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0 1 Apostila de patologia clínica feita por @hadadvet EXAMES PARASITOLÓGICOS Parasitologia - Vários sistemas acometidos - Vários tipos de materiais biológicos - Amostras frescas (24h) - Identificação correta das amostras - Cuidados com proteção individual e ambiental (risco biológico) ECTOPARASITAS Raspados de pele, fita adesiva, aspiração e escovação HEMOPARASITAS Pesquisa direta em esfregaços sanguíneos, PCR e sorologia PARASITAS DO SIST. DIGESTIVO E OUTROS Exame de fezes PARASITOLÓGICO DE FEZES - COLETA DE AMOSTRAS O diagnóstico normalmente envolve a identificação de ovos, oocistos, larvas, segmentos (proglotes) e vermes adultos. Amostras frescas Amostras que não serão examinadas logo após a coleta devem ser refrigeradas: 2 a 8oC por até 48hrs M.I.F – mercúrio, iodo e formol – coleta por até 3 dias consecutivos Nas amostras velhas, a aparência dos ovos, oocistos e outros estágios podem estra alterados em função do desenvolvimento do parasita COLETA DE AMOSTRA – PEQUENOS ANIMAIS Tutor coleta a amostra Coleta no consultório (diretamente no reto) - Dedo enluvado - Alça de coleta (exame direto) COLETA DE AMOSTRAS – GRANDES ANIMAIS Coleta individual: direto no reto Coleta coletiva: pool de rebanho (animais que vivem juntos) ACONDICIONAENTO DAS AMOSTRAS DE FEZES Qualquer recipiente limpo e de fechamento hermético IDENTIFICAÇÃO DAS AMOSTRAS Nome do paciente Nome do tutor Médico responsável Data e hora da coleta AVALIAÇÃO DAS AMOSTRAS NAS FEZES Sinais clínicos-> suspeita clínica (direcionamento na escolha do teste) Avaliação das fezes sempre começa com exame macroscópico da amostra 1. Forma e consistência 2. Cor (amarelada/enegrecida/avermelhada/esbranq uiçada) 3. Odor 4. Elementos anormais: sangue, muco, parasitas adultos, corpos estranhos e alimentos não digeridos EXAME MICROSCÓPICO MÉTODOS QUALITATIVOS: MÉTODO DIRETO - 2 a 5 gramas de fezes - Água ou soro - Lâminas e lamínulas - Vantagens: simples, rápido, fácil execução 3 - Pouco preciso, pois não concentra os ovos e/ou oocistos - Difícil visualização “sujidades” MÉTODO DE FLUTUAÇÃO (WILLIS) - 2 a 5 gramas de fezes - Solução hipersaturada - Copo descartável e gaze - Tubos de ensaio, lâminas e lamínulas - Vantagens: simples, relativamente rápido, fácil execução; - Desvantagens: preparação errônea das soluções hipersaturadas – danifica as estruturas parasitárias MÉTODO DE SEDIMENTAÇÃO (HOFFMAN) - 2 a 5 gramas de fezes - Água - Copo descartável e gaze - Copo tipo cálice, lâminas e lamínulas - Vantagens: simples, fácil execução - Maior tempo de execução da técnica (24 horas) MÉTODO DE FAUST - 2 a 5 gramas de fezes - Sulfato de zinco 33% - Copo descartável e gaze -Tubos de ensaio, lâminas e lamínulas - Centrífuga - Vantagens: boa efetividade – associação das técnicas de flutuação e sedimentação - Custo com equipamentos, treinamento – difícil - execução MÉTODO DE BAERMAN - Indicação: vermes pulmonares – gravidade, motilidade e termotropismo Dictyocaulus viviparus - Vantagens: alta especificidade - Desvantagens: maior tempo de execução técnica limitada / específica coleta adequada - 5 a 15 gramas de fezes - Água morna - Peneira ou coador - Aparelho de Baermann COPROANTÍGENOS (SNAP, ELISA, PCR) - Vantagens: elevadas sensibilidade e especificidade - Desvantagens: custo elevado, tempo execução MÉTODOS QUANTITATIVOS - Ovos por grama de fezes (OPG) - oocistos POR GRAMA DE FEZES (OOPG) OVOS/OOCISTOS POR GRAMA DE FEZES (OPG/OOPG) - 1g fezes / 15 ml água - Solução hipersaturada - Câmara de mc master OVOS POR GRAMA DE FEZES (OPG) - Contagem de ovos x patogenicidade x helmintos - Animais jovens x adultos (sensibilidade parasitismo) - - Animais sadios x animais doentes EXAME QUÍMICO: Gordura Coloração de SUDAM III CORPOANTÍGENOS: SNAP/ELISA/PCR - Vantagens: alta sensibilidade e especificidade - desvantagens: custo elevado e tempo de execução EXAMES CITOLÓGICOS CITOLOGIA Propósito primário: diferenciar inflamação de neoplasia Avalia tipo e a quantidade de células presentes numa lâmina devidamente preparada e corada Agentes infecciosos (fungos, bactérias e protozoários) - Diagnóstico rápido para o clínico - Amostras facilmente obtidas - Exame realizado sem a necessidade de equipamentos especiais - Pode preceder outros exames mais invasivos para determinar o diagnóstico, tratamento e prognóstico do paciente. HISTOPATOLOGIA Propósito primário: Avaliar a arquitetura tecidual – parênquima e estoma Patologista veterinário - Coleta invasiva: biópsia - O preparo da amostra requer diversas etapas e equipamentos complexos - Fixação – desidratação – diafanização – inclusão – microtomia – coloração AVALIAÇÃO CITOLÓGICA EM MICROSCÓPIO DE LUZ Avaliação sistemática: 4 ✓ Pequeno e médio aumentos: celularidade e composição da amostra, bem como presença de clusters de células, parasitas, cristais e hifas. ✓ Grande aumento e imersão: análise individual das células. • Tipo celular predominante • Observar e quantificar qualquer alteração morfológica presente • Observar a presença de agentes infecciosos • Critérios nucleares e citoplasmáticos de malignidade, quando presentes ❖ O laudo deve indicar os tipos celulares presentes, sua aparência e proporções relativas ❖ Atribuição do patologista veterinário INFLAMAÇÃO Supurativa (purulenta): > 85% de neutrófilos Granulomatosa e piogranulomatosa: 15% ou mais de macrófagos Eosinofílica: 10% ou mais de eosinófilos (infecções parasitárias e neoplasias) Degeneração e morte celular: picnose (núcleo condensado), cariorrex (núcleo fragmentado) e cariólise (núcleo desaparece) Material fagocitado: - Bactérias (séptico) -Eritrócitos (hemorragias) - Parasitas - Fungos NEOPLASIA Diferentemente da inflamação, amostras neoplásicas geralmente contém populações celulares homogêneas de um único tipo celular, de uma mesma origem. Benigna: hiperplasia sem critérios de malignidade (células do mesmo tipo e com aparência relativamente uniforme) Maligna: células que apresentam pelo menos 3 configurações nucleares anormais são identificadas como malignas Critérios nucleares de malignidade: • Anisocariose • Pleomorfismo • Proporção núcleo citoplasma aumentada ou variável entre as células • Aumento da atividade mitótica • Cromatina granulosa • Deformação nuclear • Células multinucleadas • Nucléolos em número aumentado e de formas variadas COMO FAZER A CITOLOGIA? Coleta e processamento de amostras para citologia 1. Citologia esfoliativa Estudo das células que naturalmente se descamam das superfícies corporais. • Fluidos corporais: - Líquor - Líquido peritoneal - Líquido pleural - Líquido sinovial • Secreções: - Sêmen - Leite - Líquido prostático • Superfícies mucosas: - Vagina - Traqueia 2. Swabs • Material: swabs estéreis, lâminas e porta lâminas. • Indicados para tratos fistulosos, ouvidos e canal vaginal. • Umedecer o swab em salina estéril: - minimiza o dano celular durante a coleta - desnecessário em lesões úmidas • Após a coleta, o swab deve ser gentilmente rolado sobre a superfície da lâmina. - Esfregar o swab sobre a lâmina causa excessivo dano celular 3. Raspados • Material: lâminas de bisturi e óleo mineral. • Indicados para pesquisa de ectoparasitas e para a coleta de células de lesões superficiais firmes e pouco esfoliativas. 5 • Desvantagem: raspados de lesões superficiais refletem apenas infecções bacterianas secundárias oudisplasias teciduais induzidas pela inflamação, as quais podem obscurecer e mascarar o diagnóstico base, principalmente no caso de neoplasias 4. Imprints • Material: lâminas de vidro e porta-lâminas. • Indicados para coleta de material de lesões externas. • São fáceis de coletar mas fornecem uma quantidade menor de células e normalmente contém bastante contaminação (debris celulares e bactérias) • Como resultado, os imprints de superfície apenas refletem infecções bacterianas secundárias ou displasias teciduais induzidas pela inflamação, as quais podem obscurecer e mascarar o diagnóstico base, principalmente no caso de neoplasias. - Nota 1: Lesões sanguinolentas devem ser limpas com material absorvente, uma vez que o sangue dificulta a adesão das demais células na lâmina, produzindo um material pobre para análise. - Nota 2: Múltiplos pequenos imprints podem ser feitos em uma mesma lâmina. – Nota 3: Sempre que puder, faça lâminas adicionais que poderão ser utilizadas para colorações especiais, caso necessário. 5. Biópsia com agulha fina: PAF e PAAF • Biópsias com agulha fina podem ser coletadas de diversos locais: ➢ Lesões superficiais, massas e lesões nodulares, linfonodos e órgãos internos • Geralmente a quantidade de células coletadas é menor, porém trata-se de uma população celular mais significativa quanto ao diagnóstico base (material mais “limpo”). • Podem ser utilizados os métodos com ou sem aspiração: ➢ PAAF: punção aspirativa com agulha fina ➢ PAF: punção com agulha fina Preparo do local: • Se há necessidade de testes microbiológicos ou se uma cavidade corporal será penetrada durante a coleta, antissepsia cirúrgica deve ser feita. • Nas demais situações é suficiente a limpeza com álcool 70%. Material: • Agulha 21 a 25 e seringa de 3 a 20 mL (10 mL) ➢ Quanto mais macia a lesão, mais fina deve ser a agulha e menor a seringa ➢ Agulhas maiores que 21 não devem ser utilizadas pois coletam poucas células livres e tendem a causar mais hemorragias Mais simples que o procedimento anterior 1. Segurar a massa firmemente para ajudar na penetração da pele e da massa e também para controlar a direção da agulha. 2. Introduzir a agulha (22) na lesão. Movimentar agulha rapidamente para cima e para baixo 5 a 6 vezes ao longo do mesmo percurso (as células são coletadas por capilaridade). 3. Remover a agulha da massa e conecta-la a uma seringa de 10 mL cheia de ar. 4. Expelir o material sobre uma lâmina de vidro apertando rapidamente o êmbolo da seringa. 5. Através da PAF geralmente se consegue material para confeccionar uma lâmina. 6. Repetir o procedimento duas ou três vezes em diferentes locais da lesão para garantir uma quantidade adequada de material para análise. 6. Centeses • A centese refere-se à introdução de uma agulha dentro de qualquer cavidade ou órgão com o propósito de remover fluidos. 6 • Abdominocenteses (paracentese), toracocenteses e cistocenteses são frequentes na clínica de pequenos animais. • A coleta de amostras para citologia também pode ser feita da coluna espinhal, articulações (artrocenteses) e do olho. Anestesia geral é necessária para a coleta de líquor (LCR), fluido sinovial, humor vítreo e aquoso. PREPARO DAS LÂMINAS • Fixação e coloração: ➢ A fixação garante preparados de alta qualidade. ➢ Fixadores: ar / metanol 95% (fresco) – por no mínimo 2 a 5 minutos – etapa 1 dos Kits rápidos. • Colorações: ➢ Tipo Romanowsky (Wright’s, Giemsa, Kit’s rápidos) - Excelentes corantes para microrganismos e células - Permite a diferenciação entre inflamação e neoplasia, bem como a avaliação das células neoplásicas na busca de evidencias citológicas do seu potencial de malignidade (critérios de malignidade) - Não coram os grânulos dos mastócitos, que podem ser confundidos com macrófagos. ➢ Ao enviar amostras de citologia a um patologista veterinário, o mesmo deve ser contatado anteriormente ao procedimento de coleta, para que fiquem definidos detalhes como: - Número de lâminas e procedimentos de fixação e coloração. ➢ De maneira geral, recomenda-se: - 2 ou 3 lâminas secas ao ar (1 lâmina para pequenas amostras) - Identificação com lápis ou caneta resistente ao álcool. - Esfregaços de amostras líquidas devem ser feitos imediatamente após a coleta - PORTA-LÂMINAS são fundamentais!!! - Amostras secas ao ar NÃO devem ser enviadas junto com tubos que contém formol Hematologia HEMATOPOIESE, COLETA E MANUSEIO DE AMOSTRAS PARA O HEMOGRAMA Hemograma Análises quantitativas e qualitativas dos elementos celulares do sangue Indicado: Procedimento de triagem para avaliação de saúde geral Alterações inespecíficas Exceções: - Blastos – leucemia (?) -> mielograma - Hemoparasitas COLETA Sangue total = sangue = anticoagulante 7 Consequências: - hemólise - coagulação do sangue - alteração dos componentes sanguíneos – lipemia HEMATOPOIESE Processo de produção de células sanguíneas e plaquetas. - ERITROPOIESE - LEUCOPOIESE - TROMBOPOIESE Medula óssea vermelha – tecido mieloide. Hematopoiese pré natal: fígado, baço, timo e medula óssea vermelha Pós natal - Sítio primário de produção de células sanguíneas: medula óssea vermelha Estímulos: mediadores químicos CITOCINAS: mais de 24 tipos relatados • Precursor comum: HSC’s (Hematopoietic Stem