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8. Modelo de plano de contas na atividade rural Um plano de contas é basicamente um instrumento que organiza todas as transações financeiras de uma empresa, agrupando-as em categorias para facilitar o registro e a análise, bem como a comunicação da entidade com os diversos usuários da informação contábil, como administradores, investidores, agentes financeiros, clientes e fornecedores, fisco, etc (Crepaldi, 2019). Na atividade rural, ele é adaptado para incluir todas as transações financeiras relacionadas à agricultura, pecuária ou outras atividades agrícolas. Por exemplo, pode ter contas específicas para despesas com insumos agrícolas, maquinário, mão de obra rural, vendas de produtos agrícolas, entre outras. Essa organização é fundamental para que a empresa ou o produtor rural tenha uma visão clara de sua situação financeira e possa tomar decisões estratégicas com base em informações precisas e atualizadas. A existência de um plano de contas é fundamental para organização de qualquer sistema contábil eficiente, pois, ao registrar as transações financeiras de forma metódica e padronizada, ele simplifica a análise financeira, facilita o acompanhamento do desempenho empresarial e possibilita uma tomada de decisão mais informada e estratégica (Crepaldi, 2022). Já a sua ausência pode dar margem a improvisações que podem gerar diversos problemas, como: inconsistências nos registros contábeis, dificuldades na identificação de erros ou fraudes, falta de clareza na demonstração do resultado financeiro da empresa, e até mesmo problemas legais e fiscais decorrentes da falta de documentação adequada. Para elaborá-lo, primeiramente, é preciso ter conhecimento sobre a: natureza e o ramo da entidade sobre a qual ele versará. Dados como forma jurídica da entidade, ramo de atividade, sistema de operações, volume de negócios e exigências legais são indispensáveis nesse momento (Crepaldi, 2019). Após coletadas tais informações, pode-se partir para a construção do plano, o qual, de acordo com Crepaldi (2019) deve conter os seguintes elementos: elenco das contas, função atribuída a cada conta e a forma do seu funcionamento (quando deve ser creditada e quando deve ser debitada). É importante salientar que, a despeito das peculiaridades relacionadas à atividade rural, algumas contas não apresentam muitas diferenças entre o que seria disposto em um plano de contas de uma empresa industrial ou comercial, como por exemplo: disponível ou duplicatas a receber. Isso porque elas não apresentam variações significativas de uma atividade para outra (Marion, 2020). Desse modo, pode-se entender que a construção de um plano de contas para empresas rurais parte dos mesmos pontos que planos aplicados a outros setores. Entretanto, há grupos de contas ou contas que apresentam sim peculiaridades significativas em se tratando de atividades rurais. Dentre essas, Marion (2020) destaca, dentre as que fazem parte do balanço patrimonial, - o grupo “Estoque”, na agricultura, recebe roupagem especial por conta das culturas temporárias, e - o “Imobilizado”, por causa das culturas permanentes. Já na Demonstração do Resultado do Exercício, exigem atenção especial os itens “Receita” e “Custos de produção”. Com relação ao “Estoque”, há algumas diferenças fundamentais. A conta que tradicionalmente seria denominada “Matéria-prima”, em se tratando de uma indústria, na empresa agrícola, é denominada de “insumos” e abrange os produtos que compõem a cultura, como sementes, adubos, inseticidas. A conta “Produto em elaboração, na indústria, pode ser chamada “Colheita em andamento” ou “Cultura temporária”, na atividade rural. Quanto ao grupo de contas "Imobilizado", as particularidades das atividades rurais demandam classificações distintas daquelas encontradas em planos de contas de outros setores (Marion, 2022). Um exemplo disso é que, enquanto empresas industriais/comerciais podem possuir imobilizado composto por equipamentos de produção, máquinas, veículos de transporte e instalações industriais, uma empresa agropecuária pode ter imobilizado composto por terras agrícolas, instalações para criação de animais, máquinas agrícolas, equipamentos para ordenha, sistemas de irrigação, entre outros. A respeito das diferenças nos registros das “Receitas” e dos “Custos de produção” de empresas rurais dizem respeito às peculiaridades das atividades agropecuárias, que envolvem um complexo processo desde a sua produção até a chegada aos consumidores (Araújo, 2022). Fatores sazonais, como o momento da colheita e a volatilidade dos preços das commodities, podem influenciar as receitas, enquanto os custos de produção podem variar com base no ciclo de vida das culturas e na utilização de insumos sazonais. Após compreender algumas nuances entre um plano de contas direcionado para o setor industrial/comercial e aquele voltado para o setor agropecuário, é possível iniciar o processo de elaboração do plano contábil, conforme as diretrizes estabelecidas na legislação e nos principais manuais de contabilidade rural. Para isso, é essencial seguir a estrutura básica do plano de contas, que se inicia com os grupos de contas inseridos no ativo circulante, representando os recursos e direitos de curto prazo da empresa agrícola. Esses podem incluir itens como estoques de produtos agrícolas, insumos, contas a receber e outros ativos de rápida conversão em dinheiro. Em seguida, são delineados os grupos pertencentes ao ativo não circulante, abrangendo os recursos e direitos de longo prazo, como imobilizado, investimentos e outros ativos de natureza permanente. Posteriormente, são apresentados os grupos inseridos no passivo circulante, que englobam as obrigações de curto prazo da empresa, como fornecedores, empréstimos e outras dívidas com vencimento em até um ano. Logo após, são detalhados os grupos relacionados ao passivo não circulante, que representam as obrigações de longo prazo, tais como financiamentos, debêntures e outras dívidas com prazo de vencimento superior a um ano. Finalmente, no encerramento do plano contábil, são apresentadas as informações contidas nos grupos de "Receitas" e "Despesas", conforme exigido pela Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Esses grupos refletem as receitas e despesas operacionais, financeiras e extraordinárias da empresa agropecuária ao longo do período contábil. Em síntese, o plano de contas na atividade rural desempenha um papel crucial na organização financeira e na tomada de decisões estratégicas. Ao categorizar as transações de forma meticulosa e adaptada às especificidades do setor agrícola, ele oferece uma visão abrangente da saúde financeira da empresa ou do produtor rural. Através da estruturação cuidadosa dos grupos de contas, que abrangem desde o ativo circulante até as receitas e despesas, o plano de contas possibilita uma gestão mais eficiente e uma análise precisa do desempenho econômico da atividade rural. Portanto, sua elaboração seguindo as diretrizes legais e as peculiaridades do ramo é essencial para garantir uma contabilidade confiável e uma administração eficaz dos recursos. Fontes: Araújo, M. J. (2022) Fundamentos de agronegócio (6ª ed.). Barueri: Atlas. Crepaldi, S. A. (2019) Contabilidade rural (9. ed.). São Paulo: Atlas. Marion, J. C. (2020). Contabilidade rural: agrícola, pecuária e imposto de renda (15. Ed). São Paulo: Atlas.