 						……………	 						e	com	estas	pala-	
						vras…	 							 							
							 						……………	 						e	com	estas	pala	
						vras…	 							 							
						ERRADO:	 						……………	 						e	com	estas	pala-/	
						vras…	 							 							
							 						……………	 						e	com	estas	pala…/	
						vras…	 							 							
							 						…………	 						e	com	estas	pala-/	
						vras…	 							 							
b)	Tanto	no	início	como	no	final	da	linha	deve-se	evitar	o	registro	de	apenas	uma
vogal.
						CORRETO:	 						……………	 						democra-	
						cia…	 							 							
							 						……………	 						orienta-	
						cão…	 							 							
						ERRADO:	 						……………	 						democraci-	
						a…	 							 							
							 						……………	 						o-	
						rientação…	 							 							
c)	Evitar	a	separação	de	hiatos,	ditongos	e	tritongos.
						CORRETO:	 						……………	 						é	preciso	compreen-	
						der….	 							 							
							 						……………	 						o	gua-	
						raná…	 							 							
							 						……………	 						.trouxe	um	guaia-	
						mun…	 							 							
						ERRADO:	 						…………	 						é	preciso	compre-	
						ender…	 							 							
							 						……………	 						o	gu-	
						araná…	 							 							
							 						……………	 						trouxe	um	gua-	
						iamun…	 							 							
d)	Não	 separar	 sílabas	de	vocábulos	que	 constituam	nova	palavra	 com	sentido
completo	e,	quase	sempre,	inadequado	à	redação.
e)	 Não	 esquecer	 o	 traço	 de	 união	 na	 linha	 seguinte,	 quando	 separar	 palavras
unidas	por	hífen.
f)	Não	 translinear	palavras	de	 língua	 estrangeira	 e	 números.	Em	caso	de	 cifra,
coloca-se	 o	 cifrão	 no	 final	 da	 linha	 e	 o	 número	 logo	 no	 início	 da	 linha
seguinte.
7.1.4.6.	Originalidade
É	a	criatividade,	a	apresentação	dos	aspectos,	fatos	ou	opiniões	de	modo	pessoal,
sem	 imitação	 de	 processos	 ou	 particularidades	 de	 outros	 escritores.	 A
originalidade	pode	apresentar-se	tanto	nas	ideias	como	nas	expressões.	Para	isso
deve-se	escrever	diferente	da	maneira	que	se	fala	a	fim	de	não	cometer	uma	série
de	erros.	Para	conseguir	originalidade	você	deve	evitar:
•	Os	clichês	estilísticos:
Clichê	 é	 o	 nome	 da	 matriz	 para	 impressão	 tipográfica	 que	 pode	 ser
reproduzida	 indefinidamente.	 Daí	 esse	 nome	 para	 frases	 ou	 expressões
originariamente	enfáticas	e	que	 se	 tornaram	formas	de	dizer	de	quem	não
encontra	 recursos	 próprios	 e	 servem	 tão	 somente	 para	 desvalorizar	 um
texto,	como	nestes	exemplos:
Agente	da	lei	–	a	ferro	e	fogo	–	à	moda	da	casa	–	a	nível	de	–	ao	mesmo	tempo	–	a	olhos
vistos	–	a	torto	e	a	direito	–	abraçar	causas	–	abrir	o	jogo	–	acenar	com	possibilidades	–
apagar	incêndios	–	arregaçar	as	mangas	–	baixar	a	guarda	–	beco	sem	saída	–	borracha
no	passado	 –	 botar	 para	 quebrar	 –	 cair	 por	 terra	 –	 campo	minado	 –	 cantar	 vitória	 –
carregar	nas	cores	–	carro-chefe	–	caso	de	polícia	–	chumbo	grosso	–	correr	por	fora	–
curto	e	grosso	–	curvar-se	ante	–	deixar	a	desejar	–	dar	lua	verde	–	de	importância	vital	–
digno	de	nota	–	elo	perdido	–	emitir	sinais	–	empreender	esforços	–	estaca	zero	–	estar	a
par	–	encerrar	com	chave	de	ouro	–	esmagadora	maioria	–	exame	de	consciência	–	faca
de	dois	gumes	–	fechar	o	cerco	–	fazer	o	que	se	pode	–	ficar	às	moscas	–	fomentar	greves
–	fundo	do	poço	–	frente	de	batalha	–	ganhar	corpo	–	gatos	pingados	–	guerra	de	nervos
–	hora	H	–	hora	da	verdade	–	inserido	no	contexto	–	jogar	pá	de	cal	–	lançar	mão	–	leão
da	receita	–	levar	a	cabo	–	limpar	o	nome	–	linha	de	frente	–	meias	verdades	–	por	outro
lado	–	página	virada	–	pano	de	fundo	–	páreo	duro	–	passar	em	branco	–	peça-chave	–
pedra	sobre	pedra	–	peso	morto	–	pisar	em	falso	–	poder	de	fogo	–	precisão	cirúrgica	–
pôr	ordem	na	casa	–	por	sua	vez	–	pura	realidade	–	rachar	ao	meio	–	renovar	esperanças
–	romper	barreiras	–	saltar	à	vista	–	seguir	à	risca	–	suar	a	camisa	–	sumir	do	mapa	–
tábua	de	salvação	–	tempo	hábil	–	tomar	nota	–	trata-se	de	mera	coincidência	–	trazer	à
tona	–	trocar	em	miúdos	–	única	e	exclusivamente	–	via	de	regra	–	verdade	nua	e	crua
etc.
Antes	de	passar	sua	redação	a	limpo,	releia	com	cuidado	e,	se	encontrar	algum
clichê,	 tente	eliminá-lo.	Pergunte-se:	o	que	eu	quero	realmente	dizer	com	isso?
Então	procure	palavras	outras	que	sejam	adequadas	ao	que	você	quer	exprimir,
sem	usar	o	clichê.
•	O	uso	de	chapas,	chavões	e	lugares-comuns:
Vamos	levantar	a	cabeça	e	partir	para	outra.
Desde	tempos	imemoriais.
Chegar	a	um	denominador	comum.
A	inflação	é	um	tigre	devorador.
São	Paulo	é	a	locomotiva	que	conduz	o	Brasil.
Para	ter	originalidade	é	necessário	fugir	do	lugar-comum,	das	fórmulas	prontas	e
das	frases	feitas	como	as	que	mostramos.	São	expressões	desgastadas	conhecidas
como	 chavões	 e	 só	 denotam	 falta	 de	 reflexão	 por	 parte	 de	 quem	 escreve.
Somente	 a	 leitura,	 diversificada	 e	 frequente,	 pode	 livrá-lo	 dasarmadilhas	 dos
chapas	ou	chavões.	Quem	lê	bastante	conta	com	inúmeros	recursos	linguísticos
para	traduzir	com	precisão	ideias	e	opiniões,	valorizando	o	que	escreve.	Ao	ler	o
seu	rascunho,	se	encontrar	algum	chavão,	tente	eliminá-lo	antes	de	passar	o	texto
a	limpo.	Veja	alguns	exemplos:
O	efeito	estufa	nada	mais	é	do	que	a	vingança	da	mãe	natureza.
Nesse	exemplo,	 além	do	chavão,	há	um	conceito	errado	acerca	da	natureza.	O
autor	poderia	ser	mais	explícito	informando:
O	efeito	estufa	ocorre	por	causa	da	concentração	de	gases,	na	atmosfera,	que	retêm	a	radiação
solar	na	superfície	da	Terra,	gerando	o	que	chamamos	de	aquecimento	global.
Outro	exemplo:
Mesmo	com	tanta	corrupção,	ainda	há	uma	luz	no	fim	do	túnel.	Acreditemos	nela.
Essa	é	uma	afirmação	ampla	e	vaga.	E	se	a	luz	for	a	de	um	trem	que	entrou	no
túnel?	Aí	piora	a	situação.	Num	contexto	assim	você	poderá	eliminar	o	chavão
escrevendo:
Apesar	de	tudo	o	que	vem	acontecendo,	o	quadro	de	corrupção	que	assola	o	País	pode
ser	 revertido.	 Para	 tanto,	 é	 necessário	 atenção	 maior	 não	 só	 da	 população,	 como
também,	 e	 mais	 ainda,	 do	 Ministério	 Público,	 Tribunal	 de	 Contas	 e	 outros	 órgãos
fiscalizadores.
•	O	uso	abusivo	da	palavra	que	(queísmo).
Naquele	momento	deixou	que	uma	frase	escapasse.
Consta	que	os	deputados	suspenderam	dois	debates	que	tratavam	da	criminalidade	e	que	não
vão	modificar	o	Código	Penal.
Corrija	para:
Naquele	momento	deixou	uma	frase	escapar.
Consta	a	suspensão	de	dois	debates	dos	deputados	sobre	a	criminalidade	e	a	não	modificação
do	Código	Penal.
No	 item	criatividade	 é	 elegante	 a	 substituição	de	pronomes	possessivos	pelos
pronomes	pessoais	oblíquos	correspondentes:
Cassaram	a	tua	palavra	(Cassaram-te	a	palavra).
Evitaram	a	sua	prisão	(Evitaram-lhe	a	prisão).
7.1.4.7.	Expressão
Por	expressão	entende-se	o	domínio	do	vocabulário	e	das	estruturas	da	 língua.
Só	 se	 consegue	 expressão	 com	 a	 leitura.	 Ler	 editoriais	 de	 jornais,	 colunas,
revistas	 e	 consultar	 o	 dicionário.	 É	 na	 expressão	 que	 se	 denota	 criatividade,
propriedade,	concisão	e	correção.
Veja	o	exemplo:
Fala-se	muito,	atualmente	–	e	de	forma	apaixonada	–,	sobre	a	diminuição	da	maioridade
no	 nosso	 código	 penal.	 É	 um	 tema	 polêmico,	 por	 ser	 multidisciplinar.	 Dessa	 decisão
querem	 participar	 diversos	 segmentos	 pedagógicos,	 psicológicos,	 filosóficos,	 religiosos,
políticos,	sociológicos	e	outros	mais.
Argumenta-se,	a	 favor	da	diminuição	da	 idade	penal:	 se	um	adolescente	de	16	anos	 já
pode	trabalhar,	votar	e	ter	relações	sexuais,	por	que	não	poderia	ser	responsabilizado	se
cometesse	um	crime?
Um	adolescente	com	até	17	anos	de	 idade	não	pode,	por	exemplo,	 ter	habilitação	para
dirigir,	ter	porte	de	armas,	comprar	cigarro	ou	bebida	alcoólica.	Isso	por	não	ser	ainda
penalmente	imputável,	isto	é,	por	não	ter	condições	de	responder	judicialmente	por	seus
próprios	atos.
Diminuir	a	menoridade	penal	para	16,	15,	14	anos	significaria	também	autorizar	pessoas
tão	jovens	a	tudo	isso.
Esse	 texto	 tem	 expressividade,	 denota	 leitura	 e	 conhecimento	 do	 assunto,
apresentando	 criatividade,	 propriedade	 na	 progressão	 de	 ideias,	 concisão	 e
correção.
7.1.4.8.	Propriedade
É	o	uso	de	expressões	e	palavras	adequadas	ao	assunto	sobre	o	qual	se	escreve.
Deve-se	evitar	impropriedades	vocabulares	como:
Jorge	Amado	era	um	escritor	que	sentia	ganância	de	escrever.
A	 expressão	 ganância	 não	 está	 sendo	 usada	 corretamente,	 pois	 significa
ambição	de	ganho,	ganho	 ilícito	e	não	cabe	no	 texto.	O	que	o	escritor	poderia
sentir	era	vontade	ou	desejo	de	escrever.
7.1.4.9.	Ênfase
É	o	emprego	do	termo	próprio	e	adequado	à	integral	expressão	do	pensamento.
Em	um	 texto,	 a	 ênfase	deve	 ser	dada	no	 tópico	 frasal	 do	parágrafo,	 tanto	pela
posição	dos	termos	nas	orações,	como	pela	expressividade	dada	à	ideia	núcleo,
aparecendo	sob	diversas	formas:
•	Ordem	inversa
É	quando	os	termos	da	oração	são	colocados	fora	de	sua	posição	normal	ou
habitual,	com	o	objetivo	de	dar	à	frase	mais	realce	ou	relevo:
Em	um	texto	que	cite	a	função	da	polícia,	pode-se	fazer	a	ordem	direta	com
ênfase	na	função	da	polícia:
A	função	da	polícia	é	garantir	a	segurança	da	população,	e	por	 isso	ela	não	pode	atuar	com
base	no	medo,	mas	sim	no	respeito.
Ou	a	ordem	inversa	com	ênfase	na	segurança:
A	 segurança	 da	 população	 é	 a	 função	 da	 polícia,	 por	 isso	 ela	 não	 pode	 atuar	 com	 base	 no
medo,	mas	sim	no	respeito.
Ou	ainda	a	ordem	inversa	com	ênfase	na	atuação:
A	polícia	não	pode	atuar	com	base	no	medo,	mas	sim	no	respeito,	pois	sua	função	é	garantir	a
segurança	da	população.
•	Repetições	Intencionais
Representadas	 pelas	 figuras	 de	 construção,	 como	 a	 anadiplose,	 em	 que	 a
última	palavra	de	um	período	inicia	o	período	seguinte:
A	única	coisa	que	se	pede	é	Justiça.	Justiça,	base	e	razão	do	Direito.
Observe	este	excerto	de	Rui	Barbosa,	destacado	por	Óthon	M.	Garcia	no	 livro
Comunicação	em	Prosa	Moderna	(p.	285):
Mentira	 de	 tudo,	 em	 tudo	 e	 por	 tudo	 (…)	Mentira	 nos	 protestos.	Mentira	 nas	 promessas.
Mentira	nos	programas.	Mentira	nos	projetos.	Mentira	nos	progressos.	Mentira	nas	reformas.
Mentira	 nas	 convicções.	 Mentira	 nas	 transmutações.	 Mentira	 nas	 soluções.	 Mentira	 nos
homens,	 nos	 atos	nas	 coisas.	Mentira	 no	 rosto,	 na	voz,	 na	postura,	 no	gesto,	 na	palavra,	 na
escrita.	Mentira	nos	partidos,	nas	coligações,	nos	blocos.
Nesse	texto,	o	autor	usou	de	vários	recursos	para	dar	ênfase	às	suas	ideias:	frases
nominais	 de	 sentido	 entrecortado;	 a	 repetição	 intencional	 da	 palavra	mentira
(anadiplose);	o	uso	de	figuras	como	a	aliteração	(repetição	de	um	mesmo	som)
em	 protestos,	 promessas,	 programas,	 projetos,	 progressos	 e	 gradação	 em
clímax	na	enumeração	dos	adjuntos	dos	três	últimos	períodos.
•	Gradação
Recurso	estilístico	para	ênfase	e	coerência,	consiste	em	dispor	as	ideias	em
ordem	crescente	(clímax)	ou	decrescente	(anticlímax)	de	importância,	como
se	pode	notar	no	texto	a	seguir:
Falar	de	direitos	humanos	no	Brasil	é	falar	de	lutas	sociais	que	se	desenrolam,	em	uma
sociedade	 que	 carrega	 marcas	 históricas	 de	 desigualdades,	 desmandos,	 violências,
arbitrariedades	e	 injustiças.	Os	resultados	não	poderiam	ser	outros	 senão	o	quadro	de
violações	aos	direitos	humanos	que	permeiam	as	relações	sociais	em	praticamente	toda	a
sociedade	brasileira	e	que	atingem	com	maior	brutalidade	as	populações	empobrecidas	e
socialmente	excluídas.
A	 gradação	 no	 primeiro	 período	 (desigualdades,	 desmandos,	 violências
arbitrariedades	 e	 injustiças)	 e	 o	 não	 deslocamento	 do	 adjunto	 adverbial	 com
maior	 brutalidade,	 no	 segundo	 período,	 dão	 ênfase	 ao	 texto	 e	 maior
expressividade	às	ideias	do	autor.
•	Voz	Ativa	e	Passiva
Realçam	a	ação	do	sujeito:
O	agente	estatal,	quando	atua,	não	o	faz	para	realizar	sua	vontade	pessoal,	mas	para	dar
cumprimento	a	algum	dever,	que	lhe	é	imposto	pelo	Direito.
A	voz	passiva	em	que	lhe	é	imposto	realça	o	sujeito	agente	estatal.
7.1.4.10.	Correção
É	 o	 uso	 de	 formas	 adequadas	 de	 acordo	 com	 a	Gramática	Normativa.	Alguns
pecados	contra	a	Gramática	pesam	mais	na	correção	de	uma	redação.	Os	maiores
erros	são:
•	 De	 concordância	 –	 Sujeito	 e	 verbo	 não	 podem	 discordar.	 Cuidado.
Procure	a	correspondência	entre	o	sujeito	e	seu	verbo	(veja	o	Capítulo	8).	E
fique	atento	se	usar	a	partícula	se	e	verbos	impessoais	como	haver,	fazer	e
ir.	Lembre-se	de	que	a	melhor	maneira	de	errar	a	concordância	é	escrever
períodos	longos	e	utilizar	a	ordem	inversa.	Use	ideias	simples	em	períodos
simples,	portanto	curtos,	e	ordem	direta.
•	 De	 regência	 –	 Se	 usar	 verbos	 de	 cuja	 regência	 tenha	 dúvida,	 como
assistir,	constar,	custar,	implicar,	troque	por	um	sinônimo.	Tenha	cuidado
com	 o	 problema	mais	 frequente	 de	 um	 iniciante	 que	 é	 o	 uso	 das	 formas
oblíquas	 “o”	 e	 “lhe”.	 Atenção:	 “o”	 só	 com	 verbo	 transitivo	 direto	 (para
objeto	direto)	e	“lhe”	só	para	verbo	transitivo	indireto	(para	objeto	indireto)
e	 com	o	valorde	 possessivo	 (substituindo	um	pronome	possessivo,	 como
vimos	no	 item	originalidade).	Assim,	nada	de:	eu	a	quero	muito	bem,	ele
assistiu	o	jogo,	deve-se	obedecer	os	preceitos	da	lei,	mas	sim:	eu	lhe	quero
muito	 bem,	 ele	 assistiu	 ao	 jogo,	 deve-se	 obedecer	 aos	 preceitos	 da	 lei
(Veja	o	Capítulo	8).
•	De	colocação	–	Observe	bem	as	 regras	de	próclise,	ênclise	e	mesóclise.
Lembre-se:
a)	 Nunca	 inicie	 uma	 oração	 com	 pronome	 oblíquo	 e	 não	 esqueça:	 as
palavras	que,	porque,	quando,	não,	nunca,	para	que,	enquanto,	se	exigem	o
pronome	oblíquo	antes	do	verbo.
b)	Jamais	use	o	pronome	oblíquo	depois	de	particípio	e	depois	dos	futuros
do	presente	e	do	pretérito.
c)	 Depois	 de	 vírgula	 ou	 qualquer	 outra	 pontuação,	 não	 use	 pronome
oblíquo,	a	não	ser	que	sejam	vírgulas	indicando	intercalação.
•	De	 grafia	 –	 Erro	 ortográfico	 em	 redação	 de	 concurso	 não	 se	 admite.
Coisas	 como	 ecepicional,	 quiz,	 solussão,	 desiguino,	 nogento	 são
simplesmente	inaceitáveis.	Se	você	não	sabe	como	se	escreve	uma	palavra,
use	um	 sinônimo	e	do	qual	 você	 tem	a	 certeza	da	grafia.	Na	 sua	 redação
manda	 você,	mas	 nos	 seus	 erros…	 aí	 o	 problema	 é	 do	 examinador	 e	 ele
cobra	caro.
7.1.5.	O	que	não	fazer
Há	transgressões	que	você	não	pode	cometer,	ao	 redigir,	 sob	pena	de	sofrer	as
consequências,	 sem	 dó	 nem	 piedade	 e	 ter	 de	 esperar	 por	 outro	 concurso.	 As
principais	são:
•	Evitar	definições	–	É	comum	o	candidato	ao	desenvolver	um	tema,	como
por	exemplo	“A	criminalidade”,	sair	definindo	em	todos	os	parágrafos:
A	criminalidade	é…
A	criminalidade	é…
A	criminalidade	é…
numa	 ladainha	 que	 não	 acaba	 mais,	 mostrando	 uma	 pobreza	 de	 espírito	 que
nenhum	leitor	aguenta,	muito	menos	o	examinador.
Não	faça	parágrafos	apenas	com	definições.	Mostre	causas	e	consequências,	faça
interrogações,	crie	uma	alusão	histórica,	uma	declaração	inicial,	uma	divisão,	um
contraste,	 uma	 enumeração	 em	 que	 apareça	 o	 tema,	 mas	 não	 fique	 só	 na
definição.	Há	muitas	maneiras	de	se	iniciar	um	paráfrago,	como	vimos	na	Seção
5.3.
•	 Esnobar	 –	 É	 um	 dos	 maiores	 pecados.	 É	 o	 escrever	 difícil,	 o	 querer
complicar.	Faça	 a	 sua	 redação	 sem	 se	preocupar	 em	demonstrar	 cultura	 e
conhecimento	 excessivos.	 Tudo	 o	 que	 tem	 valor	 e	 agrada	 é	 simples.	 Os
grandes	 escritores	 foram	 simples.	 Os	 melhores	 textos	 são	 os	 de	 redação
simples.
Nada	de	querer	mostrar	conhecimentos	linguísticos	e	de	criar	neologismos.
Deixe	isso	para	os	mestres.	Use	palavras	comuns	que	todos	entendam,	sem
cair	no	lugar-comum.
Se	tiver	de	recorrer	a	uma	palavra	menos	conhecida,	faça-o,	mas	só	se	ela
se	ajustar	melhor	ao	texto	do	que	um	termo	de	uso	comum.
Veja	este	trecho	de	uma	redação	de	concursando:
“A	 partir	 disso,	 é	 possível	 concluir	 que	 uma	 imagem	 comum	 pode	 representar	 algo
completamente	 diferente	 a	 uma	 pessoa	 do	 que	 representa	 a	 outra,	 e	 ainda	 assim	 não
representarem	a	idiossincrasia	da	realidade	em	sua	essência.	Em	um	mundo	cheio	com
as	mais	variegadas	imagens	e	concepções	de	realidade,	a	visão	unilateral	do	ser	humano
pode	 acarretar	 discriminações	 e	 hierarquização	 ao	 passo	 que	 cria	 imagens	 sobre
pessoas.”
O	texto	está	obscuro,	além	de	o	autor	tentar	mostrar	conhecimentos	linguísticos
ao	usar	os	termos	idiossincrasia	(maneira	de	ver,	de	sentir,	de	reagir	peculiar	a
cada	pessoa)	 e	variegadas	 (de	 cores	diversas,	matizadas),	 que	não	apresentam
coerência,	 e	 por	 não	 usar	 uma	 linguagem	 objetiva,	 capaz	 de	 delimitar	 com
clareza	o	recorte	temático.	O	melhor	seria	ter	mais	simplicidade	e	escrever	algo
como:
Portanto,	 uma	 única	 imagem	 pode	 representar	 realidades	 diferentes,	 e	 ainda	 assim	 não
conseguir	expressar	a	realidade	em	sua	essência.	A	multiplicidade	de	imagens	e	concepções	de
realidade	podem	gerar	 segregações	 e	hierarquizações	quando	encontram	a	visão	 limitada	do
homem.
•	Usar	palavras	chulas	–	Estas	e	palavrões,	nem	pensar.
•	 Usar	 clichês	 –	 Observe	 o	 que	 foi	 dito	 na	 Seção	 7.4.6	 em	 clichês
estilísticos.
•	Escrever	cacofonia	–	É	a	 junção	de	sílabas	formando	uma	palavra	com
sentido	chulo,	obsceno	ou	ridículo:
Isto	é	para	ser	feito	por	cada	servidor…
É	na	favela	que	se	disputa	sempre	um	lugar…
•	Ortografia	–	Não	deixar	de	pôr	os	pingos	nos	 is	e	nos	 jotas,	cortar	o	 t,
colocar	 a	 cedilha	 no	 c	 (ç)	 e	 o	 ponto	 final.	 A	 falta	 desses	 sinais	 denota
desleixo	 e	 brada	 contra	 você.	 É	 erro!	 E	 tem	 mais:	 coloque	 pingo	 e	 não
bolinha	nos	is	e	nos	jotas.
•	Cuidar	da	Letra	–	Atenção:
não	use	palavras	de	cuja	grafia	não	esteja	certo;
não	faça	n	parecido	com	r;
não	faça	s	parecido	com	j;
não	faça	t	com	forma	de	f;
não	use	y	com	forma	de	g:
não	use	h	com	jeito	de	m	maiúsculo;
não	faça	m	com	jeito	de	n;
não	faça	x	com	jeito	de	sc	e	vice-versa;
•	Fugir	 do	 tema	 –	Mudar	 o	 assunto	 da	 redação	 reprova	 o	 candidato	 em
qualquer	concurso.	Deve-se	delimitar	o	tema,	mas	nunca	fugir	dele.	Fugir
ao	tema	é	escrever	sobre	o	que	não	foi	pedido.	Indica	falta	de	entendimento
da	 proposta	 ou	 tentativa	 de	 utilização	 de	 texto	 previamente	 preparado	 e
memorizado.
•	Esquecer	a	maiúscula	–	Ela	deve	estar	presente	no	início	dos	períodos,
nos	títulos	e	nos	nomes	próprios.
•	Usar	 palavras	 estrangeiras	 –	O	 uso	 de	 palavras	 que	 não	 pertençam	 à
língua	 portuguesa	 só	 é	 permitido	 se	 não	 houver	 uma	 correspondente	 em
nosso	idioma.	Um	termo	técnico	pode	ser	usado,	desde	que	entre	aspas	ou
grifado.
•	Utilizar	gíria	–	Só	se	for	em	um	diálogo	e	como	transcrição	de	linguagem
popular.	Do	contrário,	não.	Para	o	examinador,	é	pobreza	vocabular.
•	Abreviar	palavras	–	De	modo	nenhum.	Escreva	todas	por	extenso,	a	não
ser	as	siglas	(mas	depois	de	ter	feito	a	alusão	por	extenso	com	a	indicação
entre	parênteses	ou	duplo	travessão)	e	as	abreviaturas	consagradas,	como	o
“etc.”	e	o	“v.g.”.
•	 Repetir	 palavras	 –	 Só	 use	 para	 enfatizar,	 do	 contrário,	 é	 erro.	 Use
sinônimos.	Fora	a	ênfase	intencional,	a	repetição	de	palavras	revela	pobreza
vocabular.
•	Escrever	demais	–	Se	o	examinador	não	especificar	o	número	de	linhas,
não	vá	além	de	25.	Também	não	escreva	de	menos.	Treine	para	um	limite
mínimo	de	vinte.	Se	o	examinador	der	um	limite	mínimo	de	25,	não	pare
nessa	linha.	Vá	adiante	uma	ou	duas	linhas	pelo	menos.	De	resto,	faça	o	que
o	examinador	pedir.
•	 “Encher	 linguiça”	 –	 Se	 não	 tiver	 ideias,	 não	 fique	 divagando	 ou
repetindo	 a	 mesma	 coisa	 com	 palavras	 diferentes.	 Você	 vai	 cair	 na
prolixidade	e	na	redundância.	É	erro	grave.	É	preferível	escrever	apenas	o
mínimo	exigido	e	bem	do	que	escrever	muito	e	mal.
•	Aumentar	o	tamanho	da	letra	–	Há	candidatos	que	não	têm	ideias	e	para
dizer	que	escreveram	bastante	aumentam	o	tamanho	da	letra.	Isso	indispõe
o	 examinador.	Também	a	 letra	 estilo	 “cobrinha”,	 tão	pequena	que	mal	 se
distingue,	é	desconsiderada.	O	examinador	não	vai	usar	lupa	para	corrigir	a
sua	redação.
•	Ser	negativista	–	A	maioria	dos	 temas	dados	em	concursos	versa	sobre
problemas	 sociais,	 problemas	 do	 momento.	 É	 preciso	 dizer	 o	 seu
pensamento	 a	 respeito	 com	 clareza	 e	 coerência.	 Procure	 olhar	 o	 lado
positivo.	Sugira	métodos	e	maneiras	para	solucionar	as	dificuldades,	aponte
alternativas	e	saídas.	Diga	o	que	pensa	e	o	que	acha	a	respeito.