Cell) – Hemocitoblasto ➢ Célula tronco pluripotente • O hemocitoblasto dá origem às células progenitoras: Mieloide (MSC) e Linfoide (LSC) • Diferenciação subsequente: comprometimento com os tipos celulares específicos ➢ UFC’s: Unidades formadoras de colônias 8 ERITRÓCITOS OU HEMÁCIAS (GLÓBULOS VERMELHOS) - HEMOGLOBINA – O2 - Hematopoiese X hemocaterese (bilirrubina) 9 ANÁLISES QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS DA SÉRIE VERMELHA 1. Número de hemácias (Hm) - Contagem automatizada - Contagem manual em câmara de NEUBAUER 10 2. Dosagem de hemoglobina (Hb) - A hemoglobina é composta por uma porção proteica denominada de globina (duas cadeias α e duas β) e grupos heme, que contém o ferro. - Hemácias maduras apresentam cerca de 30% do volume do citoplasma ocupado por moléculas de hemoglobina 3. Hematócrito (Hct) - Porcentagem de hemácias em um dado volume de sangue - Micro hematócrito - O sobrenadante pode ser utilizado para a inspeção do plasma e para dosagem de proteínas plasmáticas em refratômetro HEMÁCIAS MICROCÍTICAS E NORMOCRÔMICAS - Indica a quantidade média de hemoglobina de cada hemácia - Expresso em picogramas (10-15 g) - Hipocromia - Normocromia - Hipercromia (*) - Indica a concentração de hemoglobina em cada hemácia 11 - Expresso em gramas por decilitro ou % - Hipocromia - Normocromia - Hipercromia (hemólise) Avaliação em lâmina: Qualitativa: presente / ausente Semiquantitativa: discreta/moderada/severa (+/++/+++) Observar variações: 1. No arranjo celular 1.1 Roleaux: ➢ Formação “em colunas” ➢ Associação com fibrinogênio e globulinas ➢ Pode estar presente no sangue de equinos, felinos e suínos sadios ➢ Artefato – sangue refrigerado ou sangue armazenado por mais tempo 1.2 Auto aglutinação ➢ Doenças imunomediadas (presença de anticorpos aderidos à superfície das hemácias que levam à aglutinação das células) ➢ Deve ser diferenciada do rouleaux (observação + teste da solução salina) 2. No tamanho das células 2.1 Microcitose: ➢ Quase sempre resultado da deficiência de ferro 2.2 Macrocitose: ➢ Presença de eritrócitos policromatófilos (reticulócitos)2.2 Anisocitose: ➢ Variação no tamanho das hemácias ➢ Pode indicar a presença de macrócitos (VCM aumentado), micrócitos (VCM diminuído) ou ambos (VCM normal) ➢ RDW: Índice de anisocitose 3. Na coloração celular 3.1 Hipocromia (hipocromasia): ➢ Quantidade insuficiente de hemoglobina no interior das hemácias ➢ Região central ainda mais pálida (aumento gradual) ➢ Quase sempre resultado da deficiência de ferro ➢ Macrócitos podem parecer hipocrômicos devido ao seu maior diâmetro 3.2 Normocromia 3.3 Hipercromia (hipercromasia): ➢ Células que parecem estar mais coradas, dando a falsa impressão de que têm mais hemoglobina que o normal, o que na realidade não pode ocorrer devido ao limite da capacidade de produção 3.4 Policromatofilia (policromasia): ➢ Presença de reticulócitos (hemácias que se apresentam levemente azuladas nas colorações do tipo Romanowsky), sendo portando células jovens ➢ Quando coradas com novo azul de metileno essas células são denominadas de reticulócitos(Contagem de reticulócitos - quantificação) 12 4. Na morfologia celular 4.1 Poiquilocitoses: ➢ Presença de hemácias com formas anormais ➢ Termo pouco útil, uma vez que engloba diversas formas anormais ➢ Deve ser utilizado somente quando as alterações não puderem ser identificadas por termos mais específicos a) Esquisócitos (Esquistócitos): ➢ São fragmentos de hemácias gerados por traumas intravasculares ➢ Podem ser associados a: - CID, quando as hemácias são “quebradas” pela fibrina polimerizada - Neoplasias vasculares (hemangiossarcoma) - Vasculites - Deficiência de ferro severa b) Acantócitos: ➢ Células de formato irregular, espiculadas, com projeções desiguais e desuniformes ➢ Podem ser observados em: - Distúrbios do metabolismo lipídico (ex: lipidose hepática em felinos) - Hemangiossarcomas c) Equinócitos (hemácias crenadas): ➢ Células espiculadas também, porém com projeções numerosas e curtas ➢ Artefato de técnica - demora na secagem, excesso de EDTA ou sangue “velho” ➢ Podem ser observados também: - Em suínos saudáveis - Em cães com doença renal, linfossarcoma, após quimioterapia e envenenamentos por acidente ofídico d) Queratócitos: ➢ Células em forma de “capacete”, que parecem ter um vacúolo. ➢ Podem ser associadas a: - Hemangiossarcoma, outras neoplasias, glomerulonefrite e doenças hepáticas - Anemias severas e) Esferócitos: ➢ Células fortemente coradas com perda da palidez central ➢ Apresentam uma redução da área de superfície da membrana plasmática devido a fagocitose parcial (anticorpos anti-eritrocitários) – VCM normal ➢ Sugere destruição imunomediadas de hemácias (anemia hemolítica) ➢ Podem ser vistas também: - Após transfusão de sangue incompatível - Acidente ofídico e outras f) Codócitos (hemácias em alvo): 13 ➢ Aumento relativo da área de membrana em relação ao volume da célula ➢ Quando parecem dobradas sobre si mesmas essas células são denominadas de estomatócitos ➢ Podem ser associadas a: - Anemia severa - Doenças hepáticas - Doenças renais g) Excentrócitos: ➢ Aparentam ter a hemoglobina concentrada em um dos lados da célula ➢ Podem ser associadas a: - Cetoacidose diabética - Intoxicação por agentes oxidantes como cebola, alho e acetaminofen - Babesiose h) Dacriócitos: ➢ Hemácias em forma de lágrima ➢ Podem ser associados a: - Doenças mieloproliferativas - Deficiência de ferro - Artefatos de técnica 4.2 Inclusões a) Corpúsculos de Howell-Jolly: ➢ Remanescentes basofílicos do núcleo ➢ Visualizados durante respostas a anemias (regenerativas) ➢ Ao passar pelo baço, esses fragmentos são removidos b) Corpúsculos de Heinz: ➢ Estruturas arredondadas e pálidas formadas pela desnaturação da hemoglobina (agentes oxidantes) ➢ Normal em 5% das hemácias dos gatos ➢ Podem estar aumentados nos gatos com: - Linfossarcoma - Hipertireoidismo - Diabetes mellitus c) Corpúsculos de Lentz: ➢ Degeneração hialina pelo acúmulo de partículas virais ➢ Patognomônico da cinomose d) Hemácias nucleadas: ➢ Liberação de hemácias jovens pela medula óssea nas anemias regenerativas 14 ➢ São contadas como leucócitos pelos contadores automatizados ➢ Aves e répteis possuam hemácias nucleadas 4.3 Hemoparasitas Testes hematológicos adicionais - Contagem de reticulócitos - Mielograma LEUCOGRAMA ANÁLISES QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS DA SÉRIE BRANCA Leucócitos Glóbulos brancos (Neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos) Elementos de defesa Leucograma: - Análises quantitativas - Análises qualitativas Os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e monócitos presentes no sangue em trânsito da medula para os tecidos onde exercem funções Os linfócitos, entretanto, refletem as alterações na cinética de recirculação e distribuição entre o sangue e os órgãos linfoides. Na medula, as células são distribuídas no pool de produção, pool de maturação e pool de reserva No sangue, as células são distribuídas no pool circulante e o pool marginal As coletas trazem apenas células do pool circulante 15 I. Análises quantitativas de leucócitos 1. Contagem global de leucócitos -> Câmara de Neubauer e automatizada A contagem automatizada fornece resultados mais acurados do que a contagem manual Todas as células nucleadas presentes na amostra são incluídas na contagem global, inclusive hemácias nucleadas A presença de hemácias nucleadas na amostra deverá ser identificada no exame do esfregaço sanguíneo e o número de hemácias nucleadas/100 leucócitos deverá ser anotada para a correção do valor da contagem global, através do seguinte cálculo: O aumento do número total de leucócitos é denominado de leucocitose. Entretanto, na maioria das vezes o aumento do número de neutrófilos (neutrofilia) é o responsável pela leucocitose, uma vez que esse é o tipo celular mais abundante entre os glóbulos brancos circulantes A diminuição do número total de leucócitos é denominada de leucopenia. Na maioria dos casos, a leucopenia é causada pela diminuição do número de neutrófilos (neutropenia), exceto nos ruminantes e em algumas espécies de aves, nos quais os linfócitos são o tipo de leucócito predominante no sangue circulante de animais saudáveis 2. Contagem diferencial de leucócitos -> Contagem em lâmina (100 células) Esfregaços sanguíneos corados são examinados e os leucócitos são identificados e contados até um total de 100 células, em aumento de imersão. Caso haja hemácias nucleadas na mostra, seus valores devem ser anotados separadamente. A porcentagem de cada tipo de leucócito deve ser multiplicada pela contagem global de leucócitos dando origem ao número absoluto de cada célula. O somatório total das contagens absolutas de cada tipo de leucócito deve ser igual à contagem global obtida para a amostra. A interpretação do leucograma deve ser baseada na contagem absoluta de células e não em seus valores relativos. 16 Os sufixos “filia” ou “ose” indicam um aumento do número do tipo específico de leucócito (neutrofilia, eosinofilia, basofilia, linfocitose e monocitose). Os sufixos “penia” ou “citopenia” Indicam uma diminuição do tipo específico de leucócito (neutropenia, eosinopenia, basopenia, linfopenia e monocitopenia). Neutrófilos imaturos são incluídos na contagem diferencial de leucócitos. Os bastonetes são o tipo mais comum de neutrófilo imaturo observado no desvio à esquerda, mas formas ainda mais jovens (metamielócitos e mielócitos) são ocasionalmenteencontradas nos casos de doença severa. Um número progressivamente maior de neutrófilos imaturos (metamielócitos, mielócitos e promielócitos) pode ser encontrado no sangue em casos específicos como inflamação severa e leucemia mieloide. Um desvio à esquerda degenerativo está presente se o número de bastonetes e neutrófilos ainda mais imaturos excede o número de neutrófilos segmentados maduros. Um desvio à direita está presente se os neutrófilos apresentam hipersegmentação nuclear (na maioria das vezes resultado de demora entre a coleta e a confecção do esfregaço sanguíneo) II. Análises qualitativas de leucócitos 1. Anormalidades morfológicas observadas: Hiposegmentação nuclear: Anomalia de Pelger- Huet - Defeito hereditário - Os núcleos dos granulócitos não se segmentam (bastonetes) - Frequente no Pastor Australiano - Pseudo Pelger-Huët: reações idiossincráticas Hipersegmentação nuclear - Neutrófilos com 5 ou mais lóbulos - Corresponde ao envelhecimento in vivo ou in vitro - In vivo: glicocorticoides endógenos ou exógenos prolongam a meia vida circulante dos neutrófilos - In vitro: como resultado do armazenamento prolongado do sangue antes de confeccionar os esfregaços Alterações tóxicas em neutrófilos: ➢ Corpusculo de Dohle ➢ Granulações tóxicas ➢ Vascuolização do citoplasma - Condições associadas a inflamações severas, infecções e intoxicações medicamentosas - Ocorrem devido a uma diminuição no tempo de maturação dos neutrófilos na medula óssea (intensa demanda tecidual) 2. Inclusões intracitoplasmáticas em doenças infecciosas Mórulas de riquetsia (E. coli e Anaplasma) 17 3. Linfócitos atípicos e linfócitos reativos ➢ Associados à estimulação antigênica (especialmente na erliquiose canina), após vacinação ou infecção ➢ Presença de grânulos azurófilos no citoplasma ➢ Apresentam citoplasma mais abundante e basofílico com núcleo clivado ou convoluto ➢ Atualmente o termo “reativo” é mais aceito 4. Síndrome Chédiak- Higashi ➢ Desordem hereditária caracterizada pela fusão de lisossomas que formam um corpúsculo eosinofílico ➢ Poucos sinais clínicos associados ➢ Os animais afetados podem apresentar também desordens da coagulação (hemorragias) ➢ Mais frequentemente reportada em gatos Persa, bovinos, raposas e também em outras espécies 5. Células rompidas/ cariólise/picnose/variorrex ➢ Picnose: condensação do núcleo ➢ Cariorrex: fragmentação do núcleo ➢ Cariólise: dissolução do envoltório nuclear 6. Presença de blastos no sangue periférico ➢ Desordens hematopoiéticas: linfoproliferativas ou mieloproliferativas ➢ Nome comum: leucemias (neoplasias hematopoiéticas) LEUCOCITOSE E LEUCOPENIA LEUCOPENIA 1. Insuficiência da medula óssea Fatores químicos, físicos e biológicos que afetam negativamente a medula óssea vermelha - Radiação, drogas citotóxicas (quimioterapia antineoplásica) e terapia imunossupressora - Vírus, protozoário ou riquétsias - Reações idiossincráticas: cloranfenical em gatos; fenibutazona; cefalosporinas; griseofulvina e toxicose por estrogênios no cão. 2. Demanda tecidual extrema - Desvio à esquerda degenerativo Quanto possui netropenia de segmentados e neutrofilia de bastonetes - Reação inflamatória aguda em ruminantes LEUCOCITOSE Na maioria das vezes as alterações na contagem global são originadas das alterações nos neutrófilos. Pancitopenia pode estar presente. É a redução de hemácias, leucócitos e plaquetas. - Aplasia de medula - Leucemia mieloide aguda 18 LEUCOCITOSE COM NEUTROFILIA 4.Hemorragias e hemólises 5.Necroses e isquemia 6.Envenenamento por drogas ou substâncias químicas 7.Toxemia: botulismo, endotoxemia e uremia 8.Neoplasias: leucemia granulocítica, monocítica, síndromes paraneoplasicas. 