•	Eco	–	Consiste	na	 repetição	de	palavras	 terminadas	pelo	mesmo	som,	o
que	torna	a	leitura	desagradável,	como	na	frase:
Já	foi	dado	o	consentimento	para	o	casamento	do	Chico	Bento	com	Maria	do	Livramento	na
igreja	de	São	Bento.
Horrível,	não?
7.1.6.	Fique	atento
Para	fazer	uma	boa	redação,	você	deve	ficar	atento	observando:
•	 Texto	 base	 –	 O	 examinador	 pode	 dar	 um	 texto	 base	 como	 apoio	 ao
candidato	e	até	mais	de	um	texto	ou	excertos	e	depois	dar	um	tema.	Quase
sempre	o	tema	está	no	texto	base,	que	você	deve	ler	com	atenção,	a	fim	de
retirar	o	tema	(ideia	principal)	para,	em	seguida,	delimitá-lo.	Use	as	ideias
(e	somente	as	ideias)	contidas	nesse	texto	para	a	feitura	de	sua	redação.
•	Tema	–	Nãoé	 título.	O	 tema	é	o	assunto	da	 redação.	Muitas	vezes	em
lugar	 de	 um	 texto	 base	 o	 examinador	 dá	 apenas	 o	 tema	 para	 o	 candidato
elaborar	 o	 trabalho.	 Leia	 o	 tema	 com	 atenção,	 procure	 saber	 o	 que	 você
conhece	 sobre	 o	 assunto,	 delimite,	 trace	 o	 objetivo,	 selecione	 ideias,
organize-as	e	inicie	o	seu	rascunho.
•	Título	–	Como	já	dissemos	anteriormente,	só	se	o	examinador	solicitar	ou
se	vier	a	linha	própria	ou	as	linhas	não	contiverem	numeração.	Lembre-se:
quando	 há	 linhas	 numeradas,	 a	 redação	 começa	 na	 linha	 de	 número	 1	 e
somente	nela.	Título	não	faz	parte	da	redação.	Dê	título	quando	pedido	e	só
depois	de	passado	a	limpo	todo	o	trabalho.	Se	tiver	de	colocar	título	e	não
houver	 uma	 linha	 para	 tal,	 coloque-o	 na	 primeira	 linha	 (não	 numerada),
deixe	uma	ou	duas	linhas	em	branco	e	então	inicie	o	seu	primeiro	parágrafo.
A	 linha	 do	 título	 e	 as	 linhas	 em	 branco	 não	 são	 contadas	 entre	 aquelas
solicitadas	pelo	examinador.
•	Tempo	–	Se	a	prova	não	estipular	um	tempo	só	para	a	redação,	significa
que	 ela	 está	 inserida	 dentro	 do	 tempo	 total	 concedido	 para	 a	 prova	 (em
geral	 quatro	 horas).	Aconselha-se,	 então,	 iniciar	 a	 prova	 pela	 redação.	 Se
quiser,	pode	fazer	apenas	o	rascunho,	deixando	para	passar	a	limpo	depois.
Mas	inicie	pela	redação.
•	Estilo	–	Toda	redação	de	concurso	deve	ser	feita	em	prosa.	Alguns	órgãos
examinadores	 fazem	 até	 essa	 ressalva.	 Logo,	 não	 se	 deve	 fazer	 poemas
mesmo	sem	rima	ou	sem	métrica,	nem	simples	versos.
•	Tipologia	–	O	tipo	de	texto	que	mais	se	adapta	a	uma	prova	de	concurso	é
a	dissertação.	Só	faça	narração	ou	descrição	se	forem	solicitadas.	Treine	a
dissertação,	 aprenda	 a	 discutir	 o	 assunto,	 expor	 os	 seus	 pontos	 de	 vista,
analisar	 os	 vários	 aspectos	 relacionados	 com	 o	 tema,	 estabeleça	 causas,
consequências,	 procure	 uma	 solução	 e	 finalize	 com	 uma	 síntese	 do	 que
você	explanou.
•	Problemas	de	opinião	–	Não	transforme	todas	as	questões	apresentadas
nos	 temas	 como	 atuais.	 Assim,	 não	 comece	 sua	 redação	 com	 expressões
como:	hoje	em	dia,	atualmente,	nos	dias	que	vivemos,	significando	que	há
uma	polêmica	sobre	o	assunto.	Se	foi	pedida	uma	dissertação	é	porque	há
uma	 polêmica.	 Também	 não	 use	 o	 encerramento	 para	 propor	 soluções	 a
todas	as	questões	existentes.	O	examinador	não	quer	que	você	solucione	os
problemas	do	mundo,	mas	que	discuta,	acrescente	 ideias,	dê	uma	opinião,
sem	tentar	solucionar	algo	que	não	tenha	resposta.
•	Receita	–	Tenha	sempre	em	mente	que	não	existem	receitas	para	se	fazer
redação.	Nem	fórmulas	de	se	aprender	a	escrever	em	curto	prazo.	Há	tantas
maneiras	de	se	escrever	que	não	se	pode	dizer	que	alguém	conheça	todas	e
as	passe	a	outrem.	O	aprendizado	da	escrita	é	o	resultado	de	um	processo
contínuo	 e	 ininterrupto	 (por	 isso	 você	 deve	 escrever	 diariamente)	 sempre
aperfeiçoando	o	texto	por	toda	a	vida.
7.1.7.	Exercícios
Observe	as	 frases	 a	 seguir	 e	 faça	a	 correção:	 1.	A	 economia	mundial	 ainda
não	está	totalmente	recuperada	e	vez	por	outra	entra	em	recessão,	onde	as	bolsas
de	valores	sofrem	grandes	quedas.
2.	Para	a	festa	de	casamento,	dois	mil	reais	são	poucos,	sendo	preciso	uns	cinco
mil.
3.	Ela	fez	tudo	por	mim,	mesmo	nos	momentos	de	incerteza,	e,	por	isso,	estimo-
a	como	uma	mãe.
4.	 As	 inscrições	 dos	 candidatos	 cujas	 as	 fichas	 não	 estiverem	 corretamente
preenchidas,	o	órgão	examinador	não	aceitá-las-á.
5.	É	bom	que	estejam	aqui	à	noite,	às	20	horas,	quando	a	coordenadora	fala	da
reunião	da	comissão	do	concurso	na	Reitoria	da	Universidade.
Agora	vamos	exagerar	um	pouco,	reescrevendo	os	períodos	a	seguir	sem
usar,	uma	única	vez	o	que	(é	proibido	usar	“que”).
6.	Se	você	se	esquece	de	nomes	e	acha	que	esses	lapsos	de	memória	indicam	que
sua	 mente	 está	 ficando	 seriamente	 debilitada,	 lembre-se	 de	 que	 pessoas	 de
todas	as	idades	se	esquecem	das	coisas	e	que	as	alterações	mentais	que	podem
surgir	 em	 uma	 pessoa	 idosa	 geralmente	 não	 estão	 relacionadas	 com	 a
demência.
7.	 A	 polícia	 do	 Iêmen	 informou	 que	 a	 terrorista	 que	 enviou	 uma	 bomba	 aos
Estados	Unidos	foi	descoberta	pela	CIA	que	a	 identificou	graças	a	um	chipe
que	estava	no	celular	que	foi	encontrado	junto	à	bomba.
8.	 O	 vulcão	Merapi	 que	 entrou	 novamente	 em	 erupção,	 na	 Indonésia,	 lançou
nuvens	 de	 fumo	 e	 vapor	 que	 alcançaram	mais	 de	 12	 quilômetros	 de	 altura,
fazendo	com	que	os	moradores	das	aldeias	próximas	ao	vulcão	 fugissem	em
pânico.
9.	Dilma	Roussef,	que	é	a	primeira	mulher	na	presidência	do	Brasil,	é	 filha	de
um	búlgaro	que	emigrou	por	causa	das	dificuldades	que	tinha	de	viver	naquele
país	 europeu.	 Foi	 em	 Belo	 Horizonte	 que	 ele	 se	 tornou	 próspero	 e	 que
constituiu	família	com	mulher	e	três	filhos.
10.	Segundo	o	 jornalista	Hélio	Gaspari,	não	se	pode	afirmar	que	 foi	o	senador
Romeu	 Tuma	 que	 teve	 um	 papel	 decisivo	 na	 descoberta	 do	 paradeiro	 do
criminoso	nazista	Joseph	Mengele,	que	foi	o	médico	de	Auschwitz.
11.	É	bom	que	revisemos	todos	os	destaques	que	foram	inseridos	na	última	aula
de	Direito	Previdenciário,	e	que,	pelas	cláusulas	que	tem	o	edital	do	concurso,
é	certo	que	serão	temas	da	prova	que	faremos	em	três	meses.
12.	Uma	pesquisa	constatou	que	“meninas	de	até	cinco	anos	não	estão	satisfeitas
com	 seu	 corpo	 e	 que	 gostariam	 de	 ser	 mais	 magras”,	 noticia	 o	 jornal	 The
Sydney	 Morning	 Herald.	 A	 reportagem	 que	 cita	 um	 estudo	 que	 envolve
meninas	australianas	de	cinco	a	oito	anos,	diz	que	quase	metade	delas	queria
ser	 mais	 magra	 e	 que	 um	 número	 similar	 disse	 que	 “faria	 regime	 se
engordasse”.
Reestruture	os	períodos	a	seguir	para	que	possam	ter	uma	redação	clara
e	correta,	eliminando	os	problemas	de	coesão	e	coerência:	13.	Os	pais	devem
estar	atentos	às	amizades	de	seus	 filhos	porque	eles	são	os	alvos	preferidos	de
traficantes	e	da	crescente	violência	urbana	que	os	leva	à	prostituição,	ao	crime	e
até	mesmo	à	morte.
14.	O	técnico	acha	que	o	time	será	campeão,	porém	não	está	em	perfeita	forma.
Já	os	diretores	dizem	que	se	o	 técnico	deixar	de	ser	 teimoso	como	o	Dunga,
convocar	os	jogadores	certos,	manter	o	esquema	tático	e	prever	os	resultados
dos	jogos	poderá	alcançar	o	título	desejado.
Torne	 conciso	 o	 texto	 a	 seguir,	 eliminando	 tudo	 o	 que	 for	 supérfluo:
15.	 “À	vista	 de	 todas	 essas	 considerações,	 sobre	 problemas	 da	Polícia	Militar,
útil	corporação	deste	Estado,	este	Comando,	subordinado	a	esse	Governo,	tem	a
honra	 de,	 encaminhando	 a	 Vossa	 Excelência	 esta	 exposição,	 assinada	 pelo
Comandante	 desta	 grande	 corporação	 que	 é	 a	 Polícia	 Militar,	 submeter	 à
apreciação	de	Vossa	Excelência,	que	é	o	chefe	 inconteste	da	Polícia	Militar,	o
projeto	 de	 decreto	 que	 tornará	 extensivo	 às	 praças	 o	 útil	 e	 necessário	 vale-
refeição.
Transforme	 os	 períodos	 compostos	 em	períodos	 simples:	 16.	Consta	 que
suspenderam	dois	funcionários.
17.	 Os	 amigos	 que	 ouvem	 este	 programa	 estão	 lembrados	 do	 que	 lhes
recomendamos	ultimamente.
18.	 É	 fora	 de	 dúvida	 que	 a	 apelante	 prestou	 prova	 e	 que	 sua	 prova	 foi
homologada	pelo	chefe	do	DRH.
19.	O	 que	 foi	 programado	 para	 que	 se	 façam	 os	 debates,	 sem	 que	 prejudique
nosso	 trabalho,	será	apresentado	 logo	que	o	Conselho	se	reúna	pela	primeira
vez	em	Brasília.
20.	 Assinale	 o	 item	 em	 que	 o	 período	 foi	 reescrito	 com	 total	 concisão,
conservando	a	ideia	do	texto	original:
a)	 Para	 nos	 adaptarmos	 à	 sociedade	 em	 que	 vivemos,	 é	 essencial	 uma
elevada	formação	física	e	cultural.
b)	Para	nos	adaptarmos	à	sociedade	é	essencial	uma	aprimorada	formação
física	e	cultural.
c)	Para	adaptação	à	nossa	sociedade	é	essencial	elevada	formação	física	e
cultural.
d)	Para	possuirmos	uma	adaptação	adequada	à	sociedade	em	que	vivemos,
é	essencial	uma	elevada	formação	física	e	cultural.
e)	 Para	 possuirmos	 uma	 boa	 adaptação	 à	 sociedade	 em	 que	 vivemos,	 é
essencial	uma	elevada	formação	física	e	cultural.
Gabarito	nofinal	do	livro.
	
Capítulo	8
O	Verbo	na	Redação
	
A	redação	avalia	se	a	pessoa	conhece	os	problemas	do	mundo,	se	tem	preocupação	ética,
hábito	de	reflexão	e	se	usa	a	linguagem	para	fazer-se	entender	e	ouvir	o	outro.
Francisco	Platão	Savioli	–	coordenador	de	Português	do	Sistema	Anglo	de	Ensino.
8.1.	IMPORTÂNCIA	DO	VERBO
Em	todas	as	situações	em	uma	redação,	o	verbo	é	imprescindível.	É	sabido	que
se	pode	construir	uma	oração	sem	sujeito,	mas	nunca	uma	oração	sem	verbo.	Ele
aparece	em	todos	os	processos	da	vida,	expressa	ações,	estados	ou	qualidades,	dá
atributos	 a	 condutas	 e	 está	 sempre	 presente,	 pois	 é	 ele	 quem	 estabelece	 as
relações	do	usuário	de	uma	língua	com	as	realidades	apresentadas.
De	acordo	com	o	verbo	formatam-se	os	vários	tipos	de	frases.	Se	ele	exprime
um	estado	e	denota	a	definição	de	algum	ser,	mostrando	o	 seu	atributo,	diz-se
que	a	 frase	é	nominal.	Quando	exprime	um	fato	ou	simboliza	o	agir,	 a	 frase	é
verbal.	Mas	há	também	a	frase	mista,	quando	o	verbo	simboliza	o	agir	e	encerra
a	definição	de	um	ser.	Nesse	caso,	diz-se	que	a	frase	é	verbo-nominal.
8.1.1.	A	frase
Em	O	 fator	 psicológico	 na	 evolução	 sintática	 o	 linguista	 Cândido	 Jucá	 Filho
classifica	 as	 frases	 de	 acordo	 com	 o	 valor	 psicológico	 da	 representação	 do
pensamento	e	afirma	que	a	frase	verbal	pode	ser	dramática,	afetiva	ou	absoluta;	a
frase	nominal	pode	ser	durativa,	transitória	ou	incoativa,	e	a	frase	mista	divide-se
em	afetiva	e	dramática.
a)	 A	 frase	 dramática	 é	 a	 que	 ocorre	 com	 a	 sentença	 verbal,	 quando	 as
personagens	do	enunciado	desempenham	o	drama	indicado	pelo	núcleo	verbal:
Os	promotores	indiciaram	o	chefe	do	crime	organizado.
b)	 A	 frase	 afetiva	 afasta	 o	 drama	 frásico	 e	 indica	 que	 o	 fato	 interessa	 a
determinados	seres:
Aquele	jurista	tem	muita	competência.
c)	A	 frase	absoluta,	 também	conhecida	como	factiva,	não	 tem	quase	emprego
porque	 abarca	 construções	 com	 verbos	 que	 indicam	 fenômenos
meteorológicos,	 como:	 trovejou,	 venta,	 relampeja,	 choveu	 etc.,	 conforme	 se
observa	na	frase:
Choveu	muito	no	Nordeste,	durante	o	inverno	passado.
A	frase	nominal	é	centrada	nos	verbos	que	indicam	estado	(verbos	de	ligação).
Pode	dar	ideia	de	um	estado	permanente	ou	transitório:
O	concurso	está	confirmado	para	esta	semana.
O	candidato	ficou	indeciso	quanto	ao	local	da	prova.
Ou	dar	ideia	incoativa,	quando	exprime	mudança	de	estado:
O	promotor	anda	feliz	com	o	resultado	do	júri.
d)	A	 frase	mista	 caracteriza-se	 por	 ter	 um	verbo	 que	 exprime	 um	 fato	 e	 pela
definição	de	um	ser:
O	advogado	saiu	contente	da	audiência.
Observe	 que	 há	 um	 fato	 afetivo	 (o	 advogado	 saiu	 da	 audiência)	 e	 um	 fato
nominal	(estava	contente).
8.1.2.	A	concordância	verbal
Para	bem	redigir	um	texto	necessário	se	faz	conhecer	a	concordância	verbal.	A
regra	geral	é:	O	verbo	concorda	com	o	núcleo	do	sujeito	em	número	e	pessoa:
Preste	atenção!
Mesmo	que	o	núcleo	do	sujeito	venha	depois	do	verbo,	a	concordância	 será
feita	entre	eles:
8.1.2.1.	Sujeito	simples
Segue	a	regra	geral:
As	provas	são	fáceis,	mas	a	redação	atemoriza.
Aos	concurseiros	só	interessa	a	aprovação.
8.1.2.2.	Sujeito	composto	anteposto	ao	verbo
A	forma	verbal	faz	a	concordância	no	plural:
•	Se	os	núcleos	forem	de	pessoas	gramaticais	diferentes:
Havendo	primeira	pessoa,	verbo	na	primeira	pessoa	do	plural	(nós):
•	Havendo	 segunda	e	 terceira	pessoas,	verbo	na	 segunda	pessoa	do	plural
(vós).
Observação:	Na	linguagem	moderna,	costuma-se	trocar	o	tratamento	vós	por
vocês	(uma	espécie	de	silepse	de	pessoa):
•	Se	os	núcleos	forem	sinônimos,	verbo	no	plural	ou	concorda	com	o	núcleo
mais	próximo:
O	amor	e	a	paixão	deixam-no	feliz.
O	amor	e	a	paixão	deixa-o	feliz.
•	 Se	 os	 núcleos	 estiverem	 em	 gradação,	 o	 verbo	 também	 pode	 ir	 para	 o
plural	ou	concordar	com	o	mais	próximo:
Um	som	roufenho,	uma	palavra	áspera,	uma	frase	indignada	mostraram	o	seu	desagrado.
Um	som	roufenho,	uma	palavra	áspera,	uma	frase	indignada	mostrou	o	seu	desagrado.
8.1.2.3.	Sujeito	composto	posposto
O	verbo	vai	para	o	plural:
Saíram	pela	manhã	o	diretor	e	seus	assistentes.
Bebiam	no	mesmo	bar	o	gerente	e	o	funcionário.
Pode	também	concordar	com	o	núcleo	mais	próximo:
Saiu	pela	manhã	o	diretor	e	seus	assistentes.
Bebia	no	mesmo	bar	o	gerente	e	o	funcionário.
8.1.2.4.	Sujeito	com	núcleos	ligados	por	“ou”	e	por	“nem”:
	
a)	havendo	exclusão	–	verbo	no	singular:
Pedro	ou	Paulo	casará	com	Maria.
Nem	Bruno	nem	Zeca	será	eleito	diretor.
Com	núcleos	 de	 pessoas	 gramaticais	 diferentes,	 o	 verbo	 concorda	 com	o	mais
próximo:
O	professor	ou	eu	resolverei	a	questão.
Eu	ou	o	professor	resolverá	a	questão.
Nem	Lea	nem	os	irmãos	terão	chances.
Nem	os	irmãos	nem	Lea	terá	chances.
b)	 não	 havendo	 exclusão	 –	 o	 verbo	 vai	 para	 o	 plural	 na	 pessoa	 gramatical
predominante:
A	enxurrada	ou	o	granizo	causam	prejuízos.
Tu	ou	tua	tia	sereis	sempre	bem-vindos.
Eu	ou	teu	irmão	estaremos	atentos.
Nem	João	nem	Zeca	sabem	o	que	fazer.
c)	havendo	retificação	–	o	verbo	concorda	com	o	mais	próximo:
O	grafiteiro	ou	os	grafiteiros	picharam	o	monumento.
Os	grafiteiros	ou	o	grafiteiro	pichou	o	monumento.
d)	havendo	sinonímia	–	verbo	no	singular:
A	alegria	ou	o	prazer	leva	a	exageros.
e)	havendo	antonímia	–	verbo	no	plural:
O	riso	ou	a	tristeza	marcam	os	sentimentos.
8.1.2.5.	Sujeito	com	núcleo	formado	de	verbos	no	infinitivo	O	verbo	fica	no
singular:
Trabalhar	e	estudar	faz	dele	um	homem.
	
•	 Se	 os	 núcleos	 verbais	 forem	 determinados	 por	 artigo	 ou	 se	 forem
antônimos,	verbo	no	plural:
O	trabalhar	e	o	estudar	fazem	dele	um	homem.
Amar	e	odiar	se	alternam	nas	sociedades.
8.1.2.6.	Sujeito	com	núcleos	ligados	pela	preposição	“com”
	
a)	verbo	no	plural	se	a	partícula	com	une	os	sujeitos	como	se	fosse	a	conjunção
e:
b)	Se	o	núcleo	preposicionado	vier	separado	por	vírgulas,	o	verbo	concorda	com
o	primeiro	nome	(sujeito	simples)	e	o	núcleo	preposicionado	 fica	 reduzido	à
condição	de	um	adjunto	adverbial	de	companhia	deslocado:
8.1.2.7.	Sujeito	com	núcleo	 ligado	por	conjunção	comparativa	O	verbo	 fica
no	plural:
•	Se	separarmos	o	segundo	núcleo	por	vírgulas,	verbo	fica	no	singular	e	o
núcleo	 precedido	 da	 conjunção	 comparativa	 passa	 a	 ser	 uma	 oração
subordinada	adverbial	comparativa:
•	Igualmente	o	verbo	fica	no	singular	ou	no	plural	com	sujeitos	ligados	pela
série	aditiva	enfática	não	só…	mas	(senão	ou	como)	também:
Não	só	o	pai	mas	também	a	mãe	saíram.
Não	só	o	pai,	mas	também	a	mãe,	saiu.
8.1.2.8.	 Sujeito	 composto	 resumido	 pelo	 aposto	 O	 verbo	 concorda	 com	 o
aposto	resumitivo:
8.1.2.9.	Outros	casos	de	concordância	verbal
a)	Sujeito	cada	um,	cada	qual	–	o	verbo	fica	no	singular:
Cada	um	de	nós	se	inscreverá	no	concurso	amanhã.
Cada	qual	de	vocês	terá	sua	vez	na	prova	do	TRT.
b)	Sujeito	mais	de	um	–	verbo	no	singular:
Mais	de	um	candidato	errou	a	questão.
•	Plural	se	a	locução	estiver	repetida:
Mais	de	uma	TV,	mais	de	uma	geladeira,	mais	de	um	DVD	queimaram	no	incêndio.
•	Se	houver	reciprocidade,	verbo	no	plural:
Mais	de	um	torcedor	se	agrediram	ao	final	do	último	jogo.
c)	Sujeito	que	na	locução	um	dos	que	–	verbo	no	singular	ou	no	plural:
Luís	é	um	dos	técnicos	que	entende	/	entendem	de	informática.
d)	Sujeito	locução	pronominal	com	pronome	pessoal	preposicionado	–	verbo
no	singular	se	o	pronome	inicial	estiver	no	singular.
Algum	de	nós	ficará	na	sala.
Qual	de	vós	saiu	cedo?
•	 Verbo	 na	 terceira	 pessoa	 do	 plural	 ou	 concordando	 com	 o	 pronome
pessoal	se	o	pronome	inicial	estiver	no	plural:
Alguns	de	nós	ficarão	/	ficaremos	na	sala.
Quais	de	vós	saístes	/	saíram	cedo?
e)	 Sujeito	 coletivo	 e	 sujeito	percentual	 –	 o	 verbo	 concorda	 com	 o	 núcleo	 do
sujeito	ou	com	o	determinante,	se	houver:
A	multidão	aplaudiu	a	jogada	de	Robinho.
A	multidão	de	torcedores	aplaudiu	/	aplaudiram	a	jogada	de	Neymar.
Dez	por	cento	vivem	mal.
Dez	por	cento	do	povo	vivem	/	vive	mal.
•	 Se	 o	 percentual	 vier	 determinado	 por	 artigoou	 pronome,	 o	 verbo
concordará	apenas	com	o	numeral:
Os	dez	por	cento	do	povo	vivem	mal.
Aquele	um	por	cento	dos	testes	caiu.
f)	Sujeito:	nomes	pluralícios	–	com	artigo,	verbo	no	plural;	sem	artigo,	verbo	no
singular:
Os	Estados	Unidos	lutam	contra	o	terror.
Andes	forma	a	maior	cadeia	de	montanhas	da	América	do	Sul.
•	Com	título	de	obra	seguido	do	verbo	ser	e	predicativo,	singular	ou	plural:
Os	Maias	é	/	são	a	saga	de	uma	família.
g)	Haja	vista	–	é	uma	expressão	invariável.
Esta	é	a	solução,	haja	vista	o	/	ao	processo.
Esta	é	a	solução,	haja	vista	os	/	aos	processos.
•	O	verbo	pode	flexionar-se	(hajam	vista),	caso	se	refira	a	nome	no	plural,
sem	que	haja	preposição.
Esta	é	a	solução,	hajam	vista	os	processos.
h)	Verbo	parecer	seguido	de	infinitivo	–	flexiona-se	o	verbo	parecer	ou	o	outro
verbo,	nunca	os	dois:
Estas	meninas	parecem	sorrir.
Estas	meninas	parece	sorrirem.
i)	Pronome	de	tratamento	–	o	verbo	vai	para	a	terceira	pessoa.
V.	Sa.	sabe	que	o	seu	processo	foi	arquivado.
j)	Pronome	“que”	–	o	verbo	concorda	com	o	antecedente	em	número	e	pessoa:
Fomos	nós	que	preparamos	as	questões.
Fui	eu	que	resolvi	tudo.
k)	Pronome	 “quem”	 –	 o	 verbo	 fica	 na	 terceira	 pessoa	 do	 singular	 (quem	 é
pronome	indefinido):
Fui	eu	quem	resolveu	a	questão.
•	 O	 pronome	 quem	 pode	 também	 concordar	 com	 o	 sujeito	 da	 oração
anterior	 (a	 concordância	 é	 enfática,	 e	 quem	 é	 pronome	 relativo	 –	 é	 a
construção	preferida	da	linguagem	popular):
Fui	eu	quem	resolvi	a	questão.
l)	Sujeito	oracional	–	verbo	na	terceira	pessoa	do	singular:
Faltava	procurar	seis	relatórios.
Supõe-se	que	os	candidatos	estejam	preparados.
m)	Verbos	impessoais	–	ficam	na	terceira	pessoa	do	singular	e	são:
•	os	que	indicam	tempo	cronológico	ou	meteorológico:	haver,	fazer,	ir.
Chegou	do	Nordeste	há	dois	meses.
Faz	noites	frias	e	chuvosas	em	Brasília.
Hoje	faz	dez	anos	que	saí	do	Sul.
Vai	para	dez	dias	que	ele	chegou.
•	 os	 que	 indicam	 fenômenos	 da	 natureza	 (chover,	 ventar,	 trovejar,	 nevar,
gear	etc.)	quando	denotativos:
Sábado	trovejou,	mas	não	choveu.
•	o	verbo	Haver	significando	existir,	ocorrer,	acontecer:
Na	viagem	houve	muitos	problemas.
Dizem	que	há	muitos	acidentes	daquela	rua.
Observação:	Nas	locuções	verbais	(formadas	com	esses	verbos)	o	verbo	auxiliar
fica	na	terceira	pessoa	do	singular:
Pode	fazer	dois	meses	que	ele	viajou.
Desde	ontem	começou	a	haver	lutas.
•	Verbos	 dar,	 soar	 e	 bater.	 Esses	 verbos	 têm	 como	 sujeito	 a(s)	 hora(s)
indicada(s):
8.1.2.10.	A	 concordância	 do	 verbo	 ser	 De	 suma	 importância	 na	 redação	 é	 a
concordância	 do	 verbo	 ser.	 Ele	 concorda	 ora	 com	 o	 sujeito,	 ora	 com	 o
predicativo.
I.	Concordância	com	o	Sujeito
Como	ocorre	com	a	relação	sintática	de	qualquer	verbo	e	o	sujeito	da	oração,	o
normal	é	que	o	sujeito	e	o	verbo	ser	concordem	em	número:
Os	dias	passados	são	lembrados	com	saudade.
A	menina	era	as	alegrias	da	casa.
Nós	somos	os	torcedores.
Camões	é	muitos	poetas	e	todos	excelentes.
II.	Concordância	com	o	Predicativo
O	verbo	ser	se	acomoda	à	flexão	do	predicativo	nos	seguintes	casos:
1.	 Sempre	 que	 o	 predicativo	 indicar	 pessoa	 (seja	 substantivo	 ou	 pronome
pessoal):
Sua	alegria	eram	as	crianças.
O	professor	sou	eu.
2.	Quando	o	predicativo	indicar	horas,	distância	e	datas:
Eram	quatro	horas	de	um	dia	ensolarado.
Daqui	até	a	praia	são	dez	quilômetros	a	pé.
Hoje	são	cinco	de	maio.
Obs.:	Se	o	predicativo	estiver	precedido	da	expressão	perto	de	 pode-se	usar	o
singular	ou	o	plural:
Era	perto	de	oito	horas.
Eram	perto	de	oito	horas.
3.	Com	datas	o	verbo	ser	pode:
a)	Concordar	com	o	numeral:
Hoje	são	cinco	de	maio.
b)	Concordar	com	a	palavra	“dia”:
Hoje	é	dia	cinco	de	maio.
Hoje	é	cinco	de	maio	(concordando	com	a	palavra	“dia”	que	está	subentendida)
4.	 Quando	 o	 predicativo	 indica	 quantidade	 (muito,	 pouco,	 menos,	 mais,
bastante,	suficiente,)	o	verbo	ser	concorda	com	tal	expressão:
Cem	metros	émuito	para	as	bandeiras.
Duzentos	reais	é	pouco	para	as	passagens.
Dez	quilos	de	acém	é	suficiente	para	o	assado.
5.	Quando	o	sujeito	é	um	dos	pronomes	interrogativos	que,	o	que	ou	quem,
a	concordância	se	faz	com	o	predicativo.
Que	são	células?
O	que	são	circunstâncias?
Quem	são	as	meninas?
6.	Se	o	sujeito	 for	uma	expressão	de	sentido	coletivo	 (o	 resto,	o	mais)	ou
com	 sentido	 partitivo	 (a	 maioria,	 a	 maior	 parte,	 grande	 parte),	 a
concordância	é	com	o	predicativo:
A	maioria	eram	garotas.
Grande	parte	são	detalhes.
O	resto	são	atributos	sem	importância.
7.	Quando	o	verbo	ser	tem	o	sentido	de:	“ser	constituído	por”:
O	livro	eram	umas	poucas	figuras.
A	provisão	eram	alguns	quilos	de	carne	seca.
8.	 Quando	 o	 predicativo	 representa	 partes	 do	 corpo	 da	 pessoa	 nomeada
como	sujeito:
Creusodete	eram	dois	olhos	trocados,	duas	orelhas	grandes	e	dois	caninos	à	flor	da	boca,	qual
um	vampiro.
9.	O	predicativo	singular	prevalece	 sobre	 sujeito	plural	não	antecedido	de
artigo	ou	pronome	demonstrativo:
Comentários	falsos	é	veneno.
Panelas	vazias	é	sinal	de	fome.
Contrabandos	é	caso	de	polícia.
III.	Concordância	Facultativa
1.	Quando	o	sujeito	são	os	pronomes	tudo,	isto,	isso,	aquilo	e	o	(=	aquilo)
Na	mocidade	tudo	é	/	são	maravilhas.
Isto	é	/	são	sintomas	da	dengue.
O	que	não	é	lágrimas	são	flores.	(C.	Castelo	Branco)
Aquilo	era	/	eram	sintomas	de	histeria.
2.	Sujeito	e	predicativo	indicando	coisas:
A	vida	é	/	são	ilusões.
Sua	saia	era	/	eram	rasgões.
Nas	 frases	 em	 que	 ocorre	 a	 locução	 expletiva	 (invariável)	 é	 que	 o	 verbo	 ser
concorda	com	o	substantivo	ou	pronome	que	antecede	a	locução,	pois	eles	são	o
verdadeiro	sujeito	do	verbo:
Tu	é	que	precisas	fazer	a	lição.	(sujeito:	tu;	é	que	=	expressão	de	realce)
Não	confundir	 a	 expressão	de	 realce	é	que	 com	o	 encontro	da	 forma	verbal	é
com	a	conjunção	integrante	que	em	frases	do	tipo:
O	certo	é	que	ela	ficou	aqui.	(=	Que	ela	ficou	aqui	é	o	certo)
Bom	é	que	não	haja	mais	problemas.	(=	É	bom	que	não	haja	mais	problemas).
As	orações	que	ela	ficou	aqui	e	que	não	haja	mais	problemas	são	subordinadas
substantivas	subjetivas	introduzidas	pela	conjunção	integrante	que.
8.1.3.	Regência	verbal
Regência	é	o	mecanismo	que	comanda	as	relações	entre	um	verbo	ou	um	nome
(substantivo,	 adjetivo	 ou	 advérbio)	 e	 seu	 complemento.	Daí	 a	 sua	 importância
para	 a	 redação,	 pois	 é	 por	 meio	 da	 regência	 que	 uma	 palavra	 tem	 sob	 sua
dependência	 outra	 ou	 outras	 que	 lhe	 completam	 o	 sentido,	 transmitindo	 o
pensamento	do	autor.
O	 termo	 da	 oração	 que	 exige	 complemento	 denomina-se	 regente	 ou
subordinante,	e	o	termo	que	funciona	como	complemento	chamamos	de	regido
ou	 subordinado.	 Assim	 pode-se	 afirmar	 que	 as	 preposições	 têm	 sob	 sua
dependência	 (subordinam)	 palavras	 e	 as	 conjunções	 subordinativas	 regem,
subordinam	orações.
Em	uma	frase,	o	sujeito	é	o	elemento	principal.	Normalmente	vem	anteposto
ao	verbo,	é	o	causador	da	ação	verbal	e	não	pode	estar	preposicionado,	 isto	é,
não	pode	depender	de	nenhum	termo	da	oração.	Ele	pode	ter	complemento,	mas
não	pode	ser	complementado.	Assim,	a	frase	“É	hora	da	prova	começar”	–	não
está	 correta,	 pois	 subordina	 o	 sujeito	 do	 verbo	 começar	 ao	 substantivo	 hora,
como	 se	 dissesse:	 “É	 hora	 da	 prova”,	 quando	 se	 pretende	 dizer:	 “É	 hora	 de
começar	a	prova”.	A	preposição	rege,	na	verdade,	o	infinitivo	começar	e	não	o
sujeito	desse	infinitivo	que	é	a	prova.
8.1.3.1.	A	regência	verbal	na	redação
É	comum	em	redação	erro	de	regência,	pois,	muitas	vezes,	o	candidato	não	sabe
se	o	verbo	pede	ou	não	preposição	e	se	a	preposição	que	liga	o	verbo	ao	objeto	é
de	ou	por,	com,	a,	para,	em	etc.	É	fácil	resolver.	Basta	colocar	após	o	verbo	as
expressões	 alguém	 ou	 alguma	 coisa.	 Assim:	 “Procurou	 o	 livro”	 –	 sem
preposição,	porque	quem	procura,	procura	alguém,	procura	alguma	coisa.	Mas:
“Gostei	do	livro”	–	com	a	preposição	de,	porque	quem	gosta,	gosta	de	alguém,
de	alguma	coisa.
É	bom	que	saiba	que	regência	verbal	diz	respeitoa	verbos	de	predicação
incompleta,	 pois	 os	 intransitivos,	 sendo	 completos,	 não	 regem	 palavra
alguma.	 Verbos	 como	 correr,	 cantar,	 fugir,	 morrer	 são	 intransitivos	 e	 não
exigem	um	complemento	sequer	depois	deles:	o	tempo	corre,	o	canário	canta,	o
animal	 fugiu,	 o	 elefante	morreu	 –	 são	 orações	 organizadas	 com	 apenas	 dois
termos,	 sujeito	 e	 verbo,	 sem	 necessidade	 de	 outro	 termo	 para	 que	 tenham
sentido.
Já	os	verbos	de	predicação	incompleta	exigem	depois	de	si	um	termo	que	lhes
complete	o	sentido.	Quando	se	escreve:	“O	candidato	pediu”	–	vemos	que	se	há
de	 completar	 o	 pensamento,	 pois	 quem	 pede,	 pede	 alguma	 coisa.	 Não	 há
necessidade	de	nenhuma	preposição	entre	o	verbo	e	o	complemento.	Trata-se	de
um	 verbo	 transitivo	 direto,	 e	 o	 complemento	 é	 o	 objeto	 direto.	 Mas	 se	 você
escrever	“Isso	depende”	–	vê	que	há	necessidade	de	completar	o	pensamento	e,
usando	um	nome	antecedido	da	preposição	de,	porque	quem	depende	depende
de	alguém,	de	alguma	coisa:	“Isso	depende	de	aprovação.	O	verbo	é	transitivo
indireto,	e	o	complemento	é	o	objeto	indireto	regido	pela	preposição	de.
Cuidado!	Quando	se	tem	período	formado	por	verbo	transitivo	direto	e	verbo
transitivo	indireto,	não	se	pode	dar	um	mesmo	complemento	para	os	dois.	Assim
não	se	pode	escrever:	“Aprovou	e	necessitou	da	lei	Maria	da	Penha”	–	porque	o
verbo	aprovar	rege	objeto	direto	(aprovar	alguma	coisa)	e	necessitar	rege	objeto
indireto	(necessitar	de	alguma	coisa)	e	não	podem	ter	um	complemento	comum.
O	correto	será:	“Aprovou	a	Lei	Maria	da	Penha	e	dela	necessitou”,	ou	seja,	cada
verbo	com	seu	complemento.
Se	 o	 complemento	 for	 um	 pronome	 oblíquo	 comum	 aos	 dois	 verbos,	 você
poderá	 usá-lo	 anteposto	 ao	 primeiro	 verbo:	 “Escolheu	 o	 êxodo	 rural	 para	 o
estudar	e	comparar	com	a	criminalidade”	ou	posposto	ao	segundo:	“Escolheu	o
êxodo	rural	para	estudar	e	compará-lo	com	a	criminalidade”.
Não	 há	 necessidade	 de	 o	 pronome	 ser	 repetido:	 “São	 projetos	 que	 se
assemelham	e	equiparam	em	despesas”.
Resumindo:
Regência	verbal	é	o	relacionamento	do	verbo	com	os	seus	complementos.	O
termo	(regido)	que	completa	o	sentido	de	um	verbo	(regente)	recebe	o	nome	de
objeto.	Ele	pode	ligar-se:	a)	diretamente	ao	verbo	sem	preposição	intermédia	e,
neste	 caso,	 o	 complemento	 chama-se	 objeto	 direto.	 Assim:	 verbo	 transitivo
direto	=	objeto	direto	 (vtd	–	od);	 b)	 indiretamente,	 quando	 se	 emprega	 após	o
verbo	uma	das	preposições	essenciais,	e,	neste	caso,	tem-se	como	complemento
o	objeto	indireto.	Desse	modo:	verbo	transitivo	indireto	=	objeto	indireto	(vti	–
oi).
Observação:	Os	pronomes	oblíquos	átonos	o,	a,	os,	as	são	empregados	como
complementos	 de	 verbos	 transitivos	 diretos,	 e	 os	 pronomes	 oblíquos	 lhe,	 lhes,
como	complementos	de	verbos	transitivos	indiretos.
8.1.3.2.	Verbos	 com	mais	 de	 uma	 regência	Alguns	 verbos	 admitem	mais	 de
uma	regência,	e	essa	diversidade	corresponde	quase	sempre	a	uma	variação	do
significado	que	o	verbo	assume	na	frase.	Assim:	a)	Aconselhar
Pode	ser	usado	com	objeto	direto	e	com	objeto	indireto.	Pode-se	dizer:
O	professor	não	lhe	aconselha	pedir	recurso.
O	professor	não	o	aconselha	pedir	recurso.
b)	Admirar
•	é	vtd	no	sentido	de	ter	admiração:
Todos	admiram	a	sua	maneira	de	ser.
•	no	sentido	de	causar	admiração	é	vi:
Não	admira	que	tal	aconteça.
c)	Adjudicar
•	é	vtdi	no	sentido	de	conceder,	atribuir,	entregar	por	autoridade	judicial:
Como	o	objeto	da	pendência	é	indivísivel	e	os	consortes	não	a	querem	adjudicar	a	um	só,	será
vendida	e	repartido	o	preço.
•	é	vtd	no	sentido	de	declarar	judicialmente	que	certa	coisa	fica	pertencendo
a	determinada	pessoa:
As	sentenças	que	adjudicarem	bens	de	raiz	devem	ser	transcritas.
d)	Aduzir
•	no	sentido	de	apresentar,	oferecer,	expor	razões,	provas	é	vtd:
O	promotor	teve	apenas	20	minutos	para	aduzir	sua	defesa.
•	no	sentido	de	introduzir,	acrescentar	é	vtdi:
O	Ministério	Público	aduziu	fatos	novos	ao	processo
e)	Agradar
•	é	vtd	no	sentido	de	fazer	agrados,	acariciar,	mimar,	afagar:
Ele	agrada	o	sobrinho	com	docinhos.
Ele	o	agrada	com	docinhos.
•	 é	 vti	 no	 sentido	 de	 ser	 agradável,	 parecer	 bem,	 satisfazer	 e	 rege	 a
preposição	a	(objeto	indireto):
O	projeto	agradou	aos	servidores.
O	projeto	lhes	agradou.
f)	Aspirar
•	é	vtd	no	sentido	de	cheirar,	sorver,	respirar:
Como	é	bom	aspirar	o	perfume	de	uma	rosa!
Como	é	bom	aspirá-lo.
A	servente	aspirou	o	pó	do	tapete.
Eliana	aspirou	o	ar	da	montanha.
•	 é	 vti	 no	 sentido	 de	 almejar,	 pretender	 e	 pede	 complemento	 com	 a
preposição	a	(objeto	indireto):
Aspiras	a	um	emprego	público?
Sim,	aspiro	a	ele.
O	verbo	aspirar	pede	objeto	indireto	de	coisa	e	rejeita	o	pronome	lhe,	que	só	é
usado	quando	o	objeto	indireto	é	pessoa.	Sendo	coisa,	usa-se	o	pronome	ele(a)
antecedido	da	preposição	a.
g)	Assistir
•	no	 sentido	de	ver,	olhar,	presenciar,	 é	vti	 e	 rege	a	preposição	a	 (objeto
indireto):
Assistiu	ao	discurso	do	presidente	na	primeira	fila.
Assistiu	a	ele	na	primeira	fila.
•	 no	 sentido	de	prestar	assistência,	 dar	ajuda,	 é	 normalmente	 empregado
com	complemento	sem	preposição	(objeto	direto):
O	governo	assiste	os	flagelados	da	enchente.
Quatro	estagiários	assistem	os	pesquisadores.
•	 no	 sentido	 de	 caber,	 pertencer,	 é	 vti	 e	 pede	 complemento	 com	 a
preposição	a	(objeto	indireto):
Recurso	é	um	direito	que	assiste	a	todo	candidato.
É	um	direito	que	lhes	assiste.
•	no	sentido	de	morar,	residir,	habitar,	é	 locativo	e	rege	a	preposição	em,
introduzindo	um	termo	que	indica	lugar	(adjunto	adverbial):
•	no	sentido	de	permanecer,	é	locativo	com	a	preposição	em:
Os	deputados	assistem	em	Brasília	das	terças	às	quintas…
h)	Atender
•	é	vtd	no	sentido	de	deferir	um	pedido,	conceder:
O	chefe	atenderá	sua	solicitação.
O	chefe	a	atenderá.
•	 no	 sentido	 de	 dar	 atenção,	 é	 vtd	 ou	 vti	 com	 a	 preposição	 a	 se	 o
complemento	refere-se	a	pessoa	(objeto	direto	ou	indireto):
A	comissária	atende	os	passageiros	ou	atende	aos	passageiros.
A	comissária	atende-os	ou	lhes	atende.
Obs.:	 Quando	 o	 complemento	 indicando	 pessoa	 é	 um	 pronome	 oblíquo,	 a
preferência	de	alguns	gramáticos	é	pelo	pronome	“o”	em	vez	de	“lhe”.
•	 se,	 com	 o	 sentido	 de	 dar	 atenção,	 o	 complemento	 refere-se	 a	 coisa,	 é
apenas	vti	com	a	preposição	a	(objeto	indireto):
João,	atenda	ao	telefone.
O	telefone	está	tocando,	João.	Atenda	a	ele.
i)	Chamar
•	 no	 sentido	de	convidar,	 convocar,	 atrair	é	vtd	 sem	preposição	 (objeto
direto):
Chamou	todos	os	candidatos	para	a	prova.
Chamei-	os	todos	para	a	prova.
Aquele	barulho	chamou	a	atenção	geral.
•	 no	 sentido	 de	 invocar,	mandar	 vir	 é	 vti	 com	 a	 preposição	por	 (objeto
indireto):
Passou	a	noite	chamando	por	você.
•	no	 sentido	de	repreender,	 é	vtdi	 com	o	complemento	 indireto	 regido	da
preposição	a:
O	fiscal	chamou	o	candidato	à	atenção.
•	no	sentido	de	cognominar,	dar	nome,	apelidar,	pode	ser	transitivo	direto
ou	 indireto	 com	 a	 preposição	 a,	 seguindo-se	 um	 predicativo	 do	 objeto
introduzido	 ou	 não	 pela	 preposição	de.	 Têm-se	 então	 as	 quatro	 seguintes
construções:
j)	Comparecer
•	é	vti	quando	o	complemento	indica	atividades	e	rege	a	preposição	a:
A	maioria	da	turma	não	compareceu	ao	provão.
•	 é	 verbo	 intransitivo	 locativo	 quando	 o	 complemento	 indica	 lugar	 e	 é
empregado	com	as	preposições	a	ou	em:
A	turma	compareceu	ao	ou	no	local	combinado.
k)	Constar
•	 no	 sentido	 de	 ser	 composto	 ou	 constituído	 é	 vti	 e	 rege	 a	 preposição	de
(objeto	indireto):
Este	processo	consta	de	seis	volumes.
•	no	sentido	de	estar	registrado,	estar	escrito	é	verbo	intransitivo	e	deve	ser
empregado	com	a	preposição	em,	que	introduz	termo	que	indica	lugar:
Seu	aparte	consta	na	ata.
Consta	nos	autos	que	o	réu	não	tem	habilitação.
•	no	sentido	de	dizer-se,	passar	por	certo,	é	verbo	intransitivo:
Consta	que	Ana	será	a	coordenadora	geral.
l)	Custar
•	 no	 sentido	 de	 acarretar,	 é	 vtdi	 com	 o	 complemento	 indireto	 regido	 da
preposiçãoa:
A	preparação	para	o	concurso	custou	dedicação	ao	candidato.
•	quando	tem	o	sentido	de	ser	custoso,	ser	difícil,	só	se	emprega	na	terceira
pessoa,	é	vti	com	objeto	indireto	de	pessoa	introduzido	pela	preposição	a	e
sujeito	representado	por	uma	oração	com	verbo	no	infinitivo:
m)	Deparar
•	 no	 sentido	 de	 encontrar,	 pode	 ser	 vtd	 ou	 vti	 com	 objeto	 regido	 pela
preposição	com:
Olhando	sua	redação	deparei	(com)	três	erros.
•	 no	 sentido	 de	 fazer	 aparecer,	 apresentar,	 é	 vtdi	 com	 o	 complemento
indireto	regido	da	preposição	a:
Nem	a	técnica	deparava	solução	ao	crime.
•	no	sentido	de	apresentar-se,	surgir,	é	vti	e	rege	a	preposição	a:
Uma	solução	deparou-se	ao	candidato.
n)	Haver
•	 é	 impessoal	 e	 transitivo	 direto	 apenas	 quando	 significa	 existir,	 ocorrer,
acontecer	ou	indicando	tempo	decorrido,	com	o	sentido	de	fazer:
Não	havia	problemas	com	aquela	redação.
Na	ponte	da	Varginha	houve	dois	acidentes.
Havia	muitos	anos	que	o	procurávamos.
•	no	sentido	de	ter,	possuir,	conjuga-se	normalmente	e	rege	objeto	direto:
Os	filhos	houveram	somente	parte	da	herança.
•	no	sentido	de	obter	é	vtdi,	com	objeto	direto	e	coisa	e	indireto	de	pessoa,
com	as	preposições	de,	contra	ou	sobre:
O	Botafogo	houve	do	Vasco	uma	honrosa	vitória	(contra	ou	sobre	o	Vasco).
•	significando	considerar,	julgar	é	vtd	com	predicativo	e	a	preposição	por:
Todos	naquele	grupo	o	haviam	por	mestre.
•	seguido	da	preposição	com	significa	lutar,	altercar:
Eles	se	haverão	com	meus	pais.
Nessa	acepção,	não	confundir	o	verbo	haver	com	avir-se,	que	significa	arranjar-
se,	acomodar-se,	harmonizar-se.
•	no	sentido	de	portar-se	é	verbo	pronominal:
Todos	se	houveram	muito	bem	na	prova.
•	seguido	da	preposição	de	e	um	infinitivo	torna-se	auxiliar	das	formas	do
futuro	do	presente	e	do	pretérito	enfáticas:
Hei	de	vencer;	haveria	de	vencer.
•	ao	lado	do	substantivo	vista	forma	o	conglomerado	invariável	haja	vista:
O	derretimento	dos	polos	é	uma	realidade,	haja	vista	a	queda	de	icebergs.
•	com	o	sentido	de	é	preciso,	é	necessário,	usa-se	a	expressão	há	que:
Num	país	democrático	e	liberal	há	que	respeitar	as	crenças	de	cada	um.
o)	Implicar
•	com	o	sentido	de	ter	implicância	é	vti	e	rege	a	preposição	com:
A	sogra	sempre	implica	com	o	genro.
Quando	se	implica	com	as	leis	de	trânsito…
•	 no	 sentido	 de	 envolver	 é	 vtdi	 e	 tem	 o	 objeto	 indireto	 regido	 pela
preposição	em:
Implicaram	o	rapaz	no	crime.
•	 com	 o	 sentido	 de	 envolver-se	 é	 vti	 com	 o	 complemento	 regido	 pela
preposição	em:
O	jogador	implicou-se	em	drogas.
•	com	o	sentido	de	acarretar	é	vtd:
Mais	de	cinco	erros	implica	desclassificação.
Dirigir	embriagado	implica	multa	pesada.
p)	Lembrar
•	 acompanhado	 de	 pronome	 oblíquo	 átono	 é	 vtd	 tem	 o	 sentido	 de	 não
esquecer	e	pede	complemento	sem	preposição	(objeto	direto):
Lembrei	o	tempo	bom	que	vivemos	juntos.
•	acompanhado	de	pronome	oblíquo	átono	é	vti	tem	o	sentido	de	recordar	e
pede	complemento	regido	da	preposição	de	(objeto	indireto):
Cafu,	ao	erguer	a	taça,	comemorando	o	penta,	lembrou-se	da	mulher.
•	com	o	sentido	de	trazer	à	lembrança	é	vti	e	rege	a	preposição	a:
Lembrou	a	todos	o	tempo	de	menino.
Observações:
1.	Os	verbos	esquecer,	admirar	e	recordar	apresentam	a	mesma	regência
de	lembrar.
2.	Há	ainda	uma	construção	em	que	a	coisa	lembrada,	admirada,	esquecida
ou	 recordada	 passa	 a	 funcionar	 como	 sujeito,	 ficando	 o	 verbo	 na	 terceira
pessoa	do	singular,	sofrendo	alteração	de	sentido:
Isso	lembrou-me	o	nosso	namoro	(=	o	nosso	namoro	me	veio	à	memória).
Esqueceram-me	os	desenganos	(=	os	desenganos	caíram-me	no	esquecimento).
q)	Precisar
•	é	vtd	com	o	sentido	de	marcar,	indicar	com	precisão:
O	relojoeiro	precisou	o	defeito	do	cronômetro.
O	relojoeiro	o	precisou.
•	com	o	sentido	de	carecer,	ter	necessidade,	é	vti	e	rege	a	preposição	de:
Acho	que	ela	precisa	de	carinho.
r)	Proceder
•	com	o	sentido	de	comportar-se,	provir,	ter	fundamento,	é	vi:
Há	pessoas	que	não	procedem	bem.
Os	candangos	procediam	do	Nordeste.
Sua	solicitação	não	procede.
•	 com	 o	 sentido	 de	 realizar,	 executar,	 levar	 a	 efeito,	 é	 vti	 e	 rege	 a
preposição	a:
Procederemos	à	leitura	da	ata.
A	Polícia	Federal	procederá	a	uma	varredura	eletrônica.
•	no	sentido	de	originar-se,	é	vti	e	rege	a	preposição	de:
Em	um	concurso,	muitos	erros	procedem	da	desatenção	do	candidato.
s)	Querer
•	é	vtd	com	o	sentido	de	desejar,	ter	vontade	de:
Quero	um	pedaço	deste	bolo.
•	com	o	sentido	de	ter	afeto,	estimar,	querer	bem,	é	vti	e	rege	a	preposição
a:
Quero	muito	a	esta	mulher.
Quero-lhe	muito.
t)	Responder
•	com	o	sentido	de	exprimir	a	resposta,	é	vtd	(objeto	direto):
O	turista	respondeu	alguma	coisa	em	inglês.
•	significando	dizer	em	resposta,	pode	ser	vti	e	vtdi	com	a	preposição	a:
Todas	as	testemunhas	responderam	ao	juiz.
Ele	respondeu	ao	pai	que	não	tinha	saído.
u)	Visar
•	com	o	sentido	de	apor	visto,	mirar,	apontar	para,	pede	complemento	sem
preposição	(objeto	direto):
O	fiscal	visou	as	provas.
Ele	visou	o	alvo,	mas	não	atirou.
Ele	o	visou,	mas	não	atirou.
•	no	 sentido	de	almejar,	 ter	 em	vista,	pretender,	 é	 transitivo	 indireto	com
complemento	regido	pela	preposição	a:
O	candidato	visa	a	um	bom	cargo	público.
O	candidato	visa	a	ele.
Observação:	Se	o	verbo	visar	estiver	seguido	de	infinitivo,	a	preposição	pode
ficar	subentendida:
Raquel	visava	conseguir	amizades.
8.1.3.3.	Verbos	pronominais
Há	dois	grupos:
a)	Os	que	não	existem	sem	pronome	oblíquo,	como:
arrepender-se,	pentear-se,	precaver-se,	referir-se,	suicidar-se,	vestir-se	etc.
b)	Os	que	mudam	o	significado	ou	a	regência	quando	conjugados	com	pronome
oblíquo,	como:
debater	=	discutir,	debater-se	=	agitar-se;	 /	deparar	=	encontrar,	deparar-se	=	apresentar-se;	 /
esquecer	=	deixar	em	algum	lugar,	esquecer-se	=	não	trazer	etc.
8.1.3.4.	Verbos	cuja	regência	mais	se	erra
a)	CHEGAR
É	verbo	 intransitivo	e	deve	 ser	 empregado	com	as	preposições	a	 ou	de,	 que
introduzem	termo	indicando	lugar:
Amanhã	deves	chegar	cedo	ao	curso.
Eles	chegaram	de	Santos	e	foram	a	Cubatão.
Não	erre	mais!	Embora	comum	na	linguagem	coloquial,	não	se	deve	empregar
a	preposição	em	com	o	verbo	chegar.	Assim,	na	linguagem	formal:
Quando	cheguei	a	casa.	(correto)
Quando	cheguei	em	casa.	(errado)
b)	IR
É	verbo	 intransitivo	que	exige	as	preposições	a	 (indicando	 ida	e	 retorno)	ou
para	(indicando	ida	e	permanência):
Amanhã	vou	a	Belém	(vou	e	volto)
Amanhã	vou	para	Belém	(vou	e	fico).
Não	 erre	 mais!	 Na	 linguagem	 coloquial,	 o	 comum	 é	 usar	 o	 verbo	 ir	 com	 a
preposição	em:
Amanhã	vou	em	casa	(errado)
Amanhã	vou	a	ou	para	casa.	(certo)
c)	NAMORAR
Quando	 usado	 com	 complemento,	 é	 verbo	 transitivo	 direto	 e,	 por	 isso,	 o
complemento	(objeto	direto)	não	deve	vir	introduzido	por	preposição.
Eliana	namorava	Teobaldo,	que	namorava	Sofia.
Rosânia	vivia	namorando	aquele	vestido	de	rendas.