9.Desordens genéticas: deficiência da ADESÃO DE LEUCÓCITOS DESVIOS À ESQUEDA: presença de células jovens: Bastonetes, metamielócitos e mielócitos - Regenerativo: Resposta inflamatória clássica devido à súbita demanda por neutrófilos - Degenerativo: Formas jovens em número maior À DIREITA: Presença de células hipermaduras: Neutrófilos hipersegmentados PROGNÓSTICOS Evolução: acompanhamento Hemograma sequenciais Favorável: retorno aos valores de referência Reservado ou desfavorável: - neutropenia - neutrofilia extrema com desvio à esquerda até mielócitos ou precursores anteriores - linfopenia persistente - linfocitose extrema Cursa com leucopenia nos casos graves 19 NEUTROPENIA LINFOCITOSE LINFOPENIA 20 PLAQUETOGRAMA E HEMOSTASIA SINTOMATOLOGIA CLIŃICA DAS ALTERAÇÕES HEMOSTÁTICAS: Sinais e sintomas: brandos a emergenciais. Sinais clínicos variáveis: - hemorragias puntiformes (petéquias) - epistaxe - sangramentos gastrointestinais (hematoquezia e melena) - hematêmese - hemorragias oculares - hemartroses - hematomas - tromboses e tromboembolias. HEMOSTASIA A hemostasia é uma interação intricada e balanceada entre vasos sanguíneos, plaquetas e sistema da coagulação (fatores solúveis no plasma- cascata) TESTES GERAIS PARA AVALIAÇÃO Tempo de sangria (TS): - Avaliação de desordens plaquetárias e vasculares. - Mede-se o tempo de um sangramento provocado desde o momento da perfuração até o cessar o sangramento. - É um teste ambulatorial - Não é preciso (depende da espessura da pele, da profundidade da lesão perfurante, do estado emocional do animal). PLAQUETOGRAMA Adesão: Adreência das plaquetas a uma superfície desprovida de epitélio – colágeno (mediado pelo fator de Von Willebrand) Secreção: - Grânulos: fatores pró coagulantes - Fator plaquetário 4 (atividade anti-heparina) - Tromboxano A2 (TXA2): Agregador plaquetário e vasocontritor potente - Ca++: cascata da coagulação Agregação: Formação do agregado de plaquetas (botão plaquetário) Hemostasia primária: tampão (botão plaquetário ANÁLISES QUANTITATIVAS Contagem de plaquetas As plaquetas são bem pequenas, têm tend~encia em aderir à superfícies estranhas ao endotélio vascular e se desintegram rapidamente. Métodos diretos: - contagem manual em câmara de Neubauer - Contagem automatizada Métodos indiretos: - Contagem manual em esfregaços - 10 a 30 plaquetas em um campo de imersão sugere números normais - 1 plaqueta/ campo = aprox. 15.000 μL ANÁLISES QUALITATIVAS • Exame de esfregaço sanguíneo • A presença de plaquetas gigantes indica hipertrofia de megacariócitos e resposta regenerativa. • Agregados plaquetários (+, ++, +++) RESULTADOS - Elemento mais sujeito a erro nas contagens 21 - A contagem plaquetária é usada para diagnóstico e acompanhamento de doenças hemorrágicas que envolvem a função plaquetária TROMBOCITOSE AUMENTA POSSIBILIDADE DE TROMBOSE Aumento da produção - Hemorragias - Fraturas ósseas - Hemólise - Tranfusões - Infecções agudas - Policitemia vera - Leucemia mieloide - Caquexia - Cardiopatias Por destruição deficiente - esplenectomia TROMBOCITOPENIA TENDÊNCIA A HEMORRAGIAS 30.000 / μL = forte tendência hemorrágica 5.000 / μL = hemorragias frequentes 2.000 / μL = hemorragias seguramente presentes Por diminuição da produção - Infecções agudas - Intoxicações medicamentosas (cloranfenicol, fenilbutazona) - Radiação - Anemia aplástica - Protozoários, bactérias e vírus Por destruição aumentada - Esplenomegalia TESTES DE COAGULAÇÃO Sistema de coagulação – fibrinólise HEMOSTASIA SECUNDÁRIA: estabilizaçãodo tampão plaquetário primário (botão plaquetário) a partir da fibrina polimerizada.] São cerca de 10 proteínas plasmáticas (fatores da coagulação), que circulam em estado inativo sendo sequencialmente ativadas após exposição ao colágeno, via intrínseca (fator XII), e/ou ao “fator tecidual” (tromboplastina), via extrínseca (fator VII) O único fator não proteico dessa sequência é o fator IV (Ca2+ ) A maioria desses fatores é produzida no fiǵado Ao final do processo ocorre a dissolução do coágulo, ou seja, a fibrinólise – HEMOSTASIA TERCIÁRIA. 22 Tempo de protrombina (TP): - Avalia o sistema extrińseco e os fatores de coagulação da cascata comum: fibrinogênio, protrombina, V, VII, X Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa): - Avalia o sistema intrínseco e a cascata comum: fibrinogênio, protrombina, V, VII, X. - Utilizado no diagnóstico das hemofilias. RESULTADOS POSITIVO: Tempos aumentados - Por serem métodos avaliados em alguns segundos, os processos devem ser precisos desde a coleta, sem hemólise e sem traumatismos, e na relação certa do anticoagulante correto (citrato). - Estes testes não são afetados por alterações plaquetárias. ANORMALIDADES DA HEMOSTASIA CONGÊNITAS - Hemofilia A (Deficiência do fator VIII): Doença hemorrágica ligada ao cromossoma X, podendo ocorrer em cães, cavalos, gatos e bovinos. - Doenca̧ de Von Willebrand: Ocorre por deficiência deste fator, sendo comum em cães das raças Doberman, Pastor Alemão, Poodle e Schnauzer, suínos e eqüinos. - Deficiência do fator VII: Ocorre com alta incidência em cães da raça Beagle. - Deficiência de fator X: Descrito em cães da raça Cocker Spaniel. - Deficiência de fator XI: Observado em bovinos e cães da raça Springer Spaniel. - Hipoprotrombinemia: Comum em cães da raça Boxer. ADQUIRIDADAS - Deficiência de vitamina K - Intoxicação por veneno de rato (Warfarina) - Em suínos devido a tratamento prolongado com antibióticos - Doença hepática - diminuição da síntese de fatores de coagulação - Glomerulonefrite CUIDADOS ESSENCIAIS - A puntura inadequada das veias pode acrescentar ao sangue colhido tromboplastina tecidual ativando fatores de coagulação e plaquetas. - Qualquer remoção de sangue resulta em alguma ativação, por isso para qualquer avaliação laboratorial de hemostasia, o vaso deve ser puncionado da primeira vez. - O uso de seringas descartáveis é recomendado pois o vidro ativa as plaquetas. - Para avaliação dos fatores de coagulação, deve-se usar sempre plasma citratado. Proteínas Hipoproteinemia e hiperproteinemia Plasma: ➱91,5% água ➱7,0% proteínas plasmáticas (albumina, globulinas (ALFA, BETA E GAMA) e fibrinogênio) ➱1,5% sais inorgânicos, íons, lípides, carboidratos, enzimas, vitaminas, hormônios e outros No soro, pode-se mensurar ureia, hormônio, proteínas e sais 23 Coleta: tubo cinza (fluoreto) ➡ Glicose Sorologia: pesquisa de anticorpos (gama) (imunoglobulinas e Gamaglobulinas) *específica babesia e erlichia* ELISA/RIFI ➡ ensaio imunológico (quantificar) Reação imunofluorescencia indireta Anticorpo IGG: (específico) (+ ou -) IGG, IGA, IGM, IGE, IGD = anticorpos maior perda ou baixa produção Doenças que ↓ ALB Condições que ↑ GB (ex: leish) ➱ Fígado não produz ➱ Perda no rim ➱ Síntese falha ➱ Não existe por aumento de produção e sim, por perda de plasma (desidratação – relativa) Hemograma ➡ centrífuga ➡ EDTA ➡ refratário ➡ plasma ➡ PP Proteínas séricas: PPT – ALBUMINA = GLOBULINA IGG ➱ já teve contato IGM ➱ doença aguda Bioquímico: conjunto de etapas que formam uma técnica (kit analito) ↓ ALB ↑ GB Inversão taxa AG ➱Desidratação disfarça hipoalbuminemia e anemia discreta ➱ Edema mascara anemia hemorrágica (exsudato) Água sai dos vasos ➡ hemoconcentração ALB = 1(frações) GB 24 Enzimas e outros marcadores das funções hepáticas Enzimas são marcadores celulares de LESÃO As enzimas auxiliam no: Diagnóstico Prognóstico Acompanhamento do caso clínico Resposta ao tratamento Principais causas de erros nos testes sorológicos: 1. Hemólise: aumenta FA 2. Estase venosa (hipóxia) 3. Coagulação (desintegração de hemácias 4. Lipemia: aumenta triglicerídeos (leitoso) “Soro lipêmico/ hemolisado” 5. Erros na conservação das amostras 6. Erros nos ensaios bioquímicos ENZIMAS LOCAL LESÃO Alanina aminotransferase (ALT/TGP) - Fígado Aspartato aminotransferase (AST/TGO) - Fígado Musculo Creatina Cinase (CK/CPK) - Musculo Fosfatase Alcalina (ALP/FALC) - Fígado - Ossos Gama Glutamiltransferase (GGT) - Fígado Bilirrubina é toxica! Estase de bile (↓ fluxo) = Bile retira e ↑ FA A magnitude do aumento da atividade enzimática no soro depende: • do número de hepatócitos afetados • da severidade da injúria celular • da meia vida sérica da enzima Gama glutamiltransferase (GGT): •Localizada predominantemente na membrana plasmática dos hepatócitos e do epitélio dos ductos biliares, e em menor concentração no intestino, coração, pâncreas e cérebro •Os recém nascidos apresentam níveis elevados até os 4 meses de vida •Doenças hepáticas ativas são as causas mais comuns de elevação da GGT •A GGT acompanha a fosfatase alcalina além de ser mais sensível e também não aumenta nas doenças ósseas 4. Valores elevados da GGT: •Hepatite •Cirrose •Obstrução biliar intra e extra hepática •Tumor primário ou metastático no fígado •Drogas hepatotóxicas •Pancreatite Lesão no parênquima hepático Indica colestase de bile ou fratura/ crescimento de osso (Não é boa em equino) Lesões hepatocelulares levam ao aumento de volume das células, inflamação e necrose, alterando o fluxo da bile (colestase intrahepática) com aumento nos parâmetros “colestáticos”. 25 Bilirrubina •A bilirrubina é produzida pelo sistema mononuclear fagocitário (SFM) localizado no baço, medula óssea, fígado e tecido linfóide •A bilirrubina deriva-se da hemoglobina resultante da destruição de hemácias velhas •Sob condições normais, a bilirrubina não tem função fisiológica, sendo apenas um produto de excreção •É uma substância tóxica para o organismo, prejudica ações enzimáticas, membranas celulares, mitocôndrias, fosforilação oxidativa, células do SNC, hepatócitos e células renais •A bilirrubina formada, também chamada de bilirrubina livre, é lipossolúvel, ligando-se a albumina para ser hidrossolúvel, já que o plasma é aquoso •Neste estado não é filtrada pelos glomérulos •O fígado promove captação, conjugação e excreção da bilirrubina •Após seu ingresso na bile, a bilirrubina é excretada para os intestinos onde é formado o urobilinogênio através da redução pelas bactérias intestinais, que é reabsorvido, recirculado e o excesso eliminado na urina e fezes •A bilirrubina conjugada, é filtrada no glomérulo, o que não acontece com a bilirrubina não conjugada que está ligada a albumina (Macrofago -> hemocaterese -> sequestra grupo HEME e é excretado) Icterícia •Caracteriza-se pela presença de coloração amarelada da pele, esclera e mucosas causada pela presença de hiperbilirrubinemia, quando a velocidade de produção excede a eliminação •A observação da icterícia de pele e mucosas torna-se aparente quando as concentrações de bilirrubina plasmática estão acima de 3 a 4 mg/dl •A coloração plasmática observa-se com valores em torno de 2 mg/dl •Verifica-se bilirrubinúria quando a concentração plasmática de bilirrubina está elevada (hiperbilirrubinemia). Pré hepática (hemolítica) 26 Hepática (1º/2º) Pós hepática (obstrutiva) Bilirrubina Total – direta = indireta Avaliação da função renal Órgãos excretores: elimina substâncias em excesso no plasma e substâncias nocivas, como os dejetos do metabolismo Órgãos reguladores: mantém determinada constância na composição e no volume dos líquidos corpóreos Órgãos endócrinos: produzem a renina, a eritropoetina e o 1,25-dihidroxicolecalciferol (vitamina D ativa) DEFINIÇÕES Azotemia - Excesso de ureia e outros compostos nitrogenados não proteicos no sangue; - As causas da azotemia podem ser pré renais, renais ou pós renais; Uremia - Quadro caracterizado por um complexo de sinais clínicos resultantes da azotemia observada na falência renal, mas que podem ocorrer também na azotemia pré e pós renal; -n Se os sinais clínicos estão ausentes, um animal com azotemia não está urêmico; - Os sinais clínicos associados com a uremia incluem anorexia, vômito, diarreia, hemorragia gastrointestinal, estomatite ulcerativa, fraqueza, letargia, tremores musculares, convulsões e coma terminal. Doença renal - Ocorrência de lesões morfológicas renais de qualquer tamanho ou severidade ou ainda anormalidades bioquímicas relacionadas à função renal; - Doença renal