Não	erre	mais!	É	 comum	na	 linguagem	coloquial	 o	uso	do	verbo	namorar
acompanhado	 da	 preposição	 com,	 o	 que	 não	 é	 recomendado	 pelas	 gramáticas
normativas.	Evite	esse	erro.
Rose	namorava	com	o	bicheiro.	(errado)
Rose	namorava	o	bicheiro.	(correto)
d)	OBEDECER	/	DESOBEDECER
São	verbos	 transitivos	 indiretos	 tendo	o	complemento	regido	pela	preposição
a:
Deves	obedecer	aos	preceitos	da	lei.
Não	desobedeças	a	teus	pais.
Não	 erre	 mais!	 O	 erro,	 na	 linguagem	 coloquial,	 é	 usar	 esses	 verbos	 como
transitivos	diretos:
Deves	obedecer	os	sinais	de	trânsito.	(errado)
Deves	obedecê-los.	(errado)
Deves	obedecer	aos	sinais	de	trânsito.	(correto)
Deves	obedecer	a	eles.	(correto)
Fique	ligado!	Os	verbos	obedecer	e	desobedecer,	apesar	de	transitivos	indiretos,
admitem	voz	passiva,	podendo-se,	pois,	dizer:
Ali	os	pais	eram	obedecidos	pelos	filhos.
As	regras	foram	desobedecidas	pelo	juiz	e	seus	auxiliares.
Naquele	educandário	sempre	se	obedeceram	as	leis.
Nunca	se	desobedeceu	o	regulamento	do	Tribunal.
e)	PAGAR	/	PERDOAR
São	verbos	transitivos	diretos	e	indiretos,	com	objeto	direto	indicandocoisa	e
objeto	indireto	indicando	pessoa:
Perdoamos	aos	amigos	as	ofensas	de	ontem.
Já	pagaste	a	entrada	ao	corretor?
Não	erre	mais!	As	gramáticas	normativas	não	registram	o	emprego	dos	verbos
pagar	 e	perdoar	 com	 complemento	 de	 pessoa	 sem	 preposição	 (objeto	 direto),
cada	vez	mais	frequente	na	linguagem	coloquial.	Evite,	pois:
Amanhã	pagaremos	os	empregados.	(errado)
Amanhã	pagaremos	aos	empregados.	(correto)
O	Chefe	perdoou	os	faltosos.	(errado)
O	Chefe	perdoou	aos	faltosos.	(correto)
f)	PREFERIR
Esse	 verbo	 é	 transitivo	 direto	 e	 indireto	 e	 deve	 ser	 empregado	 com	 dois
complementos:	 um	 objeto	 direto	 sem	 preposição	 e	 um	 objeto	 indireto	 com
preposição	(preferir	uma	coisa	a	outra).
Prefiro	um	inimigo	a	um	amigo	falso.
Não	erre	mais!	Com	o	verbo	preferir	não	são	aceitas	construções	reforçadas	por
termos	 intensivos	 como	 antes,	 mais,	 mil	 vezes,	 muito	 mais	 etc.	 e	 pelos
comparativos	que	ou	do	que.
Prefiro	mais	café	do	que	leite.	(errado)
Prefiro	café	a	leite.	(correto)
Prefiro	mil	vezes	cinema	do	que	romances.	(errado)
Prefiro	cinema	a	romances.	(correto)
g)	RESIDIR
É	verbo	intransitivo	locativo	e	deve	ser	empregado	com	a	preposição	em:
Ela	reside	na	rua	Duque	de	Caxias.
Têm	a	mesma	 regência	os	verbos	morar,	 situar-se,	 estabelecer-se	e	as	palavras
deles	derivadas,	como:	residente,	morador,	sito,	estabelecido.
Luís,	morador	na	rua	Barão	do	Rio	Branco…
O	abaixo-assinado,	residente	na	rua	Castro	Alves…
Aquele	comerciante	estabelecido	na	praça	do	Carmo…
Não	 erre	mais!	 Na	 linguagem	 culta	 não	 é	 aceito	 o	 uso	 desses	 verbos	 e	 seus
derivados	com	a	preposição	a:
O	abaixo-assinado,	residente	à	rua	do	Sol	(errado)
O	abaixo-assinado,	residente	na	rua	do	Sol	(correto)
h)	SIMPATIZAR	/	ANTIPATIZAR
Esses	verbos	são	transitivos	indiretos	e	pedem	complemento	com	a	preposição
com:
Simpatizo	bastante	com	teu	jeito	de	ser.
Nós	antipatizamos	com	essa	ideia.
Não	erre	mais!	Esses	dois	verbos	não	são	pronominais	e,	por	isso,	não	devem
ser	acompanhados	de	pronome	oblíquo	átono.
Eu	me	simpatizo	com	teu	jeito.	(errado)
Eu	simpatizo	com	teu	jeito.	(correto)
Evaristo	se	antipatiza	com	o	novo	treinador.	(errado)
Evaristo	antipatiza	com	o	novo	treinador.	(correto)
8.1.3.5.	Verbos	 com	objeto	direito	 (OD)	de	 coisa	 e	 objeto	 indireto	 (OI)	de
pessoa	 e	 vice-versa	 Alguns	 verbos	 admitem	 objeto	 direto	 de	 coisa	 e	 objeto
indireto	de	pessoa	com	a	preposição	a	ou,	ainda,	objeto	direto	de	pessoa	e	objeto
indireto	 de	 coisa	 com	 a	 preposição	 de	 ou	 sobre:	 aconselhar,	 autorizar,	 avisar,
certificar,	cientificar,	comunicar,	dissuadir,	ensinar,	incumbir,	informar,	impedir,
lembrar,	notificar,	participar,	prevenir,	proibir,	recordar	etc.
Aconselhei	o	concurso	ao	candidato.
Aconselhei	o	candidato	sobre	o	concurso.
Avisei	a	falta	de	material	ao	chefe.
Avisei	o	chefe	da	(ou	sobre	a)	falta	de	material.
Cientificamos	a	inscrição	do	candidato.
Cientificamos	o	candidato	da	sua	inscrição.
Ensinamos	o	problema	ao	concurseiro.
Ensinamos	o	concurseiro	sobre	o	problema.
Informei	a	data	da	prova	ao	candidato.
Informei	o	candidato	da	(ou	sobre	a)	data	da	prova.
Impedi	a	entrada	ao	ladrão.
Impedi	o	ladrão	de	entrar.
Notifiquei	o	pagamento	aos	servidores.
Notifiquei	os	servidores	sobre	o	pagamento.
Não	erre	mais!	Erro	comum	é	usar	esses	verbos	com	dois	objetos	diretos	ou
com	dois	objetos	indiretos:
Avisei	o	chefe	a	falta	de	material.	(dois	o.d.)
Avisei	ao	chefe	da	(ou	sobre	a)	falta	de	material.	(dois	o.i.)
8.1.4.	Uso	do	futuro	do	subjuntivo
Ao	 fazer	 o	 rascunho	 de	 sua	 redação,	 tome	 cuidado	 com	 o	 uso	 do	 futuro	 do
subjuntivo.	 Sempre	 que	 tiver	 dúvida,	 verifique	 a	 terceira	 pessoa	 do	 plural	 do
pretérito	perfeito	que	termina	com	a	desinência	ram.	Retire	o	am	da	desinência
e	terá	o	futuro	do	subjuntivo.
Atenção!	 Se	 confrontarmos	 o	 futuro	 do	 subjuntivo	 com	 o	 infinito	 pessoal,
veremos	 que,	 em	 grande	 número	 de	 verbos,	 há	 igualdade	 dessas	 formas,	 não
ocorrendo	o	mesmo	para	outros.	Verifique	o	verbo	amar.	A	terceira	pessoa	do
plural	do	pretérito	perfeito	é	amaram.	Retirando	da	desinência	a	parte	final	am,
tem-se	o	futuro	do	subjuntivo	amar	que	se	conjuga	tal	qual	o	 infinitivo	(amar,
amares,	amar,	amarmos,	amardes,	amarem).	Veja,	agora,	o	verbo	ver.	A	terceira
pessoa	do	plural	do	pretérito	perfeito	é	viram.	Retirando	o	am,	tem-se	o	futuro
do	 subjuntivo	 vir	 que	 se	 conjuga:	 vir,	 vires,	 vir,	 virmos	 virdes,	 virem;	 já	 o
infinitivo	pessoal	é:	ver,	veres,	ver,	vermos	verdes,	verem.
Muitos	 candidatos	 erram	na	 redação	 com	esse	 e	 outros	 verbos	 no	 futuro	 do
subjuntivo.	Escrevem:
“Quando	se	vê	um	crime	sem	denunciar…”;
“Se	eles	verem	o	significado	da	palavra…”
Esse	é	um	erro	que	não	merece	desculpas.	O	correto	é:
Quando	se	vir	um	crime	sem	denunciar…;
Se	eles	virem	o	significado	da	palavra…
Não	há	como	confundir	o	verbo	ver	no	futuro	do	subjuntivo	com	o	verbo	vir
(chegar).	Este,	no	infinitivo	pessoal,	será	também:	vir,	vires,	vir,	virmos,	virdes,
virem,	 mas	 no	 futuro	 do	 subjuntivo	 se	 conjugará:	 vier,	 vieres,	 vier,	 viermos,
vierdes,	vierem,	forma	derivada	da	terceira	pessoa	do	plural	do	pretérito	perfeito
(vieram),	retirando-se	a	parte	am	da	desinência:
Quando	você	vier,	se	vir	Luís,	diga-lhe	para	vir	cedo,	para	ver	o	livro.
O	 primeiro	 verbo	 é	 futuro	 do	 subjuntivo	 de	 vir,	 o	 segundo	 é	 futuro	 do
subjuntivo	de	ver,	o	terceiro	e	quarto	são,	respectivamente,	infinitivos	de	vir	e	de
ver.	Não	erre	mais	quando	for	usar	o	futuro	do	subjuntivo.
8.1.5.	Problemas	com	alguns	verbos
	
1.	ABULO	/	ABOLO
Nenhuma	das	 duas	 formas.	O	verbo	abolir	 não	possui	 a	 primeira	 pessoa	do
presente	 do	 indicativo	 e,	 por	 isso,	 não	 tem	 o	 presente	 do	 subjuntivo	 nem	 o
imperativo	negativo;	do	imperativo	afirmativo,	só	tem	as	segundas	pessoas.	A
solução	é	usar	a	expressão	estou	abolindo.	Igual	a	abolir	conjugam-se	aturdir,
banir,	 bramir,	 brandir,	 carpir,	 colorir,	 comedir,	 delir,	 descomedir-se,
delinquir,	 demolir,	 eclodir,	 emergir,	 emolir,	 erodir,	 esculpir,	 espargir,
exaurir,	explodir,	extorquir,	feder,	fremer	(ou	fremir),	fulgir,	haurir,	impingir,
implodir,	jungir,	retorquir,	ruir,	soer,	urgir	e	viger.
Observação:	Esses	verbos	são	tradicionalmente	defectivos.	Entretanto,	com	o
verbo	 explodir,	 as	 formas	 do	 presente	 do	 subjuntivo	 vêm	 sendo	 usadas	 até
mesmo	na	linguagem	escrita.
2.	ACORDAR
Na	linguagem	jurídica,	é	costume	usar	esse	verbo	na	acepção	de	determinar,
resolver	de	comum	acordo,	ajustar,	concordar.	A	forma	arcaica	acórdão	(que
era	a	terceira	pessoa	do	plural	do	presente	do	indicativo	de	acordar)	tornou-se
substantivo	 com	 o	 sentido	 de	 aresto,	 resolução	 ou	 decisão	 tomada
coletivamente	pelos	tribunais	de	Justiça.
3.	ADÉQUO	/	ADEQUO
Nenhuma	 das	 duas	 formas.	 O	 verbo	 adequar	 só	 tem	 a	 primeira	 e	 segunda
pessoas	 do	 plural	 do	 presente	 do	 indicativo	 (adequamos,	 adequais)	 e,	 assim,
não	 tem	 o	 presente	 do	 subjuntivo,	 o	 imperativo	 negativo	 e	 do	 imperativo
afirmativo	só	tem	a	segunda	pessoa	do	plural.
Observação:	Alguns	gramáticos	 já	 aceitam	a	 conjugação	do	verbo	adequar
em	todas	as	suas	formas,	inclusive	naquelas	em	que	o	u	é	tônico,	seguindo	a
conjugação	 de	 averiguar:	 adequo,	 adequas,	 adequam,	 adeque,	 adeques,
adequem	 (pronuncia-se:	 adeqúo,	 adeqúas,	 adeqúam,	 adeqúe,	 adeqúes,
adeqúem).
4.	ADIRO	/	ADERO
O	 correto	 é	 adiro.	 O	 verbo	 aderir	 troca	 o	 e	 em	 i	 na	 primeira	 pessoa	 do
presente	 do	 indicativo,	 em	 todo	 o	 presente	 do	 subjuntivo,	 no	 imperativo
negativo	e	nas	 terceiras	pessoas	do	singular	e	do	plural	e	primeira	pessoa	do
plural	 do	 imperativo	 afirmativo.	 Como	 ele	 se	 conjugam:	 advertir,	 aderir,
aferir,	 aspergir,	 assentir,	 auferir,	 cerzir,	 compelir,	 competir,	 conferir,
concernir,	 conseguir,	 consentir,	 convergir,	 deferir,	 desferir,	 despir,
diferir,	 digerir,	 discernir,	 dissentir,	 divergir,	 divertir-se,	 expelir,	 ferir,
gerir,	 impelir,	 inferir,	 ingerir,inserir,	 interferir,	 investir,	 mentir,
perseguir,	 preferir,	 preterir,	 proferir,	 propelir,	 referir,	 refletir,	 revestir,
repetir,	repelir,	seguir,	sentir,	servir,	sugerir,	transferir,	vestir.
5.	ADULTERAR
Conjuga-se	 regularmente.	 É	 termo	 polissêmico	 com	 o	 significado	 de:
modificar,	 introduzir	 alteração	 em,	 produzir	 falsificação	 em,	 defraudar,
corromper,	 cometer	 adultério.	 Entre	 os	 seus	 cognatos	 estão	 os	 verbetes:
adultério,	adúltero	e	adulterino,	que	especificamente	se	referem	à	violação	da
fidelidade	conjugal.	Logo,	não	se	pode	dizer	adultério	do	vinho,	da	moeda,	do
peso,	da	lei.
6.	ALUGAR
É	verbo	regular,	mas	assume	dois	sentidos:	no	ativo,	o	dono	do	imóvel	aluga-o
a	um	 inquilino,	 e,	no	 sentido	passivo,	o	 inquilino	aluga	o	 imóvel,	paga	pelo
imóvel.	Há	vários	verbos	que	apresentam	esses	dois	aspectos:	arrendar	(=	dar
de	 arrendamento,	 tomar	 de	 arrendamento);	 esmolar	 (=	 dar	 esmola,	 receber
esmola);	 emprestar	 (=	 fazer	 empréstimo,	 receber	 empréstimo);	 herdar	 (=	dar
herança,	receber	herança);	hospedar	(=	agasalhar,	receber	e	alojar-se).
7.	APAZÍGUO	/	APAZIGUO
O	correto	é	apaziguo	 (pronuncie:	apazigúo).	Os	verbos	apaziguar,	arguir	e
obliquar	 apresentam	 a	 vogal	 u	 tônica	 nas	 formas	 rizotônicas	 (primeira,
segunda	e	terceira	pessoas	do	singular	e	terceira	pessoa	do	plural	dos	presentes
do	 indicativo	 e	 do	 subjuntivo	 e	 na	 segunda	 e	 terceira	 pessoas	 do	 singular	 e
terceira	 do	plural	 dos	 imperativos	 afirmativo	 e	 negativo).	Não	 se	 usa	 acento
nessas	formas.
8.	APIEDO	/	APIADO
O	verbo	apiedar-se	deriva	da	palavra	piedade,	cuja	vogal	e	transforma-se	em
a	todas	as	vezes	em	que	o	acento	recai	no	tema	do	verbo,	ou	seja,	nas	formas
rizotônicas.	 Assim:	 eu	 me	 apiado,	 tu	 te	 apiadas,	 ele	 se	 apiada,	 nós	 nos
apiedamos,	 vós	 vos	 apiedais,	 eles	 se	 apiadam.	 O	 mesmo	 vai	 ocorrer	 nas
formas	 rizotônicas	 do	presente	 do	 subjuntivo	 e	 dos	 imperativos	 afirmativo	 e
negativo.	Não	existe	em	nossa	língua	a	forma	apiedo.
Observação:	O	verbo	apiedar-se,	que	significa	ter	piedade,	pode	construir-se
de	três	maneiras:
a)	com	a	preposição	a:	“Apiedou-se	à	fraqueza	da	lei.”
b)	com	a	preposição	com:	“O	governo	se	apiedava	com	os	pobres…”
c)	com	a	preposição	de:	“Apiedai-vos	da	cegueira	dessa	gente.”
9.	APRAZI	/	APROUVE
O	 correto	 é	 aprouve.	 O	 verbo	 aprazer	 faz	 o	 presente	 do	 indicativo	 da
seguinte	 forma:	 aprazo,	 aprazes,	 apraz,	 aprazemos,	 aprazeis,	 aprazem.	 O
pretérito	 perfeito	 é	 aprouve,	 aprouveste,	 aprouve,	 aprouvemos,	 aprouvestes,
aprouveram;	 assim,	 seus	 derivados:	 aprouvera	 (pretérito	 mais-que-perfeito),
aprouver	(futuro	do	subjuntivo)	e	aprouvesse	(imperfeito	do	subjuntivo).
10.	ARRAZOAR
Tem	 o	 sentido	 de	 argumentar.	 Como	 todos	 os	 verbos	 em	 OAR,	 não	 é
acentuado	na	primeira	pessoa	do	singular	do	presente	do	 indicativo	(arrazoo,
perdoo,	enjoo,	voo).
11.	ARREIO	/	ARRIO
Ambas	 as	 formas	 estão	 certas.	Arreio	 é	 do	 verbo	 arrear	 que	 significa	pôr
arreios	 e	 a	 forma	 arrio	 é	 do	 verbo	 arriar	 que	 significa	 descer,	 abaixar,
desabar.
Atenção:
a)	 Os	 verbos	 em	 ear	 como	 afear,	 alhear,	 arrear,	 atear,	 basear,	 cear,
cercear,	 falsear,	 frear,	 nomear,	 nortear,	 passear,	 pelear,	 pentear,
recear,	 refrear	 trocam	 o	 e	 por	 ei	 nas	 formas	 rizotônicas	 do	 presente	 do
indicativo	 e	 de	 seus	 derivados	 (presente	 do	 subjuntivo	 e	 imperativos
afirmativo	e	negativo):	afeio,	ateias,	baseia,	ceie,	falseies.	Esses	verbos	não
devem	 ser	 grafados	 com	 i	 no	 infinitivo	 nem	 em	nenhuma	das	 formas	 em
que	 o	 acento	 cai	 na	 desinência	 (formas	 arrizotônicas);	 não	 existe	 no
português	atual	verbo	terminado	em	eiar:	ou	termina	em	ear	ou	em	iar.
b)	Os	 verbos	 em	 iar,	 como	abreviar,	 adiar,	 alumiar,	 anunciar,	 apreciar,
arriar,	 associar,	 caluniar,	 comerciar,	 copiar,	 distanciar,	 evidenciar,
extasiar,	 filiar,	 iniciar,	 licenciar,	miar,	 premiar,	 principiar,	 providenciar,
variar,	 são	normalmente	 regulares	 (copio,	 adias,	 alumia,	 anuncie,	 premio,
vario,	 extasio).	Há,	 no	 entanto,	 cinco	 verbos:	ansiar,	 incendiar,	mediar,
odiar,	remediar	 e	 seus	derivados	que	 trocam	a	vogal	 i	por	ei	nas	 formas
rizotônicas	do	presente	do	indicativo	e	de	seus	derivados:	anseio,	anseias,
anseiam,	 anseie,	 anseiem,	 medeio,	 medeias,	 medeiem,	 odeio,	 odeias,
odeia,	odeies,	remedeias,	remedeies.
c)	Não	vá,	em	sua	redação,	fazer	confusão	entre	afear	(tornar	feio)	e	afiar
(dar	 fio);	 cear	 (fazer	 a	 ceia)	 e	 ciar	 (remar	 para	 trás);	 estrear	 (inaugurar,
iniciar)	 e	 estriar	 (riscar);	mear	 (dividir	 ao	 meio,	 partir	 em	 dois)	 e	miar
(emitir	miados).	São	verbos	parônimos,	um	em	ear	e	o	outro	em	iar.
12.	AUTUAR
Tem	o	 sentido	 de	 ordenar	 peças	 de	 processo,	 lavrar	 auto	 de	 infração.	Como
todos	 os	 verbos	 terminados	 em	 UAR	 conjuga-se	 regularmente.	 Tem	 como
cognatos	auto,	autuação,	autuante	e	autuado.
13.	CAIBO	/	CABO
A	 primeira	 pessoa	 do	 singular	 do	 presente	 do	 indicativo	 de	 caber	 é	 caibo.
Assim,	o	presente	do	subjuntivo,	derivado	da	primeira	pessoa	do	presente	do
indicativo,	 será	 caiba,	 caibas,	 caiba,	 caibais…	 permanecendo	 essa
irregularidade	no	imperativo	negativo	e	nas	terceiras	pessoas	do	singular	e	do
plural	e	na	terceira	pessoa	do	plural	do	imperativo	afirmativo.	Esse	verbo	tem
outra	irregularidade	no	pretérito	perfeito,	que	é	coube,	coubeste…	couberam.
Assim,	os	derivados	do	perfeito	terão	essa	irregularidade	(pretérito	mais-que-
perfeito	=	coubera;	futuro	do	subjuntivo	=	couber;	imperfeito	do	subjuntivo:
coubesse).
Observações:
Dada	a	significação,	o	verbo	caber	não	tem	imperativo.
O	derivado	descaber	conjuga-se	tal	qual	o	verbo	caber,	porém	só	é	usado	no
particípio:	descabido.
Quando	 for	 usar	 o	 verbo	 caber	 no	 futuro	 do	 subjuntivo,	 tenha	 sempre	 em
mente	o	que	foi	dito	na	Seção	8.4.	sobre	o	uso	desse	tempo	verbal.	A	terceira
pessoa	do	plural	do	pretérito	perfeito	de	caber	é	couberam	e,	assim,	o	futuro
do	subjuntivo	é	couber.
14.	COLORO	(ó)	/	COLORO	(ô)
Nenhuma	 das	 duas	 formas.	 O	 verbo	 colorir	 não	 tem	 a	 primeira	 pessoa	 do
singular	do	presente	do	indicativo	nem	o	presente	do	subjuntivo	e	imperativo
negativo	e	do	imperativo	afirmativo,	só	tem	as	segundas	pessoas	do	singular	e
do	plural.	A	solução	é	“eu	dou	cor”	ou	“estou	colorindo”.
15.	COMPRAZI-ME	/	COMPROUVE-ME
Ambas	 as	 formas	 estão	 corretas.	 O	 verbo	 comprazer-se	 conjuga-se,	 no
presente	do	 indicativo,	da	mesma	forma	que	os	verbos	aprazer	 e	desprazer
ou	desaprazer	 que	 têm	 conjugação	 completa.	 No	 pretérito	 perfeito,	 porém,
pode	 ter	 as	 formas:	 comprazi-me,	 comprazeste-te,	 comprazeu-se,
comprazemo-nos,	 comprazestes-vos,	 comprazeram-se,	 ao	 lado	 das	 formas:
comprouve-me,	 comprouveste-te,	 comprouve-se,	 comprouvemo-nos,
comprouvestes-vos,	 comprouveram-se.	 O	 mesmo	 ocorre	 com	 os	 tempos
derivados	 do	 pretérito	 perfeito:	 mais-que-perfeito	 do	 indicativo
(comprouvera),	futuro	do	subjuntivo	(comprouver)	e	imperfeito	do	subjuntivo
(comprouvesse).
16.	COMPUTO	COMPUTAS	COMPUTA
Nenhuma	dessas	formas.	No	presente	do	indicativo	o	verbo	computar	só	tem
as	 formas	do	plural	 e,	desse	modo,	não	 tem	o	presente	do	 subjuntivo	nem	o
imperativo	negativo,	só	a	segunda	pessoa	do	plural	do	imperativo	afirmativo.
Alguns	 gramáticos	 divergem	 a	 respeito	 e	 propõem	 para	 o	 presente	 do
indicativo	cômputo,	cômputas,	cômputa,	computamos,	computais,	cômputam,
formas	que	são	rejeitadas	pela	maioria.
17.	DESPENDER	/	DISPENDER
É	verbo	regular	proveniente	do	latim	dispendere,	mas	que	na	passagem	para	o
português	 sofreu	 alteração	 fonética,	 trocando	o	 i	 em	e	 (despender).	A	 forma
verbal	dispender	não	existe.	O	que	há	é	o	substantivo	dispêndio	e	o	adjetivo
dispendioso.	 São	 formas	 da	 linguagem	 erudita,	 que	 conservaram	 o	 i	 da
ortografia	primitiva	do	latim	dispendium	e	dispendiosus.
18.	DETERAM	/	DETIVERAM
O	correto	é	detiveram,	pois	o	verbo	deter	conjuga-se	tal	qual	o	verbo	ter	do
qual	 é	 derivado.Como	 ele	 serão	 conjugados	 abster,	 ater,	 conter,	 deter,
entreter,	manter,	obter,	reobter,	reter,	suster.	Esses	verbos	recebem	acento
agudo	na	terceira	pessoa	do	singular	(abstém,	atém,	mantém,	sustém)	e	acento
circunflexo	 na	 terceira	 pessoa	 do	 plural	 do	 presente	 do	 indicativo	 (abstêm,
atêm,	mantêm).
Atenção	para	as	formas	do	futuro	do	subjuntivo	desses	verbos	(ativer,	detiver,
obtiver,	 sustiver	 etc.)	 que	 são	 diferentes	 das	 formas	 do	 infinitivo	 flexionado
(ater,	deter,	obter,	suster	etc.).	Veja	o	que	foi	dito	na	Seção	8.4.
19.	ESTEJA	/	ESTEJE
O	correto	é	esteja.	Normalmente	os	verbos	fazem	o	presente	do	subjuntivo	a
partir	da	primeira	pessoa	do	presente	do	indicativo,	trocando-se	a	desinência	o
pela	 desinência	 e,	 nos	 verbos	 da	 primeira	 conjugação	 (amo	 <	 ame)	 e	 pela
desinência	a	 nos	 verbos	 da	 segunda	 conjugação	 e	 da	 terceira	 (bebo	<	 beba,
parto	 <	 parta);	mas	 os	 seguintes	 verbos	 têm	 outra	 formação:	haver	 =	hei	 <
haja,	ser	=	sou	<	seja,	estar	=	estou	<	esteja,	dar	=	dou	<	dê,	ir	=	vou	<	vá,
querer	=	quero	<	queira	e	saber	=	sou	<	saiba.
20.	EXPORAM	/	EXPUSERAM
O	correto	 é	 expuseram.	O	verbo	expor	 segue	 a	 conjugação	do	verbo	pôr,	 e
será	 conjugado	 tal	 qual,	 assim	 como	 os	 demais	 derivados:	 antepor,	 apor,
compor,	contrapor,	decompor,	depor,	descompor,	desimpor,	dispor,	entrepor,
expor,	 impor,	 indispor,	 interpor,	 justapor,	 opor,	 pospor,	 predispor,	 prepor,
pressupor,	propor,	recompor,	repor,	sobrepor,	sotopor,	supor,	transpor.
21.	FALO	/	ESTOU	FALINDO
Use	a	expressão	estou	 falindo	 ou	estou	 indo	à	 falência.	O	verbo	 falir	 e	os
verbos	adir,	 combalir,	 espavorir,	 florir,	 remir,	 ressarcir,	 ressequir,	vagir
só	 têm	 a	 segunda	 e	 terceira	 pessoas	 do	 plural	 do	 presente	 do	 indicativo	 e,
assim,	 não	 têm	 o	 presente	 do	 subjuntivo	 nem	 o	 imperativo	 negativo	 e	 do
imperativo	afirmativo,	apenas	a	segunda	pessoa	do	plural.
22.	FIZEREM	/	FAZEREM
A	forma	fizerem	é	futuro	do	subjuntivo,	derivada	da	terceira	pessoa	do	plural
do	pretérito	perfeito,	fizeram:	fizer,	fizeres,	fizer,	fizermos,	fizerdes,	fizerem.