significativa pode estar presente na ausência de sinais clínicos ou alterações laboratoriais; - As várias partes que compõem o néfron estão tão interrelacionadas que doenças nos glomérulos geralmente resultam em doença tubular e vice versa. Insuficiência renal (falência renal) - Ocorre quando há sinais clínicos e alterações laboratoriais causados pela redução da função renal; - A falência da função renal ocorre somente após a perda de uma quantidade substancial de néfrons (2/3 a 3/4); 27 A função renal pode ser avaliada pelos seguintes: ➢ Excreção de dejetos nitrogenados (ureia e creatinina); ➢ Regulação dos volumes de água corporal e solutos na urina (gravidade específica); ➢ Secreção de eritropoetina; ➢ Outros AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO RENAL: Concentração da urina - Princípio: desidratação → aumento da osmolaridade do plasma → estímulo da secreção do ADH hipofisário → ação nos túbulos coletores → reabsorção de água → concentração da urina; - Avaliação: a determinação da concentração da urina é realizada como parte dos exames físicos da urinálise (densidade ou gravidade específica - REFRATÔMETRO); ➢ Paciente desidratado com urina diluída indica incapacidade do rim de concentrar a urina (perda significativa de néfrons) Causas de um teste anormal de concentração da urina: • Doença renal • Diabetes insipidus (hipófise) • Outras doenças que causam poliúria Ureia nitrogenada sérica - A maioria da ureia presente no plasma é sintetizada no fígado (ciclo da ureia) a partir da amônia (produto do catabolismo proteico); - Os rins são a rota de excreção da ureia; - A ureia é filtrada nos glomérulos e reabsorvida nos TCP numa taxa inversa ao fluxo tubular; - Durante o fluxo tubular normal cerca de 40% da ureia é reabsorvida e se o fluxo diminui (desidratação ou obstrução) a reabsorção pode chegar a 70% - Medição: testes colorimétricos quantitativos - Material: soro INTERPRETAÇÃO O aumento da concentração de ureia acima dos valores máximos de referência (AZOTEMIA) podem ser de origem: - pré renal: ingestão de proteínas, diminuição do aporte sanguíneo até o glomérulo, diminuição da pressão arterial e desidratação. Nesses casos, a creatinina encontra-se dentro dos valores normais de referência, se não houver doença renal concomitante. - renal: lesões degenerativas ou inflamatórias glomerulares e tubulares que atingem cerca de ¾ do parênquima renal. Nesses casos há excreção insuficiente de creatinina também. - pós renal: devido ao aumento da pressão intratubular nos casos de obstrução do fluxo urinário (urolitíase), geralmente com oliguria e/ou anuria. Creatinina sérica - É um composto nitrogenado não proteico e não reutilizável produzido primariamente nos músculos num processo constante no dia-a-dia; - A filtração glomerular é a maior variável que determina a excreção e o controle da concentração plasmática da creatinina; - A concentração de creatinina não é significativamente influenciada pela dieta ou outros fatores, exceto lesões musculares. Elevação da concentração de creatinina plasmática: - Lesões musculares podem elevar os níveis de creatinina no plasma - Como a maior rota de eliminação da creatinina é a filtração glomerular e como ela não é reabsorvida nos túbulos renais, a creatinina constitui um bom marcador da função renal - Tanto ureia como creatinina são de baixa sensibilidade para o diagnóstico da doença renal 4. Outros (albumina, fósforo e alterações no hemograma) Fósforo - Os rins eliminam fósforo na forma de fosfato, sendo que 95% do fósforo é filtrado no glomérulo. Ocorre reabsorção controlada pelo paratormônio nos TCP e TCD; Gravidade específica maior que: • 1030 no cão • 1035 no gato • 1025 no cavalo e nos bovinos Indicam concentração adequada da urina. 28 - Os níveis de fosfato no plasma são mantidos normais até que 2/3 da função renal esteja comprometida, a partir daí é que seus níveis começam a se elevar no plasma sanguíneo (Hiperfosfatemia). Albumina - Proteinúria severa na doença renal resultam em hipoproteinemia devido a hipoalbuminemia e inversão da taxa A/G Anemia não regenerativa - Secreção diminuída de eritropoetina devido à diminuição do parênquima funcional dos rins; - Supressão da atividade da medula óssea vermelha por toxinas urêmicas. Terminologia comum na avaliação da função renal: Anúria: não formação de urina pelos rins Oligúria: pouca formação de urina pelos rins Poliúria: formação de grande volume de urina Disúria: dificuldade de urinar Urinálise Coleta: Micção natural Compressão da bexiga Cateterismo Cistocentese Conservação: deve ser refrigerada até 30 minutos após a coleta e pode permanecer na geladeira por até 6 horas. Deve ser reaquecida à temperatura ambiente antes do exame Análises Físicas Volume: Um indivíduo nefropata poderá necessitar de um volume 2 a 4 vezes maior de urina para eliminar a mesma quantidade de solutos que um indivíduo são. Cor: - Depende de seu conteúdo em pigmentos e da riqueza em matérias dissolvidas - Normalmente é amarela devido à presença de urocromos - Cor com significado patológico: presença de sangue e pigmentos biliares Transparência: Diversos elementos podem causar turvação da urina, como matérias gordurosas, pus, células de descamação e hemácias Azotemia + hipoproteinemia + edema + hiperfosfatemia + proteinúria = síndrome nefrótica 29 Densidade – gravidade específica: É utilizada para verificar a habilidade dos túbulos renais de concentrar ou diluir o filtrado glomerular Quando os rins perdem 2/3 de sua capacidade funcional, eles perdem também a capacidade de concentrar a urina Análises químicas PH: - Urina ácida: dietas ricas em proteínas, desnutrição, diarréias graves, acidose diabética, após o uso de medicamentos acidificantes e contaminação por E. coli - Urina alcalina: dieta vegetariana, alcalose respiratória ou metabólica, uso de medicamentos alcalinizantes e contaminação por bactérias produtoras de uréase Proteína: Urina concentrada: pode conter “traços” ou até 1+ - Urina diluída: “traços” ou 1+ podem ser significativos Proteinúria Transitória (fisiológica): febre, exercício acentuado, grande ingestão proteica ou contaminação com secreções genitais. Nesses casos a proteinúria é discreta ou moderada. Persistente (patológica):requer uma definição se a proteinúria é de causas