Só	poderão	sair	se	fizerem	todo	o	trabalho.
A	 forma	 fazerem	 é	 terceira	 pessoa	 do	 plural	 do	 infinitivo	 flexionado:	 fazer,
fazeres,	fazer,	fazermos,	fazerdes,	fazerem.
O	chefe	pediu	para	eles	fazerem	o	trabalho.
23.	FAZ	TU	/	FAZE	TU
A	 segunda	 pessoa	 do	 singular	 do	 imperativo	 presente	 de	 fazer	 é	 faze.	 No
entanto	há	a	forma	faz,	irregularidade	justificada	pelo	latim	fac,	sem	e	final.	A
mesma	 irregularidade	 ocorre	 com	 os	 verbos	 dizer	 (dize	 ou	 diz)	 e	 conduzir
(conduze	 ou	 conduz).	 Essa	 irregularidade	 ocorre	 com	 os	 compostos:	 afazer,
contrafazer,	 desfazer,	 liquefazer,	 perfazer,	 rarefazer,	 refazer,	 satisfazer
derivados	 de	 fazer	 e	 bendizer,	 condizer,	 desdizer,	 entredizer,	 interdizer,
maldizer,	predizer,	redizer	e	tresdizer,	derivados	de	dizer.
Observações:
a)	Se	tiver	de	usar	o	pronome	oblíquo	o	às	formas	do	imperativo	presente
de	fazer,	dizer	e	seus	derivados,	será:	dize-o,	faze-o,	conduze-o,	desfaze-o,
maldize-o	ou	então:	di-lo,	fá-lo,	condu-lo,	desfá-lo,	maldi-lo.
b)	O	verbo	fazer	pode	ser	usado	em	uma	redação	para	substituir	verbos	de
frases	ligadas,	quando	se	não	os	queira	repetir	em	períodos	como:
Obedecia	cegamente	a	todas	as	normas	do	Direito,	como	ainda	hoje	faz	(=	obedece).
Em	 frases	 assim,	 o	 verbo	 fazer	 recebe	 o	 nome	de	verbo	 vicário	 (=	 que	 faz	 as
vezes	de	outro)	fato	que	pode	acontecer	também	com	o	verbo	ser,	substituindo
verbo	anteriormente	empregado	no	período:
A	Copa	de	2010	realizou-se,	mas	não	foi	(=	não	se	realizou)	como	esperavam	os	brasileiros.
24.	FOLHEEI	/	FOLHEI
Quando,	 num	 verbo	 em	 ear	 (caso	 de	 folhear),	 a	 desinência	 de	 uma	 forma
arrizotônica	começa	por	e,	a	forma	verbal	passa	a	ter	dois	ee,	pois	o	primeiro
pertence	ao	radical	do	verbo:	folheei,	folheemos,	folheeis.
A	forma	 folhei	é	do	verbo	 folhar,	cujo	sentido	é	prover	de	folhas,	ornar	com
folhagens.
25.	GEAR	/	GEIAR
O	verbo	gear	é	cognato	de	geada	e	como	tal	se	escreve.	É	um	verbo	em	ear
(vide	 observação	a	 do	 item	 10)	 e	 deve,	 para	 conjugação,	 seguir	 a	 regra	 dos
verbos	 assim	 terminados.	 Quanto	 a	 geiar,	 lembre-se	 de	 que	 não	 existe	 em
nossa	língua	verbo	terminado	em	eiar.
26.	INFORMAR	O	/	DE	/	SOBRE
O	verbo	 informar	no	sentido	de	dar	 informação,	dar	parecer	 admite	duas
construções:	com	a	preposição	a	e	com	as	preposições	de	e	sobre:
Informei	ao	diretor	o	conteúdo	do	processo.
Informei	o	diretor	do	(ou	sobre	o)	conteúdo	do	processo.
Essas	mesmas	regências	são	válidas	para	os	verbos	avisar,	notificar	e	prevenir.
Informar	 com	 o	 sentido	 de	pôr-se	 a	 par	 é	 verbo	 pronominal	 (informar-se)	 e
exige	a	preposição	de.
Ele	informou-se	do	caso	ontem	à	tarde.
27.	INTERVIU	/	INTERVEIO
O	 correto	 é	 interveio.	 É	 verbo	 derivado	 de	 vir	 e,	 como	 ele	 se	 conjuga.	Os
verbos	 derivados	 de	 vir	 como	 advir,	 avir-se,	 convir,	 desavir-se,	 intervir,
provir,	revir,	sobrevir	 recebem	acento	agudo	na	 terceira	pessoa	do	singular
do	 presente	 do	 indicativo	 (advém,	 convém,	 provém,	 sobrevém)	 e	 acento
circunflexo	na	terceira	pessoa	do	plural	(advêm,	convêm,	provêm,	sobrevêm).
O	 particípio	 de	vir	 é	vindo	 e,	 assim,	 os	 seus	 derivados:	 advindo,	 provindo,
convindo,	 intervindo,	 sobrevindo	 (é	 o	 único	 caso	 em	 que	 o	 particípio	 e	 o
gerúndio	se	igualam	morfologicamente).
28.	LEIAMOS	/	LEAMOS
A	 primeira	 pessoa	 do	 singular	 do	 presente	 do	 indicativo	 é	 leio,	 logo,	 para
formar	o	subjuntivo,	troca-se	o	o	em	a	e	tem-se	a	forma	leia.	O	correto,	pois,	é
leiamos.
29.	MANTESSE	/	MANTIVESSE
O	 correto	 é	mantivesse.	 O	 verbo	 manter	 é	 derivado	 de	 ter	 e	 como	 ele	 se
conjuga.	Veja	o	item	18.
30.	ME	MOSCO	/	ME	MUSCO
No	verbo	moscar-se	(sumir-se,	desaparecer	da	presença	de	alguém),	a	vogal	o
do	 radical	 transforma-se	 em	 u	 nas	 formas	 rizotônicas	 e,	 assim,	 tem-se	 no
presente	 do	 indicativo:	 eu	 me	musco,	 tu	 te	muscas,	 ele	 se	musca,	 nós	 nos
moscamos,	vós	vos	moscais,	eles	se	muscam;	e	no	presente	do	subjuntivo:	que
eu	 me	musque,	 te	musques,	 se	musque,	 nos	mosquemos,	 vos	mosqueis,	 se
musquem.
31.	OPTO	/	OPITO
O	correto	é	opto.	O	verbo	optar	não	tem	a	vogal	i	entre	o	p	e	o	t.	O	presente
do	 indicativo	 é:	 opto,	 optas,	 opta,	 optamos,	 optais,	 optam	 e	 o	 presente	 do
subjuntivo:	opte,	optes,	opte,	optemos	etc.
32.	PERCA	/	PERDA
O	verbo	perder	na	primeira	pessoa	do	singular	do	presente	do	indicativo	tem	a
forma	 perco.	 Assim,	 para	 se	 fazer	 o	 presente	 do	 subjuntivo,	 troca-se	 a
desinência	o	pela	desinência	a,	obtendo-se	a	forma	perca.
Espero	que	ele	não	perca	a	hora.
Perda	é	substantivo.
Com	o	incêndio,	houve	uma	perda	irreparável.
33.	PÔDE	/	POUDE
Pôde	 é	 pretérito	 perfeito	 do	 indicativo.	 Recebe	 acento	 diferencial	 em
contraposição	à	forma	pode,	que	é	presente	do	indicativo.	Não	existe	poude.
34.	POLO	/	PULO
O	verbo	polir	muda	o	o	da	 raiz	em	u	nas	 formas	 rizotônicas	do	presente	do
indicativo	 (pulo,	 pules,	 pule,	 polimos,	 polis,	 pulem),	 em	 todas	 as	 formas	 do
presente	 do	 subjuntivo	 (pula,	 pulas,	 pula,	 pulamos,	 pulais,	 pulam)	 e	 do
imperativo	 negativo	 (não	 pulas,	 não	 pula,	 não	 pulamos,	 não	 pulais,	 não
pulam).	 No	 imperativo	 afirmativo,	 apenas	 a	 segunda	 pessoa	 do	 plural	 não
muda	 o	 o	 em	 u	 (pule	 tu,	 pula	 você,	 pulamos	 nós,	 poli	 vós,	 pulam	 vocês).
Nessas	formas,	há	homonímia	com	o	verbo	pular.
35.	POR	/	PÔR
Por	é	preposição	e	pôr	é	verbo.	O	presente	do	indicativo	é	ponho,	pões,	põe,
pomos,	pondes,	põem.	O	pretérito	 imperfeito	do	 indicativo	é	punha,	punhas,
punha,	púnhamos,	púnheis,	punham.	O	pretérito	perfeito	do	 indicativo	é	pus,
puseste,	 pôs,	 pusemos,	 pusestes,	 puseram.	 Como	 ele	 se	 conjugam	 todos	 os
seus	derivados,	como	vimos	no	item	23.
36.	PRAZI	/	PROUVE
O	correto	 é	prouve.	O	 verbo	prazer	 faz	 no	 pretérito	 perfeito	prouve	 e	 não
prazi.	Esse	verbo	só	é	usado	na	terceira	pessoa	dosingular	e	no	gerúndio,	em
nenhuma	 outra	 forma.	 Assim,	 sua	 conjugação	 é:	 praz,	 prazia,	 prouve,
prouvera,	prazerá,	prazeria,	praza,	prouvesse,	prouver,	prazer,	prazendo.
O	 verbo	 prazer	 é	 transitivo	 indireto	 e	 significa	 agradar,	 aprazer:	 “Praz-lhe
dissertar	sobre	criminalidade;”	“Praza	aos	céus	que	a	miséria	seja	erradicada.”
37.	PRECAVEJO	/	PRECAVENHO
Nenhuma	das	duas	formas.	O	verbo	precaver-se	só	tem	a	segunda	e	a	terceira
pessoas	do	plural	do	presente	do	indicativo	(precavemos	e	precaveis)	e,	assim,
não	tem	o	presente	do	subjuntivo	nem	o	imperativo	negativo	e	do	imperativo
afirmativo,	 só	 tem	a	 segunda	pessoa	do	plural.	É	um	verbo	 regular	 e	não	 se
conjuga	pelo	verbo	ver.
38.	PROVEU	/	PROVIU
O	correto	é	proveu.	Embora	derivado	do	verbo	ver,	 este	verbo	é	 regular	no
pretérito	perfeito	do	indicativo	e	seus	derivados	e	faz:	provi,	proveste,	proveu,
provemos,	 provestes,	 proveram;	 e	 assim:	 provera,	 prover,	 provesse.	 Na
primeira	 pessoa	 do	 singular	 do	 presente	 do	 indicativo	 faz	 provejo.	 Não
confundir	com	provenho	e	proveio,	que	são	formas	do	verbo	provir,	derivado
de	vir.
39.	RATIFICAR
Tem	o	sentido	de	confirmar.	Sua	conjugação	é	normal.	É	vinculado	à	raiz	do
verbo	 depoente	 latino	 reor-reris-ratus	 sum-reri,	 passando	 pelo	 latim	 tardio
ratificare.	Nos	“Digesta”	aparece	ratihabitio	(ratificação).	É	bom	lembrar	que
ao	 verbo	 reor	 ligam-se	 as	 expressões	 caução	 “De	 Rato”	 e	 pro	 rata.	 O
antônimo	de	 ratus	 é	 irritus:	 in+ratus	>	 irritus,	 que	 deu	 a	 palavra	 írrito,	 com
assimilação	do	n	e	apofonia	do	a.	Írrito	é	nulo,	sem	efeito,	ou	seja,	o	que	é	feito
contra	o	que	estabelece	o	Direito,	não	produz	efeito	jurídico	algum	e	é	passível
de	anulação.	É	corrente	o	emprego	pleonástico	da	expressão	írrito	e	nulo.
40.	REAVI	/	REOUVE
O	correto	é	reouve.	O	verbo	reaver	conjuga-se	tal	qual	o	verbo	haver,	de	que
é	derivado,	mas	só	nas	pessoas	em	que	na	conjugação	do	verbo	haver	ocorre	a
letra	v.	Assim,	no	presente	do	indicativo	só	tem	a	primeira	e	a	segunda	pessoas
do	plural;	não	tem	o	presente	do	subjuntivo	nem	o	imperativo	negativo,	e	do
imperativo	afirmativo	só	tem	a	segunda	pessoa	do	plural.	Nas	formas	faltosas
usa-se	o	sinônimo	recuperar.
41.	REQUIS	/	REQUEREU
O	 correto	 é	 requereu.	 Este	 verbo	 faz	 a	 primeira	 pessoa	 do	 presente	 do
indicativo	requeiro,	logo	o	presente	do	subjuntivo	será	requeira.	No	pretérito
perfeito	 do	 indicativo	 faz	 requeri,	 requereste,	 requereu…	 requereram	 e,
assim,	os	derivados	do	perfeito	fazem:	requerera,	requerer,	requeresse.
42.	RESFOLEGO	/	RESFOLGO
O	correto	 é	resfolgo.	O	verbo	 resfolegar,	 que	 significa	 tomar	 fôlego,	 deriva
desse	substantivo	(fôlego),	que	é	proparoxítono.	Mas	o	verbo	não	pode	ter	esse
acento	 nas	 formas	 rizotônicas,	 daí	 sua	 irregularidade	 com	 a	 perda	 do	 e	 na
sílaba	 le	 dessas	 formas.	 Conjuga-se	 no	 presente	 do	 indicativo:	 resfolgo,
resfolgas,	 resfolga,	 resfolegamos,	 resfolegais,	 resfolgam.	 No	 presente	 do
subjuntivo	deriva	 do	presente	 do	 indicativo:	 resfolgue,	 resfolgues,	 resfolgue,
resfoleguemos,	resfolegueis,	resfolguem.
43.	RESSARCIR
Tem	 o	 sentido	 de	 pagar,	 resgatar.	 Para	 a	 maioria	 é	 um	 verbo	 defectivo,
seguindo	 a	 conjugação	 do	 verbo	 falir.	 Alguns	 gramáticos,	 no	 entanto,
consideram-no	completo:	 ressarço,	 ressarces,	 ressarce,	 ressarcimos,	 ressarcis,
ressarcem;	 ressarça,	 ressarças,	 ressarça,	 ressarçarmos,	 ressarçais,	 ressarçam,
ressarcia;	ressarcirei,	ressarciria,	ressarcisse,	ressarcido	etc.
44.	ROUBE	/	ROBE
O	correto	é	roube.	O	verbo	roubar	conserva	sempre	a	semivogal	u	em	todas
as	suas	formas.	Do	mesmo	modo	os	verbos	inteirar	e	pernoitar	conservam	a
semivogal	i:	inteiro,	inteirava,	inteirasse,	pernoito,	pernoitava,	pernoitasse.
45.	SABER	/	SOUBER
Saber	é	infinitivo	(saber,	saberes,	saber,	sabermos,	saberdes,	saberem):
Observe	bem	a	correspondência	da	repartição	para	saber	mais.
Souber	é	futuro	do	subjuntivo,	derivado	de	souberam,	terceira	pessoa	do	plural
do	 pretérito	 perfeito	 (souber,	 souberes,	 souber,	 soubermos,	 souberdes,
souberem):
Se	você	souber	onde	está	a	correspondência,	avise-me.
46.	SACIAR
Pertence	 aos	 verbos	 do	 grupo	 IAR,	 cuja	 conjugação	 é	 regular:	 sacio,	 sacias,
sacia,	saciem,	sacie,	sacies,	sacie,	saciem.	Não	esqueça	que	cinco	verbos	desse
grupo	 (mediar,	 ansiar,	 remediar,	 incendiar	 e	 odiar),	 cujas	 iniciais	 formam	 a
palavra	mnemônica	Mário,	recebem	um	e	eufônico	nas	formas	rizotônicas	do
presente	 do	 indicativo	 e	 de	 seus	 derivados	 (presente	 do	 subjuntivo	 e
imperativo):	 medeio,	 medeias,	 medeia,	 medeiem,	 medeie,	 medeies,	 medeie,
medeiem.
47.	SAAIS	/	SAIAIS
A	segunda	pessoa	do	plural	do	presente	do	subjuntivo	é	saiais.	O	verbo	sair,
como	todos	os	verbos	em	air,	recebe	um	 i	na	primeira	pessoa	do	singular	do
presente	do	indicativo	e	em	todas	as	formas	dele	derivadas.	Assim:	saio,	saia,
saias,	 saia,	 saiamos,	 saiais,	 saiam.	 Do	 mesmo	 modo	 grafam-se	 os	 verbos
atrair,	abstrair,	cair,	contrair,	decair,	descair,	detrair,	distrair,	esvair-se,
extrair,	recair,	retrair,	retrotrair,	sobressair,	subtrair,	trair.
48.	SANEAR
Na	linguagem	jurídica	esse	verbo	é	de	uso	corrente.	Ele	prende-se	ao	adjetivo
latino	 sanus	 (são)	 e	 tem	 como	 cognatos	 saneamento	 e	 saneador	 (despacho
saneador).	 Pertence	 aos	 verbos	 do	 grupo	 EAR,	 que	 se	 conjugam	 com	 a
intercalação	de	um	i	eufônico	nas	formas	rizotônicas	do	presente	do	indicativo
e	 seus	 derivados	 (presente	 do	 subjuntivo	 e	 imperativos):	 saneio,	 saneias,
saneia,	saneiam,	saneie,	saneies,	saneie,	saneiem.
49.	SOER
Esse	verbo	é	vinculado	ao	verbo	depoente	latino	soleo-soles-solitus	sum-solere
com	 o	 sentido	 de	 costumar,	 ter	 por	 hábito.	 Atualmente	 quase	 não	 se	 usa.
Aparece	 em	 um	 ou	 outro	 jurista	 a	 forma	 sói	 na	 expressão	 “como	 sói
acontecer”.	No	entanto,	são	de	uso	comum	dois	compostos	do	adjetivo	sólito:
insólito	 (fora	 do	 comum,	 do	 habitual	 –	 atividade	 insólita)	 e	 insolente,	 com
alteração	semântica.
50.	TRANSGREDO	/	TRANSGRIDO
O	verbo	transgredir	muda	o	e	da	raiz	em	i	nas	formas	rizotônicas	(transgrido,
transgrides,	 transgride,	 mas	 transgredimos,	 transgredis).	 Como	 ele	 se
conjugam:	agredir,	prevenir,	progredir	e	regredir.
Observação:
Para	alguns	gramáticos,	o	verbo	cerzir	deve	ser	conjugado	como	transgredir,
mas	a	maioria	coloca	aquele	verbo	no	grupo	de	aderir.
51.	TROUXE	TROUCE	TRUXE
O	 correto	 é	 trouxe.	 O	 pretérito	 perfeito	 do	 indicativo	 de	 trazer	 é	 trouxe,
trouxeste,	trouxe,	trouxemos,	trouxestes,	trouxeram.	As	formas	trouce	e	truxe
não	existem.	O	infinitivo	é	trazer,	e	o	futuro	do	subjuntivo	é	trouxer.
52.	VALO	/	VALHO
O	 correto	 é	valho,	 primeira	 pessoa	 do	 singular	 do	 presente	 do	 indicativo	 e,
assim,	 o	 presente	 do	 subjuntivo	 (valha,	 valhas,	 valha,	 valhamos,	 valhais,
valham)	 e	 o	 imperativo	 negativo	 (não	 valha,	 não	 valhas	 etc.)	 porque	 deriva
dessa	 pessoa,	 sendo	 essa	 a	 única	 irregularidade	 desse	 verbo.	 Como	 valer
conjugam-se	os	derivados	desvaler	e	equivaler.
53.	VIGENDO	/	VIGINDO
O	verbo	viger	não	se	emprega	na	primeira	pessoa	do	singular	do	presente	do
indicativo,	não	tendo,	pois,	o	presente	do	subjuntivo	e	o	imperativo	afirmativo.
Do	imperativo	afirmativo	tem	apenas	as	segundas	pessoas:	vige	tu	e	vigi	vós.
O	gerúndio	é,	pois,	vigendo,	já	que	é	verbo	da	segunda	conjugação.	A	forma
vigindo,	 embora	 muito	 usada	 por	 alguns	 advogados,	 não	 existe	 na	 língua
portuguesa.
54.	VIMOS	/	VIEMOS
A	forma	vimos	pode	ser	a	primeira	pessoa	do	plural	do	presente	do	indicativo
de	ver	ou	a	primeira	pessoa	do	plural	do	pretérito	perfeito	do	indicativo	de	vir.
Já	a	forma	viemos	é	a	primeira	pessoa	do	plural	do	pretérito	perfeito	de	vir.
8.1.6.	Verbos	abundantes
Em	 sua	 dissertação	 você	 deve	 ficar	 atento	 aos	 verbos	 abundantes.	 São	 verbos
que	apresentam	mais	de	uma	forma	com	um	único	valor,	como	haveis	ou	heis,
constróis	ou	construis.	A	abundância	se	revela	mais	no	particípio,	havendo	uma
forma	regular,terminando	com	a	desinência	do	e	outra	forma	irregular,	com	as
desinências	to	ou	so.
Para	 consulta	 e	 pesquisa	 observe	 os	 principais	 verbos	 abundantes	 das	 três
conjugações:	a)	Primeira	Conjugação
1.	Aceitar	–	aceitado	e	aceito	(a	forma	participial	aceite	substantivou-se	e
como	substantivo	é	usado	no	Direito	Comercial.	A	forma	aceitado	é	usada
na	voz	ativa	e	na	passiva).
2.	Afetar	 –	 afetado	 e	 afeto	 (embora	 condenado	 por	 alguns,	 esse	 verbo	 é
reconhecido	 por	 Adalberto	 Kaspary	 que	 cita	 passagens	 do	 Código	 Civil
com	a	forma	afectado).
3.	Anexar	–	anexado	e	anexo	(o	particípio	anexo	é	usado	como	adjetivo	e
substantivo).
4.	Assentar	 –	 assentado	 e	 assento	 (a	 forma	 assento	 é	 mais	 usada	 como
substantivo).
5.	Benquistar	–	benquistado	e	benquisto.
6.	Cativar	–	cativado	e	cativo	(a	forma	cativo	é	usada	como	substantivo	e
como	adjetivo).
7.	Circuncidar	 –	 circuncidado	 e	 circunciso	 (a	 forma	 circunciso	 é	 mais
usada	como	substantivo).
8.	Completar	–	completado	e	completo.
9.	Confessar	–	confessado	e	confesso	(confesso	é	muito	usado,	em	Direito,
na	expressão	“réu	confesso”).
10.	Concretar	 –	 concretado	 e	 concreto	 (a	 forma	 concreto	 é	 usada	 como
substantivo	e	como	adjetivo).
11.	 Contraditar	 –	 contraditado	 e	 contradito	 (na	 linguagem	 jurídica	 é
comum	 o	 substantivo	 contradita	 no	 sentido	 de	 contestação,	 impugnação,
refutação).
12.	Crucificar	 –	 crucificado	 e	 crucifixo	 (a	 forma	 crucifixo	 é	mais	 usada
como	substantivo).
13.	Cultivar	–	cultivado	e	culto	(não	confundir	a	forma	culto,	que	significa
ilustrado,	 civilizado,	 com	 a	 forma	 curto,	 que	 é	 minguado,	 pequeno:
memória	culta	–	memória	curta).
14.	Curvar	–	curvado	e	curvo.
15.	Descalçar	–	descalçado	e	descalço.
16.	Despertar	–	despertado	e	desperto.
17.	Dispersar	–	dispersado	e	disperso.
18.	Entregar	 –	 entregado	 e	 entregue	 (a	 forma	 participial	entregado	 pode
ser	usada	na	voz	ativa	e	na	passiva).
19.	Enxugar	–	enxugado	e	enxuto.
20.	Escusar	–	escusado	e	escuso.
21.	 Estreitar	 –	 estreitado	 e	 estreito	 (a	 forma	 estreito	 é	 usada	 como
substantivo	e	como	adjetivo).
22.	Estremar	–	estremado	e	estremo	ou	estreme	(a	forma	estremo	é	usada
como	substantivo	e	adjetivo,	e	a	forma	estreme	apenas	como	adjetivo).
23.	Excetuar	–	excetuado	e	exceto	(a	forma	exceto	é	usada	somente	como
preposição).
24.	 Exentar	 –	 exentado	 e	 exento	 (a	 forma	 exento	 é	 também	 particípio
irregular	de	eximir.	Existem	ainda	as	formas	divergentes	isentar,	isentado	e
isento).
25.	Expressar	–	expressado	e	expresso.
26.	Expulsar	–	expulsado	e	expulso	(a	forma	participial	expulsado	pode	ser
usada	na	voz	passiva	e	na	voz	ativa).
27.	Falhar	–	falhado	e	falho.
28.	Faltar	–	faltado	e	falto.
29.	Fartar	–	fartado	e	farto	(não	confundir	farto	com	falto.	Diz-se:	farto	de
provisões	 (cheio	 de	 provisões)	 e	 falto	 de	 provisões	 (desprovido	 de
provisões).
30.	Findar	–	findado	e	findo.
31.	Fixar	–	 fixado	e	 fixo	(a	 forma	 fixado	pode	 também	ser	usada	com	os
verbos	ser	e	estar).
32.	Fritar	–	fritado	e	frito.
33.	Ganhar	–	ganhado	e	ganho	(vide	as	Observações	a	seguir).
34.	Gastar	–	gastado	e	gasto	(vide	as	Observações).
35.	Infeccionar	–	infeccionado	e	infecto.
36.	Infestar	–	infestado	e	infesto.
37.	Inquietar	–	inquietado	e	inquieto.
38.	 Interditar	 –	 interditado	 e	 interdito	 (a	 forma	 interdito	 é	 usada	 como
substantivo	e	como	adjetivo,	principalmente	na	linguagem	jurídica).
39.	Isentar	–	isentado	e	isento.
40.	Juntar	–	juntado	e	junto.
41.	Libertar	–	libertado	e	liberto	(a	forma	liberto	é	usada	como	substantivo
e	como	adjetivo).
42.	Limpar	–	limpado	e	limpo.
43.	Livrar	–	livrado	e	livre.
44.	Malquistar	–	malquistado	e	malquisto.
45.	Manifestar	 –	 manifestado	 e	 manifesto	 (a	 forma	manifesto	 pode	 ser
usada	como	substantivo	e	como	adjetivo).
46.	Matar	 –	 matado	 e	 morto	 (morto	 é	 particípio	 irregular	 de	 matar	 e
morrer.	Com	os	verbos	de	ligação,	usa-se	morto	para	ambos	os	verbos,	mas
com	os	verbos	ter	e	haver	usa-se	matado	e	morrido).
47.	Misturar	–	misturado	e	misto.
48.	Molestar	–	molestado	e	molesto.
49.	Murchar	–	murchado	e	murcho.
50.	Ocultar	–	ocultado	e	oculto	(a	forma	ocultado	é	também	empregada	na
voz	passiva).
51.	Pagar	–	pagado	e	pago	(vide	Observações	a	seguir).
52.	 Professar	 –	 professado	 e	 professo	 (o	 termo	 professo	 é	 usado	 como
substantivo	e	como	adjetivo).
53.	Quedar	–	quedado	e	quedo.
54.	Quitar	–	quitado	e	quite	(a	forma	adjetivada	quite	tem	singular	e	plural:
“Estou	quite	e	vocês	estão	quites.”).
55.	Raptar	–	raptado	e	rapto	(a	forma	rapto	é	usada	como	substantivo).
56.	 Salvar	 –	 salvado	 e	 salvo	 (ambas	 as	 formas	 participiais	 podem	 ser
usadas	na	voz	ativa	e	na	voz	passiva).
57.	Secar	–	secado	e	seco.
58.	Segurar	–	segurado	e	seguro.
59.	Sepultar	–	sepultado	e	sepulto.
60.	 Situar	 –	 situado	 e	 sito	 (é	 comum	 encontrar-se	 a	 expressão	 “sito	 à
rua…”	quando	o	correto	é	“sito	na	rua…”.	Os	verbos	situar,	morar,	residir,
bem	 como	 os	 substantivos	 e	 adjetivos	 deles	 derivados	 não	 aceitam	 a
preposição	 a.	 São	 verbos	 de	 fixação	 e	 não	 de	 movimento.	 Devem	 ser
construídos	 com	 a	 preposição	 em:	 sito	 na	 rua…,	 morador	 na	 rua…,
residente	na	rua…)
61.	Soltar	–	soltado	e	solto.
62.	Sujeitar	–	sujeitado	e	sujeito.
63.	Suspeitar	–	suspeitado	e	suspeito.
64.	Vagar	–	vagado	e	vago.
b)	Segunda	Conjugação
1.	Absolver	 –	 absolvido	 e	 absolto	ou	 absoluto	 (a	 forma	absoluto	 é	 usada
como	substantivo	e	como	adjetivo).
2.	Absorver	–	absorvido	e	absorto	(não	confundir	esse	verbo	em	que	entra	r
–	absorver	–	com	o	de	cima,	absolver).
3.	Acender	 –	 acendido	e	 aceso	 (a	 forma	acendido	 pode	 ser	usada	na	voz
ativa	 e	 na	 voz	 passiva.	 Não	 se	 confunda	 acender,	 que	 tem	 o	 sentido	 de
atear	fogo,	com	o	seu	homônimo	ascender,	que	significa	subir).
4.	Atender	–	atendido	e	atento.
5.	Benquerer	–	benquerido	e	benquisto.
6.	Benzer	–	benzido	e	bento.
7.	Conhecer	–	conhecido	e	cógnito	(cógnito	desapareceu,	mas	restaram	as
formas	 com	 o	 prefixo	 de	 negação	 in:	 incógnito	 (andar	 incógnito)	 e
incógnita	(termo	matemático).
8.	Convencer	–	convencido	e	convicto.
9.	Corromper	–	corrompido	e	corrupto.
10.	Cozer	 –	 cozido	 e	 coito	 (coito	 é	 usado	no	Direito	 como	 substantivo	 e
também	em	formas	compostas	como	em	biscoito	=	cozido	duas	vezes).
11.	Defender	–	defendido	e	defeso	(o	termo	defeso	só	é	usado	no	sentido	de
proibir:	 “A	 pesca	 do	 camarão	 foi	 defesa	 por	 três	 meses.”	 No	 sentido	 de
proteger	usa-se	o	particípio	regular:	“A	OAB	tem	defendido	a	Amazônia.”).
12.	Desenvolver	–	desenvolvido	e	desenvolto.
13.	Devolver	–	devolvido	e	devoluto	(devoluto	é	usado	como	adjetivo	em
expressões	como	terras	devolutas).
14.	Dissolver	–	dissolvido	e	dissoluto.
15.	Eleger	–	elegido	e	eleito	(a	forma	eleito	é	usada	também	com	os	verbos
ter	e	haver).
16.	Envolver	–	envolvido	e	envolto	(a	forma	envolvido	é	também	usada	na
voz	 passiva:	 “Os	ministros	 do	 TSE	 foram	 envolvidos	 em	milhares	 de	 e-
mails.”).
17.	 Esconder	 –	 escondido	 e	 esconso	 (a	 forma	 esconso	 é	 usada	 como
substantivo	 e	 significa	 compartimento	 aproveitado	nos	desvãos	 inclinados
do	 teto	 do	 telhado.	 Como	 adjetivo	 não	 é	 usado,	 mas	 aparece	 na	 locução
adverbial	à	esconsa,	que	significa	ocultamente).
18.	 Escorrer	 –	 escorrido	 e	 escorreito	 (usa-se	 em	 expressões	 como:
linguagem	escorreita,	estilo	escorreito).
19.	Estender	–	estendido	e	extenso.
20.	 Incorrer	 –	 incorrido	 –	 incurso	 (na	 linguagem	 forense,	 incurso	 tem	 o
sentido	de	passível	de.	Na	linguagem	financeira	e	na	Contabilidade	aparece
a	forma	incorrida).
21.	Interromper	–	interrompido	e	interrupto.
22.	Morrer	–	morrido	e	morto	(vide	observação	no	verbo	matar).
23.	Nascer	–	nascido,	nato	e	nado	(nado	é	forma	arcaica	e	poética).
24.	Pender	–	pendido	e	penso.
25.	Perverter	–	pervertido	e	perverso.
26.	Prender	–	prendido	e	preso	(a	 forma	prendido	pode	ser	usada	na	voz
ativa	e	na	voz	passiva).
27.	Propender	–	propendido	e	propenso.
28.	Querer	 –	 querido	 e	 quisto	 (a	 forma	 irregularquisto	 é	 usada	 só	 nos
compostos	benquisto	e	malquisto).
29.	Remover	–	removido	e	remoto.
30.	Repreender	–	repreendido	e	repreenso.
31.	Resolver	–	resolvido	e	resoluto.
32.	Retorcer	–	retorcido	e	retorto.
33.	Revolver	–	revolvido	e	revolto.
34.	Romper	–	rompido	e	roto	(roto	usa-se	como	substantivo	e	adjetivo).
35.	Solver	–	solvido	e	soluto.
36.	Submeter	–	submetido	e	submisso.
37.	Subtender	–	subtendido	e	subtenso	(não	confundir	o	verbo	subtender,
que	é	estender	por	baixo	de,	com	o	verbo	subentender,	que	tem	o	sentido	de
admitir,	supor	mentalmente).
38.	Surpreender	–	surpreendido	e	surpreso.
39.	 Suspender	 –	 suspendido	 e	 suspenso	 (a	 forma	 suspendido	 pode	 ser
usada	na	voz	passiva	e	na	voz	ativa).
40.	Tender	–	tendido	e	tenso	(usa-se	o	termo	tendido	em	expressões	como
“bandeiras	tendidas”,	isto	é,	desfraldadas	ou	“ver	a	olhos	tendidos”,	ou	seja,
esforçar	a	vista,	como	os	míopes	para	ver	objetos	distantes).
41.	Torcer	–	torcido	e	torto.
c)	Terceira	Conjugação
1.	Abstrair	–	abstraído	e	abstrato.
2.	Adstringir	–	adstringido	(forma	não	usada)	e	adstrito.
3.	Afligir	 –	 afligido	 e	 aflito	 (a	 forma	 aflito	 é	 usada	 como	 substantivo	 e
adjetivo).
4.	Aspergir	–	aspergido	e	asperso.
5.	Assumir	–	assumido	e	assunto	(a	forma	assunto	pode	ser	substantivo	ou
adjetivo).
6.	Cingir	–	cingido	e	cinto	(a	forma	cinto	é	usada	como	substantivo).
7.	Coagir	–	coagido	e	coacto.
8.	Coligir	–	coligido	e	coleto.
9.	Compelir	–	compelido	e	compulso.
10.	Comprimir	–	comprimido	e	compresso.
11.	Concluir	 –	 concluído	 e	 concluso	 (na	 linguagem	 jurídica,	 concluso	 é
usado	com	referência	aos	autos	que	sobem	para	o	despacho	do	juiz).
12.	Confundir	–	confundido	e	confuso.
13.	Constringir	–	constringido	e	constrito.
14.	Contrair	–	contraído	e	contrato	(essa	forma	é	usada	como	substantivo	e
como	adjetivo).
15.	Contundir	–	contundido	e	contuso.
16.	Convelir	–	convelido	e	convulso.
17.	Corrigir	–	corrigido	e	correto	(correto	não	conservou	a	significação	de
corrigir.	Significa	sem	defeito.	Uma	prova	pode	estar	correta	e	não	ter	sido
ainda	corrigida	e	pode	estar	corrigida	e	não	estar	correta).
18.	Difundir	–	difundido	e	difuso.
19.	Distinguir	–	distinguido	e	distinto	(distinto	usa-se	como	substantivo	e
como	 adjetivo.	 Com	 o	 verbo	 distinguir	 o	 u	 não	 é	 pronunciado.	 Muitas
pessoas	costumam	pronunciá-lo	erroneamente.	O	mesmo	acontece	com	os
verbos	adquirir	e	extinguir).
20.	Dividir	–	dividido	e	diviso	(diviso,	que	significa	que	se	dividiu,	é	forma
pouco	usada).
21.	Emergir	–	emergido	e	emerso.
22.	Erigir	–	erigido	e	ereto.
23.	Espargir	–	espargido	e	esparso.
24.	Exaurir	–	exaurido	e	exausto.
25.	Excluir	–	excluído	e	excluso.
26.	Expelir	–	expelido	e	expulso	(essa	forma	é	também	particípio	irregular
de	expulsar).
27.	Exprimir	–	exprimido	e	expresso	(não	se	confunda	exprimido,	do	verbo
exprimir	 com	 espremido,	 de	 espremer,	 verbo	 que	 não	 possui	 particípio
irregular).
28.	Extinguir	–	extinguido	e	extinto	(extinto	usa-se	como	substantivo	com
o	 sentido	 de	morto,	 falecido.	 A	 forma	 extinguido	 pode	 ser	 usada	 na	 voz
ativa	e	na	voz	passiva).
29.	Extrair	–	extraído	e	extrato	(extrato	é	usado	como	substantivo).
30.	 Frigir	 –	 frigido	 e	 frito	 (essa	 forma	 é	 particípio	 irregular	 de	 frigir	 e
fritar)
31.	Haurir	–	haurido	e	hausto	(a	forma	hausto	é	usada	como	substantivo).
32.	Iludir	–	iludido	e	iluso.
33.	Imergir	–	imergido	e	imerso.
34.	Imprimir	–	imprimido	e	impresso	(ambas	as	formas	podem	ser	usadas
na	voz	ativa	e	na	voz	passiva).
35.	Incluir	–	incluído	e	incluso.
36.	Infundir	–	infundido	e	infuso.
37.	 Inserir	 –	 inserido	 e	 inserto	 (ambas	 as	 formas	 participiais	 podem	 ser
usadas	 na	 voz	 ativa	 e	 na	 voz	 passiva.	Não	 confundir	 inserto,	 verbo,	 com
incerto,	adjetivo.	O	substantivo	cognato	de	inserir	é	inserção).
38.	Insurgir	–	insurgido	e	insurreto.
39.	Obtundir	–	obtundido	e	obtuso.
40.	Omitir	–	omitido	e	omisso	(omisso	assumiu	a	função	de	adjetivo:	casos
omissos	em	lei).
41.	Oprimir	–	oprimido	e	opresso.
42.	Possuir	–	possuído	e	possesso	(a	forma	possesso	pode	ser	usada	como
substantivo	e	como	adjetivo).
43.	Recluir	–	recluído	e	recluso.
44.	Remitir	–	remitido	e	remisso.
45.	Repelir	–	repelido	e	repulso.
46.	Restringir	–	restringido	e	restrito.
47.	Ressurgir	–	ressurgido	e	ressurecto.
48.	Submergir	–	submergido	e	submerso.
49.	Suprimir	–	suprimido	e	supresso.
50.	Surgir	–	surgido	e	surto.
51.	Tingir	–	tingido	e	tinto.
Observações:
a)	As	formas	regulares	são	empregadas	na	voz	ativa	com	os	verbos	ter	ou	haver,
formando	 tempos	 compostos,	 e	 as	 formas	 abundantes	 são	 usadas	 na	 voz
passiva	com	os	verbos	ser	ou	estar:
O	caso	foi	inserido	no	processo.
O	caso	está	inserto	no	processo.
b)	 Oito	 verbos	 não	 têm	 particípio	 regular:	 abrir,	 cobrir,	 dizer,	 escrever,	 fazer,
ver,	vir	e	pôr.	Seus	particípios	são:	aberto,	coberto,	dito,	escrito,	 feito,	visto,
vindo	e	posto.
c)	 Não	 se	 usam	 na	 língua	 culta	 os	 particípios	 regulares	 de	 ganhar,	 gastar	 e
pagar,	mas	sim	os	abundantes	ganho,	gasto	e	pago:
Ele	tinha	ganho	na	loteria,	pago	todas	as	dívidas	e	gasto	todo	o	dinheiro.
A	forma	ganhado	existe	apenas	em	algumas	locuções	como:	viver	do	ganhado.
d)	Embora	de	uso	comum,	na	linguagem	coloquial,	não	se	deve	usar	o	particípio
pego.	 Emprega-se	pegado	 com	 qualquer	 auxiliar:	 tinha	 pegado,	 foi	 pegado,
havia	pegado,	estava	pegado	etc.
e)	 Não	 existem	 as	 formas	 de	 particípio	 trago	 e	 chego,	 mas	 sim,	 trazido	 e
chegado.
8.1.7.	Variações	gráficas	dos	verbos
Quando	estiver	 fazendo	a	 sua	 redação,	observe	as	variações	gráficas	de	alguns
verbos,	 pois,	 muitas	 vezes,	 altera-se	 na	 escrita	 a	 representação	 da	 última
consoante	do	radical,	a	fim	de	conservar	o	mesmo	fonema	e,	assim:
•	os	verbos	terminados	em	-car	mudam	o	c	em	qu,	e	os	terminados	em	-	gar
mudam	o	g	em	gu,	quando	essas	consoantes	são	seguidas	de	e:
ficar	=	fico,	fiques;	carregar	=	carrego,	carregues;	secar	=	seco,	sequeis.
•	os	verbos	terminados	em	-çar	perdem	a	cedilha	antes	da	vogal	e:
endereçar	=	endereço,	endereceis;	tropeçar	=	tropeçais,	tropece
•	Os	verbos	terminados	em	-	cer	ou	-	cir	têm	c	cedilhado	antes	de	a	ou	de	o:
estabelecer	 =	 estabeleça,	 estabeleces,	 estabeleço;	 ressarcir	 =	 ressarço,
ressarçam
•	os	verbos	terminados	em	ger	ou	gir	mudam	o	g	em	j	antes	de	a	ou	de	o:
proteger	=	protejo,	proteges,	protejas;	reagir	=	reajo,	reagimos,	reajamos
•	Os	verbos	terminados	em	-guer	ou	-guir	perdem	o	u	antes	de	a	ou	de	o:
erguer	=	ergo,	ergueis	ergam;	perseguir	=	persigo,	persegue,	persigamos.
Essas	acomodações	gráficas	não	constituem	irregularidades	de	conjugação	e,
por	isso,	não	há,	em	nossa	língua,	verbos	irregulares	gráficos.
8.1.8.	Uso	dos	modos	e	tempos	verbais
	
1.	Modo
Indica	 a	 relação	 entre	 o	 emissor	 e	 o	 fato	 expresso	 pelo	 verbo.	 Subdivide-se
em:
•	Modo	Indicativo	–	normalmente	aparece	nas	orações	independentes	e	nas
dependentes	que	encerram	um	fato	real	ou	tido	como	tal:
Paulo	faz	o	trabalho	e	deixa	tudo	como	se	pede.
•	 Modo	 subjuntivo	 –	 ocorre	 nas	 orações	 optativas,	 nas	 imperativas
negativas	 e	 afirmativas	 (nestas,	menos	 a	 segunda	pessoa	do	 singular	 e	 do
plural),	nas	dubitativas	com	o	advérbio	talvez	e	nas	subordinadas	em	que	o
fato	é	considerado	como	incerto,	duvidoso	ou	impossível	de	se	realizar.
Se	fosse	eu,	faria	e	aconteceria.
Não	procures	o	mal,	que	ele	cairá	sobre	ti.
Busquemos	a	Deus	e	seremos	atendidos.
Talvez	tenhamos	de	fazer	nova	prova.
Julgava	que	você	fizesse	todos	os	exercícios.
•	 Modo	 Imperativo	 –	 é	 uma	 ordem,	 um	 pedido,	 um	 convite,	 uma
proibição:
Façam	exercícios!
Não	abram	a	porta	da	esquerda.
2.	Tempo
Posiciona	o	fato	no	presente,	passado	e	futuro	em	relação	ao	momento	efetivo
da	comunicação.	Assim:
a)	No	modo	Indicativo:
i.	Usa-se	o	presente:
•	Para	indicar	um	fato	que	acontece	no	momento	da	fala:
Atualmente	ele	trabalha	com	informática.
•	Para	indicar	um	fato	habitual:
Todas	as	terças	corro	no	calçadão	de	Ipanema.
•	 Para	 exprimir	 fatos	 ou	 estados	 permanentes	 consideradoscomo
verdades:
Por	um	ponto	passam	inúmeras	retas.
•	Usa-se	o	presente	 em	 lugar	do	pretérito	para	dar	 atualidade	a	 fatos
passados:
Em	22	de	abril	de	1500,	Cabral	chega	ao	Brasil,	com	suas	caravelas.
•	 Em	 lugar	 do	 futuro	 o	 presente	 para	 indicar	 enfaticamente	 uma
decisão	 ou	 para	 indicar	 um	 fato	 futuro	 próximo	 considerado	 como
certo:
Amanhã	eu	compro	passagens	para	Brasília.
Segundo	a	meteorologia,	sábado	próximo	chove	o	dia	inteiro.
•	O	presente	ainda	pode	ser	usado	em	lugar	do	futuro	do	subjuntivo	em
frases	como:
Se	queres	amor,	procura	a	compreensão.
ii.	Usa-se	o	pretérito	perfeito	simples:
•	Para	indicar	um	fato	totalmente	concluído:
O	marceneiro	montou	o	guarda-roupa.
iii.	Usa-se	o	pretérito	perfeito	composto:
•	 Para	 indicar	 um	 fato	 iniciado	 e	 ainda	 em	 andamento	 ou	 um	 fato
consumado:
O	marceneiro	 tem	 feito	 o	 trabalho.	 (fato	 iniciado	 e	 ainda	 em	 andamento)	 Tenho	 dito.	 (fato
consumado)
iv.	Usa-se	o	pretérito	imperfeito:
•	Para	indicar	um	fato	iniciado,	mas	não	concluído:
O	marceneiro	procurava	o	martelo.
•	Para	indicar	um	fato	presente	em	tempo	passado:
Há	dois	anos,	Cleuton	chefiava	o	Departamento	de	Pessoal.
•	 Para	 indicar	 um	 fato	 passado	 em	 processo,	 simultâneo	 a	 um	 outro
fato	passado	súbito	ou	em	processo:
Cleuton	chefiava	o	Departamento	de	Pessoal,	e	a	mulher	trabalhava	na	recepção.
Marina	estava	no	caixa	quando	o	bandido	chegou.
v.	Usa-se	o	pretérito	mais-que-perfeito	simples	ou	composto:
•	 Para	 indicar	 um	 fato	 concluído	 e	 anterior	 a	 outro	 fato	 também
concluído:
O	guarda	prendeu	o	ladrão	que	fugira	da	delegacia.
•	Para	indicar	um	fato	concluído	em	um	passado	distante:
Quando	meu	avô	nasceu,	Einstein	já	concluíra	a	teoria	da	relatividade.
vi.	Usa-se	o	futuro	do	presente	simples:
•	Para	indicar	um	fato	que	irá	realizar-se:
Os	alunos	receberão	novas	apostilas.
•	O	futuro	do	presente	é	usado	no	lugar	do	presente	do	indicativo	para
indicar	 uma	 ideia	 aproximada,	 e	 no	 lugar	 do	 imperativo	 nas
prescrições	e	recomendações	morais:
Aquela	jovem	terá	seus	vinte	anos.	(ideia	aproximada)
A	Bíblia	diz:	Não	furtarás.	(recomendação	moral)
Agora	todos	respeitarão	os	direitos	alheios,	de	acordo	com	a	lei	(prescrição).
vii.	Usa-se	o	 futuro	do	presente	composto	para	 indicar	um	fato	futuro	que
irá	realizar-se	antes	de	outro	fato	também	futuro:
Até	o	meio-dia,	os	alunos	terão	concluído	o	teste.
viii.	 Usa-se	 o	 futuro	 do	 pretérito	 simples	 para	 indicar	 um	 fato	 que	 ia	 se
realizar,	mas	não	se	realizou	ou	para	indicar	incerteza:
O	professor	leria	aquele	livro	se	tivesse	tempo.
Disseram	que	haveria	umas	dez	pessoas	na	reunião.
Para	exprimir	um	pedido	de	forma	cortês,	substituindo	o	presente	do	indicativo	e
o	imperativo:
Você	procuraria	o	livro	para	mim?
ix.	Usa-se	o	futuro	do	pretérito	composto	para	indicar	um	fato	que	poderia
ter	ocorrido	depois	de	um	fato	passado:
Se	tivéssemos	feito	todos	os	exercícios,	teríamos	passado.
2.	No	Modo	Subjuntivo:
a)	Usa-se	o	presente	para	indicar	um	fato	que	pode	ocorrer	no	momento	da
fala,	porém	duvidoso	e	incerto:
Fique	calmo,	talvez	ele	chegue	no	próximo	ônibus.
Para	indicar	um	fato	futuro,	como	vontade,	desejo,	promessa:
Louvemos	a	Deus	e	sejamos	felizes.
b)	 Usa-se	 o	 pretérito	 perfeito	 composto	 para	 indicar	 um	 fato	 totalmente
terminado	em	um	momento	passado,	porém	duvidoso	e	incerto:
Que	ele	tenha	recebido	o	diploma,	ninguém	duvida.
c)	 Usa-se	 o	 pretérito	 imperfeito	 para	 expressar	 uma	 condição,	 uma
hipótese:
Ficaríamos	felizes	se	a	chuva	diminuísse.
d)	 Usa-se	 o	 pretérito	 mais-que-perfeito	 composto	 para	 indicar	 um	 fato
anterior	a	outro	fato	passado	ou	uma	ação	irreal:
Se	ela	tivesse	voltado,	a	vida	seria	melhor.
e)	 Usa-se	 o	 futuro	 simples	 para	 indicar	 um	 fato	 eventual,	 hipotético	 que
pode	ocorrer	num	momento	futuro:
Não	faças	exercícios	apenas	quando	tiveres	tempo.
f)	Usa-se	o	futuro	composto	para	indicar	um	fato	hipotético	futuro,	mas	já
terminado	antes	de	outro	fato	futuro:
Faremos	um	churrasco	se	eles	forem	nomeados.
3.	No	Modo	Imperativo
a)	Usa-se	o	imperativo	afirmativo	para	expressar	a	tentativa	do	emissor	para
que	o	receptor	realize	a	ação	verbal.
Estuda,	faze	exercícios,	e	a	prova	será	facílima.
Para	exprimir	uma	ordem,	um	convite,	uma	solicitação	ou	súplica:
Aqui	é	um	hospital.	Fale	baixo.
Traga-me	notícias	e	deixe-me	só.
Minha	senhora,	sente-se,	por	favor.
b)	Usa-se	o	imperativo	negativo	para	expressar	proibições:
Não	deixes	de	fazer	exercícios,	pois	só	assim	passarás	em	qualquer	concurso.
Não	faças	a	outrem	o	que	não	queres	que	te	façam.
VÁ	NESTA!
O	imperativo	pode	ser	substituído	pelo	infinitivo	em	uma	ordem:
Não	pisar	na	grama!
Calar,	pois	vamos	começar	a	reunião!
E	pode-se	usar	o	imperativo	do	verbo	querer	seguido	de	infinitivo	para	suavizar
uma	ordem:
Queira	informar	a	todos	que	eu	cheguei.
Quer	sair	agora	ou	daqui	a	instantes?
8.1.9.	Correlação	verbal
Normalmente	a	correlação	é	feita	entre	o	verbo	da	oração	principal,	que	fica	em
uma	 das	 formas	 do	modo	 indicativo,	 e	 o	 da	 oração	 subordinada,	 que	 vai	 para
uma	das	formas	do	modo	subjuntivo.	Assim:
•	o	verbo	da	oração	subordinada	fica	no	presente	do	subjuntivo	se	o	verbo
da	oração	principal	estiver:
	no	presente	do	indicativo:
Espero	que	faças	todos	os	exercícios.
	no	imperativo:
Exija	tudo	a	que	tenha	direito.
	no	futuro	do	presente	do	indicativo:
Providenciarei	para	que	tudo	termine	bem.
•	 o	 verbo	 da	 oração	 subordinada	 fica	 no	 pretérito	 perfeito	 composto	 do
subjuntivo	se	o	verbo	da	oração	principal	estiver:
	no	presente	do	indicativo:
Todos	esperam	que	tudo	tenha	terminado	bem.
•	o	verbo	da	oração	subordinada	fica	no	pretérito	imperfeito	do	subjuntivo
se	o	verbo	da	oração	principal	estiver:
	no	pretérito	imperfeito	do	indicativo:
Desejávamos	que	tudo	terminasse	bem.
	no	pretérito	perfeito	do	indicativo:
Esperei	desde	as	três	horas	que	você	saísse.
	no	pretérito	mais-que-perfeito	do	indicativo:
Tinha	esperado	que	você	levantasse.
	no	futuro	do	pretérito	do	indicativo:
Aguardaria	que	todos	fizessem	a	prova.
•	 o	 verbo	 da	 oração	 subordinada	 fica	 no	 pretérito	 mais-que-perfeito
composto	do	subjuntivo	se	o	verbo	da	oração	principal	estiver:
	no	pretérito	imperfeito	do	indicativo:
Esperava	que	ela	tivesse	voltado	atrás.
	no	futuro	do	pretérito	do	indicativo:
Ficaria	feliz	se	ela	tivesse	voltado	atrás.
•	o	verbo	da	oração	subordinada	fica	no	futuro	simples	do	subjuntivo	se	o
verbo	da	oração	principal	estiver:
	no	presente	do	indicativo:
Faço	os	exercícios	se	quiser.
	no	futuro	do	presente	do	indicativo:
Farei	os	exercícios	se	quiser.
•	o	verbo	da	oração	subordinada	fica	no	futuro	composto	do	subjuntivo	se	o
verbo	da	oração	principal	estiver:
	no	futuro	do	presente	do	indicativo:
Nós	o	procuraremos	quando	ele	tiver	saído.
8.1.10.	Uso	do	infinitivo
Um	dos	erros	mais	comuns	em	redação	é	o	mau	uso	do	infinitivo.	Não	esqueça
de	 que	 ele	 pode	 ter	 flexão	 de	 pessoa,	 por	 isso	 classifica-se	 em	 infinitivo
impessoal	(o	que	não	admite	flexão)	e	infinitivo	pessoal	(o	que	admite	flexão).
	Oinfinitivo	pessoal	é	usado	nas	seguintes	situações:
•	quando	tem	sujeito	expresso	ou	implícito:
Estes	livros	são	para	os	candidatos	lerem	com	atenção.
É	de	suma	importância	conhecermos	todos	os	detalhes	do	processo.
•	quando	o	sujeito	o	antecede,	separando-o	de	seu	auxiliar:
Deixe	os	alunos	saírem	cinco	minutos	antes	do	sinal.
•	quando	indica	a	indeterminação	do	sujeito,	na	terceira	pessoa	do	plural:
Na	passeata,	vi	anotarem	as	placas	dos	carros,	mas	não	sabia	o	porquê.
	O	infinitivo	impessoal	é	usado	quando:
•	não	fizer	referência	a	um	sujeito:
Todos	sabem	que	poupar	água	é	olhar	o	futuro.
•	fizer	parte	de	uma	locução	verbal:
Os	candidatos	procuraram	saber	a	matéria	da	prova.
Eliana	queria	estudar	medicina.
•	 vier	 ligado	 a	 um	 verbo	 causativo	 (deixar,	 fazer,	 mandar)	 ou	 sensitivo
(ouvir,	sentir,	ver):
Deixai	vir	a	mim	as	criancinhas.
Mande-os	entrar	na	sala	ao	lado.
Naquela	manhã,ouvi-a	falar	de	amor.
•	exercer	a	função	de	complemento	nominal:
Phelipe	estava	acostumado	a	fazer	essas	coisas.
Estava	apto	para	revisar	o	balancete.
•	vier	precedido	das	expressões	fácil	de,	difícil	de	etc.:
Todas	essas	questões	são	fáceis	de	resolver.
Coisas	assim	são	difíceis	de	executar.
Era	capaz	de	fazer	tudo	por	amor.
•	substituir	o	imperativo:
Olhar	para	frente	e	marchar	cadenciados!
Não	pisar	a	grama	nem	pular	a	mureta!
Se	 o	 verbo	 auxiliar	 com	 infinitivo	 impessoal	 deixar	 de	 ser	 expresso	 depois,	 o
outro	infinitivo	será	flexionado:
Procuras	ser	o	melhor,	fazeres	tudo	corretamente?	É	um	bom	sinal.
8.1.11.	Exercícios
Para	 seu	 treinamento,	 apresentamos	 aqui	 algumas	 questões	 de	 coesão	 e	 de
concordância	 verbal,	 a	 fim	 de	 que	 observando-as	 você	 não	 caia	 nesses	 erros
quando	de	sua	redação.