renais ou extra- renais (pré renal, renal ou pós renal). Glicose: Ocorre glicosúria quando a concentração plasmática de glicose supera o valor máximo de referência para a espécie - A glicosúria pode ser fisiológica, farmacológica ou patológica Glicosúria GLICOSÚRIA FISIOLÓGICA Geralmente é transitória e ocorre após o estresse, quando ocorre liberação de adrenalina e corticosteroides, que mobilizam os estoques de glicogênio do fígado. GLICOSÚRIA FARMACOLÓGICA - Pode ocorrer após administração de soluções ricas em glicose, após administração de corticosteroides, ACTH, glucagon, adrenalina e morfina. GLICOSÚRIA PATOLÓGICA - Glicosúria hiperglicêmica: situações em que se verifica aumento da glicose sanguínea - Glicosúria normoglicêmica: nesses casos não há aumento da glicose sanguínea Cetonas: A avaliação das cetonas na urina é importante no manejo do paciente com diabetes mellitus para detectar o desenvolvimento de cetoacidose metabólica Bilirrubina: A bilirrubinúria pode ocorrer em casos de hemólise, doença hepática ou obstrução biliar e nas disfunções renais Urobilinogênio: - Normalmente a urina contém alguma quantidade de urobilinogênio. - Ocorre ausência de urobilinogênio quando há obstrução biliar e a bilirrubina não é metabolizada pelas bactérias intestinais. Sangue: Hemoglobina positiva na fita e ausência de hemácias no sedimento: hemoglobinúria ou mioglobinúria ou hemólise na urina muito diluída ou alcalina. Nitrito: A presença de nitrito na urina recente é um indicativo de infecção urinária e um teste de cultura deve ser pedido - Nitrito negativo não descarta presença de infecção Pré renal •Congestão renal passiva crônica: ICC leva ao aumento da pressão hidrostática venosa e alteração na permeabilidade glomerular •Hemólise intravascular: o aumento da liberação de hemoglobina ultrapassa a capacidade de reabsorção tubular •Doença muscular: aumento da liberação de mioglobina •Neoplasias: proteína de Bence Jones (imunoglobulinas originárias da neoplasia) Renal • Lesão glomerular (glomerulonefrites): a albumina é a principal proteína nessas situações. • Lesão tubular (nefrites): a proteinúria ocorre em função da diminuição da reabsorção tubular, sendo as globulinas mais presentes. Pós renal •Doenças das vias urinárias baixas: cistites, uretrites, metrites e prostatites 30 Exame de Sedimento Células sanguíneas Hemácias - Normalmente indicam hemorragia em algum segmento do trato urinário ou, ocasionalmente, no sistema genital - Lesões provenientes da coleta por cateterismo ou cistocentese Piócitos - A piuria é indicativa de processos inflamatórios/infecciosos como nefrite, pielonefrite, cistite e/ou uretrite. - Urinas com presença de piuria: solicitar cultura e antibiograma Células epiteliais De descamação: Derivadas da uretra distal, vagina, vulva e prepúcio. Frequentes nas urinas coletadas por micção natural. Normalmente sem significado clínico. - São as maiores células presentes no sedimento e apresentam núcleo pequeno e arredondado. Epitélio de transição: Células epiteliais transicionais são provenientes da bexiga, uretra proximal, ureteres e pelve renal. Podem se apresentar arredondadas ou em forma de pera. São pequenas, mas maiores que os leucócitos (Piócitos). Seus números aumentados indicam cistite ou pielonefrite. Epitélio tubular renal: As células epiteliais renais são as menores células epiteliais presentes no sedimento, sendo um pouco maiores que os leucócitos. São arredondadas, com núcleo grande. Raramente encontradas no sedimento. Indicam doenças no parênquima renal. Cilindros: São formados na luz dos túbulos distais e coletores a partir de glicoproteínas secretadas pelo epitélio (Tamm-Horsfall). São classificados de acordo com a aparência: - Hialinos, epiteliais, celulares, granulares, cereos. - Os cilindros se dissolvem rapidamente na urina alcalina (examinar urinas frescas). - Os cilindros podem se desintegrar durante a centrifugação com força excessiva ou manuseio descuidado. - Presença de cilindros granulares indica lesão nos túbulos renais. - A quantidade de cilindros no sedimento não está relacionada à severidade da lesão renal. Cristais: A cristaluria pode ou não ter significado clínico. A formação de cristais depende do pH, concentração, temperatura e solubilidade dos elementos. - Estruvita: também chamados de fosfato triplo; urina alcalina; urina com alta concentração de amônia. - Oxalato de cálcio: urinas ácidas ou neutras; envenenamento por etilenoglicol; grande quantidade de cristais de oxalato de cálcio indicam predisposição para urolitíase. - Ácido úrico: incomuns em cães, exceto nos Dálmatas. - Carbonato de cálcio: comuns na urina de cavalos; não tem significado clínico. - Biurato de amônio: observados em animais com doença hepática severa. - Bilirrubina: normalmente vistos em urina ácida de cães; em outras espécies deve ser investigado. - Biurato de amônia: são normais de urina alcalina, mas podem ser precursores dos cálculos renais. - Leucina: animais com doença hepática podem apresentar cristais de leucina na urina. - Tirosina: animais com doença hepática podem apresentar cristais de tirosina na urina; esse não é um tipo comum de cristal em cães e gatos. - Cistina: podem ser associados com doença tubular renal ou urolitíase. 31 Relação proteína/creatinina na urina (RPC) A Relação Proteína/Creatinina (RPC) na urina é um importante indicador utilizado para avaliar a função renal e detectar a presença de proteinúria, que é a excreção excessiva de proteínas na urina. Não há a necessidade de coletar urina durante 24 horas, o que simplifica o processo diagnóstico. A RPC é calculada dividindo-se a concentração de proteína urinária pela concentração de creatinina urinária, ambas medidas em mg/dL, através de testes bioquímicos. Valores elevados de RPC podem indicar doenças renais, como glomerulonefrite, amiloidose ou nefropatia por perda de proteínas. No entanto, é essencial interpretar os resultados no contexto clínico do paciente, considerando fatores como hidratação, presença de infecções urinárias e outras condições que possam influenciar a excreção de proteínas. A RPC é uma ferramenta valiosa para o diagnóstico precoce e monitoramento de doenças renais, permitindo intervenções terapêuticas mais eficazes e melhor prognóstico para os animais.