1.	(FCAA/SSP/ES)	Leia	o	texto	a	seguir:
Em	 primeiro	 lugar,	 é	 necessário	 fazer	 o	 seguro.	 Igualmente	 o	 seguro	 deve
cobrir	 todos	 os	 danos.	 Também	 o	 contrato	 deve	 ser	 respeitado	 e,
consequentemente,	todos	ficarão	satisfeitos.
Os	termos	em	destaque	podem	ser	substituídos,	respectivamente,	por:
a)	primeiramente,	ademais,	além	disso,	portanto;
b)	antes	de	mais	nada,	da	mesma	forma,	por	outro	lado,	por	conseguinte;
c)	acima	de	tudo,	também,	analogamente,	finalmente;
d)	primordialmente,	similarmente,	segundo,	em	suma;
e)	sem	dúvida,	intencionalmente,	pelo	contrário,	com	efeito.
2.	(Esesp/Assembleia)	Na	frase	“O	mar	ainda	produzirá	energia	elétrica…”,
o	advérbio	ainda	tem	o	mesmo	sentido	que	em:
a)	sei	que	ainda	serás	um	grande	mestre;
b)	há	ainda	outros	candidatos	que	não	fizeram	a	prova;
c)	ainda	trabalhando	não	conseguirá	o	que	quer;
d)	ainda	há	meia	hora	ela	estava	aqui;
e)	um	dia	ele	voltará	e	ela	estará	ainda	à	sua	espera.
3.	 (FEC/Fiscal)	 ________	 ela	 aparente	 ser	 uma	 pessoa	 dócil,	 não	 a
provoque,	________	a	ovelhinha	não	se	transforme	numa	tigresa.	A	frase
ganha	 sentido	 completo	 e	 lógico	 preenchendo-se	 suas	 lacunas,
respectivamente,	com	as	expressões:
a)	desde	que	/	a	fim	de	que;
b)	muito	embora	/	desde	que;
c)	dado	que	/	muito	embora;
d)	ainda	que	/	para	que;
e)	mesmo	que	/	em	vista	do	que.
4.	(FCC/TJ/SP)	A	região-alvo	da	expansão	das	empresas,	_____,	das	redes
de	 franquias,	 é	 a	 Sudeste,	 _____	 as	 demais	 regiões	 também	 serão
contempladas	 em	 diferentes	 proporções;	 haverá,	 _____,	 planos
diversificados	 de	 acordo	 com	 as	 possibilidades	 de	 investimento	 dos
possíveis	 franqueados.	 A	 alternativa	 que	 completa,	 correta	 e
respectivamente,	as	 lacunas	e	relaciona	com	coerência	e	coesão	as	 ideias
do	texto	é:
a)	digo	–	portanto	–	mas;
b)	como	–	pois	–	mas;
c)	ou	seja	–	embora	–	pois;
d)	ou	seja,	mas,	portanto;
e)	isto	é,	mas,	como.
5.	(Fuvest)	Entre	as	frases	“Cazuza	mordeu	a	vida	com	todos	os	dentes”	e
“A	doença	e	a	morte	parecem	ter-se	vingado	de	sua	paixão	exagerada	de
viver”	 estabelece-se	 um	 vínculo	 de	 coesão	 que	 pode	 ser	 corretamente
explicitado	com	o	emprego	de:
a)	desde	que;
b)	tanto	assim	que;
c)	uma	vez	que;
d)	à	medida	que;
e)	apesar	de	que.
6.	 (FCC/TRT/19ª	Região)	A	seguinte	 frase	está	plenamente	de	acordo	com
as	normas	da	concordância	verbal.
a)	Nesse	poema	de	Drummond	parece	 repetir-se	 alguns	 termos	nas	várias
estrofes.
b)	O	autor	e	uma	colega	sua	incumbiu-se	de	enviar	uma	carta	aos	amigos	do
Rio.
c)	Na	passeata	dos	estudantes	manifestavam-se	protestos	contra	o	governo.
d)	Eram	de	 se	esperar	que	houvessem	deturpações	dos	 fatos	no	noticiário
oficial.
e)	Depois	de	ser	feito	várias	cópias,	enviei-as	aos	amigos	do	Rio.
7.	(FEC/TRT/1ª	Região)	A	frase	em	que	se	infringe	a	concordância	nominal
prescrita	na	língua	culta	é:
a)	O	tempo	livre	era	gasto	com	asseio	e	alimentação	necessárias;
b)	Os	trabalhadores	assistiam	semanalmente	a	práticas	e	rituais	religiosos;
c)	Os	trabalhadores	não	tinham	direito	a	descanso	e	férias	remuneradas;
d)	Viviam	no	lazer	a	nobreza	e	a	burguesia	ociosas;
e)	As	leis	não	protegiam	o	artesão	e	o	camponês	sofridos.
8.	 (FEC/PM/Niterói)	 Na	 oração	 “mais	 de	 5%	 vêm	 do	 setor	 público”,	 a
concordância	verbal	foi	feita	de	acordo	com	a	norma	recomendada	para	o
português	 escrito	 culto.	 Nas	 frases	 apresentadas	 a	 seguir,	 constata-se
também	a	correção	quanto	à	concordância.	Exceto	em:
a)	Ainda	falta	corrigir	as	provas	e	divulgar	os	resultados	para	os	alunos;
b)	Com	a	 contenção	de	 despesas	 determinada	pelo	 governo,	 ainda	 não	 se
liberaram	as	verbas	para	a	educação;
c)	 Em	 muitos	 pontos	 a	 política	 educacional	 brasileira	 imita	 os	 Estados
Unidos	 da	 América,	 que	 também	 convive	 com	 inúmeros	 problemas
educacionais;
d)	 Mais	 de	 um	 ministro	 da	 área	 já	 tentou	 obter	 mais	 recursos	 para	 a
educação;
e)	15%	da	população	brasileira	é	de	jovens	em	idade	escolar,	entre	7	e	14
anos.
9.	(Officium/TJ/RS)	Em	“Alguém	tira	uma	conclusão	errada	do	que	vê	ou
escuta,	confunde	um	gesto	ou	uma	frase	e	faz	brotar	uma	inverdade	que
pode	 envenenar	 a	 reputação	 de	 inocentes”.	 Substituindo-se	 a	 palavra
“Alguém”	 por	 “As	 pessoas”,	 quantas	 outras	 palavras	 do	 período
deveriam	sofrer	ajuste	obrigatório	para	fins	de	concordância?
a)	Duas;
b)	Três;
c)	Quatro;
d)	Cinco;
e)	Seis.
10.	(FEC/TRF/2ª	Região)	Das	frases	a	seguir	a	que	está	incorreta	do	ponto
de	vista	da	concordância	é:
a)	 As	 colonizações	 por	 si	 sós	 já	 definem	 certos	 tipos	 humanos	 que
implementam	a	vida	no	novo	mundo;
b)	O	tipo	trabalhador	considera	inevitável	no	longo	processo	de	colonização
os	laços	com	a	terra	conquistada;
c)	 Distúrbios	 e	 alterações	 de	 personalidade	 são	 comuns	 nos	 tipos
trabalhador	e	aventureiro;
d)	Um	e	 outro	 tipo	 podem	deixar	marcas	 profundas	 de	 sua	 personalidade
nos	locais	por	onde	passam;
e)	Decerto	que	o	 aventureiro	 é	dos	que	mais	 se	 esforça	por	 fazer	da	vida
uma	eterna	busca	de	novos	prazeres.
11.	(FCC/TRT/20ª	Região)	A	concordância	está	feita	corretamente	em:
a)	 Os	 trabalhadores	 que	 perdem	 o	 emprego	 pode	 ser	 admitido	 em	 novos
postos,	dependendo	do	nível	de	escolaridade;
b)	 O	 número	 de	 postos	 de	 trabalho	 geralmente	 aumentam	 quando	 as
empresas	elevam	a	produtividade;
c)	Os	poucos	anos	de	escolaridade	do	trabalhador	são	insuficientes	para	um
bom	uso	das	inovações	tecnológicas;
d)	Existe	vários	efeitos	que	é	resultante	da	aplicação	da	tecnologia,	capazes
de	gerar	novos	empregos;
e)	A	 recuperação	de	novos	postos	de	 trabalho	nas	empresas	 são	possíveis
para	candidatos	com	formação	adequada	a	eles.
Gabarito	no	final	do	livro.
	
Capítulo	9
O	Nome	na	Redação
	
A	clareza	está	na	simplicidade.	É	expressar-se	da	melhor	forma	possível,	de	modo	a	deixar-se
compreender	pelo	leitor,	sem	perturbar	a	interpretação	que	o	autor	pretende	para	o	texto.
Célia	Passoni	–	professora	de	Redação	do	curso	Etapa	–	São	Paulo
9.1.	USO	DO	NOME
Em	 uma	 redação,	 o	 nome	 é	 tão	 importante	 quanto	 o	 verbo.	 Está	 intimamente
ligado	a	este	e	designa	genericamente	o	substantivo,	o	adjetivo	e	o	advérbio.	O
substantivo	 representa,	 na	 frase,	 o	 sujeito,	 os	 objetos	 direto	 e	 indireto,	 o
complemento	nominal,	o	aposto	e	o	predicativo.	O	adjetivo	representa	o	adjunto
adnominal,	e	o	advérbio	é	o	adjunto	adverbial.
9.1.1.	Particularidades	do	substantivo
Ao	redigir,	lembre-se	de	que	há	substantivos	que	sofrem	modificações	gráficas,
prosódicas	 ou	 de	 significação.	Assim,	 alguns	 são	 usados	 somente	 no	 singular,
outros	 apenas	 no	 plural,	 há	 os	 que	 alteram	 o	 significado	 quando	 mudam	 o
gênero,	 os	 que	 vieram	 do	 latim	 sem	 alteração	 gráfica	 e	 aqueles	 estrangeiros
adaptados	à	nossa	língua.
9.1.1.1.	Substantivos	usados	apenas	no	singular
a)	Os	que,	em	lugar	de	designarem	indivíduos,	designam	massa:
o	ferro,	o	níquel,	a	prata,	o	fósforo,	o	oxigênio	etc.
Tais	palavras	 são	usadas	no	plural	quando	empregadas	 em	conotação	 (sentido
figurado)	ou	quando	designam	partes,	divisões,	espécies	de	massa.
É	muito	pobre,	não	tem	níqueis	nem	pratas	(moedas).
E	agora?	Acabaram-se	todos	os	fósforos	(palitosde	fósforo).
Ao	chegar	ao	porto,	o	navio	lançou	ferros	(âncoras).
b)	Os	que	designam	produtos	vegetais	e	animais:
o	vinho,	o	café,	a	manga,	a	laranja,	a	tinta,	o	leite	etc.
Quando	se	trata	de	suas	qualidades	ou	espécies	e	não	do	todo	da	substância	do
produto,	ou	quando	esses	substantivos	são	empregados	em	conotação,	admite-se
o	plural:
Os	vinhos	chilenos	são	de	primeira	qualidade.
Há	cafés	em	várias	esquinas	do	Rio	(lugares	que	vendem	café).
Os	capixabas	produzem	cafés	finos	(tipos	de	café).
Veja	 a	 diferença	 entre	 chupei	 manga,	 derramei	 tinta	 e	 chupei	 mangas	 e
derramei	 tintas.	 No	 primeiro	 caso,	 indicamos	 o	 gênero	 (a	 fruta,	 a	 tinta)	 e	 no
segundo	a	espécie	(mangas	de	vários	tipos,	tintas	várias).
c)	Os	que	expressam	noções	abstratas,	virtudes	e	vícios:
a	leviandade,	a	confiança,	a	liberdade,	a	graça	etc.
Se	essas	palavras	passam	a	indicar	a	prática,	os	atos	de	vício	ou	da	virtude,	são
usadas	no	plural	e,	às	vezes,	assumem	sentido	pejorativo,	como	nestes	exemplos:
						caridade	(amor,	benefício,	bondade)	 						caridades	(atos	de	caridade)	
						confiança	(amizade,	intimidade)	 						confianças	(liberdades)	
						fraqueza	(fragilidade)	 						fraquezas	(misérias,	baixezas)	
						franqueza	(sinceridade)	 						franquezas	(atrevimento)	
						graça	(favor,	dádiva,	mercê)	 						graças	(pilhérias	de	mau	gosto)	
						liberdade	(independência)	 						liberdades	(atrevimento)	
Palavras	há	que,	sem	designar	virtudes	nem	vícios,	assumem	outra	significação
quando	usadas	no	plural:
						o	bem	(o	que	é	bom)	 						os	bens	(as	propriedades)	
						a	honra	(a	estima)	 						as	honras	(cargos,	dignidades)	
						o	zelo	(o	esmero)	 						os	zelos	(os	ciúmes)	
d)	Os	que	designam	artes,	ciências,	sistemas	religiosos,	filosóficos	ou	políticos:
a	filosofia,	a	gramática,	a	democracia,	a	economia	etc.
Em	sentido	conotativo,	podem	ir	para	o	plural:
Hoje,	na	livraria	adquiri	várias	gramáticas	e	direitos.
Esses	 plurais	 têm	 o	 sentido	 de	 livros	 de	 vários	 autores,	 sobre	 Gramática	 e
Direito.
e)	Se	em	sua	redação	você	substantivar	uma	palavra	pertencente	a	qualquer	outra
classe,	flexione	normalmente:
Quanto	ao	meio	ambiente,	são	esses	os	prós	e	os	contras.
Os	quatros	ou	cincos	que	estavam	marcados,	sorriam.
Após	as	perguntas,	ouviam-se	sins	e	nãos	ao	mesmo	tempo.
Os	numerais	dois,	três,	seis	e	dez,	quando	substantivados,	não	admitem	flexão	de
plural.
9.1.1.2.	Substantivos	usados	no	plural	Há	um	grupo	de	 substantivos	que	 são
usados	apenas	no	plural	(pluralia	tantum):
os	afazeres,	os	alforjes,	as	algemas,	os	Alpes,	as	alvíssaras,	os	anais,	os	Andes,	as	Antilhas,	os
Apalaches,	os	Apeninos,	os	apetrechos,	os	arredores,	as	Astúrias,	os	avós	(antepassados),	os
Bálcãs,	 os	bastidores,	 as	belas-artes,	 as	bodas,	os	bofes,	 as	 calendas,	 as	Canárias,	 as	 cãs,	 as
ceroulas,	 as	 cócegas,	 as	 condolências,	 os	 confins,	 as	 costas,	 as	 custas,	 as	 efemérides,	 as
entranhas,	 os	 escombros,	 os	 esponsais,	 os	Estados	Unidos,	 as	 exéquias,	 os	 fastos	 (anais),	 as
fauces,	as	férias,	as	Filipinas,	as	finanças,	as	fezes,	as	hemorróidas,	os	 idos,	as	 letras	(belas-
letras),	as	luvas,	as	matinas	(hora	canônica),	as	nonas	(hora	canônica),	as	núpcias,	os	óculos,	as
olheiras,	 os	 pampas,	 as	 pantalonas,	 os	 parabéns,	 os	 pêsames,	 os	 picles,	 os	 Pirineus,	 os
pósteros,	as	primícias,	os	quefazeres,	as	reticências,	as	suíças	(costeletas),	os	suspensórios,	as
têmporas,	as	vísceras,	os	víveres,	os	xortes.
9.1.1.3.	Plural	dos	nomes	próprios
Em	 regra,	 os	 nomes	 próprios	 não	 deveriam	 flexionar-se;	 no	 entanto,	 aplicados
como	 simples	 nomes	 comuns	 para	 designar	 pessoas	 da	 mesma	 família	 ou
homens	 de	 qualidades	 semelhantes,	 perdem	 o	 caráter	 de	 nomes	 próprios	 e
flexionam-se	no	plural:
Os	Barbosas,	os	Platões,	os	Andradas,	os	Oliveiras,	os	Prados.
Quando	aplicados	como	nomes	comuns	e	houver	 a	preposição	de,	 passam	a
ser	considerados	substantivos	compostos	e	só	o	primeiro	vai	para	o	plural:
Os	Andradas	de	Oliveira,	os	Vieiras	da	Rocha.
Sem	 a	 preposição	 de,	 são	 considerados	 uma	 só	 palavra	 e	 só	 o	 segundo
elemento	vai	para	o	plural:
Os	Andrada	Oliveiras,	os	Almeida	Prados,	os	Vieira	Rochas.
9.1.1.4.	Plural	de	palavras	estrangeiras
As	 palavras	 estrangeiras	 já	 aportuguesadas	 seguem	 as	 regras	 de	 formação	 do
plural	das	palavras	portuguesas:
os	abajures,	os	bifes,	os	cicerones,	os	diletantes,	os	líderes,	os	iates.
Dos	estrangeirismos	graficamente	inadaptáveis	ao	português,	alguns	vão	para
o	plural	com	o	simples	acréscimo	de	s,	e	outros	seguem	as	leis	da	língua	a	que
pertencem:
o	deficit,	os	déficits;	o	habitat,	os	habitats;	o	meeting,	os	meetings.
o	lied,	os	lieder;	a	blitz,	as	blitzen;	o	kibutz,	os	kibutzin;	a	lady,	as	ladies.
9.1.2.	Concordância	nominal
	
a)	 Os	 determinantes	 (artigos,	 adjetivos,	 pronomes,	 numerais)	 concordam	 em
gênero	e	número	com	o	substantivo	a	que	se	referem:
b)	O	predicativo	concorda	com	o	sujeito	ou	com	o	objeto:
9.1.2.1.	Uso	do	adjetivo
Ao	redigir,	fique	atento	para	certos	aspectos	do	adjetivo,	principalmente	quanto
ao	sentido	dado	aos	substantivos.
a)	Posição	do	adjetivo.
A	 colocação	 do	 adjetivo	 antes	 ou	 depois	 de	 um	 substantivo	 pode	 provocar
mudança	de	sentido:
uma	grande	mulher	=	uma	mulher	que	se	destaca.
uma	mulher	grande	=	uma	mulher	forte,	gorda.
um	alto	funcionário	=	um	funcionário	que	exerce	cargo	elevado.
um	funcionário	alto	=	um	funcionário	de	estatura	elevada.
b)	Substantivação	do	adjetivo.
Alguns	 adjetivos	 são	 empregados	 como	 substantivos,	 prescindindo	 do
substantivo	 que	 o	 pode	 acompanhar,	 quando	 tomado	 em	 sentido	 geral	 e
indeterminado.	Nesse	caso,	fica	no	masculino:
O	engraçado	da	tua	história	é	que	ninguém	a	entendeu.
O	alegre	da	notícia	é	que	ninguém	se	acidentou.
O	bom	de	tudo	isso	passou	despercebido	a	vocês.
c)	Adjetivos	uniformes.
Apresentam	 uma	 só	 forma	 para	 acompanhar	 substantivos	 masculinos	 e
femininos.	Geralmente	terminam	em	-a,	-e,	-l,	-m,	-r,	-s,	-z:
conto	lusíad	a	–	história	lusíad	a;	moça	inteligent	e	–	rapaz	inteligent	e;
cavalheiro	genti	l	–	dama	genti	l;	sapato	ruim	escova	rui	m;	trabalho	simple	s
–	cantiga	simple	s;	homem	auda	z	–	mulher	audaz.
Não	são	uniformes	os	seguintes	adjetivos	terminados	em	z,	m	e	l:
andaluz	andaluza;	bom	boa;	chim	china;	espanhol	espanhola.
d)	Adjetivos	biformes:
•	com	flexão	de	gênero,	seguem	as	mesmas	regras	dos	substantivos:
•	os	que	terminam	em	-o	trocam	o	-o	em	-a:
afoito(a),	aplicado(a);	estudioso(a);	sincero(a);	bondoso(a).
•	os	terminados	em	-ês,	-or	e	-u	acrescentam	no	feminino	um	-a:
francês	/	frances	a;	conservador	/	conservador	a;	nu	/	nu	a.
Embora	terminem	em	-ês,	-or	e	-u	–	cortês,	descortês,	montês,	pedrês,	 incolor,
multicor,	 sensabor,	 maior,	 menor,	 pior,	 melhor	 e	 hindu	 –	 são	 uniformes;	 o
adjetivo	mau,	embora	termine	em	-u,	faz	o	feminino	má.
homem	 cortês,	 mulher	 cortês;	 cabra	 montês,	 cabrito	 montês;	 desenho	 multicor,	 folhagem
multicor;	bolo	sensabor,	comida	sensabor;	raio	menor,	risca	menor;	marajá	hindu,	rani	hindu;
sonho	mau,	escrita	má.
•	os	terminados	em	-eu	fazem	o	feminino	em	-eia:
ateu	/	ateia;	europeu	europeia;	hebreu	hebreia.
Não	esqueça:
judeu	judia;	sandeu	sandia;	tabaréu	tabaroa;	réu	ré
e)	Locuções	Adjetivas:
Cuidado	no	uso	de	locuções	adjetivas,	isto	é,	aquelas	expressões	formadas	de
preposição	seguida	de	substantivo	com	valor	de	um	adjetivo,	como:
Ontem	foi	um	dia	de	chuva	(=	chuvoso);
Regina	tem	rosto	de	anjo	(=	angelical);
Agora	temos	uma	nova	seleção	do	Brasil	(=	brasileira);
Ruy	é	um	homem	de	coragem	(=	corajoso);
A	gramática	está	sem	capa	(=	desencapada).
Lembre-se	 de	 que	 para	 a	 maioria	 das	 locuções	 adjetivas	 há	 um	 adjetivo
equivalente,	quase	sempre	na	forma	erudita	e	que	você	poderá	usar:
O	agricultor	utilizou	veneno	de	rato	=	veneno	murino.
Para	 consulta	 e	 pesquisa	 observe	 esta	 série	 de	 locuções	 adjetivas	 seguidas	 de
seus	correspondentes	adjetivos	eruditos:
do	abdômen	=	abdominal;de	abelha	=	apícola;	de	abóbora	=	cucurbitáceo;	de	absolvição	=
absolutória;	de	açúcar	=	sacarino;	de	abutre	=	vulturino;	de	acampamento	militar	=	castrense;
semelhante	a	agulha	=	acicular;	de	águia	=	aquilino;	da	alma	=	anímico;	de	aluno	=	discente;
semelhante	a	ameixa	=	pruniforme;	de	amor	=	erótico;	das	amídalas	=	tonsilar;	de	andorinha	=
hirundino;	de	anel	=	anular;	de	anjo	=	angelical;	de	aranha=	aracnídeo;	de	asno	=	asinino;	de
astro	=	sideral;	de	audição	=	ótico;	de	ave	de	rapina	=	acipitrino;	do	baço	=	esplênico;	do	baixo
ventre	=	alvino;	da	bexiga	=	vesical;	de	bílis	=	biliar;	de	bispo	=	episcopal;	da	boca	=	bucal	ou
oral;	de	bode	=	hircino;	de	boi	=	bovino;	de	borboleta	=	papilionácea;	do	braço	=	braquial;	de
brejo	=	palustre;	de	bronze	=	brônzeo	ou	êneo;	da	cabeça	=	cefálico	ou	capital;	de	cabelo	=
capilar;	de	cabra	=	caprino;	de	caça	=	venatório;	de	caça	com	cães	=	cinegético;	semelhante	a
cacho	=	racemiforme;	do	campo	=	rural	ou	agreste;	de	cana	=	arundináceo;	de	cão	=	canino;
semelhante	 a	 capuz	 =	 cuculiforme;	 de	 carneiro	 =	 arietino;	 de	 cavalo	 =	 equino,	 equestre,
cavalar	 ou	 hípico;	 de	 cegonha	 =	 ciconídeo;	 do	 céu	 =	 celeste;	 da	 cor	 do	 céu	 =	 cerúleo;	 em
chamas	 =	 flamejante;	 de	 chumbo	 =	 plúmbeo;	 da	 chuva	 =	 pluvial	 ou	 chuvoso;	 da	 cidade	 =
citadino	ou	urbano;	de	cinza	=	cinéreo;	de	cobra	=	colubrino	ou	ofídico;	de	cobre	=	cúprico;	de
coelho	=	cunicular;	de	cogumelo	=	fungiforme;	de	coração	=	cardíaco	ou	cordial;	de	coruja	=
estrigídeo;	fundado	nos	costumes	=	consuetudinário;	do	crânio	=	craniano;	de	criança	=	pueril
ou	infantil;	de	dança	=	coreográfico;	do	dedo	=	digital;	de	diamante	=	adamantino;	de	dinheiro
=	 pecuniário;	 do	 Direito	 =	 jurídico;	 do	 eixo	 =	 axial;	 de	 embriaguez	 =	 ébrio;	 de	 enxofre	 =
sulfúrico	 ou	 sulfuroso;	 de	 erva	 =	 herbáceo;	 de	 muitos	 espinhos	 =	 poliacanta;	 de	 esposa	 =
uxoriana;	de	esposo	=	esponsal;	de	esquilo	=	ciurídeo;	do	estômago	=	estomacal	ou	gástrico;
de	 estrela	 =	 estelar;	 de	 fábrica	 =	 fabril;	 da	 face	 =	 facial	 ou	 genal;	 sem	 fé	 =	 incrédulo	 ou
descrente;	de	fantasma	=	espectral	ou	lemural;	de	farelo	=	furfúreo;	de	farinha	=	farináceo;	de
feijão	=	faseolar;	do	fêmur	=	femoral;	de	ferro	=	férreo;	de	fezes	=	fecal;	do	fígado	=	hepático;
de	fogo	=	ígneo;	de	gado	=	pecuário;	de	gafanhoto	=	acrídeo;	de	gaivota	=	larídeo;	de	galinha
=	galináceo;	de	galo	=	alectório;	de	ganso	=	anserino;	da	garganta	=	gutural	ou	jugular;	de	gato
=	 felino	 ou	 felídeo;	 de	 gelo	 =	 glacial;	 de	 gesso	=	 gípseo;	 de	 guerra	 =	 bélico;	 do	 homem	=
humano	ou	 viril;	 da	 idade	=	 etário;	 de	 ilha	=	 insular;	 do	 inverno	=	 hibernal;	 do	 intestino	=
celíaco	 ou	 intestinal;	 de	 irmão	 =	 fraternal	 ou	 fraterno;	 do	 joelho	 =	 genicular;	 do	 lago	 =
lacustre;	de	 leão	=	 leonino;	de	 lebre	=	 leporino;	de	 leite	=	 lácteo;	de	 lesma	=	 limacídea;	de
lobo	=	 lupino;	de	macaco	=	simiesco;	de	macho	=	másculo;	de	madeira	=	 lígneo;	de	mãe	=
materno	ou	maternal;	de	madrasta	=	novercal;	da	manhã	=	matutino	ou	matinal;	de	marfim	=
ebúrneo;	 de	 memória	 =	 mnemônico;	 de	 mestre	 =	 magistral;	 da	 moeda	 =	 numismático	 ou
monetário;	de	monge	=	monacal;	de	morte	=	letal	ou	mortal;	das	nádegas	=	glúteo;	do	nariz	=
nasal;	de	neve	=	níveo;	da	noite	=	noturno;	do	norte	=	setentrional	ou	boreal;	do	olho	=	óptico
ou	ocular;	da	orelha	=	auricular;	do	osso	=	ósseo;	de	ouro	=	áureo;	do	ouvido	=	auditivo;	de
ovelha	=	ovino;	 de	 pai	=	paterno	ou	paternal;	 de	paixão	=	passional;	 de	 pedra	=	pétreo;	 de
peixe	 =	 písceo;	 da	 pele	 =	 epidérmico	 ou	 cutâneo;	 do	 pescoço	 =	 cervical;	 de	 pombo	 =
columbino;	 de	 porco	=	 suíno;	 de	 prata	=	 argênteo	 ou	 argentino;	 de	 professor	=	 docente;	 de
prosa	=	prosaico;	do	pulmão	=	pulmonar;	do	pulso	=	cárpico;	de	pus	=	purulento;	de	queijo	=
caseoso;	de	raio	ou	de	relâmpago	=	fulgural;	de	raposa	=	vulpino;	de	rato	=	murino;	de	rim	=
renal;	de	rio	=	fluvial;	de	rocha	=	rupestre;	de	sabão	=	saponáceo;	de	selo	=	filatélico;	da	selva
=	silvestre;	do	solo	=	telúrico;	de	som	=	fonético;	de	sonho	=	onírico;	do	sul	=	meridional	ou
austral;	da	tarde	=	vespertino;	da	terra	=	terrestre,	telúrico	ou	terreno;	de	terremoto	=	sísmico;
de	 tio	 ou	 tia	 =	 avuncular;.	 de	 touro	 =	 taurino;	 de	 trigo	 =	 tritíceo	 ou	 tritícola;	 de	 umbigo	 =
umbilical;	 da	unha	=	ungueal;	de	vaca	=	vacum;	de	vaso	 sanguíneo	=	vascular;	de	veado	=
cervino	ou	elafiano;	da	veia	=	venoso;	de	vespa	=	vespídeo;	de	víbora	=	viperino;	de	vidro	=
vítreo;	de	vinagre	=	acético;	de	visão	=	óptico;	da	virilha	=	inguinal;	de	vontade	=	volitivo;	da
voz	=	fônico	ou	vocal.
Atenção:	 Muitas	 vezes	 não	 se	 encontra	 um	 adjetivo	 da	 mesma	 família	 de
palavras	 e	 de	 significação	 idêntica	 à	 de	 uma	 locução	 adjetiva,	 como	 nos
exemplos:
camponês	sem	terra;	companheiro	de	turma.
f)	Plural	dos	Adjetivos	Simples	e	Compostos:
Seguem	 as	 mesmas	 regras	 do	 plural	 dos	 substantivos,	 mas	 os	 substantivos
usados	como	adjetivos	ficam	invariáveis.	Veja:
Aquela	é	uma	empresa	laranja.	/	Aquelas	são	empresas	laranja;
Hoje	fui	a	um	comício	monstro.	/	Não	mais	teremos	comícios	monstro.
A	casa	navio	fica	em	Boa	Viagem.	/	As	casas	navio	ficam	em	Boa	Viagem.
Lia	usa	saia	cinza	e	blusa	abacate.	/	Lia	usa	saias	cinza	e	blusas	abacate.
Com	 os	 adjetivos	 compostos,	 só	 o	 último	 elemento	 flexiona-se	 em	 gênero	 e
número:
salas	 médico-cirúrgicas;	 causas	 socioeconômicas;	 sociedades	 cardiovasculares;	 grupos
infanto-juvenis;	cartas	luso-brasileiras.
CUIDADO!
•	Cores	indicadas	com	o	auxílio	de	substantivos	ficam	invariáveis:
sapatos	cinza;	blusas	abacate;	olhos	verde-safira;	camisas	azul-turquesa.
•	São	invariáveis	os	seguintes	adjetivos:
furta-cor,	azul-marinho,	azul-celeste,	ultravioleta	e	locuções	adjetivas	formadas	pela	expressão
cor	+	de:	blusas	cor	de	rosa;	saias	cor	de	açafrão.
•	Variam	nos	dois	 elementos	os	 adjetivos	 surdo-mudo	 e	claro-escuro	 que
fazem:
surdo-mudo/surda-muda,	surdos-mudos/surdas-mudas	e	claros/escuros.
•	Os	adjetivos	pátrios	podem	fazer	referência	a	mais	de	uma	nacionalidade
ou	 região,	 assumindo	 uma	 forma	 composta.	 Nesse	 caso,	 os	 primeiros
elementos	são	reduzidos	numa	forma	erudita,	enquanto	o	último	aparece	em
sua	forma	normal:
O	Itamaraty	divulgou	uma	parceria	entre	o	Japão	e	o	Brasil	=	uma	parceria	nipo-brasileira.
Fez-se	um	acordo	entre	China,	Bélgica	e	França	=	acordo	sino-belgo-francês.
Para	 consulta	 e	 pesquisa,	 veja	 esta	 relação	 de	 formas	 reduzidas	 e	 eruditas	 de
adjetivos	pátrios	de	alguns	países	e	regiões.
9.1.2.2.	Concordância	do	adjetivo
É	necessário,	ao	corrigir	a	sua	redação,	antes	de	passar	a	limpo,	ficar	atento	para
a	concordância	do	adjetivo.	Verifique	as	regras	de	concordância	nominal:	I.	Um
adjetivo	e	mais	de	um	substantivo
a)	Adjetivo	anteposto.
A	concordância	será	feita	de	acordo	com	a	função	sintática	do	adjetivo.
1.	 Sendo	 adjunto	 adnominal,	 concorda	 com	 o	 mais	 próximo
(concordância	atrativa):
2.	 Sendo	 predicativo	 vai,	 de	 preferência,	 para	 o	 plural,	 no	 gênero
predominante.
ou	concorda	com	o	mais	próximo:
b)	Adjetivo	posposto.
A	concordância	depende	do	gênero	e	do	número	dos	substantivos.
1.	Se	os	substantivos	forem	do	mesmo	gênero	no	singular	ou	plural,	o
adjetivo	concorda	com	o	mais	próximo	ou	pode	ir	para	o	plural:
A	coordenadora	estava	com	uma	blusa	e	uma	bolsa	clara.
A	coordenadora	estava	com	uma	blusa	e	uma	bolsa	claras.
A	coordenadora	mostrou	dois	livros	e	um	dicionário	grossos.
A	coordenadora	mostrou	dois	livros	e	um	dicionário	grosso.
2.	 Se	 os	 substantivos	 forem	 de	 gêneros	 diferentes	 no	 singular	 ou
plural,	 o	 adjetivo	 pode	 concordar	 com	 o	mais	 próximo	 ou	 ir	 para	 o
masculino	plural:
A	coordenadora	estava	com	um	casaco	e	uma	blusa	clara.
A	coordenadora	estava	com	um	casaco	e	uma	blusa	claros.
A	coordenadora	mostrou	dois	dicionários	e	duas	enciclopédias	grossas.
A	coordenadora	mostrou	dois	dicionários	e	duas	enciclopédias	grossos.
II.	Um	substantivo	e	maisde	um	adjetivo
1.	Dois	ou	mais	adjetivos	aplicados	a	um	substantivo	ficam	no	singular:
2.	Dois	ou	mais	adjetivos	não	aplicados	simultaneamente,	como	na	frase:
A	bandeira	é	alemã	ou	francesa?	Vê-se	que	os	adjetivos	referem-se	a	bandeiras
diferentes.	Neste	 caso,	 o	 substantivo	 irá	 para	 o	 plural	 e	 os	 adjetivos	 ficam	 no
singular:
Igualmente	 o	 substantivo	 pode	 ficar	 no	 singular,	 usando-se	 artigos	 a	 partir	 do
segundo	adjetivo:
Hastearam	a	bandeira	alemã	e	a	francesa.
9.1.2.3.	Outros	casos	de	concordância	nominal
1.	Agradecido,	obrigado,	grato,	extra,	e	quite
Concordam	com	o	nome	a	que	se	referem:
Estou	quite	com	o	IR	e	eles	também	estão	quites.
A	empresa	paga	hora	extra	a	todos	os	funcionários.
Os	jornais	publicaram	edições	extras.
A	jovem	ficou	grata	quando	ele	disse	obrigado.
As	candidatas	estavam	agradecidas	por	terem	passado.
2.	Anexo,	incluso,	apenso	e	separado
Concordam	com	o	nome	a	que	se	referem:
Seguem	anexos	os	documentos.
A	fotografia	estava	inclusa	na	reportagem.
Enviou	apensos	os	autos	do	inquérito.
Seguem,	separadas,	as	cópias	do	documento.
Observação:	 A	 expressão	 em	 anexo	 em	 frases	 como	 “segue	 em	 anexo	 o
relatório”,	é	rejeitada	pela	maioria	dos	gramáticos	e	deve	ser	evitada.
3.	Bastante,	barato,	longe
Concordam	com	o	nome	a	que	se	referem:
Havia	bastantes	razões	para	ele	zangar-se.
Comprei	camisas	baratas	naquela	feira.
Andou	longes	terras	antes	de	chegar	aqui.
Ficam	invariáveis	quando	se	referem	a	verbos,	adjetivos	ou	advérbios:
Aquelas	secretárias	falam	bastante.
As	três	garotas	são	bastante	simpáticas.
Chegaram	bastante	cedo	para	a	feijoada.
Comprei	barato	as	camisas.
Os	carros	estavam	longe	do	parque.
4.	Cassete,	esporte,	recorde,	monstro
Usadas	como	adjetivo,	ficam	no	singular:
Não	se	usam	mais	fitas	cassete.
Tinha	uma	bela	coleção	de	carros	esporte.
Esse	livro	alcançou	tiragens	recorde.
A	UNE	costumava	fazer	passeatas	monstro.
5.	É	bom,	é	necessário,	é	proibido,	é	talhado,	é	vedado,	é	gostoso
Expressões	desse	tipo	ficam	invariáveis	quando	o	substantivo	a	que	se	referem
não	estiver	determinado	por	substantivo	ou	pronome:
Cerveja	é	bom	para	os	rins.
Entrada	é	proibido	a	estranhos.
Mulher	é	talhado	para	companheira.
Água	mineral	é	gostoso	de	tomar.
Vida	livre	é	necessário	à	saúde.
Bebida	alcoólica	é	vedado	a	menores.
Com	determinantes,	a	concordância	é	obrigatória.
Aquela	cerveja	é	boa	para	os	rins.
A	entrada	é	proibida	a	estranhos.
Esta	mulher	é	talhada	para	companheira.
A	água	mineral	é	gostosa	de	tomar.
Uma	vida	livre	é	necessária	à	saúde.
Toda	bebida	alcoólica	é	vedada	a	menores.
6.	Meio
Indicando	fração,	isto	é,	metade,	concorda	com	o	substantivo	a	que	se	refere.
Não	sou	homem	de	meias	palavras.
A	mim	basta	meia	porção.
Fica	invariável	quando	se	refere	a	adjetivos	e	tem	o	sentido	de	quase:
As	jovens	ficaram	meio	tristes	com	o	fato	(quase	tristes).
7.	Menos,	alerta,	pseudo,	salvo,	obstante
São	palavras	invariáveis.
Jovens	fazem	passeata	e	os	policiais	estão	alerta.
Salvo	os	carecas,	todos	usam	gel.
Ela	é	uma	pseudomédica	e	ele	um	pseudoguia.
É	necessário	menos	“maracutaia”.
Iremos,	não	obstante	as	ordens	em	contrário.
8.	Mesmo	e	Próprio
Concordam	com	o	nome	a	que	se	referem.
As	candidatas	procuram	os	mesmos	direitos	e	as	mesmas	obrigações.
A	própria	coordenadora	supervisionou	a	sala.
Mesmo	fica	invariável	quando	se	refere	a	verbos	ou	denota	inclusão.
Os	garis	exigiram	mesmo	seus	direitos.
Mesmo	as	domésticas	têm	seus	direitos.
9.	Possível
Concorda	com	o	nome	a	que	se	refere.
Fez	todas	as	tentativas	possíveis	para	um	acordo.
Com	 as	 expressões	 superlativas	 o	 mais,	 o	 menos,	 o	 melhor,	 o	 pior,	 fica	 no
singular:
Quero	um	carro	o	mais	barato	possível.
Vai	para	o	plural	com	as	expressões	no	plural:
Eles	têm	os	melhoresmétodos	possíveis.
A	expressão	(o)	quanto	possível	fica	invariável:
Quero	caldos	tão	quentes	quanto	possível.
10.	Só
Significando	 sozinho	 é	 adjetivo	 e	 concorda	 com	 o	 nome	 a	 que	 se	 refere.
Significando	somente	é	advérbio	e	fica	invariável:
Os	meninos	sós	pensam	só	em	aventuras.
A	locução	a	sós	é	invariável:
Quero	uma	conversa	a	sós	com	você.
As	meninas	a	sós	procuravam	o	que	fazer.
11.	Um	e	outro,	um	ou	outro,	nem	um	nem	outro
Com	essas	 expressões	 o	 substantivo	 fica	 no	 singular	 e	 o	 adjetivo	 vai	 para	 o
plural:
9.1.2.4.	Concordância	ideológica
Ocorre	quando	se	faz	a	concordância	com	a	ideia,	com	o	sentido	contido	na	frase
e	não	segundo	as	regras	gramaticais.	Recebe	o	nome	de	silepse	e	é	de	três	tipos:
a)	Silepse	de	Gênero
•	Quando	a	concordância	é	feita	com	o	gênero	gramatical	subentendido:
Gostei	da	bonita	Rio	de	Janeiro	(concordando	com	a	palavra	cidade).
•	 Com	 os	 artigos	 o	 e	 um	 com	 atributivos	 de	 nomes	 femininos	 que	 se
referem	a	pessoas	do	sexo	masculino:
O	besta	do	Joaquim	caiu	na	esparrela.
Firmino	continua	um	banana.
•	Quando	o	pronome	concorda	não	com	o	gênero	da	palavra	expressa,	mas
com	o	sexo	da	pessoa	a	que	a	palavra	se	refere:
Umas	 quatro	 crianças	 de	 oito	 e	 dez	 anos,	 participando	 no	 tráfico,	 o	 que	 é	 lástima	 vê-los.
(concordando	com	a	ideia	de	crianças	do	sexo	masculino)
b)	Silepse	de	Número
•	Quando	se	faz	a	concordância	com	o	número	gramatical	subentendido:
A	 multidão	 dispersou	 e	 saíram	 a	 gritar	 (concordando	 com	 a	 ideia	 de	 pessoas,	 contida	 na
palavra	multidão).
c)	Silepse	de	Pessoa
•	Quando	a	concordância	se	faz	com	a	pessoa	gramatical	subentendida:
Os	cariocas	somos	gentis	(concordando	com	o	pronome	nós).
9.1.3.	Regência	nominal
É	a	relação	de	subordinação	entre	o	nome	e	seus	complementos	estabelecida	por
preposições.
Tal	qual	no	verbo,	o	termo	que	exige	complemento	é	o	regente,	e	o	termo	que
funciona	como	complemento	é	o	regido.
O	 termo	 regido	 de	 preposição	 obrigatória	 que	 completa	 o	 sentido	 de	 um	 nome	 denomina-se
complemento	nominal.
Para	 consulta	 e	 pesquisa	 seguem	 alguns	 nomes	 que	 exigem	 complemento
nominal	e	cuja	regência	pode	suscitar	dúvidas:	9.1.3.1.	Substantivos
Alienado	de	–	Alienado	da	vida,	só	pensa	em	si	e	no	trabalho.
Alusão	a	–	Em	seu	discurso	de	despedida	fez	alusão	a	todos	os	amigos.
Amante	de	–	É	um	grande	amante	do	trabalho	e	da	família.
Amizade	a,	por,	com	–	Tem	uma	terna	amizade	à	pela	com	a	sogra.
Amor	a	ou	por	–	É	digno	de	louvor	o	amor	à	/pela	pátria.
Analogia	com,	entre	–	Não	há	analogia	com	/	entre	os	fatos.
Aversão	a,	para,	por	–	Sentia	uma	tremenda	aversão	a	/	por	jogos.
Capacidade	de,	para	–	Era	elogiosa	sua	capacidade	de	/	para	estudar.
Devoção	a,	para	com,	por	–	Sua	devoção	a	por	para	com	ela	dizia	tudo.
Dúvida	acerca	de	em	sobre	–	Tinha	dúvida	acerca	de	em	sobre	pescaria.
Estímulo	para	–	Seu	trabalho	representa	um	estímulo	para	os	amigos.
Horror	a	–	Suava	frio,	pois	tinha	horror	a	animais	domésticos.
Incitamento	a	–	Seu	discurso	foi	um	incitamento	à	violência.
Inclinação	a,	por,	para	–	Mostrava	inclinação	a	/	por/	para	esportes.
Medo	a,	de	–	Não	foi	à	excursão	apenas	por	medo	a	/	de	precipícios.
Necessidade	de	–	Sua	necessidade	de	encontrar	o	amor	era	patente.
Obediência	a	–	Ali	pedia-se	obediência	a	todas	as	ordens	recebidas.
Ojeriza	 a,	 por	 –	 Demonstrava	 grande	 ojeriza	 a	 /	 por	 legumes	 e	 carne
vermelha.
Respeito	 a,	 com,	 para	 com	 –	 Sempre	 teve	 respeito	 a	 com	 para	 com	 seus
amigos.
Vontade	de	–	Sentia	uma	grande	vontade	de	comer	goiaba.
9.1.3.2.	Adjetivos
Acessível	a	–	É	uma	pessoa	acessível	a	todos.
Acostumado	a,	com	–	Estou	acostumado	a	/	com	essas	coisas.
Adequado	a,	com,	para	–	O	professor	pediu	um	trabalho	adequado	à	matéria.
Adaptado	a	–	Ela	está	adaptada	a	esse	ritmo	de	trabalho.
Afável	a,	com,	para	com	–	Mostra-se	afável	a	com	para	com	estranhos.
Afeiçoado	a,	por	–	Sempre	foi	afeiçoado	à	/	pela	vizinha.
Aflito	com,	por	–	Aflito	com	o	caso	/	por	não	saber	do	caso,	saiu	às	pressas.
Agradável	a	–	É	uma	garota	agradável	a	todos.
Alheio	a	–	É	um	nefelibata.	Vive	alheio	a	tudo.
Análogo	a	–	Este	trabalho	é	análogo	a	outro	que	vi	ontem.
Ansioso	de,	por,	para	–	Ansioso	de	por	para	contaro	caso,	saiu	correndo.
Apaixonado	de,	por	–	Era	apaixonado	das	/	pelas	mulheres.
Apto	a,	para	–	Estava	apto	a	/	para	fazer	o	balancete.
Ávido	de,	por	–	Aquela	era	uma	garota	ávidade	/	por	novidades.
Benéfico	a	–	É	um	remédio	benéfico	a	crianças.
Capaz	de,	para	–	Era	capaz	de	tudo	por	ambição.
Certo	de	–	Estava	certo	de	sua	capacidade	intelectual.
Compatível	com	–	Esta	alimentação	é	compatível	com	sua	dieta.
Compreensível	a	–	Era	um	texto	compreensível	a	todos.
Comum	a,	de	–	Tem-se	aí	um	substantivo	comum	a	/	de	dois.
Constituído	de,	por	–	A	turma	é	constituída	de	/	por	advogados.
Contemporâneo	a,	de	–	Um	modelo	contemporâneo	ao	/	do	Romantismo.
Contíguo	a	–	Seu	barraco	era	contíguo	à	mansão	dos	Sousa.
Contrário	a	–	Sempre	fora	contrário	a	piqueniques.
Cuidadoso	com	–	Marina,	cuidadosa	com	tudo	que	é	seu,	serve	de	exemplo.
Curioso	a,	de,	por	–	É	a	coisa	mais	curiosa	a	/	de	/	por	ser	vista.
Desatento	a	–	Sempre	estava	desatendo	à	explicação	do	professor.
Descontente	com	–	Descontente	com	o	trabalho,	pediu	demissão.
Desejoso	de	–	Sempre	fora	um	homem	desejoso	de	poder.
Desfavorável	a	–	Foi	o	único	desfavorável	ao	proposto.
Diferente	de	–	Trouxe	um	projeto	diferente	de	todos	os	apresentados.
Difícil	de	–	Sua	história	foi	difícil	de	entender.
Digno	de	–	Digno	de	honra	é	Jesus,	o	filho	de	Deus.
Entendido	em	–	Aquele	professor	é	entendido	em	artes	marciais.
Equivalente	a	–	A	quantidade	de	suco	é	equivalente	a	um	litro.
Essencial	para	–	O	que	ele	sabe	é	essencial	para	o	seu	trabalho.
Falho	de,	em	–	Falho	de	/	em	dinheiro,	não	foi	com	ela	ao	motel.
Fanático	por	–	Nunca	vi	menina	tão	fanática	por	cachorro-quente.
Firme	em	–	Firme	em	sua	fé,	acredita	que	logo	será	curada.
Generoso	com	–	Sempre	generoso	com	os	amigos,	é	querido	de	todos.
Imbuído	de,	em	–	Vivia	imbuído	de	/	em	pensamentos	lúdicos.
Incompatível	com	–	O	sonho	é	incompatível	com	a	realidade.
Necessário	a	–	Água	mineral	é	necessário	à	vida.
Nocivo	a	–	Aquele	trabalho	é	nocivo	à	saúde.
Passível	de	–	Todo	texto	é	passível	de	correções.
Propenso	a,	para	–	Estou	propenso	a	/	para	estudar	novamente.
Relacionado	com	–	Seu	projeto	foi	relacionado	com	o	da	outra	turma.
Rico	de,	em	–	Esse	vocabulário	é	rico	de	/	em	verbetes	médicos.
Satisfeito	com	–	Todos	os	candidatos	ficaram	satisfeitos	com	o	resultado.
Seguro	de,	em	–	Seguro	de	/	em	sua	fama,	vivia	orgulhoso.
Semelhante	a	–	Semelhante	a	um	bicho,	devorava	a	comida	catada	no	lixão.
Sensível	a	–	Sempre	foi	sensível	a	solicitações	de	crianças.
Suspeito	de	–	O	vereador,	suspeito	de	corrupção,	foi	preso.
Trespassado	 de	 –	 O	 valente	 legionário	 Sebastião	 morreu	 trespassado	 de
flechas	Transido	de	–	O	garoto	tiritava	transido	de	frio.
Útil	a,	para	–	Este	instrumento	é	útil	a	/	para	nossa	experiência.
Vazio	de	–	Este	saco	está	vazio	de	todo.
Versado	em	–	Xavier	é	versado	em	letras	clássicas.
Visível	a	–	O	horizonte	está	visível	a	toda	observação	Vizinho	a,	de	–	Minha
casa	é	vizinha	à	/	da	sua.
Zangado	com	–	Sempre	estava	zangado	com	o	irmão	9.1.3.3.	Advérbios
Ao	lado	de	–	Era	feliz	ao	lado	da	mulher	amada.
À	direita	de	–	Sentou-se	à	direita	da	irmã.
Debaixo	de	–	Os	cachorrinhos	ficaram	debaixo	da	mesa.
Em	cima	de	–	A	garrafa	de	vinho	ficou	em	cima	da	mesa.
Em	frente	de	–	O	carro	estacionou	em	frente	da	casa.
Longe	de	–	Sentia	imensa	saudade	longe	de	todos	os	parentes	e	amigos.
Perto	de	–	Ficou	nervoso	perto	de	tanta	gente	desconhecida.
Relativamente	a	–	Relativamente	ao	concurso,	tudo	foi	publicado.
Os	advérbios	terminados	em	–mente	seguem	a	regência	dos	adjetivos	de	que
se	 originam:	 análogo	a	 =	 analogamente	a	 compatível	 com	 =	 compativelmente
com	constante	em	=	constantemente	em	contrário	a	=	contrariamente	a	diferente
de	 =	 diferentemente	 de	 essencial	 para	 =	 essencialmente	 para	 favorável	 a	 =
favoravelmente	 a	 generoso	 com	 =	 generosamente	 com	 idêntico	 a	 =
identicamente	 a	 impróprio	 para	 =	 impropriamente	 para	 independente	 de	 =
independentemente	 de	 indiferente	 a	 =	 indiferentemente	 a	 paralelo	 a	 =
paralelamente	 a	 posterior	 a	 =	 posteriormente	 a	 relacionado	 com	 =
relacionadamente	com	relativo	a	=	relativamente	a	9.1.4.	Exercícios
Faça	os	exercícios	a	seguir	e,	enquanto	aprende	um	pouco	mais	sobre	a	regência
verbal,	verifique	a	quantas	anda	o	seu	conhecimento	sobre	a	língua	portuguesa,
essencial	para	quem	escreve.
1.	(FCC/TRT/17ª	Região)	Atentando	para	as	normas	de	regência	verbal	ou
nominal	verifica-se	que	está	correta	somente	a	frase.
a)	Os	 argumentos	 de	 que	 ele	 utilizou	 na	 defesa	 de	 seu	 cliente	mostraram
total	desconhecimento	ao	que	seja	uma	boa	estratégia.
b)	O	ar	de	preocupação	com	que	ele	saiu	indicava	a	gravidade	da	situação
em	que	se	metera	e	da	qual	não	parecia	saber	sair.
c)	 O	 romance	 que	 ele	 fez	 tanta	 propaganda	 não	 me	 entusiasmou	 tanto
quanto	aquele	que	ele	dissera	que	não	gostava.
d)	 São	 frequentes	 as	 vezes	 que	 nos	 deparamos	 com	 problemas	 que	 não
somos	capazes	de	encontrar	uma	solução.
e)	A	forma	que	ele	 respondeu	a	minha	pergunta	deu-me	a	certeza	que	ele
estava	mentindo.
2.	 (Cespe/Sesi/SP)	 As	 opções	 a	 seguir	 apresentam	 trechos	 que	 constituem
um	texto	adaptado	do	jornal	Zero	Hora	(RS)	de	3/2/2008.	Assinale	a	opção
em	que	há	erro	de	regência.
a)	Não	são	apenas	os	trabalhadores	que	ganham	quando	são	contratados	de
acordo	com	a	lei.
b)	 Até	 mesmo	 o	 governo	 se	 beneficia,	 pois,	 quando	 o	 número	 de
contribuintes	 se	 amplia,	 há	 diminuição	 no	 déficit	 da	 previdência	 e	 no	 do
setor	público	de	maneira	geral.
c)	 Quanto	 maior	 a	 quantidade	 para	 trabalhadores	 formais,	 melhor	 será	 a
imagem	 do	 país,	 até	 agora	 muito	 associada	 a	 precariedade	 na	 área
trabalhista.
d)	 Ainda	 assim,	 os	 avanços	 na	 área	 trabalhista	 não	 dependem	 apenas	 de
crescimento	 econômico.	O	 país	 precisa	 também	de	menos	 regulação	 e	 de
menos	custos	nas	contratações.
3.	 (FDRH/Escrivão)	 Assinale	 a	 alternativa	 em	 que	 o	 significado	 do	 verbo
apontado	entre	parênteses	não	corresponde	à	sua	regência.
a)	Com	sua	postura	séria,	o	diretor	assistia	todos	os	servidores	da	repartição
(ajudar).
b)	 No	 grande	 auditório	 os	 policiais	 assistiram	 à	 conferência	 do	 delegado
(ver).
c)	Esta	é	uma	medida	que	assiste	aos	delegados	e	investigadores	(caber).
d)	Investigadores	gaúchos	assistem	no	Rio,	durante	seis	meses	(observar).
e)	 Uma	 equipe	 desta	 delegacia	 vai	 assistir	 os	 meninos	 de	 rua	 (dar
assistência).
4.	(Esag/TRE/PR)	Assinale	a	alternativa	que	apresenta	ERRO	de	regência,
segundo	a	norma	culta	padrão	da	língua.
a)	A	 tragédia	 na	Ásia,	 que	 assisti	 pela	 televisão,	 implicou	 em	 numerosas
mortes	de	turistas	e	nativos.
b)	Jamais	poderemos	nos	esquecer	do	 tsunami,	o	cataclismo	que	deslocou
ilhas	inteiras	e	engoliu	outras,	para	sempre.
c)	 Prefiro	 viajar	 pelo	 Brasil	 a	 aventurar-me	 por	 terras	 desconhecidas,
sujeitas	a	intempéries.
d)	 Moro	 em	 Curitiba,	 na	 rua	 Salomão	 Guellmann,	 longe	 de	 furacões	 e
terremotos.
e)	A	televisão	informou	o	mundo	inteiro	sobre	a	passagem	do	tsunami.
5.	 (Sintec/Escrivão/PCSC)	Assinale	 a	 alternativa	 que	 apresenta	 um	desvio
em	relação	à	regência	verbal.
a)	Simpatizei	com	toda	a	diretoria	e	com	as	novas	orientações.
b)	Há	alguns	dos	nossos	diretores	com	os	quais	não	simpatizamos.
c)	Somente	o	tesoureiro	antipatizou	com	a	nova	diretoria.
d)	Eles	ficaram	a	sós	porque	antipatizaram	com	o	chefe.
e)	A	firma	toda	não	se	simpatizou	com	a	atitude	deles.
6.	 (FAURGS/MPE/RS)	 Assinale	 a	 alternativa	 em	 que	 está	 incorreta	 a
regência	verbal.
a)	Vimos	convidá-lo	para	a	solenidade	de	posse.
b)	Pergunte	se	quer	que	o	auxiliemos	no	estudo.
c)	Vamos	proceder	a	um	profundo	estudo	sobre	o	tema.
d)	Não	o	quero	enganar,	senhor,	mas	ele	será	condenado.
e)	Não	aprovo	assistir	a	cenas	de	violência	na	televisão.
7.	 (Ipad/Magistério)	 Indique	 a	 alternativa	 incorreta	 quanto	 à	 regência
nominal.
a)	 Acompanhada	 da	 diretora,	 a	 professora	 de	 inglês	 entrou	 para	 atuar	 na
sexta	série.
b)	Ela	viu-se	forçada	a	pedir	mais	tempo	para

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